UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA
JOSÉ ROBERTO LACERDA SILVEIRA
O PLANEJAMENTO DE CARREIRA DO SARGENTO NO EXÉRCITO BRASILEIRO
Palhoça
2011
JOSÉ ROBERTO LACERDA SILVEIRA
O PLANEJAMENTO DE CARREIRA DO SARGENTO NO EXÉRCITO BRASILEIRO
Projeto de pesquisa apresentado na disciplina de
Trabalho de Conclusão de Curso II, como requisito
parcial para obtenção do título de psicólogo.
Orientadora: Michelle Regina da Natividade, Msc.
Palhoça
2011
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Quadro 1 – Distinção entre carreira tradicional e proteana.................................26
Quadro 2 – Graus hierárquicos...............................................................................32
Gráfico 1 – Idade dos participantes........................................................................35
Gráfico 2 – Tempo de serviço.................................................................................36
Gráfico 3 – Estado Civil...........................................................................................36
Gráfico 4 – Filhos.....................................................................................................36
Gráfico 5 – Estado de origem..................................................................................37
Gráfico 6 – Oriundo de escola pública ou privada? .............................................38
Gráfico 7 – Grau de escolaridade...........................................................................38
Gráfico 8 – Estuda atualmente?..............................................................................38
Gráfico 9 – Trabalhava antes do concurso para a EsSA?....................................39
Gráfico 10 – Fez curso preparatório?.....................................................................39
Gráfico 11 – Tentativa em que obteve sucesso no concurso de admissão.......40
Gráfico 12 – Idade que obteve êxito no concurso da EsSA.................................40
Gráfico 13 – Como soube da carreira militar?.......................................................40
Gráfico 14 – Critérios da escolha profissional......................................................45
Quadro 3 – Critérios da escolha profissional........................................................45
Gráfico 15 – Objetivos e metas...............................................................................49
Quadro 4 – Objetivos e metas.................................................................................50
Gráfico 16 – Condições oferecidas pelo EB para o planejamento de carreira...56
Quadro 5 – Condições oferecidas pelo EB para o planejamento de carreira.....57
Gráfico 17 – Condições que o sargento busca fora do EB para o planejamento
de carreira.................................................................................................................62
Quadro 6 – Condições que o sargento busca fora do EB para o planejamento
de carreira.................................................................................................................62
Gráfico 18 – Considera que possui um planejamento do carreira?....................67
Gráfico 19 – Como você investe em sua carreira profissional?..........................68
Gráfico 20 – Média correspondente as frases relativas à percepção de
planejamento de carreira.........................................................................................69
Quadro 7 – Frases relativas à percepção de planejamento de carreira..............70
Gráfico 21 – Deseja permanecer no EB?...............................................................72
Tabela 1 – O porquê de permanecer no EB...........................................................72
Tabela 2 – O porquê de não permanecer no EB....................................................73
Tabela 3 – Quais seus planos para seu futuro profissional?...............................75
LISTA DE SIGLAS
AMAN – Academia Militar das Agulhas Negras
CAS – Curso de Aperfeiçoamento de Sargento
CBO – Classificação Brasileira de Ocupações
CCOMCEX – Centro de Comunicação Social do Exército
CIGS – Centro de Instrução de Guerra na Selva
EASA – Escola de Aperfeiçoamento de Sargento das Armas
EB - Exército Brasileiro
EsAEx – Escola de Administração do Exército
EsEFEx – Escola de Educação Física do Exército
EsPCEx – Escola Preparatória de Cadetes do Exército
EsSA – Escola de Sargento das Armas
FAB – Força Aérea Brasileira
FHE – Fundação Habitacional do Exército
IG – Instruções Gerais
LRM – Lei de Remuneração dos Militares
MB – Marinha do Brasil
MEC – Ministério da Educação
OM – Organização Militar
ONU – Organização das Nações Unidas
OP – Orientação Profissional
PNR – Próprio Nacional Residencial
PQD – Paraquedismo
QCO – Quadro Complementar de Oficiais
QVT – Qualidade de vida no trabalho
RDE – Regulamento Disciplinar do Exército
TAF – Teste de Aptidão Física
TAT – Teste de Aptidão de Tiro
UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina
63° BI – 63° Batalhão de Infantaria
RESUMO
O Sargento do Exército Brasileiro (EB) é considerado o elo entre seus superiores e
os subordinados dentro da instituição, sujeito determinante para a Força Terrestre
cumprir sua missão constitucional na defesa da Pátria. Sendo assim, essa pesquisa
buscou analisar o planejamento de carreira do sargento de carreira do Exército até a
aquisição da estabilidade. Para tanto os objetivos específicos enfocaram:
caracterizar o processo de escolha profissional do sargento, estabelecimento e a
delimitação dos objetivos e metas, identificação das estratégias disponíveis dentro e
fora do EB e por último analisar o gerenciamento do planejamento de carreira desse
militar. Pesquisa de natureza quanti-qualitativa. Com relação ao corte caracterizouse como transversal. Quanto ao objetivo a pesquisa foi descritiva, pois estabeleceu
relações entre variáveis, e associações entre as mesmas com utilização de quadros,
tabelas e gráficos. Quanto ao delineamento é do tipo levantamento. Para a coleta de
dados, foi utilizado um questionário contendo 22 perguntas abertas e fechada com
participação de 22 sargentos do 63° BI. A continuidade desse trabalho após
organização e tabulação descreve no primeiro momento os itens considerados mais
relevantes ou importantes pelos participantes da pesquisa. Os eixos de análise
refletem os objetivos específicos na sua correlação com o referencial teórico.
Resultados da pesquisa demonstram que os aspectos básicos dos objetivos iniciais
como estabilidade, plano de saúde e remuneração adequada são complementados
durante o processo de gerenciamento de carreira do sargento na busca de outras
condições, internamente em cursos de especialização e qualificações em escolas
militares e no ambiente externo graduação nas universidades civis com o propósito
de crescimento profissional e pessoal. Para concluir, os participantes dessa
pesquisa buscam, cada um a seu modo, de forma honesta, um espaço digno na
sociedade brasileira. Em alguns participantes o esforço se concentra na própria
instituição em outros fora do EB, contudo fica claro que o fio condutor da educação
motiva os sargentos em todo processo, o que enobrece ainda mais a imagem do
Exército Brasileiro.
Palavras-chave: Sargento de carreira do Exército Brasileiro. Planejamento de
Carreira.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................8
1.1 PROBLEMÁTICA...................................................................................................9
1.2 OBJETIVOS.........................................................................................................13
1.2.1 Objetivo geral...................................................................................................13
1.2.2 Objetivos específicos......................................................................................13
1.3 Justificativa...........................................................................................................14
2 REFERENCIAL TEÓRICO......................................................................................19
2.1 TRABALHO..........................................................................................................19
2.2 ESCOLHA PROFISSIONAL.................................................................................22
2.3 CARREIRA...........................................................................................................24
2.3.1 Planejamento de carreira................................................................................27
2.4 MILITAR...............................................................................................................31
3 MÉTODO.................................................................................................................34
3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA.......................................................................34
3.2 PARTICIPANTES.................................................................................................35
3.3 EQUIPAMENTOS E MATERIAIS.........................................................................41
3.4 SITUAÇÕES E AMBIENTE..................................................................................41
3.5 INSTRUMENTOS DE COLETAS DE DADOS.....................................................41
3.6 PROCEDIMENTOS..............................................................................................42
3.6.1 De seleção dos participantes.........................................................................42
3.6.2 De contato com participantes........................................................................42
3.6.3 De coleta e registro dos dados......................................................................42
3.6.4 De organização, tratamento e análise de dados..........................................43
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS..............................................................................44
4.1 ESCOLHA PROFISSIONAL DO SARGENTO DE CARREIRA DO EB...............44
4.2 OBJETIVOS E METAS DOS SARGENTOS NO PLANEJAMENTO DE
CARREIRA NO EB, ATÉ A AQUISIÇÃO DA ESTABILIDADE...................................49
4.3 ESTRATÉGIAS DISPONÍVEIS NO EB, NA PERCEPÇÃO DO SARGENTO DE
CARREIRA, PARA O PLANEJAMENTO DE CARREIRA DENTRO DO EB.............56
4.4 ESTRATÉGIAS QUE O SARGENTO DE CARREIRA BUSCA NO AMBIENTE
EXTERNO DO EB PARA O PLANEJAMENTO DE CARREIRA................................61
4.5 GERENCIAMENTO QUE O SARGENTO DO EB REALIZA EM RELAÇÃO AO
SEU PLANEJAMENTO DE CARREIRA.....................................................................67
4.5.1 Planejamento e investimento na carreira......................................................67
4.5.2 Percepção pessoal do planejamento de carreira.........................................69
4.5.3 Permanência no EB.........................................................................................72
4.5.4 Planos para o futuro profissional..................................................................74
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................78
REFERÊNCIAS..........................................................................................................85
APÊNDICES...............................................................................................................90
APÊNDICE A – Questionário semi-aberto..............................................................91
APÊNDICE B – Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE)..................95
8
1 INTRODUÇÃO
O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) visa atender as Diretrizes
Curriculares Nacionais para os cursos de graduação em Psicologia no que tange a
integração da produção de conhecimento científico com a intervenção profissional,
realizado na nona e décima fase no Núcleo Orientado de Psicologia e Trabalho
Humano. O objetivo nesse TCC é adotar uma reflexão, envolvendo os sargentos do
Exército Brasileiro (EB), que vivenciam o período probatório numa Organização
Militar (OM) de Florianópolis. As metas para chegar ao objetivo passam pelos
entendimentos sobre os seguintes fenômenos: trabalho; escolha profissional;
carreira, planejamento de carreira e finalmente no referencial teórico uma amostra
do que é a profissão militar.
Uma estratégia do trabalho é mostrar o processo de planejamento de carreira,
do sargento do EB, durante o período probatório. Parece simples descrever todas as
etapas do desenvolvimento do projeto de vida desse profissional, das suas
trajetórias pelo Brasil continental. Na Amazônia, o EB guarda a fronteira do País em
situações das mais inesperadas e improváveis que se pode esperar, e lá está o
sargento, liderando seus soldados. No Haiti, país da América Central, acontece um
terremoto de grandes proporções, a Organização das Nações Unidas (ONU), solicita
ao Brasil que mande o EB, com a instituição, o sargento deve estar pronto a
acompanhar os passos da vida real do País dentro ou fora dele.
Para construir o presente trabalho estão sendo colocados à disposição do
leitor três parâmetros distintos do pesquisador. O primeiro, a prática, onde os trinta
anos de EB, de certa forma, podem refletir uma opinião, com aparente viés de senso
comum, porém conforme Alves (1993), a aprendizagem da ciência é um processo
progressivo do senso comum e completa o autor: “Só podemos ensinar e aprender
partindo do senso comum de que o aprendiz dispõe”. O segundo motivo, o laço
afetivo, é o orgulho de ter como primogênito, um sargento do EB. Por último, não
menos importante, o fato de encontrar na Psicologia, uma forma de envelhecer feliz,
em poder continuar a buscar soluções que possam ajudar as pessoas, nos seus
projetos de vida.
9
1.1 PROBLEMÁTICA
O jovem para deixar o período da adolescência, o seu ritual de passagem,
segundo Levenfus (1997), seria através da escolha profissional que representa a
principal necessidade social, tomar seu lugar na família, situar-se temporalmente e
definir-se como adulto na sociedade. Reforçando essas idéias e conforme Bock e
Aguiar (1995), o jovem acredita ser o único responsável na hora de efetivar sua
escolha profissional. Entretanto o fenômeno da escolha está relacionado a fatores
como tempo, meio social e aspectos psicológicos. Para Bohoslavsky (2003, p.78),
em relação ao tempo, “toda escolha implica um projeto e um projeto nada mais é do
que uma estratégia no tempo”. Por isso, é importante analisar se o jovem está
centrado no presente, passado ou futuro no momento da escolha profissional. Em
seguida, relativo ao meio social, Lucchiari (1998) afirma que o indivíduo reconhece
os valores, de sua família e do meio onde vive como sendo seus, na verdade, são os
valores que o capitalismo transmite à sociedade, como por exemplo, a elaboração
de um projeto de vida, o status social que a profissão oferece e o retorno financeiro.
Segundo Bock (2006), a autopercepção que o indivíduo tem de suas características
individuais
são
os
fatores
psicológicos.
Compreende
desenvolver
o
autoconhecimento de seus valores, habilidades, gostos e interesses que permite o
jovem elaborar seu projeto de vida e assim viabilizar sua escolha profissional.
A escolha profissional de um jovem tende a refletir sua vontade de trabalhar.
Segundo Zanelli (2004), o trabalho viabiliza a sobrevivência e a realização do ser
humano que percebe sua vida como um projeto. Empiricamente, o trabalho seria
uma aplicação de conhecimentos e habilidades dentro do processo produtivo vigente
no contexto social, econômico, político e cultural em que o sujeito está vivenciando.
Conforme Ribeiro (2011), o jovem quando se percebe inserido no contexto do
mundo do trabalho no século XXI, verifica que esse, é o século da sociedade da
informação e do conhecimento. Constata também que no mundo globalizado de
hoje, os métodos da organização do trabalho mudam constantemente. Essas
mudanças, rápidas, geram insegurança e dificuldades de assimilação ao jovem. As
oportunidades de trabalho são várias, porém inseguras e instáveis.
Uma alternativa de profissão estável para os jovens seria a carreira militar. As
Forças Armadas, a Policia Militar e os Bombeiros Militares podem acolher os jovens
10
cujo objetivo é ser profissional militar. Para tal situação o jovem deve ter como meta
inicial conhecer algumas das principais características da condição militar: risco de
vida durante toda a sua carreira, preceitos rígidos de disciplina e hierarquia,
dedicação exclusiva, disponibilidade permanente, mobilidade geográfica, vigor físico
entre outras. De acordo com o Regulamento da Lei do Serviço Militar, decreto n°
1294, 26 outubro de 1994, a forma de o jovem ter conhecimento da carreira das
armas é através do Serviço Militar obrigatório:
Que consiste no exercício de atividades específicas desempenhadas pelas
Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) e compreenderá, na
mobilização, todos os encargos com a Defesa Nacional. Todo jovem
brasileiro, do sexo masculino, no período de 1º de janeiro a 30 de abril do
ano em que o cidadão completar dezoito anos, deve realizar seu
alistamento na Junta de Serviço Militar (JSM) mais próxima de sua
residência. Caso esteja residindo no Exterior deverá procurar os
Consulados ou Embaixadas do Brasil. Ao término da SELEÇÃO realizada
pela Comissão de Seleção (CS) o cidadão poderá ser designado para a
prestação do Serviço Militar Obrigatório, em uma Organização Militar da
Ativa.
O Exército Brasileiro (EB) está dentro do espectro de abrangência que
proporciona a oportunidade aos jovens brasileiros de seguir a carreira militar, além
do serviço militar obrigatório. É uma instituição militar que oferece um plano de
carreira com ingresso mediante a aprovação de concurso público, de âmbito
nacional, de acordo com sua faixa etária e escolaridade, em suas diversas escolas
de formação. A opção com maior número de vagas disponíveis para os jovens com
ensino médio completo, na faixa etária entre 18 e 24 anos, seguirem a carreira
militar é a Escola de Sargentos das Armas (EsSA), localizada na cidade de Três
Corações, MG. A EsSA é o estabelecimento de ensino militar do Exército
responsável pela seleção, através de concurso público, dos jovens que desejam
seguir a carreira de sargentos das Armas e Serviços do Exército Brasileiro.
Quando aprovado, o aluno realizará um período básico de instrução em uma
das Organizações Militares regionais próximas do seu local de concurso. O período
básico vai moldar nos futuros sargentos as regras normativas da instituição, revelar
sua real condição psicomotora, algumas das capacitações necessárias para liderar
grupos de soldados nas diversas situações de guerra e de paz nas missões do
Exército Brasileiro. O aluno que obteve êxito no período básico é classificado em um
dos 03 (três) estabelecimentos de ensino militar do Exército, específicos para
11
aperfeiçoamento nas áreas de logística, de aviação e de combate. O período de
qualificação visa aprimorar os aspectos do período básico e preparar o sargento
para ocupar, efetivamente, cargos destinados de acordo com sua formação. A EsSA
que gerencia a prova intelectual do concurso para todos os sargentos é também a
organização militar onde são formados os sargentos de Infantaria, Cavalaria,
Artilharia, Engenharia e Comunicações, chamadas “armas” com atuação na linha de
frente do combate.
O sargento do Exército Brasileiro, na sua formatura, ao receber o diploma,
realiza um juramento de “morrer pela Pátria”. É um momento ímpar, no qual atingiu o
objetivo concreto da sua escolha como profissional militar, porém deve
imediatamente buscar o novo objetivo, a aquisição da estabilidade na carreira.
Segundo Codo (2006), a estabilidade no emprego é um direito, porém surge o
primeiro questionamento para o jovem sargento empolgado com a profissão militar:
servir a Pátria ou buscar objetivamente a estabilidade na carreira? A carreira militar
deve satisfazer em linhas gerais, para a promoção de graduados1, os seguintes
critérios: antiguidade, merecimento, bravura e post-mortem e os requisitos
essenciais como: interstício, arregimentação, aptidão física, comportamento “bom”,
aproveitamento em curso ou concurso de habilitação (BRASIL, 2003).
As metas e as estratégias para seu planejamento de carreira devem englobar
ações que começam antes da sua apresentação na organização militar em que foi
classificado. Em primeiro lugar, organizar a sua vida pessoal de forma a estar
disponível para começar suas atividades profissionais de forma plena no dia de sua
apresentação. Em segundo, rever os ensinamentos dos conceitos que serão
aplicados nas primeiras semanas de instrução dos recrutas, dos serviços de
comandante da guarda, de sargento de dia entre outros. Entretanto, para perseguir
seu planejamento de carreira, deve em algum momento “parar para pensar”.
Segundo Rosa (2011), as reflexões podem iniciar pelo significado do vocábulo
estratégia que vem do grego stratègós e quer dizer a arte do general. Para alcançar
a vitória, o graduado deve conhecer a fundo as condições à sua disposição em
termos de cursos valorizados pelo Exército, que influenciam na sua promoção e
escolher o melhor curso, o sargento deve também estar ciente dos seus potenciais e
de suas fraquezas. Em outra frente, elaborar metas pessoais de desempenho na
1
Graduado é um termo utilizado pelos militares como sinônimo de sargento.
12
preparação física e de tiro, pois serão cobradas sistematicamente pelo menos duas
vezes ao ano. Correr dentro dos índices preconizados pelo teste de aptidão física
(TAF) e atirar com o máximo de acerto no alvo, conforme o teste de aptidão de tiro
(TAT) está como competências essenciais da profissão militar. (BRASIL, 2008)
Apesar do esforço pessoal, o sargento de carreira2, durante os dez anos
probatórios vive o dilema de não alcançar o objetivo inicial da carreira militar, a
estabilidade. Embora seja considerado um atrativo da carreira militar, a estabilidade
faz parte de um sonho que na realidade se transforma em objetivo concretizado
após uma década de superação das inúmeras provações pertinentes a vida na
caserna, com desvelo e pro atividade por parte do militar nesse período.
Diante desse quadro, uma alternativa é refazer seu planejamento de carreira
para exercer outra profissão fora do EB. Existe uma dificuldade do militar da ativa ao
procurar um curso de graduação presencial, pois mesmo que no período noturno,
por incompatibilidade com o exercício do serviço militar, muitas vezes é reprovado
por falta, perdendo tempo e dinheiro. Os encargos da profissão militar são
inflexíveis, dependendo da tarefa e o momento da sua execução, por isso na maioria
das vezes surge uma dificuldade para o sargento conciliar as tarefas no quartel onde
trabalha e o estudo. Nesse contexto, é necessário bastante equilíbrio das partes
para uma solução pacífica. Segundo Falk (2000), o conflito, na sua trajetória,
atravessa as fases de espera, tensão e resolução, sendo que o melhor resultado
para o conflito está em ganho e perda de ambas as partes envolvidas. Para essa
convergência, o ponto de partida seria flexibilizar as condições para o graduado se
qualificar em cursos paralelos a vida militar? Pode-se supor que os cursos de ensino
a distância que o Exército promove em convênios com instituições de ensino, seja
um bom começo. Para exemplificar, o convênio do EB com a Universidade do Sul de
Santa Catarina (UNISUL), a partir de 2005, contempla 3000 alunos em 25 cursos
para os militares e seus dependentes espalhados por todo o Brasil. A partir de 2008,
o referido convênio foi ampliado para cursos de pós-graduação, no Brasil e no
exterior. Em entrevista à revista do Clube Militar (2011), o General Rui Monarca da
Silveira, Chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército, quando
destaca a proposta da UNISUL: ”Se o militar mudar de cidade, o curso vai junto”.
Ϯ
DŝůŝƚĂƌŽƌŝƵŶĚŽĚĂƐ^ƋƵĞƉŽĚĞĂůĐĂŶĕĂƌŽƉŽƐƚŽĚĞĐĂƉŝƚĆŽ͘
13
A falta de conhecimento da profissão militar com profundidade é um fator que
pode influenciar negativamente a escolha profissional ou acarretar uma escolha
equivocada. Por esse motivo, com o presente projeto pretende-se analisar o
planejamento de carreira do sargento de carreira do EB até a aquisição da
estabilidade.
1.2 OBJETIVOS:
1.2.1 Objetivo geral:
Analisar o planejamento de carreira do sargento de carreira do EB até a
aquisição da estabilidade.
