UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA
Pablo Antonio Iglesias Magalhães
Equus Rusus
A Igreja Católica e as Guerras Neerlandesas na Bahia
(1624 – 1654)
Volume 3
Tese apresentada ao Programa de Pós Graduação em História da Universidade
Federal da Bahia, para a obtenção do
título de Doutor em História.
Orientadora: Profa. Dra. Maria Hilda
Baqueiro Paraíso
Co-Orientadora:
Brandão Aras
Profa.
Dra.
Lina
Salvador – BA
2009
1
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
3
ANEXO II. A RELAÇÃO DE FREI FRANCISCO DE SAN JUAN EM 1624
4
ANEXO III. A JORNADA DOS VASSALOS DE D. JERÔNIMO DE ATAÍDE EM
1625
27
ANEXO IV. A RELAÇÃO DO BISPO D. JUAN DE PALAFOX Y MENDONZA EM
1638
62
ANEXO V. REGISTRO DAS ENTRADAS NO LIVRO DE TOMBO DA ORDEM DO
CARMO DE SALVADOR (1630-1658)
76
ANEXO VI. CARTAS GEOGRÁFICAS E IMAGENS
FONTES E BIBLIOGRAFIA
81
2
Introdução
O terceiro volume da presente tese tem por objetivo apresentar textos inéditos
que podem auxiliar a leitura dos capítulos do primeiro volume. São três artigos que
trazem, ao fim, a transcrição ou edição dos documentos respeitantes às guerras
neerlandesas na Bahia. Em cada um deles foi indicada a autoria e feito alguns
apontamentos para situá-los na historiografia das guerras.
O Anexo II apresenta uma relação escrita na Bahia por um frade franciscano em
1624. O Anexo III traz a Jornada dos Vassalos narrada em castelhano por D. Jerônimo
de Ataíde em 1625. O Anexo IV uma relação que fora publicado em 1638, mas que,
durante a pesquisa, foi possível apontar seu possível autor: o Bispo Juan Palafox y
Mendonza. O Anexo V apresentar um resumo das entradas feitas no Livro do Tombo do
Convento de Nossa Senhora do Carmo da Bahia entre 1626 e meados da década de
1650. Dos mais antigos Tombos que restaram dos mosteiros e conventos da Bahia, na
primeira metade do século XVII, o do Carmo é o único que permanece inédito, visto
que os dos jesuítas e dos beneditinos foram publicados.
Foram elaboradas, para falicitar a leitura da tese, cartas geográficas. Essas cartas
indicam aos leitores os diversos locais do Recôncavo baiano e de Salvador que
aparecem ao longo dessa pesquisa.
3
Frei Francisco de San Juan: um missionário espanhol na
Bahia em 1624
Existe na Biblioteca Nacional da Espanha uma relação manuscrita por uma
testemunha ocular que viveu em meio aos refugiados na Aldeia do Espírito Santo, em
1624. O manuscrito é intitulado Da tomada da Cidade da Bahia, e o que mais sucedeu
ate a morte do senhor Bispo, com autoria atribuída a Frei Francisco de São João e narra
o dia-a-dia no centro da resistência, as dificuldades dos refugiados e alguns pormenores
desconhecidos pela historiografia da invasão holandesa. 1
Em primeiro lugar, é necessário tecer algumas considerações acerca do autor da
Relação. A presença de Frei Francisco de São João na Bahia em 1624 foi
completamente ignorada pelas crônicas e demais documentos relativos à invasão e
retomada de Salvador em 1624 e 1625. Por pertencer à Ordem dos Franciscanos
Menores, era de se esperar que os cronistas Frei Vicente do Salvador e Frei Santa Maria
Jaboatão fizessem menção da sua presença na Aldeia do Espírito Santo, mas não existe
qualquer referência a este nome nos escritos de ambos.
As pesquisas em arquivos portugueses, ao exemplo do Cartório Franciscano na
Torre do Tombo, não apontaram a existência de qualquer frade franciscano com este
nome na primeira metade do século XVII vivendo em Portugal. Os principais cronistas
das províncias franciscanas da Arrábida, de Santo Antonio e da Piedade também não
mencionam a existência de frade da sua ordem com este nome. Também não aparece
em nenhum catálogo bibliográfico português ou brasileiro, de Diogo Barbosa Machado
a Augusto Sacramento Blake, passando por Inocêncio Francisco da Silva.
A presença de Frei Francisco de São João na Bahia durante a invasão holandesa
permaneceu um enigma. A única pista, além do nome, existente no manuscrito, está na
folha 30, quando o autor afirma “viam que lhe matavam aos nossos muita gente, que
conforme diziam seriam os mortos perto de duzentos, e vivos alguns vinte, que por
essas fazendas ficavão quando me vim para Espanha”. Frei Francisco de São João não
retornou para Portugal, como era de se esperar de um religioso português, mas seguiu
em direção da Espanha.
1
BNE. Ms. 17533, “Da tomada da Cidade da Bahia, e o que mais sucedeu ate a morte do senhor Bispo”,
fls. 21 a 31v.
4
Tratar-se-ia, então, de um Fray Francisco de San Juan? Isso explicaria a
existência de muitos elementos da língua castelhana no manuscrito. O original
desaparecido, aliás, provavelmente foi redigido em castelhano. A cópia do século XVIII
conservada na Biblioteca Nacional de Espanha deve ter sido vertida para o português
por anônimo copista, que aportuguesou, além do texto, o nome do franciscano de San
Juan para São João. Durante a cópia e tradução foram conservadas algumas palavras em
sua forma castelhana, como o substantivo próprio “España”, as preposições “en” e
“con”, que são recorrentes em diversos parágrafos, e as grafias de “señor” e “otra” ao
invés de “senhor” e “outra”. Aparece também diversas vezes a conjunção castelhana
“y”, demonstrando falhas na tradução do original para o português.
Foi necessário investigar a existência de algum Frei Francisco de San Juan na
Espanha da primeira metade do século XVII. A princípio foi possível identificar dois
franciscanos que atendiam por este nome nesta época. O primeiro chamava-se Fr.
Francisco de San Juan Evangelista e atuou nas missões franciscanas nas ilhas Filipinas.2
O segundo Frei Francisco de San Juan publicou em 1610 o livro La Vida de la Santa
Virgen Eustochio. Nas Bibliotecas Nacionais em Madrid, Lisboa ou Rio de Janeiro não
encontrei exemplar deste livro e por esta razão não pude averiguar qualquer notícia
acerca deste franciscano, além do que informou Antonio Palau y Dulcet e Agustín
Baquero. 3
Na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, não obstante, foi possível identificar
outro Frei Francisco de San Juan ou Frei Francisco Martin de San Juan. Este religioso
ocupou a função de Comissário Provincial dos franciscanos que passaram para as
custódias na América e foi o autor de um raríssimo impresso que integrou a coleção do
Abade de Sever, Diogo Barbosa Machado, incluso na coleção de Notícias das Sagradas
2
HUERTA, Félix de. Estado Geográfico, Topográfico, Estadistico, Histórico-religioso, de la Santa y
Apostólica Provincia de S. Gregorio Magno, de Religiosos Menores Descalzos de la... N.S.P.S.
Francisco, en las Islas Filipinas, Binondo: Imp. de M. Sanchez y Cª, 1865, pp. 511 e 512. “Biblioteca de
Autores hijos de esta Provincia de S. Gregorio. 61. Fr. Francisco de San Juan Evangelista, Confesor,
natural de Burgos de las Torres, de la ilustre famila de los Nietos y Silvas, profesó en la santa provincia
observante de la Concepcion. No se sabe el añoque llegó á Filipinas, pues no consta su nombre en las
listas de misiones; pero en 25 de Agosto de 1633 ya se nombró ministro del pueblo de Cavinti y tambien
outra vez á Morong. El año de 1645 estuvo de morador en Manila, y escribió: Tratado del gobierno
espiritual de las monjas. Por los años de 1652 volvió á la administracion de Morong, y de aqui pasó á
Caboan, donde enfermo, y retirandose á nuestro convento de Manila murió el año de 1656”.
3
DULCET, Antonio Palau y; BAQUERO, Agustín. Manual del Librero Hispano-americano:
Bibliografía General Española, Madrid, 1927, pp. 409 e 415: “La vida de la santa virgen Eustochio
(sic) Recopilada por Fr. Francisco de San Juan” ou “SAN JUAN, Fr. Francisco de. La vida de la santa
virgen Eustochis (sic) hija de Santa Paula, copiada de lo que della escrebio San Geronymo. Sevilha,
1610. 4. Sevilla, 1610, 4. (Nicolas Antonio)”. Esta informação é também apresentada na Tipografía
Hispalense de Francisco Escudero y Perosso, 1894, p. 315: “San Juan (Fr. Francisco de). La vida de la
Santa virgen .”
5
Missoens. O impresso com quatro páginas foi intitulado Traslado fielmente sacado de
vna carta de la India escrita por el P. Francisco Martin de S. Juan natural de Huesca, y
Comissario Provincial de los Freyles de S. Francisco, que passaron a Indias: embiada
a Martin Frances menor de Çaragoça, en que le da razon de su jornada y cosas muy
notables de las Indias aora de nueuo descubiertas. 4 Deste impresso, o único exemplar
conhecido está na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, não constando outro em
Madrid ou Lisboa.
Além da afirmação de ter retornado para a Espanha, há apenas mais dois
pronomes em primeira pessoa utilizados no texto por Fr. Francisco. O primeiro indica
que o franciscano, como quase todos os moradores, fugiu de Salvador para a Aldeia do
Espírito Santo a 9 de maio. Na folha 27 da Relação afirma que nos “primeiros dias
padeceram muitas misérias (…) e que tres dias não soubemos que cousa era comer mais
que uns pós de farinha de pão”. Viveu na aldeia entre 11 de maio e meados de outubro,
após a morte do Bispo, quando seguiu para a Espanha, onde deve ter chegado a fins de
dezembro de 1625. Exatos quatro meses após a morte de D. Marcos Teixeira, os
governadores da Portugal já consideravam apontar substituto para a mitra brasílica.5 É
possível que a embarcação que levou o franciscano da Bahia para a Espanha tenha feito
escala em Portugal e um de seus passageiros informado ao governo as notícias da guerra
na Bahia.
O franciscano não redigiu seu texto na aldeia, visto que recorreu à sua memória
para elaborar o testemunho. Ao concluí-lo, no verso folha 31, asseverou que “Isto é o
que me lembra com toda a verdade, sem faltar um ponto de todo o que aqui digo”. É
possível que tenha escrito ao chegar a Espanha em 1625, à época que todos estavam
ansiosos por notícias da Bahia.
A relação abrange especialmente o período menos conhecido da organização da
contraofensiva, entre junho e outubro de 1624, que compreende a eleição do Bispo à sua
morte a 8 de. Sem desmerecer os escritos de duas testemunhas oculares da invasão de
1624, é certo que Antonio Vieira redigiu a Carta Ânua dois anos após a entrada dos
neerlandeses e por mais brilhante que fosse, ainda era um rapazote de 17 anos que
4
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, 24, 3, 6 n.4, (Coleção Barbosa Machado, Notícias das sagradas
missoens Tomo I, n. 1749). Francisco Martin de SAN JUAN, Traslado fielmente sacado de vna carta de
la India escrita por el P. Francisco Martin de S. Juan natural de Huesca, y Comissario Provincial de
los Freyles de S. Francisco, que passaron a Indias: embiada a Martin Frances menor de Çaragoça, en
que le da razon de su jornada y cosas muy notables de las Indias aora de nueuo descubiertas.
Barcelona: por Geronymo Margarit, 1619, 2 folhas. Não encontrei outro exemplar em Madrid ou Lisboa.
5
Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Mesa de Consciências e Ordens, Livro 29 (1625-1627), fl.10.
Lisboa, 8 de fevereiro de 1625.
6
coloriu bastante o texto. Ademais, em 1624, Vieira não ficou na aldeia do Espírito
Santo, seguindo com os demais noviços dos jesuítas para a Aldeia de São João, afastada
sete kilômetros da primeira.
O outro cronista da guerra, Frei Vicente do Salvador, assistiu a invasão da Bahia
do cárcere onde ficou confinado.6 Os únicos relatos escritos na Aldeia do Espírito Santo
no momento que foi organizada a contraofensiva foram as cartas escritas pelos jesuítas
Manuel Fernandes e Miguel Rodrigues, datadas de 25 de julho e 18 de junho,
respectivamente, e publicadas por Serafim Leite. A carta do Padre Provincial Domingos
Coelho foi escrita do cárcere na Holanda, em outubro, se reportando aos acontecimentos
na Bahia até meados de julho de 1624. 7
Frei Francisco de San Juan apresenta notícias inéditas, não relatadas pelos
outros cronistas neerlandeses ou luso-brasílicos, detalhando o envio de batéis com
mensageiros neerlandeses ao Governador Diogo de Mendonça e Furtado antes do
desembarque das tropas. Os luso-brasílicos perceberam que esta embaixada funcionaria
como um “Cavalo-de-Tróia” e a repeliram.
A Relação guarda ainda uma surpresa aos leitores que conhecem as histórias da
invasão neerlandesa de 1624. Dos escritos da época, é o único que afirma que o Bispo
D. Marcos Teixeira não faleceu de causas naturais, mas que foi assassinado pelo médico
responsável por lhe tratar de “umas quenturas”. No verso da folha 29, Frei Francisco de
San Juan afirma que um médico judeu isolou o prelado e “começou logo a sangrá-lo, a
tirar sangue adonde o não havia, e logo lhe deu em tresválios de maneira que ao oitavo
dia lhe deu uma purga, e ao décimo o enterrou, que todos disseram que lhe deram
peçonha, e não podia ser menos, porque se viram muitas mostras de lha terem dada”.
Antonio Vieira e Frei Vicente do Salvador não apresentam esta versão da morte
do bispo, mas o noviço estava na Aldeia de São João e o antigo Guardião do Convento
de São Francisco encarcerado. Os quatro principais cronistas ibéricos da Jornada dos
Vassalos também não trataram neste assunto, visto que, quando a expedição chegou à
Bahia, o Bispo já contava seis meses de sepultado. O Padre Guerreiro apenas diz que
“em poucos dias lhe parou a vida, digna de mais largos anos.” 8 Apenas o dominicano
6
VIEIRA, Antonio. Cartas do Padre António Vieira. (ed. João Lúcio de Azevedo.), Coimbra, 1925, v 1.
pp. 3-47; SALVADOR, Frei Vicente. História do Brasil 1500 – 1627. São Paulo, Edições
Melhoramentos, 1918.
7
LEITE, Serafim. História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1943.
Vol. 5 . pp. 34, 48, 50-51,.
8
GUERREIRO, Bartolomeu. Jornada dos Vassalos da Coroa de Portugal. Lisboa, Mateus Pinheiro,
1625. p. 74;.
7
Frei Gaspar d’Acenção deu publica voz ao possível assassinato de D. Marcos Teixeira,
questionando, no seu sermão que celebrou a vitória em 1625, “como se há de crer que
matam os bispos?”. 9
Apesar de não ter sido publicada na Europa a notícia de que D. Marcos Teixeira
foi envenenado, esta versão foi amplamente divulgada na Bahia. Existe outro
documento que corrobora a acusação de Frei Francisco de San Juan: as denunciações do
licenciado Manoel Temudo da Fonseca nos Cadernos do Promotor da Inquisição de
Lisboa. Cônego da Sé da Bahia, o licenciado Manuel Temudo da Fonseca nasceu em
Sertam por volta de 1589 e embarcou para Salvador em 1623. No ano seguinte,
acompanhou o Bispo D. Marcos Teixeira na aldeia do Espírito Santo e, depois, nas
ações que partiram do Arraial do Rio Vermelho.
Após a morte do prelado em outubro de 1624 e a retomada da cidade em maio
de 1625, Temudo foi instituído Governador do Bispado do Brasil, ocupando o cargo até
1631, quando retornou para Lisboa. Em 1632 conheceu o Bispo D. Pedro da Silva e
Sampaio para quem relatou informações acerca da Bahia, dos seus moradores, da
religião e, principalmente, do perigo que representava para o Brasil a presença dos
neerlandeses e judaizantes. Temudo morreu em 1652, mas teve sua obra jurídica
Decisiones et quaestiones Senatus Archiepiscopalis Metropolis Olysiponensi aplaudida
por D. Francisco Manuel de Melo, que teceu elogio à competência de Temudo numa
carta de 24 de agosto de 1650.
10
À respeito do envenenamento do Bispo, afirmou
Temudo que
judeus se vão ao Brasil, e lá vivem à sua vontade sem temor da justiça eclesiástica, a qual é tão
desacatada e desprezada por falta de ministros, que por este respeito padecem muitas afrontas
assim bispos como seus ministros, que de ordinário são pessoas que vivem com o tempo por
assim conservarem as vidas, e suposto tenham muitas vezes notícia de algumas coisas de que se
deve fazer muito caso, não podem acudir como é necessário, e por esta causa morreu o bispo
Dom Marcos Teixeira de Mendonça, de uma purga que lhe deram os judeus, temendo-se do zelo
com que acudia atalhar a comunicação que tinham com os holandeses, a quem serviam com
muitos refrescos da terra e comunicação que com eles tinham (...) Disse mais, que é público e
notório que os cristãos novos, e em especial o médico Duarte Roiz Ulhoa, mataram com peçonha
ao bispo Dom Marcos Teixeira, no ano de 1624, pouco mais ou menos, estando no arraial junto à
Bahia, que estava ocupada dos holandeses, porque lhes tolhia que os não comunicassem nem
lhes mandassem presentes, refrescos nem cartas, tomando-lhes algumas que se furtaram por
morte do bispo, e Pedro Gonçalves de Matos, muito boa pessoa, cristão velho, e o [Antonio]
9
D’ASCENÇÃO, Gaspar. Serman que pregou o padre frei Gaspar Dasceção de Ordem dos Pregadores
na Sé da Bahia de Todos os Santos na cidade de Salvador na primeira missa que se disse, quando se
deram as primeiras graças publicas, entrada a cidade pela vitória alcançada dos Holandeses a 5 de
Maio de 1625. Lisboa, Geraldo da Vinha, 1625, fl. 13.
10
MACHADO, Diogo Barbosa. Bibliotheca Lusitana. Lisboa, Vol. 3, p. 387.
8
Cordeiro médico, cristão novo, lhes disseram que o dito Duarte Roiz Ilhoa matara o bispo, e é
11
notório isto lá.
Alguns fatos concorrem para confirmar a vesão do homicídio do prelado. O
Bispo ainda era jovem, contando 46 anos, e, segundo Antonio Vieira, não parece que
estava doente, visto que “caiu (...) em cama mais de cansaço e trabalho que de doença”.
Após os primeiros sintomas de fraqueza, o bispo viveu mais oito dias e morreu “estando
no arraial junto à Bahia”, na região atual de Itapagipe e foi sepultado próximo do local
onde falecera, na ermida de Nossa Senhora da Conceição. O testemunho de Manuel
Temudo não deve ser entedido apenas como perseguição aos cristãos-novos, visto que
um dos acusadores de Duarte Roiz Ulhoa foi o médico cristão-novo Antonio Cordeiro.
O fato de parecer saudável, como afirma Vieira, apesar dos jejuns e noites
insones, seguido pelas quenturas subsequentes e repentinas que foram descritas por Frei
Francisco, somada, por fim, a acusação feita por Temudo contra o médico Duarte Roiz
Ulhoa, de que assassinou “com peçonha ao bispo Dom Marcos Teixeira” apresentam
uma sequência de eventos que pode sinalizar, de fato, uma morte por envenamento.
Os indícios de que D. Marcos Teixeira foi assassinado devem ser considerados
pela historiografia, apesar do fracasso das escavações realizadas em 1950 pela
Prefeitura Municipal de Salvador, junto com uma comissão de historiadores, para tentar
localizar a sepultura e, talvez, restos mortais de D. Marcos Teixeira. 12
Qual seria, então, o veneno mais acessível na Bahia do século XVII? O veneno
deveria ser conseguido localmente, visto que em 1624 o comércio com outras regiões
estava suspenso. Os contatos, em meio a resistência contra os holandeses, ficaram
restritos às aldeias tupinambás do Recôncavo e qualquer substância produzida teve que
ser feita com conhecimento e ferramentas desta cultura. Há, não obstante, dois venenos
usuais aos índios do Recôncavo, com matéria-prima abundante e falicidade na
produção. O primeiro é o tucupí, suco da raiz da mandioca, que Gabriel Soares de Sousa
descreve na Bahia em 1587, apesar de não utilizar esta nomeclatura.13 Este veneno
também era conhecido dos índios do Vale do Amazonas, sendo tão ativo que “em
11
Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Inquisição de Lisboa, Promotor, Caderno 15 – Livro 216,
«Denunciações do licenciado Manoel Temudo», fls. 42-42v e 45-45v. Lisboa, maio de 1632.
12
Manoel de Aquino BARBOSA, O.S.B. «O Sitio do Arraial e da Sepultura de D. Marcos Teixeira»,
Freguezia da Conceição da Praia 1623 -1973: D Marcos Teixeira, Fundador, Salvador, Tipografia
Beneditina, 1973, p. 149-155. As indicações documentais da sepultura foram incertas e contraditórias. Os
trabalhos de escavação nas ruínas da ermida de Nossa Senhora da Conceição em Itapagipe, em 1950, não
lograram qualquer resultado ao tentar identificar a sepultura de D, Marcos Teixeira. Várias ossadas
humanas foram localizadas, mas não fora possível determinar se alguma delas pertenceu ao Bispo. É
desconhecido, atualmente, o paradeiro dessas ossadas.
13
SOUSA, Gabriel Soares e. Tratado Descriptivo do Brazil em 1587, Rio de Janeiro, Typographia
Universal de Laemmert, 1851, pp. 164-165.
9
poucas horas mata aos que bebem, ou sejão animais, ou homens, e contam excessivas
dores, que parecem desfazerem as entranhas com ansias e convulsões espantosas. É mui
doce e grato ao paladar”.14 A velocidade de ação deste veneno indica que não teria sido
utilizado contra o Bispo. Ademais, no Brasil, o uso do termo “peçonha” está associado a
venenos extraídos de animais. O veneno das cobras deve ser eliminado de antemão
pelas óbvias dificuldades em conseguí-lo e porque as culturas indígenas locais não
faziam uso destes animais.
O veneno mais utilizado no Recôncavo baiano, também descrito por Gabriel
Soares de Sousa, é encontrado nos sapos-cururús (Bufo marinus) ou sapos de Espanha,
sendo extraído do fígado e da pele do animal “da qual o gentio usa quando quer matar
alguem”. 15 A matéria-prima para este veneno é abundante no Recôncavo. Esse animal
produz e excreta, por glândulas espalhadas pelo corpo, um líquido branco com
substâncias conhecidas como bufotoxinas. O efeito do veneno é cardiotóxico e seus
componentes básicos podem ser classificados segundo sua toxicodinâmica como:
adrenalina; noradrenalina; bufotenina, dihidrobufotenina e bufotionina.
Os efeitos da bufotenina e bufotionina são similares aos de uma intoxicação
suave, com efeito estimulante, incluíndo leves alucinações que duram menos de uma
hora. A ingestão deste conjunto de substâncias, em contrapartida, é letal. Os sinais
cardíacos associados são cianose, fraqueza, colapso, edema e convulsões. Pode ocorrer
emese e diarréia.16
14
DANIEL, João. Tesouro Descoberto no Máximo Rio das Amazonas, Livro II, Capítulo 4. Outro
veneno do Vale do Amazonas é o timbó ou tinguy, chamado pelos espanhóis de barbasco, extraído do
suco amargo da cortiça, com gosto quase impossível de ser camuflado. Sua ação é semelhante ao curare e
o usuário tem morte quase imediata. Gastão Cruls na sua Hiléia Amazônica identifica quatro tipos de
curares, no Alto Amazonas, no Alto Orinoco, na Guiana Inglesa e na Guiana Francesa, todos extraídos de
plantas diversas do ramo Strychnos. O uso de plantas desta família não é registrado entre indígenas tupis
na Bahia. Nas oito ocorrências da palavra veneno no Systema de Materia Medica Vegetal de Carl von
Martius, nenhuma pode ser indicada como usual na Bahia. Systema de Materia Medica Vegetal
Brasileira, Contendo o Catalogo e Classificação de todas as Plantas Brasileiras Conhecidas, os seus
Nomes em Lingua Nacional com Individuação do Modo Porque são Chamadas nas Diversas
Localidades; A sua nomeclatura Botanica; a sua Habitação e os seus Usos Medicinaes, Rio de Janeiro,
Eduardo & Henrique Laemmert, 1854
15
SOUSA. Op. Cit. p. 266.
16
Davis WEIL. Bufo alvarius: a potent hallucinogen of animal origin In: Journal of Ethnopharmacology,
Volume 41(n.1-2), Elsevier, 1994. pp. 1-8. Os antropólogos especulavam a razão de diversas culturas
indígenas na América utilizarem os sapos em rituais, como demonstram as representações iconográficas e
mitológicas, além de grande número de reportes etinográficos acerca destes anfíbios. Davis Weil
apresentou a hipótese que as representações e reportes são referentes não ao Bufo marinus, por conta da
toxidade de seu veneno que é letal, mas sim ao Bufo alvarinus que produz um potente alucinógeno, 5methoxy-N,N-dimethyltryptamine (5-MeO-DMT), O autor demonstra que a tóxina deste sapo pode ser
consumida oralmente ou aspirada, sendo classificada como uma droga de classe 1 pelas leis australianas,
a mesma classe da heroína e da cocaína.
10
Supondo que D. Marcos Teixeira foi de fato envenenado, os indícios fazem crer
que seu assassino utilizou veneno extraído do sapo. Inclusive as “quenturas”, descritas
por Frei Francisco de São João, que o acometeram podem ser associadas aos sintomas
de envenenamento. A sepultura do Bispo nunca foi localizada e a hipótese de
assassinato não pode ser comprovada. Esta hipótese, contudo, também não pode ser
descartada, inclusive por conta dos muitos desafetos que o Bispo conseguiu angrariar
quando proibiu, sob pena de excomunhão e execução sumária, o comércio e assistência
aos soldados da WIC encerrados em Salvador.
Duarte Roiz Ulhoa, contudo, não teve registro de alguma queixa formalizada
contra ele perante o Santo Ofício e não foi enquadrado por crime de lesa-majestade
quando D. Fradique de Toledo restaurou Salvador, ocasião em que ordenou a execução
de cinco colaboracionistas. Ulhoa estava vivo em 1646 quando foi novamente acusado
durante a Grande Inquirição na Bahia, organizada naquele ano. Novamente foi alvo de
denúncias e teve seu nome associado à manipulação de substâncias químicas,
aparecendo sob a forma de prática de curanderismo.
O que pôde ser apurado a respeito de Ulhoa é que teve sua filha condenada à
fogueira pelo Santo Ofício em Lisboa. A jovem se chamava Teresa e as denúncias
contra seu pai em 1646 é justamente de dedicar à filha morta uma capela com invocação
de Santa Teresa em Jacarecanga, escandalizando os moradores do Recôncavo. O Bispo
D. Pedro da Silva e Sampaio lhe negou a autorização para erigir a capela. Outro filho
de Ulhoa, Lopo Roiz Ulhoa, foi sambenitado pelo Santo Ofício, mas retornou para a
Bahia em maio de 1642. 17
O texto de Frei Francisco de San Juan não encerrar as discussões acerca da
invasão neerlandesa em 1624. Pelo contrário, sua publicação reacende a antiga
controvérsia, existente desde o primeiro dia da tomada de Salvador, acerca da
colaboração de cripto-judeus com os invasores da WIC. As graves acusações de Frei
Francisco e do Padre Temudo afirmam que Duarte Roiz Ulhoa eliminou o comandanteem-chefe da resistência contra os holandeses. Nada, contudo, foi dito acerca das causas
que o levaram a supostamente assassinar D. Marcos Teixeira, se por motivação pessoal
ou política. O significado maior da Relação de Frei Francisco de San Juan é demonstrar
que a história da invasão neerlandesa da Bahia em 1624 e a restauração no ano seguinte,
17
Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Inquisição de Lisboa, Promotor, Caderno 29 – Livro 228,
«Grande Inquirição», fls. 10v, 29v e 59, Lisboa, abril a agosto de 1646.
11
pela armada luso-espanhola, chefiada por D. Fradique de Toledo, ainda possui lacunas a
serem preenchidas e fatos que merecem ser investigados.
Para a transcrição atualizada da Relação foi necessário substituir a letra “u” pelo
“v”, quando necessário, e as expressões, em forma contraída, foram extendidas. As
palavras castelhanas que restaram no texto foram vertidas para português. Os verbos
terminados em “ão” assumiram a grafia atual para tempo pretérito ou presente. As
vírgulas, dispostas à maneira da época, foram recolocadas para facilitar a leitura. Na
transcrição paleográfica, o texto foi mantid de acordo com o manuscrito guardado na
Biblioteca Nacional de España.
Transcrição Atualizada
Fl. 21
Relação da perda da Bahia por Fr. Francisco de São João descalço da ordem de S.
Francisco.
Fl 22
O autor deste papel se chama o Padre Fr. Francisco de São João descalço de S.
Francisco
Fl. 23
Da tomada da Cidade da Bahia, e o que mais
Sucedeu ate a morte do senhor Bispo.
Em o mês de Abril da era de mil e seiscentos e vinte e quatro, veio um recado a
esta Cidade de uma vila, que chamam Boipeba, ao governador Diogo de Mendoça, que
estava uma nau onde chamam o Morro18 com duas lanchas, e que toda a noite estava
com farol, vendo isto o Governador mandou recado para que a gente de fora se juntasse,
e viesse toda para a cidade, a que servisse para a defender. A gente junta, que conforme
se descia seriam perto de três mil e quinhentas pessoas. Mandou o Governador fazer
prestes dois patachos, e em cada um gente, que os pudesse defender, fazendo Capitão de
18
Morro de São Paulo.
12
um, a um seu filho chamado Antonio de Mendonça, e do outro a um mercador da Ilha
de Madeira, e mandou-os partir e deu-lhe ordem, não para tomar a nau, nem remeter a
ela, mas para ver se podiam tomar as duas lanchas, que eram as que fazião todo mal, e
para elle em pessoa ir tomar a nau por ser ela muito grande, e trazer muitas pessoas, e
gente, [Fl. 23v] e isto se soube também por uma nau que vinha de Angola para a cidade,
a qual a nau tomou, e não lhe fez mal nenhum mas antes a mandou para a Cidade,
porque como não traziam, senão negros, e eles não são mercadoria que lhe serve, a
deixaram. Foram os dois patachos, e andaram lá alguns dias, mas como o tempo se
mudou ao lessueste, a nau se foi para o mar por amor de não perigar. Tornaram-se os
dois patachos, visto não haver nada, e o tempo lhes ser tão contrário, o Governador em
os vendo na Baía mandou que tornasem logo ao mar sob pena de morte. Tornaram
como lhes foi mandado, e aquela noite se fizeram na volta do mar, e todo aquele dia, e a
tarde se virão entre os inimigos, e, como eram tantos, não conheceram os patachos
cuidando que eram seus, e uma nau, que vinha de Lisboa, também se escapou e se
vieram a Cidade dar conta ao Governador do que passava e tinham visto.
De como o Governador se fez prestes, e como
a armada dos inimigos entrou na Bahia.
A oito de março apareceram na barra a armada dos inimigos, e não entraram
aquele dia por o tempo não ser muito favorável, e também como outros dizem por não
estarem todas juntas, e esperarem por as mais, e assim aquele dia não entraram, mas a o
outro que foram nove, dia de São Gregório, às nove da manhã entraram [Fl. 24] pela
Bahia, todas por sua ordem uma após outra, todas com suas bandeiras holandesas, e
com toldos vermelhos, e desta maneira sem aparecer pessoa alguma em cima da Cuberta
deram uma volta pela Bahia, como se a tiveram medida aos palmos; das nove até as
onze estiveram em cala, e logo mandaram um batel com gente com uma bandeira
holandesa: este vinha, conforme eles depois diseram, traziam embaixada, que não
fariam mal nenhum se lhe dessem licença para contratar e vender suas fazendas assim
como de Portugal as traziam. O Governador tanto viu que o batel vinha para terra, e
cuidando o que podia ser, e que sua embaixada seria de nenhum efeito lhe mandou atirar
duas peças; e ele tanto que viu que lhe atiravam virou, e tirou dois calhonaços, que
trazia. O Governador mandou por a gente toda por sua ordem andando ele de uma parte
a outra con muita deligência: mandou as naus, que no porto estavam pelas por sua
13
ordem, ainda que com mal conselho, porque aonde as pôs não fizerão nada: começaram
os inimigos a atirar alguns tiros, os piores e de menos força; os nossos começaram a
atirar de huma fortaleza, que o Governador tinha meio feita,19 e não deixaram de lhe
fazer algum mal destorçando-lhe algumas naus, e vendo elles que as peças da fortaleza
lhe faziam muito dano, juntaram todos os batéis e cheios [Fl. 24v] de gente abalrroaram
a fortaleza, ainda que não puderam poque se defenderam os que dentro estavam
valerosamente vendo elles, que não podiam tomar a fortaleza puseram quatro naus junto
dela, e para que os pelouros que atiravam lhe não fizesem muito dano, deram em seco
com as naus, coisa, que espantou a todos, e daí começaram a disparar de tal maneira
que não havia quem aguardasse na fortaleza, pelo muito dano que faziam aos nossos, e
os nossos também lhe faziam, e lhe matavam muita gente; tornaram a cometer a
fortaleza, e vendo os nossos, que não podiam mais defendê-la a deixaram, ainda que
ficou o filho do Governador, e Lourenço de Brito, que ficando sós o fizeram muito bem
matando-lhe muita gente, e quando mais não puderam se saíram; entraram os inimigos,
e como eles não tinham reparo, nem fortaleza, porque de terra lhe matavam muita gente
cravaram20 as peças para que não pudessem atirar mais, e se forão as naus. Os nossos
vendo isto tornaram a fortaleza, e vendo que não se podiam servir das peças as botaram
no mar para que os inimigos se não pudesem servir delas. Continuaram eles em atirar
até noite; e antes dela, foram a tomar as naus, que estavão pelejando, e as tiraram donde
estavam com morte de alguns dos seus, e tanto, que anoiteceu, o Governador mandou
por fogo as outras que ficavam, pera que eles se não aproveitassem delas, e os enimigos
tanto que anoiteceu não atiraram [Fl. 25] mais, ainda que de quando en quando atiravam
uma peça.
De como os inimigos deixaram quatro naus na
entrada da barra para combater, e tomar
a fortaleza de Santo Antonio e do que mais sucedeu
Está uma fortaleza na entrada da Barra que chamam de Santo Antonio, uma
légua da Cidade e de bem pouco efeito para os inimigos, porque como a barra é de três
léguas de boca, se afastam os inimigos dela por o outro lado, e assim não lhe fazem mal
as peças de artilharia. Os holandeses vendo que por nenhuma parte podiam botar gente
19
20
Forte da Lagem, atualmente aterrado.
No original: caruarão
14
para tomar a cidade, senão ali por ser uma boa praia, pera desembarcar deixaram quatro
naus as melhores, e de mais força, para que tomado a fortaleza, lançarem gente;
começaram a atirar e a botar a fortaleza por terra com grande força; os nossos o faziam
como melhor podiam, porque a fortaleza tinha muito pouca artilharia e menos gente, e
assim a não podiam impedir, que não desembarcassem; os nossos que com duas
bandeiras estavam aguardando-os, os fizeram outra vez embarcar, vendo eles isto,
tornaram com muito mas gente, que foi necessário aos nossos retirar-se: vendo eles sem
impedimento começaram logo em um lugar, que aí está, a que chamam Vila [Fl. 25v]
Velha, por ser a primeira povoação da Bahia em sua fundação, aí roubaram o quê
acharam, e os Templos sagrados quebrando santos, e profanando os ornamentos. Dalí se
vieram chegando pera a Cidade de tal maneira que em se cerrando a noite se puseram
onde chamam São Bento, um tiro de arcabuz da cidade e assentaram seu arraial sem
serem sentidos e trouxeram quatro peças de artilharia, que desembarcaram para
combater a cidade, se fosse necessário; os nossos como viram, que não se podiam
defender, se iam acolhendo, e tanto, que viram a noite o fizeram melhor, porque as
mulheres já eram saídas, e a mais gente comum; já o Governador andava fora de si, sem
sentido, vendo que a cidade se havia de tomar, por que a gente o desamparava, e assim
quando veio a manha, se achou com somente vinte pessoas, e com elas se meteu em
casa sem se acabar com ele, que se saísse fora visto já não haver remédio; ele se
confessou para morrer se o matassem os inimigos, porque ele isso desejava, vendo que a
fortuna assim lhe dava em rosto.
Vendo os inimigos que pela manhã a cidade estava desamparada, começaram a
marchar para ela, vindo sempre atirando, porque cuidaram eles, que os nossos lhe
tinham feito alguma emboscada; vieram a praça e assentaram seu arraial, e foram as
casas do Governador onde estava com obra de 20 pessoas, o Governador se fez [Fl. 26]
por defender, ainda que logo lhe abateram as armas, e o levaram preso com os mais as
naus, e estiveram para lhe cortarem a cabeça.
Do que mas sucedeu e do desacato que fizeram as cousas
sagradas.
Em os inimigos tomando o Convento de S. Bento (sic) que está fora da cidade, e
foi o primeiro templo em que entraram, já começaram sua fúria maior em as coisas
sagradas, os santos quebraram, de maneira que São Bento lhe deram muitas cutiladas, o
15
Santo Amaro lhe atiraram com sujidade de gente, a Virgem Senhora Mãe a fizerão em
retalhos, e assim foram fazendo ao mais, que acharam sem perdoar a coisa alguma como
hereges que eram, e Deus nosso senhor o permitia para mais os castigar; em entrando
como entraram em a Cidade puseram suas postas aonde viram ser necessário e
começaram a saquear a cidade já viúva, e deserta sem seus moradores, como outra
Jerusalem que acharam muita riqueza, assim de ouro como de prata; foram ao Convento
da Companhia (sic) e fizeram dele alfândega metendo seus roubos nele, e fazendo dos
santos o que fizeram dos mais, que os vasos sagrados, e ornamentos tiraram todos os
religiosos das religiões, deixando o mais do Convento, ainda que os clérigos se
houveram com mais descuido, porque se não foi alguma confraria, que seus irmãos
tiveram lembrança [Fl. 26v] não se tirou nada da Sé; fizeram sua mesquita, quebrando
os santos e os vasos sagrados, fazendo deles como se não foram; dos ornamentos faziam
vestidos, e da estola, ligas e bandas; de Nossa Senhora da Ajuda fizeram taverna,
metendo nela os vinhos, que na cidade estavam, de São Francisco fizeram atafona, e
moiam o trigo que de Holanda traziam, e os santos de vulto lhe serviam de assentos, em
que se assentavam, e morava um Capitão em o Convento, com sua companhia de
soldados; do Carmo fizeram atalaia e vigia por estar fora da cidade, em hum alto donde
se descobria muito, dos santos fizerão pior, porque do Cristo dos Passos trouxeram
atado com a corda por o pescoço pelo chão, dando lhe de cutiladas e os outros santos o
mesmo: isto é o que fizeram logo em sua entrada, e depois executavam maiores
crueldades nas imagens que achavam pelas casas.
