Sugestão
de avaliação
7
PORTUGUÊS
Professor, esta sugestão de avaliação
corresponde ao quarto bimestre escolar
ou às unidades 7 e 8 do Livro do Aluno.
Avaliação – Língua Portuguesa
NOME:
TURMA:
escola:
Professor:
DATA:
TEXTO 1
As aventuras de Tom Sawyer
[...]
Quando a aula acabou, ao meio-dia, Tom correu para Becky Thatcher e falou baixinho ao seu ouvido:
— Bota a touca na cabeça e finge que vai para casa. Quando você chegar na esquina, livre-se dos
outros e volta pra cá.
Ela saiu com um grupo de alunos e ele com outro. Dentro em pouco os dois se encontraram no lugar
combinado. Sentaram-se juntos. Becky tinha um lápis entre os dedos e um caderno em cima dos
joelhos. Tom pegou sua mão e ajudou-a a desenhar uma casa. Quando o sagrado interesse pela arte
começou a diminuir, os dois passaram a conversar. Tom boiava de felicidade.
— Você gosta de ratos, Becky?
— Não, detesto.
— Bom, eu também... quando estão vivos. Mas eu falo dos mortos, que a gente amarra num cordão
e gira por cima da cabeça.
— Não, de maneira nenhuma. Gosto é de chiclete.
— Isso sim! Quem me dera ter um chiclete agora!
— Eu tenho. Deixo você mastigar um pouco, mas depois você devolve.
Foi agradável: os dois mastigaram o pedacinho de goma e ali ficaram, balançando as pernas no
banco, com uma alegria enorme no coração.
— Você já foi ao circo? — perguntou Tom.
— Já. E meu pai disse que vai me levar outra vez se eu me comportar bem.
— Eu já fui ao circo umas três ou quatro vezes... muitas vezes. A igreja nem se compara com o circo.
No circo toda hora estão acontecendo novidades. Sabe, quando eu for grande vou ser palhaço de circo.
— Vai mesmo? Que legal! Eles ficam tão bonitinhos quando estão com aquela tinta na cara!
— Pois é. E ganham montes de dinheiro... Escuta, Becky, você já está comprometida?
— Que quer dizer com isso?
— Ora, comprometida para casar.
— Não.
— Você nunca pensou nisso?
— Acho que sim. Não sei... Como é?
— Ora, muito simples. É só dizer ao rapaz que você não vai mais gostar de ninguém, só dele. Depois
dá um beijo nele e pronto.
— Um beijo? Para que o beijo?
— Bem, você compreende, é para... todo mundo faz assim.
— Todo mundo?
— Quer dizer, todo mundo que ama. Você se lembra do que escrevi na minha pedra?
— Me lembro.
— O que foi?
— Não digo.
— Quer que eu diga?
— Quero sim... mas outro dia...
— Não. Digo agora.
— Agora não. Amanhã.
— Não, agora. Por favor, Becky. Eu falo baixinho, bem baixinho, é tão fácil.
Becky hesitou e Tom tomou o silêncio da menina por consentimento: passou o braço pela cintura e
repetiu a frase baixinho, a boca bem perto do ouvido de Becky. E depois:
— Agora você me diz a mesma coisa.
Ela resistiu um pouco e pediu:
— Vira a cabeça para não me ver, assim eu digo. Mas não conte para ninguém, nunca, ouviu? Promete?
— Prometo. Agora diga!
Ela sussurrou:
— Eu te amo!
Aí deu um pulo e saiu a correr. Ele foi no seu enlaço. Tom abraçou-lhe o pescoço e implorou:
— Vamos, Becky, já fizemos tudo, menos o beijo. Não tenha medo. Por favor!
Dado o beijo, Tom explicou outros detalhes do compromisso e ela ficou muito alegre.
— É muito bom mesmo — disse Tom. — Eu e a Amy Lawrence...
Os olhos espantados da menina disseram-lhe que ele havia feito uma grande besteira. Quis remendar,
mas era tarde.
— Oh! Então eu não sou a primeira? — e começou a chorar.
— Não chore, Becky! Eu não gosto mais dela.
— Gosta!
— Não gosto!
— Gosta!
Tom tentou a reconciliação, ela recusou, por fim ele virou as costas e saiu. Daí a pouco voltou.
Tentou novamente, ela respondeu com soluços e silêncio. Meteu a mão no bolso, tirou de lá a sua
mais preciosa joia — uma maçaneta de cobre — ofereceu-a à menina. Ela jogou-a no chão. Tom foi
embora definitivamente. Depois de algum tempo, ela saiu para o pátio e se pôs a chamá-lo. Nenhuma
resposta. Becky sentou-se para chorar de novo, mas nesse momento os alunos começavam a
regressar e ela teve que esconder as suas mágoas durante a tarde inteira.
