Aluno(a):_____________________________________________________________ Código:__|__|__|__|__
Série: 2ª  Turma: _______
Data: ___/___/___
ou desfavorável para a proposta geral do romance? Justifique sua
resposta.
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01. Em uma prova escolar, uma das questões solicitava que os alunos
classificassem a oração destacada no período abaixo e justificassem a
resposta.
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Os operários fizeram todo o trabalho, e não receberam o
pagamento.
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Um dos alunos respondeu que a oração era coordenada sindética
aditiva, justificando que essa classificação se devia à presença da
conjunção “e”.
Pergunta-se: esse aluno acertou ou errou a resposta? Por quê?
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05. Considere estes três períodos simples:
• O aquecimento excessivo do planeta é um fato incontestável.
• Muitos países já implantaram programas de redução de
poluentes.
• O esforço no combate ao efeito estufa não tem a efetiva
participação de alguns dos países mais poluidores do mundo.
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a) Empregando conjunções que estabeleçam adequadamente a coesão e
explicitem as relações de sentido existentes entre essas orações, reúna-as
em um período composto por coordenação.
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Leia o texto abaixo para responder às questões 2 e 3.
Uma associação publicou, em um de seus boletins, um artigo
prestando contas do trabalho até então realizado pela diretoria da
entidade. Nele lia-se o seguinte trecho:
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(...) é claro que pela frente tivemos aqueles famosos
pessimistas que não acreditavam numa obra como esta, mas
jamais desistimos e desanimamos no primeiro obstáculo.
(Nossa Voz – Publicação da Assoc. Servidores Públicos Munic.
de Campinas/SP)
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02. Nesse trecho, a conjunção e não estabelece adequadamente a
relação lógico-semântica pretendida pelo redator do texto.
Por que essa conjunção cria uma contradição entre as afirmações
expressas pelas duas orações ligadas por ela?
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b) Classifique as três orações constituintes do período que você construiu
no item a.
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06. Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
O vento varria as luzes
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
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03. Que conjunção deveria ser empregada para estabelecer
adequadamente a coesão e, assim, explicitar com clareza a relação de
sentido pretendida pelo redator? Justifique.
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E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos
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04. No romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, lê-se o seguinte
trecho:
“E aí havia uma mulher escrava, e negra como ele; mas boa, e
compassiva, que lhe serviu de mãe...”
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
Considerando a proposta do romance – denúncia de injustiças e
dignificação do oprimidos, em especial a mulher e o escravo – o uso do
conector mas, no trecho acima, produziu um efeito de sentido favorável
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E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
“A favela não é a mesma / se liga no meu papo / porque se foram embora
/ Paulinho, Kevin e Renato” – estes últimos versos são da primeira
música sob a influência dos livros, em homenagem a três vizinhos que
morreram, um deles por culpa da dengue.
Os quadrinhos foram a porta de entrada de MC Guri para a
literatura. Depois, vieram os livros de aventura. Hoje, ele lê até poesias.
Além da mudança de tom das letras, houve ainda uma mudança no
ritmo. MC Guri trocou a batida do rap pela do funk , para combinar mais
com a sua nova fase.
BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.
a) De que trata o poema de Bandeira?
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REWALD, Fabiana. Livros de biblioteca instalada em favela inspiram
músicas . Folha de S. Paulo , S. Paulo, 13 set. 2010. p. C5. Cotidiano.
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b) Identifique dois recursos estilísticos utilizados por Manuel Bandeira e
argumente a respeito.
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a) Os textos 1 e 2 aproximam-se quanto à temática abordada. A esse
respeito, ambos evidenciam um mesmo conceito de leitura. Identifiqueo.
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07.
Texto 1
b) No Texto 1, os versos um rio que escorre letras/metáforas que rompem
diques remetem às consequências da leitura de um livro. Qual o fato da
vida de MC Guri (Texto 2) associa-se a estes versos?