De como a gente se saía da Cidade e como
eles se fizeram fortes.
Vendo a gente quão pouco remédio tinha contra estes tão cruéis inimigos, era
lástima de ver tanta gente fora de uma cidade, a saber donzelas, meninos e mulheres
prenhes, que por esses campos pariam, que era lástima, pois doentes que da cama se
erguiam, e lhe faltava todo o regalo, andando por os matos a pé; pois os feridos, que da
peleja fugiram, e alguns com as tripas nas [Fl. 27] mãos; certo que era para haver
lástima, e todos atribuíam isto a seus pecados, que na verdade não foi outra cousa, pelo
desaforo com que se vivia na cidade, nisto que tocava ao pecado da carne: a donzela
andava perguntando pela mãe; a mulher pelo marido e assim tudo era uma confusão,
porque como sairam de noite cada um ía para onde acertava; e assim os primeiros dias
16
padeceram muitas misérias, e necessidades de fome e a cama era a terra, e se o Brasil
não fora tão quente e temperado como é, morrera muita gente de frio, porque muitos
dias dormiam pelos campos; porque o medo com que iam lhe pareciam que vinham os
inimigos de trás de si; os frades todos faziam o mesmo, e em verdade que estavamos
nos desertos e que três dias não soubemos que cousa era comer mais que uns pós de
farinha de pão.
Enquanto a gente andava com este medo, os inimigos se fortificaram na cidade,
murando-a o melhor que puderam, porque ela não estava murada, e pondo-lhe muitas
peças de artilheria, de maneira que fizeram, o que nos haviamos de fazer, e para mais
seguramente estarem, tinham suas vigias fora da cidade, onde chamam o Carmo, e
tomaram a represa de uma água para que a gente não pudesse passar a Cidade, e fez-se
uma lagoa tão grande, que uma nau da Índia [Fl. 27v] pudera facilmente nadar nela, e
assim tinham eles com tudo, suas postas e vigias. Foi tão grande o despojo que da
cidade levaram, que o não posso com palavras encarecer por ser mui rica a terra, e dá
muito de si pelo muito açúcar, pau do brasil, e outras muitas cousas; de açúcar que na
cidade e navios acharam foram mais de duas mil caixas, e muito pau do brasil, e fumo; e
assim despacharam logo quatro naus carregadas de tudo o melhor que na cidade
acharam, e nelas foi o Governador, e seu filho, e muitos religiosos, que tomaram, que
vinham em navios de algumas cidades, e portos do Brasil, e não sabiam o que da cidade
era feito, e desta maneira tomaram muitos navios, assim de Portugal como de outras
muitas partes por ser o Brasil um dos maiores portos de contrato que há.
Como o senhor Bispo ajuntou a gente e fez um
arraial para que os inimigos não
pasassem nem saíssem fora da cidade.
Vendo o senhor Bispo D. Marcos Teixeira que a gente com o medo ía toda
fugindo, e os inimigos iam cobrando ânimo e se atreviam já a sair fora da cidade às
fazendas, não se contentando com os roubos da cidade ajuntou [Fl. 28] gente, visto não
hauer cabeça que pudesse isto fazer, mandou religiosos
aonde ele não podia ir,
avisando a todos, se juntassem para que os inimigos não cobrassem tanto brio, veio a
gente, ainda que desarmada por não ter pólvora nem arcabuzes, mas não lhe faltava o
ânimo pera pelejarem, e na verdade o fizeram alguns tão bem, que parece queriam
igualar aqueles antigos portugueses em o esforço, e valentia; o senhor Bispo a todos
17
consolava e animava, com o que ria, ria; com o que chorava, chorava: de maneira que a
todos sabia levar como pastor, e prudente que era; ajuntou obra de dois mil homens, e
os repartiu de maneira que cincoenta com seu Capitão; andava aos assaltos vinte dias,
vindo aqueles, iam outros; todos os dias havia sermão que o senhor Bispo fazia em o
arraial com tanto favor, e espírito que mais parecia aos ouvintes sermão de paixão: estes
homens que em estes assaltos andavam, o faziam mui bem, e como os holandeses
estavam acostumados a sair fora, e achavam encontro, havia brava peleja de parte a
parte, ainda que eles sempre levavam o pior; umas vezes lhe matavam os nossos vinte,
outras dez; enfim outras o que podiam, de maneira que sempre os nossos o matavam, ou
cativavam, porque muitos traziam vivos, e eles confessavam o que havia na cidade e
quem os mandara vir, e o senhor Bispo para que mais [Fl. 28v] obrigassem dava
prêmios a quem matava um flamengo, e toda a gente que no arraial estava a sustentava a
sua custa, mandando vir provimento de diversas partes e corria tanto a fama, que de
cento e vinte léguas veio um homem muito rico com oitenta homens somente ao
servir:21 mandou o senhor Bispo botar bando, que todos os amasiados por qualquer
delito pudessem livremente vir para o arraial quando ele em nome de sua Majestade lhe
perdoava, assistindo com sua pessoa no arraial, e assaltos, o que logo todos fizeram,
também dava alvarás e fazia cavalheiros fidalgos, a quem fazia alguma boa sorte para
assim os obrigar com honra e com prêmios, quando o não fizessem pelo amor de Deus,
que é o alvo, a que todas nossas cousas havemos de atirar e encaminhar.
De como o senhor Bispo ajuntou gente pera
tomar a cidade.
Dia de Santo Antonio que é a treze de junho do mesmo ano, vendo o senhor
Bispo que tinha muita gente junta, e muita já morta aos inimigos em os assaltos,
determinou de ver se podia dar na Cidade e pera isso ordenou que fosse dia de Santo
Antonio, indo com a gente a manhã do santo foram sentidos de uma atalaia que eles
tinham posto no Convento do Carmo e o sinal que lhe tinham dado os inimigos é que
tocasse o sino como [Fl. 29] o fizeram; fizeram-se eles lá prestes, e os nossos
abalrroaram as portas do Convento e foram aos dormitórios onde em as celas estavam
quatro homens com suas mulheres, e defendendo-se dos nossos tudo o que puderam; os
21
Este homem foi o jovem Salvador Correia de Sá y Benevides que foi enviado do Rio de Janeiro.
18
nossos mataram dois, os outros tomaram vivos e os trouxeram ao senhor Bispo, os quais
em sua presença, os nossos os mataram sem ele o poder defender; tanto que veio a
manhã saíram os holandeses ao rebate que a sua atalaia tinha feito com o sinal do sino,
ainda que o pagou lindamente, porque estando tangendo lhe arou um dos nossos, e o
deixou estirado em o telhado da Igreja; sairam, pois, logo pela manhã e os nossos os
fizeram outra vez meter na cidade, com morte de muitos e lhe deixaram a porta aberta,
mas como os nossos lhe tinham dito, que eles tinham feito muitas minas de pólvora
arrasiarão (sic), que em entrando os queimassem a todos, pelo que houve conselho, que
por então lhe não passassem mais adiante e se recuaram atrás ficando o senhor Bispo
mui pesarozo de ser sentido, porque o não o ser lhe tomara a cidade pelo modo e traça
que levaram; dos nossos alguns vieram feridos, mas hoje nenhum morreu, que não foi
pequeno milagre entre tantos e metidos os nossos entre eles, porque houve homem que
chegou a porta da cidade e pregou lança nela; [Fl. 29v]
Dos mais assaltos até morte do senhor Bispo, e como lhe mataram o seu General que
eles sentiram muito.
Tornou o senhor Bispo a gente ao arraial donde saíra e daí lhe fazia seus asaltos
como dantes saião elles hum dia, e os nossos lhe mataram muitos, e os que tomaram
vivos lhe cortavam os braços, e atados ao pescoços lhes mandaram a Cidade, e o
Capitão nosso os mandou desafiar, o que eles aceitaram, mas não só por só, mas vindo
obra de quatrocentos, e tinham uma cilada em o caminho para colher os nossos no meio
e não ficava nenhum dos nossos; tinham os nossos feito uma emboscada em a praia que
chamão de Tapagipe22, porque tinham novas que todas as tardes ía o seu general a uma
fortaleza23 que eles ali tinham, foi assim que foi a cavalo com dois filhos pequenos, que
tinha, e a guarda vinha bem atrás, e descuidados do que lhe podia acontecer, os nossos
tanto que virão ocaziam saíram, e mataram ao General, e os filhos se lhes acolheram,
ainda que um foi de tal maneira ferido, que logo morreo na Cidade, a guarda quando
acudiu [Fl. 30] já ele estava em o Inferno fizeram grande sentimento, e se o tomaram
vivo, cuido que dando-o largarão a Cidade, mas não pode ser menos, porque vinha a
guarda atrás que se o não matavam logo o perderiam os nossos, e se arriscariam a muito
22
Itapagipe.
Forte de São Bartolomeu da Passagem, localizava-se na ponta da Ribeira, próximo da foz do rio Pirajá,
ao Norte da primitiva cidade de Salvador.
23
19
dano; daí por diante se recolheram eles, e não ousavam já sair da Cidade quanto é por
terra, porque viam que lhe matavam os nossos muita gente, que conforme diziam,
seriam os mortos perto de duzentos, e vivos alguns vinte, que por essas fazendas
ficavam quando me eu vim para Espanha; contudo os nossos não deixavam seu
exercício de emboscadas, porque ainda alguns se desmandavam e se vinham buscar a
morte, porque em saíndo nenhum escapava por seus pecados, e alguns dos nossos que a
Cidade iam as escondidas e tornavam trazendo que lhes era necessário já indo não os
deixavam tornar, e assim aventavam24 irem por mar as fazendas com suas naus, mas
também lhe sucedia o quê na Cidade, ainda que algumas vezes traziam alguma
pilhagem, não deixava de lhe custar a morte de muitos; usaram eles de uma invenção,
que foi os negros de Angola, que se meteram com eles alguns boatvam diante, mas
como eles, de seu, são mui covardes, logo viraram as costas, e os nossos fazião brava
matança nelles, de maneira que nem por mar já quando eu vim andavam. [Fl. 30v]
Da morte do senhor Bispo, e de algumas cousas que aconteceram mais.
Andava já o senhor Bispo tão cansado dos trabalhos, que o Capitão mor de
Pernambuco Matias de Albuquerque que lhe mandou um Capitão, que servisse em seu
lugar, homem experimentado, em cousas de guerras mas como a gente estava com o
senhor Bispo tão contente, foi mal recebido e se o senhor Bispo com sua prudência e
santidade não apaziguara, não cuido que o receberiam. Começou a governar o novo
Capitão proseguindo o quê o senhor Bispo havia começado, ainda que não cam tal
espírito com que ele o fazia, vendo-se o senhor Bispo fora de tal carga e trabalho assaz
de cansado se recolheu a uma casa de um bom homem, que o recolheu com toda a
caridade com que suas posses o podiam fazer, começou logo a se achar mal de umas
quenturas; vieram os médicos, que se puderam achar, o qual foi um judeu, porque por
nossos pecados eles só os são os que estudam medicina, esse o encerrou, começou logo
a sangrá-lo, a tirar sangue aonde o não havia, e logo lhe deu em tresvalios de maneira
que ao oitavo dia lhe deu uma purga, e ao décimo o enterrou, que todos disseram que
lhe deram peçonha, e não podia ser menos, porque se viram muitas mostras de lha terem
dada; grande foi o sentimento de todos; não havia escravo nem [Fl. 31] nem pequeno,
24
No original: cauentauão.
20
nem grande, que não chorasse sua morte pois ficavão orfãos de tal Pai, enterraram-no
bem pobremente, não conforme a Bispo, porque não havia ordem para isso; grande foi
a festa, que os inimigos fizerão tanto que o souberam na Cidade, pois lhe ía tanto que se
ele não fora, não sei o como nos passaramos, porque os inimigos se metiam já pela
terra, e os nossos, pela necessidade que padeciam, alguns iam a Cidade buscar o que
lhe faltava, e o senhor Bispo acudiu como Pastor a suas ovelhas, ainda que ele não
tinha obrigação, se não de se recolher em alguma Igreja.
De algumas cousas que aconteceram no tempo
da peleja
Por remate de tudo, não quero deixar de contar algumas cousas notáveis, que no
tempo da peleja aconteceram aos religiosos, pois como os inimigos entraram na Bahia
com suas naus, e os nossos começaram sua peleja; os prelados das religiões mandaram
seus religiosos pera que confessassem e animassem a gente, e os que não eram
confessores, senão simples sacerdotes, os mandarão apresentar ao Bispo para que
confessassem, e animasem a todos como o fizeram, a um de São Francisco estando
confesando a um homem veio uma bala, e lhe caiu no hábito sem lhe fazer nenhum [Fl.
31v] mal; a outro estava absolvendo a uma quando vem hum pelouro de pesa, e
enquanto o homem abaixa a cabeça para o absolverem passa a bala, e o não abaixar o
levava, a outro lhe deu uma em os peitos e não lhe fez mal nenhum, de maneira que se
tinha por milagre, porque, como andavam em obras de caridade confessando, e
animando, nenhum perigou sendo eles o que andavam no maior perigo, e entre as
balas passando de uma parte a outra. Isto é o que me lembra com toda a verdade, sem
faltar um ponto de todo o que aqui digo.
21
Transcrição Paleográfica
Fl. 21
Relasão da perda da Bahia por fr. frco de são / João descalço da ordem de S. frco.
Fl 22
o autor deste papel se chama / o P.e fr. frco de são João descalço de S. frco
Fl. 23
Da tomada da Cidade da Bahia, e o que mais
Socedeo ate a morte do señor Bispo.
Em o mes de Abril da era de mil y seissẽ / tos e vinte e quatro veio hum recaudo a esta Cidade /
de huma vila, que chamão Boipeba ao gouernador / Diogo de Mendoça, que estaua hũa nao onde cha- /
mão o Morro con duas lanchas, e que toda a noi - / te estaua con ferol, vendo isto o Gouernador mã - /
dou recado para que a gente de fora se iuntasse, e / uiesse toda para a cidade, a que seruisse para a de- /
fender. A gente iunta, que conforme se deçia seriam / perto de tres mil e quinhentas pesoas. Mando o /
Gouernador fazer prestes dois Patachos, e em cada / hum gente, que os podesse defender, fazendo Capitão
/ de hum, a hum seu filho chamado Ant.o de Men - / donça, e do otro a hum mercador da Illa de Ma - /
deira, e mandoos partir e delle ordem, não para to - / mar a Nao, nem remeter a ella, mas para ver se /
podiam tomar as duas lanchas, q erão as q fazião / todo mal, e para elle em pesoa ir tomar a nao por ser
ella / muyto grande, e trazer muytas pesoas, e gente [Fl. 23v] e isto se sobe tambem por hũa não q vinha
de An - / gola para a cidade, a qual a nao tomou, e não / lhe fes mal nenhum mas antes a mandou para a /
Cidade, porq como não trazião, senão negros e elles / não e mercadoria, que lhe serue a deixarão. Forão /
os dois Patachos, e andarão la algũns dias, mas / como o tempo se mudou ao lessueste a nao se foi para /
o mar por amor de não perigar. Tornarãose os dois / patachos, visto não auer nada, e o tempo lhes ser / tan
contrario, o Gouernador em os vendo na Baia / mandou que tornasem logo ao mar so pena de mor - / te .
Tornarão como lhes foi mandado, e aquela / noite se fizerão na volta do mar, e todo aquelle / dia, e a tarde
se virão entre os enimigos, e como / erão tantos não conhecerão os patachos cuydando que / erão seus, e
hũa nao, q vinha de lisboa tambem / se escapo, e se vierão a Cidade dar conta ao Gouer- / nador do q
pasaua, e tinhão visto.
De Como o Gouernador se fes prestes, e como
a armada dos enimigos entro na Bahia.
A oito de Maco apareserão na barra a armada / dos enimigos, e não entrarão aquelle dia por o
tempo / não ser m.to fauorable, e tambem como otros dizem / por não estarem todas juntas, e esperarem
por las / mais, e assim aquelle dia não entrarão, mas a o outro / que forão noue dia de são Gregorio as
noue da manhã / entrarão [Fl. 24] entrarão pola Bahia todas por sua ordem hũa apos otra / todas con suas
bendeiras olandesas, e con toldos ver- / melhos, e desta maneira sem apareser pesoa al - / guma en sima
da Cuberta derão hũa volta por la / Bahia, como se a tiverão medida aos palmos; das / noue ate as onze
estiuerão en cala, e logo man - / darão hum betel con gente com hũa bandeira olan- / deza: este vinha
conforme elles depois diserão tra- / ziam embaixada, que não farião mal nenhum se / lhe decem licença
para contratar e vender suas fazẽ- / das assim como de Portugal as trazião. O Gouerna - / dor tanto viu que
o batel vinha para terra, e cuy- / dando o q podia ser, e que sua embaxada seria de / nenhum efeito lhe
mandou atirrar duas pesas; e elle / tanto que viu q lhe atirauão virou, e tirou dois calho- / naços, que
trazia. O Gouernador mandou por a / gente toda por su ordem andando elle de hũa parte / a otra con
muyta deligencia: mandou as naos, que / no porto estauão polas por sua ordem, inda que com / mao
conselho, porque aonde as pos não fizerão nada: / comesarão os enimigos a tirar alguns tiros os piores / e
de menos força; os nossos comesarão atirar de / huma fortaleza, q o gouernador tinha meia feita, e / não
deixarão de lhe fazer algum mal destorçandolhe / algumas naos, e vendo elles que as pesas da fortaleça /
lhe fazião m.to dano o iuntarão todos os bateis e cheos [Fl. 24v] de gente balrroarão a fortaleza, ainda q
não puderão / por que se defenderão os que dentro estauão valerosam.te / vendo elles, que não podião
tomar a fortaleza puserão / quatro naos iunto della, e para que os pelouros que / atirauão lhe não fizesem
m.to dano, derão en seco cõ / as naos, coisa, que espantou a todos, e dahi comme- / çarão a desparar de tal
m.ra que não hauia quem a- / guardasse na fortaleza, polo m.to dano q fazião aos nos - / sos, e os nossos
tambem lhe fazião, e lhe matauão / m.ta gente; tornarão a cometer a fortaleza, e uen- / do os nossos, que
não podião mais defendela a deixa- / rão, ainda que ficou o filho do Gouernador, e Lorenço / de Brito, que
22
ficando sos o fizerão m.to bem matando- / lhe m.ta gente, e quando mais não puderão se sairão; / entrarão
os enimigos, e como elles não tinhão repa- / ro nem fortaleza, porque de Terra lhe matauão muy- / ta
gente caruarão as pesas para q não pudessem atirar / mais, e se forão as naos. Os nossos vendo isto torna/ rão a fortaleza, e vendo que não se podiam seruir das / pesas as botarão no mar para q os enimigos se
não pode- / sem seruir dellas. Continuarão elles em atirar ate / noite; e antes della forão a tomar as naos,
que esta- / uão peleiando, e as tirarão donde estauão con morte / de algũns dos seus, e tanto, que
anoiteseo, o gouernador / mandou por fogo as otras que ficauão pera que elles se não / aporueitacem
dellas, e os enimigos tanto, q anoiteseo não / tirarão [Fl. 25] tirarão mais, inda que de quando en quando
tirauão hũa / pesa.
De como os enimigos deixarão quatro naos na
entrada da barra para combater, e tomar
a fortaleza de s. Ant.o e do que mais sosedeu
Esta hũa fortaleza na entrada da Barra / q chamão de sto Ant.o hũa legoa da Cidade e de bem /
poco efeito para os enimigos , porq como a barra he de / tres legoas de boca se afastão os enimigos dela
por / lo otro lado, e assim não lhe fazem mal as pesas / de artelleria. Os Olandeses vendo que por
nenhuma / parte podian botar gente para tomar a cidade senão / ali por ser huma boa praia pera
desembarcar deixa- / rão quatro naos las milhores, y de mais força, p.a / que tomado a fortaleza lançarem
gente commesa- / rão a atirar e a botar a fortaleza por terra cõ grande / fuerça; os nossos o fazião como
milhor podiam, porque / la fortaleça tinha m.to poca artelharia e menos gente, / y assi a não podião
empedir, que não desembarcasem; / os nossos que con duas bandeiras estauam a guardan- / doos os
fizerão otra ves embarcar, vendo elles isto tor- / narão com muyta mas gente, que fue necessario aos /
nossos retirarse: vendo elles sem empedim.to comme- / sarão logo en un lugar, q ahi esta, a q chamão villa
[Fl. 25v] Velha, por ser a p.ra Pouoacão da Bahia em sua fundação / ahi robarão o que acharam, e os
Templos sagrados q- / brando santos, e profanando os ornam.tos Dali se vi- / erão chagando pera a Cidade
de tal m.ra que en se sarrã- / do a noite se puserão onde chamão são bento un tiro de / arcabus da Cidade e
asentarão seu arrail sem seren / sentidos e troxerão quatro pesas de Artelharia q / desembarcarão p.a
combater a Cidade se fosse necess.ro / os nossos como virão, que não se podião defender se hião /
acolhendo, e tanto, que virão a noite o fizerão mi- / lhor, porque as molheres ia erão saidas, e a mais /
gente commua; ia o Gouernador andaua fora de si / sem sentido, vendo que a Cidade se hauia de tomar,
por / q a gente o desemparaua, e assim quando veio a / maña se achou con som.te vinte pesoas, e con ella /
se meteu en casa sem se acabar con elle que se / saisse fora visto ia não hauer rem.o; elle se confesou /
para morrer se o matassem os enimigos, porque elle / isso deseiaua, vendo q a fortuna assi lhe daua en /
rosto.
Vendo os enimigos que por la maña a cidade es- / taua desemparada commesarão a marchar p.a
ella vin- / do sempre atirando, porq cuydarão elles, q os nossos / lhe tinhão feito alguma emboscada;
vierão a praça / y assentarão seu arraial, e forão as casas do Gouer- / nador onde estaua com obra de 20
pesoas o Gouernador / se fes [Fl. 26]se fes por defender, inda que logo lhe abaterão as ar- / mas, e o
leuarão prezo com os mais as naos, e esti- / uerão para lhe cortarem a cabeza.
Do que mas sosedeu e do desacato que fizerão as cousas
Sagradas.
Em os enimigos tomando o Cou.to de s. Bento q esta fora / da Cidade, e foi o p.ro templo en que
entrarão ahi comme- / sarão sua furia maior em as coisas sagradas os s.tos quebra- / rão, de m.ra que san
Bento lhe derão muytas cuchilha- / das; o santo Amaro lhe tirarão cõ sugidade de gente / a Virgen sra mã a
fizerão em retalhos, e assim fo- / rão fazendo ao mais, que acharão sem perdoar a coisa al- / guma como
ereges que erão, e Deos nosso s.or o permitia p.a / mais os castigar; em entrando como emtrarão em a
Cida- / de puserão suas postas em aonde virão ser necess.ro e com- / mesarão a saquear a Cidade ia viuua,
e deserta sem se- / us moradores como otra jerusalem que acharão muy- / ta riqueza assi de ouro como de
prata; forão ao Conu.to / da Comp.a e fizerão delle alfandega metendo seus robos / nelle, e fazendo dos
santos o que fizerão dos mais, q / os vassos sagrados, e ornam.tos tirarão todos os religiosos / das religiõis
deixando o mais do Conu.to, inda q os Cle- / rigos se ouuerão con mais descuydo, porq si no fue / algũa
confraria, que seus irmãos tiuerão lembrança [Fl. 26v] não se tirou nada da see fizerão sua Mesquita
quebrando / os santos, e os vassos sagrados fazendo delles como se não / forão; dos ornam.tos fazião
vestidos, e de la estola ligas e / bandas; de nossa srã Da iuda fizerão tauerna metendo / nella os viños, que
na Cidade estauão, de San frn.co fize- / rão atafona, e moião o trigo que de Olanda trazião, e / os santos
de vulto lhe seruião de asentos em que se asen - / tauão, e moraua hum Capitão en o Conu.to con sua
Comp.a / de soldados; do Carmo fizerão atalaia, e vigia por es- / tar fora da Cidade em hum alto donde se
23
descubria m.to, dos / santos fizerão pior, porq do Cristo dos passos troxerão a- / tado cõ a corda por o
pescoso polo chão dando lhe de cu- / theladas, e os otros santos o mesmo: isto he o que fize- / rão logo em
sua entrada, e despues executauão mai - / res crueldades nas imageñs que achauão pellas cassas.
De Como a gente se saia da Cidade e como
elles se fizerão fortes.
Vendo a gente quam poco rem.o tinha contra estes / tam crueis enimigos era lastima de ver tanta
g. fora / de huma Cidade, a saber donzelhas, meninos, e mo- / lheres prenhes, que por esses campos
parião, q era / lastima, pois doentes q da cama se ergião, e lhe / faltaua todo o regalo andando por os
matos a pe; pois os / feridos, que da peleia fugirão, e alguns con as tripas nas / mãos [Fl. 27] mãos; serto q
era p.a hauer lastima, e todos atribuião / isto a seus peccados, que na verdade no foi outra / coussa, polo
desaforo con que se viuiuia na Cidade, nis- / to q tocaua ao peccado da carne: a donzelha andaua /
perguntando pela may; a molher pelo marido, e / assi tudo era hũa confuzão, porque como sairão de /
noite cada hum hia para onde asertaua; e assi os / p.ros dias padeserão muytas miserias, e necessidades / de
fome, e a cama era a terra, e se o Brasil não / fora tam quente, e temperado como he morrera / m.ta gente
de frio, porq m.tos dias dormião pelos cam- / pos; porq o medo con que hião lhe paresião que / vinham os
enimigos de tras de si; os frades todos / fazião o mesmo, e em verdade q estauamos nos / dezertos e que
tres dias não soubemos q cousa / era comer mais q hũns pos de farinha de pão.
Enquanto a gente andaua cõ este medo os eni- / migos se fortificarão na Cidade murandoa o
milhor / que puderão, porque ella não estaua murada, e pon- / dolhe m.tas pesas de artelheria, de m.ra que
fizerão, / o q nos hauiamos de fazer, e para mais segura / m.te estarem tinhão suas vigias fora da Cidade,
on- / de chamão o Carmo, e tomarão a repreza de hũa a- / goa para q a gente não pudesse passar a Cidade,
e / fesse hũa alagoa tam grande, q hũa não da India [Fl. 27v] pudera facilm.te nadar nella, e assi tinhão
elles cõ / tudo suas postas, e vigias. Foi tam grn.de o despoio / que da Cidade leuarão, q o não posso cõ
palabras en- / careser por ser muy rica a Terra, e da m.to de si / polo muyto asucar, pao do Brazil, e otras
m.tas cou- / sãs; de asucar que na Cidade, e nauios acharão fo- / rão mais de duas mil caixas, e m.to pao do
Bra- / zil, e fumo; e assi despacharão logo quatro / naos carregadas de tudo o milhor q na Cidade acha- /
rão, e nelas foi o Gouernador, e seu filho, e m.tos / religiosos, q tomarão, q vinhão em nauios de al- /
gumas cidades, e portos do Brazil, e não sabião o / que da Cidade era feito, e desta m.ra tomarão m.tos /
nauios, assi de Portugal como de otras m.tas partes / por ser o Brazil hum dos maiores portos de contra- /
to que ha.
te
Como o senõr Bispo aiunto a gente e fes hum
hum arraial para que os enimigos não
pasasem nem saisem fora da Cidade.
Vendo o senõr Bpõ D. Marcos Teixeira q / a gente con o medo hia toda fugindo, e os enimigos
hião / cobrando animo, e se atreuião ia a sair fora da Ci- / dade as fazendas, não se contentando com os
robos da / cabeça que pudese isto fazer mando da Cidade aiun- / to [Fl. 28] to gente, visto não hauer
cabeça q pudesse isto fazer / mando Religiossos aonde elle não podia ir auizando a / todos se iuntassem,
para que os enimigos não cobrassem / tanto brio, veio a gente, inda q desarmada por não ter / poluora nem
arcabuzes, mas não lhe faltaua o ani- / mo pera peleiarem, e na verdade o fizerão algũns tão- / bem, que
parese querião igualar aqueles antiguos / portugueses em o esforço, e valentia; o s.r Bpõ a to- / dos
consolaua e animaua, cõ o que ria, ria; cõ o q / choraua, choraua: de m.ra q a todos sabia leuar como /
Pastor, e prudente que era; aiuntou obra de dois / mil homeĩs, e os repartiu de m.ra que sincoenta / con seu
Capitão; andaua aos asaltos vinte dias vin- / do aquelles iuão otros; todos os dia hauia sermão / que o s.r
Bpõ / fazia em o araial con tanto fauor, e / espiritoa q mais paresia aos ouuintes sermão de / paixão: estes
homeñs q en estes asaltos andauão o / fazião muy bem, e como os olandezes estauão a / custumados a sair
fora, e achauão encontro hauia / braua peleia de parte a parte, inda que elles sem- / pre leuauão o pior;
hũas vezes lhe matauão os nossos / vinte, otras des; em fim otras o que podião, de m.ra q / sempre os
nossos, o matauão, o catiuauão, porq m.tos tra- / ião viuos, e elles confesauão o q hauia na Cidade e /
quem os mandara vir, e o señor Bpõ p.a que mais [Fl. 28v] obrigasem daua premios a quem mataua hum
framen- / go, e toda a gente q no raial estaua a sostentaua a sua / costa, mandando vir prouim.to de
diuersas p.es y corria / tanto a fama, q de sento e vinte legoas veio hũ homem / m.to rico con oitenta
homeñs som.te ao seruir: mando / o señor Bpõ botar bando, que todos os ameziados por / qualq.ra delito
pudaesem liurem.te vir p.a o arraial q.o / elle em nome de sua Magestade lhe perdoaua asis- / tindo cõ sua
pesoa no arraial, e asaltos, o q logo todos / fizerão tambem daua aluaras, e fazia caualheros fi- / dalgos a
quem fazia algũa boa sorte p.a assi os obri- / gar cõ honrra, e com prémios, quando o não fize- / sem pelo
amor de Ds, que e o aluo, a que / todas nossas cousas auemos de atirar, e emcaminhar.
24
De Como o señor Bpõ aiuntou gente pera
tomar a Cidade.
Dia de s.to Ant.o q he a treze de junho do mes- / mo ano, vendo o señor Bpõ que tinha m.ta gente
iun- / ta, e m.ta ia morta aos enimigos em os asaltos de / terminou de ver se podia dar na Cidade, e pera /
isso ordenou q fosse dia de s.to Ant.o, indo com a g.te / a manha do santo forão sentidos de hũa atalaia /
que elles tinhão posto no Conu.to do Carmo, e o sinal / que lhe tinhão dado os enimigos he q tocase o sino
/ como [Fl. 29] como o fizerão, fizerãose elles laprestes, e os nossos / abalrroarão as portas do Conu.to e
forão aos dormitorios / onde em as seldas estauão quatro homeñs con suas mo- / lheres, e defendendose
dos nossos tudo o que puderão; os / nossos matarão dois os outros tomarão vivos, e os tro- / xerão ao
señor oBpõ, os quais em sua prezença / os nossos os matarão sem elle o poder defender; tanto / que veo a
manhã sairão os Olandeses ao rebate / que a sua talaia tinha feito cõ o sinal do sino, inda / q o pagou
lindam.te porque estando tangendo lhe a- / rou hum dos nossos, e o deixou estirado em o tilhado / da
Igreia; sairão pois logo pela manhã, e os nossos / os fizerão outra ves meter na Cidade cõ morte de m.tos /
e lhe deixarão a porta aberta, mas como os nossos / lhe tinhão dito, que elles tinhão feito m.tas minas de /
poluora arrasiarão, que em entrando os queimmasẽ / a todos pelo q ouue conselho que por então lhe não
pa- / sasem mas adiante, e se recuarão atras ficando / o s.r Bispo muy pesarozo de ser sentido, porq o não /
o ser lhe tomara a Cidade pelo modo, e traça, q leua- / rão; dos nossos alguñs vierão feridos, mas oie
nhũm / morreo, q não foi pequeno milagre entre tantos / e metidos os nossos entre elles, porq ouue
homem / q chegou a porta da Cidade, e pregou lança nela; / dos mais [Fl. 29v]
Dos mais asaltos ate morte do señor Bpõ, e como lhe matarão o seu General que
elles sentirão muyto.
Tornou o s.r Bpõ a gente ao raial donde saira / y dahi lhe fazia seus asaltos como dantes saião
elles / hum dia, e os nossos lhe matarão muytos, e os que / tomarão viuos lhe cortauão os braços, e atados
ao pes / cosos lhos mandarão a Cidade, e o Capitão nosso os mã- / dou desafiar, o que elles aseitarão mas
não so por so mas / viendo obra de quatrosentos, e tinhão hũa silada em / o caminho p.a colher os nossos
no meio e não ficaua nenhum / dos nossos; tinhão os nossos feito hũa emboscada / em a praya que
chamão de Tapagipe, porq tinhão / nouas q todas as tardes hia o seu general a hũa for- / taleza que elles
ali tinhão, foi assi que foi a ca- / ualo con dois filhos pequenos, que tinha, e / a guarda vinha bem atras, e
descuydados do que / lhe podia aconteser, os nossos tanto que virão occa- / Sião sairão, e matarão ao
General, e os filhos se / lhes acolherão, inda q hum foi de tal m.ra fe- / rido, que logo morreo na Cidade, a
guarda quando / acudio [Fl. 30] acodio ia elle estaua em o Inferno fizerão grande sen- / tim.to, e se o
tomarão viuo, cuydo q dandoo largarão / a Cidade, mas não pode ser menos, porq vinha a / guarda atras
que se o não matauão logo o perdirião / os nossos, e se ariscarião a m.to dano; dahi por diante / se
recolherão elles, e não osauão ia sair da Cida- / dade quanto he por terra, porq vião q lhe mata- / uão os
nossos m.ta gente, que conforme dezião serião / os mortos perto de duçentos, e viuos alguñs vinte, q / por
essas fazendas ficauão quando me eu vim p.a Es- / paña; con tudo os nossos não deixauão seu exercicio /
de emboscadas, porque ainda alguñs se desmandauão / e se vinhão buscar a morte, porque em saindo ne- /
nhum escapaua por seus peccados, e alguñs dos nossos / que a Cidade hião as escondidas e tornauão
trazendo / que lhes era necess.ro ia indo não os deixauão tornar, e asi cauentauão irem por mar as
fazendas com suas / naos, mas tambem lhe sosedia o que na Cidade, in- / da que algumas vezes trazião
alguma pilhagem / não deixaua de lhe costar a morte de m.tos; uzarão / elles de uma emuensão, que foi os
negros de am- / gola, que se meterão com elles alguñs boatuão di- / ante, mas como elles de seu são muy
cobardes / logo virarão as costas, e os nossos fazião braua / matança nelles, de m.ra que nem por mar ia
quando / eu vim andauão. [Fl. 30v]
Da morte do senõr Bpõ, e de algũas cousas que aconteserão mais.
Andaua ia o senõr Bpõ tam cansado dos traba- / lhos, que o Capitão mor de Pernambuquo Matias
de / Albuquerque que lhe mandou hũ Capitão, q seruisse / em seu lugar, homẽ expermentado, em cousas
de / guerras mas como a gente estaua cõ o sr Bpõ tam con- / tente foi mal recebido, e se o señor Bispo
con sua pru- / dencia, e santidade não apasiguara não cuydo, q / o recibirião. Comesou a gouernar o nouo
Capitão pro- / seguindo o q o s.r Bpõ auia começado, inda q não cõ / tal sprito con que elle o fazia,
vendose o señor Bpõ / fora de tal carga e trabalho asas de cansado se reco- / lheo a hũa cassa de hũ bom
homẽ, q o l recolheo / con toda a caridade con que suas poses o podião fazer, / comesou logo a se achar
25
mal de hũas quenturas; vi- / erão os medicos, que se poderão achar, o qual foi hũ / iudeu, porq por nossos
peccados elles so os são os q es- / tudão medesina, esse o encerrou, comesou logo a / sangralo, a tirar
sangue adonde o não hauia, e / logo lhe deu em tresualios de maneira q ao ou- / tauo dia lhe deu hũa
purga, e ao decimo o enterrou, / q todos diserão que lhe derão pesonha, e não podia / ser menos, porq se
virão m.tas mostras de lha terem / dada; grande foi o sentim.to de todos; não hauia escrauo / nem [Fl. 31]
nem pequeno, nem grande, q não chorase sua morte / pois ficauão orfãns de tal Pay, emterrarãono bẽ /
pobrem.te não conforme a Bpõ, porq não auia ordem / pera isso; grande foi a festa, que os enimigos
fizerão / tanto que o souberão na Cidade, pues lhe hia tanto q / se elle não fora não sey o como nos
pasaramos, porque / os enimigos se metião ia pela terra, e os nossos pela / necessidade q padeçião alguñs
hião a Cidade buscar o q / lhe faltaua, e o sr Bpõ acudio como Pastor a suas / ouelhas, inda que elle não
tinha obrigasão se não de / se recolher em algũa Igreia.
De algũas cousas que aconteseram no tempo
da peleia
Por remate de tudo não quero deixar de con- / tar algũas cousas notaueis, que no tempo da peleia
/ aconteserão aos religiossos, pois como os enimigos em- / trarão na Bahia cõ suas naos, e os nossos
commesarão / sua peleia; os perlados de das religiõis mandarão / seus religiossos, pera q confesasem, e
animasem a / gente, e os que não erão confesores senão simples / sacerdotes os mandarão apresentar ao
Bpõ p.a que / confesasem, e animasem a todos como o fizerão, a hum / de s. frn.co estando confesando a
hum homem veo hũa / bala, e lhe caiu no habito sem lhe fazer nenhum [Fl. 31v] mal; a outro estaua
asoluendo a hũ quando vem hum / pelouro de pesa, e emq.to o homem abaixa a cabeca p.a / o absoluerem
pasa a bala, e o não abaixar o leuaua / a outro lhe deu hũa em os peitos e não lhe fes mal / nenhum, de
maneira q se tinha por milagre, porque / como andauão em obras de caridade confesando, e ani- / mando
nehũ perigou sendo elles o que andauão no / mayor perigo, e entre as ballas pasando de hũa p.te / a
outra. Isto he o que me lembra cõ toda a verdade / sem faltar hum ponto de todo o q aqui digo.
26
ANEXO III
A Jornada dos Vassalos por D. Jerônimo de Ataíde
A Biblioteca da Ajuda em Lisboa guarda em seu precioso acervo um manuscrito
inédito sobre a invasão neerlandesa da Bahia em 1624 e a Jornada dos Vassalos em
1625. O documento foi inserido num códice em fólio, encadernado em pergaminho, sob
a indicação 51-IX-12. O texto tem por título “Cap.os da Relação” e ocupa as folhas 151
à 185 verso. A Relação foi encadernada com diversos outros documentos e papéis
administrativos do século XVII, sendo a numeração das folhas inserida posteriormente.
