A ESCOLA INCLUSIVA EM TEMPO INTEGRAL: uma discussão necessária para o
processo ensino-aprendizagem 1
Juliana Kochhann 2
“A inclusão social constitui, então, um processo bilateral, no qual as pessoas,
ainda excluídas da sociedade, buscam em parceria, equaci onar problemas, decidir
sobre soluções e efetivar equiparaç ão de oportunidades para todos.”
Sassaki
RESUMO: O presente artigo visa discursar sobre a escola inclusiva que se apresenta em tempo
integral, sendo esta necessária mediante a condição do sistema capitalista. Apresentando os
conceitos básicos para sua compreensão, visto que a mesma é um desafio aos educadores que
vislumbram novos horizontes no processo ensino -aprendizagem.
PALAVRAS-CHAVE: Escola em Tempo Integral. Inclusão Social. Aprendizagem.
I SUMMARIZE: The present article seeks to make speeches on the inclusive school that
he/she comes in integral time, being this necessary one by the condition of the capitalist system.
Presenting the basic concepts for your understanding, because the same is a challenge to the
educators that shimmer new horizons in the process teaching -learning.
WORD-KEY: School in Integral Time. Social inclusion. Learning.
INTRODUÇÃO
Para ser possível uma análise sobre a temática em questão, inicialmente será necessár io
uma discussão epistemológica no que tange a alguns conceitos básicos, além de uma
apresentação panorâmica sobre a influência do sistema capitalista, no sentido da implantação e
ampliação de projetos que visem à educação integral e/ou escola em tempo int egral.
A escola inclusiva em tempo integral prepara as crianças para atuarem no presente, de
forma ativa, participativa e competente. Queremos que nossos educandos atuem na sociedade e
imprimam a sua marca histórica no mundo. Não é por acaso, que a escola acredita em
construção de conhecimentos e desenvolvimentos cognitivos, afetivos, emocionais, sociais, etc.
aceitar as diversas inteligências, as diferenças individuais, o potencial e a história de cada ser é
tão importante para a equip e pedagógica quanto á seleção de conteúdos a serem trabalhados,
bem como o bem-estar dos seus educandos e satisfação integral das suas famílias.
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Artigo elaborado para apreciação pela PAIDOS com intuito de publicação. O mesmo faz pa rte da monografia de
especialização em Psicopedagogia pela FMB, defendida em 2008, contudo sofrendo algumas alterações
apropriando o mesmo para a análise.
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Formada em Normal Superior pela FMB, especialista em Psicopedagogia pela FMB. Docente da Educação
Básica no município de Cachoeira de Goiás. Coordenadora Pedagógica do Centro Educacional Municipal Gente
Miúda. Contatos: (64) 3676 1105 9935 1450 e -mail: koh.hann@hotmail.com
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Um caminho para estudos futuros seria a situação do educador diante das escolas
inclusivas em tempo integral e as práticas educati vas que o envolvem ao ter como objetivo a
educação do todo do sujeito histórico e seu desenvolvimento a cada dia, em toda parte nas
nossas cidades, uma educação se inventa e alternativas educacionais são experimentadas: em
centros de educação e cultura; em escolas e creches comunitárias; em programas e projetos de
educação popular, desenvolvidos por organizações de serviços às populações vulneráveis, por
centros e escolas de formação de educadores, por ONGs que acompanham e prestam assessoria
a organizações de base. Mas esta educação também pode acontecer como de fato tem
acontecido em programas e projetos de educação promovidos por órgãos públicos.
A criação da escola inclusiva em tempo integral é uma forma que se apresenta como
podendo ser a solução de mu itos problemas familiares. Percebe -se como uma das oportunidades
de reconstruir a história dramática da população excluída, a alternativa da escola em tempo
integral, atingindo o campo intelectual, emocional ou científico do humano, não interessado
apenas na profissionalização do mesmo, mas sim que possa promover os dois lados da
Educação Integral.
ESCOLA INCLUSIVA EM TEMPO INTEGRAL: conceitos básicos e sua análise perante
o sistema capitalista
Discutir escola inclusiva em tempo integral perpassa pela q uestão de uma discussão
epistemológica, pois é preciso esclarecer alguns conceitos básicos. Dessa forma, o termo
integral precisa ser conceituado. Há dois sentidos básicos para este termo em relação à escola.
O primeiro refere-se ao colégio que educa integ ralmente o educando, em aspectos religiosos,
emoções, saúde e valores que em princípios, são também a família.
Entre os caminhos explicativos para o conceito de educação integral pode -se registrar
uma perspectiva humanista que focaliza o sujeito. Para os que se referenciam neste ângulo de
análise, a educação inclusiva e integral supõe o desenvolvimento de todas as potencialidades
humanas com equilíbrio entre os aspectos cognitivos, afetivos, psicomotores e sociais.
Considera-se aí que, apesar da prepond erância eventual de um dos aspectos, o homem é uno,
integral e não pode evoluir plenamente senão pela conjunção de suas capacidades globalmente
compreensivas do ser humano e sua integralidade, em suas múltiplas relações, dimensões e
saberes, reconhecendo-o em sua singularidade e universalidade.
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Cabe aqui ressaltar a idéia de uma educação inclusiva e integral, no sentido que focaliza
o sujeito em todos os aspectos, que já era idealizado pela pedagogia da Paidéia na Grécia e pela
Humanitas em Roma, no período da Antiguidade Clássica. Na visão da autora Aranha (1993), a
Paidéia visava a formação do homem como um todo, na sensibilidade, no emocional, no
intelectual e no espiritual, enquanto que a Humanitas era a tradução da Paidéia. Concordando
com a autora citada, Gadotti (1981, p.30) afirma que Paidéia era
[...] uma educação integral, que consistia na integração entre a cultura da sociedade e
a criação individual de outra cultura numa influência recíproca. [...]. A educação do
homem integral consistia na form ação do corpo pela ginástica, na da mente pela
filosofia e pelas ciências, e na da moral e dos sentimentos pela música e pelas artes.
