Jornal Valor --- Página 1 da edição "24/10/2013 1a CAD F" ---- Impressa por edazevedo às 23/10/2013@15:44:23 Jornal Valor Econômico - CAD F - ESPECIAIS - 24/10/2013 (15:44) - Página 1- Cor: BLACKCYANMAGENTAYELLOW Enxerto Quinta-feira, 24 de outubro de 2013 | F1 Exemplo de Severino Lima ilustra a força da atividade de catador em Natal F4 Especial Resíduos urbanos FOTOS: KEVIN WOLF/AP No Brasil existem 800 cidades com coleta seletiva e é esse modelo complementar que precisamos reforçar Os problemas do Hoje há muitas entre as desenvolvimento são complexos e grandes cidades que já convivem somente o governo e o setor privado com o esgotamento de espaço nos não conseguem resolvê-los aterros sanitários Victor Bicca Fernando Jimenez-Ontiveros Horacio Terraza Cadeia de valor Reunião na sede do BID discute modelo de coleta sustentável que beneficie os catadores. Por Célia Rosemblum, de Washington P arcerias público privadas (PPPs) podem ser uma das bases para solucionar um problema socioambiental comum aos países da América Latina, o mercado informal de resíduos sólidos, que envolve, apenas no vácuo da coleta seletiva de lixo escassamente realizada pelo poder público, um exército de 4 milhões de catadores que, na grande maioria, trabalham em condições precárias. É esse o caminho por onde seguem, com bons resultados em algumas experiências, projetos que contemplam três frentes: organização dos trabalhadores em associações, mudanças na legislação que ajudem a formalizar a rede de coleta e triagem dos materiais, e estímulos ao mercado, para inserir a atividade dos catadores na cadeia de valor da reciclagem. Em torno dessas questões orbitaram os debates das reuniões anual da Aliança Global para a Reciclagem e Desenvolvimento Sustentável (Garsd) e do terceiro conselho consultivo da Iniciativa Regional para a Reciclagem Inclusiva (IRR), segunda e terça-feira, em Washington, na sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), um dos parceiros das ações, ao lado da Fundação Avina, do Fomin (fundo multilateral de investimentos do BID) e da Coca-Cola. “Os problemas do desenvolvimento são muito complexos e somente o governo, o banco ou o setor privado, sozinhos, não conseguem resolver”, diz Fernando Jiménez-Ontiveros, vice-diretor do Fomin, que em 20 anos de operação soma 1700 projetos apoiados em diferentes áreas. No campo dos resíduos sólidos, reforçado há dois anos com a IRR, ele defende a busca de modelos de negócios sustentáveis, “rentáveis não somente para os beneficiários, os catadores, mas para toda a cadeia, inclusive para as finanças públicas, com o pagamento de impostos a partir da formalização da atividade”. A escolha de parceiros que ajudem a multiplicar os projetos é estratégica. “Nesse tema, aprendemos que é importante trabalhar primeiro com uma grande corporação, que pode atrair empresas da cadeia de valor. Ao mesmo tempo, se tivermos sucesso na iniciativa, é muito mais fácil convencer outras corporações”, diz Ontiveros. “A Coca-Cola é um parceiro fundamental precisamente para influir na cadeia de valor.” Mas a presença de uma multinacional também pode provocar resistências. Aí entra em cena a participação da sociedade civil, no caso a Fundação Avina e o próprio BID. “Isso dá uma tranquilidade para esses coletivos que às vezes podem achar que existe problema na correlação de forças”, analisa Ontiveros. Para a fabricante de bebidas, a adesão à iniciativa, traduzida por apoio operacional e por parte dos US$ 8,4 milhões disponíveis para os três anos de operação inicial da IRR, está inserida nas metas socioambientais fixadas para 2020. Ao lado de objetivos como zerar a pegada hídrica da produção, a companhia quer avançar na sustentabilidade das embalagens, explica Rafael Fernández, vicepresidente de assuntos governamentais e comunicação da CocaCola na América Latina. “Acreditamos que podemos promover uma mudança positiva nas comunidades e apoiamos concretamente essa mudança com os catadores”, diz. O apoio a IRR é complementado por ações locais na área de resíduos. Um estudo feito pela Accenture em 15 países da região mostra a complexidade da tarefa. Não existem números oficiais confiá- veis, nem transparência em relação a preços, diz Manuel Torres, executivo sênior da consultoria. “A captura de valor por parte dos atravessadores chega a 200% do preço pago aos catadores”, afirma. No retrato traçado — com as dimensões de regulação, organização e mercado — o Brasil está na liderança. Não se trata de um ranking, mas de desempenho em determinados indicadores, ressalva o executivo. Na outra ponta estão Haiti, Nicarágua e Paraguai. A responsabilidade compartilhada pelos resíduos pós-consumo, introduzida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), é um diferencial importante para o Brasil, citado como exemplo de sucesso em vários debates. Governos, empresas e cidadãos devem ser envolvidos no processo de