O rascunho da Relação foi escrito em espanhol porque seu autor desejava que
fosse às mãos de Felipe IV, Rei da Espanha e de Portugal devido a União das Coroas
Ibérica (1580-1640). O autor do texto tinha planos para publicá-la, pois deixou local
indicando no documento para a inserção de mapas e desenhos.
O manuscrito está incompleto por conta de que uma folha que fora arrancada do
conjunto e porque o autor não concluiu o plano de redação que foi proposto por ele no
índice do que viria a ser a obra. Apesar disto, o texto oferece um grande número de
novas informações sobre os epsódios relacionados a este período. Além disso, é o
documento que melhor apresenta os bastidores políticos das armadas que compuseram a
Jornada dos Vassalos para socorrer a Bahia em 1625.
O texto é o rascunho da obra e por isso existem muitos paragráfos riscados e
outros inteiramente postos à margem das folhas com as indicações em sinais onde
deveriam ser colocados pelo editor. O capítulo 4 vem ao final do texto entre as folhas
184 e o verso da folha 185.
1. A AUTORIA DA RELAÇÃO
Os Capítulos da Relação é uma obra anônima, visto que o autor não se identifica
nem no título nem ao longo do texto; pelo menos não de maneira direta. Uma afirmação
no índice da Relação permite, não obstante, identificar quem redigiu o texto. O quinto
tópico, “Oficiaes de guerra, causa de meu Pai, e de D. Francisco de Almeida”, permite
conhecer a real identidade do autor: o filho de D. Antônio de Ataíde. D. Antonio de
Ataíde seria o Almirante da armada de 1625, mas por questões políticas acabou
impedido. Seu filho, autor do texto, chamava-se D. Jerônimo de Ataíde.
D. Jerônimo de Ataíde, 2º conde de Castro Daire e 6º conde da Castanheira,
nasceu em cerca de 1597 e morreu na cidade de Lisboa em 12 de dezembro de 1669. Foi
27
filho do 1º conde de Castro Daire e 5o da Castanheira D. António de Ataíde e de D. Ana
de Lima.
D. Jerônimo de Ataíde aprendeu com o pai o exercício da política e o gosto pelas
letras. O autor dos Capítulos da Relação já possui fama de genealogista e escritor. Seu
nome figura na Biblioteca Lusitana do Abade Barbosa Machado. Segundo informa o
bibliófilo português
D. Jeronimo de Attayde – segundo Conde de Castro Dayro, e sexto da Castanheira
nasceo em Lisboa sendo filho de D. Antonio de Attayde do Conselho de Estado,
Embaxador ao Emperador Fernando segundo, Presidente da Meza da Conciencia, e
Ordens, e de D. Anna de Lima filha herdeira de D. Antonio de Lima Senhor de Castro
Dayro, Alcayde mór de Guimaraens, e D. Maria de Vilhena filho de Cristovao de Mello
herdeiro da ilha de S. Thome. No tempo, que foy elevado ao trono de Portugal o
serenissimo D. João IV assistia em Castella onde pelos seus grandes merecimentos, que
se illustravão com a cultura das Artes liberaes foy nomeado Marquez de Collares, Ayo
do Principe D. Balthezar Carlos, e mordomo mór da sereníssima Raynha D. Izabel de
Borbon. Celebrada as pazes entre esta Coroa, e a de Castella em o anno de 1668, voltou
para a patria contra a qual nunca militou onde passado pouco tempo de assistencia
faleceo a 12 de Dezembro de 1669. Foy sepultado no Convento dos Religiosos
Capuchos de Santo Antonio da Castanheira jazigo de seus illustres Mayores. Cazou com
D. Helena de Castro filha de D. João de Castro Senhor de Reriz, Sul, Bemuiver, Penella,
e Resende, e com D. Juliana de Souza e Tavora sua segunda mulher de quem teve a D.
Antonio de Attayde, que morreo menino, D. Jorge de Attayde terceiro Conde de Castro
Dayro, e D. Anna de Lima e Attayde setima Condessa da Castanheira.
Compoz:
Informacion sobre haver de preceder en el Consejo de Portugal suplicando de la nueva
forma de Precidenciar, e respondiendo a los errados enformes que se dieron a su
Magestad. Começa. Pretende el Maquez de Collares e. Acaba. Se assegure la justicia
de quien la huviero com su determinacion. Madrid 29. de Março de 1662. fol. Não tem
lugar de impressão. Consta de muitas folhas, de que vimos hum exemplar. Fez outro
Memorial sobre esta materia da precedencia, que principia. El Marques de Collares del
Consejo de Estado. Acaba. Mande V. Magestade lo que más fuere de su real servicio.
Ocupa folha, e meya, e não tem lugar de impressão, o qual também vimos. Obras
Genealogicas. M.S. fol. Conservão-se na livraria do excelentíssimo Conde de Redondo
a cujo poder vierão por morte da Condessa D. Ana de Attayde irmãa do Author, e
mulher que foy de Simão Correa da Sylva ultimo conde da Castanheira. 25
Nobiliario de D. Antonio de Lima addicionado. Cujo Original está na Livraria do
Excellentissimo Conde de Redondo. Destas obras Genealogicas de D. Jeronimo de
Attayde faz memoria o Padre Souza. Apparat. Á Hist. Gen. da Caz. Real Portug. Pag.
115.S. 125 e no Tom. 2. desta Hist. liv. 3 pag. 537. e no fim do Tom. 8. pag. 7.
O códice 51-IX-12 pertenceu à casa dos Castanheiras e faz parte do Fundo D.
Antonio de Ataíde na Biblioteca da Ajuda. Por isso, o referido códice conserva diversos
documentos e correspondências, passivas e ativas, de D. Antonio de Ataíde e seu filho
D. Jerônimo. A comparação de grafia da Relação com outros documentos assinados por
D. Jerônimo de Ataíde também confirma a autoria da mesma por este, considerando a
semelhança das letras.
25
MACHADO, Barbosa. Bibliotheca Lusitana. Lisboa: Officina de Antonio Isidoro da Fonseca, 1741.
Tomo II. p. 481 e 482
28
Um Memorial escrito por D. Jerônimo de Ataíde para algum ministro do Rei D.
Felipe IV apresenta mais informações sobre sua origem e sua família.26 Tal como a
Relação, o Memorial tinha por fim “deixar a Vuestra Ex.a esta relacion di lo que mi
padre ha servido, y siete hijos suyos en pas y en guerra.” D. Jerônimo chama a atenção
de que seu pai “es primo 4.o (grau) del Rey Nuestro Señor ” 27
Em seguida, tal como no capítulo quarto da Relação, D. Jerônimo resume as
ações de seu pai no serviço das armadas até a peleja com “Tabac Arraes General del
Turco” , no incidente na costa da Ericeira. Ainda segundo ele, “ Sincuenta y dos años ha
que mi padre sirve, y no con las convenencias de la Corte, sino con los riesgos y
despesas de la guerra, como quien la tomava por oficio y por vida (…)”.28
D. Jerônimo ajudou seu pai a se livrar das acusações que pesavam contra ele por
conta do episódio da Ericeira e acabou por ser arrastado nas intrigas da corte: “Bolvi a
Madrid dixeron a Vuestra Ex.a que yo obrava mas por mis particulares que por el
servicio del Rey, diuirtieron a Vuestra Ex.a a que mis manos y las de mi padre se
continuasse, yo quede sin satisfaçion por lo servido (…)”.29
D. Jerônimo aponta também a identidade e os ofícios de seus seis irmãos. O
eclesiástico D. Bernardo de Ataíde de Lima Pereira, que foi colegial de São Pedro,
Cônego de Elvas, além de ocupar cargos eclesiásticos em Leiria e Lisboa e “que a mas
de dies años que sirve al Sancto oficio de la Inquisicion de Lisboa que es Prior de
Guimaraes, no sale nombrado en Obispados en que vino consultado, saliendo otros
mas modernos en la edad y en las escuelas”. D. Bernardo estava indicado para a diocese
do Porto, mas foi nomeado bispo nas dioceses espanholas de Astorga (1644-1654) e, em
seguida, de Ávila (1654-1656).30 Para sua irmã, D. Jerônimo pretendia mercês para o
casamento visto“que ha sinco años que sirve a la Reyna (..,) y dexa de aver efecto el
casamiento porque se le niega un titulo que a tantos se ha dado”.31
Seus outros irmão foram: Dom Álvaro “sumiller de Cortina del Rey se le nego
de merced una calongia q el llevo por oposicion”; Dom Lourenço que “fue menino de la
Reyna, y no se le ha hecho merced alguna”; Dom Jorge “mi hermano mayor murio
26
Biblioteca da Ajuda (BA). 51-IX-12 Fl. 213-216v. Madrid, 25.09.1633
BA. 51-IX-12 fl. 213. Madrid, 25.09.1633
28
BA. 51-IX-12 fl. 213-214. Madrid, 25.09.1633
29
BA. 51-IX-12 fl. 214. Madrid, 25.09.1633
30
BA. 51-IX-12 fl. 214. Madrid, 25.09.1633. SOTOMAYOR, Antonio Valladares de. Semanario
erudito, que comprehende varias obras inéditas, críticas, morales, instructivas, políticas, históricas,
satíricas, y jocosas de nuestros mejores autores antiguos y modernos. Tomo XXXIII. Madrid: Por Don
Antonio de Espinosa, 1740. p. 192.
31
BA. 51-IX-12 fl. 214. Madrid, 25.09.1633
27
29
aviendo ya empossado a servir en las armadas” e Dom Paulo que “murió en un Galeon
aviendo servido en quatro armadas”.32 Dom Paulo de Ataíde, primogênito de D.
Antônio de Ataíde, faleceu a 5 de setembro de 1621.33
O própio Conde da Castanheira afirma o seguinte:
Yo fui Capitan de un tercio en Lisboa, soldado, y capitan en las armadas de mi padre,
soy actualmiente capitan de aventureros, nombrado quando el Marques de la Enojosa
previno la difensa de Lisboa, quando la armada Inglesa fue sobre Cadis Se venindo dos
veses a Madrid a seruicio de Su Magestad, y a año y medio que estoy en este lugar, y
aunque yo ni me jusgo meritos, ni me hallo con grande ambission de algunos, no puede
dexar de causar sospecha de causa mayor a los que ven a mi padre con su qualidad, sus
años, sus procedimientos salir del seruicio del Rey sin aver añadido un real de mejora en
la hasienda que tenia ha veinte años, ni por merced del Rey, ni por aprocechamientos,
antes vendido juros y propriedades, y con muchas devidas contrahidas en seruiço de S.
Magestad de que todas tienen los acreedores consignacion. Que siete hijos suyos
serciessemos, y uno murriesse en su seruicio del Rey, y que padre y hijos nos veamos
atrasados a tantos, que antes quiça no lo pensaron, sino es que el sermos tantos a servir
nos enbarassa a todos la satisfaçion.34
Dentre outros papéis, há uma carta do Cardeal Espinoza, na qual manda pagar ao
Conde da Castanheira o que consta dos seus memoriais, inclusive fazendo mercê de
uma prebenda eclesiástica a Dom Alvaro de Ataíde.35 Em 1645 foi redigido outro
Memorial sobre os feitos de D. Antonio de Ataíde, sendo o documento imediato à
Relação de Jerônimo de Ataíde, Copia del memorial del Conde de Castanheira,
36
Outros textos da autoria de D. Jerônimo de Ataíde podem ser encontrados na
Biblioteca Nacional da Espanha. O manuscrito da Recopilación de linajes de Portugal
ainda aguarda o prelo. O códice de 34 x 23 centímetros, com 422 folhas, contém muitas
árvores genealógicas. Além destas contém uma “Carta de Benito Arias Montano sobre
la venta de 28 Biblias, por cuenta de Plantino, en Medina” (Fol. 127); “Fundaciones
hechas por D. Juan Martínez Silíceo, de 1545 a 1557”, escrita em Toledo em março de
1557 (8 folhas sem numeração, entre as folhas 323 e 323v). “Libro Primero de los
Blasones de los escudos de armas de Portugal, por Duarte Núñez León, 1600” (Fols.
32
BA. 51-IX-12 fl. 214v. Madrid, 25.09.1633
CERTIDÃO Geral do sucedido na Armada do anno de 1621. Jurada & assinada pelos Capitães, &
Oficiaes della, & pelas pessoas principaes que hião soldados na Capitaina, a que vão referidas estas
respostas. p. 1. Esta encadernada junto com os Cargos que Resultão. 13 de Outubro de 1621. / S.I.
Assinada também por D. Jeronimo de Attaide. Ver tambem: Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Mesa
de Consciência e Ordens, Cartas Régias, Livro 26 (1618-1624) fl. 132. Lisboa 21 de Julho de 1623
seguida da resposta do monarca a 31 de Agosto de 1623.
34
BA. 51-IX-12 fl. 214v. Madrid, 25.09.1633
35
BA. 51-IX-12 fl. 218. Madrid, 11.12.1641
36
BA. 51-IX-12 fls. 147-150v. Madrid,1645
33
30
323v-336). “Conquista de Portugal: lo que sucedió cuando Felipe II se apoderó del
Reino de Portugal” (Fols. 383-422).37
As obras do Conde da Castanheira permaneceram inéditas ou desconhecidas, à
exemplo da presente Relação. D. Jerônimo de Ataíde, o Conde de Castanheira, não deve
ser confundido com o seu homônimo D. Jerônimo de Ataíde, Governador do Brasil
entre 1654-1657, e sexto Conde de Atouguia.
A influência de D. Jerônimo na historiografia portuguesa não se resume apenas a
suas obras. D. Jerônimo circulava entre os principais autores portugueses de seu tempo
e travou amizade com um dos principais historiadores da primeira metade do século
XVII, Frei Luis de Sousa. O Conde da Castanheira emprestou, inclusive, documentos
particulares para Frei Luis de Sousa escrever suas obras. Nas Memorias e Documentos
citados por este historiador, aparece a indicação “Seis Livros do Conde de Castanheyra,
mandados por Dom Jeronimo de Atayde, filho do Conde de Castro”. Estes seis códices
compõe atualmente a coleção São Lourenço no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.38
Por volta de 1620 D. Jerônimo casou-se com D. Helena de Castro, filha de D.
João de Castro, senhor de Reriz e Benviver, Sul, Penela e Resende, e de D. Juliana de
Távora. Tiveram três filhos, D. Jorge de Ataíde, 3.º conde de Castro Daire, D. Antonio
de Ataíde e Ana de Lima e Ataíde.39 Foi na década de 1630 que Ataíde escreveu a
Información sobre Haver de Preceder en el Consejo de Portugal, supplicando de la
nueva forma de precedencias y Respondiendo a los errados informes que se dieron a S.
Magestad. Em 1639, D. Antonio de Ataíde e seu filho D. Jerônimo receberam de Felipe
37
Biblioteca Nacional de España. COLARES, Jerônimo de Ataíde , Marquês de. Recopilación de linajes
de Portugal [Manuscrito] por el Marqués de Colares . I volume , 422 folhas.; 34 x 23 cm.
38
SOUSA, Fr. Luís de. Annaes de el Rei Dom João III. Lisboa: Typ. da Soc. Propagadora dos
Conhecimentos Uteis, 1844. p. 371. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. A descrição deste fundo
documental é o seguinte: Colecção São Lourenço (1403-1561), 6 vol. (códices factícios).. D. António de
Ataíde, 1º conde de Castanheira, teria coligido os documentos que integram o primeiro volume, uma vez
que grande parte da correspondência lhe é dirigida. A restante documentação é maioritariamente
correspondência remetida a D. Álvaro de Castro (filho de D. João de Castro), ou por ele redigida. D. Ana
de Ataíde, mulher de D. Álvaro de Castro, era neta de D. António de Ataíde, sendo plausível que por este
facto, esta documentação tivesse sido reunida. No Dicionário Bibliográfico Português, de Inocêncio
Francisco da Silva, refere-se igualmente que o compilador foi D. António de Ataíde. O percurso da
documentação até pertencer à casa dos Condes de São Lourenço é explicado, também no Dicionário
Bibliográfico Português. pelo facto de o conde da Castanheira ter sido casado com uma senhora da casa
da Feira, cujos vínculos foram em parte herdados pelos condes de São Lourenço. Esta colecção terá
pertencido a um conjunto documental bem mais vasto, coleccionado por D. João José Ansberto de
Noronha (n.1725; 6º Conde de São Lourenço por casamento e filho dos segundos marqueses de Angeja).
Foi inventariada com os bens de António José de Mello Silva César e Menezes (1794-1863, 9º conde de
São Lourenço), trabalho realizado por José Maria António Nogueira, que o publicou em 1871.
39
SOUSA, António Caetano de. História Genealógica da Casa Real Portuguesa. Coimbra: Atlântida
Livraria Editora, 1946. Tomo II, p. 305. GAYO, Felgueiras. Nobiliário das Famílias de Portugal. Braga:
Carvalhos de Basto, 1989. 2ª Ed. Vol. IV, p. 242.
31
IV valiosas comendas,40 exercendo depois o elevado cargo de aio do Príncipe Baltazar
Carlos. 41
Foi mordomo-mor da Rainha Isabel, mulher do rei Filipe IV de Espanha, que o
nomeou Marquês de Colares, título que já não teve validade em Portugal, e lhe deu a
promessa do ducado de Benavente, caso recuperasse Portugal. Concluída a paz com
Castela, em 1668, regressou a Portugal onde ainda exerceu ocupações administrativas.42
D. Jerônimo de Ataíde faleceu a 12 de Dezembro de 1669.
2. A HISTORIOGRAFIA DA JORNADA DOS VASSALOS
Na historiografia do século XX, a Jornada dos Vassalos para restaurar a Bahia
dos holandeses em 1625 é apontada como um esforço militar aos moldes feudais, no
contexto das relações de susserania e vassalagem. Os Capítulos de História Colonial de
Capistrano de Abreu, publicado em 1907, diz que a nobreza ibérica organizou a
expedição imbuída de um “espírito cruzadista”. Stuart Schwartz confirma a aderência
da nobreza portuguesa ao projeto de restaurar o centro político do Brasil.43
A Jornada dos Vassalos não foi, decerto, uma empresa militar nos moldes da
guerra medieval. Foram utilizadas estratégias e técnicas modernas de combate, como o
Terço da Armada, que equivale atualmente aos fuzileiros navais. Esta empresa, não
obstante, foi levada à cabo com recursos da nobreza ibérica, que atendeu ao chamado do
Rei espanhol D. Felipe IV. A leitura da Relação de D. Jerônimo de Ataíde não só
confirma este fato político como o reforça.
O relato oficial da expedição de 1625 foi publicado pelo crítico literário e
humanista espanhol D. Tomás de Tamayo Vargas, em 1628. O texto enfoca a
supremacia da Espanha na Europa e as questões religiosas que impulsionaram os
conflitos do continente desde o século XVI. Por isso, o discurso utilizado pelo autor
para legitimar a reconquista da Bahia fundamenta-se na hegemonia da religião católica e
40
Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), Registo Geral de Mercês - Ordens. Livro 2. fl. 214215. 15 de março de 1639. D. Felipe IV. “Carta de Comenda a Fr. D. Antonio de Athayde professo da
ordem de Xp.o e ao seu filho mais velho”.
41
SORIANO, Simão José da Luz. História do Reinado de El-Rei D. José e da Administração do
Marquez de Pombal Precedida de uma Breve Notícia dos Antecedentes Reinados a começar no de ElRei D. João IV, em 1640. Lisboa: Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, 1867. Tomo I,
p. 28.
42
BA. Cod. 51-IX-13, fl. 228. 1669, Março 10, Londres. Carta de Gaspar de Abreu de Freitas para o [6º]
conde da Castanheira [D. Jerónimo de Ataíde] sobre o embarque dos enviados de Inglaterra e Suécia, um
a cumprimentar e outro a negociar.
43
SCHWARTZ, Stuart B. The Voyage of the Vassals: Royal Power, Noble Obligations, and Merchant
Capital before the Portuguese Restoration of Independence, 1624-1640. In: The American Historical
Review, Vol. 96, N.o 3 (Jun, 1991), pp. 740-743.
32
da Coroa espanhola sobre os seus adversários.44 O mais completo texto sobre a Jornada,
pelo conjunto de informações que apresenta, é do espanhol Juan de Valencia e Guzman,
publicado somente em 1870. Na obra, o autor detalha e contabiliza praticamente todos
os objetos e bens que foram carregados na expedição.45 Há ainda o texto de Eugenio de
Narbona Zuñiga, de menor relevo que dos seus compatriotas citados.46
Os Capítulos da Relação serão analisados em conjuto com dois textos sobre a
conquista da Bahia em 1624 pelos neerlandeses e a expedição de 1625. Estes dois
textos, de origem portuguesa, são de autoria do Padre Bartolomeu Guerreiro, publicado
ainda em 1625, e do Almirante e Cosmógrafo-mor D. Manuel de Menezes, que
permaneceu inédito até 1859, quando foi publicado por Francisco Varnhagen na Revista
do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Como D. Jerônimo de Ataíde, ambos são
portugueses, mas o primeiro possui uma visão de conjunto que falta aos seus
compatriotas.
Ataíde é o único autor português que concebe a invasão da Bahia como um
episódio do que seria conhecido posteriormente como Guerra dos Oitenta Anos. Por
isso, o primeiro capítulo da Relação é um Discurso sobre a Holanda, no qual trata dos
direitos de sucessão e vassalagem da nobreza neerlandeza, do processo de
independência das Províncias Unidas iniciado em 1572 e seus desdobramentos no
século XVII. Esta visão é recorrente em outras crônicas de origem espanhola, como na
obra de D. Tomás de Tamayo Vargas, mas inédita, contudo, aos autores portugueses
que entenderam a perda da Bahia apenas como um episódio particular de agressão dos
neerlandeses a um território ultramarino de Portugal.
A interpretação dos fatos por este viés político obviamente cumpria uma função
prática. Colocando-se na condição de ofendidos, os portugueses puderam legitimar sua
reação militar. Dentre os autores portugueses que escreveram sobre a Jornada de 1625
Ataíde foi uma excessão por apresentar no seu texto a tentativa de hegemônia da
monarquia espanhola na política européia, ainda que coadunando-se a esta ideia, afinal
escrevia para o próprio rei. O autor chegar a utilizar, à folha 154, a expressão “nuestra
44
TAMAYO DE VARGAS, Tomás. Restauracion de la Ciudad del Salvador, i Baia de Todos Sanctos,
en la Provincia del Brasil. Pos las Armas de Don Philippe IV. El Grande Rei Catholico de las Españas
i Indias. Madrid: Viuda de Alonso Martin, 1628.
45
VALENCIA Y GUZMAN, Juan de. Compendio Historial de la Jornada del Brasil, ano 1625. Recife:
Editorial Pool, 1984. 2.a ed.
46
ZUÑIGA, Eugenio de Narbona. Historia de la recuperacion del Brasil por la armas de España y
Portugal el año de 1623. In: Anais da Biblioteca Nacional, Vol. LXIX, pp.161-330. Rio de Janeiro: 1955.
33
España”. No verso desta mesma folha, contudo, o autor questiona as implicações da
soberania castelhana utilizando, habilmente, a metáfora do aqueduto:
No se les niega a los Portugueses rason en lo que sienten la falta de sus Reyes, no
porque hoy les falte en Su Magestad el arrimo que antes tenian, pero es la diferencia que
va de beber el agua en la fuente, o por acuadutos que talves nos truxo salitre si no
gusanos.
Outro ponto comum aos autores de origem portuguesa é não atribuir aos cristãonovos e cripto-judeus a culpa pela tomada de Salvador em maio de 1624. Entre os
autores espanhóis, não obstante, é recorrente acusar os judaizantes de traição política e
colaboracionismo com os invasores, alegando que isto ocorreu por temor ou ódio destes
ao Santo Ofício. Neste aspecto, a Relação de Ataíde se alinha às dos seus compatriotas,
visto que em nenhum momento os judaizantes são apontados como traidores
responsáveis pela entrada dos neerlandeses em Salvador.
Nenhum texto sobre a Jornada dos Vassalos aborda a questão dos saques levados
à cabo na Bahia pelos próprios expedicionários católicos. Caso esta informação fosse
publicada, seria dirimido grande parte do discurso e da “nobreza” da empresa militar.
Uma carta do Cabido da Sé da Bahia apontou a desconfiança de que parte do saque dos
neerlandeses em 1624 foi trazido clandestinamente pelos soldados que foram socorrer a
cidade do Salvador em 1625. Felipe IV encarregou à Mesa de Consciência e Ordens
investigar esta afirmação, mas as investigações nunca foram aprofundadas, talvez por
conta da influência política de supostos envolvidos.47
É necessário esclarecer quais as fontes utilizadas por D. Jerônimo de Ataíde para
escrever a Relação, redigida ainda no calor do combate, visto que a folha 153 indica
“este ano de 1625”. O autor estava preparado para embarcar para o Brasil, mas na
ocasião, como afirma no verso da folha 167, foi obrigado a seguir para Madrid acudir ao
seu pai que estava preso. Segundo ele próprio, deveria embarcar na nau almiranta ao
lado de D. Francisco de Almeida.
De modo que Ataíde não embarcou na expedição para a Bahia, então quais
seriam suas fontes de informação? Primeiro, ele foi testemunha da organização da
expedição e em 1624-1625 circulou tanto por Portugal quanto por Madrid. Os fatos
apresentados até a armada de restauração zarpar de Cadiz em janeiro de 1625 foram
vivenciados pelo autor. Em segundo, a principal fonte das notícias dos acontecimentos
na Bahia e dos dados dos combates entre neerlandeses e brasílicos foram extraídos da
47
ANTT. Mesa de Consciência e Ordens, Consultas, Livro 30 (1625-1630), fl. 26v. “Em Carta de SMg.de
de 5 de fevereiro de 1626” .
34
Jornada dos Vassalos, do Padre Bartolomeu Guerreiro, publicada em fins de 1625. Isto
fica óbvio com a comparação dos dois textos e, adiante, será indicado na Relação de
Ataíde as notícias copiadas da obras de Guerreiro.
Outros fatos foram tão divulgados que aparecem de maneira uniforme em todos
os autores da Jornada dos Vassalos. Os donativos em dinheiro, material bélico, soldados
e embarcações feitas pela nobreza de Portugal que é ponto pacífico nos textos de
Guerreiro e Manuel de Meneses também é relatado no verso da folha 165 da Relação de
Ataíde. O mesmo para os donativos levados a cabo pelo episcoapdo português.
Há ainda uma terceira fonte para a Relação de Jerônimo de Ataíde, visto que
algumas informações não constam em qualquer outro autor. Sem dúvida, trata-se de
algum soldado ou religioso que embarcou para a Bahia e ao retornar para a Europa lhe
narrou alguns acontecidos.
A invasão da Bahia ameaçava também uma propriedade dos Condes da
Castanheira: a ilha de Itaparica. O primeiro governador geral do Brasil, Tomé de
Souza, doou a ilha em sesmaria ao primeiro Conde de Castanheira, avô de D. Jerônimo
de Ataíde, em 1552. D. Jerônimo revela no verso da folha 155 um plano de invasão dos
neerlandeses que consistia não em atacar Salvador, mas tomar e fortificar a ilha de
Itaparica. O objetivo dos neerlandeses com esta manobra seria utilizar os 35 kilômetros
da ilha para fechar militarmente a entrada da baía aos navios de mercadorias. Com isto,
obrigaria os moradores a estabelecer comércio com a Companhia das Índias ou sofrer
com crises de carestia. Esta manobra só seria utilizada, de fato, em 1647 por Sigmund
von Schkoppe.
A elaboração dos Capítulos da Relação teve um objetivo pragmático: a defesa de
D. Antônio de Ataíde. Na folha 184 o autor torna explícito que o principal intento da
Relação era nomear as pessoas que ocupavam os principais postos na Armada,
especialmente D. Antonio de Ataíde, seu pai, a quem denomina de Capitão General
Perpétuo da Real Armada desta Coroa, dando a razão porque não se embarcou na
jornada exercendo seu ofício. Deste modo, a ausência de pai e filho na armada de
restauração da Bahia deveria ser justificada através deste escrito. O objetivo político do
texto levou o autor a escrevê-lo em castelhano, visto que o destinatário seria o Rei
Felipe IV.
35
A história de Dom Antonio de Ataíde foi objeto de estudo por Charles Ralph
Boxer.
48
Nascido em 1567, D. Antonio de Ataíde, 5º conde da Castanheira, foi o
terceiro filho do 2º casamento do 2º conde da Castanheira, igualmente chamado D.
Antonio de Ataíde, morto em 1603. Sua mãe D. Maria de Vilhena era filha de D. Luís
de Meneses e Vasconcelos e D. Branca de Vilhena. Casou-se com D. Maria de Lima,
filha e herdeira de D. Antonio de Lima, senhor de Castro Daire, e de Dona Maria de
Vilhena. Daí se tornar o 1o Conde de Castro Daire. Foram pais de D. Jeronimo de
Ataíde, que sucedeu ao pai como 2º conde de Castro Daire e 6º conde da Castanheira.
Após a morte do Cardeal-Rei em 1580 e inciado o processo de anexação de
Portugal pela Coroa da Espanha, D. Antonio tomou o partido da monarquia espanhola,
participando da expedição do Marquês de Santa Cruz contra a Ilha Terceira. Serviu sob
as ordens de D. Martinho de Ribera, general das galés de Espanha e por seus serviços
foi nomeado sucessivamente capitão de cavalos, fronteiro-mor dos coutos de Alcobaça,
general de uma armada da costa, coronel de Infantaria, capitão-mor das naus da Índia,
general das armadas de Portugal. Do período em que atuou como capitão-mor, Dom
Antônio colecionou uma série de notícias ultramarinas e roteiros de viagem, inclusive
documentos de quem viria a ser seu substituto na Armada de 1624, Dom Manuel de
Menezes.49
Os problemas de D. Antonio de Ataíde junto a Coroa começariam em 1621.
Neste ano, a nau Nossa Senhora da Conceição regressava da India, com valioso
carregamento. Ao chegar à ilha Terceira, o capitão da nau Nossa Senhora da Conceição
recebeu instruções para navegar em direcção à costa portuguesa pelos 39,5° de latitude,
o que de facto fez, mas, ao invés da armada da costa que o deveria esperar, deparou com
dezassete vasos argelinos ao largo de Peniche. Seguiu-se o combate que durou dois dias
e a nau foi perdida depois da explosão que se seguiu a um incêndio, eventualmente
posto pela própria tripulação, já sem hipóteses de continuar a defesa do navio. João
Carvalho Mascarenhas, que seguia a bordo e foi levado para o cativeiro em Argel,
escreveu um relato pormenorizado do que se passou.50
48
BOXER, Chales Ralph. The naval and colonial papers of Dom António de Ataíde. In: Harvard Library
Bulletin, vol. V, n. 1, Cambridge (Mass.), 1951, pp. 24-50; e Um roteirista desconhecido do século XVII.
D. António de Ataíde, capitão geral da Armada de Portugal, Arquivo Histórico da Marinha, vol. I, nº 1,
1934, pp. 189-200.
49
LEITÃO, Humberto (Org.) Viagens do Reino para a Índia e da Índia para o Reino: (1608-1612).
Lisboa: Ag. Geral do Ultramar, 1957-58. 3v.
50
MASCARENHAS, Joam Carvalho. Memoravel Relaçam da Perda da Nao Conceiçam. Lisboa: Na
Officina de Antonio Alvares, 1627.
36
D. Antonio de Ataide, no cargo de capitão da armada, foi acusado pelo governo
felipino de não executar seus encargos defensivos. Na Egerton Library do Museu
Britânico existe outra relação que trata do procedimento de D. Antonio no caso da nau
Conceição.51 Para sua defesa publicou o panfleto Cargos que resultaraõ da devassa que
os governadores de Portugal mandarão tirar de Dom Antonio de Attayde, capitaõ geral
da armada de Portugal, acerca da perda da nao da India Nossa Senhora da
Conceissaõ, que os inimigos queimaraõ o anno de 1621. e resposta de Dom Antonio
aos cargos. Lisboa, 23 de Iunho de mil & seiscentos & vinte dous.52
A conquista da Bahia pelos neerlandeses em 1624 impeliu a nobreza ibérica a
recorrer às armas, mas, preso, D. Antonio de Ataíde foi excluído desta comoção
política. Foi neste contexto que D. Jerônimo escreveu os Capítulos da Relação, que teria
por fim auxiliar a defesa de seu pai em Madrid.
Após ser julgado e absolvido contra as acusações que o impediram de comandar
a almiranta da Jornada dos Vassalos, ficou reconhecido que D. Antonio cumprira suas
ordens, embora mal sucedido. Filipe IV, querendo marcar tal circunstância, nomeou-o
gentil-homem de sua Câmara, mordomo-mor da Rainha D. Isabel, conselheiro de
Estado do Conselho de Portugal e presidente do Conselho de Aragão. Foi por esta época
enviado à Alemanha como embaixador extraordinário. O título de conde de Castro
Daire lhe foi concedido por alvará de 30 de abril de 1625, assinado em Aranjuez por
Filipe IV. Sucedeu ao sobrinho D. João de Ataíde e veio a ser 5º conde da Castanheira.
Em 1631 D. Antonio foi nomeado governador de Portugal com o Conde de Vale
de Reis. Cargo que ocupou sozinho de Março de 1632 a Abril de 1633, em virtude do
falecimento de Nuno Mendonça, Conde de Vale de Reis. O fundo documental guardado
na Biblioteca da Ajuda deriva, em grande medida, deste período. Adiante, foi presidente
da Mesa da Consciência e Ordens. Quando em dezembro de 1640 teve início a
Restauração Portuguesa, D. Antonio de Ataíde permaneceu alinhado aos Habsburgos,
falecendo a 14 de dezembro de 1647, com cerca de 80 anos.
51
British Museum. Ergeton Library. Códice no 1136, Tomo VI. Fls. 474-525v. Consultas, pareceres,
cartas, memoriaes, e outros papeis, tocantes ao caso da nau queimada em 11 de outubro de 1621 em frente
da Ericeira pelos Turcos, sendo D. Antonio de Attaide, Capitão General, e D. Francisco de Almeida,
Almirante da armada, o que deu logar a que estes dous Officies fossem processados, etc. Entre estes
papeis há um (fol. 481 a 497) com o seguinte titulo: relação de como procedio D. Antonio de atayde
Capitan General de la armada dede portugal el año de 1621en que se quemó una nao de la yndia en frente
de la Ericera estando la armada en el cavo despichel 12 legoas della, con calmeria y sin berla ni tener
recado alguno de que alli estubiere, ni que peleava. Datados de 1622.
52
MACHADO, Barbosa. Bibliotheca Lusitana. Tomo I. p. 208. SILVA, Innocencio Francisco da.
Diccionario Bibliographico Portuguez. Vol. I, p. 91.
37
É lamentável que D. Jerônimo não tenha concluído o texto da Relação. É
impossível dizer o que o levou a deixar o texto inconcluso. Uma folha que continha a
conclusão do nono capítulo foi subtraída, talvez pelo próprio autor, mas certamente
antes de ser anexada ao códice. Apesar disto, cerca de 70% do projeto inicial do texto
foi concluído, sendo estas as partes mais importantes da organização da expedição, de
que o autor foi testemunha presencial, e das notícias da Bahia, de que o autor utilizou
outras fontes de informação.
O capítulo 10 deveria abordar a capitulação dos neerlandeses na Bahia em maio
de 1625, o que, não obstante, já é demasiado conhecido e teve seus pormenores
divulgados por outros escritores e até nas curtas relações publicadas em diferentes
idiomas e países.53 A inexistência dos capítulos 11 e 12, por outro lado, é mais sentida
porque abordaria os meses seguintes à vitória sobre os neerlandeses e a chegada da
armada de socorro de Boudewijn Hendriksz. Os capítulos 13, 14 e 15 já não interessam
diretamente às guerras do Brasil, visto que tratariam dos ingleses em Cádiz e da retirada
da armada inglesa, além de outras notícias da Itália e de Flandres.
Algumas considerações devem ser feitas para a publicação dos Capítulos da
Relação. O texto será mantido, como queria o autor, na língua castelhana. Apesar de
afirmar escrever em castelhano, encontramos no manuscrito palavras de origem galega e
até mesmo expessões portuguesas. As palvaras galegas e portuguesas foram vertidas em
castelhano, assim “execución”, “dexar” e “praça” assumem as formas castelhanas de
“ejecucíon”, “dejar” e “plaza”. Outras palavras que formam misturas de português e
galego, como “fuerça” e “forçozo” foram vertidas para castelhano, ficando “fuerza” e
“forsozo”.
A atualização vernacular foi necessária para tornar o texto mais acessível. A
antiga letra “u” será substituída pelo “v” nas palavras em que ocorrerem, bem como
foram suprimidas as cedilhas precedendo “i” e “e”. A grafia dos substantivos próprios
53
RODRIGUES, José Honório. Historiografia e Bibliografia do Domínio Holandês no Brasil. Rio de
Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1949. Algumas das relações que tratam das capitulações ão: LA
DEFAITE Navale de Trois Mil, Tant Espagnols que Portugais,mis taillez en pieces par les Hollandois,
à la Baya de Todos los Sanctos. Traduite de Flamand en François. Paris: Iean Martin, 1625.
AVENDAÑO Y VILELA, Francisco de. Relacion del viage, y svceso de la armada, qve por mandado de
Sv. Magestad partio al Brasil a echar de alli los enemigos, que lo ocupauan. Dase cuenta de su
entrega, y de las capitulaciones, con que salio el enemigo, y valia de los despojos. Hecha por don
Francisco de Auendaño y Vilela, que se halló en todo lo sucedido; assi en la Mar, como en la Tierra.
Cordova: Salvador de Cea Tesa, 1625. RELAÇÃO Verdadeira. In: Revista do Instituto Histórico
Brasileiro, Vol. 5. pp. 473-490. Rio de Janeiro: 1843.
38
continua como no original, mas com letras maiúsculas em vista da variação maiúscula /
minúscula usada pelo autor. As palavras abreviadas foram extendidas.
Os parágrafos originais continuam, mas as vígulas inclusas servem para organizar
melhor a disposição do texto. O “NM:” significa notas marginais do manuscrito, que
comumente aparece em português no original, assim como o índice e o próprio título
dos Capítulos da Relação.
[151]
Capítulos da Relação
1. Discurso sobre Holanda.
2. Jornada dos holandeses a Bahia.
3. Ordens de Sua Magestade e donativos.
4. Lista dos fidalgos, serviços em suma.
5. Oficiais de guerra, causa de meu pai, e de D. Francisco de Almeida
6. Socorros das caravelas, e guerra do Recôncavo.
7. Partida da Armada, pauta della, chegada ao Cabo Verde, perdição de Moniz
8. Discurso e pauta da Armada de Castela, e perdição de Lançarote.
9. Junta das Armadas, chegada a Bahia, fortificação do inimigo e sítio que se pôs
10. Sucessos do sítio, capitulações, entrada da cidade, quando D. Francisco se
embarcou logo se entrou.
11. Enquanto se refaz a armada, os aprestos de guerra em Lisboa, trincheiras,
coronéis, capitães.
12. Chegada do socorro holandês, volta da Armada, pelejas e perdas, e a de
D.Francisco.
13. Ingleses em Cádis, socorro dos portugueses, os do Caminho, e os de Madrid, e
como queriam ir de Lisboa capitães de aventureiros e das nações.
