XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. GERENCIAMENTO DE ESTOQUES DE GRANDES E MEGAEVENTOS: A VISÃO ESTRATÉGICA COMO FORMA DE ORGANIZAÇÃO ANDRE LUIZ JERONIMO DA SILVA (IFRN) [email protected] Leandro Lima Ribeiro (IFRN) [email protected] Marcus Vinicius Dantas de Assuncao (IFRN) [email protected] O presente artigo tem como objetivo analisar os conceitos de gestão e planejamento da Logística em grandes e megaeventos, assim como estudar as políticas de gestão de estoques adotadas por seus promoters. Trata-se de uma pesquisa do tipo bibliográfico-exploratório-analítico, que utilizou dos procedimentos de caráter qualitativo. Os dados foram retirados de duas fontes: estudo bibliográfico sobre a área de eventos e gestão de estoques e entrevistas com pessoas ligadas ao ramo de atividade. Foram utilizadas fontes secundárias e primárias para a realização do estudo. Os resultados estão caracterizados por análises divididas em três partes: análise dos conceitos de gestão e planejamento nos grandes e megaeventos, a gestão de estoques adotada pelos organizadores de grandes e megaeventos e as principais dificuldades encontradas para a efetivação dos eventos. Os resultados obtidos foram analisados e foi observado que deve existir uma ligação entre as áreas de Gestão, Comunicação e Turismo, cada vez mais precisa, para o aprimoramento do setor de Eventos. Além disso, é notório que alguns organizadores de eventos ainda desconhecem os conceitos de gestão e estratégias para se efetivar um bom trabalho, e grande parte das empresas optam por uma gestão de estoque terceirizada. Palavras-chave: Eventos, Logística, Gestão de Estoques XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 1. Introdução Em um mundo informatizado, o evento assume um papel fundamental quanto à integração e ao ajuntamento de um público-alvo, ao debate de ideias, à promoção empresarial- seja com fins lucrativos ou não- e a tantos outros segmentos que o engloba e o constitui. Os eventos podem ser vistos como sendo algo extraordinário e especial aos olhos humanos, visto que a sociedade foi educada num sentido restrito quanto aos assuntos culturais e empresariais, segmentos que comumente utilizam o termo “evento” para suas festividades, como uma apresentação de teatro clássico, concertos, workshop, videoconferência, feiras literárias, dentre outros. Em um plano paralelo à Sociologia, pode-se subdividir os eventos em uma concepção clássica e cultural, ou o que se pode chamar de erudita e popular. Para Tomazi (2010), o evento erudito abrangeria expressões artísticas como a música clássica de padrão europeu, as artes plásticas, o teatro e a literatura de cunho universal. O evento popular encontra expressão nos mitos e contos, danças, música, feira de artesanato. São exemplos de eventos de teor erudito uma apresentação de ballet clássico, e popular o carnaval. Ademais, tem-se o conceito de evento corporativo, aquele que é promovido por empresas com as mais diversas finalidades, como uma confraternização ou um seminário de capacitação. Entrementes, para a culminância de um evento seja este qual for, de qualquer esfera, dos mais diversos fins, e dos mais diversificados segmentos, é indispensável um planejamento e um controle logístico, que será responsável por todo o desencadeamento das operações e, consequentemente, a efetivação dos objetivos traçados. Além do enlace das áreas de Gestão, Turismo e Comunicação. Para Ferreira (2009), organizar um evento é uma tarefa complexa e que envolve grandes responsabilidades, em geral, é programado em todos os seus mínimos detalhes pelos organizadores. É planejado, em suma, para atrair a atenção e despertar o interesse do público. Diante do exposto, o presente trabalho tem como finalidade principal o estudo aplicado e analítico dos conceitos de gestão e planejamento da Logística em grandes e megaeventos. 2 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Além do estudo de execução da gestão de estoques utilizados pelas empresas organizadoras de eventos, pretendendo apontar as principais dificuldades, estratégias utilizadas e a presença ou ausência de um plano organizacional. A motivação maior desse artigo é a falta de estudo aprofundado sobre o tema de gestão de estoques na área de grandes e megaeventos. Há uma lacuna na literatura que deve ser preenchida. Esse trabalho urge dessa necessidade, é um assunto ainda insipiente na literatura especializada, merecendo total atenção e estudo. 