Giorgia Mattiuzzo
O TRABALHO E A SAÚDE DOS PROFISSIONAIS QUE
ATUAM NA PRODUÇÃO DE RADIADORES DE UMA
EMPRESA MULTINACIONAL E A CONTRIBUIÇÃO DO
ENFERMEIRO
Bragança Paulista
2010
Giorgia Mattiuzzo – RA.001200602244
O TRABALHO E A SAÚDE DOS PROFISSIONAIS QUE
ATUAM NA PRODUÇÃO DE RADIADORES DE UMA
EMPRESA MULTINACIONAL E A CONTRIBUIÇÃO DO
ENFERMEIRO
Monografia apresentado à Disciplina
Trabalho de Conclusão de Curso, do
Curso de Enfermagem, do Centro de
Ciências Biológicas e da Saúde, da
Universidade São Francisco, sob
orientação da Professora Mestre Elaine
Reda.
Bragança Paulista
2010
DEDICATÓRIA
Eu, Giorgia dedico este trabalho a Deus, nosso Ser supremo sem o qual
nada somos. Aos meus pais e minha irmã que sempre me apoiaram em
tudo e principalmente me incentivaram a cada passo rumo ao meu
sonho.
Dedico de forma especial e com muito respeito a minha professora e
orientadora Elaine Reda, amiga querida que espero manter para o
resto de minha vida.
AGRADECIMENTOS
A Deus meu agradecimento eterno.
A minha professora e orientadora Elaine Reda que contribuiu imensamente para que este
trabalho fosse realizado.
Aos senhores Edson Carvalho diretor de recursos humanos, Aloísio Pizzi, supervisor de
saúde e segurança do trabalho, José Mango processista, Décio supervisor de produção e aos
operadores de produção que tiveram participação ativa e muito colaboraram no
desenvolvimento do trabalho.
As dificuldades são oportunidades de crescimento.
Use-as com passos em direção ao sucesso.
Louise Hay
O TRABALHO E A SAÚDE DOS PROFISSIONAIS QUE ATUAM NA PRODUÇÃO
DE RADIADORES DE UMA EMPRESA MULTINACIONAL E A CONTRIBUIÇÃO
DO ENFERMEIRO
RESUMO
A saúde enquanto patrimônio do trabalhador é condição essencial e fundamental para o
convívio social, indissociável do trabalho, ferramenta primária no desenvolvimento das
relações de produção. Logo, este estudo teve como objetivo analisar a relação existente entre
condições de trabalho e processo saúde-doença dos profissionais que trabalham na produção
de radiadores de uma Empresa Multinacional. Tratou-se de um estudo descritivo,
exploratório, de campo, com abordagem quantitativa. O projeto de pesquisa foi submetido à
aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Francisco, sendo que a coleta
de dados foi realizada com 36 profissionais de ambos os sexos e maiores de 18 anos que
atuavam na linha de produção de radiadores de uma empresa multinacional. Em relação aos
principais resultados, verificou-se que: a maior parte da amostra estudada encontrava-se entre
19 e 40 anos: 09 (25,0%) entre 19 e 24 anos; 08 (22,2%) entre 31 e 35 anos; 07 (19,4%) entre
25 e 30 anos e 07 (19,4%) entre 36 e 40 anos. A maioria 32 (88,9%) era do sexo masculino.
Quanto a função, a maioria 26 (72,2) era operador de produção. Quanto à carga horária
semanal a maioria 24 (66,7%) trabalhava 44 horas semanais. Em relação aos hábitos de vida a
maioria 31 (86,1%) referiu não ser tabagista; 18 (50,0%) referiram não fazer uso de bebidas
alcoólicas e 17 (47,2%) referiram fazer uso de bebidas alcoólicas socialmente. Quanto à
prática de atividade física 24 (66,7%) referiram que realizam alguma atividade. Quanto ao
Índice de Massa Corpórea (IMC) observa-se que a maior parte da amostra estudada
encontrava-se entre 21,41 Kg/m2 e 30 Kg/m2: 11 (30,6%) entre 21,41 e 23,55 Kg/m2 ; 07
(19,4%) entre 25,71 e 27,85 Kg/m2; 07 (19,4%) entre 27,86 e 30,00 Kg/m2 e 06 (16,7%) entre
23,56 e 25,70 Kg/m2). Em relação às patologias associadas a maioria 26 (72,2%) referiu não
apresentar e 33 (91,7%) referiram não estar realizando tratamentos. Quanto às principais
queixas e necessidade de afastamento do trabalho, 17 (26,7%) não apresentavam queixas,
porém entre os profissionais que referiram alguma queixa destacaram: dor de cabeça 10
(15,6%); dor muscular e/ou cervical 10 (15,6%) e cansaço físico 08 (12,5%). Além disso, a
maioria 32 (88,9%) referiu não ter sido necessário se afastar do trabalho. Em relação às
condições físicas do ambiente de trabalho verificou-se que quanto às condições de iluminação
metade da amostra 18 (50%) referiu que era regular e 17 (47,2%) referiram que era
satisfatória; quanto às condições de temperatura mais da metade 22 (61,1%) referiu ser
regular e quanto às condições sonoras mais da metade dos profissionais 19 (52,8%)
classificou como regular. Entre as diversas exposições ocupacionais no ambiente de trabalho,
as mais citadas foram: movimentos repetitivos 26 (20,6%); esforços físicos 20 (15,9%);
contato com superfície, material, ferramenta cortante ou perfurante 19 (15,1%); contato com
superfície quente ou líquido quente 14 (11,1%); poeira 14 (11,1%) e contato com produtos
químicos 13 (10,3%). Em relação aos equipamentos e materiais necessários para a realização
do trabalho verificou-se que: 20 (55,5%) referiram que os equipamentos e materiais
necessários eram satisfatórios; 35 (97,2%) referiram que os EPI(s) são fornecidos e que fazem
uso e 31 (86,1%) referiram nunca ter sofrido acidentes de trabalho. Foram citados 106 fatores
de estresse no ambiente de trabalho, sendo que cada profissional poderia citar mais de um
fator. Assim verifica-se que os mais citados foram: desvalorização da profissão 16 (15,1%);
estrutura organizacional 13 (12,3%); carga horária excessiva de trabalho 13 (12,3%) e rede de
comunicação 12 (11,3%). Quanto às estratégias utilizadas para combater o estresse, as mais
citadas foram: a prática de esportes 17 (25,7%); esquecer as obrigações e problemas de
trabalho nos dias de folga 15 (22,7%); conversar e trocar idéias com os colegas 13 (19,8%) e
reservar um tempo para as atividades de lazer 12 (18,2%). Quanto aos fatores que podem
contribuir para a melhoria do setor, os mais citados foram: valorização profissional e
igualdade de condições 07 (15,9%); melhoria da estrutura organizacional 05 (11,4%);
melhoria de recursos e ambiente de trabalho 05 (11,4%). Porém observa-se que 07 (15,9%)
não sugeriram estratégias.
Palavras-chave: Riscos ocupacionais; Saúde do trabalhador; Enfermagem do trabalho.
THE WORK AND HEALTH PROFESSIONALS OF THAT ACT IN THE
PRODUCTION OF RADIATORS OF A MULTINATIONAL COMPANY AND THE
CONTRIBUTION OF NURSES
ABSTRACT
As we know, workers health is essential and fundamental to social life, inseparable from
work, basically, the primary tool for any company. Therefore, this study aimed to analyze the
relationship between working conditions and health-disease process of professionals working
in the production of radiators for a Multinational Company. This was a descriptive,
exploratory field with a quantitative approach. The research project was submitted for
approval by the Ethics Committee in Research of San Francisco University, and the data
collection was performed with 36 professionals of both sexes aged over 18 who worked on
the production line of radiators of a major multinational company. Regarding the main results,
the data collected showed us that: most of the sample studied was between 19 and 40 years
old: 09 (25.0%) between 19 and 24, 08 (22.2%) between 31 and 35, 07 (19.4%) between 25
and 30 and 07 (19.4%) between 36 and 40 years old. Men were the majority with 32 (88.9%)
workers. Regarding function, production operator has the majority with 26 (72.2%) workers.
For weekly working time measure, 24 employees (66.7%) worked about 44 hours. In relation
to lifestyle, 31 (86.1%) workers do not smoke, 18 (50.0%) reported not to use alcohol and 17
(47.2%) said they drink alcohol beverages socially. As for physical activity 24 (66.7%)
employees reported carrying out some activity. As the Body Mass Index (BMI) is observed
that most of the sample was between 21.41 kg/m2 and 30 kg/m2: 11 (30.6%) workers
between 21.41 and 23.55 kg/m2; 07 (19.4%) between 25.71 and 27.85 kg/m2; 07 (19.4%)
between 27.86 and 30.00 kg/m2 and 06 (16.7%) employees between 23.56 and 25.70 kg/m2).
The majority of 26 (72.2%) workers do not present any type of disease and 33 (91.7%)
employees reported not being on any kind of treatment. About 17 (26.7%) workers had no
complaints that justify an absence of work, but 10 (15.6%) professionals complained of
headaches, 10 (15.6%) of muscle pain and / or neck and 08 (12.5%) workers of physical
fatigue. Moreover, 32 (88.9%) professionals reported it was not necessary to leave the job. In
relation of physical working environment, the lighting conditions were reported as regular by
18 (50%) employees and 17 (47.2%) workers reported as satisfactory. Temperature conditions
were also reported regular by 22 (61.1%) workers and 19 professionals (52.8%) classified as
regular the environment noise conditions. Within workplace, the most occupational exposures
quoted were: repetitive movements - 26 (20.6%) workers, physical exertion - 20 (15.9%),
contact with material surface, perforating or cutting tool - 19 (15.1 %), contact with hot
surface or hot liquid - 14 (11.1%), dust - 14 (11.1%) and contact with chemicals - 13 (10.3%)
employees. For equipment and materials needed to perform the job it was found that: 20
(55.5%) workers reported that equipment and materials were satisfactory, 35 (97.2%) reported
that PPE (s) are provided and used, 31 (86.1%) employees reported never had an accident at
work. Employees have reported about 106 stress factors at workplace, and each worker could
cite more than one factor. The most cited were: devaluation of the profession - 16 (15.1%)
workers, organizational structure - 13 (12.3%), excessive working hours - 13 (12.3%) and
communication network - 12 (11 3%) employees. As for the strategies used to combat stress,
the most cited were: sports - 17 (25.7%) workers, forgetting the duties and problems of
working on holidays - 15 (22.7%), talk and exchange ideas with colleagues - 13 (19.8%) and
reserved time for leisure activities - 12 (18.2%) employees. Regarding factors that may
contribute to the improvement of the sector, the most cited were: professional development
and equal conditions - 07 (15.9%) workers, improvement of the organizational structure 05
(11.4%), resources and working environment conditions improvement - 05 (11.4%)
employees. But it is observed that 07 (15,9%) workers did not suggest any improvement idea.
Keywords: Occupational risks; Occupational health; Nursing work.
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Caracterização da amostra estudada segundo idade, sexo, estado civil, função,
carga horária semanal. Bragança Paulista, 2009/2010 (n = 36)................................................31
Tabela 2 - Caracterização da amostra estudada segundo hábitos de vida. Bragança Paulista,
2009/2010 (n = 36)....................................................................................................................33
Tabela 3 - Caracterização da amostra estudada segundo IMC, patologias associadas,
realização de tratamento. Bragança Paulista, 2009/2010 (n = 36)............................................34
Tabela 4 - Caracterização das condições físicas do ambiente de trabalho. Bragança Paulista,
2009/2010 (n =36).....................................................................................................................38
Tabela 5 - Caracterização dos equipamentos e materiais necessários para o trabalho, uso de
EPI e acidentes de trabalhos. Bragança Paulista, 2009/2010 (n =36).......................................41
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 – Caracterização da amostra estudada segundo principais queixas e necessidade de
afastamento do trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010..........................................................36
Quadro 2 – Caracterização da amostra estudada segundo exposições ocupacionais no
ambiente de trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010...............................................................39
Quadro 3 – Caracterização da amostra estudada segundo os fatores de estresse no ambiente
de trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010...............................................................................43
Quadro 4 – Caracterização da amostra estudada segundo as estratégias utilizadas para
combater o estresse. Bragança Paulista, 2009/2010.................................................................45
Quadro 5 – Caracterização dos fatores que podem contribuir para a melhoria do setor,
segundo a opinião dos profissionais. Bragança Paulista, 2009/2010........................................46
SUMÁRIO
RESUMO
ABSTRACT
LISTA DE TABELAS
LISTA DE QUADROS
1. INTRODUÇÃO............................................................................................................
12
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFIA.......................................................................................
