UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP VICE-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO OS ESTADOS DE ORGANIZAÇÃO DE REDES DE NEGÓCIOS: DISCUSSÃO E EXEMPLOS DAS REDES NAS QUAIS ESTÃO PRESENTES AS COOPERATIVAS HABITACIONAIS DE SÃO PAULO Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Administração da Universidade Paulista – UNIP para obtenção do título de Mestre em Administração. JOSÉ ROBERTO GAMBA SÃO PAULO 2014 UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP VICE-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO OS ESTADOS DE ORGANIZAÇÃO DE REDES DE NEGÓCIOS: DISCUSSÃO E EXEMPLOS DAS REDES NAS QUAIS ESTÃO PRESENTES AS COOPERATIVAS HABITACIONAIS DE SÃO PAULO Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Administração da Universidade Paulista – UNIP para obtenção do título de Mestre em Administração. Orientador: Prof. Dr. Ernesto Michelangelo Giglio. Área de Concentração: Estratégia e seus Formatos Organizacionais. Linha de Pesquisa: Gestão em Redes de Negócio. JOSÉ ROBERTO GAMBA SÃO PAULO 2014 Gamba, José Roberto. Os estados de organização de redes de negócios: discussão e exemplos das redes nas quais estão presentes as cooperativas habitacionais de São Paulo. / José Roberto Gamba - 2014. 208 f.: il. + CD-ROM. Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Paulista, São Paulo, 2014. Área de Concentração: Estratégia e seus Formatos Organizacionais. Orientador: Prof. Dr. Ernesto Michelangelo Giglio. 1. Redes. 2. Sociedade em rede. 3. Cooperativismo habitacional. I. Título. II. Giglio, Ernesto Michelangelo (orientador). JOSÉ ROBERTO GAMBA OS ESTADOS DE ORGANIZAÇÃO DE REDES DE NEGÓCIOS: DISCUSSÃO E EXEMPLOS DAS REDES NAS QUAIS ESTÃO PRESENTES AS COOPERATIVAS HABITACIONAIS DE SÃO PAULO Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Administração da Universidade Paulista – UNIP para obtenção do título de Mestre em Administração. Aprovada em: Banca Examinadora __________________/_____/_________ Prof. Dr. Ernesto Michelangelo Giglio Universidade Paulista – UNIP __________________/_____/_________ Prof. Dr. Renato Telles Universidade Paulista – UNIP __________________/_____/_________ Prof. Dr. Denis Donaire Universidade Municipal de São Caetano – USCS AGRADECIMENTOS A Deus, por iluminar o meu caminho, dando-me força, determinação e ousadia para lutar pelos meus sonhos. À minha esposa, filhas, genros e netos, companheiros eternos de minha vida, por todo o amor e paciência imprescindíveis para que eu pudesse me dedicar aos meus estudos e projetos, alçando voos ainda maiores. À UNIP, em particular ao Departamento de Pós-Graduação em Administração, à Coordenação do Curso, aos seus funcionários, por todo o suporte institucional que me proporcionaram enquanto estudei nessa academia. Aos Doutores Professores Ademir Antônio Ferreira, Arnaldo Luiz Ryngelblun, Celso Augusto Rímoli, Flavio Horneaux Junior, Flávio Romero Macau, João Mauricio Gama Boaventura, João Paulo de Lara Siqueira, José Celso Contador (meu tutor), Júlio Araújo Carneiro da Cunha, Luciana Onusic, Nádia Wacila Hanania Vianna, Pedro Lucas de Resende Melo, Renato Telles e Roberto Bazzaníni. Em particular ao meu orientador, Professor Ernesto Michelangelo Giglio, cuja competência científica me permitiu trilhar caminhos, viajando comigo na busca do conhecimento, na experiência dos congressos, seminários e artigos publicados, sendo durante essa viagem a bússola teórico-metodológica que indicou a direção, os objetivos e o GPS, fornecendo informações precisas e a segurança indispensável para ultrapassar os obstáculos do percurso, sendo o guia capacitado e dedicado que cruzou as fronteiras do acompanhamento e proporcionou uma verdadeira aventura, odisseia capaz de elevar o aprendiz ao título de mestre. Ao Doutor e Professor Denis Donaire, da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, que gentilmente aceitou fazer parte de minha banca. Aos Doutores, Professores e autores Moisés Villamil Balestro, Alsones Ballestrin, Nelson Casarotto, Gilberto Martins, Mario Sacomano Neto, Jorge Renato Vershore e Hélio Zanquetto Filho, que se propuseram a analisar e validar meus instrumentos de pesquisa. Aos colegas do Mestrado, companheiros dessa viagem, em particular e em especial à Ivete e ao Galdino, pelos laços de amizade que criamos, finais de semana dedicados aos trabalhos, viagens a congressos e seminários e, principalmente, pela confiança e palavras de incentivo que criamos entre nós e que transcenderam as esferas acadêmicas, emaranhando-se em nossa vida social e profissional. Aos atores das redes analisadas, cujos depoimentos foram de suma importância na resposta da pergunta de pesquisa. A meus amigos professores e alunos, que se dispuseram a trabalhar com meus projetos, desenvolvendo temas sobre clusters e redes de negócio, contribuindo para a divulgação dos mesmos junto a outras universidades. E, finalmente, a todos os demais viajantes que encontrei ou que me encontraram no meio do caminho; sem dúvida, exerceram influências significativas para pesquisador. A todos, o meu muito obrigado. meu crescimento científico e de DEDICATÓRIA A todos os pesquisadores que buscam através do saber científico uma forma de criar ou desenvolver instrumentos de análise para compreender e interpretar a complexidade do fenômeno estudado. GAMBA, 2014. PENSAMENTO A sociedade em rede é definida como relacionamentos entre atores conectados, imbricados em diversos laços e nós, cujas relações sociais facilitam a troca de recursos, experiências e conhecimentos. Esse novo paradigma constitui a nova morfologia social de nossas sociedades, e a difusão da substancial a operação e lógica de redes os resultados dos de experiência, tecnologia, poder e cultura. CASTELLS modifica de forma processos produtivos, RESUMO O objetivo deste trabalho é analisar a configuração dos estados de redes de negócios. Por estado de rede se entendem os arranjos dos atores dos negócios, em uma análise transversal, ou seja, o modo, a forma, a condição de complexidade pelos quais a rede se encontra e como está disposta em determinado momento. A proposição orientadora é ser possível investigar um estado organizacional de um conjunto de empresas a partir de variáveis que hoje se encontram esparsas e isoladas na literatura, sendo elas: manifestações da interdependência, sinais de presença e conteúdo de confiança, sinais de presença e conteúdo de comprometimento, natureza e solução das assimetrias, e manifestações da governança. O trabalho está fundado nas afirmativas da sociedade em rede, principalmente o argumento de que todas as organizações estão em rede. O trabalho se justifica porque, embora o tema de estados de organização das redes seja relevante, pesquisa bibliográfica prévia revelou a existência de poucos trabalhos sobre esse tópico específico. Para investigar o tema escolheu-se o ramo imobiliário, no qual se encontram as cooperativas habitacionais do Estado de São Paulo. A escolha desse ramo deve-se à importância econômica e social que as cooperativas representam no que se refere à falta de moradias para a população. A pesquisa se caracteriza por ser exploratória, qualitativa, descritiva, comparativa e de casos múltiplos. Foram criados instrumentos específicos de coleta de dados, pois não se encontraram instrumentos validados, como consequência da pouca produção acadêmica sobre o tema. Foram pesquisadas cinco redes nas quais as cooperativas habitacionais estão presentes. A principal conclusão a respeito da pesquisa foi ter sido possível construir estados de configuração de redes a partir das variáveis propostas. As variáveis manifestações da interdependência, sinais de presença e conteúdo de confiança, sinais de presença e conteúdo de comprometimento, natureza e solução das assimetrias e manifestações da governança mostraram-se capazes de construir o estado de configuração de uma rede e diferenciar estados entre distintas redes. As cinco redes investigadas convergiram no seu estado de rede caracterizado pela governança formal, por ligações racionais entre as organizações e pela existência de um subgrupo com relações mais sociais, que são os atores cooperativas e os atores cooperados. A Rede A se caracteriza por um predomínio burocrático, de relações formais, cujo estágio atual é estacionário e latente, enquanto a Rede E também tem governança formal, mas apresenta relações sociais e ações coletivas, demonstrando ser uma rede em evolução e transformação. O trabalho indica um benefício teórico nas afirmativas sustentadas sobre o estado de rede, conceito pouco investigado na literatura brasileira. O conceito busca ir além da estrutura, pois engloba os conteúdos das transações. O benefício metodológico consiste em oferecer um conjunto de instrumentos de coleta de dados com itens especialmente construídos para este trabalho. Por seu ineditismo, os conteúdos dos instrumentos necessitam de refinamento, alguns dos quais foram sugeridos na forma de novas pesquisas. Palavras-chave: Redes, Sociedade em Rede, Estados de Organização de Rede, Cooperativismo Habitacional. ABSTRACT The objective of this work is to analyze the configuration of the state’s business networking. It is understood by the network status of the business arrangements of the actors in a crosssectional analysis, i.e., the mode shape, the condition of complexity by which the network is and how it is disposed at a given time. The guiding proposition is that it is possible to investigate an organizational state of a set of companies from variables that are sparse and isolated in the literature today, they are: manifestations of interdependence, signs of presence and contents of confidence, signs of presence and content of commitment, nature and resolution of asymmetries, manifestations of governance. The work is founded on assertions of the network society, especially the argument that all organizations are networked. The work is justified because, although the topic of states of organization of the network is relevant, previous literature has revealed few studies on this specific topic. To investigate the theme we chose the real estate where housing cooperatives in the state of São Paulo. The choice of this branch is due to the economic and social importance that cooperatives represent with regard to the lack of housing for the population. The research is characterized as exploratory, qualitative, descriptive, comparative and multiple cases. Specific data collection instruments were created, since no validated instruments were found because of little academic research on the subject. Five networks in which housing cooperatives are present were surveyed. The main conclusion about the research was to have been possible to build configuration states of networks based on the proposed variables. The variable manifestations of interdependence, signs of presence and contents of confidence, signs of impairment and content, nature and resolution of asymmetries and manifestations of governance proved to be able to build the configuration state of a network and differentiate between different network states. The five investigated converged networks on your network condition characterized by formal governance through rational links between organizations and by the existence of a subgroup with more social relationships, which are the actors unions and the cooperative actors. Network A is characterized by a bureaucratic dominance of formal relations, whose current state is stationary and dormant, while the network and also has formal governance, but has social relations and collective actions, proving to be a network evolution and transformation. The work indicates a theoretical benefit in the affirmative sustained on the state of network concept seldom investigated in Brazilian literature. The concept seeks to go beyond the structure, as it covers the contents of the transactions. The methodological benefit is to provide a set of instruments for data collection with items specially constructed for this work. For its uniqueness content of the instruments, require refinement, some of which were suggested in the form of new research. Keywords: Network, Network Society, United Organization Network, Cooperative Housing. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1. Fluxograma de um estudo de casos múltiplos 59 Quadro 1. Pesquisa sobre produção internacional do tema de redes centrada na construção cooperada Quadro 2.Pesquisa sobre produção brasileira do tema de redes centrada na construção cooperada Quadro 3. Comparativo dos três paradigmas sobre redes de negócios, em seus princípios e variáveis Quadro 4. Variáveis mais citadas que caracterizam o estado de redes 23 Quadro 5. Conceitos sobre estágios e estados de redes 43 Quadro 6. Indicadores de cinco variáveis que caracterizam o estado de redes 52 Quadro 7. Validação dos indicadores 66 Quadro 8. Dados secundários sobre as redes do negócio de construção cooperada 68 Quadro 9. Dados secundários da Rede A 80 Quadro 10. Dados secundários da Rede B 92 Quadro 11. Dados secundários da Rede C 108 Quadro 12. Dados secundários da Rede D 120 Quadro 13. Dados secundários da Rede E 133 26 37 38 Tabela 1. Respostas do questionário sobre a Rede A 84 Tabela 2. Respostas do questionário sobre a Rede B 98 Tabela 3. Respostas do questionário sobre a Rede C 112 Tabela 4. Respostas do questionário sobre a Rede D 124 Tabela 5. Respostas do questionário sobre a Rede E 137 LISTA DE ABREVIATURAS ACI Aliança das Cooperativas Internacional BMF Bolsa de Mercadorias e Futuro BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNH Banco Nacional de Habitação BOVESPA Bolsa de Valores do Estado de São Paulo CDHU Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano CMN Conselho Monetário Nacional CREA Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia CRECI Conselho Regional de Corretores de Imóveis CVM Comissão de Valores Monetários FGV Fundação Getúlio Vargas IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INOCOOP Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada OCB Organização das Cooperativas do Brasil OCESP Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo ONG Organização Não Governamental ONU Organização das Nações Unidas PIB Produto Interno Bruto PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio PNH Plano Nacional de Habitação SESCOOP Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo SINDICOOP Sindicato dos Cooperados SINDICOOPERATIVAS Sindicato das Cooperativas Habitacionais UNISOL União e Solidariedade das Cooperativas SUMÁRIO INTRODUÇÃO 16 1. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE REDES TENDO COMO ESCOPO O 22 RAMO IMOBILIÁRIO 1.1. Literatura internacional sobre o tema de redes com foco na construção 22 cooperada 1.2. Literatura brasileira sobre o tema de redes com foco na construção cooperada 25 1.3. Conclusões sobre a tendência e o leque de temas de pesquisas sobre redes 27 com foco na construção cooperada 1. 2. CONCEITOS DE REDES 30 2. 32 3. 2.1. Paradigmas de Redes 2.1.1. Paradigma racional econômico 33 2.1.2. Paradigma social 34 2.1.3. Paradigma da sociedade em rede 35 3. DISCUSSÕES SOBRE O ESTADO DE REDES 41 3.1. Afirmativa dos estados de redes 44 3.2. Variáveis que contribuem para o estado da rede 47 3.3. Definição operacional das variáveis 49 4. METODOLOGIA 54 4.1. Plano da pesquisa 55 4.2. Protocolo 57 4.2.1. Objetivo 58 4.2.2. Escopo 58 4.2.3. Tipo de Pesquisa 59 4.2.4. Sujeitos 60 4.2.5. Instrumentos de coletas de dados 60 4.2.6. Formas e instrumentos de análise 61 5. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS 63 5.1. Dados sobre as cooperativas habitacionais no Brasil 63 5.2. Apresentação dos dados da pesquisa de validação dos indicadores 65 5.3. Dados secundários sobre o negócio de construção cooperada no Brasil 67 5.4. Apresentação dos dados da Rede A 79 5.4.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede A 79 5.4.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede A 84 5.4.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede A 86 5.4.4. Resposta ao problema de pesquisa 90 5.5. Apresentação dos dados da Rede B 91 5.5.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede B 92 5.5.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede B 98 5.5.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede B 100 5.5.4. Resposta ao problema de pesquisa 107 5.6. Apresentação dos dados da Rede C 108 5.6.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede C 108 5.6.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede C 112 5.6.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede C 114 5.6.4. Resposta ao problema de pesquisa 119 5.7. Apresentação dos dados da Rede D 120 5.7.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede D 120 5.7.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede D 124 5.7.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede D 126 5.7.4. Resposta ao problema de pesquisa 132 5.8. Apresentação dos dados da Rede E 133 5.8.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede E 134 5.8.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede E 137 5.8.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede E 139 5.8.4. Resposta ao problema de pesquisa 144 6. ANÁLISE DOS RESULTADOS 146 6.1. Sobre a Rede A 146 6.2. Sobre a Rede B 146 6.3. Sobre a Rede C 147 6.4. Sobre a Rede D 147 6.5. Sobre a Rede E 148 6.6. Resposta ao problema de pesquisa sobre os estados atuais de organização 148 das redes 7. COMENTÁRIOS FINAIS 153 7.1. Resposta ao problema de pesquisa 158 7.2. Comentários sobre a teoria de base 159 7.3. Comentários sobre a metodologia 159 7.4. Comentários sobre os resultados 160 7.5. Limites do trabalho 161 7.6. Propostas de pesquisas 162 7.7. Comentário final 165 REFERÊNCIAS 166 ANEXOS 181 16 INTRODUÇÃO O objetivo deste trabalho é analisar a configuração dos estados de redes de negócios. São compreendidos por estado de rede os arranjos dos atores dos negócios, em uma análise transversal, ou seja, o modo, a forma, a condição de complexidade pelos quais a rede se encontra e como está disposta em determinado momento. A proposição orientadora é ser possível investigar um estado organizacional de um conjunto de empresas a partir de variáveis que hoje se encontram esparsas e isoladas na literatura. As variáveis são manifestações da interdependência, sinais de presença e conteúdo de confiança, sinais de presença e conteúdo de comprometimento, natureza e solução das assimetrias e manifestações da governança. A construção de um modelo que organiza essas variáveis é uma das propostas da dissertação. Existem esforços de conjunção das variáveis. Conforme Polanyi (1947), a imersão é fator importante no estado de redes. O autor considera que as diferentes formas de integração econômica são conectadas por determinadas condições estruturais e institucionais. Esse enfoque procura compreender como a estrutura social afeta a vida econômica, procurando fazer contraponto à teoria neoclássica que desconsidera a influência das relações sociais nas transações econômicas. Segundo Tichy, Tushmam e Fombrum (1979, p. 510), Giglio e Kwasnicka (2005), análises bibliográficas sobre o tema de redes indicam a existência de dois paradigmas, o racional-econômico e o social. A partir das afirmativas de Castells (1999), aceita-se que existe um terceiro paradigma, denominado a sociedade em rede, com a assertiva básica de haver nova forma de sociedade, fundada nas relações em rede, o que inclui as relações de negócios. A expressão aparece em trabalhos sobre redes. Begnis (2005, p.13) afirma que os estudos sobre os relacionamentos cooperativos entre organizações a partir de 1997 avançam com o auxílio do novo enfoque apresentado pela Teoria das Sociedades em Redes. Para Gimeno (2004), a proposição de que toda sociedade está em rede e que seus atores estão em constantes relacionamentos entre organizações é motivo de pesquisas sobre redes e seus estados organizacionais. No paradigma social encontram-se variáveis de relacionamentos que determinam o comprometimento de cada ator nas ações coletivas, isto é, sua disposição em se mostrar como agente de desenvolvimento do grupo, colocando objetivos coletivos acima dos pessoais. Conforme se defende neste trabalho, essas variáveis de relacionamento estão estreitamente vinculadas ao estado de organização de uma rede, o que inclui variáveis como cooperação e 17 controles sociais do comportamento oportunista. Nessa linha de argumentação encontra-se um conjunto significativo de trabalhos. Na verdade, o assunto sobre os relacionamentos nas redes de negócios é cada vez mais investigado na teoria organizacional, principalmente na Europa e Estados Unidos (GRANOVETTER, 1985, LARSON, 1992, GRANDORI e SODA, 1995 e BUTLER, 2010). No Brasil, o interesse pelo tema de organização das redes é mais recente, o que resulta em pouca discussão teórica, comparativamente à produção internacional (CARRIERI, 2001; WITTMANN, NEGRINI, VENTURINI e VIZEU, 2003; SCHMITT e SILVA, 2004; CARNEIRO DA CUNHA, 2006 e BALESTRIN, 2010). Entre os temas de redes mais recorrentes na literatura brasileira que investigam as inter-relações podem ser citados nascimento de redes, conflitos de interesses, governança, confiança, cooperação e comprometimento. Estudos, a exemplo de Hoffmann (2004), buscaram criar categorias sobre tipos de redes. Trabalhos como os de Grandori e Soda (1995) e Castells (1999) mostram que o formato de redes pode ser eficaz para o alcance dos objetivos individuais e coletivos, como inovação e poder de negociação. Na dinâmica do desenvolvimento das redes ocorre um complexo ordenamento de relacionamentos, em que os atores estabelecem inter-relações sob diferentes formas, em distintos contextos, estabelecendo ambiente favorável às inovações, ao compartilhamento de informações, conhecimentos, habilidades e recursos essenciais à atividade organizacional. Balestrin e Vargas (2004), ao afirmar que as organizações em redes mantêm interações e interdependência entre si, demonstraram que as variáveis sociais são as que mais influenciam as relações de negócios, como troca de informação, conhecimento e aprendizagem, tendo como variáveis essenciais cooperação e comprometimento. Considerando a relevância das variáveis sociais na organização de redes, o objetivo deste trabalho é demonstrar como se organizam e se inter-relacionam certas variáveis selecionadas para a configuração de um estado de rede a partir de uma matriz de variáveis dos três paradigmas, utilizando como exemplo as redes nas quais estão imersas as cooperativas habitacionais. Leituras prévias levaram à construção da proposição primária, segundo a qual é possível inferir uma configuração de estado de rede a partir de um conjunto de variáveis hoje esparsas na literatura. O trabalho se justifica porque, embora o tema de organização das redes seja relevante, pesquisa bibliográfica revelou a existência de poucos trabalhos com a expressão específica de estados de redes. Na verdade, conforme informações do item seguinte, a busca de artigos a 18 partir de cruzamentos de expressões resultou em nenhuma indicação. Para investigar o tema escolheu-se o ramo imobiliário, mais especificamente o segmento de construção de imóveis no sistema cooperativo, do qual participam as cooperativas habitacionais do Estado de São Paulo. A escolha do segmento deveu-se à importância econômica e social que as cooperativas representam no que se refere à falta de moradias para a população, além do interesse propriamente teórico de analisar uma rede em uma atividade em que a palavra cooperativa é a dominante. A pesquisa se caracteriza por ser exploratória, qualitativa, descritiva, comparativa e de casos múltiplos. Foram criados instrumentos específicos de coleta de dados, pois o pequeno número de artigos encontrados não apresentou instrumentos validados. A afirmativa teórica básica é o princípio de que a sociedade está estruturada na forma de redes (CASTELLS, 1999), em intrincada teia de relações de consumo, poder, produção e experiências, em aspecto diferente do formato social anterior de pequenos grupos. Segundo Nohria e Ecles (1992), todas as empresas estão em rede, utilizem ou não conexões, de conglomerados a pequenas empresas empreendedoras. Três são os pontos listados por esses autores para o aumento do interesse nas redes: emergência de onda de fusões, aquisições e parcerias; desenvolvimento de tecnologias de comunicação, permitindo conexões antes difíceis; interesse dos acadêmicos pelo tema. Complementando os conceitos de Nohria e Ecles (1992), Castells (1999) afirma que o formato organizacional atual é o de redes, mesmo que os participantes não tenham consciência de suas conexões e não se comportem com atitudes coletivas. Como detalhamento da proposição orientadora, baseando-nos em leituras prévias e nos autores citados, entende-se que há um conjunto de variáveis importantes na configuração do estado da rede. A investigação pretende verificar se são capazes de apontar a configuração. Para Grandori e Soda (1995), são imprescindíveis os mecanismos utilizados no controle e desenvolvimento das redes, como comunicação, regras formais e informais, incentivos, seleção de parceiros, pois buscam inibir oportunismos, incrementar ações coletivas e criar sinergia entre os atores. São modos formais e informais de organizar as atividades econômicas. Os modos informais incluem o comprometimento e confiança, pois cada ator cria uma atitude de cooperação, mais do que oportunismo. Granovetter (1985) frisa que a imersão dos atores na rede, por meio das variáveis comprometimento social e econômico, é um dos fatores do estado de organização do grupo, entrelaçado com outras variáveis, como confiança e fluxo de informações. 19 Com as afirmativas dos autores, conclui-se que existem muitas variáveis para a configuração dos estados de redes, mas o trabalho pretende indicar aquelas convergentes na literatura, indicadas como as mais importantes e que geram trilhas dominantes de pesquisas na literatura brasileira. Entre as variáveis mais investigadas na literatura sobre redes, conforme pesquisa do autor, encontram-se confiança, cooperação e comprometimento, espécie de tripé de sustentação da visão social de redes. Elas são o centro dos movimentos de aproximação e distanciamento entre os atores, que cria o campo de equilíbrio e desequilíbrio da rede; outras são importantes para caracterização dos diferentes estados de organização de redes distintas. Comprometimento e confiança são dois lados da mesma moeda. Segundo Morgan e Hunt (1994), comprometimento é a crença de um dos parceiros de que o relacionamento existente é tão importante que valem a pena os esforços para mantê-lo. A confiança é a crença de um dos parceiros de que o outro se comportará da forma esperada, sem se aproveitar dos demais. Governança é igualmente fator convergente. Para Hesterly e Borgatti, (1997), Jones e George (1998), governança em rede é a forma de coordenação das atividades conjuntas, baseada em contratos formais e informais, para se adaptarem às contingências ambientais e coordenar e salvaguardar as transações por meio de mecanismos sociais e econômicos. Com o incremento das redes de negócios, as organizações são impelidas a adotar novas formas de gestão empresarial, atendendo a interesses coletivos e individuais, em movimentos de aproximações e distanciamentos dos parceiros, conforme os fluxos de sinais de cooperação, jogos de poder e comprometimento, entre outros sinais de relacionamentos. Na definição de rede como relacionamento, Todeva (2006) enfatiza que as redes de cooperação têm a capacidade de facilitar ações conjuntas e integração de recursos para alcançar objetivos comuns. Elas seriam definidas como o conjunto de transações repetidas e sustentadas por configurações relacionais e estruturais dotadas de movimentos que ultrapassam as fronteiras físicas ou geográficas que integram o local e o global, definindo as tendências da ação dos atores interconectados. Comentando sobre a necessidade de trabalho conjunto, De Souza (1993) afirma que a crescente divisão e especialização do trabalho leva à intensificação das relações e da cooperação entre empresas, ligadas por vínculos de comprometimento em busca de recursos complementares. Para Britto (2004), o conceito de rede pode ser entendido como o arranjo entre organizações baseado em vínculos sistemáticos, por vezes de caráter cooperativo, entre 20 empresas formalmente independentes, que dão origem a uma forma particular de comprometimento e coordenação das atividades econômicas. Considerando as afirmativas apresentadas sobre os variáveis presentes no estado de organização das redes e a partir de reflexões e leituras, revela-se como um dos objetivos do trabalho apresentar e defender o argumento dos estados de redes, tomando como exemplo as redes nas quais estão imersas as cooperativas habitacionais. O trabalho está estruturado da seguinte forma: Na Introdução apresenta-se o tema e discute-se o contexto em que ele se insere. São analisados argumentos que justificam a investigação, incluindo-se referências de autores clássicos. No item 1 há a revisão bibliográfica sobre o tema de redes, tendo como campo o ramo imobiliário, da habitação e de cooperativas habitacionais, buscando resgatar convergências, teorias utilizadas e formas de interpretação do tema. O item termina indicando o que se escreveu sobre redes quando estão envolvidas as cooperativas habitacionais e quais as variáveis elencadas como relevantes. No item 2 apresentam-se os fundamentos teóricos do projeto, com as afirmativas dos três paradigmas dominantes na literatura e as variáveis valorizadas em cada um deles, que são o modelo de variáveis para a pesquisa. O princípio norteador é que a sociedade atual está organizada no formato em redes e as redes de negócios são expressões dessa organização social. No item 3 discute-se o tema de estados de organização de redes, apresentando as convergências e o leque de afirmativas dos autores brasileiros e internacionais. O objetivo é explicitar as variáveis que mais contribuem para o estado de organização das redes, conforme análises das afirmativas dos três paradigmas. O item 4 apresenta a metodologia do trabalho, incluindo a descrição de características do negócio de cooperativas habitacionais escolhidas como exemplos para investigação da proposição primária e seus desdobramentos. Nos itens 5 e 6 discorre-se sobre dados coletados e resultados alcançados. O último item são os comentários finais. A estratégia básica de pesquisa centra-se no estudo transversal das redes das quais as cooperativas fazem parte. Como instrumentos de coleta utilizam-se roteiros de entrevistas, questionários e técnicas de coleta de dados secundários. Como instrumentos de análise utilizaram-se as regras técnicas de análise de discurso propostas por Carrieri e Rodrigues (2001), Carrieri e Sarsur (2002), Silva e Brito (2004), Souza e Faria (2005) e Boas (2009), e a 21 análise de conteúdo proposta por Bardin (1977), conforme se verifica em estudos sobre redes que discutiram e aplicaram as técnicas (CLEGG, HARDY E NORD, 2001, DELLAGNELO E SILVA E VERGARA, 2005, DENZIN E LINCOLN, GODOI, BANDEIRA DE MELO, SILVA e MATTOS, 2006). As contribuições esperadas ao final do trabalho são de três ordens: a) Contribuições teóricas, pois são poucos os trabalhos brasileiros que criaram modelos de estados de redes. b) Contribuições metodológicas, pois foram elaborados roteiros específicos para a investigação do estado da rede, os quais não foram ainda completamente desenvolvidos e validados na literatura nacional. c) Contribuições gerenciais, propiciando informações da organização das redes, para gerentes de redes e outros atores interessados, como o governo e instituições de fomento e desenvolvimento, terem subsídio em seu trabalho. A seguir será apresentado um trabalho de pesquisa bibliográfica sobre o tema de redes tendo como campo de estudo o ramo imobiliário. 22 1. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE REDES TENDO COMO ESCOPO O RAMO IMOBILIÁRIO Neste item serão apresentados os esforços de autores nacionais e internacionais em pesquisar o tema das configurações de redes, quando centram-se nas cooperativas, especialmente as habitacionais. Considerando que o campo de pesquisa são as cooperativas, foram incluídos os trabalhos que tratam do cooperativismo, quando ressaltam variáveis semelhantes às utilizadas nos estudos sobre redes. Ao final pretende-se demonstrar que a tendência da literatura é abordar os aspectos econômicos, como ganho de custos, deixando como secundárias as variáveis sociais, mas que, conforme se defende neste trabalho, são tão importantes quanto as econômicas na determinação de um estado de organização das redes. Silva (1986) define o cooperativismo, ou sociedade cooperativa, como qualquer forma de organização social ou econômica que tem por base o trabalho harmônico e conjunto. Pereira et al. (2002) valorizam os aspectos sociais, afirmando que as cooperativas são associações de pessoas, usualmente com recursos limitados, que se dispõem a trabalhar coletiva e continuamente, apresentando interesses comuns, e que, por esse motivo, formam uma organização democraticamente controlada, em que a confiança e a cooperação se tornam fatores do desenvolvimento da organização. Essas afirmativas são bem próximas das proposições do presente trabalho, pois apresentam interdependência, consciência de objetivos coletivos, presença de regras sobre igualdade dos atores e presença necessária da confiança e da cooperação. 1.1. Literatura internacional sobre o tema de redes centrado na construção cooperada Neste item são apresentados e comentados artigos sobre o tema, buscando as tendências e o leque de discussões. A pesquisa ocorreu a partir dos bancos de dados Proquest, Ebsco e Portal Spell. Como primeiro filtro buscaram-se trabalhos que continham no título ou no resumo as expressões cooperatives, housing cooperatives, cooperative networks e housing cooperative networks, encontrando-se 1.871.109. Como segundo filtro especificou-se a busca para artigos acadêmicos que continham as expressões nos títulos ou resumos, com data a partir de 1945, quando surgiram os primeiros 23 estudos sobre cooperativas habitacionais (BIERBAUM, 1985), diminuindo-se o número para 1.273.423 artigos. Como terceiro filtro especificaram-se os títulos e os resumos de artigos acadêmicos que continham as expressões e ao mesmo tempo com extensão sobre administração, ou seja, classificados como do campo da Administração, eliminando-se, portanto, artigos de campos não correlatos, como discussões de leis; o número passou a ser de 82.859. Esse número representa 4% da produção acadêmica sobre cooperativas habitacionais, específicos sobre Administração. Finalmente, como quarto filtro especificaram-se as expressões combinadas de housing cooperatives networks como trabalhos de Administração, encontrando-se 511, representando 0,004% do total. QUADRO 1. PESQUISA SOBRE PRODUÇÃO INTERNACIONAL DO TEMA DE REDES CENTRADO NA CONSTRUÇÃO COOPERADA Filtros Termos de busca 1º. Filtro Trabalhos nos quais aparecem as expressões no título ou resumo 2º. Filtro Artigos acadêmicos de 1945 em diante nos quais aparecem as expressões no título ou resumo Cooperatives, Housing cooperatives, Cooperative 1.871.109 1.273.423 networks e Housing Cooperative Networks Fonte: Construção do próprio autor (2014). 3º Filtro Artigos acadêmicos nos quais aparecem as expressões nos títulos e nos resumos, especificamente em trabalhos de Administração. 4º Filtro Artigos acadêmicos nos quais aparecem nos títulos e nos resumos as expressões housing cooperative networks, especificamente na área de Administração. 82.859 4% 511 0,004% Como se percebe, são poucos os trabalhos sobre o tema de redes de cooperativas habitacionais na perspectiva de redes, apesar da importância social, econômica e gerencial do tema. O fato motiva este trabalho, incluindo a tarefa de verificar se há tendência clara nos artigos publicados. Na sequência apresentam-se comentários sobre trabalhos que apresentaram contribuições mais relevantes ao projeto. Segundo Boettcher (1974), o motor do movimento cooperativo é a valorização do trabalho humano, e sua força de movimento são as relações de cooperação. O autor define a cooperação como ação consciente e combinada entre sujeitos com vistas a determinado fim, por exemplo o econômico, em que as atividades individuais dos sujeitos envolvidos são coordenadas mediante negociações, discussões, arranjos e acordos. 24 Viadel (1984) salienta que as cooperativas habitacionais foram formadas com o intuito de buscar elos permanentes entre as pessoas que procuravam moradias e as entidades coorporativas, que as venderiam por preços mais baixos. O autor apresenta dados sobre a importância das cooperativas habitacionais após as duas guerras mundiais. O cooperativismo era uma das poucas alternativas de construção e reconstrução para a população, fundado na união para combater um problema coletivo. Para Briganti (1988), as cooperativas habitacionais buscam cada vez mais utilizar os procedimentos das empresas privadas, mesmo com suas características distintas de entidade sem fins lucrativos, com gestão baseada nas relações de comprometimento e cooperação. Unchs (1989), Vakil (1991), Opkala (1992), Keivani, Werna e Sukumar (2001) ressaltam que os fatores essenciais para o desenvolvimento das cooperativas habitacionais são cooperação, comprometimento, facilidades de obtenção de financiamento e flexibilização dos códigos de construção e compra de terrenos. Os fatores relacionais, como se constata, estão presentes. Macpherson (1995) analisa que o cooperativismo habitacional é uma associação autônoma de pessoas que se unem voluntariamente, para satisfazer necessidades comuns e aspirações econômicas, sociais e culturais, por meio de uma empresa de propriedade coletiva e democraticamente gerida. Berger (2000) pesquisou as diferenças de envolvimento das pessoas, governo e empresas no cooperativismo habitacional da Europa Central e do Norte, concluindo que nesses países houve menos participação. Os motivos apontados pelo autor foram a urbanização atrasada e o assentamento rural. No mesmo trabalho, Berger apresenta ideias para o desenvolvimento de programas de habitação, o que incluía a cooperação e o comprometimento dos envolvidos, sociedade, empresas e governo. A tendência dos trabalhos citados é afirmar que as cooperativas são exemplos de ações coletivas, em base democrática de decisão, na qual devem predominar comprometimento e cooperação. Apresentam, portanto, eixos que definem as redes. Por outro lado, os artigos indicam que as cooperativas por vezes seguem modelos empresariais, criando uma situação de complicação em suas relações com outras organizações, pois agem como instituições sociais e, ao mesmo tempo, como players em um jogo competitivo. O duplo papel resultaria em estado especial de configuração das relações na rede na qual essas cooperativas participam. Nessa situação, analisar a configuração das redes das quais as cooperativas fazem parte é um trabalho interessante. Mais especificamente, torna-se relevante analisar os fluxos sociais 25 entre instituições que também competem entre si (como construtoras e cooperativas, competindo na captação de consumidores). A conclusão desse levantamento é que os autores convergem na afirmativa da presença de variáveis sociais de relacionamento que movem as organizações envolvidas em habitação no sistema cooperativo, ao mesmo tempo em que os objetivos financeiros e de produtos organizam a gestão dos processos e das trocas entre os participantes. No próximo item apresentam-se os resultados da busca nos bancos de dados de artigos brasileiros. 1.2. Literatura brasileira sobre o tema de redes centrado na construção cooperada Neste item apresenta-se o resultado do levantamento dos estudos sobre redes de cooperativas habitacionais na literatura brasileira; foram utilizados os bancos de dados portal Spell, Google acadêmico, portal Scielo, portal periódicos Capes e portal Enanpad. Como primeiro filtro pretendeu-se localizar os trabalhos que continham no título ou no resumo as expressões cooperativas, cooperativas habitacionais, redes de cooperativas e redes de cooperativas habitacionais; foram 28.764. Como segundo filtro especificou-se a busca para artigos acadêmicos que continham as expressões nos títulos ou resumos, com data a partir de 1945, quando surgiram os primeiros estudos sobre cooperativas habitacionais, diminuindo-se esse número para 23.721 artigos. O terceiro filtro especificou títulos e resumos de artigos acadêmicos que continham as expressões, classificados como do campo da Administração e ciências afins, eliminando-se, portanto, artigos de campos não correlatos, como discussões de leis. O número passou a ser de 387, representando 2% do total dos trabalhos a respeito de cooperativas habitacionais específicos em Administração. Finalmente, o quarto filtro especificou as expressões combinadas de cooperativas habitacionais e redes como trabalhos de administração; foram encontrados 17, o que representa 0, 0006% do total. Os dados indicam que o tema das redes em cooperativas habitacionais é pouco investigado, embora tenha sua importância social, econômica e política. 26 QUADRO 2. PESQUISA SOBRE PRODUÇÃO BRASILEIRA DO TEMA DE REDES CENTRADO NA CONSTRUÇÃO COOPERADA Filtros Termos busca de Cooperativas, Cooperativas habitacionais, Redes de cooperativas, Redes de cooperativas habitacionais 1º. Filtro Trabalhos nos quais aparecem as expressões no título ou resumo 2º. Filtro Artigos acadêmicos de 1945 em diante nos quais aparecem as expressões no título ou resumo 3º Filtro Artigos acadêmicos nos quais aparecem as expressões nos títulos e nos resumos, especificamente em trabalhos de Administração. 4º Filtro Artigos acadêmicos nos quais aparecem nos títulos e nos resumos a expressão redes de cooperativas habitacionais, especificamente na área de Administração. 28.764 23.721 387 17 0,0006 % 2% Fonte: Construção do próprio autor (2014). O primeiro estudo sobre redes e cooperativas habitacionais aparece com Pinho (1962), que afirma que nas cooperativas habitacionais no Rio Grande do Sul existe a forte presença da cooperação entre os associados e da parceria e comprometimento do governo local. No trabalho de Perrow (1992), a confiança, cooperação e comprometimento representam papel central para a cooperativa obter vantagens quando comparada às construtoras, pois se forma um ambiente favorável de trocas de informações sobre o mercado e sobre os processos, gerando vantagens competitivas, como custos e diferenciação de produto. Conforme se interpreta, o autor se refere a estados de organização das redes, quando se consideram a presença e o grau de desenvolvimento de variáveis como compartilhamento de informações e relações de longo prazo. Bonduki (1997) lembra que o cooperativismo habitacional pode ser compreendido como forma de gestão das políticas públicas e sociais, pois se funda na ação coletiva de várias instituições, do governo e da sociedade, sem fins lucrativos, e que desenvolvem atividades de caráter social de modo compartilhado com o Estado. São afirmativas coerentes com o conceito de policy networks que, segundo Borzel (2008), são redes de implantação de políticas públicas, com formas específicas de governança. Kalil (2001) ressalta que o fator preponderante para o desenvolvimento de cooperativas habitacionais no Rio Grande do Sul foi a relação social entre os cooperados. Esse trabalho merece destaque, pois afirma uma relação causal estrita entre os sinais de resultados e o 27 desenvolvimento de relações sociais. Autores como Gulati (1998) dizem que a relação não é estrita, mas retroalimentada, não sendo tão importante conhecer a ordem causal. Pereira (2003) discute a regra legal de que as cooperativas habitacionais deverão, com os associados, trabalhar com igualdade de autonomia, não sendo permitida a subordinação entre os membros diretores e associados. A regra explicita as atividades cooperativistas como decorrentes da confiabilidade, cooperação e comprometimento entre os participantes. Há aqui a noção de rede porque, além do relacionamento entre as pessoas, existe a governança dos atores, regendo a liberdade do comportamento. Segundo Santos (2005), as cooperativas habitacionais auto gestoras se caracterizam pela participação, consciência de qualidade de vida e preservação ambiental. A participação é indicativa da interdependência e consciência de ação coletiva, variáveis que caracterizam as redes. Souza e Quandt (2008) definem redes de cooperativas habitacionais como estruturas dinâmicas e complexas, com objetivos comuns e ligações descentralizadas, predominando as relações de cooperação e trocas. Reafirmando, Borzel (2008) lembra que as redes de cooperativas caracterizam-se por ter um objetivo comum, uma teia de relacionamentos estáveis, de natureza não hierárquica e interdependente, com o predomínio da cooperação. Esses autores mostram que relacionamentos estáveis, ausência de hierarquia fortemente estabelecida e existência de objetivos coletivos seriam características de redes bem organizadas. 1.3. Conclusões sobre tendência e leque de temas de pesquisas sobre redes centrados na construção cooperada Com os dados apresentados, os estudos sobre redes tendo como campo as cooperativas habitacionais podem ser reunidos em dois grandes grupos: a) Os estudos que ressaltam a via econômica para a consecução de objetivos de caráter econômico e social, nos quais os participantes gerenciam unidades econômicas para a aquisição de bens destinados à construção de habitações. Essa linha segue os princípios do paradigma racional econômico de redes, resumidamente comentado na introdução e desenvolvido no item de base teórica. b) Os estudos que ressaltam as redes nas quais estão inclusas as cooperativas como grupos de fomento de cooperação e comprometimento entre os participantes. Ressalta-se o papel social das cooperativas e os objetivos igualmente sociais que existem nas relações entre as 28 instituições. Os estudos mostraram que a valorização do social, no entanto, nem sempre está presente, principalmente quando uma cooperativa decide agir muito mais em função de um papel de competidor no mercado do que de instituição social. Nos estudos da segunda linha encontraram-se variáveis, como confiança e cooperação, colocadas como pilares da organização da rede. A revisão bibliográfica buscou levantar e analisar a tendência e o leque de afirmativas, teorias, explicações e temas sobre redes, que colocam como campo as cooperativas habitacionais na literatura internacional e nacional, buscando as possíveis variáveis que explicam o desenvolvimento e o estado de organização das redes. O resultado da análise é que os artigos dividem-se entre ganhos econômicos que as cooperativas podem obter ao participar das redes, como redução dos custos; aumento das economias de escala, escopo e especialização, melhoria do poder de barganha e ampliação de mercados; e processos sociais quando se coloca o centro no objetivo coletivo de sanar o problema de habitação, aqui aparecendo variáveis como confiança, cooperação e comprometimento, afirmadas como essenciais na organização dos estados de redes. A segunda linha, dos processos sociais, é a escolha de desenvolvimento neste trabalho. Um ponto que chamou a atenção nos artigos brasileiros é que estão presentes as palavras que indicam o formato de rede, como cooperação, comprometimento, gestão cooperada; mas os autores não utilizam a expressão rede e não utilizam teorias de redes. Outro ponto de destaque foi a presença mais forte de trabalhos do sul do País, talvez em decorrência da cultura associativista de seus habitantes, o que parece facilitar ações coletivas com base na confiança. Foi possível estabelecer ligação entre estudos sobre redes e estudos sobre cooperativismo, que aparecem separados na literatura. A cultura associativista é definida por Coleman (1988) como seu capital social. Um grupo tem capital social elevado quando é capaz de estabelecer objetivos comuns de médio e longo prazo, os quais geram coesão e sinergia de esforços. Coesão grupal, portanto, seria um dos indicadores de organização das redes. Conforme Putnam (1996), o cooperativismo habitacional no Rio Grande do Sul deve ser entendido como processo específico, fundado na pluralidade de práticas sociais com raízes históricas (experiências cooperativas derivadas de grupos étnicos europeus). Essas práticas têm por base reciprocidade, confiança e respeito ao outro. Além da característica cultural, políticas públicas locais criaram programas de desenvolvimento de redes de negócios. Segundo o mesmo autor, as redes locais, incluindo cooperativas, mostram uma junção de 29 elementos, como confiança, comprometimento e coesão social, civismo, lutas e projetos conjuntos, que facilitam a cooperação para o benefício mútuo na sociedade. Outra convergência verificada na análise bibliográfica é que as variáveis de relacionamento, como confiança e cooperação, foram elencadas como essenciais na configuração do estado de organização das redes, o que reforça a sua seleção na construção do quadro de variáveis a serem utilizadas na pesquisa. Considerando as conclusões sobre os artigos analisados, a proposta deste trabalho é apresentar, discutir e defender a ideia de estados de organização de redes a partir de um conjunto de variáveis mais citadas nos trabalhos, mas que ainda não formam um conjunto ou modelo. Para a tarefa ser levada adiante deve-se apresentar os conceitos de redes que suportam a proposição e o modelo. 