Giorgia Mattiuzzo O TRABALHO E A SAÚDE DOS PROFISSIONAIS QUE ATUAM NA PRODUÇÃO DE RADIADORES DE UMA EMPRESA MULTINACIONAL E A CONTRIBUIÇÃO DO ENFERMEIRO Bragança Paulista 2010 Giorgia Mattiuzzo – RA.001200602244 O TRABALHO E A SAÚDE DOS PROFISSIONAIS QUE ATUAM NA PRODUÇÃO DE RADIADORES DE UMA EMPRESA MULTINACIONAL E A CONTRIBUIÇÃO DO ENFERMEIRO Monografia apresentado à Disciplina Trabalho de Conclusão de Curso, do Curso de Enfermagem, do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, da Universidade São Francisco, sob orientação da Professora Mestre Elaine Reda. Bragança Paulista 2010 DEDICATÓRIA Eu, Giorgia dedico este trabalho a Deus, nosso Ser supremo sem o qual nada somos. Aos meus pais e minha irmã que sempre me apoiaram em tudo e principalmente me incentivaram a cada passo rumo ao meu sonho. Dedico de forma especial e com muito respeito a minha professora e orientadora Elaine Reda, amiga querida que espero manter para o resto de minha vida. AGRADECIMENTOS A Deus meu agradecimento eterno. A minha professora e orientadora Elaine Reda que contribuiu imensamente para que este trabalho fosse realizado. Aos senhores Edson Carvalho diretor de recursos humanos, Aloísio Pizzi, supervisor de saúde e segurança do trabalho, José Mango processista, Décio supervisor de produção e aos operadores de produção que tiveram participação ativa e muito colaboraram no desenvolvimento do trabalho. As dificuldades são oportunidades de crescimento. Use-as com passos em direção ao sucesso. Louise Hay O TRABALHO E A SAÚDE DOS PROFISSIONAIS QUE ATUAM NA PRODUÇÃO DE RADIADORES DE UMA EMPRESA MULTINACIONAL E A CONTRIBUIÇÃO DO ENFERMEIRO RESUMO A saúde enquanto patrimônio do trabalhador é condição essencial e fundamental para o convívio social, indissociável do trabalho, ferramenta primária no desenvolvimento das relações de produção. Logo, este estudo teve como objetivo analisar a relação existente entre condições de trabalho e processo saúde-doença dos profissionais que trabalham na produção de radiadores de uma Empresa Multinacional. Tratou-se de um estudo descritivo, exploratório, de campo, com abordagem quantitativa. O projeto de pesquisa foi submetido à aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Francisco, sendo que a coleta de dados foi realizada com 36 profissionais de ambos os sexos e maiores de 18 anos que atuavam na linha de produção de radiadores de uma empresa multinacional. Em relação aos principais resultados, verificou-se que: a maior parte da amostra estudada encontrava-se entre 19 e 40 anos: 09 (25,0%) entre 19 e 24 anos; 08 (22,2%) entre 31 e 35 anos; 07 (19,4%) entre 25 e 30 anos e 07 (19,4%) entre 36 e 40 anos. A maioria 32 (88,9%) era do sexo masculino. Quanto a função, a maioria 26 (72,2) era operador de produção. Quanto à carga horária semanal a maioria 24 (66,7%) trabalhava 44 horas semanais. Em relação aos hábitos de vida a maioria 31 (86,1%) referiu não ser tabagista; 18 (50,0%) referiram não fazer uso de bebidas alcoólicas e 17 (47,2%) referiram fazer uso de bebidas alcoólicas socialmente. Quanto à prática de atividade física 24 (66,7%) referiram que realizam alguma atividade. Quanto ao Índice de Massa Corpórea (IMC) observa-se que a maior parte da amostra estudada encontrava-se entre 21,41 Kg/m2 e 30 Kg/m2: 11 (30,6%) entre 21,41 e 23,55 Kg/m2 ; 07 (19,4%) entre 25,71 e 27,85 Kg/m2; 07 (19,4%) entre 27,86 e 30,00 Kg/m2 e 06 (16,7%) entre 23,56 e 25,70 Kg/m2). Em relação às patologias associadas a maioria 26 (72,2%) referiu não apresentar e 33 (91,7%) referiram não estar realizando tratamentos. Quanto às principais queixas e necessidade de afastamento do trabalho, 17 (26,7%) não apresentavam queixas, porém entre os profissionais que referiram alguma queixa destacaram: dor de cabeça 10 (15,6%); dor muscular e/ou cervical 10 (15,6%) e cansaço físico 08 (12,5%). Além disso, a maioria 32 (88,9%) referiu não ter sido necessário se afastar do trabalho. Em relação às condições físicas do ambiente de trabalho verificou-se que quanto às condições de iluminação metade da amostra 18 (50%) referiu que era regular e 17 (47,2%) referiram que era satisfatória; quanto às condições de temperatura mais da metade 22 (61,1%) referiu ser regular e quanto às condições sonoras mais da metade dos profissionais 19 (52,8%) classificou como regular. Entre as diversas exposições ocupacionais no ambiente de trabalho, as mais citadas foram: movimentos repetitivos 26 (20,6%); esforços físicos 20 (15,9%); contato com superfície, material, ferramenta cortante ou perfurante 19 (15,1%); contato com superfície quente ou líquido quente 14 (11,1%); poeira 14 (11,1%) e contato com produtos químicos 13 (10,3%). Em relação aos equipamentos e materiais necessários para a realização do trabalho verificou-se que: 20 (55,5%) referiram que os equipamentos e materiais necessários eram satisfatórios; 35 (97,2%) referiram que os EPI(s) são fornecidos e que fazem uso e 31 (86,1%) referiram nunca ter sofrido acidentes de trabalho. Foram citados 106 fatores de estresse no ambiente de trabalho, sendo que cada profissional poderia citar mais de um fator. Assim verifica-se que os mais citados foram: desvalorização da profissão 16 (15,1%); estrutura organizacional 13 (12,3%); carga horária excessiva de trabalho 13 (12,3%) e rede de comunicação 12 (11,3%). Quanto às estratégias utilizadas para combater o estresse, as mais citadas foram: a prática de esportes 17 (25,7%); esquecer as obrigações e problemas de trabalho nos dias de folga 15 (22,7%); conversar e trocar idéias com os colegas 13 (19,8%) e reservar um tempo para as atividades de lazer 12 (18,2%). Quanto aos fatores que podem contribuir para a melhoria do setor, os mais citados foram: valorização profissional e igualdade de condições 07 (15,9%); melhoria da estrutura organizacional 05 (11,4%); melhoria de recursos e ambiente de trabalho 05 (11,4%). Porém observa-se que 07 (15,9%) não sugeriram estratégias. Palavras-chave: Riscos ocupacionais; Saúde do trabalhador; Enfermagem do trabalho. THE WORK AND HEALTH PROFESSIONALS OF THAT ACT IN THE PRODUCTION OF RADIATORS OF A MULTINATIONAL COMPANY AND THE CONTRIBUTION OF NURSES ABSTRACT As we know, workers health is essential and fundamental to social life, inseparable from work, basically, the primary tool for any company. Therefore, this study aimed to analyze the relationship between working conditions and health-disease process of professionals working in the production of radiators for a Multinational Company. This was a descriptive, exploratory field with a quantitative approach. The research project was submitted for approval by the Ethics Committee in Research of San Francisco University, and the data collection was performed with 36 professionals of both sexes aged over 18 who worked on the production line of radiators of a major multinational company. Regarding the main results, the data collected showed us that: most of the sample studied was between 19 and 40 years old: 09 (25.0%) between 19 and 24, 08 (22.2%) between 31 and 35, 07 (19.4%) between 25 and 30 and 07 (19.4%) between 36 and 40 years old. Men were the majority with 32 (88.9%) workers. Regarding function, production operator has the majority with 26 (72.2%) workers. For weekly working time measure, 24 employees (66.7%) worked about 44 hours. In relation to lifestyle, 31 (86.1%) workers do not smoke, 18 (50.0%) reported not to use alcohol and 17 (47.2%) said they drink alcohol beverages socially. As for physical activity 24 (66.7%) employees reported carrying out some activity. As the Body Mass Index (BMI) is observed that most of the sample was between 21.41 kg/m2 and 30 kg/m2: 11 (30.6%) workers between 21.41 and 23.55 kg/m2; 07 (19.4%) between 25.71 and 27.85 kg/m2; 07 (19.4%) between 27.86 and 30.00 kg/m2 and 06 (16.7%) employees between 23.56 and 25.70 kg/m2). The majority of 26 (72.2%) workers do not present any type of disease and 33 (91.7%) employees reported not being on any kind of treatment. About 17 (26.7%) workers had no complaints that justify an absence of work, but 10 (15.6%) professionals complained of headaches, 10 (15.6%) of muscle pain and / or neck and 08 (12.5%) workers of physical fatigue. Moreover, 32 (88.9%) professionals reported it was not necessary to leave the job. In relation of physical working environment, the lighting conditions were reported as regular by 18 (50%) employees and 17 (47.2%) workers reported as satisfactory. Temperature conditions were also reported regular by 22 (61.1%) workers and 19 professionals (52.8%) classified as regular the environment noise conditions. Within workplace, the most occupational exposures quoted were: repetitive movements - 26 (20.6%) workers, physical exertion - 20 (15.9%), contact with material surface, perforating or cutting tool - 19 (15.1 %), contact with hot surface or hot liquid - 14 (11.1%), dust - 14 (11.1%) and contact with chemicals - 13 (10.3%) employees. For equipment and materials needed to perform the job it was found that: 20 (55.5%) workers reported that equipment and materials were satisfactory, 35 (97.2%) reported that PPE (s) are provided and used, 31 (86.1%) employees reported never had an accident at work. Employees have reported about 106 stress factors at workplace, and each worker could cite more than one factor. The most cited were: devaluation of the profession - 16 (15.1%) workers, organizational structure - 13 (12.3%), excessive working hours - 13 (12.3%) and communication network - 12 (11 3%) employees. As for the strategies used to combat stress, the most cited were: sports - 17 (25.7%) workers, forgetting the duties and problems of working on holidays - 15 (22.7%), talk and exchange ideas with colleagues - 13 (19.8%) and reserved time for leisure activities - 12 (18.2%) employees. Regarding factors that may contribute to the improvement of the sector, the most cited were: professional development and equal conditions - 07 (15.9%) workers, improvement of the organizational structure 05 (11.4%), resources and working environment conditions improvement - 05 (11.4%) employees. But it is observed that 07 (15,9%) workers did not suggest any improvement idea. Keywords: Occupational risks; Occupational health; Nursing work. LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Caracterização da amostra estudada segundo idade, sexo, estado civil, função, carga horária semanal. Bragança Paulista, 2009/2010 (n = 36)................................................31 Tabela 2 - Caracterização da amostra estudada segundo hábitos de vida. Bragança Paulista, 2009/2010 (n = 36)....................................................................................................................33 Tabela 3 - Caracterização da amostra estudada segundo IMC, patologias associadas, realização de tratamento. Bragança Paulista, 2009/2010 (n = 36)............................................34 Tabela 4 - Caracterização das condições físicas do ambiente de trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010 (n =36).....................................................................................................................38 Tabela 5 - Caracterização dos equipamentos e materiais necessários para o trabalho, uso de EPI e acidentes de trabalhos. Bragança Paulista, 2009/2010 (n =36).......................................41 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Caracterização da amostra estudada segundo principais queixas e necessidade de afastamento do trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010..........................................................36 Quadro 2 – Caracterização da amostra estudada segundo exposições ocupacionais no ambiente de trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010...............................................................39 Quadro 3 – Caracterização da amostra estudada segundo os fatores de estresse no ambiente de trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010...............................................................................43 Quadro 4 – Caracterização da amostra estudada segundo as estratégias utilizadas para combater o estresse. Bragança Paulista, 2009/2010.................................................................45 Quadro 5 – Caracterização dos fatores que podem contribuir para a melhoria do setor, segundo a opinião dos profissionais. Bragança Paulista, 2009/2010........................................46 SUMÁRIO RESUMO ABSTRACT LISTA DE TABELAS LISTA DE QUADROS 1. INTRODUÇÃO............................................................................................................ 