AS COOPERATIVAS DE CRÉDITO DE LIVRE ADMISSÃO DE ASSOCIADOS E SEUS PRINCIPAIS MECANISMOS DE CRESCIMENTO E FORTALECIMENTO Cláudia Fernanda Iten1 RESUMO A proposta do presente artigo é estudar os principais mecanismos de crescimento e fortalecimento das cooperativas de crédito de livre admissão, apresentando-se como ferramentas a criação de fundos de investimentos regionais e a educação cooperativista. PALAVRAS-CHAVE: cooperativas de crédito; mecanismos de crescimento; educação cooperativista; fundos de investimentos regionais. INTRODUÇÃO As cooperativas de crédito revelam-se de grande importância para as comunidades onde estão localizadas e exercem um papel fundamental no crescimento e desenvolvimento de uma região. A diferença de uma região desenvolvida está no nível de organização de uma sociedade e o cooperativismo é o braço econômico dessa realidade social. Como será explanado no decorrer do presente artigo, esse sistema econômico está em ascensão, gerando não apenas emprego e renda, mas também dando a oportunidade das pessoas cooperarem entre si, de se ajudarem mutuamente. ¹Aluna do curso de Pós Graduação MBA Gestão de Cooperativismo de Crédito pelo Instituto Nacional de Pós Graduação - INPG. Pós Graduada em Direito Previdenciário e Direito Processual Civil. Formada em Direito pela Universidade Regional de Blumenau. 2 A preocupação com o desenvolvimento regional e a inquietação no que se refere à educação e ao progresso de outras comunidades, são fatores que levam a crer que o cooperativismo de crédito pode ser considerado uma alternativa exeqüível para o desenvolvimento regional, bem como o humano. O presente estudo apresenta uma análise sobre a forma de crescimento do cooperativismo de crédito de livre admissão no Brasil, tendo em vista a importância singular do cooperativismo de crédito para toda a sociedade e como alternativa de aplicação de recursos privados de associados em favor da própria comunidade onde as mesmas estão inseridas. Tal crescimento se deve ao aspecto da captação de recursos para a formação de poupança e do financiamento de iniciativas empreendedoras regionais, as quais trazem benefícios evidentes na geração de emprego e renda local e regional, sem esquecer-se da educação cooperativista, importante alicerce para o crescimento e o futuro do cooperativismo de crédito. AS COOPERATIVAS DE CRÉDITO DE LIVRE ADMISSÃO DE ASSOCIADOS As sociedades cooperativas estão reguladas pela Lei n° 5.764, de 1971 que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas. Em seu artigo 4º, definiu-se que “As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados...” Com a edição da Resolução 3.106, em 25 de junho de 2003, o Governo Federal deu um importante passo na direção do fortalecimento e crescimento das cooperativas de crédito no País. Essencialmente, a resolução aprimora dispositivos regulamentares aplicáveis às cooperativas de crédito, fortalece o papel das cooperativas centrais e permite a criação de cooperativas de livre admissão de associados, alterando o 2 3 modelo anterior, em que as cooperativas só podiam atender a segmentos específicos da população (por exemplo, produtores rurais, microempresários, médicos, comerciantes de determinado ramo), o que limitava sua atuação e, conseqüentemente, a adesão de novos associados. A regra atual permite a organização de populações hoje com pouco acesso a serviços financeiros, como as localizadas mais distantes dos grandes centros urbanos, para que possam mobilizar e aplicar recursos em seu próprio benefício, estimulando o desenvolvimento de sua região e pequenos empreendimentos urbanos e rurais geradores de empregos. As atuais cooperativas segmentadas poderão também se transformar em cooperativas abertas, se fundir, e dessa forma ganhar escala e solidez. Segundo Meinen e Port (2014, p. 58): o desinteresse dos bancos com relação a comunidades remotas ou de baixa densidade populacional comprova porque em vários municípios com até 10 mil habitantes,,notadamente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, as cooperativas detêm uma elevada presença, que não raro ultrapassa 60% (sessenta por cento) a 70% (setenta por cento) da população economicamente ativa. Aliás, as cooperativas são, também, as