TRATAMENTO DA HIPERSENSIBILIDADE DENTINÁRIA
Clara Carvalhais Bonfim*
Lorena Alves de Abreu*
Luana Ferraz Silva*
Paulo Eustáquio Barbosa Filho*
Rubiane Braz Ribeiro*
Romero Meireles Brandão **
RESUMO
A hipersensibilidade dentinária é um problema que atinge grande parte da população,
manifesta-se como uma sintomatologia dolorosa que ocorre em áreas de exposição de
dentina ao meio externo, desencadeando a busca de alternativas de tratamento para o
seu alívio. Assim este trabalho, teve como objetivo realizar uma revisão da literatura
sobre as condutas comumente empregadas no tratamento da hipersensibilidade
dentinária, em situações clínicas onde sua etiologia não seja por lesão de cárie ou falhas
restauradoras. Constatou-se a importância de se realizar exame clínico e diagnóstico
corretos para optar por um agente dessensibilizante adequado e conseqüentemente um
tratamento mais eficaz. As substâncias desenssibilizantes Oxagel, Gluma Desensitizer,
Nupro Gel e o laser de baixa intensidade se mostraram eficientes no tratamento da
hipersensibilidade dentinária. Os oxalatos, vernizes cavitários e dentifrícios foram os
dessensibilizantes que se mostraram mais acessíveis à população devido ao seu baixo
custo. Concluiu-se que a hipersensibilidade dentinária é considerada um desafio para os
profissionais da Odontologia por seu difícil tratamento, podendo afetar o componente
emocional e a qualidade de vida dos pacientes.
Palavras-chave: Sensibilidade dentinária. Exposição de dentina. Tratamento da
hipersensibilidade dentinária.
* Acadêmicos do 8º Período do Curso de Odontologia da FACS/UNIVALE.
** Especialista e Mestre em Endodontia-UFRJ/UERJ. Professor das disciplinas de Endodontia II e III do
Curso de Odontologia da FACS/UNIVALE.
2
INTRODUÇÃO
A hipersensibilidade dentinária foi descrita por Estrela et al. (1996), como um
episódio de dor de caráter agudo, localizado e de curta duração, associado a regiões com
exposição de tecido dentinário ao meio bucal, podendo ser desencadeado por estímulos
táteis, térmicos, químicos, elétricos ou bacterianos.
Citada por Pereira (1995), a Teoria da Hidrodinâmica desenvolvida por
Brannstrom e Astrom em 1964 é a mais amplamente aceita para explicar os episódios de
dor no tecido dentinário exposto, pois, na mesma, enfatiza-se que o tecido da dentina
seria composto de um sistema de túbulos com material fluido ou semi fluido em seu
interior capaz de se movimentar quando ocorre uma estimulação externa. Por sua vez,
as terminações nervosas livres pulpares seriam excitadas pela movimentação do
material, causando o episódio de dor.
Santos et al. (2010), atribuíram a sensibilidade dentinária a duas causas
principais: abrasão (perda de estrutura dentinária através de desgastes mecânicos) e
erosão (perda de estrutura dentinária por meios químicos). Cargas excênticas aplicadas
na superfície oclusal também estão envolvidas no desenvolvimento de lesões cervicais,
sendo estas denominadas de abfração. Além disso, os processos mastigatórios que
podem ocorrer nas faces incisais e oclusais e, algumas vezes, nas proximais podem
resultar em atrição dental.
Um diagnóstico diferencial e preciso é necessário para que a hipersensibilidade
dentinária não seja confundida com outras moléstias (VALE e BRAMANTE, 1997). De
acordo com Basting et al. (2008), esta não é uma condição clínica de fácil diagnóstico,
sendo necessário anamnese, inspeção clínica minuciosa e percepção do paciente,
informando o problema ao profissional com dados realçados pelo questionário
específico, para diferenciar a hipersensibilidade dentinária de outras patologias que
acometem os dentes, como a cárie, restaurações antigas com infiltrações marginais,
restaurações recém-realizadas que por falha técnica apresentam fenda entre a
restauração e o dente, e patologias que promovem a degeneração pulpar. Contudo o
diagnóstico eficaz torna-se ainda mais urgente quando a hipersensibilidade dentinária
3
passa a afetar também a vida psicossocial do paciente. Neste aspecto é um grande
desafio para o cirurgião-dentista eliminar o desconforto causado pela hipersensibilidade
dentinária.
Oliveira Júnior e Carvalho (2007) consideraram a hipersensibilidade dentinária
como um desafio para os profissionais das diversas especialidades da Odontologia,
quanto ao seu tratamento e controle adequado, e por se tratar de um fenômeno
complexo que pode ser afetado também pelo componente emocional dos pacientes.
Tirapelli (2007) relatou que diversas terapias têm sido propostas para o tratamento desta
condição, entretanto o completo entendimento e tratamentos eficazes e definitivos para
a hipersensibilidade ainda não estão bem estabelecidos.
Sendo assim, este trabalho tem como objetivo realizar uma revisão da literatura
sobre as condutas comumente empregadas no tratamento da hipersensibilidade
dentinária, em situações clínicas onde sua etiologia não seja por lesão de cárie ou falhas
restauradoras.
REVISÃO DA LITERATURA
A HIPERSENSIBILIDADE DENTINÁRIA
A hipersensibilidade dentinária foi definida por Vale e Bramante (1997), como
uma dor aguda e de curta duração da dentina vital exposta a estímulos térmicos,
químicos e táteis. A exposição dos túbulos dentinários é responsável por uma
diminuição do limiar de dor do paciente, motivo suficiente para que o mesmo procure
auxílio do cirurgião – dentista. A obtenção de um correto diagnóstico é pré-requisito
essencial para a realização de um tratamento adequado.
Faria e Villela (2000), caracterizaram a hipersensibilidade dentinária como “uma
condição clínica odontológica relativamente comum e dolorosa da dentição permanente,
manifestando-se de maneira desconfortável para o paciente”. Os mesmos autores
acrescentaram ainda, que a dor é causada por estímulos mecânicos, térmicos, químicos e
osmóticos, aprensentando-se de forma aguda e transitória.
4
A exposição da área de raiz pode ser multifatorial, portanto, segundo Aranha et
al. (2009), são comumente citadas como as principais causas de hipersensibilidade
dentinária, o trauma crônico da escovação, a flexão do dente devido às forças de carga
oclusal anormal, hábitos parafuncionais, doenças gengivais e periodontais inflamatórias
aguda e crônica, trauma agudo, cirurgia periodontal, e componentes ácidos dietéticos.
