Artigo Original
Estudo prospectivo duplo-cego randomizado entre preparos
de cólon com PEG 4000 e Lactulose
Prospective randomized double blinded trial between colon preparations
with PEG 4000 and Lactulose
José Celso Cunha Guerra Pinto Coelho,1 Karen Orsini de Magalhães Brescia,2 Laís Gomes Lopes Terra,3 Camila Teixeira
Costa,3 Lívia Torres Vaz4
A colonoscopia atualmente é um dos principais métodos
diagnósticos de alterações intestinais e para o rastreamento de câncer colorretal. Um preparo intestinal de
boa qualidade é essencial para o adequado exame
diagnóstico e para as abordagens terapêuticas necessárias. Esse estudo visa comparar dois preparos quanto à
eficácia: o PEG 4000, padrão ouro nos Estados Unidos,
e a solução de Lactulose a 10%, laxante osmótico ainda
sem indicação formal para preparo intestinal. Método:
Estudo prospectivo, duplo-cego e randomizado com a
inclusão de 400 pacientes submetidos a exames eletivos
de colonoscopia em clínica privada. Os pacientes foram
randomizados em dois grupos de 200 pacientes e, em
cada grupo, foi utilizado um dos preparos analisados.
Foi avaliada a qualidade do preparo através da Escala
de Preparo Intestinal de Boston (BBPS). Resultados:
Dos 400 exames feitos, apenas 13 foram considerados
inadequados. Dos pacientes que utilizaram PEG, apenas
seis (3%) tiveram preparo considerado inadequado e,
do grupo que usou Lactulose, apenas sete (3,5%). Isso
resulta em um p=0,778, o que determina que não há
diferença estatística em relação à eficácia entre os dois
preparos. Conclusão: O estudo concluiu que a eficácia
da solução de Lactulose, como preparo intestinal para
exames de colonoscopia, é semelhante à do PEG 4000,
podendo a solução de Lactulose a 10% ser indicada como
opção de preparo de cólon para exames de colonoscopia,
respeitando-se suas contraindicações e restrições.
Unitermos: Colonoscopia, Preparo Intestinal, PEG,
Lactulose.
Summary
Colonoscopy represents nowadays one of the best
diagnostic methods for colorectal diseases and for
colorectal cancer screening. Good colon preparation is
essential for a high quality diagnostic examination and for
the necessary therapeutic approaches. This study aims to
compare two preparations regarding efficacy: The PEG
4000 preparation, with is the gold standard in the United
States, and the 10% lactulose solution. Lactulose is an
osmotic laxative still without formal indication as colon
preparation. Method: It is a prospective randomized
double blinded trial with 400 patients included, submitted
to elective out-patient colonoscopies in private clinic.
The patients were randomized in two 200 patients
groups and in each group one preparation was used.
The Boston bowel preparation scale was used in order
1. Médico Cirurgião e Endoscopista, Titular e atual Presidente SOBED - MG, Professor Assistente da Faculdade de Ciências Médicas de Minas
Gerais e Mestre em Ciências - FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). 2. Médica Gastroenterologista Endoscopista e
Titular da SOBED e FBG. 3. Acadêmicas de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. 4. Enfermeira Responsável pelo Serviço
de Endoscopia da Clínica Gastrocenter e Pós-graduada em Auditoria e Mecanismos de Regulação em Saúde pela Universidade Gama Filho – RJ.
Endereço de correspondência: José Celso Cunha Guerra Pinto Coelho - Rua Piauí, 778- apto. 01 – Funcionários - Belo Horizonte - MG - CEP
30.150-320 - email: [email protected]. Recebido em: 17/05/2013. Aprovado em: 20/06/2013.
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Resumo
Estudo prospectivo duplo-cego randomizado
entre preparos de cólon com PEG 4000 e Lactulose
to measure the colon preparation quality. Results: In only
13 patients the preparation was considered inadequate. In
PEG patients only six (3%) and in lactulose patients seven
(3,5%), were considered inadequate. There was no statistical
difference between both groups regarding efficacy (p =
0,778). Conclusion: The study concluded that lactulose
solution is as effective as PEG 4000 as bowel preparation for
colonoscopic exams. The lactulose solution can be indicated
as an option for colon preparation for colonoscopic exams. Its
restrictions and contra-indications should be respected.