2. Referencial Teórico De acordo com Maia e Oliveira (2009), o referencial teórico tem como finalidade revisar a produção acadêmica da área, explicitando as opções teóricas de um diálogo crítico com as outras visões e concepções. O presente referencial é dividido em três partes: Eventos, Logística e Gestão de Estoques. 2.1 Eventos Segundo Tenan (2002), evento é um acontecimento que não é rotineiro no cotidiano das pessoas; fato que desperta a atenção. Para a autora, o evento possui certas singularidades, características próprias, como exclusividade, se for continuamente repetido deixa de ser evento; pessoas, sem pessoas não é possível sua realização; interesses em comuns, a culminância do evento está diretamente ligada ao seu público. Para corroborar com essa ideia, Campos, Wyse e Araújo (2002) definem evento como algo que foge à rotina e é projetado para reunir um grupo de pessoas. Brito e Fontes (2002) vão mais além e enxerga a necessidade de uma ligação entre uma boa gestão que envolve pesquisa, planejamento, organização, coordenação, controle e implantação de um projeto, visando atingir o seu público-alvo com medidas concretas e resultados projetados. Quanto à sua classificação, evento, de acordo com Tenan (2002), pode ser dividido em diversas categorias, como segue o quadro abaixo: 3 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Quadro 1- Classificação dos tipos de eventos CLASSIFICAÇÃO Frequência Permanentes; esporádicos; únicos; de oportunidade. Localização Fixos ou itinerante Forma de participação Adesão ou determinação Alcance do público De massa ou nicho Dimensão De grande, médio ou pequeno porte. Objetivo Científicos; educacionais; sociais; institucionais; comerciais ou políticos. Artísticos; científicos; cívicos; culturais; Área de interesse folclóricos; educativos; empresariais; esportivos; religiosos; recreativos; sociais ou governamentais. Locais; municipais; estaduais; nacionais; internacionais; mundiais e regionais, quanto ao Estado, país ou continente. Escopo geográfico Tipologia Dialogais; sociais; competitivos; demonstrativos e de premiação. Fonte: Tenan (2002) Assim, pode-se observar que a preocupação maior do evento está diretamente relacionada com seu público-alvo e sua forma de organização. Para Matias (2010), Evento é um acontecimento que, desde as suas origens, na antiguidade, e em sua trajetória histórica até chegar aos tempos 4 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. modernos, sempre envolve várias pessoas nas diversas fases do planejamento e organização, como também atrai um grande número de participantes. (Matias, 2010, p.01) Quanto à definição de grande evento, podemos observar um défice na Literatura, visto que poucos escritores desempenharam pesquisas ligadas a esse ramo. Ainda assim, Matias (2010) define um grande evento sendo um encontro que envolve mais de 500 participantes. Já em relação a um megaevento, Matias (2010) o define como sendo um encontro que envolve mais de 5 mil participantes. 2.2 Logística O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (1975) afirma que Logística seria o ramo de organização e gestão de meio e materiais, para uma ação ou para um evento. Ballou (2006) define Logística como sendo um setor que não só abrange todo o fluxo de materiais, desde a matéria-prima ao desencadeamento do processo de produção, mas também lida com o fluxo de serviços, o qual é considerado, pelo autor, como uma área de crescentes oportunidades de aperfeiçoamento. Novaes (2007) robustece a ideia de Ballou e caracteriza Logística como sendo um processo de planejar, operar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, seguindo uma cadeia que vai desse o ponto de origem até o ponto de consumo. Nessa concepção, Bowersox e Closs (2011) esquematiza a Logística como sendo uma cadeia que vai desde o ponto de origem ao destino final, de forma econômica, eficiente e efetiva, levando em consideração as necessidades e preferências dos clientes, como ilustra o quadro a seguir: Quadro 2- Definição esquemática de Logística FLUXO E ARMAZENAGEM PONTO DE ORIGEM DE FORMA ECONÔMICA, EFICIENTE E EFETIVA Matéria-prima Produtos em processo produtos acabados Informação Dinheiro DESTINO FINAL SATISFAZENDO AS NECESSIDADES E PREFERÊNCIAS DOS CLIENTES 5 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Fonte: Bowersox e Closs (2011) 2.3 Gestão de Estoques Ballou (2006) afirma que “estoque são acumulações de matérias-primas, suprimentos, componentes, materiais em processo e produtos acabados que surgem em numerosos pontos do canal de produção e logística das empresas”. Paoleschi (2009) ratifica a ideia de Ballou e define estoques como sendo qualquer quantidade de