Revisão de Literatura
Fatores de Risco para DCNTs: Rev. Sistemática
Artigo submetido em 29/7/09; aceito para publicação em 26/8/09
Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis no
Brasil: uma Revisão Sistemática
Risk Factors for Chronic non Communicable Diseases in Brazil: a Systematic
Review
Factores de Riesgo para Enfermedades Crónicas no Transmisibles en Brasil: una
Revisión Sistemática
Letícia Casado1, Lucia Marques Vianna2, Luiz Claudio Santos Thuler3
Resumo
No Brasil, devido às mudanças nos perfis demográfico, epidemiológico e nutricional da população e ao controle
conseguido em um número de enfermidades transmissíveis, vêm observando-se, nas últimas décadas, uma inversão
do perfil epidemiológico com redução das doenças infecciosas e o aumento significativo da prevalência das doenças
crônicas não transmissíveis (DCNTs). Essa mudança justifica o estudo dos fatores de risco e determinantes sociais
das doenças crônico-degenerativas no país. O presente trabalho teve por objetivo conhecer a prevalência da
exposição da população aos principais fatores de risco para o desenvolvimento de DCNTs no Brasil. Foi realizada
uma revisão sistemática dos artigos publicados na literatura científica, a partir das bases de dados on-line Lilacs e
Medline, entre 2003 e 2008, em português. As prevalências variaram conforme os critérios utilizados e as
características das populações estudadas, sendo obtidos os seguintes valores mínimo e máximo para cada um dos
fatores de risco estudados: tabagismo 8,7% a 28,8%, uso abusivo de álcool 0,1% a 37,7%, excesso de peso 1,5%
a 49,0%, obesidade 9,4% a 17,6%, sedentarismo 20,1% a 43,1%, hipertensão arterial 5,3% a 34,0%, diabetes
mellitus 2,7% a 7,8%. A variação no grau de exposição da população aos fatores de risco presentes nos diversos
estudos aponta para a necessidade de padronização dos instrumentos de medida, a fim de que os resultados
obtidos nas diferentes localidades possam ser comparados. Além disso, as altas prevalências observadas em algumas
áreas indicam a necessidade de intervenções imediatas por meio da implementação de estratégias de prevenção e
promoção da saúde dirigidas à redução da exposição da população brasileira aos fatores associados ao risco de
desenvolvimento das DCNTs.
Palavras-chave: Doença Crônica; Fatores de Risco; Prevalência; Inquéritos de Morbidade; Estudos Transversais;
Brasil
Este trabalho foi vencedor do XIII Prêmio Hélcio Alvarenga, concedido pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), em dezembro
de 2008.
1
Serviço de Edição e Informação Técnico-Científica da Coordenação de Educação (CEDC) do Instituto Nacional de Câncer (INCA); Mestranda em
Neurologia da UNIRIO.
2
Laboratório de Investigação em Nutrição e Doenças Crônico-Degenerativas (Lindcd) da UNIRIO.
3
UNIRIO; Pós-Graduação em Oncologia do INCA.
Endereço para correspondência: Letícia Casado - CEDC/INCA - Rua do Resende, 128/ 2º andar - Centro - Rio de Janeiro (RJ), Brasil.
CEP: 20231-092. E-mail: [email protected]
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Casado L,Vianna LM, Thuler LCS
INTRODUÇÃO
As transformações sociais e econômicas pelas quais
o Brasil vem passando desde o último século têm causado
mudanças relevantes no perfil morbimortalidade de nossa
população. As doenças infecciosas e parasitárias,
principais causas de morte no início do século passado,
cederam lugar às doenças crônicas não transmissíveis
(DCNTs) 1. Essa transição epidemiológica tem se
refletido na área de saúde pública e o desenvolvimento
de estratégias para o controle das DCNTs se tornou
uma emergência para o Sistema Único de Saúde (SUS).
As doenças crônicas são definidas como afecções de
saúde que acompanham os indivíduos por longo período
de tempo, podendo apresentar momentos de piora
(episódios agudos) ou melhora sensível2. A vigilância
epidemiológica (VE) das DCNTs deve reunir um
conjunto de ações que possibilite conhecer sua
distribuição, magnitude e tendência de exposição aos
seus fatores de risco na população, identificando seus
condicionantes sociais, econômicos e ambientais, com
o objetivo de subsidiar o planejamento, execução e
avaliação das ações de prevenção e controle das mesmas,
implementando assim políticas públicas voltadas para a
promoção da saúde1.