14. Retirada da Armada inglesa, entrada da frota, graças da Bahia, aviso que se deu
ao coletor, graças que se deram, mercês que el Rey fez.
15. Fim da Relação e do Ano de 625. E aqui se ponham alguns bons sucessos de
Itália, Flandres e outras partes nossas.
[Fl. 152]
La obligación de portugues me la ponia de sacar a luz esta relación, y el
conocimiento proprio me enfrenava este deseo las dudas el ver que si la falta del caudal
discubriere defetos en el entendimiento tanto mas acreditara la voluntad, no podra
(pero) ella ni alguna lisonja a que finja alabanzas ni acarre defetos. Cornelio Tacito en
sus Anales prueva la verdad con que promete escrivir, disiendo que no tiene causas para
ira o afición, y Aristoteles, en suas sentencias dice que el amor, y el odio haser que no
se conosca la verdad, y aunque yo no soy tan pequeño gusano que no halle en ovi
respetos para aficionarme o para satisfaserme o y que la pluma empieza aser nivel de
39
tantas acciones espero con el favor de Dios, no deixar queixosos (con razón) porque si
el lenguaje no llegare a lo que se deve a este suceso y a lo mucho que yo deseo, sera la
culpa del juicio, no de la intención.
Escrivo en castellano así porque pueda llegar a las reales manos de Su Magestad,
como porque es lengua mas comun a todas naciones, y en lo que faltare de algun
particular de aquella corona, tendra la culpa la falta de noticias, si bien [Fl. 152v] las
procure, pero deixando esta obligación a sus escritores de tan diferentes ingenios, fio
que lo haran tanto mejor que su nación me quede mas obligada por deixalles este
cuidado, que lo estuviera por mis escritos, que no es esta mi profision, y trate siempre
mas de ver si podia deixar memoria a escritores que de certo aunque viendo que no lo
consigo no me sirve la emulación de en bidia viciosa sino de mas deseos de imitar los
que intente competir.
[Fl. 153]
Aviendo de tratar de la feliz restauración de la Bahia de Todos los Sanctos que
este año de 1625 fue Nuestro Señor servido de bolver al manos de los catholicos siendo
el pasado tomada de olandeses ereges, me parecio, (aunque de paso) haber un poco
desta nación, tomando el principio de mas atras para fundar la reprobación de su
rebelion y intentos. Y que se vea quan por derecha succeción entro el vasallaje de los
olandeses en la Casa Real de España y quan contra razón faltar a la sujeción que
tevieran a sus naturales Reyes.
Por la repartición que El Phelipe el atrevido Duque de Borgoña, hiso de sus
estados le cupo a Juan su hijo mayor (que despues dixeron el intrepido) la Borgoña
Flandres y Artois. Ya su hijo segundo, Antonio, los Ducados de Barbante y Limburgh,
el qual tuvo dos hijos que muriendo sin succeción deixaron la erencia a Phelipe el 3.o
Duque de Borgoña su primo hermano, hijo de Juan, con lo qual se juntaron otra ves los
Ducados en que succedio Carlos que llamaron el belicoso, que caso su hija Maria, con
el emperador Maximiliano y truxo en dote el Ducado de Lotharingia y Barbante con las
demas provincias de la Belgica a la siempre Augusta casa de Austria de que gosaron
Phelipe el [Fl. 153v] hermoso Rey de las Españas, el emperador Carlos quinto, y el Rey
Don Phelipe segundo, que transfirio los mismos estados a la señora Infanta D. Isabel
Clara Eugenia en dote con el serenisimo Archiduque Alberto, hijo del emperador
Maximiliano.
Este nombre general de Olanda conprehende en si diferentes Islas que se dividen
por los muchos brazos del mar oceano que por ella entran por la parte, del setentrión y
occidente y por los canales del Rin, y el Rio Mosa a la parte del medio dia, y el Golfo
que llaman de Zuiderzee al oriente, Tendra de circuito cosa de, 60 leguas sin que
anchura sea tanta que por qualquiera parte atraviesse en seis oras, en cuyos limites se
hallan 29 villas de que las principales son Dordrech, Haarlem, Deft, Leiden, Gouda, y
Amsterdam [Fl. 154] y otras Islas mas al Norte, como Vielant, Texele, y Vueringher,
Ay mas el hermoso Burgo de la Haya en que residen los estados y tenia su Casa el
Conde Mauricio de Nasau Capitan General suyo.
Los habitadores de unas y otras Islas si uvieran sido leales como caprichosos, y
si en servicio de su Rey hizieran lo que na intentado en ofensa suya, no se les pudiera
negar si no ventaja igualdad con todas las naciones del mundo, pero esta diferencia va
40
de conquistas a ladronisios, que aquellas dan gloria y estos interesses, y así son mas
faciles por que se intentan con señala da ventaja. Menos basta para asechar de servir
dados que para resistir codisiosos desestima el leon lo que solicita el lobo este se
sustenta de valor proprio aquel de descuidos agenos, esto succede a nuestra España tiras
tanta gloria, adquirida por tan gloriosos medios que dilato su Imperio a los mas ocultos
rincones del Universo, y esta misma grandesa y señorio tan dilatado da a mayores [Fl.
154v] fuerzas a qualquiera que se nos declara por enemigo y no las grangea a nuestras
conquistas, demas que ocasiono en bidia a todos los Reyes y potentados del mundo, y
algun exceso de crueldad que (necesariamiente) se executo con los desta nación sirvio
de motivo, o de achaque a los olandeses (ya dispuestos) para su rebelion no advirtiendo
que la lealtad no se exercita en lo que se agradese si no en lo que se sufre: llamaron los
Egipcios, al perro por simbolo de la lealtad no tanto por el conosimiento del bien que
recibes como por que a sotado buelve a los pies del que reconose por su legitimo señor.
Apoyaron la resolución de los olandeses los emulos de España cuidadosos de ver
ensanchada la monarchia quanto de ver propagada la religion, y así provocados por
Guillelmo de Nasau Principe de Oranges, hizieron en Dordrecht una junta en 19 de Julio
de 1572 y en ella resolvieron de tomar das armas contra su magestad del Rey D.
Phelipe, 2.o nombrado por su governador, al mismo Guillelmo de Nasau si la resolución
fue asertada, no lo pudemos jugar los leales porque no sabemos en que consistan las
conveniencias de no serlos y asi se declararon por enemigos rebeldes los que devieran
continuar vasallos sujetos.
No se les niega a los portugueses razón en lo que sienten la falta de sus Reyes,
no porque hoy les falte en Su Magestad el arrimo que antes tenian, pero es la diferencia
que va de beber el agua en la fuente, o por acuadutos que talues nos truxo salitre si no
gusanos, ya un así despues de una ves sujetos a la corona de Castilla no faltaran un
punto de la lealtad jurada.
[Fl. 155]
Fresca estava la llaga rebueltos los humores, divididos los pareceres dudosos los
animos cuando a las puertas del primero llamo Don Antonio Prior del Crato que avia
aspirado a la Corona, y no tan desacompañado, que no truxesse mui poderoso exercito,
y armada de Inglaterra; y aviendo ostentado confianza de que los portugueses le
recibirian por su Rey por lo que sentian no ter elle a la vista, lo salio tan al contrario
que bolvio menos ayroso.
Lo cierto es que lo mucho que ay que alabar en esta nación, hase que no se les
atribuyan antonomasias de leales, por lo que tienen de valerosos, ni de valientes, por lo
que son de leales, y elles mismos jusgam obligación propria, lo que en otras naciones
estiman por milagros de que pudiera apuntar muchos exemplos que se hllan en las
Chonicas deste Reino, y en las decadas de la India Oriental, y otros de nuestros tiempos,
pero intento brevedad en esta Relación, y faltara yo al mio, y a sus alabanzas si me
detuviera en alguna.
Declarados pues los olandeses, y aborecidos de los que no sufren tanta España,
intentaron Comercio en las Indias Orientales, En Guinea, Angola, Congo, y en la Mina
(si diferentes en el modo, como en el caudalo) conformes en el trato mas o menos segun
la desposición del lugar, no tratando ya mas de conquistar plazas si no de grangear
41
intereses; pruevasea que no se hallara cosa digna de memoria en razón de valor; de
ardides si que les van sustentando de suerte, que el año de 623 a un mismo tiempo
infeccionavam sus Armadas las Costas de la India Oriental, de Africa, de España, y de
las Indias Occidentales (segun se observo despues por los avisos) que como viven solo
de navegar [Fl. 155v] y esto se hase de comun acuerdo, y compañia, y no particular
poder, viene a ser grangeria desta Republica, lo que es a los principales de tanto
dispendio.
Gloriosos pues de aver fundado el comercio en tantas partes, jusgaron a falta
suya no intentar el Brasil y cuestas de Nueva España; cuyo arbitrio se presento al
Conde Mauricio de Nasau Capitan General de los Estados Rebeldes, (segun se afirma)
por un Andres Moertecan de nación olandes.54
Procurosse en el consejo que gobierna aquella Republica y uvo diferentes
opiniones en el modo de la execución si bien se conformaran todos en que se
emprendiesse la Jornada.
Ofereciosse el primer medio, y fue que se tomasse puerto en la Isla de Taparica
que esta en frente de la Bahia de que es señor el Conde de Castanheira, y que de así
hasiendo una fortificación, y siendo señores de la mar obligarian a los naturales al
comercio, que a nuestras flotas seria imposible, y que necesitados los de aquel estado,
darian lugar a trato, y la obediencia al gusto de su licenciosa vida.
Por outra parte se diseria que a vista de tantos exemplos como aviam logrado de
fundar comercio sin asaltos, sin fortificaciones, y sin estruendos, pera que era provar
nueva fortuna, que la mas gloriosa victoria era conseguir el fin a que la acción se dirige,
que elles no devian aspirar a conquistas, si no a ganancias, y que pera estas no eram
buenos caminos los de la guerra, que ya no estavamos en los tiempos que al estruendo
de un arcabus se ganava un lugar que todos ya sabian defender sus casas, y que era [Fl.
156] menester muchas buenas fortunas para sustentar con violencia estado tan grande
tan sujeto, y entregue a portugueses, que se acordasen de cuando el año de 607 Pablo
Vancarden intento tomar Mozambique, jusgando lo por tan facil que diera homenage en
Olanda por lo que a un no avia conquistado en la India, y que pensando hallar ela sin
defensa, saliera del Puerto apesar suyo por el valor de Don Estevam de Attayde55
general que era de aquella plaza, y que no era bastante desculpa ser persona de tal valor
*
; que viessen que era menester muchos socorros para poblar un desierto, y que se
succediesse diferente, seria mayor el daño de su perdida, que prometia el interes de lo
conquista lo por mas que fuesse, pues sin el se conservavan aquelles estados, y con una
perdida grande junta a las otras que ivan teniendo en las Indias se acabarian del todo:
que la prudencia era emprender por ardid, lo que as fuerzas no podian conservar, que se
fuesse ella, y tratassen al principio con moderadas ganancias, y que siendo sin tributos
el particular interes de cada uno, pondria en sus manos la libertad de todos.
54
MOERBEECK, Jan Andries. Redenen Waeromme de West Indische Compagnie dient te trachten het
Landt van Brasilia den Coninck van Spangien te ontmachtigen, en dat ten eersten. Amsterdam: 1624.
Traduções manuscritas do panfleto de Moerbeeck foram divulgadas na Península Ibérica. Biblioteca
Nacional de España. Ms. 3015, fl. 127, “Razones porque la Compañia de las Indias occidentales avia de
escuxar de quitar al rey de Hispaña la terra dela Brazil, traduzido de un papel impreso em Amsterdam
hecho por Juan Andrea Moerbeceq”.
55
DURAN, Antonio. Cercos de Moçambique, defendidos por Don Estevan de Atayde. En Madrid : por la
viuda de Alonso Martin, 1633. Existe segunda edição desta obra anotada por Antonio Durão e prefaciada
por Edgard Prestage, publicada em Lisboa, na Tipografia Silvas, em 1937.
42
NM: * Aqui se diga algo de Don Estevan
Otras mas a lo bizarro que a lo prudente disian que ya era mucho anelar por
intereses, hombres somos para tomar aquel estado como ellos le an tomado, y la
diferencia de la contienda, hara nuestra gloria mayor, una ves tragada la vos de mal
sofridos, por no disir desleales: para cuando guardamos dar que disir a la fama, ni
siempre avemos de estar tan sujetos a este decoro de España ya pasadas las calunias que
nos imponen, no todas enfermidades requieren una misma cura, en la India hallansse
otros Reyes con que liarnos, en Africa [Fl. 156v] otros puertos para el rescate del oro,
aqui donde todo es labranza56 dellos proprios no ay si no empezar con estruendo, y el
miedo, y el buen trato nos asegurara lo que una ves posseyeremos.
Asetosse esta ultima propuesta despues de representados, y discorridos muchos
otros inconvenientes que los de la dificultad, riesgo, o trabajo, no repara tanto en elles,
quien no ha de emprender y el mandar ariesgado, es mas facil, que executar temerario.
Tomada esta Resolución, el Conde Mauricio de Nassau a quien por razón de su
oficio tocava mandar executar las determinaciones, y ordenes del consejo, las despuso
en esta manera.
Fundosse nueua Compañia para las Indias Occidentales como se avia hecho para
las Orientales, por cuya cuenta se apresto una Armada de veinte y seis navios, trese
delos del estado, y trese de mercadores fretados, a cargo de Jaques Guilhelmo olandes
de nación que fue general de toda la Armada, hombre mayor de edad, y en reputación de
gran soldado; y de los trese nauios fretados era cabo Juan Dort; Era Almirante de la
Armada Pedro Peres de nación ingles, de cuja experiencia se podrian fiar mayores
funcciones.
NM: Aqui se ponhão as particulardades desta Armada
[Fl. 157]
Lleuava esta Armada 3 mil hombres de mar y guerra escogidos, experimentados,
y interesados que son grandes simientos para grandes esperanzas.
Salio de Olanda a 21 de Deziembre de 623 con publica bos de que iuan a Nueva
España a fin de que solo aquel estado se preveniesse, y se afirma que el mismo Jaques
Guilhelmo no sabia lo cierto de la Jornada, hasta que abrio el Regimento en el parage
que lo llevava ordenado, y fue en Isla de S. Vicente iunto al Cabo Verde.
NM: Aqui se hable quanto se requiere secreto
[Fl. 158]
La fortificación del enemigo sigun se hallo despues estava fortificado en la
forma seguiente.
56
Labranza. Campos ou terras cultiváveis.
43
NM: aqui ponha a fortificação do enemigo
[Fl. 163]57
Llego la Armada olandesa a la Bahia a seis, de mayo de 624, hallo un lugar
poblado de mercadores y de desterrados los unos y los otros mas avezados a solicitud de
intereses que a ejercicios militares, lleno todo mas de prevensiones de grangerias que de
defensas, desembarcaron mil y quinhentos hombres de guerra con algunas piezas de
artilheria [Fl. 163v] a cuyo estruendo y sobresalto ni uvo acuerdo para la defensa ni
cada uno trato de mas que de salvar sus mujeres y hijas de la primera licencia, no se
puede llamar covardia lo que fue desacuerdo por que estos mismos hombres sustentaron
siempre la guerra con la cara al enemigo hasta bolver a poblar sus mismas casas, lo
sierto es que ello fue castigo de Dios, o amago para que estemos mas recatados y a lo
temporal con mas respeto a las censuras eclesiasticas y con mas miramiento en los
vicios a que se atribuye la perdida de aquella ciudad sigun el estado de las cosas della.
Así lo dixo el predicante que entre los renditos se hallaran despues de restituida la Bahia
que perguntando le un religioso de la orden de S. Benito como faltavan así a la
obediencia de su natural señor, no solo con resistirse si no tambien ofendiendola y
conquistando plazas suyas respondio: sumus flagelum Dei; somos la suerte de Dios.58
Diego de Mendonza Hurtado gobiernador que era de aquel estado y que lo
pudiera ser de otros mayores, digna persona de la estimación que sus servicios na
adquirido, viendo que el enemigo iua entrando por un lugar abierto sin reparo, sin gente,
y sin defensa, aviendo antes salido a impedir la entrada con sus criados, y algunos
llegados a su casa, no quiso que el tropel del primer encuentro hizisse que por no
conosido le perdonasen la vida y se bolvio a su casa donde fue hallado, y cativo le
llevaron a la capitana enemiga y de alli a Olanda donde todavia esta.
2o Capitulo
Tomada asi la Ciudad de la Bahia se iuntaron los moradores della y trataron de
encerrar la desgracia pasada y que por lo menos no se deixasse de inquietar siempre al
enemigo, ni le deixassen que se hiresse señor del Arabal como lo estava de la ciudad
nombrando por Capitan Major de aquella gente que estava [Fl. 164] junta (donde llaman
el Reconcavo de la Bahia) Anton de Mesquista de Oliveira, oydor general que era de
aquel estado, que luego despacho abisos a su Magestad y otros59 a Mathias de
Albuquerque Capitan que era de Pernambuco y gobiernador que quedava siendo de todo
el estado por las vias que se abrieron.
De Pernambuco se despacho el primer aviso que llego a Su Magestad el postre
dia de julio de 624, y lo sintio como devia al caso y a las consecuensias del por que era
una puerta para total perdición de todo el Occidente.
Y como tan cristiano principe, considerando que en castigo tan grande, el mas
eficaz remedio era emendar las culpas porque se avia merecido, y fue la primera
Resolución escribir una y muchas cartas a los governadores Don Diego de Castro, y
57
Na folha 163 estava a descrição da fortificação dos holandeses na Bahia, mas o autor rasurou
propositalmente, deixando esse trecho ilegível.
58
Essa afirmação deve-se a fontes anônimas, visto que nenhum outro autor escreveu sobre isto.
59
A expressão “su Magestade y otros” está riscada pelo autor no original.
44
Don Diego da Silva, Conde de Portalegre, y meritisimo governador deste Reino,
encargando en ellas que solo se tratasse por entonces de enmendar los pecados publicos,
y se procediesse contra los culpados, de manera que Dios Nuestro Señor aplacasse la ira
de sus castigos, y tiviessen lugar los medios humanos que detreminaba poner en
restauración de la Bahia; mandando mas Su Magestad se hiressen procesiones publicas,
y se encomendasse mucho el negocio a Dios, pera lo qual se [Fl. 164v] despachassem
luego cartas a los Bispos, y prelados del Reino y de las Religiones, para que en todas
partes y en un mismo tiempo se hiziessen las mismas plegarias: y estavan los animos de
todo el Reino tan despuestos al socorro, y lastimados del caso, que fue arbitrio para los
religiosos, y prelados poder serbir con oraciones, ya que la perfección de sus estados,
les impedia que lo hiziessen con las armas. Y así se executo, que cuando las
Resoluciones de los principes son tan catolicas, no son preceptos para los que las
executan: como se vio en esta ocazión en que cada uno hizo la causa propria, y
particular sin aver otras competencias, si no de quien mejor haria lo que le tocava, y a
un mas del lo que se pudiera pedir.
Pasadas estas diligencias, se trato de los remedios humanos, y de poner en efeito
el socorro y restauración de la Bahia, y fue el primer acuerdo de Su Magestad por carta
suia a los Gouernadores escrita en 7 de agosto de 624 que de la Armada de Castilla se
juntaria la mayor fuerza que fuesse posible, respeto de que avian de quedar dies o doze
navios pera guarda el a costa, y que en los demas irian tres mil infantes; y desta Corona
se juntassen las mayores fuerzas, encargando la brevedad la diligencia, y las
prevenciones necesarias, añadiendo renglones60 de su Real mano para mas provocar, y
para significar por ellas el cudado con que estava.
[Fl. 165]
Llego esta carta en ocasión, que la Armada de Portugal andava navegando; y era
fuerza esperar a que se recogiesse, y bolviesse aprestar de nuevo, como se hizo en la
brevidad, y diligencia que adelante se dira.
Declarada la miserable perdición de la Bahia, y como Su Magestad mandava
socorrella, y restituilla, y que con ser así que la Real hazienda de Su Magestad estaba
imposibilitada para lo que requeria esta jornada, contodo no reparava en cosa alguna
afin de que se conseguiesse la empresa; como se fuera de comun acuerdo se dispuso
todo este Reino a oferecer las vidas, las personas, y las haziendas al serbicio de Su
Magestad; tan criados estan todos con la lucha desta vasallaje, y desta servidumbre, que
solo en esto se asenta esta nación de la calumnia general que se le impone de poco
unidos. Bien lo atestiguaran muchos otros sucesos que pudiera referir a no estar tan
presentes las demonstraciones deste que en tierras tan devedidas sin que pudiessen los
particulares provocaresse de exemplos, si no de su natural inclinación al serbicio de su
Rey, se oferecio a Su Magestad un donativo de que resulto, que tratando cada uno de
aliviar la costa de la Real hazienda, vino a ser mayor la suma del donativo, que el gasto
de la Armada: deviendosse a Su Magestad la disposición, y las demonstraciones de
amor, y de agradecimiento que en esta jornada fue servido de hazer, no ser a razón, que
faltemos a sus vasallos, con lo que se deve a lo que de su parte hizieron, pues paresse
[F. 165v] que a porfía estavan, Su Magestad a querer hazerllo todo suo vasallos a querer
que todo cargasse sobre sus ombros reselosos todos de que pareciesse poco lo que sus
60
Renglón, no singular significa uma série de caracteres escritos en linha reta; no plural, renglones,
significa qualquer escrito ou impresso.
45
fuerzas podrian, Respeto de lo que sus voluntades les obligava y así diremos lo que se
ofereccio en particular por gloria de los presentes y exemplo de los venideros.
El Duque de Bragança D. Theodosio veinte mil cruzados en Reales; El Duq de
Camiña Marques de Villa Real Don Miguel de Meneses diesaseis mil, y quiñientos
cruzados que vendio de juro sobre su casa. El Duque de Villa Hermosa Conde de
Ficalho, Presidente del Consejo de Portugal en la Corte de Madrid Don Carlos de Borja
dio dous mil y quinientos cruzados, que emporto el pagamiento de duzentos soldados
que mando a su costa, el Marques de Castel Rodrigo Don Manoel de Moura Corte Real,
gentil hombre de la Camara de Su Magestad su veador de hazienda, y de su Consejo de
Estado en el de Madrid, tres mil, y trezientos y sincuenta cruzados.61
El Conde de la Castañeira Don Juan de Attayde62 dos mil y quinientos cruzados
que vendio de juro de su casa, Don Pedro Coutiño gobernador que fue de Ormus dos
mil cruzados, Don Luis de Sosa Alcaide Mayor de Beja, señor de Beringel y
Gobernador que fue del estado del Brasil, y quatrocientas, y sincoenta hanegas63 de
trigo para biscocho, que son trinta moyos por la medida de Portugal, aviendo en el
mismo año oferecido a Su Magestad en Madrid donde tiene su casa, en el donativo que
por aquella corona se oferecio a Su Magestad tres mil ducados castellanos, Don Pedro
de Alcaçova mil y quinientos cruzados, Francisco Soares mil cruzados, el Correo Mayor
dos mil cruzados, Constantino de Magalhães señor de la Puente de Barca quinientos
cruzados, Tristan de Mendonza Hurtado vino a serbir en persona en un nabio de 300
tonenalas 20 piezas de artelheria 200 hombres de mar y guerra, bastemientos, y
municiones todo a su costa, que importo nueve mil, y quinientos cruzados.
NM: El cabildo64 de la ciudad de Lisboa por tributo impuesto en el pueblo servio con
cien mil cruzados.
[Fl. 166]
El Arzobispo de Braga Primas de España Don Alfonso Hurtado de Mendonza,
envio dies mil cruzados, el Arzobispo de Lisboa Don Miguel de Castro dos mil
cruzados, el Arzobispo de Evora Don Joseph de Melo quatro mil cruzados, el Obispo de
Coimbra Conde de Argamil Don Francisco de Castro dos mil cruzados, el Obispo do
Porto Don Rodrigo da Cuña mil y quinientos cruzados, el Obispo del Algarbe Don Juan
Coutiño mil cruzados, de mas desto ubo personas particulares que mal sofrieron que su
pequeño caudal faltasse en este serbicio de que se diran sus nombres mas para gloria y
prueva de la afección general, que para particular satisfación. El Capitan Jeronimo
Ferreira de Lima provedor de la hazienda del Brasil, demas de ir en persona en la
Jornada, oferecio para ella un nabio que tenia de suyo de que fue por Capitan que a ser
fretado, costara mil, y ciento, y viente sinco cruzados. Domingos Gil de Siqueira que se
hallo en esta ocasión con moniciones bastimiento, y armas para otros fines, oferecio lo
todo para la Jornada, que importava valor de mil y quatrocientos y sincoenta cruzados.
61
GUERREIRO, Bartolomeu, S.J. Jornada dos Vassalos da Corôa de Portugal. Rio de Janeiro:
Biblioteca Nacional, 1966. 2.a ed. p. 35 e MENEZES, Manuel de. A Recuperação da Cidade do Salvador.
In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Tomo22. pp. 357- 411e 527 - 633. Rio de
Janeiro: 1859. p. 375.
62
D. João de Ataíde, 4.o Conde da Castanheira, era primo de D. Jerônimo de Ataíde. João era filho de D.
Manuel de Ataíde, 3.o Conde da Castanheira, irmão de D. Antonio de Ataíde.
63
14 hanegas equivalem a um hectare.
64
Câmara de Lisboa.
46
Manoel Dias Guedes, oferecio un nabio que tenia de suyo que a ser fretado valiera mil
cruzados, Alfonso de Barros otro nabio que valiera seiscientos, y veinte sinco cruzados,
Antonio Brabo de Tavera veinte hombres pagos a su costa que valieron duzentos
cruzados, los Alemanes dos mil y cien cruzados, en polvoras, todos hijos de Hector
Mendes mercador [Fl. 166v] de Lisboa ya defunto dieron quatro mil cruzados, los
demas mercadores de Lisboa trienta y tres mil y setecientos, los mercadores franceses
trezientos cruzados, que por todo importo 200.343,00 cruzados que fue el gasto de la
Armada, sin que la Real hazienda de Su Magestad se despendisse para esta Jornada ni
empeñasse en cosa alguna
3o Capitulo
Los demas cavalleros y señores particulares del Reyno se fueron personalmente
alistar en las listas ordinarias de la Armada, demonstración que hasta entonces no se
avia visto en personas de tan gran parte, a que dio principio, exemplo y calor Don
Alfonso de Noronha del Consejo de Estado de Su Magestad que avia occupado los
puestos de Capitan Mayor de Armadas de la Costa y de la India Oriental, Capitan
General de Ceuta, y despues de Tangar fronteras de Africa Capitan General de la
Armada Real desta Corona, Gobernador del Reino del Algarbe, ultimamente nombrado
Vis Rey de la India, primer puesto, ultimo fin y premio de los serbicios desta Corona. El
Conde de S. Juan, Luis Albares de Tavora, y su hijo mayor y herdero Antonio Luis da
Tavora, se alistaron tambien por soldados y fueron en la Jornada, gloriosa
demonstración, por ser el padre hombre mayor de edad, y el hijo herdero de una de las
mayores casas del Reino. Acuerdo fuen entre los dos, que cada [Fl. 167] uno sofriesse el
riesgo del otro, por no ariesgasse a sofrir el que quedasse las embidias del que fuesse los
demas cavalleros se nombraran con sus capitanes cuando, se haga mencion de la
primera plana de la Armada.
El Conde de Vimioso dexo la Corte de Madrid donde estava em particulares
pretenciones por no faltar en esta Jornada en que serbio con aprovechado lusimiento, El
Conde de la Roca Don Duarte de Meneses no se valio de estar rasado de pocos años
para deixar de imitar a sus pasados: Alistaronsse mas Martin Alfonso de Oliveira
comumiente llamado de Mayorasgo de Oliveira que de muchos años a esta parte porfia
por llegar a las cumbres del mayor serbicio, al glorioso fin aunque lastimoso que esta
Jornada le dio despues de aver gobiernado Armadas, y serbido en otras muchas de
Portugal, y Castilla. Don Henrique de Menezes señor de Loriçal soldado que avia
serbido en otras ocaziones. Don Alvaro Cotinho señor de Almourol, Antonio Correa
señor de Bellas, Don Antonio de Castelbranco señor de Pombreiro, Don Lopo de Acuña
señor de Cantar, Ruy de Moura Telles señor de la Povoa, Don Juan de Sosa Alcayde
mayor de Tomar, Duarte de Albuquerque Coello, Don Francisco de Portugal
Comendador de Frontera de la Orden de Avis, persona de particulares lusidos, y
continuos serbicios, Juan da Silva Telles de Meneses que avia sido Coronel en Lisboa,
Alvaro Piz de Tavora hijo de Ruy Lorenço de Tavora, que fue del Consejo de Estado de
Su Magestad gobernador del Algarbe y Vis Rey de la India, de quien adelante diremos,
que se fue esta la primera ocasión en que se allo, serbio este cavallero en ella de manera
que se puede nombrar entre los primeros della [Fl. 167v] Luis Cesar de Meneses, Pedro
Cesar de Eça cavallero mayor de edad, que bien abia serbido, E avia estado en otra
Francisco de Melo de Castro que ya se avia hellado en otra refriega con olandezes de
que sallio valerosamiente señallado en el rosto, y en todo su cuerpo en un encuentro que
tubo en la Isla de Santa Elena, en compañia de su padre Antonio de Melo de Castro que
47
viene de la India por Capitan Mayor de las naos, Don Rodrigo da Costa, hijo de Don Gil
Yañes de Acosta, gobernador de Ceuta, presidente de la ciudad de Lisboa del Consejo
de Estado de Su Magestad y presidente del desembargo de Palacio, Estevan de Brito
Freire, Jeronimo de Melo derecho sucesor de la Casa de Santo Thome que possea la
Corona Real, que ha servido en muchas y mui diferentes ocasiones en las armadas de
ambas coronas de muchos años a esta parte, Antonio Telles da Silva hijo de Luis da
Silva del Consejo de Estado de Su Magestad y su veador de hazienda, y su hermano
mayor Juan Gomes da Silva que dexo de ir en la Jornada por no se concluir a tiempo los
negocios de su padre que le tenian en la corte, lo que tambien succedio a Don Jeronimo
de Attayde hijo mayor de Don Antonio de Attayde Conde de Castro por estar en esta
ocasión su padre preso, y ser fuerza acodir a Madrid despues de prevenido para la
Jornada, y senallado lugar en la Almiranta en compañia de Don Francisco de Almeida,
Ruy Barreto de Moura, Nuño de Acuña, [Fl. 168] 65Lorenço Pires Carvalho, hijo unico,
y herdero de la casa de Gonçalo Piris Carvalho provedor de las obras de Su Magestad,
Martin Alfonso de Tavora, hijo de Ruy Piris de Tavora Reposllero Mayor66 de Su
Magestad que dexo por esta ocasión los abitos clericales en que se avia criado, Don
Alfonso de Meneses herdado de la casa de su padre Don Fadrique de Meneses a que no
valio aver venido enfermo de la Armada del verano, y estarlo cuando partio esta para
deixar de ir en ella, Don Francisco de Faro hijo del Conde Don Estevan de Faro del
Consejo de Estado de Su Magestad y su veador de hasiendas, Don Juan de Lima hijo
segundo do Visconde de Villa Nova de Cerveira, Don Juan de Portugal hijo de Don
Nuño Aluares de Portugal gobernador que fue deste Reino, Antonio da Silva hijo de
Pedro da Silva, el Capitan Ruy Correa Lucas, Alvaro de Souza hijo herdero de la casa
de Gaspar de Sousa del Consejo de Estado de Su Magestad, y gobernador que fue del
Reino del Brasil, Antonio Carneiro de Aragão hijo de Francisco Carneiro de Aragão,
Don Juan de Meneses hijo de Don Diego de Meneses, Rodrigo de Miranda Anrriques
hijo de Aires de Miranda Anrriques, Pedro da Silva de Acunha hijo de Duarte de Acuña
da Silva, Manoel de Souza Coutiño hijo de Cristovan de Souza Coutuiño guarda mayor
de las naves de la India y señor de la casa de Bayão, Ruy de Figeredo herdero de la casa
de su padre Jorge de Figeredo, Luis Gomes de Figeredo, y Antonio de Figeredo [Fl.
168v] sus hermanos, Don Diego de Vasconcellos de Meneses y su Hermano Don
Sebastian hijos de Don Alfonso de Vasconcellos de la casa de Penella, Don Nuño
Mascareñas da Costa hijo de Don Juan Mascareñas, Nuno Gonçalves de Faria hijo de
Niculao de faria Almotace mayor, Pedro Lopes Lobo hijo de Luis Lopes Lobo,
Sebastiam de Saa de Meneses hijo y herdero de Francisco de Saa de Meneses hermano
del Conde del Matociños, Simon Mascareñas del habito de S. Juan, Don Lorenço de
Almada, hijo mayor de Don Antonio de Almada, Francisco Monis, Fernando Alvares
de Toledo, Antonio de Abreu su hermano hijos de Pedralvares de Abreu, Gonçalo
Tavares de Souza hijo de Barnardin de Tauora, Simon de Miranda, Don Diego da
Silveira hijo herdero de Don Alvaro da Silveira y nieto del Conde de la Sortella, Juan
Mendes de Vasconcellos hijo de Luis Mendes de Vasconcellos Gobernador que fue del
Reino de Angola, Don Rodrigo da Silveira, Don Anrrique Anrriques hijo herdero de
Don Jorge Anrriques señor das Alcaçovas, Don Diego de Noroña, Antonio de Sampayo
hijo de Manuel de Sampayo señor de Villa Flor, Lopo de Souza hijo de Aires de Souza,
Ruy Dias de Acuña, Don Manuel Lobo hijo de Don Pedro Lobo, Jorge de Melo hijo de
Manuel de Mello Montero Mayor, Don Francisco de Eça hijo de Don Jorge de Eça,
Duarte de Melo Pereira, Martin Alfonso de Melo, Joseph de Melo su hermano, Estevan
65
GUERREIRO. Jornada. p. 42-43. Os nomes dos aventureiros solteiros segue a mesma disposição
publicada no livro do jesuíta em 1625.
66
Port. Reposteiro. Indivíduo que tinha a seu cargo o reposte da casa real; tesoureiro.
48
Soares de Melo señor de la casa de Melo, Pedro Cardoso Coutiño, Antonio Pinto
Coelho señor de Filgeiras, Anrrique Anrriques hijo mayor de [Fl. 169] de Luis de
Miranda Anrriques, dos hijos del Marichal Don Fernando Coutiño, Alvaro de Souza
hijo e Simon de Sousa, Simon Freire de Andrade hijo de Diego Freire de Andrade,
Pedro Correa da Silva, Antonio de Freitas da Silva hijo de Juan Rodrigues de Freitas da
Isla da Madeira, Antonio Taveira, Francisco de Mendonça Hurtado, Cristovan de
Mendonça Hurtado, Anrrique Correa da Silva, Gaspar de Payva de Magallães, Don
Antonio de Melo, Garcia Velles de Castelbranco, Jorge Mexia, Don Manuel Coutiño
Juan Machado de Brito, Paulo Soares, Blas Soares de Sosa, Duarte Peixoto da Silva,
Jose de Sosa de Sampayo, Cristoval Cabral del habito de S. Juan y otros muchos
Cavalleros que por ir occupados en puestos de la Armada se nombraran en su lugar.
La demas gente acudio con tanto deseo a alistaresse para esta Jornada, que ni fue
menester para ella, prendersse gente, ni soltar mal hechores, y así apuntaremos algunos
casos que en razón desto succedieron porque no queden sin memoria hastalo tan
particular.
En la Villa de Viana tan notable neste Reino portantas grandesas suyas,
quisieron los naturales della continuar en esta ocasión lo que en tantas otras han hecho,
y así succedio que entre la gente noble de aquel lugar avia tres hermanos, y
contendiendo todos sobre qual era justo que quedasse con la administración de las
haziendas y familias de los otros, ninguno quiso ser el que lograsse el accio de la pax en
su tierra, y siendo [Fl. 169v] totalmiente forzoso que quedasse alguno, lo remetieron a la
determinación del Conde de Miranda Gobernador do Porto, que asistia por orden de Su
Magestad al apresto de la esquadra de la Provincia, de Entreduero y Miño señallandosse
de manera en esta ocasión, que por ella, y por las que se han oferecido en su gobierno, y
por su tan ordinaria y en a esta prudencia, y zelo en el servicio de Su Magestad bien
comun de particulares, y administración de justicia gosa dignamiente de la fama que ha
adquerido, bastante premio, a no ser mucho mayor la estimación, y confianza que Su
Magestad haze de su persona. Aviendo pues de resolver el caso, por no deixar mas
desconsolado al que de los hermanos quedasse atado a la asistencia de las haziendas de
todos; lo dejó a la disposición de la suerte de cada uno, mandando que se jugasse a los
dados: fueron los dos el Capitan Juan Ferreira, y el Capitan Diego Ferreira que
entrambos murieron en la Jornada, y aun así aseguro que fue mayor en bidia del que se
vio quedar, que la compasion de vellos muertos.67
Estava para alistaresse Gaspar Camiña Rego, cuando entro para el mismo fin su
hijo Alfonso Camiña, porfio el padre que avia de ser el que fuesse, apreto el hijo que a
su edad era devido a lo que a las canas del padre era demasía, y llego a estado de
contienda, que como se fuera sobre la succeción de algun mayorasgo allegavan su
derecho dellante el Conde de Miranda que cuerdamiente resolvio que fuesse el hijo.
Mujer uvo y de las principales de aquel lugar, que teniendo solo un hijo que era el
arimo, consolación, y gobierno de su casa lo venieron a consolar sus parentes, por que
el hijo se avia alistado por soldado, y ella desechando el consuello, abrazo al hijo
alabando la determinación, no deixando para la humanidad de sacar a lux por los ojos
señales del apartamiento llamavasse el hijo Juan Casado Jacome de quien adelante se
dira.68 De un Pedro Lopes Mariante se afirma que hiendosse alistar, y tiendo perguntado
en que navio queria ir, respondio que el era buen marinero, buen piloto, y buen soldado,
67
68
GUERREIRO. Jornada. p. 50.
GUERREIRO. Jornada. p. 51. Trata-se do Capitão João Casado Jacome.
49
y que segun esto despuisessen de su persona en el navio, y oficio que entedessen que
mas convenia al servicio de Su Magestad, desta manera se alisto la gente para esta
Armada sin ser necesario, bandos, persuaciones ni exemplos.69
[Fl. 184]70
4.o Capitulo
Como el principal intento desta relasión sea la gloria de lo general y particular
deste Reino y empezamos a nombrar las personas que llevaron los mas principales
puestos desta Armada, paresio que deviamos a la calidad y servicios de Don Antonio
de Atayde (Conde de Castro y Capitan General perpetuo de la Real armada desta
corona) dar la razón de porque no fue en esta jornada exerciendo su oficio, y aunque
para ello nos apartemos del hilo de la historia ni por eso deixaremos de bolver a ella a su
tiempo.