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O livro como fresta
é certo
que um livro
quando se deságua
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a tinta negra de suas páginas
além de suas quatro margens
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um rio que escorre letras
metáforas que rompem diques
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Leia os textos abaixo e responda as 02 próximas questões.
pelo postigo
de quem escreve
tudo – olhos, sóis, lentes –
na vigília, nas insônias
: o universo às escâncaras
Texto 1
O Menino da Porteira
Toda a vez que eu viajava
Pela estrada de Ouro Fino,
De longe eu avistava
A figura de um menino,
Que corria abri[r] a porteira
Depois vinha me pedindo:
– Toque o berrante, seu moço,
Que é p’ra mim ficá[ar] ouvindo.
além, nos telescópios
tudo o que a vista desalcança
– os minimundos vazios –
diante de uma veneziana
entreaberta
(Luisinho, Limeira e Zezinha, 1955)
PEREIRA, Luís Araujo. Minigrafias.
Goiânia: Cânone, 2009. p. 19.
Texto 2
Meu bem querer
Meu bem-querer
É segredo, é sagrado,
Está sacramentado
Em meu coração.
Meu bem-querer
Tem um quê de pecado
Acariciado pela emoção.
Meu bem-querer, meu encanto,
Tô sofrendo tanto, amor.
E o que é o sofrer
Para mim, que estou
Jurado p’ra morrer de amor? (
Texto 2
Livros de biblioteca instalada em favela inspiram músicas
Anderson Aparecido Bandeira da Silva, 16, ficou conhecido no
Jardim Panorama, favela da zona oeste de São Paulo bem ao lado do
shopping Cidade Jardim, por seus raps , que tratavam, quase sempre, da
violência.
A fonte de inspiração do garoto apelidado MC Guri, no entanto,
mudou completamente há cerca de um ano, quando ele passou a
frequentar a biblioteca comunitária da região onde mora.
A partir da leitura de um livro cujo tema central é a lembrança –
ironia: ele não se lembra do nome do livro –, fez uma música para três
pessoas queridas que perdeu.
Em casa, MC Guri não tem nenhum livro de leitura,“só os que uso
para a escola”. Mas sua presença na biblioteca comunitária é assídua.
Tudo para manter fresco o novo repertório que apresenta em shows
feitos em comunidades pobres da região.
o
Os versos de MC Guri, que está no 9 ano do ensino fundamental,
passaram de “E olha o Panô aí de novo / botando a chapa quente” para
Djavan. Alumbramento. Emi-Odeon. 1980
O menino da porteira”, música gravada em 1955, mostra-se como
um significativo exemplo de projeção da linguagem oral cotidiana na
poesia-canção popular brasileira.
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08. Qual a temática de cada texto?
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Os textos a seguir referem- à questão 11.
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O Menino é pai do Homem
[...] Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de "menino
diabo"; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do
meu tempo, arguto, indiscreto, traquina e voluntarioso... Por exemplo,
um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher
do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício,
deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui
dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce "por pirraça"; e
eu tinha apenas seis anos. Prudência, um moleque de casa, era o meu
cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos
queixas, à guisa de freio, eu trepava- lhe ao dorso, com uma varinha na
mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, algumas vezes gemendo, - mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando
muito, um - "ai, nhonhô!" - ao que eu retorquia: - "Cala a boca, besta!"
[...]
O que importa é a expressão geral do meio doméstico, e essa aí
fica indicada, - vulgaridade de caracteres, amor das aparências rutilantes,
do arruído, frouxidão da vontade, domínio do capricho, e o mais. Dessa
terra e desse estrume é que nasceu esta flor.
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09. Observe o verso Que é p’ra mim ficá[ar] ouvindo, e compare-o com o
verso Pra mim, que estou, de Djavan. Em um deles ocorre um fato
linguístico que a gramática normativa considera “erro de português”.
Localize-o.
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10.
Beija eu
Arnaldo Antunes/Arto Lindsay/ Marisa Monte
Seja eu,
Seja eu,
Deixa que eu seja eu.
E aceita
O que seja seu.
Então deita e aceita eu.