Segundo Conceição (2007), para que se possa estabelecer um diagnóstico e,
consequentemente, a escolha de um tratamento mais adequado, alguns procedimentos
prévios podem ser adotados como a anamnese bem feita, fazendo um levantamento de
dados sobre a história médica e odontológica pregressa do paciente, um exame clínico
observando a presença de lesões de cárie, restaurações defeituosas, além de exames
periodontais para verificar recessões, mobilidade dental e qualidade da restauração.
Também deve ser feito uma análise da oclusão para identificar sinais de trauma oclusal,
hábitos parafuncionais e registro do padrão oclusal do paciente, além de testes e exames
complementares como percussão, palpação, sondagem periodontal e testes de
sensibilidade pulpar.
MECANISMOS
DE
AÇÃO
DAS
SUBISTÂNCIAS
UTILIZADAS
NO
TRATAMENTO DA HIPERSENSIBILIDADE DENTINÁRIA
Segundo Rösing et al. (2009), a hipersensibilidade dentinária é considerada
como um importante problema de saúde. Diante de seu caráter agudo, e por não ser
espontânea e sim estimulada, esta patologia pode ser considerada uma condição de dor
crônica. Neste sentido, os cirurgiões-dentistas consideram a hipersensibilidade
dentinária como um desafio sendo necessário desenvolver mais estratégias de
tratamento, melhorando assim a qualidade de vida dos indivíduos.
Segundo Conceição (2007), são apresentadas inúmeras técnicas no tratamento da
hipersensibilidade dentinária que demonstram, a inesistencia de um tratamento
totalmente eficaz até o presente momento. Afirmou ainda que os compostos fluoretados
são muito utilizados devido ao baixo custo, fácil aplicação e por ser eficiente no
tratamento da hipersensibilidade dentinária. Reagem com os íons cálcio do fluido
5
dentinário formando fluoretos de hidroxiapatita no interior dos túbulos dentinários,
reduzindo o tamanho destes e estimulando a formação de dentina menos solúvel. Seus
protocolos variam de acordo com sua forma e posologia, tendo que seguir a orientação
do fabricante. Os mais utilizados no tratamento da hipersensibilidade dentinária são o
fluoreto de cálcio, fluoreto de estanho, fluoreto de sódio, podendo ser encontrados na
forma de cremes dentais, géis, solução para bochechos e em forma de espuma.
De acordo com Vale e Bramante (1997), o hidróxido de cálcio tem sido um
agente bastante empregado no tratamento da hipersensibilidade dentinária, pois tem a
capacidade de bloquear os túbulos dentinários, e por possuir um PH alcalino facilita a
deposição de íons de fosfato de cálcio, promovendo a obliteração dos túbulos e
conduzindo a formação de dentina peritubular. É um material biocompatível com os
tecidos pulpares, entretanto tem como desvantagem, a baixa solubilidade ao meio bucal.
Segundo Conceição (2007), o hidróxido de cálcio pode ser utilizado em diversas formas
para o tratamento da hipersensibilidade dentinária, como solução, suspensão, pasta ou
cimento de hidróxido de cálcio.
De acordo com Vale e Bramante (1997), os oxalatos são ácidos resistentes,
insolúveis que estão sendo bastante utilizados no tratamento da hipersensibilidade
dentinária devido a sua eficiência e baixo custo para o paciente. Segundo Conceição
(2007) os compostos utilizados são o oxalato de ferro e o oxalato de potássio, sendo que
os mesmos reagem com íons de cálcio presente nos fluídos dentinários formando
cristais de oxalato de cálcio homogêneo que se precipitam obliterando os túbulos
dentinários.
Santos et al. (2010), caracterizam o nitrato de potássio como um agente de efeito
neural, que em alta concentração usado extracelular é capaz de despolarizar as
membranas das fibras nervosas, impedindo a condução dos impulsos causadores de dor,
ele não diminui a condutibilidade hidráulica da dentina, nem promove a obstrução dos
túbulos dentinários, mas ainda assim é um agente efetivo no tratamento da
hipersensibilidade dentinária. Pode ser usado em aplicação tópica com ou sem flúor ou
em dentifrícios a base de nitrato de potássio. Para Vale e Bramante (1997), o dentifrício
6
estabiliza a polaridade das terminações nervosas, pois restabelece o fluxo de potássio no
interior dos odontoblastos que foram perdidos por estímulos externos.
O cloreto de estrôncio é um dessensibilizante que pode ser encontrado na forma
de verniz e dentifrícios, seu mecanismo de ação se dá pela troca do cálcio pelo estrôncio
(CONCEIÇÃO, 2007). Quando uma solução concentrada de cloreto de estrôncio é
aplicada sobre a dentina exposta é capaz de reduzir a condutividade hidráulica da
dentina e sua sensibilidade (OLIVEIRA JÚNIOR e CARVALHO, 2007).
Basting et al. (2008), afirmaram que os vernizes cavitários apresentam um
grande valor clínico no tratamento da hipersensibilidade dentinária, devido à presença
de nitro celulose em sua fórmula, formando uma película impermeabilizadora na
superfície da dentina, promovendo assim o fechamento dos túbulos dentinários. Além
disso, Oliveira Júnior e Carvalho (2007) ressaltaram que os vernizes cavitários possuem
a vantagem de ser eficientes, terem baixo custo e poderem ser associados com outros
produtos dessensibilizantes, entretanto, possui um efeito efêmero, visto que são
removidos rapidamente pela saliva.
Os sistemas adesivos são agentes dessensibilizantes bastante utilizados no
tratamento da hipersensibilidade dentinária, pois a impregnação de monômeros na
superfície dental desmineralizada forma uma camada híbrida onde é promovido o
selamento dos túbulos. Este selamento limita o movimento do fluido intratubular, porém
não é uma solução definitiva, pois sua eficiência é diminuída com o tempo. Estes
sistemas adesivos devem ser utilizados quando não há perda de estrutura dentária.
Podem ser utilizados os sistemas com condicionamento ácido fosfórico como etapa
inicial e os auto-condicionantes (CONCEIÇÃO, 2007).