Governava la Real armada desta corona Don Antonio de Atayde como Capitan
General que es della aviendo grangeado el oficio por muchos, y mui caleficados
servicios en el discurso de 40 anos, en las galeras del adelantado, en las armadas del
Marques de Sancta Cruz, y en las de Portugal, y aviendo sido capitan mayor de
Armadas de la Costa y de la India [Fl. 184v] siempre con felicisimos y embidiados
sucesos, despues de nombrado por capitan General de la Armada Real deste Reino fue
el primer servicio que hiso a la corona averiguar la competencia de los estandartes y
fueron los suyos los primeros q estuvieron sueltos en el puerto de Lisboa por las dudas
que en ello avia con la corona de Castilla con lo qual creció el ofisio en grandes
preheminencias que hoy tiene para que a su capitania se abatiessen como se hase todos
los estandartes de todas las armadas de España como no sea de la Real de Castilla
capitania o Almiranta, el año de 618 que fue el primero que salio por general truxo a su
orden en el Estrecho de Gibraltar las dos Armadas sus de Portugal, y Castilla, por orden
de Su Magestad dio guarda a todas flotas, truxo de presa un navio ingles, y otro olandes.
En el de 619 y 620, que anduvo en nuestros mares recojido, las flotas y naos, y traxo
presas y de turcos, despues de haser huir a rienda suelta Tabac Arraes General del
Turco71 a quien siguio el alcansse tres dias estando en el postrero los turcos con
señalada ventaja [Fl. 185] ya estos sucesos avian criados malos humores a los mal
afectos y a los embidiosos cuando el año de 621 sucedio la perdida de la nao Nuestra
Señora de la Concepción que los turcos quemaron a vista de la Ericeira, sin que la
armada que en aquel dia estava de alli a quinse leguas y con la punta de la Rocha en
medio y executando ordenes del govierno supiesse de la pelea ni da perdida, como
despues se provo largamiente, desto se intento haser cargo a Don Antonio sin mas otro
fundamento publico que el de averse le embiado aviso con un barco por un barquero
que juro en la pesquisa que no avia osado llegar a la armada de miedo de enmararsse y
69
Ibdem. p. 51.
O Capítulo 4, originalmente, foi escrito no fim da Relação. Para posicionar o texto na ordem correta foi
necessário passar da folha 169v para a folhas 184 a 185v e depois retonar para a folha 170.
71
Sobre a derrota da nau Conceição em 1621, ver: QUINTELLA, Ignacio da Costa. Annaes da marinha
portugueza. Lisboa: Typografia Real das Sciencias, 1839. p.195-.202. O General turco Tabac Arrais deu
muito trabalho aos navios ibéricos na primeira metade do século XVII. Junto com Suleiman, atacaram
Lanzarote em 1618, com 37 navios, 4000 soldados e marinheiros. Saíram de Argel a 6 de Abril e
avistaram as Canárias a 30 do mesmo mês. Desembarcaram 3 mil homens perto do porto de Arrecife a 1
de Maio. A capital, Teguise, foi saqueada e incendiada, as imagens religiosas foram quebradas. Os
habitantes fugiram, alguns para Fuerteventura de barco e cerca de mil refugiaram-se dentro da gruta de
Los Verdes Arraes encontrou a entrada desta gruta graças a um colaborador chamado Francisco Amado,
levando 900 cativos para Argel.
70
50
se pusiera a pescar vesugos,72 ni uvo persona que dixese que le avia avisado, no basto
esta averiguación echa primero que la Armada llegasse a Lisboa ni la bos de dos mil
hombres que en ella venian para que no se procediesse con la acusación, y como las mas
veces sucede que los ministros a que se comete una diligencia destas jusgara discredito
suyo la inossencia del sindicato y tratan por lo menos de enlodalle, el que hiso esta
información busco para testigos de lo que avia pasado en la mar canteros y arrieros de
la Villa de Cascais y aun así no hallo cosa contra D. Antonio, y de toda la armada no
[Fl. 185v] llamo persona alguna como todo consta del proceso fiado pues D. Antonio de
su verdad, sin aver visto de cosa alguna de la pesquisa, pidio a Su Magestad mandasse
ver la causa por juezes soldados, hisose para ello una junta, en que entraron D. Manuel
de Castelblanco Conde de Vila Nueva del Consejo de Estado de Su Magestad, y que lo
fue en el supremo de Madrid, y Don Jeronimo Coutinho, que avia navegado muchos
anos y era tambien del Consejo de Estado, y tres oydores de diferentes tribunales; no se
hallo culpa al General, fueron los votos a Madrid, hisose otra junta, de consejeros de
guerra de Castilla y los del Consejo de Portugal, tampoco hallaron culpa al General,
pero viendo que por ser Cavallero del habito de Christo no podian ni absolver, ni
condenar, remitieron el proceso al Consejo de Ordenes de Portugal en esta ciudad,
asistiendo contra D. Antonio el fiscal de ordenes, y otros dos fiscales que fueron los
procuradores de hasienda y de la corona Real, que todos vinieron con sus accusasiones,
presento D. Antonio en su descarga, ochenta testigos, de los mas principales de toda la
Armada capitanes, y cavalleros y oficiales de mar y guerra, ordenes de los
Gobernadores deste Reino y instrucciones de Su Magestad con que se apuro de manera
la [Fl. 170] inocencia de D. Antonio, que le dieron por libre en las dos instancias, con
tan honrada sentencias que quedo por ellas restituido a su oficio y empeñado Su
Magestad en la restituición de la honra de D. Antonio a que Su Magestad acudio por su
grandesa con demonstraciones grandes, siendo la principal que en llegando las
sentencias, a las Reales manos de Su Magestad, y constando por ellas de su justificación
mando Su Magestad perguntar a D. Antonio se bastava para satisfación de los trabajos
padecidos que Su Magestad le mandasse cubrir con el titulo de conde de un lugar suyo,
sin que para esto se pasasien mas de tres dias de pretención hisose mas merced a D.
Antonio de la futura succeción de una encomienda de su orden que vale 3 mil cruzados
y que puede vender una fortalesa de la India que tenia, que vale 20 mil y una calongia
del patronasgo para un hijo, felices tiempos en que halla en la mano real, la inossencia
arrimo, satisfacción los trabajos y premio los servicios. *
NM: * aqui ha de aver algum exemplo de principes comparativo.
5.o Capitulo
No avian llegado a este fin que diximos las cosas de Antonio de Atayde Capitan
General de la armada Real desta corona cuando se apresto, y partio la de la restauración
de la Bahia y servia el oficio con titulo de Governador de la Armada, Don Manuel de
Meneses persona de la calidad y servicios que es notoria, y esta fue la causa porque no
fue D. Antonio, en esta Jornada y fue por general della armada desta corona D. Manuel
de [Fl. 170v] Meneses a quien para esta ocasión se dio titulo de General Del Socorro, y
Restauración de la Bahia. Juan Tello de Meneses, hijo del Ganeral D. Manuel Capitan
de Infanteria fue por Almirante D. Francisco de Almeida, que lo es en propriedad de la
Armada Real deste Reino ya Maese de Campo del tercio della y aviendo acompanhado
72
Espécie de peixe.
51
a su General en las calumnias, tuvo el mismo suceso en apurar su honra, y porque por el
oficio de Almirante General que le tocava el govierno de la armada en ausencia del
General, y se avia dado en la armada del verano de 624 a D. Manuel de Meneses como
se ha dicho, dexo D. Francisco de embarcasse y de exercer su oficio, y estando sentido
desto en Madrid tanto que se oferesio esta ocasión desistio de todas las competencias y
vino a servir su oficio y sirvio de manera que justamiente puede llamar dichosos los
trabajos que paso en esta jornada por la gloria que della ha sacado.
Fue por Maese de Campo de otro tercio Antonio Monis Barreto, cavallero de
grandes meritos y servicios de muchos anos en Africa y en las armadas de entrambas
coronas. D. Antonio de Meneses hijo unico de D. Carlos de Noroña [Fl. 171] Don
Rodrigo Lobo, cavallero mayor de edad, y de muchos servicios y que ya governo
Armadas desta corona fue por Capitan de un Galeon. Tristan de Mendonça Hurtado de
quien atras diximos, que si viera con un navio a su costa, fue por Capitan Mayor de la
escoadra de Entreduero y Miño. Constantino de Mello Pereira, Capitan de Infanteria de
la Armada Real deste Reino; Lancarote de França de Mendonça fue por Capitan de un
navio. Manuel Dias de Andrada que vive en la Isla de la Madera y vino a pretender
satisfacción de servicios, cuando pudiera querer bolverse a su casa, quiso haser mas
largo el camino, fue capitan de un navio. Rui Barreto de Moura persona que ni le
embota la espada la aplicación de los libros, ni en ellos cria polilla el servicio de las
armas que de lo uno y de lo otro sabe dar la cuenta que se deve a su calidad, fue por
Capitan de un navio. Christoval Cabral del habito de San Juan hijo de Antonio Cabral
desembargador do Pazo, que es lo [Fl. 171v] mismo que de Consejo de Camara de
Castilla, fue por Capitan de un navio. Gil de Afonseca Capitan de un navio, Gonçalo
Lobo Barreto Capitan de un navio, Domingos da Camara Capitan de un navio, Diego
Ferreira Capitan de un navio, Grogorio Soares Capitan de un navio, Domingos Varejão
Capitan de un navio, Benito do Rego Barbosa Capitan de un navio, Juan Casado Jacome
Capitan de un navio, Sebastian Marques Capitan de una caravela, Manuel Pallares
Lobato Capitan de una caravela, Roque de Monterey Capitan de una caravela, Cosme de
Couto Capitan de una caravela, Gonçalo de Sousa, D. Alvaro de Abranches, D. Sancho
de Faro.
[Fl. 172]
6.o Capitulo
Previnianse las cosas mientras que navegava la armada (en guarda de las naos)
para que fuesse despues menor la dilación por el cuidado con que Su Magestad estava,
por nessesidad que lo requeria y por el zelo con que los ministros mayores y menores
aposta servian en este apresto, en que se deve el primer lugar entre todos al Conde
Gobernador Don Diego de Silva, sobre cuyos hombros cargo el mayor trabajo del
cuidado y de la asistencia corporal.
Y por que mientras no se executava el mayor remedio no faltasse por lo menos
consuelo a los de la Baya que a vista del enemigo estavan sustentando la guerra, y
supiessen que no por descuido o de ración, les tardava lo que esperavan y lo que
deseavan parecio conveniente les fuessen despachado caravelas que fuessen llevando
alguna gente que ayudasse a los del arrabal y con las esperanzas de socorro les
entretuviesse mientras que no llegaua el principal remedio, por que la tardanza no
hiziese desistir de la inquietud que se dava el enemigo y como lo mejor destas
resoluciones consiste en la brevedad, tiene primores de mejor socorro el que llega mas a
52
tiempo, y mientras que no llega el mayor basta para animar al que espera la sertificación
de que no le faltara, fue asertadisimo acuerdo el de ir despachando estas caravelas como
[Fl. 172v] se hiso y partieron las primeras dos a ocho de Agosto de 624, la una se
llamava San Juan y llevava ochenta soldados de que fue por Capitan Pedro Cadena,
persona de valor y de noticia de aquellas partes.
La otra se llamava Nuestra Señora del Rosario de que fue por Capitan Francisco
Gomes de Mello, tambien persona de servicios y que sabia aquellas partes, llevava 40
soldados.73 Y en estas dos caravellas se embiaron aquellas municiones que van
pequeños baretes, (y que solo iuan como de aviso) podian comodamiente llevar.
Partieron estas caravelas con orden de que fuessen derechos a Pernambuco
donde fueron recividas con aquel alborozo que se devia a la nessesidad que avia en todo
aquel estado del Brasil y a la sertidumbre de lo que tras las nuevas q llevavan se podia
esperar, y así se hizieron demonstraciones de gran regosijo en todo aquel lugar con
Francisco Gomes de Mello que fue al que llego [Fl. 173] primero en los postreros dias
de Septiembre. Tanto puede la nessecidad tanto la esperanza que una caravela anima lo
que para socorrer no bastavan muchos galeones, de exemplo sirva esto en casos
semejantes que adonde no se pudiere embiar luego socorro se embien avisos y
esperanzas de que ira a su tiempo.
Añadir a lo inventado es mas facil que discurrillo, parecio bien el despacho
destas dos caravelas, siguiose luego la duda de la contingencia del suceso de dos
mariposas expuestas, a una ola que las sosobre, a un soplo que las trabuque, y a una bala
que las descarga, pues qualquiera destas cosas bastava, a no enseñarnos Dios por el
suceso de toda esta empresa que cuando para las operaciones se empiezan el, los fines
son milagros, paresiendo pues que las caravelas podian no llegar, y aunque llegassen,
era bien ir continuando avisos y socorros, se embiaron otras tres caravelas, y en ellas
Don Francisco de Mora, Cavallero de gran satisfación y del valor y diligencia que se
requeria para que fuesse a ser Capitan Mayor de la gente que estava junta en el arrabal
de la ciudad.
Partieron estas caravelas a 7 de septiembre de 624, 29 dias despues que las
primeras. En la una que llamava [Fl. 173v] Nuestra Señora del Buen Viagem, que iua el
Capitan Mayor D. Francisco de Mora, y lleuava 70 soldados. En la caravela San
Antonio iua por Capitan Jeronimo Serrão, persona de gran confianza y señalado valor,
llevava 40 soldados. En la caravela Spiritu Santo, iua por Capitan Francisco Pereira
Vargas, persona tambien de servicios y meritos llevava 40 soldados. Y en todas tres
iuan las municiones que sus tamaños sufrian, a saber.
Demas desto se acudio a Angola y al Rio de Janeiro con gente y municiones,
mui atinado acuerdo no emplear tanto en el cuidado de una plaza que, por no cuidar de
las demas, se pierdan otras o se arriesguen.
Llego Don Francisco a Pernambuco y de alli en embarcaciones de la tierra se fue
a la Bahia y desembarco en la Torre que llaman de Garcia de Avila donde se fue juntar
con los del arrabal, que estava governando Francisco Nunes Marinho [Fl. 174] de Saa
que succedio al Obispo D. Marcos Teixeira, por provisión de Mathias de Albuquerque.
73
GUERREIRO. Jornada. p. 32-33 e MENEZES, A Recuperação. In: RIHGB Tomo22. p. 367.
53
7.o Capitulo
Estava esta gente junta serca de la ciudad donde el enemigo no osava a salir por
el daño que recivia cuando lo intentava, sin que le valiesse cortar el mato de junto a la
ciudad por que la buena diligencia de los nuestros les puso en estado que echaron bando
que pena de la vida no saliesse alguno fuera y eran los nuestros executores deste vando
por que no aventurava menos que la vida quien salia un paso de las murallas. Formava
nuestra gente seis compañias de que eran capitanes, Lorenço de Brito, Lorenço
Cavalgante de Albuquerque, Francisco de Barbuda, Belchior de Fonseca, Belchior
Brandão, Diego de Silva, y en otras partes avia otros capitanes aunque con poca gente
de cuyos nombres y echos se dira adelante.
Era su Capitan Mayor de todos, en los primeros dias, el oidor general, y por su
vejes y achaques dejó el oficio y eligieron al Obispo Don Marcos Teixeira, que
deponiendo su recogimiento, sin alterar su modestia, aseto el oficio y le sirvio, avista
del corral de sus ovejas, que habitavan lobos. 74 En tiempo del Rey Don Alfonso,
primero Rey deste Reino, en el año de 1145, aviendo dado la ciudad de Leirea al Prior
de Sancta Cruz de Coimbra Teotonio, hombre de sancta vida y ante el Rey persona de
grande veneración, succedio que se la tomaron los moros y el prior sentido del suceso
tomo las Armas y fue a haser guerra a los moros con exersito suyo, y sitio y tomo la
Villa de Arronches que en guerra justa, conta los infieles, en defensa de la Iglesia justa
cosa es que el Pastor haga del cayado lanza o baston.
[Fl. 174v]
De socorro embio a Italia el Rey Don Alfonso el quarto de Portugal al Obispo de
Evora Don Garcia de Meneses, Generales del pueblo de Dios eran los patriarcas y
sacerdotes y a los angeles mando Dios a la tierra a ser soldados en causas que tocavan a
su pueblo no lo era menos esta donde las Iglesias que hospedaron tantas veses a su
divina magestad estavan echas cavallerizas.75
Llevanto pues el consagrado General su estandate con la insignia de la Cruz a
cuya vista quien aunque repare en sufrir trabajos ni deixar de morir por un Dios que os
dio primero su vida, que los diesse la vuestra, pues ya en lo presente de su eternidad la
estava oferesiendo al rescate del que no estava criado.
Trato en primer lugar el Obispo de impedir que no uvisse trato alguno con el
enemigo, y por que se consiguiesse mando que ni se lavrasse azúcar ni tabaco, alojo su
campi una legua de la ciudad, junto al Rio Vermejo, tenia 1400 soldados portugueses y
250 de los indios de la tierra, fortificose con cavas y trincheras, y por que su exemplo
obligase a los soldados fue el primero que tomo la azada, puso en torno a trechos seis
piezas de artilleria, seis roqueras, tres falconetes de bronse, que todo avia sacado de un
navio portugues que apesar del enemigo [Fl. 175] entro por medio de su armada y paso
arrecojerre por un rio arriba.
74
GUERREIRO. Jornada. p. 69-70. Parágrafos extraídos da Jornada de Bartolomeu Guerreiro, como
demonstra a exepressão “velhice e achaques”.
75
GUERREIRO. Jornada. p. 71. A referência a D. Garcia de Meneses existe na obra de Guerreiro, a do
Prior de Santa Cruz de Coimbra não procede na mesma.
54
Y por que se justifique que no fue covardia el suceso de la perdida desta ciudad
si no solo desacuerdo de gente que no estava aversada a guerras, y dislumbrados de
sobresalto de tan poderosa armada en parte tan sin defensa ni reparo, diremos algo de lo
que esta misma gente hiso cuando trataron de resistir al enemigo y lo hizieron de
manera que era un año que los olandeses estuvieron en posesión de aquella ciudad, no
uvo encuentro en que no llevasen los nuestros la victoria.
No deixando para otro lugar tan gloriosa determinación como fue la del Prior de
San Benito y dos Religiosos que se resolvieron aquedar en el convento, sin reparar en el
evidente peligro a que se oponian, fue Nuestro Señor servido de guardarlles la vida, y lo
sera reponelles en libertad del cautiverio de Olanda, onde todavia estan. 76
Pasados cinco dias de la miserable perdida provaron a salir de la ciudad cuarenta
olandeses, con guia de la tierra, con intento de llegar a una granga77 de los padres
Teatinos78 donde estava recogida la plata del culto divino, salieron los nuestros a ellos
con algunos esclavos de los padres y bolvio el enemigo a entrar en la ciudad con muerte
de algunos que luego quedaron en el campo muchos heridos que murieron en la ciudad
y todos hayendo.
NM: aqui se pora o caso do frade que matou o olandes.79
Igual suceso tuvieron cuando en quince de julio salio el coronel Juan Dort. O
con el orgullo de vencedor, o que le obligassen los muchos que bolvian quejosos, salio
le al encuentro el Capitan Francisco de Padilla, que matandole el cavallo, y viniendo
entrambos [Fl. 175v] a poner manos a las espadas fue reñida la contienda y puesto el
suceso en gran suspensión por que cada uno hallo resistencia en su contrario tal que si
no le hasia faltar a la batalla, hasia dudar a entrambos de la victoria, pero a poco espacio
se declaro por nuestro Capitan Padilla, que mato al coronel Juan Dort, y no satisfecho
siguio tras los que le acompañavan, con su gente y fueron matando y hiriendo hasta las
puertas de la ciudad.
Con la ocasión desta muerte elegieron los olandeses por su coronel a un capitan
suyo llamado Alberto Scolt, que por vengar la muerte de su antecesor hiso que saliessen
por otra parte algunos olandeses y encontandose con unos criados y esclavos de Antonio
Cardoso de Barros, les hizieron bolver con mayor prisa y quedaron nueve muertos y tres
cativos.
En primero de Agosto tuvieron otro encuentro en que mataron y cautivaran los
nuestros a muchos olandeses, entre los cuales se tomo a las manos al capitan del fuerte
de Tapagipe, de que el nuevo Coronel mostro gran sentimiento, y lo tuvo por aguero
que confirmo mas que junto ao Monasterio del Carmen tuvo otro encuentro el Capitan
76
O “Prior de São Bento” deve ser, de fato, o Provincial Fr. Bernardino de Oliveira , companheiro de Fr.
Paulo do Rosário. Ver: Biblioteca Publica de Évora. Códice CV / 3-17 . 179 (3.fls) ”Catálogo dos
Prelados, e mais cargos da Província dos Monges do Brazil”. Documento sem autorou data, mas é
anterior a 1739. fl. 179. Esta informação é inédita e não há notícia de beneditinos remetidos para a
Holanda, apenas de jesuítas. É afirmado, por um autor anônimo, que dois benditinos estavam com o
Governador Mendonça Furtado quando este foi aprisionado. Ver: BRASIL Holandês: Dois Manuscritos.
Rio de Janeiro: Index, 1999. p 60.
77
A Quinta dos Padres nos arredores de Salvador; atualmente Arquivo Público do Estado da Bahia.
78
Aqui há um equívoco do autor. Não eram padres teatinos , mas jesuítas.
79
Esta informação é inédita, mas o nome do religioso foi omitido.
55
Manuel de Gonsales, en que mato ocho olandeses y los demas se recogieron con
muchos heridos y paresiendo el sitio a proposito hizieron los nuestros una emboscada en
24 de agosto para esperar al enemigo y siendo sentidos del, salio una lusida campaña de
olandeses con mucha mas gente ella sola q tenian las dos nuestras de la emboscada [Fl.
176] de que eran capitanes Manuel Gonzales, y Luis Pereira de Aguiar. 80
Empeñados los nuestros en el intento con que se avian apartado de sus
compañeros y el enemigo sentido de los encuentros pasados procuro cada cual llevar la
gloria deste, no sin gran costa de sangre de entrambas partes y entrambas pudieran
dudar del suceso, si bien se conformaron unos y otros en procuralle cresciendo las
dilegencias, y animando las fuerzas, era el partido tan desigual que mas parecia que los
dos capitanes nuestros porfiavan a qual moriria primero que no a quien primero
declararia por su parte la victoria gloriosa emulación y en bidia honrosa, que en cada
paso que el uno se mejorava, jusgava el otro, discredito suyo y así gañaron tantos que
aviendo durado la batalla espacio grande bolvieron la cara los enemigos con tal
desacuerdo que cada uno trato solo de salvar su vida, y repararse con la artilleria de la
ciudad debaxo de cuyo amparo se recogieron deixando entre otros muertos al sargento
de la compañia y llevando muchos heridos, algunos de los quales murieron en la ciudad.
Y a estos sucesos, parecian muchos a los olandeses soberbios del primer suceso
y se determinaron a castigallos o a competillos, para lo qual [Fl. 176v] salio de la ciudad
un tropel de gente, tan soberbios y tan colericos, q se pudiera esperar mayor efeto de la
saña que mostravan, mando el obispo que saliessen al encuentro coatro compañias
cuyos capitanes eran Francisco de Padilla, Antonio de Morais, y Francisco Brandão y
aunque la de los olandeses era doblado numero de gente la nuestra no dejó por eso, de
salir a campo raso, Animo Padilla a sus tres compañeros porque los soldados viessen el
animo y la determinación de todos coatro, y no porque a alguno le faltasse el esfuerso y
el acuerdo, que el apierto requeria, a las primeras vistas se sentieron en los dos campos
balas y flechas contrarias y se empezaran a ver los efetos dellas en los muchos que
cahieron heridos, cargo la mayor fuerza sobre el capitan morais que valerosamiente
resistio la furia, a que con igual valor ayudaron sus tres compañeros a costa de su sangre
y de la de sus soldados bien pagada con la gloria del suceso que por la disparidad de la
gente fue de mayor estimación declarose la victoria por nuestra gente, con [Fl. 177]
muerte de 25 olandeses y muchos heridos y de los nuestros solo seis personas, de que
glorioso el Obispo y deseando con alguna demonstración publica premiar a los coatro
capitanes, les armo cauvlleros como su Capitan Mayor que era en presencia de muchos
a que las ceremonias del acto provocavan aun mas al deseo de imitar los pasos que lo
avian alcansado.81
Quedaron los olandeses tan desayrados deste suceso que determinaron no bolver
a salir de sa ciudad tan presto y porque en todos los pasos hallavan estorvos, y les era
forzoso buscar provimiento de algunas carnes acordaron ser el mas seguro remedio
pasar a la isla de Taparica que es en frente de la Bahia a buscallas, en los barcos y
lanchas de los navios, de que avisados los capitanes Alonso Rois adorno82, y Pedro de
80
GUERREIRO. Jornada. p. 73 e MENEZES, A Recuperação. In: RIHGB Tomo22. p. 400. Até a grafia
de Alberto Scolt, variável entre os diversos autores ibéricos, é idêntica a utilizada por Guerreiro.
81
GUERREIRO. Jornada. p. 73. Deste combate, a 3 de setembro de 1624, Guerreiro afirma que sairam
mortos 45 holandeses e não menciona mortos luso-brasílicos. Os números de apontados por Ataíde
parecem mais verossímeis.
82
Afornso Rodrigues Adorno.
56
Campos salieron a ellos que sin sospecha de tal suceso camiñavan seguros por la Isla, y
dieron en ellos con tanto esfuerzo que a pesar suyo les hizieron embarcar metiendose
por el agua hasta los pechos deixando trese muertos [Fl. 177] en tierra y dos cativos,
hun barco, y dos lanchas, la una con dos roqueras, y el barco con tres.
Con estos felices sucesos governava su pueblo el Obispo D. Marcos Teixeira, ya
exortando los soldados, ya orando por ellos, como General provocandoles a los riesgos
que antevia como pastor encomendandole a Dios la guarda de sus ovejas y así acudia a
estas dos obligaciones como si tratara solo de cada una dellas. Cuando llego Francisco
Nuñes Marinho de Saa cavallero del abito de Christo y persona de muchos años de
servicio de la India, nombrado por Mathias de Albuquerque por Capitan Mayor de
aquella gente por aliviar al Obispo del continuo trabajo a que acudia, de que el Obispo
resibio plaser no por aliviarse de la molestia mas por tener quien le ayudasse a trabajar
mas, y así entregando el govierno a Francisco Nuñes lo quedo acompañado.83
Llegado el nuevo Capitan Mayor, mando haser otro camino para la ciudad, con
lo qual se aserco mas gran trecho, sino por distancia, por camino mas derecho;
continuando en los asaltos, y enquietud que se dava al inimigo con el cuidado, y
vigilancia que se requeria, y fueron los primeros sucesos de su tiempo que el Capitan
Manuel Gonçales, mato por vezes en el mes de Octubre diezeseis olandeses: y siendo
avisado que salia una compañia del inimigo, a robar un engenio (llaman los molinos,
que es donde se hase el asucar) acudio atarjales el paso, y encontrandosse con el inimigo
[Fl. 178] venieron a las manos; procuravan los nuestros, estorvarles el camino,
porfiavan ellos a continualle por fuerza, hasta que desengañados ya, y desanimados por
la muerte del Capitan se recogieron con perdida de muertos y heridos. 84
El Capitan Padilla, o por mostrarsse airoso al nuevo Capitan Mayor, o porque los
olandeses se desengañaser por una ves, y conociessen, que a no ser acaso no uvieron
echo el efecto que hizieron en la ciudad, hiso un publico desafio pera dia señallado solo
con su compañia, que asetada por los olandeses, salieron 200 al campo, y una compañia
de 100 negros. Eran los nuestros por todos 150 y aun así travaron la escaramuza que
durando algun espacio en que siempre el inimigo fue perdendo tierra, hasta que
reconociendo la ventaja, la deixaron toda, recogiendosse a la ciudad con muerte de
quatro, y heridos mas de sincoenta.
Por otra parte, dio algunos asaltos el capitan Lorenço de Brito Correa, Junto al
Monasterio de San Benito, en que mato por veses 19 olandeses.
Y en dos de Octubre, junto a Villa Vieja, mato el Capitan Antonio de Morais 17
olandeses y ochenta negros de la tierra a que llaman Tapanunhos y cautivo un sargento.
85
A este tiempo que era en los postreros dias de desiembre llego a la Bahia Don
Francisco de Mora, que desembarco en la Torre que llaman de Garcia de Avila, y se fue
ajuntar con nuestra gente que Francisco [Fl. 178v] Nunes Mariño le entrego y Don
Francisco despues de averla tomado a su cargo, trato de fortificar los puestos que le
paresieron mas a proposito y continuo con el cuidado y vigilancia que del se esperava
hasta que llego nuestra Armada cuyo feliz suceso se dira en su lugar.
83
GUERREIRO. Jornada. p. 75.
GUERREIRO. Jornada. p. 76.
85
GUERREIRO. Jornada. p. 76-78. Os números indicados são idênticos aos de Guerreiro.
84
57
Jornada athe o Cabo Verde86
En este tiempo se dava en Portugal la mayor prisa por despachar la armada del
socorro, a que Su Magestad (Dios le guarde) dava calor con cada ordinario y con
muchos estraordinarios que solo a este fin se despacharan, y aviendose antes entedido
que la armada de Castilla estava mas adelante en su apresto, mando Su Magestad que el
General D. Fradique viniesse con ella a Lisboa juntarse con la nuestra, pero viendose
que la diligencia avia excedido la limitación del tiempo, mando Su Magestad que
nuestra armada fuese ayuntarse con la de Castilla a Cadis, a cuya determinación se
representaron inconvenientes que bastaron a se variar y darse al General Don Manuel de
Meneses orden que fuesse a las Islas de Cabo Verde, donde esperasse por la Armada de
Castilla a que se avisaria que alli fuesse a buscalle con lo qual salio la Armada del
Puerto de Lisboa en viernes 22, de noviembre de 624, aprestada en la forma que se vera
en la [Fl. 179] Pauta siguiente que es copia de la original que se embio a Su Magestad.
Aqui se pora o mapa da Armada de Portugal87
Salio la Armada y sin encarecimiento se puede afirmar que aun dejó mas en
bidias que soledades, llevava tras solos ojos de todos, y llevava consigo las bendiciones
y oraciones de todos, en el viento leste y alguna niebla fue causa que sin apartarse tanto
perdiessen de vista la tierra a oras que se ponia el sol con la proa al sudueste. A 28 de
noviembre, vieron las Islas de la Madera y la Desierta y a 29 pasaron estas dos islas, a 6
de diciembre las Canarias, y a 10 se apartaron de la Armada el navio Charidad de que
era Capitan Lançarote de Franca de Mendonça y hiso su jornada a Pernambuco donde
tuvo el suceso que adelante se dira.
NM: A Perdissão de Monis88
[Fl. 179]
NM: Derrota de Lançarote e perdição de seu navio e como João de Melo foi por terra a
Bahia.89
[Fl. 180]
Capitulo 8 – Discurso e pauta da Armada de Castela que salio de Cadis a 14 de janeiro
de 625.90
[Fl. 180v]
Capitulo 9 – Junta das armadas chegada a Bahia, fortificasão do enemigo, sitio que se
pôs.91
86
No texto original, Ataíde apontou aqui o oitavo capítulo. Segundo o índice, este paraágrafo compõe
ainda o capítulo sete, sendo o Discurso da Armada de Castela o oitavo.
87
O mapa a que se reporta Jerônimo de Ataíde deve ser idêntico ao que foi publicado na obra de
Guerreiro, da autoria de Benedictus Mealius: PHILIPPO AVGVSTO LVSITANO MONARCHAE AFRICO
AETHIOPICO ARABICO PERSICO INDICO BRASILICO FELICITAS ET GLORIA.
88
GUERREIRO. Jornada. p. 58.
89
MENEZES, A Recuperação. In: RIHGB Tomo22. p. 529.
90
O autor não escreveu este capítulo, mas a pauta da Armada de Castela está publicada em MENEZES,
A Recuperação. In: RIHGB Tomo22. p. 406 a 409.
58
Con cuidado y con trabajo pasava nuestra Armada en el Cabo Verde aguardando
la de Castilla, cuando en Domingo 22 de diciembre llego una caravela con aviso de que
era partido Don Fradique de Toledo, y aviendo le dado al General Don Manuel, paso a
Pernambuco y de ahi a Bahia, y al miercoles siguiente se vio a la mar una nao grande
que por aver reconosido la Armada, y no llegar a tierra se sopecho ser olandesa de las
que suelen92 venir a la Isla del Mayo a una salina que alli ay natural de excelentisima
sal, que dio ocasión a que algunas personas y capitanes fuesse avella, y hallaron algunas
carretas y una gran puente de madera que venia hasta la Mar que se decia ser para la
carga de la sal se haser con mas comodidad en los navios, y a los capitanes paresio
deshasello todo y la madera echa rajas, se truxo para quemarse duplicavanse los avisos
de que D. Fradique se asercava y con cada uno avia nuevo alborozo por lo qque todos
sentian que se les dilatasse a los unos la gloria de la victoria, y a los otros la de morir
[Fl. 181] por alcanzalla y así fueron festejados los navios que davan estas nuevas, llego
uno en 23 de enero de 625 y otro que vino de Sevilla con mercadurias.
Domingo dos de ebrero, mando el General Don Manuel que saliesse en tierra la
mitad de la infanteria de los navios, en una Isleta que tendra de sircuito poco mas de
media legua que esta junto a la Isla que llaman La Playa y se entretuvo aquel dia en esta
muestra y ejercicio ya formando escoadron, ya divididos en trozos o mangas para que se
ejercitase la jente, y lo mismo se hizo el miercoles siguiente con la otra mitad de la
infanteria.
Cuando en seis de febrero vino nueva por tierra de la vigia que se discubria una
gruesa Armada, con cuyo alborozo no dejó de se discurrir que se podia ser enemiga, y
así se deseava mas que fuesse sigun los animos estavan dispuestos a la venganza o al
castigo del estado de la Bahia, certifico las nuevas una caravela de nuestra Armada que
andava aguardando a la de Castilla que en el mismo dia entro llena de gallardetes en
demonstración de que se asercava el plaso que tanto deseavan y a poco espacio se vio la
capitana Real de Castilla que fue entrando con la demas Armada que de la nuestra fue
recivida [Fl. 181v] con todas las demonstraciones de regosijos y salvas de Artilleria que
de una y otra parte así atestiguavan la union en que despues se continuo la jornada que
bien fue anuncio del feliz suceso que tuvo. Juntaronse los capitanes para acompañar al
General D. Manuel que en una chalupa se previnia a no dilatar mas el dar la bien venida
al General Don Fradrique acompañado de muchos cavalleros, no le parecio a Don
Fradique deixarse vencer ni aun en cortesía que por recien llegado pudiera dispensar, y
así sabiendo que venia el General Don Manuel se entro en outra chalupa y por entre los
navios se fue a nostra Capitana, a tiempo que el General D. Manuel llegava tambien a la
de Castilla, y sabiendo que se avian desencontrado se bolvio a buscalle, y le hallo en la
Real de Portugal donde y en todos los navios se hizieron grandes salvas de artilleria, y
con trompetas y clirimias, y otras demonstraciones de alegria salieron los dos Generales
a ver las dos Armadas aunque ya las podemos llamar una sola por la conformidad de los
animos por ser los fines a que entrambas se dirigian una misma faccion, y por quedar
deste punto en adelante todo a la orden de Don Fradique de Toledo General de la
Armada de Castilla por ser así conveniente y nesesario que [Fl.182] juntandose dos
Generales93 para una misma facción este el uno a la orden del otro entendiendo orden en
91
Esse capítulo foi escrito com fonte anônima, pois as informações apresentadas não constam em outros
autores.
92
Port. Freqüentemente.
93
MENEZES, A Recuperação. In: RIHGB Tomo22. p. 403-404. No texto da Jornada não consta o
encontro de D. Fradique de Toledo e D. Manuel de Menezes
59
lo comun de la derrota que se a de tomar, surgir, sitiar, combatir, asetar partido a los
rendidos, o canonear la fuerza hasta rendilla, o por asalto o por escala, que en lo demas
particular del govierno de cada una de las armadas no paresse que se dilata a tanto la
jurisdicción ni los Generales a cuyo cargo va la facción, deven atender a esto por los
inconvenientes que se deixan considerar no siendo el menor, no disgustar al compañero
que se dio aquella subordinación por aver de ser una sola la bos de lo que se dispone por
que no suceda que se encuentren en los medios aunque en el intento estan conformes;
así lo hiso el Conde de Castro, capitan General que lo es en propriedad de la Real
Armada de Portugal, cuando el año de 618 tuvo a su orden para la guarda del Estrecho
de Gibraltar la Armada Real de Castilla que estava a cargo del Almirante Miguel de
Vidasaval, que en juntandose las dos Armadas, ordeno al Almirante corriesse con su
Armada la costa de España y el General tomo a su cuenta guardar la de berberia [Fl.
182v] y anduvieron divididos hasta que el Almirante aviso con una caravela que
enbocava el Estrecho una Armada de Olanda y por que poderia ser la que en aquel
mismo año avia destrozado (de que alcanzo una tan honrosa victoria como se sabe) le
pedia viniesse ajuntarse con el para esperallos, cuio aviso el arbitrio pago el general con
darse tal prisa que con sola su capitana llego a la Armada de Castilla y lo restante de la
de Portugal fue llegando como pudo, sigun podia cada Galeon, y en las veses que se
juntaron no uvo cosa de los que algunos piensan que adquieren jurisdicción en que el
Conde de Castro quisiese disponer si no remitillo todo al almirante.
En esta conformidad trataron los dos generales de partise luego, en haziendo
aguada la armada de Castilla, que se ejecuto con toda brevedad, de suerte que en martes
de carnes tollendas94 a onse de febrero aviendose ya dispuesto así el dia antes y estando
todo apunto al amaneser se hizieron a la vela, viento a popa y tiempo claro y navegaron
así hasta los 20 en que entraron las calmarias que duraron hasta los 26, en cuya noche
uvo tiempo resio escuro con aguaseros truenos y relampagos que talves [Fl. 183] suele
Dios dar ruin tiempo para remedio como otras por castigo, y en esta noche se paso la
que llaman Linea Equinoctial, imaginada pero conosida por sus efectos, otra ves
bolvieron algunas calmarias que dio lugar a que los capitanes de los navios se
socorriessen con agua los unos a los otros no reparando el que se hallaua con mas en la
nesesidad que podia venir a padeser, por socorrer a la que de presente se le representava
de parte de qualquiera otro aunque de diferentes naciones bien es uerdad que la Armada
de Portugal fue la que se hallo con mas agua y así pudo acudir a mas.
