IMPRENSA
O trabalho de João Pina sobre
a Operação Condor tem vindo
a ser documentado na imprensa
internacional de referência.
Ao longo dos anos mais recentes,
foram publicados artigos e
portefólios na New Yorker, Time
e Newsweek, no New York Times,
Folha de São Paulo, Globo, e na
FreelensMagazine. Recentemente,
a CNN publicou no seu site de
fotografia um conjunto de imagens
de João Pina sobre o Condor.
«Pesquisa, entrevistas e fotografias
de João Pina, o fotógrafo mais
obstinado que conheço. (...) Só um
obstinado pode transportar tantos
milhares de fantasmas na bagagem,
de um continente para outro, antes
de completar 34 anos.»,
Alexandra Lucas Coelho, Público
editorial
«O exemplo do que é um verdadeiro
‘projeto’ artístico e cívico que vale
a pena, de assinalável dimensão e
sentido humanista.»
José Carlos Vasconcelos
jornal de letras
03.09.2014
«Há nove anos, o fotógrafo
João Pina decidiu fazer um
trabalho sobre a Operação
Condor. Queria perceber
como as secretas latinoamericanas tinham atuado
contra os opositores
aos regimes ditatoriais.
Mergulhou em arquivos,
viajou sem cessar à procura
de sobreviventes, entrevistou
dezenas e dezenas de
pessoas. O resultado
é um livro chamado
Condor. (…) Objeto sóbrio,
Condor distingue-se por
uma coerência editorial
que assenta quer na escolha
das imagens, quer no conteúdo
editorial, quer ainda na definição
gráfica, e assume uma perspetiva
alargada do que foi a operação
militar.» Alexandra Carita
expresso · suplemento atual
23.08.2014
«Um livro marcante, de um extremo
cuidado gráfico, com imagens
exclusivamente a preto e branco
e textos do próprio fotógrafo a
revisitarem histórias que se tocam
sempre nos mesmos pontos:
familiares desaparecidos, assassinos
sem rosto, exílios forçados, corpos
por encontrar.»
Pedro Dias de Almeida
visão
11.09.2014
cnn
http://cnnphotos.blogs.cnn.com/2014/08/21/
shadow-of-operation-condor/
«Há muito que não acredito na “isenção” jornalística. Acho que
tenho uma visão própria, fortemente política(…). Todas as pessoas
que entrevisto e fotografo, todos os lugares que visito, todos os
julgamentos a que assisto, devem-se a uma curiosidade que é causa
direta das minhas ideias, da minha forma de ver o mundo. Não me
revejo numa ideologia específica, num partido, num dogma. As
minhas inquietações, porém, vêm muito de abordagens políticas.
Seja porque vejo e documento, enquanto repórter, o sofrimento dos
pobres no Brasil ou os efeitos devastadores na população civil de
uma guerra como a do Afeganistão. Mas também a destruição de
enormes conquistas dos portugueses, desde o 25 de Abril, por força
de uma política para a qual o Estado Social é algo pesado e inútil.
Política controlada por setores da sociedade que estão a hipotecar o
futuro de pelo menos uma geração de portugueses.»
João Pina, em entrevista ao Jornal de Letras
the new york times
http://lens.blogs.nytimes.com/2014/01/24/exposingthe-legacy-of-operation-condor/?smid=pl-share
«O melhor livro publicado este ano em Portugal. Em Portugal, não. Além da edição
portuguesa, Condor foi publicado em inglês e em castelhano. (…) E Condor resulta de um
extraordinário projecto: recolher os testemunhos das vítimas – dos seus familiares – do
sinistro plano militar secreto instituído em 1975 por seis ditaduras militares da América
Latina. Pela primeira vez na História, segundo creio, um fotógrafo percorreu estes seis países,
dando-nos um relato completo da tristemente célebre ‘Operação Condor’.» António Araújo
http://malomil.blogspot.pt/
http://malomil.blogspot.pt/2014/08/condor.html
E4 ilustrada
★★★
ab
SEGUNDA-FEIRA, 8 DE AGOSTO DE 2011
Fotógrafo retrata personagens
das ditaduras latino-americanas
Português João Pina está no Brasil para desenvolver pesquisa sobre regimes militares
João Pina
Autor já fez livro sobre
o regime salazarista
e fotografou para
publicações como ‘New
York Times’ e ‘El País’
RAIO-X
JOÃO PINA
VIDA
Nasceu em Lisboa em
1980 e estudou fotografia
documental e fotojornalismo
no International Center of
Photography em Nova York
MÁRIO MOREIRA
DE SÃO PAULO
O desejo de manter viva em
imagens a lembrança das ditaduras, para que elas não se
repitam, move o fotojornalista português João Pina, 30.
Autor, com o escritor e conterrâneo Rui Daniel Galiza,
do livro “Por Teu Livre Pensamento”, com fotos de pessoas e lugares ligados à ditadura salazarista, Pina investe agora na América Latina.
Ele está no Brasil para o
projeto “Sombra do Condor”
—um livro sobre ditaduras
sul-americanas, incluindo a
brasileira (1964-1985).
O interesse de Pina pelo tema vem desde a infância. Os
avós maternos, membros do
Partido Comunista Português, foram presos políticos
do regime que governou o país por 48 anos, até 1974.
“Cresci ouvindo essas histórias”, diz. “Mas a memória
desse período é muito pouco
falada, e senti a necessidade
de contá-la.” O livro sobre
Portugal saiu em 2007.
Dois anos antes, Pina já começava a desenvolver outra
ideia, voltando-se para a Operação Condor, plano das ditaduras militares do Cone Sul
de repressão aos opositores.
Isso o trouxe ao Brasil, on-
CARREIRA
Trabalhou em publicações
como “New York Times”, “El
País”, “Newsweek” e “Time”.
Venceu o Leão de Ouro no
Festival Internacional de
Criatividade de Cannes em
2011, entre outros prêmios
Maria Santucho, filha do militante argentino Oscar Santucho, que desapareceu em 1976
de, em 2005, iniciou pesquisas e entrevistas que se estenderam pelos anos seguintes.
Entre os personagens já retratados, está a pernambucana Elzita Santa Cruz, 97, mãe
do desaparecido político Fernando Santa Cruz.
Atualmente em São Paulo,
Pina dá continuidade ao projeto, que envolve também
pesquisas no Rio e em Recife. Há planos de levar um participante da guerrilha do Araguaia à região onde ocorreu.
Na semana passada, ele
clicou o 36º DP, na Vila Mariana, em São Paulo, que abri-
gou o DOI-Codi, órgão de repressão do regime militar.
DIFERENÇAS
Apesar de as ditaduras sulamericanas terem ocorrido
na mesma época, Pina procura registrar as características
de cada uma.
“Para mim, a diferença
mais interessante é a da atuação da Igreja Católica no
Brasil e na Argentina. No Brasil, ela esteve muito do lado
dos reprimidos. Na Argentina, foi ao contrário: as pessoas pediam ajuda à igreja e
acabavam delatadas”, diz.
Segundo ele, a meta não é
reforçar campanhas, como
pelo fim do sigilo dos arquivos brasileiros ou pela punição a torturadores. “O que espero é contribuir para mostrar que houve uma operação
entre países vizinhos, não
pretendo entrar em discussões individuais.”
A ideia, afirma, é “captar e
guardar a memória e a experiência de pessoas e lugares”.
“Os países sem memória têm
a tendência de que sua história se repita”, conclui.
JORNALISMO
Editora da Ilustrada
faz palestra no MIS
na próxima quarta
DE SÃO PAULO - A Folha promove nesta quarta-feira, às 20h,
palestra gratuita sobre jornalismo cultural, com Fernanda
Mena, editora da Ilustrada, no
MIS-SP (av. Europa, 158, SP).
Com vagas limitadas, as
inscrições podem ser feitas através do e-mail evento
[email protected]
ou pelo tel. 0/xx/11/3224-3473,
das 14h às 19h. A palestra integra a programação em comemoração dos 90 anos do jornal.
CINEMA
Filho de Anthony
Quinn morre aos 48
de parada cardíaca
DE SÃO PAULO - Morreu na sexta-
feira passada em Malibu, nos
Estados Unidos, o ator Francesco Quinn. Ele tinha 48 anos
e sofreu uma parada cardíaca.
Quinn, que nasceu em Roma
e se radicou nos EUA, é o terceiro filho do ator Anthony Quinn
e ficou conhecido por sua interpretação em “Platoon”, filme de Oliver Stone lançado em
1986. Ele atuou ao lado do pai
em longas como “Um Amor do
Passado”, de 1993.
HOMENAGEM
Sósias de protagonista de
“I Love Lucy” se reúnem
nos EUA para bater recorde
d folha.com.br/il955858
TELEVISÃO
Críticos norte-americanos
elegem “Friday Night Lights”
como a série do ano
d folha.com.br/il955856
s
sociaiais.
s
e
d
e
Das r lunas soci
às co
Tudo o que dá o que falar está no F5. Comportamento,
diversão, humanos, bichos, humor, colunistas, televisão
e celebridades no novo site com assuntos leves.
Acesse www.folha.com.br/f5
F5. O site de entretenimento da Folha.
folha de s.paulo
08.08.2011
themenb e r e ic h
s p u r e n su ch e
s p u r e n su c he
th e me nbe re ich
Im Schatten
des Vergessens
Biographisches
JoÃo de carvalho pina
wurde 1980 in Lissabon, Portugal geboren. Mit
18 Jahren begann er bereits als Fotograf zu
arbeiten. Um an seinem Projekt »Operation
Condor« ständig weiter zu arbeiten schaffte
Pina sich ab 2007 eine Basis in Buenos Aires,
Argentinien, vor der er auch Assignments
durchführt. Seine Geschichten führten ihn
in Länder wie Argentinien, Brasilien, Bolivien, Chile, Kuba und Paraguay. Er ist aber
auch intensiver Beobachter des »Arabischen
Frühlings« und dokumentierte verschiedene
Anlässe in Tunesien, Ägypten und Libyen. Seit
2003 ist João Pina Mitglied der portugiesischen
Fotogruppe »Kameraphoto«.
mit dem projekt »shadow Of the condor« spürt
der Fotograf João pina das Leid auf, das Killerkommandos
südamerikanischer Diktaturen hinterlassen haben –
von der Geschichte und den medien vergessen. ihm
blieb die Finanzierung per crowdfunding.
AuSStELLuNgEN & pREiSE
Oben: Zelle im Hauptquartier des einstigen militärischen Geheimdienstes in São Paulo. Rechts: Maurice
Politi in einer Zelle, in der die brasilianische Politische Polizei ihn früher festhielt.
