Currículos Integrados às Demandas Sociais: um Estudo das Grades Curriculares dos Cursos de Administração Autoria: Elizete Antunes Teixeira Nogueira, João Paulo de Brito Nascimento, Denise Bernardo Carneiro dos Reis, Diego Leão Teixeira, Geraldo Majela de Carvalho Resumo Nos últimos anos, a preocupação com a qualidade do ensino de Administração no Brasil tem despertado o interesse de pesquisadores e coordenadores de curso; principalmente quanto a inserção dos conceitos sócio-ambientais e de sustentabilidade nas grades curriculares. Nesse contexto, o objetivo desse trabalho foi verificar se os currículos dos cursos de Administração das instituições federais de ensino superior (IFES) do estado de Minas Gerais oferecem disciplinas que abordem conceitos relacionados a práticas sócio-ambientais e de sustentabilidade. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de caráter exploratório nas grades, ementas curriculares e nos conteúdos programáticos das mesmas. Os resultados demonstraram que, de forma geral, as IFES mineiras apresentam uma deficiência quanto a disponibilização de disciplinas que abordem questões sócio-ambientais e de sustentabilidade. No entanto, destaca-se o currículo da Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ) e, em seguida, o da Universidade Federal de Lavras (UFLA) que apresentam uma cognação entre o ensino da administração e as temáticas sociais e ambientais. E ainda que, a atualização dos currículos das mesmas se apresenta de forma estimável no que se refere à presença das dimensões criadas para esse estudo. 1 1 Introdução A postura das empresas no contexto social são temas de reflexão desde o seu surgimento. De um lado, encontram-se os defensores de que o objetivo das empresas se resume ao lucro. Para outros, as empresas adquirem a conotação de organismos vivos, ou de organizações, com missão, crenças e valores, que superem a busca simples pelo lucro. Essas diferenças de opiniões são os reflexos da mudança de valores na sociedade, o que gerou a necessidade da redefinição do papel das empresas (Ashley, 2005; Duarte; Dias, 1985 e Kassai, 2002). Aliás, a nova postura das empresas, baseada no resgate de princípios éticos e morais, ultrapassa a questão do bem-estar da comunidade à qual pertence e abrange a própria existência da organização, tornando-se uma questão de estratégia financeira e sobrevivência empresarial (Torres [s. d.]). Segundo Kassai (2002, p. 6), “para perpetuar-se, além de cumprir sua missão e buscar o lucro, ou atender a seus objetivos econômicos, a empresa precisa responder aos anseios do ambiente no qual está inserida, ou aos objetivos sociais”. Nesse sentido, evidencia-se a importância da realização de estudos que demonstrem a inserção dos conceitos sócio-ambientais e de sustentabilidade nas grades curriculares dos cursos de Administração. Segundo Marion (2001), a universidade ou qualquer instituição de ensino superior (IES) é o local apropriado para a constituição de conhecimento. Nessa ótica, considera-se que as IES, que oferecem o curso de Administração, devem proporcionar ao futuro profissional uma formação educacional mais interativa, a fim de contribuir com a capacidade de investigar, refletir, processar e resolver os problemas que serão encontrados durante sua vivência no mercado de trabalho. Desde que surgiu em 1938, no Brasil, o ensino da Administração passou por diversas fases, uma vez que as práticas administrativas almejaram maiores transformações, principalmente para além dos aspectos da gestão pública, onde teve sua origem. Essas mutações objetivaram a formação de profissionais capazes de enfrentar os problemas complexos, amplos e globais da realidade hodierna e aptos a exercerem criticamente seus papéis de cidadãos. Nesse sentido, sugere-se que as universidades, também, preparem o futuro administrador para lidar com empreendimentos solidários e com as mudanças e as inovações organizacionais, voltadas para a sustentabilidade ambiental, econômica e social das organizações. Dessa forma, o objetivo desse estudo é levantar quais aspectos estão sendo abordados quanto aos conceitos sócio-ambientais e de sustentabilidade nos currículos dos cursos de Administração das instituições federais de ensino superior (IFES) do estado de Minas Gerais, haja vista a importância de tais temáticas no contexto contemporâneo. 