TRATAMENTO FÍSICO-QUÍMICO POR FLOTAÇÃO DE EFLUENTES DE REATORES ANAERÓBIOS José Roberto Campos, Marco Antonio Penalva Reali, Solange Aparecida Goularte Dombroski Margarida Marchetto, Márcio Rogério A. Lima Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC/USP. Av. Dr. Carlos Botelho, 1465, Centro, São Carlos - São Paulo. Brasil CEP: 13.560-250, Fone: (016) 274-9264; Fax (016) 274-9212. RESUMO Até recentemente prevalecia o conceito de que o tratamento de águas residuárias por processo físicoquímico, de maneira geral, não teria condições de oferecer resultados e custos que pudessem competir com aqueles dos processos biológicos. Mais recentemente podem ser detectados casos, com excelentes resultados em que se emrpegaram compostos como cloreto férrico, cal, polieletrólitos e outros, como complemento para o tratamento biológico. Os proponentes deste trabalho já efetuaram diversas aplicações desses produtos quer empregados diretamente nos reatores biológicos quer em pós ou pré-tratamento de esgotos sanitários. Por outro lado cada vez mais se empregam reatores anaeróbios para tratamento de esgotos sanitários, que por sua natureza, geralmente seus efluentes necessitam passar por tratamento complementar, efetuado quase sempre em reatores aeróbios. Neste trabalho são apresentados resultados de estudo efetuado com base, na floculação/flotação (com cloreto férrico, cal e sulfato de alumínio) de efluentes de um reator anaeróbio alimentado com esgotos sanitários, visando complementação do tratamento na remoção de DBO, fósforo, metais, sólidos suspensos, coliformes, etc.. Dentre os produtos químicos investigados para o esgoto em questão (efluente de reator anaeróbio), a cal hidratada numa dosagem de 50 mg/l associada a uma dosagem de 100 mg/l de cloreto férrico, forneceu excelentes resultados de remoção de fosfato total (84%), DQO (73%), DBO5 (73%), Turbidez (70%) e Nitrogênio Total Kjeldahl (49%). No que se refere especificamente à remoção de fosfatos totais, os melhores resultados foram obtidos quando se aplicou dosagens mais elevadas de cal, chegando a se atingir concentração no efluente da ordem de 0,5 mg/l. Palabras clave: tratamento de esgoto, flotação, pós-tratamento por flotação INTRODUÇÃO Desde o início da década de oitenta várias concepções de reatores anaeróbios foram adotadas para projeto e construção de sistemas para tratamento de águas residuárias. entre esses reatores fundamentados em processo anaeróbio, destacam-se o filtro anaeróbio, o reator de manta de lodo e fluxo ascendente, o reator de leito fluidificado e o reator de chicanas. Entre os primeiros trabalhos, à partir dos quais houve evolução em pesquisas e aplicações desses reatores destacam-se aqueles publicados por McCARTY (1966), LETTINGA (1979), JEWELL et al. (1982) e BACHMANN et al (1985). Desde então o uso desses reatores propagou-se principalmente para o tratamento de efluentes industriais. Mais recentemente, contudo, já existem muitas unidades desses reatores operando em caráter de pesquisa ou em “ escala real” , recebendo esgotos sanitários como afluente. Os aspectos positivos do processo anaeróbio, quando comparados com a maioria das alternativas em que se empregam o processo aeróbio, são: a) Não há necessidade de instalação de equipamentos mecânicos; b) Não há demanda de energia elétrica para aeração; c) A produção e lodo é muito menor (1/3 a 1/5 de volume geralmente produzido em processo aeróbio) e d) Há produção de gás combustível que eventualmente pode ser economicamente utilizado. Figura 1 - Esquemas Simplificados de Reatores Anaeróbios: Reator Anaeróbio de Manta de Lodo (I); Reator de Leito Fluidificado (II); Reator Anaeróbio com Chicanas (III); Filtro