IVANA FONSECA LEITE OLIVEIRA PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E SOROLÓGICO DO DOADOR DE SANGUE AUTOEXCLUÍDO NO HEMOCENTRO REGIONAL DE UBERABA – MG Dissertação apresentada ao Curso de Pósgraduação em Patologia, área de concentração “Patologia Clínica”, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, como requisito parcial para obtenção do Título de Mestre. Orientador: Prof. Dr. Helio Moraes de Souza MARÇO/2011 A DEUS Supremo, Sublime e Eterno Orientador, a Ele toda Glória , Honra e Louvor. ii Dedico este trabalho à minha querida mãe Laura, ao meu esposo Vantuir e a minha filha Ana Luísa, pelo amor, paciência e apoio que nunca faltaram. iii Agradecimentos A todos que contribuíram para a concretização deste trabalho: Ao meu orientador, Dr. Helio por toda dedicação, apóio, ensino e pelos puxões de orelha. Ao meu “co-orientador”, Dr. Paulo por toda atenção, dedicação, apóio, pela idéia inicial do trabalho e pelas palavras de incentivo. Á Dra. Sheila pelo incentivo. A esta Universidade e este Curso de Pós-graduação em Patologia, cujos professores e funcionários me proporcionaram acesso ao conhecimento. Á Fundação HEMOMINAS, pela disponibilização de serviços e recursos para a realização do trabalho. Aos colegas do Ambulatório de pacientes, Lílian, Ricardo, Meire e Polliana, pela colaboração nos momentos de ausência para execução do trabalho. Aos amigos da Captação, Cadastro e triagem de doador que me auxiliaram na busca de informações e dados para a realização do trabalho, principalmente Iêda, Lúcia Camilo, Marly, Sérgio, Simone, Vera e Lídia. Aos funcionários e estagiários do fracionamento: Fátima Collengue, Lúcia, Vânia, Clenilson, Augusta. A todos os funcionários da Prova Cruzada, Laboratório de Coagulação. Á Fatinha, do Laboratório de controle de Qualidade do HRU e à Marise do Setor de Estatística, pela dedicação e colaboração prestadas. Ao Nilson da secretaria de laboratórios pela grande ajuda em levantamento de dados para realização do trabalho. iv Aos colegas da pós-graduação, por compartilhar experiências, conhecimentos e pelo incentivo, especialmente Aline que teve uma grande participação na execução deste trabalho. À Maria Célia, secretária da disciplina de Hematologia pela grande contribuição na confecção deste trabalho, sempre prestativa em ajudar nas burocracias. Á Denise e Nangélica do Apoio por toda a atenção e colaboração dispensadas. Á Beth Rabelo pelo apoio e contribuição na confecção deste trabalho. A toda minha família, que são especiais para mim, compartilhando os momentos mais importantes. Aos examinadores pela disposição de tempo e atenção e pelas sugestões. v “O importante de uma nação não é apenas formar um mercado de trabalho, mas formar uma nação, com gente capaz de pensar”. vi RESUMO O voto de autoexclusão é um procedimento confidencial através do qual o doador tem oportunidade de definir se o seu sangue é seguro para ser usado em outras pessoas, e tem sido usado com o intuito de aumentar a segurança transfusional. O objetivo deste trabalho foi avaliar o índice de autoexclusão no Hemocentro Regional de Uberaba (HRU) no período de 2007 a 2009, de acordo com a faixa etária, gênero, estado civil, cor da pele, tipo e motivo da doação, comparar a freqüência dos testes sorológicos positivos entre doadores que se autoexcluiram e os não autoexcluidos, as variações anuais do índice de autoexclusão e sua eficácia em evitar a transfusão de sangue contaminado. Os dados foram analisados através do teste qui-quadrado, odds ratio e regressão linear. Devido à mudança no modelo do formulário da autoexclusão, o período do estudo foi dividido em dois: de 1° de janeiro de 2007 a 17 de agosto de 2008 e de 18 de agosto de 2008 a dezembro de 2009. Nos três anos do estudo foram realizadas 50.939 doações das quais 1.561(3,06%) foram autoexcluidas, com significativo predomínio de homens, maiores de 29 anos (p<0,001) Quanto ao estado civil e cor da pele não houve diferença estatisticamente significante. Com relação ao tipo e motivo de doação o índice de autoexclusão predominou significativamente nos doadores de retorno (p=0,015), voluntários e de reposição (p<0,0001). A taxa de autoexclusão no período de janeiro de 2007 a agosto de 2008 foi significativamente maior que a registrada no segundo período (p<0,0001). A tendência decrescente do percentual de autoexclusão de 2007 a 2009, com índice maior no primeiro período (4,29%), que no segundo (1,68%), com o emprego de dois diferentes modelos de formulário e o fato que muitos doadores se autoexcluiram mais de uma vez no primeiro período, apontam para o não entendimento do modelo do primeiro formulário. vii Tal fato reforça a importância de um modelo que não interfira na eficácia do processo, seja claro, objetivo e autoexplicativo, permitindo contribuir para o aumento da segurança transfusional sem descarte desnecessário de sangue saudável. Foi observada também, maior ocorrência de soropositividade entre os autoexcluidos, sendo esta significante para o HIV (p=0,0239), bem como sete casos de viragem sorológica em doação posterior à autoexclusão. Tais fatos nos sugerem, fortemente, que o voto de autoexclusão empregado no HRU contribui para o aumento da segurança transfusional dos nossos pacientes. viii ABSTRACT Epidemiological and serological profile of self-exclusion donors seen at the Regional Blood Bank of Uberaba, Minas Gerais Self-exclusion is a confidential procedure that permits blood donors to define if their blood is safe for use in other individuals and has been used in an attempt to increase transfusion safety. The objectives of this study were 1) to evaluate the frequency of self-exclusion at the Regional Blood Bank of Uberaba (HRU) between 2007 and 2009 according to age, gender, marital status, skin color, and type and reason of donation, 2) to compare the frequency of positive serological tests among donors who decided to self-exclude and those who did not as well as annual variations in the rate of selfexclusion, and 3) to determine the efficacy of self-exclusion in preventing the transfusion of contaminated blood. The chi-square test, odds ratios and linear regression were used for data analysis. In view of changes in the model of the selfexclusion form, the study period was divided into two phases: from January 1, 2007 to August 17, 2008, and from August 18, 2008 to December 2009. A total of 50,939 donations were performed over the 3 years of the study. Of these, 1,561 (3.06%) were self-excluded donations, with a significant predominance of men older than 29 years (p<0.001). No significant difference was observed regarding marital status or skin color. With respect to the type and reason of donation, a significantly higher rate of self-exclusion was observed among repeat donors (p=0.015) and volunteer and replacement donors (p<0.0001). The rate of self-exclusion was significantly higher during the period from January 2007 to August 2008 than during the second period (p<0.0001). The decreasing trend in the percentage of self-exclusion from 2007 to 2009, with a significantly higher rate in the first period (4.29% versus 1.68%), the use of two different forms and the fact that many donors decided to self-exclude more than once during the first period indicate the lack of understanding of the first form. This fact highlights the importance of a model that does not interfere with the efficacy of the process and that is clear, objective and self-explanatory in order to increase transfusion safety without unnecessary disposal of healthy blood. The frequency of ix seropositivity was also higher among self-exclusion donors, which was significant for HIV (p=0.0239). In addition, there were seven cases of serological conversion that occurred in donations after self-exclusion. These findings strongly suggest that the self-exclusion procedure employed at HRU contributes to increase the transfusion safety of our patients. x LISTA DE ABREVIATURAS AE Autoexcluído AIDS Acquired Immune Deficiency Syndrome ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária CMV Citomegalovirus CTA Centro de Testagem e Aconselhamento CUE Confidential Unit Exclusion ELISA Enzyme-Linked Immuno Sorbent Assay EUA Estados Unidos da América FDA Food and Drug Administration HBV Hepatitis B Virus HCFMRP Centro Regional de Hemoterapia da USP de Ribeirão Preto HCV Hepatitis C Virus HIV Human Immunodeficiency Virus HRU Hemocentro Regional de Uberaba HTLV Human T Lymphotropic Virus NAE Não autoexcluído NAT Nucleic Acid Test PAEQ Sistema de Avaliação Externa de Qualidade PLANASHE Plano Nacional de Sangue e Hemoderivados PNSH Programa Nacional de Sangue e Hemoderivados RDC Resolução de Diretoria Colegiada SBHH Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia UFTM Universidade Federal do Triângulo Mineiro VAE Voto de Autoexclusão VCD Voto de Confirmação de Doação xi 14 LISTA DE TABELAS, FIGURAS E GRÁFICOS Tabela 1 Caracterização da amostra – dados epidemiológicos Tabela 2 Características demográficas das autoexcluídas (NAE) e autoexcluídas (AE) Tabela 3 Índices de AE em relação ao tipo e motivo da doação Tabela 4 Índices de AE antes e depois da mudança da cédula Tabela 5 Índices de AE nos dois períodos nos doadores novos e de retorno Tabela 6 Índices de AE nos doadores novos e de retorno Tabela 7.1 Primeiro Período – Doadores de Retorno Tabela 7.2 Primeiro período – Doadores Novos Tabela 8.1 Segundo Período – Doadores de retorno Tabela 8.2 Segundo Período – Doadores Novos Tabela 9 Doações soropositivas no período de 2007 a 2009 Tabela 10 Doações Soropositivas para HTLV Tabela 11 Doações Soropositivas para HCV Tabela 12 Doações Soropositivas para HIV Figura 1 Percentual de doações autoexcluídas no HRU no período de 2007 a 2009 Gráfico 1 Índice de AE nas diferentes faixas etárias no primeiro período Gráfico 2 Índice de AE nas diferentes faixas etárias no segundo período 14 doações não 15 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 14 1.1 A doação de sangue .................................................................................................... 14 1.2 Voto de autoexclusão .................................................................................................. 19 2 HIPÓTESE ............................................................................................................. 31 3 OBJETIVOS ........................................................................................................... 32 3.1 Objetivo Geral .............................................................................................................. 32 3.2 Objetivos Específicos .................................................................................................. 32 4 MATERIAL E MÉTODOS ......................................................................................33 4.1 Metodologia.................................................................................................................. 33 4.2 População..................................................................................................................... 33 4.3 Análise de dados e interpretação de resultados ....................................................... 34 5 RESULTADOS ....................................................................................................... 