Keywords: Colonoscopy, Colon Preparations, PEG,
Lactulose.
Introdução
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O câncer colorretal (CCR) representa hoje o terceiro em
frequência e a segunda maior causa de morte relacionada
a neoplasias nos Estados Unidos.¹ Muitos estudos têm
demonstrado que o rastreamento para o CCR é eficaz e tem
um custo-benefício válido quando realizado na população de
risco habitual a partir dos 50 anos de idade.
As estratégias recomendadas para o rastreamento do CCR
se dividem em duas categorias: as pesquisas de sangue oculto
nas fezes (PSOF), de DNA nas fezes e os exames estruturais
(colonoscopia, retossigmoidoscopia e colonotomografia). A
PSOF e a pesquisa de DNA geralmente detectam o câncer,
enquanto os exames estruturais detectam, além do câncer,
as lesões pré-malignas, sendo mais eficazes como exames
de prevenção.²
A colonoscopia é considerada o padrão ouro para rastreamento do CCR.1,3-5 A detecção de lesões pré-malignas e do
CCR em estágio inicial, curável, sabidamente reduz a mortalidade como já demonstrado em vários estudos. Um deles foi
recentemente publicado no New England Journal of Medicine em fevereiro de 2012 sobre a prevenção a longo termo
de mortes por CCR, através da realização de colonoscopia
com polipectomia em um período de 23 anos. Foi demonstrado que a remoção de pólipos adenomatosos previne
efetivamente as mortes por CCR, com redução de 53% da
mortalidade quando comparada à expectativa de CCR na
população geral.6
O preparo do cólon é um dos itens de qualidade do exame
de colonoscopia, uma vez que se relaciona diretamente com
a taxa de detecção de adenoma.6,7 Um preparo inadequado
prejudica a detecção de pólipos de pequeno e também de
grande tamanho, aumenta o tempo de exame, as complicações e os custos relacionados à colonoscopia. Consideramos
que o preparo ideal deva ser capaz de eliminar totalmente o
material fecal, sem provocar danos à superfície da mucosa,
que tenha baixo custo, requerendo um curto período de
tempo entre sua ingestão e a eliminação, sem causar desconforto ou alterações significativas de fluidos e eletrólitos ao
paciente.7,8 Existem disponíveis no mercado diferentes tipos
de preparo, sendo que nenhum deles é capaz de preencher
todos os critérios acima descritos. Entre os mais utilizados em
nosso meio estão o Polietilenoglicol (PEG) e o Manitol.
Atualmente, o preparo intestinal com PEG tem se mostrado um
dos mais seguros e eficazes, sendo consagrado por inúmeros
estudos e amplamente utilizado nos Estados Unidos, Europa
e Japão. São ainda escassos os estudos comparativos entre
a Lactulose e os demais preparos. Diante disso e dos bons
resultados já demonstrados em alguns estudos prévios do
preparo com a Lactulose, propomos um estudo comparativo entre esses dois preparos, levando em consideração a
eficácia da limpeza intestinal e a taxa de detecção de pólipos.
Também foram avaliados os efeitos colaterais, a tolerabilidade
e a aceitação do preparo pelos pacientes, assim como as
possíveis complicações decorrentes do uso de ambos.
Métodos
Trata-se de estudo prospectivo duplo-cego randomizado
unicêntrico para comparação da eficácia entre os preparos
com polietilenoglicol e a solução de Lactulose a 10%.
Este estudo teve aprovação da Comissão de Ética e Pesquisa
do Hospital Universitário São José da Faculdade de Ciências
Médicas de Minas Gerais e da Comissão de Ética da Clínica
Gastrocenter. Conta com dois grupos de 200 pacientes
incluídos, cada um utilizando um tipo de preparo, submetidos a exame eletivo de colonoscopia na Clínica Gastrocenter, em Belo Horizonte, totalizando 400 pacientes estudados prospectivamente no período de outubro de 2010 a
março de 2012.
Os exames foram feitos em pacientes adultos, homens e
mulheres, numa faixa etária que variou de 19 a 90 anos,
sendo a idade média de 53 anos. Quanto ao gênero, foram
166 homens e 234 mulheres. No grupo dos que receberam
o preparo com PEG 4000, 85 eram homens e 115 mulheres
e no grupo da solução de Lactulose foram 81 homens e 119
mulheres.
