UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ Instituto de Ciências Sociais Aplicadas Faculdade de Serviço Social Programa de Pós-Graduação em Serviço Social - PPGSS Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI Anais Belém – Pará – Brasil 2010 UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ Instituto de Ciências Sociais Aplicadas / Faculdade de Serviço Social Programa de Pós-Graduação em Serviço Social - PPGSS Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia - SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI Anais 9ª Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Universidade Federal do Pará Instituto de Ciências Sociais Aplicadas Faculdade de Serviço Social Programa de Pós-Graduação em Serviço Social (PPGSS) Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia - SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI Carlos Edilson de Almeida Maneschy Reitor Marlene Rodrigues Medeiros Freitas Pró-Reitor de Ensino de Graduação Emmanuel Zagury Tourinho Pró-Reitor de Pesquisa e Pós Graduação Fernando Arthur de Freitas Neves Pró-Reitora de Extensão Marcelo Bentes Diniz Diretor do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas - ICSA Ari Souza Loureiro Diretor da Faculdade de Serviço Social – FASS Vera Lúcia Batista Gomes Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social - PPGSS Heliana Baía Evelin Soria Coordenadora do SENECTUS – Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Maria Leonice da Silva de Alencar Coordenadora do UNITERCI – Programa de Extensão Universidade da Terceira Idade Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) Biblioteca Armando Corrêa Pinto – UFPA/ICSA (Belém-PA) _____________________________________________________________________________ Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia (9. : 2010 : Belém) [Anais da] 9. Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia, Belém, Pará, 17 a 18 de novembro de 2010. – Belém : SENECTUS : UNITERCI : EDUFPA, 2011. 221 p. Tema: Dimensões do envelhecer no Século XXI: possibilidades e limites para o empoderamento da pessoa idosa na atualidade. 1. Envelhecimento, 2. Idosos. I. Título: Dimensões do envelhecer no Século XXI: possibilidades e limites para o empoderamento da pessoa idosa na atualidade. CCD 571.878 _______________________________________________________________________________ 9ª JORNADA DE ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE ENVELHECIMENTO HUMANO NA AMAZÔNIA COORDENAÇÃO Profª Drª Heliana Baía Evelin Soria ICSA/FASS/PPGSS – UFPA Líder do SENECTUS – CNPq – PROPESP/UFPA Msc. Maria Leonice da Silva de Alencar ICSA/FASS – UFPA Coordenadora do UNITERCI/ Membro do SENECTUS – CNPq – PROPESP/UFPA Msc. Maria de Nazaré dos Santos Machado ICSA/FASS – UFPA Membro do SENECTUS – CNPq – PROPESP/UFPA Esp. Sandra Maria Bittencourt Amarante Pedagoga Aposentada, Membro do SENECTUS – CNPq – PROPESP/UFPA Mestranda Roccio Tamara Muñoz Aguirre ICSA/PPGSS – UFPA Membro do SENECTUS – CNPq – PROPESP/UFPA Acadêmico Izan Yver Nascimento de Carvalho ICSA/FASS - UFPA Membro do SENECTUS – CNPq – PROPESP/UFPA COMISSÃO CIENTÍFICA Prof. Msc. Cláudio Joaquim Borba Pinheiro, educador físico (IFPA e UEPA) Prof. Msc. Gisele Brito Ferreirra, assistente social (Campus Breves/UFPA) Profª Drª Heliana Baía Evelin Soria, assistente social (UFPA) Profª Drª Hilma Tereza Torres Khoury, psicóloga (UFPA) Profª Drª Ioshiko Sassaki, assistente social (UFAM) Profª Msc. Mirleide Chaar Bahia, educadora física (Campus Castanhal/UFPA) Profª Drª Odaisa Espinheiro de Oliveira, biblioteconomista (UFPA) Prof. Dr. Sérgio Antonio Carlos, assistente social (UFRS) CONFERENCISTAS E PALESTRANTES Drª Nezilour Lobato Rodrigues Médica, Especialista em Geriatria, Vice-presidente nacional da SBGG Há quase 12 anos trabalha intensamente na SBGG, dedicando-se como associada, presidente regional e vice-presidente. Na SBGG nacional integra, há 4 gestões, a Comissão de Título de Especialista em Geriatria e de Gerontologia. Drª Neila Barbosa Osório Assistente social, Msc. em Educação e Doutora em Ciência do Movimento Humano. Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal do Tocantins. Autora e coordenadora do programa Universidade da Maturidade e do Curso de Especialização em Gerontologia. É pioneira em educação de adultos e velhos no Estado de Mato Grosso do Sul e atualmente expandiu o Programa da Universidade da Maturidade de Palmas para: Arraias, Tocantinópolis, Gurupi, Paraíso, Porto Nacional, Miracema e Campina Grande no Estado da Paraíba. Foi premiada em dezembro 2009 com o prêmio Atitude Cidadã do governo Federal. Seu trabalho está sendo referência mundial como exemplo de responsabilidade social. Dr. Lucinaldo da Silva Blandtt Pedagogo, Msc. em Agriculturas Familiares Amazônicas, doutor em Ciências Sociais e Ambientais. Possui 14 anos de experiências em comunicação e processos de planejamento e desenvolvimento com populações rurais amazônicas (tradicionais, indígenas, migrantes etc). Experiência com os princípios e critérios do FSC Social e Ecológico (Forest Stewardship Council), em planejamento e desenvolvimento local (estratégias de comunicação e fomento para projetos de desenvolvimento sustentável. Drª Neila Reis Licenciada em História, Bacharel em Ciências Sociais, Especialista em Docência do Ensino Superior, Msc. em Planejamento do Desenvolvimento, Doutora em Educação. Atualmente é Adjunto II da Universidade Federal do Pará. Tem experiência no ensino da graduação e pós-graduação; Prática de Ensino de História, Metodologia de Educação de Jovens e Adultos, Educação do Campo. Drª Hilma Tereza Torres Khoury Psicóloga, Msc. Mestre em Planejamento do Desenvolvimento; Doutorado em Psicologia, com Tese na área da Psicologia do Envelhecimento. É professora e pesquisadora na UFPA, com ênfase nas áreas de Psicologia do Envelhecimento, Psicologia Social e Personalidade, Psicogerontologia e Metodologia de Pesquisa. COMISSÃO DE APOIO Antonia Catarina Rodrigues Costa Elton Santa Brígida do Rosário Geovane Trindade Marques Larissa Marinho da Costa Roberta Fransineth Pimentel de Oliveira Rosimar Angélica da Silva Ramos Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia (SENECTUS/UFPA) / Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade (UNITERCI/UFPA) Av. Augusto Corrêa, nº 1 – Universidade Federal do Pará, Cidade Universitária “Prof. José da Silveira Neto”, altos do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas. Bairro do Guamá - Belém-Pará-Brasil – CEP: 66075-110 Telefone / FAX (91) 3201-7219 / (91) 3201-7607 Endereços eletrônicos: [email protected] / [email protected] / [email protected] / [email protected] PROGRAMAÇÃO 17 de novembro de 2010 8 horas - Início do credenciamento 9h.30 - Abertura 10h.30 às 12h. - Conferência: Plano de Metas para o Biênio 2010/2012 da SBGG - Drª Nezilour Lobato Rodrigues (Vice-presidente nacional da SBGG) – Coordenação:Profª Drª Andréa Mello Pontes (FASS/UNAMA – GEP SENECTUS) 14h. às 18h. - Minicurso: Educação na Maturidade: uma opção de Envelhecer com dignidade e cidadania – Prof.ª Drª Neila Barbosa Osório (UFT) - Coordenação Msc. Maria Leonice da Silva de Alencar (ICSA/UFPA – UNITERCI – GEP SENECTUS) 14h. às 18h. - Oficina: A autonomia do Dançar - Instrutora Leida Willot (ICA/UFPA – GEP SENECTUS) - Coordenação: Daniele Mescouto (ICA/UFPA-Programa Luamim) 18 de novembro de 2010 8h. às 10h. - Exposições orais de Temas Livres – Auditório Setorial Básico Coordenação: Profª Drª Hilma Tereza Torres Khoury (IFCH/UFPA – GEP SENECTUS) 8h. às 10h. - Exposições orais de Temas Livres – Mini Auditótio do ICJ - Coordenação: Profª Drª Andréa Mello Pontes (FASS/UNAMA – GEP SENECTUS) 10h.20 às 12h. Conferência: Possibilidades e Limites para o Empoderamento da Pessoa Idosa na Atualidade - Drª Neila Barbosa Osório (UFT) - Coordenação: Profª Msc.Gicele Brito (Campus Breves/UFPA – GEP SENECTUS) 14h. às 15h.40 - Exposições orais de Temas Livres - Auditório Principal do ICJ - Coordenação: Profª Drª Heliana Baía Evelin Soria (ICSA/UFPA - PPGSS – GEP SENECTUS) 14h. às 15h.40 - Exposições orais de Temas Livres – Mini Auditório do ICJ - Coordenação: Profª Drª Selma Suely Lopes Machado (ICSA/UFPA) 16 às 18h. Mesa Redonda: Acessibilidade no espaço urbano da Cidade de Belém: possibilidades e limites para o empoderamento da pessoa Idosa - Prof. Dr. Manoel Diniz Peres (ITEC/UFPA - GEP SENECTUS) e Prof. Dr. Lucinaldo da Silva Blandtt (NUMA/UFPA -GEP RESILIO) – Coordenação: Mestranda Roccio Tamara Aguirre (PPGSS/UFPA – GEP SENECTUS) 19 de novembro de 2010 8h. às 10h. – Reunião com universitários das várias áreas do conhecimento para articulação de uma LGGPa. – Liga de Geriatria e Gerontologia do Pará. Coordenação: Acadêmico de Serviço Social Izan Yver Nascimento de Carvalho (FASS/UFPA – GEP SENECTUS) 10h.20 às 12h. Palestra: Possibilidades e Limites para o Empoderamento da Pessoa Idosa no Meio Rural. - Profª Drª Neila Reis (ICED/UFPA – GEP SENECTUS) – Coordenação: Esp. Sandra Bittencourt Amarante (GEP SENECTUS) 14h. às 15h.40 - Apresentação dos pôsteres - Coordenadora: Profª Msc. Gicele Brito (Campus Breves/UFPA – GEP SENECTUS) 16 às 17h.30 – Palestra: Fatores psicossociais e sua importância para a velhice saudável - Profª Drª Hilma Tereza Torres Khoury (IFCH/UFPA-GEP SENECTUS) – Coordenação: Mestranda Rocio Tamara Aguirre (PPGSS/UFPA – GEP SENECTUS) 17h.30 - Encerramento 20 horas – Jantar de confraternização no Trapiche – a confirmar (por adesão) Programação Artística Dia 17 – 9h30 - Na programação de Abertura Grupo selecionado do Gran Coral Metropolitano de Belém Maestro: Prof. Anderson Dias Coordenação: Assistente social Marilete Barbosa Dia 18 – 10h. No intervalo das sessões Grupo de Idosos, do CRASS Guanabara Dia 19 – 8h30 às 10h - Durante a sessão de lançamento do livro SUMÁRIO Apresentação .................................................................................................................. 15 Comunicações Orais ....................................................................................................... 17 1. A BAIXA PARTICIPAÇÃO DE IDOSOS DO SEXO MASCULINO EM GRUPOS DE TERCEIRA IDADE. Carlos André Souza da Silva; Helton Oliveira Pereira; José Borralhos de Borralhos; Paulo Sérgio Ribeiro de Lima Filho ............................... 18 2. A IMPORTÂNCIA DO CUIDAR DE ENFERMAGEM EM PACIENTES IDOSOS COM HIPERTENSÃO ARTERIAL. Elaine Cristiny Evangelista; João Paulo Monteiro dos Reis; Eliziane Ferreira de Oliveira; Francisco P. do Nascimento; Priscila Pina Bronze, Rafaela Santos Corrêa ....................................................... 26 3. IDOSOS INTERNADOS EM UMA CLÍNICA DE DOENÇAS INFECTO- PARASITÁRIAS: Perfil clínico-epidemiológico. Ana Cristina Lima da Costa; Ebenezaide Nascimento Perdigão; Edilene do Socorro Nascimento Falcão; Nádia Barreto dos Santos; Vanessa da Silva Cuentro ................................................... 35 4. A PERCEPÇÃO QUE O IDOSO TEM DE SEU CORPO QUE ENVELHECE. Andréia Oliveira Freire; Natália Kelly da Fonseca Vieira; Mirleide Chaar Bahia .. 43 5. AIDS E VELHICE - Tramas e dramas da sexualidade na terceira idade. Anna Brígida Duarte Lopes; Jandira Miranda da Silva .................................................. 51 6. ENVELHECIMENTO HUMANO E RELAÇÕES INTERGERA-CIONAIS. Amanda Santos Brandão ................................................................................................... 57 7. CAPACIDADE FUNCIONAL E QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS PRATICANTES DE EXERCÍCIOS FÍSICOS. Elizabeth Chistinne Brito Pereira; Jamylle de Lima Pinheiro ..................................................................................... 63 8. O EMPODERAMENTO QUE VEM DA FLORESTA. Gicele Brito Ferreira; José Alberto S.Araujo ................................................................................................... 77 9. PERFIL DOS CUIDADORES FAMILIARES DE IDOSOS: Uma revisão da literatura. Joana Kátia Mendonça Flexa; Diana Damasceno Guerreiro; William Dias Borges; Sandra Helena Isse Polaro ............................................................. 85 10. O CONTROLE SOCIAL: UMA QUESTÃO DE PARTICIPAÇÃO PARA OS IDOSOS NA ATUALIDADE. Rocio Tamara Muñoz Aguirre ................................. 93 11. DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL NA TERCEIRA IDADE POR MEIO DA MÚSICA. Hilma Tereza Tôrres Khoury; Renata Almeida Figueira; Daiane Gasparetto da Silva ............................................................................................ 103 12. PERCEPÇÃO DE CONTROLE E REABILITAÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL EM IDOSOS DIABÉTICOS: o papel da intervenção psicológica. Hilma Tereza Tôrres Khoury; Daiane Gasparetto da Silva; Renata Almeida Figueira; Carla Danielly Weyl Costa Cruz; Priscila Albuquerque Monteiro ........ 109 13. NA PAREDE DA MEMÓRIA: A Velhice na sociedade industrial. Raquel Minervino de Carvalho Bisneta; Édne Wagner Ribeiro Maués ........................................... 117 14. EDUCAÇÃO POPULAR COM IDOSOS: Discutindo o envelhecimento e saberes da vivência destes idosos. Kelly Cristina Mendonça; Sirleno Santos ................ 127 15. O IDOSO E OS ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE LAZER: Análise de um bairro de Castanhal – PA. Leidiluci Ferreira Brito; Mirleide Chaar Bahia .................... 133 16. UM OLHAR SOBRE A INCLUSÃO PRODUTIVA DE IDOSOS EM VULNERABILIDADE PESSOAL E SOCIAL NO CENTRO ESTADUAL DE CONVIVÊNCIA DO IDOSO–CECI–MANAUS-AM. Lucineide Ribeiro da Silva; Alenira Maria Souza Pedroso Jordão ................................................................. 143 17. PROJETO DE EXTENSÃO UNIVERSIDADE ABERTA DA TERCEIRA: Um espaço para inclusão social em uma faculdade privada de Ananindeua-Pará. Ângela Maria Paginato; Luiz Roberto Pegado; Lana Cláudia Silva; Liliane Machado ; Maria Leonice da Silva de Alencar ...................................................147 Apresentação em Pôster ............................................................................................... 153 18. O PROJETO “A TERCEIRA IDADE NA AMAZÔNIA: ARTE E CULTURA” contribuições para o empoderamento da pessoa idosa. Angélica Dulce de Lima Barbosa; Karine Cristina da Silva Monteiro; Maria Leonice da Silva de Alencar . ............................................................................................................................155 19. UM RELATO DE CASO SOBRE FIBROSE CÍSTICA EM IDOSO: Aspectos clínicos e espirométricos. João Vitor Dias Pereira; Nadia Barreto dos Santos; Valéria de Carvalho Martins; Edilene do Socorro Nascimento Falcão ............... 161 20. O IDOSO NO MERCADO DE TRABALHO INFORMAL Neucenise Lanússia França da Silva; Ari Sousa Loureiro ................................................................... 167 21. A FORMAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA PARA O TRATO COM PESSOAS EM PROCESSO DE ENVELHECIMENTO. Glenda Yasmin Monteiro Pinheiro; Marta Genú .................................................................................................................. 175 22. UM BREVE RELATO SOBRE O IDOSO NO TRABALHO INFORMAL EM BREVES–PA. Alane Neves de Souza; Maria Monteiro Gonçalves .................... 183 23. AÇÃO EDUCATIVA EM UMA CASA DE APOIO EM BELÉM: Implicações das quedas na terceira idade. Marcelo Ricardo dos Santos Silva; Ana Paula Gonçalves Pinto; Ítalo Pimentel Marinho; Jonh Rick Carvalho Ferreira; Taynah Monick Estevam Ferreira; Joana Cleia Trindade Fideralino; William Dias Borges ............................................................................................................................ 191 24. VARIÁVEIS SOCIAIS, ECONÔMICAS, CULTURAIS E POLÍTICAS PARA O EMPODERAMENTO DE IDOSOS NO BRASIL: Por uma nova concepção sobre igualdade e universalidade dos direitos. Sandra Maria de Bittencourt Amarante ............................................................................................................................ 195 25. PROJETO DE ATUALIZAÇÃO CULTURAL NA TERCEIRA IDADE: Perfil das pessoas idosas da 27ª Turma da Universidade da Terceira Idade – UNITERCI UFPA. Roberta Franssineth Pimentel de Oliveira; Maria Leonice da Silva de Alencar .............................................................................................................. 203 Artigo de opinião ............................................................................................................ 215 9ª JEPEHA consolida processo de estudos sobre o envelhecer na Amazônia. Heliana Baía Evelin ............................................................................................ 215 . Anotações ...................................................................................................................... 219 Apresentação A 9ª JEPEHA - Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia com o tema “Possibilidades e Limites para o Empoderamento da pessoa idosa na atualidade”, instiga o debate sobre a dimensão política do envelhecer em consonância com a proposta assumida nas jornadas anteriores em torno das Dimensões do Envelhecer no século XXI. A promoção da 9ª JEPEHA celebra a reintegração do SENECTUS – Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia e do UNITERCI Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade com o Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPA. Tal celebração resulta de um longo processo histórico iniciado há 60 anos com a fundação, em 1950, da Escola de Serviço Social do Pará, atual Faculdade de Serviço Social da UFPA. O UNITERCI constitui-se, desde 1991, em espaço privilegiado de estímulo ao desenvolvimento da autonomia de pessoas idosas, desconstruindo idéias que desqualificam a imagem da velhice quando, por exemplo, espera-se que o velho tenha espírito jovem, como se fosse possível separar o corpo da alma, do espírito, da história que acompanha a vida desde o nascimento até a morte. Vinculado ao Programa UNITERCI e ao Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPA, o SENECTUS vem, há quase uma década, acompanhando, sugerindo, orientando e divulgando pesquisas com o foco na Região Amazônica, mas aberta para o que está ocorrendo no mundo, tendo em vista o empoderamento do indivíduo que ultrapassa os anos da infância, juventude e maturidade. Vários estudos realizados no grupo apresentaram resultados similares aos de outras pesquisas que indicam a representação da velhice associada a perdas fisiológicas, psicossociais, culturais e políticas. Daí a importância da construção de espaços que sistematizem a pesquisa, o ensino e a extensão onde discentes, docentes e técnicos possam aproximar-se da realidade vivenciada por pessoas que, na velhice trazem a representação do envelhecer construída no decorrer da humanidade, sobretudo na sociedade ocidental - fealdade, solidão e sofrimento com a aproximação da morte. O avanço da longevidade humana exige que profissionais de todas as áreas considerem a urgência de incrementar esforços no sentido de aprofundar e ou iniciar estudos e pesquisas que possam contribuir com a qualidade de vida dos que hoje já alcançaram a velhice e dos futuros idosos cuja expectativa de vida tende gradativamente a aumentar. Neste sentido, assumir a importância de contar com pessoas idosas, sejam elas autônomas ou dependentes, no processo de descoberta de possibilidades e limites para o empoderamento é essencial para o desvelar do fenômeno da longevidade e aumento da rede de estudos e pesquisas nas áreas de Geriatria e Gerontologia. O empoderamento é um importante instrumento de transformação social para a pessoa que envelhece, considerando-se que supõe ação coletiva, de participação de indivíduos nos espaços de decisão e formação de consciência teórica e política de direitos sociais. Implica alteração das relações sociais, incluindo o poder de estar ao lado daqueles que contam com pouco poder para dirigir as suas vidas, no sentido de ter maior controle sobre elas, como os portadores de Alzheimer, por exemplo. A 9ª JEPEHA pretende provocar a discussão, ressaltando que esta etapa da vida clama por um novo saber, uma nova perspectiva, que amplie as possibilidades de inclusão de pessoas idosas nos vários setores da vida social e política. Portanto, convidamos a todos os participantes, profissionais, estudantes, jovens e idosos, a pensarem novos significados para o processo de envelhecer, considerando as peculiaridades de nossa Região. Bem vindos à 9ª JEPEHA - Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia. Belém, 19 de novembro de 2010 Profª Drª Heliana Baía Evelin Soria Esp. Sandra Bittencourt Amarante ICSA/FASS/PPGSS – UFPA Pedagoga Aposentada, Membro do SENECTUS – CNPq – Líder do SENECTUS – CNPq – PROPESP/UFPA PROPESP/UFPA Msc. Maria Leonice da Silva de Alencar Mestranda Roccio Tamara Aguirre ICSA/FASS – UFPA Coordenadora do UNITERCI/ Membro do SENECTUS – CNPq – ICSA/PPGSS – UFPA Membro do SENECTUS – CNPq – PROPESP/UFPA PROPESP/UFPA Msc. Maria de Nazaré dos Santos Machado ICSA/FASS – UFPA Membro do SENECTUS – CNPq – PROPESP/UFPA Acadêmico Izan Yver Nascimento de Carvalho ICSA/FASS/UNITERCI/PROEX – UFPA Membro do SENECTUS – CNPq –PROPESP/UFPA Comunicações Orais A BAIXA PARTICIPAÇÃO DE IDOSOS DO SEXO MASCULINO EM GRUPOS DE TERCEIRA IDADE THE LOW PARTICIPATION OF AGED OF THE MASCULINE SEX IN GROUPS OF THIRD AGE Carlos André Souza da Silva Graduado em Educação Física (UFPA - Castanhal). [email protected] Helton Oliveira Pereira Graduado em Educação Física (UFPA - Castanhal). [email protected] Paulo Sérgio Ribeiro de Lima Filho Graduado em Educação Física (UFPA - Castanhal). [email protected] Resumo: O número de idosos tem aumentado no Brasil e no mundo nos últimos anos, assim como também os grupos de terceira idade. O presente artigo tem por objetivo expor os motivos da baixa participação de idosos do sexo masculino nesses grupos. A metodologia utilizada conjugou pesquisa bibliográfica e de campo, através da observação participante e de relatos orais de alguns idosos. Os resultados mostraram que muitas atividades oferecidas não são de interesse dos idosos do sexo masculino, por acharem que são “para mulheres”. É necessário que haja atividades que interessem tanto os idosos do sexo masculino como do sexo feminino. Palavras-chave: Grupos de terceira idade, sexo masculino, idosos. Abstract The number of aged has increased in Brazil and the world in recent years, as well as also the groups of third age. The present article has for objective to display the reasons of low the participation of aged of the masculine sex in these groups. The used methodology conjugated bibliographical research and of field, through the participant comment and of verbal stories of some aged ones. The results had shown that many offered activities are not of interest of the aged ones of the masculine sex, for finding that they are “for women”. It is necessary that it has activities that they in such a way interest the aged ones of the masculine sex as of the feminine sex. Keywords: Groups of third age, masculine sex, aged. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil José Borralhos de Borralhos ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Graduado em Educação Física (UFPA - Castanhal). [email protected] Introdução A população idosa vem crescendo a cada ano quando comparada com outras populações. Isso se deve a diminuição da taxa de mortalidade, o avanço dos conhecimentos sobre os processos de saúde-doença, o advento dos antibióticos e seu impacto no tratamento de doenças infecciosas, o controle e tratamento das doenças transmissíveis, métodos de prevenção e tratamento de neoplasias e o controle da fecundidade (CARDOSO, 2009). Viveiros (2009) afirma que o número de mulheres idosas é superior ao dos homens segundo dados do censo nacional do IBGE (2007). Para cada 100 mulheres idosas existem 79 homens. Sobre o crescente contingente de mulheres idosas: Estudos demográficos sobre envelhecimento afirmam, frequentemente, que as disparidades entre os sexos são importantes: as mulheres constituem a maior parte da população mundial idosa. No processo do envelhecimento feminino, os dados mostram que, em 1980, havia em escala mundial, três homens de 65 anos e mais para cada quatro mulheres, relação que se mostra ainda mais forte nos países desenvolvidos, em razão do grande número de homens mortos durante a Segunda Guerra Mundial. Alguns estudos mostram que quanto mais a idade aumenta, mais as mulheres são numerosas; o envelhecimento passa a ser um fenômeno que se conjuga, antes de tudo, no feminino (PEIXOTO, 1997 Apud AMORIM et al., 2007, p.5). Na sociedade atual, as mulheres tendem a procurar com mais frequência os serviços de saúde pública, participar de programas de terceira idade, buscar uma vida mais ativa levando em consideração que a maioria passaram grande parte da vida em função da família e afazeres domésticos. Na velhice elas conquistam a independência econômica através da aposentadoria e talvez esses fatos expliquem a maneira pela qual a mulher aceite com maior facilidade a terceira idade e viva melhor. Enquanto os homens, após longos períodos de trabalho durante a vida adulta, deparam-se com a aposentadoria que segundo VELOZ et al. (1999) apud CARDOSO (2009), reforça a crença de que a aposentadoria significa o desengajamento social, portanto vivendo em uma vida restrita ao lar. Algumas vezes passam a depender dos filhos perdendo o poder como chefe da família. Todos esses fatos associados contribuem para perda da qualidade de vida e, consequentemente, uma vida menos ativa. A aposentadoria, que deveria ser uma recompensa pelos trabalhos prestados durante a vida adulta, acaba estabelecendo uma desvalorização do idoso, na concepção do homem, frente à sociedade conforme Simões: A aposentadoria, então, é um direito adquirido pelo individuo de ser subvencionado pelo Estado; porém, ao invés de representar um caminho para retirada da correria competitiva e, consequentemente desfrutar os próximos anos de vida com tranquilidade ou mesmo um prêmio pelos tantos anos de trabalho e responsabilidade familiares, passa a ser um peso na vida do idoso, desencadeando rapidamente um sentimento de inutilidade. SIMÕES (1998, p.39) As formas de encarar a velhice para o homem e a mulher são extremamente diferentes, visto que o homem vê como uma forma de descanso, perda de chefia, sentimento de inutilidade, menos atividade, enquanto que para as mulheres é um momento de libertar-se dos afazeres domésticos, quando deixa a dupla jornada de trabalho e passa a frequentar programas de terceira idade, sendo uma fase voltada para busca de uma vida mais ativa. Terceira Idade: perdas e ganhos De acordo com NADAI (1995), o envelhecimento é um processo que provoca alterações, que geralmente reduzem o desempenho e capacidade orgânica do indivíduo. Porém, dependendo de vários fatores, pode ser considerado como um processo de evolução ou enriquecimento humano. Fisicamente a atividade física pode trazer-lhes muitos benefícios, psicossocialmente, uma autoimagem positiva e a alegria de viver fazem com que o indivíduo se integre, tendo maior convívio social e maior perspectiva de vida. Fisiologicamente, o organismo sofre alterações provenientes do processo natural de envelhecimento, da falta de atividade física, da má nutrição, presença de doenças nas fases anteriores da vida e outros fatores, que em geral provocam um “enfeiamento”, uma redução da habilidade motora, do desempenho e do rendimento motor, dificultando a execução das tarefas diárias (OKUMA, 1998). Conforme Okuma (1998), cognitivamente não há evidências satisfatórias que demonstrem um declínio cognitivo causado pelo envelhecimento. Porém, observa-se que a desmotivação e os bloqueios diminuem a capacidade intelectual do indivíduo. Psicologicamente, segundo SALGADO (1982) apud NADAI (1995) “viver é um estado de equilibração” (p.35), assim sendo, de acordo com a aceitação ou recusa da condição de velho, o indivíduo terá uma adaptação psicológica. Se este deixá-lo em estado de equilíbrio, com perspectivas futuras, certamente conseguirá manter-se em bem-estar psico-afetivo. Socialmente, percebemos que nas últimas décadas a população mundial idosa tem aumentado muito, requerendo medidas que promovam bem-estar nesta fase da vida. Quanto ao envelhecimento social, geralmente provocado por alterações no meio ambiente, degenerações físicas, problemas familiares, condicionamentos socioculturais e problemas relacionados a aposentadoria, provocam uma diminuição do convívio social, isolando o idoso que se refugia em seu passado (MATSUDO, 2001). A experiência e memória dos idosos, de acordo com NADAI (1995) é algo riquíssimo, que deve ser valorizado pela sociedade, para maior enriquecimento cultural e troca de informações entre as gerações. Além de que a recordação dos fatos antigos pelos idosos traz-lhes a sensação de competência e bem-estar. Porém, a supervalorização do passado pelo idoso, que se sente rejeitado e marginalizado pela sociedade, podem levá-lo ao isolamento e a espera da morte. Motivos que levam à baixa participação de idosos do sexo masculino em grupos de terceira idade A necessidade de conhecer novas pessoas, acompanhar amigos (as), fugir da solidão, procurar atividades culturais e praticar atividades físicas são motivos que levam os idosos a buscar envolvimento em grupos de terceira idade, confirmando também seus interesses por atividades com participação ativa (FENALTI; SCHWARTZ, 2003). Esta fase não deve ser considerada como linha de chegada, enfatizando a importância de projetos ativos de vida, com intuito de promover benefícios em diferentes aspectos para esta faixa etária (NERI, 1998). Tais projetos ampliam e possibilitam novas experiências, oportunidades de vivências, representando para os idosos uma forma de socialização, fato este observado no grupo de idosos “viver bem” da Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS) do município de Castanhal, no qual realizamos nosso estagio in loco da disciplina Prática de Ensino IV. Para CACHIONI (1998), a participação de idosos neste tipo de programa, possibilita a conscientização sobre a velhice desprovida de preconceitos, desenvolvendo uma concepção de envelhecimento bem sucedido baseado no bem-estar subjetivo de seus participantes. Segundo RAHAL (1994), os idosos possuem grande interesse em participar de tais programas, porque proporciona a possibilidade de estabelecer novas amizades e o estreitamento de relações afetivas com vizinhos e familiares. CABRAL (2002) relata que os projetos para idosos possibilitam a criação de novos laços de amizade. Os grupos de terceira idade têm crescido de forma significativa no Brasil nos últimos anos e cada vez mais novos grupos tem surgido. No município de Castanhal existem vários programas que atendem esse segmento, mas um fato tem chamado a atenção: a baixa participação de idosos do sexo masculino nesses grupos de terceira idade. Mas quais seriam os motivos e as razões desse número reduzido de idosos do sexo masculino nesses grupos? SPIRDUSO (2005) afirma que existem explicações sociais, pois as mulheres vivem mais, mantém bons hábitos de saúde devido terem um contato mais frequente com os sistemas de saúde, pelo fato de possuírem mais doenças agudas e condições crônicas não fatais. Os homens sofrem mais com enfisemas, doenças cardíacas e cerebrovasculares, além de procurarem menos os serviços de saúde. Os homens preferem se engajar em atividades físicas coletivas de caráter competitivo, enquanto que as mulheres dão preferência a atividades individuais, que requerem menos força física (SALLES-COSTA et al., 2003). Nos grupos de terceira idade, as atividades oferecidas não são de interesse da maioria dos idosos homens, pois muitas dessas atividades como dança, ginástica, não faziam ou não fazem parte da vida deles (COUTINHO; ACOSTA, 2009), o que faz com que frequentem pouco esses grupos. Apesar de estarem conscientes dos benefícios que a atividade física proporciona aos seus praticantes, os idosos homens acreditam que já trabalharam muito e que está na hora de descansar, livres de qualquer compromisso, com direito à preguiça, além de muitos terem dificuldades financeiras (VALÉRIO, 2001). A difusão dos espaços de terceira idade em masculinos e femininos é decorrente dos interesses de cada gênero, que são diferentes, pois as mulheres idosas tem maior consciência da necessidade de realizar atividades físicas para ter melhor qualidade de vida, enquanto que os homens idosos que passaram a vida toda fora de casa trabalhando, com a chegada da aposentadoria, preferem passar mais tempo em casa. (VALÉRIO, 2001). A importância que os homens dão ao acompanhamento da esposa em relação a sua participação em projetos para idosos, representa fator bastante motivador na participação masculina, enquanto que para as mulheres este tipo de motivação não é tão forte. O fato da população de mulheres participantes ser maior em tais projetos que a de homens reforça tal observação (FENALTI; SCHWARTZ, 2003). FENALTI (2001) ao pesquisar os motivos da baixa participação de homens no “Projeto da Maior Idade”, organizado pela Prefeitura Municipal de Santa Bárbara d’Oeste, relatou que cerca de 6% dos homens participariam do projeto, caso a esposa o acompanha-se. Em relação aos resultados apresentados, pode-se perceber a importância que a mulher ocupa como incentivadora, referente à participação masculina neste tipo de projeto organizado para idosos. Em relação a baixa participação masculina nos projetos para terceira idade, VENDRUSCULO e LOVISOLO (1997) constataram que os homens com mais de sessenta anos têm mais opções de pontos de encontros, como bares, cafés públicos, clubes, grêmios recreativos, praças públicas etc., do que as mulheres. Os autores mencionam ainda, que instituições que organizam projetos e/ou atividades para idosos, talvez, sem pretender, estejam aumentando as possibilidades de participação feminina em locais de convívio social, pelo fato de as atividades ofertadas observarem a preferência das mulheres. Considerações finais O baixo número de idosos homens nos grupos de terceira idade é um fato marcante que tem se tornado cada vez mais frequente nos grupos de idosos que estão espalhados pelo Brasil. Apesar do crescente número de programas voltados para idosos ainda observamos uma grande prevalência de mulheres. No município de Castanhal essa realidade não mostrou-se diferente, principalmente no projeto “Viver Bem”, onde as mulheres representam quase 95% dos frequentadores do programa. Constatamos este fato em nosso estágio na disciplina Prática de Ensino IV realizada no grupo de idosos da Secretaria Municipal de Assistência Social, onde o número reduzido de idosos homens chama a atenção, variando de 2 a 4 idosos por aula. Portanto, é preciso que haja mais atividades nesses grupos que possam interessar e integrar tanto os idosos do sexo masculino como os do sexo feminino, para que se possibilite que mais idosos homens possam participar das atividades oferecidas nos grupos de terceira idade, por mais que pensem que sejam atividades “para mulheres”. Referências AMORIM, Fernanda Claudia Miranda; CARVALHO, Cecília Maria R. Gonçalves de; FIGUEIREDO, Maria do Livramento Fortes; LOIOLA, Nay Leite de Araújo; LUZ, Maria Helena Barros Araújo; TYRREL, Maria Antonieta Rubio. As diferenças de gênero na velhice. Rev. bras. enferm. 2007, vol.60, n.4, pp. 422-427. CABRAL, B. E. S. E. Recriar laços: estudo sobre idosos e grupos de convivência nas classes populares paraibanas. 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A IMPORTÂNCIA DO CUIDAR DE ENFERMAGEM EM PACIENTES IDOSOS COM HIPERTENSÃO ARTERIAL THE IMPORTANCE OF TAKING CARE OF NURSING IN AGED PATIENTS WITH HIGH ARTERIAL TENSION Elaine Cristiny Evangelista Enfermeira (UFPA/ Curso EXEMPLO) João Paulo Monteiro dos Reis Enfermeiro (UFPA/ Curso ENFERTEC E SIEPA), Eliziane Ferreira de Oliveira Francisco P. do Nascimento, Priscila Pina Bronze, Rafaela Santos Corrêa necessário um controle para não ultrapassar o limite de 140mmHg x 90mmHg. Nesse contexto se insere o papel do enfermeiro. A pesquisa objetivou conhecer o perfil dos idosos portadores de hipertensão arterial atendidos pela Casa do Idoso, no município de Belém, promover maior conhecimento em relação ao assunto, descrever os resultados, estimular a participação dos idosos nas consultas e comparar o conhecimento dos idosos antes e depois das palestras educativas. Pesquisa exploratória com abordagem quantitativa, realizada entre os dias 08 a 17 de junho de 2010 com 60 idosos de 60 a 89 anos, selecionados aleatoriamente 30 idosos para cada uma das duas etapas. Foram utilizados: questionário para entrevista, cartazes, folder, recurso de antropometria, aparelho de glicemia, esfigmomanômetro e estetoscópio. Constatouse que 35 são hipertensos (58,33%), 24 do sexo feminino (68,57%) e 11 do sexo masculino (31,42%). Predominam pacientes de 62 a 69 anos. Observou-se que o maior índice de diabetes encontra-se entre os hipertensos. Quanto ao conhecimento da doença antes da palestra não conheciam em sua maioria informações necessárias e a importância do tratamento e/ou como fazê-lo. Reconhece-se a necessidade de maior atenção a essa faixa etária, por parte do governo e dos profissionais de saúde. Palavras-chave: cuidado de enfermagem; pacientes idosos; hipertensão arterial ABSTRACT: With advancing age becomes the frequent increase in hypertension (Hypertension), yet there is a need to control so as not to exceed the limit of x 140mmHg 90mmHg. It is in this context that the role of nurses. To know the profile of elderly patients with hypertension treated by Casa do Idoso in the town Belém, greater knowledge on the subject, describing the results, encourage participation of older people in consultations and compare the knowledge of the elderly before and after the lectures. An exploratory research with a quantitative approach, between days 08 to 17 June 2010, with 60 aged ones of 60 the 89 years, chosen teams randomly 30 aged ones for each one of the two stages. Were used in the study questionnaire to interview, informed consent, posters, folders, anthropometry resource, glucose unit, sphygmomanometer and stethoscope. Of the 35 respondents were hypertensive (58.33%), 24 females (68.57%) and 11 male (31.42%). As for the age group the prevalence was 62-69 years. We observed that the highest rate of diabetes is among the hypertensive and knowledge about the disease of the respondents did not know before the lecture for the most necessary information and the importance of treatment and / or how to do it. Thus, it recognizes the need to give greater attention to this age group, by health professionals and government. Keywords: nursing care; elderly patients; high arterial tension Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Resumo: Com o avançar da idade torna-se frequente o aumento da HAS (Hipertensão Arterial Sistêmica), sendo ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Graduandos de Enfermagem e Obstetrícia (UFPA) Introdução A preocupação com o envelhecimento proporcionou o aumento da longevidade que é uma das principais conquistas da humanidade contemporânea. Diversos fenômenos que eram tidos como normais em função do avançar da idade, atualmente são identificados como decorrentes de processos patológicos, como a exemplo da hipertensão arterial. (CIANCIARULLO et al. 2002). A Hipertensão arterial caracteriza-se por ser uma doença crônica que proporciona a elevação persistente dos níveis tensionais da pressão arterial. Em números é definida como pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg e uma pressão diastólica maior ou igual a 90 mmHg. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006). Este trabalho foi elaborado com o objetivo de conhecer o perfil dos idosos portadores de hipertensão arterial atendidos pela instituição Casa do Idoso, promover maior conhecimento em relação ao assunto, descrever os resultados obtidos, estimular a participação dos idosos nas consultas profissionais realizadas no local e comparar o conhecimento dos idosos antes e depois das palestras educativas. Metodologia Pesquisa exploratória com abordagem quantitativa, utilizando questionário (anexo 1) formulado baseado em manuais do Ministério da Saúde, realizada com idosos da casa do idoso, no município de Belém, no bairro do marco, após autorização da instituição. Foi realizada entre os dias 08 a 17 de junho de 2010 em duas etapas, com 30 idosos cada, com o objetivo de analisar os dados antes e depois das palestras. A abordagem ocorreu de maneira aleatória e foram entrevistados 60 idosos entre a faixa etária de 60 a 89 anos. A primeira etapa do estudo constituiu-se da aplicação de questionário sem identificação, constituído apenas de sexo e idade. Durante a entrevista, utilizou-se o recurso da antropometria que envolve as medidas de peso, circunferência, altura e o IMC acrescentando-se também a aferição da pressão arterial e glicose. A segunda etapa foi realizada por meio de ação educativa, através de palestras seguidas por entrevistas feitas com o mesmo questionário. Estas palestras visavam orientar a respeito da hipertensão arterial abordando seus sintomas, prevenção, tratamento e consequências. Foram utilizados cartazes ilustrativos, teatro e folder educativos. Resultados e discussão A amostra avaliada foi composta por 60 voluntários, com idade média de 74,5 anos (variando de 60 a 89 anos), sendo 41 mulheres equivalentes a 68,33% do total de entrevistados e 19 homens que corresponde a 31,67% das entrevistas. Com base nesta estatística, observa-se que a incidência em números de mulheres na pesquisa é maior em relação ao publico masculino. Sexo Homens 31,67% Mulheres 68,33% Figura 1. Amostra Geral por Sexo de Idosos Entrevistados. Quanto à observância detectou-se um número de 35 hipertensos (58,33%). Em relação ao número de mulheres foram encontradas 24 hipertensas (68,57%) e entre os homens, 11 são hipertensos (31,42%). Constatando-se dessa forma que a incidência da doença entre as mulheres é maior em relação ao público masculino, indicando que elas procuram com maior frequência pelos serviços de saúde. Sabe-se que antes da menopausa, as mulheres em geral apresentam níveis pressóricos menores do que os homens com a mesma idade, contudo após a menopausa, os níveis tensionais femininos ultrapassam a dos homens de mesma faixa etária, sugerindo assim uma relação entre o sexo das pessoas entrevistadas e a hipertensão. (MACHADO, 2008) Sexo 31,42% 68,57% Homens 31,42% Mulheres 68,57% Figura 2. Amostra de Hipertensos por Sexo. Houve predomínio na amostra de indivíduos hipertensos na faixa etária de 62 a 69 anos, totalizando 17 idosos (48,57%). O que indica um adoecimento cada vez mais precoce, devido os maus hábitos de vida modernos como: má alimentação (fast-food), alimentos transgênicos, industrializados) e a correria do dia-a-dia que impossibilita aos indivíduos cuidar mais de sua saúde. Faixa Etária 11,42% 48,57% 60 a69 40% 70 a 79 80 a 89 Figura 3. Incidência de hipertensão por faixa etária. Quanto ao fator diabetes detectou-se que entre os hipertensos (35 casos=100%) 13 (37,14%) possuem diabetes e 22 (62,85%) não possuem. Em relação aos que não possuem hipertensão (23 equivalente a 100%) encontrou-se 20 idosos não diabéticos (86,95%) e 3 diabéticos (13,04%). Foram observados que entre os hipertensos o índice de diabetes foi maior do que entre os não hipertensos, confirmando a diabetes como um sério fator de risco para hipertensão. Figura 4. Percentual de Diabetes em Hipertensos e Não Hipertensos. Em relevância a história de doença cardiovascular pessoal entre os hipertensos, 12 (34,28%) afirmaram já ter apresentado essa doença e, 24 (68,57%) nunca manifestaram nenhuma cardiopatia. A quantidade de achados entre os não hipertensos que nunca apresentaram doença cardiovascular esta no numero de 22 (95,67%) e apenas uma pessoa (4,34%) já foi acometida por ela. Figura 5. Distribuição Hipertensos/Não Hipertensos segundo a presença de cardiopatias Na análise obtida foi avaliada a prática da atividade física entre os entrevistados. Dentre os hipertensos 15 (42,85%) praticam atividade física e 20 (57,14%) não praticam nenhuma atividade. Já entre os não hipertensos 18 (78,26%) praticam algum tipo de exercício físico e 5 (21,73%) não realizam atividades. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2006), a prática de atividade física é mais comum entre os não hipertensos, o que justifica a manutenção de hábitos de vida saudáveis como forma de prevenção para hipertensão. Indivíduos sedentários apresentam risco maior de desenvolver hipertensão que os ativos. A prática de atividades físicas diminuem a pressão arterial e reduzem o risco de cardiopatias. Sendo indicado a pacientes hipertensos o hábito regular de caminhadas, natação, bicicleta, com frequência de acordo com avaliação clinica.(MACHADO, 2008). Figura 6. Relação entre Hipertensos e Não Hipertensos quanto à prática de atividade física. Na avaliação da alimentação dos idosos quanto ao consumo de sal (cloreto de sódio) verificou-se que dos hipertensos, 28 (75,67%) realizam dieta hipossódica (segundo equipe multiprofissional da casa do idoso) e 7 (20%) consomem sal sem restrições. Entre os normotensos foi observado que 4 (7,39%) fazem o consumo de sal excessivo e 19 (82,60%) realizam dieta hipossódica. O não consumo excessivo de sal faz-se presente na alimentação de hipertensos pela necessidade de controle da tensão arterial, em contrapartida destaca-se entre os idosos normotensos realização de dieta hipossódica cada vez mais frequente como forma de prevenção. 30 25 75,67% 20 82,60% Faz Dieta 15 10 Não faz Dieta 20% 7,39% 5 0 Hipertensos Normotensos Figura 7. Porcentagem de idosos hipertensos e normotensos que realizam dieta hipossódica. Ao fazer análise dos dados estatísticos nos entrevistados hipertensos quanto ao IMC (Índice de Massa Corpórea) foram encontrados 12 (34,28%) com classificação de IMC adequado, 16 (28,57%) com obesidade, 8 (22,85%) em sobrepeso e 2 (5,71%)apresentam magreza. No estudo dos dados da amostra de não hipertensos verificou-se que 13 (56,52%)estavam com medida adequada, 4 (17,39%) com sobrepeso, 4 (17,39%) magreza e 2 (8,69%) obesidade. Através destes resultados verificou-se que o índice de obesidade entre os hipertensos é bem maior em relação aqueles que não têm hipertensão. Figura 8. Frequência de IMC encontrado entre os idosos hipertensos entrevistados. Figura 9. Frequência de IMC encontrado entre os idosos normotensos entrevistados. Entre a primeira e segunda etapa da pesquisa, constatou-se que na primeira etapa 80% dos idosos entrevistados sabiam o que é hipertensão arterial e 20% não sabiam. Já na segunda etapa 86,66%Tinham o conhecimento quanto à definição da doença e 13, 33% desconheciam seu conceito. Quanto às causas da hipertensão, no primeiro momento 40% das pessoas tinham conhecimento e 60% não. No segundo momento 90% dos entrevistados já sabiam as causas da doença e 10% não sabiam e no questionamento a respeito da HAS na primeira fase 60% souberam responder adequadamente, mas 40%não tinham conhecimento. Na segunda fase após palestra 83,33% das pessoas quando indagadas a esse respeito responderam de maneira correta, mas 16,66% não. ETAPAS 1° 2° Conceito Causas Conseqüências 80% 40% 60% sabiam Sabiam Sabiam 20% 60% 40% Não Sabiam Não Sabiam Não Sabiam 86,66% 90% 83,33% Sabiam Sabiam Sabiam 13,33% 10% 16,66% Não Sabiam Não sabiam Não sabiam Quadro 1. Resultados obtidos antes e pós-palestra sobre hipertensão. Considerações finais Com o aumento da expectativa de vida na população idosa, reconhece-se que haja necessidade em dar maior atenção a essa faixa etária, por parte dos profissionais de saúde e do governo, quanto aos problemas de saúde que surgem nesse período, propondo com isso medidas em relação à prevenção e o controle das doenças que assolam a população acima dos 60 anos. Observou-se com este trabalho que o maior índice de hipertensão está na faixa etária de 60 a 69 anos, e que o maior índice de diabetes encontra-se entre os hipertensos. Outro achado relevante está relacionado quanto ao conhecimento da doença, visto que os entrevistados antes da palestra não conheciam em sua maioria informações necessárias sobre sua doença e, consequentemente, desconheciam a importância do tratamento e/ou como fazê-lo. O enfermeiro é agente fundamental na aquisição de métodos que esclareçam e respondam duvidas em relação à doença que abrange essa faixa etária, proporcionando a eles adquirir capacidade para o reconhecimento da doença, e mostrando com isso maneiras que melhorem o seu processo de autocuidado. Assim, a educação em saúde prestada pelo enfermeiro ao paciente idoso hipertenso é essencial para o sucesso do tratamento e a qualidade de vida. Referências ARILHA, M., CALAZANS, G. Saúde do idoso: o que há de novo? In: na trilha das políticas públicas. Brasília: CNPD, 2006. BARROSO WKS, JARDIM PCBV, VITORINO PV, BITTENCOURT A, MIQUETICHUC F. Influência da atividade física programada na pressão arterial de idosos hipertensos sob tratamento nãofarmacológico. Rev Assoc Med Bras. 2008; 54(4):328-33. BOSSA, N. A. O Normal e o Patológico no idoso. in OLIVEIRA, B. O.; BOSSA, N. A. Avaliação Psicopedagógica do idoso. Cap. IX. 7. ed. Editora Vozes. Petrópolis, 2007. BRASIL. Ministério da Saúde. 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Rev Latino-am Enfermagem março-abril; 10(2):2218. 2002 MACHADO, D.P.L, Saúde do idoso, 2008 maio-junho ANEXO: Questionário Controle da hipertensão arterial em pacientes idosos Idade: ___________ Sexo: Data: / / F M 1-Você sabe o que é hipertensão arterial? ( )Sim ( )Não 2-Você é portador (a) de hipertensão arterial? ( )Sim ( )Não ( )Não sabe/não respondeu 3-Você sabe as causas da hipertensão arterial? ( )Sim ( )Não 4-Você sabe os problemas que a hipertensão arterial pode provocar? ( )Sim ( )Não 5-Na sua família existe outras pessoas com este problema? ( )Sim ( )Não ( )Não sabe/não respondeu 6-Você pratica alguma atividade física? ( )Sim ( )Não 7- Você é portador de diabetes? ( )Sim ( )Não ( )Não sabe/Não respondeu 8-Você já teve alguma doença cardiovascular? ( )Sim ( )Não 9-Quanto a alimentação? ( )Consome sal sem restrições. ( )Faz dieta hipossódica. ( )Consome frequentemente alimentos industrializados e muito calóricos com frequência. ( )Faz dieta a base de alimento naturais. ( )Consome açúcar sem restrições. ( )Faz dieta hiperglicêmica. IDOSOS INTERNADOS EM UMA CLÍNICA DE DOENÇAS INFECTO- PARASITÁRIAS: Perfil clínico-epidemiológico AGED INTERNED IN A CLINIC OF PARASITIC ILLNESSES INFECTUM: Epidemiologic clinical profile Ana Cristina Lima da Costa Fisioterapeuta e Educadora Física, cursando o Mestrado em Educação da UEPA. Professora substituta do Curso de Fisioterapia (UEPA) Ebenezaide Nascimento Perdigão [email protected] Edilene do Socorro Nascimento Falcão ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Enfermeira Residente da Residência multiprofissional em saúde do Idoso HUJBB/UFPA; Docente da Universidade do Estado do Pará e fisioterapeuta da Universidade Federal do Pará Nádia Barreto dos Santos Fisioterapeuta Residente da Residência multiprofissional em saúde do Idoso HUJBB/UFPA; [email protected] Vanessa da Silva Cuentro Farmacêutica Residente da Residência multiprofissional em saúde do Idoso HUJBB/UFPA; [email protected] Resumo: O objetivo foi levantar o perfil clínico-epidemiológico dos pacientes idosos internados na clinica de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital Universitário João de Barros Barreto. Trata-se de pesquisa descritiva mediante análise documental nos prontuários de 58 idosos internados no ano de 2009. Com este estudo observou-se que a maioria dos idosos internados possui idade de 60 a 70 anos, baixa escolaridade, autônomos, e as maiores causas de internações foram provocados por síndrome da imunodeficiência adquirida. Concluindo-se que é necessário caracterizar o perfil epidemiológico desta população, de modo a auxiliar o desenvolvimento de assistência hospitalar individualizada. Palavras-chave: Saúde do Idoso, Perfil clínico-epidemiológico Abstract: The objective was to identify the clinical and epidemiological profile of elderly patients admitted to the clinic of Infectious and Parasitic Diseases, University Hospital João de Barros Barreto. It is a descriptive research through documental analysis of 58 elderly inpatients in 2009. With this study we found that most of the admitted elderly was between 60and 70 years old, have low education level, work like a freelance, and that the major causes of admissions were the acquired immunodeficiency syndrome. The conclusion is that it is necessary to characterize the epidemiological profile of this population in order to assist the development of individualized care in hospitals. Keywords: Health of the elderly, Epidemiological clinical-profile Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Fisioterapeuta Mestre em Doenças Tropicais. Especialista em Psicomotricidade e Fisioterapia Pneumofuncional. Introdução Segundo a United Nations (2009) estima-se que a população mundial de idosos que em 2009 era de 737 milhões de indivíduos triplique em 2050, alcançando a cifra de 2 bilhões. Atualmente, 64% da população idosa mundial vive em regiões menos desenvolvidas e espera-se que este percentual aumente para 79% em 2050. A maior velocidade de crescimento é observada entre os indivíduos com mais de 80 anos, cuja participação deverá quadruplicar, atingindo o número de 395 milhões de idosos em 2050. Atualmente, o envelhecimento populacional tornou-se um dos maiores desafios para a saúde pública, visto que se exige a efetiva implementação da estratégia de educação em saúde como possibilidade de manutenção da capacidade funcional do idoso. Em razão do aumento da expectativa de vida da população mundial, muitos países convivem com idosos de gerações diversas, os quais possuem necessidades variadas, exigindo políticas assistenciais distintas (SOUZA, 2007). Costa (apud GUERRA, 2007) afirma que no Brasil, tem-se verificado que o coeficiente de hospitalização; os índices de hospitalização e o custo com a hospitalização do Sistema Único de Saúde (SUS) são maiores para as pessoas de 60 anos ou mais, havendo, entre elas, o maior número de reincidência de internações. Dados do Ministério da Saúde mostram que em 2007, a parcela idosa da população brasileira foi responsável por mais de 20% das internações hospitalares geradas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), correspondendo a 26,5% dos gastos totais com esta forma de assistência (R$ 2.019.716,90). A permanência média de internação hospitalar de idosos foi de 7,2 dias em relação aos 5,8 dias da população geral (BRASIL, 2010). Faz-se necessário o conhecimento aprofundado sobre as características desta população a fim de se obter um atendimento mais eficiente. Diante do problema em questão é que nos propomos a levantar o perfil epidemiológico dos pacientes idosos internados na clínica de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital Universitário João de Barros Barreto, com a finalidade de: Identificar as patologias de maior incidência nas clínicas do HUJBB; demonstrar a necessidade de atendimento multiprofissional aos pacientes internados; fornecer informações a fim de construir uma base de dados para o acompanhamento e elaboração de outros protocolos de pesquisa e estimular estudos futuros. Metodologia Escolheu-se um método quantitativo, transversal, retrospectivo, observacional de caráter descritivo, através da análise dos prontuários dos pacientes com idade igual ou superior a 60 anos internados, no ano de 2009, na clínica de doenças infecto parasitárias (DIP) do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB). O estudo foi realizado no período de maio a agosto de 2010. A análise documental dos prontuários foi realizada com a finalidade de se coletar os dados referentes às variáveis do estudo sócio demográfico (faixa etária, sexo, escolaridade, estado civil, ocupação, procedência); institucionais (tipo de patologia que acomete o paciente diagnostico e queixa de internação). Os dados foram armazenados em bancos utilizando-se os softwares Microsoft Word 2007 e Excel 2007, para a elaboração e correção de texto, gráfico e tabelas. A análise estatística descritiva foi realizada também por meio do programa Microsoft Excel 2007 onde foram informados os valores percentuais dos dados analisados. A pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética em pesquisa do Hospital Universitário João de Barros Barreto da Universidade Federal do Pará, sob o protocolo Nº739/2010. A amostra constitui-se de 58 sujeitos idosos, considerando o levantamento da Divisão de Arquivo Médico e Estatística (DAME). Resultados Delineando o perfil sociodemográfico e institucional dos 58 idosos, constatou-se o quadro abaixo (Tabela 1). IDENTIFICAÇÃO N = 58 % SEXO Masculino 35 60,34 Feminino 23 39,66 60 a 70 38 65,52 71 a 80 14 24,14 81 a 90 6 10,34 Solteiro 11 46,59 Casado 27 5,24 Viúvo 9 18,1 Divorciado 3 15,55 União estável 8 13,8 TOTAL 58 100% IDADE (em anos) ESTADO CIVIL Tabela 1: Distribuição da frequência por sexo, faixa etária e estado civil dos idosos internados na clinica de doenças infecciosas e parasitárias do HUJBB. Belém/Pará – 2010. Neste estudo, houve predomínio acentuado de idosos solteiros, ou seja, que declarava não ter companheiras e também de predomínio de idosos com idade entre 60 e 70 anos e do sexo masculino. Isso pode decorrer de viés de sobrevivência, ou seja, os de maior idade, que em geral apresentam doenças mais graves, já terem falecido. E quanto maior a idade, maior a incidência de doença, sendo estas mais comumente encontradas entre aqueles do sexo masculino (ROOIJ, 2005). A Tabela 2 demonstra que, entre os idosos pesquisados 60,35% possuem nível fundamental de educação escolar e a ocupação empregatícia de maior frequência foi a de trabalhadores autônomos 36,3%, e também observou-se um número relevante de idosos que se declaravam aposentados 32,7%. A partir do início da década de 90, a taxa de analfabetismo foi drasticamente reduzida em todo o país, o que se pode confirmar neste estudo, porém a maioria dos idosos não concluiu seus estudos, isso pode ser atribuído ao fato de o HUJBB ser um hospital com perfil predominantemente público, atendendo pacientes do SUS, que são em geral os mais pobres. IDENTIFICAÇÃO N = 58 % Analfabeto 12 20,9 Nível fundamental 45 60,35 Nível Médio 8 14,9 Níveo Superior 2 3,85 Autônomo 21 36,3 Assalariado 4 6,5 Trabalhador Rural 3 5,2 Aposentado 19 32,7 Do lar 11 18,1 ESCOLARIDADE OCUPAÇÃO Tabela 2: Distribuição da frequência por nível de escolaridade e ocupação empregatícia dos idosos internados na clinica de doenças infecciosas e parasitárias. Belém/Pará – 2010 A Tabela 3 demonstra que a SIDA (18,96%), seguida da meningite (10,34%) foram o diagnostico de maior prevalência, o que se justifica pelo fato da clínica ser de referência para doenças infecciosas e parasitárias. A maior proporção dos idosos ficou internado na clínica de 1 a 20 dias. IDENTIFICAÇÃO N = 58 % SIDA 11 18,96 Erisipela bolhosa 5 8,62 Meningite 6 10,34 Septicemia 4 6,89 Tuberculose pulmonar 4 6,89 TEMPO (em dias) Frequencia % 1 a 20 37 66,07 21 a 40 11 19,65 41 a 60 4 7,14 > 60 4 7,14 TOTAL 56 DIAGNÓSTICO Tabela 3: Distribuição da frequência por diagnóstico de internação e tempo de permanência em dias dos idosos internados na clinica de doenças infecciosas e parasitárias. Belém/Pará – 2010. Na tabela 4 pode-se notar o baixo número de solicitações para a fisioterapia (10 idosos), entre estes a maioria se concentra em fisioterapia respiratória 90%, o que se justifica, pois o sistema respiratório de idosos sofre progressiva diminuição de seu desempenho em decorrência de alterações estruturais e funcionais. As alterações estruturais do sistema respiratório do idoso englobam modificações que ocorrem nos pulmões, na caixa torácica, na musculatura respiratória e no drive respiratório (ZAUGG, 2000). IDENTIFICAÇÃO N = 10 % Sessões Média Respiratória 9 90 85 19,44 Motora 1 10 21 21 FISIOTERAPIA Tabela 4: Distribuição da frequência por atendimentos fisioterapêuticos, tipo e numero de sessões realizadas dos idosos internados na clinica de doenças infecciosas e parasitárias. Belém/Pará – 2010. Conclusão Estudo sobre a frequência de internação de homens, em relação a mulheres, informa que ela é progressivamente maior nos homens dos 20 aos 69 anos de idade se torna menor, a partir dos 80 anos, pois o predomínio, a partir dessa idade, passa a ser das internações de mulheres. Sobre a questão etária, ficou caracterizado que, neste estudo, os idosos ainda eram jovens, segundo a classificação proposta pela organização das nações unidas (ONU), que divide os idosos em três categorias: os pré-idosos (entre 55 e 64 anos); os idosos jovens (entre 65 e 79 anos) e os idosos de idade avançada (com mais de 75 ou 80 anos). Estes últimos, com mais de 80 anos, são e vão continuar sendo do sexo feminino (IBGE). Neste estudo observou-se um grande número de pessoas idosas notificadas com AIDS, predominantemente no sexo masculino, portanto é necessário que incorporemos às campanhas nacionais estratégias de saúde coletiva e prevenção para esta parcela da população, tão marginalizada e cercada de preconceitos da sociedade quanto a sexualidade. O fato de a sexualidade e uso de drogas nesta faixa etária serem tratados como tabus, contribui para que a AIDS não se configure como ameaça, portanto é necessário o desenvolvimento de programas preventivos para essa faixa etária, além do que os idosos deveriam ser considerados um grupo prioritário de intervenção em todos os níveis da atenção em saúde. Referências BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Disponível em: http://www.datasus.gov.br/catalogo/sihsus.htm. Acessado em 10 Mar 2010. GUERRA, Isabel Casale; RAMOS-CERQUEIRA, Ana Teresa de Abreu. Risco de hospitalizações repetidas em idosos usuários de um centro de saúde escola. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 3, mar. 2007 . Disponível em <http://www.scielo.br > Acessado em 01 abr. 2010. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Síntese dos indicadores sociais. Rio de Janeiro:IBGE,2007 UNITED NATIONS. DEPARTAMENT OF ECONOMIC AND SOCIAL AFFAIRS. Population division. World Population Prospects: the 2008 revision: highlights. Key findings. New York: United Nations; 2009. Working paper No. ESA/P/WP.210. p..IX-XIII. [107 p.]. Disponível em: http://www.un.org/esa/population/publications/wpp2008/wpp2008_highlights.pdf . Acessado em 20 Mar 2010. SOUZA, Jacy Aurélia Vieira de; FREITAS, Maria Célia de; QUEIROZ, Terezinha Almeida de. Violência contra idosos: análise documental. Rev. bras. enferm., Brasília, v.60, n. 3, jun. 2007. Disponível em <http://www.scielo.br>. Acessado em 27 de Agosto de 2010. ZAUGG, M; LUCCHINETTI, E. Respiratory function in the elderly. Anesthesiol Clin North America. 2000,Mar;18(1):47-58 A PERCEPÇÃO QUE O IDOSO TEM DE SEU CORPO QUE ENVELHECE THE PERCEPTION THAT THE AGED HAS OF ITS BODY THAT AGES Andréia Oliveira Freire Graduanda em Educação Física - Universidade Federal do Estado do Pará (UFPA) – Campus Castanhal; [email protected] Natália Kelly da Fonseca Vieira Mirleide Chaar Bahia Mestre em Educação Física e Doutoranda em Desenvolvimento Sustentável / Núcleo de Altos Estudos Amazônicos – UFPA; Docente da Universidade Federal do Pará – UFPA – Campus Castanhal; [email protected] Resumo: Avanços tecnológicos, investimentos em pesquisas e novos medicamentos são fatores que têm tornado, mundialmente, a população cada vez mais idosa. O objetivo deste trabalho foi compreender a percepção que o idoso tem de seu corpo que envelhece. A pesquisa é um estudo exploratório de abordagem do tipo qualitativa, com pesquisa bibliográfica e de campo (entrevistas semiestruturadas), realizadas no Serviço Social do Comércio – SESC-PA”, no Município de Castanhal - PA. Nos resultados, foi possível verificar que os idosos entrevistados conseguem perceber que seu corpo está mudando e que, as mudanças que vêm ocorrendo no corpo são resultados do próprio envelhecimento, por essa razão, aceitam e convivem bem com o seu corpo envelhecido. Palavras-chave: Corpo Idoso; Envelhecimento; Velhice. Abstract: Technological advances, investments in research and new medicines, are factors that have become, globally, the population increasingly elderly. The objective of this work was to understand the perception that the elderly has of his body that matures. The research is a exploratory study of boarding of the qualitative type, with bibliographical research and of field (semi structuralized interviews), carried through in the Serviço Social do Comércio - SESC-PA”, in Castanhal - Pará. The results, it was possible to verify that the elderly interviewees can realize that their body is changing and that, the changes that have occurred in the body are results of aging itself, therefore, accept and coexist with his body aged. Keywords: Body Elderly; Aging; Old age. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil – Campus Castanhal; [email protected] ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Graduanda em Educação Física - Universidade Federal do Estado do Pará (UFPA) Introdução Dados estatísticos apontam para o Brasil no ano de 2025 a soma de aproximadamente dez milhões de habitantes com 60 anos ou mais, isso quer dizer que, a população idosa colocará o Brasil como sexto país do mundo com seres humanos pertencentes a essa faixa etária (SIMÕES, 1998). Com o aumento da população idosa, em decorrência da maior longevidade, surgiu a preocupação de se envelhecer saudavelmente, o que tem feito com que a ciência, os pesquisadores e a própria população em geral, principalmente a população idosa, descubram cada vez mais, soluções que possam minimizar ou, se possível, evitar os efeitos negativos do processo de envelhecimento no organismo, assim como possam garantir a manutenção da capacidade funcional e da autonomia no último ciclo da vida (MATSUDO, 2001). No processo de envelhecimento, que caracteriza o último ciclo de vida, ocorrem perdas diversas na vida do idoso, tanto no âmbito social, quanto as referentes às capacidades funcionais. Logo, como Neri e Freire (2000, p. 22) afirmam, “[...] envelhecimento e velhice representam um processo e uma etapa de vida que merecem a atenção tanto da ciência e da tecnologia, quanto da sociedade e do indivíduo”. A presente pesquisa teve como objetivo compreender a percepção que o idoso tem de seu corpo que envelhece, configurando-se como um estudo exploratório de abordagem do tipo qualitativa, composta por pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo, esta realizada por meio de entrevistas semiestruturadas. Foi escolhido como campo de pesquisa o projeto “Trabalho Social com Idoso (TSI) do Serviço Social do Comércio – SESC-PA”, que funciona no Município de Castanhal - PA, onde se realizam ações que englobam projetos de atividade física, lazer, turismo e qualidade de vida para a população idosa. Desenvolvimento O modo de vida vem sendo afetado intimamente, devido às intensas mudanças sociais e econômicas, como também, são decorrentes de estarmos vivendo em uma época de grandes transformações e inovações, o que pode gerar na pessoa idosa um aumento de incertezas, dúvidas e inseguranças, afetando assim, suas reações interpessoais (NERI E FREIRE, 2000). Quando o corpo idoso não se enquadra mais no padrão determinado pela sociedade, gera no ser idoso um sentimento de impotência, anulando seus anseios, pois já não é considerado um organismo ativo na sociedade. Isso acaba por provocar no indivíduo idoso, um sentimento de incapacidade e aversão ao próprio corpo, pois já não encara esse corpo como parte de um processo natural de envelhecimento, nem como fonte de prazer ou como um elemento vivo e presente que pode lhe completar e possibilitar ações na esfera social (SIMÕES, 1998). O idoso necessita sentir-se capaz e útil perante a sociedade, pois somente tendo consciência de que seu corpo ainda tem possibilidade de continuar ativo e atuante, poderá sentir-se parte importante no meio social, assim como também acreditará na sua capacidade de se manter presente na sociedade. É por meio do corpo que a vida se manifesta, e por isso, o corpo vem sendo alvo de grande interesse do ser humano, no que diz respeito ao seu uso, eficiência e utilidade, no que se refere às atividades que este pode desempenhar. Portanto, o idoso só terá consciência de seu valor nessa fase da vida, quando tiver a certeza de que o seu corpo ainda pode realizar muitas ações e participar de atividades que possam gerar um sentimento de bem-estar consigo mesmo, com o seu corpo e com a vida (SIMÕES, 1998). O corpo aqui apresentado não segue uma concepção dicotomizada de corpo, na qual faz separação do corpo x alma e/ou do corpo x mente e, sim um corpo que é pensado, visto e sentido em sua totalidade. BRUHNS (1989) afirma que, é importante conhecer, descobrir e sentir o corpo, o seu poder, a sua força, para que assim, possa tornar-se um corpo conhecido, desvendado e consciente, que tenha contato direto com o real, este deve ser verdadeiro e não neurótico, desfigurado e desconectado, afastando o corpo de si mesmo. Por meio da pesquisa de campo, foi possível identificar que no grupo de idosos pesquisados todos, de alguma forma, conseguem perceber o seu corpo envelhecendo e consideram estes fatores como sendo normais e decorrentes do processo de envelhecimento. Esse fato é retratado nas falas dos(as) entrevistados(as), citadas ao longo do texto, todos(as) com nomes fictícios. É assim porque cada tempo é um tempo, quando nós somos crianças nós temos um corpo, na juventude um outro corpo e, quando somos adultos temos um outro corpo e, envelhecendo a gente vai percebendo que vai, umas rugazinhas que aparece, pelas dobrinhas mas, isso é normal né, é da velhice, de nosso envelhecimento porque é um processo da vida né, de criança, de adolescente, de jovem né, de adulto e na nossa terceira idade [...] (Ana, 62 anos). Nota-se que o idoso tem consciência que o seu corpo ao passar dos anos, sofre modificações, estas consideradas como normais e fruto do ciclo da vida. Na verdade, não há um estado de inércia no ciclo da vida, todo ser vivo ou esta em crescimento ou em estado de degenerescência, ou seja, em um certo período da vida estamos em fase de crescimento e desenvolvimento e a partir de uns anos, nos encontramos em uma fase oposta, uma fase deteriorante, essa é a condição da vida (NERI, 2001). Para os idosos pesquisados, o fator considerado mais comum na fase do envelhecimento, e o mais perceptível em seu corpo, foi a aparência. [...] antes, [...] me achava toda bonita, toda lisinha, hoje já, eu vejo que eu to ficando enrugada, mas, isso são marcas do tempo e, eu já estou mesmo com 64 anos e acredito que já é a minha velhice que chegou é, mas, eu não me entrego também (Paula, 64 anos). A grande maioria das pessoas, ao chegarem à velhice, pode sofrer com as mudanças e alterações que acontecem no físico e nos órgãos e sistemas do organismo. De todas as mudanças, a mais visível é na aparência física onde surgem as rugas, as manchas na pele, a flacidez, os cabelos brancos e mais ralos, mas, o mais importante é que a pessoa idosa compreenda que essas mudanças ocorrem devido o processo de envelhecimento (NERI; FREIRE, 2000). É verdade que alguns idosos podem sofrer com as modificações decorrentes do envelhecimento, contudo, podem sentir-se satisfeitos e conformados com o seu corpo envelhecido. Olha, eu percebo muito bem o meu envelhecimento né, cada dia que passa mais diferente fica, aumentando as rugas parece que acaba a carne e fica só pele né, mas, to conformada, sei que é o passar dos tempos que acontece isso né, to satisfeita, aí é agradecer a Deus por tudo isso né, agradeço muito a Deus de coração, pelo meu, pela minha idade estar bem avançada e eu ainda estou, ainda estou, sabendo levar a minha vida né, passeando, brincando nas festas, e tal e tal (Bia, 74 anos). Os idosos, em sua grande maioria, aceitam o seu corpo envelhecido e mesmo com todas as mudanças, sentem-se satisfeitos ao alcançarem uma idade avançada com um corpo que ainda os acompanham em suas atividades. Há por parte dos idosos uma preocupação de viver a vida de forma saudável, de uma maneira que possa preservá-la, mesmo com todas as mudanças impostas pelo envelhecer. É, eu acho assim que quando a gente sente o nosso corpo, ele procura, ele pede né, um pouco mais de atenção e que nós devemos ficar atentos pra isso, procurando combater, através de que, da nossa participação, a gente não deve ficar escondida porque né, a gente já contribuiu tanto pra vida, então, nós procuramos superar todas essas dificuldades e fazer com que a gente tenha assim, uma condição de vida melhor através da inclusão em grupos tá, esse grupo aqui do SESC, que é excelente, através de exercícios né e procurar tá sempre atento para os problemas de saúde (Ray, 64 anos). A partir do momento que o idoso começa a perceber, a sentir, a conhecer o seu corpo, a ter uma imagem corporal de si, as suas possibilidades de manter e/ou melhorar as condições de bem estar em geral, que podem ser buscadas por meio de alternativas, como o engajamento em grupos que desenvolvem trabalhos sociais com a pessoa idosa, com a prática de atividade física, com atividades de lazer, procurando sempre algo que lhe traga uma condição de vida saudável, com autoconfiança, com auto estima elevada e com autonomia. Conforme RUSSO (2005, p. 80), “A imagem corporal é a maneira pela qual o corpo se apresenta para si próprio”, ou seja, é por meio do corpo que se reflete a imagem de si, logo é importante o conhecimento deste. As atividades em grupo são uma boa oportunidade para o idoso adquirir reconhecimento e valorização, ter a possibilidade de assumir compromissos e responsabilidades no convívio social, desenvolvendo na pessoa idosa um autoconceito positivo em relação a si e gerando um sentimento de auto eficácia pelo fato de conseguir desempenhar as atividades, o que reforça o sentimento de valor pessoal (OKUMA, 1998). Segundo Neri e Freire (2000), desde o início dos anos 70, proliferaram-se no Brasil programas e projetos associados ao idoso, destacando o Serviço Social do Comércio (SESC) e as Universidades da Terceira Idade. O SESC enfatiza as atividades de lazer (passeios, bailes e excursões), as atividades físicas, além de palestras, conferências e cursos. Já as Universidades da Terceira Idade, os trabalhos se direcionam para a educação do idoso, a sua compreensão do processo de envelhecimento, o resgate da memória e sua transmissão aos mais jovens. As atividades físicas desenvolvidas em grupo podem ser expressivamente importantes para o bem estar geral da pessoa idosa. Vera, (64 anos) demonstra essa importância em sua fala: [...] eu continuo achando meu corpo lindo, apesar das pelancas (risos), mas, eu continuo gostando de mim, me amando e fazendo a ginástica que a gente faz aqui que melhorou muito, muito mesmo [...]. A atividade física associada à integração social tem efeito considerável na autoestima, no humor, na ansiedade, na depressão e em geral no comportamento do idoso, promovendo a saúde, tornando-o mais ativo, independente, autônomo e sadio (NERI E FREIRE, 2000). Com o passar dos anos, a beleza física, padronizada pelo modelo preestabelecida pela sociedade e, a saúde da juventude vai se despojando, o que desfigura a fantasia de imutabilidade e imortalidade, assim se estabelece o sentimento de finitude (DELALIBERA, 2005). Este sentimento de finitude é destacado na fala do Ruy (70 anos), “[...] vivo muito bem, aceito as mudanças, que tem que acontecer mesmo né, ninguém pode correr, a gente só tem uma coisa certa na nossa vida, que é o fim dela”. Sabe-se que ao nascer, a vida segue naturalmente caminhos a serem trilhados por cada um e que, qualquer caminho a ser seguido, terá como fim a morte e, quando se alcança à velhice esse destino fica mais próximo. Contudo se a vida for cheia de realizações satisfatórias para a pessoa idosa, esta aceitará todo esse processo como natural à vida (SILVA, 2007). [...] me acho à mulher mais bonita do mundo, mesmo com essa idade, mas, eu me acho a mulher mais bonita do mundo, porque eu sou filha de Deus, sou feita a sua imagem e semelhança e não é porque eu esteja ficando enrugada que eu vá ficar no canto, me preservando, pensando, ficando morrendo pelos cantos não, eu tenho mais é que viver, agora, é que eu tenho mais é que viver mesmo (Paula, 62 anos). Cada momento, instante da vida deve ser significativo para a pessoa idosa, pois, quanto mais o envelhecer se faz presente, mais à morte se configura como realidade, uma vez que, a vida tem uma duração limitada, ela tem um fim (NERI, 2001). [...] o que importa é a gente saber que o tempo passa, e eu procuro aproveitar o tempo todo, então eu me olho de manhã, tem dias que eu me olho no espelho e me acho linda e maravilhosa e tem dia que a bichinha tá feia que faz dó (risos), isso é normal para toda pessoa, quando a gente tá bem com a gente, a gente se sente bonita e quando a gente tá meio triste, a gente se acha velha mais, isso é normal para toda pessoa, porque é do tempo (Mara, 71 anos). A forma como o idoso percebe, vê e sente o seu corpo está diretamente relacionada com o seu bem estar emocional. Quando não estão bem emocionalmente, sentem-se feios, porém, quando estão alegres e felizes, acham-se belos. Os sentimentos, as emoções, os desejos, as pulsações e os movimentos não podem ser separados das reações do corpo, do ouvir, do ver, do sentir e do viver. O corpo faz parte de uma totalidade, aprender a conhecê-lo é aprender algo novo, é conhecer a si mesmo, as reações e os sentimentos estão integrados neste processo (OKUMA, 1998). Considerações finais Conhecer a realidade dos idosos participantes desta pesquisa permitiu a compreensão acerca do corpo idoso, no que se refere à autonomia e a atividade física. Por meio deste estudo, foi possível identificar que há uma variedade de significados, conceitos e pensamentos em relação à percepção que a pessoa idosa tem do seu corpo e se vive bem com esse corpo envelhecido. Nas entrevistas, percebe-se que há vários domínios importantes sobre como o idoso entende e convive com esse corpo envelhecido, as quais têm relação com o âmbito biológico, psicológico e social. No domínio biológico, os sinais de que o corpo está envelhecendo são mais perceptíveis e sentidos pelos idosos, uma vez que, estes são os que mais modificam e transformam o corpo, não só na parte exterior, mas também na parte interior do corpo, como por exemplo, o surgimento das doenças crônicas (hipertensão, diabetes, osteoporose, entre outras) e as perdas fisiológicas que ocorrem durante o processo de envelhecimento. No domínio psicológico, as preocupações são em relação à perda da memória, ao fato de que o esquecimento ou até outros problemas mentais possam vir a afetar o bem-estar, a autoestima, a autoconfiança e até mesmo a autonomia dos idosos em situações do dia a dia. No domínio social, a questão a ser destacada refere-se à inclusão e exclusão do idoso na sociedade, esta que, muitas vezes, discrimina o corpo idoso, por não vê-lo como um corpo produtivo, útil e capacitado para o trabalho. Esteticamente, verifica-se que a beleza corporal é aceita pelos idosos pesquisados, conforme as limitações da idade e, mesmo com o aparecimento das temidas rugas, das manchas na pele, dos cabelos brancos, da flacidez, estes recebem esses sinais como normais à velhice. É dada grande importância à prática da atividade física, por esta ser significativamente representativa para a melhora do bem estar geral do idoso, estimulando sua autonomia e a aceitação da imagem corporal. O corpo idoso deve ser mais pesquisado e discutido em todos os seus sentidos e valores, pois não se pode esquecer ou perder a chance de conhecê-lo. Como bem destaca Moreira (2006, p. 181), “[...] o corpo é colorido, vivo, intenso e quente. Como corpo e como assunto!”. Referências BRUHNS, Heloísa T. (org.). Conversando sobre o corpo. – 3ª edição. – Campinas, SP: Papirus, 1989. DELALIBERA, Mayra Armani. A Imagem do Corpo e a Angústia sobre o Corpo no Envelhecer e no Morrer. Trabalho desenvolvido para a obtenção do título de Bacharel em Psicologia. São Carlos – Novembro, 2005. MATSUDO, Sandra Marcela Mahecha. Envelhecimento & atividade física. – Londrina: Midiograf, 2001. MOREIRA, Wagner Wey. (org.). Século XXI – A era do corpo ativo. Campinas, SP: Papirus, 2006. NERI, Anita Liberalesso; FREIRE Aparecida (organizadoras). E por falar em boa velhice. Campinas, SP: Papirus, 2000. NERI, Anita Liberalesso (org.). Maturidade e velhice: Trajetórias individuais e socioculturais. Campinas, SP: Papirus, 2001. – (Coleção Vivaidade). OKUMA, Silene Sumire. O idoso e a atividade física. Papirus, 1998. – (Coleção Vivaidade). RUSSO, Renata. Imagem Corporal: construção através da cultura do belo. Movimento & Percepção, Campinas, Espírito Santo de Pinhal, SP, v.5, n.6, jan./jun., 2005. SILVA, Derli Batista de. A Percepção da vida por pessoas idosas: um estudo sobre velhice, corporeidade e saúde. Dissertação apresentada ao Programa de pós-graduação Stricto sensu em Educação Física, nível mestrado da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Metodista de Piracicaba, SP / 2007. SIMÕES, Regina. Corporeidade e Terceira idade – A marginalização do corpo idoso. 3ª edição. Piracicaba: Editora UNIMEP, 1998. AIDS E VELHICE: Tramas e dramas da sexualidade na terceira idade SIDA AND OLDNESS: Trams and dramas of the sexuality in the third age Anna Brígida Duarte Lopes Discente do Curso de Serviço Social da UFPA. [email protected] Resumo: Este artigo pretende refletir sobre a sexualidade na velhice e a questão do HIV/AIDS, pontuando as limitações das políticas de saúde que desconsideram o exercício sexual nessa fase da vida e com isso mostram-se frágeis na contenção dessa epidemia nesse segmento etário. A metodologia de construção desse trabalho parte da pesquisa bibliográfica sobre velhice e sexualidade transversal à experiência profissional com os idosos atendidos no Ambulatório especializado em HIV/AIDS da UREDIPE. Palavras-chave: Velhice. Sexualidade. HIV/AIDS. Abstract: This article examines sexuality in old age and the issue of HIV / SIDA, pointing out the limitations of health policies that disregard the sexual exercise that stage of life, and this show is fragile in the containment of the epidemic in that age group. The methodology for constructing this work of the research literature on aging and sexuality crossed with professional experience with the elderly in the Outpatient specialized HIV / SIDA. Keywords: Old age, Sexuality, HIV / SIDA Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Assistente Social da Secretária de Estado de Saúde do Pará e Mestre em Serviço Social. ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Jandira Miranda da Silva Introdução O crescimento da epidemia de HIV/AIDS na população idosa brasileira nos últimos anos tem trazido desafios às políticas de saúde, principalmente as de prevenção, revelando limites das concepções que ancoram suas ações. Em relação ao idoso há uma noção fortemente enraizada de que essa fase da vida é desprovida de desejo sexual, por isso este segmento social estaria “em tese” livre dos riscos e rebatimentos físicos, emocionais e morais que acompanham o processo de adoecimento. Na experiência da velhice o indivíduo vivencia dramas como a perda de seu papel produtivo, a diminuição da eficiência física, a possibilidade de perder o cônjuge e os amigos, dentre outros, que são vivenciados de forma diferente a partir dos contextos em que estão inseridos e de determinadas particularidades de cada indivíduo. Alguns idosos perdem a sua privacidade e autonomia sobre sua vida, outros são abandonados ou vão viver com a família dos filhos ou em casas/abrigos, onde os futuros “cuidadores” irão solicitar um comportamento dócil de aceitação das decisões tomadas por eles, colocando os idosos em lugar de objeto sem poder de decisão. Todavia, por uma série de circunstâncias do mundo atual, adotam posturas que fogem dessa “pressão social do ‘bom comportamento’”, como sugere CAPODIECI (2000, p. 39), que sugere que os idosos deveriam assumir posturas dignas de velho no sentido pejorativo do termo, sem autonomia, sem desejos, sem vida. O quantitativo do envelhecimento no Brasil pode ser verificado pelos dados do IBGE (2000) que apontam um crescimento desse segmento no país, correspondendo a 8,6% de uma população total de 169 799 170, temos 14 536 029 pessoas de 60 anos ou mais de idade. Na região Norte, observa-se uma população total de 707 071 idosos, sendo que no Estado do Pará, 356 562 são idosos, com a cidade de Belém tendo 6,9 % da sua população nessa faixa etária. A Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD) de 2006 demonstra um avanço da população idosa com um incremento de aproximadamente 19 milhões de pessoas evidenciando o acelerado processo de envelhecimento da sociedade brasileira. A expectativa de vida aumentou no período de 1999 a 2003 em todas as faixas de idade, tanto para homens quanto para mulheres, ocorrendo uma inversão na pirâmide etária brasileira nos últimos anos, transitando de uma população mais jovem para uma mais velha, influenciado pela redução da natalidade, o melhoramento dos procedimentos médicos e tecnológicos dentre outros fatores. Este aumento da expectativa de vida impacta várias dimensões da vida dos idosos. No aspecto da sexualidade há um prolongamento e incremento da atividade sexual potencializado por novos medicamentos e também por um estimulo a busca da “juventude eterna”, amplamente divulgada na sociedade. Estes e outros aspectos trazem oportunidade de experimentação de situações prazerosas, no entanto também exposição a situações que podem comprometer a saúde sexual dos idosos. A contaminação por doenças sexualmente transmissíveis como o HIV/AIDS é uma realidade concreta aos idosos nos últimos anos. Apesar de a faixa etária de 25 a 49 anos constituir o grupo mais atingido pelo HIV/AIDS, os casos de pessoas acima dos 60 anos dobraram entre 1997 e 2007. Segundo dados do Ministério da Saúde de 2009, o número de notificação de casos nessa faixa etária passou de 497 para 1.263 novos casos. O recorte regional mostra que, nessa faixa etária, a incidência vem crescendo em todas as regiões. Em 1996, existiam três casos da doença para cada 100 mil habitantes no Norte. Em 2006, essa taxa subiu para 13. No Nordeste, o acréscimo foi de 2,8 para 7,6; no Sudeste, de 10,9 para 18,3; no Sul, de 7,1 para 22,9 e no Centro-Oeste, de 6,8 para 14,1. A forma de transmissão predominante é por via heterossexual, tanto no sexo feminino (90,4% dos casos) como no masculino (29,7% dos casos). Entre os homens, a segunda principal forma de transmissão é homossexual (20,7% dos casos), seguida de uso de drogas injetáveis (19%). Nas mulheres, a segunda maior forma de transmissão se dá entre usuários de drogas injetáveis, com 8,5% dos casos. O aumento do percentual de idosos infectados pelo HIV/AIDS pode ser explicado por um conjunto amplo de determinações. No entanto os preconceitos que cercam a vivência da sexualidade em pessoas acima dos 60 anos são cruciais para limitar as estratégias de prevenção da doença dirigida a este segmento. A Aids sempre foi vista como uma doença de jovens e adultos, como se a população mais velha não fosse sexualmente ativa, desconsiderando que a sexualidade ultrapassa os limites da relação sexual e do orgasmo. A sexualidade na velhice tem uma dinâmica diferente de outros períodos da vida, no entanto ela está presente e se expressa de forma diferente. Não podemos conceber a sexualidade como procriação somente em termos, de genitalidade, como potência para contato sexual, para penetração; é preciso compreendê-la na esfera dos afetos, das relações humanas. CAPODIECI (2000, p. 66) afirma que “o envelhecimento fisiológico não impede ao idoso de gozar uma sexualidade longa e satisfatória mesmo que com o passar dos anos possam ocorrer certas mudanças na resposta genital”. No que concerne aos distúrbios físicos e patologias é fato que muitas interferem na sexualidade do idoso, porém, mesmo as mais graves raramente chegam a limitar a prática sexual. Mesmo com as limitações e mudanças dos aspectos físicos e fisiológicos o exercício da sexualidade é algo manifesto nesta idade, sendo cada vez mais potencializada pelo avanço tecnológico e a produção de medicamentos e tratamentos. Experiência no campo da saúde A experiência de inserção profissional no Serviço Ambulatorial Especializado da Unidade de Referência Especializada em Doenças Infectocontagiosas Parasitárias Especiais (UREDIPE) favoreceu o contato com grande número de idosos que estão em acompanhamento multiprofissional devido ao contágio pelo HIV/AIDS1. Nesse espaço temos a oportunidade de adentrar no universo das práticas sexuais dos idosos, percebendo os meandros da sexualidade humana nessa fase da vida. Os idosos expressam ideias, desejos e dúvidas em relação aos afetos e a prática sexual como qualquer pessoa adulta. Suas trajetórias sexuais não se iniciaram e não terminam na idade senil, são construídas no decurso dos seus ciclos de vida a partir de suas relações e inserções sociais. Estes idosos trazem em sua bagagem de vida formas diferenciadas de busca por prazer, afeto e contato sexual, que sofrem impacto pelas mudanças trazidas pelo processo de envelhecimento, porém não são extintas com a idade. Os relatos dos idosos também evidenciam que as relações de afeto e sexuais são permeadas por questões de gênero que reforçam papéis sexuais de homens e mulheres. Também são perceptíveis os dramas decorrentes da noticia da contaminação de um dos parceiros numa vivência de longos anos relevando situações antes omitidas que atingem dramaticamente a relação de conjugalidade, sobretudo quando a parceira também é atingida pela infecção, destruindo referencias de afeto, confiança e companheirismo já consolidadas na história do casal. A noticia da contaminação também é recebida pela família de forma chocante e surpreendente, pois o pai/avó que viam de forma idealizada e assexuada, fazia sexo. Na prática de atendimento com esse segmento no campo da saúde não há protocolos de atendimento que particularize abordagens e metodologias de intervenção para os mesmos a partir da notificação de sua situação clinica, isso contribuem para que as formas de abordagens profissionais sigam as orientações que são para todos os sujeitos vivendo com HIV/AIDS. Isso acarretando pouca eficácia em alguns enfoques dados no processo de cuidado a ser estabelecido com este idoso, como por exemplo, o trabalho para a adesão ao uso do preservativo, onde se questiona o porquê do não uso do mesmo, já que há bastante informação sobre os riscos de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis. Estes questionamentos desconsideram que o uso do 1 A UREDIPE não possui dados organizados e sistematizados capazes de quantificar e estabelecer um perfil dos diversos segmento sociais que são atendidos nessa unidade, acarretando na obtenção de dados que possam quantificar o número de idosos atendidos e seu perfil de sexo, renda, etnia e outros aspectos. preservativo e sua adesão não passam somente pela disseminação de informação, é algo construído nas relações que estabelecemos com o outro em nossa trajetória de vida. No caso dos idosos, se no decorrer de suas vidas os mesmos não tinham hábito do uso de preservativo, isto se estenderá para o restante da vida. Também as mudanças fisiológicas acarretam certas dificuldades para o uso do preservativo, algo que deve ser problematizado e repensado pelos serviços de saúde para não repetir erros de achar que somente com a disseminação de informações e com a contaminação pelo HIV o desejo sexual do idoso cessará e/ou adotará atitudes de prevenção. Os serviços de saúde necessitam incorporar em suas práticas cotidianas referenciais e metodologias que possam instrumentalizá-los para a intervenção com a condição de velho e suas particularidades para que o cuidado à saúde possa dirigir-se as necessidades desse segmento social ganhando novos alcances e proporções. Conclusão A experiência da sexualidade na velhice e as políticas de saúde dirigidas a esta população necessitam atentar para as mudanças que essa etapa de vida vivencia nos tempos atuais para que possam favorecer a saúde sexual dos idosos. As reflexões desse artigo sinalizam a necessidade de aprofundamentos por meio de pesquisas acerca da temática em questão para a criação de subsídios teóricos e técnicos que possam contribuir para as mudanças de referenciais de compreensão da velhice e seus dilemas atuais como a incidência do HIV/AIDS. Referências CAPODIECI, Salvatore. A idade dos sentimentos: amor e sexualidade após os sessenta anos. São Paulo, 2000. INSTITUTO BRASILEIRO Sociodemográficos e DE de GEOGRAFIA Saúde no E ESTATÍSTICA Brasil, 2009. – IBGE. Indicadores Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/indic_sociosaude/2009/indicsaude.pdf. Acessado em 29 de setembro de 2010. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Perfil dos idosos responsáveis pelos domicílios no Brasil, 2000. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/perfilidoso/perfidosos2000.pdf. Acessado em 29 de setembro de 2010. ENVELHECIMENTO HUMANO E RELAÇÕES INTERGERACIONAIS2 HUMAN AGING AND RELATIONS INTER GENERATIONS Social e Políticas Públicas da Universidade Federal do Pará; [email protected] Resumo: A Constituição Brasileira de 1988 representa um marco no reconhecimento dos direitos dos idosos no país que, desde então, dispõem de uma considerável legislação que lhes asseguram ações específicas para o fortalecimento da categoria. Nessa perspectiva, a intergeracionalidade surge enquanto uma possibilidade de ação, capaz de envolver as diversas gerações em torno da discussão sobre a problemática do envelhecimento humano. Palavras-chave: Envelhecimento Humano; Intergeracionalidade; Família. Abstract: The Brazilian Constitution of 1988 represents a milestone in recognizing the rights of the elderly in the country, which since then have considerable legislation which make them specific actions to strengthen the category. From this perspective, the relationship inter generations emerges as a possibility for action which embraces the different generations around the discussion on the problem of human aging. Keywords: Human Aging; Inter Generations ; Family. 2 Tema adaptado do trabalho original intitulado “A construção do trabalho intergeracional: uma experiência no Centro de Convivência da 3ª Idade Zoé Gueiros”, para obtenção do grau de Bacharel em Serviço Social. UFPA. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Assistente Social graduada pela Universidade Federal do Pará; aluna do Curso de Especialização em Serviço ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Amanda Santos Brandão Intergeracionalidade A intergeracionalidade é uma temática nova dentro da perspectiva de estudo sobre o envelhecimento humano, e pode ser definida como a relação entre gerações mais velhas e gerações mais novas, a partir da troca de experiências entre elas, representando mudanças na forma de se vivenciar a velhice e os processos que a envolve. A maneira pela qual se relacionam os diversos grupos etários ocorre no cotidiano das relações Inter geracionais, que na sociedade atual é caracterizado pelo distanciamento das gerações, que vivem segmentadas em espaços exclusivos, uma divisão percebida, principalmente, pelos idosos, que tendem a diminuir os contatos sociais, consequência de um esvaziamento de papéis antes exercidos. Conforme destaca ALMEIDA: Nas sociedades modernas, a velhice é sinônimo de recusa e banimento. Recusa vestida com diferentes roupagens: algumas, bastante evidentes, passam pela segregação e pelo isolamento social, pela ruptura dos laços afetivos, familiares e de amizade, pela negação do direito de pensar, propor, decidir, fazer, pela expropriação do próprio corpo; outras, mais sutis, são encontradas no tom protetor, muitas vezes cercado de cinismo, com que lidamos com nossos “velhinhos”. ( 2003, p. 41). A população idosa é um dos segmentos sociais mais atingidos pela exclusão característica de nossa sociedade. Este fato é reforçado pelos pressupostos existentes na sociedade capitalista, segundo os quais, o indivíduo produtivo é somente aquele que produz força de trabalho para o mercado. Assim, projetos intergeracionais podem ser capazes de combater o isolamento através da aproximação entre as gerações e do estabelecimento de uma troca benéfica de conhecimentos, visões, concepções e ideias sobre a vida, valores, sentimentos e os mais variados temas. [...] Colocar os idosos e os jovens cientes de todos os processos e mudanças que acompanham o desenvolvimento humano como forma de tornar esses idosos mais ativos para discordarem, aprovarem, demonstrarem seus sentimentos, se dispondo para transformar seus cotidianos, e transformar as concepções e atitudes dos mais jovens perante o processo natural de envelhecimento, além de prepará-los para a velhice. Logo, preparar para o envelhecer consiste em colaborar para que, tenhamos idosos menos preconceituosos e que consigam vivenciar com menos sofrimento o processo de envelhecimento. (EIRAS, 2004, p. 03-04). Dentre as manifestações de preconceitos que existem atualmente contra os idosos, o preconceito contra a participação social é um dos mais presentes em nossa sociedade. Muitos idosos são levados ao isolamento e/ou recolhimento ao espaço doméstico, dificultando a organização e mobilização da categoria e, consequentemente, limitando as formas de participação na sociedade. Diante dessa realidade, estimular a participação dos idosos nos mais diversificados setores da sociedade e aproximar a população idosa às demais gerações, além de um desafio, torna-se fundamental para reverter esta situação. Nesse sentido, a intergeracionalidade surge enquanto possibilidade de combater estereótipos com relação à velhice. Políticas públicas de atenção ao idoso e relações inter geracionais. A Constituição Brasileira de 1988 apresentou um significativo avanço na área da atenção à velhice ao estabelecer que: “A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.”. (Art. 230). Contudo, pensar a categoria do idoso na sociedade atual, em que há um forte apelo à produção e, consequentemente, à aquisição de bens e serviços, é pensar numa categoria improdutiva. Desta forma, estar fora do mercado de trabalho pode significar, também, o fim da interação social, o idoso passa a ser classificado de acordo com a sua renda, atividade econômica, grau de instrução, dentre outros fatores, que servem para inseri-lo ou descartá-lo da sociedade em que vive: A transformação do envelhecimento em problema social, como destacado anteriormente, não se deve ao declínio biológico dos indivíduos ou ao crescimento demográfico [...], mas à vulnerabilidade em massa dos trabalhadores, principalmente quando perdem o valor de uso para o capital, desprovido de rendas de propriedades, dos meios de produção, de acesso à riqueza socialmente produzida, capaz de proporcionar uma velhice digna. [...]. (TEIXEIRA, 2008. p. 77). Assim, os projetos intergeracionais representam a possibilidade de reverter a atual concepção de envelhecimento humano, através da reaproximação das gerações, fortalecendo a geração atual de idosos e preparando as gerações mais novas para esta etapa da vida. As instituições voltadas ao atendimento exclusivo de idosos, como grupos de convivência, apesar de benéficas, podem distanciar esta categoria do convívio com as gerações mais jovens, uma segregação que enfraquece as relações sociais, uma vez que separa as pessoas por faixa etária. Nessa perspectiva, o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03) representa um avanço com relação à compreensão da importância das relações intergeracionais na promoção do bem-estar social do idoso. Ao abordar em seu Capítulo V (Art. 20, 21, 22 e 24), questões como a inclusão digital, a educação para o envelhecimento humano e a participação do idoso nas relações sociais, reafirma a relevância das relações intergeracionais no cotidiano dos idosos: CAPÍTULO V Da Educação, Cultura, Esporte e Lazer. Art. 20. O idoso tem direito a educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade. Art. 21. O Poder Público criará oportunidades de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados. § 1º Os cursos especiais para idosos incluirão conteúdo relativo às técnicas de comunicação, computação e demais avanços tecnológicos, para a sua integração à vida moderna. § 2º Os idosos participarão das comemorações de caráter cívico ou cultural, para transmissão de conhecimentos e vivencias às demais gerações, no sentido da preservação da memória e da identidade culturais. Art. 22. Nos currículos mínimos dos diversos níveis de ensino formal serão inseridos conteúdos voltados ao processo de envelhecimento, ao respeito e à valorização do idoso, de forma a eliminar o preconceito e a produzir conhecimentos sobre a matéria. Art. 24. Os meios de comunicação manterão espaços ou horários especiais voltados aos idosos, com finalidade informativa, educativa, artística e cultural, e ao público sobre o processo de envelhecimento. As relações intergeracionais no âmbito familiar As relações intergeracionais estão presentes em diversas relações sociais, como na vizinhança, na escola e, principalmente, no convívio familiar. No contexto atual em que a longevidade amplia o número de famílias com idosos, estimular e valorizar as relações entre o idoso e a família, exige a formulação de novas formas de educação para o envelhecimento no âmbito familiar. A longevidade da população brasileira é um acontecimento novo na sociedade, que provocou impacto porque desestabilizou a família, que, assim como a população de maneira geral, não estava preparada para as questões que envolvem o envelhecimento humano. Para GUEIROS: “[...] As relações inter geracionais aparecem, hoje, como algo a ser decodificado e administrado pela família contemporânea, uma vez que a “cultura dos jovens” expressa-se com conteúdos bem diferentes daqueles vividos por seus pais, provocando assim, um embate entre eles.” (GUEIROS, 2002, p.110). Dentre as mudanças presentes nas famílias brasileiras contemporâneas, a possibilidade de uma convivência mais prolongada entre as gerações, decorrente do aumento da expectativa de vida, é uma das mais significativas. Com o envelhecimento humano acontece nas famílias uma inversão de papeis, em que os filhos acostumados a serem cuidados e dependentes dos pais por vários anos de suas vidas, num dado momento passam a ter que cuidar deles. Nesse momento de inversão nas relações familiares, é comum que apareçam os conflitos geracionais, que ocorrem quando os indivíduos não conseguem sair de seus papeis, favorecendo o surgimento de situações de depressão, isolamento e negação ao envelhecimento. Além das perdas de papeis, estes conflitos, podem ser provocados pelas divergências de opiniões, atitudes e comportamentos. A longevidade traz a possibilidade de um maior tempo de convivência familiar e i nter geracional, sendo a família o locus fundamental para a garantia do bem-estar de seus membros, especialmente no que diz respeito aos idosos, visto que a busca pelo envelhecimento saudável e ativo, apresenta-se como uma das funções atribuídas à família contemporânea. Porém, as funções relegadas às famílias brasileiras na atualidade, precisam ser vistas de maneira cautelosa. É preciso ter bem claro o que é de competência das famílias e do poder público com relação ao atendimento das necessidades dos membros da família, considerando que cada vez mais as famílias têm sido chamadas para preencher as lacunas deixadas pelo Estado no trato das questões sociais: Diante da ausência de políticas de proteção social que deveriam ser implementadas pela esfera pública, deparamos, no nosso cotidiano profissional, com a pressão para que encontremos junto à família respostas para graves situações vividas pelos indivíduos que dela fazem parte [...] (op. cit. 2002, p.119). Essa transferência de responsabilidades, geralmente, é feita sem que haja uma devida assistência às famílias, para que possam executar este papel. Assim, no que tange o processo de envelhecimento humano no Brasil, deve-se ter cuidado para não confundir a ausência de políticas públicas de atenção ao idoso, e a consequente desvalorização da categoria de idosos, com o despreparo e/ou falta de condições da família para o cuidado de seus membros. Considerações finais O crescimento da população idosa no Brasil vem desafiando autoridades e pesquisadores no sentido de elaborar políticas públicas que atendam suas reais necessidades. Nesse sentido, a incorporação da perspectiva intergeracional, na condução de ações voltadas ao atendimento dessa população, surge como elemento facilitador na luta pelos interesses dos idosos, a partir da reconceituação do entendimento de velhice entre as diversas gerações, considerando que as discussões do tema devem abranger a sociedade em sua totalidade. Nessa perspectiva, a família, enquanto principal espaço de relações intergeracionais e base social de um indivíduo, possui uma importância decisiva para o desenvolvimento social, interdependência, solidariedade e reciprocidade entre as gerações, tendo em vista que a criança de hoje precisa ter uma base para valorizar o idoso com quem convive, e o seu próprio envelhecimento. Referências ALMEIDA, Vera Lúcia V. de. Modernidade e Velhice. In Serviço Social e Sociedade - Velhice e Envelhecimento. São Paulo: Cortez, 2003. Ano XXIV, n. 75, p. 35-54. BRASIL. Política Nacional do Idoso - Lei nº 8.842, de 4 de Janeiro de 1994. Dispõe sobre a política nacional do idoso, cria o conselho nacional do idoso e dá outras providências. Brasília-DF, 1994. EIRAS, Neusa Batista. Reminiscências: três encontros com a intergeracionalidade. In Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária. Belo Horizonte, 2004. GUEIROS, Dalva Azevedo. Família e Proteção Social: questões atuais e limites da solidariedade familiar. In Serviço Social e Sociedade - Família. São Paulo: Cortez, 2002. Ano XXIII, n. 71, p.102121. TEIXEIRA, Solange Maria. Envelhecimento e Trabalho no Tempo do Capital: implicações para a proteção social no Brasil. São Paulo: Cortez, 2008. VERAS, Renato P. A Longevidade da População: desafios e conquistas. In Serviço Social e Sociedade - Velhice e Envelhecimento. São Paulo: Cortez, 2003. Ano XXIV, n. 71, p. 5 - 18. CAPACIDADE FUNCIONAL E QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS PRATICANTES DE EXERCÍCIOS FÍSICOS FUNCTIONAL CAPACITY AND QUALITY OF LIFE OF AGED Jamylle de Lima Pinheiro Acadêmicas de Licenciatura Plena em Educação Física, Universidade Federal do Pará. Castanhal, Pará, Brasil. [email protected] Resumo: A pesquisa foi realizada com 120 idosos divididos nos grupos praticante (GP) e não praticante de exercícios físicos (GNP) com o objetivo de investigar a capacidade funcional nas atividades da vida diária e qualidade de vida através da aplicação do Índice de Barthel e do questionário SF-36. Os resultados apontaram que o GP possui capacidade funcional superior em relação ao GNP, além de apresentar melhores pontuações nos domínios da qualidade de vida. Concluiu-se que a prática de exercícios físicos é um fator que pode influenciar a capacidade funcional e a qualidade de vida de idosos. Palavras-chave: Idoso; qualidade de vida; exercício. Abstract: The survey was conducted with 120 patients divided into groups practitioner (GP) and no physical exercise practitioner (GNP) in order to investigate the functional capacity in activities of daily living and quality of life through the application of the Barthel Index and the questionnaire SF-36. The results showed that the GP has superior functional capacity in relation to GNP, and have better scores in the areas of quality of life. It was concluded that physical exercise is one factor that may influence the functional capacity and quality of life of seniors. Keywords: Aged; quality of life; exercise. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Elizabeth Chistinne Brito Pereira ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia PRACTITIONERS OF PHYSICAL EXERCISES Introdução Tem ocorrido acelerado crescimento da população idosa nos últimos anos (IBGE, 2008). Dados indicam que em 1950 eram cerca de 204 milhões de idosos no mundo e já em 1998 este contingente alcançava 579 milhões. As projeções indicam que em 2050 a população idosa mundial será de 1,9 bilhão de pessoas (IBGE, 2002). As significativas mudanças sócio demográficas causadas por este fenômeno tem sido alvo de vários estudos com o objetivo de contribuir na qualidade de vida do indivíduo idoso e, consequentemente, na diminuição dos possíveis impactos advindos destas alterações sociais (LOPES, 2009; KUWANO e SILVEIRA, 2002). RIKLI e JONES (2008) afirmam que “a maioria das pessoas concorda que a qualidade de vida na idade avançada depende em grande parte de uma condição de saúde que lhes permita fazer as coisas que desejam, sem dor e durante o máximo de tempo possível”. Entretanto, dados revelaram que 53% da população idosa pesquisada no município de São Paulo referiu necessidade de ajuda parcial ou total para realizar pelo menos uma das atividades da vida diária (AVDs) (RAMOS et al., 1993) e que 44,6% de uma população de idosos mineiros apresentaram algum tipo de limitação funcional nas AVDs (NUNES et al., 2009). Um indivíduo que não consegue efetuar suas atividades cotidianas pode apresentar dificuldades de adequar-se à sociedade atual, perdendo autonomia e limitando sua participação enquanto cidadão (COSTA et al., 2006), o que pode prejudicar sua integridade física e emocional (JACOB FILHO, 2009). Neste contexto, estudos sobre a relação entre os aspectos físicos do envelhecimento com a qualidade de vida são importantes para a possibilidade de uma velhice não somente mais prolongada, mas também funcional, apresentando menores limitações e incapacidades no dia-a-dia, visto que a qualidade de vida tem sido muitas vezes associada a questões de dependência e autonomia (JOIA et al., 2007). O exercício físico tem sido estudado como um possível fator para a melhoria da qualidade de vida (NAHAS, 2006) e o aumento da capacidade funcional já que o mesmo trabalha os componentes da aptidão física relacionada à saúde (força e resistência muscular, condicionamento cardiorrespiratório, composição corporal e flexibilidade), os quais podem influenciar diretamente o estado físico, psicológico e social do idoso. A atividade direcionada a manutenção/melhora destes componentes, seja nos aspectos de prevenção e redução dos riscos de doenças, como também pela maior disposição para as AVDs tem, comprovadamente, efeitos positivos sobre a qualidade de vida do idoso (BORGES et al., 2004; MARIN et al., 2003; ACSM, 1998). Neste sentido, o presente trabalho teve como objetivo investigar a capacidade funcional nas atividades da vida diária (AVDs) e qualidade de vida de idosos praticantes e não praticantes de exercícios físicos, analisando ainda a relação com condições como escolaridade, renda e faixa etária. Método Foram avaliados 120 idosos voluntários, divididos em grupo praticante (GP, n=60; 67,40±5,54 anos de idade) e grupo não praticante de exercícios físicos (GNP, n=60, 70,83±6,77 anos de idade). O GP foi composto por voluntários inscritos em projetos específicos para idosos no Município de Castanhal-PA. Os componentes deste grupo realizam exercícios físicos orientados e supervisionados por profissional de Educação Física, com a frequência de pelo menos duas vezes por semana, duas horas por dia, há pelo menos seis meses. As atividades incluem: caminhada, capoeira, ginástica localizada, hidroginástica, dança e alongamento, festas comemorativas como aniversários, festas juninas, confraternizações, entre outros. O GNP foi composto por idosos cadastrados nos postos de saúde do Município de Castanhal e que não realizavam atividade física regular há pelo menos seis meses. Os dados dos voluntários que compuseram o GP foram coletados no próprio espaço onde aconteciam suas atividades, enquanto as entrevistas dos voluntários do GNP foram realizadas em visitas domiciliares. A presente pesquisa obedeceu aos preceitos éticos e foi baseada na Resolução 196/96 e aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Ciências da Saúde/UFPA (0061.0.073.000-10; Parecer nº 072/10 CEP-ICS/UFPA). Após os esclarecimentos e assinatura do Termo de Consentimento, foram realizadas as coletas dos dados através da aplicação individualizada de um questionário sobre aspectos de caracterização pessoal e sócio demográficos. Para mensurar a capacidade funcional nas atividades da vida diária (AVDs) utilizouse o Índice de Barthel (RUZAFA e MORENO, 1997), considerado como o índice que possui resultados de confiabilidade e validade consistentes (PAIXÃO JR. e REICHENHEIM, 2005). Estudos recentes utilizaram esta ferramenta para a avaliação da capacidade funcional de idosos (BASSANI et al., 2009; NADAL et al., 2009). O Índice de Barthel avalia a capacidade funcional nas AVDs através de dez itens: alimentar-se, higiene pessoal, tomar banho, vestir-se, ir ao banheiro, andar, passar da cama para a cadeira, subir e descer escadas e ter continências urinária e fecal. Cada item foi respondido de acordo com o grau de independência em cada uma das funções e, posteriormente, classificados em níveis de capacidade funcional (SHAH et al., 1989 apud RUZAFA e MORENO, 1997) da seguinte forma: Pontuação entre 0 e 20: dependência total Pontuação entre 21 e 60: dependência grave Pontuação entre 61 e 90: dependência moderada Pontuação entre 91 e 99: pequena dependência Pontuação 100: independência A avaliação da qualidade de vida dos idosos voluntários foi realizada através da utilização do questionário de auto percepção da Qualidade de Vida SF-36 (The Medical Out comes Study 36-item Short Form Health Survey) (CICONELLI, 1997). Este instrumento é considerado bem desenhado, multidimensional, de fácil administração e compreensão (CICONELLI, 1997) e vem sendo utilizado para a avaliação da qualidade de vida de idosos (MOTA et al., 2006; NAKAGAVA e RABELO, 2007;). O SF-36 é formado por 36 itens que englobam oito domínios: 1) capacidade funcional, 2) desempenho físico, 3) dor, 4) estado geral de saúde, 5) vitalidade, 6) aspectos sociais, 7) aspectos emocionais e 8) saúde mental (NAKAGAVA e RABELO, 2007), os quais foram analisados e comparados entre os grupos. Após a aplicação do questionário os dados foram computados de acordo com a transformação das respostas numa escala de 0 a 100, sendo considerado como melhor índice de qualidade de vida a maior pontuação obtida e calculados em seus respectivos domínios (CICONELLI, 1999). Para a análise estatística foi utilizado o programa BioEstat 5.0 (AYRES et al., 2005). Foi considerado o valor de p bilateral com nível de significância p ≤ 0,05, utilizando prioritariamente o Teste-T de Student para duas amostras independentes, caso este não fosse indicado, foi utilizado o Teste de Mann-Whitney. Resultados e discussão Os grupos estudados foram predominantemente formados por mulheres (93,3% do total de idosos no GP e 58,3% no GNP), sendo as médias de idade nos grupos de 67,40 (±5,54) anos de idade e 70,83 (±6,77) anos de idade para o GP e o GNP, respectivamente. Quanto à escolaridade, os grupos possuem, na sua maioria, o Ensino Básico Incompleto (76,6% no GP e 63,3% no GNP), sendo superior o número de analfabetos do GNP (36,6%) em relação ao GP (5%). No GP, 45% dos voluntários apresenta renda familiar mensal de 1 a 3 salários mínimos e no GNP, a prevalência é de até 1 salário mínimo. A avaliação da capacidade funcional apontou diferença estatística significativa (p ≤ 0,05) entre o GP (99,1 pontos ±2,09) e o GNP (97,25 pontos ±4,35). Ambos os grupos foram classificados como de pequena dependência, de acordo com o Índice de Barthel. No GP a pontuação obtida variou entre 90 e 100 pontos, sendo que 51 idosos (85%) obtiveram 100 pontos, 8 idosos (13,3%) obtiveram 95 pontos e apenas 1 (1,6%) obteve pontuação 90. No GNP, a pontuação variou entre 80 e 100 pontos, 37 idosos (61,6%) obtiveram 100 pontos, 20 (33,3%) obtiveram pontuação entre 90 e 95 pontos e 3 idosos (5%) obtiveram entre 80 e 85 pontos. Em ambos os grupos, as limitações estavam relacionadas a subir e descer escadas e à presença de incontinência urinária, sendo que no GNP foi apontada ainda a dificuldade em caminhar pequenas distâncias. As limitações relatadas podem constituir-se fator importante no comprometimento da capacidade funcional de idosos. Entretanto, existe uma aparente contradição entre os resultados quantitativos apresentados acima e a categorização quanto ao nível de dependência sugerida por Shah e colaboradores (1989 apud RUZAFA e MORENO, 1997) gerada a partir do Índice de Barthel. As categorias apresentadas são muito amplas e parecem não identificar pequenas diferenças no nível de dependência na realização das AVDs entre grupos de idosos, mesmo considerando que estas sejam de grande relevância para a independência total. Tal situação pode ser justificada pela gênese da utilização deste índice, o qual tem seu mais amplo uso para identificar limitações funcionais em pessoas com algum tipo de doença crônica (BONARDI, 2006). As limitações encontradas podem suceder da diminuição das capacidades relativas à função motora advindas com o envelhecimento, estas comprometem a mobilidade e a realização das AVDs e consequentemente predispõem a incapacidade funcional (BONARDI, 2006), sendo que a mobilidade encontra-se ainda mais diminuída nos idosos sedentários (COSTA et al., 2006) e estes tendem a maior depleção de sua capacidade funcional (KUWANO e SILVEIRA, 2002). No GP, tais capacidades parecem estar mais preservadas, pois este não apresentou dificuldade em caminhar pequenas distâncias e um número menor de idosos relatou ter dificuldade de subir e descer escadas, em comparação ao GNP. A prática de exercícios físicos, como já discutido anteriormente, melhora diversos componentes da aptidão física em idosos, como força, resistência muscular e equilíbrio, componentes necessários para a realização dessas atividades comuns do cotidiano (MARIN et al., 2003; ARAÚJO e BARBOSA, 2007), o que pode justificar os resultados encontrados em nossa pesquisa. A problemática da incontinência urinária pode causar preocupação nesta faixa etária, uma vez que a falta de controle dos esfíncteres pode levar ao isolamento social, alterações na autoestima e autoimagem (COSTA et al., 2006). O GP apresentou menor número de casos de incontinência em relação ao GNP, apesar de o GP ser composto por um maior número de mulheres (93,3%), as quais são mais acometidas pela incontinência urinária (LOPES e HIGA, 2006). Os resultados encontrados podem estar relacionados aos benefícios advindos com a prática de exercícios (CAETANO et al., 2004), que proporcionam o fortalecimento da musculatura do períneo, mesmo que não possuam caráter específico de tratamento da incontinência urinária. Referente aos resultados encontrados através do questionário SF-36, o GP apresentou pontuações superiores com diferença estatística significativas em todos os domínios em relação do GNP. Dentre os mesmos destaca-se a maior diferença entre as médias dos grupos o domínio desempenho físico. No GP foi de 77,5 enquanto que no GNP foi de 40,8 (p ≤ 0,0005). NAKAGAVA e RABELO (2007) avaliaram que idosas praticantes de hidroginástica apresentavam uma média de 84 pontos para o domínio dor, corroborando com os resultados da diferença entre os grupos desta pesquisa para este domínio (p ≤ 0,005), o que também foi observado na análise do domínio capacidade funcional (p ≤ 0,0005) na pesquisa de Toscano e Oliveira (2009). Nossos resultados apontam que a prática de exercícios físicos está relacionada com a maior disposição na realização das atividades cotidianas (domínio vitalidade, p ≤ 0,0005), pois contribui com a diminuição da fadiga decorrente das respostas ao exercício, concordando com a literatura, em que o domínio vitalidade foi superior nos idosos praticantes de exercícios (GAVINHO JUNIOR e LIMA, 2008; ARAÚJO e BARBOSA, 2007). O domínio aspectos sociais (p ≤ 0,005) é importante na avaliação da qualidade de vida do idoso (VECCHIA et al., 2005) e na literatura afirma-se que a prática de exercícios possui relação com a dimensão social do idoso devido à manutenção da saúde física relativa aos acréscimos no desempenho físico, os quais possibilitam maior independência para a realização das atividades pessoais (VECCHIA et al., 2005), podendo manter as atividades sociais inalteradas. Além disso, exercícios realizados em grupo podem melhorar as relações interpessoais (JOIA et al., 2007), pois se estende o suporte social para além do meio familiar (TOSCANO e OLIVEIRA, 2009). Carneiro e colaboradores (2007) afirmam existir uma relação direta entre os relacionamentos sociais, níveis de qualidade de vida e capacidade funcional e uma relação inversa desses fatores com a depressão, problema de saúde comum na população idosa (GOMES e SANTOS, 2006), que pode afetar a saúde mental (p ≤ 0, 005) e seus aspectos emocionais (p ≤ 0,0005) e, consequentemente, prejudicar sua qualidade de vida. Na avaliação do domínio saúde geral os resultados apontaram uma média de 66,8 pontos para o GP e 55,8 pontos para o GNP (p ≤ 0,0005). Este domínio é avaliado pelo SF-36 a partir de quão boa o indivíduo considera sua saúde, tendo como importante influência a avaliação da condição física (MACIEL e GUERRA, 2007), o que pode justificar os resultados encontrados. A capacidade funcional é uma condição multifatorial, pois está associada a interação de fatores socioeconômicos, epidemiológicos e comportamentais (NUNES et al., 2009). De igual modo, a qualidade de vida está relacionada com a satisfação global com a vida de acordo com critério próprio, que inclui tanto os aspectos acima citados, como saúde, trabalho, moradia, autonomia, entre outros (JOIA et al., 2007). Neste sentido, apesar deste estudo não focar os motivos pelos quais os idosos praticam ou não exercícios físicos, faz-se necessária a leitura da realidade quanto ao perfil sócio demográfico da população pesquisada devido à relação existente entre este e a capacidade funcional e qualidade de vida. Foi visto que o grupo de idosos que apresentou tanto capacidade funcional, quanto qualidade de vida superiores (GP) apresentou também melhor renda financeira e escolaridade proporcionalmente superior, com destaque para o elevado índice de analfabetismo no GNP. Deste modo, concluir que os resultados positivos estão correlacionados apenas à prática de exercícios físicos limita a reflexão sobre a realidade dos grupos, pois, como afirma Xavier e colaboradores (2003), o aspecto saúde parece um bom indicador de qualidade de vida negativa, porém um indicador insuficiente de velhice bem sucedida. Ainda nesta perspectiva, Nunes e colaboradores (2009) afirmam que analfabetismo e baixa renda financeira estão relacionados a uma maior chance de capacidade funcional prejudicada. No caso da presente pesquisa, a média salarial do GNP é um terço da média salarial do GP e o analfabetismo é consideravelmente maior no GNP (36,6% comparados a apenas 5% no GP), o que pode ser um componente que contribui para melhor capacidade funcional e qualidade de vida no GP, pois idosos com renda e nível educacional mais alto têm a possibilidade de maior contato social, acesso a informações e aos serviços de cuidados com saúde, tal como a prática de exercícios (CAMARGOS et al., 2007; MACIEL e GUERRA, 2007). A diferença entre a média de idade dos grupos (67,40±5,54 anos no GP e 70,83±6,77 anos no GNP) também pode ser determinante nos resultados obtidos, já que o avanço da idade é um fator limitante de capacidade funcional, refletindo na qualidade de vida (ROSA et al., 2003). Nunes e colaboradores (2009) afirmam que idosos na faixa etária entre 70 e 79 anos de idade têm 7,3 vezes mais chances de apresentarem comprometimento da capacidade funcional em relação aos idosos na faixa etária entre 60 e 69 anos de idade. Deste modo o nível sócio demográfico parece ter importante influência nas condições de capacidade funcional e qualidade de vida dos grupos pesquisados além dos comprovados benefícios advindos com a prática de exercícios físicos. Referências ACSM, Colégio Americano de Medicina Esportiva – Posicionamento Oficial. Exercício e Atividade Física para Pessoas Idosas. 1998. ARAÚJO, Rita de Cássia Marçal; BARBOSA, Maria Teresa da Silva. Análise comparativa da força muscular de mulheres idosas praticantes de ginástica e hidroginástica. MOVIMENTUM - Revista Digital de Educação Física - Ipatinga: Unileste-MG - V.2 - N.1 - Fev./jul. 2007. AYRES, M.; AYRES Jr, M.AYRES, D.L. BioEstat: aplicações estatísticas nas área das ciências Bio-médicas. Mamirauá, 2005. 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Como resultado, parcela da literatura dedicada ao tema aponta um uso polissêmico e indiscriminado do conceito, com que este se presta a utilizações as mais diversas, por sujeitos às vezes situados em posições político-ideológicas opostas. Para levantar e debater as diferentes perspectivas do empoderamento a partir das lógicas que as constituem e do ponto de vista de seus atores. Inicio estudo eminentemente teórico que, contudo, procura fundamentar-se em investigações empíricas partindo da aproximação com a Comunidade de Santa Luzia, localizada as margens do rio Tauau, no Município de Breves na ilha do Marajó Palavras-chave: Empoderamento, Envelhecimento, Economia Solidária. Abstract: Although the profusion of studies on empowerment, a significant amount of them takes the concept without concerns with definitions and lo context. As result, part of literature dedicated to the subject points an indiscriminate use of the concept, providing the most diverse uses, for citizens the situated times in opposing politician-ideological positions. To catalogue and to debate the different perspectives of the empowerment from the logics constitute that them and of the point of view of its actors. Beginning of study eminently theoretician who, however, looks base in empirical inquiries leaving of the approach with the Community of Santa Luzia , located to the edges of the river Tauau, in the City of Breves in the island of the Marajó. Keywords: Empowerment, Aging, Solidary Economy. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Administrador, Discente da FACSS-Breves ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia José Alberto S.Araujo Algumas definições Sinteticamente, Perkins e Zimmerman (1995, p. 1) definem o empoderamento como “um construto que liga forças e competências individuais, sistemas naturais de ajuda e comportamentos proativos com políticas e mudanças sociais”. Trata-se da constituição de organizações e comunidades responsáveis, mediante um processo no qual os indivíduos que as compõem obtêm controle sobre suas vidas e participam democraticamente no cotidiano de diferentes arranjos coletivos e compreendem criticamente seu ambiente. A definição de empoderamento é próxima da noção de autonomia, pois se refere à capacidade de os indivíduos e grupos poderem decidir sobre as questões que lhes dizem respeito, escolher, enfim entre cursos de ação alternativos em múltiplas esferas – social, política, econômica, cultural, psicológica, entre outras. Desse modo, trata-se de um atributo, mas também de um processo pelo qual se aufere poder e liberdades negativas e positivas. Pode-se, então, pensar o empoderamento como resultante de processos políticos no âmbito dos indivíduos e grupos. A Comunidade de Santa Luzia, localizada as margens do Rio Tauau, distante aproximadamente a 1hora do Centro de Breves3 numa viagem que inicia por via rodoviária e termina pela utilização de pequena canoas conhecidas popularmente por “Casquinho” que funciona a remo ou rabeta que funciona a motor. A comunidade é formada por vinte famílias que totalizam cento e vinte pessoas nas mais diferentes faixas etárias, com predominância da etária entre 10 e 20 anos; é liderada pelo Sr. Francisco Ribeiro de 86 anos e todos sobrevivem da produção familiar da farinha. O Entendimento de produção aqui utilizado remetesse aos arranjos produtivos, pouco disseminados (Santos, 2002, p. 51) no entendimento atual da economia solidária, ou seja, vazios de abordagem ao desenvolvimento alternativo. A visão de desenvolvimento alternativo contribui para introduzir, em múltiplos fóruns e tratados internacionais, temas centrais, deixado de lado pela abordagem ortodoxa, como a preservação do meio ambiente, o respeito pela diversidade cultural e o impacto do desenvolvimento econômico convencional sobre os homens e mulheres dos países pobres. (Santos, 2002, p.51) Numa perspectiva emancipatória, empoderar é o processo pelo qual indivíduos, organizações e comunidades angariam recursos que lhes permitam ter voz, visibilidade, influência e capacidade de ação e decisão. Nesse sentido, equivale aos sujeitos terem poder de agenda nos temas que afetam suas vidas. Como o acesso a esses recursos 3 Município do Estado do Pará, localizado entre as áreas de Floresta e Rios na Ilha do Marajó. Possui unidade territorial de 9.55 Km2, com população aproximada de 101.094 habitantes. IBGE 2010. normalmente não é automático, ações estratégicas mais ou menos coordenadas são necessárias para sua obtenção. Ademais, como os sujeitos que se quer ver empoderados muitas vezes estão em desvantagem e dificilmente obtiveram os referidos recursos espontaneamente, intervenções externas de indivíduos e organizações são necessárias, consubstanciadas em projetos de combate à exclusão, promoção de direitos e desenvolvimento, sobretudo em âmbito local e regional, mas com vistas à transformação das relações de poder de alcance nacional e global. Trata-se, portanto, da promoção de direitos de cidadania que propiciem principalmente aos estratos de decidir, no caso, tem o sentido mais amplo possível. Por exemplo, a decisão de adquirir um bem de consumo e ter a capacidade de fazê-lo é sinal de empoderamento, maior ou menor, dependendo dos desejos e da capacidade aquisitiva do consumidor, numa perspectiva de poder em que este, no limite, é entendido como fazer o que se quer mesmo que a isso a pobreza, portanto, desempodera (Friedmann, 1996), retira dos pobres a condição de usufruir substantivamente os direitos de cidadania. O empoderamento vem-se transformando em categoria analítica e empírica de diversas disciplinas – serviço social, administração, economia, saúde pública – incluindo a sociologia política, além de constituir uma ferramenta com que governos, organizações da sociedade civil e agências de desenvolvimento buscam, a princípio, transformar a vida de pessoas e comunidades. Com essa conotação, são ações com “capacidade de gerar processos de desenvolvimento autossustentável, com a mediação de agentes externos – os novos educadores sociais – atores fundamentais na organização e o desenvolvimento de projetos” (Gohn, 2004, p. 23). A trajetória do conceito remonta os anos 1960, quando a sociedade civil dos países centrais constitui-se como sujeito coletivo e se fortalece, processo que no Brasil iria ocorrer a partir de meados da década seguinte. O termo empoderamento, com a conotação política emancipatória aqui assumida, foi ouvido pela primeira vez no início dos anos 1970, ainda no original inglês empowerment, tendo como seus emissores principais movimentos feministas e negros (Solomon, 1976; Perkins, 1995; Costa, 2000; Cornwall, 2000; Antunes 2002). Para o referido autor, liberdades substantivas são aquelas que garantem aos indivíduos a capacidade de participar efetivamente dos destinos de sua comunidade, sendo agentes, em vez de pacientes. Assim, para além de seu aspecto político, as liberdades substantivas implicam direitos que garantam qualidade de vida, tais como segurança econômica e física, proteção contra fomes e doenças tratáveis, mecanismos de combate a diversas formas de discriminação, transparência nas relações sociais. Para tanto, é necessário atacar as fontes de privação da liberdade, que constituem barreiras ao desenvolvimento: a pobreza econômica, a carência de serviços públicos e de assistência social e a negação de liberdades políticas e civis. Eu acrescentaria o déficit de cultura política. Assim o autor em apreço, em sua proposta de desenvolvimento como liberdade, para além do crescimento econômico preconizado pelas teorias desenvolvimentistas tradicionais, introduz indicadores como participação democrática e sustentabilidade para avaliar o desenvolvimento das sociedades. Os primeiros estudos sobre o tema que apareceram em língua portuguesa – traduções ou originais – traziam a grafia primitiva. Entre esses estudos, talvez o principal seja Empowerment: uma política de desenvolvimento alternativo, de John Friedmann (1996). Após, passou-se a rapidamente, a palavra foi apreendida pelo discurso do desenvolvimento alternativo, o qual se fortaleceu em face do não cumprimento das promessas do modelo tradicional de desenvolvimento que, com centralidade quase absoluta no crescimento econômico, não logrou acabar com a exclusão social, antes a promoveu, na medida em que deixou em segundo plano dimensões outras – como liberdade política, respeito ao meio ambiente, solidariedade, paz e segurança material (Friedmann, 1996, Sen, 2000). Consequências desse processo – o crescimento da população sem terra, êxodo rural, precarização do trabalho e marginalização – continuam bem visíveis, mesmo com o exponencial aumento do capital econômico-financeiro no mundo. No entanto, à medida que o empoderamento torna-se termo de uso corrente, apresentasse como um guarda-chuva conceitual, que se presta a vários usos, por diferentes perspectivas intelectuais, políticas e de intervenção na realidade. Na perspectiva que adotamos, empoderamento traz como resultado o aprofundamento da democracia, por várias razões. Para que o empoderamento signifique pessoas e comunidades sendo “protagonistas de sua própria história”, são prementes o aumento da cultura e da sofisticação políticas, o adensamento do capital social e o aperfeiçoamento da democracia representativa, incluindo, em seu desenho institucional, instâncias diretas e semidiretas de participação e deliberação, no modelo piramidal preconizado, entre outros, por Macpherson (1982). Trata-se, na visão de Rich et al. (1995) e Jacobi et al. (2004), da criação de novas institucionalidades, mais participativas, em que os debates, negociações, deliberações e informações relativas às políticas públicas de algum modo atinjam os cidadãos afetados e estes possam delas tomar parte, ainda que de forma indireta, por meio do alargamento dos fóruns representativos. Além disso, é necessário que as preocupações dos cidadãos sejam levadas em consideração, em processos transparentes (Rich et al., 1995). A entrada neste tema demanda um esclarecimento: não se pode tratar de envelhecimento, economia solidaria, participação, caboclo, capital social e empoderamento como sinônimos ou termos intercambiáveis. Na realidade, conforme o ponto de vista que se tome participação e capital social, como aqui definidos, são requisitos, meios, enfim, para se atingir o empoderamento, que, assim, não é um novo nome para categorias tradicionais. Entretanto, a presença daqueles só irá garantir que isso ocorra quando as pessoas e grupos considerados tiverem, de fato, poder de decisão sobre suas vidas e assuntos de seu interesse. Assim, há quem relativize a capacidade de processos de participação, mormente quando conduzidos por organizações da sociedade civil e movimentos sociais em contextos de extrema pobreza, terem como resultado um empoderamento efetivo (Bell, 2004). Na comunidade de Santa Luzia o líder, Sr.Francisco Ribeiro, representa a comunidade junto aos órgãos públicos nas suas reivindicações, ele reúne todo o grupo e juntos elegem prioridades que vão desde o que comprar até que instituição pública ou privada vão procurar para resolver problemas da comunidade. (informação obtida durante entrevista realizada em 24/09/10). Parcela da literatura defende a necessidade de descentralização de poderes, de governança no nível das comunidades locais, de modo que essas estejam mais próximas dos canais decisórios. Para que isso ocorra é essencial uma estrutura descentralizada legalmente estabelecida dentro da qual organizações de base comunitária possam desempenhar um papel relevante na condução das políticas (Osmani, s/d). O problema é que a descentralização pode significar, também, a redução de recursos estatais e a delegação para organizações e comunidades do enfrentamento de questões sociais. Nesse sentido, as propostas de empoderamento podem servir a projetos neoliberais, onde é repassado a sociedade civil deveres do Estado. Vasta literatura alerta para a polissemia do conceito de empoderamento (Gohn, 2004). Esta autora, por exemplo, nota emprego do conceito para duas ações razoavelmente distintas. De um lado, as ações de impulso a grupos e comunidades na qual se busque a efetiva melhora de suas existências, com autonomia, qualidade de vida e aumento de visão crítica da realidade social; de outro, práticas de assistência a populações carentes e excluídas que não retiram os beneficiários da relação de dependência de tais ações e que vêm sendo conduzidas por ONGs do terceiro setor mediante parcerias com o Estado. No que concerne às organizações da sociedade civil e seu papel no empoderamento há uma tensão entre os defensores de que elas se concentrem na prestação de serviços e os que preconizam sua mobilização social. A própria Gohn (2004) defende que as ações mais bem sucedidas, além de auxiliar os grupos excluídos a assegurar sua sobrevivência, são aquelas que ultrapassam a assistência social e buscam a mobilização social junto a movimentos e redes mais amplas, com o objetivo de empoderá-los, procurando influenciar o processo político geral. Desempenham, portanto, a tarefa de mediação entre os governos e outros poderes e os excluídos, devendo, apoiar as iniciativas locais sem usurpá-las (Friedmann, 1996). A diferença percebida por Gohn (2004) é, no entanto, relativamente sutil quando comparada às definições de empoderamento de progressistas e conservadores. Nesta última acepção (segundo seus críticos, como Perkins 1995), fundada em valores neoliberais/neoconservadores, empoderamento significa o fortalecimento da esfera privada, deixando-se às associações e comunidades a resolução de seus problemas. Combate-se, desse modo, políticas e programas estatais de assistência e bem-estar social. Sob o argumento de fortalecer as comunidades, o empoderamento assoma como justificativa para redução da despesa pública, dos impostos e da regulação estatal sobre as relações econômicas. Com menos contrastes, já que as perspectivas e os atores que a representam muitas vezes se entrecruzam, é a diferenciação conceitual que nasce de duas visões acerca da natureza e do papel da sociedade civil. A de inspiração gramsciana e, mais recentemente, freireana e habermasiana, concebe a sociedade civil como espaço público de transformação de pensamentos em ação, espaço de emancipação dos grupos dominados e excluídos. Significa conquista de vez e voz, por indivíduos, organizações e comunidades, de modo que esses tenham elevados níveis de informação, autonomia e capacidade de fazer suas próprias escolhas culturais, políticas e econômicas (Lisboa, 2000). O empoderamento, nessa perspectiva, não é uma dádiva, algo que possa ser outorgado: Não é algo que pode ser feito a alguém por outra pessoa. Os agentes de mudança externos podem ser necessários como catalisadores iniciais, mas o impulso do processo se explica pela extensão e a rapidez com que as pessoas e suas organizações mudam a si mesmas. Para os representantes da perspectiva em apreço, mesmo que os projetos de empoderamento sejam inicialmente elaborados por atores externos, dadas as dificuldades para ação espontânea dos sujeitos desmobilizados, a responsabilidade maior cabe aos sujeitos por eles atingidos, que, nesse sentido, podem participar de sua elaboração. A não “elaboração formal’’ dos projetos na Comunidade de Santa Luzia é real, porém a vivencia da produção familiar e organização para produção em pequena escala para atender o Município, já expressa o começo de cadeia produtiva mobilizando o grupo para participar da elaboração dos projetos de empoderamento da comunidade. “(...) Eu me sinto importante para comunidade, pois faço a ponte entre eles e a cidade. Conheço muita gente e aprendo muito. Não me sinto encostado, pois trabalho, corro, jogo bola e tenho muita experiência” ( Sr. Francisco Ribeiro, 86 anos). Para Beauvoir (1990) a velhice não é vivida homogeneamente e a experiência com os idosos da Comunidade de Santa Luzia, em Breves no Marajó, tem refletido esse saber plural de vivencia da velhice. Falei até aqui da velhice, como se esta palavra representasse uma realidade bem definida. Na verdade, quando se trata de nossa espécie, não é fácil circunscrevê-la. Ela é um fenômeno biológico: O organismo do homem idoso apresenta certas singularidades. A velhice acarreta, ainda, consequências psicológicas: certos comportamentos são considerados com razão, como característicos da idade avançada. Como todas as situações humanas, ela tem uma dimensão existencial: modifica as relações do individuo com o tempo e, portanto sua relação com o mundo e sua própria história. Por outro lado, o homem não vive nunca em estado natural; na sua velhice, como em qualquer idade, seu estatuto lhe é imposto pela sociedade à qual pertence. (Beauvoir, 1990 p, 15). A Velhice, a economia solidária e o empoderamento não são conceitos inconciliáveis, pela experiência que estou iniciando com a Comunidade de Santa Luzia, eles se complementam de diferentes formas, valorizando e fortalecendo o saber do velho. Podemos apontar nestes primeiros fragmentos de pesquisa, que o papel da velhice na floresta tem perspectivas diferenciadas de empoderamento. Este conhecimento será por mim buscado para sistematização em médio prazo. Referências ANTUNES, M. O caminho do empoderamento: articulando as noções de desenvolvimento, pobreza e empoderamento.In: ANTUNES M. e ROMANO, J. O. Empoderamento e direitos no combate à pobreza. Rio de Janeiro: ActionAid Brasil. 2002 AVRITZER, LCultura política, associativismo e democratização: uma análise do associativismo no Brasil. Rio de Janeiro. 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[email protected] Resumo: A transição demográfica, além do aumento da população idosa, evidencia um quadro de sobrevivência de idosos na dependência de uma ou mais pessoas que supram as suas incapacidades para a realização das atividades de vida diária. Tem-se observado a predominância de mulheres como cuidadoras de idosos. Diversos motivos contribuem para que uma mulher torne-se a cuidadora principal dentre os quais a literatura aponta para quatro predominantes: parentesco (cônjuges); a mulher como sendo culturalmente responsável pelos cuidados familiares; proximidade física (vive junto) e proximidade afetiva (conjugal, pais e filhos), no entanto, é fundamental que haja a participação de outras pessoas no cuidado ao idoso frágil. Palavras-chave: perfil de cuidadoras, idosos, transição demográfica, vulnerabilidade. Abstract: The demographic transition, in addition to an increase in the elderly population, brings into evidence the dependence of some aged people on one or more persons to help with their activities of daily living. It has been observed that predominantly women are the caregivers in such circumstances. Several reasons contribute for a woman to become the main caregiver, among which the literature shows four predominant: being a wife, women obligation based on cultural aspects of family care, physical proximity (living in the same place), lack of others to care for the elder. Nevertheless, it is fundamental that other people be involved in the care to the vulnerable aged. Keywords: caregivers, elderly, demographic transition, vulnerability. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil William Dias Borges Enfermeiro. Especialista em Saúde Pública. Mestrando em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Acadêmica de Enfermagem da FE-ICS/UFPA. [email protected] Transição demográfica e epidemiológica, o idoso e seu cuidador A transição demográfica e a transição epidemiológica apresentam, no Brasil, cada vez mais, além do aumento da população idosa, um quadro de sobrevivência de idosos na dependência de uma ou mais pessoas que supram as suas incapacidades para a realização das atividades de vida diária. Essa transição demográfica exige novas estratégias para fazer frente ao aumento exponencial do número de idosos potencialmente dependentes, com baixo nível socioeconômico, consumidores de uma parcela desproporcional de recursos da saúde destinada ao financiamento de leitos de longa permanência (Medina,1998). As pessoas encarregadas de suprir as incapacidades desses idosos são geralmente familiares, especialmente, mulheres, que geralmente residem no mesmo domicílio e se tornam as cuidadoras de seus maridos, pais e até mesmo filhos. No Brasil a população de 60 anos ou mais teve um crescimento de 697 mil pessoas entre 2008 e 2009, o que representou um aumento de 3,3%, contra uma elevação de 1% no total da população residente do país. Em 2009, 11,3% dos brasileiros tinham 60 anos ou mais de idade, frente a 11,1% em 2008 e 9,7% em 2004. Segundo o IBGE, 11% dos brasileiros já chegaram aos 60 anos de idade. A participação do grupo na composição total da população cresceu em 19 dos 27 Estados do país - o Pará está entre eles (Diário do Pará, 2010). Contudo, à condição de longevidade associa-se muitas vezes a fragilização do envelhecimento humano, tornando o idoso vulnerável às diversas condições patológicas. No contexto brasileiro estima-se que 85% dos idosos apresentem pelo menos uma doença crônica, e destes pelo menos 10% com no mínimo cinco afecções concomitantes (Ramos, 2002). Desse modo, a prevalência de doenças crônicas e a longevidade atual dos brasileiros contribuem para o aumento de idosos com limitações funcionais, implicando a necessidade de cuidados constantes. Geralmente esses cuidados são prestados pela família no próprio domicílio. Em relação ao cuidador, geralmente os cuidados recaem sobre um de seus membros, chamado cuidador principal, por ser o responsável pelas necessidades de cuidado do idoso, em geral mulheres, embora outros membros da família também possam ajudar em outras atividades, sendo denominados cuidadores secundários (Yuaso, 2002; Wanderbroocke, 2002). Discutir sobre os cuidadores de idosos é fundamental para a valorização da família e sociedade, sobre a importância que estes têm na manutenção da saúde e qualidade de vida do idoso, que trabalham muitas vezes anonimamente e de forma incansável para que os anciãos mantenham sua qualidade de vida. Estudos têm mostrado predominância de mulheres no papel de cuidadora familiar de idoso (Caldas, 2002; Giacomin, 2005, Camarano, 2004). No presente estudo são evidenciados, a partir da revisão da literatura, os determinantes da predominância de mulheres enquanto cuidadoras de idosos. Processo de envelhecimento, mudanças sociais, afetivas e necessidade do cuidado A previsão para o ano de 2050, é que se tenha cerca de dois bilhões de pessoas com sessenta anos e mais no mundo, a maioria delas vivendo em países como o Brasil (MS-Brasil, 2006). O envelhecimento pode ser compreendido como um processo natural, de diminuição progressiva da reserva funcional dos indivíduos – senescência – o que, em condições normais, não costuma provocar qualquer problema. No entanto, em condições de sobrecarga como, por exemplo, doenças, acidentes e estresse emocional, podem ocasionar uma condição patológica que requeira assistência – senilidade. Em geral, a aposentadoria significa a primeira experiência referente ao impacto de envelhecer, principalmente quando o trabalho é a sua atividade satisfatória, fonte de seus contatos sociais e principalmente sua renda que em geral é reduzida (Eliopoulos, 2005). Outro evento que altera a rotina do idoso é a perda do cônjuge. Perder o companheiro com quem compartilhou alegrias, tristezas, experiências de vida pode ser intolerável (Eliopoulos, op. cit.). Segundo Medina (1998) a longevidade atual dos brasileiros e a frequência das doenças crônicas são as duas principais causas do crescimento das taxas de idosos portadores de incapacidades. Os idosos têm uma ou mais doenças crônicas, e temem que por suas causas possam perder sua independência, tornando-se um fardo a família, por serem incapazes de realizar suas tarefas de vida diária (Eliopoulos, ib.). Karsch (2003) revela que cerca de 40% dos indivíduos com 65 anos ou mais de idade precisam de algum tipo de ajuda para realizar pelo menos uma tarefa como fazer auxílio para realizar tarefas básicas, como tomar banho, vestir-se, ir ao banheiro, alimentar-se etc. A assistência à saúde dos idosos dependentes, o suporte aos cuidadores familiares e a prevenção de doenças crônicas e degenerativas, representam novos desafios para o sistema de saúde instalado no Brasil. Características de mulheres cuidadoras de idosos No estudo de Giacomin et al. (2005), observaram que, apesar de todas as evidências, as mulheres têm dificuldade de dissociar o cuidado de seu papel de esposas e admitir o fardo que é obrigação “natural” da mulher cuidar. De acordo com José Luiz Telles, coordenador do Conselho Nacional dos Direitos dos Idosos, 80% dos idosos são cuidados pelas mulheres da família, também com idade avançada. Ele informa que há dois tipos de cuidadores: o profissional ou formal, em geral o técnico de enfermagem, pago para realizar o serviço, e o familiar ou informal, que ajuda o idoso nas atividades diárias, mas, muitas vezes, não sabe ao certo como proceder (O Globo, 2006). Sobre o cuidador de idoso, com câncer avançado, Floriani e Schrmamm (2006) produziram um artigo de revisão e classificaram-no como “ator vulnerável”, expressando muitas vezes o desejo do paciente ou sua falta de opção. Os autores mencionam vários estudos referentes ao impacto sobre a família e o ônus para o cuidador com repercussões físicas, psíquicas, sociais e econômicas sobre os mesmos. Observou-se nesse estudo que os cuidadores estavam sob risco de adoecer por fadiga severa a despeito da coragem e força que demonstravam. O estudo supracitado também demonstrou fatores que diminuíam a vulnerabilidade como à satisfação com os cuidados, a esperança e as percepções do cuidador com seus limites, além do suporte familiar e equipe de atendimento domiciliar. Karsch (2003) levanta um aspecto importante em seu artigo de revisão, relata que cuidar de idoso em casa é uma tarefa que deve ser estimulada, no entanto cuidar de um idoso incapacitado por 24 horas, não é tarefa para uma mulher, no geral, de 50 anos, sozinha, sem apoios, serviços e uma política de proteção que possam atender as suas necessidades. Nesse contexto, emerge uma importante questão: a de falta ou de pouco preparo para realizar a tarefa de cuidador de idosos, segundo Neri e Carvalho (2002). Assim a ajuda de profissionais especializados, com capacitação das equipes de Saúde da Família, dos profissionais dos hospitais e a criação de grupos de apoio aos cuidadores vêm a contribuir na qualificação destas cuidadoras leigas ou informais. Na maioria dos países, observa-se que ao longo da história o cuidado do idoso é exercido por mulheres. Em nosso meio, as cuidadoras são, principalmente, as esposas, as filhas e as netas. Esse fato pode ser explicado pela tradição de no passado as mulheres não desempenharem funções fora de casa, justificando sua maior disponibilidade para o cuidado dos mais velhos (Neri, 2002; Karsh, 2003). Contudo, essa realidade vem sendo modificada em função da inserção social da mulher, sua participação progressiva no mercado de trabalho e a redução das taxas de natalidade e fecundidade (Caldas, 2002; Souza, 2005; Mazza, 2005; Nakatani, 2003; Garrido et al., 2004). Não obstante, não é só no Brasil que as mulheres são as “grandes cuidadoras” dos idosos incapacitados. Kinsella e Taeuber (1992) indicam em seus estudos que pelo mundo, salvo por razões culturais muito específicas, a mulher é a cuidadora tradicional. Por causas predominantemente culturais, o papel da mulher como cuidadora, no Brasil, ainda é uma atribuição esperada pela sociedade (Neri, 1993). É sabido que as mulheres, em quase todo o mundo, vivem, em média, mais do que os homens. No país, esta diferença corresponde, hoje a mais de sete anos (Karsch, 2003). A razão de sexos para a população idosa brasileira, em 1991, era de 100 mulheres para cada 83 homens de mais de 65 anos, conforme Berquó (1996). A doença ou a limitação física em uma pessoa provocam mudanças na vida dos outros membros da família, que tem que fazer alterações nas funções ou no papel de cada um, tais como: a filha que passa a cuidar da mãe, a esposa que além de todas as tarefas agora cuida do marido acamado; o marido que tem que assumir as tarefas domestica e o cuidado com os filhos, porque a esposa se encontra incapacitada, o irmão que precisa cuidar do outro irmão. Todas essas mudanças podem gerar insegurança e desentendimentos, por isso, é importante que a família, o cuidador e a equipe de saúde conversem e planejem as ações do cuidado domiciliar. A carência das instituições sociais no amparo das pessoas que precisam de cuidados faz com que a responsabilidade máxima recaia sobre a família, e mesmo assim, é sobre um elemento da família, normalmente uma mulher (MS-Brasil, 2008). Cuidar de um idoso em tempo prolongado exige exposição constante dos cuidadores a riscos de adoecimento, pois principalmente aqueles que são cuidadores únicos assumem total responsabilidade, e com isso estão sempre sobrecarregados. Em se tratando de mulheres, estas acumulam diversos papéis como: de mãe, esposa e cuidadora de outros dependentes, dentre outros. Tal sobrecarga predispõe à condição de auto descuido (Gonçalves et al., 2006). O cuidado muitas vezes é realizado como uma questão de obrigatoriedade. Assim, Leite (2000) verificou que quando se trata de filhos cuidando de pais idosos, há um entendimento de retribuir algo que lhes foi dado no passado, além do sentimento de responsabilidade pelos mais velhos e doentes, que estão em situação de dependência parcial/total (Nakatani et al., 2003). Considerações Finais Diversos motivos contribuem para que uma mulher torne-se a cuidadora principal, dentre os quais se destacam: a obrigação moral alicerçada em aspectos culturais e religiosos; na condição de conjugalidade, o fato de ser esposa (Caldas, 2002; Giacomin, 2005); a ausência de outras pessoas para o exercício do cuidado, caso em que o cuidador assume essa incumbência não por opção, mas, na maioria das vezes, por força das circunstâncias; as dificuldades financeiras, como em caso de filhas desempregadas que cuidam dos pais em troca do sustento (Wanderbroocke, 2002). Nestes termos, a literatura aponta para quatro fatores, geralmente presentes, na designação da pessoa que, preferencialmente, assume os cuidados pessoais ao idoso incapacitado: parentesco (cônjuges); gênero (principalmente, mulher); proximidade física (vive junto) e proximidade afetiva (conjugal, pais e filhos). A este respeito recomenda-se ver Sinclair (1990), Ungerson (1987), Stone et al. (1987) e Lewis e Meredith (1988). Com a finalidade de evitar o estresse, o cansaço e permitir que o cuidador tenha tempo de se auto cuidar, é importante que haja a participação de outras pessoas no cuidado do idoso (MS-Brasil, 2008). Um dos aspectos que afetam o cotidiano da maioria dos familiares cuidadores, em especial as mulheres cuidadoras é a dificuldade financeira da camada social destas que comumente é desfavorável. Muitas destas cuidadoras estão desempregadas e sobrevivem dos recursos provenientes das aposentadorias dos idosos que, em muitos casos, são insuficientes para atender as necessidades básicas do próprio idoso (Camarano, 2004). Com isto, considerando estes determinantes da predominância de mulheres enquanto cuidadoras de idosos apontamos a necessidade de políticas de capacitação de cuidadoras familiares, modalidades de assistência e internação domiciliar, devam estar na pauta das políticas públicas de Estado, além do apoio social a estas mulheres e a pessoa idosa. Referências BERQUÓ, E. Algumas considerações demográficas sobre o envelhecimento da população no Brasil. In: I Seminário Internacional Envelhecimento Populacional, Anais, p. 22, Brasília: Secretaria da Assistência Social, Ministério da Previdência e Assistência Social. Brasília: 1996. CALDAS, C. P. Contribuindo para a construção da rede de cuidados trabalhando com a família do idoso portador de síndrome demencial. 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A década de 80 é adotada como referência por constituir-se num período de importantes conquistas no campo dos direitos para os idosos. Provenientes da mobilização do próprio segmento organizado. Período em que diretrizes fundamentais foram instituídas nas políticas, em particular a Participação que na atualidade é considerada exigência para os idosos. Palavras-chave: Velhice, Participação, Controle Social. Abstract: This article discusses the old policy perspective. The elderly are recognized as a subject of rights, which give new forms of citizenship, will age through social participation. The 80 is adopted by reference as to constitute a period of important achievements in the field of rights for the elderly. Many of them, through the mobilization of organized own segment. Period in which fundamental guidelines were imposed policies, in particular the contribution which today is now considered a requirement for the elderly. Keywords: Old age, Participation, Social Control. 4 Este artigo reúne parte das indagações que fundamentaram o Projeto de Dissertação apresentado para qualificação no Programa de Pós-graduação em Serviço Social. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Tamara Aguirre ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia FOR THE AGED IN THE PRESENT TIME Introdução O envelhecimento é um processo continuo de transformação do humano em ser único em seu tempo vivido. Segundo Monteiro (2005, p. 17) o ser humano envelhece com o passar do seu próprio tempo, um tempo interno, subjetivo, que pertence a cada um individualmente. Por isso, o processo de envelhecer não pode ser generalizado. O humano é subjetivo, indeterminado, e não um objeto que possa ser classificado em série. A velhice não pode ser vista exclusivamente por uma perspectiva biológica, porque o humano não é somente uma entidade biológica. É também, um ser social, cultural, psicológico e espiritual. Para Beauvoir apud Mercadante (2003, p. 56) a velhice é uma totalidade complexa, e é impossível se ter uma compreensão da mesma a partir da descrição analítica de seus diversos aspectos. Já que cada um dos aspectos reage sobre todos os outros. A forma de conceber a velhice tem sido diversa, de acordo com períodos históricos e com a estrutura social, cultural e econômica de cada povo. Beauvoir destaca que estas mudanças na forma conceber a velhice, não permitem que se obtenha um conceito absoluto da velhice, por apontar sempre para a possibilidade de haver uma nova condição a ser construída nesta etapa da vida. Serão os valores intrínsecos á representação que uma sociedade tem da velhice os norteadores responsáveis pelas ações que irão possibilitar ou não a proteção e a inclusão social de seus idosos, assim como, a qualidade das relações que serão estabelecidas com eles. [...] o lugar atribuído e ocupado por homens e mulheres, crianças, jovens, adultos ou velhos, decorre das soluções encontradas por cada coletividade para responder aos imperativos de sua existência, como “lugares sociais” revestem-se de valores e juízos morais [...] (ALMEIDA, 2003, p. 39). Na sociedade capitalista um dos demarcadores da velhice é a aposentadoria. As relações de produção que ditam as regras e determinam o ritmo acelerado da vida, marginalizam aqueles que não acompanham o processo produtivo. Os velhos passam a não ter mais valor quando passam a ser considerados inativos para o capital. Em consonância com este processo vemos a propagação de valores que exaltam a juventude. Para Almeida (2003) o que se busca é: “encontrar na juventude modelos de ser e de agir”. No Brasil, segundo Alcântara (2003, p. 13) a velhice começou a receber mais atenção por parte dos geriatras, gerontólogos, movimentos sociais e universidades a partir da década de 1980. O envelhecimento da população brasileira tornou-se visível e a conjuntura política da redemocratização da sociedade foi favorável aos debates preparatórios da constituinte de 1988, permitindo a eclosão de diversos movimentos sociais reivindicatórios, atores importantes neste processo, ansiosos para resguardar ou conquistar novos direitos na constituição democrática que estava para ser promulgada. Para Cabral (2004, p. 7), a visibilidade do movimento dos aposentados, contribuiu efetivamente para a constituição do novo ator político: o idoso. Ressalta que o movimento contribuiu não somente para o reconhecimento dos indivíduos envelhecidos, mas também, para a construção de uma nova imagem dos “velhos”. A Constituição de 1988 introduziu direitos específicos para a população idosa, incorporou antigas reivindicações dos movimentos sociais, legislando sobre os vínculos familiares ao definir responsabilidades entre as gerações, que até então, não haviam sido explicitados. Determinando a família, a sociedade e ao Estado; “o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando a sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhe o direito a vida (...)”. (CONSTITUIÇÃO de 1988, Art. 230). Em 1993, com a aprovação da Lei Orgânica da Assistência Social nº 8742/93, decorrente do artigo 203 da Constituição Federal, passou-se a prover a renda de um salário mínimo a idosos maiores de 70 anos, desprovidos de fonte de recursos, denominado; Beneficio de Prestação Continuada, sob a responsabilidade da seguridade social. Em 1994, através da Lei nº 8.842, regulamentada pelo Decreto nº 1.948 de 1996, se propôs a Política Nacional do idoso (PNI) com o objetivo de assegurar os direitos sociais ao idoso, e criar condições para promover a sua autonomia, integração e participação na sociedade. Passou a se considerar idosa a pessoa maior de sessenta anos de idade (Art. 2º). O estatuto do Idoso, Lei nº 10.741/2003, aprofunda a PNI, afirmando que o idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. Estabelecendo que o “envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social” (Art. 8). Para Cabral (2004) ao longo dos anos 90, é possível observar mudanças expressivas no campo do envelhecimento da população. Descreve este período como privilegiado, por permitir ampliar a visualização dos idosos logo no inicio da década, quando organizados em associações e em federações, forjaram lideranças políticas que desfrutaram do reconhecimento da classe. Na atualidade a realidade que se apresenta ao idoso difere em parte do observado entre as décadas de 80 e 90, o que se pretendia era assegurar direitos. Hoje, o cenário que se apresenta aos idosos conflita com as políticas públicas em decorrência do sistema político, econômico e social, que se propõe, através de medidas sob orientação neoliberal à redução dos direitos sociais adquiridos. Faleiros (2007, p. 157) chama a atenção para o envelhecer no século XXI, enfatizando que este não terá o mesmo significado que teve no século XX. Os direitos adquiridos estão sendo questionados diante do processo de transição demográfica, da política neoliberal de redução dos direitos sociais e da mudança nas condições de vida da família e da sociedade. A conquista de um novo lugar e significado na sociedade, bem como a marca de uma nova presença do segmento idoso passam pelo exercício pleno da cidadania, pelo exercício da dimensão do ser político do homem. Bruno (2003, p. 77) reforça que a visibilidade para o segmento idoso terá que ser conquistada por meio de ação política, a qual, permite garantir espaço ao ser social que envelhece. E nessa direção o idoso deve ocupar o papel de protagonista. Estamos diante de um cenário complexo, que exige uma postura diferenciada dos idosos na atualidade. A participação social A participação é uma necessidade básica do ser humano. Porém, segundo Bordenave (1983) não se nasce sabendo participar, esta é uma habilidade que se aprende e aperfeiçoa. É construída cotidianamente e a forma como é exercida reflete a maneira como foi aprendida. Existem diferentes tipos e níveis de participação, envolvendo processos de Micro e Macro participação. A Micro participação é a associação voluntária de duas ou mais pessoas em uma atividade comum, da qual se pretende tirar apenas benefícios pessoais e imediatos. A Macro participação ou participação social compreende a intervenção das pessoas nos processos dinâmicos que constituem ou modificam a sociedade. Participar significa antes de tudo; “fazer parte”, “tomar parte”, ou “ser parte” 5, de um ato ou processo, de uma atividade pública, de ações coletivas. No entanto, o conceito de participação está impregnado de conteúdo ideológico. Teixeira (2002, p. 25) esclarece que a participação vem sendo utilizada de varias maneiras, tanto para coonestar, como para legitimar a dominação mediante estratégias de manipulação, como lhe negando qualquer papel de institucionalidade, numa idealização de sociedade, em que esta ficaria “contra o Estado”. Rahnema (2000) afirma que as palavras “participação” e “participatório”, surgiram pela primeira vez no jargão do desenvolvimento no final da década de 50. Elucidando algumas das razões que justificam o interesse que Governos e Instituições ligadas ao desenvolvimento tomaram pelo conceito de participação. Primeiro, por não mais considerar o conceito uma ameaça; governos e instituições interessados em maior produtividade a menor custo cada vez mais necessitam da “participação” para implementação de seus próprios objetivos. O interesse baseia-se, no fato de que já aprenderam a controlar os riscos inerentes a possíveis “abusos descomedidos” na 5 Teixeira (2002, p.27) utiliza “aspas” para poder distinguir a participação orientada para a decisão, da participação voltada para a expressão. O entendimento é fundamental para poder perceber quando se está apenas fazendo parte de algo, de quando se está tomando parte, tendo influencia em um processo decisório. participação. Segundo, a participação tornou-se um slogan politicamente atraente. Criamse sentimentos de cumplicidade entre fabricantes oficiais de ilusões e seus consumidores. Acredita-se que a participação torna os projetos mais eficazes, uma fonte de investimento. Que os processos participatórios trazem para os projetos de desenvolvimento aquilo que lhes faltava para tentar evitar as ciladas e os fracassos do passado, um conhecimento mais intimo da realidade local. Para compreender como a participação vem sendo utilizada é fundamental segundo Teixeira (2000, p. 28), que a análise sobre os tipos de participação contemple o contexto socioeconômico, a natureza do regime e da cultura política, e o seu desenvolvimento histórico. Porque, o sistema participativo delineou-se historicamente num regime de democracia competitiva, na luta pela ampliação do sufrágio e na conquista de outros direitos no final do século passado na Europa, somente muitos anos depois, entendendose a alguns países do terceiro mundo. No Brasil, a sua inscrição enquanto diretriz a ser seguida nas ações e serviços públicos em diversas áreas dá-se a partir de 1988. No que diz respeito ao idoso, verificamos que esta diretriz está presente tanto na Política Nacional do Idoso6, quanto no Estatuto do Idoso7. A participação voltada para o controle social transfere aos Conselhos a responsabilidade de modelar os espaços para esta participação nas três esferas; Municipal, Estadual e Federal. Representam através da paridade8 a possibilidade dos representantes da sociedade civil e do governo estar frente a frente em igual número para planejar as políticas sociais a serem adotadas no atendimento das demandas sociais. São espaços para discussão, negociação e deliberação. Possuem atribuições especificas e competências limitadas, não assumindo a responsabilidade pelas ações executadas. Para Gohn apud Bidarra (2003, p. 43), possuem um caráter duplo, por um lado, implica na ampliação do espaço público9 – atuando como agentes de mediação de conflitos, de outro, a depender da forma como estão compostos, podem eliminar o sentido de pertencer dos indivíduos, reafirmando velhas práticas. Servindo para legitimar ou reverter o que está posto. Para Bidarra (2003) os conselhos estão abertos para os embates entre perspectivas que nem sempre podem ser de todo contrárias. Como espaços de defesa de interesses mais ou menos articulados, os conselhos permitem que os sujeitos mantenham ou redefinam suas posições no curso das disputas entre projetos políticos. Não deixa de ser um espaço democrático, Correia (2002) destaca que é preciso ocupá- 6 [...] participação do idoso, através de suas organizações representativas, na formulação, implementação e avaliação das políticas, planos, programas e projetos a serem desenvolvidos [...] (Política Nacional do Idoso, Art. 4º Inciso II). 7 [...] participação na vida política, na forma da lei [...] (Estatuto do Idoso, Art. 10 inciso VI) 8 A paridade segundo Bredemeier (2003, p. 88), tem o objetivo de evitar que uma parte se sobreponha a outra, ao menos numericamente. Pois, a relação de forças entre as partes é muitas vezes desigual. 9 O termo Público empregado no sentido de: “o comum” onde tudo pode ser visto e ouvido por todos e tem a maior divulgação possível (Arendt, 1991, p. 59). los com competência política e ficar alerta para que conselheiros usuários não se tornem burocratas da maquina estatal, confundindo o seu papel com do gestor. Controle social A expressão controle social pode ser interpretada a partir de concepções de Estado distintas, aqui serão abordadas apenas duas. A primeira que entende o controle social como o controle do Estado sobre a sociedade. Em que o Estado controla a sociedade em favor dos interesses da classe dominante através da implementação de políticas sociais que visam amenizar os conflitos de classe. Temos por trás desta perspectiva uma concepção de Estado restrito10. E a segunda, que entende o controle social, como o controle da sociedade sobre as ações do Estado. Nesta concepção a sociedade tem possibilidade de controlar as ações do Estado em favor dos interesses das classes subalternas11. Por trás desta perspectiva temos uma concepção de Estado ampliado12, onde apesar do Estado representar hegemonicamente os interesses da classe dominante, podemos ver que são incorporadas demandas das classes subalternas. Para Correia (2002, p. 120) na primeira perspectiva, a economia capitalista necessita desta forma de controle social para garantir o consenso social e para dar-se à aceitação da ordem do capital pelos membros da sociedade. As instituições seriam mecanismos de controle social para manter a atual ordem e difundir a ideologia dominante, interferindo no cotidiano da vida dos indivíduos, reforçando a internalização de normas e comportamentos que são legitimados socialmente. Trata-se de um controle exercido verticalmente, de cima para baixo, de forma centralizada, e quase sempre autoritária. Na segunda perspectiva, apesar do campo das políticas mostrar-se contraditório, visto que, através delas o Estado controla a sociedade, ao mesmo tempo em que apreende algumas de suas demandas. Percebemos que é neste campo contraditório que a sociedade civil organizada atua na gestão das políticas públicas através do controle social, com intuito de controlá-las, para que estas cada vez mais, atendam as demandas sociais e aos interesses das classes subalternas. Neste espaço contraditório se insere o conselho como instancia de participação institucionalizada. A institucionalização se deu como resultado do restabelecimento da articulação entre as demandas sociais e as ações 10 Segundo Correia (2002, p. 120) denominação dada á concepção de Marx sobre o Estado, por estar a serviço de uma só classe, onde o Estado não é mais do que um comitê para gerenciar os negócios de toda a burguesia. 