ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
REITOR
João Natel Pollonio Machado
VICE-REITOR
Griseldes Fredel Boos
EDITORA DA FURB
CONSELHO EDITORIAL
Edson Luiz Borges
Elsa Cristine Bevian
João Francisco Noll
Jorge Gustavo Barbosa de Oliveira
Roberto Heinzle
Marcia de Freitas Oliveira
Maria José Ribeiro
EDITOR EXECUTIVO
Maicon Tenfen
CAPA
Criação: Lindamir Aparecida Rosa Junge
Foto: Cláudia Regina Lima Duarte da Silva
Diagramação: Lindamir Aparecida Rosa Junge
Revisão: Odair José Albino
DISTRIBUIÇÃO
Edifurb
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
DOCENTES DO CURSO DE ENFERMAGEM DA UNIVERSIDADE REGIONAL DE
BLUMENAU – FURB, RESPONSÁVEIS PELA ANÁLISE DAS QUESTÕES:
Profª. Me. Andréa da Silva – Enfermeira
Profª. Me. Carmen Liliam Brum Marques Baptista – Enfermeira
Profª. Me. Claudia Almeida Coelho de Albuquerque – Bióloga
Profª. Dra. Cláudia Regina Lima Duarte da Silva – Enfermeira
Profª. Me. Geysa Georg Sommerfeld – Enfermeira
Profª. Dra. Gisele Cristina Manfrini Fernandes – Enfermeira
Prof. Dr. Hercilio Higino da Silva Filho – Farmacêutico
Prof. Me. Jarbas Galvão – Enfermeiro
Prof. Me Jerry Schmitz – Enfermeiro
Profª. Dra. Judite Hennemann Bertoncini – Enfermeira
Profª. Dra. Keila Zaniboni Siqueira Batista – Bióloga
Profª. Dra. Mara Sandra Giacomini Pivesso – Biomédica
Profª. Me. Margot Friedmann Zetzsche – Enfermeira
Profª. Me. Marisa Schwabe Franz – Enfermeira
Profª. Me. Nádia Lisieski –Enfermeira
Profª. Me. Raquel Garcia Tiemann – Enfermeira
Profª. Me. Rosana Martineli – Enfermeira
Profª. Me. Sara Cristiane Barauna – Fisioterapeuta
Profª. Me. Silvana Scheidemantel Schroeder – Enfermeira
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
© Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade, Marcus Vinicius Marques de Moraes
Editora da FURB
Rua Antônio da Veiga, 140
89012-900 Blumenau SC BRASIL
Fones: (047) 3321-0329
3321-0330
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Depósito legal na Biblioteca Nacional, conforme Lei nº 10994, de 14 de dezembro de 2004.
“Impresso no Brasil / Printed in Brazil”
Elaborada pela Biblioteca Central da FURB
A532a
Analysis : o ENADE na formação da enfermagem : análise da prova de 2010 /
organizadores: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade, Marcus
Vinicius Marques de Moraes. – Blumenau : Edifurb, 2013.
91 p. : il.
ISBN 978-85-7114-176-6
Bibliografia: p. 91.
1. Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes. 2. Ensino superior - Avaliação. 3.
Enfermagem - Exames, questões, etc. I. Schroeder, Silvana Scheidemantel. II. Andrade, Marcia
Regina Selpa de. III. Moraes, Marcus Vinicius Marques de.
CDD 378.01
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
SUMÁRIO
DOCENTES DO CURSO DE ENFERMAGEM DA UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU – FURB,
RESPONSÁVEIS PELA ANÁLISE DAS QUESTÕES: .................................................................................... 3
AVALIAÇÃO EDUCACIONAL E UNIVERSIDADE: ENTRE O PRAGMATISMO QUANTITATIVO E A PRÁTICA
ENERGIZADORA ..................................................................................................................................... 7
O Enade na Avaliação da Educação Superior ...................................................................................... 10
Heidi Dittrich Zimmermann,............................................................................................................ 10
O processo de análise das questões do ENADE .................................................................................. 17
Silvana Scheidemantel Schroeder ................................................................................................... 17
Marcia R. Selpa de Andrade ............................................................................................................ 17
Marcus Vinicius Marques de Moraes .............................................................................................. 17
Análise das Questões da Prova de 2010 ............................................................................................. 19
3.1 Bases Biológicas e Sociais da Enfermagem ................................................................................... 19
QUESTÃO 13 - Autores: Hercilio Higino da Silva Filho, Keila Zaniboni Siqueira Batista – docente
FURB ................................................................................................................................................ 20
QUESTÃO 14 - Autores: Hercilio Higino da Silva Filho, Keila Zaniboni Siqueira Batista - docente
FURB ................................................................................................................................................ 22
QUESTÃO 15 - Autoras: Claudia Almeida Coelho de Albuquerque , Mara Sandra Giacomini Pivesso
e Sara Cristiane Barauna – docentes FURB ..................................................................................... 24
3.2 Fundamentos de Enfermagem ...................................................................................................... 28
QUESTÃO 12 - Autores: Silvana Scheidemantel Schroeder e Jarbas Galvão – docentes FURB ...... 28
QUESTÃO 17 - Autora: Margot Friedmann Zetzsche – docente FURB............................................ 30
QUESTÃO 18: ANULADA - Autora: Silvana Scheidemantel Schroeder – docente FURB ................. 31
QUESTÃO 20 - Autora: Cláudia Regina Lima Duarte da Silva – docente FURB ............................... 33
QUESTÃO 25: ANULADA - Autora: Cláudia Regina Lima Duarte da Silva – docente FURB ............. 34
QUESTÃO 27 - Autora: Gisele Cristina Manfrini Fernandes – docente FURB ................................. 36
QUESTÃO 28 - Autora: Cláudia Regina Lima Duarte da Silva – docente FURB............................... 38
QUESTÃO 33 - ANULADA - Autora: Margot Friedmann Zetzsche – docente FURB ........................ 40
QUESTÃO 34 - Autora: Marisa Schwabe Franz – docente FURB ..................................................... 42
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
QUESTÃO 36 - Autora: Marisa Schwabe Franz – docente FURB ..................................................... 45
QUESTÃO 38 - Autora: Judite Hennemann Bertoncini – docente FURB ......................................... 48
QUESTÃO 39 - Autora: Judite Hennemann Bertoncini – docente FURB ......................................... 50
Assistência de Enfermagem ................................................................................................................ 54
QUESTÃO 11 - Autora: Geysa Georg Sommerfeld – docente FURB ................................................ 55
QUESTÃO 16 - Autores: Geysa Georg Sommerfeld, Jarbas Galvão e Jerry Schmitz - docentes
FURB ................................................................................................................................................ 58
3.4 Administração em Enfermagem.................................................................................................... 75
3.5 Educação em Enfermagem............................................................................................................ 86
QUESTÃO 40 - Autora: Silvana Scheidemantel Schroeder – docente FURB ................................... 90
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
PREFÁCIO
AVALIAÇÃO EDUCACIONAL E UNIVERSIDADE: ENTRE O PRAGMATISMO
QUANTITATIVO E A PRÁTICA ENERGIZADORA
As práticas discursivas em educação que circulam a partir dos anos 90, no Brasil, situam-se
numa perspectiva em que a avaliação começa a ampliar seus espaços e torna-se aquilo que o
Ministério da Educação chama de “inteligência avaliativa”. A emergência do Estado avaliador
produziu uma demanda por conhecimento de várias áreas e setores da sociedade como apoio para
tomada de decisão e transparência dos resultados. Afinadas a esses discursos e afetadas pela
ideologia neoliberal, as práticas avaliativas com base em elementos quantitativos prometem
melhorar a qualidade da educação e garantir efetividade, eficiência, eficácia, relevância e
produtividade nas Universidades. Estes discursos desencadearam uma série de ações ampliando a
avaliação e transformando-a em instrumento de regulação do Ensino Superior e estendendo-se
para a Educação Básica.
A Lei 10.861, de 14 de abril de 2004 instituiu o Sistema de Avaliação da Educação Superior
(SINAES), como parte de uma política de Estado responsável pela educação nacional, que abrange
todas as instituições de educação superior. Esta política está ancorada em uma concepção de
avaliação comprometida com a melhoria da qualidade e da relevância das atividades das
instituições e é mensurada por meio de diversos instrumentos.
Esses instrumentos e mensurações passaram a orientar grande parte da política educacional e, por
esse meio, também parte significativa da prática educacional - aquelas ações e fazeres no qual
estão imersos professores e estudantes. Neste cenário, um dos principais problemas é que muitas
vezes valorizamos o que é medido, ao invés de nos envolvermos com a avaliação e mensuração do
que valorizamos.
A avaliação como processo não pode ter um fim em si, mas precisa ser um dos instrumentos
que a Universidade pode dispor para dimensionar a qualidade do ensino. Os resultados obtidos na
avaliação permitem análises e leituras sobre os cursos e podem ser usados para diferentes tipos de
intervenções, aqui definidas como tomada de decisão nos processos de ensino-aprendizagem.
Aproveitamos as provocações de Dias Sobrinho (2002) que em seu trabalho mostra que a
avaliação não é apenas desejável, mas possível, não é apenas somativa, mas pedagógica, não
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
apenas um instrumento de utilidade gerencial, mas uma estratégia de autoconhecimento e de
melhoria da formação profissional e cidadã. Mas, para isso a avaliação não pode se limitar a um
papel controlador: ela tem sempre um caráter político e ético que deve estar a serviço da
autonomia.
Corroborando com esta visão, Hadji (1994) aponta que a avaliação tem três funções
fundamentais: diagnosticar, prognosticar e energizar. A função de diagnosticar compreende os
processos de: identificar deficiências e superá-las; possibilitar a regulação de um determinado
programa;
promover
ajustes necessários à concretização
da aprendizagem; certificar
aprendizagens; regular os processos e atividades. A função de prognosticar compreende: planejar
novos dispositivos didáticos e estimar o desempenho futuro. A função de energizar repercute em:
viabilizar o acesso aos diferentes níveis de escolaridade; permitir a promoção em uma sequência
educacional; estimular a ação e a autoestima.
Com base nesta visão sobre o processo avaliativo educacional a Pró-Reitoria de Ensino de
Graduação (PROEN) da Universidade Regional de Blumenau (FURB) desencadeou diferentes
iniciativas e realizou diversas ações para criar uma cultura permanente e propositiva de avaliação
na Universidade. Permeando estas iniciativas e ações foi feito um trabalho permanente de
divulgação para estudantes e professores da importância de tratar a avaliação não como um
elemento punitivo, mas como orientador e balizador dos processos de ensino. Também se buscou
de forma permanente a conscientização sobre a importância de que a instituição tivesse um bom
desempenho nos processos avaliativos realizados pelos órgãos reguladores. Por outro lado, cientes
de que o papel da Universidade é de crítica acredita-se que mais do que responder as questões do
ENADE faz-se necessário conhecê-las, estudá-las e com elas aprender como qualificar os
instrumentos de avaliação como também reconhecer as potencialidades e fragilidades de qualquer
instrumento de avaliação.
Entre as principais ações realizadas pela PROEN destacam-se: capacitação de docentes
quanto ao uso de instrumentos e critérios de avaliação em sua prática pedagógica; revisão do
processo e estímulo para participação dos estudantes nos instrumentos internos de avaliação do
ensino; uso dos resultados das avaliações internas e externas dos cursos na construção e
(re)elaboração dos projetos pedagógicos; campanhas de conscientização de estudantes e
professores sobre o ENADE; análise matemática e estatística das informações sobre os processos
avaliativos e discussão com coordenadores de cursos e docentes; grupos de estudos permanentes
sobre avaliação educacional; produção de material didático de apoio aos estudantes; e-book com
as questões comentadas; entre outras.
Uma das importantes ações da PROEN está materializada neste livro eletrônico que
apresenta, discute e comenta as questões do ENADE. A produção deste material tem objetivos
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
diversos: fazer a análise crítica das questões; identificar conteúdos e referenciais teóricos
fundamentais para a área de conhecimento; familiarizar professores e estudantes acerca da
linguagem e dos elementos essenciais dos processos avaliativos externos; qualificar os projetos e
processos pedagógicos dos cursos. Também tem o objetivo de fazer com que a Universidade
cumpra seu papel de crítica, uma vez que o livro é o resultado de um processo intenso entre
pedagogos, docentes e estudantes de estudo, avaliação e análise crítica sobre o conteúdo das
provas. Esperamos que ele possa, de fato, cumprir o objetivo de diagnosticar, prognosticar e
energizar os processos de ensino de nossa Instituição e que acima de tudo ele seja um espaço de
crítica e de construção de outras e diferentes formas de fazer Universidade.
Prof. Dr. Maurício Capobianco Lopes
Profa. Dra. Gicele Maria Cervi
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
O Enade na Avaliação da Educação Superior
Heidi Dittrich Zimmermann,
Pesquisadora Institucional – PI da FURB
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) foi instituído pela Lei Nº
10.861, de 14 de abril de 2004, com o objetivo de melhorar a qualidade da educação superior e
orientar a expansão da oferta; identificar mérito e valor das instituições, áreas, cursos e programas,
nas dimensões de ensino, pesquisa, extensão, gestão e formação; e promover a responsabilidade
social das IES, respeitando a identidade institucional e a autonomia.
Com a sua implantação assegurou-se o processo nacional de avaliação da educação
superior no País, o que foi consolidado pela Portaria Normativa Nº 40/2007, republicada em 29 de
dezembro de 2010.
Os processos avaliativos são coordenados e supervisionados pela Comissão Nacional de
Avaliação da Educação Superior (CONAES) e a sua operacionalização é de responsabilidade do
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).
Para avaliar todos os aspectos que giram em torno dos objetivos citados, o INEP utiliza
vários instrumentos complementares e de informação para obter resultados que possibilitem
traçar o panorama de qualidade dos cursos e das instituições, provendo, desta forma, a avaliação
de Instituições, Estudantes e Cursos.
São instrumentos complementares a autoavaliação (conduzida pela Comissão Própria de
Avaliação – CPA, da Instituição de Educação superior – IES), a avaliação institucional externa, o
Enade e a avaliação dos cursos de graduação (avaliação in loco). Os instrumentos de informação
são os dados do cadastro (sistema e-MEC) e as informações censitárias do Censo da Educação
Superior (CESUP), fornecidas pelas IES.
Além disso, análises e revisões críticas dos instrumentos, das metodologias e dos critérios
utilizados também são realizadas pela CONAES com o objetivo de aprimorar esses instrumentos e
os procedimentos de avaliação, produzir indicadores de qualidade, divulgar os resultados e realizar
estudos para a melhoria da qualidade da educação superior no País.
O ciclo avaliativo do SINAES1 compreende a realização periódica de avaliação de
instituições e cursos superiores, com referência nas avaliações trienais de desempenho dos
1
Portaria Normativa MEC 40/2007, art. 33.
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
estudantes, as quais subsidiam, respectivamente, os atos de recredenciamento e de renovação de
reconhecimento. As avaliações são orientadas por indicadores de qualidade e geram conceitos de
avaliação de cursos superiores e de instituições, expedidos periodicamente pelo INEP, em
cumprimento à Lei nº 10.861/2004, e na forma da Portaria Normativa Nº 40/2007.
São considerados como indicadores de qualidade o desempenho de estudantes: o
conceito obtido a partir dos resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE;
de cursos superiores; o Conceito Preliminar de Curso – CPC; e de Instituições de educação superior,
bem como e o Índice Geral de Cursos avaliados – IGC.
Os conceitos são expressos numa escala de cinco níveis (de 1 a 5), em que os níveis iguais
ou superiores a 3 (três) indicam qualidade satisfatória2. Os indicadores de qualidade também serão
expressos numa escala de cinco níveis, em que os níveis iguais ou superiores a 3 (três) indicam
qualidade satisfatória e, no caso de instituições, também são apresentados em escala contínua.
Os resultados das avaliações da educação superior se tornam públicos e são utilizados
pelos seguintes segmentos:
 pela sociedade em geral (estudantes, pais de alunos, instituições acadêmicas e
público em geral) como fonte de informações para orientar suas decisões quanto
à realidade dos cursos e das Instituições;
 pelos órgãos governamentais (Estado) para orientar as políticas públicas; e
 pelas Instituições de Educação Superior para orientação da sua eficácia
institucional (desenvolvimento de seu PDI, revisão de sua missão, planos,
métodos e trajetória) e efetividade acadêmica e social.
O ciclo avaliativo do SINAES inicia-se com o Exame Nacional de Desempenho de
Estudantes - ENADE e é aplicado aos estudantes das áreas definidas anualmente, por Portaria
específica do INEP, atendendo a um calendário trienal de áreas e eixos tecnológicos, observadas as
seguintes referências:
Ano I – cursos de graduação das áreas da saúde, ciências agrárias e áreas afins e cursos
superiores de tecnologia: eixos tecnológicos em ambiente e saúde, produção
alimentícia, recursos naturais, militar e segurança;
Ano II – cursos de graduação das áreas de ciências exatas, licenciaturas e áreas afins e,
cursos superiores de tecnologia: eixos tecnológicos em controle e processos
industriais, informação e comunicação, infraestrutura, produção industrial;
2
Portaria Normativa MEC, art. 33-A, §1º e §2º.
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
Ano III – cursos de graduação das áreas de ciências sociais aplicadas, ciências humanas e
áreas afins e, cursos superiores de tecnologia: eixos tecnológicos em gestão e
negócios, apoio escolar, hospitalidade e lazer, produção cultural e design.
O ENADE é realizado todos os anos, aplicando-se trienalmente a cada curso, de modo a
abranger com a maior amplitude possível as formações objeto das Diretrizes Curriculares Nacionais
(DCNs), da legislação de regulamentação do exercício profissional e do Catálogo de Cursos
Superiores de Tecnologia3.
Tem por finalidade: avaliar o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos
programáticos; contribuir para a avaliação dos cursos de graduação por meio da verificação das
competências, habilidades e conhecimentos desenvolvidos pelos estudantes; aferir o desempenho
dos estudantes no que se refere ao uso, síntese e integração de conhecimentos adquiridos ao longo
do curso; possibilitar aos cursos o acompanhamento dos resultados de suas ações pedagógicas e
avaliar comparativamente a formação oferecida pela IES aos estudantes das respectivas áreas
avaliadas. Assim sendo, o ENADE passa a ser um dos instrumentos de avaliação da formação dos
estudantes e seus resultados oferecem elementos/insumos para a construção de indicadores de
qualidade dos cursos e servirão de referência para os processos posteriores de avaliação in loco.
O Conceito Enade considera exclusivamente o desempenho dos estudantes concluintes nas
provas de formação geral e do componente específico.
Com base nos resultados (insumos) do Enade, é calculado o Conceito Preliminar de Curso
(CPC), no ano seguinte à realização do Exame de cada área. O cálculo do CPC combina diversas
medidas relativas à qualidade do curso, a saber: o desempenho dos estudantes concluintes no
Enade; o corpo docente com a titulação e o regime de trabalho; as informações sobre
infraestrutura obtidas a partir do questionário do estudante; os recursos didático-pedagógicos
obtidos pelo questionário do estudante e os resultados do Indicador de Diferença entre os
Desempenhos Observado e Esperado (IDD) que são os insumos oriundos do desempenho dos
estudantes nas provas do Enade e Enem, a partir de seus respectivos questionários. As notas
técnicas específicas descrevem possíveis alterações no cálculo do CPC e ficam disponíveis na página
eletrônica do INEP (www.portalinep.gov.br/notastecnicas).
3
Portaria Normativa MEC 40/2007, art. 33-E.
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
No quadro a seguir, consta a composição do CPC:
Fonte: GRIBOSKI, C., INEP, 2011.
O CPC se constitui elemento de referência nos processos de avaliação in loco para subsidiar
a renovação de reconhecimento dos cursos de graduação.
Outro indicador de qualidade, instituído em 2008 para as Instituições, é o Índice Geral de
Cursos (IGC), que é publicado anualmente pelo INEP e é calculado considerando os seguintes
aspectos:
 a média ponderada dos últimos CPCs disponíveis dos cursos avaliados na instituição
no ano do cálculo e nos dois anteriores, ponderada pelo número de matrículas
(matriculados + formados, obtidos nos Censos) em cada um dos cursos
computados;
 a média dos conceitos de avaliação dos programas de pós-graduação stricto sensu
atribuídos pela CAPES na última avaliação trienal disponível, convertida para
escala compatível e ponderada pelo número de matrículas (matriculados +
titulados – ano do cálculo) em cada um dos programas de pós-graduação
correspondentes; e
 a distribuição dos estudantes entre os diferentes níveis de ensino (graduação,
mestrado e doutorado).
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
O quadro a seguir ilustra essa forma de cálculo para o IGC:
Fonte: GRIBOSKI, C., INEP, 2011.
Para regulamentar o processo de divulgação dos resultados, o INEP publica anualmente
Portaria específica4 estabelecendo os procedimentos de divulgação dos indicadores de qualidade e
informando sobre os insumos que sustentam o cálculo desses indicadores. Uma vez publicado o
resultado final pelo INEP, esses indicadores se constituem referência nos processos de avaliação in
loco para os cursos e às Instituições.
A Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), vinculado ao sistema estadual de
ensino, segue as normas para o funcionamento da Educação Superior no sistema Estadual de Santa
Catarina, conforme determina a Resolução Nº 100, de 22 de novembro de 2011, do Conselho
Estadual de Educação – CEE/SC. No entanto, considerando o que determina a legislação federal que
instituiu o e-MEC, sistema eletrônico de fluxo de trabalho e gerenciamento de informações
relativas aos processos de regulação, avaliação e supervisão da educação superior, foi estabelecido
um regime de cooperação entre o sistema estadual
e o sistema nacional de avaliação.
A
cooperação foi formalizada mediante acordo entre o CEE/SC e a CONAES e, para a execução dos
processos referentes à avaliação, são utilizados os instrumentos e critérios do SINAES, constituídos
nas seguintes modalidades:
4
Portaria Normativa 386, de 17 de outubro de 2012.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
 Avaliação institucional (autoavaliação e avaliação externa in loco);
 Avaliação de cursos;
 Avaliação do desempenho dos estudantes.