FOtOs — JoÃo pina
s p u r e n su c he
erklärt, die man überall sieht. Sie halten etwas fest, ein Stück Erleben, oder besser, ein
Stück von ihrem Leben. Man muss das ein
wenig vorausschicken bevor man von João
Pina erzählen kann, einem Portugiesen der
»Wir Photografen«, sagte Henri CartierJoão Pina weiß um die Vergeblichkeit, wenn
1980 in Lissabon zur Welt kam.
Bresson einmal, »haben ständig mit Dingen
er von seinem aktuellen Projekt »Operation
Er kam in einem Land zur Welt, in dem Condor« erzählt und sich vorstellt, er würzu tun, die unaufhaltsam verschwinden.
die Erinnerung an die grausamen Jahre sei- de in einem Magazin dafür werben. »Bilder
Wenn sie einmal verschwunden sind, kann
über die ehemaligen Diktatoren Südameriner Geschichte am Verschwinden war. 1980, kas und den geheimen Plan die politische
man sie durch nichts in der Welt wieder
das war 16 Jahre nach der sogenannten Opposition zu vernichten. Sie nannten es
zurückholen.« Auch die Fotografie kann
s p u r e n su c he
›Operation Condor‹ und bis 1978 wurden
Nelken-Revolution, einem Putsch junger 60.000
das Verschwinden nicht aufhalten, aber sie
Menschen ermordet. Brasilien, ChiOffiziere der Armee, die damit die 48-jäh- le, Argentinien, Nicaragua, sechs Länder. Ich
kann etwas retten. Einen letzten Moment,
rige, längste Diktatur Europas beendeten arbeite seit vier Jahren daran und mir fehein Zeugnis, einen Beweis, ein Bild eben. Die
len noch zwei. Wer…«, er lacht, »…kann oder
und die rostigen Gittertore des Gefängnis- will das heute noch bezahlen?«
Welt würde heute anders aussehen, wenn
ses Portugal endlich aufstießen. Die neue
34 FREELENSMAGAZIN32
sie die Fotografie nicht hätte. Sie ist Teil ihFreiheit, der Fortschritt und der Puls einer
res Gedächtnisses. Im Japanischen gibt es
neuen Generation ließen Portugal in die
zum Beispiel den Glauben, dass etwas nicht
Zukunft eilen. Wenige warfen noch einen
existiert hat, wenn es kein Bild davon gibt.
Blick zurück, er könnte schmerzhaft sein,
Was die vielen fotografierenden Japaner
text — Jochen SiemenS
Warten auf späte Gerechtigkeit:
Freunde und Familie der geschätzten
5 000 Opfer des Konzentrationslagers
Campo de Mayo nehmen am Prozess
gegen den ehemaligen argentinischen
Präsidenten Reynaldo Bignone teil.
24
FREELENSMAGAZIN32
FREELENSMAGAZIN32
Die, die es sehen wollen. Und die wollen, dass solche Erinnerungen nicht einfach
verschwinden. João Pina finanziert sein
»Condor«-Projekt über die CrowdfundingInitiative »Emphas.is«, eine neuew Form
der Reportage-Finanzierung. Auf der Website von »Emphas.is« stellen Pina und andere
Fotografen ihre Vorhaben vor und Unterstützer können mindestens 10 Dollar investieren. Kommt ein Projekt aus Geldmangel
nicht zustande, werden die Gelder zurückgezahlt. Kommt es zustande, lassen die
Fotografen die Unterstützer am Entstehen
»Emphas.is ist heute der
einzige Weg, solch langfristige
Geschichten zu finanzieren,
anders geht es nicht mehr«
teilhaben. Sie bloggen, schreiben Mails und
zeigen erste Bilder. Wichtig ist, dass die »Emphas.is«-Gelder nur die Kosten des Projektes
finanzieren, aber nicht den Fotografen. Ist
ein Projekt abgeschlossen, haben die Unterstützer vier Tage ein Exklusiv-Recht daran,
danach kann der Fotograf es zur Veröffentlichung freigeben. »Emphas.is ist heute der
einzige Weg, solch langfristige Geschichten
zu finanzieren«, sagt Pina, »anders geht es
nicht mehr.« Und auch wenn Pina, wie er
sagt nicht politisch fotografiert, könnten seine »Condor«-Bilder politische Folgen haben,
»es gibt Menschenrechtsorganisationen, die
immer noch nach den Verantwortlichen der
Morde suchen und sie vor Gericht stellen
wollen. Die Bilder können dabei helfen«, sagt
Pina. Auf alle Fälle werden sie etwas leisten,
wofür die Fotografie erfunden wurde: Das
Vergessen zu verhindern.
th e me nbe re ich
Jochen SiemenS
em faciam ut ut aut alibusda dolorio es deliqui dollisimin el incitature volor ministrum con restem aut
essersp ernamus dus. em faciam ut ut aut alibusda
dolorio es deliqui dollisimin
Das Thema seines ersten Buches war inspirierend für eine Amnesty International Kampagne, die ihm 2011 einen »Lion d’Or Award«
beim Lions International Festival of Creativity
in Cannes einbrachte. Veröffentlichungen in:
The New York Times, The New Yorker, Time
Magazine, Newsweek, Stern, GEO, El Pais,
EPs, La Vanguardia Magazine, D Magazine, Io
Donna, Days Japan, Expresso and Visão among
others.Pina-Ausstelungen liefen in New York
(ICP and Point of View Gallery), London (Ian
Parry Award), Tokyo (Canon Gallery), Lissabon
(Galeria and Casa Fernando Pessoa) und Oporto (Centro Português de Fotografia) sowie in
Perpignan (Visa pour L’Image).
büchER
2007 veröffentlichte er sein erstes Buch »Por
teu livre pensamento« das die Geschichten
von 25 ehemaligen
politischen Gefangenen in
Portugal nachzeichnet.
iNtERNEt
www.joao-pina.com
FREELENSMAGAZIN32
35
25
Erinnerung an die Verschollenen: Namensschilder im früheren Folterzentrum in Buenos Aires, in dem
etliche militante Linke zu Tode gemartert wurden. Es trug den makabren Namen »Club Atletico«.
er könnte Täter und Opfer noch einmal beleuchten und alte Fragen wie Wunden wieder aufreißen. Nichts in der Weltgeschichte
will oder soll so schnell vergessen sein wie
eine Diktatur. João Pina spürte das schon als
kleiner Junge. Er saß oft bei seinen Großeltern und nur zaghaft erzählten sie von ihren Jahren im Gefängnis, von der Folter und
den Drohungen. Zweimal war sein Großvater, ein Kommunist, geflohen und jedesmal
wieder holten sie ihn in Ketten zurück. Und
sie erzählten von denen, die sie verhaftet
und geschlagen hatten, Menschen die nun
auch irgendwo in der Stadt im neuen Portugal lebten. »Als ich fünf oder sechs Jahre
alt war, schenkte mir meine Großmutter
meine erste kleine Kamera«, sagt Pina, »und
ich fotografierte alles, was ich sah.« Es war
Schutz vor Rache: Sicherheitsmaßnahmen beim Prozess gegen
Reynaldo Bignone, den Chef der
ehemaligen Militärjunta, in Buenos
Aires. Wegen Verbrechen gegen die
Menschlichkeit wurde der General
zu 25 Jahren Haft verurteilt.
spu r e nsuc h e
26
schon damals der Impuls irgendetwas vom
Verschwindenden festzuhalten und João
Pina entdeckte dafür seine Kamera.
Das war für den Jungen ein irgendwie
einsames Hobby, denn »Portugal hatte
keine große Fotografenkultur«, wie er sagt.
Und auch später als Pina immer intensiver
fotografierte und darin mehr als ein Hobby sah, »schaute ich mir in den Läden zwar
Foto-Zeitschriften an, aber das waren SurfMagazine und ich interessierte mich mehr
für das, was man sah als dafür, wie die Fotos gemacht waren.« Doch er fotografierte
seine Großeltern wenn sie erzählten und
er spürte, dass er mit den Bildern auch ihre
Erinnerungen fotografierte. Jahre später
macht der mittlerweile angesehene junge
Fotograf Pina daraus sein erstes Buch. Er
FREELENSMAGAZIN32
FREELENSMAGAZIN32
Zurück am Ort des Schreckens: Hernan Plaza ist einer der Wenigen, die den Aufenthalt in chilenischen
Foltergefängnissen überlebt haben. Heute kann er sich mit erhobenem Haupt in der »Villa Grimaldi«,
Santiago de Chile, ablichten lassen.
27
s p uren such e
30
mern schon aus? Nichts, sie sind ein gleichgültiger Bilderteppich für die Nachrichtenschleifen von CNN, so wie das Satellitenbild
in Wahrheit wenig vom Wetter erzählt. João
Pina macht andere Bilder, er fokussiert die
Schärfe seiner Bilder auf die Menschen,
mehr noch, seine Kamera sucht das Detail
in der Mimik und im Blick Einzelner.
Technisch arbeitet Pina dabei in radikaler Schärfe und Unschärfe und oft in
Schwarzweiß, was den fokussierenden Effekt seiner Bilder, manchmal mit Tilt/ShiftObjektiven aufgenommen, noch verstärkt
und irritieren kann, denn neuerdings sieht
man die Tilt/Shift-Technik als trendige Werbeoptik des Spielzeugeisenbahn-Effektes.
Welche Kraft die Fokussierung in Wahrheit
haben kann, zeigt Pina in seinen Bildern
der ägyptischen Revolution oder in seinem
Projekt über die Reste der revolutionären
Agrarreform in Portugal 1974/75. Und wieder ist es dabei nicht das bloße Bild, das ihn
interessiert, sondern »ich versuche zu verstehen, was die Menschen vor meiner Kamera machen und warum sie es machen.«
Es ist eine Fotografie, in der Bilder schnell
entstehen können, die aber Zeit braucht,
die Bilder werden zu lassen. »Es hat keinen
Sinn irgendwo hinzufahren, die Kamera
auszupacken, in’s Geschehen zu halten und
wieder zu verschwinden«, sagt Pina. »Ich
verbringe viel Zeit damit, an den Orten wo
ich bin, vorbereitet zu sein, das Terrain, die
Aura und die Stimmung zu kennen«, sagt
er, »aber genauso wichtig ist es, den Menschen immer zu zeigen: Ich bin Fotograf,
Wo das Blut im Abfluss
verschwand: Dusche im
ehemaligen Folterzentrum
»Londres 38«, das mitten in
Santiago de Chile liegt.