11 [...] marcados por conjunto de carências, muitas vezes desqualificados pelas condições em que vivem e trabalham, enfrentando cotidianamente o confisco de seus direitos mais elementares, buscam, na prestação de serviços sociais públicos, alternativas para sobreviver [...] (Yazbek, 2003, p. 83-84). 12 Coutinho apud Violin (2006, p. 4) diz que esta seria uma condição para o acesso ao poder de Estado e para sua posterior conservação, na qual não há lugar para a espera messiânica do "grande dia", mas sim uma transformação da classe dominada em classe dirigente antes da tomada de poder. do Estado. Para que o Estado pudesse ser controlado pelos setores organizados da sociedade, direcionando as suas ações, de forma a incorporar suas demandas, com uma lógica inversa a do período ditatorial, em que o Estado detinha o controle exclusivo sobre a sociedade com seus mecanismos de repressão. A lógica do controle social deve ser a de quem paga indiretamente os serviços públicos através dos impostos, é a própria população que deve decidir como e onde os recursos públicos devem ser gastos, para que tais serviços tenham qualidade e atendam aos interesses coletivos. Considerações finais O aumento da miséria, da desigualdade, do desemprego, deixou evidente que os mercados, por si sós, não tem condições de levar a resultados socialmente justos e economicamente eficientes. Passou-se a reconhecer que o crescimento econômico não traz, por si só desenvolvimento social, e que políticas e ajustes macroeconômicos recessivos, são poderosas fontes geradoras de pobreza e desigualdade. Que a política econômica não pode continuar a ser concebida de costas para a sociedade, como atributo apenas de técnicos e funcionários preocupados em racionalizar os custos e a privilegiar a lógica dos mercados, precisa ter um forte e claro conteúdo social. Cresceram as preocupações com a estruturação do Estado, o formato e o modo de funcionamento da administração pública, o modelo de gestão e o teor das políticas públicas e a organização de processos decisórios. Criaram-se as condições para que os cidadãos organizados controlem seus governos e participem deles, cobrem responsabilidades e ponham em curso processos ampliados de deliberação, de modo a viabilizar discussões públicas em torno de como viver, como governar e de como conviver. Os cidadãos ativos são personagens vitais da democracia, devendo ser, constantemente “criados” e “organizados”. É nesta direção que os idosos devem caminhar na atualidade movidos por um interesse comum em consonância com a particularidade inerente a esta etapa da vida. Percebendo na participação, no controle social a possibilidade de influir na agenda de governo, participando da elaboração, acompanhando e fiscalizando as prioridades das políticas públicas. O idoso organizado pode abrir caminhos, articular, reivindicar, pressionar, fazer aparecer. À medida que estas ações se concretizarem serão estabelecidas tanto da parte do poder público, como da sociedade civil, novas formas de dar cidadania à velhice. Referências ALCANTARA. A. O. Velhos institucionalizados e família: entre abafos e desabafos. Ed. Alínea. São Paulo; 2004. AMEIDA, V. L.V. Modernidade e velhice. Revista serviço social & sociedade nº 75. Ed. Cortez, São Paulo; 2003. P.35 – 54. BERZINS, M. A.V. S. Envelhecimento populacional: uma conquista a ser celebrada. Revista Serviço Social & Sociedade nº 75. Ed. Cortez, São Paulo; 2003. 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YAZBEK, M. C. Classes subalternas e assistência social. 4º edição. Ed. Cortez, São Paulo. DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL NA TERCEIRA IDADE POR MEIO DA MÚSICA13 DEVELOPMENT PSICOSSOCIAL IN THE THIRD AGE BY MEANS OF MUSIC Hilma Tereza Tôrres Khoury Psicóloga, Doutora em Psicologia, Professora na UFPA. [email protected] Daiane Gasparetto da Silva Acadêmica de Psicologia. Bolsista PIBEX (UFPA). Resumo: A velhice constitui fator de risco para a saúde e qualidade de vida, tornando a psicoeducação uma necessidade. A música é um recurso que favorece assimilação de conteúdos e identificação psicológica. Foi realizada intervenção psicológica em grupo, utilizando-se canções populares como instrumento para desenvolver recursos pessoais associados à velhice bem-sucedida. Antes e depois da intervenção avaliou-se a percepção de bem-estar dos participantes. Os resultados mostram bom nível de satisfação com a vida e baixo grau de afetos negativos. Os temas desenvolvidos por meio da música suscitaram reflexões acerca de experiências pessoais, proporcionando reavaliação de atitudes e comportamentos acerca dos acontecimentos do dia-a-dia. Palavras-chave: música; desenvolvimento pessoal; terceira idade. Abstract: Old age is a risk factor for health and quality of life, becoming psycho education in a necessity. Music is a resource that promotes assimilation of content and psychological identification. Psychological intervention was conducted in groups, using popular songs as a tool to develop personal resources associated with successful aging. Before and after the intervention the participant’s perception of well-being was assessed. The results show to good level of satisfaction and low degree of negative affect. Themes developed through music elicited excited reflections on personal experiences, providing a rethinking of attitudes and behaviors concerning about events of the day to day. Keywords: music; personal development; elderly. 13 Trabalho resultante do Programa de Extensão “Velhice Bem-sucedida: intervenções psicológicas para a adaptação ao envelhecimento, a promoção da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida”. Coordenadora: Profa. Dra. Hilma Tereza Tôrres Khoury - IFCH/Faculdade de Psicologia. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Acadêmica de Psicologia, Bolsista PIBEX (UFPA). ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Renata Almeida Figueira Introdução A velhice pode ser considerada um fator de risco para a qualidade de vida por carregar consigo várias mudanças de natureza física, fisiológica e de papéis sociais. O processo de envelhecimento trás consigo questões de ordem sociocultural que implicam na dificuldade de aceitação dos idosos e manifestação de preconceito e discriminação. O indivíduo começa a experimentar estas modificações geralmente a partir dos 45/50 anos. Tais mudanças podem ter efeitos negativos, dependendo de uma combinação complexa de fatores, entre eles os de natureza psicossocial, podendo resultar em sentimentos de menos valia e em crenças disfuncionais sobre si mesmo, os outros, o ambiente e o futuro, vindo a atingir a saúde mental. Observa-se, assim, a necessidade de orientação e apoio psicológico a quem está envelhecendo ou já envelheceu, visando adaptação a esta fase da vida e oportunizando melhoria da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a qualidade de vida depende da percepção do indivíduo acerca de sua posição na vida, de seu contexto sociocultural e de suas condições físicas e psicossociais (Khoury & Günther, 2006). Portanto, é possível que alguém experimente condições adversas e, antagonicamente a isto, mostrar-se satisfeito com a vida. Desta forma, considerando-se que a música constitui um recurso de maior acessibilidade para a assimilação de conteúdos e identificação psicológica, independente de classe social ou nível educacional, espera-se que uma intervenção psicológica em grupo que utilize a música como instrumento possa favorecer o desenvolvimento de recursos pessoais que propiciem a melhoria da qualidade de vida desta faixa da população. O objetivo do presente estudo consistiu em contribuir para o desenvolvimento/fortalecimento de recursos pessoais por meio de intervenções psicossociais em grupo, utilizando a música popular brasileira como instrumento para conseguir mudança de atitudes e de comportamentos visando adaptação ao envelhecimento e melhoria da qualidade de vida de pessoas na meia-idade e idosas. Metodologia O trabalho foi desenvolvido no grupo Renascer, no primeiro semestre de 2010, em Belém/PA, grupo de terceira idade do HABE. O Renascer existe há cerca de seis anos com reuniões duas vezes por semana. Trata-se de um grupo formado por militares, esposas e outros parentes de militares, em sua maioria de classe socioeconômica considerada média. A equipe do programa de extensão foi procurada pela coordenadora do grupo que solicitou a realização das atividades do projeto “desenvolvimento psicossocial para a terceira idade”, do qual já tinha conhecimento. O trabalho foi realizado em doze encontros semanais, com duração de duas horas cada; participaram do grupo aproximadamente 30 idosos. Antes e após as intervenções no grupo os idosos foram avaliados em sua percepção de bem-estar por meio da Escala de Bem Estar Subjetivo – EBES (Albuquerque & Tróccoli, 2004). A EBES contém 62 itens, sendo 47 de afetos positivos/negativos e 15 de satisfação/insatisfação com a vida, avaliados em escala de 5 pontos (1 = nem um pouco; 5 = extremamente). Os temas propostos para o trabalho em grupo foram programados com base em músicas do cancioneiro popular brasileiro, selecionadas em conformidade com o objetivo de cada encontro, e em exercícios de dinâmica de grupo e sensibilização. Cada encontro era assim organizado: 1) um momento de breve relaxamento; 2) Resgate de memórias e valorização – onde os membros do grupo traziam algum objeto significativo para eles e compartilhavam isto com o grupo; 3) Execução da música – geralmente tocada no violão por uma das autoras e cantada por todos os presentes; 4) Exercício de dinâmica de grupo ou de sensibilização e discussão do tema do dia, onde os participantes apontavam aspectos de identificação ou não identificação com a música apresentada. As intervenções dos facilitadores no grupo fundamentavam-se em técnicas cognitivas (Beck, 1997; Rangé, 2001; Knapp, 2004; McMullin, 2005) e em princípios da psicologia social e dinâmica de grupo (Lewin, 1997; Moscovici, 1995; 1996). Tais intervenções visaram: a) oferecer aos idosos uma oportunidade para identificar e avaliar aspectos psicossociais importantes nesta fase de sua vida; b) promover o desenvolvimento psicossocial, ou seja, favorecer a mudança de atitudes e comportamentos em uma direção considerada saudável e adaptativa para viver a velhice com qualidade; c) auxiliar a formulação de estratégias adaptativas e estimular o investimento em metas e projetos de curto e médio prazo, viáveis nesta etapa da vida. Ao final das intervenções houve avaliação do trabalho por parte dos participantes que puderam expor suas impressões sobre a experiência da oficina, apresentando sua avaliação subjetiva das atividades. Após um intervalo de um mês (depois das férias) os resultados da EBES foram apresentados ao grupo e houve nova avaliação subjetiva dos efeitos da oficina. Resultados e Discussão Dos trinta participantes, apenas 11 realizaram a EBES no início e no final, sendo 4 homens e 7 mulheres. Portanto, o resultado desta avaliação se refere somente a uma parte do grupo. A Tabela 1 mostra os resultados (escores médios) obtidos por cada um dos participantes que realizaram a EBES e a média do grupo. Analisando-se a média do grupo, observa-se bom nível de satisfação com a vida, nível moderado de afetos positivos e nível baixo de afetos negativos. Os dados sugerem que estes idosos estão satisfeitos com suas vidas e que experimentam mais emoções positivas do que negativas. Contudo, não houve diferenças significativas comparando-se os escores das avaliações antes e depois da intervenção realizada com o grupo. Este resultado talvez se deva ao fato de que os participantes já frequentam este grupo há algum tempo, sendo submetidos a palestras e oficinas ministradas por outros profissionais, o que poderia estar contribuindo para um nível estável de satisfação com a vida e de emoções positivas. afetos positivos afetos negativos satisfação com a vida PARTICIPANTES idade antes depois antes depois antes depois Participante 1 68 2,76 3,14 2,46 2,46 3,80 3,87 Participante 2 74 3,05 2,81 2,23 2,23 4,00 4,20 Participante 3 74 3,43 3,38 1,46 1,46 4,40 4,53 Participante 4 76 3,71 3,71 2,46 2,46 4,07 3,93 Participante 5 83 2,86 3,06 1,73 1,73 2,53 2,93 Participante 6 69 4,10 4,14 2,08 2,08 4,33 4,53 Participante 7 69 2,67 2,19 3,08 3,08 3,13 2,60 Participante 8 70 2,95 2,76 1,50 1,50 4,29 3,93 Participante 9 75 4,33 2,86 1,54 1,54 3,73 3,93 Participante 10 78 3,62 3,43 1,42 1,42 4,00 3,93 Participante 11 72 3,67 3,33 1,23 1,23 3,80 3,80 3,38 3,16 1,93 1,93 3,83 3,83 Média do grupo TABELA 1: Bem-estar subjetivo antes e depois da intervenção. Um outro fato que pode ter contribuído para a percepção positiva de bem-estar é o nível socioeconômico dos participantes que, em sua maioria, se apresenta elevado considerando a média do salário dos aposentados em nível regional. A ausência de diferença entre o antes e após a intervenção pode também estar relacionada ao fato do questionário ser extenso e ser avaliado em escala numérica, dificultando para muitos dos participantes a compreensão dos itens e da forma de responder; alguns dos idosos apresentavam baixo grau de escolaridade. Interessante observar que, ao longo dos encontros, vários temas abordados por meio das músicas propostas e das outras atividades foram permanecendo no relato dos participantes, que sempre apresentavam reflexões sobre o que estava sendo realizado. Vários sentimentos e percepções foram compartilhados no grupo, a partir dos quais a equipe coordenadora do projeto buscava dar um retorno aos idosos, elucidando questões que poderiam ser mais bem trabalhadas por cada um. Ao serem realizadas as atividades, alguns participantes relataram que sentiram mais confiança ao dividir as suas histórias com os amigos, confidenciando memórias que não tinham sido contadas antes. A partir das reflexões em grupo, vários idosos partilharam que com os relatos alheios puderam repensar situações das suas próprias vidas, tendo em vista que a superação de desafios vivenciados pelos outros transmitia esperança de que os momentos difíceis de cada um poderiam ser enfrentados com a ajuda dos amigos. O trabalho de resgate de memórias e valorização proporcionou uma revalorização de memórias. Objetos como fotos, presentes dados por familiares, convites de casamento e cartões reativavam histórias deixadas no passado, trazendo à tona sentimentos e a noção do valor que determinadas situações tiveram na vida de cada um. As discussões motivadas pelas temáticas abrangidas pelas músicas proporcionaram reflexões sobre situações diversas, a partir das quais os participantes expuseram de que modo compreendiam a sua vida com base na letra da canção, ressaltando aspectos positivos e negativos de sua história. Os idosos foram estimulados pela equipe de psicologia a repensar nas suas estratégias de superação de perdas e até mesmo no modo como podem manter a sua autonomia e independência diante da velhice, mantendo o controle sobre suas vidas. Temas relativos ao quanto é importante adaptar-se a novas situações motivaram debates sobre como a saída dos filhos de casa, por exemplo, precisa ser percebida com tranquilidade pelos pais, uma vez que este fato é natural e não deve causar danos à saúde emocional das pessoas. Na apresentação dos resultados da EBES, após um mês de encerrado o trabalho, foi possível perceber pelos relatos que vários dos momentos vivenciados no grupo permaneceram no cotidiano dos idosos. Alguns revelaram que cantar algumas das músicas lhes transmitiam confiança, tais como “É preciso saber viver”, nas ocasiões em que se deparavam com dificuldades a serem superadas. Conclusões Percebeu-se que, ao longo dos encontros, os participantes demonstraram que os temas desenvolvidos por meio da música e das outras atividades propostas suscitavam reflexões acerca de suas experiências pessoais, proporcionando uma reavaliação de suas atitudes e comportamentos diante dos acontecimentos do dia-a-dia. Referências ALBUQUERQUE, A. S. & TRÓCCOLI, B.T. Desenvolvimento de Uma Escala de Bem Estar Subjetivo. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 2004. Vol. 20 n. 2, pp. 153-164. BECK, J. S. Terapia cognitiva: teoria e prática. Porto Alegre/RS: Artmed,1997. KHOURY, H. T. T. & GÜNTHER, I. A. Percepção de controle, qualidade de vida e velhice bemsucedida. Em D. V. da S. Falcão & C. M. de S. B. Dias (Orgs.), Maturidade e Velhice: pesquisas e intervenções psicológicas, 2006; pp.297-312), Vol. II. São Paulo: Casa do Psicólogo. KNAPP, P. (Org.) Terapia cognitivo-comportamental na prática psiquiátrica. Porto Alegre/RS: Artmed, 2004. LEWIN, K. Resolving social conflicts; and, Field theory in social science. Washington, DC: American Psychological Association. 1997. MCMULLIN, R. E. Manual de técnicas em terapia cognitiva. Porto Alegre/RS: Artmed, 2005. MOSCOVICI, F. Equipes dão certo: a multiplicação do talento humano. Rio de Janeiro: José Olímpio. 1995. MOSCOVICI, F. Desenvolvimento interpessoal: treinamento em grupo. Rio de Janeiro: José Olímpio. 1996. RANGÉ, B. (Org.). Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2001. PERCEPÇÃO DE CONTROLE E REABILITAÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL EM IDOSOS DIABÉTICOS: o papel da intervenção psicológica 14 PERCEPTION OF CONTROL AND WHITEWASHING OF THE FUNCTIONAL CAPACITY IN DIABETIC AGED: the function of the psychological intervention Hilma Tereza Tôrres Khoury Psicóloga, Doutora em Psicologia, Professora na UFPA. [email protected] Daiane Gasparetto da Silva Acadêmica de Psicologia, Bolsista PIBEX (UFPA). Carla Danielly Weyl Costa Cruz; Priscila Albuquerque Monteiro Psicólogas Residentes em Saúde do Idoso (UFPA/HUJBB). Resumo: Manter independência e autonomia é o critério de velhice saudável. A psicologia do envelhecimento aponta associação entre fatores psicológicos (senso de controle) e características da velhice saudável. Nesta perspectiva, realizou-se intervenção psicológica com pacientes idosos diabéticos, inscritos no Programa de Atendimento Domiciliar ao Idoso do Hospital Barros Barreto. Objetivo: desenvolver/fortalecer crenças de controle visando recuperação da capacidade funcional (CF). Participaram três homens e uma mulher; idades entre 44 e 66 anos; metade havia sofrido amputação. Resultados: três dos quatro pacientes recuperaram sua CF; dois destes têm elevada percepção de controle sobre o ambiente. Conclusão: as intervenções psicológicas realizadas contribuíram para a reabilitação. Palavras-chave: capacidade funcional; diabetes mellitus; intervenção psicológica. Abstract: To maintain independence and autonomy is the criterion of healthy old age. The psychology of aging suggests an association between psychological factors (sense of control) and characteristics of healthy old age. In this perspective, it has carried out psychological intervention with elderly diabetics enrolled in the Program for the Elderly Home Care, at Barros Barreto Hospital. Objective: to develop/ strendthen control beliefs in order recovery functional capacity (FC). The participants were three men and one woman, aged 44 to 66 years; half of them had suffered amputation. Results: Three of four patients recovered their FC; two of these have a high perception of control over the environment. Conclusion: Psychological interventions performed contributed to the rehabilitation. Keywords: functional capacity; diabetes mellitus; psychological intervention. 14 Trabalho resultante do Programa de Extensão “Velhice Bem-sucedida: intervenções psicológicas para a adaptação ao envelhecimento, a promoção da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida”. Coordenadora: Profa. Dra. Hilma Tereza Tôrres Khoury - IFCH/Faculdade de Psicologia. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Renata Almeida Figueira ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Acadêmica de Psicologia. Bolsista PIBEX (UFPA). Introdução A velhice saudável ou bem-sucedida tem sido amplamente estudada por diversos campos do conhecimento, tais como a geriatria, a gerontologia e a psicologia do envelhecimento. De acordo com Veras (2006), a manutenção por um longo período da máxima capacidade funcional – independência (execução) e autonomia (poder de decisão) – é considerado o critério de velhice saudável. Capacidade funcional é a competência do indivíduo para realizar sem auxílio de outras pessoas as atividades básicas de vida diária (tarefas de auto cuidado) – ABVDs – bem como as atividades instrumentais de vida diária (tarefas mais complexas) – AIVDs. A literatura referente à psicologia do envelhecimento aponta que a plasticidade comportamental - flexibilidade para enfrentar as dificuldades da vida - mostra-se como fator fundamental para o bom envelhecimento (Baltes & Baltes, 1990) e que isto depende de fatores psicossociais. Além disso, tem sugerido algumas associações entre fatores psicossociais, especialmente crenças de controle e de auto eficácia, com características da velhice saudável - independência e autonomia (Khoury, 2005; Khoury & Günther, 2006; Neri, 2006). Percepção de controle é a crença do indivíduo na capacidade para comandar a própria vida e o seu ambiente, podendo estar relacionada a fatos objetivos que ocasionaram conquistas de metas e reconhecimento social, bem como à ideia de ter sorte e/ou proteção de seres reais ou imaginários dotados de poderes. Interessante observar que, mesmo diante de situações onde o indivíduo perde o controle como, por exemplo, quando sofre amputações, encontra formas secundárias de reaver o controle, tais como realizar reavaliações positivas da situação. Nesta perspectiva, a percepção de controle tem sido estudada como controle primário e controle secundário (Rothbaum, Weiss & Snyder, 1982). O controle primário refere-se a percepção de que se é capaz de exercer esforços para adaptar o ambiente às próprias necessidades. O controle secundário diz respeito à percepção de ser capaz de adaptar-se às situações onde se tem pouco ou nenhum controle primário. Partindo de Heckhausen & Schulz (1993; 1995) e com base em investigação empírica realizada no Brasil, Khoury & Günther (2009) adotaram três dimensões para o estudo da percepção de controle: controle primário com recursos próprios (CP1), controle primário com ajuda (CP2) e controle secundário (CS). CP1 refere-se a crença de que se é capaz de exercer esforços para adaptar o ambiente às próprias necessidades e atingir metas, utilizando os próprios recursos; no CP2, o sujeito acredita-se capaz de dominar o ambiente, porém, valendo-se da ajuda de outras pessoas ou de tecnologias. O CS diz respeito ao esforço de adaptação a situações em que metas não foram alcançadas ou se tornaram difíceis de alcançar devido a alguma limitação, seja de ordem física, fisiológica, social ou econômica. Rabelo & Neri (2005) reforçam estas colocações quando apontam que idosos com incapacidades podem ser auxiliados por recursos psicológicos e sociais – tais como crenças, estados emocionais positivos, o senso de auto eficácia e a comparação social – os quais atuam, em muitos momentos, como mecanismos protetores ou mediadores do processo de ajustamento pessoal. A redução da capacidade funcional em idosos tende a ser uma consequência do desgaste biológico. Contudo, algumas patologias, como o diabetes mellitus podem conduzir a maior perda da autonomia e independência. Partindo deste pressuposto e tendo em vista que os fatores psicológicos podem ajudar no processo de ajustamento pessoal, realizou-se a intervenção psicológica com pacientes diabéticos inscritos no Programa de Atendimento Domiciliar ao Idoso (PROADI) do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB). O objetivo consistiu em contribuir, como parte da equipe multiprofissional, para a recuperação da capacidade funcional do paciente, por meio do desenvolvimento e fortalecimento de crenças de controle, além de auxiliá-los na adesão ao tratamento e na superação de dificuldades decorrentes do seu estado de saúde. Metodologia A intervenção psicológica com vistas a atingir o objetivo proposto baseou-se nas teorias sócio cognitivas (Kunda, 1999; Rodrigues, Assmar & Jablonski, 2001; Aronson, Wilson & Akert, 2002) e nos modelos de terapia cognitivo-comportamentais (Beck, 1997; Beck, Rush, Shaw, & Emery, 1997; Rangé, 2001; Knapp, 2004; McMullin, 2005). Segundo esta abordagem, emoção, comportamento e pensamento estão estreitamente inter-relacionados, sendo que a emoção e o comportamento são influenciados pelo pensamento, pela avaliação que se faz dos fatos e situações. Os pensamentos são entendidos como hipóteses sobre os fatos, podendo ser confirmados ou refutados pelas evidências do cotidiano. Desta maneira, busca-se gerar mudanças com base em reestruturação cognitiva (flexibilização do pensamento e redução de distorções perceptivas) e treino comportamental (testar na prática as hipóteses cognitivas que o paciente tem sobre a sua situação). Esta abordagem foi empregada nas intervenções psicológicas realizadas no PROADI com o intuito de promover o senso de controle e a reabilitação da capacidade funcional de pacientes diabéticos. Neste trabalho serão apresentados os casos de quatro pacientes - 3 homens; 1 mulher- no que diz respeito a crenças de controle primário (capacidade para adaptar o ambiente às próprias necessidades) e controle secundário (capacidade para adaptar-se ao ambiente), bem como ao nível de capacidade funcional. Dois dos quatro participantes sofreram amputação, sendo um deles do pé direito e o outro de 2/3 da perna esquerda. Os atendimentos foram realizados em visitas domiciliares com intervalos de 14 dias e com duração total diferente para cada paciente (Tabela 1). Na primeira visita era realizada a avaliação psicológica. Ao longo dos atendimentos, várias estratégias de intervenção foram empregadas, conforme a situação de cada um. Tais estratégias de intervenção basearam-se principalmente em técnicas para comparação social e interindividual; correção de distorções cognitivas na avaliação da situação atual e reestruturação cognitiva, além de levantamento de coisas que o paciente poderia começar a fazer e demonstração das formas adaptadas que poderia utilizar. Ao final de um determinado período de intervenção psicológica foram aplicados instrumentos para avaliar: 1) Percepção de Controle Primário e Secundário – ECOPSE (Khoury, 2005) em versão resumida- 19 itens avaliados em escala de cinco pontos (1 = nada a ver; 5 = tudo a ver comigo), contendo três dimensões: controle primário com recursos próprios (CP1), controle primário com ajuda de outras pessoas ou de tecnologias (CP2) e controle secundário (CS); 2) Capacidade Funcional: Atividades Básicas de Vida Diária - ABVDs (Katz, Downs & Cash, apud Freitas et al., 2006, p. 1534) – 6 itens e Atividades Instrumentais de Vida Diária - AIVDs (Lawton et al., apud Freitas et al., 2006, p. 1535) – 7 itens, todos avaliados em escala de três pontos (1 = não consegue fazer; 3 = faz sem ajuda). A análise foi realizada por meio dos escores médios. Resultados e discussão Os resultados revelam que aqueles que têm elevada percepção de controle primário (CP1), ou seja, acreditam em sua própria capacidade de exercer esforços para controlar o ambiente e satisfazer suas necessidades, também têm alto nível de capacidade funcional - pacientes 2 e 3 (Tabela 1). O paciente 4, a despeito de obter excelente nível de capacidade funcional, mostrou percepção de CP1 em grau moderado. Isto talvez se deva ao fato de estar residindo em asilo há seis meses, uma vez que a vida em instituições asilares restringe em muito a liberdade de ação e, desta forma, afeta negativamente a percepção de controle. Os pacientes que demostraram elevado nível de capacidade funcional (2, 3 e 4) mostraram níveis moderados de percepção de controle primário com ajuda (CP2), bem como de controle secundário (CS). Poder-se-ia esperar que obtivessem níveis mais altos nestas modalidades de controle, especialmente os pacientes 3 e 4, pois são amputados e utilizam, respectivamente, prótese e órtese. Talvez isto se deva ao fato de que são completamente independentes, tanto em ABVDs quanto em AIVDs. Vale destacar que, destes três pacientes, os escores mais altos nestas duas modalidades de controle foram da paciente do sexo feminino. O fato de ser mulher talvez favoreça maior disposição para pedir ajuda e para adaptar-se a situações onde há poucas possibilidades de controle primário com recursos próprios (Ver Khoury, 2005; Khoury & Günther, 2006). O Paciente 1 apresentou baixo nível de capacidade funcional e grau moderado de percepção de controle primário com recursos próprios (CP1). Por outro lado, revelou grau elevado de percepção de controle primário com ajuda (CP2) e de controle secundário (CS). Este resultado pode ser explicado pelo fato deste paciente ser paraplégico há 15 anos e estar há vários meses restrito ao leito devido a inúmeras escaras. Vale destacar que este paciente possui maior índice de mecanismos de compensação (CS = 4,3) comparado aos demais. Os resultados mostram, ainda, que quanto maior o tempo de atendimento psicológico maior é o escore em Atividades de Vida Diária (AVDS), tanto AIVDS quanto ABVDS (Tabela 1). Assim, muito provavelmente as intervenções psicológicas realizadas favoreceram a capacidade funcional destes pacientes, visto que no início do tratamento todos encontravam-se em maior grau de dependência, de acordo com dados constantes nos prontuários. Sexo Idade Tempo Ampu- Comorde Paci- tação Atend. AIVDS ABVDS com o ente AVDS GLOBAL CP1 CP2 CS Diabetes Masc. 44 1 7 Não meses Fem. 66 2 7 Não meses Masc. 67 10 HA, ITU 1,6 1,2 1,4 2,8 5,0 4,3 2,6 3,0 2,8 4,2 3,5 3,3 D 3,0 3,0 3,0 5,0 2,0 2,8 3,0 3,0 3,0 2,8 2,7 2,7 HA, dislipidemia Sim meses 3 AVC, ITU, pé diabético Masc. 64 1 ano Sim e 4 bidades 4 HA meses Tabela 1. Características sócio demográficas e escores médios em capacidade funcional e percepção de controle. HA = Hipertensão Arterial; ITU = Incontinência do Trato Urinário; AVC = Acidente Vascular Cerebral. Ressalta-se que o Paciente 3 já recebeu alta e que o Paciente 4 está em processo de alta. Destaca-se, também, que estes dois pacientes recuperaram totalmente sua capacidade funcional (escore 3,0 em todas as AVDS) e que ambos sofreram amputação. No início da intervenção psicológica, o Paciente 3 apresentava-se poli queixoso, com perspectiva negativa, acreditando que não poderia recuperar sua independência e autonomia. No decorrer dos atendimentos, por meio de técnicas cognitivas e treino comportamental, o paciente percebeu que, mesmo diante das dificuldades era possível adaptar-se à nova realidade e continuar a ser independente e autônomo. Conclusões As intervenções psicológicas realizadas contribuíram para a reabilitação dos pacientes atendidos no sentido da recuperação de sua capacidade funcional. Além disso, favoreceu sua percepção de controle, seja primário ou secundário, auxiliando na adaptação à situação de limitação provocada pelo diabetes. Referências ARONSON, E., WILSON, T. D. & AKERT, R. M. Psicologia Social. Rio de Janeiro: LTC. 2002. BALTES, P. B. & BALTES, M. M. Psychological perspectives on successful aging: The model of selective optimization with compensation. Em P. B. Baltes, & M. M. Baltes (Orgs.), Successful aging: Perspectives from the behavioral sciences (pp.1-34). New York: Cambridge University Press. 1990. BECK, A. T., RUSH, A. J., SHAW, B. F. & EMERY, G. Terapia cognitiva da depressão. Porto Alegre: Artmed.1997. BECK, J. S. Terapia cognitiva: teoria e prática. Porto Alegre/RS: Artmed. 1997. FREITAS, E. V., Py, L., CANÇADO, F. A. X., DOLL, J., & GORZONI, M. L. Tratado de geriatria e gerontologia (2ª ed.). Rio de Janeiro/RJ: Guanabara-Koogan. 2006. GORZONI (Orgs.). Tratado de geriatria e gerontologia (2ª ed., pp.140-146). Rio de Janeiro/RJ: Guanabara-Koogan. HECKHAUSEN,J., & SCHULZ, R.. Optimization by selection and compensation: Balancing primary and secondary control in life-span development. International Journal of Behavioral Development, 1993, 16 (2), 287-303. HECKHAUSEN, J., & SCHULZ, R. A life-span theory of control. Psychological Review, 1995. 102 (2), 284-304. KHOURY, H. T. T. Controle primário e controle secundário: relação com indicadores de envelhecimento bem-sucedido. Tese de Doutorado não publicada, Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia, Brasília/DF. 2005. KHOURY, H. T. T., & GÜNTHER, I. A. 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NA PAREDE DA MEMÓRIA: A velhice na sociedade industrial IN THE WALL OF THE MEMORY: The oldness in the industrial society Raquel Minervino de Carvalho Bisneta Estudante do Curso de Letras – Língua Portuguesa/UEPA, integrante do Grupo de Pesquisa CUMA (Culturas e Memórias Amazônicas) [email protected], e Memórias Amazônicas) e do NIK (Núcleo Interdisciplinar Kairós – pensamento da Arte e da Linguagem). [email protected], [email protected] Resumo: O presente artigo é reflexo de nossa participação no projeto de pesquisa “Leitura e Memória”, vinculado ao Grupo de Pesquisa Culturas e Memórias Amazônicas (CUMA), registrado no diretório 5/CNPQ, ligado ao Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE) da Universidade Estadual do Pará (UEPA). O projeto supracitado tem por função estudar os conceitos referentes à memória e à velhice dentro da sociedade industrial contemporânea, bem como promover uma aproximação entre estudantes, professores e idosos do asilo “União Pia do Pão de Santo Antônio” por meio da leitura, em suas mais diversas possibilidades e desdobramentos. Palavras–chave: Velhice, Memória, Sociedade. Abstract: This article reflects our participation in the project "Leitura e Memória", linked to the Grupo de Pesquisa Culturas e Memórias Amazônicas (CUMA), registered in the directory 5/CNPQ related to the Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE) of Universidade do Estado do Pará (UEPA). The above project has as its main objective to study the function concepts related to memory and old age in contemporary industrial society, and promote a closer relationship among students, teachers and seniors of asylum "União Pia do Pão de Santo Antônio" through lection in its several possibilities and developments. Keywords: Memory; Old Age; Society Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Estudante do Curso de Letras – Língua Portuguesa/UEPA, integrante do Grupo de Pesquisa CUMA (Culturas ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Édne Wagner Ribeiro Maués Introdução O presente artigo é reflexo das atividades desenvolvidas com o projeto “Leitura e Memória”, vinculado ao Grupo de Pesquisa Culturas e Memórias Amazônicas (CUMA), registrado no diretório 5/CNPQ, ligado ao Centro de Ciências Sociais e Educação (CCSE) da Universidade Estadual do Pará (UEPA) e que tem como locus de atuação o Asilo União Pia do Pão de Santo Antônio. Dentre as atividades realizadas na associação, destacamos o projeto anterior “Memórias de Belém em Histórias de Velhos”, que possibilitou, dentre outras coisas, a publicação do livro “Memórias da Belém de antigamente”, organizado pela profª Drª Josebel Akel Fares. A partir da convivência com os idosos do Asilo Pão de Santo Antônio, por meio do Projeto de Pesquisa “Memória de Belém em História de Velhos”, desenvolvido no segundo semestre de 2004, notou-se a necessidade de um projeto que, além de continuar os estudos referentes à memória e à velhice, desenvolvesse um trabalho com a leitura em seu sentido amplo, tendo em vista a impossibilidade visual de grande parte dos idosos do “Pão”. Até porque, muitos que contribuíram na feitura no livro supracitado não poderiam ler, eles próprios, o resultado final das entrevistas realizadas anteriormente, necessitando que alunos cumprissem esse dever de retribuir tudo aquilo que os moradores do asilo nos possibilitaram. Dessa forma, pensar a Memória no contexto do idoso asilado, é refletir sobre a condição do velho na Sociedade Industrial. Para tanto, várias são as teorias formadas sobre a condição do velho e a sua função social de relembrar, rememorar e passar as experiências a pais e netos. Entender este contexto é antes de tudo uma maneira de (re)conhecer e valorizar a figura do velho na sociedade atual. Bosi (2004, p.77) em seu livro, Memória e Sociedade: lembranças de velhos nos narra a seguinte história: Uma lenda balinesa fala de um longínquo lugar, nas montanhas, onde outrora se sacrificavam os velhos. Com o tempo não restou nenhum avô que contasse as tradições para os netos. A lembrança das tradições se perdeu. Um dia quiseram construir um salão de paredes de troncos para a sede do Conselho diante dos troncos abatidos e já desgalhados os construtores viam-se perplexos. Quem diria onde estava a base para ser enterrada e o alto que serviria de apoio para o teto? Nenhum deles poderia responder: a muitos anos não se levantavam construções de grande porte, e eles tinham perdido a experiência. Um velho, que havia sedio escondido pelo neto, aparece e ensina a comunidade a distinguir a base e o cimo dos troncos. Nunca mais um velho foi sacrificado. O ancião, durante muito tempo, representou a sabedoria e a virtude, a necessidade de respeito e admiração por parte dos mais novos (CHEVALIER, & GHEERBRANT, 1989). Como nos ensina a lenda aqui exposta, o velho representa o conhecimento adquirido e repassado pelo grupo, de geração a geração, através da figura do idoso. Hoje em dia, com a lógica da produção capitalista, que coloca no trabalho todo o sentido de uma vida, esses valores foram invertidos. O velho, portador da memória-vida da sociedade, vai definhando e, à medida que o tempo avança, o peso parece aumentar para seus familiares. Filhos, netos e outros parentes ou aderentes pactuam sistemas de revezamento para a sua sobrevivência. O “fardo”, então, é dividido ou despachado. O velho é visto como improdutivo, ineficaz, perdendo sua função social de rememorar e de significar o passado, e o presente torna-se difuso para grande parte dos jovens, já que, como aponta a teoria de Halbwhachs, o presente é compreendido de acordo com a tradição, a memória coletiva. Velhice – memória: um percurso teórico O estudo teórico referente à memória e à velhice sempre despertou interesse, desde Platão, em Teeteto, até os dias atuais, com a psicologia social, a psiquiatria ou, mais especificamente, a neurologia. Platão acreditava que a memória era tal qual uma placa de cera, dádiva concedida por Mnemósine, onde se registravam os aprendizados. A memória, segundo Platão, variaria, a depender da qualidade da cera – ela não poderia ser nem mole, pois não reteria o conhecimento, nem dura demais, pois estes não poderiam ser aprofundados. Aristóteles, por sua vez, em De memoria et reminiscentia, postulava que a experiência obtida através dos sentidos deixava uma imagem, um eikon, na memória, que ficava impressa “no corpo”, dando à memória, por assim dizer, um estatuto mais fisiológico. Assim, da mesma forma que não se poderia imprimir uma imagem em um rio corrente visto que esta sairia borrada, pensava o filósofo, as crianças e os velhos não poderiam ter boa memória, por encontrarem-se em estado de fluxo (crescimento/degenerescência). Outro estudioso do assunto, posterior a Aristóteles, foi Cícero, que compreendeu a memória como semelhante ao sistema de escrita, ou seja, constituído de um espaço, uma superfície e os símbolos nela inscritos. Isto mostra que sempre houve uma relação entre memória e os meios de registro da mesma. “Na história da cultura ocidental sempre houve uma ligação íntima entre a memória e a escrita. A palavra latina memoria tinha duplo sentido: ‘memória’ e ‘autobiografia’” (DRAAISMA, 2005. p. 49). Para Agostinho, a memória guarda em compartimentos separados aquilo que apreende pelos sentidos: cores, sons, sabores, etc. Outras abstrações que não apreendemos através dos sentidos, como conceitos matemáticos, já estariam dentro de nós, cabendo à ciência e à filosofia dar condições ao homem de ir buscá-las. “Também é por isso, crê Agostinho, que o latim usa cogitare (literalmente, “colher”) para expressar o verbo ‘pensar’”(DRAAISMA, 2005. p. 56). Percebemos, com essa pequena amostragem, que os conceitos elaborados pelos antigos estudiosos permanecem, de certa forma, até os dias atuais na “literatura da memória”, nas expressões como “tempo de armazenagem”, “capacidade de armazenagem” ou ainda outros, como “fazer processos de pesquisa” na memória. Muitos estudos se seguiram, fomentando a discussão, aderindo novos caminhos e possibilidades da relação Memória - Velhice, até chegarmos a Henri Bergon, Maurice Halbwhachs, Walter Benjamin, Jacques Le Goff e Ecléa Bosi, teóricos que permeiam e embasam este artigo. Henri Bergson, em seu livro “Matéria e Memória – ensaio sobre a relação do corpo com o espírito” trata da dualidade Corpo e Memória, opondo vigorosamente a percepção atual àquilo que chamará de lembrança (vir a tona o que estava submerso), elaborando uma fenomenologia da lembrança que servirá para entendermos os processos de percepção da mesma. “O que percebo em mim quando vejo as imagens do presente ou evoco as do passado?”