2 Referencial Teórico 2.1 O Ensino em Administração no Brasil Segundo Pizzinatto (1999), traços de estudos sistêmicos de administração no Brasil incidiam desde 1930. Ribeiro [s.d.], afirma que o início do ensino em administração se deu com a criação do Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT) e do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), em 1938, na “Era Vargas”. No entanto diversos autores dissertam que, a formação do administrador principiou a receber contornos relevantes na década de 1940, devido à necessidade crescente de mão-de-obra qualificada, justificada pela instalação das primeiras multinacionais no Brasil. Porém, o primeiro currículo especializado em administração surgiu apenas em 1952, através da Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (EBAP/FGV) no estado do Rio de Janeiro. Esse curso tinha características para formação de especialistas a atuarem na área pública. Posteriormente, em 1954, foi fundada a Escola de 2 Administração de Empresas de São Paulo (EAESP/FGV), também da Fundação Getulio Vargas, para ministrar o curso de Administração de Empresas (Martins 1989). A implantação dos cursos de Administração se apresenta como uma das fases de desenvolvimento do ciclo de modernização, que estava instalado, no contexto brasileiro da época. Podem-se relacionar tais motivações ao caráter de especialização e uso acentuado da técnica, suscitando de forma imprescindível a presença de profissionais para as distintas funções das atividades empresariais e, principalmente, dos cargos públicos (Couvre, 1982). Com a homologação da Lei nº 4.769, de 9 de setembro de 1965, instaurou-se legalmente o exercício da profissão do administrador diplomado no Brasil, em cursos regulares de ensino superior reconhecido. Sucessivo à regulamentação da profissão, o Conselho Federal de Educação (CFE) instaurou o primeiro currículo mínimo do curso de Administração por meio do Parecer nº 307/66, aprovado em 8 de julho de 1966. Por ele foi deliberado o núcleo de matérias e estimado o período ínfimo para uma apropriada formação profissional (Conselho Federal de Administração [CFA], 2007). Após essas regulamentações, procurou-se constituir organismos que norteassem a atividade profissional dos formandos em administração. Surgiram, então, os Conselhos Regionais, que segundo Martins (1989), tinham a função de fiscalizar a atuação da profissão e emitir as carteiras profissionais. Ainda nesse período, preocupada com os grandes avanços tecnológicos e a modernização de todo o sistema, a Secretaria de Ensino Superior (SESU) do Ministério da Educação (MEC) criou um grupo de trabalho para discussão sobre a reformulação curricular dos cursos Administração. Esse trabalho resultou na Resolução CFE 03 de 1993, que homologou as diretrizes para os cursos de administração. Essa resolução apresentou como destaque a disponibilização de espaço para adequações curriculares às necessidades regionais, por meio da formação complementar e do estágio supervisionado (Pizzinatto, 1999). Em um contexto recente, novas diretrizes e pareceres aos cursos de Administração foram emitidos pela Câmara de Ensino Superior (CES) do Conselho Nacional de Educação (CNE), das quais a Resolução CES/CNE nº 04/2005 está em vigência. Essa resolução possibilita maior autonomia às Instituições de Ensino Superior (IES) na definição dos currículos de seus cursos. Também, suprime o caráter de especialização que os cursos de graduação em Administração estavam recebendo, devido a enfatização a determinadas disciplinas e áreas de formação. Ressalta-se, ainda, que pelas novas diretrizes há flexibilidade na elaboração de um modelo pedagógico, que pode adaptar-se à dinâmica da sociedade que a instituição está inserida e as rápidas transformações que ocorrem no atual momento. Enfim, percebe-se que o ensino da administração, no Brasil, desde sua origem sofreu várias transformações, resultando na abdicação da estaticidade inicial para envolver-se em um dinamismo que é característico dos dias atuais. O impulso da tecnologia no desenvolvimento, por exemplo, requer uma constante modernização das ações educacionais, perante as modificações que se sucedem, principalmente em nível das técnicas, das ciências, da organização e do controle do processo de trabalho. A propósito, as novas exigências da sociedade, frente aos atuais e futuros problemas sociais e ambientais, também vêm contribuindo para que o ensino de Administração evolua e se volte para a inclusão desses temas no seu cotidiano. 