12 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFIA....................................................................................... 15 2.1 A saúde do trabalhador.................................................................................... 15 2.2 Caracterização da empresa.............................................................................. 17 2.3 Descrição do processo de fabricação do radiador........................................... 18 2.4 Stress ocupacional........................................................................................... 20 2.5 Saúde mental e trabalho................................................................................... 21 2.6 Qualidade de vida no trabalho......................................................................... 22 2.7 A contribuição do enfermeiro na saúde do trabalhador................................... 24 3. JUSTIFICATIVA......................................................................................................... 27 4. OBJETIVOS................................................................................................................. 28 4.1 Objetivo Geral................................................................................................. 28 4.2 Objetivos Específicos...................................................................................... 28 5. METODOLOGIA......................................................................................................... 29 5.1 Tipo de Estudo................................................................................................. 29 5.2 Local do Estudo............................................................................................... 29 4.3 População do estudo....................................................................................... 29 5.4 Critérios de Inclusão / Exclusão...................................................................... 29 5.5 Fonte dos Dados ............................................................................................ 29 5.6 Procedimentos................................................................................................. 29 5.6.1 Procedimento ético-legal....................................................................... 29 5.6.2 Procedimento de coleta de dados.......................................................... 30 5.6.3 Procedimento de análise dos dados....................................................... 30 6. RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................................. 31 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................... 48 8. CONCLUSÕES............................................................................................................ 49 REFERÊNCIAS............................................................................................................... 51 APÊNDICE A.................................................................................................................. 55 APÊNDICE B................................................................................................................... 58 APÊNDICE C................................................................................................................... 59 12 INTRODUÇÃO A política de saúde do trabalhador no Brasil começa a ser desenhada após a promulgação da Constituição Federal de 1988 no artigo 196 coloca que ―a saúde é um direito de todos, e dever do Estado garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco da doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação‖(CEREST, 2009). A Lei Orgânica da Saúde nº. 8080/90 também coloca no artigo 6º, parágrafo 3ºa ―... saúde do trabalhador como um conjunto de atividades que se destina, por meio de ações de vigilância epidemiológica e sanitária, a promoção e proteção da saúde do trabalhador assim como visa à recuperação e à reabilitação dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho‖(CEREST, 2009). Em 2002, com a publicação da Portaria nº. 1679 que instituiu a Rede Nacional de Atenção Integral a saúde do trabalhador com a articulação entre o Ministério da Saúde, Secretaria de Saúde dos Estados e Secretarias Municipais de Saúde e cria os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador que tem como objeto o estudo e intervenção nas relações entre trabalho e saúde visando realizar a prevenção, a promoção e a recuperação da Saúde do Trabalhador urbano ou rural, do setor formal ou informal de trabalho (CEREST, 2009). Segundo a Política de Saúde e Segurança do Trabalhador entende-se por trabalhadores homens ou mulheres que exercem atividades para sustento próprio e/ou de seus dependentes, sejam no mercado de trabalho formal ou informal da economia. Inclusive os que trabalham ou trabalharam como assalariados, domésticos, avulsos, rurais, autônomos, temporários, servidores públicos, cooperativados e empregadores, proprietários de micro e pequenas unidades de produção e serviços, entre outros (CEREST, 2009). Também se considera trabalhador o não remunerado que trabalha no domicílio, o aprendiz ou estagiário e aqueles que estão afastados temporariamente ou definitivamente do mercado de trabalho por doença, aposentadoria ou desemprego (CEREST, 2009). A Saúde enquanto patrimônio do trabalhador é condição essencial e fundamental para o convívio social, indissociável do trabalho, ferramenta primeira no desenvolvimento das relações de produção. A força de trabalho humana por seu poder criativo e transformador vem ao longo dos séculos, escrevendo capítulos de lutas e mudanças na história da humanidade e, nas complexas relações com o modo de produção vigente com o Estado, bem como, na dominação e na libertação dos povos (SINDIPETRO, 2009). 13 Nas contradições neste processo de evolução do homem, a dialética sempre esteve presente, manifestada entre ciência x religião, capital x trabalho, poder x dominação, produção x apropriação, rigidez x doença, medicina preventiva x medicina curativa, razão x emoção e no estudo do processo saúde x doença, estas variáveis devem ser analisadas em seu conjunto, pois no campo da determinação social da doença, estão presentes inúmeros fatores causais: predisponentes, desencadeantes e agravantes (SINDIPETRO, 2009). Soma-se a este processo, a avassaladora e desmedida exploração dos recursos naturais e, a um processo de industrialização que despeja poluentes em mananciais, liberando poeiras, névoas e gases na atmosfera, conduzindo a um inexorável processo de desequilíbrio ambiental, promovendo alterações no ecossistema e na qualidade de vida das comunidades e das demais espécies de nosso planeta (SINDIPETRO, 2009). A degradação ambiental, originada nos processos de produção, armazenagem, expedição, distribuição e comercialização é responsável pela poluição do ar, do solo, das águas superficiais e subterrâneas e produz riscos e danos à saúde dos trabalhadores, da população do entorno e para o equilíbrio ecológico (PNSST, 2004). Entretanto, estas alterações não se limitam ao meio ambiente e ao local de trabalho, pois podem induzir, a outros mecanismos de agressão ao ser humano, como a potencialidade carcinogênica, mutagênica e teratogênica de inúmeros produtos, como exemplo: agrotóxicos, solventes e radiações ionizantes e eletromagnéticas (SINDIPETRO, 2009). Neste contexto, a higiene e segurança no trabalho, enquanto cuidado individual e coletivo, implica em uma constante vigilância sobre o processo de trabalho, por parte de técnicos, trabalhadores e sindicalistas, pois nestes novos tempos, com a terceirização, os limites da antiga fábrica já não são nítidos e, a constante fragmentação do trabalho e a maciça incorporação de tecnologias de automação vem modificando substancialmente o papel do trabalhador junto ao coletivo (SINDIPETRO, 2009). Os novos paradigmas da qualidade total, produtividade, "just in time" e outros tantos, incorporados aos programas das empresas, tem em seu ideário a busca de mecanismos de controle da produção, induzindo o trabalhador a ter um comportamento mais competitivo e individualista (SINDIPETRO, 2009). Neste novo modelo, surgem as epidemias de final do século, como as LER: Lesões por Esforços Repetitivos e problemas de saúde mental ligados ao trabalho. Acreditamos que dentre os objetivos do trabalho não está somente o de sobreviver, atender as necessidades básicas da vida; existem outras motivações e sonhos perseguidos pelo ser humano como fruto do seu labor cotidiano (SINDIPETRO, 2009). 14 Logo, verifica-se que a Vigilância à Saúde do Trabalhador também é uma atribuição do profissional enfermeiro, caracterizada por uma atuação contínua e sistemática, no sentido de detectar, conhecer, pesquisar e analisar os fatores determinantes e condicionantes dos agravos à saúde relacionados aos processos e ambientes de trabalho, com o objetivo de planejar, executar e avaliar intervenções sobre esses aspectos, de forma à eliminá-los ou controlá-los. 15 1.0 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 A saúde do trabalhador A Saúde do Trabalhador é uma área técnica da Saúde Pública que busca intervir na relação entre o sistema de produção e a saúde, no sentido de promover um trabalho que dignifique ao invés de denegrir o homem. Sua missão é auxiliar na estruturação de uma sociedade que promova a saúde através dos espaços de trabalho (GUIA SUS, 2003). Em vigor desde 2004, a Política Nacional de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde visa à redução dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, mediante a execução de ações de promoção, reabilitação e vigilância na área de saúde. Suas diretrizes, descritas na Portaria nº 1.125 de 6 de julho de 2005, compreendem a atenção integral à saúde, a articulação intra e intersetorial, a estruturação da rede de informações em Saúde do Trabalhador, o apoio a estudos e pesquisas, a capacitação de recursos humanos e a participação da comunidade na gestão dessas ações (BRASIL, 2004). O atual sistema de segurança e saúde do trabalhador carece de mecanismos que incentivem medidas de prevenção, responsabilizem os empregadores, propiciem o efetivo reconhecimento dos direitos do segurado, diminuam a existência de conflitos institucionais, tarifem de maneira mais adequada as empresas e possibilite um melhor gerenciamento dos fatores de riscos ocupacionais (PNSST, 2004). Dados recentes dão conta de que, a despeito dos esforços despendidos, são ainda alarmantes os registros de acidentes de trabalho e doenças profissionais no Brasil. Entre as decorrências imediatas desse quadro, sobressaem as enormes dificuldades enfrentadas pelas vítimas e seus familiares, resultando em enorme abalo da estrutura e da economia familiar. De forma mediata, ganha relevo o ônus social e financeiro, suportado por toda a sociedade brasileira (MTE, 2003). A prevenção de riscos ocupacionais é muito mais eficaz e geralmente mais barata quando é considerada desde o estágio de planejamento das instalações e processos de trabalho, ou seja, com a antecipação dos riscos (SANTOS; KULCSAR NETO, 2009). A maneira como o trabalhador executa uma tarefa pode afetar apreciavelmente a exposição, assim, é importante treinar trabalhadores em boas práticas de trabalho. Como exemplos de práticas de trabalho que afetam a exposição podem ser citados, entre outros, o cuidado na transferência de materiais em pó, a velocidade de trabalho e a postura corporal do trabalhador para execução de sua tarefa. A limpeza utilizando vassoura e ar comprimido devem ser proibidas. 