UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP
VICE-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO
OS ESTADOS DE ORGANIZAÇÃO DE REDES DE
NEGÓCIOS: DISCUSSÃO E EXEMPLOS DAS REDES
NAS QUAIS ESTÃO PRESENTES AS COOPERATIVAS
HABITACIONAIS DE SÃO PAULO
Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Administração da Universidade
Paulista – UNIP para obtenção do título de Mestre
em Administração.
JOSÉ ROBERTO GAMBA
SÃO PAULO
2014
UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP
VICE-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO
OS ESTADOS DE ORGANIZAÇÃO DE REDES DE
NEGÓCIOS: DISCUSSÃO E EXEMPLOS DAS REDES
NAS QUAIS ESTÃO PRESENTES AS COOPERATIVAS
HABITACIONAIS DE SÃO PAULO
Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Administração da Universidade
Paulista – UNIP para obtenção do título de Mestre
em Administração.
Orientador: Prof. Dr. Ernesto Michelangelo Giglio.
Área de Concentração: Estratégia e seus Formatos
Organizacionais.
Linha de Pesquisa: Gestão em Redes de Negócio.
JOSÉ ROBERTO GAMBA
SÃO PAULO
2014
Gamba, José Roberto.
Os estados de organização de redes de negócios: discussão e exemplos
das redes nas quais estão presentes as cooperativas habitacionais de São
Paulo. / José Roberto Gamba - 2014.
208 f.: il. + CD-ROM.
Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em
Administração da Universidade Paulista, São Paulo, 2014.
Área de Concentração: Estratégia e seus Formatos Organizacionais.
Orientador: Prof. Dr. Ernesto Michelangelo Giglio.
1. Redes. 2. Sociedade em rede. 3. Cooperativismo habitacional. I. Título.
II. Giglio, Ernesto Michelangelo (orientador).
JOSÉ ROBERTO GAMBA
OS ESTADOS DE ORGANIZAÇÃO DE REDES DE
NEGÓCIOS: DISCUSSÃO E EXEMPLOS DAS REDES
NAS QUAIS ESTÃO PRESENTES AS COOPERATIVAS
HABITACIONAIS DE SÃO PAULO
Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Administração da Universidade
Paulista – UNIP para obtenção do título de Mestre
em Administração.
Aprovada em:
Banca Examinadora
__________________/_____/_________
Prof. Dr. Ernesto Michelangelo Giglio
Universidade Paulista – UNIP
__________________/_____/_________
Prof. Dr. Renato Telles
Universidade Paulista – UNIP
__________________/_____/_________
Prof. Dr. Denis Donaire
Universidade Municipal de São Caetano – USCS
AGRADECIMENTOS
A
Deus,
por
iluminar
o
meu
caminho,
dando-me
força,
determinação e ousadia para lutar pelos meus sonhos.
À minha esposa, filhas, genros e netos, companheiros eternos de
minha vida, por todo o amor e paciência imprescindíveis para que eu
pudesse me dedicar aos meus estudos e projetos, alçando voos ainda
maiores.
À UNIP, em particular ao Departamento de Pós-Graduação em
Administração, à Coordenação do Curso, aos seus funcionários, por
todo o suporte institucional que me proporcionaram enquanto estudei
nessa academia.
Aos Doutores Professores Ademir Antônio Ferreira, Arnaldo
Luiz Ryngelblun, Celso Augusto Rímoli, Flavio Horneaux Junior,
Flávio Romero Macau, João Mauricio Gama Boaventura, João Paulo
de Lara Siqueira, José Celso Contador (meu tutor), Júlio Araújo
Carneiro da Cunha, Luciana Onusic, Nádia Wacila Hanania Vianna,
Pedro Lucas de Resende Melo, Renato Telles e Roberto Bazzaníni. Em
particular ao meu orientador, Professor Ernesto Michelangelo Giglio,
cuja competência científica me permitiu trilhar caminhos, viajando
comigo na busca do conhecimento, na experiência dos congressos,
seminários e artigos publicados, sendo durante essa viagem a bússola
teórico-metodológica que indicou a direção, os objetivos e o GPS,
fornecendo informações precisas e a segurança indispensável para
ultrapassar os obstáculos do percurso, sendo o guia capacitado e
dedicado que cruzou as fronteiras do acompanhamento e proporcionou
uma verdadeira aventura, odisseia capaz de elevar o aprendiz ao
título de mestre.
Ao
Doutor
e
Professor
Denis
Donaire,
da
Universidade
Municipal de São Caetano do Sul, que gentilmente aceitou fazer parte
de minha banca.
Aos Doutores, Professores e autores Moisés Villamil Balestro,
Alsones
Ballestrin,
Nelson
Casarotto,
Gilberto
Martins,
Mario
Sacomano Neto, Jorge Renato Vershore e Hélio Zanquetto Filho, que se
propuseram a analisar e validar meus instrumentos de pesquisa.
Aos colegas do Mestrado, companheiros dessa viagem, em
particular e em especial à Ivete e ao Galdino, pelos laços de amizade
que criamos, finais de semana dedicados aos trabalhos, viagens a
congressos e seminários e, principalmente, pela confiança e palavras de
incentivo que criamos entre nós e que transcenderam as esferas
acadêmicas, emaranhando-se em nossa vida social e profissional.
Aos atores das redes analisadas, cujos depoimentos foram de
suma importância na resposta da pergunta de pesquisa.
A meus amigos professores e alunos, que se dispuseram a
trabalhar com meus projetos, desenvolvendo temas sobre clusters e
redes de negócio, contribuindo para a divulgação dos mesmos junto a
outras universidades.
E, finalmente, a todos os demais viajantes que encontrei ou que
me encontraram no meio do caminho; sem dúvida, exerceram
influências
significativas
para
pesquisador.
A todos, o meu muito obrigado.
meu
crescimento
científico
e
de
DEDICATÓRIA
A todos os pesquisadores que buscam
através do saber científico uma forma
de criar ou desenvolver instrumentos de
análise para compreender e interpretar
a complexidade do fenômeno estudado.
GAMBA, 2014.
PENSAMENTO
A sociedade em rede é definida como relacionamentos entre
atores conectados, imbricados em diversos laços e nós, cujas relações
sociais facilitam a troca de recursos, experiências e conhecimentos.
Esse novo paradigma constitui a nova morfologia social de nossas
sociedades,
e
a
difusão da
substancial a operação e
lógica de redes
os resultados dos
de experiência, tecnologia, poder e cultura.
CASTELLS
modifica de forma
processos
produtivos,
RESUMO
O objetivo deste trabalho é analisar a configuração dos estados de redes de negócios. Por
estado de rede se entendem os arranjos dos atores dos negócios, em uma análise transversal,
ou seja, o modo, a forma, a condição de complexidade pelos quais a rede se encontra e como
está disposta em determinado momento. A proposição orientadora é ser possível investigar um
estado organizacional de um conjunto de empresas a partir de variáveis que hoje se encontram
esparsas e isoladas na literatura, sendo elas: manifestações da interdependência, sinais de
presença e conteúdo de confiança, sinais de presença e conteúdo de comprometimento,
natureza e solução das assimetrias, e manifestações da governança. O trabalho está fundado
nas afirmativas da sociedade em rede, principalmente o argumento de que todas as
organizações estão em rede. O trabalho se justifica porque, embora o tema de estados de
organização das redes seja relevante, pesquisa bibliográfica prévia revelou a existência de
poucos trabalhos sobre esse tópico específico. Para investigar o tema escolheu-se o ramo
imobiliário, no qual se encontram as cooperativas habitacionais do Estado de São Paulo. A
escolha desse ramo deve-se à importância econômica e social que as cooperativas representam
no que se refere à falta de moradias para a população. A pesquisa se caracteriza por ser
exploratória, qualitativa, descritiva, comparativa e de casos múltiplos. Foram criados
instrumentos específicos de coleta de dados, pois não se encontraram instrumentos validados,
como consequência da pouca produção acadêmica sobre o tema. Foram pesquisadas cinco
redes nas quais as cooperativas habitacionais estão presentes. A principal conclusão a respeito
da pesquisa foi ter sido possível construir estados de configuração de redes a partir das
variáveis propostas. As variáveis manifestações da interdependência, sinais de presença e
conteúdo de confiança, sinais de presença e conteúdo de comprometimento, natureza e
solução das assimetrias e manifestações da governança mostraram-se capazes de construir o
estado de configuração de uma rede e diferenciar estados entre distintas redes. As cinco redes
investigadas convergiram no seu estado de rede caracterizado pela governança formal, por
ligações racionais entre as organizações e pela existência de um subgrupo com relações mais
sociais, que são os atores cooperativas e os atores cooperados. A Rede A se caracteriza por um
predomínio burocrático, de relações formais, cujo estágio atual é estacionário e latente,
enquanto a Rede E também tem governança formal, mas apresenta relações sociais e ações
coletivas, demonstrando ser uma rede em evolução e transformação. O trabalho indica um
benefício teórico nas afirmativas sustentadas sobre o estado de rede, conceito pouco
investigado na literatura brasileira. O conceito busca ir além da estrutura, pois engloba os
conteúdos das transações. O benefício metodológico consiste em oferecer um conjunto de
instrumentos de coleta de dados com itens especialmente construídos para este trabalho. Por
seu ineditismo, os conteúdos dos instrumentos necessitam de refinamento, alguns dos quais
foram sugeridos na forma de novas pesquisas.
Palavras-chave: Redes, Sociedade em Rede, Estados de Organização de Rede,
Cooperativismo Habitacional.
ABSTRACT
The objective of this work is to analyze the configuration of the state’s business networking. It
is understood by the network status of the business arrangements of the actors in a crosssectional analysis, i.e., the mode shape, the condition of complexity by which the network is
and how it is disposed at a given time. The guiding proposition is that it is possible to
investigate an organizational state of a set of companies from variables that are sparse and
isolated in the literature today, they are: manifestations of interdependence, signs of presence
and contents of confidence, signs of presence and content of commitment, nature and
resolution of asymmetries, manifestations of governance. The work is founded on assertions of
the network society, especially the argument that all organizations are networked. The work is
justified because, although the topic of states of organization of the network is relevant,
previous literature has revealed few studies on this specific topic. To investigate the theme we
chose the real estate where housing cooperatives in the state of São Paulo. The choice of this
branch is due to the economic and social importance that cooperatives represent with regard to
the lack of housing for the population. The research is characterized as exploratory,
qualitative, descriptive, comparative and multiple cases. Specific data collection instruments
were created, since no validated instruments were found because of little academic research on
the subject. Five networks in which housing cooperatives are present were surveyed. The main
conclusion about the research was to have been possible to build configuration states of
networks based on the proposed variables. The variable manifestations of interdependence,
signs of presence and contents of confidence, signs of impairment and content, nature and
resolution of asymmetries and manifestations of governance proved to be able to build the
configuration state of a network and differentiate between different network states. The five
investigated converged networks on your network condition characterized by formal
governance through rational links between organizations and by the existence of a subgroup
with more social relationships, which are the actors unions and the cooperative
actors. Network A is characterized by a bureaucratic dominance of formal relations, whose
current state is stationary and dormant, while the network and also has formal governance, but
has social relations and collective actions, proving to be a network evolution and
transformation. The work indicates a theoretical benefit in the affirmative sustained on the
state of network concept seldom investigated in Brazilian literature. The concept seeks to go
beyond the structure, as it covers the contents of the transactions. The methodological benefit
is to provide a set of instruments for data collection with items specially constructed for this
work. For its uniqueness content of the instruments, require refinement, some of which were
suggested in the form of new research.
Keywords: Network, Network Society, United Organization Network, Cooperative
Housing.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1. Fluxograma de um estudo de casos múltiplos
59
Quadro 1. Pesquisa sobre produção internacional do tema de redes centrada na
construção cooperada
Quadro 2.Pesquisa sobre produção brasileira do tema de redes centrada na construção
cooperada
Quadro 3. Comparativo dos três paradigmas sobre redes de negócios, em seus
princípios e variáveis
Quadro 4. Variáveis mais citadas que caracterizam o estado de redes
23
Quadro 5. Conceitos sobre estágios e estados de redes
43
Quadro 6. Indicadores de cinco variáveis que caracterizam o estado de redes
52
Quadro 7. Validação dos indicadores
66
Quadro 8. Dados secundários sobre as redes do negócio de construção cooperada
68
Quadro 9. Dados secundários da Rede A
80
Quadro 10. Dados secundários da Rede B
92
Quadro 11. Dados secundários da Rede C
108
Quadro 12. Dados secundários da Rede D
120
Quadro 13. Dados secundários da Rede E
133
26
37
38
Tabela 1. Respostas do questionário sobre a Rede A
84
Tabela 2. Respostas do questionário sobre a Rede B
98
Tabela 3. Respostas do questionário sobre a Rede C
112
Tabela 4. Respostas do questionário sobre a Rede D
124
Tabela 5. Respostas do questionário sobre a Rede E
137
LISTA DE ABREVIATURAS
ACI
Aliança das Cooperativas Internacional
BMF
Bolsa de Mercadorias e Futuro
BNDES
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
BNH
Banco Nacional de Habitação
BOVESPA
Bolsa de Valores do Estado de São Paulo
CDHU
Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano
CMN
Conselho Monetário Nacional
CREA
Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia
CRECI
Conselho Regional de Corretores de Imóveis
CVM
Comissão de Valores Monetários
FGV
Fundação Getúlio Vargas
IBGE
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
INOCOOP
Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais
IPEA
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
OCB
Organização das Cooperativas do Brasil
OCESP
Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo
ONG
Organização Não Governamental
ONU
Organização das Nações Unidas
PIB
Produto Interno Bruto
PNAD
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio
PNH
Plano Nacional de Habitação
SESCOOP
Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo
SINDICOOP
Sindicato dos Cooperados
SINDICOOPERATIVAS Sindicato das Cooperativas Habitacionais
UNISOL
União e Solidariedade das Cooperativas
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
16
1. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE REDES TENDO COMO ESCOPO O
22
RAMO IMOBILIÁRIO
1.1. Literatura internacional sobre o tema de redes com foco na construção
22
cooperada
1.2. Literatura brasileira sobre o tema de redes com foco na construção cooperada
25
1.3. Conclusões sobre a tendência e o leque de temas de pesquisas sobre redes
27
com foco na construção cooperada
1. 2. CONCEITOS DE REDES
30
2.
32
3.
2.1. Paradigmas de Redes
2.1.1. Paradigma racional econômico
33
2.1.2. Paradigma social
34
2.1.3. Paradigma da sociedade em rede
35
3. DISCUSSÕES SOBRE O ESTADO DE REDES
41
3.1. Afirmativa dos estados de redes
44
3.2. Variáveis que contribuem para o estado da rede
47
3.3. Definição operacional das variáveis
49
4. METODOLOGIA
54
4.1. Plano da pesquisa
55
4.2. Protocolo
57
4.2.1. Objetivo
58
4.2.2. Escopo
58
4.2.3. Tipo de Pesquisa
59
4.2.4. Sujeitos
60
4.2.5. Instrumentos de coletas de dados
60
4.2.6. Formas e instrumentos de análise
61
5. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
63
5.1. Dados sobre as cooperativas habitacionais no Brasil
63
5.2. Apresentação dos dados da pesquisa de validação dos indicadores
65
5.3. Dados secundários sobre o negócio de construção cooperada no Brasil
67
5.4. Apresentação dos dados da Rede A
79
5.4.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede A
79
5.4.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede A
84
5.4.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede A
86
5.4.4. Resposta ao problema de pesquisa
90
5.5. Apresentação dos dados da Rede B
91
5.5.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede B
92
5.5.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede B
98
5.5.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede B
100
5.5.4. Resposta ao problema de pesquisa
107
5.6. Apresentação dos dados da Rede C
108
5.6.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede C
108
5.6.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede C
112
5.6.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede C
114
5.6.4. Resposta ao problema de pesquisa
119
5.7. Apresentação dos dados da Rede D
120
5.7.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede D
120
5.7.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede D
124
5.7.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede D
126
5.7.4. Resposta ao problema de pesquisa
132
5.8. Apresentação dos dados da Rede E
133
5.8.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede E
134
5.8.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede E
137
5.8.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede E
139
5.8.4. Resposta ao problema de pesquisa
144
6. ANÁLISE DOS RESULTADOS
146
6.1. Sobre a Rede A
146
6.2. Sobre a Rede B
146
6.3. Sobre a Rede C
147
6.4. Sobre a Rede D
147
6.5. Sobre a Rede E
148
6.6. Resposta ao problema de pesquisa sobre os estados atuais de organização 148
das redes
7. COMENTÁRIOS FINAIS
153
7.1. Resposta ao problema de pesquisa
158
7.2. Comentários sobre a teoria de base
159
7.3. Comentários sobre a metodologia
159
7.4. Comentários sobre os resultados
160
7.5. Limites do trabalho
161
7.6. Propostas de pesquisas
162
7.7. Comentário final
165
REFERÊNCIAS
166
ANEXOS
181
16
INTRODUÇÃO
O objetivo deste trabalho é analisar a configuração dos estados de redes de negócios.
São compreendidos por estado de rede os arranjos dos atores dos negócios, em uma análise
transversal, ou seja, o modo, a forma, a condição de complexidade pelos quais a rede se
encontra e como está disposta em determinado momento. A proposição orientadora é ser
possível investigar um estado organizacional de um conjunto de empresas a partir de variáveis
que hoje se encontram esparsas e isoladas na literatura. As variáveis são manifestações da
interdependência, sinais de presença e conteúdo de confiança, sinais de presença e conteúdo de
comprometimento, natureza e solução das assimetrias e manifestações da governança. A
construção de um modelo que organiza essas variáveis é uma das propostas da dissertação.
Existem esforços de conjunção das variáveis. Conforme Polanyi (1947), a imersão é
fator importante no estado de redes. O autor considera que as diferentes formas de integração
econômica são conectadas por determinadas condições estruturais e institucionais. Esse
enfoque procura compreender como a estrutura social afeta a vida econômica, procurando
fazer contraponto à teoria neoclássica que desconsidera a influência das relações sociais nas
transações econômicas.
Segundo Tichy, Tushmam e Fombrum (1979, p. 510), Giglio e Kwasnicka (2005),
análises bibliográficas sobre o tema de redes indicam a existência de dois paradigmas, o
racional-econômico e o social. A partir das afirmativas de Castells (1999), aceita-se que existe
um terceiro paradigma, denominado a sociedade em rede, com a assertiva básica de haver
nova forma de sociedade, fundada nas relações em rede, o que inclui as relações de negócios.
A expressão aparece em trabalhos sobre redes. Begnis (2005, p.13) afirma que os estudos
sobre os relacionamentos cooperativos entre organizações a partir de 1997 avançam com o
auxílio do novo enfoque apresentado pela Teoria das Sociedades em Redes. Para Gimeno
(2004), a proposição de que toda sociedade está em rede e que seus atores estão em constantes
relacionamentos entre organizações é motivo de pesquisas sobre redes e seus estados
organizacionais.
No paradigma social encontram-se variáveis de relacionamentos que determinam o
comprometimento de cada ator nas ações coletivas, isto é, sua disposição em se mostrar como
agente de desenvolvimento do grupo, colocando objetivos coletivos acima dos pessoais.
Conforme se defende neste trabalho, essas variáveis de relacionamento estão estreitamente
vinculadas ao estado de organização de uma rede, o que inclui variáveis como cooperação e
17
controles sociais do comportamento oportunista. Nessa linha de argumentação encontra-se um
conjunto significativo de trabalhos. Na verdade, o assunto sobre os relacionamentos nas redes
de negócios é cada vez mais investigado na teoria organizacional, principalmente na Europa e
Estados Unidos (GRANOVETTER, 1985, LARSON, 1992, GRANDORI e SODA, 1995 e
BUTLER, 2010).
No Brasil, o interesse pelo tema de organização das redes é mais recente, o que resulta
em pouca discussão teórica, comparativamente à produção internacional (CARRIERI, 2001;
WITTMANN, NEGRINI, VENTURINI e VIZEU, 2003; SCHMITT e SILVA, 2004;
CARNEIRO DA CUNHA, 2006 e BALESTRIN, 2010). Entre os temas de redes mais
recorrentes na literatura brasileira que investigam as inter-relações podem ser citados
nascimento de redes, conflitos de interesses, governança, confiança, cooperação e
comprometimento. Estudos, a exemplo de Hoffmann (2004), buscaram criar categorias sobre
tipos de redes.
Trabalhos como os de Grandori e Soda (1995) e Castells (1999) mostram que o
formato de redes pode ser eficaz para o alcance dos objetivos individuais e coletivos, como
inovação e poder de negociação. Na dinâmica do desenvolvimento das redes ocorre um
complexo ordenamento de relacionamentos, em que os atores estabelecem inter-relações sob
diferentes formas, em distintos contextos, estabelecendo ambiente favorável às inovações, ao
compartilhamento de informações, conhecimentos, habilidades e recursos essenciais à
atividade organizacional.
Balestrin e Vargas (2004), ao afirmar que as organizações em redes mantêm interações
e interdependência entre si, demonstraram que as variáveis sociais são as que mais
influenciam as relações de negócios, como troca de informação, conhecimento e
aprendizagem, tendo como variáveis essenciais cooperação e comprometimento.
Considerando a relevância das variáveis sociais na organização de redes, o objetivo
deste trabalho é demonstrar como se organizam e se inter-relacionam certas variáveis
selecionadas para a configuração de um estado de rede a partir de uma matriz de variáveis dos
três paradigmas, utilizando como exemplo as redes nas quais estão imersas as cooperativas
habitacionais. Leituras prévias levaram à construção da proposição primária, segundo a qual é
possível inferir uma configuração de estado de rede a partir de um conjunto de variáveis hoje
esparsas na literatura.
O trabalho se justifica porque, embora o tema de organização das redes seja relevante,
pesquisa bibliográfica revelou a existência de poucos trabalhos com a expressão específica de
estados de redes. Na verdade, conforme informações do item seguinte, a busca de artigos a
18
partir de cruzamentos de expressões resultou em nenhuma indicação. Para investigar o tema
escolheu-se o ramo imobiliário, mais especificamente o segmento de construção de imóveis no
sistema cooperativo, do qual participam as cooperativas habitacionais do Estado de São Paulo.
A escolha do segmento deveu-se à importância econômica e social que as cooperativas
representam no que se refere à falta de moradias para a população, além do interesse
propriamente teórico de analisar uma rede em uma atividade em que a palavra cooperativa é a
dominante.
A pesquisa se caracteriza por ser exploratória, qualitativa, descritiva, comparativa e de
casos múltiplos. Foram criados instrumentos específicos de coleta de dados, pois o pequeno
número de artigos encontrados não apresentou instrumentos validados.
A afirmativa teórica básica é o princípio de que a sociedade está estruturada na forma
de redes (CASTELLS, 1999), em intrincada teia de relações de consumo, poder, produção e
experiências, em aspecto diferente do formato social anterior de pequenos grupos.
Segundo Nohria e Ecles (1992), todas as empresas estão em rede, utilizem ou não
conexões, de conglomerados a pequenas empresas empreendedoras. Três são os pontos
listados por esses autores para o aumento do interesse nas redes: emergência de onda de
fusões, aquisições e parcerias; desenvolvimento de tecnologias de comunicação, permitindo
conexões antes difíceis; interesse dos acadêmicos pelo tema.
Complementando os conceitos de Nohria e Ecles (1992), Castells (1999) afirma que o
formato organizacional atual é o de redes, mesmo que os participantes não tenham consciência
de suas conexões e não se comportem com atitudes coletivas.
Como detalhamento da proposição orientadora, baseando-nos em leituras prévias e nos
autores citados, entende-se que há um conjunto de variáveis importantes na configuração do
estado da rede. A investigação pretende verificar se são capazes de apontar a configuração.
Para Grandori e Soda (1995), são imprescindíveis os mecanismos utilizados no
controle e desenvolvimento das redes, como comunicação, regras formais e informais,
incentivos, seleção de parceiros, pois buscam inibir oportunismos, incrementar ações coletivas
e criar sinergia entre os atores. São modos formais e informais de organizar as atividades
econômicas. Os modos informais incluem o comprometimento e confiança, pois cada ator cria
uma atitude de cooperação, mais do que oportunismo. Granovetter (1985) frisa que a imersão
dos atores na rede, por meio das variáveis comprometimento social e econômico, é um dos
fatores do estado de organização do grupo, entrelaçado com outras variáveis, como confiança
e fluxo de informações.
19
Com as afirmativas dos autores, conclui-se que existem muitas variáveis para a
configuração dos estados de redes, mas o trabalho pretende indicar aquelas convergentes na
literatura, indicadas como as mais importantes e que geram trilhas dominantes de pesquisas na
literatura brasileira.
Entre as variáveis mais investigadas na literatura sobre redes, conforme pesquisa do
autor, encontram-se confiança, cooperação e comprometimento, espécie de tripé de
sustentação da visão social de redes. Elas são o centro dos movimentos de aproximação e
distanciamento entre os atores, que cria o campo de equilíbrio e desequilíbrio da rede; outras
são importantes para caracterização dos diferentes estados de organização de redes distintas.
Comprometimento e confiança são dois lados da mesma moeda. Segundo Morgan e
Hunt (1994), comprometimento é a crença de um dos parceiros de que o relacionamento
existente é tão importante que valem a pena os esforços para mantê-lo. A confiança é a crença
de um dos parceiros de que o outro se comportará da forma esperada, sem se aproveitar dos
demais.
Governança é igualmente fator convergente. Para Hesterly e Borgatti, (1997), Jones e
George (1998), governança em rede é a forma de coordenação das atividades conjuntas,
baseada em contratos formais e informais, para se adaptarem às contingências ambientais e
coordenar e salvaguardar as transações por meio de mecanismos sociais e econômicos.
Com o incremento das redes de negócios, as organizações são impelidas a adotar novas
formas de gestão empresarial, atendendo a interesses coletivos e individuais, em movimentos
de aproximações e distanciamentos dos parceiros, conforme os fluxos de sinais de cooperação,
jogos de poder e comprometimento, entre outros sinais de relacionamentos.
Na definição de rede como relacionamento, Todeva (2006) enfatiza que as redes de
cooperação têm a capacidade de facilitar ações conjuntas e integração de recursos para
alcançar objetivos comuns. Elas seriam definidas como o conjunto de transações repetidas e
sustentadas por configurações relacionais e estruturais dotadas de movimentos que
ultrapassam as fronteiras físicas ou geográficas que integram o local e o global, definindo as
tendências da ação dos atores interconectados.
Comentando sobre a necessidade de trabalho conjunto, De Souza (1993) afirma que a
crescente divisão e especialização do trabalho leva à intensificação das relações e da
cooperação entre empresas, ligadas por vínculos de comprometimento em busca de recursos
complementares.
Para Britto (2004), o conceito de rede pode ser entendido como o arranjo entre
organizações baseado em vínculos sistemáticos, por vezes de caráter cooperativo, entre
20
empresas formalmente independentes, que dão origem a uma forma particular de
comprometimento e coordenação das atividades econômicas.
Considerando as afirmativas apresentadas sobre os variáveis presentes no estado de
organização das redes e a partir de reflexões e leituras, revela-se como um dos objetivos do
trabalho apresentar e defender o argumento dos estados de redes, tomando como exemplo as
redes nas quais estão imersas as cooperativas habitacionais.
O trabalho está estruturado da seguinte forma:
Na Introdução apresenta-se o tema e discute-se o contexto em que ele se insere. São
analisados argumentos que justificam a investigação, incluindo-se referências de autores
clássicos.
No item 1 há a revisão bibliográfica sobre o tema de redes, tendo como campo o ramo
imobiliário, da habitação e de cooperativas habitacionais, buscando resgatar convergências,
teorias utilizadas e formas de interpretação do tema. O item termina indicando o que se
escreveu sobre redes quando estão envolvidas as cooperativas habitacionais e quais as
variáveis elencadas como relevantes.
No item 2 apresentam-se os fundamentos teóricos do projeto, com as afirmativas dos
três paradigmas dominantes na literatura e as variáveis valorizadas em cada um deles, que são
o modelo de variáveis para a pesquisa. O princípio norteador é que a sociedade atual está
organizada no formato em redes e as redes de negócios são expressões dessa organização
social.
No item 3 discute-se o tema de estados de organização de redes, apresentando as
convergências e o leque de afirmativas dos autores brasileiros e internacionais. O objetivo é
explicitar as variáveis que mais contribuem para o estado de organização das redes, conforme
análises das afirmativas dos três paradigmas.
O item 4 apresenta a metodologia do trabalho, incluindo a descrição de características
do negócio de cooperativas habitacionais escolhidas como exemplos para investigação da
proposição primária e seus desdobramentos.
Nos itens 5 e 6 discorre-se sobre dados coletados e resultados alcançados.
O último item são os comentários finais.
A estratégia básica de pesquisa centra-se no estudo transversal das redes das quais as
cooperativas fazem parte. Como instrumentos de coleta utilizam-se roteiros de entrevistas,
questionários e técnicas de coleta de dados secundários. Como instrumentos de análise
utilizaram-se as regras técnicas de análise de discurso propostas por Carrieri e Rodrigues
(2001), Carrieri e Sarsur (2002), Silva e Brito (2004), Souza e Faria (2005) e Boas (2009), e a
21
análise de conteúdo proposta por Bardin (1977), conforme se verifica em estudos sobre redes
que discutiram e aplicaram as técnicas (CLEGG, HARDY E NORD, 2001, DELLAGNELO E
SILVA E VERGARA, 2005, DENZIN E LINCOLN, GODOI, BANDEIRA DE MELO,
SILVA e MATTOS, 2006).
As contribuições esperadas ao final do trabalho são de três ordens:
a) Contribuições teóricas, pois são poucos os trabalhos brasileiros que criaram modelos de
estados de redes.
b) Contribuições metodológicas, pois foram elaborados roteiros específicos para a
investigação do estado da rede, os quais não foram ainda completamente desenvolvidos e
validados na literatura nacional.
c) Contribuições gerenciais, propiciando informações da organização das redes, para gerentes
de redes e outros atores interessados, como o governo e instituições de fomento e
desenvolvimento, terem subsídio em seu trabalho.
A seguir será apresentado um trabalho de pesquisa bibliográfica sobre o tema de redes
tendo como campo de estudo o ramo imobiliário.
22
1. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE REDES TENDO COMO ESCOPO O RAMO
IMOBILIÁRIO
Neste item serão apresentados os esforços de autores nacionais e internacionais em
pesquisar o tema das configurações de redes, quando centram-se nas cooperativas,
especialmente as habitacionais. Considerando que o campo de pesquisa são as cooperativas,
foram incluídos os trabalhos que tratam do cooperativismo, quando ressaltam variáveis
semelhantes às utilizadas nos estudos sobre redes. Ao final pretende-se demonstrar que a
tendência da literatura é abordar os aspectos econômicos, como ganho de custos, deixando
como secundárias as variáveis sociais, mas que, conforme se defende neste trabalho, são tão
importantes quanto as econômicas na determinação de um estado de organização das redes.
Silva (1986) define o cooperativismo, ou sociedade cooperativa, como qualquer forma
de organização social ou econômica que tem por base o trabalho harmônico e conjunto.
Pereira et al. (2002) valorizam os aspectos sociais, afirmando que as cooperativas são
associações de pessoas, usualmente com recursos limitados, que se dispõem a trabalhar
coletiva e continuamente, apresentando interesses comuns, e que, por esse motivo, formam
uma organização democraticamente controlada, em que a confiança e a cooperação se tornam
fatores do desenvolvimento da organização. Essas afirmativas são bem próximas das
proposições do presente trabalho, pois apresentam interdependência, consciência de objetivos
coletivos, presença de regras sobre igualdade dos atores e presença necessária da confiança e
da cooperação.
1.1. Literatura internacional sobre o tema de redes centrado na construção cooperada
Neste item são apresentados e comentados artigos sobre o tema, buscando as
tendências e o leque de discussões. A pesquisa ocorreu a partir dos bancos de dados Proquest,
Ebsco e Portal Spell.
Como primeiro filtro buscaram-se trabalhos que continham no título ou no resumo as
expressões cooperatives, housing cooperatives, cooperative networks e housing cooperative
networks, encontrando-se 1.871.109.
Como segundo filtro especificou-se a busca para artigos acadêmicos que continham as
expressões nos títulos ou resumos, com data a partir de 1945, quando surgiram os primeiros
23
estudos sobre cooperativas habitacionais (BIERBAUM, 1985), diminuindo-se o número para
1.273.423 artigos.
Como terceiro filtro especificaram-se os títulos e os resumos de artigos acadêmicos que
continham as expressões e ao mesmo tempo com extensão sobre administração, ou seja,
classificados como do campo da Administração, eliminando-se, portanto, artigos de campos
não correlatos, como discussões de leis; o número passou a ser de 82.859. Esse número
representa 4% da produção acadêmica sobre cooperativas habitacionais, específicos sobre
Administração.
Finalmente, como quarto filtro especificaram-se as expressões combinadas de housing
cooperatives networks como trabalhos de Administração, encontrando-se 511, representando
0,004% do total.
QUADRO 1. PESQUISA SOBRE PRODUÇÃO INTERNACIONAL DO TEMA DE
REDES CENTRADO NA CONSTRUÇÃO COOPERADA
Filtros
Termos de busca
1º. Filtro
Trabalhos
nos
quais
aparecem as
expressões
no título ou
resumo
2º. Filtro
Artigos
acadêmicos
de
1945 em diante
nos
quais
aparecem
as
expressões
no
título ou resumo
Cooperatives,
Housing
cooperatives,
Cooperative
1.871.109
1.273.423
networks e
Housing
Cooperative
Networks
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
3º Filtro
Artigos acadêmicos
nos quais aparecem
as expressões nos
títulos e nos resumos,
especificamente em
trabalhos
de
Administração.
4º Filtro
Artigos acadêmicos nos
quais aparecem nos
títulos e nos resumos as
expressões
housing
cooperative
networks,
especificamente na área
de Administração.
82.859
4%
511
0,004%
Como se percebe, são poucos os trabalhos sobre o tema de redes de cooperativas
habitacionais na perspectiva de redes, apesar da importância social, econômica e gerencial do
tema. O fato motiva este trabalho, incluindo a tarefa de verificar se há tendência clara nos
artigos publicados. Na sequência apresentam-se comentários sobre trabalhos que apresentaram
contribuições mais relevantes ao projeto.
Segundo Boettcher (1974), o motor do movimento cooperativo é a valorização do
trabalho humano, e sua força de movimento são as relações de cooperação. O autor define a
cooperação como ação consciente e combinada entre sujeitos com vistas a determinado fim,
por exemplo o econômico, em que as atividades individuais dos sujeitos envolvidos são
coordenadas mediante negociações, discussões, arranjos e acordos.
24
Viadel (1984) salienta que as cooperativas habitacionais foram formadas com o intuito
de buscar elos permanentes entre as pessoas que procuravam moradias e as entidades
coorporativas, que as venderiam por preços mais baixos. O autor apresenta dados sobre a
importância das cooperativas habitacionais após as duas guerras mundiais. O cooperativismo
era uma das poucas alternativas de construção e reconstrução para a população, fundado na
união para combater um problema coletivo.
Para Briganti (1988), as cooperativas habitacionais buscam cada vez mais utilizar os
procedimentos das empresas privadas, mesmo com suas características distintas de entidade
sem fins lucrativos, com gestão baseada nas relações de comprometimento e cooperação.
Unchs (1989), Vakil (1991), Opkala (1992), Keivani, Werna e Sukumar (2001)
ressaltam que os fatores essenciais para o desenvolvimento das cooperativas habitacionais são
cooperação, comprometimento, facilidades de obtenção de financiamento e flexibilização dos
códigos de construção e compra de terrenos. Os fatores relacionais, como se constata, estão
presentes.
Macpherson (1995) analisa que o cooperativismo habitacional é uma associação
autônoma de pessoas que se unem voluntariamente, para satisfazer necessidades comuns e
aspirações econômicas, sociais e culturais, por meio de uma empresa de propriedade coletiva e
democraticamente gerida.
Berger (2000) pesquisou as diferenças de envolvimento das pessoas, governo e
empresas no cooperativismo habitacional da Europa Central e do Norte, concluindo que nesses
países houve menos participação. Os motivos apontados pelo autor foram a urbanização
atrasada e o assentamento rural.
No mesmo trabalho, Berger apresenta ideias para o desenvolvimento de programas de
habitação, o que incluía a cooperação e o comprometimento dos envolvidos, sociedade,
empresas e governo.
A tendência dos trabalhos citados é afirmar que as cooperativas são exemplos de ações
coletivas, em base democrática de decisão, na qual devem predominar comprometimento e
cooperação. Apresentam, portanto, eixos que definem as redes. Por outro lado, os artigos
indicam que as cooperativas por vezes seguem modelos empresariais, criando uma situação de
complicação em suas relações com outras organizações, pois agem como instituições sociais e,
ao mesmo tempo, como players em um jogo competitivo. O duplo papel resultaria em estado
especial de configuração das relações na rede na qual essas cooperativas participam.
Nessa situação, analisar a configuração das redes das quais as cooperativas fazem parte
é um trabalho interessante. Mais especificamente, torna-se relevante analisar os fluxos sociais
25
entre instituições que também competem entre si (como construtoras e cooperativas,
competindo na captação de consumidores).
A conclusão desse levantamento é que os autores convergem na afirmativa da presença
de variáveis sociais de relacionamento que movem as organizações envolvidas em habitação
no sistema cooperativo, ao mesmo tempo em que os objetivos financeiros e de produtos
organizam a gestão dos processos e das trocas entre os participantes.
No próximo item apresentam-se os resultados da busca nos bancos de dados de artigos
brasileiros.
1.2. Literatura brasileira sobre o tema de redes centrado na construção cooperada
Neste item apresenta-se o resultado do levantamento dos estudos sobre redes de
cooperativas habitacionais na literatura brasileira; foram utilizados os bancos de dados portal
Spell, Google acadêmico, portal Scielo, portal periódicos Capes e portal Enanpad.
Como primeiro filtro pretendeu-se localizar os trabalhos que continham no título ou no
resumo as expressões cooperativas, cooperativas habitacionais, redes de cooperativas e redes
de cooperativas habitacionais; foram 28.764.
Como segundo filtro especificou-se a busca para artigos acadêmicos que continham as
expressões nos títulos ou resumos, com data a partir de 1945, quando surgiram os primeiros
estudos sobre cooperativas habitacionais, diminuindo-se esse número para 23.721 artigos.
O terceiro filtro especificou títulos e resumos de artigos acadêmicos que continham as
expressões, classificados como do campo da Administração e ciências afins, eliminando-se,
portanto, artigos de campos não correlatos, como discussões de leis. O número passou a ser de
387, representando 2% do total dos trabalhos a respeito de cooperativas habitacionais
específicos em Administração.
Finalmente, o quarto filtro especificou as expressões combinadas de cooperativas
habitacionais e redes como trabalhos de administração; foram encontrados 17, o que
representa 0, 0006% do total.
Os dados indicam que o tema das redes em cooperativas habitacionais é pouco
investigado, embora tenha sua importância social, econômica e política.
26
QUADRO 2. PESQUISA SOBRE PRODUÇÃO BRASILEIRA DO TEMA DE REDES
CENTRADO NA CONSTRUÇÃO COOPERADA
Filtros
Termos
busca
de
Cooperativas,
Cooperativas
habitacionais,
Redes de
cooperativas,
Redes de
cooperativas
habitacionais
1º. Filtro
Trabalhos
nos
quais
aparecem as
expressões
no título ou
resumo
2º. Filtro
Artigos
acadêmicos de
1945
em
diante
nos
quais
aparecem as
expressões no
título
ou
resumo
3º Filtro
Artigos acadêmicos nos
quais
aparecem
as
expressões nos títulos e
nos
resumos,
especificamente
em
trabalhos
de
Administração.
4º Filtro
Artigos acadêmicos nos
quais aparecem nos títulos e
nos resumos a expressão
redes
de
cooperativas
habitacionais,
especificamente na área de
Administração.
28.764
23.721
387
17
0,0006 %
2%
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
O primeiro estudo sobre redes e cooperativas habitacionais aparece com Pinho (1962),
que afirma que nas cooperativas habitacionais no Rio Grande do Sul existe a forte presença da
cooperação entre os associados e da parceria e comprometimento do governo local.
No trabalho de Perrow (1992), a confiança, cooperação e comprometimento
representam papel central para a cooperativa obter vantagens quando comparada às
construtoras, pois se forma um ambiente favorável de trocas de informações sobre o mercado e
sobre os processos, gerando vantagens competitivas, como custos e diferenciação de produto.
Conforme se interpreta, o autor se refere a estados de organização das redes, quando se
consideram a presença e o grau de desenvolvimento de variáveis como compartilhamento de
informações e relações de longo prazo.
Bonduki (1997) lembra que o cooperativismo habitacional pode ser compreendido
como forma de gestão das políticas públicas e sociais, pois se funda na ação coletiva de várias
instituições, do governo e da sociedade, sem fins lucrativos, e que desenvolvem atividades de
caráter social de modo compartilhado com o Estado. São afirmativas coerentes com o conceito
de policy networks que, segundo Borzel (2008), são redes de implantação de políticas
públicas, com formas específicas de governança.
Kalil (2001) ressalta que o fator preponderante para o desenvolvimento de cooperativas
habitacionais no Rio Grande do Sul foi a relação social entre os cooperados. Esse trabalho
merece destaque, pois afirma uma relação causal estrita entre os sinais de resultados e o
27
desenvolvimento de relações sociais. Autores como Gulati (1998) dizem que a relação não é
estrita, mas retroalimentada, não sendo tão importante conhecer a ordem causal.
Pereira (2003) discute a regra legal de que as cooperativas habitacionais deverão, com
os associados, trabalhar com igualdade de autonomia, não sendo permitida a subordinação
entre os membros diretores e associados. A regra explicita as atividades cooperativistas como
decorrentes da confiabilidade, cooperação e comprometimento entre os participantes. Há aqui
a noção de rede porque, além do relacionamento entre as pessoas, existe a governança dos
atores, regendo a liberdade do comportamento.
Segundo Santos (2005), as cooperativas habitacionais auto gestoras se caracterizam
pela participação, consciência de qualidade de vida e preservação ambiental. A participação é
indicativa da interdependência e consciência de ação coletiva, variáveis que caracterizam as
redes. Souza e Quandt (2008) definem redes de cooperativas habitacionais como estruturas
dinâmicas e complexas, com objetivos comuns e ligações descentralizadas, predominando as
relações de cooperação e trocas. Reafirmando, Borzel (2008) lembra que as redes de
cooperativas caracterizam-se por ter um objetivo comum, uma teia de relacionamentos
estáveis, de natureza não hierárquica e interdependente, com o predomínio da cooperação.
Esses autores mostram que relacionamentos estáveis, ausência de hierarquia fortemente
estabelecida e existência de objetivos coletivos seriam características de redes bem
organizadas.
1.3. Conclusões sobre tendência e leque de temas de pesquisas sobre redes centrados na
construção cooperada
Com os dados apresentados, os estudos sobre redes tendo como campo as cooperativas
habitacionais podem ser reunidos em dois grandes grupos:
a) Os estudos que ressaltam a via econômica para a consecução de objetivos de caráter
econômico e social, nos quais os participantes gerenciam unidades econômicas para a
aquisição de bens destinados à construção de habitações. Essa linha segue os princípios do
paradigma racional econômico de redes, resumidamente comentado na introdução e
desenvolvido no item de base teórica.
b) Os estudos que ressaltam as redes nas quais estão inclusas as cooperativas como grupos de
fomento de cooperação e comprometimento entre os participantes. Ressalta-se o papel
social das cooperativas e os objetivos igualmente sociais que existem nas relações entre as
28
instituições. Os estudos mostraram que a valorização do social, no entanto, nem sempre
está presente, principalmente quando uma cooperativa decide agir muito mais em função de
um papel de competidor no mercado do que de instituição social.
Nos estudos da segunda linha encontraram-se variáveis, como confiança e cooperação,
colocadas como pilares da organização da rede.
A revisão bibliográfica buscou levantar e analisar a tendência e o leque de afirmativas,
teorias, explicações e temas sobre redes, que colocam como campo as cooperativas
habitacionais na literatura internacional e nacional, buscando as possíveis variáveis que
explicam o desenvolvimento e o estado de organização das redes.
O resultado da análise é que os artigos dividem-se entre ganhos econômicos que as
cooperativas podem obter ao participar das redes, como redução dos custos; aumento das
economias de escala, escopo e especialização, melhoria do poder de barganha e ampliação de
mercados; e processos sociais quando se coloca o centro no objetivo coletivo de sanar o
problema de habitação, aqui aparecendo variáveis como confiança, cooperação e
comprometimento, afirmadas como essenciais na organização dos estados de redes. A segunda
linha, dos processos sociais, é a escolha de desenvolvimento neste trabalho.
Um ponto que chamou a atenção nos artigos brasileiros é que estão presentes as
palavras que indicam o formato de rede, como cooperação, comprometimento, gestão
cooperada; mas os autores não utilizam a expressão rede e não utilizam teorias de redes. Outro
ponto de destaque foi a presença mais forte de trabalhos do sul do País, talvez em decorrência
da cultura associativista de seus habitantes, o que parece facilitar ações coletivas com base na
confiança.
Foi possível estabelecer ligação entre estudos sobre redes e estudos sobre
cooperativismo, que aparecem separados na literatura. A cultura associativista é definida por
Coleman (1988) como seu capital social. Um grupo tem capital social elevado quando é capaz
de estabelecer objetivos comuns de médio e longo prazo, os quais geram coesão e sinergia de
esforços. Coesão grupal, portanto, seria um dos indicadores de organização das redes.
Conforme Putnam (1996), o cooperativismo habitacional no Rio Grande do Sul deve
ser entendido como processo específico, fundado na pluralidade de práticas sociais com raízes
históricas (experiências cooperativas derivadas de grupos étnicos europeus). Essas práticas
têm por base reciprocidade, confiança e respeito ao outro. Além da característica cultural,
políticas públicas locais criaram programas de desenvolvimento de redes de negócios.
Segundo o mesmo autor, as redes locais, incluindo cooperativas, mostram uma junção de
29
elementos, como confiança, comprometimento e coesão social, civismo, lutas e projetos
conjuntos, que facilitam a cooperação para o benefício mútuo na sociedade.
Outra convergência verificada na análise bibliográfica é que as variáveis de
relacionamento, como confiança e cooperação, foram elencadas como essenciais na
configuração do estado de organização das redes, o que reforça a sua seleção na construção do
quadro de variáveis a serem utilizadas na pesquisa.
Considerando as conclusões sobre os artigos analisados, a proposta deste trabalho é
apresentar, discutir e defender a ideia de estados de organização de redes a partir de um
conjunto de variáveis mais citadas nos trabalhos, mas que ainda não formam um conjunto ou
modelo.
Para a tarefa ser levada adiante deve-se apresentar os conceitos de redes que suportam
a proposição e o modelo.
30
2. CONCEITOS DE REDES
Neste item são apresentados os paradigmas e principais conceitos de redes, com o
objetivo de se escolher o caminho teórico que sustenta a proposta. São descritos os três
grandes paradigmas que aglutinam os estudos sobre redes: paradigma racional-econômico;
paradigma social e o emergente paradigma da sociedade em rede, e são apresentados os
argumentos selecionados para o projeto.
As afirmativas sobre redes variam desde conceitos básicos, formas de grupamentos,
gerência de grupo, resultados e motivos de fracassos. Thorelli (1986) conceitua rede como um
número de nós ou ligações entre atores, em que cada um, dinamicamente, ajuda a melhorar a
posição do outro dentro da rede. Miles e Snow (1978) descrevem as redes como combinação
de estratégia, estrutura e processos de gestão.
Jarillo e Ricart (1988) fazem referência à existência dos primeiros trabalhos sobre
redes ainda na década de 1960, ligados às organizações sem fins lucrativos. Naquele período
não se associava a temática da estratégia e da competição entre empresas à constituição de
redes. Com a mudança, as redes passam a ser afirmadas como acordos de longo prazo, com
objetivos definidos, unindo diferentes empresas que se relacionam e permitem ganhar, ou
sustentar uma vantagem competitiva em relação a seus competidores fora da rede. Nohria e
Eccles (1992) frisam que redes são conexões entre empresas, usadas para construir
relacionamentos para obter vantagens.
Em uma visão de serviços, Ohmane (1989) ressalta que as redes são instrumentos para
atender consumidores em ambiente global.
