ISSN 1980-7694 ON-LINE ARBORIZAÇÃO VIÁRIA DE CACHOEIRA DO SUL/RS: DIVERSIDADE, FITOGEOGRAFIA E
CONFLITOS COM A INFRAESTRUTURA URBANA
Diogo de Souza Lindenmaier1; Bernardo Sayão Penna e Souza2 3
Resumo
O presente estudo faz uma avaliação da diversidade arbórea e fitogeográfica das árvores presentes nas vias de
Cachoeira do Sul, RS-Brasil, bem como uma sondagem de aspectos qualitativos referentes à integridade,
manutenção e conflitos entre a vegetação viária e os equipamentos urbanos. Quinze ruas foram selecionadas para
amostragem onde todos os indivíduos arbóreos com perímetro mínimo de 15 cm a altura do peito foram
identificados. A diversidade foi estimada a partir da frequência de indivíduos por espécie e através do Índice de
Shannon H’. A origem fitogeográfica de cada espécie foi examinada a partir de pesquisas bibliográficas e
consultas a especialistas. As vias amostradas apresentaram 2.400 indivíduos distribuídos em 101 espécies,
pertencentes a 36 famílias botânicas. As quatro espécies mais frequentes apresentaram densidade de 53,8% dos
indivíduos totais. O Índice de Shannon H’ foi de 3,14 nats/ind., e a Equabilidade de Pielou J’ 0,68. Houve
predominância de espécies exóticas, com 57,4%, e em relação ao número de indivíduos, 61,7% pertenceram a
espécies oriundas de outras partes do mundo. Quanto à fitossanidade da vegetação, 22,8% apresentaram
problemas. Os resultados obtidos apoiam pesquisas realizadas em diversas cidades brasileiras, que apontam um
estado de homogeneidade florística, com utilização preponderante de espécimes exógenos, resultando em baixa
diversidade.
Palavras-chave: Arborização urbana; Arborização de ruas; Conflitos em arborização
PHYTOGEOGRAPHICAL AND ECOLOGICAL ASPECTS OF STREET ARBORIZATION OF
CACHOEIRA DO SUL-RS-BRAZIL.
Abstract
This study is an evaluation of tree diversity and phytogeographical trees present in the streets of Cachoeira do
Sul/RS, Brazil, as well as a survey of qualitative aspects relating to health and road maintenance of vegetation.
Fifteen streets were selected through aerial image where all trees with minimum perimeter of 15 cm at breast
height were identified. Diversity was estimated from the frequency of individuals by species and by the Shannon
index H'. The phytogeographic origin of each species was examined from literature searches and consultations
with specialists. The routes had sampled 2400 individuals in 101 species belonging to 36 families. The four most
frequent species showed density 53,8% of total individuals. The Shannon Index H' was 3,14 nats/ind., and
equability J' 0,68. There was a predominance of exotic species, with 57,4%, and compared the frequency of
individuals, 61,7% belonged to species from other parts of the world. As the health of vegetation, 22,8% had
problems. The results obtained here supports research in several Brazilian cities, which indicate a state of
floristic homogeneity, with predominant use of exogenous specimens, resulting in low diversity of character.
Key words: Urban forestry; Streets trees; Conflicts in afforestation
1
Mestrando do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Santa Maria - (bagualsilvestris@ibest.com.br)
Professor Associado do Departamento de Geociências do CCNE/UFSM, professor do quadro permanente do PPGGeo (bernardosps@yahoo.com.br)
3
recebido em 17.06.2012 e aceito para publicação em 15.03.2014
2
Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 INTRODUÇÃO
A qualidade ambiental urbana tem sido um tema
a) Áreas verdes, que correspondem a espaços
recorrente nos debates sobre o futuro das cidades no
públicos ou privados de livre acesso, como parques,
Brasil e no mundo. A partir do ano de 2011, mais
praças, campings, entre outros; Florestas urbanas,
da metade da população mundial passou a viver em
como sendo os remanescentes florestais inclusos
áreas urbanas, segundo relatório do UNFPA (2011).
dentro das cidades; Arborização de quintais e
Em países em desenvolvimento o fluxo de
jardins, em geral, presentes em residências ou em
migração para as cidades ainda é acentuado, no
áreas privadas como condomínios e indústrias; e
Brasil esse número chega a 84% da população
Arborização viária, que consiste na vegetação
vivendo em cidades (IBGE, 2011).
presente ao longo das ruas, canteiros centrais e
As cidades podem ser pensadas como paisagens
rotatórias.
onde diferentes elementos interagem de forma
A arborização dentro do espaço urbano apresenta
sistêmica, influenciando a conformação do mosaico
funcionalidades
urbano. Nesse contexto, a ação do homem, definida
qualidade ambiental. Auxiliam na manutenção do
aqui como elemento antrópico, tem influência
equilíbrio térmico por meio do sombreamento do
preponderante sobre os demais componentes do
solo impermeabilizado, atuando na reflectância e
sistema urbano, transformando as cidades em
absorvância da radiação eletromagnética incidente,
espaços
completamente
bem como atua no controle da umidade em baixa
naturais
atmosfera através da evapotranspiração. O conjunto
altamente
distintos
complexos,
dos
ambientes
(CHRISTOFOLETTI, 1999).
Dentre
os
elementos
que
importantes
na
melhoria
da
da vegetação, independente do espaço que ocupe
interatuam
na
nas cidades, ameniza a formação de ilhas de calor,
conformação da paisagem urbana e influenciam de
fenômeno
forma decisiva a qualidade ambiental, destaca-se a
(SHINZATO, 2009).