En 12 de marzo rebento el masteleo grande a la Capitana de Napoles que fue
causa de que toda a Armada fue con menos paño esperado que se boluiesse arreparar, lo
que echo siguieron su derrota hasta que Jueves Santo, las entre ocho y 9 de la mañana,
tuvieron vista de tierra de la Bahia, la Torre de Garcia de Avila que esta quasi dose
leguas della donde luego que tuvieron vista de la Armada despacharon aviso a la Bahia
que llego por la tarde a tiempo que en nuestro campo se estava predicando el Sermon
del Mandado, fue grande alborozo, grandes las gracias que se dieron a Dios Nuestro
Señor por la sertidumbre que les asegurava remedio que llegava en dia que por el
remedio [Fl. 183v] del hombre se vio puesto en una cruz, ya se davan los unos a los
otros la nova buena del socorro de la armada y en la Armada se davan las mismas
gracias a Nuestro Señor y entre si los mismos parabienes, y vino llegando mas a tierra, y
el viernes por la tarde tomaron la boca de la Barra de la Bahia que para principio de lo
que adelante se dira pareció descrivir aqui en la planta que se sigue.
94
Supressão da Carne; Quaresma.
60
NM: aqui se ponha em ponto pequeno a boca da Barra da Bahia e a costa como corre a
Bahia, e a armada na Boca da Barra.
El Sabado Santo amanesio la Armada mas a dentro de la barra esperando si de
nuestro campo venia algun aviso que no pudo ser por estar el enemigo señor de la mar,
pero vino por la costa un nauio y tres barcos con gente de Pernambuco y los q se auian
perdido en el navio Charidad que atras diximos, y dieron nuevas confusas de (...)95
95
Existia aqui uma folha frente e verso que fora arrancada do códice antes de se colocar a numeração das
folhas.
61
ANEXO IV
A RELAÇÃO DO BISPO D. JUAN DE PALAFOX Y MENDONZA EM 1638
O sítio imposto pelo Conde Nassau a Salvador em abril e maio de 1638,
resultando na vitória das forças católicas, causou comoção pública em Portugal e na
Espanha. Pela primeira vez os neerlandeses foram derrotados no seu processo de
conquista dos territórios ibéricos no Brasil, iniciado em 1630 com a invasão de
Pernambuco.
Essa comoção causada pela vitória contra os neerlandeses pode ser percebida
pelo grande número de relatos, informes e correspondências que descrevem os quarenta
dias que durou o Cerco de Nassau. Um desses relatos, publicado em Madrid ainda no
século XVII, passou despercebido pelos historiadores das guerras neerlandesas. Trata-se
de dois capítulos escritos por Juan de Palafox y Mendoza (1600-1650). 96
Nenhum dos catálogos de publicações referentes às guerras neerlandesas aponta
a existência desse texto, a exemplo do A Bibliographical and Historical Essay on the
Dutch Books and Pamphlets Relating to New Netherland and to the Dutch West India
Company and to its Possessions in Brazil and Angola, de G. M. Asher, professor de
direito romano da Universidade de Heidelberg, que o publicou em Amsterdam em 1854.
O livro de José Honório Rodrigues, Historiografia e Bibliografia do Domínio Holandês
no Brasil, publicado o Rio de Janeiro em 1949, também não aponta a existência dos
capítulos de Juan Palafox.
A biografia de Juan de Palafox y Mendoza é bastante conhecida, mas cabe
algumas observações. Palafox nasceu em Fitero (Navarra), filho de Dom Jaime Palafox,
Marquês de Ariza. Estudou em Alcalá de Henares e em Salamanca. Em 1626 era
deputado da nobreza nas cortes de Monzón e, pouco depois, fiscal dos Conselhos de
Guerra e Índias, onde inciou sua vasta produção intelectual.97 Foi ordenado sacerdote e
96
PALAFOX Y MENDOZA, Juan de. Sitio, y socorro de Fuente-Rabia y sucessos del año de treinta y
ocho. la Imprenta de Catalina del Barrio, 1639. 2. Ed. Sitio, y socorro de Fuente-Rabia y sucessos del
año de treinta y ocho. In: Obras del Ilmo. Iuan de Palafox y Mendoza, Obispo de Osma. Tomo VI.
Madrid: por Melchor Alegre, 1667. Esse texto teve terceira edição: Obras del Ilustrissimo,
Excelentissimo, y Venerable Siervo de Dios Don Juan de Palafox y Mendoza. Tomo X. Madrid: En la
Imprenta de Don Gabriel Ramirez, 1762. Segundo Palau, a segunda edição das Obras de Palafox “es
preferible por su belleza tipográfica y corrección”. Por essa rezão, o texto fac-símile aqui apresentado é
o da edição de 1762.
97
ROSENDE, Antonio Gonzalez de. Vida del Ilustrissimo y Excelentissimo Señor don Juan de Palafox
y Mendoza. Madrid: Imprenta de Don Gabriel Ramirez, 1762. p. 21 a 27. Dessa obras foram recolhidos
os dados biográficos de Palafox.
62
logo se tornou capelão de Maria Ana de Austria, irmã de Felipe IV, a quem
acompanhou em diversas viagens pela Europa.
Por seus serviços prestados, em 1639 foi apresentado em Madrid, por El Rey,
como Bispo de Puebla de los Angeles, no Vice Reino de Nova Espanha. Foi confirmado
pelo Papa Urbano VIII, a 27 de outubro daquele mesmo ano. A nomeação de Palafox
para a diocese de Puebla também possuía objetivos políticos específicos, pois fora
comissionado para investigar o Vice-rei de Nova Espanha Dom Diego López de
Pacheco Cabrera y Bobadilla, Duque de Escalona e Marquês de Villena, de cuja
fidelidade Felipe IV levantava suspeitas. Palafox chegou, em segredo, na Cidade do
México na noite de 9 de julho de 1642 e ordenou que Pacheco Cabrera fosse preso,
confinando-o no Convento de Churubusco, confiscando e arrematando seus bens e, por
fim, remetendo-o a Espanha.
Entre 10 de junho e 23 de novembro de 1642, Juan de Palafox ocupou
interinamente o cargo de Vice-rei de Nova Espanha. Neste curto período compôs
ordenanças para a Universidade, a Audiência e os advogados, organizando 12 milícias
para a defesa do território, visto que temia que as revoluções de Portugal e da Catalunha
se propagassem pela colônia. Por conta da Restauração de Portugal, expulsou todos os
portugueses do Porto de Vera Cruz.98
Em Puebla fundou o convento de religiosas dominicanas de Santa Inês; redigiu
as Constituições para o Seminário de San Juan e erigiu os colégios de San Pedro (para
gramática, retórica e canto chão) e o de San Pablo (para graus acadêmicos), dotando-lhe
com uma excelente biblioteca, atualmente chamada de Palafoxiana. Criou o colégio de
meninas dedicado a Purísima Concepción, além de dedicar parte dos seus esforços para
concluir as obras da Sé Catedral, que consagrou a 18 de abril de 1649.
Vacante a Sé Metropolitana por falecimento do Arcebispo Dom Feliciano de
Vega y Padilla (1641), o Cabido eclesiástico elegeu Palafox Arcebispo do México a 12
de novembre de 1643. Na defesa da sua jurisdição episcopal entrou em atrito com
religiosos regulares, principalmente com a Companhia de Jesus. Devido ao seu
protagonismo nessas contendas, encontrou a hostilidade dos jesuitas (1645), motivando
sua grande aversão a esta Congregação. Em duas ocasiões (1647 e 1649) a representou,
mediantes queixas formais, perante Inocêncio X. O Papa, sin embargo, não aceitou as
censuras apresentadas e tudo o que Palafox obteve foi um informe de 14 de maio de
98
ROSENDE. Vida del Ilustrissimo. p.550.
63
1648 que instava os jesuitas a respeitar a jurisdição episcopal, mas 1653 os jesuítas
conseguiram a transferência de Palafox para a España. No Reino foi nomeado Bispo de
Osma, onde morreu a 1 de outubro de 1659, sendo sepultado na Capela do Venerável
Palafox, projetada por Juan de Villanueva, em sua Sé Catedral.
Palafox nunca foi ao Brasil e os dois capítulos intitulados Guerra em la parte del
Brasil são idênticos a um anônimo panfleto intitulado RELACION DE LA VITORIA
QVE ALCANZARON LAS ARMAS Catolicas en la Baia de Todos Santos, contra
Olandeses, que fueron a sitiar aquella Plaça, en 14. de Iunio [sic] de 1638. Siendo
Gouernador del Estado del Brasil Pedro de Silua. Impressa con licencia del Real
Consejo de Castilla, y conferida y ajustada en el Supremo de Estado de Portugal. 1638.
O impressor foi Francisco Martinez, em Madrid, ainda em 1638. No ano seguinte, em
1639, a RELACION DE LA VITORIA foi novamente publicada com a autoria de Juan
Palafox, dividida em dois capítulos, inclusa em uma obra maior intitulada Sitio, y
socorro de Fuente-Rabia y sucessos del año de treinta y ocho, na Imprenta de Catalina
del Barrio.
Como explicar a grande semelhança entre os capítulos de Juan de Palafox
publicados em 1639 e a Relación de 1638? Seria apenas um caso de plágio?
Provavelmente, não! Na época em que a Relación foi publicada, Palafox ainda era um
oficial do Consejo de Indias, local onde tramitavam consultas e informes oriundos do
Ultramar ibérico, incluído o Brasil. Enquanto ocupava cargos no Consejo de Indias,
Palafox redigiu seus primeiros de relevo político, que, segundo Rosende, “estos papeles
se imprimieron unos, se perdieron otros”.99 A Relación deve ser um desses que se
imprimiram sob anonimato. Não há dúvida, contudo, de que a Relación foi escrita por
um oficial do Consejo de Indias, que deve ter sido o próprio Palafox, para em seguida
ser “conferida” com o Conselho Real e o Conselho de Portugal.
Além disso, Francisco Martinez (1619-1645), que imprimiu a Relación 1641,
editou também outros textos da autoria de Palafox. Da mesma imprensa foi publicado,
em 1641, os Discursos espirituales del Ilustrissimo Señor Don Iuan de Palafox y
Mendoza recogidos por el R.P. Iuan Antonio Velazquez.
O texto de Palafox diminuiu os elementos nacionais em prol de uma “causa
católica”. Não seriam portugueses, espanhóis e napolitanos que lutavam contra
neerlandeses; eram as forças católicas. Palafox afirma que a notícia de que o ataque de
99
ROSENDE. Vida del Ilustrissimo. p.22.
64
Nassau foi confirmado na noite de 14 de abril quando foram avistadas velas na altura de
Itapoã. Além disso, Palafox foi o primeiro a utilizar, segundo pude identificar, a
expressão “Arrayal Viejo”, ou Arraial Velho. Trata-se do antigo Arraial do Rio
Vermelho mandado construir pelo Bispo D. Marcos Teixeira de Mendonça, durante a
Invasão de 1624. Isso ratifica o fato, demonstrado no primeiro capítulo desta tese, de
que, ao contrário do que se afirmava, o referido local não estava sediado no atual bairro
do Rio Vermelho, mas no atual Largo do Tanque, por onde passava o rio Camurujipe. O
trajeto feito pelas tropas nassovianas comprova a localização do arraial porque essas
foram desembarcadas na Barra de Pirajá. Dali, a 18 de abril, informa Palafox no quinto
parágrafo, os neerlandeses marcharam “por las campiñas, camiño del Arrayal Viejo”.
As “campiñas”, não restam dúvidas, trata-se do atual bairro de Campinas de Pirajá. Até
hoje existe a Estrada das Campinas, que segue em direção ao Largo do Tanque. 100
Essa estratégia comprova que Nassau conhecia bem os locais que poderiam
servir para a defesa de Salvador. Primeiro destruiu o aldeamento do Espírito Santo e, já
nas imediações da capital, ocupou a sede do antigo Arraial do Rio Vermelho, que por
volta de 1638, não deveria ter mais do que algumas cabanas ocupadas por africanos que
fugiam do regime escravista. As tropas de Nassau não demoraram no Arraial e passaram
a para a “colina do Padre Ribeiro”, na Soledade. Por isso, o Bairro de Santo Antonio
Além do Carmo tornou-se o último ponto defensável pelo norte de Salvador.
No sexto parágrafo, a relação de Palafox dá voz a uma mulher, “natural do
Brasil”, que ao saber que o seu marido, um oficial militar, havia deserdado seu posto,
não lhe permitiu que entrasse em casa, trancando a porta. A referida mulher afirmou
“Que no habria puerta a hombre, que tan bajamente habia entregado el puesto que le
estaba encargado, y que quando viniera hecho pedazos, por haber sido en defensa de la
Religion Catolica, y de su Rey, alegre, y gustosa le recibiera”.
O texto descreve o primeiro ataque neerlandês às 20 horas do dia 21 de abril,
bem como a utilidade das trincheiras construídas em menos de quinze dias, “acudiendo
a la obra los Religiosos, los Clerigos, Estudanties, mugeres, y muchachos con grande
conformidad”. Após o fracasso do dia 21, Nassau “hizo um parlamento al Egercito”,
prometendo-lhes que não haveria dificuldades em tomar Salvador e que os soldados
poderiam ficar com o saque. Nassau precisava conquistar as trincheiras de Santo
100
A estrada das Campinas possui uma bifurcação, as atuais Rua Engenheiro Austricliano e a Avenida
Nestor Duarte, que, em seguida, tornam-se novamente uma única via, já nas proximidades do Largo do
Tanque.
65
Antonio Além do Carmo, mas dividiu seu exército, mantendo 1600 homens na linha de
frente, para tomar a referida trincheira, mantendo o resto na retaguarda, a “cerca de la
Casa Quemada”, decerto o atual Largo do Queimado, próximo a Soledade. É
excepcional o conhecimento que Palafox demonstra ter do entorno de Salvador, incluído
no seu texto os nomes de localidades extramuros, pois que autores espanhóis e
portugueses apresentavam grandes dificuldades em reconhecer esses pontos periféricos
da urbe. Isso confirma que Palafox teve acesso a escritos elaborados por pessoas que
conheciam bem a geografia de Salvador, mas que pouco conhecia do Recôncavo baiano,
visto que não o autor se limita a escrever os acontecimentos na capital. Sua fonte deve
ter sido algum militar castelhano oriundo do Exército de Pernambuco.
Palafox descreve também o segundo e último ataque neerlandês, efetuado às 20
horas do dia 18 de maio, contra as trincheiras de Santo Antonio. Nesse momento as
forças em contenda chegaram a um impasse, mas a vantagem geográfica estava com os
defensores, em conta dos neerlandeses serem obrigados a se posicionar numa parte
baixa, entre a Soledade e o Santo Antonio, precisando escalar um fosso que levava às
trincheiras portuguesas. No Santo Antonio estavam o Governador Pedro da Silva, o
Conde de Bagnuoli e os contingentes de Luiz Barbalho, Lourenço de Brito, Francisco
de Souto, além de outros capitães.
Para tentar acabar com o impasse e assumir alguma vantagem, Nassau ordenou
que o contingente estacionado em Queimado avançasse. Nesse momento os
contingentes dos Sargentos-mores Antonio de Freitas da Silva e Francisco Duarte, junto
com o do Mestre de Campo Heitor de la Calce, que retirou suas forças da região das
Palmas, saíram pelo Dique e surpreenderam as tropas neerlandesas pelo flanco direito.
Essa investida resultou na morte de mais de trezentos neerlandeses. Foi essa batalha
que definiu a vitória das “forças católicas”. Ao Conde de Nassau coube retirar seus
contingentes para Pernambuco.
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
ANEXO V
REGISTROS DAS ENTRADAS NO LIVRO DE TOMBO DA ORDEM DO
CARMO DE SALVADOR (1630-1658)
76
Escrituras
de Compra
e Venda
Folhas/
Data
Fls. 5 a 6 /
26.07.1636
.
Escritura
de Venda
Fls. 8 a 9 /
09.01.1637
Escritura
de Venda
Fls. 18 a
19
/
18.04.1644
Instrument
o de Carta
de Venda
de Bens de
raiz
(escritura
pública)
Fls. 20v a
21v
/
09.11.1648
Escritura
de Venda
Fls. 30 a
31 /
31.01.1650
Escritura
de Venda
Fls. 31v a
34v /
26.10.1650
Tipo de
Documento
Conteúdo
Foram os Outorgantes os Padres do Convento do Carmo e o Outorgado, o
Capitão Antonio de Brito de Castro. Foi objeto desta transação uma sorte
de terras para canas na Pitanga, freguezia de Passé, que lhes coubera pela
partilha dos bens deixados por Francisco Sotil de Siqueira a seu filho, Frei
Francisco da Madre de Deus. Como constava do formal de partilha, que o
referido frade ficara a dever ao seu irmão e a Gaspar de Barros a quantia
de seiscentos mil réis, que era o preço de venda da referida terra, foi
formalizada assim a quitação da dívida.
Foram os Vendedores os Padres do Carmo e o Comprador, Manoel
Pinheiro de Carvalho. Foi objeto desta transação uma sorte de terras nos
limites de Nossa Senhora do Socorro, a qual lhes coubera por herança do
Frade Francisco da Madre de Deus. Estas terras haviam sido adquiridas
por Francisco Sotil de Siqueira a Helena d’Argollo.
Foram Outorgantes os Padres do Convento do Carmo e o Outorgado
Comprador, João Dias, morador na Patatiba. Foi objeto desta transação,
uma sorte de terras com canas, havidas por herança do Padre Frei André de
Santa Maria, filho de Paulo Fernandes Chaves e de sua mulher, Maria
Correa.
Foram Outorgantes Vendedores Balthazar de Barbuda e Gaspar Maciel e
Outorgantes Compradores os Frades do Carmo. Foram objeto desta
transação três léguas de terras sitas nos limites de Serigipe del Rei , local
denominado (quatorze ou quinze léguas da cidade de São Cristovão). As
terras haviam sido recebidas de herança de Balthazar de Barbuda (Alcaidemor da capitania de Sergipe) por seu sobrinho homônimo e sua sobrinha,
Dona Escolastiqua de Sá, mulher de Gaspar Maciel. É importante frisar
que as esposas dos vendedores, respectivamente Dona Angella de Menezes
e Dona Escolastiqua, não estavam presentes no Convento, criando-se então
a necessidade de se fazer um desdobramento desta escritura, denominado
“Outorga”, à fl. 21v, na qual as mulheres aceitaram a transação acima.
Como as duas não sabiam escrever, assinaram “a rogo de”, pela pessoa de
Dona Escolastiqua o seu filho Diogo da Rocha de Sá e pela pessoa de
Dona Angella, Francisco de Sousa. Pode-se ler em nota marginal, adjunta
ao início da escritura: "Terra dos Palmares". A posse da terra está
transcrita à fl. 21v, datada de 14/01/1649, dada ao Frei Domingos de Jesus,
irmão e procurador da Ordem. Esta posse difere das outras transcritas no
Livro, porque existe um “embargo”.
Foram os Outorgantes Vendedores, Balthazar de Barbuda e sua mulher,
Dona Angella e Outorgantes Compradores os Frades do Carmo. Foi objeto
desta transação uma sorte de terras nos limites de Sergipe del Rei, local
denominado Lagartos, nas cabeceiras das terras que haviam sido do Bispo
Dom Constantino Barradas, advindas por herança de seu tio, pelo preço de
oitenta mil réis pagos em novilhas, a serem entregues nos currais do
Piogui. A ausência da esposa de Balthazar de Barbuda, também
Outorgante Vendedora, criou a necessidade de se fazer a “outorga”.
Foram os Outorgantes Vendedores João de Barros Cardozo e sua mulher,
Dona Brites de Lima de Barros e os Outorgantes Compradores os Frades
do Carmo. Foi objeto desta transação uma data de terras e seis sítios de
currais, sitos entre os rios de São Francisco e de Sergipe del Rei,
começando do Rio Japaratuba, na Barra Doce, junto ao mar, a saber: Sítio
do Catu, Sítio de Santa Izabel, Sítio em que “esteve o Silveira”, Sítio de
Suasubponima, Sítio dos Triupares dos Tapujas, Sítio do Ipioqua. Há uma
nota marginal posterior, adjunta ao início da escritura, onde está escrito:
"Sta Izabel no Rio de S.Francisco; escritura é do Silveira". Sendo a
Outorgante Vendedora, Dona Brites, menor de vinte e cinco anos de idade,
houve “suprimento do juiz ordinário” isto é, foi preciso uma intervenção
do juizado de menores para autorizar a venda de patrimônio de menor. O
traslado da sentença do Juiz Ordinário, Capitão Cosmo de Sá Peixoto, está
transcrito às fls. 35 e 35v, na qual se lê que foi nomeado o Licenciado
77
Escritura
de Venda
Fls. 46v a
50
/
30.04.1652
.
Traslado
da
Escritura
de Venda
Fls. 62 a
65 /
16.10.1653
Escritura
de Venda
Fls. 66 à
69
/
26.03.1658
Gaspar de Brito da Silva, como curador da menor. Segue-se, à fls. 36 e
36v, a reprodução da posse dos sítios, onde se constata a existência de uma
igreja dentro das terras adquiridas:
Eu tabaliam tomey pella mão aos ditos Religiozos E lhes mostrey a terra e
por Ella pasearam E com os olhos por onde nam podiam chegar E foram as
lagoas e Rios E beberam agua delles E lavaram as mãos Em sinal de
senhorio E foram à igreja de santa Izabel E selebraram missa nella
Entrando para dentro E saindo para fora.101
Foi o Vendedor, Pero de Abreu de Lima e os Compradores, os Padres do
Carmo. Foram objeto desta transação três léguas (pouco mais ou menos)
de terras, sitas no Rio Pochim, em Sergipe del Rei, que seriam: toda a terra
que se achasse da Estrada Real, que vinha de Penedo, pelo sertão para
Sergipe para baixo, até a lagoa que ficava por detrás da casa em que vivera
Antonio das Neves. Pero de Abreu de Lima recebeu essa terra em doação
de sua sogra, Dona Guiomar de Mello, cujo traslado está transcrito a seguir
às fls. 48 e 48v. Há uma nota marginal posterior adjunta ao início da
escritura: “Terra de Sergipe”. Logo em seguida, consta a transcrição de
uma Escritura de Ratificação e Aprovação de outro e Obrigação (fls. 48v a
50) , datada de 18/10/1650, feita no Colégio dos Padres da Companhia,
tendo como partes: João de Barros Cardozo, representando, por procuração
adiante transcrita (fl. 50 e 50v) , sua mulher Dona Brites de Lima; Pedro
de Abreu de Lima e o Reverendo Padre Reitor do dito Colégio, Joseph da
Costa. Mediante este documento é ajustado um acordo entre essas partes,
referente à legítima da mulher de Pedro de Abreu e Lima, Dona Mariana,
herança recebida de seu pai Antonio Cardozo de Barros. A posse da
referida terra está transcrita às fls. 61 a 61v.
Foi o Outorgante Vendedor João de Barros Cardozo, em seu nome, e como
Procurador de sua mulher Dona Brites de Lima de Barros. Foram os
Outorgantes Compradores os Padres do Carmo. Foram objeto desta
transação quatro sítios de currais, a saber: Ponte dos Mangues, Agaratuba,
Perauna e da Barra, entre os rios Japaratuba e São Francisco, em Sergipe.
Segue-se o auto de posse (fls. 65, 65vº), datado de 1653 (sem
complemento da data), no qual é mencionado que o Prior, Frei Lourenço
do Espírito Santo, e um seu escravo tomaram a posse das terras: "...e
tomey terra e erva e Ramos e lhe meti na mão ao dito Reverendo Padre
Prior, o qual por hum escravo seu mandou tosar e cortar e cavar o que
tambem fez por suas proprias mãos dizendo em altas vozes”...
São várias as notas marginais posteriores, adjuntas a esta escritura:
1 – terras do Rio de S. Francisco; 2 – o Sitio Pareauna e o Sitio da Barra
chamado Saramenho, foram vendidos a Alfredo Leite Martins , em 2 de
Abril de 1909, sendo o Tabelião Nemésio Diógenes; 3 – os sítios Ponte
dos Mangues e Garatuba foram vendidos em 8 de maio de 1911, a Manoel
Gonçalves sendo o Tabelião Nemésio Diógenes. à fl.65 : Vendidas em
1911, vide fls. 63 e 64.
Foi o Vendedor João de Barros Cardozo, em seu nome e como procurador
de sua mulher, Dona Brites de Lima de Barros e como Compradores os
Padres do Carmo. Foi objeto desta transação uma fazenda de canas em
Jacaracanga, havida por herança de Cristovão de Barros, bisavô de Dona
Brites. Além do pagamento estipulado (doze mil e quinhentos cruzados),
havia um encargo real, abaixo transcrito, que eles passavam aos
compradores: ... encargo real que elles vendedores seram obriguados a dar
pera o Engenho de Cornubuçu tanto que a cana da dita fazenda estiver de
vez, e sazoada pera se cortar, duas tarefas dellas cada semana pera se
moerem no dito Engenho, E nelle vendedor como direito senhorio do dito
engenhose obrigua a que a pesoa que estiver nelle moerá e fará as ditas
duas tarefas de cana da dita fazenda cada somana no dito engenho, com
pena e obriguação que o que faltar por sua parte a Senhores elles
compradores como a pesoa que estiver no dito engenho de não cumprir
esta obriguação e encargo real, pagara ao outro toda a perda e dano que
por essa causa lhe dere toda a mais cana que sobrar aos compradores
78
Escritura
de Venda
Fls. 71 a
72v
/
15.05.1660
Escritura
de Partido,
Entrega e
Obrigação
Fls. 17 a
17v /
Escritura
de Doação
Fls. 45v a
46v /
04.12.1638
.
Quitação
Fls. 2 e 2v
/
09.10.1628
Quitação
Fls. 3 a 3v
/
21.02.1630
Quitação
Fls. 13 a
14
/
07.05.1639
Quitação
Fls. 13 a
14
/
07.05.1639
Quitação,
composiçã
o
e
obrigação
Fls. 16 a
16v /
20.09.1635
26.10.1635
tiradas estas duas atarefas poderão livremente moer nos engenhos que lhes
pareser E quiserem...
Consta também da escritura que os Padres poderiam colocar vinte bois
para pastar no pasto de Jacaracangua, e que poderiam tirar das matas toda
a madeira que precisassem para fazerem “casas de vivenda da dita fasenda,
senzallas dos negros, estacaria e varame pera as sercas e pêra consertos de
carros rodas ou vejos”. Assina a escritura, entre outros, o Licenciado
Manoel Correa Ximenez, como curador de Dona Brites, menor de vinte e
cinco anos. A seguir, às fls. 69 a 70 vº, encontramos o traslado da sentença
de licença e decreto Judicial para a autorização da venda acima. O
Curador, nomeado pelo Juiz dos Órfãos , Sargento-Mor Antonio Pereira,
aceitou a alegação de João de Barros Cardozo e sua mulher de estarem
muito endividados, e autoriza a venda em 18.03.1658. Há uma nota
marginal posterior: Terra de Jacaracanga.
Foi o Outorgante Vendedor Miguel Pacheco de Britto e sua mulher, Maria
Rangel do Rego e foram Compradores os Religiosos de Nossa Senhora do
Carmo (está no Livro de Notas do tabelião Martim de Sá Sotto Mayor, à
fl.76. Foram objeto desta transação quarenta e duas braças e meia de
terras, junto à horta dos padres, por baixo do muro do Convento, que
receberam de herança de seu pai e sogro, o Licenciado Manoel Pacheco de
Sousa, por vinte e cinco mil réis, pagos à vista em moedas de prata “das
correntes neste Reino”.
Foi Outorgante o Convento do Carmo, e o Outorgado Francisco Ramos,
residente na Capitania de Sergipe del Rei. Os padres haviam recebido de
herança de Antonio Guedes uns currais de gado ( trezentas e sete fêmeas,
vinte e quatro bezerras e uma prenhe e três cavalos mansos) onde estão os
negros Paulo, sua mulher Catarina, Pedro Malabar e sua mulher Luzia e
seus filhos. Davam de partido ao Outorgado ao “quinto das multiplicações
que houver, com a condição de entregar tudo vivo ao fim de cinco anos”.
Esta foi lavrada no Cartório de Francisco Ramos, Liv. 13, fl. 72vº.
Doação que fez Luzia de Goes ao Convento do Carmo, para as obras de
sua Igreja, datada de 04/12/1638, de duas mil braças de terra nos campos
denominados Cururuipe. D. Luzia era irmã de Nossa Senhora do Carmo e,
como suas três filhas já haviam recebido seus dotes e a Igreja do Carmo
estava com muitas despesas, ela doava as terras, com a condição dos
padres rezarem, a cada ano, uma capela de missas.
Quitação, tendo como Outorgante os Religiosos do Carmo e como
Outorgado, Antonio Gomes, morador no Trocifal. Este devia ao Convento
trezentos e cinqüenta mil réis, como herdeiro de seu irmão Nuno Franco
Calvo.
Quitação, tendo como Outorgante os Religiosos do Carmo e como
Outorgado Domingos Alves Serpa. As casas em que residia Domingos na
Rua de São Francisco, foram adquiridas ao Convento, por trezentos e
cinqüenta mil réis, pagáveis em duas prestações, já quitadas.
Quitação, tendo como Outorgantes os Religiosos do Carmo e como
Outorgada, Dona Catherina de Sousa. Pelo falecimento de Eusebio
Ferreira, o Convento herdou “as legítimas” do Frei Jeronimo de Sousa e
Frei Francisco de Sousa, seus filhos em partilha com Dona Catherina.
Total: r$ 900.356.
Quitação e obrigação, tendo como Outorgantes os Frades do Carmo e
como Outorgado Manoel Pinheiro de Carvalho, referente a terras nos
limites de Nossa Senhora do Socorro, herdadas de Frei Francisco Sotil e a
ele vendidas.
Quitação, composição e obrigação, tendo como Outorgante Manoel Lucas
e sua mulher, Brites João e seu genro, Domingos Mendes, referente às
partilhas amigáveis dos bens deixados por D. Brites ao Convento, através
de Frei Manuel Luis. Bens recebidos pelo Convento, no valor de oitenta
mil e novecentos réis: 1 – duas peças de escravos de Guiné, por nomes
João e Maria Arsequa;2 – sete vacas, seis com filhos ao pé de dois meses,
e uma vazia; 3 – um “lambel” e dois “lansões” (uma colcha e dois lençóis);
79
Quitação
Fls. 53v a
54v /
20.06.1652
Completar-se-ia o legado ao Convento, quando do pagamento da dívida de
Antonio Cardozo de Barros e Mateus Nunes, pois quando fossem
cobradas, dariam parte ao Convento, como herdeiros que eram.
Quitação, sendo Outorgante João de Barros Cardozo e os Outorgados, os
Religiosos do Carmo. Quitação do pagamento referente à compra das
terras de pastos no Rio São Francisco, Capitania de Sergipe del Rei (
escritura mencionada no item 5 do capítulo Escrituras). Há duas notas
posteriores, adjuntas ao início da quitação: 1 – a mais antiga: “terras do
Rio de S.Francisco compradas por 9 mil cruzados e sem mil reis”. 2 – a
mais recente: “Vendidas em 1911 - Vide fl. 32”.
80
ANEXO VI
CARTAS GEOGRÁFICAS
Ilustração 1 Recôncavo Baiano
81
Ilustração 2 Península de Itapagipe
82
Ilustração 3 Urbe
83
Ilustração 4 Barra de Santo Antônio
84
Ilustração 5 Arraial do Bispo
85
IMAGENS
Ilustração 6 Pietro da Cortona (Pietro Berrettini, Cortona 1597 - Roma 1669).
Ritratto di Urbano VIII, 1627 ca., Olio su tela, cm 199 x 128.
Sala Pietro da Cortona, inv. PC 153.
86
Ilustração 7 O Provincial Domingos Coelho e o Governador Geral cativos em 1624.
87
Ilustração 8 Planta das Aldeias do Espírito Santo e de São João
88
Ilustração 9 A Descrição da Baía de Todos os Santos por Alardo Popma em 1625
89
Ilustração 10 Anonimo madrileño, Padre Lope de Vega, siglo XVII.
Madrid, Casa Museo Lope de Vega. Autor de El Brasil Restituído.
Ilustração 11 Padre Antonio Vieira
90
Ilustração 12 D. Juan de Palafox y Mendoza- Autor da
Relacion de la Vitoria qve Alcanzaron las Armas Catolicas em 1638.
91
Ilustração 13 Detalhe do Painel da Segunda Batalha dos
Guararapes. Representação de Frei Luiz dos Arraiaes.
Ilustração 14 Detalhe do Painel da Segunda Batalha dos Guararapes.
Representação de Frei João da Ressurreição (o Poeira).
92
93
Ilustração 15 O Manuscrito da Expedito Brasilica do Padre Francisco de Santo Agostinho Macedo.
Real Academia de Historia de Madrid, Collecion Jesuitas.
94
Ilustração 16 O Lucideno de Fr. Manoel Calado e o Castrioto de Fr. Rafael de Jesus
95
Ilustração 17 Sermões de Frei Bernardo de Braga, O. S. B.
96
Ilustração 18 Os Elementos Mathematicos do Engenheiro jesuíta
Padre Ignacio Stafford, publicado em 1634.
97
Ilustração 19 Maurício de Nassau: Qua Patet Orbis
Ilustração 20 A Chronica da Companhia: Unus Non Sufficit Orbis
98
Ilustração 21 Planta do Seminário da Bahia em 1621
99
Ilustração 22 Representação de Santo Antonio em
Sermão pregado na Bahia no século XVII
Ilustração 23 Detalhe de Intercessão Celestial
na Batalha dos Guararapes
100
Ilustração 24 Mapa do desembarque neerlandês na península de Itapagipe em abril de 1638
101
FONTES MANUSCRITAS
Coleção do autor
Documento
Autor/Período
CARTAS do Padre Antonio Vieyra da Companhia de Jesus. 73
Padre Antonio
folhas. Datadas do período compreendido em 1647-1697. Com
Vieira / 1647 -
ex-líbris de Salvador de Mendonça. Códice do século XVIII que
1697
Localização
___
deve ter pertencido à família real, contendo cartas inéditas.
Arquivo Geral de Simancas
Secretarias Provinciales – Portugal
Localização
___
Documento
Livro 1477
Autor/Período
(1631)
___
Livro 1478
(1635)
___
Livro 1527
(1631)
___
Livro 1583
(1636)
Arquivo da Ordem do Carmo – Belo Horizonte - MG
Localização
Documento
Autor/Período
Frei José
___
LIVRO de memórias da Província Carmelitana da Bahia
Libório de
Santa Thereza,
O.C. / 1798
___
LIVRO de várias notícias e clarezas do Convento do Carmo
s.I / s.d.
Frei André Prat,
___
CADERNO de apontamentos de Frei André Prat, O.C.
O.C / s.d.
(século XX).
102
CATÁLOGOS ou Ordem Chronológica dos Superiores maiores
___
do Carmelo Bahiano desde sua fundação até o presente (1580 1936)
1o Livro do Tombo do Mosteiro de Nossa Senhora do Carmo da
___
Frei André Prat,
O.C / s.d
(século XX).
Vários / a partir
de 1649.
Bahia
2o Livro do Tombo do Mosteiro de Nossa Senhora do Carmo da
___
Vários
Bahia
Arquivo da Ordem Terceira do Carmo da Bahia
Localização
Documento
Autor/Período
___
LIVRO 1 de entradas e profissões de irmãos. 1636-1696
Vários / a partir
de 1636.
Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Inquisição de Lisboa – Cadernos do Promotor
Localização
___
___
___
___
Caderno / Período
Caderno 15
(1632-1637)
Caderno 18
(1628-1639)
Caderno 19
(1634-1642)
Caderno 29
(1641-1648)
Livro
Livro n. 216
Livro n. 219
Livro n. 220
Livro n. 228
Inquisição de Lisboa – Papéis Vários
Localização
Livro
___
7325
Período
(1617)
Cartório Jesuítico
Localização
Documento
Autor / Período
Maço 70,
Carta do Padre Manoel do Couto ao Padre
COUTO, Manoel do /
Documento 91.
Estevão de Castro. 2 folhas
Pernambuco,
103
07/12/1624
VIEIRA, Antonio;
VASCONCELLOS,
es
Maço 19,
Documento 12
o
Compromiço entre os P. do Coll. da
Simão de; CUNHA,
Baya, e o Coll.o de S. Antão sobre a
Nuno da;
demanda, q trazem da terça do gouernador
BARRADAS,
Men de Sáa
Antonio. / Lisboa,
16/06/1642
o
[Lisboa, c.1642]. “Rezões do Coll. de S.
to
Antão”. Autoria do Padre Antonio
Maço 16, Doc. 29.
Barradas. (Excelente resumo das sentenças
do Século XVII sobre o engenho com 24
folhas).
Maço 46, Doc. 10,
fl. 115. [Madrid, 1631]. “Treslado da
prouizão que se pede.” Códice com 258
Folhas.
Maço 46, Doc. 10
, fl. 23v e 24. [Bahia, 16.10. 1631 à
26.11.1634]. “Auto de diligencias E
medissão que fes o Doutor Miguel Cisne
de faria a Requerimento do Padre
francisquo de Arauio, nas terras que
fiquarão Da condessa de Linhrares em que
são partes os Reuerendos padres de sancto
An tão da cidade de Lx.a.”
Maço 46, Doc. 10
, fl. 23v e 24. [Bahia, 27.09.1631].
“Embarguos do P.e fran.co Darauio”.
Maço 46, Doc.
83
Maço 31, Doc. 1
, fl. 2v [Bahia, 1638]. “Carta do Padre
Sebastião Vaz ao Padre Diogo Cardim.
Bahia”
Lisboa, 23.03.1647]. “Petição de Revista
do Reytor e P.es da Companhia de IESU do
Collegio de Santo Antão desta cidade
contra o Prouedor E Irmãos da caza de
Mya da cidade do Saluador da Bahia de
todos os Santos”. (Códice com mais de
700 folhas).
Cartório da Província de Santo Antonio
Localização
Documento
Maço 18,
Estatutos pera o Brasil feitto no capitolo de
Autor / Período
CARNOTA, Fr.
Documento 16.
fr. Gaspar de Carnota. 1610
Gaspar de / 1610
Sentença de Limpeza E habilitação do Ir. Fr.
Maço 18,
Documento S/n.
o
Pedro de s. Paulo
Diversos / 1639
104
Maço 18,
Documento 20
Maço 18,
Documento 8
(outra via:
Documento 96)
Maço 18,
Documento 9
(outra via:
Documento 95)
Treslado das prouizois del Rej do q se manda
dar aos Custodios do Brasil por onde se
Lisboa, 23/07/ 1590
podem buscar no liuro do Resisto.
Luis de melo pinto Capitãode hũa cõpanhia
de imfantaria do terso do mestre de Campo
Luiz Barbalho bezera por sua mgde ett.