Os resultados considerados insatisfatórios (Conceito 1 ou 2 no IGC) incorrerão em
diligências à Instituição, com determinações de ações e metas a serem cumpridas em prazo
determinado para a superação dos fatores
que conduziram aos resultados negativos. O
descumprimento da diligência poderá resultar na suspensão temporária da abertura de processo
seletivo de cursos e cassação do credenciamento da instituição.
Para os resultados insatisfatórios nos cursos (1 ou 2 no CPC) deverá ser solicitada nova
avaliação in loco, instruída com um plano de melhorias, ou seja, relato das providências a serem
adotadas pelo curso para a superação das fragilidades expressas no CPC. Se após nova avaliação in
loco o curso continuar com conceito inferior a 3, serão sustadas as ofertas de vagas no curso
avaliado.
A partir de 2004, com a nova formatação do SINAES, a FURB continuou participando do
Exame, considerando a sua importância para definição de metas e ações nos cursos e na instituição.
Neste sentido, ações específicas e institucionais vêm sendo implementadas, dentre as quais
citamos algumas já consolidadas:

palestra informativa para Professores dos cursos avaliados;

palestra informativa
sobre o Enade (reforçando o Enade como parte integrante e
importante da avaliação da educação superior) aos estudantes dos cursos avaliados;

formação específica sobre o Enade aos Coordenadores de Curso no Programa de
Formação Institucional da Universidade;

campanha interna do Enade:
 cartaz personalizado para as salas de aula do curso;
 e-mail marketing com mensagens aos estudantes inscritos;
 página do Enade na FURB, desde 2008, em http://www.furb.br/enade;
 testeira institucional para os locais de prova;
 quiosque institucional e recepção aos estudantes. Instalação de um quiosque em
cada um dos locais de prova para servir de apoio aos estudantes no dia da prova
(recepção);
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
 após a publicação dos resultados: análise dos indicadores de qualidade, seus
insumos e análise do Relatório do Curso expedido pelo INEP;
 análise crítica das provas do Componente Específico pelos docentes da área, com
o objetivo de produzir material de apoio aos docentes e discentes.
Estabelecer uma política interna de avaliação e de acompanhamento nos cursos de
graduação com base nos referenciais de qualidade do SINAES, é uma possibilidade de qualificar os
espaços de ensino-aprendizagem, planejamento e execução de ações. Nesse sentido, a FURB
desenvolve ações institucionais e específicas de curto, médio e longo prazo para a melhoria da
qualidade do ensino. Essas ações envolvem diretamente a coordenação do curso, assessoria
pedagógica, professores e equipe de apoio da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação. Buscar a
participação dos estudantes nesse processo para aproximá-los da instituição, é um desafio para
concretizar a mudança e consolidar internamente uma cultura de avaliação que permita, como
escreve HADJI (2001), ir para além de diagnosticar, ou seja, é preciso prognosticar e energizar esse
processo voltado às exigências e ciclo avaliativo do SINAES. A análise dos resultados focadas em
ações tem proporcionado discussões para revisão dos projetos pedagógicos, numa definição de
estratégias de ensino, busca por investimentos para a manutenção e melhoria da infraestrutura,
qualidade do corpo docente (contratação e capacitação dos mesmos) e comprometimento com a
qualidade do ensino.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
O processo de análise das questões do ENADE
Me. Silvana Scheidemantel Schroeder
Coordenadora do Curso de Enfermagem - FURB
Dra. Marcia R. Selpa de Andrade
Assessora Pedagógica- CCS/PROEN- FURB
Dr. Marcus Vinicius Marques de Moraes
Apoio docente ao ENADE/ PROEN- FURB
Este livro é uma iniciativa do Curso de Enfermagem e da Assessoria Pedagógica do Centro
de Ciências da Saúde apoiada pela Divisão de Políticas Educacionais da Pró-Reitoria de Ensino da
Universidade Regional de Blumenau. Em sua primeira edição, traz na sua essência o processo de
análise das questões específicas do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), parte
do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), que avalia as instituições, os
cursos e o desempenho dos estudantes.
O curso de Enfermagem que prestou a prova no ano de 2010 será o primeiro dos cursos a
fazer parte desta iniciativa que tem como propósito subsidiar e preparar os acadêmicos formandos
para os próximos ENADEs. Este estudo visa, também, contribuir para a formação dos “professoresenfermeiros” visto que estes fizeram uma profunda análise dos enunciados das questões das áreas
específicas dessa profissão.
Compreendemos que elaborar questões de uma prova não é uma tarefa tranquila para os
docentes, pois, há aspectos técnicos e pedagógicos que necessitam ser considerados durante as
etapas de elaboração, execução e avaliação de uma prova. Foi um grande desafio para um grupo de
professores do Curso de Enfermagem da Universidade Regional de Blumenau – FURB.
Essa inquietação iniciou quando após a realização da prova, em 2010, os professores do
curso, ficaram curiosos e ansiosos em saber, afinal, o que “caiu” na prova! Com a divulgação das
provas e gabaritos, cada professor procurou saber o que foi abordado em sua área, procurando
relacionar com a proposta curricular do curso.
A partir de então, com o intuito de familiarizar os acadêmicos com o tipo de questão e
linguagem da prova, e buscando sempre a excelência no curso, procuramos, ao longo deste tempo,
propor provas com questões integradas de estilo semelhante à do ENADE. Isto, porém, não nos
bastou, e em 2012 a partir das oficinas pedagógicas, com a colaboração da Assessoria Pedagógica,
Apoio Docente - DPE/ PROEN e Coordenação do Colegiado do Curso de Enfermagem, iniciamos o
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
processo de análise das questões da prova - ENADE, observando-a de forma integrada e
pedagógica, dentro das grandes áreas apresentadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais do
Curso de Enfermagem (Resolução CNE/CES Nº 3, de 7 de novembro de 2001).
Foram estabelecidos vários encontros presenciais, que fizeram parte da formação docente,
bem como interlocuções individuais para que tornasse possível a construção deste material.
Deixamos claro que a organização das questões a seguir apresentadas, foi realizada de
acordo com o entendimento e vivência docente no Curso de Enfermagem da Universidade Regional
de Blumenau. Embora tenhamos dividido as questões em grandes áreas (previstas pelas Diretrizes
na Portaria Inep nº 217 de 13 de julho de 2010) percebemos que muitas questões poderiam estar
categorizadas em mais de uma grande área, o que mostra a integração do conhecimento entre elas
e a impossibilidade de segmentar o cuidado ao ser humano, bem como os estudos.
Segundo esta análise, foi observada uma desproporção em relação à distribuição das
questões dentro das grandes áreas. Os enunciados, no geral, estavam bem elaborados, mas dando
a impressão de terem sido tiradas de um banco de questões e desconexas entre si, abordando, por
vezes duplamente, o mesmo assunto em detrimento de outros. Observamos a característica da
regionalidade em algumas questões, o que prejudica o entendimento dos acadêmicos no geral.
Também nos chamou atenção o alto índice de questões anuladas – 20% das questões específicas.
Obviamente, a cada ano as questões serão novas, e, certamente, mais qualificadas, visto
que o Banco Nacional de Itens (BNI) é uma estratégia que vem se consolidando desde 2010. Os
temas abordados também serão outros, o que, a exemplo de um vestibular, faz com que seu
conteúdo seja uma surpresa, em decorrência de temas que poderão ser incluídos. Mas entendemos
que o cerne da avaliação nacional deva ser de conhecimento geral, ou seja, a partir de uma
formação profissional generalista, procurando abrangem temas que possam ser pertinentes à todo
o país e não somente a uma determinada região.
Esperamos com este estudo contribuir para o enriquecimento de nossa profissão,
qualificando o processo ensino aprendizagem, e por sua vez na formação dos futuros profissionais,
não somente de nossa Universidade, mas de todo o Brasil.
Agradecemos a colaboração dos docentes, discentes do Curso de Enfermagem, e equipe da
DPE/PROEN da Universidade Regional de Blumenau que envolveram -se nesse processo.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
Análise das Questões da Prova de 2010
3.1 Bases Biológicas e Sociais da Enfermagem
Ao ingressar em uma universidade, todo acadêmico espera encontrar disciplinas
imediatamente relacionadas à sua futura profissão, como ingressar nas clínicas, usar jalecos e ter
contato com pacientes. Porém, o universitário logo se depara com as Disciplinas Básicas, as quais
são, muitas vezes, analisadas como dispensáveis e irrelevantes para sua formação.
As disciplinas básicas, tais como anatomia humana, biologia celular, histologia e embriologia,
fisiologia, genética, bioquímica, microbiologia, parasitologia, dentre outras, são consideradas o
alicerce de todas as disciplinas clínicas. São, portanto, disciplinas instrumentais e indispensáveis, pois
significam tudo aquilo que será usado, um instrumento, uma ferramenta, uma atividade intelectual
eficaz. Logo, conhecê-las bem é uma necessidade.
Temos inicialmente no curso de Enfermagem as Ciências Morfológicas, que incluem a
Anatomia, a Histologia e a Embriologia, afeitas originalmente ao estudo macroscópico e microscópico
da estrutura dos seres vivos, particularmente do homem e de sua evolução embriológica.
Atualmente, importante área que tem se sobressaído nestas ciências é a Biologia Celular, que trata
do estudo da estrutura e função dos componentes celulares e subcelulares in vivo.
Tomemos como exemplo as disciplinas da área morfológica como anatomia, histologia,
embriologia e biologia celular, uma das colunas fundamentais que dão sustento às ciências da saúde,
e vamos mostrar que seu entendimento é necessário para um bom proceder profissional. A estrutura
das aulas da área morfológica apresenta dois momentos distintos: a parte teórica, na qual são
apresentados os conceitos e definições dos sistemas e órgãos do corpo humano; e a parte prática,
que, utilizando-se de peças anatômicas naturais ou lâminas ou ainda eletromicrografias, em um
laboratório, fazendo-se o estudo das características gerais e de suas interrelações. Não é apenas a
visualização de estruturas, mas a aplicação no dia a dia dos alunos. Acreditamos na importância do
uso do cadáver nas aulas práticas para a formação da personalidade e da ética profissional, já que o
cadáver poderia ser considerado como o primeiro paciente do acadêmico na área de saúde, assim
como as lâminas histológicas o primeiro material para a realização de uma série de diagnósticos a
serem utilizados na patologia.
Além da aquisição do conhecimento científico, as aulas práticas de disciplinas da área
morfológica, principalmente a anatomia humana podem ser consideradas como ponto de partida
para o progresso de conscientização do processo de vida e morte. Quando o acadêmico está em
prática de estágio, ele se conscientiza da importância do que foi aprendido pela experiência das aulas
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
de anatomia, pois compreende com maior clareza a dimensão da vida e da morte, no mundo do
cuidar hospitalar.
No curso temos ainda, um conjunto de disciplinas que aborda os processos de interação
entre parasitas e hospedeiros, principalmente por parte de microrganismos patogênicos, objeto de
estudo da Microbiologia, além de Parasitologia, que estuda a infecção por parte de protozoários (por
exemplo, amebas) e helmintos (entre outros, vermes). Ainda são estudados os mecanismos de
proteção dos organismos vivos contra essas infecções, que incluem a análise de processos químicos e
celulares de defesa.
Este ensino envolve significativa parcela de exercícios práticos que necessitam de forte
infraestrutura laboratorial e fornecimento de suprimentos especializados para que possa fornecer
dados que colaborem com a melhora do aproveitamento das disciplinas profissionalizantes.
Nesse sentido, o ensino nas ciências da saúde está cada vez mais interligado através da
interdisciplinaridade, na necessidade de se buscar um modelo educacional que reúna uma sólida
formação científica, ética e humanista às responsabilidades profissionais, porque o mercado de
trabalho apresenta um dinamismo constante entre as necessidades deste trabalho e a atuação
profissional.
Assim, a educação deve instrumentalizar o homem como um ser capaz de agir sobre o
mundo e, ao mesmo tempo compreender a ação exercida.
QUESTÃO 13 - Autores: Hercilio Higino da Silva Filho, Keila Zaniboni Siqueira Batista –
docente FURB
Avalie as asserções a seguir:
As parasitoses intestinais provocadas por protozoários e helmitos são infestações que
podem desencadear alterações no estado físico, psicossomático e social, interferindo diretamente
na qualidade de vida de seus portadores, principalmente em crianças.
PORQUE
A disseminação das parasitoses também pode ocorrer por meio do contato interpessoal
com pessoas infectadas que habitam a mesma residência, principalmente em moradias menores
que favorecem o confinamento, reforçando a importância da investigação parasitária na população
materno-infantil.
Analisando a relação proposta entre as duas asserções acima, assinale a opção correta
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da
primeira.
B) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da
primeira.
C) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa.
D) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma proposição verdadeira.
E) As duas asserções são proposições falsas.
Gabarito: alternativa B
COMENTÁRIO:
Nessa questão, devemos analisar as asserções separadamente como frases corretas ou
incorretas e, posteriormente, verificar a dependência entre elas, isto é, se uma justifica a outra.
Na primeira frase do enunciado temos um trecho correto. As doenças parasitárias causadas
por helmintos e protozoários são uma das manifestações mais comuns em pediatria e responsáveis
por um significativo número de internações. No Brasil, 66% das crianças em idade escolar são
parasitadas, sendo comum o multiparasitismo e a associação entre desnutrição e anemia. Esse
dado traduz uma piora da saúde, bem como do rendimento escolar e do desenvolvimento físico da
criança.
Indivíduos que vivem em condições precárias de saneamento básico, de abastecimento de
água e de habitação, e sem hábitos de higiene pessoal e coletiva são os mais propensos à aquisição
de enteroparasitoses. A prevalência de parasitoses é alta em locais onde as condições de vida e de
saneamento básico são insatisfatórias ou inexistentes. O desconhecimento de princípios de higiene
pessoal e de cuidados na preparação dos alimentos facilita a infecção e predispõe a reinfecção em
áreas endêmicas.
Diante do exposto, conclui-se que ambas as frases estão corretas, porém uma não justifica
corretamente a outra.
REFERÊNCIAS:
ANDRADE, E. C.; LEITE, I. C. G.; RODRIGUES, V. O. et al. Parasitoses intestinais: uma revisão sobre
seus aspectos sociais, epidemiológicos, clínicos e terapêuticos. Rev. APS, Juiz de Fora, v. 13, n. 2, p.
231-240, abr./jun. 2010.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
MANFROI, A.; STEIN, A.T.; CASTRO FILHO, E.D. Projeto Diretrizes: Abordagem das Parasitoses
Intestinais mais Prevalentes na Infância. Sociedade Brasileira de Medicina de Família e
Comunidade, 2009.
NEVES, D.P. et al. Parasitologia Humana. 12a edição, Ed. Atheneu, 2012.
QUESTÃO 14 - Autora: Hercilio Higino da Silva Filho, Keila Zaniboni Siqueira Batista docente FURB
A dengue é uma doença febril aguda, de etiologia viral, de evolução benigna na forma
clássica e grave quando se apresenta na forma hemorrágica. É uma importante arbovirose (doença
transmitida por artrópodes) que afeta o homem e constitui um sério problema de saúde pública,
especialmente nos países tropicais, inclusive no Brasil. O principal vetor da dengue é o mosquito
Aedes aegypti.
No que tange à suscetibilidade e imunidade à dengue, assinale a opção incorreta.
A) A suscetibilidade ao vírus da dengue é universal.
B) A imunidade não é permanente para um mesmo sorotipo.
C) A resposta primária se dá em pessoas não expostas anteriormente ao flavivírus, e o título
de anticorpos se eleva lentamente.
D) A resposta secundária se dá em pessoas com infecção aguda por dengue, mas que tiveram
infecção prévia por flavivírus, e o título de anticorpos se eleva rapidamente em níveis altos.
E) A suscetibilidade à febre hemorrágica da dengue não está totalmente esclarecida.
Gabarito: alternativa B
COMENTÁRIO:
A alternativa incorreta é a “B”, uma vez que os diferentes sorotipos do vírus da dengue,
entre outros vírus, carregam antígenos de superfície ou moléculas antigenicamente distintas em
sua superfície viral, as quais desencadeiam respostas imunológicas específicas. Dessa forma, um
sorotipo viral gera a produção de anticorpos específicos a ele, além de células de memória que, por
sua vez, são ativadas rapidamente numa segunda exposição ao mesmo sorotipo (resposta
secundária). Nesse estágio secundário, a resposta imune humoral tem ampla magnitude e é
rapidamente montada, fazendo com que o sorotipo em questão seja neutralizado antes da
manifestação dos sintomas da doença, ou até mesmo antes da infecção das células-alvo.
Concluindo, a imunidade desenvolvida é permanente para um mesmo sorotipo (homóloga),
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
existindo, contudo, imunidade cruzada (heteróloga) temporária para os demais sorotipos. A
infecção produz imunidade apenas contra os tipos 1, 2, 3 ou 4, que causaram a doença. Em outras
palavras, se a infecção foi com o tipo 2, a pessoa pode ter novamente a dengue causada pelos vírus
dos tipos 1, 3 ou 4.
Na alternativa “A”, temos uma afirmação verdadeira. A suscetibilidade ao vírus da dengue
não sofre nenhuma influência da idade, do sexo, da raça ou de outro parâmetro. O único ponto que
sofre influência é a sua epidemiologia, dependendo da localização geográfica dos países e do grau
de ocorrência dos artrópodes relacionados à transmissão do vírus. A doença se alastrou por vários
países, disseminando-se devido à existência de condições favoráveis, como as ambientais,
relacionadas ao vetor ou à população. Pode-se resumir sua distribuição geográfica como
pantropical. Segundo a agência da ONU, a cada ano, de 50 a 100 milhões de pessoas são afetadas
pelo vírus. Os casos são mais frequentes em áreas urbanizadas e com grande movimento de
pessoas. As zonas de risco estão nas regiões tropicais e subtropicais. As áreas mais atingidas pelo
mosquito da dengue são a América Latina, o Sudeste da Ásia e o Pacífico.
Nas alternativas “C” e “D”, temos afirmações verdadeiras que podem ser argumentadas da
mesma forma. A fisiopatogenia da resposta imunológica à infecção aguda por dengue pode ser
primária ou secundária. A resposta imunológica à infecção aguda é primária em pessoas não
expostas previamente ao vírus da dengue, ou secundária em pessoas que tiveram infecção prévia.
Na alternativa “E”, temos uma afirmativa verdadeira. A suscetibilidade à dengue
hemorrágica não está totalmente esclarecida. As hipóteses que procuram explicar sua ocorrência
relacionam o aparecimento da dengue hemorrágica à virulência da cepa infectante (Teoria de
Rosen), à ocorrência de infecções sequenciais por diferentes sorotipos num período de três meses
a cinco anos (Teoria de Halstead) e a fatores de risco relacionados ao hospedeiro, como idade,
sexo, estado imunitário e outros (Teoria da Multicausalidade). Na Teoria de Rosen, existe uma
relação entre o aparecimento da dengue hemorrágica e a virulência da cepa infectante, de modo
que as formas mais graves são resultantes de cepas extremamente virulentas. Por outro lado, a
Teoria de Halstead afirma que a resposta imunológica, na segunda infecção, é exacerbada, o que
resulta numa forma mais grave da doença. Por fim, a Teoria Integral de Multicausalidade, que tem
sido proposta por autores cubanos, relata que se aliam vários fatores de risco às teorias de
Halstead e da virulência da cepa.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
Sugere-se dar preferência à escolha da alternativa correta, e não da incorreta. Esta última
formulação é considerada antipedagógica.
REFERÊNCIAS
CONTROLE DE ENDEMIAS (SUCEN) - Diretoria de Combate a Vetores (DCV). Guia básico de Dengue.
2002. Acesso em setembro de 2012. Disponível em:
http://portal.saude.sp.gov.br/resources/ses/perfil/cidadao/orientacao/guia_basico_de_dengue.pdf
RAMOS JUNIOR. A.N. et al. Dengue. In: Batista et al. Medicina Tropical – Abordagem atual das
Doenças Infecciosas e Parasitárias. Cultura Médica, 2001, p. 613-620.
VOLTARELLI, J.C. et al.Imunologia Clínica na Prática Médica. São Paulo: Editora Atheneu, 2008. 2ª
ed. 377 p. il.
QUESTÃO 15 - Autoras: Claudia Almeida Coelho de Albuquerque , Mara Sandra Giacomini
Pivesso e Sara Cristiane Barauna – docentes FURB
A esclerose múltipla é uma doença autoimune, crônica, que afeta o sistema nervoso central
provocando dificuldades motoras e sensitivas, comprometendo a qualidade de vida de seus
portadores. Os sintomas caracterizam-se por distúrbios visuais, perda de sensibilidade dos
membros inferiores, fadiga, disfunções motoras e dor. A patologia é um processo inflamatório que
causa uma lesão nos axônios neuronais e produz uma esclerose em vários locais do sistema
nervoso central, conforme ilustra a figura abaixo.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
Disponível me https://esclerosemultipla.wordpress.com/category/esclerose-multipla. Acesso em 10 ago.2010.
Nesse contexto, qual a importância da bainha de mielina na função neurológica?
A) Proteger as fibras nervosas contra agressões físicas, químicas e biológicas.
B) Retardar a propagação dos impulsos através dos neurônios cerebrais motores.
C) Dar consistência a fibra nervosa para que não seja comprimida por músculos.
D) Isolar a fibra nervosa e permitir a condução saltatória dos potenciais de ação.
E) Promover o transporte axonal que ocorre em vários pontos do sistema nervoso central.
Gabarito: alternativa D
COMENTÁRIO:
De acordo com a APEM (Associação Paulista de Esclerose Múltipla), estima-se que, no Brasil,
a incidência da esclerose múltipla seja de 10 casos para cada 100 mil habitantes. Em um estudo
realizado no estado de São Paulo, foi demonstrada a incidência de 5/100.000 habitantes (OLIVEIRA
et al., 1999).
Como citado no enunciado da questão, essa doença promove uma desmielinização
progressiva dos axônios dos neurônios do sistema nervoso central, o que acarreta diversos
problemas que prejudicam a qualidade de vida dos portadores, como a perda da visão, rigidez
generalizada, visão dupla, fraqueza, dormência, dor, falta de equilíbrio e comprometimento
intelectual (BRUNNER et al., 2005).