36 5.1 Caracterização da amostra.......................................................................................... 36 5.2 Características demográficas das doações não autoexcluídas e autoexcluídas .... 37 5.3. Índices da autoexclusão quanto ao tipo e motivo da doação.................................. 42 5.4 Doações soropositivas no período de 2007 a 2009 ................................................... 42 5.5 Doações soropositivas para HBV ............................................................................... 43 5.6 Doações soropositivas para HTLV.............................................................................. 43 5.7 Doações soropositivas para HCV ............................................................................... 43 5.8 Doações soropositivas para HIV................................................................................. 43 5.9 Tendência do voto de autoexclusão no HRU no período de 2007 a 2009 ................ 44 6 VIRAGEM SOROLÓGICA - CASOS IDENTIFICADOS......................................... 45 7 DISCUSSÃO .......................................................................................................... 46 7.1 Avaliação do Comportamento de Risco ..................................................................... 48 7.2 Características da Doação .......................................................................................... 48 7.3 Perfil sorológico das doações autoexcluídas, comparando com doações não autoexcluídas ..................................................................................................................... 50 7.4 Estudo da Tendência ................................................................................................... 53 8 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 55 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 56 10 ANEXOS 15 16 1 INTRODUÇÃO 1.1 A Doação de Sangue As campanhas para aumentar o número de doadores de sangue são realizadas constantemente devido à demanda altamente reprimida de sangue para transfusão. Enquanto nos países desenvolvidos, como USA, Canadá, França e Inglaterra, o número de doações anuais corresponde a aproximadamente 5% da população, no Brasil ela é inferior a 2%, o que justifica a falta crônica de sangue nos hospitais brasileiros. Em 07 de dezembro de 1942, foi inaugurado o primeiro banco de sangue, brasileiro, no Instituto Fernandes Figueira, Rio de Janeiro, visando obter sangue para este hospital e atender ao esforço de guerra, mandando plasma humano para os hospitais das frentes de batalha. Em 1950, a partir de iniciativa do banco de sangue do Distrito Federal, foi promulgada a Lei n° 1075, de 27 de março de 1950, que dispõe sobre a doação voluntária de sangue (COLSAN, 2009; JUNQUEIRA; ROSENBLIT; HAMERSCHLAK, 2005). No período de 1964 a 1979, a hemoterapia no Brasil tinha legislação específica, porém ainda carecia de uma rígida fiscalização das atividades hemoterápicas e de uma política de sangue consistente. O sistema era desorganizado, com serviços públicos e privado de altíssimo nível técnico e científico convivendo com outros de péssima qualidade, alguns com interesses prioritariamente comerciais. As indústrias de hemoderivados, em geral, estimulavam a obtenção de matéria prima através de doadores remunerados e da prática da plasmaférese. Nem sempre os cuidados com a saúde dos doadores eram prioritários. Em alguns bancos de sangue, de ética questionável, indivíduos das camadas mais pobres da população, que muitas vezes não tinham reais condições físicas e mesmo nutricionais, eram estimulados a doar sangue e muitos doavam sem condições, exclusivamente pela gratificação. Geralmente quem doava eram pessoas do mais baixo nível sócio econômico e cultural. O índice de doenças infecciosas especialmente, chagas e sífilis era muito alto, bem como, certamente as hepatites (então não pesquisadas). Este quadro começou a mudar com o grande movimento 16 17 da SBHH (Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia) pela doação voluntária, a partir de 1978, que culminou com a criação do PNSH (Programa Nacional de Sangue e Hemoderivados) em 1980 pelo governo federal, no qual ficava proibida a doação remunerada de sangue (COLSAN, 2009; GUERRA, 2005; JUNQUEIRA; ROSENBLIT; HAMERSCHLAK, 2005). O surgimento da AIDS no início da década de 80, que resultou na contaminação de centenas de pacientes transfundidos e mais da metade dos hemofílicos (receptores freqüentes de hemocomponentes e derivados) fez surgir o PLANASHE (Plano Nacional de Sangue e Hemoderivados), para acelerar o programa de implantação da hemorrede pública brasileira. Nesta época foi publicada também a Portaria n° 721/89 (BRASIL, 1989), que instituiu a obrigatoriedade de teste anti-HIV, hepatite B, sífilis e chagas em todo sangue coletado. A triagem do doador para doença de Chagas, sífilis e hepatite B já era obrigatória desde 1969, em cumprimento à Portaria n° 04/69 (COLSAN, 2009; GUERRA, 2005). Em 1997, mais de 16% do sangue coletado no país era ainda descartado por sorologia positiva e a hemorrede pública, a despeito da criação do Pró-Sangue há 18 anos, ainda não estava totalmente implantada. Tais fatos resultaram no lançamento pelo Ministério da Saúde, em 1998, na Meta Mobilizadora do Setor Saúde: “Sangue com garantia de qualidade em todo o seu processo até 2003”, desdobrada em 12 projetos. Formulação da Política Nacional de Sangue e Hemoderivados. Esse programa tinha como objetivo, “definir uma política única de sangue e hemoderivados para o país, garantindo disponibilidade, segurança e qualidade, explicitando as intenções do governo para esta área”. Programa Nacional de Hemoderivados. Tinha como objetivo básico, “a curto prazo, processar o plasma excedente, e a médio prazo, a implementação de até três plantas no país, buscando a auto-suficiência em hemoderivados”. Programa Nacional de Doação Voluntária de Sangue. Pretendia-se “envolver a sociedade brasileira, levando-a a participar ativamente do processo da doação de sangue de forma consciente e responsável, através de ações educativas e de mobilização social, visando a garantia da qualidade adequada à demanda do país e a melhoria da qualidade do sangue, componentes e derivados” (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2000, p.5). Implantação de Programa de Infra-estrutura Física e Organizacional. Visava “proporcionar os meios para que se institucionalize no país uma rede nacional de unidades hemoterápicas, assegurando a cobertura hemoterápica e a qualidade do sangue transfundido a toda a população”. Implantação de Programa de Capacitação de Recursos Humanos. Através do TELELAB, sistema de educação à distância, com o objetivo de “oferecer programas de capacitação e de formação continuada para os profissionais 17 18 da área, contribuindo para a melhoria da qualidade do sangue disponibilizado”. Implementação do Sistema Nacional de Informações Gerenciais. Seu objetivo maior era formentar a criação da rede nacional de informações em sangue e hemoderivados, permitindo o acesso em todas as esferas, aos dados indispensáveis a tomada de decisão quanto ao gerenciamento em todo o processo. Sistematização do Controle de Qualidade dos Insumos para Hemoterapia. De acordo com a proposta, pretendia-se “desenvolver e consolidar um sistema abrangente de controle da qualidade dos insumos para hemoterapia, permanente e efetiva, capaz de assegurar a qualidade dos produtos em uso no Brasil”. (BRASIL,2000, P. 5). Sistema de Avaliação Externa da Qualidade em Sorologia e Imunohematologia. Objetiva-se “garantir a implementação de um Sistema de Avaliação Externa da Qualidade (PAEQ) dos testes imunohematológicos e sorológicos, a ser implantado em todos os serviços públicos que executam sorologia”. Implantação de Programas de Qualidade Total na Hemorrede. Este programa, de acordo com a proposta do Ministério da Saúde, previa “a implantação do Programa de Qualidade do Sangue em toda a hemorrede, com instrumentalização e orientação técnica do próprio Ministério” (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2000, p.24). Implementação do Programa Nacional de Acreditação de Unidades de Hemoterapia. Este programa tinha por objetivo “implementar um modelo da avaliação e certificação da qualidade de unidades hemoterápicas, baseada em padrões previamente definido com vistas a estimular o desenvolvimento de uma cultura de melhoria dos processos das referidas unidades, voltada para assegurar a qualidade dos mesmos e a segurança, do doador ao receptor”. Reestruturação do Sistema de Vigilância Sanitária do sangue. Visava “a implementação do sistema de vigilância sanitária do sangue, com ações integradas e padronizadas em todos os níveis, ampliar o número de inspeções e qualificar o processo e, dessa forma, contribuir para a qualidade dos produtos oferecidos”. Ampliação do Número de Inspeções Sanitárias em Unidades Hemoterápicas com foco na infraestrutura, na qualificação técnica e nos processos, dos quais a cobertura sorológica de 100% era sempre cobrada. Um novo projeto, sistema de Hemovigilância; foi implantado em 2000, somando, portanto 13 projetos. Atualmente a triagem clínica e sorológica é regulamentada pela RDC 153 de 2004 (BRASIL, 2004a). A triagem clínica, complementada pela sorológica, é ferramenta indispensável para a segurança do doador e do receptor. Para o doador, a triagem é importante pela possibilidade da detecção de condições clínicas que possam ser agravadas com o ato da doação e/ou pelo diagnóstico até então insuspeito de doenças como hipertensão, anemia e doenças infecciosas como as hepatites, HIV, HTLV, sífilis e doença de Chagas (TANAKA; NÓBREGA; SPINDEL, 2006). Para o receptor, a triagem é essencial, especialmente pela possibilidade de evitar a transmissão destas doenças infecciosas. 18 19 É por isto que a segurança do ato transfusional passou a representar um imenso desafio e pesados recursos foram investidos no diagnóstico e na prevenção das doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue. O primeiro e mais importante passo para garantir que o sangue transfundido não irá transmitir uma doença infecciosa ao receptor é a cuidadosa seleção do doador. A identificação de evidencias nos candidatos à doação de que sua doação possa representar riscos de transmissão de doenças por transfusão não é fácil. Estas características podem variar ao longo do tempo e com a população que está sendo analisada. Os critérios devem basear-se em evidências objetivas, otimizando a seleção de candidatos à doação e evitando que sejam interpretadas como mero preconceito e que sejam descartados doadores saudáveis (PINHO et al., 2001). A seleção de doadores de sangue para impedir a transmissão de doenças deve incluir a avaliação da história clínica do indivíduo. Neste processo, a triagem clínica é realizada através de uma entrevista sigilosa do candidato, quando é verificado se existe alguma contra indicação à doação, protegendo assim o próprio candidato e se o mesmo apresenta alguma condição que possa ser agravada com a coleta de seu sangue, ou o receptor, caso aquele tenha alguma doença passível de transmissão transfusional. Para isso é fundamental que as informações prestadas sejam verdadeiras. Porém existem limitações na triagem clínica, uma vez que candidatos à doação, algumas vezes, durante a entrevista se sentem constrangidos em revelar fatos, principalmente da sua vida pessoal, no que se refere às práticas sexuais, uso de drogas ilícitas e os omite, criando com isso falhas na triagem clínica. Ainda faz parte da triagem clínica um breve exame físico do doador que consta da inspeção dos dois braços para possíveis sinais de uso de drogas intravenosas, além da avaliação de seu estado de saúde. Ao final da entrevista, é importante falar ao doador sobre a cédula de autoexclusão que lhe será entregue ao final da doação, na qual ele poderá, sigilosa e livremente, se manifestar sobre o destino a ser dado ao seu sangue. (PINHO et al., 2001; HARMINING, 2006). A triagem sorológica do sangue doado para marcadores de doenças infecciosas transmissíveis por transfusão constitui outro ponto importante para garantia da segurança transfusional de uma unidade de sangue e de seus componentes (HARMINING, 2006; FERREIRA, FERREIRA; PELANDRE, 2005). 