Ebers e Jarillo (1998) listam e respondem a três perguntas sobre construção e formato
de redes pelas empresas. A primeira pergunta, como e por que as empresas constroem redes, é
a que importa neste projeto. Segundo os autores, o “como” está diretamente imbricado ao
desenvolvimento de relações sociais, e o “por que” refere-se a objetivos econômicos e
estratégicos. Os autores utilizam, portanto, afirmativas do paradigma racional e do social.
Wasserman e Faust (1994); Scott (2000); Mizruch (2006) e Lazzarini (2008) assinalam
que para a análise das redes é importante verificar as propriedades estruturais, como
centralidade, equivalência estrutural, densidade e coesão.
Uma convergência entre os autores citados é que as redes de empresas são formadas
com o objetivo de reduzir incertezas e riscos, organizando atividades sociais e econômicas
entre os atores, tendo como fatores primordiais coordenação, troca de informações e
cooperação entre as empresas participantes.
31
Anderson, Hakansson e Johanson (1994) mostram que as redes de negócios podem ser
definidas como conjunto de empresas, ou atores, conectados por relacionamentos, e que cada
díade (relação entre dois atores) estaria conectada a outros atores, formando a estrutura da
rede.
Grandori e Soda (1995) definem redes como formas de organização da atividade
econômica por meio de ações de coordenação e cooperação entre empresas, baseadas ou não
em contratos formais. Conforme os autores, o formato em rede não é hierárquico e não é de
mercado, sendo uma terceira forma de organização entre empresas.
Castells (1995) definiu rede como o conjunto de nós interconectados, sendo o nó o
ponto de encontro entre atores, o que permite o fluxo de informações. No mundo empresarial,
a conexão entre os nós, realizada pelos fios, pode ser entendida como as relações entre os
agentes envolvidos. Essas relações são de natureza comercial ou social. Fombrun (1997)
caracteriza a rede como conjunto de fluxos, como recursos e informações, entre os nós, os
quais podem ser os indivíduos, grupos e organizações. O fator social presente nas relações de
negócios também foi afirmado por Gulati e Gargiulo (1998).
Como se verifica, os autores colocam frases sobre aspectos econômicos, sociais e
políticos para definir redes. As interfaces serão detalhadas nos subitens seguintes.
Sacomano Neto e Truzzi (2004) enfatizam que as redes são formadas por relações
cooperativas, igualmente entendidas como strong ties. Essas relações abrangem normas de
confiança, previsibilidade das relações e contratos de longo prazo, possibilitando maior troca
de informações, maiores ligações e reciprocidade, influenciando as inter-relações dos atores da
rede.
Na linha de investigação da estrutura, Hakansson e Ford (2003) estabelecem que uma
rede apresenta nós com ligações específicas, não sendo possível generalizar a estrutura de
redes. Essa afirmativa é interessante para o atual projeto, pois possibilita a tarefa de se
examinar diferenças entre os nós das redes em que distintas cooperativas estão imersas.
Investigando redes de cooperativas, Machado Filho e Zylberstajn (2004) afirmam que
sua eficiência está fundada na confiança, comprometimento e cooperação relacional. A mesma
ideia de fidelidade e reciprocidade é frisada por Zaccarelli (2005) ao defender a rede como a
unidade competitiva. As variáveis são valorizadas no atual projeto, principalmente confiança e
comprometimento.
Balestrin e Vargas (2004) concordam que as organizações em redes mantêm interações
e interdependência, valorizando as variáveis sociais (cooperação e comprometimento),
32
influenciadoras das relações de negócios, como troca de informação, conhecimento e
aprendizagem.
Conforme os autores citados, uma das principais características do atual ambiente
organizacional é a necessidade (e o fato) de as empresas atuarem de forma conjunta, surgindo,
como resultado de investigações, modelos baseados em itens como associação, reciprocidade,
troca, cooperação, utilizando os conhecimentos da Sociologia e Economia. Um dos aportes da
Sociologia é a noção de consciência da necessidade de ação coletiva, e um dos aportes da
Economia é a conjugação de recursos individuais.
Para ser suficiente aos novos fatos das ações coletivas de negócios é essencial ir além
de sistemas explicativos de causa e efeito. O conceito de embeddedness de Granovetter (1985),
por exemplo, coloca a indissociabilidade de relações sociais e econômicas. A sociedade atual é
uma teia de seres humanos que partilham interesses comuns, ligados por laços e nós que
facilitam a comunicação e a troca de experiências entre si. Essa é a ideia básica de uma
sociedade em rede.
Existem estudos sobre classificações de redes. Um dos mais referenciados é de
Grandori e Soda (1995), que utilizaram os eixos de graus de formalização e posição na rede,
distinguindo redes sociais, burocráticas e proprietárias. Para este projeto interessa a parte em
que os autores comentam sobre estados de evolução de redes, conforme a dominância de
governança formal ou informal; existência de incentivos e controles; e existência de
assimetrias.
Esta análise inicial mostrou que existem diferentes concepções de redes a partir de
princípios distintos, como visão econômica, estrutural ou relacional. No próximo item
explicitamos os paradigmas dominantes sobre redes.
2.1. Paradigmas de redes
Neste item são apresentados sumariamente os princípios dos paradigmas sobre redes.
Nas revisões bibliográficas sobre os conceitos de redes (TICHY, TUSHMAN,
FOMBRUN, 1979; EBERS, JARILLO, 1997; GIGLIO, KWASNICKA, 2005), foram
encontrados três paradigmas; o primeiro valorizando os princípios racionais e econômicos de
se construir e participar de uma rede de negócios; o segundo ressaltando os aspectos sociais
que influenciam as relações de negócios, e o terceiro, ainda pouco reconhecido como
paradigma, mas muito citado, valorizando uma nova estrutura social na forma de redes.
33
Os três paradigmas abrigam amplo leque de teorias e metodologias. No paradigma
racional-econômico, por exemplo, encontram-se teorias econômicas, baseadas em conceitos de
custos de transação (WILLIAMSON, 1985); teoria dos jogos e teoria das escolhas limitadas
(CLEMENT, 1994); no paradigma social-técnico encontram-se teorias sobre governança e
sobre imersão social (UZZI, 1997); sobre conflitos de interesses (ROWLEY, 1997); no
paradigma da sociedade em rede encontram-se teorias da ação coletiva de grandes grupos nas
quais se trata do conjunto das crenças e dos sentimentos comuns a uma mesma sociedade que
forma um sistema determinado e com vida própria (OLSON, 1971 e WEBER, 1982), e as
teorias do rizoma (MATURANA, VARELA, 1987).
A seguir são resumidos os princípios desses paradigmas e as variáveis mais citadas
como principais na organização das redes.
2.1.1. Paradigma racional-econômico
A afirmativa básica deste paradigma é que as questões econômicas, como custos, são o
motor das associações em redes de negócios. Os empresários produzem análises racionais das
vantagens de se associar em redes e agem em função das análises. Um autor muito
referenciado é Williamson (1991), com afirmativas sobre a teoria de custos de transação.
O princípio de natureza humana presente neste paradigma é da racionalidade do ser
humano, sua capacidade de escolha, mesmo quando limitada (CLEMENT, 1994). O leque de
teorias dentro do paradigma inclui abordagens estritamente econômicas, como a teoria dos
custos de transação até teorias com laços na Psicologia, como a teoria da racionalidade
limitada e teorias de governança. Um exemplo deste último caso é o artigo de Van de Ven
(1976), no qual o autor afirma que os fatores de organização de uma rede são a necessidade de
recursos e o compromisso para resolver problemas coletivos.
Os autores que seguem o paradigma racional econômico afirmam que a rede é uma
construção racional e planejada, visando resolver os problemas de competição, como a falta de
acesso a recursos. Para Oliver (1990), por exemplo, entre os fatores que determinam a
formação das redes estão a dependência de recursos, reciprocidade e eficiência.
Rudberg e Olhager (2003) endossam que as redes são planejadas, construídas e
mantidas pelas empresas com intuito estratégico, ou seja, redes controladas por uma
governança, um conjunto de regras de participação, benefícios e sanções, limites e papéis
definidos, com objetivos econômicos e estratégicos. Entre os objetivos econômicos podem ser
citados poder de compra, barreiras de entrada na rede e custos baixos.
34
As ideias implícitas nas afirmativas desses autores é que a organização, ou estado, ou
forma de uma rede dependem das regras de trocas de recursos e dos controles dos
comportamentos oportunistas. As variáveis sociais, como confiança, são consideradas
resultado ou consequência das ações econômicas conjuntas.
Conforme se depreende da análise, para os objetivos deste projeto há suporte à escolha
de duas variáveis que caracterizam o estado de organização das redes: a simetria ou assimetria
de objetivos coletivos e individuais; e a existência de uma governança formal.
2.1.2. Paradigma social
A afirmativa básica deste paradigma é que as relações sociais são uma espécie de pano
de fundo de todas as relações existentes na rede, surgindo variáveis como confiança,
comprometimento e cooperação, que se unem indissociavelmente entre os atores.
Um autor significativamente referenciado é Granovetter (1994), com seu conceito de
imersão (tradução livre de embeddedness), referindo-se ao imbricamento entre as relações
sociais e econômicas, ressaltando que os fatores econômicos e tecnológicos estão imersos em
relações sociais e por elas são influenciados. As relações seriam caracterizadas como laços
fortes e laços fracos.
Conforme Granovetter (1973, 1983 e 2005), a imersão, conexão e força dependeriam
da densidade de relacionamentos entre os atores. Os laços fortes, nessa concepção, seriam
aqueles nos quais há maior proximidade entre pessoas, ou seja, interagem mais vezes e criam
fluxos repetitivos. Os laços fracos são formados por relações menos repetitivas, a frequência
não é constante e os fluxos são diversos.
Assim, as leituras dos textos de Granovetter (1973, 1983 e 2005) permitem deduzir que
os laços fortes apresentam as vantagens da possibilidade de surgirem e se manterem os sinais
de confiança, comprometimento e solução de conflitos de interesses. Os laços fracos, por sua
vez, apresentam as vantagens do aumento das fontes de conhecimento, com possibilidades de
se criarem inovações e novas oportunidades para a rede.
O princípio de natureza humana que está por trás do paradigma são a cultura e as
regras sociais, gradativamente inscritas no comportamento do sujeito, pois cada ser é o
resultado das influências de grupo a que está subordinado.
Granovetter (1985), Nohria e Ecles (1992) e Uzzi (1997) mostram que a relação social
é como pano de fundo do comportamento empresarial. A ideia de imersão social e econômica
35
do ator na rede, originada e desenvolvida a partir do conceito de embeddedness de Polanyi
(1947) e Granovetter (1985), está estreitamente vinculada ao tema do oportunismo. Quanto
mais comprometido estiver o ator na rede, menos propenso estará a comportar-se de maneira
oportunista, isto é, colocando objetivos pessoais acima dos coletivos.
Nessa perspectiva, as relações sociais são definidas como situações envolvendo dois ou
mais atores, em que conteúdos de aproximação (como sinais de confiança), ou conteúdo de
distanciamento (como sinais de luta de poder) formam o elo, ou nó.
Uzzi (1997) apresentou argumentos que auxiliam a compreensão da importância das
relações sociais nos estados da rede. Seguindo as ideias de laços fortes e fracos, frisa ainda que
os laços fortes implicam proximidade e segurança entre os atores, diminuindo a burocracia nas
decisões; mas, por outro lado, limitam as ações e inovações do grupo.
Conforme se depreende da análise, para os objetivos deste projeto há suporte para a
escolha de seis variáveis que caracterizam o estado de organização das redes: imersão,
presença e dominância de laços fortes e fracos, comprometimento, confiança, cooperação e
governança informal.
2.1.3. Paradigma da sociedade em rede
O terceiro paradigma ainda é pouco comentado e reconhecido na academia, mas
existem argumentos e exemplos suficientes para caracterizar uma posição distinta das duas
anteriores. O paradigma da sociedade em rede valoriza e afirma nova estrutura social baseada
em redes, tendo a tecnologia como base instrumental. Teorias da Sociologia de grandes grupos
e teorias da comunicação formam bases para artigos e temas recorrentes, como estudos sobre
redes sociais.
Como os negócios (e a sociedade) estão configurados no formato em redes, a diferença
entre grupos de empresas que atuam em conjunto estaria em um estado de organização de
certas variáveis, como trocas de informações e regras de controle de comportamentos.
Os argumentos teóricos da sociedade em rede estão fundamentados em autores
frequentemente citados na literatura mundial, como Granovetter (1985), Nohria e Ecles
(1992), Uzzi (1997) e Castells (1999). O princípio geral comum aos autores é que toda
empresa está em rede, tenha ou não consciência da situação; utilize ou não suas conexões. O
ponto de conjunção para a formação de nós é a interdependência, que significa a necessidade
de as organizações agirem em conjunto, pois isoladas não têm os recursos e não conseguem
realizar todas as tarefas.
36
Para Castells (2006), a sociedade em rede é uma estrutura social baseada em redes,
sejam tecnológicas, de comunicação, informação e redes digitais; que geram, processam e
distribuem informação a partir de conhecimento acumulado nos nós dessas redes. A ideia de
uma sociedade interconectada aparece em Nohria e Eccles (1992); Castells (1999) e Rudberg e
Olhager (2003), na afirmativa básica de que as empresas e a sociedade atual caracterizam-se
por sua estrutura em rede, as quais se repetem e se reorganizam nas várias subredes.
A ideia de um mundo conectado não é nova e nem exclusiva desses autores, encontrada
nos trabalhos de Husserl (1975) sobre a indissociabilidade do sujeito e objeto; de Fromm
(1987) sobre a necessidade de vida em conjunto; de Merleau-Ponty (1994) sobre a percepção
com construção das relações entre sujeitos e objetos. Mais recentemente, a ideia de
interconexão foi defendida por Maturana e Varela (1995) e Latour (2005).
Apesar de a ideia não ser nova, no campo de redes de negócios ela se coloca como
distinta dos paradigmas racionais e sociais, sendo aceita neste projeto. Uma das vantagens
desse paradigma é resolver de maneira mais clara e explícita a divisão do “dentro e fora” da
rede, substituindo por uma noção de estado de organização das relações entre organizações. O
conjunto de nós, com sua natureza, força, conteúdos e frequência, determinaria um estado de
organização de redes, algumas pouco desenvolvidas (um estado latente, por exemplo), outras
mais estabelecidas (com papéis e laços mais constantes).
Outra vantagem considerável desse paradigma, em seu princípio de que todas as
organizações estão em rede, é a consequência da possibilidade de se escolher qualquer
empresa para uma investigação, independentemente da sinalização de pertencer a uma rede
formalizada.
Conforme se depreende da análise, para os objetivos deste projeto há suporte à escolha
de três variáveis que caracterizam o estado de organização das redes: interdependência, formas
de comunicação e consciência de ação coletiva.
A partir dos três paradigmas encontram-se várias teorias e modelos de representação
das redes, ora valorizando a estrutura, ora a dinâmica, os estágios evolutivos e os estados de
organização. Grandori e Soda (1995), por exemplo, ressaltam que o estado de organização das
redes depende da dominância mais formal, ou mais social, da governança.
Para Balestrin e Vargas (2004), as variáveis seriam a natureza das trocas (técnica,
social, institucional) e a governança.
O Quadro 3 mostra um resumo dos princípios que caracterizam os três paradigmas e a
indicação das variáveis mais comentadas e investigadas.
37
QUADRO 3. COMPARATIVO DOS TRÊS PARADIGMAS SOBRE REDES DE
NEGÓCIOS EM SEUS PRINCÍPIOS E VARIÁVEIS
Paradigma
Categoria
Natureza
humana
Afirmativa
básica
Exemplos de
teorias
Objeto de
estudo
Objetivos de
pesquisa mais
frequentes
Variáveis
principais
após análise
Racional-Econômico
Social
Sociedade em Rede
Racional, com
processos de escolha;
racionalidade limitada.
A rede se forma por
motivos e objetivos
econômicos.
Social, as ações do sujeito
são determinadas pelo
ambiente social.
As redes se formam e se
desenvolvem a partir de
relações sociais; cada ator
está imerso e comprometido
na rede.
Dinâmica de pequenos
grupos, Teoria da
Comunicação.
O ser está imerso em múltiplas
relações, que determinam em
parte seu comportamento.
Todas as empresas estão em
rede, tenham ou não
consciência, utilizem ou não
suas conexões.
Relações sociais na rede.
Fluxo entre os atores da rede.
Verificar como temas sociais
específicos, como confiança,
afetam a estrutura e a
dinâmica das redes.
Descrever processos de fluxos
sociais e econômicos de redes
em qualquer estado ou estágio
de desenvolvimento.
Imersão, comprometimento,
confiança, cooperação,
Laços fortes e fracos;
Governança informal.
Interdependência, formas de
comunicação,
Consciência sobre ação
coletiva e sobre existência de
redes.
Custos de Transação,
Racionalidade de
Escolhas, Teoria dos
Jogos.
Variações econômicas
na rede.
Relacionar a variável
econômica com outras
variáveis, como
inovação e
aprendizagem.
Assimetria de recursos
e de objetivos;
Governança formal
Sociologia de grandes grupos,
Teoria da Comunicação.
Fonte: Adaptação do autor, a partir das análises (2014).
Além dessas variáveis, devem ser consideradas as variáveis de estrutura e dinâmica das
redes, relativamente independentes da filiação a um paradigma.
Entre as variáveis de estrutura de rede, constantes em trabalhos de Burt (1992), Gulati,
Ebers e Jarillo (1998) e Mintezberg (2003), seleciona-se a variável centralidade, que significa
atores com mais nós, mais conexões; a variável posição específica de um ator na rede e as
variáveis relações horizontais e relações verticais. As variáveis aparecem em inúmeros
trabalhos brasileiros que buscam desenhar a estrutura da rede, como os de Casarotto e Pires
(1999), Hoffman (2004) e Wegner (2011).
Entre as variáveis de dinâmica da rede, constantes em trabalhos de Grandori e Soda
(1995), Gemser, Leenders e Wijnberg (1996), Castells (1999) e Gulati et al. (2000), selecionase a variável assimetria, que já aparece subdividida nos paradigmas racional e social; e a
variável imersão, que tem componentes sociais (imersão social), racionais-econômicos
(imersão econômica) e de outras naturezas (imersão institucional).
Resumindo o trabalho de análise e seleção das variáveis chega-se ao seguinte conjunto,
conforme o Quadro 4.
38
QUADRO 4. VARIÁVEIS MAIS CITADAS QUE CARACTERIZAM O ESTADO DE
REDES
Origem
Revisões críticas/modelos
genéricos
Paradigma racionaleconômico
Paradigma social
Variável
Assimetria
Laços fortes e fracos
Assimetria de recursos
Assimetria de objetivos
Coletivos x individuais.
Comprometimento x oportunismo
Confiança x reserva
Cooperação x conflito
Paradigma sociedade em
rede
Formas de comunicação
Consciência de ação coletiva e de
existência de redes
Interdependência
Estudos sobre estrutura
Tamanho da rede e posição do
ator na rede
Redes horizontais e verticais
Estudos sobre dinâmica de
Dominância de governança
relações
formal x informal
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
Autores mais referenciados
Grandori e Soda (1995) e Hakanson
(2003),
Granovetter (1973),
Hakanson (2003),
Simmel (1950), Burt (2013) e
Krackhardt (1987).
Gulati (1998),
Gulati (1998),
Easton (1965) e Araújo (2011).
Castells (1995),
Nohria e Ecles (1992),
Araujo, Dubois e Gaddes (1999).
Burt (1992),
Marcon e Moinet (2000).
Grandori e Soda (1995).
Antes de entrar na discussão dos estados de redes, é importante escrever sobre o
paralelismo entre teorias de rede e conceitos de cooperativismo.
Os conceitos sobre cooperativismo surgiram a partir de pesquisas de antropólogos e
sociólogos como Malinowski (1978), Boas (2009) e Radcliffe Brown (1980) sobre diversas
culturas. A tese é que a essência das relações sociais se daria pela dádiva, entendida como
práticas de dar, receber, trocar e presentear, caracterizando a reciprocidade.
Para Caillé (2002), a tese se aproxima das ideias de Durkheim, pois as práticas indicam
sempre relações coletivas cujos significados se dão pela cultura e moral estabelecidos pelos
indivíduos, organizados em grupo, trazendo um fio condutor, a “aliança”, muito próxima à
ideia de “laços” de Mauss (2003).
Entre os valores que guiam as ações cooperadas existe convergência na literatura
sobre: (A). Uso da riqueza em benefício de todos; (B). Incentivo à solidariedade; (C). Respeito
aos méritos e esforços individuais; (D). Ação orientada pela racionalidade; e (E). Combate ao
egoísmo. São itens que nos conceitos de redes aparecem como racionais (ação orientada pela
racionalidade), ou como sociais (incentivo à solidariedade).
Para Benato (1995), o cooperativismo fundamenta-se em ideais humanitários de
liberdade, solidariedade e racionalidade, elementos básicos para as ações coletivas e
igualitárias, o que Singer (1998 e 2002) ratifica, ao assinalar que o cooperativismo é
conceituado como outro modo de produção e distribuição de riquezas, cujos princípios são a
39
propriedade coletiva e o direito à liberdade individual, no qual as cooperativas e empresas
autogeridas são as unidades básicas de sustentação.
Segundo Caillé (2002), ao se preocupar com solidariedade, dádiva e cooperação, os
homens devem, primeiramente, se reconhecer como membros da mesma sociedade; e para
haver ações coletivas deve existir uma consciência de as pessoas pertencerem a um grupo,
determinando laços sociais indissolúveis com a perspectiva de se atingir objetivos comuns a
todos. Essa afirmação tem relação com a variável consciência da necessidade de ação
coletiva, valorizada nos estudos sobre redes.
Mauss (2003) lembra que os fundamentos da solidariedade e da aliança nas sociedades
contemporâneas representam um conjunto de crenças e de sentimentos comuns entre os
membros de uma mesma sociedade, tendo como regra básica o “dar-receber-retribuir”, cuja
presença de uma obrigação coletiva deve se impor sobre a liberdade individual, formando um
sistema de relacionamentos de troca e reciprocidade entre os atores.
Considerando o que afirmam os autores citados, a ideia convergente é que a prática
cooperativista surge como processo no qual os membros de determinados grupos se ajudam e
confiam uns nos outros para atingir determinado objetivo; cada um por si, não teria ser
atingido. O funcionamento cooperativista apresenta sinais de interdependência (a ação de um
influencia a ação do outro; e cada um depende dos recursos do outro); comprometimento
(colocar o objetivo coletivo acima do objetivo pessoal); democracia (não há hierarquia, a não
ser que os próprios cooperados a criem) e trocas (de experiências e recursos). Conforme se
verificou nos itens anteriores, as variáveis estão presentes nos conceitos sobre redes, indicando
uma possível interface entre os dois temas. Quando os estudos de ambas as áreas centram-se
nas relações sociais, as variáveis confiança, comprometimento e cooperação são colocadas
como centrais.
Buscar a aproximação entre os conceitos de cooperativismo e de redes é tarefa
importante neste projeto. Até aqui, argumentos da Sociologia, Economia e Psicologia, como
relações sociais, objetivos coletivos e confiança, aparecem nos dois campos. E nesses campos
científicos há uma corrente de valorização das ações coletivas - de negócios, sociais ou de
políticas públicas. Nos formatos que recuperam as ações coletivas, surgem temas de pesquisas
sobre vantagens, problemas, controles e resultados de grupos coletivos. Na verdade, o tema
das ações coletivas se destaca cada vez mais em congressos e revistas da Administração, sendo
intitulados como economia da comunhão, fair trade, comércio solidário, redes de cooperação,
policy networks, sociedade em rede, entre outros. O projeto, portanto, segue a trilha de
crescente interesse.
40
Um ponto de união entre o cooperativismo e redes foi descrito por Singer (1998).
Segundo o autor, a partir da década de 1990 um novo conceito em economia e organização
social aparece sob o título de redes de negócio, inspirado nas experiências do cooperativismo.
A nova ética estaria baseada na autogestão e associativismo: pessoas e empresas se uniriam
em favor de um empreendimento, aplicando noções de mútua cooperação, trabalho coletivo e
organização horizontal, pois não haveria hierarquia entre os membros, todos igualmente
responsáveis pela produção.
O atual projeto busca aproximações entre cooperativismo e princípios de redes, na
convergência das variáveis racionais, econômicas e sociais que contribuem para o estado da
rede.
No próximo item discute-se a ideia de estados de redes, decorrente da afirmativa da
sociedade em rede, para a tarefa de escolha das variáveis que definem os estados.
41
3. DISCUSSÕES SOBRE O ESTADO DE REDES
Conforme discutido anteriormente, existem afirmativas e sinais do que seria um estado
de rede, mas os autores não são explícitos quanto ao tópico. Predomina a visão de
continuidade, desenvolvimento e estágios.
Neste projeto, no entanto, adota-se a ideia de diferentes arranjos dos atores dos
negócios, em uma análise transversal, considerando as variáveis mais citadas na literatura,
conforme se apresentam no Quadro 4.
Como as redes se caracterizam por não existir hierarquia e comando centralizado (a
não ser em casos em que os próprios atores decidiram que assim deveria ser), entende-se que a
organização do grupo depende basicamente da forma e conteúdo das relações econômicas e
sociais.
Piore e Sabel (1984) e De Souza (1993) ressaltam que as relações na rede facilitam a
emergência de cooperação e indicam a crescente divisão de trabalho, com trocas de
informações. A presença das variáveis e seu grau de desenvolvimento caracterizaria um estado
de organização das redes.
Jarillo (1988) descreve as redes como acordos de longo prazo, com propósitos claros,
entre empresas distintas, mas relacionadas e interdependentes, que permitem àquelas empresas
criar, estabelecer ou sustentar vantagens em relação às empresas fora da rede. Os objetivos e
os relacionamentos de longo prazo caracterizariam redes maduras e estáveis. A presença dos
objetivos é indicador importante para o projeto atual, mesmo não usando o argumento de
“dentro e fora” da rede.
Cohen e Levinthal (1990) conceituam que os processos de uma rede dependem dos
atores que nela atuam, com conhecimentos, cooperação e comprometimento. Isso seria
considerado fatores primordiais de organização da rede, como a capacidade de coordenar
recursos dentro e fora da organização.
Segundo Wasserman e Faust (1994), as regularidades ou padrões de ligações entre os
atores são denominadas “estruturas”. As ligações podem ser de qualquer tipo de
relacionamento
entre
os
atores,
como
confiança,
comprometimento,
cooperação,
conhecimentos, trocas de informações, avaliação afetiva de uma pessoa em relação a outra etc.
Para os autores, as formas de associação das variáveis entre si definem um estado de
organização de uma rede.
Cabe destacar os comentários de Gadde e Hakansson (2001), que atestam a
importância dos atores no processo de coordenação e combinação das atividades e dos
42
recursos como variáveis de governança e fontes importantes para o estudo de evolução das
redes até o estado atual.
Para Cassiolato (2002), o elemento central para a organização de uma rede está
intrinsecamente ligado ao estabelecimento de relações de confiança, por meio de um processo
de trocas, cooperação e comprometimento, tendo como pano de fundo a consciência coletiva
entre todos os participantes da rede.
Segundo Monteiro (2002), um sistema em rede pode ser definido como conjunto de
atores agrupados por relações de interdependência, que é o fato gerador do comprometimento.
Salienta o autor que o sistema é tipicamente descentralizado, construído a partir da
interconexão de um grande número de nodos capazes de se auto organizar.
Entre outros autores que tocaram no tema (GLADWELL, 2002, PRAHALAD e
RAMASWAMY, 2004, FREEDMAN, 2005, ANDERSON e SUROWIECKI, 2006,
BENKLER, TAPSCOTT e WILLIAMS, 2007), há o consenso de que estudar os estados em
que se encontram as redes de negócios é pesquisar sua capacidade de criar colaboração, no
sentido de comprometimento.
Conclui-se então que, a caracterização de um estado de rede se dá por variáveis
racionais, como assimetria, e por variáveis sociais, como confiança e comprometimento. Veiga
(2005) frisa que o atual estado organizacional de uma rede não necessariamente é resultado
das interações mercadológicas entre os atores da rede, mas igualmente por meio da imersão
social dos mesmos atores tendo como base confiança, cooperação e comprometimento dos
mesmos na rede.
Acompanhando as afirmativas, o estado organizacional da rede seria caracterizado pela
natureza das relações econômicas entre as empresas (paradigma racional e econômico), tendo
como variáveis os resultados, ou contratos de proteção de ativos, tecnologia e custos; como
ainda pela natureza das relações sociais entre os atores da rede (paradigma social), tendo como
variáveis confiança, comprometimento e cooperação, e pela nova estrutura social baseada em
redes (paradigma da sociedade em rede), com as variáveis interdependência, consciência
coletiva e necessidade de cooperação.
Conforme a natureza, presença e grau de atuação de variáveis, diferentes redes
apresentam diferentes estados de organização. Os autores citados aceitam que variáveis como
confiança e comprometimento são essenciais para que outras variáveis que caracterizam o
estado de organização das redes, como fluxo contínuo de informação, capacidade de
organização e força de conjunto entre os atores, tornem-se presentes e se desenvolvam.
43
Embora os autores citados não sigam exclusivamente um dos três paradigmas e nem
criaram explicações sobre estados de redes, é possível agrupar as principais ideias sobre o
tema, conforme demonstrado no Quadro 5.
QUADRO 5. CONCEITOS SOBRE ESTÁGIOS E ESTADOS DE REDE
Racional
Social
Sociedade em rede
Princípio
teórico
As redes se formam com
finalidade estratégica e
busca de vantagens de
custos; existem regras
explícitas.
As redes se formam a partir de
relações sociais e comerciais; as
regras podem ser explícitas ou
implícitas; variáveis sociais são
como um pano de fundo para o
desenvolvimento da rede.
Toda pessoa e empresa
estão em rede, tenham
ou não consciência dessa
situação; utilizem ou não
suas conexões.
Palavraschave
Custos, dependência de
recursos, estratégia.
Imersão, relações sociais e
econômicas estão imbricadas.
Sociedade em rede,
consciência coletiva,
rede de relações.
Afirmativa
sobre ciclos,
estágios ou
estados de
redes.
Redes são grupos
formais, com contratos
explícitos, com períodos
de tempo definidos ou
não.
Redes são grupos formais ou
informais, que se regulam pelas
relações sociais. As redes seguem
estágios de desenvolvimento, com
ciclos definidos ou não.
As redes de empresas
estão em um estado
específico de
organização, conforme
variáveis como
consciência.
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
Considerando o objetivo de investigar estados atuais de organização de redes e
comparar redes, sem a obrigação de reconstituir sua história, entende-se não haver necessidade
de escolher um único paradigma e dentro dele uma única teoria. A análise da bibliografia
relevante indicou que as variáveis consideradas essenciais estão distribuídas nos três
paradigmas e em modelos de estrutura e dinâmica independentes.
Unindo-se as contribuições teóricas e as análises sobre os autores apresentados, foi
possível propor o conceito de estados de redes e um conjunto de variáveis que caracterizariam
cada estado de cada grupo específico de organizações. Do paradigma da sociedade em rede
selecionou-se a variável (A) Manifestações da interdependência, como o princípio dos
relacionamentos. Do paradigma social, continuando na linha de valorização do
relacionamento, selecionaram-se as variáveis (B) Sinais da presença e conteúdo de confiança e
(C) Sinais da presença e conteúdo de comprometimento. De outras fontes de análise, como o
paradigma racional sobre redes e os conceitos de cooperativismo, selecionaram-se as variáveis
(D) Natureza e solução das assimetrias; (E) Manifestações da governança, ambas valorizando
o relacionamento.
44
A partir da seleção das variáveis coloca-se a pergunta de pesquisa que é a investigação
da formação dos estados de redes conforme a presença dessas variáveis, tendo como exemplo
o campo das redes nas quais estão imersas as cooperativas habitacionais. Antes de entrar na
Metodologia, no entanto, deve-se discutir com mais detalhes a noção de estados de redes, pois
a expressão é raramente utilizada na literatura.
3.1. Afirmativa dos estados de redes
Neste item comentam-se as afirmativas dos autores que escreveram sobre o tema em
suas várias manifestações, como a estrutura das redes, ou os tipos de redes, iniciando-se pelos
autores pesquisados e que escreveram sobre estágios, evolução, status e estados de redes.
Conforme se afirmou ao final do último item, pretende-se seguir o caminho da ideia de
estados de redes, ao invés da ideia dominante sobre estágios e evoluções da rede. Para a defesa
da escolha discutem-se os princípios, vantagens e problemas das duas linhas de pensamento,
partindo-se primeiramente da ideia de evolução ou estágios de redes.
Gonçalves (1990) destaca que a estabilidade, ou o desenvolvimento de uma rede, se
relaciona com quatro fatores: legitimidade; relacional, que cuida do comprometimento dos
agentes envolvidos; processual, que cuida dos procedimentos para a alocação dos recursos
disponíveis, e operacional, sobre a infraestrutura.
Larson (1992) assinala que para o nascimento e evolução de uma rede existem précondições como reputação dos atores, expectativas mútuas; incertezas sobre o ambiente e
experiências anteriores de cooperação. Conforme a autora, os fatores sociais atuam na redução
das incertezas sobre o comportamento dos parceiros. Com a evolução da rede, em regras e
resultados, surgem relacionamentos de confiança e comprometimento, até o ponto em que o
grupo adquire equilíbrio.
Davidow e Malone (1993) relatam que somente a organização em rede reúne
velocidade e flexibilidade para lidar com um ambiente de negócios que demanda
customização, atendendo a um grande número de clientes; por isso é imprescindível verificar
como as empresas se organizam para atender a tais exigências.
Wellman (1996) discute como as relações na rede ocasionam mudanças estruturais e na
troca de informação. Quanto mais informações são trocadas entre os atores e o ambiente,
maior será o conhecimento, possibilitando mudanças e estágios diferenciados na estrutura da
rede.
45
Baldi (2004) ressalta que a imersão estrutural é fator importante no estudo das redes,
possibilitando a compreensão de como se formam e se modificam.
Para Powell et al. (2005), os enfoques sobre evolução e estados de rede ainda são
escassos na academia, pois as pesquisas se concentram em analisar transversalmente,
predominando, em sua maioria, estudos sobre acontecimentos individuais.
Segundo Fusco et al. (2005), a formação e a evolução das redes envolvem aspectos
estruturais, ou seja, a própria configuração da rede, com os papéis desempenhados pelos
integrantes, com o tipo de governança e os níveis de interação entre os atores.
Para Coviello (2005), os estudos sobre redes envolvem pesquisas sobre a estrutura da
rede, comportamento dos atores e como esses relacionamentos transformam-se em trocas de
conhecimento, confiança e cooperação, sendo fatores importantes para se conhecer os estágios
evolutivos da rede.
Nos últimos anos encontram-se trabalhos internacionais (CHEN, 2010) e brasileiros
(WEGNER, 2011) repetindo a ideia de estágios, iniciando-se pelos fatores sociais de
confiança e comprometimento.
Os estudos revelam a importância dos fatores de relacionamento na formação das
redes, conforme ressaltado por Bryson et al.(2006) e Chen (2010).
Se, por um lado, a literatura acadêmica apresenta vários trabalhos sobre a formação e o
desenvolvimento de uma rede, a ideia de estados de redes, por outro lado, não tem
representantes que explicitamente a desenvolveram, mas um leque de afirmativas sobre
formas, tipos, estruturas, desenhos e outras expressões que indicam um estado de organização.
Oliver (1990) e Doz (1996) analisam que a partir das variáveis de colaboração,
comprometimento e cooperação criam-se processos que possibilitam uma gestão conjunta, de
compartilhamento de recursos, construção de confiança entre os atores, de forma a manter a
rede.
Para Miles, Snow e Coleman Jr (1992), os fatores importantes para caracterizar um
estado de redes são o contínuo desenvolvimento de conhecimentos, sistema de gestão e de
relações com o mercado, sistema de informação e processo de integração entre os atores.
Grandori e Soda, Fusco et al. (1995), dando importância maior ao grau de formalização
e integração estabelecida entre os integrantes da rede, criam uma tipologia de redes com as
variáveis simetria e recursos.
Uzzi (1997) mostra que a integração ocasionada por laços imersos possibilita um grau
de confiança entre os atores, diminuindo as chances de comportamentos oportunistas, criando
condições de ganho de economia de tempo, eficiência na alocação de serviços e produtos,
46
estabelecimento de acordos e presença do comprometimento. Com variáveis, o autor concorda
que a rede se torna mais organizada.
Para Belussi e Arcangeli (1998), os estados das redes podem ser determinados como
redes estacionárias, nos quais predominam laços fortes, processos repetitivos e alto grau de
formalização; redes retráteis ou reversíveis, nas quais aparecem laços fracos e certo grau de
informalidade, o que permite renovação de processos, porém menos controle do
comportamento, e redes evolucionárias, nas quais predominam os laços fracos, com
dominância de transferência de conteúdos e governança informal.
Embora criar tipologias sobre redes, conforme Grandori e Soda (1995) e Belussi e
Arcangeli (1998), seja tarefa relevante, este trabalho não se preocupará em encontrar variáveis
que determinam tipos, ou formação de redes; tem como objetivo pesquisar as variáveis mais
importantes que determinam os estados de organização nos quais as redes se encontram.
Algumas variáveis a serem utilizadas foram investigadas por Zawislak (2000).
Conforme o autor, havendo a presença de variáveis como confiança, cooperação e
comprometimento entre os atores, existiriam aprendizado e formação de competências
coletivas, passando a ocorrer trocas de ativos tangíveis e intangíveis, o que gerará novas
competências, levando os atores a desempenhar melhor suas funções e qualidades. A
conjunção de fatores determina o estado atual da rede.
Segundo Watts (2003), existe uma dinâmica constante do estado das redes, ocasionada
pelas trocas de conhecimento, flutuações do comprometimento, presença de inovações e novas
parcerias. A investigação do estado de uma rede tem, portanto, prazo de validade curto.
Hoffmann et al. (2004) indicam a existência de aspectos de destaque em relação aos
estados de organização das redes que devem ser levados em conta: complexidade de produtos,
troca de conhecimento, aprendizagem organizacional e disseminação da informação; demanda
por rapidez de resposta; confiança e cooperação e defesa contra a incerteza. Propõe então uma
tipologia de redes baseada em quatro indicadores: Direcionalidade (vertical ou horizontal);
Localização (dispersas ou aglomeradas); Formalização (formalizadas ou informais) e Poder
(central ou periférico).
O trabalho, portanto, busca certa integração das afirmativas, inferindo um conceito e
um conjunto de variáveis sobre o estado de organização. Nesse conjunto se investiga a
presença e o conteúdo das variáveis selecionadas. No próximo item essas variáveis serão
detalhadas.
47
3.2. Variáveis que contribuem para o estado da rede
Conforme as análises anteriores, chegou-se ao seguinte conjunto de variáveis
selecionadas, as quais, como se defende, têm capacidade de caracterizar o estado de
organização de uma rede:
(1) Presença e natureza da interdependência;
(2) Sinais da presença e conteúdo de confiança;
(3) Sinais da presença e conteúdo de comprometimento;
(4) Natureza e formas de solução de assimetrias e
(5) Formas de governança.
Considerando que o ponto de partida da ideia de uma rede são a trama, a malha, a teia,
que representam a interdependência, são valorizadas as variáveis que implicam a participação,
ou afetam a todos, e são, conforme as evidências responsáveis pela rede de relações e pela
organização, normalmente chamadas de estrutura. Variáveis que têm presença na literatura,
como inovações, custos e resultados, foram deixadas de lado, o que implica risco. Conforme
explicitado, no entanto, uma das tarefas do trabalho é verificar a capacidade das variáveis
selecionadas indicar um estado de organização das redes.
Para os propósitos deste trabalho, interessa ressaltar que a variável cooperação,
comprometimento e confiança aparecem nas pesquisas sobre estágios e nos estudos sobre
estados de organização.
Para Van de Ven (1994), Powell, Koput, Smith-Doerr (1996) e Lago (2009), as
variáveis de cooperação, confiança e comprometimento levam os atores a estreitar laços e
assim terem mais motivação e empenho no acesso a novas tecnologias, ou mercados,
variedades de produtos e serviços, economias de escala, compartilhamento de riscos e novas
habilidades, reconstruindo o estado das redes.
De acordo com Fleury e Oliveira Jr. (2001), as redes operam a partir de uma base de
confiança e reciprocidade de cooperação e comprometimento entre os atores e parceiros
integrantes, para que ocorra o acesso e compartilhamento de recursos.
Balestrin e Vargas, Kimura, Teixeira e Godoy (2004) apresentam em suas pesquisas
variáveis importantes que contribuem para o estudo sobre estados de organização das redes
como, por exemplo, troca de informações, possibilidades de novos negócios, competitividade
nos mercados, relacionamentos internos e externos, estabelecimento de inter-relações entre os
atores e sua influência no comportamento.
48
Brass et al. (2004); Paula e Silva (2006) sinalizam que a partir das variáveis sociais,
racionais e econômicas, se torna mais fácil estudar o comportamento dos atores e os níveis
Inter organizacionais da rede, ou seja, o estado de organização da rede.
A imersão foi apresentada como variável independente do paradigma, embora a
literatura a coloque preferencialmente como parte dos estudos sociais de redes. Entende-se ser
o caso de comentar um pouco mais sobre o tema.
Houve uma busca de produção acadêmica que explicitava o termo imersão e as
variáveis a ele associadas. Foram pesquisadas bases de dados, como o Proquest, no qual foram
encontradas 15.965 indicações para a palavra embeddedness, sendo 7.783 dissertações e teses,
7.186 periódicos acadêmicos, 400 trabalhos e periódicos comerciais, e 596 working papers,
porém sua maioria em Direito.
O conceito original de imersão aparece em Polanyi (1947) quando se referiu à interface
entre relações sociais e atividade econômica, ou seja, a forma como a imersão social dos atores
influencia a atividade econômica.
Leibenstein (1968), Dacin, Ventresca e Beal (1999) enfatizam que os mecanismos de
imersão são: cognitivo, estrutural, político, cultural, espacial e temporal. O cognitivo
relaciona-se à obtenção de informações e a forma de processá-la; o estrutural, sobre a forma
que a rede está montada; o político traduz-se nas formas de ações coletivas desenvolvidas e de
entrosamento entre grupos, aumentando as chances de atendimento aos interesses; o
mecanismo cultural reflete significados e formas de entendimento compartilhadas entre os
integrantes da rede, e o espacial e temporal refletem o estudo sobre o espaço ocupado e os
papéis desempenhados pelos atores na rede em determinado tempo.
Granovetter (1973, 1985, 1994, 1995 e 2005), em seus trabalhos, relaciona imersão
como laços fortes e fracos, que significam a frequência e natureza das ligações entre os atores.
Um laço forte cria comprometimento, confiança e cooperação, que podem ser entendidos
como fatores de imersão; ao passo que os laços fracos (pouco repetidos e de outra natureza)
propiciam contatos com organizações distintas do negócio. Para ele, toda ação do indivíduo,
inclusive a econômica, está imersa (embedded) em uma rede de relacionamentos sociais, a
qual influencia a ação e seus resultados. Ele configura imersão como o compartilhamento dos
atores nas instituições e como elas são afetadas pelas relações sociais à medida que a ação
econômica passa a ficar imersa nas estruturas da vida social.
Segundo Schotter (1981), Brass (1984), Zukin e Di Maggio (1990), para se entender
qualquer organização econômica, ou não econômica, devem-se identificar os processos de
49
imersão dos atores, o inter-relacionamento entre a estrutura social e a atividade econômica
para se entender o estado de organização atual da rede.
Acompanhando tal conceituação sobre imersão dos atores nas redes, Aldrich e Zimmer
(1986) e Greve e Salaff (2003), analisando as cooperativas habitacionais, frisam que os
cooperados têm de estar imersos socialmente para serem utilizados habilidades e recursos de
cada cooperado e aquelas geradas no coletivo.
Powell et al. (2005), Gray e Wood (1991) e Burt (1992) revelam a presença de uma
contínua troca de informações e de relações entre os atores nas redes, orientada para as
relações coletivas de confiança e cooperação, o que colabora para a obtenção de resultados da
rede.
Morgan, Hunt (1994), Uzzi (1997), Cândido et al. (2005), Simpson, Siguaw e Baker
(2001), Olave e Amato (2001) e Britto (2004) enfatizam que o comprometimento e a
cooperação são primordiais no relacionamento, ambos se tornam importantes para as parcerias
em rede, que vale a pena despender esforços para mantê-los, e que tais variáveis são
elementos-chave dos laços imersos dos atores na rede.
Segundo Collier (1998), a imersão social incorpora capital social, gerando
conhecimento sobre comportamento, comprometimento e cooperação dos agentes; o
conhecimento sobre o mercado, como menores custos, novas tecnologias e o benefício da ação
coletiva, tornando-se essenciais para se determinar o estado atual da organização ou da rede.
Wilkinson (2002), Vieira, Andion e Serva (2006), Machado-da-Silva, Fonseca e
Crubellate (2005) fazem referências aos conceitos básicos de enraizamento e construção
social, significando forte ligação e motivações que vão além dos aspectos econômicos. O
enraizamento ocorre pela imersão dos atores nas relações.
A partir das citações, entende-se que a expressão imersão originou-se dos estudos sobre
imbricamento social e econômico, mas depois se generalizou para todas as formas de atuação
em que o sujeito se esforça para continuar integrado a um grupo. Por isso a variável aparece
no texto como parte do paradigma social, e no Quadro 5 como parte de modelos genéricos.
No próximo item apresenta-se a definição operacional das variáveis selecionadas.
3.3. Definição operacional das variáveis
Escolhidas as variáveis e apresentadas as justificativas, coloca-se a tarefa de definir
operacionalmente as expressões, preparando o terreno para a pesquisa. Antes de iniciar as
definições, é preciso esclarecer detalhes sobre a ideia de organização de redes.
50
Um caminho possível para a discussão e auxílio ao planejamento da pesquisa é criar
situações imaginárias nos extremos das variáveis. Supondo que um grupo “A” de empresários
trabalha em conjunto e entre eles existe um grau 1 (muito baixo) de comprometimento e de
confiança. Eles estão juntos por necessidade, por exemplo, de partilha de recursos. Nessa
situação, infere-se um estado de organização do grupo que necessita de muitos controles e
incentivos (pois não há comprometimento) e regras de proteção de capital intelectual (pois não
há confiança). Supondo agora um grupo “B” de empresários, do mesmo ramo que o grupo
“A”, com um grau 10 (muito alto) de comprometimento e confiança. Eles estão juntos por
pressões do mercado, mas também porque se fortalecem e se protegem no conjunto. Nessa
situação, infere-se um estado de organização do grupo que pouco necessita de controles
formais (contratos formais), pois existe comprometimento e troca de conhecimentos, pois há
confiança que o outro não apresentará comportamento oportunista. Conclui-se que os dois
grupos apresentam estados de organização distintos, conforme a presença tímida, ou marcante,
das duas variáveis consideradas. Para os propósitos deste projeto não importa, neste momento,
discutir se a formação X é melhor ou pior que Y, mas exercitar a capacidade de as variáveis
indicarem distintos estados de organização.
É essa a ideia motriz da investigação. Conforme se explicitou em itens anteriores, não
se encontrou literatura específica sobre o tema e sobre a conjunção de variáveis. Predominam,
como se viu, as buscas por relações causais entre variáveis.
Considerando o campo escolhido para a investigação, deve-se comentar que dados
anteriores analisados pelo autor mostram que as redes do campo de produção cooperativa de
habitação apresentam sinais de variáveis selecionadas, mesmo não sendo redes com fins
lucrativos. Para Pedroso (1993), essas redes são organizações de caráter permanente, sem fins
lucrativos, criadas por um grupo de pessoas com interesse comum, visando a atividades sociais
e econômicas relacionadas ao bem-estar dos associados, que são os proprietários e usuários da
organização.
É importante considerar que em decorrência das dificuldades que as cooperativas
habitacionais enfrentam no ambiente competitivo com as construtoras e empreiteiras, tendo
como característica não ter fins lucrativos e assumir papel social com seus cooperados, o
campo organizacional em que essas ações se realizam torna-se oportuno ser investigado.