bens físicos que, de certa forma, são conservados, de forma improdutiva, levando como variável um intervalo de tempo. Sobre gestão de estoques, Ballou (2006) afirma que o assunto merece total atenção, pois há muitas questões há serem estudadas. Contudo, o autor classifica o assunto em três grandes segmentos, como mostra o quadro a seguir: Quadro 3- Segmentos da gestão de estoques Os estoques são mais comumente gerenciados como itens isolados localizados em pontos exclusivos de armazenamento; O controle de estoques será visto como gerenciamento agregado de estoques; O gerenciamento de estoques entre múltiplos pontos e múltiplos elos ao longo da cadeia de abastecimento. Fonte: Ballou (2009) Por outro lado, Paoleschi (2009) ver o gerenciamento de estoques não só sendo uma ferramenta de planejamento estratégico, mas também como uma ferramenta operacional. Para Paoleschi (2009) Uma empresa deve cuidar da gestão de estoques como o principal fundamento de todo o seu planejamento tanto estratégico como operacional, porque um controle correto dos estoques elimina desperdícios de tempo, de custo, de espaço e vai atender o cliente no momento em que ele deseja. (Paoleschi 2009, p.123) 6 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Ainda de acordo com Paoleschi (2009), a gestão de estoques deve visar o menor custo sem a ocorrência de falta de materiais. Para o pícaro do projeto, o autor afirma que deve-se haver a elaboração de alguns controles e a aplicação de indicadores de comando, visando a exatidão do estoque. 3. Metodologia A presente metodologia trará a explicação dos procedimentos utilizados para a elaboração desse estudo, traçando os meios pelos quais foram desenvolvidos. Para Barros (2005, p.80) apud Maia e Oliveira (2009, p. 132), a metodologia remete a uma determinada maneira de trabalhar algo, de eleger ou construir materiais, de extrair algo destes materiais, de se movimentar sistematicamente em torno do tema definido pelo pesquisador. Quanto à classificação dessa metodologia, foram adotadas as variáveis que toma como referência a natureza do estudo, os objetivos de estudo e os procedimentos de coletas de dados. Quanto à natureza, a presente pesquisa se estrutura como sendo qualitativa. Conforme Günther (2006), a pesquisa qualitativa é uma ciência baseada em textos, ou seja, a coleta de dados produz textos que, nas diferentes técnicas analíticas, são interpretados hermeneuticamente. Quanto aos seus objetivos, esse trabalho se configura como sendo uma pesquisa exploratória. As pesquisas exploratórias, segundo Gil (2008), proporcionam uma maior familiaridade com o problema (explicitá-lo). Pode envolver levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas experientes no problema pesquisado. Andrade (2001) complementa dizendo que esta configura-se como a fase preliminar, que busca proporcionar maiores informações sobre o assunto que vai ser investigado. 7 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Quanto aos procedimentos de coleta de dados, foram utilizados de levantamento bibliográfico (fonte secundária) para aprofundamento da compreensão sobre as estratégias utilizadas pela área de Turismo para a culminância de um grande evento. Além disso, Foram realizadas seis entrevistas- não estruturadas- com pessoas familiarizadas com o assunto de eventos, levando em consideração a classificação dos tipos de eventos, quanto à área de interesse, apontados por Tenan (2002): (Artísticos; científicos; cívicos; culturais; folclóricos; educativos; empresariais; esportivos; religiosos; recreativos; sociais ou governamentais). Para a apresentação dos resultados, foram utilizados gráficos e tabelas para melhor compreensão (Fontes primárias). A análise da primeira tabela leva em consideração os eventos apontados pelos entrevistados. A análise da segunda tabela leva em consideração dois fatores: eventos apontados pelos entrevistados, e megaeventos que já possuíam estudos, no campo acadêmico, sobre a organização dos estoques. 