FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA – UNIR DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA – DME CAMPUS DE JI-PARANÁ Fabiana Leite da Silva UMA ANÁLISE NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA NAS SALAS DE RECURSO DE ESCOLAS ESTADUAIS DE JI-PARANÁ/RO 1 Ji-Paraná 2014 FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA – UNIR DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA – DME CAMPUS DE JI-PARANÁ Fabiana Leite da Silva UMA ANÁLISE NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA NAS SALAS DE RECURSO DE ESCOLAS ESTADUAIS DE JI-PARANÁ/RO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Banca Examinadora do Departamento de Matemática e Estatística da UNIR, Campus de Ji-Paraná, como pré-requisito para aprovação no curso de Licenciatura em Matemática. Orientadora: Prof.ª Ms. Marcia Rosa Ulian Ji-Paraná – RO 2014 Fabiana Leite da Silva UMA ANÁLISE NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA NAS SALAS DE RECURSO DE ESCOLAS ESTADUAIS DE JI-PARANÁ/RO Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado como parte dos requisitos para obtenção do título de Licenciada em Matemática e teve o parecer final como Aprovado, no dia 17/12/14, pelo Departamento de Matemática e Estatística, da Universidade Federal de Rondônia, Campus de Ji-Paraná. Banca Examinadora Dedico este trabalho aos meus pais e ao meu esposo. Pois se cheguei até aqui foi por que eles ajudaram e me fizeram acreditar que esse sonho era possível. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por permitir sentir a alegria de concluir uma das etapas da realização de um sonho. Ser graduada. Agradeço aos meus pais, pois se cheguei até aqui foi porque eles me ensinaram a lutar pelos meus objetivos. Agradeço minha professora e orientadora, Marcia Rosa Uliana, por toda paciência e dedicação ao me orientar não só nesse trabalho, mais sempre que possível se mostrou amiga. Agradeço também, por nos fazer crê que existem professores que tem compromisso com a educação e por acredita no potencial de cada um dos seus alunos, pela sua responsabilidade e compromisso. Agradeço ao meu esposo, Vanilson Benedito Rodrigues, por todo apoio e incentivo que tem me dado e pelo carinho disseminado ao longo dessa trajetória acadêmica. Agradeço a todos os professores e em especial as professoras Irene Yoko Taguchi Sakuno e Rosiane Ribas de Souza pelas contribuições na realização desse Trabalho de Conclusão de Curso. Agradeço a todos os amigos que me apoiaram nas horas difíceis e torceram por mim. Isso me fez concluir que juntos somos mais fortes. A maior deficiência não está no corpo do deficiente físico, mas, na alma do preconceituoso (Sebastião Barros Travassos). RESUMO SILVA, Fabiana Leite da. Uma análise no processo de ensino-aprendizagem de Matemática nas salas de recursos das escolas estaduais de Ji-Paraná/RO, 2014. 54f. Monografia (Licenciatura em Matemática) – Departamento de Matemática e Estatística, Universidade Federal de Rondônia, Ji-Paraná. O presente trabalho investigou como vem ocorrendo o processo de ensino-aprendizagem de matemática para alunos com deficiência nas salas de recursos das escolas públicas de educação básica de Ji-Paraná-RO. Tendo em vista atingir tal objetivo, optamos pela abordagem metodológica da pesquisa qualitativa e escolhemos como sujeitos quatro professores que estavam atuando no segundo semestre de 2014 em sala de recurso de escolas estaduais localizadas no primeiro distrito da cidade de Ji-Paraná-RO. A coleta de dados foi realizada nas escolas, durante o mês de agosto do presente ano. Para tanto os dados foram coletados por intermédio de um questionário, o qual permitiu obter informações pessoais dos professores, sobre sua formação acadêmica, sua concepção sobre o atendimento de alunos na sala de recurso, sobre como vem ocorrendo o processo de ensino-aprendizagem de matemática nas salas de recursos dentre outras. O embasamento teórico para a discussão dos dados se pautou em estudos de Silva (1987), Bertuol (2010), Pessotti,(1984), Amaral (1997) Batista (2004), Mantoan (2006), Mittler (2003), Freire (2005), Blanco (2004), Beyer (2005), Ferreira (2003), Marchesi (2004), Lopes (2006), Borba e Skovsmose (2001), Fayol (2012), Lorenzato (2006), Demo (2002), Minayo, Deslandes e Gomes (2012), Fiorentini e Lorenzato (2006) dentre outros. Também, nos apoiamos em documentos como: a Constituição da República Federativa do Brasil (1988), Decreto nº3298 /99, Lei nº 9.394/96, Lei n°7.853/89, Declaração Mundial sobre a Educação para Todos (1990), Declaração de Salamanca (1994) dentre outros. Evidenciou-se com esta pesquisa que a educação inclusiva se encontra num estágio inicial, aquilo que temos estabelecidos nas leis e declarações ainda não faz parte da realidade diária das escolas. No que se refere ao ensino da matemática para os alunos com deficiência muito precisa ser feito para que esses alunos tenham uma aprendizagem de qualidade. Pode-se perceber que isso se deve a uma série de fatores: os professores que atuam nas salas de recursos trabalham de forma individualizada, os professores das salas de ensino regular não estão dando conta de atender a demanda educacional da diversidade de alunos, os professores que atuam na sala de recursos são pedagogos que tiveram pouca preparação para o ensino de matemática e não tem conseguido desenvolver um ensino que desenvolva toda a potencialidade dos alunos com deficiência. Palavras-chave: Ensino-Aprendizagem; Matemática; Sala de Recurso. SUMÁRIO INTRODUÇÃO................................................................................................................... 08 CAPÍTULO І - A EDUCAÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA.............................. 1.1 – Um breve histórico do processo de inclusão social e escolar da pessoa com deficiência............................................................................................................................. 1.2 – Educação inclusiva....................................................................................................... 1.3 – Pessoas com deficiência e o processo educacional...................................................... 1.4 – A função das salas de Recurso no processo de inclusão de alunos com deficiência........................................................................................................................... 12 12 14 17 19 CAPÍTULO ІІ - O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA PARA A DIVERSIDADE DE ALUNOS............................................................................. 22 2.1 – O ensino da Matemática............................................................................................... 22 2.2 – Ensino da Matemática em salas de aula que possuem alunos com deficiência.............................................................................................................................. 24 CAPÍTULO III – METODOLOGIA DA PESQUISA........................................................ 3.1 – Opção Metodológica.................................................................................................... 3.2- Caracterização do Universo da Pesquisa....................................................................... 3.3– Sujeitos da pesquisa...................................................................................................... 3.4 – Coleta de Dados........................................................................................................... 28 28 28 30 31 CAPÍTULO IV – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS..................................... 4.1-Apresentação e Análise dos Dados................................................................................. 33 33 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................. 40 REFERÊNCIAS.................................................................................................................. 42 APÊNDICES........................................................................................................................ APÊNDICE A – Autorização da Escola.............................................................................. APÊNDICE B – Autorização do Professor.......................................................................... APÊNDICE C – Questionário ............................................................................................ APÊNDICE D – Quadro das respostas dos Sujeitos da Pesquisa Referente às Perguntas do Questionário..................................................................................................................... 46 47 48 49 51 INTRODUÇÃO Ao longo da história da humanidade o tratamento direcionado as pessoas com deficiência foram passiveis de várias modificações. De início as pessoas que nasciam com deficiência eram mortas pelos seus familiares, ou abandonadas à própria sorte. Depois passaram a serem vistas como pessoas incapazes que não podiam ter uma vida normal em comunidade, ficavam isoladas na sociedade em recinto familiar, em hospitais ou em hospícios. Só a partir do século XVIII, essas pessoas começaram a receber tratamento diferenciado e se concebidas como pessoas capazes de conviver em harmonia com os demais membros da sociedade, os ditos “normais”. Sendo assim aos poucos foram se ampliando os direitos dessas pessoas. De acordo com Miranda (2003, p.01) o médico Jean Marc Itard (1774-1838), no início do século XIX foi o primeiro a tentar educar uma criança com deficiência. Outro importante representante dessa época foi o também médico, Edward Seguin (1812-1880), que, influenciado por Itard, criou o método fisiológico de treinamento, que consistia em estimular o cérebro por meio de atividades físicas e sensoriais. Maria Montessori (1870-1956) foi outra educadora importante que contribuiu para a evolução da educação especial. Também influenciada por Itard, desenvolveu um programa de treinamento para crianças deficientes mentais, baseado no uso sistemático e manipulação de objetos concretos, o que a levou a desenvolver o material pedagógico denominado Material Dourado. Suas técnicas para o ensino de deficientes mentais foram experimentadas em vários países da Europa e da Ásia. No Brasil, a história da educação da pessoa com deficiência tem como marco fundamental a criação do “Instituto dos Meninos Cegos” (hoje “Instituto Benjamin Constant”) em 1854, e do “Instituto dos Surdos-Mudos” (hoje, “Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES”) em 1857, ambos na cidade do Rio de Janeiro, por iniciativa do governo Imperial (JANNUZZI,1992; BUENO,1993; MAZZOTTA,1996). O surgimento desses institutos foi muito importante para o início do processo de educação da pessoa com deficiência no Brasil, porém, sua capacidade de atendimento era muito inferior a demanda nacional da época. Sendo que “em 1872, com uma população de 15.848 cegos e 11.595 surdos, no país eram atendidos apenas 35 cegos e 17 surdos” (MAZZOTTA, 1996, p.29). 8 Estudos de Mazzotta (1996 e Mantoan ( 2006) elucidam que educação da pessoa com deficiência foi ficando evidente e se constituindo para grupos específicos no Brasil. Inicialmente para cegos, depois para surdos, é só na segunda metade do século XX surgiram as primeiras instituições que tinha como foco o atendimento das pessoas com deficiências físicas e mental. No Brasil, antes dessas instituições a deficiência mental não era considerada como uma ameaça social nem como uma degenerescência da espécie. No entanto era atribuída aos infortúnios ambientais, apesar da crença numa concepção organicista e patológica (MENDES, 1995). Hoje, confrontando o passado com o presente podemos concluir, que houve avanços/melhorias significativas no processo de educação das pessoas com deficiência. Contudo, ainda estamos distante de um nível de excelência. A grande maioria das crianças, jovens e adultos com deficiência estão estudando na rede regular de ensino, porém, ainda temos muitas barreiras e preconceitos em relação em relação ao processo educacional dos ditos “diferentes”. Já, temos elementos legais como a Constituição Federal de 1988 e a terceira LDB, Lei 9.9394/96 que garante direitos sociais, civis, políticos e educacionais iguais para todas as pessoas com deficiências ou não. Mas, infelizmente na prática essa realidade ainda está bem distante. Hoje ainda convivemos com um número considerável de pessoas com deficiência que não estão circulando no meio da sociedade, muitos não estão na escola e sim sozinhos dentro do seu mundo em suas residências. Impossibilitados até de conhecer seus direitos de cidadãos. Nos ditos “normais” devemos unir nossas forças para que esses seres humanos muitas das vezes indefesos possam ser livres, e gozarem de seus direitos nessa sociedade que também é deles. O interesse em investigar a inclusão de alunos com deficiência iniciou na ocasião que estava desenvolvendo as atividades da disciplina de Estágio Supervisionado do Ensino Fundamental, quando durante a fase de observação, tive a oportunidade de observar dois alunos (uma menina e um menino) com necessidades educativas especiais numa mesma sala de aula regular do oitavo ano. Notei que esses dois alunos não participava ativamente das aulas. Ficavam isolados, eles apresentavam dificuldades de aprendizagem, conseguiam compreender apenas parte do conteúdo que estava sendo ensinado e ainda de forma superficial. Preocupava-me, o fato deles não conseguirem chegar nos resultados corretos nas atividades de matemática. 