15
2.1 A saúde do trabalhador....................................................................................
15
2.2 Caracterização da empresa..............................................................................
17
2.3 Descrição do processo de fabricação do radiador...........................................
18
2.4 Stress ocupacional...........................................................................................
20
2.5 Saúde mental e trabalho................................................................................... 21
2.6 Qualidade de vida no trabalho.........................................................................
22
2.7 A contribuição do enfermeiro na saúde do trabalhador................................... 24
3. JUSTIFICATIVA.........................................................................................................
27
4. OBJETIVOS................................................................................................................. 28
4.1 Objetivo Geral.................................................................................................
28
4.2 Objetivos Específicos......................................................................................
28
5. METODOLOGIA......................................................................................................... 29
5.1 Tipo de Estudo................................................................................................. 29
5.2 Local do Estudo...............................................................................................
29
4.3 População do estudo.......................................................................................
29
5.4 Critérios de Inclusão / Exclusão......................................................................
29
5.5 Fonte dos Dados ............................................................................................
29
5.6 Procedimentos.................................................................................................
29
5.6.1 Procedimento ético-legal.......................................................................
29
5.6.2 Procedimento de coleta de dados..........................................................
30
5.6.3 Procedimento de análise dos dados.......................................................
30
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................................
31
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................
48
8. CONCLUSÕES............................................................................................................
49
REFERÊNCIAS...............................................................................................................
51
APÊNDICE A..................................................................................................................
55
APÊNDICE B................................................................................................................... 58
APÊNDICE C................................................................................................................... 59
12
INTRODUÇÃO
A política de saúde do trabalhador no Brasil começa a ser desenhada após a
promulgação da Constituição Federal de 1988 no artigo 196 coloca que ―a saúde é um direito
de todos, e dever do Estado garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a
redução do risco da doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e
serviços para sua promoção, proteção e recuperação‖(CEREST, 2009).
A Lei Orgânica da Saúde nº. 8080/90 também coloca no artigo 6º, parágrafo 3ºa ―...
saúde do trabalhador como um conjunto de atividades que se destina, por meio de ações de
vigilância epidemiológica e sanitária, a promoção e proteção da saúde do trabalhador assim
como visa à recuperação e à reabilitação dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos
advindos das condições de trabalho‖(CEREST, 2009).
Em 2002, com a publicação da Portaria nº. 1679 que instituiu a Rede Nacional de
Atenção Integral a saúde do trabalhador com a articulação entre o Ministério da Saúde,
Secretaria de Saúde dos Estados e Secretarias Municipais de Saúde e cria os Centros de
Referência em Saúde do Trabalhador que tem como objeto o estudo e intervenção nas
relações entre trabalho e saúde visando realizar a prevenção, a promoção e a recuperação da
Saúde do Trabalhador urbano ou rural, do setor formal ou informal de trabalho (CEREST,
2009).
Segundo a Política de Saúde e Segurança do Trabalhador entende-se por trabalhadores
homens ou mulheres que exercem atividades para sustento próprio e/ou de seus dependentes,
sejam no mercado de trabalho formal ou informal da economia. Inclusive os que trabalham ou
trabalharam como assalariados, domésticos, avulsos, rurais, autônomos, temporários,
servidores públicos, cooperativados e empregadores, proprietários de micro e pequenas
unidades de produção e serviços, entre outros (CEREST, 2009).
Também se considera trabalhador o não remunerado que trabalha no domicílio, o
aprendiz ou estagiário e aqueles que estão afastados temporariamente ou definitivamente do
mercado de trabalho por doença, aposentadoria ou desemprego (CEREST, 2009).
A Saúde enquanto patrimônio do trabalhador é condição essencial e fundamental para
o convívio social, indissociável do trabalho, ferramenta primeira no desenvolvimento das
relações de produção. A força de trabalho humana por seu poder criativo e transformador vem
ao longo dos séculos, escrevendo capítulos de lutas e mudanças na história da humanidade e,
nas complexas relações com o modo de produção vigente com o Estado, bem como, na
dominação e na libertação dos povos (SINDIPETRO, 2009).
13
Nas contradições neste processo de evolução do homem, a dialética sempre esteve
presente, manifestada entre ciência x religião, capital x trabalho, poder x dominação,
produção x apropriação, rigidez x doença, medicina preventiva x medicina curativa, razão x
emoção e no estudo do processo saúde x doença, estas variáveis devem ser analisadas em seu
conjunto, pois no campo da determinação social da doença, estão presentes inúmeros fatores
causais: predisponentes, desencadeantes e agravantes (SINDIPETRO, 2009).
Soma-se a este processo, a avassaladora e desmedida exploração dos recursos naturais
e, a um processo de industrialização que despeja poluentes em mananciais, liberando poeiras,
névoas e gases na atmosfera, conduzindo a um inexorável processo de desequilíbrio
ambiental, promovendo alterações no ecossistema e na qualidade de vida das comunidades e
das demais espécies de nosso planeta (SINDIPETRO, 2009).
A degradação ambiental, originada nos processos de produção, armazenagem,
expedição, distribuição e comercialização é responsável pela poluição do ar, do solo, das
águas superficiais e subterrâneas e produz riscos e danos à saúde dos trabalhadores, da
população do entorno e para o equilíbrio ecológico (PNSST, 2004).
Entretanto, estas alterações não se limitam ao meio ambiente e ao local de trabalho,
pois podem induzir, a outros mecanismos de agressão ao ser humano, como a potencialidade
carcinogênica, mutagênica e teratogênica de inúmeros produtos, como exemplo: agrotóxicos,
solventes e radiações ionizantes e eletromagnéticas (SINDIPETRO, 2009).
Neste contexto, a higiene e segurança no trabalho, enquanto cuidado individual e
coletivo, implica em uma constante vigilância sobre o processo de trabalho, por parte de
técnicos, trabalhadores e sindicalistas, pois nestes novos tempos, com a terceirização, os
limites da antiga fábrica já não são nítidos e, a constante fragmentação do trabalho e a maciça
incorporação de tecnologias de automação vem modificando substancialmente o papel do
trabalhador junto ao coletivo (SINDIPETRO, 2009).
Os novos paradigmas da qualidade total, produtividade, "just in time" e outros tantos,
incorporados aos programas das empresas, tem em seu ideário a busca de mecanismos de
controle da produção, induzindo o trabalhador a ter um comportamento mais competitivo e
individualista (SINDIPETRO, 2009).
Neste novo modelo, surgem as epidemias de final do século, como as LER: Lesões por
Esforços Repetitivos e problemas de saúde mental ligados ao trabalho. Acreditamos que
dentre os objetivos do trabalho não está somente o de sobreviver, atender as necessidades
básicas da vida; existem outras motivações e sonhos perseguidos pelo ser humano como fruto
do seu labor cotidiano (SINDIPETRO, 2009).
14
Logo, verifica-se que a Vigilância à Saúde do Trabalhador também é uma atribuição
do profissional enfermeiro, caracterizada por uma atuação contínua e sistemática, no sentido
de detectar, conhecer, pesquisar e analisar os fatores determinantes e condicionantes dos
agravos à saúde relacionados aos processos e ambientes de trabalho, com o objetivo de
planejar, executar e avaliar intervenções sobre esses aspectos, de forma à eliminá-los ou
controlá-los.
15
1.0 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 A saúde do trabalhador
A Saúde do Trabalhador é uma área técnica da Saúde Pública que busca intervir na
relação entre o sistema de produção e a saúde, no sentido de promover um trabalho que
dignifique ao invés de denegrir o homem. Sua missão é auxiliar na estruturação de uma
sociedade que promova a saúde através dos espaços de trabalho (GUIA SUS, 2003).
Em vigor desde 2004, a Política Nacional de Saúde do Trabalhador do Ministério da
Saúde visa à redução dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, mediante a execução
de ações de promoção, reabilitação e vigilância na área de saúde. Suas diretrizes, descritas na
Portaria nº 1.125 de 6 de julho de 2005, compreendem a atenção integral à saúde, a
articulação intra e intersetorial, a estruturação da rede de informações em Saúde do
Trabalhador, o apoio a estudos e pesquisas, a capacitação de recursos humanos e a
participação da comunidade na gestão dessas ações (BRASIL, 2004).
O atual sistema de segurança e saúde do trabalhador carece de mecanismos que
incentivem medidas de prevenção, responsabilizem os empregadores, propiciem o efetivo
reconhecimento dos direitos do segurado, diminuam a existência de conflitos institucionais,
tarifem de maneira mais adequada as empresas e possibilite um melhor gerenciamento dos
fatores de riscos ocupacionais (PNSST, 2004).
Dados recentes dão conta de que, a despeito dos esforços despendidos, são ainda
alarmantes os registros de acidentes de trabalho e doenças profissionais no Brasil. Entre as
decorrências imediatas desse quadro, sobressaem as enormes dificuldades enfrentadas pelas
vítimas e seus familiares, resultando em enorme abalo da estrutura e da economia familiar. De
forma mediata, ganha relevo o ônus social e financeiro, suportado por toda a sociedade
brasileira (MTE, 2003).
A prevenção de riscos ocupacionais é muito mais eficaz e geralmente mais barata
quando é considerada desde o estágio de planejamento das instalações e processos de
trabalho, ou seja, com a antecipação dos riscos (SANTOS; KULCSAR NETO, 2009).
A maneira como o trabalhador executa uma tarefa pode afetar apreciavelmente a
exposição, assim, é importante treinar trabalhadores em boas práticas de trabalho. Como
exemplos de práticas de trabalho que afetam a exposição podem ser citados, entre outros, o
cuidado na transferência de materiais em pó, a velocidade de trabalho e a postura corporal do
trabalhador para execução de sua tarefa. A limpeza utilizando vassoura e ar comprimido
devem ser proibidas.
16
Os trabalhadores são freqüentemente as pessoas que tem o conhecimento mais
completo do que acontece durante as atividades de trabalho. Sua visão da situação deve ser
levada em consideração para a localização dos principais pontos de exposição à poeira e na
avaliação da eficácia do controle.
A adoção das novas tecnologias e métodos gerenciais nos processos de trabalhos
contribuem para modificar o perfil de saúde, adoecimento e sofrimento dos trabalhadores.
Entre as doenças relacionadas ao trabalho mais freqüentes estão as Lesões por
Esforços Repetitivos/Distúrbios Ósteo-Musculares Relacionados ao Trabalho (LER / DORT);
formas de adoecimento mal caracterizadas e sofrimento mental que convivem com as doenças
profissionais clássicas (PNSST, 2004).
A criação do Sistema Único de Saúde (SUS) definiu uma política de saúde pautada no
direito de cidadania e em deveres do Estado, com a promoção, a proteção e a recuperação da
saúde, nela incluída a Saúde do Trabalhador e o meio ambiente de trabalho.
A organização das informações, realização de assistência, fiscalização do ambiente de
trabalho e municipalização fazem parte do processo de Vigilância em Saúde do Trabalhador.
De acordo com Guia SUS (2003) são considerados agravos de notificação segundo os
códigos da CID-10 (Classificação Internacional de Doenças - 10ª Revisão):
Y96 - Acidente de trabalho
Y19.8 - Intoxicação por metais ou solventes (inclui benzenismo)
Y18 - Intoxicação por agrotóxicos
Z56.6 - Reações ao estresse grave e transtornos de adaptação relacionados ao
trabalho e desemprego
H83.3 - Perda auditiva induzida por ruído (pair) e trauma acústico
J64 -Pneumoconiose
L25.9 - Dermatose ocupacional
M70.9 - LER/DORT
A Portaria SES nº1331/99 acrescenta que a notificação dos acidentes e das doenças
relacionadas ao trabalho é obrigação de todo serviço médico, seja ele de uma empresa, de
clínicas que realizam PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), de
consultórios particulares, de hospitais, de sindicatos, etc (GUIA SUS, 2003).
Segundo a Política Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador (2004), de modo
esquemático, pode-se dizer que o perfil de morbimortalidade dos trabalhadores no Brasil, na
atualidade, caracteriza-se pela coexistência de:
17
 agravos que têm relação com condições de trabalho específicas, como os acidentes de
trabalho típicos e as ―doenças profissionais‖;

doenças que têm sua freqüência, surgimento ou gravidade modificados pelo trabalho,
denominadas ―doenças relacionados ao trabalho‖ e;
 doenças comuns ao conjunto da população, que não guardam relação de causa com o
trabalho, mas condicionam a saúde dos trabalhadores.
O reconhecimento dos riscos ambientais é uma etapa fundamental do processo que
servirá de base para decisões quanto às ações de prevenção, eliminação ou controle desses
riscos. Reconhecer o risco significa identificar, no ambiente de trabalho, fatores ou situações
com potencial de dano à saúde do trabalhador ou, em outras palavras, se existe a possibilidade
deste dano. Para se obter o conhecimento dos riscos potenciais que ocorrem nas diferentes
situações de trabalho é necessária a observação criteriosa e in loco das condições de
exposição dos trabalhadores (PNSST, 2004).
