UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE CENTRO DE HUMANIDADES UNIDADE ACADÊMICA DE LETRAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LINGUAGEM E ENSINO CATEGORIAS DE TRADUÇÃO EM SALA DE AULA DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS Kaline Brasil Pereira Nascimento Campina Grande – PB 2012 Kaline Brasil Pereira Nascimento CATEGORIAS DE TRADUÇÃO EM SALA DE AULA DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Linguagem e Ensino da Universidade Federal de Campina Grande, como requisito para a obtenção do título de Mestre em Linguagem e Ensino. Orientadora: Profª. Drª. Sinara de Oliveira Branco 2012 AGRADECIMENTOS Antes de tudo e de todos, agradeço a DEUS pela ajuda incondicional, que me deu forças para persistir e me esquivar de situações complexas, inerentes a qualquer pesquisa científica. Obrigada, Senhor, pois sempre que pensei em recuar, tu me ensinastes que as pedras no meio do caminho me proporcionariam crescimento contínuo. À minha família, pelo incentivo, pela motivação e pelo apoio, tanto em palavras quanto em atitudes. Aos meus pais Edmar Pereira e Elza Brasil Pereira, especialmente à minha mãe, pela imensa (por vezes até exagerada) preocupação. Obrigada pelos abraços, pelas palavras de conforto e pelas xícaras de café nas noites de estudo intenso. Amo você! Aos meus irmãos: Rosilda, Keila, Emerson, Kátia e Wander. Vocês são especiais para mim. À minha irmã Rosilda, que merece muito amor. À minha irmã Keila que NUNCA mediu esforços para me ajudar, independentemente de suas condições. À minha irmã Kátia que, com suas ‘loucuras’, muito nos fez rir. Ao meu irmão Emerson, que me incentivou ao estudo das línguas. Ao meu irmão caçula Wander, cujo crescimento eu posso contemplar. Ao meu companheiro Carlinhos, que é também amigo, conselheiro, motivador. Obrigada pela compreensão e motivação desde o período do ensino médio (quando nos casamos) até o presente momento! You are especial! Aos meus professores de graduação, da UEPB, que me incentivaram ao desafio da seleção de Mestrado. Agradecimento especial às profas: Karyne Soares, Shashi Sasikala, Maria das Neves, Sinara Branco, Socorro Fortunato e ao Prof. João Martins, por uma participação mais direta em minha jornada acadêmica. Aos meus professores de pós-graduação: Aloísio Dantas, Edmilson Rafael, Sinara Branco, Maria Angélica, Marco Antônio, Suzana Cortês, Fabiele De Nardi, por participarem de meu processo de construção de novos conhecimentos. À minha orientadora, Profª. Sinara de Oliveira Branco, cujas orientações me ensinaram valores que vão além da realidade acadêmica, mas se estendem à realidade de vida, de forma geral. Obrigada pela leitura ATENTA e MINUCIOSA de cada texto enviado. Por ter acreditado que eu seria capaz de crescer e melhorar sempre. Seus conselhos me ajudaram a chegar onde estou, pois me abriram os olhos para algo que eu parecia não ver: SE QUERO, SOU CAPAZ! Agradeço pelo apoio e motivação para que eu antecipasse a conclusão da pesquisa. Thank you! Ao programa de bolsas REUNI, que me proporcionou dedicação exclusiva aos estudos do Mestrado. Ademais, tive a experiência de ministrar as disciplinas de Inglês Básico, Língua Inglesa I e Língua Inglesa II, ao lado da Profª. Vivian monteiro, do Prof. Normando Brito e da Profª. Sinara Branco. Meus agradecimentos ao Prof. Normando Brito, pelo carinho com que me recebeu para trabalhar ao seu lado. À Profª. Vivian Monteiro, com quem eu aprendi inúmeras lições, durante suas orientações envolvendo descontração e seriedade ao mesmo tempo. Mais uma vez à Profª. Sinara Branco, por ter me recebido como orientanda de Mestrado e de REUNI. Às turmas de Inglês Básico (História), de Língua Inglesa I e de Língua Inglesa II, por terem se mostrado receptivos para comigo. Entendo que há entre nós uma relação de amizade e de respeito. À minha grande colega de pós-graduação Aline Leal, com quem foi construída sincera amizade e afinidade. Muito obrigada por todas as palavras de apoio oriundas das vezes em que almoçamos juntas, na UFCG. Obrigada por se lembrar de mim ao encontrar pesquisas relacionadas aos Estudos da Tradução. Aos professores das três escolas onde ocorreu a coleta dos dados para a realização da pesquisa. Obrigada pela colaboração. À Profª. Maria Angélica (UFCG), por ter aceitado participar da banca, colaborando para o aprofundamento de algumas questões, com um olhar especial da Análise do Discurso. À Profª. Fabiele De Nardi (UFPE), que também faz parte de minha banca, por ter se disponibilizado a se deslocar de Pernambuco até Campina Grande, com vistas a trazer suas significantes contribuições. É significativo ver diferentes áreas de pesquisa dialogando. Obrigada! Thank you! LISTA DE ABREVIATURAS LE – Língua Estrangeira LM – Língua Materna LI – Língua Inglesa UFCG – Universidade Federal de Campina Grande UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina PGET – Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução DINTER - Doutorado Interinstitucional UnB – Universidade de Brasília PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais LP – Livro do Professor P1 – Professora da Escola de Idiomas P2 – Professor da Escola Regular I P3 – Professora da Escola Regular II A – Aluno (A1: Aluno1; A2: Aluno2, etc.) As – Alunos A? – Aluno não identificado PPP – Projeto Político Pedagógico TTT – Teacher Talking Time (Tempo de Fala do Professor) LISTA DE ILUSTRAÇÕES (FIGURAS, GRÁFICOS E TABELAS) LISTA DE FIGURAS Figura 1: Placa de Advertência: Curva Sinuosa à Direita.............................................. 18 Figura 2: Gráfico de Braj Kachru.................................................................................... 29 Figura 3: Tirinha – Turma da Mônica.............................................................................. 46 Figura 4: Placa indicando ‘banheiro feminino’................................................................ 48 Figura 5: Gesto indicando ‘roubar’.................................................................................. 85 Figura 6: Gesto indicando ‘pagar’.................................................................................... 96 Figura 7: Expressão facial indicando ‘envergonhado/a’, ‘tímido/a’................................... 98 Figura 8: Atividade Oral, envolvendo Tradução Intersemiótica.......................................110 Figura 9: Atividade Escrita, envolvendo Tradução Intersemiótica...................................111 Figura 10: Gesto indicando ‘bem’, ‘legal’, ideia de algo positivo......................................122 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Categorias de Tradução na Escola de Idiomas............................................... 74 Gráfico 2: Categorias de Tradução na Escola Regular I.................................................. 99 Gráfico 3: Categorias de Tradução na Escola Regular II................................................ 112 Gráfico 4: Uso das Categorias de Tradução por P1, P2 e P3 ........................................126 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Perfil dos Participantes da Pesquisa............................................................... 60 SUMÁRIO INTRODUÇÃO.......................................................................................... 09 1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA................................................................ 17 1.1 Conceitos de Tradução..................................................................... 17 1.2 Percurso Histórico-Metodológico do Ensino de LE........................... 21 1.2.1 Método Audiolingual na escola de idiomas......................... 24 1.2.2 Ensino de LE no contexto da escola regular....................... 31 1.3 Tradução e o Ensino de LE.............................................................. 35 1.3.1 Categorias de Tradução de Jakobson (1959/2000) ........... 39 1.4 O uso de LM em sala de aula de LE................................................ 50 2. METODOLOGIA...................................................................................... 54 2.1 Tipologia da Pesquisa...................................................................... 54 2.2 Coleta de Dados............................................................................... 56 2.2.1 Contexto da Coleta de Dados............................................. 57 2.2.2 Participantes da Pesquisa.................................................. 60 2.2.3 Instrumentos da Coleta de Dados...................................... 68 2.2.4 Organização dos Dados Coletados.................................... 70 3. ANÁLISE DOS DADOS......................................................................... 72 3.1 Categorias de Tradução na Escola de Idiomas.............................. 74 3.2 Categorias de Tradução na Escola Regular I................................. 99 3.3 Categorias de Tradução na Escola Regular II.................................. 112 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................. 125 REFERÊNCIAS.................................................................................................. 135 APÊNDICES....................................................................................................... 138 ANEXOS............................................................................................................. 141 RESUMO Durante muito tempo, o uso da tradução em sala de aula de Línguas Estrangeiras (LE) sofreu objeções, sob o argumento de ser negativo para o contexto de ensino e aprendizagem de LE. No entanto, a tradução está presente nesse contexto, independente da (não) aceitação por parte dos professores. Considerando as afirmações de Jakobson (1959/2000), a tradução pode manifestar-se como: Intralingual – dentro da mesma língua; Interlingual – de uma língua para outra; e Intersemiótica – de signos verbais para signos não verbais e vice-versa. Manifestando-se de diferentes maneiras, acredita-se aqui que a tradução é uma ferramenta eficaz para o desenvolvimento da LE. Partindo dessa perspectiva, este estudo segue dois objetivos, a saber: 1) Identificar que Categorias de Tradução de Jakobson (Ibid) são mais utilizadas em aulas de língua inglesa (LI) de uma escola de idiomas e de escolas regulares, da cidade de Campina Grande-PB; e 2) Averiguar a (in)adequação do uso das três Categorias de Tradução nessas escolas. Para tanto, partiu-se da hipótese de que na escola de idiomas, o uso da Tradução Intralingual e da Tradução Intersemiótica é mais frequente, uma vez que o objetivo do ensino de LE nesse contexto é a prática oral da língua. Por outro lado, acredita-se que, no âmbito de escola regular, a Categoria mais frequente é a Interlingual, considerando que nesse contexto, o ensino de LE é voltado para a habilidade de compreensão textual. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram gravações em áudio, notas de campo e entrevistas com os professores das respectivas turmas. Para atingir os objetivos a que esta pesquisa se propõe, foram observadas e gravadas 9 aulas na escola de idiomas (equivalente a 13 horas e 30 minutos de aula); 6 aulas na Escola Regular I (somando 5 horas de aula); e 12 aulas na Escola Regular II (totalizando 10 horas de aula). As aulas gravadas foram transcritas, a fim de analisar, inicialmente, a frequência do uso das Categorias de Tradução nos contextos mencionados e, posteriormente, analisar a (in)adequação do uso das mesmas. Para analisar os dados qualitativamente, foram considerados os contextos de ensino, a teoria trabalhada, as aulas gravadas, as notas de campo e as entrevistas. Como embasamento teórico para a pesquisa, considerou-se as ideias de Hernández (1996); Malmkjaer (1998) e Lucindo (2006), no que diz respeito à relação da tradução com o ensino de LE, além de Jakobson (1959/2000) e Oustinoff (2011), acerca de diferentes formas de se traduzir. Os resultados demonstram que no contexto de escola de idiomas, há uma recorrência maior da Tradução Intralingual, enquanto nas escolares regulares, a frequência maior é da Tradução Interlingual. Ademais, através desta pesquisa, foi possível confirmar a pertinência de se trabalhar com a tradução em sala de aula de uma forma contextualizada, em detrimento da tradução palavra-por-palavra, de vocábulos isolados. Assim, a tradução é uma ferramenta eficaz para levar os alunos à compreensão de que as LE e LM não têm relação plena. Esperase, portanto, que o presente estudo gere reflexões entre os professores de LE, levandoos a pensar em sua prática de ensino e na tradução enquanto ferramenta pedagógica que pode auxiliar no ensino e aprendizagem de LE. Palavras-chave: Tradução; Ensino de Línguas Estrangeiras; Categorias de Tradução. ABSTRACT For a long time, the use of translation faced objections, because it was considered negative for the foreign language teaching. However, translation is present in the teaching and learning process, regardless of its (non)acceptance by teachers. Considering Jakobson’s (1959/2000) ideias, translation may be characterized as: Intralingual – into the same language; Interlingual – from one language into another; and Intersemiotic – from verbal signs to nonverbal signs and vice-versa. Being manifested in different ways, it is believed that translation is an effective tool for the foreign language development. From this perspective, this research aims at: 1) Identifying which Translation Categories are mostly used in English language classes of a language course and of regular schools, located in the city of Campina Grande-PB; and 2) Analyzing the (in)appropriateness of the use of the Translation Categories in the schools mentioned. The hypothesis is that, in the language course, the Intralingual and the Intersemiotic Categories are mostly used, since the teaching aim in this context focuses on the oral practice. In the regular schools, it is supposed that the Interlingual Category is mostly used, considering that in such a context the foreign language teaching is focused on the textual comprehension ability. The instruments used to collect the data were audio recordings, field notes and interviews with the teachers of the groups investigated. To achieve the intended aims, 9 classes were observed and recorded in the language course (13 hours and 30 minutes of class altogether); 6 classes in the Regular School I (5 hours of class); and 12 classes in the Regular School II (the total of 10 hours of class). The classes recorded were transcribed in order to analyze the frequency of use of the Translation Categories in the contexts mentioned, and after that, to analyze the (in)appropriateness of such use. To investigate the data in qualitative terms, some aspects were considered, such as: the teaching contexts, the theoretical base, the classes recorded, field notes and the interviews. As theoretical framework for the present research, the following authors have been considered the basis: Hernández (1996); Malmkjaer (1998) and Lucindo (2006), who discuss translation and its relation with the foreign language teaching, besides Jakobson (1959/2000) and Oustinoff (2011), arguing on different ways of translating. The findings have shown that the Intralingual Translation was more frequently used in the Language Course, while in the Regular Schools, the Interlingual Translation was more currently used. Besides, this research has outlined the importance of dealing with translation in a contextualized way, in detriment of word-for-word translation. Therefore, translation has proved to be a useful tool to help students understand that the foreign language and the mother tongue are not similar. In conclusion, it is expected that this work promotes reflection among foreign language teachers, making them think about their teaching practice and about how translation, as a pedagogical tool, may help the teaching and learning of foreign languages. Keywords: Translation; Foreign Language Teaching; Translation Categories. 9 INTRODUÇÃO Quem aprende uma nova língua adquire uma alma nova. (Juan Ramón Jiménez) Aprender uma língua estrangeira (doravante LE) é um desafio que muitos desejam alcançar, quer seja para o mercado de trabalho, uma viagem para o exterior, leitura de textos na LE, compreensão de filmes e músicas em outra língua, dentre outros. Conforme a citação acima, aprender uma nova língua é adquirir uma alma nova, no sentido de que o indivíduo entra em contato com a língua do outro, com a cultura do outro, vivenciando o ouvir, o falar, o ler e/ou escrever dentro de um código linguístico ‘novo’, diferente. Trata-se de uma atividade complexa de ensinar e aprender uma LE. É nesse sentido que estudiosos, professores, pesquisadores e teóricos buscam caminhos, meios para o aprimoramento do processo de ensino e aprendizagem de LE. Na complexidade inerente a esse processo, a tradução foi e é alvo de divergentes olhares. A princípio, a tradução foi bem vinda para o ensino sistemático da LE, que priorizava a leitura de textos de cunho literário e religioso, com a vigência do Método Gramática e Tradução (cf. FERREIRA, 1999). No entanto, no século XIX, o uso da tradução em sala de aula de LE sofreu suas primeiras objeções, sendo enxergado sob uma ótica negativa, pois, a prática do código escrito, através de memorização de longas listas de palavras e tradução de frases isoladas, não correspondia mais às necessidades de comunicação oral emergentes na época. Essa visão negativa voltada para o uso da tradução perdura até hoje. É comum em sala de aula de LE, por exemplo, os professores pedirem aos seus alunos que ‘esqueçam’ sua língua materna (LM), que tentem pensar e comunicarem-se apenas na LE estudada, não traduzindo. A partir de experiência como aluna de LE – inglês e espanhol – e, posteriormente, exercendo o papel de professora de língua inglesa (LI), tem sido possível 10 observar queixas de professores de LE, afirmando que seus alunos fazem uso da tradução durante as aulas, por mais que os professores reclamem, afirmando que não é ‘permitido’, pois esse uso atrapalha. Seguindo esse raciocínio, várias escolas, ao apresentarem sua proposta de ensino, avisam que não se recorre à tradução e que desde o primeiro dia o aluno ouve apenas a LE em sala de aula. Ou seja, o uso da tradução é ‘desencorajado’ no âmbito de ensino e aprendizagem de LE, sob o argumento de representar um obstáculo para o avanço da mesma. Durante algum tempo de experiência como professora de LI, devido ao fato de não ter conhecimento aprofundado sobre o uso da Tradução em sala de aula de LE, bem como à lacuna na formação no que diz respeito a uma disciplina que proporcionasse discussão acerca do assunto, passei a recusar a presença da tradução em sala de aula, corroborando discursos constantes de colegas de trabalho de que esse uso atrapalha e bloqueia a aprendizagem. Com essa recusa, havia certa frustração quando, em algum momento da aula, os alunos traduziam, por mais que soubessem que não era ‘permitido’. A incessante busca por fazer com que os alunos pensassem apenas na LE gerou vários questionamentos, uma vez que tal objetivo nunca fora alcançado. Por isso, restavam sempre as mesmas dúvidas: Como ‘deixar de lado’ a LM? Como fazer o aluno não traduzir em sala de aula de LE, para que venha então, a pensar apenas na LE estudada? Como aluna e professora de uma LE, essas questões geram curiosidade concernente ao uso da tradução em sala de aula. A certeza de querer pesquisar sobre esse assunto concretizou-se a partir de leituras e discussões durante o estudo da disciplina intitulada “Estudos da Tradução e o Ensino de Línguas Estrangeiras”, como aluna especial, na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), no segundo semestre de 2010. Durante as aulas, problematizávamos essa ‘possibilidade’ de ‘deixar de lado’ a LM, que é parte constitutiva do sujeito, presente nas diversas experiências de vida, desde a infância. Entendo que, pensar no aluno representa, automaticamente, 11 pensar em um indivíduo provido de conhecimentos prévios, de vivências anteriores, de historicidade, cuja LM representa mais do que estruturas linguísticas, representa familiaridade, de forma que ‘fingir’ não ter uma LM, ‘ignorá-la’ durante as aulas de LE é, então, apenas ilusório. Além disso, discutia-se também o fato de os alunos traduzirem em sala de aula, mesmo quando esse uso é desencorajado pelo professor. Partindo do ponto de vista de que se traduz mensagens, ideias, opiniões, argumentos, vontades, entendo que a tradução é uma atividade que faz parte de nosso dia-a-dia, sendo inerente à linguagem, de forma mais ampla. Nesse sentido, acredito que o uso da tradução no contexto de ensino e aprendizagem de LE pode ser positivo, uma vez que haja propósito pedagógico para esse uso. Seguindo as ideias acima, esta pesquisa surge a partir do interesse em investigar de que maneira o professor utiliza e controla o uso da tradução em aulas de LE. Desse modo, a presente pesquisa está inserida na área de Estudos da Tradução e Ensino de LE, que considera a tradução uma ferramenta pedagógica, com foco no aperfeiçoamento da língua estudada. Outras instituições desenvolvem pesquisas na área, como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde surgiu o primeiro programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução (PGET) da América Latina. Na PGET, criou-se o Doutorado Interinstitucional (DINTER), envolvendo UFSC, a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e UFCG, e uma das pesquisas trata da investigação da tradução automática enquanto ferramenta tradutória, realizada por Cleydstone Chaves e orientada pelo Professor Dr. Lincoln P. Fernandes (UFSC). Envolvendo o par linguístico inglês-português/português-inglês, o trabalho concentra-se na tradução automática de grupos verbais, visando apresentar discussão sobre as implicações pedagógicas da tradução automática em sala de aula de LI. Além da UFSC, a Universidade de Brasília (UnB) também desenvolve pesquisa abordando a tradução e o ensino de LE. O trabalho de Ana Paula Alves Torres da Costa 12 (2008), por exemplo, tem por título: ‘Traduzir para comunicar: A Tradução como Componente Comunicativo no Ensino-Aprendizagem de Inglês como Língua Estrangeira’ e investigou a tradução enquanto ato comunicativo e atividade integrada às quatro habilidades (ouvir, falar, ler e escrever). Participaram da pesquisa 40 aprendizes, com pelo menos seis anos de estudo da LI e que por 11 semanas participaram do Projeto de Tradução, assim como 3 professores de LI. Por meio de gravações de aula, notas de campo, relatórios, depoimentos orais, questionários e entrevistas, a pesquisadora observou que, por parte dos alunos, a tradução é uma atividade integradora das quatro habilidades, sendo um fator motivador para a aprendizagem de LE. Os professores, por sua vez, tendem a negligenciar o uso da tradução enquanto ferramenta didática. Mesmo com o avanço significativo na área de Estudos da Tradução no Brasil, foi observado, durante buscas por pesquisas envolvendo tradução e ensino, em bancos de dissertações e teses de diferentes universidades do país, que se faz necessário a realização de mais pesquisas que envolvam o uso da tradução como uma ferramenta de ensino de LE. Sendo assim, observa-se que, no vasto campo da Tradução e Ensino de LE, muito ainda há a ser explorado. Na UFCG, por exemplo, este é o segundo trabalho em nível de Mestrado na área de Tradução e Ensino de LE envolvendo a LI, sendo precedido da Dissertação de Mestrado de Marília Bezerra Cacho (2011): “Aproximando Teoria e Prática: Uma análise das Estratégias de Tradução em textos traduzidos por alunos da graduação em Letras da UFCG”, pesquisa na qual a autora analisa textos traduzidos por alunos de graduação em Letras da UFCG, a fim de investigar quais estratégias de tradução, propostas por Chesterman (1997), foram utilizadas mais ou menos adequadamente nessas traduções. O estudo levou à conclusão de que a tradução pode ser utilizada como uma ferramenta para a investigação da competência linguística dos aprendizes, não apenas no que diz respeito à LE, mas também em relação à LM do aluno. Além disso, o estudo 13 proporcionou reflexão sobre as várias formas de se traduzir um texto, em detrimento de uma tradução única. Na área de língua francesa, também em nível de Mestrado, pela UFCG, a Dissertação de Kelly Araújo (2010), intitulada “Leitura Literária em Aula de Francês Língua Estrangeira: A Tradução como um Caminho Possível”. A pesquisa contou com participantes de três diferentes esferas de ensino e aprendizagem de LE: 1) iniciantes do curso de graduação; 2) do curso de uma escola de francês; 3) e de um curso de proficiência da UFCG. Durante o trabalho com textos literários, a tradução manifestou-se como uma ferramenta didática eficaz para o aperfeiçoamento da LE, além de propiciar discussões envolvendo aspectos interculturais, através do texto traduzido. Ademais, o uso da tradução colaborou para uma maior apreciação do texto literário e para a formação identitária dos participantes da pesquisa. A partir dessa contextualização do tema-problema, busca-se aqui investigar o uso da tradução em dois contextos de ensino de LE, a saber: em uma escola de idiomas e em escolas regulares, situadas na cidade de Campina Grande - PB. O estudo segue os seguintes questionamentos: i) Que Categorias de Tradução apresentadas por Jakobson (1959/2000) são mais utilizadas no contexto de ensino de LI de uma escola de idiomas e de escolas regulares, da cidade de Campina Grande?; e ii) O uso das Categorias de Tradução está adequado aos contextos de ensino de LI mencionados? A partir dos questionamentos supracitados, pretende-se refletir sobre como o uso da tradução manifesta-se nos contextos de ensino em foco. Dessa forma, pretendese corresponder aos seguintes objetivos: 14 Objetivo Geral: Investigar o uso das Categorias de Tradução de Jakobson (1959/2000) em sala de aula de LE. Objetivos específicos: i) Identificar que Categorias de Tradução de Jakobson (1959/2000) são mais utilizadas em aulas de LI de uma escola de idiomas e de escolas regulares da cidade de Campina Grande; e ii) Averiguar a (in)adequação do uso das três Categorias de Tradução nessas escolas. A fim de atingir os objetivos mencionados, serão consideradas as três Categorias de Tradução, propostas por Jakobson (Ibid), sendo elas: i) Tradução Intralingual – tradução dentro do mesmo código linguístico; ii) Tradução Interlingual – tradução de um código linguístico a outro; e iii) Tradução Intersemiótica – tradução de signos verbais para signos não verbais, ou vice-versa. Considerando que o objetivo da escola regular não está direcionado à oralidade e, consequentemente, não foca o trabalho com as habilidades de compreensão ou produção oral, mas atividades de leitura e interpretação de textos (cf. MORAES, 2002), acredita-se que nesse ambiente de ensino e aprendizagem de LE, a Tradução Interlingual ocorre com mais frequência. Diferentemente desse contexto, a escola de idiomas tem foco na oralidade. Muito embora as quatro habilidades (escuta, fala, leitura e escrita) sejam trabalhadas, o ensino está mais voltado para a compreensão e produção oral, fato que gera a hipótese de que nesse âmbito de ensino e aprendizagem de LE, a Tradução Intralingual e a Tradução Intersemiótica sejam mais utilizadas. 15 Para que os objetivos desta pesquisa sejam alcançados, os seguintes passos metodológicos são seguidos: i) Visita às escolas; ii) Observação e gravação em áudio das aulas, com notas de campo; iii) Elaboração do roteiro para entrevistas; iv) Realização das entrevistas com os professores das turmas investigadas; v) Identificação das Categorias de Tradução; vi) Identificação das (in)adequações das Categorias de Tradução; vii) Análise quantitativa das Categorias de Tradução; e viii) Análise qualitativa dos dados. No tocante à estruturação, a pesquisa está organizada em três capítulos. No primeiro, é apresentada a Fundamentação Teórica, que engloba as principais teorias que guiam este estudo. Inicialmente, são apresentados alguns conceitos de tradução, bem como a definição de tradução adotada nesta pesquisa. Posteriormente, é traçado um percurso histórico-metodológico do ensino de LE, com vistas a apresentar caminhos metodológicos de ensino de LE, bem como o olhar voltado para a tradução, sob a ótica dessas metodologias. Dentre essas metodologias, é tratado mais especificamente do Método Audiolingual (utilizado pela escola de idiomas observada), bem como das ideias subjacentes aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Em seguida, é discutida a relação da tradução com o ensino de LE e são apresentadas as Categorias de Tradução (cf. JAKOBSON, 1959/2000). Por fim, é apresentado o uso da LM em sala de aula de LE, diferenciando-o do uso da Tradução Interlingual. O segundo capítulo, a Metodologia, descreve os procedimentos metodológicos seguidos durante o presente estudo. Nesse capítulo é apresentada a tipologia da 16 pesquisa, os contextos de coleta de dados, os participantes envolvidos, instrumentos de coleta dos dados e a organização dos dados para análise. O terceiro capítulo, a Análise dos Dados, é destinado a investigar a frequência do uso das Categorias de Tradução, assim como a (in)adequação desse uso, na escola de idiomas e nas escolas regulares. Para isso, são considerados: o suporte teórico da pesquisa, as características contextuais de cada ambiente e sujeito participante da investigação, bem como os dados coletados por meio das gravações em áudio, das notas de campo e das entrevistas com os participantes da pesquisa. Por fim, são expostas as considerações finais às perguntas a que esta pesquisa se propõe. 17 1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo, são apresentadas, inicialmente, algumas definições de tradução, e a partir dessas definições, é apresentado o conceito de tradução que embasa este trabalho. Em seguida, são expostas algumas metodologias de ensino, bem como as ideias subjacentes. O Método Audiolingual é apresentado com mais detalhes, por ser utilizado pela escola de idiomas onde se passou a coleta de dados, no que concerne: i) o seu surgimento; ii) o conceito de língua que permeia esse Método; iii) o papel do aluno e do professor; bem como iv) a visão acerca de uso de tradução em sala de aula de LE. Será apresentado, também, o ensino de LE no âmbito da escola regular, outro contexto analisado nesta pesquisa. A seção seguinte trata da relação da tradução com o Ensino de LE, bem como das três Categorias de Tradução, propostas por Jakobson (1959/2000). Finalmente, a seção que encerra a Fundamentação Teórica discute o uso de LM em sala de aula de LE, diferenciando-a do uso da Tradução Interlingual. 1.1 Conceitos de Tradução Conforme Guerini e Costa (2007) a palavra ‘traduzir’ deriva do latim traducere, e o termo tradução etimologicamente significa “transferir”, “conduzir além”. Segundo o dicionário Aurélio (2001), além dessas definições, ‘traduzir’ é ainda “explicar”, “manifestar”, “simbolizar”, “representar”, “exprimir”. Ou seja, seu leque de significados, no contexto atual, é mais amplo quando se compara à ideia original de “transferir”. Jakobson (1959/2000) parece corroborar a ideia acima ao argumentar que traduzir não se limita a fazer transposições de um código linguístico para outro. Essa seria apenas uma das três Categorias de Tradução propostas pelo autor, que são: i) Tradução Intralingual, que é a interpretação de signos verbais, dentro do mesmo código 18 linguístico; ii) Tradução Interlingual, que envolve necessariamente dois códigos linguísticos; e iii) Tradução Intersemiótica, que ocorre por meio de signos verbais e não verbais. Em relação à Tradução Intralingual, o autor (Ibid) afirma ser a tradução em que se utiliza uma palavra ou um conjunto de palavras de um mesmo código linguístico. A Tradução Interlingual difere da Intralingual, pois diz respeito à transmissão de mensagens de uma língua para outra, do português para o inglês, por exemplo. A Tradução Intersemiótica diz respeito ao uso de signos verbais bem como de signos não verbais, para explicar termos ou situações. Por exemplo: Figura 1 http://www.detran.rr.gov.br/index.php/placas-de-advertencia. Acesso em 02/10/2012. A Figura 1 está presente em ruas, avenidas, estradas, e embora não traga consigo a linguagem verbal, a mesma adverte o condutor acerca da existência, adiante, de uma curva acentuada à direita. Por meio da linguagem não verbal, a placa exposta informa a necessidade de redução de velocidade e mais atenção, por parte do motorista. Assim como Jakobson, Vermeer (1978, apud NORD 1997) considera a tradução como sendo uma transferência de informações de signos verbais ou não verbais. Nesse sentido, transferir imagens para a música, poesia e/ou vice-versa, é um modo de tradução. Conforme Oustinoff (2011), traduzir não é simplesmente transferir palavras isoladas. A tradução está presente em contextos variados, sempre que o sentido de uma palavra é interpretado por signos verbais ou não verbais. Por isso, a tradução é necessária e inerente à linguagem: 19 ao postular que o sentido de um signo é sua tradução por outro signo, pouco importa que ele seja visual (língua escrita ou “língua de sinais”), fonética (língua oral), tátil (alfabeto braile) etc., isto é, ele é resultante de vários sistemas de signos ao mesmo tempo (OUSTINOFF, 2011, p. 24) Paz (2009) compartilha essa visão, no sentido de que a tradução é inerente à comunicação. Por intermédio da tradução, a criança passa a conhecer o desconhecido, defende o autor e tradutor: Aprender a falar é aprender a traduzir: quando a criança pergunta a sua mãe o significado desta ou daquela palavra, o que ela realmente quer é que se traduza para sua linguagem o termo desconhecido. A tradução dentro de uma língua não é, nesse sentido, essencialmente distinta da tradução entre duas línguas, e a história de todos os povos repete a experiência infantil [...] (PAZ, 2009, p. 9) Com essa visão conceitual mais ampla, entende-se que a tradução, em suas modalidades Intralingual e Intersemiótica, está presente inclusive na ausência de uma LE. Ao se pensar na amplitude da linguagem, ou seja, além de estruturas sintáticas, a tradução é atividade essencial da linguagem, no sentido de que mais do que palavras soltas, se traduz um desejo, uma vontade, um gesto, uma história, de forma que, como afirmam Guerini e Costa (2007), a aprendizagem de qualquer língua passa necessariamente pela tradução. Quando se realiza pesquisas na área da Tradução, é imprescindível que se especifique o contexto de uso da mesma. Por exemplo, a tradução profissional e a tradução pedagógica são distintas, em especial no que diz respeito aos objetivos subjacentes. Segundo Lucindo (2006), a tradução profissional envolve o cumprimento de um contrato, em que o tradutor produz a tradução de um texto a partir de um acordo com o cliente. Dessa maneira, o foco desse tipo de tradução está no produto finalizado - o texto traduzido. A tradução pedagógica, por sua vez, tem outras finalidades. O foco está no aprendizado de LE, e a tradução é uma ferramenta para o aperfeiçoamento e melhoramento dessa língua. 20 Tendo diferenciado a tradução profissional da tradução pedagógica, este estudo focaliza o uso da tradução como ferramenta pedagógica para o ensino e aprendizagem de LE. Hernández (1996) afirma que a tradução pedagógica é um instrumento didático que permite várias possibilidades de aperfeiçoamento da LE, e por isso, não se constitui como o eixo central da aprendizagem de LE. Em consonância com Hernández, Lucindo (2006, p. 5) define a tradução pedagógica como sendo “todo tipo de tradução utilizada na sala de aula com o objetivo de ensinar a LE”. Assim também, Popovic (1999) afirma que a tradução não se constitui como um fim, mas como um meio para um determinado fim - a aprendizagem de uma LE. Concordando com o posicionamento das autoras citadas, esta pesquisa não diz respeito à aula de tradução inserida em aulas de LE, mas sim ao uso da tradução como uma ferramenta didática. Tomando por base os conceitos de tradução até então mencionados, segue a definição de tradução adotada nesta pesquisa: Um meio, uma ferramenta de auxílio para o ensino e aprendizagem da LE, podendo manifestar-se como Intralingual, Interlingual e Intersemiótica, que quando utilizadas com objetivos pedagógicos e de forma contextualizada, permitem o desenvolvimento e a consolidação da aprendizagem da LE em foco. Com a definição apresentada, não se pretende ignorar outros conceitos existentes, mas entende-se que o conceito apresentado se adéqua aos objetivos a que a pesquisa se propõe, bem como ao contexto de sala de aula de LE. Sendo assim, o olhar voltado à tradução, neste estudo, distancia-se da ideia de tradução que prevalece no senso comum, o de transferência de palavras apenas. É importante reforçar que, mesmo estando ciente da importância da tradução profissional, não é a ela que este trabalho se refere. Portanto, a tradução não é o produto 21 a ser alcançado, mas uma ferramenta indispensável para as aulas de LE. Assim também, a tradução é provida de diferentes possibilidades de uso, que dependerá do objetivo pedagógico do professor em sala de aula de LE. A tradução pode manifestar-se de diferentes maneiras, distanciando-se do ‘certo’ ou ‘errado’, mas podendo ser vista como mais ou menos adequada, devido ao seu contexto de uso. A seguir, será feito um percurso histórico-metodológico, com vistas a apresentar alguns caminhos percorridos pelo ensino de LE e a visão do uso da tradução em sala de aula de LE, em cada época e metodologia vigente. 1.2 Percurso Histórico-Metodológico do Ensino de LE Por volta do final do século XVIII surgiu o Método Gramática e Tradução. Segundo Ferreira (1999), o foco principal desse método não era a comunicação oral, mas a leitura de textos literários e religiosos em línguas clássicas, tais como grego e latim. Propunha-se o ensino sistemático da língua, através de versão de frases da LE para a LM, por meio do uso do dicionário, de livros de gramática normativa e de longas listas de palavras para memorização de vocabulário. As explicações eram feitas em LM e focavam o conhecimento do sistema linguístico da LE (cf. MARTINEZ, 2009). Nesse Método, o professor posicionava-se como ‘detentor’ do saber, por isso, em sala de aula, apenas ele tinha o papel de transmitir conhecimento para os alunos, que enquanto receptores desse conhecimento, respondiam aos comandos do professor da turma. Conforme surgiam necessidades sociais de comunicação oral, emergia também a necessidade de avanço concernente à forma de se ensinar uma LE. Por isso, ocorreram as primeiras objeções ao Método Gramática e Tradução no século XIX, com o movimento que ficou conhecido como Movimento da Reforma, segundo o qual o ensino de LE deveria levar em consideração: i) o estudo da língua falada (oralidade); ii) a prática 22 da fonética da língua, a fim de alcançar ‘boa pronúncia’; iii) o uso de diálogos e conversações; e iv) o ensino de gramática de forma indutiva (cf. RICHARDS; RODGERS, 1996, p. 7). Posteriormente, no século XX, entre os anos 60 e 70, essas ideias foram ainda mais enfatizadas pelos Métodos Direto, Natural e Audiolingual. Conforme Martinez (2009), o objetivo do Método Direto (ou Abordagem Direta) era aprender uma LE utilizando apenas essa LE, não passando por tradução e/ou utilização da LM, ou ainda pela explicação explícita da gramática da LE. Os principais exercícios utilizados nesse método eram, consoante Cestaro (1998), de compreensão textual, exercícios de gramática, correção fonética e conversação, o que mostra ter havido certo desenvolvimento no ensino e aprendizagem da LE quando se compara esse método ao de Gramática e Tradução. Entretanto, referente ao professor-aluno, não houve evolução, já que o professor continuou sendo o ‘protagonista’ do ensino. O Método Gramática e Tradução e o Método Direto também diferem no que diz respeito ao uso de LM em sala de aula de LE, pois enquanto no primeiro a LM era o meio principal de ensino, no segundo, não deveria ser utilizada. Sendo o uso de LM ‘desencorajado’, no Método Direto, recorre-se então a recursos como: gestos, mímicas, desenhos, interpretações. Entretanto, considerando as Categorias de Tradução propostas por Jakobson (1959/2000), utilizar esses recursos implica fazer uso da Tradução Intersemiótica, que é a tradução de signos verbais através de signos não verbais e vice-versa. Na utilização desse tipo de tradução, a linguagem não verbal é utilizada como forma de comunicação, não se restringindo apenas à LE, mas se estendendo ao uso da linguagem, de forma mais ampla. Ou seja, “deixa de ser necessário postular que existiria apenas uma única modalidade de tradução autêntica.” (cf. OUSTINOFF, 2011, p. 55). 