9 Fiquei a questionar-me e senti o interesse em pesquisar como esses alunos poderiam ter uma aprendizagem melhor dos conteúdos de Matemática. Já, que percebi que a professora não conseguia ensinar os conteúdos matemáticos para esses alunos e como estagiária tentei ajuda-los, mas, também não alcancei bons resultados. No decorrer dessa mesma fase do estágio e conheci nesta escola uma sala equipada com diversos materiais para atendimento de alunos com necessidades especiais, essa sala é conhecida por sala de recursos. Na ocasião pude conhecer, de maneira superficial, alguns recursos pedagógicos que são utilizados no atendimento pedagógico complementar de alunos com necessidades educativas especiais. Visitar a sala de recurso me despertou o interesse em investigar o processo de ensino-aprendizagem de matemática para alunos com deficiência que são atendidos na sala de recurso. Sendo assim, a pergunta norteadora desta pesquisa foi a seguinte: Como acontece o processo de ensino-aprendizagens de matemática para alunos com deficiência nas salas de recursos das escolas públicas de educação básica de Ji-Paraná? Na minha concepção, essa sala poderia contribuir de forma efetiva no processo de ensino-aprendizagem da matemática dos alunos com deficiência que estão matriculados na rede regular de ensino. Visto que a mesma dispõe de diversos materiais concretos e o professor pode oferecer um atendimento individualizado aos alunos. Tendo em vista o exposto, o objetivo principal desse estudo foi investigar como vem ocorrendo o processo de ensino e aprendizagem de matemática para alunos com deficiência nas salas de recursos das escolas públicas de educação básica de Ji-Paraná. E como objetivos específicos: Inventariar os materiais existentes nas salas de recursos com potencialidade de ser utilizado no ensino de matemática; Pesquisar quantos e quem são os alunos atendidos nas salas de recursos das escolas de Ji-Paraná; Identificar as principais dificuldades que os professores enfrentam na sala de aula para o ensino de matemática para alunos com deficiência; Investigar se os procedimentos didáticos das salas de recursos contribuem para melhor a aprendizagem de matemática de alunos com deficiência. O presente trabalho consiste numa pesquisa qualitativa com quatro professores que atuam em salas de recurso de escolas estaduais de Ji-paraná. Para coletar os dados foi aplicado um questionário. 10 Iniciamos o trabalho abordando os motivos que levaram a realização da pesquisa e os objetivos do presente estudo. Também apresentamos como ficou organizado o trabalho. No Capítulo I iniciamos fazendo um breve histórico do processo histórico da inclusão social e escolar do aluno com deficiência, as leis que defendem e asseguram o direito desse aluno frequentar a rede regular de ensino. No Capítulo II iniciamos abordando sobre o processo de ensino e aprendizagem de matemática para a diversidade de alunos, em seguida elucidaremos algumas práticas pedagógicas que se mostraram eficientes no processo de ensino-aprendizagem de matemática para alunos com deficiência intelectual, deficiência visual e deficiência auditiva. No Capítulo III, apresentamos a metodologia utilizada para a realização da investigação, justificando a opção metodológica, caracterizamos o universo e os sujeitos da pesquisa. Além de apresentar o instrumento da coleta de dados. No Capítulo IV, apresentamos os dados coletados a tecemos uma análise dos mesmos discutindo com o referencial teórico dos capitulo I e II. E por final, nas Considerações Finais, buscamos não somente responder o problema provocado nesta investigação, como também, trazendo uma síntese dos resultados dessa pesquisa. 11 CAPÍTULO I – A EDUCAÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Nesse capítulo iniciamos apresentando um breve panorama histórico do processo de inclusão escolar e social da pessoa com deficiência. Na sequência abordamos sobre a educação inclusiva e sobre o processo de educação da pessoa com deficiência. Finalizaremos discorrendo sobre as salas de recursos e sua função no sistema de ensino inclusivo. 1.1 - Um breve histórico do processo de inclusão social e escolar da pessoa com deficiência Para que possamos compreender como se deu esse processo de inclusão educacional, é necessário destacar alguns pontos importantes para a construção dessa história. As pessoas com algum tipo de deficiência sempre existiram desde o início da humanidade como afirma Silva (1987): “anomalias físicas ou mentais, deformações congênitas, amputações traumáticas, doenças graves e de consequências incapacitantes, sejam elas de natureza transitória ou permanente, são tão antigas quanto a própria humanidade” (Silva, 1987, p. 21). Apesar de no decorrer dos séculos essas pessoas sempre serem ignoradas ou vitimas de algum tipo de preconceito, como ainda são acometidas nos dias atuais. Essas contabilizaram ganhos consideráveis no que tangem a sua dignidade humana e papel na sociedade. Como pode ser evidenciado em Bertuol (2010) a história de como eram tratadas as pessoas com alguma deficiência pode-se dizer que passaram, do extermínio, do abandono, do período da exposição, o que na idade antiga não representava um problema de natureza ética ou moral, a um novo período em que podiam continuar vivas, embora ainda vistas como pessoas doentes, defeituosas e/ou mentalmente afetada. No que ser refere ao período de extermínio Pessotti, (1984, p.6.) elucida “frequentemente na história dos povos, o medo do desconhecido tem gerado ansiedades cuja amenização é buscada na eliminação das fontes de incerteza (...). Os demônios eram expulsos com os açoites ou a fogueira. Agora que o perigo está no próprio deficiente é ele que se deve expulsa”. Essa citação evidencia que as pessoas com deficiência sofriam discriminação, principalmente de cunho religioso visto que o homem era a imagem e semelhança de Deus gerando assim uma idéia de perfeição física e mental e por esse motivo as pessoas não 51 acreditavam que os deficientes também eram filhos de Deus. Pessotti (1984) elucida, também, que os deficientes eram culpados pela sua própria deficiência, os hierarcas cristãos acreditam que a deficiência é um castigo divino pelos seus pecados ou de seus antecedentes, muitos acreditam que os deficientes são seres possuídos pelos demônios e que torna aconselhável o exorcismo com flagelações, para expulsar. A ambivalência caridade-castigo é marca definitiva da atitude medieval diante da deficiência mental. Amaral (1997) corrobora com essa ideia ao apresentar que na Grécia e em Roma as pessoas com deficiência eram mortas, abandonas e expostas em público, outras vezes as crianças que nasciam com deficiência eram eliminadas logo após o parto por seus próprios pais, sendo acobertados por uma lei que defendia esse ato. Ainda segundo esse autor, na concepção dos Grego-romanos o Estado tinha o direito de não permitir que cidadãos com deficiência sobrevivesse, por isso dava ordem aos pais para matar o filho que nascia nessas condições. No entanto, essa fase se extermínio foi superado, conforme sinaliza Bertuol (2010) com o início da Idade Média (século V ao XV), a igreja passou a defender o direito a vida, e coibir o extermínio de pessoas com deficiência, essas por vez passaram a ser abrigadas em igrejas, conventos e asilos. Essa fase começa a sofrer modificações no século XVIII, quando estudiosos da área da medicina começaram a vislumbrar a possibilidade de educação para a pessoa com deficiência e aos poucos, as discussões sobre a pessoa com deficiência sai do âmbito da medicina e migraram para a educação e psicologia. Baseado neste percurso Batista (2004), divide a trajetória histórica da pessoa com deficiência em três momentos. Esses momentos ao mesmo tempo em que configuram um processo de mudança, em relação à pessoa com deficiência, contêm elementos que podem ocorrer simultaneamente. O primeiro é marcado pela exclusão, pelo abandono, ou pelo encarceramento. O segundo pode ser denominado de integração [...] e caracteriza-se pela institucionalização de ações e espaços específicos, onde as pessoas portadoras de deficiência estão separadas do convívio com as outras pessoas. O terceiro momento é caracterizado pelo movimento atual da inclusão, definido como um direito das pessoas portadoras de deficiência (BATISTA, 2004, p.1). Conforme o autor, após superado o momento de exclusão, as pessoas ditas “deficientes” começaram a desfrutar de um movimento que ficou conhecido como integração. Esse ganha repercussão no século passado. 13 A defesa da cidadania e do direito à educação das pessoas com deficiência é atitude muito recente em nossa sociedade. Manifestando-se através de medidas isoladas, de indivíduos ou grupos, a conquista e o reconhecimento de alguns direitos dos portadores de deficiência podem ser identificados como elementos integrantes de políticas sociais, a partir de meados deste século (MAZZOTA, 2005, p.15). No Brasil, o processo de escolarização das pessoas com deficiência ocorria através de organizações da sociedade cívil, prestadoras de serviço ao estado, baseadas em sistema de internação segregativo. Na década de 1950, essas organizações mantinham seu atendimento, pois o estado não assegurava o tratamento das pessoas com deficiência. Por meio do modelo biomédico, essas organizações visavam institucionalização através da internação clínica, atuando de forma paternalista, assistencialista e protecionista. (BATISTA, 2004) No entanto no final do século, ultima década ganha amplitude o movimento de inclusão que passa a ser assegurado com leis tanto nacional como internacional. Fruto desse momento temos hoje leis, decretos, declarações e conferências que defendem que os deficientes têm o mesmo direito de todos os cidadãos. Conforme pode ser elucidado na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 que prescrever “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art.3º inciso IV). Define, ainda, no artigo 205, a educação como um direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. Em decorrência dessas leis e movimentos a pessoa com deficiência vem ganhando espaço dentro da sociedade. Aos poucos, vem sendo construído socialmente o respeito multo e um tratamento de equiparação de igualdade para com as pessoas com deficiência. No entanto, cabe a todos os cidadãos abraçar essa causa, só assim teremos uma sociedade plenamente inclusiva. 1.2 - Educação inclusiva A educação inclusiva é um movimento que vem lutando para quebrar as barreiras de preconceito e criar um espaço escolar de igualdade de direitos e oportunidades para todos, porém encontra ainda sérias resistências de aceitação. Esse teve início no final do último século, mas seu embrião já fazia parte da legislação brasileira desde 1961, na primeira LDB. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN, Lei nº 4.024/61 que defende o 14 direito dos “excepcionais” principalmente dentre da rede geral de ensino. O movimento da educação inclusiva encontra-se pautado em uma série de lei e propõe que a escola passe por grandes mudanças. Apesar das adversidades que acomete esse movimento a educação inclusiva tem conquistado seu espaço. Atualmente deixar de receber alunos com deficiência nas escolas de educação básica é considerada uma forma de discriminação e crime. Já que está posto na Lei de Diretrizes e Base da Educação brasileira Lei 9.394/96 que o aluno com deficiência tem direito de estudar na escola de educação básica e a Constituição Federal de 1988 no Art. 3° inciso IV determina, “Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Devido à importância e visando dá visibilidade a educação da pessoa com deficiência a terceira LDB, Lei 9.394/96, destinou num capítulo especifico como o nome de Educação Especial para abordar o assunto. Conforme está definido na referida lei, “Entendese por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação” (Art. 58 com a nova redação conferida pela Lei nº 12.796/13). O especificado na terceira LDB, referente a educação das pessoas com deficiência, é uma conquista de lutas de muitos anos de militantes da causa, adequações de legislações e tratados internacionais e até mesmo demandas de outras leis nacionais. Como criar mecanismo legal de assegura o que consta no artigo 206 e 208 da Constituição Federal de 1988, inciso I, “igualdade de condições de acesso e permanência na escola”, “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino” (BRASIL, 1988) Temos a lei n°7.853 de 1989 que dispõe sobre o apoio às pessoas com deficiência e sua integração social. Define como crime todo e qualquer tipo de discriminação existente as pessoas com deficiência em âmbito escolar seja ele público ou privado defendendo que ao poder público e seus órgãos cabe assegurar as pessoas com deficiência seus direitos básicos de educação, saúde, lazer, trabalho, amparo a infância e a maternidade e todos os direitos presentes na constituição para que possam ter um bem estar pessoal, econômico e social. A Declaração Mundial sobre a Educação para Todos realizada entre cinco e nove de março de 1990 em Jomtien em seu artigo 3 defende que “As necessidades básicas de aprendizagem das pessoas portadoras de deficiências requerem atenção especial aos 15 portadores de todo e qualquer tipo de deficiência, como parte integrante do sistema educativo”. E um documento internacional que forçou o país a repensar a educação para as pessoas com deficiência A Declaração de Salamanca que versa sobre princípios, política e prática em educação especial (1994) é outro documento que alicerçou as especificações posta na terceira LDB sobre a educação para todos e em especial para os diferentes. Essa declaração defende que a escola deve acolher todas as crianças independentemente de suas diferenças, sejam elas físicas, sociais, emocionais, linguísticas, com deficiência ou superdotadas. Afirma também que o desafio da escola integradora é que consiga desenvolver uma pedagogia capaz de educar com sucesso todas as crianças incluindo aquelas que possuem graves deficiências, e que o mérito das escolas não está só na capacidade de transmitir conhecimento para essas crianças, e sim tentar mudar situações de discriminação e criar um espaço acolhedor dentro da sociedade para que todos possam viver de maneira inclusiva. Frequentar uma escola passou a ser um direito de todos, receber alunos com deficiência é uma das dificuldades que a escola contemporânea vem enfrentando, pois não está preparada pedagogicamente nem possui estrutura física e recursos apropriados para receber esses alunos. Dessa forma, a educação inclusiva passa a ser considerada como um desafio, pois para existir inclusão não basta apenas a escola receber a diversidade de aluno e inseri-los numa sala junto com os demais, isso se chama integração. Incluir e muito mais que isso, é receber esses alunos e lhe proporcionar metodologia, currículo e condições para que ele se desenvolva todo o seu potencial. Visando superar a dificuldades e incoerências que permeia o processo de inclusão de pessoas com deficiência. Foi realizado na Guatemala em 2001 a Convenção Interamericana para Eliminação de todas as Formas Discriminação contra a Pessoa Portadora de Deficiência. Que teve como ponto de debate a Impossibilidade de diferenciação com base na deficiência; Definição de discriminação como toda diferenciação, exclusão ou restrição baseada em deficiência; Inaceitabilidade da percepção de deficiência presente ou passada que busque anular o reconhecimento, gozo ou exercício por parte das pessoas portadoras de deficiência, de seus direitos humanos e suas liberdades fundamentais (art. 1, n. 2, “a”). (CARNEIRO, 2007, p. 36). Conforme anuncia esses documentos a educação inclusiva busca anular as diferenças existentes tanto no ambiente escolar, como na vida social, demandando que se cria 16 uma escola para todos onde as diferenças não sejam mais vistas afinal ninguém é igual a ninguém, todos nós temos nossas peculiaridades e elas tem que ser respeitadas. 1.3 - Pessoas com deficiência e o processo educacional As deficiências podem ser de naturezas diversas e de diferentes tipos, algumas ocasionam mudanças no intelecto das pessoas outras são de ordem sensorial e\ou física. Segundo o Decreto nº3298 /99 no seu Art. 3º inciso primeiro se denomina deficiência “toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano”. Ainda segundo esse decreto, as deficiências são classificadas em: Deficiência Física, Deficiência Auditiva, Deficiência Visual, Deficiência Intelectual e Deficiência Múltipla. Cabe destacar que processo de inclusão é para todos independente do tipo de deficiência. Os educadores precisam busca-la não como uma caridade, mas precisa assumir seu papel e trabalhar em beneficio da aprendizagem de todos os alunos. Mantoan (2006) acrescenta que para ocorrer a inclusão é necessário que todos fiquem cientes de suas responsabilidades, não só os professores, mais toda a equipe gestora, inclusive os pais desses alunos. Mittler, (2003, p.20) também corrobora com a ideia que o a inclusão não depende apenas do educador mais sim do apoio de todas as esferas sociais desde a família até o governo. Como pode ser evidenciado na seguinte expressão A inclusão depende do trabalho cotidiano dos professores na sala de aula e do seu sucesso em garantir que todas as crianças possam participar de cada aula e da vida da escola como um todo. Os professores, por sua vez, necessitam trabalhar em escolas que sejam planejadas e administradas de acordo com linhas inclusivas e que sejam apoiadas pelos governantes, pela comunidade local, pelas autoridades educacionais locais e acima de tudo pelos pais. Com isso, se todos abraçarem a causa a educação inclusiva será realizada de maneira mais justa e deixará de ser apenas uma teoria, leis e passará a ser vivenciada na prática por todos. Ser professor neste contexto não tem sido uma tarefa muito fácil, esse profissional nunca estará completamente preparado terá sempre que estar superando desafios e obstáculos. 17 Freire (2005) afirma que uma das tarefas mais importantes da prática educativa, é propiciar as condições em que os educandos, nas relações uns com os outros e todos como professor ou a professora, ensaiam a experiência profunda de assumir-se. Assumir-se como ser social e histórico como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos capaz de ter raiva porque é capaz de amar. A assunção de nós mesmos não significa a exclusão dos outros. Sendo assim, para existir inclusão o professor tem que conseguir ensinar o conteúdo curricular para esse aluno e ele tem que desenvolver todo o seu potencial, mesmo que às vezes ele não consiga acompanhar o restante da classe e ter uma aprendizagem no mesmo nível. Blanco (2004, p, 292) adverte, É preciso assegurar que o currículo da escola seja o mais amplo, equilibrado e diversificado possível. As equipes docentes devem fazer uma análise profunda do currículo oficial para verificar em que medida as necessidades dos alunos são contempladas para tomar as decisões adequadas. Efetivando o processo de inclusão nas escolas de educação básica, consequentemente teremos cidadão mais abertos a aceitar e valorizar o outro independente de sua deficiência. Dados do Censo Escolar de 2013 apontam que é crescente o número de alunos que deixam as escolas segregadas e adentram o sistema regular de ensino. No de 2007 havia 348.470 matriculas de alunos com deficiência no sistema regular de ensino, esse número subiu para 648.921 em 2013. Cabe destacar também, que em contra partida reduziu o número de matriculas nas escolas especiais. Conforme pode ser observado no Gráfico 1. Gráfico 1: Número de alunos com deficiência, transtornos global do desenvolvimento, alto habilidades/superdotação por tipo de atendimento. Brasil- 2007-2013 Fonte: Censo escolar 2013. 18 O aumento de 2007 a 2013 das matriculas foi de 86%.Ou seja, a grande maioria das pessoas com deficiência estão em classe de aula de educação regular. Segundo ideias de Vygotsky apresentado por Beyer (2005) isso é bom para todos os alunos. Visto que as crianças com deficiências colocadas com outras crianças com as mesmas necessidades que as suas acabam não avançando e permanecendo em um nivelamento cognitivo e já quando colocadas com crianças ditas “normais” é vantajoso tanto para essa criança quando para a criança „”normais”. Ferreira (2003) concorda com Vygotsky que a inclusão beneficia todos os alunos não só os com deficiência ao relatar A inclusão de todos na escola, independentemente do seu talento ou deficiência, reverte-se em benefícios para os alunos, para professores, e para a sociedade em geral. O contato das crianças entre si reforça atitudes positivas, ajudando-as a aprenderem a ser sensíveis, a compreender, respeitar e crescer, convivendo com as diferenças e as semelhanças individuais entre seus pares. Conforme o que foi mencionado se efetivado o processo de inclusão na prática, o aluno com deficiência pode e deve participar do mercado de trabalho competitivo e quando isso acontecer teremos a certeza de que essas diferenças não mais existem na nossa sociedade. Dessa forma é possível que crianças com deficiência consigam avançar participando de escolas regulares, visando atender algumas demandas particulares de aprendizado dos alunos com deficiência na rede de ensino regular foram criadas as Salas de Recursos. 1.4 - A função das salas de Recurso no processo de inclusão de alunos com deficiência A sala de recursos foi projetada no contexto da escola de educação básica, para atender as particularidades dos alunos com deficiência no contra turno das aulas regulares, auxiliando assim os professores da educação básica no processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos curriculares para esses alunos. Segundo as Diretrizes Nacionais para a Educação especial sala de recurso É um ambiente de natureza pedagógica, orientado por professor especializado, que suplementa (no caso dos superdotados) e complementa (para os demais alunos) o atendimento educacional realizado em classes comuns da rede regular de ensino. Esse serviço realiza-se em escolas, em 19 local dotado de equipamentos e recursos pedagógicos adequados às necessidades educacionais especiais dos alunos, podendo estender-se a alunos de escolas próximas, nas quais ainda não exista esse atendimento. Pode ser realizado individualmente ou em pequenos grupos, para alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, em horário diferente daquele em que freqüentam a classe comum (BRASIL, 2006, p. 50) De acordo com Lei de Diretrizes e Base da Educação brasileira Lei 9.394/96 no capítulo V, “haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular”. Esse atendimento na sala de recurso, não deve ser visto como modalidade que substitui a escolarização, onde crianças que possuem algum tipo de deficiências passam o seu tempo com outras crianças com as mesmas dificuldades que as suas. O trabalho feito nesta sala deve ser visto como um complemento para a aprendizagem dos conteúdos curriculares propostos nos projetos politico e pedagógicos da educação básica. Conforme prever a LDB a docência na sala de recurso deve ser exercida por professores capacitados para ensinarem de diferentes formas, visto a atender as principais necessidades de alunos, cegos, com baixa visão, surdos e com dificuldades motoras, superdotados, com transtornos mentais, dentre outras. Esses profissionais geralmente complementam o ensino que essas crianças tem na sala de aula do ensino regular ensinando libras, braile, sorobã e trabalham com jogos didáticos, materiais concretos, recursos e atividades adaptadas. Conforme afirma Marchesi (2004, p.42) cabe ao professor da sala de recurso, [...] colaborar e ajudar os professores de classe para que desenvolvam estratégias e atividade que favoreçam a inclusão dos alunos com necessidades especiais. Sua tarefa, portanto, não se centra mais no atendimento exclusivo a esses alunos, mas em ajudar os professores a resolver os problemas e a encontrar a melhor alternativa para a instrução de seus alunos. Visto dessa forma parece que a inclusão escolar tem o necessário para se efetivar nas escolas de educação básica, e possibilitar uma vida de direito e igualdade para todos os brasileirinhos. No entanto, na prática ainda não se efetivou esse tão sonhado ensino inclusivo. 20 Cabe a todos nós abraçarmos essa causa, pois é nas escolas onde a inclusão deve começar. E os professores do ensino regular não podem perder de vista, que cabe as salas de recursos a complementação do processo de escolarização dos alunos com deficiência. 21 CAPÍTULO II – O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA PARA A DIVERSIDADE DE ALUNOS Neste capítulo abordaremos sobre a importância da matemática como fator de inclusão social e como a mesmas é vista pelos alunos e trabalhada pelos professores. Também, apresentaremos alguns estudos a fim elucidar algumas práticas pedagógicas exitosas no processo de ensino-aprendizagem de matemática em salas de aula que possuem alunos com deficiência intelectual, deficiência visual e deficiência auditiva. 