UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA ALINE LIMA RIBEIRO CAROLINE LAGROTTA DA VEIGA ASSOCIAÇÃO ENTRE A CAPACIDADE COGNITIVA E A OCORRÊNCIA DE QUEDAS EM IDOSOS DE JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS. JUIZ DE FORA 2013 ALINE LIMA RIBEIRO CAROLINE LAGROTTA DA VEIGA ASSOCIAÇÃO ENTRE A CAPACIDADE COGNITIVA E A OCORRÊNCIA DE QUEDAS EM IDOSOS DE JUIZ DE FORA, MINAS GERAIS. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Faculdade de Fisioterapia da Universidade Federal de Juiz de Fora, como requisito para obtenção da aprovação na disciplina Trabalho de Conclusão de Curso II. Orientadora: Profa. Drª. Isabel Cristina Gonçalves Leite Co-orientadora: Profa. MsC. Danielle Teles da Cruz JUIZ DE FORA 2013 Ribeiro, Aline Lima. Associação entre a capacidade cognitiva e a ocorrência de quedas em idosos de Juiz de Fora, Minas Gerais / Aline Lima Ribeiro, Caroline Lagrotta da Veiga. – 2013. 80 f. : il. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Fisioterapia)– Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2013. 1. Idoso. 2. Envelhecimento. 3. Cognição. 4. Acidentes por quedas. I. Veiga, Caroline Lagrotta da. II.Título. CDU 159.922.6-053.88 AGRADECIMENTOS À Deus nossa gratidão pela vida e por tudo que nos tem proporcionado. À Dra Isabel Cristina Gonçalves Leite pelo aceite em orientar este trabalho, pela confiança que nos foi depositada e por compartilhar com nós sua vasta experiência na condução de um trabalho científico. À Danielle Teles da Cruz pelo comprometimento e competência, pelo apoio mesmo à distância e pelas repreensões e elogios nos momentos cabíveis, que nos proporcionaram um olhar mais crítico. À banca, Dra Cláudia Helena Cerqueira Mármora e Dra Andréia Ramos que gentilmente aceitaram nosso convite e se colocaram à disposição para que a conclusão deste trabalho fosse possível. Aos nossos pais, pelo incentivo, abdicação de suas vontades para realização das nossas, pelo amor incondicional e principalmente por terem aguentado nossos momentos de estresse. Aos familiares e amigos pela torcida, ajuda, incentivo e por terem compreendido as diversas oportunidades em que estávamos ausentes devido aos estudos. À Carol, que dividiu esta responsabilidade comigo, agradeço pela paciência, pelo companheirismo, pela preocupação com a qualidade do trabalho, sempre com seu português correto e também por algumas discussões que só engrandeceram nossa amizade no percorrer deste processo. Agradeço à Aline, pela seriedade com que conduziu este trabalho, pela paciência e carinho ao longo desse período. Obrigada por suprir a minha ausência em alguns momentos e por garantir o equilíbrio da nossa amizade em toda essa jornada. “Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque está escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.” Siddharta Gautama Buda RESUMO O envelhecimento populacional coloca em evidência os problemas enfrentados pela população idosa. Durante o processo de envelhecimento os gerontes passam por alterações fisiológicas, como o declínio da capacidade cognitiva, que comprometem sua funcionalidade e favorecem a ocorrência de quedas. Assim, o objetivo do estudo foi verificar a associação entre o nível da capacidade cognitiva e a ocorrência de quedas em idosos residentes na Zona Norte de Juiz de Fora, Minas Gerais. Trata-se de um estudo de delineamento transversal, no qual foi utilizado o banco de dados pertencente ao projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG. Assim, a amostra total foi composta por 462 indivíduos acima de 60 anos, de ambos os sexos e que residiam na comunidade. A análise dos dados foi realizada por meio do Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 15.0 e o nível de significância adotado foi de 5%. Foram estimadas as frequências absoluta e relativa das variáveis de interesse e através da utilização do teste Qui-quadrado (²) foi averiguada a associação entre a capacidade cognitiva apontada pelo Mini-Exame (MEEM) e a ocorrência de quedas. 28,14% dos idosos apresentaram declínio cognitivo segundo resultados da aplicação do MEEM, a frequência de quedas encontrada no grupo de idosos com comprometimento cognitivo foi de 42% e foi verificada a associação entre comprometimento cognitivo e a ocorrência de quedas RPbruta (IC95%) = 1,70 (1,04;2,76) e p = 0,043. Além de investir em medidas preventivas, a detecção precoce de alterações cognitivas permite a introdução de ações e medidas adequadas e condizentes com a promoção do envelhecimento saudável, garantia da qualidade de vida para esse segmento etário e menores custos sociais e econômicos para o setor saúde. Palavras-chave: Idoso. Envelhecimento. Cognição. Acidentes por quedas. ABSTRACT Population aging process highlights the problems faced by the elderly population. During the aging process, the elderly people undergo physiological changes, such as the decline of cognitive abilities, which compromise their functionality and favor the occurrence of falls. Thus, the aim of this study was to investigate the association between cognitive ability and the occurrence of falls in elderly people living in the north of Juiz de Fora, Minas Gerais. This is a cross-sectional study, in which we used the database belonging to the Health Survey in the city of Juiz de Fora, MG project. Thus, the total sample consisted of 462 individuals over 60 years of both sexes and who resided in the community. Data analysis was performed using the Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 15.0 and the significance level was 5%. We estimated the absolute and relative frequencies of the variables of interest and, using the Chi-square (²), it was assessed the association between cognitive ability indicated by the Mini- Mental State Examination (MMSE) and the occurrence of falls. 28.14% of the elderly had cognitive decline according to the results of the implementation of MMSE, the frequency of falls found in the elderly group with cognitive impairment was 42% and it was assessed the association between cognitive impairment and the occurrence of falls crude PR (95% CI) = 1.70 (1.04, 2.76) p = 0.043. Besides investing in preventive measures, early detection of cognitive changes allows the introduction of appropriate measures and actions and consistent with the promotion of healthy aging, ensuring quality of life for this age group and lower social and economic costs to the health sector. Keywords: Aged. Aging. Cognition. Accidental falls. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1. Organograma da amostragem estudada .................................................. 38 LISTA DE TABELAS Tabela 1. Características demográficas e socioeconômicas de 420 idosos. Juiz de Fora, MG, 2010 ......................................................................... 39 Tabela 2. Características dos 420 indivíduos segundo o grau de escolaridade. Juiz de Fora, MG, 2010 ................................................................................ 40 Tabela 3. Faixa etária e desempenho no MEEM segundo o grau de escolaridade. Juiz de Fora, MG, 2010 ......................................................................... 41 Tabela 4. Características dos 412 indivíduos segundo a presença ou não de comprometimento cognitivo. Juiz de Fora, MG, 2010 ........................... 42 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABEP Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa BOAS Brazil Old Age Schedule DATASUS Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde ESF Estratégia de Saúde da Família IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística MEEM Mini Exame do Estado Mental MG Minas Gerais OMS Organização Mundial de Saúde SNC Sistema Nervoso Central SPSS Statistical Package for the Social Sciences TCL Transtorno Cognitivo Leve TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido UBS Unidade Básica de Saúde UFJF Universidade Federal de Juiz de Fora LISTA DE SÍMBOLOS % por cento ² qui- quadrado ± mais ou menos SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................. 12 2 REVISÃO DA LITERATURA ........................................................................ 15 2.1 Dinâmica do envelhecimento populacional .............................................. 15 2.2 Fisiologia do envelhecimento .................................................................... 19 2.3 Envelhecimento e déficit cognitivo ........................................................... 24 2.3.1 Memórias ....................................................................................................... 25 2.3.2 Atenção ......................................................................................................... 26 2.3.3 Linguagem ..................................................................................................... 27 2.3.4 Habilidades visuoespaciais e praxia .............................................................. 28 2.3.5 Funções executivas ....................................................................................... 28 2.4 Quedas ......................................................................................................... 30 3 OBJETIVOS .................................................................................................. 33 3.1 Objetivo geral ............................................................................................... 33 3. 2 Objetivos específicos .................................................................................. 33 4 METODOLOGIA ........................................................................................... 