23 O Método Direto e o Método Natural convergem para o uso exclusivo da LE, de forma que o uso da tradução continua sendo ‘desencorajado’, por ser considerado artificial e desnecessário. Em contraponto a essa ideia, Hernández (1996) afirma que o problema não está no uso da tradução em si, mas em como esse uso ocorre. A autora afirma que as duras críticas voltadas para o Método Gramática e Tradução ocorreram, pois o mesmo girava em torno de memorização de longas listas de palavras, com foco na tradução em si e na gramática normativa. Assim também, Malmkjaer (1998) defende que as objeções ao uso da tradução em sala de aula de LE passam a ser coerentes se esse uso for descontextualizado e se o professor/a entregar aos alunos um longo e incompleto texto, cuja origem não se sabe, tampouco o conteúdo é do interesse da turma. As afirmações das autoras parecem coerentes, no sentido de que, o (não) sucesso da tradução depende significativamente de como se lida com a mesma em sala de aula de LE. É fato que a maneira como se recorria à tradução no século XVIII não corresponde mais aos objetivos atuais de ensino e aprendizagem de LE, devido à necessidade de comunicação oral cada vez mais intensa. Por isso, a tradução vem, com “novas roupagens” (cf. MALMKJAER, 1998, p. 23), conquistando espaço no contexto de sala de aula. Com esse novo ‘traje’, a tradução vai além de construções linguísticas, por também direcionar o olhar para questões sociais, políticas, culturais. Portanto, entendese que a utilização da tradução, em suas modalidades Intralingual, Interlingual e Intersemiótica, integrada às habilidades de escuta, fala, leitura e/ou escrita, é uma ferramenta eficaz para o aprimoramento da LE. A seguir, será apresentado o método Audiolingual (utilizado pela Escola de Idiomas onde ocorreu a coleta de dados), que também desencoraja a tradução em sala de aula de LE. 24 1.1.1 Método Audiolingual na Escola de Idiomas Segundo Richards e Rodgers (1996), a presença dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial teve efeito significativo para o ensino de LE. Devido à necessidade de fazer com que os combatentes aprendessem a LE, surgiu o “Army Method” (Método do Exército), caracterizado pelo contato intenso com a língua estudada. Com a repercussão mundial dos Estados Unidos, tornou-se necessário o ensino de LI para alunos estrangeiros que viajavam para estudar no país. De tal necessidade surgiu o Audiolingualismo, em meados dos anos 50. Richards e Rodgers (Ibid, p. 51) afirmam que os princípios basilares do Audiolingualismo são: Foco principal na oralidade. Leitura e escrita são exploradas posteriormente à oralidade; Foco na estrutura; A variante nativa como referência de pronúncia ‘correta’; Uso permanente da LE em sala de aula, sendo o uso da LM ‘desencorajado’; Não uso da tradução em sala de aula, especialmente em estágios iniciais; A memorização como fator fundamental para o sucesso do ensino e aprendizagem da LE; Repetição de estruturas na LE, objetivando a memorização de determinada estrutura. Assim como os Métodos Direto e Natural, o Método Audiolingual surgiu com foco na oralidade. Sendo assim, as quatro habilidades são praticadas na seguinte sequência: escuta, fala, leitura e escrita, de forma que o aluno não é exposto a textos escritos antes da prática de compreensão e produção oral. Conforme as ideias defendidas pelo Audiolingualismo, essa sequência se dá por se aproximar da maneira como a criança adquire sua LM. Segundo Richards e Rodgers (1996), o Método Audiolingual é baseado no pressuposto de que a língua é um conjunto de hábitos. Portanto, o aluno deve ser exposto a condicionamentos através de um processo mecânico de estímulo-resposta. Ou 25 seja, sempre que os alunos utilizarem a estrutura pedida corretamente, o professor deve reforçar, a fim de que o aluno seja motivado a repetir, memorizar, correspondendo ao estímulo causado (cf. CESTARO, p. 1998). Segundo esse método, a repetição de uma mesma estrutura linguística faz com que essa não seja esquecida e possa ser utilizada em situações reais de comunicação. Todavia, a memorização das formas linguísticas em si não é suficiente para o uso efetivo de uma língua, seja materna ou estrangeira. Na própria LM do aluno, há situações em que surgem dificuldades de comunicação, mesmo havendo conhecimento da estrutura da língua. As dificuldades podem ocorrer pelo fato de a situação de comunicação exigir certo grau de formalidade que não é conhecido, por exemplo, ou devido ao fato de os participantes envolvidos utilizarem vocabulário de uma área específica, ou até mesmo pelo uso de gírias, que podem variar de região para região. Esse fato implica no conhecimento que vai além do código linguístico. Considerando tais afirmativas, este estudo segue um conceito de língua divergente do conceito seguido pelo Método Audiolingual. Entende-se, portanto, que o domínio da língua não se limita ao conhecimento de palavras soltas ou de estruturas sintáticas da língua, mas trata-se do uso da linguagem, de uma forma mais ampla, considerando o funcionamento da língua em contextos reais de interação. Dessa forma, a língua não é estática e limitada às estruturas, mas é fluida, flexível, mutável. Nesse sentido, a interação com uma pessoa do poder público diverge da interação recorrente entre amigos. A linguagem utilizada em um chat de relacionamentos não é a mesma para um comunicado oficial. Assim também, o grau de formalidade muda quando se trata de um grupo de estudo entre amigos e uma palestra. A utilização da linguagem de determinada forma tem um função social, que vai além da memorização de frases fixas. Essa afirmação pode ser exemplificada da seguinte maneira: na cultura brasileira, quando alguém espirra, é comum que pessoas em volta utilizem a expressão 26 ‘Saúde!’. No entanto, na LI, a expressão utilizada na mesma situação é ‘God bless you!’, que quando traduzida literalmente significa ‘Deus abençoe!’, ou ainda ‘Cheers!’ (‘Saúde’, ‘Viva!’). Fenômenos desse tipo ocorrem, pois, as línguas são construídas dentro de seus contextos culturais específicos, de forma que dizer ‘Deus abençoe!’ em um contexto de língua portuguesa ou ‘Health!’ (saúde) em um contexto de LI, na situação mencionada, não faria sentido. É por considerar essa amplitude da linguagem e, por sua vez, da comunicação, que se compartilha aqui, a ideia de tradução como atividade que comunica mensagens (cf. BRANCO, 2010), com foco principal na função e não na forma. Nesse sentido, pensase não em uma relação plena e unívoca entre as palavras, mas na relação das mensagens transmitidas. Desse modo, decorar as estruturas não é suficiente para que os aprendizes sejam capazes de utilizar a LE de forma comunicativa. Vale salientar que ‘de forma comunicativa’ refere-se ao uso da linguagem em seu contexto real de uso e não em relação à língua no que diz respeito apenas às suas estruturas sintáticas. Entretanto, não se defende aqui que a forma perde sua validade ou que é ignorada, mas que essa deve ser utilizada como suporte à função que, segundo Galisson e Coste (1976 apud MARTINEZ, 2009, p. 67), é “uma operação que a linguagem realiza e permite realizar por sua operacionalização em uma práxis relacional com os outros e com o mundo”. Desse ponto de vista, a utilização da língua tem uma função social e aspectos como: os sujeitos envolvidos na interação, assim como os objetivos subjacentes ao uso da língua de determinada maneira, devem ser levados em consideração. Concernente ao papel do aluno e do professor, o Método Audiolingual se assemelha aos Métodos Direto, Natural e até mesmo ao Método Gramática e Tradução, pois o professor ocupa a posição de responsável por ‘passar o conhecimento’ para os alunos. O papel do aluno, por sua vez, é de receber o conhecimento ‘passado’. Tal característica faz do professor aquele que detém o conhecimento, sendo o único na sala 27 de aula que pode transmiti-lo ao aprendiz. Tal estilo de ensino de LE é conceituado por Scrivener (1994, p. 1) como “jug and mug” (jarro e caneca), ou seja, o conhecimento sendo passado de um recipiente com conteúdo a outro que está vazio. Com esse estilo de ‘transmissão de conhecimento’, o professor, muitas vezes, lida com o ensino de forma isolada, não oportunizando os alunos a participação efetiva em sala de aula. Ou seja, o professor detém a palavra, fornece as respostas, realiza as leituras, sendo o único a participar do processo de ensino e aprendizagem durante as aulas. Scrivener (Ibid) faz um alerta para que os professores tenham controle do próprio tempo de fala, caracterizado pela autor como Teacher Talking Time (TTT), que é o momento em que a participação oral está voltada para o professor. Entende-se que além de controlar esse tempo, é pertinente que os professores levem os alunos à participação, por meio de exposição de questionamentos, de dúvidas, de opiniões, de conhecimentos anteriores. Assim como Scrivener, Freire (2002) também tece críticas a respeito desse posicionamento de ‘detentor do saber’ do professor. O autor afirma que ensinar difere significativamente de transferir conhecimento, visto que o ensino envolve necessariamente uma abertura às novas ideias, indagações, curiosidades, inibições, críticas, mudanças. O ‘transferir conhecimento’, por sua vez, limita-se ao que Freire (1987, p. 33) denomina de educação “bancária”, em que o professor exerce a função de depositar conhecimento, como se o aluno fosse um depósito vazio, que vai à escola para ser preenchido de conteúdos específicos. Não obstante, os alunos são capazes de atuar, refletir, concordar ou discordar, apresentar suas ideias, dialogar, vivenciando constante desenvolvimento e troca de saberes. Pensando na atividade de tradução, não se trata de o professor fazer a transferência de textos para os alunos, para que os mesmos memorizem, mas de lidar com mensagens, quer envolvendo apenas um código linguístico, quer de uma língua para 28 outra, quer por meio de signos verbais e não verbais. Esse uso prioriza o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem, que envolve alunos enquanto sujeitos providos de historicidade, de conhecimentos prévios, indissociáveis de sua cultura, de sua história, de sua língua. Segundo as ideias subjacentes ao Método Audiolingual, além de ‘passar’ o conhecimento para os alunos, é também papel do professor aplicar o método corretamente, para que o ensino e aprendizagem de LE tenha êxito. Essa ‘aplicação do método corretamente’ implica seguir rigidamente os passos metodológicos apresentados pelo Método, tais como a prática de compreensão e produção oral, leitura e escrita, nessa ordem, bem como exercícios de repetição e memorização. Conforme essa visão, as dificuldades de aprendizagem não se dão por falhas no método em si, mas devido a não aplicação do mesmo, de forma que o método é considerado ‘infalível’ (cf. RICHARDS; RODGERS, 1996). Em contraponto a essa ideia, corrobora-se aqui Brown (2007), ao afirmar que não há uma resposta final de como se ensinar uma LE, visto que o contexto em que se dá esse ensino deve ser levado em conta. Ou seja, utilizar o mesmo método e tê-lo como ‘infalível’ acaba por ignorar fatores como: a quantidade de alunos, idade e objetivo/interesse ao se aprender uma LE, a historicidade de cada um, dentre outros aspectos. Nesse sentido, entende-se que não há um método ideal para o ensino, quer de LM, quer de LE, por tratar-se de um contexto tão heterogêneo a ponto de uma determinada metodologia surtir resultados positivos para um grupo de alunos, mas não para outro. A variante nativa da língua como o modelo de ensino de LE é outro aspecto defendido pelo Método Audiolingual, conforme Richards e Rodgers (1996). Por exemplo, no caso do inglês, a pronúncia ‘correta’ da língua é apenas aquela utilizada por americanos e/ou britânicos, característica da qual se diverge aqui, por ser a língua 29 heterogênea, mutável e dinâmica. A variante britânica e a americana são apenas duas dentre várias, que só existem por que são utilizadas por determinadas comunidades, e por isso, não são as ‘certas’ ou as ‘erradas’. A existência de inúmeras variantes dentro de uma mesma língua se torna ainda mais evidente quando se trata do Inglês Internacional (cf. RAJAGOPALAN, 2004), falado por quase um terço dos seres humanos do mundo. Ou seja, a quantidade de falantes da LI como LM ou como segunda língua1 é inferior à quantidade de falantes de inglês como LE, conforme a Figura 2: Figura 22 http://www.thehistoryofenglish.com/history_today.html. Acesso em 15/10/2011. Como pode ser observado na figura acima, o número de falantes da LI como LE é significativamente superior ao número de falantes como segunda língua ou como LM. Acredita-se que, considerar a variante britânica ou a americana como sendo a ‘correta’ e por isso, modelo único a ser seguido no contexto de ensino de LI é ignorar as muitas variantes existentes. É importante ressaltar também que, em contexto internacional de ensino-aprendizagem de LE, os professores são, em sua maioria, não nativos. Dessa 1 LM é a primeira língua de um falante; o primeiro sistema linguístico adquirido (ex.: Inglês nos Estados Unidos). A segunda língua é adquirida em um contexto onde a língua é naturalmente falada, além da língua oficial (ex.: Inglês na Índia). A LE, por sua vez, é aprendida em um contexto não natural de ensino, em escolas específicas ou de forma autodidata (Inglês no Brasil). (SPINASSÉ, 2006) 2 Gráfico de Braj Kachru. 30 forma, o estudante ou o professor brasileiro da LI não fala inglês americano ou britânico, muito embora utilize características dessas variantes linguísticas. A heterogeneidade da língua é manifesta até mesmo de estado para estado. No Brasil, por exemplo, há vários sotaques e pronúncias diferentes, dentre as quais não há uma correta. Dessa forma, é inviável limitar a língua a uma variante. No tocante ao uso da tradução em sala de aula de LE, o Método Audiolingual caracteriza-o como maléfico e superficial, sob o argumento de que esse uso distancia o aprendizado da LE da forma como uma LM é naturalmente adquirida, ou seja, ‘sem tradução’. Contudo, observa-se que o conceito de tradução que se tem no Método Audiolingual é o de transferência/transposição do código linguístico, considerando a tradução literal, em que uma palavra na LE tem relação plena com uma palavra na LM. Entretanto, vale salientar que fazer uso da tradução como ferramenta facilitadora para o ensino e aprendizagem de LE não se limita à transferência de uma palavra da LE para a LM. Ou seja, a tradução pode ser utilizada como forma de comunicação, um suporte para a possibilidade de se expressar em LE, podendo manifestar-se dentro do mesmo código linguístico. Em um dado momento da coleta de dados na escola de idiomas, a seguinte situação ocorreu: Trecho 1: P1: No, he has a crush on A6! A6: I don’t remember ‘a crush on’ P1: It’s when you are in love with someone, but you… you aren’t in a serious relationship. You are IN LOVE, okay? A6: Hum. No Trecho 1, por meio da tradução dentro da própria LE, houve uma transmissão de mensagem. Embora ‘to have a crush on’ (ter uma queda por alguém/gostar de alguém) e ‘to be in love with’ (estar apaixonado por alguém) não tenham relação plena, as duas expressões remetem à mesma ideia. De fato, na situação 31 comunicativa em foco, tratava-se de um relacionamento/sentimento momentâneo entre adolescentes. Além de se investigar o contexto de escola de idiomas, onde o uso da tradução é ‘desencorajado’, a observação para esta pesquisa ocorreu também em contexto de escola regular, ensino regido pelos PCN. 1.2.1 Ensino de LE no contexto da escola regular Segundo Leffa (1999), o que ocorreu no Brasil, em termos de metodologias de ensino de LE, foi um reflexo do ocorrido em outros países, a exemplo dos métodos já apresentados, como Método Gramática e Tradução, Método Direto, Método Natural e Método Audiolingual. Com a fundação das primeiras escolas brasileiras pelos jesuítas, o ensino de LE focava inicialmente as línguas clássicas, tais como grego e latim e posteriormente, as línguas modernas, francês, inglês, alemão e italiano. Contudo, o problema manifesto era o da falta de metodologias de ensino, levando à tradução de textos escritos e análises gramaticais. Segundo o autor, durante o Império, entre 1822 e 1889, os alunos estudavam entre quatro a seis línguas e embora esse número tenha permanecido até o fim do Império, a carga horária ia sendo reduzida. Por volta de 1892, o ensino do grego desapareceu e o italiano não era oferecido nas escolas, pois o inglês e o alemão eram oferecidos de forma exclusiva, devendo o aluno escolher entre uma ou outra língua. Observa-se, assim, uma grande redução tanto no tocante à quantidade de LE estudada quanto à carga horária estabelecida para o estudo da mesma. Ainda conforme Leffa (1999), em 1930, foi criado o Ministério da Educação, com a introdução de mudanças em relação à metodologia no ano subsequente, que foi a inserção do Método Natural, defendendo o ensino de LE através 32 da própria língua estudada. Tal método não chegou efetivamente às salas de aula, conforme Cox e Assis-Petterson (2008). Em 1942, com a Reforma Capanema, que ocorreu no sistema educacional brasileiro durante a Era Vargas (entre 1930 e 1945), comandado pelo Ministro da Educação e Saúde Gustavo Capanema, o ensino foi compreendido em três níveis: 1) Grupo escolar (duração de 4 ou 5 anos); 2) Ginásio (ciclo de 4 anos); e 3) Científico ou Clássico (ciclo de 3 anos). Consoante Cox e Assis-Petterson (Ibid), a LE estudada nessa época era quase sempre o francês, estudo que se iniciava no ginásio e era prolongado até o científico. Nesse período, o ensino de LE se reduzia ao código escrito em detrimento do oral, uma vez que as pessoas geralmente não precisavam interagir com falantes de outras línguas e o mercado de trabalho não exigia que se falasse outra língua que não fosse a LM como requisito para a empregabilidade. Em 1961, foi criada a LDB (Lei de Diretrizes e Bases), tornando o ensino de LE opcional, sendo obrigatórias apenas cinco disciplinas, a saber: português, matemática, história, geografia e ciências. A decisão da (não) presença da LE era responsabilidade dos Conselhos Estaduais. Dez anos depois, em 1971, foi publicada a nova LDB, com o ensino dividido em 1º e 2º graus, sendo o 1º com oito anos de duração e o 2º com três anos de duração. Considerando o caráter profissionalizante que o ensino passou a ter, o ensino de LI na escola regular brasileira resultou de questões político-econômicas, assim como da posição de superpotência mundial que os Estados Unidos passaram a ocupar, após a Segunda Guerra Mundial. Leffa (1999) afirma que em 1996 foi publicada a nova LDB, com a substituição do 1º e 2º graus pelo Ensino Fundamental e Ensino Médio, sendo obrigatório o ensino de pelo menos uma LE a partir da 5ª série do ensino fundamental. O autor afirma que nesse período, a busca por um método absoluto foi abandonada em função do pluralismo de ideias. 33 Como complemento à LDB, foram publicados os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais), cujo objetivo é trazer novas ideias para o ensino de LE, provocando um afastamento do modelo tradicional de ensino nas escolas regulares (cf. COX e ASSIS PETTERSON, 2008). Nessa perspectiva, o ensino-aprendizagem de uma LE foca aspectos funcionais e não apenas estruturais da língua, como pode ser confirmado na citação que segue: o foco do aprendizado deve centrar-se na função comunicativa por excelência, visando prioritariamente a leitura e a compreensão de textos verbais orais e escritos – portanto, a comunicação em diferentes situações da vida cotidiana. (MORAES, 2002, p. 94). O objetivo primordial no ensino de LE no contexto de ensino médio é o da leitura e interpretação de textos. Sendo assim, o ensino de qualquer tópico gramatical deve considerar o texto como um todo. Uma sugestão para o ensino de LE apontada nos PCN é o uso da tradução como forma de compreensão de elementos comuns e/ou divergentes nas línguas em foco. Como exemplo, Moraes (2002) afirma que a utilização de legendas, em português, de filmes estrangeiros, para atividades de tradução e comparação de elementos nas duas línguas é eficaz. Outra possibilidade de uso da tradução em sala de aula de LE é durante o ensino de expressões idiomáticas como uma forma de mostrar ao aluno que a tradução literal pode gerar um mal/não entendimento dessas expressões, tais como ‘a bed of roses’ que, se traduzida literalmente, resultaria em “uma cama de rosas”, expressão que não existe na língua portuguesa, sendo mais apropriado traduzi-la como “um mar de rosas” (exemplo meu). Em uma das escolas regulares onde foram coletados os dados para esta pesquisa, ao trabalhar um texto cujo título era “White lies”, a professora utilizou a Tradução Interlingual da seguinte forma: Trecho 2: P3: Vocês sabem o que é que significa ‘white’... a cor, não sabem? As: Sim, branco 34 P3: E sabem também o que é ‘lie’ As: Mentira (conversam paralelamente) P3: Mentira (confirmando a resposta dos alunos) P3: E o que seria uma ‘white lie’? Alguns As: Mentira branca. P3: E o que seria uma ‘mentira branca’? As comentam uns com os outros: É uma mentira pequenininha/ É uma mentira boa P3: Se eu disser que aquelas duas meninas (aponta para as meninas) não estão conversando, isso é uma ‘white lie’? As: É! (risos) P3: E se o camarada mata dez e diz que não fez nada, isso é uma ‘white lie’? As: Não! (risos) P3: Então ‘white lie’, de uma certa forma, se a gente levar em termos, é... o termo mentira, aí alguém chega pra você e diz: “Eu não minto!” você acredita? Será que essas pessoas, pra proteger alguém, pra evitar um problema maior não acaba mentindo? (As conversam)... E no texto de vocês, vocês vão ver exatamente um texto que mostra uma pesquisa que mostra que todo mundo faz isso, por um motivo ou outro. Ao traduzir o termo trabalhado literalmente resultaria em “mentira branca”, no entanto, para o sentido de “white lie”, em inglês, em língua portuguesa utiliza-se mais comumente o termo “mentirinha”. Ao transpor mensagens da LE para a LM resgatou-se, portanto, a mensagem na língua de chegada, no exemplo mencionado, a LM. Fazendo referência à relação entre LE e LM, Coracini (2007) afirma que não há como dissociar essas línguas. Essa ideia é compartilhada nos PCN, com a afirmação de que o aprendizado de uma LE “não deve constituir processo de desvinculação cultural; pelo contrário, é reforçador de trocas culturais enriquecedoras e necessárias para a construção da própria identidade” (MORAES, 2002, p. 100). Dessa forma, a aprendizagem de uma LE traz consigo a possibilidade de adquirir novos conhecimentos e trocas concernentes à cultura, conhecimento de mundo, de opiniões. É no momento de contato com a LE que o aluno tem a possibilidade de observar não apenas as particularidades dessa ‘nova língua’, mas também de sua LM. Corroborando as afirmações supracitadas, assume-se aqui o posicionamento de que dissociar a LE e a LM, como se a LM causasse danos à LE, é ignorar o valor da LM para o aluno e até mesmo para o próprio professor, sendo tal separação desnecessária e inviável. Porém, isso não implica que a LM será utilizada de forma descontextualizada e 35 sem qualquer controle por parte do professor. Ao contrário, a LM serve de apoio para a construção de novos conhecimentos, que no caso do ensino e aprendizagem de LE, diz respeito ao ‘desconhecido’, ‘inexplorado’, ainda ‘estranho’. Na próxima seção, será tratado mais especificamente sobre a relação da tradução com o ensino de LE. 1.3 Tradução e Ensino de LE Acerca do uso da tradução no contexto de sala de aula de LE, Malmkjaer (1998, p. 6, tradução minha) cita alguns argumentos apresentados contra esse uso, a saber: independe das quatro habilidades que definem a competência linguística: ler, escrever, falar e ouvir; é radicalmente diferente das quatro habilidades; toma valioso tempo que poderia ser utilizado com a prática das quatro habilidades; não é natural; leva os alunos a pensarem que expressões nas duas línguas têm correspondência plena e direta; evita que os alunos pensem na LE; produz interferência; não avalia as habilidades linguísticas; e é apropriado apenas para treinar tradutores. Os argumentos listados apresentam a tradução como prejudicial ao ensino e aprendizagem de LE, causando bloqueio e fazendo com que o aluno não consiga entender as particularidades da mesma, pois usa estruturas de LM como se fossem da LE, além de provocar quebra no automatismo e naturalidade com que essa língua é aprendida. Segundo Pereira (2001), a tradução também é considerada como uma “contaminação”, um obstáculo à aprendizagem da LE, podendo se tornar um ciclo vicioso. Desse ponto de vista, deixar a LM de lado e pensar apenas na LE seria a melhor maneira de aprender uma LE com sucesso. 36 Todavia, pedir para o aluno ‘deixar de lado’ sua LM implica pensar na possibilidade de ativar e desativar essa língua, fato que não ocorre, pois a LM constitui o sujeito. É a língua em que verbalizou suas primeiras palavras, língua usada para convidar os colegas para brincar, língua presente no primeiro dia de aula, na primeira festa de aniversário, na formatura, enfim, é a língua da qual o sujeito não se desvincula, pois é inerente ao mesmo. A LE, por outro lado, representa para o aluno a língua ‘nova’, ‘diferente’, língua ‘estranha’, como o próprio termo indica. Ao entrar em contato com a LE, o sujeito passa a ser consituido pela LM e pela LE, de forma que essas línguas se interpenetram, se imbricam, sendo inviável pensar na separação das mesmas. É inviável também cogitar o esquecimento da LM, por parte do aluno ou sequer do professor, visto se tratar não apenas de estruturas sintáticas dominadas pelo aluno, mas língua que carrega afetividade, nas palavras de Pereira (2001). De acordo com Albir (1998 apud LUCINDO 2006), a tradução em sala de aula de LE tem dois aspectos: como tradução interiorizada ou como tradução pedagógica. Segundo a autora, é comum que os aprendizes de LE traduzam de forma interiorizada. Além disso, também é comum que o uso da tradução ocorra entre os alunos, ainda que esse uso seja ‘desencorajado’ pelos professores. Essa ocorrência se dá, pois, a relação com a LE é construída a partir do conhecimento que os alunos têm da LM, sendo esta o ponto de referência linguística para os mesmos. A autora se refere à Tradução Interlingual e sua visão parece coerente ao afirmar que não há como suprimir ou ‘proibir’ esse tipo de tradução, por envolver a LM do aluno que, como mencionado no parágrafo anterior, não se permite ser, ora ativada, ora desativada, pois é intrínseca ao sujeito. A recorrência à tradução interiorizada, por parte dos alunos, confirma a assertiva de Coracini (2007), de que a dissociação da LE e da LM é apenas ilusão. Conforme Lucindo (2006), a tradução nunca se ausentou do contexto de sala de aula, mesmo que vários professores ainda se mostrem relutantes e resistentes contra esse uso. Não 37 obstante, ela sobreviveu de maneira precária e pouco reflexiva, gerando vários usos equivocados da tradução, chegando a ser separada da aula de LE. Portanto, é fundamental pensar na maneira como a tradução é vivenciada pelos aprendizes de uma LE, ressaltando que, sendo a tradução uma ferramenta didática, não se trata de aulas de tradução. Do contrário, a atividade de tradução é inerente ao ensino de uma LE, e, portanto, precisa estar integrada às habilidades de escuta, fala, leitura e escrita. Dessa maneira, a entrega de longos textos, sem qualquer contextualização, para que os alunos traduzam, diverge da ideia de tradução que embasa esta pesquisa – a tradução pedagógica é usada com um fim, o ensino de LE. Sendo assim, planejamento, contextualização e objetivos pedagógicos são essenciais para o uso da tradução em sala de aula de LE, evitando ‘traduzir por traduzir’, bem como a tradução de palavras desconexas de seus contextos. Seguindo a ideia de uso da tradução contextualizada e com fins pedagógicos, os Estudos da Tradução têm passado por avanços que podem ser representados pelas publicações feitas nos Cadernos de Tradução, por exemplo. No texto “Following the paths of translation in language teaching: from desregard in the past to revival towards the 21st century”3, Ferreira (1999) faz um percurso histórico-metodológico acerca do ensino de LE, apresentando o olhar voltado para o uso da tradução em sala de aula. A mesma mostra algumas objeções, voltadas à tradução, traçadas ao longo da história do ensino de LE, assim como a ascendência que a mesma tem vivenciado em tempos atuais. Mais recentemente, a PGET publicou nos Cadernos de Tradução de nº 27 (2011) um dossiê voltado exclusivamente para Tradução e o Ensino de LE. O texto de Rocha (2011) intitulado “Translation as a teaching tool to bridge L1 and L2 for adult 3 “Seguindo os passos da tradução no ensino de línguas: da desconsideração no passado ao ressurgimento no século XXI” – tradução minha. 38 learners at elementary levels”45, publicado nesse dossiê, aponta quão útil a tradução se apresenta como ferramenta para o ensino de LE para aprendizes adultos em fase inicial de aprendizagem. Acerca da relação da tradução com as quatro habilidades: compreensão e produção oral, leitura e escrita, Popovic (1999) afirma que as atividades de tradução podem ajudar no desenvolvimento das habilidades, assim como desenvolver clareza e flexibilidade. No entanto, é imprescindível que o uso da tradução de uma língua para outra seja controlado, para que os estudantes não sejam levados a pensar que o entendimento da LE só acontece quando a LM é utilizada. Ao se refletir sobre os argumentos mais comuns voltados para o uso de tradução no contexto de sala de aula de LE, parece haver certa confusão concernente ao uso da tradução como um fim e como um meio. Como se vê na citação que segue: O propósito da tradução em sala de aula de LE não é treinar profissionais, mas auxiliar os aprendizes a desenvolver seu conhecimento de inglês. Em outras palavras, é um meio para um fim, e não um fim a ser alcançado. (POPOVIC, 1999, p. 38, tradução minha). De fato, se a tradução em sala de aula de LE fosse utilizada como um fim, a crítica de que é uma atividade que leva muito tempo seria válida. Entretanto, o uso da tradução como um meio foca a tradução como uma ferramenta para o aprimoramento da LE estudada. Como uma ferramenta, o uso da tradução não se limita à entrega de textos extensos escritos para serem traduzidos. Esse tipo de atividade de tradução é conceituado por Malmkjaer (1998, p. 5) como “translation in a void” (tradução vazia), podendo estar fadado ao fracasso, uma vez que seu foco está no produto da tradução. Todavia, quando se trata do uso da tradução envolvendo a LE e a LM, é importante que esteja claro se esse uso focará a forma ou a função. Focar na forma em 4 “A tradução como uma ferramenta de ensino entre a L1 e a L2 para aprendizes adultos em níveis elementares” – tradução minha 5 L1 e L2 está para LM e LE. 39 detrimento da função significa que a estrutura linguística terá atenção crucial. Por outro lado, se o uso da tradução focar na função, não serão as estruturas que terão principal atenção, mas o conteúdo da mensagem transmitida. Concordando com Souza (1999), entende-se que, quanto mais o foco for dado à superfície do texto, mais artificial e difícil será para os aprendizes. Entretanto, se a atenção for dada à função, os aprendizes estarão mais preocupados em entender e/ou transmitir as ideias que permeiam determinado texto. É importante lembrar, entretanto, que a utilização excessiva da Tradução Interlingual em sala de aula pode prejudicar a prática da LE. Por isso, é relevante que o professor gerencie esse uso, de forma que os alunos sejam guiados e encorajados a praticarem a LE estudada. Dessa maneira, o professor exerce papel fundamental na utilização da tradução em sala de aula de LE, pois, por ser uma ferramenta pedagógica, o professor precisa controlar a utilização da Tradução Interlingual. Embora essa Categoria de Tradução seja relevante em qualquer estágio, concorda-se aqui com Lucindo (2006), quando afirma que a tradução de uma língua para outra é mais frequente em níveis iniciais e tende a diminuir em estágios mais avançados da LE. Esse fato tende a ocorrer, pois o aluno vai, com o tempo, familiarizando-se com o ‘estranho’ da LE, como defende Revuz (1998). É nesse sentido que o sujeito adquire uma alma nova. A seguir, serão apresentadas, mais detalhadamente, as diferentes maneiras de se traduzir (cf. JAKOBSON, 1959/2000) 1.3.1 Categorias de Tradução de Jakobson (1959/2000) Considerando as Categorias de Tradução propostas por Jakobson (Ibid), já mencionadas, transferir a palavra “house” (em inglês) para “casa” (em português) é uma forma de tradução. No entanto, não é a única. Segundo o autor, há três diferentes maneiras de manifestação da tradução: 40 Tradução Intralingual (ou Reformulação) Conforme Jakobson (1959/2000) a Categoria de Tradução Intralingual consiste na interpretação de signos linguísticos por meio de outros signos linguísticos pertencentes à mesma língua. Schleiermacher já anunciava uma ideia de tradução semelhante a da Tradução Intralingual: Não temos frequentemente a necessidade de traduzir o discurso de outra pessoa, completamente semelhante a nós, mas cuja sensibilidade e temperamento são diferentes? Quando sentimos que as mesmas palavras em nossa boca teriam um sentido totalmente outro ou, pelo menos, um conteúdo um tanto mais frágil, um tanto mais vigoroso que na dele e que, se quiséssemos exprimir exatamente a mesma coisa que ele, nós nos serviríamos, a nossa maneira, de termos e de expressões absolutamente diferentes, parece, quando queremos definir mais precisamente essa impressão e fazemos dela um objeto de pensamento, que nós traduzimos. (ênfase minha) (SCHLEIERMACHER 1813 apud OUSTINOFF 2011, p. 73) Observa-se, na citação, a noção de tradução como uma atividade que possibilita a transmissão de ideias de diferentes formas. Não são palavras inócuas que são traduzidas, são pensamentos, opiniões, impressões. Tal forma de tradução surge a partir da necessidade de expressar algo de forma diferente da que já fora externada anteriormente. E para atingir tal objetivo recorre-se a outros termos e expressões, ou seja, é o dizer de outra maneira, mas tendo como meta alcançar a transmissão de uma mesma mensagem. Essa capacidade de traduzir intralingualmente é, segundo Nascimento (1992), desenvolvida naturalmente na LM, por meio de exercícios iniciais da atividade metalinguística de parafrasear. A autora (Ibid) afirma que “o falante é capaz de estabelecer as equações A é B, cuja expressão linguística é uma definição, e B chama-se A, cuja expressão linguística é uma denominação”. É a partir dessa prática que o sujeito 41 desenvolve a capacidade de traduzir intralingualmente através de definições linguísticas, ou ainda o inverso, quando se depara com uma definição, é capaz de condensá-la em uma palavra. Nessa perspectiva, pensando no ambiente de ensino e aprendizagem de uma LE, ao se utilizar o dicionário monolíngue, por exemplo, recorre-se à Tradução Intralingual, mesmo que não haja consciência desse uso como sendo uma recorrência à tradução. É comum em sala de aula de LE, em especial em cursos de idiomas de níveis mais avançados, a utilização do dicionário monolíngue (inglês-inglês, por exemplo), na busca por definições de vocábulos desconhecidos, por exemplo: to stare is to look at sb/sth for a long time (cf. OXFORD ADVANCED LEARNER’S DICTIONARY, 2005, p. 1494). Por não fazer parte de um vocabulário familiar, busca-se a mesma mensagem, dita de outra forma, de maneira mais detalhada e explicativa. Considerando essa amplitude da tradução, Oustinoff (2011) afirma ser esta uma operação da linguagem, presente no universo da comunicação em todos os lugares, inclusive em sala de aula de LE, foco deste trabalho. Dessa maneira, a Tradução Intralingual pode funcionar como um recurso para o professor na aplicação de atividades, como por exemplo, paráfrase de textos ou passagens, dentre outras atividades (cf. FERNANDES; TAILLEFER, 2010). Na Escola Regular, um dos ambientes onde ocorreu a coleta de dados para esta pesquisa, em uma das atividades realizadas em sala de aula, os alunos tinham que enumerar as colunas de acordo com o significado das palavras na mesma língua - LI. Trecho 3: P3: Número 2: qual é o sinônimo de ‘not to like’? As: Dislike P3: Qual seria? Dislike. [...] Número 4: especialist As: expert P3: No texto foi usado no sentido de ‘expert’ [...] 42 A necessidade de se transmitir mensagens, atingindo o objetivo primordial da linguagem, a comunicação, faz da tradução uma ferramenta indispensável para o ensino e aprendizagem de uma LE, uma vez que possibilita transmissão e compreensão de mensagens. Entende-se então que a tradução está presente até mesmo na vida daqueles que nunca cogitaram aprender uma LE. Por exemplo, ao explicar que ‘avarento’ é ‘uma pessoa que tem muito apego ao dinheiro’, a tradução está operando dentro do mesmo código linguístico. Assim, traduzimos a todo o momento, devido à necessidade de se dizer uma mesma mensagem de outra forma. Tal fenômeno se faz possível, pois a linguagem, bem como a atividade de tradução, não é estagnada. Segundo Oustinoff (2011), a Tradução Intralingual está presente em várias situações de comunicação. É o que faz o/a jornalista, que coleta as notícias e posteriormente as traduz para a maneira mais adequada possível para o gênero formal ‘notícia’. Corrobora-se aqui o autor (Ibid) ao mencionar a relevância desse tipo de tradução, uma vez que a prática da mesma ajuda o aluno a estar provido da capacidade de reformular dizeres dentro de uma mesma língua, colaborando para que o aprendiz seja capaz de transmitir uma mesma ideia de diferentes formas, mantendo-se dentro da LE. Além da Tradução Intralingual, Jakobson (1959/2000) propõe também a Categoria de Tradução Interlingual. Tradução Interlingual (ou Tradução Propriamente Dita) Jakobson (Ibid) define a Tradução Interlingual como uma interpretação de signos verbais por meio de outra língua. É a forma de tradução mais conhecida no senso comum, na tradução de obras (livros, poesias), na tradução simultânea (em congressos, palestras), seguindo assim o objetivo de tornar um determinado texto, seja oral ou escrito, 43 antes não compreendido, agora comunicável, por meio de outro código linguístico. Foi e é a partir dessa forma de tradução que existe o compartilhamento de diferentes textos, como os presentes na Bíblia, textos que constam em maior número de idiomas (cf. OUSTINOFF, 2011). Em se tratando do contexto de ensino e aprendizagem de LE, ambiente de investigação desta pesquisa, a Tradução Interlingual esteve presente nos primórdios do ensino sistemático de LE, durante a vigência do Método Gramática e Tradução, passando a ser rejeitada pelos Métodos subsequentes, como os Métodos: Direto, Natural e Audiolingual (utilizado pela escola de idiomas investigada) – ver Fundamentação Teórica (p. 21-30). Após anos de forte rejeição da Tradução Interlingual, há uma amplitude no que diz respeito ao seu conceito e forma de uso, com o avanço na área dos Estudos da Tradução. Tradicionalmente, o uso da tradução acompanhava a memorização de longas listas de palavras, assim como a tradução de frases limitando-se às análises estruturais. Atualmente, os estudos apontam para o uso contextualizado, planejado, com objetivos pedagógicos, ou seja, cujo foco não seja produto da tradução, mas no aprimoramento da LE. Essa atividade complexa da tradução exige que se reflita sobre as culturas envolvidas, assim como sobre a possibilidade de várias traduções, em detrimento de uma tradução única e canônica. Nesse sentido, a atividade de Tradução Interlingual passa a estar envolta por vários questionamentos, como: “O quê se traduz?” “Qual o objetivo do texto traduzido?”; “Quem será o público receptor da tradução?”. Trata-se da Teoria do Skopos (Schopostheory), defendida por Nord (1997), em que quaisquer escolhas feitas durante a tradução devem levar em conta a função do texto para a língua de chegada. Embora haja ciência de que essa teoria volta-se para a tradução profissional, é possível estabelecer uma relação dessa visão funcional para o ambiente de sala de aula. 44 Dessa maneira, é necessário ter em mente que o sucesso ou não do uso da Tradução Interlingual dependerá, em grande parte, dos objetivos a serem alcançados e da forma com que os alunos experimentam a tradução. Vale ressalvar que o retorno do uso da tradução em sala de aula de LE conta com “novas roupagens”, como afirma Malmkjaer (1998), diferindo da forma como a mesma foi utilizada durante a vigência do Método Gramática e Tradução, por volta do final do século XVIII. Portanto, é imprescindível que atividades de tradução não estejam desintegradas das habilidades de compreensão e produção oral, leitura e escrita. Para que isso ocorra, é necessário que o professor esteja atento sobre que atividades aplicar, segundo o perfil da turma e os objetivos pedagógicos a serem alcançados. Para fazer uso da Tradução Interlingual é necessário que se busque adequações na língua de chegada, que pode ser a LE ou a LM. Em um dos momentos da aula em uma das escolas regulares onde a coleta de dados foi realizada, durante o trabalho com a leitura e interpretação de um texto, a seguinte situação ocorreu: Trecho 4: P2:Number 1 (leitura enunciado em LE): Match the column on the RIGHT, ó? (levantando a mão direita) according to the column on the LEFT (levantando a mão esquerda). The first, the couple BROKE UP. Qual é a figura que diz respeito a essa afirmação. As: D (alguns alunos em LM, outros em LE). P2: Então, pela figura, o que é que aconteceu com o coitado do casal? As: Eles acabaram/ Cabou tudo/ O bichinho. (risos) P2: Ok. E assim, vocês fazem os outros. O Trecho 4 mostra um momento em sala de aula em que os alunos foram levados a pensar na transmissão de uma mensagem da LE para LM, de forma contextualizada, com o apoio da linguagem não verbal, por meio da figura. Ou seja, o uso da tradução como ferramenta de auxílio para o ensino de LE não implica que o professor transferirá palavras de LE para a LM a todo o momento, mas que o professor pode 45 recorrer à Categoria de Tradução Interlingual, como também às outras categorias, de forma consciente, controlada e planejada. Sobre essa categoria de tradução, Atkinson (1987, p. 241, apud ROMANELLI, 2006, p. 5-6) sugere uma lista de usos apropriados da tradução, a saber: Para elicitar a linguagem: How do you say ‘X’ in the foreign language? (Como se diz ‘X’ em LE?); Verificar a compreensão; Dar instruções complexas em níveis iniciais; Atividades de comparação e correção em grupo; Explicar a metodologia em níveis iniciais; Esclarecer uma questão de ordem linguística; Verificar o sentido: o aluno produz algo que não faz sentido da LE, tentando traduzir em LM, para se dar conta de seu erro; Testar Desenvolver estratégias perifrásticas, ou seja, se o aluno não sabe como dizer algo na LE, tenta dizer de diferentes modos na LM, para então achar outra forma de dizer a mesma ideia de forma diferente, na LE. Um ponto interessante levantado pelo autor (Ibid) é que a Tradução Interlingual é uma maneira eficaz para se explicar o significado das palavras quando não for possível fazê-lo de outra forma. Nesse sentido, ao fazer uso da tradução, o professor, que é gerenciador do ensino e aprendizagem de LE, precisa levar em consideração aspectos contextuais, tais como o nível da turma, o propósito da atividade, o estágio da aula, o nível de conhecimento da turma. O uso equilibrado da tradução depende da observância desses aspectos. A seguir, será abordada a tradução envolvendo signos não verbais. 46 Tradução Intersemiótica (ou Transmutação) Figura 3 http://www.monica.com.br/ingles/comics/tirinhas/tira58.htm. Acesso em 06.08.2012 Na tirinha apresentada, um dos peixes diz: “Eu ainda acho que ele está tentando se comunicar conosco”. O que o leva a pensar dessa forma é que Cebolinha está fazendo bolhinhas de sabão, que se assemelham, de certa forma, com as bolhas que se formam em baixo d’água, com as quais os peixes estão acostumados. Essa possibilidade de interpretação do peixe se dá porque a linguagem pode ser manifesta de diferentes formas. Se um dos amigos de Cebolinha estivesse presente, possivelmente faria outra interpretação, entendendo que ele está apenas brincando de fazer bolhinhas de sabão e não tentando se comunicar com os peixes do aquário. Essas diferentes interpretações ocorrem devido à construção dos sujeitos dentro de contextos específicos. Em Gulliver’s Travels (as Viagens de Gulliver), ao chegar a Lilliput, Gulliver se vê frente a um povo estranho, desconhecido, a uma cultura desconhecida, a uma língua desconhecida. Um dos momentos descritos por Gulliver durante sua estadia em Lilliput foi: Ele usava sinais para se comunicar comigo [...] Eu coloquei meu dedo em minha boca para mostrar ao pequeno homem que eu queria comer e beber alguma coisa. Ele me entendeu [...] (tradução minha) (SWIFT, 2001, p. 10)6.7 6 Trecho extraído do clássico da Literatura Infanto-Juvenil Gulliver’s Travels (As Viagens de Gulliver). 