O atual sistema de segurança e saúde do trabalhador carece de mecanismos que
incentivem medidas de prevenção, responsabilizem os empregadores, propiciem o efetivo
reconhecimento dos direitos do segurado, diminuam a existência de conflitos institucionais,
tarifem de maneira mais adequada as empresas e possibilite um melhor gerenciamento dos
fatores de riscos ocupacionais (PNSST, 2004).
Os trabalhadores têm o direito ao trabalho em condições seguras e saudáveis não
condicionado à existência de vínculo trabalhista, ao caráter e natureza do trabalho (PNSST,
2004).
2.2 Caracterização da empresa
A empresa onde foi desenvolvida esta pesquisa é uma das maiores fabricantes de
componentes e sistemas para a indústria automobilística e a maior produtora de radiadores da
América Latina. A empresa possui 140 fábricas, nove centros de distribuição e 54 centros de
pesquisas e desenvolvimento em 25 países, nos cinco continentes. Na região do Mercosul,
conta com onze fábricas no Brasil e três na Argentina, além de uma divisão de distribuição
(SECCO CONSULTORIA, 2006).
As unidades industriais têm como objetivo aperfeiçoar os processos voltados à saúde,
segurança dos funcionários e ao meio ambiente.
A estratégia da empresa resulta na redução de riscos de acidentes e dos custos deles
decorrentes.
18
A unidade onde foi realizada a pesquisa conta com aproximadamente mil
colaboradores que acompanham a evolução do mercado com um trabalho de organização
industrial de forma a assegurar sempre o sucesso dos empreendimentos propostos pela
empresa.
2.3 Descrição do processo de fabricação do radiador
O Radiador é um trocador de calor com a função principal de transferir o calor em
excesso do líquido de arrefecimento que circula em seu interior, para o ambiente (VALEO,
2009).
A vida útil do radiador é influenciada pela qualidade e/ou presença do líquido de
arrefecimento, superaquecimento e corrosão, colisões frontais, batidas, amassamentos e
perfurações que causam vazamento (VALEO, 2009).
O sistema de ventilação otimiza o fluxo de ar que atravessa o radiador de refrigeração
para aumentar a transferência de calor do líquido de arrefecimento ao ar. O motor elétrico
aciona o ventilador através do interruptor de temperatura, principalmente, nos regimes onde o
veículo permanece parado por longo tempo (VALEO, 2009).
O reservatório de expansão e a tampa controlam a pressão do sistema de arrefecimento
quando a pressão do sistema aumenta muito, o líquido de arrefecimento se expande dentro do
reservatório e a válvula se abre regulando a pressão, evitando a perda por ebulição (VALEO,
2009).
O Líquido de arrefecimento é formado pela água e o aditivo ou solução protetora. Ele
é responsável pela condução do calor proveniente do motor até o radiador. No radiador, o
líquido de arrefecimento trocará calor com os tubos e com o ar, diminuindo sua temperatura
até a faixa adequada de trabalho, para novamente entrar no motor e continuar o ciclo de troca
(VALEO, 2009).
Segundo Valeo (2009) para o processo de fabricação dos radiadores existem duas
etapas:
1ª Etapa: Seqüência de montagem pelo Alumínio mecânico
Neste processo são utilizadas as seguintes matérias primas:
 Plástico
 Borracha
 Alumínio
 Aço
19
Dessas matérias primas são produzidos alguns componentes necessários para a
montagem dos radiadores que são caixas plásticas, juntas de vedação, aletas, tubos coletores e
calhas. Esses componentes passam por uma seqüência de montagem as quais serão descritas
abaixo.
1- Montagem de colméia
As aletas e tubos são montados manualmente e fixados através de um processo
mecânico utilizado por prensas, os coletores e juntas são montados manualmente e,
para sua fixação nos tubos das colméias usa-se um processo mecânico realizado
através de prensas; após estas operações temos a colméia montada pronta para receber
as caixas plásticas e calhas.
2- Montagem final – Radiador
A partir da colméia montada, colocam-se as caixas plásticas manualmente e sua
fixação nas extremidades da colméia é feita através de um processo de cravação
utilizando prensas; quando possuem calhas, estas são montadas manualmente e depois
também cravadas no momento do teste de estanqueidade.
3- Embalagens
Uma vez testados os radiadores, estes são embalados em racks metálicos para
serem enviados aos clientes.
2ª Etapa: Seqüência de montagem pelo Alumínio Brasado
Neste processo são utilizadas as seguintes matérias primas:
 Plástico
 Borracha
 Alumínio
1- Montagem da colméia
As aletas e tubos são montados automaticamente em uma mesa enquanto que os
coletores e calhas são encaixados, manualmente, em dispositivos na mesa que,
automaticamente fazem à montagem de todos estes componentes; no qual o que
manterá este conjunto unido será um dispositivo mecânico que é colocado
manualmente.
2- Brasagem – colméia
Este conjunto, preso por este dispositivo, é levado até a linha de brasagem, que é
composta por: desengraxe / fluxagem / forno / resfriamento; A colméia irá através
de uma esteira, percorrer todo este processo e, quando sair do resfriamento ela
20
estará com todos os componentes soldados entre si, formando agora um conjunto
rígido que chamamos colméia.
3- Montagem final – Radiador
A partir da colméia brasada, colocam-se manualmente, as caixas plásticas e as
juntas de vedação nos coletores que estão nas extremidades da colméia, após esta
montagem é feita à fixação através de um processo de cravação utilizando prensas.
4- Embalagens
Uma vez testados os radiadores, estes são embalados em racks metálicos para
serem enviados aos clientes.
2.4 Stress ocupacional
O Stress tornou-se numa das principais áreas de preocupação e por excelência das
sociedades mais industrializadas, sendo já um modo de vida assumido e aceite que evoluiu
desde o período da Revolução Industrial e chegou aos nossos dias como um verdadeiro
responsável pela diminuição da qualidade de vida. É considerado um autêntico problema
social e de saúde pública para o século XXI, a ponto de a própria União Européia ter feito da
prevenção do stress no trabalho um dos principais objetivos no que se refere à nova visão
estratégica comunitária sobre a saúde e segurança (BICHO; PEREIRA, 2007).
Porém, somente em 1992 o stress foi catalogado como mal do século, sendo
enquadrado pela OMS, como doença associada a resultados desastrosos, com várias alterações
orgânicas, debilitando o binômio mente-corpo, sendo um dos principais motivo de consulta
médica e queda de produtividade no trabalho (ALBERT; URURAHY, 1997).
Cooper em 1993, define o estresse ocupacional como ―um problema de natureza
perceptiva, resultante da incapacidade em lidar com as fontes de pressão no trabalho, tendo
como conseqüências, problema na saúde física, mental e na satisfação no trabalho, afetando
não só o indivíduo como as organizações‖ (GUIMARÃES, 2000).
O Stress pode ter consequências organizacionais e pessoais, e estas revelam-se tanto
ao nível intelectual como nas relações sociais e no respectivo comportamento organizacional,
provocando desta forma elevadíssimos e avultados custos para as próprias organizações.
Segundo dados de 2000, só na União Européia o fenômeno do stress ocupacional está
no segundo lugar entre os problemas de saúde mais frequentes, no contexto da saúde
ocupacional, afetando um colossal e assustador número de 28% dos colaboradores existentes
no mercado de trabalho da União Européia. Os custos, numa óptica quantitativa, vão desde
quebras de ritmos de produção, causados pelo desgaste da capacidade produtiva dos
21
colaboradores, custos relacionados com a saúde e medicina ocupacional, para a reparação e
reabilitação dos recursos humanos e seguros, gastos com a formação para a reposição e
integração de novos colaboradores, greves e absentismo. Neste último caso, ―o stress
ocupacional é responsável por cerca de 25% da taxa de absentismo, na UE, durante duas ou
mais semanas‖, implicando, juntamente com as outras consequências do stress ocupacional e
―segundo as estatísticas de 1999, custos anuais aos Estados-membros de 20 mil milhões de
euros, pelo menos‖ (BICHO; PEREIRA, 2007).
Reconhecendo o elevado impacto negativo do stress nos indivíduos e também nas
organizações, não tem havido um correspondente esforço por parte dos administradores no
sentido de procurar perceber e reduzir as causas do stress que induzem tais efeitos (BICHO;
PEREIRA, 2007).
Identificam-se dois grandes tipos de causas de stress no trabalho, organizacionais ou
extraorganizacionais, que podem ser potenciadas por diversos antecedentes: variáveis sociais
(como o crescimento, a instabilidade econômica, ou a taxa de desemprego), bem como certas
características organizacionais (como a dimensão, a tecnologia, o número de níveis
hierárquicos, ou o grupo ocupacional a que se pertence). Estes antecedentes fazem aumentar a
probabilidade da existência de estressores nas organizações.
Existem uma grande variedade de fatores estressantes, nomeadamente as
características do papel, as características da tarefa, o estilo de liderança, as relações de
trabalho, a estrutura, o clima organizacional e as condições físicas de trabalho.
2.5 Saúde mental e o trabalho
A percepção de que o trabalho pode ter conseqüências sobre a saúde mental dos
indivíduos é muito antiga. Podemos encontrá-la no clássico "Tempos Modernos" de Charlie
Chaplin - sensível à violên- cia produzida pelas transformações contemporâneas do
taylorismo e do fordismo sobre os trabalhadores —, até nos não menos clássicos estudos
acadêmicos dos "pais" da Sociologia do Trabalho, Georges Friedman e Pierre Naville (1962),
onde relatam as conseqüências do trabalho em linha de montagem (MERLO apud JACQUES;
CODO, 2002).
Em 2004, a Organização Mundial da Saúde afirmou que a saúde mental é um ―estado
de bem-estar que permite aos indivíduos realizar suas habilidades, enfrentar o estresse normal
da vida, trabalhar de maneira produtiva e frutífera, e fazer uma contribuição significativa a
sua comunidade. Não obstante, na maior parte do mundo, nem remotamente se atribui a saúde
mental e os transtornos mentais a mesma importância que a saúde física. Pelo contrario, a
22
saúde mental tem sido objeto de abandono e indiferença‖. Os dados apresentados são
assustadores: 450 milhões de pessoas sofrem de transtorno mental ou de comportamento. Por
volta de 1 milhão, se suicida a cada ano (BARRETO, 2009).
Ao analisarmos os dados da Previdência Social, constatamos um crescimento dos
casos de transtornos mentais relacionados com o trabalho. Estes dados, mesmo que subnotificados, nos dão uma dimensão do que ocorre nos intramuros, mostrando uma ponta do
iceberg (BARRETO, 2009).
Deste modo, em 2006, o mundo do trabalho vitimou 1.978 trabalhadores por
transtornos mentais e comportamentais, gerados pelo trabalho. Encontramos quadros de
transtornos do humor (afetivos), episódios depressivos, estresse e transtornos ansiosos,
apresentando nexo causal com o trabalho. A maior incidência, estava em estresse profissional,
ansiedade e depressão. Entretanto não podemos esquecer os casos de síndrome do pânico,
transtornos cognitivos, morte súbita por karoshi ou exaustão em especial, entre os cortadores
de cana de açúcar (BARRETO, 2009).
Sabemos que a relação saúde-doença exprime uma afinidade que perpassa o corpo
individual e social, confrontando as turbulências do ser humano enquanto ser total. Quando
sofremos, somos atingidos e afetados no mais profundo de nossa alma. Nos nervos. E quando
isso acontece, pode evoluir da tristeza à magoa profunda, o que faz das lembranças,
momentos de desprazer que pode levar a depressão, enquanto expressão da dificuldade do
corpo em acomodar-se a nova norma. E a cura nestes casos, é a reconquista de um estado de
estabilidade das normas fisiológicas (CANGUILHEM, 2006).
2.6 Qualidade de vida no trabalho
De acordo com Rodrigues (1994), ―a qualidade de vida no trabalho tem sido uma
preocupação do homem desde o início de sua existência com outros títulos em outros
contextos, mas sempre voltada para facilitar ou trazer satisfação e bem estar ao trabalhador na
execução de sua tarefa‖.
A qualidade de vida no trabalho (QVT), de acordo com Chiavenato (1999) ―representa
em que graus os membros da organização são capazes de satisfazer suas necessidades
pessoais através do seu trabalho na organização."