coleta, tratamento e reciclagem da fração seca do lixo. O azeite da engrenagem é a garantia de compra, pela indústria, do material. Para Vitor Bicca, presidente do Compromisso Empresarial pela Reciclagem (Cempre), pioneiro da aliança global de reciclagem (Garsd), esse é um ponto fundamental na proposta que a entidade, junto com 22 associações, apresentou ao governo no contexto de acordos setoriais pa- ra a logística reversa de embalagens da PNRS. “Mesmo o modelo informal tem tido sucesso no país”, diz Bicca, citando estudo da consultoria LCA encomendado pelo Cempre que aponta taxa média de 65,3% de recuperação de embalagens descartadas. A corrente oficial não assegura que o material chegue ao reciclador, afirma. “No Brasil existem 800 cidades com coleta seletiva e é esse modelo complementar que precisamos reforçar, com garantia de compra de matérias-primas para embalagem pela indústria.” É preciso, porém, ampliar o alcance das iniciativas, avalia Horacio Terraza, especialista em água e saneamento do BID. Bons exemplos precisam ser replicados. A situação requer, diz, capacidade técnica e um sistema de tarifas para os resíduos recicláveis. Os projetos do Fomin são uma das facetas do trabalho do BID na área de resíduos sólidos, cujo portfólio de investimentos no campo soma US$ 305 milhões, traduzidos por empréstimos a sete países. Estão em espera para aprovação US$ 401 milhões a serem alocados em outros seis países. Os projetos em cooperativas atingem US$ 10 milhões, em 11 nações, informa Terraza. Programas capacitam trabalhadores para mercado formal Sergio Lamucci De Washington O avanço nos programas de reciclagem com a participação de catadores caminha hoje com dinheiro e apoio do setor público, das empresas e de instituições multilaterais como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Essa combinação de recursos e esforços ajuda a capacitar os trabalhadores, facilitar a sua organização em cooperativas e contribui para que entrem de modo formal na cadeia de reciclagem de resíduos sólidos. Em meados deste ano, teve início a terceira etapa do programa do governo federal chamado Cata- forte — Negócios Sustentáveis em Redes Solidárias, para investir R$ 200 milhões em empreendimentos de catadores de materiais recicláveis. Segundo a coordenadora do Comitê Interministerial de Inclusão Social e Econômica dos Catadores de Materiais Recicláveis da Secretaria-geral da Presidência da República, Daniela Gomes Mettello, do total de recursos, R$ 30 milhões devem ser desembolsados em 2013 ano e R$ 100 milhões no ano que vem. O objetivo do projeto é ajudar a estruturar redes de cooperativas e associações para que possam prestar serviços de coleta seletiva para prefeituras, atuem no mercado de logística re- versa e na comercialização e beneficiamento de recicláveis. O presidente do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), Vitor Bicca, diz que o segmento depende menos de apoio financeiro do que há alguns anos. Nota que a inclusão dos catadores é política do governo, mas que há diferentes níveis de organização das cooperativas. “Há algumas que já têm oportunidades de trabalhar dentro da cadeira produtiva, enquanto outras ainda estão no começo dela, coletando materiais recicláveis”. Bicca e Daniela participaram do evento sobre reciclagem promovido pelo BID. Nesse cenário, há necessidade de iniciativas como as realizadas pelo governo para que os catadores e as suas cooperativas ganhem independência. Bicca observa que ainda há muitos lixões no Brasil, e um grande desafio será capacitar os catadores que trabalham neles. Parte desses trabalhadores deverá se integrar a cooperativas e ser absorvida pela seleta coletiva, enquanto outros partirão para outras funções. Segundo Daniela, ainda existem 2 mil lixões no país, que devem ser fechados até agosto de 2014, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O apoio das empresas ocorre por meio da capacitação e infraestrutura das organizações, com equipamentos e com gestão, e oportunidades de contratos de fornecimento de material, diz Bicca. “ As cooperativas podem ser os braços das empresas na coleta do material”. As organizações de catadores, nesse quadro, fazem parte do trabalho que normalmente seria feito pelo governo local na coleta seletiva. Hoje, dos mais de 5.500 municípios do Brasil, cerca de 800 realizam coleta seletiva, segundo dados do Cempre. A importância de garantir a inclusão dos catadores está foco da ação do Fundo Multilateral de Investimento (Fomin) do BID. Desde 2008, o Fomin aprovou 19 operações em 15 países, num total de US$ 14 milhões, dos quais US$ 5 milhões foram para o Brasil, como o projeto Catação. No centro das preocupações da instituição, está a melhora de renda e qualidade de vida dos catadores e de suas comunidades. Segundo a especialistasênior do Fomin, Estrella PeinadoVara, o fundo trabalha com o setor público e o setor privado, enfatiza