7 “He used signs to communicate with me […] I put my finger in my mouth to show the little man I wanted to eat and drink something. He understood me […] 47 Gulliver encontrava-se em uma situação complexa, pois tinha necessidades que precisavam ser supridas imediatamente, como a sede e a fome. Muito embora não conseguisse se comunicar com os habitantes de Lilliput por meio da linguagem verbal, visto que era desconhecida, Gulliver conseguiu expressar uma mensagem por meio da linguagem não verbal. Foram os gestos que evitaram que Gulliver morresse de fome ou de sede. Para Jakobson (1959/2000), essa é uma possível manifestação da tradução – a Tradução Intersemiótica, que é uma interpretação de signos linguísticos por meio de sistemas de signos não linguísticos ou o caminho oposto. A transposição de um livro para a música, para a dança, para o cinema, para a pintura, por exemplo, é uma forma de manifestação da Tradução Intersemiótica. É com essa visão que Oustinoff (2011, p. 115) afirma que “não se pode mais falar facilmente de tradução no sentido em que geralmente se entende este termo.”. Nos Cadernos de Tradução, de número 26, foi publicado um volume voltado primordialmente para a Tradução Intersemiótica, com foco na “Tradução e Interpretação de Línguas de Sinais” (2010). Petronio (2010), por exemplo, apresenta uma pesquisa sobre a interpretação para deficientes auditivos. Nessa pesquisa, a autora trata da especificidade desse tipo de tradução, em relação à organização, à acuidade visual e à necessidade de informação visual. A pesquisa de Avelar (2010), por sua vez, é referente às identidades culturais marcadas nos processos de tradução do português para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Essas pesquisas mostram a função comunicativa da Tradução Intersemiótica, categoria presente de maneira tão natural em nosso dia-adia, “que muitas vezes não se presta atenção a ela na vida cotidiana”, como argumenta Oustinoff (2011, p. 23-24). 48 Esse tipo de tradução é frequente em sala de aula de LE. Em um determinado momento da aula na escola de idiomas investigada, por exemplo, um dos alunos não havia compreendido o significado do verbo “to root” (torcer): Trecho 5: A10: What’s ‘root’? P1: Root? Yes, ok! Look, suppose Campinense and Treze… and I’m rooting for Treze… GO, TREZE, GO! (gritando e fazendo movimento com os braços) A10: Ok! Através da Tradução Intersemiótica, a professora da turma faz gestos com os braços e menciona com entusiasmo o nome de um time de futebol, ações essas que lembram o torcedor em um estádio de futebol, torcendo por seu time. Assim também, quando uma criança aponta para o copo de água, sinalizando que está com sede e quer tomar água e, por sua vez, alguém compreende e atende tal necessidade, a Tradução Intersemiótica está presente. Se a tradução está no gesto do torcedor, assim como na criança que aponta para a água, é inviável afirmar que a tradução é superficial e uma atividade não utilizada na aquisição da LM. É envolto no processo dinâmico da atividade de tradução que um homem normalmente não entra em um banheiro com a seguinte figura na porta: Figura 4 http://banheirofemininoo.blogspot.com.br/. Acesso em 16/08/2012. 49 Embora o código linguístico não esteja presente na placa acima, sabe-se que a mesma indica que o ambiente é específico para pessoas do sexo feminino. Essa é a função primeira da tradução, para Oustinoff (2011), ou seja, tornar comunicável, quer dentro de uma mesma língua, quer na complexidade de duas línguas, quer por meio de signos não linguísticos. A Tradução Intersemiótica pode manifestar-se por meio de gestos, de mímicas, de desenhos, de expressões faciais, do movimento da dança, dentre outros. As várias possibilidades de expressão por meio da linguagem não verbal são expostas na pesquisa de Rodrigues (2010), da UnB, cujo título, bastante sugestivo, é: Gestos que muito dizem: a Comunicação não verbal entre Professores e Alunos no Processo de EnsinoAprendizagem de Língua Estrangeira (Inglês). Por meio de observações e gravações de aulas, Rodrigues concluiu que a linguagem não verbal facilita o processo de ensino e aprendizagem de uma LE, uma vez que proporciona maior interação entre professor e aluno e promove compreensão por parte dos alunos, por meio de gestos, mímicas, expressões faciais, referenciados aqui como Tradução Intersemiótica. Conforme Knapp e Hall (2006, apud RODRIGUES, 2010, p. 31), os gestos são estratégias recorrentes em salas de aula de LE e significam “todos e quaisquer movimentos que fazemos com as mãos, os braços, os músculos da face e da cabeça”. Dentre esses gestos, estão os gestos relacionados, que segundo os autores (Ibid) são utilizados para ilustrar um discurso, por serem articulados concomitantemente à uma expressão oral. A seguir, será apresentada a diferenciação entre o uso de LM e uso de Tradução Interlingual. 50 1.4 O uso de LM em sala de aula de LE Não sinto o mesmo gosto nas palavras: oiseau e pássaro. Embora elas tenham o mesmo sentido. Será pelo gosto que vem de mãe? de língua mãe? Seria porque eu não tenha amor pela língua de Flaubert? Mas eu tenho. (Faço este registro porque tenho a estupefação de não sentir com a mesma riqueza as palavras oiseau e pássaro) Penso que seja porque a palavra pássaro em mim repercute a infância E oiseau não repercute. Penso que a palavra pássaro carrega até hoje Nela o menino que ia de tarde pra debaixo das árvores a ouvir os pássaros. Nas folhas daquelas árvores não tinha oiseau Só tinha pássaros. É o que me ocorre sobre língua mãe. Poema: A língua mãe (Manoel de Barros) http://www.bloghetto.com.br/2009/07/eu-assinaria-embaixo2/ Acesso em 03/02/2012 Em seu poema “A língua mãe”, Manoel de Barros expressa sua relação com a LM, relação que não foi construída com a LE. A palavra francesa ‘oiseau’ significa ‘pássaro’, no entanto, as duas palavras não têm a mesma representação para Manoel de Barros, visto que a relação do sujeito com sua LM vai além de um conhecimento do código linguístico em si. É por essa relação do sujeito com sua LM que ‘pássaro’ remeteo aos momentos outrora vividos, ou seja, é uma língua carregada de afetividade (cf. PEREIRA, 2001). Pensando no contexto de sala de aula de LE, essa reflexão é pertinente, pois o professor lida não com sujeitos vazios esperando por depósitos de conhecimento, mas providos de conhecimentos prévios, com vivências anteriores que envolveram diretamente a LM. É nesse sentido que a LM representa para o sujeito um espaço de conforto, pois é parte constitutiva do mesmo. Por outro lado, a LE surge como algo que vem perturbar, mexer, modificar, desestabilizar o que está registrado no sujeito com as palavras da LM, como afirma Revuz (1998). Assim também, De Nardi (2008) fala a respeito do estranhamento do 51 sujeito no encontro com a LE, com o que não é familiar, o que vem de fora, o estranho, o que não se reconhece. Esse desconforto causado pelo encontro com a LE causa, segundo Revuz (Ibid) um reencontro do sujeito com sua LM, ou seja, é a partir da língua do outro que o sujeito passa a olhar para a sua LM. Essa importância da LM para o sujeito foi, por muito tempo, ignorada por algumas metodologias de ensino, tais como o Método Natural, Método Direto, Método Audiolingual, na defesa de que a LM, bem como a Tradução, assume papel de vilã para o ensino da LE. Não obstante, considerando o valor afetivo da LM para o sujeito, entendese que ela está presente em sala de aula, quer de forma mais explícita, quer de maneira interiorizada, porque o sujeito constituído por ela também está presente. Não existe um botão para ativá-la ou desativá-la. Embora não seja o foco da presente pesquisa analisar o uso de LM em sala de aula de LE, sua relevância para o contexto de ensino e aprendizagem de LE não pode ser negligenciada. Pedir para o aluno não pensar em LM implica considerar a língua como sendo exterior ao sujeito, podendo ser acionada ou desativada, quando se desejar. Nessa perspectiva, o aprendiz é “um papel em branco sobre o qual se pode escrever fazendo uso desse novo código a ser aprendido” (cf. DE NARDI, 2007, p. 94). Concordamos com as autoras mencionadas no que diz respeito à relação de língua e constituição do sujeito, relação essa que não se limita ao domínio de estruturas linguísticas, mas diz respeito à formação identitária do sujeito. Além de tratar acerca do aprendiz enquanto sujeito, sempre em construção, e de sua relação com a LM, é também pertinente, nessa seção, diferenciar o uso de LM do uso da Categoria de Tradução Interlingual neste trabalho. Como explicado anteriormente, o uso da Tradução Interlingual é a tradução de signos verbais da LE para signos verbais na LM ou vice-versa. Na Escola de Idiomas investigada, por exemplo, durante uma determinada explicação, os alunos não conseguiram entender a diferença entre “warn” e 52 “advice” e a professora recorreu à língua portuguesa, dizendo que as palavras explicadas correspondiam a “avisar” e “aconselhar”. Esse uso foi de Tradução Interlingual. Por outro lado, se nesse mesmo contexto de ensino a professora utiliza a língua portuguesa para fazer um comentário, fazer uma reclamação ou explicar uma atividade em LM e não transmitir essa mensagem em LE trata-se, então, do uso de LM em sala de aula, não de Tradução Interlingual. Na Escola de Idiomas investigada, foi comum o uso de LM no início das aulas, bem como em momentos de brincadeiras entre a professora e os alunos da turma. No exemplo abaixo, o uso de LM ocorreu no início da aula: Trecho 6: A1: Tu enviou a atividade, P1? P1: Eu tentei enviar os e-mails pra vocês A1: Tu tem internet? P1: Tenho, eu tentei enviar, mas a minha internet não tá boa. É via rádio. (risos) [...] P1 (risos): Ok. Let’s Begin! Nesse exemplo, os alunos conversam com P1 em LM acerca das atividades não enviadas. P1 corresponde à conversação, fornecendo respostas e tecendo comentários, também em LM. Tal ocorrência foi comum no início das aulas. A indicação de que a LE, no caso a LI, começaria a ser utilizada era marcada pela frase “Let’s Begin!” (“Vamos começar!”), por parte de P1, como no Trecho 6. Segundo Pereira (2001), uma das críticas tecidas em relação ao uso de LM em sala de aula de LE é que a permissão desse uso, mesmo mínima, por parte do professor, pode fazer com que os alunos exagerem, de forma a quererem sempre se expressar em LM, mesmo quando são capazes de dizer o que desejam na LE estudada. De fato, o uso exagerado da LM no contexto de ensino e aprendizagem de LE pode causar desinteresse, por parte dos alunos, em praticar a LE. Por isso, é imprescindível que o uso da Tradução Interlingual e de LM em sala de aula de LE seja cuidadoso. Sendo o uso da 53 LM focado no desenvolvimento da LE, é importante e viável que, com o tempo, a presença da LM em sala de aula de LE diminua, enquanto o uso da LE aumente. Para que isso ocorra, o “professor deverá, aos poucos, levar seus alunos a suprimirem as marcas de ‘interferência’ da língua materna sobre a língua estrangeira” (OUSTINOFF, 2011, p. 54). É fundamental que o professor ‘controle’/gerencie esse uso, a fim de que ocorra de forma planejada, com objetivos claros, definidos. Vale ressaltar que esse gerenciamento mencionado não diz respeito à coibição do uso de tradução ou de LM em sala de aula de LE, mas trata da atenção para um uso planejado, pautado em objetivos pedagógicos, distanciando-se de um uso indiscriminado da LM ou da tradução. Portanto, a ideia que abordamos aqui não é o uso de LM como um meio único para o ensino e aprendizagem de LE, até mesmo porque as Categorias de Tradução, apresentadas na seção anterior, possibilitam diferentes maneiras de lidar com o ensino de LE, seja através do uso exclusivo da LE, seja através do uso de mímicas, gestos, desenhos, encenações, seja através da recorrência à LM. Ou seja, recorrer à LM em determinados momentos da aula de LE implica utilizar-se de uma estratégia de ensino, dentre outras, para introduzir, praticar e efetivar o ensino da LE. No capítulo que segue, serão descritos os procedimentos metodológicos da pesquisa, considerando os seguintes aspectos: tipologia da pesquisa, contexto, participantes, instrumentos de coleta e organização dos dados para análise. 54 2 METODOLOGIA Uma longa viagem começa com um único passo. (Lao-Tsé) Conforme a epígrafe acima, para se seguir um caminho, trilhar uma jornada, é necessário haver o passo inicial, uma decisão, uma ação. Sem esse primeiro passo, não é possível que a jornada ocorra. Entendendo a realização de uma pesquisa científica como uma jornada, acredita-se que a escolha clara e objetiva do caminho a ser trilhado é imprescindível para se chegar aos fins desejados. Portanto, neste capítulo, serão apresentados os caminhos metodológicos que guiaram o desenvolvimento da presente pesquisa, cujo objetivo é investigar a frequência do uso das Categorias de Tradução em contextos de ensino e aprendizagem de LE, bem como a (in)adequação desse uso. Este capítulo encontra-se dividido em duas seções. Na primeira, será apresentada a tipologia da pesquisa utilizada. A segunda, por sua vez, focará a descrição metodológica da pesquisa, de maneira detalhada. 2.1 Tipologia da Pesquisa Ao se definir uma abordagem metodológica, é importante ressaltar que não há um sistema classificatório único (cf. MOREIRA; CALEFFE 2008). Isso ocorre, pois, muitas vezes, para atingir os objetivos desejados, o pesquisador precisa recorrer a características de diferentes tipologias metodológicas. O presente estudo é de base etnográfica, de cunho quanti-qualitativo. Segundo Moreira e Caleffe (2008) a pesquisa de base etnográfica envolve a presença do pesquisador de forma mais natural possível no ambiente da pesquisa. Para tanto, é necessário que haja um trabalho de campo, no qual o pesquisador se insira, a fim de observar os participantes, suas ações, suas atividades, suas experiências. Para a 55 realização deste estudo, houve a inserção da pesquisadora na sala de aula, a fim de coletar dados dentro de uma rotina natural de ensino e aprendizagem de LE. A tipologia de base etnográfica foi utilizada por apresentar características relacionadas à etnografia - a descrição, análise e interpretação de situações em seu cenário natural -, adequando-se ao ambiente de sala de aula. Além disso, a pesquisa etnográfica apresenta vantagens significativas, dentre elas: i) analisa dados em seu ambiente natural; ii) confia em dados qualitativos, uma vez que envolve interpretação dos dados; iii) tem perspectiva holística, analisando os dados como um todo; iv) pode iniciar com hipóteses ou essas hipóteses podem surgir com a coleta de dados; e v) os procedimentos seguidos envolvem contextualização: do grupo e do cenário ou evento observados (cf. MOREIRA; CALEFFE, 2008, p. 86). Além de ser de base etnográfica, esta pesquisa é também de cunho quantiqualitativo. Segundo Williams e Chesterman (2010), a pesquisa quantitativa se propõe a investigar a regularidade e frequência do fenômeno investigado. Neste trabalho, uma das perguntas de pesquisa sugere a quantificação dos dados, quando se propõe, inicialmente, a investigar a frequência do uso das Categorias de Tradução de Jakobson (1959/2000) em sala de aula de LE. Entretanto, os números obtidos em si não foram suficientes para responder aos objetivos propostos, considerando que, além de mostrar a frequência da utilização dessas categorias, investigou-se, ainda, a (in)adequação desse uso. Portanto, após a etapa de análise quantitativa dos dados, recorreu-se à análise qualitativa, ponto de maior interesse desta pesquisa. Segundo Marconi e Lakatos (2010, p. 270): a metodologia qualitativa preocupa-se em analisar e interpretar aspectos mais profundos, descrevendo a complexidade do comportamento humano. Fornece análise mais detalhada sobre as investigações, hábitos, atitudes, tendências de comportamento etc. 56 Assim também, conforme Williams e Chesterman (2010), o objetivo da pesquisa qualitativa é descrever a qualidade dos dados de forma esclarecedora, elucidativa. Por meio desse tipo de pesquisa, pode-se chegar a conclusões de casos específicos, não sendo possível o alcance de conclusões universais, mas da realidade observada. Consoante os autores (Ibid), elementos quanti-qualitativos podem estar presentes em uma mesma pesquisa. É o caso deste trabalho, em que se recorreu à pesquisa de natureza quanti-qualitativa, visto que os números resultantes da observação serviram de base para a interpretação dos dados qualitativamente. Nesse sentido, a pesquisa quantitativa e a qualitativa se complementaram, a fim de que respostas às perguntas de pesquisa fossem obtidas. Segue-se, agora, para a descrição do contexto da coleta de dados. 2.2 Coleta de Dados Tendo apresentado a tipologia da pesquisa do presente estudo, seguir-se-á para a descrição metodológica, que inclui: a descrição dos contextos da coleta de dados, os participantes envolvidos, os instrumentos da coleta de dados e a forma de organização dos dados coletados para análise. Antecedendo a coleta de dados em si, houve uma abordagem aos diretores das respectivas escolas. Esse contato teve por finalidade contextualizar o presente estudo. Essa contextualização envolveu: i) minha apresentação (mestranda na UFCG); ii) a contextualização da pesquisa (para dissertação de Mestrado, com foco em Ensino de Línguas Estrangeiras); e iii) esclarecimento acerca da omissão de quaisquer informações envolvendo a identidade dos mesmos e da escola. Após a permissão da coleta de dados, os diretores formalizaram tal permissão, recebendo e assinando o “Termo de 57 Consentimento Livre e Esclarecido” (Ver apêndice B). Os mesmos procedimentos ocorreram com os professores das turmas investigadas. Com a permissão dos diretores e professores das escolas, partiu-se para a observação do contexto onde a coleta de dados foi realizada, como segue. 2.2.1 Contexto da Coleta de Dados A coleta dos dados para a presente pesquisa ocorreu em dois contextos de ensino de LE8, sendo estes: uma escola de idiomas e escolas regulares. Escola de Idiomas Estruturalmente, a escola de idiomas observada possui 15 salas de aula, cada sala comportando o número máximo de 24 alunos, além de 01 laboratório climatizado, com computadores para alunos e professores. O laboratório conta com DVD para empréstimo aos alunos e funcionários, além de aparelhos de som disponíveis para uso na escola. Cada sala de aula tem ar-condicionado e as cadeiras são posicionadas em duas filas, de forma que os alunos ficam de frente uns para os outros. No tocante aos recursos utilizados pelo professor, são comuns em todas as salas de aula: TV, DVD, quadro branco e Livro do Professor (LP). Para preparação das aulas, cada professor permanece com o LP, devolvendo-o à escola apenas ao final do semestre. Cada aluno, por sua vez, possui um conjunto de 03 livros e 01 CD. O conjunto de livros inclui: um livro de texto, um livro de prática de compreensão auditiva e um livro 8 Esta pesquisa trata de ensino e aprendizagem de LE, de forma geral. No entanto, os dados foram coletados em contextos de ensino de língua inglesa, por representar uma língua com a qual temos experiência enquanto aluna e professora. 58 de exercícios. Cada conjunto de livros é utilizado durante um estágio, que é equivalente a um semestre. A coleta de dados para esta pesquisa ocorreu em uma turma de 4º estágio, ou seja, nível intermediário. Na turma observada havia 10 alunos, com idades variadas, entre 13 e 26 anos. A escolha dessa escola de idiomas e da turma observada deu-se basicamente devido à facilidade de acesso, através da permissão do diretor para observação das aulas, gravação em áudio, assim como pela aceitação por parte da professora da turma em participar da pesquisa. Na escola de idiomas investigada, embora haja a prática das quatro habilidades (ouvir, falar, ler e escrever), o trabalho com a compreensão e produção oral recebe maior enfoque, uma vez que o objetivo do ensino nesse ambiente é fazer com que o aluno se comunique oralmente através da LE ensinada. Essas são características do método utilizado pela escola de idiomas onde os dados foram coletados, o Método Audiolingual (ver Fundamentação Teórica, p. 24-30). A seguir, será descrita a Escola Regular. Escola Regular O outro ambiente de coleta de dados foi uma escola regular na cidade de Campina Grande - PB. A escola faz parte da rede privada de ensino, oferecendo desde o maternal até o terceiro ano do ensino médio. A escola conta com quadra de esportes, auditório, cantina, além de aproximadamente 16 salas de aula. Cada sala é provida de arcondicionado e os professores dispõem dos seguintes recursos: quadro branco, pincel, data-show e LP. Acerca do material didático, tanto professores quanto alunos possuem um livro utilizado durante todo o ano letivo, o Hiperlink (2010), da editora Longman, que acompanha CD. Em sala de aula, as cadeiras são posicionadas em filas indianas, de forma que os alunos ficam uns atrás dos outros. De forma geral, as turmas do Ensino 59 Médio têm entre 45-55 alunos. A turma de 3º ano do ensino médio observada era turma única e nela havia 55 alunos, entre 17 e 24 anos de idade. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais Ensino Médio – PCNEM (2002, p.94), “o foco do aprendizado deve centrar-se na função comunicativa por excelência, visando prioritariamente a leitura e compreensão de textos verbais orais e escritos [...]”. Enquanto a escola de idiomas dá um enfoque à oralidade, o contexto de escola regular volta-se para a habilidade de compreensão, de forma que os alunos sejam capazes de compreender e interpretar, na LE. Após a gravação de seis aulas na escola regular, a instituição faliu e, por isso, fechou, impossibilitando a continuidade da coleta na mesma. Devido a tal impasse, recorreu-se a outra escola regular, onde foram observadas e gravadas 12 aulas. Com o objetivo de não ignorar os dados coletados na primeira escola regular, optou-se por incluir as duas escolas regulares, que a partir de agora, serão nomeadas como: Escola Regular I (já descrita) e Escola Regular II (descrita a seguir). Escola Regular II A escola regular II também é da rede privada de ensino, que vai desde o maternal até o terceiro ano do ensino médio. A escola conta com quadra de esportes, auditório, cantina, além de aproximadamente 45 salas de aula. Cada sala é provida de arcondicionado e os professores dispõem de quadro branco, pincel, data-show, aparelho de som e LP. No ensino médio, a escola trabalha com módulos que incluem todas as disciplinas. Cada professor é responsável pela preparação do material de sua disciplina e os alunos recebem os módulos bimestralmente. Em sala de aula, as cadeiras são posicionadas em filas indianas, de forma que os alunos ficam uns atrás dos outros. As salas de aula do ensino médio comportam uma 60 média de 55 alunos, número de alunos na turma de 3º ano do ensino médio observada, com faixa-etária entre 16 e 17 anos de idade. A seguir, será descrito o perfil dos participantes da pesquisa. 2.2.2 Participantes Embora seja necessário fazer referência aos alunos em alguns momentos do estudo, o foco de observação desta pesquisa está no professor, visto que é ele quem gerencia o processo de ensino em sala de aula, precisando estar alerta para o controle do uso de LM e de LE. Segue-se então para a apresentação do perfil do/das participante(s) da pesquisa, sendo estes: a professora da Escola de Idiomas (P1), o professor da Escola Regular I (P2) e a professora da Escola Regular II (P3). O quadro abaixo traça um perfil geral dos professores mencionados. Formação Acadêmica Experiência de Ensino Opinião sobre uso da tradução em aulas de LE Escola de Idiomas (P1) Licenciatura em Letras (Habilitação Língua Inglesa), 2006-2010. 3 anos (escola de idiomas), tempo em que leciona na instituição. “Eu peço pra ele tentar falar inglês, né? [...] embora às vezes eles desejem... DESESPERADAMENTE... até traduzir, mas eu fico pedindo pra eles parar de falar em português, falar em inglês, não traduzir [...] Escola Regular I (P2) Licenciatura em Letras (Habilitação – Língua Inglesa), 2007-2012. 7 anos. 5 anos apenas em escola de idiomas e 2 anos em escola de idiomas e escola regular simultaneamente. Há 1 ano e meio na instituição. “Eu... não gosto. Eu acredito que a tradução é desnecessária [...] uma vez que você dá para os alunos as ferramentas de inglês instrumental [...] Tabela 1: Perfil do/das Participante(s) da Pesquisa Escola Regular II (P3) Licenciatura em Letras (Habilitação - Língua Inglesa), 1996-2000. 17 anos (escola regular e escola de idiomas). Há 12 anos na instituição. “[...] Quando chega no ensino médio existe um certo... bloqueio, uma trava. Aqueles que não gostam [de inglês], se recusam e dizem: Eu não entendo! [...] A aula acaba sendo praticamente... TODA na língua materna... né? [...] Realmente a tradução, ela passa a ser indispensável. Ela é ESSENCIAL para que eu possa seguir um pouco mais adiante.” 61 P1 P1 afirmou ter concluído seu curso de graduação em Letras-Licenciatura, com habilitação em Língua Inglesa, tendo iniciado o curso no segundo semestre de 2006. Desse modo, a professora concluiu as disciplinas em 2010, ficando pendente o Trabalho de Conclusão de Curso, que apresentou em 2012. De forma geral, a professora leciona LE há três anos, na instituição onde a coleta de dados foi realizada. As experiências anteriores de ensino de LE ocorreram durante a graduação, na disciplina de Estágio Supervisionado. Sendo assim, sua experiência enquanto professora envolve basicamente o ensino em escola de idiomas. Foram realizadas também perguntas envolvendo o posicionamento de P1 em relação ao uso da tradução em sala de aula de LE (exposta no quadro acima), (não)existência de um método ideal e sobre o uso de LM em sala de aula de LE. Seguem trechos de suas respostas: Sobre a (não) existência de um método ideal: Depoimento 1: P1: “Eu acredito assim, que o professor ele que faz, né? Mas fugindo do tradicional também. Por que eu acredito que com o tradicional os alunos aprendem menos, mas a partir do momento que o professor ele cria algo novo, mesmo que o assunto seja um assunto até chato, mas trazendo um método novo, alguma coisa diferente chama a atenção do aluno...eh... com certeza tem um melhor desenvolvimento em sala de aula. Eu acredito assim que não tem o método exato, vai de professor pra professor, mas o foco é fazer com que o aluno compreenda, né?” Acerca do uso de LM em sala de aula de LE, P1 diz: Depoimento 2: P1: “Eu não acho que seja uma boa ideia, porque interfere na aprendizagem da língua estrangeira... Porque senão eles podem acabar entendendo o que eu estou falando em inglês, mas não vão conseguir falar em inglês, só vão querer falar em português, né? E não é uma boa, porque tem uma interferência da língua materna na língua estrangeira. Então se eles estão ali pra aprender inglês, então eles têm que fazer por onde, procurar se esforçar, falar em inglês”. 62 Em um dado momento da entrevista, P1 afirma ser desnecessário o uso de LM para o ensino e aprendizagem de LE, sob o argumento de que a turma investigada já tem nível linguístico suficiente para não precisar recorrer a esse uso. Posteriormente, quando questionada sobre o uso da LM em estágios iniciantes, a mesma afirma que: Depoimento 3: P1: “No início, digamos assim que é um pouco normal, porque ele ainda não tem um vocabulário ainda, né? Mas no decorrer das lições, então eles já têm... a capacidade já... têm condições de começar a falar em inglês, que é necessário, como pedir pra ir ao banheiro, tomar água, pedir pra repetir, dizer que não tá entendendo, tal e etc.” No Depoimento 1, P1 afirma não haver o método exato. No entanto, ela aponta para uma necessidade do ‘novo’ e um afastamento do ‘tradicional’. A fala de P1 denuncia sua preocupação de que exista algo novo como requisito para o desenvolvimento da LE, em contraponto com sua fala, no mesmo depoimento, de que não há um método exato, ideal. Pode-se observar também na fala de P1, a imagem do professor como o responsável por “trazer uma coisa nova” (“mesmo que o assunto seja chato”), “trazer um método novo”, fazer com que o aluno compreenda. É a imagem do professor enquanto detentor do saber e único responsável pelo ensino e aprendizagem da LE, visão presente nas ideias defendidas pelo Método Audiolingual (ver Fundamentação Teórica, p.24-30), utilizado pela Escola de Idiomas, contexto em que P1 está inserida. No que diz respeito à LM em aulas de LE, P1 demonstra resistência ao uso de tradução ou LM, por interferir negativamente no ensino de LE, segundo a mesma. A professora demonstra enxergar a LM e a LE dissociadas, ao dizer, no Depoimento 2, que “se eles estão ali para aprender inglês, então eles têm que fazer por onde procurar se esforçar, falar em inglês”. Dessa forma, a utilização da LM por parte dos alunos aconteceria pela falta de esforço em falar a LE. Essa afirmação acaba por, 63 desconsiderar, a importância da LM para o aluno como parte constitutiva do mesmo, de que tratam Revuz (1998) e De Nardi (2007). P1 demonstra resistência ao uso da tradução e de LM em aulas de LE, mesmo tendo afirmado que não há um caminho ideal para o ensino e aprendizagem de LE. P1 defende seu posicionamento sob o argumento de que os alunos da turma observada já estão em um nível suficiente para falar o necessário em sala de aula (pedir para ir ao banheiro, tomar água, pedir para a professora repetir, dizer que não está entendendo). O argumento utilizado por P1 denuncia o seu conceito de aprendizagem de LE, em que a memorização de estruturas implica no domínio do código linguístico. Conforme P1, ainda que se trate do contexto de escola regular, esse uso é negativo, pois “se a aula é de inglês, então tem que ser inglês, não pode ser inglês-português [...] A aula toda em inglês é o certo”. Fazer uso da LM é, para P1, o ‘errado’. Esse discurso se apresenta incoerente quando comparado à prática de ensino de P1, que será trabalhada no capítulo de Análise dos Dados. P2 P2 iniciou o curso de licenciatura em Letras, Habilitação Inglesa, por volta de 2007, com previsão de término para o segundo semestre de 2012. A experiência de ensino de P2 totaliza 7 anos. Dentre esses, 5 anos voltaram-se para o ensino em diferentes escolas de idiomas de Campina Grande – PB, e os dois últimos anos envolveram o contexto de escola de idiomas e de escola regular simultaneamente. P2 lecionou na instituição onde ocorreu a coleta de dados durante um ano e meio. Quando questionado sobre a (não)existência de um Método ideal para o ensino de línguas, P2 respondeu: 64 Depoimento 4: P2: “Não, na verdade não. Existem vários métodos ideais. Você tem que sentir sua turma, porque um mesmo método que você acredita ser ideal, pode ser perfeito numa turma, na outra pode ser, vamos dizer assim... desnecessário ou ineficaz. Sobre o uso de LM em sala de aula de LE, P2 diz: Depoimento 5: P2: “...Vou ser sincero... Eu considero necessário... Apenas 15%. Embora que na escola em que estive lecionando, pela própria coordenação, me foi solicitado que não ABUSASSE do ensino de língua inglesa dentro de sala de aula. Isso gerou um pouco de desconforto, reclamação dos alunos, uma vez que o mundo no qual eles estavam acostumados não era o ensino direto de língua inglesa. Então, o uso da língua materna se faz necessário, apenas para expressões ou... algumas explicações... talvez gramaticais ou sobre... gêneros textuais. Mas eu...considero necessário sim. O aluno...é... muitas vezes ele se sente mais confortável em desenvolver o aprendizado de uma segunda língua se ele tem o apoio, se ele se lança mão da LM ”. O depoimento que segue diz respeito ao uso da Tradução em sala de aula de LE: Depoimento 6: P2: “... Eu... não gosto (risos). Na verdade, eu acredito que... vamos dizer assim... os mecanismos de... de... Então, no que diz respeito ao ensino de língua inglesa, eu acredito que a tradução é desnecessária, porque uma vez que você dá pra os alunos, justamente as ferramenta de inglês instrumental, como skimming, scanning, general comprehension, headlines... todas essas ferramentas existem para que o aluno possa olhar pro texto... e compreendê-lo de uma forma geral, sem se deter em tradução. Embora que você pode traduzir uma expressão ou outra, uma sentença ou outra, mas traduzir o texto todo, você perde tempo, e o aluno acaba tirando o foco da língua, vamos dizer assim, fica focado apenas na tradução de um texto e esquece do objetivo da língua inglesa”. Ao falar sobre o uso de LM em sala de aula de LE, P2 menciona ser esse uso necessário, em uma percentagem de 15%, apenas para explicações de expressões, pontos gramaticais, bem como explicações sobre gêneros textuais. É importante questionar essa percentagem de uso de LM. Por que uma percentagem fixa e limitada de uso de LM? Como quantificar essa percentagem ‘estabelecida’? Embora tente limitar o 65 uso de LM em aulas de LE em 15%, P2 demonstra compreender o espaço da LM como ponto de apoio, lugar de conforto do aluno, quando diz que o aluno se sente mais confortável em aprender uma LE devido ao apoio que encontra na LM. Ao expressar sua opinião sobre o uso da tradução em aulas de LE, P2 inicialmente diz não concordar com esse uso, argumentando que é possível recorrer às estratégias de leitura e compreensão de textos (skimming, scanning), sem necessariamente se deter em tradução. A fala de P2 deixa transparecer seu conceito de tradução como sendo o de transferência de textos de um código linguístico a outro. Não obstante, as estratégias de leitura mencionadas por P2 são ao mesmo tempo atividades de tradução, seguindo o que se entende por tradução nesta pesquisa (ver Fundamentação Teórica, p. 17), uma vez que se trata de traduzir mensagens. É o que ocorre quando se trabalha uma figura pertencente ao texto ou apenas o título, visando desenvolver hipóteses sobre a ideia central do texto, o que não é visto como tradução por P2. P3 A professora da escola regular II (P3) cursou Letras-Licenciatura, com habilitação em LI, tendo concluído no ano de 2000. De forma geral, P3 ensina inglês há 17 anos tanto no contexto de escola regular quanto no de idiomas, já que iniciou sua experiência com o ensino de LE nos dois ambientes simultaneamente. Quando começou a lecionar, P3 tinha apenas o curso de idiomas e iniciou o curso de Letras no ano posterior, quando a escola regular em que a mesma trabalhava passou a exigir a formação na área. P3 leciona há 12 anos na instituição em que a coleta de dados ocorreu, período em que teve experiência com faixas etárias diversas. 66 Ao ser questionada acerca da (não)existência de um método ideal, P3 responde: Depoimento 7: P3: “Olha, eu acho assim, cada realidade... é uma metodologia diferente. O curso de línguas, quanto mais você fala, eu acho melhor. Por quê? Por que aquilo que a gente fala... e escuta o que a gente tá falando, a gente internaliza mais. Já no ensino regular, eu acho que a metodologia melhor, para o aluno se desenvolver melhor, é ele anotar. Ele só pode parar de anotar o sinônimo ou o antônimo da palavra, ou até mesmo a sua tradução, quando ele passar o olhos e dizer... ah, isso aqui é isso, quando ele tiver o domínio disso... Enquanto não, cada vez, ele tem que riscar. Eu costumo até dizer (risos): quanto mais bagunçado tiver seu texto, com essas informações, com esses traçinhos, melhor... Significa que você tá acompanhando aquilo ali [...]” Sobre uso de LM, P3 argumenta: Depoimento 8: P3: “[...] Quando chega no ensino médio existe um certo...bloqueio, uma trava. Aqueles que não gostam [de inglês], se recusam e dizem: Eu não entendo! Então o que é que acontece? A aula acaba sendo praticamente... TODA na língua materna... né? E... quando a gente faz... se você percebeu, quando a gente faz a leitura, se você observar o semblante dos alunos, quando eu tô fazendo a leitura em inglês, a grande maioria não olha nem pra o... pra o material. Quando eu passo a dizer o que significa e vou puxando, aí é quando eles começam a olhar e responder. Então, é, é, eu não sei se devido a nova exigência em cima deles, com essa questão de vestibular, de ENEM, onde foca a leitura... silenciosa, individual, levando muito essa questão da gente não poder muito falar o idioma que a gente leciona em sala com muita frequência. E se eu fizer com alguns alunos, ah, tá se amostrando, quer ser metida, essa professora é muito metida [...] Então, pra evitar esse tumulto, a aula normalmente é ministrada em português” Na opinião de P3, é inviável ensinar uma LE no contexto de escola regular sem o uso da tradução. A mesma afirma que: Depoimento 9: P3: “[...] Realmente a tradução, ela passa a ser indispensável. Ela é ESSENCIAL para que eu possa seguir um pouco mais adiante. O material, ele é todo em inglês, TODO, TODO, TODO, TODO. E se eu não traduzir um enunciado, eles dizem: Eu não sei o que tá dizendo. Às vezes você tem cognatos, tipo: complete with the personal pronouns9. Não sei o que é, só que completa e escreve do mesmo jeito. Então eles passaram a resistir um pouco mais... e eu também, por que eu não abro mão... Nem minhas provas, nem meus materiais de sala são em português. Já basta eu ter que usar o português como forma de explanar o meu conteúdo.” É possível perceber, na fala de P3, certo incômodo em utilizar a LM em sala de aula de LE. Segundo P3, a afirmação dos alunos de que não entendem a LE resulta de 9 Significa: Complete com os pronomes pessoais. 67 uma não afinidade com a LE, ocasionando resistência a essa língua. O momento em que os alunos se mostram mais atentos nas aulas de LI, segundo P3, é no momento de utilização da LM dos alunos, fato que se dá, devido a uma resistência e recusa dos alunos em utilizar a LE, na visão de P3. Pensando na relação do aluno com sua LM, a LE é para o aluno, o estranho que vem modificar e desestabilizar o mundo antes visto como estável, seguro, estabilizado. É pensando nessa complexidade que Revuz (1998) afirma que nem todos estão prontos para essa experiência. Enquanto os alunos demonstram resistência em relação à LE, P3 parece ser resistente ao uso de LM e de tradução nas aulas de LE. Segundo P3, por utilizar a LM durante a ministração de suas aulas, é imprescindível que o módulo (utilizado bimestralmente e elaborado pelo professor de cada disciplina) seja “todo em inglês, TODO, TODO, TODO, TODO”, bem como as avaliações. Portanto, segundo P3, a LM e a tradução estão presentes em suas aulas, pois, se assim não for, os alunos ficam dispersos, não prestam atenção, impossibilitando a continuidade da aula. Dessa forma, P3 parece ver a atividade de tradução não como ferramenta didática ao aprimoramento da LE, mas como saída única para lidar com a resistência dos alunos em relação à LE. Dessa forma, P3 não compreende o lugar de sujeito dos alunos frente à complexidade da LE, enquanto língua do outro, do estrangeiro, ou seja, P3 interpreta essa resistência dos alunos como uma espécie de capricho pessoal, de forma que ela também responde ao comportamento de ‘resistência’ dos alunos, não abrindo mão de que seu material seja “TODO, TODO, TODO” em LE. Nesse sentido, a ‘disputa’ entre a LE e a LM ficam em maior evidência, na fala de P3, do que o processo de ensino e aprendizagem de LE em que os alunos e a professora estão envolvidos. Tendo traçado o perfil dos participantes da pesquisa, serão expostos, a seguir, os instrumentos utilizados durante a coleta de dados. 68 2.2.3 Instrumentos da coleta de dados Para realização da coleta de dados desta pesquisa, foram utilizados os seguintes instrumentos: gravações em áudio, notas de campo e entrevistas. Esses instrumentos serão descritos, a seguir: Gravações em áudio Um dos instrumentos utilizados durante a coleta de dados foi a gravação em áudio. Para a mesma, utilizou-se um gravador digital, para uma melhor captação do som, facilitando a análise dos dados, posteriormente. Foram gravadas 9 aulas na escola de idiomas, com duração de 1 hora e 30 minutos cada, resultando então em 13 horas e 30 minutos de aula. Na Escola Regular I foram gravadas 6 aulas, com duração de 50 minutos cada, resultando então em 5 horas de aula. Na Escola Regular II, por sua vez, foram gravadas 12 aulas com duração de 50 minutos cada, somando 10 horas de aula. A quantidade de aulas gravadas na Escola de Idiomas foi inferior a da Escola Regular II, visto que cada aula na Escola Regular II conta com 40 minutos a menos do que a aula na escola de idiomas. Sendo assim, o objetivo ao gravar um número superior de aulas na Escola Regular II foi fazer com que a quantidade de horas gravadas nas duas escolas não fosse discrepante. Vale também ressaltar que a quantidade de horas calculada é uma média e não o número exato, pois foi comum nas escolas observadas a entrada de professores e alunos nas salas de aula entre cinco e quinze minutos após o toque do sinal para início das aulas. Ao passo que as gravações em áudio iam sendo realizadas, foram utilizadas também notas de campo, como segue. 69 Notas de campo Durante a coleta dos dados, além da gravação em áudio, foram utilizadas também notas de campo como instrumento de coleta. As notas de campo serviram para coletar dados que não poderiam ser captados pelo áudio, como um movimento gestual, uma expressão facial, encenações, alguma fala muito baixa, dentre outros dados. Para esta pesquisa, os dados mencionados são de extrema relevância, visto que envolve diretamente a Categoria Intersemiótica de Tradução analisada durante a pesquisa. As observações foram sempre escritas em um caderno específico, de forma mais natural e sutil possível, para não constranger os professores ou alunos das turmas. Além das gravações e notas de campo, foram utilizadas entrevistas. Entrevistas Ao final das observações com notas de campo e das gravações em áudio, foram realizadas entrevistas com os respectivos professores das turmas observadas. Ocorreram entrevistas semi-estruturadas, em que “o entrevistador tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada” (MARCONI; LAKATOS, 2010, p. 279). Embora um roteiro tenha sido previamente planejado, como forma de guiar a sequência das perguntas, no momento da entrevista, foi possível realizar questionamentos que não haviam sido formulados anteriormente, mas que foram julgados relevantes, ao passo que a entrevista ia sendo desenvolvida. A realização da entrevista com os professores objetivou coletar informações que foram julgadas relevantes para a interpretação dos dados. Foram realizadas perguntas abertas, concernente à: experiência das professoras (tempo de ensino, tanto de forma geral quanto na instituição especificamente, formação acadêmica); questões voltadas à 70 metodologia de ensino (planejamento e preparação das aulas; recursos utilizados para essa preparação e para a ministração das aulas); assim como acerca do posicionamento teórico das professoras em relação a métodos de ensino e uso de tradução e de LM em sala de aula de LE. Corrobora-se aqui Markoni e Lakatos (2010, p. 280) na afirmativa de que, através da entrevista existe uma “maior flexibilidade e oportunidade para avaliar atitudes e comportamentos”, pois as informações coletadas durante as entrevistas com os professores são relevantes para a análise dos dados. Sendo uma pesquisa de base etnográfica e por isso, holística, todos os aspectos que dizem respeito ao contexto de coleta e aos participantes envolvidos são imprescindíveis. Descrito os instrumentos de coleta utilizados, segue-se então para a organização dos dados. 