1.2.2 Objetivos específicos:
•
Caracterizar o processo de escolha profissional de sargentos de carreira do
EB;
•
Identificar os objetivos no planejamento de carreira do sargento de carreira
do EB até a aquisição da estabilidade;
•
Identificar as metas vinculadas aos objetivos no planejamento de carreira por
sargento de carreira do EB até a estabilidade;
•
Identificar as estratégias disponíveis no EB, na percepção do sargento de
carreira, para seu planejamento de carreira dentro do EB;
•
Identificar as estratégias que o sargento busca na ambiente externo do EB
para o planejamento de carreira;
•
Analisar o gerenciamento que o sargento de carreira do EB realiza em
relação ao seu planejamento de carreira.
14
1.3 JUSTIFICATIVA:
A escolha da carreira é uma decisão do jovem adulto que surge como um
sonho, ou um objetivo pautado em uma estratégia planejada para exercer uma
profissão ao longo da vida. Segundo Rosa (2011), a pessoa que sabe aonde quer
chegar, tem clareza de suas ações, pode correr menos riscos na perda de recursos
e esforços. A opção pela carreira militar tem como referenciais, critérios incomuns a
outras profissões, como por exemplo, risco de vida. Por isso, a relevância do estudo,
entender os meandros no início do planejamento da carreira militar. Por outro lado,
pesquisar sobre a escolha da profissão militar do sargento do EB, suas estratégias
no planejamento da carreira até sua estabilidade, reveste-se de relevância científica
na medida em que só encontramos trabalhos discutindo os referidos fenômenos em
outros segmentos militares, como dos policiais e bombeiros militares, como por
exemplo, o artigo de Natividade e Brasil (2006).
Aprovado no curso de sargento de carreira, após 10 meses na EsSA e
conforme a sua classificação dentro da arma escolhida, os novos sargentos são
distribuídos nos diversos Batalhões do Exército Brasileiro. O Graduado, dentro da
hierarquia militar ocupa um espaço entre comandos e subordinados. A instituição,
Exército Brasileiro, coloca como meta, no que tange aos recursos humanos, o
seguinte: “Ser constituído por pessoal altamente qualificado, motivado e coeso, que
professos valores morais e éticos que identificam, historicamente, o soldado
brasileiro, e tem orgulho de servir com dignidade a instituição e ao Brasil”. Pelo
exposto é plausível afirmar que o sargento, dentro da carreira militar, é de suma
importância para o cumprimento da missão constitucional do Exército Brasileiro.
O graduado do EB para sua estabilidade na carreira militar permanece em
“alerta” durante dez anos. As promoções estão vinculadas com seu desempenho
profissional, avaliado em diversos campos, entre os quais o social, econômico,
político, e principalmente o psicomotor. Inicialmente no social, ao constituir uma
família, se desestruturada, pode conflitar dentro do ambiente de trabalho através de
queixa de um parente ou companheira, o que reflete negativamente para carreira do
militar. Em segundo lugar, economicamente, o militar não pode receber nenhuma
reclamação de compromisso financeiro, não saldado, feito aos seus superiores, pois
estaria denegrindo a imagem do Exército. Em terceiro, politicamente, o militar da
15
ativa só pode fazer parte do processo eleitoral como ator na segurança do pleito,
pois o militar é proibido pelo Regulamento Disciplinar do Exército (RDE), participar
de partidos políticos. Finalmente, os aspectos psicomotores são os que interferem
diretamente no cotidiano do sargento, quer nos resultados do TAF e TAT, como nas
suas relações interpessoais com subordinados e superiores. Sendo os movimentos
dos graduados observados diuturnamente até sua estabilidade, pode significar para
qualquer ser humano uma pressão constante, cujo nível de estresse desse
profissional pode comprometer seu desempenho profissional.
Após questionar sobre a sua profissão, o sargento muitas vezes já constituiu
família, motivo fundamental, para refletir sobre sua responsabilidade social. Em
contrapartida também caberia ao Exército apoiar o graduado em refazer seu
planejamento de carreira, decisão coerente no plano de desenvolvimento social da
Instituição. Outro aspecto da relevância social da pesquisa seria evidenciado pelo
lado prático das atividades profissionais do sargento de carreira, vinculada à
responsabilidade constitucional do Exército, no que tange ao gerenciamento do
serviço militar obrigatório para os jovens brasileiros, um contingente significativo da
sociedade brasileira que fica nas mãos do sargento durante um ano. Nessa missão
o graduado propõe aos conscritos as primeiras noções de civismo, benefício
fundamental, para condição de cidadania no serviço da Pátria. Posteriormente, ao
completar o período de instrução, o jovem recebe o atestado de prestação do
serviço militar, documento importante para abrir oportunidade ao mesmo no ingresso
de várias atividades de trabalho em empresas que só admitem funcionário com
serviço militar legalizado. Ainda nesse viés social, cabe salientar sobre os
ensinamentos militares da caserna, onde os graduados desenvolvem nos recrutas,
habilidades e atitudes positivas que refletem a imagem do Brasil, no exterior, durante
as operações de paz das Organizações das Nações Unidas (ONU).
O levantamento bibliográfico sobre o tema do planejamento de carreira por
sargento do Exército no período probatório, talvez por ser muito específico, não foi
encontrado em bases de dados on-line (Scielo, Bvs-psi e Capes), nem nas
bibliotecas disponíveis na região da grande Florianópolis. Entretanto, os fenômenos
fundamentais que podem contextualizar a temática nesta etapa da vida dos sujeitos
em questão, como trabalho, escolha profissional, carreira, planejamento de carreira
e sobre o militar de uma forma geral, a literatura disponibiliza vários artigos,
dissertações de mestrados, como também outras pesquisas similares. A conjugação
16
desses trabalhos com esta pesquisa busca perspectiva científica sobre o
planejamento do sargento de carreira até sua estabilidade.
No livro “O que é o Trabalho”, Albornoz (1992) realiza uma retrospectiva do
trabalho ao longo do tempo, conforme a própria autora de reflexão sobre a união de
teoria e prática do trabalho, característica da carreira militar, no dia a dia das
instruções ministradas pelos sargentos no quartel.
Em Codo, Sampaio e Hitomi (1993), o fato de relacionar o homem à natureza
através do trabalho como valor de uso poderia trazer a igualdade das diferentes
pessoas. O valor de uso do trabalho, assim como o valor de troca, foi concebido por
Karl Marx (1988) na obra “O capital”.
Marx defendia que o valor de uso está
associado à capacidade de suprir uma necessidade humana e o valor de troca
remete ao capitalismo, o trabalho como sendo uma mercadoria. Independente do
aspecto ideológico, o graduado, futuro militar, acordado com os anseios da
sociedade brasileira pode contribuir com essa pesquisa na medida em que
responder as questões sobre seu planejamento de carreira, relacionados ao campo
político.
Em relação ao processo de escolha da profissão, diversos trabalhos foram
encontrados sobre a escolha da profissão. Resumidos a uma dimensão de acordo
com as diversas teorias psicológicas ou não, o momento vivenciado pelo sujeito na
hora da escolha. Pretende-se pontuar desses autores algumas afirmativas que
possam caracterizar o público alvo da pesquisa nesse contexto.
Para Ferretti (1997), a escolha é fruto da sobrevivência, pois dependendo
da situação socioeconômica do sujeito, a melhor opção seria aquela que resolve
essas necessidades prontamente.
Conforme Lucchiari (1998), a escolha envolve uma opção entre tantas outras,
a autora condiciona a escolha as vantagens e desvantagens dessa opção. As outras
opções sendo descartadas, caracteriza-e, a exclusividade de escolha.
Em Bohoslavsky (2007), a escolha traduz lembranças passadas em
integração as decisões do presente, pois parte do luto pelas opções deixadas sem
escolha. E isto, pode refletir em conflitos e sofrimento ao indivíduo no futuro.
De acordo com Bock (2006), a escolha ontem estava vinculada ao contexto
social, quem nascia filho de artesão, seria artesão, posteriormente defende uma
superação da relação entre o indivíduo e a sociedade.
17
Conforme Soares (2002), a escolha reflete os pontos mais marcantes da vida
do sujeito, ou seja, a escolha de uma profissão é fundamental na construção da
identidade profissional do individuo.
Além dessas premissas, muitas outras perspectivas se complementam no
momento da decisão do jovem na hora de escolher a sua profissão, por isso, da
importância dessa pesquisa ao pretender integrar aos aspectos acima, a escolha por
uma profissão militar dentro das suas características peculiares.
Os estudos encontrados com referência a carreira de qualquer pessoa podem
começar, de acordo com Martins (2001), com a palavra “carreira” que vem do latim
via carraria, estrada para carros. Bastos (1997) aponta que a partir do Século XIX, o
termo definiu o percurso da vida profissional. A carreira tradicional, diferentemente
da “carreira sem fronteira”, vai implicar em critérios dos quais nasce à noção de
hierarquia ou de responsabilidades dentro de uma ocupação. A pesquisa sobre a
carreira do graduado dentro do Exército até sua estabilidade visualiza a progressão
vertical, a associação da carreira à profissão, o que está também em sintonia com a
carreira tradicional, segundo Martins (2001). Entretanto, de acordo com Chanlat
(1995), o declínio da carreira tradicional, está relacionado a fatores como penetração
crescente das mulheres no mercado de trabalho, necessidade de mudança nas
organizações, globalização da economia, competitividade e turbulência ambiental,
flexibilização do trabalho, entre outros aspectos inibidores do processo tradicional, o
que combina, em parte, com a presente pesquisa no sentido da insegurança vivida
pelo sargento durante o período probatório.
O planejamento de carreira encontra respaldo no artigo de Lopes (2004), que
caracteriza o ponto de partida do planejamento como sendo a construção do mapa
de carreira calcado no objetivo, metas, estratégias e o gerenciamento do
planejamento. A princípio o objetivo retrata o sonho de qualquer sujeito que quer
seguir uma carreira, porém somente quando estiver escrito, o objetivo, poderá se
tornar o foco para desenvolver a etapa seguinte do processo. A meta, apesar da
semelhança com o objetivo, deve conter uma característica importante na
valorização do seu trajeto, uma forma mensurável, a quantificação. A estratégia, a
etapa seguinte do processo, configura a ação proposta do planejamento na busca
efetiva para alcançar o sonho. Finalmente como o processo é dinâmico será
necessário o gerenciamento do planejamento das etapas anteriores.
18
Em complemento ao mapa de carreira a pesquisa busca embasamento em
Rosa (2011), que contempla outra perspectiva das etapas colocadas no parágrafo
anterior, como também aponta os desvios durante o processo. Essas literaturas na
comparação com a observação dos documentos que regulamentam a carreira do
sargento no Exército, até sua estabilidade, podem estabelecer o motivo para o
graduado buscar seu projeto de vida fora do ambiente militar ou continuar firme na
carreira militar.
Finalmente, a importância do tema a ser pesquisado está no momento que
vive a sociedade brasileira. Após um período de governos militares, em que as
informações sobre os militares e civis sofriam restrições, a busca de entender melhor
o sargento de carreira, pessoa chave do Exército Brasileiro, traduz a relevância
social. Por outro lado, pesquisar os fenômenos da escolha profissional, o
planejamento de carreira, a estratégia, o objetivo do ser humano que investe sua
vida na carreira militar como sargento do EB, pode trazer material significativo para o
campo psicológico, no sentido de referendar, ou não, determinados preconceitos
como de liderança autoritária, pré-concebida ao segmento militar por uma parte da
sociedade civil.
19
2 REFERENCIAL TEÓRICO
O planejamento de carreira de qualquer indivíduo vislumbra um sonho, o
objetivo, que na sequência pode se clarificar em metas, as quantificações do projeto
pessoal, as etapas preestabelecidas das estratégias preparatórias de uma “guerra
particular” para alcançar seu futuro profissional. Ao avaliar as possíveis dificuldades
cristalizadas no momento de pensar nas estratégias, as ações, o sujeito deve
conectá-las no caminho da busca da vitória. No concreto, entretanto, é factível o
indivíduo se deparar com questões sobre o que é trabalho, no sentido mais amplo
da palavra, escolha profissional e carreira, nos aspectos históricos e evolutivos. E no
caso do jovem, com opção da profissão militar, é prudente estabelecer um plano de
ação que contemple a busca de informações sobre a carreira das armas em uma
organização militar, próxima à sua residência. Como, também, realize uma pesquisa
literária, sobre os temas pertinentes aos militares, nas bases de dados on-line do
Exército, cujo resultado pode auxiliar o futuro graduado do EB no planejamento da
carreira. Finalmente, para obter êxito no seu projeto particular de inserção
profissional na sociedade brasileira deve buscar outras fontes de informações sobre
as demais profissões, como por exemplo, na Classificação Brasileira de Ocupações
(CBO). (BRASIL, 2009).
2.1 TRABALHO
O trabalho, na concepção semântica e histórica, teve mudanças ao longo do
tempo.
Segundo Aranha (1997), o trabalho deriva de tripalium, que seria um
instrumento de tortura utilizado para atar os condenados ou para manter presos os
animais difíceis. Segundo Albornoz (1992), desse conteúdo semântico de sofrer
passou ao de esforçar-se, laborar e obrar. “No sentido de esforçar-se, o trabalho
perdurou até inícios do século XV, seria o esforço e também o seu resultado: a
construção enquanto processo e ação, e o edifício pronto” (p.12) finaliza a autora.
Conforme Longoni e Santos (2009), historicamente, na Grécia antiga, os escravos
trabalhavam com noção de punição, nesta mesma condição, homens, mulheres e
20
crianças, no século XVIII, com a Revolução Industrial, trabalhavam em jornadas de
trabalho de 16 horas por dia dentro das indústrias recebendo salários baixíssimos.
Esse novo processo de exploração social consolidado sedimentou o capitalismo no
que tange à produção. De acordo com Lane (1981), as máquinas das fábricas
separavam as pessoas concorrentes a uma vaga, os colegas de trabalho se
tornaram rivais, potencialmente um pode substituir o outro. Como conclusão, o
indivíduo está sozinho na luta pela vida.
Em conexão ao parágrafo anterior, é importante colocar uma questão
ideológica do trabalho, que segundo Codo, Sampaio e Hitomi (1993), o fato de
relacionar o homem à natureza através do trabalho como valor de uso poderia trazer
a igualdade das diferentes pessoas. Esse momento dentro da história do trabalho
marca também o início do conflito ideológico que se mantém até os dias de hoje.
Segundo Aranha (1997), no início do século XX, a relação de trabalho ao
homem ficou atrelada às teorias dos americanos, Frederick Taylor e Henry Ford. O
taylorismo combatia a “preguiça” do trabalhador através de um controle científico,
tudo era cronometrado para maior rapidez das atividades do operário, enquanto o
fordismo, na sua fábrica de automóvel, para aumentar a produtividade, incrementou
a linha de montagem, uma esteira, para a produção em série. Conforme Aranha
(1997) e Antunes (1998), o domínio das montadoras americanas só foi questionado
pela transformação do mundo trabalho nas décadas de 1970 e 1980, em
decorrência do salto tecnológico e microeletrônico que colocou o Japão no cenário
mundial com melhores padrões de produtividade das suas montadoras, com
destaque para a Toyota.
Ao final do século XX, a tecnologia de ponta, principalmente o computador,
amplia suas conquistas e o trabalhador teve de correr atrás de qualificações. Entra
em cena o processo de globalização e mudam as relações de trabalho. A
automação dos processos produtivos industriais intensifica o desemprego e as
flexibilizações dos direitos do trabalhador. De acordo com Ribeiro (2011), a transição
do século XX para XXI marca um período de incertezas, fruto do dinamismo do
mundo do trabalho; ainda segundo a autora as mudanças são muito rápidas gerando
insegurança e dificuldade de assimilação. É nesse contexto de fragmentação, de
profissões extintas e de outras que surgem para homens e mulheres que a pesquisa
vai focar no jovem brasileiro, da faixa etária dos 18 aos 24 anos, que quer trabalhar
ou está em busca de emprego.
21
A pergunta para esse momento ao jovem seria qual a diferenciação que faz
entre trabalho e emprego como também seu nível de autoconhecimento técnicoeducacional para gerir essas questões no sentido de atender sua percepção pessoal
de consumo e trabalho. Na prática, em nossos dias, o jovem pouco valoriza o
trabalho, porém usa uma parte do salário conseguido com seu trabalho para o
consumo. Seria o emprego sem a vinculação como atividade peculiar do sentido
técnico do trabalho e sim como produção capitalista.
De acordo com a definição do Dicionário do Pensamento Social do Século XX
(Outhwaite; Bottomore, 1996, p. 384). O trabalho é o esforço humano dotado de um
propósito, envolve a transformação da natureza, através do dispêndio de
capacidades físicas e mentais. O emprego, é a relação estável, e mais ou menos
duradoura, que existe entre quem o organiza e quem o realiza. É uma espécie de
contrato, no qual o possuidor dos meios de produção paga pelo trabalho de outros,
que não são possuidores do meio de produção. Em qualquer tipo de consulta aos
jovens raramente o mesmo faz a diferença entre trabalho e emprego, porém ganhar
dinheiro para poder comprar seus sonhos de consumo é muito importante. Em
relação ao autoconhecimento técnico educacional, o artigo de Pochmann (2007),
intitulado “Situação do jovem no mercado de trabalho no Brasil: um balanço dos
últimos 10 anos” encontrou o seguinte levantamento:
No ano de 2005, a população na faixa etária de 15 a 24 anos alcançou 35,1
milhões de pessoas, o que representou 19% do total da população
brasileira. Do conjunto dos jovens, 65,3% eram ativos no mercado de
trabalho (na condição de ocupado ou de desempregado) e somente 46,8%
estudavam. [...] Não obstante, o crescimento da presença de jovens na
escola, ainda prevalece no país a maior parcela da faixa etária de 15 a 24
anos que não estuda (53,2%), sendo menor entre as mulheres (52,4%) do
que em relação aos homens (53,6%). Ademais, observa-se também que o
avanço de 39,4% na quantidade de jovens que passaram a estudar entre
1995 e 2005 não implicou redução na taxa de atividade juvenil no interior do
mercado de trabalho. Ou seja, o jovem buscou elevar a escolaridade
combinando com a atividade laboral, indicando que o Brasil tem jovens que
trabalham e estudam, ao contrário da tendência dos países desenvolvidos
de postergação do ingresso juvenil no mercado de trabalho para ampliação
da escolarização. Para muitos jovens, quando não há trabalho, tampouco
pode haver acesso à escola, tendo em vista a ausência de financiamento
dos custos vinculados à educação para alguém com mais de 15 anos de
idade. (POCHMANN, 2007, p.5).
22
Pelo que foi apresentado anteriormente, fica clara a necessidade de orientar o
jovem no sentido de valorizar o seu trabalho, dissociando seu resultado financeiro do
consumismo motivado pelo aparato midiático de propagandas apelativas.
O Brasil acompanha o mundo, quanto ao modelo tradicional de trabalho, no
que tange ao esclarecimento inicial sobre a área profissional de atuação, é
importante informar ao jovem que de acordo com a Classificação Brasileira de
Ocupações (CBO, 2009), no item “Listagem das Profissões Regulamentares no
Brasil” existem 63 profissões regulamentadas à disposição do trabalhador brasileiro.
A CBO apresenta cada uma destas profissões, constituindo-se uma importante
ferramenta para quem pretende ingressar no mercado de trabalho. Diante desse
quadro, a expectativa positiva sobre a reflexão do jovem para organizar seu futuro
através do trabalho, seria no seu próximo passo, a escolha profissional.
2.2 ESCOLHA PROFISSIONAL
Estudar o fenômeno da escolha profissional a partir de um recorte focado nos
jovens que escolheram a carreira militar pode significar uma proposta diferente das
pesquisas sobre as escolhas dos demais jovens na mesma faixa etária. A
visualização do processo de escolha por uma profissão militar ou civil pode
estabelecer vários parâmetros comuns, outros nem tanto, como veremos no
momento da decisão da escolha, posteriormente na conjugação de questões
familiares e valorização pessoal, nas relações sociais e históricas, dos níveis de
informações e finalmente dos fatores ocultos que podem estar, de forma discreta,
influenciando os jovens.
Sendo a decisão pessoal do jovem e de acordo com Bock (2002), a escolha
profissional é uma conquista por seu próprio esforço, estudo, luta e trabalho. Ao
enfrentar a decisão da escolha, o jovem, segundo Levenfus (1997), cumpre o ritual
de passagem, obriga-se a se situar temporalmente, tomar seu lugar na família e se
definir como adulto. O jovem com opção da profissão militar no dia da formatura,
além do certificado de conclusão de curso, faz o juramento, onde promete “morrer”
em defesa da Pátria. Na profissão civil, o formando assume um compromisso ético
ao receber o diploma.
23
Na sequência, é importante para o jovem seu lugar na família, com
independência econômica.
Segundo Lucchiari (1998), o indivíduo reconhece os
valores de sua família como sendo seus. Em conjugação, Soares (2002) aponta que
em nossa sociedade a valorização pessoal dá-se em razão do status profissional
adquirido, que são os valores que o capitalismo transmite à sociedade para um
projeto de vida. O status social que a profissão oferece e também o retorno
financeiro para assumir, de certa forma, a posição de adulto. A diferença desses
aspectos está no prazo para alcançá-los, tanto o status como o retorno financeiro,
pois para o jovem que escolhe a profissão militar, no caso de sargento é
praticamente imediato, dois anos, enquanto o jovem da opção por profissão civil,
completa sua graduação de acordo com sua disponibilidade de tempo.
De acordo com Bock (2006), a liberdade de escolha só aparece após a
Segunda Revolução Industrial, e de acordo com Lucchiari (1998), antigamente as
famílias privilegiavam ter um filho militar, padre ou médico, pois essas eram
profissões de maior poder na sociedade, além disso, anteriormente, a profissão
estava associada ao ambiente familiar do jovem, ou seja, filho de militar seria militar.