2.2 Novas Abordagens para a Formação do Administrador: Sustentabilidade, Economia Solidária, Responsabilidade Social e Empreendedorismo. As mudanças são constantes em um contexto de mercados e vivências globais, exigindo assim, uma nova postura dos seus atores sociais, principalmente em relação a busca por soluções dos problemas que tendem a restringir o crescimento econômico, social e cultural. O desenvolvimento sustentável, pautado em questões sócio-ambientais, já é abordado 3 por diversos especialistas como sendo uma das soluções para que a humanidade não se prejudique, em proporções ainda maiores, com os impactos reativos às questões do meio ambiente e da sociedade. Gonçalves-Dias et al (2006, p.1.) entende que “na formação para o exercício da gestão, vários são os apelos para se introduzir as discussões ambientais nos conteúdos programáticos dos cursos de graduação em Administração” e ainda que: A formação de administradores é um dos campos da educação nos quais os desafios de mudança do comportamento ambiental se apresentam de maneira mais decisiva. Muitos dos egressos da graduação em Administração [...] ocuparão em alguns anos cargos de liderança nas empresas e terão, em maior ou menor grau, capacidade de influência por meio da criação e implementação de diferentes estratégias de gestão (Gonçalves-Dias et al, 2006, p.3.). Desse modo, o processo de formação do futuro administrador motiva uma demanda ao incremento de temáticas de sustentabilidade, seja ela ambiental ou social, no intuito de gerar uma visão sistêmica dos aspectos sociais, econômicos, políticos, culturais, ambientais e a capacidade de administrá-los para a satisfação das necessidades do mundo contemporâneo, e na suposição de que esta satisfação não coloque em risco o direito das gerações futuras atenderem as suas necessidades (Buarque, 2000). Para Delors et al (2001, p. 35.), as políticas educacionais são consideradas “um processo permanente de enriquecimento dos conhecimentos, do saber-fazer, mas também e talvez em primeiro lugar, como uma via privilegiada de construção da própria pessoa, das relações entre indivíduos, grupos e nações”. Em 1999, com a Lei nº 9795, foi instituída a Política Nacional de Educação Ambiental no Brasil. A mesma homologou a obrigatoriedade de se trabalhar a temática ambiental, basicamente o meio-ambiente, a preservação e conservação de recursos naturais, bem como a conscientização e estruturação do desenvolvimento sustentável (Pizzinatto, 1999). Atualmente, a temática sobre educação ambiental se tornou mais abrangente, inserindo nela o ambiente social e todos os seus aspectos, já que o mesmo é agente e padece, agora de forma mais tendenciosa e alarmante, as reações do ambiente natural. Está se ampliando uma cultura de discussões e ações sobre o tema em todos os setores e níveis sociais, ocasionando até o surgimento de programas específicos direcionados para a comunidade. A sustentabilidade passa a ser um dos principais assuntos que se tem debatido por esses setores e classes, porém, ainda, não se tem um consenso sobre o seu conceito exato. De acordo com a ótica de Almeida (2002, citado por Tinoco; Kraemer, 2004, p. 130) “a sustentabilidade exige uma postura preventiva, que identifique tudo o que um empreendimento pode fazer de positivo – para ser maximizado – e de negativo – para ser minimizado”. Deste modo, a sustentabilidade deve ser percebida sob dois aspectos complementares: o sistêmico e o gerencial. No aspecto sistêmico, a aplicação é dirigida para a inserção política, a confiabilidade e o fortalecimento da base social das organizações, os quais são fatores categóricos para sua disposição de estimular métodos de mudanças sociais e ambientais relevantes e duradouras. Quanto ao aspecto gerencial, são ressaltados os desafios da gestão e das condições de eficácia e eficiência das organizações e seu comportamento com a utilização ótima dos recursos disponíveis (Armani; [s.d.]). No âmbito da sustentabilidade social, têm surgido formas inovadoras de atividades que geram resultados através da cooperação, paridade e inclusão social. Nessa ótica destaca-se a economia solidária, que compreende diversas práticas de atividades econômicas dentro de um contexto macro, porém em um formato reinventado para um desempenho sustentável. 