19 20 Neste contexto, o Ministério da Saúde determina que, para cada doação efetivada, sejam realizados testes sorológicos para os seguintes patógenos: HIV1 e HIV2, HTLV I e HTLV II, HCV, HBV, T. cruzi, Treponema pallidum, Plasmodium em áreas endêmicas de malária e CMV para pacientes imunossuprimidos (BRASIL, 2004a). Apenas as unidades de doadores aptos clinicamente, cujos testes sorológicos tiveram resultados negativos para todos os marcadores obrigatórios e que não se autoexcluíram são usadas para transfusão (BRASIL, 2004a; CARRAZZONE; BRITO; GOMES, 2004; HARMINING, 2006; PINHO et al., 2001). Embora a maioria dos testes sorológicos atualmente empregados, seja muito sensível e tenha boa especificidade, nenhum deles é 100% seguro. Os exames laboratoriais utilizados atualmente na maioria dos bancos de sangue brasileiros para triagem dos doadores são testes sorológicos que pesquisam marcadores indiretos de determinada infecção. Apesar de bastante sensíveis, eles são resultado da resposta do hospedeiro a um microorganismo invasor, o que pode ocorrer após vários dias, semanas ou até meses da infecção. É o que se denomina janela imunológica, período em que, mesmo infectado a sorologia do indivíduo é negativa. (CARRAZZONE;BRITO; GOMES,2004; HARMINING, 2006; PINHO et al., 2001). A triagem sorológica que deveria ser o filtro intransponível da triagem clínica tem na janela imunológica uma de suas principais limitações, especialmente nas infecções virais. A janela imunológica varia para cada um dos marcadores e diminui com o desenvolvimento de novas gerações de testes sorológicos. Ela pode ser dividida em três etapas: fase de latência ou eclipse, fase de replicação exponencial; fase de “plateau” (SABINO; BARRETO; SALES, 2007). A fase de eclipse ocorre após a exposição ao agente infeccioso e provavelmente representa a fase de estabelecimento da infecção. A replicação do agente em questão é baixa e focal, sendo o vírus liberado de forma intermitente para a corrente sanguínea. Nem sempre os testes de biologia molecular, através da pesquisa de ácidos nucléicos do vírus (NAT), são capazes de detectar o vírus nesta fase, e algumas vezes, a detecção não é reprodutiva, ou seja, apenas quando o teste é realizado em replicatas algumas reações serão positivas. A fase de replicação exponencial representa o momento em que a infecção consegue se estabelecer no organismo e os vírus se replicam rapidamente, sendo 20 21 mais facilmente detectável nesta fase pelo NAT (SABINO; BARRETO; SALES, 2007). A fase de “plateau” é o período em que a carga viral é alta, e o NAT sempre positivo. Esta fase é curta para o HIV e HBV, mas prolongada no caso do HCV. Alguns indivíduos permanecem nesta fase indefinidamente e são chamados imunosilenciosos. Nestas três fases os testes sorológicos convencionais são negativos. Este conceito de janela imunológica é usado para vírus de evolução crônica, como é o caso do HIV, HCV e HBV para os quais testes sorológicos são utilizados para detectar a presença de anticorpos ou antígenos específicos e identificar os portadores da infecção. O período de janela imunológica do HBV (HBsAg) usando o teste Elisa é 59 dias, com o teste NAT diminui para 34 dias; para o HCV a janela imunológica pelo teste ELISA é 70 dias e com o NAT reduz para 14 dias; para o HIV a janela imunológica pelo ELISA é 22 dias e com o NAT reduz para 9 a 12 dias (SABINO; BARRETO; SALES, 2007). Contudo, apesar da ampla redução da janela imunológica com os testes NAT e, conseqüentemente, também do risco de infecção (SABINO; BARRETO; SALES, 2007), um risco residual sempre permanece. Em relação ao HCV, Schreiber et al. relataram um período de janela para os testes ELISA de 2ª geração de 54 a 192 dias. Por sua vez, os testes ELISA de 3ª geração para HCV promovem uma redução de 17 dias em comparação aos testes de 2ª geração (TOBLER et al, 2003). Os testes ELISA de 3ª geração para anti-HIV e anti-HCV, atualmente disponíveis no mercado, têm uma alta sensibilidade para detectar indivíduos infectados que realizaram a soroconversão completa (CONSTANTINE et al., 1994, GRETCH, 1997). A especificidade dos testes também é alta, contudo, como a prevalência da infecção pelo HIV e pelo HCV em doadores de sangue é baixa, o valor preditivo positivo é reduzido (JACKSON; BALFOUR, 1988). Os testes ELISA de detecção simultânea de antígeno p24 e anticorpos anti-HIV (em um formato de 3ª geração) são denominados testes ELISA de 4ª geração (LY et al., 2001). Weber et al. (2002), em um estudo multicêntrico, verificaram uma redução de 3,6 a 5,7 dias no período de janela imunológica de um teste ELISA de 4ª geração, em comparação com ELISA de 3ª geração. Em uma estratégia de testes em 21 22 separado (anticorpos anti-HIV por ELISA de 3ª geração e antígeno p24 do HIV-1), Busch et al. verificaram uma redução do período de janela de 6,1 dias em relação aos testes ELISA de 3ª geração. Os testes para detecção simultânea do antígeno do nucleocapsídeo do HCV e dos anticorpos anti-HCV permitem uma redução do período de janela de 26,8 dias em média (variando de 0 a 72 dias), comparativamente aos testes em separado (antígeno do nucleocapsídeo do HCV e anticorpos anti-HCV) alcançam uma redução do período de janela de 61 dias (IC95%: 54 a 64 dias) (BEER et al., 2006). A maioria das estratégias de triagem de doadores de sangue implantados em diversos países desenvolvidos é constituída pela combinação dos testes NAT (Teste de Amplificação de Ácidos Nucléicos) com os testes ELISA de 3ª geração para HIV e HCV. Estas estratégias são adotadas tendo em vista a necessidade da detecção de doadores infectados com anticorpos indetectáveis, que representariam um risco adicional de transmissão viral (STRASFELD et al., 2003). Com os testes NAT há redução do período de janela imunológica de 21 para 10 dias para o HIV, em comparação ao ELISA de 3ª geração, e de 72 para 14 dias, para o HCV, em comparação ao ELISA de 3ª geração combinado ao teste de antígeno do nucleocapsídeo viral (BUSCH et al.,1995; LAPERCHE et al.,2005) Considera-se como efetividade dos testes NAT a detecção de amostras de doadores de sangue verdadeiramente positivas nos testes NAT e negativas nos testes sorológicos convencionais. (STRAMER et al., 2004). Não são raros os relatos de candidatos à doação de que, a motivação da doação foi pela busca de teste sorológico pelo receio de ter se contaminado em uma relação sexual com parceiro desconhecido. E, somos testemunha, como triagista por longos anos, de que, muitas vezes, a relação sexual que levou o indivíduo ao banco de sangue ocorreu no último final de semana, quando qualquer teste sorológico é negativo. Portanto, a única condição para evitar o risco de infecção é pelo descarte da bolsa coletada, pelo voto de autoexclusão. 1.2 Voto de Autoexclusão 22 23 O voto de autoexclusão - VAE (Confidencial Unit Exclusion - CUE) é um procedimento confidencial através do qual o doador tem condições de se definir quanto ao risco de transmissão de doenças infecciosas, sem se identificar, que tem sido usado com o objetivo de aumentar a segurança transfusional (GOMES et al., 2006). A intenção do procedimento VAE é dar aos doadores de sangue uma oportunidade adicional para confidencialmente indicar se eles sentem que seu sangue é seguro para ser transfundido em outras pessoas. O VAE permite ao doador de sangue um processo de doação sem embaraços para eles mesmos e sem a necessidade de divulgar comportamento potencialmente de alto risco. O uso do VAE para excluir uma doação do estoque de sangue pode não necessariamente indicar que o doador tem definitivamente envolvimento com algum comportamento de risco associado com infecção pelo HIV, mas pode ser uma percepção de dúvida ou incerteza pelo doador que ele ou ela não quer discutir com o triagista (DOMEN et al., 1995). O procedimento foi primeiramente descrito em 1985 nos Estados Unidos da América. A partir de 1986 o seu uso tornou-se obrigatório naquele país, sendo esta obrigatoriedade suspensa após seis anos, em 1992, provavelmente porque a sensibilidade e a especificidade do procedimento são bastante baixas (NEWMAN, 2001) e, atualmente, a Food and Drug Administration (FDA) tem considerado seu uso opcional. Até 1995 nenhuma norma padrão ou plano de ação existia nos EUA para o processo da CUE. Embora a maioria dos serviços de coleta de sangue pretender usar alguma forma de autoexclusão, muitas questões permaneciam sem resposta a respeito da extensão do seu uso e eficácia (DOMEN, 1995). A partir dos USA, este procedimento tem sido aprimorado e expandido para vários países do mundo, como importante ferramenta para evitar liberação de sangue de doadores que se encontram na janela imunológica para infecções virais, especialmente o HIV (Vírus da Imunodeficiência Adquirida) e a hepatite C. Em alguns países, como Áustria, França e Alemanha, esta estratégia apresentou valor limitado na redução da transmissão de infecções (CHIEWSILP et al., 1993). Vários estudos foram realizados para avaliar o papel e a eficácia da autoexclusão na segurança transfusional. O primeiro dado científico no uso do processo de autoexclusão foi apresentado em 1985 por PINDYCK et al. Diferenças 23 24 significantes foram observadas na prevalência de testes sorológicos positivos nos doadores que se autoexcluíram comparados com os que não autoexcluíram. Em 1986, NUSBACHER et. al., relataram o uso da CUE pelos doadores de sangue no Canadá. Todos os doadores daquele estudo que se autoexcluíram foram submetidos ao teste Western Blot (W. Blot) para HIV, independente do resultado do Elisa. Foi encontrado que doadores que AE tiveram uma taxa significantemente mais alta de W. Blot positivo, confirmando a infecção pelo HIV. Em um doador no grupo dos AE foi encontrado Elisa negativo e W. Blot positivo. Estudos seguintes desses autores confirmaram e estenderam seus estudos iniciais e documentaram que muitos doadores que se autoexcluem não retornam subseqüentemente para doar. Entretanto, uma proporção significante de indivíduos de alto risco continuará retornando para doar, não obstante usando o procedimento. Estes autores também relataram que foi encontrado um doador HIV negativo na primeira doação autoexcluída, mas foi confirmado HIV na segunda doação autoexcluída, indicando que a primeira doação pode ter ocorrido durante o período de