O mesmo autor destaca os fatores envolvidos na QVT, que são: "a satisfação com o
trabalho executado; as possibilidades de futuro na organização; o reconhecimento pelos
resultados alcançados; o salário recebido; os benefícios auferidos; o relacionamento humano
23
dentro do grupo e da organização; o ambiente psicológico e físico do trabalho; a liberdade e
responsabilidade de decidir e as possibilidades de participar" (CHIAVENATO, 1999).
Assim, a tecnologia de Qualidade de Vida no Trabalho pode ser utilizada para que as
organizações renovem suas formas de organização no trabalho, de modo que, ao mesmo
tempo em que se eleva o nível de satisfação do pessoal, eleve-se também a produtividade das
empresas como resultado de maior participação dos empregados nos processos relacionados
ao seu trabalho.
Um programa de Qualidade de Vida no Trabalho tem como meta, gerar uma
organização mais humanizada, na qual os trabalhadores envolvem, simultaneamente, relativo
grau de responsabilidade e de autonomia em nível do cargo, recebimentos de recursos de
―feedback‖ sobre o desempenho, com tarefas adequadas, variedade, enriquecimento pessoal
do indivíduo. É evidente que nem todos os problemas de produtividade das empresas, e nem
todo tipo de insatisfação do empregado, em qualquer nível, podem ser resolvidos pela
Qualidade de Vida no Trabalho.
Não há Qualidade de Vida no Trabalho sem Qualidade Total, ou seja, sem que a
empresa seja boa. Não confundir QVT com política de benefícios, nem com atividade festivas
de congraçamento, embora essas sejam importantes em uma estratégia global. A qualidade
tem a ver, essencialmente com a cultura da organização. São fundamentalmente os valores, a
filosofia da empresa, sua missão, o clima participativo, o gosto por pertencer a ela e as
perspectivas concretas de desenvolvimento pessoal que criam a identificação empresa –
empregado. O ser humano fazendo a diferença na concepção da empresa e em suas estratégias
(MATOS, 1997).
Segundo Cocco (2001) as empresas devem pensar a saúde do trabalhador numa nova
perspectiva, a da promoção à saúde no trabalho, que tem reflexos na competitividade das
empresas e do próprio país, além de investir na qualidade de vida no trabalho e do
trabalhador. Isso ocorre devido a determinados aspectos serem importantes tanto para a
empresa quanto para o país, como é o caso do custo com os dias de afastamento, a retirada
precoce do trabalho por invalidez e os acidentes de trabalho. Deve ainda ser considerada a
relação saúde mental e trabalho, uma vez que tem-se elevado o número de pessoas
acometidas, principalmente por distúrbios leves, como ansiedade, tristeza, depressão e stress
Segundo Fernandes (1996), ―QVT deve ser considerada como uma gestão dinâmica
porque as organizações e as pessoas mudam constantemente; e é contingencial porque
depende da realidade de cada empresa no contexto em que está inserida‖.
24
No entanto, sua aplicação conduz, sem dúvida, a melhores desempenhos, ao mesmo
tempo em que evita maiores desperdícios, reduzindo custos operacionais. Segundo Fernandes
(1996), ‖a qualidade é antes de tudo uma questão de atitude. Quem faz e garante a qualidade
são as pessoas, muito mais do que o sistema, as ferramentas e os métodos de trabalho‖.
2.7 Contribuição do enfermeiro na saúde do trabalhador
O termo saúde do trabalhador refere-se a um campo do saber que visa compreender as
relações entre trabalho e processo saúde-doença. Nesta acepção, considera a saúde e a doença
como processos dinâmicos, estreitamente articulados com os modos de desenvolvimento
produtivo da humanidade em determinado momento histórico. Parte do princípio de que a
forma de inserção dos indivíduos nos espaços de trabalho, contribuem decisivamente para
formas especificas de adoecer e morrer (BRASIL, 2002).
Assim, a Segurança do Trabalho pode ser compreendida como o conjunto de medidas
adotadas de forma a visar à minimização dos acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, de
modo a proteger a integridade e a capacidade de trabalho do trabalhador.
Denomina-se que acidente de trabalho é aquilo que acontece a serviço da empresa,
acarretando lesão corporal ou perturbação funcional podendo gerar morte, perda ou redução
temporária ou permanente da capacidade para o trabalho. Pode-se dizer, por conseguinte que
o acidente de trabalho está relacionado ao ato inseguro, o qual é praticado pelo homem em
geral, consciente do que está fazendo e contra as normas de segurança. Outra situação
geradora do acidente de trabalho é a condição insegura onde o próprio ambiente oferece
perigo e ou riscos ao trabalhador.
Voltando ao contexto da Segurança do Trabalho, segue a denominação dos demais
profissionais que compõem essa categoria segundo a Classificação Brasileira de Ocupações
(CBO)
 Engenheiro do Trabalho – CBO O28.40
 Técnico de Segurança do Trabalho – CBO O39.45
 Médico do Trabalho – CBO 061.22
 Enfermeiro do Trabalho – CBO 07140
 Auxiliar de Enfermagem do Trabalho – CBO 572.10
Partindo das elucidações anteriores, pode-se dizer que o enfermeiro do Trabalho
possui sem margem de dúvida, as diretrizes necessárias para o êxito de um programa de
promoção da saúde empresarial. Em resumo ―a contribuição do enfermeiro é fundamental na
25
equipe interdisciplinar, tendo em vista sua formação profissional e competência técnica para
interagir com o trabalho visando o autocuidado‖ (SILVA, 2000).
―A capacidade para o trabalho é influenciada por vários fatores, incluindo a condição
de saúde, características sócio-demográficas, estilo de vida e fatores relacionados ao
trabalho‖, assim sendo, ―a ciência da enfermagem pode ser um aliado na construção de
ambientes saudáveis e sustentáveis‖ (CEZAR-VAZ et al, 2007).
Para obtenção de um ambiente de trabalho saudável e mais prazeroso, deve-se
promover a participação de todos os envolvidos visando à monitoração, melhoria e
manutenção da saúde e do bem estar dos trabalhadores, promovendo desta forma, a qualidade
de vida dos demais. ―Nesse contexto, enfermeiros profissionais podem, através da promoção
da saúde, promover ambientes de trabalho saudáveis, estimulando o desenvolvimento pessoal,
familiar e social e, assim, apoiando o alcance das metas fixadas por empregadores e
empregados‖ (CASAS; PARAVIC, 2006).
O impacto do trabalho sobre a saúde é algo que ―demonstra ter grande variabilidade
entre os indivíduos e num mesmo indivíduo‖(COSTA, 2009), tanto em termos de tipos de
problemas como da ocorrência temporal, relacionadas ―a vários fatores interferentes como
características pessoais, estilo de vida, exigências do trabalho, organização da empresa,
relações familiares e condição social‖ (COSTA, 2009). Desta forma, faz-se necessário ir além
de uma mera proteção da saúde e agir para a promoção da saúde, pois o modo de definir a
―saúde‖ e o ―bem estar‖ pode interferir de forma significativa na avaliação, resultados e
intervenções.
Fundamental seria dizer que para alcançar os objetivos propostos para uma promoção
da saúde do trabalhador, o enfermeiro procura conhecer a empresa, suas diretrizes políticas, as
funções exercidas pelos empregados, os riscos em que os mesmos se encontram expostos, o
contexto social no qual está inserido, para desta forma, melhor planejar as estratégias.
Em uma análise geral, que diz respeito ao enfermeiro ―o desafio está em garantir os
direitos desses trabalhadores‖ (MUROFUSE; MARZIALE, 2009) visando a melhoria da
saúde, do bem estar, da segurança, do conforto e da produtividade dos mesmos e de contra
partida, defender todos os interesses do empregador.
O enfermeiro do trabalho observa ainda condições de higiene, periculosidade e
segurança no ambiente de trabalho, executa ações de prevenção de riscos e acidentes com os
trabalhadores. Realiza coleta de dados de doenças ocupacionais, de dados estatísticos de
morbidade e mortalidade de trabalhadores e de etapas aos estudos epidemiológicos além de
inquéritos sanitários. Executa e avalia de forma eficaz, programas de prevenção de acidentes
26
de trabalho e de doenças profissionais ou não profissionais através da analise da fadiga,
fatores de insalubridade, dos riscos e das condições de trabalho de modo a propiciar a
preservação da integridade física e mental do trabalhador.
Este é um profissional que também se encontra apto a exercer procedimentos de
enfermagem de maior complexidade, a prescrever ações adotando medidas de precaução
universal de biossegurança, a trinar e instruir trabalhadores quanto ao uso de equipamentos de
proteção individual (EPI), a prevenir doenças do trabalho em harmonia, complementabilidade
e concordância com outros profissionais de saúde do trabalho e segurança do trabalho, dentre
outras funções.
Assim, a enfermagem do trabalho, como especialidade, vem buscando desenvolver e
aprofundar conhecimentos e ampliar seu papel junto à área de saúde do trabalhador
desenvolvendo pesquisas que visam fundamentar teoricamente sua prática profissional,
seguindo a trajetória da enfermagem na conquista de sua profissionalização.
27
3.0 JUSTIFICATIVA
A abordagem integrada das inter-relações entre as questões de segurança e saúde do
trabalhador, meio ambiente e o modelo de desenvolvimento adotado no país, traduzido pelo
perfil de produção-consumo, representa na atualidade, um grande desafio para o Estado
Brasileiro.
Tradicionalmente, no Brasil, as políticas de desenvolvimento têm se restringido aos
aspectos econômicos e vêm sendo tratadas de maneira paralela ou pouco articuladas com as
políticas sociais, cabendo a estas últimas arcarem com os ônus dos possíveis danos gerados
sobre a saúde da população, dos trabalhadores em particular e a degradação ambiental.
A saúde dos trabalhadores é condicionada por fatores sociais, econômicos,
tecnológicos e organizacionais relacionados ao perfil de produção e consumo, além de fatores
de risco de natureza físicos, químicos, biológicos, mecânicos e ergonômicos presentes nos
processos de trabalho particulares (PNSST, 2004).
A escassez e inconsistência das informações sobre a real situação de saúde dos
trabalhadores dificultam a definição de prioridades para as políticas públicas, o planejamento
e implementação das ações de saúde do trabalhador, além de privar a sociedade de
instrumentos importantes para a melhoria das condições de vida e trabalho (PNSST, 2004).
Cabe ressaltar que acidentes e doenças relacionadas ao trabalho são agravos
previsíveis e, portanto, evitáveis, logo a importância da atuação do profissional enfermeiro no
ambiente de trabalho.
Diante do exposto, ressalta-se a importância deste estudo no sentido não apenas de
identificar a situação de saúde dos trabalhadores, mas também contribuir com a elaboração de
programas de capacitação dos profissionais, para o desenvolvimento das ações em segurança
e saúde do trabalhador, abrangendo a promoção e vigilância da saúde, prevenção da doença,
assistência e reabilitação, nos diversos espaços sociais onde essas ações ocorrem.
28
4.0 OBJETIVOS
4.1 Objetivo Geral
Analisar a relação existente entre condições de trabalho e processo saúde-doença dos
profissionais que trabalham na produção de radiadores de uma Empresa Multinacional.
4.2 Objetivos Específicos

Caracterizar os profissionais de acordo com seus dados demográficos e hábitos de
vida;

Identificar as relações existentes entre as condições do ambiente de trabalho e a saúde
destes profissionais;

Identificar os fatores avaliados como estressores, pelos profissionais, no ambiente de
trabalho.
29
5.0 METODOLOGIA
5.1 Tipo de Estudo
Tratou-se de um estudo descritivo, exploratório, de campo com abordagem
qualiquantitativa.
5.2 Local
A pesquisa foi desenvolvida na cidade de Itatiba, especificamente em uma Empresa
Multinacional voltada para a produção de radiadores.
5.3 População
A população prevista foi de 70 profissionais de ambos os sexos, maiores de 18 anos,
visto ser o número total de funcionários que atuavam na linha de produção de radiadores,
porém participaram deste estudo apenas 36 profissionais.
5.4 Critérios para inclusão / exclusão
 Critérios para inclusão:
→ Ser funcionário da Empresa Multinacional, em questão, e trabalhar na linha de
produção de radiadores;
→ Ser maior de 18 anos;
→ Concordar em participar da pesquisa;
 Critérios para exclusão:
→ Não preencher os critérios de inclusão;
5.4 Fonte dos dados
Para a coleta de dados foi utilizado um formulário (Apêndice A), composto por
questões abertas e fechadas.
5.5 Procedimentos
5.5.1 Procedimento ético legal

O projeto de pesquisa foi submetido à aprovação do Comitê de Ética em
Pesquisa (CEP) da Universidade São Francisco;
30

Foi enviada uma carta para o responsável pela Empresa Multinacional
(Apêndice B) solicitando autorização para coleta de dados;

Foi apresentado um Termo de Consentimento à população envolvida no estudo
(Apêndice C);

Somente participaram deste estudo os funcionários que estiveram de acordo
com o Termo de Consentimento, sendo mantido sigilo e anonimato de qualquer
informação fornecida;

O estudo somente teve início após o envio da carta de aprovação do CEP.
