UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA DE ENGENHARIA DE LORENA ANDRÉ LUIZ GIOVANETI Redução de compostos orgânicos voláteis de tintas acrílicas base água e a sua influência na resistência à abrasão úmida LORENA – SP 2012 ANDRÉ LUIZ GIOVANETI Redução de compostos orgânicos voláteis de tintas acrílicas base água e a sua influência na resistência à abrasão úmida Trabalho de conclusão de curso de Engenharia Química apresentado à Escola de Engenharia de Lorena – Universidade de São Paulo. Área de Concentração: Polímeros Orientadora: Profª Drª Jayne Carlos de Souza Barboza LORENA – SP 2012 RESUMO ANDRÉ L. G. Redução de compostos orgânicos voláteis de tintas acrílicas base água e a sua influência na resistência à abrasão úmida. 34 f. Trabalho de conclusão de curso, Escola de Engenharia de Lorena – Universidade de São Paulo, Lorena – SP, 2012. A emissão de compostos orgânicos voláteis (COVs) de tintas é alvo de órgãos de proteção ambiental, que impõem limites cada vez mais rígidos à emissão de produtos agressivos ao ambiente e à saúde. As técnicas para reduzir os COVs de emulsões das tintas base água são chamadas de desodorização química, física ou uma combinação dos dois processos. Embora eficazes, estas técnicas podem influenciar na resistência à abrasão úmida da tinta, entre outras propriedades. Por esse motivo, os fabricantes de tintas decorativas investem na geração de produtos que visam atender as exigências ambientais em equilíbrio com o desempenho de suas tintas. Este trabalho teve uma abordagem quantitativa exploratória, com o objetivo de mostrar a eficiência dos processos de redução de COVs, através das técnicas de iniciador de oxiredução e da combinação de oxi-redição mais stripping, de dois copolímeros estireno-acrílicos, aditivados com coalescentes distintos, produzidos pela empresa BASF S.A.. O segundo passo foi demonstrar a influência do processo de desodorização na resistência à abrasão úmida das tintas formuladas com esses copolímeros. A combinação dos processos químico e físico resultou em uma alta redução de COVs e somente influenciou na resistência à abrasão úmida da tinta formulada com o copolímero aditivado com o coalescente mais volátil. Palavras-chave: Tinta. Desodorização. Compostos orgânicos voláteis. Resistência à abrasão úmida. Áreas envolvidas da Engenharia Química: Engenharia Ambiental. Qualidade e Produtividade. ABSTRACT ANDRÉ L. G. Volatile organic compounds reduction from water based acrylic paints and its influence on scrub resistance. 34 f. Trabalho de conclusão de curso, Escola de Engenharia de Lorena – Universidade de São Paulo, Lorena – SP, 2012. The volatile organic compounds (VOC) emission from paints is an environmental protection organization’s target, which inflicts even more rigid limits to aggressive products emission in environment and human health. The methods to reduce VOC from water based paint’s emulsion are known as chemical and physical deodorization, or a combination of both processes. Although, their effectiveness, these methods may influence on scrub resistance of paint, among other properties. Thus the decorative painting’s producers invest on new products to attend environmental demands, in balance with their paint’s performance. This had been a quantitative exploratory work to show VOC reduction processes through redox initiator method and a combination of redox and stripping methods of two styrene-acrylate copolymers additivated with distinct coalescents, produced by BASF S.A. company. The second step was to show the deodorization process influence on scrub resistance of paints formulated with these copolymers. The chemical and physical process combined has resulted in high VOC reduction and it has only influenced on scrub resistance of the copolymer additivated with the more volatile coalescent. Keywords: Paint. Deodorization. Volatile Organic Compounds. Scrub resistance. Chemical Engineering related fields: Environmental Engineering. Quality and Productivity. Sumário 1. Introdução 5 1.1. Justificativa 5 2. Objetivo 7 2.1. Objetivos Secundários 7 3. Revisão Bibliográfica 8 3.1. Compostos Orgânicos Voláteis (COVs) 8 3.1.1. Definições 8 3.1.2. Determinação e Limites Máximos 8 3.1.3. Efeitos causados pelos COVs 11 3.1.4. Processos de Remoção de COVs 12 3.1.4.1. Processos Químicos 12 3.1.4.2. Processos Físicos 15 3.2. Tintas Imobiliárias 16 3.2.1. Componentes das Tintas 17 4. Materiais e Métodos 23 4.1. Polimerizações 23 4.2. Composição e Formulação das Tintas 24 4.3. Coleta de Dados 25 5. Resultados e Discussão 27 5.1. Redução dos COVs nas tintas 27 5.2. Resistência à abrasão úmida 29 5.3. Estabilidade das tintas 30 6. Conclusões 31 Referências 32 5 1. Introdução 1.1. Justificativa O Brasil é um dos cinco maiores mercados mundiais de tintas. O setor imobiliário responde por 63% do faturamento e 80% do volume de produção correspondentes a 1,119 bilhão de litros de tinta, no ano de 2011[1]. O aumento do consumo interno das tintas decorativas, devido ao aumento do poder aquisitivo da população e do crescimento do setor de construção civil, tem favorecido o aquecimento desse mercado, mas paralelamente, tem exigido dos fabricantes uma evolução de seus padrões de qualidade e sustentabilidade. Nos últimos anos, a preservação da qualidade do ar está em pauta dentro das questões ambientais, e os fabricantes de tintas estão buscando alternativas para reduzir a quantidade de substâncias nocivas à saúde e ao meio ambiente. A redução acentuada da produção de tintas base solvente é uma prova da necessidade de reduzir os impactos ambientais causados