Após assinatura do “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido”, os pacientes foram selecionados durante entrevista
pré-colonoscopia. Foram considerados como critérios de
exclusão: ausência de condições clínicas para submeter-se
a preparo intestinal ambulatorial; contraindicação formal ou
relativa ao uso de PEG ou Lactulose (reações de hipersen-
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J. C. C. G. P. Coelho, K. O. M. Brescia, L. G. L. Terra, C. T. Costa, L. T. Vaz
A solução oral de polietilenoglicol (PEG) é um poliglicol
sintético, que faz com que a água seja retida nas fezes, não
sofrendo fermentação pela flora colônica. Trata-se de solução
inabsorvível e iso-osmolar com o plasma, sendo portanto
segura na medida em que não há absorção ou excreção
de água ou eletrólitos. Apresenta boa eficácia e tolerância,
porém necessita de ingestão de grandes volumes (3 a 4
litros), sendo melhor tolerada em regime de duas doses. É
o preparo de escolha em crianças e pacientes com restrição
à expansão de volume (insuficiência cardíaca, renal e hepática avançada com quadro de ascite), pois dificilmente causa
distúrbios hidroeletrolíticos.9,10
A Lactulose é um dissacarídeo, derivado semissintético da
lactose. Trata-se de laxante osmótico de absorção irrelevante,
com baixa incidência de distúrbios hidroeletrolíticos.11 Entretanto, seu uso deve ser evitado em pacientes com intolerância à lactose (contém pequenas quantidades de galactose
e lactose), e a pacientes diabéticos, uma vez que há relatos
de casos de aumento dos níveis sanguíneos de glicose com
a administração do medicamento. Há que se ter cautela em
relação à utilização de eletrocautério durante procedimento
de polipectomia devido à remota possibilidade de explosão
colônica.12
O preparo nos dois grupos consistiu em dieta sem fibras,
carne vermelha ou leite, assim como o uso de 10 mg de Bisacodil no dia anterior ao exame. No grupo do preparo com
PEG, os pacientes fizeram uso de dois pacotes de 75 g de
PEG 4000 diluídos em 2 litros de água ou suco de limão na
noite anterior ao exame, após o uso do Bisacodil, que foram
ingeridos em até 2h. A mesma solução foi ingerida 6h antes
do exame no dia seguinte, após café da manhã leve.
O grupo da Lactulose fez uso de 200 ml (667 mg/ml de
Lactulose a 50%) diluídos em 800 ml de água ou suco de
limão, perfazendo uma diluição de 10%, tomados após café
da manhã leve em até 1h, no dia do exame (6h antes da colonoscopia). A ingestão de água ou chá foi liberada para estes
pacientes até 3h antes do exame.
A avaliação da qualidade dos preparos foi feita segundo a
Escala de Preparo Intestinal de Boston (Boston Bowel Preparation Scale - BBPS), que classifica o preparo com notas de
0 a 3, em três segmentos respectivamente: cólon esquerdo,
cólon transverso e cólon direito.13 O escore final pode
variar, portanto, de 0 a 9 correspondendo à somatória dos
três segmentos intestinais. Consideramos como preparos
adequados os que alcançaram um escore maior ou igual a
5 pois, conforme demonstrado em trabalhos prévios, uma
pontuação menor que 5 implica em redução importante da
taxa de detecção de pólipos.13 Tanto os médicos colonoscopistas como os pacientes não estavam cientes do tipo de
preparo utilizado na hora do exame.
Um questionário foi aplicado imediatamente antes da realização de cada exame, sendo avaliados: o uso correto do
preparo pelo paciente, a tolerância em um escore de 0 a 10,
os efeitos colaterais apresentados e a aceitação por parte
do paciente de repetir o mesmo preparo em caso de nova
colonoscopia.
A análise estatística determinou uma amostra (n) de 400
pacientes para garantir um power de 80% ao estudo.
Para análise dos resultados obtidos, foi utilizado o teste do
Quadrado, considerando o p < 0,05 como significância estatística na comparação com intervalo de confiança > 95%.