5.5.2 Procedimento de Coleta de dados
Após a aprovação e autorização do Comitê de Ética em Pesquisa e do responsável pela
Empresa Multinacional, os dados foram coletados no período entre Novembro de 2009 a
Janeiro de 2010. Foi agendada uma visita com o (a) responsável pela instituição do estudo,
com a finalidade de apresentar os objetivos da pesquisa e solicitar informação à respeito do
melhor horário para a realização da coleta de dados, de forma que não atrapalhasse o
desempenho dos funcionários. De acordo com o horário estabelecido, a pesquisadora esteve
presente na Instituição de Estudo, a fim de apresentar aos funcionários os objetivos da
pesquisa e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Após autorização dos mesmos foi
realizada uma entrevista seguindo o instrumento de coleta de dados previamente elaborado
(Apêndice A).
5.5.3 Procedimento de análise dos dados
Os dados foram analisados segundo as variáveis do estudo e apresentados sob a forma
de tabelas, quadros e gráficos e posteriormente comparados à literatura.
31
6.0 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Tabela 1 - Caracterização da amostra estudada segundo idade, sexo, estado civil, função e
carga horária semanal. Bragança Paulista, 2009/2010 (n = 36).
IDADE
N
%
19 ---------------------24
09
25,0
25 ---------------------30
07
19,4
31 ---------------------35
08
22,2
36 ---------------------40
07
19,4
41 ---------------------45
03
08,3
46 ---------------------50
02
05,7
SEXO
N
%
Masculino
32
88,9
Feminino
04
11,1
ESTADO CIVIL
N
%
Solteiro (a)
17
47,2
Casado (a)
17
47,2
Viúvo (a)
00
00,0
Separado (a)
02
05,6
SEXO
N
%
Masculino
32
88,9
Feminino
04
11,1
FUNÇÃO
N
%
Operadores de Produção
26
72,2
Ferramenteiro
01
02,8
Eletricista
02
05,5
Supervisor de Produção
01
02,8
Auxiliar de Produção
04
11,1
Operador de Solda
01
02,8
Almoxerife
01
02,8
CARGA HORÁRIA SEMANAL
N
%
40 horas semanais
01
02,8
42 horas semanais
01
02,8
44 horas semanais
24
66,7
46 horas semanais
03
08,3
48 horas semanais
07
19,4
32
Quanto à caracterização da amostra estudada verificou-se que a maior parte da amostra
estudada encontrava-se entre 19 e 40 anos: 09 (25,0%) entre 19 e 24 anos; 08 (22,2%) entre
31 e 35 anos; 07 (19,4%) entre 25 e 30 anos e 07 (19,4%) entre 36 e 40 anos. A maioria 32
(88,9%) era do sexo masculino. Quanto a função, a maioria 26 (72,2) era operador de
produção. Quanto à carga horária semanal a maioria 24 (66,7%) trabalhava 44 horas
semanais.
Todo país, seja subdesenvolvido ou desenvolvido, possui uma população
economicamente ativa, essa parcela do contingente populacional representa todas as pessoas
que trabalham ou que estão procurando emprego, são essas que produzem para o país e que
integram o sistema produtivo. A população de idade ativa é dividia em: população
economicamente ativa e não-economicamente ativa ou mesmo inativa (MUNDO
EDUCAÇÃO, 2010).
No caso especifico do Brasil, a população ativa soma aproximadamente 79 milhões de
pessoas ou 46,7%, índice muito baixo, uma vez que o restante da população, cerca de 53,3%,
fica à mercê do sustento dos economicamente ativos. Em diversos países o índice é superior,
aproximadamente 75% atuam no setor produtivo (MUNDO EDUCAÇÃO, 2010).
No Brasil, os homens representam 58% e as mulheres 42% daqueles que desenvolvem
atividades em distintos setores da economia (MUNDO EDUCAÇÃO, 2010).
Em relação às Pessoas Economicamente Ativas (PEA), verificou-se que no período de
janeiro a dezembro de 2009, nas regiões metropolitanas (Recife, Salvador, Belo Horizonte,
Rio de Janeiro, São Paulo e Pará), foram registrados 12.502 pessoas do sexo masculino e
10.647 pessoas do sexo feminino. Quanto a faixa etária, neste mesmo período registrou-se
3.809 pessoas na faixa etária de 18 a 24 anos e 14.288 de 25 a 49 anos (PME/IBGE, 2010).
33
Tabela 2 - Caracterização da amostra estudada segundo hábitos de vida. Bragança Paulista,
2009/2010 (n = 36).
TABAGISTA
N
%
Sim
03
08,3
Não
31
86,1
Ex-tabagista
02
05,6
ETILISTA
N
%
Sim
01
02,8
Não
18
50,0
Socialmente
17
47,2
Ex-etilista
00
00,0
ATIVIDADE FÍSICA
N
%
Sim*
24
66,7
Não
12
33,3
* Caminhada (1); corrida (1); academia (4); futebol (14); Natação (1); Artes marciais (1); Musculação (1);
Ciclismo (1).
Em relação aos hábitos de vida a maioria 31 (86,1%) referiu não ser tabagista; 18
(50,0%) referiram não fazer uso de bebidas alcoólicas e 17 (47,2%) referiram fazer uso de
bebidas alcoólicas socialmente. Quanto à prática de atividade física 24 (66,7%) referiram que
realizam alguma atividade.
Para Barros; Nahas (2001) a adoção de comportamentos de risco a saúde (inatividade
física, fumo, dieta inadequada e abuso de bebidas alcoólicas) é responsável por uma parcela
significativa de mortes prematuras. Ou seja, o estilo de vida corresponde ao conjunto de ações
habituais que refletem os valores dessas pessoas, as atitudes e as oportunidades vivenciadas
(NAHAS, 2006).
Sendo assim, fatores como: a cultura, a educação, a condição financeira, as crenças
pessoais, as experiências de vida, a maneira como o indivíduo vive, se alimenta, o tipo de
atividade que faz em seu lazer e trabalho entre outros, caracteriza o estilo de vida individual,
com conseqüências positivas e/ou negativas (NAHAS; OLIVEIRA; SANTOS, 2005).
Segundo Barros; Nahas (2001) fatores de risco modificáveis estão associados a maior
causa de mortes, o que comprova a necessidade de uma transformação nos hábitos dos
indivíduos.
34
Tabela 3 - Caracterização da amostra estudada segundo IMC, patologias associadas,
realização de tratamentos. Bragança Paulista, 2009/2010 (n = 36).
IMC
N
%
17,10 -------------------19,25 kg/m2
03
08,3
19,26 -------------------21,40 kg/m2
02
05,6
21,41 -------------------23,55 kg/m2
11
30,6
23,56 -------------------25,70 Kg/m²
06
16,7
25,71 -------------------27,85 Kg/m²
07
19,4
27,86 -------------------30,00 kg/m²
07
19,4
PATOLOGIAS ASSOCIADAS
N
%
Ausência de patologias
26
72,2
Diabetes
00
00,0
Hipertensão
00
00,0
Doenças cardiorrespiratórias
01
02,8
Câncer
00
00,0
Doenças gastrointestinais
02
05,6
Doenças nefrológicas / urológicas
00
00,0
Doenças oftalmológicas
07
19,4
REALIZAÇÃO DE TRATAMENTO
N
%
Sim*
03
08,3
Não
33
91,7
Colesterol (1 ); Dermatologico (1); Odontológico (1)
Quanto ao Índice de Massa Corpórea (IMC) observa-se que a maior parte da amostra
estudada encontrava-se entre 21,41 Kg/m2 e 30 Kg/m2: 11 (30,6%) entre 21,41 e 23,55 Kg/m2;
07 (19,4%) entre 25,71 e 27,85 Kg/m2 ; 07 (19,4%) entre 27,86 e 30,00 Kg/m2 e 06 (16,7%)
entre 23,56 e 25,70 Kg/m2). Em relação as patologias associadas a maioria 26 (72,2%) referiu
não apresentar e 33 (91,7%) referiram não estar realizando tratamentos.
O estilo de vida representa um dos principais fatores direta ou indiretamente
associados ao aparecimento das chamadas ―doenças da civilização‖, principalmente as
doenças cardiovasculares. Isso decorre, principalmente, das novas rotinas adotadas pela
maioria das pessoas, fruto da acelerada industrialização, urbanização e globalização do
mercado de alimentos – no mundo inteiro as pessoas estão consumindo mais alimentos de
grande densidade energética, com altos teores de gorduras saturadas e açúcares, e também
muito salgados. Esse padrão alimentar, ao lado de um quadro de inatividade física crescente,
35
têm levado países ricos e em desenvolvimento a enfrentar o crescimento sem precedentes da
obesidade e do diabetes, até mesmo entre os mais jovens (SESI/DN, 2009).
Em 2004, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um plano de abrangência
mundial denominado Estratégia Global para Alimentação Saudável, Atividade Física e
Saúde, visando à promoção de estilos de vida mais saudáveis e à prevenção de doenças
crônicas não-transmissíveis (DCNT), como doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade,
câncer e doenças respiratórias (OMS, 2004). Essas doenças, também referidas como agravos
não-transmissíveis, são as principais causas de incapacidade e mortalidade precoce no mundo
atual, independentemente do nível de desenvolvimento socioeconômico dos países (SESI/DN,
2009).
Os fatores de risco que mais contribuem para este quadro que preocupa a saúde
pública mundial são: obesidade, alto nível de colesterol, hipertensão, fumo e álcool, e a
melhor forma de atacar o problema é com prevenção, por meio de mudanças de
comportamento (estilo de vida), principalmente: (a) hábitos alimentares; (b) atividade física
habitual; e (c) controle do fumo (SESI/DN, 2009).
36
Quadro 1 – Caracterização da amostra estudada segundo principais queixas e necessidade de
afastamento do trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010.
PRINCIPAIS QUEIXAS
N
%
Sem queixas
17
26,7
Dor de cabeça
10
15,6
Dor muscular e/ou cervical
10
15,6
Cansaço físico
08
12,5
Alergia*
04
06,2
Cansaço mental
04
06,2
Insônia
04
06,2
Nervosismo
03
04,7
Enxaquecas
03
04,7
Palpitações
01
01,6
Rouquidão
00
00,0
Maior freqüência de infecções
00
00,0
Outras
00
00,0
TOTAL
64
100
AFASTAMENTO DO TRABALHO
N
%
Não
32
88,9
Sim
04
11,1
TOTAL
36
100
* rinite (2); Carne Suína (1); Fibra de Vidro(1).
O quadro 1 demonstra que 17 (26,7%) não apresentavam queixas, porém entre os
profissionais que referiram alguma queixa destacaram: dor de cabeça 10 (15,6%); dor
muscular e/ou cervical 10 (15,6%) e cansaço físico 08 (12,5%), além disso, a maioria 32
(88,9%) referiu não ter sido necessário se afastar do trabalho.
A relação trabalho, fábricas, máquinas, homens e(m) movimento há alguns séculos
vem se tornando um meio de produção de bens e agressão à saúde humana por expor o
trabalhador a situações repetitivas e, às vezes, desrespeitosas às possibilidades humanas
(MARTINS, 2001).
Comprovando esta colocação, estimativas da Organização Mundial da Saúde e do
Trabalho indicam que um grande número de trabalhadores são acometidos por problemas
posturais e desordens na execução dos movimentos funcionais, o que vem a gerar desordens
37
motoras, psicológicas e sociais, culminando no afastamentos de suas ocupações e/ou redução
da produção.
Um exemplo comum destes excessos é a alta incidência das lesões por esforços
repetitivos (LER) e dos distúrbios osteomusculares referentes ao trabalho (DORT), em um
grande número de trabalhadores fabris no Brasil e no mundo (DUARTE et al., 2000;
MARTINS, 2001; RIO; PIRES, 2001).
Por outro lado, de acordo com Ballone (2002), o corpo de um indivíduo que sofre um
processo de desgaste logo emite sinais de maneira natural e inteligente, sinalizando perigo e
representa uma forma que o corpo encontra para demonstrar um estado emocional alterado,
quando se encontra sob pressão por alguma situação. O estresse se dá por uma alteração que o
indivíduo sofre sempre em que se encontra frente a situações adversas pelas quais não está
acostumado, há um descontrole gerado pelo desconhecido e a partir do momento em que
aparece imediatamente o corpo procura uma maneira para se defender.