16 Os trabalhadores são freqüentemente as pessoas que tem o conhecimento mais completo do que acontece durante as atividades de trabalho. Sua visão da situação deve ser levada em consideração para a localização dos principais pontos de exposição à poeira e na avaliação da eficácia do controle. A adoção das novas tecnologias e métodos gerenciais nos processos de trabalhos contribuem para modificar o perfil de saúde, adoecimento e sofrimento dos trabalhadores. Entre as doenças relacionadas ao trabalho mais freqüentes estão as Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Ósteo-Musculares Relacionados ao Trabalho (LER / DORT); formas de adoecimento mal caracterizadas e sofrimento mental que convivem com as doenças profissionais clássicas (PNSST, 2004). A criação do Sistema Único de Saúde (SUS) definiu uma política de saúde pautada no direito de cidadania e em deveres do Estado, com a promoção, a proteção e a recuperação da saúde, nela incluída a Saúde do Trabalhador e o meio ambiente de trabalho. A organização das informações, realização de assistência, fiscalização do ambiente de trabalho e municipalização fazem parte do processo de Vigilância em Saúde do Trabalhador. De acordo com Guia SUS (2003) são considerados agravos de notificação segundo os códigos da CID-10 (Classificação Internacional de Doenças - 10ª Revisão): Y96 - Acidente de trabalho Y19.8 - Intoxicação por metais ou solventes (inclui benzenismo) Y18 - Intoxicação por agrotóxicos Z56.6 - Reações ao estresse grave e transtornos de adaptação relacionados ao trabalho e desemprego H83.3 - Perda auditiva induzida por ruído (pair) e trauma acústico J64 -Pneumoconiose L25.9 - Dermatose ocupacional M70.9 - LER/DORT A Portaria SES nº1331/99 acrescenta que a notificação dos acidentes e das doenças relacionadas ao trabalho é obrigação de todo serviço médico, seja ele de uma empresa, de clínicas que realizam PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), de consultórios particulares, de hospitais, de sindicatos, etc (GUIA SUS, 2003). Segundo a Política Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador (2004), de modo esquemático, pode-se dizer que o perfil de morbimortalidade dos trabalhadores no Brasil, na atualidade, caracteriza-se pela coexistência de: 17 agravos que têm relação com condições de trabalho específicas, como os acidentes de trabalho típicos e as ―doenças profissionais‖; doenças que têm sua freqüência, surgimento ou gravidade modificados pelo trabalho, denominadas ―doenças relacionados ao trabalho‖ e; doenças comuns ao conjunto da população, que não guardam relação de causa com o trabalho, mas condicionam a saúde dos trabalhadores. O reconhecimento dos riscos ambientais é uma etapa fundamental do processo que servirá de base para decisões quanto às ações de prevenção, eliminação ou controle desses riscos. Reconhecer o risco significa identificar, no ambiente de trabalho, fatores ou situações com potencial de dano à saúde do trabalhador ou, em outras palavras, se existe a possibilidade deste dano. Para se obter o conhecimento dos riscos potenciais que ocorrem nas diferentes situações de trabalho é necessária a observação criteriosa e in loco das condições de exposição dos trabalhadores (PNSST, 2004). O atual sistema de segurança e saúde do trabalhador carece de mecanismos que incentivem medidas de prevenção, responsabilizem os empregadores, propiciem o efetivo reconhecimento dos direitos do segurado, diminuam a existência de conflitos institucionais, tarifem de maneira mais adequada as empresas e possibilite um melhor gerenciamento dos fatores de riscos ocupacionais (PNSST, 2004). Os trabalhadores têm o direito ao trabalho em condições seguras e saudáveis não condicionado à existência de vínculo trabalhista, ao caráter e natureza do trabalho (PNSST, 2004). 2.2 Caracterização da empresa A empresa onde foi desenvolvida esta pesquisa é uma das maiores fabricantes de componentes e sistemas para a indústria automobilística e a maior produtora de radiadores da América Latina. A empresa possui 140 fábricas, nove centros de distribuição e 54 centros de pesquisas e desenvolvimento em 25 países, nos cinco continentes. Na região do Mercosul, conta com onze fábricas no Brasil e três na Argentina, além de uma divisão de distribuição (SECCO CONSULTORIA, 2006). As unidades industriais têm como objetivo aperfeiçoar os processos voltados à saúde, segurança dos funcionários e ao meio ambiente. A estratégia da empresa resulta na redução de riscos de acidentes e dos custos deles decorrentes. 18 A unidade onde foi realizada a pesquisa conta com aproximadamente mil colaboradores que acompanham a evolução do mercado com um trabalho de organização industrial de forma a assegurar sempre o sucesso dos empreendimentos propostos pela empresa. 2.3 Descrição do processo de fabricação do radiador O Radiador é um trocador de calor com a função principal de transferir o calor em excesso do líquido de arrefecimento que circula em seu interior, para o ambiente (VALEO, 2009). A vida útil do radiador é influenciada pela qualidade e/ou presença do líquido de arrefecimento, superaquecimento e corrosão, colisões frontais, batidas, amassamentos e perfurações que causam vazamento (VALEO, 2009). O sistema de ventilação otimiza o fluxo de ar que atravessa o radiador de refrigeração para aumentar a transferência de calor do líquido de arrefecimento ao ar. O motor elétrico aciona o ventilador através do interruptor de temperatura, principalmente, nos regimes onde o veículo permanece parado por longo tempo (VALEO, 2009). O reservatório de expansão e a tampa controlam a pressão do sistema de arrefecimento quando a pressão do sistema aumenta muito, o líquido de arrefecimento se expande dentro do reservatório e a válvula se abre regulando a pressão, evitando a perda por ebulição (VALEO, 2009). O Líquido de arrefecimento é formado pela água e o aditivo ou solução protetora. Ele é responsável pela condução do calor proveniente do motor até o radiador. No radiador, o líquido de arrefecimento trocará calor com os tubos e com o ar, diminuindo sua temperatura até a faixa adequada de trabalho, para novamente entrar no motor e continuar o ciclo de troca (VALEO, 2009). Segundo Valeo (2009) para o processo de fabricação dos radiadores existem duas etapas: 1ª Etapa: Seqüência de montagem pelo Alumínio mecânico Neste processo são utilizadas as seguintes matérias primas: Plástico Borracha Alumínio Aço 19 Dessas matérias primas são produzidos alguns componentes necessários para a montagem dos radiadores que são caixas plásticas, juntas de vedação, aletas, tubos coletores e calhas. Esses componentes passam por uma seqüência de montagem as quais serão descritas abaixo. 1- Montagem de colméia As aletas e tubos são montados manualmente e fixados através de um processo mecânico utilizado por prensas, os coletores e juntas são montados manualmente e, para sua fixação nos tubos das colméias usa-se um processo mecânico realizado através de prensas; após estas operações temos a colméia montada pronta para receber as caixas plásticas e calhas. 2- Montagem final – Radiador A partir da colméia montada, colocam-se as caixas plásticas manualmente e sua fixação nas extremidades da colméia é feita através de um processo de cravação utilizando prensas; quando possuem calhas, estas são montadas manualmente e depois também cravadas no momento do teste de estanqueidade. 3- Embalagens Uma vez testados os radiadores, estes são embalados em racks metálicos para serem enviados aos clientes. 2ª Etapa: Seqüência de montagem pelo Alumínio Brasado Neste processo são utilizadas as seguintes matérias primas: Plástico Borracha Alumínio 1- Montagem da colméia As aletas e tubos são montados automaticamente em uma mesa enquanto que os coletores e calhas são encaixados, manualmente, em dispositivos na mesa que, automaticamente fazem à montagem de todos estes componentes; no qual o que manterá este conjunto unido será um dispositivo mecânico que é colocado manualmente. 2- Brasagem – colméia Este conjunto, preso por este dispositivo, é levado até a linha de brasagem, que é composta por: desengraxe / fluxagem / forno / resfriamento; A colméia irá através de uma esteira, percorrer todo este processo e, quando sair do resfriamento ela 20 estará com todos os componentes soldados entre si, formando agora um conjunto rígido que chamamos colméia. 3- Montagem final – Radiador A partir da colméia brasada, colocam-se manualmente, as caixas plásticas e as juntas de vedação nos coletores que estão nas extremidades da colméia, após esta montagem é feita à fixação através de um processo de cravação utilizando prensas. 4- Embalagens Uma vez testados os radiadores, estes são embalados em racks metálicos para serem enviados aos clientes. 2.4 Stress ocupacional O Stress tornou-se numa das principais áreas de preocupação e por excelência das sociedades mais industrializadas, sendo já um modo de vida assumido e aceite que evoluiu desde o período da Revolução Industrial e chegou aos nossos dias como um verdadeiro responsável pela diminuição da qualidade de vida. É considerado um autêntico problema social e de saúde pública para o século XXI, a ponto de a própria União Européia ter feito da prevenção do stress no trabalho um dos principais objetivos no que se refere à nova visão estratégica comunitária sobre a saúde e segurança (BICHO; PEREIRA, 2007). Porém, somente em 1992 o stress foi catalogado como mal do século, sendo enquadrado pela OMS, como doença associada a resultados desastrosos, com várias alterações orgânicas, debilitando o binômio mente-corpo, sendo um dos principais motivo de consulta médica e queda de produtividade no trabalho (ALBERT; URURAHY, 1997). Cooper em 1993, define o estresse ocupacional como ―um problema de natureza perceptiva, resultante da incapacidade em lidar com as fontes de pressão no trabalho, tendo como conseqüências, problema na saúde física, mental e na satisfação no trabalho, afetando não só o indivíduo como as organizações‖ (GUIMARÃES, 2000). O Stress pode ter consequências organizacionais e pessoais, e estas revelam-se tanto ao nível intelectual como nas relações sociais e no respectivo comportamento organizacional, provocando desta forma elevadíssimos e avultados custos para as próprias organizações. Segundo dados de 2000, só na União Européia o fenômeno do stress ocupacional está no segundo lugar entre os problemas de saúde mais frequentes, no contexto da saúde ocupacional, afetando um colossal e assustador número de 28% dos colaboradores existentes no mercado de trabalho da União Européia. Os custos, numa óptica quantitativa, vão desde quebras de ritmos de produção, causados pelo desgaste da capacidade produtiva dos 21 colaboradores, custos relacionados com a saúde e medicina ocupacional, para a reparação e reabilitação dos recursos humanos e seguros, gastos com a formação para a reposição e integração de novos colaboradores, greves e absentismo. Neste último caso, ―o stress ocupacional é responsável por cerca de 25% da taxa de absentismo, na UE, durante duas ou mais semanas‖, implicando, juntamente com as outras consequências do stress ocupacional e ―segundo as estatísticas de 1999, custos anuais aos Estados-membros de 20 mil milhões de euros, pelo menos‖ (BICHO; PEREIRA, 2007). Reconhecendo o elevado impacto negativo do stress nos indivíduos e também nas organizações, não tem havido um correspondente esforço por parte dos administradores no sentido de procurar perceber e reduzir as causas do stress que induzem tais efeitos (BICHO; PEREIRA, 2007). Identificam-se dois grandes tipos de causas de stress no trabalho, organizacionais ou extraorganizacionais, que podem ser potenciadas por diversos antecedentes: variáveis sociais (como o crescimento, a instabilidade econômica, ou a taxa de desemprego), bem como certas características organizacionais (como a dimensão, a tecnologia, o número de níveis hierárquicos, ou o grupo ocupacional a que se pertence). Estes antecedentes fazem aumentar a probabilidade da existência de estressores nas organizações. Existem uma grande variedade de fatores estressantes, nomeadamente as características do papel, as características da tarefa, o estilo de liderança, as relações de trabalho, a estrutura, o clima organizacional e as condições físicas de trabalho. 