Acrescenta ainda, Bock (2002), que o histórico da escolha também é datado, tendo
seu ponto inicial quando ao ser humano lhe foi dado à oportunidade de poder
escolher sua profissão.
O aspecto da informação, conforme Bock e Aguiar (1995) e Lehman (1995),
salienta a importância dos meios de comunicação em massa na determinação da
escolha profissional dos sujeitos. Tais meios, são responsáveis pela disseminação
de informações a respeito das profissões, mediante suas representações em
novelas, jornais e propagandas, as quais subsidiam a formação de imagens
profissionais na sociedade. Por outro lado, Levenfus e Nunes (2002) salientam que é
significativa a falta de informações que o jovem demonstra tanto no que se refere às
profissões quanto ao mercado de trabalho. A falta de informações sobre a realidade
das profissões pode acarretar em escolhas baseadas predominantemente em
crenças, mitos e representações veiculadas socialmente.
No propósito de integrar os aspectos anteriores, a pesquisa propõe ressaltar
se durante sua escolha o jovem estava ciente que toda a profissão tem forma e
conteúdo, pois quando o indivíduo examina uma profissão apenas pela forma, o
estereótipo da profissão pode estar sendo influenciado por fatores ocultos. Algumas
influências são ocultas, pois passam despercebidas do próprio sujeito, elas agem de
24
forma discreta, levando o indivíduo sem orientação de um profissional à
possibilidade de cometer enganos na hora da escolha.
A visão romântica da profissão, as frustrações da família, as ilusões do
mercado de trabalho e erros de avaliações constituem o grupo de influências ocultas
que mais interferem no momento da escolha da profissão. Como a carreira civil é
farta de exemplos no texto de Whitaker (1997) sobre os fatores ocultos, será feita
uma analogia com exemplos apenas da profissão militar.
Primeiramente, a visão romântica, na parada de Sete de Setembro, a mídia
normalmente edita os flashes dos militares que passam com seus uniformes
característicos, perfilados com garbo que pode refletir um status de notabilidade
profissional e pode induzir o jovem a uma escolha nesta área, que não espelha a
pesada tarefa de futuramente labutar num complexo ambiente de dedicação
singular, com o qual seu perfil profissional poderia não estar adequado. Esse
movimento visual gera um dos fatores oculto que o jovem deve refletir como
conteúdo profissional que pode lhe causar frustração.
O outro exemplo na carreira está ligado à família, pois algumas vezes um
determinado parente sempre quis ser militar, as vontades paternas para a escolha
profissional dos filhos, que podem estar, inconscientemente, empurrando os filhos
para a profissão que os mesmos desejaram um dia e que por um motivo ou outro,
não tiveram êxito. Em relação ao mercado de trabalho, na comparação com outras
profissões, funciona como atrativo vinculado ao retorno financeiro imediato e a
estabilidade, o que pode não se confirma posteriormente.
Os erros de avaliação, em que alguns jovens pensam que militar é profissão
só de homem, o sexismo, já ultrapassado no Exército (Whitaker, 1997). Estando o
jovem consciente da sua escolha profissional será necessário resolver qual carreira
atende suas necessidades pessoais.
2.3 CARREIRA
O trabalho desperta o sujeito para escolha de uma profissão, normalmente
evidenciado em uma carreira. Até os anos de 1970 a carreira espelha um modelo
tradicional com características sintetizadas na posição hierárquica, carreira como
25
profissão e a estabilidade. Martins (2001 apud KILIMNIK; SANT´NNA; CASTILHO,
2008), explicam cada um desses aspectos como limites da definição de carreira. A
hierarquia representa a promoção nuclear e vertical nas organizações, com reflexos
na importância maior do cargo e também no ganho financeiro. Em resumo, esta
etapa seria o plano de cargos e salários. A carreira como profissão seria na verdade
uma associação bem ao estilo senso comum entre as duas palavras, a carreira do
médico, do militar, enquanto isso o operário da construção civil não teria carreira e
sim, o ofício de pedreiro. O último aspecto, a estabilidade, comportaria a segurança
de um jovem envelhecer trabalhando na mesma empresa.
Para completar a introdução, nesses aspectos delimitadores da definição de
carreira será feita uma breve comparação entre a carreira militar e civil no contexto
atual. A posição hierárquica na carreira civil funciona de forma vertical associada a
ganhos financeiros significativos por parte do funcionário na organização, enquanto
na carreira militar, embora também vertical, a diferença do soldo entre as
graduações são mínimas. A carreira de um profissional civil não impede do mesmo
atuar em qualquer outra área de trabalho, entretanto o militar é proibido, por lei,
desempenhar outra atividade fora da sua ocupação profissional, estando no serviço
ativo. A terceira característica, a estabilidade na carreira, configura o principal
paradoxo motivador deste trabalho, pois sendo a carreira militar considerada estável,
como um sargento de carreira leva dez anos em um período probatório de intensa
rigidez profissional, para alcançar a estabilidade, enquanto no meio civil seria no
máximo de dois anos, no caso do servidor público civil.
Outro encadeamento seriam as mudanças do mundo do trabalho. Segundo
Chanlat (1996 apud KILIMNIK; SANT´NNA; CASTILHO, 2008), essas mudanças
trouxeram o declínio da carreira tradicional, que está relacionado a diversos fatores,
como: penetração crescente das mulheres no mercado de trabalho, necessidade de
mudança
nas
organizações,
globalização
da
economia,
competitividade
e
turbulência ambiental, flexibilização do trabalho, entre outros aspectos inibidores do
processo tradicional de carreira. O contraponto visualizado em contraste a carreira
tradicional seria a carreira proteana, caracterizada pelos relacionamentos dirigidos
pelo indivíduo, não pela organização e sujeita a reinvenção pela própria pessoa de
tempos em tempos, a partir das mudanças no ambiente e na própria pessoa. O
conceito de “carreira proteana” foi criado em 1976 por Hall e refere-se a um
processo:
26
(...) que a pessoa, não a organização, está gerenciando. Consiste de todas
as variadas experiências da pessoa em educação, treinamento, trabalho em
varias organizações, mudanças no campo ocupacional, etc. A carreira
proteana não é o que acontece a uma pessoa em qualquer organização. As
próprias escolhas pessoais de carreira e busca por auto-realizarão da
pessoa proteana são os elementos integrativos e unificadores em sua vida.
O critério de sucesso é interno (sucesso psicológico), não externo. Em
resumo, a carreira proteana é desenhada mais pelo indivíduo que pela
organização, e pode ser redirecionada de tempos em tempos para atender
às necessidades da pessoa. (HALL, 1996, apud MARTINS, 2001, p.32).
Para o autor, o mito de Proteus, revela elementos observados no profissional
contemporâneo, a habilidade de gerenciar sua própria carreira.
Para fazer uma comparação entre as duas carreiras tradicional e proteana, o
Quadro 1 pode contribuir para uma distinção mais clara:
Área
Desenvolvimento
Tradicional
Mobilidade geográfica,
treinamento formal e objetivo
de longo prazo.
Proteana
Aprendizado contínuo,
envolvimento em projetos –
chave.
Orientação para o
empregado
Valoriza e serve a
organização.
Autonomia, responsabilidade
Pessoal e auto-focada.
Definição do sucesso no
ambiente organizacional
Relacionamento com a
organização é importante,
fornece possibilidade de
crescimento, lealdade e
comprometimento.
O fundamental é a tarefa e não o
relacionamento com a
organização; isso promove a
Intensificação de oportunidades,
habilidades/ conhecimentos
Quadro 1: Distinção entre carreira tradicional e proteana
Fonte: McDonald, Brown e Bradley (2004 apud ANDRADE, 2009)
Finalmente, o tópico da carreira, no que tange ao sargento no período
probatório, pode sugerir um processo híbrido entre a carreira tradicional e “sem
fronteiras”? Em que momento o graduado deve refletir sobre o assunto? O Exército,
na alta cúpula, pensou nessa possibilidade de carreira alternativa, com os
graduados, já que existe precedente com os médicos? Para tal, uma comunicação
interpessoal, seria bem interessante ao jovem com desejo de seguir a carreira militar
e realizar um ótimo planejamento de carreira com bases sólidas no seu projeto de
vida.
27
2.3.1 Planejamento de carreira
O planejamento de carreira concentra o principal enfoque da presente
pesquisa, por dois motivos principais: o primeiro, na relação direta do que é
oferecido ao futuro sargento pelo Exército, no sentido de realizar seu objetivo,
chegar à estabilidade e, no segundo momento, seu planejamento de carreira como
projeto de vida. Segundo Lopes (2004), planejar é refletir, na seqüência o seu artigo
apresenta a construção do mapa da carreira dividido em quatro etapas: objetivos,
metas, estratégias e o gerenciamento do planejamento. Esse texto pode ajudar o
sujeito a organizar o planejamento de qualquer carreira, fazendo é claro as
adequações cada uma ao seu estilo.
Inicialmente é necessário focar no planejamento, conforme diz Jackson de
3
Toni :
O Planejamento Estratégico e Situacional, sistematizado originalmente pelo
economista chileno Carlos Matus, diz respeito à gestão de governo, à arte
de governar. Quando nos perguntamos se estamos caminhando para onde
queremos, se fizemos o necessário para atingir nossos objetivos, estamos
começando a debater o problema do planejamento. A grande questão
consiste em saber se somos arrastados pelo ritmo dos acontecimentos do
dia-a-dia, como a força da correnteza de um rio, ou se sabemos aonde
chegar e concentramos nossas forças em uma direção definida. O
planejamento visto estrategicamente, não é outra coisa senão a ciência e a
arte de construir maior governabilidade aos nossos destinos, enquanto
pessoas, organizações ou países.
Segundo White (2008), o papel do planejamento não está nem no passado
nem no presente e sim no futuro e destaca as palavras do industrial Charles
Kettering: “Espero passar o resto da minha vida no futuro; sendo assim, quero ter
uma certeza relativa do tipo de futuro que encontrarei. Esse é motivo pelo qual
planejo”.4
A primeira etapa, do mapa de carreira, é claro, a delimitação ou
estabelecimento dos objetivos, o sonho, o desejo de algo no futuro, que só se torna
concreto, quando estiver escrito, pois assim poderão indicar foco e direção as
ϯ
Economista, Técnico em Planejamento da Secretaria de Planejamento do Rio Grande do Sul e
professor universitário na ULBRA e UERGS, in “Revista Espaço Acadêmico”, n° 32, janeiro de 2004.
4
Charles J. Givens. Wealth without risk. New York: Simon and Shuster, 1988, p. 21.
28
nossas atividades (Lopes 2004). Conforme Rosa (2011, p.18), a definição de
objetivo é de capital importância, pois objetivo equivocado leva a desvio, perda de
recurso e esforço. E acrescenta o autor “pessoas mais eficientes são aquelas que
sabem com maior clareza onde querem chegar.”
Tendo o objetivo traçado, o sujeito deve estabelecer suas metas para
alcançá-lo. Embora semelhante aos objetivos, as metas precisam ser medidas, com
isso aparece a característica da meta que faz diferenciação do objetivo, a
quantificação. O principal elo entre as duas etapas, segundo Lopes (2004), seria a
mesma flexibilidade para retomar os desvios que possam aparecer.
Na sequência Lopes (2004), coloca a etapa definida como estratégia, cujos
conceitos são vários: ações utilizadas para viabilizar as metas, escolhas, respostas e
perguntas sobre como atingir as metas, entre outros. Conclui o autor que a
estratégia eficaz é aquela que estabelece a ligação perfeita da saída e da chegada
da meta. Para Rosa (2011), a estratégia é um conjunto de decisões tomadas com a
finalidade de garantir a realização dos objetivos e resume a estratégia como sendo:
pensar e decidir. Existe diferença entre Lopes e Rosa, na denominação da etapa de
meta no planejamento, Rosa chama de passos menores.
Segundo Lopes (2004) o gerenciamento do planejamento seria a revisão
constante de todas as etapas, para tal, o dono do mapa deve ter em mente alguns
conceitos primordiais: o foco, a percepção nítida do objetivo, a circulação, rede de
relacionamento e a disponibilidade, estar pronto, preparado e presente.
Rosa (2011), nesta mesma linha, contempla outros caminhos para
desenvolver o planejamento de carreira como projeto de vida profissional. Conforme
o autor o início do planejamento começa com a missão que seria o que a pessoa
realmente quer fazer, só depois define os objetivos e posteriormente as estratégias
que vão definir o plano operacional. E também descreve os principais erros que
pode cometer o sujeito durante a condução da carreira que seriam: concentrar-se no
que gosta de fazer; dedicar-se a atividade da qual não gosta; confundir-se com o
cargo; agir como “livre atirador”; achar que a força está em você; não mudar o
suficiente; distrair-se; perder o foco; fiar-se no talento; isolamento e dosagem errada
de ousadia.
Considerando que as relações genéricas do fenômeno planejamento de
carreira já estão contempladas, é importante neste momento ressaltar o dilema
particular do jovem que decide pela carreira militar ao completar o ensino médio ou
29
mesmo antes. As principais opções para profissão militar de carreira, oferecidas pelo
EB, podem ser agrupadas nos níveis técnicos e superiores. A carreira no nível
superior começa na Escola Preparatória de Cadetes5 do Exército (EsPCEx), onde o
candidato cursa o terceiro ano do ensino médio, cuja síntese para um futuro aluno
seria:
A Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), localizada na
cidade de Campinas, SP, é o estabelecimento de ensino militar do Exército
responsável por selecionar e preparar os jovens para o ingresso na
Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), iniciando a formação do
oficial combatente do Exército Brasileiro.
As inscrições para o concurso acontecem anualmente nos meses de junho
e julho e são feitas pela internet (CCOMCEX).
O aluno da EsPCEx, depois de formado segue para a Academia Militar das
Agulhas Negras (AMAN), onde o destino do futuro cadete seria:
A AMAN, localizada em Resende-RJ, é o estabelecimento de ensino que
forma oficial combatentes de carreira do Exército Brasileiro.
Ao longo dos quatro anos de formação, são realizadas atividades que se
fundamentam no desenvolvimento de atributos das áreas afetiva, cognitiva
e psicomotora necessários à profissão militar.
Sua grade curricular inclui disciplinas ligadas às ciências militares, exatas e
humanas. Ao final do curso, o concludente é declarado Aspirante a Oficial e
recebe o diploma de Bacharel em Ciências Militares.
O ingresso na AMAN ocorre exclusivamente por intermédio da Escola
Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), situada em Campinas (SP).
As inscrições para o concurso acontecem anualmente nos meses de junho
e julho e são feitas pela internet (CCOMSEX).
Não seguindo a carreira para o oficialato, nível superior, o jovem que optar
pelo nível técnico, deverá prestar concurso para a Escola de Sargentos das Armas
(EsSA). Sendo a escola formadora do sujeito dessa pesquisa, o sargento de carreira
do EB, é necessário destacar o caminho percorrido pelo jovem para se tornar
sargento do EB, da escolha até a formatura na escola, passando pelos diversos
momentos do curso:
A EsSA, localizada na cidade de Três Corações, MG, é o estabelecimento
de ensino militar do Exército responsável pela seleção e formação dos
sargentos de carreira das Armas do Exército Brasileiro.
ϱ
Cadete é o graduado oriundo da Academia Militar das Agulhas Negras.
30
Quando aprovado, o aluno realizará um período básico de instrução em
uma das treze Organizações Militares das seguintes cidades: Altamira-PA,
Fortaleza-CE, Recife-PE, Jataí - GO, Juiz de Fora - MG, Pouso Alegre-MG,
Campo Grande-MS, Rio de Janeiro-RJ, Jundiaí-SP, Blumenau-SC,
Alegrete-RS e Pirassununga-SP.
O período de qualificação é realizado em 03 (três) estabelecimentos de
ensino militar do Exército:
Na EsSA, são formados os sargentos de Infantaria, Cavalaria, Artilharia,
Engenharia e Comunicações, que são as chamadas “armas” com atuação
na linha de frente do combate.
A Escola de Sargentos de Logística, situada no Rio de Janeiro-RJ, forma os
sargentos de Material Bélico (responsáveis pela manutenção de viaturas e
armamento), Manutenção de Comunicações (equipamento rádio),
Topografia, Intendência (área administrativa), Saúde e Música. São os
militares que apóiam o combate.
Centro de Aviação do Exército, situado em Taubaté-SP, forma o sargento
encarregado pela manutenção de equipamentos de aviação.
O período de qualificação visa aprimorar os aspectos do Período Básico e
preparar o sargento para ocupar, efetivamente, cargos destinados de
acordo com sua formação (CCOMSEX).
Após, retratar pelo menos em parte, o sistema de ensino do EB, que
influenciou diretamente no momento da escolha do sargento de carreira e sua
formação, o trabalho da pesquisa fica na dependência de coletar dados de campo,
através de contato com os sujeitos que estão vivenciando a realidade do cotidiano
durante o período probatório da carreira do graduado. A carreira do sargento durante
a etapa que antecede a sua estabilidade é possivelmente diferente de todas as
outras profissões, com início, meio e final, feliz ou não, no prazo de dez anos. No
começo da carreira, em sua chegada a OM, oriundo da EsSA, é marcada por uma
expectativa muito grande. O primeiro trabalho efetivo, dentro da profissão escolhida,
a
profissão
militar. Aos
poucos, a carreira
militar,
mostra
o
lado das
responsabilidades inerentes de uma carreira sistemática, em relação às promoções.
O graduado logo percebe que para ser promovido depende de vários conceitos,
laterais (pares mais antigos) e superiores subjetivos, principalmente do olhar atento
do comandante da OM. O segundo momento importante na carreira do sargento é a
primeira transferência, pois embora o militar saiba da possibilidade da mesma,
quando ocorre, sua rede social fica sem saber como é mudar de cidade, de colégio,
tudo de repente, entre outras consequências de difícil superação. No terceiro
momento, já próximo a estabilidade é o tempo de avaliar seus resultados pessoais
para definir, caso ainda não tenha feito, o seu projeto de vida, talvez numa “carreira
proteana” ou sedimentar a carreira tradicional no EB.
31
Conforme os resultados do processo inicial do projeto de vida, uma parte da
juventude que escolheu a carreira militar, dependendo da situação em que se
encontra, pode estar se perguntando, quem é o militar? Para tentar responder essa
pergunta, colocou-se como ultimo tópico do referencial teórico uma apresentação do
militar na esfera dos parâmetros legais da instituição, apontando quais são os
militares dentro dos graus hierárquicos e o conceito do militar vinculado à sua
profissão, enfim as principais regras para a decisão de ser militar.
2.4 MILITAR
O militar para atuar profissionalmente, enquadrado no EB, deve estar disposto
a conviver dentro das bases reguladoras da instituição, a hierarquia e a disciplina.
Segundo o Estatuto dos Militares (1980) reza, em seu art. 14, o seguinte: “A
hierarquia e a disciplina são a base institucional das Forças Armadas. A autoridade e
a responsabilidade crescem com o grau hierárquico”. O § 1º deste mesmo artigo
preceitua: “A hierarquia militar é a ordenação da autoridade, em níveis diferentes,
dentro da estrutura das Forças Armadas. O respeito à hierarquia é consubstanciado
no espírito de acatamento à seqüência de autoridade”. A hierarquia deve estar
ligada à virtude da camaradagem, tanto que os círculos hierárquicos têm a finalidade
“de desenvolver o espírito de camaradagem, em ambiente de estima e confiança,
sem prejuízo do respeito mútuo”, como estabelece o artigo 15 do mencionado
Estatuto. E conjuntamente, a disciplina, conforme o § 2º, do art. 14, do Estatuto dos
Militares, assim conceitua disciplina: “É a rigorosa observância e o acatamento
integral das leis, regulamentos, normas e disposições que fundamentam o
organismo militar e coordenam seu funcionamento regular e harmônico, traduzindose pelo perfeito cumprimento do dever por parte de todos e de cada um dos
componentes desse organismo”.
Os componentes do EB, dentro do grau hierárquico e abreviatura dos postos
e graduações são os seguintes:
32
POSTO
Marechal
General-de-Exército
General-de-Divisão
General-de-Brigada
Coronel
Tenente-Coronel
Major
Capitão
Primeiro-Tenente
Segundo-Tenente
Aspirante-a-oficial
GRADUAÇÃO
Cadete
Subtenente
Primeiro-Sargento
Segundo-Sargento
Terceiro-Sargento
Cabo
Soldado
Taifeiro-Mor
Taifeiro-de-Primeira-Classe
Taifeiro-de-Segunda-Classe
ABREVIATURA
Mar
Gen Ex
Gen Div
Gen Bda
Cel
Ten Cel
Maj
Cap
1° Tem
2° Tem
Asp
Cad
ST ou Subten
1° Sgt
2° Sgt
3° Sgt
Cb
Sd
TM
T1
T2
Quadro 2 – Graus hierárquicos
Fonte: Portaria Normativa nº 513, (BRASIL, 2008)
Para complementar o fenômeno de planejamento de carreira, dessa pesquisa,
o conceito de militar será vinculado à profissão militar, conforme o site do Centro de
Comunicação Social do Exército (CCOMSEX), como:
"Senhor, umas casas existem, no vosso reino onde homens vivem em
comum, comendo do mesmo alimento, dormindo em leitos iguais. De
manhã, a um toque de corneta, se levantam para obedecer. De noite, a
outro toque de corneta, se deitam obedecendo. Da vontade fizeram
renúncia como da vida.
Seu nome é sacrifício. Por ofício desprezam a morte e o sofrimento físico.
Seus pecados mesmo são generosos, facilmente esplêndidos. A beleza de
suas ações é tão grande que os poetas não se cansam de celebrá-la.
Quando eles passam juntos, fazendo barulho, os corações mais cansados
sentem estremecer alguma coisa dentro de si. A gente conhece-os por
militares...