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê
Editorial, 2001. p. 87-90. (Fragmento)
Dona Plácida
Virgília fez daquilo um brinco; designou as alfaias mais idôneas, e
dispô-las com a intuição estética da mulher elegante; eu levei para lá
alguns livros, e tudo ficou sob a guarda de Dona Plácida, suposta, e, a
certos respeitos, verdadeira dona da casa. Custou-lhe muito a aceitar a
casa; farejara a intenção, e doía-lhe o ofício; mas afinal cedeu. Creio que
chorava, a princípio: tinha nojo de si mesma. Ao menos, é certo que não
levantou os olhos para mim durante os primeiros dois meses; falava-me
com eles baixos, séria, carrancuda, às vezes triste. Eu queria angariá-la, e
não me dava por ofendido, tratava-a com carinho e respeito; forcejava
por obter-lhe a benevolência, depois a confiança. Quando obtive a
confiança, imaginei uma história patética dos meus amores com Virgília,
um caso anterior ao casamento, a resistência do pai, a dureza do marido,
e não sei que outros toques de novela. Dona Plácida não rejeitou uma só
página da novela; aceitou-as todas. Era uma necessidade da consciência.
Ao cabo de seis meses quem nos visse a todos três juntos diria que Dona
Plácida era minha sogra.
Não fui ingrato; fiz-lhe um pecúlio de cinco contos, [...] como um
pão para a velhice. Dona Plácida agradeceu-me com lágrimas nos olhos, e
nunca mais deixou de rezar por mim, todas as noites, diante de uma
imagem da Virgem que tinha no quarto. Foi assim que lhe acabou o nojo.
Molha eu,
Seca eu,
Deixa que eu seja o céu
E receba
O que seja seu.
Anoiteça e amanheça eu.
Beija eu,
Beija eu,
Beija eu, me beija.
Deixa
O que seja ser
Então beba e receba
Meu corpo no seu corpo,
Eu no meu corpo,
Deixa,
Eu me deixo
Anoiteça e amanheça
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê
Editorial, 2001. p. 171. (Fragmento)
a) De que trata o poema Beija eu?
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11. Ao adotar um narrador unilateral, fazendo dele o eixo da forma
literária, Machado se inscrevia entre os romancistas inovadores, além de
ficar em linha com os espíritos avançados da Europa, que sabiam que
toda representação comporta um elemento de vontade ou interesse, o
dado oculto a examinar, o indício da crise da civilização burguesa. [...] O
nosso cidadão acima de qualquer suspeita ─ o bacharel com bela cultura,
o filho amantíssimo, o marido cioso, o proprietário abastado, avesso aos
negócios, arrimo da parentela, o moço com educação católica, o
passadista refinado, cavalheiro belle époque ─ ficava ele próprio sob
suspeição, credor de toda desconfiança disponível.
[...]
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b) Arnaldo Antunes lança mão de recursos estilísticos a fim de gerar um
efeito poético diferenciado. Que recursos são esses? Argumente sua
resposta.
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SCHWARZ, Roberto. A poesia envenenada de Dom Casmurro. Duas meninas. São Paulo:
Companhia das Letras, 1997. p. 13. (Fragmento)
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Explique:
Roberto Schwarz chama a atenção para o significado da adoção de
um narrador em primeira pessoa nos romances machadianos. Redija um
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parágrafo argumentativo em que você explique de que modo a
caracterização desse narrador constrói uma imagem realista da elite
brasileira que, como Schwarz, sinaliza a “crise da civilização burguesa”.
transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em
abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do
campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A
paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos
extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos,
aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações
bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a
dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é
aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa
canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou
compaixão; ao vencedor, as batatas.
— Mas a opinião do exterminado?
— Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a
mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazemse e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos
são essas bolhas transitórias.
— Bem; a opinião da bolha...
— Bolha não tem opinião. Aparentemente, há nada mais
contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do
globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque
elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá
lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de
podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos.