2.5 Saúde mental e o trabalho A percepção de que o trabalho pode ter conseqüências sobre a saúde mental dos indivíduos é muito antiga. Podemos encontrá-la no clássico "Tempos Modernos" de Charlie Chaplin - sensível à violên- cia produzida pelas transformações contemporâneas do taylorismo e do fordismo sobre os trabalhadores —, até nos não menos clássicos estudos acadêmicos dos "pais" da Sociologia do Trabalho, Georges Friedman e Pierre Naville (1962), onde relatam as conseqüências do trabalho em linha de montagem (MERLO apud JACQUES; CODO, 2002). Em 2004, a Organização Mundial da Saúde afirmou que a saúde mental é um ―estado de bem-estar que permite aos indivíduos realizar suas habilidades, enfrentar o estresse normal da vida, trabalhar de maneira produtiva e frutífera, e fazer uma contribuição significativa a sua comunidade. Não obstante, na maior parte do mundo, nem remotamente se atribui a saúde mental e os transtornos mentais a mesma importância que a saúde física. Pelo contrario, a 22 saúde mental tem sido objeto de abandono e indiferença‖. Os dados apresentados são assustadores: 450 milhões de pessoas sofrem de transtorno mental ou de comportamento. Por volta de 1 milhão, se suicida a cada ano (BARRETO, 2009). Ao analisarmos os dados da Previdência Social, constatamos um crescimento dos casos de transtornos mentais relacionados com o trabalho. Estes dados, mesmo que subnotificados, nos dão uma dimensão do que ocorre nos intramuros, mostrando uma ponta do iceberg (BARRETO, 2009). Deste modo, em 2006, o mundo do trabalho vitimou 1.978 trabalhadores por transtornos mentais e comportamentais, gerados pelo trabalho. Encontramos quadros de transtornos do humor (afetivos), episódios depressivos, estresse e transtornos ansiosos, apresentando nexo causal com o trabalho. A maior incidência, estava em estresse profissional, ansiedade e depressão. Entretanto não podemos esquecer os casos de síndrome do pânico, transtornos cognitivos, morte súbita por karoshi ou exaustão em especial, entre os cortadores de cana de açúcar (BARRETO, 2009). Sabemos que a relação saúde-doença exprime uma afinidade que perpassa o corpo individual e social, confrontando as turbulências do ser humano enquanto ser total. Quando sofremos, somos atingidos e afetados no mais profundo de nossa alma. Nos nervos. E quando isso acontece, pode evoluir da tristeza à magoa profunda, o que faz das lembranças, momentos de desprazer que pode levar a depressão, enquanto expressão da dificuldade do corpo em acomodar-se a nova norma. E a cura nestes casos, é a reconquista de um estado de estabilidade das normas fisiológicas (CANGUILHEM, 2006). 2.6 Qualidade de vida no trabalho De acordo com Rodrigues (1994), ―a qualidade de vida no trabalho tem sido uma preocupação do homem desde o início de sua existência com outros títulos em outros contextos, mas sempre voltada para facilitar ou trazer satisfação e bem estar ao trabalhador na execução de sua tarefa‖. A qualidade de vida no trabalho (QVT), de acordo com Chiavenato (1999) ―representa em que graus os membros da organização são capazes de satisfazer suas necessidades pessoais através do seu trabalho na organização." O mesmo autor destaca os fatores envolvidos na QVT, que são: "a satisfação com o trabalho executado; as possibilidades de futuro na organização; o reconhecimento pelos resultados alcançados; o salário recebido; os benefícios auferidos; o relacionamento humano 23 dentro do grupo e da organização; o ambiente psicológico e físico do trabalho; a liberdade e responsabilidade de decidir e as possibilidades de participar" (CHIAVENATO, 1999). Assim, a tecnologia de Qualidade de Vida no Trabalho pode ser utilizada para que as organizações renovem suas formas de organização no trabalho, de modo que, ao mesmo tempo em que se eleva o nível de satisfação do pessoal, eleve-se também a produtividade das empresas como resultado de maior participação dos empregados nos processos relacionados ao seu trabalho. Um programa de Qualidade de Vida no Trabalho tem como meta, gerar uma organização mais humanizada, na qual os trabalhadores envolvem, simultaneamente, relativo grau de responsabilidade e de autonomia em nível do cargo, recebimentos de recursos de ―feedback‖ sobre o desempenho, com tarefas adequadas, variedade, enriquecimento pessoal do indivíduo. É evidente que nem todos os problemas de produtividade das empresas, e nem todo tipo de insatisfação do empregado, em qualquer nível, podem ser resolvidos pela Qualidade de Vida no Trabalho. Não há Qualidade de Vida no Trabalho sem Qualidade Total, ou seja, sem que a empresa seja boa. Não confundir QVT com política de benefícios, nem com atividade festivas de congraçamento, embora essas sejam importantes em uma estratégia global. A qualidade tem a ver, essencialmente com a cultura da organização. São fundamentalmente os valores, a filosofia da empresa, sua missão, o clima participativo, o gosto por pertencer a ela e as perspectivas concretas de desenvolvimento pessoal que criam a identificação empresa – empregado. O ser humano fazendo a diferença na concepção da empresa e em suas estratégias (MATOS, 1997). Segundo Cocco (2001) as empresas devem pensar a saúde do trabalhador numa nova perspectiva, a da promoção à saúde no trabalho, que tem reflexos na competitividade das empresas e do próprio país, além de investir na qualidade de vida no trabalho e do trabalhador. Isso ocorre devido a determinados aspectos serem importantes tanto para a empresa quanto para o país, como é o caso do custo com os dias de afastamento, a retirada precoce do trabalho por invalidez e os acidentes de trabalho. Deve ainda ser considerada a relação saúde mental e trabalho, uma vez que tem-se elevado o número de pessoas acometidas, principalmente por distúrbios leves, como ansiedade, tristeza, depressão e stress Segundo Fernandes (1996), ―QVT deve ser considerada como uma gestão dinâmica porque as organizações e as pessoas mudam constantemente; e é contingencial porque depende da realidade de cada empresa no contexto em que está inserida‖. 24 No entanto, sua aplicação conduz, sem dúvida, a melhores desempenhos, ao mesmo tempo em que evita maiores desperdícios, reduzindo custos operacionais. Segundo Fernandes (1996), ‖a qualidade é antes de tudo uma questão de atitude. Quem faz e garante a qualidade são as pessoas, muito mais do que o sistema, as ferramentas e os métodos de trabalho‖. 2.7 Contribuição do enfermeiro na saúde do trabalhador O termo saúde do trabalhador refere-se a um campo do saber que visa compreender as relações entre trabalho e processo saúde-doença. Nesta acepção, considera a saúde e a doença como processos dinâmicos, estreitamente articulados com os modos de desenvolvimento produtivo da humanidade em determinado momento histórico. Parte do princípio de que a forma de inserção dos indivíduos nos espaços de trabalho, contribuem decisivamente para formas especificas de adoecer e morrer (BRASIL, 2002). Assim, a Segurança do Trabalho pode ser compreendida como o conjunto de medidas adotadas de forma a visar à minimização dos acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, de modo a proteger a integridade e a capacidade de trabalho do trabalhador. Denomina-se que acidente de trabalho é aquilo que acontece a serviço da empresa, acarretando lesão corporal ou perturbação funcional podendo gerar morte, perda ou redução temporária ou permanente da capacidade para o trabalho. Pode-se dizer, por conseguinte que o acidente de trabalho está relacionado ao ato inseguro, o qual é praticado pelo homem em geral, consciente do que está fazendo e contra as normas de segurança. Outra situação geradora do acidente de trabalho é a condição insegura onde o próprio ambiente oferece perigo e ou riscos ao trabalhador. Voltando ao contexto da Segurança do Trabalho, segue a denominação dos demais profissionais que compõem essa categoria segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) Engenheiro do Trabalho – CBO O28.40 Técnico de Segurança do Trabalho – CBO O39.45 Médico do Trabalho – CBO 061.22 Enfermeiro do Trabalho – CBO 07140 Auxiliar de Enfermagem do Trabalho – CBO 572.10 Partindo das elucidações anteriores, pode-se dizer que o enfermeiro do Trabalho possui sem margem de dúvida, as diretrizes necessárias para o êxito de um programa de promoção da saúde empresarial. Em resumo ―a contribuição do enfermeiro é fundamental na 25 equipe interdisciplinar, tendo em vista sua formação profissional e competência técnica para interagir com o trabalho visando o autocuidado‖ (SILVA, 2000). ―A capacidade para o trabalho é influenciada por vários fatores, incluindo a condição de saúde, características sócio-demográficas, estilo de vida e fatores relacionados ao trabalho‖, assim sendo, ―a ciência da enfermagem pode ser um aliado na construção de ambientes saudáveis e sustentáveis‖ (CEZAR-VAZ et al, 2007). Para obtenção de um ambiente de trabalho saudável e mais prazeroso, deve-se promover a participação de todos os envolvidos visando à monitoração, melhoria e manutenção da saúde e do bem estar dos trabalhadores, promovendo desta forma, a qualidade de vida dos demais. ―Nesse contexto, enfermeiros profissionais podem, através da promoção da saúde, promover ambientes de trabalho saudáveis, estimulando o desenvolvimento pessoal, familiar e social e, assim, apoiando o alcance das metas fixadas por empregadores e empregados‖ (CASAS; PARAVIC, 2006). O impacto do trabalho sobre a saúde é algo que ―demonstra ter grande variabilidade entre os indivíduos e num mesmo indivíduo‖(COSTA, 2009), tanto em termos de tipos de problemas como da ocorrência temporal, relacionadas ―a vários fatores interferentes como características pessoais, estilo de vida, exigências do trabalho, organização da empresa, relações familiares e condição social‖ (COSTA, 2009). Desta forma, faz-se necessário ir além de uma mera proteção da saúde e agir para a promoção da saúde, pois o modo de definir a ―saúde‖ e o ―bem estar‖ pode interferir de forma significativa na avaliação, resultados e intervenções. Fundamental seria dizer que para alcançar os objetivos propostos para uma promoção da saúde do trabalhador, o enfermeiro procura conhecer a empresa, suas diretrizes políticas, as funções exercidas pelos empregados, os riscos em que os mesmos se encontram expostos, o contexto social no qual está inserido, para desta forma, melhor planejar as estratégias. Em uma análise geral, que diz respeito ao enfermeiro ―o desafio está em garantir os direitos desses trabalhadores‖ (MUROFUSE; MARZIALE, 2009) visando a melhoria da saúde, do bem estar, da segurança, do conforto e da produtividade dos mesmos e de contra partida, defender todos os interesses do empregador. O enfermeiro do trabalho observa ainda condições de higiene, periculosidade e segurança no ambiente de trabalho, executa ações de prevenção de riscos e acidentes com os trabalhadores. Realiza coleta de dados de doenças ocupacionais, de dados estatísticos de morbidade e mortalidade de trabalhadores e de etapas aos estudos epidemiológicos além de inquéritos sanitários. Executa e avalia de forma eficaz, programas de prevenção de acidentes 26 de trabalho e de doenças profissionais ou não profissionais através da analise da fadiga, fatores de insalubridade, dos riscos e das condições de trabalho de modo a propiciar a preservação da integridade física e mental do trabalhador. Este é um profissional que também se encontra apto a exercer procedimentos de enfermagem de maior complexidade, a prescrever ações adotando medidas de precaução universal de biossegurança, a trinar e instruir trabalhadores quanto ao uso de equipamentos de proteção individual (EPI), a prevenir doenças do trabalho em harmonia, complementabilidade e concordância com outros profissionais de saúde do trabalho e segurança do trabalho, dentre outras funções. Assim, a enfermagem do trabalho, como especialidade, vem buscando desenvolver e aprofundar conhecimentos e ampliar seu papel junto à área de saúde do trabalhador desenvolvendo pesquisas que visam fundamentar teoricamente sua prática profissional, seguindo a trajetória da enfermagem na conquista de sua profissionalização. 27 3.0 JUSTIFICATIVA A abordagem integrada das inter-relações entre as questões de segurança e saúde do trabalhador, meio ambiente e o modelo de desenvolvimento adotado no país, traduzido pelo perfil de produção-consumo, representa na atualidade, um grande desafio para o Estado Brasileiro. Tradicionalmente, no Brasil, as políticas de desenvolvimento têm se restringido aos aspectos econômicos e vêm sendo tratadas de maneira paralela ou pouco articuladas com as políticas sociais, cabendo a estas últimas arcarem com os ônus dos possíveis danos gerados sobre a saúde da população, dos trabalhadores em particular e a degradação ambiental. A saúde dos trabalhadores é condicionada por fatores sociais, econômicos, tecnológicos e organizacionais relacionados ao perfil de produção e consumo, além de fatores de risco de natureza físicos, químicos, biológicos, mecânicos e ergonômicos presentes nos processos de trabalho particulares (PNSST, 2004). A escassez e inconsistência das informações sobre a real situação de saúde dos trabalhadores dificultam a definição de prioridades para as políticas públicas, o planejamento e implementação das ações de saúde do trabalhador, além de privar a sociedade de instrumentos importantes para a melhoria das condições de vida e trabalho (PNSST, 2004). Cabe ressaltar que acidentes e doenças relacionadas ao trabalho são agravos previsíveis e, portanto, evitáveis, logo a importância da atuação do profissional enfermeiro no ambiente de trabalho. Diante do exposto, ressalta-se a importância deste estudo no sentido não apenas de identificar a situação de saúde dos trabalhadores, mas também contribuir com a elaboração de programas de capacitação dos profissionais, para o desenvolvimento das ações em segurança e saúde do trabalhador, abrangendo a promoção e vigilância da saúde, prevenção da doença, assistência e reabilitação, nos diversos espaços sociais onde essas ações ocorrem. 