30 2. CONCEITOS DE REDES Neste item são apresentados os paradigmas e principais conceitos de redes, com o objetivo de se escolher o caminho teórico que sustenta a proposta. São descritos os três grandes paradigmas que aglutinam os estudos sobre redes: paradigma racional-econômico; paradigma social e o emergente paradigma da sociedade em rede, e são apresentados os argumentos selecionados para o projeto. As afirmativas sobre redes variam desde conceitos básicos, formas de grupamentos, gerência de grupo, resultados e motivos de fracassos. Thorelli (1986) conceitua rede como um número de nós ou ligações entre atores, em que cada um, dinamicamente, ajuda a melhorar a posição do outro dentro da rede. Miles e Snow (1978) descrevem as redes como combinação de estratégia, estrutura e processos de gestão. Jarillo e Ricart (1988) fazem referência à existência dos primeiros trabalhos sobre redes ainda na década de 1960, ligados às organizações sem fins lucrativos. Naquele período não se associava a temática da estratégia e da competição entre empresas à constituição de redes. Com a mudança, as redes passam a ser afirmadas como acordos de longo prazo, com objetivos definidos, unindo diferentes empresas que se relacionam e permitem ganhar, ou sustentar uma vantagem competitiva em relação a seus competidores fora da rede. Nohria e Eccles (1992) frisam que redes são conexões entre empresas, usadas para construir relacionamentos para obter vantagens. Em uma visão de serviços, Ohmane (1989) ressalta que as redes são instrumentos para atender consumidores em ambiente global. Ebers e Jarillo (1998) listam e respondem a três perguntas sobre construção e formato de redes pelas empresas. A primeira pergunta, como e por que as empresas constroem redes, é a que importa neste projeto. Segundo os autores, o “como” está diretamente imbricado ao desenvolvimento de relações sociais, e o “por que” refere-se a objetivos econômicos e estratégicos. Os autores utilizam, portanto, afirmativas do paradigma racional e do social. Wasserman e Faust (1994); Scott (2000); Mizruch (2006) e Lazzarini (2008) assinalam que para a análise das redes é importante verificar as propriedades estruturais, como centralidade, equivalência estrutural, densidade e coesão. Uma convergência entre os autores citados é que as redes de empresas são formadas com o objetivo de reduzir incertezas e riscos, organizando atividades sociais e econômicas entre os atores, tendo como fatores primordiais coordenação, troca de informações e cooperação entre as empresas participantes. 31 Anderson, Hakansson e Johanson (1994) mostram que as redes de negócios podem ser definidas como conjunto de empresas, ou atores, conectados por relacionamentos, e que cada díade (relação entre dois atores) estaria conectada a outros atores, formando a estrutura da rede. Grandori e Soda (1995) definem redes como formas de organização da atividade econômica por meio de ações de coordenação e cooperação entre empresas, baseadas ou não em contratos formais. Conforme os autores, o formato em rede não é hierárquico e não é de mercado, sendo uma terceira forma de organização entre empresas. Castells (1995) definiu rede como o conjunto de nós interconectados, sendo o nó o ponto de encontro entre atores, o que permite o fluxo de informações. No mundo empresarial, a conexão entre os nós, realizada pelos fios, pode ser entendida como as relações entre os agentes envolvidos. Essas relações são de natureza comercial ou social. Fombrun (1997) caracteriza a rede como conjunto de fluxos, como recursos e informações, entre os nós, os quais podem ser os indivíduos, grupos e organizações. O fator social presente nas relações de negócios também foi afirmado por Gulati e Gargiulo (1998). Como se verifica, os autores colocam frases sobre aspectos econômicos, sociais e políticos para definir redes. As interfaces serão detalhadas nos subitens seguintes. Sacomano Neto e Truzzi (2004) enfatizam que as redes são formadas por relações cooperativas, igualmente entendidas como strong ties. Essas relações abrangem normas de confiança, previsibilidade das relações e contratos de longo prazo, possibilitando maior troca de informações, maiores ligações e reciprocidade, influenciando as inter-relações dos atores da rede. Na linha de investigação da estrutura, Hakansson e Ford (2003) estabelecem que uma rede apresenta nós com ligações específicas, não sendo possível generalizar a estrutura de redes. Essa afirmativa é interessante para o atual projeto, pois possibilita a tarefa de se examinar diferenças entre os nós das redes em que distintas cooperativas estão imersas. Investigando redes de cooperativas, Machado Filho e Zylberstajn (2004) afirmam que sua eficiência está fundada na confiança, comprometimento e cooperação relacional. A mesma ideia de fidelidade e reciprocidade é frisada por Zaccarelli (2005) ao defender a rede como a unidade competitiva. As variáveis são valorizadas no atual projeto, principalmente confiança e comprometimento. Balestrin e Vargas (2004) concordam que as organizações em redes mantêm interações e interdependência, valorizando as variáveis sociais (cooperação e comprometimento), 32 influenciadoras das relações de negócios, como troca de informação, conhecimento e aprendizagem. Conforme os autores citados, uma das principais características do atual ambiente organizacional é a necessidade (e o fato) de as empresas atuarem de forma conjunta, surgindo, como resultado de investigações, modelos baseados em itens como associação, reciprocidade, troca, cooperação, utilizando os conhecimentos da Sociologia e Economia. Um dos aportes da Sociologia é a noção de consciência da necessidade de ação coletiva, e um dos aportes da Economia é a conjugação de recursos individuais. Para ser suficiente aos novos fatos das ações coletivas de negócios é essencial ir além de sistemas explicativos de causa e efeito. O conceito de embeddedness de Granovetter (1985), por exemplo, coloca a indissociabilidade de relações sociais e econômicas. A sociedade atual é uma teia de seres humanos que partilham interesses comuns, ligados por laços e nós que facilitam a comunicação e a troca de experiências entre si. Essa é a ideia básica de uma sociedade em rede. Existem estudos sobre classificações de redes. Um dos mais referenciados é de Grandori e Soda (1995), que utilizaram os eixos de graus de formalização e posição na rede, distinguindo redes sociais, burocráticas e proprietárias. Para este projeto interessa a parte em que os autores comentam sobre estados de evolução de redes, conforme a dominância de governança formal ou informal; existência de incentivos e controles; e existência de assimetrias. Esta análise inicial mostrou que existem diferentes concepções de redes a partir de princípios distintos, como visão econômica, estrutural ou relacional. No próximo item explicitamos os paradigmas dominantes sobre redes. 2.1. Paradigmas de redes Neste item são apresentados sumariamente os princípios dos paradigmas sobre redes. Nas revisões bibliográficas sobre os conceitos de redes (TICHY, TUSHMAN, FOMBRUN, 1979; EBERS, JARILLO, 1997; GIGLIO, KWASNICKA, 2005), foram encontrados três paradigmas; o primeiro valorizando os princípios racionais e econômicos de se construir e participar de uma rede de negócios; o segundo ressaltando os aspectos sociais que influenciam as relações de negócios, e o terceiro, ainda pouco reconhecido como paradigma, mas muito citado, valorizando uma nova estrutura social na forma de redes. 33 Os três paradigmas abrigam amplo leque de teorias e metodologias. No paradigma racional-econômico, por exemplo, encontram-se teorias econômicas, baseadas em conceitos de custos de transação (WILLIAMSON, 1985); teoria dos jogos e teoria das escolhas limitadas (CLEMENT, 1994); no paradigma social-técnico encontram-se teorias sobre governança e sobre imersão social (UZZI, 1997); sobre conflitos de interesses (ROWLEY, 1997); no paradigma da sociedade em rede encontram-se teorias da ação coletiva de grandes grupos nas quais se trata do conjunto das crenças e dos sentimentos comuns a uma mesma sociedade que forma um sistema determinado e com vida própria (OLSON, 1971 e WEBER, 1982), e as teorias do rizoma (MATURANA, VARELA, 1987). A seguir são resumidos os princípios desses paradigmas e as variáveis mais citadas como principais na organização das redes. 2.1.1. Paradigma racional-econômico A afirmativa básica deste paradigma é que as questões econômicas, como custos, são o motor das associações em redes de negócios. Os empresários produzem análises racionais das vantagens de se associar em redes e agem em função das análises. Um autor muito referenciado é Williamson (1991), com afirmativas sobre a teoria de custos de transação. O princípio de natureza humana presente neste paradigma é da racionalidade do ser humano, sua capacidade de escolha, mesmo quando limitada (CLEMENT, 1994). O leque de teorias dentro do paradigma inclui abordagens estritamente econômicas, como a teoria dos custos de transação até teorias com laços na Psicologia, como a teoria da racionalidade limitada e teorias de governança. Um exemplo deste último caso é o artigo de Van de Ven (1976), no qual o autor afirma que os fatores de organização de uma rede são a necessidade de recursos e o compromisso para resolver problemas coletivos. Os autores que seguem o paradigma racional econômico afirmam que a rede é uma construção racional e planejada, visando resolver os problemas de competição, como a falta de acesso a recursos. Para Oliver (1990), por exemplo, entre os fatores que determinam a formação das redes estão a dependência de recursos, reciprocidade e eficiência. Rudberg e Olhager (2003) endossam que as redes são planejadas, construídas e mantidas pelas empresas com intuito estratégico, ou seja, redes controladas por uma governança, um conjunto de regras de participação, benefícios e sanções, limites e papéis definidos, com objetivos econômicos e estratégicos. Entre os objetivos econômicos podem ser citados poder de compra, barreiras de entrada na rede e custos baixos. 34 As ideias implícitas nas afirmativas desses autores é que a organização, ou estado, ou forma de uma rede dependem das regras de trocas de recursos e dos controles dos comportamentos oportunistas. As variáveis sociais, como confiança, são consideradas resultado ou consequência das ações econômicas conjuntas. Conforme se depreende da análise, para os objetivos deste projeto há suporte à escolha de duas variáveis que caracterizam o estado de organização das redes: a simetria ou assimetria de objetivos coletivos e individuais; e a existência de uma governança formal. 2.1.2. Paradigma social A afirmativa básica deste paradigma é que as relações sociais são uma espécie de pano de fundo de todas as relações existentes na rede, surgindo variáveis como confiança, comprometimento e cooperação, que se unem indissociavelmente entre os atores. Um autor significativamente referenciado é Granovetter (1994), com seu conceito de imersão (tradução livre de embeddedness), referindo-se ao imbricamento entre as relações sociais e econômicas, ressaltando que os fatores econômicos e tecnológicos estão imersos em relações sociais e por elas são influenciados. As relações seriam caracterizadas como laços fortes e laços fracos. Conforme Granovetter (1973, 1983 e 2005), a imersão, conexão e força dependeriam da densidade de relacionamentos entre os atores. Os laços fortes, nessa concepção, seriam aqueles nos quais há maior proximidade entre pessoas, ou seja, interagem mais vezes e criam fluxos repetitivos. Os laços fracos são formados por relações menos repetitivas, a frequência não é constante e os fluxos são diversos. Assim, as leituras dos textos de Granovetter (1973, 1983 e 2005) permitem deduzir que os laços fortes apresentam as vantagens da possibilidade de surgirem e se manterem os sinais de confiança, comprometimento e solução de conflitos de interesses. Os laços fracos, por sua vez, apresentam as vantagens do aumento das fontes de conhecimento, com possibilidades de se criarem inovações e novas oportunidades para a rede. O princípio de natureza humana que está por trás do paradigma são a cultura e as regras sociais, gradativamente inscritas no comportamento do sujeito, pois cada ser é o resultado das influências de grupo a que está subordinado. Granovetter (1985), Nohria e Ecles (1992) e Uzzi (1997) mostram que a relação social é como pano de fundo do comportamento empresarial. A ideia de imersão social e econômica 35 do ator na rede, originada e desenvolvida a partir do conceito de embeddedness de Polanyi (1947) e Granovetter (1985), está estreitamente vinculada ao tema do oportunismo. Quanto mais comprometido estiver o ator na rede, menos propenso estará a comportar-se de maneira oportunista, isto é, colocando objetivos pessoais acima dos coletivos. Nessa perspectiva, as relações sociais são definidas como situações envolvendo dois ou mais atores, em que conteúdos de aproximação (como sinais de confiança), ou conteúdo de distanciamento (como sinais de luta de poder) formam o elo, ou nó. Uzzi (1997) apresentou argumentos que auxiliam a compreensão da importância das relações sociais nos estados da rede. Seguindo as ideias de laços fortes e fracos, frisa ainda que os laços fortes implicam proximidade e segurança entre os atores, diminuindo a burocracia nas decisões; mas, por outro lado, limitam as ações e inovações do grupo. Conforme se depreende da análise, para os objetivos deste projeto há suporte para a escolha de seis variáveis que caracterizam o estado de organização das redes: imersão, presença e dominância de laços fortes e fracos, comprometimento, confiança, cooperação e governança informal. 2.1.3. Paradigma da sociedade em rede O terceiro paradigma ainda é pouco comentado e reconhecido na academia, mas existem argumentos e exemplos suficientes para caracterizar uma posição distinta das duas anteriores. O paradigma da sociedade em rede valoriza e afirma nova estrutura social baseada em redes, tendo a tecnologia como base instrumental. Teorias da Sociologia de grandes grupos e teorias da comunicação formam bases para artigos e temas recorrentes, como estudos sobre redes sociais. Como os negócios (e a sociedade) estão configurados no formato em redes, a diferença entre grupos de empresas que atuam em conjunto estaria em um estado de organização de certas variáveis, como trocas de informações e regras de controle de comportamentos. Os argumentos teóricos da sociedade em rede estão fundamentados em autores frequentemente citados na literatura mundial, como Granovetter (1985), Nohria e Ecles (1992), Uzzi (1997) e Castells (1999). O princípio geral comum aos autores é que toda empresa está em rede, tenha ou não consciência da situação; utilize ou não suas conexões. O ponto de conjunção para a formação de nós é a interdependência, que significa a necessidade de as organizações agirem em conjunto, pois isoladas não têm os recursos e não conseguem realizar todas as tarefas. 36 Para Castells (2006), a sociedade em rede é uma estrutura social baseada em redes, sejam tecnológicas, de comunicação, informação e redes digitais; que geram, processam e distribuem informação a partir de conhecimento acumulado nos nós dessas redes. A ideia de uma sociedade interconectada aparece em Nohria e Eccles (1992); Castells (1999) e Rudberg e Olhager (2003), na afirmativa básica de que as empresas e a sociedade atual caracterizam-se por sua estrutura em rede, as quais se repetem e se reorganizam nas várias subredes. A ideia de um mundo conectado não é nova e nem exclusiva desses autores, encontrada nos trabalhos de Husserl (1975) sobre a indissociabilidade do sujeito e objeto; de Fromm (1987) sobre a necessidade de vida em conjunto; de Merleau-Ponty (1994) sobre a percepção com construção das relações entre sujeitos e objetos. Mais recentemente, a ideia de interconexão foi defendida por Maturana e Varela (1995) e Latour (2005). Apesar de a ideia não ser nova, no campo de redes de negócios ela se coloca como distinta dos paradigmas racionais e sociais, sendo aceita neste projeto. Uma das vantagens desse paradigma é resolver de maneira mais clara e explícita a divisão do “dentro e fora” da rede, substituindo por uma noção de estado de organização das relações entre organizações. O conjunto de nós, com sua natureza, força, conteúdos e frequência, determinaria um estado de organização de redes, algumas pouco desenvolvidas (um estado latente, por exemplo), outras mais estabelecidas (com papéis e laços mais constantes). Outra vantagem considerável desse paradigma, em seu princípio de que todas as organizações estão em rede, é a consequência da possibilidade de se escolher qualquer empresa para uma investigação, independentemente da sinalização de pertencer a uma rede formalizada. Conforme se depreende da análise, para os objetivos deste projeto há suporte à escolha de três variáveis que caracterizam o estado de organização das redes: interdependência, formas de comunicação e consciência de ação coletiva. A partir dos três paradigmas encontram-se várias teorias e modelos de representação das redes, ora valorizando a estrutura, ora a dinâmica, os estágios evolutivos e os estados de organização. Grandori e Soda (1995), por exemplo, ressaltam que o estado de organização das redes depende da dominância mais formal, ou mais social, da governança. Para Balestrin e Vargas (2004), as variáveis seriam a natureza das trocas (técnica, social, institucional) e a governança. O Quadro 3 mostra um resumo dos princípios que caracterizam os três paradigmas e a indicação das variáveis mais comentadas e investigadas. 37 QUADRO 3. COMPARATIVO DOS TRÊS PARADIGMAS SOBRE REDES DE NEGÓCIOS EM SEUS PRINCÍPIOS E VARIÁVEIS Paradigma Categoria Natureza humana Afirmativa básica Exemplos de teorias Objeto de estudo Objetivos de pesquisa mais frequentes Variáveis principais após análise Racional-Econômico Social Sociedade em Rede Racional, com processos de escolha; racionalidade limitada. A rede se forma por motivos e objetivos econômicos. Social, as ações do sujeito são determinadas pelo ambiente social. As redes se formam e se desenvolvem a partir de relações sociais; cada ator está imerso e comprometido na rede. Dinâmica de pequenos grupos, Teoria da Comunicação. O ser está imerso em múltiplas relações, que determinam em parte seu comportamento. Todas as empresas estão em rede, tenham ou não consciência, utilizem ou não suas conexões. Relações sociais na rede. Fluxo entre os atores da rede. Verificar como temas sociais específicos, como confiança, afetam a estrutura e a dinâmica das redes. Descrever processos de fluxos sociais e econômicos de redes em qualquer estado ou estágio de desenvolvimento. Imersão, comprometimento, confiança, cooperação, Laços fortes e fracos; Governança informal. Interdependência, formas de comunicação, Consciência sobre ação coletiva e sobre existência de redes. Custos de Transação, Racionalidade de Escolhas, Teoria dos Jogos. Variações econômicas na rede. Relacionar a variável econômica com outras variáveis, como inovação e aprendizagem. Assimetria de recursos e de objetivos; Governança formal Sociologia de grandes grupos, Teoria da Comunicação. Fonte: Adaptação do autor, a partir das análises (2014). Além dessas variáveis, devem ser consideradas as variáveis de estrutura e dinâmica das redes, relativamente independentes da filiação a um paradigma. Entre as variáveis de estrutura de rede, constantes em trabalhos de Burt (1992), Gulati, Ebers e Jarillo (1998) e Mintezberg (2003), seleciona-se a variável centralidade, que significa atores com mais nós, mais conexões; a variável posição específica de um ator na rede e as variáveis relações horizontais e relações verticais. As variáveis aparecem em inúmeros trabalhos brasileiros que buscam desenhar a estrutura da rede, como os de Casarotto e Pires (1999), Hoffman (2004) e Wegner (2011). Entre as variáveis de dinâmica da rede, constantes em trabalhos de Grandori e Soda (1995), Gemser, Leenders e Wijnberg (1996), Castells (1999) e Gulati et al. (2000), selecionase a variável assimetria, que já aparece subdividida nos paradigmas racional e social; e a variável imersão, que tem componentes sociais (imersão social), racionais-econômicos (imersão econômica) e de outras naturezas (imersão institucional). Resumindo o trabalho de análise e seleção das variáveis chega-se ao seguinte conjunto, conforme o Quadro 4. 38 QUADRO 4. VARIÁVEIS MAIS CITADAS QUE CARACTERIZAM O ESTADO DE REDES Origem Revisões críticas/modelos genéricos Paradigma racionaleconômico Paradigma social Variável Assimetria Laços fortes e fracos Assimetria de recursos Assimetria de objetivos Coletivos x individuais. Comprometimento x oportunismo Confiança x reserva Cooperação x conflito Paradigma sociedade em rede Formas de comunicação Consciência de ação coletiva e de existência de redes Interdependência Estudos sobre estrutura Tamanho da rede e posição do ator na rede Redes horizontais e verticais Estudos sobre dinâmica de Dominância de governança relações formal x informal Fonte: Construção do próprio autor (2014). Autores mais referenciados Grandori e Soda (1995) e Hakanson (2003), Granovetter (1973), Hakanson (2003), Simmel (1950), Burt (2013) e Krackhardt (1987). Gulati (1998), Gulati (1998), Easton (1965) e Araújo (2011). Castells (1995), Nohria e Ecles (1992), Araujo, Dubois e Gaddes (1999). Burt (1992), Marcon e Moinet (2000). Grandori e Soda (1995). Antes de entrar na discussão dos estados de redes, é importante escrever sobre o paralelismo entre teorias de rede e conceitos de cooperativismo. Os conceitos sobre cooperativismo surgiram a partir de pesquisas de antropólogos e sociólogos como Malinowski (1978), Boas (2009) e Radcliffe Brown (1980) sobre diversas culturas. A tese é que a essência das relações sociais se daria pela dádiva, entendida como práticas de dar, receber, trocar e presentear, caracterizando a reciprocidade. Para Caillé (2002), a tese se aproxima das ideias de Durkheim, pois as práticas indicam sempre relações coletivas cujos significados se dão pela cultura e moral estabelecidos pelos indivíduos, organizados em grupo, trazendo um fio condutor, a “aliança”, muito próxima à ideia de “laços” de Mauss (2003). Entre os valores que guiam as ações cooperadas existe convergência na literatura sobre: (A). Uso da riqueza em benefício de todos; (B). Incentivo à solidariedade; (C). Respeito aos méritos e esforços individuais; (D). Ação orientada pela racionalidade; e (E). Combate ao egoísmo. São itens que nos conceitos de redes aparecem como racionais (ação orientada pela racionalidade), ou como sociais (incentivo à solidariedade). Para Benato (1995), o cooperativismo fundamenta-se em ideais humanitários de liberdade, solidariedade e racionalidade, elementos básicos para as ações coletivas e igualitárias, o que Singer (1998 e 2002) ratifica, ao assinalar que o cooperativismo é conceituado como outro modo de produção e distribuição de riquezas, cujos princípios são a 39 propriedade coletiva e o direito à liberdade individual, no qual as cooperativas e empresas autogeridas são as unidades básicas de sustentação. Segundo Caillé (2002), ao se preocupar com solidariedade, dádiva e cooperação, os homens devem, primeiramente, se reconhecer como membros da mesma sociedade; e para haver ações coletivas deve existir uma consciência de as pessoas pertencerem a um grupo, determinando laços sociais indissolúveis com a perspectiva de se atingir objetivos comuns a todos. Essa afirmação tem relação com a variável consciência da necessidade de ação coletiva, valorizada nos estudos sobre redes. Mauss (2003) lembra que os fundamentos da solidariedade e da aliança nas sociedades contemporâneas representam um conjunto de crenças e de sentimentos comuns entre os membros de uma mesma sociedade, tendo como regra básica o “dar-receber-retribuir”, cuja presença de uma obrigação coletiva deve se impor sobre a liberdade individual, formando um sistema de relacionamentos de troca e reciprocidade entre os atores. Considerando o que afirmam os autores citados, a ideia convergente é que a prática cooperativista surge como processo no qual os membros de determinados grupos se ajudam e confiam uns nos outros para atingir determinado objetivo; cada um por si, não teria ser atingido. O funcionamento cooperativista apresenta sinais de interdependência (a ação de um influencia a ação do outro; e cada um depende dos recursos do outro); comprometimento (colocar o objetivo coletivo acima do objetivo pessoal); democracia (não há hierarquia, a não ser que os próprios cooperados a criem) e trocas (de experiências e recursos). Conforme se verificou nos itens anteriores, as variáveis estão presentes nos conceitos sobre redes, indicando uma possível interface entre os dois temas. Quando os estudos de ambas as áreas centram-se nas relações sociais, as variáveis confiança, comprometimento e cooperação são colocadas como centrais. Buscar a aproximação entre os conceitos de cooperativismo e de redes é tarefa importante neste projeto. Até aqui, argumentos da Sociologia, Economia e Psicologia, como relações sociais, objetivos coletivos e confiança, aparecem nos dois campos. E nesses campos científicos há uma corrente de valorização das ações coletivas - de negócios, sociais ou de políticas públicas. Nos formatos que recuperam as ações coletivas, surgem temas de pesquisas sobre vantagens, problemas, controles e resultados de grupos coletivos. Na verdade, o tema das ações coletivas se destaca cada vez mais em congressos e revistas da Administração, sendo intitulados como economia da comunhão, fair trade, comércio solidário, redes de cooperação, policy networks, sociedade em rede, entre outros. O projeto, portanto, segue a trilha de crescente interesse. 40 Um ponto de união entre o cooperativismo e redes foi descrito por Singer (1998). Segundo o autor, a partir da década de 1990 um novo conceito em economia e organização social aparece sob o título de redes de negócio, inspirado nas experiências do cooperativismo. A nova ética estaria baseada na autogestão e associativismo: pessoas e empresas se uniriam em favor de um empreendimento, aplicando noções de mútua cooperação, trabalho coletivo e organização horizontal, pois não haveria hierarquia entre os membros, todos igualmente responsáveis pela produção. O atual projeto busca aproximações entre cooperativismo e princípios de redes, na convergência das variáveis racionais, econômicas e sociais que contribuem para o estado da rede. No próximo item discute-se a ideia de estados de redes, decorrente da afirmativa da sociedade em rede, para a tarefa de escolha das variáveis que definem os estados. 41 3. DISCUSSÕES SOBRE O ESTADO DE REDES Conforme discutido anteriormente, existem afirmativas e sinais do que seria um estado de rede, mas os autores não são explícitos quanto ao tópico. Predomina a visão de continuidade, desenvolvimento e estágios. Neste projeto, no entanto, adota-se a ideia de diferentes arranjos dos atores dos negócios, em uma análise transversal, considerando as variáveis mais citadas na literatura, conforme se apresentam no Quadro 4. Como as redes se caracterizam por não existir hierarquia e comando centralizado (a não ser em casos em que os próprios atores decidiram que assim deveria ser), entende-se que a organização do grupo depende basicamente da forma e conteúdo das relações econômicas e sociais. Piore e Sabel (1984) e De Souza (1993) ressaltam que as relações na rede facilitam a emergência de cooperação e indicam a crescente divisão de trabalho, com trocas de informações. A presença das variáveis e seu grau de desenvolvimento caracterizaria um estado de organização das redes. Jarillo (1988) descreve as redes como acordos de longo prazo, com propósitos claros, entre empresas distintas, mas relacionadas e interdependentes, que permitem àquelas empresas criar, estabelecer ou sustentar vantagens em relação às empresas fora da rede. Os objetivos e os relacionamentos de longo prazo caracterizariam redes maduras e estáveis. A presença dos objetivos é indicador importante para o projeto atual, mesmo não usando o argumento de “dentro e fora” da rede. Cohen e Levinthal (1990) conceituam que os processos de uma rede dependem dos atores que nela atuam, com conhecimentos, cooperação e comprometimento. Isso seria considerado fatores primordiais de organização da rede, como a capacidade de coordenar recursos dentro e fora da organização. Segundo Wasserman e Faust (1994), as regularidades ou padrões de ligações entre os atores são denominadas “estruturas”. As ligações podem ser de qualquer tipo de relacionamento entre os atores, como confiança, comprometimento, cooperação, conhecimentos, trocas de informações, avaliação afetiva de uma pessoa em relação a outra etc. Para os autores, as formas de associação das variáveis entre si definem um estado de organização de uma rede. Cabe destacar os comentários de Gadde e Hakansson (2001), que atestam a importância dos atores no processo de coordenação e combinação das atividades e dos 42 recursos como variáveis de governança e fontes importantes para o estudo de evolução das redes até o estado atual. Para Cassiolato (2002), o elemento central para a organização de uma rede está intrinsecamente ligado ao estabelecimento de relações de confiança, por meio de um processo de trocas, cooperação e comprometimento, tendo como pano de fundo a consciência coletiva entre todos os participantes da rede. Segundo Monteiro (2002), um sistema em rede pode ser definido como conjunto de atores agrupados por relações de interdependência, que é o fato gerador do comprometimento. Salienta o autor que o sistema é tipicamente descentralizado, construído a partir da interconexão de um grande número de nodos capazes de se auto organizar. Entre outros autores que tocaram no tema (GLADWELL, 2002, PRAHALAD e RAMASWAMY, 2004, FREEDMAN, 2005, ANDERSON e SUROWIECKI, 2006, BENKLER, TAPSCOTT e WILLIAMS, 2007), há o consenso de que estudar os estados em que se encontram as redes de negócios é pesquisar sua capacidade de criar colaboração, no sentido de comprometimento. Conclui-se então que, a caracterização de um estado de rede se dá por variáveis racionais, como assimetria, e por variáveis sociais, como confiança e comprometimento. Veiga (2005) frisa que o atual estado organizacional de uma rede não necessariamente é resultado das interações mercadológicas entre os atores da rede, mas igualmente por meio da imersão social dos mesmos atores tendo como base confiança, cooperação e comprometimento dos mesmos na rede. Acompanhando as afirmativas, o estado organizacional da rede seria caracterizado pela natureza das relações econômicas entre as empresas (paradigma racional e econômico), tendo como variáveis os resultados, ou contratos de proteção de ativos, tecnologia e custos; como ainda pela natureza das relações sociais entre os atores da rede (paradigma social), tendo como variáveis confiança, comprometimento e cooperação, e pela nova estrutura social baseada em redes (paradigma da sociedade em rede), com as variáveis interdependência, consciência coletiva e necessidade de cooperação. Conforme a natureza, presença e grau de atuação de variáveis, diferentes redes apresentam diferentes estados de organização. Os autores citados aceitam que variáveis como confiança e comprometimento são essenciais para que outras variáveis que caracterizam o estado de organização das redes, como fluxo contínuo de informação, capacidade de organização e força de conjunto entre os atores, tornem-se presentes e se desenvolvam. 43 Embora os autores citados não sigam exclusivamente um dos três paradigmas e nem criaram explicações sobre estados de redes, é possível agrupar as principais ideias sobre o tema, conforme demonstrado no Quadro 5. QUADRO 5. CONCEITOS SOBRE ESTÁGIOS E ESTADOS DE REDE Racional Social Sociedade em rede Princípio teórico As redes se formam com finalidade estratégica e busca de vantagens de custos; existem regras explícitas. As redes se formam a partir de relações sociais e comerciais; as regras podem ser explícitas ou implícitas; variáveis sociais são como um pano de fundo para o desenvolvimento da rede. Toda pessoa e empresa estão em rede, tenham ou não consciência dessa situação; utilizem ou não suas conexões. Palavraschave Custos, dependência de recursos, estratégia. Imersão, relações sociais e econômicas estão imbricadas. Sociedade em rede, consciência coletiva, rede de relações. Afirmativa sobre ciclos, estágios ou estados de redes. Redes são grupos formais, com contratos explícitos, com períodos de tempo definidos ou não. Redes são grupos formais ou informais, que se regulam pelas relações sociais. As redes seguem estágios de desenvolvimento, com ciclos definidos ou não. As redes de empresas estão em um estado específico de organização, conforme variáveis como consciência. Fonte: Construção do próprio autor (2014). Considerando o objetivo de investigar estados atuais de organização de redes e comparar redes, sem a obrigação de reconstituir sua história, entende-se não haver necessidade de escolher um único paradigma e dentro dele uma única teoria. A análise da bibliografia relevante indicou que as variáveis consideradas essenciais estão distribuídas nos três paradigmas e em modelos de estrutura e dinâmica independentes. Unindo-se as contribuições teóricas e as análises sobre os autores apresentados, foi possível propor o conceito de estados de redes e um conjunto de variáveis que caracterizariam cada estado de cada grupo específico de organizações. Do paradigma da sociedade em rede selecionou-se a variável (A) Manifestações da interdependência, como o princípio dos relacionamentos. Do paradigma social, continuando na linha de valorização do relacionamento, selecionaram-se as variáveis (B) Sinais da presença e conteúdo de confiança e (C) Sinais da presença e conteúdo de comprometimento. De outras fontes de análise, como o paradigma racional sobre redes e os conceitos de cooperativismo, selecionaram-se as variáveis (D) Natureza e solução das assimetrias; (E) Manifestações da governança, ambas valorizando o relacionamento. 44 A partir da seleção das variáveis coloca-se a pergunta de pesquisa que é a investigação da formação dos estados de redes conforme a presença dessas variáveis, tendo como exemplo o campo das redes nas quais estão imersas as cooperativas habitacionais. Antes de entrar na Metodologia, no entanto, deve-se discutir com mais detalhes a noção de estados de redes, pois a expressão é raramente utilizada na literatura. 3.1. Afirmativa dos estados de redes Neste item comentam-se as afirmativas dos autores que escreveram sobre o tema em suas várias manifestações, como a estrutura das redes, ou os tipos de redes, iniciando-se pelos autores pesquisados e que escreveram sobre estágios, evolução, status e estados de redes. Conforme se afirmou ao final do último item, pretende-se seguir o caminho da ideia de estados de redes, ao invés da ideia dominante sobre estágios e evoluções da rede. Para a defesa da escolha discutem-se os princípios, vantagens e problemas das duas linhas de pensamento, partindo-se primeiramente da ideia de evolução ou estágios de redes. Gonçalves (1990) destaca que a estabilidade, ou o desenvolvimento de uma rede, se relaciona com quatro fatores: legitimidade; relacional, que cuida do comprometimento dos agentes envolvidos; processual, que cuida dos procedimentos para a alocação dos recursos disponíveis, e operacional, sobre a infraestrutura. Larson (1992) assinala que para o nascimento e evolução de uma rede existem précondições como reputação dos atores, expectativas mútuas; incertezas sobre o ambiente e experiências anteriores de cooperação. Conforme a autora, os fatores sociais atuam na redução das incertezas sobre o comportamento dos parceiros. Com a evolução da rede, em regras e resultados, surgem relacionamentos de confiança e comprometimento, até o ponto em que o grupo adquire equilíbrio. Davidow e Malone (1993) relatam que somente a organização em rede reúne velocidade e flexibilidade para lidar com um ambiente de negócios que demanda customização, atendendo a um grande número de clientes; por isso é imprescindível verificar como as empresas se organizam para atender a tais exigências. Wellman (1996) discute como as relações na rede ocasionam mudanças estruturais e na troca de informação. Quanto mais informações são trocadas entre os atores e o ambiente, maior será o conhecimento, possibilitando mudanças e estágios diferenciados na estrutura da rede. 45 Baldi (2004) ressalta que a imersão estrutural é fator importante no estudo das redes, possibilitando a compreensão de como se formam e se modificam. Para Powell et al. (2005), os enfoques sobre evolução e estados de rede ainda são escassos na academia, pois as pesquisas se concentram em analisar transversalmente, predominando, em sua maioria, estudos sobre acontecimentos individuais. Segundo Fusco et al. (2005), a formação e a evolução das redes envolvem aspectos estruturais, ou seja, a própria configuração da rede, com os papéis desempenhados pelos integrantes, com o tipo de governança e os níveis de interação entre os atores. Para Coviello (2005), os estudos sobre redes envolvem pesquisas sobre a estrutura da rede, comportamento dos atores e como esses relacionamentos transformam-se em trocas de conhecimento, confiança e cooperação, sendo fatores importantes para se conhecer os estágios evolutivos da rede. Nos últimos anos encontram-se trabalhos internacionais (CHEN, 2010) e brasileiros (WEGNER, 2011) repetindo a ideia de estágios, iniciando-se pelos fatores sociais de confiança e comprometimento. Os estudos revelam a importância dos fatores de relacionamento na formação das redes, conforme ressaltado por Bryson et al.(2006) e Chen (2010). Se, por um lado, a literatura acadêmica apresenta vários trabalhos sobre a formação e o desenvolvimento de uma rede, a ideia de estados de redes, por outro lado, não tem representantes que explicitamente a desenvolveram, mas um leque de afirmativas sobre formas, tipos, estruturas, desenhos e outras expressões que indicam um estado de organização. Oliver (1990) e Doz (1996) analisam que a partir das variáveis de colaboração, comprometimento e cooperação criam-se processos que possibilitam uma gestão conjunta, de compartilhamento de recursos, construção de confiança entre os atores, de forma a manter a rede. Para Miles, Snow e Coleman Jr (1992), os fatores importantes para caracterizar um estado de redes são o contínuo desenvolvimento de conhecimentos, sistema de gestão e de relações com o mercado, sistema de informação e processo de integração entre os atores. Grandori e Soda, Fusco et al. (1995), dando importância maior ao grau de formalização e integração estabelecida entre os integrantes da rede, criam uma tipologia de redes com as variáveis simetria e recursos. Uzzi (1997) mostra que a integração ocasionada por laços imersos possibilita um grau de confiança entre os atores, diminuindo as chances de comportamentos oportunistas, criando condições de ganho de economia de tempo, eficiência na alocação de serviços e produtos, 46 estabelecimento de acordos e presença do comprometimento. Com variáveis, o autor concorda que a rede se torna mais organizada. Para Belussi e Arcangeli (1998), os estados das redes podem ser determinados como redes estacionárias, nos quais predominam laços fortes, processos repetitivos e alto grau de formalização; redes retráteis ou reversíveis, nas quais aparecem laços fracos e certo grau de informalidade, o que permite renovação de processos, porém menos controle do comportamento, e redes evolucionárias, nas quais predominam os laços fracos, com dominância de transferência de conteúdos e governança informal. Embora criar tipologias sobre redes, conforme Grandori e Soda (1995) e Belussi e Arcangeli (1998), seja tarefa relevante, este trabalho não se preocupará em encontrar variáveis que determinam tipos, ou formação de redes; tem como objetivo pesquisar as variáveis mais importantes que determinam os estados de organização nos quais as redes se encontram. Algumas variáveis a serem utilizadas foram investigadas por Zawislak (2000). Conforme o autor, havendo a presença de variáveis como confiança, cooperação e comprometimento entre os atores, existiriam aprendizado e formação de competências coletivas, passando a ocorrer trocas de ativos tangíveis e intangíveis, o que gerará novas competências, levando os atores a desempenhar melhor suas funções e qualidades. A conjunção de fatores determina o estado atual da rede. Segundo Watts (2003), existe uma dinâmica constante do estado das redes, ocasionada pelas trocas de conhecimento, flutuações do comprometimento, presença de inovações e novas parcerias. A investigação do estado de uma rede tem, portanto, prazo de validade curto. Hoffmann et al. (2004) indicam a existência de aspectos de destaque em relação aos estados de organização das redes que devem ser levados em conta: complexidade de produtos, troca de conhecimento, aprendizagem organizacional e disseminação da informação; demanda por rapidez de resposta; confiança e cooperação e defesa contra a incerteza. Propõe então uma tipologia de redes baseada em quatro indicadores: Direcionalidade (vertical ou horizontal); Localização (dispersas ou aglomeradas); Formalização (formalizadas ou informais) e Poder (central ou periférico). O trabalho, portanto, busca certa integração das afirmativas, inferindo um conceito e um conjunto de variáveis sobre o estado de organização. Nesse conjunto se investiga a presença e o conteúdo das variáveis selecionadas. No próximo item essas variáveis serão detalhadas. 47 3.2. Variáveis que contribuem para o estado da rede Conforme as análises anteriores, chegou-se ao seguinte conjunto de variáveis selecionadas, as quais, como se defende, têm capacidade de caracterizar o estado de organização de uma rede: (1) Presença e natureza da interdependência; (2) Sinais da presença e conteúdo de confiança; (3) Sinais da presença e conteúdo de comprometimento; (4) Natureza e formas de solução de assimetrias e (5) Formas de governança. Considerando que o ponto de partida da ideia de uma rede são a trama, a malha, a teia, que representam a interdependência, são valorizadas as variáveis que implicam a participação, ou afetam a todos, e são, conforme as evidências responsáveis pela rede de relações e pela organização, normalmente chamadas de estrutura. Variáveis que têm presença na literatura, como inovações, custos e resultados, foram deixadas de lado, o que implica risco. Conforme explicitado, no entanto, uma das tarefas do trabalho é verificar a capacidade das variáveis selecionadas indicar um estado de organização das redes. Para os propósitos deste trabalho, interessa ressaltar que a variável cooperação, comprometimento e confiança aparecem nas pesquisas sobre estágios e nos estudos sobre estados de organização. Para Van de Ven (1994), Powell, Koput, Smith-Doerr (1996) e Lago (2009), as variáveis de cooperação, confiança e comprometimento levam os atores a estreitar laços e assim terem mais motivação e empenho no acesso a novas tecnologias, ou mercados, variedades de produtos e serviços, economias de escala, compartilhamento de riscos e novas habilidades, reconstruindo o estado das redes. De acordo com Fleury e Oliveira Jr. (2001), as redes operam a partir de uma base de confiança e reciprocidade de cooperação e comprometimento entre os atores e parceiros integrantes, para que ocorra o acesso e compartilhamento de recursos. Balestrin e Vargas, Kimura, Teixeira e Godoy (2004) apresentam em suas pesquisas variáveis importantes que contribuem para o estudo sobre estados de organização das redes como, por exemplo, troca de informações, possibilidades de novos negócios, competitividade nos mercados, relacionamentos internos e externos, estabelecimento de inter-relações entre os atores e sua influência no comportamento. 48 Brass et al. (2004); Paula e Silva (2006) sinalizam que a partir das variáveis sociais, racionais e econômicas, se torna mais fácil estudar o comportamento dos atores e os níveis Inter organizacionais da rede, ou seja, o estado de organização da rede. A imersão foi apresentada como variável independente do paradigma, embora a literatura a coloque preferencialmente como parte dos estudos sociais de redes. Entende-se ser o caso de comentar um pouco mais sobre o tema. Houve uma busca de produção acadêmica que explicitava o termo imersão e as variáveis a ele associadas. Foram pesquisadas bases de dados, como o Proquest, no qual foram encontradas 15.965 indicações para a palavra embeddedness, sendo 7.783 dissertações e teses, 7.186 periódicos acadêmicos, 400 trabalhos e periódicos comerciais, e 596 working papers, porém sua maioria em Direito. O conceito original de imersão aparece em Polanyi (1947) quando se referiu à interface entre relações sociais e atividade econômica, ou seja, a forma como a imersão social dos atores influencia a atividade econômica. Leibenstein (1968), Dacin, Ventresca e Beal (1999) enfatizam que os mecanismos de imersão são: cognitivo, estrutural, político, cultural, espacial e temporal. O cognitivo relaciona-se à obtenção de informações e a forma de processá-la; o estrutural, sobre a forma que a rede está montada; o político traduz-se nas formas de ações coletivas desenvolvidas e de entrosamento entre grupos, aumentando as chances de atendimento aos interesses; o mecanismo cultural reflete significados e formas de entendimento compartilhadas entre os integrantes da rede, e o espacial e temporal refletem o estudo sobre o espaço ocupado e os papéis desempenhados pelos atores na rede em determinado tempo. Granovetter (1973, 1985, 1994, 1995 e 2005), em seus trabalhos, relaciona imersão como laços fortes e fracos, que significam a frequência e natureza das ligações entre os atores. Um laço forte cria comprometimento, confiança e cooperação, que podem ser entendidos como fatores de imersão; ao passo que os laços fracos (pouco repetidos e de outra natureza) propiciam contatos com organizações distintas do negócio. Para ele, toda ação do indivíduo, inclusive a econômica, está imersa (embedded) em uma rede de relacionamentos sociais, a qual influencia a ação e seus resultados. Ele configura imersão como o compartilhamento dos atores nas instituições e como elas são afetadas pelas relações sociais à medida que a ação econômica passa a ficar imersa nas estruturas da vida social. Segundo Schotter (1981), Brass (1984), Zukin e Di Maggio (1990), para se entender qualquer organização econômica, ou não econômica, devem-se identificar os processos de 49 imersão dos atores, o inter-relacionamento entre a estrutura social e a atividade econômica para se entender o estado de organização atual da rede. Acompanhando tal conceituação sobre imersão dos atores nas redes, Aldrich e Zimmer (1986) e Greve e Salaff (2003), analisando as cooperativas habitacionais, frisam que os cooperados têm de estar imersos socialmente para serem utilizados habilidades e recursos de cada cooperado e aquelas geradas no coletivo. Powell et al. (2005), Gray e Wood (1991) e Burt (1992) revelam a presença de uma contínua troca de informações e de relações entre os atores nas redes, orientada para as relações coletivas de confiança e cooperação, o que colabora para a obtenção de resultados da rede. Morgan, Hunt (1994), Uzzi (1997), Cândido et al. (2005), Simpson, Siguaw e Baker (2001), Olave e Amato (2001) e Britto (2004) enfatizam que o comprometimento e a cooperação são primordiais no relacionamento, ambos se tornam importantes para as parcerias em rede, que vale a pena despender esforços para mantê-los, e que tais variáveis são elementos-chave dos laços imersos dos atores na rede. Segundo Collier (1998), a imersão social incorpora capital social, gerando conhecimento sobre comportamento, comprometimento e cooperação dos agentes; o conhecimento sobre o mercado, como menores custos, novas tecnologias e o benefício da ação coletiva, tornando-se essenciais para se determinar o estado atual da organização ou da rede. Wilkinson (2002), Vieira, Andion e Serva (2006), Machado-da-Silva, Fonseca e Crubellate (2005) fazem referências aos conceitos básicos de enraizamento e construção social, significando forte ligação e motivações que vão além dos aspectos econômicos. O enraizamento ocorre pela imersão dos atores nas relações. A partir das citações, entende-se que a expressão imersão originou-se dos estudos sobre imbricamento social e econômico, mas depois se generalizou para todas as formas de atuação em que o sujeito se esforça para continuar integrado a um grupo. Por isso a variável aparece no texto como parte do paradigma social, e no Quadro 5 como parte de modelos genéricos. No próximo item apresenta-se a definição operacional das variáveis selecionadas. 3.3. Definição operacional das variáveis Escolhidas as variáveis e apresentadas as justificativas, coloca-se a tarefa de definir operacionalmente as expressões, preparando o terreno para a pesquisa. Antes de iniciar as definições, é preciso esclarecer detalhes sobre a ideia de organização de redes. 