O trabalho, portanto, tem como objetivo discutir como se organizam e se interrelacionam certas variáveis selecionadas para a configuração de um estado de rede, conforme
se definiu nos parágrafos anteriores, tomando como exemplo o campo da produção cooperada
de habitação. O objetivo primário se desdobra nos seguintes objetivos secundários:
51
a) Investigar a presença ou ausência de variáveis definidas como importantes na determinação
do estado de organização da rede;
b) Na presença dessas variáveis investigar a natureza do conteúdo que se manifesta em cada
uma delas;
c) Identificar por meio dos indicadores dessas variáveis a contribuição das mesmas ao estudo
do estado atual de organização da rede;
d) Verificar a capacidade da matriz de análise em distinguir diferentes estados de redes,
utilizando triangulação de fontes de dados;
e) Comparar diferentes estados de organização de redes de cooperativas habitacionais e
f) Concluir sobre a validade do conceito de estado de rede.
Com o intuito de preparar o terreno para a construção dos instrumentos de coleta de
dados, apresentam-se esforços de definição operacional das variáveis selecionadas e como elas
definiriam estados de organização de uma rede, como um estado latente, emergente ou em
equilíbrio.
Conforme Kerlinger (1980), a definição operacional de variáveis é essencial para se
escolher os indicadores da presença ou ausência das mesmas em uma pesquisa. No caso de
variáveis qualitativas a tarefa torna-se mais complicada, porque há variáveis, como confiança,
que são constructos, com várias definições, e que, ao final, não se observam diretamente. Sua
presença é inferida a partir de distintos sinais.
Considerando a dificuldade inicial e a existência de poucos trabalhos que apresentam a
definição operacional e os indicadores das variáveis aqui selecionadas, busca-se nos
parágrafos seguintes desenvolver a tarefa. A importante ligação entre a discussão teórica, o
desenho da pesquisa e o que efetivamente será observado e coletado havia sido ressaltada por
Kerlinger (1980).
Para facilitar a compreensão e análise, apresenta-se o Quadro 6. Na primeira coluna
coloca-se a variável, na segunda coluna escreve-se o conceito teórico dominante, conforme a
revisão bibliográfica em item anterior; na terceira coluna escreve-se a orientação do conteúdo
a ser observado, a partir do conceito colocado na segunda coluna e da especificidade do
fenômeno investigado (no caso, as redes das quais participam as cooperativas habitacionais), e
na quarta coluna escrevem-se indicadores, criados a partir de exemplos das pesquisas da
revisão bibliográfica e das características específicas do fenômeno, conforme observações
prévias do autor. As sugestões não pretendem esgotar uma lista dos indicadores, mas apenas
mostrar a linha geral de questionamento.
52
QUADRO 6. INDICADORES DE CINCO VARIÁVEIS QUE CARACTERIZAM O
ESTADO DE REDES
Variável
Conceito
dominante
Conteúdo a ser
observado
1. Presença e
natureza da
interdependência
Cada organização
não detém todos os
recursos
necessários ao seu
negócio, precisando
trabalhar em
conjunto.
Eventos,
processos,
discussões, reuniões, cursos
e
outras
formas
de
manifestações coletivas que
mostrem a dependência
mútua
das
empresas,
facilitando
o
trabalho
conjunto em substituição ao
trabalho individual.
2. Sinais da
presença e
conteúdo de
comprometimento
Colocar-se à
disposição para
ações coletivas.
Atitudes e ações para atingir
objetivos coletivos, ou
ajudar outro ator, mesmo
que nada se ganhe.
3. Sinais da
presença e
conteúdo de
confiança
Colocar-se na
dependência do
outro.
Atitudes e ações nas quais o
sujeito se expõe ao coletivo,
ou fica na dependência do
outro, sem recorrer a
mecanismos formais de
controle.
4. Natureza e
formas de solução
de assimetrias
Diferenças de
capacidades e de
recursos
Diferenças de qualquer
natureza que sejam
relevantes na estrutura e
processos da rede.
Alguns indicadores
1. Sinais da necessidade dos
recursos que outro ator possui.
2. Necessidade de trocas de
conhecimentos entre os atores.
3. Necessidade de contatos com
entidades reguladoras para
resolver as exigências de toda
natureza (burocráticas, técnicas,
socioambientais).
4. Aceitação de ações coletivas
como mais importantes que ações
isoladas.
5. Sinais da aceitação da
existência de custos para cada um
na rede para haver ganho
coletivo.
1. Participar regularmente de
reuniões e decisões.
2. Ajudar o outro, mesmo sem
benefício próprio.
3. Assumir responsabilidades de
ações conjuntas.
4. Percepção entre os agentes
quanto ao cumprimento dos
acordos.
5. Existência de promessas de
continuidade relacional entre os
parceiros.
6. Sinais de disposição para
continuidade dos
relacionamentos, mesmo em
situações em que sua opinião
tenha sido descartada ou que seja
da minoria.
1. Contar uma de suas fraquezas
para os demais.
2. Assumir uma responsabilidade
cuja execução depende de outro.
3. Dispor seus recursos, de
qualquer natureza, para serem
usados por outros, sem
necessidade de salvaguardas.
4. Sinais que um ator acredita e
segue as regras e metas
estabelecidas na rede, mesmo
sendo informais.
5. Sinais que um ator acredita na
integridade das pessoas que fazem
parte da rede.
1. Diferença de recursos
investidos.
2. Diferença de objetivos.
3. Diferença de valores e ética.
4. Diferença de domínio
tecnológico.
5. Modos de solução das
53
5. Formas de
governança
Regras de proteção
de recursos e de
controle do
comportamento.
Podem ser formais
ou informais.
Conjunto de regras
explícitas ou implícitas que
coloca restrições ao
comportamento e protege os
recursos, sejam coletivos, ou
individuais.
diferenças.
1. Regras sobre admissão e
exclusão de atores do grupo mais
restrito.
2. Regras sobre penalidades.
3. controle por autoridade ou
reputação (de um ator mais
poderoso, por exemplo).
4. Controles sociais (por
exemplo, existência de blogs,
sites comunitários e outros, com
informações sobre os
participantes).
5. Regras sobre igualdade entre
atores.
6. Regras para compras, trocas e
entregas de bens e serviços junto
aos parceiros.
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
A presença, ou ausência das variáveis constantes no Quadro 6 e a natureza dos
conteúdos apresentados em cada uma delas determinariam diferentes estados de organização
de uma rede, entre extremos como redes latentes, ou redes estabelecidas formalmente. Com os
indicadores torna-se possível entrevistar os atores, ou proceder a observações de encontros
entre dois ou mais atores.
Definido o campo de estudo, a teoria de base, variáveis presentes no fenômeno e
indicadores, é possível apresentar a metodologia da pesquisa.
54
4. METODOLOGIA
Conforme Tichy, Tushman e Fombrun (1979), as pesquisas no tema de redes exigem
metodologias que consigam abarcar a complexidade das mesmas. No presente estudo, a
complexidade se torna visível na seleção de cinco variáveis qualitativas e no amplo escopo de
indicadores que ela encerra.
Para investigar a formação dos estados de redes escolheu-se o ramo de construções, em
particular o de moradias, no qual estão presentes as cooperativas habitacionais do Estado de
São Paulo. A escolha desse ramo deveu-se à importância econômica e social que as
cooperativas habitacionais representam no que se refere à falta de moradias para a população.
A pesquisa se caracteriza por ser exploratória, qualitativa, descritiva, comparativa e de casos
múltiplos. Foram criados instrumentos específicos de coleta de dados, pois os poucos artigos
existentes não apresentaram indicadores e instrumentos validados.
Segundo Gil (1991), a pesquisa exploratória visa proporcionar maior familiaridade com
o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento
bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema
pesquisado; análise de exemplos que estimulem a compreensão, assumindo em geral as formas
de pesquisas bibliográficas e estudos de caso. No projeto atual, a pesquisa é exploratória
porque não se encontraram trabalhos regulares sobre estados de redes, ou trabalhos que
unissem as variáveis selecionadas em um único modelo.
Para Kaplan e Duchon (1988), as principais características dos métodos qualitativos
são a imersão do pesquisador no contexto e a perspectiva interpretativa de condução da
pesquisa. Normalmente, a pesquisa qualitativa é associada a dados qualitativos, abordagem
interpretativa, com análise dos casos e dos conteúdos (PATTON, 1980). No presente trabalho
os dados são interpretados conforme as afirmativas da teoria da sociedade em rede e da teoria
social de redes.
De acordo com classificações de Sampieri et al. (1994), Triviños (1987) e Mattar
(1996), uma pesquisa descritiva pretende apresentar com exatidão os fatos e fenômenos de
determinada realidade. Para essa precisão e validade cientifica é imperiosa uma clara definição
e delimitação de técnicas, métodos, modelos e teorias que orientarão a coleta e interpretação
dos dados (TRIVIÑOS, 1987). No presente trabalho busca-se descrever as situações de
relacionamento entre as organizações que compõem a rede do campo de construção
cooperada.
55
Segundo Bloch (1983), o método comparativo consiste no confronto entre dois ou mais
elementos, levando em consideração seus atributos, promovendo o exame dos dados, a fim de
obter diferenças ou semelhanças que sejam constatadas e as devidas relações entre elas. Neste
trabalho, são comparadas as redes nas quais participam distintas cooperativas habitacionais.
Em relação aos estudos de casos múltiplos, Yin (2001) salienta que costumam ser mais
convincentes procurando explicar os fenômenos assemelhados, a partir de múltiplas fontes e
distintas manifestações do mesmo fenômeno. Yin ressalta ainda que cada caso deve ser
selecionado de modo a prever resultados comparáveis, ou, inversamente, produzir resultados
contrastantes por razões previsíveis. Os casos devem possibilitar a construção de afirmativas,
inferências, interpretações que possibilitem avanço teórico.
No presente trabalho a situação de múltiplos casos se caracteriza pela seleção de
cooperativas habitacionais que atuam socialmente (sem ter perdido os princípios do
cooperativismo), e negocialmente (colocando-se como competidores no mercado de
construção civil); e pela decisão de uso de três formas de coletas: roteiro de entrevista,
questionário fechado e coleta de documentos.
Como campo de investigação, a pesquisa envolverá o estudo das redes nas quais estão
envolvidas cinco cooperativas habitacionais do Estado de São Paulo. A seleção das
cooperativas atende a critérios de acessibilidade do pesquisador e características específicas
das instituições, conforme se explicou no parágrafo anterior.
Sobre a escolha das variáveis, embora inúmeras sejam citadas como relevantes,
conforme se verificou na pesquisa bibliográfica, não se encontraram esforços no sentido de
configurar o estado de uma rede e a definição das variáveis que o comporiam. Utilizando os
critérios de variáveis convergentes na revisão bibliográfica e escolhendo o caminho das
variáveis de relacionamento, chegou-se à lista apresentada no quadro 6.
Os itens seguintes detalham o plano da pesquisa e as estratégias a serem utilizadas no
desenvolvimento do trabalho.
4.1. Plano da pesquisa
Segundo Silva e Menezes (2001), a construção de um plano de pesquisa, seu
crescimento, desenvolvimento e finalmente o resultado, devem ter um planejamento
cuidadoso, informações sólidas, fundamentadas em conhecimentos existentes e alicerçadas em
56
autores que conceituaram o assunto. Deve-se dividir o processo de pesquisa em etapas e
demonstrar os procedimentos que precisam ser adotados em cada uma delas.
Luna Filho (1998) afirma que toda pesquisa feita com método científico inicia-se com
uma pergunta, ou hipótese, sendo que as mesmas podem se originar de várias maneiras, desde
uma simples observação casual, como em consequência de perguntas anteriores.
Para o autor, o protocolo é instrumento importante na pesquisa, pois se configura como
transcrição fiel do método científico. Goldemberg (1999) ressalta que um procedimento
científico deve contemplar os seguintes pontos:
a) Existência de uma pergunta que se deseja responder. Para este projeto a pergunta é:
Como se configura o estado de uma rede a partir de um conjunto de variáveis?
b) Elaboração de um conjunto de passos que permitam chegar à resposta. Este projeto
contempla uma pesquisa bibliográfica, documental e também a pesquisa de campo.
c) Indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida. Neste projeto, para haver
confiabilidade nas respostas obtidas, os dados levantados são triangulados, ou seja, há uma
comparação entre os dados das fontes de coleta selecionadas.
Para Flick (2005), o estudo de casos múltiplos mostra interligação entre sujeito, fatos e
objetos, tornando difícil a tarefa de se afirmar relações causais estritas. Nesse método, a
predominância é a lógica indutiva, ou seja, do particular para o geral, sendo que ao invés de
partir das teorias para o teste empírico, utilizam-se conceitos particulares para abordar os
contextos gerais que se quer pesquisar. No presente projeto, parte-se de um conjunto de
variáveis que ainda não foram organizadas na literatura, aceitando-se o pressuposto de
presença concomitante e de sua capacidade em configurar o estado de uma rede.
A escolha do projeto deu-se em primeiro lugar pela importância que o mesmo
representa em termos de pesquisa acadêmica voltada à área de Administração na linha de
redes; em segundo lugar, pela representatividade do tema em relação às finalidades de ações
sociais do objeto de pesquisa; e finalmente, pela participação do autor nas redes pesquisadas, o
que facilita a coleta, principalmente os contatos para entrevistas e acesso a documentos.
Assim, o plano geral da pesquisa é o estudo sobre a configuração dos estados de
organização de redes de negócios, tendo como ponto inicial de coleta as cooperativas
habitacionais de São Paulo; para as metas do projeto serem alcançadas, a pergunta a ser
respondida é: Como se organizam e se inter-relacionam certas variáveis selecionadas para a
configuração de um estado de rede?
57
4.2 Protocolo
Para a pesquisa utiliza-se o método de estudos de casos múltiplos que, segundo Yin
(2001), se justifica visando ao aumento de sua confiabilidade. É indispensável, portanto, a
apresentação de um protocolo que contém os procedimentos e as regras para o
desenvolvimento da pesquisa, com a seguinte divisão:
a) Plano geral da pesquisa: objetivo, questão básica e proposições;
b) Procedimentos de campo: definição de escopo, sujeitos e formas de coleta;
c) Instrumentos: a coleta se dá por meio de documentos, roteiro de entrevistas e questionários
com escalas, procurando obter dados sobre a questão da forma atual de organização das
redes de cooperativas habitacionais.
Em relação aos documentos, os dados se tornam confiáveis, pois os mesmos estão
impressos, assinados, autenticados e estáveis, podendo ser revistos várias vezes, contendo
datas, nomes, referências e detalhes de eventos. Além disso, há ampla cobertura de tempo de
espaços, em documentos como atas de constituição, normas, estatutos, assembleias e leis do
cooperativismo habitacional.
Em relação às entrevistas, utiliza-se um roteiro semiestruturado, contemplando as
variáveis e indicadores constantes do Quadro 6. Sobre o questionário, ele é apresentado na
forma de escalas de Likert, com as assertivas relativas às variáveis e aos indicadores
constantes no Quadro 6. Os sujeitos são selecionados entre os capazes de responder sobre as
variáveis, privilegiando-se a presença de representantes de organizações diretamente
vinculadas à tarefa da construção cooperada, como diretores e funcionários das cooperativas,
fornecedores de materiais, agentes bancários, prefeituras, sindicatos, entidades de fomento,
imobiliárias e cooperados.
4.2.1. Objetivo
Segundo Oliveira (2004), determinar um objetivo para uma pesquisa é descobrir
práticas ou diretrizes que devem ser modificadas, ou elaborar alternativas para substituí-las;
portanto, o objetivo desta pesquisa é levantar, organizar e discutir a formação dos estados de
organização em que se encontram atualmente as redes nas quais participam as cooperativas
habitacionais, a partir das variáveis definidas nos itens anteriores.
58
O objetivo é fundamentado em produções científicas brasileiras e internacionais sobre
redes de negócios e especificamente sobre redes nas quais estão inclusas as cooperativas
habitacionais, cuja pesquisa bibliográfica gerou a proposição orientadora. O campo do
cooperativismo habitacional é complexo e diferenciado de outros campos, porque tem
relevância e ação social (na possibilidade de aquisição de moradia por um custo menor e de
forma associativa) e, ao mesmo tempo, participa de um negócio extremamente competitivo, o
da construção e entrega de imóveis. Em uma terceira vertente, de caráter político, a moradia
popular é tema considerado nas políticas públicas.
A revisão bibliográfica sobre trabalhos de redes com escopo em cooperativas
habitacionais mostrou que essas instituições têm valores sociais de cooperação e
comprometimento, mas há aquelas que precisam, ou querem seguir modelos empresariais;
portanto, o estudo sobre as redes nas quais estão inclusas as cooperativas habitacionais e
principalmente sobre o estado atual de organização das redes assume caráter especial.
4.2.2. Escopo
Conforme dados da OCB (2013), o número de cooperativas habitacionais no Brasil em
2012 era de 262, sendo 50 no Estado de São Paulo. Considerando a natureza qualitativa do
trabalho, foram selecionadas cinco cooperativas, a partir de critérios de facilidade de acesso e
características específicas dos produtos ofertados. Essas cooperativas atuam principalmente na
cidade de São Paulo e no litoral paulista, oferecendo imóveis para o segmento mais carente da
população e pessoas que já têm um imóvel e desejam adquirir um segundo.
A pesquisa se concentra no escopo do primeiro nível das redes, isto é, as instituições
diretamente ligadas entre si e que são o centro do negócio, ou seja, sem elas a produção
cooperada não ocorre. Entre as instituições do primeiro nível encontram-se cooperativas,
bancos, construtoras e órgãos de apoio e controle do governo. Um segundo nível da rede
seriam as organizações que oferecem suporte para o negócio central, como imobiliárias e
fornecedores de material. O segundo nível, no entanto, não é investigado por razões de
cronograma de execução.
59
4.2.3. Tipo de pesquisa
A pesquisa pode ser caracterizada como exploratória, qualitativa, descritiva,
comparativa e estudo de casos múltiplos.
Exploratória porque tem como finalidade proporcionar maior familiaridade com o
problema com vistas a torná-lo compreensível. Para facilitar o entendimento, a pesquisa
envolverá levantamento bibliográfico, documental, entrevistas e aplicação de questionários
com pessoas que atuam nas instituições do primeiro nível da rede.
Qualitativa porque a pesquisa trata de variáveis qualitativas, não redutíveis a números,
e porque envolve trabalho específico, pressupondo-se uma metodologia própria de
investigação de variáveis qualitativas, principalmente coleta e análise de discursos, buscando
aprofundamento e compreensão das ligações entre os atores.
Descritiva porque se pretende apresentar com exatidão fatos e fenômenos pesquisados,
principalmente por meio de documentos, buscando a interface entre as variáveis selecionadas.
Comparativa porque se discutem as possíveis diferenças de formação das cinco redes
investigadas. Finalmente, um estudo de casos múltiplos, conforme fluxograma da Figura 1,
porque se investiga mais de uma expressão do fenômeno, aceitando-se que serão cinco redes
distintas e com mais de uma forma de coleta de dados.
FIGURA 1. FLUXOGRAMA DE UM ESTUDO DE CASOS MÚLTIPLOS
Fonte: Yin (2001).
60
4.2.4. Sujeitos
De acordo com Faraco (2006), os sujeitos da pesquisa são aqueles que fornecem os
dados fundamentais para determinado estudo.
A pesquisa ocorre a partir de atores das instituições das cinco redes selecionadas,
dando-se preferência àqueles que, por seu cargo e posição, têm mais informações sobre o
problema da pesquisa e estão vinculados às organizações do primeiro nível da rede. Dados
prévios indicam que sujeitos qualificados são diretores das cooperativas, gerentes bancários,
diretores das construtoras das obras das cooperativas, representantes do governo,
representantes de entidades de fomento e cooperados.
4.2.5. Instrumentos de coleta de dados
Marconi e Lakatos (2003) definem instrumentos de pesquisa como técnicas de coleta
de dados para conseguir informações com a intenção de examinar os fenômenos selecionados.
As fontes podem ser caracterizadas como primárias e secundárias. As primárias são aquelas
que geram dados a partir da ação do pesquisador, como entrevistas, questionários, observação
direta. As fontes secundárias são aquelas cujos dados já existem e são utilizados pelo
pesquisador, como documentos, arquivos particulares, fontes estatísticas, trabalhos anteriores.
No presente trabalho, considerando a tarefa de construção dos indicadores, houve uma
pesquisa de validade de conteúdo e lógica dos indicadores, com juízes que são pesquisadores
do campo de redes e entendem de metodologia.
Os procedimentos para a tarefa encontram-se no Anexo I. Uma vez julgados e
aprovados os indicadores, ocorre a coleta a partir de três instrumentos.
Um dos instrumentos de coleta será um roteiro semiestruturado, no qual há presença,
ausência e manifestações das variáveis selecionadas. Privilegia-se a situação de encontro com
o sujeito para buscar aprofundamento do tema, questionando as respostas, solicitando
exemplos, colocando situações hipotéticas, entre outros recursos de entrevista em
profundidade.
O instrumento roteiro semiestruturado encontra-se no Anexo II.
Outro instrumento de coleta é um questionário fechado com escalas. O questionário é
basicamente a repetição do roteiro de entrevista. Colocado na forma de uma afirmativa
positiva, solicita-se ao sujeito que escolha uma opção dentro de uma escala de Likert.
61
O instrumento questionário encontra-se no Anexo III.
A terceira forma de coleta refere-se aos dados secundários. Os documentos são fontes
importantes de pesquisa, que complementam as entrevistas e outras técnicas de coleta. Entre as
fontes secundárias possíveis para este trabalho, devem ser citados decretos oficiais,
fotografias, cartas, artigos em revistas, atas de assembleia, ata de fundação, notícias em jornais
e revistas, resumos de reuniões, eventos ou participações, livros, sites das empresas
participantes e notícias de redes sociais sobre eventos, situações e reclamações dirigidas aos
participantes do negócio.
Os dados secundários são encontrados em bibliotecas, agências governamentais ou
particulares, acervos de instituições, das cooperativas, das pessoas envolvidas no negócio e
acesso livre na internet. De posse dos documentos eles são analisados a partir do quadro dos
indicadores. Para cada documento serão buscados os sinais de fatores presentes.
4.2.6. Formas e instrumentos de análise
O primeiro passo para refinamento e validade dos instrumentos de coleta consiste em
reunir as conclusões sobre a pesquisa de validade de conteúdo a que chegaram os juízes. A
técnica para se chegar às conclusões consiste no critério de convergência da maioria. Havendo
convergência de análise sobre um item, deve-se modificá-lo conforme a sugestão oferecida,
segundo Raymundo (2009: p.87):
“Validação é o processo de examinar a precisão de uma
determinada predição ou inferência realizada a partir dos
escores de um teste. Validar, mais do que a demonstração do
valor de um instrumento de medida, é todo um processo de
investigação. O processo de validação não se exaure, ao
contrário, pressupõe continuidade e deve ser repetido inúmeras
vezes para o mesmo instrumento”.
Após os ajustes imprescindíveis nos indicadores e instrumentos, os dados coletados são
organizados das seguintes formas:
As entrevistas são analisadas conforme as normas de análise de conteúdo (BARDIN,
1997), principalmente a análise temática, que consiste em resumir a ideia sobre a qual o
discurso do sujeito se desenvolve. Para Olabuenaga e Ispizúa (1989), a análise de conteúdo é
um método de leitura e interpretação do conteúdo de toda classe de comunicação, seja
62
impressa ou verbal. Conforme Bardin (1977), há uma sequência de passos para organizar,
classificar e analisar os dados. O resultado final deve ser a compreensão, interpretação e
inferência sobre o problema de pesquisa original. O que se busca no texto ou discurso é captar
os vários sentidos, manifestos e latentes. Os conteúdos latentes são inferidos a partir do uso da
base teórica.
Como as perguntas constantes no roteiro exigem exemplos, eles servem a dois
propósitos: por um lado, confirmam o discurso da resposta genérica do sujeito, e por outro
indicam que natureza de fenômeno está relacionada ao tema investigado. Por exemplo, se em
dez entrevistas, sete sujeitos citam como exemplo de confiança o fato de assinar um
documento em branco, o documento em branco torna-se forte sinal de confiança nesse
negócio, podendo ser adicionado em instrumentos futuros.
Uma segunda forma de análise das entrevistas consiste em criar quadros indicativos de
ausência e presença do item da variável, o que permite visualmente uma rápida análise das
respostas de cada sujeito e das somas dos itens nas colunas. Como os sujeitos são provenientes
de diferentes organizações, o comparativo deve ser destacado.
O mapa de respostas é indicativo do estado de organização daquela rede. O mesmo
procedimento se dará com relação aos integrantes das demais cinco redes nas quais as
cooperativas estão presentes. O mapa possibilita a comparação entre distintos grupos.
Os questionários são analisados conforme regras de estatísticas não paramétricas
(SIEGEL, 1975), adequadas para pequenas amostras, e variáveis qualitativas colocadas em
escalas.
A primeira organização gera um mapa semelhante ao das entrevistas, com a
visualização das respostas de cada sujeito nas linhas e as colunas, contendo no título a
numeração das assertivas. Uma escala permite análises como grupamentos (quais sujeitos
responderam de forma semelhante), os clusters com as respostas de discordância (1 e 2) e de
concordância (4 e 5).
Finalmente, sobre a análise dos documentos, eles seguem a mesma lógica de análise de
conteúdo, buscando as referências sobre as variáveis e seus indicadores.
Ao final dessa organização, há três fontes de dados, com a mesma matriz, com os
fatores e indicadores, possibilitando análises e discussões sobre as formas de configuração de
cada rede da qual participa cada cooperativa e as possíveis comparações entre elas. A última
fase e a mais importante é a interpretação dos resultados, utilizando a teoria de base,
oferecendo a resposta sobre as proposições e indicando continuidade de pesquisas.
63
5. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
A primeira parte desta apresentação de dados consiste em informações sobre as
cooperativas habitacionais, a partir da pesquisa de documentos e pesquisa bibliográfica.
5.1. Dados sobre as cooperativas habitacionais no Brasil
Segundo Schneider (1999), o cooperativismo teve origem na organização dos
trabalhadores na Inglaterra, no período da Revolução Industrial. Para Singer (2002) e
Bocayuva (2003), as cooperativas criadas não precisavam de ajuda externa, e as atividades
eram desenvolvidas pelos cooperados, que se revezavam e participavam das decisões. Era um
modelo de autogestão que se difundiu na Europa. Surgiram cooperativas para fins específicos,
como consumo, agricultura e crédito.
Para Benini (2003), o cooperativismo se baseia em valores de ajuda mútua,
responsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade. Sua essência está na
associação de pessoas que, com esforço próprio, ajuda mútua e ações coletivas, observando
liberdade, justiça e solidariedade, satisfazem exigências econômicas e sociais, pela
constituição de uma organização, sem fins lucrativos e voltada à qualidade de vida e à
dignidade humana, cumprindo com rigor os seus princípios. É importante que todos saiam
ganhando; caso contrário, não se trata de cooperativismo.
Nessas frases é possível notar semelhanças e proximidade com os conceitos de redes,
principalmente o objetivo coletivo, a consciência da necessidade de um trabalho conjunto e
um conjunto de regras fortemente pautado pelas relações éticas.
No Brasil surgiram cooperativas de várias naturezas, incluindo as habitacionais.
Segundo Doimo (1994), o cooperativismo é espaço compartilhado de relações entre
organizações. Assim, o cooperativismo habitacional é um campo de parcerias entre o setor
público, as próprias cooperativas, as entidades de fomento, como a Organização das
Cooperativas do Brasil (OCB) e de São Paulo (OCESP), Serviço Nacional de Aprendizagem
do
Cooperativismo
(SESCOOP),
Sindicato
das
Cooperativas
Habitacionais
(SINDICOOPERATIVAS), Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia
(CREA) e Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI), construtoras,
incorporadoras, imobiliárias, fornecedores de materiais e mão de obra, bancos e grupos de
cooperados.
64
O governo, com as políticas habitacionais, criou uma estrutura cooperativista, órgãos
assessores à parte, o Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais (INOCOOPS), cuja
finalidade era criar meios para atender às classes de baixa renda com moradias populares,
custos e prestações menores que as construtoras e prazos de pagamento mais longos. As
cooperativas eram controladas e administradas por órgãos públicos, o que frequentemente
dificultava o crescimento e inovação das instituições.
Para Oliveira e Batista (2001), a intervenção estatal originava vários problemas, entre
eles ausência da consciência cooperativista, falta de integração entre as próprias cooperativas,
inadequação de modelos de gestão, com características centralizadoras; resultados
operacionais inadequados e despreparo no trato com a concorrência.
Surgem, então, segundo Calado (2003), as cooperativas auto
gestoras e
autofinanciáveis, sendo pioneira a Cooperativa Habitacional dos Suboficiais e Sargentos da 1ª
Zona Aérea, fundada em 1968. Para Castro (1999), essa concepção de cooperativas
habitacionais apresentou mudanças profundas em relação ao modelo implantado pelo
BNH/INOCOOPS, pois apresentava a ideia central do cooperativismo e a independência do
governo e do financiamento bancário.
As cooperativas seguem os princípios cooperativistas de autonomia e independência,
isto é, uma cooperativa é sociedade autônoma, controlada pelos próprios cooperados, podendo
firmar acordo com outras instituições, desde que se assegurem, em qualquer hipótese, sua
autonomia e o controle pelos cooperados.
No movimento de independência das cooperativas auto gestoras, ocorreu que algumas
delas ampliaram o leque de produtos (construção alternativa de casas populares e de moradias
para as classes média e alta, locais diferenciados, tipos de imóveis, casas, sobrados,
apartamentos e preços diferenciados); ampliaram os segmentos atendidos, criando ligações,
agora guiadas mais pelos objetivos financeiros (até de auto sustentação da organização) do que
propriamente sociais de políticas habitacionais.
Entende-se que quando uma cooperativa se coloca e age como empresa de negócio na
construção modifica a situação, tornando-se uma competidora. Nessa situação ela competirá
com construtoras nos produtos e processos de construção, venda e financiamento.
O trabalho, portanto, pressupõe a existência de grupos cooperativos para os processos
normais da construção cooperada, em seu sentido social e coletivo. No entanto, sinais prévios
recolhidos pelo autor mostram que algumas cooperativas modificaram sua linha de produtos,
alterando o campo organizacional. Investigar essas diferenças no campo é válido para o
projeto, embora não seja seu foco.
65
O governo, por seu lado, continuou criando programas habitacionais, agora não mais
contando com as cooperativas. Programas como o CC FGTS – Operação Coletiva, o Habitar
Brasil – BID, o Pró-Moradia, o Programa de Infraestrutura e Serviços de Reforma Agrária, o
Programa de Urbanização e Regularização e Integração de Assentamentos Precários, Morar
Melhor e o mais recente, Minha Casa Minha Vida.
Como se percebe pelos dados, a questão das moradias populares cria movimentos
políticos (programas do governo), empresariais (acordos entre empresas para construção de
moradias), sociais (formação de cooperativas auto gestoras) e econômicos (formas de
financiamento imobiliário).
Até a década de 1970, a cooperativa habitacional estava integrada às demais
organizações e ao governo, com tarefas como captação dos consumidores, inscrições,
elaboração de projetos, tarefas administrativas, tarefas relativas à construção, solicitação de
verbas ao BNH. Em teoria de rede, ela agia como ator central, coordenando atividades. Os
documentos coletados mostram que dessa década em diante a posição foi gradativamente
perdida.
No Brasil, existem exemplos dos três tipos de cooperativas habitacionais: as que
compram em comum; as que constroem as casas em mutirão, e as que contratam uma
construtora que se responsabiliza por toda a construção do imóvel.
Segundo a OCB, no final de 2012 o Brasil possuía 262 cooperativas habitacionais
inscritas e ativas, sendo 110 somente no Estado de São Paulo. Autores como Benecke (1980)
destacam a importância da participação dos cooperados nos processos da cooperativa, sendo
eles mesmos produtores e consumidores dos serviços da cooperativa. Para essa participação
devem existir uma estrutura organizacional e um conjunto de normas de conduta. A estrutura e
a governança são dois fatores ressaltados pelos autores de redes. As relações entre os
cooperados se pautam pelo comprometimento, confiança e cooperação, tripé social que
sustenta as decisões técnicas.
A primeira tarefa de investigação consistiu em uma pesquisa de validação dos
indicadores.
5.2. Apresentação dos dados da pesquisa de validação dos indicadores
A seguir são apresentadas as análises dos juízes e as ações de ajuste dos indicadores,
para a forma final dos instrumentos.
66
QUADRO 7. VALIDAÇÃO DOS INDICADORES
Juiz
Validade de
Estrutura do
Compreens
Sequência
Sugestões do
Ações
constructo
texto
ão do texto
lógica
juiz
realizadas
Incluir
fidelização,
complementari
dade e
aprendizagem
As variáveis do
quadro
criado
pelo autor são
significativas
Esgotar as
possibilidade
s
e
não
interferir em
outras
Itens podem
não
ser
respondidos
Possibilidade de
refazer
as
entrevistas
Juiz
2
Indicadores de
interdependên
cia não são
suficientes
Faltam variáveis
gerenciais como
comunicação
e
cooperação
Os
indicadores
são claros e
de
fácil
compreensão
Sim,
lógica
Incluída uma
frase
sobre
fidelização na
parte teórica.
Indicadores
não
modificados.
As variáveis
citadas estão
inclusas nas
variáveis
utilizadas no
trabalho.
Juiz
3
Incluir formas
de governança
em rede
Fazer alterações
nas variáveis de
confiança,
assimetria
e
governança
Juiz
4
Os indicadores
devem
ser
testados
Fazer ajustes na
variável
assimetria
Juiz
5
Por
não
existirem
dentro
da
literatura
indicadores
pré-definidos,
é de grande
valia a criação
desses
próprios
As variáveis
utilizadas
podem
influenciar a
verificação de
elementos
antecedentes
ou elementos
resultantes
Juiz
1
Juiz
6
.
tem
Acrescentar as
variáveis
de
cooperação
e
comunicação
Os
indicadores
precisam ser
empíricos
Variável
confiança - fazer
um
construto
nas
relações
organizacionais;
Indicador
de
assimetria
acrescentar
solução para a
assimetria.
Formas
de
governança
poderiam
ser
elementos
da
governança.
O constructo
da variável
confiança foi
apresentado na
parte teórica.
Assimetria:
foram
adicionados
indicadores
sobre a
solução
governança:
mantidas as
formas.
Existe
lógica, pois
é de fácil
compreensão
Está
coerente
Apenas ajustar a
variável
assimetria
Foram
adicionados
indicadores
para solução
de assimetrias.
O texto se torna
consistente com o
conteúdo a ser
pesquisado
Sua
compreensão
,
dependendo
do tipo do
ator a ser
entrevistado,
pode gerar
dúvidas.
Se a mesma
foi
determinada
pela
importância
que
representa
ela
está
coerente.
É importante a
triangulação dos
dados com as
respostas para
poder confirmar
a questão de
pesquisa.
Sem
necessidade de
mudanças. As
colocações são
pertinentes ao
conteúdo da
pesquisa.
A
pesquisa
poderia verificar
também
a
existência
e/ou
grau
dos
resultantes
de
cada variável
Os
antecedentes
poderiam
oferecer
informações
sobre o que
observar no
campo
Verificar as
influências
das variáveis
Verificar o que
geram as cinco
variáveis
que
estão
sendo
estudadas.
Sem
mudanças.
Trabalho não
busca verificar
antecedentes e
consequentes.
.
As variáveis
empíricas
devem ser
separadas
das variáveis
teóricas
67
Juiz
7
O
quadro
contribui, mas
não
esgota
todas
as
possibilidades
existentes para
isso
Essas
variáveis
não esgotam as
possibilidades
existentes
Fácil
compreensão
Possui
sequência
lógica
Juiz
8
O conteúdo é
válido,
em
função de sua
construção ser
a partir de
revisão
bibliográfica e
operacionaliza
ção
das
variáveis
predefinidas
As variáveis são
pertinentes
ao
conceito
de
estados de rede
O quadro é
lógico,
objetivo
e
tem
sequência de
variáveis
adequadas
A sequência
é adequada
Procurar
indicadores que
demonstrem a
vitalidade da
rede, se ela está
se adensando,
expandindo,
aderindo a
outras redes etc.
Cada indicador
deveria utilizar
apenas
uma
palavra
para
definir
as
variáveis,
principalmente
nos indicadores
de assimetria e
alteração
do
primeiro
indicador
da
governança
Não houve
mudança.
Trabalho não
tem diretriz de
análise
histórica.
Mudanças
feitas
respeito
conteúdos
variáveis,
forma
gramatical
alterações
algumas
palavras
utilizadas
texto.
a
dos
das
na
e
de
no
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
Resumindo essa etapa da investigação, a pesquisa sobre a validade dos indicadores
indicou a exigência de ajustes, sem desqualificar a tarefa, concluindo-se que os indicadores
são válidos para uso nos instrumentos. O Quadro 6 apresentou a forma já ajustada.
Portanto, tendo sido aprovados os indicadores, a segunda etapa da investigação
consistiu na coleta de documentos que tratam do tema de construção cooperada no Brasil, e a
análise dos documentos complementa item anterior, sobre o contexto do negócio.
5.3. Dados secundários sobre o negócio de construção cooperada no Brasil
A seguir serão apresentados documentos sobre as redes do negócio de construção
cooperada que se tornaram importantes para a pesquisa.
68
QUADRO 8. DOCUMENTOS SOBRE AS REDES DO NEGÓCIO DE CONSTRUÇÃO
COOPERADA
N°
01
Natureza do
dados
Jornal Diário
Oficial da União
21/08/1964
02
Programa de
HabitaçãoMinistério das
Cidades
www.sst.sc.gov.
br/arquivos/id_s
ubmenu/.../publi
icacao_planhab_
capa.p..
03
Jornal O
Cooperativismo
Novembro /
Dezembro 2007
Tema central
Governo Federal
cria a Lei
4.380/1964, que
normatizará a
política nacional de
habitação
coordenando ação
dos órgãos públicos
junto com a
iniciativa privada
para construção de
habitações de
interesse social
através de
cooperativas
habitacionais.
Governo cria o
PNH – Plano
Nacional de
Habitação, com o
intuito de
incentivar governos
municipais a
assessorarem as
cooperativas
habitacionais, para
a construção e
aquisição por parte
da população de
sua casa própria.
Cooperativas
discutem a questão
de governança no
ambiente
cooperativista.
Segundo o diretor,
a forma e o estilo
da governança,
depende do
problema que se
pretende resolver
dada a existência
de inúmeras
estruturas
corporativas e de
diversos tipos de
assimetria de
informação que se
apresentam aos
variados agentes do
mercado, sejam
eles participantes
de cooperativas,
bancos,
construtoras,
agentes fiduciários
Variável presente
Indicador
Relação com o
tema da pesquisa
Governo com
suas regras e
controles aparece
como ator
importante na
determinação do
estado de rede.
Formas de
Governança
3.Controle por
autoridade.
Formas de
Governança
3.Controle por
autoridade.
6.Regras para
compras, trocas e
entregas de bens e
serviços junto aos
parceiros.
Governo com
suas regras e
ações coletivas
aparece como ator
importante na
determinação do
estado de rede.
Formas de
Governança
3.Controle por
autoridade.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
5.Modos de
solução das
diferenças.
A governança e
suas regras na
cooperativa são
fatores que
determinam o
estado de
organização da
rede,
principalmente
em procurar
solucionar as
diferenças
existentes entre
atores da rede. A
ligação dos sinais
de governança
com a solução de
assimetrias indica
uma rede mais
organizada.
69
04
05
06
Manual de
Orientação para
as Cooperativas
Habitacionais
2007
Biblioteca
Virtual
Legislação e
Governo
Programas e
Projetos Sociais
Janeiro / 2009
Informativo
Bradesco
05/11/2009
e outros envolvidos
nas diversas
parcerias.
Com as parcerias
da OCESP, OCB,
CNCOOP e
SESCOOP, a
cooperativa C
promove seminário
a respeito do
trabalho e
importância do
conselho fiscal nas
cooperativas
habitacionais.
Com a presença de
inúmeras
cooperativas, bem
como de advogados
voltados ao ramo
do cooperativismo,
o tema do
seminário voltou-se
para o papel e a
importância do
conselho fiscal nas
cooperativas,
dando apoio e
facilitando o
trabalho dos
mesmos junto aos
cooperados e junto
aos parceiros
quando da
assinatura de
contratos e acordos
realizados entre as
partes.
Governo Federal e
CEF fecham
acordo com
SESCOOP e
OCESP repassando
através de
parcerias, recursos
para as
cooperativas, os
quais possibilitam
construções com
prazos menores,
facilitando entregas
antecipadas aos
cooperados.
Parceria entre o
Bradesco, a
cooperativa C e a
Construtora P
possibilita a todos
os participantes um
Formas de
Governança
2.Regras sobre
penalidades.
3.Controle por
autoridade.
6.Regras para
compras, trocas e
entregas de bens e
serviços.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
1.Participar
regularmente de
reuniões e
decisões.
3.Assumir
responsabilidades
de ações conjuntas
e
4.Percepção entre
os agentes quanto
ao cumprimento
dos acordos.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
5.Modos de
solução das
diferenças.
Presença e natureza
da
Interdependência
1.Sinais da
necessidade dos
recursos que outro
ator possui.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
5.Modos de
solução das
diferenças.
Presença e natureza
da Interdependência
1.Sinais da
necessidade dos
A presença desses
indicadores
indicam redes
mais organizadas
onde as funções
são bem
especificadas a
cada um dos
atores, e os
mesmos assumem
responsabilidade
coletiva para o
cumprimento de
suas tarefas.
Com a
possibilidade de
antecipação das
entregas
diminuem as
diferenças entre
cooperados com
poder de compra
diferenciado. A
ação demonstra
capacidade
organizacional,
responsabilidade e
comprometimento
social com os
cooperados.
A formação de
parcerias entre os
principais
envolvidos
desenvolve laços
e
70
desenvolvimento
maior e mais rápido
dos projetos de
construção, com
entrada de recursos
e tecnologias para
término das obras e
financiamento com
prazos mais longos
dos saldos
devedores.
07
2º Encontro
Internacional das
Cooperativas
Habitacionais
tribunadonorte.c
om.br/news.php
Dezembro /
2009
08
Manual –
SESCOOP
www.brasilcoop
erativo.coop.br/s
Criado em 2010
09
Informativo
Coopercon
12/02/2013
OCB e SESCOOP
promoveram
encontro entre
dirigentes
cooperativistas para
divulgação de
experiências em
países europeus,
com parcerias
públicas e privadas,
suas vantagens e
riscos. Um dos
temas foi que os
resultados
satisfatórios
dependem da
participação dos
vários atores nas
decisões e
controles.
A criação, difusão
e troca de
conhecimentos
sobre o manual do
cooperativismo tem
como finalidade
incentivar e
proporcionar novos
conhecimentos,
novas experiências
e ações conjuntas
aos dirigentes sobre
o que é o que
representa para a
comunidade o
cooperativismo
habitacional.
Cooperativa das
construtoras do
Ceará mobiliza
negociação inédita
para o setor:
A Coopercon,
através de sua
diretoria conseguiu
mobilizar dois
grandes bancos da
recursos que outro
ator possui.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento.
3.Assumir
responsabilidades
de ações
conjuntas.
Sinais e formas de
solução de
assimetrias
5.Modo de
solução das
diferenças.
Presença e natureza
da interdependência
2.Troca de
conhecimentos
entre os atores.
Formas de
Governança
3.Controle por
autoridade.
Presença e natureza
da Interdependência
2.Troca de
conhecimento
entre os atores.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento.
3.Assumir
responsabilidades
de ações
conjuntas.
Formas de
Governança
3.Controle por
autoridade.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
1.Diferenças de
recursos
investidos e
5.Modo de
solução das
diferenças.
relacionamentos.
Neste caso os
laços são
econômicos, mas
a solução de
assimetrias pode
indicar uma rede
de organizações
mais
desenvolvida,
mais
comprometida.
As formas de
solução das
assimetrias
indicam as
diferenças de
organização entre
duas ou mais
redes.
As ações
conjuntas dos
atores das redes e
as trocas de
conhecimentos
entre eles
determina uma
rede mais
desenvolvida,
mais organizada e
mais
comprometida.
A atitude desse
ator demonstra o
alto grau de
comprometimento
com a sociedade,
mesmo que tenha
interesses
próprios, porém,
percebe-se que
com esse trabalho,
71
10
11
Jornal da
OCESP
Abril /2012
Jornal do
Cooperativismo
de Americana
Abril / 2012
região passando a
oferecer um serviço
exclusivo de
crédito imobiliário
para financiar a
produção de
moradias junto as
cooperativas
habitacionais do
estado, isso só foi
possível pelos bons
relacionamentos da
mesma com os
bancos e com as
cooperativas que
trabalham com ela.
Com parcerias do
SESI, SEBRAE,
CREA, Ministério
e da Cidade e
representantes do
governo, a OCESP
promoveu a 1ª
reunião da
comissão criada em
2011, contando
com a presença de
diversos dirigentes
de cooperativas,
representantes de
bancos do Brasil,
Caixa Econômica,
Bradesco, Itaú e do
sindicato da
construção civil,
cujo tema foi
formar parcerias
para o
desenvolvimento e
aprimoramento do
sistema de
construção através
de cooperativas,
com
financiamentos
bancários e com as
próprias
construtoras.
Presença e natureza
da
Interdependência
2.Necessidade de
troca de
conhecimentos de
um ator para
outro.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
3.Assumir
responsabilidades
de ações
conjuntas.
Natureza e formas
de solução de
Assimetria
5.Modo de
solução das
diferenças.
Presença e natureza
da
Interdependência.
2.Necessidade de
troca de
conhecimentos de
um ator para
outro.
Com o patrocínio
da ONU, AIC,
OCESP, OCB,
SESCOOP, de
várias cooperativas
do Brasil, CEF,
Banco do Brasil,
ONGs e Governo
Formas de
Governança
3.Controle por
autoridade.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
5.Modo de
solução das
diferenças.
Presença e natureza
5.Necessidade de
procura se
relacionar com os
demais parceiros
e com eles
assumir
responsabilidade e
ações conjuntas.
Após esta decisão
por parte desses
atores, percebeuse que algumas
cooperativas,
bancos e
construtoras ao
assumirem essa
responsabilidade
de se encontrarem
mais
assiduamente,
passaram a trocar
mais informações,
conhecimentos e
experiências o
que proporcionou
maiores
relacionamentos e
intercâmbios entre
as mesmas, com
isso diminuiu em
muito certas
diferenças que
levavam muitas
vezes cooperados
a duvidarem até
do sistema, com
isso passou a
haver uma maior
integração o que
demonstra a
capacidade dos
mesmos se
organizarem em
parcerias.
A notícia indica a
consciência da
necessidade de
ações coletivas,
implicando que
essas ações ainda
não são
dominantes no
72
12
Jornal de
Economia
Solidária
Março / 2012
Federal, como
também da
Federação
Uruguaia de
Cooperativismo
Habitacional e da
Federação
Argentina de
Cooperativismo,
foi realizado em
Americana o 1º
Encontro
Internacional do
Cooperativismo,
para comemorar o
Ano Internacional
do Cooperativismo2012, cuja
finalidade foi
proporcionar
conhecimentos,
trazer novas
experiências e
traçar novos
caminhos para o
ramo do
cooperativismo,
Fórum: sobre o
cooperativismo
habitacional:
desenvolvimento
de uma cultura de
cooperação,
conhecendo novas
realidades,
identificando novos
negócios,
colocando as
cooperativas para
interagirem com o
intuito das boas
práticas entre as
mesmas serem
disseminadas
através de controles
realizados pelos
seus dirigentes e a
participação
conjunta de
cooperados e
parceiros.
A cooperativa C
promove encontro
das Cooperativas
Habitacionais,
Finalidade
desenvolver
parcerias das
cooperativas com o
intuito de melhorar
da
Interdependência.
troca de
conhecimentos
entre os atores.
Sinais da presença e 1.participar de
conteúdo de
reuniões e
Comprometimento
decisões que
levam a ações
conjuntas.
Sinais da presença e 4.Sinais que um
conteúdo de
ator acredita e
Confiança
segue as regras e
ramo. Significa,
para o tema, que
os grupos do
negócio
encontram-se em
um estado ainda
latente de
organização.
O ator C1 busca
criar consciência
da necessidade de
trabalho conjunto,
com o objetivo de
alterar a situação
atual e promover
ações coletivas e
de parcerias
73
o desempenho das
mesmas e se
solidificarem no
ramo imobiliário.
13
Jornal da
OCESP
Junho / 2012
14
Jornal o
Consumidor
Moderno
Setembro / 2012
15
APAMP
Outubro/2012
metas.
A importância da
confiança,
comprometimento,
participação efetiva
e cobrança das
metas por parte dos
cooperados junto as
cooperativas
demonstrando a
importância desses
fatores para a
continuidade e
desenvolvimento
das cooperativas no
Estado de São
Paulo.
