um direito de
todos
Brasil
telecom
FITTEL
Jornal da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações
Brasília, agosto de 2012
Que país é esse?
Exclusão digital alcança dois terços dos domicílios no Brasil.
Oitenta milhões de brasileiros nunca usaram um computador
Em matéria de Inclusão Digital, a posição
relativa do Brasil em
relação a outras nações é
vexatória. Segundo
pesquisa da FGV, entre
154 países, o Brasil ocupa
a sexagésima terceira
posição em número de
domicílios conectados à
Internet. Isso significa
que apenas um terço das
famílias acessa a web em
casa. Destes, pouco mais
da metade dispõe de
banda larga.
A situação é grave e exige da
sociedade e dos seus representantes medidas urgentes. Estamos
falando de quase 150 milhões de
brasileiros que não podem acessar
a internet da própria residência.
Além de restrito e precário, o
acesso à web e a utilização das
novas tecnologias de informação e
comunicação, as chamadas TIC`s, é
também muito desigual . Somente
20% dos domicílios do Nordeste
estão conectados e apenas 5% dos
cidadãos das classes D/E já
usaram um computador. (ver
página 2).
Não há país que sustente o seu
desenvolvimento com tamanha
desigualdade e com um contingente tão grande de excluídos
digitais. Imaginem a repercussão
dessa exclusão na educação das
Domicílios c/ acesso
à Internet - Por região
ZZZ
Já
tentou
sacudir?
Norte
22%
Nordeste
21%
C.Oeste
39%
Sudeste
49%
Sul
45%
Brasil
38%
Domicílios c/ acesso
à Internet - Por classe
crianças brasileiras? Ainda mais
quando se sabe que apenas 4%
dos 45 milhões de estudantes de
escolas públicas acessam a web
em sala de aula (ver página 3).
A Fittel, o Sinttel e o SintPq
denunciam o apharteid tecnológico e a exclusão de uma geração
inteira de brasileiros de um dos
seus direitos mais elementares.
Responsabilizamos as Operadoras/Exploradoras de Telefonia
por essa exclusão e denunciamos
a inoperância da Anatel, assim
como sua conivência, lassitude e
incompetência .
Veja nessa edição, os números
da exclusão digital, segundo a
pesquisa realizada pelo CETIC.BR
(Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação), entre novembro de 2011 e
janeiro de 2012, em 25 mil
domicílios de 317 municípios.
Classe A
96%
Classe B
76%
Classe C
35%
Classe D/E
5%
Domicílios c/ acesso
à Internet - Por salário
Até 1SM
6%
1SM a 2SM
21%
2SM a 3SM
38%
3SM a 5SM
58%
5SM a 10SM
76%
mais de 10SM
91%
Domicílios c/ acesso
Banda Larga - Brasil
Sim
25%
Não
75%
telecom
um direito de
todos
Individuos que já usaram
um computador - Região
Norte
53%
Nordeste
45%
Centro-Oeste
64%
Sudeste
65%
Sul
Brasil
63%
58%
Individuos que já usaram
um computador - Renda
Até 1SM
33%
1SM a 2SM
47%
2SM a 3SM
61%
3SM a 5SM
73%
5SM a 10SM
84%
mais de 10SM
92%
Individuos que já usaram
um computador - Classe
Classe A
95%
Classe B
85%
Classe C
60%
Classe D/E
28%
SinTPq- Sinttel-Fittel
Oitenta milhões nunca
usaram um computador
Foram largados no acostamento da estrada digital
Esse número é constrangedor e
siginifica que metade dos brasileiros ainda vive em outro século. Em
um mundo totalmente baseado
em processos digitais, que promove e estimula a interação e o compartilhamento de informações,
esses brasileiros foram largados à
beira da estrada digital e seu
destino é o desemprego, o subemprego e os baixos salários.
Impossível imaginar o futuro
da Nação com um número tão
expressivo de excluídos digitais.
Despojados das benesses do
desenvolvimento tecnológico e
colocados à margem de uma
economia informatizada, esses
brasileiros estão condenados à
ignorância e a subserviência.
De fato, a utilização de computadores, seja por renda ou seja
por região, é diminuta, injusta e
desigual. Comparem os números
ao lado. Enquanto 95% dos
indivíduos da Classe A e 92%
Os gerentes da exclusão
São enormes os problemas de
infraestrutura de telecomunicações. Desde a privatização da Telebrás que não se realizam grandes
investimentos para universalizar a
telefonia fixa. O abandono dessas
redes, que são mais confiáveis e
mais eficientes, mas que exigem
maiores investimentos, foi uma
atitude deliberada das operadoras
com objetivos exclusivamente
financeiros.
