PSICOLOGIA PEDAGÓGICA:
O processo ensino-aprendizagem de uma
perspectiva dialética
 V Roda de Conversa – 14/08/2013
 Divisão de Formação Docente – DIFDO
 Diretoria de Ensino/Pró-reitoria de Graduação – UFU
 Prof. Ruben de Oliveira Nascimento – IPUFU
 rubenufu@gmail.com
-Princípios da teoria de Mirza I. Makhmoutov
-Conhecimento empírico/teórico
-Conceito de situação-problema
-Contradição dialética
-A importância da formulação dos problemas
MIRZA I. MAKHMOUTOV
Baku, Arzebaijão (1926)
Kazan, Tartaristão (2008)
REPÚBLICA DO TARTARISTÃO
Parte da Federação Russa
Instituto Regional TártaroAmericano – TARI (Kazan, 1992), do
qual foi fundador e primeiro reitor
Princípios da Enseñanza Problémica
 Ensino mediante a criação de situações-problema por parte do
professor; e a organização independente das soluções, por parte do
aluno.
 “Sob a orientação do professor os alunos devem observar,
comparar, descrever e debater os fatos e fenômenos, tirar
conclusões, fazer generalizações e verificá-las em experimentos
simples e acessíveis” (p. 247-248, tradução nossa).
 “Se o próprio aluno observa e compara, então o conhecimento é
mais claro, mais determinante, se constitui como algo próprio –
adquirido por ele mesmo – e, portanto, de valor” (p. 248, tradução
nossa).
 Makhmoutov, M. I. La Enseñanza Problémica. Havana: Editorial Pueblo y
Educación, 1983.
SITUAÇÃO-PROBLEMA
 Perguntas representam linguística e gramaticalmente um problema a ser
resolvido, mas, nem toda pergunta é um problema.
 Nem toda tarefa representa um problema. Algumas podem ser resolvidas
mecanicamente.
 “O ensino por problemas se estrutura sobre a base do princípio da
problematização, realizado através de diferentes tipos de problemas
elaborados no ensino e da combinação da atividade reprodutiva, produtiva e
criativa do aluno” (p. 258, grifo do autor, tradução nossa).
 Objetivo do ensino por problemas: “assimilação não só dos resultados do
conhecimento científico, mas também da via, do processo de obtenção de
tais resultados; inclui, desse modo, a formação da independência
cognoscitiva do aluno e o desenvolvimento de suas capacidade criativas
(paralelamente com o domínio do sistema de conhecimentos, habilidades e
hábitos, e a formação de concepção de mundo). Com este tipo de ensino
acentua-se o desenvolvimento do pensamento” (p. 261, grifo do autor,
tradução nossa).
 Makhmoutov, M. I. La Enseñanza Problémica. Havana: Editorial Pueblo y
Educación, 1983.
 “Chamamos de problematizador o ensino em que os alunos
assimilam todo o material ensinado somente por meio da
solução independente de problemas e o ‘descobrimento’ de
novos conceitos [...]. Portanto, todo o sistema de métodos se
dirige, neste caso, ao desenvolvimento multilateral do escolar,
ao desenvolvimento de suas necessidades cognoscitivas e à
formação de uma personalidade intelectualmente ativa. O
ensino por problemas é verdadeiramente um ensino que
tende ao desenvolvimento” (p. 263, grifo do autor, tradução
nossa).
 Makhmoutov, M. I. La Enseñanza Problémica. Havana: Editorial Pueblo y
Educación, 1983.
CONTRADIÇÃO DIALÉTICA – Sergei L. Rubinstein (1889-1960)
 Estudou o processo psíquico interno, e aplicou a dialética na psicologia.
 Com apoio na teoria marxista de reflexo, comenta: “o conhecimento é um reflexo do
mundo como realidade objetiva. A sensação, a percepção, a consciência, são a imagem do
mundo exterior” (Rubinstein, 1965 citado por Araújo, 2013, p. 146).
 “Rubinstein teve o mérito indiscutível de destacar a importância do interno, do psíquico,
como fonte de seu desenvolvimento [...] O centro de gravidade de sua teoria psicológica
dos anos 50 é o determinismo dialético que ele formula dizendo que as causas externas
atuam através de condições internas, e a tarefa da psicologia é o estudo dessas condições
internas” (SUÁREZ at all., 2011, p. 138, tradução nossa).
 Para Makhmoutov (1983):
 Para o EP, um problema deve desenvolver o pensamento do aluno, fazendo seu
pensamento avançar para novos níveis de desenvolvimento, partindo do que o aluno já
possui de conhecimentos e habilidades, em direção ao que deseja alcançar com a
resolução de um problema. Para tanto, o problema deve se apoiar na contradição entre
esses dois pontos, ou seja, demonstrar a insuficiência do que já se sabe para resolver
novas questões. Essa contradição é que fará o pensamento avançar.