A bainha de mielina é um sistema de membranas que envolvem os axônios dos neurônios.
No sistema nervoso central, essa estrutura é formada por prolongamentos que partem dos
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
oligodendrócitos. Essas células possuem a capacidade de formar múltiplos segmentos da bainha de
mielina em diferentes axônios ou em um mesmo axônio (SOLDAN; PIRKO, 2012).
A formação da bainha de mielina envolve um processo complexo, dependente de
diferenciação celular, interação com sinais provenientes do meio e alterações na morfologia da
célula (GARTNER; HIATT, 2003). Nas doenças desmielinizantes, como a esclerose múltipla, qualquer
um dos fatores acima citados pode sofrer alteração. Devido à sua composição e complexidade
estrutural, a bainha de mielina torna-se suscetível às respostas inflamatórias autoimunes (SOLDAN;
PIRKO, 2012).
A alternativa “A” está incorreta, pois a estrutura da bainha de mielina não está diretamente
relacionada com a função protetora, embora os prolongamentos dos oligodendrócitos possam
indiretamente contribuir com o papel de sustentação. Estudos imunohistoquímicos de Simons e
Trajkovic (2006) revelaram que a mielina de mamíferos conta com aproximadamente 70% do peso
seco do SNC. Ela é composta por lipídeos (70-75% do peso seco) e proteínas (25-30%). O colesterol
é encontrado em torno de 25%, os fosfolipídeos em torno de 40-45% e o restante, 25-30%, é de
galactolipídeo (GalC).
A alternativa “B” está incorreta, uma vez que a bainha de mielina é uma estrutura única
formada por uma membrana lipídica rica em glicofosfolipídeos e colesterol que recobre os axônios
e facilita a rápida comunicação entre os neurônios.
A bainha de mielina acelera a condução do impulso nervoso, pois funciona como um isolante.
Sendo assim, os impulsos ocorrem de maneira saltatória ao longo do axônio, através dos nódulos
de Ranvier, que funcionam como replicadores, e o impulso é fortalecido e enviado em salvas, de
nódulo em nódulo, onde os íons de sódio invadem o nódulo e em seguida os canais de potássio se
abrem para propulsionar o impulso até o nódulo seguinte. A influência que a mielina pode causar
na velocidade de condução ocorre através da regulação do diâmetro do axônio, da espessura da
bainha de mielina, do número e do espaço de nódulos de Ranvier, da estrutura nodal e da
composição molecular dos canais de íons nas regiões nodais e paranodais (MENDES et al., 2011).
A alternativa “C” está incorreta, pois dar consistência ou resistência à fibra nervosa não tem
relação com a função da mielina, e sim com a função da estrutura do tecido conjuntivo, rico em
colágeno, que envolve o nervo, no SNP – endoneuro, perineuro e epineuro (GARTNER; HIATT,
2003).
A alternativa “D” está correta, porque, para aumentar a velocidade de condução do potencial
de ação, os axônios são envolvidos por uma camada isolante constituída por lipídeos e algumas
proteínas: a bainha de mielina. Essa bainha é interrompida de intervalo em intervalo por espaços
regulares denominados “nós de Ranvier”, os quais têm sido considerados uma estrutura essencial
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
para a condução de impulsos nervosos rápidos, pois é nesses locais não isolados do axônio que o
potencial de ação se regenera (KANDEL et al., 2003).
A alternativa “E” está incorreta, pois o transporte axonal é dependente de estruturas do
citoesqueleto celular e/ou neuronal. O citoesqueleto é composto por um conjunto de proteínas
responsáveis por garantir a forma da célula e a movimentação celular, promover a adesão célulacélula e, dentre outras funções, permitir o transporte intracelular de organelas e vesículas
(ALBERTS, 2006). Os microtúbulos são componentes do citoesqueleto localizados no citoplasma das
células e nos axônios dos neurônios. Essas estruturas permitem o transporte de vesículas axonais
com o auxílio de proteínas motoras que utilizam a energia proveniente da hidrólise do ATP. As
dineínas e as cinesinas constituem um grupo de proteínas motoras que transportam as vesículas do
terminal axonal em direção ao corpo celular e do corpo celular para o terminal axonal,
respectivamente (ALBERTS, 2006).
REFERÊNCIAS
ALBERTS, B. Fundamentos da biologia celular.2ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
BRUNNER, L. S.et al. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica.10ed. Rio de Janeiro : Guanabara
Koogan, 2005.
GARTNER, L.P.; HIATT, J. Tratado de Histologia em Cores. 2ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2003.
KANDEL, E.R.; SCHWARTZ, J.H.; JESSEL, T.M. Princípios da Neurociência. 3 ed. Barueri: Manole,
2003.
MENDES, P.B.; MELO, S.R.Origem e Desenvolvimento da Mielina no Sistema Nervoso Central – um
estudo de revisão. Revista Saúde e Pesquisa, 2011; 4:93-99.
OLIVEIRA, E.M.L.; ANNES, M.;OLIVEIRA, A.S.B.; GABBA, A.A. Estudo clínico de 50 pacientes
acompanhados no ambulatório de neurologia UNIFESP-EPM. ArqNeuro-Psiquiatria 1999; 57(3B):
775-83.
SOLDÁN, M.M.P.; PIRKO, I. Biogenesis and Significance of Central Nervous Systema Myelin.
SeminNeurol. 2012; 32:9-14.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
3.2 Fundamentos de Enfermagem
Na formação do enfermeiro generalista observa-se cada vez mais a necessidade de se
utilizar uma abordagem integral no desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem,
objetivando de que o estudante possa incorporar em sua prática os aspectos sociais, legais,
políticos e éticos que envolvem a sua profissão e a sociedade como um todo.
Dentro desta grande área são abordados conteúdos referentes aos seguintes temas:
cidadania e saúde, englobando as políticas públicas de saúde, as disciplinas saúde coletiva e
epidemiologia; exercício profissional que envolve, além da legislação, os aspectos éticos da
profissão e a bioética; o processo de investigação em saúde/ enfermagem e a biossegurança.
O tipo de agrupamento de grandes áreas e áreas apresentado é peculiar ao Exame Nacional
de Desempenho dos Estudantes, o que, muitas vezes, difere das organizações curriculares dos
cursos de Enfermagem do país, visto que para a maioria dos cursos o Fundamento de Enfermagem
inclui também disciplinas de cunho profissionalizante, tais como práticas de enfermagem e
disciplinas das áreas básicas, como anatomia, fisiologia, histologia, entre outras. Isto fica claro na
apresentação das questões específicas da prova. Observa-se a prevalência de questões
relacionadas à área de saúde coletiva, em especial o tema de políticas públicas, sendo que os
demais temas desta grande área não foram inclusos.
Consideram-se os temas inclusos nesta grande área de relevância para a formação do
profissional enfermeiro, como também do cidadão brasileiro, pois estes são fundamentais
na produção de uma prática profissional coerente política e socialmente.
A nosso ver porém, as áreas deveriam ser contempladas de forma mais equânime, pois
foram distribuídas de forma desigual, abordando mais alguma áreas específicas em detrimento de
outras.
QUESTÃO 12 - Autores: Silvana Scheidemantel Schroeder e Jarbas Galvão – docentes
FURB
Um paciente internado na clínica médica há 12 dias, com história de fratura de fêmur
esquerdo, faz uso de anticoagulante. Estão prescritos 12 000 UI de heparina IV de 12/12 horas. No
posto da unidade de internação, há um frasco de heparina de 5 ml, contendo 5 000 UI/mL. Quantos
mililitros de heparina o enfermeiro deve ministrar ao paciente em cada horário?
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
a) 1,8
b) 2,0
c) 2,2
d) 2,4
e) 3,5
_____________________________________________________________________
Gabarito: alternativa D.
COMENTÁRIO:
A heparina é um anticoagulante cuja via de administração é subcutânea ou endovenosa.
Sua apresentação é em Unidades Internacionais e pode ser em frasco-ampola de 5.000UI/ml
(25.000UI/5ml), em ampolas (5.000UI/0,25ml) e nas seringas já preparadas (de acordo com o
fabricante). Sua dosagem é calculada com base nas provas de coagulação e no diagnóstico do
paciente. O enfermeiro deve estar atento aos locais de aplicação e realizar o rodízio (abdome,
coxas, braço), buscando sinais de hematomas. Deve-se evitar, se possível, durante o tratamento
com a heparina, a administração de medicamentos via intramuscular. A dosagem é calculada com
base numa regra de três, de acordo com a apresentação disponível na instituição.
Neste caso a conta ficaria assim:
5.000 UI -------- 1 ml
12.000 UI -------- X
X= 12.000 UI x 1 ml
5.000UI
X= 2,4 ml
REFERÊNCIAS
DICIONÁRIO DE ESPECIALIDADES FARMACÊUTICAS: DEF 2011-12 – 40 ed. Rio de Janeiro:
Publicações Científicas, 2011.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
LIMA, Ana Beatriz Destruti de. Cálculos e conceitos em farmacologia. 14 ed. São Paulo: Ed. Senac.
2007.
TIMBY, Barbara Kuhn. Conceitos e habilidades fundamentais no atendimento de enfermagem. 8
ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.
QUESTÃO 17 - Autora: Margot Friedmann Zetzsche – docente FURB
A Estratégia de Saúde da Família (ESF) vislumbra a transformação do modelo assistencial
em curso no país. A Política de Saúde Mental também objetiva a transformação do modelo, e uma
de suas estratégias constitui-se nos Centros de Apoio Psicossocial (CAPS). Os CAPS e as ESF são
processo simultâneos, porém ainda pouco articulados. As práticas de ESF e Saúde Mental
assemelham-se quanto
A) Adotam a abordagem individual.
B) Dão ênfase aos deveres dos usuários.
C) Reconhecem as pessoas por seus quadros patológicos.
D) Elegem o território como lócus de coprodução de saúde.
E) Visam aumentar a autonomia do profissional frente às condições de trabalho.
_____________________________________________________________________
Gabarito: alternativa D.
COMENTÁRIO:
Os serviços de saúde mental inserem-se em todos os níveis de complexidade do SUS e
compõem a rede de atenção à saúde e a rede de atenção psicossocial. Considerando-se a lógica de
construção do SUS, que privilegia os cuidados comunitários, a integralidade da atenção e a inserção
do indivíduo em seu território, o cuidado em saúde mental deverá conceitualmente ser um cuidado
compartilhado pelas equipes. As equipes de atenção básica e de atenção psicossocial deverão,
necessariamente, passar por momentos de encontro e discussão com o olhar etnográfico,
privilegiando os aspectos comunitários e a inserção do indivíduo em seu território, família e
comunidade, além de suas crenças e sua história de vida.
A alternativa “A” está incorreta, pois a abordagem é, por princípio, familiar e comunitária.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A alternativa “B” está incorreta, pois toda discussão sobre saúde deve contemplar
igualmente direitos e deveres.
A alternativa “C” está incorreta. A abordagem é sempre pelo princípio da integralidade,
vendo o indivíduo como biopsicossocial; nunca é centrada na doença.
A alternativa “D” está correta, pois o território é o locus privilegiado de produção de saúde
(CAMPOS, 2006).
A alternativa “E” está incorreta. A autonomia do profissional se dá pelo conhecimento e
inserção em sua prática profissional, e não pela aproximação ou não de ambas as práticas. A
aproximação entre os serviços decorre da lógica de compreensão do cuidado, podendo, inclusive,
possibilitar maior autonomia e criatividade para os profissionais (FREIRE, 1996).
REFERÊNCIAS
CAMPOS, Gastão Wagner de Souza Campos et al. Tratado de Saúde Coletiva. São Paulo: Hucitec,
Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2006. 871p.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 2. ed. Rio de
Janeiro: Paz e Terra, 1996.
MENDES, E. V. Distrito Sanitário: o processo social de mudança das práticas sanitárias do Sistema
Único de Saúde. São Paulo/Rio de Janeiro: HUCITEC-ABRASCO, 1995.
QUESTÃO 18: ANULADA - Autora: Silvana Scheidemantel Schroeder – docente FURB
O paciente M. K. , de 34 anos de idade, do sexo masculino, alérgico à dipirona e penicilina,
encontra-se em primeiro pós-operatório de septoplastia, com tampão nasal limpo e seco e com
queixa de cefaléia intensa durante o período da noite. Em sua prescrição médica, encontra-se
receitada dipirona 1g – EV S/N. O enfermeiro responsável pelo cuidado desse paciente, após
avaliação da queixa, consultou o prontuário e, diante da prescrição, administrou a medicação,
conforme indicação do cirurgião. Nesse caso, considera-se que a segurança do paciente está em
risco por erro de=
A) Administração de medicamento não autorizado.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
31
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
B) Administração pela via errada.
C) Prescrição.
D) Preparo.
E) Dose.
_______________________________________________________________________________
Gabarito: alternativa C.
COMENTÁRIO:
O metamizol sódico, ou dipirona sódica, é usado como analgésico e antitérmico. Pode ser
administrado por via oral ou parenteral. Seu metabolismo é através do fígado e é excretado pelos
rins. A dipirona tem como reações adversas: ardor, edema, prurido, rubor e urticária. Porém sua
maior reação adversa é a agranulocitose, ou trombocitopenia. Esse tipo de reação fez com que a
dipirona fosse banida de praticamente toda a União Europeia e dos Estados Unidos. No Brasil ela é
largamente comercializada. A prescrição de um medicamento é de responsabilidade do médico.
Sabendo antecipadamente que o paciente era alérgico à dipirona, o profissional não deveria tê-la
prescrito. Para tanto, uma anamnese completa pré-operatória deveria ter sido realizada. Essa
anamnese faz – ou deveria fazer – parte da rotina pré-operatória. O médico deveria tê-la observado
antes de prescrever o medicamento, pois a indicação de medicamentos é de sua responsabilidade.
O enfermeiro não feriu a regra dos 5 certos: medicamento certo, dose certa, paciente certo,
horário certo e via certa, porém seguiu a prescrição, que estava errada, colocando em risco a
segurança e a vida do paciente.
A alternativa “A” está incorreta, pois a medicação estava prescrita. A alternativa “B” está
incorreta por não haver erro de via. As alternativas “D” e “E” estão incorretas, pois não houve erro
de preparo ou dose. A alternativa certa é a “C”, pois a falha estava na prescrição.
A questão foi anula provavelmente porque há uma falha ética grave ao envolver outro
profissional. Não é uma questão que acrescenta conhecimento para o acadêmico de enfermagem.
REFERÊNCIAS
Dicionário de Especialidades farmacêuticas: DEF 2011-12 – 40 ed. Rio de Janeiro: Publicações
Científicas, 2011.
POTTER, Patrícia Ann; PERRY, Anne Griffin. Fundamentos de enfermagem. 7 ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2009.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
32
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
TIMBY, Barbara Kuhn. Conceitos e habilidades fundamentais no atendimento de enfermagem. 8
ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.
QUESTÃO 20 - Autora: Cláudia Regina Lima Duarte da Silva – docente FURB
O gráfico acima revela que a tuberculose continua sendo um preocupante problema de
saúde no Brasil, exigindo o desenvolvimento de estratégias para o seu controle. Considerando que
os casos bacilíferos são a principal fonte de disseminação da doença, para tentar interromper sua
cadeia de transmissão, é fundamental a
A) Realização de prova tuberculínica cutânea em todas as pessoas com casos suspeitos e em
seus comunicantes.
B) Percepção de que existem pessoas expostas aos bacilos que não desenvolvem a doença,
mas a transmitem por meio de materiais de uso comum.
C) Busca ativa de sintomático respiratório, isto é, de indivíduos com tosse por tempo igual ou
superior a seis semanas.
D) Compreensão de que o conceito de contato abrange os familiares que convivem no mesmo
ambiente domiciliar com o caso índice no momento do diagnóstico da tuberculose.
E) Descoberta precoce de caso novo por meio da busca ativa do sintomático respiratório na
população com tosse há mais de três semanas.
_________________________________________________________________________________
Gabarito: alternativa E.
COMENTÁRIO:
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
33
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A alternativa “A” está incorreta porque a prova tuberculínica cutânea não é a maneira mais
eficaz de interromper a cadeia de transmissão da tuberculose. A melhor forma é através da busca
ativa.
A alternativa “B” está incorreta porque a transmissão da tuberculose ocorre por meio de
gotículas contendo bacilos expelidos por um doente com tuberculose pulmonar ao tossir, espirrar
ou falar, e não por meiro de materiais de uso comum (Caderno de Atenção Básica nº 21 do
Ministério da Saúde, 2010).
A alternativa “C” está incorreta porque a busca ativa do sintomático respiratório deve ser
realizada para pessoas sintomáticas respiratórias com expectoração há pelo menos três semanas. O
que pega nesta questão é o fato de ela afirmar “com tosse por tempo igual a seis semanas”.
A alternativa “D” está incorreta porque afirma que o contato abrange familiares que
convivem no momento do diagnóstico, mas pode tratar-se de pessoas que são parentes ou que não
coabitam com um paciente com tuberculose. Não precisa ser somente familiares.
A alternativa “E” está correta porque explica corretamente o que é busca ativa. De acordo
com o Caderno de Atenção Básica nº 21, o sintomático respiratório é a pessoa que está com tosse
há mais de três semanas.
Nesta questão, o gráfico pode confundir o aluno e só foi utilizado para ilustrar, não tendo
relação com o enunciado. Foi, inclusive, pouco pedagógico, pois a questão não solicita a sua
análise.
REFERÊNCIA
BRASIL. Caderno de Atenção Básica nº 21 do Ministério da Saúde, Brasília, 2010.
QUESTÃO 25: ANULADA - Autora: Cláudia Regina Lima Duarte da Silva – docente FURB
O acúmulo técnico-político dos três níveis de gestão do SUS, na implantação do Programa
de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e da Estratégia de Saúde da Família (ESF), elementos
essenciais para a reorientação do modelo de atenção, tem possibilitado a identificação de um
conjunto de questões relativas às bases conceituais e operacionais do que se tem denominado
atenção básica à saúde no Brasil, e de suas relações com os demais níveis do sistema. Essa
discussão fundamenta-se nos eixos transversais da universalidade e da equidade, em um contexto
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
34
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
de descentralização e controle social da gestão, princípios assistenciais e organizativos do SUS,
consignados na legislação constitucional e infraconstitucional.
Considerando o texto como referência inicial, assinale a opção correta acerca da atenção
básica em saúde.
A) O Programa Saúde da Família é a estratégia prioritária para a reorganização da atenção
básica, por ser um atendimento prestado por equipes especialistas que se responsabilizam
pela sfamílias cadastradas em sua área.
B) A equipe mínima para a ESF é composta por um médico da família, um enfermeiro, um
auxiliar de enfermagem, um dentista, agentes comunitários de saúde, um auxiliar e um
técnico em higiene dental.
C) A atenção básica é considerada a porta de entrada para o SUS por cuidar apenas da
promoção da saúde e da prevenção primária.
D) Cada equipe da ESF é responsável pelo acompanhamento de 3 mil pessoas ou 500 famílias
de determinada área.
E) O PACS substitui a ESF em municípios com menos de 50 mil habitantes.
_________________________________________________________________________________
Gabarito: alternativa E.
COMENTÁRIO:
A alternativa “A” está incorreta porque afirma que “O Programa Saúde da Família presta
atendimento por equipes especialistas” e, ao utilizar esse termo – especialistas, se refere a um
atendimento de referência, como a Policlínica, com profissionais especialistas.
A alternativa “B” está incorreta porque a “equipe mínima” para a ESF é composta por
médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem e ACS, conforme a PORTARIA Nº 2.488, que aprova a
Política Nacional de Atenção Básica. Existem 2 modalidades de equipes de saúde da família: a
modalidade 1 é a equipe mínima e a 2 engloba a odontologia.
A alternativa “C” está incorreta porque afirma que a atenção básica cuida “apenas” da
promoção e prevenção: falta a recuperação da saúde. Todas as questões que possuem palavras
excludentes, como “apenas”, “somente” etc., devem ser lidas com mais cuidado e reavaliadas (são,
inclusive, antipedagógicas, portanto nem deveriam ser utilizadas no ENADE).
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
35
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A alternativa “D” está incorreta porque afirma que 500 famílias são 3 mil pessoas, e não dá
para determinar a quantidade de membros de cada família. O critério estabelecido na Portaria nº
648 é o número de famílias, e não de pessoas.
A alternativa “E” está correta porque em municípios com menos de 50 mil habitantes o
PACS substitui a ESF.
A situação não corresponde à realidade de Blumenau e região, pois os municípios de Santa
Catarina implantam a ESF, independentemente do número de habitantes. Para acertar esta
questão, seria preciso proceder por eliminatória.
Observa-se que as questões de saúde coletiva do ENADE levam muito em consideração a
realidade das regiões mais carentes do Brasil.
REFERÊNCIAS
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. PORTARIA Nº 2.488, DE 21 DE OUTUBRO DE 2011. Aprova a
Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a
organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes
Comunitários de Saúde (PACS).
QUESTÃO 27 - Autora: Gisele Cristina Manfrini Fernandes – docente FURB
O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSC) é uma diretriz para
orientar o empresariado no estabelecimento de um plano de saúde ocupacional para o
trabalhador.
Em muitas atividades, há risco aumentado de aquisição e de transmissão de doenças
infecciosas no ambiente de trabalho. É importante a educação em relação ao emprego correto das
técnicas de proteção individual, assim como a indicação correta da vacinação adequada,
preferencialmente ao ingresso do profissional em sua atividade.
BALLALAI, I; MIGOWSKI, E. Imunização e Prevenção nas empresas: um guia de orientação para a saúde dos negócios e do trabalhador.
Rio de Janeiro, 2006.
São vacinas recomendadas para todos os profissionais de saúde pelo calendário de
vacinação ocupacional da Sociedade Brasileira de Imunizações:
A) Pneumocócica, meningocócica C conjugada e tríplice viral.
B) Tríplice viral, hepatite A e B e cólera (oral)
C) Febre amarela, meningocócica C conjugada e difteria, coqueluche e tétano.