Nada se perde, tudo é ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este
livro? É Dom Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra
que continua eterna nos exemplares subsistentes e nas edições
posteriores.
Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e
supradivino.
Antes de desenvolver seu parágrafo leia as seguintes etapas.

Releia o trecho de Memórias póstumas de Brás Cubas, “O
menino é o pai do homem”. Identifique qual é imagem que Brás
Cubas apresenta de si mesmo quando menino.

Releia o trecho de “D. Plácida”. Que imagem podemos fazer de
Brás Cubas nessa passagem?

Compare as duas imagens e, com base nessa comparação,
identifique argumentos para demonstrar que Brás Cubas, como
os demais narradores machadianos, era uma legítimo
representante da elite brasileira do Segundo Reinado.
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12. Para o professor Antônio Candido, o mais atraente nos livros de
Machado de Assis é “a transformação do homem em objeto, que é uma
das maldições ligadas à falta de liberdade verdadeira, econômica e
espiritual”. Como essa afirmação aparece na teoria de Quincas Borba?
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Leia o texto a seguir e responda à questão 12.
Quincas Borba
E que Humanitas é esse?
— Humanitas é o princípio. Mas não, não digo nada, tu não és
capaz de entender isto, meu caro Rubião; falemos de outra coisa.
— Diga sempre.
Quincas Borba, que não deixara de andar, parou alguns instantes.
— Queres ser meu discípulo?
— Quero.
Bem, irás entendendo aos poucos a minha filosofia; no dia em
que a houveres penetrado inteiramente, ah! nesse dia terás o maior
prazer da vida, porque não há vinho que embriague como a verdade. Crême, o Humanitismo é o remate das coisas; e eu, que o formulei, sou o
maior homem do mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está
olhando para mim? Não é ele, é Humanitas...
— Mas que Humanitas é esse?
— Humanitas é o princípio. Há nas coisas todas certa substância
recôndita e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum,
indivisível e indestrutível, — ou, para usar a linguagem do grande
Camões:
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Os textos a seguir referem-se às questões 13 a 15.
Capítulo I
João Romão não saia nunca a passeio, nem ia à missa aos
domingos; tudo que rendia a sua venda e mais a quitanda seguia
direitinho para a caixa econômica e daí então para o banco. Tanto assim
que, um ano depois da aquisição da crioula, indo em hasta pública
algumas braças de terra situadas ao fundo da taverna, arrematou-as logo
e tratou, sem perda de tempo, de construir três casinhas de porta e
janela.
Que milagres de esperteza e de economia não realizou ele nessa
construção! Servia de pedreiro, amassava e carregava barro, quebrava
pedra; pedra, que o velhaco, fora de horas, junto com a amiga, furtavam
à pedreira do fundo, da mesma forma que subtraiam o material das casas
em obra que havia por ali perto.
“Estalagem de São Romão. Alugam-se casinhas e tinas para
lavadeiras”.
As casinhas eram alugadas por mês e as tinas por dia; tudo pago
adiantado. O preço de cada tina, metendo a água, quinhentos réis; sabão
à parte. As moradoras do cortiço tinham preferência e não pagavam nada
para lavar.
Graças à abundância da água que lá havia, como em nenhuma
outra parte, e graças ao muito espaço de que se dispunha no cortiço para
Uma verdade que nas coisas anda,
Que mora no visíbil e invisíbil.
Pois essa substância ou verdade, esse princípio indestrutível é que
é Humanitas. Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo é
o homem. Vás entendendo?
— Pouco; mas, ainda assim, como é que a morte de sua avó...
— Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão
de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas,
rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a
condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio
universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra.
Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas
chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para
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estender a roupa, a concorrência às tinas não se fez esperar; acudiram
lavadeiras de todos os pontos da cidade, entre elas algumas vindas de
bem longe. E, mal vagava uma das casinhas, ou um quarto, um canto
onde coubesse um colchão, surgia uma nuvem de pretendentes a
disputá-los.