vegetação, e em particular as árvores. Esta temática
Pode-se destacar ainda, a importância da vegetação
tem sido abordada por diferentes disciplinas
arbórea como elemento de função ecológica,
científicas, que ao avaliarem a questão acabam por
estética, paisagística, psicológica e recreativa,
usar categorias operacionais muitas vezes distintas
sendo seu planejamento importante a fim de tornar
entre si, gerando conflitos conceituais (LOBODA e
a paisagem urbana menos artificial. A vegetação
ANGELIS, 2005). A partir de adaptações às
também contribui para a redução da poluição
classificações propostas por Lima et al. (1994),
atmosférica por gases e particulados, e igualmente
Cavalheiro et al. (1999), Santos e Teixeira, 2001,
serve de barreira de contenção a ondas sonoras e
Daltoé et al. (2004), Gonçalves e Paiva (2004),
ruídos. Exerce ainda, efeito tampão sobre a
Magalhães (2006) e Buccheri Filho (2006), e
incidência de chuvas fortes que podem causar
conforme o espaço que a arborização ocupa na
enxurradas e erosão dos solos (GÊISER et al.,
cidade em maior escala, pode-se classificá-la como:
1976; LIMA et al., 1994; DEMATTÊ, 1997).
típico
de
ambientes
urbanos
ARBORIZAÇÃO VIÁRIA DE CACHOEIRA DO SUL/RS: DIVERSIDADE, FITOGEOGRAFIA E... Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 109
Para que a vegetação urbana desempenhe suas
ecossistema
potenciais funcionalidades é necessário além de sua
sociedade
implementação, que seu planejamento leve em
importante à qualidade de vida. (ISERNHAGEN et
consideração aspectos relacionados à diversidade e
al., 2009).
origem fitogeográfica das espécies a serem
A arborização de vias públicas pode atuar
utilizadas. Santamour Júnior (1990), no que diz
interconectando espaços urbanos como áreas
respeito à diversidade arbórea, recomenda não se
verdes, remanescentes florestais, quintais e jardins,
exceder mais que 10% de indivíduos por espécie,
formando corredores capazes facilitar o fluxo da
20% de algum gênero e 30% de uma família
fauna e da flora desses ambientes (RACHID, 1999;
botânica. Essas recomendações se fundamentam
SANTOS
com base na incidência de problemas ecológicos e
GONÇALVES, 2002; MENEGUETTI, 2003).
epidêmicos.
Através de levantamento e descrição da vegetação
Diversos autores, como cita Blum et al. (2008), têm
arbórea das vias públicas de Cachoeira do Sul-RS,
apontado o uso acentuado de espécies exóticas,
o presente estudo objetivou: 1) conhecer a
algumas das quais tóxicas, e em frequências
composição
elevadas quando comparadas a espécies nativas. O
fitogeográfica de espécies e indivíduos; 3) estimar a
uso de espécies regionais na arborização urbana
diversidade arbórea; 4) examinar as condições de
fundamenta-se na premissa de incorporar à cidade
sanidade dos vegetais como a ocorrência de podas e
essências vegetais (arbórea) nativas, dispondo-as
doenças, e 5) verificar a ocorrência de confronto
dentro do espaço urbano a fim de equacionar esse
entre as árvores e o pavimento dos passeios.
artificializado,
maior
&
qualidade
TEIXEIRA,
florística;
2)
e
proporcionar
ambiental,
2001;
avaliar
fator
PAIVA
a
à
&
origem
MATERIAIS E MÉTODOS
Área do estudo - A cidade de Cachoeira do Sul está
explicada por emancipações de distritos, sucessivas
localizada à margem esquerda do Rio Jacuí, na
crises no setor produtivo, bem como fatores
região fisiográfica denominada Depressão Central
socioculturais que estimularam a emigração a partir
do Estado do Rio Grande do Sul (Figura 1). Foi o
dos anos setenta até atualidade (IBGE, 2011).
quinto município a ser fundado no Rio Grande do
No que se refere a aspectos naturais, a cidade
Sul, tendo seu povoamento iniciado por volta de
encontra-se
1769.
vegetacionais distintas: campos (pampa); áreas de
O município apresenta atualmente, segundo o senso
tensão ecológica; e remanescentes de floresta
2010 do IBGE, uma população de 83.827
estacional decidual (aluvial), ao longo das margens
habitantes. Desses, 71.700 residem na área urbana,
dos afluentes do Rio Jacuí.
distribuídos em 34.639 domicílios. Entretanto, a
1986; MALUF et al., 1994)
população
já
contabilizou
mais
de
inserida
entre
três
formações
(TEIXEIRA et al.,
90.000
habitantes no início dos anos sessenta. Essa
dinâmica negativa nos números demográficos é
Diogo de Souza Lindenmaier e Bernardo Sayão Penna e Souza 110 Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 Figura 1. Localização da área urbana de Cachoeira do Sul/RS-Brasil
Na área urbana os solos de modo geral são
passeios, canteiros e rotatórias que acompanham a
profundos e bem drenados e sua morfoestrutura está
vias de tráfego da cidade”. Com auxílio de imagem
relacionada à dinâmica sedimentar do rio Jacuí
aérea foram selecionadas ruas a serem inventariadas
(JUSTUS et al., 1986). Suas cotas altimétricas
dentro do espaço urbano da cidade. Como critério
encontram-se entre 26m e 120m de altitude, com
de escolha dos pontos de amostragem, optou-se por
relevo levemente ondulado.
cobrir de modo homogêneo o espaço urbano,
O clima na região é considerado subtropical úmido,
elencando ruas em diferentes pontos da cidade. As
sem período seco definido, do tipo Cfa, segundo a
ruas selecionadas para amostragem foram: Ernesto
classificação
uma
Pertile, Gregório da Fonseca, Marechal Hermes,
precipitação média em torno de 1.594 mm/ano. A
Dom Pedro II, Olindo Scarparo, Dona Hermínia,
temperatura média anual é de 19,2°C, sendo a
Dom Pedrito, Aníbal Loureiro, Aparício Borges,
média do mês mais quente superior a 24°C e a
Juvêncio Soares, João Neves da Fontoura, Conde
média do mês mais frio em torno de 13°C
de Porto Alegre, Horácio Borges, João Carlos
(IPAGRO, 1992).
Gaspary e Ricardo Schaurich (Figura 2).
Coleta dos dados – Neste estudo considerou-se
Os trabalhos de campo para coleta dos dados foram
arborização viária “toda a vegetação de porte
realizados entre novembro de 2011 e fevereiro de
arbóreo inserida no espaço correspondente a
2012. Foram inventariados todos os indivíduos
de
Köppen.