4. Resultados A pesquisa em questão foi realizada por meio de 6 (seis) entrevistas- não estruturadas- com pessoas que possuíam algum vínculo com a realização de eventos. Os dados foram tabulados e analisados conforme abaixo. Quadro 4- Divisão dos Resultados Análise dos conceitos de gestão e planejamento Gestão de estoques em grandes e megaeventos Principais dificuldades Fonte: própria 4.1- Análise Dos Conceitos De Gestão e Planejamento Tabela 1- Nota Atribuída aos Eventos Analisados Quanto à Adoção de Conceitos de Gestão e Planejamento EVENTO ÁREA NOTA Exposições de Artes Artístico 2 Apresentação de teatro/dança Artístico/ 2 Cultural/ folclórico SECITEC Educacional 2 8 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. CONNEPI Educacional 3 Buffet Empresarial 2 Congresso Empresarial Empresarial 3 Desfile cívico Cívico 2 Padroeiro Governamental 3 Dia das crianças Social 1 Jern´s Esportivo 3 1- Não adota conceitos de Gestão e Planejamento 2- Adota, em parte, os conceitos de Gestão e Planejamento 3- Adota e executa os conceitos de Gestão e Planejamento Fonte: própria (Dados primários) Observa-se na tabela 1 que as empresas organizadoras de eventos, assim como as pessoas responsáveis pela sua realização (promoters), em sua maioria, apesar de conhecerem as etapas de um evento (pré-evento, transevento, pós-evento) e saberem a importância de uma boa gestão aplicada para o píncaro de um planejamento preciso e eficiente; não adotam com plena relevância os conceitos gerenciais, nem um plano organizacional, além de não possuírem ferramentas estratégicas quanto a soluções de possíveis falhas e avarias apresentadas no decorrer de um grande e megaevento. Com exceção de alguns grandes e megaeventos como o Jern´s (Jogos escolares do Rio Grande do Norte), Festa de Padroeiro de São Gonçalo do Amarante (Mártires de Uruaçu e Cunhaú), Congressos Empresariais e eventos educacionais, como o CONNEPI; os demais eventos estudados se restringem apenas a adoção de um roteiro de projeto- primordial para a elaboração de um projeto com informações básicas que direcionem o desenvolvimento das atividades necessárias à sua efetivação. Os grandes e megaeventos analisados, que receberam nota 3 (três), apresentaram um plano organizacional eficiente. Ou seja, eles adotam ferramentas como o Check List- mensurar o evento, uma relação de providências, tarefas ou necessidades do evento, como reserva do local, definição de tema e programação do evento, patrocínio, envio de cartas convite para autoridades, palestrantes, reserva de equipamentos audiovisuais, uma preocupação quanto à acomodação dos participantes, treinamento e etc; Briefing- conjunto de informações e 9 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. instruções facultadas com antecedência aos organizadores de eventos sobre os aspectos mais relevantes do evento que será organizado, como hospedagem, transporte, serviços de alimentação; Estratégia de comunicação e marketing e mídias alternativas- parajet, jornal, revistas, rádios e TV; Brainstorming- tempestade de idéias; Benchmarking- ferramenta utilizada para se efetuar a análise externa do desempenho da organização. 4.2- Gestão de Estoque em grandes e megaeventos Durante a elaboração deste trabalho, foi analisado que a maioria das empresas que organizam grandes e megaeventos terceirizam seus serviços. Elas apenas entram com o suporte, além do investimento financeiro. Na maioria das entrevistas, foi apontado que a terceirização é utilizada como uma visão estratégica, pois a adoção de estoques geraria diversos custos de armazenagem e supervisão dos produtos estocados. Outro benefício da terceirização seria a redução dos custos quanto à manutenção e o controle dos estoques, evitando, dessa forma, a deterioração e a obsolescência dos produtos. Nesse segmento, ainda se opta pela contratação de diversas empresas que se responsabilizam por seus próprios estoques. Dessa forma, a afirmativa de Paoleschi (2009) de que um controle correto dos estoques elimina desperdícios de tempo, de custo, de espaço e vai atender o cliente no momento em que ele deseja é corroborada na prática pelos organizadores e empresas de eventos. Ainda foi analisado que grandes e megaeventos utilizam dos estoques transitórios, que são utilizados temporariamente, ou seja, depois de cumprirem sua função, são descartados, eliminados, excluídos, por parte da empresa organizadora. Os estoques transitórios são utilizados em megaeventos, como a Copa FIFA e as Olimpíadas, que trabalham com estoques temporários, como medalhas específicas para os eventos, bolas (Jabulani- Copa do Mundo da África do Sul 2010, Brasuca- Copa do Mundo Brasil 2014). Quadro 5- Classificação Quanto à Gestão de Estoque Utilizada em Grandes e Megaeventos EVENTO ÁREA GESTÃO UTILIZADA SECITEC Educacional Terceirizado CONNEPI Educacional Terceirizado Buffet Empresarial Terceirizado 10 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Congresso Empresarial Terceirizado/Transitório Desfile cívico Cívico Terceirizado Padroeiro Governamental Terceirizado Dia das crianças Social Transitório Copa do Mundo Esportivo Transitório Olimpíada Esportivo Transitório Fonte: própria (Dados primários) No quadro 5, podemos analisar a gestão utilizada pelos organizadores de eventos. Grande maioria utiliza-se do serviço terceirizado, enquanto outros trabalham com estoques transitórios. 