únicas instituições financeiras em 564 municípios brasileiros. Essa forte presença cooperativista em tais localidades só é viável diante do regime da livre admissão. E hoje os principais instrumentos de controle das novas cooperativas de livre admissão são as cooperativas centrais de crédito. Cada cooperativa de livre admissão, denominada singular, deve estar filiada a central com o mínimo de três anos de funcionamento e determinado porte mínimo definido por lei, variável conforme a região do País. Esta central deverá dar concordância à criação da nova cooperativa e, principalmente, supervisionar seu funcionamento, promover a capacitação de seus dirigentes e realizar semestralmente a auditoria de suas demonstrações financeiras. Outros instrumentos de controle - que também podem ser viabilizados por meio das centrais - são a participação obrigatória da cooperativa de livre admissão em fundo garantidor de depósitos e a produção de relatórios de controles internos, de auditoria interna e de sistemas de informação. 3 4 Ao mesmo tempo, as cooperativas, tanto singulares quanto centrais, serão conduzidas a planejar com maior cuidado a estruturação da sociedade já no momento de sua formação. Para este fim, foram aplicadas ao setor das cooperativas de crédito disposições análogas às estabelecidas para o restante do Sistema Financeiro Nacional, no tocante às regras de acesso. Assim, é exigida a apresentação de documento descrevendo as principais características da cooperativa, podendo o Banco Central do Brasil, caso necessário, solicitar estudo de viabilidade econômica e outros documentos que entender necessários à análise. Diversos autores sugerem que o cooperativismo de crédito seja a referência mais promissora para se popularizar as finanças no Brasil, como BÚRIGO (2006, p. 74): “(...) além de ser uma sociedade de pessoas e não de capital, a cooperativa de crédito é a única organização legalmente autorizada, além dos bancos, a captar depósitos (poupança) e que se classifica como um dos instrumentos chaves para se dinamizar a economia local.” A perfeição associativa, na medida em que densifica e torna mais eclético o quadro social, também permite à cooperativa lançar novos produtos e serviços, ganhando mais força em busca do aumento de sua participação em volume de depósitos e operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional, tornando-se mais competitiva, independente e sustentável, além de livrar os cooperados da obrigação de manter uma dupla e desnecessária militância bancária, uma em cooperativa e outra em instituição financeira, já que os donos-usuários passam a ter tudo o que precisam na sua própria cooperativa e, especialmente, em condições mais favoráveis às da concorrência, as instituições financeiras. Além disso, em 2014 entrou em funcionamento o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito – FGCoop que, segundo conceito previsto no site do Banco Central do Brasil: é uma associação civil sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, de direito privado, de abrangência nacional, que permite recuperar os depósitos ou créditos mantidos nas cooperativas singulares de crédito e nos bancos cooperativos (Bancoob e Banco Sicredi), até determinado valor, em caso de intervenção ou liquidação extrajudicial. 4 5 Em suma, é um dos instrumentos da rede de proteção do sistema cooperativo de crédito e contribuiu para reforçar a confiabilidade na solidez do segmento cooperativista. Alia-se a isso o movimento em curso no sistema de referenciar as cooperativas de crédito como cooperativas financeiras, refletindo a completude de seus produtos e serviços. Hoje é correto afirmar que sem a livre admissão o cooperativismo financeiro estaria aquém da importância que já ostenta. Aliás, não se pode desconsiderar a hipótese do insucesso de um grande número de cooperativista mutualistas pela falta de escala ou em decorrência de crises sazonal em determinado período, em cujo cenário o movimento se tornaria um grande problema para a coletividade e para a supervisão oficial. Nesse caso, o atendimento, os preços dos produtos e serviços, a adequação das soluções e outros aspectos relevantes da atividade bancária provavelmente mereceriam reprovação bem maior dos