A IMPORTANCIA DA FORMULAÇÃO DOS PROBLEMAS
 O esperado no EP, é que o exercício proposto permita ao aluno buscar,
de maneira independente, a solução do problema, estimulando seu
pensamento. Se a formulação verbal de um problema for muito
complexa, o aluno poderá não resolvê-lo; e se for muito fácil, poderá
não estimular o pensamento investigativo e independente do aluno. Os
procedimentos para a solução de um problema dependem, na maioria
dos casos, que o aluno compreenda bem o problema. Para isso, é
fundamental que a formulação verbal do problema seja precisa e
exequível, e que apareça para o aluno como um tarefa concreta a ser
resolvida. (MAKHMUTOV, 1983)
EXEMPLO 1
 O professor apresenta esses problemas, juntos, para trabalhar um novo
assunto de matemática (duas soluções iguais com resultados
diferentes):
 2 + 5 x 3 = 21
 2 + 5 x 3 = 17
 Nos dados dessa tarefa existem dois elementos: as condições e as
exigências. Nas condições são dadas duas soluções iguais para os
exercícios, com um resultado diferente. A exigência da tarefa é achar a
causa da não correspondência entre os resultados das soluções. Os alunos
não sabem qual é a causa. Para eles, essa causa é o desconhecido.
(MAJMUTOV, 1983, p. 128, tradução nossa).
 Segundo Makhmoutov (1983) um exercício não é um problema, até que,
para sua solução, se necessite conhecer algo novo (desconhecido), por uma
atividade cognoscitiva – a questão da incógnita.
 No caso do exemplo acima, o conceito matemático de parenteses.
 Makhmoutov, M. I. La Enseñanza Problémica. Havana: Editorial
Pueblo y Educación, 1983.
EXEMPLO 2
 6x2÷2=6
 27 x 3 ÷ 3 = 27
 18 x 5 ÷ 5 = 18
 “Ao analisar o material, o professor mesmo pode deduzir a regra
(revelar a regularidade): um número não variará se aumentar e depois
diminuir a mesma quantidade de vezes. Habitualmente, os professores
não fazem assim; e fixam a regra pedindo que os alunos digam
exemplos. Esta é uma tarefa não problemática. Ela será problemática se
o professor pedir aos alunos que deduzam independentemente a regra
que está na base dos exemplos apresentados, quer dizer, quando a
tarefa cognoscitiva contiver uma pergunta como forma lógica de
expressão do problema” (MAKHMOUTOV, 1983, p. 233, tradução
nossa)
Relacionar a abordagem de Makhmoutov com a lógica e
o conteúdo de sua disciplina – exemplo:
 “As situações-problema surgem durante a assimilação do material de estudo (de
acordo com a lógica da disciplina)” (MAKHMOUTOV, 1983, p. 171, tradução




nossa).
Exemplo (p. 187):
Assunto da aula: formação de geiseres.
Pergunta cujo objetivo é gerar uma situação-problema: “o que acontece depois
da formação do vapor?”
Os alunos buscam soluções pela imagem “vapor” cuja representação do
fenômeno conhecem na vida. A busca da solução está contida no problema.
 GEISERES: tipo especial de fonte termal que, em decorrência de uma elevação
de pressão, entra em erupção lançando no ar uma coluna de água quente e
vapor.
Esquema
TAREFA
Dados
+
SUJEITO
Exigências
PROBLEMA
Conhecido
+
Desconhecido
(Incógnita)
Experiência Anterior
Do Aluno
Referências:
 ARAÚJO, Elaine Sampaio. Rubinstein: um grande psicólogo, uma grande
personalidade. In: LONGAREZI, Andréa Maturano; PUENTES, Roberto Valdés
(org.). Ensino Desenvolvimental: vida, pensamento e obra dos principais
representantes russos. Uberândia: EDUFU, 2013, p. 137-160.
 MAKHMOUTOV, M. I. La Enseñanza Problémica. Havana: Editorial Pueblo
y Educación, 1983.
 SUÁREZ, María Elena Segura; SERRA, Diego González; GONZÁLEZ, María
Elena González; ECHEVERRÍA, María Isabel Álvarez. Teorías Psicológicas y
su Influencia en la Educación. Havana: Editorial Pueblo y Educación, 2011.
 Site do Instituto Regional Tártaro-Americano (TARI), com versão em inglês:
www.tari.antat.ru
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