28 4.0 OBJETIVOS 4.1 Objetivo Geral Analisar a relação existente entre condições de trabalho e processo saúde-doença dos profissionais que trabalham na produção de radiadores de uma Empresa Multinacional. 4.2 Objetivos Específicos Caracterizar os profissionais de acordo com seus dados demográficos e hábitos de vida; Identificar as relações existentes entre as condições do ambiente de trabalho e a saúde destes profissionais; Identificar os fatores avaliados como estressores, pelos profissionais, no ambiente de trabalho. 29 5.0 METODOLOGIA 5.1 Tipo de Estudo Tratou-se de um estudo descritivo, exploratório, de campo com abordagem qualiquantitativa. 5.2 Local A pesquisa foi desenvolvida na cidade de Itatiba, especificamente em uma Empresa Multinacional voltada para a produção de radiadores. 5.3 População A população prevista foi de 70 profissionais de ambos os sexos, maiores de 18 anos, visto ser o número total de funcionários que atuavam na linha de produção de radiadores, porém participaram deste estudo apenas 36 profissionais. 5.4 Critérios para inclusão / exclusão Critérios para inclusão: → Ser funcionário da Empresa Multinacional, em questão, e trabalhar na linha de produção de radiadores; → Ser maior de 18 anos; → Concordar em participar da pesquisa; Critérios para exclusão: → Não preencher os critérios de inclusão; 5.4 Fonte dos dados Para a coleta de dados foi utilizado um formulário (Apêndice A), composto por questões abertas e fechadas. 5.5 Procedimentos 5.5.1 Procedimento ético legal O projeto de pesquisa foi submetido à aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade São Francisco; 30 Foi enviada uma carta para o responsável pela Empresa Multinacional (Apêndice B) solicitando autorização para coleta de dados; Foi apresentado um Termo de Consentimento à população envolvida no estudo (Apêndice C); Somente participaram deste estudo os funcionários que estiveram de acordo com o Termo de Consentimento, sendo mantido sigilo e anonimato de qualquer informação fornecida; O estudo somente teve início após o envio da carta de aprovação do CEP. 5.5.2 Procedimento de Coleta de dados Após a aprovação e autorização do Comitê de Ética em Pesquisa e do responsável pela Empresa Multinacional, os dados foram coletados no período entre Novembro de 2009 a Janeiro de 2010. Foi agendada uma visita com o (a) responsável pela instituição do estudo, com a finalidade de apresentar os objetivos da pesquisa e solicitar informação à respeito do melhor horário para a realização da coleta de dados, de forma que não atrapalhasse o desempenho dos funcionários. De acordo com o horário estabelecido, a pesquisadora esteve presente na Instituição de Estudo, a fim de apresentar aos funcionários os objetivos da pesquisa e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Após autorização dos mesmos foi realizada uma entrevista seguindo o instrumento de coleta de dados previamente elaborado (Apêndice A). 5.5.3 Procedimento de análise dos dados Os dados foram analisados segundo as variáveis do estudo e apresentados sob a forma de tabelas, quadros e gráficos e posteriormente comparados à literatura. 31 6.0 RESULTADOS E DISCUSSÃO Tabela 1 - Caracterização da amostra estudada segundo idade, sexo, estado civil, função e carga horária semanal. Bragança Paulista, 2009/2010 (n = 36). IDADE N % 19 ---------------------24 09 25,0 25 ---------------------30 07 19,4 31 ---------------------35 08 22,2 36 ---------------------40 07 19,4 41 ---------------------45 03 08,3 46 ---------------------50 02 05,7 SEXO N % Masculino 32 88,9 Feminino 04 11,1 ESTADO CIVIL N % Solteiro (a) 17 47,2 Casado (a) 17 47,2 Viúvo (a) 00 00,0 Separado (a) 02 05,6 SEXO N % Masculino 32 88,9 Feminino 04 11,1 FUNÇÃO N % Operadores de Produção 26 72,2 Ferramenteiro 01 02,8 Eletricista 02 05,5 Supervisor de Produção 01 02,8 Auxiliar de Produção 04 11,1 Operador de Solda 01 02,8 Almoxerife 01 02,8 CARGA HORÁRIA SEMANAL N % 40 horas semanais 01 02,8 42 horas semanais 01 02,8 44 horas semanais 24 66,7 46 horas semanais 03 08,3 48 horas semanais 07 19,4 32 Quanto à caracterização da amostra estudada verificou-se que a maior parte da amostra estudada encontrava-se entre 19 e 40 anos: 09 (25,0%) entre 19 e 24 anos; 08 (22,2%) entre 31 e 35 anos; 07 (19,4%) entre 25 e 30 anos e 07 (19,4%) entre 36 e 40 anos. A maioria 32 (88,9%) era do sexo masculino. Quanto a função, a maioria 26 (72,2) era operador de produção. Quanto à carga horária semanal a maioria 24 (66,7%) trabalhava 44 horas semanais. Todo país, seja subdesenvolvido ou desenvolvido, possui uma população economicamente ativa, essa parcela do contingente populacional representa todas as pessoas que trabalham ou que estão procurando emprego, são essas que produzem para o país e que integram o sistema produtivo. A população de idade ativa é dividia em: população economicamente ativa e não-economicamente ativa ou mesmo inativa (MUNDO EDUCAÇÃO, 2010). No caso especifico do Brasil, a população ativa soma aproximadamente 79 milhões de pessoas ou 46,7%, índice muito baixo, uma vez que o restante da população, cerca de 53,3%, fica à mercê do sustento dos economicamente ativos. Em diversos países o índice é superior, aproximadamente 75% atuam no setor produtivo (MUNDO EDUCAÇÃO, 2010). No Brasil, os homens representam 58% e as mulheres 42% daqueles que desenvolvem atividades em distintos setores da economia (MUNDO EDUCAÇÃO, 2010). Em relação às Pessoas Economicamente Ativas (PEA), verificou-se que no período de janeiro a dezembro de 2009, nas regiões metropolitanas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Pará), foram registrados 12.502 pessoas do sexo masculino e 10.647 pessoas do sexo feminino. Quanto a faixa etária, neste mesmo período registrou-se 3.809 pessoas na faixa etária de 18 a 24 anos e 14.288 de 25 a 49 anos (PME/IBGE, 2010). 33 Tabela 2 - Caracterização da amostra estudada segundo hábitos de vida. Bragança Paulista, 2009/2010 (n = 36). TABAGISTA N % Sim 03 08,3 Não 31 86,1 Ex-tabagista 02 05,6 ETILISTA N % Sim 01 02,8 Não 18 50,0 Socialmente 17 47,2 Ex-etilista 00 00,0 ATIVIDADE FÍSICA N % Sim* 24 66,7 Não 12 33,3 * Caminhada (1); corrida (1); academia (4); futebol (14); Natação (1); Artes marciais (1); Musculação (1); Ciclismo (1). Em relação aos hábitos de vida a maioria 31 (86,1%) referiu não ser tabagista; 18 (50,0%) referiram não fazer uso de bebidas alcoólicas e 17 (47,2%) referiram fazer uso de bebidas alcoólicas socialmente. Quanto à prática de atividade física 24 (66,7%) referiram que realizam alguma atividade. Para Barros; Nahas (2001) a adoção de comportamentos de risco a saúde (inatividade física, fumo, dieta inadequada e abuso de bebidas alcoólicas) é responsável por uma parcela significativa de mortes prematuras. Ou seja, o estilo de vida corresponde ao conjunto de ações habituais que refletem os valores dessas pessoas, as atitudes e as oportunidades vivenciadas (NAHAS, 2006). Sendo assim, fatores como: a cultura, a educação, a condição financeira, as crenças pessoais, as experiências de vida, a maneira como o indivíduo vive, se alimenta, o tipo de atividade que faz em seu lazer e trabalho entre outros, caracteriza o estilo de vida individual, com conseqüências positivas e/ou negativas (NAHAS; OLIVEIRA; SANTOS, 2005). Segundo Barros; Nahas (2001) fatores de risco modificáveis estão associados a maior causa de mortes, o que comprova a necessidade de uma transformação nos hábitos dos indivíduos. 34 Tabela 3 - Caracterização da amostra estudada segundo IMC, patologias associadas, realização de tratamentos. Bragança Paulista, 2009/2010 (n = 36). IMC N % 17,10 -------------------19,25 kg/m2 03 08,3 19,26 -------------------21,40 kg/m2 02 05,6 21,41 -------------------23,55 kg/m2 11 30,6 23,56 -------------------25,70 Kg/m² 06 16,7 25,71 -------------------27,85 Kg/m² 07 19,4 27,86 -------------------30,00 kg/m² 07 19,4 PATOLOGIAS ASSOCIADAS N % Ausência de patologias 26 72,2 Diabetes 00 00,0 Hipertensão 00 00,0 Doenças cardiorrespiratórias 01 02,8 Câncer 00 00,0 Doenças gastrointestinais 02 05,6 Doenças nefrológicas / urológicas 00 00,0 Doenças oftalmológicas 07 19,4 REALIZAÇÃO DE TRATAMENTO N % Sim* 03 08,3 Não 33 91,7 Colesterol (1 ); Dermatologico (1); Odontológico (1) Quanto ao Índice de Massa Corpórea (IMC) observa-se que a maior parte da amostra estudada encontrava-se entre 21,41 Kg/m2 e 30 Kg/m2: 11 (30,6%) entre 21,41 e 23,55 Kg/m2; 07 (19,4%) entre 25,71 e 27,85 Kg/m2 ; 07 (19,4%) entre 27,86 e 30,00 Kg/m2 e 06 (16,7%) entre 23,56 e 25,70 Kg/m2). Em relação as patologias associadas a maioria 26 (72,2%) referiu não apresentar e 33 (91,7%) referiram não estar realizando tratamentos. O estilo de vida representa um dos principais fatores direta ou indiretamente associados ao aparecimento das chamadas ―doenças da civilização‖, principalmente as doenças cardiovasculares. Isso decorre, principalmente, das novas rotinas adotadas pela maioria das pessoas, fruto da acelerada industrialização, urbanização e globalização do mercado de alimentos – no mundo inteiro as pessoas estão consumindo mais alimentos de grande densidade energética, com altos teores de gorduras saturadas e açúcares, e também muito salgados. Esse padrão alimentar, ao lado de um quadro de inatividade física crescente, 35 têm levado países ricos e em desenvolvimento a enfrentar o crescimento sem precedentes da obesidade e do diabetes, até mesmo entre os mais jovens (SESI/DN, 2009). Em 2004, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um plano de abrangência mundial denominado Estratégia Global para Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde, visando à promoção de estilos de vida mais saudáveis e à prevenção de doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT), como doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, câncer e doenças respiratórias (OMS, 2004). Essas doenças, também referidas como agravos não-transmissíveis, são as principais causas de incapacidade e mortalidade precoce no mundo atual, independentemente do nível de desenvolvimento socioeconômico dos países (SESI/DN, 2009). Os fatores de risco que mais contribuem para este quadro que preocupa a saúde pública mundial são: obesidade, alto nível de colesterol, hipertensão, fumo e álcool, e a melhor forma de atacar o problema é com prevenção, por meio de mudanças de comportamento (estilo de vida), principalmente: (a) hábitos alimentares; (b) atividade física habitual; e (c) controle do fumo (SESI/DN, 2009). 