50 Um caminho possível para a discussão e auxílio ao planejamento da pesquisa é criar situações imaginárias nos extremos das variáveis. Supondo que um grupo “A” de empresários trabalha em conjunto e entre eles existe um grau 1 (muito baixo) de comprometimento e de confiança. Eles estão juntos por necessidade, por exemplo, de partilha de recursos. Nessa situação, infere-se um estado de organização do grupo que necessita de muitos controles e incentivos (pois não há comprometimento) e regras de proteção de capital intelectual (pois não há confiança). Supondo agora um grupo “B” de empresários, do mesmo ramo que o grupo “A”, com um grau 10 (muito alto) de comprometimento e confiança. Eles estão juntos por pressões do mercado, mas também porque se fortalecem e se protegem no conjunto. Nessa situação, infere-se um estado de organização do grupo que pouco necessita de controles formais (contratos formais), pois existe comprometimento e troca de conhecimentos, pois há confiança que o outro não apresentará comportamento oportunista. Conclui-se que os dois grupos apresentam estados de organização distintos, conforme a presença tímida, ou marcante, das duas variáveis consideradas. Para os propósitos deste projeto não importa, neste momento, discutir se a formação X é melhor ou pior que Y, mas exercitar a capacidade de as variáveis indicarem distintos estados de organização. É essa a ideia motriz da investigação. Conforme se explicitou em itens anteriores, não se encontrou literatura específica sobre o tema e sobre a conjunção de variáveis. Predominam, como se viu, as buscas por relações causais entre variáveis. Considerando o campo escolhido para a investigação, deve-se comentar que dados anteriores analisados pelo autor mostram que as redes do campo de produção cooperativa de habitação apresentam sinais de variáveis selecionadas, mesmo não sendo redes com fins lucrativos. Para Pedroso (1993), essas redes são organizações de caráter permanente, sem fins lucrativos, criadas por um grupo de pessoas com interesse comum, visando a atividades sociais e econômicas relacionadas ao bem-estar dos associados, que são os proprietários e usuários da organização. É importante considerar que em decorrência das dificuldades que as cooperativas habitacionais enfrentam no ambiente competitivo com as construtoras e empreiteiras, tendo como característica não ter fins lucrativos e assumir papel social com seus cooperados, o campo organizacional em que essas ações se realizam torna-se oportuno ser investigado. O trabalho, portanto, tem como objetivo discutir como se organizam e se interrelacionam certas variáveis selecionadas para a configuração de um estado de rede, conforme se definiu nos parágrafos anteriores, tomando como exemplo o campo da produção cooperada de habitação. O objetivo primário se desdobra nos seguintes objetivos secundários: 51 a) Investigar a presença ou ausência de variáveis definidas como importantes na determinação do estado de organização da rede; b) Na presença dessas variáveis investigar a natureza do conteúdo que se manifesta em cada uma delas; c) Identificar por meio dos indicadores dessas variáveis a contribuição das mesmas ao estudo do estado atual de organização da rede; d) Verificar a capacidade da matriz de análise em distinguir diferentes estados de redes, utilizando triangulação de fontes de dados; e) Comparar diferentes estados de organização de redes de cooperativas habitacionais e f) Concluir sobre a validade do conceito de estado de rede. Com o intuito de preparar o terreno para a construção dos instrumentos de coleta de dados, apresentam-se esforços de definição operacional das variáveis selecionadas e como elas definiriam estados de organização de uma rede, como um estado latente, emergente ou em equilíbrio. Conforme Kerlinger (1980), a definição operacional de variáveis é essencial para se escolher os indicadores da presença ou ausência das mesmas em uma pesquisa. No caso de variáveis qualitativas a tarefa torna-se mais complicada, porque há variáveis, como confiança, que são constructos, com várias definições, e que, ao final, não se observam diretamente. Sua presença é inferida a partir de distintos sinais. Considerando a dificuldade inicial e a existência de poucos trabalhos que apresentam a definição operacional e os indicadores das variáveis aqui selecionadas, busca-se nos parágrafos seguintes desenvolver a tarefa. A importante ligação entre a discussão teórica, o desenho da pesquisa e o que efetivamente será observado e coletado havia sido ressaltada por Kerlinger (1980). Para facilitar a compreensão e análise, apresenta-se o Quadro 6. Na primeira coluna coloca-se a variável, na segunda coluna escreve-se o conceito teórico dominante, conforme a revisão bibliográfica em item anterior; na terceira coluna escreve-se a orientação do conteúdo a ser observado, a partir do conceito colocado na segunda coluna e da especificidade do fenômeno investigado (no caso, as redes das quais participam as cooperativas habitacionais), e na quarta coluna escrevem-se indicadores, criados a partir de exemplos das pesquisas da revisão bibliográfica e das características específicas do fenômeno, conforme observações prévias do autor. As sugestões não pretendem esgotar uma lista dos indicadores, mas apenas mostrar a linha geral de questionamento. 52 QUADRO 6. INDICADORES DE CINCO VARIÁVEIS QUE CARACTERIZAM O ESTADO DE REDES Variável Conceito dominante Conteúdo a ser observado 1. Presença e natureza da interdependência Cada organização não detém todos os recursos necessários ao seu negócio, precisando trabalhar em conjunto. Eventos, processos, discussões, reuniões, cursos e outras formas de manifestações coletivas que mostrem a dependência mútua das empresas, facilitando o trabalho conjunto em substituição ao trabalho individual. 2. Sinais da presença e conteúdo de comprometimento Colocar-se à disposição para ações coletivas. Atitudes e ações para atingir objetivos coletivos, ou ajudar outro ator, mesmo que nada se ganhe. 3. Sinais da presença e conteúdo de confiança Colocar-se na dependência do outro. Atitudes e ações nas quais o sujeito se expõe ao coletivo, ou fica na dependência do outro, sem recorrer a mecanismos formais de controle. 4. Natureza e formas de solução de assimetrias Diferenças de capacidades e de recursos Diferenças de qualquer natureza que sejam relevantes na estrutura e processos da rede. Alguns indicadores 1. Sinais da necessidade dos recursos que outro ator possui. 2. Necessidade de trocas de conhecimentos entre os atores. 3. Necessidade de contatos com entidades reguladoras para resolver as exigências de toda natureza (burocráticas, técnicas, socioambientais). 4. Aceitação de ações coletivas como mais importantes que ações isoladas. 5. Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para haver ganho coletivo. 1. Participar regularmente de reuniões e decisões. 2. Ajudar o outro, mesmo sem benefício próprio. 3. Assumir responsabilidades de ações conjuntas. 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. 5. Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros. 6. Sinais de disposição para continuidade dos relacionamentos, mesmo em situações em que sua opinião tenha sido descartada ou que seja da minoria. 1. Contar uma de suas fraquezas para os demais. 2. Assumir uma responsabilidade cuja execução depende de outro. 3. Dispor seus recursos, de qualquer natureza, para serem usados por outros, sem necessidade de salvaguardas. 4. Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede, mesmo sendo informais. 5. Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. 1. Diferença de recursos investidos. 2. Diferença de objetivos. 3. Diferença de valores e ética. 4. Diferença de domínio tecnológico. 5. Modos de solução das 53 5. Formas de governança Regras de proteção de recursos e de controle do comportamento. Podem ser formais ou informais. Conjunto de regras explícitas ou implícitas que coloca restrições ao comportamento e protege os recursos, sejam coletivos, ou individuais. diferenças. 1. Regras sobre admissão e exclusão de atores do grupo mais restrito. 2. Regras sobre penalidades. 3. controle por autoridade ou reputação (de um ator mais poderoso, por exemplo). 4. Controles sociais (por exemplo, existência de blogs, sites comunitários e outros, com informações sobre os participantes). 5. Regras sobre igualdade entre atores. 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. Fonte: Construção do próprio autor (2014). A presença, ou ausência das variáveis constantes no Quadro 6 e a natureza dos conteúdos apresentados em cada uma delas determinariam diferentes estados de organização de uma rede, entre extremos como redes latentes, ou redes estabelecidas formalmente. Com os indicadores torna-se possível entrevistar os atores, ou proceder a observações de encontros entre dois ou mais atores. Definido o campo de estudo, a teoria de base, variáveis presentes no fenômeno e indicadores, é possível apresentar a metodologia da pesquisa. 54 4. METODOLOGIA Conforme Tichy, Tushman e Fombrun (1979), as pesquisas no tema de redes exigem metodologias que consigam abarcar a complexidade das mesmas. No presente estudo, a complexidade se torna visível na seleção de cinco variáveis qualitativas e no amplo escopo de indicadores que ela encerra. Para investigar a formação dos estados de redes escolheu-se o ramo de construções, em particular o de moradias, no qual estão presentes as cooperativas habitacionais do Estado de São Paulo. A escolha desse ramo deveu-se à importância econômica e social que as cooperativas habitacionais representam no que se refere à falta de moradias para a população. A pesquisa se caracteriza por ser exploratória, qualitativa, descritiva, comparativa e de casos múltiplos. Foram criados instrumentos específicos de coleta de dados, pois os poucos artigos existentes não apresentaram indicadores e instrumentos validados. Segundo Gil (1991), a pesquisa exploratória visa proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; análise de exemplos que estimulem a compreensão, assumindo em geral as formas de pesquisas bibliográficas e estudos de caso. No projeto atual, a pesquisa é exploratória porque não se encontraram trabalhos regulares sobre estados de redes, ou trabalhos que unissem as variáveis selecionadas em um único modelo. Para Kaplan e Duchon (1988), as principais características dos métodos qualitativos são a imersão do pesquisador no contexto e a perspectiva interpretativa de condução da pesquisa. Normalmente, a pesquisa qualitativa é associada a dados qualitativos, abordagem interpretativa, com análise dos casos e dos conteúdos (PATTON, 1980). No presente trabalho os dados são interpretados conforme as afirmativas da teoria da sociedade em rede e da teoria social de redes. De acordo com classificações de Sampieri et al. (1994), Triviños (1987) e Mattar (1996), uma pesquisa descritiva pretende apresentar com exatidão os fatos e fenômenos de determinada realidade. Para essa precisão e validade cientifica é imperiosa uma clara definição e delimitação de técnicas, métodos, modelos e teorias que orientarão a coleta e interpretação dos dados (TRIVIÑOS, 1987). No presente trabalho busca-se descrever as situações de relacionamento entre as organizações que compõem a rede do campo de construção cooperada. 55 Segundo Bloch (1983), o método comparativo consiste no confronto entre dois ou mais elementos, levando em consideração seus atributos, promovendo o exame dos dados, a fim de obter diferenças ou semelhanças que sejam constatadas e as devidas relações entre elas. Neste trabalho, são comparadas as redes nas quais participam distintas cooperativas habitacionais. Em relação aos estudos de casos múltiplos, Yin (2001) salienta que costumam ser mais convincentes procurando explicar os fenômenos assemelhados, a partir de múltiplas fontes e distintas manifestações do mesmo fenômeno. Yin ressalta ainda que cada caso deve ser selecionado de modo a prever resultados comparáveis, ou, inversamente, produzir resultados contrastantes por razões previsíveis. Os casos devem possibilitar a construção de afirmativas, inferências, interpretações que possibilitem avanço teórico. No presente trabalho a situação de múltiplos casos se caracteriza pela seleção de cooperativas habitacionais que atuam socialmente (sem ter perdido os princípios do cooperativismo), e negocialmente (colocando-se como competidores no mercado de construção civil); e pela decisão de uso de três formas de coletas: roteiro de entrevista, questionário fechado e coleta de documentos. Como campo de investigação, a pesquisa envolverá o estudo das redes nas quais estão envolvidas cinco cooperativas habitacionais do Estado de São Paulo. A seleção das cooperativas atende a critérios de acessibilidade do pesquisador e características específicas das instituições, conforme se explicou no parágrafo anterior. Sobre a escolha das variáveis, embora inúmeras sejam citadas como relevantes, conforme se verificou na pesquisa bibliográfica, não se encontraram esforços no sentido de configurar o estado de uma rede e a definição das variáveis que o comporiam. Utilizando os critérios de variáveis convergentes na revisão bibliográfica e escolhendo o caminho das variáveis de relacionamento, chegou-se à lista apresentada no quadro 6. Os itens seguintes detalham o plano da pesquisa e as estratégias a serem utilizadas no desenvolvimento do trabalho. 4.1. Plano da pesquisa Segundo Silva e Menezes (2001), a construção de um plano de pesquisa, seu crescimento, desenvolvimento e finalmente o resultado, devem ter um planejamento cuidadoso, informações sólidas, fundamentadas em conhecimentos existentes e alicerçadas em 56 autores que conceituaram o assunto. Deve-se dividir o processo de pesquisa em etapas e demonstrar os procedimentos que precisam ser adotados em cada uma delas. Luna Filho (1998) afirma que toda pesquisa feita com método científico inicia-se com uma pergunta, ou hipótese, sendo que as mesmas podem se originar de várias maneiras, desde uma simples observação casual, como em consequência de perguntas anteriores. Para o autor, o protocolo é instrumento importante na pesquisa, pois se configura como transcrição fiel do método científico. Goldemberg (1999) ressalta que um procedimento científico deve contemplar os seguintes pontos: a) Existência de uma pergunta que se deseja responder. Para este projeto a pergunta é: Como se configura o estado de uma rede a partir de um conjunto de variáveis? b) Elaboração de um conjunto de passos que permitam chegar à resposta. Este projeto contempla uma pesquisa bibliográfica, documental e também a pesquisa de campo. c) Indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida. Neste projeto, para haver confiabilidade nas respostas obtidas, os dados levantados são triangulados, ou seja, há uma comparação entre os dados das fontes de coleta selecionadas. Para Flick (2005), o estudo de casos múltiplos mostra interligação entre sujeito, fatos e objetos, tornando difícil a tarefa de se afirmar relações causais estritas. Nesse método, a predominância é a lógica indutiva, ou seja, do particular para o geral, sendo que ao invés de partir das teorias para o teste empírico, utilizam-se conceitos particulares para abordar os contextos gerais que se quer pesquisar. No presente projeto, parte-se de um conjunto de variáveis que ainda não foram organizadas na literatura, aceitando-se o pressuposto de presença concomitante e de sua capacidade em configurar o estado de uma rede. A escolha do projeto deu-se em primeiro lugar pela importância que o mesmo representa em termos de pesquisa acadêmica voltada à área de Administração na linha de redes; em segundo lugar, pela representatividade do tema em relação às finalidades de ações sociais do objeto de pesquisa; e finalmente, pela participação do autor nas redes pesquisadas, o que facilita a coleta, principalmente os contatos para entrevistas e acesso a documentos. Assim, o plano geral da pesquisa é o estudo sobre a configuração dos estados de organização de redes de negócios, tendo como ponto inicial de coleta as cooperativas habitacionais de São Paulo; para as metas do projeto serem alcançadas, a pergunta a ser respondida é: Como se organizam e se inter-relacionam certas variáveis selecionadas para a configuração de um estado de rede? 57 4.2 Protocolo Para a pesquisa utiliza-se o método de estudos de casos múltiplos que, segundo Yin (2001), se justifica visando ao aumento de sua confiabilidade. É indispensável, portanto, a apresentação de um protocolo que contém os procedimentos e as regras para o desenvolvimento da pesquisa, com a seguinte divisão: a) Plano geral da pesquisa: objetivo, questão básica e proposições; b) Procedimentos de campo: definição de escopo, sujeitos e formas de coleta; c) Instrumentos: a coleta se dá por meio de documentos, roteiro de entrevistas e questionários com escalas, procurando obter dados sobre a questão da forma atual de organização das redes de cooperativas habitacionais. Em relação aos documentos, os dados se tornam confiáveis, pois os mesmos estão impressos, assinados, autenticados e estáveis, podendo ser revistos várias vezes, contendo datas, nomes, referências e detalhes de eventos. Além disso, há ampla cobertura de tempo de espaços, em documentos como atas de constituição, normas, estatutos, assembleias e leis do cooperativismo habitacional. Em relação às entrevistas, utiliza-se um roteiro semiestruturado, contemplando as variáveis e indicadores constantes do Quadro 6. Sobre o questionário, ele é apresentado na forma de escalas de Likert, com as assertivas relativas às variáveis e aos indicadores constantes no Quadro 6. Os sujeitos são selecionados entre os capazes de responder sobre as variáveis, privilegiando-se a presença de representantes de organizações diretamente vinculadas à tarefa da construção cooperada, como diretores e funcionários das cooperativas, fornecedores de materiais, agentes bancários, prefeituras, sindicatos, entidades de fomento, imobiliárias e cooperados. 4.2.1. Objetivo Segundo Oliveira (2004), determinar um objetivo para uma pesquisa é descobrir práticas ou diretrizes que devem ser modificadas, ou elaborar alternativas para substituí-las; portanto, o objetivo desta pesquisa é levantar, organizar e discutir a formação dos estados de organização em que se encontram atualmente as redes nas quais participam as cooperativas habitacionais, a partir das variáveis definidas nos itens anteriores. 58 O objetivo é fundamentado em produções científicas brasileiras e internacionais sobre redes de negócios e especificamente sobre redes nas quais estão inclusas as cooperativas habitacionais, cuja pesquisa bibliográfica gerou a proposição orientadora. O campo do cooperativismo habitacional é complexo e diferenciado de outros campos, porque tem relevância e ação social (na possibilidade de aquisição de moradia por um custo menor e de forma associativa) e, ao mesmo tempo, participa de um negócio extremamente competitivo, o da construção e entrega de imóveis. Em uma terceira vertente, de caráter político, a moradia popular é tema considerado nas políticas públicas. A revisão bibliográfica sobre trabalhos de redes com escopo em cooperativas habitacionais mostrou que essas instituições têm valores sociais de cooperação e comprometimento, mas há aquelas que precisam, ou querem seguir modelos empresariais; portanto, o estudo sobre as redes nas quais estão inclusas as cooperativas habitacionais e principalmente sobre o estado atual de organização das redes assume caráter especial. 4.2.2. Escopo Conforme dados da OCB (2013), o número de cooperativas habitacionais no Brasil em 2012 era de 262, sendo 50 no Estado de São Paulo. Considerando a natureza qualitativa do trabalho, foram selecionadas cinco cooperativas, a partir de critérios de facilidade de acesso e características específicas dos produtos ofertados. Essas cooperativas atuam principalmente na cidade de São Paulo e no litoral paulista, oferecendo imóveis para o segmento mais carente da população e pessoas que já têm um imóvel e desejam adquirir um segundo. A pesquisa se concentra no escopo do primeiro nível das redes, isto é, as instituições diretamente ligadas entre si e que são o centro do negócio, ou seja, sem elas a produção cooperada não ocorre. Entre as instituições do primeiro nível encontram-se cooperativas, bancos, construtoras e órgãos de apoio e controle do governo. Um segundo nível da rede seriam as organizações que oferecem suporte para o negócio central, como imobiliárias e fornecedores de material. O segundo nível, no entanto, não é investigado por razões de cronograma de execução. 59 4.2.3. Tipo de pesquisa A pesquisa pode ser caracterizada como exploratória, qualitativa, descritiva, comparativa e estudo de casos múltiplos. Exploratória porque tem como finalidade proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo compreensível. Para facilitar o entendimento, a pesquisa envolverá levantamento bibliográfico, documental, entrevistas e aplicação de questionários com pessoas que atuam nas instituições do primeiro nível da rede. Qualitativa porque a pesquisa trata de variáveis qualitativas, não redutíveis a números, e porque envolve trabalho específico, pressupondo-se uma metodologia própria de investigação de variáveis qualitativas, principalmente coleta e análise de discursos, buscando aprofundamento e compreensão das ligações entre os atores. Descritiva porque se pretende apresentar com exatidão fatos e fenômenos pesquisados, principalmente por meio de documentos, buscando a interface entre as variáveis selecionadas. Comparativa porque se discutem as possíveis diferenças de formação das cinco redes investigadas. Finalmente, um estudo de casos múltiplos, conforme fluxograma da Figura 1, porque se investiga mais de uma expressão do fenômeno, aceitando-se que serão cinco redes distintas e com mais de uma forma de coleta de dados. FIGURA 1. FLUXOGRAMA DE UM ESTUDO DE CASOS MÚLTIPLOS Fonte: Yin (2001). 60 4.2.4. Sujeitos De acordo com Faraco (2006), os sujeitos da pesquisa são aqueles que fornecem os dados fundamentais para determinado estudo. A pesquisa ocorre a partir de atores das instituições das cinco redes selecionadas, dando-se preferência àqueles que, por seu cargo e posição, têm mais informações sobre o problema da pesquisa e estão vinculados às organizações do primeiro nível da rede. Dados prévios indicam que sujeitos qualificados são diretores das cooperativas, gerentes bancários, diretores das construtoras das obras das cooperativas, representantes do governo, representantes de entidades de fomento e cooperados. 4.2.5. Instrumentos de coleta de dados Marconi e Lakatos (2003) definem instrumentos de pesquisa como técnicas de coleta de dados para conseguir informações com a intenção de examinar os fenômenos selecionados. As fontes podem ser caracterizadas como primárias e secundárias. As primárias são aquelas que geram dados a partir da ação do pesquisador, como entrevistas, questionários, observação direta. As fontes secundárias são aquelas cujos dados já existem e são utilizados pelo pesquisador, como documentos, arquivos particulares, fontes estatísticas, trabalhos anteriores. No presente trabalho, considerando a tarefa de construção dos indicadores, houve uma pesquisa de validade de conteúdo e lógica dos indicadores, com juízes que são pesquisadores do campo de redes e entendem de metodologia. Os procedimentos para a tarefa encontram-se no Anexo I. Uma vez julgados e aprovados os indicadores, ocorre a coleta a partir de três instrumentos. Um dos instrumentos de coleta será um roteiro semiestruturado, no qual há presença, ausência e manifestações das variáveis selecionadas. Privilegia-se a situação de encontro com o sujeito para buscar aprofundamento do tema, questionando as respostas, solicitando exemplos, colocando situações hipotéticas, entre outros recursos de entrevista em profundidade. O instrumento roteiro semiestruturado encontra-se no Anexo II. Outro instrumento de coleta é um questionário fechado com escalas. O questionário é basicamente a repetição do roteiro de entrevista. Colocado na forma de uma afirmativa positiva, solicita-se ao sujeito que escolha uma opção dentro de uma escala de Likert. 61 O instrumento questionário encontra-se no Anexo III. A terceira forma de coleta refere-se aos dados secundários. Os documentos são fontes importantes de pesquisa, que complementam as entrevistas e outras técnicas de coleta. Entre as fontes secundárias possíveis para este trabalho, devem ser citados decretos oficiais, fotografias, cartas, artigos em revistas, atas de assembleia, ata de fundação, notícias em jornais e revistas, resumos de reuniões, eventos ou participações, livros, sites das empresas participantes e notícias de redes sociais sobre eventos, situações e reclamações dirigidas aos participantes do negócio. Os dados secundários são encontrados em bibliotecas, agências governamentais ou particulares, acervos de instituições, das cooperativas, das pessoas envolvidas no negócio e acesso livre na internet. De posse dos documentos eles são analisados a partir do quadro dos indicadores. Para cada documento serão buscados os sinais de fatores presentes. 4.2.6. Formas e instrumentos de análise O primeiro passo para refinamento e validade dos instrumentos de coleta consiste em reunir as conclusões sobre a pesquisa de validade de conteúdo a que chegaram os juízes. A técnica para se chegar às conclusões consiste no critério de convergência da maioria. Havendo convergência de análise sobre um item, deve-se modificá-lo conforme a sugestão oferecida, segundo Raymundo (2009: p.87): “Validação é o processo de examinar a precisão de uma determinada predição ou inferência realizada a partir dos escores de um teste. Validar, mais do que a demonstração do valor de um instrumento de medida, é todo um processo de investigação. O processo de validação não se exaure, ao contrário, pressupõe continuidade e deve ser repetido inúmeras vezes para o mesmo instrumento”. Após os ajustes imprescindíveis nos indicadores e instrumentos, os dados coletados são organizados das seguintes formas: As entrevistas são analisadas conforme as normas de análise de conteúdo (BARDIN, 1997), principalmente a análise temática, que consiste em resumir a ideia sobre a qual o discurso do sujeito se desenvolve. Para Olabuenaga e Ispizúa (1989), a análise de conteúdo é um método de leitura e interpretação do conteúdo de toda classe de comunicação, seja 62 impressa ou verbal. Conforme Bardin (1977), há uma sequência de passos para organizar, classificar e analisar os dados. O resultado final deve ser a compreensão, interpretação e inferência sobre o problema de pesquisa original. O que se busca no texto ou discurso é captar os vários sentidos, manifestos e latentes. Os conteúdos latentes são inferidos a partir do uso da base teórica. Como as perguntas constantes no roteiro exigem exemplos, eles servem a dois propósitos: por um lado, confirmam o discurso da resposta genérica do sujeito, e por outro indicam que natureza de fenômeno está relacionada ao tema investigado. Por exemplo, se em dez entrevistas, sete sujeitos citam como exemplo de confiança o fato de assinar um documento em branco, o documento em branco torna-se forte sinal de confiança nesse negócio, podendo ser adicionado em instrumentos futuros. Uma segunda forma de análise das entrevistas consiste em criar quadros indicativos de ausência e presença do item da variável, o que permite visualmente uma rápida análise das respostas de cada sujeito e das somas dos itens nas colunas. Como os sujeitos são provenientes de diferentes organizações, o comparativo deve ser destacado. O mapa de respostas é indicativo do estado de organização daquela rede. O mesmo procedimento se dará com relação aos integrantes das demais cinco redes nas quais as cooperativas estão presentes. O mapa possibilita a comparação entre distintos grupos. Os questionários são analisados conforme regras de estatísticas não paramétricas (SIEGEL, 1975), adequadas para pequenas amostras, e variáveis qualitativas colocadas em escalas. A primeira organização gera um mapa semelhante ao das entrevistas, com a visualização das respostas de cada sujeito nas linhas e as colunas, contendo no título a numeração das assertivas. Uma escala permite análises como grupamentos (quais sujeitos responderam de forma semelhante), os clusters com as respostas de discordância (1 e 2) e de concordância (4 e 5). Finalmente, sobre a análise dos documentos, eles seguem a mesma lógica de análise de conteúdo, buscando as referências sobre as variáveis e seus indicadores. Ao final dessa organização, há três fontes de dados, com a mesma matriz, com os fatores e indicadores, possibilitando análises e discussões sobre as formas de configuração de cada rede da qual participa cada cooperativa e as possíveis comparações entre elas. A última fase e a mais importante é a interpretação dos resultados, utilizando a teoria de base, oferecendo a resposta sobre as proposições e indicando continuidade de pesquisas. 63 5. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS A primeira parte desta apresentação de dados consiste em informações sobre as cooperativas habitacionais, a partir da pesquisa de documentos e pesquisa bibliográfica. 5.1. Dados sobre as cooperativas habitacionais no Brasil Segundo Schneider (1999), o cooperativismo teve origem na organização dos trabalhadores na Inglaterra, no período da Revolução Industrial. Para Singer (2002) e Bocayuva (2003), as cooperativas criadas não precisavam de ajuda externa, e as atividades eram desenvolvidas pelos cooperados, que se revezavam e participavam das decisões. Era um modelo de autogestão que se difundiu na Europa. Surgiram cooperativas para fins específicos, como consumo, agricultura e crédito. Para Benini (2003), o cooperativismo se baseia em valores de ajuda mútua, responsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade. Sua essência está na associação de pessoas que, com esforço próprio, ajuda mútua e ações coletivas, observando liberdade, justiça e solidariedade, satisfazem exigências econômicas e sociais, pela constituição de uma organização, sem fins lucrativos e voltada à qualidade de vida e à dignidade humana, cumprindo com rigor os seus princípios. É importante que todos saiam ganhando; caso contrário, não se trata de cooperativismo. Nessas frases é possível notar semelhanças e proximidade com os conceitos de redes, principalmente o objetivo coletivo, a consciência da necessidade de um trabalho conjunto e um conjunto de regras fortemente pautado pelas relações éticas. No Brasil surgiram cooperativas de várias naturezas, incluindo as habitacionais. Segundo Doimo (1994), o cooperativismo é espaço compartilhado de relações entre organizações. Assim, o cooperativismo habitacional é um campo de parcerias entre o setor público, as próprias cooperativas, as entidades de fomento, como a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) e de São Paulo (OCESP), Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP), Sindicato das Cooperativas Habitacionais (SINDICOOPERATIVAS), Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA) e Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI), construtoras, incorporadoras, imobiliárias, fornecedores de materiais e mão de obra, bancos e grupos de cooperados. 64 O governo, com as políticas habitacionais, criou uma estrutura cooperativista, órgãos assessores à parte, o Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais (INOCOOPS), cuja finalidade era criar meios para atender às classes de baixa renda com moradias populares, custos e prestações menores que as construtoras e prazos de pagamento mais longos. As cooperativas eram controladas e administradas por órgãos públicos, o que frequentemente dificultava o crescimento e inovação das instituições. Para Oliveira e Batista (2001), a intervenção estatal originava vários problemas, entre eles ausência da consciência cooperativista, falta de integração entre as próprias cooperativas, inadequação de modelos de gestão, com características centralizadoras; resultados operacionais inadequados e despreparo no trato com a concorrência. Surgem, então, segundo Calado (2003), as cooperativas auto gestoras e autofinanciáveis, sendo pioneira a Cooperativa Habitacional dos Suboficiais e Sargentos da 1ª Zona Aérea, fundada em 1968. Para Castro (1999), essa concepção de cooperativas habitacionais apresentou mudanças profundas em relação ao modelo implantado pelo BNH/INOCOOPS, pois apresentava a ideia central do cooperativismo e a independência do governo e do financiamento bancário. As cooperativas seguem os princípios cooperativistas de autonomia e independência, isto é, uma cooperativa é sociedade autônoma, controlada pelos próprios cooperados, podendo firmar acordo com outras instituições, desde que se assegurem, em qualquer hipótese, sua autonomia e o controle pelos cooperados. No movimento de independência das cooperativas auto gestoras, ocorreu que algumas delas ampliaram o leque de produtos (construção alternativa de casas populares e de moradias para as classes média e alta, locais diferenciados, tipos de imóveis, casas, sobrados, apartamentos e preços diferenciados); ampliaram os segmentos atendidos, criando ligações, agora guiadas mais pelos objetivos financeiros (até de auto sustentação da organização) do que propriamente sociais de políticas habitacionais. Entende-se que quando uma cooperativa se coloca e age como empresa de negócio na construção modifica a situação, tornando-se uma competidora. Nessa situação ela competirá com construtoras nos produtos e processos de construção, venda e financiamento. O trabalho, portanto, pressupõe a existência de grupos cooperativos para os processos normais da construção cooperada, em seu sentido social e coletivo. No entanto, sinais prévios recolhidos pelo autor mostram que algumas cooperativas modificaram sua linha de produtos, alterando o campo organizacional. Investigar essas diferenças no campo é válido para o projeto, embora não seja seu foco. 65 O governo, por seu lado, continuou criando programas habitacionais, agora não mais contando com as cooperativas. Programas como o CC FGTS – Operação Coletiva, o Habitar Brasil – BID, o Pró-Moradia, o Programa de Infraestrutura e Serviços de Reforma Agrária, o Programa de Urbanização e Regularização e Integração de Assentamentos Precários, Morar Melhor e o mais recente, Minha Casa Minha Vida. Como se percebe pelos dados, a questão das moradias populares cria movimentos políticos (programas do governo), empresariais (acordos entre empresas para construção de moradias), sociais (formação de cooperativas auto gestoras) e econômicos (formas de financiamento imobiliário). Até a década de 1970, a cooperativa habitacional estava integrada às demais organizações e ao governo, com tarefas como captação dos consumidores, inscrições, elaboração de projetos, tarefas administrativas, tarefas relativas à construção, solicitação de verbas ao BNH. Em teoria de rede, ela agia como ator central, coordenando atividades. Os documentos coletados mostram que dessa década em diante a posição foi gradativamente perdida. No Brasil, existem exemplos dos três tipos de cooperativas habitacionais: as que compram em comum; as que constroem as casas em mutirão, e as que contratam uma construtora que se responsabiliza por toda a construção do imóvel. Segundo a OCB, no final de 2012 o Brasil possuía 262 cooperativas habitacionais inscritas e ativas, sendo 110 somente no Estado de São Paulo. Autores como Benecke (1980) destacam a importância da participação dos cooperados nos processos da cooperativa, sendo eles mesmos produtores e consumidores dos serviços da cooperativa. Para essa participação devem existir uma estrutura organizacional e um conjunto de normas de conduta. A estrutura e a governança são dois fatores ressaltados pelos autores de redes. As relações entre os cooperados se pautam pelo comprometimento, confiança e cooperação, tripé social que sustenta as decisões técnicas. A primeira tarefa de investigação consistiu em uma pesquisa de validação dos indicadores. 5.2. Apresentação dos dados da pesquisa de validação dos indicadores A seguir são apresentadas as análises dos juízes e as ações de ajuste dos indicadores, para a forma final dos instrumentos. 66 QUADRO 7. VALIDAÇÃO DOS INDICADORES Juiz Validade de Estrutura do Compreens Sequência Sugestões do Ações constructo texto ão do texto lógica juiz realizadas Incluir fidelização, complementari dade e aprendizagem As variáveis do quadro criado pelo autor são significativas Esgotar as possibilidade s e não interferir em outras Itens podem não ser respondidos Possibilidade de refazer as entrevistas Juiz 2 Indicadores de interdependên cia não são suficientes Faltam variáveis gerenciais como comunicação e cooperação Os indicadores são claros e de fácil compreensão Sim, lógica Incluída uma frase sobre fidelização na parte teórica. Indicadores não modificados. As variáveis citadas estão inclusas nas variáveis utilizadas no trabalho. Juiz 3 Incluir formas de governança em rede Fazer alterações nas variáveis de confiança, assimetria e governança Juiz 4 Os indicadores devem ser testados Fazer ajustes na variável assimetria Juiz 5 Por não existirem dentro da literatura indicadores pré-definidos, é de grande valia a criação desses próprios As variáveis utilizadas podem influenciar a verificação de elementos antecedentes ou elementos resultantes Juiz 1 Juiz 6 . tem Acrescentar as variáveis de cooperação e comunicação Os indicadores precisam ser empíricos Variável confiança - fazer um construto nas relações organizacionais; Indicador de assimetria acrescentar solução para a assimetria. Formas de governança poderiam ser elementos da governança. O constructo da variável confiança foi apresentado na parte teórica. Assimetria: foram adicionados indicadores sobre a solução governança: mantidas as formas. Existe lógica, pois é de fácil compreensão Está coerente Apenas ajustar a variável assimetria Foram adicionados indicadores para solução de assimetrias. O texto se torna consistente com o conteúdo a ser pesquisado Sua compreensão , dependendo do tipo do ator a ser entrevistado, pode gerar dúvidas. Se a mesma foi determinada pela importância que representa ela está coerente. É importante a triangulação dos dados com as respostas para poder confirmar a questão de pesquisa. Sem necessidade de mudanças. As colocações são pertinentes ao conteúdo da pesquisa. A pesquisa poderia verificar também a existência e/ou grau dos resultantes de cada variável Os antecedentes poderiam oferecer informações sobre o que observar no campo Verificar as influências das variáveis Verificar o que geram as cinco variáveis que estão sendo estudadas. Sem mudanças. Trabalho não busca verificar antecedentes e consequentes. . As variáveis empíricas devem ser separadas das variáveis teóricas 67 Juiz 7 O quadro contribui, mas não esgota todas as possibilidades existentes para isso Essas variáveis não esgotam as possibilidades existentes Fácil compreensão Possui sequência lógica Juiz 8 O conteúdo é válido, em função de sua construção ser a partir de revisão bibliográfica e operacionaliza ção das variáveis predefinidas As variáveis são pertinentes ao conceito de estados de rede O quadro é lógico, objetivo e tem sequência de variáveis adequadas A sequência é adequada Procurar indicadores que demonstrem a vitalidade da rede, se ela está se adensando, expandindo, aderindo a outras redes etc. Cada indicador deveria utilizar apenas uma palavra para definir as variáveis, principalmente nos indicadores de assimetria e alteração do primeiro indicador da governança Não houve mudança. Trabalho não tem diretriz de análise histórica. Mudanças feitas respeito conteúdos variáveis, forma gramatical alterações algumas palavras utilizadas texto. a dos das na e de no Fonte: Construção do próprio autor (2014). Resumindo essa etapa da investigação, a pesquisa sobre a validade dos indicadores indicou a exigência de ajustes, sem desqualificar a tarefa, concluindo-se que os indicadores são válidos para uso nos instrumentos. O Quadro 6 apresentou a forma já ajustada. Portanto, tendo sido aprovados os indicadores, a segunda etapa da investigação consistiu na coleta de documentos que tratam do tema de construção cooperada no Brasil, e a análise dos documentos complementa item anterior, sobre o contexto do negócio. 5.3. Dados secundários sobre o negócio de construção cooperada no Brasil A seguir serão apresentados documentos sobre as redes do negócio de construção cooperada que se tornaram importantes para a pesquisa. 68 QUADRO 8. DOCUMENTOS SOBRE AS REDES DO NEGÓCIO DE CONSTRUÇÃO COOPERADA N° 01 Natureza do dados Jornal Diário Oficial da União 21/08/1964 02 Programa de HabitaçãoMinistério das Cidades www.sst.sc.gov. br/arquivos/id_s ubmenu/.../publi icacao_planhab_ capa.p.. 03 Jornal O Cooperativismo Novembro / Dezembro 2007 Tema central Governo Federal cria a Lei 4.380/1964, que normatizará a política nacional de habitação coordenando ação dos órgãos públicos junto com a iniciativa privada para construção de habitações de interesse social através de cooperativas habitacionais. Governo cria o PNH – Plano Nacional de Habitação, com o intuito de incentivar governos municipais a assessorarem as cooperativas habitacionais, para a construção e aquisição por parte da população de sua casa própria. Cooperativas discutem a questão de governança no ambiente cooperativista. Segundo o diretor, a forma e o estilo da governança, depende do problema que se pretende resolver dada a existência de inúmeras estruturas corporativas e de diversos tipos de assimetria de informação que se apresentam aos variados agentes do mercado, sejam eles participantes de cooperativas, bancos, construtoras, agentes fiduciários Variável presente Indicador Relação com o tema da pesquisa Governo com suas regras e controles aparece como ator importante na determinação do estado de rede. Formas de Governança 3.Controle por autoridade. Formas de Governança 3.Controle por autoridade. 6.Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. Governo com suas regras e ações coletivas aparece como ator importante na determinação do estado de rede. Formas de Governança 3.Controle por autoridade. Natureza e formas de solução de Assimetrias 5.Modos de solução das diferenças. A governança e suas regras na cooperativa são fatores que determinam o estado de organização da rede, principalmente em procurar solucionar as diferenças existentes entre atores da rede. A ligação dos sinais de governança com a solução de assimetrias indica uma rede mais organizada. 69 04 05 06 Manual de Orientação para as Cooperativas Habitacionais 2007 Biblioteca Virtual Legislação e Governo Programas e Projetos Sociais Janeiro / 2009 Informativo Bradesco 05/11/2009 e outros envolvidos nas diversas parcerias. Com as parcerias da OCESP, OCB, CNCOOP e SESCOOP, a cooperativa C promove seminário a respeito do trabalho e importância do conselho fiscal nas cooperativas habitacionais. Com a presença de inúmeras cooperativas, bem como de advogados voltados ao ramo do cooperativismo, o tema do seminário voltou-se para o papel e a importância do conselho fiscal nas cooperativas, dando apoio e facilitando o trabalho dos mesmos junto aos cooperados e junto aos parceiros quando da assinatura de contratos e acordos realizados entre as partes. Governo Federal e CEF fecham acordo com SESCOOP e OCESP repassando através de parcerias, recursos para as cooperativas, os quais possibilitam construções com prazos menores, facilitando entregas antecipadas aos cooperados. Parceria entre o Bradesco, a cooperativa C e a Construtora P possibilita a todos os participantes um Formas de Governança 2.Regras sobre penalidades. 3.Controle por autoridade. 6.Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 1.Participar regularmente de reuniões e decisões. 3.Assumir responsabilidades de ações conjuntas e 4.Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. Natureza e formas de solução de Assimetrias 5.Modos de solução das diferenças. Presença e natureza da Interdependência 1.Sinais da necessidade dos recursos que outro ator possui. Natureza e formas de solução de Assimetrias 5.Modos de solução das diferenças. Presença e natureza da Interdependência 1.Sinais da necessidade dos A presença desses indicadores indicam redes mais organizadas onde as funções são bem especificadas a cada um dos atores, e os mesmos assumem responsabilidade coletiva para o cumprimento de suas tarefas. Com a possibilidade de antecipação das entregas diminuem as diferenças entre cooperados com poder de compra diferenciado. A ação demonstra capacidade organizacional, responsabilidade e comprometimento social com os cooperados. A formação de parcerias entre os principais envolvidos desenvolve laços e 70 desenvolvimento maior e mais rápido dos projetos de construção, com entrada de recursos e tecnologias para término das obras e financiamento com prazos mais longos dos saldos devedores. 07 2º Encontro Internacional das Cooperativas Habitacionais tribunadonorte.c om.br/news.php Dezembro / 2009 08 Manual – SESCOOP www.brasilcoop erativo.coop.br/s Criado em 2010 09 Informativo Coopercon 12/02/2013 OCB e SESCOOP promoveram encontro entre dirigentes cooperativistas para divulgação de experiências em países europeus, com parcerias públicas e privadas, suas vantagens e riscos. Um dos temas foi que os resultados satisfatórios dependem da participação dos vários atores nas decisões e controles. A criação, difusão e troca de conhecimentos sobre o manual do cooperativismo tem como finalidade incentivar e proporcionar novos conhecimentos, novas experiências e ações conjuntas aos dirigentes sobre o que é o que representa para a comunidade o cooperativismo habitacional. Cooperativa das construtoras do Ceará mobiliza negociação inédita para o setor: A Coopercon, através de sua diretoria conseguiu mobilizar dois grandes bancos da recursos que outro ator possui. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento. 3.Assumir responsabilidades de ações conjuntas. Sinais e formas de solução de assimetrias 5.Modo de solução das diferenças. Presença e natureza da interdependência 2.Troca de conhecimentos entre os atores. Formas de Governança 3.Controle por autoridade. Presença e natureza da Interdependência 2.Troca de conhecimento entre os atores. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento. 3.Assumir responsabilidades de ações conjuntas. Formas de Governança 3.Controle por autoridade. Natureza e formas de solução de Assimetrias 1.Diferenças de recursos investidos e 5.Modo de solução das diferenças. relacionamentos. Neste caso os laços são econômicos, mas a solução de assimetrias pode indicar uma rede de organizações mais desenvolvida, mais comprometida. As formas de solução das assimetrias indicam as diferenças de organização entre duas ou mais redes. As ações conjuntas dos atores das redes e as trocas de conhecimentos entre eles determina uma rede mais desenvolvida, mais organizada e mais comprometida. A atitude desse ator demonstra o alto grau de comprometimento com a sociedade, mesmo que tenha interesses próprios, porém, percebe-se que com esse trabalho, 71 10 11 Jornal da OCESP Abril /2012 Jornal do Cooperativismo de Americana Abril / 2012 região passando a oferecer um serviço exclusivo de crédito imobiliário para financiar a produção de moradias junto as cooperativas habitacionais do estado, isso só foi possível pelos bons relacionamentos da mesma com os bancos e com as cooperativas que trabalham com ela. Com parcerias do SESI, SEBRAE, CREA, Ministério e da Cidade e representantes do governo, a OCESP promoveu a 1ª reunião da comissão criada em 2011, contando com a presença de diversos dirigentes de cooperativas, representantes de bancos do Brasil, Caixa Econômica, Bradesco, Itaú e do sindicato da construção civil, cujo tema foi formar parcerias para o desenvolvimento e aprimoramento do sistema de construção através de cooperativas, com financiamentos bancários e com as próprias construtoras. Presença e natureza da Interdependência 2.Necessidade de troca de conhecimentos de um ator para outro. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 3.Assumir responsabilidades de ações conjuntas. Natureza e formas de solução de Assimetria 5.Modo de solução das diferenças. Presença e natureza da Interdependência. 