Resultados
Com base na BBPS, do total dos 200 pacientes que utilizaram PEG, seis (3%) tiveram preparo considerado inadequado, e do grupo que usou Lactulose, sete (3,5%) dos 200
pacientes tiveram preparo inadequado (escore < 5). Não
houve diferença estatisticamente significativa (p=0,778)
entre os dois grupos.
Não houve incidência de complicações como perfuração
colônica ou hemorragia na amostra avaliada. As médias
totais das notas baseadas na BBPS para os pacientes que
tiveram preparam intestinal adequado no grupo que usou
PEG foi de 8,51 em 9, e para o grupo da Lactulose foi
de 8,52 em 9. Em relação à taxa de detecção de pólipos,
observamos realização de polipectomia em 54 exames do
grupo do PEG (27%) e 55 exames do grupo da Lactulose
(27,5%).
De acordo com a avaliação do questionário aplicado antes
da realização do exame, a tolerância ao preparo foi quantificada em um escore de 0 a 10. Determinamos como ponto
de corte a nota sete, assim sendo, a nota maior ou igual a
sete indica satisfação do paciente em relação ao preparo.
Dos pacientes que usaram PEG, 153 (76,5%) apresentaram
nota igual ou acima do ponto de corte. Já dos pacientes que
usaram Lactulose, a aprovação foi de 175 (87,5%). Quando
questionados se repetiriam ou não aquele tipo de preparo
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sibilidade, diabéticos e portadores de intolerância à lactose);
hemicolectomia, por interferir diretamente com o escore de
avaliação do preparo de cólon utilizado neste estudo (BBPS);
preparo intestinal incompleto antes da realização do exame.
Os pacientes que tiveram exame de colonoscopia incompleto
(incapacidade técnica de se alcançar o ceco) também foram
excluídos do estudo, assim como pacientes que relataram
uso incorreto do preparo.
Estudo prospectivo duplo-cego randomizado
entre preparos de cólon com PEG 4000 e Lactulose
em caso de nova colonoscopia, 29 (14,5%) dos pacientes
que usaram PEG afirmaram que não repetiriam contra 11
(5,5%) dos pacientes do grupo que usou Lactulose.
Em relação aos efeitos colaterais, 21% dos pacientes que
usaram PEG relataram sintomas que basicamente se restringiram a náuseas, vômitos e cefaleia, e 23% do grupo da
Lactulose apresentaram sintomas diversos como os referidos acima, além de gases, desconforto abdominal, sonolência, sudorese e sintomas inespecíficos como prurido em
membros.
Tabela 1. Relação entre os preparos realizados por PEG e
Lactulose de acordo com a Classificação pela Escala de Boston
Preparo
intestinal
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Classificação pela Escala
de Boston (bbps)
Número
de exames
Adequado
Inadequado
PEG
194
6
200
Lactulose
193
7
200
Total
387
13
400
Discussão
A colonoscopia constitui hoje o método padrão ouro para
diagnóstico e prevenção do câncer colorretal. Sua eficácia
encontra-se intimamente ligada à qualidade do preparo de
cólon apresentada pelo paciente. Para tanto, dispomos hoje
de diferentes métodos de preparo, alguns já consagrados
pela literatura mundial como o PEG 4000. Em nosso meio, a
solução de Manitol é amplamente utilizada. Existem diversos
estudos que comparam o PEG 4000 com o Manitol associado ou não ao Bisacodil.
Porém na literatura ainda são escassos os estudos comparativos entre a solução de Lactulose e os demais preparos. Em
1993, Foronoff et al. compararam os resultados do uso de
Manitol a 20% com a Lactulose a 50% observando eficácia
semelhante, porém com maior tolerância dos pacientes à
Lactulose.14 Em 2000, Mazione et al. estudaram os resultados
dos preparos com Bisacodil associado à solução de Lactulose a 10% numa amostra de 2000 pacientes ambulatoriais
com ótimos resultados em termos de eficácia, custo, tolerabilidade, segurança e aceitação pelos pacientes.15
Um estudo publicado em 2008, realizado pela equipe da
Santa Casa de São Paulo, envolveu 1750 pacientes do serviço
público submetidos à colonoscopia, que receberam preparo
intestinal com Lactulona a 8%, apresentando resultados
concordantes com os anteriormente descritos na literatura.16
O preparo com solução de PEG 4000 tem se mostrado um
dos mais seguros e eficazes, sendo a primeira opção de
escolha como demonstrado em inúmeros estudos.9,10,17-19
Até o momento, entretanto, faltava um estudo comparativo
com um n estatisticamente significativo entre um preparo
mundialmente consagrado como o PEG 4000 e a Lactulose,
que é um laxante ainda sem indicação formal de uso como
preparo intestinal. Nosso trabalho visa à comprovação da
eficácia desse tipo de preparo quando comparado ao PEG.