FREELENSMAGAZIN32
FREELENSMAGAZIN32
31
Hintergrund
Operation Condor
»Operation Condor«, so hieß der geheime
Militärplan von sechs lateinamerikanischen
Staaten. 1975 – zum Höhepunkt des Kalten
Krieges – starteten Argentinien, Bolivien, Brasilien, Chile, Paraguay und Uruguay, die unter
der Herrschaft von Militärregimes standen,
einen Vernichtungskrieg gegen die Linke in
ihren Ländern. Mit der Operation Condor
schaffte man politische Gegner aus dem Weg.
Sie verschwanden meist spurlos. Während
der drei Jahre, in denen der Plan umgesetzt
wurde, kamen mindestens 60.000 Menschen
ums Leben.
João Pina arbeitet seit 2005 an dem Thema,
hat bisher mindestens 15 Wochen dafür
fotografiert, hat mehr als 50 Interviews mit
Betroffenen geführt und darüber hinaus noch
unzählige Informationsgespräche. »Bevor ich
die Locations und Orte besuche, informiere ich mich intensiv über die einzelnen
Diktaturen, was sie gemeinsam haben und
was sie voneinander unterscheidet. Solche
Informationen sind reichlich vorhanden, so
dass Protagonisten und Orte leicht zu lokalisieren sind«, berichtet João Pina, »Aus diesem
Material suche ich mir dann kleine, aber
nach meiner Meinung sehr repräsentative
Beispiele heraus.« Vor Ort findet er Informanten – ehemalige politische Gefangene, lokale
Journalisten, Gerichtsmediziner, Anwälte,
Die Überreste
Richter – die ihm bei der Recherche
und von Horacio Bau,
dieimmer
in La Plata
auf einem Friedhof der
Motivsuche weiterhelfen, ihm
wieder
Namenlosen entdeckt wurden, finden
neue Türen offnen.
in seiner Heimatstadt Trewlew in
Da er schon lange an dem Thema arbeitet,
Argentinien, die letzte Ruhe.
öffnen sich, ergibt sich ein Kontakt nach dem
anderen. Dabei zahlt er niemals Informations-
Der Hölle so nah: In dem geheimen Gefängnis »Olimpo« in Buenos Aires, Argentinien, wurden linksgerichtete Oppositionelle verhört, gefoltert und getötet.
fährt in den Norden Lissabons nach Peniche und geht in das berüchtigte ehemalige
Gefängnis, in dem sein Großvater von den
Beamten der PIDE, der ehemaligen Geheimpolizei geschlagen wurde. Er sucht und besucht andere ehemalige Häftlinge, zeigt
ihre Verhaftungsfotos und fotografiert sie.
Man sieht ihre Gesichter und die Furchen
und Narben, die ihre Geschichte gegraben
haben. Und er fotografiert in Peniche den
Innenhof, den einzigen Flecken Freiheit,
den die Gefangenen beim Hofgang hatten.
»Por teu livre pensamento« heißt das Buch
und ist ein Stück vom Gedächtnis Portugals.
João Pina ist heute 31 und gehört zu einer neuen Generation von Reportage- und
Dokumentarfotografen. Aus dem ursprünglichen Impuls, mit der Kamera etwas vor
28
dem Verschwinden und Vergessen festzuhalten, hat Pina einen nicht nur technisch
bemerkenswerten Stil, sondern eine Handschrift in der Fotografie gemacht. Er war in
Afghanistan, in den Drogenvierteln von Rio
oder in allen Ländern Arabiens als der politische Frühling 2011 ausbrach. Und auch
wenn es alles Krisenpunkte der Welt waren,
wäre es falsch, Pina einen Kriegsfotografen
zu nennen. Pina, wie auch der Italiener Paolo Pellegrin, sind Fotografen eines anderen
Blickes. Sie suchen nicht den Pulverdampf
und die Krater die Granaten schlagen, sondern sie suchen jene, die solche Kriege führen und deren Opfer werden. Schon Robert
Capa wusste, dass man Krieg als solchen
nicht fotografieren kann, denn was sagen
Bilder von Panzern, Raketen und Trüm-
ich mache Bilder von euch.« Es sind Orte
und Momente höchster Intensität, an denen sich Pina bewegt, es geht um Macht
und Ohnmacht, Zukunft und Vergangenheit und, ja, es geht oft um Leben und Tod.
Das öffentliche Auge eines Fotografen, eines Zeugen, steht dabei in einem intensiven
Spannungsfeld zwischen denen, die Bilder
verhindern wollen und denen, die Bilder
benutzen wollen. Längst hat sich in Krisengebieten ein mediales Verhalten gebildet,
das Aufstände, Razzien oder militärisches
Muskelspiel inszeniert. Für Fotografen ist
FREELENSMAGAZIN32
32
FREELENSMAGAZIN32
es nicht immer einfach, das zu unterscheiden. »Ich bin nicht naiv, ich weiß auch, dass
meine Anwesenheit Situationen verändern
kann. Das muss man spüren und abwarten,
irgendwann vergessen
die Menschen die
FREELENSMAGAZIN32
29
Kamera auch wieder«, sagt er. Außerdem,
»habe ich viel gesehen, was ich nicht fotografiert habe. Entweder war es der falsche
Moment oder es wäre ein falsches Bild geworden.«
Gut, aber liegt die Entscheidung über
ein falsches oder nicht falsches Bild nicht
auch in der Entscheidung, von welcher Sei-
Oben: Lucrecia Cespesdes, Witwe eines chilenischen Landwirtes, der inhaftiert wurde und spurlos
verschwand, an einer Gedenkstätte mit dem Namen ihres Mannes. Rechts: In den Kellergewölben des
Nationalstadions von Chile waren Folterungen und Morde an der Tagesordnung.
te man fotografiert? Von der Seite der Opfer oder der Täter, die manchmal identisch
sein können? »Es ist wichtig, nicht politisch
zu fotografieren«, sagt Pina, »ich suche Dokumente, nicht Meinungen. Deshalb fotografiere ich Opfer wie Täter mit demselben
Respekt, auch wenn es manchmal schwer
fällt, weil ich selbst natürlich eine Meinung
zu dem was ich sehe, habe.« Es hat eine
selten gewordene Bedachtsamkeit mit der
João Pina seine Arbeit schildert, eine Bedachtsamkeit im immer schneller werdenden Geschäft mit Bildern. Jeder Konflikt der
»Ich suche Dokumente,
nicht Meinungen. Deshalb
fotografiere ich Opfer wie
Täter mit demselben Respekt,
auch wenn es manchmal
schwer fällt …«
Welt wird heute von Fotografenschwärmen
abgegrast, die Bilder sind Sekunden später
über Agenturen auf der ganzen Welt verfügbar, es sind Schnappschüsse, in der Eile
nicht durchdacht und oftmals ohne Entsprechung zum wirklichen politischen Geschehen. Das Handwerk von Fotografen wie
Pina hat es da schwer, auch und vor allem
ökonomisch.
Nein, heute leistet es sich kaum noch
ein Magazin einen Fotografen sechs, acht
Wochen oder Monate in einem Thema zu
lassen, sagt er. Der recherchierende Doku-
mentarfotograf ist eigentlich als Beruf verschwunden. Das ist, wie gesagt eigentlich
absurd, denn der Bedarf nach eben bedachten Bildern die den Moment des Entstehens
überleben können und nicht vom nächsten Tag und der nächsten Katastrophe verdrängt werden, ist größer denn je. Es ist aber
auch das Mißtrauen einer mittlerweile Bilderindustrie, dass Fotos selbst wieder eine
Nachricht, eine Geschichte und eine Aufmerksamkeit erzeugen können, auch wenn
das Fotografierte nicht ganz oben im Kurs
der hysterischen Nachrichtenbörse steht.
FREELENSMAGAZIN32
freelens magazine
2012
33
mare
04/05.2013
C M Y K
5
95
BOOKS
....
28, 2014
IN YOU R WO RDS
Afghan exit and
the drone war
than
done nothing other
The drone war has
t us. It
populations agains
galvanize whole
rtions.
of gigantic propo
is a strategic failure
t people in
agains
e
A-Mol
Playing Whacto work. Those
mud huts is not going
rs get
ed. The foot soldie
leaders get replac
into
Bombing people
replaced even faster.
work
not work. It did not
submission does
in
is not going to work
in Vietnam, and it
it not seem like a
Pakistan. And does
of
e
l way to dispos
cowardly and clinica
? Would
laced with racism
people? Is it not
this in Europe?
the U.S. be doing
TAKENI TEZ, THAIL
Illuminating hidd
ECHOE S OF DEATH
In 1975, six South
y
American militar
Ardictatorships —
,
gentina, Bolivia
Brazil, Chile,
UruParaguay and
a
guay — created
secret plan to eliminate leftist opponents. By the time
the program,
knowns as Opera
tion Condor, ended
AND
en horrors
in the 1980s, as
many as 60,000
people may have
e
been killed. Despit
a dearth of public
records and a relucors
tance by surviv
to revisit the
trauma, the Portuguese photographer João Pina
has spent a decade
documenting the
period.
FRANK 95, U.K.
and
we can’t rain death
So the risk is that
families in
destruction on civilian
re? I’m all for it, the
Afghanistan anymo
.
better
the
r
soone
ICH, CON N .
h president’s break
up
The Frenc
is
say that private life
The French may
ent
it’s their own presid
private, but when
l, then
in junior high schoo
acting like a boy
rds of
standa
the
question
I have to call into
French society.
DAN , PARIS
as
r with his liaisons
If the man is happie
be it.
ing a first lady, so
opposed to choos
g
he chooses a lifelon
. . . Whether or not
ity
bearing on his capac
companion has no
PHOTOGR APHS
Above, a
cluster of cells that
once housed female
political prisoners
Uruin Montevideo,
guay; top left, shoe
soles from a mass
CRIME S
to lead.