O segundo conceito básico, diz respeito ao tempo diário de permanência, com a jornada
de 8 horas. É claro que os dois co nceitos se sobrepõem, pois, quanto mais tempo o aluno
permanece na escola, mais fácil é educá -lo em todos os aspectos da vida, formando -a um ser
humano capaz de pensar, agir, estar apto a trabalhar e buscar seus objetivos. Assim, é possível
dizer que o aluno que estuda na escola inclusiva em tempo integral, tem maior possibilidade de
alcançar uma educação integral. A escola inclusiva em tempo integral tem como objetivo
desenvolver um trabalho, em que o sujeito é responsável pela construção de seus
conhecimentos, através da interação com o meio físico, social e cultural, a partir do tempo
maior dedicado a essa construção.
Perante estudos realizados pode -se dizer que na escola inclusiva em tempo integral o
aluno pode possuir maiores oportunidades do que em uma escola normal, pois poderá
proporcionar o desenvolvimento em várias habilidades e os direitos de cidadania das crianças,
oportunizando ao educando a condição de vivenciar opções diversas, as quais são limitadas em
uma escola convencional, pelo espaço de t empo que os alunos experiênciam na escola. A escola
inclusiva em tempo integral também oferece oportunidades de presenciar meios de vida
diferentes aos quais estão acostumados, pois todos os seres vivos agem e reagem em seu meio.
De quem será o interesse p ara com um cidadão reflexivo, consciente, leitor, crítico,
politizado, integrado, que seja capaz de questionar e transformar? Na realidade, existe um
interesse de mercado em se ter um trabalhador mais qualificado, capaz de gerar mais qualidade
na produção e serviços, assegurando a eficácia. Para se alcançar esse objetivo é necessária
parceria entre escola, família e demais interessados, pois
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[...] descobrir e cultivar os talentos é uma tarefa que não cabe somente à escola. O
papel da família e da sociedade é fazer com que as possibilidades do aluno funcione
como suporte e complemento dos esforços da escola. Quando as organizações não
governamentais (ONGs) podem desempenhar um papel decisivo ajudando as
comunidades a assumir suas responsabilidades sociais. (U NESCO, 2001, p. 214)
A escola isolada de outros interventores sociais, no caso ONGs, não é capaz de
assegurar um crescimento com equidade, com condições de diminuir os efeitos da pobreza e
promover a justiça em prol da consolidação da democracia, da convi vência social, assim como
para apoiar o desenvolvimento do país. Sendo assim, é preciso uma educação com qualidade,
que possa contribuir e diminuir os í ndices de repetência, distorção de idade-série no ensino
fundamental, contribuindo, então com uma invers ão da situação que se vive nas escolas
convencionais hoje.
Procura-se valorizar, ainda, na escola inclusiva em tempo integral, a forma como a
criança se sente em relação a si, sendo de suma importância para o fortalecimento da sua
autoconfiança, que signif ica o grau de valorização pessoal em que se encontra. Valorizam-se
muito quando o ser humano faz a auto -apreensão, através do conhecimento de si mesmo,
chamado por Pestalozzi de percepção interior. Nessa visão a descoberta, e desenvolvimento das
potencialidades do indivíduo só efetivam -se numa proposta integral, porque , segundo Incontri
(1997, p. 102)
[...] o caráter da percepção integral está nos planos sensorial, afetivo, moral e
intelectual. Pondo em ação os sentidos físicos, naturalmente o sujeito toma
consciência de seu corpo, de suas capacidades físicas sendo amado e amando, tendo
acesso ao seu ser moral e representando as sensações físicas e os sentimentos da alma,
compreendendo-as, relacionando-as comparando-as, vê-se como razão, inteligência
Assim, o ser humano entende -se a si mesmo, tem a capacidade de compreender a sua
ordem,
mesmo
que seja
de
uma
maneira
fragmentada.
Daí
a
necessidade
da
interdisciplinaridade nas exper iências vivenciadas no período em tempo integral. Quando se
aborda o termo interdisciplinaridade se faz necessário conceituá -lo. Para Fazenda (1999, p. 17)
“O pensar interdisciplinar parte do princípio de que nenhuma forma de conhecimento é em si
mesma racional. Tenta, pois, o diálogo com outras formas de conhecimento, deixando -se
interpenetrar por elas. [...] não se ensina, nem se aprende, vive -se, exerce-se.”.
Visto que o professor tenha conhecimento do processo interdisciplinar e um projeto que
viabilize esta prática, ocorre a possibilidade de uma educação integral nas escolas em tempo
integral. A escola em tempo integral precisa construir seu projeto pedagógico de maneira muito
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ampla incluindo as idéias de descobrir, inventar, criar sendo que aquilo que se faz é tão
importante quanto o como e o porquê fazer: a ação se dá no senti do de compreender, atribuir
um sentido, que está na dependência das estruturas que organizam o encaminhamento
metodológico. Segundo Nildecoff (1979, p. 72)
[...] ao trabalhar corretamente com o problema das subculturas, o professor procura
captar toda a riqueza que as crianças trazem, para de fato aprender com elas. Portanto,
não se relaciona com as crianças como se fosse o único que tem algo a ensinar, nem
vê as crianças como seres nulos que devem aprender tudo, ao contrário, sabe que ele e
as crianças têm que relacionar-se dentro de um mútuo intercâmbio de ensinar
aprender[...] cada povo tem sua cultura e nenhum povo tem menos cultura que outro.
A nossa é um presente que lhes é trazido. Um pouco de vida é frieza dos seus livros
escritos por gente que só le u livros.
Com o surgimento da LDB Lei nº 9394/96 e logo após os PPS – Planos Pedagógicos nos
quais a perspectiva educacional voltou -se para o desenvolvimento das capacidades dos
educandos, desenvolvimentos de suas habilidades, tornando o ensino não mais apenas com a
visão profissionalizante, mas sim com propostas que possa desenvolver o educando um todo,
percebendo o como sujeito histórico, com necessidades diversas bem como amplas.
A escola inclusiva em tempo integral organiza -se para proporcionar ao ind ivíduo as
possibilidades sem discriminação de condição social, credo ou raça, garantindo os direitos da
criança e adolescente conforme o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Essa
organização tornou-se possível com a escola integral. Com o projeto de Lei 722/02, que institui
a escola pública em período integral para a educação infantil e ensino fundamental em todo o
Brasil, possibilita diminuir a exclusão das crianças e adolescentes que já são descriminados pela
condição social do próprio berço em que nasceram.