A solução de Lactulose apresenta algumas vantagens em
relação ao PEG 4000, como a facilidade de ingestão devido
ao menor volume, uma vez que o paciente ingere apenas 1
litro da solução no dia do exame, comparado aos 4 litros do
PEG 4000. Também devemos considerar que ingestão do
PEG 4000 se inicia no dia anterior ao exame, o que implica
por vezes em falta ao trabalho no período do final da tarde e
da noite anterior ao exame.
Porém, a Lactulose tem como desvantagem um custo aproximadamente 50% superior ao PEG 4000, e ainda algumas
contraindicações descritas em bula como a intolerância à
lactose e ao diabetes mellitus. Esse fator é importante uma
vez que restringe a indicação desse preparo, que não pode
ser considerado como preparo universal. Somado a isso,
há necessidade de maiores precauções quanto ao uso de
eletrocautério em caso de polipectomia devido à rara possibilidade de explosão colônica, que também é possível com
uso de Manitol. Essa complicação pode ser evitada pela
troca de gases antes do uso do eletrocautério, através da
simples aspiração e posterior insuflação de ar durante a
colonoscopia.12
Em relação à eficácia da limpeza do cólon, ambos os preparos
mostraram-se eficazes em proporções bem semelhantes,
com nota igual ou superior a sete pela escala de Boston totalizando 97% de eficácia para o grupo que usou PEG 4000
e 96,5% para o grupo da Lactulose, não havendo diferença
estatisticamente significativa (p=0,778). A média das notas
baseada na BBPS foi praticamente à mesma para os dois
grupos (8,51 do PEG comparada a 8,52 da Lactulose), assim
como a taxa de detecção de pólipos (27% do PEG 4000
comparada a 27,5% da Lactulose, logo p=1).
Analisando os dados fornecidos pelos pacientes em relação à
tolerância ao exame, observamos que os dois preparos foram
bem tolerados, porém o preparo com Lactulose mostrou-se
superior ao PEG 4000 na proporção de 87,5% contra 76,5%,
o que se deve provavelmente à maior facilidade de uso pelo
menor volume de ingestão.
Já em relação aos efeitos colaterais, não há diferença estatística significativa (p=0,157) entre a proporção dos pacientes
que relatou sintomas decorrentes do uso do preparo: 21%
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J. C. C. G. P. Coelho, K. O. M. Brescia, L. G. L. Terra, C. T. Costa, L. T. Vaz
Por fim, foi perguntado aos pacientes se repetiriam o uso do
preparo caso necessitassem de novo exame. Aqui também
houve diferença entre os grupos, uma vez que 14,5% dos
pacientes que usaram PEG 4000 afirmaram que não repetiriam o preparo contra apenas 5,5% do grupo que usou
Lactulose, indicando que a tolerância ao PEG foi menor
(p=0,003).
Conclusão
O estudo conclui que não há diferença estatisticamente
relevante (p=0,778) em relação à qualidade do preparo
intestinal quando se compara a solução de PEG 4000 e a
solução de Lactulose a 10%, o que também é comprovado
pela semelhança entre as taxas de detecção de pólipos
(p=1). Além disso, a Lactulose teve melhor tolerância por
parte dos pacientes provavelmente devido à necessidade
de ingestão de um volume menor de preparo. De acordo
com os resultados obtidos pelo estudo, pode-se,
portanto, considerar a solução de Lactulose a 10% como
uma boa opção de preparo intestinal em situações que
respeitem suas contraindicações e restrições.
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para o uso de PEG 4000 e 23,5% para o uso de Lactulose.
Porém observamos que, quando ocorrem efeitos colaterais, eles são mais intensos e variados no grupo que utilizou
Lactulose.
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