TWAIN, Mark. As aventuras de Tom Sawyer. Trad. Carlos Heitor Cony. São Paulo: Ediouro, 1970. p. 35-38.
1. O texto lido é um trecho de romance.
a) Qual era a situação inicial vivida pelos personagens?
b) Transcreva, do primeiro parágrafo, o trecho que retrata a felicidade de Tom.
c) Por que o casal inicia uma conversa sem muito sentido?
d) Como Tom introduz o assunto do beijo?
e) Identifique o momento mais importante (o clímax) do episódio narrado.
f) Que desfecho teve a narrativa?
2. Durante a conversa com Becky, Tom lhe diz algo que não foi narrado no texto:
Becky hesitou e Tom tomou o silêncio da menina por consentimento: passou o braço pela cintura e
repetiu a frase baixinho, a boca bem perto do ouvido de Becky.
a) Pelo contexto, o leitor consegue entender o que foi dito. Escreva o que, possivelmente,
Tom disse para Becky.
b) Justifique, com um trecho do texto, como é possível chegar a essa conclusão.
3. O último parágrafo narra o desentendimento de Tom e Becky.
a) Que atitude de Tom provoca o desentendimento?
b) Que reação física de Becky indica que Tom havia feito “uma grande besteira”?
c) Que estratégia é usada pelo menino para tentar a reconciliação?
4. Observe o narrador do texto.
a) Em que pessoa do discurso é projetado o narrador?
b) O narrador participa ou não da história?
5. Observe o trecho a seguir.
— Bota a touca na cabeça e finge que vai para casa. Quando você chegar na esquina, livre-se dos outros
e volta pra cá.
a) Transcreva os verbos no imperativo afirmativo usados pelo menino.
b) Identifique no texto o recurso usado pelo menino para atenuar a ideia de ordem expressa pelos verbos.
c) O menino misturou a flexão do verbo nas duas pessoas que indicam o interlocutor
(tu e você). Reescreva o trecho flexionando todos os verbos de acordo com a pessoa
“você”.
6. Leia o trecho a seguir.
Tom tentou a reconciliação, ela recusou, por fim ele virou as costas e saiu. Daí a pouco voltou. Tentou
novamente, ela respondeu com soluços e silêncio.
a) A sucessão de verbos no pretérito perfeito (tentou, recusou, virou, saiu, voltou, tentou,
respondeu) indica que tipo de ações?
b) Que sequências textuais são construídas com auxílio desses verbos? Justifique.
Texto 2
O menino que escrevia versos
“De que vale ter voz se só quando não falo é que me entendem? De que vale acordar se o que é vivo
é menos do que sonhei?” (versos do menino que fazia versos)
— Ele escreve versos!
Apontou o filho, como se entregasse criminoso na esquadra. O médico levantou os olhos, por cima
das lentes, com o esforço de alpinista em topo de montanha.
— Há antecedentes na família?
— Desculpe doutor?
O médico destrocou-se em tintins. Dona Serafina respondeu que não. O pai da criança, mecânico
de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página. Lia motores, interpretava
chaparias. Tratava bem, nunca lhe batera, mas a doçura mais requintada que conseguira tinha sido
em noite de núpcias:
— Serafina, você hoje cheira a óleo Castrol.
[...]
Tudo corria sem mais, a oficina mal dava para o pão e para a escola do miúdo. Mas eis que
começaram a aparecer, pelos recantos da casa, papéis rabiscados com versos. O filho confessou,
sem pestanejo, a autoria do feito.
— São meus versos, sim.
O pai logo sentenciara: havia que tirar o miúdo da escola. Aquilo era coisa de estudos a mais,
perigosos contágios, más companhias. Pois o rapaz, em vez de se lançar no esfrega-refrega com as
meninas, se acabrunhava nas penumbras e, pior ainda, escrevia versos. O que se passava: mariquice
intelectual? Ou carburador entupido, avarias dessas que a vida do homem se queda em ponto morto?
Dona Serafina defendeu o filho e os estudos. O pai, conformado, exigiu: então, ele que fosse examinado.
— O médico que faça revisão geral, parte mecânica, parte eléctrica.
Queria tudo. Que se afinasse o sangue, calibrasse os pulmões e, sobretudo, lhe espreitassem o nível
do óleo na figadeira. Houvesse que pagar por sobressalentes, não importava. O que urgia era pôr
cobro àquela vergonha familiar.