2.1 O ensino da Matemática A matemática não é uma matéria fácil de ensinar para os alunos ditos “normais”, e ensinar para a diversidade de alunos se torna um desafio ainda maior para os professores. Os alunos em geral acham muito complicado aprender os conteúdos de matemática, principalmente. No entanto a matemática é uma disciplina fundamental no currículo escolar conforme elucida (LOPES, 2006, p.4) “a matemática é eficaz para qualquer pessoa, fato que justificaria sua presença no currículo escolar de todo o cidadão” e conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais (1996) tem grande importância desempenhando um papel decisivo e ainda possibilita a resolução de problemas na vida humana,tem grandes e variadas aplicações usadas na vida prática das pessoas e um grande valor para a construção do conhecimento de outras áreas. Interfere ainda, na formação de capacidades intelectuais e estrutura o raciocínio lógico do aluno. Corrobora com essa idéia, Borba e Skovsmose ( 2001) ao defenderem que em todas as outras áreas a Matemática se encontra presente,e que mesmo sem que perceba-se a todo momento a matemática é usada para fazer resolver situações na vida em sociedade. Resultados matemáticos e dados estatísticos é uma referência constante durante debates na sociedade. Eles fazem parte da estrutura da argumentação. Dessa forma, a matemática é usada para dar suporte ao debate político. Mas não apenas isso. Ela se torna parte da linguagem com a qual sugestões políticas, tecnológicas e administrativas são apresentadas. A matemática torna-se parte da linguagem do poder. (BORBA; SKOVSMOSE, 2001, p. 127). E mesmo tendo fundamental importância para a sociedade, a matemática é vista por muitos alunos com sendo a disciplina mais difícil de aprender. Pois, não conseguem 22 entender a matéria e muitas das vezes não conseguem associar os conteúdos da mesma com o seu cotidiano. Como consequência, acham que a matéria não tem importância nas suas vidas. Segundo Fayol (2012, p.7) “cerca de 20% das crianças e adolescentes desenvolvem pela matemática sentimentos negativos, que vão da ansiedade á fobia, sem que se compreenda muito bem por que”. O interesse ou desinteresse pela matemática se define muito cedo, Lorenzato (2006, p.1) diz que “o sucesso ou o fracasso dos alunos diante da matemática depende de uma relação estabelecida desde os primeiros dias escolares [...]”. E quando isso não acontece o aluno é o maior prejudicado pois essa disciplina exige que seus conceitos iniciais sejam bem trabalhados/compreendidos, caso contrário o aluno terá dificuldade de avançar no aprendizado dos conteúdos das serie seguintes. Os professores são os grandes responsáveis pelo aprendizado dos alunos. [...] o professor que ensina com conhecimento conquista respeito, confiança e admiração de seus alunos. Na verdade, “ensinar com conhecimento “aqui tem conotação de que “quem não conhece não consegue ensinar“, ou então de quem “ninguém ensina o que não conhece” (LORENZATO, 2006, p.5). Uma boa formação de professores conforme defende esse autor, pode proporcionar mudanças significativas, no que se refere ao despertar o desejo de aprender matemática. Paulo Freire (2005) concorda com Lorenzato(2006), ensinar exige conhecimento e comprometimento. Quando na realidade a escola está para ensinar e o aluno está para aprender. E as dificuldades que esses alunos encontram na matemática acabam os acompanhando por toda vida, enquanto alguém não chegue e faça a diferença, isso pode acontecer um dia ou nunca. Pois o que acontece em algumas salas de aula são professores fingindo que estão ensinando e alunos fingindo que estão aprendendo, um verdadeiro comodismo. Conforme aborda Demo, “a farsa do professor está em pretender como meramente treinado e com mero treinamento, educar. A farsa do aluno é imaginar que copiar seja aprender. Daí a conseqüência trágica: “eu finjo que ensino, você finge que aprende” (DEMO, 2002, p.61). E isso no cenário inclusivo e mais evidente uma vez que os profissionais não estão preparados para receber essa clientela. Cabe destacar outro aspecto que influência bastante no processo de ensino e aprendizagem dos alunos, a maneira de como a matemática tem sido ensinada. A matemática na maioria das vezes é passada para os alunos como uma fórmula mecânica pronta e já 23 acabada, os alunos copiam e repetem fórmulas e não sabem o seu significado e nem pra que servem. Como afirma Micotti (1999). A aplicação dos aprendizados em contextos diferentes daqueles em que foram adquiridos exige muito mais que a simples decoração ou a solução mecânica de exercícios: domínio de conceitos, flexibilidade de raciocínio, capacidade de analise e abstração. Essas capacidades são necessárias em todas as áreas de estudo, mas a falta delas, em Matemática, chama a atenção. Hoje em dia é necessário que os professores trabalhem com metodologias diferenciadas, um exemplo de algumas delas seria a história da matemática, a modelagem matemática, os jogos didáticos, a contextualização associada com a interdisciplinaridade o uso de materiais concretos entre outros pois segundo Rego e Rego (2006, p. 43) O material concreto tem fundamental importância, pois, a partir de sua utilização adequada os alunos ampliam sua concepção sobre o que é, como e para que aprender matemática, vencendo os mitos e preconceitos negativos, favorecendo a aprendizagem pela formação de idéias e modelos. Porém, nem sempre uma metodologia pode dar certo a partir na sua primeira tentativa. Ser professor não consiste em apenas ter um diploma e sair para atuar na profissão, ser professor exige mais que isso, exige prazer pelo que faz e uma busca constante em melhorar seu trabalho dia após dia como afirma (LORENZATO, 2006, p.121) “Nós professores, temos com vistas às nossas atividades profissionais: a de darmos aula e/ou a de formamos pessoas; a primeira corresponde a uma questão de oportunidade e a segunda, a uma vocação”. O professor não vai acertar sempre, mais também não vai errar sempre. Dante (1989, p. 12) adverte “o professor não é responsável pelo tipo de ensino que recebeu, mas tem uma grande responsabilidade sobre o que leva para as aulas”. A matemática é considerada uma disciplina que não é fácil de ensinar e quando se fala em inclusão o professor enfrenta grandes dificuldades, pois na maioria das vezes não está preparado para atender a diversidade de alunos no ambiente da sala de aula, com isso é necessário que ele modifique suas práticas pedagógicas incluindo esse aluno através de metodologias que sejam eficazes para todos. 2.2-O Ensino da Matemática em salas de aula que possuem alunos com deficiência 24 O profissional docente que é o grande responsável pelo processo de ensinoaprendizagem de seus alunos, no entanto o mesmo não tem que mudar radicalmente sua maneira de ensinar se tiver alunos com deficiência, transmitindo o conhecimento de forma individualizada/separada. Basta sim utilizar metodologias que são eficientes para todos os alunos, inclusive para aqueles que possuem deficiência. Os alunos com deficiência têm suas diferenças, mais isso não significa que eles não sejam capazes de aprender os conteúdos curriculares dentre eles os de matemática, é necessário que os professores acreditem no potencial desses alunos e utilize metodologias e materiais que sejam eficazes para que a aprendizagem se torne efetiva na prática. As praticas e metodologias diferenciadas devem se fazer presente tanto na sala de aula quanto nas salas de recursos nas aulas de matemática. De acordo com a deficiência do aluno as aulas devem ser planejadas tendo em vistas as peculiaridades de cada aluno levando em consideração que ele precisa para desenvolver seu aprendizado. Na sequência abordarmos sobre a deficiência intelectual, auditiva e visual ,metodologias que tem se mostrado eficientes no processo de ensino e aprendizagem de matemática para alunos com deficiência. Segundo a Lei no 3.298/99 deficiência intelectual é o “funcionamento intelectual significativamente inferior a média, com manifestações antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas.” Os jogos por exemplo tem sido uma boa opção para trabalhar com o ensino de matemática para alunos com deficiência intelectual. Rodrigues (2014) afirma que “o ponto de partida deve ser algo que mantenha o aluno atento, como jogos de tabuleiro, quebra-cabeça, jogo da memória e imitações de sons ou movimentos do professor ou dos colegas.” E ainda que : È importante adequar a proposta à idade e, principalmente, aos assuntos trabalhados em classe. Nesse caso, o estudo das formas geométricas poderia vir acompanhado de uma atividade para encontrar figuras semelhantes que representem o quadrado, o retângulo e o círculo (2014). Os alunos que possuem deficiência intelectual têm grande dificuldade em manter a concentração o professor tem que estimular antes de tudo a concentração de seu aluno trabalhos em grupo facilita bastante a tarefa. (SOUZA, MASCIANO, FONSECA, 2013). Estudos realizados por Rossit (2003) na sua tese de doutorado evidenciou que o trabalho pedagógico pautado no manuseio de dinheiro tem se mostrado eficiente no aprendizado de alunos que possuem deficiência intelectual. Pois essa prática possibilita a 25 aprendizagem de conteúdos matemáticos como operações e além de proporcionar uma formação para atuar na sociedade. Já, se o professor tiver um aluno com deficiência visual ele deve utilizar metodologia e materiais pedagógico que explore os sentidos remanescentes no caso a audição e o tato ativo são os mais indicado. Para tanto o professor precisa buscar materiais que possibilite explorar o coutado em pauta para a série que o aluno se encontra matriculado. Para trabalhar as quatro operações e o sistema decimal com aluno deficiente visual o sorobã, o ábaco e o material dourado oportuniza esse aluno participar ativamente do processo de aprendizagem. Gonçalves ( 2014) corrobora com essa ideia. O sorobã merece destaque no ensino de matemática para esse público de alunos, pois permite realizar cálculos que utilizam as quatro operações básicas estimulando a memória e o raciocínio rápido dos alunos. Segundo Lima (2014): O sorobã é um contador numérico facilitador para o professor mediar o sabermatemático em sala de aula, aquele é mais útil ainda no caso de crianças cegas ou com baixa visão. É preciso destacar que para o uso do soroban, a criança já deve ter tido experiência em diversos jogos que possibilitam a compreensão do conceito de números. O Multiplano, também, tem se mostrado um material bem eficiente no ensino de matemática para alunos com deficiência visual, esse foi desenvolvido/confeccionado por Ferronato (2002). Esse material consiste numa tabua perfurada de linhas e colunas perpendiculares onde os furos tem a mesma distância, nos furos podem ser encaixados rebites nos quais possuem a realização de diversas atividades matemáticas. Com esse material é possível trabalhar a inclusão de todos os alunos, podendo trabalhar com diversos conteúdos matemáticos dentre eles as quatro operações básicas, tabuada, divisores, números primos, números quadrados, números triangulares, raiz quadrada, produtos geométricos, gráficos, parábolas intervalos numéricos entre vários outros. Conteúdos esses de toda a educação básica. Portanto, existem vários materiais que são eficientes para o ensino de matemática para alunos com DV, basta que o professor se preocupe com seu aluno e procure sempre estar se atualizando nas metodologias de ensino que são eficazes para todo seu publico de alunos sem excluir nenhum deles por suas particularidades, existem materiais de baixo custo e que são eficazes para que a aprendizagem do aluno com deficiência visual possa ser efetiva. Segundo o Decreto de Lei no 3298/99 considera-se deficiente auditivo toda pessoa que possuir “perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida 26 por audiograma nas frequências de 500HZ, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz” (Redação conferida pelo Decreto nº 5.296/04 no Capítulo 1, Art.4º). Se o professor tiver um aluno com deficiência auditiva o ensino de matemática deve acontecer explorando o sentido da visão e com a utilização de LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais conforme Lei no 10.436. Toda escola deve oferecer interprete para dar apoio ao processo de ensino aprendizagem de aluno surdo, a LDB defende a obrigatoriedade de um interprete para alunos com deficiência auditiva. Porém o papel do interprete é interpretar, cabe ao professor a responsabilidade de ensinar o conteúdo. Lacerda (2009) corrobora com essa ideia ao afirmar que : É importante que o professor regente da classe conheça a língua de sinais, não deixando toda a responsabilidade da comunicação com os alunos surdos para o intérprete, já que a responsabilidade pela educação do aluno surdo não pode e não deve recair somente no intérprete, visto que seu papel principal é interpretar. A responsabilidade de ensinar é do professor ( p.35) Thompson (2005) realizou uma experiência e o resultado foi positivo, ao ensinar matemática para alunos surdos, o conteúdo trabalhado foi a localização de pontos no plano cartesiano, para que os alunos compreendessem a ideia do conteúdo abordado uma vez que os mesmos confundiam as posições dos eixos X e Y, ela sugeriu que ao invés do conteúdo ser trabalhado na maneira tradicional no plano vertical, o plano fosse colocado na maneira horizontal, dessa forma os alunos seriam os números, e cada vez que a professora solicitava os pares ordenados nos eixos X e Y os alunos caminhavam e se encontravam no ponto procurado. O trabalho foi realizado várias vezes e com isso os alunos conseguiram entender a ideia, depois a professora voltou a trabalhar no quadro de giz, e concluiu assim que a experiência através do concreto permitiu que os alunos surdos pudessem compreender o conteúdo abordado. Outra experiência realizada por Souza (2000) evidenciou que os alunos com deficiência auditiva aprendem mais associando o conteúdo trabalhado a sua vida do dia a dia, a professora trabalhou com ângulos, em seguida utilizou libras e cartazes para alunos surdos. Com isso pode concluir que o aluno conseguiu aprender de maneira expressiva o conteúdo trabalhado. 