usuários, pois o cooperativismo estaria tendo protagonismo menos significativo como agente regulador de mercado. E há muito ainda a ser realizado. Os números apresentados pelo cooperativismo no Brasil, a toda evidência, estão bastante aquém do real potencial do setor. Para ampliar o universo de associados beneficiários do movimento e, como decorrência, repercutir mais fortemente no aprimoramento da atividade bancária como um todo, as cooperativas podem aproveitar melhor a prerrogativa da livre adesão de associados. Segundo dados de dezembro de 2014 do Banco Central do Brasil existiam 1.153 Cooperativas Financeiras no Brasil que administravam ativos totais de R$ 202 bilhões, representando uma participação de mercado de 2,70% (dois vírgula setenta por cento) no total de ativos do mercado financeiro brasileiro e dando às cooperativas de crédito a 6ª (sexta) posição no ranking das maiores instituições financeiras do país. As operações de crédito totais atingiram R$ 89 bilhões em dez/14, representando 2,90% (dois vírgula noventa por cento) do total do Sistema Financeiro Nacional e os depósitos de R$ 96 bilhões representam 4,90% (quatro vírgula noventa por cento). Em Santa Catarina há registros de 115 (cento e quinze) cooperativas de crédito. Em relação aos cooperados, todas as categorias de cooperativas somam 5 6 mais de 1.200.000 (um milhão e duzentos) adeptos do ramo de crédito. A soberania do ramo crédito é evidente, mesmo porque o sistema de cooperativismo de crédito é o mais consolidado do País. Sabe-se que as cooperativas apresentam uma importante função de desenvolvimento socioeconômico aliada à geração e distribuição de renda e que o cooperativismo aproxima o econômico do social e estas são as duas linhas fundamentais para o desenvolvimento de uma comunidade. Mesmo ofertando os mesmos serviços disponibilizados pelos bancos, como empréstimos pessoais e crédito para capital de giro, serviços financeiros como abertura de conta corrente e aplicações financeiras, cobrança, seguros, pagamento de contas de água, luz, telefone, impostos e títulos diversos, consórcios, previdência privada, as cooperativas, em sua maioria, apresentam maiores vantagens em relação às instituições bancárias, o que assegura um papel importante na ampliação do acesso a serviços financeiros para a população, pois é por meio da interação solidária ou da mutualidade que a cooperativa faz com que um indivíduo empreste a outro, disponibilizando um instrumento formal que ofereça garantias seguras a esse indivíduo que, provavelmente, não emprestaria seu dinheiro diretamente a um vizinho e vice versa. Assim, pode-se afirmar que o setor cooperativista é de singular importância para a sociedade, na medida em que promove a aplicação de recursos 6 7 privados e assume os correspondentes riscos em favor da própria comunidade onde se desenvolve, aproximando o fato econômico do social. O cooperativismo, conforme consta do livro INFOCOS (2012, p. 28): é, ao mesmo tempo, movimento, filosofia de vida e modelo socioeconômico, que possibilita desenvolvimento econômico e bem-estar social. Seus referenciais fundamentais são participação democrática, solidariedade, independência e autonomia. Fundamenta-se na reunião de pessoas para o trabalho, e não no uso do capital para mera obtenção de lucro, buscando prosperidade conjunta. Essas particularidades fazem do cooperativismo a forma de organização que leva ao sucesso dos participantes, com equilíbrio e justiça. Associado a valores universais, o cooperativismo se desenvolve independentemente de território, língua, credo ou nacionalidade. E há duas ferramentas para fomentar o cooperativismo de crédito no Brasil que contribuirá fortemente com o fortalecimento do cooperativismo e crescimento do número de associados, o que contribuirá para que as às cooperativas de crédito passem a figurar entre as primeiras posições no ranking das maiores instituições financeiras do País, quais sejam: criação de fundos de investimentos regionais e a educação cooperativista, que serão explanadas a seguir. FUNDOS DE INVESTIMENTOS REGIONAIS As cooperativas já vêm dando conta, naturalmente, de seu papel no campo da inclusão financeira - um dos pilares que constituem a sua razão de ser -, lado a lado com as demais instituições financeiras. Espera-se, portanto, que ampliem o seu relacionamento com os atuais associados e, de modo especial, estendam a atuação para um universo maior e mais consistente de associados, aumentando, assim, o seu protagonismo como agentes reguladores de mercado, para cujo intento terão de competir efetivamente com o sistema bancário nos diferentes públicos e nos mais diversos produtos e serviços. A partir de 31 de agosto de 2005, com a publicação da Resolução n° 3.309, o Banco Central do Brasil dispôs sobre a certificação de empregados das 7 8 cooperativas de crédito, assim como autorizou as cooperativas de crédito a atuarem na distribuição de cotas de fundos de investimento abertos. Assim, autorizado, a criação de fundos de investimentos regionais apresenta-se como uma promissora opção de investimento e crescimento às cooperativas, bem como da população e comunidade na qual está inserida. A partir da percepção de perspectivas e tendências do mercado, os sistemas cooperativismos, aqui trazendo como exemplo o sistema SICOOB, poderiam estruturar Fundos de Investimentos regionais. Fundos de investimento é uma comunhão de recursos constituída sob a forma de condomínio, destinada ao investimento em títulos e valores mobiliários, dividida em cotas ideais e administrada por entidade a tanto habilitada junto a autoridade competente. Segundo site Wikipedia: Um fundo de investimento é uma forma de aplicação financeira, formada pela união de vários investidores que se juntam para a realização de um investimento financeiro, não possuindo personalidade jurídica, e sendo constituído tal qual um condomínio, visando um determinado objetivo ou retorno esperado, dividindo as receitas geradas e as despesas necessárias para o empreendimento. A administração e a gestão do fundo são realizadas por especialistas contratados. Os administradores tratam dos aspectos jurídicos e legais do fundo, os gestores da estratégia de montagem da carteira de ativos do fundo, visando o maior lucro possível com o menor nível de risco. A Instrução da Comissão de Valores Mobiliários nº 409, de 18 de agosto de 2004, com alterações introduzidas pelas Instruções CVM nºs 411/04, 413/04, 450/07, 456/07, 465/08, 512/11, 522/12, 524/12, 536/13 e 549/14, em seu artigo 2º, define Fundo de Investimento: “Art. 2º. O fundo de investimento é uma comunhão de recursos, constituída sob a forma de condomínio, destinado à aplicação em ativos financeiros, observadas as disposições desta Instrução.” Com a criação de fundos de investimentos, as cooperativas vinculadas ao sistema SICOOB, por exemplo, podem oferecer aos seus associados taxas muito 8 9 mais competitivas, além de operações mais estruturadas e, tão importante quanto fomentar o cooperativismo local, irá contribuir com o desenvolvimento regional e de seus cooperados. Neste sentido, Bittencourt, 2001: O crédito é um dos pilares para o desenvolvimento econômico e social. Se o acesso ao crédito não for privilégio de uma pequena parcela da sociedade, mas pelo contrário, for uma instituição à disposição de toda a sociedade, ele terá um poder de incentivar a atividade econômica e a geração de renda, desde que o associado tenha algum nível de qualificação profissional e acompanhamento gerencial. Trata-se de um orçamento de grande impacto que serve de alavanca para o desenvolvimento do País ao colocar à disposição dos agentes econômicos recursos para o investimento, estimulando, deste modo, a criação de riqueza nos distritos pelo aumento da produção e da produtividade e criação de empregos, incluindo auto-emprego. Assim, podemos afirmar que o setor cooperativista é de singular importância para a sociedade, na medida em que promove a aplicação de recursos privados e assume os correspondentes riscos em favor da própria comunidade onde se desenvolve. Ainda, o associativismo, como uma ação coletiva cujos objetivos são comuns ao grupo em que todos trabalham em prol do mesmo, pode ser importante para a superação de muitos problemas entre os quais a pobreza. Porém, para Paugan (2003, p. 36), “a participação na vida associativa é duas vezes maior entre as pessoas que possuem um emprego estável do que entre os desempregados”. É importante também destacar que, numa sociedade capitalista, o estímulo ao individualismo não favorece culturalmente processos coletivos, o que dificulta ainda mais propostas associativistas. Assim, a criação de fundos de investimentos locais apresenta-se como um dos mecanismos de fortalecimento e crescimento das cooperativas de crédito de livre admissão de associados. 