COPYRIGHT © 2006 POR
CARLOS OSVALDO CARDOSO
PINTO
Revisão
João Guimarães
Regina Aranha
Projeto gráfico
Patricia Caycedo
1ª edição – Julho - 2006
Gerente editorial
Juan Carlos Martinez
Coordenadordeprodução
Mauro W. Terrengui
Impressão e acabamento
Imprensa da Fé
Todos os direitos desta edição reservados
à EDITORA HAGNOS
Av. Jacinto Julio, 620
São Paulo - SP - 04815-160
Tel/Fax: (xx11) 5668-5668
e-mail: [email protected]
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso
Foco e desenvolvimento no Antigo Testamento : estruturas e
mensagens dos livros do Antigo Testamento / Carlos Osvaldo
Pinto. – São Paulo: Hagnos, 2006.
ISBN 85-89320-83-9
Bibliografia.
1. Bíblia. A.T. - Crítica e interpretação
2. Bíblia. A.T. - Teologia
3. Bíblia. A.T. Pentateuco - Teologia I. Título.
05-7034
CDD-221.6
Índices para catálogo sistemático:
1. Antigo Testamento : Teologia 221.6
Agradecimentos
AGRADECIMENTOS
C
omo muitos estudantes de teologia, minha
percepção dos livros do Antigo Testamento durante
os anos iniciais de estudo, era fragmentária e
fragmentada.
A atenção era voltada para passagens específicas (geralmente extraídas a fórceps de seus contextos maiores)
e raramente se estendia a mais do que um breve tema
genérico quando se tratava do assunto dos livros sagrados. Os estudos para o mestrado em teologia no
Seminário Teológico de Dallas me despertaram para a
percepção do conceito de gênero intrínseco de peças literárias. Diretamente responsável por isso foi o Dr. Elliott
E. Johnson, que me apresentou aos livros de Edward
D. Hirsch - fundamentais para solidificar a crença na
unidade e no propósito literário-teológico de cada livro
das Escrituras. Muito obrigado, Dr. Johnson, pelo investimento e pela paciência com que suportou meus apartes
e questionamentos.
V
Fo c o e D e s e n vo lv i m e n t o
VI
no A nt igo Test a mento
Os estudos para o doutorado, também em Dallas, me
apresentaram a duas lendas vivas da exposição bíblica,
J. Dwight Pentecost e Stanley D. Toussaint. Esses queridos mestres trabalharam e moldaram minhas tentativas
ainda inseguras de macro-exposição de livros inteiros
(tanto no Antigo quanto no Novo Testamento). Devo a
eles o impulso de concentrar nessa área a minha atenção
durante os estudos no doutorado. Muito obrigado, mestres, pelo desafio que suas vidas representam.
Na preparação de minha dissertação de doutorado,
o Professor Donald R. Glenn me desafiou a investigar
mais a fundo a questão da estrutura literária dos livros
do Antigo Testamento, particularmente Isaías. Por indicação dele encontrei nos artigos e no livro de David
A. Dorsey - The Literary Structure of the Old Testament 1
- o ímpeto para investigar e valorizar a estrutura como
parte da mensagem de cada livro do Antigo Testamento.
Obrigado, Prof. Glenn por me questionar constantemente e me aperfeiçoar em raciocínio e conclusão.
Por fim, minha querida família merece minha constante gratidão. Pais que me permitiram o estudo, esposa
que encorajou nas horas de desânimo com a lentidão
do processo autoral, e fi lhas que alegraram o ambiente
(e me massagearam os ombros enquanto enfrentava o
computador), vocês todos são bênçãos de Deus em minha vida.
Carlos Osvaldo Cardoso Pinto, Ph.D.
Natal 2005
1
Este livro permeia toda a investigação de Foco e Desenvolvimento, de tal
modo que é mais prático registrar aqui minha dívida para com Dorsey,
do que citar, a cada livro, a sua influência sobre esta obra. Apesar de
discordâncias ocasionais, recomendo fortemente The Literary Structure of
the Old Testament a todo estudante das Escrituras.
Prefácio
PREFÁCIO
O
autor deste volume oferece ao estudante sério das
Escrituras uma riqueza de material com o qual
aprofundar seu estudo, de modo a compreender o
que cada autor bíblico queria comunicar a seus leitores.
Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento oferece a
seus leitores material de apoio de tal ordem que o livro
estudado pode ser bem entendido em seu contexto histórico e literário. A seguir, desenvolve o pensamento do
autor em vista a mensagem que ele desejou comunicar
a seus leitores. Oferece a seguir um esboço sintético de
cada livro; esse esboço é de tal modo detalhado que o
leitor pode, com facilidade, seguir a linha de raciocínio
do autor bíblico.