Também faz parte dessa estratégia, o poderoso lobby que garante uma receita pela infraestrutura
já existente, quase toda construída
pelo Sistema Telebrás, através
da tarifa de assinatura básica.
Na Televisão a Cabo ou por assinatura a situação é ainda pior. Tal
qual a telefonia, as Tvs praticam
preços altos e realizam baixos
investimentos. Preferem cobrar
muito de poucos usuários, do que
fazer os investimentos necessários para garantir a qualidade
do serviço a um número maior de
clientes. Na verdade, elas não
conseguem nem mesmo garantir a
qualidade do serviço já existente.
Mas como as empresas são
rentáveis deste modo, elas não
vêem razão alguma para mudar
sua estratégia.
daqueles que ganham mais do que
10 salários mínimos possuem ou
utilizam frequentemente o computador, somente 28% dos indivíduos da Classe D/E e 33% dos que
ganham até 1 Salário sabem do
que se trata.
Da mesma forma, no Nordeste,
ao contrário do Sudeste ou do Sul,
e até do Centro Oeste, mais da
metade da população nunca foi
apresentada a um computador, ou
seja, não possui os requisitos
mínimos para sua inclusão digital.
Essa situação é de calamidade
pública e não pode mais continuar.
Não existe justiça social e muito
menos desenvolvimento em um
país que ostenta esses números.
Os sucessivos governos têm sido
impotentes, quando não, negligentes ou incompetentes, para
romper esse modelo colonialista
de sociedade que temos, desde
sempre, em que uma parte exclui,
marginaliza e explora a outra.
Domicílios com Telefone Fixo
Norte
17%
Nordeste
17%
C.Oeste
31%
Sudeste
53%
Sul
41%
Brasil
37%
Domicílios com TV a Cabo
Norte
11%
Nordeste
8%
C.Oeste
15%
Sudeste
30%
Sul
21%
Brasil
20%
telecom
SinTPq-Sinttel-Fittel
um direito de
todos
Juventude traída
Voltamos à escola de periferia que não tem Internet. Nada mudou
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acessam a internet em sala de aula
via banda larga. Vamos repetir: dos
45 milhões de estudantes de escolas
públicas, pouco mais de 1,6 milhão
podem fazer suas pesquisas e
estudos na rede mundial. Se isso não
é o sacrifício de uma geração inteira
de brasileiros, está bem parecido.
Repudiamos esse país de castas
que as elites políticas e econômicas
insistem em preservar. Denun-
FITTEL
SRTV/Sul Qd. 701 Bloco “O” LOTE 110 Sala 364
Edifício Novo Centro Multiempresarial
70.340-000 – Asa Sul Brasília/DF
Fone: (61) 3323-9400 - Fax: (61) 3225-3878
www.fittel.org.br
telecom
um direito de
ciamos sua malévola estratégia de
restringir o direito a educação e à
liberdade de informação e expressão que são justamente alguns
dos maiores benefícios da inclusão
digital.
Acusamos o poder público, em
todos os níveis, por sua omissão
irresponsável. A história vai lhes
cobrar por sua inércia, negligência
e conivência criminosas.
todos
Edição e Projeto Gráfico
Evandro Sada de Faria (MTb 321-DF)
Ilustrações : Lane
Brasil
Quase dois anos depois, voltamos
ao CED São Francisco, aquela escola
situada em São Sebastião, cidade da
periferia de Brasília, que tem boa
estrutura física, bons professores,
alunos interessados, mas não tem
Internet.
Pois é, continua não tendo. Desde
nossa primeira visita, mais de 600
alunos se formaram no ensino
médio sem contar com a valiosa e
indispensável ferramenta da
Internet na sua própria escola. Ao
contrário dos jovens das escolas
particulares, esses 600 rapazes e
moças entram no mercado de
trabalho em franca desvantagem,
uma vez que tiveram pouca ou
nenhuma vivência com as tecnologias da informação e comunicação.
A diretora Leísa Sasso confirma o
handcap desses meninos: « A escola
tem tudo o que precisa para oferecer
uma educação de qualidade, mas a
falta da Internet prejudica o
aprendizado e diminui as chances
dos nossos alunos em vestibulares e
concursos».
Mais do que lamentável, essa
miséria digital representa uma
traição aos jovens desse país. Eles
estão fora da agenda política e
econômica das elites e representam
apenas um contingente de mão de
obra despreparada, mas abundante
e barata.
Essa situação de penúria tecnológica se repete em praticamente
todas as escolas públicas do Brasil.