34 4.1 Delineamento do estudo ............................................................................. 34 4.2 Fonte dos dados .......................................................................................... 34 4.3 Variáveis do estudo ..................................................................................... 35 4.3.1 Variável dependente ...................................................................................... 35 4.3.2 Variáveis independentes ............................................................................... 35 4.4 Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) ...................................................... 36 4.5 Análise dos dados ......................................................................................... 37 5 RESULTADOS .............................................................................................. 38 6 DISCUSSÃO ................................................................................................. 43 7 CONCLUSÃO ............................................................................................... 48 REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 49 ANEXOS .................................................................................................................. 61 14 1 INTRODUÇÃO O envelhecimento populacional teve início no final do século XIX e se estende de forma acelerada até os dias atuais. As inovações tecnológicas aplicadas à saúde e as mudanças comportamentais instituídas nesse período foram fundamentais para a inversão da pirâmide etária, com a redução das taxas de natalidade e de mortalidade, bem como o aumento da expectativa de vida (MENDES et al., 2012; CARVALHO e RODRÍGUEZ-WONG, 2008; NASRI, 2008; LEBRÃO, 2007; PAIVA e WAJNMAN, 2005; RAMOS, VERAS e KALACHE, 1987). Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1991 a população brasileira com idade acima de 60 anos correspondia a 7,3% da população total. Em 2010 essa proporção subiu para cerca de 11%. A expectativa de vida observada nos respectivos períodos também cresceu significativamente, passando de 66,9 para 73,5 anos (IBGE, 2010a; IBGE,1991). Essa inversão da pirâmide etária desencadeia alterações no perfil epidemiológico da população, com a emergência das complicações típicas do indivíduo idoso, caracterizadas por múltiplas patologias crônicas responsáveis, frequentemente, pela perda de autonomia e independência (MENDES et al., 2012; LEBRÃO, 2007; SCHRAMM et al., 2004; GARRIDO e MENEZES, 2002). O envelhecimento compromete de forma distinta o funcionamento de todos os sistemas do organismo. Entre as principais alterações observadas, podemos citar: redução da força muscular, da massa óssea, do equilíbrio, da flexibilidade, das aptidões psicomotoras, da capacidade cardiorrespiratória, alterações posturais, de marcha, de sensibilidade e de cognição (FECHINE e TROMPIERI, 2012; SILVEIRA et al., 2010; RIBEIRO, ALVES e MEIRA, 2009; ABREU e CALDAS, 2008). É comum a aparição de déficits cognitivos entre a população idosa, com início e avanço individuais, sendo o sintoma mais comum a perda de memória (MORRISON e BAXTER 2012; FERREIRA, TAVARES e RODRIGUES, 2011; ANTUNES, et al., 2006). A memória, assim como o raciocínio, a atenção, a comunicação, a aprendizagem e as habilidades motoras integram a função cognitiva 15 (SANTOS et al., 2011; MEIRELES et al., 2010; MORAES, MARINO e SANTOS, 2010; YASSUDA e ABREU, 2006; PINTO, 1999). O declínio desta função, que ocorre durante o envelhecimento, influencia negativamente a estabilidade postural dos gerontes (CARVALHO e ALMEIDA, 2008; FREITAS JÚNIOR e BARELA, 2006). Uma das maiores preocupações com a população idosa está relacionada a alta prevalência de quedas, um evento passível de prevenção e provável de ocorrer em qualquer faixa etária, mas que representa um marco importante para a saúde do idoso. Quando o idoso sofre uma queda, esta normalmente vem acompanhada do receio de novas quedas, fomentando a perda da autonomia e da independência, que por sua vez induz ao isolamento social, predispõe à institucionalização, à perda crescente da capacidade funcional e à reincidência de outras quedas. Além dos efeitos adversos anteriormente citados, podem ocorrer comorbidades, fraturas e lesões, gerando um maior número de hospitalizações e consumo de serviços sociais e de saúde, podendo até mesmo levar à morte (CRUZ et al., 2012; PIOVESAN, PIVETTA e PEIXOTO, 2011; FABRÍCIO, RODRIGUES e COSTA JUNIOR, 2004; CARVALHO e COUTINHO, 2002). As quedas não podem ser consideradas eventos típicos do envelhecimento humano. Elas decorrem de múltiplos fatores advindos do processo de senescência, de senilidade, da utilização de diversos medicamentos, além dos fatores sociais e ambientais em que o indivíduo encontra-se inserido. Dessa forma, é importante deixar claro que a queda é um evento passível de prevenção e, sua abreviação, permitiria que mais pessoas pudessem envelhecer com saúde e qualidade de vida, participando ativamente das questões sociais, culturais, econômicas, espirituais e civis, reduzindo as incapacidades e a mortalidade. O descompasso da adequação no Brasil entre as práticas de saúde vigentes e o contingente populacional de idosos configura o envelhecimento populacional como um desafio a ser superado pelas políticas públicas de saúde e toda a sociedade. Assim, algumas especificidades dessa população, como a ocorrência de quedas, o comprometimento cognitivo, a relação entre esses eventos e os efeitos negativos que podem ocorrer em decorrência desses, merecem especial atenção. Dessa forma, o presente estudo visa verificar a associação entre o nível da 16 capacidade cognitiva e a ocorrência de quedas em idosos na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, através de um estudo epidemiológico de delineamento transversal. 17 2 REVISÃO DA LITERATURA 2. 1 Dinâmica do envelhecimento populacional No final de 2011, a população mundial alcançou 7 bilhões de habitantes. Esse crescimento populacional tem ocorrido de forma mais acelerada desde a década de 50, com a inserção de aproximadamente 80 milhões de pessoas a cada ano na sociedade (UNFPA, 2011). O desenvolvimento médico-tecnológico iniciado em 1940 proporcionou melhores condições de vida aos indivíduos, que aliado a outros fatores, acabou por garantir uma extensa representação da população, sobretudo a idosa no cenário demográfico atual (CARVALHO e RODRÍGUEZ-WONG, 2008; CHAIMOWICZ, 1997). Esse processo desencadeou a transição demográfica, que consiste na transformação de uma situação onde predominam elevadas taxas de natalidade e mortalidade para outra em que as taxas de natalidade e mortalidade se tornam reduzidas, resultando no chamado envelhecimento populacional (CARVALHO e RODRÍGUEZ-WONG, 2008; LEBRÃO, 2007; RAMOS, VERAS e KALACHE, 1987). A transição demográfica pode ser observada em todo o mundo, embora as diferenças sejam marcantes entre os países desenvolvidos, que foram pioneiros nessa transformação, e os em desenvolvimento, que iniciaram o processo tardiamente (VERAS, 2009; NASRI, 2008; LEBRÃO, 2007; PAIVA e WAJNMAN, 2005). Os países da Europa Ocidental foram os primeiros a sofrerem alterações na estrutura etária da sua população, entre o final do século XIX e a segunda metade do XX. Nesses países a transição demográfica foi caracterizada inicialmente pela queda da fecundidade, que teve inicio no século XIX, durante a Revolução Industrial. Portanto, a população envelheceu de forma lenta e gradual, uma vez que a queda da taxa de fecundidade ocorreu cerca de um século após a de mortalidade, o que proporcionou a esses países tempo suficiente para se adaptarem à nova dinâmica populacional, alcançando desenvolvimento social e econômico significativos e uma 18 melhor distribuição de renda, capazes de suprir a demanda emergente (NASRI, 2008; RODRÍGUEZ-WONG e CARVALHO, 2006; CARVALHO e GARCIA, 2003; GIATTI e BARRETO, 2003; CHAIMOWICZ, 1997). Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, essa transição teve início no século XX. Até a década de 40, o Brasil apresentava uma população estável, representada pelo equilíbrio entre as taxas de natalidade e de mortalidade. A partir desse período, o índice de mortalidade começou a declinar devido à adoção de políticas urbanas de saúde pública, ao processo de urbanização e ao desenvolvimento tecnológico da atenção médica. No período de transição entre as décadas de 60 e 70, devido à crescente participação da mulher no mercado de trabalho, o emprego de métodos anticoncepcionais e de esterilização feminina, os abortos ilegais e a propagação dos meios de comunicação, houve a redução dos índices de fecundidade e natalidade (CARVALHO e RODRÍGUEZ-WONG, 2008; NASRI, 2008; PAIVA e WAJNMAN, 2005; CHAIMOWICZ, 1997). Ao contrário do senso comum, o declínio da fecundidade é o principal responsável pelo envelhecimento de uma população (GUARNIERI, 2008; NASRI, 2008; GAWRYSZEWSKI, JORGE e KOIZUMI, 2004), pois desencadeia aos poucos a inversão estrutural da pirâmide etária (CARVALHO e RODRÍGUEZ-WONG, 2008; SIQUEIRA, BOTELHO e COELHO, 2002). De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de fecundidade nacional, que em 2000 alcançava 2,38 filhos por mulher, em uma década apresentou diminuição de aproximadamente 20,1%, quando atingiu o menor valor já observado, de 1,9 filhos para cada mulher (IBGE, 2010a). Esta comparação torna-se ainda mais relevante se levarmos em consideração a taxa de fecundidade em 1940, quando o número de filhos por mulher era de 6,16 (IBGE, 2010b). De modo distinto do que ocorreu nos países desenvolvidos, a redução das taxas de mortalidade e de natalidade no Brasil se deu dentro de um curto período de tempo, sem