Os fatores de risco para o desenvolvimento das
DCNTs vêm sendo classificados como modificáveis ou
não modificáveis. Entre os fatores modificáveis, estão a
hipertensão arterial, a ingestão de álcool em grandes
quantidades, o diabetes mellitus , o tabagismo, o
sedentarismo, o estresse, a obesidade e o colesterol
elevado3. Já entre os fatores não modificáveis, destacase a idade, havendo clara relação entre o envelhecimento
e o risco de desenvolver DCNTs. Outros fatores não
modificáveis são a hereditariedade, o sexo e a raça.
O envelhecimento da população e a heterogeneidade
demográfica, social e econômica observada no Brasil se
refletem em diferentes padrões de mortalidade e de
morbidade por DCNTs, exigindo respostas que
envolvam as especificidades locais e que sejam adequadas
às suas realidades1. O conhecimento da prevalência dos
fatores de risco para DCNTs, principalmente os de
natureza comportamental, isto é, os que podem ser
modificados, é fundamental por serem sinais de alerta
para o crescimento da morbimortalidade relacionada a
essas doenças 1. Os inquéritos de saúde de base
populacional, principalmente os de alcance nacional,
constituem o principal instrumento utilizado para
conhecer a prevalência dos fatores de risco para doenças
crônicas2. No Brasil, entretanto, a literatura na área de
saúde pública ainda é escassa em textos sobre prevalência
dos fatores de risco para as DCNTs 4. O que há
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disponível, na maioria das vezes, são informações para
algumas cidades, não podendo-se comparar os resultados
devido às diferenças nos instrumentos de coleta
utilizados. Este estudo teve por objetivo conhecer a
prevalência da exposição da população aos principais
fatores de risco para o desenvolvimento de DCNTs no
Brasil.
METODOLOGIA
Uma revisão sistemática da literatura foi realizada
no mês de novembro de 2008 a partir das bases de
dados on-line Lilacs (Literatura Latino-Americana e do
Caribe em Ciências da Saúde) e Medline (Literatura
Internacional em Ciências da Saúde), no período de
2003 a 2008. Foram utilizadas as seguintes palavraschave (em português e inglês): prevalência de fatores de
risco, doença crônica não transmissível e Brasil. Essas
bases foram acessadas por meio da Biblioteca Virtual
em Saúde Pública da Bireme/OPAS/OMS (http://
www.bvs.br). A revisão foi ampliada por meio da busca
a referências bibliográficas dos estudos relevantes,
solicitação de estudos publicados a especialistas e busca
em outras fontes. Não houve limite com relação à idade
das populações estudadas.
Foram selecionados somente artigos publicados em
periódicos científicos e que preenchiam os seguintes
critérios: ser um estudo transversal, ter sido realizado no
Brasil, conter informações sobre a prevalência de pelo
menos um dos seguintes fatores de risco para as DCNTs:
alimentação, atividade física, consumo de cigarros e de
bebidas alcoólicas, obesidade e autorreferência a
diagnóstico médico de hipertensão arterial e diabetes
mellitus, entre outros quesitos. Foram excluídos os artigos
sem resumo e as duplicidades. Um total de 12 artigos foi
selecionado atendendo a esses critérios.
RESULTADOS
Os dados descritivos dos métodos utilizados nos
estudos transversais sobre fatores de risco para DCNTs
publicados no Brasil, entre 2003-2008, como: nome dos
autores; localidade; ano de realização do estudo; tipo de
amostragem; número de participantes; faixa etária;
material de cada estudo; isto é, se o inquérito foi
domiciliar ou telefônico; e a qual a bibliografia de base
para elaboração do instrumento usado na coleta de dados,
são apresentados na tabela 15-16. Observa-se que apenas
dois estudos 8,10 não fazem referência aos seus
instrumentos, descrevendo apenas as variáveis
pesquisadas. É importante observar que há diferenças
metodológicas entre os estudos com relação aos seguintes
Fatores de Risco para DCNTs: Rev. Sistemática
aspectos: representatividade da amostra e faixa etária da
população entrevistada. Dos 12 estudos analisados, seis
foram realizados por meio telefônico e utilizaram
delineamento transversal de base populacional, baseandose em amostra probabilística da população adulta residente
em domicílios servidos por linhas fixas de telefone.