ela. Os projetos financiados são de pequeno porte, para que possam ser replicados e ganhem escala. A questão econômica também importa. Segundo Bicca, o Brasil perde R$ 8 bilhões por ano por deixar de reciclar resíduos recicláveis encaminhados para aterros sanitários e lixões. Jornal Valor --- Página 2 da edição "24/10/2013 1a CAD F" ---- Impressa por edazevedo às 23/10/2013@15:45:48 Jornal Valor Econômico - CAD F - ESPECIAIS - 24/10/2013 (15:45) - Página 2- Cor: BLACKCYANMAGENTAYELLOW Enxerto F2 | Valor | Quinta-feira, 24 de outubro de 2013 Especial | Resíduos urbanos KEVIN WOLF/AP Coleta Parceria entre empresas ajuda a reciclar 20% dos resíduos gerados na cidade de São Paulo Entrega voluntária em ponto do varejo ganha mais volume Andrea Vialli Para o Valor, de São Paulo Convencer o consumidor a levar para um supermercado o lixo reciclável que acumulou em casa parecia uma ideia fadada ao insucesso, até bem pouco tempo atrás. Afinal, com o hábito de separar o lixo em casa ainda pouco difundido entre os brasileiros, quem se daria a esse trabalho? Doze anos mais tarde, a aposta da rede varejista Pão de Açúcar em parceria com a fabricante de produtos de consumo Unilever de oferecer espaços nas lojas para o descarte do material reciclável se revelou certeira. E coleciona números de envergadura: desde 2001, são 71 mil toneladas de materiais recolhidos e destinados a 38 cooperativas de reciclagem. Só na cidade de São Paulo, 20% do lixo reciclável que chega às cooperativas de catadores têm como origem as lojas da rede varejista que oferecem esse serviço. O projeto começou em 2001, com 12 lojas em São Paulo oferecendo locais para que o consumidor descartasse resíduos como plástico, papel, metal e vidro. Hoje são 126 lojas da bandeira Pão de Açúcar e outras 126 da bandeira Extra, que passaram a oferecer os pontos de entrega voluntária em 2007 — neste caso a indústria parceira é a P&G. Somando as duas bandeiras, o total de materiais recolhidos chega a 82 mil toneladas. “O volume recolhido nas lojas aumenta em média entre 15% e 20% a cada ano, e mostra a crescente preocupação dos clientes com a reciclagem”, afirma Antônio Salvador, vice-presidente de sustentabilidade do Pão de Açúcar. Outro benefício do programa é de caráter social: a venda dos resíduos nas cooperativas gera 1,7 mil postos de trabalho diretos e beneficia 6,9 mil pessoas indiretamente, segundo as empresas. Os custos do programa, que in- cluem a contratação de empresas para realizar a logística dos resíduos e o controle mensal dos volumes coletados, são divididos entre o varejista e as duas indústrias parceiras. O valor do investimento não é revelado, mas, segundo as empresas, garante retorno em imagem e reputação. Segundo Salvador, esse perfil de consumidor — bem informado e atento a questões ambientais e sociais — é cada vez mais presente nas lojas, apontam as pesquisas internas do grupo varejista. Para as empresas, a iniciativa foi um primeiro passo para atender às exigências com a Lei 12.305/10, da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê a responsabilidade compartilhada — indústria, varejo, consumidores — para dar destinação final aos resíduos. “O consumidor já tem ciência do seu papel nessa cadeia, mas nem sempre ele é atendido pelos serviços públicos quando quer fazer a separação do Fernando Von Zuben, diretor da Tetra Pak: “Com o aval do governo, as empresas vão se movimentar ainda mais” seu lixo. Por isso as estações de reciclagem fazem sentido”, diz Juliana Marra, gerente de assuntos governamentais da Unilever. No contexto das negociações de acordos setoriais para aumentar a reciclagem de embalagens, o Ministério do Meio Ambiente analisa três propostas — das associações de fabricantes de vidro e de fabricantes de latas de aço e a da chamada Coalizão — que reúne 22 associações, capitaneadas pelo Compromisso Empresarial para a Reciclagem - Cempre. Entre outros pontos, o projeto da Coalizão prevê intensificar a coleta seletiva nas 12 cidades-sede da Copa de 2014, que juntas respondem por 38% dos resíduos gerados no Brasil e coloca como meta aumentar a taxa de reciclagem de embalagens em 20% até 2015. Atualmente esse índice varia conforme o tipo de resíduo: pode chegar a 98%, no caso das latas de alumínio, e fica em torno de 57% para as embalagens de plástico PET. Também prevê a expansão dos postos de entrega voluntária (PEVs) em supermercados e varejistas. “Esperamos assinar o acordo setorial de embalagens até o final do ano. Com o aval do governo, as empresas vão se movimentar ainda mais”, afirma Fernando Von Zuben, diretor de meio ambiente da fabricante de embalagens longa vida Tetra Pak, uma das companhias que endossam a proposta da coalizão e que vem desenvolvendo um trabalho voltado ao treinamento e profissionalização da gestão das cooperativas de catadores. O programa “Cooperativa em Ação” da empresa oferece treinamento para 700 cooperativas