pelo grande volume de solventes contidos nas tintas, que evaporam durante a cura. Em ambientes fechados, como edifícios, as substâncias voláteis se concentram no local da aplicação da tinta, podendo causar uma série de complicações respiratórias aos trabalhadores e usuários, uma vez que os COVs são emitidos durante vários dias mesmo após a secagem da tinta. Atualmente, as tintas base água estão presentes em praticamente todo o setor de construção civil e já atendem 50% do setor automotivo, no ano de 2011[2]. Elas utilizam a água como veículo de aplicação e são muito mais populares, devido ao baixo odor quando comparadas às tintas base solvente. Embora sejam muito mais ecológicas, as tintas base água não estão isentas de substâncias agressivas ao ambiente. Elas contêm monômeros residuais de polimerizações e certos aditivos voláteis responsáveis pelos odores característicos das tintas. Nas tintas de alto desempenho, ricas em emulsão, os monômeros residuais da polimerização são os principais contribuintes nocivos ao ambiente. As agências de proteção ambiental internacionais já impuseram limites máximos de COVs para os fabricantes de tintas, que tiveram que adequar suas 6 formulações e tecnologias. Os fabricantes de tintas no Brasil seguem essa tendência e investem na geração de produtos sem odor e de menor teor de voláteis[3]. As técnicas para reduzir os resíduos da polimerização de adição, via radical livre, se enquadram em duas categorias: Processos químicos: temperatura, radiação, iniciadores de sistema redox, remoção química, etc. Seguem o mesmo princípio: transformar os monômeros residuais em compostos não voláteis, inertes ou facilmente extraíveis. Processos físicos: desvolatilização, gás de arraste (stripping), extração supercrítica, resina de troca iônica, etc. Estas técnicas se baseiam nas diferenças entre as propriedades físicas ou eletroquímicas dos resíduos e do produto. Embora eficiente, a desodorização, muitas vezes, altera as propriedades finais do copolímero e, consequentemente, na aplicação da tinta: estabilidade, poder de cobertura e resistência à abrasão úmida, determinantes no aspecto comercial dos produtores de tintas. 7 2. Objetivo O objetivo deste trabalho será mostrar a eficiência dos processos de redução de COVs de emulsões para tintas base água, e sua influência na resistência à abrasão úmida da tinta. 2.1. Objetivos Específicos a) Preparar os copolímeros estireno-acrílicos via polimerização em emulsão. b) Analisar as propriedades físico-químicas dos copolímeros, após o processo de redução de COVs. c) Formular as tintas de médio PVC utilizando as emulsões preparadas no item a. d) Realizar o teste de resistência à abrasão úmida das tintas. e) Verificar a estabilidade das tintas formuladas. 8 3. Revisão Bibliográfica 3.1. Compostos Orgânicos Voláteis (COVs) 3.1.1. Definições De acordo com a Diretiva 2004/42/CE, da União Europeia, COVs são quaisquer componentes orgânicos com ponto de ebulição abaixo ou igual a 250ºC medido a 101,3kPa de pressão[4]. Enquanto que, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos – Enviromental Protection Agency (US EPA) classificam os COVs como qualquer composto de carbono que participa de reações fotoquímicas na atmosfera, exceto monóxido de carbono, dióxido de carbono, ácido carbônico, carbonatos e carbonato de amônia[5]. O Green Seal, organização sem fins lucrativos que possui auto-regulamentações voltadas à sustentabilidade, acrescenta à definição da EPA a questão da temperatura de ebulição menor ou igual a 280ºC medidos em condições normais de temperatura e pressão [6]. 3.1.2. Determinação e Limites Máximos As agências reguladoras também se distinguem pelos métodos de determinação da concentração de COVs. O Quadro 1 mostra o mecanismo e a temperatura de análise das principais normas vigentes. Agência Norma/Auto- Reguladora regulamentação US EPA 40 CFR Part 59 subpart D European Parliament and of Tipo de análise Metodologia Temperatura de análise Estufa e Karl Fischer Método 24 110ºC Cromatografia gasosa ISO 11890-2 250 ºC Estufa e Karl Fischer Método 24 ou ou Cromatografia SCAQMD Método gasosa 304 Cromatografia gasosa ISO 11890-2 [5] Directive 2004/42/CE [4] the Council SCAQMD BREEAM Rule 1113 [7] Directive 2004/42/CE 110 ºC 250 ºC 9 LEED Green Seal 11 [6] Cromatografia gasosa ASTM D 6886-03; ISO 11890-2 280 ºC SCAQMD - South Coast Air Quality Management District BREEAM - Building Research Establishment’s Environmental Assessment Method LEED - Leadership in Energy and Environmental Design Quadro 1 - Principais métodos utilizados na determinação dos COVs Tomando-se a norma ISO 11890-2 como exemplo, temos os seguintes métodos para calcular a concentração de COVs: 1. Concentração de COVs, em gramas por litro, do produto: [8] Onde: VOC é a concentração de COVs, em gramas por litro; mi é a massa, em gramas, do composto i por grama de amostra; ρs é a densidade, em gramas por mililitro, de amostra a 23°C; 1000 é o fator de conversão de massa para gramas por litro. 2. Concentração de COVs, em gramas por litro, do produto menos água: [8] Onde: VOClw é a concentração de COVs, em gramas por litro; 10 mi é a massa, em gramas, do composto i por grama de amostra; mW é a massa, em gramas, de água por grama de amostra; ρs é a densidade, em gramas por mililitro, de amostra a 23°C; ρw é a densidade, em gramas por mililitro, da água a 23°C (= 0,997537 g/mL); 1000 é o fator de conversão de massa para gramas por litro. 