Greenberg (2002) esclarece que o estresse provoca alterações físicas a partir da ação
dos hormônios adrenais que causam a aceleração dos batimentos cardíacos, dilatação das
artérias coronárias, dilatação dos tubos brônquios, aumento da taxa do metabolismo basal,
constrição dos vasos sanguíneos nos membros, maior consumo de oxigênio, aumento na
glicose sanguínea e aumento na pressão sanguínea. Uma pessoa estressada apresenta diversos
sintomas que vão se apresentando e mudando sua rotina conforme o tempo.
De acordo com Oshima (2001), fisicamente os sintomas mais freqüentes são dores de
cabeça, dores musculares, insônia, taquicardia, alergias, queda de cabelo, falta de apetite, e os
psicológicos são perda de memória, isolamento, introspecção, sentimento de perseguição,
desmotivação, irritabilidade, ansiedade, tiques nervosos, entre outros. Para o autor esses
sintomas são claramente perceptíveis na medida em que a doença começa a se manifestar, as
reclamações costumam ser cada vez mais freqüentes, o indivíduo passa a sentir dores de
cabeça e no corpo muito fortes, gerando um desânimo pelas atividades realizadas diariamente
e a auto-estima cai. A maneira de tratar as pessoas se modifica, pois a paciência fica
diminuída, a pessoa passa a não gostar mais de sua vida pessoal e de si mesmo, evitando
contatos externos, preferindo viver sozinha e isolada de tudo que para ela possa fazer mal.
Inquietos e estimulados com esta realidade, profissionais ligados à área de saúde se
preocupam em estruturar e promover adequadas condições de trabalho a todos aqueles
sujeitos a problemática exposta, uma vez que o tratamento inadequado destas lesões e/ou
distúrbios acabam por resultar em recidivas do quadro doloroso e novos afastamentos do
trabalho acabam por acontecer.
38
Tabela 4- - Caracterização das condições físicas do ambiente de trabalho. Bragança Paulista,
2009/2010 (n =36).
CONDIÇÕES DE ILUMINAÇÃO
N
%
Insatisfatória
01
02,8
Regular
18
50,0
Satisfatória
17
47,2
CONDIÇÕES DE VENTILAÇÃO
N
%
Insatisfatória
11
30,6
Regular
17
47,2
Satisfatória
08
22,2
CONDIÇÕES DE TEMPERATURA
N
%
Insatisfatória
09
25,0
Regular
22
61,1
Satisfatória
05
13,9
CONDIÇÕES SONORAS
N
%
Insatisfatória
04
11,1
Regular
19
52,8
Satisfatória
13
36,1
Em relação às condições físicas do ambiente de trabalho verificou-se que quanto às
condições de iluminação metade da amostra 18 (50%) referiu que era regular e 17 (47,2%)
referiram que era satisfatória; quanto às condições de temperatura mais da metade 22 (61,1%)
referiu ser regular e quanto às condições sonoras mais da metade dos profissionais 19 (52,8%)
classificou como regular.
A higiene do trabalho compreende normas e procedimentos adequados para proteger a
integridade física e mental do trabalhador, preservando-o dos riscos de saúde inerente às
tarefas do cargo e ao ambiente físico onde são executadas (MATOS, 2010).
A higiene do trabalho está ligada ao diagnóstico e à prevenção das doenças
ocupacionais, a partir do estudo e do controle do homem e seu ambiente de trabalho. Ela tem
caráter preventivo por promover a saúde e o conforto do funcionário, evitando que ele adoeça
e se ausente do trabalho. Envolve, também, estudo e controle das condições de trabalho
(MATOS, 2010).
A iluminação, a temperatura e o ruído fazem parte das condições ambientais de
trabalho. Uma má iluminação, por exemplo, causa fadiga à visão, afeta o sistema nervoso,
39
contribui para a má qualidade do trabalho podendo, inclusive, prejudicar o desempenho dos
funcionários. A falta de uma boa iluminação também pode ser considerada responsável por
uma razoável parcela dos acidentes que ocorrem nas organizações. Envolvem riscos os
trabalhos noturnos ou turnos, temperaturas extremas - que geram desde fadiga crônica até
incapacidade laboral (MATOS, 2010).
Um ambiente de trabalho com temperatura e umidade inadequadas é considerado
doentio. Por isso, o funcionário deve usar roupas adequadas para se proteger do que
―enfrenta‖ no dia-a-dia corporativo. O mesmo ocorre com a umidade. Já o ruído provoca
perda da audição e quanto maior o tempo de exposição a ele maior o grau da perda da
capacidade auditiva. A segurança do trabalho implica no uso de equipamentos adequados para
evitar lesões ou possíveis perdas (MATOS, 2010).
Quadro 2 – Caracterização da amostra estudada segundo exposições ocupacionais no
ambiente de trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010.
EXPOSIÇÕES
N
%
Poeira
14
11,1
Gases tóxicos*
05
04,0
Metais**
09
07,1
Produto químico***
13
10,3
Contato com superfície quente ou líquido quente
14
11,1
Contato com superfície fria
00
00,0
Contato com superfície, material, ferramenta cortante ou
19
15,1
Prensagem de alguma parte do corpo entre dois objetos
06
04,8
Esforços físicos
20
15,9
Movimentos repetitivos
26
20,6
Outros
00
00,0
TOTAL
126
100
perfurante
* Queima de Plástico(3) GLP (2)
** Cobre(3); Aço (3); Alumínio (3)
***Draws 205 (3); Óleo LGV 225 (3); Fluxo (3); Homy Grax (3); DL005 (1)
O quadro 2 demonstra que entre as diversas exposições ocupacionais no ambiente de
trabalho, as mais citadas foram: movimentos repetitivos 26 (20,6%); esforços físicos 20
(15,9%); contato com superfície, material, ferramenta cortante ou perfurante 19 (15,1%);
40
Contato com superfície quente ou líquido quente 14 (11,1%); poeira 14 (11,1%) e contato
com produtos químicos 13 (10,3%).
Os riscos ocupacionais caracterizam-se como todo risco relativo ao ambiente de
trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição,
são capazes de causar danos à saúde ou integridade física dos trabalhadores (GONÇALVES,
2000).
Estes fatores são denominados com riscos ambientais ou riscos ocupacionais e são
classificados em riscos físicos, químicos, biológicos, mecânicos e ergonômicos, sendo os três
primeiros definidos pela Norma Regulamentadora 9 - Programa de Prevenção de Riscos
Ambientais (BRASIL, 1995).
Piza (1997) descreve abaixo alguns riscos ocupacionais:
Os riscos físicos são as diversas formas de energia que possam estar expostas aos
trabalhadores, tais como: ruído, calor radiante, umidade, frio, pressões anormais, radiações
ionizantes e não ionizantes, vibrações, assim como infra-som e ultra-som.
Os riscos químicos correspondem a substâncias, compostas ou misturas que possam
penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeira, fumo, névoas, neblinas,
gases ou vapores, ou que, pela natureza de atividade de exposição, possam ter contato ou ser
absorvidos pelo organismo, normalmente por pele ou por ingestão.
Os riscos biológicos são as diversas espécies de microrganismos: bactérias, fungos,
parasitas, protozoários e vírus freqüentemente presente em vários ambientes de trabalho e,
quando em contato com o trabalhador, poderão causar danos à saúde.
Os riscos mecânicos ou risco de acidentes são condições de construção, instalação e
funcionamento de uma empresa, assim como as máquinas, equipamentos ou ferramentas que
não apresentam adequadas condições de uso. São modalidades de risco de acidente: arranjo
físico inadequado, máquinas e equipamentos sem proteção, ferramentas inadequadas ou
defeituosas, iluminação inadequada, instalações elétricas deficientes, probabilidade de
incêndio ou explosão, armazenamento inadequado, animais peçonhentos e outras situações de
risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes
Os riscos ergonômicos são caracterizados pela relação homem/ambiente de trabalho e
aparecem em decorrência de posturas assumidas ou esforços exercidos na execução das
atividades. Estes riscos podem ocasionar não só distúrbios psicológicos ou fisiológicos no
empregado, mas também a redução na produtividade e na segurança no trabalho. São espécies
de agentes ergonômicos: esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso,
exigência de postura inadequada, controle rígido da produtividade, imposição de ritmos
41
excessivos, trabalhos em turnos de revezamento ou noturno, jornadas de trabalho
prolongadas, monotonia e repetição de atividade e outras situações causadoras de stress físico
e/ou psíquico.
Tabela 5- Caracterização dos equipamentos e materiais necessários para o trabalho, uso de
EPI e acidentes de trabalhos. Bragança Paulista, 2009/2010 (n =36).
EQUIPAMENTOS E MATERIAIS
N
%
Insatisfatório
00
00,0
Regular
16
44,4
Satisfatório
20
55,6
EPI
N
%
É fornecido e faço uso
35
97,2
É fornecido, porém não faço uso
01
02,8
Não é fornecido
00
00,0
ACIDENTES DE TRABALHO
N
%
Sim*
05
13,9
Não
31
86,1
*FCC - Ferimento corte contuso (5)
Em relação aos equipamentos e materiais necessários para a realização do trabalho
verificou-se que: 20 (55,5%) referiram que os equipamentos e materiais necessários eram
satisfatórios; 35 (97,2%) referiram que os EPI(s) são fornecidos e que fazem uso e 31 (86,1%)
referiram nunca ter sofrido acidentes de trabalho.
Conforme dispõe a Norma Regulamentadora 6 (NR-6), a empresa é obrigada a
fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de
conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias: sempre que as medidas de ordem
geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças
profissionais e do trabalho ; enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo
implantadas; e para atender a situações de emergência (GUIA TRABALHISTA, 2010).
De acordo com o Guia trabalhista (2010), Os tipos de EPI´s utilizados podem variar
dependendo do tipo de atividade ou de riscos que poderão ameaçar a segurança e a saúde do
trabalhador e da parte do corpo que se pretende proteger, tais como:
 Proteção auditiva: abafadores de ruídos ou protetores auriculares;
 Proteção respiratória: máscaras e filtro;
42
 Proteção visual e facial: óculos e viseiras;
 Proteção da cabeça: capacetes;
 Proteção de mãos e braços: luvas e mangotes;
 Proteção de pernas e pés: sapatos, botas e botinas;
 Proteção contra quedas: cintos de segurança e cinturões.
Dentre as atribuições exigidas pela NR-6, cabe ao empregador as seguintes
obrigações: adquirir o EPI adequado ao risco de cada atividade; exigir seu uso; fornecer ao
trabalhador somente o equipamento aprovado pelo órgão, nacional competente em matéria de
segurança e saúde no trabalho; orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e
conservação;
substituir
imediatamente o
EPI,
quando
danificado
ou extraviado;
responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica; e comunicar o Ministério do
trabalho e Emprego qualquer irregularidade observada (GUIA TRABALHISTA, 2010).
O empregado também terá que observar as seguintes obrigações: utilizar o EPI apenas
para a finalidade a que se destina; responsabilizar-se pela guarda e conservação; comunicar ao
empregador qualquer alteração que o torne impróprio ao uso; e cumprir as determinações do
empregador sob o uso pessoal (GUIA TRABALHISTA, 2010).
A segurança no trabalho é uma função empresarial que, cada vez mais, torna-se uma
exigência conjuntural. As empresas devem procurar minimizar os riscos a que estão expostos
seus funcionários pois, apesar de todo avanço tecnológico, qualquer atividade envolve um
certo grau de insegurança.
A falta de eficaz sistema de segurança acaba causando problemas de relacionamento
humano, produtividade, qualidade dos produtos e/ou serviços prestados e o aumento de
custos. A pseudo-economia feita não se investindo no sistema de segurança mais adequado
acaba ocasionando graves prejuízos pois, um acidente no trabalho implica baixa na produção,
investimentos perdidos em treinamentos e outros custos (GROHMANN, 2010).
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), na sua norma 18-R estabelece
que o custo direto do acidente é o total das despesas decorrentes das obrigações para com os
empregados expostos aos riscos inerentes ao exercício do trabalho, como as despesas com
assistência médica e hospitalar aos acidentados e respectivas indenizações, sejam estas diárias
ou por incapacidade permanente (GROHMANN, 2010).
De acordo com a autora acima, o INPS considera como integrantes do custo indireto
do acidente de trabalho os seguintes itens: gastos de primeiro tratamento, despesas sociais,
custo do tempo perdido pela vítima, perda por diminuição do rendimento no retorno do
43
acidentado ao trabalho, perda pelo menor rendimento do trabalhador que substitui
temporariamente o acidentado, cálculo do tempo perdido pelos colegas, etc.
Quadro 3 – Caracterização da amostra estudada segundo os fatores de estresse no ambiente
de trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010.