em todo o país, além de prever investimentos, para este ano, de € 1,2 milhão só em equipamentos, como prensas e caminhões, para ajudar a aumentar a produtividade. “Em média, os catadores conseguiram aumentar seu rendimento mensal de R$ 900 para R$ 1.300, e alguns chegam a ganhar até R$ 2.000 mensais com a reciclagem”, explica. “O foco é educar o catador para que ele se torne um fornecedor de matéria-prima para a indústria e ajude a elevar os índices de reciclagem”, diz o executivo. Índices altos de reciclagem contrastam com permanência de lixões Sergio Adeodato Para o Valor, de São Paulo A quantidade de lixões a céu aberto que poluem, causam doenças e espantam turistas em muitas cidades brasileiras esconde uma realidade que parece paradoxal: apesar de quase 40% dos resíduos urbanos irem para esses vazadouros e outras áreas inadequadas e de apenas 14% dos municípios fazerem a coleta seletiva, o país registra hoje índices de reciclagem que se aproximam, e às vezes até superam, os de países ricos para o caso de algumas embalagens, como latas de alumínio, caixas de suco e leite e garrafas PET. Analistas costumam associar esse quadro à situação de pobreza que leva às ruas grandes contingentes de catadores em busca de renda. No entanto, com o crescimento econômico, novos hábitos de consumo e inovação, ganha destaque uma explicação mais relacionada às forças de mercado do que aos problemas sociais. “A criação de demanda, com maior absorção de materiais recicláveis pela indústria, é o principal fator que hoje influencia os índices”, diz Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET. No Brasil, o setor recupera 58,9% das embalagens, o triplo do percentual de duas décadas atrás, à frente de países europeus como Inglaterra, Itália e Portugal. O índice brasileiro é superior ao dobro do americano. E alguns países desenvolvidos que reciclam mais, como o Japão, com 80% de taxa, têm poucas indústrias recicladoras e são obrigados a exportar o resíduo para nações emergentes, principalmente a China. Hoje existem no país mais de 400 recicladoras de PET, número que nos últimos 15 anos teve aumento expressivo no rastro do desenvolvimento de novas aplicações industriais para o que antes era despejado em aterros. A história começou quando a Rhodia, tradicional fabricante de fibra de poliéster que iniciava a produção de PET no Brasil, se preocupou com os reflexos de regulações sobre descarte de embalagens que surgiam no exterior. O engenheiro José Trevisan, responsável pelo primeiro projeto de reciclagem na multinacional, é hoje dono de três fábricas que consumem mais de 2,5 mil toneladas de matéria-prima reciclada, inclusive uma unidade que processa garrafas plásticas pósconsumo para produzir novas. A atividade movimenta R$ 1,6 bilhão por ano, tendo a indústria têxtil como principal consumidor. No total, 30% do poliéster para tecido vem de garrafas reci- cladas e há potencial para esse consumo dobrar. Diante da demanda crescente, após oito anos o preço da matéria-prima reciclada igualou-se ao da resina virgem proveniente do petróleo, antes 45% mais cara. Antes mesmo de uma definição sobre o modelo de logística reversa de embalagens, exigência da nova lei de resíduos ainda em negociação entre setor produtivo e governo, 31% das embalagens longa vida são recicladas no Brasil. O índice cresce entre 6% e 7% ao ano, situando-se acima da média mundial, de 22%. Com as ações previstas na Política Nacional de Resíduos Sólidos, a expectativa é atingir 36% até 2015. “Pode ser até maior, se as prefeituras efetivamente aumentarem a coleta seletiva”, afirma Fernando von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak. O crescimento tem como pilar o esforço de inovação empreendido nos últimos anos pelo fabricante no sentido de desenvolver a cadeia produtiva para viabilizar novas aplicações. Hoje 20 fábricas produzem cerca de 100 mil telhas por mês a partir da mistura de plástico e alumínio, contidos na estrutura das caixas de suco e leite. O material é também utilizado para fazer pallets. As fibras de papel retiradas das embalagens vão para fábricas de papelão e papel reciclado. O valor do papelão ondulado, empregado na fabricação de caixas, está mais atrativo em função do aumento da cotação da celulose no mercado internacional. A tendência faz melhorar os preços das embalagens longa vida pósconsumo, que passou de R$ 340 para R$ 450 a tonelada. O valor das commodities tam- bém interfere na reciclagem das latas de alumínio, a mais concorrida embalagem entre os catadores. O índice de reciclagem no Brasil é de 98,3%, o maior do mundo. Com preço de US$ 1,8 mil a tonelada, conforme cotação da Bolsa de Londres do dia 30 de setembro, a venda da sucata após o consumo das bebidas sustenta 130 mil famílias no Brasil. “A maior parte do material é recolhido por catadores e, sem eles, jamais atingiríamos esse índice”, diz Renault