que políticas sociais, econômicas e de saúde, realmente efetivas, fossem implementadas simultaneamente às transformações populacionais (NASRI, 2008; RODRÍGUEZWONG e CARVALHO, 2006; GARRIDO e MENEZES, 2002). O crescimento acelerado da população idosa no Brasil pode ser observado através do índice de envelhecimento, que representa o número de pessoas com 60 19 anos ou mais de idade para cada 100 indivíduos menores de 15 anos (DATASUS, 2010). Ou seja, quanto maior o valor deste índice, maior a proporção de idosos na população e a evidência de uma transição demográfica em rápida progressão. Em 1991, o índice de envelhecimento brasileiro correspondia a 21,0, passando a 28,9 em 2000, atingindo 39,5 no ano de 2009. Minas Gerais apresenta índices de envelhecimento acima da média nacional, onde o número de pessoas idosas para cada 100 indivíduos jovens em 1991 era de 22,3, alcançando 32,0 no ano 2000 e 45,5 em 2009 (DATASUS, 2010). A cidade de Juiz de Fora acompanha essa tendência, onde no ano de 2000 os idosos representavam 10,6% da população total, avançando para 13,7% em apenas dez anos (IBGE, 2010c). Além do aumento quantitativo de indivíduos idosos na sociedade, é notório a ocorrência de um aumento significativo da expectativa de vida, que atualmente gira em torno de 73,5 anos de idade. Assim sendo, as projeções para o ano de 2050 apontam que a população idosa corresponderá a 29,7% da população brasileira e, concomitantemente, haverá um aumento da expectativa de vida, para 81,3 anos (IBGE, 2008a; IBGE, 2008b). Cabe ressaltar também que a população idosa é composta majoritariamente por mulheres (CARVALHO e RODRÍGUEZ-WONG, 2008; GUARNIERI, 2008; NASRI, 2008; VERAS, 2003; MOREIRA, 1998). Os últimos recenseamentos realizados no Brasil indicam que, em 1991, para cada 100 mulheres idosas, o número de homens correspondentes era igual a 85,2, passando para 81,6 no ano 2000 e para aproximadamente 80,1 no ano de 2010 (IBGE, 2010d; IBGE, 2000). Essa proporção entre os sexos tem aumentado com o passar do tempo, com o predomínio da população feminina principalmente entre os indivíduos mais idosos (LEBRÃO, 2007). Em 2000, essa diferença era mais significativa na faixa entre 90 – 95 anos, com 1,9 mulher para cada homem. Já em 2010, as diferenças se tornam mais importantes acima dos 100 anos, quando, para cada homem, havia 2,34 mulheres (IBGE, 2010d). Esse processo, denominado “feminização da velhice”, pode ser explicado pelas diferenças biológicas entre os sexos, além da menor exposição das mulheres a trabalhos de risco, ao consumo de álcool e tabaco e ao maior comportamento de prevenção que essas assumem frente a sua saúde (LEBRÃO, 2007). 20 A transição demográfica ocorre paralelamente à transição epidemiológica, que engloba todas as mudanças ocorridas nos padrões de morbidade, invalidez e morte de uma população ao longo de um período de tempo. Compreende três mudanças básicas: as doenças não transmissíveis e causas externas passam a ocupar um papel central entre as causas de morte da população; deslocamento da carga de morbi-mortalidade dos grupos mais jovens para os segmentos etários mais velhos; e a mudança de uma condição em que a mortalidade predomina para outra em que a morbidade passa a ser mais proeminente (LEBRÃO, 2007; SCHRAMM et al., 2004). Assim, algumas condições de saúde como as doenças cardiovasculares, cerebrovasculares, reumáticas, neoplasias, hipertensão arterial, diabetes mellitus, acidentes e quedas, passam a ter destaque nesse novo cenário (VERAS, 2009; SCHRAMM et al., 2004). No Brasil a transição epidemiológica ocorreu de forma atípica e prolongada, com superposição entre as etapas. As doenças transmissíveis e crônicodegenerativas ocorrem simultaneamente, com a carga de morbi-mortalidade elevada em todos os grupos etários, há novamente a introdução de algumas doenças, como a dengue, a febre amarela e a cólera e períodos de agravamento de outras, como a malária e a hanseníase, que caracterizam um processo não progressivo denominado contra-transição (LEBRÃO, 2007; SCHRAMM et al., 2004; TEIXEIRA, 2004; CHAIMOWICZ, 1997). Com a modificação dos perfis demográfico e epidemiológico, observa-se a emergência das complicações típicas do indivíduo idoso, caracterizadas por múltiplas patologias crônicas responsáveis, frequentemente, pela perda de autonomia e independência (GARRIDO e MENEZES, 2002; CHAIMOWICZ, 1997). Assim, o perfil de saúde de grande parte dos idosos brasileiros, repercute a necessidade de tratamentos prolongados, com a utilização de tecnologia de alta complexidade, diversos medicamentos, além da maior demanda por recursos humanos capacitados; fatores esses que despendem maiores gastos sociais e de saúde (CRUZ et al., 2012; RODRÍGUEZ-WONG e CARVALHO, 2006; PAIVA e WAJNMAN, 2005; SIQUEIRA, BOTELHO e COELHO, 2002; KALACHE, VERAS E RAMOS, 1987). 21 Diante do envelhecimento demográfico observado mundialmente, é imprescindível o conhecimento acerca das alterações fisiológicas decorrentes da passagem dos anos e as suas repercussões na saúde do idoso. 2. 2 Fisiologia do envelhecimento O envelhecimento é um estágio inevitável da vida, decorrente da passagem dos anos. É influenciado por elementos biopsicossociais, dentre os quais se encontram fatores intrínsecos, como a carga genética, e os extrínsecos, como o meio ambiente, a alimentação, o estado emocional e os aspectos socioculturais que, em conjunto, são responsáveis pelas diferentes formas de se envelhecer (MORAES, MORAES e LIMA, 2010; SCHNEIDER e IRIGARAY, 2008; BRASIL, 2007; PAPALÉO NETTO, 2006; AGOSTINHO, 2004). Contudo, não existem marcadores específicos que determinem o curso inicial do envelhecimento, visto suas diversidades inter e intraindividuais e que dificultam o estabelecimento de um conceito único (FECHINE e TROMPIERI, 2012; SCHNEIDER e IRIGARAY, 2008; JECKEL-NETO e CUNHA, 2006; CARVALHO FILHO e ALENCAR, 1994). Assim, a definição cronológica é a mais utilizada em estudos e pesquisas como marcadora do início da velhice (PAPAPALÉO NETTO, 2006; CAMARANO e PASINATO, 2004). De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), idosos são todos aqueles indivíduos com idade maior ou igual a 60 anos nos países em desenvolvimento, como o Brasil, e de idade igual ou superior a 65, para as nações desenvolvidas (SCHNEIDER e IRIGARAY, 2008; PAPALÉO NETTO, 2006; CAMARANO e PASINATO, 2004). Em termos biológicos, o envelhecimento é considerado uma manifestação progressiva e irreversível, que acomete estrutural e funcionalmente o indivíduo. Não determina necessariamente a presença de doenças, mas compromete as respostas do organismo frente a um desequilíbrio homeostático, o que predispõe ao desenvolvimento de patologias (MORAES, MORAES e LIMA, 2010; JECKEL-NETO 22 e CUNHA, 2006; PAPALÉO NETTO, 2006; GAWRYSZEWSKI, JORGE e KOIZUMI, 2004; KIRKWOOD e RITTER, 1997). Devido à estreita relação observada entre envelhecer e apresentar morbidades na velhice, dois termos são empregados na tentativa de discernir o envelhecimento normal do patológico: a senescência, considerada como o envelhecimento primário e natural; e a senilidade, que compreende os processos patológicos que acometem os indivíduos idosos (FECHINE e TROMPIERI, 2012; FARFEL, 2008; PAPALÉO NETTO, 2006; KIRKWOOD e RITTER, 1997; JACOB FILHO e SOUZA, 1994). O indivíduo idoso normalmente é caracterizado por redução da estatura devido a presença de hipercifose torácica, achatamento das vértebras, diminuição dos espaços intervertebrais e desabamento do arco plantar medial. Além disso, a cabeça e os ombros se tornam protrusos, há ptose abdominal, retificação lombar, retroversão pélvica, inclinação anterior do tronco, deslocamento posterior da articulação coxofemoral e flexo de joelho. Contudo, essas alterações variam em intensidade de indivíduo para indivíduo e uma dessas pode ser mais ou menos pronunciada e ainda guardar relação com o padrão postural adotado ao longo da vida (SILVEIRA et al., 2010; ROSSI, 2008; AIKAWA, BRACCIALLI e PADULA, 2006; CARVALHO e SOARES, 2004). Uma importante consequência da senescência é a alteração do sistema colágeno, cuja principal função é dar resistência aos tecidos. O colágeno é a proteína mais abundante do organismo humano, presente na pele, ligamentos, tendões, músculos, cartilagens, válvulas cardíacas, vasos sanguíneos e pulmões. Em conjunto com a elastina, proteína que confere elasticidade tecidual, atua na transmissão de força e na flexibilidade. Com o envelhecimento, ocorre um aumento de ambas as proteínas, porém aliado a alterações estruturais que prejudicam suas propriedades. O aumento de ligações cruzadas em ambos, além do depósito de cálcio no tecido elástico, reduzem a capacidade de deformação tecidual. Dada à alta prevalência de tecido conjuntivo na constituição corporal, grande parte dos sistemas sofrem com suas alterações (ROSSI, 2008; IMAMURA, IMAMURA e HIROSEPASTOR, 1999; CARVALHO FILHO e ALENCAR, 1994). 