2.2.4 Organização dos dados coletados Os dados coletados durante a pesquisa foram organizados da seguinte forma: cada gravação em áudio das aulas foi armazenada em formato MP3, por ordem da data da realização da coleta. Para tal armazenamento, foram criadas três pastas, sendo estas: uma para a Escola de Idiomas, uma para a Escola Regular I e a terceira para a Escola Regular II. Considerou-se a separação dos três ambientes relevante para facilitar a análise dos dados posteriormente. Para coletar as notas de campo, um caderno específico foi utilizado. A organização das mesmas deu-se também por data, de forma que fosse possível posteriormente relacionar a data da gravação e a data das notas de campo facilitando a triangulação dos dados. As entrevistas, assim como as aulas observadas, foram gravadas e organizadas em formato MP3. 71 A partir dessa organização, foi feita a identificação do uso das três Categorias de Tradução em cada aula gravada. Concomitantemente, foram feitas as transcrições dos momentos das aulas em que as Categorias de Tradução foram utilizadas. Dessa maneira, os dados quantitativos foram obtidos e transformados em gráficos percentuais. Posteriormente, seguiu-se para a análise qualitativa dos dados, em que foram investigadas as Categorias de Tradução utilizadas mais ou menos adequadamente. Tendo apontado os caminhos metodológicos da respectiva pesquisa, seguir-se-á então para a análise dos dados. 72 3 ANÁLISE DOS DADOS Pesquisa é curiosidade formalizada. Estar mexendo e estar procurando com um propósito. (Zora Neale Hurston) A epígrafe acima mostra que a pesquisa consiste em mexer, procurar, analisar, a partir de uma “curiosidade formalizada”, buscando-se resultados. A curiosidade que rege a realização desta pesquisa concentra-se basicamente em investigar a frequência do uso das Categorias de Tradução de Jakobson (1959/2000) em uma escola de idiomas e em escolas regulares, situadas na cidade de Campina Grande – PB, assim como analisar a (in)adequação desse uso nos ambientes de ensino mencionados. Para que os objetivos a que essa pesquisa se propõe fossem alcançados, os dados considerados neste capítulo dizem respeito a momentos em sala de aula que o/as professor/as utilizaram qualquer uma das três Categorias de Tradução (cf. JAKOBSON, 1959/2000). Com os dados coletados e separados por ambiente de coleta, partiu-se para a identificação dos momentos das aulas em que qualquer uma das Categorias de Tradução foi utilizada. A partir dessa identificação, partiu-se para a contabilização do uso das categorias. Ao final de cada aula, a quantidade de vezes que o/a professor/as utilizavam cada Categoria de Tradução era somada aos números obtidos nas aulas anteriores. Os resultados foram transformados em números percentuais. Para se chegar aos dados percentuais, o número de vezes em que cada Categoria de Tradução foi utilizada foi dividido pela quantidade geral de uso das Categorias, e o número obtido foi multiplicado por 100. Os resultados estão apresentados em gráficos de coluna. Na Escola de Idiomas, além de apresentar a frequência do uso das Categorias de Tradução, o uso de LM também foi quantificado. Embora não seja objetivo desta 73 pesquisa analisar o uso de LM em aulas de LE, entende-se que é relevante apresentar a frequência de uso de LM por parte da professora, bem como perceber a importância dessa língua para o sujeito, seja professor/a ou estudante, percepção pertinente para se pensar no uso da Tradução Interlingual, que envolve diretamente a LM do aluno. Nas escolas regulares, por outro lado, a marcação do uso de LM não foi necessário, uma vez que as aulas foram ministradas na própria LM. Tendo feito a análise quantitativa dos dados, partiu-se para a análise qualitativa, em que os dados foram contextualmente interpretados, através da apresentação das implicações do uso das Categorias de Tradução na Escola de Idiomas, na Escola Regular I e na Escola Regular II. Para tanto, investigou-se a (in)adequação do uso das Categorias de Tradução nos contextos de ensino em foco. Essa investigação deu-se no nível de adequação contextual, levando em consideração: os momentos de uso das Categorias de Tradução, as notas de campo, os dados obtidos por meio das entrevistas com o/as professor/as das turmas, o contexto de ensino, o objetivo de ensinoaprendizagem de LE nesse determinado contexto, a contextualização da situação de ensino e aprendizagem no momento do uso das categorias. Sendo assim, percebeu-se o uso das três Categorias de Tradução nas escolas investigadas, por parte do/as professor/as, que foram caracterizados como: P1 (Professora da Escola de Idiomas), P2 (Professor da Escola Regular I), e P3 (Professora da Escola Regular II). Este capítulo está dividido em três seções: 3.1) Categorias de Tradução na Escola de Idiomas; 3.2) Categorias de Tradução na Escola Regular I; 3.3) Categorias de Tradução na Escola Regular II. Cada seção foi subdividida em três pontos, uma vez que cada Categoria de Tradução foi analisada separadamente. A seguir, será apresentado o uso das Categorias de Tradução na Escola de Idiomas. 74 3.1 Categorias de Tradução na Escola de Idiomas O gráfico que segue diz respeito à quantificação das Categorias de Tradução no contexto da Escola de Idiomas investigada. No gráfico, está exposto o percentual de uso de cada Categoria de Tradução, bem como de LM. Categorias de Tradução na Escola de Idiomas 60,00% 50,00% 40,00% Tradução Intralingual 30,00% Tradução Interlingual Tradução Intersemiótica LM 20,00% 10,00% 0,00% 52,94% 4,20% 26,05% 16,81% Gráfico 1 Conforme o Gráfico 1, as três Categorias de Tradução foram utilizadas por P1 durante as aulas. A Tradução Intralingual, com um percentual de 52,94%, foi mais recorrente do que a Tradução Interlingual e a Intersemiótica. Em uma escala decrescente, segue a Tradução Intersemiótica, com um percentual de 26,05%. Em seguida, o uso de LM, com 16,81%. Por fim, a Tradução Interlingual, com 4,20%. A seguir, as Categorias de Tradução serão descritas e analisadas. A. Tradução Intralingual A porcentagem de 52,94% de uso da Tradução Intralingual deu-se no sentido LE-LE, o que revela uma recorrência em maior escala ao uso da LE em sala de aula. O 75 resultado obtido condiz com a proposta da Escola de Idiomas e com a hipótese desta pesquisa, reforçando o objetivo primordial nesse ambiente de ensino, sendo trabalhar a habilidade de compreensão e produção oral dos alunos na LE (ver Fundamentação Teórica, p.24). Considerando o objetivo de ensino e aprendizagem no contexto de escola de idiomas, foi comum a ocorrência de explicações dentro da própria LE, de forma que o aluno foi sendo exposto à prática oral da língua, sendo esse o foco desse contexto de ensino de LE. A frequência com que a Tradução Intralingual foi utilizada proporciona ao aluno a exposição à LE, explorando a habilidade de escuta e fala, além de o aluno conhecer e fazer uso de várias formas de se transmitir uma mesma mensagem em LE, como afirmam Nascimento (1992) e Oustinoff (2011). Todos os momentos de uso da Tradução Intralingual em sala de aula ocorreram durante explicações de vocábulos no sentido LE-LE. Acerca dessas explicações, ora faziam parte da própria metodologia (passo metodológico chamado de “explanation”), ora aconteciam quando os alunos apresentavam dúvidas sobre o vocabulário de aulas e/ou estágios anteriores. Vale salientar que a explicação de palavras novas dava-se em uma situação específica. No próximo trecho, os personagens (dois adolescentes) ouviam música e conversavam em um parque. Essa contextualização foi feita por meio de perguntas aos alunos, durante o passo metodológico chamado ‘apresentação’ (presentation), passo precedente à explicação. A ‘apresentação’ possibilitou aos alunos uma leitura mais geral acerca dos personagens envolvidos (adolescentes, provavelmente amigos), do ambiente (em um parque), da ação dos personagens (conversando e ouvindo música), do grau de formalidade (uma conversa mais informal, tendo em vista o ambiente e as roupas usadas pelos personagens). Ademais, P1 tinha como suporte as imagens, que iam se modificando conforme a fala dos personagens. Esses suportes remetem à presença da Tradução Intersemiótica, que será analisada no último tópico desta seção. 76 No Trecho 710, a Tradução Intralingual foi utilizada durante a explicação da palavra ‘tune’ (melodia; música). Trecho 7: (Áudio: Cool tunes – título da lição) P1: Ok, do you think those kids are listening songs? A3: Yes, those are listening P1: Those KIDS ARE A3: Those kids are listening songs P1: Ok, but are they listening the Rippers songs? A1: Yes, they are listening the Rippers songs P1: Ok… are they listening the Rippers…. Tunes?... You! A4: Yes, they are listening to the Rippers tunes A9: Tunes? P1: Tunes. Yeah. Tunes is the same to say ‘songs’, okay? It is another way of saying ‘song’, okay? A3: humhum A2: So, songs, tracks or tunes, yes? P1: Yes! (P1 dá continuidade e em outro momento da aula) A3: What’s track? P1: Track, song… (aponta para as faixas do CD) Track one, track two A3: Song one, song two P1: Yes, track two…. Track… song. Understand? A2: Track?! (demonstrando estranhamento) A3: Pode ter outro sentido, yes? P1: Yes... Ok, track, this is one track... on the Rippers site No Trecho 7, P1 iniciou a explicação a partir de um questionamento. Para tanto, P1 utilizou uma palavra já trabalhada anteriormente em sala de aula - ‘songs’ (músicas). Os alunos demonstraram haver entendido o contexto em foco, ao responder que as crianças da figura estavam ouvindo as músicas do grupo ‘Os Rippers’. A partir de então, P1 passou a questionar os alunos utilizando a palavra ‘tunes’ em vez de ‘songs’. A9 questionou o significado da palavra ‘tunes’. Nesse momento, P1 fez uma relação mais explícita das palavras ‘tunes’ e ‘songs’, ao dizer: “Tunes. Yeah. ‘Tunes’ is the same to say 10 No Trecho 7, bem como em outros trechos, percebeu-se equívocos de cunho fonético e gramatical, por parte do/as professor/as das turmas investigadas. No entanto, esses equívocos não serão apontados, visto que não tem relação com os objetivos desta pesquisa. 77 ‘songs’, okay? It is another way of saying ‘song’, okay?. Com essa explicação, P1 afirmou que ‘tunes’ é o mesmo que ‘songs’. Apesar de a associação das palavras ‘tunes’ e ‘songs’ ter levado os alunos à compreensão da situação em foco, vale salientar que a afirmação de P1, de que “Tunes is the same to say songs [...] It is another way of saying songs”, pode levar os alunos a uma compreensão equivocada de que as duas palavras podem ser usadas indiscriminadamente. A Tradução Intralingual da palavra ‘tunes’ consta no dicionário Oxford (2007) como sendo “a pleasant-sound sequence of musical notes” (uma sequência harmoniosa de notas musicais). Embora a definição não esteja distante do contexto de ‘songs’ (músicas), o uso da palavra ‘tunes’ remete a algo mais específico, à melodia da música em si, não dizendo respeito à sua letra, por exemplo. Dessa forma, entende-se que a associação das palavras ‘tunes’ e ‘songs’ poderiam ser complementadas com uma explicação mais específica acerca da palavra ‘tunes’, por meio da Tradução Intralingual, como sendo “the melody of the song, its musical notes” (a melodia de uma música, as notas musicais). A utilização da palavra ‘track’, com o mesmo sentido de ‘song’, ainda no trecho 7, pareceu causar certo estranhamento por parte dos alunos. Esse estranhamento pode ser confirmado com a pergunta de A2, quando diz: “Track?!”, mesmo depois de repetidas associações com as palavras ‘tunes’ e ‘songs’, por parte de P1. Infere-se que essa dúvida tenha surgido devido ao fato de que, em estágios anteriores, a palavra ‘track’ foi utilizada em contextos de corrida, no sentido de ‘pista de corrida’. Todavia, a dúvida suscitada por A2, e que pareceu ser uma dúvida de outros alunos, considerando suas expressões faciais indicando dúvida, pareceu ter sido ignorada por P1, ao responder à pergunta de A3 da seguinte forma: “Yes... Ok, track, this is one track... on the Rippers site” (Sim… Ok, faixa, isso é uma faixa de música… no site dos Rippers). 78 O questionamento de A2 foi pertinente, no sentido de criar um momento oportuno para a explicação de que uma só palavra pode ter vários significados. A inquietude dos alunos persistiu, devido ao uso da mesma palavra em contextos distintos. Concordando com as afirmações de Revuz (1998), entende-se que esse comportamento dos alunos aconteceu, pois, enquanto aprendizes de LE, os alunos imaginam a adequação da palavra à coisa, de forma que ‘track’ é ‘pista de corrida’ e nada mais. Embora a heterogeneidade da linguagem esteja também presente na LM do aluno, tal fenômeno geralmente não é questionado na LM, pois é uma língua tão natural para o sujeito, que não se atenta para tais aspectos. Pensando na relação LM e LE, corroborase Revuz (Ibid), no sentido que o contato com a LE modifica o sujeito da LM, provoca, mexe com o que era aparentemente estável, fixo, constante. A inquietude dos alunos acerca do uso da palavra ‘tracks’ manifestou-se novamente no Trecho 8, quando a palavra foi novamente mencionada: Trecho 8: P1: Look, suppose they have a hundred of them, okay?, but the boy is downloading one of the tracks on the Rippers site. As (silêncio) P1: Do you understand? A3: song and track?! Songs… tracks, tracks?! A2: Is the same? P1: Is the same, yes. Is the same… Look, that’s a track, one of the songs on a CD or other electronic things A5: No, because tracks… when you run… in the…competition P1: Ok, now I understand A5: It’s a track P1: Ok, but the situation is different… Here is a music, is a song. No Trecho 8, o foco de explicação era o verbo ‘to download’ (‘baixar’ em relação a filmes, músicas, vídeos, etc.). Após a explicação de ‘to download’, P1 perguntou aos alunos se haviam compreendido o significado do verbo. Os alunos, por sua vez, demonstraram inquietação, não pela palavra em foco, mas devido a uma dúvida não 79 sanada em outro momento da aula, no Trecho 7. A3, então, questionou: “song and track?! Songs… tracks, tracks?!”. Esse questionamento foi complementado por A2: “Is the same?” (É o mesmo?). A pergunta foi respondida da seguinte forma: “Is the same, yes. Is the same… Look, that’s a track, one of the songs on a CD or other electronic things” (É o mesmo, sim. É o mesmo… Veja, aquela é uma faixa de música, uma das músicas em um CD ou outras coisas eletrônicas). Mais uma vez, P1 pareceu se esquivar de explicações mais contundentes para explicar o uso de ‘tracks’ em situações diferentes, ou seja, enquanto ‘faixa de música’ e enquanto ‘pista de corrida’. A5 insistiu na dúvida: “No, because tracks… when you run… in the…competition” (Não, porque pistas…quando você corre…na…competição). A insistência por parte dos alunos parece ter indicado as seguintes dúvidas: a palavra ‘track’ pode ser utilizada com significados diferentes? Como saber com que significado a palavra foi utilizada? Nesse momento, P1 demonstrou certa insegurança e nervosismo, omitindo-se da pergunta insistente dos alunos. Essa ‘omissão’ parece ter sido oriunda do medo de não saber responder, de não ‘passar’ o conteúdo, o conhecimento. Esse comportamento em sala de aula remete à ideia de professor que atua como o transmissor de informações, enquanto os alunos como os objetos, receptores (cf. FREIRE, 1987). Não obstante, os alunos são capazes de relacionar os conhecimentos novos com os anteriores, de forma a construir novos conhecimentos. Utilizar a tradução como ferramenta pedagógica implica pensar em sujeitos (alunos e professores) ativos no processo de ensino e aprendizagem da LE e envolvidos em constante processo de construção, nunca plenos, nunca totalmente formados, pois a ideia de plenitude é apenas uma ilusão, nas palavras de Coracini (2007). Nesse complexo processo de ensinar e aprender uma LE, a tradução é uma ferramenta de valia, por poder proporcionar reflexão e conscientização de que as palavras não são estagnadas, quer em LE ou em LM, mas podem remeter a diferentes 80 mensagens quando inseridas em situações comunicativas específicas. Como afirma Branco (2010), não se trata de tradução de palavras soltas, isoladas de seus contextos, mas de mensagens. No entanto, não houve conscientização de que as LE e LM não têm relação plena, por parte de P1, de forma que os alunos continuaram com dúvidas e possivelmente com a ideia de que uma palavra em LE equivale a uma palavra em LM. A recorrência à Tradução Intralingual por parte de P1 também foi frequente quando os alunos suscitavam dúvidas acerca de vocábulos, ora da lição em foco, ora de lições anteriores e/ou estágios anteriores. O Trecho 9 trata de um momento de conversação: Trecho 9: P1: What’s the most boring book you have to read for school this semester? A1 (não responde) P1: What’s the most boring book you have to read for school this semester? A1 (não responde) P1: What’s the most boring book you have to read for school this semester? A1: Boring? (expressão facial indicando dúvida) P1: Yes, boring, when it’s not interesting! It’s not funny! It’s boring. A1: ‘Marley e eu’ was the most boring book I had to read. No Trecho 9, mesmo depois de três repetições consecutivas da pergunta, A1 não correspondeu à conversação. Considerando a pergunta de A1: ‘boring?’ acompanhado de expressão facial indicando dúvida, infere-se que o aluno não respondeu à pergunta por não entender o significado de ‘boring’ (chato/a; maçante). P1, então, respondeu à dúvida de A1, por intermédio da Tradução Intralingual, ao explicar na própria LE que é ‘not interesting, not funny’ (algo que não é interessante, que não é divertido). Dessa forma, P1 fez uso de uma definição linguística, em LE, para explicar a mensagem que ‘boring’ traz na situação trabalhada. Conforme Nascimento (1992), o sujeito desenvolve naturalmente essa capacidade de traduzir intralingualmente, que pode 81 ocorrer de uma palavra para uma definição, como no Trecho 9, bem como da maneira oposta, de uma definição para uma palavra. A explicação por meio da Tradução Intralingual, no caso mencionado, levou o aluno a compreender a pergunta e respondê-la prontamente, afirmando que ‘Marley e Eu’ foi o livro mais chato que teve que ler. Não se trata, aqui, de palavras plenamente equivalentes, mas de possibilidades de reformulação, na mesma língua, para se referir à mesma mensagem, corroborando Oustinoff ao citar Schleiermacher: Quando sentimos que as mesmas palavras em nossa boca teriam um sentido totalmente outro ou, pelo menos, um conteúdo um tanto mais frágil, um tanto mais vigoroso que na dele e que, se quiséssemos exprimir exatamente a mesma coisa que ele, nós nos serviríamos, a nossa maneira, de termos e de expressões absolutamente diferentes, parece, quando queremos definir mais precisamente essa impressão e fazemos dela um objeto de pensamento, que nós traduzimos. (ênfase minha) (SCHLEIERMACHER 1813, apud OUSTINOFF 2011, p. 73) Entendendo a relevância da Tradução Intralingual, Oustinoff (Ibid) afirma que, assim como a capacidade de passar de uma língua para outra, a tradução dentro de uma mesma língua ajuda no desenvolvimento da LE, no sentido de dispor de várias reformulações na língua-alvo, distanciando-se da ideia da tradução literal. A faculdade de dizer a mesma ideia de outra forma é comum a qualquer língua, inclusive à LM do aluno. Essa afirmativa é um contraponto à ideia de que a tradução é superficial, um dos argumentos utilizados contra o uso da tradução em sala de aula de LE (cf. MALMKJAER, 1998). Entretando, nem todos os momentos de uso de Tradução Intralingual se manifestou positivamente, convergindo a afirmativa de Malmkjaer (Ibid), ao sugerir que o uso da tradução depende de como a mesma ocorre. Embora a autora se refira especificamente à tradução de uma língua para outra, pôde-se constatar, nesta pesquisa, que tal argumento é válido, também, para a tradução que se constrói dentro de uma mesma língua. 82 No exemplo abaixo, a frase trabalhada com os alunos foi “The Power went out!” (Faltou energia!). Trecho 10: P1: Here (P1 apaga as luzes) Are the lights on or off? As: Off! P1: Yes, in the balloon, what happened with the boy? He was brushing his teeth, in the morning or in the evening? As: In the evening. P1: So, the lights, ok? Stopped to operate while he was brushing his teeth, ok? So, what happened with the lights? The power, the energy, ok? Went out, do you understand? Ok? Power is a synonym for energy, ok? In the situation, I can refer to energy as the power, ok? Suppose you’re studying here, etc, the TV is on, the lights are on, etc, and the lights (P1 apaga as luzes) went out? A3: Went out? P1: Yes, went out. A3: Can I say I’m going to went out the lights? P1: Went out, no. Look, I think you understand another thing. Look, suppose we are here, ok?... (apaga as luzes) What happened, the lights are on or off? As: Off. P1: Off, but… the power went out, ok? Not you, the power, suppose you’re going to turn off, now you’re going to turn on (P1 acende as luzes), do you understand? So, when the power goes out, does everything that need power turn off? As (não respondem) P1: When the power goes out, does everything that need power turn off? A3: Repeat, please! P1 (fala pausadamente): When the power goes out, does everything that need power turn off? A3: Power? P1: Yes, electricity… when the power goes out, does everything that need power turn off? A3: Yes (tenta responder e com dificuldades repete a fala de P1) ... When the power... P1: ...goes out A3: goes out, everything need P1: everything that need power A3: everything that need power turn off… É tipo ela sozinha, né? P1 (risos): Yes. As (risos): Aaaah! A fim de explicar o verbo “to go out” (faltar - no sentido de energia), na situação em foco, P1 recorreu inicialmente à Tradução Intersemiótica, apagando as luzes da sala. Posteriormente, continuando a explicação, P1 fez uso da Tradução Intralingual, ao dizer que, na situação, ‘the lights stopped to operate while the boy was brushing his teeth’ (as luzes pararam de operar enquanto o garoto escovava os dentes). Dessa forma, ‘the power went out’ (faltou energia) foi traduzido intralingualmente como ‘the lights stopped to 83 operate’ (as luzes pararam de operar). No entanto, algumas observações são relevantes acerca do uso da Tradução Intralingual, no caso mencionado. A primeira das observações é que P1 iniciou a explicação do verbo ‘to go out’ sem explorar o vocábulo novo ‘power’ (energia) previamente. Considerando que à palavra ‘power’ também podem ser atribuídos outros significados, como ‘força’ e ‘poder’, a não explicação do vocabulário novo, pode ter gerado dificuldades de compreensão do verbo ‘to go out’, bem como da situação trabalhada. É durante a explanação do verbo que P1 afirmou que ‘power’ é sinônimo de ‘electricity’, devido à dúvida suscitada por A3. Outra questão pertinente é que, concomitantemente à Tradução Intralingual, P1 também recorreu à Tradução Intersemiótica, ao apagar as luzes. Todavia, a mensagem transmitida pela Tradução Intralingual e pela Intersemiótica diverge uma da outra. O fato de P1 ter apagado as luzes da sala levou os alunos à compreensão inadequada de que se tratava da ação de apagar as luzes. Essa observação pode ser confirmada pelo questionamento de A3: “Can I say I’m going to went out the lights?”. A3 compreendeu que o verbo seria ‘to went out’, com o significado de ‘apagar as luzes’, quando na verdade ‘went out’ é o passado do verbo ‘to go out’ e indica um acontecimento que independe da ação dos sujeitos presentes na sala de aula, simplesmente ‘falta energia’. Na situação de ensino e aprendizagem de LE mencionada, a Tradução Intralingual não ocorreu com eficácia devido ao uso descontextualizado da mesma, além de divergência entre a informação gestual e a verbal. Dessa forma, os alunos demonstraram dificuldades de compreensão do vocabulário e consequentemente da situação da lição. Ainda em relação ao Trecho 10, P1 ignorou o fato de os alunos não terem compreendido a explicação do verbo, dando continuidade à aula. P1 perguntou: “When the power goes out, does everything that need power turn off?” (Quando falta energia, tudo que precisa de eletricidade se desliga?). Mesmo depois de várias repetições da 84 pergunta, A3 não conseguiu responder. A aluna demonstrou não haver compreendido o significado de ‘power’ no contexto em foco, tampouco o significado de ‘went out’. A3 questionou o significado de ‘power’, e P1 respondeu: ‘electricity’ (eletricidade). O significado da palavra parece ter sido ‘depositado’ nos alunos, assemelhando-se ao estilo de ensino que Freire (1987, p. 36) chama de “educação bancária”, em que o conhecimento é depositado no aluno. Após várias repetições da pergunta, A3 respondeu. No entanto, a resposta da aluna foi uma repetição estrutural, imitando P1, como se vê no Trecho 12. Vale salientar que A3 comumente questionou, tirou dúvidas, ajudou os colegas quando tinham dificuldades de compreensão, atitudes positivas que indicaram que A3 não se conformava em apenas repetir as palavras de P1. Nesse momento, A3 apoiou-se em sua LM, com vistas a alcançar compreensão da situação, e perguntou: “É tipo ela sozinha, né?”. O questionamento de A3 parece ter trazido alívio, tanto para a professora da turma, que afirmou: “Yes!”, quanto para os alunos, que riram e exclamaram: ‘Aaaah!’. De 52,94% de uso da Tradução Intralingual, 15,87% ocorreu concomitantemente à Tradução Intersemiótica. Com exceção da situação tratada no Trecho 10, houve êxito em todos os outros momentos em que essas duas Categorias de Tradução caminharam juntas, alcançando a compreensão, por parte dos alunos, bem como a capacidade de interagir utilizando o vocabulário apresentado e explorado. A explicação, por meio da Tradução Intralingual e da Tradução Intersemiótica do vocábulo ‘thief’ foi oriunda de uma dúvida de cunho fonético, por parte de A6, que surgiu no início de uma lição nova. A cada início de lição, algumas palavras eram apresentadas, os alunos observavam a imagem, ouviam o áudio e repetiam. Durante a repetição da palavra ‘teeth’ (dentes): Trecho 11: A6: /ѳi:f/ (A6 pronunciou ‘thief’ quando a intenção era pronunciar /ti:ѳ/ (teeth) P1: TEETH! (corrigindo a pronúncia equivocada de A6) 85 A6: What’s the difference in the sound? P1: TEETH... THIEF A3: And what’s thief? P1: A person who stolen (gesto com as mãos) things. As: Aaaah! A5: It’s the similar sound?! P1: Yes! Por ter certa semelhança com a palavra ‘thief’ (ladra/ão), P1 enfatizou a pronúncia das duas palavras, quando A3 perguntou: “And what’s ‘thief’?” (E o que é ‘ladra/ão’?). Ao passo que a professora formulou uma explicação dentro da própria LE, ao dizer que é “uma pessoa que rouba coisas”, a mesma se utilizou de um gesto indicando a ação de ‘roubar’, uma vez que o verbo (to steal) era novo para a turma. O gesto feito por P1 durante a explicação mencionada pode ser ilustrado com a seguinte figura: Figura 5 http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA9hoAA/libras-ilustrados. Acesso em 16/08/2012. A figura exposta trata de um gesto comum entre os brasileiros para indicar a ideia de “roubar”, “esconder”, “ladrão”. É também parte da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). No exemplo acima, é possível perceber que mesmo não tendo conhecimento do vocabulário “to steal”, os alunos compreenderam a explicação Intralingual, uma vez 86 que a Tradução Intersemiótica foi utilizada como suporte à definição dada por P1. Embora não se pretenda aqui analisar o uso da Tradução Intersemiótica em detalhes, pois será feita posteriormente, vale salientar que a compreensão adequada da mensagem transmitida foi possível devido à formação cultural dos sujeitos. Ou seja, os alunos compreenderam a ideia transmitida por meio da linguagem não verbal, devido ao significado que o gesto utilizado tem na cultura em que os alunos estão inseridos. No tópico seguinte, será abordado o uso da Tradução Interlingual no contexto da Escola de Idiomas. B. Tradução Interlingual Conforme Jakobson (1959/2000), a Tradução Interlingual manifesta-se de um código linguístico a outro. Em sala de aula de LE, esse tipo de tradução pode manifestarse em dois sentidos: LE-LM ou LM-LE. Como apresentado no Gráfico 1, esse tipo de tradução foi utilizado por P1 com frequência de 4,20%, frequência baixa quando comparada à Tradução Intralingual e à Tradução Intersemiótica. Ou seja, durante as nove aulas observadas e gravadas, essa Categoria de Tradução foi utilizada cinco vezes – por duas vezes da LE para a LM e três vezes da LM para a LE. Em uma das aulas ministradas por P1, A4 questionou a diferença dos verbos ‘warn’ (avisar, advertir, prevenir) e ‘advise’ (aconselhar, informar): Trecho 12: A4: What’s the difference between ‘warn’ and ‘advise’? P1: ‘To warn’ is like a…. for example…. a… (hesita). You are not studying for the test, I’m your friend, so I warn you to study! A4: And ‘advise’? P1: It’s like... like... let me see… it’s like an order! A4: Ah! P1 (prossegue com a aula. Em outro momento dirige a palavra a A4): “Warn” é tipo “avisar”, “advise” tá mais pra “aconselhar”. Do you understand? A4: Yes! 87 A Tradução Interlingual, na situação mencionada, foi utilizada no sentido de reparar uma explicação inadequada por P1. Na primeira explicação, P1 hesitou em sua fala, demonstrando insegurança em suas afirmações. Posteriormente, P1 recorreu à transposição do vocabulário para a LM. Nesse caso, foi na LM que P1 se sentiu mais confortável para reparar um equívoco anterior, confirmando a afirmação de Bakhtin (2006, p. 102), de que “a palavra nativa é percebida como um irmão, como uma roupa familiar, ou melhor, como a atmosfera na qual habitualmente se vive e se respira”. No momento da aula ilustrado pelo Trecho 12, P1 pareceu estar em uma situação de desconforto, insegurança, incerteza, em que a LM se apresentou como sendo um apoio, um porto seguro. A busca pela LM no momento de ensino e aprendizagem de LE exemplifica a ideia defendida, nesta pesquisa, de que a linguagem envolve aspectos que vão além do domínio da estrutura linguística, em si. Considerando todas as aulas ministradas por P1, entende-se que a mesma tem domínio suficiente do código linguístico para diferenciar os verbos ‘warn’ e ‘advise’ por meio da Tradução Intralingual. Todavia, a situação envolvendo o nervosismo e a insegurança, fez com que P1 buscasse um suporte na LM. Entretanto, P1 lidou com a Tradução Interlingual de forma simplista, isolada de seu contexto, tradução literal de cada palavra, indiscriminadamente. Nesse caso, a afirmação de que ‘warn’ é ‘avisar’, enquanto ‘advise’ é ‘aconselhar’ pode remeter à ideia (equivocada) de que uma palavra em LI representa, de forma similar, uma palavra em língua portuguesa, reforçando um pensamento comum entre os aprendizes de LE, de que há uma relação estática, plena, fixa entre as palavras. Portanto, o uso da tradução, no Trecho 12, parece ter gerado o resultado oposto do que pretende a tradução com fins pedagógicos, que é levar o aluno à compreensão de que as línguas são heterogêneas, mutáveis, e que as palavras apenas têm vivacidade dentro de contextos específicos. Tal 88 assertiva é também tecida por Bakhtin (2006), quando diz que a palavra isolada de seu contexto torna-se sem vida. A crítica aqui feita, não se destina ao uso da Tradução Interlingual em si, mas em como se recorreu à tradução. Entende-se que as palavras ‘warn’ e ‘advise’ poderiam ter ganhado vida por meio da inserção delas em contextos específicos, através de uso das palavras em diferentes situações (por meio de suposições, de situações hipotéticas). O uso da tradução da LE para a LM deu-se também em um momento de correção de pronúncia: Trecho 13: P1: So, what happened to the boy? A3: The boy is hitting his forehead. P1: Where? A3: On the /fɔ:ls/ (querendo dizer faucet) P1: Faucet. A3: False? P1: FALSE… FAUCET… FALSE, TRUE, FALSE, FAUCET. A3: Qual é a diferença de faucet pra false? P1: Falso! A3: Não (A3 aponta para a figura) P1: Faucet. Sempre é faucet! Após a diferenciação das palavras ‘faucet’ (pia) e ‘false’ (falso/a), por P1, em relação à pronúncia, A3 teve dúvida concernente ao significado de cada uma. O Trecho 13 envolve um vocábulo já conhecido pelos alunos (false), mas que suscitou dúvida, por se assemelhar foneticamente ao vocábulo novo ‘faucet’. Para explicar o significado de “false”, P1 recorreu à Tradução Interlingual. No entanto, considerando Costa (1988, apud ROMANELLI, 1996, p. 4), a tradução entre duas línguas “é um meio direto e eficaz para explicar o significado das palavras quando não for possível fazê-lo de outra forma [...]”. Concorda-se, aqui, com a afirmação de Costa (Ibid), no sentido de que, sendo o objetivo 89 do ensino expor o aluno o máximo possível à LE estudada, é pertinente que o significado das palavras seja explicado na própria LE sempre que possível. Dessa forma, o uso da Tradução Interlingual precisa estar apoiado em um objetivo pedagógico, quer seja mostrar as várias possibilidades de tradução dentro de um texto, por exemplo, quer seja mostrar como a escolha lexical se modifica dentro da cultura alvo, dentre outros objetivos possíveis. Não obstante, no caso mencionado, o uso da Tradução Interlingual foi desnecessário, uma vez que ‘false’ faz parte de vocabulário conhecido pelos alunos, podendo ser, relembrado por P1 através da Tradução Intralingual, como sendo o oposto de ‘true’; ‘correct’; ‘real’. Além disso, a semelhança da palavra ‘false’ com a palavra “falso” facilita a compreensão do aluno, não sendo necessário recorrer à Tradução Interlingual. Como mencionado anteriormente, a Tradução Interlingual de LM para LE também ocorreu: Trecho 14: P1: Did you build sandcastles when you were a kid? A2: No, I didn’t build P1: Why? A2: I not… I don’t… I no… Eu não sei fazer um P1: OH, ENGLISH. OH, A2. A2! (demonstra irritação/desconforto) A2: Sorry! P1: I don’t know how to do sandcastle. A2: Yes! P: Ok! Ok! Ok! No exemplo citado, A2 não conseguiu formular a resposta desejada, recorrendo então à LM, a fim de expressar sua ideia. P1, por sua vez, demonstra desconforto e irritação com esse uso, de forma que antes que A2 concluísse a resposta em LM, houve a imposição de voz, por parte de P1, quando disse: “OH, ENGLISH. OH, A2. A2!”. Nesse 90 momento, A2 se desculpa pelo uso de LM e P1 traduz para LE a frase iniciada por A2, em LM. Essa resposta negativa ao uso da tradução em sala de aula de LE, por parte de P1, corrobora o que foi mencionado em seu discurso, durante a entrevista: Depoimento 10: P1: Eu peço pra ele tentar falar inglês, né? Que até pelo nível que ele está, não pode tá falando em português, embora eles... desejem... DESESPERADAMENTE, até traduzir, é, mas eu fico pedindo pra eles, para de falar inglês, é, não (risos), parar de falar em português, falar em inglês, não traduzir, porque acontece muito, porque... às vezes, uma palavra tem um sentido num contexto, mas já tem outro sentido noutro contexto”. P1 manifesta, em seu discurso, não concordar com o uso da tradução em sala de aula de LE. Com essa visão negativa acerca do uso da tradução em contexto de ensino de LE, P1 afirma pedir aos alunos para pararem de falar português. A fala da professora denuncia sua visão dicotômica acerca da LE e da LM, como se fosse possível dissociá-las. Todavia, problematiza-se a posição de P1, pois o sucesso da aprendizagem de uma LE não requer um afastamento da LM, mesmo se isso fosse possível. Também é possível observar na fala de P1, a coibição do uso da tradução em sala de aula, quando a professora afirma que não permite o uso da tradução mesmo que os alunos ‘desejem... DESESPERADAMENTE’. Mais do que um querer, é um desejo dos alunos por vezes recorrerem à LM. Esse depoimento reforça o que afirma Pereira (2001) acerca da relação de afetividade que se estabelece entre o sujeito e sua LM, de forma que a presença dessa língua leva a um estado de prazer, por parte dos alunos. Analisando o depoimento de P1, bem como sua prática pedagógica, observa-se que a professora não compreende a relação do sujeito com sua LM, explicando a recorrência à tradução como simples falta de esforço, por parte dos alunos. Trava-se assim uma ‘luta’ de reistências, os alunos desejam fazer uso da LM, enquanto a professora tenta suprimir esse uso, pedindo que eles não falem na LM. Estabelece-se, portanto, a relação de poder, em que o professor determina o que (não)pode ser feito em 91 sala de aula, e aos alunos é cabido o papel de aceitar e cumpir. Como a tradução é uma atividade inerente ao processo de ensino e aprendizagem de LE, a presença da mesma permeia entre os alunos, assim como a LM, mesmo com a relutância, por parte da professora. O que ocorre, então, é um uso proibido, escondido, não revelado, portanto, precário por estar desprovido de planejamento, e de objetivos pedagógicos. P1 apoia sua visão no argumento de que “às vezes, uma palavra tem um sentido num contexto, mas já tem outro sentido noutro contexto”, fenômeno esse inerente à linguagem, de forma geral, não apenas à LE. O uso da tradução - quer em sua modalidade Intralingual, Interlingual ou Intersemiótica - como apoio ao ensino de LE, diz respeito justamente à conscientização das várias possibilidades de significados de uma palavra. Não obstante, coibir o uso de LM em sala de aula, tratando-o como uma espécie de ‘pecado’, de culpa, leva o aluno a nada mais do que se reprimir, tendo que se desculpar por ter usado a LM, mesmo depois de várias tentativas de se exprimir em LE. O Trecho 14 apresenta uma situação complexa para A2. Por um lado, a LE representa o desafio, o espaço estranho, em que A2 não conseguiu se expressar. Por outro lado, a LM representa a língua do familiar, do próximo, mas a qual ‘não se pode’ recorrer. Vale salientar que A2 apresentou dificuldades durante as aulas de LE, apesar do esforço e dedicação. Essa ocorrência diz respeito ao fato de que cada sujeito reage e comporta-se diferentemente ao entrar em contato com uma LE (cf. CORACINI, 2007). A posição de P1, acerca do uso da tradução, fica mais evidente quando afirma que “[...] interfere na aprendizagem da... da... língua estrangeira... porque senão eles (os alunos)...eles podem acabar entendendo o que eu estou falando em inglês, mas não conseguir falar em inglês... eles só vão querer falar em português, né?”. A possibilidade dessa interferência negativa da tradução em sala de aula, mencionada por P1, não é negada neste trabalho. De fato, se o uso da tradução se assemelhar à forma como era utilizada durante a vigência do Método Gramática e Tradução, com longas listas para 92 memorização, ou como coloca Malmkjaer (1998), de forma descontextualizada, com textos longos que não são do interesse dos alunos, a tradução passa a ser negativa. Acerca das possibilidades de uso da tradução com fins didáticos, Atkinson (1987, p. 241 apud ROMANELLI, 2006, p. 5-6) apresenta uma lista de usos apropriados da tradução em sala de LE. Dentre eles, está a tradução como forma de verificar o sentido, que é quando “os aprendizes escrevem ou falam alguma coisa na L2 que não faz sentido, eles devem tentar traduzi-la para a L111 para se dar conta de seu erro”. No Trecho 14, A2, de fato, não conseguiu se expressar em LE, por isso, recorreu ao sistema linguístico organizado em sua mente – o da LM. Considerando a lista de usos adequados da tradução apresentada por Atkinson (Ibid), esse momento seria ideal para que a professora auxiliasse A2 em como transmitir a resposta, dada em LM, em LE. No entanto, após a reclamação pelo uso de LM, P1 fornece a resposta em LE, não checando se, de fato, houve compreensão da mensagem, da estrutura e do vocabulário na LI, por parte de A2. No Trecho 15, A2 apresenta dificuldade quando é questionado por P2, em LE, se está cansado. A2 tenta expressar, em LE, que não está muito cansado, pois está livre de algumas atividades: Trecho 15: P1: Are you tired? A2: So-so. I’m freedom now! P1: Ãh? A2: I’m freedom now… P1 (demonstra não compreender) A2: Tô livre P1: Aham, aham, aham, ok, great! (demonstrando irritação e impaciência) Em vez de “I’m free” (Estou livre), A2 expressa “I’m freedom”. Há um equívoco na frase, não de ordem gramatical, mas de ordem lexical, uma vez que “free”, na frase, 11 L1 e L2 está para o que esta pesquisa considera LM e LE. 93 remete ao adjetivo “livre”, enquanto “freedom” remete ao substantivo “liberdade”, de forma que a frase “I’m freedoom” ficou sem sentido. Por isso, P1 não compreendeu o que A2 quis dizer. Tendo respondido duas vezes à pergunta de P1, que, por sua vez, não o compreendeu, A2 decidiu responder em LM. Através da imposição de vozes, P1 pareceu ter tentado evitar o uso de tradução, quando euforicamente afirmou ter entendido o que A2 pretendeu dizer em LE. No entanto, o equívoco na frase de A2 não foi corrigido, a LE não foi trabalhada, explorada, e a dificuldade foi ignorada, quando P1 disse: “Ok, great!” (Ok. Ótimo!). P1 argumenta a não permissão do uso da tradução em sala de aula de LE, devido ao nível da turma observada, assim como pelo fato de os alunos tenderem a falar apenas em LM, querendo traduzir com frequência. P1 argumenta sua posição da seguinte forma: P1: [...] pelo nível que eles já têm, mas, muita das vezes, eles...não é por não saber, é por preguiça de falar mesmo, que eles chegam falando em português, aí vai e conversa com o outro em português, tiram dúvidas em português...coisas que eles têm condições e capacidade de já estar falando em inglês. É verdade que o uso demasiado, quer de tradução, quer da LM, em sala de aula de LE, pode levar os alunos a uma menor exposição à LE em detrimento da LM. Cabe ao professor, enquanto gerenciador do processo de ensino e aprendizagem, controlar esse uso. No entanto, o ‘controlar esse uso’ não diz respeito à coibição da LM, mas sim a recorrência às Categorias de Tradução propostas por Jakobson (1959/2000), que possibilitam diferentes formas de lidar com a complexidade inerente ao processo de ensino e aprendizagem de LE. Gerenciar o uso de LM, bem como da Tradução Interlingual, implica levar o aluno ao máximo de exposição possível à LE, de forma que o mesmo se familiarize cada vez mais com a língua estudada. Além disso, esse controle ocorre quando se busca evitar traduzir por traduzir, sem qualquer objetivo subjacente. 