Corações mesquinhos lançam-lhes em rosto o pão que comem; como se os
cobres do pré pudessem pagar a liberdade e a vida. Publicistas de vista
curta acham-nos caros demais, como se alguma coisa houvesse mais cara
que a servidão.
Eles, porém, calados, continuam guardando a Nação do estrangeiro e de si
mesma. Pelo preço de sua sujeição, eles compram a liberdade para todos e
os defendem da invasão estranha e do jugo das paixões. Se a força das
coisas os impede agora de fazer em rigor tudo isto, algum dia o fez, algum
dia o fará. E, desde hoje, é como se o fizessem. Porque, por definição, o
homem da guerra é nobre. E quando ele se põe em marcha, à sua
esquerda vai coragem, e à sua direita a disciplina". (MONIZ BARRETO -
33
Carta a El-Rei de Portugal, 1893). Centro de Comunicação Social do
Exército (CCOMSEX).
“Antiguidade é posto”, pode ser um chavão militar, porém o conceito acima
poderia dizer tudo ontem, hoje e sempre da profissão militar. Entretanto, os
diferentes momentos da vida política do Brasil, creditam, ao militar, a oportunidade
ambígua de vilão ou herói. Na opinião da sociedade brasileira, conforme Rodrigues
(2008), a identidade militar precisa ser repensada, pelo militar em todos os graus da
hierarquia para cumprir bem sua missão de servir à Pátria. Finalmente, para se
chegar ao objetivo, de retratar o planejamento de carreira durante o período
probatório, só poderá ser alcançado com a coleta e análise de dados, quando se
pretende apresentar um questionamento para ressaltar o papel do sargento de
carreira na estrutura do Exército Brasileiro.
34
3 MÉTODO
As decisões necessárias para caminho percorrido através do procedimento da
coleta de dados desta pesquisa sobre o planejamento de carreira por sargento no
Exército Brasileiro (EB), durante o período probatório, começaram com a escolha do
local, o 63º Batalhão de Infantaria (63º BI). Em continuidade ao processo, foi tomada
a decisão sobre o instrumento de coleta de dados, um questionário com seis
perguntas abertas e dezesseis fechadas que abrangeu aos objetivos específicos no
sentido de clarear o fenômeno do estudo da pesquisa, o planejamento de carreira do
sargento de carreira. A pesquisa também levou em consideração o objetivo da
estabilidade por parte do sargento em consonância as suas metas e suas
estratégias durante o período probatório, os dez anos que antecede a estabilidade
do graduado.
3.1 CLASSIFICAÇÕES DA PESQUISA
Esta pesquisa possui natureza quantitativa, pois a informação mensurada foi
de um grupo significativo de sujeitos (GIL, 1996). E, também qualitativa,
considerando a análise das respostas dos participantes (CHIZZOTI, 2000). Em
relação ao corte caracterizou-se transversal, pois investiga os sujeitos de forma
pontual, em pouco tempo da carreira militar. Quanto ao objetivo a pesquisa foi
descritiva, pois estabeleceu relações entre variáveis (GIL, 1996), e associações
entre as mesmas com utilização de tabelas e gráficos. Quanto ao delineamento é do
tipo levantamento, pois a pesquisa foi realizada com todos os sujeitos que estão
vivenciando o período probatório no 63°BI.
35
3.2 PARTICIPANTES
Os sujeitos da pesquisa foram sargentos de carreira sem estabilidade
servindo o Exército no período probatório. O período probatório é etapa da carreira
do sargento que se estende por dez anos, normalmente começando quando
sargento sai da EsSA, até sua estabilidade na carreira militar. Para levantar o perfil
do sujeito da pesquisa foi realizada a visualização gráfica abaixo com a subseqüente
descrição.
A questão 1 – Idade e a questão 3 – Tempo de serviço dos participantes
estão representadas nos Gráficos 1 e 2 abaixo:
/ĚĂĚĞĚŽƐƉĂƌƚŝĐŝƉĂŶƚĞƐ
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
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ϰ
Ϯ
Ϭ
ϵ
ϱ
ϲ
Ϯ
ϮϮͲϮϰ
ϮϱͲϮϳ
ϮϴͲϯϬ
ϮϭͲϯϮ
Gráfico 1 – Idade dos participantes
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
O Gráfico 1 evidencia que dos 22 participantes, cinco tem entre 22 e 24 anos
de idade, seis tem entre 25 e 27 anos de idade, nove tem entre 28 e 30 anos de
idade e dois tem entre 31 e 32 anos de idade.
36
Tempo de serviço
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϰ
Ϯ
Ϭ
ϭϭ
ϳ
ϰ
ϬϮͲ ϬϰĂŶŽƐ
ϬϱͲ ϬϳĂŶŽƐ
ϬϴͲ ϭϬĂŶŽƐ
Gráfico 2 – Tempo de Serviço
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
Em relação ao tempo de serviço o Gráfico 2 mostra que quatro participantes
possuem entre 2 e 4 anos de serviço, sete possuem entre 5 e 7 anos de serviço e
onze possuem entre 8 a 10 anos de serviço, ou seja, a metade dos participantes
esta próxima da estabilidade.
A questão 2 – Estado civil dos participantes e a questão 5 – Filhos estão
representadas nos Gráficos 3 e 4 abaixo:
Estado civil
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϰ
Ϯ
Ϭ
Filhos
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϰ
Ϯ
Ϭ
ϭϮ
ĂƐĂĚŽ
ϱ
ϱ
^ŽůƚĞŝƌŽ
hŶŝĆŽ
ƐƚĄǀĞů
Gráfico 3 – Estado Civil
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
ϭϱ
ϳ
^/D
EK
Gráfico 4 – Filhos
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
O Gráfico 3 mostra que 12 participantes são casados, enquanto que cinco
vivem em união estável e cinco são solteiros.
37
A maioria dos participantes não tem filhos, conforme se observa no Gráfico 4,
somente sete participantes tem um filho cada. Esses aspectos deixam claro o
modelo familiar dos participantes.
A questão 4 – Cidade de origem dos participantes ficou representada no
gráfico abaixo pelo Estado de origem dos participantes devido à grande maioria dos
mesmos serem de cidades diferentes.
Estado de origem
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϲ
ϲ
ϲ
ϰ
Ϯ
ϭ
ϭ
ϭ
ϭ
WZ
ZE
W
^W
Ϭ
Z:
D'
Z^
Gráfico 5 – Estado de origem.
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
O Gráfico 5 representa o estado de origem dos participantes, onde podemos
observar que todos os participantes são oriundos de outros estados, sendo, seis do
Rio de Janeiro, seis de Minas Gerais, seis do Rio Grande do Sul, um do Paraná, um
de Rio Grande do Norte, um de Pernambuco e um de São Paulo. Ficou claro neste
gráfico que os participantes no momento atual estão fora de seus locais de origem.
A questão 6 – “Estudou em escola pública ou privada?” e a questão 7
“Escolaridade” estão representadas nos Gráficos 6 e 7, a seguir:
38
Oriundo de escola
pública ou privada?
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϰ
Ϯ
Ϭ
Grau de escolaridade
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϰ
Ϯ
Ϭ
ϭϴ
ϰ
Wj>/
ϭϰ
ϱ
ϯ
ϮΣ'ƌĂƵ
ĐŽŵƉůĞƚŽ
WZ/s
Gráfico 6 – Oriundo de escola pública ou privada?
Fonte: Elaboração do autor, 2011
ϯΣ'ƌĂƵ
ŝŶĐŽŵƉůĞƚŽ
ϯΣ'ƌĂƵ
ĐŽŵƉůĞƚŽ
Gráfico 7 – Grau de escolaridade
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
Verifica-se no Gráfico 6 que 18 participantes são oriundos de escola pública e
quatro são oriundos de escola privada.
Quanto à escolaridade, no Gráfico 7 percebe-se que dentre os 22
participantes, três possuem o 2° grau completo, 14 possuem o 3° grau incompleto e
cinco possuem o 3° grau completo. Fica nítida a bus ca do aperfeiçoamento
educacional dos participantes.
No Gráfico 8 está representado o resultado bruto dos participantes na relação
com o nível de escolaridade.
Estuda atualmente?
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϰ
Ϯ
Ϭ
ϭϮ
ϭϬ
Ɛŝŵ
Gráfico 8 – Estuda atualmente?
Fonte: Elaboração do autor, 2011
ŶĆŽ
39
Com relação ao total dos participantes 12 estudam atualmente conforme
representado no Gráfico 8.
Relação de trabalho dos participantes e interesse pelo concurso da EsSA.
Fez curso preparatório?
Trabalhava antes do
concurso para a EsSA?
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϰ
Ϯ
Ϭ
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϰ
Ϯ
Ϭ
ϭϲ
ϲ
Ɛŝŵ
ŶĆŽ
Gráfico 9–Trabalhava antes do concurso para
a EsSA?
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
ϭϭ
ϭϭ
Ɛŝŵ
ŶĆŽ
Gráfico 10 – Fez curso preparatório?
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
O Gráfico 9 mostra que 16 participantes trabalhavam antes de realizar o
concurso de admissão para a EsSA e o Gráfico 10 mostra que 11 deles fizeram
curso preparatório para realizar o concurso e que, conforme Gráfico 11, sete
obtiveram sucesso na primeira tentativa no concurso, a maioria, ou seja, 12
obtiverem sucesso na segunda tentativa e apenas 3 na terceira ou mais tentativas.
O resultado demonstra que a maioria dos participantes trabalhava antes de seguir a
carreira militar, bem como a perseverança em obter êxito no concurso da EsSA.
40
Os gráficos abaixo mostram a idade e em qual a tentativa o participante
obteve êxito no concurso da EsSA.
Tentativa em que obteve
sucesso no concurso de
admissão
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϰ
Ϯ
Ϭ
Idade que obteve êxito no
concurso da EsSA
22
20
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
ϭϮ
ϳ
ϯ
ϭǐ
Ϯǐ
7
6
3
2
2
1
1
17 19 20 21 22 24 25
anos anos anos anos anos anos anos
ϯǐŽƵн
Gráfico 11 – Tentativa em que obteve sucesso
Concurso de admissão.
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
Gráfico 12–Idade que obteve êxito no concurso da
EsSA.
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
No Gráfico 12 podemos observar com que idade os participantes obtiveram
êxito no concurso da EsSA, sete ingressaram na EsSA com 19 anos, seis com 20
anos, três com 21 anos, dois com 22 anos, 2 com 17 anos, um com 24 anos e um
com 25 anos.
Fatores que influenciaram para seguir a carreira militar:
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϰ
Ϯ
Ϭ
Como soube da carreira militar?
ϵ
ϳ
Ϯ
ϯ
Gráfico 13 – Como soube da carreira militar?
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
ϭ
41
Por fim, o Gráfico 13 representa como os participantes tomaram
conhecimento da carreira militar. Dentre as opções colocadas na questão 13 a que
os participantes considerassem a mais importante, nove participantes informaram
que souberam através de amigos, sete através de familiares, três através da escola,
dois através de jornais e revistas e um por interesse próprio. Como conclusão
entende-se que os amigos e familiares dos participantes foram decisivos na escolha
da profissão militar.
3.3 EQUIPAMENTOS E MATERIAIS
Os equipamentos utilizados na pesquisa foram: computador e impressora
como base da digitação e impressão do trabalho. O material de consumo principal
foi folha A4 e os serviços de encadernação, Xerox do trabalho (50 cópias do TCLE e
30 cópias do questionário).
3.4 SITUAÇÕES E AMBIENTE
No momento de responder os questionários e assinar o TCLE os sujeitos
estavam em seus locais de trabalhos devidamente autorizados pelo comandante do
Batalhão.
3.5 INSTRUMENTOS DE COLETAS DE DADOS
Foi utilizado um questionário contendo perguntas abertas e fechada, no total
de 22 questões, que retratassem o perfil dos sujeitos e contextualização dos
objetivos específicos da pesquisa, (APÊNDICE A). O aperfeiçoamento do
questionário ocorreu levando em conta o resultado obtido na aplicação do pré-teste
com um sujeito selecionado no grupo afim ao público alvo da pesquisa.
42
3.6 PROCEDIMENTOS
3.6.1 De seleção dos participantes
Os sujeitos selecionados estavam enquadrados dentre os graduados oriundos
da EsSA que não possuíam estabilidade, ou seja, com menos de dez anos de
serviço. O 63° BI foi escolhido em razão de ser o ú nico da região a ter no seu
efetivo, os sujeitos que atendiam os critérios para o estudo dos fenômenos da
pesquisa. No 63° BI, o número de graduado nessas co ndições é de 23 sujeitos,
sendo que 22 responderam o questionário. O que não respondeu foi por motivo de
doença.
3.6.2 De contato com participantes
Antes de começar a pesquisa foi feito um contato preliminar do pesquisador
com o comandante do 63º BI. Dessa condição informal, para oficializar o trabalho de
pesquisa foi entregue ao coronel comandante do 63º BI, a Declaração de Ciência e
Concordância das Instituições Envolvidas, assinada pela pesquisadora responsável
e o coordenador do curso de Psicologia. A forma indireta do contato com o
participante da pesquisa se deu pelo fato da dificuldade de reuni-los no período de
treinamento da semana da Pátria conforme alegou o comandante do 63° BI.
3.6.3 De coleta e registro dos dados
A coleta dos dados ficou sob a responsabilidade do comandante do 63° BI,
pelo exposto no item anterior. Foi entregue ao mesmo os questionários com mais
duas vias do TCLE, pois uma via do termo ficou com o participante e a outra
43
devidamente assinada, junto com questionário preenchido, retornou ao pesquisador
depois de dois dias úteis de ser entregue ao coronel comandante.
3.6.4 De organização, tratamento e análise de dados
Quanto à organização dos dados, a partir das informações coletadas do
questionário foram separadas as questões que atendiam a caracterização do perfil
do sujeito (questões de 1 a 13) e as questões de contextualização dos objetivos
específicos (questões de 14 a 22). Após a tabulação de todos os dados de
identificação, de ocorrência dos fenômenos propostos no estudo da pesquisa, a
apresentação dos dados foi feita através de gráficos e tabelas onde se visualiza o
resultado bruto dos sujeitos na opção dos itens e as condições disponíveis nas
questões apresentadas no questionário.
Para a análise, foram feitos alguns ajustes nas questões no sentido de
propiciar melhor entendimento dos resultados conforme a descrição abaixo:
A questão 14, ilustrada no Gráfico 14, originalmente estavam separados os
tópicos “fundamental” e “importante”, que foram agrupados por entender que ambos
espelham o mesmo propósito. Raciocínio idêntico em relação ao tópico “secundário”
e “não se aplica” também na questão 14. Nas questões 15 e16, foram utilizadas a
mesma sistemática.
Nesta pesquisa os dados foram analisados pela estatística descritiva e
comparativa. A análise quantitativa dos dados foi realizada utilizando como recurso o
pacote estatístico SPSS (Statistical Package to Social Sciences). A média foi
analisada através do programa Excel.
O desenvolvimento da análise descritiva e interpretativa das demais questões,
conclui como respondido o objetivo geral da pesquisa.
44
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
A continuidade desse trabalho após organização e tabulação dos dados
coletados com o questionário (APENDICE A) descreve no primeiro momento os itens
considerados mais relevantes ou importantes pelos participantes da pesquisa. Os
eixos de análise refletem os objetivos específicos na sua correlação com o
referencial teórico. Segundo Gil (1999), o pesquisador não pode perder de vista
nesse momento a proximidade da relação entre a análise e interpretação dos dados,
razão pela qual para cada questão foi feito um gráfico e dependendo da situação
uma tabela explicativa visando mostrar a importância do tema levantado nos
diversos tópicos da pesquisa.
4.1 ESCOLHA PROFISSIONAL DO SARGENTO DE CARREIRA DO EB
A questão 14 do questionário (APÊNDICE A) procurou caracterizar o
processo de escolha profissional do sargento de carreira do EB. Aos participantes
estavam disponíveis 19 critérios correlatos ao tema da escolha profissional,
embasados no referencial teórico da presente pesquisa.
No gráfico 14 contém no eixo das ordenadas o número de participantes, e no
eixo das abscissas, as letras de a até s correspondem os critérios da escolha
profissional e abaixo os itens foram agrupados em fundamental/importante,
secundário/não se aplica e a opção de outros, todos legendados por cores.
45
ƌŝƚĠƌŝŽƐĚĂƐĐŽůŚĂWƌŽĨŝƐƐŝŽŶĂů
ϮϮ
ϮϬ
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Gráfico 14 – Critérios da escolha profissional.
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
O Quadro 3, a seguir, lista os critérios de “a” até “s” disponíveis aos
participantes no momento de assinalarem suas prioridades de escolha.
a) Por serem adequadas as minhas habilidades e competências
b) Por influência dos meus familiares
c) Por influência dos meus amigos
d) Por ser uma tradição familiar
e) Por ter assistido atividades militares e demonstrações públicas
f) Pelo espírito de aventura
g) Por informações de revistas especializadas
h) Por segurança e estabilidade profissional
i) Por orientação profissional/vocacional, realizado com um profissional especializado
j) Para obter prestígio social
k) Pela possibilidade de crescimento profissional
l) Por considerar a atividade militar uma atividade masculina
m) Por ter aparecido como uma oportunidade no mercado de trabalho
n) Por gostar do estilo militar
o) Por necessidade econômica da família
p) Por considerar a carreira militar uma base econômica para estudar em outra área
q) Por vocação
r) Para servir a pátria
s) Outros quais?________________________________________
Quadro 3 Critérios da escolha profissional.
Fonte: Elaboração do autor, 2011
Os critérios escolhidos pelos participantes no momento da decisão em optar
pela carreira militar mostraram a tendência do atual contingente de graduados que
serve no 63° BI. Entretanto, o sujeito dessa pesqui sa ao escolher a profissão militar,
ainda jovem, como demonstra o Gráfico 1, ressaltam aspectos importantes comuns
46
à juventude de uma forma geral no momento que toma a decisão da escolha. O seu
esforço pessoal em estudar para conquistar sua vaga de trabalho no concorrido
concurso da EsSA está em conformidade com Bock (2002). Em outro aspecto, o de
cumprir o ritual de passagem para a fase adulta dentro de uma profissão que investe
na maturidade de seus componentes corrobora Levenfus (1997).
O primeiro resultado concreto retirado da visualização gráfica mostra o critério
mais assinalado para a escolha da carreira de sargento das armas na EsSA foi “por
segurança e estabilidade profissional”. Dos 22 participantes da pesquisa, 21 optaram
por esse critério, entendendo que a profissão militar no EB, com seu modelo
tradicional de carreira contemplaria, de imediato, a estabilidade. A opção desses
jovens na hora de decidirem à sua escolha profissional, por suas características
principais, ou seja: posição hierárquica, carreira como profissão e estabilidade está
em sintonia com Martins (2001). A carreira tradicional, na sua base fundamenta os
tópicos, de hierarquia que materializa uma das principais âncoras na concepção do
EB, a carreira militar como profissão, que reflete o estilo do senso comum bem típica
dos jovens no momento da escolha e a estabilidade comportando a segurança do
sujeito envelhecer trabalhando na mesma empresa, substancializa o resultado da
presente pesquisa entre os participantes do 63° BI.
A escolha da profissão militar “por ter aparecido como uma oportunidade no
mercado de trabalho” foi segunda opção mais assinalada, 16 dos 22 participantes. A
priori, os participantes buscaram as informações na internet ou foi decorrente da
recepção das mesmas, pela disseminação das propagandas nos meios de
comunicação, nas representações em televisão, jornais entre outros. Esses
aspectos, factíveis por dedução, estão em pleno acordo com Bock e Aguiar (1995),
que enfatizam a importância dos meios de comunicação para escolha da profissão.
Em seguida, os critérios: “Por gostar do estilo militar” e “pelo espírito de
aventura” assinalados por 15 participantes, “para servir a pátria” 14 participantes,
“por vocação” e “pela possibilidade de crescimento profissional” 13 participantes, a
sequência dos itens mais escolhidos. Esses critérios caracterizam um processo de
identificação dos sujeitos com a profissão militar em seus aspectos peculiares de
conhecimento mais genérico da carreira militar. O estilo militar no sentido de
conhecer o Brasil e outros países, combinado ao espírito de aventura na carreira
militar, vivências oportunizadas através das transferências de um quartel para outro
dentro ou fora do território nacional, durante a trajetória na vida militar.
47
Servir a pátria, vocação e crescimento profissional formam um conjunto de
parâmetros vinculados a profissão militar, na concepção cultural da sociedade
brasileira, onde se incluem os sujeitos da pesquisa. Em outro ângulo diretivo,
podemos citar as propagandas em programas de rádio e revistas especializadas que
reforçam a posição do EB nesse sentido. Por exemplo, a rádio e revista “Verde
Oliva”, gerenciados pelo Centro de Comunicação do Exército é pautada nesses
temas e a propagação chega a todo país através das organizações militares.
A exposição desses aspectos na escolha da carreira deve levar em conta
também, os trabalhos de Levenfus e Nunes (2002) onde salientam que a falta de
informações sobre a realidade das profissões pode acarretar escolhas baseadas em
crenças, mitos e representações sociais.
A “necessidade econômica da família”, com 12 participantes, “por serem
adequadas as minhas habilidades e competências”, com 11 participantes, “por
influência dos meus familiares” e “por considerar a carreira militar uma base
econômica para estudar em outra área”, com a escolha de oito participantes,
completam os critérios mais pontuados, na escolha da carreira militar, pela maioria
dos sargentos servindo atualmente no 63° BI.
A necessidade econômica e influência da família, as habilidades e
competências pessoais e fazer da profissão militar uma base econômica, para atuar
em outra área revelam, que uma parcela dos sujeitos escolheu a carreira militar de
maneira condicional a seu meio, mas com propósito de alcançar um futuro melhor,
uma provável mudança de classe social ou até mesmo certa estabilidade financeira.