FATORES DE ESTRESSE
N
%
Desvalorização da profissão
16
15,1
Estrutura organizacional
13
12,3
Carga horária excessiva de trabalho
13
12,3
Rede de comunicação
12
11,3
Recebimento apenas de feedback negativo por parte dos
08
07,5
Atividades Burocráticas
06
05,7
Salário
06
05,7
Barreiras para implantar inovações
06
05,7
Relacionamento com colegas
05
04,7
Conciliação casa/trabalho
05
04,7
Recursos financeiros, matérias e temporais.
04
03,8
Conflitos de Regras da Empresa (dois pesos e duas medidas)
04
03,7
Pouca participação na tomada de decisões
03
02,8
Condições ambientais internais e externas
02
01,9
Entrevistado não opinou
02
01,9
Outros* (especificar)
01
00,9
TOTAL
106
100
superiores.
*Objetivos muito arrojados
Os dados do quadro 3 demonstram que foram citados 106 fatores de estresse no
ambiente de trabalho, sendo que cada profissional poderia citar mais de um fator. Assim
verifica-se que os mais citados foram: desvalorização da profissão 16 (15,1%); estrutura
organizacional 13 (12,3%); carga horária excessiva de trabalho 13 (12,3%) e rede de
comunicação 12 (11,3%).
O stress pode ser desencadeado por características pessoais (fatores internos) ou pode
se originar das várias áreas da vida de um indivíduo (fatores externos), tais como social,
familiar e ocupacional. No que se refere, particularmente ao stress ocupacional, constata-se
44
que as modificações nos processos e organização do trabalho, além da competitividade
organizacional gerada pelo fenômeno da globalização, vêm causando um fenômeno de
instabilidade emocional e física nos ocupantes dos postos de trabalho, que podem, por meio
de agentes estressantes lesivos derivados diretamente do trabalho ou por motivos deste, afetar
a saúde do trabalhador. (VILLALOBOS apud CORRÊA; MENEZES, 2002).
A partir desse fenômeno passou a haver uma preocupação com a qualidade de vida no
trabalho (QTV) como forma de minimizar os efeitos negativos que o estresse causa para os
indivíduos e as organizações.
Cooper; Sloan; Williams (1988), cujos trabalhos representam um marco importante
para o estudo do stress ocupacional, assim o definem ...uma característica negativamente
percebida pelo indivíduo, resultante de estratégias inadequadas de combate às fontes de
stress, e que trazem conseqüências negativas para ele tanto no plano mental como físico.
Esses autores categorizam os agentes ocupacionais, potencialmente estressantes, da seguinte
forma: (1) fatores intrínsecos ao trabalho (condições de salubridade, jornada de trabalho,
ritmo, riscos potenciais à saúde, sobrecarga de trabalho, introdução de novas tecnologias,
natureza e conteúdo do trabalho); (2) papel organizacional (ambigüidade e conflitos de
papéis); (3) interrelacionamento (para com os superiores, colegas e subordinados); (4) carreira
(congruência de status e segurança no emprego e perspectivas de promoções); (5) clima da
organização (ameaças potenciais à integridade do indivíduo, sua autonomia e identidade
pessoal); (6) interface casa/trabalho (aspectos relacionais de eventos pessoais fora do trabalho
e dinâmica psicossocial do stress).
O problema do stress no trabalho assumiu uma nova dimensão que, certamente, irá
determinar os rumos da administração empresarial dos tempos modernos. Essa situação
requer diferentes recursos e constante atualização, principalmente do administrador de
recursos humanos e das estratégias empresariais voltadas para essa área, representando,
talvez, um dos assuntos mais problemáticos que a Administração já teve que lidar, visando ao
sucesso organizacional (AYRES, 2001).
45
Quadro 4 – Caracterização da amostra estudada segundo as estratégias utilizadas para
combater o estresse. Bragança Paulista, 2009/2010.
ESTRATÉGIAS
N
%
Não tenho nenhuma estratégia
02
03,0
Procuro conversar e trocar idéias com meus colegas
13
19,8
Recorro a supervisão para discutir problemas relacionados ao trabalho.
05
07,6
Nos dias de folga esqueço as obrigações e problemas do trabalho.
15
22,7
Pratico esportes
17
25,7
Reservo um tempo para atividades de lazer (Cinema, teatro, leitura,
12
18,2
Outras* (Especificar)
02
03,0
TOTAL
66
100
viagens etc)
*Pescaria (1); Frequenta Igreja (1)
Quanto às estratégias utilizadas para combater o estresse, as mais citadas foram: a
prática de esportes 17 (25,7%); esquecer as obrigações e problemas de trabalho nos dias de
folga 15 (22,7%); conversar e trocar idéias com os colegas 13 (19,8%) e reservar um tempo
para as atividades de lazer 12 (18,2%).
Apesar de existirem diversas formas de gerenciamento do stress, por meio da
utilização das estratégias defensivas (ou de coping), muitas vezes as demandas internas ou
externas podem exceder os recursos de enfrentamento do indivíduo e podem surgir níveis de
stress que exigem o auxílio de suporte externo (social, médico, espiritual) que possam ajudar
o indivíduo a recuperar o seu equilíbrio e sua saúde.
Lazarus apud Reinhold (1984) considera dois tipos distintos de técnicas para enfrentar
o stress: 1º) técnicas de ação direta – que implicam em dirigir esforços para as próprias fontes
de stress, como por exemplo, organizar bem o tempo para realizar tudo o que planeja, negarse a fazer aquilo que não gosta, etc.; e 2º) técnicas paliativas – que são formas de lidar com as
experiências subjetivas do stress, como por exemplos, fugir das fontes de tensão, fazer
programas de lazer, praticar esportes, desenvolver a auto-confiança e o otimismo.
As estratégias defensivas podem ser classificadas como positivas (busca de apoio
social, exercer hobby, etc.) e negativas (fumar e/ou ingerir bebida alcoólica excessivamente,
tomar remédios ou substâncias químicas, etc.). Esta terminologia, no entanto, é denominada
por Everly (1979), respectivamente, como estratégias adequadas e inadequadas.
46
Carvalho (1997), tratando da importância do lazer na vida do trabalhador, esclarece a
necessidade de substituirmos, em alguns momentos, uma atividade que requer muito
dispêndio de energia por outra que possibilite relaxamento e reposição energética. As
atividades físicas, o relaxamento ou a meditação, conversa com os amigos, além de tantas
outras atividades, permitem ao individuo colocar a energia ao seu favor.
Na afirmação do autor, evidencia-se que, ao adotar estratégia dessa natureza, o estresse
deixa de ser um produtor de doenças ou exaustão energética e passa a ser também um
mobilizador de novas mudanças e mecanismo de adaptação saudável às situações
imprevisíveis da vida. Dessa forma, pode-se reaver o que há de positivo e gerador de
satisfação no exercício das ações cotidianas.
Quadro 5 – Caracterização dos fatores que podem contribuir para a melhoria do setor,
segundo a opinião dos profissionais. Bragança Paulista, 2009/2010.
FATORES DE MELHORIA
N
%
Entrevistado não sugere nenhuma melhoria
07
15,9
Melhor planejamento
04
09,1
Melhoria da estrutura organizacional
05
11,4
Melhor comunicação
02
04,5
Treinamentos para supervisores
01
02,3
Melhoria de recursos e ambiente de trabalho
05
11,4
Valorização profissional e igualdade de condições
07
15,9
Contratação de novos profissionais
02
04,5
Mudar Uniforme
01
02,3
Motivação
04
09,1
Carga horária de trabalho reduzida
03
06,8
Aumento de salário
02
04,5
Trabalho em equipe
01
02,3
TOTAL
44
100
Quanto aos fatores que podem contribuir para a melhoria do setor, os mais citados
foram: valorização profissional e igualdade de condições 07 (15,9%); melhoria da estrutura
organizacional 05 (11,4%); melhoria de recursos e ambiente de trabalho 05 (11,4%). Porém
observa-se que 07 (15,9%) não sugeriram estratégias.
47
Já é comum nas grandes organizações a destinação de recursos em caráter permanente
para ações ligadas à Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) e Responsabilidade Social
Empresarial, além da criação de órgãos formais, colocados em posição de destaque na
estrutura formal.
Segundo definição de Limongi-França (1996) QVT é: ―Um conjunto de ações de uma
empresa que envolve diagnóstico e implantação de melhorias e inovações gerenciais,
tecnológicas e estruturais dentro e fora do ambiente de trabalho, visando propiciar condições
plenas de desenvolvimento humano para e durante a realização do trabalho‖.
São considerados indicadores de QVT entre outros segundo ainda Limongi-França
(1996): ação social e ecológica da empresa; atividades esportivas, culturais e de lazer;
ausência de insalubridade; ausência de preconceitos; autonomia no trabalho; capacidade
múltipla para o trabalho; carreira; conforto no ambiente físico; crescimento como pessoa em
função do trabalho; estabilidade no emprego; estima por parte dos colegas; nível cultural dos
empregados e dos empregadores; padrão geral de saúde dos empregados; privacidade para
trabalhar; salário; vida pessoal preservada e valorização dos serviços pelos outros setores.
Pode-se dizer, portanto que, se a organização está preocupada com a responsabilidade
social ela estará fatalmente preocupada com a qualidade de vida de seus trabalhadores, dando
condições plenas para a sua realização pessoal e profissional e uma das preocupações deve ser
ouvir os anseios dos funcionários para implementar as ações necessárias.
48
7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sabe-se hoje que saúde e segurança são imprescindíveis quando o propósito é manter
um ambiente de trabalho saudável e produtivo. Tais questões estão diretamente ligadas à
valorização do elemento humano como primordial para o sucesso de qualquer organização.
Em um mundo onde a cada dia são crescentes as descobertas e inovações tecnológicas, a
disseminação de informações sobre a prevenção de acidentes e doenças do trabalho se torna
decisiva para que a qualidade de vida no ambiente de trabalho seja valorizada.
Os acidentes ocupacionais são responsáveis pelo maior número de mortes e
incapacidades graves causados pelo trabalho em todo o mundo. O ambiente de trabalho
oferece variados riscos à saúde dos indivíduos, que podem ser evitados ou reduzidos por meio
de medidas de proteção variadas. Por desconhecer ou não identificar determinadas situações
de risco, o trabalhador tem ações não revestidas de proteção alguma que podem conduzir a
acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais como desfecho. Esses acidentes ou doenças,
além de impedir temporária ou permanentemente o trabalhador de desempenhar seu trabalho
por alterações físicas, podem conduzir a transtornos psíquicos ou emocionais importantes.
É necessário realizar investigação no ambiente de trabalho, a partir desse levantamento
o enfermeiro identificará problemas ou riscos neste local, considerando primeiro a avaliação
do nível de trabalho, de satisfação, aceitação e adaptação de cada trabalhador em relação às
atividades que exercem, cabendo ao profissional avaliar deficiências, e planejar meios de
solucionar os problemas identificados, adequando o ambiente de trabalho ao trabalhador,
reduzindo os fatores nocivos à sua saúde.
A Vigilância à Saúde do Trabalhador como atribuição do profissional enfermeiro é
descrita como uma atuação contínua e sistemática, no sentido de detectar, conhecer, pesquisar
e analisar os fatores determinantes e condicionantes dos agravos à saúde relacionados aos
processos e ambientes de trabalho, em seus aspectos tecnológico, social, organizacional e
epidemiológico, com o objetivo de planejar, executar e avaliar intervenções sobre esses
aspectos, de forma a eliminá-los ou controlá-los.
Constata-se, portanto, que a presença do enfermeiro é essencial na participação das
ações a serem desenvolvidas em benefício ao trabalhador.
49
8.0 CONCLUSÕES
Através dos resultados apresentados conclui-se que:
 Quanto à caracterização da amostra estudada verificou-se que a maior parte da amostra
estudada encontrava-se entre 19 e 40 anos: 09 (25,0%) entre 19 e 24 anos; 08 (22,2%)
entre 31 e 35 anos; 07 (19,4%) entre 25 e 30 anos e 07 (19,4%) entre 36 e 40 anos. A
maioria 32 (88,9%) era do sexo masculino. Quanto a função, a maioria 26 (72,2) era
operador de produção. Quanto à carga horária semanal a maioria 24 (66,7%)
trabalhava 44 horas semanais.
 Em relação aos hábitos de vida a maioria 31 (86,1%) referiu não ser tabagista; 18
(50,0%) referiram não fazer uso de bebidas alcoólicas e 17 (47,2%) referiram fazer
uso de bebidas alcoólicas socialmente. Quanto à prática de atividade física 24 (66,7%)
referiram que realizam alguma atividade.