No Quadro 1, é apresentada uma síntese dos estudos
que analisaram a presença de um ou mais fatores de
risco para DCNTs no território nacional. Com relação
à análise das características sociodemográficas, as
variáveis sexo e idade estiveram presentes em 100%
dos estudos e a variável escolaridade, em 90,9%. O
índice de massa corporal (IMC) - obesidade, excesso
de peso - e dislipidemia apareceram como os fatores de
risco mais investigados, seguidos do tabagismo,
hipertensão arterial referida, diabetes mellitus, atividade
física, consumo excessivo de álcool e consumo de frutas,
verduras e hortaliças.
Tabela 1. Dados descritivos dos métodos utilizados nos estudos transversais sobre fatores de risco para DCNTs, Brasil, 2003-2008
Revista Brasileira de Cancerologia 2009; 55(4): 379-388
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Quadro 1. Principais fatores de risco investigados nos estudos
transversais selecionados, Brasil 2003-2008
As Tabelas 2A e 2B comparam as prevalências dos
diferentes fatores encontrados nos estudos selecionados.
A prevalência de fumantes variou de 8,7%14 a 19,3%11
entre as mulheres e entre os homens de 15,1%14 a
24,8%11. Já a prevalência de consumo excessivo de álcool
em mulheres esteve entre 0,1% 11 e 14,4% 14 e nos
homens entre 3,5% 7 a 37,7% 14. Por outro lado, a
prevalência de excesso de peso entre as mulheres oscilou
de 1,5%7 a 52,0%10 e entre os homens de 7,7%7 a
47,0%10,12. Além disso, a prevalência de sedentarismo
em mulheres esteve entre 20,1%12 a 58,2%11 e nos
homens entre 33,9% 9 e 43,1% 11 . A prevalência de
hipertensão arterial variou de 5,3%7 a 30,0%10 entre as
mulheres e entre os homens de 10,9%15 a 34,0%10.
DISCUSSÃO
Atualmente as DCNTs representam uma grande
preocupação na área da Saúde Pública. Para que seja
possível monitorar os comportamentos de risco que
382 Revista Brasileira de Cancerologia 2009; 55(4): 379-388
levam a população a desenvolver DCNTs é preciso que se
tenha o conhecimento do perfil de exposição populacional
aos seus fatores de risco, ou seja, do seu estilo de vida. O
presente estudo dedicou-se à revisão sistemática da literatura
científica sobre estudos transversais populacionais
realizados no Brasil que apresentavam a prevalência dos
fatores de risco para as DCNTs. Os artigos encontrados
referiam-se à avaliação de algum dos seguintes fatores de
risco: consumo abusivo de álcool; ser tabagista; sobrepeso;
excesso de peso e obesidade (definidos a partir do IMC);
circunferência da cintura; inatividade física; frequência do
consumo de frutas, legumes e verduras; ter diabetes mellitus;
hipertensão arterial; e dislipidemia. Entretanto nota-se que,
embora alguns estudos tenham descrito no item
"questionário" a presença da variável que avalia
dislipidemia, esta informação não aparece nos resultados
publicados.
Observou-se que os estudos transversais brasileiros
sobre fatores de risco para DCNTs são recentes e em
pequeno número, com resultados, pelo menos, para todas
as capitais brasileiras e o Distrito Federal (DF). A
maioria dos estudos concentra-se na região Sudeste do
País. Apenas um estudo apresentou resultados para as
capitais dos 26 Estados brasileiros e o DF12, mesmo
assim com algumas limitações por ser um inquérito
telefônico. Estudos individuais de base populacional
sobre prevalência dos fatores de risco para DCNTs já
foram realizados em cidades tão populosas como São
Paulo e de menor porte como Campos dos Goytacazes,
no Estado do Rio de Janeiro. Como esses dados estão
publicados de modo não uniforme, isso dificulta
comparações entre os estudos.
A prevalência de tabagismo para o Brasil, 16,2%12,
caiu se comparada com aquela observada na Pesquisa
Nacional de Saúde e Nutrição realizada em 1989 pelo
Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE)24:
30,2%. Embora as metodologias desses estudos não
sejam comparáveis, os resultados apontam para uma
expressiva redução nos percentuais.
O consumo abusivo de álcool ocasiona consequências
negativas para a saúde e a qualidade de vida dos indivíduos
(0,1% a 37,7%). Com relação à prevalência desse
comportamento, há grandes diferenças entre as cidades.