2.Necessidade de troca de conhecimentos de um ator para outro. Com o patrocínio da ONU, AIC, OCESP, OCB, SESCOOP, de várias cooperativas do Brasil, CEF, Banco do Brasil, ONGs e Governo Formas de Governança 3.Controle por autoridade. Natureza e formas de solução de Assimetrias 5.Modo de solução das diferenças. Presença e natureza 5.Necessidade de procura se relacionar com os demais parceiros e com eles assumir responsabilidade e ações conjuntas. Após esta decisão por parte desses atores, percebeuse que algumas cooperativas, bancos e construtoras ao assumirem essa responsabilidade de se encontrarem mais assiduamente, passaram a trocar mais informações, conhecimentos e experiências o que proporcionou maiores relacionamentos e intercâmbios entre as mesmas, com isso diminuiu em muito certas diferenças que levavam muitas vezes cooperados a duvidarem até do sistema, com isso passou a haver uma maior integração o que demonstra a capacidade dos mesmos se organizarem em parcerias. A notícia indica a consciência da necessidade de ações coletivas, implicando que essas ações ainda não são dominantes no 72 12 Jornal de Economia Solidária Março / 2012 Federal, como também da Federação Uruguaia de Cooperativismo Habitacional e da Federação Argentina de Cooperativismo, foi realizado em Americana o 1º Encontro Internacional do Cooperativismo, para comemorar o Ano Internacional do Cooperativismo2012, cuja finalidade foi proporcionar conhecimentos, trazer novas experiências e traçar novos caminhos para o ramo do cooperativismo, Fórum: sobre o cooperativismo habitacional: desenvolvimento de uma cultura de cooperação, conhecendo novas realidades, identificando novos negócios, colocando as cooperativas para interagirem com o intuito das boas práticas entre as mesmas serem disseminadas através de controles realizados pelos seus dirigentes e a participação conjunta de cooperados e parceiros. A cooperativa C promove encontro das Cooperativas Habitacionais, Finalidade desenvolver parcerias das cooperativas com o intuito de melhorar da Interdependência. troca de conhecimentos entre os atores. Sinais da presença e 1.participar de conteúdo de reuniões e Comprometimento decisões que levam a ações conjuntas. Sinais da presença e 4.Sinais que um conteúdo de ator acredita e Confiança segue as regras e ramo. Significa, para o tema, que os grupos do negócio encontram-se em um estado ainda latente de organização. O ator C1 busca criar consciência da necessidade de trabalho conjunto, com o objetivo de alterar a situação atual e promover ações coletivas e de parcerias 73 o desempenho das mesmas e se solidificarem no ramo imobiliário. 13 Jornal da OCESP Junho / 2012 14 Jornal o Consumidor Moderno Setembro / 2012 15 APAMP Outubro/2012 metas. A importância da confiança, comprometimento, participação efetiva e cobrança das metas por parte dos cooperados junto as cooperativas demonstrando a importância desses fatores para a continuidade e desenvolvimento das cooperativas no Estado de São Paulo. Cooperativas habitacionais auto gestoras se tornam mais procuradas pelo público depois que passaram a dar maior transparência e credibilidade em seus projetos. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 3.Assumir responsabilidade de ações conjuntas. 4.Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 4.Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. Sinais da presença e conteúdo de Confiança. 5.Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. Associação Paulista de Apoio aos Mutuários Prejudicados buscam melhoria do setor de construção em particular das cooperativas habitacionais para evitar abusos e descumprimento de contratos e normas pré-estabelecidas. Segundo parecer da associação, as cooperativas, os bancos e as construtoras devem apresentar transparência em suas informações de maneira que os cooperados tenham conhecimento suficiente a respeito de todos os seus direitos e obrigações em Formas de Governança 3 controle por autoridades a respeito das regras estabelecidas. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento. 4.percepção entre as pessoas pelo cumprimento dos acordos. através do comprometimento e confiança entre os atores das redes. A integração entre os atores colocando as ações coletivas como fatores primordiais priorizando a confiança e o comprometimento , solidificam essas parcerias podendo criar uma rede mais funcional. As variáveis sociais atraem outros atores, o que demonstra uma rede melhor organizada de uma forma que transmite confiança a todos que dela participa. Por ser uma associação voltada a todos que adquirem moradias, seja ela pelo sistema de construtoras ou de cooperativas, essas regras de proteção e controle normatizaram todo o sistema determinando novas atitudes para obrigar as empresas a cumprirem os acordos. 74 16 17 Jornal Brasil Cooperativo 2012 Evento 1º Encontro Nacional do Cooperativismo Habitacional Auto gestor. www.paranacoo perativo.coop.br/ .../index.php? encontro 25/08/2013 relação ao conteúdo no ato de assinatura da proposta de aquisição da quota parte da cooperativa que passaram a integrar. OCB e SESCOOP discutem em reunião com as cooperativas a questão da governança nas cooperativas habitacionais, de forma que todos possam se utilizar dos mesmos princípios que regem o cooperativismo unificando as normas para não haver dúbia interpretação de valores. Finalidade: Criar ações coletivas facilitando os financiamentos bancários para as cooperativistas de forma a facilitar e antecipar as entregas das moradias. Sindicato dos bancos privados e estatais apresentam proposta de repasse de recursos para as cooperativas habitacionais, antecipando valores, possibilitando as mesmas mais recursos para agilização das obras e entrega das Formas de Governança 3.Controle por autoridade. 4.Regras sobre igualdade entre atores. Natureza e formas de solução de Assimetrias 2.Diferenças de objetivos; 5.Modo de solução das diferenças. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 4.Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. Natureza e formas de solução de Assimetrias 5.Modos de solução das diferenças de recursos. Presença e natureza da Interdependência 5. Existência de promessas de continuidade relacional entre um ator para outro. Estes procedimentos determinaram processos e regras iguais entre elas, facilitando o entendimento por parte dos cooperados seja em uma ou outra a que ele se integrará. Isto representa atitudes controladas e sem diferenças entre elas, trazendo maior credibilidade e fidelidade para o ramo cooperativista o que determina um estado de organização mais desenvolvido para a rede. Ao injetar recursos nas cooperativas, por parte de um ator proporcionando solução para as diferenças de recursos de alguns cooperados e de algumas cooperativas, demonstra a preocupação do trabalho conjunto. 75 18 19 Sistema OCB faz ponte entre as cooperativas habitacionais, o Banco Central e os bancos estatais. Evento Encontro Nacional das Cooperativas do Brasil www.diarioliber dade.org › Brasil › Consu mo e meio natural 18/10/2013 moradias. Nos projetos do governo a verba será por parte dos bancos estatais (casas populares) e nos projetos particulares (casas com melhores padrões para outras faixas de renda) os financiamentos serão por parte da rede privada. OCB reúne representantes de cooperativas habitacionais, do banco Central e dos bancos estatais para lançar o fundo garantidor de crédito o que fortalecerá o sistema cooperativista dando a ele maior credibilidade e confiança junto aos cooperados, construtoras e empreiteiras, bem como perante a própria sociedade com o intuito de promover a fidelização de novos parceiros. A cooperativa C, promove encontro entre cooperativas habitacionais e cooperados do Brasil cuja finalidade é demonstrar a importância do trabalho coletivo entre os cooperados, a confiança e o comprometimento com as cooperativas de forma a atingirem os objetivos propostos. Sinais de formas para diminuir a assimetria 5.Modos de solução das diferenças de recursos. Sinais da presença de Comprometimento 1.Participar de reuniões e decisões que levam a ações conjuntas. 3.Assumir responsabilidades de ações conjuntas. 5.Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros. Sinais da presença e conteúdo de Confiança 4.Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. 1.Participar de reuniões e decisões que levam a ações conjuntas. 2.Ajudar a outro, mesmo sem benefício próprio. 3.Assumir responsabilidades de ações conjuntas. 5.Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento Sinais da presença e conteúdo de Confiança 4.Sinais que um ator acredita na integridade das As variáveis mostram o caminho da legitimação e reconhecimento do negócio, indicando o trabalho conjunto entre todos, o que pode criar uma rede mais estruturada e organizada. O ator busca criar consciência da necessidade de trabalho conjunto, com o objetivo de alterar a situação atual de falta de informação e isolamento dos cooperados em relação as decisões e ações praticadas pela rede. 76 20 Vº ECHA – Encontro das Cooperativas Habitacionais Auto gestionárias De 23 a 25/10/2013 www.observator iodasmetropoles. net/index.php?6 94%3Avºecha...enco. 26/10/2013 - Tema: Expansão do cooperativismo habitacional no Brasil, condições atuais de gestão das cooperativas habitacionais no mercado imobiliário e sua importância para a sociedade. Apoio da FUCVAM Federación Uruguaya de Cooperativas de Vivienda por Ayuda Mutua - SESAMPE RS Secretaria Estadual da Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa -COOHABRASCooperativa Habitacional Central do Brasil, ONU-Habitat e da UNISOL Brasil – Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos e Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários. Com a presença de grande parte das cooperativas habitacionais do Brasil, foi discutido durante o encontro o papel representado pelas mesmas junto a sociedade e a necessidade do trabalho conjunto. Fonte: Construção do próprio autor (2014). Natureza e formas de solução de Assimetrias pessoas que fazem parte da rede. 5.Modos de solução das diferenças. Presença e natureza da Interdependência 2.Troca de conhecimento de um ator para com o outro. Formas de Governança. 3.Controle por autoridade; 5.Regras sobre igualdade entre atores. A notícia da necessidade de ação conjunta mostra que essa situação ainda não é dominante no negócio. Pode-se afirmar, pelo conteúdo, que os grupos do negócio não se encontram num estado organizado, de trabalho coletivo. A partir do quadro sobre dados secundários relacionados ao cooperativismo habitacional, pode-se afirmar que os mesmos foram convergentes em abordar especificamente dois temas: 77 a) Assuntos sobre questões financeiras, ou seja, sobre decisões financeiras cuja intenção é facilitar a aquisição dos imóveis por parte dos cooperados; b) Necessidade de trabalho coletivo, ou seja, acordos de união entre partes, divulgando a filosofia, os princípios e a consciência cooperativista para o alcance de objetivos comuns a todos. Sobre questões financeiras, racionais e econômicas, a preocupação maior foi de demonstrar acordos firmados pelas organizações, principalmente as cooperativas habitacionais, os bancos, as construtoras e o governo, com o intuito de facilitar a aquisição das moradias, créditos imobiliários e antecipações de recursos para antecipar as obras. Quanto ao aspecto de trabalho coletivo e sobre relacionamento social, notou-se que ainda é pequena a conscientização por parte dos parceiros em ações coletivas e por isso se insiste muito na questão. A conclusão parcial criada a partir dos dados secundários apresentados é que as organizações parecem mais voltadas ao racional e econômico, ao atingimento de seus objetivos, com poucas ações coletivas. Em termos de estados de rede indica que os grupos estão ainda se organizando, com alguma consciência do coletivo, mas sem ações nesse sentido. Seria uma espécie de redes latentes. Como forma de compreensão do contexto das regiões e das cooperativas selecionadas, foram coletados dados secundários de fontes técnicas, constando de entrevistas com o diretor do CRECI, com o secretário estadual do Ministério da Cidade e com o secretário de habitação. Foram também coletados dados de fontes secundárias de entrevistas gravadas nos programas desenvolvidos por cooperativas do Estado de São Paulo. Os discursos foram analisados conforme as regras de análise temática, selecionando-se alguns pontos convergentes e questões básicas colocadas pelos sujeitos. Para o representante da OCESP o cooperativismo habitacional é o ramo que ainda se encontra em um estado inicial de desenvolvimento, necessitando muito ainda do trabalho coletivo, de comprometimento e confiança entre os envolvidos. Na mesma linha, o diretor da UNISOL afirma que o grande problema do cooperativismo habitacional é a falta de confiança e comprometimento entre os participantes, criando problemas ao trabalho conjunto. Comenta ainda o sujeito que, por causa dessa lacuna, sua instituição desenvolve treinamentos, cursos, palestras voltados para os princípios cooperativistas, a responsabilidade e o comprometimento entre os participantes, buscando o fortalecimento das parcerias. Os discursos do prefeito e do secretário de habitação da cidade de Itanhaém são mais otimistas. Para eles o cooperativismo habitacional foi compreendido e desenvolvido na região, 78 com várias cooperativas atuando, gerando emprego e negócios. Até as próprias cooperativas estão se unindo entre si, para negócios conjuntos, o que não ocorre em outros locais. A prefeitura também está nesse grupo, auxiliando nos tramites dos processos. Já a secretária do Ministério das Cidades no Estado de São Paulo mostrou um discurso do que deve ser feito, incluindo os programas sociais, um pouco afastados do tema deste trabalho. O plano é decorrência de alguns exemplos conhecidos pela secretária, onde o cooperativismo está desenvolvido. Finalmente, o discurso do diretor administrativo do CRECI em São Paulo ressaltou mais a concorrência entre cooperativas e construtoras do que a cooperação. Sobre cooperação, seu discurso foi no plano do que deve ser feito, como o sujeito anterior. As entrevistas mostram diferentes perspectivas dos sujeitos, em parte por diferentes contextos locais e, em parte, pelas experiências e convicções pessoais. A situação de um estado de organização mais desenvolvido parece estar no município de Itanhaém, ao passo que a situação mais competitiva, portanto menos cooperativa, estaria no município de São Paulo. Apesar dessas diferenças de fato, os sujeitos são convergentes na afirmativa dos benefícios se houvesse maior cooperativismo entre os agentes. Nos parágrafos seguintes apresentamos alguns dados iniciais das cinco cooperativas selecionadas para o trabalho. Todas elas são cadastradas na OCB, SESCOOP e Sindicato das Cooperativas Habitacionais do Estado de São Paulo. Suas características comuns são: sede no Estado de São Paulo; cooperativas de autogestão; constroem casas, sobrados e apartamentos unitários ou em condomínios; preços menores que o das construtoras ou empreiteiras; constroem exclusivamente para os cooperados; possuem diretoria eleita pelos cooperados em assembleias; entregam residências pelo processo de sorteio ou cronograma de inscrição; não têm vínculo institucional com o governo federal, estadual e municipal. Essas cooperativas foram escolhidas pelos seguintes critérios: a) Bem avaliadas pela OCB, OCESP e SESCOOP nos critérios transparência, responsabilidade e credibilidade; b) Bem avaliadas também pelos cooperados e dirigentes das cooperativas no critério comprometimento, conforme pesquisa prévia do autor; c) Projetos das cooperativas selecionadas trouxeram melhorias nos bairros e nos serviços públicos; d) Grande número de associados; 79 e) História de decisões sobre as regras que são importantes na análise da estrutura da rede da qual participam; f) Não são exclusivamente dependentes do governo; g) Estão com o cronograma de obras de acordo com estatutos e regimentos internos e h) Possibilitam acesso do autor aos dados. Sendo que uma delas é a maior aglomeração de cooperados do Brasil, uma tem um sistema de operação considerado modelo pelas demais, uma ainda ter participação evidente em eventos, cursos e fóruns voltados ao cooperativismo habitacional (educação cooperativista, formas de governança, comprometimento, ações coletivas e transparências nas informações, como proporcionar maior confiança entre cooperativas e cooperados), outra construindo apenas moradias no litoral e finalmente outra ainda tendo como base o interior de São Paulo. Nos itens seguintes são apresentados os dados organizados para cada rede em que se encontra cada cooperativa 5.4. Apresentação dos dados da rede A A cooperativa A foi fundada em 1991, localizada no centro da cidade de São Paulo. Formada somente por cooperados que fazem parte do funcionalismo público, entregou até o momento (final de dezembro de 2013, conforme site oficial) 4.630 moradias, representando 95,7% das 4.835 unidades sob sua responsabilidade em 11 projetos. A cooperativa construiu prédios de apartamentos em vários bairros do município de São Paulo e interior, e atualmente sua principal atividade é a entrega dos apartamentos faltantes, pois não pretende, de acordo com a atual diretoria, criar projetos para os próximos anos, antes de encerrar as entregas pendentes. 5.4.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede A A seguir são apresentados os documentos mais importantes sobre fatos que envolvem a rede da cooperativa A e que tem relação com a pesquisa. 80 QUADRO 9. DADOS SECUNDÁRIOS DA REDE A N° 01 02 03 Natureza do documento Ata de Constituição e de Regimentos 27/08/1991 Contratos de Prestação de Serviço 1993, 1995, 1998, 2003, 2005, 2007, 2009, 2011 e 2013. Contratos de financiamento de obras através de parcerias com diversos bancos 1993, 1995, 1998, 2003, Tema central Composto de regras de controles para constituição, admissão e exclusão, regimentos internos sobre relacionamentos de cooperados e diretoria, formas de distribuição, recursos, direitos e obrigações da diretoria, cooperados e outros atores, obrigação de participar das assembleias nas eleições e mudanças estatutárias, como também nas assembleias de sorteios e entregas. Cooperativa contrata empresa para construção de condomínios habitacionais. A cooperativa A, de acordo com regimento interno e cronogramas de entregas, contrata construtoras para construir os prédios conforme estabelecido em contrato com seus cooperados, sinalizando dessa forma sua responsabilidade no cumprimento e comprometimento das regras estabelecidas por ocasião das inscrições feitas pelos cooperados, como também da necessidade de parcerias, recursos e tecnologias que a mesma não possui para complementar seu trabalho como cooperativa. O contrato prevê trocas de recursos tecnológicos. A Cooperativa necessita de recursos, incluindo financeiros, pois não consegue construir sozinha. O documento mostra vários contratos com bancos. O estatuto Variável presente Formas de Governança Indicador 1.Regras sobre admissão e exclusão. 2.Regras sobre penalidade. 3.Controle por autoridade. Sinais da presença e conteúdo de Comprometim ento 1. Participar regularmente de reuniões e decisões. 6. Sinais de disposição de continuidade dos relacionamentos Presença e natureza da Interdependên cia 1.Sinais da necessidade dos recursos que outro ator possui. 2.Necessidade de trocas de conhecimentos entre os atores. Natureza e formas de solução de Assimetrias 1.Diferença de recursos investidos. 4.Diferença de domínio tecnológico. Formas de Governança 2.Regras sobre penalidades. 3.Controle por autoridade, ou reputação. Presença e natureza da Interdependên cia 1.Sinais da necessidade dos recursos que outro ator possui. 2.Necessidade de trocas de Relação com o tema da pesquisa Esse documento indica a maneira de formação dos grupos de cooperados, indicando como deve ser uma rede mais organizada e estruturada, controlando o comportamento e incentivando ações coletivas. Nesse documento fica visível as normas e regras que devem ser seguidas por todos que dela participa. Neste caso a cooperativa A assumiu um papel principal. Esse contrato representa a necessidade da cooperativa em se utilizar dos recursos dos parceiros e, ao mesmo tempo, colocar seus próprios recursos à disposição. Essa reciprocidade indica uma rede mais organizada. A cooperativa foi o ator principal nesses documentos. Os contratos representam a necessidade da 81 2005, 2007, 2009, 2011 e 2013. 04 05 Site Jus Navegandi 20/01/2005 Site da Cooperativa A 2013 da cooperativa inclui regras de contratos de terceiros. Os recursos obtidos pela cooperativa são repassados para as construtoras, o que implica em trocas de informações e conhecimentos. Cooperado reclama da não transparência nos reajustes das prestações da cooperativa. A cooperativa se defende afirmando que essas normas constam do próprio estatuto e que maiores esclarecimentos por parte da cooperativa foram dadas em assembleias ou particularmente aos cooperados interessados, alega também o desinteresse do cooperado em participar e procurar esclarecimentos sobre as regras da cooperativa. Cooperados pedem esclarecimento a cooperativa e aos órgãos públicos sobre eventuais irregularidades no processo e no prazo de entrega das moradias. Segundo alguns cooperados, a cooperativa atrasou a entrega das moradias cujos prazos já estão vencidos. Alegou a cooperativa que isso foi justificado pela condição climática que conhecimentos entre os atores. 3.Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho coletivo. Natureza e formas de solução de Assimetrias 1.Diferença de recursos investidos. Formas de Governança Sinais da presença e conteúdo de Comprometim ento 2.Regras sobre penalidades. 1.Participar regularmente de reuniões e decisões; 4.Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. Sinais da presença e conteúdo de Confiança 5.Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. Formas de Governança 4.Controles sociais com informações 6.Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros Sinais da presença e conteúdo de Comprometim ento 3.Assumir responsabilidad es de ações conjuntas; 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos; Sinais da presença e conteúdo de Confiança 4.Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo cooperativa em se utilizar dos recursos dos parceiros e, se for possível, colocar seus próprios recursos à disposição. A notícia indica existência de conflitos entre atores, uma parte alegando falta de transparência e outra se esforçando por resolver o conflito, indicando uma rede não tão organizada principalmente nos canais de comunicação entre a própria cooperativa e os cooperados, fazendo com que haja por parte do mesmo, desconfiança em relação às informações e integridade da própria diretoria. A notícia indica existência de pedidos de esclarecimentos entre atores, indicando uma rede com problemas a serem resolvidos. Os cooperados mostram sinais de desconfiança sobre as capacidades operacionais da cooperativa. 82 06 07 Site Reclame Aqui Junho / 2013 Diário Oficial da Justiça de São Paulo 13/09/2013 inviabilizou o processo de construção, levando também a atrasos nas entregas de materiais e, por conseguinte, o atraso nas entregas. A cooperativa se pôs à disposição dos cooperados para sanar qualquer dúvida a respeito do assunto, prometendo a entrega o mais rápido possível e se comprometendo e assumindo responsabilidades com a construtora no intuito de viabilizar a entrega no menor prazo possível. Cooperados pedem esclarecimento a respeito dos valores a serem devolvidos pelo cancelamento da inscrição. A cooperativa responde sobre os processos normais e seu diretor financeiro afirma que a reclamação não é justa, pelo que está no contrato. Cooperados entram na justiça solicitando esclarecimento sobre valor da devolução das quotas partes quando do encerramento das obras. Segundo estatuto, após encerramento das obras. O valor das sobras deve ser dividido em partes iguais entre os cooperados que receberam suas moradias e que fazem parte do grupo. Foi explicado que tais cotas serão devolvidas quando todos os participantes do grupo receberem seus imóveis e não quando parte dos mesmos tenham sido contemplados, ficando os demais ainda a sendo informais; 5.Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. Formas de Governança 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. Formas de Governança 1.Regras sobre admissão e exclusão de atores do grupo mais restrito. 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens. Sinais da presença e conteúdo de Confiança 4. Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo informais. 6.Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. Formas de Governança Sinais da presença e conteúdo de Confiança 5.Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede A presença dessa reclamação indica a falta de comunicação e de comprometimento entre as partes. As regras não são claras, ou não são entendidas, gerando desconfiança. Os dados indicam uma rede não tão organizada. A notícia indica a existência de conflitos originados por diferenças de valores financeiros repassados, ocasionando diminuição ou ausência de confiança sobre a instituição e as regras. A resposta da cooperativa indica esforço de elucidação dos conflitos. Os dados indicam uma rede com problemas, mas atores decididos a resolvê-los. 83 08 Site da Cooperativa A Outubro 2013 receberem. Cooperativa se destaca pela responsabilidade na entrega de conjuntos habitacionais. Segundo a OCESP e os próprios cooperados, a cooperativa demonstrou um grande comprometimento no cumprimento das regras preestabelecidas em contrato a respeito das datas de entregas de seus empreendimentos, isso ficou justificado pelo auto grau de responsabilidade da cooperativa com seus cooperados, com seus parceiros e os mesmos com a própria cooperativa. Sinais da presença e conteúdo de Comprometim ento 2.Ajudar a outro, mesmo sem benefício próprio; 3.Assumir responsabilidad es de ações conjuntas; 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos; Sinais da presença e conteúdo de Confiança 4.Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo informais; 5.Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. Formas de Governança 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. A existência dessas variáveis indica as formas e o estado de governança dessa rede. A notícia indica uma rede com atores comprometidos e com confiança, bases para uma rede organizada e funcional. Fonte: Construção do próprio autor (2014) A partir dos dados secundários coletados sobre a rede A, onde se encontra a cooperativa A, pode se verificar sinais da presença das variáveis da pesquisa, demonstrando interesse por ações coletivas por parte de alguns e descontentamento com os resultados do negócio e da cooperativa por parte de outros, mas ao mesmo tempo, de acordo com dados pesquisados a rede foi reconhecida pela sua capacidade e transparência. O subgrupo compreendido entre cooperativa e cooperados apresenta sinais contraditórios de presença/ausência de confiança e comprometimento. Ora os documentos indicam falta de confiança (documento 7), ora indicam confiança (documento 8). Pode-se afirmar então que esta rede em alguns momentos demonstra muitos conflitos entre os atores, motivados por falhas de comunicação e informação entre os mesmos e em outros momentos, a rede procura criar maior comprometimento e confiança. 84 5.4.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede A A seguir serão apresentados os dados sobre o questionário utilizado na pesquisa da Rede A: TABELA 1. RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO SOBRE A REDE A Perguntas Nem Discordo Discordo totalmente concordo Concordo Concordo totalmente nem discordo Presença e natureza da Interdependência 1 2 4 1 2 2 2 1 2 3 2 3 2 4 1 3 3 4 5 1 1 1 6 1 3 3 1 4 7 Total 0 (12%) 06 (20%) 10 (39%) 19 2 (29%) 14 Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 8 9 4 3 4 2 6 1 1 4 1 1 4 2 4 3 1 10 11 1 12 13 14 4 2 1 15 1 4 2 16 1 4 2 4 3 17 Total 0 (9%) 06 (9%) 06 (55%) 39 (27%) 19 Sinais da presença e conteúdo de Confiança 18 4 19 20 1 21 1 22 Total 2 1 2 4 1 1 4 1 4 2 1 0 (17%) Natureza e formas de solução de Assimetrias 06 (17%) 06 6 (54%) 19 (12%) 04 85 23 1 24 1 25 1 26 2 27 1 6 5 3 1 3 5 3 3 28 6 Total 0 (11%) 05 (17%) 07 (67%) 28 1 (5%) 02 Formas de Governança 29 7 30 4 3 31 5 2 5 1 32 1 33 3 1 34 2 1 1 35 Total (6%) 03 (6%) 03 (4%) 02 TOTAL (1%) 03 (11%) 26 (12%) 31 (65%) (56%) 4 2 6 1 32 (19%) 09 137 (20%) 48 GERAL Fonte: Construção do próprio autor (2014) Este questionário composto de 35 questões, com cinco alternativas, com escala de Likert, foi entregue a 07 atores da rede - 3 cooperados, 1 funcionário da cooperativa, 1 funcionário de construtora, 1 funcionário de banco e 1 advogado. Considerando as respostas do questionário, a pesquisa mostrou uma percepção de uma rede equilibrada, comprometida, com regras claras para os atores, com relacionamentos sociais, onde os mesmos depositam muita confiança nos demais sujeitos da rede e há muito comprometimento. Por outro lado, existiram altos índices de respostas “nem concordo, nem discordo”, mas não foi possível determinar o motivo, podendo ser (a) o sujeito não entendeu a questão; (b) o ponto não é importante; (c) o sujeito não tem informações suficientes para responder. Portanto, em relação à resposta de pesquisa com os dados obtidos, diferentemente dos documentos, podemos concluir que esta é uma rede parcialmente organizada, com sinais de desenvolvimento no sentido de esforço de solução de problemas; onde o social se faz presente. 86 5.4.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede A Sujeito A1 Presidente da cooperativa está no mandato desde 2011, durante a entrevista ela se posicionou a respeito da forma em que a cooperativa trabalha, ou seja, exclusivamente com funcionários públicos do estado de São Paulo, construindo apartamentos em condomínios fechados no município. Um ponto muito importante citado por ela, foi que: “Mesmo sendo tão criticado o sistema cooperativista, ainda é o melhor meio para a população adquirir sua casa própria, a grande questão é os cooperados entenderem, assimilarem e cobrarem seus direitos junto as mesmas, participando, opinando e dando sempre um pouco de si para que o coletivo seja utilizado em benefício de todos”. Comentou também que: “Nos últimos anos, houve um grande desinteresse por parte dos funcionários públicos em adquirem suas moradias através da cooperativa, principalmente pelo surgimento de outros tipos de projetos por parte do governo”. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram relevantes: De acordo com ela, a cooperativa depende dos recursos de seus cooperados e eles dos recursos da cooperativa, com seus parceiros (bancos, construtoras e entidades reguladoras) a necessidade é a mesma, inclusive trocam informações, experiências, conhecimentos com o objetivo de crescimento e desenvolvimento, colocados à disposição um do outro objetivando facilitar o trabalho conjunto e ganho para atingir o objetivo final. Para que isso seja realizado entre todos, passa a haver um grande comprometimento e confiança entre as partes, pois, tais atitudes só trazem benefícios, seja na tomada de decisões conjuntas, seja nas opiniões, seja nos próprios relacionamentos o que contribui para que os mesmos continuem disponibilizando seu tempo para ajudar a atingir as metas propostas, tanto que muitas vezes, disse ela, aceitando e cumprindo regras e acordos informais, pois ainda não tiveram os contratos assinados e aprovados, porém, com a certeza que os mesmos foram, são e serão totalmente cumpridos, o que demonstra a confiança existente entre os envolvidos. Ao ser questionada sobre a frequência em que se dá esses relacionamentos, ela informou que é praticamente no dia a dia, onde os cooperados ligam ou vão até a cooperativa para saber de seus interesses, participam das reuniões, dando opiniões, contribuem com seus conhecimentos e experiências, inclusive citou exemplos de cooperados que disponibilizam seu tempo e sua profissão em prol da própria cooperativa, exemplos: advogados e funcionários ligados a órgãos governamentais. 87 Já com os parceiros disse ela: “Embora existam muitos contatos, não são tão assíduos, sendo mais para analisar e administrar os contratos existentes e acompanhar seus trabalhos, embora muitas vezes em tais encontros se troca conversas a respeito de assuntos não condizentes com o trabalho”. Ao ser questionada a respeito de determinadas diferenças existentes na rede, ela comentou que: “Infelizmente ainda existem muitas diferenças entre os cooperados, principalmente no que se refere a recursos, ou objetivos, quanto aos recursos ela citou o caso de cooperados com ganhos menores que a maioria e que devem ser classificados em grupos separados e também de parceiros cujos objetivos são muito mais comerciais, cumprindo praticamente os contratos vigentes, porém, nunca percebeu ou não teve conhecimento que determinadas diferenças viessem a trazer qualquer forma de conflito entre eles, tanto que através das regras e normas existentes tais assuntos não se tornam motivos de dúvidas, sendo elas criadas de forma democrática estabelecendo direitos e obrigações pra os atores”. Assim sendo, pode-se afirmar que, considerando o conjunto das respostas obtidas pela entrevista com o sujeito A1, notou-se a presença das variáveis e para o mesmo tal presença representa o grau de envolvimento entre a cooperativa e os cooperados principalmente no que se refere ao comprometimento e confiança dos mesmos em relação a cooperativa e da cooperativa com eles, tais relacionamentos são sociais e se tornam muito significativo quando se desenha a rede em que a cooperativa se encontra e a sub rede onde os colaboradores e os cooperados estão, demonstrando uma rede organizada, porém, ao se observar seus comentários a respeito das parcerias, o paradigma se torna mais racional, pouco desenvolvida, estando ainda em um estado latente, sem a consciência de um trabalho conjunto. Sujeito A2 Gerente de conta bancária, ele informou em conversa realizada na agência que a cooperativa representa um de seus clientes e com eles o relacionamento é mais comercial do que social, porem em diversas oportunidades visita os clientes inclusive a cooperativa e com eles troca informações sobre o trabalho realizado, sobre suas necessidades e o atendimento que o banco está lhe oferecendo. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram relevantes: Mesmo reconhecendo que os relacionamentos são mais formais, ele informou que o banco tem grandes relações com seus parceiros, pois depende dos recursos dos mesmos e eles dependem dos recursos do banco: “Assim, nosso banco passa a analisar informações sobre os clientes, procurando conhecer suas necessidades objetivando facilitar o trabalho e atender na 88 medida do possível suas necessidades, para que isso aconteça é necessário trocarmos informações com os mesmos e eles conosco, nossos conhecimentos e nossas experiências a respeito de investimentos e financiamentos são muito importante para eles e muitas vezes inclusive somos questionados a respeito do que fazer e como fazer com os recursos excedentes ou até com as faltas de recursos dos mesmos”, “logico que com isso, passa a haver grande comprometimento entre as partes”, segundo ele, tais comportamentos contribuem para que as pessoas envolvidas confiem que cada um irá cumprir com sua parte no trabalho e por conseguinte continuem contribuindo e dispondo de seu tempo para benefício de todos, ou seja, essas decisões conjuntas conseguem melhorar o comprometimento entre todos e ao mesmo tempo, percebo um aumento da confiança entre as pessoas envolvidas, pois sei que cada um confiará no trabalho do outro, conseguindo com isso ganhos coletivos e resultados satisfatórios”. Quando se falou em diferenças existentes entre as pessoas e empresas com quem convive no dia a dia, ele respondeu que: “Realmente existem muitas diferenças entre as pessoas e as empresas, no caso específico da cooperativa, o banco possui contratos firmados e que estão sendo cumpridos de acordo com os cronogramas feitos”. Em relação as diferenças de objetivos, conhecimentos e tecnologias, ele comentou que: “Alguns querem recursos para construir, outros para adquirir ou desenvolver maquinários, outros ainda para créditos pessoais etc. porém, segundo ele nunca percebeu que as mesmas pudessem causar conflitos entre os parceiros, pois cada um tem uma necessidade diferente das demais e o banco procura solucioná-las de maneira específica para cada um, afirmando ainda que por existirem regras impostas pelo próprio banco, essas diferenças fazem parte do projeto do banco em solucioná-las e que tais regras devem ser seguidas, tanto internamente pelos funcionários, como também pelos clientes que necessitam dos recursos do banco”. Assim sendo, pode-se afirmar que, de acordo com a entrevista, em relação a resposta ao problema de pesquisa, notou-se a presença de algumas variáveis por parte do sujeito A2 também, porém, sua relação com a cooperativa ainda é comercial, não caracterizando ainda relações mais sociais, o que leva a entender uma estado de organização ainda muito latente sem o conhecimento necessário da importância de se trabalhar em rede. Sujeito A3 Responsável pela construtora contratada pela cooperativa para construir os projetos faltantes, não trabalha apenas para ela, tendo outros clientes, porém atende e cumpre os 89 contratos já definidos, principalmente no que se refere ao prazo e aos custos das obras, conforme determinado. Quanto a entrevista ele disse que: “É o primeiro trabalho com a cooperativa, esperando conclui-lo da melhor forma possível, para que haja continuidade desses relacionamentos inclusive após o encerramento das obras”. Sua função é acompanhar os cronogramas feitos com os parceiros e para isso, ele complementou dizendo: “Procuro manter muitos contatos com eles, principalmente se sou chamado para uma reunião, para um bate papo, para que não haja dúvidas em relação ao que está sendo feito e como está sendo feito, informando-os dos acontecimentos do dia a dia da obra, sejam positivas ou negativas, entendendo para que isso seja realizado, as parcerias devem estar comprometidas, as conversas e trocas de informações entre todos serem assíduas, tornando-se pontos fortes para o alcance dos objetivos”. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram expressivas: Segundo ele: “A construtora necessita dos recursos de seus parceiros, seja em material, mão de obra, novas tecnologias na construção e dinheiro, porem essas empresas também precisam da construtora, seja de seu conhecimento, de sua experiência e de seu trabalho, nas reformas ou construções de obras como também de recursos colocados à disposição para seus próprios parceiros, isso leva a troca de informações com os mesmos, utilizando e repassando experiências que são colocados à disposição de todos, objetivando facilitar o trabalho conjunto e ganho coletivo”. Ele comentou também que “Esses relacionamentos se tornaram muito importantes principalmente em relação as responsabilidades assumidas por todos, pois com essas ações coletivas acredita na promessa de continuidade relacional entre os parceiros”. Ao esclarecer sobre os assuntos tratados com seus parceiros, os mesmos são muito restritos e bem reservados quanto a assuntos particulares, porém quando há necessidade de alguma informação relevante eles se reúnem, conversam e trocam opiniões, como por exemplo, mudança no cronograma, alteração do projeto, porém, todos procuram confiar um no outro, embora que em algumas ocasiões esta confiança fique mais evidenciada devido a necessidade do cumprimento dos acordos como foi o exemplo citado por ele: “ Uma ocasião em que a cooperativa ainda não tinha feito o repasse das verbas pois houve um problema interno, aceitamos em prosseguir a obra, mesmo tendo acordado informalmente, não tendo nenhum contrato ainda assinado, mas confiei com certeza que os mesmos seriam cumpridos o que realmente aconteceu”. 90 Concluindo ele informou também que: “Esses controles são feitos por cada sujeito envolvido, como por exemplo, a cooperativa contrata a construtora, ela dita as regras de como quer e qual o tempo para a finalização da obra, por sua vez colocamos nossas regras, sobre o tempo, o valor e a forma a ser cobrado, entra-se em um acordo e prossegue-se o trabalho”. Dessa forma pode-se afirmar que, em relação as respostas do sujeito A3 as variáveis estão presentes, indicando alternância entre relações comerciais e sociais. Pode se afirmar, então, que é um estado de rede predominantemente formal, com fluxos comerciais; mas com espaço para relações sociais. Considerando os dados das três entrevistas realizadas, pode se concluir que o estado desta rede é caracterizada pela formalidade e pela presença de esforços de relações sociais. Pode-se concluir então que, embora o sujeito A2 tenha relacionamentos ainda muito racionais, as respostas dos sujeitos A1 e A3 convergiram na preocupação de ações coletivas, encontros e relacionamentos mais profícuos com o intuito de demonstrar e ganhar mais confiança e comprometimento com os atores da rede. 5.4.4. Resposta ao problema de pesquisa A partir dos documentos, questionários e das entrevistas, pode-se afirmar que entre as entrevistas (sujeitos A1 e A3) e os questionários existe uma convergência nas respostas, indicado a preocupação dos mesmos com a necessidade de trabalharem com seus atores, acordando em vários pontos, como por exemplo nas trocas de informações, de conhecimentos, de experiências como também de recursos, procurando confiar um no outro, mesmo em situações que dependiam exclusivamente do comprometimento dos envolvidos, procurando muitas vezes se ajudarem para que o coletivo fosse mais importante do que as ações individuais e logicamente confiando que todos cumpririam sua parte, mesmo que sua opinião tivesse sido vencida. Em relação aos documentos e as respostas do sujeito A2, percebeu-se que não houve convergência, primeiro que os documentos foram mais sobre atas e acordos indicando ações mais racionais do que sociais e nas respostas do sujeito A2, seu relacionamento ainda é muito mais de negócio do que propriamente social, mesmo havendo sinais da presença de alguns dos indicadores utilizados. Portanto, considerando o conjunto de dados, a resposta ao problema de pesquisa indica a presença de sinais das variáveis utilizadas, algumas mais nítidas como foram no caso das 91 entrevistas dos sujeito A1 e A3, como também nos questionários onde houve coerência entre as respostas da cooperativa, dos cooperados, do advogado e da construtora, sendo seus relacionamentos mais próximos e mais sociais, tendo mais sinais de rede, e outras ainda com poucos indícios de suas presenças como na entrevista do sujeito A2 e na maior parte dos documentos onde as informações são mais de regras, mais comerciais e formais, ondo o social ainda não é predominante. Assim sendo, mesmo tendo sido importante estudar essas convergências de opiniões entre a cooperativa, os cooperados e em algumas vezes a construtora e o banco, pode-se acrescentar também que surgiram divergências entre as três formas de coletas, em relação ao questionário, eles deram respostas mais positivas sobre a presença das variáveis, enquanto que os documentos mostraram a presença em alguns e a ausência dessas variáveis em outros, enquanto que as entrevistas foram bem determinantes em mostrar que embora haja sinais do social nas respostas dos sujeitos A1 e A3, o que evidencia a formação de uma rede, no sujeito A2 predomina uma relação mais comercial, onde o banco a nosso ver é apenas um coadjuvante no processo. Conclui-se que, em relação ao estado de organização dessa rede ela é uma rede pensa, torta, porque entre alguns atores (cooperativa e cooperado) existem sinais de cooperação, comprometimento, confiança, inclusive por parte dos cooperados colocando seu tempo à disposição da cooperativa em ações coletivas, de um lado uma rede com trocas de informações e recursos entre os atores, mas entre outros atores predominam relações comerciais. É uma rede pouco desenvolvida, com um pedaço que parece rede, com outro que parece mercado e com outro que parece hierarquia, só que o pedaço que parece rede é pequeno determinando assim uma rede em um estado latente e apenas com perspectivas da presença do social. 5.5. Apresentação dos dados da rede B A Cooperativa B foi fundada em 1996 e está localizada num bairro da zona sul de São Paulo atendendo exclusivamente funcionários de bancos, constroem apartamentos em condomínios de acordo com os grupos formados e recursos próprios dos mesmos. As empresas com as quais ela mantém relacionamentos constantes são as construtoras contratadas para as obras, os bancos e as entidades de fomento (OCB e OCESP), onde trocam informações, novos conhecimentos e novas tecnologias. 92 5.5.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede B A seguir são apresentados os dados secundários mais importantes sobre fatos que envolvem a rede B e que tem relação com a pesquisa. QUADRO 10. DADOS SECUNDÁRIOS DA REDE B N° 01 02 Natureza do documento Ata de Constituição e de Regimentos 18/06/1996 Contratos de Prestação de Serviço: 1998, 2001, 2002, 2012 e 2013. Tema central Este documento é composto de regras de controles para sua constituição, admissão e exclusão dos cooperados, incluindo os regimentos internos sobre relacionamentos de cooperados e diretoria, formas de distribuição, recursos, direitos e obrigações da diretoria, cooperados e outros atores, tendo a obrigação de participar das assembleias nas eleições e mudanças estatutárias, como também nas assembleias de sorteios e entregas. Cooperativa contrata empresa para construção de condomínios habitacionais. A cooperativa B, de acordo com regimento interno e cronogramas de entregas, contrata construtoras para construir os prédios conforme estabelecido em contrato com seus cooperados, sinalizando dessa forma sua responsabilidade no cumprimento e comprometimento Variável presente Indicador Formas de Governança 1.Regras sobre admissão e exclusão, 2.Regras sobre penalidade, 3.Controle por autoridade, Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 1. Participar regularmente de reuniões e decisões, 6. Sinais de disposição de continuidade dos relacionamentos. Presença e natureza da Interdependência 1.Sinais da necessidade dos recursos que outro ator possui. 2.Necessidade de trocas de conhecimentos entre os atores. Natureza e formas de solução de Assimetrias 1.Diferença de recursos investidos. 4.Diferença de domínio tecnológico. Formas de Governança 2.Regras sobre penalidades. 3.Controle por autoridade, ou reputação. Relação com o tema da pesquisa O documento indica como deve ser uma rede mais organizada e estruturada, controlando o comportamento e incentivando ações coletivas. Neste caso a cooperativa B assumiu um papel principal. Esse contrato representa a necessidade da cooperativa em se utilizar dos recursos dos parceiros e, ao mesmo tempo, colocar seus próprios recursos à disposição. Essa reciprocidade indica uma rede mais organizada. 93 das regras estabelecidas por ocasião das inscrições feitas pelos cooperados, como também da necessidade de parcerias, recursos e tecnologias que a mesma não possui para complementar seu trabalho como cooperativa. O contrato prevê trocas de recursos tecnológicos. 03 04 Contratos de financiamento de obras com Diversos bancos (Vários contratos em diversos anos diferentes). Notícias da Cooperativa B São Paulo, nº 4, Março de 2006 A Cooperativa necessita de recursos, incluindo financeiros, pois não consegue construir sozinha. O documento mostra vários contratos com bancos. O estatuto da cooperativa inclui regras de contratos de terceiros. Os recursos obtidos pela cooperativa são repassados para as construtoras, o que implica em trocas de informações e conhecimentos. Cooperativa busca uma boa governança envolvendo diretoria, cooperados, parceiros, conselho fiscal e órgãos públicos. Segundo o presidente, as diversas mudanças ocorridas na cooperativa B nos últimos anos a partir do momento em que a atual gestão assumiu a administração, levaram a cooperativa a preocupar-se cada vez mais com suas responsabilidades, de Presença e natureza da Interdependência 1.Sinais da necessidade dos recursos que outro ator possui. 2.Necessidade de trocas de conhecimentos entre os atores. 3.Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho coletivo. Natureza e formas de solução de Assimetrias 1.Diferença de recursos investidos. Formas de Governança Formas de Governança 2.Regras sobre penalidades. 1.Regras sobre admissão e exclusão de atores do grupo mais restrito. 5.Regras sobre igualdade entre atores. 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 3.Assumir responsabilidades de ações conjuntas. 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. A cooperativa foi o ator principal nesses documentos. Os contratos representam a necessidade da cooperativa em se utilizar dos recursos dos parceiros e, se for possível, colocar seus próprios recursos à disposição. A presença dessas variáveis indica uma rede mais organizada e comprometida a fortalecer os laços existentes entre os atores da rede de forma a se estabelecer normas e regras para serem cumpridas por todos contribuindo assim para um maior comprometimen to da mesma, seja nos 94 05 Notícias da Cooperativa B São Paulo Nº. 12, Outubro de 2007 06 Folha de São Paulo – 09/06/2008 seu papel perante os cooperados e parceiros, procurando superar os problemas existentes até então, formando novas parcerias e com eles novas experiências e conhecimentos. Isso faz com que a cooperativa B esteja preparada para uma nova fase de sua história, um novo tempo com perspectivas de continuidade de comprometimento e confiança entre todos. A cooperativa B fecha parceria com banco para financiar empreendimentos que estão com atraso nos prazos. . Ministério Público tem acesso a planilhas de prestadores de serviços da cooperativa B: Ministério Público de São Paulo obteve a planilha de uma prestadora de serviços com as anotações "Doação PT" e tomou depoimentos que reforçam as suspeitas sobre um suposto caixa dois estimulado 5. Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros. relacionamentos e na fidelização desses atores com a própria cooperativa. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 3.Assumir responsabilidades de ações conjuntas. 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. Sinais da presença e conteúdo de Confiança 4.Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. Tais indicadores de ações coletivas, como também de responsabilidad e, são sinais de uma rede mais organizada, focada no atendimento dos cronogramas de obras e principalmente no cumprimento dos acordos estabelecidos com os cooperados quando aderiram a cooperativa. A notícia mostra a ausência dos indicadores de confiança e comprometimen to, mostrando que o ator cooperativa pode não estar comprometido na rede, atendendo interesses individuais. Esses comportamentos oportunistas quebram a confiança entre os atores. 95 pela Cooperativa B e que teria alimentado campanhas eleitorais. 07 Notícias da Cooperativa B São Paulo Nº 19, Fevereiro de 2009 Diretoria promove fórum com o intuito de fortalecer o relacionamento, o comprometimento e a seriedade da cooperativa e seus cooperados perante suas responsabilidades com os parceiros, Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 3.Assumir responsabilidade ações conjuntas. 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. 08 Notícias da Cooperativa B São Paulo nº 44, Maio 2011 A cooperativa B contrata uma nova construtora para conclusão de empreendimento. Com a aprovação dos cooperados em assembleia geral, a cooperativa substitui e contrata nova construtora para continuar as obras dos projetos ainda não concluídos. Formas de Governança 2.Regras sobre penalidade. Presença e natureza da Interdependência 1.Sinais da necessidade dos recursos que outro ator possui. 6.Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho coletivo. Cooperativa B Noticias Outubro/2012 Cooperados assumem conclusão dos empreendimentos junto com as construtoras Após a diretoria da cooperativa B ter sido citada no Ministério Público por desvio de verbas para partidos do governo e terem sido depostas de seus Formas de Governança 2.Regras sobre penalidade. 3.controle por autoridade ou reputação. Presença e natureza da Interdependência 1.Sinais da necessidade dos recursos que outro ator possui. 6.Sinais da aceitação da 09 A presença dessas variáveis indica à preocupação e a importância desses relacionamentos , de forma a integrar melhor seus parceiros, o que representa uma rede mais preocupada com o coletivo do que com o individualismo. Presença de tais variáveis que indicam a troca de parceria que não estava cumprindo com as regras preestabelecidas , com isso determinou-se ações para defesa do coletivo, cujo papel dos atores na ação com as parcerias se tornaram importante para solucionar e concluir os projetos, demonstrando uma rede com propósitos bem definidos e com responsabilidad e sobre os parceiros. A presença dessas variáveis indicam o grau de comprometimen to e confiança entre os diversos atores a assumirem ações coletivas em benefício de todos, mesmo 96 10 11 Jornal G1 Março / 2013 Notícias da cooperativa B Novembro / 2013 cargos, em assembleia extraordinária realizada pela cooperativa, os cooperados elegeram nova diretoria e com eles assumiram compromisso com a construtora para término das obras, se comprometendo e colocando a disposição dos mesmos recursos próprios com confiança de que os acordos seriam cumpridos e as moradias entregues. MP investiga supostos desvios da cooperativa para campanhas eleitorais de partidos. Segundo seu presidente, esses supostos desvios de verbas por parte das diretorias anteriores, foram nefastos para que a cooperativa pudesse cumprir com seus compromissos junto aos cooperados e parceiros da rede. Continuando, essas investigações ainda são pontos negativos de convivência da cooperativa com seus atores, tendo que sempre explicar que o passado teve influência nas novas decisões tomadas pela atual diretoria. Construtora X, nova parceira da cooperativa B não pode cobrar mais dos imóveis inacabados. De acordo com o parecer jurídico da cooperativa, a Construtora X, não pode realizar novas cobranças a não ser aquelas que constam dos contratos de existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho coletivo. Sinais da presença e conteúdo de Confiança 5.Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 3.Assumir responsabilidade de ações conjuntas. Sinais da presença e conteúdo de Confiança 5.Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento. 3.Assumir responsabilidade de ações conjuntas. Sinais da presença e conteúdo de Confiança 4.Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo informais. 5.Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. que para isso tenham que dispor de recursos próprios e aceitar regras que irão nortear tais decisões. Essas notícias, influenciaram nos objetivos coletivos da cooperativa, o que levou a mesma, a tomar decisões mais responsáveis assumindo seu papel de autoridade para sanar tais problemas, indicando uma rede comprometida com as ações coletivas e credibilidade na integridade das pessoas que fazem parte da rede. A cooperativa representa papel importante do ator para organização pois ao proibir modificações nas regras existentes, influencia positivamente no que vinha acontecendo 97 construção e do regimento interno da cooperativa. 12 Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo 1612/2013 Em resposta à supostas irregularidades nos prazos de entrega e superfaturamento de obras aventadas pelo Poder Público, a cooperativa entrega para análise os documentos que demonstram os valores previamente estabelecidos e os prazos das obras, informando que tais irregularidades foram procedimentos das antigas diretorias, mas que atualmente os procedimentos são assinados e aprovados em assembleia por todos os cooperados presentes. Fonte: Construção do próprio autor (2014). Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 5.Existencia de promessas de continuidade relacional entre os parceiros. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 3.Assumir responsabilidade de ações conjuntas. 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. Sinais da presença e conteúdo de Confiança 4. Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede. dentro da rede levando a atitudes que podem solidificar o contratado com os cooperados indicando assim o comprometimen to da mesma em relação a confiança e credibilidade existente na rede entre todos os envolvidos. Estas ações por parte da diretoria indicam a responsabilidad e do ator em sanar problemas anteriores, buscando resgatar a confiança dos atores e agir conforme as regras. A partir dos dados secundários coletados sobre a rede B, pode se verificar que os mesmos estão mais voltados a atas e contratos firmados, questões e ações judiciais, intenções em fóruns, reuniões, e tentativas de explicações aos atores da rede. Pode-se interpretar que um dos atores, a cooperativa, se esforça por resgatar uma imagem de confiança e credibilidade que foi perdida no passado. Os documentos, no entanto, mostram que a situação ainda não está bem resolvida, já que existem atores (cooperado) descontentes e entidades do governo realizando investigações. 98 Sobre a resposta da pesquisa pode-se afirmar que é uma rede com baixa consciência de ação coletiva, com dominância de relações comerciais, com intervenções do governo e poucas relações sociais de confiança e comprometimento. 5.5.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede B A seguir serão apresentados os dados sobre o questionário utilizado na pesquisa da Rede B. TABELA 2. RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO SOBRE A REDE B Perguntas Nem Discordo Discordo totalmente concordo Concordo Concordo totalmente nem discordo Presença e natureza da Interdependência 1 2 1 3 2 3 3 3 4 2 4 4 2 5 1 3 2 6 1 4 1 2 3 7 1 Total (7%) 3 (5%) 2 (50%) 21 (38%) 16 Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 8 1 3 2 4 1 9 1 10 1 1 3 1 11 2 1 2 1 12 1 1 2 2 13 1 1 4 14 1 1 4 1 3 2 2 15 16 1 1 2 17 1 2 3 Total (15%) 9 (17%) 10 (50%) 30 Sinais da presença e conteúdo de Confiança 18 1 1 1 3 (18%) 11 99 19 1 20 21 2 1 4 2 4 1 2 22 1 6 Total (3%) 1 (13%) 4 (17%) 5 (63%) 19 (3%) 1 Natureza e formas de solução de Assimetrias 23 1 24 25 1 3 2 4 2 4 1 26 1 3 2 27 1 4 1 4 1 28 1 Total (6%) 2 (8%) 3 (61%) 22 (25%) 9 Formas de Governança 29 1 1 30 1 3 1 3 2 2 31 1 3 32 1 5 1 3 1 34 4 2 35 5 1 33 1 Total (2%) 1 (7%) 3 (10%) 4 (62%) 26 TOTAL (1%) 2 (10%) 21 (11%) 24 (56%) 118 (19%) 8 (21%) 45 GERAL Fonte: Construção do próprio autor (2014). Este questionário composto de 35 questões, com 05 alternativas, com escala de Likert foi entregue a 06 atores da rede: 2 cooperados, 1 funcionário da cooperativa, 1 advogado, 1 funcionário do banco e 1 funcionário da construtora. A partir das respostas do questionário, a pesquisa mostrou uma rede muito focada com os relacionamentos sociais mesmo tendo regras para os atores, onde os mesmos prezam muito pelas ações coletivas, pela integridade dos atores que dirigem a mesma e pelas trocas de informações e experiências que podem obter através desses relacionamentos. Por outro lado, existiram altos índices de respostas “nem concordo, nem discordo”, principalmente nas perguntas a respeito de comprometimento e confiança, mas não foi possível determinar o motivo, podendo ser (a) o sujeito não entendeu a questão; (b) o ponto não é importante; (c) o sujeito não tem informações suficientes para responder. 100 Conclui-se que, em relação à pergunta de pesquisa, os resultados foram diferentes dos documentos, indicando que esta rede se encontra mais organizada, com participação entre as atores, incluindo relações sociais, com movimentos de construção de laços com outras organizações, embora ainda predominem os sinais de relações formais, com baixa consciência da importância e necessidade de trabalho conjunto. 5.5.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede B Sujeito B1 Presidente da cooperativa com mandato desde 2012. Durante a entrevista ele procurou repassar os problemas enfrentados administrativamente pela cooperativa nos últimos anos, suas consequências principalmente com cooperados e parceiros e o que está sendo feito atualmente para sanar tais dificuldades. Comentou que: “Como atual presidente, necessitou em primeiro lugar modificar o pensamento e a forma de relacionamento dos atores com a cooperativa”. Segundo ele, a cooperativa trabalha com um grande número de cooperados, tendo como principais organizações os bancos, as construtoras e inclusive o governo, se tornando de grande valia para a cooperativa esse trabalho realizado por todos. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram valiosas: Um comentário ficou marcante durante a entrevista, quando ele falou que: “São essas experiências negativas que passamos que nos faz levantar a cabeça e compreender a importância de nosso trabalho e de nossos parceiros para dar continuidade e alcançar nossos objetivos, objetivos esses sociais que abraçamos para proporcionar o sonho das moradias aos nossos cooperados”. Para ele, a cooperativa necessita em muito de seus cooperados e das organizações com ela ligada, principalmente de seus conhecimentos e de suas experiências, como também os mesmos necessitam dos recursos da cooperativa, entendendo que as ações coletivas devem sempre prevalecer em relação a ações individuais para que as metas sejam alcançadas, facilitando o trabalho conjunto e ganhos para atingir o objetivo final. Comentou ele: “Desde que estou como presidente, um de meus principais objetivos é conseguir recuperar a confiança dos cooperados e dos atores, inclusive muitas vezes aceitando ou fazendo aceitar regras e acordos informais, porém, com a certeza que serão cumpridas” 101 “Tal comprometimento”, afirmou ele, “por parte de todos nos leva a uma responsabilidade maior em relação a eles, tanto que nesses dois anos, se tornou muito mais perceptível a participação dos cooperados nas reuniões, aceitando, opinando, sugerindo e tomando parte de decisões coletivas, assumindo assim muitas vezes responsabilidades que seriam de outros, porem acreditando que desta forma seus objetivos serão alcançados em tempo menor”. Segundo o próprio presidente, “esses relacionamentos passaram a não ser exclusivamente com a cooperativa mas também entre eles mesmos, porém ele percebe que para muitos ainda ao receber sua moradia passam a não participar mais dos eventos da cooperativa, mesmo continuando como cooperado”. Quando foi perguntado sobre a existência de diferenças de objetivos, de recursos ou de valores, ele foi muito conciso, informando que: “Realmente existem diferenças entre os atores, principalmente no que se referem a recursos, cooperados de níveis financeiros diferentes que a cooperativa sempre procurou solucionar colocando-os em grupos e projetos diferenciados. Isto não foi difícil, pois os problemas não são de grande monta, porém quando tal diferença passa a ser com organizações ligadas a cooperativa, à mesma não tem a mesma facilidade para solucionar, como é o exemplo das construtoras que não trabalham apenas para a cooperativa, pois elas tem objetivos diferentes, seus recursos não são investidos apenas na cooperativa e portanto dependem dela para continuidade do trabalho. No caso dos bancos o que é contratado é cumprido, mesmo tendo objetivos diferentes, ou seja, fornecer o recurso e depois recebe-lo de volta”. Portanto, para ele, “a cooperativa passa a ser o ator que com o tempo procura diminuir tais diferenças encontrando com o tempo soluções que possam beneficiar todo o processo de relacionamentos com os parceiros da rede”. Percebeu-se durante a entrevista a sua preocupação em reconquistar a confiança e a credibilidade dos cooperados, tanto que insistiu muitas vezes em explicar a importância do estatuto e do regimento interno que dita as normas a serem seguidas, seja na admissão ou exclusão dos atores, onde o controle é feito pela direção da cooperativa possibilitando que certas mudanças a serem feitas por exemplo, trocas de construtoras, novos custos de construção, trocas de bancos para financiamentos, critérios de entrega e de atualização de valores, etc., todos opinem e segue-se o que a maioria acatou indicando assim ações coletivas, cuja contribuição determinará um melhor desempenho da rede. Concluindo, ele respondeu a respeito da relação da cooperativa em relação as parcerias, “as regras são discutidas e aceitas, embora algumas vezes são necessárias várias reuniões 102 até que se chegue a um denominador bom para ambos, onde todos possam ganhar o que é justo e acordado”. Pode se afirmar então que, considerando o conjunto de dados obtidos através da entrevista, a resposta ao problema de pesquisa nos proporcionou uma visão da presença das variáveis por parte do sujeito B1 principalmente no que se refere a rede formada com os cooperados, mesmo tendo que fazer uma separação no tempo, ou seja, antes e depois dos acontecimentos (vide documentos), pois após a solução desses problemas, a cooperativa passou a se integrar mais com seus atores, mesmo que com outras organizações, esses laços ainda sejam mais comerciais, porém, percebe-se que há por parte da mesma um esforço muito grande de recuperar o tempo perdido e com isso proporcionar a todos uma visão melhor do trabalho e das metas a que se propõe para satisfazer as necessidades dos cooperados e cumprir com os acordos firmados. Conclui-se então que o estado de organização em que se encontra atualmente esta rede é de uma rede focada em retomar os laços sociais com seus cooperados, comprometida com sua responsabilidade, com sinais da presença do social, mesmo que ainda desconheça a força em se trabalhar em rede e a importância que a cooperativa habitacional possui junto a seus atores. Sujeito B2 Gerente de conta bancária possui como um de seus clientes esta cooperativa. Durante a entrevista ele informou que a cooperativa representa um de seus clientes e com eles o relacionamento é muito bom, inclusive, faz parte da mesma como cooperado e como cooperado procura estar sempre a par dos acontecimentos, inclusive participando das assembleias, principalmente procurando se informar a respeito do andamento dos projetos. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram relevantes: Segundo o sujeito B2, o banco necessita e repassa recursos, mas o discurso evidencia que não se trata de interdependência e sim de relações comerciais rotineiras. Sobre suas relações especificas no campo da construção cooperada, o sujeito apresentou outras informações. Em relação a custos e ações coletivas, ele comentou que: “Isso sempre existiu, pois cada um tem sua parcela de participação e isso deve ser feito coletivamente, ou seja, o trabalho deve ter participação de todos, seja do banco e de seus funcionários cada um entrando com sua parcela na tarefa a que se dispôs fazer, seja também dos próprios clientes se tornando responsáveis pelos acordos firmados”. 103 Quanto ao comprometimento, disse ele, “poderia ser melhor, como gerente de conta procuro na medida do possível me reunir, mesmo que seja de tempo em tempo com meus clientes e com meus colaboradores, pois acredito que tais atitudes só trazem benefícios, seja na tomada de decisões conjuntas, seja nas opiniões, seja nos próprios relacionamentos o que contribui para que os mesmos continuem a dispor de seu tempo em se ajudar e também ajudar os clientes”. Porém, tais relacionamentos, comentou ele, mesmo ainda sendo comerciais, ele procura dar continuidade, pois ele entende que um bom relacionamento proporciona uma fidelização do cliente com o banco e vice versa, inclusive cita seu próprio relacionamento na cooperativa, onde participa, frequenta as reuniões, opina e repassa informações a respeito das oportunidades do mercado em concordância com seu próprio trabalho, o que muitas vezes contribui para que a cooperativa tenha ganho e com isso possa reduzir seus custos em benefício dos próprios cooperados. Sobre confiança, o discurso do sujeito não esclareceu sua presença, já que as respostas foram sobre regras a serem cumpridas e trabalhos que ocorrem mesmo quando as regras ainda não foram estabelecidas. Por outro lado, em um certo ponto da entrevista, o sujeito B2 relatou uma situação na qual ele era o ator cooperado, e não o gerente: “Como cooperado, ao saber na época sobre os problemas e das necessidades de meu cliente quando as notícias sobre desvio das verbas pelas diretorias anteriores vieram à tona, levei a conhecimento de minha diretoria tal fato e procurei junto com os mesmos (alguns diretores também fazem parte da cooperativa) ajuda-los na medida do possível, dando um voto de confiança aos atuais diretores, confiando na integridade dos mesmos e dos cooperados que fazem parte da cooperativa”, embora tais acordos tenham sido formalizados, inclusive por exigência da própria lei, “em nenhum momento”, disse ele, “nossa organização deixou de ajuda-los tanto que até hoje nosso relacionamento é de confiança mutua e tal ajuda proporcionou a cooperativa continuidade das obras e entregas nos prazos determinados”. Ao responder as perguntas sobre diferenças de recursos, objetivos e valores éticos, ele explicou que realmente existem diferenças entre os atores principalmente no que se referem a recursos, clientes de níveis financeiros diferentes que o banco procura solucionar procurando se informar de suas verdadeiras necessidades e seus objetivos, embora com objetivos diferenciados, procura atendê-los da mesma forma, colocando-os em grupos diferenciados de acordo com seus propósitos, principalmente na questão de obtenção de recursos, juros e prazos de pagamento, pois o banco tem objetivo não sendo apenas em atender a um cliente específico, mas uma gama de clientes que poderão trazer ao próprio banco recursos que serão futuramente investidos com outros clientes. 104 Ao comentar sobre a cooperativa, ele vê um trabalho mais voltado para o social do que comercial, inclusive pelos exemplos citados, mesmo sabendo de antemão que seu objetivo é tomar recursos para a construção de moradias, cuja rapidez no repasse proporcionará antecipação das obras. Em relação as perguntas sobre governança o sujeito B2, afirma que existem regras, desde a admissão até a exclusão do cliente sendo que os controles do banco são feitos pelo próprio banco tendo em vista as metas propostas para seus colaboradores sendo que o não cumprimento gera penalidades aos mesmos. A partir das informações, pode se afirmar que algumas variáveis estão presentes, tais como, assimetrias e governança, mas as relações sociais são ausentes ou muito raras. Ele afirmou também que tendo a cooperativa como um de seus parceiros e o repasse dos recursos indo diretamente a construtora, esse relacionamento se transfere também para esse terceiro parceiro (construtora), pois o mesmo necessita das informações da cooperativa e do banco como também a cooperativa necessita das informações da construtora para repassar ao banco e finalmente o banco necessitando das informações de ambos para dar prosseguimento ao trabalho com eles. Pode se afirmar que os relacionamentos entre os atores sinalizam um caminho futuro de integração, embora no presente predominem as relações formais. Vale a pena comentar que o sujeito em alguns momentos da entrevista respondeu como ator-cooperado. Nessas situações as relações sociais apareceram com mais força. Essas relações sociais mais fortes entre o ator-cooperativa e o ator-cooperado apareceu também na rede A. Sujeito B3 Responsável pela construtora contratada pela cooperativa para construir os projetos, não trabalha apenas para ela, tendo outros clientes também, porém atende e cumpre os contratos já definidos, principalmente no que se refere ao prazo e aos custos das obras, conforme determinado tornando se mais fácil o cronograma ser cumprido. Em relação a cooperativa, disse ele, “já houveram vários contratos, e, portanto, todas as informações são importantes para a conclusão dos projetos, inclusive os prazos, pois os mesmos dependem de um cronograma de obra para poder obter financiamento bancário”. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram de suma importância: Sobre comprometimento o sujeito B3 respondeu na linha de compromisso, isto é, cumprir o que foi acordado, o que não sinaliza a presença da variável. 105 “Quanto a continuidade dos relacionamentos isso existe e achamos que foi bom, pois caso contrário nós não seriamos mais chamados para dar prosseguimento aos projetos da cooperativa”. Quanto à necessidade que a empresa tem de recursos de outras empresas e as mesmas dela, ele disse que: “Isso fica bem evidenciado quando fechamos os acordos, nossa organização entra com a mão de obra dos trabalhadores e com o serviço profissional dos engenheiros, tecnologias adquiridas de outras organizações e de nossa própria empresa, experiências no ramo e conhecimentos adquiridos no passar dos anos, porem necessitamos também dos recursos das outras organizações sejam eles financeiros, de material, mão de obra, de conhecimentos e de experiências que outros parceiros podem trazer para a realização do trabalho”. Em relação as ações coletivas “isso se torna muito transparente”, falou ele, “pois muitas vezes temos necessidade até de contratar rapidamente uma outra empresa para nos auxiliar nas obras e infelizmente não temos tempo para assinatura de contratos, pois se aguardássemos teríamos problemas de atraso o que faz com que todos, seja a construtora, seja a cooperativa ou outros entrem em contato e resolvam assumir alguns custos para que todos saiam satisfeitos, acreditando e confiando sempre na integridade, honestidade e ética dos parceiros”. “Um exemplo típico aconteceu quando fomos chamados a uma reunião onde foram cobradas as fases da obra, pois as mesmas se encontravam em atraso, percebemos o grande interesse dos cooperados na participação e logicamente nossa presença se tornou necessária para que ficasse bem transparente o que estava acontecendo e o que estava sendo feito para recuperar o tempo perdido, pois o atraso se deu por falta de material no mercado, necessitando da troca de fornecedor e novos orçamentos, o que obrigaria a contatos e aprovações da própria cooperativa”, ele explicou ainda que: “Ao conversar com os cooperados, procurei demonstrar minha responsabilidade e se pôr a disposição de todos quanto a explicação a respeito dos atrasos, prometendo sempre estar lá para explicar quais foram os motivos, e como os mesmos seriam solucionados”, isso demonstrou bem seu papel quanto a transparência e comprometimento de seu trabalho. Com isso, disse ele, “a confiança e o comprometimento se tornam primordiais entre os atores, inclusive muitas vezes aceitando e cumprindo regras e acordos informais, porém, com a certeza que as mesmas serão totalmente cumpridas”. Inclusive passou um exemplo que marcou muito em uma determinada ocasião na época em que houve o problema administrativo com o governo, “os bancos atrasaram os repasses e 106 portanto a cooperativa não pode fazer os pagamentos, para que não houvesse paralização ou atraso nas obras a construtora na ocasião tinha um valor disponível e colocou à disposição dos mesmos durante um tempo até que o problema tivesse sido resolvido”, isso não demorou muito, mas pode se dizer que houve uma confiança mutua, um oferecendo o recurso e o outro assumindo a responsabilidade de devolver, portanto a honestidade e a integridade das pessoas são pontos importantes para a continuidade do relacionamento. Ao ser questionado sobre assimetrias, ele respondeu: “Sim, existem muitas diferenças entre as partes envolvidas, um possui recursos, o outro o conhecimento, o outro ainda a tecnologia, outros tem objetivos diferentes como por exemplo o cooperado qual é o seu objetivo? Pagar e receber sua moradia. Qual é o nosso objetivo? Fazer essa moradia o mais rápido possível, dentro do orçamento para não onerar mais os cooperados e receber a parte que nos cabe”. Quanto as diferenças principalmente no que se refere a dinheiro, “nós nunca nos preocupamos, pois isso é de responsabilidade do contratante, agora se estivermos falando de nossos próprios funcionários, a situação é diferente, pois é logico que cada função aqui dentro tem salários diferenciados e logicamente quando conversam conosco a respeito procuramos orientá-los da melhor forma possível de como utilizar da melhor forma o que ganham”. Ao comentar sobre governança ele disse que: “Existem posições diferentes o que comanda e o que é comandado, tais autoridades são importantes para que as regras sejam cumpridas, desde a contratação até o término das obras, existem controles sobre tudo que se faz em termos de trabalhos e produção tanto que esses contratos são formalizados os parceiros assinam, tomam conhecimento e fazem cumprir”. Em relação a resposta ao problema de pesquisa, ficou evidenciada a presença das variáveis por parte do sujeito B3, pois pelas suas colocações ele dá muita importância as mesmas pois isso representa o tipo de relacionamento, o grau de comprometimento e confiança entre todos que participam de seus relacionamentos, e que com tais atitudes mesmo não sendo apenas sociais, mas na maioria dos casos comerciais, assinala a força de se trabalhar em grupo, onde todos estão interligados com o intuito de receber ou passar informações, conhecimentos, disseminar diferenças, cumprir regras, de maneira que todos ganhem com esse envolvimento, depositando confiança em seus parceiros e os mesmos em sua pessoa ou na organização que representa, tais ações e relacionamentos levam a comprometimentos mútuos entre todos, cujos ganhos são coletivos. 107 5.5.4. Resposta ao problema de pesquisa Após a conclusão da pesquisa da rede B, através dos documentos, dos questionários e das entrevistas, pode-se afirmar a presença de várias variáveis pesquisadas, uma rede procurando ser mais organizada, com ações coletivas e relacionamentos mais sociais, mesmo com os problemas passados. Hoje, com os problemas superados, a rede procura ser vista de forma bem diferente com ações coletivas focadas principalmente na recuperação da confiança de seus atores, como também se comprometendo e se responsabilizando pelos objetivos da mesma. Ao analisar os documentos, percebe-se que os mesmos voltaram-se muito para notícias e decisões tomadas por cooperados, indicando uma rede fraca e com características de conflitos entre os atores, porém, ao analisar os questionários e as entrevistas, mesmo com a presença de variáveis econômicas em alguns momentos, o social se fez mais presente, onde o comprometimento, a confiança, as ações coletivas entre os atores indicam uma rede focada em resgatar tais variáveis junto aos mesmos, indicando uma rede mais centralizada no ator principal, onde muitas vezes cabe à própria cooperativa tal papel e em outros momentos os bancos ou as construtoras. Portanto pode se dizer que esta rede funcionava de maneira adequada, daí surgiram vários problemas que desagregaram principalmente o ator cooperativa e os atores cooperados, atualmente existem esforços para se readquirir uma melhor situação de organização da rede, na medida em que os atores passam a confiar e acreditar mais nas responsabilidades e integridade das pessoas que a dirige, isso ficou muito evidenciado nas respostas das entrevistas e dos questionários, onde os atores são comprometidos e confiantes no trabalho de seus pares, com vínculos sociais embora nos dados secundários ainda existem sinais de vínculos econômicos e comerciais. Concluindo, em relação ao problema de pesquisa, pode-se afirmar que há dominância de relações comerciais, com sinais de esforços entre os atores para desenvolver a consciência de ação coletiva e estreitar as relações sociais. A conclusão é que se trata de um estado de rede pouco desenvolvido na sua consciência de ação coletiva, com predomínio de relações formais contratuais, mas buscando uma evolução para um estado mais desenvolvido e integrado, onde confiança e comprometimento, hoje com poucos sinais, deveriam ser dominantes. 108 5.6. Apresentação dos dados da Rede C A Cooperativa C foi fundada em 2010, sendo a mais recente na cidade de São Paulo, está localizada na zona Sul da cidade no bairro do Ipiranga, tendo como principais parceiros o Governo (subsídios para o programa proposto pela cooperativa), a Caixa Econômica Federal (créditos imobiliários), as construtoras, entidades de fomento (OCB, OCESP e UNISOL) e cooperados com ganhos até seis salários mínimos (de acordo com normas do próprio governo). Criada primeiramente na região Serrana do Rio Grande do Sul e agora se expandindo em São Paulo, constitui um caso interessante de rearranjo das relações comerciais e sociais da cooperativa. Seus projetos são apartamentos em condomínios fechados, todos financiados pelo Governo e o modelo utilizado é de grupos fechados com recursos iguais de cada cooperado. 5.6.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede C A seguir são apresentados os dados secundários mais importantes sobre fatos que envolvem a rede C e que tem relação com a pesquisa. QUADRO 11. DADOS SECUNDÁRIOS DA REDE C N° 01 Natureza do documento Ata de Constituição e regimento interno. 15/11/2010 Tema central Este documento é composto de regras de controles para sua constituição, admissão e exclusão dos cooperados, incluindo os regimentos internos sobre relacionamentos de cooperados e diretoria, formas de distribuição, recursos, direitos e obrigações da diretoria, cooperados e outros atores, tendo a obrigação de participar das Variável presente Indicador Formas de Governança 1.Regras sobre admissão e exclusão. 2.Regras sobre penalidade. 3.Controle por autoridade. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 1. Participar regularmente de reuniões e decisões. 6. Sinais de disposição de continuidade dos relacionamentos. Relação com o tema da pesquisa Esse documento Designa as regras para a constituição da cooperativa, indicando como deve ser uma rede mais organizada e estruturada, regulamentando, controlando os direitos e obrigações de todos os atores e incentivando ações coletivas. 109 02 Ministério Público e a Procuradoria Geral da República 13/02/2012 assembleias nas eleições e mudanças estatutárias, como também nas assembleias de sorteios e entregas. Ministério Público pediu a instauração de procedimento investigatório para apurar a prática de financiamento imobiliário irregular pela Cooperativa C e pelo Fundo Rotativo Solidário da Habitação (FRSH), cujos procedimentos não constavam ao ver do Ministério Público, dentro das normas reguladoras das entidades responsáveis pelas cooperativas habitacionais. Em depoimento público prestado logo após a circulação da notícia acima, o departamento jurídico da cooperativa apresentou os contratos assinados pela diretoria, conselho fiscal, representantes do Fundo, como também da própria organização normativa (OCESP), com registro em cartório confirmando a responsabilidade e a credibilidade do mesmo junto a todos os Presença e natureza da Interdependência 3.Necessidade de contatos com entidades reguladoras para resolver as exigências de todas natureza. Formas de Governança 2. Regras sobre penalidades. 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. A presença dessas variáveis indica aos atores, atitude e responsabilidade tomada por parte da diretoria da cooperativa procurando transparecer aos participantes da rede, sua posição perante notícias que podem denegrir a imagem da cooperativa. Sobre a relação entre esses dois atores observa-se em um sentido (MP para Cooperativa) controle e no outro sentido (Cooperativa e MP) transparência. 110 03 04 Notícias da Cooperativa C 25 e 26/05/2013 Seminário do Cooperativismo Habitacional Auto gestionário 27/08/2013 participantes. A Cooperativa C realiza mais uma oficina de educadores em São Paulo: Intuito: informar o papel da cooperativa habitacional aos que se interessam em participar do sistema cooperativista; Feita de forma aberta a todos que se inscrevem, principalmente aqueles que querem adquirir sua primeira moradia e se encontram dentro das regras estabelecidas pelo governo. Segundo o presidente, esta é a segunda oficina realizada desde a fundação da cooperativa em 2010 e foi realizada motivada pelo grande sucesso alcançado pela primeira, onde houve uma grande participação das pessoas da comunidade, que entenderam o compromisso da cooperativa, cujo intuito é mostrar às pessoas a possibilidade dos mesmos obterem sua moradia através do sistema cooperativista. Patrocínio da Cooperativa C e da UNISOL. A finalidade do evento é informar aos participantes a Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 1.Necessidade de participação regular de reuniões e decisões. 2.Assumir responsabilidades de ações conjuntas. Sinais da presença e conteúdo de Confiança 4.Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo informais. 5.Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. Natureza e formas de solução de Assimetrias 5.Modos de solução das diferenças. Presença e natureza da Interdependência 2. Necessidade de trocas de conhecimentos entre os atores. Essas variáveis indicam a importância e o comprometimento de relacionamentos entre a cooperativa, cooperados e a comunidade, mostrando a intenção de integração entre os atores. A troca de informações é um item relevante para organização das redes e que o fluxo de informações sobre 111 contribuição do Cooperativismo Habitacional Auto gestionário para a redução do déficit de moradias no Brasil. 05 Notícias da Cooperativa C 18/10/2013 Cooperativa C organiza e patrocina encontro com Cooperativas auto gestoras. Finalidade: discutir os desafios e a expansão do cooperativismo habitacional. A participação de um grande número de cooperativas no encontro indicou o comprometimento de todos em relação àqueles que buscam através do cooperativismo habitacional adquirir sua moradia sem grandes burocracias e por um custo menor, assumindo responsabilidades, credibilidade e oferecendo recursos próprios em benefício do coletivo. Fonte: Construção do próprio autor (2014). Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 1.Necessidade de participação regular de reuniões e decisões. 2.Assumir responsabilidades de ações conjuntas. 4.Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. Sinais da presença e conteúdo de Confiança 3.Dispor seus recursos, de qualquer natureza, para serem usados por outros, sem necessidade de salvaguardas. 4.Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo informais. 5.Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. Natureza e formas de solução de Assimetrias 5.Modos de solução das diferenças. Presença e natureza da Interdependência 1.Sinais da necessidade dos recursos que outro ator possui. 2.Necessidade de trocas de conhecimentos entre os atores. cooperativismo é importante para incrementar ações coletivas. Para a pesquisa significa que o autor da notícia está se esforçando para elevar o grau de organização da rede. Essas variáveis indicam o comprometimento de relacionamentos entre a cooperativa, cooperados e outras cooperativas, demonstrando a iniciativa da mesma em relação as demais para que haja um consenso entre todas, que falem a mesma língua, sigam as mesmas regras e tenham os mesmos objetivos para um ganho coletivo Isso assinala a proposta de uma rede de cooperativas, o que não ocorre até este momento, pois os laços entre as diversas cooperativas são fracos. 112 A partir dos dados secundários coletados sobre a rede C, pode-se confirmar a presença das variáveis pesquisadas, indicando o principal foco da cooperativa que é além do trabalho social construindo moradias populares para uma classe de menor renda, procurar também conscientizar as demais cooperativas e a própria comunidade da importância e do papel desempenhando pelo cooperativismo habitacional junto a sociedade, indicando maior envolvimento entre as partes, o que contribui para indicar o estado de organização em que a mesma se encontra. Afirma-se então, que nesta rede existe um relacionamento social muito grande entre ela (cooperativa), os cooperados e a própria comunidade através de cursos, seminários e fóruns, onde todos participam, emitem opiniões, tiram suas dúvidas e recebem informações a respeito do que está acontecendo com seus projetos, porém, os documentos coletados são poucos e os mesmos, representam informações, convites e resultados de fóruns, eventos, seminários e palestras realizadas. Verificou-se que uma parte dos documentos indicam a presença do social e outros a presença do comercial. Os documentos mostraram o esforço do ator cooperativa em criar consciência entre os atores sobre o que é o cooperativismo, conforme se depreende do conteúdo das notícias dos documentos. As pessoas ainda não perceberam a necessidade de trabalho conjunto, o que indica uma rede formal, burocrática, pouco desenvolvida nas relações sociais. 5.6.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede C A seguir serão apresentados os dados sobre o questionário utilizado na pesquisa da Rede C: TABELA 3. RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO SOBRE A REDE C Perguntas Discordo totalmente Nem Discordo concordo Concordo Concordo totalmente nem discordo Presença e Natureza da Interdependência 1 1 2 1 2 1 4 3 3 4 5 1 2 4 3 1 2 113 6 2 2 1 7 1 3 1 Total 0 (17%) 6 (9%) 3 (60%) 21 (14%) 5 Sinais da presença e conteúdo do Comprometimento 8 3 9 1 1 3 10 11 1 4 1 3 1 2 12 1 2 13 2 3 14 1 3 15 1 Total 1 0 (8%) 4 1 4 16 17 2 1 (12%) 6 (60%) 3 2 2 1 30 (20%) 10 Sinais da presença e conteúdo da Confiança 18 1 3 19 1 4 20 2 1 2 21 1 1 3 22 Total 1 4 0 (20%) 5 (8%) 2 (64%) 16 1 (8%) 2 Natureza e formas de solução das Assimetrias 23 24 1 25 1 1 3 1 3 26 27 2 (13%) 4 1 4 1 1 1 0 3 2 28 Total 1 (17%) 5 4 (57%) 17 (13%) 4 Formas de Governança 29 1 30 3 1 1 4 31 1 2 2 32 1 1 3 33 1 1 2 1 34 2 1 2 35 1 3 1 Total 0 (9%) 3 (20%) 7 (60%) 18 (23%) 7 114 TOTAL 0 (13%) 22 (13%) 23 (58%) 102 (16%) 28 GERAL Fonte: Construção do próprio autor (2014). Este questionário composto de 35 questões, com 05 alternativas com escala de Likert foi entregue a cinco atores da rede, sendo eles, 1cooperado, 1funcionário da cooperativa, 1 advogado, 1 funcionário da construtora e 1 funcionário do banco. Em resposta às perguntas do questionário, a pesquisa mostrou uma rede muito focada com os relacionamentos sociais sejam com os cooperados como também com a própria comunidade, onde os mesmos procuram conhecimento, informações e trocas de experiências com os sujeitos que fazem parte da rede, havendo muito comprometimento em ações coletivas. É importante ressaltar que algumas perguntas, em particular aquelas que questionavam a respeito de assimetrias e de governança, as respostas obtidas demonstraram certa dúvida por parte dos atores questionados, nem concordando e nem discordando, mas não foi possível determinar o motivo, podendo ser (a) o sujeito não entendeu a questão; (b) o ponto não é importante; (c) o sujeito não tem informações suficientes para responder. A partir das respostas obtidas conclui-se que, diferente dos dados obtidos dos documentos, há alta presença da confiança e do comprometimento. O resultado é esperado, uma vez que o conteúdo dos documentos é depurado antes de se tornar público, ao passo que o questionário coleta uma situação instantânea, mais emocional, menos depurada. 5.6.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede C A seguir apresentam-se os dados principais das entrevistas realizadas. Sujeito C1 Presidente da cooperativa está no mandato desde sua fundação em 2010. Durante a entrevista procurou oferecer o maior número de informações possíveis a respeito da mesma, pois ele é recente no estado de São Paulo, porém com grande experiência no Rio Grande do Sul, especificamente na cidade de Bento Gonçalves, onde se dá grande incentivo ao cooperativismo habitacional por parte tanto dos órgãos públicos como da iniciativa privada, o que proporcionou ao mesmo utilizar-se de tais conhecimentos e experiências para implantá-la na região paulistana. 115 Segundo ele, “O cooperativismo é uma sistema de sociedade na qual o social e o econômico se fundem para o bem-estar dos sócios, presente no Brasil há mais de um século, nunca mereceu a devida atenção do Governo, no sentido de uma política educacional sistematizada cuja finalidade é demonstrar à sociedade a importância de se trabalhar em cooperativas, em nosso caso as habitacionais”. Esta cooperativa trabalha exclusivamente com moradias populares (apartamentos) o que facilita na obtenção de crédito bancário por parte da mesma e dos próprios cooperados junto ao governo, assim pode-se definir inclusive seus principais parceiros, o governo, os bancos e as construtoras. “O importante”, segundo o presidente, “é o trabalho da cooperativa em relação à educação cooperativista em prol dos cooperados, eventuais futuros cooperados, outras cooperativas e parceiros, embutindo aos mesmos os princípios cooperativistas e os fundamentos do trabalho das cooperativas habitacionais e sua importância para a sociedade”. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram determinantes: De acordo com seu comentário, a cooperativa tem muita necessidade de seus atores e os mesmos da cooperativa, pois é com eles que ela consegue atingir seus objetivos e os objetivos dos cooperados, por isso o trabalho se torna muito importante na troca de informações e conhecimentos entre os mesmos, continuou dizendo que aí entra a importância das reuniões e fóruns realizados, pois através desses contatos, eles passam a trocar informações, conhecimentos e recursos que são colocados à disposição da cooperativa com ações coletivas objetivando facilitar o trabalho conjunto e ganho para atingir o objetivo final, acrescentou ainda que alguns de seus parceiros inclusive frequentam os fóruns e dão suas opiniões, tanto que ao falarmos sobre comprometimento, ele nos disse que ele se torna muito importante para a realização do trabalho conjunto, seja na participação efetiva dos cooperados nas reuniões, nas contribuições e nos acompanhamentos dos serviços feitos, opinando e fiscalizando. “Tais comprometimentos”, segundo ele, “criam a confiança que um tem em relação ao outro, onde muitas vezes até a palavra vale mais do que qualquer coisa escrita, acreditando na integridade e no trabalho feito pelas outras pessoas e como ela deve confiar em nosso trabalho”. Ele citou como exemplo a forma de trabalho da cooperativa que preside, onde durante mais de um ano os cooperados pagam à cooperativa um valor de poupança (que é depositado e 116 aplicado no banco) confiando que com o valor a cooperativa irá adquirir e pagar o terreno e somente depois começar a construção. Em relação a diferenças de recursos, objetivos e valores éticos que poderiam influenciar criando atritos ou conflitos entre os atores, ele colocou da seguinte forma: “Existem diferenças entre os atores, principalmente de recursos financeiros, nas organizações ligadas a rede também, principalmente no que se refere a recursos tecnológicos e financeiros, onde o lucro está presente, posso acrescentar”, disse ele, “em relação ao governo, esta questão é apenas social, pois o mesmo incentiva os projetos com os quais trabalhamos”. Complementando, ele explicou que: “Para os cooperados de níveis financeiros diferentes, a cooperativa aloca-os em grupos diferenciados não tendo maiores problemas; em relação as organizações, a cooperativa procura encontrar soluções com contratos que atendam ambas as partes, desde que os orçamentos não sejam superiores aos previamente estabelecidos com o próprio governo e repassados aos cooperados”. Perguntou-se a ele a respeito das regras e controles existentes e ele disse que: “Elas são criadas a partir do estatuto e do regimento interno entregue e discutido na primeira reunião com os cooperados fundadores e que devem ser cumpridos por todos, tanto pelos cooperados como também com as organizações que fazem parte dessa parceria”. Portanto, pode-se afirmar que a partir das respostas obtidas durante a entrevista, que a maior preocupação da cooperativa é com os relacionamentos sociais com os atores da rede e com pessoas da comunidade, cujo foco e possibilitar a eles, conhecimentos, experiências e informações que se tornarão importante para criarem comprometimento e confiança com a mesma, como também possibilitando a outras redes fazerem parte desta rede. Sujeito C2 Gerente de conta bancária, tendo como um de seus clientes esta cooperativa. Para ele a cooperativa representa um de seus clientes e com ela o relacionamento ainda é mais comercial do que social, pois, seu contato é relativamente novo. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram de suma importância: Segundo ele, “o banco necessita dos recursos de outros atores e os mesmo também necessitam dos recursos do banco onde atuo, consequentemente, passamos a trocar informações, conhecimentos e experiências vividas”. Continuando, ele disse que: “A partir desses relacionamentos, passa a haver um maior comprometimento entre as pessoas, onde todas assumem suas responsabilidades e passam a trabalhar em conjunto em benefício de todos, mesmo que com as organizações tais 117 comprometimentos sejam comerciais”, mesmo assim, disse ele, “ao assumirem suas responsabilidades e entender que cada um irá cumprir com seu trabalho, todos passam a acreditar na integridade das pessoas envolvidas, onde o coletivo se sobrepõe ao individualismo, como foi o caso da própria cooperativa quando seu presidente colocou a disposição do banco seus bens pessoais como garantia na abertura do primeiro crédito (pois até então a cooperativa não tinha recebido o repasse do governo), pois a mesma aqui em São Paulo não tinha nenhum histórico e o banco poderia relutar em oferecer algum recurso, porém, acreditamos na honestidade do mesmo e hoje ele é um grande cliente, colocando no banco toda a economia e as reservas da cooperativa”. Em relação as perguntas sobre a variável assimetrias, ele percebe muitas diferenças entre os atores e as organizações principalmente no que se referem a recursos, clientes com níveis financeiros e objetivos diferentes, que o banco procura solucionar na medida do possível, porém, ele entende que essas diferenças não causam conflitos e nem problemas, pois cada um tem sua própria necessidade e o banco procura dar a eles ou atendê-los da melhor forma possível. Quanto a variável governança, ele se colocou da seguinte forma: “O banco possui regras e controles, desde a entrada de um novo cliente, até sua saída, isso também acontece com os colaboradores, sendo as mesmas criadas por entidades regulamentadoras e repassadas aos bancos para serem cumpridas”. “O controle é feito hierarquicamente, dos acionistas para as diretorias, gerencias e colaboradores, onde a posição de cada um dentro da organização se torna importante para o desempenho e de ações coletivas em benefício de todos”. Em relação a suas respostas, concluiu-se que, embora a questão social, mesmo timidamente, é percebida em alguns momentos da entrevista, ele foca muito nos relacionamentos comerciais voltados na maior parte das vezes aos próprios interesses do banco, indicando uma rede burocrática, funcionando na base de normas, sem espaço para relações sociais. Sujeito C3 Responsável pela empreiteira que está atualmente trabalhando com a cooperativa no desenvolvimento dos projetos habitacionais dos grupos já formados e que estão entrando na fase de entrega de documentação para poder dar início a construção dos conjuntos habitacionais através das verbas do governo. 