36 Quadro 1 – Caracterização da amostra estudada segundo principais queixas e necessidade de afastamento do trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010. PRINCIPAIS QUEIXAS N % Sem queixas 17 26,7 Dor de cabeça 10 15,6 Dor muscular e/ou cervical 10 15,6 Cansaço físico 08 12,5 Alergia* 04 06,2 Cansaço mental 04 06,2 Insônia 04 06,2 Nervosismo 03 04,7 Enxaquecas 03 04,7 Palpitações 01 01,6 Rouquidão 00 00,0 Maior freqüência de infecções 00 00,0 Outras 00 00,0 TOTAL 64 100 AFASTAMENTO DO TRABALHO N % Não 32 88,9 Sim 04 11,1 TOTAL 36 100 * rinite (2); Carne Suína (1); Fibra de Vidro(1). O quadro 1 demonstra que 17 (26,7%) não apresentavam queixas, porém entre os profissionais que referiram alguma queixa destacaram: dor de cabeça 10 (15,6%); dor muscular e/ou cervical 10 (15,6%) e cansaço físico 08 (12,5%), além disso, a maioria 32 (88,9%) referiu não ter sido necessário se afastar do trabalho. A relação trabalho, fábricas, máquinas, homens e(m) movimento há alguns séculos vem se tornando um meio de produção de bens e agressão à saúde humana por expor o trabalhador a situações repetitivas e, às vezes, desrespeitosas às possibilidades humanas (MARTINS, 2001). Comprovando esta colocação, estimativas da Organização Mundial da Saúde e do Trabalho indicam que um grande número de trabalhadores são acometidos por problemas posturais e desordens na execução dos movimentos funcionais, o que vem a gerar desordens 37 motoras, psicológicas e sociais, culminando no afastamentos de suas ocupações e/ou redução da produção. Um exemplo comum destes excessos é a alta incidência das lesões por esforços repetitivos (LER) e dos distúrbios osteomusculares referentes ao trabalho (DORT), em um grande número de trabalhadores fabris no Brasil e no mundo (DUARTE et al., 2000; MARTINS, 2001; RIO; PIRES, 2001). Por outro lado, de acordo com Ballone (2002), o corpo de um indivíduo que sofre um processo de desgaste logo emite sinais de maneira natural e inteligente, sinalizando perigo e representa uma forma que o corpo encontra para demonstrar um estado emocional alterado, quando se encontra sob pressão por alguma situação. O estresse se dá por uma alteração que o indivíduo sofre sempre em que se encontra frente a situações adversas pelas quais não está acostumado, há um descontrole gerado pelo desconhecido e a partir do momento em que aparece imediatamente o corpo procura uma maneira para se defender. Greenberg (2002) esclarece que o estresse provoca alterações físicas a partir da ação dos hormônios adrenais que causam a aceleração dos batimentos cardíacos, dilatação das artérias coronárias, dilatação dos tubos brônquios, aumento da taxa do metabolismo basal, constrição dos vasos sanguíneos nos membros, maior consumo de oxigênio, aumento na glicose sanguínea e aumento na pressão sanguínea. Uma pessoa estressada apresenta diversos sintomas que vão se apresentando e mudando sua rotina conforme o tempo. De acordo com Oshima (2001), fisicamente os sintomas mais freqüentes são dores de cabeça, dores musculares, insônia, taquicardia, alergias, queda de cabelo, falta de apetite, e os psicológicos são perda de memória, isolamento, introspecção, sentimento de perseguição, desmotivação, irritabilidade, ansiedade, tiques nervosos, entre outros. Para o autor esses sintomas são claramente perceptíveis na medida em que a doença começa a se manifestar, as reclamações costumam ser cada vez mais freqüentes, o indivíduo passa a sentir dores de cabeça e no corpo muito fortes, gerando um desânimo pelas atividades realizadas diariamente e a auto-estima cai. A maneira de tratar as pessoas se modifica, pois a paciência fica diminuída, a pessoa passa a não gostar mais de sua vida pessoal e de si mesmo, evitando contatos externos, preferindo viver sozinha e isolada de tudo que para ela possa fazer mal. Inquietos e estimulados com esta realidade, profissionais ligados à área de saúde se preocupam em estruturar e promover adequadas condições de trabalho a todos aqueles sujeitos a problemática exposta, uma vez que o tratamento inadequado destas lesões e/ou distúrbios acabam por resultar em recidivas do quadro doloroso e novos afastamentos do trabalho acabam por acontecer. 38 Tabela 4- - Caracterização das condições físicas do ambiente de trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010 (n =36). CONDIÇÕES DE ILUMINAÇÃO N % Insatisfatória 01 02,8 Regular 18 50,0 Satisfatória 17 47,2 CONDIÇÕES DE VENTILAÇÃO N % Insatisfatória 11 30,6 Regular 17 47,2 Satisfatória 08 22,2 CONDIÇÕES DE TEMPERATURA N % Insatisfatória 09 25,0 Regular 22 61,1 Satisfatória 05 13,9 CONDIÇÕES SONORAS N % Insatisfatória 04 11,1 Regular 19 52,8 Satisfatória 13 36,1 Em relação às condições físicas do ambiente de trabalho verificou-se que quanto às condições de iluminação metade da amostra 18 (50%) referiu que era regular e 17 (47,2%) referiram que era satisfatória; quanto às condições de temperatura mais da metade 22 (61,1%) referiu ser regular e quanto às condições sonoras mais da metade dos profissionais 19 (52,8%) classificou como regular. A higiene do trabalho compreende normas e procedimentos adequados para proteger a integridade física e mental do trabalhador, preservando-o dos riscos de saúde inerente às tarefas do cargo e ao ambiente físico onde são executadas (MATOS, 2010). A higiene do trabalho está ligada ao diagnóstico e à prevenção das doenças ocupacionais, a partir do estudo e do controle do homem e seu ambiente de trabalho. Ela tem caráter preventivo por promover a saúde e o conforto do funcionário, evitando que ele adoeça e se ausente do trabalho. Envolve, também, estudo e controle das condições de trabalho (MATOS, 2010). A iluminação, a temperatura e o ruído fazem parte das condições ambientais de trabalho. Uma má iluminação, por exemplo, causa fadiga à visão, afeta o sistema nervoso, 39 contribui para a má qualidade do trabalho podendo, inclusive, prejudicar o desempenho dos funcionários. A falta de uma boa iluminação também pode ser considerada responsável por uma razoável parcela dos acidentes que ocorrem nas organizações. Envolvem riscos os trabalhos noturnos ou turnos, temperaturas extremas - que geram desde fadiga crônica até incapacidade laboral (MATOS, 2010). Um ambiente de trabalho com temperatura e umidade inadequadas é considerado doentio. Por isso, o funcionário deve usar roupas adequadas para se proteger do que ―enfrenta‖ no dia-a-dia corporativo. O mesmo ocorre com a umidade. Já o ruído provoca perda da audição e quanto maior o tempo de exposição a ele maior o grau da perda da capacidade auditiva. A segurança do trabalho implica no uso de equipamentos adequados para evitar lesões ou possíveis perdas (MATOS, 2010). Quadro 2 – Caracterização da amostra estudada segundo exposições ocupacionais no ambiente de trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010. EXPOSIÇÕES N % Poeira 14 11,1 Gases tóxicos* 05 04,0 Metais** 09 07,1 Produto químico*** 13 10,3 Contato com superfície quente ou líquido quente 14 11,1 Contato com superfície fria 00 00,0 Contato com superfície, material, ferramenta cortante ou 19 15,1 Prensagem de alguma parte do corpo entre dois objetos 06 04,8 Esforços físicos 20 15,9 Movimentos repetitivos 26 20,6 Outros 00 00,0 TOTAL 126 100 perfurante * Queima de Plástico(3) GLP (2) ** Cobre(3); Aço (3); Alumínio (3) ***Draws 205 (3); Óleo LGV 225 (3); Fluxo (3); Homy Grax (3); DL005 (1) O quadro 2 demonstra que entre as diversas exposições ocupacionais no ambiente de trabalho, as mais citadas foram: movimentos repetitivos 26 (20,6%); esforços físicos 20 (15,9%); contato com superfície, material, ferramenta cortante ou perfurante 19 (15,1%); 40 Contato com superfície quente ou líquido quente 14 (11,1%); poeira 14 (11,1%) e contato com produtos químicos 13 (10,3%). Os riscos ocupacionais caracterizam-se como todo risco relativo ao ambiente de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde ou integridade física dos trabalhadores (GONÇALVES, 2000). Estes fatores são denominados com riscos ambientais ou riscos ocupacionais e são classificados em riscos físicos, químicos, biológicos, mecânicos e ergonômicos, sendo os três primeiros definidos pela Norma Regulamentadora 9 - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (BRASIL, 1995). Piza (1997) descreve abaixo alguns riscos ocupacionais: Os riscos físicos são as diversas formas de energia que possam estar expostas aos trabalhadores, tais como: ruído, calor radiante, umidade, frio, pressões anormais, radiações ionizantes e não ionizantes, vibrações, assim como infra-som e ultra-som. Os riscos químicos correspondem a substâncias, compostas ou misturas que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeira, fumo, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza de atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo, normalmente por pele ou por ingestão. Os riscos biológicos são as diversas espécies de microrganismos: bactérias, fungos, parasitas, protozoários e vírus freqüentemente presente em vários ambientes de trabalho e, quando em contato com o trabalhador, poderão causar danos à saúde. Os riscos mecânicos ou risco de acidentes são condições de construção, instalação e funcionamento de uma empresa, assim como as máquinas, equipamentos ou ferramentas que não apresentam adequadas condições de uso. São modalidades de risco de acidente: arranjo físico inadequado, máquinas e equipamentos sem proteção, ferramentas inadequadas ou defeituosas, iluminação inadequada, instalações elétricas deficientes, probabilidade de incêndio ou explosão, armazenamento inadequado, animais peçonhentos e outras situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes Os riscos ergonômicos são caracterizados pela relação homem/ambiente de trabalho e aparecem em decorrência de posturas assumidas ou esforços exercidos na execução das atividades. Estes riscos podem ocasionar não só distúrbios psicológicos ou fisiológicos no empregado, mas também a redução na produtividade e na segurança no trabalho. São espécies de agentes ergonômicos: esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso, exigência de postura inadequada, controle rígido da produtividade, imposição de ritmos 41 excessivos, trabalhos em turnos de revezamento ou noturno, jornadas de trabalho prolongadas, monotonia e repetição de atividade e outras situações causadoras de stress físico e/ou psíquico. Tabela 5- Caracterização dos equipamentos e materiais necessários para o trabalho, uso de EPI e acidentes de trabalhos. Bragança Paulista, 2009/2010 (n =36). EQUIPAMENTOS E MATERIAIS N % Insatisfatório 00 00,0 Regular 16 44,4 Satisfatório 20 55,6 EPI N % É fornecido e faço uso 35 97,2 É fornecido, porém não faço uso 01 02,8 Não é fornecido 00 00,0 ACIDENTES DE TRABALHO N % Sim* 05 13,9 Não 31 86,1 *FCC - Ferimento corte contuso (5) Em relação aos equipamentos e materiais necessários para a realização do trabalho verificou-se que: 20 (55,5%) referiram que os equipamentos e materiais necessários eram satisfatórios; 35 (97,2%) referiram que os EPI(s) são fornecidos e que fazem uso e 31 (86,1%) referiram nunca ter sofrido acidentes de trabalho. Conforme dispõe a Norma Regulamentadora 6 (NR-6), a empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias: sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho ; enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; e para atender a situações de emergência (GUIA TRABALHISTA, 2010). De acordo com o Guia trabalhista (2010), Os tipos de EPI´s utilizados podem variar dependendo do tipo de atividade ou de riscos que poderão ameaçar a segurança e a saúde do trabalhador e da parte do corpo que se pretende proteger, tais como: Proteção auditiva: abafadores de ruídos ou protetores auriculares; Proteção respiratória: máscaras e filtro; 42 Proteção visual e facial: óculos e viseiras; Proteção da cabeça: capacetes; Proteção de mãos e braços: luvas e mangotes; Proteção de pernas e pés: sapatos, botas e botinas; Proteção contra quedas: cintos de segurança e cinturões. Dentre as atribuições exigidas pela NR-6, cabe ao empregador as seguintes obrigações: adquirir o EPI adequado ao risco de cada atividade; exigir seu uso; fornecer ao trabalhador somente o equipamento aprovado pelo órgão, nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho; orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação; substituir imediatamente o EPI, quando danificado ou extraviado; responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica; e comunicar o Ministério do trabalho e Emprego qualquer irregularidade observada (GUIA TRABALHISTA, 2010). O empregado também terá que observar as seguintes obrigações: utilizar o EPI apenas para a finalidade a que se destina; responsabilizar-se pela guarda e conservação; comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio ao uso; e cumprir as determinações do empregador sob o uso pessoal (GUIA TRABALHISTA, 2010). A segurança no trabalho é uma função empresarial que, cada vez mais, torna-se uma exigência conjuntural. As empresas devem procurar minimizar os riscos a que estão expostos seus funcionários pois, apesar de todo avanço tecnológico, qualquer atividade envolve um certo grau de insegurança. A falta de eficaz sistema de segurança acaba causando problemas de relacionamento humano, produtividade, qualidade dos produtos e/ou serviços prestados e o aumento de custos. A pseudo-economia feita não se investindo no sistema de segurança mais adequado acaba ocasionando graves prejuízos pois, um acidente no trabalho implica baixa na produção, investimentos perdidos em treinamentos e outros custos (GROHMANN, 2010). A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), na sua norma 18-R estabelece que o custo direto do acidente é o total das despesas decorrentes das obrigações para com os empregados expostos aos riscos inerentes ao exercício do trabalho, como as despesas com assistência médica e hospitalar aos acidentados e respectivas indenizações, sejam estas diárias ou por incapacidade permanente (GROHMANN, 2010). De acordo com a autora acima, o INPS considera como integrantes do custo indireto do acidente de trabalho os seguintes itens: gastos de primeiro tratamento, despesas sociais, custo do tempo perdido pela vítima, perda por diminuição do rendimento no retorno do 43 acidentado ao trabalho, perda pelo menor rendimento do trabalhador que substitui temporariamente o acidentado, cálculo do tempo perdido pelos colegas, etc. Quadro 3 – Caracterização da amostra estudada segundo os fatores de estresse no ambiente de trabalho. Bragança Paulista, 2009/2010. FATORES DE ESTRESSE N % Desvalorização da profissão 16 15,1 Estrutura organizacional 13 12,3 Carga horária excessiva de trabalho 13 12,3 Rede de comunicação 12 11,3 Recebimento apenas de feedback negativo por parte dos 08 07,5 Atividades Burocráticas 06 05,7 Salário 06 05,7 Barreiras para implantar inovações 06 05,7 Relacionamento com colegas 05 04,7 Conciliação casa/trabalho 05 04,7 Recursos financeiros, matérias e temporais. 