O uso de dentifrício é uma técnica bastante recomendada para o tratamento da
hipersensibilidade dentinária, pois, atuam obstruindo os túbulos dentinários e criando
uma barreira impermeável, pois tem uma afinidade com os tecidos calcificados, sendo
assim estimula a formação de dentina reparadora, diminuindo a sensibilidade. É um
tratamento caseiro, bastante eficiente com intuito de controlar a hipersensibilidade
dentinária, sendo suas vantagens a fácil aquisição, menor custo, fácil utilização e não
são invasivos (VALE e BRAMANTE, 1997).
7
Mafra e Porto (2008) descreveram o laser como uma amplificação de luz por
emissão estimulada de radiação, essa radiação é eletromagnética não ionizante, sendo
um tipo de fonte luminosa com particularidades bastante distintas. Possui duas formas
de atuação na hipersensibilidade dentinária, que são: ação imediata, onde a intensidade
da dor é diminuída logo após a aplicação do laser e ação tardia, onde é registrado um
aumento da atividade metabólica do odontoblastos, produzindo dentina reparadora.
Sendo assim, o laser pode atuar de maneira mais ampla, pois auxilia o processo de
desinflamação e também a formação da dentina reacional, diminuindo o tempo de
reparo do tecido pulpar, conseqüentemente promove efeito analgésico ao paciente.
Usado de forma terapêutica no tratamento da hipersensibilidade dentinária, a
iontoforese atua transferindo em potencial elétrico íons para dentro do corpo humano. É
um método com o propósito de levar íons flúor mais profundamente aos túbulos
dentinários. Uma força eletromotora é utilizada para que estes íons penetrem mais
profundamente, é gerada com o uso de dois pólos, onde existe um positivo que é
colocado na dentina exposta e um negativo, colocado em alguma região do corpo
(VALE e BRAMANTE, 1997).
Aplicação de agentes dessensibilizantes
Em um estudo realizado por Goméz et al. (1995), com o objetivo de reduzir ao
mínimo e por um período prolongado de tempo a hipersensibilidade dentinária, utilizouse o Fluoreto de sódio tópico em solução a 5% e de eletricidade de 27 volts e 0,7 mA
por 3 minutos. Constou-se uma eficiência na redução da hipersensibilidade de 83,19%
no primeiro mês, 76,32% no terceiro mês e 68,96%, no sexto mês, com isso os
resultados sugeriram que a aplicação de fluoreto de sódio tópico a 5% para o tratamento
da hipersensibilidade dentinária, através da iontoforese, é eficaz e, portanto, pode ser
considerado como uma boa alternativa para o tratamento, porém com o tempo percebese uma redução na duração do tratamento.
Estrela et al. (1996) realizaram uma pesquisa com o objetivo de analisar a
redução da dor pós-tratamento da hipersensibilidade dentinária, utilizando 160 dentes,
8
sendo eles caninos e pré-molares, frente ao emprego dos seguintes produtos: Fluoreto de
sódio tópico a 2%, Pasta de hidróxido de cálcio, Oxagel (produto à base de oxalato de
potássio apresentado em forma de gel), verniz Duraphat, sistemas adesivos Scothbond,
Optibond e Multibond Alpha, onde cada produto foi aplicado em 20 dentes, de acordo
com as orientações dos fabricantes. Dessa forma, concluiu -se que para o nível 1 de
sensibilidade (desconforto leve), o sistema adesivo Optibond e o gel Oxagel
apresentaram os valores mais elevados na redução da dor pós-tratamento, 88,8% e
87,5% respectivamente. Para os níveis 2 (desconforto acentuado) e 3 (desconforto
acentuado com dor aguda por mais de 10s) o gel Oxagel e o sistema adesivo Scothbond
mostraram os melhores resultados, 87,5% e 75%, 75% e 75% respectivamnte.
Foi avaliada a eficácia da aplicação do selante químico Delton associado ou não
a uma solução de água de hidróxido de cálcio, no tratamento de dentes que
apresentavam hipersensibilidade dentinária cervical. A pesquisa foi realizada em
pacientes com hipersensibilidade, os quais foram divididos em dois grupos, onde um
recebeu apenas o selante aplicado de forma tradicional e o outro recebeu a associação
do selante Delton aplicado de forma tradicional, com a água de hidróxido de cálcio. Nos
dentes em que foram aplicados o selante sobre a superfície já atacada pela água de
hidróxido de cálcio (o ataque é feito com uma bolinha de algodão embebida na água de
hidróxido de cálcio, deixada na superfície dentinária sensível por cinco minutos),
obtiveram-se os melhores resultados na redução da hipersensibilidade dentinária, em
comparação aos dentes em que foram aplicados somente o selante. O exato mecanismo
de ação é desconhecido do hidróxido de cálcio, mas acredita-se que o mesmo estimule a
formação de dentina peritubular (GARCIA et al., 1996).
Arrais et al. (2004) realizaram um estudo laboratorial in vitro com os agentes
dessensibilizantes Oxagel, o Gluma Desensitizer (HEMA e glutaraldeído), e o Nupro
Gel (flúor gel) para tratamento da hipersensibilidade cervical, sendo utilizados 24
dentes, que foram aleatoriamente divididos em quatro grupos (n=6), de acordo com os
seguintes tratamentos superficiais da dentina: G1: sem tratamento; G2: Oxagel; G3:
Gluma Desensitizer; G4: Nupro Gel. Os resultados indicaram que o Oxagel promoveu a
oclusão dos túbulos dentinários pela deposição de cristais em seu interior, a Gluma
Desensitizer criou uma camada delgada sobre a superfície da dentina, e o Nupro Gel
9
produziu a formação de precipitados que ocluíram os túbulos. Concluíram assim que
todos os agentes dessensibilizantes consequentemente trataram a hipersensibilidade
dentinária e que a análise feita em microscopia eletrônica de varredura mostrou que eles
foram capazes de obliterar os túbulos dentinários.
A ação dessensibilizante do cloreto de sódio (NaCl), popularmente conhecido
como sal de cozinha, foi avaliada por Fonseca et al. (2004), em 20 pacientes com
hipersensibilidade dentinária cervical, sendo selecionados 168 dentes, onde 81 dentes
apresentavam desconforto, 71 dentes apresentavam dor, e em 16 dentes a dor persistia
mesmo após a remoção do estímulo. Cada paciente utilizou a própria escova de dentes,
cujas cerdas foram impregnadas com NaCl, procedendo a uma nova escovação noturna
durante aproximadamente 10 segundos em cada dente selecionado. O período proposto
foi de 4 semanas. Ao final de cada semana, os pacientes eram avaliados, por métodos
subjetivos (questionários) e métodos objetivos (jatos de ar), quanto à resposta dolorosa.