janela imunológica da infecção pelo HIV. Os autores concluíram que ao voto de autoexclusão aumenta a segurança transfusional e é útil no processo de screening para doadores de sangue de alto risco (NUSBACHER, 1986). Diversos estudos têm examinado vários aspectos do processo da autoexclusão. Nos Estados Unidos, assim que se instituiu o voto de autoexclusão (Confidential Unit Exclusion), em dezembro de 1986, notaram-se na região norte de Ohio, significativo percentual de autoexclusão apesar da pequena soroprevalência para HIV e, consequentemente, queda no suprimento de hemocomponentes nos bancos de sangue, suscitando polêmica sobre a relação risco benefício da sua implantação (KEAN et al., 1990). Um estudo conduzido por Kean et al (1990), para determinar se os doadores estavam informando corretamente se o seu sangue poderia ser transfundido ou não, concluíram que a maioria não entendia o procedimento. A decisão de esclarecer o doador sobre o processo de autoexclusão resultou em queda da taxa de autoexclusão de 0,7% para 0,26%. Outro estudo realizado em 1989, de Loiacono et al., examinou os três métodos mais comumente usados do procedimento Confidential Unit Exclusion (CUE). Este estudo envolveu 48 centros de doação de sangue. Os autores 24 25 verificaram que 33% usavam um método de voto escrito, 58% usavam um método de código de barras e 29% usavam um método de ligação telefônica de volta do doador. Eles encontraram que o sistema de ligação telefônica de volta foi o menos efetivo em identificar doadores de alto risco e recomendaram o não emprego desse método como único acesso a CUE. Verificaram também que as estratégias de testar o doador, notificar, aplicar política de educação e outros procedimentos relativos à autoexclusão foram variáveis nos 48 centros de doadores. Para melhor entender como o processo da CUE era usado nos EUA, Domen (1994) realizaram um estudo onde questões complementares foram feitas a participantes do colégio Americano de Patologistas no Centro de Doadores e Pesquisa de Marcadores Virais. Das 444 instituições que responderam, 74,8% usavam alguma forma de CUE e apenas 25,2% não empregaram nenhum método de autoexclusão. A forma escrita ou cartão usado pelo doador no momento da doação era o tipo mais freqüente de CUE utilizado (53,0%). O código de barras era usado por 36,9% e um telefone de call-back de informação era usado por 8,5%. Algum outro tipo de processo CUE era usado por 1,5% dos serviços. Quanto à política de afastamento e reintegração dos doadores autoexcluídos, em 60,2% das instituições, doadores autoexcluídos eram automaticamente afastados de futuras doações e em 39,8% não ocorria afastamento automático. Naquelas que não afastavam automaticamente, 45,7% permitiam duas auto-exclusões antes de o doador ser permanentemente afastado, 3,1% permitiam três autoexclusões antes de ser permanentemente afastado e 51,2% permitiam um doador se autoexcluir indefinidamente. Adicionalmente 52,8% das instituições de coleta indicaram que eles tinham um plano de ação para reintegrar doadores que eram afastados através da CUE. Daquelas que tinham uma política de reintegração, 28,5% não tinham um plano padrão, avaliavam caso a caso, em 65,1% os doadores eram reintegrados caso relatassem que a CUE tinha sido usada erradamente, em 2,3% das instituições o doador era reintegrado se o número máximo de CUE consecutivas não era excedido. Doadores uma vez afastados por causa da CUE, não eram reintegrados em 4,1% dos serviços. Observou-se ainda que 26,9% das instituições entravam em contato com o doador que se autoexclui e que as razões deste contato eram: a) para determinar o motivo do doador se autoexcluir (42,0%); b) para informar ao doador do 25 26 seu status de afastamento permanente (19,3%); c) para informar aos doadores que será permitido a eles continuar doando (2,3%); d) outros procedimentos (36,4%). Os autores concluíram que não houve uniformidade do procedimento, bem como no plano de ação no uso do processo de autoexclusão (DOMEN, 1995). Na Alemanha foi realizado um estudo dos fatores que influenciam doadores de sangue a se autoexcluírem. Observaram em seus resultados que a forma de aplicação da CUE variou consideravelmente e que houve um aumento na taxa de autoexclusões quando enfermeiras e não médicos eram envolvidos no processo e quando a forma de autoexclusão anonimamente foi usada no lugar do auxílio de outra pessoa. Aplicação de um novo modelo, mais claro, resultou em diminuição de 31% na taxa de autoexclusão. Os Autores concluíram que a forma de aplicação e o modelo empregado podem influenciar consideravelmente na taxa de autoexclusão (SÜMNIG et al, 2010). Segundo Korelitz et al (1994), após a análise de doações de sangue entre 1991 e 1992, em cinco centros de coleta dos EUA, evidenciou-se que a autoexclusão pode aumentar em até 21 vezes a chance de se identificar indivíduos HIV positivos. Contudo, a baixa freqüência de doadores em janela imunológica e a discreta difusão do método minimizam a sua eficácia. Pesquisa desenvolvida no Canadá demonstrou que doadores que se autoexcluíram apresentaram índice de soropositividade para HIV significativamente maior do que os não autoexcluídos (PINDYCK, et al, 1985). Resultados similares foram encontrados em outro estudo em relação à sífilis, hepatites B e C, porém quanto ao HTLV, o perfil sorológico foi similar aos que não se autoexcluíram. (KORELITZ et al., 1994). Em estudo realizado nos Estados Unidos, os autores concluíram que, apesar do índice de soropositividade para HIV, sífilis, hepatite B e C ser significativamente maior no grupo de auto excluídos, o procedimento foi pouco eficaz para impedir transmissão de doenças via transfusão no período de janela imunológica e que o risco de doação de sangue no período de janela sorológica é tão baixo que o aumento da segurança transfusional, se existir, seria mínimo (ZOU et al., 2004). No Brasil, o voto de autoexclusão é previsto na Resolução 153 de 14 de junho de 2004. A referida Resolução (nº 153/2004-ANVISA) que edita o “Regulamento Técnico para os procedimentos hemoterápicos, incluindo a coleta, o processamento, a testagem, o armazenamento, o transporte, o controle de qualidade e o uso 26 27 humano de sangue, e seus componentes, obtidos do sangue venoso, do cordão umbilical, da placenta e da medula óssea” (BRASIL, 2004a), determina: O serviço deve oferecer ao doador a oportunidade de autoexcluir-se, de forma confidencial. O método para a autoexclusão fica a critério do serviço de hemoterapia (BRASIL, 2004b, p. 8). Mais de duas décadas se passaram desde a primeira descrição do processo de autoexclusão. Durante este período progressos significantes tem sido feito no recrutamento de doadores e no screening do sangue doado. A taxa de infecção de vários patógenos tem diminuído entre doadores de sangue e o período de janela imunológica para estas infecções tem sido marcadamente encurtado. O Consenso Canadense sobre o período de janela do HIV considera que a maioria dos indivíduos infectados desenvolve anticorpos detectáveis em 14 a 56 dias, e que 97% ou mais apresentam anticorpos em até 90 dias (CANADÁ, 1995). Diversos estudos mostram a efetividade observada dos testes NAT em países desenvolvidos que implantaram esta tecnologia, como EUA, Canadá, Austrália, Alemanha, Espanha, França, Itália, Reino Unido e Suíça. (STRAMER et al., 2004; O’BRIER et al., 2006; SABINO, 1999; OFFERGELD et al., 2005; ALVAREZ et al., 2005; PILLONEL; LAPERCHE, 2005; VELATI et al., 2005; SOLDAN; DAVISON; DOW, 2005; NIEDERHAUSER et al., 2005). Busch et al. (1995) demonstraram a diminuição do período de janela imunológica para HIV, HCV e HBV com a utilização de testes NAT. Aprili et al (2003) relataram um caso de infecção aguda pelo HIV detectada pelo NAT durante o período de janela imunológica em um doador de sangue em um hemocentro de Verona, Itália em junho de 2002. Stramer et al (2004) relataram casos de doadores HIV-1 RNA positivos com pesquisa de anticorpos negativa, nos EUA. No Brasil não há estudos em larga escala de avaliação da efetividade dos testes NAT para HIV e HCV, como também inexistem estimativas nacionais de risco residual de transmissão destas infecções virais por doações no período de janela imunológica (BRATS, 2007). Takatu e colaboradores relataram em 2003, o primeiro caso no Brasil de detecção de janela imunológica para o vírus HIV, através do teste NAT. Em 2007, 27 28 Scuracchio e colaboradores relataram a identificação pelo NAT de dois doadores em período de janela imunológica, após triagem de 47.866 doações em 18 meses. A portaria ANVISA 112 de 2004 manteve o conceito de que os testes NAT para HIV e HCV diminuem o período da janela imunológica para a identificação das contaminações por HIV e HCV, reduzindo o risco de transmissão destes vírus por transfusões, e consequentemente, aumentando a segurança transfusional, contudo, não torna obrigatório o seu emprego. Aquelas autoridades argumentaram no BRATS (2007) que, apesar do NAT, comprovadamente reduzir a janela imunológica, ele não a elimina e que, a implantação dos testes NAT na triagem de doadores de sangue estabelece uma série de imperativos às unidades de hemoterapia que não se restringem aos custos de aquisição dos Kits comerciais. Em razão das técnicas de biologia molecular serem distintas das metodologias imunológicas atualmente implantadas, os testes NAT impõem uma reestruturação física e organizacional dos laboratórios das unidades hemoterápicas. Os testes requerem a aquisição de equipamentos, treinamento e capacitação dos profissionais envolvidos na sua execução (BRATS, 2007). Portanto, a realização dos testes NAT demandaria laboratórios capacitados e estruturados como unidades hemoterápicas de referência, implicando em mudança na logística de transporte das amostras de sangue dos hemocentros para os laboratórios de referência, em tempo e condições adequadas (BRATS, 2007). Diante da atual situação, nos vemos no Brasil obrigados a investir em outras estratégias para melhorar a qualidade do sangue, como a busca de um perfil mais qualificado de doadores (voluntários, espontâneos, habituais, que atendem os critérios de seleção, sem motivação subjacente), o aumento da conscientização dos mesmos através da rede de ensino e da mídia e o aprimoramento da triagem clínica e através também do uso do voto de autoexclusão, que segundo diversos estudos aumentam a segurança transfusional e é útil no screening para doadores de alto risco, como propõem Nusbacher, (1986) e Korelitz et al. (1994) para países em desenvolvimento. Adicionalmente, a experiência do Hemocentro Regional de Uberaba (HRU) empregando esta metodologia de triagem de seus doadores há 14 anos em Uberaba, possibilitou obter relatos posteriores de doadores que se autoexcluíram, afirmando que, o fato que os levaram a doar sangue e, subsequentemente se 28 29 autoexcluírem, foi uma relação sexual sem preservativo no último final de semana. Considerando que esta não deve ser uma situação (motivação) isolada e que um indivíduo infectado pode se tornar infectante em poucas horas e com viremia ainda indetectada pelo NAT; o emprego de procedimentos que possam auxiliar na identificação destes indivíduos devem ser incentivados, podendo ser a autoexclusão uma destas alternativas. No Hemocentro Regional de Uberaba a