04 03,8 Conflitos de Regras da Empresa (dois pesos e duas medidas) 04 03,7 Pouca participação na tomada de decisões 03 02,8 Condições ambientais internais e externas 02 01,9 Entrevistado não opinou 02 01,9 Outros* (especificar) 01 00,9 TOTAL 106 100 superiores. *Objetivos muito arrojados Os dados do quadro 3 demonstram que foram citados 106 fatores de estresse no ambiente de trabalho, sendo que cada profissional poderia citar mais de um fator. Assim verifica-se que os mais citados foram: desvalorização da profissão 16 (15,1%); estrutura organizacional 13 (12,3%); carga horária excessiva de trabalho 13 (12,3%) e rede de comunicação 12 (11,3%). O stress pode ser desencadeado por características pessoais (fatores internos) ou pode se originar das várias áreas da vida de um indivíduo (fatores externos), tais como social, familiar e ocupacional. No que se refere, particularmente ao stress ocupacional, constata-se 44 que as modificações nos processos e organização do trabalho, além da competitividade organizacional gerada pelo fenômeno da globalização, vêm causando um fenômeno de instabilidade emocional e física nos ocupantes dos postos de trabalho, que podem, por meio de agentes estressantes lesivos derivados diretamente do trabalho ou por motivos deste, afetar a saúde do trabalhador. (VILLALOBOS apud CORRÊA; MENEZES, 2002). A partir desse fenômeno passou a haver uma preocupação com a qualidade de vida no trabalho (QTV) como forma de minimizar os efeitos negativos que o estresse causa para os indivíduos e as organizações. Cooper; Sloan; Williams (1988), cujos trabalhos representam um marco importante para o estudo do stress ocupacional, assim o definem ...uma característica negativamente percebida pelo indivíduo, resultante de estratégias inadequadas de combate às fontes de stress, e que trazem conseqüências negativas para ele tanto no plano mental como físico. Esses autores categorizam os agentes ocupacionais, potencialmente estressantes, da seguinte forma: (1) fatores intrínsecos ao trabalho (condições de salubridade, jornada de trabalho, ritmo, riscos potenciais à saúde, sobrecarga de trabalho, introdução de novas tecnologias, natureza e conteúdo do trabalho); (2) papel organizacional (ambigüidade e conflitos de papéis); (3) interrelacionamento (para com os superiores, colegas e subordinados); (4) carreira (congruência de status e segurança no emprego e perspectivas de promoções); (5) clima da organização (ameaças potenciais à integridade do indivíduo, sua autonomia e identidade pessoal); (6) interface casa/trabalho (aspectos relacionais de eventos pessoais fora do trabalho e dinâmica psicossocial do stress). O problema do stress no trabalho assumiu uma nova dimensão que, certamente, irá determinar os rumos da administração empresarial dos tempos modernos. Essa situação requer diferentes recursos e constante atualização, principalmente do administrador de recursos humanos e das estratégias empresariais voltadas para essa área, representando, talvez, um dos assuntos mais problemáticos que a Administração já teve que lidar, visando ao sucesso organizacional (AYRES, 2001). 45 Quadro 4 – Caracterização da amostra estudada segundo as estratégias utilizadas para combater o estresse. Bragança Paulista, 2009/2010. ESTRATÉGIAS N % Não tenho nenhuma estratégia 02 03,0 Procuro conversar e trocar idéias com meus colegas 13 19,8 Recorro a supervisão para discutir problemas relacionados ao trabalho. 05 07,6 Nos dias de folga esqueço as obrigações e problemas do trabalho. 15 22,7 Pratico esportes 17 25,7 Reservo um tempo para atividades de lazer (Cinema, teatro, leitura, 12 18,2 Outras* (Especificar) 02 03,0 TOTAL 66 100 viagens etc) *Pescaria (1); Frequenta Igreja (1) Quanto às estratégias utilizadas para combater o estresse, as mais citadas foram: a prática de esportes 17 (25,7%); esquecer as obrigações e problemas de trabalho nos dias de folga 15 (22,7%); conversar e trocar idéias com os colegas 13 (19,8%) e reservar um tempo para as atividades de lazer 12 (18,2%). Apesar de existirem diversas formas de gerenciamento do stress, por meio da utilização das estratégias defensivas (ou de coping), muitas vezes as demandas internas ou externas podem exceder os recursos de enfrentamento do indivíduo e podem surgir níveis de stress que exigem o auxílio de suporte externo (social, médico, espiritual) que possam ajudar o indivíduo a recuperar o seu equilíbrio e sua saúde. Lazarus apud Reinhold (1984) considera dois tipos distintos de técnicas para enfrentar o stress: 1º) técnicas de ação direta – que implicam em dirigir esforços para as próprias fontes de stress, como por exemplo, organizar bem o tempo para realizar tudo o que planeja, negarse a fazer aquilo que não gosta, etc.; e 2º) técnicas paliativas – que são formas de lidar com as experiências subjetivas do stress, como por exemplos, fugir das fontes de tensão, fazer programas de lazer, praticar esportes, desenvolver a auto-confiança e o otimismo. As estratégias defensivas podem ser classificadas como positivas (busca de apoio social, exercer hobby, etc.) e negativas (fumar e/ou ingerir bebida alcoólica excessivamente, tomar remédios ou substâncias químicas, etc.). Esta terminologia, no entanto, é denominada por Everly (1979), respectivamente, como estratégias adequadas e inadequadas. 46 Carvalho (1997), tratando da importância do lazer na vida do trabalhador, esclarece a necessidade de substituirmos, em alguns momentos, uma atividade que requer muito dispêndio de energia por outra que possibilite relaxamento e reposição energética. As atividades físicas, o relaxamento ou a meditação, conversa com os amigos, além de tantas outras atividades, permitem ao individuo colocar a energia ao seu favor. Na afirmação do autor, evidencia-se que, ao adotar estratégia dessa natureza, o estresse deixa de ser um produtor de doenças ou exaustão energética e passa a ser também um mobilizador de novas mudanças e mecanismo de adaptação saudável às situações imprevisíveis da vida. Dessa forma, pode-se reaver o que há de positivo e gerador de satisfação no exercício das ações cotidianas. Quadro 5 – Caracterização dos fatores que podem contribuir para a melhoria do setor, segundo a opinião dos profissionais. Bragança Paulista, 2009/2010. FATORES DE MELHORIA N % Entrevistado não sugere nenhuma melhoria 07 15,9 Melhor planejamento 04 09,1 Melhoria da estrutura organizacional 05 11,4 Melhor comunicação 02 04,5 Treinamentos para supervisores 01 02,3 Melhoria de recursos e ambiente de trabalho 05 11,4 Valorização profissional e igualdade de condições 07 15,9 Contratação de novos profissionais 02 04,5 Mudar Uniforme 01 02,3 Motivação 04 09,1 Carga horária de trabalho reduzida 03 06,8 Aumento de salário 02 04,5 Trabalho em equipe 01 02,3 TOTAL 44 100 Quanto aos fatores que podem contribuir para a melhoria do setor, os mais citados foram: valorização profissional e igualdade de condições 07 (15,9%); melhoria da estrutura organizacional 05 (11,4%); melhoria de recursos e ambiente de trabalho 05 (11,4%). Porém observa-se que 07 (15,9%) não sugeriram estratégias. 47 Já é comum nas grandes organizações a destinação de recursos em caráter permanente para ações ligadas à Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) e Responsabilidade Social Empresarial, além da criação de órgãos formais, colocados em posição de destaque na estrutura formal. Segundo definição de Limongi-França (1996) QVT é: ―Um conjunto de ações de uma empresa que envolve diagnóstico e implantação de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais dentro e fora do ambiente de trabalho, visando propiciar condições plenas de desenvolvimento humano para e durante a realização do trabalho‖. São considerados indicadores de QVT entre outros segundo ainda Limongi-França (1996): ação social e ecológica da empresa; atividades esportivas, culturais e de lazer; ausência de insalubridade; ausência de preconceitos; autonomia no trabalho; capacidade múltipla para o trabalho; carreira; conforto no ambiente físico; crescimento como pessoa em função do trabalho; estabilidade no emprego; estima por parte dos colegas; nível cultural dos empregados e dos empregadores; padrão geral de saúde dos empregados; privacidade para trabalhar; salário; vida pessoal preservada e valorização dos serviços pelos outros setores. Pode-se dizer, portanto que, se a organização está preocupada com a responsabilidade social ela estará fatalmente preocupada com a qualidade de vida de seus trabalhadores, dando condições plenas para a sua realização pessoal e profissional e uma das preocupações deve ser ouvir os anseios dos funcionários para implementar as ações necessárias. 48 7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Sabe-se hoje que saúde e segurança são imprescindíveis quando o propósito é manter um ambiente de trabalho saudável e produtivo. Tais questões estão diretamente ligadas à valorização do elemento humano como primordial para o sucesso de qualquer organização. Em um mundo onde a cada dia são crescentes as descobertas e inovações tecnológicas, a disseminação de informações sobre a prevenção de acidentes e doenças do trabalho se torna decisiva para que a qualidade de vida no ambiente de trabalho seja valorizada. Os acidentes ocupacionais são responsáveis pelo maior número de mortes e incapacidades graves causados pelo trabalho em todo o mundo. O ambiente de trabalho oferece variados riscos à saúde dos indivíduos, que podem ser evitados ou reduzidos por meio de medidas de proteção variadas. Por desconhecer ou não identificar determinadas situações de risco, o trabalhador tem ações não revestidas de proteção alguma que podem conduzir a acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais como desfecho. Esses acidentes ou doenças, além de impedir temporária ou permanentemente o trabalhador de desempenhar seu trabalho por alterações físicas, podem conduzir a transtornos psíquicos ou emocionais importantes. É necessário realizar investigação no ambiente de trabalho, a partir desse levantamento o enfermeiro identificará problemas ou riscos neste local, considerando primeiro a avaliação do nível de trabalho, de satisfação, aceitação e adaptação de cada trabalhador em relação às atividades que exercem, cabendo ao profissional avaliar deficiências, e planejar meios de solucionar os problemas identificados, adequando o ambiente de trabalho ao trabalhador, reduzindo os fatores nocivos à sua saúde. A Vigilância à Saúde do Trabalhador como atribuição do profissional enfermeiro é descrita como uma atuação contínua e sistemática, no sentido de detectar, conhecer, pesquisar e analisar os fatores determinantes e condicionantes dos agravos à saúde relacionados aos processos e ambientes de trabalho, em seus aspectos tecnológico, social, organizacional e epidemiológico, com o objetivo de planejar, executar e avaliar intervenções sobre esses aspectos, de forma a eliminá-los ou controlá-los. Constata-se, portanto, que a presença do enfermeiro é essencial na participação das ações a serem desenvolvidas em benefício ao trabalhador. 