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- Via no Corcovado é uma das mais bonitas do Rio de Janeiro
Fonte: O Diário de Teresópolis
Foto: Mochileiro
Caminhada ao final da escalada, chegando ao
lado do mirante do Cristo Redentor
Da Redação
Uma das sete maravilhas do mundo, o Cristo Redentor é um dos pontos turísticos mais
visitados do Rio de Janeiro e, talvez, do Brasil. Quem fica de frente para o monumento, tem
uma experiência para guardar para a vida inteira. Agora, que tal chegar ao topo do Corcovado
de uma maneira muito mais radical do que de carro ou de trem? Para isso, escalar é uma
excelente opção. Com várias vias, a montanha de 711 metros de altitude também é muito
procurada pelos “lagartixas” de todo o mundo, destacando-se o Paredão K2. Para escalar tal
via são utilizadas diferentes técnicas, de diedros a pequenas agarrinhas, tudo isso tendo como
cenário de fundo toda a beleza da Cidade Maravilhosa.
Recentemente, Eu, José Guilherme de Carvalho, Alexandre Formiga e José Henrique “Zé do
Mato” Gomes, do Centro Excursionista Teresopolitano, descemos a serra para encarar a
“aventura-turística”. Chegamos a Estrada das Paineiras no final da manhã, pois o horário ideal
para escalar a K2 é a tarde, com sombra. Da guarita, caminhada de 1,5 km até uma curva
fechada à direita – onde parte da mureta de proteção está cedendo – até a entrada da trilha.
Mais cinco minutos de caminhada até a base da escalada, já avistando bem do alto a Lagoa
Rodrigo de Freitas e o bairro de Botafogo, além de outro ponto turístico, o Pão de Açúcar, na
Urca.
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A escalada
Uma das mais freqüentadas do Rio de Janeiro, a via é famosa porque já começa bem alto,
dando a impressão de que se está escalando um “big wall” (modalidade de escalada praticada
em grandes paredões verticais, com duração de mais de um dia, incluindo, lógico, pernoite na
parede). A graduação é considerada moderada dentro dos níveis de escalada, podendo ser
tratada como difícil para os menos experientes.
De cara, o primeiro lance da via é um quinto grau em um diedro – imagine a quina de dentro no
encontro de duas paredes - que começa com poucos locais para enfiar os dedos e, pior,
jogando para lado de fora por causa da inclinação da parede. Apesar de um lance em fenda, é
protegido com grampos (proteções fixas) pelo fato de se tratar de uma conquista dos anos 70.
Depois do segundo grampo, o diedro fica mais largo e é mais fácil de usar a técnica de
oposição de forças - pressionando a pedra com os pés numa direção enquanto puxa com as
mãos na direção oposta.
O segundo esticão de corda é feito em aderência, com poucas agarras e utilizando o atrito da
sapatilha e mãos do escalador com a rocha para prosseguir. Além disso, passada em
horizontal, onde a queda é a mesma para guia ou participante. Pouco depois, o lance
conhecido como “Crucifixo” – não é necessário descrever a posição... Para quem vai levando a
corda, atenção mais do que redobrada, pois a proteção anterior é bem longe.
Após pouco mais de 100 metros de subida, outro lance conhecido da via, o do “palavrão”.
Nome justíssimo, pois se trata de outra fenda, acima de um platô, e sem nenhuma proteção
fixa. Uma queda não é nada agradável... A última enfiada da K2 é feita em micro-agarras, bem
técnica, já abaixo de uma obra de contenção de uma pedra à frente do mirante do Cristo.
Completada a “missão”, uma pequena caminhada até se deparar com ele, o Redentor, de
braços abertos acolhendo os milhares de turistas e os escaladores que encaram o desafio de
chegar até ali por um caminho mais difícil! Lá em cima, os “lagartixas” são vistos sempre com
olhos assustados e desconfiados de gente do Brasil e mundo inteiro. “De onde vocês
vieram?”... “Capacete, cordas?”... “Vocês demoraram quanto tempo para chegar aqui?”... “Vão
rapelar?”... Perguntas e respostas que seriam poucas para descrever a fantástica escalada que
fizemos. Apesar de não ser tão difícil, com certeza é inesquecível por causa da vista para o Rio
de Janeiro – que pelo menos, apreciado daquele ângulo, continua lindo – e por chegar a um
dos cartões postais mais conhecidos do mundo.
A montanha
O Paredão K2 foi conquistado em 1971 por Heckel Capucci e Rodolfo Chermont. O Morro do
Corcovado fica no Parque Nacional da Tijuca, criado em julho de 1961 e localizado no centro
sul do estado do Rio de Janeiro, sendo uma das mais importantes referências da cidade. Com
3.300 hectares, a unidade de conservação foi tombada pelo Patrimônio Nacional e possui a
maior floresta urbana do mundo - a da Tijuca. O parque abrange três grandes conjuntos, que
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são: Andaraí-Tijuca-Três Rios situado a nordeste; o conjunto Corcovado-Sumaré-Gávea
Pequena, ocupando uma posição central, e o conjunto Pedra Bonita-Pedra da Gávea, a
sudoeste. Atualmente é reconhecida como Reserva da Biosfera da Humanidade e é
considerada como o primeiro reflorestamento ecológico do Brasil.
Se você não escala, pode conhecer o cristo de carro ou trem. No segundo caso, o tour começa
no bairro do Cosme Velho a bordo de um trenzinho que atravessa a íngreme Mata Atlântica até
o pé da estátua, de onde se tem uma deslumbrante vista panorâmica do Rio. O trem sai a cada
meia hora, entre 8h e 18h30. Mais informações pelo telefone 21 2558-1329. Para os
escaladores, a dica é o Guia de Escaladas da Floresta da Tijuca, que pode ser adquirido no
site www.guiadaurca.com.
Em Teresópolis, o CET é o point de referência de escalada e montanhismo. Se você tem
vontade de praticar tais esportes, visite uma das reuniões sociais do clube. Todas as
terças-feiras, a partir das 20h, na loja da Sociedade Pró-Lactário, número 555 da Avenida Lúcio
Meira, ao lado da ponte. Mais informações através do e-mail [email protected]
Pedalada até São José
No último final de semana, 22 pessoas, incluindo algumas crianças, encararam os 42,5
quilômetros até São José do Vale do Rio Preto no pedal. “Ida e volta são 85 km, mas no
retorno parte da criançada pegou o carro de apoio, pois é forte mesmo”, conta o organizador da
pedalada, Zico “Lagartos” Barbosa. A turma saiu do bairro de São Pedro e foi até o centro do
município vizinho, aproveitando o dia por lá. “O dia estava muito bonito mesmo, ideal para
andar de bicicleta. Entre as crianças, o Junior, de 7 anos, e o mais velho era o Mazinho, de 57”,
completa Zico, já divulgando a próxima empreitada: Petrópolis, via Teresópolis-Itaipava, no dia
18 de outubro. Nesse caso, será só ida. Na volta, um caminhão para carregar as bicicletas e
van para trazer a galera. Mais informações no telefone 9741-0471.
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