3. Concentração de COVs, em gramas por litro, do produto menos água, menos compostos inertes: [8] Onde: VOClwe é a concentração de COVs, em gramas por litro; mi é a massa, em gramas, do composto i por grama de amostra; mW é a massa, em gramas, de água i por grama de amostra; meci é a massa, em gramas, do composto inerte i por grama de amostra; ρs é a densidade, em gramas por mililitro, de amostra a 23°C; ρw é a densidade, em gramas por mililitro, da água a 23°C (= 0,997537 g/mL); ρeci é a densidade, em gramas por mililitro, do composto inerte i a 23°C; 1000 é o fator de conversão de massa para gramas por litro. Este último método é utilizado apenas em casos onde a legislação considera determinados compostos inertes como não COVs. 11 A Tabela 1 traz os limites máximos de COVs segundo a Diretiva 2004/42/CE, da União Europeia. Observa-se uma tendência à diminuição dos limites de 2007 até 2010. [4] Tabela 1 - Teores máximos de COVs para tintas e vernizes, de acordo com a Diretiva 2004/42/CE . Produto Tipo Limites (g/L) Até 01/01/2007 Até 01/01/2010 Interior Base água 75 30 Fosco Base solvente 400 30 Interior Base água 150 100 Brilhante Base solvente 400 100 Exterior Base água 75 40 substrato mineral Base solvente 450 430 Interior e exterior Base água 150 130 madeira e metal Base solvente 300 - Interior e exterior Base água 150 100 vernizes e "stains" Base solvente 500 400 Fundo anticorrosivo Base água 50 30 "Primers" Base solvente 450 350 Base água 50 30 Base solvente 750 750 Revestimento de alto Base água 140 140 desempenho monocomponente Base solvente 600 500 Revestimento de alto Base água 140 140 desempenho bicomponente Base solvente 550 500 Base água 150 100 Base solvente 400 100 Revestimento com Base água 300 200 efeito decorativo Base solvente 500 200 Fundo preparador Revestimento multicolorido 3.1.3. Efeitos causados pelos COVs A maior preocupação quanto aos efeitos causados pelas substâncias voláteis das tintas são os riscos à saúde em ambientes internos. No final da década de 70, nos Estados Unidos, começou a ser feito uma avaliação sobre as condições ambientais ligadas à saúde ocupacional (National Institute for Occupational Safety and Health – NIOSH). Na década de 90, surgiu o conceito de “Síndrome dos 12 Edifícios Doentes” (SED), para descrever os efeitos adversos à saúde e ao conforto dos usuários de um determinado edifício[9]. Os resultados desses estudos mostraram que os produtos de acabamento de construção são um dos principais agentes que influenciam na qualidade do ar interno[3]. O diagnóstico da SED se caracteriza quando os sintomas são periódicos e afetam um número significativo de usuários do edifício. Os sintomas mais comuns são irritação e obstrução nasal, reações alérgicas, desidratação e irritação da pele, problemas na garganta e nos olhos, dor de cabeça, náuseas e cansaço[9]. Os sintomas podem variar dependendo da substância exposta, da concentração e do tipo de reação específica da substância com a pessoa. 3.1.4. Processos de remoção de COVs A polimerização de adição via radical livre raramente termina com 100% de conversão dos reagentes. Os monômeros residuais frequentemente são tóxicos e, se não controlados, podem ser emitidos na atmosfera causando uma série de problemas à saúde e ao ambiente. Além disso, alguns resíduos podem interferir nas propriedades do produto[10-11]. Existe uma variedade de técnicas para redução de COVs da polimerização. A escolha da técnica de desodorização mais adequada ou de uma combinação delas depende de uma série de fatores a serem considerados como condições da polimerização, propriedades dos reagentes e produtos, aplicação final do polímero, custo de operação, etc. As técnicas são utilizadas na etapa de pós-polimerização e são baseadas em processos químicos ou físicos, algumas delas serão destacadas a seguir. 3.1.4.1. Processos Químicos Temperatura O aumento da temperatura do reator no estágio final da polimerização favorece a conversão dos monômeros, aumentando a constante de propagação e o coeficiente difusão dos reagentes. Embora este método seja eficiente e não 13 necessita da adição de outras substâncias, é necessário um aumento no consumo de energia, e a temperatura alta pode causa alterações na qualidade do produto como a distribuição da massa molar e a degradação das cadeias do polímero[10]. Remoção Química Os resíduos voláteis da polimerização podem ser transformados em compostos não voláteis, ou que sejam facilmente removidos por outros processos. Algumas substâncias como sais de amônio, sais de alquilamina, acetoacetato, permanganato, cromato, dicromato, etc., são utilizados nesse processo. Contudo, alguns COVs podem reagir formando novos COVs, tornando o processo ineficiente[10]. Iniciadores Algumas indústrias adotam a combinação de dois ou mais iniciadores na polimerização. O primeiro, utilizado no início da reação para formar o produto. O segundo, também chamado de catalisador final, tem a função de reagir com os monômeros residuais do final da reação formando novos polímeros ou compostos não reativos[10]. A utilização de iniciadores do tipo oxi-redução é amplamente utilizada nas indústrias de tinta. Ambos agentes de oxidação e redução formam uma combinação eficiente para remover os resíduos da reação. O Quadro 2 apresenta alguns iniciadores usados para remover os monômeros residuais de mecanismos de polimerização específicos. Monômeros ácido acrílico Tipo de polimerização Iniciador Solução azobis(2-amidinopropano)dicloridrato Suspensão peróxido de hidrogênio e persulfato de potássio metacrilato de metila Emulsão peróxidissulfato de sódio Metacrilato de metila Massa peróxido de dinecadoil e peroxineodecanoato de t-butila acrilonitrila e estireno ou cloreto de vinilideno 