Segundo pesquisa da FGV, somente
4% dos mais de 45 milhões de
alunos das redes públicas de ensino
FITTEL
Esta publicação é responsabilidade
da diretoria executiva da Fittel
Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sinttel)
Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia (SinTPq)
Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel)
telecom
um direito de
todos
SinTPq- Sinttel-Fittel
Usuários demais e
investimento de menos
O problema é simples de entender: as empresas vendem, mas não entregam
Mais fumaça do que fogo
essa história da suspensão da
venda de celulares. Já está
tudo como dantes no quartel
de Abranches. Parece que a
Anatel engoliu aquela história
das antenas e exerceu suas
maiores virtudes: a complacência e o perdão.
De todo modo, essa fugaz
suspensão da venda de chips
trouxe à tona dois temas
importantes para o debate
sobre a qualidade do serviço
de telefonia celular. O primeiro deles é justamente a
questão das antenas e o
segundo é a defesa do Tribunal de
Contas da União (TCU) da fiscalização
on-line da qualidade dos serviços
pela Anatel.
Com relação às antenas de celular,
somente os já convencidos se
convenceram com as explicações das
operadoras. Elas argumentaram que
os problemas de qualidade são
causados por uma legislação rigorosa,
considerada abusiva pelas operadoras, com mais de 250 redações diferentes nos mais variados municípios.
Uma argumentação sem sentido. E
cínica. As legislações urbanísticas
são diferentes porque as cidades são
diferentes, assim como as pessoas
que nelas habitam.
O fato é que as empresas
reivindicam algo que é inaceitável.
Nenhuma cidade neste planeta
confere liberdade irrestrita às
empresas para que instalem antenas
onde desejarem, sem considerar as
questões urbanísticas, de preservação ambiental e de proteção à
saúde da vizinhança e dos trabalhadores, ambos expostos ao risco das
radiações emitidas pelas antenas.
De fato, os problemas de qualidade
no serviço celular são amplos, gerais e
irrestritos. Eles acontecem não
apenas nas cidades que dispõem de
legislações rígidas sobre instalação
de antenas celulares. As reclamações
mais constantes são por descumprimento dos planos contratados, interrupção da transmissão ou recepção
de voz, distorção na frequência de voz
e a clássica sinalização de “fora de
área ou desligado”. Ou seja, nenhum
problema que possa ser atribuído à
necessidade de novas antenas.
Na realidade, o que ocorre é o
baixo investimento operacional. Os
equipamentos não suportam a
quantidade dos terminais gerando o
“over book” , ou seja, mais usuários
sem a devida ampliação da rede.
Com relação à fiscalização é justo e
necessário que seja feita em tempo
real, como sugere o TCU. Atualmente
a fiscalização é realizada por
amostragem e com hora marcada, em
períodos estipulados pela Lei Geral
de Telecomunicações (LGT). É a tal da
fiscalização mamão-com-açúcar.
Quando não são feitas dessa forma,
são motivadas por demandas a
repetição, uma vez que a Anatel só
aceita as queixas do usuário, depois
que ele já perdeu o tempo e a
paciência nas centrais de atendimento das empresas.
A proposta do TCU é acertada e
compatível com a tecnologia
existente. A ideia é inovadora
e exige que a Anatel atue
preventivamente em defesa
dos usuários acompanhando,
em tempo real, se a capacidade dos equipamentos é suficiente para manter o atendimento dentro dos índices de
qualidade exigidos pela
legislação regulatória. Além
desta, uma outra providência
elementar surtiria um efeito
imediato sobre a aferição real
da satisfação dos usuários:
todas as reclamações deveriam ser registradas na Anatel
e acompanhadas simultaneamente
pela Agencia, usuário e empresa. Esse
procedimento tornaria mais difícil a
manipulação dos indicadores e seria
a inversão da hierarquia dos pedidos
de reparo e reclamações. Se este
acompanhamento pode ser realizado
corriqueiramente na gestão de
encomendas postais, por exemplo,
por que não utilizá-lo também no
acompanhamento da resolução dos
problemas na telefonia?
A FITTEL entende que as explicações das operadoras são falsas e
enganosas. Tão enganosas quanto as
estatísticas de satisfação de que dispõe a Anatel. Enquanto no Procon as
operadoras são campeãs de reclamações, a agência trabalha com
dados que indicam baixos índices de
insatisfação. Ou seja, enquanto o
Procon atua no mundo real, a Anatel
elabora a sua própria realidade.
Sempre alertamos para a política
pífia de investimentos das operadoras e a sua opção por terceirizar as
atividades operacionais. Se o poder
público não intervir, as empresas
continuarão no melhor dos mundos,
investindo pouco, vendendo caro,
servindo mal e lucrando muito com
tudo isso.
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Jornal agosto 12 - Sinttel-DF