Os resultados demonstraram que entre a 1ª e a 4ª semana, houve diminuição
significativa na hipersensibilidade dentinária, onde os dentes com desconforto
apresentaram redução de 43,45%, os dentes com dor severa somente ao estímulo
apresentaram redução de 42,26%, e com relação aos dentes com dor severa durante e
após o estímulo, houve redução de 9,5%.
Os efeitos de substâncias dessensibilizantes na permeabilidade da dentina e
obliteração dos túbulos dentinários foram observados por Pinto et al. (2007). Para isso,
foi realizado um estudo com 21 incisivos de ratos, divididos em 3 grupos: G1- (n=7) foi
utilizado gel desensibilizante de Nitrato de potássio 2% com fluoreto de sódio 2%; G2(n=7) verniz com 5% de fluoreto de sódio e G3- (n=7) Controle (escovação com
dentifrício). Conclui-se com esse estudo que os dois agentes testados no G1 e G2
reduziram a permeabilidade dentinária obliterando parcialmente os túbulos dentinários,
e no G3 não houve resultados significativos na redução da hipersensibilidade, sendo
assim, os autores sugeriram que sejam realizados mais estudos clínicos para comprovar
sua real efetividade no tratamento da sensibilidade dentinária.
Kobler et al. (2008) apud Peixoto et al. (2010) realizaram um estudo clínico para
testar a eficiência de um agente à base de cloreto de estrôncio (SR desensitizer,
10
Hyposen), comparado com um placebo, no tratamento da hipersensibilidade dentinária
cervical. Foram selecionados 142 pacientes, e utilizaram dois dentes de cada um, sendo
o primeiro dente tratado com o cloreto de estrôncio, como recomendado pelo fabricante,
e o segundo tratado com o placebo. Após análise dos resultados, os autores observaram
que, no primeiro grupo, houve melhora de 72% na hipersensibilidade dentinária e, no
segundo, de 31%, concluindo dessa forma que o placebo apresentou uma pequena
melhora no tratamento, já o cloreto de estrôncio é uma alternativa mais eficaz no
tratamento da hipersensibilidade dentinária cervical. Esses resultados podem ser
explicados pelo fato de o cloreto de estrôncio ser capaz de formar uma barreira que
oblitera os túbulos com 20μm de profundidade, impedindo dessa maneira a
sensibilização dos fluidos dentinários. Para o placebo, o bom resultado pode estar
associado à resposta psicofisiológica causada pela interação positiva entre o cirurgiãodentista e seu paciente.
Garcia et al. (2009) avaliaram clinicamente o efeito de dois medicamentos
dessensibilizantes de dentina aplicados diretamente na região cervical de dentes com
dentina exposta e história clínica de sensibilidade dentinária. Foram selecionados 150
dentes com dentina exposta, e ausência de lesões cariosas num total de 25 pacientes. Os
produtos comerciais testados (Dessensiv e Sensikill) e um placebo foram aplicados a
cada sete dias durante quatro semanas. A análise dos resultados permitiu concluir que os
produtos comerciais testados foram eficazes no tratamento da hipersensibilidade
cervical dentinária após três aplicações, não havendo diferença estatisticamente
significante entre os dois produtos e ambos foram mais eficazes que o placebo.
Assis et al. (2011) realizaram um estudo com o objetivo de avaliar a eficiência
de dois agentes dessensibilizantes na redução da hipersensibilidade dentinária em 77
dentes de 13 pacientes que apresentavam algum grau de sensibilidade à sondagem e/ou
estímulo ao ar. Foram utilizados os seguintes agentes dessensibilizantes: Oxagel (G1),
Sensikill (G2) e gel placebo (G3-controle). De acordo com o estudo, todos os
tratamentos, inclusive o placebo, foram capazes de reduzir os escores para ambos os
estímulos. A análise dos dados demonstrou que os escores de sensibilidade foram
significantemente menores somente para o Sensikill em comparação aos outros
produtos (Oxagel e placebo) quando o estímulo ar foi aplicado. Pode-se concluir que o
11
tratamento com Sensikill apresentou um desempenho ligeiramente melhor na redução
da hipersensibilidade dentinária quando comparados aos outros dois agentes
dessensibilizantes.
Aplicação dos dentifrícios
Tirapelli (2007) avaliou comparativamente, in vitro e in vivo, a eficácia do
Biosilicato® (vitrocerâmica bioativa) frente a agentes dessensibilizantes disponíveis no
mercado no tratamento da hipersensibilidade dentinária cervical com dentifrício
dessensibilizante Sensodyne®; gel com Biosilicato® a 1%; Biosilicato® misturado à
água destilada 10% e do produto Sensikill® (dessensibilizador dentinário contendo uma
solução de fosfato de potássio e uma com cálcio), avaliados em 120 pacientes, sendo
comprovada a eficácia dos tratamentos para todos os produtos avaliados no prazo de 06
meses. No sexto mês os valores de dor observados foram significantemente menores
que os valores iniciais para todos os agentes dessensibilizantes testados. A avaliação
comparativa mostrou que o Biosilicato®, na apresentação em gel ou misturado à água
destilada foi o produto que apresentou maior redução da dor no menor tempo, ou seja,
ação mais rápida.
Por meio de uma revisão da literatura Poulsen et al. (2008), compararam a
eficácia de dentifrícios com e sem nitrato de potássio em sua composição, para reduzir e
controlar a hipersensibilidade dentinária. Foi realizado um estudo que do efeito do
creme dental com nitrato de potássio, em comparação com o controle sem nitrato de
potássio. Os resultados mostraram efeito estatisticamente significativo da pasta de dente
de nitrato de potássio sobre o fluxo de ar e sensibilidade tátil no seguimento de seis a
oito semanas, já o creme dental sem nitrato de potássio não apresentam efeito
significativo.
Em um estudo realizado por Ramóm et al. (2010), foi utilizado um grupo
controle (creme dental convencional sem flúor) e grupo experimental (creme dental para
dentes sensíveis) para determinar a eficácia de um creme dental para dentes sensíveis
com citrato de potássio 5,6% e Fluoreto de sódio 0,3% na redução dos sintomas da
hipersensibilidade dentinária. Os autores utilizaram uma amostra aleatória de 100
12
pessoas, homens e mulheres com mais de 18 anos. Concluiram que apesar de ter
registado uma melhoria nos sintomas dos pacientes grupo placebo, há uma redução
maior da sensibilidade, estatisticamente significativa, no grupo que utilizou dentifrício
para dentes sensíveis.