14 metacrilato de metila e peróxido (ex. peroxipivalato de t-butila) Massa acrilatos ou metacrilatos monômeros oleofínicos insaturados monômeros oleofínicos e 2,2-azobisisobutilnitrila par redox (peróxido e ácido sulfúrico) Emulsão e sais de ferro e vanádio emulsão ou peróxidos gerando enzimas Solução (ex. galactose oxidase) estireno Emulsão par redox (hidroperóxido de cumila e dietileno triamina) estireno Suspensão peróxido de benzoíla e perbenzoato de t-butila insaturados estireno, acrilonitrila (abs) estireno, acrilato de butila, butadieno, acetato de vinila, etc. estireno e acrilato de butila Emulsão Emulsão Suspensão Emulsão estireno, acrilonitrila massa ou e poliol Solução par redox (peróxido e agente redutor) e ativador catalítico (ex. dextrose) par redox – agente oxidante (hidroperóxido, peróxido de benzoíla, hidroperóxido de t-butila) agente redutor hidroximetanossulfato de sódio, ácido ascórbico, bissulfito-acetona par redox - redutor formaldeído sulfatado de sódio; oxidante; Hidroperóxido de t-butila monoperoxicarbonato e peróxido dois ou mais monômeros diferentes dois ou mais monômeros diferentes dois ou mais monômeros diferentes par redox – redutor ácido aminoiminometanossulfúrico; Emulsão oxidante; hidroperóxido de t-butila mercaptana (ex. ácido tioacético) + inorgânico Emulsão agente oxidante (ex. peróxido de hidrogênio) redutor – acetona e sódio Emulsão dissulfeto; oxidante - peróxido par redox – agente oxidante (hidroperóxido, peróxido de acetato de vinila Emulsão benzoíla, peróxido de t-butila) e agente redutor – (metassulfito de sódio, ácido ascórbico, formaldeído sulfatado) acetato de vinila e dialquil peróxido (ex. peróxido de d-t-butila, Solução n-vinil pirrolidona 2,5-dimetil-2,5-bis(peróxido de d-t-butila)-hexano) cloreto de vinil benzeno Suspensão perbenzoato de d-t-butila Solução iniciador orgânico (ex. peróxido pivalato de d-t-butila) Solução perssulfatos (ex. perssulfato de amônio) Emulsão par redox (agente redutor e peróxido) e divinil benzeno vinil lactama e acrilamida monômeros vinílicos monômeros vinílicos 15 massa, solução monômeros vinílicos diperoxicarbonatode d-t-butila ou suspensão massa, solução monômeros vinílicos diperoxiacetal (ex. etil 3,3-bis(peroxi de d-t-butila)butirato) ou suspensão monômeros vinílicos e Emulsão redutor – metais complexos sulfatados; oxidantes – peróxidos e dienos conjugados n-vinilpirrolidona Massa sulfatados azobis(isobutilnitrila) Quadro 2 - Iniciadores utilizados para remoção de monômeros residuais [10] 3.1.4.2. Processos Físicos Desvolatilização O produto é submetido à vácuo e/ou é aquecido de forma que os COVs se volatilizem e sejam separados fisicamente do produto. Esta técnica geralmente é combinada com outros processos físicos de remoção de resíduos voláteis, pois ela, somente, não apresenta rendimento satisfatório[10]. Stripping Neste processo é necessário um equipamento adicional, seguido do reator, onde haverá um fluxo de vapor ou gás passando através do produto. Os monômeros residuais são transferidos por difusão do meio para as bolhas de vapor ou gás. É fundamental que o fluido seja composto por uma substância solúvel no meio em que contém os monômeros residuais. Esta técnica é frequentemente utilizada na produção de látex para tintas devido ao pequeno tamanho das partículas em emulsão, o que facilita a difusão dos monômeros para o fluido [10-11]. A Figura 1 apresenta a difusão dos monômeros para dentro da bolha de gás: 16 Partícila de látex Fase aquosa Bolha de gás Figura 1 - Esquema da difusão dos monômeros para dentro da bolha de gás [10] . A maior desvantagem deste processo é a grande formação de espuma no sistema, devido ao fluxo de fluido. A espuma pode desestabilizar o produto, tornando necessária a adição de antiespumante no tanque. Outra preocupação diz respeito ao forte cisalhamento causado pelo vapor ou gás que pode causar a coagulação do polímero[10]. 3.2. Tintas Imobiliárias As tintas são compostas por quatro categorias de componentes: pigmentos, ligantes, líquidos e aditivos. Quanto maior a quantidade de pigmento e ligante, melhor será a qualidade da tinta. Pigmentos: utilizados para conferirem cor, opacidade e resistência. Ligantes: proporcionam "liga" aos pigmentos, integridade e adesão ao filme. Denominam o tipo de tinta (alquídica, vinílica, acrílica). Líquidos: também conhecidos como veículo, proporcionam a consistência desejada. Aditivos: utilizados para dar propriedades específicas e características especiais às tintas[12]. 17 3.2.1. Componentes das Tintas Pigmentos Os pigmentos são pós ou partículas bem reduzidas dispersados nas tintas. Muitos pigmentos são usados tanto em tintas base água como base solventes. Há duas categorias: Pigmentos básicos São os pigmentos que proporcionam as cores e também as principais fontes do poder de cobertura. O dióxido de titânio (TiO2), é o principal pigmento branco. Tem as seguintes características: brancura excepcional ao dispersar a luz; poder de cobertura em tintas foscas e brilhantes, tanto úmidas como secas; é relativamente caro; o uso de um extensor (ou carga) correto garante o espaçamento adequado das partículas de TiO2 para evitar o acúmulo e a perda do poder de cobertura, especialmente em tintas foscas ou acetinadas. Pigmentos coloridos proporcionam cor pela absorção seletiva da luz. Há dois tipos principais: Orgânicos: incluem os de cores mais brilhantes, alguns dos quais são bastante duráveis no uso em exteriores. Exemplos de pigmentos orgânicos são o azul ftalo e o amarelo. Inorgânicos: geralmente são menos brilhantes do que as cores orgânicas. Muitos