III SIES - Seminário sobre Inclusão no Ensino Superior O estudante cego e surdocego Londrina, 27 e 28 de Novembro de 2012 ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS TUTORIAIS PARA ACOMPANHAMENTO DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL DO CONSÓRCIO CEDERJ EDICLÉA MASCARENHAS FERNANDES / UERJ / COMISSÃO CEDERJ1 CRISTIANO CÉSAR DOS SANTOS ANDRADE / UFF/ Pólo Belford Roxo2 SIMONE CAYRES DE SOUZA/ UENF/ Pólo São Francisco de Itabapoana3 DEUZIMAR HELENA DE OLIVEIRA / UERJ/ Pólo Resende4 Consórcio CEDERJ/ UAB RESUMO: O trabalho apresenta dois estudos de caso de estratégias pedagógicas tutoriais para acompanhamento de alunos com deficiência visual do Consórcio CEDERJ nos Cursos de Licenciaturas em Ciências Biológicas e Tecnologia em Sistemas de Computação, sendo o aluno do curso de biologia com baixa visão e o aluno da computação com cegueira total. O objetivo do trabalho é apresentar as ferramentas adequadas e a produção de material didático acessível para as disciplinas. Foram realizadas práticas pedagógicas inclusivas com os alunos dos cursos em questão e foram obtidos alguns resultados satisfatórios. A produção do material foi realizada coma a utilização de matéria prima de fácil aquisição e baixo custo. Algumas a custo zero. Foram utilizados como referenciais teóricos as metodologias de adequações curriculares previstas na Educação Especial e a interlocução interdisciplinar colaborativa de profissionais da área de Educação Especial. As interlocuções permitiram a produção dos materiais de apoio e a aplicação acertada de estratégias pedagógicas. Palavras-Chaves: Necessidades Educacionais Especiais; Adaptação de Materiais Didáticos, Práticas Inclusivas no Ensino Superior, Educação à Distância. 1 Professora Adjunta do Departamento de Educação Inclusiva e Continuada da Faculdade de Educação / Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) / Doutora em Ciências/ FIOCRUZ/ Mestre em Educação Especial/ UERJ- Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação Inclusiva (NEEI/UERJ)- Presidente da Comissão para Estudos e Propostas para Inclusão de Alunos com Necessidades Educacionais Especiais do CONSÓRCIO CEDERJ/RJ- [email protected]. 2 Tecnólogo em Processamento de Dados, formado pela Faculdade de Belford Roxo (FABEL), pósgraduando Lato Sensu em Análise de Sistemas da Pontífice Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e Tutor Presencial do Curso Superior de Tecnologia em Sistemas de Computação da Universidade Federal Fluminense no Pólo CEDERJ/UAB Belford Roxo, RJ– [email protected]. 3 Professora de Ciências - Mestre em Biociências (UENF) e pós-graduada em Ensino de Ciências e Biologia (UFRJ) - e Tutora Presencial do Curso Superior de Licenciatura em Pedagogia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) no Pólo CEDERJ/UAB São Francisco de Itabapoana, RJ– [email protected] . 4 Professora e Tutora do Curso de Licenciatura em Biologia (UERJ) – Pólo CEDERJ/ UAB [email protected]. 127 III SIES - Seminário sobre Inclusão no Ensino Superior O estudante cego e surdocego Londrina, 27 e 28 de Novembro de 2012 1. Introdução A Educação Inclusiva é atualmente um dos maiores desafios do sistema educacional. Ela é o processo em que se amplia a participação de todos os estudantes nos estabelecimentos de ensino dito “regular”. Sua abordagem tem como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos. A Educação Inclusiva, atenta à diversidade inerente à espécie humana, busca perceber e atender as necessidades educacionais especiais de todos os sujeitos-alunos, no sistema regular de ensino, de forma a promover a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal de todos. Por ser um processo dinâmico que está em evolução constante e tendo suas estruturas, sistemas e metodologias de ensino que atender as necessidades das pessoas com limitações especiais, ela não deve ser restrita. Para isso, a Lei nº 9394/965, determina, dentre outras coisas, que haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial; e devem ser assegurados aos alunos com necessidades especiais, professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração destes nas classes comuns. De forma indireta a Educação Inclusiva visa à promoção de ações eficazes que propiciem a inserção, nos setores públicos e privados, de