O autoconhecimento de suas competências, como estabelecer metas
socioeconômicas, a partir do seu meio, são alternativas de realizações importantes
para o jovem, que assume seu lugar na família e também a independência
econômica (Lucchiari, 1998).
“Por influencia dos meus amigos”, “para obter prestigio social” com apenas
seis escolhas, “por ter assistido atividades militares e demonstrações públicas”
mencionadas por cinco participantes e “por informações de revistas especializadas”
com escolha de apenas quatro participantes traduz pouca influencia desses critérios
na escolha profissional dos sujeitos. Entretanto, a influência dos amigos no Gráfico
13, aparece como principal fator de escolha dos participantes para seguir a carreira
militar, porém essa tendência em importância se modificou quando apresentados na
forma de critérios da escolha profissional. O motivo mais provável dessa contradição
48
seria a vontade de querer uma profissão sem saber ao certo o motivo da escolha. O
prestigio social como motivo recorrente na escolha da carreira militar nada soma aos
jovens em decorrência das questões ideológicas do poder político vigente. Nessa
mesma linha de raciocínio, assistir atividades militares e demonstrações públicas
com a escolha de poucos participantes contradiz Soares (2002), sobre a valorização
pessoal em razão do status profissional. A falta de informação por consulta em
revistas especializadas pode significar o desconhecimento desses impressos, ou
seja, a falta de divulgação, dos mesmos, nos meios de comunicação de massas, o
que seria uma atividade do CCOMSEX.
Encerando a descrição dos critérios para escolha da carreira militar notou-se
que “por orientação profissional/vocacional, realizado com um profissional
especializado”, “por considerar a atividade militar uma atividade masculina” com três
escolhas e “por ser uma tradição familiar” com apenas uma escolha, reflete o mínimo
interesse dos participantes por esses critérios. A orientação profissional (OP),
retratada, sem muita procura por parte dos jovens, desafia os especialistas na área
de OP para discussão. A questão do sexismo, por considerar a profissão militar uma
profissão masculina, como fator oculto de influencia na hora da escolha está em
desacordo com Whitaker (1997). E por fim, o resultado da pesquisa não retrata a
relação histórica da tradição familiar, normalmente apontada por Lucchiari (1998),
onde filho de militar seria militar.
Em conclusão ao eixo da escolha profissional, os participantes convergem
nas suas ações aos jovens da mesma faixa etária no momento da decisão,
confirmando os trabalhos de pesquisa sobre o tema, apontados anteriormente, no
referencial teórico. Por outro lado, a estabilidade, assinalado como o principal
critério, na opção da carreira militar dos participantes, durante o período probatório,
seria uma contradição da realidade vivenciada pelos graduados no momento atual.
A este questionamento, Codo (2006, p. 79) escreveu: “a estabilidade no emprego é
um direito, e como tal, as pessoas estão autorizadas a lutar por ele. A estabilidade é
uma vantagem do ponto de vista social, as pessoas dormem mais tranqüilas
sabendo que seu emprego lhe aguarda impávido na manhã seguinte.” Apesar do
autor também abrir precedente da estabilidade no contexto da sociedade
contemporânea. Desta forma, o sonho da estabilidade, na hora de uma escolha,
como fenômeno psicológico, pode abastecer a resistência ao luto, pela não escolha
49
por outras opções profissionais, durante uma década, para a maioria dos
participantes, mas não para todos, pelo resultado da pesquisa.
Na sequência do planejamento de carreira do graduado a pesquisa
apresenta os objetivos nomeados na questão 18, onde os mesmos estão em
associação com suas metas.
4.2 OBJETIVOS E METAS DOS SARGENTOS NO PLANEJAMENTO DE
CARREIRA NO EB, ATÉ A AQUISIÇÃO DA ESTABILIDADE.
Para realizar o planejamento de carreira todo sujeito busca, de acordo com
seu interesse, os objetivos que melhor retrata sua realidade naquele momento,
como
também
determina
em
quanto
tempo
poderá
alcançá-lo.
Foram
disponibilizadas aos participantes algumas opções de escolha que pudessem refletir
o início do mapa de carreira dos mesmos. Para relacionar os objetivos com as metas
foi estruturada a questão 18 (APENDICE A). O Gráfico 15 mostra os possíveis
objetivos e metas no eixo das abscissas e o número de participantes no eixo das
ordenadas. O gráfico também divide o período probatório em curto (1-4 anos),
(médio 5-7anos) e longo prazo (8-10 anos).
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Gráfico 15 – Objetivos e metas.
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
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50
Os aspectos considerados importantes para o desenvolvimento da carreira do
sargento do EB, correspondentes as letras “a” até “s”, do Gráfico 15, sendo uma
relação extensa, faz-se necessária listá-las no Quadro 4.
a) Remuneração garantida
b) Plano de saúde
c) Educação continuada
d) Reconhecimento social
e) Realização de Cursos
f) Reconhecimento profissional
g) Transferência de quartel
h) Receber Medalha (mérito, bravura)
i) Promoção por merecimento
j) Promoção por antiguidade
k) Ser Adido
l) Aquisição de patrimônio (casa, apto...)
m) Formação civil (faculdade, técnico)
n) Formação de família
o) Missão de Paz
p) Prestigio social
q) Segurança (estabilidade profissional)
r) Crescimento profissional
s) Outros
Quadro 4 - Objetivos e metas.
Fonte: Elaboração do autor, 2011
A descrição dos objetivos e metas começa por “remuneração garantida” que
teve um participante sem interesse, quatro que estabelecem este objetivo como
meta a ser alcançado em no máximo quatro anos, um até 7anos, três em até 10
anos e 13 que esta etapa já foi alcançada. E o “plano de saúde” que teve para sete
participantes como meta a ser atingida nos primeiros quatro anos de carreira e 15
sujeitos já atingiu essa meta. “Remuneração garantida” e “plano de saúde”
assinalados por (13) e (15) respectivamente, os participantes já alcançaram,
entretanto, são aspectos com amparo aos militares na legislação.
A razão legal da condição “plano de saúde” se faz necessária em função
principalmente das transferências obrigatórias, para os mais diversos locais do Brasil
continental. O Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEX) coloca no
site oficial, sobre sistema de saúde questões como:
Necessidade Operacional e Assistencial. A manutenção de um sistema de
saúde próprio é indispensável ao adestramento dos integrantes das Forças
Armadas, ao preparo da reserva mobilizável e, especialmente, ao apoio às
51
operações militares. Além disso, é essencial atender às exigências da
Forças em diversas localidades do País, onde há necessidade de apoio de
saúde permanente, que está além das possibilidades dos sistemas de
saúde civis. A participação da Instituição no Programa Calha Norte
comprova a presença da Força em regiões inóspitas e remotas do País.
A Assistência Médico-Hospitalar, sob forma ambulatorial ou hospitalar, é
prevista no Estatuto dos Militares como direito do militar (ativo ou inativo) e
de seus dependentes, bem como dos pensionistas nas condições e
limitações impostas na legislação e regulamentação específicas. É prestada
pelas organizações de saúde dos Comandos das Forças Singulares, pelo
Hospital das Forças Armadas e por organizações de saúde do meio civil,
mediante convênio ou contrato.
A contribuição mensal devida pelos militares da ativa, da inatividade e
pensionistas é no mínimo 2,7% e de até 3,5%. (CCOMSEX)
O Serviço de Saúde do EB, por prestar apoio a Força, tanto na guerra, como
em tempo de paz, há mais de duzentos anos, é valorizado pelos participantes.
Sobre a remuneração adequada, a Lei de Remuneração dos Militares (LRM),
está em fase de reestruturação no Congresso Nacional. Na prática o pagamento dos
militares está sendo resolvido por medida provisória, o que pode refletir uma
desconfiança por parte daqueles poucos não certos desses direitos no momento da
pesquisa (Brasil, 2001). Por outro lado a remuneração adequada apontada pelos
participantes, segundo Walton (1976), reflete qualidade de vida no trabalho (QVT).
Na condição “educação continuada”, três participantes não querem estudar,
três pretendem fazer algum curso até quatro anos de carreira, três até sete anos,
quatro em até 10 anos, cinco apontaram que esse objetivo e meta já foram
alcançados e quatro não responderam. Ainda nessa linha da educação, a
“realização de cursos”, seis participantes, não tem interesse, cinco gostariam de
cursar em até quatro anos, quatro até sete anos, dois até 10 anos e cinco já
conseguiram os cursos que se propunham. Dessa forma, verifica-se que a educação
continuada e a realização de cursos, com certa coerência na preferência dos
participantes, dentro do curto, médio e longo prazo demonstram a influência do
sistema de ensino do EB, na formação do militar de carreira.
Ainda no sentido de reforçar, a influência do sistema de ensino do EB, no
decorrer da carreira do graduado, verifica-se que o início, ocorre na EsSA, na sua
formação, e posteriormente na Escola de Aperfeiçoamento de Sargento das Armas
(EASA), no aperfeiçoamento, para dar continuidade na carreira e também como
parâmetro de promoção. As outras escolas do EB, como Centro de Instrução de
Guerra na Selva (CIGS) e Escola de Educação Física do Exército (EsEFEx), estão
52
disponíveis aos militares que voluntariamente desejam maior qualificação e
especialização profissional, mas também, ao final de seus cursos, registram nas
alterações dos sargentos a avaliação do seu desempenho escolar, também
considerados durante a conceituação para promoção.
As condições sociais como, “reconhecimento social”, assinalada por dez
participantes como não interessante, cinco sujeitos gostariam de alcançá-lo em até
quatro anos de carreira, um gostaria de atingi-lo até sete anos, dois até 10 anos e
quatro entendem que a meta já foi atingida. Ainda nessa linha o “Prestígio Social”,
também dez participantes sem interesse, dois participantes gostariam de alcançá-lo
entre 1 a 4 anos de carreira, dois participantes no período entre 5 a 7 anos, um
participante entre 8 a 10 anos, seis participantes consideram que já alcançaram e
um participante não respondeu.
Embora seja prematuro fazer uma análise do pouco interesse dos
participantes no aspecto social. Porém, para concepção do planejamento de
carreira, pode-se apontar como um desacordo com a importância da network para o
processo.
Por outro lado, quanto ao “reconhecimento profissional”, que apenas quatro
não têm interesse, seis almejam obter em até 4 anos de carreira, dois até sete anos,
quatro até 10 anos e seis já obtiveram êxito. E relacionando ao “Crescimento
profissional”, onde somente três participantes não tem interesse, dois participantes
consideram importante alcançar entre 1 a 4 anos de carreira, quatro participantes
entre 5 a 7 anos, sete participantes entre 8 a 10 anos, cinco participantes
consideram que este aspecto já foi alcançado e um participante não respondeu,
demonstra que pelo lado profissional, os participantes estão valorizando a profissão
militar.
O aspecto social e profissional deve estar interligado na trajetória da carreira
militar, embora a pesquisa tenha mostrado certa discrepância no resultado em prol
do lado profissional. Após um aprofundamento nos dados da pesquisa observa-se
que os militares mais novos na carreira, talvez ainda não percebam o valor social
das relações interpessoais no desenvolvimento das atividades militares, das
relações e das metas afetivas do ser humano no projeto de vida em sua totalidade,
buscando apenas o cumprimento das missões profissionais.
No aspecto “Promoção por merecimento” seis participantes não tem
interesse, um participante espera alcançar entre 1 a 4 anos de carreira, oito
53
participantes entre 5 a 7 anos, cinco participantes entre 8 a 10 anos e dois
participantes já foram promovidos por merecimento. No aspecto “Promoção por
antiguidade” apenas dois participantes não tem interesse, cinco participantes
almejam ser promovidos entre 5 e 7 anos de carreira, onze participantes entre 8 a 10
anos, dois participantes já foram promovidos e dois não responderam.
As promoções por antiguidade e merecimento fazem parte do mesmo objetivo
e conseqüente meta na carreira militar, galgar nível acima na hierarquia militar. O
diferencial está na meta daqueles promovidos por merecimento. O esforço pessoal
em todas as atividades profissionais e bom aproveitamento nos cursos realizados
faz jus na redução de tempo entre as graduações durante a carreira e conseqüente
promoção por merecimento.
Para “receber medalha (mérito, bravura)” a meta dos participantes teve a
seguinte cronologia: nove não têm interesse, dois desejam receber em até sete
anos, seis até 10 anos, quatro já possuem medalhas e um não respondeu. Quanto
a “ser adido” doze participantes não tem interesse, nove participantes têm interesse
entre 8 a 10 anos de carreira e um participante não respondeu.
Os objetivos ser adido e receber medalha, praticamente a metade dos
participantes demonstraram falta de interesse. O desinteresse nesses aspectos
pode refletir certa dificuldade desses sujeitos para transpor obstáculos escolares e
ter uma dedicação mais exclusiva na profissão escolhida. Embora não seja nenhum
demérito pessoal, pois, o sujeito em questão, pode estar empenhado em outro
projeto de vida. Em contrapartida a outra metade com interesse nesses objetivos,
pelo estabelecimento de metas em prazos mais curtos para atingi-los são
merecedores de louvor dentro da profissão militar.
Quanto à “formação civil (faculdade, técnico)” um participante não tem
interesse, dois participantes tem interesse nos primeiros 4 anos de carreira, sete
participantes entre 5 a 7 anos, oito participantes entre 8 a 10 anos e quatro
participantes já alcançaram. O resultado demonstra o interesse dos participantes por
aprimoramento educacional, vetor importante no planejamento de carreira. Esses
objetivos, estabelecendo metas, para conceber as estratégias na realização de
diversos cursos universitários, estão edificando o processo do plano profissional dos
participantes.
Em relação a “Formação de família” dois participantes não tem interesse,
quatro participantes pretendem formar família entre 1 a 4 anos de carreira, quatro
54
participantes entre 5 a 7 anos, quatro participantes entre 8 a 10 anos, sete
participantes já formaram família e um participante não respondeu. A formação de
família requer dos participantes desafios sociais que produz o resgate, em parte, do
que já foi abordado sobre a importância da network no planejamento de carreira. A
família do graduado e suas necessidades sociais na interação com outras famílias,
com o grupo da escola, vão favorecer o relacionamento do militar no ambiente
externo ao quartel, melhorando sua rede social.
A “transferência de quartel” demonstrou que seis não têm interesse em ser
transferido, quatro gostariam de serem transferidos em até 4 anos, um até sete
anos, seis até 10 anos e cinco estão satisfeitos com suas transferências até o
momento. Já a “aquisição de patrimônio (casa, apto...)” apenas um participante não
tem interesse, três pretendem adquirir entre 1 a 4 anos de carreira, dois entre 5 a 7
anos, nove entre 8 a 10 anos, seis já adquiriram e um não respondeu.
A “transferência de quartel” e “aquisição de patrimônio”, objetivos que são
estabelecidos como projeto econômico, durante a carreira militar. Normalmente, as
metas, desses objetivos, são almejadas nos dez primeiros anos de carreira. Os
dados da presente pesquisa comprovaram essa afirmativa.
Em relação a “Segurança (estabilidade profissional)” três participantes
esperam conseguir entre 1 a 4 anos de carreira, dois participantes entre 5 a 7 anos,
oito participantes entre 8 a 10 anos, sete participantes consideram que já
alcançaram e dois participantes não responderam. “Outros” seis participantes não
têm interesse, dois participantes consideram aspecto alcançado e quatorze
participantes não responderam.
O objetivo de segurança foi analisado
anteriormente e “outros” foi o objetivo pelo qual não houve engajamento dos
participantes.
Para completar a análise desse eixo dos objetivos e metas, o aspecto “Missão
de paz”, onde quatro participantes não tem interesse, dois participantes pretendem
entre 1 a 4 anos de carreira, cinco participantes entre 5 a 7 anos, oito participantes
entre 8 a 10 anos e três já participaram de missão de paz, foi deixado por último,
pela razão de notória divulgação na imprensa.
55
A missão de paz na ONU, como tema muito recorrente atualmente na mídia é
importante discutir com mais profundidade. O artigo "Missões de paz e preparação
de pessoal no Brasil" de 6Marcio Teixeira de Campos, destaca o seguinte:
A atual participação de militares brasileiros nas operações de paz, assim
como nas atividades de planejamento e controle destas (na sede da ONU,
em Nova York), complementa a formação do pessoal brasileiro na doutrina
de Defesa Nacional. Como ALVES (2007, p. 215) muito acertadamente
afirma, “do ponto de vista das Forças Armadas, as operações mostram-se
oportunidades excelentes para treinamento real sem grandes riscos, o que
agrada também às lideranças políticas.”
Por outro lado a complexidade e a importância dessa atividade também
despertaram o interesse no serviço de psicologia do Hospital Geral de São Paulo
como se verifica no artigo “7Suporte psicossocial a familiares de militares durante
operação de manutenção de paz”, em seu resumo:
O presente trabalho foi desenvolvido com os familiares dos militares do 2°
Batalhão de Polícia do Exército, integrantes da Força de Manutenção de
Paz no Timor Leste, com a finalidade de oferecer-lhes suporte psicossocial
durante a ausência do militar em missão, diagnosticando alterações
psicológicas e/ou psicossomáticas, níveis de estresse e mudanças nos
papéis e funções familiares. Foram realizadas reuniões, palestras,
dinâmicas de grupo, aplicação de instrumentos de medida de nível de
estresse e atendimentos individuais. Os resultados mostram nível alto de
estresse nas fases iniciais da missão. Esta experiência comprova a
necessidade de se ater aos aspectos da Prevenção Primária e Secundária
em populações potencialmente de risco.
Em conclusão ao eixo dos objetivos e metas a pesquisa mostrou que os
participantes já alcançaram. A razão, desse resultado, deve-se que a maioria dos
sujeitos terem completado mais de oito anos de carreira.
ϲ
Tenente-Coronel do Exército, Instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME)
e Doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense (UFF);
ϳ
Este trabalho contou com o apoio dos seguintes Comandantes: Cel. Luiz Sergio Melucci Salgueiro
(Centro de Estudos de Pessoal), Ten. Cel. Francisco José Pereira Neto e Ten. Cel. Antonio Carlos
Passos da Silva (2o Batalhão de Polícia do Exército), Cel.Méd. QEMA Grimário Nobre de Oliveira e
Ten. Cel. Méd. Antonio Julio Soares Costa (Hospital Geral de São Paulo).
56
4.3 ESTRATÉGIAS DISPONÍVEIS NO EB, NA PERCEPÇÃO DO SARGENTO DE
CARREIRA, PARA O PLANEJAMENTO DE CARREIRA DENTRO DO EB.
Mesmo durante o curso na EsSA, como aluno, o graduado já começa a
aprofundar o conhecimento das condições oferecidas pelo EB para seu
aperfeiçoamento profissional ao longo de sua carreira militar. O Gráfico 16 coloca no
eixo das abscissas as condições oferecidas pelo EB e no eixo das ordenadas o
número de participantes.
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Gráfico 16 – Condições oferecidas pelo EB para o planejamento de carreira.
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
Na seqüência a questão apresenta as principais condições oferecidas pelo
EB. O objetivo é entender o nível de importância dada pelos participantes no
momento da pesquisa. Por outro lado é necessário salientar que essas condições
fazem parte dos parâmetros necessários, a progressão da carreira do sargento, conforme
o Quadro 5, onde encontram-se as mesmas listadas, devido o número extenso para serem
assinaladas.
a) Ser promovido por merecimento
b) Ser promovido por antiguidade
c) Receber medalha de Mérito
d) Receber medalha por tempo de serviço
e) Realizar cursos combatentes (PSD, gs etc..)
f) Realizar curso de Educação Física
g) Realizar curso de idioma
h) Ser adido
i) Participar de missão de paz da ONU
j) Ter bom resultado no Teste de Aptidão de Tiro (TAT)
k) Ter bom resultado no Teste de Aptidão Física (TAF)
57
l) Ter bom resultado no Curso de Aperfeiçoamento de Sargento (CAS)
m) Ser bem avaliado no conceito dos superiores
n) Oportunidade de ganho financeiro através de transferência de sede
o) Ter bom relacionamento social
p) Ter remuneração adequada
q) Ter plano de saúde
r) Ocupar Próprio Nacional Residencial – PNR
s) Poder retornar à cidade de origem
t) Outros ________________________
Quadro 5: Condições oferecidas pelo EB para o planejamento de carreira.
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
“Ter plano de saúde” e “Ocupar Próprio Nacional Residencial-PNR”
apontados por 19 dos 22 participantes retrata a realidade do povo brasileiro na
busca de melhores condições de saúde e moradia, onde obviamente, estão
incluídos
os
sujeitos
da
pesquisa.
As
razões
legais
dessas
condições,
disponibilizadas aos militares, se fazem necessárias, em função principalmente das
transferências obrigatórias para os mais diversos locais do território nacional. Como
a saúde já foi objeto de análise, se faz necessário mostrar o amparo legal no
aspecto da moradia.
A condição de moradia aos militares nos dias de hoje fica restrita a poucas
unidades no interior do país. A falta de PNR para os militares e as mudanças nas
políticas de habitação em todos os níveis da sociedade brasileira, levou o EB
gerenciar a Fundação Habitacional do Exército (FHE), conforme consta do site do
CCOMSEX:
A Fundação Habitacional do Exército - FHE - é uma entidade vinculada ao
Exército, criada pela Lei nº 6.855, de 18 Nov 80, tendo suas raízes na antiga
Caixa de Construção do Ministério da Guerra (Decreto-lei de 16 Jun 32).
A FHE é responsável por gerir a Associação de Poupança e Empréstimo POUPEX - tendo como missão promover melhor qualidade de vida aos seus
clientes, mediante acesso à casa própria e a seus produtos e serviços.
