Carta Aberta
A Feira do Livro é de Lisboa!
A pouco mais de um mês da data agendada para o início da 78.ª Feira
do Livro de Lisboa – próximo dia 21 de Maio – existem sérias dúvidas
quanto à realização e sucesso deste evento, um dos mais importantes
e significativos da cidade de Lisboa na área da cultura.
A causa para esta desagradável situação reside na atitude de um
grupo editorial, recentemente criado após um processo de aquisições
de várias editoras, que insiste numa lógica de defesa dos seus
objectivos de marketing em detrimento do espírito que define a
essência e a própria razão de ser da Feira do Livro de Lisboa.
A tal atitude tem-se oposto a Associação Portuguesa de Editores e
Livreiros – APEL, desde sempre responsável pela organização das
Feiras do Livro de Lisboa e Porto e que entende que o evento existe
para servir os seus habituais visitantes, promovendo o livro e a leitura
através da disponibilização de toda a produção bibliográfica
portuguesa.
Para que todos possam reflectir sobre o que está em causa, os
subscritores desta carta, editores e livreiros participantes há longa
data na Feira do Livro de Lisboa, partilham, por este meio, a visão que
têm sobre o que é a Feira do Livro. Trata-se, em concreto, da posição
da APEL, como Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, e não
apenas de Editores.
O nosso entendimento é que o certame deve ser um dos mais
importantes acontecimentos culturais da cidade – e, reconheça-se,
tem-no sido ano após ano – e deve servir um grande objectivo: expor
a edição portuguesa disponível. Este modelo de Feira é claramente
distinto dos certames profissionais de entradas pagas, como a FIL ou
a Feira de Frankfurt, de Londres ou de Paris e as muitas mais fora do
âmbito do livro.
A Feira do Livro de Lisboa estará, sim, bem mais próxima de uma
Feira do Livro de Madrid: realiza-se ao ar livre, apresenta-se com
pavilhões homogéneos, oferece animação em prol da leitura, tanto
para adultos como para crianças... É uma Feira concebida para
promover o livro e a leitura e não como operação de marketing para
concorrer com os livreiros.
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No formato da nossa Feira, deve estar bem presente o primado da
exposição bibliográfica sobre o comércio do livro, no interesse de
todos os que a visitam, pois as Feiras não devem arvorar-se em
concorrentes dos livreiros.
Esta visão de Feira do Livro, que assim é de Lisboa, tem-se
concretizado ao longo do tempo e, por conseguinte, também nos
últimos cinco anos, graças ao entendimento entre a APEL e a União
de Editores Portugueses (UEP), uma associação estritamente de
editores que tem colaborado na organização da Feira do Livro de
Lisboa.
Ora, parte precisamente de alguns editores da UEP, num movimento
liderado pelo Grupo Leya, a intenção de transformar a Feira do Livro
num acontecimento de características puramente comerciais.
Para nós, tal como para a APEL, tal tipo de Feira, a concretizar-se,
deve realizar-se noutro momento e local não coincidentes com a
realização da Feira do Livro de Lisboa, que, sob a organização da
APEL, tem conseguido dignificar o livro, promover a leitura e, ao
mesmo tempo, estimular o comércio livreiro, cujo papel nesta festa da
cidade não deve ser ignorado.
Não vemos, portanto, qualquer viabilidade ou interesse público numa
eventual fusão destes dois tipos de realizações sem que tal coloque
em causa o atrás exposto. Acreditamos que a Câmara Municipal de
Lisboa reconhecerá as razões que nos assistem.
Consideramos que a APEL, como Associação Portuguesa de Editores
e Livreiros, tem uma visão equilibrada dos interesses em presença e
por isso mesmo defende uma Feira que se opõe à concorrência com o
circuito livreiro. A Feira é para dar a conhecer todos os livros em
circulação, sendo que este conhecimento, se por um lado promove as
vendas na própria Feira, por outro contribui também para a
dinamização do mercado livreiro.
Por fim, e para que as decisões a tomar não fiquem reféns dos
caprichos de quem não vê para lá dos seus interesses comerciais,
importa sublinhar que, a concretizarem-se as ameaças de ausência de
determinadas (poucas) editoras, as eventuais perdas seriam
recuperadas e o impacto seria muito menor do que uma
descaracterização da Feira do Livro de Lisboa. Aí, as perdas seriam,
para todos, verdadeiramente irreparáveis.
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Os subscritores por ordem alfabética:
Âncora Editora – António Baptista Lopes
Areal Editores – Diogo Santos
Campo das Letras – Jorge Araújo
Didáctica Editora – Paula Prata
Editora Dislivro – Sr. João Pimenta
Editora Vozes – Ozias Filho
Editorial Presença – Francisco Espadinha
Editorial Verbo – Fernando Guedes
Grupo Dinalivro – Ana Amaro
Lidel – Frederico Annes
Livraria 4 I (Pinhal Novo) – José Moreira
Livraria Álgebra (Quinta do Conde) – Luís Serrano
Livraria Clássica (Almada) – Belmira Reis
Livraria D. Afonso V (Mem Martins) – Susana Silvestre
Livraria Du Bocage (Barreiro) – Adelino Esteves
Livraria Duarte & Ferreira (Amadora) – Ana Maria Ferreira
Livraria Edisa (Amora) – António Manso
Livraria Helomalta (Sintra) – Manuel Nunes
Livraria Isabsa (Lisboa) – Abdul Gafar
Livraria Marzul (Lisboa) – Manuel Nolasco
Livraria Nice (Quinta do Conde) – Isilda Bernardino
Livraria Salesiana (Lisboa) – Manuel Lourenço
Livraria Santana (Sesimbra) – Carolina Reis
Livraria Sebastião da Gama (Azeitão) – Rui Cabrita
Livraria Servensino (Lisboa) – Elisiario Flores
Livraria Tágide (Corroios) – Maria Conceição Lopes
Livros do Brasil – António Souza Pinto
Lusociência, Lda. – José Frade
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Os subscritores por ordem alfabética (continuação):
Papelaria Afonso Sanches (Cascais) – Fernando Grego
Papelaria Central (Moita) – Sr. Joaquim Carrusca
Papelaria Pedrugo (Seixal) –Helena Pinto
Paulinas Editora – Carlos Rito
Plátano Editora – Paula Prata
Porto Editora – Vasco Teixeira
Principia Editora – Henrique Mota
Universidade Católica Editora – Anabela Antunes
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