Pode-se na escola inclusiva em tempo integral encontrar a forma de impedir o trabalho
infantil, contribuir para que os alunos não sejam atraídos pela delinqüência infantil e pelo
mundo do crime precocemente, bem como na idade adulta. Pois nas r uas se encontram à mercê
de muitos exploradores, os quais ficam a espera das crianças e adolescentes que encontram em
situação de risco. O novo panorama legal reafirma a centralidade da educação básica. O direito
universal à educação indica também a garant ia de uma “educação de qualidade para todos”. Isso
não significa, entretanto a homogeneização de currículos, mas a necessidade de assegurar uma
aprendizagem qualificada que não elimine as diferenças, a diversidade cultural e regional.
Em harmonia com as indicações dos fóruns internacionais, a LDB e o Plano Nacional de
Educação ampliam o conceito de educação incorporando a família, as organizações da
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comunidade e outros setores sociais como responsáveis pela satisfação das necessidades básicas
de aprendizagem. O desafio dos novos tempos é da construção de novas estruturas que
sustentarão os sistemas educacionais, articulando na prática a malha de serviços e projetos
necessários para garantir que a criança e o jovem possam desenvolver -se integralmente. É claro
que para isso, quanto mais tempo ela passa na escola, maiores chances ele terá.
Como o Estado tem tido dificuldades de penetrar nas microesferas da sociedade, a
efetivação das políticas públicas vai -se encontrando mediadores sociais nas diferentes
organizações da sociedade civil, desse modo, a criação de projetos educativos complementares
à escola vem surgindo como resposta de atendimento da própria comunidade às necessidades de
aprendizagem e de proteção social de suas crianças e jovens.
Um novo modelo de ações públicas na área vem sendo experimentado na articulação
entre escola e as ONGs – Organizações não governamentais - embora essa relação se construa
com muitas dificuldades e resistências de parte a parte. As organizações sociais ao pensar em
escola inclusiva em tempo integral mobilizaram-se na direção das questões curriculares com o
propósito de melhorar o desenvolvimento das crianças, uma vez que na maioria das entidades
preocupava-se com a formação para o trabalho e isso já não era mais importante, pois se
começa a pensar primeiro no desenvolvimento geral do educando.
Segundo o Fórum Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil, criado em 1994, foram
estabelecidas políticas de combate à prática do trabalho infantil. A legislação, por si só, não
pode impedir o trabalho infantil. Porém, pode ser o começo para a aplicação de um conjunto de
medidas, frente às quais entidades e ONGs organizam-se para auxiliar na educação das crianças
e adolescentes, pois a solução estaria na educação fundamental garantind o escolas de qualidade
para receber essas crianças, que ofereçam atividades culturais, esportivas e educativas. Várias
instituições que atuam em uma linha complementar à escola, desenvolvendo atividades
esportivas, culturais, apoio escolar e lazer, vêm pri orizando a convivência social, a cidadania e
os processos psicossociais como forma de amenizar e/ou intervir no processo de exclusão social
prevalecente em uma parcela significativa da população brasileira.
A ênfase nas ações voltadas para a redução do n úmero de crianças que deixam a escola
ou são reprovadas soma-se a emergência de atendimento daquelas ainda mais prejudicadas
pelas conseqüências da pobreza, pelo trabalho infantil e por outras mazelas. No espaço das
organizações da sociedade civil, muitas crianças e jovens encontram condições para construir
alternativas de inclusão, o que significa acessar recursos que propiciem um patamar de
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dignidade para reivindicar outros direitos, como são os casos das ações de complementação de
renda, muitas das quais acompanhadas pelas ONGs.
Embora existindo ações de caráter meramente assistencialistas, a nova atuação das
ONGs tem sido marcada por um tipo de educação, denominada não -formal, que, valorizando a
aprendizagem em grupos e situações informais, busca dar a devida importância aos valores
culturais do grupo, à singularidade das pessoas, e ao desenvolvimento integral do ser humano.
A possibilidade de se caminhar mais rapidamente para uma escola inclusiva em tempo integral
que vise uma educação integral é també m da articulação de diferentes agências de produção de
aprendizagens-famílias, comunidade, organizações da sociedade civil e escola que leve em
conta as condições existenciais concretas da criança e do jovem e as novas necessidades dessa
população.
A complexidade da sociedade atual exige que se experimentem novas possibilidades na
escola e fora dela, processando e construindo múltiplos sentidos, cujas ações sejam
complementares entre si e integrados pela própria criança ou adolescente . As expectativas estão
voltadas para esse projeto que pode ser um motor importante para vencer o grande desafio do
acesso, permaneciam e sucesso de crianças e adolescentes nas escolas públicas e para a
melhoria da qualidade da aprendizagem. Percebe -se, que a educação deve ser o meio principal
para que os cidadãos busquem a igualdade. Mas a falta de atenção às necessidades sociais no
campo educacional é própria dos primeiros anos do capitalismo, carregados pelos problemas de
condições de trabalhos da população, principalmente de baixa renda, que são os casos do
trabalho infantil e feminino.
Todos estes problemas levaram os socialistas, chamarem a atenção sobre estes aspectos,
a defenderem o “ensino” e a “instrução” como principal instrumento de transformações. A
liberdade dos indivíduos só poderia se dar, se tal emancipação alcançasse todos os níveis, e
entre eles, a “consciência” e somente a educação, a ciência e a extensão do conhecimento, pode
conseguir este objetivo. Sobre esse conceito de liberdade de consciência, Aranha (19 93), alega
que o capitalismo desde sua origem tende a fazer com que as pessoas se alienem, tanto no
trabalho, como no lazer, no consumo e até na consciência.
Numa sociedade como a brasileira, em que se encontram desigualdades e iniqüidade
sociais, com a mudança e agitação acelerada, sacudida por movimentos e forças econômicas e
sociais que não se pode controlar, está claro que a mais elementar prudência seria criar projetos
que pudessem auxiliar na educação de um povo desprovido de expectativas, uma vez qu e as
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crianças e adolescentes são excluídos pela situação social que se encontram, seja por falta de
conhecimento de seus direitos seja por alienação de consciência. Mas, convém lembrar, que
segundo Aranha (1993, p. 6 ) “Ao mesmo tempo, o que parece ser sua fragilidade é justamente a
característica humana mais perfeita e mais nobre: a capacidade do homem de prod uzir sua
própria história.”. Fica clara a emergência qu e uma escola de esfera pública promova a
elaboração de projetos para a inclusão social, aqui re ssaltado como o projeto de escola inclusiva
em tempo integral.