27 CAPÍTULO III – METODOLOGIA DA PESQUISA Neste capítulo apresentaremos a metodologia da pesquisa. A opção metodológica utilizada que foi a pesquisa qualitativa, utilizamos para a coleta de dados um questionário que foi aplicado a professores de sala de recurso de escolas estaduais de Ji-Paraná-RO. Também, versaremos sobre a caracterização do universo da pesquisa, os sujeitos da pesquisa e a coleta de dados. 3.1 - Opção Metodológica Considerando que o presente estudo tem por objetivo investigar como vem ocorrendo o processo de ensino e aprendizagens de matemática para alunos com deficiência nas salas de recursos das escolas públicas de educação básica de Ji-Paraná, optamos por realizar uma pesquisa na abordagem qualitativa. Pois segundo Minayo, Deslandes e Gomes (2012) a pesquisa qualitativa responde a questões particulares que não pode se contemplados nas pesquisas quantitativas. Ideal ser utilizadas em estudos na área de Ciências Sociais. Visto que possibilita investigar um nível de realidade que não se pode ou não deveria ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças dos valores e das atitudes. Além, da pesquisa bibliográfica em livros, artigos, dissertações que aborda sobre educação inclusiva e mais especificamente das salas de recurso e de um estudo documental nas leis e decretos que aborda sobre o direto da pessoa com deficiência será realizado uma pesquisa de campo. A pesquisa de campo aconteceu em quatro escolas públicas estaduais de Jí Paraná que possuem salas de recursos. Sendo os sujeitos dessa pesquisa os professores que fazem o atendimento nestas salas e indiretamente os alunos atendidos nestas salas. Os dados foram coletados por intermédio um questionário. 3.2-Caracterização do Universo da Pesquisa A pesquisa foi realizada na cidade de Ji-Paraná/RO. Está cidade foi criada no dia 22 de novembro de 1977, através da Lei nº6.448, de 11.10.77 encontra-se localizada no sudoeste do estado de Rondônia na Região Norte do Brasil. A mesma ganhou o nome de JiParaná em homenagem ao rio que a atravessa, dividindo sua sede administrativa em dois 28 setores urbanos distintos conhecidos como primeiro distrito (zona norte) e segundo distrito (zona sul). Segundo dados do IBGE a conta com 116.610 habitantes e com uma área territorial de 6.896,738 km. Segundo os dados fornecidos pelo Conselho Regional de Educação – CRE de JiParaná nesta cidade havia em 2014 38 escolas estaduais e dessas treze escolas que possuem sala de Recursos Multifuncionais sendo elas: CEEJA Teresa M. Tustumi, E.E.E.F.M Júlio Guerra, IEE Marechal Rondon, E.E.E.F.M Professor José Francisco dos Santos, E.E.E.F Carmem Rocha, E.E.E.F Jardim dos Migrantes, E.E.E.F Sílvio Micheluzzi, E.E.E.F.M Antônio Bianco ,E.E.E.F Cora Coralina, EEEFM Janete Clair, EEEFM Aluísio Ferreira, E.E.E.F.M Edilce dos Santos e E.E.E.F 13 de Maio. As instituições escolhidas para comporem o universo da pesquisa foram três Escolas Estaduais de Ensino Fundamental e Médio e duas Escolas Estaduais de Ensino Fundamental ambas pertencentes a CRE localizadas no primeiro distrito da cidade de JiParaná-RO. Segundo esses dados também, fornecidos pela CRE no ano de 2014 estão regulamente matriculados na rede regular de ensino 187 alunos com diagnostico de deficiência. No Quadro 1 consta a estatísticas dos números de alunos com deficiência das escolas públicas de Ji-Paraná no ano de 2014. Quadro 1- Quantidade de alunos com deficiência e altas habilidades matriculados nas escolas públicas estaduais de Ji-Paraná - 2014 Tipos de deficiência Quantidades Surdez 35 Cegos 05 Baixa visão 07 Deficiência Intelectual 115 Deficiência Múltipla 02 Paralisia Cerebral 03 Deficiência Física 03 Autismo 05 Altas Habilidades 12 Total 187 Fonte: Dados fornecido pelo Conselho Regional de Educação de Ji-Paraná Como pode ser evidenciado no Quadro 1, existem matriculados na rede regular de ensino 187 alunos com deficiência e altas habilidades no ano de 2014 , sendo 18,71% dos alunos com surdez, 2.67% alunos cegos, 3,74% com baixa visão, 61,49% deficientes 29 intelectuais,1%com deficiência múltipla, 1,6%,deficiência física 2,67% autismo e 6,41% com altas habilidades. Evidenciou-se que os alunos com deficiência intelectual são maioria entre com deficiência. 3.3-Sujeitos da Pesquisa Os sujeitos da pesquisa são quatro professores que no ano de 2014 estavam atuando em salas de recursos. Três são do sexo feminino e um masculino, os mesmos serão caracterizados no decorrer deste estudo pelos nomes fictícios de P1, P2 ,P3 e P4 . Sendo os quatro formados em curso de Licenciatura em Pedagogia. Cabe destacar, que todos se formaram em instituição de nível superior localizadas da cidade de Ji-Paraná, sendo três na Universidade Federal de Rondônia - UNIR e um na Universidade Luterana do Brasil - ULBRA. Dois dos professores pesquisados atuam há dez anos como docente e os outros três atuam há mais de vinte e quatro ano. No entanto, esses professores não acumulam muito tempo de trabalho nas salas de recursos, o que tem mais tempo soma seis anos e o com menos tempo totalizou em 2014 um ano. Merece elucidar, que todos são professores efetivos e não exercem nenhuma outra profissão além da docência nessas escolas. Na sequência apresentaremos a caracterização de cada um dos quatro sujeitos do presente estudo. A primeira professora (P1) tem vinte oito anos de experiência como docente é graduada em Licenciatura em Pedagogia na UNIR Campus de Ji-Paraná-RO, e pós-graduada em Gestão Escolar e Psicopedagogia está atuando recentemente na sala de recursos, há um ano. Fez um curso de Libras como formação complementar para atuar na área de Educação Especial. A segunda professora (P2) têm dez anos de experiência docente, graduada em Licenciatura em Pedagogia com Orientação Educacional na instituição ULBRA localizada em Ji-Paraná-RO. Ela cursou até o memento três pós-graduações lato sensu uma em Psicopedagogia, uma em Gestão Escolar e a outra em Atendimento Educacional Especializado (AEE). Está atuando há cinco anos na sala de recursos, e fez alguns cursos de formação complementar na área de Educação Especial como: Libras, curso para atuar pedagogicamente com alunos com deficiência intelectual (DI), Curso de Braille, Seminários em Educação Inclusiva, Curso de Sistema FM, Curso de Alfabetização dentre outros. 30 O terceiro professor (P3) tem dez anos de experiência como docente, é graduado em Licenciatura em Pedagogia pela UNIR campus de Ji-Paraná-RO e é pós-graduado em Atendimento Educacional Especializado (AEE). Está atuando há cinco anos na Sala de Recursos, fez alguns cursos de formação complementar na área de Educação Especial como Libras, Deficiência Múltiplas, Curso de Tecnologia Assistida e participou de palestras sobre as diferentes deficiências. A quarta professora (P4) tem vinte e nove anos de experiência como docente foi graduada em Pedagogia na UNIR campus de Ji-Paraná-RO. Fez duas pós-graduações sendo: uma em Atendimento Educacional Especializado (AEE), uma em Interprete e Tradutor de Libras, Atua há seis anos na Sala de Recursos e fez alguns cursos de formação complementar na área de Educação Especial como Libras, Educação Intelectual, Braille dentre outros. 3.4 - Coleta de Dados Para a realização da pesquisa utilizou-se como instrumento de coleta de dados um questionário. Segundo Fiorentini e Lorenzato questionário é “um dos instrumentos mais tradicionais de coleta de informações e consiste numa série de perguntas, que podem ser fechadas, abertas ou mistas” (2006, p. 116). Para proceder a realização da pesquisa foram utilizados os seguintes critérios para selecionar os participantes, as escolas teriam que ser estaduais, possuir salas de recursos atualmente ativas e alunos com deficiências matriculados na mesma, além de serem localizadas no primeiro distrito da cidade de Ji-Paraná. Visto que o acesso a estas escolas seria mais fácil para a pesquisadora. O questionário foi composto por 19 perguntas sendo 4 de caracterização do profissional, tendo como objetivo elucidar algumas informações pessoais do entrevistado formação acadêmica e experiência profissional, 13 abertas e 2 fechadas. Com o intuito de conhecer o profissional que atende na sala de recurso, suas práticas pedagógicas, qual o público de alunos dessa sala, quantos são os alunos atendidos, o que esse professor preconiza no ensino da matemática para alunos com deficiência dentre outros. Obtidas as autorizações da direção escolar e dos participantes da pesquisa através de um termo de consentimento iniciou-se a pesquisa. Em alguns casos foram mais fáceis, três professores autorizaram e já responderem o questionário de imediato, dessa forma tive um maior contato com eles e pude esclarecer duvidas deles na hora de responder. 31 Já, com outro professore foi mais complicado tive que ir na escola várias vezes, algumas vezes o professore não estava presente, outras estava ocupado, por fim deixei o questionário com ele e peguei na semana seguinte. Para ampliar os dados, foram realizadas observações no ambiente da salas de recursos e registrado num diário de campo, para posterior análise e confronto com os dados obtidos nos questionários. Segundo Minayo (1993, p.100) num diário de campo, [...] constam todas as informações que não sejam o registro das entrevistas formais. Ou seja, observações sobre conversas informais, comportamentos, cerimoniais, festas, instituições, gestos, expressões que digam respeito ao tema da pesquisa. Falas, comportamentos, hábitos, usos, costumes, celebrações e instituições compõem o quadro das representações sociais. A coleta de dados foi realizada durante o mês de agosto de 2014, vale destacar que no primeiro distrito existem sete escolas que possuem sala de recursos, porém só foi possível realizar a pesquisa em quatro escolas. Pois, em uma das escolas não aplicamos o questionário, uma vez que a professora da sala de recursos só atendia alunos superdotados esse não era o foco do trabalho e nas outras duas escolas as professoras não aceitaram a participar da pesquisa. 32 CAPÍTULO I V– APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Neste capítulo apresentaremos os dados coletados e uma análise interpretativa dos mesmos com base no embasamento teórico apresentados nos capítulos anteriores e informações prestadas pelos sujeitos da pesquisa por meio do instrumento de coleta de dados aplicados no decorrer desta investigação. 4.1-Apresentação e Análise dos Dados A primeira pergunta do questionário tinha por finalidade identificar os motivos que levaram esses professores (sujeitos da pesquisa) a atuarem na sala de recursos. Mapeamos com as respostas dois motivos: três dos professores responderam que foi escolha pessoal e um dos professores respondeu que foi convite da escola. Como pode ser evidenciado na fala do professor P1, P2 e P3 . P1-“Foi convite da escola. Me ofereceu a oportunidade e eu aceitei. Antes de vim trabalhar na sala de recursos eu já tinha trabalhado com alunos autistas por dois anos. Primeiro e segundo ano inicial regular.”, P2 -“Pela escola, todos os alunos com deficiência que entravam na escola eles colocavam na minha sala de aula regular,como a escola não tinha sala de recursos,a diretora acabava me escolhendo porque falava que eu tinha um jeitinho especial de trabalhar com eles e como veio a proposta de implantar a sala de recursos ,ficou pra mim e foi um desafio”. P3-“Ambos a escola ofereceu e eu aceitei” P4 -“Foi uma escolha pessoal minha, por ter trabalhado com uma aluna surda em sala de aula regular, durante cinco anos. Senti a necessidade de me aperfeiçoar nessa área e devido a necessidade de uma pessoa para atuar na sala de recursos, eu me prontifiquei”. A segunda pergunta tinha como finalidade identificar se os professores durante a formação inicial ou após a conclusão da mesma tiveram algum curso para atender alunos com deficiência. Os professores foram unânimes em destacar que não tiveram nenhuma formação de como lecionar para alunos com deficiência, e que só depois que começaram a trabalhar na sala de recursos passaram a participar de cursos que são oferecidos pelo governo. Como pode ser evidenciado nas respostas: P1 “Na graduação não.Atualmente tem sim,tem uma vez por mês.A equipe do AEE se reúne e sempre tem cursos nessa área de crianças com necessidades especiais,no Conselho Municipal de Educação.’’ P2-“Não tive nenhum curso e só depois que a escola foi contemplada com a sala de recursos fiz 33 cursos.’’P3-“Na Unir não,e principalmente pelo município nos encontramos direto para fazer cursos.’’P4-“Na graduação não. Depois, já fiz vários, todos que tenho oportunidade de fazer. Já fiz curso a distância em deficiência intelectual,curso em autismo,curso de libras (faço todos os anos) já ministrei curso de libras na escola junto com aluno surdo.Curso em Braille,curso em Interpretação da Libras em Porto Velho e Pós Graduação em Libras. Conforme aponta Mittler (2003, p. 35) “A inclusão implica que todos os professores têm o direito de esperar e de receber preparação apropriada na formação inicial em educação e desenvolvimento profissional contínuo durante sua vida profissional.” Como pode ser evidenciado nas falas do sujeito e na citação de Mittler essa formação inicial não vem ocorrendo, as instituições de ensino superior não vem formando profissionais capacitados para receberem alunos com deficiência uma vez que esses professores sujeitos não receberam formação continuada quando estavam lecionando em sala de aula regular e que só depois de terem o contato com a sala de recursos passaram a fazer cursos. E ainda segundo Mantoan (2006), esse é um dos motivos dos professores se sentirem incapacitados de lecionar para alunos com deficiência, pois não receberam nenhuma formação inicial e continuada para trabalhar com os mesmos. E ainda está posto na LDB que “prevê também professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns‟. Com isso fica evidente que é preciso repensar de como deve acontecer a formação de professores atualmente para que esses consigam trabalhar de maneira inclusiva conseguindo atingir todo o público de alunos de maneira efetiva visto que está posto na lei mais que na realidade não vem acontecendo. A terceira questão abordada no questionário visava identificar se a Secretaria de Educação tem dado apoio, através de cursos de formação ou de outras maneiras para que os professores pudessem se preparar para atender alunos com deficiência e os superdotados. Nessa pergunta todos os quatro professores responderam que sim, como pode ser observado nas seguintes respostas: P1- “Sim. Sempre são oferecidos pelo município cursos para melhorar o trabalho. Mais ainda são poucos e precisa melhorar mais”. P2-, “Tem formações continuadas, mais falta muita coisa, necessitamos de mais cursos como por exemplo cursos na área de tecnologia assistiva, ,temos cursos mais não são o suficientes braile, sorobã ,orientação e mobilidade precisava de um professor em cada área,minha área são com os DI 34 gosto e trabalho bastante mais se chega um cego tenho que me preparar para atender o cego”.P3-“Sim. A Secretaria de Educação fornece com parceria do município,eu trabalho com deficiência física e intelectual,eles concentram os alunos com as mesmas deficiência em cada escola,quando recebo um aluno com um tipo de deficiência que não tenho conhecimento para trabalhar peço ajuda á outros professores que trabalham a mais tempo com deficiência a anos,quando surge dificuldades ou falta de material.Surdos por exemplo”.P4-“Sim,mais a maioria dos cursos que fiz foi pela secretária de educação do município. Com base nas respostas podemos elucidar que os cursos são oferecidos em parceria com o município, ficou evidente também na fala dos sujeitos que muita coisa precisa ser melhorada, pois mesmo fazendo esses cursos, os professores sentem muitas dificuldades para trabalhar com os diversos tipos de deficiências. Perguntamos depois aos professores se a supervisão tem momentos ou reuniões específicos para dialogar, trocar experiências e idéias e alternativas de trabalho para os alunos na sala de recursos. Obtivemos respostas diversas sendo elas: “Sim, estamos sempre conversando. Aqui a escola é pequena e estamos sempre trocando ideias e sugestões de como trabalhar com esse público de aluno e a orientadora está sempre presente” (P1), “Tem. Eu direciono uma reunião com a supervisora para trabalhar com os professores que são os que tem mais dúvidas,agora formação continuada não temos devido ao tempo e muitos alunos a sala tem um fluxo de alunos muito grande.Isso acontece de uma a duas vezes no ano”(P2), “Aqui uma ou duas vezes por ano a gente tem um período de capacitação principalmente com professores novos,mostro como trabalhar e avaliar,mais na prática os professores tem dificuldades e me procuram e eu ajudo, temos sim contato”(P3), “Raramente, mais sempre que tem reunião com os professores aproveito para trocar ideias e falar sobre inclusão dos alunos em salas de aula e das atividades adaptadas e das avaliações”(P4). No Gráfico 1 apresentamos a quantidade e a deficiência dos alunos atendidos nas salas de recurso pelos quatro professores pesquisados. Gráfico 1 – Alunos com deficiência atendido pelos professores entrevistados. Fonte: Dados fornecidos pelos professores entrevistados 35 Com base nos dados do Gráfico 1 podemos observar que a maior quantidade de alunos atendidos pelo P1 são os DI. Já, o professor P2 atende a uma maior diversidade de alunos em sua sala de recursos dentre eles os DI são em maior número, DV, Síndrome de West, Deficiência Múltipla e DA. O professor P3 trabalha mais com alunos DF e DI e o professor P4 também atende uma grande diversidade de alunos em sua sala sendo o DI em maior quantidade, autista, DF, DV. A LDB não versa especificamente sobre quantos alunos e quais tipos de deficiência os professores que trabalham nas salas de recursos devem atender. Os quatro professores também foram questionados sobre a qual o tipo de deficiência eles consideravam ser mais complexo o atendimento na sala de recurso tendo em vista o processo de ensino da matemática. Nas respostas dos professores ficou evidente que o ensino da matemática é mais complexo para os alunos com deficiência intelectual. No entanto, o P1 destaca que aprender é um desafio para todos os alunos. Essa concepção do professor corrobora com dados da pesquisa de Fayol (2012) que aborda que 20% das crianças e adolescentes desenvolvem pela matemática sentimentos negativos com isso podemos concluir que a matemática é sim um desafio para trabalhar com todo público de alunos, e não somente com aqueles que possuem deficiência. Visando identificar a relação que os professores tinham com a matemática e se eles gostavam de matemática, foi realizada uma pergunta com esse foco. As respostas dessa pergunta evidenciou que eles gostam de matemática. Os professores P1e P2, reconhecem a importância da matemática, e que ela está presente na vida diária de todos. Conforme falas: P1“Sim, gosto a matemática faz parte da nossa vida a todo tempo, sinto preparada, mais gosto de sempre estar aprendendo, mas dentro do que tenho aqui tenho conseguido realizar um bom trabalho. P2- “Eu gosto. Acho a matemática a mais complicada para trabalhar, pra eles sairem do concreto para o abstrato é complicado devido a própria deficiência dele, mas conseguem num ritmo diferenciado, é um conteúdo que eles tem que desenvolver no mundo social deles ajuda nossa vida”. Essas posturas dos professores corroboram com que diz os Parâmetros Curriculares Nacionais (1996) de que a matemática tem grande importância desempenhando um papel decisivo e ainda possibilita a resolução de problemas na vida humana. No que se refere a resolução de problema Borba e Skovsmose (2001) defenderem que a todo momento a matemática é usada para fazer resolver situações na vida em sociedade. 36 Na fala do P1e P4 ficou evidente também que esses professores reconhecem que necessitam sempre buscar novos conhecimentos para poder ensinar matemática para alunos com deficiência e ainda que mesmo que o professor não saiba ele não deve se acomodar e ir em busca de novos conhecimentos. Como é comtemplado na fala: P4- “Sim, não me sinto tão preparada como deveria, mais estou sempre buscando e pesquisando para melhorar minha prática com os alunos especiais”. Perguntamos também aos professores, quais os materiais recursos que existem em sua sala de recursos com potencialidade de ser utilizado para ensinar matemática. Organizamos no Quadro 2 as respostas dos professores. Quadro 2 – Materiais existente nas salas de recursos Professor Materiais P1 Material dourado, Jogos, dominós, varetas, jogos no computador, quebra cabeça e blocos lógicos. P2 Temos material dourado, ábaco, escala cuisenaire, loto numérico, dominó de números, tabuada giratória, pega pega, tabuada mosaico dos números ,mosaico geométrico, geoplano, blocos lógicos, tangram, loto tabuada, jogo da memória, dominó de cores, numerais com pinos, dominó de frações, caixinha de números em braile, jogo de rodinhas e blocos lógicos gigantes P3 Jogos, dominó das operações, material dourado, boliche, educativos online, dama, enfim aqui tudo vira matemática mais os que eles mais gostam são os online P4 Material dourado, dominós, loto numérico, softwares: letras e números, jogo da memória no computador, jogo da velha, balança de peso, com números, tangram, montagem das formas geométricas soroban e outros Fonte: Dados fornecidos pelos professores entrevistados Podemos perceber que nas escolas existem um grande número de material que podem ser utilizados com potencialidade para o ensino de matemática para alunos com deficiência. Vale ressaltar a fala do professor P3 “aqui tudo vira matemática”, com base nessa informação podemos concluir que o professor realmente reconhece que a matemática está presente em tudo, ele transparecer que não precisa de um material específico para ensinar matemática basta fazer um planejamento pedagógico com o que se tem a disposição, conforme esclarece Rego e Rego (2006). Numa outra pergunta, visávamos identificar como era a relação do professor da sala de recursos com os professores da sala de aula regular em relação ao ensino de matemática. Com base nas respostas do professor P1 e P2 podemos concluir que essas afirmações contradizem aquilo que os Diretrizes Nacionais para a Educação especial (2006) 37 defendem pois lá, temos a informação que a sala de recursos tem um professor especializado para dar apoio pedagógico que suplementa (no caso dos superdotados) e complementa (para os demais alunos) o atendimento educacional realizado em classes comuns da rede regular de ensino visto que esses professores não estão trabalhando de acordo com essa definição. No entanto na fala do podemos perceber que não é isso que tem acontecido na prática diária da sala de aula. P1- Ás vezes dou continuidade no trabalho do professor quando ele pede, mais a ajuda é em cima daquilo que o aluno tem mais dificuldade,ás vezes eu vejo o que o aluno tem mais dificuldade e trabalho em cima da dificuldade do aluno. P2Geralmente no planejamento ou no quando eles vêm com dúvidas à sala de recursos não trabalha o mesmo conteúdo, mais se o aluno tiver dificuldade adaptamos materiais concretos. Já, o P3 reconhece que é necessário levar em consideração o nível do desenvolvimento intelectual do aluno, visto que os alunos não são iguais e merecem sim atendimento diferenciado, que cada um tem uma maneira de aprender. Sendo assim, o professor não deve ensinar de uma mesma maneira para todos os alunos. Como pode se evidenciado nas falas: P3- È complicado tem que levar em consideração o nível do aluno, em que série está, e as habilidades dos alunos cada caso é um caso,a partir daí o encontro e a reunião acontece, é individualizado o planejamento. Com relação a resposta do P4 podemos concluir que existe sim uma barreira entre o professor da rede de ensino regular e o professor da sala de recursos concordando com a ideia de Mantoan (2006) e nos levando a refletir que para que haja um ensino de qualidade e que para que esse aluno possa avançar é necessário que haja um trabalho em equipe com toda equipe gestora da escola, cada um tem que assumir seu papel e não apenas ficar sobrecarregando um profissional. Outra pergunta visava identificar as dificuldades, limites, desafios bem como as vantagens e gratificação que impõe o processo ensino-aprendizagem da matemática aos alunos com deficiência na sala de recurso. Com base nas respostas podemos concluir que os professores que atuam nas salas de recursos são compromissados com o seu trabalho e tentam fazer o melhor que podem, mas que na maioria das vezes não estão tendo apoio para que esse trabalho possa ser realizado com qualidade. Pois a aprendizagem dos alunos não podem serem avaliadas levando em consideração apenas o trabalho do professor da sala de recursos como pode ser evidenciado na fala do P2-“Não temos todo suporte que deveríamos ter,o aluno precisa de uma equipe multiprofissional, para trabalhar outras áreas que eles também necessitam fonodiólogo, psicólogo, neurologista, terapeuta-ocupacional,tento fazer meu 38 trabalho mais é difícil a inclusão não está ok, precisamos estar mais preparados não adianta eu trabalhar sozinha”. Buscamos compreender também como deveria ser de modo geral o ensino da matemática para os alunos com deficiência, os tipos de recursos e metodologias didáticopedagógicas mais adequados no processo de ensino-aprendizagem da Matemática para esse alunado e quais os métodos de ensino que os professores tem utilizado ao dar aula de matemática para os alunos com deficiência. Três dos professores responderam que de maneira concreta seria a melhor forma para se trabalhar matemática para esse público de alunos. Essa idéia confirma com as idéias de Rego e Rego (2006), ao defenderem o uso de materiais concretos. No final do questionário possibilitamos que os professores pudessem compartilhar algo mais em relação às questões abordadas no questionário ou compartilhar algo mais sobre a sua experiência profissional. Ficou evidente que os professores que atuam nas salas de recursos sentem-se felizes em realizarem seus trabalhos, são compromissados, são solidários e preocupados em melhorar a qualidade do ensino para os seus alunos com deficiência. Os mesmos reconhecem que estão fazendo a diferença na vida de seus alunos, como pode ser visto na fala da professora P2- “Que a educação não seja só de aparência, que a gente consiga colocar em prática pois eles são muito dependentes,aqui é um ambiente que chama a atenção deles,e que os governantes vejam mais a questão de salas lotadas e que os professores por mais que queiram não conseguem dar atendimento individualizado que eles precisam,e que vocês pesquisadores consigam mais alguma coisa para ajudar”.Com isso podemos concluir que a inclusão se inicia,o querer já é um bom começo. 