são descritos como cores terrosas, considerados os pigmentos exteriores mais duráveis. Exemplos de pigmentos inorgânicos são os óxidos de ferro vermelho, marrom e amarelo. Os pigmentos coloridos são combinados em dispersões líquidas chamadas corantes, que são adicionadas no ponto de venda às bases de pigmentação 18 (mixing machine). Na fábrica, os pigmentos de cor são usados nas formas de pó seco ou líquido, no preparo de tintas pré-embaladas. Pigmentos extendedores (carga) Proporcionam volume a um custo relativamente pequeno. Oferecem um poder de cobertura muito menor do que TiO2 e interferem em diversas características, incluindo brilho, resistência à abrasão e retenção de cor, entre outras. Algumas das cargas usadas mais frequentemente são: Argila: silicato de alumínio (também chamado de caulim ou argila da China) é usado principalmente em pinturas interiores, mas também em algumas pinturas exteriores. A argila proporciona maior poder de cobertura do que a maioria das cargas em tintas porosas; a argila delaminada aumenta a resistência às manchas. Sílica e silicatos: proporcionam excelente resistência à escovação e à abrasão. Muitos deles têm grande durabilidade em pinturas exteriores. Sílica diatomácea: é uma forma de sílica hídrica que consiste em antigos organismos unicelulares fossilizados, usada para controlar o brilho em tintas e vernizes. Carbonato de cálcio: também chamado de giz, é um pigmento de uso geral, baixo custo e reduzido poder de cobertura, usado tanto em tintas para exterior como nas para interior. Talco: silicato de magnésio é uma carga de uso geral relativamente macio usado em tintas para exterior e interior. Óxido de zinco: é um pigmento reativo muito útil por sua resistência a mofo (bolor), como inibidor de corrosão e bloqueador de manchas. É usado principalmente em fundos e em pinturas exteriores[12]. Ligantes "Ligam" os pigmentos, são responsáveis pela adesão e dureza do filme de tinta depois de seco. 19 O ligante é um ingrediente muito importante, que afeta praticamente todas as características da tinta, principalmente: a resistência à formação de bolhas, à rachaduras, ao descascamento e ao amarelamento; a calcinação, a resistência à abrasão úmida (lavabilidade) e ao desbotamento; o alastramento, o nivelamento, a formação de filme, a adesão e o desenvolvimento do brilho. Sem a presença de pigmentos, os ligantes criariam um filme transparente e brilhante; alguns ligantes são usados sem pigmentos para resultar num acabamento transparente ou verniz. Os pigmentos reduzem o brilho e os reflexos da tinta. Ao empregar pigmentos com tamanhos e formatos diversos e em maiores quantidades obtém-se os seguintes níveis de brilho: 1. brilhante (menor quantidade de pigmento); 2. semibrilho; 3. acetinado; 4. fosco (maior quantidade de pigmento). Os fabricantes de tintas usam um índice chamado “concentração do volume de pigmento” (PVC) para indicar o volume de pigmento em relação ao volume da parte não volátil (pigmento e ligante), na formulação de uma tinta: Este índice permite relacionar o teor de ligante de uma aplicação, depois da cura, em um determinado substrato. Em outras palavras, uma tinta de baixo PVC possui maior concentração de ligante, consequentemente, melhor brilho, lavabilidade, adesão, formação de filme, etc. 20 Ainda que variem muito de acordo com o tipo e tamanho do pigmento utilizado, os valores mais comuns de PVC associados com diferentes níveis de brilho de tinta são (Tabela 2): Tabela 2 - PVC associados com níveis de brilho da tinta Tipo da Tinta Brilhante PVC Típico <20% Semibrilho 30-35% Acetinada 35-45% Fosca 45-80% As tintas imobiliárias também são classificadas como alquídicas, vinílicas e acrílicas. Isto se deve ao tipo de ligante utilizado[12]. Tintas alquídicas: também chamadas de tinta a óleo, são base solvente e caraterizadas pelo alto “tempo aberto” (o tempo em que a tinta pode ser aplicada e trabalhada, antes que comece a secar), alto teor de COVs e odor forte. Tintas vinílicas: compostas de poli (acetato de vinila), chamado de tintas PVA, são mais baratas, geralmente utilizadas em pinturas interiores. Proporciona boa cobertura, porém baixa resistência à abrasão, ao amarelamento e à adesão. Tintas acrílicas: são consideras tintas de alto desempenho. Quando constituídas por polímeros acrílicos puros, têm o melhor desempenho em pinturas exteriores, no qual se destacam a resistência à abrasão, à formação de bolhas, ao envelhecimento e às manchas, alto brilho e adesão. São as tintas mais caras do setor imobiliário. Existe também, os ligantes estireno-acrílicos, muito utilizados, atualmente, devido a sua excelente resistência à água e baixo custo, em relação aos acrílicos puros. No entanto, o teor de monômeros estireno no copolímero deve ser controlado, pois quantidades elevadas diminuem a resistência ao envelhecimento e aumenta a dureza do filme, podendo formar rachaduras. 