O projeto integral tem por sua finalidade dar continuidade à educação, atendendo
crianças e adolescentes de Ensino Fundamental, visando atender as necessidades do educando e
da sociedade, oportunizando formação necessária a evolução do sujeito, estimulando o processo
de suas potencialidades como elemento de auto -realização e preparando-o para o exercício
consciente da cidadania, com incentivo a expressão livre espontânea do pensamento, a pesqui sa,
ao resgate de nossa cultura, da globalidade do conhec imento e do saber. Promovendo assim, a
capacidade de aprender, possibilitando o seu desenvolvimento global, envolvendo o aspecto
psicológico, sócio-cultural e cognitivo, dentro de um processo de soci alização e interação com o
meio que o cerca.
Conforme o capítulo IV, art. 53, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), página
n° 09, Lei 8.069, “A criança e adolescente têm direito à educação, visando ao pleno
desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania [...]” Visa acompanhar as
crianças e os adolescentes em suas respectivas famílias, esclarecendo sobre a importância do
convívio familiar e o acesso efetivo à escola pública. Em qualquer situação e em qualquer tipo
de instituição – governamental ou não, os desafios de fazer da educação a melhoria do povo
acaba sendo a expectativa do sistema capitalista, pois este precisa de alguns homens críticos
para governar e de muitos homens aptos a trabalhar.
Isso justifica as várias verte ntes para o tema ensino, que estabelece uma separação
igualmente fundamental e básica entre os tipos de atividades e os tipos de aprendizagem
estendida em uma divisão social e técnica que interfere no desenvolvimento do cidadão e
estabelece o ponto chave d esse desenvolvimento que se produz a exploração dos trabalhadores.
Sabem-se a partir do momento em que foi incorporado o desenvolvimento da ciência e das
máquinas, os trabalhadores se viram obrigados a buscarem novos conhecimentos. Antes o
trabalho simples, não exigia do operário nenhum esforço de pensamento, agora ele se vê diante
da exploração dos meios produtivos e da evolução e da cultura conseqüentemente afetando a
parte real da educação e formação dos indivíduos, que para Eboli (2000, p.4) está “longe de
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introduzir um maior nível de cultura, o capitalismo exigiu uma crescente capacidade intelectual
de todos os indivíduos, estendendo o sistema escolar, institucionalizando e aprofundando -o.”
Diante destes acontecimentos o trabalhador se vê perdido, por isso os socialistas tentam
buscar condições, acentuando suas contradições, desenvolvendo suas possibilidades, pois
criticar a atual instituição escolar é transformá -la. A reivindicação ao ensino gratuito e
obrigatório para todas as crianças era de introduzir um ensino de qualidade onde tivesse
condições de unir a teoria à prática. Gaudêncio Frigotto (1999) destaca em seus estudos, que o
sistema capitalista vem acabando ao longo dos anos, pois para ele, as leis da época de Getúlio
Vargas foram criadas confor me a política da época, onde o capitalismo era controlado pelo
mercado que mandava em tudo. Com a grande depressão e a quebra da bolsa de valores de
Nova York, em 1929, houve de um lado a necessidade do capital regular a violência de livre
iniciativa, e de outro, a luta dos trabalhadores pelos seus direitos.
Essa iniciativa tornou-se um marco importante na história brasileira, já que possibilitou a
regularização do capital. Esse processo se prolongou até a década de 1979 e visava criar um
conjunto de leis que garantissem a reprodução da força de trabalho, ou seja, tirou o controle
imediato do capital ou de cada empresário a reprodução da força de trabalho, passando a ser
desenvolvida na esfera pública, proporcionando assim o desenvolvimento dos sistemas
educacionais. Embora Marx e Engels, na visão de Frigotto (1999, p. 35), “não tenham efetivado
uma análise específica da questão educacional, em diferentes momentos criticam a
subordinação da escola ao capital sob as relações capitalista e os mecanismos de man ipular as
conquistas já adquiridas pelos trabalhadores .”.
Visto que as leis de trabalho fazem parte de um contexto histórico autoritário, em que
cabe o estado capitalista garantir minimamente uma legislação permitindo a reprodução da
força de trabalho dentro de determinados parâmetros, tudo se torna possível. Mas, depende da
organização dos trabalhadores fazer isso valer. As leis oferecem uma proteção social ao
trabalhador, mas são leis que ainda mantém o trabalhador brasileiro numa situação menos
favorável do que a do trabalhador do capitalismo avançado, ou seja, escola disciplinadora e
amestradora para os filhos dos trabalhadores e, escolas formativas para os filhos das classes
dirigentes. Nos países desenvolvidos as crianças têm pelo menos seis horas de aula por dia; no
Brasil a jornada normal é de quatro horas, muitas escolas não superam três horas.
É chegada a hora de expandir a universalização da educação inclusiva em tempo integral
em todas as esferas públicas: redes municipais, estaduais e federais. É defendida pelo menos a
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ampliação para um mínimo de seis horas diárias com alimentação e descansos para os alunos
em horas estabelecidas conjuntamente com a comunidade local. E que essa proposta seja
estendida em todas as unidades escolares em geral. Sem dúvida, esse projeto demanda recursos
tanto financeiros como humanos que precisam de orçamentos e disponibilidade, uma revisão de
todas as estruturas das escolas, carga horária de professores etc. por isso, a implantação deve ser
gradual e paulatinamente.
A educação tem um importante papel na transformação da sociedade brasileira. Para que
isso ocorra, muitos trabalhos de base social são realizados, como os debates sobre a escola sem
fronteiras, democratizando o acesso ao conhecimento á todas as classes. Es se processo move-se
lentamente, mas compromete -se com os direitos humanos. A ótica de Frigotto (1999) sobre a
educação propõe um enfoque que vai além de ensinar ao cidadão técnica pela técnica. Também
propõe o desenvolvimento do ser social como um todo, um a vez que já na indústria procura
homem capaz de vencer seus desafios, visando a excelência.
