APLICAÇÃO DO LASER DE BAIXA INTENSIDADE EM FUNGO
Candida albicans PARA VERIFICAR SUA INFLUÊNCIA NA
PROLIFERAÇÃO CELULAR: IN VITRO
FARINAZZO, A. F. 1; TOFFOLI, L.²; FRIES, L. M. V.³; CAPEL, L.M. M.4;
NOWOTNY, J. P.5
Resumo: O objetivo foi avaliar o efeito do LASER com dose de
2J/cm² e o comprimento de onda a 660nm na proliferação do fungo Candida
albicans. O trabalho foi realizado in vitro, no primeiro dia: foi preparado o
meio e esterilizado os materiais, segundo: ativado o fungo, terceiro: preparo
do grupo controle e irradiação do fungo, e no quarto: realizado a contagem
com o espectrofotômetro. Foi observado que com a irradiação houve a
proliferação celular. Palavras-chave: Candida albicans; fototerapia; LASER.
Abstract: The objective was to evaluate the effect of LASER dose of
2J/cm ² and wavelength at 660nm in the proliferation of the fungus Candida
albicans. The work was conducted in vitro, on the first day, the medium was
prepared and sterilized materials, on the second day: enabled the fungus,
third day: preparation of the control group and irradiation of the fungus, and
the fourth day conducted the count with the spectrophotometer. It was
observed that irradiation was with cell proliferation. Keyword: Candida
albicans, phototherapy, LASER.
INTRODUÇÃO
Os fungos são organismos eucariontes, haploides podendo ser
unicelulares ou multicelulares (FISHER; COOK, 2001).
Existem relações entre as células fúngicas e as células animais,
sendo assim se tornam difícil o tratamento das infecções causadas por
fungos, pois existe o risco de combater as células infectadas e também as
hospedeiras (FISHER; COOK, 2001, SCHAECHTER et al, 2002, HARVEY;
CHAMPE; FISHER, 2008).
A Candida albicans é reconhecida por ser oportunista, hoje ela é
vista como a responsável pelas mais graves doenças causadas por fungos
(FISHER; COOK, 2001).
Elas são encontradas em pequeno número na pele humana porem é
capaz de colonizar rapidamente uma pele lesada (FISHER; COOK, 2001).
Cremer foi o pioneiro da fototerapia em 1958, onde pouco se sabia
sobre o seu mecanismo de ação, seus efeitos colaterais e os equipamentos
eram precários (FACCHINI et al., 2000).
O tratamento é realizado através da luz a partir de lâmpadas
fluorescentes, LASERs e LEDs. (CALIFANO, 2006; CORAZZA, 2005).
O LASER possui características como emissão de luz coerente,
monocromática, colimada e polarizada com grande concentração de energia
que é adequado a produzir alterações físicas e biológicas. (CHAVANTES,
2009; GIRRO; GIRRO, 2002).
A interação do LASER com o sistema biológico depende da
dosimetria, do comprimento de onda, do tipo do tecido e do tempo de
irradiação. Sua aplicação pode resultar em uma inibição ou uma excitação
do tecido (AIMBIRE 2006; CASTRO 2005; MEYER et al, 2010).
Com o estudo in vitro é possível padronizar a amostra, deixando-a
homogênea e controlando a temperatura (CARNEVALLI, 2011).
O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito terapêutico da fototerapia,
in vitro, utilizando LASER na indução da proliferação celular, tendo como
hipótese a ser provada, a eficácia desse meio terapêutico.
METODOLOGIA
1° Dia – Local de estudo e Meios de cultivo: o estudo foi conduzido
no Laboratório de Microbiologia do Centro Universitário de Maringá. O meio
de cultura utilizado para o cultivo de Candida albicans foi Caldo Sabouraud
com dextrose a 2% e Salina a 0,85% para diluição. Anteriormente ao uso, o
meio, estante com ponteira e dois Erlenmeyer lacrados com boneca de
algodão e papel craft foram devidamente acondicionados e esterilizados.
2° Dia – Ativação do fungo Candida albicans: Dentro do fluxo laminar
em temperatura ambiente foi retirado uma alçada do fungo Candida albicans
e transferida para um tubo de ensaio contendo Caldo Sabouraud para sua
ativação. A alça bacteriológica foi esterilizada antes e após o procedimento
em bico de Bunsen. Em seguida, o tubo contendo a levedura foi levado à
estufa para o crescimento por um período de 24 horas em temperatura de
36,5ºC.
3° dia - Irradiação das leveduras: Após 24 horas, o tubo de ensaio
contendo C. albicans foi retirado da estufa para que a mesma atingisse a
temperatura ambiente, sendo levado ao fluxo laminar em seguida. Dentro do
fluxo, foram transferidas 3 a 5 gotas da suspensão de Candida albicans com
a ajuda de pipeta automática para um tubo de ensaio contendo 6,0 mL de
solução salina 0,85%, onde foi utilizado o tubo número cinco da escala de
MacFarland, como padrão de comparação.
Em duas placas 96 wells, foram pipetados em cada poço 190µl e
Caldo Sabouraud e 10µl da suspensão de levedura preparada em salina.
Foram utilizados 24 poços de cada placa sendo selecionados da seguinte
forma: na horizontal somente as fileiras ímpares e na vertical as fileiras A, C,
E, e G, para que durante a aplicação do LASER o feixe de luz não
interferisse nos resultados dos poços próximos. Posteriormente, 200µl de
Caldo Sabouraud foram misturados a cada solução.
Foi selecionada uma placa aleatória para ser o grupo irradiado e
outra para ser o grupo controle, que não sofreu a ação do LASER. Os 24
poços da placa escolhida foram irradiados com o aparelho de LASER da
marca KLD, calibragem: Caneta 660nm - 20mw, dose: 2 J/cm²,
profundidade: superficial, frequência: contínuo. 200µl foram retirados dos 24
poços do grupo controle, sendo depositados em um Erlenmeyer fechado
com rolha de algodão e papel craft. O mesmo procedimento foi realizado
com o grupo irradiado e assim os dois recipientes foram levados à estufa em
36,5ºC por um período de 24 horas.
4° Dia – Contagem. Após 24 horas de incubação foi feita a contagem
indireta de crescimento com o auxílio de espectrofotômetro, onde foi
padronizada a frequência de 540 nm e descontado o valor do branco (meio
de cultura). Antes da leitura, as amostras foram diluídas, onde foi colocado
0,2 mL de Caldo Sabouraud em 2,8 mL de água destilada.
CONCLUSÃO
Foi utilizado o programa SPSS 17.0 para verificar os dados, foram
analisados as médias e o desvio padrão.
O trabalho foi dividido em duas amostras, cinco irradiados cinco
controle totalizando 10 grupos.
Tabela 1- resultados parciais com a média e o desvio padrão dos grupos.
Grupo
Nº Média
CONTROLE
5
IRRADIADO
5
DP
p*
0,32
±0,065
0,00*
0,41
±0,054
0,00*
Pode-se concluir que com a irradiação do LASER com a dose de
2J/cm² e comprimento de onda 660nm houve um crescimento celular
significante no grupo irradiado em relação ao grupo controle.
REFERÊNCIAS
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Carlos; SP 2005. 89f. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-
Graduação Interunidade em Bioengenharia – Escola de Engenharia de São
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SCHAECHTER, M., ENGLEBERG, N. C., EISENSTEIN, B. I., MEDOFF, G.
Microbiologia: Mecanismos das Doenças Infecciosas. Rio de Janeiro:
editora Guanabara Koogan, 3 ed., 2002, p. 373-379.
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