D) Hepatite A e B, meningocócica C conjugada e tríplice viral.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
36
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
E) Raiva, meningocócica C conjugada e tríplice viral.
_____________________________________________________________________
Gabarito: alternativa D.
COMENTÁRIO:
A alternativa “D” é a correta, porque as vacinas da raiva, febre amarela, pneumocócica,
cólera (oral), difteria, coqueluche e tétano (que constam nas alternativas incorretas) têm indicação
específica e não constam como vacinação de rotina à saúde do trabalhador, a saber:
Difteria, coqueluche e tétano: não se usa a vacina tríplice DTP a partir de sete anos de idade.
Pneumocócica: indicada a todos os profissionais acima de 60 anos de idade ou incluídos no grupo
de risco.
Cólera (oral): oferece proteção cruzada contra a cólera, resultante da infecção com a
bactéria Vibrio cholerae. É a mais grave dessas "enteropatias enterotóxicas", embora a infecção
com Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC) seja a causa do maior número de casos, a chamada
“diarreia dos viajantes”. Está disponível para pessoas que estarão visitando áreas de grande risco
de diarreia causada por Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC). A imunização para cólera é
indicada para trabalhadores que estarão visitando áreas com uma epidemia instalada ou prevista
ou que permanecerão por período prolongado em áreas em que há risco de infecção por cólera.
Febre amarela: indicada para habitantes de áreas endêmicas de febre amarela e para os que para lá
se dirigem, e também para atender às exigências sanitárias de viagens internacionais.
Raiva: indicada para profissionais que atuam em contato com animais, por exemplo, os
profissionais veterinários em vigilância sanitária/epidemiológica.
A vacinação é uma importante ação para a prevenção de determinadas doenças infecciosas
de possível transmissão no ambiente de trabalho: hepatite B, hepatite A, varicela, sarampo,
influenza (gripe), caxumba, rubéola, doença pneumocócica e doença meningocócica. Cabe ao
médico do trabalho definir no PCMSO aquelas vacinas indicadas para cada trabalhador, levando em
consideração os riscos biológicos a que ele está exposto. O profissional de saúde poderá se expor às
doenças em suas atividades diárias ou em situações específicas de viagem, exposições ocasionais
ou situações de surto, e esses fatos devem também ser levados em consideração no PCMSO. Além
disso, o trabalhador, de acordo com sua atividade e a forma de transmissão das doenças, pode ser
o veículo de transmissão dos agentes infecciosos. Dessa maneira, proteger os comunicantes
também deve ser objetivo do PCMSO.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
37
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
O item 32.2.4.17.2 da NR 32 esclarece que outras vacinas além das citadas na própria NR
(hepatite B, tétano e difteria) devem ser disponibilizadas gratuitamente pelo empregador. Para os
profissionais da saúde, o Ministério da Saúde, por meio dos Centros de Referência em
Imunobiológicos Especiais (Cries), oferece as seguintes vacinas: hepatite B, varicela e influenza
(gripe). O médico coordenador do PCMSO deve complementar o programa de vacinação do
trabalhador com base na avaliação dos riscos de contaminação apurados no Programa de
Prevenção dos Riscos Ambientais (PPRA). Para tal, de acordo com a atividade e as características do
ambiente de trabalho, será definido o grau de risco para as doenças infecciosas que podem ser
eficazmente prevenidas por vacinas (GOMES et al., 2007).
Esta questão está mais voltada à Enfermagem do Trabalho, que é uma especialidade da
enfermagem. Deveria ser usada a referência do Programa Nacional de Imunização (PNI) e da
Política Nacional de Saúde do Trabalhador.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Manual de Normas de Vacinação. 3.ed.
Brasília: Ministério da Saúde: Fundação Nacional de Saúde; 3ª Ed. 2001 72p.
GOMES, A.; BALLALAI, I.; MOURA, M.M.; AZEVADO, P.; KFOURI, R.A.; ANGERAMI, R.N.; (Orgs).
Associação Nacional de Medicina do Trabalho. Sociedade Brasileira de Imunizações. Atualização em
Vacinação Ocupacional. Guia Prático. 2007.
QUESTÃO 28 - Autora: Cláudia Regina Lima Duarte da Silva – docente FURB
A Política Nacional de Atenção à Saúde do Homem, aprovada em 2009, tem como objetivo
a promoção da melhoria das condições de saúde da população brasileira, “contribuindo para a
redução das causas de morbidade e mortalidade através do enfrentamento racional dos fatores de
risco e facilitando o acesso às ações e aos serviços de atenção integral à saúde” (BRASIL, 2010).
Hoje, no Brasil, duas a cada três mortes de adultos são de homens, o que reforça a necessidade de
uma política específica de atenção a essa parcela da população. O gráfico abaixo apresenta as
principais causas de mortalidade masculina brasileira de 20 a 59 anos de idade.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
38
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
Com base no gráfico, conclui-se que
A) Há relação inversa entre a mortalidade por causas externas e a mortalidade devida a
doenças do aparelho circulatório nos extremos de idade> 20-29 anos e 50-59 anos de
idade.
B) As curvas de mortalidade por neoplasias, doenças do aparelho digestivo e do aparelho
respiratório têm pouca variação entre si na vida adulta.
C) A mortalidade por enoplasias entre em ascensão a partir dos 39 anos de idade e
estabiliza na faixa etária de 50 a 59 anos de idade.
D) As doenças do aparelho circulatório são responsáveis por grande parte da mortalidade
durante toda a vida adulta.
E) Causas externas e doenças do aparelho circulatório assumem curvas semelhantes após
os 40 anos de idade.
_______________________________________________________________________________
Gabarito: alternativa A.
COMENTÁRIO:
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
39
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A alternativa A está correta porque a observação das curvas de mortalidade por causas
externas e de mortalidade por problemas circulatórios deixa claro que as duas linhas estão bem
longe uma da outra (opostas) no início do gráfico (20-29 anos), e no final estão também opostas. A
legenda dificulta a leitura, além de utilizar o termo “aparelho digestivo”, que não se usa mais; agora
é “digestório”.
A alternativa B está errada porque a curva de mortalidade por neoplasias tem uma variação
muito grande em relação às doenças do aparelho “digestivo” e do aparelho respiratório.
A alternativa C está errada porque a mortalidade por neoplasias não se estabiliza na faixa
etária de 50 a 59 anos. Cresce, inclusive.
A alternativa D está errada porque as doenças do aparelho circulatório começam a crescer
mais a partir da faixa etária de 30 a 39 anos.
A alternativa E está errada porque as causas externas diminuem após os 40 anos de idade.
REFERÊNCIA
Não foi utilizada nenhuma referência, somente interpretação do gráfico.
QUESTÃO 33 - ANULADA - Autora: Margot Friedmann Zetzsche – docente FURB
Considerando a expansão da rede de serviços substitutivos no Brasil, conclui-se que:
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
40
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A) A expansão do no de CAPS foi importante para a Reforma Psiquiátrica, mas ainda há
dificuldade nos fluxos de usuários entre atenção básica e atenção especializada.
B) O aumento de número de CAPS é importante para que as famílias sem condições de
cuidar dos usuários com transtornos mentais possam ter uma instituição responsável por eles.
C) Os CAPS como porta de entrada dos usuários com transtornos mentais para o sistema de
saúde, devem atuar na lógica da reinserção social e cuidado interdisciplinar.
D) O aumento do número de CAPS no país é incoerente com os Princípios da Reforma
Psiquiátrica que busca diminuir o número de instituições que cuidam das pessoas com transtornos
mentais.
E) A inserção social dos usuários de CAPS se dá no interior do próprio sistema de saúde, por
meio de atividades educativas e lúdicas.
_____________________________________________________________________
Gabarito: alternativa A.
COMENTÁRIO:
A expansão dos CAPS como serviços substitutivos aos antigos hospitais psiquiátricos
preconiza o cuidado compartilhado com as equipes de atenção básica no território onde reside o
usuário e com a sua família, preservando os direitos de cidadania e a inclusão social do usuário
portador de sofrimento psíquico (BRASIL, 2004, p. 25).
A alternativa “A” está correta, pois a expansão dos CAPS é indispensável como serviço de
nível secundário e de suporte às equipes de atenção básica e saúde da família. As dificuldades nos
fluxos de usuários entre atenção básica e atenção especializada devem-se ainda, principalmente, à
falta de compreensão de profissionais de saúde e gestores em geral das formas de cuidado,
tratamento e inclusão para o portador de sofrimento psíquico.
A alternativa “B” está incorreta porque segundo o manual do Ministério da Saúde Saúde
Mental no SUS – Os Centros de Atenção Psicossocial, o CAPS é um serviço de cuidados
especializados que receberá os usuários que necessitam de acompanhamento intensivo e deverá
promover o acompanhamento clínico e a reinserção social do indivíduo, fortalecendo os laços
familiares (BRASIL, 2004, p. 13).
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A alternativa “C” está incorreta, pois, de acordo com as diretrizes para a política nacional de
atenção básica e estratégia de saúde da família, fica neste nível, preferencialmente, a porta de
entrada para os cuidados que necessitam de atenção para os níveis primário e secundário de
qualquer das especialidades.
A alternativa “D” está incorreta porque a reforma psiquiátrica preconiza, em todo o
território nacional, a implantação gradativa de CAPS que prestem serviços de caráter comunitário e
substitutivo
ao
antigo
modelo
manicomial,
que
era
desagregador,
medicalizador
e
hospitalocêntrico (BRASIL, 2004, p. 12).
A alternativa “E” é incorreta porque a inserção do usuário se dá na comunidade como um
todo, e não apenas nos serviços de saúde. A promoção da inclusão abrange amplo campo de
atividades, além do lúdico e do educativo, inclusive, quando possível, com a reinserção no mercado
de trabalho (BRASIL, 2004, p. 13).
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas. Saúde mental no SUS: os centros de atenção psicossocial.
Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Direitos dos usuários de serviços e das
ações de saúde no Brasil: legislação federal compilada– 1973 a 2006 – Brasília: editora do
Ministério da Saúde , 2007 490p.
QUESTÃO 34 - Autora: Marisa Schwabe Franz – docente FURB
A Sra. AMB, com 72 anos de idade, viúva e aposentada, reside com um filho casado, a nora
e dois netos adolescentes. Deambula com dificuldades devido à artrose nos joelhos e recusa uso de
meio compensatório (bengala). Ela comparece sozinha ao Centro de Saúde da Família (CSF) para as
consultas e outros procedimentos necessários à manutenção de sua saúde. Tem limitação cognitiva
e visual para entender as condutas terapêuticas prescritas. A estrutura física da residência
potencializa o risco de quedas e outros acidentes.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
Considerando que o artigo 3º. Inciso I, da Lei Nº.8842/1994, determina que “a família, a
sociedade e o estado, tem o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo
sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito a vida”, avalie as
afirmativas abaixo:
I.
A Sra. AMB apresenta risco potencial de quedas em decorrência da limitação física e visual,
agravado pelas barreiras arquitetônicas e por se deslocar sem acompanhante e sem
bengala.
II. Para a promoção da saúde e do bem-estar da Sr. AMB, o Enfermeiro deve orientar a família
acerca da aquisição de cadeiras de rodas e de dispositivos auditivos, além de evitar
deslocamentos fora de sua residência.
III. A Equipe de Saúde da Família do CSF deve solicitar o acompanhamento de familiares para a
Sra. AMB quando do deslocamento fora do domicílio, principalmente durante seu
tratamento no CSF.
IV. Na visita domiciliária, o enfermeiro deve capacitar a família da Sra. AMB para a promoção
da segurança no domicílio, tendo em vista os fatores ambientais desfavoráveis à
ocorrência de quedas e outros acidentes.
V. Para a promoção da segurança ambiental e atendimento adequado e seguro, a Sra. AMB
deve residir em instituição asilar.
É correto apenas o se afirma em
A) I, II e V
B) I, III e IV
C) I, III e V
D) II, III e IV
E) II, Iv e V
________________________________________________________________________
Gabarito: alternativa C
COMENTÁRIO:
A alternativa “I” é correta, pois, devido à sua limitação física e visual, a Sra. AMB corre o
risco de sofrer quedas e injúrias, em associação ao seu deslocamento sem o uso de bengala. A
família deve buscar a utilização de dispositivos de auxílio à marcha (quando necessário), como a
bengala e os andadores, para auxiliar no deslocamento seguro. Outro fator que também colabora
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
para um maior risco de queda é o fato de a estrutura física de seu ambiente familiar possuir
obstáculos ambientais, os quais podem transformar-se em séria ameaça à sua segurança e
mobilidade, impossibilitando-a de realizar seu deslocamento seguro. De acordo com o Ministério
da Saúde (BRASIL, 2006), as principais complicações das quedas são lesões de partes moles,
restrição prolongada ao leito, hospitalização, institucionalização, risco de doenças iatrogênicas,
fraturas, hematoma subdural, incapacidade e morte.
Eis algumas medidas práticas para minimizar as quedas e suas conseqüências entre as pessoas
idosas:
a) Educação para o autocuidado.
b) Utilização de dispositivos de auxilio à marcha (quando necessário), como bengalas,
andadores e cadeiras de rodas.
c) Utilização criteriosa de medicamentos, evitando-se, em especial, os que podem causar
hipotensão postural.
d) Adaptação do meio ambiente (na residência e em locais públicos):
• Acomodação de gêneros alimentícios e de outros objetos de uso cotidiano em locais de fácil
acesso, evitando a necessidade do uso de escadas e banquinhos.
• Orientação para a reorganização do ambiente interno à residência, com o consentimento da
pessoa idosa e da família.
• Instalação de um diferenciador de degraus nas escadas, de iluminação adequada e corrimãos
bilaterais para apoio, bem como e retirada de tapetes no início e no fim da escada.
• Instalação de pisos antiderrapantes e barras de apoio nos banheiros. Evite-se o uso de banheiras
e oriente-se o banho sentado quando da instabilidade postural e a não trancar o banheiro.
A alternativa “II” está incorreta. O uso de cadeira não se justifica, pois a Sra. AMB é capaz
de deambular com o auxílio de bengala. Necessário se faz a presença de familiar ou responsável
junto à Sra. AMB, quando da sua saída do ambiente domiciliar, seja para lazer como também para
consultas médicas e acesso ao CSF, no atendimento de suas necessidades de saúde (procedimentos
e dispensação de medicamentos, dentre outros).
A alternativa “III” está correta – idem COMENTÁRIOs da afirmativa II.
A alternativa “IV” está correta, pois o enfermeiro deve empoderar a família e a Sra. AMB
para o autocuidado apoiado, inclusive com relação ao ambiente seguro e confortável, adaptado às
suas necessidades. Nesse contexto, a educação em saúde vem ao encontro de estratégias que
busquem viabilizar o autocuidado e a corresponsabilidade pela sua saúde. Valorizar a educação das
pessoas usuárias, de forma a que mudem seus comportamentos em relação à condição de saúde e
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
que participem proativamente do plano de cuidados, é um elemento essencial da gestão da
condição de saúde e parte de sua função educacional (MENDES, 2011).
A alternativa “V” está incorreta pelo fato de que o idoso deve permanecer no convívio com
a família, a qual deve garantir a esse familiar os cuidados necessários e a prevenção de novos
agravos à sua saúde, evitando a instituição de longa permanência, considerando que o artigo 3º,
inciso I, da Lei Nº. 8842/1994 determina que “a família, a sociedade e o estado têm o dever de
assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade,
defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito à vida”.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.
Envelhecimento e saúde da pessoa idosa / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,
Departamento de Atenção Básica – Brasília : Ministério da Saúde, 2006. 192 p. il. – (Série A. Normas
e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica, n. 19) ISBN 85-Cadernos de Atenção Básica Nº
19.Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa.
MENDES, Eugênio Vilaça. As redes de atenção à saúde. / Eugênio Vilaça Mendes. Brasília:
Organização Pan-Americana da Saúde, 2011.549 p.: il.
QUESTÃO 36 - Autora: Marisa Schwabe Franz – docente FURB
O gráfico a seguir apresenta o histórico da quantidade de leitos psiquiátricos/SUS em
Pernambuco, no período de 1991 a junho de 2009.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
O período que vai da independência do país ao começo do século XX é conhecido como a
primeira etapa da psiquiatria asilar do Brasil, marcada, de início, pela ocupação de enfermarias das
Santas Casas pelos doentes mentais. (...) Assim como aconteceu nos outros hospícios, o Hospital da
Tamarineira [em Pernambuco] (...) em pouco tempo excedeu sua capacidade de internos numa
clara demonstração de falta de eficácia dos métodos de tratamento utilizados. Num cenário da
mudanças políticas, a partir dos anos 30, foi iniciada a redução do número de internos.
FAGUNDES, V.L.; BASTOS, O.; VASCONCELOS, M.G.L.; e LIMA FILHO, I. de A. Atenção à Saúde mental em Pernambuco: Perspectiva
Histórica e Atual. In: Neurobiologia, 73 (1) jan./mar.2010 (com adaptações).
Considerando as informações apresentadas e a operacionalização da Política Nacional de
Saúde Mental, conclui-se que:
A. a redução do número de leitos psiquiátricos ocorreu porque só era possível ofertar uma
assistência de qualidade ao usuário caso fosse emitida autorização de internamento
hospitalar ( AIH).
B. a redução do número de leitos psiquiátricos no Brasil é atualmente, um grande problema
que dificulta o atendimento aos usuários de acordo com os princípios da reforma
psiquiátrica.
C. o internamento psiquiátrico involuntário deve ser realizado como uma forma de assegurar
ao usuário com transtorno mental o tratamento adequado, já que ele não pode tomar
decisões.
D. a criação de uma rede substitutiva de serviços de saúde mental acompanhou a
desinstitucionalização dos pacientes com transtornos mentais no Brasil.
E. a redução de leitos psiquiátricos foi considerada positiva pela sociedade, porque foi
acompanhada da expansão de vagas para pacientes portadores de patologias de maior
gravidade no Brasil.
_______________________________________________________________________________
Gabarito: alternativa D
COMENTÁRIO:
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
46
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A psiquiatria asilar ainda está presente nas representações sociais dos profissionais de
saúde, a exemplo dos antigos modelos de asilamento dos portadores de hanseníase e tuberculose.
Estas últimas doenças hoje são tratadas na atenção básica e secundária, e este fato é consenso
geral entre os profissionais de saúde. À luz dos conhecimentos sobre o sofrimento psíquico e suas
formas de enfrentamento de que dispomos hoje, pensar em asilar ad infinitum um portador de
sofrimento mental soa tão absurdo como asilar um portador de tuberculose ou hanseníase. Porém
a representação social do asilamento psiquiátrico (internação de longa permanência) persiste ainda
no imaginário da população e entre muitos profissionais da saúde.
Para o tratamento do sofrimento psíquico, as palavras-chave poderiam ser as mesmas das
políticas do idoso, do deficiente físico, da criança portadora de deficiência cognitiva, etc.:
AUTONOMIA e INSERÇÃO SOCIAL.
A alternativa “A” está incorreta porque só existe hospitalização no SUS com a emissão do
documento de internação chamado AIH – Autorização de Internação Hospitalar –, que será emitido
sempre na ocasião da internação. A AIH não está vinculada à qualidade da assistência hospitalar.
Esta deverá ser regulada por outras instâncias, como a VISA e os órgãos de classe.
A alternativa “B” está incorreta porque a PNSM prevê a internação em leito psiquiátrico
como último recurso terapêutico e a expansão dos CAPS como modelos de atenção substitutivos à
internação
que têm a missão de dar um atendimento diuturno às pessoas que sofrem com transtornos mentais
severos e persistentes, num dado território, oferecendo cuidados clínicos e de reabilitação
psicossocial, com o objetivo de substituir o modelo hospitalocêntrico, evitando as internações e
favorecendo o exercício da cidadania e da inclusão social dos usuários e de suas famílias (BRASIL, 2004
p. 120).
A alternativa “C” está incorreta, pois o portador de sofrimento psíquico, mesmo em crise, é
cidadão e detentor de seus direitos civis. A internação psiquiátrica involuntária é um recurso
extremo, utilizado apenas quando a vida está em risco, seja a do próprio usuário, seja a de outros, a
quem esse usuário possa oferecer risco (BRASIL, 2007 p. 340).
Alternativa “D” está correta pela própria definição dos CAPS (vide referência da alternativa
“B”, p.p.).
A alternativa “E” está incorreta. A redução de leitos psiquiátricos se deu em direção à
desinstitucionalização proposta pela PNSM e à criação da rede de serviços substitutivos, e não para
transformar essas vagas em leitos para outros tipos de especialidade.
OBSERVAÇÃO: a segunda parte da alternativa que diz “patologias de maior gravidade” engloba
uma representação social muito comum entre a população em geral e entre os próprios
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
47
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
profissionais de saúde – inclusive dos serviços de urgência e emergência – de que o sofrimento
psíquico é “menos grave” do que os outros tipos de sofrimento.
O gráfico é apenas ilustrativo e não tem relevância sobre a resposta.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações
Programáticas Estratégicas. Saúde mental no SUS: os centros de atenção psicossocial.
Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Direitos dos usuários de serviços e das
ações de saúde no Brasil: legislação federal compilada– 1973 a 2006 – Brasília: editora do
Ministério da Saúde , 2007 490p.
QUESTÃO 38 - Autora: Judite Hennemann Bertoncini – docente FURB
A Estratégia Saúde da Família (ESF) é prioritária para a reorganização da atenção básica no
Brasil, de acordo com os princípios doutrinários e organizativos do SUS. A operacionalização dessa
estratégia pressupõe a responsabilização sanitária de uma equipe multiprofissional sobre uma
determinada população residente em um território, com ênfase na promoção da saúde e na
participação popular. O enfermeiro faz parte da equipe mínima da ESF (BRASIL, 2006).
Considerando as premissas apresentadas, redija um texto dissertativo acerca do processo
de trabalho da enfermagem na ESF, dando continuidade à situação descrita a seguir.
Maria, enfermeira, residente em um município de pequeno porte, foi convidada para ser
enfermeira da equipe da Unidade de Saúde da Família que será implantada em um bairro periférico
desse município.