94 Considerando os dados até então analisados, percebe-se que a tradução está presente nas aulas de LE. Os estudos sobre Tradução e Ensino de LE buscam apontar caminhos para que esse uso seja feito positivamente, em prol do aprimoramento da LE, fazendo com que a tradução, anteriormente caracterizada como vilã (cf. LUCINDO, 2006) passe a ser reconhecida e utilizada como ferramenta de auxílio ao ensino de LE. O tópico a seguir trata da Tradução intersemiótica na Escola de Idiomas. A. Tradução Intersemiótica (ou Transmutação) A terceira Categoria de Tradução de Jakobson (1959/2000) é conceituada como tradução de signos verbais para signos não verbais e vice-versa. Conforme os resultados da pesquisa quantitativa, esse tipo de tradução teve uma porcentagem de 26,05%, por P1. A Tradução Intersemiótica pode manifestar-se por meio de gestos, de mímicas, de desenhos, de expressões faciais, dentre outros. Na sala de aula observada, a Tradução Intersemiótica apresentou-se basicamente por meio de gestos, que segundo Rodrigues (2010, p. 31), “são todos e quaisquer movimentos que fazemos com as mãos, os braços, os músculos da face e da cabeça”, bem como através de expressões faciais. De todos os momentos de uso da Tradução Intersemiótica, apenas um não teve êxito. Esse exemplo foi ilustrado na análise da Categoria de Tradução Intralingual (Trecho 10). Relembrando o exemplo, P1 intencionou explicar o significado de “The power went out” (Faltou energia) e, embora a explicação em LE tenha sido apropriada, no que concerne ao vocabulário e à objetividade, o gesto de apagar as luzes, por P1, levou os alunos, de forma geral, à compreensão de que se tratava da ação de apagar as luzes. 95 Com exceção desse uso, os outros momentos de uso da Tradução Intersemiótica facilitaram o processo de ensino e aprendizagem de LE. O Trecho 16 diz respeito a um momento de conversação: Trecho 16: P1: When you go to the beach, do you put on some sunscreen? A4 (não responde) P1: Put on! (faz gesto com as mãos passando nos braços) A4: No, when I go to the beach, I don’t put on sunscreen. P1: Very good! And you? Do you use sunscreen? P2: Yes, I use sunscreen. P1: But what sunscreen do you use? A2: Sundown. (risos) No Trecho 16, A4 hesita e não responde à pergunta de P1 (Quando você vai à praia, passa protetor solar?) que, por sua vez, utilizou de imediato um movimento próprio de quem passa perfume, loção, óleo, creme, protetor solar, dentre outros, nos braços. Após a explicação, por meio da Tradução Intersemiótica, A4 foi capaz de participar do diálogo. Infere-se, assim, que A2 não havia respondido a pergunta, anteriormente, devido a não compreensão do significado de ‘to put on’. Segue outro exemplo de uso da Tradução Intersemiótica: Trecho 17: (explicando ‘to bend down’) P1: So, he was rinsing his mouth, and then, what happened? He bent down, do you understand? (em relação ao garoto da imagem) As (não respondem e demonstram não haver compreendido) P1: Look, there’s a faucet here and I bend down (se curva) to rinse my mouth. As: Aaaaaah! No Trecho 17, P1 inicialmente afirma apenas: “He (o garoto) bent down, do you understand?”. A imagem a qual P1 se referia poderia gerar várias interpretações, considerando que envolvia várias ações, como: ele entrou no banheiro, usou o creme dental, lavou o rosto. A não associação com a ação de ‘se curvar’ tornou a compreensão 96 difícil. Como os alunos não responderam à pergunta de P1 e demonstraram não haver compreendido, P1 utilizou a Tradução Intersemiótica mencionando o verbo “to bend down” e curvando-se, ilustrando o significado do verbo. Com o gesto, os alunos demonstram compreensão, por meio de interjeições, como “Aaaah!”. Nesse caso, a Tradução Intersemiótica preencheu uma lacuna na explicação anterior. No exemplo seguinte, P1 recorreu à Tradução de signos verbais por meio de signos não verbais, quando A8 não entendeu o significado do verbo “to pay” (pagar). Trecho 18: P1: According to the girl, do you have to pay to download tracks from the Internet? A8: (não responde) P1: According to her… do you have to pay to download A10: What’s ‘to pay’? P1: To pay (gestos). Understand? A10: (confirma balançando a cabeça). Ok! A pergunta inicial de P1 (De acordo com a garota, é necessário pagar para baixar músicas da internet?) foi feita durante a explicação de “It’s for free!” (É gratuito!). No entanto, a não compreensão do verbo “to pay” (pagar), por A8 e A10, possivelmente resultaria em um não entendimento da situação comunicativa da lição. Desse modo, A10 questionou “What’s ‘to pay’?” (O que é ‘pagar’?). Por meio da Tradução Intersemiótica, P1 explicou o significado do verbo, utilizando o seguinte gesto: Figura 6 http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA9hoAA/libras-ilustrados. Acesso em 16/08/2012. 97 O gesto ilustrado faz parte da língua de sinais, LIBRAS, e é comumente utilizado, tanto por surdos como por ouvintes, para tratar de palavras que fazem parte do mesmo campo semântico, tais como: “dinheiro”, “pagar”, “pagamento”. Com a associação do gesto às palavras, os alunos, de forma geral, expressaram ter compreendido o vocabulário novo trabalhado. O que se chama aqui de Tradução Intersemiótica é caracterizado por Knapp e Hall (2006, apud RODRIGUES, 2010) como Gestos Relacionados, por terem relação com o que se verbaliza. Desse modo, esses gestos têm função ilustrativa. Na sala de aula da Escola de Idiomas, a Tradução Intersemiótica também aconteceu por meio de expressões faciais. No exemplo seguinte, A1 teve dúvida vocabular: Trecho 19: P1: Are you shy, A7? A7: No, I’m not shy. A1: Shy? P1: Yes, shy (faz gesto de alguém tímido, envergonhado). I’m shy (risos) A2: Me too! (risos) A1 e A5: Ah! Ok! Para responder ao questionamento de A1, P1 passou-se por uma pessoa tímida (shy). P1 alcançou êxito em sua explicação ao utilizar uma expressão facial que remeteu a uma pessoa tímida, calada, envergonhada, levando os alunos, de imediato, à compreensão do vocabulário, assim como proporcionou um momento de distração em sala de aula, visto que, conhecendo P1, os alunos sabiam que ela não é, de fato, tímida. A figura seguinte ilustra o exemplo: 98 Figura 7 http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA9hoAA/libras-ilustrados. Acesso em 16/08/2012. Além dos exemplos citados, a Tradução Intersemiótica foi utilizada durante uma atividade proposta no LP, aplicada por P1 em sala de aula. Tratou-se de uma atividade de revisão para a lição subsequente. A atividade foi feita da seguinte forma: em pares, os alunos observaram as figuras na TV e para cada figura as duplas criariam um diálogo. Dessa forma, os alunos transpuseram signos não verbais para signos verbais. Considerando que os quadrinhos traziam figuras pertencentes a uma situação comunicativa específica (clientes e um atendente em um restaurante), foi natural o uso do vocabulário da lição estudada. Após o término da atividade escrita, cada dupla passou a ler sua produção textual para o restante da turma. Nesse sentido, a atividade de tradução integrou as quatro habilidades (produção e compreensão oral, leitura e escrita). Inicialmente, houve a prática da produção e compreensão oral, visto que os alunos discutiam sobre como construir os diálogos. Posteriormente, leitura e escrita foram trabalhadas, com a produção textual e a leitura da mesma. O uso da Tradução Intersemiótica, por parte de P1, trouxe resultados positivos para a situação de ensino e aprendizagem de LE. O uso desse tipo de tradução facilitou a explicação vocabular por parte de P1, assim como a compreensão, por parte dos alunos. Além disso, a utilização de gestos e expressões faciais incitou momentos de distração em sala de aula. A seguir, será analisado o uso das Categorias de Tradução na Escola Regular I. 99 3.2 Categorias de Tradução na Escola Regular I O gráfico abaixo ilustra a frequência do uso das três Categorias de Tradução na Escola Regular I. Categorias de Tradução na Escola Regular I 60,00% 50,00% Tradução Intralingual 40,00% 30,00% Tradução Interlingual 20,00% Tradução Intersemiótica 10,00% 0,00% 26,80% 41,30% 31,90% Gráfico 2 Como ilustrado no Gráfico 2, as três Categorias de Tradução foram utilizadas por P2. O uso da Tradução Interlingual teve uma frequência de 41,30%, superior ao uso de Tradução Intralingual e de Tradução Intersemiótica. Esse resultado se deu devido ao contexto de escola regular, cujo objetivo principal é a prática de compreensão, segundo os PCN (2002). Em uma sequência decrescente, a Tradução Intersemiótica teve uma porcentagem de uso de 31,90%, e a Intralingual, de 26,80%. O uso de LM não foi quantificado, visto que as aulas, de forma geral, eram ministradas na LM. No primeiro tópico desta seção, serão descritos e analisados alguns momentos de uso da Tradução Intralingual. 100 A) Tradução Intralingual Dentre as três Categorias de Tradução propostas por Jakobson (1959/2000), a Tradução Intralingual ocorreu em menor escala. Seu uso deu-se basicamente durante: i) explicação de pontos gramaticais; ii) leitura e interpretação textual; e iii) atividades escritas. Em uma das aulas investigadas, o conteúdo trabalhado foi ‘Verbos Frasais’: Trecho 20: P: Ó, esse aqui (apontando para a explicação intralingual no slide). ‘To break up’ is when you FINISH (gesto indicando ‘acabar; terminar’) a relationship. A?: Cada um pro seu lugar (risos) P: Yes, look at the picture (mostra figura no slide de um casal separado). Ted and Tin broke up yesterday. No Trecho 20, P2 mostrou, em slide, a definição do verbo frasal ‘to brake up’ (‘acabar/terminar’ no contexto de relacionamento) na LE. A definição foi complementada pela Tradução Intersemiótica, pois ao mencionar a palavra ‘finish’ (terminar), P2, além de enfatizar a palavra em sua fala, fez gesto, com as mãos, que remeteu à ideia de ‘acabar/terminar’. P2 também utilizou a Tradução Intersemiótica através de imagens. Para a explicação de ‘to break up’, por exemplo, P2 mostrou a figura de um homem e uma mulher, afastados um do outro, cujas faces indicavam raiva. Por fim, P2 apresentou um exemplo com uso do verbo frasal em foco, fazendo relação com a figura: “Ted and Tina broke up yesterday” (Ted e Tina terminaram o relacionamento ontem). Retomando os passos seguidos por P2 para explicação dos verbos frasais: 1) Definição do verbo frasal, associada à Tradução Intersemiótica, por meio de gestos e expressões faciais. 2) Utilização de imagens auxiliando a definição intralingual anterior. 101 3) Apresentação de um exemplo com o verbo frasal explicado. O uso da Tradução Intralingual complementada com a Tradução Intersemiótica no Trecho 20 surtiu efeito positivo, levando os alunos à exposição à LE, por meio de diferentes formas de dizer a mesma mensagem na língua estudada. Ademais, os alunos foram guiados à leitura de informações não verbais, de forma que as definições em LE não causaram estranhamento ou dificuldade de compreensão por parte dos alunos. A explicação dos demais verbos frasais deu-se da mesma maneira apresentada no Trecho 20. Em momentos de leitura e compreensão textual, P2 também fez uso da Tradução Intralingual. No Trecho 21, durante a leitura de um texto, A1 suscitou uma dúvida de cunho vocabular: Trecho 21: A1: Teacher... E esse ‘lack of’ aqui?... Lack of respect? P2: É simples, ó... Lack of respect. There is NO respect (escrevendo no quadro: LACK of respect = There is NO respect)… Lack of money… No money. Broke (gesto com as mãos indicando falta de dinheiro). Lack of time. No time. E assim por diante. No Trecho 21, dentro da LE, P2 explicou o vocabulário ‘lack of’ dizendo: “Lack of respect. There is NO respect. Lack of money… No money. Broke. Lack of time. No time.” (falta de respeito é quando não há respeito; falta de dinheiro, não há dinheiro, liso/quebrado; falta de tempo, não há tempo.). A Tradução Intersemiótica foi utilizada por P2 em diferentes momentos de uso da explicação intralingual. Ao fazer a associação de ‘Lack of respect’ com ‘there is no respect’, P2 escreveu no quadro o sinal de =, indicando que ambas as frases transmitem a mesma ideia. Além disso, ao associar ‘lack of money’ com ‘broke’, P2 recorreu ao mesmo gesto utilizado por P1 para explicar o verbo ‘to pay’ (pagar), no Trecho 18. O gesto foi complementado com uma expressão facial, através do franzir da testa e o balançar da cabeça, remetendo a algo negativo, ruim, não agradável, 102 nesse caso, não ter dinheiro. Os gestos e expressões faciais utilizados por P2 são comuns à LM dos alunos, uma vez que, em ambas as culturas envolvidas, de LI e de língua portuguesa, remetem a mensagens semelhantes, sendo para os alunos, familiares e de fácil acesso. Dessa forma, compreende-se que não há como dissociar a aprendizagem de uma LE de sua cultura, pois, no caso ilustrado no Trecho 21, a compreensão dos gestos utilizados como ‘dinheiro’ + ‘ausência’, ou seja, ‘falta de dinheiro’, ou ainda ‘quebrado’, expressão comum às duas línguas em foco, deu-se devido à formação cultural do sujeito, propiciando uma leitura adequada da informação transmitida, por meio da Tradução Intersemiótica. A associação da Tradução Intralingual à Intersemiótica surtiu efeitos positivos, como a exposição do aluno à LE estudada. Segundo Revuz (1998), o contato com a LE é uma experiência complexa, considerando que se trata de uma língua estranha, como o próprio termo ‘língua estrangeira’ indica; a língua do outro, diferente da familiar. No entanto, esse estranhamento não implica impossibilidade de familiarização com a LE, mas a necessidade de enxergar o aluno como o sujeito perante uma língua nova, que acaba por modificar o espaço aparentemente estável, fixo e estabilizado da LM. Utilizar a Tradução Intralingual implica uma tentativa de expor o aluno à LE em foco. Conforme Malmkjaer (1998), o (não) sucesso do uso da tradução é determinado pela maneira como a mesma é utilizada. Entende-se que a autora trata, especificamente, da Tradução Interlingual ou tradução propriamente dita. No entanto, considera-se aqui que a afirmação de Malmkjaer (Ibid) é também pertinente para a Tradução Intralingual e Intersemiótica. A utilização da Tradução Intralingual, por P2, nos Trechos 20 e 21, foi contextualizada e apropriadamente incrementada com a Tradução Intersemiótica. Vale salientar que se trata, aqui, de uma turma com 55 alunos, de um ambiente heterogêneo, 103 com sujeitos de diferentes faixas etárias, com diferentes experiências e conhecimentos, de diferentes classes sociais, em diferentes níveis de aprendizagem, dentre outros aspectos. Mesmo com todas essas questões complexas, a prática da LE, com propriedade, no contexto da Escola Regular I, foi possível, e o uso da Tradução Interlingual junto à Intersemiótica colaborou significativamente, no sentido de considerar o ‘eu’ da LE sem necessariamente tentar ‘apagar’ o ‘eu’ da LM, dos quais trata Revuz (1998). O tópico a seguir é destinado ao uso da Tradução Interlingual na Escola Regular I. B) Tradução Interlingual A Tradução Interlingual foi mais recorrente do que a Tradução Intralingual e a Intersemiótica, com uma porcentagem de 41,30%. Considerando o contexto de escola regular, em que o foco maior é a prática de compreensão na LE, e não de produção, entende-se que é comum que se recorra com maior frequência à LM do aluno. Sendo assim, a Tradução Interlingual foi utilizada por P2, no sentido LE-LM: i) durante explicações de verbos frasais; ii) em momentos de leitura e compreensão textual; e iii) durante atividades escritas. No Trecho 22, a Tradução Interlingual foi utilizada durante a introdução do conteúdo ‘Verbos Frasais’: Trecho 22: P2: Hoje, vamos ver um pouco de phrasal verbs. Lembrando que é só retomando, já que a gente já viu nas aulas passadas. (Mostra o slide com a definição de Phrasal Verbs). Então, Phrasal Verbs are special verbs in the English language that generally cannot be translated literally. They are formed by a VERB + PREPOSITION/ ADVERB/ANOTHER PARTICLE. Então, o que são Phrasal Verbs? A?: É tipo expressões. P2:Ó (apontando para o slide). Quando você diz ‘Can you look after my baby, please?’. Aí você pesquisa lá no dicionário... Ah, ‘look’ pode ser traduzido como ‘olhar’, ‘after’... eu 104 conheço ‘after’ como ‘depois’. Aí você pensa: ‘Você pode olhar depois meu bebê, por favor?’ Faz sentido? As: Não! P2: Quando a gente estuda phrasal verbs, é importante ter em mente que essas expressões só fazem sentido dentro de um contexto. No Trecho 22, P2 introduziu o conteúdo de verbos frasais a partir de uma definição na LE. Posteriormente, o professor ilustrou a definição com um exemplo. Ao mostrar o exemplo, P2 fez uso da Tradução Interlingual, traduzindo um verbo frasal literalmente, a fim de mostrar a falta de nexo na frase quando se traduz pensando nas palavras separadamente. Nesse caso, o uso da Tradução Interlingual objetivou levar os alunos à conscientização de que as LE e LM não têm relação plena, de forma que traduzir palavras isoladas pode levar a uma compreensão inadequada ou não compreensão da mensagem. Esse momento é imprescindível para o processo de ensino e aprendizagem de LE e, ao mesmo tempo, complexo, pois “o que se estilhaça ao contato com a língua estrangeira é a ilusão de uma possível tradução termo a termo, de uma adequação da palavra à coisa” (REVUZ, 1998, p. 223). Mesmo representando algo complexo para o aluno, o ‘estilhaçar da ilusão’ é indispensável, em algum momento do processo de ensino e aprendizagem de LE. No Trecho 22, o uso da Tradução Interlingual foi complementado com um comentário de P2, em LM, ao afirmar que os verbos frasais passam a fazer sentido a partir de sua inserção dentro de contextos específicos. A afirmação de P2 corrobora o que defende Bakhtin (2006), ao dizer que a palavra isolada de seu contexto torna-se uma coisa única. Ou seja, a palavra em si, ganha vida a partir de seu uso contextualizado. Nesse sentido, por mais que se conheçam alguns significados da palavra ‘look’, um significado específico só é atribuído após a observação do contexto de uso da mesma. 105 Ademais, para conscientizar os alunos sobre o uso contextualizado da LE, P2 ainda fez um alerta sobre o uso inapropriado do dicionário, que ocorre quando se traduz palavra-por-palavra, tal como se encontra no dicionário, sem atentar para a mensagem transmitida na língua de chegada. O uso da Tradução Interlingual, no Trecho 22, não ficou limitado à transposição linguística. A tradução foi utilizada como ferramenta que oportunizou a conscientização de que as línguas são diferentes, aguçando “o nível de sensibilidade linguística do aprendiz quanto às características das línguas estrangeiras em relação à sua língua materna e em relação aos usos variados de uma língua na comunicação cotidiana” (cf. ORIENTAÇÕES CURRICULARES NACIONAIS, p. 92). O próximo exemplo diz respeito a um momento de leitura e interpretação textual: Trecho 23: P2: Olhem aí pra a figura (referência à figura paralela ao texto – no livro). What do you understand? As: Ele tá encarando o outro A5: É Bullying. A2: Só porque viu o título (risos) A5: Não, porque tem um fortão e um fraquinho, e o fraco tá com medo do forte. P2: Vamu lá, independente do título, que é que vocês entendem pela figura? As: Tem uma turminha contra um só. P2: Esse é um assunto que tá aí nas mídias, nos jornais. Do you know the meaning of ‘bully’? O que é que é ‘bully’? A7: É bulir com o cara. (risos) A5: Professor, eu não sei se é. Mas, eu ouvi dizer que ‘bully’ em inglês é ‘uma pessoa mandona; que quer mandar em todo mundo’. P5: Justamente. A palavra ‘bully’ remete à PESSOA. He is a bully... Ele é um prepotente, mandão!... E o que é que é bullying?, que a gente não traduz, a gente usa ela em inglês mesmo. A9: É quando tem uma pessoa que zomba do outro, só porque ele é diferente A7:Quando é mago demais, se for altão. (alunos e professor discutem o assunto) O Trecho 23 permite a visualização da Tradução Interlingual e da Tradução Intersemiótica operando em momento de leitura e compreensão textual. Após instigar os 106 alunos à leitura da imagem paralela ao texto (momento analisado com mais afinco no próximo tópico desta seção), P2 questionou o significado de ‘bully’: “What’s the meaning of ‘bully’? O que é que é ‘bully’?” Para responder o questionamento de P2, os alunos fizeram inferências, a partir do resgate de suas experiências e conhecimentos anteriores. Uma das falas dos alunos foi: “Professor, eu não sei se é. Mas, eu ouvi dizer que ‘bully’ em inglês é ‘uma pessoa mandona, que quer mandar em todo o mundo’”. A participação de A5 na aula exemplifica a posição de Freire (2002), ao afirmar que o aluno não é uma vasilha, um depósito, mas um sujeito provido de vivências, experiências, e conhecimento anteriores. Observando o Trecho 23, percebe-se que o foco de P2 não foi dado à tradução da palavra ‘bully’ em si, mas às inferências que foram suscitadas a partir da compreensão da palavra, auxiliando no processo de leitura e compreensão do texto como um todo. O acionamento do conhecimento prévio dos alunos acerca das palavras ‘bully’ e ‘bullying’ introduziu uma discussão mais abrangente, de um problema social abordado pelas mídias. O significado da palavra ‘bully’ foi relevante para a compreensão do termo ‘bullying’, não traduzido para a língua portuguesa, mas utilizada como estrangeirismo. Posteriormente, houve discussão em sala de aula, em LM, sobre o tema ‘bullying’. Alguns alunos expuseram suas experiências, bem como experiências de amigos. Alguns casos de bullying que ocorreram no Brasil e em outros países e que permearam as mídias brasileiras também foram mencionados12. A discussão sobre o tópico levou a uma conscientização, por parte de P2 e de alguns alunos, de que o diferente não implica ser melhor ou pior, apenas diferente. No Trecho 24, P2 recorreu à Tradução Interlingual durante atividade escrita. A atividade consistiu em um texto em LE e perguntas em LM. 12 A discussão não foi inserida no trecho 23 devido à sua extensão. 107 Trecho 24: P: Ó. Nessa questão aí, lembrem das dicas de leitura que eu dei. Qual a primeira coisa... a coisa mais importante assim que você pega o texto? As: Ver as perguntas. P: Isso... Vai evitar que você fique se detendo no texto sem saber nem o que as perguntas pedem... Depois, você vai fazer aquela leitura... só por cima, ver palavras cognatas, as palavras principais do texto. Só depois, você faz aquela leitura mais detalhada... Ah, o texto tá em inglês, mas as perguntas estão em português e vocês podem responder em português também. No Trecho 24, a atividade envolveu tanto a LE quanto a LM, uma vez que o texto estava em LI e as perguntas, em língua portuguesa. Bem como as perguntas, as respostas foram feitas em LM. Esse tipo de atividade envolve diretamente a Tradução Interlingual, visto que requer dos alunos que compreendam a mensagem do texto em LE e que, posteriormente, essa compreensão seja exposta na LM. Segundo Oustinoff (2011), a Tradução Interlingual é mais comum no sentido LELM, pois o aluno se sente mais confortável e seguro em traduzir uma mensagem para a LM, devido a um maior domínio linguístico. O uso da tradução na atividade escrita ilustra como a atividade de tradução pode estar integrada às habilidades linguísticas. A atividade elaborada por P2 possibilita a prática da leitura, uma vez que os alunos têm que ler o texto para responder as perguntas propostas. O tópico a seguir é sobre o uso da Tradução Intersemiótica, por P2. C) Tradução Intersemiótica A Tradução Intersemiótica foi utilizada por P2 com uma porcentagem de 31,90%, nos seguintes momentos das aulas: i) explicações de verbos frasais; ii) leitura e compreensão textual; e iii) atividade escrita. O Trecho 25 ocorreu durante a explicação do verbo frasal ‘to get along with someone’ (se dar bem com alguém). Tendo comentado a necessidade de se observar o contexto, quando se estuda verbos frasais, P2 mostrou um exemplo: 108 Trecho 25: P2: Veja esse exemplo aqui (apontando para o slide seguinte): Jack and Dan didn’t go to the party together because they don’t get along. Mas, professor, o que é ‘get’ e o que é ‘along’? Se você traduzir literalmente, não vai fazer nenhum sentido, okay? Eles só funcionam juntos. Imagine, A4 e A6 vão pra a MESMA praia, no MESMO ônibus, mas eles não vão juntos. Why? ... Because they don’t GET ALONG (gestos).Que é que eu tô querendo dizer com ‘get along’, aqui, pelo contexto? As: Se bicam/ Não se bate/ Os santo não se bate, não! (risos) P2 (risos): Yes! That’s it! No Trecho 25, P2 utilizou-se de gestos para explicar o verbo frasal ‘to get along’. Vale salientar que os gestos em si foram precedidos de um exemplo com o verbo frasal em LE, além da apresentação de uma situação hipotética criada por P2 para que os alunos pudessem compreender o uso da expressão em uma situação específica. Para criar a situação hipotética, P2 recorreu ao uso de LM, ao dizer: “Imagine, A4 e A6 vão pra a MESMA praia, no MESMO ônibus, mas eles não vão juntos”. P2 utilizou-se de diferentes estratégias e suportes, como ênfase na palavra, para atingir a compreensão dos alunos sem que se utilizasse da tradução literal. Posteriormente, ao mencionar o verbo ‘to get along’, P2 faz gesto unindo as mãos, remetendo à ideia de ‘união’, ‘junção’. Conforme Jakobson (1959/2000), a Tradução Intersemiótica pode acontecer em dois sentidos: de signos verbais para signos não verbais, como no Trecho 25, bem como de signos não verbais para signos verbais, como no Trecho 23. Retomando o Trecho 23: P2: Olhem aí pra a figura (referência à figura paralela ao texto – no livro). What do you understand? As: Ele tá encarando o outro A5: É bullying. A2: Só porque viu o título (risos) A5: Não, porque tem um fortão e um fraquinho, e o fraco tá com medo do forte. P2: Vamu lá, independente do título, que é que vocês entendem pela figura? As: Tem uma turminha contra um só. [...] 109 O Trecho 23 diz respeito a um momento de leitura e interpretação textual. O primeiro passo seguido por P2, ao trabalhar com o texto, foi levar os alunos à leitura da figura. A partir da figura paralela ao texto, os alunos fizeram inferências acerca do tópico principal do texto. Algumas leituras remeteram ao explícito da figura, como o fato de um garoto estar encarando o outro na imagem. Assim também, houve uma leitura mais profunda, de uma informação não explicitada na figura, quando A5 afirmou: “É bullying!”. Para fazer tal leitura da imagem, A5 acionou seus conhecimentos prévios, possivelmente construídos por meio das mídias, conversas com amigos e/ou pais, considerando que se trata de um tópico em evidência na sociedade. No entanto, essa recorrência à leitura do não verbal, objetivando compreensão do verbal, não é vista como tradução, por P2. Retomando o Depoimento 6 (ver Metodologia, p. 63), acerca de uso da tradução em sala de aula de LE, P2 afirmou: P2: “... Eu... não gosto (risos). Na verdade, eu acredito que... vamos dizer assim... os mecanismos de... de... Então, no que diz respeito ao ensino de língua inglesa, eu acredito que a tradução é desnecessária, porque uma vez que você dá pra os alunos, justamente as ferramenta de inglês instrumental, como skimming, scanning, general comprehension, headlines... todas essas ferramentas existem para que o aluno possa olhar pro texto... e compreendê-lo de uma forma geral, sem se deter em tradução. Embora que você pode traduzir uma expressão ou outra, uma sentença ou outra, mas traduzir o texto todo, você perde tempo, e o aluno acaba tirando o foco da língua, vamos dizer assim, fica focado apenas na tradução de um texto e esquece do objetivo da língua inglesa”. P2 inicia sua fala afirmando não gostar do uso de tradução nas aulas de LE. Entende-se que esse olhar negativo tem relação com o conceito de tradução de P2, como sendo ‘traduzir o texto todo’. Essa visão equivocada da tradução convive entre professores de LE, pois é o conceito difundido no senso comum. Ademais, P2 parece ver o uso da tradução como uma atividade separada da prática da LE, outra visão que parece presente no senso comum. Todavia, esta pesquisa leva em consideração a atividade de tradução como uma ferramenta integrada às quatro habilidades. Ou seja, utiliza-se a tradução com vistas a desenvolver as habilidades de compreensão e 110 produção textual, leitura e escrita. Na verdade, algumas afirmações de P2 corroboram as ideias seguidas neste trabalho, no sentido de levar o aluno a olhar para o texto como um todo e compreendê-lo, não se detendo na tradução em si. A assertiva é tecida por Popovic (1999), ao afirmar que a tradução pedagógica não é o produto final, mas um meio eficaz para o desenvolvimento da LE. Tendo explicado e exemplificado os verbos frasais, P2 aplicou uma atividade oral, com vistas a reforçar o conteúdo explicado anteriormente: 13 Figura 8 A aplicação da atividade acima foi feita da seguinte forma: inicialmente, P2 pediu aos alunos que observassem as imagens, tentando associá-las aos verbos frasais enumerados. A atividade envolvendo signos verbais e signos não verbais possibilitou o desenvolvimento da LE, por meio da compreensão do vocabulário, através da associação 13 As Figuras 8 e 9 foram cedidas por P2. 111 das imagens com os verbos frasais. A atividade pôde sanar as dúvidas que possam ter permanecido com a explicação intralingual anterior. Além da atividade oral, uma atividade escrita também foi realizada: Figura 9 Na atividade escrita ilustrada na Figura 9, os alunos completaram as frases em LM com verbos frasais apropriados. A indicação dos verbos frasais que seriam utilizados foi feita através das imagens. A atividade ainda foi complementada com uma atividade escrita, em que os alunos foram levados a reescreverem o primeiro texto da Figura 9, considerando a realidade de cada um. Houve, por parte de P2, uma associação da Tradução Intralingual e Interlingual à Intersemiótica, a qual os alunos corresponderam positivamente, participando das aulas em momentos de discussão, de atividades orais e escritas, de leitura e compreensão textual. 112 A seção que segue diz respeito ao uso das Categorias de Tradução, por P3, na Escola Regular II. 3.3 Categorias de Tradução na Escola Regular II No gráfico abaixo constam os resultados numéricos das Categorias de Tradução na Escola Regular II. Os dados numéricos estão apresentados em porcentagem: Categorias de Tradução na Escola Regular II 30,00% 25,00% Tradução Intralingual 20,00% 15,00% Tradução Interlingual 10,00% Tradução Intersemiótica 5,00% 0,00% 16,10% 4,20% 26,05% Gráfico 3 Dentre as três Categorias de Tradução, propostas por Jakobson (1959/2000), a Tradução Interlingual foi utilizada em uma frequência de 70,94%, seguida da Tradução Intralingual, com 16,47%, e da Tradução Intersemiótica, com 12,94%. No tópico a seguir, os momentos de uso da Tradução Intralingual serão descritos e analisados. 113 A) Tradução Intralingual Como descrito no gráfico 3, P3 utilizou-se da Tradução Intralingual em 16,47% dos momentos de aula. Esse tipo de tradução ocorreu durante: i) explicação gramatical; ii) explicação de vocabulário; e iii) atividades escritas. O Trecho 26 ocorreu em um momento de leitura e compreensão textual, quando P3 utilizou sinônimos para explicar a palavra “desease” (doença): Trecho 26: P: A palavra disease, destaquem aí... Ela é sinônimo de... A5: Ilness P: Ilness (confirma)…e…sickness (explicações gramaticais)… Veja que sickness e illness têm sufixos… que transformando as palavra em substantivos… Embora nenhum aluno tenha expressado dúvidas acerca do vocabulário “desease”, P3 resgatou sinônimos para levar os alunos à compreensão do significado. Inicialmente, foi um dos alunos quem apresentou um sinônimo (illness), P3 confirmou e apresentou outro sinônimo (sickness). Com as palavras pertencentes ao mesmo campo semântico, providas tanto por P3 quanto por A5, os alunos, de forma geral, demonstraram compreensão do termo. Ou seja, a Tradução Intralingual, mesmo que de uma palavra apenas, pode levar à compreensão de uma mensagem. Em vários momentos das aulas na Escola Regular II, P3 utilizou a Tradução Intralingual concomitantemente à Tradução Interlingual: Trecho 27: P: On July 11th, estamos falando de uma data específica, dia 11 de julho, the Associated Press, então estamos provavelmente falando de um jornal, né... published the results of a poll... publicou, aliás publica os resultados, de quê... o que é ‘poll’? A: Pesquisa P: De uma pesquisa A: Enquete 114 P: Não é? De uma enquete... Esse ‘on’ aí tá no mesmo sentido de ‘about’... ‘a respeito de’, ‘sobre’, tá? Então, sobre o quê?... Publicar o quê? A: O resultado P: O resultado de quê? As: De uma pesquisa P: De uma pesquisa sobre o quê? As: Sobre mentir. O texto trabalhado por P3 foi de caráter informativo. Ao passo que P3 ia lendo o texto, a mesma ia traduzindo, com a participação dos alunos, em alguns momentos da leitura. Posteriormente, ao explicar o significado da palavra “on”, presente no texto, P3 utilizou uma palavra com o mesmo sentido (about). No entanto, além de traduzir de forma intralingual, P3 ainda utilizou a Tradução Interlingual, ao dizer “Esse ‘on’ aí tá no mesmo sentido de ‘about’... ‘a respeito de’, ‘sobre’, tá?”. O uso da Tradução Intralingual em sala de aula de LE implica em uma maior exposição do aluno à LE, fazendo com que compreenda que existem várias formas de dizer algo. Não obstante, percebe-se que, concomitantemente à Tradução Intralingual, P2 utilizou a Tradução Interlingual, de forma literal, não levando os alunos a pensarem sobre o significado da palavra no texto. O mesmo ocorreu no Trecho 28: Trecho 28: (P coloca no quadro – He walked along the beach by himself. – by + self = alone) P: A função idiomática vai ser traduzida como ‘só’, ‘sozinho’ (...) As conversam (LM) P: Shhh. Aqui, ó. Não era ‘ele? Então eu coloquei ‘by himself’... Ele caminhava pela praia sozinho. P3 escreveu no quadro o exemplo: “He walked along the beach by himself”, seguido de by + self = alone. Após apresentar um vocabulário sinônimo, uma explicação dentro da própria LE, P3 traduziu o termo para a LM dos alunos, quando afirmou que a tradução do termo é ‘só’, ‘sozinho’, sendo a frase: “Ele caminhou pela praia sozinho”. Nesse caso, a recorrência à Tradução Interlingual acabou por invalidar o uso da 115 Tradução Intralingual, pois P3 lidou com a língua como se uma palavra em LE correspondesse a um significado único e específico em LM, levando à ideia de relação plena entre as palavras. Vale salientar que o uso da tradução precisa de objetivos. Não obstante, o uso da Tradução Intralingual parece não estar situado, contextualizado, nem amparado por um objetivo pedagógico, levando a um uso aleatório, visto que, imediatamente após a Tradução Intralingual, P3 recorreu à tradução literal das palavras anteriormente explicadas em LE. Além de estar presente durante a explicação de vocabulário e de gramática, a Tradução Intralingual também esteve presente em algumas atividades escritas, pertencentes ao módulo com todas as disciplinas. O material que consta em cada disciplina é elaborado pelo professor que a ministra, e utilizado durante um bimestre. Em uma dessas atividades, os alunos tiveram que procurar, no texto, sinônimos das palavras mencionadas. Trecho 29: P: Search for the synonyms of the following words... Procure por sinônimos das palavras… a seguir… Número um, sinônimo de ‘survey’. A: Poll P: Not to like As: dislike P: dislike… not...well known A: unknown P: e o quarto…sinônimo de ‘especialist’ A*: Professional / Outro A: expert A*: Pode ser Professional, P. P: Professional é numa situação bem geral. A atividade acima foi realizada após o trabalho com leitura e compreensão textual. Dessa forma, a atividade elaborada voltou-se para o texto trabalhado, considerando o vocabulário e os pontos gramaticais. No Trecho 29, os alunos não demonstraram quaisquer dificuldades em realizar a atividade. Além disso, a atividade proporcionou uma revisão tanto do vocabulário pertencente ao texto anterior, como do 116 conteúdo ‘prefixos’, conteúdo explorado em aulas anteriores. Diferentemente do ocorrido nos Trechos 27 e 28, o uso da Tradução Intralingual na atividade escrita foi contextualizado, pois não se tratou de palavras soltas, mas amparadas por um texto, que foi anteriormente trabalhado. Em outra atividade, ilustrada pelo Trecho 30, os alunos tiveram que associar a palavra à sua definição em LE: Trecho 30: P: Aí você tem: relacione as palavras com suas definições. Childhood... Time of being child… No caso, é a letra a, né?... quarto, childbirth… the act of getting a baby…To understand wrong, entender errado, então… misunderstand. E o quarto Alguns As: misjudge P: julgar errado, então ‘misjudge’. A atividade realizada lembra o trabalho com dicionário, nesse caso, monolíngue. Esse tipo de atividade pode possibilitar ao aluno a compreensão de reformulações em LE por meio da definição da palavra. Conforme Nascimento (1992), a partir dessa prática, é possível estabelecer equações de A é B. Todavia, observa-se que aos alunos não é proporcionada a oportunidade de praticar a LE, uma vez que as respostas são providas pela própria professora da turma, o que pode levar os alunos a ficarem sempre à espera de respostas prontas, por parte de P3. No ambiente de sala de aula, Scrivener (1994) aponta a importância de se atentar para o TTT que, segundo o autor, é o “Teacher Talking Time”, ou seja, o tempo, em sala de aula que o professor detém a palavra. A crítica de Scrivener (Ibid) diz respeito à ocupação exagerada do tempo da aula por parte do/a professor/a da turma. É o que ocorreu nas aulas observadas na Escola Regular II, pois P3 frequentemente elaborou perguntas, bem como forneceu as respostas para as mesmas, de forma que o ‘papel’ dos alunos ficou resumido a anotar o que era dito por P3. Esse estilo de ensino remete ao 117 que Freire (1987) classificou como “educação bancária”, em que os alunos são meros recipientes para depósitos. B) Tradução Interlingual A tradução de um código linguístico a outro ocorreu com uma porcentagem de 70,59%, resultado numérico alto quando comparado ao das Categorias de Tradução Intralingual e Intersemiótica. Esse resultado corroborou as hipóteses levantadas nesta pesquisa, de que esse tipo de Tradução seria mais frequentemente utilizado na escola regular, devido ao foco na prática da compreensão da LE, nesse contexto de ensino (cf. PCN, 2002). A Tradução Interlingual pode manifestar-se em dois sentidos: da LE para a LM e da LM para a LE. Na Escola Regular II, a ocorrência de ambas foi constatada, sendo que mais frequentemente da LE para LM. Isso ocorre, pois, a língua de chegada é o sistema linguístico que já se encontra organizado no sistema cognitivo do aluno, sendo mais confortável para o sujeito traduzir para sua LM, língua do conforto e segurança. Desse modo, a frequência da tradução de LM para LE foi de 11%, enquanto de LE para LM foi de 89%. No Trecho 31, P3 explicou que os adjetivos possessivos em LM (português) variam em número, enquanto que, em LE (LI), são os substantivos que determinam se a frase se encontra no singular ou plural e não os adjetivos: Trecho 31: P: E detalhe, a gente tem que prestar atenção com essa mania que a gente tem de associar o inglês com o português. Em português a gente vai variando. Eu digo MINHAS... BLUSAS (escrevendo no quadro)... tudo no plural, né? Em inglês, o termo que vai indicar ‘minhas’ não vai pra o plural, porque o único termo que vai pra o plural em inglês é o substantivo. Então, eu vou dizer, ó: MY... BLOUSE. Minha blusa. Se eu quisesse o plural, minhas blusas (escreve no quadro: My blouses), mas o termo que indica posse permanece invariável. Mas a gente tem que saber como fica a concordância 118 em língua portuguesa pra dar uma, uma... um sentido melhor, pra o termo que você está lendo, okay? Essa “mania que a gente tem de associar o inglês com o português”, mencionada por P3, trata, a nosso ver, da associação literal entre as línguas, que pode gerar equívocos na língua alvo, ou seja, a língua para a qual se traduz. Em se tratando do ambiente de sala de aula de LE, atividades de tradução podem auxiliar tanto no desenvolvimento da LE, bem como no aprimoramento da LM do aluno, pois o mesmo passa a analisar diferenças e semelhanças entre a LM e a LE. Consoante Coracini (2007), isso ocorre porque o olhar para o outro provoca um olhar para si mesmo, gerando, portanto, uma imbricação da LE e da LM. Para tanto, é imprescindível que a atividade de tradução seja pedagogicamente orientada, que o professor esteja ciente dos objetivos a serem alcançados com determinada atividade. No Trecho 31, P3 objetivou contrastar a LE e a LM, mostrando pontos de diferença (não variação dos adjetivos possessivos em LE, recorrentes na LM) e de semelhança (variação dos substantivos, em LE e em LM). Entende-se que contrastar a LE e a LM pode gerar a compreensão de que as línguas não são iguais, levando o aluno a pensar na língua como heterogênea, e que são, portanto, providas de particularidades, ora divergindo, ora convergindo. Enquanto ferramenta pedagógica é imprescindível que o uso da tradução envolva os alunos, parte fundamental do processo de ensino e aprendizagem de LE. No Trecho 32, P3 corrigia uma atividade feita em casa, pelos alunos. A atividade estava relacionada a um texto trabalhado na aula anterior. No Trecho 32, bem como em outros momentos das aulas analisadas, houve pouco envolvimento dos alunos, uma vez que as respostas foram providas, quase sempre, por P3: 119 Trecho 32: P: Why does the second child dislike his/her position? Por que o segundo filho não gosta dessa...posição? Tem aí também. Tem várias características. Por quê? (As comentam uns com os outros) Porque ele não tem... a atenção separada dos pais. Vai ficar assim, ó: because they never have their parents’...attention. Número três (…) Inicialmente, P3 leu uma das questões em LE e imediatamente a traduziu para LM, e respondeu a pergunta em LM (Por que eles não têm... a atenção dos pais). Tendo fornecido a resposta em LM, P3 verte a frase para LE (Vai ficar assim, ó: “Because they never have their parents’ attention”). Ao utilizar a tradução enquanto ferramenta pedagógica em sala de aula de LE é fundamental que se pense nos objetivos desse uso. O objetivo da atividade escrita era que os alunos fossem capazes de interpretar o texto em LE, bem como de responder as perguntas sobre o texto, em LE. Não obstante, entende-se o objetivo da atividade não foi atingido, uma vez que a professora da turma proveu as respostas para as questões, não oportunizando aos alunos que o fizesse. O que se argumenta aqui não é a investigação se os alunos fizeram ou não a atividade, mas se os mesmos tiveram êxito, se foram capazes de interpretar o texto, bem como de elaborar construções de frases em LE, e se não, quais foram as dificuldades dos alunos, para que posteriormente, pudessem ser sanadas. Proporcionar ao aluno a oportunidade de expor sua interpretação, suas respostas, por meio de atividades de tradução, auxilia o professor a detectar possíveis dificuldades dos alunos, tanto no que diz respeito à LE quando à LM, dependendo da atividade. A tradução pode ser um subsídio ao ensino da LE, de forma que, por meio de atividades de tradução, pode haver o desenvolvimento e aprimoramento da LE. Ou seja, o foco maior é a aprendizagem da LE, e não à tradução em si. Portanto, é primordial que haja um controle e gerenciamento de como esse uso acontece. No caso das aulas ministradas por P3, a tradução parece ter sido utilizada não com objetivos pedagógicos e de forma adequada, pois P3 utilizou constantemente a tradução literal dos termos em LE, 120 além de traduzir o texto todo, durante o momento de leitura e interpretação textual, atentando para cada palavra do texto, em detrimento da mensagem trazida. Ademais, não foi feita qualquer reflexão acerca da LE e da LM. Nesse sentido, a tradução, tal como utilizada por P3, ficou limitada à transferência do código linguístico em si. C) Tradução Intersemiótica A Tradução Intersemiótica foi pouco explorada por P3, quando comparada à Tradução Interlingual e à Tradução Intralingual. Com uma porcentagem de uso de 12,94%, a Tradução Intersemiótica esteve presente durante: i) explicação de pontos gramaticais; e ii) leitura e compreensão textual. No Trecho 33, P3 recorreu à Tradução Intersemiótica durante a explicação do pronome demonstrativo ‘that’ (aquele/aquela/aquilo). Trecho 33: P: Vamu botar alguns exemplos aqui. Quando eu digo: THAT boy is still talking (escrevendo no quadro e apontando para um aluno, gesto de “talking”). Tá perto de quem? Não faço a mínima ideia, o importante é saber que ele está distante de mim, que foi a pessoa que falou... E normalmente quando a gente faz ‘that’, a gente aponta, né? Pra mostrar de quem você está falando... Tá certo? No Trecho 33, P3 escreveu no quadro a frase ‘THAT boy is still talking’ (AQUELE garoto ainda está conversando). A ênfase na palavra ‘that’ ocorreu tanto na fala quanto na escrita. Ao passo que P3 mencionou a palavra ‘that’, também apontou para um aluno, que estava distante de P3, conversando com um dos colegas de sala. A dinâmica envolvendo a ênfase da palavra na fala e na escrita, simultaneamente ao gesto, apontando para um aluno distante, que estava conversando, colaborou para a compreensão do uso da palavra, por parte dos alunos, sendo desnecessário recorrer à 121 tradução literal, como ocorreu em vários momentos da aula. Durante atividades escritas posteriores, os alunos demonstraram haver compreendido o uso de ‘that’. Os Trechos 34 e 35 ocorreram durante a explicação de um ponto gramatical, bem como durante a leitura e interpretação de um texto, respectivamente: Trecho 34: P: Eu digo a seguinte frase (escreve no quadro a frase: This... is... MY... notebook)... This is MY notebook (aponta para si ao dizer ‘my’). Esse ‘my’ aqui tá dizendo a quem pertence esse caderno... é meu... Mas eu poderia ter dito: This... notebook...is MINE (apontando para si). Pra não repetir a palavra ‘notebook’, no lugar disso aqui, tá certo? Num é... my notebook? A gente fala: este caderno é o meu caderno? Não. A gente fala: este caderno é... As: meu P: meu... ou: este é o meu caderno. Trecho 35: P: Item 4, vamo lá. You look GREAT in that dress… (gestos e expressão facial) quando alguém diz: ah, você está ótima nesse vestido. Às vezes tá terrível. A: é falsidade. No Trecho 34, ao explicar o significado do adjetivo possessivo ‘my’ (meu/minha/meus/minhas), P3 enfatizou a palavra tanto na escrita quanto na fala. Ao mencionar a palavra ‘my’, P3 aponta para si, remetendo à ideia de propriedade, de posse. Essa seria uma oportunidade de os alunos compreenderem o significado da palavra ‘my’ a partir de uma associação com a linguagem não verbal utilizada. No entanto, foi P3 quem fez essa associação quando, imediatamente após a Tradução Intersemiótica, recorreu à Tradução Interlingual, dizendo: “Esse ‘my’ aqui tá dizendo a quem pertence esse caderno... é meu...”. O mesmo ocorreu no Trecho 35, que trata de um exemplo de mentira branca presente no texto trabalhado, em momento de leitura e interpretação textual. Inicialmente, P3 leu o exemplo em LE: “You look GREAT in that dress” (Você está ÓTIMA com esse 122 vestido). A palavra ‘great’ foi enfatizada na fala e, simultaneamente, P3 fez o seguinte gesto: Figura 10 http://www.ideagoras.com.br/_cms/sites/f1consult/imagens/blocos/pequenas/M%E3o legal._XL.jpg. Acesso em 15.10.2012 Não seria necessário recorrer à Tradução Interlingual para que os alunos compreendessem a ideia de ‘great’ dentro do contexto em foco, uma vez que a expressão facial de P3, indicando algo bom, interessante, associada ao gesto com as mãos e à ênfase dada à palavra, foi suficiente para promover a compreensão do exemplo. Entretanto, P3 recorreu à Tradução Interlingual, ao dizer: “Ah, você está ótima nesse vestido”. A crítica aqui tecida não diz respeito ao uso da Tradução Interlingual em si, mas trata-se de como esse uso ocorreu. Assim como em outros momentos das aulas na Escola Regular II, P3 fez um uso inapropriado da tradução, em que os alunos não foram desafiados a pensar em aspectos da LE, a ter uma visão ampla do texto, tampouco foram levados a pensar na LE e na sua relação com a LM, já que P3 traduziu a frase sem qualquer tentativa de que os alunos pensassem no significado da palavra em LM, a partir do contexto. Lidar com a tradução dessa forma cristaliza o processo de desenvolvimento do ensino e aprendizagem da LE, provocando um distanciamento do aluno em relação à LE. Segundo Revuz (1998), a aprendizagem da LE envolve dois momentos importantes: o 123 estranhamento da LE e a familiarização com o estranho da LE. Essa familiarização de que trata Revuz (Ibid) não se dá subitamente, mas vai sendo desenvolvida dentro de um processo complexo, em que o aluno é cada vez mais exposto à LE. O comportamento de P3 em sala de aula corroborou sua fala durante a entrevista, quando foi questionada sobre a (não) existência de um método ideal. Retomando a fala de P3, no Depoimento 7 (ver Metodologia, p. 65): Já no ensino regular, eu acho que a metodologia melhor, para o aluno se desenvolver melhor, é ele anotar. Ele só pode parar de anotar o sinônimo ou o antônimo da palavra, ou até mesmo a sua tradução, quando ele passar o olhos e dizer... ah, isso aqui é isso, quando ele tiver o domínio disso... Enquanto não, cada vez, ele tem que riscar. Eu costumo até dizer (risos): quanto mais bagunçado tiver seu texto, com essas informações, com esses traçinhos, melhor... Significa que você tá acompanhando aquilo ali [...]” (ênfase minha) A fala de P3 denuncia sua visão acerca do que seja ‘dominar a LE’, como sendo o fato de o aluno saber o significado das palavras. Além disso, entende-se que o conceito de tradução para P3 é apenas o de transferência de palavras da LE para a LM, ao mencionar que o desenvolvimento na LE está voltado para a capacidade do aluno de ‘passar os olhos e dizer... ah, isso aqui é isso”. Nesse sentido, P3 dá ênfase na forma em detrimento da função, ao mencionar a necessidade de o aluno saber o que significa cada palavra em LE. Os dados coletados, de uma forma geral, levaram à percepção de que P3 lida com a LE, no nível mais estrutural, fator negativo para o processo de ensino e aprendizagem de LE. No que diz respeito ao uso de tradução em aulas de LE, corroborase, aqui, a ideia de Souza (1999), ao afirmar que quanto mais a ênfase for dada a forma, mais artificial torna-se o uso da tradução em sala de aula de LE. Dessa forma, vários momentos de uso da Tradução Intersemiótica foram inadequados (com exceção do Trecho 33), não pelo fato de P3 ter utilizado essa Categoria de Tradução em si, mas devido ao uso da tradução literal posteriormente. Entende-se, que, o ‘como’ da tradução, mencionado por Malmkjaer (1998), precisar ser 124 levado em consideração, não apenas no que diz respeito à Tradução Interlingual, mas também à Tradução Intralingual e à Tradução Intersemiótica. Apresentados os dados quantitativos e qualitativos da pesquisa, segue-se para as considerações finais. 125 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao longo deste estudo, estiveram presentes as considerações de Jakobson (1959/2000) e Oustinoff (2011), no que diz respeito às diferentes modalidades de tradução; Hernández (1996), Popovic (1999) e Lucindo (2006), sobre a relação da tradução com o ensino de LE. O presente estudo objetivou investigar a frequência do uso das três Categorias de Tradução, propostas por Jakobson (1959/2000), em uma Escola de Idiomas e em duas Escolas Regulares, situadas na cidade de Campina Grande – PB, e averiguar a (in)adequação das Categorias de Tradução nas escolas mencionadas. A fim de alcançar os objetivos a que a pesquisa se propôs, foram feitas observações e gravações das aulas na Escola de Idiomas (13 horas e 30 minutos de aula), na Escola Regular I (5 horas) e na Escola Regular II (10 horas), além de notas de campo e entrevistas com os professores das turmas. Com os dados coletados, seguiu-se para a identificação e contabilização das Categorias de Tradução, por P1, P2 e P3 (professor/as das turmas investigadas), respondendo assim à primeira pergunta de pesquisa do presente estudo: 1) Com que frequência as Categorias de Tradução (cf. JAKOBSON, 1959/2000) são utilizada em uma Escola de Idiomas e em Escolas Regulares da cidade de Campina Grande – PB? Respondendo à pergunta de pesquisa utilizando uma ilustração, o Gráfico 4 diz respeito à analise quantitativa dos dados, apresentados em números percentuais. 126 Uso das Categorias de Tradução por P1, P2 e P3 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Tradução Intralingual (P1 - 52,94%; P2 - 26,80%; P3 16,47%) Tradução Interlingual (P1 - 4,20%; P2 - 41,30%; P3 70,59%) Tradução Intersemiótica (P1 - 26,05; P2 - 31,90; P3 - 12,94) LM (P1 - 16,81%) Escola de Idiomas Escola Escola Regular I Regular II Gráfico 4 Na Escola de Idiomas, o uso da tradução seguiu a seguinte escala decrescente: Tradução Intralingual (52,94%), Tradução Intersemiótica (26,05), e Tradução Interlingual (4,20%). Foi investigada ainda a frequência do uso de LM, com 16,81%. Na Escola Regular I, as Categorias de Tradução foram utilizadas com as seguintes porcentagens: Tradução Interlingual (41,20%), Tradução Intersemiótica (31,90%), e Tradução Intralingual (26,80%). Por fim, o uso das Categorias de Tradução na Escola Regular II: Tradução Interlingual (70,59%), Tradução Intralingual (16,47%), e Tradução Intersemiótica (12,94%). Com esses dados numéricos, a tradução foi utilizada pelo/as professor/as participantes da pesquisa, mesmo que seus discursos tenham demonstrado uma visão negativa em relação ao uso da tradução e de LM em aulas de LE. Infere-se que esse olhar negativo envolve diretamente o conceito de tradução que o/as participantes têm, como sendo mera transposição linguística, tradução de cada palavra do texto. Vale 127 salientar que a ideia de tradução que se levou em consideração durante todo este estudo é a de uma ferramenta pedagógica, que pode ser Intralingual, Interlingual e Intersemiótica, e que seu uso contextualizado auxilia os alunos a pensarem no texto como um todo, atentando para um uso contextualizado da LE. Para que isso ocorra, é importante que, enquanto professores, se pense em como lidar com a tradução, com que propósito, de que contexto de ensino se trata. Pensando nessas questões, foram analisados os momentos de (in)adequações do uso das Categorias de Tradução, propostas por Jakobson (1959/2000), respondendo, assim, à segunda pergunta de pesquisa: 2) O uso das Categorias de Tradução está adequado aos contextos de ensino mencionados? No que diz respeito às adequações, registrou-se que P1 e P2 fizeram uso adequado da Tradução Intralingual através de definições, bem como através de palavras sinônimas, dentro da LE. Esse uso proporcionou a prática de várias formas de se transmitir a mesma mensagem, dentro do mesmo código linguístico – a LE. No caso da Escola de Idiomas, P1 ora recorreu apenas à Tradução Intralingual, ora associou esse uso à Tradução Intersemiótica. No caso da Escola Regular I, todos os momentos de uso da Tradução Intralingual ocorreram concomitantemente ao uso da Tradução Intersemiótica. A partir de explicações na LE, associadas ao suporte da linguagem não verbal, os alunos foram expostos à prática da LE, o que colabora significativamente para o processo de familiarização, em que ao aluno é possibilitada a prática de várias formas de se chegar a uma mesma mensgaem em LE, como afirma Oustinoff (2011). A Tradução Interlingual foi utilizada adequadamente por P2. Ao se recorrer a essa Categoria de Tradução, o foco de P2 estava no texto, como um todo. Dessa forma, a Tradução Interlingual envolveu um contexto específico: dentro do texto, inseridas em 128 frases, em exemplos criados a partir de situações da sala de aula, por meio de situações hipotéticas, criadas por P2. Nesse sentido, a palavra ganhava vida quando inserida em seu contexto, pois, fora dele, a palavra é “uma coisa única”, ou seja, é estagnada e sem vivacidade, como afirma Bakhtin (2006, p. 97). O contraste da LE com a LM possibilitou aos alunos a oportunidade de pensar nas particularidades das línguas em foco, desmistificando uma ideia de que as palavras em LE correspondem plenamente às palavras em LM. Dessa forma, a presença da tradução e da LM, que por muito tempo foram vistas como vilãs do ensino e aprendizagem de LE, colaborou para o desenvolvimento da LE, devido a um uso contextualizado e controlado. Esses resultados reforçam a afirmação presente nos PCN (2002, p. 94) de que “o indivíduo que aprende um novo código linguístico não se desvincula de sua língua materna”. A LM esteve presente nas três escolas investigadas. No entanto, P2 foi o único que pareceu compreender a importância da LM para o aluno, apesar da sua resistência no que diz respeito ao uso da tradução em aulas de LE. Retomando o Depoimento 5 (Metodologia, p. 63) , P2 afirmou: P2: “...Vou ser sincero... Eu considero necessário... Apenas 15%. Embora que na escola em que estive lecionando, pela própria coordenação, me foi solicitado que não ABUSASSE do ensino de língua inglesa dentro de sala de aula. Isso gerou um pouco de desconforto, reclamação dos alunos, uma vez que o mundo no qual eles estavam acostumados não era o ensino direto de língua inglesa. Então, o uso da língua materna se faz necessário, apenas para expressões ou... algumas explicações... talvez gramaticais ou sobre... gêneros textuais. Mas eu...considero necessário sim. O aluno...é... muitas vezes ele se sente mais confortável em desenvolver o aprendizado de uma segunda língua se ele tem o apoio, se ele se lança mão da LM ”. (ênfase minha) O fato de P2 limitar uma porcentagem de uso de LM não pareceu claro. Como seria possível contabilizar essa porcentagem? Embora P2 tente, inicialmente, determinar uma porcentagem fixa para o uso de LM, em 15%, e, posteriormente, apenas para explicações gramaticais ou de gêneros textuais, P2 parece compreender a relevância da 129 LM para os aprendizes de LE, ao mencionar que o aluno se sente mais confortável com o apoio da LM. A Tradução Intersemiótica foi adequadamente utilizada por P1, P2 e P3. Os alunos praticaram o uso da LE com diferentes focos, por se tratar de diferentes contextos. Na Escola de Idiomas, o uso da Tradução Intersemiótica foi seguido da prática oral da LE. Nas Escolas Regulares, por sua vez, a Intersemiótica envolveu a prática da compreensão na LE, alcançando um dos objetivos propostos pelos PCN (2002), que é a compreensão de textos não verbais. Essa Categoria de Tradução é tão comum no cotidiano que, muitas vezes, não é vista como atividade de tradução, como afirma Oustinoff (2011). P1 e P2 frequentemente fizeram associação da Tradução Intralingual e da Tradução Intersemiótica. Essas duas Categorias de Tradução se complementaram de forma a evitar o uso da tradução literal. Na Escola de Idiomas, a Tradução Intersemiótica preencheu lacunas presentes no uso da Tradução Intralingual, quando os alunos não compreendiam a explicação, mesmo após várias explicações na LE, e P1 recorria à Tradução Intersemiótica. A Tradução Intersemiótica poderia ter sido mais explorada por parte de P1 e P3, pois apresentou resultados positivos. No caso de P3, a prática da compreensão de textos não verbais não foi encorajada, pois, imediatamente após o uso da Tradução Intersemiótica, P3 traduzia o termo, a frase, a expressão, literalmente, não oportunizando a compreensão por parte dos alunos. Dessa forma, a inadequação se deu não pelo uso da Tradução Intersemiótica em si, mas pela tradução literal, posteriormente. O mesmo ocorreu com o uso da Tradução Intralingual por P3, pois, imediatamente após a associação de palavras com o mesmo sentido na LE, P3 traduzia o termo para a LM. Da forma como P3 lidou com a Tradução Intralingual e Interlingual, a ideia equivocada de plenitude entre a LE e a LM, que precisa ser desmistificada (cf. REVUZ, p. 1998), foi ainda mais reforçada. 130 Registrou-se também inadequação no uso da Tradução Interlingual, por P1 e P3. Ambas as professoras fizeram uso da tradução literal, sem qualquer contextualização, gerando a interpretação de que uma palavra em LE tem um significado específico em LM. Lidar com a tradução em sala de aula de LE envolve pensar sobre o conceito de língua que se tem, bem como sobre o conceito de ensino e aprendizagem de uma língua, seja LE ou LM. No caso da Escola Regular II, P3 lidou com a LE em um nível mais estrutural da língua, no domínio de estruturas sintáticas. No Depoimento 7 (ver Metodologia, p.65), quando questionada sobre a (não) existência de um método ideal, P3 afirma que para um desempenho significativo da LE, o aluno “só pode parar de anotar o sinônimo ou o antônimo da palavra, ou até mesmo a sua tradução, quando ele passar o olhos e dizer... ah, isso aqui é isso, quando ele tiver o domínio disso [...]”. No caso de P1, a Tradução Interlingual foi utilizada em momentos de insegurança de P1, em que a mesma buscou apoio na LM que, como afirma Pereira (2001), é uma língua carregada de afetividade. No entanto, P3 não compreende o significado que tem a LM para o aluno ou para ela mesma, de forma que a utilização da LM parece ser algo terminantemente ‘proibido’, ‘errado’. Dessa forma, quando se encontra em uma situação inesperada, de insegurança na LE, P1 recorreu à LM, mas de forma equivocada, ao fazer uma relação direta e indiscriminada da LE para a LM. Embora não seja o foco deste estudo, vale salientar que a LM foi utilizada por P1 em uma porcentagem de 16,81%, em diferentes momentos da aula – no início da aula, ao contar piada, ao tecer alguma brincadeira. Esse dado numérico ajuda a refletir sobre a impossibilidade de dissociar a LE e a LM, como afirma Coracini (2007), visto que o aprendiz de LE passa a ser constituído por ambas as línguas, corroborando a epígrafe exposta na página 9, de que aprender uma nova língua é adquirir uma nova alma, ou seja, o sujeito está em constante movimento, em constante processo de transformação. 131 Os resultados apresentados trazem significativas implicações para o ensino de LE. Uma delas desmistifica a ideia de que quanto mais tempo de experiência de ensino, mais a LE é ensinada com propriedade. Traçando uma comparação entre o/as participante/s da pesquisa, a professora que leciona LE há 17 anos (P3), tanto em contexto de escola regular quanto em escola de idiomas, lidou com a LE de forma mais tradicional, no sentido de focar aspectos mais estruturais da língua em detrimento da função. Por outro lado, P2, com uma experiência de 7 anos, apresentou um trabalho mais contextualizado com a LE, com foco na função da língua. Não que P2 tenha ignorado a forma. A estrutura da LE foi abordada a partir de seu uso em contextos específicos. Acerca da forma e da função da LE, corrobora-se Souza (1999), ao mencionar a superficialidade do uso da tradução quando o foco é dado a forma, em detrimento da função. Outra implicação pertinente diz respeito à importância de uma disciplina relacionada à tradução, como ferramenta pedagógica, durante a formação do professor. Parece relevante que o professor em formação seja levado a refletir sobre a importância da atividade de tradução em salas de aula de LE, bem como as diferentes formas de se lidar com a tradução enquanto um suporte, um meio para o desenvolvimento da LE, a partir de uma concepção pedagógica. Uma disciplina específica sobre tradução e sua relação com o ensino de LE é primordial para a desmistificação da ideia de sujeito homogêneo, completo, pleno, que ora se aproxima da LE e se afasta da LM, ora se aproxima da LM e se afasta da LE. Ou seja, pensar na importância da atividade de tradução, bem como no papel da LM para o aluno de LE implica pensar em sujeitos em constante modificação. É pensando nessas constantes transformações que traço uma linha, colocandome em três momentos distintos: 1) a professora anterior à pesquisa; 2) como pesquisadora; e 3) a professora posterior à pesquisa. Como mencionado na Introdução 132 (Ver p. 9-10), esta pesquisa surgiu a partir de uma inquietação minha. Devido a uma lacuna na formação, no que diz respeito a uma disciplina que proporcionasse discussão e reflexão sobre o papel da tradução e a importância da LM para o aluno de LE, bem como devido a uma inserção em um contexto de ensino em que o uso da tradução e da LM não é ‘permitido’, passei a corroborar discursos de colegas no ambiente de trabalho, de que o uso da LM e da tradução é prejudicial ao ensino de LE, impedindo que o aluno pense apenas na LE. Sendo assim, acreditava fazer uso exclusivo da LE em sala de aula. No entanto, o fato de os alunos utilizarem a LM e traduzirem entre eles, mesmo sabendo que não era ‘permitido’, gerava em mim certo incômodo. Vários questionamentos surgiam, como: ‘Por que não consigo fazer os alunos pensarem apenas em LE?’. Entendo que esse questionamento era derivado da ideia de que em sala de aula, o aluno é sujeito da LE e fora da sala de aula, é sujeito da LM, como se a dissociação dessas duas línguas fosse possível. A realização da pesquisa proporcionou uma visão ampla, não apenas voltada para a atividade de tradução em si, mas para um olhar voltado ao aluno enquanto sujeito, que é constituído por suas experiências. Sujeito construído cultural e socialmente, cuja LM tem relação direta com essas construções. Pensando na professora posterior à pesquisa, entendo que não há possibilidade, tampouco necessidade, de ‘apagamento’ da LM do aluno, pois é inerente ao mesmo, constituindo-o enquanto sujeito. Dessa forma, entendo que é pertinente pensar na utilização da tradução e da LM, não como vilãs, mas como ferramentas eficazes para a construção de novos conhecimentos, como a aprendizagem de uma LE. A realização da pesquisa contribuiu também para uma mudança no que diz respeito à imagem limitada que muitas vezes os professores têm do aluno de LE, como sendo preguiçoso e fraco. Esse pensamento foi desmistificado, pois entendo que o processo de ensino e aprendizagem de uma LE é complexo, por envolver sujeitos frente 133 aos desafios de língua ‘estranha’, da língua do outro. Em meio a essa complexidade, as Categorias de Tradução (JAKOBSON, 1959/2000) possibilitam diferentes formas de alcançar o desenvolvimento contínuo da LE. Contribuições da Pesquisa Esta pesquisa pode contribuir para a área de ensino de LE, de forma geral, no sentido de desmistificar um pensamento presente entre professores de LE, de que não se usa tradução ou LM nas aulas de LE, por prejudicar o desenvolvimento da língua estudada. O estudo pode ajudar também a se pensar em como a LE e a LM caminham juntas no processo de ensino, por parte do professor, mesmo que esse se mostre relutante e resistente contra o uso da tradução. A desmistificação também é possível quando se pensa no conceito de tradução seguido, que não implica na tradução constante e literal de palavras soltas e que os alunos vão escrevendo as traduções para memorização. Implica provocar a reflexão de que a LE e a LM têm suas particularidades e que não são plenamente equivalentes. Os resultados obtidos contribuem para a compreensão de que a tentativa de ‘proibição’ da LM bem como da tradução é algo negativo, pois acaba por tentar suprimir algo que é inerente ao sujeito. Vale, portanto, a busca pelo uso da tradução de forma mais proveitosa possível, pensando na atividade de tradução como uma aliada para se alcançar o desenvolvimento da LE. Ademais, a análise qualitativa, por meio da investigação das (in)adequações do uso das Categorias de Tradução mostra que não se trata apenas de utilizar a tradução, de forma aleatória. É necessário, portanto, ter objetivos pedagógicos, analisar o contexto de ensino e aprendizagem de LE, bem como focar o uso contextualizado da tradução. 134 Sugestões de pesquisas futuras Durante realização desta pesquisa, surgiram outros questionamentos que não puderam ser contemplados, por não serem objetivos do presente estudo, tais como: 1) Como se dá o uso dessas Categorias de Tradução no contexto de nível superior, por professores de LE?; 2) Até que ponto a formação dos professores influencia na visão dos mesmos acerca do uso de LM e de tradução em aulas de LE, bem como em suas práticas pedagógicas?; 3) Qual o espaço para a LM bem como para a tradução nas orientações, nos planejamentos das aulas, assim como na prática de alunos-professores, em formação, durante a disciplina Prática Pedagógica, no curso de Letras? Dessa maneira, espero que pesquisas envolvendo a tradução e sua relação com o ensino e aprendizagem de LE sejam realizadas, a fim de mostrar diferentes caminhos que podem ser seguidos a partir da tradução pedagógica, objetivando um destino em comum - a aprendizagem da LE. 135 REFERÊNCIAS ARAÚJO, K. S. M. Leitura Literária em Aula de Francês como Língua Estrangeira: a Tradução como um caminho Possível. 2010. 154 fls. Dissertação (Mestrado) – Unidade Acadêmica de Letras, Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande. AVELAR, Thaís Fleury. A Formação de Identidades Culturais no Curso de Letras – Libras – por meio da Atividade de Tradução. In: QUADROS, Ronice Muller de (Org.) Cadernos de Tradução, nº 26. 2010. BAKHTIN, Mikhail. Língua, Fala e Enunciação. In: ____Marxismo e Filosofia da Linguagem. 12ed. 2006. BRANCO, Sinara de Oliveira. Linguística, Tradução e Estudos Culturais. In: Revista Eutomia, Ano III, Vol 2, p. 1-17, 2010. 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UK: St. Jerome, 2010. 138 APÊNDICES 139 APÊNDICE A ROTEIRO DA ENTREVISTA Quero antecipadamente agradecer a você, professora, pela participação nesta entrevista, cujo objetivo é servir como complemento para o desenvolvimento de nossa pesquisa na área de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras. Assumimos, portanto, o compromisso de manter sua identidade em anonimato durante todo o trabalho. 1. De forma geral, há quanto tempo você leciona? 2. Há quanto tempo ensina nesta instituição? 3. Que experiência de ensino você tem com grupos de adolescentes? 4. Qual a sua formação? Qual a sua habilitação? Que período/semestre do curso está cursando? 5. Já fez alguma viagem para fora do país? Com que objetivo? Que importância você atribui a essa viagem para sua experiência como professora de uma LE? 6. Tendo em vista que a escola utiliza o Método Audiolingual, tendo foco na LE, como você procura manter a comunicação em sala de aula em LE? 7. De que forma você tenta fazer o aluno se comunicar utilizando a LE? 8. Como você aborda pontos específicos da LE, tais como: o ensino de questões gramaticais, expressões idiomáticas, vocabulário? 9. Como faz o planejamento de suas aulas? 10. Que recursos você utiliza para o planejamento e para a ministração de aulas? 12. Você acredita que existe um Método ideal para o aprendizado de uma LE? 13. Qual a sua opinião sobre o uso de LM em sala de aula de LE? 14. Você acredita que há momentos em que é necessário usar a LM em sala de aula? Se afirmativo, que momentos são esses? 140 APÊNDICE B TERMO DE CONSCENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Prezado diretor, Sou estudante do Curso de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino na Universidade Federal de Campina Grande e estou realizando uma pesquisa na área de Ensino de Línguas Estrangeiras, sob orientação da Professora X. Peço a autorização para realizar esta pesquisa em sua escola, observando aulas da turma X, nos dias: XX, das XhXXmin às XhXXmin, durante o período de XX/XX/XXXX à XX/XX/XXXX. Atenciosamente, _____________________________________ (Nome do/a pesquisador/a) Matrícula: XXXX/XX Campina Grande, ____/____/______ __________________________________________________ (Nome da orientadora da pesquisa) Autorizo o desenvolvimento de sua pesquisa nesta escola e declaro ter recebido uma cópia deste termo de consentimento. Campina Grande, ____/____/______ _______________________________ (Assinatura do/a participante) 141 ANEXOS 142 ANEXO 1 MOMENTOS DE USO DAS CATEGORIAS DE TRADUÇÃO NA ESCOLA DE IDIOMAS Tradução Intralingual Durante atividades orais P1: Pretend it’s Saturday and your friends Meg and Ron are talking about the chores they have to do, but you think they shouldn’t worry about them. What can you say to Meg and Ron? A1 (não responde) P1 (repete a pergunta) Pretend it’s Saturday and your friends Meg and Ron are talking about the chores they have to do, but you thing they shouldn’t worry about them. What can you say to Meg and Ron? A1 (novamente não responde) P1: Ok. You can say “Forget about your chores… Today is Saturday!” Do you understand? A1: Chores? P1: Chores, activities you do at home. (A2 entra e P1 o cumprimenta em LE, A2 responde em LE) P1 para A1: Ok. Do you understand? Look, I have to wash the dishes, I organize my room, so… chores, do you understand? A1: (hesita, depois responde) Yes! (risos) P1: So, pretend it’s Saturday and your friends Meg and Ron are talking about the chores they have to do, but you think they shouldn’t worry about them. What can you say to Meg and Ron? A1: I can’t P1: No, it’s not necessary to say… You say “Forget about your chores” A1: (por meio de expressões faciais demonstra não entender) P1: I think you don’t understand me… Look, imagine today is Saturday, ok? Imagine A4 e A8 are talking about the chores they have to do at home, and I say: “Oh, guys, forget about chores… Forget about your chores. Today is Saturday!” Do you understand me? A1: Yes! P1: It’s just this! (risos) P1: What’s the most boring book you have to read for school this semester? A1 (não responde) P1: What’s the most boring book you have to read for school this semester? A1 (não responde) P1: What’s the most boring book you have to read for school this semester? A1: Boring? P1: Yes, boring, when it’s not interesting! It’s not funny! It’s boring. A1: “Marley e eu” was the most boring book I had to read. P1: Which is tastier, pasta or lasagna? 143 A9: Tastier? P1: Yes, Which is tastier, pasta or lasagna? Tasty… Delicious. A4: lasagna is… P1: …Tastier A4: Tastier than pasta. P1: When was the last time you wasted your money buying something you didn’t really need? A3 (não responde) P1: When was the last time you wasted your Money buying something you didn’t really need? A1: wasted? P1: Yes, wasted… Remember the situation? A1: No! P1: How didn’t you remember the situation if you were here?... Look, suppose there is a plate here and I put a lot of food, and I don’t eat everything, ok? So, When was the last time you wasted your money buying something you didn’t really need? A1: I never wasted money! P1: Tell me the last time you were speechless. A9: Speechless? P1: When you can’t say anything. A2: Povo do meu Brasil (provavelmente confunde com ‘speech’, também vocabulário pertencente a este estágio) P1 (risos): Oh, A2! A3: Não é isso não! A9: Speech! P1: No, speechLESS... Ah, suppose A2 arrived here wearing a swimming trunks… and I (expressão facial de surpresa). I can’t say anything, because I’m speechless. A2! Why are you wearing this? Understand? I’m SHOCKED… ok? A9: Ok! P1: I’m going to repeat (em relação a pergunta inicial)… Tell me the last time you were speechless. A4: I was speechless today… when I fall… when I fell? P1: Okay! (risos) P1: Would you love to meet Juliana Paes? A1: Would love…? P1: … to meet Juliana Paes? A1: Yes, I would love to meet Juliana Paes. (risos) A1: Esse ‘would’? Num peguei esse ‘would’ não. P1: Would… what’s ‘would’? Who remember? (inicialmente As não respondem) A2: The same of could P1: Yes... (hesita) and no. It’s not the same... Look… ah… for example, I say “I would like to travel to Miami next month… I would like to kiss Leonardo Di caprio. (risos) P1: Ok, now you understood… ok, I would love to… to meet Thiago Lacerda. A2: Tá apaixonada, oh? 144 P1 (risos): No, I’m not in love… Ok, do you understand now? (repete a pergunta inicial) Would you love to meet Jualiana Paes? A2: Sure (risos) P1: Ok, tell me someone on TV you would love to meet. A4: (não responde) P1: Ah, remember… When you see the person for the first time. A4: Yes. P1: Ok, tell me someone on TV you would love to meet. A2: I don’t know ‘meet’. P1: When you see the person… and talk to that person for the first time. Let’s go… I would… (se dirigindo a A4) A4: I would like to meet P1: I would love to meet A4: I would love to meet Faustão. P1: Very good! P1: Tell us something that makes you upset. A2: Upset… what’s upset? P1: Sad A2: Sad. A6: repeat, please. P1: Tell me one thing that makes you upset. A2: (não responde) P1: Tell me one thing that makes you upset. A2: I understand your question, but… sometimes (risos) A4: when I broke my videogame. P1: Do you usually straighten up your room? A4: What’s ‘straighten up’? P1: To clean… to organize… Do you usually straighten up your room? A4: No, I don’t straighten up my room P1: Does your brother straighten up his room on his own or does your mom always order him to straighten up his room? A3: Repeat, please. P1: Does your brother straighten up his room on his own or does your mom always order him to straighten up his room? A3: straighten up? P1: Yes, to tidy A3: My mom generally orders him to straighten up his room. P1: Are you tong-tied? Are you tongue-tied, A2? A3: Tongue-tied? A2: What? P1: Are you tongue-tied? A2: No… I’m not tongue-tied. A3: What’s tongue-tied? P1: Shy… Embarrassed. A1: Tongue P1: tied… Tongue-tied, embarrassed. 145 A1: Embarrassed? P1: Yes. P1: Is it good or bad to be in trouble? A5 (não responde) P1: Trouble, remember? Problems A2: Yes. P1: Trouble… Problem. Is it good or bad to be in trouble? A5: It’s bad P1: to be A5: to be in trouble P1: When was the last time you were in trouble? A3: I don’t remember when I was in trouble A2: In a situation difficult P1: Ah? A2: Trouble… Is it a situation difficult? P1: It’s a situation with problems. Ok, A3… when you did the test (risos) ok, I’m kidding A3: When I was… When I was a problem P1: No, no. It’s when you have a problem… when you are in a difficult situation. P1: Oh, I’m fine. A (não responde) P1: don’t remember... Similar to ‘how are you’? A2. A2: I don’t remember. P1: You (risos) para A4 A4: How are you doing? P1: Yes, very good. How are you doing? P1: Yes, he was SHY. You. A3: I don’t remember ‘shy’ P1: Don’t remember? (faz o mesmo gesto que fez no início da aula, demonstrando timidez, vergonha) A7: Yeah. Repeat. P1: Yes, he was shy. A7: Is A4 P1: Was A7: Was A4 shy? P1: Yeah, he was shy. P1: Ask A1 if his mother is talkative. A1: Talkative? P1: Yes, a person who talks a lot. A5. A5: Does your mom P1: Is your mom… A5: Is your mom talkative? A1: Yes, my mom is talkative. P1: Would you like to visit France? A3: The pronunciation A2: France… French P1: France. French is the language or the people who are from France. 146 P1: Imagine today is A5’s birthday and she drops her cake on the floor. Ask A5 if she is in trouble. A6: A5, are you in trouble? A5: Yes, I’m in trouble! P1: IN TROUBLE A5: E eu disse isso! P1: No, in trouble! A5: Então, eu disse. Tá ali gravado, ó! Tá provado! As e P1 (risos) A1: What’s it? (em relação a ‘in trouble’) P1: With trouble… With problems P1: Ask A1 if he generally gets tongue-tied when he has to answer question at (o nome da escola). A4: A1, do you generally get (não consegue continuar) P1: I’m going to repeat. Ask A1 if he generally gets tongue-tied when he has to answer questions at (o nome da escola). A3: What’s ‘tongue-tied’? P1: Tongue-tied. A1: Tongue-tied? P1: Yes, tongue-tied… Embarrassed! A1: Embarrassed? (faz expressão facial de tímido) P1: Yes, shy! (risos) P1: Ok (risos). You. Ask A1 if he generally gets tongue-tied when he has to answer questions at (o nome da escola). A4: A1, do you generally get tongue-tied when you have to answer questions at (o nome da escola)? A1: No, I never get… (tem dificuldades de continuar) P1: Ok, repeat! A1: responde com ajuda de P1 P1: A7, ask A5 A5: Tinha que ser P1: if her mom gets angry with her when she forget to do her chores. A6: Chores? P1: Chores… Organize the house… Clean the dishes… Clean your room A6: Oooh! P1: As 5 if her mom gets angry with her when she forget to do her chores. A7: A5, does your mom get angry… (continua com ajuda de P1) when you … forget to do the chores? A5: No, she doesn’t get angry. She gets furious. As e P1 (risos) P1: Do you do chores? A5: YES. P1: Do you break things? A5: Yes. All the time. As e P1 (risos) A5 (comenta uma situação em que se machucou): Eu tava com uma ronxa aqui e outra quando eu fui sábado, eu fui abrir a porta do carro, aí pá na minha boca, chega tá feridinho aqui, ó! P1: Foi a porta mesmo? LM A5: Foi a porta! 147 As (risos) A5 tenta se expressar em LE: When I opened the... P1: The door A5: the door, the car P1: the car door A5: I put. Put? P1: No, hit. A5: I hit my mouth. P1: (corrige pronúncia) P1: yes, my mouth. INTERLINGUAL (por parte de aluno)??? A2: I think… your kiss. As e P1 (risos) P1: No, no, no. I was kidding. As (risos) A2: Ela nem viu graça O1: What? A2: Ela nem viu graça na brincadeira! As e P1: (risos) P1: Ok, let’s continue! Durante explicação (Intralingual + Intersemiótica) P2: Here (apaga as luzes) Are the lights on or off? As: Off! P2: Yes, in the balloon, what happened with the boy? He was brushing his teeth, in the morning or in the evening? As: In the evening. P2: So, the lights, ok? Stopped to operate while he was brushing his teeth, ok? So, what happened with the lights? The power, the energy, ok? Went out, do you understand? Ok? Power is a synonym for energy, ok? In the situation, I can refer to energy as the power, ok? Suppose you’re studying here, etc, the TV is on, the lights are on, etc, and the lights (apaga as luzes) went out? A3: Went out? P2: Yes, went out. A3: Can I say I’m going to went out the lights? P1: Went out, no. Look, I think you understand another thing. Look, suppose we are here, ok?... (apaga as luzes) What happened, the lights are on or off? As: Off. P1: Off, but… the power went out, ok? Not you, the power, suppose you’re going to turn off, now you’re going to turn on (acende as luzes), do you understand? So, when the power goes out, does everything that need power turn off? As (não respondem) P1: When the power goes out, does everything that need power turn off? A3: Repeat, please! P1 (repete lentamente): When the power goes out, does everything that need power turn off? A3: Power? P1: Yes, electricity… when the power goes out, does everything that need power turn off? A3: Yes (tenta responder e com dificuldades repete a fala de P1) ... When the power... P1: ...goes out 148 A3: goes out, everything need P1: everything that need power A3: everything that need power turn off… É tipo ela sozinha, né? P1 (risos): Yes! (Intralingual + Intersemiótica) P1: (imita bochecho) So, he’s rinsing his mouth… If you rinse your mouth, do you wash it? (balança a cabeça afirmando) A1: Yes. P1: Complete the answer… If you rinse your mouth, do you wash it? A1: Yes P1: when I rinse… A1: When I rinse me mouth, I wash it. P1: Is Paul a young boy? A2: Yes, Paul is a young boy. P1: Oh, adorable! And… Is this boy a youth? As: (expressão de que não entenderam ‘youth’) A3: Youth? P1: Yes, Young. Look, he is a young boy, okay? But we call…what? A5: He is young. P1: Yes, but look. Can we call a boy or a young man youth? As: (não respondem) A5: Youth? P1: Yes, A3. A3: Repeat, please. P1: Can we call a boy or a young man youth? A3: Yes, we can say P1: Call A3: We can call a boy, youth. P1: Does the clerk think they’re going to ask for smoothies? A3: Yes, he thinks they’re going to ask for smoothies? P1: Does he think they’re going to order smoothies? A5: He thinks o quê, homem? P1: Oh, pay attention! Order, ask, order, order… (As e P1 risos) A5: Yes, he thinks they’re going to order smoothies. […] P1: When we ask for a drink or food in a restaurant, do we say we order food or a drink, A7? A7 (não responde) P1 (repete) When we ask for a drink or food in a restaurant, do we say we order food or a drink, A7? A7: No, we wouldn’t P1: we say A7: We say P1: We order A7: We order P1: food A7: food… P1: Or… a … drink 149 A7: or drink. P1: Ok, very good! P1: Pretend, ok. Pretend you are this boy and I’m the counter A3: What’s counter? P1: He is the counter. He is the counter clerk. A3: His name is clerk? P1: (risos) No, his name is not clerk, ok? He is the clerk… he is the person who… is going to receive your money… A3: Clerk… P1: Now I’m going to repeat, okay? Pretend I am this boy, and you are the clerk, okay? Now I’m going to ask: Do you have kiwi smoothies? Or: Have you got kiwi smoothies? A3: No, I haven’t got kiwi smoothies P1: Very good, A3. (risos). What’s another way of saying: do you have kiwi smoothies? You! A4: Have you P1: Have you got A4: Have you got kiwi smoothies? P1: Very good! P1: What expression does he use to ask the man in a polite way if he wants a smoothie too? A5: Would you like? P1: Would you like, yes! It’s a formal way! But there’s another way. A5 (não responde) P1: Are you ok? What’s the problem? A5: I’m scared… The door… As (risos) P1 (risos) ok. What expression does he use to ask the man in a polite way if he wants a smoothie too? A7: Would you like for a smoothie too? Tá certo? P1: Very good, A7. So, do you use the expression ‘Would you like’ to ask someone in a polite way if he or she wants something? A4: Yes, we use ‘would you like’ (não continua) P1: to ask A4: to ask P1: someone A4: someone P1: in a polite way A4: in a polite way P1: if he wants something A4: if he wants something P1 (risos) ok, repeat! A4: He uses ‘would you like’ to ask in a polite… P1: way A4: way. P1: Ok. Do we also use the expression ‘would you care for’ to ask someone in a polite way if he or she wants something? A3: I don’t understand ‘care’. P1: ‘Would you care’ is an expression. A3: carry? (pronúncia equivocada) P1: Care. But ‘would you care’ is the same as ‘would you like?’, ‘do you want?’… But ‘would you like?’ and ‘would you care?’, they are polite… Are a polite way to say ‘do you 150 want?’… So, do we also use the expression ‘would you care for’ to ask someone in a polite way if he or she wants something? (toca o sinal para término da aula) (risos) P1: Yes or no? As: Yes! P1: Yes what? A3: Teacher, give me a break! (risos) P1: Would this man here care for a smoothie? A4: Yes, he would… (falando baixo) P1: What? A4: Yes, he would care for a smoothie too. P1: Ok, very good. P1: What does he say to the clerk to confirm that? A2: Yes, please! P1: Yes, please! Very good. So, is this a mango? A3 demonstra euforia por não entender. (risos) A3: É por que não dá pra entender. Would you care for a smoothie? O que é ‘care’? What’s ‘care’? P1: Remember... would you like? Would you care? A3: would you care?! P1: Yes. A3: Ok. (risos) P1: Is the girl listening the band called the Rippers? A1: Yes, she’s listening to the band called the Rippers. P1: Does she want the boy to listen the band called ‘The Rippers’ A4: Yes, she wants to the boy P1: the boy A4: the boy to listen to the band called The Rippers P1: So, does she want the boy to check The Rippers out? A3: Yes, she wants he listen P1: //Does she want the boy to check The Rippers out? A3: Yes, she wants the boy to check out… P1: To check The Rippers A1: To check out to check? P1: (risos) I’m going to repeat, ok?... Does she want the boy to check the Rippers out? A3: Yes, she wants the boy to check the Rippers out. P1: (risos) Good. When you check out something, you look at it, to listen, ok? So you can discover something about it, or to see how it is A3: I can say: Oh, A3, check out my… Check out my poem. P1: Something you think it’s interesting… Suppose, aaaah, here suppose I have a picture of my boyfriend and I think it’s interesting, okay? (risos)… So, I say: hey, guys, check this picture out, okay? My boydriend, okay? He is good-looking! Okay? Do you understand? A3: (balança a cabeça afirmando) Áudio “Dude, I Love this singer” P1: Ok, how does this boy address this girl, A8. 151 A8: Address? P1: Address, yes, how? (pausa)… How is he… how is he calling the girl? Is he calling her ‘dude’? (risos) A8: (não responde) P1: Man… Dude… What’s he saying to the girl? Because before to talk about the singer called her using a short word. A3: Dude P1; Dude! (confirmando). Because they’re friends and he can say this to the girl. A3: The woman can to say to the boy and the boy can to say to the girl? P1: Yes, the boy can say to the girl and the girl can say to the boy. P1: Does he like her voice? A9: Yes, he likes her voice P1: Do you have a beautiful voice? (risos) P1: Ok, is the voice the sound you produce when you speak or sing? A4: Yeah… (não continua) P1: is the voice the sound you produce when you speak or sing? A4: Yes, the voice// P1: Yes or no? A4: Yes… P1: Is the voice the sound you produce when you speak or sing? A4: Yes, the voice we produce P1: is the sound A4: is the sound P1: that’s produced A4: that’s produced when I sing or speak P1: ok, very good. P1: Is this boy visiting a place on the Internet where we can find information, discover things… you? A4: (não responde) P1: Is he… Look at the balloon (risos). Is he visiting a place on the Internet where we can find information, discover things… you? A4: yes, he is… visiting P1: a place A4: a place on the Internet P1: where we can find A4: where we can find… information… P1: or discover new things… A4: or discover new things P1: Ok, very good!... So, how do we call a place on the Internet where you can find information about something, especially a particular business or organization?... You! A1: (não consegue responder) P1: what do we call a place on the Internet// A1: Do we call? P1: huhum, what do we call… A1: (não responde) P1: a place on the Internet where you can find information about something? A1 (não responde) 152 Posteriormente A3: Site? P1: Site. Do we call site? A1: não entendi o sentido da pergunta, não! P1: Ok, what do we call? Call… do you understand this? A1: yes. P1: I’m going to repeat the question, okay?... What do we call a place on the Internet where you can find information about something? A1: site P1: we call A1: we call ‘site’ P1: we call site. Do you understand? A1 (hesita): Yes! P1: Ok, (continua) P1: Is this one of the songs on the Rippers site? A4: Yes, this is one of the songs on the Rippers site. P1: Ok, this is a song, okay, here. And... is this (apontando para outra música do CD) a track? You, A2. A2: (não responde) (risos) P1: Ok, is that a track on the... on the… Rippers site? A2: Yes, yes, that’s a track on the site P1: on the Rippers A2: On the Rippers site A3: What’s track? P1: Track, song… (aponta para as faixas do CD) Track one, track two A3: Song one, song two P1: Yes, track two…. Track… song. Understand? A3: Pode ter outro sentido, yes? P1: Yes. Ok, track, this is one track... on the Rippers site P1: Look, suppose they have a hundred of them, okay?, but the boy is downloading one of the tracks on the Rippers site. As (silenciam) P1: Do you understand? A3: song and track?! Songs… tracks, tracks. A2: Is the same? P1: Is the same, yes. Is the same… Look, that’s a track, one of the songs on a CD or other electronic things// A5: No, because tracks… when you run… in the…competition P1: Ok, now I understand A5: It’s a track P1: Ok, but the situation is different… Here is a music, is a song (Áudio: Cool tunes – título da lição) P1: Ok, do you think those kids are listening songs? A3: Yes, those are listening P1: Those KIDS ARE A3: Those kids are listening songs P1: Ok, but are they listening the Rippers songs A1: Yes, they are listening the Rippers songs P1: Ok… are they listening the Rippers…. Tunes?... You! 153 A4: Yes, they are listening to the Rippers tunes A9: Tunes? P1: Tunes. Yeah. Tunes is the same to say ‘songs’, okay? It is another way of saying ‘song’, okay? A3: humhum A2: So, songs, tracks or tunes, yes? P1: Yes! P1: When the temperature of your body is more than 98F, can you say you have a fever? A4: (não responde) P1: (repete): When the temperature of your body is more than 98F, can you say you have a fever? (balança a cabeça confirmando) A4: Yes, When the temperature (fala baixo e não continua) P1: What? When the temperature is more A4: is more than 78… P1: degrees A4: degrees Farenhigh P1: we can say A4: we can say P1: You have A4: you have P1: a fever A4: a fever P1 (risos) Ok. (Após o audio “Yuck! It tasties horrible) P: Ok. Do you think he liked the medicine. A3: No, I don’t think he liked the medicine P1: Then what does he say to show he didn’t like the medicine? A3: Yuck! P1: so, in his opinion is that medicine good or very, very, very bad A1: That medicine is very bad. P1: Very bad (confirmando a resposta de A1) so, in his opinion, is the medicine he took horrible? A6: Yes, the medicine he took is horrible P1: HORRIBLE (corrrige pronúncia) When we say something ‘horrible’, do we mean it’s very bad? A1: (não responde) P1: When we say something ‘horrible’, do we mean it’s very bad? A1: Yes, (vai repetindo com P1) P1: So, what’s another way of saying something is very bad? A7: Horrible P1: It’s… A7: It’s horrible. P1: Is this boy talking to his sister or talking to his mom? A4: He is talking to his mom. P1: So, is he talking to his MOMMY? A3: Yes, he is talking to his MOMMY P1: Is ‘mommy’ an informal word for ‘mother’? (balança a cabeça afirmando) A1: Yes, ‘mommy’ is... 154 P1: …an informal word… A1: …an informal word for ‘mother’ P: Yes. P1: If this boy here takes a bath… ok? His sister won’t say that… anymore, ok? As (não respondem, demonstram não haver entendido) P1: (repete pausadamente) Ok. Listen. If… the boy takes a bath… ok? His sister won’t…. say that… anymore, ok? As (balançam a cabeça como que não entenderam) P1: Ok, when you say something won’t happen anymore, it means it happened in the past, ok?, but it doesn’t happen now, in the present. Ok, understand? A3: Yes! (hesitando) Os As não respondem. P1: Ok. P1: Is this boy taking a shower? (no balão) A6: Yes, the boy is taking a shower P1: Does his mom suggest that he takes a bath? A8: Yes, she suggests (continua com ajuda de P1) P1: Ok, very good! She suggests that he takes a bath, but does he want to take a bath? A3: No. P1: No, he doesn’t want. So, she gave the idea, ok? But he doesn’t want to take a bath… he wants to take a… shower, ok? So, he wants to take a shower instead… Do you understand? As (silêncio, expressão facial de que não) P1: No? Look, his mom gave the Idea… you, for example. You should, for example, ok? You should take a bath, and the boy: Oh, mom, I prefer to take a shower… instead… Instead of bath. A3: Instead? P1: Ok, for example, suppose ok? I want… a pizza, ok? Aaaaand… suppose…ok… A3 says: P1, here, which do you want, pepperoni pizza or… mushroom pizza? And I say: Oh, A3, I prefer pepperoni pizza instead of … mushroom. Ok, do you understand? A4 e A7: yes! P1: So, I prefer pepperoni pizza instead! A3: No! P1: No? A3: Instead... Instead... Ok, suppose in my house there is a bath and… a shower… and I’m rick, ok? (risos)… And, it’s cold today. It’s very cold… And I want to take a bath instead of a shower. Ok? As (não respondem) A3: I understand this: I prefer to take a shower THAN to take a bath. Than. P1: Yes (hesita)… instead of a shower A3: Yes? P1: Yes, I think you understood me, yes? A1: So-so. P1: So-so? Yes or no? So-so, no!... I think you understood me// A3: I don’t know how to use. P1: How to use? A3: Yes. P1: Suppose… you have two options to choose a boyfriend As (risos) 155 P1: … suppose here in this classroom there are two boys and they’re in love… and you: My God… John is blond, Paul is dark-haired, Oh, I prefer John instead of Paul… because I like blond boys A3: I prefer blond boys THAN dark-haired boys P1: Yes! I prefer blond boys instead. […] P1: Do you think she’s happy because her son is clean now? A6: Yes, I think she’s happy because her son is clean P1: Is she saying very good A1: She’s saying ‘wonderful’ P1: Yes, very good. But is ‘wonderful’ a synonym of ‘very good’? A4: Yes, ‘wonderful’ is a synonym of very good. P1: Ok, very good… wonderful! P1: Imagine you and your friend went to Roberto Carlos’ show last weekend, ok? Your friend says the show was fantastic. What can you say to indicate you agree with that? A5: Time like the present… ah, esqueci… Do not have// P1: I’m going to repeat. Pretend you and your friend went to Roberto Carlos’ show last weekend, ok? Your friend says the show was fantastic. What expression can you say to show your friend you agree with what your friend said? A5: That expression… I said. P1: No! No! A3: You can P1: You can say A2: You can say that again? A6: Eu não me lembro dessa expressão, you can say that... como é? P1: IN ENGLISH. Yes, you can say that again, ok? Because you agree with your friend. You think Roberto Carlos’ show was fantastic. P1: Does it look like they are there to discover the election’s results? A7: Yes, they are there to discover the election’s results P1: So, do we refer to the situation at the end of a game and election or some other competition as the ‘result’? A2: (não responde) Repeat. P1: Do we refer to the situation at the end of a game and election or some other competition as the ‘result’? A2: No… Yes! The situation…é P1: Look, I’m going to repeat… Do we refer to the situation at the end of a game and election or some other competition as the ‘result’? A2: Yes, we refer (continua, repetindo P1) P1: Ok, let’s repeat. A2: (risos) I don’t remember now… The answer P1: I’ll help you… We refer (...) (vai repetindo o que responde P1) P1: Ok, very good…What do we call the situation at the end of a game, an election or some other competition? A7: (não responde) P1: What do we call the situation at the end of a game, an election or some other competition? A7: we call the end of a game P1: We call result A7: we call ‘result’ 156 P: ok. P1: According to the boy, can everybody at the school know the results of the students election, A3? A3: Yes, everybody can know the election results P1: Very good. So, according to the boy, are the election results are secret or… or are the election results out? A4: According to the boy, the election // P1: results… The election results A4: The election results are out P1: Ok, very good. So, is information out when it’s not a secret and everybody can know about it, A5? A5 (não responde) P1: Is information out when it’s not a secret and everybody can know about it, A5? A5: Yes, ix… é… P1: Is information out when it’s not a secret and everybody can know about it, A5? (falando devagar) A5: Yes, information about P1: Is information out when it’s not a secret and everybody can know about it, A5? (falando devagar) A5: I don’t… I don’t… Repeat, please. P1: Let’s try together ok. Is information A5: when I try if I don’t know? P1: what? You don’t know the answer or A5: The answer P1: Ok, but do you understand the question A5: I don’t know P1: You don’t understand my question?! A5: Yeah! I understand your question, but P1: You don’t know how to answer. A5: I don’t know how to formulate my answer. P1: Ok, let’s try ok? You ask, P1, is information out when it’s not a secret and everybody can know about it? And I say: Yes, A5, information… we can say information is out… when… everybody can know… it’s not a secret… Ok? Suppose there’s election here in Brazil and the results are out, so everybody now can know about the results. Ok, understand me? A5: Yes. P1: Ok, and here, can everybody know about the results? A5: Yes… P1: everybody can know about A5: everybody can know about P1: The election results A5: The election results P1: Ok, very good! P1: Is he giving news that Tammy won the election? A7: Yes, he is giving (continua com ajuda de P1) P1: Is information about some things that happened recently called ‘news’? A8: Yes (não consegue formular a frase) P1: Vai respondendo e A8 repetindo. P1: So, how do we call information about some things that happened recently? 157 A4: News. P1: News! (confirmando a resposta de A4) P1 (mostra figura). Is this a landslide? A3: Yes, it’s a landslide! […] P1: Can we say Tammy Goodsell won the election by a very large number of votes? A: (não responde) P1 (para A) Are you ok today? A: Yes. P1: Ok, I’m going to repeat. Can we say Tammy Goodsell won the election by a very large number of votes or not? A5: Yes, Tammy Goodsell won the election by a lot of P1: By a large A5: By a large votes P1: Number of votes A5: Number of votes P1: Very good. So, did Tammy win the election by a very large number of votes? A3: Yes, Tammy won the election by a very large number of votes. P1: According to her, it was a landslide victory for Tammy? A7: Yes, according to her (continua repetindo P1) P1: when someone wins en election by a very large number of votes, can we can it’s a landslide victory? A3: Yes, we can say it’s a landslide victory. P1: Here she got a handful of votes A2: Handful? P1 Yes, some votes (durante repetição – audio: Brad only got a handful of votes) A2: We don’t know what’s a handful. P1: A small number A2: Aaaah! P1: Here, Laura says ‘hold on!’. ‘Hold on’ is the same to say ‘wait a minute’, ‘wait a second’, ok? ‘Hold on’ is a synonym for ‘hang on’, ok? When she says ‘hold on’… Look she says ‘hold on’ because now she doesn’t know if her friend voted for brad Roe, ok? Do you understand? As: (balançam a cabeça afirmando ter entendido) P1: So, in the situation ‘hold on’ a synonym for ‘hang on’? A5: Yes. ‘hold on’ is a synonym for ‘hang on’. P1: Did she change her mind about Brad Roe? A2: I…I P1: You don’t understand why she changed A2: Yeah// P1: Look, she changed her thoughts about Brad Roe because… on the last… I think… I don’t remember the lesson, but in other lesson, Brad Roe talked with the blond girl and he was so conceited… and she didn’t like that and she changes her thought about him. 158 A2: Because she… the blond girl is… is… como é que se diz…? How do you say in English ‘apaixonada’? P1: She is in love A2: Yes, she is in love with Brad Roe, but he… P1: Isn’t in love with her… Yeah, but... but… she didn’t change the idea because of this. She changed her mind because she meet him… and she didn’t like, ok? The way he talked about himself… Ok. But let’s continue, ok? P1: Does she think she changed her thought about Brad Roe, A3? A3: Yes, according to Laura, she changed… she changed her vote for P1: for A3: for Tammy Goodsell. P1: her… her A3: her vote for Tammy Goodsell P1: her opinion A3: her opinion about Brad Roe. P1: So, did Wendy change her mind? A7: Yes, she thought P1: She thinks A7: She thinks… her mind… P1: she changed P7: she changed… her mind P1: Ok, very good. So, when you change your mind about something, about a person, ok? You change your opinion about it, ok? Laura… sorry… Wendy, ok? Changed her mind about Brad Roe, ok? She changed her opinion about Brad Roe, ok? Because of that, she decided to vote for… Tammy Goodsell… ok? As: (não respondem) P1: Toca o áudio para repetição. (Intralingual + Intersemiótica) (depois do audio = “I didn’t realize he was so big-headed”) P1: Look, here. He’s so conceited, ok? (gesto indicando ‘nariz inpinado’) So, he’s BIGHEADED. Big-headed is an informal way of saying ‘conceited’. P1: Ok, look, she was she didn’t realize he was so conceited, ok? Realize… A3: she didn’t? P1: realize. A3: realize? P1: Yes, realize… What’s this? Realize is when you discover something… you are conscious about something. But she was… she, she, she didn’t A3: realize P1: She didn’t realize, okay? That he was so… A3: headed… headed (hesitando) P1: So conceited…so big-headed… So, when you realize something you are conscious of it… or you discover… it, ok? As: (não respondem) P1: (continua) (Intralingual + Intersemiótica) P1: does it look like these girls have a crush on him? A6: Crush? 159 P1: Yes, in love. (gesto – fazendo coração). You! A8 (não responde) P1: She… Does it look like these girls have a crush on Brad Roe? A8: Yes, those girls have a crush on Brad Roe. P1: Does he look good on his posters, here? (mostrando a foto de Brad feio) A10: No, he doesn’t look good there. P1: Ok, here, ok? Wendy, ok? she says… he doesn’t look VERY good, okay? On his posters anymore either, okay? Do you understand? But she says… she doesn’t say “he looks very good!”, she says… “He doesn’t look THAT good”, okay? When you use ‘that’, you can use ‘that’, hum… as…. ‘very’… the same to say ‘very’, ok? As (não respondem) e P1 continua P1: Is the dog supporting the boy? A7: Yes, he is supporting the boy P1: Ok, and is this boy on the boy’s side? A4: Yes, he is on the boy’s side P1: Is the dog loyal? Is the dog loyal with the boy? Is he loyal with the boy? A2: Loyal? What’s ‘loyal’? P1: Loyal… Sincere… A2: Sincere? P1: Yes. Some people say: I prefer a dog as a friend, because they are… loyal… They are sincere… Understand? A: Oh! Ok! P1: So, is he loyal to the boy? A2: Yes, he is loyal to the boy. (durante repetição de “when we look in their eyes, we see loyalty) A5: (vai repetindo com ajuda de P1) P1: Loyalty is the quality of being loyal, okay? As (não respondem) P1: So, is he boy showing trust in the dog? A7: showing? P1: Yes, showing… Does he demonstrate? A7: Yes, the boy is demonstrating P: is showing A7: is showing trust is his dog. A3: ‘trust’ can be ‘true’? P1: yes, but… is believe… I believe in God… I trust God A3: the boy is showing trust? P1: trust, here… he trusts in his dog, understand? A3: He// P1: //trusts A3: Because he is not afraid P1: He isn’t afraid, ok? He trusts. Ok, understand? A3: (balança a cabeça afirmando ter compreendido) P1: Is the dog giving the wallet back to the man? A: Yes, the dog is giving the wallet back to the man 160 P1: So, is he honest? (gesto que sim) A2: Yes, he is honest. P1: Ok, very good. So, when you say a person is honest, are you saying you can believe that person? A: (não responde) P1: When you say a person is honest, are you saying you can believe the person? A3: Yes, you’re saying you can believe that person. P1: Do you think the man and the dog are friends, you? A7: Yes, I think the man and the dog are friends. P1: very good. So, do you think the man and the dog are good friends, A8? A8: Yes! P1: Good. Can we say they have a good friendship, A3? A3: Yes, they have a good friendship P1: Very good. Is friend… Is friendship the relation between two or more friends? A4: Yes, friendship is the relation between two or more friends? P1: (toca o audio: “We see honesty and friendship!” para repetição) Durante atividades escritas A1 chama P1: I don’t remember this expression (e mostra a P1 no caderno) P1: You should give it a try! A1: Ok! (volta a fazer a atividade) A1: No caso, aqui. P1 (olha): Alone... without anybody. A1: Esse quite, aqui? P1: ‘Extremely difficult’, so ‘quite difficult’ P1: No, he has a crush on A5. (risos) A2: What’s crush? P1: It’s when you are in love with someone, but you don’t have a serious relationship with the person. You are in love, ok? Just talking, ok? You see every day at (o nome da escola). So, no, he has a crush on A5. A2: Does he crush on Juliana Paes. P1: Ah? Does he… A3: have A2: Does he have a crush on Juliana Paes? P1: Yes, very good. No, he has a crush on A5. As (risos e comentários em LM) A5 bate na porta, As e P1 (risos). A5: Eita, vocês tavam falando em mim? P1: Yes! (risos) 161 Tradução Interlingual Durante atividades orais P1: Did you build sandcastles when you were a kid? A2: No, I didn’t build P1: Why? A2: I not… I don’t… I no… Eu não sei fazer um// P1: OH, ENGLISH. OH, A2. A2! (demonstra irritação/desconforto) A2: Sorry! P1: I don’t know how to do sandcastle. A2: Yes! P: Ok! Ok! Ok! P1: Are you tired? A2: So-so. I’m freedom now! P1: Ãh? A2: I’m freedom now… Tô livre. P1: Aham, aham, aham, ok, great! P1: Do you think it’s bad to be shy? A3: No, I think it’s not bad to be shy. P1: Ok, why? A3: Because… Depende. P1: Depends A3: Yeah, depends of the people P1: Depends of the people? A3: Depende da pessoa. P1: Depends on the person. A3 e P1 (risos) A4: What’s the difference between ‘warn’ and ‘advice’? P1: ‘To warn’ is like a…. for example…. a… (hesita). You are not studying for the test, I’m your friend, so I warn you to study! A4: And ‘advice’? P1: It’s like... like... let me see… it’s like an order! A4: Ah! P1 (prossegue com a aula. Em outro momento dirige a palavra a A4): “Warn” é tipo “avisar”, “advice” tá mais pra “aconselhar”. Do you understand? A4: Yes! P1: When do you usually yawn? A3: Yesterday? P1: No, WHEN do you usually yawn? A1: Yawn? P1: Yes (gesto – boceja). So, when do you generally yawn? A3: I generally…yawn…when I’m tired. A1: Tired? P1: Yes, tired… tired (gesto demonstrando exaustão, cansaço) A1: Aaah! P1: What’s the most fantastic place to visit in Brazil, A7? 162 A7: Repeat, please! P1: What’s the most fantastic place to visit in Brazil? (silêncio) P1: Place… Look, this is my place, ok? (apontando para a carteira) You can’t sit here, ok, A3. A3: Ok P1: This is my place… And in Brazil, what’s the most fantastic place to visit in Brazil? A7: João Pessoa is the most P1: Ok, repeat. A7: João Pessoa is the most interesting// P1: Fantastic A7: Fantastic place to visit in Brazil P1: Very good! Durante explicações das lições P1: So, what happened to the boy? A3: The boy is hitting his forehead. P1: Where? A3: On the /f :ls/ (querendo dizer faucet) P1: Faucet. A3: False? P1: FALSE… FAUCET… FALSE, TRUE, FALSE, FAUCET. A3: Qual é a diferença de faucet pra false? P1: Falso! A3: Não (e aponta para a figura) P1: Faucet. Sempre é faucet! A3: If I want to ask… assim…have got… Have that smoothie have… have it got// P1: Have it got. Yes? A3: Se aquele smoothie tem vanilla com ‘got’? P1: Have you got vanilla lime smoothie? Tradução Intersemiótica Durante atividades orais P1: When you go to the beach, do you put on some sunscreen? A4 (não responde) P1: Put on! (faz gesto com as mãos passando nos braços) A4: No, when I go to the beach, I don’t put on sunscreen. P1: Very good! P1 a P2: And you? Do you use sunscreen? P2: Yes, I use sunscreen. P1: But what sunscreen do you use? A2: Sundown. (risos) P1: Are you shy, A7? A7: No, I’m not shy. 163 A1: Shy? P1: Yes, shy (faz gesto de alguém tímido, envergonhado). I’m shy (risos) A2: Me too! (risos) A1 e A5: ah! Ok! (Intersemiótica + Intralingual) P1: Is Silvio Santos rich or poor? A4: Silvio Santos is rich. A1: What’s rich? P1: (gesto indicando dinheiro) A1: Aaah! P1: A person who has (gestos)... Rich is the opposite of poor… In this case, what does the mom say to show she feels sorry for him? A3: Oh, my poor little boy! A10: What’s ‘root’? P1: Root? Yes, ok! Look, suppose Campinense and Treze… and I’m rooting for Treze… GO, TREZE, GO! (gritando e fazendo movimento com os braços) A10: Ok! P1: Ok, now sit in pairs (gesto utilizados os dedos: indicador e maior) A3 e A5 (prontamente ficaram em pares e P1 continua: IN PAIR, IN PAIR) A3: In pair não é ‘em par’, não é? P1: Yes! IN ENGLISH! As e P1 (risos) A1: A pair of shoes! A3: então ‘IN PAIR’ agente já tá, eu já ia ficar ‘em pé’, desse jeito ‘IN PAIR, IN PAIR’ As (risos) P: You are going to create dialogues considering those pictures, right? Durante explicações P1: So, he was rinsing his mouth, and then, what happened? He bent down, do you understand? As (não respondem) P1: Look, there’s a faucet here and I bend down (se curva) to rinse my mouth. A6: What’s the difference in the sound? P1: TEETH... THIEF A3: And what’s thief? P1: A person who stolen things (gesto com as mãos) A5: It’s the similar sound. P1: Yes! A3 chama P1: What’s ring? P1: Ring? (e mostra o anel) A3: Ah! Ok! 164 P1: Do you have a grandfather? A6: Yes, I have a grandfather. P1: And how old is he? A6: He is 70. P1: 70? A6: yes, 70. P1: Is he young? A6: Yes. As e P1 (risos) A6: Yes, for your old. P1: For his age? A6: Yes, for his age, he is young. P1: Ok, no problem. And that boy (na situação)… is he blind? As: (demonstram não entender) P1: Look, is he blind? Can he see? A3: No, he can’t. P1: So, is he blind? (tapando os olhos) A1: Yes, he is blind. P1: Do they have 10 or 12 flavors? A4 (não responde) P1: toca o áudio “We’ve got about a dozen flavors”. So, do they have 10 or 12 flavors? A4: They have 12 flavors P1: So, do they have about a dozen flavors? (balança a cabeça insinuando que sim) A2: (não responde) P1: Do they have about a dozen flavors? A2: (não consegue responder) P1: Listen (toca o áudio novamente) Do they have about a dozen flavors? (repete a pergunta mais devagar) A5: About? P1: About, about (fazendo gesto com as mãos indicando ‘mais ou menos’) As: Aaah. P1: So, do they have about a dozen flavors? A2: Yes, they have about a dozen flavors. A5: A dozen the flavors? As e P1 (risos) P1: A dozen flavors… my god (risos) A5 (risos): Eu num tava entendendo. P1: If you have a dozen books, do you have twelve of them? A7: yes, I have twelve. P1: Look, here. Was the boy sleeping when his dad came into the bedroom? A3: Yes, he was sleeping P1: Very good, A3. Look, here he was sleeping, but here (mostra a figura), he was waking up (faz gesto), ok? As: yes! P1: Do you think the girl is holding her nose because of the boy’s feet? A1: Yes, I think the girl is holding her nose because the boy’s feet// 165 P1: The boy’s feet (confirmando). Very good! So, do you think she is holding her nose because her brother’s feet have a horrible SMEEL (gesto – como que cheirando algo), A3? A3: Yes, (continua com ajuda de P1) A1: Smell (gesto)? P1: Yes, smell (gesto). P1: Is she holding her nose because her brother’s feet stink? A7: (não responde) P1: (repete): is she holding her nose because her brother’s feet stink? A7: Yes, she is holding her nose because her brother’s (continua com ajuda de P1) […] (durante repetição) A1: Stink? P1: (gesto – como que algo cheirasse mal) A1: Ok. P1: Here, is the boy happy here? A3: No, he is angry. P1: Ok, so is he complaining: Oh, mom, da-rã-rã-rã-rã-rã-rã (Onomatopéia) A1: Yes, he is complaining. P1: Does she want her son to TAKE A BATH? (gesto como quem tá tomando banho) A5: Yes, she wants her son take a bath. P1: What is she doing here, A8? A8: she is smelling the boy’s toes. A1: toes? P1: Yes, toes… feet (mostrando o seu próprio). Toes (mostra) ok? Feet (mostra) (risos) P1: Do you think it’s annoying when your mobile phone rings while you’re at the movies? A5: (gesto de que não entende) P1: Do you think it’s annoying when your mobile phone rings while you’re at the movies? A5: (não responde) P1: Ring… (risos) Do you think it’s annoying when your mobile phone rings (trim-trimtrim)? A5: Yes, when P1: I think it’s annoying A5: when it’s P1: when my mobile phone A5: when my mobile phone rings when I’m watching a movie P1: Ok, but I’m talking at the movies… at the movie theather A5: Ok, when I’m watching the movie theater P1: (risos) No, no, listen: do you think it’s annoying when your mobile phone rings while you’re at the movies? A5: Yes, I think I’m annoying P1: it’s annoying A5: It’s annoying when I watch the movies P1: um-um (não) when a mobile phone rings while I’m at the movies A5: She answered (a A3)… Eu não lembro, não! P1: IN ENGLISH, GIRL! I DON’T REMEMBER! A3: Repeat, for her. 166 A5: É complicado! P1: IN ENGLISH! Do you think it’s annoying when your mobile phone rings while you’re at the movies, while you are at Cine Multiplex? A5: Yes, it’s annoying when the mobile phone rings while I’m watching a movie P1: While I’m at the movies A5: While I at the movies P1: while I’M at the movies A5: While I’m at the movies P1: (risos) Ok, take it easy! Relax! (explicando ‘in person’) P1: Look, in the girls’ opinion, this boy here… is more… turn off (reclama com aluno sobre celular)… is more attractive in posters… on his posters, sorry… than in person, okay? (gesto para ‘in person’ – apontando para sua própria face e a face de outra pessoa que estaria em frente a P1, hipoteticamente). As (não respondem) e A5 faz comentário (aos cochichos) com A3 P1: A5, speak in English!... Ok, let’s continue here… Is he more attractive on his posters… or in person, you? A3: He is more attractive on… his posters P1: THAN IN A3: than in posters P1: than in person A3: Ah, ok. Than in person P1: Do you think she stopped supporting Brad and started supporting Tammy? A3: Wendy stopped to support Brad Roe and started to support Tammy Goodsell P1: Ok. So, do you think Wendy changed from Brad’s side to Tammy’s side? A: (não responde) P1: (repete): Do you think Wendy changed from Brad’s side to Tammy’s side? A9: Yes, I think (continua com ajuda de P1) P1: (risos) Repeat! A9: (vai respondendo com ajuda de P1) P1: Ok, very good. Did Wendy switch sides? (gesto para ‘switch’) A4: switch? P1: Yes, did she switch sides (gesto) A4: Yes, she switch P1: switch A4: switch sides P1: Ok, so she CHANGED sides, she SWITCH sides. (ênfase na palavra + gesto) 167 ANEXO 2 MOMENTOS DE USO DAS CATEGORIAS DE TRADUÇÃO NA ESCOLA REGULAR I Tradução Intralingual + Intersemiótica + Interlingual Durante explicação P: Ó, esse aqui (apontando para a explicação intralingual no slide)). ‘To break up’ is when you FINISH ((gesto indicando ‘acabar; terminar’) a relationship. A?: Cada um pro seu lugar (risos) A4: Mas esse ‘break’ é aquele ‘break’ de quebrar? P2: É o que eu disse... Depende, depende totalmente do contexto. Se eu disser assim, ó. Tá aqui minha caneta (segurando uma caneta). Aí eu (gesto indicando quebrar)... Aí sim, I break my pen (gesto indicando quebrar). Agora aqui ((apontando para a figura))... faz sentido eu dizer: quebrar o relacionamento... quebrar o namoro? (risos) P2: Faz sentido? As: Não! P2: Então, o que seria, nesse caso? A4: Acabar o namoro. P2: Por isso que eu falei. Nos Phrasal Verbs, se você for traduzir palavra-por-palavra, não vai ter nada a ver, e você vai dizer coisa com coisa. Então, tem que analisar o CONTEXTO. Intralingual + Interlingual + Intersemiótica Durante explicação P2: Hoje, vamos ver um pouco de Phrasal Verbs. Lembrando que é só retomando, já que a gente já viu nas aulas passadas. (Mostra o slide com a definição de Phrasal Verbs). Então, Phrasal Verbs are special verbs in the English language that generally cannot be translated literally. They are formed by a VERB + PREPOSITION/ ADVERB/ANOTHER PARTICLE. Então, o que são Phrasal Verbs? A?: É tipo expressões. P2:Ó (apontando para o slide). Quando você diz ‘Can you look after my baby, please?’. Aí você pesquisa lá no dicionário... Ah, ‘look’ pode ser traduzido como ‘olhar’, ‘after’... eu conheço ‘after’ como ‘depois’. Aí você pensa: ‘Você pode olhar depois meu bebê, por favor?’ Faz sentido? As: Não! P2: Quando a gente estuda Phrasal Verbs, é importante ter em mente que essas expressões só fazem sentido dentro de um contexto. Veja esse exemplo aqui (apontando para o slide seguinte): Jack and Dan didn’t go to the party together because they don’t get along. Mas, professor, o que é ‘get’ e o que é ‘along’? Se você traduzir literalmente, não vai fazer nenhum sentido, okay? Eles só funcionam juntos. Imagine, A4 e A6 vão pra a MESMA praia, no MESMO ônibus, mas eles não vão juntos. Why? ... Because they don’t GET ALONG (gestos).Que é que eu tô querendo dizer com ‘get along’, aqui, pelo contexto? As: Se bicam/ Não se bate/ Os santo não se bate, não! 168 (risos) P2 (risos): Yes! That’s it! (Passa o próximo slide). Veja aqui (apontando para o slide) Intersemiótica Durante atividade oral Number 1, tá lá, A3 esperando a namorada pra ir pro restaurante... Ela, como todas as mulheres, ainda não tá pronta. Aí a mãe dela vai lá e diz: “Come on, dear! Fast, you need to dress up (gestos). Your boyfriend is waiting for you”. What’s the picture (apontando para a figura)? As: C (alguns As em LE, alguns em LM) P2: Yes, look. Here, the girl is dressing up for… dinner (apontando para a figura) Intersemiótica + Interlingual Durante leitura e interpretação textual P2: Olhem aí pra a figura (referência à figura paralela ao texto – no livro). What do you understand? As: Ele tá encarando o outro A5: É Bullying. A2: Só porque viu o título (risos) A5: Não, porque tem um fortão e um fraquinho, e o fraco tá com medo do forte. P2: Vamu lá, independente do título, que é que vocês entendem pela figura? As: Tem uma turminha contra um só. P2: Esse é um assunto que tá aí nas mídias, nos jornais. Do you know the meaning of ‘bully’? O que é que é ‘bully’? A7: É bulir com o cara. (risos) A5: Professor, eu não sei se é. Mas, eu ouvi dizer que ‘bully’ em inglês é ‘uma pessoa mandona; que quer mandar em todo mundo’. P5: Justamente. A palavra ‘bully’ remete à PESSOA. He is a bully... Ele é um prepotente, mandão!... E o que é que é bullying?, que a gente não traduz, a gente usa ela em inglês mesmo. A9: É quando tem uma pessoa que zomba do outro, só porque ele é diferente A7:Quando é mago demais, se for altão. (alunos e professor discutem o assunto) P: Pronto, agora eu quero que vocês leiam o texto, mas não palavrinha por palavrinha. Eu quero que vocês deem uma olhada por cima... Pode circular as palavras que vocês acham que são mais importantes dentro do texto. Ou, de repente, uma frase que você acha que resume o texto... Bem rapidinho, vamu lá?! Intersemiótica + Intralingual + Interlingual Durante leitura e interpretação textual P: Vamu lá. So, what are the words you circled (gestos). A3: Frightened P: What’s frightened? 169 A4: É tipo afraid. P: Yes, afraid, scared (gestos). Imagine if I see a Pit Bull in front of me (gestos - aponta indicando posição ‘em frente a P2’ ?!... Qual mais? A1: A group against one. P: Isso. Tá lá, ó, um grupinho, covarde, vê um cara lá sozinho, que fica sempre mais distante, que conversa menos, tem menos força... Tá mais vulnerável... Mais?! As: respect/ emotional problems/ physical/ appearance/ P: Ó, só algumas palavras que vocês já disseram já dá pra ver, mais ou menos, do que trata o texto, num dá? As: Dá/ Yes! P: Mas tem uma coisa... Vejam aí a contextualização. Alguém falou respect... num foi? Mas o que é que vem antes de respect? As ((buscam no texto)): Lack of. P: E, aí? Isso quer dizer que existe respeito ou existe FALTA de respeito? As: Falta de respeito. P: Então, num é só a palavra não. É ver o que vem antes também, okay?... Okay. Agora vamu ler o texto de forma mais detalhada. Eu vou ler o primeiro parágrafo... se tiver uma palavra que vocês não entendem de jeito nenhum, nem pelo contexto, e se num conseguir entender o que é que tá querendo dizer por causa da palavra, para e pergunta, okay? (faz a leitura do parágrafo) Intersemiótica + Interlingual Durante atividade escrita P (entrega atividade). Vamu lá, agente vai fazendo uma questão e corrigindo. Number (leitura enunciado em LE): Match the column on the RIGHT, ó? (levantando a mão direita) according to the column on the LEFT (levantando a mão esquerda). The first, the couple BROKE UP. Qual é a figura que diz respeito a essa afirmação. As: D (alguns alunos em LM, outros em LE). P: Então, pela figura, o que é que aconteceu com o coitado do casal? As: Eles acabaram/ Cabou tudo/ O bichinho. (risos) P: Ok. E assim, vocês fazem os outros. Tradução Interlingual Durante leitura e interpretação textual e atividade escrita P: Ó. Nessa questão aí, lembrem das dicas de leitura que eu dei. Qual a primeira coisa... a coisa mais importante assim que você pega o texto? As: Ver as perguntas. P: Isso... Vai evitar que você fique se detendo no texto sem saber nem o que as perguntas pedem... Depois, você vai fazer aquela leitura... só por cima, ver palavras cognatas, as palavras principais do texto. Só depois, você faz aquela leitura mais detalhada... Ah, o texto tá em inglês, mas as perguntas estão em português e vocês podem responder em português também. 170 ANEXO 3 MOMENTOS DE USO DAS CATEGORIAS DE TRADUÇÃO NA ESCOLA REGULAR II Tradução Intralingual Durante explicação gramatical (explicando o caso genitivo, P escreve no quadro “Possessive case = genitive case”. P: Então dentro de pronomes temos o Genitive Case, que também é conhecido como Possessive Case. É a mesma coisa, tanto faz... um ou outro. (P escreve no quadro, lendo) Ó... essa estrutura “The car of Mike” (…) e explica o caso genitivo (em LM). P: Você vai traduzir a mesma coisa, só que sendo de uma forma reduzida (escreve no quadro ‘Mike’s car’) Durante atividade escrita P: desenvolvendo vocabulário (faz TRADUÇÃO INTRALINGUAL)... Search for the synonyms of the following words... Procure por sinônimos das palavras… a seguir… Número um, sinônimo de ‘survey’. A: Poll P: Not to like As: dislike P: dislike… not...well known A: unknown P: e o quarto…sinônimo de ‘especialist’ A*: Professional / Outro A: expert A*: Pode ser Professional, P. P: Professional é numa situação bem geral... Número dois, match the words from the Box…cadê a box? (risos) P: Vamo pra três… Adicione DIS às palavras entre parênteses para completar as sentenças (TRADUÇÃO INTERLINGUAL de LE para LM direta, sem ler em LE) (...) P: bem, número quatro. Match the words from the box... agora a box veio (risos) P: A palavra disease, destaquem aí...Ela é sinônimo de... A: Ilness P: Ilness (confirma)…e…sickness (explicações gramaticais)… Veja que sickness e illness tem sufixos… que transformando as palavra em substantivos… Atividade envolvendo TRADUÇÃO INTRALINGUAL. Os alunos enumeram de acordo com os sinônimos das palavras: Ex.: P: Survey As: Poll P: Not to like 171 As: Dislike P: Well known As: Noted P: Especialist As: Expert Tradução Intralingual + Tradução Interlingual Durante explicação P coloca no quadro – He walked along the beach by himself. – by + self = alone P: A função idiomática vai ser traduzida como ‘só’, ‘sozinho’ (...) As conversam (LM) P: Shhh. Aqui, ó. Não era ‘ele’? Então eu coloquei ‘by himself’... Ele caminhava pela praia sozinho. Tradução Interlingual Durante explicação gramatical P: Vamos começar a aula com as reference words, são palavras que servem como referência. P: Em inglês você sempre vai levar em consideração a pessoa que fala, okay? (...) P: se estiver perto de quem fala, você vai usar o famoso ‘this’, se tiver longe de quem fala você vai usar ‘that’ (escrevendo os pronomes no quadro)... Se tiver perto de quem fala, no plural, você vai usar ‘these’... Se estiver longe, você vai usar... those. P: Agora se eu digo assim, ó: you...can...do...better...than...this (escrevendo), a bichinha vem lá no final da frase, ó. Então eu digo: você pode fazer alguma coisa melhor do que isso. Então provavelmente eu vou tá apontando pra algum trabalho que você fez. P: Em inglês, vai ser o pronome ‘me’, que em português só pra um é ‘me, mi, comigo’. Aqui vai ser um pronome sujeito correspondente a um objeto. (...) P: Dá uma olhada nesse exemplo aqui (e escreve): Yesterday, you slept late. Bem, nessa frase aqui a primeira palavra dela é ‘yesterday’, que significa ‘ontem’. Ela é o sujeito da frase? As: Não! P: Qual é o sujeito da frase? As: You! P: Que tá acompanhado do verbo ‘sleep’ no passado. E aqui... Nesse caso aqui... No segundo exemplo, a frase também começa com ‘yesterday’. Só que ele exerce a função de sujeito, porque ele veio antes do verbo (Yesterday was a beautiful day). P: O que significa o verbo ‘give’? As: Dar. P: Lembra que o verbo ‘give’ requer dois complementos. Vamos lá, vamos perguntar ao verbo. Quem dá, dá algo. Quem dá algo, dá a alguém. Objeto indireto. Cadê a preposição? A: a 172 P: ‘a’ é artigo, querido! (risos) P: A preposição está omitida. Na hora que você vai traduzir, agente coloca a preposição porque a língua portuguesa pede... Eu vou um presente a você... Eu vou dar a você um presente. Então o nosso ‘a’ é a preposição. Por isso, que o nosso coleguinha achou que a era a preposição (na frase em inglês). I’ll give a present to you. Continua sendo objeto indireto. Só que apareceu aqui a preposição. A tradução é a mesma. P: Vamu lá. Quais são os pronomes do caso reto, começando pelo I... (escreve no quadro). Qual é o segundo... pessoa do singular: As: he, she, P: O neutro? As: it… P: Nós? As: we. P: O plural? As: you P: Vós, né? Vocês. Escreve do mesmo jeito As: they P: e eles ou elas... they. (sempre escrevendo os pronomes em LE no quadro) Explica em LM (...) A 3ª pessoa do plural tá determinado se trata de animais ou pessoas? As: Não! P: Agora é lógico que você não vai sair por aí dizendo do nada they, sem poder deixar claro de quem você tá falando. (explicando os pronomes oblíquos) P: Vai escrevendo o equivalente aos pronomes pessoais ao lado: me, you, him, her. P: Nós fica us. (explica em LE): Qual a diferença? Posição (...) P: Como é que agente sabe se um objeto é direto ou indireto? ... A presença ou ausência... de quê? As: Preposição. P: Então em inglês também vai ser o mesmo jeito?... Às vezes. Presta atenção nisso aqui, ó? Agente tem a seguinte frase: I’ll give you a present (escrevendo no quadro) A (faz um comentário) e As começam a conversar (em LE) P: Ó, vamu lá. Tem o sujeito... eu... Esse verbo aqui tem tradução (em relação a ‘ll = will)? As: Não. P: Indica que está em que tempo? As: futuro P: futuro (confirma)... simples por que veio apenas o verbo após a estrutura, não é isso? Então, o que é que significa o verbo ‘give’ Alguns As: dar P: dar, então o verbo dar pede dois complementos... dar algo a alguém. No caso aqui, dar o quê? As: Um presente P: então... ‘a present’ seria o objeto direto. E esse ‘you’ aqui. As: Objeto indireto P: Seria o objeto... indireto (confirma) 173 (explicando o presente contínuo, escreve a frase Mike’s fixing Pedro’s car; P mostra que nem todo ‘s é genitivo). P: Que agente normalmente traduz esse particípio presente como nosso gerúndio, tá? Então você traduz: Mike está concertando o carro de Pedro. (escreve no quadro “Mike’s fixing his car”) P: Nesse caso aqui ó, Mike está concertando seu carro. Ele mesmo tá fazendo. Ninguém tá fazendo pra ele. É ele que tá fazendo com o próprio carro. Portanto, esse ‘his’ aqui é um... possessive adjective... Adjetivo num é aquele termo que dá qualidade aos subjetivos? Só que a qualidade de um possessivo é indicar... de quem é: meu, teu, seu, nosso e assim vai. (...) E detalhe, agente tem que prestar atenção com essa mania que agente tem de associar o inglês com o português. Em português agente vai variando. Eu digo MINHAS... BLUSAS (escrevendo no quadro)... tudo no plural, né? Em inglês, o termo que vai indicar ‘minhas’ não vai pra o plural, porque o único termo que vai pra o plural em inglês é o substantivo. Então, eu vou dizer, ó: MY... BLOUSE. Minha blusa. Se eu quisesse o plural, minhas blusas (escreve no quadro: My blouses), mas o termo que indica posse permanece invariável. Mas agente tem que saber como fica a concordância em língua portuguesa pra dar uma, uma... um sentido melhor, pra o termo que você está lendo, okay? P: O que lembra ‘reflexive’ em português? O que você pensa quando se fala em ‘reflexivo’, em português? Qual é a primeira palavra que vem a mente? A: Refletir (risos) P: O que vocês entendem pelo termo ‘reflexivo’?... Que a ação está acontecendo com o próprio sujeito. Então o sujeito pratica a ação sobre si mesmo. São formados pelos sufixos self e selves (escrevendo no quadro). Esse para o plural e esse para o singular. A: Tem alguma coisa a ver com selfservice? P: Tem a ver, apesar de o povo dizer: Ah, eu vou comer ali no selvi-selvi (risos) P: (risos) Mas todo mundo entende, né... SELF-SERVICE (escrevendo no quadro). Service no sentido de servir. E ‘service’ também pode ser serviço, também. Dependendo do contexto, pode. E self no sentido de que vai se servir a si mesmo. Vai se servir-se... a si mesmo (risos) As (risos) P: Então nessa frase aqui: the car... of Mike... is new (escrevendo no quadro). Nessa frase aqui tá do jeito que agente gosta… palavra por palavra tem uma tradução específica, que agente tem costume. Se agente traduzir alguma coisa, qual é a tendência de vocês? Ir ao dicionário procurar palavra por palavra. Só que nem sempre vocês organizam da forma apropriada. Você pode traduzir palavra-por-palavra, agora depois você dá uma ajeitada, pra ver como fica em português, tá? Mas aqui não vai ter esse problema. The significa o, a, os, as, car... (As: carro) carro... of, preposição normalmente ‘de’, Mike, nome próprio, não traduz... is, ser ou estar, ‘é’, o quê? As: novo. P: Então, cada palavra na tradução (P mostra: Mike’s car is new): Então fica a mesma tradução, com outra forma de escrever. 174 (P mostra o exemplo: Mike’s fixed his car): Então esse aqui é o verbo ter no presente, seguido de um verbo no particípio... particípio passado (...) (após falar sobre a definição de adjetivo e pronome em português e assemelhar a língua inglesa). P: Só que tem uma coisa, qual é a posição do adjetivo em inglês?... Antes do substantivo, então você num vai usar nunca ‘carro meu’, em inglês vai assim ‘meu carro’.(...) Só que tem um detalhe... às vezes, entre esse substantivo e esse adjetivo que indica posse, pode vir um outro adjetivo... eu posso dizer: meu carro novo. Em inglês, essa palavra ‘novo’ vai ter que vir antes da palavra ‘carro’. Mas antes do ‘my’ ou depois? Depois. Vai ficar: My new car, tá certo? O que indica posse vem primeiro, depois vem os outros, se tiver... e depois vem o substantivo em questão. P: Nesse aqui, foi a última palavra da frase (o adjetivo possessivo: this notebook is mine), mas poderia ter sido a primeira... por exemplo, eu digo: este caderno é meu. O dela está ali. O dela o quê? As: O caderno P: o caderno dela (confirma). Então poderia ter colocado aqui, ó: Hers... is over... there (escrevendo no quadro). Isso aqui está substituindo ‘her notebook’. (...) Outra coisa, quando eu traduzi pra vocês: o meu caderno está aqui. O dela, cadê o artigo? Não tem. Porque não se usa o artigo definido ‘the’ antes de termos que indicam posse... Como ‘hers’ indica posse, não pode vir com o artigo ‘o’. Mas na hora que agente fala, agente diz por que o português permite isso. P: Então, geralmente ele é traduzido como ‘me, si’, aí vai variando com o sujeito. (...) Por exemplo: Mary hurt herself. ‘Hurt’ é o verbo ‘machucar’. Então você vai traduzir como: Mary SE machucou. Se você tirar esse ‘herself’ daqui, aí fica: Mary machucou... quem, o quê? A frase fica com uma lacuna. Não fica com o sentido completo. P: Eu também posso dar ênfase ao objeto, ó: I talked to Mrs. Taylor herself. Observe... o sujeito, eu, mas o herself no final da frase não tá de acordo com o sujeito, porque eu não estou enfatizando ‘eu’ que pratiquei a ação, eu estou enfatizando ‘Mrs. Taylor’. Ó: eu conversei com a própria senhora Taylor. Ninguém intermediou essa conversa, eu fiz isso com ela mesma. Se eu tirar isso daqui, todo mundo vai entender: eu conversei com a senhora Taylor. Cabou. Mas se eu colocar ‘myself’ aqui, eu to enfatizando os dois termos: eu mesma falei com a própria senhora Taylor... não foi com assistente, não foi com ninguém que intermediou essa história. P: Então qual é a tradução dessa frase aqui? As: Kate e John se amam P: Kate e John se amam (confirma). Nessa posição reflexiva está dizendo que o sujeito da ação pratica a ação sobre si. Então... se eu tenho...shhh... se eu tenho um sujeito composto, significa que a ação de amar é feita separadamente cada um sobre si. Do jeito que tá aqui seria: Kate ama a ela mesma... e John ama a ele mesmo... Quando agente diz em português que ‘eles se amam’ tá indicando reciprocidade... que Kate ama John...e que John ama Kate. Pra indicar essa reciprocidade, se vocês tiverem dois itens nessa estrutura, você vai usar ‘each other’, que significa...um... ao... outro. Se você tiver três ou mais itens envolvidos nessa história, você vai usar: one another, que significa ‘uns aos outros’. Então pra dizer que John ama Kate e Kate ama John, eu não poderia usar aquele ‘themselves’, eu teria que usar ‘each other’. A frase ficaria: Kate and John love each other. Agora sim, mesmo que a tradução seja: eles se amam, o ‘each other’, agente entende que tá falando de reciprocidade. 175 P: Os pronomes reflexivos tem a terminação do ‘self’, já mostrei pra vocês. (...) Os pronomes são reflexivos e naturalmente vão, no mínimo exercer uma função reflexiva. Normalmente traduzido como ‘me, se’, vai depender aí do seu contexto, da pessoa. P: Olha esse exemplo aqui: Lucy...cut...herself (escrevendo no quadro). ‘Cut’ é o verbo ‘cortar’. Como não tem o ‘s’ não estamos falando do presente, estamos falando do passado, que é o verbo irregular, no passado escrito tudo igual. Então fica: Lucy...se...cortou. Tirando isso aqui, fica ‘Lucy cortou’, o quê? Quem? A ausência do reflexivo deixa a frase com uma lacuna.(...) A: E se fosse ‘nós’? P: Nós nos cortamos, aí “We cut ourselves”. Então sempre se acordo com o sujeito. P: então você tem: Mike...talked... to the president (escrevendo no quadro). Mike conversou ou falou com o presidente, certo? Não temos reflexivo nenhum... mas eu posso enfatizar a palavra ‘Mike’, que é o sujeito da frase... masculino. Então, nessa posição aqui eu poderia ter colocado himself... O próprio Mike falou com o... presidente, certo? Eu também poderia ter colocado esse ‘himself’ aqui (no final da frase), porque quando agente quer enfatizar o SUJEITO, agente pode optar por colocar o reflexivo no final da frase. Não é isso que tá dizendo ali? Agora, eu poderia enfatizar ‘o presidente’. Se esse presidente é homem, então eu coloco ‘himself’. Então se eu colocar aqui (no final) você pode confundir... Será que tá dando ênfase a ‘Mike’, ou ao ‘president’. Então vamos falar da presidente. A: Dilma P: Dilma... Vai ficar assim, ó: Mike talked to the president herself. Está enfatizando ‘president’, okay? Então, Mike falou com a própria presidente. Se tem herself aí, você sabe que eu num to falando de Mike. Eu falei aqui que era a presidente. Mas nessas palavras que servem tanto para o masculino como para o feminino, como president, teacher... Você só sabe se é ele ou ela se vier o nome. Mas se não tivesse? Como é que você ia fazer? Predomina a regra normativa masculina. Mas se tiver um contexto, se você sabe que eu tô falando da presidente, então é ela. Então, é necessário ter o contexto.(...) E se fosse eu, ficaria: I talked to the president. Eu poderia enfatizar o I: I myself talked to the president... Eu mesma falei com o presidente. Eu também podia ter colocado aqui (no final), não podia? Tirado lá do começo... Qual a tradução? A mesma. E não tinha como você confundir. AGORA, eu poderia enfatizar o presidente. Como eu não sei se é homem ou mulher, predomina o masculino. Não é eu, tu, ELE, nós, vós, ELES? A: Aí tem que ter o contexto. P: Tem que ter o contexto. Agora se eu sei que uma mulher, com certeza teria que colocar ‘herself’ A: E aquele ali? (apontando para o exemplo: Mike talked to the president himself) P: Esse aqui num tem como você saber não. Pode ser: Mike mesmo falou com o presidente. Já ela pode colocar: Mike falou com o próprio presidente. (...) A: Podería também ser usado como ‘pessoalmente’? P: É, porque agente deduz que seja, né? Se não houve intermédio, não foi telefone, não foi e-mail... Mas assim a tradução específica para ‘pessoalmente’ não, porque ‘pessoalmente’ é um advérbio. Funções...é... classes de palavras diferentes, certo? Outra A: P, e como se diz ‘pessoalmente’? (DE LM PARA LE) P: Personally. 176 Durante leitura e interpretação textual (trabalhando o título do texto) P:Vocês conhecem o termo ‘evil’, num conhecem? As: Sim (conversam uns com outros) P: O que é ‘evil’? As: Mal P: ‘Necessary evil’ é o quê? As: mal necessário P: Um mal... As: Necessário A: E esse ‘find’? P: ‘Find’ é o verbo ‘encontrar, descobrir’. P: Então ele diz assim... ‘eventhough’, muito embora, we dislike the Idea of lying…dislike, tirando esse ‘dis’, sobrou like, o que é ‘like’? As: gostar P: Então o ‘dis’ é o sentido contrário, mas agente não diz o termo ‘desgostar’, agente diz... Alguns As: Não gostar P: Não... gostar, não é assim? As: É P: As mentiras mais comuns e porquê? Here is a list. Aqui está a lista.. of the most common white liess… and why we tell them… e porque dizemos. Primeira white lies mais comum (P lê em LE e discute em LM).. Esse aren’t worth to take credits for quer dizer...não vale a pena receber o crédito. Segunda mentirinha mais comum...the table will be ready in five minutes. It sounds better than fifteen minutes… Diga aí, você chega num restaurant, se brincar você fez até a reserve. Chega lá, faz: sua mesa estará pronta em cinco minutes. (continua comentando)... Terceira mentirinha: thank you so much, I just loved it. Muuito obrigado, eu simplismente ADOREI. Nem que depois que passe você diga, odiei. (continua comentando). To tell the person the gift sucked would make me an insensitive person. Ou seja, dizer a alguém que você não gostou de quem tá lhe presenteando, vai no mínimo decepcionar a pessoa e transformar você num leviano. Quarto: You look great in that dress... Você está ótima, você estava ótima naquele vestido (comenta) P (lê o texto em inglês) então veja só, a forma que o texto veio foi um.. uma notícia...aí diz assim... que a Corte permitiu que a polícia fizesse o quê? O que é conduct? Parece com que palavra? As: conduzir P: conduzisse o quê? A: Um teste de... P: A lying detector test... então o quê? Um detector de mentiras, que agente vê em filmes, né?... On family members... aos membros da família... e uma garota chamada Mônica. Aí vem...alegando que foi...acusada de... assassinada por casar-se...contra a vontade de sua... família. Então tem aí que ela foi assassinada... Então tem aí... segundo o texto, letra a, Mônica foi assassinada por casar sem o consentimento de sua família, matou as pessoas de sua família, a família de Mônica comprou um detector de mentiras, a família de Mônica deseja que Mônica se case com um membro da polícia. 177 (lendo o segundo texto) P: Vocês conhecem o termo ‘tale’? As: não P: Anotem aí... ‘Conto’, em inglês. ‘conto’... ‘In addition to’...destaquem aí, conjunção, na mesma linha... Então isso aí funciona como conjunção. É ‘ALÉM DE; ALGO A MAIS’. Então fica, Pinóquio, além de ser um conto de crianças... is a novel of education. ‘Novel’, falso cognato, significa o quê? A: romance P: mas parece com quê? As: novela P: Pois é... ROMANCE... is a novel of education.. Então seria um romance, mistura de quê? De educação... With values. Com o quê? A: valores. P: Com valores A: aí ‘of education’ é adjetivo P: não, substantivo A: ah, então fica substantivo? P: Ó a terminação ‘ion’ Outro A: P: Não, porque o termo ‘educação’ ele é substantivo, aí ‘de educação’, aí passa a ser funcionar como adjetivo, mas em inglês num vem ou antes ou com esse ‘of’ ta-rã-rã... Mas a tradução é ‘de educação’, não educacional... Então with values expressed...Com valores expressos... though, destaquem aí ‘though’... isso é uma preposição... significa ‘através’ ou ‘por meio de’... Através de alegoria... There are many ways... Há muitas... A: formas P: formas, maneiras, of...viewing this allegories… de ver essas…alegorias. (...) One is that they mirror the values of the middle class of 19th century. Tá dizendo que uma dessas…alegorias…é que eles o quê? Vocês conhecem ‘mirror’ como substantivo ‘espelho’. Ele aí veio precedido do ‘they’, que é pronome pessoal. Então aí tá no sentido de ‘espelhar’. Então essas alegorias espelham o quê? Valores of the middle class... da classe... As: média P: média (confirma), de quê período? As: século dezenove P: século dezenove (confirma)... Durante atividade escrita Atividade ENEM (Uso constante de INTERLINGUAL de LE para LM). As: Qual seria o sentido de xx? Essa palavra tá significando o quê aqui? P: Número 5... These are inevitable. Essas mentirinhas são inevitáveis? As: conversam P: ah? Essa é NS porque o texto não diz. (...) P: O outro. A person who tells a lie is a bad person or wants to deceive? As: b P: want to deceive, letra b… A pessoa que conta uma mentira, ela quer... enganar. 178 P: Número 5, in your opinion… na sua opinião, we tell lies because, nós contamos mentirinhas porque: letra a, it’s part of our lifes, é parte da nossa vida... das nossas vidas. Or we like lies, nós gostamos de mentir. Bom, isso aí vai depender de cada um. P: Nota aí a tradução (do enunciado): Procure os sinônimos das palavras a seguir: (...) OBS: Atividade que envolve TRADUÇÃO INTRALINGUAL: os alunos procuram, no texto, sinônimos das palavras citadas. Ex.: Especialist – expert Not to like – dislike (enunciado diretamente para LM – sem fazer a leitura em LE. Já as palavras do quadro, vai dizendo em LE e pedindo que os alunos digam em LM) P: Próximo. Relacione as palavras do quadro ao verbo... Note aí...chuva. E o que é ‘the truth’ As: a verdade P: a verdade (confirma)... Language... As: a linguagem P: uma língua ou um idioma... a nice person As: uma pessoa legal (P reclama com A) P: A palavra ‘wrong’, que é que significa As: errado P: errado (confirma)... A joke? A: piada P: uma piada (confirma)... A story As: história P: uma história (As conversam) P: shhh. Vamo lá. Speak? A: falar P: falar (confirma)... look like, parecer, mas é normalmente, o look like é quando parece com algo, mas não é exatamente. O ‘seem’ é parecer mesmo... não tem como escapar. (As conversam) P: Bora continuando... e o verbo tell é dizer.. Pra dizer em relação a chuva, qual o verbo que você usa? Parece chuva... mas é chuva? A: não P: Não (confirma). Mas quando você usa o termo ‘parecer’, mas sem ter a certeza disso, é ‘look like’ ou ‘seem’? As: look like P: look like (confirma). Então ao lado de ‘look like’ você copia ‘rain’ (reclama com As) P: A próxima... é ‘falar a verdade’ ou ‘dizer a verdade’ Alguns As: Falar... Outros As: Dizer P: Pra agente dá tudo no mesmo, né? Em inglês é ‘tell... the truth’... Depois a língua... Speak a language... Speak a language. Outra: parece um boa pessoa, parece ser, mas realmente é? As: não P: não necessariamente. Então vai ser... ‘look like... a nice person’... Depois…’’wrong’… parece errado, né? As: seem 179 P: então ‘seem wrong’… ‘A joke’? ‘Speak a joke’ ou ‘tell a joke’? As: tell a joke P: Tell a joke (confirma)… A story, é ‘speak a story’ ou ‘tell a story’? As: tell a story P: tell a story (confirma)… Psiu… Shhh… ‘The time’?... ‘speak the time’ ou ‘tell the time’? As: ‘tell the time’ P: vamo lá… parece um vírus... É realmente um vírus? ‘look like... a virus’, ok? A: é qual? P: look like (revisão para prova) P: Questão um: check the best translation for the sentence… Aqui tá pedindo a melhor o quê? As: Tradução P: Tradução (confirma) A frase é: He is writing...about...his..loneliness. Olha só, presta atenção aqui... ‘Write’ é o verbo ‘escrever’, não é isso? (As: É). Está com ing. Então esse rapazinho aqui é que verbo? (explica o que é o tempo presente continuo) P: Então quando agente traduz o contínuo, ele está o quê? As: escrevendo P: Qual é a alternativa que tem escrevendo? As: B e D P: letra B e letra D, okay? Agora ele está escrevendo sobre a sua própria solidão ou sobre a solidão de outras pessoas? As: a sua P: quando ele usou his, a sua, pertencente a... ele, então resposta letra? As: B P: B P: A palavra ‘associated’... num veio antes de ‘press’? As: veio...sim P: ‘Associated’ é verbo? As: não. P: É adjetivo também A: Associação P: Associados. A: Aí não podia ser substantivo. P: Nesse caso não, porque veio antes de outro substantivo, então funciona como adjetivo...É o mesmo caso de ‘necessary’ (na frase anterior) P: E a próxima palavra? As: Verbo. P: Verbo? No passado ou no particípio passado? Alguns As: Passado / Outros As: Particípio passado P: Não, mas particípio passado num é a terminação de ‘ido’ e ‘ado’. A: Então esse aí é particípio passado P: ‘Publicado o resultado’ P(mostrando regras em relação ao gerúndio): O mesmo acontece com ‘die’ que é morrer, certo? (...) 180 P: a próxima palavra é ‘acceptable’... Essa terminação de ‘ble’ geralmente dá terminação de ‘vel’... fica aceitável, que p o quê? As: adjetivo P: Adjetivo (confirma)... sufixo ‘ble’. (...) (explicando a função de prefixos) P: Então agente tem o ‘like’, que é ‘gostar’... o ‘dislike’ não é desgostar, é não apreciar ou não gostar. E INTRALINGUAL (...) P: Aí vem, no terceiro parágrafo ‘honesty’... substantivo... que vem de ‘honest’, que é adjetivo, adiciona o ‘y’ formei substantivo ‘honestidade’. P: Então temos as definições... something you like you know it’s not true... algo que você escreve que sabe que não é verdade, aliás, que você sabe que não é verdadeiro. A segunda definição... ‘an understatement made to deceive’... Então o oposto… true é verdade, existe ‘desverdade’? As: Não... / **A:Mas tem inverdade (risos) **A: Não é sério tem... inverdade P: Então seria uma afirmação não verdadeira ou inverdade, né, feita para enganar, ‘deceive’ tá aí no quadrinho ao lado, pra facilitar a compreensão... Aí vem exemplos, Tona got in trouble for telling lies (explica classificação gramatical de ing)… Então, Tina se complicou, teve problemas por contar mentiras... A fonte de onde foi tirado tá aí, a palavra ‘source’ significa ‘fonte’ P: A palavra ‘lies’... pode ser o verbo ‘mentir’, na 3ª pessoa do singular do simple present, como pode ser o substantivo ‘mentiras’. Então agente vai precisar realmente saber o contexto, pra descobrir qual dos dois é aí.. que tá sendo usado. Geralmente quando é verbo, antes dele tem que vir o sujeito, pra dizer quem é que mente, no caso o he, she... ou it. P: Então olha o seguinte...leonard is researching if the birth order influences people’s personalities…tá dizendo: Leonardo está pesquisando se a ordem de nascimento influencia na personalidade das pessoas... A letra b, Leonardo está pesquisando se a ordem de nascimento ESTÁ influenciando a personalidade das pessoas. A letra c: ele está pesquisando se a ordem de nascimento INFLUENCIA a personalidade das pessoas... Essa tem um erro, porque ordem de nascimento agente tá como sendo it e se o verbo vem para o presente, ele precisa receber ‘s’, okay? Então a letra ‘a’ tá fora. A ‘b’, ele pesquisa se a ordem está influência as personalidades, quer dizer, botou o verbo ‘to be’ e não botou o ‘ing’ As: Letra A... letra B P: Então resposta letra A (sem ler o texto em LE em voz alta, traduzindo diretamente) P: Questão sete: De acordo com o texto, as pessoas que têm filhos com doenças genéticas estão aprendendo sobre suas doenças? As: Não. P: B... Pesquisadores estão descobrindo que o risco de ser portador de doença genética pode ir além de transmissão de doenças aos filhos. C: problemas de saúde que geram alterações genéticas têm sido pesquisados. Letra D: os médicos falam que o risco de se ter um filho (...) 181 As: Letra B (...) P: Ó, city cidade, car carro. Grupo nominal...dois substantivos juntos...significa que o primeiro substantivo vai estar exercendo a função de adjetivo Atividade de Tradução Interlingual (para casa) P: começa no texto, a city car, the city car, não esqueçam da tradução no caderno, porque eu quero” (atividade para aula posterior) P: Número 1, where do the texts come from, aí ele tá perguntando onde você pode encontrar esses textos, mas são três, cada um pode ser encontrado numa situação diferente, no número um não tem newspaper? As: tem P: Então qual desses aí pode ser encontrado num jornal? As: o texto 1 P: magazine? As: revista P: revista (confirma). P: Why does the second child dislike his/her position? Por que o segundo filho não gosta dessa...posição? Tem aí também. Tem várias características. Por quê? (As comentam uns com os outros) Porque ele não tem... a atenção separada dos pais. Vai ficar assim, ó: because they never have their parents’...attention. P: Número três: why does the middle child feel squeezed? Por que o filho do meio se sente…pressionado...espremido? Por que... ele nem tem esse direito dos mais velhos, nem o privilégio do mais novo. Na própria atividade do livro (preparada por P), envolve TRADUÇÃO INTRALINGUAL – os alunos enumeram as colunas considerando a definição das palavras: P corrige a atividade: To understand wrong, entender errado, então… misunderstand. E o quarto// Alguns As: misjudge P: julgar errado, então ‘misjudge’. Interlingual + Intersemiótica Durante explicações gramaticais P: Vamu botar alguns exemplos aqui. Quando eu digo: That boy is still talking (escrevendo no quadro e apontando para um aluno, gesto de “talking”). Tá perto de quem? Não faço a mínima ideia, o importante é saber que ele está distante de mim, que foi a pessoa que falou... E normalmente quando agente faz ‘that’, agente aponta, né? Pra mostrar de quem você está falando... Tá certo? (acerca do Possessive Pronoun) P: Veja, nós temos (escrevendo no quadro) Este é meu lápis. Esse é o lápis dele. Aquele é o lápis dela. Eita, danou-se... Este é meu lápis. Esse é o lápis dele. Aquele é o lápis dela (risos) 182 P: Então eu num preciso tá repetindo. Então quando eu disse ‘este é o meu lápis’ eu uso um pronome possessivo. Quando eu digo ‘esse é o lápis dele’ e ‘aquele é o lápis dela’, eu já tô usando... pronomes possessivos. Então eu digo. This is MY (apontando para si) pencil. Hers is here. Pronto, esse é meu lápis, o dela tá aqui. O dela o quê? As: lápis. P: Eu digo a seguinte frase: This... is... MY... notebook (escrevendo no quadro). Esse ‘my’ aqui tá dizendo a quem pertence esse caderno... é meu... Mas eu poderia ter dito: This... notebook...is MINE (apontando para si). Pra não repetir a palavra ‘notebook’, no lugar disso aqui, tá certo? Num é... my notebook? Agente fala: este caderno é o meu caderno? Não. Agente fala: este caderno é... As: meu P: meu... ou: este é o meu caderno. (falando da função enfática do pronome reflexivo) P: Se eu digo assim: I MYSELF (ênfase na entonação) cleaned the house... Eu estou enfatizando. Vamos supor que em um determinado contexto, eu não costumo limpar ou... quando eu limpo fica meio limpo, mas quando o outro faz eu vou reclamar. Então, nesse contexto aqui: eu mesma limpei... a casa. Então se aparecer alguma coisa suja, a culpa foi de quem? Minha, que tava sempre reclamando que não tava da forma correta. Você pode tirar isso aqui, ó. Vai ficar: eu limpei a casa. Todo mundo vai entender o que você quer dizer. Mas como não é comum eu limpar essa casa, você vai...dizer...exagerar um pouquinho. (...) P: Ele é normalmente traduzido como ‘mesmo’ ou ‘próprio’. (mostrando a função enfática dos pronomes reflexivos) P: Aqui já tá dizendo... vai ser usado pra dar ênfase, ó. Vai ser traduzido como ‘mesmo’ ou ‘próprio’, variando também em gênero e número. (coloca exemplo no quadro: They THEMSELVES prepared dinner) – mostra ênfase P: então veja, eles... ou elas... essas pessoas aqui nunca fazem nada, mas hoje fizeram, o quê? Prepararam o jantar. Então todo mundo entendeu que eles preparam o jantar. Por quê que eu usei isso aqui? (themselves)... Eles mesmos prepararam o jantar. Pela primeira vez, sem contratar ninguém... Então eu exagerei. A: Aí fica they duas vezes? P1: O reflexivo pra they num é themselves? Então, o reflexivo tem que estar de acordo com o sujeito... Agora, eu posso colocar assim: They... prepared... dinner... themselves (escrevendo). A tradução dessa frase é a mesma, só que aqui (no 1º exemplo) eu coloquei o reflexivo imediatamente depois do sujeito... e na segunda coloquei a frase todinha e coloquei (o reflexivo) no rabo da gata. Certo? A tradução é a mesma porque a ideia é a mesma”... A: Mas tá they themselves. Eles eles. P: O themselves, myself vai ser ‘mesmo, mesma, mesmos, mesmas’. A: they themselves? P: ENTÃO! (risos) A: E se tirar isso aqui (they) P: Ai vai ficar ‘mesmos’. É como se tivesse I myself, eu mesmo (As conversam) P: Ó, ó. Presta atenção, se fosse eu: eu MESMA preparei o jantar... I MYSELF prepared dinner... Eu mesma. Então eles... mesmos... a palavra significa mesmo, mesma, mesmos, mesmas... E agente num diz pra enfatizar: eu mesmo fiz isso... ela mesma fez aquilo 183 A: E num pode tirar o they, não? P: Não, de jeito nenhum, porque os reflexivos concordam com o sujeito, então têm que tá presente na frase, em nome ou em pronome. Você tá achando estranho porque tem dois pronomes juntos... só que são pronomes de funções diferentes. Okay? As: Ok. P: Agora dá uma olhada aqui nessa frase... Eu digo assim: Bill and July… love… themselves (escrevendo no quadro)… como é que vocês traduziram essa frase? As: Bill e July se amam P: Bill e July o quê? As: se amam P: Se amam. Pela classificação que eu botei aqui pra vocês... esse themselves está exercendo a função: enfática, reflexiva ou idiomática? Alguns As respondem: reflexivo (hesitando) P: Vocês num traduziram ‘Bill e July se amam’. Então o ‘se’ tem função reflexiva. O que quer dizer isso? Quer dizer que o sujeito da ação pratica a ação sobre si mesmo. Do jeito que tá aqui, o sujeito... não é composto? Então, tá dizendo aqui que Bill ama ele mesmo e July ama ela mesma As: Ahhhh. P: Mas quando agente traduz que eles se amam, você num quer dizer que July ama Bill e Bill ama July? Alguns As: É. P: Isso aí se chama reciprocidade. Quando você tiver o ‘se’ de reciprocidade, você não usa o pronome reflexivo... Você usa isso aqui, ó... Se tiver duas pessoas envolvidas, você usa ‘each other’, pra dizer ‘um ao outro’... Se tiver três ou mais pessoas envolvidas nessa história, você usa... one another... uns aos outros (escreve os dois exemplos no quadro). Então, pra deixar essa frase no sentido de que ‘um ama ao outro’, essa frase deveria ser: Bill and July Love each other’. (...) A: (diz que não entendeu porque o uso de ‘each other’ P: Porque a intenção aqui é dizer ‘um ao outro’. Mesmo que o ‘se’ esteja sendo usado aqui (na frase em português), como reflexivo, a ideia de reciprocidade envolvendo duas pessoas é ‘each other’. Aqui tá correto (Bill and July Love themselves), mas o SENTIDO não é de reciprocidade... Bill ama ele mesmo e July ama ela mesma... mas não é o que agente quer dizer... agente quer dizer que Bill ama July e July ama Bill. Agora se fosse o trio parada aqui (apontando para três alunos), então seria ‘one another’. Durante leitura e interpretação textual P: Item 4, vamo lá. You look gre::::at in that dress… (gestos e expressão facial) quando alguém diz: ah, você está ótima nesse vestido. Às vezes tá terrível. A: é falsidade P: Mas um amigo num faz isso. Diz logo: tu vai trocar de roupa. Esse aqui deve ser alguém que tá tentando agradar, né? A outra: I’ll start working on that ASAP, que tá aí embaixo o que significa essa sigla, né? Alguns As: As soon as possible P: As soon as possible… assim que…possível, tá? Então essa é a dica de que se brincar você nem tava lembrado, vou fazer isso assim que possível, mentira, nem lembrava, né? A número 6, I thought I had already sent that e-mail out… eu achei que já tinha enviado esse e-mail, conversa. (risos) Num abriu nem a caixa de e-mail... nem pra enviar... nem pra ler, nem pra enviar. A número 7: Yes, John was with me last night, that’s what friends 184 do, we ask questions later. Isso é o que amigo faz. Ó, joão tava comigo na semana passada, né? Confirma pra namorada, pra esposa, seja o que for, depois ‘caçamba, como é que tu mente e num avisa’. (risos). A outra: I’m 21, handsome, quer dizer, tenho vinte e um anos, um metro e noventa, corpo, né, escultural, né, musculoso. Se você não pode me ver do outro lado da chattroom, né? Muita gente, faz. (segue para atividade) Durante atividades escritas Na segunda, escreva T para true verdadeiro e F para false e NS se não foi mencionado. Então primeira frase: People dislike (expressão facial) lies, tá dizendo que as pessoas não gostam de mentir. Segundo o texto, isso é verdadeiro ou falso? As: falso P: Dá uma olhada no final do primeiro parágrafo, tá dizendo assim, ó: aparentemente essas mentirinhas são aceitáveis, até mesmo necessárias para muitas vidas, muito embora nós não gostemos da ideia de mentir. Se ele usou: nós não gostamos da ideia, dá pra entender que as pessoas...não gostam, inclusive a pessoa que escreveu. Então esse aí é verdadeiro... (as conversam)... Só falou de forma diferente. A outra: Happy relationships are more important than being honest. Relacionamentos felizes são mais importantes do que ser honesto... Dá uma olhada no finalzinho no segundo parágrafo do primeiro texto... Ele diz assim: Não podemos sempre escolher honestidade sem comprometer outro valor que possa ser tão importante. Dá pra entender o quê? Que as vezes quando você opta pela honestidade, acaba destruindo esse relacionamento feliz, não é assim? As: É. P: Então é verdadeiro ou falso? As: Verdadeiro P: Verdadeiro... Bota um T ai. P: O outro texto, the most common white lies and why… As mentirinhas mais comuns e porque. (...) Primeiro, essa é a mais comum. It wasn’t me, não fui eu... some things aren’t worth taking credit for, algumas coisas não vale a pena… levar o crédito, okay? Então essa é a mais comum, não fui eu... Número dois, the table will be ready in five minutes, quer dizer a mesma estará pronta em cinco minutos. It sounds better than fifteen minutes (discute em LM, dá outros exemplos: quando você chega num restaurante...). Três, thank you so much, I just LOVED IT (ênfase na palavra e expressão facial)... muito obrigada, simplesmente ADOREI… Telling someone, dizer a alguém, that their gift sucked would make me look like a jerk, ou seja, dizer, eh… dizer a você… dizer a alguém que o presente me decepcionou, ah adorei, vai parecer você falso// As discutem – LM P: Bem continuando, número quatro, you look great in that dress… você está ótima nesse vestido... É melhor... eu não acho, se você não é bom amigo, você simplesmente não diz a verdade, mas se você for amigo você diz, mesmo que o outro não goste. Número cinco, I’ll start working on that ASAP, aí embaixo tem as soon as possible, então vou começar a trabalhar nisso assim que possível, bom, isso é a desculpa mais... comum pra quem vai fazer daqui a de\ minutos ou no outro dia. A número seis, I thought I had sent that e-mail out, o ‘thought’ é o verbo ‘pensar’, ‘achar’... Continuando, ah eu pendei que eu já tinha enviado esse e-mail, se brincar nem lembrou de ver... Número sete, Yes, John was with me last night, that’s what friends do, we agree and ask questions later… Sim, John estava comigo na noite passada, é o que os amigos fazem, né? Concordamos e depois questionamos (discute em LM). (risos e comentários – LM). 185 Tradução Interlingual + Tradução Intralingual Durante explicações (apresentando a função do reflexivo como sinônimo de ‘alone’, sozinho(a)) P: Então veja, eu digo assim: I walked along the beach… o sujeito num é ‘I’? Aí vem: by...myself. Então fica: Eu caminhei pela praia sozinho. Isso aqui (sublinhando ‘by myself’) vai ser sinônimo da palavra ‘alone’, que também tem a mesma tradução, okay? As: Ok! P: Número um: he says nobody is going to… Ele diz que ninguém vai… provavelmente DESAPROVAR o seu projeto...não aprovar. Então vai ficar como isso aí...número um? Desaprove... Número dois: you always, você sempre ta-rã-rã (?) quando preciso de você. Então, você sempre desaparece...fica como: disappear... Número três: I can’t tell you...shhh. Não consigo...não posso dizer a você...he is a...que ele é...um amigo desleal, como? Alguns As: disloyal P: DIS...loyal... Número quatro: the doctor told us, o médico nos disse, to... desinfect this group, desifentar esse grupo? Desinfect... o negócio tá difícil... Durante leitura e interpretação textual P: On July 11th, estamos falando de uma data específica, dia 11 de julho, the Associated Press, então estamos provavelmente falando de um jornal, né... published the results of a poll... publicou, aliás publica os resultados, de quê... o que é ‘poll’? A: Pesquisa P: De uma pesquisa A: Enquete P: Não é? De uma enquete... Esse ‘on’ aí tá no mesmo sentido de ‘about’... ‘a respeito de’, ‘sobre’, tá? Então, sobre o quê?... Publicar o quê? A: O resultado P: O resultado de quê? As: De uma pesquisa P: De uma pesquisa sobre o quê? As: Sobre mentir. P: Então, aparentemente essas mentirinhas são consideradas o quê? As: Aceitáveis P: Isso... Aí vem ‘even though’, ‘muito embora’, nem pedi pra destacar aí... é sinônimo apenas de ‘tough’... é sinônimo de ‘although’... A diferença é que esse aqui é mais enfático, ‘muito embora’, os outros dois são normalmente traduzidos como ‘embora’. Mas dá tudo no mesmo. Então, muito embora we dislike the Idea of lying, nós não gostemos da ideia de mentir... e não da ideia de mentindo... Fica meio troncho aí a compreensão. The article discusses the XXX of noted experts, experts in Psychology of Deception. Então Bell De Paul discusses, discute o quê? O que é ‘ethics’? As: A ética P: Ética em quê?... Do especialista conhecido, notado// A: //Na Psicologia P: //Na Psicologia da Decepção... Aí vem as palavras de quem falou... In our real lives, em nossas vidas reais, we can’t always pick honesty without compromising (P reclama com aluno – LM)…Aí vem na nossa vida real, cadê? Nós não podemos sempre, o que é ‘pick’ 186 As (não respondem) P: We can’t pick honesty. O que é ‘pick’? -A: Nós não podemos tomar a honestidade? P: ‘Pick’ tá no sentido de ‘tomar’? -A: Não. P: Então tá no sentido de quê? As: Escolher P: Da escolha, né? Então, escolher a honestidade SEM comprometer, fica sem sentido se botar ‘sem comprometendo’, né? A: Não pode ficar sem compromisso, não? P: Não... sem comprometer some other values, alguns outros...valores, algum outro valor, that can be so important, que pode ser tão importante... like maintaing a happy relationship, como manter um relacionamento feliz. P: Vamo lá. ‘When people learn they are carriers for a genetical disease. Então… quando as pessoas… learn…o que é o verbo ‘learn’?... Anota aí: aprender. Quando as pessoas aprendem que elas são o quê?... ‘Carry’ é o verbo ‘carregar’, Carrier/ A: portadores P: agente não diz carregador de doença...agente diz ‘portador’. Então há uma diferença, porque nós temos uma palavra específica pra isso... eles são portadores de uma doença...genética... ‘Doctors usually focus on potencial risk of having a child with the same problem. Tá dizendo que os médicos fazem o quê? O que é usually? As: Geralmente P: Geralmente (confirma)... focalizam em quê? As (respondem juntos) P: risco em potencial...você diz: de tendo ou de ter? A: de ter um filho com o mesmo problema P: de ter um filho com o mesmo problema, não é isso?... Aí ‘but’, o que é ‘but’? As: Mas P: Mas...Então tá aí, ‘but’ poderia ser substituído por// Alguns As: however P: However... Sem mudar o contexto, né, o sentido da frase... Increasingly... vem do verbo ‘to increase’ que é ‘elevar’, ‘subir’, colocou o ‘ing’ e aí transformou num advérbio... Então é o quê? ... crescentemente...researchers, pesquisadores, are finding that being a carrier itself... eles estão descobrindo o quê?...ser um portador...em si, né?... can lead to serious health problems... pode levar, guiar, a sérios problemas de saúde, ok? P: Então publicou um artigo de opinião a respeito de quê? Mentir! Lie! Apparently white lies are acceptable… Tá dizendo que aparentemente essas o quê? Essas mentirinhas são o quê? As: aceitáveis! P: Aceitáveis! (confirma). Even necessary part of many lives. Shhh, cala a boca (para A). Even, até mesmo, funciona como conjunção...até mesmo... parte necessária de muitas vidas. Eventhough, destaquem por favor, ‘eventhough’, isso aí também é uma... conjunção, é sinônimo de... ‘although’, que significa... ‘embora’, só que quando eles usam ‘eventhough’ significa ‘muita embora’. (reclama com A) P: Então anota aí, ó, esse aqui (em relação á although) é ‘embora’, esse aqui ‘muito embora’. Só um pouco mais enfático, mas dá tudo no mesmo, certo? E ainda tem, sinônimo deles só o ‘though’, sozinho... só que pra ele ter essa tradução de ‘embora’, ele precisa ser usado no início... da frase... Por que isso? Porque quando a palavra ‘though’ vem em outra posição, normalmente no final da frase, ela tem outra tradução e outros sinônimos. Então vamos anotar também (e escreve no quadro)... O 187 ‘though’ no final da frase... precedido... de vírgula, certo? Ele passa a ser sinônimo de ‘but’. Como é normalmente que agente traduz ‘but’? As: Mas P: mas (confirma) P: The article discusses, ‘article’ parece com que palavra em português? As: artigo P: artigo, então o artigo faz o quê? Discute the ethics, a o quê? As: a ética P: A ética (confirma) of noted expert, a palavra ‘expert’ é sinônimo de ‘especialist’ (escreve no quadro expert = especialist). Especialist parece com que palavra? As: especialista P: especialista (confirma) Então se a pessoa é um expert em alguma coisa, ele é um especialista. E esse especialista aqui, ele é noted, ‘noted’ vem de note, que é ‘notar’, anotar, noted quer dizer que o caba não é desconhecido, não...ele já tem várias experiências a respeito...Okay? In Psychology of Deception, psychology parece com que palavra? As: psicologia P: Então Psicologia, olha o ‘y’ no final que dá a terminação de ‘ia’ então Psicologia de quê? As: Da decepção P: Da decepção (confirma) P: In the sentence ‘A middle child feels squeezed’. ‘Squeezed’ que veio no texto, inclusive entre aspas, é o quê? Espremido, né?... É no sentido de ‘free’ ou ‘pressed’? As: pressed P: pressed Tradução Interlingual + Tradução Intralingual (de LM para LM) + Tradução Intersemiótica Durante leitura e interpretação textual Vocês sabem o que é que significa ‘white’... a cor, não sabem?” As: “Sim, branco” P2: “E sabem também o que é ‘lie’” As: “Mentira” (conversam paralelamente) P2: “Mentira” (confirmando a resposta dos alunos) P2: “E o que seria uma ‘white lie’?” Alguns As: “Mentira branca” P2: “E o que seria uma ‘mentira branca’?” As comentam uns com os outros: “É uma mentira pequenininha”/ “É uma mentira boa” P: É mentira boa? As: É uma mentirinha. P2: Aaahhhh. Se eu disser que aquelas duas meninas (aponta para as meninas) não estão conversando, isso é uma ‘white lie’?” As: “É!” (risos). Uma A: É uma mentira sem maldade. P2: Isso. E se o camarada mata dez e diz que não fez nada, isso é uma ‘white lie’?” As: “Não!” (risos) P2: “Então ‘white lie’, de uma certa forma, se agente levar em termos, eh, o termo mentira, aí alguém chega pra você e diz: “Eu não minto!” você acredita? Será que essas pessoas... também pra proteger alguém, pra evitar um problema maior não acaba mentindo? 188 (As conversam) P: Então quando agente diz uma mentira... Né... Então quando agente usa o termo de forma mais radical, né? Mentira... quando agente diz: eu não minto, aí você acaba mentindo. Essas mentiras são chamadas de ‘white lie’. P: No terceiro parágrafo exatamente discurso direto. In our real lives. Em nossas vidas reais, we can’t always, não podemos sempre, pick, então destaca aí o ‘pick’, o verbo aí tá no sentido de quê, alguém já traduziu aí? As: escolher. P: Então é sinônimo de to...choose, que é o verbo ‘escolher’ (escreve no quadro pick = choose = escolher). Como eu sempre peço sinônimos, antônimos e tradução, tô colocando aqui, a estrutura, tá bem? Então, vamo lá: em nossas vidas, nem sempre podemos escolher... ‘honesty’ parece com que palavra? As: honestidade P: não podemos escolher honestidade WITHOUT (ênfase e balançando a cabeça indicando ‘não’) compromising some other value. Ó... ‘without’ é uma preposição, significa ‘sem’, dessa palavra que tá aí, se você tirar esse ‘out’, você tem o oposto dela, que é ‘com’. Aí o verbo que vem depois ‘comprometer’, num veio com ing? Isso acontece... porquê?... Por causa da preposição, se depois de uma preposição, você precisa usar um verbo, esse verbo recebe ing. E traduz como?... No infinitivo... Ó...Não podemos sempre escolher a honestidade sem comprometendo outros valores, dá sentido? As: não P: fica ‘SEM COMPROMETER’ (P reclama com A) P: Então, ó, sem comprometer outro valor que é tão importante quanto. Então, esse ‘like’ aí é ‘gostar’? As: Não! P: É comparativo ‘como’ (comenta/discute mentiras frequentes entre casais)