Estima-se
ARBORIZAÇÃO VIÁRIA DE CACHOEIRA DO SUL/RS: DIVERSIDADE, FITOGEOGRAFIA E... Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 111
arbóreos com perímetro mínimo de 15 cm a altura
mínimo 3 m de altura foram incluídos na
do peito, presentes dentro do espaço correspondente
amostragem.
as vias públicas. Indivíduos entouceirados com no
também espécies da família Arecaceae.
Foram
incluídos
no
inventário
Figura. 2. Imagem aérea com a localização dos pontos amostrais na paisagem urbana de Cachoeira do Sul/RS.
As linhas em amarelo indicam as ruas amostradas. Fonte: Adaptada de Google Earth™ Mapping
Service, 2012
Cada indivíduo arbóreo amostrado teve coletado
as recomendações do APG III (Angyosperm
dados indicativos de qualidade e sanidade vegetal
Phylogeny Group, 2009).
como ocorrência de podas drásticas, presença de
A diversidade arbórea das vias públicas foi
parasitas,
estimada a partir da relação de abundância e
conflitos
relacionados
ao
sistema
radicular e os passeios e doenças.
As
espécies
arbóreas
conhecidas
frequência de indivíduos por espécies, e através da
foram
aplicação dos índices de diversidade de Shannon H’
identificadas in loco ou através de consulta ao
e Equabilidade de Pielou J’, obtidos com auxílio do
banco de dados W3Tropicos do Missouri Botanical
aplicativo PAST ver. 1.37, 2005.
Garden. Espécies nativas tiveram identificação
A origem fitogeográfica de cada espécie foi
determinada através de comparação com material
examinada a partir de pesquisas bibliográficas e
do herbário ICN-UFRGS e consulta ao banco de
consultas aos bancos de dados Flora Digital do Rio
dados Flora Digital do Rio Grande do Sul. As
Grande do Sul e W3Tropicos do Missouri Botanical
famílias botânicas foram agrupadas de acordo com
Garden.
Foram
consideradas
nativas
aquelas
Diogo de Souza Lindenmaier e Bernardo Sayão Penna e Souza 112 Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 espécies
ocorrentes
originárias
no
Brasil,
de
formações
que
não
vegetais
região onde está a área do estudo. As espécies que
apresentam
são naturais de outros ecossistemas diferentes dos
ocorrência natural na região do estudo. Foram
que
ocorrem
em
território
brasileiro
foram
consideradas nativas/regionais (NR) espécies cujos
consideradas exóticas (ISERNHAGEN et al.,
ecossistemas estejam representados na região sul do
2009).
Brasil, sendo a espécie citada como ocorrente na
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As quinze ruas inventariadas totalizaram 22.574
101 espécies, distribuídas em 86 gêneros e 35
metros de vias estudadas, onde foram identificados
famílias botânicas. Três indivíduos não foram
um total de 2400 indivíduos arbóreos pertencentes a
identificados e 46 deles estavam mortos (Tabela 1).
Tabela 1. Famílias, espécies, abundância absoluta (A), abundância relativa (AR), frequência absoluta (FA),
frequência relativa (FR) e origem fitogeográfica das espécies (OR) arbóreas amostradas nas vias da cidade de
Cachoeira do Sul/RS. (Origem: E= exótica, N= nativa, NR= nativa regional)
Família
Anacardiaceae
Annonaceae
Apocynaceae
Araliaceae
Araucariaceae
Arecaceae
Asparagaceae
Bignoniaceae
Boraginaceae
Espécie
Mangifera indica L.
Schinus terebinthifolius Raddi
Annona neosalicifolia H. Hainer.
Nerium oleander L.
Plumeria rubra L.
Tabernaemontana catharinensis A. DC.
Thevetia peruviana (Pers.) K. Schum.
Schefflera actinophylla (Endl.) Harms.
Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze
Archontophoenix cunninghamii H. Wendl.
& Drude
Butia capitata (Mart.) Becc.
Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman
Washingtonia robusta H. Wendl.
Cordyline terminalis (L.) Kunth
Dracaena marginata Hort.
Yucca elephantipes Regel
Jacaranda mimosifolia D. Don
Handroanthus albus (Cham.) Mattos
Handroanthus chrysotrichus (Mart. ex A.
DC.) Mattos
Handroanthus heptaphyllus (Vell.) Mattos
Handroanthus roseo-albus (Ridl.) Mattos
Spathodea campanulata P. Beauv.
Cordia trichotoma (Vell.) Arráb. ex Steud.
A
2
40
5
4
3
1
12
1
1
AR%
0,08
1,66
0,20
0,16
0,12
0,04
0,50
0,04
0,04
F
2
11
5
4
3
1
9
1
1
FR%
13,3
73,3
33,3
26,6
20,0
6,6
60,0
6,6
6,6
OR
E
NR
NR
E
E
NR
E
E
NR
1
0,04
1
6,6
E
3
15
6
2
2
6
68
37
0,08
0,62
0,25
0,08
0,08
0,25
2,83
1,54
3
5
1
3
2
4
15
14
20,0
33,3
6,6
20,0
13,3
26,6
100
93,3
NR
NR
E
E
E
E
E
N
305
12,7
15
100
N
34
1
21
1
1,41
0,04
0,87
0,04
13
1
8
1
86,6
6,6
53,3
6,6
NR
N
E
NR
ARBORIZAÇÃO VIÁRIA DE CACHOEIRA DO SUL/RS: DIVERSIDADE, FITOGEOGRAFIA E... Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 113
Cannabaceae
Caricaceae
Cupressaceae
Ebenaceae
Euphorbiaceae
Fabaceae
Junglandaceae
Lauraceae
Lythraceae
Magnoliaceae
Malvaceae
Melastomataceae
Meliaceae
Moraceae
Myrtaceae
Cordia americana (L.) Gottshling &
J.E.Mill.
Trema micrantha (L.) Blume
Carica papaya L.
Cupressus cf.sempervirens L.
Thuya occidentalis L.
Diospyros kaki Thumb.
Euphorbia cotinifolia L.
Manihot esculenta Krantz
Acacia podalyriaefolia A. Cunn.
Bauhinia forficata Link
Bauhinia variegata L.
Caesalpinia leiostachya (Benth.) Duke
Caesalpinia pluviosa DC.