Terapia a Laser
Gentile e Greghi (2004), em estudo comparativo do laser diodo AsGaAl
(Arseneto de Gálio e Alumínio) com um placebo como controle, avaliaram o efeito
dessensibilizante do laser diodo AsGaAl (670nm) no tratamento de 35 dentes
hipersensíveis e de 33 dentes para o placebo. Para o tratamento do grupo a laser os
autores utilizaram uma dose total de 4J/cm², dose esta que foi repetida a cada 48 ou 72
horas, perfazendo um total de seis aplicações, e do placebo foi utilizado luz de
fotopolimerizador. Após um período de seis a oito semanas, os autores concluíram que
o laser foi capaz de reduzir significativamente a sensibilidade dentinária no grupo de
dentes irradiados, tal redução também pode ser observada no grupo de dentes do
placebo.
O efeito dessensibilizante de dois tipos de lasers com comprimentos de onda
diferentes, vermelho com 660nm e infravermelho com 830nm, foi verificado por
Ladalardo et al. (2004), no tratamento de 40 com hipersensibilidade dentinária cervical
de 20 indivíduos adultos com idades variando entre 25 e 45 anos. Os autores
observaram que o laser vermelho de 660nm foi efetivo no tratamento da
hipersensibilidade apenas nos pacientes da faixa etária de 25 a 35 anos, e o laser
infravermelho de 830nm não foi considerado efetivo para tratamento em nenhuma das
faixas etárias, o que fizeram os autores concluírem que o efeito dessensibilizante do
laser vermelho de 660nm foi superior ao do laser infravermelho de 830nm em ambas as
faixas etárias.
Uma investigação clínica foi conduzida por Noya et al. (2004), com o intuito de
avaliar a efetividade do laser de λ670nm no tratamento da hipersensibilidade dentinária
em vinte pacientes adultos, utilizando 32 dentes selecionados aleatoriamente. Para o
tratamento dos dentes sensíveis, os autores utilizaram uma densidade de energia de
13
5J/cm² que foi repetida no máximo três vezes, com intervalos de quatro dias. Ao final
do estudo, os autores observaram que duas ou três aplicações do laser foram capazes de
reduzir significativamente a sensibilidade dentinária nos dentes tratados.
A eficiência do laser diodo de AsGaAl, com comprimento de onda de 660nm no
vermelho, foi avaliada por Brugnera (2007), como agente dessensibilizador no
tratamento da hipersensibilidade dentinária cervical em um caso clínico. Foram
utilizados 7 dentes de um indivíduo adulto, do sexo masculino com 42 anos, onde foi
realizado a aplicação do laser com densidade de energia de 5J/cm², com tempo de
exposição de 165 segundos, em 3 sessões, com intervalo de 7 dias entre elas, num
período de 3 semanas consecutivas. Os dentes incluídos apresentavam sensibilidade
grau 10 na escala quantitativa de dor , onde 10 é o Máximo de dor e 0 é nenhuma dor. O
estudo concluiu que o laser diodo vermelho de 660nm foi eficaz como dessensibilizador
dentinário, removendo a dor rapidamente e mantendo-se nesse estado por 30 dias,
período de controle do estudo.
Foi analisado clinicamente por Shintome et al. (2007), a eficácia do tratamento
de hipersensibilidade dentinária por meio do laser AsGaAl de baixa intensidade e
Nd:YAG (Neodímio Ytrio Alumínio Granado) de alta intensidade em 14 pacientes (72
dentes) que apresentavam sensibilidade dentinária na face cervical aos testes tátil e jatos
de ar. Os pacientes foram divididos em 2 grupos, o laser de baixa intensidade foi
aplicado com contato no dente com densidade de energia de 50mW/2J, já o de alta
intensidade sem contato com densidade de energia de 30mJ/10Hz por 2 minutos, onde
os dois foram aplicados 4 vezes no intervalo de 7 dias. Os autores concluíram que não
houve diferença entre o laser de baixa intensidade e o laser de alta intensidade e que
ambos são efetivos no tratamento da hipersensibilidade.
Com o objetivo de
constatar a eficácia da aplicação do laser de baixa
intensidade no tratamento da hipersensibilidade dentinária, Mafra e Porto (2008),
utilizaram o laser de baixa intensidade na freqüência de 1 a 4 aplicações semanais sobre
a face do dente com sensibilidade variando de 4 a 6 J/cm² a dosimetria. Através de uma
revisão da literatura os autores concluíram que é um tratamento de fácil aplicação,
rápido e indolor, não agressivo ao organismo e de custo moderado, e que a sua
14
aplicação poderá auxiliar na terapia e melhorar as condições de restabelecimento do
paciente, induzindo a produção de dentina reparativa e, consequentemente, a obliteração
dos túbulos dentinários com eliminação total da dor.
Comparação de diferentes terapias
Com o objetivo de avaliar o efeito analgésico do laser de AsGaAl em baixa
intensidade (‫=ג‬830 nm) em hipersensibilidade dentinária cervical, mediante estímulo
mecânico e térmico, e compará-lo com o da terapia utilizando pasta de fluoreto de sódio
a 33%; Oliveira (2003) realizou um trabalho onde foram selecionados sete pacientes
adultos de ambos os sexos, utilizando 32 dentes sendo: um canino,14 primeiros prémolares, 9 segundos pré-molares e 8 molares. Os dentes foram divididos aleatoriamente
em dois grupos: grupo pasta e grupo laser. No grupo pasta foi utilizado pasta de fluoreto
de sodio a 33% aplicada sobre a superficie do dente sensivel durante quatro minutos. No
grupo laser foram feitas 4 sessões de irradiação utilizando o laser de AsGaAl em baixa
intensidade (‫=ג‬830 nm) por aproximadamente dois minutos e meio. Os resultados deste
trabalho indicaram que a diminuição da hipersensibilidade dentinária no grupo pasta foi
significantemente maior quando comparada ao grupo laser, mediante estímulo da sonda
exploradora. Em relação ao estímulo com jato de ar, não foram observadas diferenças
significativas entre os grupos. Ambos foram eficazes na diminuição da sintomatologia
dolorosa da hipersensibilidade dentinária após 120 horas. O autor ainda afirma que
nenhum tratamento ainda é totalmente eficaz na hipersensibilidade dentinária.