Fruto de anos de estudo e ensino do Antigo Testamento,
Foco e Desenvolvimento, traz as marcas de investigação
cuidadosa e de uma compreensão acurada tanto da
forma quanto da mensagem e da teologia da revelação
inicial de Deus.
VII
Fo c o e D e s e n vo lv i m e n t o
VIII
no A nt igo Test a mento
Este volume oferecerá os alicerces de um estudo constante do texto do Antigo Testamento. Conquanto não
seja um comentário das Escrituras, conduz o leitor a um
conhecimento mais integral da Palavra de Deus, e complementa os comentários já existentes. Eu recomendo
Foco e Desenvolvimento no Antigo Testamento como uma
ferramenta valiosa para o estudo da Bíblia Sagrada.
J. Dwight Pentecost
Professor Catedrático Emérito de Exposição Bíblica
Seminário Teológico de Dallas
Introdução
INTRODUÇÃO
E
sta obra é fruto de muitas influências e de uma
visão de vida - equipar expositores. Ela reúne
características de obras de introdução, de história
bíblica, e de comentários. Sua ênfase não é resumir em
um esboço temático cada livro do Antigo Testamento, e
sim oferecer uma percepção de como cada mensagem foi
estruturada e desenvolvida.
É nesse sentido que a palavra Argumento foi usada
nesta obra. Além disso,incluí nos argumentos de alguns
livros, uma breve exposição de como Deus é ali apresentado.
O leitor logo descobrirá que alguns livros foram objeto de atenção especial, recebendo tratamento teológico
mais completo. Isso reflete ênfases particulares em meu
ministério de ensino no Seminário Bíblico Palavra da
Vida. Dediquei mais espaço ao livro de Salmos, para o
qual ainda espero publicar um complemento, por assim
dizer, com os esboços sintéticos de cada um dos poemas
hebraicos.
IX
Fo c o e D e s e n vo lv i m e n t o
X
no A nt igo Test a mento
O objetivo de Foco e Desenvolvimento no Antigo
Testamento não é o púlpito (i.e., não é um livro de esboços
de sermão), mas o escritório, particularmente aquelas
longas horas em que buscamos, como expositores, tornar
nossas a história em que cada livro se insere e a mensagem que ele comunica.
Assim, Foco e Desenvolvimento é dedicado aos homens e mulheres que, em contextos de igreja, lar ou escola, buscam expor a Palavra de Deus com integridade e
esmero, para a salvação de vidas e a edificação da Igreja.
Abreviaturas
ABREVIATURAS
AB
ARA
BASOR
BDB
BHS
BKCOT
BSac
DITAT
EBC
GKC
GTJ
HALOT
JBL
JETS
JSOT
JSOTSup
Anchor Bible
Versão Revista e Atualizada de Almeida,
Sociedade Bíblica do Brasil
Bulletin of the American Society of
Oriental Research
F. Brown, S. R. Driver, and C. A. Briggs,
Hebrew and English Lexicon of the Old
Testament
Biblia Hebraica Stuttgartensia
Bible Knowledge Commentary—Old
Testament
Bibliotheca Sacra
Dicionário Internacional de Teologia do
Antigo Testamento
Frank E. Gaebelein (ed. geral)
Expositor’s Bible Commentary
Gesenius’ Hebrew Grammar, ed. E.
Kautzsch, tr. A. E. Cowley
Grace Theological Journal
Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old
Testament
Journal of Biblical Literature
Journal of the Evangelical Theological
Society
Journal for the Study of the Old
Testament
Journal for the Study of the Old
Testament—Supplement Series
XI
Fo c o e D e s e n vo lv i m e n t o
XII
no A nt igo Test a mento
KJV
LXX
NCB
NICOT
NIDOTTE
NVI
OTL
SCB
TDOT
TM
VT
WBC
WTJ
Versão Autorizada Inglesa de 1611.