Calliandra brevipes Benth.
Cassia fistula L.
Delonix regia (Bojer ex Hook.) Raf.
Enterolobium contortisiliquum (Vell.)
Morong
Erythrina crista-galli L.
Inga marginata Kunth
Inga vera Kunth
Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit
Paraptadenia rigida (Benth.) Brenan.
Peltophorum dubium (Spreg.) Taub.
Schizolobium parahyba (Vell.) S. F. Blake
Senna macranthera (DC. ex Collad.) H.S.
Irwin & Barneby
Senna multijuga (Rich.) H.S. Irwin &
Barneby
Tipuana tipu Benth. Kuntze
Carya illinoensis (Wang.)Kock
Cinnamomum zeylanicum Blume
Nectandra megapotamica (Spreng.) Mez
Persea americana Mill.
Lagerstroemia indica L.
Magnolia champaca L.
Magnolia liliflora Desr
Magnolia ovata (A. St.-Hil.) Spreng.
Brachychiton populneus (Schott & Endl.)
R. Br.
Ceiba speciosa (A. St.-Hil.) Ravenna
Dombeya wallichii ( Lindl.) K. Schum.
Hibiscus rosa-sinensis L.
Luehea divaricata Mart.
Pachira glabra Pasq.
Tibouchina granulosa (Ders.) Cogn.
Melia azedarach L.
Ficus benjamina L.
Ficus benjamina L. var. variegata
Morus nigra L.
Callistemon speciosus (Sims) DC.
Eugenia involucrata DC.
Eugenia uniflora L.
Myrcianthes pungens (O. Berg.) D.
2
0,08
2
13,3
NR
1
2
9
7
1
1
3
3
8
21
1
76
4
7
10
0,04
0,08
0,37
0,29
0,04
0,04
0,12
0,12
0,33
0,87
0,04
3,16
0,16
0,29
0,41
1
2
7
3
1
1
3
2
2
7
1
14
2
5
6
6,6
20,0
13,3
20,0
6,6
6,6
20,0
13,3
13,3
46,6
6,6
93,3
13,3
33,3
40,0
NR
NR
E
E
E
E
N
E
NR
E
NR
NR
NR
E
E
4
0,16
2
13,3
NR
1
146
4
3
4
53
5
0,04
6,08
0,16
0,12
0,16
2,20
0,20
1
15
4
3
3
12
1
6,6
100
26,6
20,0
20,0
80,0
6,6
NR
NR
NR
E
NR
NR
N
18
0,75
9
60,0
N
11
0,45
8
53,3
N
22
6
47
3
4
512
3
1
1
0,91
0,25
1,95
0,12
0,16
21,3
0,12
0,04
0,04
6
6
15
3
4
15
2
1
1
40,0
40,0
100
20,0
26,6
100
13,3
6,6
6,6
E
E
E
NR
E
E
E
E
N
4
0,16
3
20,0
E
2
4
30
3
1
9
69
30
10
24
20
6
28
8
0,08
0,16
1,25
0,12
0,04
0,37
2,87
1,25
0,41
1,00
0,83
0,25
1,16
0,33
1
1
11
3
1
6
13
10
6
11
6
5
12
6
6,6
6,6
73,3
20,0
6,6
40,0
86,6
66,6
40,0
73,3
40,0
33,3
80,0
40,0
N
E
E
NR
E
N
E
E
E
E
E
NR
NR
NR
Diogo de Souza Lindenmaier e Bernardo Sayão Penna e Souza 114 Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 Oleaceae
Oxalidaceae
Platanaceae
Pinaceae
Proteaceae
Rhamnaceae
Rosaceae
Rutaceae
Salicaceae
Sapindaceae
Solanaceae
Verbenaceae
Legrand
Myrciaria cauliflora (Mart.) O. Berg.
Psidium cattleyanum var. coriaceum
(Mart. ex O. Berg) Kiaersk.
Psidium guajava L.
Syzygium cumini (L.) Skeels
Myrtaceae 1
Ligustrum lucidum W. T. Aiton
Averrhoa carambola L.
Platanus occidentalis L.
Pinus taeda L.
Grevillea robusta A. Cunn. ex R. Br.
Hovenia dulcis Thunb.
Eriobotrya japonica (Thunb.) Lindl.
Prunus domestica L.
Prunus persica (L.) Batsch.
Pyrus communis L.
Citrus spp.
Murraya paniculata (L.) Jack
Zanthoxylum hyemale A. St.-Hil.
Casearia sylvestris Sw.
Populus alba L.
Salix babylonica L.
Salix humboldtiana Andersson
Acer palmatum Raf.
Allophylus edulis (A. St.-Hil., Cambess. &
A. Juss.) Radlk.
Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don.
Solanum mauricianum Scop.
Duranta rapens L.
Indeterminada 1
Indeterminada 2
Indivíduos mortos
1
0,04
1
6,6
N
12
0,50
7
46,6
N
12
20
2
330
1
1
1
5
11
6
3
1
2
56
11
3
3
4
3
2
5
0,50
0,83
0,08
13,7
0,04
0,04
0,04
0,20
0,45
0,25
0,12
0,04
0,08
2,33
0,45
0,12
0,12
0,16
0,12
0,08
0,20
8
11
2
15
1
1
1
3
9
5
2
1
1
13
7
1
3
3
3
1
5
53,3
73,3
13,3
100
6,6
6,6
6,6
20,0
60,0
33,3
13,3
6,6
6,6
86,6
46,6
6,6
20,0
20,0
20,0
6,6
33,3
E
E
E
E
E
E
E
E
E
E
E
E
E
E
E
NR
NR
E
E
NR
E
4
0,16
3
20,0
NR
3
1
25
1
1
46
0,12
0,04
1,04
0,04
0,04
1,91
3
1
4
1
1
14
20,0
6,6
26,6
6,6
6,6
93,3
N
NR
E
O indicador de suficiência amostral para o
precisão a riqueza vegetal no conjunto da
inventário das vias foi obtido através da técnica de
arborização das ruas.