Anaeróbio (IV). Ainda não existem critérios universalmente definidos para o dimensionamento desses reatores, nem modelos matemáticos que possam ser utilizados para projetos que, em função de parâmetros cinéticos das condições ambientais, da hidrodinâmica dos reatores e das características dos esgotos sanitários, permitam uma previsão segura da eficiência que será alcançada. No caso específico de reatores de manta de lodo, o acompanhamento operacional tem demonstrado que a estabilidade do processo é prejudicada à medida que se diminui o tempo de detenção hidráulica. Sistemas em operação têm resultado em eficiência predominante na faixa de 40 a 75%. No que concerne ao uso de reatores compartimentados, a maior parte das pesquisas concentra-se em estudos de laboratório. As únicas unidades em escala real no Brasil, até o presente, foram projetadas pela Escola de Engenharia de São Carlos - USP e sua eficiência tem variado preponderantemente na faixa de 50 a 80%, em termos de remoção de DBO. Assim, apesar de terem enorme potencialidade de uso, tem-se de prever pós-tratamento para os efluentes desses reatores quando tratando esgotos sanitários; pelo menos quando se consideram os atuais conhecimentos sobre a concepção desses reatores. Talvez em futuro próximo, modificações nessas unidades permitirão a obtenção de eficiências maiores. Entre as alternativas para tratamento complementar, incluem-se: a) lagoas facultativas; b) lagoas de alta taxa; c) lagoas aeradas (com retenção do lodo produzido); d) reator de leito fluidificado; e) disposição no solo; f) lodos ativados; g) filtro biológico aeróbio; h) tratamento físico-químico, etc.. Até o presente, aparentemente, as soluções (com pós-tratamento) que mais estão sendo projetadas são pertinentes ao uso de lodos ativados (com pós-tratamento), porém nos meios técnico-científicos já existem vários profissionais que estão tendo sua atenção direcionada para o tratamento físico-químico. Na Escola de Engenharia de São Carlos - USP, vêm sendo realizadas muitas pesquisas sobre todos os tipos de reatores aqui mencionados, e também sobre diversas alternativas de pós-tratamento. Em particular, como póstratamento foram estudados: lodos ativados, filtro biológico aeróbio e tratamento físico-químico (empregando-se flotação por ar dissolvido), que é o objeto do presente trabalho. O uso de reatores anaeróbios seguidos por reatores que empregam o processo biológico aeróbio ou tratamento físico-químico tem resultado em concepções que redundam em grandes vantagens em relação às concepções que se fundamentam essencialmente no processo aeróbio, tais como, menores custos de operação e manutenção, menor consumo de energia elétrica e, geralmente, na menor produção de lodo. Por outro lado, a desinfecção de esgotos tratados também tem merecido atenção, principalmente no que concerne aos problemas decorrentes do uso do cloro e de seus derivados. Na EESC-USP, desde o início da década de 80 vem sendo pesquisado o uso de radiação ultravioleta (foram produzidos 2 mestrados e um doutorado) com excelentes resultados, para tempo de detenção da ordem de 1 min e com custos plenamente aceitáveis. Neste trabalho é feita uma abordagem sobre proposta para tratamento de esgotos sanitários, envolvendo o uso de reator anaeróbio compartimentado, seguido por sistema de flotação por ar dissolvido. Embora de maneira superficial, também enfoca-se a desinfecção dos esgotos tratados, empregando-se radiação ultravioleta. Evidentemente, para comunidades de população muito pequena (população menor que 3000 hab.) essa solução pode deixar de ser adequada, por exigir alguns cuidados de operação, a não ser que seja um empreendimento de alto