Para maximizar a produção e que tenham condições de desenvolver melhor suas
características, de acordo com o emprego em que deseja atuar, bem como, desempenhar su as
atividades com o maior número de horas possíveis. Foi pela exigência da própria empresa e do
sistema capitalista que o cidadão precisa se especializar e cada vez mais precisa atuar para
garantir o mínimo de dignidade a sua família, e conseguintemente, s e especializando a cada dia
para que possa estar participando da concorrência no mercado de trabalho que cada ano exige
mais das pessoas.
Através da educação controladora reforçam -se os conceitos de controle social, sob a
visão das classes que possuem o c ontrole do capital, preparando o individuo para continuar
sempre na condição de trabalhador ou de patrão, mantendo as relações de submissão. Os
investimentos na educação das classes consideram-se um dos investimentos mais rentáveis,
pois, é ai que se vê o lucro e o desenvolvimento das nações, onde a concepção educacional
envolve idéias de competência, habilidades, certificações voltadas para o posto de trabalho. O
raciocínio lógico é que para esse capitalismo estar seguro, começa seu movimento preparando o
trabalhador nos conjuntos e competências que o mercado quer.
A sociedade flexibiliza as leis de trabalho fazendo com que não seja o trabalhador
protegido por um contrato coletivo, mas um contrato individual a partir de educação,
contratação e remuneração p or competência, o capital então não precisa de todos os
trabalhadores, aqueles que precisam seriam moldados para tornarem –se produtivos no sentido
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do capital e ainda estarem dispostos a prolongar sua jornada de trabalho, ganhando menos. A
educação deixa de ser um direito, para tornar-se um serviço como qualquer outro.
O Estado passa a garantir este serviço e uma determinada faixa da população,
priorizando a educação fund amental, da primeira a oitava sé rie, podendo prorrogar ate o nível
médio, e mesmo assim sob o ponto de vista os interesses privados. Desta forma, as profundas
desigualdades sociais foram se construindo e a partir do desenvolvimento do capitalismo e um
crescente empobrecimento da mão -de-obra das sociedades, que foi perdendo ao longo do tempo
o exercício de seus direitos fundamentais de participação na aquisição do conhecimento, pois o
conhecimento ficou limitado a quem possuía condições de pagar por curso de qualificações
profissional e assim, a apropriação critica do conhecimento para a transf ormação do seu
contesto social passou a ser constituída por apenas alguns, formando parte da sociedade como
sujeito consciente da realidade e com percepção da situação numa sociedade contraditória.
A educação inclusiva e integral surgiu para suprir a dese strutura familiar que é
provocada pelo avanço das relações capitalistas, que exigem das famílias toda a mão -de-obra
disponível para o mercado; assim a família perdeu as horas de encontro, conversas e
acompanhamento da educação dos filhos, sendo a cada mome nto maior enfoque na busca da
sobrevivência. Buscando meios para suprir as necessidades básicas de toda a família, as
crianças já não podem construir junto com seus pais seus brinquedos e muito menos tem tempo
para brincar, ficando muito exposta à fragilid ade, favorecendo assim os envolvimentos com
gangues, etc. As ações das máquinas nas indústrias limitaram o conhecimento e as condições do
ser humano desenvolver-se, causando o bloqueio de muitos, que hoje não conseguem
desenvolver sua visão de mundo, muito menos das habilidades que necessitam para construir
uma história de vida diferente.
As tentativas da desmistificação do sistema capitalista propõem os trabalhos de jornadas
ampliadas que defendem eliminar socialmente as desigualdades sociais, pela educaçã o
proporcionando a todas as classes sociais os mesmos direitos quanto à educação e o
desenvolvimento integral do educando sendo com mais ênfase a partir da LDB – Lei de
Diretrizes e Bases da Educação, que veio possibilitar maior abertura às escolas, uma ve z que
esta precisa preparar o aluno para a vida seja ela emocional ou profissional. É preciso tomar
cuidado com as belas falas sobre a possibilidade da escola inclusiva em tempo integral
transmitir uma educação integral, pois o sistema capitalista sempre v isa algo além daquilo que
meramente propõe. Esse projeto de escola inclusiva em tempo integral pode ser uma jogada
capitalista.
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ESCOLA INCLUSIVA EM TEMPO INTEGRAL: u m desafio para os educadores que
vislumbram novos horizontes
No século XVIII, já era manif estada a preocupação com o desenvolvimento do ser
humano como um todo. De acordo com a leitura histórica, verifica -se que alguns educadores
apresentam os primeiros indícios com a preparação humana de forma onde a educação os
proporcione desenvolver outras habilidades, sendo que de nada vale um ind ividuo como apenas
repetidor de gestos para acompanhar a evolução que o próprio capitalismo vem exigindo.
Pode-se então questionar, como um adolescente se tornaria um ser adulto desenvolvido
se na sua infância só pode ter acesso ao movimento da máquina sem ampliar suas experiências?
Causando assim dúvida, uma geração de jovem incapazes de executar ativid ades diferenciadas,
sem poder de novas idéias, limitando o próprio país a um povo sem expectativas de vida.
Perante tais afirmações, verifica -se a urgência em trabalhar a educação de forma ampla,
a fim de proporcionar a criança e adolescente à possibilidade de estruturar-se com maior
número de habilidades desenvolvidas, podendo assim, garantir um futuro diferenciado ao nosso
país. Sobre esses aspectos, que se devem organizar as escolas em tempo integral, onde
proporciona a criança e adolescente essas oportunidades de ter alimentos, lazer e formação
integral. Nem sempre as escolas oferecem condições para que as criança s frequentem e se
desenvolvam em condições iguais com as mesmas condições das crianças filhas de pais que
detêm o poder do capital, onde os pais podem pagar visando o processo de desenvolvimento de
seus filhos, proporcionando diferentes cursos que compleme ntem sua formação educacional.
Com base no embasamento teórico pode -se afirmar que a aprendizagem pode ser
prejudicada, por motivos como família desestruturada, fome, drogas, etc. O educador deve estar
em harmonia com as emoções do educando, e trabalhar o repertório emocional, assim buscando
meios ou caminhos para desenvolver mel hor a aprendizagem do educando. A família é de suma
importância na construção da educação de seus filhos, os relacionamentos familiares ajudam no
sucesso da aprendizagem, relacionam entos favoráveis o aprendizado vai ser mais construtivo já
um não favorável prejudica o nível de crescimento e aprendizado do aluno. A educação está
sempre se referindo a um conjunto de valores, como, pensar, sentir, e agir, onde se propõe
vivenciar, refletir e desenvolver, nas pessoas e na sociedade uma prática social.