rarefação, que indicou a estabilização na curva de
Para
acúmulo de espécies (Fig. 3). Em ambientes
corresponde à densidade de elementos arbóreos por
relativamente homogêneos como as cidades, a
espaço linear de rua, utilizou-se nesse caso apenas
técnica de acumulação de espécies indica com
os dados relativos a um lado da via.
segurança
é
estimado foi de 53,15 árvores/Km de via, valor
satisfatório, ou se será necessário amostragens
considerado alto quando comparado a demais
adicionais onde poderiam aparecer novas espécies.
estudos realizados no Brasil. Em Campos do
Ao contrário de florestas naturais que apresentam
Jordão/SP, por exemplo, Andrade (2002) registrou
padrões variados de distribuição espacial das
um índice de 17,22 árvores/Km, tendo este
populações, em meio urbano o indicador de
inventariado 48.544m de ruas onde encontrou
suficiência é eficiente para saber se a amostragem
somente 836 indivíduos. Na cidade de Colorado/RS
realizada é representativa e reflete com maior
o índice de abundância foi de 43 árvores/Km
se
o
esforço
de
amostragem
gerar
o
Índice
de
Abundância,
que
O índice
ARBORIZAÇÃO VIÁRIA DE CACHOEIRA DO SUL/RS: DIVERSIDADE, FITOGEOGRAFIA E... Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 115
(RABER e REBELATO, 2010). Rachid e Couto
ideal, ou recomendável. Sua utilização em nível de
(1999), encontraram 2.958 elementos (plantas
pesquisa baseia-se em comparações com outros
vivas, plantas mortas e covas abertas) num total de
estudos, e sua aplicação ganha relevância pelos
98,21 km de calçada e, com essa amostra, obteve-se
projetos de manejo. Analisado de forma isolada,
uma estimativa de 30,12 árvores/Km de calçada.
sem o cruzamento de dados qualitativos, o índice
Esse índice é utilizado
pouco acrescenta à compreensão da realidade na
para representar o
adensamento de árvores ao longo dos passeios, e
arborização viária.
não há até o momento um número considerado
Figura 3. Curva de acumulação de espécies do inventário da arborização viária de Cachoeira do Sul/RS, 2012
As famílias que apresentaram maior riqueza de
RABER, 2010; ANDREATTA et al., 2011). As
espécies foram: Fabaceae com 19 espécies,
famílias Myrtaceae, Bignoniaceae e Rutaceae
Myrtaceae com 10, Bignoniaceae e Malvaceae com
também
seis espécies cada uma. Na relação, abundância de
famílias, além de outras importantes que não foram
indivíduos por família, 80% do número total de
mencionadas aqui (Tabela 1), são amplamente
exemplares pertenceram a apenas 6 famílias (Tab.
utilizadas, e ao que tudo indica, são cultivadas por
1).
apresentarem estruturas de valor estético (flores,
Diversos estudos sobre arborização viária e áreas
folhas, frutos...) e padrões paisagísticos desejáveis
verdes realizados no Brasil apontam a família
(SOUZA e LORENZI, 2005).
Fabaceae como o principal táxon tanto em riqueza
Das 101 espécies identificadas ocupando o espaço
de espécies, quanto em número de indivíduos
dos passeios nas ruas amostradas em Cachoeira do
(RUSCHEL e LEITE, 2002; SOUZA et al., 2004;
Sul, 4 espécies perfizeram 53,8% do total de
KURIHARA et al., 2005; CORREIA, 2006;
indivíduos amostrados, são elas: Lagerstroemia
apresentaram
destaque.
Todas
essas
Diogo de Souza Lindenmaier e Bernardo Sayão Penna e Souza 116 Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 indica,
Ligustrum
lucidum,
Handroanthus
Do número total de espécies observadas, 57 eram
chrysotrichus e Inga marginata (Tabela 1).
exóticas, originárias de outras regiões naturais do
A riqueza florística no presente estudo pode ser
mundo, o que corresponde a 56,4% do total. As
considerada alta quando comparada a demais
nativas perfizeram 14 espécies (13,8%), e as nativas
estudos realizados no Sul do Brasil. Em Porto
regionais (NR) registraram 30 espécies (29,7%).
Alegre, Salvi et al., (2011) registraram 61 espécies.
Em relação ao número de indivíduos, de 2400
Na cidade de Santa Maria/RS, Andreatta et al.,
árvores amostradas, 61,7% são exóticas; 17% são
(2011) encontraram 95 espécies em amostragem
nativas e 19,3% são nativas regionais. Algumas
nas ruas da cidade. Canoas/RS apresentou 73
espécies citadas para o Rio Grande do Sul, porém,
espécies arbóreas distribuídas nos passeios de
sem ocorrência nas florestas da região central do
bairros nobres e bairros periféricos (CORREIA,
Estado, como o caso de Ceiba speciosa e Magnolia
2006).
espécies
ovata, foram consideradas apenas nativas. Através
(RUSCHEL e LEITE, 2002), e em Colorado/RS
dos dados nota-se o predomínio de elementos
foram identificadas 45 espécies nas ruas da pequena
exóticos tanto em número de espécies, quanto em
cidade (RABER, 2010). Lindenmaier e Santos
abundância de indivíduos.
(2008), em inventário realizado nas áreas verdes da
O uso intensivo de espécies exóticas ainda é uma
mesma cidade do presente estudo encontraram 132
representação de padrões paisagísticos pretéritos,
táxons.