POESCR OW, DEL
AWARE
and
rs are talking about
See what reade
m
comments at inyt.co
leave your own
IN OUR PAG ES
1889 The General
Wins
ent of the capdissesuburban arron
ital and both of the
a
General Boulanger
ments have given
ities in
votes. His major
majority of their
as
of the Radicals are
the strongholds
rvative,
than in the Conse
large, or larger,
ers.
fashionable Quart
aristocratic and
es’ own arrondisseEven in M. Jacqu
leads his opponent
ment, M. Boulanger
has voted for him
by 1,771 votes. Paris
mity as did the
with the same unani
the peasant farmand
Nord
miners of the
for
It is a crushing blow
ers of the Aisne.
t.
the Governmen
for
and
et
M. Floqu
Arrondissem
PARIS Every
1964 Congo Missi
onaries Terrorized
heliUnited Nations
27] stepped up an
copters today [Jan.
ns besieged by maevacuation of missio
in Kwilu Province.
rauding terrorists
her group
said
nary
One American missio
because ‘‘the Lord
escaped death only
us.’’ She was Mrs.
kept his hand over
eville, Pa.,
Colleg
of
ger
Geraldine Sprun
and
seven Americans
who was one of
flew into Leopoldtwo Canadians who
he
nd Charles, 31, said
ville. Her husba
terthan 30 hours by
was held for more
light
ogated at a moon
rorists and interr
than 700 of them.
meeting of more
from 1887 to
news
of
e
Find a retrospectiv
e
ational Herald Tribun
2013 in The Intern
ogs.nytimes.com
at iht-retrospective.bl
LEOPO LDVIL LE
S
GHOST LY SPACE
The torture room
of Olimpo, above,
once a clandestine
detention and torture center where
the Argentine federal police and miliintary personnel
terrogated and
killed leftist militants in Buenos
Aires during the
rmilitary dictato
ship from 1975 to
1983. Right, the
in
Atacama Desert
aChile, the destin
tion for Augusto
Pinochet’s ‘‘Cara
van of Death,’’
which deposited
victims in unmarked mass
graves, many of
been
which have not
located. Mr. Pina,
g
has a book comin
out this year, and
will be exhibiting
phoabout 100 of his
tographs in a multimedia show at the
in
Paço das Artes
, in
São Paulo, Brazil
September.
Argrave studied by
gentine forensics
left,
experts; above
the
ex-members of
y
Argentine militar
on trial for crimes
against humanity.
about his crime
s.
How France
views life
in a couple
in to the
a should not give
President Obam
in
some military forces
temptation to keep
all
allegedly withdrawing
Afghanistan while
forces
presence of foreign
The
.
troops
U.S.
ty
suspicion and hostili
will continue to feed
four
rproductive. Thirtyand will be counte
enough.
in Afghanistan is
years of warfare
that part of the world
Let the people in
own
their
take care of
breathe a little and
affairs.
EMK AY, GREENW
A former henc
hman comes
clean
newsweek
08.08.2011
BY JOÃO PINA
(the French word
‘‘concubinage’’
English ‘‘cohabiting
it
lot sexier than the
imate choice, but
union’’) is a ‘‘legit
es.’’
50
|
JOAO PINA
| TUES DAY, JANUARY
page t wo
2
The Disappea
rer
“I was taught
that communist
s were the
boogeyman,
and that we
had to destroy
them,” he said
in a brief pho
ne interview.
“It was kill or
BY MAC
be killed.”
MARGOL
IS
For Guerra’s dev
otion and tale
nt with a
gun, he quickly
climbed to pre
MEMÓRIAS
DE uma
stige, using
his
cover as a sala
Guerra Suja
ried
(Memories of
intelligence offi
noc
het. Ten times
a Dirty War)
moonlight as
cer to
that many fell
is not the Arg
sort of book you
a
crack execution
to juntas in
entina in the ’70s
curl up in bed
er. The cast
he describes
. In Brazil the
with. “My disa
method was alw
is straight from
dead and Th
ppeared under
ays the same.
film noir.
ere were coc
the military num
Two bullets
straight to the
ain
e-sniffing cop
few hundred.
bered a sho
victim’s chest,”
s and a
And yet, thanks
oting attaché
explains am
Cláudio Guerra,
case. Arms wer
to a blanket
nesty in 1979,
recalling his
e supplied
by a shadowy
which essentia
days as a
henchman for
Cuban-Americ
doned crimes
lly par- to
the Brazilian mil
an spook, said
wo
com
rk
mit
for
itar
ted
the CIA. Murde
torship. Chilly
y dicta- tors
under the dict
and confession
rs were plotted
(including Gue
a- in a bath
al,
rra’s), much
house–cum–str
it’s also hard to
of what a mil
ip club owned
put down. “Mo
itary charity and
by
st
of the time, I
run by a reactio
never even kne
nary
w
Portuguese rest
the reason for
aurateur with
a
Celestine even the vict the mission, nor
porn-starlet wif
im’s name.”
e.
Bohlen
One of Guerr
Guerra’s stor
y, released last
a’s missions
wa
weekOPE
s
to
by
dis
Topbooks, is roll
pose of eviden
EUR
LET TER FROM
ed out
ce,
throwing vic
in 200 pages
tims’ bodies
Closer,of spare Portuoff
not be as juicy as
of cliffs or inc
PARIS It may guese,
withbroke
another 83 pag
inerating the
magazine that
the weekly gossip
es
ois Holreof
Franç
ent
ma
foo
Presid
ins in the furnac
tnotes, s Julie
the story about
told to vetera
e of a symwith the actresas
n
lande’s love affair
pathetic sugar
journalists Ma
rce
Gayet.
baron. Guerra
mini-series at the on lo Netto and
And unlike the
says he never
Rog
month
ériot thisMe
repor
dei
tortured and
a ros. With
Élysée Palace, the
was
state
ed
its
ll marri
once aborted
jum
py stor
France’s overa
nd summ
ylinary
a plot to blow
a year-e
e and cumber
snapshot in time,
up
h couples who
a plane with
Frenc
som
ann
of the number of eand
ota
who
tions, which cov
a leftist aboard
those
age
er
opted for marri
known as
but also scores
neacivil
rlyunion
two
dec
chose the looser
of children. But
ade
with
year
s
last
of
crimes
2012, the
the PACS. In
wh
and
eren
partn
con
of
it
kinds
spir
cam
acie
e to eliminating
in the 1970s
statistics for both three marri
agessfor
radicals or eve
andwas
ships, the ratio
’80
s, two
thePACS
every
tale is sometim
n democrats,
he
es
30 and 160,200
was unsentime
hard (245,9
to
follow.
y). In
‘‘The French
ntal. Coauthor
But the jolting
respectivel
number of
Net
the
more or revelat2013,
to
calculates tha
ions told in 0una
t
marriages — 300,00
t by a
dor
less accep
ned
“conservative
pro in 2000
— dropped to
hel
the various se (“I
ped
esti
thr
ma
te” Guer231,000: the figure ow bodies
ra killed, or
forms ofoff the cliff
have
would...
”)been
ordered killed,
make this boo
private life.’’
k
lower without the
more than a
a hauntin
margly
-sexpel
hundred peo
com
same
7,000
ling read.
ple.
a much-conSo
under
Fro
ered
wh
m
y
regist
the
con
riages
198
fess to such bar
last May.
5 Oscar-winlaw that took effect
testednin
barities? “Contr
agency Insee
g Arg ticaline
The French statisent
ition,” sugges
fi PACS
h the number oflm The Offits
Netto. “I believe
ciatolpublis
The carnage
has yet
Sto
ns clear:
ry,
remai
und
abo
trend
er Brazil’s milit
ut thehe sincerely
in 2013, but the
ary dictatorship
es (except same children
coupl
h
wan
of
Frenc
the
r
ts to come clea
Fewe
disa
is starting to
ed every
ppe
g marri
ared,
gettin
come to light
to Chile’s new
n.” Jailed
sex couples) are
.
the president himfor six years for
Memory hap
Museu
includ
m,esLat
year. That
Trierpened in Brazil
Amieeric
running guns,
to Valér
ed in
ans have been
who isn’t marri
self,
has never com
Guerra says he
exo
busy and this
woman in the currcizinged the
e to light, hin
weiller, the scorn
found God bedem
ed to ons of
is
wh
t marri
ere
wasn’
d
bar
and
Mem
the
s and today is
affair,
ir darkest
ories comes into
rent
hou
rs. But
me partner
, his longti
a preacher in
In the long
mo
play. Assem
riesen.of a Dirty
Ségolène Royal Me
arc of his vio
the
bly of God, a
r of his four childr
War adds Gue
mothe
to the
the
and
ing,
gen
lent career,
Pentecostal sec
rekeeps
witinsist
rra went from
h wh
at
had the courag
As Mr. Hollande
t. “If I
soldier to police
choices that don’t may be the most
can
e to do what I
are perso
conenal
these did
fess
tor to elite me
extent,
insp
ion
some
ecTo
did, I have to
al
else.
yet
be
from
anyon
mber of Brazil’s
courageous eno
concern
inside
French voters paid
the
2012,
ugh
In
“int
kill
true:
ellig
to
ing
that’s
admit to them,”
ence he say
malist
chicandi
Socia
ne.
community,”
s.
attention to the
little
didn’t
a euphemism
Bra
zil’s milstatus
itar,yanddic
for
date’s unmarried
d into
move
the band of mil
tato
And yet, for
rship
Ms. Trierweiller
when
(196
itary and civilian
blink4–1
all the candor
981
president’s
) was
e as the
one
of Guerra’s
of his lonoperatives task
tale, there is littl
the Élysée Palac
president and the
The
ges
.’’
ed
t
anion
e
stre
rem
with ridding
‘‘comp
tches
orse in the tell
PACS.
for ahor
optaut
evenof
the country
no longer am
ing. “I
itarian
first lady didn’t
rule
of leftist rad
weighed dow
Mr. Hollande anineven
theafter
But
hem
icals he rev
had put
n by the past,”
isph
that he
ere.
and guerrillas.