implantação do voto de autoexclusão há 14 anos foi feito através de uma cédula elaborada com linguagem simples e ilustrações, na qual o doador definia entre duas alternativas, se fazia parte ou não do grupo de risco para doenças hemotransmissíveis. Este modelo de cédula foi usado até 2006 (Anexo 3). A partir de 2007 o modelo foi modificado, pois acreditava-se que aquele modelo com ilustrações era confuso, implantou-se uma cédula sem ilustrações apenas com questionamentos (Anexo 1). Este modelo foi usado até 17 de agosto de 2008, pois a partir de 18 de agosto de 2008 a Fundação Hemominas determina o uso do VAE em todo o estado, com um novo modelo de cédula, que passou a ser chamada de Voto de Confirmação de Doação (Anexo 2), e respondida pelo doador, apenas com SIM ou NÃO se o seu sangue pode ou não ser usado em outras pessoas. As cédulas com o voto NÃO, voto duplo (NÃO e SIM) ou em branco, sugerem que o sangue do doador possa não ser seguro para transfusão. Seu número de registro é então encaminhado para o descarte da respectiva bolsa, sem a identificação nominal do doador, garantindo assim o sigilo do procedimento e sua privacidade. Este doador não será excluído definitivamente e em doações posteriores, caso ele não se autoexclua novamente seu sangue poderá ser utilizado. Até agosto de 2008, se o doador se autoexcluísse em duas doações consecutivas, este era excluído definitivamente do banco de doadores. Poucos estudos foram realizados no Brasil para avaliar a validade da autoexclusão em nossa população. Apenas após a publicação da atualização das normas técnicas para atividade hemoterápica pelo Ministério da Saúde em 2004, mais estudos foram surgindo no país. São de regra estudos regionais, envolvendo curto espaço de tempo e trazem, geralmente resultados controversos (CASTRO, 2009). Em um estudo realizado na Fundação Pró-Sangue em São Paulo, no período de julho de 2007 a junho de 2009. Os autores concluíram que o processo de VAE, 29 30 resultam em alta taxa (3,6%) de descarte de bolsas de sangue, mas que após mudança na metodologia do processo de autoexclusão houve diminuição desta taxa. Concluíram também que unidades de doadores que se autoexcluíram na doação corrente são mais prováveis de ter marcadores positivos de doenças infecciosas transmitidas por transfusão que unidades de doadores que nunca usaram o VAE (ALMEIDA NETO et al., 2010). O Centro Regional de Hemoterapia da USP de Ribeirão Preto - HCFMRP, fez um estudo comparativo do perfil do doador que se auto-excluiu com a população de doadores deste Centro de Hemoterapia no período de três anos. O índice de autoexclusão foi de 1,03% e destes, 6,7% se autoexcluíram por mais de uma vez e 0,4% cometeram erros na realização do procedimento Herrera et al, 2006). A frequência de marcadores positivos para doenças transmissíveis pelo sangue foi notadamente maior para os doadores autoexcluídos (4%), quando comparada com a população geral de doadores do serviço (2,3%). Ao se comparar os dois grupos, autoexcluídos e população geral de doadores, diferenças também foram observadas quando avaliados individualmente os marcadores para anti HBc, anti HIV e HBsAg. Neste mesmo estudo, os participantes foram classificados de acordo com o sexo, verificando-se que houve maior freqüência de doadores do sexo masculino entre os autoexcluídos (85,8%), bem como doadores de 1ª vez (30,7%) em relação a população geral de doadores. A maior diferença, no entanto, foi observada quando se comparou o grau de escolaridade, observando-se na população geral de doadores 49,1% tinham nível de escolaridade abaixo do 1º grau completo, enquanto que entre os que se autoexcluíram 72,5% estavam nesta condição (HERRERA et al., 2006). Em uma análise do perfil sorológico de doadores na auto-exclusão, feita em clínica de hemoterapia de Niterói em 2004 e 2005, os autores observaram uma maior prevalência de sorologias reativas na população de doadores que se autoexcluíram. Concluíram pela importância de campanhas educativas e a necessidade de fornecer uma alternativa para aqueles que, por algum motivo não responderam adequadamente à entrevista, mas tem consciência do seu ato, acrescentando assim, maior segurança transfusional (GRAMÁTICO et al., 2006). No Serviço de Hemoterapia do Hospital 9 de Julho de São Paulo, foi analisada a incidência de auto-exclusão de 1999 até 2003. Todos os doadores 30 31 tiveram suas amostras testadas para Hepatite B, Hepatite C, doença de Chagas, HIV, HTLV I/II e Sífilis. Foi concluído que, devido à auto-exclusão, ocorre a perda de aproximadamente 10 bolsas/mês no serviço, e que embora a prevalência de sorologias alteradas para HBsAg, HIV, doença de Chagas e sífilis tenha sido maior no grupo de doadores que se autoexcluíram, esta diferença somente foi significante para o HIV mostrando a necessidade de maiores esforços para aprimorar este método e evitar o descarte desnecessário de hemocomponentes. (ALMEIDA NETO et al., 2005). Estudo sobre o perfil do doador autoexcluido realizado no Hemocentro Regional de Uberaba (HRU) avaliou, em um período de 11 anos (1996 a 2006), 171.421 doações das quais 4.776 (3%) foram autoexcluídas. A autoexclusão que oscilou entre 5,8% e 1,8%, foi mais freqüente entre homens, jovens, solteiros e caucasóides e apresentou declínio com o correr dos anos. A soroprevalência para HIV1, HIV2 e HCV foi respectivamente 2,75; 7,6 e 1,26 vezes maior nos autoexcluídos em relação aos não autoexcluídos, sugerindo que a auto-exclusão pode ser eficaz na prevenção de doenças transmissíveis pelo sangue (MARTINS et al., 2009). As altas taxas de incidência de infecção pelo HIV e HCV entre doadores de sangue no Brasil são responsáveis pelo elevado risco residual estimado. Este fato projeta um número de doações de sangue contaminadas, não detectadas pelas várias estratégias de triagem atualmente empregadas, bem superior àquele estimado para diversos países desenvolvidos, onde a prevalência destas duas viroses é sensivelmente menor (ASSAL et al., 2003). Barreto et al. (2007) comparando a situação do Brasil com a dos EUA, que tem aproximadamente a mesma prevalência da infecção pelo HIV na população geral, mas uma incidência de infecção entre doadores de sangue muito inferior a brasileira, afirmam que a principal causa das diferenças observadas é a dificuldade de acesso aos testes sorológicos para infecções virais (BARRETO, 2007). As evidências apontam para a importância do método de autoexclusão para a segurança transfusional, principalmente no Brasil, onde existem dificuldades de acesso aos testes de biologia molecular. Hoje a AE é uma exigência do Ministério da Saúde para os serviços de hemoterapia. Contudo, se discute suas limitações e a necessidade de aprimoramento do método. No entanto, há carência de estudos que 31 32 fundamentem seu real impacto na diminuição de risco de janela imunológica e que direcionem mudanças que minimizem o descarte desnecessário de bolsas e exclusão definitiva de doadores saudáveis. Os resultados observados em estudos anteriores (PINDYCK et al., 1985; ZOU et al., 2004; MARTINS et al., 2009), que evidenciaram maior prevalência de HIV1, HIV2 e HCV em doadores que se autoexcluíram e inclusive o registro de três casos de soroconversão para HIV e HCV (MARTINS et al., 2009), sugerem o impacto positivo do voto de autoexclusão na segurança transfusional. Por outro lado, Martins et al (2009) encontraram um índice elevado de autoexclusão no HRU quando comparado com resultados da literatura, representando um impacto negativo com descarte de 3,0% das bolsas coletadas. É possível que as diferenças na forma de aplicação do método de autoexclusão pelo HRU tenham influenciado esses resultados. Diante do exposto acima nos propusemos a estender, por um período de mais três anos, com o emprego de nova metodologia de autoexclusão, o estudo anterior realizado no HRU, na busca de resposta mais efetiva sobre o papel da autoexclusão para a segurança transfusional. 32 33 2 HIPÓTESE A autoexclusão contribui para aumentar a segurança transfusional, uma vez que o indivíduo que busca o serviço à procura de um teste sorológico e/ou se sente inibido a revelar ao triagista uma condição de risco, tem a oportunidade de externar a sua condição sem se expor. 33 34 3 OBJETIVOS 3.1 Objetivo Geral Analisar o perfil epidemiológico e sorológico e a tendência de autoexclusão dos doadores do HRU no período de 2007 a 2009. 3.2 Objetivos Específicos 1) Analisar a incidência de autoexclusão de acordo com a faixa etária, gênero, estado civil, cor da pele, tipo de doação e motivo da doação. 2) Comparar a freqüência dos testes sorológicos positivos entre doadores que se auto-excluíram e os não autoexcluídos. 3) Analisar a tendência da autoexclusão nos diferentes anos de estudo. 34 35 4 MATERIAL E MÉTODOS 4.1 Metodologia Estudo retrospectivo descritivo. 4.2 População a) Sujeitos da pesquisa: doações de sangue do Hemocentro Regional de Uberaba – HRU. b) Coleta de dados: obtidos do banco de dados informatizado da Fundação Hemominas. Foi criado um banco de dados próprio através da filtragem dos dados a serem estudados. Além disto, foram acrescentados dados de variáveis a serem analisadas, obtidas de histórico de doadores, como por exemplo, tipo de doação (novos e retorno), motivo de doação (voluntário, reposição e convocado). Para a faixa etária, foi usado o modelo de divisão segundo o IBGE. Tendo em vista a mudança da ficha de autoexclusão em 18/08/2008, o estudo foi dividido em dois períodos: 1º de 01/01/2007 a 17/08/2008 e 2º 18/08/2008 a 31/12/2009. c) Critérios de inclusão: doações de sangue do Hemocentro Regional de Uberaba-HRU, no período de 2007 a 2009. Foram constituídos dois grupos: Autoexcluidos e não autoexcluidos em cada uma das duas etapas do estudo. 1º Período: Autoexcluídos - aqueles que se autoexcluiram respondendo a um formulário, sem ilustrações, com seis perguntas relacionadas a comportamento de risco, respondendo Sim (confirmando situação de risco), bem como aqueles que responderam: Sim e Não ou deixarem a ficha em branco; Não Autoexcluidos – aqueles que responderam Não (negando situação de risco). (anexo 1) 2º Período: Autoexcluídos - aqueles que se autoexcluiram respondendo a um formulário, sem ilustrações, com apenas duas perguntas relacionadas ao destino do seu sangue, respondendo Não (definindo que seu sangue não pode ser usado para transfusão em outra pessoa, por ter tido situação de risco nos últimos 12 meses), bem como aqueles que responderam: Sim e Não ou deixarem a ficha em 35 36 branco; Não Autoexcluidos – aqueles que responderam sim (liberando o seu sangue para transfusão). (anexo 2). Para cada um destes dois grupos, nos dois períodos, foram apurados os dados absolutos e percentuais, segundo as seguintes características socioepidemiológicas: gênero (masculino, feminino), faixa etária (de 18 a 29, 30 a 39, 40 a 49, 50 a 59 e ≥ 59 anos, divisão segundo IBGE, adaptado), cor da pele (branca, não branca), estado civil (solteiro, casado e outros), tipo de doação (primeira vez, repetição), motivo da doação (voluntário, reposição, convocado) e positividade da sorologia para HIV, HCV, HBV e HTLV. Como o HRU coleta em média sangue 1500 doadores/mês, com base nos dados de estudo anterior de 3% de autoexclusão (MARTINS et al., 2009), foi previsto estudar 1500 autoexcluidos nos 3 anos. d) Critérios de exclusão: doações de sangue com data anterior a 2007 ou posterior a 2009. 