Souza et al., (2004) encontraram 75
onde se valorizavam os atributos mais excêntricos
espécies na arborização da cidade de Jaú/SP. Em
das espécies e a primazia por passeios e aleias com
Bocaína-SP,
60
arborização homogênea. O paradigma atual em
espécies nas vias públicas da cidade. Em Campos
arborização urbana, tanto na vegetação viária
do Jordão/SP, Andrade (2002) registrou 32 espécies
quanto em áreas verdes, indica a emergência de um
(apud ISERNHAGEN, 2009).
modelo chamado “ecossistêmico” (JOSAFA, 2008),
O
Em
Lajeado/RS
Marques
número
(2005)
69
identificou
variar
onde o fator estético deixa de ser privilegiado, e as
significativamente entre cidades, independendo da
potenciais funcionalidades ambientais da vegetação
condição demográfica ou da localização geográfica.
dentro do sistema urbano passam a ser a ideia
Essa variação nem sempre revela menor ou maior
central. Entretanto, não se deve subestimar o uso de
diversidade, dependendo esse caráter, em maior
espécies exóticas na arborização viária, uma vez
escala, de aspectos florísticos como a abundância
que o ambiente dos passeios é extremamente
de
restritivo, nos quais muitas espécies florestais
indivíduos
de
foram
por
espécies
espécie
pode
e
das
relações
fitogeográficas dos seus componentes. Os padrões
nativas não conseguem se desenvolver.
de riqueza e diversidade da arborização viária das
Em relação a estimativas de diversidade, a espécie
cidades são fortemente influenciados pelo que se
de maior frequência, L. indica, registrou 21,3% do
convencionou chamar de “fator antrópico”, que se
número total de indivíduos, o que significa 512
referem às ações do poder público como projetos de
exemplares de um universo amostral de 2400
arborização, e também, através de ações individuais
indivíduos. As quatro espécies mais abundantes
dos cidadãos que comumente plantam árvores em
somaram juntas 50,54% dos indivíduos totais. Em
frente a suas residências.
outro extremo, houve um considerável índice de
ARBORIZAÇÃO VIÁRIA DE CACHOEIRA DO SUL/RS: DIVERSIDADE, FITOGEOGRAFIA E... Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 117
espécies que apresentaram somente um indivíduo,
A estimativa de diversidade de acordo com o Índice
19,8% do total (Tabela 1).
de Shannon H’ para este estudo foi de 3,14
A diversidade arbórea em áreas urbanas tem sido
nats/ind., e a Equabilidade de Pielou J’ 0,68, valor
uma questão central em diversos estudos sobre
considerado intermediário quando comparado a
arborização no Brasil, e seu caráter é associado à
outros estudos realizados no Sul do Brasil. Raber e
qualidade ambiental urbana. A medida mais
Rebelato (2010) encontraram o índice de H’ 2,95
utilizada em estudos para descrever a diversidade
nats/ind. na cidade de Colorado/RS. Meneguetti
vegetal no espaço urbano é a abundância de
(2003) em estudo na Orla de Santos/SP registrou
indivíduos por espécie. Grey e Deneke (1978)
índice de H’ 2,61 nats/ind. Bortoleto et al. (2007)
recomendam
obtiveram um índice de H’ 3,90 nats/ind.
10%
de
indivíduos
para
uma
população arbórea em área urbana. Este índice
Lindenmaier
baseia-se
diversidade de H’ 3,85 nats/ind. e equabilidade J’
principalmente
em
questões
e
Santos
(2008)
encontraram
fitossanitárias.
de 0.79 para as áreas verdes de Cachoeira do Sul.
Santamour Júnior (1990) recomenda 10% de
Cerca
frequência para uma espécie, 20% para o algum
apresentaram algum tipo de problema relacionado a
gênero e 30% para uma família. Para a vegetação
podas
viária de Cachoeira do Sul/RS o presente estudo
fitopatógenos ou conflito entre o sistema radicular e
encontrou 3 espécies com elevada abundância e
as calçadas. Entre os principais problemas que
frequência, Ligustrum lucidum, Lagerstroemia
afetam a integridade da arborização viária, a poda
indica
foi o que apresentou maior frequência, afetando
e Handroanthus chrysotrichus
abundância
relativa
Consequentemente,
o
superior
gênero
a
com
10%.
de
20%
drásticas,
dos
exemplares
presença
amostrados
de
parasitas,
15,83% das árvores amostradas (Figura 4).
Lagerstroemia
Esse número resulta, em grande parte, do plantio de
apresentou frequência superior a 20%, entretanto,
espécies inadequadas aos espaços destinados, bem
nenhuma das famílias excedeu a frequência de
como
30%. Já Milano e Dalcin (2000) recomendam um
momento do manejo, e da ausência de políticas
índice ótimo de frequência por espécie entre 10% e
públicas para a questão da arborização urbana.
15%.
Presumivelmente, o quadro também é reflexo de
Para se ter uma melhor noção do caráter de
aspectos socioculturais.
diversidade, pode-se ainda relacionar a abundância
O conflito entre o sistema radicular das árvores e o
de indivíduos à origem fitogeográfica das espécies.
pavimento dos passeios também constitui uma
Embora a riqueza de espécies encontradas na
problemática à vegetação viária, ocasionado quase
arborização viária de Cachoeira do Sul possa ser
sempre devido à inadequação do porte das espécies
considerada alta, mais da metade das espécies
inseridas no reduzido espaço das calçadas.
(57,4%) são oriundas de outras regiões naturais do
Entre os indivíduos amostrados foram registradas
mundo, logo apresentam um potencial ecológico
46 árvores mortas ainda em pé (1,9% das amostras).
menor quando comparado a espécies de ocorrência
Pelas observações sistemáticas do trabalho de
natural na região do estudo. Somado a isso, a
campo, é notória a morte de árvores resultante de
abundância de indivíduos pertencentes a espécies
podas drásticas ou tentativas de supressão do
exóticas também foi alta (61,7%).
vegetal por parte da população, após a constatação
o
desconhecimento
da
população
no
Diogo de Souza Lindenmaier e Bernardo Sayão Penna e Souza 118 Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 da inadequação das características da árvore para o
submetidos a podas apresentaram ainda danos
local onde foram inseridas. Muitos indivíduos
ocasionados por fungos fitopatógenos.