As condições “Ter bom resultado no Teste de Aptidão de Tiro (TAT)”, “Ter
bom resultado no Teste de Aptidão Física (TAF)” assinaladas por 18 dos 22
participantes projeta duas capacidades inerentes ao profissional militar, o TAT e o
TAF. As Instruções Gerais para o Sistema de Valorização do Mérito dos Militares do
Exército (IG 30-10) em seu artigo 5°, parágrafo seg undo estabelece o seguinte: “O
Teste de Avaliação Física (TAF) e o Teste de Aptidão de Tiro (TAT) são
58
considerados atividades essenciais para profissão militar e seus resultados poderão
ser pontuados, de acordo com o processo seletivo ou de promoção considerado”.
Dessa visão do EB para o TAT e o TAF pode-se considerar que os
participantes
estão
conscientes
da
importância
dessas
atividades
no
desenvolvimento de suas carreiras. O TAT nas OM configura um momento tenso,
pois apesar de ser obrigação do militar saber atirar, na hora do treinamento, com o
fuzil na mão, muitos militares demonstram ansiedade, pelo perigo potencial da arma
de fogo. O TAF requer do militar treinamento diário. Estar com disposição para
praticar atividade física, pode ser um desafio, muitas vezes, angustiante. A
ansiedade com o TAT e a angustia com o TAF, além das relações interpessoais
entre os militares nesses momentos críticos, são razões mais que suficientes para o
EB ampliar os serviços de psicologia às suas organizações militares de todo o Brasil.
As condições de “Ser promovido por antiguidade” assinalada por 17 dos 22
participantes e da “promoção merecimento” assinalada por 14 participantes mostram
uma necessidade de maior aprofundamento, em outras variáveis, sobre a promoção
por antiguidade em detrimento da promoção merecimento. Anteriormente esse tema
foi destacado como objetivo para os graduados e nessa nova dimensão, como
condição efetiva de estratégia, para o planejamento de carreira, a mesma lógica
numérica pode refletir certo conformismo dos sujeitos pela promoção por
antiguidade, ou seria, em função do nível de dificuldade dos parâmetros, para
alcançar a promoção por merecimento. Esses parâmetros começam pelos
resultados do TAT e TAF, desempenho escolar em todos os cursos realizados pelo
militar, o comportamento entre outros.
Ao assinalar as condições “Realizar curso de idiomas”, apontado por 14 dos
22 participantes, “Ser adido”8, apontado por 11 sujeitos, a metade dos participantes
da pesquisa e “Participar de missão de paz da ONU” assinalada por 17 dos 22
participantes, demonstra-se como essas condições são motivadoras na carreira dos
sujeitos. A realização de curso de idiomas, na carreira militar, significa o primeiro
passo do planejamento da carreira, no sentido de almejar uma missão no exterior,
adido nas embaixadas brasileiras ou na participação, como integrante dos
8
Estar realizando uma missão no país ou fora dele cuja duração seja superior a 06 (seis) meses, mantendo vínculo administrativo à
unidade de origem.
59
contingentes em missão de paz da ONU. Ser adido, para o graduado, de forma
resumida, significa o ápice da carreira, pois no entender da instituição, para atingir
esse objetivo, o militar passa por um crivo enorme de avaliações. Em relação à
estratégia de missão de paz na ONU, o tema já foi analisado no item 4.2, dos
objetivos e metas.
Em seqüência os participantes marcaram “Ter bom resultado no Curso de
Aperfeiçoamento de Sargento (CAS)”, 16 dos 22. Essa condição para melhor
entendimento merece uma explicação sucinta sobre o momento cronológico
vivenciado pelo sargento na carreira e sua graduação para realizar o CAS. O tempo
de serviço do graduado, normalmente em torno dos sete anos, após ter formado na
EsSA e prestes a ser promovido a 2° sargento, promo ção posterior a 3° sargento,
graduação de formando e inicio da carreira. A escola de aperfeiçoamento de
sargentos das armas (EASA) está sediada em Cruz Alta- RS. O site da escola
mostra suas atividades de ensino e a síntese da sua missão: “Aperfeiçoar os
Sargentos das Armas do Exército Brasileiro”. O bom resultado de desempenho
escolar no CAS é fundamental, para promoção do graduado.
As condições “receber medalha do mérito” e “ser bem avaliado no conceito
dos superiores” mostra nove participantes que demonstraram interesse. Receber
medalha de mérito faz parte de um grupo seleto no EB, só concedido àqueles que
se destacam nos estudos ou são produtores de fatos extraordinários para a
sociedade, cujo benefício pessoal, é de exemplo na instituição.
Para ser bem avaliado pelos superiores é necessário realizar as tarefas
previstas na função, que está exercendo dentro dos padrões pré-estabelecido, nas
normas e regulamentos do Exército. Além disso, o comportamento do militar
avaliado trilha, os parâmetros fundamentais do EB: hierarquia e disciplina. Maior que
o reconhecimento como fator de crescimento, a punição espaço de porte, como
receio no atraso na progressão profissional. Qualquer punição pende para o lado
negativo do militar, prejudicando-o para o resto da vida ativa.
Essa situação de avaliação do graduado pelos seus superiores, com
prováveis conflitos interpessoais, somados aos momentos tensos, já citados do TAT
e do TAF, deve propiciar uma reflexão do EB, em relação a sua aptidão no que
tange o gerenciamento psicológico desses problemas.
A estratégia “de ‘‘Receber medalha por tempo de serviço”, assinalada por 11,
a metade dos sujeitos da pesquisa. A concessão de medalha militar por tempo de
60
serviço foi criada por decreto em, 15 de novembro de 1901, para recompensar os
bons serviços prestados pelos militares de carreira, em serviço ativo. O recebimento
da medalha obedece a uma cronologia: a partir de dez anos de serviço, bronze; aos
20 anos, prata; aos 30 anos, ouro e aos 40 anos platina. Para ter direito a medalha,
o militar deve estar enquadrado no artigo 4° da por taria n°322, de18 de maio de
2005. Para receber a medalha por tempo de serviço o militar deve ter ótimo
comportamento ao longo da carreira e sua importância é fundamental na hora da
promoção por merecimento.
“Realizar cursos combatentes (paraquedismo, guerra na selva etc.)” foi
apontado por 10 participantes. O propósito do EB ao oferecer esses cursos é
qualificar uma parcela considerável de militares para combater em operações de alta
complexidade na arte da guerra. Centros de instruções de paraquedismo e de
guerra na selva do EB considerados top de linha no mundo, estão à disposição de
voluntários cujas habilidades e competências psicomotoras associadas a vigor físico
e excelente desenvolvimento cognitivo, são requisitos básicos. Poucos sujeitos
especializados nesses cursos podem definir o rumo de uma batalha, em situação
beligerante, envolvendo nosso país.
“Em termos de cursos, como condições dispostos no Gráfico 18, o de
‘‘realizarem
curso
de
Educação
Física”,
mostrou
que
nove
participantes
demonstraram interesse. O curso de educação física do exército da Escola de
Educação Física do Exército (EsEFEx) na Fortaleza São João, bairro da Urca, Rio
de Janeiro. O sargento aluno, no curso de educação física, tem a oportunidade
impar de freqüentar uma escola onde se transpira orientação do mais alto nível no
que tange o desporto, abrangendo o fisiculturismo dos atletas de primeira linha do
atletismo nacional que compartilham o mesmo local de treinamento.
A condição “Oportunidade de ganho financeiro através de transferência de
sede” foi apontada por 14 dos 22 participantes. O militar quando é transferido de
sede recebe uma ajuda de custo mais indenizações em espécie de passagens e do
transporte de sua mobília e carro. O seu ganho financeiro fica dependente do seu
gerenciamento nessa etapa de mudança geográfica, onde uma falta de controle na
logística pode acarretar prejuízo ao militar, em termos materiais e psicológicos.
Material no sentido de ter que comprar no destino outra mobília por preço maior ou
no caso de transportá-la ser extraviadas. O aspecto psicológico estaria ligado ao
61
desajuste,
acarretado
numa
situação
dessa
natureza,
que
ocorrem
sistematicamente, trazendo angústia ao militar.
As condições “Ter bom relacionamento social”, apontada por 16 dos 22, e
“Poder retornar a cidade de origem” assinalada por 11, metade dos sujeitos da
pesquisa, podem ser discutidas juntas, o bom relacionamento social vinculado ao
momento da maioria dos participantes da pesquisa, casados ou união estável e com
dois filhos no máximo, características de famílias nucleares e o retorno a cidade
natal, como opção de vida parental e geográfica de origem.
Em conclusão o eixo das estratégias dos sargentos no âmbito do EB, no seu
planejamento de carreira, constatou-se, a procura num primeiro momento do
graduado orientar-se dentro das regras estabelecidas pela instituição, porém não
fica alienado dos seus projetos pessoais e da sua condição de gestor financeiro da
família.
4.4 ESTRATÉGIAS QUE O SARGENTO DE CARREIRA BUSCA NO AMBIENTE
EXTERNO DO EB PARA O PLANEJAMENTO DE CARREIRA.
O período probatório de dez anos pode levar o sargento, talvez pela incerteza
da estabilidade na carreira militar, a buscar opções fora do EB. Sendo observado até
o momento que o fio condutor do crescimento profissional na instituição está
pautado no sistema de ensino, verificou-se na continuidade desse processo, que os
graduados mantêm na educação o planejamento de carreira como mostra o Gráfico
17, em cujo eixo das abscissas corresponde às possíveis condições que o sargento
busca fora do EB e no eixo das ordenadas o número de participantes.
62
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Gráfico 17 – Condições que o sargento busca fora do EB para o planejamento de carreira.
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
As condições considerados importantes para o desenvolvimento da carreira
do sargento do EB, correspondentes as letras “a” até “i”, do Gráfico 17, estão
listadas no Quadro 6.
a) Desenvolvimento de uma atividade paralela na vida civil.
b) Realização de cursos de graduação em universidades civis.
c) Disponibilizar as competências e habilidades pessoais na vida civil.
d) Buscar uma atividade política
e) Ter ganho financeiro adicional para melhorar a renda familiar
f) Acompanhar encontros de profissionais da área de interesse
g) Freqüentar associações de classe
h) Participar de eventos informativos
i) Buscar outras pessoas com os mesmos interesses (rede social)
Quadro 6: Condições que o sargento busca fora do EB para o planejamento de carreira
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
A condição “Realização de cursos de graduação em universidades civis”
apontada por 20 dos 22 participantes é significante, como dado possível de
generalização, do atual contingente de graduados do 63° BI. Essa realidade pode
ser decorrente da influência positiva, do sistema de ensino do EB, pois no
desenvolvimento desse trabalho de pesquisa, fica nítida a relação do sucesso na
carreira militar, com desempenho do militar nas diversas escolas militares.
O início da carreira, no curso de formação na EsSA, o futuro sargento pode
escolher a OM que deseja servir, em função da sua classificação intelectual na
turma, ou seja, do seu desempenho escolar. Na sequência, o aperfeiçoamento do
63
graduado na EASA, novamente o desempenho escolar é parâmetro fundamental
para sua promoção e os resultados em cursos de especialização, como por
exemplo, educação física, na EsEFEx, sua participação também é avaliada e consta
de suas alterações, se positiva, contribui para o sucesso na carreira.
Numa perspectiva psicológica, podemos afirmar que o fenômeno do
planejamento de carreira dos graduados emerge do sistema de ensino do EB. Por
outro lado, o sargento na sua estratégia de carreira, ao acrescentar conhecimento
educacional, parece substanciar a metáfora do professor Joaquim Azevedo “vôos
das borboletas” citados por Soares e Dias (2009 apud AZEVEDO, 1999), como:
A Sociedade aparece bloqueada aos olhos de muitos jovens. É evidente
que não partilham esse sentimento aqueles que detêm o privilégio de
terem o destino mais ou menos traçado e seu lugar mais ou menos
assegurado, que são uma minoria. (AZEVEDO, 1999, P. 94, grifo nosso)
O grifo corresponde o sentimento do graduado, durante o período probatório,
a diferença da metáfora, seria que os participantes, no caso da pesquisa, são a
maioria.
O outro aspecto que aparece em decorrência do apelo educacional, pelos
graduados, seria o planejamento de trajetória diferente da militar, procedimento
paradoxal por estar numa carreira tradicional, mas preparando seu futuro
profissional de acordo com a carreira proteana, onde o fundamental é o sujeito e não
a organização.
Em segundo lugar, a condição “Disponibilizar competências e habilidades
pessoais na vida civil” assinalada por 18 dos 22 participantes, de certa forma
também combina com o fio condutor da educação, visto que qualquer curso dentro
do EB pressupõe uma metodologia de ensino, e ao final desse curso o militar recebe
certificado reconhecido pela Lei de Ensino do EB, que é reconhecida pelo Ministério
de Educação (MEC). O somatório dos cursos de aperfeiçoamento e qualificação no
EB, graduação em universidades civis seriam a base de formação para
enfrentamento de novos desafios profissionais, pelos graduados envolvidos na
pesquisa.
Essas competências e habilidades para aplicação após a aposentadoria ou
preparação preventiva, no caso do insucesso com relação ao objetivo da
estabilidade, no período probatório, traduzem algumas das estratégias no
planejamento de carreira dos sargentos nessa fase da carreira.
64
Em outra linha de raciocínio, apontar essa condição de preparação em outras
áreas do conhecimento está em sintonia com as mudanças no mundo do trabalho,
podendo refletir, na concepção dos graduados, a visualização do movimento de
declínio da carreira tradicional ou mesmo o despertar para carreira proteana.
Segundo (Dias e Soares, 2009 apud SCHEIN, 1993), ao atentar-se para esse
momento de ajuste na carreira, dentro de uma ótica psicológica, possibilita remeter
os participantes às âncoras de carreira, como uma combinação de áreas de
percepção de competências, motivos e valores dos quais os sujeitos não abrem
mão, as representações do próprio eu. Individualmente, a carreira passa por
estágios evidentes, tanto para a pessoa como para a sociedade, varia de acordo
com a ocupação e com o sujeito. Ainda, conforme Shein, o sujeito passa ao longo da
carreira por 10 estágios. Desses, o estágio seis afirma:
Reconhecimento de estabilidade e membro permanente – durante os 5
a 10 primeiros anos de carreira a maioria das ocupações e organizações
determina as possibilidades de estabilidade, a fim de que a pessoa possa
prever em que medida ela poderá alcançar a estabilidade a longo prazo. A
estabilidade existe à medida que o trabalho continua existindo.
E o estágio sete:
Crise do meio da carreira, reafirmação – ainda não está claro se este
período é uma crise ou um estágio; existe uma evidência de que a maioria
das pessoas busca uma reafirmação de si mesma quando está bem na
carreira, questionando-se sobre suas escolhas iniciais (“Entrei na carreira
certa?”) ou sobre o nível alcançado. (“Realizei tudo que eu gostaria de ver
realizado?”) ou sobre o seu futuro (“Devo continuar ou mudar?”). Essa
reafirmação pode ser traumática, mas a maioria das pessoas acredita que é
normal e relativamente sem sofrimento. Muitos acabam concluindo:
“Finalmente, eu estou fazendo mais do que eu realmente penso em fazer
em minha vida!”
Especificamente esses estágios reproduzem o momento vivenciado pelos
sargentos na carreira militar, no período probatório onde a meta da estabilidade até
dez anos referenda o estágio seis e a perspectiva de mudança no seu projeto de
vida evidencia os questionamentos descritos na citação do estágio sete.
As condições “Desenvolvimento de uma atividade paralela na vida civil” e “Ter
ganho financeiro para melhorar a renda familiar” apontado por 16 dos 22
participantes, poderiam ser apontadas como sendo condições complementares. A
atividade paralela durante o expediente não é possível, entretanto, fora do mesmo,
em tempo de paz, a possibilidade existe, como em outras profissões onde o salário é
insuficiente para manter o bem estar da família.
65
Para respaldar essas condições assinaladas pelos participantes será
necessário recorrer a duas âncoras de carreira, de Schein. Em primeiro lugar a
âncora da “segurança e estabilidade”: Preocupação com a estabilidade, benefícios,
e boas condições de aposentadoria. Onde estão mergulhados os participantes no
planejamento de suas carreiras desde a escolha profissional, o que pode dificultar os
novos desafios numa atividade paralela na vida civil.
No caso da âncora “competência técnico-funcional”: Preocupação com o
desenvolvimento da perícia pessoal e especialização, construindo a carreira em uma
área técnica específica ou determinada profissão. Essa âncora é vivenciada pelos
sujeitos, pois segundo Santos (2010), “No que se refere à remuneração e benefícios,
as pessoas dessa categoria desejam ser remuneradas de acordo com suas aptidões
em consonância com seu preparo educacional e experiência profissional”. Nesse
contexto, a decisão de alguns sargentos desejarem melhorar a renda familiar, pode
conflitar, entre seus pares com menos motivação para esses objetivos.
Entre as condições apontadas por número expressivo de participantes a de
“Buscar outras pessoas com os mesmos interesses (rede social)”, 13 dos 22
participantes, retrata possivelmente duas realidades que poderiam ser aprofundadas
posteriormente, em outra pesquisa. Uma delas relacionadas aos participantes com
objetivos profissionais fora da área militar, com uma rede social pertinente ao seu
ambiente futuro. A outra direção dos participantes, dentro dessa condição, seria
realizar projetos em atividades de aplicação das habilidades e competências
qualificadas no próprio EB, com isso a rede social de referência seria dos próprios
pares, pois faz parte do cotidiano dos graduados a camaradagem entre os mesmos.
Nesse momento a busca da solução de uma network transforma-se numa
condição ímpar dos graduados para o desenvolvimento do seu planejamento de
carreira. Como a metade dos participantes, no que tange as relações sociais,
demonstrou interesse nas mesmas, essa condição, torna-se imperativa para suas
conquistas profissionais. Para a colheita ser farta é preciso boas sementes, para
obter uma rede de relacionamento forte, segundo White (2011), o sujeito deve:
Ficar atento a sua atitude, disposição a gastar tempo e a fazer esforço no
sentido de enriquecer seus relacionamentos; desenvolver habilidades de
relacionamento humano, saber ouvir, sensibilidade aos sentimentos dos
outros, demonstrar ser uma pessoa confiável; comprometer-se com o
próprio aperfeiçoamento, ter um plano de auto-aperfeiçoamento e por
último reconhecer a importância de uma network, pelo viés da amizade.
66
Cada pessoa pode ser uma fonte valiosa para evolução de carreira dentro e
fora do EB.
As demais condições foram consideradas de nível secundário/não se aplica,
pelos participantes. Os números reduzidos de sujeitos que deseja envolvimento com
política, freqüentar associações de classe ou participar de eventos informativos, abre
um precedente no processo de análise dessa pesquisa, para problematizar temas
polêmicos no âmbito do EB. Em nível de conhecimento teórico, nessa área,
conforme Andrade Jr (1998 apud CARVALHO, 1979), explica a relação entre o
Exército e a política:
A partir de fatores da estrutura interna da corporação. A análise do citado
autor não vem precedida de uma discussão metodológica extensa, mas, no
inicio do seu ensaio, deixa clara sua critica a abordagem instrumental, onde
diz que as organizações militares possuem características especificas que
não podem ser reduzidas a meros reflexos de influencias externas
(Carvalho, 1979 apud Andrade Jr, 1998). Murilo de Carvalho apoia-se no
conceito de instituições totais, de Erwing Goffman (1992). Segundo este tal
tipo de instituição, por envolver um grande numero de indivíduos colocados
em situação semelhante e separados da sociedade por um considerável
período de tempo, tende a uma vida fechada e formalmente administrada.
As instituições totais rompem as barreiras que sempre separam as três
esferas da vida: dormir, brincar e trabalhar. Nas instituições totais, os
indivíduos submetidos a estas três dimensões da vida cotidiana estão
reunidos no mesmo lugar e submetidos a uma única autoridade. Alem disso,
todas as atividades são realizadas na companhia de um grupo
relativamente grande que e submetido à disciplina, as regras e aos horários
rígidos e formais, estabelecidos por um grupo reduzido de funcionários. Por
isso, toda a instituição total tem tendência ao fechamento, a uma
socialização plena dos valores institucionais.
Para completar e validar a citação aos poucos participantes que se
demonstraram motivados para
essas condições, a Constituição Federal, o
documento que rege as leis do país, em momento algum cita sobre o
desenvolvimento político de seus integrantes dentro das Forças Armadas, pelo
contrário veda aos militares da ativa tais atitudes. Entretanto, a mesma constituição,
deixa clara, a liberdade de expressão.
67
4.5 GERENCIAMENTO QUE O SARGENTO DO EB REALIZA EM RELAÇÃO AO
SEU PLANEJAMENTO DE CARREIRA.
Para Greenhaus (Apud MARTINS, 2007, p.33) o conceito de gestão de
carreira seria um “processo pelo qual indivíduos desenvolvem, programam e
monitoram metas e estratégias de carreira”. Os participantes desse trabalho
pontuaram suas respostas no questionário (APÊNDICE A), vinculadas ao
gerenciamento do planejamento de carreira, em conformidade com o autor. Já no
referencial teórico, a proposta de dinamismo no mapa de carreira pressupõe a
otimização desse processo, através de uma carreira estruturada que resulta em
indivíduos organizados e auto-realizados.
Para fazer uma análise desse tópico se faz necessário agrupar algumas
questões do questionário como segue.
4.5.1 Planejamento e investimento na carreira
A questão 19 do questionário (APÊNDICE A) perguntava de forma direta
sobre o planejamento de carreira dos participantes e obteve o seguinte resultado
apresentado no Gráfico 18.