pessoas portadoras de deficiência. A Constituição Federal de 1988 traz como um dos seus objetivos fundamentais “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art.3º, inciso IV). Define, no artigo 205, a educação como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. No seu artigo 206, inciso I, estabelece a “igualdade de condições de acesso e permanência na escola” como um dos princípios para o ensino e, garante como dever do Estado, a oferta do atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino (art. 208). Educação Inclusiva visa também preparar a pessoa com deficiência para o mercado de trabalho. Por isso, NAMBU (2003) afirma que inclusão da pessoa com deficiência ao mercado de trabalho é um direito, independente do tipo de deficiência que apresente e de seu grau de comprometimento. No entanto, ainda presenciamos inúmeros casos de discriminação e exclusão, talvez, pela falta de conhecimento da sociedade de que esse cidadão tem direito à convivência não segregada e ao acesso aos recursos disponíveis aos demais cidadãos. E para a inclusão no mercado de trabalho é necessário que a Universidade assuma sua tarefa de acesso e permanência com qualidade e boa formação para esta clientela com deficiência visual. O Decreto 5296 de 2004 estabeleceu os princípios e a garantia de acessibilidade a todas as pessoas com deficiências no âmbito das barreiras físicas, comunicacionais e atitudinais no acesso aos bens e serviços, no campo da educação, saúde, transporte, trabalho, esporte e lazer. Entende-se a partir deste enfoque que a acessibilidade é um 5 Lei que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Capitulo 5. 128 III SIES - Seminário sobre Inclusão no Ensino Superior O estudante cego e surdocego Londrina, 27 e 28 de Novembro de 2012 fator decisivo para minorar e extinguir as desvantagens a que uma pessoa com deficiência fica exposta em um meio ambiente inacessível. No que tange à legislação emanada do Ministério da Educação e Cultura especificamente relaciona aos suportes necessários a alunos com deficiência no âmbito universitário, destaca-se a Portaria nº 1.679 de 1999, que trata de dispositivos legais para “acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências para instruir os processos de autorização e de reconhecimento de cursos e de credenciamento de instituições”. Outro destaque é a Convenção da Organização das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência que foi incorporada à legislação brasileira pelo Decreto 6949 de 25 de agosto de 2009. A Convenção desloca a ideia da limitação presente na pessoa com deficiência para o resultante da interação com o meio ambiente, sendo assim a deficiência é o resultante da ausência de suportes. A Convenção assegura um sistema de educação inclusivo em todos os níveis de ensino por meio da oferta de ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos alunos e no que tange à educação a garantia do acesso a todos os níveis de ensino até o superior. Atualmente o Ministério da Educação implantou em 2005 o Programa de Acessibilidade na Educação para as universidades federais. A partir desta data começaram a ser implantados editais fomentando a implantação de núcleos de acessibilidade com o objetivo de reduzir as barreiras físicas e comunicacionais facilitando a permanência do aluno no sistema. Porque a repetência e evasão destes alunos vinculam-se a causas não intrínsecas às incapacidades dos mesmos, mas a inadequação do ambiente universitário seja nos aspectos físicos ou nos suportes oferecidos aos mesmos. A Fundação Centro de Ciências e Educação Superior à Distância do Estado do Rio de Janeiro (CEDERJ) é um consórcio de universidades públicas federais e estaduais que oferecer educação superior à distância, tendo como missão promover a expansão e interiorização do ensino público e de qualidade no Estado. Os cursos são semipresenciais com tutores de acompanhamento à distância e presenciais nos 33 (trinta e três) pólos disponíveis ao acompanhamento dos alunos. A partir da perspectiva de interiorização, nos últimos anos vêm crescendo o número de alunos com necessidades educacionais especiais participando do sistema, o que vem demandando no Consórcio a necessidade de estruturar metodologias para acompanhamento destes alunos. Para atender a esta demanda