39 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com base na análise de dados levantados nessa pesquisa que teve por objetivo investigar como vem ocorrendo o processo de ensino e aprendizagens de matemática para alunos com deficiência nas salas de recursos das escolas públicas de educação básica de JiParaná-RO podemos tecer algumas considerações e reflexões. No entanto, cabe destacar que as considerações aqui apesentadas são particulares do contexto da pesquisa, não podendo ser generalizada para a população de sujeitos vista a metodologia utilizada não ter tal pretensão. Mas, esses resultados podem ser útil para despertar e subsidiar novos estudos e ainda para reflexão na comunidade em geral e em particular do papel das salas de recurso na educação das pessoas com deficiência que estão na rede regular de ensino. Pelas falas dos professores ficou evidente que o ensino da matemática vem acontecendo nas salas de recursos das escolas estaduais de Ji-Paraná-RO, uns trabalham de forma individualizada, outros de maneira interdisciplinar com outras área de conhecimento do currículo. Observamos que uma das limitações para o ensino da matemática na sala de recurso e o fato de todos os quatro professores pesquisados serem formados em Pedagogia. Também compreendemos que a maioria dos professores que estão desempenhando seu trabalho pedagógico nas salas de recursos por uma escolha pessoal ou por escolha da escola, as deram evidencia que gostam de trabalhar neste ambiente da escola. Percebemos na fala dos mesmos, o que é comum e quase todos os estudos que fazem interface com atemática educação inclusiva e formação de professores, as instituições de ensino superior ainda não estão preparando os acadêmicos para lecionar para alunos que possuem deficiência. Os quatro professores elucidaram, que apesarem de terem cursado Licenciatura em Pedagogia, que não tiveram nenhuma preparação/formação especifica para atuar com esse público de alunos. Podemos concluir, também, que o trabalho realizado nas salas de recursos pesquisadas, ainda, está distante do que preconiza a LDB no que se refere ao trabalho complementar. Por mais que está exposto na Constituição Federal de 1988 e na LDB Lei 9.304/96 que é dever do Estado formar professores com qualificação para desenvolver um ensino inclusivo, a maioria dos professores sente necessidade de mais apoio de toda a equipe gestora para que possam desenvolver um trabalho colaborativo. Os professores pesquisados relataram que estão desenvolvendo suas atividades sozinhos, isolados muitas vezes até dos professores das salas de aula regulares. 40 Percebemos, também, na fala dos sujeitos que muitos dos professores das salas de aula regular vêm delegam a responsabilidade da educação de todas as disciplinas para os alunos com deficiência para o professor da sala de recursos, sobrecarregando-o. Por isso, os mesmos acabam não fazendo o que eles poderiam fazer para ajudar os alunos com deficiência, afinal se cada um assumisse o seu papel nesse processo educativo o aluno teria um melhor aprendizado. As falas nos leva a inferir, também, que o processo de ensino-aprendizagem de alunos com deficiência precisa ser individualizado, único e centrado em cada aluno independe de qual matéria será trabalhada. Visto que, esses alunos possuem limitações e essas tem que ser respeitadas e suas potencialidades precisam ser valorizados. No que se refere ao processo de ensino-aprendizagem de matemática nas salas de recurso, ainda deixa a desejar, material didático existem, mas às vezes o professor que esta gerenciando essa sala é o processo não domina a matemática das séries mais avançadas e/ou não sabe explorar os materiais didáticos existentes nestas salas. Percebemos nas falas dos professores que atuam nessas salas que diferente de alguns professores que trabalham na sala de aula regular, apenas pelo salário, demostram um amor pela profissão e se sentem realizados em exercer esse trabalho. Eles reconhecem a importância de seu trabalho na vida desse aluno e que estão contribuindo de maneira positiva para ao início de uma inclusão verdadeira, pois infelizmente nos dias de hoje ela ainda se encontra apenas no papel. Conclui-se com o estudo realizado que a educação inclusiva precisa avançar em diversos aspectos e que a salas de recursos precisam centra-se no ensino complementar e nela precisa que trabalhe profissionais das diversas áreas de conhecimento. Um pedagogo dificilmente tem habilidades para ensinar matemática para um aluno terceiro e quarto ciclo do ensino fundamental e do ensino médio. Esta pesquisa apresenta elementos que servem de reflexões para outros estudos e para a prática de futuros profissionais docentes da sala de aula do ensino regular assim como eu que estou concluindo o curso. 41 REFERÊNCIAS AMARAL, L. Histórias da exclusão: e de inclusão? Na escola pública. In: CONSELHO REGIONAL DE PSICÓLOGOS. Educação Especial em debate. SP: Casa do Psicólogo/ Conselho Regional de Psicologia. BLANCO, Rosa. A atenção à diversidade na sala de aula e as adaptações do currículo. In: Desenvolvimento Psicológico e Educação: Transtornos de desenvolvimento e necessidades educativas especiais. Artmed: Porto Alegre, 2004 BORBA, Marcelo de Carvalho & SKOVSMOSE, Olé. A ideologia da certeza em educação matemática. Campinas: Papirus, 2001. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, de 23 de dezembro de 1996. BUENO, J.G.S. Crianças com necessidades educativas especiais, política educacional e a formação de professores: generalistas ou especialistas? Revista Brasileira de Educação Especial, n.3, p.12,1999. BUENO, J. G. S. Educação especial brasileira: integração/segregação do aluno diferente. São Paulo: EDUC, 1993 CARNEIRO, Moaci Alves. 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Agradecemos, desde já, o apoio à pesquisa e a atenção dispensada. ____________________________________________ Orientadora: Profa. Ms. Marcia Rosa Uliana ____________________________________________ Graduando: Fabiana Leite da Silva Ciente:______________________________________Data: ____/____/2014 Diretor (a) da Escola_____________________________________________________ APÊNDICE B AUTORIZAÇÃO DO PROFESSOR 47 Eu,_____________________________________________________________________, professor (a) da Escola___________________________________________________________, autorizo a graduanda Fabiana Leite da Silva , aluno da Universidade Federal de Rondônia-UNIR, Campus de Ji-Paraná na linha de Pesquisa: “UMA ANÁLISE NO PROCESSO DE ENSINO DA MATEMÁTICA NAS SALAS DE RECURSO DAS ESCOLAS ESTADUAIS DE JI-PARANÁ” com alunos com deficiência da sala de recursos, professor da sala de recursos no ensino de Matemáticas, sob orientação da Profª Ms. Marcia Rosa Uliana , aplicar-me instrumentos de coleta de dados (questionários, entrevistas gravadas, entre outros), analisar as respostas dadas por mim e utilizá-las, de forma anônima, em sua pesquisa intitulada .No período de Agosto á Dezembro de 2014. ____________________________________________ Orientadora: Profa. Ms. Márcia Rosa Uliana ____________________________________________ Graduanda : Fabiana Leite da Silva Ciente:______________________________________Data: ____/____/2014 APÊNDICE C QUESTIONÁRIO - PROFESSOR Professora, Solicito sua colaboração no sentido de responder o questionário, que tem por objetivo caracterizar os participantes da pesquisa do trabalho de conclusão de curso (TCC) que se propõe investigar as concepções de professores acerca do processo de ensino-aprendizagem 48 da Matemática no contexto da Sala de Recursos. Esclarecendo, que preservaremos seu anonimato. Fabiana Leite da Silva (Graduanda) Profa. Ms. Marcia Rosa Uliana (Orientadora) I. Dados Pessoais Nome completo: Data de nascimento: ______/______/________. Naturalidade:_________________________________ Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino Situação Funcional: ( ) Professor Efetivo ( ) Professor Contratado II. Formação Acadêmica Graduação Curso/Habilitação: Instituição em que se formou: Ano de conclusão: ______ Cidade/Estado: Pós-Graduação ( ) Especialização ( ) Mestrado ( ) Doutorado Área: _____________________________ Instituição: Ano de conclusão: ______ Cidade/Estado: Fez algum curso de formação complementar na área da Educação Especial? ( ) Sim ( ) Não Nome do curso: III. Experiência Profissional Nome da escola em que atua : a) Há quantos anos atua como professor? __________. b)E como professor na sala de Recurso? _________ c) Atua em outra escola além dessa? ( ) Sim ( ) Não. Qual? d) Exerce outra profissão além da docência? ( )Sim ( ) Não. Qual? IV Atuação na Sala de recurso 1.Atuar na sala de recurso foi uma escolha pessoal sua, escolha da escola ou se deu por outros motivos? Comente: 2.Durante sua formação inicial ou após a conclusão da mesma, você teve algum curso de formação para atender os alunos com deficiência? Se sim, cite quais foram. E atualmente faz algum curso? Qual? 3. A secretária de educação tem dado apoio através de cursos de formação ou de outras maneiras possíveis para que os professores estejam preparados para atender os alunos com deficiência e os superdotados? Se sim, apresente-os e comente. 49 4. Os professores e a supervisão têm momentos ou reuniões específicos para dialogar, trocar experiências e ideias de alternativas de trabalho com os alunos na sala de recurso? 5. Quantos alunos com deficiência e superdotados você atende na sala de recurso atualmente?___________ 6. Quantos? ( ) Deficiência visual ( ( ) Autista ( ) Síndrome de Down ( ) Deficiência Auditiva ) Superdotados ( ( ( ) Deficiência Física ) Deficiência Intelectual ) Outros 7.Qual a sua relação com a matemática? Você gosta de matemática? Se sente preparado para trabalhar o ensino da matemática para alunos com deficiência? 8. Quais os materiais recursos que existem em sua sala de recursos com potencialidade de ser utilizado para ensinar matemática? 9-Como se dá o seu contato e o do professor da sala de aula regular em relação ao ensino de matemática? 10. Comente um pouco sobre as dificuldades, limites, desafios bem como as vantagens e gratificação que impõe o processo ensino-aprendizagem da matemática aos alunos com deficiência na sala de recurso? 11,Qual tipo de deficiência você considera ser mais complexo o processo de ensino e aprendizagem de matemática? Por que? 12. Comente comparando com as outras disciplinas o processo de ensino e aprendizagem da matemática na sala de recurso? 13.Em sua opinião, que tipos de recursos e metodologias didático-pedagógicas são mais adequados no processo de ensino-aprendizagem da Matemática para os alunos com deficiência ?Quais os métodos de ensino que você tem usado ao dar aula de matemática para os alunos com deficiência 14. Na sua concepção como deveria ser de modo geral o ensino da matemática para os alunos com deficiência? 15. Se desejar compartilhar algo mais sobre sua experiência profissional ou fazer algum comentário ou sugestão sobre essas questões, fique a vontade. Pela sua preciosa atenção e colaboração, muito obrigada. 50 APÊNDICE D QUADRO DAS RESPOSTAS DOS SUJEITOS DA PESQUISA REFERENTE ÀS PERGUNTAS DO QUESTIONÁRIO . PERGUNTAS P1 P2 1.Atuar na sala de recurso foi uma escolha pessoal sua, escolha da escola ou se deu por outros motivos? Comente Foi convite da escola. Ofereceu-me a oportunidade e eu aceitei. Antes de vim trabalhar na sala de recursos eu já tinha trabalhado com alunos autistas por dois anos. Primeiro e segundo ano inicial regular. Ambos a escola ofereceu e eu aceitei. Foi uma escolha pessoal minha, por ter trabalhado com uma aluna surda em sala de aula regular, durante cinco anos. Senti a necessidade de me aperfeiçoar nessa área e devido à necessidade de uma pessoa para atuar na sala de recursos, eu me prontifiquei. 