Um estudo in vivo realizado por Dantas et al. (2007), teve como objetivo
avaliar, comparativamente, a efetividade do uso do fluoreto de sódio a 4% e do laser de
baixa intensidade de AsGaAl no tratamento da hipersensibilidade dentinária cervical,
sendo utilizada na comparação 103 dentes, onde ambos os métodos foram aplicados por
três sessões no intervalo de 48 a 72 horas. Os estudos concluíram que as terapias
reduziram significamente a sensibilidade, e ao se compararem as duas terapias, não
houve diferença quando da avaliação da hipersensibilidade dentinária, e o seu efeito é
imediato ao tratamento e após um mês .
15
Vieira (2007), realizou um estudos com o objetivo de avaliar clinicamente a
eficácia de agentes dessensibilizantes no tratamento da hipersensibilidade dentinária,
utilizando um total de 164 dentes, provenientes de 30 pacientes com diagnóstico de
hipersensibilidade dentinária moderada ou severa onde foi dividido aleatoriamente em
três grupos e avaliado clinicamente de acordo com o tratamento administrado: aplicação
de laser de AsGaAl, aplicação de gel de oxalato de potássio a 3% e aplicação de gel
placebo. Os resultados demonstraram que a aplicação dos tratamentos propostos,
inclusive o placebo, proporcionaram uma redução estatisticamente significantivo na
sensibilidade em resposta aos estímulos tátil e jatos de ar . Concluiu-se que os três
tratamentos utilizados são eficientes para a redução da hipersensibilidade dentinária e
que existe grande influência do efeito placebo na redução da sensibilidade dolorosa.
DISCUSSÃO
A hipersensibilidade dentinária é uma dor localizada causada por estímulos de
curta duração na dentina exposta, sendo eles: mecânicos, químicos, térmicos e elétricos
(ESTRELA et.al., 1996; VALE e BRAMANTE, 1997; FARIA e VILELA, 2000), sendo
assim, Vale e Bramante (1997), ressaltaram que com a exposição dos túbulos
dentinários, o limiar de dor do paciente é reduzido, levando o mesmo a procurar ajuda
profissional. No entanto, apesar da grande diversidade de tratamentos, ainda não existe
uma terapia ideal para eliminar essa situação desconfortável (TIRAPELLI, 2007;
OLIVEIRA, 2003).
De acordo com Vale e Bramante (1997) e Conceição (2007), o diagnóstico da
hipersensibilidade dentinária deve ser feito com uma minuciosa anamnese, exame
clínico, e informações do paciente sobre a dor, para estabelecer um tratamento eficiente
para cada caso. Já Oliveira Júnior e Carvalho (2007) e Rösing et al. (2009), a
consideraram como um desafio para os profissionais da Odontologia por seu difícil
tratamento e controle podendo afetar também o componente emocional e a qualidade de
vida do paciente.
16
Neste contexto, diversas condutas terapêuticas são utilizadas no controle da
hipersensibilidade
dentinária,
que
variam
desde
procedimentos
simples,
até
procedimentos mais complexos, que envolvem a combinação de diferentes terapias,
além da utilização da tecnologia a laser (CONCEIÇÃO, 2007; OLIVEIRA JÚNIOR e
CARVALHO, 2007; RÖSING et al., 2009).
Vale e Bramante (1997), Oliveira Júnior e Carvalho (2007) e Conceição (2007),
relataram que os oxalatos, os vernizes cavitários e os dentifrícios, são substâncias
bastante utilizadas no tratamento da hipersensibilidade por se mostrarem eficientes e
apresentarem baixo custo. Entretanto Mafra e Porto (2008), observaram que o laser de
baixa intensidade é um tratamento de custo moderado, capaz de promover a obliteração
dos túbulos dentinários com eliminação total da dor.
Desta maneira, Arrais et al. (2004), Pinto et al. (2007) e Mafra e Porto (2008),
constataram que algumas substâncias que obliteram os túbulos dentinários vêm sendo
testadas e empregadas no controle da hipersensibilidade dentinária, de forma bastante
eficaz.
Assim, dentre as referidas substâncias, destacam-se o Oxagel, o Gluma e o
Nupro Gel (fluoreto) (ARRAIS et al., (2004); Nitrato de potássio 2% com fluoreto de
sódio 2%; o verniz com 5% de fluoreto de sódio (PINTO et al., 2007); dentifrício
dessensibilizante Sensodyne®; gel com Biosilicato® a 1%; Biosilicato® misturado à
água destilada 10% e do produto Sensikill® (TIRAPELLI, 2007) e, o agente à base
cloreto de estrôncio (SR desensitizer, Hyposen) (KOBLER et al., 2008 apud PEIXOTO
et al., 2010).
Já Goméz et al. (1995), constataram que a aplicação de fluoreto de sódio a 5%
através de iontoforese, pode ser considerado como uma boa alternativa para o
tratamento da hipersensibilidade dentinária. Garcia et al. (1996), constatou a eficácia do
selante Delton (Johnson & Johnson), com a água de hidróxido de cálcio.
Já Estrela et al. (1996), afirmaram, em um de seus trabalhos, que os adesivos
Scothbond, Optibond e Multibond, quando aplicados uma única vez sobre áreas
sensíveis, foram tão eficientes quanto o oxalato de potássio (Oxagel) aplicado quatro
17
vezes na redução de todos os graus de hipersensibilidade. O Scothbond apresentou os
melhores resultados.
Os estudos de Tirapelli (2007); Poulsen et al. (2008) e Ramón et al. (2010)
enfatizaram que os cremes dentifrícios parecem também exercer um efeito positivo na
redução da hipersensibilidade dentinária, seja por ação direta sobre as fibras nervosas ou
por obliteração dos túbulos dentinários, pela deposição de partículas abrasivas.
Nesta direção, a eficácia de dentifrícios contendo nitrato de potássio foi
demonstrada por Poulsen et al. (2008), que mostraram efeito estatisticamente
significativo sobre o fluxo de ar e sensibilidade tátil no seguimento de seis a oito
semanas. Também Oliveira (2003), constatou, que a pasta de fluoreto de sódio a 33% é
eficaz na diminuição da sintomatologia dolorosa da hipersensibilidade dentinária após
120 h. Entretanto, Dantas et al. (2007) utilizaram a mesma pasta de fluoreto de sódio,
porém com 4% e observaram redução na hipersensibilidade. Já Ramóm et al. (2010)
analisaram o Fluoreto de sódio 0,3% junto com citrato de potássio 5,6% e obtiveram
uma redução significativa na sensibilidade.