________________________________________________________________________
COMENTÁRIO:
O processo de trabalho do enfermeiro deve ser orientado pela Lei do Exercício Profissional
4.798/86, pela Resolução 358/2009 do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), que dispõe
sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), e pelas políticas públicas, neste caso,
do Ministério da Saúde. A portaria 2.488/2011 define as atribuições gerais e específicas de cada
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
48
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
categoria profissional da equipe da ESF. Segundo essa portaria, o enfermeiro, junto com a equipe,
participa do processo de territorialização, mapeamento da área de abrangência e cadastramento
das famílias, do diagnóstico comunitário e do planejamento e implementação das ações de acordo
com as necessidades da população adscrita, avaliando riscos e estabelecendo prioridades. Ele
também tem a responsabilidade de planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS
em conjunto com os outros membros da equipe; contribuir, participar, e realizar atividades de
educação permanente da equipe de enfermagem e outros membros da equipe. Deve se inserir nas
atividades educativas com grupos de gestantes, puericultura, idosos, hipertensos, diabéticos,
escolares (crianças e adolescentes) e outros, nas ações de vigilância em saúde (busca ativa,
monitoramento, notificação de doenças e agravos) e de controle social com o Conselho Local de
Saúde, associações da comunidade e do meio ambiente. Ele ainda auxilia na organização dos
espaços de trabalho, na agenda da equipe para atender ações programáticas, demanda espontânea
e acolhimento, e na gestão dos insumos necessários ao funcionamento da unidade.
Como atribuições específicas, o enfermeiro deve realizar atenção integral (promoção e
proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da
saúde) aos indivíduos e famílias na USF e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos
demais espaços comunitários (escolas, associações etc.), em todas as fases do desenvolvimento e
condição humana: infância, adolescência, idade adulta e terceira idade, gestantes, mulheres,
homens, trabalhador(a) e saúde mental; realizar consulta de enfermagem, solicitar exames
complementares e prescrever medicações conforme protocolos estabelecidos pelo gestor
municipal e federal, dentro dos limites legais estabelecidos pelo COFEN; supervisionar e realizar
ações pertinentes ao Programa Nacional de Imunização; planejar, gerenciar, coordenar e avaliar as
ações desenvolvidas pelos auxiliares de enfermagem, técnicos de enfermagem e ACS. Saliente-se
que todas as atividades devem ser registradas em formulários específicos ou prontuário e as
consultas de enfermagem na unidade ou domicílio devem ser realizadas e registradas conforme a
SAE, de acordo com as etapas (coleta de dados ou histórico de enfermagem; diagnóstico de
enfermagem; planejamento, plano ou prescrição de enfermagem; implementação e avaliação de
enfermagem) previstas na Resolução 358/2009 do COFEN.
REFERÊNCIAS
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. PORTARIA Nº 2.488, DE 21 DE OUTUBRO DE 2011. Aprova a
Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes
Comunitários de Saúde (PACS).
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução COFEN No 358, de 15 de outubro de 2009.
Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de
Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de
enfermagem e dá outras providências.
Obs: estas referências são obrigatórias e regulamentam o exercício e práticas da enfermagem.
Quaisquer outras são interpretações destas fontes originais e podem derivar equívocos.
QUESTÃO 39 - Autora: Judite Hennemann Bertoncini – docente FURB
“O enfermeiro que se propõe a trabalhar na coletividade tem a missão de manter e
promover a saúde.” FIGUEREDO, N.M.A., 2005.
Com base nesse princípio, a enfermeira Márcia convocou outras enfermeiras, Cristina e
Rosa, para uma reunião, com o objetivo de, juntas, discutirem o que se espera de um cuidado
coletivo para a comunidade assistida. Considerando esse objetivo, resolva os itens a seguir:
A) Apresente e fundamente três temas que deveriam ser discutidos pelas enfermeiras na
reunião para alcançar o cuidado coletivo;
B) Conceitue cuidado coletivo.
Questão descritiva
________________________________________________________________________
COMENTÁRIOS:
A) Primeiro: Diagnóstico situacional da comunidade pelo consolidado da ficha A e da ficha
dos marcadores do Siab e avaliação do PMAQ/Programa de Melhoria do Acesso e da
Qualidade da Atenção Básica (AMAQ). É importante conhecer o perfil sociodemográfico,
epidemiológico, sanitário e ambiental e os serviços desenvolvidos pela equipe (através da
autoavaliação – AMAQ) a fim de planejar ações para o cuidado coletivo nas várias áreas,
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
50
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
como: controle e diagnóstico precoce do câncer de colo de útero e de mama;
acompanhamento, controle e monitoramento de condições crônicas (hipertensão,
diabetes, obesidade, etc.); diminuição das internações por descompensação do diabetes e
complicações decorrentes da hipertensão, etc. Segundo: O processo de trabalho da
equipe, pois uma categoria profissional não é suficiente para dar conta da complexidade
das condições de saúde, adoecimento e sofrimento das pessoas e grupos. O trabalho
interdisciplinar e multiprofissional implica práticas que integrem conhecimentos e
articulem a síntese dos saberes, a fim de produzir uma visão global da realidade da
comunidade, promovendo o cuidado, individual e coletivo, integral. Portanto é necessário
discutir as competências/atribuições genéricas e específicas de cada profissional no
desenvolvimento das atividades e construir a agenda de trabalho da equipe, para a
produção do cuidado coletivo. Terceiro: Como será desenvolvido o trabalho com grupos
terapêuticos na unidade de saúde ou no território, a fim de proporcionar um espaço de
relação e trocas interpessoais, viabilizando a busca de uma maior apropriação dos usuários
sobre sua vida e atitudes, levando-os à expressão e à ressignificação de suas posições
assumidas na vida e no processo da corresponsabilização e gestão do seu cuidado. Quais
grupos são necessários, gestantes, adolescentes, idosos, etc.
B) Cuidado coletivo é a articulação e organização de práticas preventivas e de ações de
promoção à saúde, prevenção de agravos, vigilância à saúde, tratamento e reabilitação e
manejo das diversas tecnologias de cuidado e de gestão necessárias à produção e
manutenção da saúde de coletividades. O cuidado coletivo implica cuidado integral aos
indivíduos e grupos e ações sócio-sanitárias no ambiente/ território.
REFERÊNCIAS
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. PORTARIA Nº 2.488, DE 21 DE OUTUBRO DE 2011. Aprova a
Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a
organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes
Comunitários de Saúde (PACS). Brasília, DF. 2011.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Autoavaliação para melhoria do acesso e da qualidade da atenção
básica/ AMAQ.2011. a partir da pg. 57.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Cadernos da atenção básica (todos). 2006,...
BRASIL. Política Nacional de Promoção da Saúde. 2006.
REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES:
DITTERICH, Rafael Gomes; GABARDO, Marilisa Carneiro Leão; MOYSAÉS, Samuel Jorge. As
Ferramentas de Trabalho com Famílias Utilizadas pelas Equipes de Saúde da Família de Curitiba,
PR. Saúde Soc. São Paulo, v.18, n.3, p.515-524, 2009 515
SILVA, Kênia Lara; SENA, Roseni Rosângela de. Integralidade do cuidado na saúde:
indicações a partir da formação do enfermeiro. Rev Esc Enferm USP. 2008; 42(1):48-56.
www.ee.usp.br/reeusp/
Obs: os dois primeiros temas são fundamentais para pensar em cuidado coletivo. A partir deles,
pode-se selecionar qualquer das áreas que devem constituir o trabalho de uma equipe de Saúde da
Família ou de Atenção Básica, descritos no caderno de autoavaliação/ Amaq ou na Portaria
2.488/2011 (ver abaixo alguns exemplos, saúde da mulher, da criança, vigilância, hipertensos,...).
A Promoção, Informação e Educação em Saúde com ênfase na Promoção de atividade
física, na promoção de hábitos saudáveis de alimentação e vida, controle do tabagismo; controle do
uso abusivo de bebida alcoólica; cuidados especiais voltados ao processo de envelhecimento.
reduzir a vulnerabilidade, os riscos e os danos que nele se produzem. Promover a qualidade de vida
e reduzir vulnerabilidade e riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes –
modos de viver, condições de trabalho, habitação, ambiente, educação, lazer, cultura, acesso a
bens e serviços essenciais.
AMAQ pg 57A equipe de atenção básica planeja suas ações com base no diagnóstico situacional de seu
território e envolve a comunidade e redes sociais no planejamento das ações.
A equipe de atenção básica realiza monitoramento e análise das ações e resultados
alcançados
A equipe monitora e avalia as ações desenvolvidas no território. Discute sobre o seu fazer
cotidiano e os resultados obtidos, identifica e implementa estratégias de intervenção para o
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
enfrentamento e a correção de rumos. Entende que monitorar, avaliar e discutir resultados em
equipe, com vistas à melhoria dos processos de trabalho, amplia a possibilidade de resultados
satisfatórios, de qualificação dos serviços prestados e de satisfação dos profissionais e usuários.
A equipe de atenção básica desenvolve ações sistemáticas de identificação precoce do
câncer de colo uterino e de mama e faz busca ativa dos casos de citologia alterada.
A equipe realiza ações coletivas e individuais de prevenção/controle do câncer de colo
uterino e de mama, tais como orientação e autoexame, sensibilização e realização de citologia de
colo uterino, buscando alcançar índices de cobertura na população feminina superiores a 90%. A
equipe faz o monitoramento de todas as citologias colhidas e enviadas para análise, busca ativa das
usuárias com exame positivo e encaminhamento ou realização da intervenção indicada. O exame
clínico de mama é uma rotina da equipe de atenção básica, sendo realizado, no mínimo, uma vez
ao ano em todas as mulheres na faixa etária de 40 a 69 anos. O rastreamento de câncer de mama
por meio de mamografia, para mulheres entre 50 e 74 anos, é bianual. A decisão de começar o
rastreamento bianual com mamografia antes dos 50 anos deve ser uma decisão individualizada,
levando em consideração o contexto da paciente, os benefícios e os malefícios.
A equipe de atenção básica identifica e mantém registro atualizado de todos os hipertensos
do seu território e organiza a atenção com base na sua classificação de risco .
A equipe identifica e mantém registro atualizado na ficha A e no sistema de informação da
atenção básica do número de hipertensos referidos e confirmados, discriminados por grupos
etários e sexo. Analisa periodicamente a população em acompanhamento, considerando a
prevalência estimada de hipertensão para o território. A média de prevalência da hipertensão
arterial sistêmica no Brasil é de 18% na população acima de 15 anos (PNAD, 2008), variando de 12%
a 22%. As ações de atenção à saúde de hipertensos são desenvolvidas com base na classificação de
risco segundo o nível pressórico, adesão e resposta ao tratamento, da presença de fatores de risco
associados, grau de instrução e autonomia etc. A frequência das consultas médicas e de
enfermagem é estabelecida baseada nessa avaliação. A medição do nível pressórico e a
classificação de risco dos hipertensos acompanhados pela equipe com registro na ficha de
acompanhamento permitem o monitoramento individual e coletivo do agravo. A equipe de saúde
também realiza ações educativas e de promoção da saúde orientadas para hábitos de vida
saudáveis, e registra a frequência e a participação dos hipertensos nas atividades agendadas, o que
lhe permite fazer a busca ativa dos faltosos.
A equipe de saúde de atenção básica desenvolve grupos terapêuticos na unidade de saúde
e/ou no território
A equipe entende grupo terapêutico como um espaço que trabalha questões referentes ao
senso de identidade, conscientização, coletividade, autoestima, autoexpressão, habilidades
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
específicas, potencialidades e outras. A equipe desenvolve grupos terapêuticos com o intuito de
proporcionar um espaço de relação e trocas interpessoais, viabilizando a busca de uma maior
apropriação dos usuários sobre sua vida e atitudes, levando-os à expressão e à ressignificação de
suas posições assumidas na vida e no processo da corresponsabilização e gestão do seu cuidado. Os
grupos terapêuticos potencializam as trocas dialógicas, o compartilhamento de experiências, a
melhoria na adaptação ao modo de vida individual e coletiva, contribuindo na gestão do
autocuidado, e no estabelecimento de redes sociais e comunitárias, espaços de convivência e apoio
mútuo, ampliando coletivamente a autonomia dos envolvidos. São exemplos de grupos
terapêuticos: grupos de gestantes, hipertensos e diabéticos, psicodrama, terapia comunitária, entre
outros.
Assistência de Enfermagem
As questões aqui relacionadas foram inseridas por conveniência entre os professore das
diversas áreas do curso de enfermagem conforme o enunciado da própria questão. Foram
englobadas nesta grande área as questões referentes à assistência de enfermagem médico
cirúrgica e materno-infantil.
As questões obedecem a um padrão de estudo de caso e/ou situação problema e o que
difere e determina o direcionamento das competências que o aluno deve adquirir são as
alternativas de respostas. As questões requerem que o respondente tenha a competência global
(conhecimento, habilidade e atitude) para ser assertivo.
O acadêmico necessariamente terá que se posicionar como profissional na tomada de
decisão. Tais questões podem ser melhores respondidas pelos acadêmicos de fase mais avançadas,
que já dominam tais competências. Corroboramos com Nascimento et al (2003) que reforçam a
construção da competência adquirida não somente pela formação mas pela exposição e
experiências adquiridas na prática profissional.
A questão 31 requer conhecimento das bases biológicas, anatômicas e epidemiologias para
assertividade. Assim inferimos que a competência parcial, neste caso o conhecimento, é requerida
para resolução de problemas sem requerer um posicionamento especificamente do profissional
enfermeiro. A utilização das referências, não específicas da enfermagem, na resposta da questão 31
ratificam este parágrafo.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A formação dos profissionais deve considerar os pilares da ampliação das competências
pela exposição. Assim o curso de enfermagem da FURB mostra essa preocupação quando inicia a
exposição dos acadêmicos às práticas precocemente.
QUESTÃO 11 - Autora: Geysa Georg Sommerfeld – docente FURB
Um paciente com infarto agudo do miocárdio, também portador de DPOC, foi internado em
clinica médica com história de pneumonia, apresentando hipertermia (38ºC), taquipnéico e sinais
de insuficiência respiratória. Considerando este caso, avalie os procedimentos listados a seguir:
I.
A remoção de secreção das vias aéreas é importante, pois secreções retidas interferem com
a troca gasosa.
II. A freqüência cardíaca do paciente com pneumonia diminui devido à sobrecarga imposta
pelo trabalho ventilatório e pela hipertermia.
III. A umidificação e a fluidificação da árvore brônquica ajudam a liquefazer as secreções e
aliviam a irritação traqueobrônquica.
IV. Se o paciente com pneumonia não conseguir tossir para eliminar secreções, ele deve ser
encorajado a repousar, até que se sinta em condições de mudar de decúbito e tossir.
V. A oxigenioterapia em baixo fluxo é fundamental para o paciente com DPOC, pois aumenta o
nível de PO2.
São cuidados de enfermagem adequados ao caso apresentado apenas os descritos em
A) II e V
B) I, II e V
C) I, III e IV
D) II, III e IV
E) I, III, IV e V
__________________________________________________________________
Gabarito: alternativa E
COMENTÁRIO:
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A análise da questão requer a competência global do aluno, pois demanda avaliação e
tomada de decisão. As bases de conhecimento são apresentadas durante a formação acadêmica e a
maioria das alternativas apresenta boa possibilidade de interpretação.
As alternativas serão discorridas na sequência:
A alternativa “I” está correta. “A pneumonia é uma inflamação do parênquima pulmonar
causada por um agente microbiano.” (BRUNNER, 2005, p. 550).
A pneumonia geralmente afeta a ventilação e a difusão, devido à reação inflamatória que
ocorre nos alvéolos e que produz o exsudato (leucócitos, principalmente os neutrófilos, migram
para dentro dos alvéolos e preenchem os espaços que normalmente contêm o ar). Com a presença
das secreções e o edema das mucosas, as áreas do pulmão afetadas acabam não sendo
adequadamente ventiladas. Pode ocorrer ainda o broncoespamo nos pacientes com doença reativa
das vias aéreas. Tudo isso acaba acarretando uma hipoventilação e um desequilíbrio da ventilaçãoperfusão na área afetada no pulmão. O sangue venoso que passa pela área mal ventilada acaba
levando menos oxigênio que o necessário para o restante do organismo (BRUNNER, 2005).
A alternativa “II” está incorreta. Na presença de doença pulmonar o trabalho respiratório
aumenta e, neste caso – pneumonia –, aumenta para superar a resistência das vias aéreas durante
a movimentação do ar para os pulmões, o que é denominado trabalho da resistência das vias
aéreas (GUYTON; HALL, 2002, p. 409).
A hipertermia causa um aumento acentuado da frequência cardíaca, algumas vezes até o
dobro do normal. Este efeito ocorre porque o calor aumenta a permeabilidade iônica da membrana
do músculo cardíaco, resultando na aceleração do processo de autoexcitação (GUYTON; HALL,
2002, p. 101).
A alternativa “III” está correta. O enfermeiro precisa estar ciente de que, no paciente com
pneumonia, é preciso melhorar a permeabilidade das vias aéreas (BRUNNER, 2005):

promovendo a remoção das secreções;

incentivando uma boa hidratação através da ingestão de líquidos (2 a 3L/dia), o que
amolece as secreções;

aplicando máscaras de alta umidade (nebulização com ar comprimido ou oxigênio,
que liquefaz as secreções e alivia a irritação traqueobrônquica);

incentivando a tosse como um mecanismo para a expulsão das secreções;

incentivando a inspiração profunda como uma manobra para melhorar a expansão
pulmonar.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
Além disso, a frequência respiratória do paciente com pneumonia aumenta devido ao
esforço respiratório e à febre. Isso propicia o aumento na perda hídrica insensível.
A alternativa “IV” está correta. O repouso é importante para conservar a energia. O
paciente mencionado no estudo era diagnosticado como IAM (infarto agudo do miocárdio). Nesse
caso, procura-se minimizar a lesão miocárdica ao reduzir a demanda miocárdica de oxigênio e
aumentar o suprimento de oxigênio com os medicamentos, administração de oxigênio e repouso
no leito. Além disso, o paciente debilitado deve repousar e evitar o esforço excessivo, pois com isso
pode exacerbar os sintomas. O paciente deve assumir uma posição confortável para promover o
repouso e a respiração (ex.: posição de semi-Fowler). Quando estiver mais estabilizado, deverá ser
encorajado para mudar de decúbito frequentemente para estimular a eliminação das secreções e
melhorar a ventilação/ perfusão nos pulmões.
A alternativa “V” está correta. Na DPOC a diminuição progressiva do fluxo de ar está
relacionada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões a partículas ou gases nocivos. O
organismo tenta reparar continuamente essa inflamação, o que acaba acarretando o estreitamento
nas pequenas vias aéreas periféricas. Com isso, a troca de gases (oxigênio e dióxido de carbono)
acaba ficando prejudicada.
A terapia com oxigênio pode ser administrada a longo prazo e mesmo durante a realização
de exercícios físicos, para evitar a dispneia. Pacientes com PaO² igual ou menor que 55mmHg ou
com sinais de hipóxia tissular e comprometimento orgânico a partir da insuficiência cardíaca direita
ou com estado mental prejudicado têm a indicação de suplementação com oxigênio.
Contudo, é necessária muita atenção, pois, como a hipoxemia estimula a respiração no
paciente com DPOC grave, administrar alto fluxo de oxigênio pode elevar muito o nível de oxigênio
no sangue. Isso poderá suprimir o estímulo respiratório, causando o aumento da retenção de CO². É
preciso que a enfermeira fique atenta à resposta respiratória do paciente com oxigenioterapia,
observando alterações no exame físico, oximetria de pulso e/ou gasometria arterial.
REFERÊNCIAS
BRUNNER, Lillian Sholtis et al. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica.10. ed. Rio de Janeiro :
Guanabara Koogan, 2005. 2v, il.
GUYTON, Arthur C; HALL, John E. (John Edward). Tratado de fisiologia médica.10. ed. Rio de Janeiro
: Guanabara Koogan, c2002. xxx, 973 p, il.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
QUESTÃO 16 - Autores: Geysa Georg Sommerfeld, Jarbas Galvão e Jerry Schmitz docentes FURB
A paciente R. G., com 35 anos de idade, do sexo feminino, com IMC=32, 120 kg, será
submetida à gastroplastia por videocirurgia, admitida na unidade de CMC. Durante a aplicação do
histórico de enfermagem, o enfermeiro responsável pela admissão levantou os seguintes
problemas: assadura na região suprapúbica, devido à prega formada pela barriga; abertura
pequena da boca; pescoço curto; sudorese intensa em mãos e região axilar; uso de piercing em
narina direita; uso de prótese dentária na arcada superior; limitação com relação à flexão de
joelhos.
Nesta situação, avalie os seguintes procedimentos:
I.
Comunicar ao enfermeiro do CC a respeito da sudorese intensa.
II. Solicitar visita pré-operatória do anestesista.
III. Retirar o piercing da narina direita.
IV. Encaminhar a paciente para o CC, sem retirar a prótese dentária.
V. Comunicar ao enfermeiro do CC acerca da limitação de flexão de joelhos.
VI. Realizar higiene íntima devido à assadura.
São procedimentos adequados em um plano de cuidado pré-operatório apenas os descritos em:
A) I, IV e VI.
B) II, III e V
C) I, II, III e V
D) I, IV , V e VI
E) II, III, IV e VI.
________________________________________________________________________
Gabarito: alternativa C
COMENTÁRIO:
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
Para apresentar a alternativa correta desta questão, optamos por discorrer sobre cada um
dos itens, entre I e VI, separadamente.
O Item “I” traz a necessidade de informar ao colega do Centro Cirúrgico (CC) sobre a
sudorese. Essa necessidade existe por conta de a produção poder ser desencadeada por diversos
fatores, desde ansiedade e hipoglicemia até síndrome de Dumping. A ansiedade deve ser corrigida
em virtude do estresse pré-cirúrgico; a hipoglicemia caracterizada pela glicemia sérica pós-prandial
inferior a 60mg/dl deve ser descartada antes do início do procedimento cirúrgico também por
conta do risco; a síndrome de Dumping caracteriza-se, dentre outras possibilidades, pela presença
de grandes conteúdos sólidos na porção proximal do intestino delgado. É importante lembrar que
existem intervalos, muita vezes pequenos, entre a admissão do paciente cirúrgico, seu
encaminhamento para o CC e o posterior procedimento. Daí a necessidade de avaliação rápida e de
transmitir informações precisas.