padrão que mereça investimentos para esse fim. Seu uso, contudo, pode ser expandido mesmo para cidades de grande porte. O uso de flotação por ar dissolvido, com a adição de cloreto férrico e cal, além de promover a remoção adicional de DBO, melhora de forma considerável a remoção de fósforo e de patogênicos. O lodo poderá receber a adição de cal (pH > 12) para efetuar sua desinfecção, ficando seu uso, na agricultura totalmente liberado, após um adequado período de repouso. FLOTAÇÃO POR AR DISSOLVIDO (FAD) A F.A.D. constitue hoje técnica de separação de fases bastante consagrada em diversos tipos de aplicações noo campo de Saneamento Ambiental. Nessa área a F.A.D. tem-se destacado como parte dos sistemas de tratamento de águas residuárias gerados em diversos tipos de indústrias, tais como, de papel e celulose, petrolífera, tintas, óleos vegetais e alimentícia em geral. Mais recentemente, a flotação tem sido empregada também como bastante sucesso na clarificação de águas para abastecimento, em substituição aos decantadores.Além de apresentar bom desempenho como processo de separação de fases, a flotação apresenta algumas vantagens adicionais em relação à sedimentação, podendo-se citar; i) possibilidade de arraste, pelas microbolhas de gás, de parcela de substâncias voláteis porventura presentes na água; ii) possibilidade de oxidação de íons metálicos dissolvidos na água, como o ferro por exemplo; iii) produção de lodo com elevado teor de sólidos na superfície do flotador, podendo chegar a valores de até 12%, dependendo do tipo de dispositivo de coleta utilizado e das características da dispersão; iv) constitue processo de alta taxa, resultando em unidades compactas e versáteis, que possibilitam bom nível de controle operacional através do monitoramento da quantidade de ar fornecida ao processo.Em vista de tais atributos, a flotação tem merecido a atenção de diversos pesquisadores de área de saneamento, os quais vem desenvolvendo investigações a respeito dos diversos parâmetros que influem no processo, além de novas aplicações para o mesmo. Dentre tais estudiosos, pode-se citar: BRATBY (1982), ZABEL (1985), EDZWALD (1992), REALI E CAMPOS (1993 e 1995). No presente trabalho, propõe-se a utilização da flotação precedida de coagulação química como póstratamento de efluentes líquidos de reatores biológicos anaeróbios. Neste tipo de sistema, pode-se utilizar uma unidade de flotação por ar dissolvido como aquela mostrada na Figura 2. De acordo com a Fig. 2, o efluente do reator anaeróbio compartimentado, após receber o coagulante, é encaminhado para unidade de flotação (dotada de agitador lento mecanizado). Em seguida ao processo de floculação, o despejo líquido tem acesso à unidade de flotação por ar dissolvido, onde, logo na entrada, é misturado ao líquido de recirculação, proveniente de câmara de saturação. O líquido de recirculação é distribuído ao longo da largura do flotador através de dispositivos de despressurização, responsáveis pela precipitação das microbolhas de ar que atuarão como agentes da flotação. Dessa forma, as microbolhas colidindo e aderindo aos flocos previamente formados aumentam o seu empuxo, provocando o deslocamento dos mesmos em direção à superfície da unidade de flotação, formando uma camada de lodo flotado. Esse lodo é então encaminhado, por intermédio dos rapadores de superfície, em direção à canaleta de coleta existente na extremidade do flotador, de onde é retirado para destinação final adequada. O fundo do flotador pode ser construído com a forma de tronco de pirâmide dotado de tubulações de descarga, com a finalidade de acumular os sólidos que porventura venham a sedimentar. Por sua vez, o líquido