4.3- Principais dificuldades Quanto às dificuldades para a realização dos eventos, pode-se observar que grande parte das insatisfações, apontada pelos entrevistados, está ligada à falta de planejamento organizacional. Questões como mobilidade de pessoas, falta de logística, estratégias e problemas financeiros também foram apontados pelos entrevistados, como mostra o gráfico a seguir: Gráfico 1- Principais Dificuldades ao se Elaborar um Evento 11 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Fonte: própria (Dados primários) Em relação a analise dos resultados, na fase do pós-evento, foi apontado, pelos entrevistados, que, em suma maioria dos casos, é utilizada uma avaliação de desempenho, que busca aprimorar os serviços prestados e corrigir os erros eventuais decorridos durante sua realização. 5. Conclusão Os principais objetivos deste trabalho foram analisar a adoção dos conceitos de gestão e planejamento, e a gestão de estoques utilizada pelas empresas do ramo de eventos e por seus promoters. Pode-se concluir que grande parte dos organizadores de eventos não se preocupam com a adoção de conceitos da área de gestão e planejamento. Eles apenas se restringem a mensuração do evento, organização do local, data, público-alvo e necessidades básicas para a realização do evento. A respeito da gestão de estoques utilizada, observa-se que grande parte das empresas de eventos terceirizam seus estoques. A estratégia de terceirizar visa um menor custo para a empresa, despreocupação. Devido a isso, no ramo de eventos, os serviços terceirizados vão desde iluminação, som, palco ao cafezinho distribuídos aos participantes. 12 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Pode-se concluir também que é indispensável o enlace das áreas de Gestão, Turismo e Comunicação, pois não é possível uma trabalhar isolada da outra, todas devem estar bem articuladas para evitar possíveis falhas no desencadear do projeto. Esse trabalho não dá conta de responder a tantas outras abordagens sobre sistemas de controle gerencial que possam ser aplicáveis aos eventos. Aqui, foram adotadas simplificações e o objeto de estudo limitou-se aos grandes e megaeventos apontados pelos entrevistados. Entretanto, futuros estudos podem desvelar estas e outras questões relacionadas a esses e outros grandes e megaeventos. 13 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 6. Referências Bibliográficas ANDRADE, M. M. Como Preparar Trabalhos para Cursos de Pós Graduação. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2001.\\ BALLOU, Ronald H. - Gerenciamento da cadeia de suprimentos / logística empresarial. 5.ª ed. Porto Alegre, RS: Bookman, 2006. BRITO, Janina; FONTES, Nena. Estratégias Para Eventos: Uma ótica do marketing e do turismo. São Paulo: Aleph, 2002. 379 p. (Turismo). BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J.. Logística Empresarial: O processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2011. 593 p. CAMPOS, Luiz Cláudio de A. Menescal; WYSE, Nely; ARAÚJO, Maria Luiza Motta da Silva. Eventos: oportunidades de novos negócios. Rio de Janeiro: Aleph, 2002. FERREIRA, Camila. A Importância dos Eventos Empresariais. 2009. Disponível em: <https://comunicacaoorganizada.files.wordpress.com/2009/07/a-importancia-dos-eventosempresariais.pdf>. Acesso em: 20 fev. 2015. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008. GÜNTHER, Hartmut. Pesquisa Qualitativa Versus Pesquisa Quantitativa: Esta É a Questão? 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2>. Acesso em: 09 mar. 2015 HOLANDA, Aurélio Buarque de. Novo Dicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1979. MAIA, Lerson Fernando dos Santos; OLIVEIRA, Marcus Vinícius de Faria. Trabalhos Acadêmicos: princípios, normas e técnicas. Natal: Cefet-rn, 2009. 150 p. MATIAS, Marlene. Organização de Eventos: Procedimentos e técnicas. 5. ed. São Paulo: Manole, 2010. 190 p. NOVAES, Antonio Galvao. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Distribuição. Rio de Janeiro: Campus, 2007. 400 p. PAOLESCHI, Bruno. Almoxarifado e Gestão de Estoques. São Paulo: Érica, 2009. 176 p. TENAN, Ilka Paulete Swissero. Eventos. São Paulo: Aleph, 2002. 96 p. (ABC do Turismo). TOMAZI, Nelson Dacio. Sociologia para o Ensino médio. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. 256 p. 14 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 15