Castro, diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas). “As condições de trabalho e de vida dessas pessoas preocupam”, ressalta o diretor. Para o setor produtivo há vantagens ambientais e econômicas. O uso da sucata economiza 95% de energia necessária à produção a partir do alumínio primário. Implantação de plano nacional está atrasada nos municípios Adauri Antunes Para o Valor, de São Paulo Um dos mais audaciosos programas públicos do país, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), não deverá ser implantada em todos os municípios brasileiros até agosto do próximo ano, conforme determinado na própria Lei 12.305/10. “Temos um balanço não muito positivo”, diz Zilda Veloso, diretora do Departamento de Ambiente Urbano (DAU) do Ministério do Meio Ambiente (MMA), que cuida da PNRS no governo federal. Segundo ela, que cita dados da Confederação Nacional dos Municípios de abril deste ano, pouco mais de 10% dos mais de 5 mil municípios do país já implantaram ou estão em fase de implantar seus planos locais. Ela, porém, está otimista em relação ao que pode acontecer a partir da realização, de hoje a domingo, em Brasília, da 4ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA), que reunirá 1,3 mil delegados. “Depois de realizadas as conferências estaduais, vamos discutir os avanços, diagnosticar os problemas e traçar metas para a implementação dessa política”, avalia Zilda. Embora seja uma reivindicação de entidades nacionais de prefeitos, que poderão ser responsabilizados se não implantarem a política, a prorrogação do prazo não é, segundo ela, a solução. “Prorrogar o prazo seria uma situação muito desconfortável para o governo, que não tem competência legal para discutir essa medida. A lei só pode ser modificada pelo Congresso.” Os municípios têm até agosto de 2014 para eliminar os lixões e implantar aterros sanitários, que receberão apenas rejeitos. “Até agora foi feito bem menos do que deveria ter sido feito”, analisa o urbanista Nabil Bonduki, um dos idealizadores da PNRS, hoje vereador pelo PT de São Paulo. “O governo federal não abriu financiamento para a área de resíduos”, aponta como um dos motivos do atraso da implantação. “Há, ainda, de maneira geral, falta de interesse dos municípios em planejamento. Às vezes o município até tem o plano, mas não tem estratégia para alcançar metas, como eliminar os lixões. São pelo menos 4 mil municípios que ainda têm lixão”, afirma. Integrante da bancada oposicionista na Câmara dos Deputados, Arnaldo Jardim (PPS-SP) considera natural que haja problemas na implantação da PNRS. Ele com- para a situação aos atrasos na implantação da Lei Nacional de Saneamento, aprovada em 2007 e que deveria estar funcionando na prática em 2009, mas até hoje acumula pendências. Mesmo assim ele é contra a prorrogação do prazo. “Minha disposição é buscar a rigorosa observância do prazo”, afirma o deputado. De acordo com Zilda Veloso, o MMA abriu dois editais que ofereciam financiamento para os planos municipais, mas houve pouca procura. “Nossa expectativa era de que mais de 1 mil municípios nos procurassem. Mas os que se interessaram foram pouco mais de cem.” Arnaldo Jardim diz que vai propor repasses do orçamento federal de 2014 “a fundo perdido” para que os municípios implementem seus planos. “É preciso também que o governo dê apoio gerencial, na área de recursos humanos. Uma grande quantidade de municípios tem dificuldade com quadros técnicos”, observa. Outro problema, apontado pela advogada Juliana Oide Pestana, especialista em direito ambiental, da Duarte Garcia, Caselli Guimarães e Terra Advogados, é o MMA não assumir a responsabilidade por avaliar os planos elaborados, nem por fiscalizar sua aplicação. “O repasse da verba para iniciativas voltadas aos projetos não foi regulamentado em lei ou decreto e, para os municípios, a falta de regras claras na regulamentação pode ser preponderante para o insucesso de projetos. A maioria depende dos repasses da União e dos Estados para aplicação dos planos municipais”, diagnostica. Envolvido na implementação do plano da capital paulista, Bon- duki acredita que a questão econômica é que dá o ritmo ao debate nacional sobre o destino dos resíduos sólidos. “A discussão, em resumo, é quem vai pagar essa conta. Quem vai pagar por esse serviço?”