clarificado, escoando por baixo de um anteparo de saída, é coletado através de vertedores apropriados e encainhado para fora da unidade constituindo o efluente final tratado. Uma pequena parcela do efluente tratado é 2 encaminhada através de uma bomba de alta pressão (de 4,0 a 5,5 kgf/cm ), para o interior da câmara de saturação. Nessa câmara, ocorre a mistura de ar comprimido, com consequente dissolução do mesmo à massa líquida (à alta pressão), a qual é subsequentemente misturada à água floculada, conforme descrito anteriormente. Figura 2 - Sistema de floculação e flotação por ar dissolvido FLUXOGRAMA PROPOSTO PARA TRATAMENTO ANAERÓBIO SEGUIDO DE TRATAMENTO FÍSICO QUÍMICO A Figura 3 apresenta fluxograma para tratamento de esgotos sanitários, envolvendo o emprego de um reator anaeróbio seguido por sistema de flotação por ar dissolvido. Essa idéia fundamentou a programação dos ensaios objeto do presente artigo.O uso de cloreto férrico, em vez de sulfato de alumínio, por exemplo, deve ser valorizado, pois a presença de ferro em lodos não redunda em aspectos negativos como aqueles decorrentes da presença de sulfato de alumínio, pois o alumínio é muito danoso ao solo, e também pode provocar malefícios aos seres vivos, caso ocorra sua ingestão. Figura 3 - Fluxograma do tratamento de esgotos sanitários empregando reator anaeróbio seguido por sistema de flotação MATERIAIS E MÉTODOS Os ensaios foram realizados empregando-se equipamento de bancada tipo “ batch” (Flotateste) constituído de quatro câmaras de floculação/flotação e uma câmara de saturaçào pressurizada, conforme mostrado na Figura 4. Deve-se salientar que tais ensaios constituem apenas um estudo preliminar realizado com vistas à avaliação da potencialidade do emprego de pós-tratamento por coagulação/flotação do efluente de reatores anaeróbios. Este estudo preliminar serviu de base para a programação de pesquisa mais aprofundada, a nível de mestrado, atualmente em desenvolvimento no Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos - USP - Brasil. Dessa forma, o presente trabalho não apresenta muito rigor metodológico no que se refere à otimização dos parâmetros de coagulação (melhor tipo de coagulante, dosagens ótimas e valor ótimo de pH) e de flotação (quantidade ótima de ar, taxas, etc..); tendo sido avaliadas apenas algumas dosagens de cal hidratada e cloreto férrico como coagulantes. O despejo líquido estudado foi coletado na saída de um reator anaeróbio compartimentado, com volume de 11,0 m3 e tempo de detenção hidráulica de 12 h, existente na EESC-USP. (Ver Figura 1-III). Durante todos os ensaios foram mantidos fixos os seguintes parâmetros: i) mistura rápida: 30 s com gadiente médio de velocidade (G) em torno de 600 s-1; ii); foculação: 20 min com G em torno de 40 s-1; iii) Flotação: amostras foram coletadas após 7 min., tendo sido empregada uma porcentagem de recirculação (fração volumétrica) de 20%, saturada à pressão de 450 kPa (22 oC). Figura 4 - Instalação de flotação por ar dissolvido em escala de laboratório (Flotateste) RESULTADOS Na Tabela 1 apresentam-se os resultados dos ensaios de flotação efetuados empregando o efluente do reator anaeróbio, como amostra bruta. Tabela 1 - Resultados dos Ensaios de Flotação Efetuados Empregando o Efluente do Reator Anaeróbio, como Amostra Bruta 1a Amostra Tipo de Coag. (mg/l) Dosag. de Coag. (mg/l) pH Turb. (ut) DQO (mg/l) DBO5 (mg/l) NTK (mg/l) Fosfato Total (mg/l) AFL. Flot-1 A-1 - - 7,0 66,0 160 40 43 Cloreto Férrico Cloreto Férrico Sulfato de Alumínio Sulfato de Alumínio Cal Cal 80 6,6 20 96 20 50 6,9 23 92 80 6,8 25 50 6,8 150 900 Cal/ Cl. Férrico Cal/ Cl. Férrico Cal/ Cl. Férrico Cal/ Cl. Férrico B-1 C-1 D-1 E-1 F-1 AFL. Flot.