2. Durante sua formação inicial ou após a conclusão da mesma, você teve algum curso de formação para atender os alunos com deficiência? Se sim, cite quais foram. E atualmente faz algum curso? Qual? Não. Atualmente tem sim, tem uma vez por mês. A equipe do AEE se reúne e sempre tem cursos nessa área de crianças com necessidades especiais, no Conselho Municipal de Educação. Pela escola, todos os alunos com deficiência que entravam na escola eles colocavam na minha sala de aula regular, como a escola não tinha sala de recursos, a diretora acabava me escolhendo porque falava que eu tinha um jeitinho especial de trabalhar com eles e como veio a proposta de implantar a sala de recursos ,ficou pra mim e foi um desafio. Não tive nenhum curso e só depois que a escola foi comtemplada com a sala de recursos fiz cursos. P3 P4 Na Unir não. Atualmente sim. 3. A secretária de educação tem dado apoio através de cursos de formação ou de outras maneiras possíveis para que os professores estejam preparados para atender os alunos com deficiência e os superdotados? Se sim, apresente-os e comente. Sim. Sempre são oferecidos cursos para melhorar o trabalho. Mais ainda são poucos e precisa melhorar mais. Sim. A Secretaria de Educação fornece com parceria do município, eu trabalho com deficiência física e intelectual, eles concentram os alunos com as mesmas deficiências em cada escola, quando recebo um aluno com um tipo de deficiência que não tenho conhecimento para trabalhar peço ajuda á outros professores que trabalham a mais tempo com deficiência a anos, quando surge dificuldades ou falta de material surdos por exemplo. 4. Os professores e a supervisão têm momentos ou reuniões específicos para dialogar, trocar experiências e ideias de alternativas de trabalho com os alunos na sala de recurso? Sim, estamos sempre conversando. Aqui a escola é pequena e estamos sempre trocando ideias e sugestões de como trabalhar com esse público de aluno e a orientadora está sempre presente. 5. Quantos alunos com deficiência e 23 Tem formações continuadas, mais falta muita coisa, necessitamos de mais cursos como por exemplo cursos na área de tecnologia assistiva, temos cursos mais não são o suficientes braile, sorobã, orientação e mobilidade precisava de um professor em cada área, minha área são com os Di gosto e trabalho bastante mais se chega um cego tenho que me preparar para atender o cego. Tem. Eu direciono uma reunião com a supervisora para trabalhar com os professores que são os que têm mais dúvidas, agora formação continuada não temos devido ao tempo e muitos alunos a sala tem um fluxo de alunos muito grande. Isso acontece de uma a duas vezes no ano. 28 Na graduação não. Depois fiz vários, todos que tenho oportunidade de fazer. Já fiz curso a distância em deficiência intelectual cursa em autismo, curso de libras (faço todos os anos) já ministrei curso de libras na escola junto com aluno surdo. Curso em Braille, curso em Interpretação de Libras em Porto Velho e Pós Graduação em Libras. Sim, mais a maioria dos cursos que fiz foi pela secretária de educação do município. Aqui uma ou duas vezes por ano a gente tem um período de capacitação principalmente com professores novos, mostro como trabalhar e avaliar, mais na prática os professores tem dificuldades e me procuram e eu ajudo, temos sim contato. Raramente, mais sempre que tem reunião com os professores aproveito para trocar ideias e falar sobre inclusão dos alunos em salas de aula e das atividades adaptadas e das avaliações. 10 20 51 superdotados você atende na sala de recurso atualmente? 6. Quantos? 1autista, 1 deficiência física, 20 deficiência intelectual, outros 1 mental 7. Qual a sua relação com a matemática? Você gosta de matemática? Se sente preparado para trabalhar o ensino da matemática para alunos com deficiência? Sim, gosto a matemática faz parte da nossa vida a todo tempo, sinto preparada ,mais gosto de sempre estar aprendendo, mais dentro do que tenho, aqui tenho conseguido realizar um bom trabalho. 8. Quais os materiais recursos que existem em sua sala de recursos com potencialidade de ser utilizado para ensinar matemática? Material dourado, Jogos, dominós, varetas, jogos no computador, quebra cabeça, blocos lógicos. 9-Como se dá o seu contato e o do professor da sala de aula regular em relação ao ensino de matemática?___ Ás vezes dou continuidade no trabalho do professor quando ele pede, mais a ajuda é em cima daquilo que o aluno tem mais dificuldade, ás vezes eu vejo o que o aluno tem mais dificuldade e trabalho em cima da dificuldade do aluno. 10. Comente um pouco sobre as dificuldades, limites, desafios bem como as vantagens e gratificação que impõe o processo ensinoaprendizagem da matemática aos alunos com deficiência na sala de recurso. A gratificação é saber que estou ajudando a criança a permanecer na escola e vencer, as dificuldades é que é um trabalho lento não consegue ser rápido para ter um resultado e o objetivo ser alcançado, é mais gratificante a pena, eu aprendi isso gostava de tudo imediato e tive que me convencer disso, quando a professora da sala de aula regular diz que o aluno melhorou fico feliz, e o desafio é persevera, a educação é vagarosa. 2 deficiência visual, 1 deficiência auditiva, 2deficiência física intelectual, 22 deficiência intelectual 1 com síndrome de West Eu gosto. Acho a matemática a mais complicada para trabalhar, pra eles saírem do concreto para o abstrato é complicado devido a própria deficiência dele, mais conseguem num ritmo diferenciado é um conteúdo que eles tem que desenvolver no mundo social deles ajuda nossa vida. Temos material dourado, ábaco, escala cuisenaire, loto numérico, dominó de números, tabuada giratória, pega-pega, tabuada mosaico dos números, mosaico geométrico, geoplano, blocos lógicos, tangram, loto tabuada, jogo da memória, dominó de cores, numerais com pinos, dominó de frações, caixinha de números em braile, jogo de rodinhas, blocos lógicos gigantes. Geralmente no planejamento ou no quando eles vêm com dúvidas a sala de recursos não trabalha o mesmo conteúdo, mais se o aluno tive dificuldade adaptamos materiais concretos. As dificuldades é que muitas vezes não temos todo suporte que deveríamos ter, o aluno precisa de uma equipe multiprofissional, para trabalhar outras áreas que eles também necessitam fonoldiólogo, psicólogo, neurologista ,terapeuta ocupacional, tendo fazer meu trabalho mais é difícil a inclusão não está ok, precisamos estar mais preparados não adianta eu trabalhar sozinha. Os limites entram na dificuldade falta de suporte. Desafios são muitos, alunos com falta de coordenação alunos que chegam a me bater sem querer precisamos de materiais adaptados para as necessidades deles. 4 deficiência física, 6 Deficiência intelectual,1 baixa visão. Sempre adorei matemática, mais me formei em pedagogia devido ao fato do vestibular para matemática ser bem mais concorrido. 3 autista,1 deficiência auditiva,2 deficiência física,11 deficiência intelectual, outros 2 baixa visão 1 deficiência visual Sim, não me sinto tão preparada como deveria, mais estou sempre buscando e pesquisando para melhorar minha prática com os alunos especiais. Jogos, dominó das operações, material dourado, boliche, educativos online, dama, enfim aqui tudo vira matemática mais os que eles mais gostam são os online. Material dourado, dominós, loto numérico, softwares: letras e números, jogo da memória no computador, jogo da velha, balança de peso, com números, tangram, montagem das formas geométricas soroban e outros. È complicado tem que levar em consideração o nível do aluno, em que série está, e as habilidades dos alunos cada caso é um caso, a partir daí o encontro e a reunião acontece, é individualizado o planejamento. È um pouco complicado, porque nem todos os professores aceitam sugestões de como trabalhar com os alunos especiais. Minha função não é ensinar conteúdos, estou aqui para ensinar habilidades que eles precisam, por exemplo, falta de concentração que acaba interferindo na aprendizagem da sala de aula. Sabemos que todos os alunos têm suas habilidades mais nem todos os alunos possuem a mesma, portanto devemos trabalhar a matemática de forma diferenciada de acordo com o potencial de cada um. 52 11. Qual tipo de deficiência você considera ser mais complexo o processo de ensino e aprendizagem de matemática? Por quê? Todos acham que matemática já é um desafio. São muitos, porque o intelectual, já tem um comprometimento que o impede o visual também, o menos complicado e o surdo mais tem que dominar libras muito bem. Autismo grave. Nunca tive um mais pelo que estudei. E a deficiência intelectual com lesão, o aluno não consegue aprender. A deficiência intelectual. Porque precisa trabalhar o raciocínio lógico, concentração e a maioria desses alunos têm muitas dificuldades nessa área. 12. Comente comparando com as outras disciplinas o processo de ensino e aprendizagem da matemática na sala de recurso? Tenho aprendido que a matemática também é simples, ela tem que ser construída, do mesmo jeito que se juntar as letras elas vão formar palavras, com os números não são diferentes, tenho uma aluna que adora matemática e tem dificuldade em português, e outras ao contrário. Tenho usado material concreto, material dourado, para trabalhar unidade dezena, centena, jogos para montar e contar quantidades. Depende muito do aluno, tenho dois alunos com DI um atingiu leitura e escrita e o outro matemática, o de matemática se expressa muito bem na fala a outra não, mais o de português lê e produz. Materiais concretos têm que partir daí, imagem, jogos os DI desenvolvem muito o visual. Cada aluno tem que ser atendido conforme suas especificidades independem da disciplina, trabalho com habilidades e tanto faz português ou matemática. Alguns alunos tem mais facilidade em aprender matemática exceto os com deficiência intelectual. Os surdos, os deficientes visuais, autistas tem mais facilidade. Material concreto, e para aqueles que saíram da fase do concreto gostam do online. Materiais concretos, jogos, softwares, dominós, jogo da memória, sorobã e outros, eles gostam e aprendem brincando. Esses materiais facilitam a aprendizagem de cada aluno. È bem feito, todo mundo dá o seu melhor quando o professor é comprometido, aqui na escola. A matemática não pode ser só oralmente tem que ser concreta. Do concreto para o abstrato, nunca deixar de mostrar o abstrato, e depois vou com a atividade digitalizada. Depende do nível que ele se encontra, mais de maneira prática e concreta. O meu desejo é que venham pessoas que amem realmente a carreira de educação, que não venham só pelo salário, sempre me doei, amo o que faço, estou para aposentar e espero que venham pessoas para dar continuidade. Que a educação não seja só de aparência, que a gente consiga colocar em prática, pois, eles são muito dependentes, aqui é um ambiente que chama a atenção deles, e que os governantes vejam mais a questão de salas lotadas e que os professores por mais que queiram não conseguem dar atendimento individualizado que eles precisam, e que vocês pesquisadores consigam mais alguma coisa para ajudar. Estamos no inicio da trajetória e todo inicio é difícil, tem muita coisa no papel e pouca na prática, no cumprimento da legislação, eu precisaria que a escola tivesse o que diz a lei uma parceria com a área da saúde, assistente social, terapeuta, fonoldiólogo, falta muita coisa, mais eu acredito que um dia vai se cumprir, gosto de estar aqui com eles fico feliz, mais não gosto de comodismo, já estou aqui há cinco anos e acredito que não sou o único pra ficar aqui, pois quando permanecemos numa mesma função nosso rendimento caiu, acredito que tem pessoas melhores, é demagogia dizer que não estou na educação pelo salário, gostaria de coisa melhor, e os professores estão na educação porque se sentem incapazes de procurar algo melhor, mais gosto do calor humano, olhar para o rostinho deles, fico feliz, a inclusão de certa forma tem que melhorar e como falei está no início. O que importa é ser feliz aqui tenho muitos alunos que não aprendem nada mais estão sendo felizes, melhor estar aqui do que ficarem trancados em casa sem viver. E isso me Materiais concretos, jogos, softwares, dominós, jogo da memória, soroban e outros, eles gostam e aprendem brincando. Esses materiais facilitam a aprendizagem de cada aluno. Para trabalhar com os alunos com deficiência enfrentamos muitas barreiras, mais precisamos ser fortes e corajosos e acima de tudo ter muito amor. Porque só o amor rompe todas as barreiras. 13. Em sua opinião, que tipos de recursos e metodologias didáticopedagógicas são mais adequados no processo de ensino-aprendizagem da Matemática para os alunos com deficiência? Quais os métodos de ensino que você tem usado ao dar aula de matemática para os alunos com deficiência? 14. Na sua concepção como deveria ser de modo geral o ensino da matemática para os alunos com deficiência? 15. Se desejar compartilhar algo mais sobre sua experiência profissional ou fizer algum comentário ou sugestão sobre essas questões, fique a vontade. 53 faz feliz saber que não aprendem nada mais estão sendo felizes. Educação e aprendizagem não são tudo na vida. Sei que não vão participar do mercado de trabalho, que não vão para a Universidade mais vão sair daqui com boas recordações de felicidade dessa escola a qual meu trabalho faz parte. 54