It
ed on Saturday
els in Memories
Ms. Tri-also
hasnounc
Som
with
p
gon
onshi
e
e
of
dow
. “Today, I am
Guerra’s free
n inofhist
an end to his relati
ential
ory
fell
a presid
tota
boo
ow
.”
lly
status
Wh
ks,
dirt
the
eth
y
ller,
fairly
warriors killed
er the loved one
erwei
oranion
notremai
subject of con, as one
ned a the
for tims sha
s of his vicprofit, pocket
leas
r how
re that sentim
ation. No matte t horrific,comp
ing “donation
ble fascin
sidera
stop
tiptoed
ent is another
ping
media
tream
sho
s” but he ma
rt stic
from business
ofdi- the
stor
much the mains
y,
y
dome
soo
wholes
nde’s
executives anx
n find out. Th
Holla
ale
d Mr.
car
aroun
nage tha
e’s strict
is week, PresFranc
- ident Dilma
ious to halt the
t was
ever mindful of
the
h
Frenc
Latinlemm
Rousseff is sch
red tide. Others
nora,m.
it is clear that the
laws,
Som
privacy
eduled to ine 3,000ypeo
(even as
MEMÓRIAS DE
murdered and
stall a long-a
ple
ing the affair closel
follow
UMA
were are
busiwa
ma
their
of
ited
killed und
imed for the
it’s none
Truth Commis
erser
GUERRA SUJ
the 17-year
they tell pollst
sadistic pleasu
that will be pro
sion
A
rule ofness.)
re of it. Guerra,
rbing crimes and
Chile’s Gen Hollande’s unma
By Cláudio Gue
a rights vio
rra.
humanloyal functio
So what does Mr.. Aug
usto Piing
lations commit
to do with this linger
nary, claims
$22; Topbooks.
ried state have
ted during the
he military
according to Franmu
rde
red
fascination? A lot,
sor
yea
for flag and cou
rs. One of the
sociology profes
açois de Singly, a
ntry. will be
star witnesses
n piece in the newsp
Cláudio Guerra.
who in an opinio
that living in
per Le Monde wrote
is a
K TIME S
AL NEW YOR
INTE RNATION
NEWSWE
EK
quenc
Folio Mag Pg has conse
on of marriage,
institutional functi ic’’ face on a
VolOne
MO
a ‘‘publ
to put
argued, isov
a50 i
40
e ‘‘pubprovid
, ow
can21
ct uhe
97130
privat
0e life, one that
adulthe turbulence of
had
lic’’ refuge from
h presidents have
tery. Other Frenc
more than one —
mistresses — some publicized but well
(not
but their affairs
en their wives’ role
threat
didn’t
n)
know
lady.
as France’s first
binage, which has
In contrast, concu
its only legitimacy
by
no status, draws
affection shared
is
from the love and
that’s gone, there
When
e.
coupl
the
is why Ms. Triernothing left, which so precarious. If
weiler’s status was
ess,
mistr
nde’s
is Mr. Holla
e- Ms. Gayet
TrierMs.
servic
to
make
tests
that
al
then what did
, the
d in
istering psychologic
to Mr. de Singly
War II, he settle
weiler? According
te a
psymen. After World
l ‘‘doesn’t tolera
he received his
live-in-lover mode
New York, where
ng.
er
mistress.’’
choanalytic traini e ‘‘The Anatomy of
y. Reality is anoth
That’s the theor
or stay
n
His books includ
split
huma
and
the
of
stray,
a history
matter; couples
Loving’’ (1987),
rnity, to
their union.
of
mode
to
dless
ity
regar
together,
es in
struggle, from antiqu the Shadow of
number of divorc 0,
the
‘‘In
2004,
love;
Since
and
understand
ted around 130,00
ice of Children
France has oscilla of marriages deons’’
Moloch: The Sacrif
er
Western Religi
even as the numb only 49,000 civil
,
Its Impact on
st,
al volumes he edited
creases. In contra
(1992); and sever
Holoved in 2012, of which
erations of the
unions were dissol
on to
among them ‘‘Gen Milton E. Jucovy)
percent moved
40
y,
with
stingl
intere
and
caust’’ (1982,
of marriage.
ding Dissidence
the stronger bonds not that French
and ‘‘Understan History of Psychoit’s
the
In other words,
fact,
Controversy in
ant to commit. In
).
couples are reluct
to an enanalysis’’ (2004
ared
Distin
the
comp
is
s
often
honor
the PACS ‘‘is
Giraud, a
Among his many
Educator
noted Christophe
Psychoanalytic
a- gagement,’’
guished
sociologist.
International Feder
based
the
Parisfrom
Mr.
d
Awar
issue raised by
ytic Education.
In his view, the
tion for Psychoanal ‘‘Crimes and Misis not which
ANN, MD
of
de’s domestic mess his betraySEBASTIA N ZIMMERM
On the strength
ed by Hollan
of
and perhaps inspir ysis vow he broke, but the fact so much the
tor, he became
demeanors’’ —
author and educa
r of psychoanal
t is shocking is not
A psychoanalyst,
Misdemeanors.’’
ion as
the cleansing powe ng machines at- al. ‘‘Wha
ann in his office.
non-PACS situat
film ‘‘Crimes and
e,
Martin S. Bergm
Allen
washi
arriag
of
r
Woody
non-m
in the 1989
— a make
a teleHollande seems
known for his role
Mr. Bergmann in son the double life François
tempted to cast
g,’’ Mr. Giraud wrote
r’s de. He declined, his
lor’s and maste
to have been leadin
or less
vision commercial
He earned bache
. ‘‘The French more e life,
the University of
in in an email
said.
of privat
in the field from
ended
forms
that
grees
s
age
variou
born
didn’t answer.’’
ley.
After an early marri married Maria accept the
Bergmann was
the cheating,
, California, Berketime, Mr. Bergmann’s
ann
Martin Shlomo
are shocked by
15, 1913. His father
nship.’’
divorce, Mr. Bergm his wife, a psycho- but they
During this
es
in Prague on Feb. philosopher and an
chose not to relies within the relatio
he
the
Besid
and
and
1947.
ed,
in
Mr.
Vari
divorc
in
Pal- parents
Hugo, was a noted
son, a filmmaker,
Already interested
family moved to
analyst, and his
turn to Palestine.
Freud
[email protected]
ors include a grand
early Zionist; the was 6.
began reading
EMAIL: paget
n
Bergmann’s surviv
psychology, he
States
estine when Marti
in the United
in the 1930s, Mr.
son.
while serving
adminAs a young man by his kibbutz to
duties included
sent
Army, where his
.
Bergmann was
States
d
Unite
|
NEPAL
the
in
|MILAN
||MILAN
MILAN
MILAN
| ||MILAN
MILAN
| |MANILA
MANILA
| |MANILA
MANILA
| |MALTA
10
MALTA
| |MALTA
study agriculture
MALTA
MALTA
| |MADRID
MADRID
MADRID
+33m1 41 43 92
N N|N|MADRID
ON
mes.co
|
Fax
likely actor
ychoanalyst and un
ps
0,
10
n,
an
gm
er
Martin S. B
Allen
was aware, Mr.
As the student
-haired,
a tweedy, white
was looking for
yst to
ng psychoanal
nEuropean-soundi
Louis Levy, a huma
portray Professor
a dark
. In the movie,
istic philosopher
age and its discon
at
comedy about marri
plays a filmmaker
tents, Mr. Allen
y about Levy,
entar
docum
a
work on
in film clips.
only
seen
is
uced
who
fit the bill. Introd
Mr. Bergmann
hing
answered his searc rs
O B I T U A RY
to Mr. Allen, he
al matte
about philosophic
attan. questions and death. Twenty minutes
his home in Manh
relike love, life
Wednesday at
elphia Inquirer
Philad
The
as
later,
.
told him,
He was 100.
1989, Mr. Allen
confirmed the death
an ported in
His son, Michael,
Bergmann was
film
‘‘You’ ll do.’’
At his death, Mr. sor of psychology
dialogue in the
profes
Much of Levy’s
oBergmann
adjunct clinical
Mr.
psych
in
by
d
am
l progr
was extemporize ophical lines.
in the postdoctora otherapy at New
along similar philos does not seem to
analysis and psych
taught
where he had
‘‘Human happiness the design of creYork University, had been scheduled
ed in
; he
‘‘It
have been includ
Mifor many years
ann, as Levy, says.
ar there next week,
that
ation,’’ Mr. Bergm
to teach a semin
our capacity to love, unisaid.
is only we, with
chael Bergmann also maintained a
to the indifferent
give meaning
Mr. Bergmann
practice, alytic
oanal
.’’
l
psych
verse
private
he had
whose professiona
nce to his age,
tly
Mr. Bergmann,
though, in defere
week.
put his finger instanany
about 30 hours a
training let him
t
—
scaled it back to
question in almos
n for his erudition
on the operative
on
A Freudian know
if Mr. Allen
why,
books
er
rly
wond
schola
r of
situation, did
simply
relihe was the autho
opher, he did not
ysis, history and in
wanted a philos
love, psychoanal
d
.
Bergmann lande
Mr.
cast a philosopher
ly
gion — Mr.
that question,’’
meanors’’ entire
‘‘I asked him
‘‘He
‘‘Crimes and Misdea student of his who
Newsday in 1989.
gh
Bergmann told
or.
by chance, throu
direct
g
castin
the
happened to know
BY MARGALIT
FOX
yst,
ann, a psychoanal
Martin S. Bergm tor who became
for
author and educa
general audience a
as
known to a wide
much-praised role film
his unplanned,
1989
s
Allen’
y
Wood
philosopher in
ors’’ died on
mean
Misde
and
‘‘Crimes
LONDO
m;
LONDO
LOND
s@nyti
E E| E|LONDO
mes.co
|LAHOR
LAHOR
inytsub
9456;
s@nyti
3529;
R R|R|LAHOR
E-mail
4 428
7061
inytsub
LUMPU
LUMPU
LUMPU
93 61;
+971
|KUALA
(020)
E-mail
43
KUALA
mm
| |KUALA
41Fax
+44
61;
931m;
imes.co
mes.co
HIHIHI
Fax:
|KARAC
33)
43
KARAC
m;
imes.co
41(+
s@nyti
bs@nyt
1es
A A| A|KARAC
mes.co
ai@nyt
|JAKART
+33
inytsub
INYTsu
JAKART
| |JAKART
escountri
s@nyti
inytdub
66 51 11 30.
Other
E-mail
countri
ULULUL
e);
Email
|ISTANB
ISTANB
| |ISTANB
Otherinytsub
9457;
(toll-fre
E-mail
BAD
.net; Fax: 33 4
27 e)
e);
BAD
BAD
4 428
78
92 12
|ISLAMA
48(toll-fre
cobono
ISLAMA
27
(toll-fre
| |ISLAMA
+971
44
78
s:
1 41 43
48965
800
KONG
895
KONG
+33int@ric
44
00
KONG
|HONG
midi-pr
HONG
800Inquirie
0800
ising
00; Fax
55;
Europe
s: 00
00 9582
93
ation:
8591
Advert
51
GUES|S|HONG
43
RGUE
GUES
66s.
41
s: Europe
and
Inform
14020
GALLAR
Emirate
33
Fax:
GALLA
iption Inquirie
Tel:+33
s:
Arab
FURT| |GALLAR
9454;
ux.
FURT
SubscrInquirie
United
Inquirie
8591
FRANK
N • iption
Montue
ising
020
Le
• Subscr
| DUBA
Tel:Dubai,
ues
DUBAI I| |FRANK
Advert
•11243,
0AG;
U.S. | NYANGO
alia.it
Gallarg
Box
10
92IG11
| |TOKYO
sprintit
P.O.
U.S. | | YANGO
-30660
43
| DHAKA | DOHA
41
Barking
LLC
Piot,
n@new
|
1
AVIV
TOKYO
ing
M
Way,
|
allée
+33
TEL
oductio
18,
|
uve.