Cooperativas
habitacionais auto
gestoras se tornam
mais procuradas
pelo público depois
que passaram a dar
maior transparência
e credibilidade em
seus projetos.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
3.Assumir
responsabilidade
de ações
conjuntas.
4.Percepção entre
os agentes quanto
ao cumprimento
dos acordos.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
4.Percepção entre
os agentes quanto
ao cumprimento
dos acordos.
Sinais da presença e
conteúdo de
Confiança.
5.Sinais que um
ator acredita na
integridade das
pessoas que fazem
parte da rede.
Associação Paulista
de Apoio aos
Mutuários
Prejudicados
buscam melhoria
do setor de
construção em
particular das
cooperativas
habitacionais para
evitar abusos e
descumprimento de
contratos e normas
pré-estabelecidas.
Segundo parecer da
associação, as
cooperativas, os
bancos e as
construtoras devem
apresentar
transparência em
suas informações
de maneira que os
cooperados tenham
conhecimento
suficiente a
respeito de todos os
seus direitos e
obrigações em
Formas de
Governança
3 controle por
autoridades a
respeito das regras
estabelecidas.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento.
4.percepção entre
as pessoas pelo
cumprimento dos
acordos.
através do
comprometimento
e confiança entre
os atores das
redes.
A integração entre
os atores
colocando as
ações coletivas
como fatores
primordiais
priorizando a
confiança e o
comprometimento
, solidificam essas
parcerias podendo
criar uma rede
mais funcional.
As variáveis
sociais atraem
outros atores, o
que demonstra
uma rede melhor
organizada de
uma forma que
transmite
confiança a todos
que dela participa.
Por ser uma
associação
voltada a todos
que adquirem
moradias, seja ela
pelo sistema de
construtoras ou de
cooperativas,
essas regras de
proteção e
controle
normatizaram
todo o sistema
determinando
novas atitudes
para obrigar as
empresas a
cumprirem os
acordos.
74
16
17
Jornal Brasil
Cooperativo
2012
Evento
1º Encontro
Nacional do
Cooperativismo
Habitacional
Auto gestor.
www.paranacoo
perativo.coop.br/
.../index.php?
encontro
25/08/2013
relação ao
conteúdo no ato de
assinatura da
proposta de
aquisição da quota
parte da
cooperativa que
passaram a
integrar.
OCB e SESCOOP
discutem em
reunião com as
cooperativas a
questão da
governança nas
cooperativas
habitacionais, de
forma que todos
possam se utilizar
dos mesmos
princípios que
regem o
cooperativismo
unificando as
normas para não
haver dúbia
interpretação de
valores.
Finalidade: Criar
ações coletivas
facilitando os
financiamentos
bancários para as
cooperativistas de
forma a facilitar e
antecipar as
entregas das
moradias.
Sindicato dos
bancos privados e
estatais apresentam
proposta de repasse
de recursos para as
cooperativas
habitacionais,
antecipando
valores,
possibilitando as
mesmas mais
recursos para
agilização das
obras e entrega das
Formas de
Governança
3.Controle por
autoridade.
4.Regras sobre
igualdade entre
atores.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
2.Diferenças de
objetivos;
5.Modo de
solução das
diferenças.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
4.Percepção entre
os agentes quanto
ao cumprimento
dos acordos.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
5.Modos de
solução das
diferenças de
recursos.
Presença e natureza
da Interdependência
5. Existência de
promessas de
continuidade
relacional entre
um ator para
outro.
Estes
procedimentos
determinaram
processos e regras
iguais entre elas,
facilitando o
entendimento por
parte dos
cooperados seja
em uma ou outra
a que ele se
integrará.
Isto representa
atitudes
controladas e sem
diferenças entre
elas, trazendo
maior
credibilidade e
fidelidade para o
ramo
cooperativista o
que determina um
estado de
organização mais
desenvolvido para
a rede.
Ao injetar
recursos nas
cooperativas, por
parte de um ator
proporcionando
solução para as
diferenças de
recursos de alguns
cooperados e de
algumas
cooperativas,
demonstra a
preocupação do
trabalho conjunto.
75
18
19
Sistema OCB
faz ponte entre
as cooperativas
habitacionais, o
Banco Central e
os bancos
estatais.
Evento
Encontro
Nacional das
Cooperativas do
Brasil
www.diarioliber
dade.org
› Brasil › Consu
mo e meio
natural
18/10/2013
moradias.
Nos projetos do
governo a verba
será por parte dos
bancos estatais
(casas populares) e
nos projetos
particulares (casas
com melhores
padrões para outras
faixas de renda) os
financiamentos
serão por parte da
rede privada.
OCB reúne
representantes de
cooperativas
habitacionais, do
banco Central e dos
bancos estatais para
lançar o fundo
garantidor de
crédito o que
fortalecerá o
sistema
cooperativista
dando a ele maior
credibilidade e
confiança junto aos
cooperados,
construtoras e
empreiteiras, bem
como perante a
própria sociedade
com o intuito de
promover a
fidelização de
novos parceiros.
A cooperativa C,
promove encontro
entre cooperativas
habitacionais e
cooperados do
Brasil cuja
finalidade é
demonstrar a
importância do
trabalho coletivo
entre os
cooperados, a
confiança e o
comprometimento
com as
cooperativas de
forma a atingirem
os objetivos
propostos.
Sinais de formas
para diminuir a
assimetria
5.Modos de
solução das
diferenças de
recursos.
Sinais da presença
de
Comprometimento
1.Participar de
reuniões e
decisões que
levam a ações
conjuntas.
3.Assumir
responsabilidades
de ações
conjuntas.
5.Existência de
promessas de
continuidade
relacional entre os
parceiros.
Sinais da presença e
conteúdo de
Confiança
4.Sinais que um
ator acredita na
integridade das
pessoas que fazem
parte da rede.
1.Participar de
reuniões e
decisões que
levam a ações
conjuntas.
2.Ajudar a outro,
mesmo sem
benefício próprio.
3.Assumir
responsabilidades
de ações
conjuntas.
5.Existência de
promessas de
continuidade
relacional entre os
parceiros.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
Sinais da presença e
conteúdo de
Confiança
4.Sinais que um
ator acredita na
integridade das
As variáveis
mostram o
caminho da
legitimação e
reconhecimento
do negócio,
indicando o
trabalho conjunto
entre todos, o que
pode criar uma
rede mais
estruturada e
organizada.
O ator busca criar
consciência da
necessidade de
trabalho conjunto,
com o objetivo de
alterar a situação
atual de falta de
informação e
isolamento dos
cooperados em
relação as
decisões e ações
praticadas pela
rede.
76
20
Vº ECHA –
Encontro das
Cooperativas
Habitacionais
Auto
gestionárias
De 23 a
25/10/2013
www.observator
iodasmetropoles.
net/index.php?6
94%3Avºecha...enco.
26/10/2013
- Tema: Expansão
do cooperativismo
habitacional no
Brasil, condições
atuais de gestão das
cooperativas
habitacionais no
mercado
imobiliário e sua
importância para a
sociedade.
Apoio da FUCVAM Federación
Uruguaya de
Cooperativas de
Vivienda por
Ayuda Mutua
- SESAMPE RS Secretaria Estadual
da Economia
Solidária e Apoio à
Micro e Pequena
Empresa
-COOHABRASCooperativa
Habitacional
Central do Brasil,
ONU-Habitat e da
UNISOL Brasil –
Programa das
Nações Unidas
para os
Assentamentos
Humanos e Central
de Cooperativas e
Empreendimentos
Solidários. Com a
presença de grande
parte das
cooperativas
habitacionais do
Brasil, foi discutido
durante o encontro
o papel
representado pelas
mesmas junto a
sociedade e a
necessidade do
trabalho conjunto.
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
pessoas que fazem
parte da rede.
5.Modos de
solução das
diferenças.
Presença e natureza
da Interdependência
2.Troca de
conhecimento de
um ator para com
o outro.
Formas de
Governança.
3.Controle por
autoridade;
5.Regras sobre
igualdade entre
atores.
A notícia da
necessidade de
ação conjunta
mostra que essa
situação ainda não
é dominante no
negócio. Pode-se
afirmar, pelo
conteúdo, que os
grupos do negócio
não se encontram
num estado
organizado, de
trabalho coletivo.
A partir do quadro sobre dados secundários relacionados ao cooperativismo
habitacional, pode-se afirmar que os mesmos foram convergentes em abordar especificamente
dois temas:
77
a) Assuntos sobre questões financeiras, ou seja, sobre decisões financeiras cuja intenção é
facilitar a aquisição dos imóveis por parte dos cooperados;
b) Necessidade de trabalho coletivo, ou seja, acordos de união entre partes, divulgando a
filosofia, os princípios e a consciência cooperativista para o alcance de objetivos comuns a
todos.
Sobre questões financeiras, racionais e econômicas, a preocupação maior foi de
demonstrar
acordos
firmados
pelas
organizações,
principalmente
as
cooperativas
habitacionais, os bancos, as construtoras e o governo, com o intuito de facilitar a aquisição das
moradias, créditos imobiliários e antecipações de recursos para antecipar as obras.
Quanto ao aspecto de trabalho coletivo e sobre relacionamento social, notou-se que
ainda é pequena a conscientização por parte dos parceiros em ações coletivas e por isso se
insiste muito na questão.
A conclusão parcial criada a partir dos dados secundários apresentados é que as
organizações parecem mais voltadas ao racional e econômico, ao atingimento de seus
objetivos, com poucas ações coletivas. Em termos de estados de rede indica que os grupos
estão ainda se organizando, com alguma consciência do coletivo, mas sem ações nesse
sentido. Seria uma espécie de redes latentes.
Como forma de compreensão do contexto das regiões e das cooperativas selecionadas,
foram coletados dados secundários de fontes técnicas, constando de entrevistas com o diretor
do CRECI, com o secretário estadual do Ministério da Cidade e com o secretário de habitação.
Foram também coletados dados de fontes secundárias de entrevistas gravadas nos programas
desenvolvidos por cooperativas do Estado de São Paulo. Os discursos foram analisados
conforme as regras de análise temática, selecionando-se alguns pontos convergentes e
questões básicas colocadas pelos sujeitos.
Para o representante da OCESP o cooperativismo habitacional é o ramo que ainda se
encontra em um estado inicial de desenvolvimento, necessitando muito ainda do trabalho
coletivo, de comprometimento e confiança entre os envolvidos. Na mesma linha, o diretor da
UNISOL afirma que o grande problema do cooperativismo habitacional é a falta de confiança
e comprometimento entre os participantes, criando problemas ao trabalho conjunto.
Comenta ainda o sujeito que, por causa dessa lacuna, sua instituição desenvolve
treinamentos, cursos, palestras voltados para os princípios cooperativistas, a responsabilidade
e o comprometimento entre os participantes, buscando o fortalecimento das parcerias.
Os discursos do prefeito e do secretário de habitação da cidade de Itanhaém são mais
otimistas. Para eles o cooperativismo habitacional foi compreendido e desenvolvido na região,
78
com várias cooperativas atuando, gerando emprego e negócios. Até as próprias cooperativas
estão se unindo entre si, para negócios conjuntos, o que não ocorre em outros locais. A
prefeitura também está nesse grupo, auxiliando nos tramites dos processos.
Já a secretária do Ministério das Cidades no Estado de São Paulo mostrou um discurso
do que deve ser feito, incluindo os programas sociais, um pouco afastados do tema deste
trabalho. O plano é decorrência de alguns exemplos conhecidos pela secretária, onde o
cooperativismo está desenvolvido.
Finalmente, o discurso do diretor administrativo do CRECI em São Paulo ressaltou
mais a concorrência entre cooperativas e construtoras do que a cooperação. Sobre cooperação,
seu discurso foi no plano do que deve ser feito, como o sujeito anterior.
As entrevistas mostram diferentes perspectivas dos sujeitos, em parte por diferentes
contextos locais e, em parte, pelas experiências e convicções pessoais. A situação de um
estado de organização mais desenvolvido parece estar no município de Itanhaém, ao passo que
a situação mais competitiva, portanto menos cooperativa, estaria no município de São Paulo.
Apesar dessas diferenças de fato, os sujeitos são convergentes na afirmativa dos benefícios se
houvesse maior cooperativismo entre os agentes.
Nos parágrafos seguintes apresentamos alguns dados iniciais das cinco cooperativas
selecionadas para o trabalho.
Todas elas são cadastradas na OCB, SESCOOP e Sindicato das Cooperativas
Habitacionais do Estado de São Paulo. Suas características comuns são: sede no Estado de São
Paulo; cooperativas de autogestão; constroem casas, sobrados e apartamentos unitários ou em
condomínios; preços menores que o das construtoras ou empreiteiras; constroem
exclusivamente para os cooperados; possuem diretoria eleita pelos cooperados em
assembleias; entregam residências pelo processo de sorteio ou cronograma de inscrição; não
têm vínculo institucional com o governo federal, estadual e municipal.
Essas cooperativas foram escolhidas pelos seguintes critérios:
a) Bem
avaliadas
pela
OCB,
OCESP
e
SESCOOP
nos
critérios
transparência,
responsabilidade e credibilidade;
b) Bem avaliadas também pelos cooperados e dirigentes das cooperativas no critério
comprometimento, conforme pesquisa prévia do autor;
c) Projetos das cooperativas selecionadas trouxeram melhorias nos bairros e nos serviços
públicos;
d) Grande número de associados;
79
e) História de decisões sobre as regras que são importantes na análise da estrutura da rede da
qual participam;
f) Não são exclusivamente dependentes do governo;
g) Estão com o cronograma de obras de acordo com estatutos e regimentos internos e
h) Possibilitam acesso do autor aos dados.
Sendo que uma delas é a maior aglomeração de cooperados do Brasil, uma tem um
sistema de operação considerado modelo pelas demais, uma ainda ter participação evidente em
eventos, cursos e fóruns voltados ao cooperativismo habitacional (educação cooperativista,
formas de governança, comprometimento, ações coletivas e transparências nas informações,
como proporcionar maior confiança entre cooperativas e cooperados), outra construindo
apenas moradias no litoral e finalmente outra ainda tendo como base o interior de São Paulo.
Nos itens seguintes são apresentados os dados organizados para cada rede em que se
encontra cada cooperativa
5.4. Apresentação dos dados da rede A
A cooperativa A foi fundada em 1991, localizada no centro da cidade de São Paulo.
Formada somente por cooperados que fazem parte do funcionalismo público, entregou até o
momento (final de dezembro de 2013, conforme site oficial) 4.630 moradias, representando
95,7% das 4.835 unidades sob sua responsabilidade em 11 projetos. A cooperativa construiu
prédios de apartamentos em vários bairros do município de São Paulo e interior, e atualmente
sua principal atividade é a entrega dos apartamentos faltantes, pois não pretende, de acordo
com a atual diretoria, criar projetos para os próximos anos, antes de encerrar as entregas
pendentes.
5.4.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede A
A seguir são apresentados os documentos mais importantes sobre fatos que envolvem a
rede da cooperativa A e que tem relação com a pesquisa.
80
QUADRO 9. DADOS SECUNDÁRIOS DA REDE A
N°
01
02
03
Natureza do
documento
Ata de
Constituição e
de Regimentos
27/08/1991
Contratos de
Prestação de
Serviço
1993, 1995,
1998, 2003,
2005, 2007,
2009, 2011 e
2013.
Contratos de
financiamento
de obras através
de parcerias com
diversos bancos
1993, 1995,
1998, 2003,
Tema central
Composto de regras de
controles para
constituição, admissão e
exclusão, regimentos
internos sobre
relacionamentos de
cooperados e diretoria,
formas de distribuição,
recursos, direitos e
obrigações da diretoria,
cooperados e outros
atores, obrigação de
participar das
assembleias nas eleições
e mudanças estatutárias,
como também nas
assembleias de sorteios e
entregas.
Cooperativa contrata
empresa para construção
de condomínios
habitacionais.
A cooperativa A, de
acordo com regimento
interno e cronogramas de
entregas, contrata
construtoras para
construir os prédios
conforme estabelecido
em contrato com seus
cooperados, sinalizando
dessa forma sua
responsabilidade no
cumprimento e
comprometimento das
regras estabelecidas por
ocasião das inscrições
feitas pelos cooperados,
como também da
necessidade de parcerias,
recursos e tecnologias
que a mesma não possui
para complementar seu
trabalho como
cooperativa. O contrato
prevê trocas de recursos
tecnológicos.
A Cooperativa necessita
de recursos, incluindo
financeiros, pois não
consegue construir
sozinha. O documento
mostra vários contratos
com bancos. O estatuto
Variável
presente
Formas de
Governança
Indicador
1.Regras sobre
admissão e
exclusão.
2.Regras sobre
penalidade.
3.Controle por
autoridade.
Sinais da
presença e
conteúdo de
Comprometim
ento
1. Participar
regularmente de
reuniões e
decisões.
6. Sinais de
disposição de
continuidade
dos
relacionamentos
Presença e
natureza da
Interdependên
cia
1.Sinais da
necessidade dos
recursos que
outro ator
possui.
2.Necessidade
de trocas de
conhecimentos
entre os atores.
Natureza e
formas de
solução de
Assimetrias
1.Diferença de
recursos
investidos.
4.Diferença de
domínio
tecnológico.
Formas de
Governança
2.Regras sobre
penalidades.
3.Controle por
autoridade, ou
reputação.
Presença e
natureza da
Interdependên
cia
1.Sinais da
necessidade dos
recursos que
outro ator
possui.
2.Necessidade
de trocas de
Relação com o
tema da pesquisa
Esse documento
indica a maneira
de formação dos
grupos de
cooperados,
indicando como
deve ser uma rede
mais organizada e
estruturada,
controlando o
comportamento e
incentivando
ações coletivas.
Nesse documento
fica visível as
normas e regras
que devem ser
seguidas por
todos que dela
participa.
Neste caso a
cooperativa A
assumiu um papel
principal.
Esse contrato
representa a
necessidade da
cooperativa em se
utilizar dos
recursos dos
parceiros e, ao
mesmo tempo,
colocar seus
próprios recursos
à disposição. Essa
reciprocidade
indica uma rede
mais organizada.
A cooperativa foi
o ator principal
nesses
documentos.
Os contratos
representam a
necessidade da
81
2005, 2007,
2009, 2011 e
2013.
04
05
Site Jus
Navegandi
20/01/2005
Site da
Cooperativa A
2013
da cooperativa inclui
regras de contratos de
terceiros.
Os recursos obtidos pela
cooperativa são
repassados para as
construtoras, o que
implica em trocas de
informações e
conhecimentos.
Cooperado reclama da
não transparência nos
reajustes das prestações
da cooperativa.
A cooperativa se defende
afirmando que essas
normas constam do
próprio estatuto e que
maiores esclarecimentos
por parte da cooperativa
foram dadas em
assembleias ou
particularmente aos
cooperados interessados,
alega também o
desinteresse do
cooperado em participar
e procurar
esclarecimentos sobre as
regras da cooperativa.
Cooperados pedem
esclarecimento a
cooperativa e aos órgãos
públicos sobre eventuais
irregularidades no
processo e no prazo de
entrega das moradias.
Segundo alguns
cooperados, a
cooperativa atrasou a
entrega das moradias
cujos prazos já estão
vencidos.
Alegou a cooperativa que
isso foi justificado pela
condição climática que
conhecimentos
entre os atores.
3.Sinais da
aceitação da
existência de
custos para cada
um na rede para
que haja um
ganho coletivo.
Natureza e
formas de
solução de
Assimetrias
1.Diferença de
recursos
investidos.
Formas de
Governança
Sinais da
presença e
conteúdo de
Comprometim
ento
2.Regras sobre
penalidades.
1.Participar
regularmente de
reuniões e
decisões;
4.Percepção
entre os agentes
quanto ao
cumprimento
dos acordos.
Sinais da
presença e
conteúdo de
Confiança
5.Sinais que um
ator acredita na
integridade das
pessoas que
fazem parte da
rede.
Formas de
Governança
4.Controles
sociais com
informações
6.Regras para
compras, trocas
e entregas de
bens e serviços
junto aos
parceiros
Sinais da
presença e
conteúdo de
Comprometim
ento
3.Assumir
responsabilidad
es de ações
conjuntas;
4. Percepção
entre os agentes
quanto ao
cumprimento
dos acordos;
Sinais da
presença e
conteúdo de
Confiança
4.Sinais que um
ator acredita e
segue as regras
e metas
estabelecidas na
rede mesmo
cooperativa em se
utilizar dos
recursos dos
parceiros e, se for
possível, colocar
seus próprios
recursos à
disposição.
A notícia indica
existência de
conflitos entre
atores, uma parte
alegando falta de
transparência e
outra se
esforçando por
resolver o
conflito,
indicando uma
rede não tão
organizada
principalmente
nos canais de
comunicação
entre a própria
cooperativa e os
cooperados,
fazendo com que
haja por parte do
mesmo,
desconfiança em
relação às
informações e
integridade da
própria diretoria.
A notícia indica
existência de
pedidos de
esclarecimentos
entre atores,
indicando uma
rede com
problemas a
serem resolvidos.
Os cooperados
mostram sinais de
desconfiança
sobre as
capacidades
operacionais da
cooperativa.
82
06
07
Site Reclame
Aqui
Junho / 2013
Diário Oficial da
Justiça de São
Paulo
13/09/2013
inviabilizou o processo
de construção, levando
também a atrasos nas
entregas de materiais e,
por conseguinte, o atraso
nas entregas.
A cooperativa se pôs à
disposição dos
cooperados para sanar
qualquer dúvida a
respeito do assunto,
prometendo a entrega o
mais rápido possível e se
comprometendo e
assumindo
responsabilidades com a
construtora no intuito de
viabilizar a entrega no
menor prazo possível.
Cooperados pedem
esclarecimento a respeito
dos valores a serem
devolvidos pelo
cancelamento da
inscrição. A cooperativa
responde sobre os
processos normais e seu
diretor financeiro afirma
que a reclamação não é
justa, pelo que está no
contrato.
Cooperados entram na
justiça solicitando
esclarecimento sobre
valor da devolução das
quotas partes quando do
encerramento das obras.
Segundo estatuto, após
encerramento das obras.
O valor das sobras deve
ser dividido em partes
iguais entre os
cooperados que
receberam suas moradias
e que fazem parte do
grupo.
Foi explicado que tais
cotas serão devolvidas
quando todos os
participantes do grupo
receberem seus imóveis e
não quando parte dos
mesmos tenham sido
contemplados, ficando os
demais ainda a
sendo informais;
5.Sinais que um
ator acredita na
integridade das
pessoas que
fazem parte da
rede.
Formas de
Governança
6. Regras para
compras, trocas
e entregas de
bens e serviços
junto aos
parceiros.
Formas de
Governança
1.Regras sobre
admissão e
exclusão de
atores do grupo
mais restrito.
6. Regras para
compras, trocas
e entregas de
bens.
Sinais da
presença e
conteúdo de
Confiança
4. Sinais que um
ator acredita e
segue as regras
e metas
estabelecidas na
rede mesmo
sendo informais.
6.Regras para
compras, trocas
e entregas de
bens e serviços
junto aos
parceiros.
Formas de
Governança
Sinais da
presença e
conteúdo de
Confiança
5.Sinais que um
ator acredita na
integridade das
pessoas que
fazem parte da
rede
A presença dessa
reclamação indica
a falta de
comunicação e de
comprometimento
entre as partes. As
regras não são
claras, ou não são
entendidas,
gerando
desconfiança.
Os dados indicam
uma rede não tão
organizada.
A notícia indica a
existência de
conflitos
originados por
diferenças de
valores
financeiros
repassados,
ocasionando
diminuição ou
ausência de
confiança sobre a
instituição e as
regras. A resposta
da cooperativa
indica esforço de
elucidação dos
conflitos.
Os dados indicam
uma rede com
problemas, mas
atores decididos a
resolvê-los.
83
08
Site da
Cooperativa A
Outubro 2013
receberem.
Cooperativa se destaca
pela responsabilidade na
entrega de conjuntos
habitacionais.
Segundo a OCESP e os
próprios cooperados, a
cooperativa demonstrou
um grande
comprometimento no
cumprimento das regras
preestabelecidas em
contrato a respeito das
datas de entregas de seus
empreendimentos, isso
ficou justificado pelo
auto grau de
responsabilidade da
cooperativa com seus
cooperados, com seus
parceiros e os mesmos
com a própria
cooperativa.
Sinais da
presença e
conteúdo de
Comprometim
ento
2.Ajudar a
outro, mesmo
sem benefício
próprio;
3.Assumir
responsabilidad
es de ações
conjuntas;
4. Percepção
entre os agentes
quanto ao
cumprimento
dos acordos;
Sinais da
presença e
conteúdo de
Confiança
4.Sinais que um
ator acredita e
segue as regras
e metas
estabelecidas na
rede mesmo
sendo informais;
5.Sinais que um
ator acredita na
integridade das
pessoas que
fazem parte da
rede.
Formas de
Governança
6. Regras para
compras, trocas
e entregas de
bens e serviços
junto aos
parceiros.
A existência
dessas variáveis
indica as formas e
o estado de
governança dessa
rede.
A notícia indica
uma rede com
atores
comprometidos e
com confiança,
bases para uma
rede organizada e
funcional.
Fonte: Construção do próprio autor (2014)
A partir dos dados secundários coletados sobre a rede A, onde se encontra a
cooperativa A, pode se verificar sinais da presença das variáveis da pesquisa, demonstrando
interesse por ações coletivas por parte de alguns e descontentamento com os resultados do
negócio e da cooperativa por parte de outros, mas ao mesmo tempo, de acordo com dados
pesquisados a rede foi reconhecida pela sua capacidade e transparência.
O subgrupo compreendido entre cooperativa e cooperados apresenta sinais
contraditórios de presença/ausência de confiança e comprometimento. Ora os documentos
indicam falta de confiança (documento 7), ora indicam confiança (documento 8). Pode-se
afirmar então que esta rede em alguns momentos demonstra muitos conflitos entre os atores,
motivados por falhas de comunicação e informação entre os mesmos e em outros momentos, a
rede procura criar maior comprometimento e confiança.
84
5.4.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede A
A seguir serão apresentados os dados sobre o questionário utilizado na pesquisa da
Rede A:
TABELA 1. RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO SOBRE A REDE A
Perguntas
Nem
Discordo
Discordo
totalmente
concordo
Concordo
Concordo
totalmente
nem discordo
Presença e natureza da Interdependência
1
2
4
1
2
2
2
1
2
3
2
3
2
4
1
3
3
4
5
1
1
1
6
1
3
3
1
4
7
Total
0
(12%)
06
(20%)
10
(39%)
19
2
(29%)
14
Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento
8
9
4
3
4
2
6
1
1
4
1
1
4
2
4
3
1
10
11
1
12
13
14
4
2
1
15
1
4
2
16
1
4
2
4
3
17
Total
0
(9%)
06
(9%)
06
(55%)
39
(27%)
19
Sinais da presença e conteúdo de Confiança
18
4
19
20
1
21
1
22
Total
2
1
2
4
1
1
4
1
4
2
1
0
(17%)
Natureza e formas de solução de Assimetrias
06
(17%)
06
6
(54%)
19
(12%)
04
85
23
1
24
1
25
1
26
2
27
1
6
5
3
1
3
5
3
3
28
6
Total
0
(11%)
05
(17%)
07
(67%)
28
1
(5%)
02
Formas de Governança
29
7
30
4
3
31
5
2
5
1
32
1
33
3
1
34
2
1
1
35
Total
(6%)
03
(6%)
03
(4%)
02
TOTAL
(1%)
03
(11%)
26
(12%)
31
(65%)
(56%)
4
2
6
1
32
(19%)
09
137
(20%)
48
GERAL
Fonte: Construção do próprio autor (2014)
Este questionário composto de 35 questões, com cinco alternativas, com escala de
Likert, foi entregue a 07 atores da rede - 3 cooperados, 1 funcionário da cooperativa, 1
funcionário de construtora, 1 funcionário de banco e 1 advogado.
Considerando as respostas do questionário, a pesquisa mostrou uma percepção de uma
rede equilibrada, comprometida, com regras claras para os atores, com relacionamentos
sociais, onde os mesmos depositam muita confiança nos demais sujeitos da rede e há muito
comprometimento. Por outro lado, existiram altos índices de respostas “nem concordo, nem
discordo”, mas não foi possível determinar o motivo, podendo ser (a) o sujeito não entendeu a
questão; (b) o ponto não é importante; (c) o sujeito não tem informações suficientes para
responder. Portanto, em relação à resposta de pesquisa com os dados obtidos, diferentemente
dos documentos, podemos concluir que esta é uma rede parcialmente organizada, com sinais
de desenvolvimento no sentido de esforço de solução de problemas; onde o social se faz
presente.
86
5.4.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede A
Sujeito A1
Presidente da cooperativa está no mandato desde 2011, durante a entrevista ela se
posicionou a respeito da forma em que a cooperativa trabalha, ou seja, exclusivamente com
funcionários públicos do estado de São Paulo, construindo apartamentos em condomínios
fechados no município.
Um ponto muito importante citado por ela, foi que: “Mesmo sendo tão criticado o
sistema cooperativista, ainda é o melhor meio para a população adquirir sua casa própria, a
grande questão é os cooperados entenderem, assimilarem e cobrarem seus direitos junto as
mesmas, participando, opinando e dando sempre um pouco de si para que o coletivo seja
utilizado em benefício de todos”.
Comentou também que: “Nos últimos anos, houve um grande desinteresse por parte
dos funcionários públicos em adquirem suas moradias através da cooperativa, principalmente
pelo surgimento de outros tipos de projetos por parte do governo”.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram relevantes:
De acordo com ela, a cooperativa depende dos recursos de seus cooperados e eles dos
recursos da cooperativa, com seus parceiros (bancos, construtoras e entidades reguladoras) a
necessidade é a mesma, inclusive trocam informações, experiências, conhecimentos com o
objetivo de crescimento e desenvolvimento, colocados à disposição um do outro objetivando
facilitar o trabalho conjunto e ganho para atingir o objetivo final.
Para que isso seja realizado entre todos, passa a haver um grande comprometimento e
confiança entre as partes, pois, tais atitudes só trazem benefícios, seja na tomada de decisões
conjuntas, seja nas opiniões, seja nos próprios relacionamentos o que contribui para que os
mesmos continuem disponibilizando seu tempo para ajudar a atingir as metas propostas, tanto
que muitas vezes, disse ela, aceitando e cumprindo regras e acordos informais, pois ainda não
tiveram os contratos assinados e aprovados, porém, com a certeza que os mesmos foram, são e
serão totalmente cumpridos, o que demonstra a confiança existente entre os envolvidos.
Ao ser questionada sobre a frequência em que se dá esses relacionamentos, ela
informou que é praticamente no dia a dia, onde os cooperados ligam ou vão até a cooperativa
para saber de seus interesses, participam das reuniões, dando opiniões, contribuem com seus
conhecimentos e experiências, inclusive citou exemplos de cooperados que disponibilizam seu
tempo e sua profissão em prol da própria cooperativa, exemplos: advogados e funcionários
ligados a órgãos governamentais.
87
Já com os parceiros disse ela: “Embora existam muitos contatos, não são tão assíduos,
sendo mais para analisar e administrar os contratos existentes e acompanhar seus trabalhos,
embora muitas vezes em tais encontros se troca conversas a respeito de assuntos não
condizentes com o trabalho”.
Ao ser questionada a respeito de determinadas diferenças existentes na rede, ela
comentou que: “Infelizmente ainda existem muitas diferenças entre os cooperados,
principalmente no que se refere a recursos, ou objetivos, quanto aos recursos ela citou o caso
de cooperados com ganhos menores que a maioria e que devem ser classificados em grupos
separados e também de parceiros cujos objetivos são muito mais comerciais, cumprindo
praticamente os contratos vigentes, porém, nunca percebeu ou não teve conhecimento que
determinadas diferenças viessem a trazer qualquer forma de conflito entre eles, tanto que
através das regras e normas existentes tais assuntos não se tornam motivos de dúvidas, sendo
elas criadas de forma democrática estabelecendo direitos e obrigações pra os atores”.
Assim sendo, pode-se afirmar que, considerando o conjunto das respostas obtidas pela
entrevista com o sujeito A1, notou-se a presença das variáveis e para o mesmo tal presença
representa o grau de envolvimento entre a cooperativa e os cooperados principalmente no que
se refere ao comprometimento e confiança dos mesmos em relação a cooperativa e da
cooperativa com eles, tais relacionamentos são sociais e se tornam muito significativo quando
se desenha a rede em que a cooperativa se encontra e a sub rede onde os colaboradores e os
cooperados estão, demonstrando uma rede organizada, porém, ao se observar seus comentários
a respeito das parcerias, o paradigma se torna mais racional, pouco desenvolvida, estando
ainda em um estado latente, sem a consciência de um trabalho conjunto.
Sujeito A2
Gerente de conta bancária, ele informou em conversa realizada na agência que a
cooperativa representa um de seus clientes e com eles o relacionamento é mais comercial do
que social, porem em diversas oportunidades visita os clientes inclusive a cooperativa e com
eles troca informações sobre o trabalho realizado, sobre suas necessidades e o atendimento que
o banco está lhe oferecendo.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram relevantes:
Mesmo reconhecendo que os relacionamentos são mais formais, ele informou que o
banco tem grandes relações com seus parceiros, pois depende dos recursos dos mesmos e eles
dependem dos recursos do banco: “Assim, nosso banco passa a analisar informações sobre os
clientes, procurando conhecer suas necessidades objetivando facilitar o trabalho e atender na
88
medida do possível suas necessidades, para que isso aconteça é necessário trocarmos
informações com os mesmos e eles conosco, nossos conhecimentos e nossas experiências a
respeito de investimentos e financiamentos são muito importante para eles e muitas vezes
inclusive somos questionados a respeito do que fazer e como fazer com os recursos excedentes
ou até com as faltas de recursos dos mesmos”, “logico que com isso, passa a haver grande
comprometimento entre as partes”, segundo ele, tais comportamentos contribuem para que as
pessoas envolvidas confiem que cada um irá cumprir com sua parte no trabalho e por
conseguinte continuem contribuindo e dispondo de seu tempo para benefício de todos, ou seja,
essas decisões conjuntas conseguem melhorar o comprometimento entre todos e ao mesmo
tempo, percebo um aumento da confiança entre as pessoas envolvidas, pois sei que cada um
confiará no trabalho do outro, conseguindo com isso ganhos coletivos e resultados
satisfatórios”.
Quando se falou em diferenças existentes entre as pessoas e empresas com quem
convive no dia a dia, ele respondeu que: “Realmente existem muitas diferenças entre as
pessoas e as empresas, no caso específico da cooperativa, o banco possui contratos firmados
e que estão sendo cumpridos de acordo com os cronogramas feitos”.
Em relação as diferenças de objetivos, conhecimentos e tecnologias, ele comentou que:
“Alguns querem recursos para construir, outros para adquirir ou desenvolver maquinários,
outros ainda para créditos pessoais etc. porém, segundo ele nunca percebeu que as mesmas
pudessem causar conflitos entre os parceiros, pois cada um tem uma necessidade diferente
das demais e o banco procura solucioná-las de maneira específica para cada um, afirmando
ainda que por existirem regras impostas pelo próprio banco, essas diferenças fazem parte do
projeto do banco em solucioná-las e que tais regras devem ser seguidas, tanto internamente
pelos funcionários, como também pelos clientes que necessitam dos recursos do banco”.
Assim sendo, pode-se afirmar que, de acordo com a entrevista, em relação a resposta
ao problema de pesquisa, notou-se a presença de algumas variáveis por parte do sujeito A2
também, porém, sua relação com a cooperativa ainda é comercial, não caracterizando ainda
relações mais sociais, o que leva a entender uma estado de organização ainda muito latente
sem o conhecimento necessário da importância de se trabalhar em rede.
Sujeito A3
Responsável pela construtora contratada pela cooperativa para construir os projetos
faltantes, não trabalha apenas para ela, tendo outros clientes, porém atende e cumpre os
89
contratos já definidos, principalmente no que se refere ao prazo e aos custos das obras,
conforme determinado.
Quanto a entrevista ele disse que: “É o primeiro trabalho com a cooperativa,
esperando conclui-lo da melhor forma possível, para que haja continuidade desses
relacionamentos inclusive após o encerramento das obras”. Sua função é acompanhar os
cronogramas feitos com os parceiros e para isso, ele complementou dizendo: “Procuro manter
muitos contatos com eles, principalmente se sou chamado para uma reunião, para um bate
papo, para que não haja dúvidas em relação ao que está sendo feito e como está sendo feito,
informando-os dos acontecimentos do dia a dia da obra, sejam positivas ou negativas,
entendendo para que isso seja realizado, as parcerias devem estar comprometidas, as
conversas e trocas de informações entre todos serem assíduas, tornando-se pontos fortes para
o alcance dos objetivos”.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram expressivas:
Segundo ele: “A construtora necessita dos recursos de seus parceiros, seja em
material, mão de obra, novas tecnologias na construção e dinheiro, porem essas empresas
também precisam da construtora, seja de seu conhecimento, de sua experiência e de seu
trabalho, nas reformas ou construções de obras como também de recursos colocados à
disposição para seus próprios parceiros, isso leva a troca de informações com os mesmos,
utilizando e repassando experiências que são colocados à disposição de todos, objetivando
facilitar o trabalho conjunto e ganho coletivo”.
Ele comentou também que “Esses relacionamentos se tornaram muito importantes
principalmente em relação as responsabilidades assumidas por todos, pois com essas ações
coletivas acredita na promessa de continuidade relacional entre os parceiros”.
Ao esclarecer sobre os assuntos tratados com seus parceiros, os mesmos são muito
restritos e bem reservados quanto a assuntos particulares, porém quando há necessidade de
alguma informação relevante eles se reúnem, conversam e trocam opiniões, como por
exemplo, mudança no cronograma, alteração do projeto, porém, todos procuram confiar um no
outro, embora que em algumas ocasiões esta confiança fique mais evidenciada devido a
necessidade do cumprimento dos acordos como foi o exemplo citado por ele: “ Uma ocasião
em que a cooperativa ainda não tinha feito o repasse das verbas pois houve um problema
interno, aceitamos em prosseguir a obra, mesmo tendo acordado informalmente, não tendo
nenhum contrato ainda assinado, mas confiei com certeza que os mesmos seriam cumpridos o
que realmente aconteceu”.
90
Concluindo ele informou também que: “Esses controles são feitos por cada sujeito
envolvido, como por exemplo, a cooperativa contrata a construtora, ela dita as regras de
como quer e qual o tempo para a finalização da obra, por sua vez colocamos nossas regras,
sobre o tempo, o valor e a forma a ser cobrado, entra-se em um acordo e prossegue-se o
trabalho”.
Dessa forma pode-se afirmar que, em relação as respostas do sujeito A3 as variáveis
estão presentes, indicando alternância entre relações comerciais e sociais. Pode se afirmar,
então, que é um estado de rede predominantemente formal, com fluxos comerciais; mas com
espaço para relações sociais.
Considerando os dados das três entrevistas realizadas, pode se concluir que o estado
desta rede é caracterizada pela formalidade e pela presença de esforços de relações sociais.
Pode-se concluir então que, embora o sujeito A2 tenha relacionamentos ainda muito
racionais, as respostas dos sujeitos A1 e A3 convergiram na preocupação de ações coletivas,
encontros e relacionamentos mais profícuos com o intuito de demonstrar e ganhar mais
confiança e comprometimento com os atores da rede.
5.4.4. Resposta ao problema de pesquisa
A partir dos documentos, questionários e das entrevistas, pode-se afirmar que entre as
entrevistas (sujeitos A1 e A3) e os questionários existe uma convergência nas respostas,
indicado a preocupação dos mesmos com a necessidade de trabalharem com seus atores,
acordando em vários pontos, como por exemplo nas trocas de informações, de conhecimentos,
de experiências como também de recursos, procurando confiar um no outro, mesmo em
situações que dependiam exclusivamente do comprometimento dos envolvidos, procurando
muitas vezes se ajudarem para que o coletivo fosse mais importante do que as ações
individuais e logicamente confiando que todos cumpririam sua parte, mesmo que sua opinião
tivesse sido vencida.
Em relação aos documentos e as respostas do sujeito A2, percebeu-se que não houve
convergência, primeiro que os documentos foram mais sobre atas e acordos indicando ações
mais racionais do que sociais e nas respostas do sujeito A2, seu relacionamento ainda é muito
mais de negócio do que propriamente social, mesmo havendo sinais da presença de alguns dos
indicadores utilizados.
Portanto, considerando o conjunto de dados, a resposta ao problema de pesquisa indica
a presença de sinais das variáveis utilizadas, algumas mais nítidas como foram no caso das
91
entrevistas dos sujeito A1 e A3, como também nos questionários onde houve coerência entre
as respostas da cooperativa, dos cooperados, do advogado e da construtora, sendo seus
relacionamentos mais próximos e mais sociais, tendo mais sinais de rede, e outras ainda com
poucos indícios de suas presenças como na entrevista do sujeito A2 e na maior parte dos
documentos onde as informações são mais de regras, mais comerciais e formais, ondo o social
ainda não é predominante.
Assim sendo, mesmo tendo sido importante estudar essas convergências de opiniões
entre a cooperativa, os cooperados e em algumas vezes a construtora e o banco, pode-se
acrescentar também que surgiram divergências entre as três formas de coletas, em relação ao
questionário, eles deram respostas mais positivas sobre a presença das variáveis, enquanto que
os documentos mostraram a presença em alguns e a ausência dessas variáveis em outros,
enquanto que as entrevistas foram bem determinantes em mostrar que embora haja sinais do
social nas respostas dos sujeitos A1 e A3, o que evidencia a formação de uma rede, no sujeito
A2 predomina uma relação mais comercial, onde o banco a nosso ver é apenas um
coadjuvante no processo.
Conclui-se que, em relação ao estado de organização dessa rede ela é uma rede pensa,
torta, porque entre alguns atores (cooperativa e cooperado) existem sinais de cooperação,
comprometimento, confiança, inclusive por parte dos cooperados colocando seu tempo à
disposição da cooperativa em ações coletivas, de um lado uma rede com trocas de informações
e recursos entre os atores, mas entre outros atores predominam relações comerciais. É uma
rede pouco desenvolvida, com um pedaço que parece rede, com outro que parece mercado e
com outro que parece hierarquia, só que o pedaço que parece rede é pequeno determinando
assim uma rede em um estado latente e apenas com perspectivas da presença do social.
5.5. Apresentação dos dados da rede B
A Cooperativa B foi fundada em 1996 e está localizada num bairro da zona sul de São
Paulo atendendo exclusivamente funcionários de bancos, constroem apartamentos em
condomínios de acordo com os grupos formados e recursos próprios dos mesmos.
As empresas com as quais ela mantém relacionamentos constantes são as construtoras
contratadas para as obras, os bancos e as entidades de fomento (OCB e OCESP), onde trocam
informações, novos conhecimentos e novas tecnologias.
92
5.5.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede B
A seguir são apresentados os dados secundários mais importantes sobre fatos que
envolvem a rede B e que tem relação com a pesquisa.
QUADRO 10. DADOS SECUNDÁRIOS DA REDE B
N°
01
02
Natureza do
documento
Ata de
Constituição e
de Regimentos
18/06/1996
Contratos de
Prestação de
Serviço: 1998,
2001, 2002,
2012 e 2013.
Tema central
Este documento é
composto de regras
de controles para sua
constituição,
admissão e exclusão
dos cooperados,
incluindo os
regimentos internos
sobre
relacionamentos de
cooperados e
diretoria, formas de
distribuição, recursos,
direitos e obrigações
da diretoria,
cooperados e outros
atores, tendo a
obrigação de
participar das
assembleias nas
eleições e mudanças
estatutárias, como
também nas
assembleias de
sorteios e entregas.
Cooperativa contrata
empresa para
construção de
condomínios
habitacionais.
A cooperativa B, de
acordo com
regimento interno e
cronogramas de
entregas, contrata
construtoras para
construir os prédios
conforme
estabelecido em
contrato com seus
cooperados,
sinalizando dessa
forma sua
responsabilidade no
cumprimento e
comprometimento
Variável presente
Indicador
Formas de
Governança
1.Regras sobre
admissão e
exclusão,
2.Regras sobre
penalidade,
3.Controle por
autoridade,
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
1. Participar
regularmente de
reuniões e
decisões,
6. Sinais de
disposição de
continuidade dos
relacionamentos.
Presença e natureza
da Interdependência
1.Sinais da
necessidade dos
recursos que outro
ator possui.
2.Necessidade de
trocas de
conhecimentos
entre os atores.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
1.Diferença de
recursos
investidos.
4.Diferença de
domínio
tecnológico.
Formas de
Governança
2.Regras sobre
penalidades.
3.Controle por
autoridade, ou
reputação.
Relação com o
tema da
pesquisa
O documento
indica como
deve ser uma
rede mais
organizada e
estruturada,
controlando o
comportamento
e incentivando
ações coletivas.
Neste caso a
cooperativa B
assumiu um
papel principal.
Esse contrato
representa a
necessidade da
cooperativa em
se utilizar dos
recursos dos
parceiros e, ao
mesmo tempo,
colocar seus
próprios
recursos à
disposição. Essa
reciprocidade
indica uma rede
mais
organizada.
93
das regras
estabelecidas por
ocasião das inscrições
feitas pelos
cooperados, como
também da
necessidade de
parcerias, recursos e
tecnologias que a
mesma não possui
para complementar
seu trabalho como
cooperativa. O
contrato prevê trocas
de recursos
tecnológicos.
03
04
Contratos de
financiamento
de obras com
Diversos bancos
(Vários
contratos em
diversos anos
diferentes).
Notícias da
Cooperativa B
São Paulo, nº 4,
Março de 2006
A Cooperativa
necessita de recursos,
incluindo financeiros,
pois não consegue
construir sozinha. O
documento mostra
vários contratos com
bancos. O estatuto da
cooperativa inclui
regras de contratos de
terceiros.
Os recursos obtidos
pela cooperativa são
repassados para as
construtoras, o que
implica em trocas de
informações e
conhecimentos.
Cooperativa busca
uma boa governança
envolvendo diretoria,
cooperados,
parceiros, conselho
fiscal e órgãos
públicos.
Segundo o
presidente, as
diversas mudanças
ocorridas na
cooperativa B nos
últimos anos a partir
do momento em que
a atual gestão
assumiu a
administração,
levaram a cooperativa
a preocupar-se cada
vez mais com suas
responsabilidades, de
Presença e natureza
da Interdependência
1.Sinais da
necessidade dos
recursos que outro
ator possui.
2.Necessidade de
trocas de
conhecimentos
entre os atores.
3.Sinais da
aceitação da
existência de
custos para cada
um na rede para
que haja um
ganho coletivo.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
1.Diferença de
recursos
investidos.
Formas de
Governança
Formas de
Governança
2.Regras sobre
penalidades.
1.Regras sobre
admissão e
exclusão de atores
do grupo mais
restrito.
5.Regras sobre
igualdade entre
atores.
6. Regras para
compras, trocas e
entregas de bens e
serviços.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
3.Assumir
responsabilidades
de ações
conjuntas.
4. Percepção entre
os agentes quanto
ao cumprimento
dos acordos.
A cooperativa
foi o ator
principal nesses
documentos.
Os contratos
representam a
necessidade da
cooperativa em
se utilizar dos
recursos dos
parceiros e, se
for possível,
colocar seus
próprios
recursos à
disposição.
A presença
dessas variáveis
indica uma rede
mais organizada
e comprometida
a fortalecer os
laços existentes
entre os atores
da rede de
forma a se
estabelecer
normas e regras
para serem
cumpridas por
todos
contribuindo
assim para um
maior
comprometimen
to da mesma,
seja nos
94
05
Notícias da
Cooperativa B
São Paulo
Nº. 12, Outubro
de 2007
06
Folha de São
Paulo –
09/06/2008
seu papel perante os
cooperados e
parceiros, procurando
superar os problemas
existentes até então,
formando novas
parcerias e com eles
novas experiências e
conhecimentos. Isso
faz com que a
cooperativa B esteja
preparada para uma
nova fase de sua
história, um novo
tempo com
perspectivas de
continuidade de
comprometimento e
confiança entre todos.
A cooperativa B
fecha parceria com
banco para financiar
empreendimentos que
estão com atraso nos
prazos.
.