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Nesta abordagem, focaliza-se um campo de ideias e práticas ocupadas em trabalhar
conhecimentos e valores humanamente necessários, úteis e significativos para seus sujeitos –
educadores e educandos. Pelo menos três valores que fundamentam, alimentam e marcam o
caráter alternativo de práticas educativas, configurando uma educação que se propõe e se dedica
a cultivar o enraizamento cultural, a autonomia e o cuidado. Bem se sabe que como dito pop ular
não ter raízes é não ter lugar no mundo e o desenraizamento é o princípio da exclusão. Muitos
professores deixam transparecer seus anseios na constatação de que a educação desenraizada
tem favorecido o afastamento de nós mesmos.
Tais valores fundam e alimentam uma educação alternativa, particularmente quando é
considerada sua dimensão de formação para o indivíduo.
Para esclarecer a proposta de um desafio para os educadores podemos dizer que a escola
inclusiva integral pretende diminuir a exclusão soc ial, dar direitos a todos de se tornarem seres
humanos capazes de pensar, agir, buscar, ser independentes com liberdade de expressar -se e de
se tornar profissionais de qualidade, que construa a sua autonomia intelectual.
Somente com uma educação sem exclus ão é que o mundo vai para frente, pois é
através da educação, a transformação da realidade de um país que tem tudo para brilhar
cada vez mais, o futuro depende deste sujeito. Um teórico brasileiro que defende essa
idéia é Paulo Freire, dizendo que “De pés no chão também se aprende a ler” (Apud
PILETTI e PILETTI, 1991, p. 226).
Entende-se que para Paulo Freire, as finalidades da educação são sob uma ótica
libertadora, a educação deve estar ligada ao cotidiano do aluno, ligar -se à mudança estrutural da
sociedade opressiva, embora ela não alcance esse objetivo imediatamente, muito menos,
sozinha. Ele defendia que a educação sofre influência do ambiente em que o educando está
inserido, podem surgir efeitos problemáticos, como construtivos. Cada criança vai adqu irir as
informações externas e internas do ambiente em que vive, seu comportamento pode variar, por
isso uma educação bem aprimorada, capaz de envolver e s uprir necessidades das crianças pode
ser a solução para muitos problemas, inclusive ao mercado de tra balho que vai receber pessoas
capacitadas, em acompanhar a evolução das máquinas.
Com o passar do tempo as máquinas foram ocupando seu lugar no mundo, e com isso, as
pessoas tiveram de ir à busca de aprimoramento para saber operá -las. Mas em nível de
sociedade de baixa renda, como essas crianças poderão estar acompanhando a evolução, sendo
excluída, sem direitos a educação igualitária? Com o surgimento das escolas inclusivas
integrais, pode-se estar suprindo essa educação fornecendo direitos iguais, com rec ursos e
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profissionais qualificados podendo prepará -los ao mundo de novas tecnologias, com uma nova
educação que é educação integral, em seus dois sen tidos conceituais, jornada de 8 hs,
determinando direitos iguais para uma nova sociedade, formando um espaço de aprendizagem
total, que envolve aspectos emocionais, sensoriais, motivacionais e intelectuais.
Para desenvolver um estudo sobre Educação Inclusiva e Integral deve -se pensar em
vários aspectos, inclusive o emocional, podendo ser uma causa de não aprendi zagem. Sendo
necessário um olhar diferenciado, depreende -se a noção de que a educação emocional, ou em
outras palavras, o aprendizado emocional necessita urgentemente ser repensado. Analisando
teoricamente as experiências de escolas em tempo integral que j á existiram no Brasil, como os
CIEPs, é identificado que eles ofereciam o atendimento integral às crianças e aos adolescentes e
tinham como principal característica o ensino profissionalizante. O trabalho integrado de
menores visava apenas preparar o alun o para desenvolver o trabalho nas pequenas indústrias,
suprimindo a falta de mão-de-obra barata.
As escolas integrais tinham como cunho pedagógico a tendência tecn icista, onde o papel
da escola funcionava como modeladora do comportamento humano, através de técnicas
específicas. Os conteúdos eram vistos como as informações, princípios e leis numa seqüência
lógica e psicológica por especialistas. O material instrucional encontrava -se sistematizado nos
manuais, nos livros didáticos, etc.; os métodos consistiam na transmissão, recepção de
informações.
A relação professor-aluno tinha um sentido exclusivamente técnico, eficácia da
transmissão e conhecimento. Debates, discussões eram desnecessários. Os pressupostos e as
teorias de aprendizagem que fundamentam a ped agogia tecnicista dizem que aprender é uma
questão de modificação do desempenho. Tratava -se de um ensino diretivo. Essa prática escolar
remonta a segunda metade dos anos 50 (Programa Brasileiro -americano de auxílio ao Ensino
Elementar). É quando a orientaç ão escolanovista cede lugar à tendência tecnicista pelo menos
ao nível oficial, ou seja, os elementos ou capacidades da natureza humana, popularmente, foram
chamados de cabeça e coração. O equilíbrio estava em desenvolver estes aspectos de maneira
total. Criou-se assim, a falsa idéia de que aprender não é algo natural do ser humano, mas que
depende exclusivamente de especialistas e de técnicas.
A função do aluno era reduzida ao indivíduo que reagia aos estímulos de forma a
corresponder às respostas esperad as pela escola. Seus interesses e seu processo particular de
aprendizagem não eram considerados, a atenção que recebia era para ajustar seu ritmo de
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aprendizagem aos programas implantados, essa orientação fora dada às escolas durante os anos
60 e até hoje está presente nos materiais didáticos. O desafio pedagógico é como direcionar a
escola inclusiva do período em tempo integral, como um paradigma de análise construtiva,
satisfazendo o corpo docente em todos os aspectos. Segundo Nildecoff (1978, p. 43)
O desafio pedagógico, que é também metodológico, é sobre tudo codificar, facilitar e
viabilizar o conhecimento abstrato do pensamento científico para sistematizá -lo
respeitando-se a lógica filosófica. Assim sendo, a comunicação e os segmentos
produtivos interagindo saberes com parcerias e formação e preparação docente
direcionam e fortalece a ação pedagógica .