. Para ele, o modelo mais adequando à realidade brasileira é o compartilhado, no qual a cadeia produtiva tem participação decisiva no tratamento dos resíduos. “Quem gera a embalagem tem que contribuir para o sistema todo”, defende. O MMA, segundo Zilda Veloso, já fez um acordo com os produtores de embalagens plásticas de óleos lubrificantes e até o fim do ano deve fechar outros três com produtores de lâmpadas, eletroeletrônicos e embalagens em geral. Há negociações do MMA para, em 2014, fechar acordos também com os setores de pneus, pilhas, baterias e óleos lubrificantes. Lata cheia Indicadores de geração, coleta e triagem de lixo Os materiais mais descartados 51,4% Matéria orgânica Evolução da média de custos da coleta seletiva (US$/t) 16,7% Outros 13,1% 13,5% Plástico Perfil da triagem (2012) Papel, papelão e longa-vida População urbana (IBGE) (mil habitantes) 250 240 212 200 150 2,3% Total de resíduos sólidos coletados (toneladas/dia) 173.703 Fração seca reciclável (% total) 31,9% Fração molhada e outros (% total) 68,1% 0,6% 2,4% Alumínio Vidro Outros canais de triagem 70 50 1994 2002 Fontes: Cempre Review com dados IPEA, CEMPRE/Ciclosoft, IBGE, SNIS, LCA consultores, Banco Mundial 2012 Percentual de triagem/recuperação total Europa e Ásia Central Ásia oriental 1,1 0,95 1.175 30.390 Cooperativas OCDE 165.018 Número de catadores em cooperativas Triagem/Recuperação (fração seca) (t/dia) 100 Aço Número de cooperativas Geração per capita de resíduos no Brasil e no mundo - em quantidade (kg/dia) 14.909 2.329 12.580 26,9% 2,2 Sul asiático Oriente médio América Latina África 1,1 Brasil 0,65 1,03 0,45 1,1 Jornal Valor --- Página 4 da edição "24/10/2013 1a CAD F" ---- Impressa por edazevedo às 23/10/2013@15:47:58 Jornal Valor Econômico - CAD F - ESPECIAIS - 24/10/2013 (15:47) - Página 4- Cor: BLACKCYANMAGENTAYELLOW Enxerto F4 | Valor | Quinta-feira, 24 de outubro de 2013 Especial | Resíduos urbanos KEVIN WOLF/AP Trabalho Categoria passou a ser valorizada e a ter acesso a recursos Catador é reconhecido por serviço ambiental Sergio Adeodato Para o Valor, De São Paulo O nome dele é Severino e a história de vida que o levou a participar dos momentos decisivos sobre a gestão de resíduos no país, sentando-se à mesa com o alto escalão do governo e executivos de grandes empresas, começou com a venda de picolé para catadores no lixão de Natal, Rio Grande do Norte. Aos 12 anos, o menino descobriu que ganharia mais dinheiro fazendo o mesmo que seus amigos de bairro, garimpando materiais recicláveis. Drogas e violência foram ameaças constantes, até a prefeitura decidir dar fim ao lixão. Qual o destino daqueles jovens e suas famílias? De onde retirariam a renda? “Diante do futuro incerto, mobilizei os catadores e saímos vitoriosos na busca de um modelo de trabalho mais digno, sem abandonar os resíduos”, conta Severino Lima, um dos primeiros catadores do país a se reunir com o Ministério Público e a frequentar gabinetes de prefeitos. Na virada para o século XXI, já adulto e cheio de planos ajudou a estruturar uma asso- ciação local e tornou-se um dos mentores do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), criado em 2001. Desde então, a vida mudou bastante para quem tinha vergonha de falar sobre o ofício de catador na escola. Severino viajou para conhecer a reciclagem em outras partes do mundo e começou frequentar seminários e reuniões que iriam decidir o futuro da gestão do lixo no país, durante as negociações para a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010. “Passamos a ser mais valorizados e poucos de nós acreditavam que chegaríamos a esse ponto”, diz. A partir de sua liderança, a cidade de Natal começou a remunerar cooperativas de catadores pela coleta seletiva nas residências. O exemplo ilustra o fortalecimento da atividade, que começa a ser beneficiada pelos serviços que presta ao ambiente. A partir da nova lei de resíduos, que dá prioridade à participação das cooperativas na coleta e triagem dos materiais, e das políticas de inclusão social do governo federal, a categoria passou a ter voz ativa e acesso a recursos financeiros. “Trata-se de um elo fundamental para Andrea Vialli Para o Valor, de São Paulo Severino Lima Junior: “Mobilizei os catadores e saímos vitoriosos na busca de um modelo de trabalho mais digno” mudanças na gestão de resíduos e para a superação da pobreza”, ressalta Alfredo Albano Junior, diretor-executivo em exercício da Fundação Banco do Brasil (FBB). Em dez anos, a instituição investiu R$ 100 milhões no fortalecimento dos catadores, juntamente com o Ministério do Trabalho e Emprego, BNDES e Petrobras. No Programa Cataforte, o alvo inicial foi a capacitação e a compra de caminhões para cooperativas. Dos 140 veículos previstos, 121 foram entregues até o momento. “Os cooperados recebem assistência técnica para fazer um plano de logística e depois caminhar com as próprias pernas”, explica o executivo. Pretende-se fixar a figura do catador na cadeia da reciclagem e consolidar a formação de redes de comercialização de materiais recicláveis para evitar atravessadores e melhorar preços. Mais R$ 203 milhões estão prometidos para uma nova etapa, prevendo estruturação de negócios e operação de logística reversa. Países estudam maneira de valorizar catadores Marleine Cohen De São Paulo Reunidos em torno da Aliança Global para a Reciclagem e o Desenvolvimento Sustentável (Garsd), rede de entidades empresariais que estuda e propõe arranjos internacionais no âmbito do desenvolvimento sustentável, cinco