23 No sistema cardiovascular, as alterações do tecido conjuntivo e elástico em conjunto com a deposição de cálcio na parede arterial resultam na rigidez desses vasos. Todo este processo pode ser observado tanto na maior e principal artéria humana, a aorta, o que favorece a arteriosclerose, como nas valvas, com a calcificação valvular. Essas alterações, somadas ao aumento da taxa de gordura em todo o sistema, a diminuição das células do nó sinusal e com a degeneração da musculatura estriada cardíaca e sua substituição por tecido fibroso, vão caracterizar mudanças morfofuncionais neste sistema, como maior probabilidade de desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica, aumento da pós carga e consequente hipertrofia ventricular esquerda (FECHINE e TROMPIERI, 2012; AFFIUNE, 2006; SOUZA e IGLESIAS, 2002; JACOB FILHO e SOUZA, 1994). No sistema pulmonar observa-se maior quantidade de tecido gorduroso ocupando o lugar da musculatura esquelética e a maior presença de fibras musculares do tipo II, que levam ao declínio da resistência e da força muscular respiratória. Com a senescência a parede torácica torna-se menos flexível devido à diminuição dos discos intervertebrais, ao achatamento vertebral e à calcificação das cartilagens costais e do esterno, fatores estes envolvidos com a hipercifose fisiológica dos gerontes. Assim como constatado em outros sistemas, o pulmão sofre com as modificações na proporção de colágeno e de fibras elásticas que, aliado às demais mudanças estruturais, levam ao aumento da complacência e à diminuição da elastância e dos volumes pulmonares (FECHINE e TROMPIERI, 2012; GORZONI e RUSSO, 2006; SOUZA e IGLESIAS, 2002; JACOB FILHO e SOUZA, 1994). Nas articulações sinoviais há redução dos condrócitos, células responsáveis pela produção e manutenção da matriz extracelular, que por sua vez secreta a sinóvia. A função do líquido sinovial é nutrir e lubrificar a cartilagem articular e permitir com isso o deslizamento harmônico das superfícies. Além da redução do líquido sinovial, ele se torna mais espesso devido à redução de proteoglioglicanos e do volume de água, conferindo menor elasticidade à cartilagem. Com isso, haverá prejuízo do arco de movimento e maior predisposição a patologias como a artrose entre os indivíduos idosos (RIBEIRO, ALVES E MEIRA, 2009; HENRIQUES et al., 2007; ROSSI e SADER, 2006; JACOB FILHO e SOUZA, 1994). 24 O envelhecimento do sistema ósseo é caracterizado pela presença de osteopenia, que corresponde à redução da densidade óssea. O trabalho conjunto dos osteoblastos (formação óssea) e dos osteoclastos (reabsorção óssea) ocorre de forma equilibrada até os 40 anos, quando o indivíduo alcança o pico de massa óssea. A partir daí, há uma descompensação desses mecanismos, que pode ocorrer por aumento da ação dos osteoclastos, diminuição da atividade dos osteoblastos ou a combinação desses dois fatores, o que resulta em redução da massa óssea. Contudo, se a perda de tecido ósseo ocorre de maneira progressiva, além dos limites fisiológicos, a osteopenia evolui para um quadro patológico, a osteoporose (FECHINE e TROMPIERI, 2012; RIBEIRO, ALVES e MEIRA, 2009; ROSSI e SADER, 2006; JACOB FILHO e SOUZA, 1994). Processo semelhante ocorre no sistema muscular, com a sarcopenia, que compreende a redução da força e da massa magra que ocorrem em decorrência da idade (CRUZ-JENTOFT et al., 2010). O decréscimo do tecido muscular ocorre a partir da quinta década de vida com a sua substituição por tecido conjuntivo e gordura, resultando em contrações musculares menos eficazes. Além disso, há uma alteração na proporção das fibras musculares, com predomínio das fibras tipo I (contração lenta) em relação às do tipo II (contração rápida), o que contribui para os movimentos mais vagarosos nos indivíduos idosos. Cabe ressaltar que essas modificações são mais pronunciadas nos membros inferiores do que nos superiores e comprometem assim o controle postural, a manutenção do ortostatismo, bem como a qualidade da marcha (FECHINE e TROMPIERI, 2012; SILVEIRA et al., 2010; HENRIQUES et al., 2007; ROSSI, 2008; AIKAWA, BRACCIALLI e PADULA, 2006; CARVALHO e SOARES, 2004). O envelhecimento é responsável ainda por alterações no sistema sensorial (somatossensorial, visual e vestibular) que, aliado às modificações já descritas no sistema motor, comprometem o controle postural dos gerontes. A estabilidade postural é atingida quando o centro de gravidade é projetado sobre a base de sustentação, e a ocorrência de qualquer perturbação deve ser compensada por mecanismos proprioceptivos, buscando novamente a estabilidade (AIKAWA, BRACCIALLI e PADULA, 2006; HUXHOLD et al., 2006; PAIXÃO JÚNIOR e HECKMAN, 2006; HAGEMAN, LEIBOWITZ, BLANKE, 1995). As informações dos 25 sistemas sensorial e motor são processadas por mecanismos centrais, que desempenham funções primordiais de integração e elaboração de respostas posturais adequadas (PAIXÃO JÚNIOR e HECKMAN, 2006; BATISTA et al., 2011). Assim, os distúrbios da marcha no indivíduo idoso surgem da necessidade de adequação às dificuldades enfrentadas ao longo do envelhecimento. Para compensar a rigidez, a fraqueza muscular e os desequilíbrios, os idosos diminuem a altura e o comprimento do passo e o tempo de apoio unipodal, enquanto aumentam o tempo de duplo apoio. Dessa forma, o padrão típico de marcha no idoso inclui passos curtos e arrastados, menor velocidade de deslocamento e redução da dissociação de cinturas (ABREU e CALDAS, 2008; ROSSI, 2008; HENRIQUES et al., 2007; CARVALHO e SOARES, 2004). As alterações que ocorrem no sistema nervoso ainda não estão totalmente elucidadas. Acredita-se que as alterações surgem tanto a nível central quanto periférico, com atrofia cerebral devido à diminuição do número de neurônios assim como a redução da quantidade de substâncias branca e cinzenta. Ocorre ainda redução da sinaptogênese e da velocidade de condução nervosa, o que prejudica de maneira significativa a performance e a agilidade do sistema nervoso central quando há necessidade de adaptações frente as perturbações do centro de gravidade. Logo, os idosos se tornam mais propensos a instabilidades, principalmente durante a marcha, e assim apresentam maior vulnerabilidade a quedas (FECHINE e TROMPIERI, 2012; AVERSI-FERREIRA, RODRIGUES e PAIVA, 2010; MORAES, MORAES e LIMA, 2010; RIBEIRO, ALVES e MEIRA, 2009; ROSSI e SADER, 2006). As regiões cerebrais mais acometidas pelo processo de envelhecimento são os lobos frontal e temporal, regiões que assumem grande parte das funções cognitivas humanas. Portanto, é comum a presença de déficits cognitivos entre a população idosa, com início e avanço individuais, sendo o sintoma mais comum perda de memória (MORRISON e BAXTER 2012; FERREIRA, TAVARES e RODRIGUES, 2011; ANTUNES et al., 2006). 26 2. 3 Envelhecimento e déficit cognitivo O Sistema Nervoso Central (SNC) é um dos sistemas mais afetados pelo processo de envelhecimento humano (CANÇADO e HORTA, 2006). Sua função é receber aferências periféricas, analisar e integrar essas informações, e atuar na elaboração e transmissão de respostas que serão executadas pelo corpo (CANÇADO e HORTA, 2006; DANGELO e FATTINI, 2002). O SNC é formado pelo encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco encefálico) e medula espinhal. O cérebro é o maior e o mais importante órgão desse sistema, composto por dois hemisférios que são interligados pelo corpo caloso. O hemisfério cerebral direito é predominantemente responsável pela orientação visuoespacial e criatividade, e o esquerdo, se relaciona à linguagem e ao comportamento lógico (MACHADO, 2004; CANÇADO e HORTA, 2006; DANGELO e FATTINI, 2002; PINTO, 1999). Cada hemisfério cerebral possui cinco lobos: frontal (funções motoras, executivas, memória e atenção), parietal (captação e análise de sensações externas), temporal (interpretação de estímulos auditivos, gerenciamento da memória e aprendizado), occipital (processamento visual) e lobo da ínsula (emoções e paladar) (MACHADO, 2004; ARGIMON et al., 2006; CANÇADO e HORTA, 2006; HAMDAN e BUENO, 2005; PINTO, 1999). Sendo o bom funcionamento cerebral dependente do funcionamento interligado destas estruturas. As principais alterações decorrentes da senescência cerebral são a hipotrofia cerebral, as alterações no sistema de neurotrasmissores e a formação de placas senis, embora na literatura alguns autores considerem este evento como indicativo de instalação de quadros patológicos (MORAES, MORAES e LIMA, 2010; PIRES, 2009; CANÇADO e HORTA, 2006; LEVY e MENDONÇA, 1994). A hipotrofia cerebral corresponde à redução do volume e do peso cerebral devido à atrofia e morte de neurônios, com redução tanto da substância branca quanto da massa cinzenta. As placas senis são formadas externamente às células neurais do indivíduo idoso através do depósito heterogêneo de proteínas amilóides. Essas placas induzem a disfunções da sinalização sináptica nas áreas cerebrais em que 27 estão presentes. No sistema de neurotransmissores, o envelhecimento provoca redução das catecolaminas (adrenalina, noradrenalina e dopamina) e da acetilcolina, substâncias importantes na manutenção das funções cerebrais superiores (NORDON et al., 2009; CANÇADO e HORTA, 2006; LEVY e MENDONÇA, 1994). Todas essas alterações se desenvolvem preferencialmente nas regiões responsáveis pelas funções cognitivas, como os lobos frontal e temporal, incluindo o sistema límbico (CUSTÓDIO, MALAQUIAS JÚNIOR e VOOS, 2010; MORAES, MORAES e LIMA, 2010; ANTUNES et al., 2006; NETO, 1994). Dessa forma, é comum observar desde mínimos até significativos prejuízos da função cognitiva entre os indivíduos idosos, representados pelo declínio do processamento intelectual humano. As principais habilidades cognitivas que compete ao ser humano são: memória, atenção, linguagem, habilidades visuoespaciais, praxia e funções executivas (SANTOS et al., 2011; MEIRELES et al., 2010; MORAES, MARINO e SANTOS, 2010; YASSUDA e ABREU, 2006; PINTO, 1999). 