4 A economia solidária é considerada um modo específico de organização de atividades econômicas, sendo caracterizada pela autonomia de cada unidade ou empreendimento e pela igualdade entre os seus membros. Rattner (2005), considera que a economia solidária determina, além do incremento de sua base objetiva, um alto grau de conscientização e motivação por parte de sua população, movida por princípios éticos e valores de compaixão e solidariedade. Enfatiza-se na economia solidária a sua finalidade multidimensional, isto é, engloba a dimensão social, econômica, política, ecológica e cultural (Mance, 2002). Diante desses novos paradigmas, torna-se necessário uma nova postura por parte de todos os tipos de organizações para que uma nova filosofia de convívio social seja implantada. As empresas estão e serão as mais cobradas a efetivar e incentivar mudanças de postura dentro do contexto social, econômico, cultural e ambiental, pois as mesmas influenciam a conduta e o formato de como a humanidade evolui. Daí o escopo de adotarem atitudes socialmente responsáveis. Ashley (2005), entende que a responsabilidade social suscita uma série de interpretações. O Instituto Ethos (2007) define que: Responsabilidade social é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. A responsabilidade social seria uma espécie de comprometimento que a empresa adquire junto à sociedade com o singular desígnio de maximizar os efeitos positivos e minimizar os impactos contrários gerados por ela. Incide no desenvolvimento econômico, social e ambiental através do comportamento ético nos negócios. Implica que a tomada de decisões empresariais sejam resultado da reflexão sobre os impactos na qualidade de vida de todos que sejam afetados pela operação da empresa resultando em uma atuação apropriada pelo bem estar social e ambiental (Ashley, 2005). Nessa conjuntura, ascende, também, a discussão quanto à postura empreendedora do indivíduo e, em especial, a dos administradores. Reinventar, criar, mudar, inovar tornam-se, palavras de ordem, dentro desse atual momento, que Joseph Schumpeter (1950) deixa tácito como sendo características de indivíduos e gestores empreendedores (Wikipédia, [s.d.]). 3 Metodologia Visto que o objetivo desta pesquisa foi levantar a inserção dos conceitos sócioambientais e de sustentabilidade nos cursos de Administração em Minas Gerais, esta pesquisa apresenta caráter exploratório. De acordo com Malhotra (2001), as pesquisas exploratórias têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito, obter dados adicionais antes que se possa desenvolver uma abordagem ou a construir hipóteses. E também pela possibilidade de assumir características tanto qualitativas, quanto quantitativas. Os dados foram coletados através das grades e ementas curriculares dos cursos, por meio de Internet, e tabulados de acordo com a instituição de ensino superior, as disciplinas ofertadas por período e as suas ementas. Segundo Marconi; Lakatos (2005), para a escolha de um tema de pesquisa devem ser observados os critérios de originalidade, relevância, viabilidade, exeqüibilidade e oportunidade. A originalidade está na tentativa de desvendar se os conceitos sócio-ambientais e de sustentabilidade estão presentes nos currículos dos cursos de Administração das IFES de 5 Minas Gerais. Já a relevância do tema está no crescente envolvimento das empresas brasileiras em atividades de responsabilidade social e na necessidade de se debater essa temática nas IES. Entretanto, carece levantar se os egressos das IFES mineiras possuem formação para dar suporte ao processo de tomada de decisão no ambiente empresarial voltado para questões ambientais e sociais. E em relação à exeqüibilidade e oportunidade, o estudo envolverá as IFES mineiras que oferecem bacharelado em Administração. Justifica-se tal escolha pela familiaridade dos autores com pesquisas envolvendo esse tema. A pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias externas, teve como principais fontes as publicações em livros, teses e internet, utilizadas, no momento inicial, para identificar a relevância da pesquisa e os trabalhos publicados sobre o tema (Malhotra, 2001). A pesquisa documental