Olhos baixos, o médico escutou tudo, sem deixar de escrevinhar num papel. Aviava já a receita
para poupança de tempo. Com enfado, o clínico se dirigiu ao menino:
— Dói-te alguma coisa?
— Dói-me a vida, doutor.
O doutor suspendeu a escrita. A resposta, sem dúvida, o surpreendera. Já Dona Serafina aproveitava
o momento: Está a ver, doutor? Está a ver? O médico voltou a erguer os olhos e a enfrentar o miúdo:
— E o que fazes quando te assaltam essas dores?
— O que melhor sei fazer, excelência.
— E o que é?
— É sonhar.
COUTO, Mia. O menino que escrevia versos. Disponível em: ‹www.releituras.com/miacouto_menino.asp›. Acesso em: set. 2013.
7. Observe o personagem do pai.
a) Que profissão ele exercia?
b) Transcreva do sexto parágrafo o trecho que explica a relação do pai com a leitura.
c) A afirmação: “— O médico que faça revisão geral, parte mecânica, parte eléctrica” revela
que o pai comparava seu filho com o quê?
d) O personagem do pai é caracterizado como:
( )grosseiro
( ) sensível
( ) rude
( ) amargurado
( ) delicado
8. O conto de Mia Couto narra um conflito familiar.
a) Por que o fato de o menino fazer versos incomoda o pai?
b) O pai acha que o menino deve ser tirado da escola. A mãe do menino concorda
com isso?
c) Por que a situação aparentemente comum, uma visita ao médico, causa espanto
no leitor?
9. Leia o trecho a seguir:
O pai da criança, mecânico de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página. Lia
motores, interpretava chaparias.
Ele mostra que o conto:
a) emprega uma linguagem excessivamente informal, por vezes inadequada ao gênero
conto.
b) usa a linguagem literária ao construir imagens inesperadas, por meio de um trabalho
expressivo e estético com a linguagem.
c) usa a linguagem jornalística e cria o efeito de verdade ao apresentar detalhadamente o
personagem do pai.
d) emprega a linguagem literária e constrói uma comparação entre o personagem do pai
e a profissão de mecânico.
10.Relacione os trechos aos modos verbais correspondentes.
I. “— Não pare, meu filho, continue lendo...”
II. “A mãe que viesse na próxima semana. E trouxesse o paciente.”
III.“Tudo corria sem mais, a oficina mal dava para o pão e para a escola do miúdo.”
( )Os verbos estão no modo indicativo, que exprime uma certeza.
( )Os verbos são do modo imperativo, que exprime, no caso, uma ordem.
( )Os verbos correspondem ao modo subjuntivo, que exprime uma incerteza, uma hipótese.
Respostas
1. a) Tom e Becky combinam um encontro às escondidas depois da aula.
b)“Tom boiava de felicidade”.
c) Para disfarçar o nervosismo e o acanhamento diante da situação.
d)Tom explica para Becky como assumir um compromisso para casar.
e) O beijo trocado pelos dos dois jovens Tom e Becky.
f) Tom e Becky se desentendem e acabam brigados.
2. a) Eu te amo.
b) Tom pediu a Becky que dissesse a mesma frase: “– Agora você me diz a mesma coisa.
[...] Ela sussurrou: – Eu te amo!”.
3. a) Sem querer, Tom revela que já havia beijado outra menina.
b)A menina ficou com os olhos espantados.
c) Ele oferece para Becky o que tinha de mais precioso: uma maçaneta de cobre.
4. a) Terceira pessoa do discurso.
b)O narrador não participa da história, ele observa os acontecimentos.
5. a) Bota, finge, livre-se e volta.
b)Ele “falou baixinho” ao ouvido da menina.
c) Bote a touca na cabeça e finja que vai para casa. Quando você chegar à esquina, livre-se dos outros e volte para cá.
6. a) Indica ações pontuais, concluídas.
b)Sequências narrativas, pois são acontecimentos concluídos que se encadeiam numa
sucessão temporal, cada verbo mostra uma transformação, uma mudança de ação.
7. a) Ele era mecânico.
b)“... nunca espreitara uma página. Lia motores, interpretava chaparias”.
c) Com uma máquina.
d)Grosseiro e rude.
8. a) Porque o pai é um homem bruto, voltada para as coisas práticas da vida. Ele é incapaz
de compreender uma atividade que exige sensibilidade como a poesia.
b)Não, a mãe defende os estudos.
c) Por que a consulta tinha como objetivo fazer o menino parar de escrever versos e
sonhar. Por que a consulta revela que, para a família do menino, escrever versos era
visto como uma doença.
9. Alternativa b.
10.III
I
II
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