Figura 4. Principais problemas relacionados à qualidade da vegetação arbórea nas ruas de Cachoeira do Sul/RS
A presença de fitoparasitas registrou 5,2% de
espécie nativa do Cerrado brasileiro. A alta
frequência total tendo em vista o universo amostral.
frequência desse
Tripodanthus acutifolius (Ruiz & Pav.) Tiegh. e
Handroanthus chrysotrichus na arborização viária
Phoradendron affine (DC.) Engler & K. Krause,
indica a alta especificidade entre essas duas
chamadas popularmente de Erva-de-Passarinho,
espécies, e a possibilidade atual da ocorrência de
foram
hemiparasitas
uma infestação, o que restringiria a utilização desta
identificadas parasitando indivíduos arbóreos nas
espécie de Ipê na arborização de Cachoeira do
ruas da cidade. O parasita P. affine foi observado
Sul/RS.
as
duas
espécies
de
parasita em indivíduos de
vivendo predominantemente sobre indivíduos de
Handroanthus chrysotrichus (Ipê-amarelo), uma
CONCLUSÕES
A partir dos resultados obtidos através das variáveis
- predominância de espécies e indivíduos exóticos,
examinadas, podemos concluir que arborização
com baixa presença de espécimes da flora local;
viária de Cachoeira do Sul apresenta:
- riqueza de espécies considerada de nível
intermediário/alta,
principalmente
comparada a outras cidades brasileiras.
diversidade
arbórea
considerada
de
nível
intermediário;
quando
- elevado número de indivíduos danificados por
podas, bem como indivíduos mortos;
ARBORIZAÇÃO VIÁRIA DE CACHOEIRA DO SUL/RS: DIVERSIDADE, FITOGEOGRAFIA E... Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 119
- problemas por infestação de fitoparasitas;
- alto índice de conflitos entre o sistema radicular
das plantas e o pavimento dos passeios.
AGRADECIMENTOS
Nossos sinceros agradecimentos ao PPG-Geografia
revisora de redação Ana Paula Caletti, e ao Alemão
UFSM, ao Geógrafo João Quoos, aos Ecólogos e
da Floricultura pelo auxílio na identificação de
Botânicos Eduardo H. Giehl e Jean Budke, a
plantas exóticas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, T.O. Inventário e análise da arborização viária da Estância turística de Campos do Jordão,
SP. 2002. 112p. il. (Dissertação de mestrado) - Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Piracicaba,
2002.
ANDREATTA, T.R.; BACKES, F.A.A.L.; BELLÉ, R.A.; NEUHAUS, M.; GIRARDI, L.B.; SCHWAB, N.T.;
BRANDÃO, B.S. Análise da arborização no contexto urbano de avenidas de Santa Maria, RS. Revista da
Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, Piracicaba – SP, v.6, n.1, p.36-50. 2011.
APG III. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering
plants: APG III. Botanical Journal of Linnean Society, 161: 128–131. 2009.
BLUM, C.T; BORGO, M; SAMPAIO, A.C.F. Espécies exóticas invasoras na arborização de vias públicas de
Maringá-PR. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, Piracicaba, v.3, n.2, jun. 2008, p.7897. 2008.
BORTOLETO, S. et al. Composição e distribuição da arborização viária da Estância de Águas de São Pedro –
SP. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v.2, n.3, p.32-46, 2007.
BUCCHERI FILHO, A. T. Qualidade Ambiental no Bairro Alto da XV, Curitiba/PR. 2006, 80 f. Dissertação
(Mestrado) UFPR/ Universidade Federal do Paraná. CURITIBA, 2006. Disponível em:
<http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/handle/1884/3773> Acesso em: 10 jan. 2012.
CAVALHEIRO, F. et al. Proposição de terminologia para o verde urbano. Boletim Informativo Sociedade
Brasileira de Arborização Urbana, Rio de Janeiro: SBAU, ano VII, n.3, p.7, jul./ago./set. 1999. Disponível em:
<http://www.geografia.ufpr.br/laboratorios/labs/arquivos/CAVALHEIRO%20et%20al%20(1999).pdf> Acesso
em: 19 jan. 2012.
CORREIA, L.R. Relação entre o critério socioeconômico e parâmetros ecológicos relativos à arborização viária
de Canoas, Brasil. Pesquisas, Botânica, n. 57, p. 303-318, 2006.
CHRISTOFOLETTI, A. Modelagem de sistemas ambientais. Editora Edgard Blucher LTDA. 1 edição, São
Paulo, 236p. 1999.
DALTOÉ, G. A. B.; CATTONI, E. L.; LOCH, C. Análises das Áreas Verdes do Município de São José – SC. In:
Congresso Brasileiro de Cadastro Técnico Multifinalitário, Florianópolis, 2004, Anais eletrônicos.
Florianópolis:
UFSC,
2004.
Disponível
em:
<http://geodesia.ufsc.br/Geodesiaonline/arquivo/cobrac_2004/066.pdf>. Acesso em: 08 jan. 2012.
Diogo de Souza Lindenmaier e Bernardo Sayão Penna e Souza 120 Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 DEMATTÊ, M. E. S. P. Princípio de paisagismo. Jaboticabal: Funep, 1997.
GIEHL, E.L.H. (coordenador) 2012. Flora Digital do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. URL:
http://ufrgs.br/floradigital
GÊISER, R. R.; OLIVEIRA, M. C. de; BRUCK, E. C.; SANTOS, J. B. DOS. Implantação de áreas verdes em
grandes cidades. São Paulo: Escola Paulista de Arte e Decoração, 1976.
GREY, G. W.; DENEKE, F. J. Urban Forestry. New York: John Wiley, 1978.
GOOGLE EARTH MAPPING SERVICE. Imagens de satélite da cidade de Cachoeira do Sul. 2012. Disponível
em: <http://earth.google.com/intl/pt/download.earth.html>. Acesso em: 2 out. 2012.
GONÇALVES, W. e PAIVA, H.N. Árvores para o ambiente urbano. Viçosa: Aprenda Fácil, 2004. 242 p.
(Coleção Jardinagem e Paisagismo, 3).
IBGE
2011
–
Instituto
Brasileiro
de
Geografia
e
Estatística.
http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1 – Acesso em: 13.02.12
Disponível
em:
IPAGRO, 1992. Atlas agroclimático do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, Editora Pallotti.
ISERNHAGEN, I.; BOURLEGAT, J.M.G. e CARBONI, M. Trazendo a riqueza arbórea regional para dentro
das cidades: possibilidades, limitações e benefícios. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana,
Piracicaba – SP, v.4, n.2, p.117-138, 2009.
KURIHARA, D. L.; IMAÑA-ENCINAS, J. & de PAULA, J. E. Levantamento da arborização do campus da
Universidade de Brasília. Cerne, Lavras, v. 11, n.2: 127-136. 2005.