ŽŶƐŝĚĞƌĂƋƵĞƉŽƐƐƵŝƵŵƉůĂŶĞũĂŵĞŶƚŽĚĞƐƵĂĐĂƌƌĞŝƌĂ͍
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϰ
Ϯ
Ϭ
ϭϴ
ϰ
Ɛŝŵ
ŶĆŽ
Gráfico 18 – Considera que possui um planejamento de sua carreira?
Fonte: Elaboração do autor, 2011
68
Dos 22 participantes, apenas 4 consideraram que não possuem planejamento
de carreira, o resultado demonstra a importância do fenômeno, planejamento de
carreira, para o projeto de vida do sujeito. De acordo com White (2011), no
planejamento de carreira saber o que não quer é tão importante quanto saber o que
quer. Diante dessa afirmação da autora, concluí-se que todos os sujeitos envolvidos
na pesquisa estão de certa forma, imbuídos do processo.
Por outro lado, a questão 20 “como você busca investir na sua carreira
profissional”, o Gráfico 20, posiciona o grupo de participantes dentro das três
alternativas opcionais, como também o número de participantes que não respondeu.
Como você investe em sua carreira profissional?
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϰ
Ϯ
Ϭ
ϭϭ
ϴ
Ϯ
ϭ
ƵƐĐĂŶĚŽŽƉŽƌƚƵŶŝĚĂĚĞƐ
ŽĨĞƌĞĐŝĚĂƐƉĞůŽ
ƵƐĐĂŶĚŽŽƉŽƌƚƵŶŝĚĂĚĞƐ
ŽĨĞƌĞĐŝĚĂƐĨŽƌĂĚŽƉĞůŽ
ĞŝdžĂŶĚŽŽƐĨĂƚŽƐŽĐŽƌƌĞƌĞŵ
ŶĂƚƵƌĂůŵĞŶƚĞ͕ŶĆŽďƵƐĐĂ
ŝŶǀĞƐƚŝŵĞŶƚŽ
ŶĆŽƌĞƐƉŽŶĚĞƵ
Ă
ď
Đ
EZ
Gráfico 19 – Como você investe em sua carreira profissional?
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
Do exposto acima, dentre os 22 participantes, a metade busca oportunidades
fora do EB, oito nas oportunidades oferecidas pelo o EB, dois não investem na
carreira e um deixou de responder. O resultado confirma o valor significativo do
planejamento de carreira, para o projeto de vida dos sujeitos pesquisados no
contingente servindo no 63°BI. Segundo White (2008) , o planejamento de carreira é
importante, pois fornece estrutura e direção para o sujeito focar no objetivo
profissional. Na comparação dentro e fora do EB, sente-se certa preferência por
condições externa ao EB. Segundo Dias Soares (2009), o homem na sociedade
neoliberal vale quanto pode comprar, sendo seu valor comparado à sua utilidade
69
social, por isso, os participantes que optaram pela condição externa ao EB, de
acordo com as autoras, estão “à busca desenfreada pelo conhecimento”. Opinião
crítica das autoras, o que leva a pesquisa a um questionamento mais intrínseco dos
sujeitos no subitem a seguir.
4.5.2 Percepção pessoal do planejamento de carreira
O Gráfico 20 oferece algumas frases relativas à percepção do sujeito no
modo de sentir, pensar ou agir no momento de idealizar o seu planejamento de
carreira.
Média correspondente as frases relativas à percepção de
planejamento de carreira
ϱ
ϰ͕Ϯϯ
ϰ
ϰ͕Ϯϯ
ϰ͕Ϯϯ
ϰ͕ϰϭ
ϯ͕ϴϮ
ϯ͕ϳϳ
Ϯ͕ϴϲ
ϯ
Ϯ͕Ϭϱ
Ϯ
ϭ͕ϵϱ
ϭ͕ϳϳ
ϭ
Ă
ď
Đ
Ě
Ğ
Ĩ
Ő
Ś
ŝ
ũ
Gráfico 20 – Média correspondente as frases de percepção de planejamento de carreira.
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
As frases correspondentes as letras “a” até “j” do Gráfico 20, sendo uma
relação extensa, faz-se necessária listá-las no Quadro 7.
a) Eu considero que tenho um projeto profissional realista para mim.
b) Eu tenho clareza sobre quais são meus objetivos profissionais.
c) Eu tenho metas definidas em relação a minha profissão e um plano para alcançá-las.
d) Eu tenho planos profissionais já bem estabelecidos.
e) Eu não estou seguro sobre qual caminho seguir dentro da minha profissão.
f) Tenho dificuldade em definir um plano profissional para mim.
g) Eu vejo meu futuro profissional dependendo de forças externas.
h) Eu vejo as minhas oportunidades profissionais dependendo mais do mercado de trabalho ou dos
outro do que de mim mesmo.
70
i) Eu sou o principal responsável pelo que acontece ou acontecerá em minha carreira profissional.
j) Eu me considero um profissional bem preparado na área em que atuo ou pretendo atuar.
Quadro 7 – Frases relativas à percepção de planejamento de carreira.
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
Ressaltadas nas frases as etapas de um mapa de carreira, verificou-se que
as mesmas foram pontuadas pelos participantes conforme a descrição e análise
mostradas a seguir, com os indicadores de médias mais expressivas, numa escala
de 1 a 5.
A perspectiva “eu tenho clareza sobre quais meus objetivos profissionais” com
a média de 4,23, resultado adequado ao processo inicial do planejamento de
carreira, objetivos definidos. Em continuidade a perspectiva “eu tenho metas
definidas em minha profissão e um plano para alcançá-las”, também com a média de
4,23, constata-se que neste caso os participantes, além de, já terem definidos os
objetivos, por dedução lógica, também, o estabelecimento de metas quantificadas,
dentro dos prazos necessários, para alcançar crescimento profissional, dentro da
própria força.
O planejamento de carreira para esses participantes, considerando a “minha
profissão”,
a
militar,
pode
ser
visualizado
a
partir
da
necessidade
do
desenvolvimento de competências, habilidades e comportamento adequado do
militar, no desempenho de suas funções ao longo da carreira. Para movimentar esse
processo, o sujeito deve estar ciente do esforço, na obtenção de qualificação e
novos conhecimentos considerando a aplicação dos mesmos, em atividades no
futuro, regra básica do planejamento de carreira (WHITE, 2011).
Em conexão com esse processo de gerenciamento de carreira, o parágrafo
seguinte destaca o sujeito no comando pessoal, na condução da sua carreira.
A percepção “eu sou o principal responsável pelo que acontece ou acontecerá
em minha carreira profissional”, com a média de 4,23, demonstra convicção plena de
autodeterminação dos sujeitos nas suas potencialidades. Em outro aspecto de
percepção “eu me considero um profissional preparado na área que atuo ou
pretendo atuar”, com a maior média (4,41) evidencia seu autoconhecimento
profissional.
Englobando esses dois enfoques de percepção, essa determinação dos
sujeitos sobre seu planejamento de carreira pressupõe-se uma auto-avaliação além,
é claro, das suas potencialidades e competências dadas como feedback, durante a
71
carreira pelos superiores nas avaliações periódicas dos mesmos, que consta da
folha de alteração dos militares.
A auto-avaliação combina o tipo de trabalho que o sujeito vai realizar, com
seu perfil, detalhado, de suas características de personalidade, seus valores, seja de
educação ou financeiro, e por fim declarar sua missão, onde explica quem é esse
sujeito, por que existe e o que fará para tornar-se a pessoa que pretende ser
(WHITE, 2011). A seguir, na análise da próxima frase, aparece a dúvida no sentido
do planejamento de carreira associada à área de atuação dos sujeitos como
veremos a seguir.
A perspectiva “Eu considero que tenho um projeto profissional realista para
mim” com média de 3,77 podem estar em sintonia, com as condições oferecidas
pelo EB ou no ambiente externo, como também a perspectiva “Eu tenho planos
profissionais já bem estabelecidos” com média de 3,82.
Acima, podemos verificar duas perspectivas semelhantes e de dúbia
interpretação. A primeira relacionando os sujeitos à carreira militar, a qual já foi
analisada anteriormente. A outra possibilidade, do projeto profissional fora do
ambiente militar, onde pode estar os sujeitos que realizam cursos de graduação.
Para unir todos esses aspectos no contexto atual devemos conceber o
planejamento de carreira como responsabilidade do sujeito, pois cabe ao mesmo
seu crescimento profissional e a organização deve ficar atenta para não perder seus
melhores profissionais.
Após a descrição das frases pontuadas com média acima de três na escala
de 1 a 5 do Gráfico 21, sobre a percepção pessoal do planejamento de carreira
pode-se afirmar que os mesmos estão em acordo com o referencial teórico proposto
na pesquisa.
Procurando mais especificidade sobre a permanência na carreira militar o
subitem seguinte busca esclarecer de forma direta com os sujeitos, sua preferência.
72
4.5.3 Permanência no EB
Para definir a posição dos participantes, a questão 22 perguntou aos mesmos
sobre o desejo de permanecer no EB. O Gráfico 21 ilustra categoricamente o
resultado.
ĞƐĞũĂƉĞƌŵĂŶĞĐĞƌŶŽ͍
ϮϮ
ϮϬ
ϭϴ
ϭϲ
ϭϰ
ϭϮ
ϭϬ
ϴ
ϲ
ϰ
Ϯ
Ϭ
ϭϱ
ϱ
Ϯ
Ɛŝŵ
ŶĆŽ
EĆŽƌĞƐƉŽĚĞƌĂŵ
Gráfico 21 – Deseja permanecer no EB?
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
Após esse momento de definição, a segunda parte da pergunta, ”por quê?” de
permanecer ou de não permanecer no EB, foram categorizadas como se segue nas
tabelas 1 e 2 respectivamente:
Tabela 1 – O porquê de permanecer no EB.
Categoria
Identificação
Profissional
Financeiro
Satisfação
Unidade de contexto elementar
P11: “Profissão da vida”.
P14: “Identifica com a profissão”.
P18: “Crescimento profissional”.
P19: “Identificação com a carreira”.
P20: “Desenvolvimento pessoal”.
P1: “Satisfação da profissão e crescimento financeiro”.
P2: “Estabilidade financeira”.
P9: “Estabilidade financeira”.
P3: “No momento sim”.
P8: “Satisfeito até o momento”.
P6: “Possibilidade de ser adido”.
P10: “Estabilidade”.
P21: “Conhecer o Brasil”.
P16: “Condicional mudança no plano de carreira”.
P17: “Tempo necessário”.
Adido
Estabilidade
Turismo
Mudança
Tempo
regulamentar
Não respondeu
P5, P7, P12, P13 e P15
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
Frequência
5
3
2
1
1
1
1
1
5
73
Tabela 2 – O porquê de não permanecer no EB.
Categoria
Unidade de contexto elementar
Insatisfação
P4: “O EB não oferece condições”.
P22: “Remuneração compatível com a escolaridade”.
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
Frequência
2
A “identificação profissional” assinalada por cinco sujeitos reflete o acerto dos
mesmos na escolha profissional. O processo de “desenvolvimento pessoal’, como
afirma P20, embasa a profissão militar no sentido de “ser constituído por pessoal
altamente qualificado, motivado e coeso, que professos valores morais e éticos, que
se identificam, historicamente, soldado brasileiro, e tem orgulho da servir à
Instituição e ao Brasil” (BRASIL, 2011, grifo nosso).
Para Dias e Soares (2009), a identidade profissional vincula o “ser” ao seu
“fazer”: o sujeito se apresenta ao outro, no caso do militar, pela sua profissão.
Entretanto, Bohoslavsky (2007), diferencia a identidade profissional da vocacional. A
primeira como produto da ação do contexto sociocultural, no qual, vive-se, de ordem
objetiva, que traduz o papel social da profissão do sujeito. A segunda categoria a
“vocacional”, ligada ao lado afetivo, aparece mais no momento da escolha, sendo
caracterizada de ordem subjetiva.
A categoria “financeira”, apontada por três participantes possibilita, pelas suas
falas comuns no sentido de conseguir: a “estabilidade financeira” no EB, de
conformidade dentro da instituição, por sua característica de estabilidade e a
independência econômica do sujeito desde a escolha profissional (LUCCHIARI,
1998).
A categoria de “satisfação” pela fala dos participantes: P3: “No momento sim”
e P8: “satisfeito até o momento”. Como reflexão do planejamento de carreira ser
bom, tanto para o sujeito como para organização, combina com afirmativa:
“planejamento de carreira é um processo contínuo de interação entre o empregado e
a organização visando atender aos objetivos e interesses de ambas as partes.”
(TACHIZAVA, 2001, p.197).
Das demais categorias expostas na tabela, com escolha, de um participante
em cada, podemos destacar em especial duas com relevância para o EB:
“possibilidade de ser adido” e a “estabilidade” que apontam para a credibilidade da
Instituição. A estabilidade emerge desde a escolha dos sujeitos pela profissão
militar, que é uma das motivações inerentes às ditas carreiras tradicionais. A
74
possibilidade de ser adido vai depender do desempenho escolar nos cursos
realizados pelos sujeitos, como estratégias intermediárias, durante seu planejamento
de carreira. O curso de idiomas, fundamental para alcançar esse objetivo é
disponibilizado na modalidade de ensino a distância, pelo EB, para todos militares.
A categoria “turismo”, onde o participante, P21, deseja conhecer o Brasil,
mostra que esse sujeito aos 27 anos de idade, busca ganhar dinheiro com as
transferências e ao mesmo tempo aumentar sua cultura geográfica. A categoria
“condicional a mudança no plano de carreira”, assinalada por P16, com 22 anos de
idade e já completando o curso de direito, formaliza sua condição de permanência
no EB, a melhorias da instituição na ótica da valorização do individuo pela sua
capacitação. Por último, P17, com a fala o “tempo necessário”, na categoria do
tempo regulamentar, demonstra conformidade, de um modelo de vida pleno, dentro
da própria instituição.
O turismo através de transferências do graduado pode ser analisado também
pelo lado da satisfação profissional e aumento financeiro, objetivo similar a outras
carreiras profissionais. Em relação ao jovem sargento que está completando o curso
de Direito e condiciona essa nova competência a uma remuneração adequada e a
um novo plano de carreira, poderá cursar a Escola de Administração do Exército
(EsAEx). Por último, completar o tempo de serviço dentro da instituição reafirma
adequação desse sujeito a carreira tradicional, diversas vezes reportada nessa
pesquisa.
4.5.4 Planos para o futuro profissional
Para completar o mapa de carreira, desenvolvido na pesquisa, a questão 21
do questionário (APÊNDICE A), busca registrar o fiel retrato do momento do
planejamento de carreira dos graduados, em relação ao dinamismo do processo.
Na tabela 3 abaixo, estão apresentadas categorias retiradas das respostas
dos sujeitos diante da questão 21.
75
TABELA 3 - Quais seus planos para seu futuro profissional?
CATEGORIA
Qualificação
fora do EB
Missão de paz
e adido
Qualificações
dentro EB
Desinteresse
Remuneração
Adequada
Família
Instrutor
Unidade de contexto elementar
FREQUÊNCIA
P1: “Concluir curso de graduação (Informática)“.
P6: “Qualificação fora do EB”.
P7: “Concluir graduação (Ciências Contábeis).
P16: “Direito”.
P18: “Concluir curso de Direito”.
P21: “Concluir curso de Ciências Econômicas”.
P22: “Curso de mestrado em História”.
P8: “Missão de paz.
P9: “Haiti 2012”.
P10: “Missão de paz”.
P11: “Adido”.
P19: “Missão no exterior adido”.
P1: "Exame para QCO”
P6: “Qualificação dentro do EB”.
P8: “Cursos operacionais e idiomas”.
P11: “PQD, Adido”.
P14: “Cursos militares e idiomas”.
P2: “Sem planos”
P17: “Sem comentário”.
P15: “Melhor salário”.
P4: Crescimento profissional e financeiro.
P20: “Continuar as conquistas da família”.
P3: “Instrutor de tiro de guerra”.
7
5
5
2
2
1
1
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
A “missão de paz e adido”, categoria com a escolha de cinco participantes,
reflete o grupo altamente consciente do valor social da profissão e do empenho
pessoal na realização de um planejamento de carreira dentro das condições
oferecidas pelo EB.
Essas condições podem ser consideradas favoráveis ao sujeito e a
organização. O sujeito para alcançar o objetivo de estar apto à missão no exterior
passa por diversas estratégias intermediárias, como curso de idiomas, fundamental
para alcançar êxito nessa meta. Outras estratégias devem ser programadas e
executadas concomitantemente, como desenvolver comportamentos e atitudes
adequadas
de
relacionamento
interpessoal.
Essas
atividades
podem
ser
desenvolvidas no cotidiano da caserna, entre os pares, no trato com os
subordinados e respeito aos superiores. Essas condições são referendadas nos
exemplos de trabalho da Força Terrestre, por seus integrantes no exterior, fazendo
parte dos noticiários na mídia.
A categoria “Qualificação dentro do EB” com interesse de cinco participantes
mostra os sujeitos com mesmo enfoque das condições acima, na lógica de
76
estratégias intermediárias ao planejamento de carreira, porém esse grupo apesar de
acreditar na instituição, percebe sua meta final dentro do EB.
A categoria “Qualificação fora do EB” também com sete participantes nos
diversos cursos de universidades civis reflete mudança, no planejamento de carreira,
dos graduados para o futuro. Ao que tudo indica esses sujeitos, estão incluindo aos
seus currículos, competências necessárias para trabalhar em diversas áreas do
conhecimento.
As categorias “Desinteresse” e “Remuneração adequada” com dois
participantes evidenciam os descontentes com a profissão e com o salário, atitudes
bem comum nos vários segmentos da sociedade brasileira.
As categorias “Família” e “Instrutor” com a escolha de um participante
promovem uma diversidade aceitável e positiva do ponto de vista do projeto de vida.
Pois, continuar as conquistas da família, remete a algo sobre a dificuldade de
superar o luto pela escolha da carreira militar. Ser instrutor, de tiro de guerra,
significa que P3, deseja assumir uma posição de chefia e liderança na sua cidade
natal, porém nesse caso, continuando na carreira militar.
Na análise dos eixos propostos desse trabalho, verificou-se a forma que o
participante dessa pesquisa, busca, cada um ao seu modo, o espaço profissional na
sociedade e no EB, orientados por um planejamento de carreira peculiar da carreira
militar. Em alguns, o esforço para alcançar metas profissionais se concentram na
própria instituição, em outros, o foco profissional está no ambiente externo. Porém, o
fio condutor da educação, favorece o crescimento profissional desse segmento
militar, indistintamente.
Durante toda a análise, ficam claras outras situações, que proclamam de uma
forma ou de outra, uma intervenção da psicologia como ciência e profissão. Diante
dos diversos argumentos que ressaltam a importância do sistema de ensino do EB,
na carreira do militar, em deferência direta das escolas militares, verifica-se que
nesses estabelecimentos de ensino, o que não falta é serviço de psicologia, além do
que na AMAN, o cadete, ter no seu currículo, como disciplina, na sua formação,
psicologia.
Por isso, o corpo de tropa, no caso da presente pesquisa, o 63°BI, está
apresentando através das respostas dos sujeitos, a necessidade do trabalho da
psicologia, sendo que, o EB, não se dá conta, da distância entre o processo
77
educacional, nas escolas, onde está presente a psicologia e a falta desse mesmo
trabalho nas organizações militares.
Para resgatar uma condição mínima, de apoio psicológico, para desenvolver o
planejamento de carreira, tema dessa pesquisa, faz-se necessário, sistematizar
alguns projetos ou pelo menos um, nesse sentido, nas considerações finais do
presente trabalho.
78
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O nascimento de uma criança no seio de uma família pressupõe um
planejamento para o dia em que a mesma vem ao mundo. O trabalho de parto
possibilita o movimento inicial desse planejamento, no sentido de verificar se as
variáveis antes previstas, como quarto de hospital e médico, estão em condições de
atender ao evento. O planejamento da família para atender às necessidades
decorrentes do dia do nascimento de uma criança pode refletir no seu futuro. Porém,
à medida que o tempo passa, essa criança, agora jovem adulto, toma para si o seu
próprio projeto de vida e o fenômeno do planejamento de carreira contido nesse
projeto sempre definido no futuro, fica sob sua responsabilidade.
Para saber sobre o planejamento de carreira do sargento do EB, a presente
pesquisa procurou descobrir, através do contingente servindo no 63°BI, como foi o
desenvolvimento do processo desde sua escolha pela carreira militar, até alcançar a
estabilidade.
Para escolha de uma carreira profissional é razoável, no mínimo, que o
interessado faça uma busca de informações sobre ela. A disponibilidade de registros
sobre o tema das diversas carreiras é reproduzida em vídeos, materiais impressos e
distribuídos pelos meios de comunicações oficiais e privados, nas diversas regiões
do país. Diante dessa socialização, a escolha profissional em qualquer carreira,
pressupõe um conhecimento prévio.
O resultado da pesquisa sobre a influência no momento da escolha
demonstrou que o fator amizade foi decisivo no contingente do 63° BI. Outro fator
relevante foi à família, seguido da escola, que se pode associar ao primeiro (os
amigos). Até esse momento, tinha-se a impressão de pouca importância dos sujeitos
aos seus interesses pessoais na hora da escolha. Entretanto, ao apresentar a
questão 14, do questionário (APÊNDICE A), que contém uma relação de critérios
distribuídos nas diversas situações operacionais da vida militar, o resultado foi ao
encontro das condições teóricas, de respaldo na carreira tradicional. Os critérios de
segurança e estabilidade, pontuados por 21 dos 22 participantes, confirmam o
enquadramento afirmativo, do modelo tradicional de carreira, pelo grupo de
participantes.
79
Para realizar, o planejamento de carreira, todo sujeito busca, de acordo com
seu interesse, os objetivos que melhor retratam sua realidade naquele momento.