Percebe-se então, que a equipe pedagógica tem que direcionar e serem produtivas nas
metodologias que precisam ser geradas para a formação e preparação do docente. Integrando
um contexto de organização escolar, que vai suprir as necessidades de uma sociedade carente,
lhes dando oportunidades de crescer, vencer, tornarem-se pessoas com dimensões igualitárias.
Entende-se que a qualidade das escolas está diret amente ligada ao projeto pedagógico e as
propostas contidas no projeto, diferenciam as escolas umas das outras, neste todo a estrutura e
funcionamento da instituição deve ser evidenciada. Funcionando como agente facilitador do
processo de mudança e atualiz ação das propostas elaboradas.
A elaboração de materiais didáticos deve levar em consideração e ter como princípio o
desenvolvimento da criança que é o sujeito da aprendizagem e que é capaz de construir
conhecimento a partir da interação com o meio. Os ed ucadores devem ser treinados para
desenvolverem um currículo básico com atividades de animação cultural com estudo dirigido e
educação física, não sendo esquecida ainda a saúde e a biblioteca destas escolas. Dessa forma,
está estabelecido o desafio par a os educadores, muitos embates, mas muitas possibilidades de
trabalho, já que a escola inclusiva em tempo integral visa proporcionar qualidade de educação e
estar junto das crianças e famílias, podendo trocar experiências, construindo uma interação com
o grupo, transformando o indivíduo para atuar no mundo de forma crítica e autônoma.
A partir das análises teóricas realizadas é possível afirmar que o projeto de escola
inclusiva em tempo integral aliada a uma proposta pedagógica que valorize o homem em seus
diversos aspectos venha a ser a saída para o processo de inclusão social. Neste projeto e
proposta, são incentivados o interesse, a colaboração, a curiosidade, o prazer por aprender, a
responsabilidade, a autonomia e , sobretudo, o raciocínio. Os conteúdos são trabalhados através
de projetos desenvolvidos nas diversas áreas de conhecimento, o que leva as crianças a
produzirem culturas com funções sociais práticas e em situações reais.
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Esta proposta visa à integração do homem à ciência natural, não podendo haver
separação entre elas, pois, as relações com a natureza são atividades vitais e que produzem a
vida humana, sendo que a sensibilidade é a parte principal da ciência. Além de garantir mais
tempo de aula, pretende -se assistir integralmente o aluno em suas ne cessidades básicas e
educacionais, reforçando o aproveitamento escolar, a auto -estima e o sentimento de pertencer a
um princípio que vem dando excelentes resultados no Programa Escolar da Família. Com esse
foco, a escola se firma como um espaço de socializ ação, onde o aluno pode experimentar uma
vivência coletiva e desenvolver habilidades segundo suas tendências e aspirações.
Uma possibilidade de ensino em tempo integral pode ser como articulação de
aprendizagem a partir de projetos temáticos, o que para F azenda (1999) é tido por ação
interdisciplinar. Muitas considerações remetem a uma preocupação com a aprendizagem
baseada em vivências, experiências e em uma ação pedagógica organizada por projetos ou
temas geradores. Nesta perspectiva, se dá ênfase ao des envolvimento de áreas ou temas do
conhecimento como eixo de organização para se desenvolver outras competências. Neste caso,
o trabalho, a arte, o esporte, o lazer, a sexualidade, o meio ambiente, a saúde, entre outras, não
são temas transversais, mas ao c ontrário, constituem um projeto que aglutina conhecimento e
estabelece conexão com outras necessidades dos sujeitos.
Destaca-se principalmente uma metodologia participativa que envolve a vida prática
comunitária, voltada para a solução de questões que inqu ietam ou estimulam a vida cotidiana e
que, por isso mesmo, exercem forte motivação e interesse. Os projetos relacionam -se com o
trabalho colaborativo em diversos ambiente de aprendizagem e procuram colocar o aluno como
centro, desenvolvendo sua autonomia. Uma escola com um projeto e proposta desse porte atua
como um espaço sócio-cultural flexível e mediador entre a família, a escola e a comunidade
visando desenvolver globalmente a criança e sua interação com o meio.
Das atividades que ora podem ser sugerida s para o currículo da escola inclusiva em
tempo integral, destacam-se aquelas de orientação de estudos, como leitura e escritas, hora da
leitura, resolução de problemas matemáticos, orientação em pesquisa, práticas nas salas de
informática e de ciências fí sicas e biológicas e atendimentos especializados. As atividades
desportivas vão privilegiar esportes e atletismo, incluindo jogos de xadrez e dama, enquanto no
campo artístico e cultural entram atividades de artes visuais, ciência, dança, música e pintura.
O projeto ou a proposta pode oferecer disciplinas de integração social, educação
ambiental, ética e filosofia, além de várias oficinas a serem desenvolvidas pelas equipes
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pedagógicas. Para se atingir os objetivos de propostas onde envolvam crianças e ado lescentes é
necessário desenvolvê-los em todas as suas habilidades, que os conduzirão ao conhecimento
amplo, e assim podem-se oferecer as oficinas de dança; de ludicidade; de música; da
religiosidade; de apoio pedagógico; de palestras; de higiene bucal; de informática; de
reciclagem; de sexualidade; de teatro; de folclore, entre outros.
Dessa forma, sugestões de práticas pedagógicas que podem viabilizar a educação
inclusiva e integral quando aplicadas nas escolas em tempo integral aparecem aqui como o uso
de laboratórios de matemática, de ciências, de português, de língua inglesa e espanhola, sala de
recursos. Além de esportes como o futsal, o vôlei, o handebol, o basquete, a capoeira, a
ginástica rítmica, o xadrez e demais atividades recreativas. É necess ário propor atividades em
oficinas de aprendizagem e desenvolvimento das habilidades dos educados, tais como
artesanais, envolvendo áreas artísticas, esportiva e saúde; apoio a escolaridade; estímulo a sua
auto-estima. Bem como discutir a educação para o t rabalho, educação alimentar, educação
ambiental, educação família e escola, ética e cidadania, promoção de saúde, entre outras
temáticas.