Fax
AVIV
Publish
BELGIU
Alfred's
&
m;
romepr
TEL
Actif,
Courne
La ch,
Y | |TAIPEI
Pôle
mes.co
Printing
| TAIPEI
E-mail
Approa
ri
ZA du
93120
s@nyti
,7935;
Galada
Eastern
| SYDNE
| BANGKOK | BEIRUT
Print,
by
ORE | YSYDNE
inytsub
B1
Raspail
077435
Midi
| ORE
|
:rue
Unit
SINGAP
E-mail
Printed
0039
•30,
Ltd.
61;
Printer
Tel.:
uk
10
SINGAP
•93
92Print,
43
1312
ROMA.
ebprint
OUL| |SEOUL
in ATHENS BALI
ffset
new york times
28.01.2014
A sombra da
Operação Condor
P2 • Sábado 2 Julho
Causas LB.qxd
6/28/11
9:31 PM
Page 14
10 • P2
AS
CAUS
AL ine.c
DA RE
VItaria
om.pt
do@noticiasmagaz
secre
ndor
Na Sombra do Co
H
azine 03.J UL.2 011
público · p2
02.07.2011
a
Fotojornalist
ou
João Pina junt
a
uma pequen
ra
“multidão” pa
u
financiar o se
e
trabalho sobr a
et
operação secr
na América
do Sul
JOÃO PINA
á seis anos, João Pina, fotojornalista
u
português, começo
jecto a
a trabalhar num pro
bra do
que chamou «A Som
tos da
Condor» sobre os efei érina Am
dor
Con
o
raçã
Ope
seitar
mil
ca Latina – plano
oponencreto para eliminar
ltou
resu
tes políticos – que
os sesna morte de pelo men Pina
João
senta mil pessoas.
mea
um
r
cria
tenta agora
período
mória visual deste
com
ão
regi
da história da
mais de trinta anos.
inado
Embora tenha term
itos
há muito tempo, mu
mas
dos parentes das víti
contidor
Con
o
raçã
da Ope
er o que
nuam a desconhec
es
ent
s
seu
aos
aconteceu
dos
queridos e a maioria mors
essa
por
is
responsáve
tos nuntes e desaparecimen
er peca chegou a respond
rante a justiça.
da
nto
O interesse no assu
políticos
repressão e presos
mida
«vem da experiência
dos meus
nha família – dois
prina
s
avós passaram ano
razões
são em Portugal por Pios
Em colaboração com
João
arquivos e
políticas», explica
brasileiras abram os
LiTeu
apoiantes da
Por
o
livr
4, quando a ditaaconteceu ao
ter196
na. No seu
era
que
Em
o
s.
esp
em
ano
s.is
liqu
pha
exp
licado
www.em
sil começou,
vítimas dos
do
vre Pensamento, pub as
dura militar no Bra
seu filho e a outras
ar a primeira parte
ou
s filhos foram
no país. Pa- min
a
seu
reem 2007, document
dur
dos
por
dita
sa
os
de
pas
s
vári
que
ano
29
projecto,
m como
s»,
assi
tico
e
s,
polí
séri
s
ória
a
tivo
hist
um
s
há
mo
sua
presos por
ao Brasil para assim
ra além de Elzita,
heiros
o fotojor- gressar o processo que
a. Em 1974, um
que
Pin
s
o
as dos seus compan
soa
Joã
ta
pes
con
ras
de out
que o
completar
tornou-se
fotografar a
de prisão, experiência ras
uir em
dos filhos de Elzita
nalista gostaria de
out
começou, e então seg
arecido»
nir o que
incentivou a estudar
alho
no primeiro «desap
fim de «ajudar a defi ante
.
frente e acabar o trab Esta
ão,
ndo
ent
mu
de
pelo
Des
as
ditadur
do Brasil.
es.
Brasil dur
no
tico
país
o
ceu
polí
cinc
nte
ros
aco
out
do
bra
nos
s desta
rço
esfo
os
O projecto «A Som
a fa.
os
par
ca»
vári
da
são
aquela épo
três
plataforma, cria
Condor» consiste em e o
grafos
a que as autoridades
par
fotó
re
mãe
ent
te
pon
ang
zer a
,
fases: a primeira abr
lico
Argentidocumentais e o púb
Brasil, a segunda a
jectos
le, e a
permite que os pro
grana, a Bolívia e o Chi
te
e o Parapossam ir para a fren que
terceira o Uruguai
DOR
uenas doações
ou váA OPERAÇÃO CON
os regi- ças a peq
guai. João Pina já viaj para
ente, recom-militar entre vári
orm
tico
teri
polí
pos
nça
sil
são,
alia
Bra
dor foi uma
e, Argentina, Parias vezes para o
rmações
A Operação Con
Bolívia, Brasil, Chil
e lugares
pensadas. Mais info
América do Sul –
ar a repressão a
fotografar pessoas
mes militares da
w.emphas.is/web
ctivo de coorden
órias vie Sul. em: ww
– criada com o obje
Con
i
do
gua
es
que considera mem sado
Uru
e
jects?pro
país
ai
rpro
seis
ragu
pas
/guest/discove
praticadas nestes
de redemocravas da repressão do
res das ditaduras
311.
durou até à onda
«no Nor- oposito
dos anos setenta,
tares da jectID=
io
mili
iníc
do país. Em Recife,
por
no
a
tada
rad
Mon
o, lide
exemseguinte. A operaçã
abutre típico
ALVES
deste do Brasil, por
tização na década
o nome de Condor,
TEXTO DANIELA
grafei
foi baptizada com
ga.
plo, entrevistei e foto de
América Latina,
riamente necrófa
orita
mai
mãe
é
z,
ção
Cru
Elzita Santa
es cuja alimenta
And
dos
97
dez filhos, agora com
14 Notícias Mag
o 2011
• Sábado 2 Julh
2011 • 11
precisava de
a João Pina
r ao
para regressa
de
6750 dólares
ar o trabalho
Brasil e continu
há seis
o que iniciou
fotojornalism
dor
Operação Con
anos sobre a
u
do Sul. Recorre
na América
ding
de crowdfun
à plataforma
através do
a
Emphas.is, e,
de uma pequen es,
iant
financiamento
wd) de 76 apo
res
“multidão” (cro
5
alhar 683 dóla até
ado
conseguiu ame
mul
es (valor acu
em dois mes
o
ontem).
lica
tema, exp
A escolha do
amente
a, está intim
fotojornalist
em
resse pessoal
ligada ao inte da repressão
a
foram
explorar o tem
avós
os seus
política, de que a ditadura em
rica
vítimas durante
ta feita, na Amé
Portugal. Des
ntina,
Latina.
ve já na Arge
João Pina este
nvolver
Brasil a dese
no Chile e no
dor,
Sombra de Con
plo,
o projecto A
exem
por
ui,
a, incl
acio
que, até agor
funeral de Hor
fotografias do e da organização
tant
o
Bau, um mili
rrad
ente
e
“morto
Montoneros
o 30 anos
e identificad
em
sem nome”
sala de tortura
depois, de uma ainda um retrato de
s ou
Cuba.
Buenos Aire
o, exilada em
Maria Santuch sobreviventes
Os relatos dos
etidas
idades” com
com
e as “barbar
se “juntaram,
as
por países que
, para liquidar
o aval dos EUA
ctos que
aspe
os
m
oposições” fora ram o fotógrafo.
iona
mais impress
está
não
a
O projecto aind hum dos países
nen
concluído. “Em
alho estivesse
senti que o trab lica o fotojornalista,
exp
terminado”,
m ainda “20
para quem falta alho”, que, depois
trab
semanas de
il, se
fase no Bras
desta primeira ntina, Bolívia e
Arge
estenderá à
, e, na fase
segunda fase
Chile numa
guai.
Para
e
i
gua
Brasil,
final, ao Uru
o regresso ao
Para financiar ao crowdfunding
rreu
João Pina reco
que há
ma altura em
porque, “nu
na imprensa,
eiro
dinh
tão pouco
alho
il produzir trab mas
,
é muito difíc
ideia é simples
de fundo”. A
ligação directa ,
inovadora: uma
a e o público
alist
jorn
foto
entre o
apresenta o
eiro
prim
o
tante de
em que
belece o mon
para o
projecto e esta
de que precisa
financiamento ndos contribuem
segu
de
realizar; e os
vão, no caso
que
ções
res, e
com doa
aos três mil dóla ito a
Pina, dos dez
dire
a escalão, dão ser uma
que, em cad
e
nsa, que pod
mpe
reco
uma
imento,
stal de agradec
fotografia-po
um
trabalho, ou
um livro do
ado.
o
workshop priv
ter ultrapassad
O facto de já
nciado
nanceiro anu fase
o objectivo fi
ntar a segunda
ainda
“permite adia
Até terça-feira, em
o”.
ject
pro
do
es
r contribuiçõ
é possível faze Rita Himmel
s.
www.emphis.i
diário de notícias · notícias magazine
03.07.2011
2
, Mar 19, 201
new yorker
19.03.2012
The New Yorker, Mar 19, 2012
3/14/12
12:21
The New
Yorker,
Mar AM
19, 2012
3/14/12 12:21
AM Yorker, Mar 19, 2012
The New
The New
3/14/12
Yorker,12:21
Mar 19,
AM2012
3/14/12 The
12:21
AMYorker, Mar 19, 2012
New
TheAM
New Yorker, Mar 19, 2012
3/14/12 12:21
The New
3/14/12
Yorker,12:21
Mar 19,
AM2012
m/glo
.newyorker.co
http://archives
er.com
rchives.newyork
http://images.a
emoteprefix=
Conde%2…e&r
th=/djvu/
bal/print.asp?pa
p://im
oteprefix=htt
de%2…e&rem
th=/djvu/Con
bal/print.asp?pa
rker.com/glo
of 12
e 1wyo
ves.ne
8 /archiPag
http:/
&pagecount=9
The New Yorker, Mar 19, 2012
3/14/12 12:21 AM
3/14/12
12:21
The New
Yorker,
Mar AM
19, 2012
t=98
om&pagecoun
ewyorker.c
ages.archives.n
Page 2 of 12
The New
3/14/12
Yorker,
12:21
Mar 19,
AM 2012
3/14/12 12:21 AM
User: Gfreitas
2
User: Gfreitas
Time: 08-03-2012
19:46 Product: OGloboProsaeVerso PubDate: 04-08-2012
Zone: Nacional
Edition: 1
Time: 08-03-2012
20:00
Product: OGloboProsaeVerso PubDate: 04-08-2012
Zone: Nacional Edition: 1
l O GLOBO
Page: PAGINA_B
Color: C
K
Y
M
l Prosa l
Sábado 4.8.2012
Page: PAGINA_A Color: C
K
Y
M
OGLOBO
User: Gfreitas Time: 08-03-2012
VERSO
A ESPANHA
CONTINUARÁ
UNIDA?