2.3.1 Memórias A memória consiste na habilidade de aquisição, retenção e recuperação de informações (MORAES, MARINO e SANTOS, 2010; CANÇADO e HORTA, 2006; YASSUDA, 2006; YASSUDA e ABREU, 2006). Pode ser classificada em memória de curto ou de longo prazo, de acordo com o tempo de armazenamento dos dados. A memória de curto prazo é processada na área pré-frontal e corresponde à memória imediata, que retém as informações apenas durante alguns segundos, e a de trabalho, que mantém a informação somente enquanto esta é útil, em torno de minutos ou horas. Já a memória de longo prazo é a consolidação da de curto prazo, que pode ser armazenada na área temporal medial durante dias ou anos, e subdivide-se em implícita e explícita. A memória implícita agrega comportamentos automáticos, como dirigir e andar de bicicleta, enquanto a explícita envolve a recordação consciente de dados e é constituída de dois subtipos, a memória semântica e a episódica. A memória semântica é tipicamente conceitual e 28 compreende conhecimentos gerais tais como regras gramaticais e fatos históricos; ao passo que a memória episódica é espaço-temporal e envolve elementos autobiográficos, como as lembranças de uma viagem (BANHATO, 2011; RIBEIRO, 2006; YASSUDA, 2006; YASSUDA e ABREU, 2006; HAMDAN e BUENO, 2005; PINTO, 1999). A memória é função cognitiva que mais sofre deterioração com o avançar da idade, sobretudo a memória de trabalho (CANÇADO e HORTA, 2006; RIBEIRO, 2006). Já a memória imediata sofre pequenas modificações com o envelhecimento. Quanto às memórias de longo prazo, são observados declínios na memória explícita, mas em menor proporção, enquanto a semântica se mantém praticamente intacta, podendo até mesmo se aperfeiçoar com o passar dos anos (YASSUDA, 2006). 2.3.2 Atenção A atenção é a capacidade de detectar estímulos externos e se concentrar nos mais relevantes para um processamento mais apurado. É uma habilidade de difícil avaliação uma vez que envolve outras esferas cognitivas como as funções executivas e a memória (BANHATO, 2011; RIBEIRO, 2006, YASSUDA e ABREU, 2006). Sua função está relacionada ao bom funcionamento do lobo frontal (BANHATO, 2011; YASSUDA e ABREU, 2006). Existem quatro condições que representam diferentes formas de atenção: a atenção sustentada, que corresponde à concentração em um estímulo único por um longo período de tempo, na ausência de distração (ex.: resolução de uma prova); a atenção seletiva, que ocorre quando o indivíduo elege uma fonte de estímulos como preferencial em relação à outra (ex.: manutenção da atenção em uma leitura dentro de um ônibus); a atenção alternada, que é representada pela alternância entre diferentes focos de atenção (ex.: estudar e ouvir música); e a atenção dividida, que ocorre quando duas fontes são simultaneamente eleitas importantes pelo indivíduo 29 (ex.: caminhar e conversar) (BANHATO, 2011; RIBEIRO, 2006; YASSUDA e ABREU, 2006). A segunda habilidade cognitiva que mais sofre declínio com o envelhecimento é a atenção (RIBEIRO, 2006). No que concerne ao indivíduo idoso, a atenção merece destaque na manutenção do equilíbrio postural, especialmente a atenção dividida. Sendo assim, quando uma tarefa motora se desenvolve em associação com uma demanda cognitiva (dupla tarefa), a atenção se divide entre ambos os processos, o que provoca redução do controle postural (MUIR, GOPAUL e ODASSO, 2012; ANDRADE et al., 2011; REELICK, et al., 2009; PERRACINI e RAMOS, 2002). Outra alteração característica do indivíduo idoso é a redução da capacidade de selecionar estímulos relevantes e, dessa forma, os idosos estão mais sujeitos a distrações durante a realização de uma atividade (MORAES, MORAES e LIMA, 2010). Nesse sentido, os déficits de atenção são importantes contribuintes para a maior incidência de quedas entre os gerontes (MUIR, GOPAUL e ODASSO, 2012; PERRACINI e RAMOS, 2002). 2.3.3 Linguagem A linguagem consiste em qualquer forma de comunicação entre os indivíduos. Pode ser classificada em linguagem verbal, expressa por meio da fala e escrita; e linguagem não verbal, proferida por meio de gestos, dança e desenhos (YASSUDA e ABREU, 2006). As principais áreas cerebrais envolvidas com a linguagem são a de Wernicke, responsável pela compreensão e interpretação da linguagem e a de Broca, envolvida com o planejamento para a formação de palavras e estruturas mais complexas (BANHATO, 2011; MACHADO, 2004; PEREIRA, REIS e MAGALHÃES, 2003). 30 Embora as áreas de Wernicke e de Broca se localizem nos lobos mais afetados pelo envelhecimento, temporal e frontal respectivamente, a linguagem não sofre alterações relevantes do ponto de vista funcional com o avanço da idade (BANHATO, 2011; RIBEIRO, 2006). 2.3.4 Habilidades Visuoespaciais e Praxia As habilidades visuoespaciais consistem na capacidade de percepção espacial e construção da imagem mental (BANHATO, 2011; YASSUDA e ABREU, 2006). Já a praxia é a capacidade de executar movimentos precisos direcionados a um objetivo (RIBEIRO, 2006). Com a senescência, essas habilidades apresentam modificações que resultam em déficits funcionais ao idoso (RIBEIRO, 2006). Contudo, em quadros patológicos pode ser observada a presença de agnosias e apraxias (BANHATO, 2011; RIBEIRO, 2006). 2.3.5 Funções Executivas As funções executivas compreendem as várias etapas necessárias ao aprendizado de uma nova habilidade ou ao desenvolvimento de atividades complexas. Essas etapas incluem o planejamento, a monitorização, a resolução de problemas, a flexibilização e a abstração (BANHATO, 2011; ARGIMON et al., 2006; YASSUDA e ABREU, 2006). O envelhecimento da área pré-frontal contribui para o declínio dessas funções entre os idosos. Esses indivíduos não se tornam incapazes de adquirir novas habilidades, mas despendem um maior tempo para que isso ocorra devido à diminuição da velocidade de processamento mental (BANHATO, 2011; ARGIMON et al., 2006; RIBEIRO, 2006; YASSUDA e ABREU, 2006). 31 Com o processo de envelhecimento ocorrem alterações cognitivas que podem ser fisiológicas, como as citadas acima, ou patológicas, que levam ao declínio progressivo das funções cerebrais superiores. Diante da necessidade de se estabelecer um limite entre o declínio cognitivo típico do envelhecimento e os estágios iniciais de demência, o termo mais utilizado é o Transtorno Cognitivo Leve (TCL) (SANTOS, ANDRADE e BUENO, 2009; CANINEU, STELLA e SAMARA, 2006; MANFRIM e SCHMIDT, 2006; PETERSEN, 2004). Indivíduos com TCL apresentam normalmente uma pequena redução das habilidades cognitivas quando se leva em consideração sua idade e escolaridade. A habilidade mais afetada é a memória, seguida por dificuldades de concentração e aprendizagem (BANHATO, 2011; OMS, 2008; LYKETSOS et al., 2002). O TCL é considerado precursor de quadros demenciais, porém nem todos os indivíduos com leve comprometimento cognitivo evoluem para uma disfunção patológica, como a Doença de Alzheimer (BANHATO, 2011; CANINEU, STELLA e SAMARA, 2006; RIBEIRO, 2006; LYKETSOS et al., 2002). Para que um declínio cognitivo seja considerado uma síndrome demencial, é necessária uma perda progressiva de múltiplas funções cognitivas aliada a sintomas neuropsiquiátricos, como agitação, depressão, delírio, alucinações e distúrbios do sono. Assim, a demência provoca a redução da capacidade funcional e consequente diminuição da qualidade de vida do indivíduo acometido, o que não é observado em situações normais e transitórias de comprometimento cognitivo (BANHATO, 2011; MORAES, MARINO e SANTOS, 2010; RIBEIRO, 2006; LYKETSOS et al., 2002). Diversos estudos apontam que indivíduos com declínio cognitivo, bem como os que já possuem transtornos demenciais, são mais propensos a sofrerem quedas, o que justifica o aprofundamento de estudos que explorem essa temática (TAYLOR et al., 2012; PIOVESAN, PIVETTA e PEIXOTO, 2011; MORELAND et al., 2003; CARVALHO e COUTINHO, 2002; PERRACINI e RAMOS, 2002). 32 2.4 Quedas Com o crescimento cada vez mais acelerado da população idosa mundial, as quedas têm se destacado como uma das maiores preocupações advindas com o processo de envelhecimento (BLOCH et al., 2012; BÖSNER et al., 2012, CRUZ, et al., 2012; SIRACUSA et al., 2012, GONÇALVES et al., 2008; SIQUEIRA et al., 2007). As quedas são determinadas por diversos fatores que perturbam o equilíbrio postural, na ausência de tempo suficiente para os ajustes necessários. Sucintamente, podem ser definidas como um evento inesperado que levam à mudança do corpo para um nível inferior ao inicial. A queda é provável de ocorrer em qualquer faixa etária, mas representa um agravante para os indivíduos idosos, pois desencadeia uma sucessão, geralmente ininterrupta e infinita, de acontecimentos adversos à saúde (DELBAERE et al., 2012a; CALLISAYA et al., 2010; GONÇALVES et al., 2008; WHO, 2007; FABRÍCIO, RODRIGUES e COSTA JUNIOR, 2004). Dentre os fatores que predispõem a ocorrência de quedas encontram-se os intrínsecos, representados por condições biológicas, que são os únicos fatores de risco não modificáveis (idade avançada, sexo feminino, raça branca), alterações advindas dos processos de senescência (redução da força muscular, da massa óssea, do equilíbrio, da flexibilidade, das aptidões psicomotoras, alterações posturais, de marcha, de sensibilidade e de cognição) e de senilidade (diversas condições de saúde, como Doença de Parkinson, Alzheimer, Acidente Vascular Encefálico, vestibulopatias, osteoartrose, osteoporose, entre outras), bem como a utilização de medicamentos (principalmente os benzodiazepínicos) e fatores psicológicos (tais como: depressão, ansiedade) (ALMEIDA et al., 2012; CALLISAYA et al., 2010; WHO, 2007; LORD, MENZ e SHERRINGTON, 2006; FABRÍCIO, RODRIGUES e COSTA JUNIOR, 2004; MARIN, et al., 2004; REKENEIRE et al., 2003; FULLER et al., 2000). Os fatores extrínsecos compreendem elementos socioambientais (por exemplo: baixa iluminação, piso escorregadio, tapetes soltos, degraus, ausência de 33 corrimãos, calçados inadequados). Contudo, é importante ressaltar que as quedas não são desencadeadas apenas por fatores isolados, mas principalmente pela combinação entre eles e que em sua maioria, elas ocorrem dentro da própria residência do