Pois, todos os homens, sujeitos históricos, são naturalmente curiosos e necessitam
satisfazer a sua curiosidade em apr ender, descobrir, desenvolver, progredir e crescer
intelectualmente. Para tornar possível todo esse trabalho, é necessário trabalhar em conjunto,
viabilizando a construção da educação realmente integral, sugerido por Fazenda (1999, p. 86)
pela interdisciplinaridade, onde “A premissa [...] é a do respeito ao modo de ser de cada um ao
caminho que cada um empreende em busca de sua autonomia.” . Dessa forma a escola deve
focar todas as suas atenções na aprendizagem dos alunos, objetivo simples e mensurável. As
escolas devem se organizar para que as crianças sejam especiais desde o primeiro momento em
que se apresentarem dificuldades, já que cada um tem um potencial e uma facilidade de
aprendizagem.
As avaliações destacam também a importância da leitura do trabal ho dos professores em
sala de aula, do seu nível de formação, da participação dos pais na escola, assim como os
benefícios dos recursos da tecnologia da informação para o desempenho dos alunos e do acesso
a bibliotecas e materiais didáticos de qualidade. A preocupação e o cuidado das demais
necessidades dos indivíduos necessitam de pedagogos que auxiliem na área pedagógica,
atendimento psicológico, médico, orientação do conselho tutelar permanente aos professores e
as famílias, bem como as crianças e aos ad olescentes para que conheçam seus direitos e
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deveres; alimentação, com orientação de nutricionistas na elaboração dos cardápios. Sobre esse
assunto Nildecoff (1978, p.30) diz que
[...] para os filhos do povo, descobrir as causas da pobreza, do desemprego, do
analfabetismo, da guerra; significa reconhecer através de meios os opressores mantém
o poder; através de que meios, ao contrário, os oprimidos se libertam. Ou seja: ver a
realidade com sentido crítico significa muito mais do que estar informado sobre os
fatos do presente ou do passado; significa ser capaz de interpretar seu sentido.
A escola como conseqüência, precisa pensar em um indivíduo capaz de definir as lutas
sociais em que está inserida sendo uma escola produtiva no sentido de preparar a criança e
adolescente para serem independentes, exercendo
as atividades artísticas, esportivas,
intelectuais e outras, sendo um cidadão participativo na comunidade. Essa responsabilidade
recai sobre os governantes, famílias, professores que precisam juntos constr uir um futuro um
pouco diferente sem tanta exclusão, pois se continuar sendo limitados somente aos poucos os
direitos dos estudos de qualidade, não haverá muita chance no futuro e a exclusão social será
cada vez mais agravante.
Contudo, a luta está travada e a necessidade de se criar projetos como a de escola em
tempo integral que vise à inclusão social, é muito grande. Por isso, a idéia de implantação de
programas desafiadores e ao mesmo tempo significativos, é possível. Entre o aprender e o
praticar há um processo de inovação e evolução da educação em tempo integral que fortalece a
concretização da educação e valoriza o crescimento relevante dos alunos da Educação Infantil e
do Ensino Fundamental.
CONSIDERAÇÕES
Perante o discurso ora apresentado a escola inclusiva em tempo integral poderá oferecer
oportunidades para que os educandos aprendam através dos métodos de uma escola normal e
também através do trabalho manual que ali pode ser oferecida a todos. Pois, sua formação
poderá ser enriquecida constanteme nte do aprendizado com sentido educativo de
reconhecimento da personalidade e não com algo que só caracterize o homem profissional,
pois o trabalho revela assim para estes alunos um sentido bem diferente daquilo que
aprendemos que é tributo ou castigo, no entanto, assim ele se torna mais do que um seguidor
das regras da sociedade, mas tenha dentro de si um objetivo de vida humana.
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Sendo a educação um direito de todos, é visto que o indivíduo precisa ser capaz de
definir-se nas lutas sociais e para tanto, a escola em tempo integral poderá oferecer atividades
artísticas, esportivas, intelectuais e outras, pois é na escola que se articula e desarticula os
interesses sociais. Ficou claro que é preciso oferecer atividades de cunho pedagógico onde o
sujeito histórico possa desenvolver-se como um todo, considerando os aspectos intelectuais,
emocionais e sociais, formando pessoas independentes com liberdade para expressar -se, pensar
e agir, não tendo mais ênfase o capitalismo.
E para elaborar propostas pedagógicas de ampliação e efetivação de escolas inclusivas
em tempo integral se faz necessário primeiro começar o atendimento semi -profissionalizante e
profissionalizante e o segundo planejar as oficinas que possibilitem ao educando a
oportunidade do desenvolvimento da s habilidades que atinjam as áreas intelectuais,
emocionais, artísticas e outras importantes na formação do indivíduo, considerando na
atualidade a educação não repressiva o que só agravaria o mal social de discriminação.
A prevenção pode tornar o h omem melhor e a escola inclusiva em tempo integral
favorece para que ocorra, pois protege e proporciona as atividades diferenciadas e
interdisciplinares para a educação integral. Destaca -se a visão do profissional – tradicional ou
não - que precisa desenvolver um a educação de qualidade, pois se quer construir com o aluno é
o comprometimento do profissional com o educando no sistema de educação integral a
estrutura principal para o desenvolvimento dos projetos.
A escola inclusiva em tempo integral na escola públic a é para muitos considerados uma
expectativa que realmente poder transformar a realidade do nosso país proporcionando o
desenvolvimento do aluno como um todo sendo este um sujeito no futuro com capacidades
diferenciadas desenvolvidas, podendo assim com um pouco mais de igualdade lutar pelos seus
desejos.
Conclui-se então, que a criança e o adolescente sem a escola inclusiva em tempo
integral podem permanecer na exclusão social, sem condições de evoluir. É importante
ressaltar que a escola é o grande instru mento da sociedade para diminuir as desigualdades
sociais, assegurando o seu desenvolvimento integral em todas as dimensões. O desafio da
educação está em descobrir um novo caminho de organização de projetos, visando uma
proposta reflexiva, plena e múltipl a. É a partir do conhecimento e do comprometimento com os
direitos dos alunos é que a sociedade brasileira poderá construir um futuro melhor.
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REFERÊNCIAS
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Editora Ed., 1999
UNESCO. Educação: um tesouro a descobrir. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001.
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