Salvador, 18/05 /1640
a
An.to jacome Bezerra capitão de hũa
companhia de imfantaria espanhola do terso
Salvador, 19 /05/1640
tre
do m de campo dom urbano doũmada por
sua mgde ett.a
Maço 18,
Documento 10
(outra via:
Documento 93)
Fran.co Tejxeira cappam de hũa cõpanhia de
imfantaria espanhola do terso de portugual
Salvador, 29 /05/1640
ajudante de tenente de mtre de campo
gueneral he serguento mor do Rio grande por
sua mgde ett.a
Maço 18,
Documento 11
(outra via:
Documento 94)
Cristouão de Barros Rego cappam de hũa de
hũa (sic) cõpanhia de imfantaria do terso do
Salvador, 17/06/1640
mtre de campo Luiz Barbalho bezera por sua
mgde ett.a
Maço 18,
NiColao aranha pacheco cappam de hũa
Documento 97
companhia de imfantaria espanhola do terso
Salvador, 24/05/1640
de portugual por sua mgde ett.a
Maço 18,
Documento 98
Filipe prra de freitas capitão de hũa cõpanhia
de piquas de imfantaria do terso do mtre de
Salvador, 23/ 05/1640
de
campo Luiz Barbalho Bezera por sua mg
ett.a
Maço 18,
Documento 99
Ago Barbalho bezerra capam de hũa cõpanhia
de piquas de imfantaria espanhola do terso
tre
Salvador, 25/05/1640
ra
do m de cãpo Luis Barbalho bez por sua
mgde ett.a
João de Sousa falcão Caualr.o profeso da
Maço 18,
Documento 100
ordem De xpõ Capp.am da em fantaria
Espanhola por sua mgde do terco Do mestre
Salvador, 29/05/1640
De Campo Dom fernando ett.a
Maço 18,
Salvador, 20/05/1640
105
Documento 101
Atilano gliz de orelhon capitão de
arcabuzeiros da imfantaria espanhola do
terso do mtre campo Luis barbalho Bezerra
por Cuia ordem uim exersitando ho carguo
de sargento mor por cãpanha Inimiga
Maço 18,
Documento 102
(Outra via:
docuemnto 103)
Manoel de fransa de castro capitam de hũa
companhia de Arcabuzeiros do terso do m.tre
Salvador, 16 /05/1640
de campo fernam da silura p sua mgde ett.a
Po caualgante de albuquerq fidalguo de sua
Maço 18,
Documento 104
mg.de cap.am de hũa cõpanhia de imfantaria
espanhola do terso do mtre campo Luis
Salvador, 28/05/1640
barbalho bezerra p sua mgde ett.a
Maço 18,
Documento 105
Certificamos nos os aBaixo hasinados ho gor
Luis Barbalho Bezerra tenente g.l An.to de
freitas da silua sarg.to mor Andre uidal de
Salvador, 25/ 05/1640
nigreiros he mais capitões q neste exersitoda
gte de guerra asistimos na defensa desta praça
da bahia
Maço 18,
Documento 15
Treslado do q se pede
Belém, 09/07/1693
Chancelaria da Ordem de Cristo
Localização
___
Documento
Livro 12
___
Livro 18
___
Livro 22
___
Livro 23
___
Livro 24
___
. Livro 26
___
Livro 27
___
Livro 28
___
Livro 34
___
Livro 35
___
Livro 36
___
Livro 38
___
Livro 41
___
Livro 63
Período
Consultas Mixtas
106
Localização
Documento
Livro 1° de Consultas Mixtas
___
Período
(1643-1646)
Mesa de Consciência e Ordens
Localização
Documento
Mesa de Consciência e Ordens. Livro 26
___
Mesa de Consciência e Ordens. Livro 28
___
Mesa de Consciência e Ordens. Livro 29
___
Mesa de Consciência e Ordens. Livro 30
___
Mesa de Consciência e Ordens. Livro 31
___
___
Mesa de Consciência e Ordens. Livro 33
Mesa de Consciência e Ordens. Livro 34
___
___
Mesa de Consciência e Ordens. Livro 35
Período
(1618-1624)
(1623-1625)
(1625-1627)
(1625-1630)
(1628-1630)
(1634-1637)
(1636-1640)
(1637-1638)
Arquivo Público do Estado da Bahia
Seção Colonial e Provincial
Livros
Documento
Período
255
Provisões Reais (Provisões Seculares de Ofícios,
ordens de sua Majestade e dos Governadores Gerais
deste Estado e Provedores Mores da Fazenda). 2°
Livro de Registros
1625-1635
256
Provisões Reais – Não consta o número do livro de
registros
s/d
257
264
1
Provisões Reais (Provisões Seculares de Ofícios,
ordens de sua Majestade e dos Governadores Gerais
deste Estado e Provedores Mores da Fazenda). °
Livro de Registros
Provisões – (Provisões, petições, alvarás,
requerimentos, carta – fiança, proposta,cartas de
sesmaria,
registro,
ordens,posses,
patentes,
numbramen-tos, portarias, despachos, etc). 1° Livro
de Registros.
Livro Primeiro de Ordens Régias
1654-1664
1625-1642
1642- 1697
107
Arquivo Municipal de Salvador
Livros
122.1
122.2
125.1
125.2
125.3
Documento
Provisões e Portarias
Provisões Reais
Provisões do Governo e Senado (Cópia do Século
XIX)
Provisões do Governo e Senado
(Cópia do Século XIX)
Provisões do Governo e Senado
(Cópia do Século XIX)
Período
1624-1642
1626-1642
1642-1648
1642-1657
1649-1656
Arquivo da Santa Casa de Misericórdia da Bahia
Livros
Documento
Período
1
Livro Primeiro do Tombo, vol. 40
1629-1652
Livro Segundo do tombo, vol. 41
1652 -1658
5
Livro Primeiro de Acórdãos, vol. 13
1645-1674
199
Livro de Contas Antigas das Instituições
1638 -1773
266
Livro dos Segredos, vol 195
1679-1809
2
Arquivo Histórico de la Província de Toledo de la Compañía de Jesús
Localização
Estante 2: Caja 88.
Legajo 868.1
Estante 2: Caja 88.
Legajo 846
Autor/Período
Documento
Relato anônimo de la jornada de Brasil de 1625,
[S.I]. /
escrito probablemente por uno de los que iban em
1625
la armada de D. Fradique de Toledo
Copia de dos cartas del padre jesuíta Ignácio STAFFORD, Pe.
Monforte a otro padre. La primera trata sobre su
Inácio, S.J. /
viaje a Brasil em compañia del marqués de
Montalvo, la segunda, de la victoria del marqués
18/08/1640
sobre sus enemigos
108
Arquivo do Mosteiro de São Bento da Bahia
Localização
Documento
Dietário das Vidas e Mortes dos Monges da Bahia
Autor/Período
Vários / 1776
Arquivo Secreto do Vaticano
Localização
Documento
___
Autor/Período
Bispo D. Pedro da
Relação Ad Limina
Silva e Sampaio
(Petrus a Sylva) /
1642
Segr. Stato, Portogallo,
lv. 21, fl. 158
Nunziatura Portuguesa
Carta do colector em Lisboa para a secretaria de
Estado, em Roma, Pretende-se novo
D. Miguel Soares
acrescentamento do real d'água, para a recuperação
Pereira.
de Pernambuco. Refere o descontentamento de
clero e nobreza por se colocarem estes impostos, e Lisboa, Julho de 1632.
depois o dinheiro não ser gasto para o fim que os
justificou.
Códice 23
(1630)
Arquivo da Universidade de Coimbra
Localização
Dep. V, 3ª sec, Armário
Dep. V, 3ª sec, Armário
Acordãos do Cabido
Documento
Carta de Filipe IV ao Cabido de Coimbra: o bispo
de Viseu, nomeado para Coimbra, fez serviço ao rei
de 4 mil cruzados dos caídos das rendas deste
bispado, para ajuda das despesas da armada que se
está a preparar para a restauração da cidade da
Baía;
Carta de Filipe IV ao Cabido de Coimbra dando
conta que uma armada holandesa aportou no Brasil
e tomou Pernambuco, o que obriga a que
rapidamente e com a força necessária se recupere o
perdido.
Em resposta a carta do monarca pedindo ajuda para
a restauração do Brasil, o Cabido de Coimbra
assenta que se peça ao clero do bispado a dita
ajuda.
Autor/Período
Assinada por D.
Diogo da Silva e D.
Diogo de Castro
Coimbra, 16.10.1624
Coimbra, Junho
de.1630
Coimbra, 17.07.1635
Actos e graus, vol. 18, 3º
cad., fl. 65, IV/I-
D. Pedro da Silva de Sampaio
D,1,1,18
109
Sermões do Padre Antonio da Sylva do Cabido da
Bahia
_
Padre Antonio da
Silva
Arquivo da Sé de Évora
Caixa
CEC, 13-XXI, fl. 196v
Documento
Assento em resposta a carta do monarca pedindo
ajuda para a restauração do Brasil. O Cabido de
Coimbra assenta que se peça ao clero do bispado a
dita ajuda.
Autor/Período
Évora, 09/12/1634
Biblioteca da Ajuda
Autor/Período
Documento
Carta de El- Rei mandando consultar o Desembargador do Paço,
sobre uma petição de Luis Lobo, Procurador da Companhia á
51-VI-I Fl.
08/ 08/ 1613
cerca de se lhe receber pelo Escrivão das Confirmações o
131v
privilégio tocante aos Religiosos da Província do Brasil sem
embargo do tempo que se havia passado para registrar.
Carta de El- Rei em resposta a uma consulta do Desembargo do
Paço, sobre a pretensão que o Provincial da Companhia do
Estado do Brasil e os Reitores dos Colégios e casas e Residências
51-VI-I Fl. dele, tem de que se lhes aceitem nas confirmações os Privilégios
16/ 10/ 1613
143v
tocantes aos ditos Religiosos, sem embargo de ser passado o
tempo em que os haviam de apresentar, em que diz a dúvidas de
Rui Dias de Meneses foi bem posta e o Desembargo não deverá
ordenar que os ditos Privilégios se recebam
Assento em que o governador do Pará dar conta da necessidade
que havia de Missionários e que El-Rei mandou à Mesa da
51-V-48
26/ 07/ 1621
Consciência que consultou que enviasse Padres da Companhia e
Fl. 52v
Antoninos à custa dos dízimos, pois os Papas os deram por este
respeito e com esta condição aos Reis de Portugal.
Relação dos Fidalgos q vão embarcados na Armada que vai de
51-III-49
socorro ao Brasil
1624
Fl. 61v a
70, in 4.o
Localização
51-V-48
Fl. 54v
51-VII-44
Fl. 399
51-IX-12
Fls. 151185
Assento sobre a resolução que tomou a Mesa da Consciência, de
aggradecer a El-Rei o pio afecto do que escreveu para que se
ordenasse aos governadores do Brasil e Ultramar, procurassem
castigar e evitar os pecados públicos e escandalosos.
Relação dos Navios gentes de mar e guerra, provisão de
mantimentos, artelharia e munições com q foi provida a Armada
q se aprestou pera a restauração da Bahia, de que he Capitão
geral Dom Manuel de Meneses, que partiu em 22 de Novembro
de 1624. É EM FORMA DE MAPA, FOLHA GRANDE.
Capítulos de uma Relação que dizem respeito à Armada do
Brasil e Restauração da Baía
24/ 10/ 1624
22/ 11/ 1624
1625
110
51-VI-22
Fls. 278
51-III-49
Fls. 59 a 61
54-XI-26
Fls. 1-7
(n.o 3)
Cédula de Felipe IV confirmando os privilégios dos Jesuítas de
não pagarem direitos do que exportassem para o Brasil, para uso
das suas casas. IMPRESSA
Lembrança das primeiras caravelas q forão de socorro a
Pernãobuco, antes da partida da Armada e das pessoas que
levarão por capitães, tpõ em q partirão, gente de guerra que
levarão e da pólvora e monição q foi nellas pera seu provim.to
49-X-10
Fls. 143
49-X-10
Fls. 148148v
51-VI-33
Fls. 154155v
51-X-1 Fls.
12v
51-X-1 Fls.
64v
Lisboa,
01/08/1625
Enformassão da Capitania dos ilheos dada por An.to Simõis
procurador da snr. Dom João de Castro, Snr. Dela
06/12/1625
Carta de El-Rei ordenando se consulte o Rei das Armas, sobre a
pretensão que Manuel Dias de Andrade, tem de que se lhe dê por
51-VIII-22 timbre de Armas a Imagem de Nossa Senhora da Conceição, em
Fls. 26-26v memória do sucesso que teve no Galeão Santa Isabel da Armada
da Coroa na jornada da Baía.
49-X-10
Fls. 136
Madrid,
29/04/1625
Relação e Recenciamto de toda a gente de guerra do terço do
Mestre de Campo Dom Vasco Mascarenhas q de presidio asistem
na cidade da Bahya do Brazil e outras praças agregadas a elle, em
que se acharão 887 praças na mostra geral q se fez em 22 de
junho de 1629, conforme a lista q mandou tirar o Provedor Mor
Fran.co Soares daBreu dos cadernos da matrícula e livros dos
Registos, pellos coais E pella Reformação q fez o G.dor Geral
Dioguo Luis de Oliveira, em último dagosto de 627, por carta de
S. Mag. De 12 de junho de 626 Vence o sobredito presidio por
mês e por Anno
Despacho (cópia do último) que Francisco Soares de Abreu,
Provedor-mor da Fazenda, deu na causa do Reverendo Cabido da
Santa Sé da cidade da Baía, para se poder fazer folha para que
haja pagamento dos ordenados de seus benefícios
Carta de Francisco Soares de Abreu a S. Mag. tocante a perda do
livro dos Registros das Provisões de Ordenados dos Ministros
Eclesiásticos, pelas quais se faziam as folhas e se perderam na
ocasião da tomada dos Holandeses e por essas razões se fizerão
novos e se mandou que todos apresentassem suas Provisões. E
por ser informado que o Cabido não trata de satisfazer o
despacho, mas sim de excomungar por o obrigar ao referido,
pede a S. Mag. mande remediar esta desavença.
Memoria de como se puedem fabricar en el Brasil 68 galleones
de mil toneladas cada uma
Carta de El-Rei sobre o empréstimo de quinhentos mil cruzados,
para se reformar a Armada de cinqüenta galeões de ambas as
Coroas, para a Restauração de Pernambuco
11/01/1628
22/06/1629
Bahia,
14/11/1629
Bahia,
08/01/1630 e
01/12/1630
Madrid,
15/04/1630
21/05/1631
Carta de El-Rei ordenando se diga ao Bispo do Brasil, que trate
de embarcar para aquele estado.
25/05/1631
111
51-X-1
Fls. 186v
51-X-1
Fls. 187
51-X-1
Fls. 251v252
51-X-1
Fls. 92
51-X-1
Fls. 268
Carta do Governo de Portugal a S. Mag. sobre o empréstimo dos
quinhentos mil cruzados para o apresto da Armada do Brasil.
Carta do Governo de Portugal a S. Mag. sobre a petição que o
Bispo eleito do Brasil fez acerca da mercê de 200$000 rs de
pensão nos bispados vagos
Consulta do Conselho de Estado para S. Mag. em que comunica
ter visto a relação que fez o capitão Antonio da Cruz, da jornada
da Armada de D. Antonio Oquendo e do sucesso da peleja que
teve com o inimigo, e carta do governador da Baía Diogo Luís de
Oliveira em que dá conta da gente que ali deixou D. Antonio e
que Matias de Albuquerque avisou do intento de o inimigo se
querer ir fortificar no Morro distante dez léguas e em Taparica, e
a do sargento-mor Francisco Serrano em que avisa as
companhias que ficaram na Baía e do que vão a Pernambuco.
Com o parecer do Conselho
Carta de El- Rei sobre a pretensão que os Familiares do Santo
Oficio têm de serem escusos por privilégios do empréstimo de
quintos mil Cruzados, mandando que se lhes faça ver que o
privilégio de que se trata não fala nos termos do caso presente e
que quando o compreenda é de tal qualidade o empréstimo e
forçoso para a conservação do Reino e suas conquistas que se
pode derrogar.
Carta do Governo de Portugal a S. Mag. sobre se ter ordenado ao
Bispo eleito do Brasil que trate de embarcar com toda a
brevidade com o destino àquele Estado para acudir ao governo da
sua Igreja que há muito tempo está sem prelado
Lisboa,
06/09/1631
Lisboa,
20/09/1631
Lisboa,
15/11/1631
19/11/1631
Lisboa,
29/11/1631
Sobre a cobrança dos donatiuos ecleziasticos
51-X-1
Fls. 309v310v
51-X-2
Fls. 154
51-X-2
Fls. 14v15v
51-X-2
Fls. 26-26v
51-X-2
Fls. 234v235
28/12/1631
Consulta do Desembargo do Paço a S. Mag. sobre o Bispo eleito
do Brasil que pede-se lhe entregue, sob fiança, tudo o que consta
que se deva a Mitra daquele Bispado, com o paracer dos
Governadores
Lisboa,
17/01/1632
Carta de El- Rei acerca das diligências que o Agente de Roma,
Dom Miguel Soares Pereira avisa ter feito com S. Santidade
tocante à graça do socorro de Pernambuco.
22/01/1632
Carta de El-Rei respondendo a uma consulta do Desembargo do
Paço, sobre o que pede o Bispo eleito do Brasil acerca da
demanda que traz pelos bens que pertencem à Mitra daquele
Bispado, em que manda que a causa corra breve e sumariamente
para o Bispo se embarcar e não haja ocasião de se deter mais
tempo
Carta do Governo de Portugal a S Mag. sobre o que respondeu o
Coletor ao que se lhe disse da parte de S. Mag. acerca de escrever
a S. Santidade, e favor da graça para o socorro de Pernambuco.
04/02/1632
Lisboa,
28/02/1632
112
Carta de El-Rei sobre o se embarcar o Bispo do Brasil em
Companhia do socorro que se envia àquele Estado
51-X-2
Fls. 63v-64
16/03/1632
51-X-2
Fls. 64
Carta de El- Rei sobre o que respondeu o colector acerca de
escrever a S. Santidade em favor da graça para o socorro de
Pernambuco
51-X-2
Fls. 285
Consulta do Conselho da Fazenda a S. Mag, sobre o pedido dos
testamenteiros do Bispo do Brasil, D. Miguel Pereira, quererem se lhe
paguem os mil cruzados que se tinha feito mercê para pagamento das
dívidas do Bispo. Com o parecer dos Governadores
27/03/1632
Carta do Governo de Portugal a S. Mag. sobre o Bispo eleito do
Brasil não ter partido para aquele Estado, por ainda não haver
recebido as Bulas para se poder sagrar.
Lisboa,
17/04/1632
Carta de El-Rei mandando informar o Bispo di Brasil, Pedro da
Silva, que por enquanto não há lugar de se lhe deferir a pensão e
ordenando que embarque para aquele Estado na primeira ocasião
que se ofereça, por assim convir ao serviço de Deus.
21/04/1632
51-X-2
Fls. 298298v
51-VI-4
Fls. 93
16/03/1632
51-X-2
Fls. 108108v
Carta de El-Rei sobre a resposta que deu Pedro da Silva de
Sampaio, Bispo eleito do Brasil, acerca de se haver de embarcar,
e pretensão que tem de ser provido de alguma pensão
eclesiástica, mandando se lhe dê toda a pressa e se faça ver e
consultar nos tribunais as petições, para que chegando as outras
de não detenha uma só hora por nenhum respeito
51-X-4
Fls.130130v
Consulta do Conselho da Fazenda a S Mag. sobre a pretensão do
Bispo do Brasil em querer quando a guerra acabar naquele
Estado continuar com a obra da Sé da Baía. Com o parecer do
Conde Governador
51-X-4
Fls..130v131
Consulta do Conselho da Fazenda a S. Mag. em que D. Pedro da
Silva de Sampaio Bispo eleito do Brasil, pede se lhe passe
provisão para não pagar direitos na Chancelaria do Reino, das
Cartas e Provisões que se lhe passaram. Com o parecer do Conde
Governador.
51-X-4
Fls.131v
Consulta do Conselho da Fazenda a S Mag. em que o Bispo
eleito do Brasil pede se lhe passe provisão para que naquele
Estado se lhe paguem os ordenados caídos desde o dia da morte
do Bispo D. Miguel Pereira seu imediato antecessor. Com o
parecer do Conde Governador.
13/05/1632
Lisboa,
16/10/1632
Lisboa,
16/10/1632
Lisboa,
16/10/1632
.
113
51-X-4
Fls.173v174
51-X-4
Fls.43v
51-X-4
Fls.192v
Consulta da Mesa da Consciência a S. Mag. acerca dos três mil
cruzados que pede o Bispo eleito do Brasil para se ornar a Sé do
Salvador da Baía. Com o parecer do Conde Governador.
Carta de El-Rei ao Governo de Portugal, mandando que acerca
da resolução que se deve tomar na consulta da Mesa da
Consciência sobre o provimento da Igreja de Nossa Senhora das
Neves da Paraíba, que vagou por falecimento do Dr. Bartolomeu
Ferreira Lagarto, se informe sobre Simão Rodrigues Fagundes
um dos propostos é criado atual de D. Antonio Mascarenhas,
Deputado daquele Tribunal, ou pessoa da sua obrigação.
Consulta da Mesa da Consciência a S. Mag. em que o Bispo
eleito do Brasil pede se lhe dêem casas para viver no dito
Bispado. Com o parecer do Conde Governador.
Lisboa,
13/11/1632
17/11/1632
Lisboa,
11/12/1632
Sobre o Bispo elleito do Brasil
51-X-5.
Fls. 116116v
Lisboa,
08/01/1633
N.o 7 Sobre os Religiosos da Comp.a de Jesus da Pro / uincia do
Brazil
Por me hauer Representado por parte dos Relg.os / da Comp.a de
51-X-5. Fl.
Jesus da Prouincia do Brazil q ainda / se não auia dado
15
cumprim.to ao q se mandou por Carta de / 15 de Dez.ro pasado
sobre o pagam.to do Dotte do Colegio / do Brazil da Bahia, E asy
me pareçeo ordenar uos / façais q se cumpras em todo a ordem q
sobre isso dey / auisandosse plo prim.ro Correo de como fica
executado.
51-X-5. Fl.
18
51-X-5. Fl.
213-213v
51-VI-52.
Fl. 56
51-VI-52.
Fl. 53-54
Lisboa,
15/12/16 ?
N.o 3 Sobre o Bispo de Miliapor
Lisboa,
novembro
/1633
Sobre o Bispo do Brazil
Lisboa,
18/03/1633
Meza da Consciencia. Decretos, Rezoluções de Consultas E
Assentos della, Desde sua creação athe o anno de 1726. Por D.
Lazaro Leitão Aranha do Conselho de Sua Magestade Conego
da Sancta Igreja Patriarchal Deputado da Meza da Consciencia
e Ordens.
16 Tomando os Olandeses Pernambuco Se mandou estranhar ao
Bispo da Bahia o man dar Retirar de lá os Parrochos 5 de
Setembro de 1635.
7 Escrevendo El Rei que se ordenasse aos Gouernadores
Gouernadores do Brazil, e Ultramar, procurasem castigar, e
euitar os peccados públicos, e escandalozos: agradeceo a Meza a
El Rey este pio affecto em 14 de Outubro de 1624.
114
51-VI-52.
Fl. 72
51-VI-52.
Fl. 54
28 Dando El Rey noticia á Meza do / bom sucesso de
Pernambuco lhe agradeceo a / Meza, 11 de Nouembro de 1633.
9 Dando o Bispo do Brazil Conta de que na procissão de Corpus
a Camera queria leuar a Bandeira atraz do Palio, e que o
Gouernador,e Capellão mor o queria preferir: se consultou que a
Bandeira fosse a diante, e que o Bispo em tudo precedesse ao
Gouernador 29 de Nouembro de 1623.
Resgates Particularez
8 Na occazião que os Holandeses tomarão a Bahia, prenderão
doze Padres da Companhia, e os levarão a Holanda onde
estiverão dous annos prezos, e pagarão aos Holandeses 4 mil
cruzados, de que pedião pella Redempção dos Captivos esmolas,
e se lhes não deffirio.
47-VIII-7. Supplica della Prov.a degl Osservanti Ri- / formati di S. Ant.o del
Fl. 298-301
Brasile perl a Depu- / taz.e d´un Comm.rio Gnle colle facoltá
consuete / Si soggiunge L´informaz.e contraria del Comm.rio /
DECRETA
Gnle in Curia, e til Decreto de 8; e 25 giugno 1660. pro
Sacrae
advertentia, et nova informatione
Congregati
onis
E
Episcoporu
m et
Supplica di Frá Giovanni a Matre Dei / Professo, e Lettore di
Regulariu Teologia dell´Ord.e de Min. / Osserv. Di Portog.o per la facoltá
m Negocys di poter as- / sistere alla sua Madre povera colle limosine / delle
et
Messes, e Prediches Si soggiunge Lin- / formaz.e favorevole del
Consultatio Comm.rio Gnle, e il de / creto de 25 de Giugno 1660 pro gratia.
nibus
Praeposita
e Ad
Episcopos
Lusitanos
Tomus III
Ab An:
1660-1661.
51-VI-52.
Fl. 487
Fr. Alessio della Madre di Dio Custode, e Procuratore
47-VIII-7. degl´Obseruanti Riformati della Prouincia di S. Antonio del
Fl. 462-471 Brasile
03/09/1660
Supplica del P. Fr. Matteo della Prov.a / di Portog.o del 3.o Ord.e
co
e
47-VIII-7. di S. Fran.e per ottenere / la dilaz. d´un mese nella causa
Fl. 295-296 d´appellaz. / contro il Capitolo Provinciale p. si soggiunge il
Decreto de 9 Apte 1660 pro grazia
Supplica del P. Fr. Matteo di S. Fran.co / della Prov.a di Portog.o
del 3.o Ord.e di S. Fran.co / Isla nullitá dell´Elezz.e del P. F.
Emanuele / della Trinitá in Prov.e, e Isla restituz.e dell / Orat.e
47-VIII-7.
alla carica del Provincialato conferi- / tagli da sua Santitá con
Fl. 365-386
Breve Apcõ, che qui / s´inserise soggiungorsi uarij attestati sopra
/ li meriti del d.o F. Matteo com il Decreto della S. Cong.ne de 23
Lug.o 1660 pro gratia.
115
47-VIII-7.
Fl. 462-466
47-VIII-7.
Fl. 466-467
47-VIII-7.
Fl. 467-473
47-VIII-7.
Fl. 519-521
47-VIII-7.
Fl. 523-562
47-VIII-7.
Fl. 588-589
47-VIII-7.
Fl. 633-634
47-VIII-7.
Fl. 647-649
Istanza di Fr. Alessio della Madre di / Dio, Custode, Procuratóre
dell Osservanti Ri- / formati della Provincia di S. Ant.o del
Brasile Isla conferma della dichiarz.e fatta dal Pre / Gnle del
Breve ottenuto ad istanza della Pro- / vincia di Portog.o , in cui si
ordina, che non si / possano li vocali privare, o sospendere dal
vo- / to, ed officio avanti la celebraz.e del Capitolo / che non sis
stenda d.o Breve alla Prov.cia del Bra- / sile si soggiunge la Copia
di d.a Dichiaraz.e, et / il Decreto de 3 7bre 1660 rimessivo della
suplica al Papa.
Istanza del med.o, che non si spedisca / cosa alcuna nella S.
Cong.ne spettante a Religiosi di d.a Prov.cia senza che sia prima
citato, / e sentito L´Ore si soggiunge il Decreto in / data, come
sopra, Pro advertentia
Supplica del Gnle delli Ord.e di S. Fran.co / perl a conferma della
deputaz.e di Fr. Alessio della /Madre di Dio in Visitatore della
Prov.a / di S. Ant.o degl Osservanti Riformati del Bra- / sile
approvata dal Card.e Barberini Protett.e / si soggiugano le Patenti
del d.o Gnle, e del / Cardinal Protett.e con il rescritto de 3 7bre de
1660, / in Cui si dichiara non esservi bisogno di confer- / ma
Supplica de PP. Riformati osservanti / della Prov.cia di S. Ant.o
del Brasile Is l´ord.e / che si prendano le giuridiche informaz.ni di
quello / espongano contro fr. Alessio della Madre di Dio, che
pretende esser farro Giuduce soprain- / tendente, e Provle di d.a
Prov.cia con mezzi il / leciti si soggiunge il decreto del primo
Ottobre / 1660 pro gratia
Ricorso della Prov.cia del 3.o Ord.e di S. Fran.co / di Portog.o
contro il P. Fr. Matteo (…) perl a manutenz.e del med.o nel
Provincialato.
Suplica del P. Gio di S. Tereza Carmelitano (…) con decreto
negativo.
Decreto della med.a de 21 Genn.o 1661, in / cui si concede facoltá
al P. F. Emanuele di Christo / osservante di passare dalla Prov.cia
del / Brasile aquella di portog.o
21 / 01 / 1661
Supplica di frá Matteo di S. Fran.co Pro- / vinciale del 3.o Ord.e di
Portog.o
Supplica della Prov.cia de Min. Osserv.ti di S. / Ant.o del Brasile,
accio non s´inovi cos´alcuna / intorn all´elezzioni degli
47-VIII-7.
Definitori contrastate / dal P. Alessio della Madre de Dio Presid.e
Fl. 701-702
del / Capitolo, senz´esser´intese le Ragioni di d.a Prov.cia / si
soggiunge il Dec.o de 26 Agosto 1661. Negativo.
Deputaz.e del Prou.le e superiori dell / Osservanti Riformati del
Brasile fatti Is / Breve li 9 7bre 1661
47-VIII-7.
Fl. 719-721
47-VIII-2
Fl. 539
12 / 11 / 1660
DECRETA Sacrae Congregationis Episcoporum et Regularium
Negocys et Consultationibus Praepositae Ad Episcopos
Lusitanos Tomus Primus Ab An: 1591-1680.
26 / 08 / 1661
09 / 09 / 1661
03 / 12 / 1660
116
Pietro Garcia de Archugo Nobile laico della Cittá, ouuero
Diocesi del Brasile
51-IX-7
Fl. 302303v
51-VII-48
por 51-v17 Fls.
110-114
Carta de Fr. Gabriel do Espírito Santo acusando Fr. Pantaleão
Batista.
c.1648
Em Caso que os Holandezes
Cometão a Bahia
C. 1640
DECRETA Sacrae Congregationis Episcoporum et Regularium
Negocys et Consultationibus Praepositae Ad Episcopos
Lusitanos Tomus VI Ab An: 1671-1676.
Supplica del Generale, e Monaci della Congr.e di S. Benedetto di
Portogalo, perl a proibizione della dismembrazione, che
pretendesi fare da alcuni Monaci, della Prov.a del Brasile
47-VIII-10
daquella di Portogallo. Si soggiungono varie scritture con
F. 330-938
documenti sopra questa materia per l´una e l´altra parte: e li
decreti della S. Congr. proibitivi di dita dismembrazione e
rivocatori del Breve ottenuto ad instanza di D. Leone di S.
Benedetto e di D. Ignazio da Purificazione per la celebrazione del
Capitolo nella Provincia del Brasile, con ord.e pero che li
superiori di dita Prov. debbano essere in avuenire naturali di quel
Regno. 16 di Maii 1673
Supplica del Senato, ex officiali della Camera di Bay anel
Brasile, per la moderazione di alcune clausoles, conrenure nel
47-VIII-10 Breve di Clemente IX che qui s´inserisce, sopra la fondaz.e del
F. 218
monast.o delle monache francescane di Baya, e la translaz.e da
Portog.o delle Monache Istitutici soggiungesi il decreto della S.
Cong.e de 16 7bre 1672. Confermato da sua Santitá, Pro gratia.
Consulta para se mandar s Pernambuco Religiosos da Companhia
para combater a heresia.
51-VI-52
F. 24
Sobre a pretensão que têm os Religiosos de S. Bento do Brasil de
possuírem as terras que têm naquelas partes
51-VIII-18
n. 324
Petição de Fr. Antonio da Purificação, Provincial da Provincia da
Arrábida, e de Fr. Simão da Natividade, Provincial de St.
54-VIII-27
Antonio
a S.M. para mandar recolher aos respectivos ,osteiros os
n. 52
frades que estão no Reino e são das Ilhas, Brasil ou India
51-VI-21
Fl. 48-50
Consulta sobre 4 religiosos cónegos Regulares de Santo
Agostinho, rsidentes no convento de S. Vicente, que se
ofereceram para ir na Armada para confessar a gente dela
01/09/1673
a
11/ 04 / 1687
01/06/1656
24/02/1607
1659
Lisboa
25/08/1638
117
51-VI-22
Fl. 278-279
51-VI-28
Fl. 77v-78
47-VIII-8
F. 458-459
.
47-VIII-8
F. 486-488
E
183
Confirmação dos previlégios dos jesuítas para não pagarem
direitos do que exportare, para o Brasil para uso de suas casas,
por Felipe III
Para servir de Capelão-mor da Armada, Fr. Paulo da Estrela, da
3. Ordem de S. Francisco
DECRETA Sacrae Congregationis Episcoporum et Regularium
Negocys et Consultationibus Praepositae Ad Episcopos
Lusitanos Tomus IV Ab An: 1661-1662
Lisboa
12/06/1624
1662
Suplica de Dr. Miguel de S. Boaventura , da província do Brasil
dos menores observantes
Sobre a Provincia de Santo Antonio do Brasil
Lisboa
10/09/1662
47-VIII-7
F. 297-301,
462-470.
519-520,
701-702 e
720
47-VIII-9
F. 13-346
Madrid
29/04/1625
Sobre a Provincia de Santo Antonio dos Observantes
Reformados do Brasil
1662
Sobre a suspensão do P. Fr. Sebastião do Espirito Santo de
Comissario Geral da Província de St. Antonio dos observantes
reformados do Brasil
47-VIII-14
F. 678-684
Sobre a Provincia de Santo Antonio dos Observantes
Reformados do Brasil
Carta do P. Antonio do Couto da Companhia de Jesus
51-VII-48
241v-253
Luanda,
05/09/1648
Biblioteca Pública de Évora
Documento
Título
Cod. CXVI/ 2-3 a fol.
87-88v
RELAÇÃO Por Maior das cousas sobre que escrevi
a S. Magestade e seus Ministros na Caravella do
Pachão, que partiu de Lisboa em 26 de Abril de
1636
Outra Relação, com alguma diferença da
antecedente (mesma letra e data)
Cod. CXVI/ 2-3 as fols.
89-90v
CARTA do Bispo do Brasil ao snr.es Urbano da
Silva, e D. Antonio
Cod. CXVI/ 2-3 a fol.
91-92v
CÓPIA de uma Carta do P.e Simão de
Vasconcellos, da Companhia de Jesus, Mestre em
Theologia
CARTA de Manoel de Vasconcellos ao seu
Cod. CXVI/ 2-3 a fol.
85-86v
Cod. CXVI/ 2-3 a
Autor/Período
S.I / 26.04.1636
S.I / 26.04.1636
SAMPAIO, D. Pedro
da Silva e /
03.05.1638
VASCONCELLOS.
Pe. Simão de /
27.05.1638
VASCONCELLOS,
118
fol.93-96v
Cod. CXVI/ 2-3 a
fol.97-98v
Cod. CV / 3-17 (?) a fol.
179 (3.fls)
Cod. CXV / 2-11 a fol.
209 (69.fls)
Cod. CXV / 2-13 a fol.
478
Cod. CXV / 2-14 a n. 7
PAPEIS sobre o
levantamento de
Pernambuco contra os
Hollandezes Cod. CVI /
2-2 a Fol. 180
LIVRO Dourado da
Relação da Bahia Cód
CXV / 2-3 Fol. 622v623v
tio...dando novas do que tem sucedido com os
Hollandezes
CÓPIA da Carta de D. Fernando Mascarenhas,
Conde da Torre.
CATALOGO dos Prelados, e mais cargos da
Província dos Monges do Brazil
CHRONICA da Companhia de Jesus da Missão do
Maranhão., pelo P.e Domingos de Araújo (Ver
especialmente o Livro Segundo)
CATALOGO de sugeitos (da Companhia) que
foram para o Maranhão desde 1615 até 1748
CATALOGO dos Religiosos da Companhia no
Maranhão, desde 1615 até 1748.
Treslado do Assento que se fez sobre as couzas de
Pernambuco (Antonio Teles da Silva reuniu
Ministros e Religiosos)
Manoel / 05.06.1638
TORRE, Conde da /
26.05.1639
S.I / Anterior a 1739
1720
S.I/ s.d
Letra do P.e Bento da
Fonseca / s.d
SILVA, Antonio
Telles da / 18.06.1645
Alvará para que os Custódios de Santo Antonio do
Brazil possam edificar mais conventos, consentindo
28.11.1624
nisto as Câmaras, e com aprovação do Governador
do Estado
CARTA e VERDADEIRA RELAÇÃO dos
Cod. CXVI / 2-4 (40
Sucessos do Padre Pedro Tavares da Companhia de TAVARES, Pe Pedro,
fls.)
S.J. Cerca de 1630
Jesus em suas missões dos Reinos de Angola e
Congo.
MEMORIAL que por ordem d’El Rey escreveu do
que viu, sabe, e passou P.e ...que da Bahia foi como
Cod. CIII / 3-10 a fl.4
S.I / s.d
o socorro de Angola, quando estava em poder dos
Hollandezes. Com arbítrios para o melhoramento
das nossas possessões Africana.
VIDA DE FRANCISCO SOVERAL, Bispo do
Cod. CXVI / 1-59 a n. 6
Congo e Angola, sua felix morte, e translação de
S.I / Século XVII
(5 fls.)
Massangano a esta cidade de Asssumpção
RAZÕES sobre a controvérsia que se moveo acerca
da erecção de uma nova Parochia na Cidade de S.
Cod. CVI/ 2-10 a fl. 190
S.I / s.d
Paulo de Loanda, em Angola (..) no tempo do Bispo
D. Francisco Soveral
CARTA de Fr. Gaspar do Salvador, religioso
SALVADOR, Pe.
S.N, Est. 38, C. 4, Vol.
capucho, confessor do Conde Alegrete, escripta do
Gaspar do /
11, a fl. 266
exercito a 24 de Setembro de 1646
24.09.1646
Biblioteca Nacional de Lisboa
Documento
NCB
561099
F. 329-355 ; In fol.
NCB 560920
F. 119
NCB 561104
Título
Relação dos sucessos que houve na Baía
de S. Salvador contra os holandeses em
1638
Carta circular que D. Manuel de Meneses
enviou, pelo ajudante Alonso Rodrigues,
com instruções a todos os capitães da sua
armada, após a recuperação da praça da
Baía
[Mesa da Consciência e Ordens
Manuscrito] Consultas deste tribunal sobre
a isenção dos cavaleiros da Ordem de
Autor/Período
[S.I], 1638
MENESES, Manuel de
02/06/1625
Letra do século XVII
Há entre os documentos
que acompanham as
119
NCB 561088
Coleção Pombalina
n.240
F. 5-364
Cristo de servirem na armada que em 1635 consultas, algumas cópias
se aprontou para restauração das terras que
autênticas de Bulas
os inimigos haviam tomado no Brasil e
Enc. Em perg.
sobre a dos comendadores das três ordens
militares de irem pessoalmente naquela
armada, ou de Contribuírem para a guerra
com parte dos rendimentos de suas
comendas
Relação da guerra de Pernambuco com os
ALBUQUERQUE, Matias
Holandeses, desde Março a Dezembro
1636
Manuscrito Matias de Albuquerque
Varias Obras Mathematicas compuestas
por el P. Ignacio Stafford mestre de
mathematica en el Colegio de S. Anton de
STAFFORD, Pe. Inácio
la Compañia de Jesus, y no acavadas por
Lee
causa de la muerte del dicho Padre.