geronte, durante a realização de atividades rotineiras (ALMEIDA et al., 2012; CALLISAYA et al., 2010; WHO, 2007; LORD, MENZ e SHERRINGTON, 2006; FABRÍCIO, RODRIGUES e COSTA JUNIOR, 2004; MARIN, et al., 2004; REKENEIRE et al., 2003; FULLER et al., 2000). Entre as consequências das quedas em idosos, a fratura, principalmente a de fêmur, é uma das mais temidas. Mortalidade, morbidades, dependência, hospitalização e institucionalização também podem ser observadas após uma queda. O declínio da capacidade funcional é favorecido pela inatividade que acomete os indivíduos que caem. Idosos que experimentam uma queda normalmente desenvolvem medo de cair novamente, o que favorece o isolamento e a instalação de quadros depressivos. Desencadeia-se, portanto, um ciclo vicioso que predispõe cada vez mais esses indivíduos a novas quedas com um aumento na incidência do uso de serviços de saúde, de hospitalização e de institucionalização. A importância do evento queda nas faixas etárias mais elevadas se deve também à sua maior propensão a gerar prejuízos (BOYD e STEVENS, 2009; GONÇALVES et al., 2008; CLEMSON et al., 2004; FABRÍCIO, RODRIGUES e COSTA JUNIOR, 2004; MARIN et al., 2004; REKENEIRE et al., 2003; COUTINHO e SILVA, 2002). As consequências das quedas não atingem apenas os indivíduos que caem, mas mobiliza o suporte familiar, social e econômico em prol do reestabelecimento das condições preexistentes (CRUZ et al., 2012; LOJUDICE et al., 2010; CLEMSON et al., 2004; COUTINHO e SILVA, 2002). De acordo com os dados do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), em 2011 as quedas representaram a maior causa de internações entre a população idosa do Brasil, sendo responsáveis por 52,4% desse total. Os dados são ainda mais alarmantes quando se leva em consideração os gastos públicos destinados a esse fim, totalizando R$109.570.313, 64, ou seja, 45,8% do total de gasto com internações de indivíduos idosos nesse mesmo ano (DATASUS, 2012). É importante deixar claro que a queda é um problema de saúde pública que configura-se como uma constante na vida dos idosos, embora não possa ser 34 considerada um evento típico do envelhecimento humano. As quedas são eventos passíveis de prevenção e, sua abreviação, permitiria que mais pessoas pudessem envelhecer com saúde e qualidade de vida, participando ativamente das questões sociais, culturais, econômicas, espirituais e civis, reduzindo as incapacidades e a mortalidade (CRUZ et al., 2012; CALLISAYA et al., 2010; BOUWEN, LEPELEIRE e BUNTINX, 2008; SIQUEIRA et al., 2007; WHO, 2007; FABRÍCIO, RODRIGUES e COSTA JUNIOR, 2004). 35 3 OBJETIVOS 3.1 Objetivo Geral Verificar a associação entre o nível da capacidade cognitiva e a ocorrência de quedas em idosos residentes na Zona Norte de Juiz de Fora, Minas Gerais. 3. 2 Objetivos Específicos Caracterizar o perfil da amostra estudada; Verificar a capacidade cognitiva de idosos através do MEEM; Verificar a ocorrência de quedas em indivíduos idosos; Comparar as características da amostra segundo o grau de escolaridade utilizado pelo MEEM para definição da capacidade cognitiva. 36 4 METODOLOGIA 4.1 Delineamento do estudo Trata-se de um estudo de delineamento transversal, no qual foi utilizado o banco de dados pertencente ao projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG (INQUÉRITO, 2011). 4.2 Fonte dos dados O projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz De Fora, MG (INQUÉRITO, 2011) foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora (JF), MG, Brasil, conforme o Parecer n. 277/2009 (ANEXO A). As Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos foram seguidas em conformidade com o que preconiza a Resolução 196 do Conselho Nacional de Saúde. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para a participação no estudo (ANEXO B). O objetivo geral desse projeto foi avaliar o status de morbidade, qualidade de vida e utilização de serviços de saúde da população de Juiz de Fora. Além da saúde do idoso, foram avaliadas também questões relacionadas à saúde materno-infantil e ao desenvolvimento motor de crianças até 2 anos de idade. Assim sendo, há no banco de dados variáveis inerentes á saúde do idoso e saúde materno-infantil. Para a execução do presente estudo iremos nos ater as questões que tangem a saúde do idoso. Os instrumentos utilizados na avaliação da saúde do idoso foram: Mini-Exame do Estado Mental (MEEM); um questionário semi-estruturado (identificação e características sociodemográficas; questões referentes à saúde do idoso; e 37 questões relacionadas ao histórico de quedas e fraturas decorrentes de quedas); Escala de Katz modificada e a Escala de Lawton e Brody (ANEXO C). Dessa forma, cabe reportar que as variáveis que foram utilizadas são resultantes de um estudo epidemiológico de delineamento transversal, observacional, realizado por meio de inquérito domiciliar na Zona Norte de Juiz de Fora, Minas Gerais, no ano de 2010, com 462 idosos de 60 anos ou mais de idade, de ambos os sexos e não institucionalizados. 4.3 Variáveis do estudo 4.3.1 Variável dependente Queda: presença ou não de quedas nos últimos 12 meses; 4.3.2 Variáveis independentes Idade: idade do idoso em anos completos; Sexo: feminino ou masculino; Situação conjugal: solteiro, casado, viúvo, separado, união estável ou outra; Arranjo domiciliar: referente se o idoso reside só ou acompanhado; Escolaridade: anos completos de escolaridade; Nível socioeconômico: categorizado com base em informações coletadas segundo critérios propostos pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) (2010); Capacidade cognitiva através do Mini Exame do Estado Mental (MEEM): categorizada em quadro sugestivo de comprometimento cognitivo ou não, de acordo com o grau de escolaridade; 38 Modalidade de serviço de saúde presente na região onde o idoso vive: categorizada em Unidade Básica de Saúde (UBS) com Estratégia de Saúde da Família (ESF), UBS tradicional, policlínica e área descoberta. 4.4 Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) Dada a relevância do MEEM para a compreensão do estudo, cabe descrever suas principais características, aplicações e outras reflexões que o cercam, mesmo tratando-se de um estudo que utiliza dados secundários. A avaliação da capacidade cognitiva é realizada através de uma bateria de testes neuropsicológicos. O instrumento mais utilizado mundialmente para o rastreamento da capacidade cognitiva é o Mini Exame do Estado Mental (MEEM), desenvolvido por FOLSTEIN M. F., FOLSTEIN S. E. e MCHUGH P.R., em 1975. É composto por 30 questões, as quais abordam cinco domínios: concentração, linguagem/práxis, orientação, memória e atenção. O escore total varia entre 0 e 30 pontos, com menores pontuações indicando maior grau de comprometimento da função cognitiva (PEDRAZA et al., 2012; VRIENDT et al., 2012; VALLE et al., 2009; LOURENÇO e VERAS, 2006). Pontuações entre 23/24 têm demonstrado alta sensibilidade e especificidade, contudo alguns estudos apontam a influência da escolaridade na pontuação desse instrumento (VALE et al., 2009; LOURENÇO e VERAS, 2006; BORSON et al., 2003; LAKS et al., 2003; BERTOLUCCI et al., 1994). Dessa forma, o ponto de corte adotado para atender a população geral do estudo foi o preconizado pela Secretaria do Estado de Saúde de Minas Gerais, onde a pontuação mínima para idosos com quatro anos ou mais de escolaridade é 25 pontos e para idosos com escolaridade menor que quatro anos é 18 pontos (MINAS GERAIS, 2008). O MEEM apresenta inúmeras traduções e adaptações a diversas línguas (LOURENÇO e VERAS, 2006), tendo sido adaptado e validado para a população brasileira por Bertolucci et al., em 1994. Trata-se de um instrumento amplamente empregado tanto na prática clínica para a detecção de perdas cognitivas, acompanhamento evolutivo de doenças e para o monitoramento da eficácia e 39 efetividade do tratamento ministrado, quanto no campo de pesquisas em grandes estudos epidemiológicos populacionais (VALLE et al., 2009; BRASIL, 2007; LOURENÇO e VERAS, 2006; BRUCKI et al., 2003). No entanto, cabe ressaltar que o MEEM não deve substituir uma avaliação detalhada ou ser utilizado como fonte única de diagnóstico de demência (BRASIL, 2007). 4.5 Análise dos dados Os dados foram analisados no programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) 15.0. O nível de significância adotado foi de 5%. Na análise descritiva, foram obtidas as frequências absoluta e relativa das variáveis de interesse. Na análise bivariada, por meio do teste Qui-quadrado (²), foi verificada a associação entre a variável independente com a variável dependente, comprometimento cognitivo apontado pelo MEEM, obtendo assim a razão de prevalência bruta (RPbruta). 40 5 RESULTADOS A amostra inicial foi composta por 462 indivíduos dos quais 8 se encontravam em estágio avançado de doenças degenerativas, como Parkinson e Alzheimer, não sendo possível a aplicação do MEEM nos mesmos. Desses indivíduos foram obtidos apenas os dados referentes ao questionário semi-estruturado que foi respondido com auxílio de um proxy. O MEEM foi aplicado nos 454 indivíduos restantes, dos quais 130 apresentaram indícios de comprometimento cognitivo e 324 não apresentaram quadro sugestivo de déficit cognitivo. Para a aplicação do questionário nos indivíduos com déficit cognitivo era necessário que houvesse no domicílio outro respondente, 88 idosos cumpriram este critério e todos os dados puderam ser colhidos, enquanto 42 indivíduos não apresentaram outro respondente e, portanto, não foi possível a aplicação do questionário. Assim, 28,14% (130/462) dos idosos apresentaram comprometimento cognitivo apontado pelo MEEM. A figura 1 demonstra essa distribuição. Figura 1: Organograma da amostragem estudada Fonte: Banco de dados do Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG 41 A média de idade foi de 71,03 (dp = 7,79), com a idade mínima igual a 60 anos e a máxima 92 anos. A escolaridade variou entre zero e 20 anos de estudo, sendo a média de 3,64 (dp = 3,26), 64,8% da amostra (272/420) eram do sexo feminino, 47,3% (199/420) eram casados ou possuíam união estável e 88,3% (371/420) residiam acompanhados. 