países, além do Brasil, têm mais pontos em comum do que o fato de serem “economias em desenvolvimento”. México, Colômbia, Peru, África do Sul e Tailândia enfrentam os desafios de implantar projetos de gestão ambientalmente corretos de resíduos que também promovam a inclusão social dos catadores. Para esses países, onde a coleta seletiva e a reciclagem ainda são sinônimos de miséria e insalubridade, questões como o direito ao trabalho legalmente constituído, a educação ambiental das comunidades, a valorização do lixo e o mercado negro da sucata estão na ordem do dia Na Colômbia, onde 53% do lixo é coletado por uma base de sucateiros informais e apenas a capital Bogotá e Bucaramanga contam com sistemas de reciclagem, a profissionalização da mão de obra ainda engatinha. De acordo com Ricardo Valencia, diretor-executivo do Cempre colombiano, o país trabalha para aumentar sua taxa de reciclagem inclusiva, mediante aumento da capa- cidade produtiva das organizações de catadores e criação de contatos diretos entre elas e a indústria. No fim do processo, ao lado de uma ampla reformulação da legislação que disciplina a gestão dos resíduos sólidos no país, já em curso, e do esforço para multiplicar os percentuais de reciclagem e reúso de materiais está a emancipação social do trabalhador, que se espelha no modelo brasileiro: “O lixo é uma fonte de renda que pode se estender a milhões de famílias”, diz Valencia. No México, onde se produzem 40 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, dos quais cerca de 85% são coletadas, 60% são enviadas para aterros ou lixões e 12% são recicladas, o Sustenta, fundado em 1996, defende o conceito de responsabilidade compartilhada. “A sociedade tem de separar os resíduos, o governo precisa fazer com que a legislação torne obrigatórias a coleta seletiva e a separação do lixo na origem e o setor privado deve gerir seu lixo de forma sustentável internamente”, diz o diretor Arturo Dávila Villarreal. No Peru, onde, segundo Hernán Diaz, gerente-geral do Reciclame, existem apenas oito aterros legais e somente 12% dos municípios participam dos programas de gestão de resíduos incentivados mediante bonificação pelo cumprimento de metas, o grande desafio ainda não é a profissionalização dos catadores: “Estamos em um es- Cooperativas fazem coleta porta a porta tágio anterior, de comunicar à sociedade a existência da reciclagem, seus benefícios e os danos ambientais causados pela má gestão dos resíduos sólidos”, afirma Diaz. O país gera cerca de 23.260 toneladas de resíduos sólidos por dia, dos quais apenas 14,7% são reciclados de formas distintas: por meio da associação de catadores formais ou informais, da máquina administrativa municipal ou de microempresas. Os dejetos recolhidos vão em grande parte para terrenos baldios e lixões. Na África do Sul, a Petco, surgida em 2004, já criou cerca de 25 mil oportunidades de geração de renda na cadeia informal de manejo de resíduos sólidos. O país produziu 108 milhões de toneladas de lixo em 2011, das quais 98 milhões foram depositadas em aterros sanitários e cerca de 10% passaram por reciclagem. “As cooperativas representam, hoje, o modelo mais bem-sucedido para integrar os catadores informais sul-africanos à logística de gestão de resíduos” diz Cheri Scholtz, gerentegeral da Petco. Mas boas práticas aumentaram as taxas de reúso e de reciclagem. Quem consome bebidas em garrafas de vidro retornáveis paga uma taxa, que é devolvida quando a embalagem é entregue nos postos oficiais. Da mesma forma, incide uma cobrança sobre o uso de sacos plásticos para compras, para desencorajar o desperdício. Além da verba pública, há o investimento planejado pelo setor empresarial para aumentar a taxa de recuperação de embalagens e outros materiais pós-consumo, conforme determina a nova lei de resíduos. A proposta apresentada ao governo por uma coalização de associações empresariais prevê investimentos para triplicar o número de cooperativas de catadores, de forma a expandir a coleta seletiva. O foco inicial seriam as 12 cidades que sediarão a Copa do Mundo, onde está concentrada grande parte da população urbana e dos resíduos gerados no país. Estudo do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre) indica que, nesse período, o faturamento total das cooperativas dessas capitais poderia quadruplicar em relação aos valores de 2010, passando de R$ 56,4 milhões para R$ 231,5 milhões. Hoje os sucateiros e aparistas, que comercializam os resíduos recicláveis para as indústrias, absorvem 90% da receita com a triagem no Brasil. Catadores, carroceiros, papeleiros, coletores. Seja qual for o nome dado a esses trabalhadores bastante conhecidos nas cidades, o fato é que a gestão de resíduos depende cada vez mais deles diante do avanço da urbanização, da industrialização e do consumo. Mesmo com o surgimento de processos automatizados de coleta, o tradicional trabalho