9 10 EDUCAÇÃO COOPERATIVISTA A ACI - Aliança Cooperativa Internacional definiu 7 (sete) princípios universais que regem o cooperativismo, a prática dos seu atos e valores, quais sejam: adesão voluntária e livre, gestão democrática pelos membros, participação econômica dos membros, autonomia e independência, educação, formação e informação, intercooperação, interesse pela comunidade. Como se vê, a Educação Cooperativista se apresenta como o 5º princípio, denominado “Educação, Formação e Informação”. Este princípio é de suma importância, pois o sistema cooperativista constitui doutrina própria, com princípios, formas de atuação específicas e definidas. Especificamente na educação, importante que a cooperativa invista no ensino de seus conselheiros, dirigentes, colaboradores, dos seus associados e da comunidade em geral, como forma de esclarecimento a respeito do pensamento cooperativo. Neste sentido, a Lei n° 5.764/71 em seu artigo 28, inciso II, determina às cooperativas a obrigatoriedade da constituição de um Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, denominado FATES, com o recolhimento de, no mínimo, 5% (cinco por cento) das sobras líquidas do exercício. A educação cooperativista, aqui compreendendo também a formação e informação, quinto princípio cooperativo, como dito, é de extrema importância para o crescimento do cooperativismo. CANÇADO (2005, p. 9) comenta sobre este princípio: “Deve ser entendido como uma condição de crescimento continuado do associado como pessoa (Educação) e como profissional (Formação), além do acesso deste associado a todas as informações relativas à cooperativa (Informação)”. O princípio da educação, formação e informação na cooperativa, quando bem aplicado é o principal instrumento para o crescimento e fortalecimento de uma organização cooperativista. 10 11 Segundo Koslovski (1987, p. 11 apud CANÇADO, 2005): os Comitês de Educação constituídos nas cooperativas têm por principais objetivos: difundir os princípios do cooperativismo entre os associados; esclarecer os associados quanto a seus direitos e deveres; incumbir-se ou colaborar na promoção das Assembléias Gerais, debatendo anteriormente a pauta; promover o cooperativismo junto a outras entidades, autoridades e público em geral; e coordenar a utilização dos recursos do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. É importante afirmar que a educação cooperativista, ao mesmo tempo em que se preocupa com a oportunização de estímulos que valorizem os procedimentos organizacionais e produtivistas, bem como as técnicas indispensáveis para uma boa atividade cooperativa, se concentra também na formação de pessoas solidárias e democráticas. Importar-se na educação cooperativista dos jovens, alunos do ensino médio e fundamental e professores, dentro dos princípios e valores cooperativistas é de extrema importância para o crescimento e futuro do cooperativismo de crédito, pois passando a eles a educação cooperativista estaremos informando aos futuros associados, pois são eles que irão compor os quadros associativos do futuro. Aos já associados também faz-se necessário que tenham clareza com relação à doutrina cooperativista, bem como quanto ao funcionamento da entidade da qual passam a fazer parte. Como se vê, este princípio é de fundamental importância, uma vez que o cooperativismo constitui doutrina própria, com princípios específicos, formas de atuação definidas e não pode ser confundido com outros tipos de associação comuns em qualquer sociedade. É necessário que a cooperativa, assim como as federações, confederações e demais entidades singulares invistam na educação de seus membros e da comunidade em geral, como forma de esclarecimento a respeito do pensamento cooperativo e, assim, incentivando novas iniciativas de associação de cidadãos segundo o modelo proposto por esta doutrina. 