E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade
quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer, um
mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali
mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco.
das lavadeiras, e a maior parte das casinhas eram ocupadas agora por
pequenas famílias de operários, artistas e praticantes de secretaria. O
cortiço aristocratizava-se.
Capítulo IX
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AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo: Scipione. 2004. p.5, 11-12, 130-40, 152.
13. Destaque uma passagem em que a caracterização do ambiente
fornece ao leitor elementos, para a caracterização das figuras humanas.
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Daí a dias, com efeito, a estalagem metia-se em obras. À
desordem do desentulho do incêndio sucedia a do trabalho dos
pedreiros; martelava-se ali de pela manhã até à noite, o que aliás não
impedia que as lavadeiras continuassem a bater roupa e as engomadeiras
reunissem ao barulho das ferramentas o choroso falsete das suas eternas
cantigas.
[...]
João Romão, agora sempre de paletó, engravatado, calças
brancas, colete e corrente de relógio, já não parava na venda, e só
acompanhava as obras na folga das ocupações da rua. Principiava a tomar
tino no jogo da Bolsa; comia em hotéis caros e bebia cerveja em larga
camaradagem com capitalistas nos cafés do comércio.
_________________________________________________________
14. Em O Cortiço, percebe-se nitidamente que Aluísio de Azevedo rendese aos princípios que nortearam a segunda metade do século XIX: o
positivismo de Augusto Comte, o determinismo de Hypolite Taine, o
evolucionismo biológico de Charles Darwin, do qual derivou o
evolucionismo social de Herbert Spencer. Para Spencer, a sociedade
assemelha-se a um organismo biológico em constante evolução, de
estágios mais primitivos para estágios mais complexos. O grande motor
dessa evolução seria o conflito originado na luta pela sobrevivência. As
leis são as mesmas da teoria da evolução: seleção natural; a lei do mais
forte, do mais capaz. Como isso se dá nos trechos lidos?
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Capítulo XX
Logo adiante era o quarto de um empregado do correio, pessoa
muito calada, bem vestida e pontual no pagamento; saia todas as manhãs
e voltava às dez da noite invariavelmente; aos domingos só ia à rua para
comer, e depois fechava-se em casa e, houvesse o que houvesse no
cortiço, não punha mais o nariz de fora. E, assim como este, notavam-se
por último na estalagem muitos inquilinos novos, que já não eram gente
sem gravata e sem meias. A feroz engrenagem daquela máquina terrível,
que nunca parava, ia já lançando os dentes a uma nova camada social
que, pouco a pouco, se deixaria arrastar inteira lá para dentro.
Começavam a vir estudantes pobres, com os seus chapéus desabados, o
paletó fouveiro, uma pontinha de cigarro a queimar-lhes a penugem do
buço, e as algibeiras muito cheias, mas só de versos e jornais; surgiram
contínuos de repartições públicas, caixeiros de botequim, artistas de
teatro, condutores de bondes, e vendedores de bilhetes de loteria. Do
lado esquerdo, toda a parte em que havia varanda foi monopolizada
pelos italianos; habitavam cinco a cinco, seis a seis no mesmo quarto, e
notava-se que nesse ponto a estalagem estava já muito mais suja que nos
outros. Por melhor que João Romão reclamasse, formava-se ai todos os
dias uma esterqueira de cascas de melancia e laranja. Era uma comuna
ruidosa e porca a dos demônios dos mascates!
[...]
João Romão conseguira meter o sobrado do vizinho no chinelo; o
seu era mais alto e mais nobre, e então com as cortinas e com a mobília
nova impunha respeito. Foi abaixo aquele grosso e velho muro da frente
com o seu largo portão de cocheira, e a entrada da estalagem era agora
dez braças mais para dentro, tendo entre ela e a rua um pequeno jardim
com bancos e um modesto repuxo ao meio, de cimento, imitando pedra.