57,6% (242/420) dos participantes pertenciam ao nível socioeconômico “C” e 56% (235/420) residiam em uma área coberta pela Unidade Básica de Saúde com Estratégia de Saúde da Família como modalidade de atenção à saúde. A frequência de quedas encontrada na população estudada foi de 32,1% (135/420) (tabela 1). Tabela 1. Características demográficas e socioeconômicas de 420 idosos. Juiz de Fora, MG, 2010 Variável CARACTERISTÍCAS DEMOGRÁFICAS E SOCIOECONÔMICAS Frequência Frequência Classificação Absoluta (N) Relativa (%) Idade 60-70 anos 71-80 anos Mais de 80 anos 224 142 54 53,3 33,8 12,9 Sexo Masculino Feminino 148 272 35,2 64,8 Situação conjugal Casado ou união estável Viúvo Separado ou divorciado Solteiro 199 157 39 25 47,3 37,4 9,3 6,0 Arranjo domiciliar Reside sozinho Reside acompanhado 49 371 11,7 88,3 Escolaridade Analfabeto 1 a 4 anos 5 a 7 anos 8 anos ou mais 90 232 53 45 21,4 55,3 12,6 10,7 Nível socioeconômico (ABEP) A ou B C D ou E 76 242 102 18,1 57,6 24,3 Modalidade de atenção à saúde Área descoberta UBS com ESF UBS tradicional Policlínica 45 235 59 81 10,7 56 14 19,3 Quedas Sim 135 32,1 Não 285 67,9 Fonte: Banco de dados do Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG 42 A tabela 2 mostra a comparação das características dos indivíduos da amostra segundo o grau de escolaridade, uma vez que diversos estudos apontam uma relação direta entre o nível educacional e a pontuação no MEEM (VALLE et al., 2009; LOURENÇO e VERAS, 2006; BERTOLUCCI, et al., 1994). O grupo de idosos com quatro anos ou mais de escolaridade teve maior percentual de comprometimento cognitivo, 22,3% (48/215), quando comparado com o grupo que estudou até 4 anos. No grupo com menor escolaridade chama a atenção os seguintes dados quando comparados com o grupo com maior escolaridade: queda ligeiramente superior, maior proporção de mulheres, nível socioeconômico mais baixo. Tabela 2. Características dos 420 indivíduos segundo o grau de escolaridade. Juiz de Fora, MG, 2010 Variável Capacidade cognitiva CARACTERISTÍCAS DEMOGRÁFICAS E SOCIOECONÔMICAS Até 4 anos de 4 anos ou mais de escolaridade escolaridade Classificação Frequência Frequência Frequência Frequência Absoluta (N) Relativa (%) Absoluta (N) Relativa (%) Sem comprometimento 160 78,0 164 76,3 Com comprometimento 40 19,5 48 22,3 Sem possibilidade de 5 2,4 3 1,4 aplicação Idade 60-70 anos 71-80 anos Mais de 80 anos 132 56 27 61,4 26,0 12,6 92 86 27 44,9 42 13,2 Sexo Masculino Feminino 66 139 32,2 67,8 82 133 38,1 61,9 Situação conjugal Casado ou união estável Viúvo Separado ou divorciado Solteiro 88 42,9 111 51,6 92 14 11 44,9 6,8 5,4 65 25 14 30,2 11,6 6,5 Arranjo domiciliar Reside sozinho Reside acompanhado 21 184 10,2 89,8 28 187 13,0 87,0 Nível socioeconômico (ABEP) A ou B C D ou E 22 111 72 10,7 54,1 35,1 54 131 30 25,1 60,9 14,0 Continua 43 Variável Modalidade de atenção à saúde Quedas CARACTERISTÍCAS DEMOGRÁFICAS E SOCIOECONÔMICAS Até 4 anos de 4 anos ou mais de escolaridade escolaridade Classificação Frequência Frequência Frequência Frequência Absoluta (N) Relativa (%) Absoluta (N) Relativa (%) Área descoberta 19 9,3 26 12,1 UBS com ESF 124 60,5 111 51,6 UBS tradicional 21 10,2 38 17,7 Policlínica 41 20,0 40 18,6 Sim Não 67 138 32,7 67,3 68 147 Fonte: Banco de dados do Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG A tabela 3 apresenta de forma comparativa o comportamento da variável idade e o desempenho no MEEM para os grupos com escolaridade até 4 anos e 4 anos ou mais de escolaridade. É possível observar que o grupo de até quatro anos de escolaridade apresentou média de idade superior e pontuações inferiores no MEEM quando comparado ao grupo de quatro anos ou mais de escolaridade. No entanto, vale lembrar que são adotados diferentes pontos de corte para identificar o declínio cognitivo respeitando o nível educacional do indivíduo. Apesar do grupo de menor escolaridade ter apresentado uma média menor de pontuação, esta não foi indicativa de déficit cognitivo, uma vez que o ponto de corte adotado no presente estudo para os idosos com baixa escolaridade foi de 18 pontos. Em contrapartida, o grupo de quatro anos ou mais de escolaridade, mesmo apresentando uma média de pontuação maior, esta indicou a presença de declínio cognitivo, já que o ponto de corte utilizado para esses indivíduos foi de 25. 31,6 68,4 44 Tabela 3. Faixa etária e desempenho no MEEM segundo o grau de escolaridade. Juiz de Fora, MG, 2010 IDADE E DESEMPENHO NO MEEM Até 4 anos de escolaridade 4 anos ou mais de escolaridade Idade Média Desvio Padrão Máximo Mínimo 72,25 7,48 92 60 68,87 7,91 92 60 MEEM Média 20,99 24,86 Desvio Padrão 4,99 4,77 Máximo 29 30 Mínimo 0 0 Fonte: Banco de dados do Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG Na análise comparativa das frequências entre os grupos sem comprometimento e com comprometimento cognitivo, observa-se que os idosos com comprometimento possuem idade mais avançada, menor nível socioeconômico, ausência de cônjuge, residem acompanhados e também maior proporção de mulheres (tabela 4): Tabela 4. Características dos 412 indivíduos segundo a presença ou não de comprometimento cognitivo. Juiz de Fora, MG, 2010 Variável Escolaridade CARACTERISTÍCAS DEMOGRÁFICAS E SOCIOECONÔMICAS Idosos com Idosos sem comprometimento comprometimento Classificação Frequência Frequência Frequência Frequência Absoluta (N) Relativa (%) Absoluta (N) Relativa (%) Até 4 anos de 160 49,4 40 45,5 escolaridade 164 50,6 48 54,5 4 anos ou mais de escolaridade Idade 60-70 anos 71-80 anos Mais de 80 anos 192 110 22 59,3 34,0 6,8 31 27 30 35,2 30,7 34,1 Sexo Masculino Feminino 116 208 35,8 64,2 28 60 31,8 68,2 Continua 45 Variável Situação conjugal CARACTERISTÍCAS DEMOGRÁFICAS E SOCIOECONÔMICAS Idosos com Idosos sem comprometimento comprometimento Classificação Frequência Frequência Frequência Frequência Absoluta (N) Relativa (%) Absoluta (N) Relativa (%) Casado ou união 169 52,2 28 31,8 estável Viúvo 104 32,1 48 54,5 Separado ou divorciado 34 10,5 5 5,7 Solteiro 17 5,2 7 8,0 Arranjo domiciliar Reside sozinho Reside acompanhado 44 280 13,6 86,4 5 83 5,7 94,3 Nível socioeconômico (ABEP) A ou B C D ou E 63 177 84 19,4 54,6 25,9 11 59 18 12,5 67,0 20,5 Modalidade de atenção à saúde Área descoberta UBS com ESF UBS tradicional Policlínica 37 178 42 67 11,4 54,9 13,0 20,7 7 50 17 14 8,0 56,8 19,3 15,9 Quedas Sim 97 29,9 37 Não 227 70,1 51 Fonte: Banco de dados do Projeto Inquérito de Saúde no Município de Juiz de Fora, MG 42,0 58,0 Dos indivíduos que apresentaram comprometimento cognitivo, 42% (37/88) sofreram quedas, enquanto 29,9% (97/324) dos indivíduos sem alterações cognitivas vivenciaram esse evento. Na análise bivariada, por meio do teste Quiquadrado (²), foi verificada a associação entre comprometimento cognitivo e a ocorrência de quedas RPbruta (IC95%) = 1,70 (1,04; 2,76) e p = 0,043. 46 6 DISCUSSÃO O envelhecimento populacional observado mundialmente nas últimas décadas desempenha importante papel na emergência de comorbidades típicas aos indivíduos idosos. Nesse contexto, a alta prevalência de quedas que acompanha essa faixa etária tem despertado o interesse por estudos que análisem os fatores que as cercam. A associação do declínio cognitivo com a ocorrência de quedas só recentemente tem sido objeto de estudo (DELBAERE et al., 2012b; AGUIAR e ASSIS, 2009; CHRISTOFOLETTI et al., 2006; RIBEIRO, 2006; FULLER et al., 2000 GUO et al., 1998). Uma revisão sistemática desenvolvida por Moreland e outros (2003) ressaltou a relevância da função cognitiva e o uso de medicação psicotrópica como fator de risco modificável mais importante na ocorrência de quedas. Delbaere e outros (2012b) verificaram que o risco de quedas foi significativamente maior em pessoas com comprometimento cognitivo leve em comparação aos que possuíam funcionamento cognitivo normal. Aguiar e Assis (2009) constataram que a média de quedas foi maior entre sujeitos com déficit cognitivo (3,2 ± 4,6) em comparação aos que possuíam cognição preservada (2,7 ± 2,9). No presente estudo, o comprometimento cognitivo foi observado em 28,14% da amostra. Gurian e outros (2012) verificaram uma prevalência de alteração do nível cognitivo inferior ao do atual estudo, 18,3%. Já nos estudos de Macêdo e outros (2012) e Machado e outros (2007) esse distúrbio foi observado em uma proporção maior de indivíduos, 42,7% e 36,5%, respectivamente. Cabe ressaltar que a variedade de pontos de corte adotados no MEEM, segundo o nível de escolaridade dos indivíduos, dificulta a comparação da prevalência de disfunção cognitiva entre os estudos. A utilização e indicação do MEEM para rastreamento de problemas cognitivos é amplamente conhecida, no entanto, não há um consenso na literatura quanto ao ponto de corte mais adequado para sua utilização, mas sabe-se que fatores como a educação o influenciam (VALLE et al., 2009; LOURENÇO E VERAS, 2006; BRUCKI et al., 2003; LAKS et al., 2003; BERTOLUCCI et al., 1994). Estudos que visem maiores esclarecimentos quanto ao uso do MEEM, ao ponto de corte mais 47 adequado e aos fatores que o influencia são necessários para permitir uma comparação fidedigna entre os resultados de diferentes populações. O conhecimento da prevalência de comprometimento cognitivo e a