Lisboa, año 1638. Ms. In-fol. De 642 pag.,
com desenhos e índice
Variedades [ Manuscrito] Instrucção que
deu El Rey D. J.o o 4º ao P.e An.o V.a p.
seguir nos neg.os a Åq foi a Roma [em
D. João IV
1649] (f. 98 v.-106); e Carta [de D. João
IV] p.a o P.e An.o Vieyra. – Datada de
1650 (f. 106-108);
Biblioteca Nacional de Madrid
Localização
Ms. 938
Ms. 938
Ms. 1630
Ms. 2355
Ms. 2357
Ms. 2364
Ms. 2365
Documento
[Documentos de la Orden de Cristo de Portugal]
Párrafo de uma carta de Felipe IV sobre que los
caballeros de las tres ordenes militares se
embarcassen em la armada de recuperación de
Brasil o contribuyesen a los gastos de la misma.
Fl. 200-201v
[Documentos de la Orden de Cristo de Portugal]
Consulta de la Junta de Desempeño sobre la orden
de su Majestad para que los caballeros de Cristo se
embarcasen em la armada de recuperación del
Brasil Fl. 202
Distinta documentación sobre la particpación del
marqués de Torrecuso, D. Carlos Andrés de
Caracciolo, em la Jornada del Brasil Fls. 19-24.
Antes que se trate de la entrada de los Olandeses
em el Brasil que fue em el año de 1624, quando
tomaron la Bahia de Todos los Santos (...) Fls. 5156.
Discurso y relación sobre la inpresa de la Vaya de
San Salvador del Brasil, hecho por el Governador
Juan Vivencio San Feliche
Vários progresos de los Olandeses em el Brasil.
Pásase a ellos el mulato Calabar y hacen grandes
daños em aquel estado por su industria Fls. 363-364
Relación em la que se puede constatar como
pudieron tomar los holandeses la Parayba y el
fuerte de Nazareth Fls. 9 -12
Autor/Período
Vários / 1636
Vários / 1636
Torrecuso / 1624-1625
Século XVIII
BAGNUOLI, Conde de /
1625
1633
1634
120
Ms. 2366
Ms. 2367
Ms. 2369
Ms. 2369
Ms. 2369
Ms. 2376
Ms. 2396
Ms. 3014
Ms. 3015
Ms. 3207
Ms. 17.533
Ms. 18719
Relación de la entrada de D. Luis de Roxas em la
guerra del Brasil, de su encuentro com los
Holandeses, de su muerte y demás acontecimientos.
Fls. 41- 44
Relación sobre el sitio a Bahia de todos los Santos,
comandado por el conde Mauricio de Nassau. Fls.
105 – 106.
Relación de los suceso de Brasil bajo la
gobernación del conde de la Torre. Fls. 5-6.
Memorial del prelado de Rio de Janeiro sobre los
daños que les causaban las entradas que se
realizaban em su diocésis. Impreso em Madrid. Fls.
296 – 301.
Relación que veo da Bahia de Todos os Santos. Fls.
308 -310
Justificación y saisfecho de obispo del Rio de
Janeiro em razón de su ida para Roma, que
humildemente presenta a S. M. Fls. 277-280
Relación de la Bahia desde 29 de marzo hasta 29 de
abril que se imbió a Pernambuco. Fls. 47-49
Cartas de los reyes Felipe II, III y IV que se referien
al gobierno de Portugal y sus posesiones
Apuntamientos a un papel de advertencias tocantes
al socorro del estado del Brasil por el Dr.
Bartolomé Ferreira Lagarto administrador que fue
de aquel Distrito. 27 de Agosto de 1639. Fima
autógrafada. Fls. 9-14.
Relación de la jornada de la armada (...) cuyo
Capian general es Don Antonio de Oquendo (...).
p.501
Da tomada da cidade da Bahia e o que mais
socedeo ate morte do señor Bispo, por f. Francisco
de São João, descalço da Orden de San Francisco
Fls. 21 – 31.
Doc. n. 36; Relación de los serbicios que hiço em el
Brazil Diego Luis de Oliveira en discurso de nueve
años y médio que gobernó aquel Estado (...).
1635
1638
1638
Fevereiro de 1638
3 de junio de 1638
1644
Século XVII
1609-1641
LAGARTO, Bartolomeu
Ferreira / 27/10/1639
1632
SÃO JOÃO, Frei
Francisco de, O.F.M /
Século XVIII
Século XVII
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro
Divisão de Manuscritos
Localização
Documento
Autor/Data
I-33,33,030
Treslado d huã carta do [Pedro] Antonio de Sousa que foi na armada
da Bahia.
SOUZA, Pedro
Antônio de
30/05/[1625]
I-33,33,024
RELAÇÃO q se [...] de uma carta de 24 de abril, [queicha] eu la
Bahia de todos os Santos de la Ciudad de Salvador província Del
Brazil 1625
[S.I.]
24/04/1625
121
I-46,21,6
Relação do sucesso que teve no Brazil a armada que sua mejestade
mandou a cargo de D. Fernando Mascarenhas, Conde da Torre
TORRE, Fernando
Mascarenhas
1638
I-33,33,023
Relação do Sucesso da Bahia
[S.I], s/d
I-33,33,026
Relação da armada da Baya
[S.I], s/d
+I-33,33,028
COPIAS de lãs cartas e respuestas que vão de parte dos olandeses a
Dom Fradique de Toledo Ozório desde 28 de abril asta que se
[rendio] las Plaza
[S.I], 28/04/[16...]
I-33,33,031
Carta a destinatário não declarado dando notícias dos holandeses na
Bahia e comunicando ocorrências em diversos pontos da Europa
MELO, Francisco
de
22/04/[1624]
I-33,33,006
Carta a Manuel Severim de Faria, dando notícias de diversos lugares,
mencionado navios do Brasil e a armada que foi socorrer a Bahia e
transmitindo notícia do nascimento da princesa
COELHO, Antônio
06/12/[1625]
I-33,33,033
Fragmento de Carta a destinatário não declarado dando notícias de
holandeses na Bahia
VIEIRA, Manuel
26/07/[1624]
I-33,33,029
Fragmento q particular enviou a Pernambuco ao [governador]
Mathias de Albuquerque do sucesso da armada até estar avistada ilha
de Santiago de Cabo Verde donide se enviou a dita Rellação em hua
caravella q de Cádiz despachou Dom Fradique
[S.I], s/d
I-33,33,022
Discurso Del sucesso, q hau tenido has armadas de su [Magestade]
em la jornada Del Brasil, desde q salierõ de Espana, hasta la
restauracion de la ciudad del Salvador, q tomaro los olandeses
[S.I], 20/05/[1624]
I-33,33,027
MEMORIA dos mortos do terço do mestre de Campo Dom [Pedro]
Ozório que morrerão na saída q fizerão os olandeses no 4 el de São
Bento
[S.I], s/d
II-31,28,004
Memória sobre a situação da Bahia e do Brasil, sob o domínio
espanhol e a ameaça holandesa e artigos do estatuto da Companhia
das Índias Ocidentais
[S.I], 1644
I-33,33,025
Treslado de hua carta q dela Bahia E envio Al [senhor] Matias de
Albuquerque [governador] e capitan general del estado del Brazil
AGUIAR, Manuel
Pacheco de
O4/07/[1625]
I-33,33,005
n§004
Carta a Manuel Severim de Faria (...) informando sobre (...) a
tomada da Bahia e de Breda. Enviando rol dos mortos e feridos
GOST, Bernado
11/07/[1625]
122
I-33,33,005
n§004
Carta a destinatário não declarado comentando a festa do Santo
Patriarca e dando noticias (...) das armadas da Bahia e de Fradique
de Toledo Osório que se encontra em Cádiz
GOST, Bernado
29/10/[1625]
I-33,33,012
n§003
Carta a Manuel Severim de Faria (...) transmitindo notícias de
holandeses na Bahia
CARDOSO,
Matheus
10/12/[1624]
I-46,20,2
Carta de El –Rei Filipe IV de Espanha para o Conde de Figueiro,
dando-lhe conta da grave situação no Brasil e ordenando-lhe
concorra para o apresto de armadas de socorro
Dom Filipe IV
13/03/1636
I-33,33,035
Carta a destinatário não declarado dando noticia dos holandeses na
Bahia
Vimioso
23/04/[16...]
I-33,33,008
n§001
Carta a destinatário não declarado, dando notícias de holandeses na
Bahia e comunicando ocorrências em diversos lugares
VILLASBOAS,
Martim Vaz
08/07/[1625]
I-33,33,010
Carta a destinatário não declarado comunicando a espera da ramada
e a alta temperatura. Fazendo referências a Pernambuco e a Bahia, e
pede notícias
MADEIRA, André
23/10/[1625]
I-33,33,005
n§003
Carta a Manuel Severim de Faria (...) comunicando a tomada da
Bahia e de Breda
GOST, Bernardo
07/07/[1625]
I-33,33,005
n§006
Carta a Manuel Severim de Faria (...) comentando a festa do padre
San Bruno (...) e referindo-se a uma possível ida da armada da
Inglaterra para o Brasil
GOST, Bernardo
02/11/[1625]
I-33,33,012
n§002
Carta a Manuel Severim de Faria (...) menciona o Brasil, fazendo
referência a holandeses em diversos pontos.
A CARDOSO,
Matheus
09/08/[1624]
I-33,33,056
Trechos de cartas mencionando presença de holandeses no Brasil e
em Breda; guerras em Gênova, na Rota de Gavi (Piemonte) e em
Anbers e rendição de Breda
[S.I], 28/04/[1625]
II-31,28,026
Cartas holandesas, fotografadas, com tradução para espanhol,
descrevendo chegada dos holandeses ao Brasil
[S.I], 1631-1634
II-32,13,018
Ofício ao presidente da Conselho de Índias, avisando que os
holandeses pretendem povoar as terras desde Maranon até a Ilha de
Santa Margarida
[S.I], 1615
25,1,001 n°051
OFïCIO aos inquisidores de Goa e partes da índia alertando sobre
Bíblias e livros impressos por holandeses contendo as suas heresias,
com o interesse de entrarem na Índia
[S.I], 03/04/1603
123
25,1,001 n°052
Ofício aos inquisidores de Goa alertando sobre as bíblias e livros
impressos pelos holandeses em língua espanhola, trazendo muitos
erros e heresias
TEIXEIRA,
Marcos & VEIGA,
Rui Pires da,
03/04/1603
25,1,002 n°201203
Ofício aos inquisidores de Goa tratando [...]das visitações, da
circulação de livros holandeses, dos castigos imputados, entre outros
assuntos.
[S.I], 24/03/1618
I-15,02,044
Documentos relativos à Companhia de Jesus.
S.l., s.d.
I-34,32-34
Documentos oficiais, como cartas régias, certidões e representações
referentes sobretudo à Restauração de Pernambuco e vários conflitos
com os holandeses.
[S.I], 1634-1732
II-31,28,007
Carta do padre da Cia. De Jesus, elogiando o bispo da Bahia,
D.Pedro da Silva, por sua clarividência e seu patriotismo, ante o
inimigo holandês
VASCONCELOS,
padre Simão de,
1638
II-31,28,005
Descrição do ataque holandês às trincheiras de Santo Antônio,
defendidas pelo marechal de campo D.Fernando de Lodenha e pelo
capitão Felipe de Moura e Albuquerque, e relação dos prêmios
concedidos pela vitória, aos comandantes, seus oficiais e soldados
[S.I], 18/05/1638.
II-31,28,032
Documentos referentes: as intenções de D.Manoel e dos holandeses
– a independência de Portugal e Brasil da Holanda – restauração de
Portugal – capitão Paes de Carvalho e os tumultos em Portugal – e
levantamento do Brasil
[S.I], 1622-1641
II-31,28
Cópias de cartas de holandeses oferecendo perdão aos rebeldes
brasileiros; relatos de fugas de soldados holandeses. Cópias de cartas
de Diogo Pinheiro Camarão. Documentos sobre a chegada e o ataque
dos holandeses ao Brasil. Memória sobre o Brasil sob o domínio
espanhol e a ameaça holandesa.
[S.I], 1622-1655
+II-33,31,11
Relação a respeito do ataque aos holandeses na Bahia.
[S.I], 29/03/1624
II-34,8,31
Treslado de uma carta do Pe. Antonio de Souza que foi na armada da
Bahia
SOUSA, Pe.
Antonio,
30/05/1625
I-3,3,33
Aviso falso de 30 caravelas.
[S.I], 7/09/1628
I-3,3,33
Holandeses na Bahia.
[S.I], 3/06/1638
I-33,33,036
Fundo/Coleção:
Moreira da
Fonseca fl. 279
COPIA do Capítulo da carta de Mathias d’Albuquerque de 9 de
março de 1625
ALBUQUERQUE,
Mathias de
09/03/1625
124
33,33,052
n°002
Fundo Moreira
da Fonseca
fls.404 e 405
DE varias cartas de Roma de Agosto de 1625
[...]/08/[1625]
II-31,28,005
Fundo/Coleção:
Guerra
Holandesa
Descrição do ataque holandês às trincheiras de Santo Antônio,
defendidas pelo marechal de campo D.Fernando de Lodenha e pelo
capitão Felipe de Moura e Albuquerque, e relação dos prêmios
concedidos pela vitória, aos comandantes, seus oficiais e soldados.
18/05/1638
I-32,29,05
Fundo/Coleção:
Portugal
MEMÓRIA tratando da confirmação dos bispos portugueses no
Vaticano por ocasião da coroação de dom João IV.
[S.l.], [s.d.]
II -34,4,2
Certidão de Gonçalo Pinto de Freitas, de que reunidos os três
governadores do Brasil, resolveram sequestrar e vender em hasta
publica a fragata que de Servilha chegara com ordens d’ El-Rei de
Castela
06/06/1641
I-31,28,7
Carta de Simão de Vasconcellos a Manuel Severim de Faria
[S.l.], [s.d.]
Arquivo Histórico Ultramarino
Bahia - Catálogo Luísa da Fonseca
Caixa
Documento
1
22
1
56
1
70
2
161
2
214
2
221- 222
2
240
3
256 -260
3
281
3
326
3
365-383
3
393
Título
Capítulo de Carta Régia de 3 de Agosto de 1611
sobre a censura que o vigário Geral do Brasil
tem feito contra os ministros da fazenda daquele
estado por não pagarem aos eclesiásticos o que é
devido
Carta do Bispo do Brasil para S. Mag.de que se
intrometia na matéria dos dízimos
Carta do Bispo do Brasil para S. Mag.de, sobre o
pagamento do dinheiro que se deve ao clero
Carta de Gaspar de Sousa
Capítulo de Carta Régia (...) acerca do Bispo
eleito do Brasil D. Marcos Teixeira
Requerimento de D. Marcos Teixeira que está
nomeado para uma Igreja no Brasil
Capítulo de Carta Régia sobre uma petição do
Bispo do Brasil, para que se lhe paguem os
ordenados que tiver vencido
Requerimentos do bispo do Brasil
Carta para sua Majestade (...) de um engenho em
Sergipe do Conde que herdaram os padres da
Companhia de Jesus
Capítulo de Carta Régia sobre Luis Lobo,
jesuíta, pedir pagamento aos colégios que a
Companhia tem no Brasil
Ordem para se verem no Conselho da Fazenda
(vários anexos)
Capítulo de Carta Régia de 11 de setembro de
Data
03.08.1611
28.02.1614
17.06. 1614
1616
21-12-1619
09-04-1620
23-02-1622
29-10-1622
29-09-1623
23-09-1614
07-11-1625
11-09-1625
125
3
394
3
405
3
413
4
418
4
460
4
473
4
474
4
481
4
508
4
527
5
554
5
586
5
607
5
655
5
680
5
681
6
713
7
799-800
7
837 - 840
8
927
8
947
1625 para o Conselho da Fazenda, resposta a
uma consulta sobre o sustento do Presídio da
Bahia
Anexo: “Parecer dos governadores do reino
sobre os 20.000 cruzados que se hão de mandar
para a Bahia”.
Capítulo de carta régia de 26 de Março de 1626
em resposta a uma consulta sobre provimentos
para a Bahia
Provisão Régia sobre Manuel de Araújo e
Aragão (...) questão que têm com os padres de
São Bento
Consulta do Conselho da Fazenda (...) para se
não pagarem os ordenados dos Ministros da
Relação
Capítulo de Carta Régia sobre petições do Bispo
do Brasil, D. Miguel Pereira
Requerimento do Bispo do Brasil D. Miguel
Pereira (...)
Requerimento do Bispo D. Miguel Pereira
pedindo dinheiro para restaurar a Sé da Bahia
que foi saqueada pelos holandeses
Requerimento de Frei Manuel do Salvador que
foi capelão e confessor no Galeão Prazeres (...) e
teve luta com os holandeses
Portaria do Governo (...) do dinheiro que se hão
de entregar dos 100:000 cruzados (...) dos
cabidos dos arcebispados de Lisboa, Évora e
Coimbra (...)
Consulta do Conselho da Fazenda sobre o
dinheiro que o coletor deve entregar (...)
Carta de D. Pedro, Bispo do Brasil, para sua
Majestade. Refere-se a reencontros com
holandeses em Pernambuco
Capítulo de Carta Régia sobre o viático que o
provincial do Carmo pede para dois religiosos
que vão ao Brasil
Consulta do Conselho da Fazenda sobre D.
Rodrigo Lobo pedir Capelão-Mor
Decreto da princesa Margarida (...)
Minuta de Consulta do Conselho da Fazenda
sobre duas cartas do Bispo do Brasil, D. Pedro
da Silva e Sampaio
Carta do Bispo do Brasil para Felipe IV” (Cópia
Mutilada).
Requerimento do Padre Manuel Delgado que
veio do Brasil (...)
Carta do Governador Pedro da Silva para Sua
Majestade (...) do empréstimo que fizeram o
Bispo e Lourenço de Brito Correia
Requerimento do Licenciado Amador Antunes
de Carvalho, Capelão-Mor do Terço Velho da
Bahia (...)
Certidões abonando o procedimento dos jesuítas
(...) [Publicado em anexo a Relação Diária do
Cerco da Bahia em 1638]
Certidão de D. Pedro da Silva de Sampaio
8
949
Carta de Frei Manuel de Santa Maria para S.
c.1625
26-03-1626
04-04-1626
22-04-1626
20-10-1627
04-01-1629
13-02-1629
12-04-1633
11-12-1634
01-02-1635
12-04-1635
23-05-1635
16-06-1635
29-08-1635
26-03-1635
c.1635
19-01-1637
12-06-1638
14-08-1638
15-03-1641
13-09-1641
15-01-1642
126
22-03-1642
966
Majestade (...)
Requerimento de Simão de Vasconcellos, jesuíta
(...)
Requerimento do jesuíta Paulo da Costa (...)
8
970
Carta de Antonio teles da Silva para S. Mag
10-09-1642
8
975
Carta de Antonio Teles da Silva para sua Magestade
sobre a falta de escravos
22-09-1642
8
976-977
23-09-1642
8
992
8
1000
8
1003
8
1006
8
1007-1008
8
1010-1016
8
1020-1022
8
1026
8
1027-1028
8
1030
9
1042
9
1047
9
1053
Carta do Governador do Brasil Antonio Teles da
Silva (...)
Auto que mandou fazer o Governador Antonio
Teles da Silva
Carta do provedor da Fazenda Sebastião Parvi
de Brito para S. Magestade
Carta do Governador do Brasil Antonio Teles da
Silva (...) sobre o ordenado do Bispo
Carta do Padre Amador Antunes de Carvalho
para S. Majestade
Requerimento de Frei Lourenço de Brito Correia
30 mil cruzados a título de empréstimo a
Manuel Garcia Franco
Consulta do Conselho da Fazenda sobre os
papéis tocantes ao procedimento de Lourenço de
Brito Correia
Consulta do Conselho da Fazenda sobre o
governador do Brasil Antônio Teles da Silva (...)
Requerimento do Sacerdote Miguel de
Ladesman, sacerdote do hábito de São Pedro,
que tem alvará para a vigária de Santo Antonio
do Carmo (...)
Carta do Governador Antonio Teles da Silva
para D. João IV
Cópia de outra carta de um morador de
Pernambuco para o Governador Antonio Teles
da Silva
Consulta do Conselho Ultramarino sobre o
Padre Frei Estevão de Jesus que pede o cargo de
Administrador Geral da gente de guerra do
Brasil
Sobre a fortificação da cidade da Bahia
9
1062
9
1079
9
1088-1092
9
1096
10
1111
10
1119
8
955
8
Minuta de Consulta do Conselho Ultramarino
sobre o modo como o Bispo do Brasil provê e
cola os benefícios
Consulta do Conselho Ultramarino sobre a
prisão e suspensão que o Governador Antonio
Teles da Silva
Consulta do Conselho Ultramarino sobre os
navios que enviou o Governador Antonio Teles
da Silva (...)
Informação do Governador do Brasil e mais
papéis relativos ao ordenado do Bispo, obras e
fábrica da Sé (...)
Consulta do Conselho Ultramarino sobre o que
escreve o Governador Antonio Teles da Silva,
acerca do empréstimo de 30:000 cruzados que se
pediu ao Bispo D. Pedro da Silva
Consulta do Conselho Ultramarino sobre os
200$000 reis que se dão ao Bispo do Brasil (...)
12-06-1642
19-11-1642
28-01-1643
31-01-1643
24-04-1643
02-05-1643
?-06-1643
20-11-1643
16-01-1644
23-05-1643
28-01-1644
07-08-1644
18-03-1644
13-05-1644
20-06-1644
25-10-1644
16-12-1644
1644
15-04-1645
30-05-1645
127
10
1120
10
1128-1129
10
1132
10
1134 -1137
10
1155-1158
10
1164
10
1240-1241
11
1245
11
1252
11
1282
11
1293
11
1307
11
1310-1311
11
1332
11
1355
11
1374
11
1384
12
1395
12
1459
12
1464-1465
12
1481
13
1532-1533
13
1557
13
1609
Minuta de Consulta do Conselho Ultramarino
sobre o socorro de 500 soldados quês e mandam
a Bahia
Carta Régia para o Governador Antonio Teles
da Silva (...)
Consulta do Conselho Ultramarino sobre o
Bispo D. Pedro da Silva e ordenados que o
Governador (...) lhe tem empatado
Representação que os Oficias da Câmara de
Porto Seguro (...)
Minuta de Consulta do Conselho Ultramarino
sobre cartas do Bispo (...) relativas as obras da
Sé, e a queixas contra o Governador
Pareceres dos conselheiros do Conselho
Ultramarino Jorge de Albuquerque, Jorge de
Castilha e do Marquês de Montalvão
Consulta do Conselho Ultramarino sobre a
extinção do Vinho de Mel e Aguardente da
Bahia
Requerimento de Manuel Lopes que levou a
Angola no seu navio , quatro capuchinhos (...) e
sendo atacado por três naus holandesas deu com
o navio à costa para não ser tomado o aviso que
levava (...)
Consulta do Conselho Ultramarino sobre o
Padre Frei Mateus de São Francisco (...)
Carta dos oficiais da Câmara da Bahia (...)
Consulta do Conselho Ultramarino sobre o
Padre Frei Mateus de São Francisco (...)
Vigário Gaspar Ferreira
Consulta do Conselho Ultramarino sobre o
Padre Manuel Rodrigues (...)
Consulta do Conselho Ultramarino sobre queixa
que fez o Governador do Brasil Conde de Vila
Pouca de Aguiar (...)
Consulta do Conselho Ultramarino sobre o que
pede Lourenço de Brito Correia (...)
Vintena do Vinho
Carta do Conde de Castelo Melhor, governador
do Brasil sobre a armada a cargo do Conde de
Vila Pouca de Aguia
Consulta do Conselho Ultramarino sobre o que
escreve da Bahia Antonio de Couros Carneiro
acerca das injustiças, roubos e insolências que
ali houve
Consulta do Conselho Ultramarino sobre os
religiosos do Carmo da província do Brasil (...)
Assento que se tomou em Câmara com os três
estados (...)
Frei Pantaleão Batista
Consulta do Conselho Ultramarino sobre (...) o
mau procedimento do clero
Consulta do Conselho Ultramarino sobre a nova
imposição dos vinhos que se fez em lugar da
vintena
Baixa da Moeda (cópia)
30-05-1645
25-07-1645
17-08-1645
23-08-1645
09-06-1645
07-12-1645
17-02-1647
02-03-1647
13-03-1647
07-01-1648
24-04-1648
11-01-1648
19-10-1648
03-07-1649
19-11-1649
17-10-1650
08-03-1651
19-11-1649
30-01-1652
24-05-1652
10-12-1652
11-09-1653
20-07-1654
01-08-1643
128
14
1665
15
1723
15
1727
15
1732
15
1776
16
1797
16
1808
16
1863
16
1896
17
1899
17
1913
17
1973
18
2093
20
2294
20
2356
21
2428
21
2440
34
4339
34
4361
Carta do Conde de Atouguia sobre o contrato
dos dízimos. (A carta de Secco de Macedo segue
em anexo)
12-12-1656
Informação sobre as perdas que o Dique deu aos
padres do Carmo daquella Cidade
Padre Manoel Rodrigues
06-06-1658
Frei Francisco Salas
Carta do governador Francisco Barreto para S.
Magestade (anexo)
Carta de Lourenço de Brito Correia, Provedor da
fazenda, para S. Mag.de
Memoria dos emgg.os que ouue no Reconcavo
da B.a, e os que oie esta desfabricados, e
juntamente os que se fizerão de nouo depois de
estinttos os outros
Consulta do Conselho Ultramarino sobre os
religiosos de São Bento da província do Brasil
que pede provisão semelhante à que se passou
aos jesuítas, para não pagarem direitos nas
alfândegas, das fazendas que mandarem e lhes
forem enviadas
Consulta do Conselho Ultramarino sobre os
oficiais da Câmara da Bahia e o governador
Francisco de Barreto pediram a S. Mag.de passe
nova provisão em que se declare que
desembargadores, clérigos e religioso paguem
donativos e contribuições, para sustento da
infantaria
Carta do provedor-mor da fazenda Lourenço de
Brito Correia para SMag.de
Consulta do Conselho Ultramarino sobre as
razões e causas que o vice-rei Conde de Obidos
teve para não dar execução a reformação dos
tenentes generais e capelães do presídio da praça
da Bahia
Provisão para o Vice-Rei Conde de Obidos
pagar a D. Micaela da Silva dinheiro por conta
do que se ficou devendo a seu tio o Bispo D.
Pedro da Silva
Consulta do Conselho Ultramarino sobre a
reformação da provisão que pede Silvério da
Silva da Fonseca, sobre o pagamento do
dinheiro que se lhe tomou por empréstimo do
vínculo e herança do Bispo do Brasil, D. Pedro
da Silva
Consulta do Conselho Ultramarino sobre frei
Antonio Gallante, religioso da Santíssima
Trindade e catalão de nação, que pede o cargo
de administrador no Brasil
Alvará sobre as obras da Sé da Bahia.
Cópia da provisão que se deu ao Bispo D. Pedro
da Silva, para não pagar direitos. Anexo.
Carta de Pero de Sousa Pereira para S. Mag.de
Parecer de Salvador Correia de Sá sobre o
cativeiro dos índios e as religiões poderem ter a
administração de uma aldeia que não passe de
02-09-1660
12-02-1659
17-08-1662
12-06-1661
23-05-1662
03-10-1662
10-11-1662
01-03-1662
23-11-1663
02-07-1665
27-02-1669
08-05-1670
17-11-1633
02-10-1632
c.1642
c.1663
129
100 casais, em cada mosteiro, para benefício de
sua fazenda
Bahia – Não Catalogados
Caixa
Documento
Título
1
40
1
46
Carta de Antonio Teles da Silva
21-10-1643
1
65
Padre Manuel de Castilho
30-10-1645
1
66
Sobre a fundação de um convento na Bahia
12-04-1646
1
82
c.1651
1
109
2
117
2
117
2
117
Frei Manuel da Silveira
Carta dos oficiais da Câmara da Cidade da
Bahia ao Rei [D. Afonso VI] agradecendo a
provisão para que não haja privilegiados que não
paguem as contribuições que se lançam para
sustento da infantaria
Com a Cons.ta inclusa sobre o que pedem os
Relig.os do Conuento de nossa s.ra do Monte do
Carmo da Cidade da Bahia
[Anexo 2] Sobre o que pedem o Prou.al e
Relegiozos da ordem de nossa s.a do monte do
carmo dos comuentos (sic) do estado do Brazil
[Anexo 3] Sobre o que pede o Prior e
Relegiozos do comuento de nossa s.a do monte
do Carmo da B.a de todos os santos, e uay a
cons.ta que se acuza
Regimento do Governador Antonio Teles da
Silva
Data
16-106-1642
03-08-1657
29-01-1661
19-01-1656
17-08-1656
Bahia - Catálogo Eduardo de Castro de Almeida
Caixa
Documento
1
2-5
1
Título
Representação de Manuel do Rego Siqueira,
como procurador dos Officiais da Câmara da
Cidade de S. Salvador, Bahia de Todos os
Santos (...).
Rellação dos navios que se perderão hindo e
vindo do Estado do Brasil, desde o anno de 1647
athe o fim do anno de 1648
18.00718.012
Data
s.d / (1626)
c.1648
Patentes de Santo Antonio
1705
Pernambuco
Caixa
Documento
Título
Data
3
213
Gaspar Gomes de Mello
1635
3
223
Assinatura do Padre Antonio Veira (clérigo)
15-10-1636
3
275
Petição dos jesuítas cativos
30-05- Anterior a 1638
4
318
Cabo Agostinho Cardoso
23-08-1641 e 18-081642
130
. 19-09-1645
327
Consulta acerca das obras da Sé e do pagamento
dos Vigários da Paraíba e Pernambuco
Carta de Cosmo de Castro Passos
5
422
Petição de Frei Manoel Calado
03-08-1651
5
429
Frei Manuel da Silveira
03-11-1651
7
626
Petição de Fr. Francisco de Andrada
09-03-1661
4
325
4
15-10-1645
Maranhão - Catálogo Eduardo de Castro de Almeida
Caixa
Documento
Título
Data
1
Pará - Catálogo Eduardo de Castro de Almeida
Caixa
Documento
1
20
1
27
Título
Consulta do Conselho da Fazenda para o rei [D.
Felipe III] sobre a carta do Capitão mor do Pará]
Manuel de Sousa de Eça, apontando a
necessidade de padres da Companhia de Jesus e
da Ordem de Santo Antônio para doutrinarem os
índios e evitarem heresias dos estrangeiros
Consulta do Conselho da Fazenda para o rei [D.
Felipe III] sobre a concessão de sessenta varas
de “buril” para as vestimentas dos religiosos
missionários que vão para o Pará
Data
28-06-1621
29-03-1624
Rio de Janeiro - Catálogo Eduardo de Castro de Almeida
Caixa
Documento
602
609
882
Título
Consulta do Conselho Ultramarino, acerca do
que fizera o Governador do Rio de Janeiro, de
terem os Padres da Companhia de Jesus
abandonado as aldeias dos índios, cuja a
administração lhes estava confiada
Carta de Duarte Correia Vasqueanes em que
pede socorro para a defesa da praça do Rio de
Janeiro
Consulta do Conselho Ultramarino sobre a
penhora que se mandara fazer em mais de
100.000 cruzados que dois padres biscainhos
haviam dado a guardar aos Religiosos da
Companhia do Rio de Janeiro, para serem
enviados a Biscaia
Data
24-07-1647
03-05-1647
23-11-1662
Códices das Mercês Gerais
Localização
_____
Documento
Livros de Consultas de Mercês Gerais de todas as partes
ultramarinas – Códice 79
Período
(1644-1844)
131
_____
_____
_____
_____
_____
_____
Livros de Consultas de Mercês Gerais de todas as partes
ultramarinas – Códice 80
Livros de Consultas de Mercês Gerais de todas as partes
ultramarinas – Códice 81
Livros de Consultas de Mercês Gerais de todas as partes
ultramarinas – Códice 82
Livros de Consultas de Mercês Gerais de todas as partes
ultramarinas – Códice 83
Livros de Consultas de Mercês Gerais de todas as partes
ultramarinas – Códice 84
Livros de Consultas de Mercês Gerais de todas as partes
ultramarinas – Códice 85
(1645-1647)
(1647-1650)
(1650-1654)
(1654-1661)
(1661-1672)
(1672-1687)
Códices de Consultas do Conselho da Fazenda
Localização
Documento
Período
_____
Códice 13
(1644)
_____
Códice 37
(1627)
_____
Códice 38
(1629)
_____
Códice 39
(1631)
_____
Códice 40
(1634)
_____
Códice 41
(1635)
_____
Códice 44
(1640)
Códice 278
Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano
Localização
_____
_____
_____
_____
_____
_____
Documento
Dagelijksche Notulen derem Hooger Raden in Brazilië (Nótulas
Diárias do Alto Conselho do Brasil) – Volume 3
Dagelijksche Notulen derem Hooger Raden in Brazilië (Nótulas
Diárias do Alto Conselho do Brasil) – Volume 4
Dagelijksche Notulen derem Hooger Raden in Brazilië (Nótulas
Diárias do Alto Conselho do Brasil) – Volume 5
Dagelijksche Notulen derem Hooger Raden in Brazilië (Nótulas
Diárias do Alto Conselho do Brasil) – Volume 6
Dagelijksche Notulen derem Hooger Raden in Brazilië (Nótulas
Diárias do Alto Conselho do Brasil) – Volume 7
Dagelijksche Notulen derem Hooger Raden in Brazilië (Nótulas
Diárias do Alto Conselho do Brasil) – Volume 10
Período
(1637)
(1638)
(1639)
(1640)
(1641)
(1644)
Instituto Geográfico e Histórico da Bahia
132
Localização
Cx 01
Doc. 55
Documento
Cópia de Carta da Duqueza de Matua ao cabido do colegiado de
Guimaraães
Autor/Período
D. Margarida de Mantua
/ 1635
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – Rio de Janeiro
Fundo
Arquivo
Hélio
Viana
Documento
Título
Data
Relación de la Bahia desde 29 de Março hasta
veinte y nuebe de Abril que [...] a Pernambuco;
A los Pueblos del Brasil y demas parte en las
Indias ocidentales...; varios progressos de los
olandeses en el Brasil...; Treslado da Residência
que se tirou ao Reverendo Padre [...] Frei
Manuel Alvares cujo teor é o seguinte...;
Relação de todos os ofícios da fazenda e Justiça
que há neste Estado do Brasil... (Documentos da
Biblioteca Nacional - Madri - Espanha). 90 p.
1500-1749
DL1567.001
O arraial de D. Marcos Teixeira: contestação à
memória do cônego Manuel Barbosa. 4 doc.
527 p. ms. dat.
s.l. / s.d.
DL1592.002
Dom Marcos Teixeira. Notas /
José Wanderley de Araújo Pinho. 2 doc; 14 p.
s.l. / s.d.
DL1592.003
Dom Marcos Teixeira. Notas e rascunhos.
Acréscimos e modificações para uma 2ª edição /
José Wanderley de Araújo Pinho. 42 p.
s.l. / s.d.
7
Documentos
Arquivo
Wanderley
Pinho
Arquivo
Wanderley
Pinho
Arquivo
Wanderley
Pinho
Arquivo
Wanderley
DL1598.008
Pinho
Arquivo
Wanderley
DL1616.041
Pinho
O heroismo de um prelado, de N.C. (Correio da
Manhã, 7/10/1956). Sobre o bispo D. Marcos
Teixeira. Notas e críticas /
José Wanderley de Araújo Pinho. 2 doc; 3 p.
Transcrição de consulta do marquês vice-rei
sobre uma petição de Marcos Teixeira, bispo
eleito do Brasil, sobre o pagamento das bulas da
igreja do Brasil. Lisboa, 10/04/1620 (A.H.C.
códice nº32, fl.48) / José Wanderley de Araújo
Pinho. 1 doc;2 p.
s.l. / 1956.out.07
s.l. / s.d.
Real Academia de Historia de Madrid
Fondo Manuscrito
Localização
9/7117
Documento
Traslado do auto que mando façer Diego Luis de
Oliveira, gobernador del Brasil. Los padres Simão
Maceta y Justo Mancilha d ela Compañia de Jesús
de la província del Paraguay declaram que: manuel
de Mello embarco em la villa dos Santos uma gran
cantidad de indios, procedentes de San Pablo, que
Autor/Período
[S.I] / s.d
133
desembarco casi todos en la capitanía del Espíritu
Santo, y otros en Bahia. Y piden que se pregunte a
los testigos, cuyos testimonios se insertan
9 /7119
Expedito Brasílica. Cópia em Português (Coimbra,
cópia do século XIX)
MACEDO, Pe.
Francisco de, S.J. /
1626
Colección Jesuitas (Tomos)
Localização
Documento
Autor/Período
Catálogo de documentos
sobre América de la
Expedito Brasílica “Prefari pauca mihi opus ontri
MACEDO, Pe.
Colección Jesuítas.
licet...// Coninbricae Tertio Kal. Decembre, 1626.
Francisco de, S.J. /
Tomo IV Col. Jesuítas nº
Paternitatis vestra indignus filius” Fl. 24.
1626
30. 18 hojas
Discurso Del Señor Juan Van Oldenbarneveldt
Cauallero, Abogado, de las Provincias de Holanda
y Frisia Ocçidental, a los altos y poderosos Señores: OLDENBARNEVEL
Doc. 1376
los señores Estados de lãs ditas Prouiçias. Impresso
DT, Juan Van
em La Haya por Hillebrando Jacobs Impressor
ordinário y jurado de los señores Estados de
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vulgarmente a Bicha : recitado na Igreja do Real Collegio de Jesu a 10 de Mayo de
1742. Lisboa: na Officina dos Herdeiros de Antonio Pedrozo Galram, 1743.
ANJOS, Manoel, O.F.M. Sermam que pregou o Bispo de Fez Dom Frey Manoel dos
Anjos em a festa da beatificaçam do glorioso Sam Franciso [sic] de Borja no Collegio
da Companhia de Jesu... de Evora em 26. de Novembro de 1624. Évora: Manoel
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dos Pregadores na Sé da Bahia de Todos os Santos na cidade de Salvador na primeira
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quarto... Frey Bernardo de Braga... offerece este Sermaõ, que prégou na Sé da...
[Bahia]... a 18 de Junho de 1644. em a nova publicaçaõ da Bulla da Sancta Cruzada.
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BRAGA, Bernardo de, O.S.B. Serman, Qve Pregov o Mvito R. P. F. Bernardo de Braga
Lente de Theologia na Prouincia do Brasil , Dom Abbade de S. Bento de Pernambuco ,
na festa que fez o Mestre de Campo Andrè Vidal de Negreiros a N. S. de Nazarè a
segunda oitava do Natal de 648. estando o Senhor todo dia exposto; pregou pella
manham o muito R. P. F. Mattheus de Sam Francisco, da terceyra Hierarchia Serafica,
que renunciou o Bispado de Meliapor na India, ora Comissario da Infantaria do Estado
do Brasil: a tarde fez este Sermão o P. Dom Abbade. OFFERECIDO AO MESTRE DE
CAMPO Andrè Vidal de Negreyros, eleito Governador do Maranhão. Lisboa: Paulo
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Equus Rusus – Volume 3 - PPGH - UFBA