utilizada foi de fonte principal contemporânea e teve como principais tipos de documentos os escritos oficiais e parlamentares. Foram criadas dimensões envolvendo temáticas sócio-ambientais e de sustentabilidade, que são abordadas nas análises e apresentadas na figura a seguir: Dimensão Institucional Engloba os conceitos de avaliação social de projetos, responsabilidade social das organizações, gestão de empresa do terceiro setor, aspectos sociais no âmbito geral, balanço social e ambiental, custos em organização sem fins lucrativos, custos sociais e ambientais, OSCIPs, marketing verde e social, avaliação de riscos sociais, teoria dos stakeholders e governança corporativa. Dimensão Ambiental Avaliação ambiental de projetos, aspectos ambientais no âmbito geral, discussão envolvendo a crise ambiental contemporânea, organização interativa com o meio ambiente, gestão e política ambiental, estudos de impactos ambientais, avaliação de riscos ambientais e agroecologia. Dimensão Econômica Dimensão Social Cooperativa e Economia Solidária. Dimensão Empreendedora Engloba os conceitos e aspectos de empreendedorismo. Figura 01 Dimensões abordadas para análises Fonte: Elaborado pelos autores (2007). 3.1 Caracterização da Amostra Estudada A pesquisa realizada envolveu, inicialmente, as 14 (catorze) IES públicas do estado de Minas Gerais, as quais dispunham em web site as informações relativas às grades curriculares de seus cursos de Administração. Contudo, devido à indisponibilidade de acesso a informações complementares, tais como, ementas curriculares e conteúdo programático das 6 disciplinas ofertadas. Portanto, limitou-se as análises em apenas 7 (sete) dessas instituições. Essa amostra abrange 70%(setenta por cento) da totalidade de IFES que oferecem o curso de Administração no estado de Minas Gerais. Na tabela 01, apresentam-se algumas características dos cursos de Administração ministrados pelas IFES analisadas. Tabela 01 Características da amostra Prazo Mínimo para Instituições Conclusão do curso (Anos) 4,5 (Integral)/ UFJF 5(Noturno) UFLA 4 4(Integral)/ UFMG 5(Noturno) UFSJ 4 UFU 5 UFV 4 UNIFEI 5 Fonte: Dados da Pesquisa (2007). Vagas Oferecidas Anualmente Período do Curso Conceito ENADE 2006 80 Integral/Noturno 5 60 Integral 4 100 Integral/Noturno 5 80 80 60 35 Integral/Noturno Noturno Noturno Noturno 5 5 4 5 Última Atualização do Currículo 2007 1996 2007 2006 2006 A maioria das IFES possui o período do curso em turno noturno, com duração, em média, de quatro anos para a maioria das instituições. Em geral, há mais de 30 alunos por sala de aula. Vale ressaltar que, em 5 (cinco) instituições, os cursos auferiram conceito máximo no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) 2006 e que houve atualizações dos currículos de algumas IFES recentemente. Nota-se a falta de informações nos dados de 2 (duas) instituições. 4 Análise dos Resultados e Discussões A metodologia de análise dos currículos dos cursos de Administração das IFES públicas de Minas Gerais baseou-se em quatro dimensões definidas pelos pesquisadores, que são: Institucional, Ambiental, Econômica e Empreendedora. Assim, foram analisados conceitos sócio-ambientais e de sustentabilidade inseridos nas disciplinas ofertadas e classificadas nas dimensões mencionadas. Os resultados demonstraram que, de forma geral, as IFES de Minas Gerais apresentam uma carência quanto a disponibilização de disciplinas que acercam questões sócio-ambientais e de sustentabilidade. Porém, o currículo do curso de Administração da Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ), destaca-se quanto à incorporação dos conceitos sócio-institucionais e, em seguida, o da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Questões envolvendo a administração empresarial e sua relação com o desenvolvimento da comunidade, onde a empresa se localiza, bem como a administração de instituições sem fins lucrativos, de forma geral, tem recebido maior atenção nas últimas décadas. A redefinição do papel da empresa, que agora incorpora aos seus objetivos questões sociais e ambientais, tem contribuído para a inserção dos novos métodos de gestão nas grades curriculares do curso de administração. Observa-se que todas as IFES pesquisadas contemplam em seus currículos os conceitos da dimensão institucional. Os currículos da UFSJ e da