a presidência do CEDERJ instalou por meio da portaria 183 publicada no Diário Oficial de 16 de agosto de 2011, uma comissão encarregada de estabelecer normas para reger procedimentos a serem adotados em relação aos alunos com deficiência e necessidades educacionais especiais. Atualmente a comissão vem instituindo um modelo de trabalho em que garante carga horária de tutoria presencial para apoio aos alunos com necessidades educacionais especiais e grupos de discussão participantes para identificar metodologias, sistematização de ações e produção de conhecimento científico. O Consórcio CEDERJ nos últimos anos realizou ações tais como a compra de impressora Braille para produção do material para alunos cegos; ampliação de material para alunos com visão subnormal e estudos de adequação ao ambiente virtual. Porém a produção de material para alunos cegos envolve não só a transcrição para o Braille, mas o material tátil para que os mesmos possam ter acesso ao conteúdo, para 129 III SIES - Seminário sobre Inclusão no Ensino Superior O estudante cego e surdocego Londrina, 27 e 28 de Novembro de 2012 que possam apreender por meio tátil o conceito da disciplina e para atender esta demanda foi criada uma carga horária de tutoria no pólo para execução desta tarefa pedagógica. Os materiais produzidos pelas tutorias presenciais dos Cursos de Licenciaturas em Ciências Biológicas e Computação utilizaram ajudas técnicas como recursos didáticos em relevo que são reproduzidos em lâminas de PVC por meio do Thermoform, recursos de ledores de tela e as estratégias de suporte no espaço social do aluno, além da criação de uma ferramenta, a Prancha de Modelagem, confeccionada com um compensado contendo diversos furos, que dar ao aluno maior autonomia na produção de seus de DER e alguns diagramas da UML (Unified Modeling Language)6. Estes recursos de acessibilidade ao currículo demonstraram eficácia para evitar a retenção nas disciplinas e evasão do aluno. 2. Método A metodologia do trabalho é o estudo de caso, em que foram coletadas por meio de entrevistas informações relacionadas às modalidades de aprendizagem do aluno e os suportes que o mesmo utilizou ao longo de sua vida acadêmica na educação básica, bem como as intervenções sistematizadas utilizadas com o aluno para a produção de metodologias institucionais e operacionais de apoio. Foram concedidas, para o tutor, 03 (três) horas de tutoria remuneradas, destinadas para orientação pedagógica que é ministrada na modalidade presencial, onde o tutor ensina os assuntos pertinentes às disciplinas. A fim de alcançar os objetivos propostos de cada disciplina, o tutor realiza tutoria à distância fazendo uso da ferramenta skipe pelo período de uma hora por dia, cinco dias por semana. 3. Resultado No curso de Tecnologia em Sistemas de Computação, utilizando-se de papel, cola, barbante, foram produzidos para utilização na disciplina Construção de Páginas Web, frames7; tabelas e modelo de posicionamentos de imagens e para utilização na disciplina de Introdução à Informática, portas lógicas; circuitos digitais e o Mapa de Veitch Karnaugh8, todos materiais táteis. Ainda foi gravada uma aula de Construção de Páginas Web em arquivo de áudio além da adaptação das apostilas desta e das disciplinas de Introdução à Informática, Projeto 6 DER - Diagrama Entidades e Relacionamentos: modelo que descreve o modelo de dados de um sistema. É a principal representação gráfica do Modelo de Entidades e Relacionamentos que é usado para representar o modelo conceitual do negócio. UML – Linguagem de modelagem não proprietária de terceira geração que permite a desenvolvedores visualização dos produtos de seus trabalhos em diagramas padronizados. 7 Divisões internas dentro de uma mesma janela do browser, onde você consegue, por exemplo, rolar todo o conteúdo de uma página tendo o menu fixo ao lado. 8 Método de simplificação gráfico criado por Edward Veitch (1952) e aperfeiçoado pelo engenheiro de telecomunicações Maurice Karnaugh utilizado para simplificar uma equação lógica ou para converter uma tabela verdade no seu circuito lógico correspondente. 