Ministério Público
tem acesso a
planilhas de
prestadores de
serviços da
cooperativa B:
Ministério Público de
São Paulo obteve a
planilha de uma
prestadora de
serviços com as
anotações "Doação
PT" e tomou
depoimentos que
reforçam as suspeitas
sobre um suposto
caixa dois estimulado
5. Existência de
promessas de
continuidade
relacional entre os
parceiros.
relacionamentos
e na fidelização
desses atores
com a própria
cooperativa.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
3.Assumir
responsabilidades
de ações
conjuntas.
4. Percepção entre
os agentes quanto
ao cumprimento
dos acordos.
Sinais da presença e
conteúdo de
Confiança
4.Sinais que um
ator acredita e
segue as regras e
metas
estabelecidas na
rede.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
4. Percepção entre
os agentes quanto
ao cumprimento
dos acordos.
Tais indicadores
de ações
coletivas, como
também de
responsabilidad
e, são sinais de
uma rede mais
organizada,
focada no
atendimento dos
cronogramas de
obras e
principalmente
no cumprimento
dos acordos
estabelecidos
com os
cooperados
quando
aderiram a
cooperativa.
A notícia mostra
a ausência dos
indicadores de
confiança e
comprometimen
to, mostrando
que o ator
cooperativa
pode não estar
comprometido
na rede,
atendendo
interesses
individuais.
Esses
comportamentos
oportunistas
quebram a
confiança entre
os atores.
95
pela Cooperativa B e
que teria alimentado
campanhas eleitorais.
07
Notícias da
Cooperativa B
São Paulo
Nº 19, Fevereiro
de 2009
Diretoria promove
fórum com o intuito
de fortalecer o
relacionamento, o
comprometimento e a
seriedade da
cooperativa e seus
cooperados perante
suas
responsabilidades
com os parceiros,
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
3.Assumir
responsabilidade
ações conjuntas.
4. Percepção entre
os agentes quanto
ao cumprimento
dos acordos.
08
Notícias da
Cooperativa B
São Paulo nº 44,
Maio 2011
A cooperativa B
contrata uma nova
construtora para
conclusão de
empreendimento.
Com a aprovação dos
cooperados em
assembleia geral, a
cooperativa substitui
e contrata nova
construtora para
continuar as obras
dos projetos ainda
não concluídos.
Formas de
Governança
2.Regras sobre
penalidade.
Presença e natureza
da Interdependência
1.Sinais da
necessidade dos
recursos que outro
ator possui.
6.Sinais da
aceitação da
existência de
custos para cada
um na rede para
que haja um
ganho coletivo.
Cooperativa B
Noticias
Outubro/2012
Cooperados assumem
conclusão dos
empreendimentos
junto com as
construtoras
Após a diretoria da
cooperativa B ter sido
citada no Ministério
Público por desvio de
verbas para partidos
do governo e terem
sido depostas de seus
Formas de
Governança
2.Regras sobre
penalidade.
3.controle por
autoridade ou
reputação.
Presença e natureza
da Interdependência
1.Sinais da
necessidade dos
recursos que outro
ator possui.
6.Sinais da
aceitação da
09
A presença
dessas variáveis
indica à
preocupação e a
importância
desses
relacionamentos
, de forma a
integrar melhor
seus parceiros, o
que representa
uma rede mais
preocupada com
o coletivo do
que com o
individualismo.
Presença de tais
variáveis que
indicam a troca
de parceria que
não estava
cumprindo com
as regras
preestabelecidas
, com isso
determinou-se
ações para
defesa do
coletivo, cujo
papel dos atores
na ação com as
parcerias se
tornaram
importante para
solucionar e
concluir os
projetos,
demonstrando
uma rede com
propósitos bem
definidos e com
responsabilidad
e sobre os
parceiros.
A presença
dessas variáveis
indicam o grau
de
comprometimen
to e confiança
entre os
diversos atores a
assumirem
ações coletivas
em benefício de
todos, mesmo
96
10
11
Jornal G1
Março / 2013
Notícias da
cooperativa B
Novembro /
2013
cargos, em
assembleia
extraordinária
realizada pela
cooperativa, os
cooperados elegeram
nova diretoria e com
eles assumiram
compromisso com a
construtora para
término das obras, se
comprometendo e
colocando a
disposição dos
mesmos recursos
próprios com
confiança de que os
acordos seriam
cumpridos e as
moradias entregues.
MP investiga
supostos desvios da
cooperativa para
campanhas eleitorais
de partidos.
Segundo seu
presidente, esses
supostos desvios de
verbas por parte das
diretorias anteriores,
foram nefastos para
que a cooperativa
pudesse cumprir com
seus compromissos
junto aos cooperados
e parceiros da rede.
Continuando, essas
investigações ainda
são pontos negativos
de convivência da
cooperativa com seus
atores, tendo que
sempre explicar que o
passado teve
influência nas novas
decisões tomadas
pela atual diretoria.
Construtora X, nova
parceira da
cooperativa B não
pode cobrar mais dos
imóveis inacabados.
De acordo com o
parecer jurídico da
cooperativa, a
Construtora X, não
pode realizar novas
cobranças a não ser
aquelas que constam
dos contratos de
existência de
custos para cada
um na rede para
que haja um
ganho coletivo.
Sinais da presença e
conteúdo de
Confiança
5.Sinais que um
ator acredita na
integridade das
pessoas que
fazem parte da
rede.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
3.Assumir
responsabilidade
de ações
conjuntas.
Sinais da presença e
conteúdo de
Confiança
5.Sinais que um
ator acredita na
integridade das
pessoas que
fazem parte da
rede
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento.
3.Assumir
responsabilidade
de ações
conjuntas.
Sinais da presença e
conteúdo de
Confiança
4.Sinais que um
ator acredita e
segue as regras e
metas
estabelecidas na
rede mesmo
sendo informais.
5.Sinais que um
ator acredita na
integridade das
pessoas que
fazem parte da
rede.
que para isso
tenham que
dispor de
recursos
próprios e
aceitar regras
que irão nortear
tais decisões.
Essas notícias,
influenciaram
nos objetivos
coletivos da
cooperativa, o
que levou a
mesma, a tomar
decisões mais
responsáveis
assumindo seu
papel de
autoridade para
sanar tais
problemas,
indicando uma
rede
comprometida
com as ações
coletivas e
credibilidade na
integridade das
pessoas que
fazem parte da
rede.
A cooperativa
representa papel
importante do
ator para
organização
pois ao proibir
modificações
nas regras
existentes,
influencia
positivamente
no que vinha
acontecendo
97
construção e do
regimento interno da
cooperativa.
12
Assembleia
Legislativa do
Estado de São
Paulo
1612/2013
Em resposta à
supostas
irregularidades nos
prazos de entrega e
superfaturamento de
obras aventadas pelo
Poder Público, a
cooperativa entrega
para análise os
documentos que
demonstram os
valores previamente
estabelecidos e os
prazos das obras,
informando que tais
irregularidades foram
procedimentos das
antigas diretorias,
mas que atualmente
os procedimentos são
assinados e
aprovados em
assembleia por todos
os cooperados
presentes.
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
5.Existencia de
promessas de
continuidade
relacional entre os
parceiros.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
3.Assumir
responsabilidade
de ações
conjuntas.
4. Percepção entre
os agentes quanto
ao cumprimento
dos acordos.
Sinais da presença e
conteúdo de
Confiança
4. Sinais que um
ator acredita e
segue as regras e
metas
estabelecidas na
rede.
dentro da rede
levando a
atitudes que
podem
solidificar o
contratado com
os cooperados
indicando assim
o
comprometimen
to da mesma em
relação a
confiança e
credibilidade
existente na
rede entre todos
os envolvidos.
Estas ações por
parte da
diretoria
indicam a
responsabilidad
e do ator em
sanar problemas
anteriores,
buscando
resgatar a
confiança dos
atores e agir
conforme as
regras.
A partir dos dados secundários coletados sobre a rede B, pode se verificar que os
mesmos estão mais voltados a atas e contratos firmados, questões e ações judiciais, intenções
em fóruns, reuniões, e tentativas de explicações aos atores da rede. Pode-se interpretar que um
dos atores, a cooperativa, se esforça por resgatar uma imagem de confiança e credibilidade que
foi perdida no passado.
Os documentos, no entanto, mostram que a situação ainda não está bem resolvida, já
que existem atores (cooperado) descontentes e entidades do governo realizando investigações.
98
Sobre a resposta da pesquisa pode-se afirmar que é uma rede com baixa consciência de
ação coletiva, com dominância de relações comerciais, com intervenções do governo e poucas
relações sociais de confiança e comprometimento.
5.5.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede B
A seguir serão apresentados os dados sobre o questionário utilizado na pesquisa da
Rede B.
TABELA 2. RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO SOBRE A REDE B
Perguntas
Nem
Discordo
Discordo
totalmente
concordo
Concordo
Concordo
totalmente
nem discordo
Presença e natureza da Interdependência
1
2
1
3
2
3
3
3
4
2
4
4
2
5
1
3
2
6
1
4
1
2
3
7
1
Total
(7%)
3
(5%)
2
(50%)
21
(38%)
16
Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento
8
1
3
2
4
1
9
1
10
1
1
3
1
11
2
1
2
1
12
1
1
2
2
13
1
1
4
14
1
1
4
1
3
2
2
15
16
1
1
2
17
1
2
3
Total
(15%)
9
(17%)
10
(50%)
30
Sinais da presença e conteúdo de Confiança
18
1
1
1
3
(18%)
11
99
19
1
20
21
2
1
4
2
4
1
2
22
1
6
Total
(3%)
1
(13%)
4
(17%)
5
(63%)
19
(3%)
1
Natureza e formas de solução de Assimetrias
23
1
24
25
1
3
2
4
2
4
1
26
1
3
2
27
1
4
1
4
1
28
1
Total
(6%)
2
(8%)
3
(61%)
22
(25%)
9
Formas de Governança
29
1
1
30
1
3
1
3
2
2
31
1
3
32
1
5
1
3
1
34
4
2
35
5
1
33
1
Total
(2%)
1
(7%)
3
(10%)
4
(62%)
26
TOTAL
(1%)
2
(10%)
21
(11%)
24
(56%)
118
(19%)
8
(21%) 45
GERAL
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
Este questionário composto de 35 questões, com 05 alternativas, com escala de Likert
foi entregue a 06 atores da rede: 2 cooperados, 1 funcionário da cooperativa, 1 advogado, 1
funcionário do banco e 1 funcionário da construtora.
A partir das respostas do questionário, a pesquisa mostrou uma rede muito focada com
os relacionamentos sociais mesmo tendo regras para os atores, onde os mesmos prezam muito
pelas ações coletivas, pela integridade dos atores que dirigem a mesma e pelas trocas de
informações e experiências que podem obter através desses relacionamentos.
Por outro lado, existiram altos índices de respostas “nem concordo, nem discordo”,
principalmente nas perguntas a respeito de comprometimento e confiança, mas não foi
possível determinar o motivo, podendo ser (a) o sujeito não entendeu a questão; (b) o ponto
não é importante; (c) o sujeito não tem informações suficientes para responder.
100
Conclui-se que, em relação à pergunta de pesquisa, os resultados foram diferentes dos
documentos, indicando que esta rede se encontra mais organizada, com participação entre as
atores, incluindo relações sociais, com movimentos de construção de laços com outras
organizações, embora ainda predominem os sinais de relações formais, com baixa consciência
da importância e necessidade de trabalho conjunto.
5.5.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede B
Sujeito B1
Presidente da cooperativa com mandato desde 2012. Durante a entrevista ele procurou
repassar os problemas enfrentados administrativamente pela cooperativa nos últimos anos,
suas consequências principalmente com cooperados e parceiros e o que está sendo feito
atualmente para sanar tais dificuldades.
Comentou que: “Como atual presidente, necessitou em primeiro lugar modificar o
pensamento e a forma de relacionamento dos atores com a cooperativa”.
Segundo ele, a cooperativa trabalha com um grande número de cooperados, tendo
como principais organizações os bancos, as construtoras e inclusive o governo, se tornando de
grande valia para a cooperativa esse trabalho realizado por todos.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram valiosas:
Um comentário ficou marcante durante a entrevista, quando ele falou que: “São essas
experiências negativas que passamos que nos faz levantar a cabeça e compreender a
importância de nosso trabalho e de nossos parceiros para dar continuidade e alcançar nossos
objetivos, objetivos esses sociais que abraçamos para proporcionar o sonho das moradias aos
nossos cooperados”.
Para ele, a cooperativa necessita em muito de seus cooperados e das organizações com
ela ligada, principalmente de seus conhecimentos e de suas experiências, como também os
mesmos necessitam dos recursos da cooperativa, entendendo que as ações coletivas devem
sempre prevalecer em relação a ações individuais para que as metas sejam alcançadas,
facilitando o trabalho conjunto e ganhos para atingir o objetivo final.
Comentou ele: “Desde que estou como presidente, um de meus principais objetivos é
conseguir recuperar a confiança dos cooperados e dos atores, inclusive muitas vezes
aceitando ou fazendo aceitar regras e acordos informais, porém, com a certeza que serão
cumpridas”
101
“Tal comprometimento”, afirmou ele, “por parte de todos nos leva a uma
responsabilidade maior em relação a eles, tanto que nesses dois anos, se tornou muito mais
perceptível a participação dos cooperados nas reuniões, aceitando, opinando, sugerindo e
tomando parte de decisões coletivas, assumindo assim muitas vezes responsabilidades que
seriam de outros, porem acreditando que desta forma seus objetivos serão alcançados em
tempo menor”.
Segundo o próprio presidente, “esses relacionamentos passaram a não ser
exclusivamente com a cooperativa mas também entre eles mesmos, porém ele percebe que
para muitos ainda ao receber sua moradia passam a não participar mais dos eventos da
cooperativa, mesmo continuando como cooperado”.
Quando foi perguntado sobre a existência de diferenças de objetivos, de recursos ou de
valores, ele foi muito conciso, informando que: “Realmente existem diferenças entre os
atores, principalmente no que se referem a recursos, cooperados de níveis financeiros
diferentes que a cooperativa sempre procurou solucionar colocando-os em grupos e projetos
diferenciados. Isto não foi difícil, pois os problemas não são de grande monta, porém quando
tal diferença passa a ser com organizações ligadas a cooperativa, à mesma não tem a mesma
facilidade para solucionar, como é o exemplo das construtoras que não trabalham apenas
para a cooperativa, pois elas tem objetivos diferentes, seus recursos não são investidos
apenas na cooperativa e portanto dependem dela para continuidade do trabalho.
No caso dos bancos o que é contratado é cumprido, mesmo tendo objetivos diferentes,
ou seja, fornecer o recurso e depois recebe-lo de volta”.
Portanto, para ele, “a cooperativa passa a ser o ator que com o tempo procura
diminuir tais diferenças encontrando com o tempo soluções que possam beneficiar todo o
processo de relacionamentos com os parceiros da rede”.
Percebeu-se durante a entrevista a sua preocupação em reconquistar a confiança e a
credibilidade dos cooperados, tanto que insistiu muitas vezes em explicar a importância do
estatuto e do regimento interno que dita as normas a serem seguidas, seja na admissão ou
exclusão dos atores, onde o controle é feito pela direção da cooperativa possibilitando que
certas mudanças a serem feitas por exemplo, trocas de construtoras, novos custos de
construção, trocas de bancos para financiamentos, critérios de entrega e de atualização de
valores, etc., todos opinem e segue-se o que a maioria acatou indicando assim ações coletivas,
cuja contribuição determinará um melhor desempenho da rede.
Concluindo, ele respondeu a respeito da relação da cooperativa em relação as parcerias,
“as regras são discutidas e aceitas, embora algumas vezes são necessárias várias reuniões
102
até que se chegue a um denominador bom para ambos, onde todos possam ganhar o que é
justo e acordado”.
Pode se afirmar então que, considerando o conjunto de dados obtidos através da
entrevista, a resposta ao problema de pesquisa nos proporcionou uma visão da presença das
variáveis por parte do sujeito B1 principalmente no que se refere a rede formada com os
cooperados, mesmo tendo que fazer uma separação no tempo, ou seja, antes e depois dos
acontecimentos (vide documentos), pois após a solução desses problemas, a cooperativa
passou a se integrar mais com seus atores, mesmo que com outras organizações, esses laços
ainda sejam mais comerciais, porém, percebe-se que há por parte da mesma um esforço muito
grande de recuperar o tempo perdido e com isso proporcionar a todos uma visão melhor do
trabalho e das metas a que se propõe para satisfazer as necessidades dos cooperados e cumprir
com os acordos firmados.
Conclui-se então que o estado de organização em que se encontra atualmente esta rede
é de uma rede focada em retomar os laços sociais com seus cooperados, comprometida com
sua responsabilidade, com sinais da presença do social, mesmo que ainda desconheça a força
em se trabalhar em rede e a importância que a cooperativa habitacional possui junto a seus
atores.
Sujeito B2
Gerente de conta bancária possui como um de seus clientes esta cooperativa.
Durante a entrevista ele informou que a cooperativa representa um de seus clientes e
com eles o relacionamento é muito bom, inclusive, faz parte da mesma como cooperado e
como cooperado procura estar sempre a par dos acontecimentos, inclusive participando das
assembleias, principalmente procurando se informar a respeito do andamento dos projetos.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram relevantes:
Segundo o sujeito B2, o banco necessita e repassa recursos, mas o discurso evidencia
que não se trata de interdependência e sim de relações comerciais rotineiras. Sobre suas
relações especificas no campo da construção cooperada, o sujeito apresentou outras
informações.
Em relação a custos e ações coletivas, ele comentou que: “Isso sempre existiu, pois
cada um tem sua parcela de participação e isso deve ser feito coletivamente, ou seja, o
trabalho deve ter participação de todos, seja do banco e de seus funcionários cada um
entrando com sua parcela na tarefa a que se dispôs fazer, seja também dos próprios clientes
se tornando responsáveis pelos acordos firmados”.
103
Quanto ao comprometimento, disse ele, “poderia ser melhor, como gerente de conta
procuro na medida do possível me reunir, mesmo que seja de tempo em tempo com meus
clientes e com meus colaboradores, pois acredito que tais atitudes só trazem benefícios, seja
na tomada de decisões conjuntas, seja nas opiniões, seja nos próprios relacionamentos o que
contribui para que os mesmos continuem a dispor de seu tempo em se ajudar e também ajudar
os clientes”. Porém, tais relacionamentos, comentou ele, mesmo ainda sendo comerciais, ele
procura dar continuidade, pois ele entende que um bom relacionamento proporciona uma
fidelização do cliente com o banco e vice versa, inclusive cita seu próprio relacionamento na
cooperativa, onde participa, frequenta as reuniões, opina e repassa informações a respeito das
oportunidades do mercado em concordância com seu próprio trabalho, o que muitas vezes
contribui para que a cooperativa tenha ganho e com isso possa reduzir seus custos em
benefício dos próprios cooperados.
Sobre confiança, o discurso do sujeito não esclareceu sua presença, já que as respostas
foram sobre regras a serem cumpridas e trabalhos que ocorrem mesmo quando as regras ainda
não foram estabelecidas. Por outro lado, em um certo ponto da entrevista, o sujeito B2 relatou
uma situação na qual ele era o ator cooperado, e não o gerente: “Como cooperado, ao saber na
época sobre os problemas e das necessidades de meu cliente quando as notícias sobre desvio
das verbas pelas diretorias anteriores vieram à tona, levei a conhecimento de minha diretoria
tal fato e procurei junto com os mesmos (alguns diretores também fazem parte da
cooperativa) ajuda-los na medida do possível, dando um voto de confiança aos atuais
diretores, confiando na integridade dos mesmos e dos cooperados que fazem parte da
cooperativa”, embora tais acordos tenham sido formalizados, inclusive por exigência da
própria lei, “em nenhum momento”, disse ele, “nossa organização deixou de ajuda-los tanto
que até hoje nosso relacionamento é de confiança mutua e tal ajuda proporcionou a
cooperativa continuidade das obras e entregas nos prazos determinados”.
Ao responder as perguntas sobre diferenças de recursos, objetivos e valores éticos, ele
explicou que realmente existem diferenças entre os atores principalmente no que se referem a
recursos, clientes de níveis financeiros diferentes que o banco procura solucionar procurando
se informar de suas verdadeiras necessidades e seus objetivos, embora com objetivos
diferenciados, procura atendê-los da mesma forma, colocando-os em grupos diferenciados de
acordo com seus propósitos, principalmente na questão de obtenção de recursos, juros e prazos
de pagamento, pois o banco tem objetivo não sendo apenas em atender a um cliente específico,
mas uma gama de clientes que poderão trazer ao próprio banco recursos que serão futuramente
investidos com outros clientes.
104
Ao comentar sobre a cooperativa, ele vê um trabalho mais voltado para o social do que
comercial, inclusive pelos exemplos citados, mesmo sabendo de antemão que seu objetivo é
tomar recursos para a construção de moradias, cuja rapidez no repasse proporcionará
antecipação das obras.
Em relação as perguntas sobre governança o sujeito B2, afirma que existem regras,
desde a admissão até a exclusão do cliente sendo que os controles do banco são feitos pelo
próprio banco tendo em vista as metas propostas para seus colaboradores sendo que o não
cumprimento gera penalidades aos mesmos.
A partir das informações, pode se afirmar que algumas variáveis estão presentes, tais
como, assimetrias e governança, mas as relações sociais são ausentes ou muito raras.
Ele afirmou também que tendo a cooperativa como um de seus parceiros e o repasse
dos recursos indo diretamente a construtora, esse relacionamento se transfere também para
esse terceiro parceiro (construtora), pois o mesmo necessita das informações da cooperativa e
do banco como também a cooperativa necessita das informações da construtora para repassar
ao banco e finalmente o banco necessitando das informações de ambos para dar
prosseguimento ao trabalho com eles.
Pode se afirmar que os relacionamentos entre os atores sinalizam um caminho futuro
de integração, embora no presente predominem as relações formais.
Vale a pena comentar que o sujeito em alguns momentos da entrevista respondeu como
ator-cooperado. Nessas situações as relações sociais apareceram com mais força. Essas
relações sociais mais fortes entre o ator-cooperativa e o ator-cooperado apareceu também na
rede A.
Sujeito B3
Responsável pela construtora contratada pela cooperativa para construir os projetos,
não trabalha apenas para ela, tendo outros clientes também, porém atende e cumpre os
contratos já definidos, principalmente no que se refere ao prazo e aos custos das obras,
conforme determinado tornando se mais fácil o cronograma ser cumprido.
Em relação a cooperativa, disse ele, “já houveram vários contratos, e, portanto, todas
as informações são importantes para a conclusão dos projetos, inclusive os prazos, pois os
mesmos dependem de um cronograma de obra para poder obter financiamento bancário”.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram de suma importância:
Sobre comprometimento o sujeito B3 respondeu na linha de compromisso, isto é,
cumprir o que foi acordado, o que não sinaliza a presença da variável.
105
“Quanto a continuidade dos relacionamentos isso existe e achamos que foi bom, pois
caso contrário nós não seriamos mais chamados para dar prosseguimento aos projetos da
cooperativa”.
Quanto à necessidade que a empresa tem de recursos de outras empresas e as mesmas
dela, ele disse que: “Isso fica bem evidenciado quando fechamos os acordos, nossa
organização entra com a mão de obra dos trabalhadores e com o serviço profissional dos
engenheiros, tecnologias adquiridas de outras organizações e de nossa própria empresa,
experiências no ramo e conhecimentos adquiridos no passar dos anos, porem necessitamos
também dos recursos das outras organizações sejam eles financeiros, de material, mão de
obra, de conhecimentos e de experiências que outros parceiros podem trazer para a
realização do trabalho”.
Em relação as ações coletivas “isso se torna muito transparente”, falou ele, “pois
muitas vezes temos necessidade até de contratar rapidamente uma outra empresa para nos
auxiliar nas obras e infelizmente não temos tempo para assinatura de contratos, pois se
aguardássemos teríamos problemas de atraso o que faz com que todos, seja a construtora,
seja a cooperativa ou outros entrem em contato e resolvam assumir alguns custos para que
todos saiam satisfeitos, acreditando e confiando sempre na integridade, honestidade e ética
dos parceiros”.
“Um exemplo típico aconteceu quando fomos chamados a uma reunião onde foram
cobradas as fases da obra, pois as mesmas se encontravam em atraso, percebemos o grande
interesse dos cooperados na participação e logicamente nossa presença se tornou necessária
para que ficasse bem transparente o que estava acontecendo e o que estava sendo feito para
recuperar o tempo perdido, pois o atraso se deu por falta de material no mercado,
necessitando da troca de fornecedor e novos orçamentos, o que obrigaria a contatos e
aprovações da própria cooperativa”, ele explicou ainda que: “Ao conversar com os
cooperados, procurei demonstrar minha responsabilidade e se pôr a disposição de todos
quanto a explicação a respeito dos atrasos, prometendo sempre estar lá para explicar quais
foram os motivos, e como os mesmos seriam solucionados”, isso demonstrou bem seu papel
quanto a transparência e comprometimento de seu trabalho.
Com isso, disse ele, “a confiança e o comprometimento se tornam primordiais entre os
atores, inclusive muitas vezes aceitando e cumprindo regras e acordos informais, porém, com
a certeza que as mesmas serão totalmente cumpridas”.
Inclusive passou um exemplo que marcou muito em uma determinada ocasião na época
em que houve o problema administrativo com o governo, “os bancos atrasaram os repasses e
106
portanto a cooperativa não pode fazer os pagamentos, para que não houvesse paralização ou
atraso nas obras a construtora na ocasião tinha um valor disponível e colocou à disposição
dos mesmos durante um tempo até que o problema tivesse sido resolvido”, isso não demorou
muito, mas pode se dizer que houve uma confiança mutua, um oferecendo o recurso e o outro
assumindo a responsabilidade de devolver, portanto a honestidade e a integridade das pessoas
são pontos importantes para a continuidade do relacionamento.
Ao ser questionado sobre assimetrias, ele respondeu: “Sim, existem muitas diferenças
entre as partes envolvidas, um possui recursos, o outro o conhecimento, o outro ainda a
tecnologia, outros tem objetivos diferentes como por exemplo o cooperado qual é o seu
objetivo? Pagar e receber sua moradia. Qual é o nosso objetivo? Fazer essa moradia o mais
rápido possível, dentro do orçamento para não onerar mais os cooperados e receber a parte
que nos cabe”.
Quanto as diferenças principalmente no que se refere a dinheiro, “nós nunca nos
preocupamos, pois isso é de responsabilidade do contratante, agora se estivermos falando de
nossos próprios funcionários, a situação é diferente, pois é logico que cada função aqui
dentro tem salários diferenciados e logicamente quando conversam conosco a respeito
procuramos orientá-los da melhor forma possível de como utilizar da melhor forma o que
ganham”.
Ao comentar sobre governança ele disse que: “Existem posições diferentes o que
comanda e o que é comandado, tais autoridades são importantes para que as regras sejam
cumpridas, desde a contratação até o término das obras, existem controles sobre tudo que se
faz em termos de trabalhos e produção tanto que esses contratos são formalizados os
parceiros assinam, tomam conhecimento e fazem cumprir”.
Em relação a resposta ao problema de pesquisa, ficou evidenciada a presença das
variáveis por parte do sujeito B3, pois pelas suas colocações ele dá muita importância as
mesmas pois isso representa o tipo de relacionamento, o grau de comprometimento e
confiança entre todos que participam de seus relacionamentos, e que com tais atitudes mesmo
não sendo apenas sociais, mas na maioria dos casos comerciais, assinala a força de se trabalhar
em grupo, onde todos estão interligados com o intuito de receber ou passar informações,
conhecimentos, disseminar diferenças, cumprir regras, de maneira que todos ganhem com esse
envolvimento, depositando confiança em seus parceiros e os mesmos em sua pessoa ou na
organização que representa, tais ações e relacionamentos levam a comprometimentos mútuos
entre todos, cujos ganhos são coletivos.
107
5.5.4. Resposta ao problema de pesquisa
Após a conclusão da pesquisa da rede B, através dos documentos, dos questionários e
das entrevistas, pode-se afirmar a presença de várias variáveis pesquisadas, uma rede
procurando ser mais organizada, com ações coletivas e relacionamentos mais sociais, mesmo
com os problemas passados.
Hoje, com os problemas superados, a rede procura ser vista de forma bem diferente
com ações coletivas focadas principalmente na recuperação da confiança de seus atores, como
também se comprometendo e se responsabilizando pelos objetivos da mesma.
Ao analisar os documentos, percebe-se que os mesmos voltaram-se muito para notícias
e decisões tomadas por cooperados, indicando uma rede fraca e com características de
conflitos entre os atores, porém, ao analisar os questionários e as entrevistas, mesmo com a
presença de variáveis econômicas em alguns momentos, o social se fez mais presente, onde o
comprometimento, a confiança, as ações coletivas entre os atores indicam uma rede focada em
resgatar tais variáveis junto aos mesmos, indicando uma rede mais centralizada no ator
principal, onde muitas vezes cabe à própria cooperativa tal papel e em outros momentos os
bancos ou as construtoras.
Portanto pode se dizer que esta rede funcionava de maneira adequada, daí surgiram
vários problemas que desagregaram principalmente o ator cooperativa e os atores cooperados,
atualmente existem esforços para se readquirir uma melhor situação de organização da rede,
na medida em que os atores passam a confiar e acreditar mais nas responsabilidades e
integridade das pessoas que a dirige, isso ficou muito evidenciado nas respostas das entrevistas
e dos questionários, onde os atores são comprometidos e confiantes no trabalho de seus pares,
com vínculos sociais embora nos dados secundários ainda existem sinais de vínculos
econômicos e comerciais.
Concluindo, em relação ao problema de pesquisa, pode-se afirmar que há dominância
de relações comerciais, com sinais de esforços entre os atores para desenvolver a consciência
de ação coletiva e estreitar as relações sociais. A conclusão é que se trata de um estado de rede
pouco desenvolvido na sua consciência de ação coletiva, com predomínio de relações formais
contratuais, mas buscando uma evolução para um estado mais desenvolvido e integrado, onde
confiança e comprometimento, hoje com poucos sinais, deveriam ser dominantes.
108
5.6. Apresentação dos dados da Rede C
A Cooperativa C foi fundada em 2010, sendo a mais recente na cidade de São Paulo,
está localizada na zona Sul da cidade no bairro do Ipiranga, tendo como principais parceiros o
Governo (subsídios para o programa proposto pela cooperativa), a Caixa Econômica Federal
(créditos imobiliários), as construtoras, entidades de fomento (OCB, OCESP e UNISOL) e
cooperados com ganhos até seis salários mínimos (de acordo com normas do próprio
governo).
Criada primeiramente na região Serrana do Rio Grande do Sul e agora se expandindo
em São Paulo, constitui um caso interessante de rearranjo das relações comerciais e sociais da
cooperativa. Seus projetos são apartamentos em condomínios fechados, todos financiados pelo
Governo e o modelo utilizado é de grupos fechados com recursos iguais de cada cooperado.
5.6.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede C
A seguir são apresentados os dados secundários mais importantes sobre fatos que
envolvem a rede C e que tem relação com a pesquisa.
QUADRO 11. DADOS SECUNDÁRIOS DA REDE C
N°
01
Natureza do
documento
Ata de
Constituição e
regimento
interno.
15/11/2010
Tema central
Este documento é
composto de
regras de
controles para sua
constituição,
admissão e
exclusão dos
cooperados,
incluindo os
regimentos
internos sobre
relacionamentos
de cooperados e
diretoria, formas
de distribuição,
recursos, direitos
e obrigações da
diretoria,
cooperados e
outros atores,
tendo a obrigação
de participar das
Variável presente
Indicador
Formas de
Governança
1.Regras sobre
admissão e
exclusão.
2.Regras sobre
penalidade.
3.Controle por
autoridade.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
1. Participar
regularmente de
reuniões e
decisões.
6. Sinais de
disposição de
continuidade dos
relacionamentos.
Relação com o
tema da pesquisa
Esse documento
Designa as regras
para a
constituição da
cooperativa,
indicando como
deve ser uma rede
mais organizada e
estruturada,
regulamentando,
controlando os
direitos e
obrigações de
todos os atores e
incentivando
ações coletivas.
109
02
Ministério
Público e a
Procuradoria
Geral da
República
13/02/2012
assembleias nas
eleições e
mudanças
estatutárias, como
também nas
assembleias de
sorteios e
entregas.
Ministério
Público pediu a
instauração de
procedimento
investigatório
para apurar a
prática de
financiamento
imobiliário
irregular pela
Cooperativa C e
pelo Fundo
Rotativo Solidário
da Habitação
(FRSH), cujos
procedimentos
não constavam ao
ver do Ministério
Público, dentro
das normas
reguladoras das
entidades
responsáveis pelas
cooperativas
habitacionais.
Em depoimento
público prestado
logo após a
circulação da
notícia acima, o
departamento
jurídico da
cooperativa
apresentou os
contratos
assinados pela
diretoria,
conselho fiscal,
representantes do
Fundo, como
também da
própria
organização
normativa
(OCESP), com
registro em
cartório
confirmando a
responsabilidade e
a credibilidade do
mesmo junto a
todos os
Presença e natureza
da Interdependência
3.Necessidade de
contatos com
entidades
reguladoras para
resolver as
exigências de
todas natureza.
Formas de
Governança
2. Regras sobre
penalidades.
6. Regras para
compras, trocas e
entregas de bens e
serviços junto aos
parceiros.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
4. Percepção entre
os agentes quanto
ao cumprimento
dos acordos.
A presença dessas
variáveis indica
aos atores, atitude
e responsabilidade
tomada por parte
da diretoria da
cooperativa
procurando
transparecer aos
participantes da
rede, sua posição
perante notícias
que podem
denegrir a
imagem da
cooperativa.
Sobre a relação
entre esses dois
atores observa-se
em um sentido
(MP para
Cooperativa)
controle e no
outro sentido
(Cooperativa e
MP)
transparência.
110
03
04
Notícias da
Cooperativa C
25 e 26/05/2013
Seminário do
Cooperativismo
Habitacional
Auto gestionário
27/08/2013
participantes.
A Cooperativa C
realiza mais uma
oficina de
educadores em
São Paulo:
Intuito: informar
o papel da
cooperativa
habitacional aos
que se interessam
em participar do
sistema
cooperativista;
Feita de forma
aberta a todos que
se inscrevem,
principalmente
aqueles que
querem adquirir
sua primeira
moradia e se
encontram dentro
das regras
estabelecidas pelo
governo.
Segundo o
presidente, esta é
a segunda oficina
realizada desde a
fundação da
cooperativa em
2010 e foi
realizada
motivada pelo
grande sucesso
alcançado pela
primeira, onde
houve uma grande
participação das
pessoas da
comunidade, que
entenderam o
compromisso da
cooperativa, cujo
intuito é mostrar
às pessoas a
possibilidade dos
mesmos obterem
sua moradia
através do sistema
cooperativista.
Patrocínio da
Cooperativa C e
da UNISOL.
A finalidade do
evento é informar
aos participantes a
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
1.Necessidade de
participação
regular de
reuniões e
decisões.
2.Assumir
responsabilidades
de ações
conjuntas.
Sinais da presença e
conteúdo de
Confiança
4.Sinais que um
ator acredita e
segue as regras e
metas
estabelecidas na
rede mesmo
sendo informais.
5.Sinais que um
ator acredita na
integridade das
pessoas que
fazem parte da
rede.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
5.Modos de
solução das
diferenças.
Presença e natureza
da Interdependência
2. Necessidade de
trocas de
conhecimentos
entre os atores.
Essas variáveis
indicam a
importância e o
comprometimento
de
relacionamentos
entre a
cooperativa,
cooperados e a
comunidade,
mostrando a
intenção de
integração entre
os atores.
A troca de
informações é um
item relevante
para organização
das redes e que o
fluxo de
informações sobre
111
contribuição do
Cooperativismo
Habitacional Auto
gestionário para a
redução do déficit
de moradias no
Brasil.
05
Notícias da
Cooperativa C
18/10/2013
Cooperativa C
organiza e
patrocina
encontro com
Cooperativas auto
gestoras.
Finalidade:
discutir os
desafios e a
expansão do
cooperativismo
habitacional.
A participação de
um grande
número de
cooperativas no
encontro indicou
o
comprometimento
de todos em
relação àqueles
que buscam
através do
cooperativismo
habitacional
adquirir sua
moradia sem
grandes
burocracias e por
um custo menor,
assumindo
responsabilidades,
credibilidade e
oferecendo
recursos próprios
em benefício do
coletivo.
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
1.Necessidade de
participação
regular de
reuniões e
decisões.
2.Assumir
responsabilidades
de ações
conjuntas.
4.Percepção entre
os agentes quanto
ao cumprimento
dos acordos.
Sinais da presença e
conteúdo de
Confiança
3.Dispor seus
recursos, de
qualquer natureza,
para serem usados
por outros, sem
necessidade de
salvaguardas.
4.Sinais que um
ator acredita e
segue as regras e
metas
estabelecidas na
rede mesmo
sendo informais.
5.Sinais que um
ator acredita na
integridade das
pessoas que
fazem parte da
rede.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
5.Modos de
solução das
diferenças.
Presença e natureza
da Interdependência
1.Sinais da
necessidade dos
recursos que outro
ator possui.
2.Necessidade de
trocas de
conhecimentos
entre os atores.
cooperativismo é
importante para
incrementar ações
coletivas.
Para a pesquisa
significa que o
autor da notícia
está se esforçando
para elevar o grau
de organização da
rede.
Essas variáveis
indicam o
comprometimento
de
relacionamentos
entre a
cooperativa,
cooperados e
outras
cooperativas,
demonstrando a
iniciativa da
mesma em
relação as demais
para que haja um
consenso entre
todas, que falem a
mesma língua,
sigam as mesmas
regras e tenham
os mesmos
objetivos para um
ganho coletivo
Isso assinala a
proposta de uma
rede de
cooperativas, o
que não ocorre até
este momento,
pois os laços entre
as diversas
cooperativas são
fracos.
112
A partir dos dados secundários coletados sobre a rede C, pode-se confirmar a presença
das variáveis pesquisadas, indicando o principal foco da cooperativa que é além do trabalho
social construindo moradias populares para uma classe de menor renda, procurar também
conscientizar as demais cooperativas e a própria comunidade da importância e do papel
desempenhando pelo cooperativismo habitacional junto a sociedade, indicando maior
envolvimento entre as partes, o que contribui para indicar o estado de organização em que a
mesma se encontra.
Afirma-se então, que nesta rede existe um relacionamento social muito grande entre ela
(cooperativa), os cooperados e a própria comunidade através de cursos, seminários e fóruns,
onde todos participam, emitem opiniões, tiram suas dúvidas e recebem informações a respeito
do que está acontecendo com seus projetos, porém, os documentos coletados são poucos e os
mesmos, representam informações, convites e resultados de fóruns, eventos, seminários e
palestras realizadas.
Verificou-se que uma parte dos documentos indicam a presença do social e outros a
presença do comercial. Os documentos mostraram o esforço do ator cooperativa em criar
consciência entre os atores sobre o que é o cooperativismo, conforme se depreende do
conteúdo das notícias dos documentos. As pessoas ainda não perceberam a necessidade de
trabalho conjunto, o que indica uma rede formal, burocrática, pouco desenvolvida nas relações
sociais.
5.6.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede C
A seguir serão apresentados os dados sobre o questionário utilizado na pesquisa da
Rede C:
TABELA 3. RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO SOBRE A REDE C
Perguntas
Discordo
totalmente
Nem
Discordo
concordo
Concordo
Concordo
totalmente
nem discordo
Presença e Natureza da Interdependência
1
1
2
1
2
1
4
3
3
4
5
1
2
4
3
1
2
113
6
2
2
1
7
1
3
1
Total
0
(17%)
6
(9%)
3
(60%)
21
(14%)
5
Sinais da presença e conteúdo do Comprometimento
8
3
9
1
1
3
10
11
1
4
1
3
1
2
12
1
2
13
2
3
14
1
3
15
1
Total
1
0
(8%)
4
1
4
16
17
2
1
(12%)
6
(60%)
3
2
2
1
30
(20%)
10
Sinais da presença e conteúdo da Confiança
18
1
3
19
1
4
20
2
1
2
21
1
1
3
22
Total
1
4
0
(20%)
5
(8%)
2
(64%)
16
1
(8%)
2
Natureza e formas de solução das Assimetrias
23
24
1
25
1
1
3
1
3
26
27
2
(13%)
4
1
4
1
1
1
0
3
2
28
Total
1
(17%)
5
4
(57%)
17
(13%)
4
Formas de Governança
29
1
30
3
1
1
4
31
1
2
2
32
1
1
3
33
1
1
2
1
34
2
1
2
35
1
3
1
Total
0
(9%)
3
(20%)
7
(60%)
18
(23%)
7
114
TOTAL
0
(13%)
22
(13%)
23
(58%)
102
(16%) 28
GERAL
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
Este questionário composto de 35 questões, com 05 alternativas com escala de Likert
foi entregue a cinco atores da rede, sendo eles, 1cooperado, 1funcionário da cooperativa, 1
advogado, 1 funcionário da construtora e 1 funcionário do banco.
Em resposta às perguntas do questionário, a pesquisa mostrou uma rede muito focada
com os relacionamentos sociais sejam com os cooperados como também com a própria
comunidade, onde os mesmos procuram conhecimento, informações e trocas de experiências
com os sujeitos que fazem parte da rede, havendo muito comprometimento em ações coletivas.
É importante ressaltar que algumas perguntas, em particular aquelas que questionavam
a respeito de assimetrias e de governança, as respostas obtidas demonstraram certa dúvida por
parte dos atores questionados, nem concordando e nem discordando, mas não foi possível
determinar o motivo, podendo ser (a) o sujeito não entendeu a questão; (b) o ponto não é
importante; (c) o sujeito não tem informações suficientes para responder.
A partir das respostas obtidas conclui-se que, diferente dos dados obtidos dos
documentos, há alta presença da confiança e do comprometimento. O resultado é esperado,
uma vez que o conteúdo dos documentos é depurado antes de se tornar público, ao passo que o
questionário coleta uma situação instantânea, mais emocional, menos depurada.
5.6.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede C
A seguir apresentam-se os dados principais das entrevistas realizadas.
Sujeito C1
Presidente da cooperativa está no mandato desde sua fundação em 2010. Durante a
entrevista procurou oferecer o maior número de informações possíveis a respeito da mesma,
pois ele é recente no estado de São Paulo, porém com grande experiência no Rio Grande do
Sul, especificamente na cidade de Bento Gonçalves, onde se dá grande incentivo ao
cooperativismo habitacional por parte tanto dos órgãos públicos como da iniciativa privada, o
que proporcionou ao mesmo utilizar-se de tais conhecimentos e experiências para implantá-la
na região paulistana.
115
Segundo ele, “O cooperativismo é uma sistema de sociedade na qual o social e o
econômico se fundem para o bem-estar dos sócios, presente no Brasil há mais de um século,
nunca mereceu a devida atenção do Governo, no sentido de uma política educacional
sistematizada cuja finalidade é demonstrar à sociedade a importância de se trabalhar em
cooperativas, em nosso caso as habitacionais”.
Esta cooperativa trabalha exclusivamente com moradias populares (apartamentos) o
que facilita na obtenção de crédito bancário por parte da mesma e dos próprios cooperados
junto ao governo, assim pode-se definir inclusive seus principais parceiros, o governo, os
bancos e as construtoras.
“O importante”, segundo o presidente, “é o trabalho da cooperativa em relação à
educação cooperativista em prol dos cooperados, eventuais futuros cooperados, outras
cooperativas e parceiros, embutindo aos mesmos os princípios cooperativistas e os
fundamentos do trabalho das cooperativas habitacionais e sua importância para a
sociedade”.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram determinantes:
De acordo com seu comentário, a cooperativa tem muita necessidade de seus atores e
os mesmos da cooperativa, pois é com eles que ela consegue atingir seus objetivos e os
objetivos dos cooperados, por isso o trabalho se torna muito importante na troca de
informações e conhecimentos entre os mesmos, continuou dizendo que aí entra a importância
das reuniões e fóruns realizados, pois através desses contatos, eles passam a trocar
informações, conhecimentos e recursos que são colocados à disposição da cooperativa com
ações coletivas objetivando facilitar o trabalho conjunto e ganho para atingir o objetivo final,
acrescentou ainda que alguns de seus parceiros inclusive frequentam os fóruns e dão suas
opiniões, tanto que ao falarmos sobre comprometimento, ele nos disse que ele se torna muito
importante para a realização do trabalho conjunto, seja na participação efetiva dos cooperados
nas reuniões, nas contribuições e nos acompanhamentos dos serviços feitos, opinando e
fiscalizando.
“Tais comprometimentos”, segundo ele, “criam a confiança que um tem em relação
ao outro, onde muitas vezes até a palavra vale mais do que qualquer coisa escrita,
acreditando na integridade e no trabalho feito pelas outras pessoas e como ela deve confiar
em nosso trabalho”.
Ele citou como exemplo a forma de trabalho da cooperativa que preside, onde durante
mais de um ano os cooperados pagam à cooperativa um valor de poupança (que é depositado e
116
aplicado no banco) confiando que com o valor a cooperativa irá adquirir e pagar o terreno e
somente depois começar a construção.
Em relação a diferenças de recursos, objetivos e valores éticos que poderiam
influenciar criando atritos ou conflitos entre os atores, ele colocou da seguinte forma:
“Existem diferenças entre os atores, principalmente de recursos financeiros, nas organizações
ligadas a rede também, principalmente no que se refere a recursos tecnológicos e financeiros,
onde o lucro está presente, posso acrescentar”, disse ele, “em relação ao governo, esta
questão é apenas social, pois o mesmo incentiva os projetos com os quais trabalhamos”.
Complementando, ele explicou que: “Para os cooperados de níveis financeiros
diferentes, a cooperativa aloca-os em grupos diferenciados não tendo maiores problemas; em
relação as organizações, a cooperativa procura encontrar soluções com contratos que
atendam ambas as partes, desde que os orçamentos não sejam superiores aos previamente
estabelecidos com o próprio governo e repassados aos cooperados”.
Perguntou-se a ele a respeito das regras e controles existentes e ele disse que: “Elas são
criadas a partir do estatuto e do regimento interno entregue e discutido na primeira reunião
com os cooperados fundadores e que devem ser cumpridos por todos, tanto pelos cooperados
como também com as organizações que fazem parte dessa parceria”.
Portanto, pode-se afirmar que a partir das respostas obtidas durante a entrevista, que a
maior preocupação da cooperativa é com os relacionamentos sociais com os atores da rede e
com pessoas da comunidade, cujo foco e possibilitar a eles, conhecimentos, experiências e
informações que se tornarão importante para criarem comprometimento e confiança com a
mesma, como também possibilitando a outras redes fazerem parte desta rede.
Sujeito C2
Gerente de conta bancária, tendo como um de seus clientes esta cooperativa.
Para ele a cooperativa representa um de seus clientes e com ela o relacionamento ainda
é mais comercial do que social, pois, seu contato é relativamente novo.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram de suma importância:
Segundo ele, “o banco necessita dos recursos de outros atores e os mesmo também
necessitam dos recursos do banco onde atuo, consequentemente, passamos a trocar
informações, conhecimentos e experiências vividas”.
Continuando, ele disse que: “A partir desses relacionamentos, passa a haver um maior
comprometimento entre as pessoas, onde todas assumem suas responsabilidades e passam a
trabalhar em conjunto em benefício de todos, mesmo que com as organizações tais
117
comprometimentos sejam comerciais”, mesmo assim, disse ele, “ao assumirem suas
responsabilidades e entender que cada um irá cumprir com seu trabalho, todos passam a
acreditar na integridade das pessoas envolvidas, onde o coletivo se sobrepõe ao
individualismo, como foi o caso da própria cooperativa quando seu presidente colocou a
disposição do banco seus bens pessoais como garantia na abertura do primeiro crédito (pois
até então a cooperativa não tinha recebido o repasse do governo), pois a mesma aqui em São
Paulo não tinha nenhum histórico e o banco poderia relutar em oferecer algum recurso,
porém, acreditamos na honestidade do mesmo e hoje ele é um grande cliente, colocando no
banco toda a economia e as reservas da cooperativa”.
Em relação as perguntas sobre a variável assimetrias, ele percebe muitas diferenças
entre os atores e as organizações principalmente no que se referem a recursos, clientes com
níveis financeiros e objetivos diferentes, que o banco procura solucionar na medida do
possível, porém, ele entende que essas diferenças não causam conflitos e nem problemas, pois
cada um tem sua própria necessidade e o banco procura dar a eles ou atendê-los da melhor
forma possível.