 Quanto ao Índice de Massa Corpórea (IMC) observa-se que a maior parte da amostra
estudada encontrava-se entre 21,41 Kg/m2 e 30 Kg/m2: 11 (30,6%) entre 21,41 e 23,55
Kg/m2; 07 (19,4%) entre 25,71 e 27,85 Kg/m2 ; 07 (19,4%) entre 27,86 e 30,00 Kg/m2
e 06 (16,7%) entre 23,56 e 25,70 Kg/m2). Em relação as patologias associadas a
maioria 26 (72,2%) referiu não apresentar e 33 (91,7%) referiram não estar realizando
tratamentos.
 Quanto às principais queixas e necessidade de afastamento do trabalho, 17 (26,7%)
não apresentavam queixas, porém entre os profissionais que referiram alguma queixa
destacaram: dor de cabeça 10 (15,6%); dor muscular e/ou cervical 10 (15,6%) e
cansaço físico 08 (12,5%). Além disso, a maioria 32 (88,9%) referiu não ter sido
necessário se afastar do trabalho.
 Em relação às condições físicas do ambiente de trabalho verificou-se que quanto às
condições de iluminação metade da amostra 18 (50%) referiu que era regular e 17
(47,2%) referiram que era satisfatória; quanto às condições de temperatura mais da
metade 22 (61,1%) referiu ser regular e quanto às condições sonoras mais da metade
dos profissionais 19 (52,8%) classificou como regular.
 Entre as diversas exposições ocupacionais no ambiente de trabalho, as mais citadas
foram: movimentos repetitivos 26 (20,6%); esforços físicos 20 (15,9%); contato com
superfície, material, ferramenta cortante ou perfurante 19 (15,1%); Contato com
superfície quente ou líquido quente 14 (11,1%); poeira 14 (11,1%) e contato com
produtos químicos 13 (10,3%).
50
 Em relação aos equipamentos e materiais necessários para a realização do trabalho
verificou-se que: 20 (55,5%) referiram que os equipamentos e materiais necessários
eram satisfatórios; 35 (97,2%) referiram que os EPI(s) são fornecidos e que fazem uso
e 31 (86,1%) referiram nunca ter sofrido acidentes de trabalho.
 Foram citados 106 fatores de estresse no ambiente de trabalho, sendo que cada
profissional poderia citar mais de um fator. Assim verifica-se que os mais citados
foram: desvalorização da profissão 16 (15,1%); estrutura organizacional 13 (12,3%);
carga horária excessiva de trabalho 13 (12,3%) e rede de comunicação 12 (11,3%).
 Quanto às estratégias utilizadas para combater o estresse, as mais citadas foram: a
prática de esportes 17 (25,7%); esquecer as obrigações e problemas de trabalho nos
dias de folga 15 (22,7%); conversar e trocar idéias com os colegas 13 (19,8%) e
reservar um tempo para as atividades de lazer 12 (18,2%).
 Quanto aos fatores que podem contribuir para a melhoria do setor, os mais citados
foram: valorização profissional e igualdade de condições 07 (15,9%); melhoria da
estrutura organizacional 05 (11,4%); melhoria de recursos e ambiente de trabalho 05
(11,4%). Porém observa-se que 07 (15,9%) não sugeriram estratégias.
51
REFERÊNCIAS
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em.
em
55
APÊNDICE A
APÊNDICE A – INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS
I - CARACTERÍSTICAS
Idade: ________
Sexo: ( ) feminino ( ) masculino
Estado Civil:
( ) solteiro (a)
( ) casado (a)
( ) viúvo (a)
( ) Separado (a)
( ) União consensual
Função: __________________________________
Carga Horária Semanal: _________________
II- HÁBITOS DE VIDA
Tabagista? ( ) Sim ( ) Não ( ) Ex-tabagista
Etilista? ( ) Sim ( ) Não ( ) Socialmente ( ) Ex-etilista
Pratica alguma atividade física? ( ) Sim ( ) Não Qual: _________________
III- DADOS REFERENTES À SAÚDE
Peso: ____________
Altura: _____________
Patologias associadas:
( ) diabetes
( ) hipertensão
( ) doenças cardiorrespiratórias _____________________________
( ) câncer _________________
( ) doenças gastrointestinais _______________________________
( ) doenças nefrológicas / urológicas ________________________________
( ) Doenças oftalmológicas ________________ Faz uso de lentes corretivas ( ) Sim ( ) Não
Faz Algum Tratamento: ( ) Não ( ) Sim. Qual: __________________________
Principais queixas:
( ) Sem queixas
( ) Dor de cabeça
( ) Dor muscular e/ou cervical
( ) Alergia (especificar tipo): _________________________
( ) Cansaço mental
( ) Cansaço físico
( ) Nervosismo
( ) Enxaquecas
( ) Insônia
56
( ) Palpitações
( ) Outros (especificar) : _______________________________________
Você já precisou afastar-se do trabalho para tratar da sua saúde?
Sim ( ) Não ( )
IV- CONDIÇÕES DO AMBIENTE DE TRABALHO
Condições físicas do ambiente
Condições de iluminação
( ) Insatisfatória ( ) Regular ( )Satisfatória
Condições de ventilação
( ) Insatisfatória ( ) Regular ( )Satisfatória
Condições de temperatura
( ) Insatisfatória ( ) Regular ( ) Satisfatória
Condições sonoras internas e externas
( ) Insatisfatória ( ) Regular ( ) Satisfatória
Exposições ocupacionais
( ) poeira
( ) gases tóxicos _________________________
( ) metais _____________________________
( ) produto químico __________________________
( ) contato com superfície quente ou líquidos quente
( ) contato com superfície fria
( ) contato com superfície, material, ferramenta cortante ou perfurante
( ) prensagem de alguma parte do corpo entre dois objetos
( ) esforços físicos
( ) movimentos repetitivos
( ) outros ________________________________
Equipamentos e materiais necessários para trabalhar em boas condições
( ) Insatisfatório
( ) Regular
( ) Satisfatório
Equipamento de Proteção Individual necessário para trabalhar em boas condições
( ) É fornecido e faço uso
( ) É fornecido, porém não faço uso
( ) Não é fornecido
Já sofreu algum acidente de trabalho
( ) Sim. Qual? ______________________________
( ) Não
57
V- FATORES DE ESTRESSE E ESTRATÉGIAS UTILIZADAS
1- Na sua opinião quais são os fatores de estresse no ambiente de trabalho?
( ) Relacionamento com colegas
( ) Estrutura organizacional
( ) Rede de comunicação
( ) Atividades burocráticas
( ) Carga horária excessiva de trabalho
( ) Recursos financeiros, materiais e temporais
( ) Condições ambientais internas e externas
( ) Conciliação casa / trabalho
( ) Salário
( ) Desvalorização da profissão
( ) Recebimento apenas de feedback negativo, por parte dos superiores
( ) Barreiras para implantar inovações
( ) Conflitos de regras da Empresa (dois pesos e duas medidas)
( ) Pouca participação na tomada de decisões
( ) Outos (especificar): ____________________________________________
2- Quais são as estratégia que você utiliza para combater o estresse?
( ) Não tenho nenhuma estratégia
( ) Procuro oportunidades para conversar e trocar idéias com meus colegas
( ) Recorro à supervisão para discutir problemas relacionados ao trabalho
( ) Nos dias de folga esqueço as obrigações e problemas do trabalho
( ) Pratico esportes
( ) Reservo um tempo para atividades de lazer (cinema, teatro, leitura, viagens, etc)
( ) Outras (especificar): _____________________________________
3- No seu ponto de vista, o que poderia ser melhorado no seu setor para que os profissionais
possam trabalhar com mais vontade e satisfação?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
58
APÊNDICE B
AUTORIZAÇÃO
Bragança Paulista, ____ de setembro de 2009.
Exmo Srs.
Edson Carvalho (Diretor de Recursos Humanos)
Aloisio Pizzi (Supervisor de Saúde, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente
Vimos solicitar as dignas providências no sentido de autorizar a coleta de dados da pesquisa intitulada
―O TRABALHO E A SAÚDE DOS PROFISSIONAIS QUE ATUAM NA PRODUÇÃO DE
RADIADORES DE UMA EMPRESA MULTINACIONAL E A CONTRIBUIÇÃO DO
ENFERMEIRO‖ em desenvolvimento pela minha orientanda, Giorgia aluna do 7º semestre do Curso
de Enfermagem, do Centro de Ciências e Biológicas da Saúde da Universidade São Francisco, como
exigência parcial para conclusão do curso de graduação.
Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, de campo, com abordagem
qualiquantitativa tendo como objetivo analisar a relação existente entre condições de trabalho e
processo saúde-doença dos profissionais que trabalham na produção de radiadores de uma Empresa
Multinacional.
A coleta de dados somente será realizada após autorização do Comitê de Ética em
Pesquisa da Universidade São Francisco, e as informações colhidas não possuirão nenhuma forma de
identificação dos participantes, visto que todas as informações serão convertidas em dados numéricos.
Em anexo, enviamos o Projeto de Pesquisa.
Agradecendo antecipadamente a valiosa colaboração de VS, colocamo-nos à
disposição para quaisquer esclarecimentos.
Atenciosamente
_______________________________
Profª Ms Elaine Reda
(orientadora)
Meu Endereço:
Rua Alfredo Vieira Arantes, 907 - Centro
Itatiba – São Paulo
Telefone: (11) 4594-2055 (11) 91187512
E-mail: [email protected]
Declaro que conheço o projeto de pesquisa em questão e autorizo a realização do mesmo após
apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa da universidade São Francisco.
______________________________________
Sr. Edson Carvalho
(Diretor de Recursos Humanos)
______________________________________
Sr. Aloisio Pizzi
(Supervisor de Saúde, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente)
59
APÊNDICE C
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO
Comitê de Ética em Pesquisa – Universidade São Francisco
O TRABALHO E A SAÚDE DOS PROFISSIONAIS QUE ATUAM NA PRODUÇÃO
DE RADIADORES DE UMA EMPRESA MULTINACIONAL E A CONTRIBUIÇÃO
DO ENFERMEIRO
Pesquisadores:
Giorgia Mattiuzzo
RG:34519438-X
Rua: Caetano Fumachi,144 Rei de Ouro
Itatiba-SP
Telefone: (11) 4538-4838
e-mail: [email protected]
Pesquisadora responsável:
Profª Elaine Reda
Rua Alfredo vieira Arantes, 907 – Centro
Itatiba-SP
Telefone: (11) 4594-2055 (11) 91187512
E-mail: [email protected]
O abaixo assinado:
Nome:____________________________________________________________________
Endereço:_________________________________________________________________
Cidade/Estado:_____________________________________________________________
RG: ___________________________Idade _________declara que é de livre espontânea
vontade que está participando como voluntário do projeto de pesquisa supracitado, de
responsabilidade do pesquisador. O voluntário está ciente que:
1. Os Objetivos desta pesquisa são:
Objetivo Geral
Para a coleta de dados será utilizado um formulário (Apêndice A), composto por
questões abertas e fechadas.
Objetivos Específicos
 Caracterizar os profissionais de acordo com seus dados demográficos e hábitos de
vida;
60

Identificar as relações existentes entre as condições do ambiente de trabalho e a saúde
destes profissionais;

Identificar os fatores avaliados como estressores, pelos profissionais, no ambiente de
trabalho.
2- A participação neste estudo não acarretará nenhum risco que possa comprometer a sua
saúde ou o seu trabalho profissional.
3- Obteve todas as informações necessárias para poder decidir conscientemente sobre a
participação no referido estudo.
4- Está livre para interromper a participação no estudo a qualquer momento ou deixar de
responder qualquer pergunta.
5- A interrupção do estudo não lhe causará prejuízo referente às atividades profissionais
desenvolvidas na Instituição que atua.
6- Responderá a um formulário, o qual não possuirá nenhuma forma de fornecer sua
identidade, visto que todas as informações obtidas serão convertidas em dados numéricos.
7- Uma vez encerrado o trabalho, os resultados poderão ser divulgados em eventos e revistas
científicas, onde serão mantidos sigilo e anonimato de qualquer informação fornecida.
8- Poderá contactar a pesquisadora, sempre que necessário, pelo telefone abaixo citado.
9- Poderá contactar o Comitê de Ética em Pesquisa para apresentar recursos ou reclamações
em relação ao estudo (Fones: (11) 4034-8028 - Comitê de Ética em Pesquisa – USF.
10- Este Termo de Consentimento, livre e esclarecido, constará de duas vias, sendo uma delas
entregue ao voluntário.
Bragança Paulista, ____ de _____________ de 2009.
Assinatura da voluntária: _______________________________
Assinatura do responsável pela pesquisa:
Prof.ª Elaine Reda
Assinatura: ____________________________________________
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Pedro Lucas Rodrigues Vieira Martins