130 III SIES - Seminário sobre Inclusão no Ensino Superior O estudante cego e surdocego Londrina, 27 e 28 de Novembro de 2012 de Desenvolvimento de Algoritmos para que as mesmas se tornassem acessíveis por meio de softwares sintetizadores de voz. Produzida com o propósito de permitir ao aluno deficiente visual desenvolver o DER e alguns diagramas da UML, a Prancha de Modelagem tem sido utilizada nas aulas de matemática para a confecção de gráficos e figuras geométricas utilizando arrebites e elásticos. A Prancha de Modelagem também permite ao aluno deficiente visual total desenhar o Mapa de Veitch Karnaugh, circuitos digitais lógicos e uma árvore binária. Ela pode ser manuseada em conjunto com os materiais táteis onde o aluno identifica a forma e utiliza a Prancha de Modelagem para desenhar as figuras. Imagens dos trabalhos produzidos para o curso de Tecnologia em Sistemas de Computação Reprodução em alto relevo de uma tabela com 2 linhas e 4 colunas. Esta tabela é criada a partir do código HTML9 abaixo descrito: <table border> <tr> <td>coluna 1 linha 1</td> <td>coluna 2 linha 1</td> <td>coluna 3 linha 1</td> <td>coluna 4 linha 1</td> </tr> <tr> <td>coluna 1 linha 2</td> <td>coluna 2 linha 2</td> <td>coluna 3 linha 2</td> <td>coluna 4 linha 2</td> </tr> </table> Reprodução em alto relevo de três frames em HTML com duas linhas, sendo a 1ª linha com 60 pixels10 de altura e a linha de baixo com o que restar de espaço. A linha de baixo foi dividida em duas colunas, sendo a coluna da esquerda com 150 pixel e a da direita com o que restar de espaço: <frameset rows=”60,*”> <frame> <frameset cols=”150,*”> <frame> <frame> </frameset> 9 Linguagem de marcação utilizada na construção de páginas web. Menor ponto que forma uma imagem digital, sendo que o conjunto de milhares de pixels forma a imagem inteira. 10 131 III SIES - Seminário sobre Inclusão no Ensino Superior O estudante cego e surdocego Londrina, 27 e 28 de Novembro de 2012 </frameset> </html> Reprodução em alto relevo do alinhamento de uma imagem à esquerda, à direita e ao centro. Reproduzidos respectivamente com o código HTML abaixo: <img src=“imagem.jpg” align=“left”> <img src=“imagem.jpg” align=“right”> <img src=“imagem.jpg” align=“center”> Mapa de Veitch Karnaugh com 4 variáveis (A, B, C, D). As Portas Lógicas: OR, AND, NOT, NAND, NOR, EXOR e as representações da negação na entrada e na saída da porta. Todas ordenadas de cima para baixo e da esquerda para direita. Prancha de Modelagem com uma representação simples do DER com elásticos e arrebites e uma árvore binária com tampas de garrafa pet e elásticos. O curso de Licenciatura em Ciências Biológicas tem produzido materiais didáticos para apoio às tutorias presenciais com a finalidade de complementar o material adaptado em mídias digitais (txt ou mp3). Para isso, as técnicas baseiam-se nos recursos didáticos em relevo, produzidos em películas de PVC por meio do Thermoform. As reproduções táteis são iniciadas com a confecção da chamada matriz, cuja base é uma folha de papel “Paraná”, que possui uma espessura de cerca de 1,5 mm de espessura, e as dimensões de aproximadamente 28X29 cm. Na matriz podem ser desenvolvidas diferentes texturas utilizando os mais diversos materiais, inclusive de baixo custo como as peças para bijuterias, além de cola branca. Vale lembrar que esse material deve ser resistente ao 132 III SIES - Seminário sobre Inclusão no Ensino Superior O estudante cego e surdocego Londrina, 27 e 28 de Novembro de 2012 calor em razão do aparelho Thermoform atingir altas temperaturas, necessário para que a película de PVC tome a forma da matriz. A partir da matriz pronta pode-se reproduzir a quantidade de películas que forem necessárias. Com relação às avaliações à distância (AD) tem-se feito um esforço para que as imagens sejam elaboradas/recriadas com materiais diversos a fim de que em tempo hábil o aluno possa receber a avaliação com as imagens adaptadas à sua dificuldade, tendo êxito no desenvolvimento da proposta acadêmica. Produção em alto relevo na base de papel “Paraná” que será utilizado na posterior reprodução em películas de PVC no Termoform. Imagem do livro didático da disciplina Biologia Celular I, curso Licenciatura em Ciências Biológicas do qual foi reproduzido material acima. Adaptação de imagens contidas em avaliação a distância da disciplina Bioquímica I confeccionada com materiais de baixo custo. Adaptação de imagens contidas em avaliação a distância da disciplina Biologia Celular II confeccionada com materiais de baixo custo. 