Quanto a variável governança, ele se colocou da seguinte forma: “O banco possui
regras e controles, desde a entrada de um novo cliente, até sua saída, isso também acontece
com os colaboradores, sendo as mesmas criadas por entidades regulamentadoras e
repassadas aos bancos para serem cumpridas”.
“O controle é feito hierarquicamente, dos acionistas para as diretorias, gerencias e
colaboradores, onde a posição de cada um dentro da organização se torna importante para o
desempenho e de ações coletivas em benefício de todos”.
Em relação a suas respostas, concluiu-se que, embora a questão social, mesmo
timidamente, é percebida em alguns momentos da entrevista, ele foca muito nos
relacionamentos comerciais voltados na maior parte das vezes aos próprios interesses do
banco, indicando uma rede burocrática, funcionando na base de normas, sem espaço para
relações sociais.
Sujeito C3
Responsável pela empreiteira que está atualmente trabalhando com a cooperativa no
desenvolvimento dos projetos habitacionais dos grupos já formados e que estão entrando na
fase de entrega de documentação para poder dar início a construção dos conjuntos
habitacionais através das verbas do governo.
118
Segundo ele, “com a cooperativa é o primeiro trabalho e, portanto, procuro me
relacionar e trocar informações suficientes para concluir os documentos e os cronogramas de
maneira a terem acesso ao financiamento bancário necessário para o início das obras”.
Portanto, disse ele, “acredito que esta experiência será muito interessante para o
desenvolvimento de um bom relacionamento que poderá trazer novos projetos na área de
construção junto a esta cooperativa”.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram relevantes:
Para ele a necessidade de recursos de outros atores é tão importante quanto passar
recursos para os outros, pois essas parcerias se tornam necessárias para que seu trabalho se
desenvolva e com eles, portanto, deve haver muitas trocas de informações, conhecimentos e
novas experiências, acreditando que todos devem contribuir, pois tais ações só levam a
resultados mais positivos e ganhos por parte de todos.
Com isso, falou ele, “passa a haver comprometimento por parte das pessoas
envolvidas, seja no cumprimento dos acordos, seja na disposição de se relacionar, pois tais
relacionamentos só trazem benefícios, pois isso leva as pessoas e as organizações a
continuarem disponibilizando seu trabalho para ajudar os outros a atingir as metas
propostas”, inclusive ele nos deu um exemplo com a própria cooperativa: “Quando
consultado a respeito do projeto ele ainda não tinha fechado o contrato, mas se dispôs a
desenhar o primeiro projeto e gastar de seu próprio recurso para que a cooperativa tivesse
algo para oferecer como expectativa para seus cooperados”, isso ele nos disse que foi
inclusive uma afirmação de sua confiabilidade com os dirigentes da cooperativa.
Continuando a entrevista e utilizando-se do exemplo dado, ele notou que a cooperativa
precisava de ajuda de seus parceiros para permanecer no negócio e isso o incentivou a
continuar oferecendo sua ajuda, inclusive muitas vezes aceitou e cumpriu regras e acordos
informais, pois os contratos ainda teriam que ser formalizados, mas sempre teve a certeza que
os mesmos seriam cumpridos.
Quanto a variável de assimetrias e com sua experiência no mercado, ele afirmou que:
“Existem muitas diferenças entre os atores principalmente no que se refere a recursos, e isso
muitas vezes foi motivo de nosso trabalho atrasar com determinados clientes”.
Quanto a cooperativa, no pouco tempo em que estão trabalhando juntos, ele comentou
que: “Percebi a preocupação da mesma em ter os documentos em ordem, a nossa parte estar
em dia, pois ela depende de parte de nosso trabalho para obter os recursos necessários para
continuidade do projeto”.
119
Em relação a questão da governança, ele disse que: “A presença de regras, desde a
contratação até o término das obras, controles sobre tudo que fazemos em termos de
trabalhos e produção se fazem necessária para que os projetos sejam cumpridos”.
Segundo ele, “essas regras são muito importantes para demonstrar a cada um o papel
ocupado, seus direitos e obrigações”.
Em relação as respostas do sujeito C3, pode-se afirmar que os sinais da presença das
variáveis estão presentes, e que as mesmas são muito importantes para seu relacionamento
com todos os demais atores, mesmo que na maioria das vezes seja mais comercial do que
social, mas percebe-se que ele dá muita importância a isso, inclusive contribuindo para que os
mesmos perdurem representando um trabalho conjunto entre todos que fazem parte desse
relacionamento na rede, percebendo-se que pelo pouco tempo que mantem relacionamento
com a cooperativa e, portanto, ainda não construiu uma conexão maior, seu contato ainda é
comercial, mas já houve exemplo de sua preocupação com os mesmos o que nos leva a
entender que isso com o tempo poderá demonstrar maior envolvimento e, por conseguinte
maior afinidade de valores éticos e sociais.
O estado de rede que aparece a partir desse ator indica uma rede focada nos
relacionamentos sociais, mesmo sabendo da necessidade e da importância que contratos e
acordos sejam cumpridos, porém sabem que os mesmos serão mais facilmente realizados, ou
os conflitos serão também mais facilmente resolvidos na presença da confiança e do
comprometimento.
Considerando os dados das três entrevistas realizadas, pode se concluir que o estado
desta rede se caracteriza pela formalidade e pela presença de esforços de relações sociais.
Pode-se concluir então que, embora o sujeito C2 tenha relacionamentos ainda muito
racionais, as respostas dos sujeitos C1 e C3 convergiram na preocupação de ações, fóruns,
encontros para desenvolver a consciência da necessidade de ações coletivas e maior
envolvimento social.
5.6.4. Resposta ao problema de pesquisa
Após a conclusão do trabalho de pesquisa com a Rede C, onde foram pesquisados
diversos documentos, feitas 3 entrevistas e aplicados 5 questionários, pode se afirmar que esta
rede se encontra em um estado organizacional bem formal, com esforços para
comprometimento, mas ainda com relações sociais pouco desenvolvidas.
120
Os documentos foram os que mais indicaram as formalidades e as entrevistas foram as
que mais indicaram os esforços e até alguns exemplos de relações sociais de confiança e
comprometimento que estão se desenvolvendo.
Apesar de não ser objetivo desse trabalho realizar analises históricas, neste caso pode
se afirmar que há sinais de mudanças de um estado de rede burocrática e relações competitivas
para um estado de rede com ações mais coletivas e comprometimento.
5.7. Apresentação dos dados da Rede D
A Cooperativa D foi fundada em 2001, localizando-se na zona leste da cidade de São
Paulo, mas atuando em várias regiões, principalmente no litoral, o que mostra sua capacidade
de criar ligações geográficas mais distantes. Seus projetos são apartamentos, casas e sobrados.
Seus parceiros são os próprios cooperados, bancos, construtoras e entidades de fomento
(OCESP, OCB, SESCOOP e o CRECI), por ser auto gestora possui recursos próprios
originados pelas contribuições dos cooperados.
5.7.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede D
A seguir são apresentados os dados secundários mais importantes sobre fatos que
envolvem a rede D e que tem relação com a pesquisa.
QUADRO 12. DADOS SECUNDÁRIOS DA REDE D
N°
01
Natureza do
documento
Ata de
Constituição e
regimento
interno.
02/01/2001
Tema central
Este documento
representa todas as
regras de controles
para sua
constituição,
admissão e
exclusão dos
cooperados,
incluindo os
regimentos internos
sobre
relacionamentos de
cooperados e
diretoria, formas de
distribuição,
Variável presente
Indicador
Formas de
Governança
1.Regras sobre
admissão e
exclusão.
2.Regras sobre
penalidade.
3.Controle por
autoridade.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
1. Participar
regularmente de
reuniões e
decisões.
6. Sinais de
disposição de
continuidade
Relação com o
tema da pesquisa
Esse documento
Indica as regras
necessárias para a
construção da
cooperativa, a
maneira de como é
feita a formação
dos grupos de
cooperados e os
sorteios de entrega,
indicando como
deve ser uma rede
mais organizada e
estruturada,
controlando o
121
02
03
Contrato
firmado com
uma
Construtora
2002
Jornal da
Cooperativa D
Abril / 2008
recursos, direitos e
obrigações da
diretoria,
cooperados e outros
atores, tendo a
obrigação de
participar das
assembleias nas
eleições e
mudanças
estatutárias, como
também nas
assembleias de
sorteios e entregas.
Cooperativa
contrata empresa
para construção dos
condomínios em
Itanhaém e
Mongaguá.
De acordo com o
regimento interno,
após ter sido feito
três orçamentos a
cooperativa fecha
contrato com a
construtora TB para
a construção do
primeiro
condomínio em
Itanhaém e
Mongaguá, ficando
a mesma com a
obrigação de
cumprir os prazos
determinados.
Assembleia geral
dos cooperados
aprova alteração do
estatuto para
distribuição das
moradias
privilegiando
apenas o sorteio.
Aprovado por todos
os presentes, a
cooperativa em
assembleia, altera o
regimento interno,
no artigo sobre
distribuição, onde
se lia que 70% eram
distribuídos por
antecipação e 30%
por sorteio, passa a
ser lido da seguinte
forma: 100% dos
imóveis serão
distribuídos por
sorteio.
dos
relacionamentos
.
comportamento e
incentivando ações
coletivas.
Formas de
Governança
2. Regras sobre
penalidade.
3. Controle por
autoridade ou
reputação.
6. Regras para
compras, trocas
e entregas de
bens, e serviços
junto aos
parceiros.
Presença e natureza
da Interdependência
1.Sinais da
necessidade dos
recursos que
outro ator
possui.
A presença dessas
variáveis indicam o
papel ocupado pela
ator cooperativa na
rede e a autoridade
da mesma junto aos
atores, cujo
controle enseja o
cumprimento das
regras e acordos
estabelecidos, como
também das trocas
de recursos entre os
atores da rede.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
1.Diferença de
recursos
investidos.
5.Modo de
solução das
diferenças.
Formas de
Governança
3.Controle por
autoridade, ou
reputação.
5 regras sobre
igualdade entre
os atores.
Presença e natureza
da Interdependência
4.Aceitação de
ações coletivas
como mais
importante que
ações isoladas.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
1.Participar
regularmente de
reuniões e
decisões.
Tais variáveis e
seus indicadores
representam uma
rede mais
estruturada com
normas e
regulamentos
formais, onde existe
a participação
coletiva dos atores
nas tomadas de
decisões que
beneficiam a
maioria,
proporcionando
assim mais
relacionamentos e
responsabilidade
entre os atores para
poderem atingir o
bem comum,
representando uma
organização mais
focada a diminuir
122
04
05
Contrato
firmado com
Construtora
2009
Jornal da
Cooperativa D
Maio / 2012
Isso possibilita a
cooperados com
menos recursos
terem as mesmas
possibilidades
daqueles com
maiores recursos,
como também
indica a presença de
ações coletivas em
detrimento de ações
individualistas,
onde passa a haver
maior
comprometimento e
confiança entre a
cooperativa e os
cooperados pelas
ações sociais
conforme princípios
cooperativistas.
Cooperativa
contrata empresa
para construção de
condomínios em
Itanhaém e
Mongaguá.
Ao iniciar as obras
do segundo
condomínio, a
cooperativa cumpre
novamente com o
estatuto e o
regimento interno,
onde os mesmos
determinam prazos
para as obras,
indicando que a
mesma tem
comprometimento
com os cooperados
e é responsável no
cumprimento das
regras existentes.
A cooperativa D faz
parceria com banco
para financiamento
dos imóveis
entregues,
facilitando os
cooperados que já
receberam os bens
e, portanto podem
optar por períodos
maiores de
pagamento e
prestações menores.
Esta parceria
representa entrada
de novos recursos
2.Ajudar a
outro, mesmo
sem benefício
próprio.
certas diferenças e
ao mesmo tempo
contribuir para que
todos possam ter as
mesmas
oportunidades.
Formas de
Governança
2.Regras sobre
penalidade.
6.Regras para
compras, trocas
e entregas de
bens, e serviços
junto aos
parceiros.
Presença e natureza
da Interdependência
1.Sinais da
necessidade dos
recursos que
outro ator
possui.
6.Sinais da
aceitação da
existência de
custos para cada
um na rede para
que haja um
ganho coletivo.
A presença dessas
variáveis, indicam o
grau de
responsabilidade e
de autoridade que a
cooperativa
representa junto a
seus cooperados,
regras são
estabelecidas para
serem cumpridas,
seja por parte da
cooperativa, como
do próprio
cooperado,
representando ações
de uma rede com
propósitos bem
definidos,
organizada e com
responsabilidade
sobre os atores.
Presença e
natureza da
Interdependência
1.Sinais da
necessidade dos
recursos que
outro ator
possui.
2.Necessidade
de trocas de
conhecimento
entre os atores.
4.Aceitação de
ações coletivas
como mais
importante que
ações isoladas.
Sinais da presença e
3.Assumir
O esforço da
cooperativa em
ajudar o ator
cooperado através
do ator banco
indica que a rede
pode ser mais
eficiente, com
ações mais
coletivas e também
com ganhos
coletivos. O esforço
de
comprometimento
da cooperativa
aproximou os três
123
contribuindo para
que outras moradias
sejam entregues em
prazos menores do
que o previsto.
06
Jornal da
cooperativa D
Março / 2013
A cooperativa D
obtém junto às
prefeituras de
Itanhaém e
Mongaguá redução
nos custeios dos
encargos para a
emissão de
escrituras de seus
projetos
habitacionais.
Cooperativa e as
prefeituras locais
fecham acordo de
subsidio para que
os cooperados
obtenham suas
escrituras e os
registros das
mesmas nos
cartórios de imóveis
dos municípios por
um valor
diferenciado,
favorecendo os
mesmos com preços
menores.
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
conteúdo de
Comprometimento
responsabilidad
es de ações
conjuntas.
4.Percepção
entre os agentes
quanto ao
cumprimento
dos acordos.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
1.Diferenças de
recursos
investidos;
5.Modos de
solução das
diferenças.
6.Regras para
compras, trocas
e entregas de
bens, e serviços
junto aos
parceiros.
Formas de
Governança.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
3.Assumir
responsabilidad
es de ações
conjuntas.
Natureza e formas
de solução de
Assimetrias
5.Modos de
solução das
diferenças.
atores da ação.
A prefeitura
representa um ator
que influencia no
estado de
organização da
rede, pois com essa
redução de custos
para alguns atores,
a prefeitura assume
juntamente com o
ator cooperativa
responsabilidades e
comprometimento
perante os atores
desta rede.
A partir dos dados secundários coletados sobre a rede em que se encontra a cooperativa
D, podemos afirmar a presença das variáveis pesquisadas entre os atores da rede, porém,
indicam muito mais acordos formais e comerciais do que propriamente sociais que para nosso
trabalho são mais importantes do que o racional.
Portanto, embora os documentos indiquem mais acordos comerciais, os documentos
que noticiam atitudes do ator cooperativa em relação ao ator cooperado, como também com
algumas organizações, representam muito a disposição do ator- cooperativa em se envolver
socialmente com ações coletivas, imbuindo confiança as pessoas para que as mesmas
124
conquistem o objetivo esperado, esse esforço da cooperativa em ajudar o ator cooperado
através do ator banco indica que a rede pode ser mais eficiente, com ações mais coletivas e
também com ganhos coletivos.
Dessa forma, o esforço de comprometimento da cooperativa aproximou os três atores
da ação indicando uma maior conectividade entre o ator cooperativa e o ator, mas isso parece
uma ilha, pois, já com os outros atores, os mesmos agem de forma mais comercial, deixando a
rede incipiente, torta e sem muitas conexões sociais.
5.7.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede D
A seguir serão apresentados os dados sobre o questionário utilizado na pesquisa da
Rede D:
TABELA 4. RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO SOBRE A REDE D
Perguntas
Nem
Discordo
Discordo
totalmente
concordo
Concordo
Concordo
totalmente
nem discordo
Presença e natureza da Interdependência
1
2
4
2
2
6
2
3
3
5
1
3
3
1
6
1
7
1
4
3
4
1
5
6
7
Total
1
0
(4%)
2
(7%)
4
(59%)
33
(30%)
17
Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento
8
1
9
1
10
1
11
1
1
6
12
1
1
5
1
13
4
3
1
14
4
4
15
2
6
2
4
4
1
7
16
17
3
6
1
1
6
2
125
Total
0
(7%)
6
(19%)
15
(63%)
50
(11%)
9
Sinais da presença e conteúdo de Confiança
18
1
19
1
6
1
7
20
4
1
3
21
1
2
4
22
1
1
6
Total
0
(18%)
7
(15%)
6
(65%)
26
1
(3%)
1
Natureza e formas de solução de Assimetrias
23
1
1
6
24
2
1
5
25
2
3
3
26
1
27
1
1
6
28
1
3
4
Total
0
(17%)
8
5
(19%)
9
(60%)
29
2
(4%)
2
Formas de Governança
29
1
30
3
3
3
5
31
2
2
4
32
1
1
6
33
1
3
4
3
5
1
5
34
35
1
Total
(2%)
1
(9%)
5
(28%)
16
(57%)
32
TOTAL
(1%)
1
(10%)
8
(18%)
50
(61%)
170
1
1
(4%)
2
(11%) 31
GERAL
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
Este questionário composto de 35 questões, com 05 alternativas com escala de Likert
foi entregue a 08 atores da rede D, entre eles 3 cooperados, 2 funcionários da cooperativa, 1
advogado, 1 funcionário do banco e 1 funcionário da construtora.
Em resposta às perguntas do questionário, a pesquisa mostrou uma rede muito focada
com os relacionamentos sociais com seus cooperados, onde a mesma procura conhecimento,
informações e trocas de experiências com os sujeitos que fazem parte da rede, havendo muito
comprometimento em suas ações coletivas.
É importante comentar que algumas perguntas, em particular aquela que questionava a
respeito de governança, as respostas obtidas demonstraram uma certa dúvida por parte dos
126
atores questionados, nem concordando e nem discordando, mas não foi possível determinar o
motivo, podendo ser (a) o sujeito não entendeu a questão; (b) o ponto não é importante; (c) o
sujeito não tem informações suficientes para responder.
Concluindo a análise desta coleta, os dados indicam uma rede com vínculos sociais
fortes (altas porcentagens de confiança e comprometimento) principalmente na díade
cooperativa-cooperado. Tal como no caso da conclusão da rede anterior, os documentos
apontam para formalidade e ação isolada e os questionários apontam para ações coletivas.
5.7.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede D
A seguir apresentam-se os dados principais das entrevistas realizadas.
Sujeito D1
Presidente da cooperativa está no mandato desde 2012 quando da renúncia do
presidente que pediu afastamento por motivos particulares, mas sempre fez parte da diretoria,
desde o início.
Para ela, a cooperativa no passar dos anos evoluiu na questão de administração e de
relacionamentos, pois com trocas de informações, conhecimentos e experiências com outras
cooperativas e com as entidades de fomento, possibilitaram a mesma criar novos valores e
novas formas de governança, trazendo para si e para seus cooperados uma maior confiança,
comprometimento e cooperação em seus projetos habitacionais e fidelização dos cooperados
no que se refere aos cumprimentos das obrigações, nas cobranças de seus direitos, nos
relacionamentos dos mesmos com a cooperativa, como também entre eles, “tanto que em
muitas ocasiões” disse ela: “Alugamos ônibus e descemos para a praia com os cooperados
que querem ir sem cobrar nada e lá visitamos as obras, fazemos piquenique e
confraternização dentro dos condomínios dos que já receberam os imóveis ou até mesmo nas
obras”, o que demonstra o alto grau de amizade entre todos, porém, quando o assunto são as
parcerias, disse ela, ainda não se desenvolveu um relacionamento mais social, persistindo
ainda um relacionamento mais comercial.
Suas parcerias são praticamente com a iniciativa privada (bancos, construtoras e
empreiteiras, com outras cooperativas e entidades de fomento), proporcionando a mesma
utilizar-se de tais conhecimentos para implantá-la em sua administração e em seus projetos,
como também repassar aos parceiros seus próprios conhecimentos e suas experiências.
127
Portanto ela necessita muito da participação dos mesmos, como eles necessitam da
cooperativa, onde o trabalho realizado por ela se volta também na educação cooperativista em
prol dos cooperados, ensinando e explicando aos mesmos os princípios e os fundamentos do
trabalho das cooperativas habitacionais.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram conclusivas:
Segundo ela, “a cooperativa necessita muito dessas relações com seus parceiros sejam
eles os cooperados, os bancos, as construtoras, empresas de fomento e de seus colaboradores,
tanto para adquirir recursos, conhecimentos e experiências, como também repassa-los e para
que isso aconteça, trocamos informações, seja por telefone ou e-mails com nossos atores e
tendo condição nos reunimos e discutimos aquilo que mais precisamos ou que eles necessitam
para complementar nosso trabalho e o deles”.
Complementando a resposta, ela disse que: “Nestas reuniões, nesses telefonemas e nos
e-mails trocados, procuramos colocar à disposição de todos nossas necessidades e eles
colocam as deles, onde um consegue muitas vezes solucionar as necessidades dos outros”.
Para fortalecer seu depoimento ela deu um exemplo muito interessante: “Em diversas
ocasiões eu
percebi os próprios cooperados colocarem seu tempo e sua profissão a
disposição da cooperativa para sanar problemas que surgem no dia a dia, como serviços de
advocacia, experiência no ramo de material de construção, de mão de obra, como também de
tecnologia”, lembrou também de uma cooperativa (C) que tinha adquirido um programa para
administrar e controlar as finanças e os cronogramas das obras, em uma dessas reuniões, esta
cooperativa explicou da importância e da facilidade em se trabalhar com tal sistema, o que foi
importante para as demais se interessarem, “no nosso caso acabamos fechando negócio e hoje
trabalhamos com esse sistema”. Resumindo ela explicou que essa contribuição agrega valores
e conhecimentos para a própria cooperativa, como também para seus atores.
Continuando a entrevista, a presidente disse que: “O comprometimento faz parte do
que foi falado anteriormente, onde, com esses relacionamentos passa a haver maiores
contatos por parte dos cooperados, principalmente na participação dessas reuniões, em
visitas a cooperativa para acompanhamento dos trabalhos, e emitindo opiniões que muitas
vezes se tornam úteis para a sequência dos trabalhos realizados, tais atitudes só trazem
benefícios, seja na tomada de decisões conjuntas, seja nas opiniões, seja nos próprios
relacionamentos o que contribui para que os mesmos continuem disponibilizando seu tempo
para ajudar a atingir as metas propostas”.
Ao ser questionada sobre confiança, ela disse que: “Quanto maior for à credibilidade
entre as pessoas que participam desse círculo, mais fácil se torna as tomadas de decisões,
128
inclusive aceitando e cumprindo regras e acordos inclusive informais, porém, com a certeza
que as mesmas serão totalmente cumpridas”.
De acordo com sua resposta, entre os cooperados existem muitas diferenças,
principalmente de conhecimentos (alguns tendo mais facilidade de compreender determinados
assuntos e outros não) e recursos financeiros, pois todos no início contribuem com o mesmo
valor, porém quando se entrega as moradias, alguns passam a antecipar contribuições e outros
não tem a mesma possibilidade, quanto as organizações que trabalham com a cooperativa, ela
comentou que entende que sim, pois cada um tem seu próprio objetivo e suas próprias metas,
alguns possuindo maiores recursos, mais conhecimento, melhor tecnologia e outros não
estando ainda no mesmo patamar.
Na questão da governança percebeu-se muito bem com suas respostas que ela
considera muito importante a presença de regras, desde a admissão até a demissão do
cooperado, formas de devolução das parcelas pagas em caso de pedido de demissão por parte
do cooperado, controles sobre tudo que se faz principalmente sobre as decisões tomadas, nas
contratações e nos acordos assinados, dizendo que: “Isso permite um trabalho mais sério,
mais comprometido, mais transparente, acreditando assim que as mesmas contribuirão para
que os objetivos da cooperativa sejam cumpridos, tanto que tais regras” confirmou ela,
“penalizam aqueles que delas transgredirem”.
Assim sendo, pode se afirmar que, considerando o conjunto de dados, em relação a
pergunta de pesquisa, percebe-se a presença das variáveis nas respostas por parte do sujeito D1
e para o mesmo tal presença se torna essencial para o alcance dos objetivos de todos que
fazem parte da rede, indicando uma rede formal, burocrática, com a presença do social, porém
alguns atores desconhecem ainda a força em se trabalhar em rede e sendo assim, esses
relacionamentos em certas ocasiões com alguns atores passam a ser apenas de negócios, tanto
que em algumas respostas ela enfatizou bem que: ”Tais relacionamentos podem se tornar com
o tempo muito mais sociais trazendo muito mais envolvimento entre todos, contribuindo para
que todos ganhem com isso”.
Sujeito D2
Gerente de conta bancária tem a cooperativa como um de seus clientes, inclusive
comentou que seu relacionamento com a cooperativa, ainda é muito comercial, pois com a
quantidade de clientes, não existe grande possibilidade de se ater a apenas um, o que não lhe
permite muitas vezes relacionamentos mais particulares e mais específicos com cada um deles.
129
Inclusive, citou ainda que, tais relações são mais de encontros na agencia ou uma ou
outra vez uma visita a cooperativa para conversar com os diretores e trocar algumas ideias a
respeito das contas e do interesse da cooperativa em relação aos produtos do banco.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram significantes:
Segundo ele, “existe por parte do banco uma interdependência muito grande em
relação a outras organizações principalmente no que se refere a recursos, seus clientes
colocam seus recursos a disposição do banco e o banco coloca esses recursos a disposição de
outros clientes que dele tem necessidade, por conseguinte, passamos a trocar informações
com os clientes, procurando conhecer facilitando ao mesmo o que fazer com os mesmos”.
“Quanto as trocas de conhecimentos, experiências e tecnologias, o banco está
constantemente fazendo uso das mesmas, sejam para uso do próprio banco, como também
repassando para seus atores, como é exemplo com a cooperativa” disse ele. “Como cliente,
ela necessita das informações on line de sua conta, como também de suas cobranças e
pagamentos, portanto, o banco repassa a mesma essa tecnologia e dá suporte todas as vezes
que a mesma necessita isso demonstra” conforme comentário próprio “o comprometimento
que a agencia e o banco tem com seus clientes, porem”, segundo ele, “poderia ser melhor e
não apenas de negócios, porém, o tempo é o principal problema, mas, procuramos na medida
do possível se reunir, mesmo que seja de tempo em tempo com o cliente, pois, relações mais
habituais só trazem benefícios, seja na tomada de decisões conjuntas, seja nas trocas de
informações, seja nos próprios relacionamentos”.
“Tudo isso”, segundo ele, “se torna primordial no dia a dia, tanto que muitas vezes se
toma decisões entre o banco e o cliente apenas na confiança em que cada um irá cumprir com
sua parte, confiando que o outro irá fazer a mesma coisa, mesmo que para isso seja
necessário tomar atitudes apenas confiando na integridade das outras pessoas”.
Ao comentar sobre assimetrias entre seus parceiros, ele acredita que embora exista
muitas diferenças sejam elas de recursos, de objetivos ou até de tratamentos, o banco procura
solucionar na medida em que vão surgindo, porém, muitas vezes tais diferenças representam
tratamentos diferenciados, principalmente na questão de obtenção de recursos, pois o banco
tem objetivos não sendo apenas em atender a um cliente específico, mas uma gama de clientes
que poderão trazer ao próprio banco recursos que serão futuramente investidos com outros
clientes, isso inclusive facilita na hora de novos acordos o que pode trazer soluções e
benefícios para ambas as partes, “o cliente satisfeito é o cliente fiel”, disse ele.
Para esta questão, comentou, “existem regras, colocadas muitas vezes não só pelo
banco, mas por entidades reguladoras, desde a admissão até a exclusão do cliente, controles
130
sobre tudo que se faz e principalmente nas decisões tomadas, portanto ele mesmo afirmou que
são regras formais que o banco assina conjuntamente com o cliente e ambos tomam
conhecimento das penalidades que deverão ser cumpridas no transcorrer do tempo do
contrato, inclusive com penalidades quando as mesmas são transgredidas”.
Assim sendo, pode-se afirmar que, considerando o conjunto de dados, a resposta ao
problema de pesquisa indica a presença de algumas variáveis por parte do sujeito D2,
principalmente aquelas racionais, pois, tais relacionamentos são quase que exclusivamente
comerciais, denotando apenas em alguns momentos a presença do social entre ele e seus
atores, o que concluímos que esses relacionamentos determinam a existência de uma rede em
um estado latente, pouco desenvolvida, sem que os atores tenham consciência do coletivo.
Sujeito D3
Responsável pela construtora que está atualmente trabalhando com a cooperativa na
construção das fases IV, V e VI dos projetos habitacionais de um dos módulos na cidade de
Itanhaém.
De acordo com suas respostas, o trabalho com essa cooperativa não é o primeiro, assim
pode afirmar que houve até agora grande afinidade para que os projetos fossem concluídos
pelos valores e tempo previamente estabelecidos, “tal experiência”, segundo ele “é relevante
para a continuidade e desenvolvimento de um relacionamento que poderá trazer novos
projetos na área de construção junto a esta cooperativa”.
Quanto ao seu trabalho ele informou: “por se tratar de uma cooperativa que se dedica
exclusivamente na construção de moradias de lazer, a mesma só possui recursos vindos dos
próprios cooperados, o que dificulta muitas vezes o cumprimento dos cronogramas de obra,
aumentando em algumas vezes o tempo de construção, portanto, para que isso seja realizado,
as parcerias são pontos fortes para o alcance desses objetivos tanto que em muitas ocasiões
houve necessidade de se mudar o cronograma para aguardar a entrada de novos recursos”.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram valiosas:
Para ele, “existe por parte da construtora uma relação muito estreita com nossos
atores, cujos recursos se fazem necessários para complementar nosso trabalho, mas ao
mesmo tempo, dispomos de nossos trabalhos, nossas tecnologias e de nosso conhecimentos
para atender as necessidades dos mesmos. Por conseguinte, passamos a trocar com os
mesmos, informações, conhecimentos, e experiências que são utilizadas em benefício de todos,
gerando ganho coletivo e menos recursos investidos”.
131
Quanto ao comprometimento, ele comentou que: “Essa participação entre os atores
ainda é muito voltada ao cumprimento dos contratos, onde os relacionamentos são apenas em
conversas ou reuniões, ou mesmo em visitas as obras por parte dos clientes, esses encontros
tem a finalidade de colocar os assuntos de trabalho em dia, o que se espera”, disse ele, “é
que esses contatos tragam com o tempo uma proximidade maior entre todos e que possamos
no longo do tempo dar continuidade de trabalho com o mesmo cliente”.
Complementando sua resposta, ele vê nesse comprometimento, uma forma das pessoas
confiarem em seus atores e os mesmos em você mesmo, a seguir comentou que: “A
construtora acredita muito na integridade das pessoas envolvidas e que os acordos serão
cumpridos, em nosso trabalho deve haver muita confiança, pois muitas vezes somos obrigados
a assumir compromissos que não se encontram formalizados, porem temos necessidade de
continuar o trabalho até que o mesmo seja assinado, caso contrário, a obra será paralisada.
Portanto confiamos que as pessoas irão cumprir cada um com sua parte, mesmo não tendo
um relacionamento mais afetivo a não ser através dos contatos entre as pessoas envolvidas”.
Em relação as assimetrias, ele informou que: “Embora existam muitas diferenças entre
os atores, principalmente no que se refere a recursos e objetivos diferentes, não poderia
explicar se essas diferenças podem ocasionar algum conflito ou problema para a rede”.
Citou na questão de objetivos, que: “O objetivo principal de nossa empresa é terminar
as obras contratadas no prazo, no custo e na qualidade acordada e com isso receber o que foi
determinado em contrato, para tanto temos que cumprir o que foi estipulado em contrato, o
que não se torna o mesmo objetivo se assim entendermos por parte de outros atores
envolvidos, como por exemplo a própria cooperativa cujo objetivo é mais social, entregar a
obra para seus cooperados e satisfazer seus desejos em relação a moradia, não visando lucro,
o que para a empresa é primordial para continuidade de seu trabalho, embora ao continuar
nosso trabalho podemos também ver o lado social ao contratar funcionários e dar a eles
condições de trabalharem e receberem recursos que possibilitaram a terem também suas
casas”.
“Para nossa empresa”, respondeu categoricamente, “existem regras e que as mesmas
devem ser cumpridas, sejam elas internas para seus funcionários ou externas com seus
clientes, desde a contratação até o término das obras, controles sobre tudo que se faz em
termos de trabalhos e produção sendo que as mesmas são formalizadas para que os
funcionários as cumpram e onde os atores assinam, tomam conhecimento e cumprem
também”, complementou dizendo que “isso se faz necessário para que todos entendam a
132
importância do papel que ocupam na organização, como também suas responsabilidades
frente a seu trabalho e de seu cliente”.
Assim sendo, pode-se afirmar que em relação ao sujeito D3, embora se evidencie a
presença de algumas variáveis, indicando relacionamentos e compromissos mais profissionais
e econômicos, como por exemplo sobre a categoria confiança, onde o sujeito não conseguiu
dar exemplos, ou afirmar que ela existe, ficando no discurso do que deveria ser, o social não
está presente na maioria dos casos, o que seria importante para nosso trabalho.
Pode-se dizer então que o sujeito se encontra em uma posição intermediária entre a
rigidez dos contratos e a relação social com a cooperativa e seus cooperados, indicando assim
uma rede formal, burocrática, engessada, que funciona cada um fazendo sua parte. Uma rede
sem grande presença do social e do coletivo.
Considerando os dados das três entrevistas realizadas, conclui-se que o estado desta
rede se caracteriza pela formalidade e pela presença de esforços de relações sociais e que,
embora o sujeito D2 tenha relacionamentos ainda muito racionais, as respostas dos sujeitos D1
e D3 convergiram na preocupação de ações, fóruns, encontros para desenvolver a consciência
da necessidade de ações coletivas e maior envolvimento social.
5.7.4. Resposta ao problema de pesquisa
Em relação a resposta ao problema de pesquisa, pode-se afirmar que as variáveis
pesquisadas estão presentes nas entrevistas e nos questionários, mas, nos documentos (atas e
acordos), somente algumas, ou sejam, aquelas que tratam de acordos e contratos, indicando
que o social só existe na sub rede do ator cooperativa e do ator cooperado.
Pode se dizer então que a mesma está focada no comprometimento e nas ações
coletivas junto a seus atores, participando de eventos, se relacionando entre eles, dispondo de
recursos e conhecimentos em prol do coletivo para se alcançar melhores resultados. Porém,
quando estuda-se as outras organizações, tais relacionamentos se tornam predominantemente
comerciais, como é o caso do banco e da construtora, eles ainda estão a meio caminho para um
relacionamento mais social, comprometido e com confiança, mas ainda estão presos a regras
do negócio.
Portanto, considerando o conjunto de dados pesquisados, foram encontradas as
variáveis que caracterizam um estado de rede com dominância de relações formais, ao mesmo
tempo a existência de esforços, planos e alguns exemplos de aproximação social entre os
133
atores, mais fortemente entre o ator cooperativa e o ator cooperado e secundariamente entre o
ator construtora e os dois anteriores. Os dados indicam a falta de consciência sobre ação
coletiva quando se trata de alguns atores, tal como o banco. É uma rede, portanto, com pouca
base social e dominância dos fluxos formais, com algumas exceções.
5.8. Apresentação dos dados da Rede E
A Cooperativa E foi fundada em 1996 e está localizada no município de Taboão da
Serra, atuando na construção de apartamentos, em condomínios fechados na própria cidade.
Como principais parceiros pode-se citar os bancos, as empreiteiras (a cooperativa
contrata diversas empresas para o mesmo projeto, distribuindo entre elas as diversas partes da
obra), outras cooperativas como provedores e receptores de conhecimentos, experiências e
tecnologias e finalmente as entidades de fomento (OCESP e OCB) que tem a finalidade de
instruir e repassar as normas cooperativistas aos interessados.
Outro fator importante para a pesquisa desta rede em que se encontra a cooperativa E,
foi a mesma se destacar entre as outras pelo grau de confiança de seus atores em relação a ela
e ela em relação a eles, isto leva a pensar no alto grau de comprometimento entre todos,
determinando seu estado de organização atual.
5.8.1. Dados secundários sobre fatos que envolvem os atores da Rede E
A seguir são apresentados os documentos mais importantes sobre fatos que envolvem a
rede E, que tem relação com a pesquisa.
QUADRO 13. DADOS SECUNDÁRIOS DA REDE E
N°
01
Natureza do
documento
Ata de
Constituição e
de regimento
interno
14/08/1996
Tema central
Este documento
contém as regras de
controles para
constituição,
admissão e
exclusão dos
cooperados,
incluindo os
regimentos internos
Variável presente
Indicador
Formas de
Governança
1.Regras sobre
admissão e
exclusão.
2.Regras sobre
penalidade.
3.Controle por
autoridade.
Sinais da presença e
1.Participar
Relação com o
tema da
pesquisa
Esse documento
Indica a maneira
de como é feita
a formação dos
grupos de
cooperados,
regras para
distribuição e
entrega,
134
02
Jornal na NET
Abril / 2009
03
Jornal na NET
03/06/2011
sobre
relacionamentos de
cooperados e
diretoria, regras de
distribuição, formas
para obtenção de
recursos, direitos e
obrigações da
diretoria,
cooperados e outros
atores, regras
estabelecendo a
obrigatoriedade da
participação dos
cooperados nas
assembleias nas
eleições e
mudanças
estatutárias, como
também nas
assembleias de
sorteios e entregas.
Cooperativa E
estimula a
infraestrutura, o
comércio e o setor
imobiliário da
região.
Empresários dizem
que a Cooperativa
E mudou a região
de Taboão
promovendo o
crescimento e a
valorização do setor
imobiliário,
oferecendo mais
empregos,
aumentando a
clientela, inclusive
gerando mais
impostos ao
governo municipal.
Cooperativa entrega
as escrituras do
grupo I
Conforme contrato
assinado na época
da adesão, os
cooperados que
faziam parte do
grupo I, após a
conclusão das
obras, receberam
suas escrituras,
cujos custos faziam
parte do total
acordado.
conteúdo de
Comprometimento
regularmente de
reuniões e
decisões.
6.Sinais de
disposição de
continuidade
dos
relacionamentos
indicando como
deve ser uma
rede mais
organizada e
estruturada,
controlando o
comportamento
e incentivando
ações coletivas.
Nesse
documento fica
visível as
normas e regras
que devem ser
seguidas por
todos que dela
participa.
Sinais da presença e
conteúdo de
Confiança
5.Sinais que um
ator acredita na
integridade das
pessoas que
fazem parte da
rede.
A notícia se
refere a um voto
de confiança de
empresários
locais sobre a
cooperativa E,
indicando
possível
formação
de
laços visando o
crescimento da
região,
indicando uma
rede aberta.
Sinais da presença e
conteúdo
de
Comprometimento
3.Assumir
responsabilidades de ações
conjuntas.
A notícia se
refere a entrega
de produtos
conforme
contratos
estabelecidos, o
que indica o
comprometimen
to do ator em
relação aos
outros.
135
04
Jornal na NET
15/08/2011
Cooperativa
começa a devolver
saldo de caixa para
associados de
acordo com
estatuto.
Após a entrega do
último apartamento
e encerramento das
obras do grupo, os
cooperados
receberam as sobras
proporcionalmente
aos valores pagos
de acordo com o
estatuto e regimento
interno.
Formas de
Governança
6.Regras para
compras, trocas
e entregas de
bens e serviços
junto aos
parceiros.
05
Jornal de
Taboão
10/07/2012
Formas de
Governança.
6.Regras para
compras, trocas
e entregas de
bens e serviços
junto aos
parceiros.
06
BMFBOVESPA
26/09/2013
Cooperados
reclamam da
entrega dos
condomínios.
Devido a um
problema com a
prefeitura em
relação a liberação
do habite-se, os
cooperados do
grupo se reuniram e
entraram com
reclamação junto a
cooperativa para
que a mesma
procurasse abreviar
o tempo de
liberação deste
documento para que
os mesmos
pudessem se mudar.
Cooperativa e
BMF, com parceria
de diversos bancos
emitem títulos de
fundos de
investimentos
imobiliários com o
intuito de valorizar
as cotas dos
cooperados da
cooperativa.
As sobras de caixa
de cada grupo
passaram a ser
investidas em
títulos imobiliários
e do governo, cuja
finalidade é
aumentar a
Formas de
Governança.
6.Regras para
compras, trocas
e entregas de
bens e serviços
junto aos
parceiros.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
3.Assumir
responsabilidades de ações
conjuntas.
A notícia indica
o cumprimento
de regras por
parte do ator
cooperativa para
os atores
cooperados.
Apesar dessa
solução, outros
documentos
indicam que o
ator cooperado
tem reclamações
sobre a
cooperativa.
Indica, portanto,
uma rede com
conflitos ainda a
serem
resolvidos.
A notícia se
refere a uma
manifestação de
descontentament
o e desconfiança
do ator
cooperado para
o ator
cooperativa,
indicando um
estado de rede
com conflitos a
serem
resolvidos.
Essa parceria
indica uma
forma de
proporcionar
mais recursos
para a rede,
indicando uma
rede focada na
diminuição dos
custos
operacionais,
cujos benefícios
serão não só
financeiros
como também
sociais,
ensejando ações
coletivas entre a
cooperativa e
136
07
Jornal de
Taboão
20/11/2013
08
Jornal de
Taboão
28/11/2013
poupança dos
mesmos e com isso
diminuir parte de
seus custos na
aquisição de suas
moradias.
Presidente
comemora com
cooperados a
entrega de mais 104
apartamentos
conforme
cronograma de
obras.
Cooperativa recebe
visita de
cooperativas de
Santa Catarina.
A finalidade foi
divulgar o trabalho
feito pela
cooperativa E, e
essas se utilizarem
do modelo aplicado
aqui em São Paulo.
A cooperativa E se
tornou modelo para
as demais
cooperativas, com
isso passou a se
aproximar das
mesmas e elas da E,
com o intuito de
trocar
conhecimentos,
experiências e
modelos de
governança.
Fonte: Construção do próprio autor (2014).
seus
cooperados.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento
3.Assumir
responsabilidades de ações
conjuntas.
4.Percepção
entre os agentes
quanto ao
cumprimento
dos acordos.
Sinais da presença e
conteúdo de
Comprometimento.
1.Participar
regularmente de
reuniões e
decisões.
2.Ajudar a outro
mesmo sem
benefício
próprio.
5.Existência de
promessas de
continuidade
relacional entre
os parceiros.
A presença
dessas variáveis
por parte dos
atores da rede,
fortalece
positivamente
seu aspecto
operacional,
indicando uma
rede focada no
comprometimen
to das regras e
normas junto a
todos os
cooperados.
A notícia revela
um movimento
de aproximação
entre as
cooperativas,
buscando
fortalecer os
laços entre elas,
os quais se
mostram fracos
na atualidade.
A partir dos dados secundários coletados sobre a rede E, pode se verificar a presença
de algumas variáveis de pesquisa entre os atores da rede, como também o foco da mesma em
participar com outras cooperativas na divulgação do cooperativismo habitacional e sua
importância no cenário da construção de moradias para a comunidade, essas variáveis indicam
ações coletivas, relacionamentos sociais e cumprimento de acordos.
É importante citar que a pesquisa desses dados secundários mesmo indicando notícias
sobre entregas, serviços prestados e recebidos e, outros itens de contratos, significando que a
137
rede embora voltada para ações coletivas, principalmente no cumprimento dos acordos e nas
informações colocadas à disposição de seus atores, procura repassar suas experiências, seu
conhecimento e suas informações para as demais.
Os documentos forneceram poucos dados para uma conclusão sobre o estado de rede.
Percebe-se então, uma certa dominância de conteúdos de deveres a serem cumpridos (em 4
documentos). Existem dois documentos de atores não constantes (um representante local e o
presidente de outra cooperativa) elogiando as ações da cooperativa E, também na linha de
dever cumprido. Significa que os atores participantes estão realizando suas tarefas e o produto
está sendo entregue, mas o social não tem forte presença.
5.8.2. Dados dos questionários que envolvem os atores da Rede E
A seguir serão apresentados os dados sobre o questionário utilizado na pesquisa da
Rede E.
TABELA 5. RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO SOBRE A REDE E
Perguntas
Nem
Discordo
Discordo
totalmente
concordo
Concordo
Concordo
totalmente
nem discordo
Presença e natureza da Interdependência
1
1
1
2
3
4
2
3
4
4
4
3
5
5
1
6
5
3
7
6
2
2
2
5
Total
1
1
(2%)
1
(6%)
4
1
(4%)
2
(52%)
29
(36%)
20
Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento
8
9
1
1
10
3
5
1
4
1
2
5
1
11
1
4
3
12
2
5
1
13
1
4
2
1
138
14
1
1
4
2
1
5
2
16
5
3
17
6
2
15
Total
(1%)
1
(8%)
6
(8%)
6
(56%)
45
(27%)
22
Sinais da presença e conteúdo de Confiança
18
1
1
4
2
19
1
2
3
2
20
2
2
2
2
21
1
6
1
4
3
22
1
Total
(10%)
4
(12%)
5
(5%)
2
(48%)
19
(25%)
10
Natureza e formas de solução de Assimetrias
23
1
4
3
24
1
4
3
25
1
3
4
7
1
1
6
1
1
3
3
26
27
28
1
Total
0
(8%)
4
(4%)
2
(56%)
27
(36%)
15
Formas de Governança
29
30
2
1
31
32
1
6
2
4
1
4
4
2
1
3
1
2
1
2
3
34
6
2
35
5
3
33
Total
(2%)
1
(11%)
6
TOTAL
(3%)
7
(9%)
25
(6%)
3
(50%)
30
(31%)
16
(5%) 15
(53%)
150
(30%)
83
GERAL
Fonte: Construção do autor (2014)
Este questionário composto de 35 questões, com 05 alternativas com escala de Likert
foi entregue a 08 atores da rede E, entre eles 3 cooperados, 2 funcionários da cooperativa, 1
advogado, 1 funcionário do banco e 1 funcionário da construtora.
Em resposta às perguntas do questionário, a pesquisa mostrou uma rede muito focada
com os relacionamentos sociais, onde a mesma procura através de trocas de informações,
139
conhecimento, e experiências com os atores que fazem parte da rede, laços que contribuem
para seu próprio desenvolvimento e de toda a comunidade, criando ações coletivas, para que
todos possam ganhar.
Conclui-se então que, em relação a pergunta de pesquisa a partir das respostas obtidas,
os resultados indicaram uma rede organizada, com sinais de uma participação mais consistente
de seus atores com ações coletivas e trabalhos conjuntos, onde o social se faz presente.
5.8.3. Dados das entrevistas que envolvem os atores da Rede E
A seguir apresentam-se os dados principais das entrevistas realizadas.
Sujeito E1
Diretor Administrativo da cooperativa está no mandato desde a fundação.
Ao comentar sobre o sistema, ele disse que: “Esse é um momento oportuno para
resgatarmos o sistema cooperativista habitacional, pois grande parte da população, seja ela
composta por pessoas que querem ter sua primeira moradia, ou até investir, o cooperativismo
se torna uma grande e oportuna maneira de adquirir sem necessitar de procurar uma
construtora”.
Segundo ele, “por ser a única cooperativa habitacional do munícipio temos algumas
vantagens, as pessoas que querem adquirir moradia pelo sistema cooperativista nos procuram
e por isso se torna fácil para a cooperativa ter sempre cooperados e inclusive em fila de
espera. Outro fator importante é que por construir somente dois tipos de residências,
apartamentos de dois e três dormitórios, nossos projetos tem pouca diversidade e com isso os
custos se tornam menores”.
“Quanto as parcerias, com a prefeitura nosso relacionamento é de uma entidade sem
fins lucrativos situada no município, construindo casas e quando as obras ficam prontas e são
entregues, se o local precisar de infraestrutura, eles se interessam em faze-las, sendo que o
interesse também é nosso, pois essas trocas de objetivos contribuem em muito para a
satisfação de nossos cooperados”; “em relação aos bancos, nossos relacionamentos são mais
de cliente com o gerente de conta e ele conosco, é lógico que existe um certo relacionamento
mais assíduo, pois necessitamos dele para nossas contas, nossos investimentos e nossos
pagamentos e ele de nós como cliente, tanto que muitas vezes ele nos visitou, se interessou
pelo nosso trabalho e se dispôs a nos ajudar naquilo que precisássemos, como por exemplo
140
opinando a respeito de nossas reservas serem investidas na compra de títulos do governo,
mesmo não ganhando ele nos ajudou para que nós ganhássemos, isso nos ajudou em muito,
pois os retornos possibilitaram a diminuição dos custos por parte dos cooperados nas
construções de suas moradias”.