21 Líquidos A parte líquida da tinta (também chamada de veículo) fornece uma forma de umedecer e transportar o pigmento e o ligante entre a lata e o substrato, facilitando seu alastramento. Para tintas base água, o veículo da tinta é a própria água. Os pigmentos e o ligante ficam aderidos à superfície na cura, e a parte líquida evapora. Juntos, são chamados de porção sólida da tinta: Pigmentos + Ligante = Sólidos. O revestimento consiste de sólidos e de líquido: Sólidos + Líquido = Revestimento[12]. Aditivos Componentes adicionais que afetam e melhoram diversas propriedades da tinta. Abaixo, está uma lista de aditivos usada na manufatura de tintas base água e uma descrição de como eles afetam as propriedades das tintas. Espessantes e Modificadores de Reologia Fornecem a viscosidade apropriada e fluidez para que a tinta possa ser aplicada adequadamente; Os modificadores reológicos ajudam as tintas a: respingar menos quando aplicadas por um rolo; fluírem mais suavemente; manter a homogeneidade. Surfatantes São agentes que atuam nas interfases de um sistema para controle de tensão superficial (líquidos) e energia de superfície (sólidos). Os surfatantes: 22 estabilizam a tinta de forma que seus componentes não se separem ou que se torne muito espessa para ser usada; mantém os pigmentos dispersos para brilho e cobertura máximos; ajudam a diminuir a tensão superficial, umedecer a superfície que está sendo pintada para que a tinta não se movimente ao ser aplicada; proporcionam compatibilidade entre corantes, de forma que a cor correta seja obtida e não se altere ao ser aplicada. Biocidas Também conhecidos como conservantes, há dois tipos principais que são usados em tintas base água: bactericida: para evitar que bactérias cresçam sobre a pintura, especialmente importante nas tintas armazenadas em latas constantemente abertas e fechadas, já que pode ocorrer contaminação; fungicida ou algicida: para desestimular o crescimento de fungos e algas na superfície da tinta depois de aplicada. São usados, principalmente, em produtos para exterior, e também em tintas destinadas a áreas úmidas como cozinhas e banheiros. Antiespumantes Rompem as bolhas e impedem a formação de espuma quando a tinta é colocada no misturador/agitador, é movimentada ou é aplicada à superfície, especialmente com o rolo. Coalescentes São solventes utilizados tanto na tinta quanto no ligante. Os coalescentes: ajudam a tinta líquida a não sofrer danos quando congelada; facilitam a pintura a pincel, incluindo o alastramento e o “tempo aberto”; alguns são compostos orgânicos voláteis (COVs).; ajudam a reduzir a temperatura mínima de formação de filme[12]. 23 4. Materiais e Métodos Este trabalho tem uma abordagem quantitativa, cujos dados experimentais foram coletados, integralmente, através de testes normativos - Normas Brasileiras Regulamentares (NBR) ou International Organization for Standardization (ISO). As atividades experimentais foram desenvolvidas nos laboratórios da unidade de Dispersões, da empresa BASF S.A., no site de Guaratinguetá-SP. As etapas foram realizadas nos respectivos laboratórios: laboratório de desenvolvimento: polimerizações e redução de COVs; laboratório de cromatografia: determinação da concentração de COVs; laboratório de aplicações técnicas: formulações das tintas, caracterizações e resistência à abrasão úmida. As amostras testadas foram: copolímeros estireno-acrílicos em emulsão; tintas foscas base água de médio PVC. Em seguida, os dados obtidos do cromatógrafo e do teste de lavabilidade foram exibidos em gráficos comparativos e analisados com embasamento literário. Enfim, foi realizado um levantamento das conclusões geradas a partir dos resultados do trabalho. 4.1. Polimerizações Na amostragem, foram sintetizados dois copolímeros, A e B, utilizando-se a técnica de polimerização em emulsão do estireno com monômeros acrílicos em processo semi-contínuo. O copolímero A foi aditivado com o coalescente butilglicol, de fórmula molecular C6H14O2 (PE= 171,2°C a 1atm) e o copolímero B foi aditivado com o coalescente 2,2,4-trimetil-1,3-pentanodiol diisobutirato, de fórmula molecular C16H30O4 (PE= 281°C a 1atm). As polimerizações foram conduzidas na temperatura de 80°C em um reator de aço inox com volume de 5,0 litros. Na síntese dos copolímeros, foi utilizado um surfatante isento de alquilfenol 24 etoxilado e um alcalinizante isento de amônia. O copolímero A foi fracionado em A1, A2 e A3 e o copolímero B em B1, B2 e B3. Os copolímeros A1 e B1 foram obtidos sem redução da concentração dos COVs. Os copolímeros A2 e B2 obtidos utilizando-se o processo de desodorização química de oxi-redução para diminuir a concentração dos COVs. Já os copolímeros A3 e B3 obtidos utilizandose a combinação entre o processo químico de oxi-redução seguido do processo físico (stripping). 4.2. Composição e Formulação das Tintas Para formular as tintas, foram utilizadas matérias-primas da BASF S.A. e a formulação é de utilização própria da empresa, empregada como padrão de testes de aplicação técnica. As Tabelas 3 e 4 mostram as formulações utilizadas na preparação das tintas de médio PVC. As tintas TA (1-3) e TB (1-3) foram formuladas a partir das amostras dos copolímeros A (1-3) e B (1-3), respectivamente. Tabela 3 - Formulações utilizadas na preparação da pasta base das tintas de médio PVC. Componentes (%) Água 39,30 Anticorrosivo 0,15 Dispersante 0,20 Umectante 0,20 Antiespumante 0,30 Biocida 0,30 Dióxido de titânio 13,00 Cargas minerais 19,80 Solução Alcalina 0,15 Espessante 1,00 25 Tabela 4 - Formulações utilizadas na preparação das tintas de médio PVC. Tintas Componentes (%) TA1 TA2 TA3 TB1 TB2 TB3 Pasta base 74,40 74,40 74,40 74,40 74,40 74,40 Água 3,94 3,94 3,94 3,94 3,94 3,94 Copolímero A1 20,0 -- -- -- -- -- Copolímero A2 -- 20,0 -- -- -- -- Copolímero A3 -- -- 20,0 -- -- -- Copolímero B1 -- -- -- 20,0 -- -- Copolímero B2 -- -- -- -- 20,0 -- Copolímero B3 -- -- -- -- -- 20,0 Coalescente 1,5 1,5 1,5 1,5 1,5 1,5 Espessante 0,16 0,16 0,16 0,16 0,16 0,16 Teor de sólidos teórico das tintas = 44,0%; PVC = 60,0% 4.3. Coleta de Dados Viscosidade A viscosidade dos copolímeros em emulsão foi determinada com o auxilio de um viscosímetro Brookfield, modelo RVT a 25°C, e a viscosidade das tintas foi determinada com o auxílio de um viscosímetro Krebs-Stormer a 25°C. Densidade Densidade das tintas foi determinada utilizando-se um picnômetro de metal de 50 mL. O volume do picnômetro foi completamente preenchido pela tinta para determinar a massa e calcular a densidade em g L-1. 