3. Discussão 133 III SIES - Seminário sobre Inclusão no Ensino Superior O estudante cego e surdocego Londrina, 27 e 28 de Novembro de 2012 Por meio da análise nos semestres em que o aluno da computação, deficiente visual que apresenta cegueira total, estudou, obtivemos os seguintes resultados: no segundo semestre de 2010, na disciplina de Inglês Instrumental foi entregue ao aluno um arquivo em mídia do material de estudo e após a impressão do mesmo em braile o aluno foi aprovado nesta disciplina. Em Introdução à Informática não houve orientação pedagógica específica e nem foi fornecido ao aluno material de estudo apropriado. O aluno não conseguiu resultados satisfatórios nas avaliações e ficou reprovado; na disciplina Construção de Páginas Web houve acompanhamento pedagógico e o aluno utilizou-se de material de apoio, que contribuiu para que obtivesse êxito nas avaliações e alcançasse a aprovação. No primeiro semestre de 2011, para disciplina de Projeto de Desenvolvimento de Algoritmos houve orientação pedagógica e foi entre pelo orientador pedagógico. O aluno obteve sucesso nas avaliações e foi aprovado. Na disciplina de Introdução à Informática houve orientação pedagógica e o aluno recebeu material específico o que contribuiu para sua aprovação. Em relação ao aluno do curso de Ciências Biológicas, que apresenta baixa visão, o mesmo recebeu o material adaptado, teve acesso ao currículo e pode realizar seus estudos nas mesmas condições que os demais alunos, no entanto, este aluno, por problemas pessoais, solicitou o trancamento de sua matrícula neste semestre, o que impossibilitou a obtenção de qualquer resultado com as práticas aplicadas utilizando material adaptado para as disciplinas do curso. 4. Conclusão Apesar das dificuldades existentes encontraram-se soluções favoráveis e facilitadoras a custo baixo e de fácil utilização no processo do ensino da para deficientes visuais na Educação à Distância. A orientação e distribuição de material didático apropriado é fundamental para a garantia da permanência de alunos com deficiência visual no ensino superior, e em particular na modalidade Educação à Distância. Por isso preparação dos tutores para a condução de uma tutoria voltada para alunos com deficiência visual há de ser considerada, e o material didático construído sob a orientação dos tutores com formação no campo de conhecimento e sob orientações ou interlocuções no campo da educação especial. 5. Referências bibliográficas: BRASIL. Política Nacional de Educação Especial. Brasília: MEC/SEESP, 2007. _____. Ministério da Educação. Portaria n. 1.679, de 2 de dezembro de 1999. Dispõe sobre requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências, para instruir os processos de autorização e de reconhecimento de cursos, e de credenciamento de instituições. Disponível em: <portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/c1_1679.pdf>. Acesso em: 3 mar. 1999. 134 III SIES - Seminário sobre Inclusão no Ensino Superior O estudante cego e surdocego Londrina, 27 e 28 de Novembro de 2012 _____. Programa Incluir. Disponível em http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/Incluir/incluir2008.pdf. Acesso realizado em 3 de maio de 2012 ____. Lei Federal nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDBEN nº 9.394/96. Brasília: MEC, 1996. FERNANDES, Edicléa; ORRICO, Helio. Acessibilidade e inclusão social. Rio de Janeiro: Deescubra, 2011. FERNANDES, Edicléa Mascarenhas; ORRICO, Helio Ferreira & REDIG, Annie Gomes. A importância da utilização de adaptações curriculares tridimensionais na construção do conhecimento de alunos cegos. Anais do Congresso Ibero-americano de Educação. São Paulo:UNESP de Araraquara, 2007 LIMA, Francisco José de; LIMA, Rosângela A. Ferreira & SILVA, José Aparecido da. A preeminência da visão: crença, filosofia, ciência e o cego. Disponibilizado em: 23/08/2007. Disponível em: http://www.bengalalegal.com. Acesso em: 20/06/2012. NAMBU, Tais Suemi. Construindo um Mercado de Trabalho Inclusivo. São Paulo: SORRI-BRASIL; Brasília: CORDE, 2003 RODRIGUES, R. V; RODRIGUES, S da R & FERNANDES, E. M. Oficinas de Acessibilidade ao Currículo: pensando na inclusão da diversidade. Anais do IV Congresso Brasileiro de Educação Especial (CBEE). UFSCar, 2010 135