4.3 Análise de dados e interpretação de resultados A incidência de sorologias positivas no grupo de doadores autoexcluídos foi comparada com a do grupo de não autoexcluídos, a partir do teste de comparação de proporções, visando avaliar a eficácia da autoexclusão na identificação de doadores de risco (ARANGO, 2005). Para os objetivos específicos 1 (incidência) e 2 (comparação de frequência e soro positividade) foi utilizado o teste qui-quadrado e calculado o Odds ratio (Razão de chance) (ARANGO, 2005; REIS, 1994). O objetivo específico 3 (análise da tendência), foi avaliado a partir do ajuste de um modelo de regressão linear no período de 2007 a 2009 (ARANGO, 2005). Para comparar o índice de autoexclusão nos dois períodos, antes e depois da modificação da cédula, foi calculado o Odds ratio, IC95% e o valor do Teste Exato de Fisher (PFISHER). Foi ainda avaliado o índice de AE nas diferentes faixas etárias a partir do ajuste de um modelo de regressão linear no primeiro e segundo período. (ARANGO, 2005; REIS, 1994). Este projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (Protocolo n° 1241- anexo 4) e da Fundação Hemominas (Protocolo n° 281- anexo 5), antecedendo a coleta de dados, 36 37 obedecendo aos requisitos para preservação dos aspectos éticos relacionados à pesquisa envolvendo seres humanos. 37 38 5 RESULTADOS 5.1 Caracterização da amostra No período de janeiro de 2007 a dezembro de 2009 foram realizadas 50.939 doações. Os dados epidemiológicos analisados (gênero, idade, estado civil, cor da pele) e aqueles relacionados às características das doações (tipo e motivo) foram descritos na Tabela 1. Tabela 1. Caracterização epidemiológica, tipo e motivo das 50.939 doações no HRU, no período de 2007 a 2009. Parâmetros N % Masculino Feminino 35052 15887 68,81 31,19 IDADE 18 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos 50 a 59 anos 60 a 69 anos 17524 15741 12088 4967 619 34,40 30,90 23,73 9,75 1,21 Casado 21713 42,63 Solteiro Outros 22119 7107 43,42 13,95 29804 21135 58,51 41,49 40990 9949 80,47 19,53 Voluntário 27667 54,31 Reposição Convocado 18054 5218 35,44 10,24 TOTAL 50939 100,00 GÊNERO ESTADO CIVIL COR DA PELE Branco Não branco TIPO DE DOAÇÃO Retorno 1° doação MOTIVO DE DOAÇÃO 38 39 5.2 Características autoexcluídas Das 50.939 demográficas doações autoexcluídas. A taxa das realizadas doações no não período, de autoexclusão no grupo autoexcluídas 1.561 (3,06%) e foram masculino (3,53%) foi significantemente maior do que no grupo feminino (2,05%), com p<0,0001. Observase ainda que a chance de autoexclusão nos homens foi 1,75 vezes maior que nas mulheres (OR= 1,75; (1,547; 1,981)) (Tabela 2). Quanto à faixa etária, observamos que nas quatro faixas acima dos 29 anos a chance de autoexclusão foi, respectivamente, 1,4, 1,4, 2,3 e 3,0 vezes maior que naqueles entre 18 e 29 anos, diferença estatisticamente significante (Tabela 2). Quanto ao estado civil e cor da pele não houve diferença estatisticamente significante entre os dois grupos (Tabela 2). Tabela 2: Características demográficas das autoexcluídas (AE). NAE AE PARÂMETROS N N % GÊNERO Feminino 15.562 325 2,05 Masculino 33.816 1236 3,56 IDADE 18 a 29 anos 17121 403 2,30 30 a 39 anos 15249 492 3,12 40 a 49 anos 11714 374 3,09 50 a 59 anos 4716 251 5,05 60 a 69 anos 578 41 6,62 ESTADO CIVIL Solteiro 21.474 645 2,92 Casado 21.033 680 3,13 Outros 6.871 236 3,32 COR DE PELE Branco 28927 877 2,94 Não branco 20451 684 3,24 TOTAL 49378 1561 doações não autoexcluídas (NAE) e χ² OR CI 95% p 1,75 (1,547; 1,981) 1,0 1,4 1,4 2,3 3,0 (1.2; 1.6) (1,2; 1.6) (1.9; 2.7) (2.2; 4.2) - <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 1,08 1,14 (0,965; 1,201) (0,9827; 1,331) 1,67 2,88 0,1967 0,0899 1,10 (0,997; 1,22) 3,50 0,0616 80,17 <0,001 5.3. Índices de autoexclusão quanto ao tipo e motivo da doação A taxa de autoexclusão no grupo de retorno foi significativamente maior do que no grupo de primeira doação. Contudo, a chance de autoexclusão para o grupo 39 40 de retorno foi apenas 1,18 vezes maior do que no grupo de primeira doação (Tabela 3). Com relação ao motivo da doação, tanto as doações de reposição quanto as voluntárias apresentaram taxa de autoexclusão significativamente maiores do que no grupo convocado (p<0,0001). A chance de autoexclusão no grupo de reposição e no de voluntários foi, respectivamente, 2,86 e 3,05 vezes a chance de autoexclusão no grupo convocado (Tabela 3). Tabela 3 – Índice de AE em relação ao tipo e motivo da doação. Parametros Total de doações NAE N % N Novos Retorno 9949 40990 19,53 80,47 39696 Convocado 5218 10,24 AE 2 N % OR IC95% X p 267 1294 2,68 3,16 1,18 (1,034; 1,351) 5,88 0,0153 TIPO DE DOAÇÃO Reposição 18054 35,44 Voluntário 27667 54,31 TOTAL 50939 100 9682 5159 17483 26736 49378 59 1,13 - - - - 571 3,16 2,86 (2,180; 3,741) 62,69 <0,0001 931 3,37 3,05 (2,336; 3,968) 74,30 <0,0001 1561 - - - - - Considerando a mudança no formulário de autoexclusão, o período estudado foi dividido em dois, de acordo com os diferentes modelos de formulário. O primeiro de janeiro de 2007 a 17 de agosto de 2008 e o segundo de 18 de agosto de 2008 a 31 de dezembro de 2009. Observamos diferença estatisticamente significante entre os dois períodos, com chance de autoexclusão 2,49 vezes maior no primeiro período (p< 0,0001). (Tabela 4). Tabela 4. Índice de autoexclusão antes (1/1/2007 a 17/8/2008) e depois (18/8/2008 a 31/12/2009) da modificação da cédula. PERÍODO Primeiro TOTAL N N NAE % AE N % OR X2 IC95% p 27664 26494 95,78 1170 4,29 2,49 (2,2;2,79) 264,94 <0,0001 23275 22884 98,20 391 1,68 - - - - 49378 1561 - - - - Segundo TOTAL 50939 - 40 41 Diferença significante entre os dois períodos foi também observada quando analisados, separadamente, doadores novos e de retorno (p< 0,0001). (Tabela 5) Tabela 5. Índice de AE nos dois períodos nos doadores novos e de retorno PERÍODO TOTAL DOAÇÕES NOVOS RETORNO TOTAL AE TOTAL AE N N % N N % Primeiro 27664 4668 216 4,6 22996 954 4,14 Segundo 23275 5281 44 0,8 17994 347 1,93 OR 5,8 2,2 IC (4.2;8.0) (1,9;2.5) Valor-p <0,0001 <0,0001 9949 260 TOTAL 50939 40990 1301 Quando analisados separadamente o grupo de doadores novos e retorno, no primeiro período, observamos que o índice de autoexclusão foi de 4,63% e 4,14%, respectivamente; diferença não significante estatisticamente. Enquanto no segundo período, o índice de AE foi significativamente maior nos doadores de retorno (0,83% x 1,93%) com p< 0,0001. (TABELA 6) Tabela 6 - Índice de AE nos doadores novos e de retorno nos dois períodos. 1° PERÍODO TOTAL AE TOTAL N % 2° PERÍODO AE N % NOVOS 4668 216 4,63 5281 44 0,83 RETORNO 22996 954 4,14 17994 347 1,93 TOTAL 27664 OR IC95% 1170 1.21 (0,96;1,3) 23275 OR IC95% 391 0.43 (0,31;0,60) P 0,15 P <0,0001 A análise dos índices de autoexclusão, separadamente, evidenciou no primeiro período: a) quanto à faixa etária, tanto os doadores de retorno quanto os novos apresentaram prevalência de autoexclusão significativamente maior naqueles com idade maior ou igual a 40 anos (p <0,0001 e p<0,016, respectivamente); b) 41 42 quanto ao estado civil, observamos que não houve diferença estatisticamente significante do índice de AE nos doadores de retorno, enquanto nos novos o índice de AE foi estatisticamente maior nos indivíduos solteiros em relação tanto aos casados quanto aos “outros relacionamentos” (p<0,001 e p<0,048, respectivamente. (Tabelas 7.1 e 7.2) Tabela 7,1 - Primeiro Período: Doadores de Retorno FAIXA ETÁRIA TOTAL DE DOAÇÕES TOTAL RETORNO AE RETORNO % 18 a 39 18153 14829 504 3,40 - - - ≧40 9511 8167 450 5,51 1.66 (1.5;1.9) <0,0001 TOTAL 27664 22996 954 Solteiro 11856 9402 354 3,76 - - - Casado 11940 10315 447 4,33 1.2 - - Outros 3868 3279 153 4,67 1.3 - - TOTAL 27664 22996 954 OR IC95% P E. CIVIL Tabela 7.2- Primeiro Período: Doadores Novos FAIXA ETÁRIA TOTAL DE DOAÇÕES TOTAL NOVOS AE NOVOS % 18 a 39 18153 3324 170 5,17 - - - ≧40 9511 1344 46 3,42 0.66 (0,47;0,92) <0,016 TOTAL 27664 4668 216 Solteiro 11856 2454 145 5,91 - - - Casado 11940 1625 49 3,01 0.5 (0.36;0.69 <0,001 Outros 3868 589 22 3,73 0.12 (0.39;0.98) <0,048 OR IC95% P E. CIVIL TOTAL 27664 4668 216 Já no segundo período: a) quanto à faixa etária, também tanto os doadores de retorno quanto os novos apresentaram prevalência de autoexclusão significativamente maior naqueles com idade maior ou igual a 40 anos (p <0,0001 e p<0,017, respectivamente); b) quanto ao estado civil, não houve diferença estatisticamente significante em nenhum dos dois grupos (retorno e novos). (Tabelas 8.1 e 8.2) 42 43 Tabela 8.1 - Segundo Período: Doadores de Retorno TOTAL DE DOAÇÕES TOTAL RETORNO AE RETORNO % OR IC95% P 15786 11894 191 1,61 - - - 2,56 1.61 (1.3;2.0) <0,0001 F. Etária 18 a 39 ≧40 7489 6100 156 TOTAL 23275 17994 347 Solteiro 10276 7366 122 1,66 - - - Casado 9763 8005 167 2,09 1.3 (0.99;1.6) 0,058 Outros 3236 2623 58 2,21 1.3 (0.98;1.84) 0,08 TOTAL 23275 17994 347 OR IC95% P E. Civil Tabela 8.2 - Segundo Período: Doadores Novos TOTAL DE DOAÇÕES TOTAL NOVOS AE NOVOS % 18 a 39 15753 3892 25 0,64 - - - ≧40 7489 1389 19 1,40 2.1 (1.2;3.9) <0,017 TOTAL 23275 5381 44 Solteiro 10276 2910 23 0,79 - - - Casado 9763 1758 18 1,02 1.3 (0.7;2.4) 0,50 Outros 3236 613 3 0,49 0.62 (0.19;2.1) 0,59 TOTAL 23275 5281 44 F. Etária E. Civil 43 44 Os gráficos 1 e 2 sintetizam, quanto à faixa etária, os índices de autoexclusão de novos e retorno, no primeiro e segundo período, respectivamente. Índice de AE % Gráfico 1- Índice de AE nas diferentes Faixas Etárias no 1º Período. Faixa Etária LEGENDA: 1 - 18 a 29 anos; 2 – 30 A 39 anos; 3 – 40 a 49 anos; 4 – 50 a 59 anos; 5 – ≥60 anos Índice de AE (%) Gráfico- 2- Índice de AE nas diferentes Faixas Etárias no 2º Período. Faixa Etária 44 45 LEGENDA: 1 - 18 a 29 anos; 2 – 30 A 39 anos; 3 – 40 a 49 anos; 4 – 50 a 59 anos; 5 – ≥60 anos 5.4 Índice de soro positividade no período de 2007 a 2009 5.4.1 Geral Quanto aos índices de soro positividade das 50.939 doações, para os marcadores de doenças virais em conjunto, observamos que não houve diferença estatisticamente significante entre autoexcluidos e não autoexcluidos (p=0,10458). Contudo, a chance de soro positividade dos autoexcluidos foi 2,212 vezes maior que dos não auto excluídos. (Tabela 9). Tabela 9- Doações com sorologias alteradas no período de 2007 a 2009 TOTAL SOROPOSITIVOS OR χ2 IC95% p N N % NÃO AE 49378 86 0,17 - - - - AE TOTAL DE DOAÇÕES 1561 6 0,38 2,212 (0,9650;5,068) 2,63 0,10458 50939 92 - 5.4.2 Soropositividade para HBV ( HBsAg) Não ocorreu nenhum caso de HBV no grupo autoexcluído neste período. 