UFLA, respectivamente, destacam-se, também, no que se refere à inserção dos conceitos da dimensão ambiental. E ainda que, apenas duas instituições têm um pequeno enfoque nas questões ambientais. Atualmente, o crescimento econômico 7 começa a ser atrelado à preservação do meio ambiente. É comum a divulgação de projetos para preservação ambiental que recebem apoio de organizações públicas e privadas, resultando em melhor visibilidade das empresas e seus administradores. Quanto à dimensão empreendedora e econômica, observa-se que a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) apresenta melhor performance em relação às outras IFES. Quanto à inserção dos conceitos de empreendedorismo e novos desempenhos econômicos, ressalta-se a importância do debate envolvendo a criação e a sustentabilidade de novos negócios. Por último, a dimensão econômica, com enfoque no cooperativismo e na economia solidária, é a que possui menor enfoque. O Gráfico 01 expõe os resultados encontrados: 10,00 9,00 8,00 7,00 6,00 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 UFJF UFLA Dimensão Institucional UFMG Dimensão Ambiental UFSJ UFU Dimensão Empreendedora UFV UNIFEI Dimensão Econômica Gráfico 01 Perfil das IFES mineiras quanto a adoção das dimensões sociais Fonte: Dados da pesquisa (2007). Ao relacionar os dados auferidos com o conceito do ENADE, pode-se observar que a mesma não está relacionada com a abordagem de conceitos e questões sócio-ambientais e de sustentabilidade nos currículos das IFES, haja vista o baixo desempenho das mesmas nas dimensões apresentadas na análise. No entanto, a atualização dos currículos dos cursos de administração está fortemente relacionada com a presença das dimensões estudadas. 5 Considerações Finais Analisando os currículos dos cursos de Administração das IFES mineiras verificou-se que os cursos de Administração apresentam nos seus currículos uma deficiência quanto à adoção de disciplinas voltadas para as novas questões sócio-ambientais e de sustentabilidade. Ressalta-se que o currículo do curso de Administração da UFSJ (2007) e o da UFLA (2007) apresentam ênfase nas disciplinas com propostas de formação voltada para aos conceitos sócio-ambientais e de sustentabilidade, auferindo assim um melhor desempenho nas dimensões abordadas nessa pesquisa. Destarte, a UNIFEI (2006) é a instituição que conseguiu melhor desempenho nas dimensões empreendedora e econômica. Essas instituições caminham em consonância maior com as recentes regulamentações dos cursos de Administração. Entretanto, a formação e o avanço da consciência ambiental caminha por trilhas tortuosas, o que exige do campo de conhecimento e ensino em Administração novos esforços no sentido de compreender por “onde e a quantas anda” as abordagens sócio-ambientais e de sustentabilidade na formação dos futuros administradores. 8 Já que, a sociedade em geral tende a demandar a formação dos profissionais de Administração com consciência quanto a sua inserção cultural na dinâmica histórica da sociedade. E, ainda, quanto ao conhecimento e avaliação dos impactos econômicos, sociais e ambientais de suas decisões, atuando como promotores do conceito de organizações como redes sociais vivas, ecológicas e solidárias, enquanto condição para a sustentabilidade em todas as suas esferas. Espera-se que, os resultados desse trabalho tracem o perfil das IFES de Minas Gerais, bem como demonstrem a importância da inserção de debates envolvendo as dimensões sócioambientais e de sustentabilidade nos currículos dos cursos de Administração. Para futuros trabalhos sugere-se um estudo mais abrangente e aprofundado das dimensões apresentadas, assim como comparações dos currículos de IFES de outras regiões, levantando as diferenças dos enfoques dados às dimensões sócio-ambientais e de sustentabilidade nas IES públicas e privadas. 6 Referências Bibliográficas ARMANI, D.. O desenvolvimento institucional como condição de sustentabilidade das ONGs no Brasil. Disponível em: < www.aids.gov.br/final/biblioteca/sustenta/desenvol.htm> Acesso em: 10 de Junho de 2007. ASHLEY, P. A. - Coordenação. Ética e responsabilidade social nos negócios. 6 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. BUARQUE, S. C.. Material didático. Disciplina “Tecnologias de gestão do desenvolvimento local”. 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