comparação entre os diversos estudos podem ser fundamentais para a adoção de ações e estratégias que visem à independência e garantia da qualidade de vida dos idosos. Algumas características dos idosos com comprometimento cognitivo merecem ser destacadas: a maioria é do sexo feminino, são viúvos, pertencem ao nível socioeconômico “C”, residiam acompanhados e em locais que continham a Unidade Básica de Saúde com Estratégia de Saúde de Família como modalidade de atenção à saúde. A amostra total desse estudo é composta predominantemente por mulheres, seguindo a distribuição da população idosa nacional, segundo dados do IBGE (2011). Assim, o fato de ter um número maior de mulheres com comprometimento cognitivo pode ser decorrente dessa distribuição. Outros estudos corroboram com esse achado e apontam que a maior longevidade das mulheres pode estar relacionada com o predomínio do déficit cognitivo maior nesse sexo. Cavalini e Chor (2003) encontraram prevalência de disfunção cognitiva cerca de 50% maior para os homens, mas cabe reportar que esse estudo objetivou avaliar associação entre hipertensão arterial sistêmica e disfunção cognitiva em idosos com 65 anos ou mais, usuários de um serviço público de referência para idosos, o que pode ter enviesado a amostra. A maior parte dos indivíduos com comprometimento cognitivo são viúvos, entretanto, residem acompanhados. Essa configuração de estado civil e arranjo domiciliar pode ser um indicativo da necessidade de cuidados e aumento da dependência (MACÊDO et al., 2012; FERREIRA, TAVARES e RODRIGUES, 2011; MACHADO et al., 2007; CERQUEIRA e OLIVEIRA, 2002), que pode ter ocorrido em decorrência do declínio cognitivo. A associação direta entre residir acompanhado e menores níveis cognitivos foi encontrada em outros estudos (ALVARENGA et al., 2011; MACHADO et al., 2007). Além disso, sabe-se também que eventos de grande impacto emocional, como a perda de um ente querido, no caso dos viúvos, podem gerar efeitos adversos ao quadro de saúde geral do idoso e contribuir para o declínio cognitivo. 48 Destaca-se ainda que a maior parte da amostra era pertencente aos níveis socioeconômicos mais baixos, o que pode ter influenciado no baixo nível de escolaridade encontrado na amostra geral de indivíduos e ter levado a implicações negativas na pontuação do MEEM. De acordo com Argimon e Stein (2005), que utilizaram uma série de instrumentos para a avaliação das habilidades cognitivas nos idosos, dentre eles o MEEM, aqueles que possuíam menor escolaridade ao serem comparados com os que possuíam mais anos de estudo apresentaram resultados inferiores no MEEM. Além disso, os que possuíam maior escolaridade mantiveram preservada a maioria das funções cognitivas analisadas durante o período de seguimento. O estudo de Ferreira, Tavares e Rodrigues (2011) também destaca uma relação direta entre desempenho cognitivo e nível educacional. Machado e outros (2007) ao analisar o perfil de um grupo de idosos com comprometimento cognitivo, a maior parte possuía renda domiciliar mensal abaixo de 3 salários mínimos. A Estratégia de Saúde da Família como modalidade de atenção à saúde predominante nas regiões onde residem os idosos com comprometimento cognitivo revela uma alternativa importante para a abordagem integral e contínua desses indivíduos com ênfase na humanização do cuidado e possibilidade de intervenções de acordo com a necessidade real do indivíduo e o contexto socioeconômico que o cerca (COSTA, 2004; SILVESTRE e COSTA NETO, 2003). Além disso, a ESF pelas características do seu processo de trabalho pode se configurar como uma bandeira de luta pela manutenção do idoso na família e na sociedade em que vive de forma integrada, independente e feliz. No presente estudo verificou-se que a prevalência de quedas entre os idosos com comprometimento cognitivo foi de 42% e observou-se associação entre déficit cognitivo e a ocorrência de quedas. O estudo de Aguiar e Assis (2009), utilizando-se do mesmo instrumento do presente estudo, constatou a presença de déficits cognitivos em 52% da população que sofreu queda. Gleason e outros (2009) verificaram que pontuações mais baixas no MEEM refletiram em maior ocorrência de quedas (p = 0,0026). Chen, Peronto e Edwards (2012), utilizaram o mesmo instrumento de rastreamento cognitivo (MEEM) e observaram que a queda foi associada com função executiva e velocidade de processamento pobres (p = 0,02). 49 Mirelman e outros (2012) utilizando a bateria neuropsicológica computadorizada MindStreams® encontraram relação entre a ocorrência de quedas e as variáveis funções executivas e atenção (p = 0,0005 e p = 0,001, respectivamente), enquanto as habilidades visuoespaciais e a memória não se correlacionaram ao evento queda. Carvalho e Coutinho (2002) verificaram a associação entre a demência e a ocorrência de quedas por meio do Questionário Brazil Old Age Schedule (BOAS) e verificaram que os portadores de demência sofreram 82% mais quedas em comparação aos indivíduos sem demência. Todavia, existem estudos que se contrapõem aos resultados do presente trabalho. Aveiro e outros (2012) e Ferrer e outros (2012) não identificaram relação entre o nível cognitivo e a ocorrência de quedas (p = 0,11 e p = 0,473, respectivamente). Os resultados obtidos por esses autores podem ser explicados pela maior inatividade e menor exposição a riscos apresentados pelos idosos com comprometimento cognitivo quando comprados a aqueles com a capacidade cognitiva preservada. Outra justificativa seria atitude protetora e o maior suporte familiar oferecido a estes indivíduos (AVEIRO et al., 2012). A utilização de dados secundários de um estudo transversal é uma importante limitação do presente estudo. Outros desdobramentos da metodologia utilizada no estudo que deu origem ao banco de dados, também configuram-se como outras limitações: 42 idosos que apresentavam comprometimento da capacidade cognitiva, devido a ausência de outro respondente no momento da coleta, responderam apenas o MEEM. Além disso, 8 indivíduos apresentaram impossibilidade de aplicação do questionário por estarem em estágio avançado de doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson, logo não há dados do MEEM para esses indivíduos que comprovem o comprometimento cognitivo, portanto, podemos inferir que trata-se de casos com alto grau de comprometimento cognitivo, mas por não ter essa constatação pelo MEEM, os mesmos não foram considerados para a prevalência de comprometimento cognitivo e nem foram incorporados ao grupo de comprometimento cognitivo. Portanto, a caracterização da amostra, bem como a análise bivariada realizada não contemplaram esses indivíduos e tais fatos podem ter contribuído para subestimar os resultados encontrados. Embora sejam limitações do estudo, essas constatações permitem algumas considerações que devem ser também levadas para a análise de outros estudos e 50 expandidas para as modalidades de atenção á saúde em que os profissionais não extrapolam os muros dos serviços de saúde. Esses indivíduos que não foram totalmente incluídos na análise dos dados representam, possivelmente, a parcela da população mais fragilizada, que demanda maior cuidado e maior necessidade de serviços sociais e de saúde e possivelmente mais negligenciada por estudos e serviços de saúde centrados em atender apenas as demandas espontâneas, configurando-se assim como uma demanda reprimida importante. Tendo em vista os resultados obtidos, ressalta-se a necessidade de mais estudos que abordem a relação entre a capacidade cognitiva e ocorrência de quedas, bem como a padronização dos instrumentos utilizados, de forma que a comparação entre os resultados obtidos seja mais fidedigna. É importante também a realização de estudos de delineamento longitudinal com o intuito de eliminar possíveis vieses mnemônicos e de permitir a determinação de uma relação causal, uma vez que tanto o déficit cognitivo pode levar à ocorrência de quedas quanto as quedas podem predispor ao declínio da função cognitiva. 51 7 CONCLUSÃO O processo de envelhecimento é marcado por alterações da capacidade cognitiva e alta prevalência de quedas. No presente estudo, 28,14% dos idosos apresentaram declínio cognitivo e a frequência de quedas observada nesses indivíduos foi de 42%. Verificou-se associação entre a capacidade cognitiva e a ocorrência de quedas (p = 0,043). Cabe reportar que as limitações desse estudo talvez tenham influenciado os resultados obtidos. No entanto, as reflexões advindas desse trabalho podem ser úteis para planejamentos de estudos futuros e contribuir, principalmente, para a elaboração de ações e estratégias em nível local. O conhecimento da prevalência de comprometimento cognitivo pode ser útil não apenas por guardar uma relação estreita com o evento queda, mas também porque frequentemente é acompanhado por disfunções do controle emocional, do comportamento social e/ou motivação, interferindo, portanto na manutenção da autonomia e independência dos idosos, elementos imprescindíveis para a qualidade de vida dos indivíduos. A associação encontrada entre quedas e declínio cognitivo reforça a necessidade de investimentos não só na saúde do idoso, mas também na saúde e educação dos adultos atuais para que estes possam envelhecer com autonomia e independência, não experimentando o alto grau de morbidade e perda da capacidade funcional que são observados atualmente com o processo de envelhecimento. 52 REFERÊNCIAS ABREU, S. S. E.; CALDAS, C. P. Velocidade de marcha, equilíbrio e idade: um estudo correlacional entre idosas praticantes e idosas não praticantes de um programa de exercícios terapêuticos. 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