Isso se deve ao fato de não ter sido usado um questionário
padronizado para esse importante fator de risco.
No que se refere à prevalência de excesso de peso,
os resultados ficaram entre 40% e 50%, na maioria dos
estudos. Estes dados se aproximam pelo fato de haver
um consenso no que diz respeito à padronização do
cálculo do IMC.
Hipertensão arterial também apresentou diferenças
importantes (5,3% a 34,0%), mas explicáveis pelo ponto
Fatores de Risco para DCNTs: Rev. Sistemática
Tabela 2A. Prevalência dos fatores de risco para DCNTs encontrados nos estudos transversais selecionados, Brasil 2003-2008
T=Total; H=Homens; M=Mulheres
Revista Brasileira de Cancerologia 2009; 55(4): 379-388
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Casado L,Vianna LM, Thuler LCS
Tabela 2A. (cont.)
T=Total; H=Homens; M=Mulheres
de corte que mudou nos últimos anos, de acordo com a
Classificação de Pressão Arterial de 2004 da Sociedade
Brasileira de Hipertensão25. Esse fato influenciou a baixa
prevalência em algumas cidades, em função do ano de
coleta de dados. Isto foi observado no resultado de Souza
et al.6, que se baseou nos critérios definidos pelo VI
Joint National Committee, de 1997.
A prevalência de sedentarismo também variou muito
entre os estudos, mas o resultado para Brasil, 29,2%12,
apesar de ainda preocupar, aponta um decréscimo se
comparado com os outros estudos isolados e a valores
observados em diferentes países. Isso se deve ao
indicador gerado em cada estudo: atividade física de
lazer, dias por semana com atividade física no lazer (pelo
menos 30 minutos)11,15, atividade física ocupacional15,
atividade física no deslocamento11,15, atividade física na
limpeza15, fisicamente inativos (sem prática de qualquer
atividade física no lazer nos últimos três meses e que
não realizam esforços físicos intensos no trabalho, não
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se deslocam para o trabalho caminhando ou de bicicleta
e não são responsáveis pela limpeza pesada de suas
casas)11 e sedentarismo11,15.
O consumo de frutas, verduras e hortaliças apresentou
diferenças relevantes entre as localidades analisadas.
Entretanto é preciso entender como foi construído o
indicador que variou muito na sua forma de apresentação:
consumo regular14, consumo diário13, consumo em cinco
ou mais dias na semana9,11, baixo consumo diário10,
ingestão inferior a cinco porções por dia16.
Por sua vez, diabetes mellitus e dislipidemia também
apresentaram resultados que podem ter sido
influenciados pelo ponto de corte definido pelas
Diretrizes Brasileiras sobre Dislipidemias e Diretriz de
Prevenção de Aterosclerose do Departamento de
Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia17.
Nessa revisão ficam claras ainda as diferenças com
relação aos instrumentos de coleta utilizados, o que
prejudica a comparação entre as localidades. Foi observado
Fatores de Risco para DCNTs: Rev. Sistemática
Tabela 2B. Prevalência dos fatores de risco para DCNTs encontrados nos estudos transversais selecionados, Brasil 2003-2008
T=Total; H=Homens; M=Mulheres
que alguns autores relatam a fonte dos seus questionários,
ou seja, a base bibliográfica usada para a construção do
instrumento utilizado para a coleta dos dados, enquanto
outros apenas descrevem as variáveis usadas.
Por outro lado, a principal limitação das entrevistas
telefônicas diz respeito à exclusão de indivíduos que
moram em domicílios sem telefone fixo. No Brasil,
apesar do crescimento da rede de telefonia fixa nos
últimos anos, sabe-se que ainda não é universal e
igualitária, podendo ser particularmente baixa em
cidades economicamente menos desenvolvidas e nos
Estados com menor índice socioeconômico. Segundo
dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF),
realizada pelo IBGE, entre 2002 e 2003, 66,4% do
conjunto dos domicílios das 27 capitais declararam
despesa com serviço de telefonia fixa, variando de
33,7% em Macapá a 79,4% no DF. O Vigitel, apesar
dessas limitações, vem estabelecendo uma série temporal
de medidas de prevalência que têm permitido a
padronização e a comparabilidade dos dados.