A solicitação da avaliação pré-operatória se dá por conta do procedimento, bem como da
hiperidrose nas mãos e na região axilar, referida no parágrafo anterior. Portanto o Item “II”
também é verdadeiro.
A retirada do piercing se dá pelo risco de lesão, pela presença do adorno durante a
manipulação das vias aéreas, bem como pelo risco de o objeto desprender-se e ser aspirado pelo
paciente na passagem da sonda nasogástrica. As boas práticas internacionais orientam que os
pacientes estejam livres de riscos. Assim o item “III” é necessário para o procedimento.
O item “IV” não procede, pois a prótese dentária precisa, sim, ser retirada pela necessidade
da permeabilidade da via aérea, tanto para a ventilação não invasiva quanto pela necessidade de
ventilação invasiva.
A informação ao enfermeiro do CC sobre a limitação de flexão do joelho é necessária para
que não exista a intenção de flexioná-los, após a indução anestésica. Outra necessidade desse
conhecimento prévio diz respeito ao momento da alta do CC, quando o paciente poderá ou deverá
estar sob efeito anestésico: a próxima equipe deve ser informada dessa condição. Nesse contexto a
alternativa é verdadeira.
A assadura em região suprapúbica, identificada no exame físico, aconteceu mais
provavelmente pela prega na barriga formada devido à obesidade. A higiene íntima não traria
benefícios ou interferiria no risco cirúrgico relacionado à assadura. Por isso a alternativa é falsa.
Assim, após a discussão acima, a opção correta para um plano de cuidado pré-operatório é
a alternativa “C”.
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
REFERÊNCIAS
ALEXANDER, Edythe Louise; ROTHROCK, Jane C. Cuidados de enfermagem ao paciente
cirúrgico.13. ed. Rio de Janeiro : Elsevier, 2008. xxx, 1247 p, il.
IRWIN, Richard S; RIPPE, James M. (Eds.). Manual de terapia intensiva.4. ed. Rio de Janeiro :
MEDSI, 2007. xxviii, 895 p, il.
Site NUTRITOTAL. Disponível em:
http://www.nutritotal.com.br/perguntas/?acao=bu&categoria=13&id=311
TIMBY, Barbara Kuhn; SMITH, Nancy E. Enfermagem médico-cirúrgica.8. ed. Barueri : Manole,
2005. xxii, 1256 p, il.
QUESTÃO 23 - Autora: Andréa da Silva – docente FURB
AVALIE AS ASSERÇÕES A SEGUIR
O indicador que melhor retrata o que ocorre durante a fase fetal é o peso de nascimento da
criança.
PORQUE
Pesos ao nascer menor que 2500g podem ser decorrentes de prematuridade e (ou) déficit
de crescimento intrauterino. Recém-nascidos com menos de 2500g são classificados
genericamente, como de baixo peso ao nascer.
Analisando a relação proposta entre as duas asserções acima, assinale a alternativa correta:
COMENTÁRIO:
A) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da
primeira. CORRETA
A) O próprio enunciado justifica a resposta, cuja justificativa podemos encontrar na
Política Nacional de Atenção à Saúde da Criança (Ministério da Saúde):
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
O indicador que melhor retrata o que ocorre durante a fase fetal é o
peso de nascimento da criança. Pesos ao nascer menores que 2.500 g
podem ser decorrentes de prematuridade e/ou déficit de
crescimento intrauterino. Recém-nascidos com menos de 2.500 g são
classificados, genericamente, como de baixo peso ao nascer. (p. 19)
C) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa
correta da primeira. ERRADA
Conforme apresentado anteriormente, na letra A, a segunda proposição justifica, sim, a primeira,
visto que apresenta elementos que caracterizam o indicador “peso”.
D) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa.
ERRADA
A segunda proposição está correta, pois apresenta o padrão de classificação do termo “baixo peso
ao nascer”, além de apresentar duas situações que têm como onseqüência o baixo peso.
E) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma proposição verdadeira.
ERRADA
Conforme diversas literaturas e a Política Nacional de Atenção à Saúde da Criança, o peso
de nascimento de uma criança é o indicador que melhor retrata o que ocorre durante a fase fetal.
F) As duas asserções são proposições falsas. ERRADA
Conforme diversas literaturas e a Política Nacional de Atenção à Saúde da Criança, o peso
de nascimento de uma criança é o indicador que melhor retrata o que ocorre durante a fase fetal. A
segunda proposição está correta, pois apresenta o padrão de classificação do termo “baixo peso ao
nascer”, além de apresentar duas situações que têm como onseqüência o baixo peso.
REFERÊNCIAS
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica.
Saúde da criança: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil. Brasília: Ministério
da Saúde, 2002.
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
QUESTÃO 24: ANULADA - Autora: Andréa da Silva – docente FURB
André, com 10 meses de idade, é levado pelos pais à unidade de saúde para
acompanhamento de puericultura. A criança nasceu a termo, parto vaginal, com 2800g e medindo
49 cm. As vacinas estão atualizadas. Recebeu exclusivamente leite materno até o sexto mês de vida
e continua em aleitamento. Seu peso atual é 7500g, o que localiza sua curva entre os percentis 10 e
3. Os pais informam que André ganhou menos peso, depois que passou a frequentar a creche, onde
está em período de adaptação.
Diante dessa situação, qual das descrições a seguir reflete comportamento de uma
enfermeira considerando a atenção à saúde da criança?
A) André situa-se na faixa de normalidade nutricional (entre percentis P97 e P3) na curva
peso/idade. A enfermeira reforça orientações básicas e agenda retorno conforme o calendário
mínimo ou de acordo coma rotina da unidade.
B) A criança está em risco nutricional. A enfermeira investiga POSSÍVEIS fatores
relacionados à desaceleração do crescimento e orienta os pais no sentido de corrigi-los; orienta
alimentação especial para ganho de peso e agenda retorno em 15 dias.
C) Apesar do risco nutricional a criança é eutrófica. A partir disso, a enfermeira investiga
possíveis causas da desaceleração do crescimento e orienta os pais a respeito da alimentação
complementar e manutenção do aleitamento materno, agendando retorno em 30 dias.
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
D) A desaceleração do crescimento está relacionada à adaptação da criança à creche. A
enfermeira reforça orientações a respeito da alimentação complementar e agenda retorno de
acordo com o calendário mínimo de consultas.
E) A enfermeira encaminha André para consulta com o pediatra, pois a desaceleração do
crescimento é acontecimento importante que necessita de intervenção imediata, e agenda retorno
para acompanhamento em 30 dias.
________________________________________________________________________
Gabarito: alternativa B
COMENTÁRIOS:
A alternativa “A” está incorreta. Segundo o padrão determinado pelo gráfico, a criança
encontra-se em risco nutricional. Sendo assim, algumas ações precisão ser determinadas pela
enfermeira no intuito de modificar a situação.
A alternativa “B” está correta. A determinação do padrão nutricional fica clara a partir da
colocação dos dados no gráfico incluso à questão, ou seja, conhecendo o gráfico e os níveis de
padrão já se determina o resultado encontrado – a situação da criança.
O gráfico é o padrão utilizado pela Política de Atenção Integral à Saúde da Criança, do
Ministério da Saúde, conforme fonte no gráfico. Sendo assim, a análise da questão relaciona-se aos
determinantes da política.
“O Ministério da Saúde propõe no Cartão da Criança um gráfico com quatro linhas, assim
nominadas de cima para baixo: a primeira linha superior representa os valores do percentil 97 (que
corresponde a +2 escores Z), a linha pontilhada representa o percentil 10, a terceira linha
representa o percentil 3 (que corresponde a -2 escores Z) e a linha mais inferior (em vermelho)
corresponde ao percentil 0,1 (representa os valores abaixo de -3 escores Z). Na proposta do cartão
da criança, os pesos entre os percentis 10 e 3 caracterizam uma situação de risco ou de alerta
nutricional; os pesos entre o percentil 3 e o percentil 0,1 representam peso baixo para a idade (ou
ganho insuficiente de peso) e os valores abaixo do percentil 0,1 representam peso muito baixo para
a idade”.
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
As condutas recomendadas para as situações de crescimento da criança com até 6 anos de
idade, com peso entre percentis 10 e 3, com linha horizontal, são: “Investigar possíveis causas com
atenção especial para o desmame, alimentação, intercorrências infecciosas, cuidados com a
criança, afeto, higiene e informação à mãe. Tratar intercorrências clínicas, registrando-as no Cartão.
Orientar a mãe sobre alimentação especial visando ao ganho de peso. Encaminhar para o serviço
social, se disponível. Realizar nova consulta em intervalo máximo de 15 dias”.
A alternativa “C” está incorreta. Segundo a Política de Atenção Integral à Saúde da Criança,
à qual a questão se reporta, prevê uma maior atenção do enfermeiro em relação ao quadro
apresentado pela criança: “(...) criança com até 6 anos de idade, com peso entre percentis 10 e 3,
com linha horizontal. Isto inclui ações como: Investigar possíveis causas com atenção especial para
o desmame, alimentação, intercorrências infecciosas, cuidados com a criança, afeto, higiene e
informar a mãe. Tratar intercorrências clínicas, registrando-as no Cartão. Orientar a mãe sobre
alimentação especial visando ao ganho de peso. Encaminhar para o serviço social, se disponível.
Realizar nova consulta em intervalo máximo de 15 dias”.
A alternativa “D” está incorreta. O quadro apresentado pela criança, como já mencionado
anteriormente, requer ações imediatas, de repercussão e avaliação em curto prazo.
A alternativa “E” está incorreta. A desaceleração do crescimento é uma situação que requer
uma ação imediata que pode ser orientada e executada pelo enfermeiro, conforme protocolo da
Política de Atenção Integral à Saúde da Criança. O profissional enfermeiro tem competência para
investigar os motivos que levaram à desaceleração do crescimento, bem como para determinar
medidas de intervenção com o intuito de modificar esse quadro.
REFERÊNCIAS
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica.
Saúde da criança: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil. Brasília:
Ministério da Saúde, 2002, p.29-32.
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
QUESTÃO 29_ Autora: Marisa Schwabe Franz – docente FURB
Margarida tem 75 anos de idade, mora sozinha, é portadora de hipertensão arterial e faz
uso de anti-hipertensivo diariamente, às 22 horas. Relata levantar várias vezes durante a noite para
urinar, e que, às vezes, ao se levantar da cama, sente tonturas. Nega limitações ou dificuldades na
marcha. Após coletar esses dados durante a consulta de enfermagem realizada na visita domiciliar,
e objetivando minimizar riscos de queda e injúrias, o enfermeiro deve orientar a idosa a
I.
Contratar um acompanhante/cuidador, usar fraldas durante a noite, diminuir
ingesta hídrica após as 18 horas, manter uma luz acesa durante a noite, usar uma
bengala para apoio ao levantar-se, ir ao banheiro antes de dormir e evitar micções
durante
a
noite.
Se
for
necessário
levantar-se,
solicitar
ajuda
do
acompanhante/cuidador.
II.
Manter durante a noite iluminação suficiente para orientar o trajeto ao banheiro e,
se possível, ter a cama próxima ao interruptor de luz. Restringir o uso de tapetes,
permanecer sentada por alguns minutos antes de levantar-se da cama, usar calçado
antiderrapante e não permitir animais domésticos dentro de casa, principalmente à
noite.
III.
Evitar levantar-se durante a noite para urinar, ir ao banheiro antes de se deitar, não
usar chinelos para caminhar até o banheiro, ingerir líquidos até, no máximo, às 18
horas, identificar alguém de seu convívio social para dormir em sua casa, restringir
o uso de medicamentos diuréticos, solicitando ao médico a troca do anti
hipertensivo diurético para inibidor da ECA.
IV.
Usar anti-hipertensivo diurético pela manhã, instalar barras de apoio nas paredes
próximas à cama, no trajeto até o banheiro, próximo ao vaso sanitário e chuveiro,
ter interruptor de luz próximo à cabeceira da cama, fazer caminhadas diárias para
fortalecer a musculatura dos membros inferiores, observar sempre as condições
das calçadas e usar sapatos com solado antiderrapante.
V.
Providenciar bengala e solicitar a orientação do seu uso a
adquirir sapatos com alça de fixação no calcanhar, iniciar
fortalecimento
muscular,
interromper
uso
de
um fisioterapeuta,
atividade para
anti-hipertensivo
diurético,
providenciar um acompanhante/ cuidador para período noturno, procurar um
médico e solicitar exame de densitometria óssea, e providenciar uma campainha no
quarto.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
É correto apenas o que se afirma em:
A) I e II
B) I e III
C) II e IV
D) III e V
E) IV e V
________________________________________________________________________
Gabarito: alternativa C.
COMENTÁRIO
Alternativa “I”: está incorreta, pois o enfermeiro, ao orientar acerca da contratação de um
acompanhante/cuidador, primeiro deve avaliar as condições clínicas apresentadas, identificando a
capacidade da pessoa em se adaptar ao seu meio, incluindo atividades variadas. Através da visita
domiciliar, consegue-se identificar um processo diagnóstico frente às reais necessidades de saúde
que estão sendo investigadas. A atenção à Saúde da pessoa idosa na Atenção Básica/Saúde da
Família, quer por demanda espontânea, quer por busca ativa – que é identificada por meio de
visitas domiciliares – deve consistir em um processo diagnóstico multidimensional. Esse diagnóstico
é influenciado por diversos fatores, tais como o ambiente onde o idoso vive, a relação profissional
de saúde/pessoa idosa e profissional de saúde/familiares, a história clínica – aspectos biológicos,
psíquicos, funcionais e sociais – e o exame físico (BRASIL, 2006). Neste caso, não se justifica esta
necessidade, pois ela deambula sem dificuldades.
A opção de usar fraldas durante a noite também não é viável, pois esta portadora de
hipertensão arterial, conforme salientado anteriormente, deambula sem limitações ou dificuldades
na marcha, podendo se deslocar com facilidade ao banheiro, sem o uso das fraldas. Associado às
demais orientações, o enfermeiro também estará ressaltando a diminuição da ingesta hídrica no
período noturno, o que consequentemente diminuirá o número de micções nesse período.
Alternativa “II”: está correta, porque o ambiente residencial, se não estiver devidamente
adaptado ao idoso, pode aumentar o risco de quedas e deve ser incluído na programação de
avaliação da pessoa idosa. A presença de escadas, a ausência de diferenciação de degraus e
corrimãos, iluminação inadequada, tapetes soltos, obstáculos (fios elétricos, pisos mal conservados,
presença de animais, etc.) no local de circulação são alguns dos riscos comuns observados (BRASIL,
2006). Essas orientações são pertinentes para evitar quedas e injúrias.
Alternativa “III”: está incorreta, pois a pessoa idosa não tem condições de escolher se vai ou
não evitar levantar-se durante a noite, em detrimento de sua doença; o que pode e deve ser feito é
evitar o uso de diuréticos à noite, utilizando-os no período matutino. O uso de chinelos deve ser
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
com solado de borracha, para evitar quedas no deslocamento ao banheiro. Não há necessidade de
solicitar a presença de familiar e/ou alguém de seu convívio social para dormir em sua casa, pois a
usuária não é dependente física nem tampouco deficiente visual, cognitiva ou mental: pode decidir
sobre seu autocuidado. A avaliação funcional, preconizada pela Política Nacional de Saúde da
Pessoa Idosa, é fundamental e determinará não só o comprometimento funcional da pessoa idosa,
mas sua necessidade de auxílio. Essa pode ser compreendida como uma tentativa sistematizada de
avaliar de forma objetiva os níveis em que uma pessoa está funcionando numa variedade de áreas,
utilizando diferentes habilidades, e representa uma maneira de medir se uma pessoa é ou não
capaz de desempenhar as atividades necessárias para cuidar de si mesma. Caso não seja capaz,
verificar se essa necessidade de ajuda é parcial, em maior ou menor grau, ou total. Usualmente,
utiliza-se a avaliação no desempenho das atividades cotidianas ou atividades de vida diária (BRASIL,
2006).
Alternativa “IV”: está correta também, pois os medicamentos estão presentes no cotidiano
das pessoas idosas. As alternativas para gerenciar essa situação são muito particulares. A utilização
criteriosa e cautelosa dos medicamentos, sua correta utilização – dose, tipo e intervalos – e a
orientação adequada das pessoas idosas e seus familiares são alguns dos elementos essenciais na
manutenção da qualidade de vida do idoso. A tarefa dos profissionais que assistem ao/à idoso/a é
“aprender” a lidar com as limitações decorrentes da senescência, educar e orientar os cuidadores
para o estabelecimento de uma parceria, adotar esquemas terapêuticos simples (o mais
frequentemente possível) e, finalmente, maximizar a eficiência terapêutica do medicamento,
minimizando o surgimento de eventos adversos (BRASIL, 2006).
Além dos efeitos benéficos sobre o tecido ósseo, uma regular prática corporal/ atividade
física melhora o equilíbrio, a elasticidade e a força muscular, o que, em conjunto, diminui os riscos
de quedas e, consequentemente, de fraturas. Recomendam-se caminhadas de 30 a 45 minutos, no
mínimo, três a quatro vezes por semana, preferentemente à luz do dia (BRASIL, 2006).
Alternativa “V”: está incorreta, pois não há necessidade de solicitar o profissional
fisioterapeuta, já que a usuária não tem necessidades especiais para a realização de fisioterapia.
Também não se deve interromper seu tratamento médico sem antes ela passar por avaliação e
conduta médica, o qual determinará a continuidade ou não do medicamento prescrito. Como foi
explicitado anteriormente, não há necessidade de solicitar acompanhante/cuidador para o período
noturno, pois ela não é acamada nem dependente física, o que dispensa esse cuidado. A solicitação
de densitometria óssea não é necessária até o presente momento, em virtude de a usuária não
apresentar história de fratura óssea ou osteoporose. O que o Ministério da Saúde preconiza
anteriormente a essa solicitação é a realização de exames laboratoriais que venham a constatar a
real necessidade de tal exame, como, por exemplo, hemograma completo, dosagem de TSH, VHS,
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
dosagens de cálcio e fósforo, ureia e creatinina plasmática, fosfatase alcalina total (serve para
avaliar a presença de defeitos na mineralização ou osteomalácia, especialmente nos idosos), e a
análise urinária (BRASIL, 2006).
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.
Envelhecimento e saúde da pessoa idosa / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,
Departamento de Atenção Básica – Brasília: Ministério da Saúde, 2006. 192 p. il. – (Série A. Normas
e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica, n. 19) ISBN 85-Cadernos de Atenção Básica Nº
19.Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa.
QUESTÃO 30_Autoras: Andréa da Silva, Gisele Cristina Manfrini Fernandes – docentes
FURB
Uma criança de um ano e meio de idade é levada pela mãe ao Centro de Saúde da Família,
com sintomas de gripe. A mãe relata que a criança vem há 2 dias com esse quadro e não está
aceitando a alimentação. Após a avaliação clínica, é levantada uma forte hipótese diagnóstica de
síndrome respiratória secundária à infecção pelo vírus Influenza A (H1N1).
Nesse caso, uma conduta imediata seria:
A) Iniciar medicação após prescrição, identificar comunicantes e referenciar a criança a uma
unidade hospitalar.
B) Aguardar confirmação laboratorial da presença do vírus Influenza A e, então, notificar o
caso.
C) Orientar a mãe a administrar soro oral para que a criança não se desidrate e solicitar que
retorne em menos de 24 horas para reavaliação do caso.
D) Coletar material já na unidade do primeiro atendimento e encaminhá-la para o laboratório
mais próximo para garantir agilidade no diagnóstico.
E) Garantir acompanhamento da criança na atenção básica, responsável por acompanhar
casos de baixa complexidade, por meio da visita diária do agente comunitário de saúde.
___________________________________________________________________
Gabarito: alternativa A
COMENTÁRIO:
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A alternativa “A” é a correta porque todo paciente que referir sintomas gripais e der
entrada a uma UBS deve se dirigir ao serviço de acolhimento (quando houver) ou atendimento de
demanda espontânea, onde a equipe de saúde deve avaliar os casos suspeitos e confirmar ou
afastar o diagnóstico de síndrome gripal. Os casos de síndrome gripal devem ser avaliados quanto
aos sinais de alerta e fatores de risco. São considerados sinais de alerta a presença de pelo menos
um dos seguintes critérios:
• agravamento dos sinais e sintomas iniciais (febre, mialgia, tosse, dispneia);
• alteração do estado de consciência;
• desidratação;
• convulsões;
• taquipnia (crianças: até 2 meses: FR>60 irpm; >2m e <12m: >50 irpm; 1 a 4a: >40irpm; > 4 anos FR
>30irpm; adultos: FR >25irpm);
• batimento de asa de nariz; tiragem intercostal, cornagem;
• alteração dos sinais vitais: hipotensão arterial (PAD<60mmHg ou PAS<90mmHg); FC elevada
(>120bpm);
• febre (T>38 graus) persistente por mais de 5 dias;
• oximetria de pulso: saturação de O2<94% (somente se disponível na UBS);
• crianças: cianose; incapacidade de ingerir líquidos ou qualquer um dos sintomas anteriores.
A presença de pelo menos um dos critérios acima descritos deve alertar o médico para o
encaminhamento do paciente ao hospital, como conduta imediata. O uso do medicamento
Oseltamivir deve ser utilizado em, no máximo, 48 horas a partir do início dos sintomas (no caso da
criança referida no enunciado da questão, os sintomas iniciaram há 2 dias). Os pacientes que
apresentarem fatores de risco apresentam indicação para tratamento medicamentoso, a critério
médico, dentre os fatores: idade inferior a 2 anos e acima de 50 anos.