5.4.3 Soropositividade para HTLV Quanto ao HTLV, não houve diferença estatística significante. Porém, a chance de autoexcluidos apresentarem sorologia positiva foi 5,275 vezes maior do que os não autoexcluidos (Tabela 10). Tabela 10. Índice de soropositividade para HTLV em doadores autoexcluidos e não autoexcluidos do HRU, no período de 2007 a 2009. Doações HTLV OR IC95% x2 p N N % NÃO AE 49378 6 0,01 - - - - AE 1561 1 0,06 5,275 0,6343; 43,863 0, 39 0,53 TOTAL 50939 38 0,07 - - - - 45 46 5.4.4 Soropositividade para HCV Com relação à triagem para hepatite C, o índice de positividade dos autoexcluidos foi praticamente o dobro dos não autoexcluidos, porém também esta diferença não foi estatisticamente significante (Tabela 11). Tabela 11. Índice de soropositividade para HCV em doadores autoexcluidos e não autoexcluidos do HRU, no período de 2007 a 2009. Doações HCV OR x IC95% 2 p N N % NÃO AE 49378 36 0,07 - - - - AE 1561 2 0,13 1,758 (0,4228; 7,312) 0.09980 0.7521 TOTAL 50939 38 0,07 - - - - 5.4.5 Soropositividade para HIV A taxa de soropositividade para HIV foi significativamente maior nos autoexcluídos (p=0,0239) e a chance de ocorrência de HIV positivo neste grupo foi 5 vezes maior do que no grupo de não autoexcluídos (Tabela 12). Tabela 12. Índice de soropositividade para HIV em doadores autoexcluidos e não autoexcluidos do HRU, no período de 2007 a 2009. Doações HIV OR IC95% x 2 p N N % NÃO AE 49378 19 0,04 - - - - AE 1561 3 0,19 5,002 (1,478; 16,927) 5,103 0,0239 TOTAL 50939 22 0,04 - - - - 5.5 Tendência do voto de autoexclusão no HRU no período de 2007 a 2009 Observamos que o índice de autoexclusão foi mais alto em 2007 (4,5%), e caiu em 2008 quase à metade, mantendo pequena queda em 2009. A Figura 1 abaixo demonstra a tendência de queda do voto de autoexclusão no HRU no período de 2007 a 2009. Figura 1 - Índice de autoexclusão no HRU no período de 2007 a 2009. 46 47 5 4,5 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 2007 Período 2008 2009 6 VIRAGEM SOROLÓGICA - CASOS IDENTIFICADOS Dos 1561 doadores que se autoexcluíram no HRU no período do estudo, 834 retornaram para outras doações. Destes, identificamos sete doadores que apresentaram sorologias positivas em doações subseqüentes à doação índex (aquela em que se autoexcluiu). Foram cinco casos de sífilis e dois de anti-HBc. Os dois casos de soroconversão para hepatite B (anti HBc) estão reportados a seguir: CASO 1- LHS, 43 anos, masculino, branco, solteiro, profissão mecânico, natural e procedente de Conceição das Alagoas. Em 06/05/2006 efetuou uma doação de sangue no HRU pela 2ª vez, e nesta doação se autoexcluiu. Apresentou na ocasião todas as sorologias negativas. Em 17/06/2008 retornou para outra doação, na qual foi detectado anti-HBc positivo. CASO 2 – DJP, 29 anos, masculino, não branco, casado, profissão pintor, natural de Itajá (GO) e procedente de Uberaba. Efetuou doação de sangue no HRU em 47 48 01/10/2007 pela 7ª vez e se autoexcluiu. Todos os marcadores sorológicos foram negativos. Na doação subseqüente em 16/10/2009 apresentou sorologia positiva para anti-HBc. 48 49 7 DISCUSSÃO O presente estudo evidenciou alta taxa de autoexclusão, dados próximos aos encontrados em outros estudos brasileiros (Fundação Pró-Sangue 3,6%). Estudo anterior no HRU evidenciou, no período de 11 anos, taxa de autoexclusão de 3%, com nítida tendência de queda no decorrer dos anos (Martins et al, 2009). No estudo de HERRERA et al, 2006, no Hemocentro de Ribeirão Preto, 1,03% se autoexcluiram e no Hemonucleo Regional de Araraquara 1,4% (Viola, 2006). Se considerarmos, contudo apenas o índice de autoexclusão observado na segunda etapa deste estudo, os valores encontrados (1,68%) são similares aos últimos estudos (HERRERA et al, 2006; Viola et al, 2006) e àqueles observados por Martins et al (2009) nos últimos anos de seu levantamento (2,2% ; 2,6%). 7.1 Avaliação do Comportamento de Risco 7.1.1 Parâmetros Demográficos A) Gênero Encontramos maior taxa (3,53%) de AE no gênero masculino. Observamos que a taxa de autoexclusão é significativamente maior no grupo masculino e que a chance de autoexclusão neste foi 1,75 vezes maior que no gênero feminino. Os nossos resultados são concordantes com os de Herrera et al., 2006; MARTINS et al., 2009, que também encontraram maior taxa de autoexclusão em homens. Estes dados reforçam evidencias de estudos anteriores de que os homens têm comportamento de risco maior que as mulheres (ALMEIDA NETO, 2007; BRENER et al., 2008; HORA, 2008; PEGORARO, 2008). B) Faixa Etária Observamos aumento gradativo da taxa de autoexclusão com o aumento da idade. Resultados estes que estão de acordo com os encontrados anteriormente no 49 50 nosso serviço por Martins et al (2009) e em estudo contemporâneo realizado em Araraquara (VIOLA, 2006). Contudo, estudos de (CAPRA et al, 2005; MONTEIRO et al, 2008), mostram uma maior prevalência de autoexclusão em doadores mais jovens, de 18 a 29 anos, o que era de se esperar também neste estudo, uma vez que, em geral, se considera os indivíduos mais jovens, mais sujeitos a situações de risco que os mais velhos, geralmente casados. Contudo, como procuraremos demonstrar adiante, tais achados podem estar relacionados à escolaridade, geralmente menor, sobretudo a partir dos 40 anos (IBGE, 2000). C) Estado civil Contrariamente ao esperado, de que indivíduos solteiros estariam mais sujeitos a situação de risco, não encontramos diferença significativa no índice de autoexclusão entre solteiros, casados e indivíduos com outros relacionamentos, como evidenciado por CHIAVETTA; NUSBACHER; WALL, 1989; CAPRA et al., 2005; MONTEIRO et al., 2008; MARTINS et al., 2009. Como os casados ou com outros relacionamentos, são geralmente mais velhos que os solteiros, acreditamos que, similarmente ao exposto anteriormente, devem apresentar menor grau de escolaridade e, portanto, maior dificuldade para entender e responder o VAE. Resaltamos que, por se tratar de um estudo retrospectivo e escolaridade não compor, até 2009, a ficha do doador, não foi possível analisar esta variável, levandonos a recorrer aos índices de escolaridade, por faixa etária, da população de Uberaba (IBGE, 2000) D) Cor da Pele Quanto à cor da pele, também não encontramos diferença significante em nenhum dos dois grupos. Existem alguns trabalhos que mostram uma maior prevalência de autoexclusão nos doadores não brancos (KORELITZ et al., 1994; MARTINS et al., 2009; ALMEIDA NETO et al., 2010), possivelmente relacionado à menor escolaridade dos não brancos. 50 51 7.2 Características da Doação 7.2.1 Tipo de doação Quanto ao tipo de doação, encontramos uma taxa significativamente maior de autoexclusão em doações de retorno do que em doadores de primeira vez. Contudo, a chance de autoexclusão para doações de retorno foi apenas 1,18 vezes maior do que dos novos. Estes resultados estão discordantes daqueles encontrados por Korelitz et al, 1994; Rocha et al. (2002) ; Martins et al.(2009); Almeida-Neto et al, (2010), que encontraram taxa de autoexclusão significativamente maior em doadores de primeira vez. Justificativa semelhante à apresentada para faixa etária e estado civil, poderia ser também considerada nestes nossos resultados, além da possibilidade de que alguns indivíduos estejam retornando ao serviço à busca de um teste sorológico por alguma situação de risco. Resultado semelhante ao nosso foi obtido também em Botucatu, onde a maioria dos autoexcluidos eram doadores de repetição (DUARTE et al., 2009). Analisando, separadamente, os dois períodos, observamos diferença altamente significante entre o primeiro e segundo. Este achado pode ser atribuído ao modelo de formulário usado naquele período. O mesmo, conforme já explicitado, era constituído de várias perguntas às quais o doador teria que responder sim ou não e, dependendo da resposta, complementa-la, gerando confusão e, consequentemente, alto índice de autoexclusão. Conforme pôde ser observado em várias fichas, muitas vezes o doador deixava de responder a uma ou duas perguntas e, pelos critérios, era considerado autoexcluido, fatos que contribuíram para a substituição do modelo de ficha em 2008. Contudo, no primeiro período, não evidenciamos diferença entre doadores novos e de retorno. Possivelmente, a dificuldade de entendimento do VAE pelo doador de primeira vez, se contrabalance com a dos doadores de repetição, que, apesar de mais familiarizados, tinham dificuldade adicional de entendimento pelo menor grau de escolaridade. Korelitz et al (1994) e Almeida-Neto et al (2010), encontraram em seus estudos que a taxa de autoexclusão foi significativamente maior em doadores com menos de 8 anos de estudo. Por outro lado, o significativo maior índice de autoexclusão dos doadores de 51 52 retorno no segundo período, que poderia ser justificado pela menor escolaridade (considerando que os doadores de retorno são em geral mais velhos e, pelos dados do IBGE, com menor escolaridade), pode ser reforçado ainda, pela possível confusão causada pela nova ficha nestes indivíduos. Possivelmente, acostumados a responder Não quando seu sangue era considerado seguro para transfusão, teria que responder Sim, pelo novo modelo, para que seu sangue pudesse ser liberado. Alguns estudos sobre o procedimento autoexclusão evidenciaram que, a não compreensão do processo e do modelo de autoexclusão está associada a um aumento na taxa de autoaxclusão, o que requer constante acompanhamento para melhor adequação do método (KEAN et al,1990; DOMEN, 2005;HERRERA et al, 2006; SÜMNIG et al, 2010; ALMEIDA-NETO, 2010). Correlacionando doadores de retorno e novos com o estado civil, observamos menor índice de autoexclusão nos doadores solteiros de retorno, nos dois períodos e nos novos do segundo período, acompanhando o comportamento já observado na análise de todo o período. Apenas nos doadores novos, do primeiro período, os solteiros apresentaram maior índice de autoexclusão. Uma explicação plausível para este achado poderia ser a maior complexidade da primeira ficha de autoexclusão, gerando mais dificuldades aos doadores novos e de retorno com menor escolaridade, sobressaindo então, neste momento, a possível maior exposição dos jovens solteiros à situações de risco. Este nosso achado está de acordo com os estudos de Martins et al (2009), que, empregando um modelo de ficha de autoexclusão baseado em ilustrações, encontraram maior prevalência em doadores solteiros e de primeira vez. 7.2.2 Motivo da doação Observamos que a taxa de autoexclusão foi significativamente maior entre os doadores de reposição e voluntários quando comparados aos convocados. Entre doadores voluntários e de reposição o comportamento foi similar. Isto provavelmente se justifica pelo fato dos doadores convocados serem, todos, doadores fidelizados, geralmente de melhor nível sócio-cultural e comprometidos com o Serviço, atendendo à convocação somente quando sentem que podem fazê-la de forma segura. Diferentemente, os doadores que se dizem voluntários, muitas vezes doam 52 53 interessados nos resultados de algum exame e os de reposição, pressionados por amigo ou familiar, às vezes omitem uma condição de risco para não se exporem (FIGUEIREDO, 2005). Após a doação, contudo, possivelmente e felizmente, expressam a sua dúvida quanto à segurança do seu sangue para transfusão, se autoexcluindo. Os nossos resultados são bastante próximos daqueles obtidos em São José dos Campos, onde das doações autoexcluídas (60,68%) foram voluntárias, (33,76%) foram de reposição e (5,56%) convocados. Foi observado também que muitos doadores se autoexcluíram mais de uma vez, levantando o questionamento se estes não estariam interessados apenas no resultado dos exames, se não entenderam o significado do voto de autoexclusão, ou se omitiram o uso de alguma droga ou condição que possa colocar em risco o uso de seu sangue (GUEDES et al., 2009). Como já demonstrado, o índice de autoexclusão encontrado no presente estudo (3,06%) é considerado alto mesmo para o nosso país, onde a maioria dos autores encontraram índices entre 0,5% e 1,3% (DALTOÉ et al., 2009; FIGUEIREDO et al., 2005; INADA et al., 2005; HERRERA et al., 2006). Apenas Almeida Neto et al., (2010) e Martins et al., (2009) encontraram índices próximos aos nossos. Com relação a estudos americanos os índices de autoexclusão são ainda menores (KEAN et al., 1990). Uma justificativa para as grandes diferenças entre o Brasil e o primeiro mundo, possivelmente se deve às diferenças sócio-econômico e principalmente, cultural entre este e o nosso país. Fica também evidente que a alta taxa de AE no 1° período está relacionada ao modelo de ficha, ressaltando a importância de se dispor de um modelo adequado que facilite o entendimento do doador. 