Septuaginta, versão grega do Antigo
Testamento
New Century Bible
New International Commentary on the
Old Testament
Wilhelm van Gemeren (ed. geral)
New International Dictionary of Old
Testament Theology and Exegesis
Nova Versão Internacional
Old Testament Library
Série Cultura Bíblica
G. J. Botterweck and H. Ringgren
(eds.), Theological Dictionary of the Old
Testament
Texto Massorético
Vetus Testamentum
Word Biblical Commentary
Westminster Theological Journal
Indice
Í nd ice
agradecimentos
prefácio
introdução
abreviaturas
V
VII
IX
XI
Um a abordage m te ológ ic a do pe nt ateuco
17
O a rg u me nto de G ê ne si s
21
31
Esboço sintético
O a rg u me nto de Êxo do
Esboço sintético
O a rg u me nto de L ev ít ico
Esboço sintético
O a rg u me nto de Nú mero s
Esboço sintético
O a rg u me nto de D e uteronôm io
Esboço sintético
O a rg u me nto de Jo sué
Esboço sintético
O a rg u me nto de Ju í z e s
Esboço sintético
O a rg u me nto de Rute
Esboço sintético
O a rg u me nto de 1 S a mue l
Esboço sintético
O a rg u me nto de 2 S a mue l
Esboço sintético
O a rg u me nto de Rei s
Esboço sintético
O a rg u me nto de Crôn ic a s
Esboço sintético
O a rg u me nto de E s d ra s
Esboço sintético
O a rg u me nto de Ne e m i a s
Esboço sintético
O a rg u me nto de E st e r
Esboço sintético
O a rg u me nto de Jó
Esboço sintético
59
72
89
101
121
140
159
180
197
211
219
234
241
249
253
276
281
298
307
329
355
370
381
397
401
412
417
425
429
437
XIII
Fo c o e D e s e n vo lv i m e n t o
XIV
no A nt igo Test a mento
O a rg u me nto de S a l mo s
Lamento do indivíduo (LI)
Lamento da nação (LN)
Louvor declarativo do indivíduo (LDI)
Louvor declarativo da nação
Salmos de louvor descritivo
Salmos didáticos
O a rg u me nto de Provérbio s
Esboço sintético
O a rg u me nto de E c le si a st e s
Esboço sintético
O a rg u me nto de C â nt ico do s c â nt ico s
Esboço sintético
O a rg u me nto de I s a í a s
Esboço sintético
O a rg u me nto de Jer e m i a s
Esboço sintético
O a rg u me nto de L a me nt açõ e s
Esboço sintético
O a rg u me nto de Ez e qu iel
Esboço sintético
O a rg u me nto de Da n iel
Esboço sintético
O a rg u me nto de O s é i a s
Esboço sintético
O a rg u me nto de Jo el
Esboço sintético
O a rg u me nto de A mó s
Esboço sintético
O a rg u me nto de O bad i a s
Esboço sintético
O a rg u me nto de Jon a s
Esboço sintético
O a rg u me nto de M iq ué i a s
Esboço sintético
O a rg u me nto de Nau m
Esboço sintético
O a rg u me nto de Habac uque
Esboço sintético
O a rg u me nto de S ofon i a s
Esboço sintético
O a rg u me nto de Age u
Esboço sintético
O a rg u me nto de Z ac a r i a s
Esboço sintético
O a rg u me nto de M a l aq u i a s
Esboço sintético
Bi bl iog ra f i a
449
462
466
469
472
474
478
503
510
553
571
577
585
589
597
619
629
641
647
651
660
667
682
693
698
707
711
715
721
729
732
735
741
745
750
753
757
761
765
769
774
777
783
785
790
795
800
803
17
Uma ab ordagem teológica do
PENTATEUCO
Importância do assunto
O
Pentateuco aparece em primeiro lugar em todos os arranjos do
cânon do Antigo Testamento. Isto confi rma a premissa de que
esses cinco livros são fundamentais para o estudo e a compreensão
de todos os demais. A teologia presente nas narrativas, prescrições e
discursos desses cinco documentos oferece padrões ou modelos (não
moldes) pelos quais as estruturas teológicas dos demais livros devem ser
observadas e formuladas.
NECESSIDADES DESTE ESTUDO
É necessário ao estudante de teologia do Antigo Testamento possuir
um conhecimento mínimo do contexto histórico e da forma literária dos
documentos que o compõem. Idéias pré-concebidas sobre o Pentateuco e
divulgadas tanto na esfera popular quanto na acadêmica tornam ainda mais
imperioso tal conhecimento.
Contexto histórico
A Bíblia afi rma direta e indiretamente que seus cinco primeiros livros foram escritos por Moisés (cf. Êx 17.14; Nm 33.1, 2; Dt 31.9; 2 Rs 21.8; Mt 19.7).
Israel estivera escravizado no Egito por mais de 400 anos e fora submetido
a uma massacrante lavagem cerebral politeísta. Nada, a não ser a revelação
divina, seria capaz de quebrar a crosta de paganismo que envolvia não apenas a história do povo israelita, mas a própria cosmogonia e uma fi losofia da
história.
Os livros receberam sua forma mosaica fi nal nas campinas de Moabe,
por volta do ano 1445 a.C., pouco antes de Israel entrar na terra de Canaã e
assumir sua plena condição como nação independente.