26 Concentração de COVs A concentração dos COVs nas tintas foi determinada por cromatografia gasosa, utilizando-se a norma ISO 11890-2, na temperatura de 250ºC, conforme a Directive 2004/42/CE. O cromatógrafo é da marca, Agilent Technologies, modelo 6820. Resistência à abrasão úmida A resistência à abrasão úmida das tintas foi determinada de acordo com a norma NBR 14940[13]. Para a realização deste ensaio, as tintas são aplicadas em lâminas de PVC, chamadas “lenetas”, com auxílio de um extensor. As amostras são mantidas em temperatura e umidade controladas durante sete dias para o processo de secagem. Após, as amostras são levadas ao aparelho de lavabilidade, no qual uma escova de náilon sobreposta com pasta abrasiva (dispersão de quartzo em água) simula a lavagem da tinta. A escova percorre a extensão do filme da tinta e cada vez que retorna ao ponto inicial conta-se um ciclo. O teste é finalizado quando a tinta é desgastada até que se observe uma linha contínua da lâmina de PVC. Estabilidade das Tintas Para verificar a estabilidade das tintas, foi feito o acompanhamento da viscosidade das amostras com o auxílio de um viscosímetro Krebs-Stormer, em temperatura controlada a 23 ± 2°C e em estufa com circulação de ar a 60 ± 2°C por um período de sete dias. 27 5. Resultados e Discussão 5.1. Redução dos COVs nas tintas As análises físico-químicas dos copolímeros estão apresentadas na tabela 5, abaixo. Nestes resultados, destacam-se as variações do teor de sólidos e da viscosidade. O decréscimo destas duas propriedades com o decréscimo da concetração de COVs deve-se à utilização da solução do iniciador de oxi-redução e do arraste das partículas pelo processo de stripping. Tabela 5 – Propriedades físico-químicas dos copolímeros. Análises A1 A2 A3 B1 B2 B3 51,6 49,4 48,6 51,4 49,8 48,9 8,0 8,0 7,9 7,8 7,8 7,6 Viscosidade Brookfield 25 C (mPa.s) 4250,0 2750,0 2100 5800,0 2950,0 1650,0 Diâmetro médio de partícula (nm) 123,0 120,0 119,0 125,0 121,0 120,0 TMFF ( C) 20,0 20,0 21,0 19,0 20,0 21,0 Dureza König (ciclos) 31,0 31,0 32,0 31,0 32,0 33,0 1,028 1,028 1,028 1,027 1,027 1,027 Teor de sólidos (%) o pH 25 C o o -3 Densidade (g cm ) Após as análises das resinas, foi preparada a base da tinta, conforme a Tabela 3, e completadas com as emulsões segundo a fórmula indicada na Tabela 4. O resultado da análise de cromatografia gasosa das tintas está apresentado no Gráfico 1. Os mesmos resultados estão representados na Tabela 6 com as respectivas eficiências dos processos de desodorização. Para calcular as concentrações de COVs em g L-1 foi necessário medir a densidade das tintas através de um picnômetro de metal, obtendo-se um valor de 1,31 g cm-3. 28 Sem redução de COVs Desodorização química Desodorização química e física 2 1,77 Concetração de COVs (g L-1) 1,8 1,64 1,53 1,6 1,40 1,4 1,2 0,93 1 0,85 0,8 0,6 TA1 TA2 TA3 TB1 TB2 TB3 0,4 0,2 0 Tinta TA Tinta TB Gráfico 1 – Concentração de COVs das tintas Tabela 6 – Concentração de COVs das tintas e a eficiência do processo. Tintas -1 COVs (g L ) Eficiência (%) TA1 TA2 TA3 TB1 TB2 TB3 1,77 1,53 0,93 1,64 1,40 0,85 13,56% 47,46% 14,63% 48,17% Observou-se uma redução significativa de COVs através dos processos de desodorização. Isto ocorre devido à decomposição do iniciador de oxi-redução, gerando radicais reativos aos monômeros residuais formando compostos estáveis. Contudo, estes radicais também são consumidos em reações secundárias gerando novos COVs. Estes produtos secundários são indesejáveis e podem alterar as propriedades finais da tinta. Por essa razão, a utilização do processo físico de stripping complementa a remoção química resultando em uma redução ainda mais acentuada de resíduos do copolímero. A tinta TB apresentou menor concentração de COVs do que a tinta TA, de maneira geral. Isto se deve à utilização de um coalescente menos volátil em B (temperatura de ebulição > 250°C) do que em A (temperatura de ebulição < 250°C). Outro fator importante observado nas tintas TA2, TA3, TB2 e TB3 (desodorizadas) foi a redução significativa do odor característico de monômeros nas tintas sem redução de COVs. 29 5.2. Resistência à abrasão úmida No Gráfico 2 abaixo, está o resultado da resistência à abrasão úmida das tintas, de acordo com a norma NBR 14940. Sem redução de COVs Desodorização química Desodorização química e física 200 190 187 187 190 181 181 180 Ciclos 170 163 160 150 140 130 120 TA1 TA2 TA3 TB1 TB2 TB3 110 100 Tinta TA Tinta TB Gráfico 2 – Resistência à abrasão úmida das tintas Partindo-se da mesma base de tinta utilizada para testar cada resina, considerando que cada uma das três amostras do copolímero A e do copolímero B são subdivisões da polimerização de A e B e que os testes de resistência à abrasão úmida foram realizados na mesma condição experimental, os resultados obtidos são funções somente dos processos químico e físico de redução de monômeros residuais. A Tinta TA apresentou um decréscimo do número de ciclos de lavabilidade com o decréscimo da concentração de COVs, enquanto que a tinta TB manteve um resultado de lavabilidade praticamente constante. Em relação à tinta TA, houve uma redução de 4,7% do número de ciclos na amostra desodorizada quimicamente e 14,2% na amostra desodorizada pela combinação dos processos químico e físico. A redução de 4,7% não é significativa perante as variáveis naturais do teste. No entanto, a redução do número de ciclos de 14,2% da amostra TA3 é considerável e mostrou que a combinação dos dois processos de redução de COVs influenciou negativamente na resistência à abrasão úmida. 