Entretanto, o tratamento dos casos leves e moderados que não apresentarem sinais de
alerta nem fatores de risco deve ser semelhante ao tratamento de qualquer síndrome gripal aguda,
com atenção para a possibilidade de complicação. Logo, devem ser utilizados medicamentos
sintomáticos para dor e febre; deve-se também orientar a alimentação e a manutenção da
hidratação do paciente, com orientação para o aumento da ingestão de líquidos (mais de 2 litros ao
dia). Porém, independentemente da gravidade do quadro clínico, para os pacientes com fatores de
risco para síndrome respiratória aguda grave e que irão fazer acompanhamento na UBS,
recomenda-se o tratamento com Oseltamivir, de acordo com a avaliação médica.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
No caso da criança, ainda que ela não aceite a alimentação desde o início dos sintomas
gripais e apresente baixa ingestão de líquidos, elevando o risco de desidratação, ainda assim a
hidratação endovenosa seria a melhor opção, tendo em vista a possibilidade de encaminhamento
para a sua hospitalização. Neste caso, exclui-se a opção de reidratação oral como única medida
terapêutica em nível de cuidado domiciliar, em caso suspeito de H1N1.
COMENTÁRIOS (referentes às alternativas B, C, D e E):
Para o diagnóstico de Síndrome Aguda Respiratória Grave ou de Síndrome Gripal, não é
necessária a confirmação laboratorial de influenza A (H1N1); o diagnóstico clínico, quando indicado,
deverá ser solicitado no hospital. O Ministério da Saúde alerta aos profissionais de saúde e aos
familiares de indivíduos com doença respiratória aguda grave que as condutas clínicas não
dependem do resultado do exame laboratorial específico para influenza pandêmica A (H1N1). De
acordo com o Protocolo de Manejo Clínico e Vigilância Epidemiológica da Influenza vigente
(05/08/09), adotam-se as seguintes definições, para efeito da vigilância da influenza:
• Caso de SRAG – indivíduo de qualquer idade com doença respiratória aguda caracterizada por
febre acima de 38°C, tosse e dispneia, acompanhada ou não de outros sinais e sintomas descritos
no referido Protocolo;
• Caso de síndrome gripal (SG) – indivíduo com doença aguda (com duração máxima de 5 dias),
apresentando febre (ainda que referida) acompanhada de tosse ou dor de garganta, na ausência de
outros diagnósticos;
• Surto de síndrome gripal – ocorrência de pelo menos 3 casos de SG em ambientes
fechados/restritos, com intervalos de até 5 dias entre as datas de início dos sintomas.
O que deve ser notificado:
- Caso individual de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) – deverá ser notificado
imediatamente no Sinan Influenza Online.
- Surto de síndrome gripal – deve ser notificado de forma agregada no módulo de surto do Sinan
NET.
- Os casos de surto de SG que evoluírem para a forma grave, de acordo com a definição de caso de
SRAG, deverão ser notificados individualmente no Sinan Influenza Online.
O que não deve ser notificado:
- Casos isolados de SG, com ou sem fator de risco para complicações pela doença, inclusive aqueles
para os quais foi administrado o antiviral (BRASIL, 2009).
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. Departamento de Atenção Básica.
DIRETRIZES PARA O ENFRENTAMENTO À PANDEMIA DE INFLUENZA A (H1N1): AÇÕES DA ATENÇÃO
PRIMÁRIA
À
SAÚDE.
2009.
36p.
Disponível
em:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/protocolo_influenzaa_aps_atualizado.pdf
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Gabinete Permanente de
Emergências de Saúde Pública. PROTOCOLO DE MANEJO CLÍNICO E VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
DA
INFLUENZA.
VERSÃO
III.
Brasília:
MS.
2009.
32p.
Disponível
em:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/protocolo_de_manejo_clinico_05_08_2009.pdf
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância
Epidemiológica. Caderno 1 Influenza. Guia de vigilância epidemiológica 7. ed. Brasília: Ministério da
Saúde, 2009. p. 1-25 – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)
QUESTÃO 31- Autores: Geysa Georg Sommerfeld, Jarbas Galvão, e Jerry Schmitz –
docentes FURB
Pedro, com 45 anos de idade, pedreiro e hipertenso, nunca procurou tratamento clínico.
Deu entrada na unidade de pronto atendimento em crise hipertensiva, com pressão arterial (PA) de
220 X 150 mmHg. Apresenta tontura, hemiplegia direita, agnosia, apraxia e afasia, sinais e sintomas
característicos de acidente vascular cerebral (AVC).
Após os procedimentos para a estabilidade do quadro clínico, os acadêmicos de
enfermagem resolveram investigar o que está ocorrendo. Seria correto eles constatarem que
A) A agnosia é ocasionada pela hiperfunção cerebral em virtude do AVC.
B) A tontura é resultado do fluxo excessivo de sangue associado à hipoventilação cerebral.
C) A apraxia é a capacidade de executar movimentos propositais em áreas do corpo não
afetadas, sendo de natureza transitória.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
D) A hemiplegia direita foi gerada em razão do comprometimento do lado direito do cérebro,
isso porque fibras nervosas cruzam o trato piramidal quando elas passam do cérebro para a
medula espinhal.
E) A hipertensão arterial é um fator de risco para o AVC e que, associado às alterações
degenerativas do sistema vascular de natureza aterosclerótica, ocasiona a isquemia ou a
hemorragia cerebral.
_____________________________________________________________________
Gabarito: alternativa E
COMENTÁRIO:
A alternativa “A” não pode ser a opção correta, pois a agnosia – perda da habilidade de
reconhecer certas impressões sensitivas, apesar do reconhecimento normal de outras impressões –
é resultado de oxigênio insuficiente no cérebro, normalmente por dano ao lobo temporal.
Já a tontura se caracteriza pelo fluxo insuficiente de sangue para o cérebro, e não
“excessivo”, conforme informado na alternativa “B”.
A apraxia é a perda da capacidade de realizar movimentos aprendidos ou com objetivos,
para manter a postura, usar objetos adequadamente, que o indivíduo faz normalmente, de forma
automática, diferentemente da afirmação contida no item “C”.
A decussação das pirâmides, apresentada na Figura 1, determina que lesões no hemisfério
esquerdo do cérebro denotem alterações motoras no lado direito do corpo, sendo o contrário
também verdadeiro. Assim embasada, a alternativa “D” também está incorreta.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
Figura 1 – Decussação das pirâmides. Disponível em:
http://biologiaevolutiva.files.wordpress.com/2011/04/decussation.png
A única alternativa que restou foi a “E”, cujo texto remete à hipertensão arterial como fator
de risco para os acidentes vasculares cerebrais (AVC). Das diversas literaturas possíveis de serem
utilizadas para embasar a presente alternativa, escolhemos uma entrevista dada ao sítio do médico
Dráusio Varela pelo neurologista Eli Evaristo, o qual afirma que a hipertensão é uma das causas
mais prevalentes dos acidentes vasculares cerebrais no Brasil.
REFERÊNCIAS
BARROS, Elvino. Nefrologia: rotinas, diagnóstico e tratamento. 3. ed. Porto Alegre : Artmed, 2006.
ix, 619 p, il.
HALL, John E. (John Edward); GUYTON, Arthur C. Tratado de fisiologia médica.12. ed. Rio de Janeiro
: Saunders Elsevier, 2011. xxi, 1151 p, il.Associação Nacional de AVC – Estados Unidos. Disponível
em: http://www.stroke.org/site/PageServer?pagename=risk
KANDEL, Eric R; SCHWARTZ, James H. (James Harris); JESSELL, Thomas M. Fundamentos da
neurociência e do comportamento. Rio de Janeiro : Prentice-Hall, c1997. xx, 591 p, il.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
SANTOS, Maria Aparecida, Modesto. TERMINOLOGIA EM ENFERMAGEM. 3.ed. São Paulo:Matinari,
2009.
Site: http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/avc-acidente-vascular-cerebral-2/
TORTORA, Gerard J. Princípios de anatomia e fisiologia.12. ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan,
2010. xxviii, 1228 p, il.
QUESTÃO 37- Autora: Silvana Scheidemantel Schroeder – docente FURB
Carolina, adolescente de 15 anos de idade, preocupada com atraso menstrual de sete dias,
buscou atendimento em uma unidade de saúde. Na consulta de enfermagem, relatou atividade
sexual nos dois últimos meses, com dois parceiros, sem uso de preservativo e de anticoncepcional.
A conduta adequada do enfermeiro frente a essa situação é
A) Orientar Carolina para observar os sinais de gravidez, os sinais e sintomas de doenças
sexualmente transmissíveis e agendar consulta pré-natal.
B) Encaminhar Carolina para exame laboratorial de gravidez, orientar acerca dos sinais e
sintomas de doenças sexualmente transmissíveis e agendar consulta pré-natal.
C) Registrar a queixa de Carolina no prontuário, encaminhar para consulta pré-natal e grupo
de gestantes adolescentes na unidade de saúde.
D) Investigar sinais de gravidez no exame físico, encaminhar Carolina para realização de exame
laboratorial para gravidez e orientar a respeito dos riscos de contaminação de doenças
sexualmente transmissíveis.
E) Realizar exame físico em Carolina para investigar os sinais gravídicos, orientar a respeito
dos riscos de doenças sexualmente transmissíveis e agendar consulta de pré-natal.
___________________________________________________________________
Gabarito: alternativa D
COMENTÁRIO:
A conduta correta para o caso de Carolina envolve primeiramente a comprovação de
gravidez através do Teste Imunológico de Gravidez (TIG). Sem essa comprovação é inútil agendar
uma consulta de pré-natal. Esse fato já eliminaria todas as questões, exceto a “D”.
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A questão, porém, confunde. Devido ao pouco tempo de atraso menstrual, não poderão ser
considerados os sinais comprobatórios de gravidez, como, por exemplo, a detecção dos
movimentos fetais e a palpação das partes do feto, as quais costumam aparecer no segundo
trimestre gestacional. Somente os sinais presuntíveis de gestação, como náuseas, aumento do
volume mamário e a presença de colostro, entre outros, poderiam ser verificados no exame físico.
Devido ao fato de ela ter tido relações sexuais com dois parceiros sem o uso do preservativo, fica
clara a necessidade de ser orientada a respeito da prevenção não somente da gravidez mas
também de DSTs/AIDS.
REFERÊNCIAS
BRASIL, MS. Secretaria de Atenção à Saúde. Pré-natal e Puerpério: atenção qualificada e
humanizada – manual técnico/ MS. 3 ed.Brasília: MS, 2006.
REZENDE, Jorge. Obstetrícia. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabar Koogan, 1982.
3.4 Administração em Enfermagem
Uma das dimensões do processo de trabalho do profissional de enfermagem, além do
aspecto de pesquisa, assistencial, educacional, é o gerenciamento, este, por sua vez, em constante
evolução.
Nesta área abordaremos conhecimentos imprescindíveis para o profissional enfermeiro
desempenhar suas atribuições com qualidade, assim, descreveremos questões sobre as seguintes
temáticas:
pesquisa,
acreditação
hospitalar,
Re
egulamento Técnico para planejamento,
programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde
(RDC 50), Normas Regulamentadoras dos Profissionais da Saúde (NR 32) e biossegurança.
Desta forma, gerenciar a assistência em mundo globalizado significa rever aspectos éticos
de novos processos e tratamentos a disposição. É perceber a importância das políticas públicas e
institucionais para concretizar projetos em longo e curto prazos e reorganizar recursos materiais e
humanos no contexto da realidade atual. Compreende, também, avaliar e buscar a qualidade
sempre, seja nas relações entre equipe e clientes, seja na implantação de novos recursos
tecnológicos. (MALAGUTI; CAETANO, 2009)
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
Para que o profissional tenha tais competências faz-se necessário instrumentalizar-se
através do conhecimento.
Nesta nova visão, o gestor não pode ser um mero cumpridor de tarefas, mas sim um líder
nato com habilidades para gerenciar processos, desenvolver e influenciar pessoas, orientar para
resultados, alinhar objetivos estratégicos e reter talentos.
Para o cumprimento desses desafios, torna-se necessário o desenvolvimento de algumas
competências como: autoconsciência, que expõe com critérios o seu lado humano dando a
segurança de que todos estão no mesmo barco; capacidade para trabalhar com talentos distintos e
complementares; motivação e empatia; domínio da complexidade dos processos estratégicos e
eficácia na liderança em períodos de mudanças e crises. (ANDRE, 2010)
O planejamento é uma competência que atualmente está sendo utilizado na prática
profissional pelo enfermeiro.
O planejamento como instrumento do processo de trabalho gerencial pode ser definido
como arte de fazer escolhas e de elaborar planos para favorecer um processo de mudança.
Compreende, assim, um conjunto de conhecimentos práticos e teóricos ordenados de modo a
possibilitar a interação com a realidade, programar as estratégias e as ações necessárias para
alcançar os objetivos e metas desejadas e preestabelecidas. (KURCGANT, 2010)
Nesse sentido, torna-se imprescindível manter um diálogo constante com todos os
indivíduos envolvidos na situação, para que o planejamento e as ações sejam responsivos á
realidade.
No processo de trabalho de gerenciamento na enfermagem, a função do planejamento
costuma figurar como uma das atividades desenvolvidas privativamente pelos enfermeiros, em
função da divisão social e técnica do trabalho.
Essa divisão se consolida através do organograma institucional e do departamento de
enfermagem para definir a hierarquia e ordem de poder, a divisão de trabalho na enfermagem se
da seguinte forma: diretora de enfermagem, supervisora de enfermagem, coordenadora,
enfermeira assistencial e técnico de enfermagem.
O trabalho em saúde é hoje majoritariamente, um trabalho coletivo, realizado por diversos
profissionais da saúde e diversos profissionais ou trabalhadores treinados para realizar uma série
de atividades necessárias para a manutenção da estrutura institucional.
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
Pretendemos que as questões justificadas das áreas afins, contribuam com a construção do
conhecimento do profissional enfermeiro.
QUESTÃO 19_ Autoras: Carmen Liliam Brum Marques Baptista, Nádia Lisieski e Rosana
Martineli – docentes FURB
O enfermeiro D.B, responsável pela Central de Material e Esterilização (CME), realizará um
treinamento com sua equipe sobre biossegurança na CME. Quais os sete principais temas que ele
deverá abordar com a equipe que atua nessa unidade?
A) Ergonomia; Equipamento de proteção individual (EPI); descarte de materiais; Laser; Riscos
elétricos e de incêndio; Líquidos voláteis; Estresse e Burnout.
B) Ergonomia; Equipamento de proteção individual (EPI); Descarte de materiais; Preparação
para situação de emergências e catástrofes; Riscos elétricos e de incêndio; Líquidos
voláteis; Estresse e Burnout.
C) Ergonomia; Equipamento de proteção individual (EPI); Descarte de materiais; Preparação
para situação de emergências e catástrofes; Riscos elétricos e de incêndio; Raio X; Estresse
e Burnout.
D) Quimioterápicos; Equipamento de proteção individual (EPI); Descarte de materiais;
Preparação para situação de emergências e catástrofes; Riscos elétricos e de incêndio; Raio
X; Estresse e Burnout.
E) Quimioterápicos; Equipamento de proteção individual (EPI); laser; Preparação para situação
de emergências e catástrofes; Riscos elétricos e de incêndio; Raio X; Estresse e Burnout.
________________________________________________________________________________
Gabarito: alternativa B
COMENTÁRIO:
Para que tenhamos hospitais seguros, sua estrutura física deve obedecer a determinados
critérios. Como instrumento para nortear a adequação de novas edificações ou construções, utilizase a RDC 50, trazendo, dessa forma, segurança ao paciente e ao trabalhador.
O planejamento das redes de saúde e de seus estabelecimentos tem sido direcionado
principalmente para o atendimento das demandas assistenciais programáticas, sendo ainda
incipiente para o atendimento em situações de desastres de origem natural e/ou provocados pelo
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
77
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
homem. Vivenciamos essa dificuldade em nossa cidade, Blumenau, que é acometida por desastres
naturais.
Os desastres e emergências que podem ocorrer em uma região não são incluídos como
base de planejamento dos estabelecimentos assistenciais de saúde (EAS), desestruturando-os,
quando da ocorrência do incidente.
A Resolução ANVISA RDC nº 189/2003 dispõe sobre a regulamentação dos procedimentos
de análise, avaliação e aprovação dos projetos físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde
(EAS) no Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.
A Resolução ANVISA RDC nº 50/2002 também dispõe sobre o Regulamento Técnico para
planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos
assistenciais de saúde.
Observamos, através de nossa prática profissional, que estruturas físicas inadequadas
interferem na ergonomia, sendo que postos de trabalho devem ser organizados de forma a evitar
deslocamentos, e esforços adicionais devem ser garantidos por dispositivos seguros e com
estabilidade, como escadas portáteis, que permitam aos trabalhadores acessarem locais altos.
Já o Equipamento de Proteção Individual (EPI) é todo dispositivo ou produto, utilizado
individualmente pelo trabalhador, destinado à proteção contra riscos capazes de ameaçar a sua
segurança e a saúde sua e do paciente.
Os trabalhadores que manuseiam os objetos e equipamentos perfurocortantes são
responsáveis pelo descarte de materiais. A norma proíbe o reencape e a desconexão manual de
agulhas. Os recipientes de descarte devem ter limite máximo de enchimento localizado a 5 cm
abaixo do bocal e devem ser mantidos em suporte exclusivo e em altura que permita a visualização
da abertura para o descarte.
Nos líquidos voláteis, deve-se manter as rotulagens dos produtos químicos utilizados nos
serviços de saúde. Os produtos químicos fracionados ou manipulados devem ter uma etiqueta com
o nome do produto, sua composição, concentração, data de envase, validade e nome do
responsável pela manipulação.
A chamada síndrome de Burnout é definida por alguns autores como uma das
consequências mais marcantes do estresse profissional, e se caracteriza por exaustão emocional,
avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até
como defesa emocional). Enfim, a síndrome de Burnout representa o quadro que poderíamos
chamar “de saco cheio” ou “não aguento mais”.
O estresse tem sido muito recorrente, associado a sensações de desconforto, sendo cada
vez maior o número de pessoas que se definem como estressadas. O estresse é quase sempre
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
visualizado como algo negativo, que ocasiona prejuízo no desempenho global do indivíduo.
Estressor é uma situação ou experiência que gera sentimentos de tensão, ansiedade, medo ou
ameaça, e pode ser de origem interna ou externa. O estresse não deve ser entendido como uma
condição estática, pois é um fenômeno bastante complexo e dinâmico.
Os quimioterápicos: o laser e o raio X não se encontram na CME.
REFERÊNCIAS
FELDMAN; Liliane Bauer (org). Gestão de risco e segurança hospitalar: prevenção de danos ao
paciente, notificação, auditoria de risco, aplicabilidade de ferramentas, monitoramento. São
Paulo: Martinari, 2008. P.375
VITURI, Dagmar Willamowius; MATSUDA, Laura Misue. Validação de conteúdo de indicadores de
qualidade para avaliação do cuidado de enfermagem. Revista da Escola de Enfermagem da USP,
2009; 43(2): 429-37.
Resolução ANVISA RDC nº 189/2003:
Resolução ANVISA RDC nº 50/2002: 2.MINISTÉRIO DA SAÚDE, Secretaria de Assistência à Saúde / NETO
S. L.: Textos de Apoio à Programação Física dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde-Instalações Prediais
Ordinárias e Especiais, Brasília D.F., 1995. Mimeo.
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-11692001000200003&script=sci_arttext
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-11692001000200003&script=sci_arttext
QUESTÃO 21- Autora: Rosana Martineli – docente FURB
O conhecimento do enfermeiro com relação aos resíduos sólidos de saúde faz parte de sua
atuação profissional. A Norma Regulamentadora n 32 (NR-32) dedicou especial atenção ao
tratamento dos resíduos, por suas implicações na biossegurança pessoal e no meio ambiente. È
importante ressaltar que a NR-32 não desobriga o cumprimento da Resolução ANVISA RDC n 306,
de 7 de dezembro de 2004, e da Resolução CONAMA n. 358, de 29 de abril de 2005. Essas
resoluções dispõem acerca do o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS)
e da necessidade da designação de profissional com registro ativo junto ao seu conselho de classe.
Com base nessas legislações, qual das opções a seguir apresenta procedimento inadequado
em relação aos resíduos?
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A) Os recipientes existentes em sala de cirurgia e de parto não necessitam de tampa de
vedação.
B) Para recipientes destinados á coleta de material perfurocortates, o limite máximo de
enchimento deve estar localizado 5 cm abaixo do local.
C) O recipiente para acondicionamento de perfurocortantes deve ser mantido em suporte
exclusivo e em altura que permita a visualização da abertura para descarte.
D) O transporte manual do recipiente de segregação deve ser realizado de forma que não
exista contato do mesmo com outras partes do corpo, sendo vedado o arrasto.
E) Sempre que o transporte do recipiente de segregação possa comprometer a segurança e a
saúde do trabalhador, devem ser improvisados por ele meios mais apropriados para não
comprometer sua integridade física.
_______________________________________________________________________________
Gabarito: alternativa E
COMENTÁRIO:
As Normas Regulamentadoras, também chamadas de NR, foram publicadas pelo Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE), Portaria nº 3.214/78, para estabelecer os requisitos técnicos e legais
sobre os aspectos mínimos de Segurança e Saúde Ocupacional (SSO). Atualmente, existem 33
Normas Regulamentadoras. Lembramos ao leitor que a elaboração e a modificação das NRs
constituem um processo dinâmico que necessita de acompanhamento via internet pelo endereço
eletrônico (http://www.mte.gov.br).
As opções “A”, “B”, “C” e “D” estão corretas. A “E” está incorreta.
A NR-32 regulamenta a isenção de tampas em salas cirúrgicas e de partos, pois desse modo
facilitada o desprezo de materiais por parte da equipe médica e de enfermagem, evitando a
circulação do profissional que está com roupa estéril.
O limite máximo deve-se ao fato de que, se passar do indicativo exposto pela NR-32, o
profissional que for desprezar os materiais perfurocurantes infectados terá grande risco de sofrer
um acidente de trabalho.
De acordo com a NR-32, os recipientes para perfurocortantes devem estar localizados
próximo da fonte geradora e em uma altura que permita a visualização da abertura para descarte,
pois isso facilita a dispensação adequada e segura do material. A localização próxima da fonte
geradora se dá devido à prevenção da disseminação de microrganismos capazes de gerar uma
infecção.