dos “garimpeiros urbanos” dificilmente pode ser substituído em sua totalidade, no Brasil e em países com realidade social semelhante. Em território brasileiro, eles somam cerca de 1 milhão, sendo 20% organizados em associações ou cooperativas. E já são reconhecidos como uma categoria profissional, apesar do estigma e preconceito ainda existente em muitas cidades. “Temos uma cara e um nome com sobrenome”, ilustra Alex Cardoso, membro da coordenação nacional do MNCR. A desativação, em 2004, do antigo lixão Cidade Nova, em Natal (RN), fez com que os mais de 400 catadores que atuavam no local entrassem em desespero. O que os eles não poderiam imaginar é que, alguns anos depois, se tornariam prestadores de serviço à prefeitura da cidade e parte de uma das experiências de coleta seletiva mais bem-sucedidas do país. A cidade investiu no treinamento dos antigos catadores do lixão. Duas cooperativas foram estruturadas e hoje, contratadas pela prefeitura, são responsáveis por realizar a coleta seletiva porta a porta em 12 dos 36 bairros de Natal, além de separar os resíduos coletados e vender os materiais diretamente à indústria, eliminando atravessadores — o que permite um ganho mensal médio de R$ 800 para cada cooperado. Duas cooperativas — Coocamar e Coopcicla, que reúnem cerca de 175 cooperados — prestam serviços de coleta seletiva, por intermédio da Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana). Segundo Josivan Cardoso Moreno, diretor de planejamento da Urbana, os contratos foram firmados individualmente para cada cooperativa no valor anual de R$ 1,17 milhões e têm duração de dez anos. O valor é semelhante ao pago pela prefeitura às empresas de coleta de resíduos que vão para o aterro do município. O modelo, implantado em 2007, permitiu fez o volume de recicláveis recolhidos saltar de 68 t/mês para atuais 300 t/mês. Ainda é pouco, perto do total 1200 toneladas de resíduos gerados diariamente, mas já ajuda a desafogar o aterro sanitário construído após o fechamento do lixão. . DIVULGAÇÃO Na Tailândia ainda não existe nenhuma lei que se aplique à coleta seletiva e à reciclagem de resíduos sólidos Na Tailândia, sucata é vale-compras De São Paulo Na Tailândia, uma das profissões mais rentáveis do futuro pode ser revirar latas de lixo, como fazem tradicionalmente os saleng, catadores marginalizados por décadas a fio, e a oportunidade leva o nome de “0 Baht Shop”. Enfrentando o desafio de não ter nenhuma lei aplicada à gestão do lixo no país, os tailandeses encontraram uma alternativa à disposição dos resíduos nas calçadas ou lixeiras — o que representa, segundo Yuthtapong Wattanalapa, da Tipmse, “um fardo” para as autoridades — e apostaram numa inovação social a partir de 2012, o conceito “0 Baht Shop”, lojas que trocam gêneros de primeira necessidade por sucata reciclável. Na rede de dez lojas apoiadas pela Tipmse e espalhadas por todo o país — com previsão de serem 80 até o final de 2013 —, dinheiro não entra: para adquirir arroz, macarrão, detergente, sabonete, ovos ou pasta de dente, é preciso pagar com material reciclado— garrafas, latas, fardos de papel e papelão e lixo eletrônico. Além de ajudar a construir uma percepção positiva da reciclagem, a proposta oferece uma opção de renda para a população carente, cerca de € 10 a 12 por dia, a quem se propõe a percorrer as lixeiras das cidades e separar o material reciclável. A Tailândia testemunha hoje uma revolução urbana: os 15,89 milhões de toneladas de resíduos gerados em 2011, que seguiam para aterros ou eram incinerados, hoje são preferencialmente reciclados. Só Bangkok coleta cerca de 8.500 t/dia. Atualmente, o país tem capacidade para aproveitar 4,1 milhões de toneladas de resíduos, ou 26% do total, o que faz da Tailândia o país que maior taxa de reciclagem entre os membros da GARSD. (MC) Trabalho conjunto Projeções para a produtividade e faturamento das cooperativas com ampliação da coleta seletiva nas cidades-sede da Copa Produtividade em cooperativas Em t/cooperativa/dia 100 5 4,0 4 3 Produtividade dos catadores Em kg/catador/dia 2,6 2,9 2 40 1 20 0 0 2010 2012 2014 Coleta e triagem Total 79,3 80 60 Faturamento das cooperativas e atacadistas 52,4 R$ 712,3 milhões 57,8 Cooperativas R$ 56,4 milhões Outros canais R$ 656 2010 2012 2014 Fontes: Cempre Review com dados Ipea, Cempre/Ciclosoft, IBGE, SNIS, LCA consultores, Banco Mundial. * Em R$ milhões; ** Preços de 2011 milhões Geração de renda nas cidades-sede da Copa 2010-2014 Por material - R$ milhões, preços de 2011 Metais Aço 227 32 Alumínio 195 Papel e papelão 264 Plástico 201 Dados 2010 2014 Faturamento cooperativas* 56,4 231,5 Faturamento outros canais de triagem* 656 871,4 Custo de operação* 11,2 50,9 Receita líquida cooperativas* 45,2 180,7 PET 101 Número de catadores 7.363 22.089 Outros 100 Rendimento do catador ligado à cooperativa (R$) 511,5 681,6 Vidro 21 Crescimento 311% 33% 354% 300% 200% 33%