49 8.0 CONCLUSÕES Através dos resultados apresentados conclui-se que: Quanto à caracterização da amostra estudada verificou-se que a maior parte da amostra estudada encontrava-se entre 19 e 40 anos: 09 (25,0%) entre 19 e 24 anos; 08 (22,2%) entre 31 e 35 anos; 07 (19,4%) entre 25 e 30 anos e 07 (19,4%) entre 36 e 40 anos. A maioria 32 (88,9%) era do sexo masculino. Quanto a função, a maioria 26 (72,2) era operador de produção. Quanto à carga horária semanal a maioria 24 (66,7%) trabalhava 44 horas semanais. Em relação aos hábitos de vida a maioria 31 (86,1%) referiu não ser tabagista; 18 (50,0%) referiram não fazer uso de bebidas alcoólicas e 17 (47,2%) referiram fazer uso de bebidas alcoólicas socialmente. Quanto à prática de atividade física 24 (66,7%) referiram que realizam alguma atividade. Quanto ao Índice de Massa Corpórea (IMC) observa-se que a maior parte da amostra estudada encontrava-se entre 21,41 Kg/m2 e 30 Kg/m2: 11 (30,6%) entre 21,41 e 23,55 Kg/m2; 07 (19,4%) entre 25,71 e 27,85 Kg/m2 ; 07 (19,4%) entre 27,86 e 30,00 Kg/m2 e 06 (16,7%) entre 23,56 e 25,70 Kg/m2). Em relação as patologias associadas a maioria 26 (72,2%) referiu não apresentar e 33 (91,7%) referiram não estar realizando tratamentos. Quanto às principais queixas e necessidade de afastamento do trabalho, 17 (26,7%) não apresentavam queixas, porém entre os profissionais que referiram alguma queixa destacaram: dor de cabeça 10 (15,6%); dor muscular e/ou cervical 10 (15,6%) e cansaço físico 08 (12,5%). Além disso, a maioria 32 (88,9%) referiu não ter sido necessário se afastar do trabalho. Em relação às condições físicas do ambiente de trabalho verificou-se que quanto às condições de iluminação metade da amostra 18 (50%) referiu que era regular e 17 (47,2%) referiram que era satisfatória; quanto às condições de temperatura mais da metade 22 (61,1%) referiu ser regular e quanto às condições sonoras mais da metade dos profissionais 19 (52,8%) classificou como regular. Entre as diversas exposições ocupacionais no ambiente de trabalho, as mais citadas foram: movimentos repetitivos 26 (20,6%); esforços físicos 20 (15,9%); contato com superfície, material, ferramenta cortante ou perfurante 19 (15,1%); Contato com superfície quente ou líquido quente 14 (11,1%); poeira 14 (11,1%) e contato com produtos químicos 13 (10,3%). 50 Em relação aos equipamentos e materiais necessários para a realização do trabalho verificou-se que: 20 (55,5%) referiram que os equipamentos e materiais necessários eram satisfatórios; 35 (97,2%) referiram que os EPI(s) são fornecidos e que fazem uso e 31 (86,1%) referiram nunca ter sofrido acidentes de trabalho. Foram citados 106 fatores de estresse no ambiente de trabalho, sendo que cada profissional poderia citar mais de um fator. Assim verifica-se que os mais citados foram: desvalorização da profissão 16 (15,1%); estrutura organizacional 13 (12,3%); carga horária excessiva de trabalho 13 (12,3%) e rede de comunicação 12 (11,3%). Quanto às estratégias utilizadas para combater o estresse, as mais citadas foram: a prática de esportes 17 (25,7%); esquecer as obrigações e problemas de trabalho nos dias de folga 15 (22,7%); conversar e trocar idéias com os colegas 13 (19,8%) e reservar um tempo para as atividades de lazer 12 (18,2%). Quanto aos fatores que podem contribuir para a melhoria do setor, os mais citados foram: valorização profissional e igualdade de condições 07 (15,9%); melhoria da estrutura organizacional 05 (11,4%); melhoria de recursos e ambiente de trabalho 05 (11,4%). Porém observa-se que 07 (15,9%) não sugeriram estratégias. 51 REFERÊNCIAS ALBERT, E.; URURAHY, G. Como se tornar um bom estressado. Rio de Janeiro: Salamandra Consultoria Editorial Ltda, 1997. 139 p. AYRES, K. V. Stress e Fatores de Competitividade: uma análise em empresas incubadas da Região Nordeste. João Pessoa, 2001. Tese (Doutorado em Administração ) - Curso de Pós Graduação em Administração, Universidade Federal da Paraíba. 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Acessado 06/05/2010. em. em 55 APÊNDICE A APÊNDICE A – INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS I - CARACTERÍSTICAS Idade: ________ Sexo: ( ) feminino ( ) masculino Estado Civil: ( ) solteiro (a) ( ) casado (a) ( ) viúvo (a) ( ) Separado (a) ( ) União consensual Função: __________________________________ Carga Horária Semanal: _________________ II- HÁBITOS DE VIDA Tabagista? ( ) Sim ( ) Não ( ) Ex-tabagista Etilista? ( ) Sim ( ) Não ( ) Socialmente ( ) Ex-etilista Pratica alguma atividade física? ( ) Sim ( ) Não Qual: _________________ III- DADOS REFERENTES À SAÚDE Peso: ____________ Altura: _____________ Patologias associadas: ( ) diabetes ( ) hipertensão ( ) doenças cardiorrespiratórias _____________________________ ( ) câncer _________________ ( ) doenças gastrointestinais _______________________________ ( ) doenças nefrológicas / urológicas ________________________________ ( ) Doenças oftalmológicas ________________ Faz uso de lentes corretivas ( ) Sim ( ) Não Faz Algum Tratamento: ( ) Não ( ) Sim. Qual: __________________________ Principais queixas: ( ) Sem queixas ( ) Dor de cabeça ( ) Dor muscular e/ou cervical ( ) Alergia (especificar tipo): _________________________ ( ) Cansaço mental ( ) Cansaço físico ( ) Nervosismo ( ) Enxaquecas ( ) Insônia 56 ( ) Palpitações ( ) Outros (especificar) : _______________________________________ Você já precisou afastar-se do trabalho para tratar da sua saúde? Sim ( ) Não ( ) IV- CONDIÇÕES DO AMBIENTE DE TRABALHO Condições físicas do ambiente Condições de iluminação ( ) Insatisfatória ( ) Regular ( )Satisfatória Condições de ventilação ( ) Insatisfatória ( ) Regular ( )Satisfatória Condições de temperatura ( ) Insatisfatória ( ) Regular ( ) Satisfatória Condições sonoras internas e externas ( ) Insatisfatória ( ) Regular ( ) Satisfatória Exposições ocupacionais ( ) poeira ( ) gases tóxicos _________________________ ( ) metais _____________________________ ( ) produto químico __________________________ ( ) contato com superfície quente ou líquidos quente ( ) contato com superfície fria ( ) contato com superfície, material, ferramenta cortante ou perfurante ( ) prensagem de alguma parte do corpo entre dois objetos ( ) esforços físicos ( ) movimentos repetitivos ( ) outros ________________________________ Equipamentos e materiais necessários para trabalhar em boas condições ( ) Insatisfatório ( ) Regular ( ) Satisfatório Equipamento de Proteção Individual necessário para trabalhar em boas condições ( ) É fornecido e faço uso ( ) É fornecido, porém não faço uso ( ) Não é fornecido Já sofreu algum acidente de trabalho ( ) Sim. Qual? ______________________________ ( ) Não 57 V- FATORES DE ESTRESSE E ESTRATÉGIAS UTILIZADAS 1- Na sua opinião quais são os fatores de estresse no ambiente de trabalho? ( ) Relacionamento com colegas ( ) Estrutura organizacional ( ) Rede de comunicação ( ) Atividades burocráticas ( ) Carga horária excessiva de trabalho ( ) Recursos financeiros, materiais e temporais ( ) Condições ambientais internas e externas ( ) Conciliação casa / trabalho ( ) Salário ( ) Desvalorização da profissão ( ) Recebimento apenas de feedback negativo, por parte dos superiores ( ) Barreiras para implantar inovações ( ) Conflitos de regras da Empresa (dois pesos e duas medidas) ( ) Pouca participação na tomada de decisões ( ) Outos (especificar): ____________________________________________ 2- Quais são as estratégia que você utiliza para combater o estresse? ( ) Não tenho nenhuma estratégia ( ) Procuro oportunidades para conversar e trocar idéias com meus colegas ( ) Recorro à supervisão para discutir problemas relacionados ao trabalho ( ) Nos dias de folga esqueço as obrigações e problemas do trabalho ( ) Pratico esportes ( ) Reservo um tempo para atividades de lazer (cinema, teatro, leitura, viagens, etc) ( ) Outras (especificar): _____________________________________ 3- No seu ponto de vista, o que poderia ser melhorado no seu setor para que os profissionais possam trabalhar com mais vontade e satisfação? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 58 APÊNDICE B AUTORIZAÇÃO Bragança Paulista, ____ de setembro de 2009. Exmo Srs. Edson Carvalho (Diretor de Recursos Humanos) Aloisio Pizzi (Supervisor de Saúde, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente Vimos solicitar as dignas providências no sentido de autorizar a coleta de dados da pesquisa intitulada ―O TRABALHO E A SAÚDE DOS PROFISSIONAIS QUE ATUAM NA PRODUÇÃO DE RADIADORES DE UMA EMPRESA MULTINACIONAL E A CONTRIBUIÇÃO DO ENFERMEIRO‖ em desenvolvimento pela minha orientanda, Giorgia aluna do 7º semestre do Curso de Enfermagem, do Centro de Ciências e Biológicas da Saúde da Universidade São Francisco, como exigência parcial para conclusão do curso de graduação. Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, de campo, com abordagem qualiquantitativa tendo como objetivo analisar a relação existente entre condições de trabalho e processo saúde-doença dos profissionais que trabalham na produção de radiadores de uma Empresa Multinacional. A coleta de dados somente será realizada após autorização do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Francisco, e as informações colhidas não possuirão nenhuma forma de identificação dos participantes, visto que todas as informações serão convertidas em dados numéricos. Em anexo, enviamos o Projeto de Pesquisa. Agradecendo antecipadamente a valiosa colaboração de VS, colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos. Atenciosamente _______________________________ Profª Ms Elaine Reda (orientadora) Meu Endereço: Rua Alfredo Vieira Arantes, 907 - Centro Itatiba – São Paulo Telefone: (11) 4594-2055 (11) 91187512 E-mail: [email protected] Declaro que conheço o projeto de pesquisa em questão e autorizo a realização do mesmo após apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa da universidade São Francisco. ______________________________________ Sr. Edson Carvalho (Diretor de Recursos Humanos) ______________________________________ Sr. Aloisio Pizzi (Supervisor de Saúde, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente) 59 APÊNDICE C TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO Comitê de Ética em Pesquisa – Universidade São Francisco O TRABALHO E A SAÚDE DOS PROFISSIONAIS QUE ATUAM NA PRODUÇÃO DE RADIADORES DE UMA EMPRESA MULTINACIONAL E A CONTRIBUIÇÃO DO ENFERMEIRO Pesquisadores: Giorgia Mattiuzzo RG:34519438-X Rua: Caetano Fumachi,144 Rei de Ouro Itatiba-SP Telefone: (11) 4538-4838 e-mail: [email protected] Pesquisadora responsável: Profª Elaine Reda Rua Alfredo vieira Arantes, 907 – Centro Itatiba-SP Telefone: (11) 4594-2055 (11) 91187512 E-mail: [email protected] O abaixo assinado: Nome:____________________________________________________________________ Endereço:_________________________________________________________________ Cidade/Estado:_____________________________________________________________ RG: ___________________________Idade _________declara que é de livre espontânea vontade que está participando como voluntário do projeto de pesquisa supracitado, de responsabilidade do pesquisador. O voluntário está ciente que: 1. Os Objetivos desta pesquisa são: Objetivo Geral Para a coleta de dados será utilizado um formulário (Apêndice A), composto por questões abertas e fechadas. Objetivos Específicos Caracterizar os profissionais de acordo com seus dados demográficos e hábitos de vida; 60 Identificar as relações existentes entre as condições do ambiente de trabalho e a saúde destes profissionais; Identificar os fatores avaliados como estressores, pelos profissionais, no ambiente de trabalho. 2- A participação neste estudo não acarretará nenhum risco que possa comprometer a sua saúde ou o seu trabalho profissional. 3- Obteve todas as informações necessárias para poder decidir conscientemente sobre a participação no referido estudo. 4- Está livre para interromper a participação no estudo a qualquer momento ou deixar de responder qualquer pergunta. 5- A interrupção do estudo não lhe causará prejuízo referente às atividades profissionais desenvolvidas na Instituição que atua. 6- Responderá a um formulário, o qual não possuirá nenhuma forma de fornecer sua identidade, visto que todas as informações obtidas serão convertidas em dados numéricos. 7- Uma vez encerrado o trabalho, os resultados poderão ser divulgados em eventos e revistas científicas, onde serão mantidos sigilo e anonimato de qualquer informação fornecida. 8- Poderá contactar a pesquisadora, sempre que necessário, pelo telefone abaixo citado. 9- Poderá contactar o Comitê de Ética em Pesquisa para apresentar recursos ou reclamações em relação ao estudo (Fones: (11) 4034-8028 - Comitê de Ética em Pesquisa – USF. 10- Este Termo de Consentimento, livre e esclarecido, constará de duas vias, sendo uma delas entregue ao voluntário. Bragança Paulista, ____ de _____________ de 2009. Assinatura da voluntária: _______________________________ Assinatura do responsável pela pesquisa: Prof.ª Elaine Reda Assinatura: ____________________________________________