JOSAFA, C.S.S.J. Fundamentos de uma biogeografia para o espaço urbano. Pesquisas, Botânica. São
Leopoldo, n. 59: 191-210, 2008.
JUSTUS J.O.; MACHADO M.L.A. & FRANCO M.S.M. Geomorfologia. In: IBGE(ed), Levantamento de
Recursos Naturais (33). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Rio de Janeiro, p. 313 – 404. 1986.
LIMA, A. M. L.P; CAVALHEIRO, F.; NUCCI, J.C.; SOUSA, M.A.L.B.; FIALHO, N. DEL PICCHIA, P.C.D.
Problemas de utilização na conceituação de termos como espaços livres, áreas verdes e correlatos. In: Anais do
II Congresso de Arborização Urbana. São Luis- MA, 1994. p. 539-553.
LINDENMAIER, D.S. e SANTOS, N.O. Arborização urbana das praças de Cachoeira do Sul-RS-Brasil:
fitogeografia, diversidade e índice de áreas verdes. Pesquisas, Botânica. São Leopoldo, n. 59, p. 307-320, 2008.
LOBODA, C.R e AGELIS, B.L.D. de. Áreas verdes públicas urbanas: conceitos, usos e funções. Ambiência,
Guarapuava, PR, v.1 n.1, p. 125-139, jan./jun. 2005.
MAGALHÃES, L.M.S. Arborização e florestas urbanas - terminologia adotada para a cobertura arbórea das
cidades brasileiras. Série Técnica, Floresta e Ambiente, p.23-26, Jan/2006. Disponível em:
http://www.floram.org/files/v00n00/STv0n0a3.pdf. Acesso em: 20 de fev. 2012.
MALUF, J.R.T. et.al. Macrozoneamento agroecológico e econômico do Estado do Rio Grande do Sul. Porto
Alegre: Secretaria de Agricultura e Abastecimento/Centro Nacional de Pesquisa do Trigo, v.1, 307p. 1994.
MARQUES, A.L. (coord.). Relatório Final do Inventário da Arborização Urbana do Município de
Bocaina/SP. Bocaina: Instituto Internacional de Ecologia / Diretoria de Agricultura e Meio Ambiente da
Prefeitura Municipal de Bocaina, 2005.
ARBORIZAÇÃO VIÁRIA DE CACHOEIRA DO SUL/RS: DIVERSIDADE, FITOGEOGRAFIA E... Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 121
MENEGUETTI, G.I.P. Estudo de dois métodos de amostragem para inventário da arborização de ruas dos
bairros da orla marítima do município de Santos-SP. Piracicaba, 2003. 100f. Dissertação (Mestrado em
Recursos Florestais) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Piracicaba, SP, 2003.
MILANO, M.; DALCIN, E. Arborização de vias públicas. 1.ed. Rio de Janeiro: LIGHT, 2000.
PAIVA, H.N. de; GONÇALVES, W. Florestas urbanas: planejamento para melhoria da qualidade de vida.
Viçosa: Aprenda Fácil, 2002. 177p. (Série Arborização Urbana, 2).
PAST. Palaeontological Statistics, ver. 1.37. Øyvind Hammer, D.A.T. Harper and P.D. Ryan. November 4,
2005.
RACHID, C. e COUTO, H. T. Z. Estudo da eficiência de dois métodos de amostragem de árvores de rua na
cidade de São Carlos, SP. Scientia Florestalis. São Paulo. n.56, p.59-68. 1999.
RABER, A.P. e REBELATO, G.S. Arborização viária do município de Colorado, RS - BRASIL: análise qualiquantitativa. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, Piracicaba – SP, v.5, n.1, p.183-199.
2010.
RUSCHEL, D. e LEITE, S.L.C. Arborização urbana em uma área da cidade de Lajeado, Rio Grande do sul,
Brasil. Caderno de Pesquisa Sér. Bio., Santa Cruz do Sul, v. 14, n. 1, p. 07-24. 2002.
SALVI, L.T.; HARDT, L.P.A.; ROVEDDER, C.E.; FONTANA, C.S. Arborização ao longo de ruas - Túneis
Verdes - em Porto Alegre, RS, Brasil: avaliação quantitativa e qualitativa. Revista Árvore, Viçosa-MG, v.35,
n.2, p.233-243. 2011.
SANTAMOUR JÚNIOR, F.S. Trees for urban planting: diversity uniformity, and common sense. In: METRIA
CONFERENCE, 7., 1990, Lisle. Proceedings. Lisle: p.57-66. 1990.
SANTOS, N.R.Z dos; TEIXEIRA, I.F. Arborização de vias públicas: ambiente x vegetação. Santa Cruz do
Sul: Instituto Souza Cruz, 135p. 2001.
SHINZATO, P. O impacto da vegetação nos microclimas urbanos. São Paulo, 2009. 173f. Dissertação
(Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) USP-São Paulo, SP, 2009.
SOUZA, V.C. e LORENZI, H. Botânica sistemática: guia para identificação das famílias de Angiospermas
da flora brasileira, baseado em APG II. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 640 p. 2005.
SOUZA, A.M. de; NACHTERGAELE, M.F. e CARBONI, M. Inventário Florestal da arborização do município
de Jaú/SP. Jaú: Instituto Pró-Terra & Secretaria do Meio Ambiente – SEMEIA. Relatório técnico, 2004.
TEIXEIRA, M. B.; COURA NETO, A. B.; PASTORE, U. e RANGEL FILHO, A. L. R. Vegetação In:
Levantamento de recursos naturais (33). Rio de Janeiro, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, p. 541632. 1986.
UNFPA. Relatório do Fundo de População das
http://www.unfpa.org.br/novo/ - Acesso em: 21 dez. 2011.
Nações
Unidas
2011.
Disponível
em:
W3TROPICOS – Banco de dados do Missouri Botanical Garden. Disponível em: www.tropicos.org. Acesso
em 12 junho de 2012.
Diogo de Souza Lindenmaier e Bernardo Sayão Penna e Souza 122 Soc. Bras. de Arborização Urbana REVSBAU, Piracicaba – SP, v.9, n.1, p 108‐122, 2014 
Download

Arborização viária de Cachoeira do Sul/RS