30 A utilização do coalescente C6H14O2, no copolímero A, de cadeia molecular e ponto de ebulição menores que o coalescente C16H30O4, utilizado no copolímero B, indicou que ambos possuem resultados de lavabilidade semelhantes, considerando as amostras que não sofreram desodorização e as que foram desodorizadas quimicamente. Ou seja, as amostras TA1 e TA2 apresentaram resultados próximos às amostras TB1 e TB2, respectivamente. Enquanto que o resultado da amostra TA3 foi inferior à amostra TB3. Isto pode ser explicado pelo arraste do coalescente do copolímero A para fora do sistema no processo de stripping, reduzindo o desempenho da tinta no teste. O que não ocorreu com o coalescente do copolímero B, devido ao sua massa molecular maior. A utilização do coalescente como aditivo na resina é importante na formação o filme da tinta, pois facilita a coesão das partículas durante a secagem, formando um filme mais resistente. 5.3. Estabilidade das tintas A estabilidade das tintas não foi influenciada pelos processos de redução de COVs. Todas as amostras de tintas mantiveram boa estabilidade segundo o acompanhamento da viscosidade e do aspecto das tintas ao longo de sete dias nas temperaturas de 23°C e 60°C (Tabela 7). Tabela 7 – Evolução da viscosidade das tintas a 23°C e 60°C ao longo de sete dias. Tintas TA1 TA2 TA3 TB1 TB2 TB3 Visc incial 23°C (KU) 99 105 101 98 95 103 Visc 7dias 23°C (KU) 102 105 106 107 106 106 Visc 7dias 60°C (KU) 106 112 108 111 111 110 31 6. Conclusões A redução de compostos orgânicos voláteis através da utilização de um iniciador do tipo oxi-redução seguido do processo de stripping, resultou em cerca de 48% de eficiência nas tintas de médio PVC, demonstrando ser uma ferramenta essencial na obtenção de tintas de baixo odor, que estão cada vez mais presentes no mercado. Os processos de desodorização podem alterar as propriedades dos copolímeros e influenciar no desempenho das tintas. Porém, esse experimento provou que este fenômeno não ocorre necessariamente com qualquer tinta. Para evitar a possível diminuição do seu desempenho devido aos processos de redução de monômeros residuais, é importante considerar como estes processos interferem nos reagentes, no produto e nos seus aditivos. O processo de oxi-redução não interferiu nas propriedades das emulsões preparadas nesse experimento. Os processos químico e físico combinados prejudicaram o desempenho da tinta formulada a partir da emulsão aditivada com o coalescente butilglicol (C6H14O2), mas quando a mesma emulsão foi aditivada com o coalescente 2,2,4-trimetil-1,3pentanodiol diisobutirato (C16H30O4), o desempenho se manteve estável. A desodorização não afetou a estabilidade das tintas. 32 Referências 1 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS FABRICANTES DE TINTA. O setor de tintas no Brasil. São Paulo-SP, 2012. Disponível em: <http://www.abrafati.com.br>. Acesso em: 2 de abril de 2012. 2 MELLO, V.M.C. Linha de tintas automotivas da BASF à base de água completa 25 anos. São Paulo-SP, 2011. Disponível em: <http://www.basf.com.br>. Acesso em: 2 de abril de 2012. 3 UEMOTO K.L.; IKEMATSU P.; AGOPYAN V. Impacto Ambiental das Tintas Imobiliárias. Coletânea Habitare – vol.7. Porto Alegre, 2006. 4 DIRECTIVE 2004/42/CE OF THE EUROPEAN PARLIAMENT AND OF THE COUNCIL. On the limitation of emissions of volatile organic compounds due to the use of organic solvents in certain paints and varnishes and vehicle refinishing products and amending Directive 1999/13/EC. Official journal of the European Union, 2004. Disponível em: <http://eurlex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:L:2004:143:0087:0087: EN:PDF>. Acesso em: 4 de abril de 2012. 5 CODE OF FEDERAL REGULATIONS. Protection of environment. Chapter 1, Subchapter C, Part 51, Subpart F, 51100. Disponível em <http://cfr.vlex.com/vid/19784887>. Acesso em: 4 de abril de 2012. 6 Green Seal. Green Seal Standard for Paints and Coatings. Third Edition. Washington, DC USA ,2011. Disponível em: <http://www.greenseal.org/Portals/0/Documents/Standards/GS-11/GS11_Paints_and_Coatings_Standard.pdf>. Acesso em: 4 de abril de 2012. 7 Rule 1113. Architectural Coatings. 2011.Disponível em: <http://www.aqmd.gov/rules/reg/reg11/r1113.pdf>. Acesso em: 07 de abril de 2012. 8 INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. ISO 11890-2, Paints and Varnishes – Determination of volatile organic compound (VOC) content – Part 2 – Gas Chromatographic method. Second Edition, 2006. 9 GIODA A., NETO F.R.A. Considerações sobre estudos de ambientes industriais e não industriais no Brasil: uma abordagem comparativa. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2003. 33 10 ARAUJO, P.H.H. et al. Techniques for reducing residual monomer content in polymers: A review Polym. Eng. Sci., 42, 1442-1468, 2002. 11 KECHAGIA, Z.et al. A kinetic investigation of removal of residual monomers from polymer latexes via post-polymerization and nitrogen stripping methods Macromol. React. Eng. 5, 479-489, 2011. 12 PAINT QUALITY INSTITUTE. Papel dos componentes nas tintas. Rohm and Haas, 2008. Disponível em <http://www.pqi.com.br>. Acesso em: 30 de abril de 2012. 13 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NORMA NBR 14940 – Tintas para construção civil - Método para avaliação de desempenho de tintas para edificações não industriais - Determinação da resistência à abrasão úmida. ABNT, Rio de Janeiro, 2003.