SÁBADO 4.8.2012
oglobo.com.br
2
20:00 Product: OGloboProsaeVerso
PubDate: 04-08-2012 Zone: Nacional Edition: 1
l O GLOBO
Page: PAGINA_B
Color: C
K
Y
M
l Prosa l
PÁG. 8
OBRA INÉDITA
REGISTRA AS
MEMÓRIAS DE UMA
ERA DE CONFLITOS
JOÃO PINA/ DIREITOS RESERVADOS
Passado
presente
Fotógrafo português João Pina percorre o Brasil e mais cinco
países para finalizar livro sobre a Operação Condor e a relação
da América Latina com a herança dos regimes militares
GUILHERME FREITAS
[email protected]
N
os últimos anos, o fotógrafo português João Pina cobriu a Guerra do
Afeganistão, a Primavera Árabe, os
confrontos na Líbia e os abusos de
traficantes e policiais nas favelas
do Rio de Janeiro, entre outros
conflitos, para veículos como as revistas “The New
Yorker” e “Time” e os jornais “The New York Times” e “El País”. Mais do que os fatos que elas registram, o grande tema dessas fotos, se tomadas
em conjunto, é a violência do presente. Ela é mostrada ora de forma explícita, como na imagem de
um manifestante ferido desafiando um tanque do
Exército egípcio, ora apenas sugerida, como no retrato quase cômico de um homem varrendo uma
rua na Tunísia em meio à turbulência que levou à
queda do presidente Ben Ali, em 2011.
Nos intervalos entre essas incursões a alguns
dos principais conflitos de nosso tempo, Pina, de
32 anos, trabalha em um projeto sobre a violência
do passado. Desde 2005, ele reúne material para
um livro ainda inédito sobre a Operação Condor, a
colaboração entre regimes militares da América
do Sul nos anos 1970. Intitulado “A sombra do
Condor”, o projeto vem sendo financiado por doadores de todo o mundo, por meio do site de
crowdfunding <www.emphas.is>. Pina já esteve
várias vezes no Brasil, na Argentina, no Chile e no
Uruguai. Agora, está captando financiamento para a última fase da pesquisa, no Paraguai e na Bolívia, e precisa levantar US$ 7.590 até 13 de agosto
(mais da metade do valor já foi obtido). Na semana passada, recebeu apoio da Anistia Internacional, que lançou uma campanha publicitária pedindo doações para o projeto.
As imagens feitas nos últimos sete anos — algumas delas estão no site <www.joao-pina.com> —
mostram o método desenvolvido pelo fotógrafo
Gfreitas
08-03-2012
para abordar a violênciaUser:
de um
períodoTime:
que continua a ecoar no presente. Pina retratou e entrevistou sobreviventes da luta armada, parentes de vítimas das ditaduras e militares que participaram
da repressão. Acompanhou prisões e julgamentos. E fotografou antigos
centros
Sábado
4.8.2012de detenção,
mostrando que mesmo espaços que hoje têm outras funções conservam vestígios de atrocidades:
o piso quadriculado de uma casa no centro de
Santiago do Chile ficou gravado na memória de
quem lá foi torturado; as paredes de uma delegacia civil em São Paulo ainda exibem os nomes rabiscados por prisioneiros políticos.
— Meu objetivo é criar uma memória visual daquele período. Quero captar como esses eventos
são representativos ainda hoje, por isso procurei
sobreviventes e parentes das vítimas. E acredito
que as imagens dos antigos centros de tortura
transmitem o vazio e a estranheza atual desses lugares, que a maioria das pessoas hoje nem sabe
que estiveram associados às ditaduras — diz Pina
em entrevista ao GLOBO, por telefone, de Lisboa.
19:46
Product: OGloboProsaeVerso
PRIMEIRO LIVRO RETRATOU PRESOS POLÍTICOS DE PORTUGAL
Pina começou a desenvolver esses métodos em
seu livro anterior, “Por teu livre pensamento”, criado em parceria com o escritor Rui Daniel Galiza e
publicado em Portugal em 2007. A obra reunia retratos e histórias de 25 ex-prisioneiros políticos do
Estado Novo português, instaurado por Salazar
em 1933 e encerrado com a Revolução dos Cravos
em 1974. Dois dos personagens do livro são seus
avós, que foram militantes do Partido Comunista
Português: Albertina Diogo, que passou 6 anos
presa, e Guilherme da Costa Carvalho, detido por
19 anos e falecido em 1973.
— Convivi desde a infância com histórias de
prisões políticas e torturas. Mas foi durante a pes-
PubDate:
quisa para esse livro que percebi que essas histórias tinham um significado profundo não só para as
vítimas, seus parentes e amigos, mas para todo
mundo. Por isso quis continuar a investigar o tema na América Latina — diz Pina.
Ele começou o projeto “A sombra do Condor”,
em 2005, pelo Brasil. Esteve em Recife, no Rio e
em São Paulo, onde entrevistou ex-presos políticos e fotografou a antiga sede do DOI-Codi em
São Paulo, que hoje abriga a 36ª DP, na Rua Tutóia,
na Vila Mariana. Lá, surpreendeu-se com o fato de
só dois funcionários saberem onde ficavam as antigas salas de tortura.
— A maioria mal sabia o que tinha acontecido
ali durante a ditadura. Mas muitos diziam ouvir
vozes ou ver vultos, e essas lendas urbanas são
também uma dimensão da memória.
“NO BRASIL, MILITARES SE SENTEM À VONTADE”
Pina foi também ao Pará e a Tocantins para entrevistar personagens da guerrilha do Araguaia, como Adalgisa Santa Cruz, lavradora que teve o marido torturado e as filhas sequestradas e abusadas
por militares; Lauro Santos, morador da região
que perdeu parte do braço ao pegar uma granada
por acidente; o ex-guerrilheiro Josias Gonçalves; e
o coronel Sebastião Curió, que comandou operações na área entre 1972 e 1974. Em março de 2012,
Curió se tornou o primeiro militar brasileiro a ser
04-08-2012
Zone: pelo
Nacional
Edition:
1 Page:
PAGINA_C
denunciado
Ministério
Público
Federal
por
envolvimento no caso Araguaia, sob acusação do
sequestro de cinco pessoas. A denúncia não foi
aceita em primeira instância, mas o MPF recorreu. Na época, a ONU divulgou nota apoiando a
ação como “umProsa
primeiro passo crucial na luta
contra a impunidade que rodeia o período do regime militar no Brasil”.
— O Brasil é o único país da América Latina onde os militares se sentem à vontade para continuar a dizer que tinham razão — avalia Pina, que
considera a Argentina o país mais avançado no
tratamento dos crimes da ditadura. — Na Argentina, ao contrário do Brasil, o tema está muito presente na agenda nacional há anos, com julgamentos, buscas por corpos e um debate público amplo
sobre os casos. Isso ajuda a tornar inadmissível
que se defenda a ditadura em público.
Pina viveu em Buenos Aires de 2007 a 2010 e
nesse período fez diversas viagens pela região. Na
Argentina, fotografou julgamentos de militares
acusados das mortes no campo de detenção de
Campo de Mayo e o funeral do militante de esquerda Horacio Blau, que havia sido enterrado
como indigente e teve os restos mortais encontrados em 2007. No Uruguai, visitou um antigo convento de Montevidéu transformado em prisão pela ditadura. No Chile, esteve em Santiago e percorreu o Atacama com familiares de vítimas do regime Pinochet que ainda buscam os corpos dos parentes em cemitérios anônimos no deserto.
As viagens ao Paraguai e à Bolívia encerrarão a
fase de pesquisas do projeto “A sombra do Condor”, diz Pina. Depois, começa a fase de edição do
livro, que o fotógrafo pretende publicar em inglês,
português e espanhol, com textos seus e de representantes de famílias das vítimas e ativistas de direitos humanos. l
l
Color: C
K
Y
M
l
O GLOBO
l 3
FOTOS DE JOÃO PINA/ DIREITOS RESERVADOS
OBRA INÉDITA
REGISTRA AS
MEMÓRIAS DE UMA
ERA DE CONFLITOS
Traumas históricos. Crânio com perfuração de bala em laboratório forense argentino criado para investigar desaparecimentos da ditadura
História em fragmentos
Da esquerda para a direita: Cemitério de Xambioá, na região do Araguaia; funeral de militante de esquerda
enterrado como indigente durante a ditadura na Argentina; parentes de vítimas em julgamento em Buenos
Aires e militares argentinos escondendo o rosto no tribunal. Abaixo: Lauro Santos, que perdeu parte do braço
com granada no Araguaia ,e os nomes de presos gravados na parede da antiga sede do DOI-Codi em São Paulo
Marcas
da ditadura
O fotógrafo português João Pina viaja pela América do Sul
para criar uma memória visual da Operação Condor,
no momento em que a Comissão da Verdade reabre
o debate sobre a participação do Brasil
na repressão em países vizinhos
BRASIL
Ação ainda
não foi
esclarecida
F
ormada oficialmente em maio, a Comissão da Verdade brasileira tem entre suas
atribuições investigar a extensão do envolvimento do país na rede de colaboração entre regimes militares da América do Sul, conhecida como Operação Condor. Uma das primeiras medidas da comissão foi estabelecer contatos com o National Security Archive, organização não governamental americana que trabalha
pela divulgação de documentos secretos nos
Estados Unidos. Em julho, um seminário reuniu
em Brasília representantes de Brasil, Argentina,
Uruguai, Chile, Paraguai e Estados Unidos, com
o objetivo de coletar informações para as investigações. Historiadores e ativistas dos direitos
humanos do Brasil e do exterior esperam que,
com a nova Lei de Acesso à Informação, que
também entrou em vigor em maio, a abertura
dos arquivos brasileiros ajude a esclarecer esse
episódio da História nacional.
Pesquisador do National Security Archive,
instituição ligada à Universidade George
Washington, o americano Peter Kornbluh esteve no Brasil em maio para um encontro com os
integrantes da Comissão da Verdade. Nos últimos anos, a organização colaborou com iniciativas semelhantes em outros países latino-americanos recém-saídos de ditaduras, como Chile,
Guatemala e Peru.
“HISTÓRIA DA AMÉRICA LATINA PODERÁ SER REESCRITA”
Em entrevista ao GLOBO por telefone, de
Washington, Kornbluh diz esperar que a Comissão da Verdade jogue luz sobre o papel do Brasil
na Operação Condor, que o pesquisador considera um dos pontos cegos do episódio ainda
hoje. Kornbluh diz que os documentos revelados até agora nos Estados Unidos sugerem que
o Brasil relutava em se engajar nos aspectos
mais extremos da Operação Condor, como o assassinato de opositores dos regimes no exterior,
mas só a divulgação de documentos do governo
brasileiro pode determinar a natureza da colaboração do país com as polícias secretas de Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai.