Conforme o “Manual dos Serviços de Higienização dos Estabelecimentos Assistenciais de
Saúde”, os microrganismos presentes em recipientes de segregação podem atingir o homem por
diversos meios, e esse potencial aumenta quando esses resíduos são manuseados, dispensados e
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
transportados inadequadamente. O profissional da saúde e os funcionários que manuseiam esses
recipientes se tornam alvo de infecção, por isso é importante a vedação e o manuseio adequado
desses recipientes, minimizando o risco ao meio ambiente e à saúde da população que possa ter
contato com os resíduos.
A alternativa “E” está incorreta, pois, de acordo com a NR-32, sempre que o transporte do
recipiente de segregação possa comprometer a segurança e a saúde do trabalhador deve-se utilizar
meios técnicos apropriados e não improvisados. Dessa forma, o profissional estará garantindo a sua
integridade física e a preservação da sua saúde.
REFÊRENCIAS:
NR-32 NR 32 - Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde ... Colegiada n.º 50, de 21 de
fevereiro de 2002, da ANVISA, Ministério da Saúde. www.anvisa.gov.br
Resolução ANVISA RDC n 306 www.anvisa.gov.br
http://www.aracaju.se.gov.br/userfiles/covisa/manual_servios_higienizao_eas__final.pdf
QUESTÃO 22 - Autora: Silvana Scheidemantel Schroeder e Raquel Garcia Tiemann –
docentes FURB
Um paciente, de 2 meses de idade é pré-maturo em UTI neonatal, com cateter venoso
central, 1 via em jugular D e SNE para receber leite materno. Ambas as administrações estavam
sendo realizadas por uma mesma bomba de infusão. Às 12 h, foi inserido o leite materno na bomba
de infusão para administração pela SNE pelo enfermeiro de plantão da manhã e, às 13 h, o
enfermeiro do plantão da tarde desligou o equipamento ao término da infusão e detectou que o
leite materno havia sido conectado na via da infusão endovenosa.
O equívoco na conexão pode ter sido ocasionado por fator
I.
Técnico , pela semelhança e compatibilidade entre os conectores.
II. Organizacional, pela utilização de bombas de infusão diferentes para administração de
soluções intravenosas e dietas enterais.
III. Humano, devido ao acúmulo de tarefas, levando à não interrupção de atividades, à
desatenção e à falta de descanso.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
É correto o que se afirma em
A) I, apenas
B) II, apenas
C) I e III apenas
D) II e III apenas
E) I, II e III
_____________________________________________________________________
Gabarito: alternativa C.
COMENTÁRIO:
É de praxe a utilização de uma única bomba de infusão para a administração de infusões
endovenosas e enterais. A questão, porém, não fornece dados suficientes. Está incompleta e dúbia.
Analisando a alternativa “I”, vemos que os conectores realmente são compatíveis, o que
pode levar a erro por desconhecimento ou desatenção e a considerar a alternativa correta.
A alternativa “II” estaria incorreta, pois não é comum em unidades de internação a
utilização de bombas separadas – somente dos conectores diferentes.
A alternativa “III” – fator humano – não pode ser considerada, pois não há maiores detalhes
sobre o caso, como sobrecarga de trabalho ou falta de funcionários, por exemplo – fatores que
sobrecarregariam o enfermeiro da manhã.
Outra questão é que a criança, imediatamente após a infusão de leite materno na corrente
sanguínea, provavelmente teria uma crise convulsiva ou parada cardiorrespiratória, o que não foi
relatado na questão. Tampouco foi detalhado o horário da entrada do enfermeiro da tarde, fator
que poderia ser vital, caso ele tivesse entrado às 12h.
A nosso ver, esta questão deveria ter sido anulada.
REFERÊNCIAS
NETTINA, Sandra M. Práticas de Enfermagem. 8a ed. p.18 Rio de Janeiro: GUANABARA KOOGAN
S.A, 2007.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
QUINTO NETO, A. Segurança dos pacientes, profissionais e organizações: um novo padrão de
assistência à saúde. RAS 2006; 8(33): 153-158.
RDC nº 63 de 6 de julho de 2000.
QUESTÃO 32 – ANULADA - Autores: Rosana Martineli, Carmen Liliam Brum Marques
Baptista e Nádia Lisieski – docentes FURB
Maria, enfermeira do hospital de grande porte, apoiada pela administração, entrou em
contato com a coordenadora do curso de graduação em Enfermagem e propôs que se
incentivassem os alunos a realizar os trabalhos de conclusão de curso envolvendo o centro cirúrgico
do hospital referido, uma vez que os índices de infecção hospitalar eram crescentes. Diante desse
caso, avalie as asserções a seguir.
A pesquisa pode se configurar em instrumento de gestão efetivo para subsidiar o
planejamento, o monitoramento e a avaliação de processos e resultados de trabalho.
PORQUE
A pesquisa permite ao gestor o acesso a indicadores quantitativos suficientes à gestão do
processo de trabalho dos profissionais.
Analisando a relação proposta entre as duas asserções, assinale a opção correta.
A) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da
primeira.
B) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da
primeira.
C) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa.
D) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma proposição verdadeira.
E) As duas asserções são proposições falsas.
________________________________________________________________________________
Gabarito: alternativa C
COMENTÁRIO:
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
Em relação à questão acima, que foi anulada na prova ENADE, justificamos que a primeira
asserção é correta, pois, de acordo com Jannuzzi (2001), a pesquisa pode se configurar em um
instrumento de gestão efetivo para subsidiar o planejamento, a avaliação de processos e os
resultados de trabalho. A pesquisa não subsidia o monitoramento do planejamento e da avaliação
de processos de trabalho.
A segunda asserção até poderia ser uma justificativa da primeira se trouxesse mais
informações sobre como é feito o processo de pesquisa para a obtenção de dados, sendo que estes
devem ser quantitativos (números) e qualitativos (ações, práticas feitas ou não) (VITURI; MATDUSA,
2009).
Observa-se ainda que a segunda asserção afirma serem suficientes os indicadores
quantitativos para a gestão do processo de trabalho dos profissionais. Esses indicadores, porém,
constituem somente um dado, e outros fatores são necessários para uma adequada gestão do
processo de trabalho.
REFERÊNCIAS
BACKES, Dirce Stein; SILVA, Deise Marinho; SIQUEIRA, Heidi Heckler de; ERDMANN, Alacoque
Lorenzine. O produto do serviço de enfermagem na perspectiva da gerência da qualidade. Revista
Gaúcha de Enfermagem, 2007; 28(2): 163-70.
VITURI, Dagmar Willamowius; MATSUDA, Laura Misue. Validação de conteúdo de indicadores de
qualidade para avaliação do cuidado de enfermagem. Revista da Escola de Enfermagem da USP,
2009; 43(2): 429-37.
QUESTÃO 35 - Autores: Carmen Liliam Brum Marques Baptista, Nádia Lisieski e Rosana
Martineli – docentes FURB
O processo de enfermagem de acreditação hospitalar propõe a participação voluntária das
instituições hospitalares envolvidas com a saúde, estimulando-as a procurar a melhoria continua da
qualidade da assistência do enfermeiro, ao administrar os serviços de saúde, deve ter a clareza e a
compreensão do significado das organizações, refletindo acerca da sua prática, na busca da
excelência do atendimento ao ser prestado ao cliente.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
PORQUE
A organização da saúde que detém o status de acreditado demonstra credibilidade perante
seus usuários e comunidade em geral, já que a acreditação hospitalar é um método de avaliação de
todos os recursos disponíveis da organização de saúde. É um processo voluntário, periódico e
reservado, que tem por objetivo garantir a qualidade da assistência por meio de padrões definidos.
Analisando a relação proposta entre as duas asserções acima, assinale a opção correta.
A) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da
primeira.
B) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa
correta da primeira.
C) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa.
D) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma proposição verdadeira.
E) As duas asserções são proposições verdadeiras.
_________________________________________________________________________________
Gabarito: alternativa A.
COMENTÁRIO:
Segundo Hayes e Shaw (1997) apud Neto, a busca voluntária da acreditação é um dos
principais incentivos para a acreditação de serviços de saúde. É um sistema que permite à
instituição uma demonstração de sua eficácia, da forma mais construtiva possível, através do
desenvolvimento organizacional voluntário. Para Neto (1997), o processo voluntário encoraja as
instituições a funcionarem de acordo com a acreditação, que representa, acima de tudo, um
compromisso com a qualidade que livremente desejam.
A qualidade no atendimento, nos padrões de qualidade, depende de três conceitos
organizacionais:

Desenvolvimento harmônico, que difere componentes de um estabelecimento, favorece a
eficácia organizacional e evita o crescimento desproporcional de algum serviço.

A categorização dos estabelecimentos, que deve ser definida pelo grau de competência
médico-hospitalar, mais do que pela sua complexidade tecnológica, de modo que a
instituição se encontre harmonicamente preparada para absorver um determinado nível de
risco e evitar os casos que ultrapassem tal risco.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
85
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010

O enfoque da oferta do local do serviço como um sistema, que implica considerar como
parte de um estabelecimento serviços que se encontrem fora da sua planta física e,
inclusive, não pertençam patrimonialmente ao mesmo proprietário.
Segundo o Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar, a acreditação é um procedimento
de avaliação de recursos institucionais, voluntário, periódico e reservado, que tende a garantir a
qualidade da assistência por meio de padrões previamente aceitos. O status de acreditado conota
confiança no hospital por parte dos clientes internos e externos, bem como da comunidade em
geral.
Consideramos importante a temática, pois vivenciamos o processo de acreditação com os
acadêmicos durante os estágios em uma das instituições de saúde. Os alunos tiveram a
oportunidade de participarem desse processo contribuindo com a construção de manuais de
normas e rotinas.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar. Brasília. 1998
.
LEÃO, Eliseth Ribeiro (org). Qualidade em Saúde e Indicadores como Ferramenta de Gestão. São
Paulo: Yendis, 2009.
NETO, Antonio Quinto. Acreditação Hospitalar. Porto Alegre. Decasa Editora. Alegre, 1997.
3.5 Educação em Enfermagem
A educação em saúde faz parte do cotidiano do profissional enfermeiro. E também
configura um dos quatro eixos de sua atuação profissional (cuidado, gerenciamento, pesquisa,
ensino). Educar faz parte do processo de produzir saúde e cuidado. E é por intermédio da relação
educativa, que ambos – enfermeiro(a) e usuário(a) desenvolvem entre si, que se aprende a
respeito das formas de representar os processos de adoecimento, formas de buscar e realizar
cuidados, e do fortalecimento da autonomia. Isto significa a promoção de um cuidado que não se
antecipa àquele que se pode fazer por si mesmo, mas
que desenvolve a autonomia e
comportamentos mais saudáveis. Cada relação de cuidado é única e possibilita ao profissional
cuidador e à pessoa cuidada novos aprendizados. A relação enfermeiro(a) e usuário(a) ou
padecente de uma enfermidade é uma relação educativa por excelência. Uma relação de cuidados
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
86
ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
desenvolvida a partir desta relação possibilitará maiores índices de adesão ao tratamento,
participação nas escolhas terapêuticas e mudanças no comportamento, propiciando a, melhora, a
estabilização do quadro ou melhor convivência com condições crônicas de adoecimento. A
educação em, e para saúde, pode e deve ser realizada em todos os níveis de atenção, e o
aprendizado ocorre entre usuários, equipe multiprofissional e equipes de enfermagem. A
contribuição dos enfermeiros e enfermeiras na educação é relevante em todos os níveis de
atenção, pois a integralidade do cuidado não se faz sem o processo educativo e nem sem mudanças
de comportamento.
Na análise da prova, foram selecionadas somente duas questões que, claramente, podem ser
identificadas como desta área. Além das questões 26 (anulada) e 40, poderia ser enquadrada nesta
área também a questão 29, que trata de orientações a uma pessoa idosa, a qual foi enquadrada na
área de Assistência de Enfermagem.
QUESTÃO 26 – Autora: ANULADA - Gisele Cristina Manfrini Fernandes – docente FURB
O território de Laranjeiras, situado em um município de pequeno porte, tem apresentado,
nos últimos anos, alta incidência e prevalência de casos de violência. Estudos realizados pelo núcleo
de Prevenção às Violências e de Promoção da Saúde, de uma instituição local, revelam que 78% dos
casos são registrados na faixa etária de 10 a 17 anos. A gestão municipal, em uma reunião
colegiada, elaborou um plano de gestão integrada para enfrentamento da situação. A educação em
saúde foi uma das estratégias apontadas para que a equipe de saúde da família enfrentasse o
problema.
Nessa situação, é incorreto a equipe de saúde da família considerar que a educação em
saúde
A) É uma estratégia de promoção da saúde.
B) Relaciona-se à história, à cultura e aos costumes da comunidade.
C) Busca apoderar a comunidade para o processo de mudança.
D) Visa à participação ativa dos sujeitos, acontecendo em diversos espaços.
Objetiva transmitir conhecimentos universalmente aceitos por meio de palestras, vídeos,
panfletos, entre outros.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
COMENTÁRIO:
Primeiramente é importante ressaltar que é pedagogicamente errado solicitar ao
acadêmico que assinale a questão incorreta. O melhor seria ressaltar a(s) alternativa(s) certa(s).
Nessa questão, a alternativa “E” está incorreta ao mencionar que a educação em saúde
“objetiva transmitir conhecimentos universalmente aceitos por meio de palestras, vídeos,
panfletos, entre outros”.
A equipe de saúde deve considerar a educação em saúde enquanto atos pedagógicos que
fazem com que as informações sobre a saúde dos grupos sociais contribuam para aumentar a
visibilidade sobre sua inserção histórica, social e política, valorizando suas reivindicações e
favorecendo caminhos inventivos, prazerosos e inclusivos (Brasil, 2007). Uma das concepções mais
generalizadas sobre educação e saúde é aquela cujas atividades se desenvolvem mediante
situações formais de ensino-aprendizagem, agregadas aos espaços das práticas de saúde. Essa
concepção estabelece uma assimetria na ação que parte do profissional de saúde que assume a
condição de “educador” em direção ao usuário dos serviços de saúde, posicionados como
“educandos”. A assimetria diz respeito ao fato de que essas práticas educativas realizam-se na
perspectiva da passagem de um saber ou de uma informação focalizada apenas no
desenvolvimento de comportamentos ou hábitos saudáveis, onde os profissionais da saúde figuram
como “os que sabem” e os usuários dos serviços desenvolvem o papel “dos que desconhecem”,
negando o diálogo como fundamento dessa relação, visto que o saber da clientela nem sempre é
considerado como carregado de importância e de significado para a equipe de saúde.
A educação em saúde se amplia, por outro lado, quando ultrapassa essa relação de ensinoaprendizagem assimétrica e didática, extrapolando o cultivo de hábitos e de comportamentos
saudáveis e incorporando a concepção de um projeto de sociedade e de consciência da sua saúde,
a partir de uma relação dialógica pautada na horizontalidade entre os seus sujeitos (usuários e
profissionais de saúde) (BRASIL, 2007a).
As demais alternativas não estão incorretas e, portanto, devem ser consideradas pela
equipe quanto à educação em saúde:
- é uma estratégia de promoção da saúde;
- relaciona-se à história, à cultura e aos costumes da comunidade;
- busca apoderar a comunidade para o processo de mudança;
- visa à participação ativa dos sujeitos, acontecendo em diversos espaços.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
Observação: A Educação em Saúde é uma ação presente nas estratégias de Promoção da Saúde,
conforme a Carta de Ottawa (BRASIL, 2002), documento este resultante da Primeira Conferência
Internacional de Promoção da Saúde, realizada em 1986, no Canadá. São cinco as estratégias para a
promoção da saúde: criação de ambientes favoráveis, reforço da ação comunitária,
desenvolvimento de habilidades pessoais, reorientação dos serviços de saúde e criação de políticas
públicas saudáveis. A Política Nacional de Promoção da Saúde conta com a educação em saúde
como eixo transversal às ações de saúde. Tais ações, mediadas pelos espaços educativos junto à
comunidade e usuários, impulsionam movimentos voltados para a promoção da participação social,
de forma que se busque o cumprimento efetivo das diretrizes e dos princípios do SUS. A reflexão
critica, o diálogo e a construção compartilhada do conhecimento representam ferramentas que
propiciam o encontro entre a cultura popular e a científica, oportunizando a escuta e a visão de
saberes e práticas diferentes, convivendo em situações de reciprocidade e cooperação.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Projeto Promoção da Saúde. As
Cartas da Promoção da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. 56 p.: il. (Série B. Textos Básicos
em Saúde)
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.
Política Nacional de Promoção da Saúde. 3. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2010. 60 p. – (Série
B. Textos Básicos de Saúde) (Série Pactos pela Saúde 2006; v. 7)
BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Diretrizes de educação em saúde visando à promoção da
saúde: documento base - documento I/Fundação Nacional de Saúde. Brasília: Funasa, 2007a. 70 p. :
il.
BRASIL. Ministério da Saude. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Departamento de
Apoio à Gestão Participativa. Caderno de educação popular e saúde. Brasília: Ministério da Saude,
2007. 160 p. : il. color. - (Serie B. Textos Básicos de Saude)
HEIDMANN, I.T.S.B., ALMEIDA, M.C.P., BOEHS, A.E., WOSNY, A.M., MONTICELLI, M. Promoção à
saúde: trajetória histórica de suas concepções.Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2006 Abr-Jun;
15(2):352-8.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
QUESTÃO 40 - Autora: Silvana Scheidemantel Schroeder – docente FURB
Ana, com 33 semanas de gestação, participa do grupo em uma unidade de saúde. Durante
as atividades, nesta semana, as gestantes disseram que gostariam de discutir as dificuldades das
mães no aleitamento materno. A enfermeira iniciou a atividade utilizando as imagens a seguir com
o intuito de provocar a discussão do grupo.
ALVES, C. R. L. e MUOLIN, Z. S. Saúde da criança e do adolescente: crescimento, desenvolvimento e alimentação. Belo Horizonte:
Coopmed, 2008
Com base nas informações e na tirinha utilizada pela enfermeira, resolva os itens a seguir.
a) Para realizar orientações, a enfermeira deve considerar a demanda dos participantes na
atividade? Justifique sua resposta. (valor: 5,0 pontos)
b) Comente acerca da contribuição da atividade de educação em saúde, no pré-natal, para a
mulher no pós-parto. (valor: 2,5 pontos)
c) Discorra sobre a contribuição da atividade de educação em saúde, no pré-natal, para a
criança nos primeiros dias de vida. (valor: 2,5 pontos)
COMENTÁRIO
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
A) Sim. Para que a comunicação seja facilitada, pode-se partir do princípio da participação e
utilização do conhecimento popular. Este pode ser usado para iniciar atividades, partindose do senso comum para o conhecimento científico. Para estas atividades deve-se sempre
utilizar linguagem clara e acessível. A enfermeira deve evitar juízos de valor e despir-se de
preconceitos em relação aos conhecimentos apresentados pelas participantes. É
importante tentar “empoderar” as mulheres, estimulando-as a agir como sujeitas do
processo, e não como meras coadjuvantes.
B) As atividades de educação em saúde são frequentemente usadas na saúde coletiva através
dos grupos, numa tentativa de abranger o maior número de pessoas possível, embora
possam ser realizadas também de forma individual, atendendo às demandas da gestante e
de seu companheiro. Na saúde da mulher, especialmente no pré-natal, ela é utilizada nos
grupos de gestantes, preparatórios para o parto e período puerperal. Nesses encontros
pode-se abordar temas como: alterações na gestação, preparo para o aleitamento
materno, exercícios preparatórios e orientações sobre o parto, cuidados com o recémnascido, direitos da mulher, licença-maternidade e licença-paternidade, entre outros. São
momentos de que as mulheres são convidadas a participar através de suas experiências
anteriores. A equipe deve utilizar-se dessas falas para instrumentalizá-las a respeito desses
temas. A participação do companheiro ou pessoa de confiança da gestante também é
muito importante, pois são essas pessoas que irão apoiá-la posteriormente. É importante
toda a equipe participar desses grupos, pois isso facilitará um discurso mais coeso no local
de trabalho, propiciando também a integração da gestante.
C) Os grupos de puericultura instrumentalizam as mães a cuidar de seu bebê com mais
segurança e conhecimento. As maiores beneficiadas são as primigestas, mas as demais
também utilizam os conhecimentos adquiridos no grupo. Os temas abordados (banho do
bebê, amamentação, cuidados com o coto, vacinas, higiene oral, etc.) ajudam a mãe a
cuidar melhor do bebê, bem como dos demais filhos. É um momento de troca de saberes e
experiências extremamente rico.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, João Aprigio Guerra de. Amamentação: um híbrido natureza-cultura. Rio de Janeiro:
FIOCRUZ, 1999. 119p, il.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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ANALYSIS – O ENADE NA FORMAÇÃO DA ENFERMAGEM: Análise da prova de 2010
ANDRADE, Márcia Regina Selpa ET al (org). Formação em Saúde: experiências e pesquisas nos
cenários de prática, orientação teórica e pedagógica. Blumenau: Edifurb, 2011.
BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Diretrizes de educação em saúde visando à promoção da
saúde: documento base - documento I/Fundação Nacional de Saúde. Brasília: Funasa, 2007a. 70 p. :
il.
KING, F. Savage. Como ajudar as mães a amamentar. Trad. Zuleika Thomson e Orides Navarro
Gordan. Brasília: Ministério da Saúde, 2001.
OMS, UNICEF. Aconselhamento em amamentação: um curso de treinamento. Trad. Cristina Maria
Gomes do Monte. São Paulo: Instituto de Saúde, SES, 1997.
SOUZA, Luciana Maria Borges da Matta; ALMEIDA, João Aprigio Guerra de. História da alimentação
lactente no Brasil: do leite fraco à biologia da excepcionalidade. Rio de Janeiro : Revinter, c2005.
117 p, il.
VALLA, Victor Vincent. Educação popular: libertação das classes populares ou socialização da
verba pública?. In: Educação E sociedade, (29) : 73-85, jul. 1988.
ORGANIZADORES: Silvana Scheidemantel Schroeder, Marcia Regina Selpa de Andrade e Marcus Vinicius Marques de Moraes
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