-2 A-2 2a B-2 C-2 D-2 AFL. Flot.-3 A-3 3a B-3 C-3 D-3 Cal/ Cl. Férrico Cal/ Cl. Férrico Cal/ Cl. Férrico Cal/ Cl. Férrico Eficiência de Remoção (%) Fosf. DQO DBO5 Turb. Total Sól. Susp. Fixos (mg/l) 18 Sól. Susp. Voláteis (mg/l) 43 Col. Totais (NMP) Col. Fecais (NMP) Sól. Susp. Totais SSV 17,7 Sól. Susp. Totais (mg/l) 61 1,1 x 107 1,1 x 107 - - - - - - - 37 8,1 30 12 18 2,4 x 107 2,4 x 107 51 58 54 40 50 70 14 26 40 10,7 32 10 22 0,46 x 107 0,46 x 107 48 49 40 43 35 65 7 88 17 40 9,3 31 11 20 0,43 x 107 0,43 x 107 49 53 48 45 58 62 7 27 100 21 40 12,3 37 11 26 0,24 x 107 0,24 x 107 39 40 31 38 48 59 7 9,3 12,0 22 04 90 52 16 02 37 32 6,5 0,5 28 33 04 24 24 09 43 93 23 43 54 46 44 79 64 97 44 68 60 95 67 94 14 20 - 6,7 47 320 94 49 19,80 38 10 28 4,2 x 106 1,0 x 106 - - - - - - - 20/40 7,0 19 98 60 40 10,0 26 07 19 1,4 x 105 7,3 x 104 32 32 49 69 36 60 18 30/60 6,8 17 89 34 34 7,6 29 09 20 2,0 x 105 6,2 x 104 24 29 62 72 64 64 31 40/80 6,8 14 88 55 34 4,8 26 04 22 2,0 x 105 2,54 x 104 32 21 76 73 41 70 31 5 21 14 84 73 73 70 49 1,5 x 10 4 NTK 50/100 6,8 14 86 25 25 3,2 30 06 24 2,0 x 10 - 6,7 75 346 98 46 21,0 68 10 58 4,2 x 106 1,0 x 106 - - - - - - - 5 5 0,0 0,0 22 53 39 27 39 80/0,0 7,4 55 162 60 28 16,3 92 20 72 2,0 x 10 2,0 x 10 80/20 7,2 28 114 44 25 13,0 76 16 60 2,0 x 105 2,0 x 105 0,0 0,0 38 67 55 63 46 80/40 7,2 23 112 57 28 10,4 48 20 28 2,0 x 105 2,0 x 105 29 52 50 68 42 69 39 80/60 7,2 20 107 31 28 7,4 72 16 56 1,7 x 105 1,4 x 105 0,0 3 65 69 68 73 39 DISCUSSÃO E CONCLUSÕES O sistema, constituído como mostrado na Figura 1, empregando o reator anaeróbio de chicanas (11 m3, tempo de detenção hidráulica de 12 h), flotação por ar dissolvido (escala de bancada) e desinfecção com radiação ultravioleta (escala piloto), demonstrou ter potencialidade de promover remoção de DBO superior a 85% e de coliformes fecais superior a 99,999%. A remoção de P e de N no reator anaeróbio resultou muito pequena, sendo que a maior parte desses nutrientes foi removida no sistema de flotação, conforme, explicitado nos parágrafos seguintes. O uso de cal, sem a aplicação de outro coagulante resultou umas das maiores eficiências na remoção de SSV, Fósforo, DQO, DBO e Turbidez. Os resultados relativos à remoção de coliformes fecais, totais foram impressionantes. Para a dosagem de 150 mg/l, por exemplo, o número mais provável de coliformes fecais foi reduzido de 1,1 x 107 para 23 e de coliformes fecais, de 1,1 x 107 para 43. O pH relativo a essa dosagem foi de 9,3, o que significa que, para o caso seria interessante a opção por dosagens menores. Quando foi aplicada dosagem de cal de 80 mg/l, a eficiência do processo foi bastante prejudicada. Esse fato sugere que a cal tem excelente potencialidade para aplicação no pós-tratamento físico químico, porém a dosagem mais adequada deve ser pesquisada para que se obtenha a maior eficiência possível, sem incorrer nos aspectos negativos de se obter um efluente muito alcalino. Aparentemente, o melhor resultado foi conseguido quando foram empregadas dosagens de cal e de cloreto férrico, respectivamente iguais a 50 e 100 mg/l. A remoção de DQO e de DBO, nesse caso alcançou o valor de 73%. As remoções de fósforo e de nitrogênio (NTK) resultaram respectivamente iguais a 84% e 49%. A remoção de coliformes fecais foi de 98,5%, menor do que a obtida com a cal empregando a dosagem de 150 mg/l. Note-se que, além de se promover remoção de parcela considerável de DBO e de DQO, o uso de coagulantes adequados (cal ou cloreto férrico + cal) permite que se atinja valores de remoção de fósforo que dificilmente seriam alcançados por processos biológicos. 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