— Os arquivos do Brasil têm muita informação sobre sua colaboração com os Estados Unidos e os outros países da Operação Condor. Mas
o governo brasileiro vem escondendo essa história de seu próprio povo e do resto do mundo.
Com a nova Lei de Acesso, o Brasil finalmente se
uniu à comunidade de Estados modernos que
entendem que o direito à informação é um pilar
— A criação da Comissão da Verdade brasileide toda sociedade democrática. Acredito que, ra foi um grande passo para a luta contra a imquando o trabalho da Comissão da Verdade for punidade. Indefectivelmente, a “explosão da
concluído, a História da América Latina poderá memória” colocará a Justiça brasileira no banco
ser reescrita — diz o pesquisador.
dos acusados — diz Almada.
Kornbluh é autor do livro “The Pinochet file”
(“O arquivo Pinochet”, publicado em 2004 nos “O PROBLEMA ESTÁ PRESENTE EM NOSSO COTIDIANO”
EUA e ainda sem edição no Brasil), que usa do- Co-organizadora da série de três livros “Conscumentos e transcrições oficiais até então iné- trução social dos regimes autoritários” (Civiliditos para analisar a participação do governo de zação Brasileira), que tem um volume dedicado
Richard Nixon, em especial de seu secretário de à América Latina, a historiadora Samantha Viz
Estado Henry Kissinger, no golpe contra o presi- Quadrat lembra que comissões semelhantes em
dente chileno Salvador Allende, em 1973. O países vizinhos tiveram papel importante na
grau de envolvimento do Brasil nesse golpe e no transição democrática mesmo sem realizar julsuporte ao regime Pinochet é um dos pontos gamentos. Professora da Universidade Federal
que Kornbluh espera ver elucidados pelo traba- Fluminense (UFF), ela aponta as manifestações
lho da comissão, assim como o apoio brasileiro em frente a residências de supostos ex-torturadores como um sinal de pressão social alimenà ditadura de Alfredo Stroessner no Paraguai.
A relação entre o regime militar brasileiro e o tada pelos debates em torno da comissão.
— As comissões podem mobilizar uma sociegoverno de Stroessner é um tema central também para o advogado paraguaio Martín Alma- dade a demandar por justiça. Elas não são um
da, que teve participação decisiva na descober- ponto final. A pressão social, junto com o papel
ta de um conjunto de dezenas de milhares de da imprensa, divulgando o que há nos arquivos,
podem levar a uma mudandocumentos sobre a Operaça no rumo da ação do goção Condor conhecido coverno — diz Samantha.
mo “Arquivo do Terror”, enA historiadora prefere usar
contrado há 20 anos, em AsCOMISSÃO DA
a denominação “Plano Consunção. Preso em 1974 sob
VERDADE
dor”, por entender que a coacusação de “terrorismo inINVESTIGA
laboração entre os regimes
telectual”, por defender uma
reunia uma série de operatese de doutorado na ArgenCOLABORAÇÃO
ções dentro de uma mesma
tina sobre reformas na eduDO PAÍS COM
lógica e era anterior a 1975
cação paraguaia, Almada foi
DITADURAS
DA
(data que se convencionou
torturado, teve a mulher asREGIÃO
usar para demarcar o início
sassinada e foi libertado
da operação). Entre os muiapenas três anos depois,
tos aspectos desse plano,
quando se exilou em Paris.
acredita que ainda precisa
Depois da queda de Stroessner, em 1989, e da promulgação de uma nova ser esclarecida a participação do Brasil no desaConstituição com leis de acesso à informação, parecimento de argentinos em território nacioem 1992, Almada conseguiu identificar os ar- nal e de brasileiros no exterior.
Contudo, Samantha critica a ideia corrente de
quivos do regime na periferia da capital paraguaia. Desde então, os documentos foram usa- que o Brasil está atrasado em relação aos países
dos em inúmeros casos, como nos processos vizinhos no tratamento das violações de direitos
contra Pinochet, o general argentino Jorge Rafa- humanos durante a ditadura. As diferenças hisel Videla e o ditador uruguaio Juan María Bor- tóricas entre os regimes implicam em processos
daberry. Atualmente, o material faz parte do de transição necessariamente distintos e molCentro de Documentação e Arquivo para a De- dam a forma como cada sociedade lida com seu
fesa dos Direitos Humanos, da Corte Suprema passado autoritário, diz. Cita como exemplo o
Chile, onde, apesar de a Lei de Anistia imposta
de Justiça do Paraguai, e é aberto ao público.
Em entrevista ao GLOBO por e-mail, Almada por Pinochet continuar em vigor, a Justiça enconta que começou a investigar a colaboração controu brechas para punir crimes do regime,
entre os regimes do Cone Sul para descobrir por atendendo a uma demanda da sociedade. Já no
que havia sido torturado na prisão não só por Brasil, acredita, ainda há um “jogo de empurra”
militares paraguaios, mas também argentinos, entre os três poderes.
— Para que esse quadro mude, é preciso ir
uruguaios, chilenos e brasileiros. Os documentos que descobriu ajudaram a atestar a prática além da pressão importantíssima e atuante de
de treinamento de torturadores em Buenos Ai- familiares e atingidos pela repressão, dos pesres, Manaus e Washington, além de na Escola quisadores e das ONGs. É preciso mobilizar a
das Américas, instituição de ensino militar sociedade. Não existe em tempos democráticos
ou autoritários justificativas ou perdão para o
mantida pelos Estados Unidos no Panamá.
Um dos participantes do Seminário Internaci- uso da tortura. O problema é nosso, está presenonal Operação Condor, realizado em Brasília te em nosso cotidiano. Não está restrito ao pasem 5 e 6 de julho, Almada confia que, mesmo sado autoritário. l
sem a prerrogativa de realizar julgamentos, a
Comissão da Verdade vai estimular a ação da Guilherme Freitas
Justiça contra os crimes da ditadura:
[email protected]
Livros
Leia mais sobre a
Operação Condor
A construção social
dos regimes
autoritários: Brasil e
América Latina
Samantha Viz Quadrat e
Denise Rollemberg (org.)
Um dos três volumes da
série, publicada em 2011
pela Civilização Brasileira,
que discute como
ditaduras de todo o
mundo no século XX
encontraram apoio entre
a sociedade.
The Pinochet file
Peter Kornbluh
Inédito no Brasil, o livro
publicado em 2004 nos
Estados Unidos pelo
National Security Archive
revelou diálogos entre
Kissinger e Nixon sobre o
golpe contra Allende
Os anos do Condor:
uma década de
terrorismo
internacional no
Cone Sul
John Dinges
Publicado no Brasil em
2005 pela Companhia
das Letras, o livro reúne
as investigações do
jornalista americano sobre
a colaboração entre
regimes militares do
continente
Passado
presente
Fotógrafo português João Pina percorre o Brasil e mais cinco
países para finalizar livro sobre a Operação Condor e a relação
da América Latina com a herança dos regimes militares
GUILHERME FREITAS
[email protected]
N
os últimos anos, o fotógrafo português João Pina cobriu a Guerra do
Afeganistão, a Primavera Árabe, os
confrontos na Líbia e os abusos de
traficantes e policiais nas favelas
do Rio de Janeiro, entre outros
conflitos, para veículos como as revistas “The New
Yorker” e “Time” e os jornais “The New York Times” e “El País”. Mais do que os fatos que elas registram, o grande tema dessas fotos, se tomadas
em conjunto, é a violência do presente. Ela é mostrada ora de forma explícita, como na imagem de
um manifestante ferido desafiando um tanque do
Exército egípcio, ora apenas sugerida, como no retrato quase cômico de um homem varrendo uma
rua na Tunísia em meio à turbulência que levou à
queda do presidente Ben Ali, em 2011.
Nos intervalos entre essas incursões a alguns
dos principais conflitos de nosso tempo, Pina, de
32 anos, trabalha em um projeto sobre a violência
do passado. Desde 2005, ele reúne material para
um livro ainda inédito sobre a Operação Condor, a
colaboração entre regimes militares da América
do Sul nos anos 1970. Intitulado “A sombra do
Condor”, o projeto vem sendo financiado por doadores de todo o mundo, por meio do site de
crowdfunding <www.emphas.is>. Pina já esteve
várias vezes no Brasil, na Argentina, no Chile e no
o globo
04.08.2012
para abordar a violência de um período que continua a ecoar no presente. Pina retratou e entrevistou sobreviventes da luta armada, parentes de vítimas das ditaduras e militares que participaram
da repressão. Acompanhou prisões e julgamentos. E fotografou antigos centros de detenção,
mostrando que mesmo espaços que hoje têm outras funções conservam vestígios de atrocidades:
o piso quadriculado de uma casa no centro de
Santiago do Chile ficou gravado na memória de
quem lá foi torturado; as paredes de uma delegacia civil em São Paulo ainda exibem os nomes rabiscados por prisioneiros políticos.
— Meu objetivo é criar uma memória visual daquele período. Quero captar como esses eventos
são representativos ainda hoje, por isso procurei
sobreviventes e parentes das vítimas. E acredito
que as imagens dos antigos centros de tortura
transmitem o vazio e a estranheza atual desses lugares, que a maioria das pessoas hoje nem sabe
que estiveram associados às ditaduras — diz Pina
em entrevista ao GLOBO, por telefone, de Lisboa.
PRIMEIRO LIVRO RETRATOU PRESOS POLÍTICOS DE PORTUGAL
Pina começou a desenvolver esses métodos em
seu livro anterior, “Por teu livre pensamento”, criado em parceria com o escritor Rui Daniel Galiza e
publicado em Portugal em 2007. A obra reunia re-
quisa par
as tinham
vítimas,
mundo.
ma na Am
Ele com
em 2005
em São P
cos e fot
São Paul
na Vila M
só dois fu
tigas sala
—Am
ali duran
vozes ou
também
“NO BRASIL
Pina foi t
vistar pe
mo Adal
rido tortu
por mili
que perd
por acide
o corone
ções na á
Curió se
denunci
envolvim
sequestr
aceita em
reu. Na é
ação com
contra a
gime mil
— O Br
de os mi
ar a dize
consider
tratamen
na, ao co
sente na
tos, busc
sobre os
que se de
Pina v
nesse pe
Argentin
acusado
Campo d
querda H
como ind
dos em 2
vento de
la ditadu
Download

iMPRENSA - Tinta da China