11 12 Por fim, resta claro que a educação cooperativista é de extrema importância para que as cooperativas de crédito de livre admissão se fortalecem e sigam em crescimento. CONSIDERAÇÕES FINAIS O cooperativismo de crédito é uma forma de organização sócioeconômica de administração sob auto gestão que tem trazido respostas à economia no que se refere à geração de empregos e redistribuição de renda. As possibilidades de aplicação das ideias cooperativistas são ilimitadas e podem tornar-se contribuições fundamentais o desenvolvimento regional e melhoria da qualidade de vida da população. Contrariando a lógica mercadológica que concentra renda e distribui miséria, as cooperativas de crédito concentram oportunidades e distribuem renda. Por isso, é importante perceber a força do cooperativismo enquanto poder mobilizador e organizador da economia social, tanto do ponto de vista do desenvolvimento econômico que oferece aos seus associados, como sobre o aspecto de motor do desenvolvimento, seja sob o ponto de vista da distribuição de renda ou na geração de empregos. Verificou-se que o Brasil possui, segundo dados de dezembro de 2014 do Banco Central do Brasil, 1.153 Cooperativas Financeiras que administravam ativos totais de R$ 202 bilhões, representando uma participação de mercado de 2,70% no total de ativos do mercado financeiro brasileiro e dando às cooperativas de crédito a 6ª posição no ranking das maiores instituições financeiras do país. As operações de crédito totais atingiram R$ 89 bilhões em dez/14, representando 2,90% do total do SFN e os depósitos de R$ 96 bilhões representam 4,90%. Em Santa Catarina há registros de 252 cooperativas, sendo que 64 delas são de crédito. Em relação aos cooperados, todas as categorias de cooperativas somam 670.028 adeptos, dentro deles 251.544 seguidores do ramo crédito. A 12 13 soberania do ramo crédito é evidente, mesmo porque o Sistema de Cooperativas de Crédito é o mais consolidado no país. Apesar do aumento do número de adeptos ao cooperativismo de crédito, a proporção de cooperados em relação ao número de habitantes no Estado catarinense é muito pequena. Em 2002, os cooperados representavam apenas 2,36% da população catarinense. Nos anos seguintes, 2003 e 2004 houve um pequeno aumento na participação da população para 2,95% e 3,76%, respectivamente. Há a expectativa de elevação para 4,29%, considerando a perspectiva da população estimada pelo IBGE para o ano de 2005. A ausência de marketing pode ser um dos motivos para uma participação ainda tímida, reduzida da sociedade catarinense em relação ao cooperativismo de crédito. Pelo fato das cooperativas não visarem o lucro, elas optam pela propaganda “boca a boca”. Outro fator explicativo quanto à ausência de marketing é a crença na Educação Cooperativista. Os cooperativistas defendem a idéia de que os ensinamentos do movimento devem ser aplicados ainda quando crianças. Outra hipótese para a pequena participação é a da lembrança da história das frágeis cooperativas de décadas atrás. Cooperativas que não eram constituídas para prosperar com base na solidariedade e na ajuda - mútua. Em muitos casos, as cooperativas de crédito significavam um atalho para aqueles que queriam abrir um banco ou uma agência bancária em uma região ainda não aprovada pelo Ministério da Fazenda. Ou pior, membros da diretoria da cooperativa mal aplicavam o capital integralizado dos cooperados ou mesmo fugiam com o dinheiro das cotas dos cooperados. Apesar da estagnação do número de cooperativas e de uma pequena parcela da população catarinense inserida no Movimento Cooperativista, verifica-se que as operações de crédito vêm aumentando. Em 2002, registrou-se a existência de 93.648 empréstimos concedidos, que somavam o total de R$ 389.369.000,00. Um ano depois, verificou crescimento de empréstimos e de seu montante para 134.152 e R$ 559.772.000,00, respectivamente. No final do período, foram concedidos 288.678 empréstimos que somavam R$ 1.161.791.000,00. Conforme os dados coletados, as cooperativas de crédito no Estado catarinense vêm ampliando sua participação nas operações de crédito. Em 2004, as 13 14 cooperativas de crédito catarinenses foram responsáveis por 6,87% do total do Estado. Em 2005, a participação elevou-se para 