7.3 Perfil sorológico das doações 7.3.1 Geral Apesar da diferença não ter sido estatisticamente significante, nos observamos que a chance de inaptidão sorológica dos que se autoexcluiram foi mais de duas vezes superior aos não autoexcluidos. Os nossos resultados são concordantes com os de Petersen et al., 1994; Amini Kafi-Abad et al, 2007 e Norcia 53 54 et al., 2007. Amini Kafi-Abad e colaboradores, 2007, encontraram que unidades autoexcluídas eram 3,7 a 4 vezes mais prováveis de serem soropositivas e concluíram que o voto de autoexclusão ajuda a aumentar a segurança do sangue no Iran. Em um estudo realizado nos Estados Unidos, foi encontrado que doadores que se autoexcluíram tinham um significativamente maior risco de infecção com doenças transmissíveis por transfusão, exceto HTLV, comparados com aqueles que não se autoexcluíram (ZOU, et al, 2001). A maioria dos estudos brasileiros não evidenciou diferença estatisticamente significante nos índices de inaptidão sorológica entre autoexcluidos e não autoexcluidos (CAPRA et al., 2005; FIGUEIREDO et al., 2005; MARTINS et al., 2009; ALMEIDA NETO et al., 2010). 7.3.2 HBV O marcador analisado para HBV foi o HBsAg, e não houve nenhum positivo no grupo de doações autoexcluídas. Provavelmente devido pequena casuística. Na literatura encontramos relatos de positividade para HBsAg maior no grupo de doadores autoexcluidos (FIGUEIREDO et al., 2005; NORCIA et al., 2007; OLIVEIRA et al., 2007; GUEDES et al., 2009). 7.3.3 HTLV Para o HTLV, apesar de estatisticamente não significante, o risco dos doadores autoexcluidos estarem infectados foi 5,275 vezes maior do que os que não se autoexcluiram, o que também foi observado em outros estudos (ZOU, 2004; CAPRA, 2005; DALTOÉ, 2009). Considerando que o Brasil é tido como o país com maior número de portadores do vírus HTLV (CARNEIRO-PROIETTI et al, 2001) e que o período de janela imunológica do HTLV1 é de até 72 dias e do HTLV2 é desconhecido (COVAS et al., 2007; LOPES et al, 2008) acreditamos que, o encontro de uma soropositividade seis vezes maior nos auto excluídos, permite concluir que indivíduos em janela imunológica possam também estar compondo este grupo, contribuindo assim para reduzir o risco de transmissão do HTLV por transfusão de sangue. 54 55 7.3.4 HCV Também para a Hepatite C, apesar de não estatisticamente significante, observamos maior prevalência de positividade no grupo das doações autoexcluídas (0,13%), em relação às doações não autoexcluídas (0,07%), confirmando estudo de Martins et al. (2009), realizado nesta instituição por um período de 11 anos, bem como os de Zou et al, (2004); Capra et al, (2005); Figueiredo et al, (2005) e López et al, (2004). Tais resultados justificam o uso do voto de autoexclusão como medida adicional na redução do risco de transmissão da hepatite C por via transfusional. 7.3.5 HIV O índice de inaptidão sorológica para HIV foi significantemente maior no grupo das doações autoexcluídas (p= 0,0239), confirmando estudo realizado por Martins e colaboradores (2009) nesta mesma instituição e os de Chiavetta; Nusbacher; Wall (1988), Juckowsky et al (2005) e Capra et al, (2005). Estes resultados associados ao fato que o doador que se autoexclui possa estar temeroso de ser portador de uma doença recentemente adquirida, reforçam a utilidade do método no controle da transmissão da infecção pelo HIV por transfusão de sangue e, consequentemente, poderia contribuir para diminuir os riscos da janela imunológica. Contudo, Korelitz et al, (1992) e Zou et al, (2004) mostraram em seus estudos que, apesar de uma maior soropositividade para HIV e outros marcadores de doenças infecciosas transmitidas por transfusão em doadores que se autoexcluem, o voto de autoexclusão apresentou baixa sensibilidade e baixo valor preditivo positivo em detectar doações no período de janela imunológica, em função da baixa freqüência de doadores nesta fase da infecção, da discreta difusão do método e da falta do seu entendimento por parte dos doadores. Estudo recente realizado no Canadá, mostrando a experiência do uso da autoexclusão naquele 55 56 país, conclui que o método de autoexclusão não trouxe nenhum benefício para a segurança transfusional, além de ocasionar pequena e constante perda de sangue aparentemente seguro para transfusão (O’BRIEN, et al, 2009). Atualmente, nos países desenvolvidos, com baixa soroprevalência e emprego regular do NAT, o voto de autoexclusão não tem grande impacto na segurança transfusional. Contudo, em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde a soroprevalência é maior e não estão disponíveis métodos de maior sensibilidade para triagem sorológica como o NAT; o nível cultural da população é baixo, levando as pessoas a procurarem os hemocentros muitas vezes a busca de um resultado sorológico, o emprego de métodos adicionais que possam identificar doadores de risco e/ou infectados não deve ser olvidado. 7.4 Estudo de Tendência Apesar dos índices de autoexclusão no HRU no presente estudo, mesmo na sua segunda fase, serem ainda altos para os padrões internacionais, observamos tendência relevante de queda entre 2007 e 2009. Desde 1996 o voto de autoexclusão é usado pelo Hemocentro Regional de Uberaba, por iniciativa do próprio serviço. No período de 1996 a 2006 foi usada uma mesma cédula que constituía de ilustrações mostrando comportamentos de risco e, ao pé da folha o doador marcava sim ou não, se tivesse tido algum daqueles comportamentos (ANEXO 3) e o índice de autoexclusão que foi de 5,8 nos primeiros anos, caiu abruptamente chegando a 1,8 em 2001 e se manteve estável e próximo de 2,5 até 2006 (MARTINS et al., 2009). Ainda preocupado com os índices, considerados altos para os padrões internacionais, o HRU instituiu um segundo modelo, mais rico em informações, sem ilustrações (ANEXO 1), empregado até 17 de agosto de 2008, período correspondente à primeira etapa do presente estudo. Os resultados encontrados (4,24%) foi o dobro daquele observado entre 2000 a 2006 por MARTINS et al (2009), sugerindo que os doadores tiveram maior dificuldade em entender o processo. Isto fica evidente se considerarmos aqui o fato de que o índice de autoexclusão foi maior nas doações de repetição. Provavelmente nossos doadores, habituados com a cédula antiga, se confundiram frente à nova, fato 56 57 inclusive testemunhado por nossos triagistas (JULIANO, L B comunicação pessoal). Com a adoção da cédula implantada em toda rede Hemominas, mais simples e autoexplicativa (ANEXO 2) os índices reduziram a menos da metade, o que também foi observado por outros autores (KEAN et al., 1990 e SÜMNIG et al, 2010). Sümnig et al (2010), na Alemanha, identificou as características que podem influenciar a decisão de autoexclusão, observando que o modelo da cédula e a maneira de aplicação do processo podem influenciar consideravelmente na taxa de autoexclusão. Kean et al. (1990), nos USA, mostraram que aproximadamente 50% dos doadores que se autoexcluíram relataram que foi uma escolha errada e a razão mais comum desta escolha foi não ter prestado atenção. Após esclarecimento aos doadores sobre o processo de autoexclusão, observaram queda na taxa de autoexclusões naquela região dos Estados Unidos. Achados de um estudo realizado na Fundação Pró-Sangue em são Paulo sugerem que o processo de autoexclusão se apresenta confuso para alguns doadores, evidenciado pelo aumento de seu índice em doadores de primeira vez e de menor grau de escolaridade, os quais tiveram marcadores para doenças infecciosas negativos e que não se autoexcluíram em doações subseqüentes (ALMEIDA NETO et al., 2010). 7.5 Viragem sorológica A identificação de doações subsequentes a autoexcluida que apresentaram viragem sorológica merece ampla reflexão. No período estudado ocorreram sete casos de viragem sorológica, sendo dois de anti-HBc positivo e cinco de sífilis. Ocorreram também no HRU mais três casos, em período anterior ao do estudo, sendo dois para HCV e um para HIV (Martins PRJ, comunicação pessoal). Os dois casos identificados por nós de soroconversão para hepatite B, merecem atenção especial já que se refere a doença grave, de fácil transmissão transfusional. Como já referido o anti-HBc foi detectado, nos dois casos, na primeira doação subsequente, aproximadamente 24 meses após a autoexclusão. Considerando que o anti-HBc (IgG) é um marcador que pode persistir indefinidamente, mesmo após a cura e que o HBsAg, na maioria dos casos, negativa dentro de 120 dias, não há como excluir a hipótese de que aqueles dois doadores se auto-excluiram por ter tido algum comportamento de risco e portanto, poderiam estar em janela imunológica. Esta 57 58 possibilidade é reforçada pelo fato de que, nas suas últimas doações, apesar de soropositivos certamente sem o saber, não se autoexcluiram. Estes fatos reforçam a hipótese de que o voto de autoexclusão pode contribuir para identificar doadores em janela imunológica, aumentando a segurança transfusional. 8 CONCLUSÃO O perfil epidemiológico dos doadores que se autoexcluíram no HRU no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2009 foi: gênero masculino, idade maior de 29 anos, sem diferenças significativas quanto ao estado civil, cor da pele e tipo de doação. A freqüência geral de inaptidão sorológica foi maior no grupo de doadores que se autoexcluíram, porém sem significância estatística. Individualmente, a freqüência de anti-HIV positivo foi significantemente maior no grupo autoexcluido e, para a hepatite C e HTLV, apesar de não significância estatística, os autoexcluidos apresentaram inaptidão sorológica duas e seis vezes maior, respectivamente, que os não autoexcluidos. Tais achados juntamente com a detecção de casos de soroconversão para HBc em doações subseqüentes à autoexclusão, ocorridas no período do estudo, somados com aquelas ocorridas anteriormente, para HCV e HIV também em doadores que haviam se autoexcluído na doação anterior, nos sugere que o voto de autoexclusão contribui para a segurança transfusional dos nossos pacientes. A tendência decrescente do percentual de autoexclusão de 2007 a 2009, com o emprego de dois diferentes modelos de VAE e o fato que muitos doadores se autoexcluíram mais de uma vez com o primeiro, demonstram a importância da escolha de um modelo que não interfira na eficácia do processo, seja claro, objetivo e autoexplicativo, portanto de fácil entendimento, que permita contribuir para o aumento da segurança transfusional sem descarte desnecessário de sangue saudável. 58 59 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ALMEIDA NETO, C., MENDONÇA M. C., BRAGA M. C., et al. 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