“Nossos relacionamentos são mais com as construtoras e com os cooperados, pois
eles são essenciais para nosso trabalho”.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram significativas:
Segundo seu depoimento, existe por parte da cooperativa uma interdependência muito
grande com os cooperados e as construtoras repassando aos mesmos, recursos, informações,
conhecimentos e experiências e ao mesmo tempo recebendo deles seus recursos (no caso os
cooperados), conhecimentos, experiências e tecnologias (no caso as construtoras), com isso,
essas trocas e esses relacionamentos passam a ser cada vez mais assíduos, sendo aproveitados
por todos, pois imbui a praticidade de ações coletivas, onde todos colocam um pouco de si
para um objetivo só.
Ao responder sobre comprometimento, ele disse que: “Embora haja regras e acordos
tanto com os cooperados, como com as organizações, o mesmo se faz presente desde quando o
cooperado assina a proposta se propondo a cumprir as regras e ter seus direitos assegurados,
participando efetivamente das reuniões dos grupos, opinando e dispondo de seus
conhecimentos em prol de todos, o que contribui para que os mesmos inclusive se sintam
atraídos a disponibilizar seu tempo para ajudar aos demais de forma que todos consigam
atingir seus objetivos, isso também acontece com as organizações, onde cada uma tem suas
obrigações e seus direitos, portanto, os mesmos devem se compenetrar de suas
responsabilidades, cujas atitudes só trazem benefícios, seja na tomada de decisões conjuntas,
seja nas sugestões oferecidas pelas partes, seja nos próprios relacionamentos existentes
durante os contratos”.
Segundo ele, a confiança é primordial entre os atores, inclusive muitas vezes aceitando
e cumprindo regras e acordos informais, porém, com a certeza que as mesmas serão totalmente
cumpridas, pois se acredita na integridade das pessoas envolvidas.
Em relação as assimetrias, “sim”, disse ele, “com minha experiência e tempo de
trabalho reconheço que existem muitas diferenças entre os atores envolvidos, principalmente
no que se refere a recursos, tanto que nossa preocupação é tentar auxiliar da melhor forma
possível”.
Outra questão citada por ele foi em relação a níveis intelectuais diferenciados, “pois
um é um trabalhador comum, porém o outro é um advogado, outro médico, outro diretor de
141
empresa, cujas percepções a respeito das regras são mais fáceis para uns em relação aos
outros”.
Segundo o diretor, algumas empresas contratadas possuem maior recurso e tecnologia
do que a outra, portanto possuem uma representatividade maior no mercado, com isso muitas
vezes não basta apenas um contrato, mas inclusive solicitam avalistas, entra aí, a questão dos
próprios diretores avalizarem tais contratos para que a empresa dê sequência em seu trabalho.
Por fim, ao comentar sobre governança, ele foi muito franco em sua resposta,
afirmando que: “Na rede existem regras para todos e devem ser cumpridas, tanto que um
cooperado foi excluído do quadro por desacatar decisões da diretoria, sendo que tais regras
penalizam aqueles que delas transgredirem, pois não foram feitas apenas por nós da
diretoria, mas sim por todos e portanto devem segui-las, isso facilita e determina o papel de
cada um dentro da rede”.
Assim sendo, pode se afirmar que, considerando o conjunto de dados, a resposta ao
problema de pesquisa em relação ao sujeito E1 indica sinais da presença dessas variáveis
principalmente nas conexões do ator cooperativa com os atores cooperados, onde o social se
faz presente em seus relacionamentos e participações, seja no trabalho, nas reuniões e nos
eventos realizados, porém, ao se falar sobre as organizações que fazem parte da rede, esses
relacionamentos e interações, são ainda de relações mais formais, mais voltadas a
cumprimento de contratos, embora perceba-se sinais sociais mesmo sendo fracos,
principalmente quando participam de reuniões trocando informações, conhecimentos e
experiências como foi notado em diversas ocasiões das entrevistas.
Sujeito E2
Gerente de conta bancária, durante a entrevista ele disse que, embora conheça a
diretoria da cooperativa e com eles mantem alguns relacionamentos, principalmente no que se
refere as contas mantidas na agencia, como também de suas necessidades em relação a seus
projetos, tais relacionamentos ainda são em muitas ocasiões apenas comerciais, embora em
certas ocasiões ele passa do comercial para o social, pois por se tratar da única cooperativa
habitacional da região e tendo com ela uma grande parceria mesmo com objetivos de ganhos
por parte do banco, seus contatos passaram a ser inclusive de “amigos”, pois inúmeras vezes
foi convidado a participar dos sorteios dos imóveis, das reuniões de planejamentos
econômicos, inclusive foi grande incentivador para a cooperativa investir em títulos do
governo e com isso capitalizar mais recursos de forma a possibilitar a diminuição dos custos
dos cooperados.
142
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram relevantes:
Ele entende que: “Existe por nossa parte (banco) uma interdependência muito grande
em relação a todos os atores, pois de um lado eles representam a fonte de recursos para o
banco e por outro lado, representamos o conhecimento e a experiência financeira para eles,
por conseguinte, passamos a trocar informações, procurando conhecer suas necessidades e
seus anseios e eles com o banco, isso nos leva cada vez mais a interagir com todos, onde essas
ações coletivas proporcionam ganhos conjuntos ao grupo”.
“Essas atitudes, possibilitam uma maior interação, um maior comprometimento”,
disse ele, “porém, não é da mesma forma com todos, principalmente pelo tipo de necessidade
de cada um, pode se dizer também”, completando a resposta, “que tais atitudes só trazem
benefícios, seja na tomada de decisões conjuntas, seja nos próprios contatos com as pessoas
contribuindo em muito para que todos atinjam seus objetivos, como ocorreu no início da
cooperativa, quando a diretoria precisou de nossos recursos para iniciar suas obras, pois
ainda não tinha cooperados suficientes que pudessem formar receita suficiente para cobrir os
gastos com as construções e o presidente colocou seus bens pessoais para garantia de nossos
recursos e para os próprios cooperados”. Esse comentário indica que em relação ao
comprometimento, o sujeito E2 apenas cumpre o que está nas regras, não sendo
comprometimento próprio com outros atores.
Em relação a confiança, sua resposta foi sequência da anterior, ou seja, ela não está
presente, pois segundo ele, “havendo comprometimento, a confiança entre as pessoas que
estão relacionadas conosco, passa a haver credibilidade entre as mesmas, facilitando as
trocas de experiências e de recursos”.
Esse comentário do sujeito E2, é muito genérico,
impossibilitando concluir se há, ou não, confiança entre os atores.
O sujeito afirmou que existem assimetrias entre as partes, conforme o exemplo do seu
discurso: “Existem muitas diferenças entre os atores, principalmente no que se referem a
recursos financeiros, procurando diminuir tais diferenças, investindo no mesmo
principalmente quando o mesmo demonstra um comprometimento muito grande com nossa
agencia” e alguns esforços de solução, dependendo da reciprocidade do outro ator.
Quanto a questão da governança, os sinais são de governança formal, sem sinais de
informal, como citado em seu próprio comentário ao dizer que: “Existem regras, desde a
admissão até a exclusão do cliente, controles sobre tudo que se faz, essas regras são
formalizadas e cabem a todos os atores, onde os mesmos ao tomarem conhecimento ficam
cientes das penalidades que poderão advir dessas transgressões”. Como se vê, o sujeito
respondeu sobre regras de sua organização e não sobre as relações na rede.
143
Considerando os dados da entrevista, as mesmas indicam uma maior dominância de
fluxos racionais, no sentido de ações de ganho para uma parte específica (o banco) e alguma
vantagem se o outro ator (por exemplo o cooperado) cumprir a sua parte. As relações sociais
são raras na prática e presentes como plano, ou como discurso de sua importância. No entanto,
considerando outras entrevistas com gerentes de bancos, foi o primeiro que deu algum
exemplo de relação social, talvez facilitada pelo fato de estar num município com poucos
habitantes e com relações sociais mais constantes.
Sujeito E3
Responsável pela construtora junto a cooperativa, ele informou que: “Com esta
cooperativa já foram feitos outros trabalhos”.
Sobre as variáveis, as seguintes informações foram importantes:
Segundo ele, “existe por parte da construtora uma interdependência muito grande em
relação a nossos parceiros e os mesmos conosco, com isso passamos a trocar informações,
conhecimentos, experiências e recursos que são trocados objetivando facilitar o trabalho
conjunto e ganho para atingir o objetivo final”. Portanto, sobre interdependência, o sujeito
não deu nenhum exemplo concreto, apenas ressaltou que precisa dos outros e que existem
trocas de informações.
Para ele, “o comprometimento e a confiança neste tipo de trabalho se torna muito
importante, demonstrando o grau e a forma de participação das pessoas no processo,
principalmente no cumprimento de suas responsabilidades, o que contribui para que os
mesmos continuem disponibilizando seu tempo e seu trabalho para ajudar os demais atores a
atingir os objetivos propostos”.
Sobre comprometimento e confiança o discurso do sujeito foi genérico, sem dar
exemplos, afirmando que tudo depende de se cumprirem os acordos e ressaltando a
importância da presença das duas categorias.
Em relação as assimetrias, para ele existem diferenças entre as partes e que em alguns
casos dá para se tentar resolver os conflitos e em outros casos não dá para fazer nada, portanto,
elas existem e sua organização procura se adaptar às condições, mas não deu exemplos de
ações coletivas para solucioná-las.
Quanto a questão da governança, os sinais são de governança formal, sem sinais de
informal, tanto que ele explicou: “A empresa em que trabalho possui uma governança formal,
com regras adaptadas aos dias de hoje e as necessidades da empresa e da rede em que
participa”.
144
Assim sendo, pode se afirmar que, de acordo com os dados do sujeito E3, percebe-se a
presença de algumas variáveis, como comprometimento, porem no sentido mais restrito de
obrigações e formalidades, o que indica uma rede mais formal e racional, embora em alguns
momentos o social esteja presente.
Em relação as entrevistas realizadas conclui-se que as respostas do sujeito E1 estão
voltadas para o social, porém para o sujeito E2 elas ainda tem muito do comercial, mesmo
existindo sinais do social em seus pronunciamentos e para o sujeito E3 são basicamente
comerciais.
Pode-se concluir que, embora o sujeito E2 tenha relacionamentos ainda muito
racionais, as respostas dos sujeitos E1 e E2 convergiram em muitas partes de seus
depoimentos, principalmente na preocupação de ações coletivas e encontros para desenvolver
a consciência da necessidade de um maior envolvimento social, o que não foi percebido por
parte do sujeito E3.
5.8.4. Resposta ao problema de pesquisa
Após a conclusão da pesquisa da rede E, onde foram levantados diversos documentos,
feitas três entrevistas e oito questionários, pode se afirmar que o conjunto de documentos,
como também da entrevista do sujeito E2, embora este sujeito tenha sido o primeiro gerente de
banco a afirmar que podem existir relações sociais entre os atores, talvez porque seja um
município pequeno e todo mundo se conhece, mostrou como as outras entrevistas um alto grau
de formalização, baixo envolvimento social, com uma ou outra exceção, com um estado de
rede que se pode caracterizar como pouca consciência de ação coletiva, com ações
independentes, ou seja, uma rede com ligações ainda mais comerciais do que sociais.
Em relação aos questionários e entrevistas dos sujeitos E1, E2 e E3, porém, as
informações, indicam uma rede organizada e solidaria, focada no social, participativa e
receptiva, com imersão dos atores na rede, seja no comprometimento, na confiança, na troca
de recursos, informações, conhecimentos, experiências e disponibilização de seu tempo em
prol do coletivo.
Pode se afirmar então, que as relações entre o ator cooperativa e o ator cooperado,
coincidindo com as redes anteriores, elas são mais estreitas, mais sociais que entre outros
atores, indicando assim tratar-se de uma rede comprometida e focada no social, onde seus
atores acreditam e confiam na integridade das pessoas envolvidas e que as ações coletivas se
145
sobrepõem as ações individuais, porém com outros atores, esses sinais são fracos, não havendo
indicadores que possam determinar uma rede com todas as suas conectividades, mas somente
entre alguns atores e algumas organizações que compõem a rede.
No próximo capítulo será tratado a descrição dos dados, a discussão e a análise dos
resultados coletados a partir da pesquisa realizada.
146
6. ANÁLISE DOS RESULTADOS
Tendo analisado os dados das cinco redes onde se encontram inseridas as cooperativas
habitacionais, os bancos, as construtoras, os cooperados e outras instituições participantes, é
possível construir uma resposta para o problema de pesquisa.
Em primeiro lugar, recuperam-se as respostas sobre o estado de configuração de cada
rede investigada.
6.1. Sobre a Rede A
A rede A onde se encontra a cooperativa A, apresenta um estado atual de organização
estacionário, latente, centralizada em decisões das diretorias das organizações que fazem parte
da rede. A rede se caracteriza pela dominância de regras, conforme se depreendeu das várias
fontes de dados. O conjunto de regras sofreram poucas alterações no transcorrer do tempo, por
isso o adjetivo de estacionária. Como resultado predominam relações formais, com baixa
solução dos conflitos originados pelas assimetrias e poucas ações sociais coletivas.
Apesar desse estado mais formal e burocrático, os dados de entrevistas e questionários
apresentaram sinais de comprometimento e confiança com a rede, principalmente quando se
considera a díade ator-cooperativa e ator-cooperado. Pode-se afirmar que é uma sub rede mais
desenvolvida nas categorias sociais aqui investigadas.
6.2. Sobre a Rede B
A rede B, onde se encontra a cooperativa B, apresenta um estado de desenvolvimento
voltado para a solução das questões operacionais e focada no atendimento dos seus
compromissos sobre os empreendimentos, procurando, na medida do possível, demonstrar aos
participantes o atual grau de relacionamento e comprometimento com todos da rede.
Sobre o ator cooperativa, os dados indicaram um esforço de recuperação de sua
imagem, em função de problemas de gestões anteriores. Entre as ações verificaram-se esforços
de aproximação e ações conjuntas principalmente com os cooperados. Em resposta a esses
esforços, o ator cooperado tem dados sinais de crescente comprometimento e confiança no
ator cooperativa.
147
Esses indicadores, caracterizam uma rede formal, burocrática, pouco desenvolvida na
sua consciência de ação coletiva, com predomínio de relações formais contratuais, mas
buscando uma evolução para um estado mais desenvolvido e integrado, onde confiança e
comprometimento, hoje com poucos sinais, deveriam ser dominantes. Essa recuperação é mais
visível nas relações entre o ator cooperativa e o ator cooperado na sub rede formada por
ambos. Nesse sentido esta rede distingue-se da rede A.
6.3. Sobre a Rede C
A rede C, onde se encontra a cooperativa C, apresenta um estado de desenvolvimento
com sinais de crescimento, no sentido de ações conjuntas e resultados, com características de
descentralização operacional. A cooperativa C se esforça em atender os seus compromissos
com relação a seus atuais e novos empreendimentos a curto e médio prazo, fortalecendo
principalmente a comunicação, buscando o comprometimento, a confiança e ações coletivas
entre os atores da rede.
Os dados das fontes indicam que a rede segue as regras estabelecidas, mas tem
flexibilidade e adaptação necessárias, conforme as necessidades. Assim, está conseguindo
resolver algumas assimetrias e criar uma situação de transparência nas ações. Os dados de
entrevistas e questionários apresentaram sinais de comprometimento e confiança entre os
atores, aceitação das decisões coletivas, situação de certo equilíbrio sobre problemas de
assimetrias e indicadores positivos de resultados, mostrando uma rede mais coesa do que as
duas anteriores. Diferente da rede B, que também tem um movimento de mudança, esta rede
apresenta resultados mais evidentes da mudança de uma configuração mais burocrática para
um estado de rede com ações sociais mais fortes. Parte disso se deve principalmente aos
projetos realizados pela rede em relação aos seus atores, dando a eles possibilidades de se
informarem mais a respeito da visão e metas propostas, como também de melhorarem seus
relacionamentos e com isso se integrarem em mais ações coletivas.
6.4. Sobre a Rede D
A rede D, onde se encontra a cooperativa D, apresenta um estado de rede onde
predomina o objetivo operacional, com esforço dos atores no atendimento de seus
148
compromissos a curto e médio prazo, fortalecendo principalmente a comunicação entre os
atores da rede. Em termos comparativos, quando se considera a governança formal e as
relações estritamente comerciais, conforme apareceu em alguns dados, a rede D se assemelha
a rede B. Quando se consideram os esforços de aproximação entre os atores e ações coletivas
ela se aproxima mais da rede C, mas com menos exemplos efetivos de integração e ações
sociais coletivas. Numa escala, ela estaria entre a rede B e a C no desenvolvimento desse
fundo social de relações.
O estado atual de organização dessa rede indica dominância de relações formais e a
existência de esforços e alguns exemplos de aproximação social entre os atores, mais
fortemente entre o ator cooperativa e o ator cooperado e secundariamente entre o ator
construtora e os dois anteriores. Os esforços revelam que falta aos participantes a consciência
sobre ação coletiva. É uma rede, portanto, com pouca base social e dominância dos fluxos
formais, com algumas exceções.
6.5. Sobre a Rede E
Esta rede, onde se encontra a cooperativa E, apresentou vários sinais de ser uma rede
mais desenvolvida que as anteriores, quando se consideram os resultados, a solução de
assimetrias, presença de confiança entre o ator cooperado e o ator cooperativa e presença mais
organizada de formas de comunicação.
Os dados indicam que a rede é formada por pessoas conscientes de suas
responsabilidades de participação, transparência e compromisso com as informações, com os
relacionamentos e ações coletivas entre os atores. Comparando com as anteriores, é a rede
mais desenvolvida nas relações sociais das variáveis do projeto. Os atores acreditam e confiam
na integridade das pessoas envolvidas e as ações coletivas se sobrepõem as ações individuais,
sendo as relações entre o ator cooperativa e o ator cooperado as mais fortes e frequentes.
6.6. Resposta ao problema de pesquisa sobre os estados atuais de organização das redes
Os comentários sobre as redes mostraram algumas convergências e diferenças,
comentadas a seguir:
149
Em relação as convergências, todas elas apresentaram uma dominância da governança
formal, com cada organização também repetindo essa formalidade, principalmente em se
tratando do ator banco. Nesse sentido, são redes com baixa interação e integração entre os
atores, onde se percebe algum esforço por parte dos atores construtoras para se integrarem aos
demais atores e a existência de uma sub rede composta pelos atores cooperativa e cooperados
a qual apresenta mais conteúdo social do que entre os outros atores. Nesse subgrupo
encontram-se sinais mais fortes das variáveis selecionadas. Em alguns casos, como na rede A,
o formato apresenta mais sinais de competição e hierarquia do que de cooperação.
Outra convergência é o esforço dos atores em cumprirem e realizarem seus objetivos.
Mesmo que esses esforços sejam orientados pelas regras e controles, ao final eles possibilitam
a aproximação entre os atores, que criam soluções coletivas para atingirem esses objetivos, e a
realização de treinamentos, cursos e encontros são exemplos de esforços que os aproximam.
Nos questionários surgiram sinais mais fortes, cujos esforços para realizar esses
objetivos criam respeito e compromisso entre os atores, mesmo que se manifeste basicamente
como regras a serem seguidas.
Outro ponto convergente em relação a esse mesmo sub grupo formado pela cooperativa
e pelos cooperados é que o mesmo apresenta os sinais mais fortes e repetitivos de relações
sociais. Entre todos os atores, os atores cooperados são os que mais se mobilizam entre si e nas
ligações com outras instituições para buscarem seus objetivos, que, ao final, é o objetivo
coletivo da rede: a entrega do imóvel. Relativo aos outros atores do negócio, o banco, a
construtora, a cooperativa, o governo, o sindicato, o órgão de controle, os dados foram
inconsistentes em mostrar uma tendência clara, já que em algumas redes (Rede A)
predominam as relações formais, numa rede social latente; e em outras (Rede E), até os
gerentes de bancos estão comprometidos com ações sociais, transcendendo inclusive suas
funções.
Em relação as diferenças entre as redes, a própria governança pode ser uma das linhas
divisórias, onde há uma progressão que começa com a rede A, a mais burocrática, até a Rede
E, a que mais apresenta conteúdo social.
Outra linha divisória é sobre a localização. As redes estabelecidas em São Paulo (redes
A e B) apresentam menos conteúdos sociais de aproximação do que as redes criadas ou
localizadas no interior (Rede E), no litoral (Redes D) e a Rede C criada e desenvolvida no
interior do Rio Grande do Sul, tendo vindo para São Paulo somente em 2010.
150
Próximo dessa linha de raciocínio está a diferença sobre a imersão dos atores na rede.
Nas duas redes mais burocráticas redes A e B, não existem organizações que fazem pontes, ao
passo que nas redes C, D e E encontram-se organizações participando das três redes.
Outro ponto a ser considerado refere-se ao conhecimento, consciência e atitude de ação
coletiva. Surgiram dados que indicam a falta de visão e conhecimento sobre ações em redes,
embora exista a consciência da necessidade de um trabalho coletivo. Mesmo na rede mais
burocrática, a Rede A, que se encontra num estado mais estagnado, sem conflitos, sem
desenvolvimento, sem objetivos coletivos; surgiram discursos sobre a vantagem de se
trabalhar em parcerias; As redes B e D apresentam mais sinais de consciência e ação coletiva,
comparadas com a Rede A; As redes C e E são as que mais apresentaram consciência e ações
coletivas, sendo redes em evolução, em transformação.
A presença forte do governo e a existência de regras financeiras e jurídicas sobre o
negócio afeta diretamente o estado de organização das redes. Em certos momentos do
processo de produção do imóvel passa a haver uma certa hierarquia, ingerência do governo e
de instituições que regulam e controlam os procedimentos das redes. Como consequência
alguns processos são homogêneos, criando barreiras para mudanças, alianças e difusão dos
princípios cooperativistas. Esse engessamento ficou mais evidente na Rede A e C que
trabalham com projetos governamentais, mas pode ser contornado, conforme se observou nos
dados das redes B, D e E, que são redes auto gestoras.
Sobre a resposta ao problema de pesquisa, concluiu-se que a proposição se mantém,
tendo-se encontrado distintos estados de redes, numa graduação que vai de redes burocráticas,
como a Rede A, até redes com conteúdo social desenvolvido, como a Rede E. A resposta é
interessante e mostra que a configuração das relações de um grupo de organizações pode se
modificar, mesmo quando há forte ingerência e estabelecimento de regras. Entre as
instituições
surgem
problemas
coletivos,
como
uma
questão
específica
de
um
empreendimento, que mobiliza as partes. A importância social, política e econômica do
negócio implica nas organizações tentarem ir além das regras pré-estabelecidas, como por
exemplo, na união dos atores cooperados na Rede B.
Assim, respondendo ao problema de pesquisa e recuperando-se os objetivos específicos
colocados ao final do item 3, seguem as conclusões:
Objetivo A. Investigar a presença, ou ausência de variáveis definidas como importantes na
determinação do estado de organização da rede;
151
As variáveis interdependência, comprometimento, confiança, assimetria e governança
mostraram-se capazes de indicar os estados das redes e as diferenças entre os cinco casos, o
que as qualifica como importantes em pesquisas nessa linha.
Objetivo B. Na presença dessas variáveis investigar a natureza do conteúdo que se manifesta
em cada uma delas;
Sobre o conteúdo das variáveis, verificou-se a governança formal presente no negócio,
principalmente por causa da intervenção do governo que acaba influenciando a configuração
das redes, com predomínio de burocracia. A rede A foi o exemplo dessa situação. Mesmo
nesses casos, no entanto, há presença da consciência da necessidade de ação coletiva que
pudesse ir além do formalismo. Duas das redes (rede C e Rede E) estão conseguindo
transformar essa consciência em ação.
Objetivo C. Identificar através dos indicadores dessas variáveis a contribuição das mesmas no
estudo do estado atual de organização da rede;
A partir dos indicadores das variáveis selecionadas, as mesmas foram competentes em
poder indicar as convergências e diferenças existentes nas cinco redes pesquisadas.
Por exemplo a variável governança foi capaz de estabelecer distinção entre a
configuração da Rede A (mais burocrática) e a Rede E (mais social).
Outro exemplo. As variáveis comprometimento e confiança foram competentes em
indicar as diferenças entre a Rede A (menos confiança e comprometimento) e as Redes C e E
(maior confiança e comprometimento).
A variável assimetria mostrou-se menos capaz do que as anteriores em indicar
diferenças significativas entre as redes. Isto pode ter ocorrido por dois motivos: um deles seria
a baixa capacidade dos indicadores utilizados em poder indicar essas diferenças e o outro de
não existirem, de fato, diferenças significativas entre as redes.
Ainda sobre os indicadores, conforme se apresentaram no Quadro 6, pode se comentar
que sua construção é um benefício metodológico do trabalho, pois não se encontrou similar na
literatura brasileira.
Objetivo D. Verificar a capacidade da matriz de análise em distinguir diferentes estados de
redes, utilizando triangulação de fontes de dados;
Foi possível encontrar redes, conforme as variáveis selecionadas, nos cinco casos
investigados. Além de encontrá-las, foi possível encontrar diferenças entre elas, quando se
152
considera a burocracia, o local, o envolvimento social dos atores e as características
especificas da sub rede ator- cooperativa e ator-cooperado.
Objetivo E. Comparar diferentes estados de organização das redes onde se encontram as
cooperativas habitacionais;
Em relação aos diferentes estados de organização das redes, pode se afirmar que as
variáveis indicaram redes mais burocráticas e hierárquicas distintas de outras com conteúdo
social; redes racionais e econômicas de outras mais sociais; redes mais formais de outras
menos formais; e redes em estado mais estagnado de outras em evolução e em transformação.
Objetivo F. Concluir sobre a validade do conceito de estado de rede.
Os resultados sustentam a afirmativa do conceito de estados de rede. Nos cinco casos
investigados foi sempre possível encontrar a rede de relações e uma configuração a partir das
variáveis selecionadas. Os dados confirmam as afirmativas de Nohria e Ecles (1992) sobre
toda organização estar em rede, mesmo que seus integrantes não a reconheçam.
O conceito de estado de rede está atrelado ao paradigma da sociedade em rede.
Segundo Castells (1999), a sociedade atual está organizada na forma de rede. Os dados
sustentam essa afirmativa.
Os dados foram também convergentes com as afirmativas da perspectiva social de
rede.
Segundo Granovetter (1985) e Uzzi (1997), existe um pano de fundo de relações
sociais que dá sentido e orientação aos processos e decisões comerciais. Os resultados
indicaram que quando as relações sociais estão mais presentes, como no caso das redes C e E,
as decisões são mais democráticas, os conflitos tendem a serem solucionados e as cooperativas
que fazem parte dessas redes são reconhecidas pelos outros atores (construtora, prefeitura e
comercio local) como exemplos de organizações que cumprem seus objetivos sociais.
A conclusão, portanto, é que há validade no conceito de estado de rede.
Concluída a análise dos dados, passa-se a fazer os comentários finais.
153
7. COMENTÁRIOS FINAIS
O objetivo deste trabalho foi analisar a configuração dos estados de redes de negócios,
entendendo-se como estado de redes o arranjo da presença e do conteúdo de variáveis que
definem a configuração das redes, sendo selecionadas as variáveis Presença e natureza da
Interdependência, Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento, Sinais da presença e
conteúdo de Confiança, Natureza e formas de solução de Assimetrias e Formas de
Governança.
A resposta obtida foi que as variáveis se mostraram capazes de indicar o estado de
organização em que se encontram atualmente as cinco redes analisadas, mostrando também as
diferenças entre elas. O trabalho adquire importância porque na busca bibliográfica realizada
verificou-se que são poucas as produções que propõem a integração de variáveis.
Secundariamente, mas não menos importante, a escolha do campo de investigação, o do
negócio da construção cooperada, ensejaria vários estudos pela sua importância social,
econômica e política, mas se encontraram poucos trabalhos na perspectiva de redes.
Considerando a raridade de artigos e utilizando o conceito de estados de redes,
praticamente inexistente na literatura brasileira, o trabalho trilhou um caminho que pode ser
considerado mais de construção de um modelo e forma de pesquisa, do que propriamente de
repetição de um modelo já existente. O percurso, resumidamente, foi o seguinte:
Em primeiro lugar realizou-se uma revisão bibliográfica sobre os conceitos de redes e
os esforços de conjunção de variáveis para a caracterização dessas redes, concluindo-se que
são raros os esforços de integração, prevalecendo a análise de cada variável isolada. A revisão,
por outro lado, mostrou quais variáveis são rotineiramente colocadas como essenciais pelos
autores mais pesquisados, selecionando-se, ao final as variáveis de Presença e natureza da
Interdependência, Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento, Sinais da presença e
conteúdo de Confiança, Natureza e formas de solução de Assimetrias e Formas de
Governança.
Outro resultado importante da revisão foi verificar que existem diferenças aceitas entre
o que se denomina organização burocrática de um grupo de instituições e o formato em rede.
Este último, alavancado pela tecnologia de informação, proporciona ligações ao infinito, dilui
a concentração e o poder dos participantes, cria ambientes de relações mais cooperativas do
que competitivas entre empresas iguais e facilita a coprodução em cadeia.
Uma pesquisa bibliográfica secundária consistiu em buscar trabalhos que realizaram
investigações na área de redes tendo como campo o ramo da construção civil e da construção
154
cooperada. Não se encontraram artigos nessa configuração, o que, de certa maneira, é uma
surpresa, porque a expressão cooperativa poderia chamar a atenção para pesquisas sobre
redes. Na verdade, o tema de construção cooperada é raramente abordado na literatura
brasileira, seja qual for a perspectiva teórica.
A partir da seleção das variáveis e considerando a raridade de trabalhos sobre a
construção cooperada, o próximo passo foi selecionar a base teórica de sustentação do
conceito de estados de redes, obtida nas afirmativas de autores que defendem a emergência de
uma sociedade em rede (NOHRIA e ECLES, 1992 e CASTELLS, 1999) e que afirmam existir
um pano de fundo social nas decisões técnicas dos atores em rede (GRANOVETTER, 1985).
A abordagem da sociedade em rede é pouco utilizada no campo acadêmico, mas tem a
vantagem de afirmar a existência contínua de fluxos sociais e econômicos dos atores, em
configurações de toda ordem, desde desenhos que mostram redes bem organizadas, com
regras, com resultados, com papéis definidos, com solução dos conflitos; até redes que
mostram a situação inversa, encontrando-se ainda em formação.
Uma vez construído o esquema conceitual realizaram-se os procedimentos para a
coleta e análise de dados, elegendo-se o ramo da construção cooperativa como exemplo de
campo. A escolha desse ramo deveu-se à sua importância econômica, social e política. O
problema do déficit habitacional no Brasil é de difícil solução, pois envolve políticas públicas,
programas sociais e econômicos, negócios da construção civil e ações coletivas de grupos e
cooperativas.
Coletados os dados de cinco redes nas quais estão presentes cinco cooperativas, através
de entrevistas, questionários e dados de fontes secundárias, foi possível construir cinco estados
de redes correspondentes, alguns semelhantes entre si, mas sempre com alguma diferença que
caracterizava este ou aquele grupo.
Terminado o trabalho, pode-se comentar sobre os benefícios resultantes:
a) Sobre a contribuição teórica
Uma contribuição teórica consiste na indicação de algumas variáveis que se acredita
serem essenciais na caracterização do estado de redes. Apesar do extenso leque de variáveis
que se encontra na literatura, conforme indicaram Tichy, Tushman e Fombrun (1979),
realizou-se um esforço de análise das convergências, elegendo-se as variáveis de: Presença
e natureza da Interdependência, Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento,
Sinais da presença e conteúdo de Confiança, Natureza e formas de solução de Assimetrias
e Formas de Governança, como as mais importantes para o estudo.
155
A proposta apresentada sugere o desenvolvimento de temas de pesquisa ainda pouco
realizados na academia brasileira e que podem contribuir para o aprimoramento e validação
de um modelo teórico e das ferramentas consequentes.
b) Sobre a contribuição metodológica
Como contribuição metodológica, a seleção das variáveis mostrou-se útil e competente
para guiar a construção dos instrumentos, considerando que não foram encontrados
instrumentos desenvolvidos e validados.
Outra contribuição importante foi que não existindo instrumentos desenvolvidos e
validados, houve necessidade de criar e desenvolver exemplos de indicadores, cuja
presença ou ausência pudesse indicar o estado de organização atual das redes pesquisadas.
A construção desses indicadores foi uma árdua e longa tarefa, mas se acredita que pesquisas
futuras poderão se utilizar desse resultado, ou para aprimorar os indicadores apresentados,
ou desenvolver outros indicadores.
Conclui-se, portanto, através desses resultados, que tanto a seleção das variáveis,
quanto o conceito operacional das mesmas e os indicadores relativos a cada uma,
constituem contribuições metodológicas importantes do trabalho.
c) Sobre a contribuição gerencial
Apesar de não ser o foco de um trabalho acadêmico, foi possível visualizar algumas
ações gerenciais que poderiam ajudar na gestão das redes. As cooperativas investigadas, por
exemplo, tem posição fraca na rede, isto é, não tem autoridade, liderança e posse de
recursos, o que determina ligações fracas. Essa posição poderia ser mudada se as
cooperativas capitalizassem eventos como as entregas de unidades; assinaturas de
contratos; acordos que beneficiam e diminuem o tempo de construção. Essas ações trariam
visibilidade às cooperativas.
Outra ação gerencial possível seria a aproximação entre as várias cooperativas,
formando uma sub rede entre elas. Em termos gerenciais isto poderia facilitar a troca de
informações, conhecimentos e experiências.
Nos parágrafos seguintes são comentadas as conclusões de cada parte do trabalho. O
ponto de partida é a afirmativa que a sociedade atual está organizada no formato em redes
(CASTELLS, 1999) e que todas as organizações estão em rede, quer utilizem, ou não, suas
conexões (NOHRIA E ECLES, 1992).
Os resultados indicaram que as redes pesquisadas se encontram em diferentes
formatos. A Rede A, por exemplo, se encontra em um estado latente sem perspectiva de
crescimento e desenvolvimento; a Rede B, valoriza os fatores econômicos e busca
156
recuperar sua imagem no mercado; a Rede D, se esforça em construir conexões mais sociais
do que racionais entre seus atores, enquanto que as redes C e E, investem em treinamentos,
encontros, cursos e palestras, buscando criar consciência de ação coletiva.
Sobre os objetivos pode-se comentar:
a) Investigar a presença, ou ausência de variáveis definidas como importantes na
determinação do estado de organização da rede;
O resultado foi que a partir da presença ou ausência das variáveis, pode-se determinar
em que estados de organização se encontram atualmente as redes pesquisadas.
Em relação às variáveis, todas foram competentes no sentido de contribuir para o
estudo, porém, as variáveis de Presença e Natureza da Interdependência, Sinais da
presença e conteúdo de Comprometimento, Sinais da presença e conteúdo de Confiança e
formas de Governança, foram as mais importantes em apontar as diferenças; em contra
partida a variável de Natureza e formas de solução de Assimetrias, não representou um
papel importante, pois apareceram muitas diferenças, mas não apareceram as soluções dos
conflitos gerados por elas.
b) Na presença dessas variáveis investigar a natureza do conteúdo que se manifesta em cada
uma delas;
A partir do conteúdo das variáveis, a governança formal foi a que mais presente esteve
no negócio das redes investigadas, principalmente por causa da intervenção do governo que
acabou influenciando na configuração dessas redes, predominando a burocracia em
algumas delas, como foi o exemplo da rede A e da rede C. Mesmo nesses casos, no entanto,
há presença da consciência da necessidade de ação coletiva que pudesse ir além do
formalismo, como foi o caso da própria rede C, que está conseguindo transformar essa
consciência em ação. Já nas redes B e D, a governança formal se faz presente, embora não
exista a presença atuante do governo, porém seu aspecto burocrático ainda é muito presente
no intuito de colocar regras para o cumprimento dos objetivos propostos.
Na rede E, embora exista a governança formal, a mesma está consciente da importância
das ações coletivas para o desenvolvimento do trabalho proposto junto a todos os atores da
rede.
c) Identificar através dos indicadores dessas variáveis a contribuição das mesmas no estudo do
estado atual de organização da rede;
157
Em relação aos indicadores das variáveis utilizadas na pesquisa, os mesmos foram
importantes, pois contribuíram na identificação dos diferentes estados de rede. Os
indicadores de Formas de Governança mostraram robustez em indicar as diferenças, tendo
sido possível até considerar a variável Forma de Governança como o fio da meada da
distinção básica entre as cinco redes. Os indicadores de Natureza e formas de solução de
Assimetrias por outro lado, mostraram-se pouco eficazes na distinção das redes. Fica a
dúvida se os indicadores são fracos, ou se a natureza da configuração das redes não inclui a
solução de Assimetrias.
Esse conjunto de indicadores pode ter força e conteúdo suficiente para servir de
modelo para outras pesquisas sobre o tema.
d) Verificar a capacidade da matriz de análise em distinguir diferentes estados de redes,
utilizando triangulação de fontes de dados;
Complementando o item anterior, a matriz de análise mostrou-se capaz de distinguir
cinco redes do mesmo negócio, mesmo que uma de suas variáveis, Natureza e formas de
solução de Assimetrias, tenha se mostrado pouco robusta.
e) Comparar diferentes estados de organização de redes de cooperativas habitacionais;
A partir das variáveis utilizadas, pode-se comparar os diversos estados de organização
das redes pesquisadas, encontrando-se diferenças entre elas. A Rede A encontra-se num
estado que se pode chamar de latente, já que não existem sinais de transformação,
evolução, planos futuros e solução de conflitos; enquanto que a Rede E encontra-se num
estado que se pode chamar de em desenvolvimento, já que existem sinais de transformação,
evolução, construção de objetivos coletivos e esforços de solução de conflitos.
f) Concluir sobre a validade do conceito de estado de rede;
Conforme detalhado nos itens de revisão bibliográfica e de teoria de base, os trabalhos
sobre conceito de estado de rede é praticamente inexistente, pelo menos na ideia aqui
investigada, de ser a configuração de um conjunto de variáveis num momento presente. Os
dados indicam que o conceito tem força para discriminar diferenças entre configurações de
redes, mas carece de instrumentos de coleta apropriados.
O estado de rede é diferente de estrutura, embora também aceite a ideia de uma
distribuição dos atores em diferentes posições na rede. O estado de rede inclui o conteúdo
das transações e foi através dele que se concluiu que as cooperativas tem uma posição
fraca. No desenho tradicional de estrutura é possível que as cooperativas aparecessem como
atores centrais.
158
O estado de rede é diferente de estágio, embora não negue o papel do passado na
configuração atual. Na rede B, por exemplo, a cooperativa que dela faz parte se esforça
para mudar sua imagem, afetada por erros e problemas do passado. No entanto, o conceito
de estado não precisa (e nem deve) concluir que aquele passado é o que determina o
presente.
7.1. Resposta ao problema de pesquisa
O problema de pesquisa do trabalho era determinar através da presença ou ausência de
variáveis a configuração de estados de organização de redes a partir do paradigma da
sociedade em rede.
A resposta obtida foi que o conjunto de variáveis selecionadas mostrou ser capaz de
indicar o estado de cada rede investigada e indicar também as diferenças entre elas, conforme
dominância desta, ou daquela variável. Por exemplo, a variável governança formal mostrou-se
capaz de mostrar a diferença entre a Rede A e a Rede E. A Rede A se caracteriza por um
predomínio burocrático, de relações formais, cujo estágio atual é estacionário e latente,
centralizada em decisões das diretorias das organizações; enquanto que a Rede E também tem
governança formal, mas apresenta relações sociais e ações coletivas, demonstrando ser uma
rede em evolução e transformação.
As variáveis Sinais da presença e conteúdo de Comprometimento e Sinais da presença
e conteúdo de Confiança se mostraram presentes em algumas redes, tais como as redes C, D e
E, mas em outras, como as Redes A e B, apareceram como objetivos a serem alcançados, mas
ainda pouco presentes.
Sobre os sinais de presença das assimetrias foram encontradas muitos, sejam de
objetivos, de consciência de ação coletiva, de autoridade, de gerência e controle; originando
alguns conflitos como, a fraca ligação entre os atores, o controle de recursos não partilhados,
as decisões muitas vezes tomadas individualmente, jogos de interesses por parte de alguns
atores em detrimento do coletivo. A parte que efetivamente interessa no trabalho, isto é, as
soluções dos conflitos de assimetrias, pouco apareceu, exceto algumas iniciativas de
construção de redes de informação, ou organização dos atores cooperados para uma ação
judicial.
Sobre os sinais de interdependência, principalmente a questão da consciência da
necessidade de ação coletiva, algumas redes, como a A e B, apresentaram baixo índice de
trabalhos coletivos, pois os atores tinham interesses mais individuais, enquanto que nas redes
159
C, D e E, essa conscientização está mais presente indicando redes em evolução e
transformação. Em outras palavras, a variável mostrou ser importante na configuração do
estado de rede.
Os dados, portanto, sustentam a proposição sobre a possibilidade de se construir
estados de organização de redes a partir de um conjunto de variáveis. Secundariamente, os
indicadores construídos mostraram-se capazes de gerar dados confiáveis sobre a distinção
entre as redes.
7.2. Comentários sobre a teoria de base
Neste item será discutida a força e capacidade da perspectiva da sociedade em rede e
do constructo do estado de organização das redes para responder ao problema de pesquisa.
Nos estudos sobre redes aparecem basicamente três paradigmas, o social, o racional e
econômico que são os mais conhecidos e pesquisados e o paradigma da sociedade em rede,
ainda não tão discutido e aceito pela sociedade acadêmica. O estudo mostrou, no entanto, que
o paradigma da sociedade em rede pode ser capaz de explicar fenômenos complexos, como da
construção civil e cooperada. Mesmo em conjunto de empresas que parecem operar
basicamente num sistema de mercado, como as Rede D e E, é possível encontrar alguns sinais
das variáveis selecionadas, como Presença e natureza da Interdependência e Natureza e formas
de solução de Assimetrias.
Nos paradigmas racional e social também aparecem variáveis de assimetrias, de
governança, confiança, cooperação, mas, conforme já analisado em itens anteriores, sem a
integração entre elas e aceitando que as redes são exemplos de ação no mercado, entre outros.
Nesse sentido, pode-se afirmar que o paradigma da sociedade em rede é capaz de realizar
junções onde os outros dois dividem, colocando-se mais próximo de uma visão contemporânea
de complexidade.
O conceito de estado de rede mostrou que pode ser útil no estudo das relações entre
organizações, quando se aceita que todas estão em redes.
7.3. Comentários sobre a metodologia
Conforme se colocou nos objetivos, uma das tarefas era encontrar e aplicar
instrumentos de coleta e análise de dados. A pesquisa bibliográfica, no entanto, revelou que
160
não existiam instrumentos específicos para o tema dos estados de rede, sendo necessário
desenvolvê-los. Assim, a partir da convergência das afirmativas de autores, verificada na
revisão bibliográfica, criou-se um quadro com cinco variáveis selecionadas por serem as mais
citadas e presentes nos trabalhos, quando se consideram as relações sociais.
A partir da seleção das variáveis criaram-se indicadores que pudessem guiar a
construção dos instrumentos, os quais foram aprovados por juízes. Esses indicadores
constituem uma contribuição metodológica importante, porque eles não existem na literatura
brasileira e a construção aqui realizada pode ser um caminho para o seu aprimoramento.
A partir dos indicadores desenvolveram-se os instrumentos de coleta, com um roteiro
de entrevista, com questionário estruturado e com roteiro para análise de dados secundários
impressos e também de discursos de técnicos do setor. Os instrumentos podem servir de ponto
de partida para novas pesquisas.
7.4. Comentários sobre os resultados
Neste item discute-se a validade e confiabilidade dos dados coletados e dos resultados
construídos.
Nas pesquisas dos fenômenos organizacionais, embora não haja uma forte tradição
qualitativa, é possível perceber uma tendência crescente em desenvolver estudos utilizando o
paradigma interpretativo, ou fenomenológico; o que representa a possibilidade de valorização
de uma alternativa de pesquisa na compreensão da realidade organizacional.
O problema proposto nesta dissertação, o de construção de estados de organização de
redes, indicou ser interessante escolher o caminho descritivo, qualitativo, interpretativo,
conforme já se comentou ao início do item de metodologia, posto que, a falta de indicadores
que pudessem contribuir para o desenvolvimento da pesquisa, foi um grande desafio na
criação e desenvolvimento de indicadores que identificassem e classificassem estados
diferenciados nas redes pesquisadas.
O resultado final do trabalho indicou a falta de conscientização e configuração das
redes da construção cooperada pesquisadas, resultando essa pesquisa no entendimento de que
apenas as redes C e E se encontram mais ou menos desenvolvidas (com maior presença dos
indicadores das variáveis de Presença e natureza da Interdependência, Sinais da presença e
conteúdo de Comprometimento, Sinais da presença e conteúdo de Confiança, Natureza e
161
formas de solução de Assimetrias e Formas de Governança) e as outras três, A, B e D carecem
ainda de se organizarem, resolverem seus conflitos, para crescerem e se desenvolverem.
A partir das variáveis selecionadas, dos indicadores construídos, das entrevistas,
questionários e dados secundários, pode-se afirmar que os resultados contribuíram para a
realização dos objetivos, indicando os diversos estados em que se encontram as cinco redes
pesquisadas.
Sobre as cooperativas, os dados foram conclusivos em mostrar a falta de poder desse
ator na rede. Interpreta-se que essa falta de poder deve-se em parte à mudança de atitude por
parte do governo em relação ao cooperativismo habitacional, criando seus próprios projetos;
obrigando as cooperativas a produzirem por conta própria, como é o caso das cooperativas das
redes B, D e E; ou existirem basicamente para cumprir o que já foi acordado, como é o caso da
cooperativa da rede A, ou então ainda se organizar previamente (tendo parte de seus recursos
advindos dos próprios cooperados como uma poupança prévia e a outra parte repassada pelo
governo a partir do início das obras) como a Rede C.
Concluindo, pode-se afirmar que com a análise dos indicadores por parte de juízes e
com a convergência de dados de múltiplas fontes, os resultados são confiáveis. Mesmo no caso
da variável de Natureza e formas de solução de Assimetrias, os indicadores foram competentes
para mostrar a presença das assimetrias e a ausências das soluções. Este resultado específico
será tema de nova proposta de pesquisa.
7.5. Limites do trabalho
Para realização e conclusão do trabalho, alguns limites podem ser comentados:
a) Devido ao cronograma de pesquisa, a mesma foi realizada no primeiro nível da rede, ou
seja, as redes formadas pelos atores cooperativas, construtoras, bancos, governo e entidades
de fomento. Existe, no entanto, um segundo nível da rede, por exemplo, com fornecedores
de material, com meios de comunicação sobre os eventos de entrega de imóveis, com
sindicatos, com prestadores de serviços imobiliários que poderia trazer informações
importantes.
b) A raridade de literatura sobre o conceito de estados de redes, com a consequente ausência de
instrumentos de pesquisa específicos, implicou na necessidade de construir os conteúdos
162
dos instrumentos de coleta, a partir de indicadores criados pelo autor e validados por juízes.
A tarefa demandou tempo e reflexão até se chegar num ponto razoável de confiabilidade.
c) Outro item que deve ser citado foi à inexperiência do pesquisador em realizar entrevistas
abertas a respeito do tema sobre estados de redes. A inexperiência de coleta e o ineditismo
do tema ocasionaram entrevistas que, depois de alguns testes, se tornaram mais dirigidas do
que era o plano inicial. Em alguns casos foi necessário seguir fielmente as questões
colocadas no anexo sobre entrevista. Isto significa que nem sempre foi possível fazer
comparativos de discursos, pois as condições de coleta foram diferentes.
d) A logística de locomoção e de localização dos sujeitos foi um problema, pois o tempo foi
ficando escasso em relação à extensão do trabalho. Eram cinco redes, em diferentes locais
de São Paulo (capital, interior e litoral), com diferentes instituições (bancos diferentes,
construtoras diferentes e até prefeituras locais) e atores que nem sempre estavam
disponíveis para serem entrevistados ou questionados.