Por fim, a terapia a laser de baixa intensidade vem se mostrando uma conduta
promissora nos casos de hipersensibilidade dentinária, conforme foi possível observar
nos estudos de Gentile e Greghi (2004), Ladalardo et al. (2004), Noya et al. (2004),
Brugnera (2007), Dantas et al. (2007), Shintome et al. (2007), Vieira (2007), Mafra e
Porto (2008). Nesta direção, de acordo com Mafra e Porto (2008), a aplicação desta
técnica poderá auxiliar na terapia e melhorar as condições de restabelecimento do
paciente, induzindo a produção de dentina reparativa e, consequentemente, a obliteração
dos túbulos dentinários com eliminação total da dor.
Desta forma, o efeito dessensibilizante do laser diodo AlGaAs (670nm) foi
observado por Gentile e Greghi (2004) e Noya et al. (2004). Os autores observaram que
duas ou três aplicações do laser foram capazes de reduzir significativamente a
sensibilidade dentinária nos dentes tratados. Brugnera (2007) constatatou a eficácia do
laser de diodo vermelho de 660nm na ação terapêutica da hipersensibilidade dentinária,
pois removeu a dor rapidamente e mantenve-se nesse estado por 30 dias, período de
controle do estudo. Shintome et al. (2007) constataram que o laser de AsGaAl e o laser
18
de Nd:YAG são efetivos no tratamento de hipersensibilidade dentinária e que não houve
diferença significante entre os resultados obtidos entre os mesmos. Já Ladalardo et al.
(2004), concluíram que o efeito dessensibilizante do laser vermelho de 660nm foi
superior ao do laser infravermelho de 830nm em faixas etárias variando entre 25 e 45
anos.
Mas, ao compararem a efetividade do uso do fluoreto de sódio a 4% e do laser
de baixa intensidade de AsGaAl, Dantas et al. (2007), concluíram que as duas terapias
foram efetivas na redução da hipersensibilidade dentinária. Também Vieira (2007)
compararam a aplicação do laser de AsGaAl, com o gel de oxalato de potássio a 3% e
aplicação de gel placebo e concluíram que não houve diferença estatisticamente
significante entre os três grupos estudados, independentemente do estímulo aplicado,
tanto na avaliação imediata quanto na mediata. Já Oliveira (2003), ao comparar o laser
de AsGaAl em baixa intensidade (‫=ג‬830 nm) com a terapia utilizando pasta de fluoreto
de sódio a 33%, constatou que a diminuição da hipersensibilidade dentinária no grupo
pasta foi significantemente maior quando comparada ao grupo laser.
Observou-se ainda, que Gentile e Greghi (2004), Vieira (2007), Kobler et al.
(2008) apud Peixoto et al. (2010) e Assis et al. (2011), ressaltaram a grande influência
do efeito placebo na redução da sensibilidade dolorosa. Neste sentido, segundo Kobler
et al. (2008) apud Peixoto et al. (2010), o bom resultado pode estar associado à resposta
psicofisiológica causada pela interação positiva entre o cirurgião-dentista e seu paciente.
Apesar da vasta literatura sobre o assunto, não se conheçe ainda uma forma de
resolução definitiva do problema, sendo assim, alguns autores consideram a necessidade
de mais estudos clínicos sobre o assunto para avaliar melhor o desempenho dos diversos
agentes desenssibilizantes.
CONCLUSÕES
Após a revisão da literatura pode-se concluir que:
 Um correto diagnóstico, uma anamnese bem feita e um exame clínico minucioso
são primordiais para o sucesso do tratamento da hipersensibilidade dentinária;
19
 A hipersensibilidade dentinária é considerada um desafio para os profissionais
da Odontologia por seu difícil tratamento, podendo afetar o componente
emocional e a qualidade de vida do paciente;
 As substâncias desenssibilizantes Oxagel, Gluma Desensitizer, Nupro Gel e a
terapia a laser mostraram ser eficientes no tratamento da hipersensibilidade
dentinária;
 Os oxalatos, vernizes cavitários e os dentifrícios foram as substâncias
desenssibilizantes que se mostraram mais acessíveis à população devido o seu
baixo custo.
ABSTRACT
TREATMENT DENTIN HYPERSENSITIVITY
Dentin hypersensitivity is a problem that affects much of the population, manifested
as a painful symptoms that occurs in areas of dentin exposure to the external
environment, triggering the search for alternative treatments for relief. Thus this
work aimed to review the literature on the pipes commonly used in the treatment
of dentin
hypersensitivity in clinical
situations
where the
etiology is
not by caries or restorative failures. It was noted the importance of performing clinical
examination and correct diagnosis to choose a suitable desensitizing agent and
therefore a more effective treatment. Substances desensitizing Oxagel, Glume
Desensitizer, NuPro Gel and low-intensity laser proved effective in the treatment of
dentin hypersensitivity. Oxalates, cavity varnishes and desensitizing toothpaste that
were proved to be more accessible to the population due to its low cost. It was
concluded that dentin hypersensitivity is considered a challenge to dental professionals
for its difficult treatment, which can affect the emotional component and quality of life
of patients.
Keywords: Sensitive dentin. Dentin exposure. Treatment of dentin hypersensitivity.
20
REFERÊNCIAS
ARANHA, A. C. C. et al. Clinical evaluation of desensitizing treatments for cervical
dentin hypersensitivity. Braz Oral Res, v. 23, n. 3, p. 333-339, 2009.
ARRAIS, C. A. G. et al. Effects of desensitizing agents on dentinal tubule occlusion.
J Appi Oral Sci, v. 12, n. 2, p. 144-148, janeiro. 2004.
ASSIS, J. S. et al. Dentin hypersensitivity after treatment with desensitizing agents: a
randomized, double-blind, split-mouth clinical trial. Braz. Dent. J, v. 22, n.2, p. 157161, fevereiro. 2011.
BASTING, R. T. et al. Tratamento da hipersensibilidade dentinária com laser de baixa
intensidade. Arquivos em Odontologia, v. 44, n. 2, p. 88-92, abr./ jun. 2008.