118 Segundo ele, “com a cooperativa é o primeiro trabalho e, portanto, procuro me relacionar e trocar informações suficientes para concluir os documentos e os cronogramas de maneira a terem acesso ao financiamento bancário necessário para o início das obras”. Portanto, disse ele, “acredito que esta experiência será muito interessante para o desenvolvimento de um bom relacionamento que poderá trazer novos projetos na área de construção junto a esta cooperativa”. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram relevantes: Para ele a necessidade de recursos de outros atores é tão importante quanto passar recursos para os outros, pois essas parcerias se tornam necessárias para que seu trabalho se desenvolva e com eles, portanto, deve haver muitas trocas de informações, conhecimentos e novas experiências, acreditando que todos devem contribuir, pois tais ações só levam a resultados mais positivos e ganhos por parte de todos. Com isso, falou ele, “passa a haver comprometimento por parte das pessoas envolvidas, seja no cumprimento dos acordos, seja na disposição de se relacionar, pois tais relacionamentos só trazem benefícios, pois isso leva as pessoas e as organizações a continuarem disponibilizando seu trabalho para ajudar os outros a atingir as metas propostas”, inclusive ele nos deu um exemplo com a própria cooperativa: “Quando consultado a respeito do projeto ele ainda não tinha fechado o contrato, mas se dispôs a desenhar o primeiro projeto e gastar de seu próprio recurso para que a cooperativa tivesse algo para oferecer como expectativa para seus cooperados”, isso ele nos disse que foi inclusive uma afirmação de sua confiabilidade com os dirigentes da cooperativa. Continuando a entrevista e utilizando-se do exemplo dado, ele notou que a cooperativa precisava de ajuda de seus parceiros para permanecer no negócio e isso o incentivou a continuar oferecendo sua ajuda, inclusive muitas vezes aceitou e cumpriu regras e acordos informais, pois os contratos ainda teriam que ser formalizados, mas sempre teve a certeza que os mesmos seriam cumpridos. Quanto a variável de assimetrias e com sua experiência no mercado, ele afirmou que: “Existem muitas diferenças entre os atores principalmente no que se refere a recursos, e isso muitas vezes foi motivo de nosso trabalho atrasar com determinados clientes”. Quanto a cooperativa, no pouco tempo em que estão trabalhando juntos, ele comentou que: “Percebi a preocupação da mesma em ter os documentos em ordem, a nossa parte estar em dia, pois ela depende de parte de nosso trabalho para obter os recursos necessários para continuidade do projeto”. 119 Em relação a questão da governança, ele disse que: “A presença de regras, desde a contratação até o término das obras, controles sobre tudo que fazemos em termos de trabalhos e produção se fazem necessária para que os projetos sejam cumpridos”. Segundo ele, “essas regras são muito importantes para demonstrar a cada um o papel ocupado, seus direitos e obrigações”. Em relação as respostas do sujeito C3, pode-se afirmar que os sinais da presença das variáveis estão presentes, e que as mesmas são muito importantes para seu relacionamento com todos os demais atores, mesmo que na maioria das vezes seja mais comercial do que social, mas percebe-se que ele dá muita importância a isso, inclusive contribuindo para que os mesmos perdurem representando um trabalho conjunto entre todos que fazem parte desse relacionamento na rede, percebendo-se que pelo pouco tempo que mantem relacionamento com a cooperativa e, portanto, ainda não construiu uma conexão maior, seu contato ainda é comercial, mas já houve exemplo de sua preocupação com os mesmos o que nos leva a entender que isso com o tempo poderá demonstrar maior envolvimento e, por conseguinte maior afinidade de valores éticos e sociais. O estado de rede que aparece a partir desse ator indica uma rede focada nos relacionamentos sociais, mesmo sabendo da necessidade e da importância que contratos e acordos sejam cumpridos, porém sabem que os mesmos serão mais facilmente realizados, ou os conflitos serão também mais facilmente resolvidos na presença da confiança e do comprometimento. Considerando os dados das três entrevistas realizadas, pode se concluir que o estado desta rede se caracteriza pela formalidade e pela presença de esforços de relações sociais. Pode-se concluir então que, embora o sujeito C2 tenha relacionamentos ainda muito racionais, as respostas dos sujeitos C1 e C3 convergiram na preocupação de ações, fóruns, encontros para desenvolver a consciência da necessidade de ações coletivas e maior envolvimento social. 5.6.4. Resposta ao problema de pesquisa Após a conclusão do trabalho de pesquisa com a Rede C, onde foram pesquisados diversos documentos, feitas 3 entrevistas e aplicados 5 questionários, pode se afirmar que esta rede se encontra em um estado organizacional bem formal, com esforços para comprometimento, mas ainda com relações sociais pouco desenvolvidas. 120 Os documentos foram os que mais indicaram as formalidades e as entrevistas foram as que mais indicaram os esforços e até alguns exemplos de relações sociais de confiança e comprometimento que estão se desenvolvendo. Apesar de não ser objetivo desse trabalho realizar analises históricas, neste caso pode se afirmar que há sinais de mudanças de um estado de rede burocrática e relações competitivas para um estado de rede com ações mais coletivas e comprometimento. 5.7. Apresentação dos dados da Rede D A Cooperativa D foi fundada em 2001, localizando-se na zona leste da cidade de São Paulo, mas atuando em várias regiões, principalmente no litoral, o que mostra sua capacidade de criar ligações geográficas mais distantes. Seus projetos são apartamentos, casas e sobrados. Seus parceiros são os próprios cooperados, bancos, construtoras e entidades de fomento (OCESP, OCB, SESCOOP e o CRECI), por ser auto gestora possui recursos próprios originados pelas contribuições dos cooperados. 5.7.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede D A seguir são apresentados os dados secundários mais importantes sobre fatos que envolvem a rede D e que tem relação com a pesquisa. QUADRO 12. DADOS SECUNDÁRIOS DA REDE D N° 01 Natureza do documento Ata de Constituição e regimento interno. 02/01/2001 Tema central Este documento representa todas as regras de controles para sua constituição, admissão e exclusão dos cooperados, incluindo os regimentos internos sobre relacionamentos de cooperados e diretoria, formas de distribuição, Variável presente Indicador Formas de Governança 1.Regras sobre admissão e exclusão. 2.Regras sobre penalidade. 3.Controle por autoridade. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 1. Participar regularmente de reuniões e decisões. 6. Sinais de disposição de continuidade Relação com o tema da pesquisa Esse documento Indica as regras necessárias para a construção da cooperativa, a maneira de como é feita a formação dos grupos de cooperados e os sorteios de entrega, indicando como deve ser uma rede mais organizada e estruturada, controlando o 121 02 03 Contrato firmado com uma Construtora 2002 Jornal da Cooperativa D Abril / 2008 recursos, direitos e obrigações da diretoria, cooperados e outros atores, tendo a obrigação de participar das assembleias nas eleições e mudanças estatutárias, como também nas assembleias de sorteios e entregas. Cooperativa contrata empresa para construção dos condomínios em Itanhaém e Mongaguá. De acordo com o regimento interno, após ter sido feito três orçamentos a cooperativa fecha contrato com a construtora TB para a construção do primeiro condomínio em Itanhaém e Mongaguá, ficando a mesma com a obrigação de cumprir os prazos determinados. Assembleia geral dos cooperados aprova alteração do estatuto para distribuição das moradias privilegiando apenas o sorteio. Aprovado por todos os presentes, a cooperativa em assembleia, altera o regimento interno, no artigo sobre distribuição, onde se lia que 70% eram distribuídos por antecipação e 30% por sorteio, passa a ser lido da seguinte forma: 100% dos imóveis serão distribuídos por sorteio. dos relacionamentos . comportamento e incentivando ações coletivas. Formas de Governança 2. Regras sobre penalidade. 3. Controle por autoridade ou reputação. 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens, e serviços junto aos parceiros. Presença e natureza da Interdependência 1.Sinais da necessidade dos recursos que outro ator possui. A presença dessas variáveis indicam o papel ocupado pela ator cooperativa na rede e a autoridade da mesma junto aos atores, cujo controle enseja o cumprimento das regras e acordos estabelecidos, como também das trocas de recursos entre os atores da rede. Natureza e formas de solução de Assimetrias 1.Diferença de recursos investidos. 5.Modo de solução das diferenças. Formas de Governança 3.Controle por autoridade, ou reputação. 5 regras sobre igualdade entre os atores. Presença e natureza da Interdependência 4.Aceitação de ações coletivas como mais importante que ações isoladas. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 1.Participar regularmente de reuniões e decisões. Tais variáveis e seus indicadores representam uma rede mais estruturada com normas e regulamentos formais, onde existe a participação coletiva dos atores nas tomadas de decisões que beneficiam a maioria, proporcionando assim mais relacionamentos e responsabilidade entre os atores para poderem atingir o bem comum, representando uma organização mais focada a diminuir 122 04 05 Contrato firmado com Construtora 2009 Jornal da Cooperativa D Maio / 2012 Isso possibilita a cooperados com menos recursos terem as mesmas possibilidades daqueles com maiores recursos, como também indica a presença de ações coletivas em detrimento de ações individualistas, onde passa a haver maior comprometimento e confiança entre a cooperativa e os cooperados pelas ações sociais conforme princípios cooperativistas. Cooperativa contrata empresa para construção de condomínios em Itanhaém e Mongaguá. Ao iniciar as obras do segundo condomínio, a cooperativa cumpre novamente com o estatuto e o regimento interno, onde os mesmos determinam prazos para as obras, indicando que a mesma tem comprometimento com os cooperados e é responsável no cumprimento das regras existentes. A cooperativa D faz parceria com banco para financiamento dos imóveis entregues, facilitando os cooperados que já receberam os bens e, portanto podem optar por períodos maiores de pagamento e prestações menores. Esta parceria representa entrada de novos recursos 2.Ajudar a outro, mesmo sem benefício próprio. certas diferenças e ao mesmo tempo contribuir para que todos possam ter as mesmas oportunidades. Formas de Governança 2.Regras sobre penalidade. 6.Regras para compras, trocas e entregas de bens, e serviços junto aos parceiros. Presença e natureza da Interdependência 1.Sinais da necessidade dos recursos que outro ator possui. 6.Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho coletivo. A presença dessas variáveis, indicam o grau de responsabilidade e de autoridade que a cooperativa representa junto a seus cooperados, regras são estabelecidas para serem cumpridas, seja por parte da cooperativa, como do próprio cooperado, representando ações de uma rede com propósitos bem definidos, organizada e com responsabilidade sobre os atores. Presença e natureza da Interdependência 1.Sinais da necessidade dos recursos que outro ator possui. 2.Necessidade de trocas de conhecimento entre os atores. 4.Aceitação de ações coletivas como mais importante que ações isoladas. Sinais da presença e 3.Assumir O esforço da cooperativa em ajudar o ator cooperado através do ator banco indica que a rede pode ser mais eficiente, com ações mais coletivas e também com ganhos coletivos. O esforço de comprometimento da cooperativa aproximou os três 123 contribuindo para que outras moradias sejam entregues em prazos menores do que o previsto. 06 Jornal da cooperativa D Março / 2013 A cooperativa D obtém junto às prefeituras de Itanhaém e Mongaguá redução nos custeios dos encargos para a emissão de escrituras de seus projetos habitacionais. Cooperativa e as prefeituras locais fecham acordo de subsidio para que os cooperados obtenham suas escrituras e os registros das mesmas nos cartórios de imóveis dos municípios por um valor diferenciado, favorecendo os mesmos com preços menores. Fonte: Construção do próprio autor (2014). conteúdo de Comprometimento responsabilidad es de ações conjuntas. 4.Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. Natureza e formas de solução de Assimetrias 1.Diferenças de recursos investidos; 5.Modos de solução das diferenças. 6.Regras para compras, trocas e entregas de bens, e serviços junto aos parceiros. Formas de Governança. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 3.Assumir responsabilidad es de ações conjuntas. Natureza e formas de solução de Assimetrias 5.Modos de solução das diferenças. atores da ação. A prefeitura representa um ator que influencia no estado de organização da rede, pois com essa redução de custos para alguns atores, a prefeitura assume juntamente com o ator cooperativa responsabilidades e comprometimento perante os atores desta rede. A partir dos dados secundários coletados sobre a rede em que se encontra a cooperativa D, podemos afirmar a presença das variáveis pesquisadas entre os atores da rede, porém, indicam muito mais acordos formais e comerciais do que propriamente sociais que para nosso trabalho são mais importantes do que o racional. Portanto, embora os documentos indiquem mais acordos comerciais, os documentos que noticiam atitudes do ator cooperativa em relação ao ator cooperado, como também com algumas organizações, representam muito a disposição do ator- cooperativa em se envolver socialmente com ações coletivas, imbuindo confiança as pessoas para que as mesmas 124 conquistem o objetivo esperado, esse esforço da cooperativa em ajudar o ator cooperado através do ator banco indica que a rede pode ser mais eficiente, com ações mais coletivas e também com ganhos coletivos. Dessa forma, o esforço de comprometimento da cooperativa aproximou os três atores da ação indicando uma maior conectividade entre o ator cooperativa e o ator, mas isso parece uma ilha, pois, já com os outros atores, os mesmos agem de forma mais comercial, deixando a rede incipiente, torta e sem muitas conexões sociais. 5.7.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede D A seguir serão apresentados os dados sobre o questionário utilizado na pesquisa da Rede D: TABELA 4. RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO SOBRE A REDE D Perguntas Nem Discordo Discordo totalmente concordo Concordo Concordo totalmente nem discordo Presença e natureza da Interdependência 1 2 4 2 2 6 2 3 3 5 1 3 3 1 6 1 7 1 4 3 4 1 5 6 7 Total 1 0 (4%) 2 (7%) 4 (59%) 33 (30%) 17 Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 8 1 9 1 10 1 11 1 1 6 12 1 1 5 1 13 4 3 1 14 4 4 15 2 6 2 4 4 1 7 16 17 3 6 1 1 6 2 125 Total 0 (7%) 6 (19%) 15 (63%) 50 (11%) 9 Sinais da presença e conteúdo de Confiança 18 1 19 1 6 1 7 20 4 1 3 21 1 2 4 22 1 1 6 Total 0 (18%) 7 (15%) 6 (65%) 26 1 (3%) 1 Natureza e formas de solução de Assimetrias 23 1 1 6 24 2 1 5 25 2 3 3 26 1 27 1 1 6 28 1 3 4 Total 0 (17%) 8 5 (19%) 9 (60%) 29 2 (4%) 2 Formas de Governança 29 1 30 3 3 3 5 31 2 2 4 32 1 1 6 33 1 3 4 3 5 1 5 34 35 1 Total (2%) 1 (9%) 5 (28%) 16 (57%) 32 TOTAL (1%) 1 (10%) 8 (18%) 50 (61%) 170 1 1 (4%) 2 (11%) 31 GERAL Fonte: Construção do próprio autor (2014). Este questionário composto de 35 questões, com 05 alternativas com escala de Likert foi entregue a 08 atores da rede D, entre eles 3 cooperados, 2 funcionários da cooperativa, 1 advogado, 1 funcionário do banco e 1 funcionário da construtora. Em resposta às perguntas do questionário, a pesquisa mostrou uma rede muito focada com os relacionamentos sociais com seus cooperados, onde a mesma procura conhecimento, informações e trocas de experiências com os sujeitos que fazem parte da rede, havendo muito comprometimento em suas ações coletivas. É importante comentar que algumas perguntas, em particular aquela que questionava a respeito de governança, as respostas obtidas demonstraram uma certa dúvida por parte dos 126 atores questionados, nem concordando e nem discordando, mas não foi possível determinar o motivo, podendo ser (a) o sujeito não entendeu a questão; (b) o ponto não é importante; (c) o sujeito não tem informações suficientes para responder. Concluindo a análise desta coleta, os dados indicam uma rede com vínculos sociais fortes (altas porcentagens de confiança e comprometimento) principalmente na díade cooperativa-cooperado. Tal como no caso da conclusão da rede anterior, os documentos apontam para formalidade e ação isolada e os questionários apontam para ações coletivas. 5.7.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede D A seguir apresentam-se os dados principais das entrevistas realizadas. Sujeito D1 Presidente da cooperativa está no mandato desde 2012 quando da renúncia do presidente que pediu afastamento por motivos particulares, mas sempre fez parte da diretoria, desde o início. Para ela, a cooperativa no passar dos anos evoluiu na questão de administração e de relacionamentos, pois com trocas de informações, conhecimentos e experiências com outras cooperativas e com as entidades de fomento, possibilitaram a mesma criar novos valores e novas formas de governança, trazendo para si e para seus cooperados uma maior confiança, comprometimento e cooperação em seus projetos habitacionais e fidelização dos cooperados no que se refere aos cumprimentos das obrigações, nas cobranças de seus direitos, nos relacionamentos dos mesmos com a cooperativa, como também entre eles, “tanto que em muitas ocasiões” disse ela: “Alugamos ônibus e descemos para a praia com os cooperados que querem ir sem cobrar nada e lá visitamos as obras, fazemos piquenique e confraternização dentro dos condomínios dos que já receberam os imóveis ou até mesmo nas obras”, o que demonstra o alto grau de amizade entre todos, porém, quando o assunto são as parcerias, disse ela, ainda não se desenvolveu um relacionamento mais social, persistindo ainda um relacionamento mais comercial. Suas parcerias são praticamente com a iniciativa privada (bancos, construtoras e empreiteiras, com outras cooperativas e entidades de fomento), proporcionando a mesma utilizar-se de tais conhecimentos para implantá-la em sua administração e em seus projetos, como também repassar aos parceiros seus próprios conhecimentos e suas experiências. 127 Portanto ela necessita muito da participação dos mesmos, como eles necessitam da cooperativa, onde o trabalho realizado por ela se volta também na educação cooperativista em prol dos cooperados, ensinando e explicando aos mesmos os princípios e os fundamentos do trabalho das cooperativas habitacionais. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram conclusivas: Segundo ela, “a cooperativa necessita muito dessas relações com seus parceiros sejam eles os cooperados, os bancos, as construtoras, empresas de fomento e de seus colaboradores, tanto para adquirir recursos, conhecimentos e experiências, como também repassa-los e para que isso aconteça, trocamos informações, seja por telefone ou e-mails com nossos atores e tendo condição nos reunimos e discutimos aquilo que mais precisamos ou que eles necessitam para complementar nosso trabalho e o deles”. Complementando a resposta, ela disse que: “Nestas reuniões, nesses telefonemas e nos e-mails trocados, procuramos colocar à disposição de todos nossas necessidades e eles colocam as deles, onde um consegue muitas vezes solucionar as necessidades dos outros”. Para fortalecer seu depoimento ela deu um exemplo muito interessante: “Em diversas ocasiões eu percebi os próprios cooperados colocarem seu tempo e sua profissão a disposição da cooperativa para sanar problemas que surgem no dia a dia, como serviços de advocacia, experiência no ramo de material de construção, de mão de obra, como também de tecnologia”, lembrou também de uma cooperativa (C) que tinha adquirido um programa para administrar e controlar as finanças e os cronogramas das obras, em uma dessas reuniões, esta cooperativa explicou da importância e da facilidade em se trabalhar com tal sistema, o que foi importante para as demais se interessarem, “no nosso caso acabamos fechando negócio e hoje trabalhamos com esse sistema”. Resumindo ela explicou que essa contribuição agrega valores e conhecimentos para a própria cooperativa, como também para seus atores. Continuando a entrevista, a presidente disse que: “O comprometimento faz parte do que foi falado anteriormente, onde, com esses relacionamentos passa a haver maiores contatos por parte dos cooperados, principalmente na participação dessas reuniões, em visitas a cooperativa para acompanhamento dos trabalhos, e emitindo opiniões que muitas vezes se tornam úteis para a sequência dos trabalhos realizados, tais atitudes só trazem benefícios, seja na tomada de decisões conjuntas, seja nas opiniões, seja nos próprios relacionamentos o que contribui para que os mesmos continuem disponibilizando seu tempo para ajudar a atingir as metas propostas”. Ao ser questionada sobre confiança, ela disse que: “Quanto maior for à credibilidade entre as pessoas que participam desse círculo, mais fácil se torna as tomadas de decisões, 128 inclusive aceitando e cumprindo regras e acordos inclusive informais, porém, com a certeza que as mesmas serão totalmente cumpridas”. De acordo com sua resposta, entre os cooperados existem muitas diferenças, principalmente de conhecimentos (alguns tendo mais facilidade de compreender determinados assuntos e outros não) e recursos financeiros, pois todos no início contribuem com o mesmo valor, porém quando se entrega as moradias, alguns passam a antecipar contribuições e outros não tem a mesma possibilidade, quanto as organizações que trabalham com a cooperativa, ela comentou que entende que sim, pois cada um tem seu próprio objetivo e suas próprias metas, alguns possuindo maiores recursos, mais conhecimento, melhor tecnologia e outros não estando ainda no mesmo patamar. Na questão da governança percebeu-se muito bem com suas respostas que ela considera muito importante a presença de regras, desde a admissão até a demissão do cooperado, formas de devolução das parcelas pagas em caso de pedido de demissão por parte do cooperado, controles sobre tudo que se faz principalmente sobre as decisões tomadas, nas contratações e nos acordos assinados, dizendo que: “Isso permite um trabalho mais sério, mais comprometido, mais transparente, acreditando assim que as mesmas contribuirão para que os objetivos da cooperativa sejam cumpridos, tanto que tais regras” confirmou ela, “penalizam aqueles que delas transgredirem”. Assim sendo, pode se afirmar que, considerando o conjunto de dados, em relação a pergunta de pesquisa, percebe-se a presença das variáveis nas respostas por parte do sujeito D1 e para o mesmo tal presença se torna essencial para o alcance dos objetivos de todos que fazem parte da rede, indicando uma rede formal, burocrática, com a presença do social, porém alguns atores desconhecem ainda a força em se trabalhar em rede e sendo assim, esses relacionamentos em certas ocasiões com alguns atores passam a ser apenas de negócios, tanto que em algumas respostas ela enfatizou bem que: ”Tais relacionamentos podem se tornar com o tempo muito mais sociais trazendo muito mais envolvimento entre todos, contribuindo para que todos ganhem com isso”. Sujeito D2 Gerente de conta bancária tem a cooperativa como um de seus clientes, inclusive comentou que seu relacionamento com a cooperativa, ainda é muito comercial, pois com a quantidade de clientes, não existe grande possibilidade de se ater a apenas um, o que não lhe permite muitas vezes relacionamentos mais particulares e mais específicos com cada um deles. 129 Inclusive, citou ainda que, tais relações são mais de encontros na agencia ou uma ou outra vez uma visita a cooperativa para conversar com os diretores e trocar algumas ideias a respeito das contas e do interesse da cooperativa em relação aos produtos do banco. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram significantes: Segundo ele, “existe por parte do banco uma interdependência muito grande em relação a outras organizações principalmente no que se refere a recursos, seus clientes colocam seus recursos a disposição do banco e o banco coloca esses recursos a disposição de outros clientes que dele tem necessidade, por conseguinte, passamos a trocar informações com os clientes, procurando conhecer facilitando ao mesmo o que fazer com os mesmos”. “Quanto as trocas de conhecimentos, experiências e tecnologias, o banco está constantemente fazendo uso das mesmas, sejam para uso do próprio banco, como também repassando para seus atores, como é exemplo com a cooperativa” disse ele. “Como cliente, ela necessita das informações on line de sua conta, como também de suas cobranças e pagamentos, portanto, o banco repassa a mesma essa tecnologia e dá suporte todas as vezes que a mesma necessita isso demonstra” conforme comentário próprio “o comprometimento que a agencia e o banco tem com seus clientes, porem”, segundo ele, “poderia ser melhor e não apenas de negócios, porém, o tempo é o principal problema, mas, procuramos na medida do possível se reunir, mesmo que seja de tempo em tempo com o cliente, pois, relações mais habituais só trazem benefícios, seja na tomada de decisões conjuntas, seja nas trocas de informações, seja nos próprios relacionamentos”. “Tudo isso”, segundo ele, “se torna primordial no dia a dia, tanto que muitas vezes se toma decisões entre o banco e o cliente apenas na confiança em que cada um irá cumprir com sua parte, confiando que o outro irá fazer a mesma coisa, mesmo que para isso seja necessário tomar atitudes apenas confiando na integridade das outras pessoas”. Ao comentar sobre assimetrias entre seus parceiros, ele acredita que embora exista muitas diferenças sejam elas de recursos, de objetivos ou até de tratamentos, o banco procura solucionar na medida em que vão surgindo, porém, muitas vezes tais diferenças representam tratamentos diferenciados, principalmente na questão de obtenção de recursos, pois o banco tem objetivos não sendo apenas em atender a um cliente específico, mas uma gama de clientes que poderão trazer ao próprio banco recursos que serão futuramente investidos com outros clientes, isso inclusive facilita na hora de novos acordos o que pode trazer soluções e benefícios para ambas as partes, “o cliente satisfeito é o cliente fiel”, disse ele. Para esta questão, comentou, “existem regras, colocadas muitas vezes não só pelo banco, mas por entidades reguladoras, desde a admissão até a exclusão do cliente, controles 130 sobre tudo que se faz e principalmente nas decisões tomadas, portanto ele mesmo afirmou que são regras formais que o banco assina conjuntamente com o cliente e ambos tomam conhecimento das penalidades que deverão ser cumpridas no transcorrer do tempo do contrato, inclusive com penalidades quando as mesmas são transgredidas”. Assim sendo, pode-se afirmar que, considerando o conjunto de dados, a resposta ao problema de pesquisa indica a presença de algumas variáveis por parte do sujeito D2, principalmente aquelas racionais, pois, tais relacionamentos são quase que exclusivamente comerciais, denotando apenas em alguns momentos a presença do social entre ele e seus atores, o que concluímos que esses relacionamentos determinam a existência de uma rede em um estado latente, pouco desenvolvida, sem que os atores tenham consciência do coletivo. Sujeito D3 Responsável pela construtora que está atualmente trabalhando com a cooperativa na construção das fases IV, V e VI dos projetos habitacionais de um dos módulos na cidade de Itanhaém. De acordo com suas respostas, o trabalho com essa cooperativa não é o primeiro, assim pode afirmar que houve até agora grande afinidade para que os projetos fossem concluídos pelos valores e tempo previamente estabelecidos, “tal experiência”, segundo ele “é relevante para a continuidade e desenvolvimento de um relacionamento que poderá trazer novos projetos na área de construção junto a esta cooperativa”. Quanto ao seu trabalho ele informou: “por se tratar de uma cooperativa que se dedica exclusivamente na construção de moradias de lazer, a mesma só possui recursos vindos dos próprios cooperados, o que dificulta muitas vezes o cumprimento dos cronogramas de obra, aumentando em algumas vezes o tempo de construção, portanto, para que isso seja realizado, as parcerias são pontos fortes para o alcance desses objetivos tanto que em muitas ocasiões houve necessidade de se mudar o cronograma para aguardar a entrada de novos recursos”. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram valiosas: Para ele, “existe por parte da construtora uma relação muito estreita com nossos atores, cujos recursos se fazem necessários para complementar nosso trabalho, mas ao mesmo tempo, dispomos de nossos trabalhos, nossas tecnologias e de nosso conhecimentos para atender as necessidades dos mesmos. Por conseguinte, passamos a trocar com os mesmos, informações, conhecimentos, e experiências que são utilizadas em benefício de todos, gerando ganho coletivo e menos recursos investidos”. 131 Quanto ao comprometimento, ele comentou que: “Essa participação entre os atores ainda é muito voltada ao cumprimento dos contratos, onde os relacionamentos são apenas em conversas ou reuniões, ou mesmo em visitas as obras por parte dos clientes, esses encontros tem a finalidade de colocar os assuntos de trabalho em dia, o que se espera”, disse ele, “é que esses contatos tragam com o tempo uma proximidade maior entre todos e que possamos no longo do tempo dar continuidade de trabalho com o mesmo cliente”. Complementando sua resposta, ele vê nesse comprometimento, uma forma das pessoas confiarem em seus atores e os mesmos em você mesmo, a seguir comentou que: “A construtora acredita muito na integridade das pessoas envolvidas e que os acordos serão cumpridos, em nosso trabalho deve haver muita confiança, pois muitas vezes somos obrigados a assumir compromissos que não se encontram formalizados, porem temos necessidade de continuar o trabalho até que o mesmo seja assinado, caso contrário, a obra será paralisada. Portanto confiamos que as pessoas irão cumprir cada um com sua parte, mesmo não tendo um relacionamento mais afetivo a não ser através dos contatos entre as pessoas envolvidas”. Em relação as assimetrias, ele informou que: “Embora existam muitas diferenças entre os atores, principalmente no que se refere a recursos e objetivos diferentes, não poderia explicar se essas diferenças podem ocasionar algum conflito ou problema para a rede”. Citou na questão de objetivos, que: “O objetivo principal de nossa empresa é terminar as obras contratadas no prazo, no custo e na qualidade acordada e com isso receber o que foi determinado em contrato, para tanto temos que cumprir o que foi estipulado em contrato, o que não se torna o mesmo objetivo se assim entendermos por parte de outros atores envolvidos, como por exemplo a própria cooperativa cujo objetivo é mais social, entregar a obra para seus cooperados e satisfazer seus desejos em relação a moradia, não visando lucro, o que para a empresa é primordial para continuidade de seu trabalho, embora ao continuar nosso trabalho podemos também ver o lado social ao contratar funcionários e dar a eles condições de trabalharem e receberem recursos que possibilitaram a terem também suas casas”. “Para nossa empresa”, respondeu categoricamente, “existem regras e que as mesmas devem ser cumpridas, sejam elas internas para seus funcionários ou externas com seus clientes, desde a contratação até o término das obras, controles sobre tudo que se faz em termos de trabalhos e produção sendo que as mesmas são formalizadas para que os funcionários as cumpram e onde os atores assinam, tomam conhecimento e cumprem também”, complementou dizendo que “isso se faz necessário para que todos entendam a 132 importância do papel que ocupam na organização, como também suas responsabilidades frente a seu trabalho e de seu cliente”. Assim sendo, pode-se afirmar que em relação ao sujeito D3, embora se evidencie a presença de algumas variáveis, indicando relacionamentos e compromissos mais profissionais e econômicos, como por exemplo sobre a categoria confiança, onde o sujeito não conseguiu dar exemplos, ou afirmar que ela existe, ficando no discurso do que deveria ser, o social não está presente na maioria dos casos, o que seria importante para nosso trabalho. Pode-se dizer então que o sujeito se encontra em uma posição intermediária entre a rigidez dos contratos e a relação social com a cooperativa e seus cooperados, indicando assim uma rede formal, burocrática, engessada, que funciona cada um fazendo sua parte. Uma rede sem grande presença do social e do coletivo. Considerando os dados das três entrevistas realizadas, conclui-se que o estado desta rede se caracteriza pela formalidade e pela presença de esforços de relações sociais e que, embora o sujeito D2 tenha relacionamentos ainda muito racionais, as respostas dos sujeitos D1 e D3 convergiram na preocupação de ações, fóruns, encontros para desenvolver a consciência da necessidade de ações coletivas e maior envolvimento social. 5.7.4. Resposta ao problema de pesquisa Em relação a resposta ao problema de pesquisa, pode-se afirmar que as variáveis pesquisadas estão presentes nas entrevistas e nos questionários, mas, nos documentos (atas e acordos), somente algumas, ou sejam, aquelas que tratam de acordos e contratos, indicando que o social só existe na sub rede do ator cooperativa e do ator cooperado. Pode se dizer então que a mesma está focada no comprometimento e nas ações coletivas junto a seus atores, participando de eventos, se relacionando entre eles, dispondo de recursos e conhecimentos em prol do coletivo para se alcançar melhores resultados. Porém, quando estuda-se as outras organizações, tais relacionamentos se tornam predominantemente comerciais, como é o caso do banco e da construtora, eles ainda estão a meio caminho para um relacionamento mais social, comprometido e com confiança, mas ainda estão presos a regras do negócio. Portanto, considerando o conjunto de dados pesquisados, foram encontradas as variáveis que caracterizam um estado de rede com dominância de relações formais, ao mesmo tempo a existência de esforços, planos e alguns exemplos de aproximação social entre os 133 atores, mais fortemente entre o ator cooperativa e o ator cooperado e secundariamente entre o ator construtora e os dois anteriores. Os dados indicam a falta de consciência sobre ação coletiva quando se trata de alguns atores, tal como o banco. É uma rede, portanto, com pouca base social e dominância dos fluxos formais, com algumas exceções. 5.8. Apresentação dos dados da Rede E A Cooperativa E foi fundada em 1996 e está localizada no município de Taboão da Serra, atuando na construção de apartamentos, em condomínios fechados na própria cidade. Como principais parceiros pode-se citar os bancos, as empreiteiras (a cooperativa contrata diversas empresas para o mesmo projeto, distribuindo entre elas as diversas partes da obra), outras cooperativas como provedores e receptores de conhecimentos, experiências e tecnologias e finalmente as entidades de fomento (OCESP e OCB) que tem a finalidade de instruir e repassar as normas cooperativistas aos interessados. Outro fator importante para a pesquisa desta rede em que se encontra a cooperativa E, foi a mesma se destacar entre as outras pelo grau de confiança de seus atores em relação a ela e ela em relação a eles, isto leva a pensar no alto grau de comprometimento entre todos, determinando seu estado de organização atual. 5.8.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede E A seguir são apresentados os documentos mais importantes sobre fatos que envolvem a rede E, que tem relação com a pesquisa. QUADRO 13. DADOS SECUNDÁRIOS DA REDE E N° 01 Natureza do documento Ata de Constituição e de regimento interno 14/08/1996 Tema central Este documento contém as regras de controles para constituição, admissão e exclusão dos cooperados, incluindo os regimentos internos Variável presente Indicador Formas de Governança 1.Regras sobre admissão e exclusão. 2.Regras sobre penalidade. 3.Controle por autoridade. Sinais da presença e 1.Participar Relação com o tema da pesquisa Esse documento Indica a maneira de como é feita a formação dos grupos de cooperados, regras para distribuição e entrega, 134 02 Jornal na NET Abril / 2009 03 Jornal na NET 03/06/2011 sobre relacionamentos de cooperados e diretoria, regras de distribuição, formas para obtenção de recursos, direitos e obrigações da diretoria, cooperados e outros atores, regras estabelecendo a obrigatoriedade da participação dos cooperados nas assembleias nas eleições e mudanças estatutárias, como também nas assembleias de sorteios e entregas. Cooperativa E estimula a infraestrutura, o comércio e o setor imobiliário da região. Empresários dizem que a Cooperativa E mudou a região de Taboão promovendo o crescimento e a valorização do setor imobiliário, oferecendo mais empregos, aumentando a clientela, inclusive gerando mais impostos ao governo municipal. Cooperativa entrega as escrituras do grupo I Conforme contrato assinado na época da adesão, os cooperados que faziam parte do grupo I, após a conclusão das obras, receberam suas escrituras, cujos custos faziam parte do total acordado. conteúdo de Comprometimento regularmente de reuniões e decisões. 6.Sinais de disposição de continuidade dos relacionamentos indicando como deve ser uma rede mais organizada e estruturada, controlando o comportamento e incentivando ações coletivas. Nesse documento fica visível as normas e regras que devem ser seguidas por todos que dela participa. Sinais da presença e conteúdo de Confiança 5.Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. A notícia se refere a um voto de confiança de empresários locais sobre a cooperativa E, indicando possível formação de laços visando o crescimento da região, indicando uma rede aberta. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 3.Assumir responsabilidades de ações conjuntas. A notícia se refere a entrega de produtos conforme contratos estabelecidos, o que indica o comprometimen to do ator em relação aos outros. 135 04 Jornal na NET 15/08/2011 Cooperativa começa a devolver saldo de caixa para associados de acordo com estatuto. Após a entrega do último apartamento e encerramento das obras do grupo, os cooperados receberam as sobras proporcionalmente aos valores pagos de acordo com o estatuto e regimento interno. Formas de Governança 6.Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. 05 Jornal de Taboão 10/07/2012 Formas de Governança. 6.Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. 06 BMFBOVESPA 26/09/2013 Cooperados reclamam da entrega dos condomínios. Devido a um problema com a prefeitura em relação a liberação do habite-se, os cooperados do grupo se reuniram e entraram com reclamação junto a cooperativa para que a mesma procurasse abreviar o tempo de liberação deste documento para que os mesmos pudessem se mudar. Cooperativa e BMF, com parceria de diversos bancos emitem títulos de fundos de investimentos imobiliários com o intuito de valorizar as cotas dos cooperados da cooperativa. As sobras de caixa de cada grupo passaram a ser investidas em títulos imobiliários e do governo, cuja finalidade é aumentar a Formas de Governança. 6.Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 3.Assumir responsabilidades de ações conjuntas. A notícia indica o cumprimento de regras por parte do ator cooperativa para os atores cooperados. Apesar dessa solução, outros documentos indicam que o ator cooperado tem reclamações sobre a cooperativa. Indica, portanto, uma rede com conflitos ainda a serem resolvidos. A notícia se refere a uma manifestação de descontentament o e desconfiança do ator cooperado para o ator cooperativa, indicando um estado de rede com conflitos a serem resolvidos. Essa parceria indica uma forma de proporcionar mais recursos para a rede, indicando uma rede focada na diminuição dos custos operacionais, cujos benefícios serão não só financeiros como também sociais, ensejando ações coletivas entre a cooperativa e 136 07 Jornal de Taboão 20/11/2013 08 Jornal de Taboão 28/11/2013 poupança dos mesmos e com isso diminuir parte de seus custos na aquisição de suas moradias. Presidente comemora com cooperados a entrega de mais 104 apartamentos conforme cronograma de obras. Cooperativa recebe visita de cooperativas de Santa Catarina. A finalidade foi divulgar o trabalho feito pela cooperativa E, e essas se utilizarem do modelo aplicado aqui em São Paulo. A cooperativa E se tornou modelo para as demais cooperativas, com isso passou a se aproximar das mesmas e elas da E, com o intuito de trocar conhecimentos, experiências e modelos de governança. Fonte: Construção do próprio autor (2014). seus cooperados. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 3.Assumir responsabilidades de ações conjuntas. 4.Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento. 1.Participar regularmente de reuniões e decisões. 2.Ajudar a outro mesmo sem benefício próprio. 5.Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros. A presença dessas variáveis por parte dos atores da rede, fortalece positivamente seu aspecto operacional, indicando uma rede focada no comprometimen to das regras e normas junto a todos os cooperados. A notícia revela um movimento de aproximação entre as cooperativas, buscando fortalecer os laços entre elas, os quais se mostram fracos na atualidade. A partir dos dados secundários coletados sobre a rede E, pode se verificar a presença de algumas variáveis de pesquisa entre os atores da rede, como também o foco da mesma em participar com outras cooperativas na divulgação do cooperativismo habitacional e sua importância no cenário da construção de moradias para a comunidade, essas variáveis indicam ações coletivas, relacionamentos sociais e cumprimento de acordos. É importante citar que a pesquisa desses dados secundários mesmo indicando notícias sobre entregas, serviços prestados e recebidos e, outros itens de contratos, significando que a 137 rede embora voltada para ações coletivas, principalmente no cumprimento dos acordos e nas informações colocadas à disposição de seus atores, procura repassar suas experiências, seu conhecimento e suas informações para as demais. Os documentos forneceram poucos dados para uma conclusão sobre o estado de rede. Percebe-se então, uma certa dominância de conteúdos de deveres a serem cumpridos (em 4 documentos). Existem dois documentos de atores não constantes (um representante local e o presidente de outra cooperativa) elogiando as ações da cooperativa E, também na linha de dever cumprido. Significa que os atores participantes estão realizando suas tarefas e o produto está sendo entregue, mas o social não tem forte presença. 5.8.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede E A seguir serão apresentados os dados sobre o questionário utilizado na pesquisa da Rede E. TABELA 5. RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO SOBRE A REDE E Perguntas Nem Discordo Discordo totalmente concordo Concordo Concordo totalmente nem discordo Presença e natureza da Interdependência 1 1 1 2 3 4 2 3 4 4 4 3 5 5 1 6 5 3 7 6 2 2 2 5 Total 1 1 (2%) 1 (6%) 4 1 (4%) 2 (52%) 29 (36%) 20 Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento 8 9 1 1 10 3 5 1 4 1 2 5 1 11 1 4 3 12 2 5 1 13 1 4 2 1 138 14 1 1 4 2 1 5 2 16 5 3 17 6 2 15 Total (1%) 1 (8%) 6 (8%) 6 (56%) 45 (27%) 22 Sinais da presença e conteúdo de Confiança 18 1 1 4 2 19 1 2 3 2 20 2 2 2 2 21 1 6 1 4 3 22 1 Total (10%) 4 (12%) 5 (5%) 2 (48%) 19 (25%) 10 Natureza e formas de solução de Assimetrias 23 1 4 3 24 1 4 3 25 1 3 4 7 1 1 6 1 1 3 3 26 27 28 1 Total 0 (8%) 4 (4%) 2 (56%) 27 (36%) 15 Formas de Governança 29 30 2 1 31 32 1 6 2 4 1 4 4 2 1 3 1 2 1 2 3 34 6 2 35 5 3 33 Total (2%) 1 (11%) 6 TOTAL (3%) 7 (9%) 25 (6%) 3 (50%) 30 (31%) 16 (5%) 15 (53%) 150 (30%) 83 GERAL Fonte: Construção do autor (2014) Este questionário composto de 35 questões, com 05 alternativas com escala de Likert foi entregue a 08 atores da rede E, entre eles 3 cooperados, 2 funcionários da cooperativa, 1 advogado, 1 funcionário do banco e 1 funcionário da construtora. Em resposta às perguntas do questionário, a pesquisa mostrou uma rede muito focada com os relacionamentos sociais, onde a mesma procura através de trocas de informações, 139 conhecimento, e experiências com os atores que fazem parte da rede, laços que contribuem para seu próprio desenvolvimento e de toda a comunidade, criando ações coletivas, para que todos possam ganhar. Conclui-se então que, em relação a pergunta de pesquisa a partir das respostas obtidas, os resultados indicaram uma rede organizada, com sinais de uma participação mais consistente de seus atores com ações coletivas e trabalhos conjuntos, onde o social se faz presente. 5.8.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede E A seguir apresentam-se os dados principais das entrevistas realizadas. Sujeito E1 Diretor Administrativo da cooperativa está no mandato desde a fundação. Ao comentar sobre o sistema, ele disse que: “Esse é um momento oportuno para resgatarmos o sistema cooperativista habitacional, pois grande parte da população, seja ela composta por pessoas que querem ter sua primeira moradia, ou até investir, o cooperativismo se torna uma grande e oportuna maneira de adquirir sem necessitar de procurar uma construtora”. Segundo ele, “por ser a única cooperativa habitacional do munícipio temos algumas vantagens, as pessoas que querem adquirir moradia pelo sistema cooperativista nos procuram e por isso se torna fácil para a cooperativa ter sempre cooperados e inclusive em fila de espera. Outro fator importante é que por construir somente dois tipos de residências, apartamentos de dois e três dormitórios, nossos projetos tem pouca diversidade e com isso os custos se tornam menores”. “Quanto as parcerias, com a prefeitura nosso relacionamento é de uma entidade sem fins lucrativos situada no município, construindo casas e quando as obras ficam prontas e são entregues, se o local precisar de infraestrutura, eles se interessam em faze-las, sendo que o interesse também é nosso, pois essas trocas de objetivos contribuem em muito para a satisfação de nossos cooperados”; “em relação aos bancos, nossos relacionamentos são mais de cliente com o gerente de conta e ele conosco, é lógico que existe um certo relacionamento mais assíduo, pois necessitamos dele para nossas contas, nossos investimentos e nossos pagamentos e ele de nós como cliente, tanto que muitas vezes ele nos visitou, se interessou pelo nosso trabalho e se dispôs a nos ajudar naquilo que precisássemos, como por exemplo 140 opinando a respeito de nossas reservas serem investidas na compra de títulos do governo, mesmo não ganhando ele nos ajudou para que nós ganhássemos, isso nos ajudou em muito, pois os retornos possibilitaram a diminuição dos custos por parte dos cooperados nas construções de suas moradias”. “Nossos relacionamentos são mais com as construtoras e com os cooperados, pois eles são essenciais para nosso trabalho”. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram significativas: Segundo seu depoimento, existe por parte da cooperativa uma interdependência muito grande com os cooperados e as construtoras repassando aos mesmos, recursos, informações, conhecimentos e experiências e ao mesmo tempo recebendo deles seus recursos (no caso os cooperados), conhecimentos, experiências e tecnologias (no caso as construtoras), com isso, essas trocas e esses relacionamentos passam a ser cada vez mais assíduos, sendo aproveitados por todos, pois imbui a praticidade de ações coletivas, onde todos colocam um pouco de si para um objetivo só. Ao responder sobre comprometimento, ele disse que: “Embora haja regras e acordos tanto com os cooperados, como com as organizações, o mesmo se faz presente desde quando o cooperado assina a proposta se propondo a cumprir as regras e ter seus direitos assegurados, participando efetivamente das reuniões dos grupos, opinando e dispondo de seus conhecimentos em prol de todos, o que contribui para que os mesmos inclusive se sintam atraídos a disponibilizar seu tempo para ajudar aos demais de forma que todos consigam atingir seus objetivos, isso também acontece com as organizações, onde cada uma tem suas obrigações e seus direitos, portanto, os mesmos devem se compenetrar de suas responsabilidades, cujas atitudes só trazem benefícios, seja na tomada de decisões conjuntas, seja nas sugestões oferecidas pelas partes, seja nos próprios relacionamentos existentes durante os contratos”. Segundo ele, a confiança é primordial entre os atores, inclusive muitas vezes aceitando e cumprindo regras e acordos informais, porém, com a certeza que as mesmas serão totalmente cumpridas, pois se acredita na integridade das pessoas envolvidas. Em relação as assimetrias, “sim”, disse ele, “com minha experiência e tempo de trabalho reconheço que existem muitas diferenças entre os atores envolvidos, principalmente no que se refere a recursos, tanto que nossa preocupação é tentar auxiliar da melhor forma possível”. Outra questão citada por ele foi em relação a níveis intelectuais diferenciados, “pois um é um trabalhador comum, porém o outro é um advogado, outro médico, outro diretor de 141 empresa, cujas percepções a respeito das regras são mais fáceis para uns em relação aos outros”. Segundo o diretor, algumas empresas contratadas possuem maior recurso e tecnologia do que a outra, portanto possuem uma representatividade maior no mercado, com isso muitas vezes não basta apenas um contrato, mas inclusive solicitam avalistas, entra aí, a questão dos próprios diretores avalizarem tais contratos para que a empresa dê sequência em seu trabalho. Por fim, ao comentar sobre governança, ele foi muito franco em sua resposta, afirmando que: “Na rede existem regras para todos e devem ser cumpridas, tanto que um cooperado foi excluído do quadro por desacatar decisões da diretoria, sendo que tais regras penalizam aqueles que delas transgredirem, pois não foram feitas apenas por nós da diretoria, mas sim por todos e portanto devem segui-las, isso facilita e determina o papel de cada um dentro da rede”. Assim sendo, pode se afirmar que, considerando o conjunto de dados, a resposta ao problema de pesquisa em relação ao sujeito E1 indica sinais da presença dessas variáveis principalmente nas conexões do ator cooperativa com os atores cooperados, onde o social se faz presente em seus relacionamentos e participações, seja no trabalho, nas reuniões e nos eventos realizados, porém, ao se falar sobre as organizações que fazem parte da rede, esses relacionamentos e interações, são ainda de relações mais formais, mais voltadas a cumprimento de contratos, embora perceba-se sinais sociais mesmo sendo fracos, principalmente quando participam de reuniões trocando informações, conhecimentos e experiências como foi notado em diversas ocasiões das entrevistas. Sujeito E2 Gerente de conta bancária, durante a entrevista ele disse que, embora conheça a diretoria da cooperativa e com eles mantem alguns relacionamentos, principalmente no que se refere as contas mantidas na agencia, como também de suas necessidades em relação a seus projetos, tais relacionamentos ainda são em muitas ocasiões apenas comerciais, embora em certas ocasiões ele passa do comercial para o social, pois por se tratar da única cooperativa habitacional da região e tendo com ela uma grande parceria mesmo com objetivos de ganhos por parte do banco, seus contatos passaram a ser inclusive de “amigos”, pois inúmeras vezes foi convidado a participar dos sorteios dos imóveis, das reuniões de planejamentos econômicos, inclusive foi grande incentivador para a cooperativa investir em títulos do governo e com isso capitalizar mais recursos de forma a possibilitar a diminuição dos custos dos cooperados. 142 Sobre as variáveis, as seguintes informações foram relevantes: Ele entende que: “Existe por nossa parte (banco) uma interdependência muito grande em relação a todos os atores, pois de um lado eles representam a fonte de recursos para o banco e por outro lado, representamos o conhecimento e a experiência financeira para eles, por conseguinte, passamos a trocar informações, procurando conhecer suas necessidades e seus anseios e eles com o banco, isso nos leva cada vez mais a interagir com todos, onde essas ações coletivas proporcionam ganhos conjuntos ao grupo”. “Essas atitudes, possibilitam uma maior interação, um maior comprometimento”, disse ele, “porém, não é da mesma forma com todos, principalmente pelo tipo de necessidade de cada um, pode se dizer também”, completando a resposta, “que tais atitudes só trazem benefícios, seja na tomada de decisões conjuntas, seja nos próprios contatos com as pessoas contribuindo em muito para que todos atinjam seus objetivos, como ocorreu no início da cooperativa, quando a diretoria precisou de nossos recursos para iniciar suas obras, pois ainda não tinha cooperados suficientes que pudessem formar receita suficiente para cobrir os gastos com as construções e o presidente colocou seus bens pessoais para garantia de nossos recursos e para os próprios cooperados”. Esse comentário indica que em relação ao comprometimento, o sujeito E2 apenas cumpre o que está nas regras, não sendo comprometimento próprio com outros atores. Em relação a confiança, sua resposta foi sequência da anterior, ou seja, ela não está presente, pois segundo ele, “havendo comprometimento, a confiança entre as pessoas que estão relacionadas conosco, passa a haver credibilidade entre as mesmas, facilitando as trocas de experiências e de recursos”. Esse comentário do sujeito E2, é muito genérico, impossibilitando concluir se há, ou não, confiança entre os atores. O sujeito afirmou que existem assimetrias entre as partes, conforme o exemplo do seu discurso: “Existem muitas diferenças entre os atores, principalmente no que se referem a recursos financeiros, procurando diminuir tais diferenças, investindo no mesmo principalmente quando o mesmo demonstra um comprometimento muito grande com nossa agencia” e alguns esforços de solução, dependendo da reciprocidade do outro ator. Quanto a questão da governança, os sinais são de governança formal, sem sinais de informal, como citado em seu próprio comentário ao dizer que: “Existem regras, desde a admissão até a exclusão do cliente, controles sobre tudo que se faz, essas regras são formalizadas e cabem a todos os atores, onde os mesmos ao tomarem conhecimento ficam cientes das penalidades que poderão advir dessas transgressões”. Como se vê, o sujeito respondeu sobre regras de sua organização e não sobre as relações na rede. 143 Considerando os dados da entrevista, as mesmas indicam uma maior dominância de fluxos racionais, no sentido de ações de ganho para uma parte específica (o banco) e alguma vantagem se o outro ator (por exemplo o cooperado) cumprir a sua parte. As relações sociais são raras na prática e presentes como plano, ou como discurso de sua importância. No entanto, considerando outras entrevistas com gerentes de bancos, foi o primeiro que deu algum exemplo de relação social, talvez facilitada pelo fato de estar num município com poucos habitantes e com relações sociais mais constantes. Sujeito E3 Responsável pela construtora junto a cooperativa, ele informou que: “Com esta cooperativa já foram feitos outros trabalhos”. Sobre as variáveis, as seguintes informações foram importantes: Segundo ele, “existe por parte da construtora uma interdependência muito grande em relação a nossos parceiros e os mesmos conosco, com isso passamos a trocar informações, conhecimentos, experiências e recursos que são trocados objetivando facilitar o trabalho conjunto e ganho para atingir o objetivo final”. Portanto, sobre interdependência, o sujeito não deu nenhum exemplo concreto, apenas ressaltou que precisa dos outros e que existem trocas de informações. Para ele, “o comprometimento e a confiança neste tipo de trabalho se torna muito importante, demonstrando o grau e a forma de participação das pessoas no processo, principalmente no cumprimento de suas responsabilidades, o que contribui para que os mesmos continuem disponibilizando seu tempo e seu trabalho para ajudar os demais atores a atingir os objetivos propostos”. Sobre comprometimento e confiança o discurso do sujeito foi genérico, sem dar exemplos, afirmando que tudo depende de se cumprirem os acordos e ressaltando a importância da presença das duas categorias. Em relação as assimetrias, para ele existem diferenças entre as partes e que em alguns casos dá para se tentar resolver os conflitos e em outros casos não dá para fazer nada, portanto, elas existem e sua organização procura se adaptar às condições, mas não deu exemplos de ações coletivas para solucioná-las. Quanto a questão da governança, os sinais são de governança formal, sem sinais de informal, tanto que ele explicou: “A empresa em que trabalho possui uma governança formal, com regras adaptadas aos dias de hoje e as necessidades da empresa e da rede em que participa”. 144 Assim sendo, pode se afirmar que, de acordo com os dados do sujeito E3, percebe-se a presença de algumas variáveis, como comprometimento, porem no sentido mais restrito de obrigações e formalidades, o que indica uma rede mais formal e racional, embora em alguns momentos o social esteja presente. Em relação as entrevistas realizadas conclui-se que as respostas do sujeito E1 estão voltadas para o social, porém para o sujeito E2 elas ainda tem muito do comercial, mesmo existindo sinais do social em seus pronunciamentos e para o sujeito E3 são basicamente comerciais. Pode-se concluir que, embora o sujeito E2 tenha relacionamentos ainda muito racionais, as respostas dos sujeitos E1 e E2 convergiram em muitas partes de seus depoimentos, principalmente na preocupação de ações coletivas e encontros para desenvolver a consciência da necessidade de um maior envolvimento social, o que não foi percebido por parte do sujeito E3. 5.8.4. Resposta ao problema de pesquisa Após a conclusão da pesquisa da rede E, onde foram levantados diversos documentos, feitas três entrevistas e oito questionários, pode se afirmar que o conjunto de documentos, como também da entrevista do sujeito E2, embora este sujeito tenha sido o primeiro gerente de banco a afirmar que podem existir relações sociais entre os atores, talvez porque seja um município pequeno e todo mundo se conhece, mostrou como as outras entrevistas um alto grau de formalização, baixo envolvimento social, com uma ou outra exceção, com um estado de rede que se pode caracterizar como pouca consciência de ação coletiva, com ações independentes, ou seja, uma rede com ligações ainda mais comerciais do que sociais. Em relação aos questionários e entrevistas dos sujeitos E1, E2 e E3, porém, as informações, indicam uma rede organizada e solidaria, focada no social, participativa e receptiva, com imersão dos atores na rede, seja no comprometimento, na confiança, na troca de recursos, informações, conhecimentos, experiências e disponibilização de seu tempo em prol do coletivo. Pode se afirmar então, que as relações entre o ator cooperativa e o ator cooperado, coincidindo com as redes anteriores, elas são mais estreitas, mais sociais que entre outros atores, indicando assim tratar-se de uma rede comprometida e focada no social, onde seus atores acreditam e confiam na integridade das pessoas envolvidas e que as ações coletivas se 145 sobrepõem as ações individuais, porém com outros atores, esses sinais são fracos, não havendo indicadores que possam determinar uma rede com todas as suas conectividades, mas somente entre alguns atores e algumas organizações que compõem a rede. No próximo capítulo será tratado a descrição dos dados, a discussão e a análise dos resultados coletados a partir da pesquisa realizada. 146 6. ANÁLISE DOS RESULTADOS Tendo analisado os dados das cinco redes onde se encontram inseridas as cooperativas habitacionais, os bancos, as construtoras, os cooperados e outras instituições participantes, é possível construir uma resposta para o problema de pesquisa. Em primeiro lugar, recuperam-se as respostas sobre o estado de configuração de cada rede investigada. 6.1. Sobre a Rede A A rede A onde se encontra a cooperativa A, apresenta um estado atual de organização estacionário, latente, centralizada em decisões das diretorias das organizações que fazem parte da rede. A rede se caracteriza pela dominância de regras, conforme se depreendeu das várias fontes de dados. O conjunto de regras sofreram poucas alterações no transcorrer do tempo, por isso o adjetivo de estacionária. Como resultado predominam relações formais, com baixa solução dos conflitos originados pelas assimetrias e poucas ações sociais coletivas. Apesar desse estado mais formal e burocrático, os dados de entrevistas e questionários apresentaram sinais de comprometimento e confiança com a rede, principalmente quando se considera a díade ator-cooperativa e ator-cooperado. Pode-se afirmar que é uma sub rede mais desenvolvida nas categorias sociais aqui investigadas. 6.2. Sobre a Rede B A rede B, onde se encontra a cooperativa B, apresenta um estado de desenvolvimento voltado para a solução das questões operacionais e focada no atendimento dos seus compromissos sobre os empreendimentos, procurando, na medida do possível, demonstrar aos participantes o atual grau de relacionamento e comprometimento com todos da rede. Sobre o ator cooperativa, os dados indicaram um esforço de recuperação de sua imagem, em função de problemas de gestões anteriores. Entre as ações verificaram-se esforços de aproximação e ações conjuntas principalmente com os cooperados. Em resposta a esses esforços, o ator cooperado tem dados sinais de crescente comprometimento e confiança no ator cooperativa. 147 Esses indicadores, caracterizam uma rede formal, burocrática, pouco desenvolvida na sua consciência de ação coletiva, com predomínio de relações formais contratuais, mas buscando uma evolução para um estado mais desenvolvido e integrado, onde confiança e comprometimento, hoje com poucos sinais, deveriam ser dominantes. Essa recuperação é mais visível nas relações entre o ator cooperativa e o ator cooperado na sub rede formada por ambos. Nesse sentido esta rede distingue-se da rede A. 6.3. Sobre a Rede C A rede C, onde se encontra a cooperativa C, apresenta um estado de desenvolvimento com sinais de crescimento, no sentido de ações conjuntas e resultados, com características de descentralização operacional. A cooperativa C se esforça em atender os seus compromissos com relação a seus atuais e novos empreendimentos a curto e médio prazo, fortalecendo principalmente a comunicação, buscando o comprometimento, a confiança e ações coletivas entre os atores da rede. Os dados das fontes indicam que a rede segue as regras estabelecidas, mas tem flexibilidade e adaptação necessárias, conforme as necessidades. Assim, está conseguindo resolver algumas assimetrias e criar uma situação de transparência nas ações. Os dados de entrevistas e questionários apresentaram sinais de comprometimento e confiança entre os atores, aceitação das decisões coletivas, situação de certo equilíbrio sobre problemas de assimetrias e indicadores positivos de resultados, mostrando uma rede mais coesa do que as duas anteriores. Diferente da rede B, que também tem um movimento de mudança, esta rede apresenta resultados mais evidentes da mudança de uma configuração mais burocrática para um estado de rede com ações sociais mais fortes. Parte disso se deve principalmente aos projetos realizados pela rede em relação aos seus atores, dando a eles possibilidades de se informarem mais a respeito da visão e metas propostas, como também de melhorarem seus relacionamentos e com isso se integrarem em mais ações coletivas. 6.4. Sobre a Rede D A rede D, onde se encontra a cooperativa D, apresenta um estado de rede onde predomina o objetivo operacional, com esforço dos atores no atendimento de seus 148 compromissos a curto e médio prazo, fortalecendo principalmente a comunicação entre os atores da rede. Em termos comparativos, quando se considera a governança formal e as relações estritamente comerciais, conforme apareceu em alguns dados, a rede D se assemelha a rede B. Quando se consideram os esforços de aproximação entre os atores e ações coletivas ela se aproxima mais da rede C, mas com menos exemplos efetivos de integração e ações sociais coletivas. Numa escala, ela estaria entre a rede B e a C no desenvolvimento desse fundo social de relações. O estado atual de organização dessa rede indica dominância de relações formais e a existência de esforços e alguns exemplos de aproximação social entre os atores, mais fortemente entre o ator cooperativa e o ator cooperado e secundariamente entre o ator construtora e os dois anteriores. Os esforços revelam que falta aos participantes a consciência sobre ação coletiva. É uma rede, portanto, com pouca base social e dominância dos fluxos formais, com algumas exceções. 6.5. Sobre a Rede E Esta rede, onde se encontra a cooperativa E, apresentou vários sinais de ser uma rede mais desenvolvida que as anteriores, quando se consideram os resultados, a solução de assimetrias, presença de confiança entre o ator cooperado e o ator cooperativa e presença mais organizada de formas de comunicação. Os dados indicam que a rede é formada por pessoas conscientes de suas responsabilidades de participação, transparência e compromisso com as informações, com os relacionamentos e ações coletivas entre os atores. Comparando com as anteriores, é a rede mais desenvolvida nas relações sociais das variáveis do projeto. Os atores acreditam e confiam na integridade das pessoas envolvidas e as ações coletivas se sobrepõem as ações individuais, sendo as relações entre o ator cooperativa e o ator cooperado as mais fortes e frequentes. 6.6. Resposta ao problema de pesquisa sobre os estados atuais de organização das redes Os comentários sobre as redes mostraram algumas convergências e diferenças, comentadas a seguir: 149 Em relação as convergências, todas elas apresentaram uma dominância da governança formal, com cada organização também repetindo essa formalidade, principalmente em se tratando do ator banco. Nesse sentido, são redes com baixa interação e integração entre os atores, onde se percebe algum esforço por parte dos atores construtoras para se integrarem aos demais atores e a existência de uma sub rede composta pelos atores cooperativa e cooperados a qual apresenta mais conteúdo social do que entre os outros atores. Nesse subgrupo encontram-se sinais mais fortes das variáveis selecionadas. Em alguns casos, como na rede A, o formato apresenta mais sinais de competição e hierarquia do que de cooperação. Outra convergência é o esforço dos atores em cumprirem e realizarem seus objetivos. Mesmo que esses esforços sejam orientados pelas regras e controles, ao final eles possibilitam a aproximação entre os atores, que criam soluções coletivas para atingirem esses objetivos, e a realização de treinamentos, cursos e encontros são exemplos de esforços que os aproximam. Nos questionários surgiram sinais mais fortes, cujos esforços para realizar esses objetivos criam respeito e compromisso entre os atores, mesmo que se manifeste basicamente como regras a serem seguidas. Outro ponto convergente em relação a esse mesmo sub grupo formado pela cooperativa e pelos cooperados é que o mesmo apresenta os sinais mais fortes e repetitivos de relações sociais. Entre todos os atores, os atores cooperados são os que mais se mobilizam entre si e nas ligações com outras instituições para buscarem seus objetivos, que, ao final, é o objetivo coletivo da rede: a entrega do imóvel. Relativo aos outros atores do negócio, o banco, a construtora, a cooperativa, o governo, o sindicato, o órgão de controle, os dados foram inconsistentes em mostrar uma tendência clara, já que em algumas redes (Rede A) predominam as relações formais, numa rede social latente; e em outras (Rede E), até os gerentes de bancos estão comprometidos com ações sociais, transcendendo inclusive suas funções. Em relação as diferenças entre as redes, a própria governança pode ser uma das linhas divisórias, onde há uma progressão que começa com a rede A, a mais burocrática, até a Rede E, a que mais apresenta conteúdo social. Outra linha divisória é sobre a localização. As redes estabelecidas em São Paulo (redes A e B) apresentam menos conteúdos sociais de aproximação do que as redes criadas ou localizadas no interior (Rede E), no litoral (Redes D) e a Rede C criada e desenvolvida no interior do Rio Grande do Sul, tendo vindo para São Paulo somente em 2010. 150 Próximo dessa linha de raciocínio está a diferença sobre a imersão dos atores na rede. Nas duas redes mais burocráticas redes A e B, não existem organizações que fazem pontes, ao passo que nas redes C, D e E encontram-se organizações participando das três redes. Outro ponto a ser considerado refere-se ao conhecimento, consciência e atitude de ação coletiva. Surgiram dados que indicam a falta de visão e conhecimento sobre ações em redes, embora exista a consciência da necessidade de um trabalho coletivo. Mesmo na rede mais burocrática, a Rede A, que se encontra num estado mais estagnado, sem conflitos, sem desenvolvimento, sem objetivos coletivos; surgiram discursos sobre a vantagem de se trabalhar em parcerias; As redes B e D apresentam mais sinais de consciência e ação coletiva, comparadas com a Rede A; As redes C e E são as que mais apresentaram consciência e ações coletivas, sendo redes em evolução, em transformação. A presença forte do governo e a existência de regras financeiras e jurídicas sobre o negócio afeta diretamente o estado de organização das redes. Em certos momentos do processo de produção do imóvel passa a haver uma certa hierarquia, ingerência do governo e de instituições que regulam e controlam os procedimentos das redes. Como consequência alguns processos são homogêneos, criando barreiras para mudanças, alianças e difusão dos princípios cooperativistas. Esse engessamento ficou mais evidente na Rede A e C que trabalham com projetos governamentais, mas pode ser contornado, conforme se observou nos dados das redes B, D e E, que são redes auto gestoras. Sobre a resposta ao problema de pesquisa, concluiu-se que a proposição se mantém, tendo-se encontrado distintos estados de redes, numa graduação que vai de redes burocráticas, como a Rede A, até redes com conteúdo social desenvolvido, como a Rede E. A resposta é interessante e mostra que a configuração das relações de um grupo de organizações pode se modificar, mesmo quando há forte ingerência e estabelecimento de regras. Entre as instituições surgem problemas coletivos, como uma questão específica de um empreendimento, que mobiliza as partes. A importância social, política e econômica do negócio implica nas organizações tentarem ir além das regras pré-estabelecidas, como por exemplo, na união dos atores cooperados na Rede B. Assim, respondendo ao problema de pesquisa e recuperando-se os objetivos específicos colocados ao final do item 3, seguem as conclusões: Objetivo A. Investigar a presença, ou ausência de variáveis definidas como importantes na determinação do estado de organização da rede; 151 As variáveis interdependência, comprometimento, confiança, assimetria e governança mostraram-se capazes de indicar os estados das redes e as diferenças entre os cinco casos, o que as qualifica como importantes em pesquisas nessa linha. Objetivo B. Na presença dessas variáveis investigar a natureza do conteúdo que se manifesta em cada uma delas; Sobre o conteúdo das variáveis, verificou-se a governança formal presente no negócio, principalmente por causa da intervenção do governo que acaba influenciando a configuração das redes, com predomínio de burocracia. A rede A foi o exemplo dessa situação. Mesmo nesses casos, no entanto, há presença da consciência da necessidade de ação coletiva que pudesse ir além do formalismo. Duas das redes (rede C e Rede E) estão conseguindo transformar essa consciência em ação. Objetivo C. Identificar através dos indicadores dessas variáveis a contribuição das mesmas no estudo do estado atual de organização da rede; A partir dos indicadores das variáveis selecionadas, as mesmas foram competentes em poder indicar as convergências e diferenças existentes nas cinco redes pesquisadas. Por exemplo a variável governança foi capaz de estabelecer distinção entre a configuração da Rede A (mais burocrática) e a Rede E (mais social). Outro exemplo. As variáveis comprometimento e confiança foram competentes em indicar as diferenças entre a Rede A (menos confiança e comprometimento) e as Redes C e E (maior confiança e comprometimento). A variável assimetria mostrou-se menos capaz do que as anteriores em indicar diferenças significativas entre as redes. Isto pode ter ocorrido por dois motivos: um deles seria a baixa capacidade dos indicadores utilizados em poder indicar essas diferenças e o outro de não existirem, de fato, diferenças significativas entre as redes. Ainda sobre os indicadores, conforme se apresentaram no Quadro 6, pode se comentar que sua construção é um benefício metodológico do trabalho, pois não se encontrou similar na literatura brasileira. Objetivo D. Verificar a capacidade da matriz de análise em distinguir diferentes estados de redes, utilizando triangulação de fontes de dados; Foi possível encontrar redes, conforme as variáveis selecionadas, nos cinco casos investigados. Além de encontrá-las, foi possível encontrar diferenças entre elas, quando se 152 considera a burocracia, o local, o envolvimento social dos atores e as características especificas da sub rede ator- cooperativa e ator-cooperado. Objetivo E. Comparar diferentes estados de organização das redes onde se encontram as cooperativas habitacionais; Em relação aos diferentes estados de organização das redes, pode se afirmar que as variáveis indicaram redes mais burocráticas e hierárquicas distintas de outras com conteúdo social; redes racionais e econômicas de outras mais sociais; redes mais formais de outras menos formais; e redes em estado mais estagnado de outras em evolução e em transformação. Objetivo F. Concluir sobre a validade do conceito de estado de rede. Os resultados sustentam a afirmativa do conceito de estados de rede. Nos cinco casos investigados foi sempre possível encontrar a rede de relações e uma configuração a partir das variáveis selecionadas. Os dados confirmam as afirmativas de Nohria e Ecles (1992) sobre toda organização estar em rede, mesmo que seus integrantes não a reconheçam. O conceito de estado de rede está atrelado ao paradigma da sociedade em rede. Segundo Castells (1999), a sociedade atual está organizada na forma de rede. Os dados sustentam essa afirmativa. Os dados foram também convergentes com as afirmativas da perspectiva social de rede. Segundo Granovetter (1985) e Uzzi (1997), existe um pano de fundo de relações sociais que dá sentido e orientação aos processos e decisões comerciais. Os resultados indicaram que quando as relações sociais estão mais presentes, como no caso das redes C e E, as decisões são mais democráticas, os conflitos tendem a serem solucionados e as cooperativas que fazem parte dessas redes são reconhecidas pelos outros atores (construtora, prefeitura e comercio local) como exemplos de organizações que cumprem seus objetivos sociais. A conclusão, portanto, é que há validade no conceito de estado de rede. Concluída a análise dos dados, passa-se a fazer os comentários finais. 153 7. COMENTÁRIOS FINAIS O objetivo deste trabalho foi analisar a configuração dos estados de redes de negócios, entendendo-se como estado de redes o arranjo da presença e do conteúdo de variáveis que definem a configuração das redes, sendo selecionadas as variáveis Presença e natureza da Interdependência, Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento, Sinais da presença e conteúdo de Confiança, Natureza e formas de solução de Assimetrias e Formas de Governança. A resposta obtida foi que as variáveis se mostraram capazes de indicar o estado de organização em que se encontram atualmente as cinco redes analisadas, mostrando também as diferenças entre elas. O trabalho adquire importância porque na busca bibliográfica realizada verificou-se que são poucas as produções que propõem a integração de variáveis. Secundariamente, mas não menos importante, a escolha do campo de investigação, o do negócio da construção cooperada, ensejaria vários estudos pela sua importância social, econômica e política, mas se encontraram poucos trabalhos na perspectiva de redes. Considerando a raridade de artigos e utilizando o conceito de estados de redes, praticamente inexistente na literatura brasileira, o trabalho trilhou um caminho que pode ser considerado mais de construção de um modelo e forma de pesquisa, do que propriamente de repetição de um modelo já existente. O percurso, resumidamente, foi o seguinte: Em primeiro lugar realizou-se uma revisão bibliográfica sobre os conceitos de redes e os esforços de conjunção de variáveis para a caracterização dessas redes, concluindo-se que são raros os esforços de integração, prevalecendo a análise de cada variável isolada. A revisão, por outro lado, mostrou quais variáveis são rotineiramente colocadas como essenciais pelos autores mais pesquisados, selecionando-se, ao final as variáveis de Presença e natureza da Interdependência, Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento, Sinais da presença e conteúdo de Confiança, Natureza e formas de solução de Assimetrias e Formas de Governança. Outro resultado importante da revisão foi verificar que existem diferenças aceitas entre o que se denomina organização burocrática de um grupo de instituições e o formato em rede. Este último, alavancado pela tecnologia de informação, proporciona ligações ao infinito, dilui a concentração e o poder dos participantes, cria ambientes de relações mais cooperativas do que competitivas entre empresas iguais e facilita a coprodução em cadeia. Uma pesquisa bibliográfica secundária consistiu em buscar trabalhos que realizaram investigações na área de redes tendo como campo o ramo da construção civil e da construção 154 cooperada. Não se encontraram artigos nessa configuração, o que, de certa maneira, é uma surpresa, porque a expressão cooperativa poderia chamar a atenção para pesquisas sobre redes. Na verdade, o tema de construção cooperada é raramente abordado na literatura brasileira, seja qual for a perspectiva teórica. A partir da seleção das variáveis e considerando a raridade de trabalhos sobre a construção cooperada, o próximo passo foi selecionar a base teórica de sustentação do conceito de estados de redes, obtida nas afirmativas de autores que defendem a emergência de uma sociedade em rede (NOHRIA e ECLES, 1992 e CASTELLS, 1999) e que afirmam existir um pano de fundo social nas decisões técnicas dos atores em rede (GRANOVETTER, 1985). A abordagem da sociedade em rede é pouco utilizada no campo acadêmico, mas tem a vantagem de afirmar a existência contínua de fluxos sociais e econômicos dos atores, em configurações de toda ordem, desde desenhos que mostram redes bem organizadas, com regras, com resultados, com papéis definidos, com solução dos conflitos; até redes que mostram a situação inversa, encontrando-se ainda em formação. Uma vez construído o esquema conceitual realizaram-se os procedimentos para a coleta e análise de dados, elegendo-se o ramo da construção cooperativa como exemplo de campo. A escolha desse ramo deveu-se à sua importância econômica, social e política. O problema do déficit habitacional no Brasil é de difícil solução, pois envolve políticas públicas, programas sociais e econômicos, negócios da construção civil e ações coletivas de grupos e cooperativas. Coletados os dados de cinco redes nas quais estão presentes cinco cooperativas, através de entrevistas, questionários e dados de fontes secundárias, foi possível construir cinco estados de redes correspondentes, alguns semelhantes entre si, mas sempre com alguma diferença que caracterizava este ou aquele grupo. Terminado o trabalho, pode-se comentar sobre os benefícios resultantes: a) Sobre a contribuição teórica Uma contribuição teórica consiste na indicação de algumas variáveis que se acredita serem essenciais na caracterização do estado de redes. Apesar do extenso leque de variáveis que se encontra na literatura, conforme indicaram Tichy, Tushman e Fombrun (1979), realizou-se um esforço de análise das convergências, elegendo-se as variáveis de: Presença e natureza da Interdependência, Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento, Sinais da presença e conteúdo de Confiança, Natureza e formas de solução de Assimetrias e Formas de Governança, como as mais importantes para o estudo. 155 A proposta apresentada sugere o desenvolvimento de temas de pesquisa ainda pouco realizados na academia brasileira e que podem contribuir para o aprimoramento e validação de um modelo teórico e das ferramentas consequentes. b) Sobre a contribuição metodológica Como contribuição metodológica, a seleção das variáveis mostrou-se útil e competente para guiar a construção dos instrumentos, considerando que não foram encontrados instrumentos desenvolvidos e validados. Outra contribuição importante foi que não existindo instrumentos desenvolvidos e validados, houve necessidade de criar e desenvolver exemplos de indicadores, cuja presença ou ausência pudesse indicar o estado de organização atual das redes pesquisadas. A construção desses indicadores foi uma árdua e longa tarefa, mas se acredita que pesquisas futuras poderão se utilizar desse resultado, ou para aprimorar os indicadores apresentados, ou desenvolver outros indicadores. Conclui-se, portanto, através desses resultados, que tanto a seleção das variáveis, quanto o conceito operacional das mesmas e os indicadores relativos a cada uma, constituem contribuições metodológicas importantes do trabalho. c) Sobre a contribuição gerencial Apesar de não ser o foco de um trabalho acadêmico, foi possível visualizar algumas ações gerenciais que poderiam ajudar na gestão das redes. As cooperativas investigadas, por exemplo, tem posição fraca na rede, isto é, não tem autoridade, liderança e posse de recursos, o que determina ligações fracas. Essa posição poderia ser mudada se as cooperativas capitalizassem eventos como as entregas de unidades; assinaturas de contratos; acordos que beneficiam e diminuem o tempo de construção. Essas ações trariam visibilidade às cooperativas. Outra ação gerencial possível seria a aproximação entre as várias cooperativas, formando uma sub rede entre elas. Em termos gerenciais isto poderia facilitar a troca de informações, conhecimentos e experiências. Nos parágrafos seguintes são comentadas as conclusões de cada parte do trabalho. O ponto de partida é a afirmativa que a sociedade atual está organizada no formato em redes (CASTELLS, 1999) e que todas as organizações estão em rede, quer utilizem, ou não, suas conexões (NOHRIA E ECLES, 1992). Os resultados indicaram que as redes pesquisadas se encontram em diferentes formatos. A Rede A, por exemplo, se encontra em um estado latente sem perspectiva de crescimento e desenvolvimento; a Rede B, valoriza os fatores econômicos e busca 156 recuperar sua imagem no mercado; a Rede D, se esforça em construir conexões mais sociais do que racionais entre seus atores, enquanto que as redes C e E, investem em treinamentos, encontros, cursos e palestras, buscando criar consciência de ação coletiva. Sobre os objetivos pode-se comentar: a) Investigar a presença, ou ausência de variáveis definidas como importantes na determinação do estado de organização da rede; O resultado foi que a partir da presença ou ausência das variáveis, pode-se determinar em que estados de organização se encontram atualmente as redes pesquisadas. Em relação às variáveis, todas foram competentes no sentido de contribuir para o estudo, porém, as variáveis de Presença e Natureza da Interdependência, Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento, Sinais da presença e conteúdo de Confiança e formas de Governança, foram as mais importantes em apontar as diferenças; em contra partida a variável de Natureza e formas de solução de Assimetrias, não representou um papel importante, pois apareceram muitas diferenças, mas não apareceram as soluções dos conflitos gerados por elas. b) Na presença dessas variáveis investigar a natureza do conteúdo que se manifesta em cada uma delas; A partir do conteúdo das variáveis, a governança formal foi a que mais presente esteve no negócio das redes investigadas, principalmente por causa da intervenção do governo que acabou influenciando na configuração dessas redes, predominando a burocracia em algumas delas, como foi o exemplo da rede A e da rede C. Mesmo nesses casos, no entanto, há presença da consciência da necessidade de ação coletiva que pudesse ir além do formalismo, como foi o caso da própria rede C, que está conseguindo transformar essa consciência em ação. Já nas redes B e D, a governança formal se faz presente, embora não exista a presença atuante do governo, porém seu aspecto burocrático ainda é muito presente no intuito de colocar regras para o cumprimento dos objetivos propostos. Na rede E, embora exista a governança formal, a mesma está consciente da importância das ações coletivas para o desenvolvimento do trabalho proposto junto a todos os atores da rede. c) Identificar através dos indicadores dessas variáveis a contribuição das mesmas no estudo do estado atual de organização da rede; 157 Em relação aos indicadores das variáveis utilizadas na pesquisa, os mesmos foram importantes, pois contribuíram na identificação dos diferentes estados de rede. Os indicadores de Formas de Governança mostraram robustez em indicar as diferenças, tendo sido possível até considerar a variável Forma de Governança como o fio da meada da distinção básica entre as cinco redes. Os indicadores de Natureza e formas de solução de Assimetrias por outro lado, mostraram-se pouco eficazes na distinção das redes. Fica a dúvida se os indicadores são fracos, ou se a natureza da configuração das redes não inclui a solução de Assimetrias. Esse conjunto de indicadores pode ter força e conteúdo suficiente para servir de modelo para outras pesquisas sobre o tema. d) Verificar a capacidade da matriz de análise em distinguir diferentes estados de redes, utilizando triangulação de fontes de dados; Complementando o item anterior, a matriz de análise mostrou-se capaz de distinguir cinco redes do mesmo negócio, mesmo que uma de suas variáveis, Natureza e formas de solução de Assimetrias, tenha se mostrado pouco robusta. e) Comparar diferentes estados de organização de redes de cooperativas habitacionais; A partir das variáveis utilizadas, pode-se comparar os diversos estados de organização das redes pesquisadas, encontrando-se diferenças entre elas. A Rede A encontra-se num estado que se pode chamar de latente, já que não existem sinais de transformação, evolução, planos futuros e solução de conflitos; enquanto que a Rede E encontra-se num estado que se pode chamar de em desenvolvimento, já que existem sinais de transformação, evolução, construção de objetivos coletivos e esforços de solução de conflitos. f) Concluir sobre a validade do conceito de estado de rede; Conforme detalhado nos itens de revisão bibliográfica e de teoria de base, os trabalhos sobre conceito de estado de rede é praticamente inexistente, pelo menos na ideia aqui investigada, de ser a configuração de um conjunto de variáveis num momento presente. Os dados indicam que o conceito tem força para discriminar diferenças entre configurações de redes, mas carece de instrumentos de coleta apropriados. O estado de rede é diferente de estrutura, embora também aceite a ideia de uma distribuição dos atores em diferentes posições na rede. O estado de rede inclui o conteúdo das transações e foi através dele que se concluiu que as cooperativas tem uma posição fraca. No desenho tradicional de estrutura é possível que as cooperativas aparecessem como atores centrais. 158 O estado de rede é diferente de estágio, embora não negue o papel do passado na configuração atual. Na rede B, por exemplo, a cooperativa que dela faz parte se esforça para mudar sua imagem, afetada por erros e problemas do passado. No entanto, o conceito de estado não precisa (e nem deve) concluir que aquele passado é o que determina o presente. 7.1. Resposta ao problema de pesquisa O problema de pesquisa do trabalho era determinar através da presença ou ausência de variáveis a configuração de estados de organização de redes a partir do paradigma da sociedade em rede. A resposta obtida foi que o conjunto de variáveis selecionadas mostrou ser capaz de indicar o estado de cada rede investigada e indicar também as diferenças entre elas, conforme dominância desta, ou daquela variável. Por exemplo, a variável governança formal mostrou-se capaz de mostrar a diferença entre a Rede A e a Rede E. A Rede A se caracteriza por um predomínio burocrático, de relações formais, cujo estágio atual é estacionário e latente, centralizada em decisões das diretorias das organizações; enquanto que a Rede E também tem governança formal, mas apresenta relações sociais e ações coletivas, demonstrando ser uma rede em evolução e transformação. As variáveis Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento e Sinais da presença e conteúdo de Confiança se mostraram presentes em algumas redes, tais como as redes C, D e E, mas em outras, como as Redes A e B, apareceram como objetivos a serem alcançados, mas ainda pouco presentes. Sobre os sinais de presença das assimetrias foram encontradas muitos, sejam de objetivos, de consciência de ação coletiva, de autoridade, de gerência e controle; originando alguns conflitos como, a fraca ligação entre os atores, o controle de recursos não partilhados, as decisões muitas vezes tomadas individualmente, jogos de interesses por parte de alguns atores em detrimento do coletivo. A parte que efetivamente interessa no trabalho, isto é, as soluções dos conflitos de assimetrias, pouco apareceu, exceto algumas iniciativas de construção de redes de informação, ou organização dos atores cooperados para uma ação judicial. Sobre os sinais de interdependência, principalmente a questão da consciência da necessidade de ação coletiva, algumas redes, como a A e B, apresentaram baixo índice de trabalhos coletivos, pois os atores tinham interesses mais individuais, enquanto que nas redes 159 C, D e E, essa conscientização está mais presente indicando redes em evolução e transformação. Em outras palavras, a variável mostrou ser importante na configuração do estado de rede. Os dados, portanto, sustentam a proposição sobre a possibilidade de se construir estados de organização de redes a partir de um conjunto de variáveis. Secundariamente, os indicadores construídos mostraram-se capazes de gerar dados confiáveis sobre a distinção entre as redes. 7.2. Comentários sobre a teoria de base Neste item será discutida a força e capacidade da perspectiva da sociedade em rede e do constructo do estado de organização das redes para responder ao problema de pesquisa. Nos estudos sobre redes aparecem basicamente três paradigmas, o social, o racional e econômico que são os mais conhecidos e pesquisados e o paradigma da sociedade em rede, ainda não tão discutido e aceito pela sociedade acadêmica. O estudo mostrou, no entanto, que o paradigma da sociedade em rede pode ser capaz de explicar fenômenos complexos, como da construção civil e cooperada. Mesmo em conjunto de empresas que parecem operar basicamente num sistema de mercado, como as Rede D e E, é possível encontrar alguns sinais das variáveis selecionadas, como Presença e natureza da Interdependência e Natureza e formas de solução de Assimetrias. Nos paradigmas racional e social também aparecem variáveis de assimetrias, de governança, confiança, cooperação, mas, conforme já analisado em itens anteriores, sem a integração entre elas e aceitando que as redes são exemplos de ação no mercado, entre outros. Nesse sentido, pode-se afirmar que o paradigma da sociedade em rede é capaz de realizar junções onde os outros dois dividem, colocando-se mais próximo de uma visão contemporânea de complexidade. O conceito de estado de rede mostrou que pode ser útil no estudo das relações entre organizações, quando se aceita que todas estão em redes. 7.3. Comentários sobre a metodologia Conforme se colocou nos objetivos, uma das tarefas era encontrar e aplicar instrumentos de coleta e análise de dados. A pesquisa bibliográfica, no entanto, revelou que 160 não existiam instrumentos específicos para o tema dos estados de rede, sendo necessário desenvolvê-los. Assim, a partir da convergência das afirmativas de autores, verificada na revisão bibliográfica, criou-se um quadro com cinco variáveis selecionadas por serem as mais citadas e presentes nos trabalhos, quando se consideram as relações sociais. A partir da seleção das variáveis criaram-se indicadores que pudessem guiar a construção dos instrumentos, os quais foram aprovados por juízes. Esses indicadores constituem uma contribuição metodológica importante, porque eles não existem na literatura brasileira e a construção aqui realizada pode ser um caminho para o seu aprimoramento. A partir dos indicadores desenvolveram-se os instrumentos de coleta, com um roteiro de entrevista, com questionário estruturado e com roteiro para análise de dados secundários impressos e também de discursos de técnicos do setor. Os instrumentos podem servir de ponto de partida para novas pesquisas. 7.4. Comentários sobre os resultados Neste item discute-se a validade e confiabilidade dos dados coletados e dos resultados construídos. Nas pesquisas dos fenômenos organizacionais, embora não haja uma forte tradição qualitativa, é possível perceber uma tendência crescente em desenvolver estudos utilizando o paradigma interpretativo, ou fenomenológico; o que representa a possibilidade de valorização de uma alternativa de pesquisa na compreensão da realidade organizacional. O problema proposto nesta dissertação, o de construção de estados de organização de redes, indicou ser interessante escolher o caminho descritivo, qualitativo, interpretativo, conforme já se comentou ao início do item de metodologia, posto que, a falta de indicadores que pudessem contribuir para o desenvolvimento da pesquisa, foi um grande desafio na criação e desenvolvimento de indicadores que identificassem e classificassem estados diferenciados nas redes pesquisadas. O resultado final do trabalho indicou a falta de conscientização e configuração das redes da construção cooperada pesquisadas, resultando essa pesquisa no entendimento de que apenas as redes C e E se encontram mais ou menos desenvolvidas (com maior presença dos indicadores das variáveis de Presença e natureza da Interdependência, Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento, Sinais da presença e conteúdo de Confiança, Natureza e 161 formas de solução de Assimetrias e Formas de Governança) e as outras três, A, B e D carecem ainda de se organizarem, resolverem seus conflitos, para crescerem e se desenvolverem. A partir das variáveis selecionadas, dos indicadores construídos, das entrevistas, questionários e dados secundários, pode-se afirmar que os resultados contribuíram para a realização dos objetivos, indicando os diversos estados em que se encontram as cinco redes pesquisadas. Sobre as cooperativas, os dados foram conclusivos em mostrar a falta de poder desse ator na rede. Interpreta-se que essa falta de poder deve-se em parte à mudança de atitude por parte do governo em relação ao cooperativismo habitacional, criando seus próprios projetos; obrigando as cooperativas a produzirem por conta própria, como é o caso das cooperativas das redes B, D e E; ou existirem basicamente para cumprir o que já foi acordado, como é o caso da cooperativa da rede A, ou então ainda se organizar previamente (tendo parte de seus recursos advindos dos próprios cooperados como uma poupança prévia e a outra parte repassada pelo governo a partir do início das obras) como a Rede C. Concluindo, pode-se afirmar que com a análise dos indicadores por parte de juízes e com a convergência de dados de múltiplas fontes, os resultados são confiáveis. Mesmo no caso da variável de Natureza e formas de solução de Assimetrias, os indicadores foram competentes para mostrar a presença das assimetrias e a ausências das soluções. Este resultado específico será tema de nova proposta de pesquisa. 7.5. Limites do trabalho Para realização e conclusão do trabalho, alguns limites podem ser comentados: a) Devido ao cronograma de pesquisa, a mesma foi realizada no primeiro nível da rede, ou seja, as redes formadas pelos atores cooperativas, construtoras, bancos, governo e entidades de fomento. Existe, no entanto, um segundo nível da rede, por exemplo, com fornecedores de material, com meios de comunicação sobre os eventos de entrega de imóveis, com sindicatos, com prestadores de serviços imobiliários que poderia trazer informações importantes. b) A raridade de literatura sobre o conceito de estados de redes, com a consequente ausência de instrumentos de pesquisa específicos, implicou na necessidade de construir os conteúdos 162 dos instrumentos de coleta, a partir de indicadores criados pelo autor e validados por juízes. A tarefa demandou tempo e reflexão até se chegar num ponto razoável de confiabilidade. c) Outro item que deve ser citado foi à inexperiência do pesquisador em realizar entrevistas abertas a respeito do tema sobre estados de redes. A inexperiência de coleta e o ineditismo do tema ocasionaram entrevistas que, depois de alguns testes, se tornaram mais dirigidas do que era o plano inicial. Em alguns casos foi necessário seguir fielmente as questões colocadas no anexo sobre entrevista. Isto significa que nem sempre foi possível fazer comparativos de discursos, pois as condições de coleta foram diferentes. d) A logística de locomoção e de localização dos sujeitos foi um problema, pois o tempo foi ficando escasso em relação à extensão do trabalho. Eram cinco redes, em diferentes locais de São Paulo (capital, interior e litoral), com diferentes instituições (bancos diferentes, construtoras diferentes e até prefeituras locais) e atores que nem sempre estavam disponíveis para serem entrevistados ou questionados. 