Fora-se a pitoresca lanterna de vidros vermelhos; foram-se as iscas de
fígado e as sardinhas preparadas ali mesmo à porta da venda sobre as
brasas; e na tabuleta nova, muito maior que a primeira, em vez de
"Estalagem de São Romão" lia-se em letras caprichosas:
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_________________________________________________________
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15. O narrador não interfere nos acontecimentos, mas se dá o direito de
emitir juízos de valores e mostrar ao leitor de que lado está. Destaque
uma passagem em que isso ocorre.
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16. Dê o passado simples e o particípio dos verbos abaixo.
get___________________
work__________________
buy___________________
meet___________________
find___________________
tell_____________________
go______________________
close____________________
eat______________________
do_______________________
17. Circule a resposta correta.
"AVENIDA SÃO ROMÃO"
Capítulo XXII
a) No one understood / has understood the text read in class yesterday.
b) I have been / went to Europe twice last year.
c) The film has yet / just finished!
d) It’s a sunny day today, but it rained / has rained / has been raining a lot
this month.
e) What have you done / did you do lately?
E, como a casa comercial de João Romão, prosperava igualmente
a sua avenida. Já lá se não admitia assim qualquer pé-rapado: para entrar
era preciso carta de fiança e uma recomendação especial. Os preços dos
cômodos subiam, e muitos dos antigos hóspedes, italianos
principalmente, iam, por economia, desertando para o "Cabeça-de-Gato"
e sendo substituídos por gente mais limpa. Decrescia também o número
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18. Reescreva as frases abaixo usando o presente perfeito contínuo.
a) It’s 4:00 pm now. I started writing this report at 10:00 am.
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Por 400 años la epidemia apareció y desapareció matando a
millones de personas.
Siempre se creyó que las ratas negras fueron las responsables de que la
plaga se estableciese en Europa, y que cada brote ocurría cuando las
pulgas saltaban de un roedor infectado a un humano.
_________________________________________________________
http://www.bbc.co.uk/mundo/noticias/2015/02/150224_peste_negra_gerbillos_lp
b) Karen started her bath at 3:00pm. She’s been in the bathroom since
2:00pm.
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16. El texto afirma que las ratas negras siempre fueron señaladas como
culpables del brote de la peste bubónica en Europa. ¿cómo se creía que
ocurría tal brote? ¿Qué se ha descubierto recientemente?
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_________________________________________________________
_________________________________________________________
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17. Complete con las siguientes preposiciones (en, de, hacia, sobre,
hasta), NO REPITA NINGUNA.
19. Com base no poema acima, responda, em português, as questões
abaixo.
a) O que a autora do poema tinha feito durante toda sua vida?
_________________________________________________________
a)
La reunión culminó ............... la 1:00pm.
b)
Puedo quedar contigo ............... las 6:00pm.
c)
Ese anillo es ............... plata bañado en oro.
d)
Mi padre suele salir ............... bicicleta?
e)
Quiero caminar............... tu casa.
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18. Elija la alternativa que esté gramaticalmente incorrecta. Justifique su
respuesta:
a) Regalarte lo libro, ha sido idea de tu mejor amiga.
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b) O que aconteceu quando ela estava prestes a desistir de sua busca?
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b) Pablo, espera para que veas lo interesante de ver una película en 3D.
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20. Traduza, de acordo com o contexto do texto, os termos abaixo.
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a) countless____________________________________________
b) fables______________________________________________
c) disappointments______________________________________
d) fade away___________________________________________
e) give up_____________________________________________
¿Qué causó la peste negra en Europa?
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24 febrero 2015
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Las ratas negras podrían no ser las
culpables de los numerosos brotes de
peste bubónica en Europa.
Según los investigadores, las repetidas
epidemias de la peste negra -que llegó
a Europa a mediados del siglo XIVfueron causadas por otro roedor: el
gerbilino o gerbillo (Gerbillinae), proveniente de Asia.
La peste negra, que se originó en Asia, llegó a Europa en 1347 y se
convirtió en uno de los brotes más mortales en la historia de la
humanidad.
19. De la viñeta anterior:
Retire las palabras donde se percibe el uso del voseo.
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20. Diga qué es el voseo.
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Tarefão - 2ª série