7,71% do total. Outro dado relevante é a evolução do montante das operações de crédito realizadas no Estado catarinense durante 2004 e 2005, apenas 17, 44%. Em contrapartida, o crescimento do volume de operações das cooperativas de crédito no Estado foi de 31,79%. Assim como os bancos mercantis, as cooperativas disponibilizam linhas de crédito para seus cooperados. As cooperativas atendem a área rural com empréstimos de custeio e investimento, e também beneficiam a área urbana com linhas como crédito pessoal, capital de giro, desconto de recebíveis, entre outros. Este aumento da procura de operações de crédito realizadas na cooperativa evidencia a preferência dos cooperados pelo melhor atendimento, pelas menores taxas administrativas, pelas menores taxas de juros e pela menor burocracia. Verifica-se, portanto, que o ideal cooperativista tem sido aplicado no Estado catarinense. Através da participação das cooperativas, os catarinenses obtêm acesso ao mercado financeiro, o que para muitos era impossível devido às exigências dos bancos comerciais. Além da conta bancária com taxas reduzidas ou até inexistentes, os cooperados têm acesso a empréstimos para aquisição de bens ou pagamento de dívidas adquiridas. É a oportunidade da organização financeira dos cooperados, através da solidariedade e ajuda - mútua. As empresas e os agricultores podem investir em expansão da produção e de serviços através das linhas de empréstimos concedidos com taxas reduzidas. Deve-se considerar que apesar de pagar juros para as cooperativas de crédito, por menores que sejam o lucro das cooperativas retornam para os cooperados no final do exercício. Apesar da inexistência de dados mais detalhados, pode-se inferir que as cooperativas de crédito catarinenses têm auxiliado o Estado no âmbito econômico e social. A expansão das próprias cooperativas que necessitam de mão-de-obra, e que cada vez mais tem contratado funcionários formados e capacitados para as funções, é um exemplo para os jovens catarinenses em relação a educação superior. O crescimento de adeptos e das operações de crédito nas cooperativas de crédito catarinenses identificam a possibilidade de maior consumo, alavancando o comércio da região. Para as empresas as operações de crédito com taxas reduzidas significam oportunidades de crescimento além do limite de sua região, seja com aumento do estoque, maior produção ou com contratação de novos funcionários. O 14 15 agricultor que tem acesso a instituição financeira e incentivo para expandir. E acima de tudo, o ideal cooperativista que traça a solidariedade e a ajuda mútua no âmbito financeiro no intuito de alcançar o bem-estar social. Um dos principais fatores de crescimento da economia é o incentivo do consumo interno, por meio da ampliação de linhas de crédito. Entre as oportunidades disponíveis no mercado, o cooperativismo de crédito se diferencia, cresce e se consolida. A disponibilidade de crédito, a instituição e o fortalecimento de organizações para repasse dos recursos são fundamentais para garantir inserção econômica dos cooperados. O acesso ao crédito por essas famílias gera impacto que tem bons resultados para o desenvolvimento material e social das comunicadas em que se inserem, contribuindo para melhorar a qualidade de vida de mais pessoas. As cooperativistas de crédito podem ser apontadas com uma das opções mais promissoras para se alterar o padrão do sistema financeiro nacional. Contudo, existe uma distância a ser vencida para que as intenções e os projetos se traduzam em mais resultados concretos quanto à participação no mercado e a criação de fundos regionais, bem como a educação cooperativista são as ferramentas mais importantes para o crescimento e fortalecimento do cooperativismo. REFERÊNCIAS BITTENCOURT, G. A. 2001. Cooperativas de crédito solidário: constituição e funcionamento. Estudos NEAD 4. BÚRIGO, F. L. 2006. Finanças e solidariedade: uma análise do cooperativismo de crédito rural e solidário no Brasil. Tese de Doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. CANÇADO, Airton Cardoso. As Cooperativas de Trabalho e a Prática dos Princípios Cooperativistas: Um estudo de caso na cidade de salvador. 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