CONCLUSÃO
Conclui-se que a variação nos percentuais de
exposição populacional aos fatores de risco para as
DCNTs presentes nos diversos grupos populacionais
aponta para a necessidade de padronização dos
instrumentos de coleta de dados para que se possam
comparar as prevalências encontradas nos diferentes
inquéritos (comparação entre localidades) e em diferentes
ocasiões (comparação temporal). Além disso, as altas
prevalências obtidas nos estudos realizados indicam a
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necessidade de intervenções, visando à implementação
de estratégias de prevenção e promoção da saúde para
melhorar o perfil dos brasileiros no que diz respeito à
exposição aos fatores de risco para as DCNTs.
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Casado L,Vianna LM, Thuler LCS
Abstract
In Brazil, due to changes in population demographic, epidemiological and nutritional profiles as well as the
control achieved in a number of communicable diseases, in recent decades an inversion in the epidemiological
profile, with a decrease in infectious diseases and a surge in the prevalence of Non Communicable Diseases
(NCDs). There is therefore a need to study social determinants and risk factors for chronic and degenerative
diseases in the country. The present study intended to assess the prevalence of exposure to major risk factors for
NCDs of the Brazilian population. Systematic review of articles in Portuguese published between 2003 to 2008
in the scientific literature, identified through the online databases Latin American and Caribbean Health Sciences
Literature (Lilacs) and International Health Sciences Literature (Medline) was done. Prevalence of risk factor
exposure varied according to defined criteria and characteristics of the studied population. The following minimum
and maximum prevalence values for each studied risk factor were found: smoking 8.7% to 28.8%, alcohol
abuse 0.1% to 37.7%, excess weight 1.5% to 49.0%, obesity 9.4% to 17.6%, physical inactivity 20.1% to
43.1%, hypertension 5.3% to 34.0%, and diabetes mellitus 2.7% to 7.8%. Variation in the degree of exposure
to risk factors for NCDs in the population identified in the various studies points out the need to standardize
measurement tools so that results from different sites can be compared. Moreover, the high prevalence of
exposure to risk factors observed in some regions suggests that immediate responses by means of implementing
strategies for prevention and healthcare promotion are necessary to reduce the Brazilian population exposure to
risk factors associated to chronic diseases development.
Key words: Chronic Disease; Risk Factors; Prevalence; Morbidity Surveys; Cross-Sectional Studies; Brazil
Resumen
En Brasil, debido a cambios en los perfiles demográficos, epidemiológicos y nutricionales de la población y al
control logrado en una serie de enfermedades transmisibles, se ha observado en las últimas décadas un cambio
del perfil epidemiológico de la reducción de las enfermedades infecciosas y lo aumento significativo en la
prevalencia de las enfermedades crónicas no transmisibles (ECNT). Este cambio justifica lo estudio de los
factores de riesgo y determinantes sociales de las enfermedades crónico-degenerativas en el país. Este trabajo
tuvo como objetivo conocer la prevalencia de la exposición de la población a los principales factores de riesgo
para el desarrollo de las ECNT en Brasil. Se realizó una revisión sistemática de los artículos publicados en la
literatura científica, a partir de las bases de datos online Lilacs y Medline, entre 2003 y 2008, en portugués. Las
tasas de prevalencia variaron según los criterios utilizados y las características de las poblaciones estudiadas, y
se obtuvo los siguientes valores mínimos y máximos para cada uno de los factores de riesgo analizados: consumo
de tabaco 8,7% a 28,8%, abuso de alcohol 0,1% a 37,7%, sobrepeso 1,5% a 49,0%, obesidad 9,4% al 17,6%,
sedentarismo 20,1% a 43,1%, hipertensión arterial 5,3% a 34, 0%, diabetes mellitus 2,7% a 7,8%. La variación
en el grado de exposición de la población a los factores de riesgo presentes en los diversos estudios apunta para
la necesidad de la estandarización de los instrumentos de medición, de modo que los resultados obtenidos en las
diferentes localidades se puedan comparar. Además, la alta prevalencia observada en algunas zonas indica la
necesidad de intervención inmediata a través de la aplicación de estrategias de prevención y promoción de la
salud, dirigidas a reducir la exposición de la población brasileña a los factores asociados al riesgo del desarrollo
de las ECNT.
Palabras clave: Enfermedad Crónica; Factores de Riesgo; Prevalencia; Encuestas de Morbilidad; Estudios
Transversales; Brasil
388 Revista Brasileira de Cancerologia 2009; 55(4): 379-388
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Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis no