Sustentabilidade da política de turismo no brasil e desenvolvimento do ecoturismo (2)Turismo e Meio Ambiente Oswaldo Munteal (Pós-Doutorado em Administração Pública FGV/EBAPE) Ana Carolina Simonet (Graduação em Jornalismo FACHA) Instituição: Faculdades Integradas Hélio Alonso Endereço: Rua das Palmeiras 60 – Botafogo, Rio de Janeiro-RJ E-Mail: [email protected] RESUMO O nosso trabalho tem como foco o exame das condições de sustentabilidade da política de turismo no Brasil, a partir dos exemplos verificados na execução dos grandes eventos em nosso país. Num segundo plano complementar examinaremos o caso do ecoturismo, como alavanca para o desenvolvimento. O desenvolvimento destes temas é muito importante para o atual quadro do mercado de turismo mundial, sobretudo no Brasil e nos países da América Latina e o assunto em discussão tem por objetivo fomentar o debate e atribuir aos participantes do Congresso uma visão crítica acerca do desenvolvimento e do turismo sustentável. A crescente demanda pelo turismo ecologicamente responsável e, na sua contraposição, a chegada de grandes eventos, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, às vésperas da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Como realizar estes e outros tantos grandes eventos de forma sustentável e acessível? Outra questão é fornecer infra-estrutura, ainda falha na cidade do Rio de Janeiro para receber eventos globais de grande porte. Deve-se pensar a cidade e agir sobre ela. Deve haver investimento no transporte público, tudo deve ser bem sinalizado e os serviços em geral devem ser bem estruturados. A experiência com a Rio + 20 demonstra que há muito que se aprimorar e a CONPEHT é fundamental para que possamos discutir esses fatores, além de se tratar também de um evento de grande porte, buscando o intercâmbio cultural entre os povos lati- no-americanos no que âmbito do turismo e visando sua expansão. Pretendemos, pois, discutir as nuances que norteiam o turismo no Brasil e os impactos causados pelos grandes eventos, submetendo este trabalho buscamos integrar, promover o debate e discutir soluções para os problemas apresentados. A idéia é mostrar o papel sustentável e ecologicamente equilibrado que os grandes eventos devem exercer e valorizar o profissional de turismo de modo a prepará-lo para os eventos de grande porte que ainda estão por vir. PALAVRAS-CHAVE: Sustentabilidade; Turismo; Políticas Públicas RESUMEN Nuestro trabajo se centra en el examen de las condiciones de sostenibilidad de la política de turismo en Brasil, a partir de los ejemplos de la aplicación de los acontecimientos más importantes de nuestro país. En un plan adicional segunda examinará el caso del ecoturismo, como una palanca para el desarrollo. El desarrollo de estos temas es muy importante para el contexto actual del mercado mundial del turismo, principalmente en Brasil y en América Latina y el tema de debate tiene como objetivo fomentar el debate y asignar a los participantes al Congreso un punto de vista crítico sobre el desarrollo y turismo sostenible. La creciente demanda de turismo ambientalmente responsable, y en su mano, la llegada de grandes eventos, especialmente en la ciudad de Río de Janeiro, en vísperas de la Copa Mundial y 47 los Juegos Olímpicos. Cómo llevar a cabo estos y otros muchos acontecimientos importantes en forma sostenible y asequible? Otra cuestión es la de proporcionar la infraestructura, pero no en la ciudad de Río de Janeiro como sede de eventos de gran global. Uno debe pensar la ciudad y actuar en consecuencia. Tiene que haber inversión en el transporte público, todo debe estar bien señalizado y servicios en general deben ser bien estructurado. La experiencia con los de Río + 20 muestra que hay mucho por mejorar y CONPEHT es esencial para que podamos hablar de estos factores, y también es un gran evento, buscando el intercambio cultural entre los pueblos de América Latina en el contexto el turismo y la búsqueda de su expansión. Tenemos la intención, por lo tanto, para discutir los matices que el turismo unidad en Brasil y los impactos causados por los grandes eventos, la presentación de este trabajo se tratará de integrar, promover el debate y discutir soluciones a los problemas presentados. La idea es mostrar el papel que los grandes eventos sostenibles y ecológicamente equilibrado debe ejercitar y mejorar el circuito profesional con el fin de prepararse para los grandes eventos que están por venir. PALABRAS-CLAVE: Sostenibilidad; Turismo; Políticas Públicas INTRODUÇÃO Como nos podemos observar na figura acima, a beleza brasileira em muito se deve a sua biodiversidade, que modela o seu território, dando-lhe uma singularidade incomparável no mundo. Os seus ecossistemas e cidades, como a Amazônia e a cidade do Rio de Janeiro já seriam suficiente para credenciar o Brasil como um dos grandes pólos turísticos mundiais, mais o país conta com uma sin- gular riqueza histórica, fruto de mais de 500 anos de história, guardadas em suas construções antigas, inúmeros monumentos, como o centro histórico da Olinda, Recife, Belém, Salvador, o Paço Imperial e o Palácio do Catete no Rio de Janeiro, satisfazendo amplamente os turistas que prezam as construções históricas e arquitetônicas. Em suma, o Brasil é possuidor de um enorme potencial 48 turístico, que o credencia a se candidatar ao posto das maiores potencias turísticas mundiais neste século XXI. Porém, para que consigamos alcançar essa meta é necessário que elaboremos, tanto o setor público como o privado, estratégias, para transformar o país em referencia turística internacional, a começar pelos investimentos em infra-estrutura, porque o atual momento é de suma importância, devido ao fato de que o país esta as vésperas de sediar grandes eventos internacionais, na qual certamente, o colocará em evidência mundial, representando dessa maneira o momento oportuno para a emergência de políticas que estimulem a sustentabilidade do turismo no Brasil. O Brasil é reconhecido por ser o país que possui a maior diversidade ambiental do mundo, concentrando em seu território a maior parte da Floresta Amazônica e do Pantanal, além de possuir outros ecossistemas, como o Cerrado, a Caatinga, os Pampas e a Mata Atlântica, conferindo uma enorme responsabilidade ao país no que diz respeitos as políticas de sustentabilidade . Portanto, objetivamos colaborar com as pesquisas relacionadas ao turismo e a sua contribuição para a preservação do meio ambiente, contribuindo para o desenvolvimento do turismo ambiental no Brasil, como meio de contribuir com a indústria turística brasileira e latino americana, porque, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a América Latina concentra: • 16% da superfície terrestre; • 40% da biodiversidade; • 33% das espécies de mamíferos; • 35% das espécies de repteis; • 41% das espécies de pássaros; • 50% das espécies de anfíbios; • Mais de 50% da floresta tropical do planeta; • Dos 10 países que possuem a maior biodiversidade do planeta, 6 pertencem a América Latina (Brasil, Colômbia, Equador, Venezuela, México e Peru) . Atualmente, o desenvolvimento econômico e social do mundo em que vivemos esta intrinsecamente interligado com a preservação e a utilização sustentável dessa riquíssima biosfera, e o setor de turismo, pode estar na vanguarda nas políticas de sustentabilidade do planeta, e principalmente, da benigna exploração dos variados e encantadores ecos- sistemas. Porém, são necessárias iniciativas, ou melhor, um amplo planejamento institucional para o fortalecimento do turismo, e conseqüentemente, do ecoturismo no Brasil, aliado as políticas de sustentabilidade. DESENVOLVIMENTO Ao longo de sua história, a América Latina notabilizou-se pelo desenvolvimento extrativista, imposto pelas metrópoles ibéricas, durante a colonização, e consagrado pela Divisão Internacional do Trabalho como região fornecedora de matérias-primas e produtos agropecuários, gerando assim um modelo econômico fundamentado no intenso aproveitamento desordenado das riquezas naturais, até o seu esgotamento, como podemos observar através da primeira atividade econômica do Brasil, a extração do Pau-Brasil, e conseqüentemente, a implantação da cultura do açúcar no nordeste brasileiro, impulsionando a colonização; ou na América Espanhola, a extração de minerais preciosos, como o ouro e a prata, fundamentada pelas políticas mercantilistas daquele período, cujas conseqüências ao longo dos séculos foram o esgotamento do solo, como a Zona da Mata nordestina viciada pela monocultura açucareira e, o esgotamento rápido de inúmeras matérias-primas, como a prata boliviano. Portanto, o desenvolvimento econômico latino americano estruturou-se no aproveitamento sistemático, em caráter extrativista, de suas riquezas naturais, cujo método aplicado fora o da monocultura, por exemplo, os ciclos do açúcar, do café, da borracha e do cacau no Brasil, até o atual predomínio das commodities, como a soja. Esse modelo de desenvolvimento afetou a biodiversidade latino-americana, no Brasil, a Mata Atlântica, que cobria quase todo o litoral brasileiro na época da chegada dos portugueses, foi intensamente desmatada, ficando reduzida a apenas 9% do seu tamanho original , confinada em alguns parques florestais, assim como o Cerrado fora intensamente desmatado para dar lugar ao plantio da soja e a pecuária, assim como atualmente a Floresta Amazônica sofre intenso desmatamento para alimentar a indústria madeireira e a pecuária. Tudo isso demonstra como o modelo de desenvolvimento adotado na América Latina é altamente predatório e contra todas as diretrizes do desenvolvimento sustentável, porém é uma marca da nossa história, a crença no mito da inesgotabilidade dos recursos naturais. 49 No mundo em que atualmente vivemos, marcado pela temor do esgotamento da biosfera e, principalmente, dos recursos naturais não renováveis, faz a humanidade repensar cada vez mais no modelo de desenvolvimento a ser adotado para as gerações futuras, e a desenvolver atividades econômicas interligadas com a sustentabilidade do planeta, e principalmente, no cenário latino americano, a combater esse legado histórico extrativista, de esgotamento do meio ambiente como força motriz do desenvolvimento. Em 1992, ocorreu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, conhecida como ECO-92, na cidade do Rio de Janeiro, em que fez um balanço tanto dos problemas existentes quanto dos progressos realizados em relação a conferencia anterior , e elaborou relatórios importantes que continuam sendo referência para as atuais discussões ambientais. Duas importantes convenções foram aprovadas durante a ECO-92: uma sobre biodiversidade e outra sobre mudanças climáticas. Outro resultado de fundamental importância foi à assinatura da Agenda 21 , um plano de ações com metas para a melhoria das condições ambientais do planeta. O aprofundamento da Convenção sobre Mudanças Climáticas resultou na elaboração do Protocolo de Kyoto, de 1997, que objetiva a redução da emissão de gases causadores do efeito de estufa. Esse Protocolo teve como objetivo firmar acordos e discussões internacionais para conjuntamente estabelecer metas de redução na emissão de gases-estufa na atmosfera, principalmente por parte dos países industrializados, além de criar formas de desenvolvimento de maneira menos impactante àqueles países em pleno desenvolvimento . Vinte anos depois da ECO-92, a cidade do Rio de Janeiro recepcionou mais um grande conferencia sobre o desenvolvimento sustentável, a RIO+20, nome dado como forma de fazer o balanço com os resultados obtidos há vinte anos atrás e, principalmente, analisar as mudanças ocorridas no mundo durante esse período e, principalmente, como enfrentar a gravidade que se tornou a devastação ambiental. Se focarmos a América Latina, região que atualmente experimenta um período de desenvolvimento econômico e social, as estimativas do Banco Interamericano de Desenvolvimento é que até 2030: • Haverá aumento populacional em cerca de 6-7 milhões de habitantes; • A produção econômica poderá dobrar; • O crescimento da classe média poderá totalizar em 500 milhões de habitantes; • O consumo de água poderá aumentar em 25%; • A demanda energética poderá aumentar em 50% . Isso demonstra a enorme contradição a que estamos imersos atualmente, em que de um lado temos a ampla consciência de que devemos preservar a biosfera, evitando o seu esgotamento, para o futuro da humanidade; e de outro, exigiremos cada vez que a natureza sustente o intenso desenvolvimento dos países emergentes, dentre os quais o Brasil, além do intenso consumo dos países desenvolvidos. Esse choque de concepções acerca do desenvolvimento, criando uma espécie de dialética, abre oportunidades para atividades econômicas que prezem pela sustentabilidade, em outras palavras, pelas iniciativas econômicas que não causem impactos ambientais, dentre as quais se destacam o ramo do turismo, reconhecido por ser uma atividade..., podendo contribuir para a edificação de uma nova mentalidade: a da preservação como atividade econômica. Ao focarmos a atividade turística e o meio ambiente, mais especificamente a sustentabilidade da política de turismo no Brasil tem em vista o enorme potencial turístico do país, conforme havíamos ressaltado preliminarmente na introdução a riqueza natural e histórica do país, conferindo assim um amplo e diversificado mercado turístico a ser desenvolvido e explorado. Se analisarmos a atual configuração do mercado turístico no Brasil, observa-se que a grande maioria daqueles que visitam o país, o vem, prioritariamente para lazer, atraídos pelas belezas naturais brasileiras consagradas no exterior, como as paisagens do Estado do Rio de Janeiro e as belas praias do nordeste, além dos eventos festivos, como o carnaval; e em segundo lugar, como o desenvolvimento econômico brasileiro, desenvolveu-se o chamado turismo de negócios, cujo centro polarizador é a cidade de São Paulo, na qual e rede hoteleira e voltada justamente para o publico empresarial que visita a cidade para os encontros e conferências voltadas aos negócios, como podemos observar na tabela abaixo: 50 Atualmente, a atividade turística no Brasil está em franco crescimento, se compararmos o perfil turístico do Brasil dos anos oitenta com a situação de hoje podemos ver que houve grandes mudanças. O desenvolvimento do ecoturismo, do turismo de negócios e a maior acessibilidade dos destinos nordestinos através de vôos domésticos significaram a oferta de um número maior de destinos, competindo para atrair um mercado maior de turistas. A previsão é que o Brasil continue crescendo. A previsão da OMT é que o Brasil atrairá 14 milhões de turistas 51 estrangeiros em 2020, crescendo a um ritmo médio de 5,2% ao ano desde 2000. Mas o que falta no Brasil - é uma maior oferta de destinos e produtos de qualidade que conseguem atrair mais turistas; que pode ser suprido com o pleno desenvolvimento do turismo sustentável. E a vinda dos Mega Eventos vai exigir do Brasil uma mudança de atitude e compromisso real com sustentabilidade. Para o turismo o meio ambiente está muito próximo, é a base do turismo. Meio ambiente, aqui, tem uma definição mais ampla: “meio ambiente se refere ao meio físico, o qual é formado por componentes naturais e construídos. O ambiente natural é aquele que provém da natureza – clima e temperatura, água, topografia e solos, flora e fauna etc. – e o meio ambiente construído é aquele fabricado pelos homens, principalmente todos os tipos de construções e outras estruturas “ (Lickorish, 2000:117). A temática ambiental já é abordada em outras atividades, que inclusive, tem procurado diminuir os impactos negativos e potencializar os impactos positivos. E, o turismo, uma atividade econômica como outra qualquer, também provoca mudanças onde for instalada. No turismo, a questão ambiental está enfocada entre outras ações para minimizar os impactos. A educação ambiental é vista como um caminho natural para solucionar e/ou minimizar os impactos. A educação ambiental dirigida ao turismo, por conseguinte, deve ser construída com a participação da comunidade visando assim o desenvolvimento sustentável. Essa noção de sustentabilidade leva o desenvolvimento do turismo a uma perspectiva de longo prazo. Esse desenvolvimento tenta manter os costumes locais, garantir a conservação de áreas de beleza natural, objetos históricos e outros. No programa de educação ambiental deve-se levar em consideração os problemas dos choques culturais, o retorno financeiro, à necessidade de preservação dos recursos naturais e culturais, e outros possíveis problemas observados pela comunidade e inerentes ao local. Neste contexto, a educação ambiental não pode ser reduzida a uma fórmula, cada comunidade tem realidade, necessidades, ações e reações diferentes. A implantação do turismo numa região, área ou país pode trazer benefícios, desde que sejam observados e respeitados os interesses da comunidade. Caso isso não ocorra, o turismo pode aumentar a mendicância, prosti- tuição e consumo de drogas. Vale ressaltar que o turismo não gera estes problemas sociais, mas sendo mal planejado, pode intensificá-los. No Brasil, o turismo tem servido, principalmente, a necessidade dos grandes empresários, onde grandes empreendimentos têm contribuído substancialmente para a exclusão social e geração de conflitos. Nesta perspectiva, o turismo tem sido uma atividade que tem gerados benefícios econômicos e malefícios sociais, descaracterizando o espaço natural e a cultural local. Desta forma, o turismo passa a ser uma atividade degradadora do meio ambiente e da cultura local. Destruindo assim o patrimônio natural e cultural, que são os atrativos turísticos. O turismo pode e deve ser uma atividade que gere emprego e distribua riqueza, isto constitui o grande desafio. Um turismo sustentável, um meio ambiente saudável, perpassa a educação. Educação comprometida com os ideais de um futuro melhor para todos e para o planeta. O Turismo e o Meio Ambiente possuem uma estreita relação de dependência. Toda atividade turística necessita de um ambiente para acontecer, e esse ambiente seja ele natural ou não, sofre um processo de descaracterização em seu cenário natural pela ação humana. Como afirma (Ferreti, 2002 p. 210) “Assim que a atividade turística ocorre, o ambiente é inevitavelmente modificado, seja para facilitar o turismo, seja através do processo de produção do turismo”. A natureza é essencial para o desenvolvimento da atividade turística, que buscam no contato com a mesma, recuperar suas energias e aliviar as tensões do dia a dia. De acordo com (Mendonça, 1996) com o grande aumento da indústria turística, houve a necessidade de aumentar e instalar a infra-estrutura; como os meios de hospedagens, restaurantes, saneamento básico, etc., de forma inadequada sem saber os seus efeitos sobre o ambiente local. De acordo com Dias A estreita relação entre os projetos turísticos e a qualidade do meio ambiente faz com que os impactos ambientais negativos destes empreendimentos causem a degradação dos mesmos ambientes, dos quais depende o êxito dos projetos, reduzindo os seus benefícios. A atividade turística vem ocasionando impactos danosos ao meio ambiente, principalmente no que se refere às zonas litorâneas cada vez mais procuradas por turistas, no qual acabam por desencadear uma corrida pela expansão imobiliária, destacando a presença de grandes empreendimentos turísticos na costa, atra- 52 vés do uso e ocupação de maneira desordenada trazendo consigo danos irreversíveis ao meio ambiente. Nem só de impactos negativos caracteriza-se a atividade turística, o problema é que de certa forma os impactos negativos do turismo sobre o meio ambiente ainda superam os impactos positivos. Não é possível desenvolver turismo sem que ocorram impactos ambientais, mas é possível, com o planejamento correto, gerenciar o desenvolvimento do turismo com o objetivo de minimizar os impactos negativos, ao mesmo tempo em que se estimulam os impactos positivos. Mas quando a atividade turística acontece, ela traz consigo pontos positivos e melhorias, como por exemplo, o estímulo para a conservação dos recursos naturais que em alguns casos favorece a qualidade ambiental. Outros fatores podem aqui ser destacados por (Dias 2003. p.102) onde ele cita mais alguns benefícios da atividade turística: • Contribui para a conservação dos animais ameaçados; • Leva ao aperfeiçoamento do planejamento e do gerenciamento ambiental; • Contribui para o aumento da consciência ambiental; • Auxilia na obtenção de recursos para a preservação; • Contribui na geração de fontes de renda alternativas; • Constitui uma alternativa de exploração econômica das áreas protegidas. Portanto, o meio ambiente é praticamente a base do turismo, pois é baseado nos atrativos naturais, na busca pelo desconhecido, da aventura, de novas culturas, que o homem sente a necessidade de deslocar-se para outros lugares, utilizando- se do ambiente natural, o que leva ao processo de degradação do mesmo. Com o passar dos anos o esgotamento dos recursos naturais trouxe a tona o problema da degradação ambiental, que fez com que se despertasse um maior compromisso com a preservação e conservação dos ecossistemas por parte da sociedade. O turismo é um fenômeno que traz mudanças ao meio ambiente natural e construído, tal afirmativa levou a uma reflexão sobre os impactos ocasionados ao meio ambiente e a idéia de sustentabilidade. A Organização Mundial do Turismo (OMT) define turismo sustentável como aquele que: Atende às necessidades dos turistas atuais e das regiões receptoras, e ao mesmo tempo protege e fomenta as oportunidades para o futuro. O desenvolvimento sustentável do turismo se concebe como um caminho para a gestão de todos os recursos de forma que possuam satisfazer-se as necessidades econômicas, sociais e estéticas, respeitando ao mesmo tempo a integridade cultural, os processos ecológicos essenciais, a diversidade biológica e os sistemas que sustentam a vida. (Dias, 2003. p. 107) Como dito anteriormente, o turismo está intrinsecamente ligado ao meio ambiente, pois necessita do mesmo para acontecer. Segundo Dias (2003. p.108) “O desenvolvimento sustentável do turismo está baseado num equilíbrio harmônico entre três dimensões: a econômica, a sociocultural e a ambiental” Ainda segundo o mesmo autor “o turismo deve levar em consideração permanentemente seus efeitos positivos e negativos nas três dimensões descritas anteriormente” Com o aumento dos empreendimentos os impactos ambientais tendem a se intensificar. O crescimento do interesse dos turistas pelos ambientes naturais tem elevado as preocupações sobre os impactos gerados pela atividade, porque a maior parte dos lugares que despertam a curiosidade dos viajantes é frágil, finita e apresenta de modo geral, alto valor conservacionista. (Dias, 2003. p 78) Dentro de uma visão geral os espaços litorâneos são os que mais exercem fascínio aos turistas de todo o mundo, e junto às essas áreas houve um considerável crescimento de empreendimentos imobiliários que sem um planejamento adequado, acarretaram a esses locais danos ao meio ambiente, alguns deles já irreversíveis. Dias (2003.p.71) afirma que “para atingir a sustentabilidade no turismo, é imprescindível a participação do estado e a existência de planejamento”. Atualmente existem iniciativas tanto por parte do Estado brasileiro, como também de organismos internacionais em prol do turismo sustentável, como: 53 • O Programa para o Desenvolvimento do Ecoturismo na Amazônia Legal (PROECOTUR): desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente com ações estruturantes de fomento ao setor ecoturístico na Amazônia Legal. Resultado de acordo firmado entre o governo brasileiro e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), foi criado com o intuito de estabelecer as condições necessárias para permitir aos nove estados da Amazônia Legal se prepararem para administrar, de forma responsável e eficiente, o desenvolvimento do ecoturismo nas suas áreas naturais . • Passaporte Verde: é uma campanha parte do Projeto Férias Sustentáveis, desenvolvido no âmbito da Força Tarefa Internacional para o Desenvolvimento do Turismo Sustentável (FTI-DTS), coordenada pelo Governo Francês. Parte das ações do Plano de Implementação da Conferência Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento de Johannesburgo, a FTI-DTS, é uma iniciativa voluntária, da qual participaram inicialmente 20 países membros, dentre os quais o Brasil, por meio dos ministérios do Meio Ambiente e de Turismo, e visa estimular mudanças globais em direção a padrões de produção e consumo sustentáveis . • Turismo Sustentável e Infância: O objetivo do programa é trabalhar a prevenção e o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes nos equipamentos turísticos e ao mesmo tempo desenvolver, através da atividade turística, proteção ao meio ambiente, redução da pobreza e desigualdades regionais, por meio da criação de empregos e geração de renda . Essas iniciativas são fundamentais para a sustentabilidade do turismo no Brasil, devido a sua imensa projeção internacional, neste século em que o Brasil já figura como uma das economias mais promissoras do mundo, reconhecido como uma nova potencia econômica, em caráter emergente, integrando o grupo das maiores economias emergentes do mundo, juntamente com a Índia, China, Rússia e a África do Sul, os BRICAS. Nesse novo cenário brasileiro, a indústria turística e um dos setores mais promissores da economia brasileira, pois atualmente, segundo o ministério do turismo, a receita cambial do turismo no mundo no ano de 2010 foi de 919 bilhões de bolares, enquanto que em 2003 a receita foi de 525 bilhões de dólares. Já no Brasil, segundo órgãos do governo federal, a receita cambial do turismo foi de 5 milhões e 919 mil dólares, enquanto que no ano de 2003, a receita foi apenas 2 milhões e 479 milhões de dólares. CONSIDERAÇÕES FINAIS Isso demonstra o quanto precisamos desenvolver o turismo no Brasil, pois mesmo com os avanços, nesta área, como o aumento das chegadas de turistas no país, e conseqüentemente da receita cambial, comparados com a receita mundial, a participação brasileira é pífia, muito pequena diante de seu potencial turístico e econômico. Por isso que ao criar iniciativas para o desenvolvimento do turismo no Brasil, precisamos desenvolvê-las no prisma da sustentabilidade dessas políticas, em suma, o turismo tem que estar ao lado preservação do meio ambiente, utilizando-a como um diferencial para a atividade da mesma, o que é possível, em grande escala, em países ricos em biodiversidade, como o Brasil, que porventura é o mais rico do mundo, portanto, é necessário que encontremos a resposta para a seguinte indagação: que desenvolvimento nós queremos? A nossa proposta para o desenvolvimento paira sobre iniciativas e investimentos em infra-estrutura, relacionando-a com a sustentabilidade como força motriz. Isso é de suma importância na atualidade, em que o Brasil vive uma transição do país do futuro para o país do presente, em outros termos, o tão sonhado futuro de Brasil potencia já chegou, mas contraditoriamente, esse Brasil potencia, ou o Brasil desenvolvido, encontra-se ainda subdesenvolvido, ou atrasado em sua infra-estrutura, o que é fundamental para a atividade turística, por exemplo, as vésperas dos grandes eventos, a cidade do Rio de Janeiro não possui estrutura nos transportes urbanos para tais eventos, pois há necessidade de maiores investimentos em transportes de massa, como o transporte ferroviário, e conseqüentemente, a ampliação e integração de sua malha. Assim como também há necessidade de melhorar o sistema educativo, tanto para preparar o profissional do setor turístico para o desenvolvimento turístico brasileiro, que exigira profissionais altamente capacitados, como também da população, que precisa ser preparada para sustentabilidade, para a cultura da preservação, da reciclagem, ao invés do desperdício. Assim como também é fundamental preparemos a cidade para a inclusão dos portadores de deficiência, que em sua maioria se sentem excluídos, que diariamente tem que enfrentar uma série de obstáculos para se locomoverem, como a precariedade de rampas de acesso, plataformas de acesso nos transportes públicos, sinalização precária e, principalmente, a discriminação que sofrem por serem deficientes. Essas medidas expostas brevemente, não são apenas necessárias na cidade do Rio de Janeiro, são no Brasil inteiro, que necessita de grandes investimentos em infra estrutura, 54 como a ampliação dos transportes ferroviário e marítimo, pois o país e muito dependente do transporte rodoviário, que é altamente poluidor, além de não ser transporte de massa, necessita desenvolver infra estrutura urbana, já que infelizmente é muito comum haver tragédias quando ocorrem contratempos climáticos, como por exemplo, os alagamentos da grande São Paulo, os deslizamentos no Estado do Rio de Janeiro, que ocasionaram uma grande tragédia na Região Serrana em janeiro de 2011, ambos frutos da ausência de planejamento urbano, característico no desenvolvimento experimentado pelo Brasil, o denominado desenvolvimento sem planejamento. Neste trabalho demonstramos sucintamente os desafios encontrados pelo setor turístico no Brasil, mesmo sendo um ramo promissor da também promissora economia brasileira, necessita de alternativas para alavancar o desenvolvimento, por isso demos ênfase à alternativa da sustentabilidade, na qual o turismo pode exercer um papel fundamental, pois natureza e turismo estão intrinsecamente relacionados, sendo fundamental, portanto, o desenvolvimento equilibrado, ao invés do predatório. No setor turístico um ramo em franca expansão é o ecoturismo, em que no Brasil, faz-se necessário o amplo desenvolvimento de iniciativas que fomentem a expansão dessa nova atividade turística, devido ao singular potencial brasileiro, e conseqüentemente, latino americano, por exemplo, a cidade do Rio de Janeiro, possui a maior floresta urbana do mundo, o parque nacional da tijuca ou a floresta da tijuca, considerado “Patrimônio Ambiental e Reserva da Biosfera” pela UNESCO, assim como também possui o Parque Estadual da Pedra Branca, representando um enorme potencial ecoturístico a ser desenvolvido, pois é único, o turista vem para a cidade na expectativa dos grandes eventos, ou das praias, e nesta mesma cidade haver uma floresta urbana... Esse mesmo potencial da cidade do Rio de Janeiro equivale para o Brasil e a América Latina, se desenvolvidos com equilíbrio e racionalidade, mas para isso devemos nos capacitar, para que coloquemos a promissora sustentabilidade como política pública, ao invés de permanecer apenas como ideário utópico, como podemos observar no ECO-92 e no Rio + 20. REFERÊNCIAS BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO (2012). You are part of biodiversity? Disponível em: http://www. iadb.org/en/you-are-part-of-biodiversity,6684.html BRANCO, Samuel Murgel. 1980. Ecologia: educação ambiental: ciências do ambiente para universitários. São Paulo: CETESB. DIAS, R. 2003. Turismo sustentável e meio ambiente. São Paulo: Atlas. FARIA, D. S.; CARNEIRO, K. 2001. Sustentabilidade ecológica no turismo. Brasília: UNB FERRETI, E. 2002. Turismo e meio ambiente: uma abordagem integrada. São Paulo: Roca. IGNARRA, Luiz Renato. 1999. Fundamentos do Turismo. São Paulo: Pioneira. 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