memória
O
farmacêutico americano
John Styth Pemberton, naquele verão de 1886, havia acabado de inventar
um xarope que consistia numa
solução caramelada e colorida
misturada com água. Pretendia
vendê-lo em garrafas e deparouse com a necessidade de ter um
nome e uma marca. Juntou-se,
então, ao seu guarda-livros Frank
M. Robinson para criar o nome,
o logotipo e patentear o produto. Nascia assim a marca mais fa-
mosa do mundo: a Coca-Cola. Os
anos se passaram, e outras marcas inesquecíveis no imaginário
coletivo continuaram surgindo
com alguns traços comuns entre
si. Pioneirismo, qualidade do produto e marketing eficiente fazem
parte da fórmula de sucesso que
as marcas mais famosas têm entre si. É assim com ícones como
Gillette, que virou sinônimo de
lâmina de barbear, e Chiclets, o
nome popular da goma de mascar, entre outras.
A Maizena é a marca de amido
de milho mais famosa do Brasil
“A aceleração da produção
industrial durante o
pós Segunda Guerra
aumentou a oferta de
bens na sociedade e
contribuiu para melhorar
o posicionamento das
marcas”, avalia o professor
José Antônio Fardo,
professor da UMESP
O ator Carlos Moreno foi
o garoto-propaganda da
Bombril de 1978 a 2004
marcas inesquecíveis:
parte de nossas vidas
Qualidade, pioneirismo e planejamento em marketing transformam produtos em marcas ícone
Anúncio sobre máquinas de escrever da
Apple, hoje a empresa mais valiosa do mundo
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memória
O aumento do consumo
nas décadas de 40
e 50 é responsável
pela massificação
dos produtos
Anúncio de 1900, da Coca-Cola. Um dos
primeiros realizados em jornais americanos
Gillette virou
sinônimo de
lâmina de barbear
“A aceleração da produção industrial ocorrida durante a Segunda
Guerra Mundial, multiplicando no
pós-guerra a oferta de bens na sociedade, também contribuiu para o
melhor posicionamento das marcas
no mercado”, afirma o professor José
Antônio Fardo, da cadeira de Planejamento e Mídia da Universidade
Metodista. “A sociedade entrou na
fase do consumo de massa e, nesse
contexto, muitas marcas realmente
se massificaram.” No Brasil, esse fenômeno pode ser observado no histórico de aceitação em larga escala
de um produto que a esmagadora
maioria conhece muito mais pela
marca do que pelo conteúdo em si.
Praticamente ninguém entra num supermercado à cata de uma caixinha
de amido de milho, mas quase todo
mundo que precisa sai em busca de
Maizena. Esse nome, de tão massi-
ficado, passou a batizar o produto.
“É um caso muito semelhante ao do
Bom-Bril”, lembra o jornalista Cley
Scholz, criador do blog Reclames
do Estadão, no qual apresenta peças
publicitárias criadas para o jornal ao
longo de sua história. “Quem procura uma ‘palha de aço’?”, pergunta ele. “As pessoas podem até lançar
mão de outra marca, mas o produto
é conhecido como Bom-Bril, a marca que se destacou.”
O valor de uma marca inesquecível de alcance global é estimado hoje em bilhões de dólares. De acordo com o ranking
de marcas da revista Forbes, no
topo dessa escada está a Apple,
cuja maçã mordida foi avaliada
em 57,4 bilhões de dólares. Nesse cálculo, são levados em consideração o recall do público, a
imagem transmitida pela marca,
Chiclets é o nome popular
da goma de mascar
Bolsa Chanel: marca
sobreviveu ao
desaparecimento
de sua criadora
a qualidade dos produtos que representa e outros fatores. Mesmo
tendo sido lançada há mais de 110
anos, a Coca-Cola permanece entre as três marcas mais valiosas do
mundo, estimada pela Forbes em
55,4 bilhões de dólares e atrás, apenas, da Microsoft (56,6 bilhões de
dólares) e da própria Apple.
Está provado que a melhor propaganda para uma marca ainda
é aquela feita com base na verdade – e não na invenção. A marca Rolex, ícone entre os relógios,
tem sua imagem associada à precisão porque, de fato, seus relógios
tiveram a preferência dos aviadores ingleses e americanos na Segunda Guerra, e essa fama entre
profissionais chegou até o grande
público. Na moda, marcas como
Dior e Chanel sobreviveram com
força ao desaparecimento dos seus
criadores porque as gerações seguintes do negócio souberam manter em torno delas toda a aura de
elegância e glamour que, em vida,
cercou os fundadores Christian e
Coco, respectivamente. “Quando a
química da associação espontânea
pelo público entre um sentimento,
uma sensação ou uma impressão e
uma determinada marca acontece,
é nesse momento que nasce uma
marca inesquecível”, diz o publicitário Decio Clemente. Esse processo costuma ser árduo e longo,
mas, se a sua marca se fixar no inconsciente coletivo do consumidor, fique certo de que de lá ela
não vai sair tão facilmente.
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Está provado que a
melhor propaganda
para uma marca
ainda é aquela feita
com base na verdade
– e não na invenção
Rolex tem
sua imagem
associada
à precisão
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marcas inesquecíveis: parte de nossas vidas