BRUGNERA, A. P. Hipersensibilidade dentinária: avaliação do efeito do laser diodo
vermelho: caso clínico. 2007. 52 f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação)_
Faculdade de Odontologia, Universidade Estadual de Campinas, Piracicaba, 2007.
CONCEIÇÃO, E. N. Dentística: saúde e estética. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas,
2007. 583 p.
DANTAS, E. M. et al. Avaliação clínica do efeito do fluoreto de sódio a 4% e do laser
AsGaAl sobre a hipersensibilidade dentinária cervical. RFO, v. 12, n. 1, p. 16-20,
janeiro/abril. 2007.
ESTRELA, C. et al. Análise da redução da dor pós-tratamento da hipersensibilidade
dentinária. ROBRAC, v. 6, n. 17, p. 4-9, 1996.
FARIA, G. J. M.; VILLELA, L. C. Etiologia e tratamento da hipersensibilidade dentária
em dentes com lesões cervicais não cariosas. Rev. Biociênc. v. 6, n. 1, p. 21-7, jan/jul.
2000.
FONSECA, A. C. J. M. et al. Clinical evaluation of the effect of sodium chloride (NaCl)
on the treatment of dentine neck hypersensitivity. Rev. Odontol. UNESP, v. 33, n. 1, p.
7-11, jan./mar. 2004.
21
GARCIA, C. H. et al. Avaliação clínica da hipersensibilidade dentinária após
tratamento com dessensibilizantes comerciais. Periodontia, v. 19, n. 2, p. 78-85, 2009.
GARCIA, G. et al. Tratamento da hipersensibilidade dentinária. RGO, v. 44, n. 4, p.
237-239, jul/ago. 1996.
GENTILE, L. C.; GREGHI, S. L. A.; Clinical evaluation of dentin hypersensitivity
treatment with low intensity Gallium - Aluminium- Arsenide laser – AsGaAl. J. Appl.
Oral Sci., v. 12, n. 4, p. 267 – 272, agosto. 2004.
GOMÉZ, J. N. et al. Floruro de sódio al 5 por ciento por iontoforesis para el tratamiento
de la hipersensibilidad dentinal. CES Odontol, v. 8, n. 2, p. 159-161, Jul./ Dic. 1995.
LADALARDO, T. C. C. G. P. et al. Laser therapy in the treatment of dentine
hypersensitivity. Braz. Dent. J., v. 15, n. 2, p. 144-150, março. 2004.
MAFRA, R. F.; PORTO, I. C. C. M. Uso do laser de baixa intensidade na
hipersensibilidade dentinária. Odontologia. Clín.-Científ, Recife, v.7, n. 1, p. 25-28,
jan/mar. 2008.
NOYA, M. S. et al. Clinical evaluation of de immediate effectiveness of GaAlAs laser
on the therapy of dentin hypersensitivity. J. Appl. Oral Sci, v. 12, n. 4, p. 363 – 366,
Oct. 2004.
OLIVEIRA JÚNIOR, S. P.; CARVALHO, P. T. C. Hipersensibilidade dentinária: como
tratar? Ensaios e ciência, Campo Grande, v. 11, n. 1, p.81-87, abril. 2007.
OLIVEIRA, G. A. M. Estudo comparativo do efeito analgésico do laser em baixa
intensidade de emissão infravermelha e da pasta de fluoreto de sódio a 33% no
tratamento da hipersensibilidade dentinária. 2003. 52 f. Dissertação (Mestrado em
laseres em Odontologia)_ Faculdade de Odontologia, Universidade de São Paulo, São
Paulo, 2003.
PEIXOTO, L. M. et al. Tratamento da hipersensibilidade dentinária cervical. Revista
Brasileira de Pesquisa em Saúde, v. 12, n. 2, p. 69-74, 2010.
PEREIRA, J. C. Hiperestesia dentinária: aspectos clínicos e formas de tratamento.
Maxi-Odonto, v. 1, n. 2, p. 1-24, 1995.
22
PINTO, S. C. S. R. et al. Análise de substâncias dessensibilizantes na permeabilidade da
dentina e obliteração de túbulos dentinários - estudo in vitro. Periodontia, v. 17, n. 3, p.
41-48, set. 2007.
POULSEN, S. et al. Dentífrico con nitrato de potasio para la hipersensibilidad de la
dentina. La Biblioteca Cochrane Plus, v.1, n. 2, p. 1-15, maio. 2008.
RAMÓM, O. M. et al. Eficacia de una crema dental para dientes sensibles con citrato de
potasio al 5,6% y fluoruro de sodio al 0,3%: ensayo clínico aleatorizado controlado.
Rev Fac Odontol Univ Antioq, v. 21, n. 2, p. 186-197, jan./jul. 2010.
RÖSING, C. K. et al. Dentine hypersensitivity: analysis of self-care products. Braz
Oral Res, v. 23, Spec Iss 1, p. 56-63, 2009.
SANTOS, A. P. et al. Um sintoma preocupante: a hipersensibilidade dentinária. Rev.
Bras. Odontol., Rio de Janeiro, v. 67, n. 2, p.242-6, jul./dez. 2010.
SHINTOME, L. K. et al. Avaliação clínica da laserterapia no tratamento da
hipersensibilidade dentinária. Cienc Odontol Bras, v. 10, n. 1, p. 26-33, jan./mar. 2007.
TIRAPELLI, C. Avaliação da eficácia de um biomaterial e conhecidos agentes
dessensibilizantes no tratamento da hipersensibilidade dentinária: estudo in vitro
e in vivo. 2007. 96 f. Tese de Reabilitação Oral (Doutorado)_ Faculdade de
Odontologia de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2007.
VALE, I. S.; BRAMANTE, A. S. Hipersensibilidade dentinária: diagnóstico e
tratamento. Rev Odontol Univ São Paulo, v.11, n.3, p.207-213, jul./set. 1997.
VIEIRA, A. H. M. Avaliação da eficiência de agentes anti – hiperestésicos no
tratamento da hiperestesia dentinária. Dissertação (Mestrado) Fortaleza:
Universidade Federal do Ceará. Programa de Pós-graduação em Odontologia, 2007.
Endereço para correspondência:
Clara Carvalhais Bonfim
Endereço: Rua Professor Sinval Silva, n°. 297, Apto. 302. Bairro: São Pedro.
CEP: 35020-450
Tel.: (33)32254573 – (33) 88154371 E-mail: [email protected]
Download

TRATAMENTO DA HIPERSENSIBILIDADE DENTINÁRIA