Sem dúvida, Moisés foi mais que um autor. Ele foi o sintetizador de tradições
orais (e quem sabe escritas) que remontavam ao tempo dos patriarcas. Seus
cinco livros deram a Israel a perspectiva divina sobre o surgimento do universo
Fo c o e D e s e n vo lv i m e n t o
n o A n t i g o Te s t a m e n t o
18
e da nação israelita, bem como sobre o papel que ela desempenharia no plano
de Deus. Tais noções eram fundamentais na hora crítica em que Israel se
defrontaria com a mais idólatra e imoral das antigas culturas do Oriente
Médio.
Forma literária
Apesar de constituir uma unidade em seu propósito fundamental de instruir o povo israelita quanto a suas origens e razão de ser (conferir o nome
hebraico dado à coleção, Lei hr* o T, Tor>, os cinco livros de Moisés são muito
mais do que simples lei. A parte estritamente legal do Pentateuco limita-se
a porções de Êxodo 20–40, Levítico e porções de Números. Deuteronômio,
embora contendo material legislativo, é formalmente identificado com
os tratados de suserania do segundo milênio a.C., que continham (como
acontece com Deuteronômio) uma seção de preceitos pactuais.1 O restante
é narrativa didático-teológica. O fi m desse material didático-teológico é
fornecer a Israel uma visão do mundo e uma fi losofia de história.
PRESSUPOSIÇÕES DESTE ESTUDO
A respeito de Deus
É necessário pressupor a existência de Deus como ser eterno, independente e coerente em Seu caráter e propósito. Deus se comunicou de forma
inteligível, coerente e compatível com a condição humana (isto é cultural e
historicamente localizado, apesar de supra-histórica em sua validade).
A respeito da revelação
A revelação tem como propósito dar a conhecer Deus e Seu propósito. Esta
revelação é proposicional, pois é necessário à criatura mais do que perceber
o evento (ou o ciclo de eventos), mas entender seu verdadeiro significado; é
necessário à criatura saber mais do que o nome de seu Criador, mas também
entender Seus propósitos. Por essa razão, o Pentateuco contém narrativa
(evento) e interpretação (lei ou discurso).
1
Para um tratamento da data de Deuteronômio veja Gleason L. Archer, Merece Confiança o Antigo
Testamento?, pp. 283-293 e J. A. Thompson, Deuteronômio. Introdução e Comentário, Série Cultura
Bíblica.
O pentateuco
A respeito de um centro
Há décadas os teólogos bíblicos contendem com a idéia de um centro
teológico que abranja toda a teologia do Antigo Testamento (os mais famosos são aliança e promessa).2 Sem pretender lançar uma nova idéia que
suplante todas as demais, esta obra entende que é mais sensato seguir
o exemplo de Georg Fohrer e propor não um único centro (como num
círculo), mas dois focos (como numa elipse) que sirvam como lentes para
o estudo da teologia vétero-testamentária. Fohrer propôs os conceitos de
domínio de Deus e comunhão com Deus como seus focos.
Os focos que proponho nesta obra são semelhantes, e enfatizam uma
preocupação com o conceito do reino mediatório de Deus na história.
Assim, conforme o gráfico abaixo, os focos são a restauração da soberania
mediada de Deus e o bem estar da criatura debaixo da autoridade de Deus
para a Sua glória.
Estes conceitos são amplos o suficiente para englobar as idéias de promessa
e aliança, bem como outras de caráter específico (e.g., Yahweh, o Deus guerreiro, proposto por Tremper Longman) e outras mais gerais (a idéia tradicional
do dispensacionalismo, a glória de Deus, e a do calvinismo, salvação).
Antigo Testamento
Recuperação da soberania mediada
Bem estar da criatura sob a autoridade e para glória de Deus
Esta idéia reflete a prioridade lógica e cronológica do relato da criação
em Gênesis 1 e 2,3 bem como o conceito importantíssimo da autoridade
mediada que permeia todo o Antigo Testamento. Sob este “guarda-chuva
teológico” se enquadram quatro linhas de ação (um modus operandi divino) que serão examinadas particularmente nos livros históricos do Antigo
Testamento.
1. A Permissão do Mal
2. O Juízo contra o Mal
3. Libertação do Juízo para/por os Eleitos
4. Bênção dos Eleitos
2
3
O leitor fará bem em consultar três obras importantes em português sobre o assunto. Gerhard
Hasel, Teologia do Velho Testamento; Walter Kaiser, Teologia do Antigo Testamento; e Ralph Smith,
Teologia do Antigo Testamento. Os três autores dedicam considerável espaço em suas obras ao
debate sobre o centro teológico do Antigo Testamento.
Veja Eugene H. Merrill, “Covenant and the Kingdom. Genesis 1-3 as Foundation for Biblical
Theology”, Criswell Theological Review 1 (1987), pp. 295-308.
19
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agradecimentos