Ao Painel do Leitor, Comentário referente ao artigo Guerras matemáticas, escrito por Hélio Schwartsman e publicado no dia 16 de agosto. Escolas construtivistas não se opõem à memorizaçao da tabuada, ao contrário, valorizam esse procedimento, ensinam e cobram-­‐no dos alunos. É fato que o aluno precisa dispor progressivamente de um conjunto de resultados numéricos conhecidos cada vez mais amplo. Ressaltamos, porém, a importância dessa memorização estar vinculada à compreensão dos contextos dos problemas em que são úteis. É diferente aprender os cálculos como se fossem uma lista de itens isolados a ser memorizada, e aprendê-­‐los de modo relacionado. Saber com segurança, por exemplo, que se 3 x 7 = 21 , 6 x 7 precisa, necessariamente, ser o dobro ajuda na hora de controlar o resultado dos cálculos, revisar erros e ajustar respostas. Esse tipo de aprendizagem não se dá de forma mecânica, pois pressupõe discussões de caráter matemático mais profundo, vinculadas às propriedades dos números e operações. Além disso, o esforço para memorizar cálculos sem sentido pode ser maior e o efeito ter curta duração. A memorização está presente no ensino de base construtivista, mas vinculada à compreensão, que lhe confere sentido e intensifica sua potência. Faz-­‐se necessário ir além da simples oposição, memorizar ou não a tabuada, e atualizar o debate no sentido de enfrentar os importantes desafios presentes no ensino da matemática. Ivone Domingues – Coordenadora Pedagógica da Escola da Vila 
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Carta Ivone Domingues