7.6. Propostas de Pesquisas
Existem sinais cada vez mais fortes sobre o desenvolvimento de um novo formato
organizacional, caracterizado pela rede de relações. O atual trabalho coletou mais algumas
evidências nesse sentido, analisando os dados do negócio da construção cooperada na
perspectiva da teoria da sociedade em rede. O tema de habitação é complexo, envolvendo
aspectos econômicos, sociais e políticos (as cooperativas habitacionais nasceram por decreto),
mas ainda mal resolvido no Brasil. O governo deixou as cooperativas habitacionais de lado e
se dedicou a outros programas, Minha Casa, Minha Vida, Casa Paulistana, Sistema Mutirão,
enfraquecendo ainda mais a posição desse ator na rede. Até mesmo na academia, o assunto
pouco é investigado.
Apesar desse contexto, o trabalho abriu algumas frentes de questionamentos que
podem originar novas pesquisas, das quais sugerem-se algumas:
a) Estudar redes de negócio voltadas para o ramo imobiliário e em particular aquelas onde se
encontram as cooperativas habitacionais, dando continuidade aos estudos sobre os estados
de organização das mesmas, porém ampliando o campo de pesquisa para outros estados;
163
Durante a pesquisa bibliográfica levantada, encontraram-se trabalhos de dissertação
sobre redes de cooperativas habitacionais no nordeste e no Rio Grande do Sul, tanto que foi
neste estado que se encontrou os autores precursores e os melhores trabalhos encontrados
sobre redes e onde a rede C pesquisada iniciou suas atividades.
Nesses trabalhos que pesquisam cooperativas também se encontram os sinais do
paradigma da sociedade em rede e a valorização do ator governo, controlando e impondo
regras. Seria produtivo comparar os resultados de outros estados com os deste estudo, feito
em São Paulo. Neste trabalho que agora termina o ator governo foi pouco investigado e em
outros Estados do País parece jogar um papel relevante.
Tanto o nordeste como o Rio Grande do Sul são representativos nas parcerias pública
privada voltadas para o cooperativismo habitacional, inclusive apoiando, incentivando e
fornecendo infraestrutura para o desenvolvimento dessas redes.
b) Estudar as redes onde se encontram as cooperativas habitacionais que trabalham com
projetos governamentais a partir de gestões de políticas públicas e sociais, sem fins
lucrativos e que desenvolveram atividades de carácter social de modo compartilhado com o
Estado e compará-las com as redes onde se encontram as cooperativas habitacionais auto
gestoras e que trabalham com recursos próprios;
Além da matriz de relações sociais aqui colocada, pode-se pensar em adicionar
variáveis institucionais, como grupos de interesses e força de projetos políticos locais.
c) Outra proposta, mas como técnica de pesquisa seria aplicar a técnica de acompanhamento
dos atores de redes;
Esta técnica é relatada como importante, mas raramente aparece nas pesquisas. Para
aplicar a técnica, um dos caminhos é acompanhar um ator central no seu dia a dia de
relacionamento, até ser possível desenhar o estado da rede na qual ele participa. Outro
caminho seria fazer parte do circuito de trocas de informações, por exemplo via e-mail,
acompanhando o conteúdo numa unidade de tempo.
d) Pesquisar os estados de organização das redes que fazem parte do ramo imobiliário,
tecendo uma comparação entre as redes onde se encontram as construtoras, as redes onde se
encontram as empreiteiras e as redes onde se encontram as cooperativas habitacionais auto
gestoras.
A partir do levantamento de dados dessas diversas redes, seja com documentos,
entrevistas, questionários e técnica de acompanhamento, o pesquisador terá condição de
comparar essas redes e ao analisá-las, indicar qual o estado de organização em que as
164
mesmas se encontram atualmente. Se for para seguir o padrão deste trabalho, o pesquisador
pode utilizar a matriz de variáveis aqui sugeridas.
e) Pesquisar os estados atuais de organização de redes onde se encontram cooperativas
habitacionais e redes onde elas não se encontram, ou seja, no ramo de construção civil
normal;
Esta pesquisa tem como intuito verificar se a presença clara de objetivos de lucro altera
a matriz de relações sociais.
f) Numa linha metodológica, comparar redes do negócio imobiliário a partir da matriz aqui
apresentada em comparação com uma matriz originada do paradigma racional e
econômico.
A pesquisa discutiria a capacidade de cada matriz em gerar dados para respostas de
problemas de pesquisa. Como ainda não existe um paradigma dominante sobre redes, seria
um passo para buscar um desenvolvimento da área.
Em relação à utilização de outras matrizes para se comparar a mesma questão de
pesquisa, Yin (2001) e Creswell (2007), ressaltam que cada caso deve ser selecionado de
modo a prever resultados comparáveis, ou, inversamente, produzir resultados contrastantes
por razões previsíveis. Os casos devem possibilitar a construção de afirmativas, inferências,
interpretações que possibilitem avanço teórico.
A sugestão para este trabalho comparativo é investigar o ramo da construção civil no
geral, tanto pela sua importância social, econômica e política, como pela possibilidade de
um trabalho rico sobre redes, uma vez que o negócio é composto de uma infinidade de
organizações, que se ligam a outras, formando redes de vários níveis, entrelaçadas em uma
teia de conexões horizontais e verticais.
g) Embora as variáveis utilizadas tenham sido importantes para o trabalho e essenciais para
responder a questão de pesquisa, sempre haverá a possibilidade de se acrescentar e
organizar novas variáveis;
Variáveis essas como: a cooperação, formas de comunicação, inovação, conhecimento
e aprendizagem, presença de laços fortes e fracos, tamanho da rede e presença de relações
horizontais e verticais, que poderão ser utilizadas para dar continuidade à investigação do
estado de organização de uma rede.
Assim, a sugestão é que novas pesquisas incorporem, ou retirem variáveis, buscando
um modelo mais defensável.
h) Estudar novas redes de negócio onde se encontram cooperativas de outra natureza, como
agrícolas, de trabalho, de consumo e de crédito;
165
As conclusões podem ser comparadas com as encontradas neste projeto, incluindo as
contribuições metodológicas e de refinamentos dos instrumentos.
7.7. Comentário Final
Concluindo, foi desafiador e útil realizar este trabalho porque se espera que esta
pesquisa contribua para a valorização do tema sobre Redes, da teoria da Sociedade em Rede,
do conceito de Estados de Organização de Rede e do Cooperativismo Habitacional, hoje pouco
investigado quando se compara com a produção sobre a construção civil, sobre parcerias de
construtoras, sobre o marketing imobiliário e sobre cadeias de produção.
O cooperativismo habitacional tem posição muito secundária no meio científico, nos
modelos gerenciais ensinados em escolas de gestão, nos interesses de organizações do
negócio, no interesse do governo e no desconhecimento da sociedade. Nesse sentido, o
trabalho busca sua revalorização.
O cooperativismo, como também as redes das quais fazem parte as cooperativas
habitacionais, é um modo alternativo de solução comercial interessante para se fazer
pesquisas, porque ele contém elementos de solidariedade, de ética, de ação coletiva e, ao
mesmo tempo, os elementos de sobrevivência e competição no mercado. Quando colocado no
ramo habitacional, com sua importância social, fica ainda mais interessante e complexo, pois
entram elementos econômicos e políticos, que neste trabalho não puderam ser investigados.
Sendo uma resposta alternativa a um problema real, era de se esperar que existisse interesse na
academia para sua investigação, mas, de fato, é um tema ainda pouco explorado.
166
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181
Anexo I. Procedimentos para realização da pesquisa de validade de conteúdo e lógica dos
indicadores.
Carta para juiz colaborador.
Caro Senhor(a). Agradecemos sua ajuda no trabalho que está sendo realizado pelo aluno José
Roberto Gamba, no Programa de Mestrado em Administração da Universidade Paulista –
UNIP.
Gostaríamos de sua colaboração para verificar a validade e consistência dos indicadores em
anexo, os quais guiam a construção dos instrumentos de coleta. O Quadro contém 5 variáveis:
(1) Manifestações da Interdependência; (2) Sinais e conteúdo sobre comprometimento; (3)
Sinais e conteúdo sobre confiança; (4) Natureza e solução das assimetrias; (5) Formas de
governança.
Para facilitar sua tarefa apresentamos algumas informações relevantes sobre a origem do
quadro, seu objetivo teórico e o caminho para sua construção.
Título: Os estados de organização de redes de negócios: Discussão e exemplos das redes nas
quais estão presentes as cooperativas habitacionais de São Paulo.
Autor: José Roberto Gamba
Objetivo: Analisar a configuração dos estados de redes de negócios. Entende-se por estado de
rede a presença/ausência e o conteúdo de variáveis que, através de pesquisa bibliográfica,
foram selecionadas como as mais constantes e importantes para a configuração, ou
organização, ou desenho das redes. A proposição orientadora é que é possível investigar um
estado organizacional de um conjunto de empresas a partir de variáveis que hoje se encontram
esparsas e isoladas na literatura, selecionando a interdependência; o comprometimento; a
confiança; a assimetrias e a governança. Após discutir os conceitos chegou-se à tarefa de
definir operacionalmente cada variável, o que necessita ser construído, já que não existem
modelos validados. A construção do quadro, por si, já é uma contribuição importante da
dissertação. É necessário, no entanto, uma validade interna dos indicadores.
Metodologia: A pesquisa se realiza a partir de entrevistas individuais com os participantes da
rede, aplicação de questionários com escalas de Likert e documentos. Nas três formas de
coleta serão procurados os indicadores constantes no quadro. Os indicadores foram
construídos a partir de três fontes: (A) A linha geral colocada na coluna Conteúdo a ser
Observado, que é resultado das várias definições teóricas encontradas na pesquisa
bibliográfica; (B) Experiência do aluno no negócio (o aluno participa de uma cooperativa
habitacional); (C) Experiência do orientador em trabalhos anteriores semelhantes.
Conforme preceitos de metodologia, a análise de um instrumento, ou um quadro orientador
para a construção de instrumentos por parte de juízes deve privilegiar alguns quesitos.
Solicitamos ao senhor que responda os mesmos nesta página, se lhe for conveniente, ou num
texto anexo.
182
Validade de conteúdo
1. O quadro atinge o objetivo proposto de configurar um estado de rede?
R:
Estrutura do texto
2. Sobre a organização – existe lógica e validade na divisão em cinco variáveis?
R:
3. No geral o quadro é objetivo e lógico nas suas colunas?
R:
4. O texto dos indicadores é claro, de fácil compreensão? (Considerando que cada indicador
deve gerar uma pergunta aberta de roteiro e uma frase de questionário)
R:
5. Existe lógica na sequência dos indicadores dentro de cada variável, ou seja, as frases partem
do geral para o específico, ou o indicador já exige logo no seu primeiro item uma resposta
muito específica?
R:
Validade de critério
6. Existem questões (quais, se existirem) incoerentes quando se compara o conceito
operacional da variável com o objetivo específico daquele item?
R:
Se possível, comente os indicadores que devem ser refeitos, ou retirados, ou sugestões de
novas adições.
R:
A seguir apresenta-se o quadro.
Quadro dos indicadores
Variável
1. Presença e
natureza da
Interdependência
Conceito
dominante
Conteúdo a ser observado
Cada
organização não
detém todos os
recursos
necessários ao
Eventos,
processos,
discussões,
reuniões,
cursos e outras formas de
manifestações
coletivas
que
mostrem
a
Alguns indicadores
1. Sinais da necessidade dos
recursos de um ator, recursos esses
que o outro possui.
2. Troca de conhecimentos
necessários de um ator para outro.
183
seu negócio,
precisando
trabalhar em
conjunto.
dependência mútua das
empresas, facilitando o
trabalho conjunto em
substituição do trabalho
individual.
2. Sinais da
presença e conteúdo
de
Comprometimento
Colocar-se à
disposição para
ações coletivas.
Atitudes e ações para
atingir objetivos coletivos,
ou ajudar outro ator,
mesmo que nada se ganhe.
3. Sinais da
presença e conteúdo
de Confiança
Colocar-se na
dependência do
outro.
Atitudes e ações nas quais
o sujeito se expõe ao
coletivo, ou fica na
dependência do outro, sem
recorrer a mecanismos
formais de controle.
4. Presença e
formas de solução
de Assimetrias
Diferenças de
capacidades e
recursos
Diferenças de qualquer
natureza que sejam
relevantes na estrutura e
processos da rede
5. Formas de
Governança
Regras de
proteção de
recursos e de
controle do
comportamento.
Pode ser formal,
ou informal.
Toda e qualquer regra
explícita, ou implícita que
coloque restrições ao
comportamento e proteja
os recursos, sejam
coletivos, ou individuais.
3. Necessidade de contatos com
entidades reguladoras para resolver
as exigências de toda natureza
(burocráticas, técnicas, sócio
ambientais).
4. Aceitação de ações coletivas
como mais importante que ações
isoladas.
5. Consciência da necessidade de
trabalho conjunto para o
desenvolvimento de recursos
coletivos.
6. Sinais da aceitação da existência
de custos para cada um na rede
para que haja um ganho coletivo.
1. Participar regularmente de
reuniões e decisões.
2. Ajudar a outro, mesmo sem
benefício próprio.
3. Assumir responsabilidades de
ações conjuntas.
4. Percepção entre os agentes
quanto ao cumprimento dos acordos
5. Existência de promessas de
continuidade relacional entre os
parceiros
6. Sinais de disposição para
continuidade dos relacionamentos,
mesmo em situações em que sua
opinião tenha sido descartada ou
que seja da minoria.
1. Contar uma de suas fraquezas
para outros.
2. Assumir uma responsabilidade
cuja execução depende de outro.
3. Dispor seus recursos, de qualquer
natureza, para serem usados por
outros, sem necessidade de
salvaguardas.
4. Sinais que um ator acredita e
segue as regras e metas
estabelecidas na rede mesmo sendo
informais.
5. Sinais que um ator acredita na
integridade das pessoas que fazem
parte da rede.
1. Diferença de recursos investidos
2. Diferença de objetivos.
3. Diferença de valores e ética
4. Diferença de domínio
tecnológico
5. Modos de solução das diferenças
1. Regras sobre admissão e
exclusão de atores do grupo mais
restrito.
2. Regras sobre penalidades.
3. Controle por autoridade, ou
reputação (de um ator mais
poderoso, por exemplo).
4. Controles sociais (por exemplo,
184
existência de blogs, sites
comunitários e outros, com
informações sobre os
participantes).
5. Regras sobre igualdade entre
atores.
6. Regras para compras, trocas e
entregas de bens e serviços junto
aos parceiros.
Fonte: Construção do autor (2014)
185
Anexo II. O instrumento roteiro semiestruturado de entrevista.
Nos parágrafos seguintes apresenta-se o modelo de entrevista que foi construído a
partir da seleção das variáveis e da descrição dos indicadores. Para cada fator coloca-se em
primeiro lugar o indicador e depois a pergunta correspondente.
Variável 1. Manifestações de Interdependência
Indicador/ Perguntas
1.1. Sinais da necessidade dos recursos que outro ator da rede possui.
1.1.1. Você entende que sua empresa depende dos recursos de outras empresas e elas
dependem da sua para que o negócio se realize, ou, na verdade, cada um pode agir de
forma mais isolada? Você pode dar um exemplo dessa dependência?
1.2. Troca necessária de conhecimentos entre os atores.
1.2.1. Você verifica que existem trocas de informações e conhecimentos entre os parceiros das
empresas dessa rede? Poderia dar um exemplo de uma troca que é mais constante?
1.3. Necessidade de contatos com entidades reguladoras para resolver as exigências.
1.3.1. Nesse negócio existe a necessidade de contatos frequentes das empresas parceiras com
entidades reguladoras para seguir as leis e resolver as exigências? É o caso da sua
empresa?
1.4. Aceitação de ações coletivas como mais importante que ações isoladas.
1.4.1. Você vê sinais, provas ou situações em que os parceiros colocam as ações coletivas
como mais importantes que as ações isoladas para soluções e decisões no negócio? Você
poderia dar um exemplo?
1.5. Sinais da aceitação da existência de custos para cada um na rede para que haja um ganho
coletivo.
1.5.1. Você já verificou situações em que um parceiro (ou mesmo você) teve que arcar com
custos próprios para que houvesse um ganho coletivo? Você poderia dar exemplos?
Variável 2. Comprometimento
Indicador / Questão
2.1. Participar regularmente de reuniões e decisões.
2.1.1. Você percebe se os parceiros do negócio participam regularmente dos eventos, das
reuniões, dos encontros realizados, dos e-mails enviados?
2.1.2. Sua empresa participa com frequência, ou só de vez em quando?
186
2.2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício próprio.
2.2.1. Você entende que existe ajuda entre os parceiros das várias empresas envolvidas, como
troca de informações, auxílio técnico, apoio de qualquer natureza; sem o objetivo
especifico de benefício próprio? Poderia dar um exemplo dessa situação?
2.3. Assumir responsabilidades de ações conjuntas.
2.3.1. Ainda nessa linha de um ajudar o outro, você diria que os parceiros participam com
soluções para os demais para melhorar o desempenho de todos no negócio, através de
ações conjuntas? Dito de outra forma, existem reuniões coletivas para se discutir e
resolver assuntos, ou cada empresa vai realizando suas funções, sem essa noção de
coletivo?
2.4. Percepção entre os agentes quanto ao cumprimento dos acordos.
2.4.1. Você percebe a existência do comprometimento entre os parceiros para realizarem o que
foi combinado, isto é, as pessoas cumprem os acordos, mesmo não sendo o melhor para
aquela pessoa e aquela empresa? Você poderia dar um exemplo em que isso não
ocorreu?
2.5. Existência de promessas de continuidade relacional entre os parceiros.
2.5.1. Você percebe a existência de uma disposição em continuar as relações entre as
empresas, mesmo que alguns projetos terminem? E no caso da sua empresa, existe essa
disposição?
2.6. Sinais de disposição para continuidade dos relacionamentos, mesmo em situações em que
sua opinião tenha sido descartada, ou que seja da minoria.
2.6.1. Você percebe a disposição em continuar os contatos, os compromissos, as tarefas,
mesmo quando não é o que a pessoa acredita, ou gostaria que fosse realizado? Já
aconteceu algum caso assim com a sua empresa?
Fator 3. Confiança
Indicador / Questão
3.1. Expor os pontos fracos de sua organização para os outros.
3.1.1. Você tem verificado situações nas quais os participantes das empresas parceiras expõem
os problemas, os erros, as dificuldades, isto é, se sentem confiantes para contar aos
outros e até pedir ajuda, ou o que você percebe que são quase todos bem reservados?
Você poderia dar um exemplo?
3.2. Assumir uma responsabilidade cuja execução depende de outro.
187
3.2.1. Você tem verificado situações nas quais um parceiro assume uma tarefa cuja execução
depende de outra pessoa, isto é, ela confia que o outro irá fazer sua parte?
3.3. Dispor seus recursos, de qualquer natureza, para serem usados por outros, sem
necessidade de salvaguardas.
3.3.1. Você já verificou situações nas quais um parceiro colocou seus recursos, por exemplo,
um banco de dados, à disposição dos outros, sem precisar de algum contrato, ou qualquer
outra forma de proteção? Você mesmo já fez isso em algum momento? Você poderia dar
um exemplo?
3.4. Sinais que um ator acredita e segue as regras e metas estabelecidas na rede mesmo sendo
informais.
3.4.1. Os parceiros envolvidos no negócio costumam seguir as regras estabelecidas, mesmo
aquelas que não estão em contrato, mas surgem nas rotinas do dia a dia; ou você entende
que existem situações de independência, com os parceiros nem sempre seguindo as
regras?
3.5. Sinais que um ator acredita na integridade das pessoas que fazem parte da rede.
3.5.1. Você tem provas, situações e sinais que indicam haver integridade dos parceiros
envolvidos no negócio, isto na disposição de agirem em prol do coletivo, do negócio e não
só do interesse próprio? Quais seriam esses sinais, ou exemplos?
Fator 4. Natureza e solução das Assimetrias
Indicador / Questão
4. Diferença de recursos investidos;
4.1. Existem diferenças de recursos de qualquer natureza, como dinheiro, pessoal envolvido,
material, investidos pelas empresas que participam do negócio? Quais exemplos você
poderia citar?
4.2. Diferença de objetivos.
4.2.1. Existem muitas diferenças de objetivos entre as várias empresas que participam do
negócio? Você poderia citar um exemplo?
4.2.2. Caso existam essas diferenças, você percebe se elas causam conflitos, ou problemas de
qualquer natureza entre as empresas? Em caso positivo, poderia dar um exemplo?
4.3. Diferença de valores e ética.
4.3.1. Você percebe a existência de crenças e valores éticos diferentes entre as pessoas das
empresas que são parceiras no negócio? Será que as cooperativas, os bancos, as
construtoras e outras empresas têm as mesmas crenças e valores éticos?
188
4.4. Diferença de domínio tecnológico.
4.4.1. Existem diferenças muito claras de conhecimentos e tecnologia entre as empresas
participantes? Você poderia dar um exemplo? Existindo essa diferença, ela causa
algum problema, ou conflito? Em caso positivo, como isso se resolve?
4.5. Formas de solução das assimetrias.
4.5.1. Se as diferenças existentes entre as empresas causam problemas.
4.5.2. Existe um padrão ou regra geral para a que as diferenças entre os participantes não
causem problemas? Por exemplo, se uma parte tem muito dinheiro e a outra tem pouco,
como se resolve essa diferença para um trabalho conjunto? Você pode dar exemplos?
Fator 5. Formas de governança.
Indicador / Questão
5.1. Regras sobre admissão e exclusão de atores do grupo mais restrito;
5.1.1. Existem regras para admissão e exclusão de parceiros/empresas nesse grupo em que
você participa? De onde vêm essas regras? Como são criadas?
5.2. Regras sobre penalidades.
5.2.1. Existem regras sobre penalidades para quem não cumpre o que deveria? Caso existam,
como elas foram construídas?
5.3. Controle por autoridade, ou reputação;
5.3.1. Nesse grupo de parceiros que você participa, existe uma empresa que pela sua
reputação, força, ou poder controla as outras empresas e as ações dos seus participantes?
Caso exista esse poder, você poderia dar um exemplo de controle?
5.4. Controles sociais.
5.4.1. Existe entre os parceiros algum tipo de controle por questão ética, por obediência, por
respeito, etc.? Por exemplo, as vezes a existência de um líder, ou alguma figura
carismática acaba sendo exemplo que os outros seguem.
5.5. Regras sobre igualdade entre atores.
5.5.1. Você entende que as regras existentes, sejam contratuais, ou informais, são
democráticas, de forma que as empresas participantes têm a mesma força e legitimidade,
ou, em verdade, as regras servem mais para alguns e menos para outros?
5.6. Regras para compras, trocas e entregas de bens e serviços junto aos parceiros.
5.6.1. Existem regras coletivas sobre as relações comerciais de compra, troca e entrega de bens
e serviços, ou cada parceiro age conforme suas necessidades e oportunidades, sem
necessidade de seguir um roteiro coletivo?
189
Anexo III. O instrumento questionário.
Nos parágrafos seguintes apresenta-se o modelo de questionário que foi construído a
partir da seleção das variáveis e da descrição dos indicadores. Para cada variável coloca-se em
primeiro lugar o indicador e depois a assertiva correspondente.
Utilizou-se uma escala de concordância de 1 a 5, sendo 1 - discordo totalmente, 2- discordo, 3nem concordo, nem discordo, 4- concordo, 5- concordo totalmente.
Formulário do Questionário
Caro Colaborador.
Agradecemos sua disposição em participar desta pesquisa sobre a rede de empresas do negócio
da construção cooperada. Lembramos que seu nome não será divulgado em nenhuma hipótese
e a identificação abaixo é apenas para controle de nossa coleta.
Havendo interesse em receber os resultados da pesquisa, por favor marque a opção.
( ) Quero receber os resultados da pesquisa
Meu e-mail:
Nome:
Empresa:
Função:
Nas afirmativas seguintes, marque a opção que lhe parece a mais adequada; sempre
considerando exclusivamente o negócio de construção cooperada. A opção 1 significa que
você discorda totalmente da afirmativa e a escala vai até a opção 5, que significa que você
concorda totalmente com a afirmativa.
AFIRMATIVAS SOBRE A REDE DE EMPRESAS DO NEGÓCIO DA CONSTRUÇÃO
COOPERADA.
1. Minha empresa depende dos recursos de outras empresas para realizar suas atividades no
negócio de construção cooperada.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente.
2 Existem trocas de informações e conhecimentos entre os participantes do grupo de empresas
desse negócio.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente.
190
3. No negócio de construção cooperada existe a necessidade das empresas participantes terem
contatos frequentes com entidades reguladoras para seguir as leis e resolver as exigências.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
4. Ainda sobre esse assunto, a nossa empresa precisa desses contatos frequentes.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
5. Existem sinais e situações que mostram que as empresas parceiras desse negócio colocam as
ações em conjunto como mais importantes que as ações isoladas.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente.
6. No caso da nossa empresa existem sinais e situações que mostram que ela coloca as ações
em conjunto com mais importantes que as ações isoladas.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente.
7. Entre os participantes do negócio de construção cooperada existe consciência sobre a
necessidade de ação coletiva.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente.
8. Do meu ponto de vista, nesse negócio é necessário o trabalho conjunto, para desenvolver
recursos coletivos.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente.
9. Existem situações que eu já presenciei em que um parceiro teve que arcar com custos
próprios para que houvesse um ganho coletivo.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente.
10. Os parceiros do negócio de construção cooperada participam regularmente dos eventos,
das reuniões, dos encontros realizados, dos e-mails enviados e outras formas de ação
conjunta.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente.
11. Minha empresa participa com frequência dos eventos coletivos que são programados.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
191
12. Eu penso que existe ajuda entre os parceiros das várias empresas envolvidas, como troca
de informações, auxílio técnico, apoio de qualquer natureza; sem o objetivo específico de
benefício próprio.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
13. Ainda nessa linha de um ajudar o outro, eu penso que os parceiros oferecem soluções para
os demais poderem melhorar seus processos.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
14. Eu vejo que existe comprometimento entre os parceiros para realizarem o que foi
combinado, isto é, as pessoas cumprem os acordos, mesmo não sendo o melhor para
aquela pessoa e aquela empresa.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
15. Eu vejo através de sinais e fatos que existe disposição entre as empresas que participam da
construção cooperada em continuarem seu relacionamento, mesmo que alguns projetos
terminem.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
16. Eu vejo através de sinais e fatos que existe disposição da minha empresa em continuar seu
relacionamento com outras empresas do negócio, mesmo que alguns projetos terminem.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
17. Eu vejo sinais e fatos que mostram a disposição das pessoas em continuarem a realizar as
tarefas e compromissos que se esperam que ela realize; mesmo quando não é o que a
pessoa acredita, ou gostaria que fosse realizado.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
18. Eu tenho verificado situações nas quais os participantes das empresas parceiras expõem os
problemas, os erros, as dificuldades, isto é, se sentem confiantes para contar aos outros e
até pedir ajuda.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
192
19. Eu já verifiquei situações nas quais um parceiro assume uma tarefa cuja execução na
verdade depende de outra pessoa, isto é, o parceiro promete a tarefa confiando que o outro
irá fazer a sua parte.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
20. Eu já presenciei e soube de situações nas quais um parceiro colocou seus recursos, por
exemplo, um banco de dados, à disposição dos outros, sem precisar de algum contrato, ou
qualquer outra forma de proteção, apenas confiando nos outros.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
21. Os parceiros envolvidos no negócio de construção cooperada costumam seguir as regras
estabelecidas, mesmo aquelas que não estão em contrato, mas surgem nas rotinas do
dia a dia.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
22. Eu tenho histórias, situações e sinais que indicam haver integridade e honestidade dos
parceiros envolvidos nesse negócio, isto é, eles estão dispostos a agirem em prol do
coletivo e não só por interesse próprio.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
23. Eu vejo que existem diferenças de recursos bem claras entre as empresas que participam
do negócio de construção cooperada, como, por exemplo, de dinheiro disponível, de
qualidade do pessoal, de recursos material e técnicos.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
24. Eu vejo que existem diferenças bem claras de objetivos entre as empresas que participam
desse negócio, como, por exemplo, de objetivos financeiros, sociais, políticos.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
25. Eu vejo que existem diferenças bem claras de valores éticos e crenças entre as pessoas das
empresas como, por exemplo, a função social de uma empresa, a vontade de trabalhar em
conjunto, a disposição para ajudar os outros.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
193
26. Eu vejo que existem diferenças muito claras de conhecimentos e tecnologia entre as
empresas participantes.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
27. Ainda sobre essas diferenças de recursos e de objetivos, elas acabam criando problemas e
conflitos na relação entre as empresas.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
28. Sobre os problemas criados pelas diferenças entre as empresas do negócio de construção
cooperada, os participantes conseguiram criar soluções, de tal maneira que o trabalho coletivo
não foi prejudicado.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
29. Existem regras claras e explícitas sobre quais empresas podem participar do grupo que
opera nesse ramo, isto é, quais podem entrar e quais devem sair.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
30. Essas regras foram criadas pelos próprios participantes.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
31. Existem regras sobre penalidades para quem não cumpre o que deveria.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
32. Nesse grupo de parceiros que eu participo existe uma empresa que pela sua reputação,
força ou poder controla as outras empresas e as ações dos seus participantes.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
33. Como os parceiros das várias empresas estão frequentemente em contato, não só para
tratar de negócios, mas também de outros assuntos sociais, políticos e de outra natureza,
acaba existindo uma espécie de acordo de cavalheiros para ninguém se aproveitar das
fraquezas do outro, ou para obter vantagens particulares.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
194
34. As regras existentes; sejam elas formais escritas e documentadas; ou informais, que são
aquelas que correm de boca em boca; criam condições de igualdade e participação das
empresas desse negócio de construção cooperada.
1( ) discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
35. Existem regras coletivas sobre como agir comercialmente entre as empresas do negócio de
construção cooperada, de forma que não existem muitas surpresas, ou imprevistos.
1() discordo totalmente 2( ) discordo 3( ) nem concordo, nem discordo 4( ) concordo 5( ) concordo totalmente
Fonte: Construção do autor (2014)
195
Anexo IV. Quadros de Avaliação de Resultados
Apresentação dos dados das entrevistas e questionários.
Entrevistas e Questionários
Cooperativas
Presidente
Administrativo
Financeiro
Responsável pelas Obras
Agente Bancário
Gerente de Contas
Construtoras
Proprietário / Resp. Obra
OCESP / SESCOOP
Representante Regional
SINDICOOP
Representante Regional
CRECI / CREFI
Diretor Administrativo
Agente Governamental
Prefeito
Secretário de Habitação
Ministério da Cidade
Advogados
Cooperados e Outros
SUBTOTAL
TOTAL GERAL
Geral
Rede A
Rede B
Rede C
Rede D
Rede E
01
01
01
01
01
01
01
01
01
01
01
01
01
01
01
01
01
01
06
10
01
05
09
01
06
11
01
07
11
01
06
11
Rede C
01
Rede D
01
01
01
01
01
01
01
06
58
Documentos / Dados Secundários
Atas de Fundação
Atas de Assembleias
Atas de Modificações Estatutárias
Atas de Decisões sobre entregas
Contratos Firmados
Bancos
Construtoras
Acordos com cooperados
Eventos
Seminários
Cursos e Assembleias
SUBTOTAL
TOTAL
Geral
12
08
20
59
Rede A
01
01
Rede B
01
01
Rede E
01
01
02
01
01
01
01
01
02
01
02
03
01
01
01
01
01
01
01
01
12
06
02
02
08
08
02
02
05
196
Anexo V. Quadro de frequência (presença ou ausência) dos fatores e indicadores que
caracterizam o estado de organização das redes
Fator
Presença e natureza
da
Interdependência
Sinais da presença
e conteúdo de
Comprometimento
Indicadores
Rede A
Rede B
Rede C
Rede D
Rede E
1. Sinais da
necessidade dos
recursos de um ator,
recursos esses que o
outro possui.
2. Troca de
conhecimentos
necessários de um
ator para outro.
3. Necessidade de
contatos com
entidades reguladoras
para resolver as
exigências de toda
natureza
(burocráticas,
técnicas, sócio
ambientais).
4. Aceitação de ações
coletivas como mais
importante que ações
isoladas.
5. Consciência da
necessidade de
trabalho conjunto
para o
desenvolvimento de
recursos coletivos.
6. Sinais da aceitação
da existência de
custos para cada um
na rede para que haja
um ganho coletivo.
1. Participar
regularmente de
reuniões e decisões.
2. Ajudar a outro,
mesmo sem benefício
próprio.
3. Assumir
responsabilidades de
ações conjuntas
4. Percepção entre os
agentes quanto ao
cumprimento dos
acordos.
5. Existência de
promessas de
continuidade
relacional entre os
parceiros.
6. Sinais de
disposição para
continuidade dos
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
197
relacionamentos,
mesmo em situações
em que sua opinião
tenha sido descartada
ou que seja da minoria
1. Contar uma de suas
fraquezas para outros.
Sinais da presença
e conteúdo de
Confiança
Presença e formas
de solução de
Assimetrias
Formas de
governança
A
A
A
A
A
2. Assumir uma
responsabilidade cuja
execução depende de
outro.
3. Dispor seus
recursos, de qualquer
natureza, para serem
usados por outros,
sem necessidade de
salvaguardas.
4. Sinais que um ator
acredita e segue as
regras e metas
estabelecidas na rede
mesmo sendo
informais.
5. Sinais que um ator
acredita na
integridade das
pessoas que fazem
parte da rede.
1. Diferença de
recursos investidos.
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
2. Diferença de
objetivos.
3. Diferença de
valores e ética.
A
A
A
A
A
A
A
A
A
A
4. Diferença de
domínio tecnológico.
P
P
P
P
P
5. Modos de solução
das diferenças
P
P
P
P
P
1. Regras sobre
admissão e exclusão
de atores do grupo
mais restrito.
2. Regras sobre
penalidades.
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
3. Controle por
autoridade, ou
reputação (de um ator
mais poderoso, por
exemplo).
4. Controles sociais
(por exemplo,
existência de blogs,
sites comunitários e
outros, com
P
P
P
P
P
P
P
P
P
P
198
informações sobre os
participantes).
5. Regras sobre
igualdade entre
atores.
6. Regras para
compras, trocas e
entregas de bens e
serviços junto aos
parceiros.
Fonte: Construção do autor (2014)
P
P
P
P
P
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P
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P
P
199
Anexo VI. Quadro de frequência (presença ou ausência) dos fatores que caracterizam o
estado de organização da rede A
Fator
Presença e
natureza da
Interdependência
Sinais da presença
e conteúdo de
Comprometimento
Sinais da presença
e conteúdo de
Confiança
Ator
Cooperativa
Ator
Banco
Ator
Construtora
1. Sinais da necessidade dos recursos de
um ator, recursos esses que o outro possui.
P
P
P
2. Troca de conhecimentos necessários de
um ator para outro.
P
P
P
3. Necessidade de contatos com entidades
reguladoras para resolver as exigências de
toda natureza (burocráticas, técnicas, sócio
ambientais).
4. Aceitação de ações coletivas como mais
importante que ações isoladas.
P
P
P
P
P
P
5. Consciência da necessidade de trabalho
conjunto para o desenvolvimento de
recursos coletivos.
P
P
P
6. Sinais da aceitação da existência de
custos para cada um na rede para que haja
um ganho coletivo.
P
A
A
1. Participar regularmente de reuniões e
decisões.
P
P
P
2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício
próprio.
P
P
P
3. Assumir responsabilidades de ações
conjuntas
P
P
P
4. Percepção entre os agentes quanto ao
cumprimento dos acordos.
P
P
P
5. Existência de promessas de
continuidade relacional entre os parceiros.
P
P
P
6. Sinais de disposição para continuidade
dos relacionamentos, mesmo em situações
em que sua opinião tenha sido descartada
ou que seja da minoria
1. Contar uma de suas fraquezas para
outros.
P
P
P
A
A
A
2. Assumir uma responsabilidade cuja
execução depende de outro.
P
P
A
3. Dispor seus recursos, de qualquer
natureza, para serem usados por outros,
sem necessidade de salvaguardas.
4. Sinais que um ator acredita e segue as
regras e metas estabelecidas na rede
mesmo sendo informais.
5. Sinais que um ator acredita na
integridade das pessoas que fazem parte da
rede.
P
A
P
P
A
A
P
P
P
Indicadores
200
Presença e formas
de solução de
Assimetrias
Formas de
governança
1. Diferença de recursos investidos.
P
P
P
2. Diferença de objetivos.
P
P
P
3. Diferença de valores e ética.
A
A
A
4. Diferença de domínio tecnológico.
P
P
P
5. Modos de solução das diferenças
P
P
P
1. Regras sobre admissão e exclusão de
atores do grupo mais restrito.
P
P
P
2. Regras sobre penalidades.
P
P
P
3. Controle por autoridade, ou reputação
(de um ator mais poderoso, por exemplo).
P
P
P
4. Controles sociais (por exemplo,
existência de blogs, sites comunitários e
outros, com informações sobre os
participantes).
5. Regras sobre igualdade entre atores.
P
A
A
P
A
A
6. Regras para compras, trocas e entregas
de bens e serviços junto aos parceiros.
P
P
P
Fonte: construção do autor (2014)
201
Anexo VII. Quadro de frequência (presença ou ausência) dos fatores que caracterizam o
estado de organização da rede B
Fator
Presença e
natureza da
Interdependência
Sinais da presença
e conteúdo de
Comprometimento
Sinais da presença
e conteúdo de
Confiança
Ator
Cooperativa
Ator
Banco
Ator
Construtora
1. Sinais da necessidade dos recursos de
um ator, recursos esses que o outro possui.
P
P
P
2. Troca de conhecimentos necessários de
um ator para outro.
P
P
P
3. Necessidade de contatos com entidades
reguladoras para resolver as exigências de
toda natureza (burocráticas, técnicas, sócio
ambientais).
4. Aceitação de ações coletivas como mais
importante que ações isoladas.
P
P
P
P
P
P
5. Consciência da necessidade de trabalho
conjunto para o desenvolvimento de
recursos coletivos.
P
P
P
6. Sinais da aceitação da existência de
custos para cada um na rede para que haja
um ganho coletivo.
P
A
A
1. Participar regularmente de reuniões e
decisões.
P
P
P
2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício
próprio.
P
P
P
3. Assumir responsabilidades de ações
conjuntas
P
A
A
4. Percepção entre os agentes quanto ao
cumprimento dos acordos.
P
P
P
5. Existência de promessas de
continuidade relacional entre os parceiros.
P
P
P
6. Sinais de disposição para continuidade
dos relacionamentos, mesmo em situações
em que sua opinião tenha sido descartada
ou que seja da minoria
1. Contar uma de suas fraquezas para
outros.
P
P
P
A
A
A
2. Assumir uma responsabilidade cuja
execução depende de outro.
P
A
A
3. Dispor seus recursos, de qualquer
natureza, para serem usados por outros,
sem necessidade de salvaguardas.
4. Sinais que um ator acredita e segue as
regras e metas estabelecidas na rede
mesmo sendo informais.
5. Sinais que um ator acredita na
integridade das pessoas que fazem parte da
rede.
A
A
A
P
A
A
P
P
P
Indicadores
202
Presença e formas
de solução de
Assimetrias
Formas de
governança
1. Diferença de recursos investidos.
P
P
P
2. Diferença de objetivos.
P
P
P
3. Diferença de valores e ética.
A
A
A
4. Diferença de domínio tecnológico.
P
P
P
5. Modos de solução das diferenças
P
P
P
1. Regras sobre admissão e exclusão de
atores do grupo mais restrito.
P
P
P
2. Regras sobre penalidades.
P
P
P
3. Controle por autoridade, ou reputação
(de um ator mais poderoso, por exemplo).
P
A
A
4. Controles sociais (por exemplo,
existência de blogs, sites comunitários e
outros, com informações sobre os
participantes).
5. Regras sobre igualdade entre atores.
P
A
A
P
P
A
6. Regras para compras, trocas e entregas
de bens e serviços junto aos parceiros.
P
P
P
Fonte: Construção do autor (2014)
203
Anexo VIII. Quadro de frequência (presença ou ausência) dos fatores que caracterizam o
estado de organização da rede C
Fator
Presença e
natureza da
Interdependência
Sinais da presença
e conteúdo de
Comprometimento
Sinais da presença
e conteúdo de
Confiança
Ator
Cooperativa
Ator
Banco
Ator
Construtora
1. Sinais da necessidade dos recursos de
um ator, recursos esses que o outro possui.
P
P
P
2. Troca de conhecimentos necessários de
um ator para outro.
P
P
P
3. Necessidade de contatos com entidades
reguladoras para resolver as exigências de
toda natureza (burocráticas, técnicas, sócio
ambientais).
4. Aceitação de ações coletivas como mais
importante que ações isoladas.
P
P
P
P
P
P
5. Consciência da necessidade de trabalho
conjunto para o desenvolvimento de
recursos coletivos.
P
P
P
6. Sinais da aceitação da existência de
custos para cada um na rede para que haja
um ganho coletivo.
P
A
A
1. Participar regularmente de reuniões e
decisões.
P
P
P
2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício
próprio.
P
P
P
3. Assumir responsabilidades de ações
conjuntas
P
P
P
4. Percepção entre os agentes quanto ao
cumprimento dos acordos.
P
P
P
5. Existência de promessas de
continuidade relacional entre os parceiros.
P
P
P
6. Sinais de disposição para continuidade
dos relacionamentos, mesmo em situações
em que sua opinião tenha sido descartada
ou que seja da minoria
1. Contar uma de suas fraquezas para
outros.
P
P
P
P
A
A
2. Assumir uma responsabilidade cuja
execução depende de outro.
P
A
A
3. Dispor seus recursos, de qualquer
natureza, para serem usados por outros,
sem necessidade de salvaguardas.
4. Sinais que um ator acredita e segue as
regras e metas estabelecidas na rede
mesmo sendo informais.
5. Sinais que um ator acredita na
integridade das pessoas que fazem parte da
rede.
P
A
P
P
P
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P
P
Indicadores
204
Presença e formas
de solução de
Assimetrias
Formas de
governança
1. Diferença de recursos investidos.
P
P
P
2. Diferença de objetivos.
P
P
P
3. Diferença de valores e ética.
A
A
A
4. Diferença de domínio tecnológico.
P
P
P
5. Modos de solução das diferenças
P
P
P
1. Regras sobre admissão e exclusão de
atores do grupo mais restrito.
P
P
P
2. Regras sobre penalidades.
P
P
P
3. Controle por autoridade, ou reputação
(de um ator mais poderoso, por exemplo).
P
P
P
4. Controles sociais (por exemplo,
existência de blogs, sites comunitários e
outros, com informações sobre os
participantes).
5. Regras sobre igualdade entre atores.
P
P
P
P
P
P
6. Regras para compras, trocas e entregas
de bens e serviços junto aos parceiros.
P
P
P
Fonte: Construção do autor (2014)
205
Anexo IX. Quadro de frequência (presença ou ausência) dos fatores que caracterizam o
estado de organização da rede D
Fator
Presença e
natureza da
Interdependência
Sinais da presença
e conteúdo de
Comprometimento
Sinais da presença
e conteúdo de
Confiança
Ator
Cooperativa
Ator
Banco
Ator
Construtora
1. Sinais da necessidade dos recursos de
um ator, recursos esses que o outro possui.
P
P
P
2. Troca de conhecimentos necessários de
um ator para outro.
P
P
P
3. Necessidade de contatos com entidades
reguladoras para resolver as exigências de
toda natureza (burocráticas, técnicas, sócio
ambientais).
4. Aceitação de ações coletivas como mais
importante que ações isoladas.
P
P
P
P
P
P
5. Consciência da necessidade de trabalho
conjunto para o desenvolvimento de
recursos coletivos.
P
P
P
6. Sinais da aceitação da existência de
custos para cada um na rede para que haja
um ganho coletivo.
P
A
N
1. Participar regularmente de reuniões e
decisões.
P
P
P
2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício
próprio.
P
A
P
3. Assumir responsabilidades de ações
conjuntas
P
P
P
4. Percepção entre os agentes quanto ao
cumprimento dos acordos.
P
P
P
5. Existência de promessas de
continuidade relacional entre os parceiros.
P
P
P
6. Sinais de disposição para continuidade
dos relacionamentos, mesmo em situações
em que sua opinião tenha sido descartada
ou que seja da minoria
1. Contar uma de suas fraquezas para
outros.
P
P
P
A
A
A
2. Assumir uma responsabilidade cuja
execução depende de outro.
P
A
A
3. Dispor seus recursos, de qualquer
natureza, para serem usados por outros,
sem necessidade de salvaguardas.
4. Sinais que um ator acredita e segue as
regras e metas estabelecidas na rede
mesmo sendo informais.
5. Sinais que um ator acredita na
integridade das pessoas que fazem parte da
rede.
P
A
P
P
P
P
P
P
P
Indicadores
206
Presença e formas
de solução de
Assimetrias
Formas de
governança
1. Diferença de recursos investidos.
P
P
P
2. Diferença de objetivos.
P
A
A
3. Diferença de valores e ética.
A
A
A
4. Diferença de domínio tecnológico.
P
P
P
5. Modos de solução das diferenças
P
P
P
1. Regras sobre admissão e exclusão de
atores do grupo mais restrito.
P
P
P
2. Regras sobre penalidades.
P
P
P
3. Controle por autoridade, ou reputação
(de um ator mais poderoso, por exemplo).
P
P
P
4. Controles sociais (por exemplo,
existência de blogs, sites comunitários e
outros, com informações sobre os
participantes).
5. Regras sobre igualdade entre atores.
P
A
A
P
P
P
6. Regras para compras, trocas e entregas
de bens e serviços junto aos parceiros.
P
P
P
Fonte: Construção do autor (2014)
207
Anexo X. Quadro de frequência (presença ou ausência) dos fatores que caracterizam o
estado de organização da rede E
Fator
Presença e
natureza da
Interdependência
Sinais da presença
e conteúdo de
Comprometimento
Sinais da presença
e conteúdo de
Confiança
Ator
Cooperativa
Ator
Banco
Ator
Construtora
1. Sinais da necessidade dos recursos de
um ator, recursos esses que o outro possui.
P
P
P
2. Troca de conhecimentos necessários de
um ator para outro.
P
P
P
3. Necessidade de contatos com entidades
reguladoras para resolver as exigências de
toda natureza (burocráticas, técnicas, sócio
ambientais).
4. Aceitação de ações coletivas como mais
importante que ações isoladas.
P
P
P
P
P
P
5. Consciência da necessidade de trabalho
conjunto para o desenvolvimento de
recursos coletivos.
P
P
P
6. Sinais da aceitação da existência de
custos para cada um na rede para que haja
um ganho coletivo.
P
A
P
1. Participar regularmente de reuniões e
decisões.
P
P
P
2. Ajudar a outro, mesmo sem benefício
próprio.
P
P
P
3. Assumir responsabilidades de ações
conjuntas
P
P
P
4. Percepção entre os agentes quanto ao
cumprimento dos acordos.
P
P
P
5. Existência de promessas de
continuidade relacional entre os parceiros.
P
P
P
6. Sinais de disposição para continuidade
dos relacionamentos, mesmo em situações
em que sua opinião tenha sido descartada
ou que seja da minoria
1. Contar uma de suas fraquezas para
outros.
P
P
P
A
A
A
2. Assumir uma responsabilidade cuja
execução depende de outro.
P
A
A
3. Dispor seus recursos, de qualquer
natureza, para serem usados por outros,
sem necessidade de salvaguardas.
4. Sinais que um ator acredita e segue as
regras e metas estabelecidas na rede
mesmo sendo informais.
5. Sinais que um ator acredita na
integridade das pessoas que fazem parte da
rede.
P
N
P
P
P
P
P
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P
Indicadores
208
Presença e formas
de solução de
Assimetrias
Formas de
governança
1. Diferença de recursos investidos.
P
P
P
2. Diferença de objetivos.
P
P
P
3. Diferença de valores e ética.
P
A
A
4. Diferença de domínio tecnológico.
P
P
P
5. Modos de solução das diferenças
P
P
P
1. Regras sobre admissão e exclusão de
atores do grupo mais restrito.
P
P
P
2. Regras sobre penalidades.
P
P
P
3. Controle por autoridade, ou reputação
(de um ator mais poderoso, por exemplo).
P
P
P
4. Controles sociais (por exemplo,
existência de blogs, sites comunitários e
outros, com informações sobre os
participantes).
5. Regras sobre igualdade entre atores.
P
A
A
P
P
P
6. Regras para compras, trocas e entregas
de bens e serviços junto aos parceiros.
P
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Fonte: Construção do autor (2014)
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Os estados de organização de redes de negócios