7.6. Propostas de Pesquisas Existem sinais cada vez mais fortes sobre o desenvolvimento de um novo formato organizacional, caracterizado pela rede de relações. O atual trabalho coletou mais algumas evidências nesse sentido, analisando os dados do negócio da construção cooperada na perspectiva da teoria da sociedade em rede. O tema de habitação é complexo, envolvendo aspectos econômicos, sociais e políticos (as cooperativas habitacionais nasceram por decreto), mas ainda mal resolvido no Brasil. O governo deixou as cooperativas habitacionais de lado e se dedicou a outros programas, Minha Casa, Minha Vida, Casa Paulistana, Sistema Mutirão, enfraquecendo ainda mais a posição desse ator na rede. Até mesmo na academia, o assunto pouco é investigado. Apesar desse contexto, o trabalho abriu algumas frentes de questionamentos que podem originar novas pesquisas, das quais sugerem-se algumas: a) Estudar redes de negócio voltadas para o ramo imobiliário e em particular aquelas onde se encontram as cooperativas habitacionais, dando continuidade aos estudos sobre os estados de organização das mesmas, porém ampliando o campo de pesquisa para outros estados; 163 Durante a pesquisa bibliográfica levantada, encontraram-se trabalhos de dissertação sobre redes de cooperativas habitacionais no nordeste e no Rio Grande do Sul, tanto que foi neste estado que se encontrou os autores precursores e os melhores trabalhos encontrados sobre redes e onde a rede C pesquisada iniciou suas atividades. Nesses trabalhos que pesquisam cooperativas também se encontram os sinais do paradigma da sociedade em rede e a valorização do ator governo, controlando e impondo regras. Seria produtivo comparar os resultados de outros estados com os deste estudo, feito em São Paulo. Neste trabalho que agora termina o ator governo foi pouco investigado e em outros Estados do País parece jogar um papel relevante. Tanto o nordeste como o Rio Grande do Sul são representativos nas parcerias pública privada voltadas para o cooperativismo habitacional, inclusive apoiando, incentivando e fornecendo infraestrutura para o desenvolvimento dessas redes. b) Estudar as redes onde se encontram as cooperativas habitacionais que trabalham com projetos governamentais a partir de gestões de políticas públicas e sociais, sem fins lucrativos e que desenvolveram atividades de carácter social de modo compartilhado com o Estado e compará-las com as redes onde se encontram as cooperativas habitacionais auto gestoras e que trabalham com recursos próprios; Além da matriz de relações sociais aqui colocada, pode-se pensar em adicionar variáveis institucionais, como grupos de interesses e força de projetos políticos locais. c) Outra proposta, mas como técnica de pesquisa seria aplicar a técnica de acompanhamento dos atores de redes; Esta técnica é relatada como importante, mas raramente aparece nas pesquisas. Para aplicar a técnica, um dos caminhos é acompanhar um ator central no seu dia a dia de relacionamento, até ser possível desenhar o estado da rede na qual ele participa. Outro caminho seria fazer parte do circuito de trocas de informações, por exemplo via e-mail, acompanhando o conteúdo numa unidade de tempo. d) Pesquisar os estados de organização das redes que fazem parte do ramo imobiliário, tecendo uma comparação entre as redes onde se encontram as construtoras, as redes onde se encontram as empreiteiras e as redes onde se encontram as cooperativas habitacionais auto gestoras. A partir do levantamento de dados dessas diversas redes, seja com documentos, entrevistas, questionários e técnica de acompanhamento, o pesquisador terá condição de comparar essas redes e ao analisá-las, indicar qual o estado de organização em que as 164 mesmas se encontram atualmente. Se for para seguir o padrão deste trabalho, o pesquisador pode utilizar a matriz de variáveis aqui sugeridas. e) Pesquisar os estados atuais de organização de redes onde se encontram cooperativas habitacionais e redes onde elas não se encontram, ou seja, no ramo de construção civil normal; Esta pesquisa tem como intuito verificar se a presença clara de objetivos de lucro altera a matriz de relações sociais. f) Numa linha metodológica, comparar redes do negócio imobiliário a partir da matriz aqui apresentada em comparação com uma matriz originada do paradigma racional e econômico. A pesquisa discutiria a capacidade de cada matriz em gerar dados para respostas de problemas de pesquisa. Como ainda não existe um paradigma dominante sobre redes, seria um passo para buscar um desenvolvimento da área. Em relação à utilização de outras matrizes para se comparar a mesma questão de pesquisa, Yin (2001) e Creswell (2007), ressaltam que cada caso deve ser selecionado de modo a prever resultados comparáveis, ou, inversamente, produzir resultados contrastantes por razões previsíveis. Os casos devem possibilitar a construção de afirmativas, inferências, interpretações que possibilitem avanço teórico. A sugestão para este trabalho comparativo é investigar o ramo da construção civil no geral, tanto pela sua importância social, econômica e política, como pela possibilidade de um trabalho rico sobre redes, uma vez que o negócio é composto de uma infinidade de organizações, que se ligam a outras, formando redes de vários níveis, entrelaçadas em uma teia de conexões horizontais e verticais. g) Embora as variáveis utilizadas tenham sido importantes para o trabalho e essenciais para responder a questão de pesquisa, sempre haverá a possibilidade de se acrescentar e organizar novas variáveis; Variáveis essas como: a cooperação, formas de comunicação, inovação, conhecimento e aprendizagem, presença de laços fortes e fracos, tamanho da rede e presença de relações horizontais e verticais, que poderão ser utilizadas para dar continuidade à investigação do estado de organização de uma rede. Assim, a sugestão é que novas pesquisas incorporem, ou retirem variáveis, buscando um modelo mais defensável. h) Estudar novas redes de negócio onde se encontram cooperativas de outra natureza, como agrícolas, de trabalho, de consumo e de crédito; 165 As conclusões podem ser comparadas com as encontradas neste projeto, incluindo as contribuições metodológicas e de refinamentos dos instrumentos. 7.7. Comentário Final Concluindo, foi desafiador e útil realizar este trabalho porque se espera que esta pesquisa contribua para a valorização do tema sobre Redes, da teoria da Sociedade em Rede, do conceito de Estados de Organização de Rede e do Cooperativismo Habitacional, hoje pouco investigado quando se compara com a produção sobre a construção civil, sobre parcerias de construtoras, sobre o marketing imobiliário e sobre cadeias de produção. O cooperativismo habitacional tem posição muito secundária no meio científico, nos modelos gerenciais ensinados em escolas de gestão, nos interesses de organizações do negócio, no interesse do governo e no desconhecimento da sociedade. Nesse sentido, o trabalho busca sua revalorização. O cooperativismo, como também as redes das quais fazem parte as cooperativas habitacionais, é um modo alternativo de solução comercial interessante para se fazer pesquisas, porque ele contém elementos de solidariedade, de ética, de ação coletiva e, ao mesmo tempo, os elementos de sobrevivência e competição no mercado. Quando colocado no ramo habitacional, com sua importância social, fica ainda mais interessante e complexo, pois entram elementos econômicos e políticos, que neste trabalho não puderam ser investigados. Sendo uma resposta alternativa a um problema real, era de se esperar que existisse interesse na academia para sua investigação, mas, de fato, é um tema ainda pouco explorado. 166 REFERÊNCIAS ALDRICH, H. e ZIMMER, C. Entrepreneurship through social networks. In D. Sexton & R. Smiler (eds.), the Art and Science of Entrepreneurship. New York: Ed. Ballinger, p. 3-23, 1986. AMATO NETO, J. Redes de Cooperação Produtiva e Clusters Regionais. São Paulo, Ed. Atlas, p. 201-213, 2005. ANDERSON, C. A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. Rio de Janeiro, Ed. Elsevier, p. 34-44, 2006. ANDERSON, J. C., HAKANSSON, H., JOHANSON, J. Dyadic Business Relationships within a Business Network Context. Journal of Marketing, v. 58, n. 4, p. 1-15, 1994. ANDION, C., SERVA, M. A etnografia e os estudos organizacionais. In: GODOI, C. K., BANDEIRA DE MELLO, R. S., ANIELSON, B. – Pesquisa Qualitativa em estudos organizacionais; paradigmas, estratégias e métodos. 2ª. Ed., São Paulo, Ed. 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Structures of Capital: The Social Organization of the Economy. Cambridge, MA: Cambridge University Press, p. 121-152, 1990. 181 Anexo I. Procedimentos para realização da pesquisa de validade de conteúdo e lógica dos indicadores. Carta para juiz colaborador. Caro Senhor(a). Agradecemos sua ajuda no trabalho que está sendo realizado pelo aluno José Roberto Gamba, no Programa de Mestrado em Administração da Universidade Paulista – UNIP. Gostaríamos de sua colaboração para verificar a validade e consistência dos indicadores em anexo, os quais guiam a construção dos instrumentos de coleta. O Quadro contém 5 variáveis: (1) Manifestações da Interdependência; (2) Sinais e conteúdo sobre comprometimento; (3) Sinais e conteúdo sobre confiança; (4) Natureza e solução das assimetrias; (5) Formas de governança. Para facilitar sua tarefa apresentamos algumas informações relevantes sobre a origem do quadro, seu objetivo teórico e o caminho para sua construção. Título: Os estados de organização de redes de negócios: Discussão e exemplos das redes nas quais estão presentes as cooperativas habitacionais de São Paulo. Autor: José Roberto Gamba Objetivo: Analisar a configuração dos estados de redes de negócios. Entende-se por estado de rede a presença/ausência e o conteúdo de variáveis que, através de pesquisa bibliográfica, foram selecionadas como as mais constantes e importantes para a configuração, ou organização, ou desenho das redes. A proposição orientadora é que é possível investigar um estado organizacional de um conjunto de empresas a partir de variáveis que hoje se encontram esparsas e isoladas na literatura, selecionando a interdependência; o comprometimento; a confiança; a assimetrias e a governança. Após discutir os conceitos chegou-se à tarefa de definir operacionalmente cada variável, o que necessita ser construído, já que não existem modelos validados. A construção do quadro, por si, já é uma contribuição importante da dissertação. É necessário, no entanto, uma validade interna dos indicadores. Metodologia: A pesquisa se realiza a partir de entrevistas individuais com os participantes da rede, aplicação de questionários com escalas de Likert e documentos. Nas três formas de coleta serão procurados os indicadores constantes no quadro. Os indicadores foram construídos a partir de três fontes: (A) A linha geral colocada na coluna Conteúdo a ser Observado, que é resultado das várias definições teóricas encontradas na pesquisa bibliográfica; (B) Experiência do aluno no negócio (o aluno participa de uma cooperativa habitacional); (C) Experiência do orientador em trabalhos anteriores semelhantes. Conforme preceitos de metodologia, a análise de um instrumento, ou um quadro orientador para a construção de instrumentos por parte de juízes deve privilegiar alguns quesitos. Solicitamos ao senhor que responda os mesmos nesta página, se lhe for conveniente, ou num texto anexo. 182 Validade de conteúdo 1. O quadro atinge o objetivo proposto de configurar um estado de rede? R: Estrutura do texto 2. Sobre a organização – existe lógica e validade na divisão em cinco variáveis? R: 3. No geral o quadro é objetivo e lógico nas suas colunas? R: 4. O texto dos indicadores é claro, de fácil compreensão? (Considerando que cada indicador deve gerar uma pergunta aberta de roteiro e uma frase de questionário) R: 5. Existe lógica na sequência dos indicadores dentro de cada variável, ou seja, as frases partem do geral para o específico, ou o indicador já exige logo no seu primeiro item uma resposta muito específica? R: Validade de critério 6. Existem questões (quais, se existirem) incoerentes quando se compara o conceito operacional da variável com o objetivo específico daquele item? R: Se possível, comente os indicadores que devem ser refeitos, ou retirados, ou sugestões de novas adições. R: A seguir apresenta-se o quadro. Quadro dos indicadores Variável 1. Presença e natureza da Interdependência Conceito dominante Conteúdo a ser observado Cada organização não detém todos os recursos necessários ao Eventos, processos, discussões, reuniões, cursos e outras formas de manifestações coletivas que mostrem a Alguns indicadores 1. Sinais da necessidade dos recursos de um ator, recursos esses que o outro possui. 2. Troca de conhecimentos necessários de um ator para outro. 183 seu negócio, precisando trabalhar em conjunto. dependência mútua das empresas, facilitando o trabalho conjunto em substituição do trabalho individual. 2. Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento Colocar-se à disposição para ações coletivas. Atitudes e ações para atingir objetivos coletivos, ou ajudar outro ator, mesmo que nada se ganhe. 3. Sinais da presença e conteúdo de Confiança Colocar-se na dependência do outro. Atitudes e ações nas quais o sujeito se expõe ao coletivo, ou fica na dependência do outro, sem recorrer a mecanismos formais de controle. 4. Presença e formas de solução de Assimetrias Diferenças de capacidades e recursos Diferenças de qualquer natureza que sejam relevantes na estrutura e processos da rede 5. Formas de Governança Regras de proteção de recursos e de controle do comportamento. Pode ser formal, ou informal. Toda e qualquer regra explícita, ou implícita que coloque restrições ao comportamento e proteja os recursos, sejam coletivos, ou individuais. 3. Necessidade de contatos com entidades reguladoras para resolver as exigências de toda natureza (burocráticas, técnicas, sócio ambientais). 4. Aceitação de ações coletivas como mais importante que ações isoladas. 5. Consciência da necessidade de trabalho conjunto para o desenvolvimento de recursos coletivos. 6. Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho coletivo. 1. Participar regularmente de reuniões e decisões. 2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício próprio. 3. Assumir responsabilidades de ações conjuntas. 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos 5. Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros 6. Sinais de disposição para continuidade dos relacionamentos, mesmo em situações em que sua opinião tenha sido descartada ou que seja da minoria. 1. Contar uma de suas fraquezas para outros. 2. Assumir uma responsabilidade cuja execução depende de outro. 3. Dispor seus recursos, de qualquer natureza, para serem usados por outros, sem necessidade de salvaguardas. 4. Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo informais. 5. Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. 1. Diferença de recursos investidos 2. Diferença de objetivos. 3. Diferença de valores e ética 4. Diferença de domínio tecnológico 5. Modos de solução das diferenças 1. Regras sobre admissão e exclusão de atores do grupo mais restrito. 2. Regras sobre penalidades. 3. Controle por autoridade, ou reputação (de um ator mais poderoso, por exemplo). 4. Controles sociais (por exemplo, 184 existência de blogs, sites comunitários e outros, com informações sobre os participantes). 5. Regras sobre igualdade entre atores. 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. Fonte: Construção do autor (2014) 185 Anexo II. O instrumento roteiro semiestruturado de entrevista. Nos parágrafos seguintes apresenta-se o modelo de entrevista que foi construído a partir da seleção das variáveis e da descrição dos indicadores. Para cada fator coloca-se em primeiro lugar o indicador e depois a pergunta correspondente. Variável 1. Manifestações de Interdependência Indicador/ Perguntas 1.1. Sinais da necessidade dos recursos que outro ator da rede possui. 1.1.1. Você entende que sua empresa depende dos recursos de outras empresas e elas dependem da sua para que o negócio se realize, ou, na verdade, cada um pode agir de forma mais isolada? Você pode dar um exemplo dessa dependência? 1.2. Troca necessária de conhecimentos entre os atores. 1.2.1. Você verifica que existem trocas de informações e conhecimentos entre os parceiros das empresas dessa rede? Poderia dar um exemplo de uma troca que é mais constante? 1.3. Necessidade de contatos com entidades reguladoras para resolver as exigências. 1.3.1. Nesse negócio existe a necessidade de contatos frequentes das empresas parceiras com entidades reguladoras para seguir as leis e resolver as exigências? É o caso da sua empresa? 1.4. Aceitação de ações coletivas como mais importante que ações isoladas. 1.4.1. Você vê sinais, provas ou situações em que os parceiros colocam as ações coletivas como mais importantes que as ações isoladas para soluções e decisões no negócio? Você poderia dar um exemplo? 1.5. Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho coletivo. 1.5.1. Você já verificou situações em que um parceiro (ou mesmo você) teve que arcar com custos próprios para que houvesse um ganho coletivo? Você poderia dar exemplos? Variável 2. Comprometimento Indicador / Questão 2.1. Participar regularmente de reuniões e decisões. 2.1.1. Você percebe se os parceiros do negócio participam regularmente dos eventos, das reuniões, dos encontros realizados, dos e-mails enviados? 2.1.2. Sua empresa participa com frequência, ou só de vez em quando? 186 2.2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício próprio. 2.2.1. Você entende que existe ajuda entre os parceiros das várias empresas envolvidas, como troca de informações, auxílio técnico, apoio de qualquer natureza; sem o objetivo especifico de benefício próprio? Poderia dar um exemplo dessa situação? 2.3. Assumir responsabilidades de ações conjuntas. 2.3.1. Ainda nessa linha de um ajudar o outro, você diria que os parceiros participam com soluções para os demais para melhorar o desempenho de todos no negócio, através de ações conjuntas? Dito de outra forma, existem reuniões coletivas para se discutir e resolver assuntos, ou cada empresa vai realizando suas funções, sem essa noção de coletivo? 2.4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. 2.4.1. Você percebe a existência do comprometimento entre os parceiros para realizarem o que foi combinado, isto é, as pessoas cumprem os acordos, mesmo não sendo o melhor para aquela pessoa e aquela empresa? Você poderia dar um exemplo em que isso não ocorreu? 2.5. Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros. 2.5.1. Você percebe a existência de uma disposição em continuar as relações entre as empresas, mesmo que alguns projetos terminem? E no caso da sua empresa, existe essa disposição? 2.6. Sinais de disposição para continuidade dos relacionamentos, mesmo em situações em que sua opinião tenha sido descartada, ou que seja da minoria. 2.6.1. Você percebe a disposição em continuar os contatos, os compromissos, as tarefas, mesmo quando não é o que a pessoa acredita, ou gostaria que fosse realizado? Já aconteceu algum caso assim com a sua empresa? Fator 3. Confiança Indicador / Questão 3.1. Expor os pontos fracos de sua organização para os outros. 3.1.1. Você tem verificado situações nas quais os participantes das empresas parceiras expõem os problemas, os erros, as dificuldades, isto é, se sentem confiantes para contar aos outros e até pedir ajuda, ou o que você percebe que são quase todos bem reservados? Você poderia dar um exemplo? 3.2. Assumir uma responsabilidade cuja execução depende de outro. 187 3.2.1. Você tem verificado situações nas quais um parceiro assume uma tarefa cuja execução depende de outra pessoa, isto é, ela confia que o outro irá fazer sua parte? 3.3. Dispor seus recursos, de qualquer natureza, para serem usados por outros, sem necessidade de salvaguardas. 3.3.1. Você já verificou situações nas quais um parceiro colocou seus recursos, por exemplo, um banco de dados, à disposição dos outros, sem precisar de algum contrato, ou qualquer outra forma de proteção? Você mesmo já fez isso em algum momento? Você poderia dar um exemplo? 3.4. Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo informais. 3.4.1. Os parceiros envolvidos no negócio costumam seguir as regras estabelecidas, mesmo aquelas que não estão em contrato, mas surgem nas rotinas do dia a dia; ou você entende que existem situações de independência, com os parceiros nem sempre seguindo as regras? 3.5. Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. 3.5.1. Você tem provas, situações e sinais que indicam haver integridade dos parceiros envolvidos no negócio, isto na disposição de agirem em prol do coletivo, do negócio e não só do interesse próprio? Quais seriam esses sinais, ou exemplos? Fator 4. Natureza e solução das Assimetrias Indicador / Questão 4. Diferença de recursos investidos; 4.1. Existem diferenças de recursos de qualquer natureza, como dinheiro, pessoal envolvido, material, investidos pelas empresas que participam do negócio? Quais exemplos você poderia citar? 4.2. Diferença de objetivos. 4.2.1. Existem muitas diferenças de objetivos entre as várias empresas que participam do negócio? Você poderia citar um exemplo? 4.2.2. Caso existam essas diferenças, você percebe se elas causam conflitos, ou problemas de qualquer natureza entre as empresas? Em caso positivo, poderia dar um exemplo? 4.3. Diferença de valores e ética. 4.3.1. Você percebe a existência de crenças e valores éticos diferentes entre as pessoas das empresas que são parceiras no negócio? Será que as cooperativas, os bancos, as construtoras e outras empresas têm as mesmas crenças e valores éticos? 188 4.4. Diferença de domínio tecnológico. 4.4.1. Existem diferenças muito claras de conhecimentos e tecnologia entre as empresas participantes? Você poderia dar um exemplo? Existindo essa diferença, ela causa algum problema, ou conflito? Em caso positivo, como isso se resolve? 4.5. Formas de solução das assimetrias. 4.5.1. Se as diferenças existentes entre as empresas causam problemas. 4.5.2. Existe um padrão ou regra geral para a que as diferenças entre os participantes não causem problemas? Por exemplo, se uma parte tem muito dinheiro e a outra tem pouco, como se resolve essa diferença para um trabalho conjunto? Você pode dar exemplos? Fator 5. Formas de governança. Indicador / Questão 5.1. Regras sobre admissão e exclusão de atores do grupo mais restrito; 5.1.1. Existem regras para admissão e exclusão de parceiros/empresas nesse grupo em que você participa? De onde vêm essas regras? Como são criadas? 5.2. Regras sobre penalidades. 5.2.1. Existem regras sobre penalidades para quem não cumpre o que deveria? Caso existam, como elas foram construídas? 5.3. Controle por autoridade, ou reputação; 5.3.1. Nesse grupo de parceiros que você participa, existe uma empresa que pela sua reputação, força, ou poder controla as outras empresas e as ações dos seus participantes? Caso exista esse poder, você poderia dar um exemplo de controle? 5.4. Controles sociais. 5.4.1. Existe entre os parceiros algum tipo de controle por questão ética, por obediência, por respeito, etc.? Por exemplo, as vezes a existência de um líder, ou alguma figura carismática acaba sendo exemplo que os outros seguem. 5.5. Regras sobre igualdade entre atores. 5.5.1. Você entende que as regras existentes, sejam contratuais, ou informais, são democráticas, de forma que as empresas participantes têm a mesma força e legitimidade, ou, em verdade, as regras servem mais para alguns e menos para outros? 5.6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. 5.6.1. Existem regras coletivas sobre as relações comerciais de compra, troca e entrega de bens e serviços, ou cada parceiro age conforme suas necessidades e oportunidades, sem necessidade de seguir um roteiro coletivo? 189 Anexo III. O instrumento questionário. Nos parágrafos seguintes apresenta-se o modelo de questionário que foi construído a partir da seleção das variáveis e da descrição dos indicadores. Para cada variável coloca-se em primeiro lugar o indicador e depois a assertiva correspondente. Utilizou-se uma escala de concordância de 1 a 5, sendo 1 - discordo totalmente, 2- discordo, 3nem concordo, nem discordo, 4- concordo, 5- concordo totalmente. Formulário do Questionário Caro Colaborador. Agradecemos sua disposição em participar desta pesquisa sobre a rede de empresas do negócio da construção cooperada. Lembramos que seu nome não será divulgado em nenhuma hipótese e a identificação abaixo é apenas para controle de nossa coleta. Havendo interesse em receber os resultados da pesquisa, por favor marque a opção. ( ) Quero receber os resultados da pesquisa Meu e-mail: Nome: Empresa: Função: Nas afirmativas seguintes, marque a opção que lhe parece a mais adequada; sempre considerando exclusivamente o negócio de construção cooperada. A opção 1 significa que você discorda totalmente da afirmativa e a escala vai até a opção 5, que significa que você concorda totalmente com a afirmativa. AFIRMATIVAS SOBRE A REDE DE EMPRESAS DO NEGÓCIO DA CONSTRUÇÃO COOPERADA. 1. Minha empresa depende dos recursos de outras empresas para realizar suas atividades no negócio de construção cooperada. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente. 2 Existem trocas de informações e conhecimentos entre os participantes do grupo de empresas desse negócio. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente. 190 3. No negócio de construção cooperada existe a necessidade das empresas participantes terem contatos frequentes com entidades reguladoras para seguir as leis e resolver as exigências. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 4. Ainda sobre esse assunto, a nossa empresa precisa desses contatos frequentes. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 5. Existem sinais e situações que mostram que as empresas parceiras desse negócio colocam as ações em conjunto como mais importantes que as ações isoladas. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente. 6. No caso da nossa empresa existem sinais e situações que mostram que ela coloca as ações em conjunto com mais importantes que as ações isoladas. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente. 7. Entre os participantes do negócio de construção cooperada existe consciência sobre a necessidade de ação coletiva. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente. 8. Do meu ponto de vista, nesse negócio é necessário o trabalho conjunto, para desenvolver recursos coletivos. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente. 9. Existem situações que eu já presenciei em que um parceiro teve que arcar com custos próprios para que houvesse um ganho coletivo. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente. 10. Os parceiros do negócio de construção cooperada participam regularmente dos eventos, das reuniões, dos encontros realizados, dos e-mails enviados e outras formas de ação conjunta. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente. 11. Minha empresa participa com frequência dos eventos coletivos que são programados. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 191 12. Eu penso que existe ajuda entre os parceiros das várias empresas envolvidas, como troca de informações, auxílio técnico, apoio de qualquer natureza; sem o objetivo específico de benefício próprio. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 13. Ainda nessa linha de um ajudar o outro, eu penso que os parceiros oferecem soluções para os demais poderem melhorar seus processos. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 14. Eu vejo que existe comprometimento entre os parceiros para realizarem o que foi combinado, isto é, as pessoas cumprem os acordos, mesmo não sendo o melhor para aquela pessoa e aquela empresa. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 15. Eu vejo através de sinais e fatos que existe disposição entre as empresas que participam da construção cooperada em continuarem seu relacionamento, mesmo que alguns projetos terminem. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 16. Eu vejo através de sinais e fatos que existe disposição da minha empresa em continuar seu relacionamento com outras empresas do negócio, mesmo que alguns projetos terminem. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 17. Eu vejo sinais e fatos que mostram a disposição das pessoas em continuarem a realizar as tarefas e compromissos que se esperam que ela realize; mesmo quando não é o que a pessoa acredita, ou gostaria que fosse realizado. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 18. Eu tenho verificado situações nas quais os participantes das empresas parceiras expõem os problemas, os erros, as dificuldades, isto é, se sentem confiantes para contar aos outros e até pedir ajuda. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 192 19. Eu já verifiquei situações nas quais um parceiro assume uma tarefa cuja execução na verdade depende de outra pessoa, isto é, o parceiro promete a tarefa confiando que o outro irá fazer a sua parte. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 20. Eu já presenciei e soube de situações nas quais um parceiro colocou seus recursos, por exemplo, um banco de dados, à disposição dos outros, sem precisar de algum contrato, ou qualquer outra forma de proteção, apenas confiando nos outros. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 21. Os parceiros envolvidos no negócio de construção cooperada costumam seguir as regras estabelecidas, mesmo aquelas que não estão em contrato, mas surgem nas rotinas do dia a dia. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 22. Eu tenho histórias, situações e sinais que indicam haver integridade e honestidade dos parceiros envolvidos nesse negócio, isto é, eles estão dispostos a agirem em prol do coletivo e não só por interesse próprio. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 23. Eu vejo que existem diferenças de recursos bem claras entre as empresas que participam do negócio de construção cooperada, como, por exemplo, de dinheiro disponível, de qualidade do pessoal, de recursos material e técnicos. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 24. Eu vejo que existem diferenças bem claras de objetivos entre as empresas que participam desse negócio, como, por exemplo, de objetivos financeiros, sociais, políticos. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 25. Eu vejo que existem diferenças bem claras de valores éticos e crenças entre as pessoas das empresas como, por exemplo, a função social de uma empresa, a vontade de trabalhar em conjunto, a disposição para ajudar os outros. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 193 26. Eu vejo que existem diferenças muito claras de conhecimentos e tecnologia entre as empresas participantes. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 27. Ainda sobre essas diferenças de recursos e de objetivos, elas acabam criando problemas e conflitos na relação entre as empresas. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 28. Sobre os problemas criados pelas diferenças entre as empresas do negócio de construção cooperada, os participantes conseguiram criar soluções, de tal maneira que o trabalho coletivo não foi prejudicado. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 29. Existem regras claras e explícitas sobre quais empresas podem participar do grupo que opera nesse ramo, isto é, quais podem entrar e quais devem sair. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 30. Essas regras foram criadas pelos próprios participantes. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 31. Existem regras sobre penalidades para quem não cumpre o que deveria. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 32. Nesse grupo de parceiros que eu participo existe uma empresa que pela sua reputação, força ou poder controla as outras empresas e as ações dos seus participantes. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 33. Como os parceiros das várias empresas estão frequentemente em contato, não só para tratar de negócios, mas também de outros assuntos sociais, políticos e de outra natureza, acaba existindo uma espécie de acordo de cavalheiros para ninguém se aproveitar das fraquezas do outro, ou para obter vantagens particulares. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 194 34. As regras existentes; sejam elas formais escritas e documentadas; ou informais, que são aquelas que correm de boca em boca; criam condições de igualdade e participação das empresas desse negócio de construção cooperada. 1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente 35. Existem regras coletivas sobre como agir comercialmente entre as empresas do negócio de construção cooperada, de forma que não existem muitas surpresas, ou imprevistos. 1() discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente Fonte: Construção do autor (2014) 195 Anexo IV. Quadros de Avaliação de Resultados Apresentação dos dados das entrevistas e questionários. Entrevistas e Questionários Cooperativas Presidente Administrativo Financeiro Responsável pelas Obras Agente Bancário Gerente de Contas Construtoras Proprietário / Resp. Obra OCESP / SESCOOP Representante Regional SINDICOOP Representante Regional CRECI / CREFI Diretor Administrativo Agente Governamental Prefeito Secretário de Habitação Ministério da Cidade Advogados Cooperados e Outros SUBTOTAL TOTAL GERAL Geral Rede A Rede B Rede C Rede D Rede E 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 01 06 10 01 05 09 01 06 11 01 07 11 01 06 11 Rede C 01 Rede D 01 01 01 01 01 01 01 06 58 Documentos / Dados Secundários Atas de Fundação Atas de Assembleias Atas de Modificações Estatutárias Atas de Decisões sobre entregas Contratos Firmados Bancos Construtoras Acordos com cooperados Eventos Seminários Cursos e Assembleias SUBTOTAL TOTAL Geral 12 08 20 59 Rede A 01 01 Rede B 01 01 Rede E 01 01 02 01 01 01 01 01 02 01 02 03 01 01 01 01 01 01 01 01 12 06 02 02 08 08 02 02 05 196 Anexo V. Quadro de frequência (presença ou ausência) dos fatores e indicadores que caracterizam o estado de organização das redes Fator Presença e natureza da Interdependência Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento Indicadores Rede A Rede B Rede C Rede D Rede E 1. Sinais da necessidade dos recursos de um ator, recursos esses que o outro possui. 2. Troca de conhecimentos necessários de um ator para outro. 3. Necessidade de contatos com entidades reguladoras para resolver as exigências de toda natureza (burocráticas, técnicas, sócio ambientais). 4. Aceitação de ações coletivas como mais importante que ações isoladas. 5. Consciência da necessidade de trabalho conjunto para o desenvolvimento de recursos coletivos. 6. Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho coletivo. 1. Participar regularmente de reuniões e decisões. 2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício próprio. 3. Assumir responsabilidades de ações conjuntas 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. 5. Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros. 6. Sinais de disposição para continuidade dos P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P 197 relacionamentos, mesmo em situações em que sua opinião tenha sido descartada ou que seja da minoria 1. Contar uma de suas fraquezas para outros. Sinais da presença e conteúdo de Confiança Presença e formas de solução de Assimetrias Formas de governança A A A A A 2. Assumir uma responsabilidade cuja execução depende de outro. 3. Dispor seus recursos, de qualquer natureza, para serem usados por outros, sem necessidade de salvaguardas. 4. Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo informais. 5. Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. 1. Diferença de recursos investidos. P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P P 2. Diferença de objetivos. 3. Diferença de valores e ética. A A A A A A A A A A 4. Diferença de domínio tecnológico. P P P P P 5. Modos de solução das diferenças P P P P P 1. Regras sobre admissão e exclusão de atores do grupo mais restrito. 2. Regras sobre penalidades. P P P P P P P P P P 3. Controle por autoridade, ou reputação (de um ator mais poderoso, por exemplo). 4. Controles sociais (por exemplo, existência de blogs, sites comunitários e outros, com P P P P P P P P P P 198 informações sobre os participantes). 5. Regras sobre igualdade entre atores. 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. Fonte: Construção do autor (2014) P P P P P P P P P P 199 Anexo VI. Quadro de frequência (presença ou ausência) dos fatores que caracterizam o estado de organização da rede A Fator Presença e natureza da Interdependência Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento Sinais da presença e conteúdo de Confiança Ator Cooperativa Ator Banco Ator Construtora 1. Sinais da necessidade dos recursos de um ator, recursos esses que o outro possui. P P P 2. Troca de conhecimentos necessários de um ator para outro. P P P 3. Necessidade de contatos com entidades reguladoras para resolver as exigências de toda natureza (burocráticas, técnicas, sócio ambientais). 4. Aceitação de ações coletivas como mais importante que ações isoladas. P P P P P P 5. Consciência da necessidade de trabalho conjunto para o desenvolvimento de recursos coletivos. P P P 6. Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho coletivo. P A A 1. Participar regularmente de reuniões e decisões. P P P 2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício próprio. P P P 3. Assumir responsabilidades de ações conjuntas P P P 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. P P P 5. Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros. P P P 6. Sinais de disposição para continuidade dos relacionamentos, mesmo em situações em que sua opinião tenha sido descartada ou que seja da minoria 1. Contar uma de suas fraquezas para outros. P P P A A A 2. Assumir uma responsabilidade cuja execução depende de outro. P P A 3. Dispor seus recursos, de qualquer natureza, para serem usados por outros, sem necessidade de salvaguardas. 4. Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo informais. 5. Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. P A P P A A P P P Indicadores 200 Presença e formas de solução de Assimetrias Formas de governança 1. Diferença de recursos investidos. P P P 2. Diferença de objetivos. P P P 3. Diferença de valores e ética. A A A 4. Diferença de domínio tecnológico. P P P 5. Modos de solução das diferenças P P P 1. Regras sobre admissão e exclusão de atores do grupo mais restrito. P P P 2. Regras sobre penalidades. P P P 3. Controle por autoridade, ou reputação (de um ator mais poderoso, por exemplo). P P P 4. Controles sociais (por exemplo, existência de blogs, sites comunitários e outros, com informações sobre os participantes). 5. Regras sobre igualdade entre atores. P A A P A A 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. P P P Fonte: construção do autor (2014) 201 Anexo VII. Quadro de frequência (presença ou ausência) dos fatores que caracterizam o estado de organização da rede B Fator Presença e natureza da Interdependência Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento Sinais da presença e conteúdo de Confiança Ator Cooperativa Ator Banco Ator Construtora 1. Sinais da necessidade dos recursos de um ator, recursos esses que o outro possui. P P P 2. Troca de conhecimentos necessários de um ator para outro. P P P 3. Necessidade de contatos com entidades reguladoras para resolver as exigências de toda natureza (burocráticas, técnicas, sócio ambientais). 4. Aceitação de ações coletivas como mais importante que ações isoladas. P P P P P P 5. Consciência da necessidade de trabalho conjunto para o desenvolvimento de recursos coletivos. P P P 6. Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho coletivo. P A A 1. Participar regularmente de reuniões e decisões. P P P 2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício próprio. P P P 3. Assumir responsabilidades de ações conjuntas P A A 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. P P P 5. Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros. P P P 6. Sinais de disposição para continuidade dos relacionamentos, mesmo em situações em que sua opinião tenha sido descartada ou que seja da minoria 1. Contar uma de suas fraquezas para outros. P P P A A A 2. Assumir uma responsabilidade cuja execução depende de outro. P A A 3. Dispor seus recursos, de qualquer natureza, para serem usados por outros, sem necessidade de salvaguardas. 4. Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo informais. 5. Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. A A A P A A P P P Indicadores 202 Presença e formas de solução de Assimetrias Formas de governança 1. Diferença de recursos investidos. P P P 2. Diferença de objetivos. P P P 3. Diferença de valores e ética. A A A 4. Diferença de domínio tecnológico. P P P 5. Modos de solução das diferenças P P P 1. Regras sobre admissão e exclusão de atores do grupo mais restrito. P P P 2. Regras sobre penalidades. P P P 3. Controle por autoridade, ou reputação (de um ator mais poderoso, por exemplo). P A A 4. Controles sociais (por exemplo, existência de blogs, sites comunitários e outros, com informações sobre os participantes). 5. Regras sobre igualdade entre atores. P A A P P A 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. P P P Fonte: Construção do autor (2014) 203 Anexo VIII. Quadro de frequência (presença ou ausência) dos fatores que caracterizam o estado de organização da rede C Fator Presença e natureza da Interdependência Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento Sinais da presença e conteúdo de Confiança Ator Cooperativa Ator Banco Ator Construtora 1. Sinais da necessidade dos recursos de um ator, recursos esses que o outro possui. P P P 2. Troca de conhecimentos necessários de um ator para outro. P P P 3. Necessidade de contatos com entidades reguladoras para resolver as exigências de toda natureza (burocráticas, técnicas, sócio ambientais). 4. Aceitação de ações coletivas como mais importante que ações isoladas. P P P P P P 5. Consciência da necessidade de trabalho conjunto para o desenvolvimento de recursos coletivos. P P P 6. Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho coletivo. P A A 1. Participar regularmente de reuniões e decisões. P P P 2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício próprio. P P P 3. Assumir responsabilidades de ações conjuntas P P P 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. P P P 5. Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros. P P P 6. Sinais de disposição para continuidade dos relacionamentos, mesmo em situações em que sua opinião tenha sido descartada ou que seja da minoria 1. Contar uma de suas fraquezas para outros. P P P P A A 2. Assumir uma responsabilidade cuja execução depende de outro. P A A 3. Dispor seus recursos, de qualquer natureza, para serem usados por outros, sem necessidade de salvaguardas. 4. Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo informais. 5. Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. P A P P P P P P P Indicadores 204 Presença e formas de solução de Assimetrias Formas de governança 1. Diferença de recursos investidos. P P P 2. Diferença de objetivos. P P P 3. Diferença de valores e ética. A A A 4. Diferença de domínio tecnológico. P P P 5. Modos de solução das diferenças P P P 1. Regras sobre admissão e exclusão de atores do grupo mais restrito. P P P 2. Regras sobre penalidades. P P P 3. Controle por autoridade, ou reputação (de um ator mais poderoso, por exemplo). P P P 4. Controles sociais (por exemplo, existência de blogs, sites comunitários e outros, com informações sobre os participantes). 5. Regras sobre igualdade entre atores. P P P P P P 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. P P P Fonte: Construção do autor (2014) 205 Anexo IX. Quadro de frequência (presença ou ausência) dos fatores que caracterizam o estado de organização da rede D Fator Presença e natureza da Interdependência Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento Sinais da presença e conteúdo de Confiança Ator Cooperativa Ator Banco Ator Construtora 1. Sinais da necessidade dos recursos de um ator, recursos esses que o outro possui. P P P 2. Troca de conhecimentos necessários de um ator para outro. P P P 3. Necessidade de contatos com entidades reguladoras para resolver as exigências de toda natureza (burocráticas, técnicas, sócio ambientais). 4. Aceitação de ações coletivas como mais importante que ações isoladas. P P P P P P 5. Consciência da necessidade de trabalho conjunto para o desenvolvimento de recursos coletivos. P P P 6. Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho coletivo. P A N 1. Participar regularmente de reuniões e decisões. P P P 2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício próprio. P A P 3. Assumir responsabilidades de ações conjuntas P P P 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. P P P 5. Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros. P P P 6. Sinais de disposição para continuidade dos relacionamentos, mesmo em situações em que sua opinião tenha sido descartada ou que seja da minoria 1. Contar uma de suas fraquezas para outros. P P P A A A 2. Assumir uma responsabilidade cuja execução depende de outro. P A A 3. Dispor seus recursos, de qualquer natureza, para serem usados por outros, sem necessidade de salvaguardas. 4. Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo informais. 5. Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. P A P P P P P P P Indicadores 206 Presença e formas de solução de Assimetrias Formas de governança 1. Diferença de recursos investidos. P P P 2. Diferença de objetivos. P A A 3. Diferença de valores e ética. A A A 4. Diferença de domínio tecnológico. P P P 5. Modos de solução das diferenças P P P 1. Regras sobre admissão e exclusão de atores do grupo mais restrito. P P P 2. Regras sobre penalidades. P P P 3. Controle por autoridade, ou reputação (de um ator mais poderoso, por exemplo). P P P 4. Controles sociais (por exemplo, existência de blogs, sites comunitários e outros, com informações sobre os participantes). 5. Regras sobre igualdade entre atores. P A A P P P 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. P P P Fonte: Construção do autor (2014) 207 Anexo X. Quadro de frequência (presença ou ausência) dos fatores que caracterizam o estado de organização da rede E Fator Presença e natureza da Interdependência Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento Sinais da presença e conteúdo de Confiança Ator Cooperativa Ator Banco Ator Construtora 1. Sinais da necessidade dos recursos de um ator, recursos esses que o outro possui. P P P 2. Troca de conhecimentos necessários de um ator para outro. P P P 3. Necessidade de contatos com entidades reguladoras para resolver as exigências de toda natureza (burocráticas, técnicas, sócio ambientais). 4. Aceitação de ações coletivas como mais importante que ações isoladas. P P P P P P 5. Consciência da necessidade de trabalho conjunto para o desenvolvimento de recursos coletivos. P P P 6. Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho coletivo. P A P 1. Participar regularmente de reuniões e decisões. P P P 2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício próprio. P P P 3. Assumir responsabilidades de ações conjuntas P P P 4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos. P P P 5. Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros. P P P 6. Sinais de disposição para continuidade dos relacionamentos, mesmo em situações em que sua opinião tenha sido descartada ou que seja da minoria 1. Contar uma de suas fraquezas para outros. P P P A A A 2. Assumir uma responsabilidade cuja execução depende de outro. P A A 3. Dispor seus recursos, de qualquer natureza, para serem usados por outros, sem necessidade de salvaguardas. 4. Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo informais. 5. Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede. P N P P P P P P P Indicadores 208 Presença e formas de solução de Assimetrias Formas de governança 1. Diferença de recursos investidos. P P P 2. Diferença de objetivos. P P P 3. Diferença de valores e ética. P A A 4. Diferença de domínio tecnológico. P P P 5. Modos de solução das diferenças P P P 1. Regras sobre admissão e exclusão de atores do grupo mais restrito. P P P 2. Regras sobre penalidades. P P P 3. Controle por autoridade, ou reputação (de um ator mais poderoso, por exemplo). P P P 4. Controles sociais (por exemplo, existência de blogs, sites comunitários e outros, com informações sobre os participantes). 5. Regras sobre igualdade entre atores. P A A P P P 6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros. P P P Fonte: Construção do autor (2014)