Foram disponibilizadas, aos participantes, algumas opções de escolha que
pudessem refletir o início do mapa de carreira dos mesmos. Para racionalizar, as
etapas dos objetivos e metas, a questão 18 do questionário (APÊNDICE A) listou
aspectos, considerados importantes, para o planejamento de carreira dos
graduados. Dentre os aspectos listados como objetivos: a saúde, a remuneração
adequada e a educação continuada foram os itens mais apontados pelos
participantes, para serem alcançados dentro do período probatório. Os aspectos da
saúde e remuneração adequada fazem parte da legislação que ampara os militares
na Constituição Federal.
Por fim, verificou-se que grande parte dos objetivos e metas propostas na
pesquisa, no Quadro 2, já foram alcançados pelos sujeitos. A razão principal dessa
constatação foi vinculada ao fato de que a maioria dos graduados está enquadrada
no tempo de serviço de 8 a 10 anos de carreira.
Nas estratégias disponibilizadas pelo EB, as mais pontuadas pelos
participantes foram: Plano de saúde e Próprio Nacional Residencial (PNR),
apontadas por 19 dos 22 participantes. Como a saúde, a moradia está incluída entre
as razões legais das condições disponibilizadas aos militares, pelas transferências
obrigatórias para os mais diversos locais do território nacional.
As outras estratégias bem pontuadas pelos graduados, como TAT e TAF,
fazem parte de itens, cujos resultados são importantes para a promoção dos
mesmos, durante a carreira. Concluí-se, que o eixo das estratégias dos sargentos,
no âmbito do EB, no seu planejamento de carreira, num primeiro momento se
orienta dentro das regras estabelecidas pela instituição, porém não ficam alienados
dos seus projetos pessoais e das suas condições de gestores familiares.
Em relação, às estratégias do sargento no ambiente externo ao EB, a
condição “realização de cursos de graduação em universidades civis” apontada pela
maioria participantes pode ser decorrente da influência positiva do sistema de ensino
do EB. O sucesso na carreira militar está vinculado ao desempenho escolar do
militar nos cursos militares, como se pode verificar desde o curso de formação na
EsSA. Ou seja, seu desempenho escolar é parâmetro fundamental para sua
promoção de grau hierárquico e contribui para o sucesso na carreira. Numa
perspectiva psicológica, podemos afirmar que o fenômeno do planejamento de
80
carreira dos graduados emerge do sistema de ensino do EB. Por outro lado o
sargento, na sua estratégia de carreira, ao acrescentar conhecimento educacional
com cursos de graduação em universidades civis, parece substanciar o seu currículo
às condições adequadas frente às mudanças globais no mundo do trabalho.
Em relação ao gerenciamento de suas carreiras os graduados estão cientes
da importância de planejar sua trajetória profissional. Assim sendo, investir na
educação formal se mostrou uma necessidade ímpar. Fica evidente que o período
probatório de dez anos contribui de certa forma, para incertezas sobre a carreira
militar. Entretanto, a categoria “identificação profissional” dos sujeitos, pelo resultado
da Tabela 1, evidencia que cinco participantes vinculam sua profissão à sua vida,
conforme a fala de P11: “Profissão da vida”. Reflete a parcela adequada ao EB.
A presente pesquisa caracterizou que a estabilidade na carreira militar seria o
foco principal do sargento durante o período probatório. Desta forma, conclui-se que
o sonho da estabilidade na hora de uma escolha, como fenômeno psicológico, pode
abastecer a resistência ao luto pela não escolha por outras opções profissionais,
durante uma década para a maioria dos participantes dessa pesquisa.
Em relação aos objetivos e metas, no que tange à remuneração adequada,
credita-se o fato da não unanimidade nas respostas, à desconfiança no sistema
governamental, pois o pagamento da mesma está sendo realizado por medida
provisória.
A educação continuada na preferência dos participantes dentro do curto,
médio e longo prazo demonstra a influência do sistema de ensino do EB, na
formação do militar de carreira.
O outro enfoque educacional dos graduados no ambiente externo ao EB
seria uma provável trajetória profissional, diferente da militar: a carreira proteana, em
que pelo menos o objetivo está sendo implantado, na realização de cursos civis.
O gerenciamento de carreira dos graduados fortalece o planejamento de
carreira dentro e fora do ambiente do EB. Internamente o interesse em cursos
disponíveis na Força, e, no ambiente externo fazem parte da vida acadêmica em
diversos cursos de graduação.
A dificuldade encontrada para realização da pesquisa foi encontrar literatura
específica sobre o público alvo. Contudo, mesmo restrito ao parâmetro geográfico,
acredita-se que uma exposição mais detalhada na execução das principais tarefas
dos sargentos de cada Força e uma posterior comparação espacial entre os
81
trabalhos dos mesmos, além de mostrar um importante diferencial entre os
graduados das Forças Armadas e de outras corporações, como por exemplo, das
Polícias Militares, justifique a dificuldade de encontrar trabalhos de pesquisa
contemplando o sargento do EB, no período probatório, com a devida
especificidade.
Quando se observa uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), no céu
do Brasil, sabemos que o sargento da aeronáutica, lá em cima fazendo parte da
tripulação, já fez seu trabalho em terra - a manutenção da aeronave – e, a partir
desse momento, coloca sua vida em jogo, baseado na sua competência e habilidade
técnica, no desenvolvimento dos vôos da FAB, de norte a sul, de leste a oeste no
território nacional. Por outro lado, sabe-se que o Brasil, com seu vasto litoral e uma
bacia hidrográfica considerável, mostra quão grande é o local de labuta do sargento
da Marinha do Brasil (MB), que passa sua vida entre as ondas do mar e dos rios
brasileiros, desenvolvendo o seu trabalho, que começa desde sua formação como
fuzileiro naval, visto que a MB não possui escola de formação de sargentos. As
Policias Militares atuam nos seus estados com efetivos normalmente regionalizados
e missão distinta das Forças Armadas.
Diferente dos sargentos da Marinha e da Aeronáutica, o sargento do Exército
pode estar no céu, dentro de uma aeronave para saltar de pára-quedas, ou
embarcado em navio, para realizar uma operação em terra, seu habitat natural, local
que deve ocupar tanto em tempo de paz como na guerra, para manter a soberania
do país. É sabido que os sargentos das outras forças podem realizar os cursos
combatentes no EB, porém a utilização estratégica desse combatente em situação
operacional de guerra ou de paz, pertence ao comandante da Força Terrestre.
Após a ilustração dessas situações pontuais para a comparação entre os
sargentos das Forças Armadas, a importância do planejamento de carreira, do
sargento do EB, diferente dos seus colegas de posto das outras Forças, reside
numa dinâmica de tarefas conduzidas pelos mesmos, a partir de situações
vinculadas ao comportamento de outras pessoas, soldados ou civis, espalhadas por
todo o território nacional, com diversificação de cultura, em toda a extensão de
fronteira, que torna o trabalho mais difícil. Além de, muitas vezes, precisar intervir
para restabelecer a ordem em distúrbios urbanos, como exemplo, no Rio de Janeiro,
bem como ter que estar preparado para atuar em missões de paz, conforme mostra
a mídia televisiva em seus noticiários. Conclui-se, pela multiplicidade das questões
82
levantadas, que o engajamento do sargento no planejamento de sua carreira pode
sofrer solavancos, mas algumas constatações foram significantes para entendê-los
nesse trabalho.
A facilidade do trabalho se deu principalmente ao apoio recebido por todas as
pessoas envolvidas na pesquisa. Entretanto, é mister salientar que durante o
processo, a paciência da orientadora, o trabalho da digitadora, o espaço cedido
cordialmente pelo comandante do 63°BI, e, claro, a disponibilidade dos participantes
foram de fundamental importância para o presente trabalho.
A presente pesquisa foi motivada pela preocupação de entender a trajetória
profissional do sargento do EB, desde a escolha pela carreira militar até alcançar a
estabilidade na profissão.
O primeiro degrau de uma escada imaginária, a escolha da profissão, pelo
resultado desse trabalho, pode-se sugerir o aprofundamento em outra pesquisa,
sobre os verdadeiros interesses dos sujeitos na hora da escolha profissional, no
sentido da evolução do seu planejamento de carreira e as suas condições
psicológicas naquele momento. Em relação aos interesses pode-se questionar a sua
situação econômica pessoal e familiar, como também o conhecimento de outras
profissões. Já, as condições psicológicas, são de suma importância para avaliar que
temperamento e traços de personalidade têm o sujeito, que está se candidatando
graduado do EB. Essa sugestão de pesquisa teria como justificativa em mapear a
classe social do graduado e saber quem são os sujeitos que vão lidar diretamente
com os soldados.
O segundo degrau da escada, sendo o objetivo e o terceiro, a meta, poderia
avançar, no planejamento de carreira, a partir dessa pesquisa, no sentido de
verificar se o sujeito, o graduado está na profissão militar, por ser um emprego ou
uma carreira. O emprego é uma posição de funcionário que pode durar por um dia
ou a vida toda, difícil de quantificá-lo, como meta. Já a carreira é a busca de uma
profissão que exige conhecimento, orgulho de seu desempenho e com metas
sistematizadas, por etapas preestabelecidas. A justificativa dessa proposta seria
clarificar para o EB, até quando pode contar com esse sujeito nas suas fileiras, e
para o sujeito, realizar uma auto-avaliação para a tomada de decisão de sua
continuidade ou não na profissão militar. É claro, que esse processo teria
acompanhamento psicológico, pela instituição, ao graduado e a sua família,
83
conforme trabalho realizado pelo Hospital Geral de São Paulo com as famílias dos
militares da Força de Paz no Timor Leste.
O quarto degrau da escada, as estratégias do EB, na percepção do sargento
para seu planejamento de carreira, a presente pesquisa aponta para uma
necessidade urgente de aprofundamento de um trabalho que contemple o serviço de
psicologia, como peça fundamental, no bom desenvolvimento das operações da
Força Terrestre em todos os níveis, como foi destacado, nas Missões de Paz, no
TAT, no TAF e nas relações interpessoais de avaliação dos graduados pelos
superiores.
Quanto ao quinto degrau dessa escada, estratégias fora do EB, o presente
trabalho destaca, como razão principal de aprofundamento, em outra pesquisa, na
compatibilização do sargento com graduação em cursos universitários e o Quadro
Complementar de Oficiais (QCO). O aumento das vagas do QCO, para graduados
formados em psicologia, atenderia em parte, o parágrafo anterior.
No sexto degrau da escada, com o patamar no gerenciamento de carreira, o
presente trabalho deixou claro, a opção do sujeito da pesquisa, pelo viés da
educação, para o planejamento de sua carreira. Entretanto, como última sugestão
para os pesquisadores da psicologia seria, entender “como os psicólogos do EB,
apóiam o planejamento de carreira dos graduados”.
Estabelecendo-se que a escada simbolizada é rolante, em analogia ao
planejamento de carreira, conclui-se que o mesmo depende basicamente de dois
parâmetros: o do contexto de trabalho vivenciado no momento, e o do tempo do
sujeito para refletir sobre sua vida profissional. Como os contextos de trabalho
mudam constantemente e o sujeito atual vive atribulado com muitos afazeres,
tirando-lhe o tempo necessário para uma reflexão mais profunda, o planejar da
carreira fica complicado, mas não impossível para o sargento de infantaria,
pesquisado nesse trabalho.
Não é impossível realizar um planejamento de carreira pelo sargento de
carreira, porém, fica clara a necessidade da psicologia, para atuar em diversas
situações da vida do sargento na análise da pesquisa. Para facilitar esse processo,
enquanto fenômeno psicológico, algumas sugestões pode-se fazer ao EB: O
exemplo, do que foi feito no grupo de militares, que trabalhou no Timor Leste, dar
atenção preventiva as organizações militares de todo o EB, mesmo não sendo
escola, pois nelas, podem estar vários problemas oriundos da falta de
84
acompanhamento psicológico dos integrantes da Força Terrestre.
A justificativa
para o projeto de melhorar a saúde do militar, com o objetivo de prevenção,
promoção e manutenção da mesma, com isso resguardar o apronto operacional da
tropa.
Para dar início a esse trabalho, um diagnóstico organizacional deveria
identificar os pontos fortes em psicologia no EB, e aqueles que necessitam de
desenvolvimento. A análise da pesquisa mostra o lado da educação de forma bem
resolvida, porém em termos de relações interpessoais, não é o que ocorre.
Poderiam ser citados outros projetos que melhorassem o desenvolvimento
humano nas organizações militares, onde trabalha o sargento de carreira do EB,
onde seu planejamento de carreira se concretiza na teoria e na prática. Entretanto, o
primeiro passo, nessa direção, deve ser a conscientização do EB, no que tange ao
valor do seu sargento e de um profissional de psicologia no corpo de tropa, onde
tudo começa e termina na carreira militar.
85
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90
APÊNDICES
91
APÊNDICE A - Questionário semi-aberto
Este questionário faz parte da pesquisa realizada pelo acadêmico José Roberto Lacerda
Silveira, 10ª fase do curso de Psicologia da UNISUL, orientado pela profª Michelle Regina da
Natividade. Esta pesquisa estuda o planejamento de carreira do sargento oriundo da Escola de
Sargento das Armas (EsSA), durante o período probatório até adquirir a estabilidade.
A sua colaboração ao responder de forma sincera as questões propostas pode estabelecer o
marco inicial de um estudo acadêmico sobre o tema em foco, pela exposição de dados referentes à
dinâmica do projeto de carreira desse segmento militar.
Desde já agradeço sua participação.
1. Idade___________________
2. Estado Civil:
( ) solteiro
( ) casado
( ) divorciado ( ) viúvo
( ) separado
( ) união estável
3. Tempo de serviço_________anos
4. Cidade de origem_____________________________________________________
5. Filhos ( ) Sim, quantos?___________ ( ) Não
6. Estudou em escola:
7. Escolaridade:
pública (
)
( ) 1°Grau
( ) 3°Grau incompleto
privada (
)
( ) 2° Grau incompleto ( ) 2º Grau completo
( ) 3º Grau comple to
8. Estuda atualmente? ( ) sim
( ) não
Se sim, qual curso? __________________________________
9. Você trabalhava antes do concurso para EsSA?
( ) sim, Em que área (profissão)___________________________________
( ) não
10. Você fez curso preparatório para realizar o concurso da EsSA?
( ) sim
( ) não
11. Em qual tentativa obteve sucesso no concurso de admissão:
( ) 1ª
( ) 2ª
( ) 3ª ou mais
12. Com que idade obteve êxito no concurso da EsSA? __________anos.
13. Como soube da carreira militar? Assinale a alternativa mais importante:
a) ( ) Familiares
d) ( ) Escola
b) ( ) Internet
e) ( ) Amigos
c) ( ) Jornais, revistas
f) ( ) Outra: _________________________
92
14. No quadro abaixo indique o grau de importância dos itens que você levou em consideração para
sua escolha profissional pelo EB.
Para cada critério assinale um “X” na coluna apropriada considerando:
F = Fundamental, I = importante, S = Secundário e N = Não se aplica
CRITÉRIOS
a) Por ser adequado as minhas habilidades e competências
b) Por influencia dos meus familiares
c) Por influencia dos meus amigos
d) Por ser uma tradição familiar
e) Por ter assistido atividades militares e demonstrações públicas
f) Pelo espírito de aventura
g) Por informações de revistas especializadas
h) Por segurança e estabilidade profissional
i) Por orientação profissional/vocacional, realizado com um profissional
especializado
j) Para obter prestígio social
k) Pela possibilidade de crescimento profissional
l) Por considerar a atividade militar uma atividade masculina
m) Por ter aparecido como uma oportunidade no mercado de trabalho
n) Por gostar do estilo militar
o) Por necessidade econômica da família
p) Por considerar a carreira militar uma base econômica para estudar em outra
área
q) Por vocação
r) Para servir a pátria
s) Outros, quais?________________________________________
F
I
S
N
15. Dentre as condições apresentadas abaixo que são oferecidas pelo EB, para seu planejamento de
carreira, assinale para cada condição um “X” na coluna apropriada:
F = Fundamental, I = importante, S = Secundário e N = Não se aplica
CONDIÇÕES
a) Ser promovido por merecimento
b) Ser promovido por antiguidade
c) Receber medalha de Mérito
d) Receber medalha por tempo de serviço
e) Realizar cursos combatentes (pqd, gs etc...)
f) Realizar curso de Educação Física
g) Realizar curso de idioma
h) Ser adido
i) Participar de missão de paz da ONU
j) Ter bom resultado no Teste de Aptidão de Tiro (TAT)
k) Ter bom resultado no Teste de Aptidão Física (TAF)
l) Ter bom resultado no Curso de Aperfeiçoamento de Sargento (CAS)
m) Ser bem avaliado no conceito dos superiores
n) Oportunidade de ganho financeiro através de transferência de sede
o) Ter bom relacionamento social
p) Ter remuneração adequada
q) Ter plano de saúde
r) Ocupar Próprio Nacional Residencial – PNR
s) Poder retornar à cidade de origem
t) Outros ________________________
F
I
S
N
93
16. Quais das condições apresentadas abaixo você busca fora do EB?
Para cada critério assinale um “X” na coluna apropriada considerando:
F = Fundamental, I = importante, S = Secundário e N = Não se aplica
CONDIÇÕES
a) Desenvolvimento de uma atividade paralela na vida civil.
b) Realização de cursos de graduação em universidades civis.
F
I
S
N
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f) Acompanhar encontros de profissionais da área de interesse
g) Frequentar associações de classe
h) Participar de eventos informativos
i) Buscar outras pessoas com os mesmos interesses (rede social)
17. Responda os itens abaixo marcando o número que melhor representa sua opinião, de acordo com
a chave de respostas. Você pode usar números 1, 2, 3,4 ou 5, dependendo de quanto você acha que
cada afirmação corresponde ao modo como você pensa, sente ou age.
A frase é totalmente falsa a seu respeito
(não corresponde de maneira alguma ao
modo como você se sente, pensa ou age)
1
2
3
4
5
A frase é totalmente verdadeira a seu
respeito (corresponde perfeitamente ao
modo como você se sente, pensa ou age)
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Adaptado, Ourique, 2010.
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18. No quadro abaixo estão listados alguns aspectos que você pode ou poderá desejar alcançar
durante os dez anos de sua carreira, até sua aquisição da estabilidade.
Para cada aspecto marque um “X” no ano que você deseja alcançá-lo.
Considere “0” caso este item não seja de seu interesse.
Considere 1 para o que deseja alcançar no primeiro ano que você entrou na EsSA, 2 para o segundo
ano e assim sucessivamente até 10, para o ano que você adquire sua estabilidade.
Finalmente assinale “S” se foi seu interesse e você já alcançou.
ASPECTOS
0
1
2
3
4
Anos
5 6
7
8
9
10
S
a) Remuneração garantida
b) Plano de saúde
c) Educação continuada
d) Reconhecimento social
e) Realização de Cursos
f) Reconhecimento profissional
g) Transferência de quartel
h) Receber Medalha (mérito, bravura)
i) Promoção por merecimento
j) Promoção por antiguidade
k) Ser Adido
l) Aquisição de patrimônio (casa, apto...)
m) Formação civil (faculdade, técnico)
n) Formação de família
o) Missão de Paz
p) Prestigio social
q) Segurança (estabilidade profissional)
r) Crescimento profissional
s) Outros
19. Você considera que possui um planejamento para sua carreira profissional?
( ) sim
( ) não
20. Como você busca investir na sua carreira profissional?
Assinale apenas uma opção:
a) ( ) buscando oportunidades oferecidas pelo EB
b) ( ) buscando oportunidades oferecidas fora do EB
c) ( ) deixando os fatos ocorrerem naturalmente, não busca investimento
21. Quais seus planos para seu futuro profissional?
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
22. Você deseja permanecer no EB? Por quê?
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
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APÊNDICE B - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)
UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA
COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA - CEP UNISUL
[email protected], (48) 3279-1036
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)
Você está sendo convidado para participar, como voluntário, em uma pesquisa que
tem como título “O planejamento de carreira do sargento no Exército Brasileiro”. O objetivo
da pesquisa é analisar as estratégias utilizadas por sargento do Exército Brasileiro (EB) para
o planejamento de carreira até a aquisição da estabilidade. A importância do tema é
pesquisar os fenômenos da escolha profissional, o planejamento de carreira, a estratégia, o
objetivo do ser humano que investe sua vida na carreira militar como sargento do EB, na
sua missão constitucional.
Sua participação consiste em responder um questionário, no qual serão abordadas
questões diversas sobre o tema da pesquisa. Quanto ao procedimento você não é obrigado
a responder todas as perguntas e poderá desistir de participar da pesquisa a qualquer
momento (antes, durante ou depois de já ter aceitado participar dela), sem ser prejudicado
por isso. O benefício dessa pesquisa é sua reflexão sobre seu planejamento de carreira.
Todos os seus dados de identificação serão mantidos em sigilo e a sua identidade
não será revelada em momento algum. Em caso de necessidade, serão adotados códigos
de identificação ou nomes fictícios. Lembramos que sua participação é voluntária, o que
significa que você não poderá ser pago, de nenhuma maneira, por participar desta pesquisa.
Eu, _______________________________, abaixo assinado, concordo em participar desse
estudo como sujeito. Estou ciente que não estão previstos desconfortos, riscos ou
constrangimentos durante o preenchimento do questionário, mas caso isto ocorra
comunicarei de imediato.
Nome por extenso:
____________________________________________________
Telefone:
____________________________________________________
RG:
____________________________________________________
Local e Data:
____________________________________________________
Assinatura:
____________________________________________________
________________________
Michelle Regina da Natividade
Prof. Orientadora
(48) 3279-1084
________________________
José Roberto Lacerda Silveira
Acadêmico responsável
(48) 9925-6240
e-mail: [email protected]
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universidade do sul de santa catarina josé roberto lacerda silveira o