. Para o filósofo, o universo das lembranças não se constitui do mesmo modo que o universo das percepções e das ideias. Bergson sempre está se interrogando sobre a passagem da percepção das coisas para o nível da consciência, bem como a atribuição à memória uma função decisiva no processo psicológico total, Bosi (2004, p. 47), ao se referir a Bergson, diz: Pela memória, o passado não só vem à tona das águas presentes, misturandose com as percepções imediatas, como também empurra “desloca” estas últimas, ocupando o espaço todo da consciência. A memória aparece como força subjetiva ao mesmo tempo profunda e afetiva, latente e penetrante, oculta e invasora. Assim, para tornar mais evidente a diferença entre o espaço profundo e cumulativo da memória e o espaço raso e pontual da percepção imediata, Bergson construiu o chamado “Cone da Memória” representado por um cone invertido, que é a representação da totalidade das lembranças acumuladas, o presente e a representação atual do Universo. Maurice Halbwhachs apresenta-nos, ao contrário de Bérgson, uma teoria psicossocial da memória. Prolongando os estudos de Émile Durkheim e da sociologia francesa, Halbwachs pensa a memória enquanto fenômeno social. Os fatos sociais, segundo Durkheim, consistem em modos de agir, pensar e sentir, exteriores ao indivíduo e dotados de um poder coercitivo pelo qual se lhe impõem. Assim, a memória é entendida em sua inter-relação com os grupos sociais da qual o individuo faz parte, estando diretamente atrelada à memória do grupo que, por sua vez, está atrelada à tradição, que é a memória coletiva de cada sociedade. Ocorre, aqui, uma modificação do próprio objeto de estudo: ele não é mais a memória em si, mas sim os quadros sociais, as instituições que formam a memória. porque lembrar não é reviver, como pensava Bérgson, mas refazer, reconstruir, repensar. O passado não é preservado, mas sim compreendido de acordo com as possibilidades do presente. A lembrança da nossa própria infância, diz Halbwhachs, já é alterada pela nossa consciência e ponto de vista atual. A sociedade industrial moderna, de acordo com a mentalidade capitalista, expurgou a velhice de seus lares, deixando o papel do velho em um plano à margem da convivência social. Como nos explica Benjamin (1994. p. 114) em seu livro “Magia e Técnica, Arte e Política” a narração após a Primeira Guerra Mundial tornou-se declinante tanto pelo silenciamento dos que lutaram nas trincheiras quanto pela crise econômica e social vivenciadas na época. Diz o autor: Sabia-se exatamente o significado da experiência: ela sempre fora comunicada aos jovens. De forma concisa, com a autoridade da velhice, em provérbios; de forma prolixa, com sua loquacidade, em histórias; muitas vezes como narrativas de países longínquos diante da lareira, contadas a pais e netos. Que foi feito de tudo isso? Quem encontra ainda pessoas que saibam contar histórias como elas devem ser contadas? Que moribundos dizem hoje palavras tão duráveis que possam ser transmitidas como um anel, de geração em geração? O repasse das experiências contidas na autoridade da velhice também se tornou declinante, pois contar, falar e repassar as experiências não condizia com o contexto do pós-guerra. Ecléa Bosi, em seu livro “Memória e Sociedade: lembrança de velhos” aplica os conceitos elaborados por Halbwachs e Bergson em 8 (oito) idosos fazendo uma abordagem da Velhice no contexto Industrial Burguês, pautada sobretudo na teoria Marxista para mostrar que a nossa percepção da velhice é condicionada por um sistema opressor e desigual, em que se defende um discurso do velho como estorvo na sociedade, já que este não serve mais para mover as máquinas do Sistema com sua força de trabalho. A autora, por meio das lembranças adquiridas em entrevistas faz uma interpretação sobre a Memória do Trabalho, Memória do oficio, Memória da Política, Os Laços de Família, a relação dos velhos com seus objetos, etc. deixando ao final de tudo uma frase de ordem: “O velho não tem armas. Nós é que temos que lutar por ele”. Relatos de experiências Os próximos tópicos aqui apresentados representam nossas impressões acerca do contato que obtivemos com alguns moradores do asilo. Esses relatos, para fugir à impessoalidade academicista, buscarão tornar próxima a história vivida e contada nos livros, através das lembranças de Dona Terezinha e de Seu Eduardo. O LAÇO E O ABRAÇO - Dona Terezinha Por Édne Ainda vai chegar o dia de nos virem perguntar: - Quem foi a Chica da Silva, que viveu neste lugar? (Cecília Meireles) Dona Teresinha é uma idosa de 80 anos, veio muito jovem de seu interior São Sebastião da Boa Vista e sempre fala com um tom saudoso de seu lugar, em Belém foi professora primária, conta-nos sobre as condições precárias em que a cidade vivia, “apenas umas ruas tinham os paralelepípedos, eu me lembro das valas, do chão batido, e quando chovia se formava a lama, muita lama, a vida era muito difícil” e continua contando sobre o que sofreu com a educação rígida de seu tempo, fala que os alunos salientes tinham que ficar de braços abertos até o fim da aula, diz que isso cansava e doía muito, ficar de joelho no milho, e a palmatória, lembra da palmatória com horror, doía muito em dias de tabuada. Várias foram as confissões feitas por Dona Teresinha, mas acredito que a que mais me abismou foi a contada sobre seu vizinho Lauro Duarte, o que me remeteu imediatamente ao texto de Benjamin (1994. p.115), “Experiência e Pobreza”, em que o autor diz: Não, está claro que as ações da experiência estão em baixa, e isso numa geração que entre 1914 e 1918 viveu uma das mais terríveis experiências da história. Talvez isso não seja tão estranho como parece. Na época, já se podia notar que os combatentes tinham voltado silenciosos do campo de batalha. Lauro Duarte era um dos homens mais bonitos de sua rua, sempre se vestia de branco (e o branco era o que chamava mais atenção em Dona Teresinha) até que veio a guerra, o Zepelim e o Lauro foi Lutar na guerra, conta que muitas coisas aconteceram na Guerra e que não gostava de falar muito neste assunto, mas continua, quando o Lauro voltou ele não falava mais com ninguém, vivia calado pelos cantos “não falava” perguntavam o que ele tinha feito na Guerra e ele não respondia, até que um dia ficaram sabendo que “ele era responsável por enterrar os corpos dos soldados mortos, fileiras de corpos”, narra que na frente da casa de Lauro havia um grande jardim ”um imenso jardim, naquela época os jardins eram enormes, hoje não se vê mais isso” então um dia viram que Lauro enterrava as bonecas da sobrinha no seu imenso jardim “foi muito triste meu filho, as coisas da Guerra, eu nem gosto de falar neste assunto”, diz que não sofreu tanto porque na casa em que morava o dono era encarregado de despachar as importações vindas a Belém, fala da escassez do açúcar, tinha que ralar a rapadura para poder fazer os cafés de todas as manhãs. Outro assunto que conversamos foi sobre fotografia. Dona Terezinha, e a fotografia? Foi quando ela tirou um álbum que estava embaixo de uma pequena estante e me mostrou com grande alegria. Fora dado por seu marido, ela já era viúva há 30 anos, ou seja, o álbum que estava em minhas mãos tinha mais de 50 anos e a dedicatória do marido ainda era visível “com carinhos e beijinhos para minha Teresinha”, as fotos eram poucas e tinham uma qualidade espantosa, nada comparado as de hoje, pois aquelas tinham um brilho nas partes pretas, que eu nunca tinha visto em fotografia alguma. Barthes (1984, p. 14), em seu livro A Câmera Clara fala que “a fotografia é sempre um campo alternado de ‘Olhe’, ‘Olhem’, ‘Eis aqui’” e assim foi feito, pelas fotos me mostrou seus belos cachos de 16 anos de quando fazia a escola normal, seu vestido branco em meio às árvores com um sorriso de menina, suas fotos de criança no meio de tantas outras crianças naquelas fotos de turma, seu marido falecido, seus filhos. Toda fotografia carrega uma morte, refiro-me a morte dos documentos, ao papel que se desfaz pelo tempo, a cor que se perde, aos sentimentos fotografados juntamente com os seres, estampados nos semblantes ou apenas reconhecidos pelos que sabiam por terem convivido com aquelas pessoas, sentimentos que desaparecerão quando Dona Terezinha se for, por isso, tratei de recolher fotografias das fotografias, para deixar no meu arquivo, pois estas memórias visuais estarão muito bem guardadas. TOMA UM FÓSFORO. ACENDE TEU CIGARRO! - Seu Eduardo Por Raquel Onde quer que um homem sonhe, profetize ou poetize, outro se ergue para interpretar. (P. Ricoeur) Conhecemos o seu Eduardo no dia das mães. Na ocasião, preparamos uma pequena festa com música, teatro, mágica e coral, e seu Eduardo estava sentado bem à frente do local das apresentações. Ele sempre me parava para perguntar se podia recitar um poema, e eu estava tentando colocar esta recitação na programação quando a Dona Mundica, uma das diretoras do Asilo veio me dizer: “Não, ele vai falar de catarro! E ninguém gosta das poesias dele.” No começo não havia entendido e só depois me lembrei da poesia Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos. Tive a idéia de procurá-lo e gravar sua recitação, e quando achamos o seu chalé conversamos um pouco sobre sua vida e perguntei se ele ainda queria recitar o poema. Disse que sim, e tudo foi filmado por Darcel Andrade: luz, câmera, ação... Versos íntimos Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão -- esta pantera -Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera. Toma um fósforo. Acende teu cigarro! o beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija! Algumas coisas na vida, quando ditas por um velho de 93 anos se tornam mais significativas. Há muito conhecia este poema, mas quando o seu Eduardo o recitou com toda a carga de uma vida, com todo o desejo de dizer aquilo com uma voz fraca, porém impositiva, com o olhar fito nas lentes, dizer para escarrar nas bocas que nos beijam porque a traição não tardará, tudo se tornou mais significativo e poético. Depois de dois meses sem termos ido ao asilo, por estarmos em outra fase do projeto, fomos surpreendidos com a notícia de que Seu Eduardo havia falecido poucos dias depois dos dias das Mães. Partiu, afinal, desta “terra miserável”. Considerações finais A diferença entre história e memória nos é apresentada por Bosi (2004, p.73). Como explica a autora A criança recebe do passado não só os dados da história escrita; mergulha suas raízes na história vivida, ou melhor, sobrevivida, as pessoas de idade que tomaram parte na sua socialização. Sem estas haveria apenas uma competência abstrata para lidar com os dados do passado, mas não a memória. Dessa forma, pensar a memória dentro da sociedade industrial contemporânea, marcada pelo esquecimento e pelo silenciamento, é refletir acerca do conceito de velhice, intrinsecamente relacionado ao papel social do idoso de rememorar o passado. Discutir as mudanças histórias que influenciaram na modificação e na desvalorização da figura do idoso, é, a nosso ver, perceber a desumanização por trás destas questões, buscando, ao tornar público estes estudos, possibilidades de mudança, ainda que incipientes. Referências BARTHES, Roland. A Câmera clara – notas sobre fotografia, tradução Júlio Castanôn Guimarães, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984. BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, Arte e Política. Tradução Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1994. BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. LE GOFF, Jacques. História e Memória. Tradução Bernardo Leitão ... [et al.] 2.ed. Campinas, SP: ed. Unicamp, 1992. PLATÃO. Diálogos, Volume IX (Teeteto e Crátilo). Tradução Carlos Alberto Nunes. Belém: UFPA, 1973. FARES, Josebel Akel (org.). Memórias da Belém de antigamente. Belém: EDUEPA, 2010 DRAAISMA, Douwe. Metáforas da memória: uma história das idéias sobre a mente. Trad. Jussara Simões. São Paulo: Edusc, 2005. CHEVALIER, J., GHEERBRANT, A. Dicionário de Símbolos (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). 12. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998 EDUCAÇÃO POPULAR COM IDOSOS: Discutindo o envelhecimento e dos saberes da vivência destes idosos POPULAR EDUCATION WITH AGED: Arguing the aging and knowing of the experience of these aged e cordenadora do GT em Educação com idosos em uma casa de acolhimento do mesmo núcleo. [email protected] Sirleno Santos Pedagogo, integrante do Núcleo de Educação Popular Paulo Freire (NEP) institucionalizado por esta IES, onde desenvolve atividades de extensão universitária com idosos em uma casa de acolhimento. [email protected] Resumo: O presente trabalho apresenta um relato de experiência de educação popular com idosos de uma casa de acolhimento, na região metropolitana de Belém, vivenciada por educadores do Núcleo de Educação Popular Paulo Freire (NEP), vinculado a Universidade do Estado do Pará. As bases metodológicas que permeiam as práticas educativas são pautadas nas diretrizes educacionais de Paulo Freire, como: dialogicidade, criticidade e valorização dos saberes dos educandos. As aulas são planejadas de acordo com os temas pertinentes nas últimas reuniões e partem sempre dos temas presentes na realidade social dos educandos, os chamados temas geradores. Os principais resultados obtidos nestas atividades são: valorização dos saberes dos educandos, maior autoestima e criticidade frente aos temas abordados. Palavras-chave: Educação Popular; idosos; saberes vivenciais Abstract: His paper presents an experience of popular education with older people in a shelter in the metropolitan region of Belem, experienced educators by the Núcleo de Educação Popular Paulo Freire (NEP), tied with the Universidade do Estado do Pará methodological bases that permeate the educational practices are based on Paulo Freire's educational guidelines, as dialogical, critical appreciation and knowledge of the students. Lessons are planned according to the relevant issues in recent meetings and are always based on the themes present in the social reality of the students, the generation themes, thus called . The main results obtained in these activities are: development of knowledge of learners, increased self-esteem and facing the critical issues addressed. Keywords: Popular education, Elderly, experiential knowledge. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Pedagoga, Especialista em Educação Superior, Pesquisadora do Núcleo de Educação Popular Paulo Freire ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Kelly Cristina Mendonça Introdução Ao longo do desenvolvimento histórico, os idosos em sua maioria nas sociedades ocidentais tiveram que conviver com o desrespeito, estigmatização e defasagem social. Julgados como improdutivos para a sociedade eram, e muitos continuam sendo relegados ao abandono por parte de seus familiares os quais deveriam ser seus principais cuidadores. Este fato, muitas vezes presente na realidade de muitos idosos de casas de acolhimento acaba por gerar nestes um desprazer pela vida, uma crise de subjetividade ou acarretando o abandono de si próprio. Diante deste problema social e humano o Núcleo de Educação Popular Paulo Freire (NEP), vinculado a Universidade do Estado do Pará desde o segundo semestre de 2002, oriundo do programa de Alfabetização de Jovens e adultos: processo social para a libertação – PROALTO, vinculado ao Departamento de Filosofia e Ciências Sociais do Centro de Ciências Sociais e Educação desta IES vem com uma proposta diferenciada de educação, baseado nas diretrizes metodológicas Freirianas, na qual esta está vinculada a uma proposta de educação dialógica, problematizadora e libertária, através da conscientização dos educandos. Atualmente o NEP está dividido da seguinte forma: coordenação geral, docentes colaboradores da própria Universidade e 30 educadores entre estes graduandos, especialistas e mestrandos. O Núcleo desenvolve suas atividades educacionais nos mais diversificados ambientes como: espaço de acolhimento de idosos, espaço hospitalar, sendo este na pediatria e na área de hemodiálise, filosofia com crianças em sala de aula, educação rural ribeirinha e educação no centro comunitário com pessoas em vulnerabilidade social. Neste relato será apresentada a experiência de educação popular realizada pelo NEP com idosos de uma casa de acolhimento da região metropolitana de Belém, este grupo de trabalho está composto por 3 educadores e 18 educandos, as atividades são realizadas às terças-feiras pelo turno da manhã, e o planejamento é feito às quartasfeiras. Os objetivos que regem o trabalho neste ambiente são: possibilitar aos idosos reconhecerem-se como sujeitos ativos na sociedade, assim como trabalhar a memorização através de atividades lúdicas e significativas que lhes permitam resgatar lembranças de suas vivências e possibilitar-lhes um momento de aprendizagem que integre a afetividade, o lúdico e o cognitivo. A educação com idosos apresenta ao educador uma proposta diferenciada das práticas educativas com crianças e adolescentes, as quais a maioria dos professores historicamente estão acostumados. As atividades junto aos educandos têm como parâmetro as bases metodológicas Freirianas, baseadas em uma educação critica, dialógica e significante, possibilitando durante os encontros momentos de aprendizagem e desenvolvimento. Educação popular Educação popular surge na década de 1960 representando uma proposta diferenciada do modo como à sociedade acostumou a ver o processo educacional, ou seja, através de uma ótica vertical, onde aluno é aluno e professor é professor, os conteúdos são sempre selecionados por pessoas de cima e sem compromisso com a realidade social dos educandos e com a emancipação política destes. Seguindo uma linha oposta a este modelo tradicional e hierárquico, a educação popular busca uma articulação democrática junto aos educandos, a seleção dos conteúdos devem sempre levar em consideração as necessidades, interesses e realidade social dos educandos. Esta educação é feita junto com os educandos e desenvolvida de forma horizontal. Para (OLIVEIRA, 2008, apud BRANDÃO 2002): Uma das ideias mais fortes nos tempos de criação do que foi mais tarde chamado de educação popular, é a de que podendo ser uma prática social de competência especializada, a educação é também múltipla. Ela é plural, tem muitos rostos e serve a vários gostos. Ela comporta teorias sobre a pessoa, sobre a sociedade, sobre a história e sobre o sentido do ensinar-e-aprender bastante diferentes. E ela contempla também diferentes planos de atividades. Educa-se dentro e fora de salas de aula, dentro e fora da escola. (p. 49) Portanto, a educação popular é de caráter múltiplo, pois abriga diferentes públicos, diferentes gostos e realidades das mais diversificadas vivências, assim como atende a um caráter flexivo, socializador e democrático, pois exige do educador popular criatividade e competência para realização de seu trabalho, além de adaptar-se a outros lugares, a outros ambientes, comprometendo espaço escolar e não escolar. Para Oliveira (2008, p.55) “a educação popular, na perspectiva freiriana, não é aquela produzida por uma classe detentora do saber, mas a que possibilita as classes populares participarem da produção do conhecimento [...]”. O idoso na educação popular Uma das dificuldades enfrentadas como educador popular, inserido em um ambiente não escolar e com idosos, perpassa justamente em trazer este idoso para nossas reuniões; julgam-se “velhos’’ para aprender, acreditam que não têm nada a contribuir com as aulas, muitos ainda carregam as representações sociais das escolas tradicionais, designadas por Freire (1997) como ensino bancário, onde o professor é visto como transmissor de conhecimentos e os alunos como meros receptores passivos. Para Oliveira (2008) a educação de idosos se caracteriza por questões éticopolíticas, que permeiam o desenvolvimento e progresso social. Ainda para esta autora a educação de idosos pauta-se em duas dimensões, ético-existencial, um direito de serem humanos, de reconhecerem-se como homens e mulheres presentes no mundo e ativos na construção deste. Outra dimensão é a sociopolítica o direito ao exercício pleno da cidadania. Após a chegada do idoso ao ambiente educacional o problema será convencê-los a contribuir com os discursos; chegam retraídos, tímidos e desconfiados, porém através de muito dialogo, carinho e compreensão vão tecendo suas primeiras palavras ainda pequenas na pronúncia, mas gigantes no conteúdo. Depois destes momentos turbulentos o educando idoso começa a dominar as discussões, uma vez que este é um dos principais objetivos na educação freiriana, que o educando possa expressar suas falas, sem constrangimento ou julgamento de valores. Compreende-se a educação como principal forma de democratização e desenvolvimento humano; possibilita aos homens reconhecerem-se como sujeitos sociais ativos e produtivos e, ao idoso, toma significado de existência e possibilidades de aprendizagens e inclusão. Para Bayley (s/d): La sociedad ideal posible es la que integra la función educativa en la dinâmica de sus estructuras económicas, sociales, culturales, asegurando la participación de todos sin excepción, en la faena de construir un mundo que consagre los valores humanos de compromiso com el derecho esencial a mejorar la cualidad de la vida por médio de la educación. (pag. 21) Sociedade justa e democrática compreende-se aquela que possibilita a seus membros exercerem seus papeis sociais, de ter uma vida saudável, diferenças respeitadas e ter, no auge de seu período existencial, seus direitos garantidos e comprometidos com o bem estar. Discussões políticas na educação popular Em um ambiente onde permeiam as mais diversificadas experiências, logo esperase que as discussões que os idosos trarão às reuniões serão relacionadas as mais variadas questões sociais, e estes surpreendem a cada reunião, os assuntos e temas trabalhados sempre são interessantes e significativos aos conteúdos das aulas e ligados aos temas da sociedade atual. Uma das discussões mais importantes que ocorreram durante as aulas perpassaram pela questão política partidária. Uma das educandas após assistir ao filme “O Bem Amado”, que retrata a política e a corrupção, chegou a conclusão pessimista de que a política nunca muda, os tempos passam, mas as práticas de corrupção ficam, embora com formas mais sofisticadas que se ajustam à sociedade e ao momento histórico. Outra questão política que apareceu em uma das aulas/reuniões foi como nossos políticos tratam a questão e os problemas dos idosos em nossa sociedade, apesar de terem conquistado diversos direitos através do Estatuto do Idoso (2003) que legitima seus papéis sociais e os coloca como uma das prioridades nas políticas de amparo e proteção social, no entanto a maioria dos políticos não levam em consideração estes direitos. Um dos educandos afirmou que ouviu de um político que não trabalha para atender as reivindicações dos idosos, pois estes não votam, e não votando, pois na visão deste político não são cidadãos, portanto excluídos das políticas de amparo e legitimação dos direitos conquistados. Podemos observar que os idosos apresentam saberes bastante diversificados, favorecidos pela longa vivência acabam enriquecendo as reuniões, contribuindo com o desenvolvimento dos conteúdos e ampliando os temas para discussões das próximas aulas. Estes saberes não podem ser ignorados, relegados e marginalizados por diferentes segmentos da sociedade. Para Freire (1992, p. 86) O respeito, então, ao saber popular necessariamente o respeito ao contexto cultural. A localidade dos educandos é o ponto de partida para o conhecimento que eles vão criando do mundo. “Seu’’ mundo, em última análise é a primeira e inevitável face do mundo mesmo. A educação popular não tem objetivos de ficar girando em torno dos saberes dos educados, mas considerá-los e levá-los em consideração, e a necessidade que educadores e educadoras progressistas têm de jamais subestimá-los, mas compreender a dialética entre o que Snyder apud Freire (1992) chama “cultura primeira e cultura elaborada’’ Junto a estes saberes que permeiam nosso trabalho, um dos objetivos que regem a experiência com idosos da casa de acolhimento onde atuamos, é a ativação da memória, a possibilidade de apresentarem uma memória ativa mediante seu uso. A ciência já comprovou que o cérebro pode melhorar com a idade graças à neuroplasticidade, que é a capacidade de modelar a mente. Para Bayley (2009, p. 23) baseadas em estudos de Elkhonon Goldeberg, “a ciência hoje respalda a afirmação de que a vida mental intensa desempenha um papel essencial no bem estar cognitivo das etapas avançadas da idade’’. (tradução nossa) Conclusões O trabalho com idosos em um ambiente de acolhimento estigmatizado culturalmente como um lugar de tristeza, abandono e sem produção apresenta aos educadores populares com bases teórico-metodológicas freirianas um desafio e ao mesmo tempo uma oportunidade de rever conceitos e crescimento profissional e pessoal. Ao longo das aulas/reuniões estes pensamentos construídos ao longo do processo histórico vão dando lugar a um ambiente de produção, de reafirmação de sujeitos sociais ativos e construção de laços de afetividade e amorosidade o que possibilita aos educandos liberdade para produzir, aprender e ensinar – sim, ensinar porque cada vez fica mais claro que o educador mais aprende do que ensina, aprende não apenas conteúdos escolares, mas acima de tudo aprende a ser mais humano, aprende a conviver e respeitar estes sujeitos sociais, assim como tem uma visão mais global do ser humano. Referências BAYLEY, Alondra. Andragogia Viva. Montivideo- Uruguay: ORBE Livros, 2009. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários á prática educativa. 6° ed. São Paulo: Paz e Terra, 1997. ______ Pedagogia da Esperança: Um reecontro com a Pedagogia do oprimido. 13° Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. OLIVEIRA, Ivanilde Apoluceno de. Caderno de Formação Pedagógica de Educação Popular: Fundamentos teórico-metodológicos. Belém: UEPA, 2008. O IDOSO E OS ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DE LAZER: Análise de um bairro de Castanhal – PA AGED AND THE SPACES AND EQUIPMENT OF LEISURE: Analysis of a quarter Graduada em Educação Física – Universidade Federal do Estado do Pará (UFPA) – Campus Castanhal; Especialista em Lazer – UEPA; [email protected] Mirleide Chaar Bahia Mestre em Educação Física e Doutoranda em Desenvolvimento Sustentável / Núcleo de Altos Estudos Amazônicos – UFPA; Docente da Universidade Federal do Pará – UFPA – Campus Castanhal; [email protected] Resumo: Este estudo trata do acesso de idosos aos espaços e equipamentos de lazer e apresenta uma análise das percepções dos idosos residentes no bairro Estrela do Município de Castanhal – PA. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com estudo bibliográfico e de campo, realizando-se entrevistas semiestruturadas com dez idosos moradores do local. Como resultado se verificou que, para os idosos, os espaços existentes nesse bairro não são satisfatórios, pelas barreiras de acesso existentes. Considera-se imprescindível o Poder Público criar programas de lazer que atendam aos idosos com qualidade, com atividades, equipamentos e espaços adequados ao seu acesso. Palavras-chave: Lazer, Idoso, Espaços, Equipamentos. Abstract: This paper broaches issues regarding access to leisure areas and equipment for the elderly, thus ascertaining elderly residents´ perceptions from Estrela in the City Castanhal - Pará by means of a qualitative research conducted through bibliographical surveys, fieldworks, and semi-structured interviews with ten local inhabitants. Moreover, results pointed out at unsatisfactory neighborhood areas for those aged due to existing barriers to access. Certainly, the Public Authority should create leisure programs for attending and providing the elderly with quality, activities, equipment and appropriate areas to their access. Keywords: Leisure; Elderly; Areas; Equipment. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Leidiluci Ferreira Brito ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia of Castanhal - Pará Introdução Algumas políticas públicas se preocupam em planejar a construção de equipamentos e elaboram projetos e ações de lazer para a população, porém pode-se perceber que os espaços referentes ao lazer tornam-se reduzidos para atender a todos ou não são oferecidas atividades diversificadas, o que contribui para o uso de espaços não específicos de lazer, como o lar, o bar, a rua, etc. Segundo Marcellino (2002), na maioria das vezes, as pessoas vivenciam seus momentos de lazer no ambiente doméstico, em função das diversas barreiras socioeconômicas que dificultam a busca por espaços específicos. Por outro lado, existem espaços que atendem uma parte da população e excluem outra parte que não possui acessibilidade adequada, como por exemplo, os problemas financeiros, o deslocamento a esses espaços ou até mesmo a falta de segurança nas cidades. Dentre os que se sentem excluídos, cita-se a população idosa, pelo fato de que essas barreiras de acessibilidade podem afastá-la dos espaços de vivências do lazer. De acordo com as autoras Dias e Schwartz (2005), a ideia de que os idosos não devem realizar certas atividades de lazer tende a ser superada em relação às constantes modificações sociais, uma vez que a expectativa de vida das pessoas, atualmente, tem aumentado muito, possibilitando, com isso, a necessidade de se repensar as questões que envolvem a qualidade de usufruto do tempo disponível. Nesse sentido, pesquisas sobre o lazer do idoso apresentam grande relevância, no sentido de subsidiar novos olhares sobre a temática. Esta pesquisa pretende buscar respostas para a realidade vivida pelos idosos, ou seja, seu acesso nos espaços de lazer. Dessa forma, propõe identificar como ocorre o acesso dos idosos aos espaços e equipamentos de lazer existentes no município de Castanhal, para uma compreensão da realidade em relação à distribuição e construção dos espaços e equipamentos de lazer em função do acesso dos idosos aos mesmos, indicando caminhos para o embasamento às políticas públicas de lazer para os idosos. Compreendendo o Lazer A importância do lazer foi ganhando espaço e passou a ser objeto de estudos sistemáticos nas sociedades industriais modernas, pois o trabalho e o lazer configuravam-se num mesmo espaço e o tempo passou a ser controlado para o trabalho: “[...] a dicotomia entre lazer e trabalho está relacionada a tempos marcados e controlados por vários instrumentos (relógio, calendários e outros), estabelecendo espaços específicos para cada atividade” (BRUHNS, 1997, p. 104). Levando em consideração o significado do lazer, esse fenômeno é comumente relacionado a “divertimento” e “descanso” pela maioria das pessoas, passando a ser percebido por elas com um caráter de supérfluo nas suas vidas. No entanto, deve-se entender que o lazer possibilita, também, desenvolvimento social e pessoal. Para Marcellino (2002), o lazer corresponde diretamente a “tempo” e “atitude”, pois esses dois aspectos são relevantes para que seja possível vivenciar momentos de lazer. O lazer considerado como atitude será caracterizado pelo tipo de relação verificada entre o sujeito e a experiência vivida, basicamente a satisfação provocada pela atividade. O lazer ligado ao aspecto tempo considera as atividades desenvolvidas no tempo liberado do trabalho, ou no “tempo livre”, não só das obrigações profissionais, mas também das familiares, sociais e religiosas (MARCELLINO, 2002, p. 08). Para que os indivíduos possam optar por uma atividade de lazer, faz-se necessário existir espaços próprios na cidade para essas vivências, pois o espaço para o lazer é o espaço de nossas cidades, ou seja, o lazer, cada dia mais, está se tornando mais urbano. Os Espaços e os equipamentos são componentes dinâmicos de uma política pública de lazer e estão em constante transformação (MARCELLINO, 2006). Caracterizando o espaço urbano e o espaço de lazer O processo acelerado da urbanização fez com que a sociedade passasse por diversas transformações que influenciaram diretamente o modo de vida da população, dentre essas mudanças ocorridas figura a falta da vivência prática do lazer em diferentes espaços e equipamentos das cidades. O espaço público deixou de ser um local de encontros e reencontros de lazer, de ter um caráter multifuncional, principalmente em função de interesses econômicos. Com o desenvolvimento das cidades, esvaziam-se as áreas rurais e crescem as diferenças de classes e de oportunidades nas cidades, dificulta o trajeto entre a residência e o trabalho e, até mesmo, a distância entre os homens. O espaço urbano passa por uma aceleração e imediatismo e na maioria das vezes a população não acompanha esse processo de desenvolvimento e perde a noção de importância do acesso ao mesmo. A infraestrutura das cidades não se adequou às necessidades das populações. Essa desorganização espacial teve como consequência a divisão de duas áreas: as centrais que concentram a maioria dos benefícios e as periferias que não se beneficiam com os atendimentos oferecidos pela cidade. Com o propósito de definir o espaço do meio urbano, Santini (1993, p. 34) afirma: O espaço é mais do que um ponto de vista estético, ou até mesmo um sentimento complexo; ele é uma condição para a sobrevivência biológica de qualquer espécie. Para o homem, ele representa mais que isso; é crucial para seu bem-estar psicológico e uma exigência social. Diante da reordenação do espaço urbano, assim como a distribuição de espaços e equipamentos de lazer, faz-se necessário que as políticas públicas de lazer facilitem o acesso de moradores das áreas centrais e periféricas, assegurando uma melhor infraestrutura e segurança à população em diversos espaços. A democratização do lazer implica na democratização do espaço. Para Dumazedier (1999), o espaço de lazer é um espaço social e cultural, onde ocorre o convívio entre seres, grupos, meios e classes. Espaços, equipamentos e programações de lazer em Castanhal: a participação do idoso O bairro Estrela é um dos bairros do Município de Castanhal - PA onde se encontra um grande número de espaços e equipamentos de lazer em comparação a outros bairros desse município. É um bairro central e de grande referência para moradia. O bairro Estrela é um local bastante visitado por moradores de outros bairros, visto que um dos motivos para tal fato é a centralização de alguns equipamentos de lazer no mesmo, como por exemplo, o Ginásio Poliesportivo Loiola Passarinho e o Estádio de Futebol Maximino Porpino, além da Praça do Estrela que conta com vários espaços esportivos. Esse município também oferece várias programações para diversas faixas etárias, entre elas o Projeto “Viver Bem” promovido pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), o qual pretende, “por meio do esporte, do lazer e de serviços de acolhimento, promover a qualidade de vida do idoso e da família”, com atividades físicas orientadas – dança, esporte, teatro, atividades aquáticas e passeios. Ele atende pessoas acima de 50 anos, sendo que, em alguns casos, os idosos procuram o projeto ou eles são encaminhados por técnicos – de assistência social e psicológica – e através de encaminhamento de amigos. É importante ressaltar que a permanência no projeto é por vontade própria do idoso e o viver bem só acontece em alguns finais de semana, não é um projeto contínuo. Outro projeto oferecido pela SEMAS é o programa Corpo Saudável. Este é voltado para todas as faixas etárias, ocorrendo as segundas, quartas e sextas-feiras, onde são promovidas aulas de ginástica, caminhadas e alongamentos a todos os participantes. Vários idosos participam desse projeto. O idoso, o envelhecimento e seu direito ao lazer Neste estudo foi utilizada a classificação do individuo idoso com uma faixa etária de 61 a 75 anos de idade segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2005). Durante o processo de envelhecimento ocorrem inúmeras mudanças biológicas, psicológicas e também sociais. Essa última é reduzida pelo próprio indivíduo, imposta por suas limitações físicas ou por pressões ditadas pela própria sociedade “A pessoa idosa, talvez na maioria dos casos, começa a formar de si mesma uma imagem negativa, resultante de um conjunto de ideias e atividades vindas da sociedade” (DIAS; SCHWARTZ, 2005, p. 1). Para a maioria dos indivíduos, o ato de envelhecer apresenta-se como um ponto de limite para algumas situações da vida. Na realidade isso acontece, porém não define que o idoso tenha que se privar de tudo, como do trabalho, do sexo, da vida social, do lazer etc. Em muitos casos, torna-se difícil adaptar-se às novas fases ou mudanças ocorridas em nossas vidas, mas o envelhecimento não nos abstém de certos direitos e necessidades humanas, como por exemplo, as atividades de lazer. [...] envelhecer bem significaria estar satisfeito com a vida atual e ter expectativas positivas em relação ao futuro. A satisfação na velhice dependeria da capacidade de manter ou restaurar o bem-estar subjetivo justamente numa época de vida em que a pessoa está mais exposta a riscos e crises de natureza biológica, psicológica e social (NERI, 1993, p. 11). Com o desenvolvimento científico e o aparecimento de estudos especializados voltados a atender a saúde dos idosos, como a geriatria e a gerontologia, referentes aos aspectos físicos, biológicos, psíquicos, emocionais e sociais, foi possível estender a vida do ser humano, sendo acompanhado, também, por outros avanços como na área da saúde, saneamento, tecnologia, leis trabalhistas que buscam possibilitar uma melhor qualidade de vida voltada aos idosos. “Devido à mudança existente no quadro populacional brasileiro, a sociedade e suas ramificações estão se especializando em serviços antes inexistentes para a terceira idade” (LONGO et. al. 2008, p. 3). O lazer pode vir a ser uma forma de tornar menos árduas as consequências proporcionadas pelo processo de envelhecimento, com o propósito de retomar a autonomia, a autoestima, o autoconceito dos idosos, promovendo-lhes bem-estar e satisfação em viver. Logo, o lazer pode ser uma forma de melhorar a socialização entre esses indivíduos e também amenizar seus problemas sócio psicológicos. No entanto, a presença de idosos nos espaços de lazer é reduzida, apesar do número de idosos em nosso país ser de 21 milhões, segundo o IBGE (2009). No entanto, é assegurado por lei que o idoso tem direito a usufruir de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, entre eles o lazer, como se observa no Estatuto do Idoso: Art. 3º É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária (BRASIL, 2003, p. 5. grifo nosso). O estatuto do Idoso, Lei nº 10741, em seu capítulo V Da Educação, Cultura, Esporte e Lazer, intervém, assegurando, especialmente, a participação do idoso nos espaços de lazer a fim de proporcionar bem-estar, dignidade, socialização, participação e satisfação dos mesmos nesses meios. Art. 20º O idoso tem direito à educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade. Art. 23º A participação dos idosos em atividades culturais e de lazer será proporcionada mediante descontos de pelo menos 50% (cinquenta por cento) nos ingressos para eventos artísticos, culturais, esportivos e de lazer, bem como o acesso preferencial aos respectivos locais (BRASIL, 2003, p. 11. grifo nosso). Levando-se em consideração o número de espaços e equipamentos de lazer existentes nas cidades, é relevante identificar se esses atendem de forma adequada aos cidadãos idosos, pois em sua maioria são excluídos de utilizar esses espaços, principalmente porque, em sua maioria, são espaços privados que precisam de pagamento. Portanto, cabe ao Poder Público fazer valer os direitos de todos ao lazer, desde o acesso aos espaços e equipamentos, até a oferta de diversas atividades para essa vivência, incluindo a população idosa. E cabe à população exigir o cumprimento de seu direito ao lazer e a preservação desses espaços. Ofertas precárias de atividades de lazer para os idosos são visíveis, pois não são suficientes para atender os mesmos. Em alguns casos, não atendem nem mesmo a população jovem que aparentemente são prioritários nessas áreas e que provocam pressão nos poderes públicos para melhores investimentos. O olhar dos idosos Este estudo foi realizado por meio da combinação entre pesquisa bibliográfica e de campo (SEVERINO, 1996). A metodologia aplicada nesta pesquisa é um estudo descritivo (ANDRADE, 2002), com uma abordagem qualitativa. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas com roteiro semiestruturado, baseado em anotações diretas e individuais, conforme Severino (1996). As entrevistas foram realizadas com 10 (dez) idosos residentes no bairro Estrela, no município de Castanhal – PA, com idades que variam entre de 61 a 74 anos, os quais frequentam a Praça Central desse bairro para caminhadas, passeios, entre outros. Seis deles participam do programa de ginástica oferecido pela Secretaria de Lazer do Município que é realizado semanalmente na praça do Estrela; quatro frequentam o clube de área verde do bairro; dois frequentam casas de shows e bares; e três frequentam o ginásio e o estádio de futebol. Segundo os entrevistados, em relação aos espaços e equipamentos de lazer no bairro do Estrela, a estrutura atende muito mais aos adolescentes que aos idosos e quando apresentam alguma atividade, os espaços funcionam mais pela parte da noite, e muitos locais estão deteriorados por conta do vandalismo de alguns usuários. O problema da infraestrutura e da falta de segurança nesses espaços, também, compromete o acesso dos idosos às atividades de lazer. As insatisfações a respeito dos espaços e equipamentos de lazer no bairro Estrela são visíveis na fala dos entrevistados, porém existem momentos satisfatórios em poucos períodos do ano, sendo a semana do idoso um desses períodos, onde os idosos participam de atividades de lazer gratuitamente no bairro. Os entrevistados sentem a necessidade de mais projetos para atendê-los, pois o número de atividades de lazer é pequeno ou são atividades pouco interessantes para eles. Pode-se dizer que os espaços de lazer do bairro Estrela estão construídos com o propósito de atender a todos, mas isso não acontece, pois os idosos não estão satisfeitos com esses espaços e o acesso a eles. É relevante a construção de outros equipamentos de lazer que atendam essa população dentro de suas limitações. Considerações finais As modificações nas cidades para a construção dos espaços de lazer promovem algumas dificuldades para a população, principalmente para os idosos, pois apesar destes já apresentarem certa limitação devido à idade avançada ocorrida naturalmente no envelhecimento, também se deparam com dificuldades de acesso aos espaços e equipamentos de lazer na cidade. A falta de atividades de lazer que agradem aos idosos é um problema que pode ser resolvido pelas secretarias municipais através de projetos e programas que visem proporcionar um lazer democrático a esses indivíduos. É preciso ouvi-los para saber suas necessidades e solicitar ao poder público a criação desses projetos de lazer que promovam aos idosos os benefícios já citados. Os projetos criados pelas secretarias das cidades devem planejar uma programação contínua e não esporádica (em alguns finais de semana ou apenas na semana do idoso). Faz-se necessário manter os espaços e equipamentos de lazer do bairro Estrela íntegros e de fácil acesso para que os idosos possam acessá-los como garantia de direitos. E que as políticas públicas promovam, verdadeiramente, a democratização de espaços de lazer, buscando melhorar a disponibilidade do acesso dos idosos àqueles espaços. Referências ANDRADE, Maria Margarida de. Como preparar trabalhos para cursos de Pós –Graduação. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2002. BRASIL. Estatuto do Idoso. Lei. 10741 de 01 de outubro de 2003. Direito dos Idosos: Uma conquista de quem ajudou a construir e ainda constrói este país. Brasília, 2003. BRUHNS, Heloisa Turini. (org). Introdução aos estudos de lazer. Revista da Faculdade de Educação Física. Campinas-SP: Editora da UNICAMP, 1997. DIAS, Viviane Kawano; SCHWARTZ, Gisele Maria. O lazer na perspectiva do indivíduo idoso. Revista Digital. Buenos Aires, ano 10, n. 87, agosto de 2005. Disponível em: http://www.efdeportes.com (Acesso em: 05 de agosto de 2009). DUMAZEDIER, Jofre. Lazer e cultura popular. São Paulo: Perspectiva, 1999. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Síntese de Indicadores Sociais: uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira, 2009. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/indicadoresminimos/sinteseindi csociais2009/indic_sociais2009.pdf (Acesso em 02 de nov de 2010). LONGO, Maíra da Paz et al. Lazer e terceira Idade: estudo de caso do Departamento de Assistência Social da Prefeitura Municipal de Tietê. Tietê-SP. (Anais), 2008. MARCELLINO, Nelson Carvalho. Estudos do lazer: uma introdução. 3. ed. Campinas-SP: Autores Associados, 2002. MARCELLINO, Nelson Carvalho et al. As cidades e o acesso aos espaços e equipamentos de lazer. Piracicaba-SP: Impulso, 2006. NERI, Anita Liberalesso (org). Qualidade de vida e idade madura. Campinas-SP: Papirus, 1993. (Coleção Viva Idade). ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Organização Pan Americana, 2005. SANTINI, R. de C. G. Dimensões do lazer e da recreação. São Paulo: Angelotti, 1993. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho cientifico . 20. ed. São Paulo: Cortez, 1996. UM OLHAR SOBRE A INCLUSÃO PRODUTIVA DE IDOSOS EM VULNERABILIDADE PESSOAL E SOCIAL NO CENTRO ESTADUAL DE CONVIVÊNCIA DO IDOSO – CECI - MANAUS – AM ONE TO LOOK AT ON THE PRODUCTIVE INCLUSION OF AGED IN PERSONAL AND SOCIAL VULNERABILITY IN THE CENTRO ESTADUAL DE Assistente Social do Centro Estadual de Convivência do Idoso/SEAS, Especialista em Gerontologia pela UnATI-UEA/AM. [email protected] Alenira Maria Souza Pedroso Jordão Psicóloga do Centro Estadual de Convivência do Idoso/SEAS, Especialista em Gerontologia pela UnATI-UEA/AM. [email protected] Resumo: Este trabalho tem por finalidade identificar as necessidades de ações voltadas para geração de emprego e renda com trabalhos alternativos com materiais plásticos recicláveis e jardinagem para idosos usuários do CECI-AM. Em levantamento sócio econômico identificou-se, principalmente a faixa etária de 60 a 64 anos, não são aposentados e encontram-se fora do mercado de trabalho, sem nenhum benefício pessoal. Diante desta necessidade foi elaborado um projeto “Reutilizar para Preservar – A pessoa Idosa em busca de alternativas para o meio ambiente”, onde deverão ser realizadas oficinas de reciclagem de material plástico e jardinagem para fins de estimular a geração de emprego e renda relacionada com o desenvolvimento sustentável, sendo a sua previsão de implementação em janeiro de 2011, Palavras-chave: Idoso, renda e reciclagem Abstract: This work has for purpose to identify the necessities of actions directed toward job generation and income with alternative works with plastic materials you recycle and gardening for aged users of the CECI-AM. In partner-economic survey it was identified, mainly the age band of 60 the 64 years, they are not pensioners and they meet outside of the work market, without no personal benefit. Ahead of this necessity a project was elaborated “ Reutilizar para Preservar – A pessoa Idosa em busca de alternativas para o meio ambiente”, where workshops of recycling of plastic material and gardening for ends will have to be carried through to stimulate the generation of job and income related with the sustainable development, being its forecast of implementation in January of 2011, Keywords: Aged, income and recycling Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Lucineide Ribeiro da Silva ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia CONVIVÊNCIA DO IDOSO – CECI - MANAUS –AMAZONAS Introdução Envelhecer com dignidade e de forma contributiva para a sociedade, talvez seja um dos maiores desafios para os idosos na atual conjuntura, pois o trabalho sempre foi um dos fatores mais importantes para a organização da vida e para o fortalecimento da identidade. Conforme NERI (2002), vivemos em uma sociedade em que as pessoas são avaliadas e valorizadas pelo que fazem ou o que fizeram, em que a condição de ser produtivo é básica para que uma pessoa seja aceita pela sociedade como membro ativo e, neste sentido, há uma tendência a avaliar os velhos como improdutivos e dependentes. Estes rótulos remontam à época em que os trabalhadores que envelheciam eram afastados e discriminados por não mais oferecerem energia e esforço físico que o trabalho exigia. No processo do envelhecimento a vida laboral continuada influencia diretamente na autoestima e na qualidade de vida do idoso, pelas possibilidades de ser respeitado, reconhecido pela contribuição que dá à sociedade e pelas oportunidades para manter seus recursos pessoais em constante desenvolvimento. Segundo MAURIZ (2008), não se deve permitir mais que se mantenha e se perpetue o olhar na velhice como fato consumado de exclusão, por fator biológico ou por fator precoce, por conta de um mercado de trabalho preconceituoso e “míope”, que fixa patamares de 40 ou 50 anos para o fim da etapa produtiva do trabalhador. Não se pode esquecer, que o idoso possui força e potencial de trabalho, que o conduz à melhora da qualidade de vida, utilizando desta potencialidade para gerar sua própria renda, como alternativa de autonomia, mas quaisquer processos que possam resultar nesta autonomia, dependem de condições mínimas para a sobrevivência, que são inerentes a qualquer ser humano. Cumprindo o que preconiza a Lei nº 8.842 (PNI) de 04 de janeiro de 1994, em seu art.1º sobre a Política Nacional do Idoso que tem entre seus objetivos, “assegurar os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade”, o Centro Estadual de Convivência do Idoso – CECI, com 5.500 metros quadrados de área construída para atendimento dia de 2.000 pessoas é o maior concentrador de pessoas idosas por área geográfica existente na cidade de Manaus, oferecendo atendimento multidisciplinar com atividades físicas, laborativas, recreativas, socioeducativas, culturais e profissionalizantes, cumpre o seu papel de possibilitar melhor qualidade de vida aos seus usuários. Metodologia Realizamos o levantamento do perfil socioeconômico de 1.750 usuários acima de 60 anos, ambos os sexos, frequentadores do Centro Estadual de Convivência do Idoso – CECI, cadastrados no Serviço de atendimento Psicossocial/SEAS e na escuta dos próprios sujeitos envolvidos no processo, para conhecimento de suas necessidades. Resultados Ao elaborar o perfil socioeconômico dos usuários, identificamos que 700 (40%) estão com idades entre 60 e 64 anos, a maioria do sexo feminino e com o ensino o ensino fundamental incompleto. Encontram-se fora do mercado de trabalho, não são aposentados (não se enquadram no perfil exigido pelo INSS) e não recebem nenhum tipo de benefício. Apesar da legislação prever que pessoas idosas são aquelas que possuem idade a partir de 60 anos, a previdência da União exige idade de 65 anos completos para o benefício da previdência continuada (BPC). Ouvindo os próprios sujeitos envolvidos no processo, conhecemos suas ansiedades, necessidades, angústias e aspirações e, através de suas queixas, identificamos que muitos idosos estão em vulnerabilidade econômica e social, sentem-se excluídos, mas gostariam de participar das atividades de lazer, culturais e sociais desenvolvidas no CECI, porém muitas dessas atividades requerem gastos para confecção de figurinos e acessórios, não que sejam fatores excludentes para a participação ativa nas atividades, contudo, eles mesmos sentem-se inferiorizados, não verbalizando esta sua dificuldade aos colegas. Muitos destes idosos vivem com os filhos que são assalariados, sem também terem condições financeiras de proporcionar-lhes um melhor padrão de vida. Considerações finais Buscamos alternativas para inserir a pessoa idosa ativa em programas de geração de emprego e renda combinada com a sustentabilidade dos recursos naturais, aproveitando a estrutura física e a localidade do Centro Estadual de Convivência do Idoso, pois está localizado às margens do igarapé do São Raimundo, sendo este fonte de recurso material. Deste modo, estaremos desenvolvendo oficinas de reciclagem para a reutilização de materiais plásticos que são jogados no rio e de jardinagens com a intenção de plantar e cultivar árvores frutíferas e sombreiras. Nesse contexto, estaremos também sensibilizando o idoso para a consciência da preservação e manutenção do meio ambiente. Parte do orçamento para a intervenção será viabilizado pelo Governo do Estado do Amazonas através da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania, gestora estadual da política e defesa da pessoa idosa. Será executado no Centro Estadual de Convivência do Idoso por ter infraestrutura adequada, com salas climatizadas para aulas teóricas e outros ambientes para aulas práticas. Para o alcance das metas estabelecidas estaremos formando parcerias com o CETAM - Centro de Formação Tecnológica do Amazonas, UG PROSAMIM – Unidade Gestora do Programa de Saneamento e Urbanização dos Igarapés de Manaus, entre outros. Esta prática de inclusão produtiva estará preparando e capacitando o idoso para a inserção no mercado de trabalho, dandolhes condições e oportunidades para a manutenção e sustento pessoal com cidadania e qualidade de vida. Referências MAURIZ, Aquiles. O Idoso no mercado de trabalho do Piauí, 2008. http://www.webartigos.com. Consulta: 10 de outubro de 2010. NERI, Aguinaldo Aparecido. Artigo: O Envelhecimento no Universo do Trabalho – Desafios e oportunidades depois dos 50 anos. Ed. Edicon, São Paulo, 2002. PNI – POLÍTICA NACIONAL DO IDOSO. Lei nº 8.842 de 1994. PROJETO DE EXTENSÃO UNIVERSIDADE ABERTA DA TERCEIRA: Um espaço para inclusão social em uma faculdade privada de Ananindeua-Pará EXTENSION PROJECT OPEN UNIVERSITY OF THIRD: A space for social inclusion in a private college of Ananindeua-Pará Extensão Universidade Aberta da Terceira Idade Maria Leonice da Silva de Alencar Orientadora: Socióloga, Mestre em Serviço Social, docente do Curso de Pedagogia FAAM e coordenadora do Projeto de Extensão Universidade Aberta da Terceira Idade Resumo: O envelhecimento da população é um fenômeno que está ocorrendo mundialmente. Portanto, a longevidade humana é uma conquista coletiva que vem demandando por políticas e serviços voltados para a população de 60 anos e mais, tornando-se um desafio para o governo e sociedade. Neste sentido, o trabalho se constitui em um Projeto de Extensão “Universidade Aberta da Terceira Idade”, vinculado ao Curso de Pedagogia da Faculdade da Amazônia, objetivando a valorização da pessoa idosa, a instrumentalização de acadêmicos para o trato com da questão do envelhecimento humano e da velhice e a inclusão social da pessoa idosa. Palavras-chave: Pessoa Idosa, Inclusão Social, Universidade Aberta da Terceira Idade. Abstract: The aging of the population is a phenomenon that is occurring world-wide. Therefore, the longevity human being is a collective conquest that comes more demanding for politics and services directed toward the population of 60 years and, becoming a challenge for the government and society. In this direction, the work if constitutes in a Project of Extension ““Universidade Aberta da Terceira Idade”, tied with the Course of Pedagogy of the Faculdade da Amazônia, objectifying the valuation of the elderly, the learning of academics for the treatment with of the question of the human aging and the oldness and the social inclusion of the elderly. Keywords: Elderly, Social Inclusion, Open University of the Third Age. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Acadêmicos do Curso de Pedagogia 2º período, da Faculdade da Amazônia e colaboradora do Projeto de ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Ângela Maria Paginato; Luiz Roberto Pegado; Lana Cláudia Silva; Liliane Machado Contextualizando o envelhecimento populacional Comumente nos deparamos com pessoas idosas em diversos espaços públicos, o que vem corroborar os dados informados pela Pesquisa Nacional por Amostra a Domicílio – PNAD (2009) que aponta que em 2008, o Brasil já tinha quase 191.196.000 de habitantes, dos quais 21 milhões com 60 anos e mais, superando a população idosa de vários países europeus. Da população total 7.479.000 são residentes no Estado do Pará, destes, 556.000 são habitantes com 60 anos e mais. A PNAD 2005, informa que na Região Metropolitana de Belém existem 149.290 homens e mulheres com 60 anos e mais. Dessa forma, inclusive por meio da observação cotidiana constata-se o aumento significativo de pessoas idosas nos ônibus, nas filas de banco, nas filas do INSS, abandonados e mendigos nas ruas, bem como participando de eventos relacionados a essa faixa etária. O processo do envelhecimento ocorre desde o momento do nascimento, portanto é um processo natural, dinâmico e progressivo apresentando limitações características desse processo, o que leva a fase da velhice. Esta por sua vez também ocorre de maneira diferente em cada ser humano e a velhice é vista de acordo com os valores culturais de uma sociedade, não existe um padrão da velhice, existem várias formas de envelhecer, a velhice de uma pessoa que mora na área rural, certamente é diferente daquela residente na área urbana, assim como a velhice de uma pessoa que mora num bairro elitizado pode ser diferente daquela moradora de um bairro da periferia. Assim, a velhice difere de sociedade para sociedade. Assim, reconhece-se a existência de uma gama bastante ampla de critérios para a demarcação do que venha a ser um “idoso”. No entanto, o mais comum baseia-se no limite etário, como é o caso, por exemplo, da definição da Política Nacional do Idoso - Lei 8.842, de 4 de janeiro de 1994, regulamentada pelo decreto1948/96, e do Estatuto do Idoso - Lei 10.741, de 1º de outubro de 2003, que considera idosa, a pessoa com 60 anos e mais. Este padrão foi recomendado pela Organização Mundial da Saúde – OMS que, para efeito de políticas públicas, considera como idosas as pessoas com 60 anos ou mais, residentes em países em desenvolvimento, e com 65 anos e mais, habitantes em países desenvolvidos. (CAMARANO E PASSINATO, 2004). ALENCAR (2007) ressalta que, a preocupação com a questão social do envelhecimento humano surge nos países desenvolvidos, e é a partir da década de 70 que os programas direcionados ao processo de envelhecimento começaram a ter visibilidade, mas só se manifesta como problema social na agenda internacional a partir de 1982, quando se realizou em Viena, na Áustria, a Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, organizada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, o que proporcionou uma oportunidade para que representantes dos países discutissem as implicações médicas, econômicas e sociais dessa parcela da população. A pesquisadora esclarece ainda que, esse evento foi considerado o marco inicial para a instituição de uma agenda internacional de políticas públicas para a população idosa, significou um avanço no trato das questões relacionadas ao envelhecimento humano, visto que, até aquele momento, não havia o debate relacionado a essa questão, a questão do envelhecimento humano não era objeto de atenção. Para CAMARANO e PASSINATO (2004, p. 257 apud ALENCAR, 2007, p. 22), “A questão era tratada de forma marginal pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Organização para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), como parte de suas atividades especializadas” não expressando qualquer preocupação com as implicações sociais decorridas do processo do envelhecimento humano. O envelhecimento e a expectativa de vida, em todas as populações do mundo, constituem um problema emergente nos vários segmentos sociais. O ritmo de crescimento na população idosa, segundo PASSARELLI (1997), relaciona-se diretamente com a diminuição das taxas de natalidade e mortalidade infantil, a melhoria no tratamento das doenças infectocontagiosas, condições de saneamento básico e o acesso aos serviços de saúde para um número maior de indivíduos. No entanto, este autor destaca que o aumento do número de idosos nas últimas décadas fez com que o interesse pelo estudo do envelhecimento fosse se desenvolvendo progressivamente. Sendo assim, é a partir da década de 70, face ao crescimento significativo da população com mais de 60 anos, que o governo brasileiro toma algumas iniciativas em relação a este segmento da população. Para ALENCAR 2008, p. No Brasil as primeiras iniciativas em promover uma velhice saudável e inclusiva têm como marco a década de 60, destacando-se o Serviço Social do Comércio SESC, com a criação de centros de convivências e considerado pioneiro nesse trabalho, e posteriormente a Fundação Legião Brasileira de Assistência - LBA. Na década de 80, frente ao cenário apresentado, as Universidades implantam programas voltados para a questão do envelhecimento e da velhice. A Universidade da Terceira Idade constitui-se na proposta sócio-cultural-educativa mais recente no trato da velhice e envelhecimento. A primeira iniciativa na criação da Universidade da Terceira Idade ocorreu na França no final da década de 60, onde as instituições de ensino superior criaram um espaço para atividades culturais e de sociabilidade, tendo como objetivo ocupar o tempo livre dos aposentados e favorecer as relações sociais entre eles. Não havia uma preocupação com programas dirigidos à educação permanente, seu objetivo era promover atividades ocupacionais e lúdicas. Essas instituições eram chamadas de Universidades do Tempo Livre. (BARROS, 1998 apud ALENCAR, 2007). Essa ideia é disseminada por vários países e, no Brasil, uma das primeiras iniciativas cabe ao SESC - São Paulo, e pouco a pouco outras instituições vão se preocupando com a questão e implantando programas, tendo como público alvo a população idosa. Nesse contexto, temos a Universidade Federal do Pará que em 1991 implanta a Universidade da Terceira Idade, cujo objetivo é a atualização cultural de pessoas idosas. O Projeto “Universidade Aberta da Terceira Idade” A partir dessa nova configuração demográfica no Estado do Pará e especialmente no Município de Ananindeua no qual há um contingente significativo de pessoas com 60 anos e mais e tendo como modelo o trabalho desenvolvido pelo Programa UNITERCIUFPA, é que se manifesta o interesse da Faculdade da Amazônia- FAAM, por iniciativa de professores e discentes do Curso de Pedagogia em implantar o Projeto “Universidade Aberta da Terceira Idade-UNATI”, cumprindo dessa forma o que determina o Estatuto do idoso, artigo 3º. É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. O Projeto de extensão Universidade Aberta da Terceira Idade tem como objetivo possibilitar às pessoas com 55 anos e mais a atualização cultural na área da Geriatria, Gerontologia, Direitos Humanos, Políticas Sociais e Relações Interpessoais; capacitar, instrumentalizar os discentes de graduação envolvidos no projeto para a prática de trabalho com grupos de idosos/as; possibilitar inclusão social de homens e mulheres com 55 anos e mais; contribuir para seu desenvolvimento e participação sócio-política na comunidade; oportunizar à pessoa idosa (re) descoberta de potencialidades e vivência de novos papéis sociais; estimular à pessoa idosa o exercício da autonomia, da independência e da cidadania como sujeito de direitos; envolver a comunidade universitária de forma interdisciplinar nas questões relacionadas ao envelhecimento humano; capacitar e instrumentalizar os/as discentes prática de trabalho com grupos de idosos/as e troca de saberes; facilitar a relação intergeracional. O processo de construção de uma sociedade mais justa, digna e democrática. Destaca-se a essencial contribuição do espaço escolar enquanto locus de discussão, reflexão e edificação de uma nova mentalidade acerca do envelhecimento humano. Deste modo, parte-se da compreensão de que o envelhecimento é um processo biopsicossocial e, como tal, relacionado ao meio – com suas contradições, sistemas de valores, crenças e representações como o afirma MERCADANTE (2003:56). As atividades do projeto ocorrerão uma vez por semana, nas dependências da FAAM, localizada na BR 316, Km 05, no Município de Ananindeua, com a meta de 30 pessoas idosas. Essas atividades serão desenvolvidas por meio de oficinas, palestras interativas, visitas exploratórias, hidroginástica, oficinas de inclusão digital, de artes com apoio de profissionais especialistas, parcerias com Organizações Governamentais e Organizações não governamentais, e coordenadas, monitoradas pela equipe do projeto, composto por uma docente/ coordenadora, e por 09 (nove) acadêmicos colaboradores do curso de Pedagogia. Considerações Finais Vivemos na “era do conhecimento” da informação e essas diversas possibilidades tecnológicas disponíveis na atualidade devem e podem ser utilizadas para superar o ciclo de exclusão que o segmento idoso enfrenta na sociedade, sendo imprescindíveis às Instituições de Ensino Superior a implantação e implementação de atividades não só de ensino, mas também de pesquisa e de extensão para cumprir com suas funções, principalmente no que se refere a produção de conhecimento e esta é possível por meio da extensão. A implantação do projeto exposto neste trabalho, contribuirá com a efetivação do Estatuto do Idoso, bem como com a inclusão social da pessoa idosa. Referências ALENCAR, Maria Leonice da Silva de. A aposentadoria e Velhice: as representações sociais de idosos aposentados e pensionistas mantenedores de famílias. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Pará, Curso de Serviço Social, Belém, 2007. BRASIL, Política Nacional do Idoso, Lei nº 8.842. Brasília, 1998. ______, LEI Nº 10.741 dispõe sobre o Estatuto do Idoso. Brasília. 2003. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira, 2009. ______. Censo Demográfico. Características da população e dos domicílios. Rio de Janeiro, 2001. MERCADANTE, Elizabeth. Velhice: a identidade estigmatizada. In: Revista Serviço Social e Sociedade, São Paulo:Cortez, N.75, 2003. PASSARELLI, M. C. G. O processo de envelhecimento em uma perspectiva geriátrica. O Mundo da Saúde. 1997. PÔSTERES O PROJETO “A TERCEIRA IDADE NA AMAZÔNIA: ARTE E CULTURA” contribuições para o empoderamento da pessoa idosa THE PROJECT “A TERCEIRA IDADE NA AMAZÔNIA: ARTE E CULTURA” – contributions for the empowerment of the elderly Karine Cristina da Silva Monteiro Acadêmica de Serviço Social (UFPA), bolsista PROEX no Programa UNITERCI Maria Leonice da Silva de Alencar Orientadora, Socióloga, Mestre em Serviço Social, coordenadora do Programa UNITERCI (UFPA) Resumo: O aumento da população de Idosos no mundo e especificamente no Brasil é um fato relevante que põe a sociedade a pensar sobre o fenômeno “Envelhecimento Humano”. Dessa forma, este trabalho trata-se de uma reflexão acerca da trajetória das Instituições de Ensino Superior voltadas para a população idosa, no contexto mundial até o regional, enfatizando o Projeto “A Terceira Idade na Amazônia: arte e cultura”, vinculado ao Programa Universidade da Terceira Idade – UNITERCI e sua contribuição para empoderamento da pessoa idosa. Palavras-chave: Pessoa idosa. Cultura. Empoderamento Abstract: The increase of the population of Aged in the world and specifically in Brazil is an excellent fact that puts the society to think on the phenomenon “Human Aging”. To this form, this work is about a reflection concerning the trajectory of the Institutions of Superior Education directed toward the aged population, in the world context until the regional, emphasizing the Project “ A Terceira Idade na Amazônia: arte e cultura”, tied with the Program Universidade da Terceira Idade - UNITERCI and its contribution for empowerment of the elderly. Keywords: Elderly; Culture; empowerment Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Acadêmica de Serviço Social (UFPA), estagiária do Programa UNITERCI ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Angélica Dulce de Lima Barbosa Introdução Muitas são as tendências que induzem as Instituições a se interessarem pela temática Envelhecimento Humano, como por exemplo, mudanças demográficas, fato que levou Pierre Vellas, na França na década de 70 do século XX a planejar cursos de extensão cultural à população da terceira idade na Université du Troisième Age. As Universidades Abertas à Terceira Idade surgem num período em que o processo do Envelhecimento demográfico se intensifica mundialmente. Veras (2003) apud ALENCAR, (2007), menciona que nos países como a Inglaterra, esse processo iniciou posteriormente à Revolução Industrial, o que possibilitou recursos necessários para o enfrentamento das mudanças provocadas pela transformação demográfica. No Brasil, em 1982 criou-se o Núcleo de Estudos da Terceira Idade na Universidade Federal de Santa Catarina, e em 1990 a Universidade da Terceira Idade na Faculdade de Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de Campinas – SP. A Universidade Federal do Pará – UFPA, tendo como referência as experiências da PUCCAMP, implantou em 1991 o Programa de Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI, no Centro Sócio Econômico, hoje Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, coordenado pela Faculdade de Serviço Social, apoiada pela Pró-Reitoria de Extensão, com recursos repassados através de convênios entre a Fundação Legião Brasileira de Assistência - FBLA e Fundação de Amparo ao Desenvolvimento da Pesquisa – FADESP. (UNITERCI, 2007) O Programa é voltado para o atendimento de pessoas idosas, da Região Metropolitana de Belém. Dentre os quatro projetos vinculados ao Programa destacamos o Projeto A Terceira Idade na Amazônia: arte e cultura, implantado desde 2001 devido as configurações e demandas apresentadas na sociedade, bem como em cumprimento ao artigo 20 do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741): Art.20 - “O idoso tem direito à Educação, Cultura, Esporte, Lazer, Espetáculos, Produtos e Serviços que respeitem sua condição de Idade”. O projeto tem como objetivos: Possibilitar através de linguagens artísticas, culturais a (re) descoberta e o desenvolvimento de potencialidades e habilidades das pessoas idosas; Proporcionar a participação das pessoas idosas em discussões sobre a questão Amazônica, na perspectiva da preservação, reaproveitamento de materiais e revitalização da cultura regional; Ampliar os espaços de socialização de conhecimentos sobre a cultura amazônica enfatizando lendas, mitos, folclore, cultura alimentar e artesanato; Envolver a Universidade de forma interdisciplinar na questão da terceira idade, consolidando um campo para o ensino, pesquisa e extensão. Possibilitar aos discentes das diversas áreas do conhecimento a instrumentalização profissional. Tais objetivos se realizam por meio de planejamento, divulgação nos diversos meios de comunicação, inscrição, execução, monitoramento, reunião, abordagem individual e grupal, avaliação das ações, bem como estabelecimento de parcerias com Institutos da UFPA como Faculdade de Artes, Escola de Dança, Instituto de Tecnologia, e outras Instituições para execução das ações como: produção de artesanatos com reaproveitamento de materiais, oficinas de cerâmica, análises e debates do audiovisual como arte e educação. Pode-se constatar que do primeiro semestre de 2010 até o presente, o projeto atendeu cerca de 30 pessoas idosas a partir de 60 anos, todas do sexo feminino, o que pressupõe valores culturais, já que para a sociedade essas atividades são exclusivas para mulheres, bem como o fenômeno da “feminização da velhice” Observamos mudanças de atitudes e (re) descoberta de potencialidades, estreitamentos de laços afetivos e troca de experiências. Há uma maior participação e fortalecimento dos movimentos sociais que discutem a questão do envelhecimento humano em Belém para uma velhice cidadã; Consolidação da arte-educação na prática sócio pedagógica com grupo de pessoas idosas, melhorando o padrão relacional, saúde e qualidade de vida dos participantes, além de apropriação de atitudes e comportamentos integrativos que facilitam no processo de inclusão social e possibilidades para um empoderamento social. A lei nº 8.842 de 04 de Janeiro de 1994 (regulamentada pelo Decreto n° 1.948, de 3 de julho de 1996), que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso, em seu artigo 2º afirma que “considera-se idoso, para os efeitos dessa lei, a pessoa maior de sessenta anos de idade”. Esta lei possui como finalidade assegurar os direitos sociais dos idosos possibilitando a estes condições para a promoção da autonomia, integração deste junto à sociedade, assim como sua participação efetiva. O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral, assegurando-lhes meios para todas as oportunidades e facilidades a que têm direito, assim como para a preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social Nesse contexto, o referido projeto proporciona a pessoa idosa conhecer sua Cultura, sua História, passando a se reconhecer como sujeito, consciente de seus direitos, ou seja, como protagonista “empoderamento” da pessoa idosa. social, portanto, afirma-se que há o Para VASCONCELOS (2003) e FAZENDA (2003), o empowerment tem o sentido, a perspectiva de aumento do poder e da autonomia pessoal e coletiva de indivíduos e grupos submetidos a relações de opressão, discriminação e dominação social e, para mudarem essa situação, é necessário que aumentem suas competências e seu poder. Este termo tem suas raízes nas lutas pelos direitos civis, no movimento feminista e na ideologia da ação social nos países desenvolvidos, na segunda metade do século XX. Hoje tem representado um elemento central das políticas sociais e do Serviço Social na Europa. Há diferentes concepções acerca do termo. Carvalho mostra a existência de duas: enfoque psicológico e o enfoque comunitário ou social (CARVALHO & CASTALDO, 2008). No empowerment psicológico o enfoque principal está no nível da transformação individual, visto como separado do sistema social, relacionado a questões de autoestima, competência individual ou eficácia, no qual o indivíduo experimenta maior controle sobre a própria vida sem que ocorra uma participação em ações políticas coletivas. O empowerment comunitário ou social refere-se ao modo como as comunidades alcançam a equidade de recursos, identificando problemas e soluções, aumento da participação em atividades para a melhoria das condições da comunidade, maior justiça social e a melhoria da qualidade de vida (CARVALHO, 2004). O Brasil, país que se vê como jovem, terá agora de assimilar outras características e imagens trazidas pelo espectro do seu envelhecimento. Segundo GOOLISHIAN e ANDERSON (1996), construímo-nos e habitamos um mundo de narrativas, de história que nos dão a referência de quem somos, de nosso passado, nosso presente e nosso futuro. A cultura brasileira terá de incluir a figura do idoso no cenário do protagonismo social, que é dominado pela personagem do jovem. Considerações finais A convivência com outros os inclui como participantes de nossas histórias, das narrativas sobre nós e sobre os outros. O Projeto busca fazer da pessoa idosa, protagonista de sua própria história, dando condições, espaços para empoderar-se e dessa forma, não delegar o poder aos outros, mas se apoderar para tomar decisões a respeito de si e de seus grupos sociais. Apesar, da palavra “protagonismo” não ser mencionada no Estatuto do Idoso, a prática do protagonismo pode ser considerada garantida pelo artigo 10: “É obrigação do Estado e da sociedade assegurar à pessoa idosa a liberdade, o respeito e a dignidade, como pessoa humana e sujeito de direitos civis, políticos, individuais e sociais, garantidos na Constituição e nas leis”. É possível afirmar que o conceito de empoderamento transcende a mera participação popular, implica num reconhecimento de que é a própria pessoa idosa quem pode identificar suas necessidades e propor soluções. Portanto, a atividade pelo empoderamento difere do conhecimento formal tanto pela ênfase nos grupos, quanto pelo seu foco na transformação cultural. A pessoa idosa a despeito da discriminação, da imagem negativa que durante anos foi construída sobre a velhice, pode-se afirmar, que aos poucos essa ideia negativa sobre os velhos vem passando por mudança, e essa mudança vem contribuindo com o fortalecimento da economia brasileira, com a renda familiar, participação no mercado de trabalho, nos Conselhos e em outras inúmeras situações, mostrando suas múltiplas faces e papéis. Precisamos, ou melhor, devemos escutar mais a voz desses atores sociais que protagonizam tantas histórias. Referências ALENCAR, M. L. da S. de. et all. Relatório Técnico de Programa/ Projeto A Terceira Idade na Amazônia: arte e cultura. Belém, 2009. ______. UNITERCI: um espaço para construção da Cidadania. In: EVELIN, H. B. (Org.). Velhice Cidadã (um processo em construção). Belém,EDUFPA,2007 CARVALHO, S. R.; GASTALDO, D. Promoção à saúde e empoderamento: uma reflexão a partir das perspectivas crítico – social e pós – estruturalista. In: Revista Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.13, supl.2, 2008. ______. Os múltiplos sentidos da categoria “empowerment” no projeto de promoção à saúde. In: Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.20, n.4, jul/ago, 2004. ESTATUTO DO IDOSO, Brasília 2008 FAZENDA, I. Empowerment e participação, uma estratégia de mudança. In: Centro Português de Investigação e História e Trabalho Social, Lisboa, 2003. GOOLISHIAN, H. A.; ANDERSON, H. Narrativa e Self: alguns dilemas pós – modernos da psicoterapia. In: SCHNITMAN, D. F. (Org.). Novos paradigmas, cultura e subjetividade, Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. JUSTO, J. S.; ROZENDO, A. da S.; CORREA, M. R. O Idoso como protagonista social. In: Revista A Terceira Idade: estudos sobre envelhecimento, n.48. SESC – SP, julho 2010. PINHEIRO, C. R.; MIRANDA, M. L. de J. Empowerment e idosos: uma reflexão sobre programas de educação física. In: Revista A Terceira Idade: estudos sobre envelhecimento, n.48. SESC – SP, julho 2010. UM RELATO DE CASO SOBRE FIBROSE CÍSTICA EM IDOSO: Aspectos clínicos e espirométricos A HISTORY OF CASE ON CYSTIC FIBROSIS IN ELDERLY: Clinical and spirometric aspects João Vitor Dias Pereira Fisioterapeuta Residente Multiprofissional em Saúde do Idoso - HUJBB/UFPA; Especialista em Gerontologia; [email protected] Valéria de Carvalho Martins Médica do Programa de Fibrose Cística – HUJBB/UFPA; Mestre em Medicina Tropical Edilene do Socorro Nascimento Falcão Fisioterapeuta do Programa de Fibrose Cística – HUJBB/UFPA; Mestre em Doenças Tropicais; [email protected] Resumo: O estudo tem o objetivo de descrever as características clínicas e os achados espirométricos de um paciente diagnosticado com Fibrose Cística (FC) em idade geriátrica no Programa Multiprofissional de FC de um Hospital Universitário. A voluntária era do sexo feminino, com 66 anos de idade, branca, e há quatro anos com diagnóstico de FC pelo teste de suor (71,07 mEq/l). As características clínicas da voluntária são as seguintes: Índice de Massa Corpórea: 29,8 Kg/m², cultura de escarro evidenciando Streptococus viridans, e à espirometria padrão ventilatório normal. Capacidade Vital Forçada:1,69L representando 78,6% do resultado previsto, e Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo: 1,33L, 75,1% do previsto. Este estudo observa que as características clinicas avaliadas estão de acordo com o os dados da literatura e reforça que o diagnóstico de FC deve ser investigado em pacientes com infecção respiratória de repetição, mesmo em idosos. Contudo estudos adicionais e amostras representativas se fazem necessários para melhor compreensão desta doença nesse perfil de paciente. Palavras Chave: Fibrose cística; Idoso; Diagnóstico Abstract: The study aims to describe the clinical and spirometric findings in a patient diagnosed with Cystic Fibrosis (CF) in geriatric age Multidisciplinary Program in HR from a University Hospital. The volunteer was female, 66 years old, white, and four years ago diagnosed with CF by sweat test (71.07 mEq / l). The clinical features of voluntary are the following: body mass index: 29.8 kg / m², sputum culture showing Streptococcus viridans, and normal ventilatory pattern on spirometry. Forced Vital Capacity: 1.69 L representing 78.6% of the anticipated outcome, and forced expiratory volume in one second, 1.33 L, 75.1% predicted. This study notes that the clinical characteristics are evaluated according to the literature and reinforces the diagnosis of CF should be investigated in patients with recurrent respiratory infection, even in the elderly. However additional studies and representative samples are needed to better understand this disease in this patient profile. Keywords: Cystic fibrosis; Elderly; Diagnosis. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Nadia Barreto dos Santos Fisioterapeuta Residente Multiprofissional em Saúde do Idoso - HUJBB/UFPA; Especialista em Gerontologia; ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia [email protected] Introdução Fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva causada por mutações no gene regulador da condutância trans-membrana da fibrose cística (CFTR). Mais de 1400 Mutações já foram relacionadas pelo Cystic Fibrosis Genetic Analysis Consortium (ESPOSITO, 2009). A incidência da FC varia de 1/1200 até 1/4000 na população branca, sendo considerada rara em asiáticos e africanos (TURCIUS, 2005). No Brasil, não há estudos epidemiológicos ou de triagem neonatal abrangentes que permitam estimar a incidência da doença. (TURCIUS; 2005) O diagnóstico da FC é sugerido pelas manifestações clínicas e confirmado pela demonstração de níveis elevados de cloro no suor (cloro igual ou maior que 60mEq/l). Este diagnóstico é realizado, usualmente, na infância. É observada no Brasil uma escassez de estudos abordando seu diagnóstico em idosos e mesmo na fase adulta (RODMAN, 2005). Esta afecção compromete o funcionamento de praticamente todos os órgãos e sistemas do organismo, mas afeta principalmente os aparelhos respiratório e gastrintestinal. A apresentação clássica é a de uma doença pulmonar supurativa e obstrutiva, em que pode estar presente comprometimento pancreático e/ou história familiar. Aproximadamente 90% dos pacientes têm insuficiência pancreática exócrina (LYCZAK, 2002). A ausência completa de espermatozoides está presente na maioria dos homens. Os pacientes portadores de FC com suficiência pancreática são caracterizados por um curso clínico mais suave, melhor estado nutricional, melhor função pulmonar e diagnóstico mais tardio. (LYCZAK; 2002) Figura 1 Fisiopatogenia da fibrose cística Fonte Ribeiro et al,2009 A variabilidade da expressão fenotípica da FC é dependente de fatores como mutações do gene, carga genética e fatores ambientais. Entre os anos de 1930 e 1940, quando a doença foi descrita por Dorothy Andersen, a sobrevida média prevista não atingia os 5 anos de idade. Entre 1969 e 1990, a proporção de pacientes com mais de 18 anos de idade aumentou quatro vezes, de 8% para 32%, e a sobrevida média prevista dobrou de 14 para 27,6 anos de vida. No ano de 2000, do total de pacientes com FC cadastrados pela Foundation Patient Registry Annual Data Report, 38,7% tinham idade acima de 18 anos e a sobrevida média prevista era de aproximadamente 32 anos. Dessa forma, houve um significativo aumento no número de adultos e na expectativa de vida dos portadores de FC nas últimas três décadas. (DOULL; 2001) Os pacientes adultos ou idosos, portadores de FC, são os que apresentam as formas menos agressivas na infância. De forma característica, esses grupos de indivíduos têm comprometimento pulmonar, com pouca ou nenhuma repercussão no aparelho digestivo. Calcula-se que cerca de 90% deles morrem devido à progressão da doença pulmonar (DOULL, 2001). Este estudo, realizado no Hospital Universitário João de Barros Barreto na cidade de Belém, teve como objetivo descrever as características clínicas e os achados de espirometria de um paciente com fibrose cística diagnosticado em idade geriátrica. Relato de caso Foi avaliado um paciente com queixa clínica de cristalização de suor e diarreia frequente, diagnosticada com fibrose cística (FC) em idade geriátrica no Programa Multiprofissional de Fibrose Cística do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) em Belém- PA. As variáveis de interesse foram: idade, gênero, cor, índice de massa corpórea (IMC), cultura do escarro, porcentagem do previsto da Capacidade Vital Forçada (%CVF), do Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (%VEF¹) e a resposta ao bronco dilatador. Após a assinatura no termo de consentimento, a paciente iniciou sua participação, sendo então submetida à avaliação que constou da coleta de dados gerais (nome, idade, profissão e medicamentos) e avaliação antropométrica (peso e estatura – balança eletrônica adulto com antropômetro W200 – Welmy®). Para o teste espirométrico, foi utilizado o espirômetro “Respiradyne II Plus®”. A técnica para a realização da prova espirométrica foi iniciada com a calibragem do aparelho e, posteriormente, adequação do posicionamento do indivíduo. Durante o teste, este foi posicionado sentado, ereto, com os pés apoiados no chão. Após o posicionamento do paciente, foi colocado um nasoclip (para impedir escape de ar) e o examinador solicitou ao indivíduo uma inspiração profunda, com esforço máximo seguida de expiração rápida e total (até o nível do VR). Para a interpretação do teste foram necessárias três curvas aceitáveis (realizadas com esforço máximo, sem vazamento de ar ou tosse); com início rápido, e duração de 6 segundos de expiração (ou a ocorrência de um platô de no mínimo 1 segundo) podendo os maiores índices de capacidade vital forçada (CVF) e volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) diferir de uma prova para outra no máximo de 200 milímetros. Foi selecionada para interpretação a prova em que o participante obteve os maiores valores de CVF e a maior soma de VEF1 e CVF. Sendo utilizado como valores de referência os descritos pelo II Consenso Brasileiro de Espirometria (2000). Resultados Paciente do sexo feminino, idosa (66 anos), cor da pele branca, há quatro anos com diagnóstico de FC por teste de suor (71,07 mEq/l), atendida pelo Programa Multiprofissional de Fibrose Cística do Hospital Universitário João de Barros Barreto HUJBB, Belém - PA. As características clínicas espirométricas observadas, encontram-se na tabela 1. Variáveis Resultados IMC 29,8 Kg/m² CVF 1,69L (78,6%) VEF1 1,33L (75,1%) Cultura do escarro Streptococus viridans Queixa clínica ao diagnóstico Cristalização do suor Tabela 1. Características clinicas e espirométricas de paciente idoso com fibrose cística HUJBB- Belém, PA. Fonte: PEREIRA,J; SANTOS,N.;MARTINS,V;FALCÃO,E. HUJBB,Belém,2010 Discussão A Fibrose Cística na idade adulta deve ser investigada na presença de pneumopatia crônica a esclarecer, alterações de eletrólitos do suor e sinais de insuficiência pancreática. Ações de divulgação da doença devem ser estendidas aos profissionais de outras áreas, além da pediatria. Neste estudo foi observada uma forma branda da FC sem complicações pulmonares detectáveis. Entretanto alguns pacientes ficam oligossintomáticos por vários anos, o que não impede a progressão silenciosa para bronquiectasias. Outros evoluem com frequentes reagudizações de bronquite purulenta crônica, broncopneumonias, bronquiectasias, abscesso, enfisema, supuração e fibrose (RIBEIRO et al,2009). A alta proporção de pacientes diagnosticados após os 16 anos de idade se deve a um melhor curso da doença durante os primeiros anos de vida e a falta de serviços de saúde com treinamento suficiente para diagnosticar e tratar esta condição mais precocemente. Chamamos a atenção dos clínicos e pneumologistas no sentido de se familiarizarem com esta possibilidade diagnóstica em pacientes na idade adulta, levandose em conta que o teste de eletrólito no suor é um exame simples e de baixo custo (LEMOS et al, 2004). O atendimento a esses indivíduos deve ocorrer por equipe multiprofissional, com vistas à redução de sintomas que levam à hospitalização, favorecendo a melhora da interação biopsicossocial e da qualidade de vida. As características clinicas avaliadas estão de acordo com o os dados da literatura. Contudo estudos adicionais e amostras representativas se fazem necessários para melhor compreensão desta doença nesse perfil de paciente. Referências ESPOSITO, C. Fibrose Cística no adulto. In: LUDWIG NETO, N. Fibrose cística: enfoque multidisciplinar. Santa Catarina, 2009. TURCIUS, N.L. Cystic fibrosis: an overview. J ClinGastroenterol. V. 39, p. 307-17, 2005. RODMAN, D.M; et. al. Late diagnosis defines a unique population of long-term survivors of cystic Fibrosis. Am J Respir Crit Care Med. v.1717, p. 621-626, 2005. LYCZAK J.B, Cannon CL, Pier GB. Lung infections associatedwith cystic fibrosis. Clin Microbiol Rev v.15, n.2, p.194-222, 2002. RIBEIRO A.F et al. Fibrose Cística. In: LOPES A.C Tratado de Clínica Médica. São Paulo: Roca Biomedicina 2009. DOULL I.J. Recent advances in Cystic Fibrosis. Arch Dis Child v.85, n.1, p. 62-66, 2001. LEMOS A.C et al, Fibrose Cística em adultos: aspectos clínicos e espirométricos. v.30, n.1,9-13, 2004. O IDOSO NO MERCADO DE TRABALHO INFORMAL THE AGED IN THE MARKET OF INFORMAL WORK Neucenise Lanússia França da Silva Discente do Curso de Serviço Social da Universidade Federal do Pará. [email protected]. Ari Sousa Loureiro Região Norte, ou seja, como o homem envelhece sob determinadas condições de vida, fruto do lugar que ocupa nas relações de produção e reprodução social. Na sociedade capitalista os idosos perdem o valor de uso tornando-se um segmento vulnerável. Desprovidos de rendas ou não, porém mínimas em relação as suas atuais condições biológicas, familiares e conjunturais, veem-se obrigados a retornar ao mercado de trabalho, principalmente os postos de trabalhos precarizados e informais. Palavras-chave: Idoso, Mercado, Trabalho Informal. Abstract: This article aims to address a reflection on the aging of workers in Brazil, more specifically in the North, that is, the way one ages under certain conditions of life, as a product of the role he plays in the social relations of production and of reproduction. In capitalist society, older people lose the use-value, and then become a vulnerable social segment. Once deprived or not [but insignificant anyway when compared to their current biological, family and economic situation of income, they are forced to return to the labor market, especially for precarious and informal jobs. Keywords: Elderly, Labor market, Informal work Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Resumo: Este artigo visa abordar uma reflexão sobre o envelhecimento do trabalhador no Brasil mais especificamente na ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Orientador. Assistente Social. Msc. em Serviço Social. Diretor da Faculdade de Serviço Social/UFPA. Historicamente, a constituição do mercado de trabalho no Brasil passou por momentos importantes, destacando-se os antecedentes para a constituição do trabalho livre, que vai da abolição da escravidão (1888) à Revolução de Trinta (1930), quando se inicia o processo de industrialização, passando pelo Brasil Colônia (1808) até a República (1890). Ao longo desse período, a economia brasileira se caracterizou pela exportação de bens primários, como forma de inserção na economia mundial, de modo que a localização da força de trabalho se situa, sobretudo, no meio rural. Constituem-se os mercados de trabalho regionais baseados na abundância de mão-de-obra excedente, apesar da não-incorporação imediata da população negra, mas favorecidos pelo movimento migratório de parte do excedente da força de trabalho livre, com intervenção direta e decisiva do Estado no financiamento da imigração. O momento seguinte de constituição do mercado de trabalho no Brasil pode ser situado no período de 1930 a 1980, marcado pelo aprofundamento da industrialização e regulação das relações de trabalho, num primeiro momento, seguido de um processo de modernização da economia. O mercado de trabalho se estrutura de modo heterogêneo, proporcionando a formação de um grande excedente de força de trabalho, marcado por intensa migração interna do campo para a cidade. Em consequência, grande parte da mão-de-obra se vê excluídas dos frutos do crescimento econômico e passa a constituir um grande contingente de trabalhadores no setor informal da economia, sujeitos à baixa remuneração, à instabilidades e à margem do Sistema de Proteção Social direcionado para aqueles inseridos no mercado de trabalho. O terceiro momento, constitui no esgotamento do padrão centrado na industrialização, com desmonte do projeto nacional desenvolvimentista e opção por um projeto liberal-internacionalista. A consequência maior é o desenvolvimento de alterações de grandes proporções no mundo do trabalho, tais como: crescimento patológico do setor terciário, comércio e serviços (terceirização), com destaque ao comércio ambulante e serviços pessoais; crescimento de informalidade nas relações de trabalho (informalização das ocupações); aumento dos níveis de desocupação (População em Idade Ativa desocupada – PIA) e do desemprego aberto (População Economicamente Ativa desocupada); piora na qualidade dos postos de trabalho, instabilidade e ausência da proteção social; estagnação relativa dos rendimentos do trabalho; piora relativa da situação distribuição, com concentração funcional da renda direcionada em favor do capital; mudanças no padrão de mobilidade social intrageracional, com aprofundamento de mecanismos de segmentação e discriminação no mercado de trabalho. Para a OIT, trabalhadores informais são aqueles que trabalham por conta própria (exceto profissionais liberais), os familiares não-remunerados, os que realizam serviços domésticos, os empregadores e empregados de pequenas empresas. Conforme Silva e Yazbek (2008), a heterogeneidade da estrutura ocupacional brasileira aponta o custo social extremamente elevado do trabalho informal, uma vez que essa parcela da população trabalhadora, nas ocupações em que se insere, perde proteções e direitos sociais e se coloca em um elevado grau de exposição à situação de vulnerabilidade. Os idosos veem sua qualidade de vida degradar-se. A insegurança social aparece então, conforme as autoras, como um dos custos sociais da informalidade, e a transferência ao indivíduo e à sua família da responsabilidade por sua manutenção e reprodução, na qual o acesso aos serviços é definido pela capacidade de renda do indivíduo; é ele, e não o Estado e a sociedade, responsável pela provisão desses serviços. Como afirma Teixeira (2008): o capital transforma o tempo de vida do trabalhador em tempo de trabalho para fins de valorização do capital, em detrimento das qualidades e necessidades humanas do produtor, principalmente para os que envelhecem na periferia do sistema, em que o tempo de trabalho se estende ao tempo de envelhecer, ou ao tempo de consumo manipulado de bens, serviços e mercadorias (...) Considera-se nessa construção a impossibilidade de uma vida cheia de sentido na ordem do capital, em função da expropriação dos meios de produção e do tempo de vida, para a grande maioria dos homens e mulheres trabalhadores de todo o mundo. O trabalhador idoso, na grande maioria, é assim destituído das condições objetivas, em um tempo de sua vida em que, como considera Teixeira, ele perde o valor de uso para o capital, que o condena a uma antecipação do processo de depreciação natural de sua capacidade de labor, à desvalorização social e a pauperização. A população brasileira, desde o final da década de 1960, vem apresentando sensíveis alterações na sua faixa etária, com crescimento quantitativo e percentual da população de idosos, atingindo 8,6% da população total em 2000. Crescimento esse que, segundo (Veras apud Teixeira, 2008), deve-se ao aumento da expectativa de vida e ao declínio da taxa de fecundidade, graças aos avanços da medicina, aos programas de esterilização em massa nas regiões carentes e às taxas de mortalidade da população jovem, dentre outros fatores. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2009), percebe-se que o aumento da expectativa de vida é maior para as mulheres em relação aos homens e para a população branca em relação à negra. Entre os anos de 1993 e 2007, o grupo de homens brancos com 60 anos ou mais de idade passou de 8,2% para 11,1% enquanto o de negros nesta mesma faixa etária aumentou de 6,5% para 8%. Em 1993, o total de mulheres brancas com mais de 60 anos de idade representava 9,4% e o de mulheres negras 7,3%. Estes percentuais alcançaram, em 2007, 13,2% e 9,5%, respectivamente. O aumento da expectativa de vida tem se dado de forma desigual entre os diferentes grupos sociais. Os elevados índices de mortalidade de homens de uma forma geral e, em particular, de jovens homens negros – em decorrência da violência urbana, além do acesso precário a procedimentos médicos para os casos de enfermidades, acabam refletindo em sua expectativa de vida. No caso da diferença entre as mulheres negras e brancas, vale ressaltar a maior vitimização das mulheres negras que, em decorrência do sexismo e do racismo tem seu acesso precarizado aos serviços de saúde, habitação, emprego, entre outros. Os dados da taxa de participação revelam, ainda uma característica perversa: apesar de entrarem mais cedo no mercado de trabalho, os negros do sexo masculino também estão sobre apresentados entre os mais velhos que permanecem ocupados. Isto é, os negros trabalham durante mais tempo ao longo da vida. Esta característica pode ser explicada pelas formas mais precárias de inserção vividas por esse segmento da população, o que faz com que não tenham garantias de proteção social na velhice, impedindo uma parcela maior de trabalhadores negros de terem acesso à aposentadoria. Do ponto de vista demográfico e individual, o envelhecimento é definido pelo número de anos vividos. No Brasil são considerados idosos as pessoas com mais de 60 anos de idade de acordo com a Lei n 8.842 (Art. 2ª. “considera-se idoso, para os efeitos desta lei, a pessoa maior de sessenta anos de idade”) que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso e Cria o Conselho Nacional do Idoso. Na dimensão biológica, por sua vez, o envelhecimento é definido como: processo de mudanças universais pautados geneticamente para a espécie e para cada indivíduo, que se traduz em diminuição da plasticidade comportamental, em aumento da vulnerabilidade, em acumulação de perdas evolutivas e no aumento da probabilidade de morte (Neri apud Teixeira, 2008). Em outras palavras, traduz-se em declínio físico, além da perda de papeis sociais (família e produtivo). Conforme Teixeira (2008), o envelhecimento constitui um problema social, principalmente, para as classes destituídas de propriedade (exceto de sua força de trabalho) e de controle do seu tempo de vida, em função das contradições e determinações da sociedade capitalista que engendram desigualdades, vulnerabilidade social em massa, degradações, desvalorizações e pseudo valorizações, para essa classe social, especialmente com o avanço da idade cronológica, com o desgaste da força de trabalho. Nos últimos anos, temos observado um crescente aumento dos números de idosos no mercado de trabalho. A renda da família brasileira é muito baixa, e os idosos têm que continuar trabalhando para aumentar a renda da família. Segundo Camarano (2001), a população jovem está permanecendo economicamente dependentes de seus pais por períodos mais longos, prolongando sua condição juvenil ou tornando-se adultos na casa de seus pais em condições diferentes das anteriores. Aponta-se como fatores explicativos desses processos a instabilidade do mercado de trabalho que dificultam a aquisição da casa própria pela geração mais jovem, o maior numero de anos passados na escola e a instabilidade das relações afetivas. No Brasil, a saída da casa dos pais tem se verificado em idades consideradas avançadas, o divisor de águas ocorre aos 26 anos, a proporção de pessoas que moram com os pais após essa idade cresceu entre 1981 e 1993, a variação de 13,8% para 18,4% em nosso país. Ainda de acordo o citado, os idosos também têm uma contribuição importante em outros aspectos da vida familiar. Observou-se um crescimento na proporção de famílias com a presença de idosos, o que era esperado em face do envelhecimento populacional brasileiro. Essa proporção passou de 21,1% em 1980 para 24,1% em 2000. O crescimento ocorreu entre as famílias de idosos, onde o idoso é chefe ou cônjuge. Em 1980, eles eram responsáveis por 17,1% das famílias brasileiras e em 2000, passaram a constituir 20, 9% delas (IBGE, 2000). Devido a sua permanência no emprego e/ou a posse de benefícios previdenciários, homens idosos mantêm o papel tradicional de chefe de família e provedor da família. Por outro lado, mulheres tendem a se manter no seu papel tradicional de cuidadoras da família, mas acumulando, em certos casos, o papel de provedora. A partir da década de 1970 observou-se um aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro, quando apenas 18,2% das mulheres faziam parte da população economicamente ativa; em 30 anos esse percentual aumentou para 35% (IBGE, 2000). O crescimento, portanto também se apresentou no percentual de mulheres idosas exercendo a chefia das famílias. Esse percentual verificou-se nas famílias de idosos que passou de 27,% em 1980 para 37,3% em 2000. Com a viuvez e as separações, as mulheres idosas passam a assumir os papeis de responsáveis pelas suas famílias. Em 1997 a grande parte das idosas ocupadas (81,2%) estavam inseridas no trabalho informal, sem carteira assinada e sem contribuição previdenciária, 32,4% tinham uma jornada inferior a 20 horas por semana e 35,3% de 40 horas ou mais, 40% trabalhavam por conta própria, enquanto outras idosas realizavam trabalhos não remunerados ou trabalhavam como domesticas. A prestação de serviços para comunidade e a sociedade, como por exemplo: comércio de mercadorias; agricultura e outros foram à maior atividade realizada pelas idosas. A renda pessoal mensal da idosa foi uma média de R$ 331,00, enquanto das aposentadas foi de R$ 237,00. Mulheres que tinham entre 65 e 69 anos, com mais anos de estudo tinham renda per capta maior ou igual a R$ 680, 00. Quando esse idoso perde a sua condição de ser produtivo, seja pela aposentadoria, seja pelo desemprego, além da redução do seu poder aquisitivo, o que gera cortes no seu consumo e diminuição no seu padrão de vida sente-se desvalorizado em sua autoestima em sua realização e satisfação pela vida. O reingresso desse segmento no mercado de trabalho, quase sempre com o objetivo de suprir necessidades financeiras, ocorre, na maioria das vezes, em situação menos vantajosa e mais precária do que a anterior. O incremento de várias formas de precarização do trabalho é um fenômeno que já vem atingindo todos os trabalhadores, envolvendo parcelas importantes da força de trabalho. A população idosa, nesse novo contexto é um dos segmentos mais fragilizados e vulneráveis. A maior remuneração entre os idosos corresponde aos trabalhadores que recebem rendimentos reais médio provenientes do trabalho e ao mesmo tempo, recebem aposentadoria. Tal realidade pode ser observada pelos indicadores referentes ao ano de 1997 em que idosos do sexo masculino que trabalhavam e ao mesmo tempo eram aposentados recebiam em média R$ 759,00 e as mulheres R$ 485,00. Os trabalhadores idosos homens recebiam em média R$ 556,00 e os aposentados R$ 383,00 em relação às idosas este percentual é bem menor, as trabalhadoras idosas recebiam em média R$ 331,00 e as aposentadas R$ 237,00. Também, observa-se um percentual de 46,6% de idosos do sexo masculino não-aposentado de 64 anos no setor terciário, com carga horária de 44 horas (IBGE, 2000). Segundo a economista Camarano (2007), o último censo populacional referente ao ano de, 2006, cerca de 700 mil pessoas tinham 60 anos e mais na Região Norte, o que corresponde a 5,5 % do total da população. O Pará era o Estado que contava com o maior contingente de população idosa perfazendo 404.586 idosos (Fontes: a IBGE/Projeções Populacionais). Uma das particularidades de envelhecimento da população da Região Norte é uma proporção maior de homens no total da população idosa. Esses eram, em 2000, responsáveis por 50,3% do total da população idosa. Na Região Norte, a proporção de mulheres só ultrapassava a dos homens entre as pessoas com mais de 80 anos. Isso provavelmente é resultado da migração masculina originária de várias partes do país em direção à região norte no período 1950-1970, período de construção das grandes rodovias, dos projetos de colonização, da expansão das atividades de garimpo etc. O nível educacional é um dos indicadores na caracterização do perfil socioeconômico da população. No caso da população idosa, o indicador de alfabetização é considerado um termômetro das políticas educacionais brasileiras do passado. Nas décadas de 1930 até, pelo menos, os anos 1950, o ensino fundamental ainda era restrito a segmentos sociais específicos. Nessa medida, o baixo saldo da escolaridade média dessa população é um reflexo desse acesso desigual. A escolaridade dos idosos é baixa, principalmente entre as mulheres. Considerando o número médio de anos de estudo dos idosos responsável pelo domicílio, o valor encontrado para 2000 continua sendo muito baixo – apenas 3 a 4 anos (3 a 5 para os homens e 3 a 1 anos para as mulheres). Em síntese, o que se procurou mostrar nesse conjunto de reflexões é a condição de dependência e subordinação na hierarquia da divisão internacional do trabalho, associado aos mecanismos internos de dominação de classe e de superexploração do trabalho, de subsunção do trabalho ao capital, que articula às modernas formas e processos de trabalho, geram uma ordem social de alta concentração de renda e desigualdades sociais, com mecanismos de seletividade, rotatividade e de uso intensivo e extensivo do trabalho humano, com amplo excedentes de força de trabalho, sem capacidade de inserção no mercado formal de trabalho que para sobreviver submete-se ao submundo da informalidade, em relações precárias de trabalho e sem proteção social, e imprimindo particularidades na condição social dos idosos das classes subalternas. A essa particularidades está associada a generalidade da condição da força de trabalho no capitalismo, como sua objetivação em força material de produção, desvalorizada quando perde o “valor de uso” para o capital; o valor econômico do indivíduo na definição de utilidade que não considera as qualidades humanas na vida e no trabalho, mas apenas a quantidade, definida pelo tempo da produção, o tempo de trabalho, ou quando os considera é para utilizar formas de subsunção do trabalho ao capital, de captura de sua subjetividade no processo de trabalho, ou de suas necessidades ricas, no seu “tempo livre”, como forma de reprodução do capital pelo incentivo ao consumo e de controle opressivo do tempo de vida do trabalhador. Os indicadores sociais explicitam a imagem dependente, pobre e desprotegida do trabalhador idoso no mercado de trabalho informal brasileiro, em que a política de seguridade social adotada no Brasil, apesar de reduzir os níveis de indigência social para frações da classe trabalhadora são incapazes de romper com o ciclo da pobreza decorrente da apropriação privada da riqueza. O que também pode ser observada de forma análoga no Estatuto do Idoso nos artigos 26 e 27 em relação a profissionalização e ao trabalho, a lei inova: em vez de apostar na empregabilidade das pessoas de mais idade, ela reforça os mecanismos que impedem a discriminação no mercado de trabalho pela idade, inclusive, prevendo penalidades aos discriminadores, apesar de não poder impedir a demissão, rebaixamento de função e salário, que são formas camufladas de discriminação. Referências BRASIL, Estatuto do Idoso. ed. Prefeitura Municipal de Belém, Pará, 2008. CAMARANO, A.A. Características das instituições de longa permanência para idosos – Região Norte. – Brasília: IPEA; Presidência da República, 2007. CAMARANO, A.A. et allii. Como vive o idoso brasileiro. In: CAMARANO, A.A. (org.). Muito além dos 60: os novos idosos brasileiros. Rio de Janeiro:IPEA, capitulo 1, 1999. CAMARANO, A.A. et allii. Famílias: Espaço de Compartilhamento de Recursos e Vulnerabilidades. In: CAMARANO, A.A. (org.). Muito além dos 60: os novos idosos brasileiros. Rio de Janeiro:IPEA, capitulo 5, 1999. CAMARANO, A.A. O Idoso Brasileiro no Mercado de Trabalho. Rio de Janeiro: IPEA, Texto para discussão nº 830, 2001. PINHEIRO, Luana (org) FONTOURA, Natália de Oliveira (org) QUERINO, Ana Carolina (org) BONETTI, Alinne (org) e ROSA, Waldemir (Org). Retratos das Desigualdades de Gênero e Raça. 2 ed. - Brasilia: IPEA, 2009. SILVA, Maria Ozanira da Silva (org.) e YAZBEK, Maria Carmelita (org.). Política públicas de trabalho e renda no Brasil contemporâneo. - 2 ed. - São Paulo: Cortez;São Luiz, MA: FAPEMA, 2008. TEIXEIRA, Solange Maria. Envelhecimento e trabalho no tempo de capital: implicações para a proteção social no Brasil. São Paulo: Cortez, 2008. A FORMAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA PARA O TRATO COM PESSOAS EM PROCESSO DE ENVELHECIMENTO THE FORMATION IN PHYSICAL EDUCATION FOR THE TREATMENT WITH PEOPLE IN AGING PROCESS Glenda Yasmin Monteiro Pinheiro Discente do Curso de Licenciatura Plena em Educação Física da Universidade do Estado do Pará (CEDF/UEPA) Estado do Pará (CEDF/UEPA) Resumo: Possibilita ampliação dos estudos e das vivências acadêmicas com relação à terceira idade, na formação em Educação Física ao lidar com pessoas em processo de envelhecimento. Objetiva qualificar os professores de Educação Física para o trato com o idoso nas diferentes áreas de atuação desses profissionais. Na metodologia Foram desenvolvidas Pesquisas de Campo, nas quais ocorreram observações, vivências, acompanhamento de profissionais de Educação Física atuantes em clínicas de reabilitação e prevenção de lesões e em projetos sociais voltados ao atendimento à terceira idade, entrevistas abertas com esses profissionais e rodas de conversas com os próprios idosos, assim como conversas individuais com alguns deles. O tratamento dos dados coletados foi realizado pela categorização do conteúdo e discurso dos sujeitos envolvidos. O grande interesse dos acadêmicos a partir da implantação de um Projeto voltado para a pesquisa com relação a este tema foi um dos resultados mais significativos. Conclui que pesquisas com relação à formação dos profissionais que atuam com esse grupo tão emergente na sociedade moderna são de extrema importância nas universidades brasileiras, assim como a implantação da disciplina Educação Física Gerontológica nos Cursos de Educação Física. Palavras-Chave: Envelhecimento. Formação. Atividade Física. Educação Física Gerontológica. Abstract: Allows expansion of studies and academic experiences in relation to old age, training in physical education when dealing with people as they age. Aimed at qualifying teachers of Physical Education for the elderly in dealing with different areas of expertise of these professionals. In the methodology were developed Field Research, which occurred in the observations, experiences, monitoring of physical education professionals working in rehabilitation and injury prevention and projects focused on assisting the elderly, interviews with these professionals and wheels conversations with the elderly themselves, as well as individual conversations with some of them. The data collected was performed by categorizing the content and discourse of those involved. The great interest of scholars since the implementation of a project focused on research regarding this issue was one of the more significant. We conclude that research with regard to training of professionals working with this group as emerging in modern society are very important in Brazilian universities, as well as the implementation of Physical Education in Gerontology from Physical education. Key words: Aging. Training. Physical Activity. Geriatric Physical Education. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Orientadora. Profª. Dra. Docente do Curso de Licenciatura Plena em Educação Física da Universidade do ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Marta Genú Introdução A sociedade moderna está sendo caracterizada pelo crescimento acelerado da população idosa, sendo necessário um olhar especial para esta parcela significativa da população brasileira e mundial. Muitos pontos devem ser levados em consideração visando a melhoraria da qualidade de vida desses indivíduos. A Educação Física, como área do conhecimento, tem um importante papel nessa promoção, principalmente a partir de uma melhor qualificação de seus profissionais. Observa-se a precariedade na formação acadêmica, principalmente, dos professores de Educação Física para o trato com pessoas em processo de envelhecimento e a necessidade de mudar essa realidade. O estudo é inicial para que este problema comece a ser pensado, discutido e se tente encontrar formas de amenizá-lo na região Norte do país. A disciplina Pesquisa e Prática Pedagógica do Curso de Licenciatura Plena em Educação Física da Universidade do Estado do Pará (CEDF/UEPA), ministrada pela Professora Doutora Marta Genú, permite aos acadêmicos do curso a realização de pesquisas de campo, nas quais cada um escolhe a área da Educação Física que deseja pesquisar e se qualificar. Neste estudo foram realizadas três pesquisas de campo, que tiveram como temas principais: Atuação Profissional, Relação Teoria e Prática, Formação dos Professores de Educação Física, Envelhecimento e Atividade Física. A primeira foi realizada numa clínica de reabilitação e prevenção de lesões decorrentes do sedentarismo ou do decorrer da idade. E as outras duas foram realizadas na própria universidade a partir dos projetos sociais desenvolvidos no CEDF/UEPA voltados para o atendimento à terceira idade. O desenvolvimento detalhado dessas pesquisas será apresentado no decorrer do estudo. Estas pesquisas possibilitaram a elaboração de um Projeto de Pesquisa denominado: Envelhecimento, Atividade Física e a Formação dos Professores de Educação Física, o qual foi submetido ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PIBIC/CNPq), que aprovado, teve início em Agosto de 2009 e término em Julho de 2010. Este apresentou resultados significativos para a área. A importância da implantação de uma disciplina voltada para o trato desse grupo social no curso de Educação Física será abordada neste estudo, a partir da denominada Educação Física Gerontológica15, de grande valia para a formação dos profissionais que desenvolvem atividades físicas com a terceira idade. 15 Segundo Barbosa (2000) trata-se de toda atividade física aplicada a pessoas em processo de envelhecimento, ou adultos maduros, ou idosos. Assim como para Verderi (2004) é um conceito aplicável a todas as pessoas que O estudo é uma síntese de outros estudos, possibilitando o conhecimento do que vem sendo produzido desde o início da graduação e do que ainda se pretende pesquisar, estudar e aprimorar com relação à formação dos professores de Educação Física, Atividade Física e o Envelhecimento. Temas de grande relevância e que precisam ser melhor aprimorados e relacionados na graduação em Educação Física. Uma nova e grande vivência A primeira parte deste estudo trata da pesquisa de campo realizada numa clínica de reabilitação e prevenção de lesões decorrentes do sedentarismo ou do decorrer da idade, devido à expansão do mercado de trabalho para os profissionais de Educação Física. Sendo assim, todos os campos de atuação desses profissionais devem ser explorados permitindo uma formação interdisciplinar. Na clínica o professor de Educação Física estará atuando diretamente com outros profissionais também incutidos da melhoria na qualidade de vida dos idosos. Fato que permite novas experiências a cerca da importância da profissão e o papel significativo que cada uma exerce sobre o desenvolvimento humano. Os idosos que frequentam clínicas de reabilitação e prevenção apresentam, geralmente, doença ligada a fatores fisiológicos decorrentes do processo de envelhecimento, ou dificuldades de locomoção, dores na coluna e musculares. Com esses indivíduos, torna-se necessário acompanhamento por uma equipe profissional multidisciplinar, na qual cada profissional terá papel fundamental para reabilitação do idoso, permitindo-o retomar suas atividades diárias com autonomia e prevenindo futuras lesões. Isso se desenvolve através de um programa regular preparado pelo Professor de Educação Física em parceria constante com outros profissionais da saúde (como, Fisioterapeuta, Médico, Terapeuta Ocupacional, entre outros) O programa de exercício deve conter basicamente um período de aquecimento, uma atividade aeróbica, passando ao condicionamento muscular e terminando com a volta à calma. O aquecimento é um período fundamental para pessoas da terceira idade, devendo incluir basicamente alongamentos e movimentos articulares, que são fundamentais tanto para evitar lesões, como para contribuir com a manutenção da mobilidade articular (MATSUDO, 2001, p. 27). Neste caso, observa-se a necessidade de trabalhar o indivíduo a partir de suas limitações, sendo esta uma exemplificação de um exercício fisiológico, mas que deverá atender também fatores dos domínios cognitivos e sociais de cada indivíduo, estimulando estão em processo de envelhecimento. Pessoas em etapas diferenciadas de atividades cotidianas e que envelhecem de forma diferenciada, dependendo das suas atividades e funções exercidas ao longo de suas vidas. a reflexão, criticidade, criatividade, permitindo que os indivíduos reflitam sobre suas ações. E assim, possam se tornar indivíduos ativos, e com bem estar social elevado. Na clínica o profissional de Educação Física trabalha com aspectos mais fisiológicos dos idosos, os quais começam a apresentar limitações com o avanço da idade cronológica. Sofrendo constantemente fraturas devido a acidentes domésticos, doenças provenientes do avanço da idade, como: osteoporose, obesidade, sedentarismo, diabetes, insônia, hipertensão arterial. Decorrentes da inatividade física e da falta de preparação para a chegada da velhice. A Educação Física promove a prevenção dessas doenças e aumento das capacidades biológicas desses indivíduos, como: força, flexibilidade, equilíbrio, resistência e velocidade. Permitindo que o idoso tenha mais independência e autonomia. Segundo Simões (apud MOREIRA, 1995, p.127) “a atividade física moderada e regular contribui para que uma série de estruturas orgânicas seja preservada e o ser idoso possa obter uma melhor qualidade de vida, regulando suas funções vitais”. Na clínica pesquisada ocorreu uma observação do trabalho desenvolvido no local, acompanhamento de alguns pacientes e de alguns profissionais da Fisioterapia. A clínica não disponibilizava de nenhum profissional da Educação Física, sendo um dos pontos negativos do trabalho desenvolvido, pois não se observou parceria entre os profissionais das diversas áreas da saúde. Os pacientes da clínica, na sua grande maioria, não praticam nenhuma atividade física regularmente e apresentam forte depressão. O que se observa completamente oposto com relação aos idosos que participam do Projeto Escola de Esporte do CEDF/UEPA. Como poderá ser observado e analisado mais adiante. O depoimento frequente dos pacientes idosos da clínica é “sou doente, já estou no fim da vida”. Essa imagem de si mesmo que idosos sedentários fazem é fruto do que lhes é imposto pela sociedade, como afirma Santin A imagem de corpo não surge das experiências existenciais da vida pessoal, ao contrário, a primeira imagem consciente de corpo que cada um constrói obedece aos modelos impostos pelos valores culturais vigentes (apud MOREIRA, 1995, p. 118). Na clínica pesquisada não foi observado nenhum intuito de mudar a realidade vivenciada pelos pacientes. Assim, estes continuam inativos, mais propícios a lesões e doenças decorrentes do envelhecimento inativo. Discussões frequentes na formação A segunda parte deste estudo possibilita o estudo da relação teoria e prática no curso, promovendo a interação entre os acadêmicos e os professores que trabalham com projetos destinados ao atendimento à terceira idade no CEDF/UEPA. Esta pesquisa de campo contou com a participação de dois professores formados e que desenvolvem um trabalho específico para a terceira idade, os quais responderam um questionário aberto com um total de sete perguntas referentes à relação entre teoria e prática em suas aulas. A partir deste estudo se pode afirmar que só o homem é capaz de agir e refletir sobre sua ação, assim como afirma Medina (1989, p.67) “só ao humano é concedida a percepção de si mesmo, dos outros, dos seus próprios atos, do mundo e de toda uma realidade que o caracteriza, ao mesmo tempo em que pode ser modificada artificial e intencionalmente por ele”, permitindo assim que esta discussão esteja presente na formação desses indivíduos, tanto profissionalmente, no caso dos professores de Educação Física, como socialmente, no caso dos idosos. Os professores entrevistados apresentaram compreensão semelhante no que se refere à relação entre teoria e prática na formação em Educação Física, concordam que uma não pode estar desvinculada da outra. Com relação aos conhecimentos adquiridos na graduação e sua implantação na realidade, um dos professores relata que metade é possível, mas a outra metade será através das experiências cotidianas a partir da realidade e particularidades de cada aluno. Enfoca que os profissionais que trabalham com os idosos devem estar em constante busca de conhecimento. Como pode ser observado em uma de suas falas: “A universidade não ensina tudo e principalmente, existem mudanças, o conhecimento é contínuo e dinâmico”. Portanto, se torna necessário a continuação dos estudos a partir de programas de pós-graduação tanto lato sensu (especialização), quanto stricto sensu. O contexto social atual: violência, indisciplina, surgimento de novas tecnologias, desemprego e as novas configurações do trabalho, requerem que os profissionais busquem constantemente requalificação através dos cursos de formação continuada (PIMENTA, 2008, p. 21). Com relação à disponibilidade de materiais, os projetos acompanhados dispõem de material adequado e suficiente para a realização das atividades, diferenciando-se dos demais projetos desenvolvidos em outros lugares que não disponibilizam. Os professores também disponibilizam de sua criatividade e da utilização de materiais alternativos. Reaprendendo o sentido da vida Na terceira parte do estudo, observam-se as experiências adquiridas por cada um dos idosos a partir da participação do grupo da terceira idade do Projeto Escola de Esporte a partir da modalidade Ginástica. Nessa pesquisa foram feitos acompanhamentos semanais (segunda, quarta e sexta) das atividades desenvolvidas pela turma de idosos, as quais eram sempre diferentes umas das outras, a não ser pela caminhada na pista de atletismo que os alunos não dispensavam. Estas observações fizeram parte da coleta de dados do projeto “Envelhecimento, Atividade Física e a Formação dos Professores de Educação Física”, do PIBIC/CNPq. Nessa turma foram observadas duas características principais, dentre inúmeras outras observadas, o gosto pela conversa e pela dança. Um dos pontos decisivos para se buscar através de rodas de conversas com esses indivíduos a coleta de dados para a pesquisa. No projeto do CEDF/UEPA os idosos reaprendem a viver a partir das limitações adquiridas com a idade. Eles não se consideram velhos, porque para eles o que é velho não presta e é descartado, eles se consideram idosos, pois têm uma idade cronológica avançada mais que muito ainda têm para viver e contribuir no contexto social em que vivem. Eles utilizam dizeres como: “Idade não é pretexto para se tornar velho” (GRACE SLATTERY apud PIERRI E DUMÉE, 1999, p.9). A busca constante pelas impressões dos idosos de si mesmos a partir da prática de atividade física é sustentada por Okuma (1998, p. 27): “deve-se buscar compreender o sentir das pessoas idosas vivenciando a atividade física, em função dos sentimentos que emergem intensa e continuamente na experiência em questão”. Estes idosos têm muito a ensinar, pois com o passar dos anos e experiências aprendem a dar valor naquilo que é mais importante. Os idosos participantes desse grupo, em sua grande maioria, se consideram pessoas felizes e consideram-se privilegiados por terem a chance de vivenciar bem, mais uma bela fase da vida. Para que o ser humano envelheça não existe uma idade específica, a cada dia o homem se transforma e se torna mais velho, mais cabe a ele saber envelhecer. Por isso se torna de extrema importância a implantação da Educação Física Gerontológica, pois esta é a única capaz de preparar e reeducar o ser humano para envelhecer sem se tornar velho. Assim afirma Simões (1995): A corporeidade idosa, na tradição das ciências biológicas, basicamente se caracteriza pela diminuição das reservas orgânicas, pela alteração do desempenho motor comprometendo vísceras, relações, convívios. Porém, conhecendo os seres idosos, é impossível acreditarmos que o sonho e a esperança do amanhã não existam. O idoso ainda tem todo o tempo do mundo (apud MOREIRA, 1995, p.112-113). E abrilhanta seu estudo com versos de Renato Russo, proporcionando uma melhor compreensão da corporeidade idosa: Todos os dias quando acordo Não tenho mais o tempo que passou Mas tenho muito tempo Temos todo tempo do mundo... (SIMÕES apud MOREIRA, 1995, p. 112) A Educação Física Gerontológica precisa ser um dos elementos de formação dos professores de Educação Física que desejem trabalhar com pessoas em processo de envelhecimento. A partir dessa melhor preparação para o trato com a terceira idade, estes indivíduos poderão desenvolver-se integralmente (física, psíquica e socialmente), proporcionandoos uma melhor qualidade de vida a partir da educação para envelhecer bem. E ressaltarse depoimentos dessa natureza: “A atividade física me proporciona a convivência. Neste grupo nos tornamos amigos, a professora é maravilhosa, somos uma família unida. Aqui reaprendemos o sentido da vida” (idosa do Grupo da terceira idade do CEDF/UEPA). Considerações Esse estudo não é o fim, ele é um começo sem fim, pois a partir desses estudos pode-se compreender melhor o sentido da profissão Educação Física e de como é importante se ter uma formação de qualidade, a partir da interação e troca de conhecimento com colegas de profissão ou com outros profissionais das ouras áreas do conhecimento em prol de algo que deve ser sempre posto em primeiro lugar: a vida humana. É gratificante poder contribuir para a formação mais qualificada de professores de Educação Física que desejem trabalhar com a terceira idade. Promovendo assim, o envelhecer bem a partir de uma formação de qualidade, e aqui não se fechando apenas na formação dos professores de Educação Física, mas a formação do homem para a vida em sociedade e para o envelhecer com respeito e qualidade. A partir destes estudos foram propostos novos estudos no Grupo de Estudos sobre a Atividade Física e o Envelhecimento – GEAFE, o qual é fruto dos estudos do projeto Envelhecimento, Atividade Física e a Formação dos Professores de Educação Física. Este projeto possibilitou a criação deste Grupo, incentivando o aumento das pesquisas sobre o assunto, como também proporcionou avanços na formação em Educação Física, a partir das discussões sobre a Educação Física Gerontológica e da interação e troca de conhecimentos entre os professores atuantes e os acadêmicos do CEDF/UEPA. Por meio deste projeto pode-se observar o interesse dos acadêmicos do CEDF/UEPA em desenvolver atividades com os idosos, mas a necessidade de preparo para esse trabalho é exorbitante. Os acadêmicos precisam de uma formação diferenciada e de qualidade para lidar com o ser humano em todas as fases da vida. É de suma importância que essa formação se inicie na graduação, a partir de disciplinas voltadas para o envelhecimento humano e que ofereçam suporte para o trato com os senescentes, a Educação Física Gerontológica pode ser um caminho. Referências BARBOSA, Rita Maria dos Santos Puga. Educação Física Gerontológica: saúde e qualidade de vida na terceira idade. Rio de Janeiro: Sprint, 2000 EVELIN, Heliana Baía (Org.). Velhice Cidadã: um processo em construção. Belém: EDUFPA, 2008 MATSUDO, Sandra Marcela Mahecha. Envelhecimento e Atividade Física. Londrina: Midiograf, 2001 MEDINA, João Paulo Subirá. A educação física cuida do corpo... e “mente”: bases para a renovação e transformação da educação física. 8ª Edição. Campinas: Papirus, 1989 MOREIRA, Wagner Wey (org.). Corpo Presente. São Paulo: Papirus, 1995 OKUMA, Silene Sumire. O Idoso e a Atividade Física. Campinas: Papirus, 1998 PIERRE, Jean; DUMÉE, Dubois. Envelhecer sem ficar velho: “a aventura espiritual”. São Paulo: Paulinas, 1999 PIMENTA, Selma Garrido; GHEDIN, Evandro (Orgs.). Professor Reflexivo no Brasil: gênese e crítica de um conceito. 5ªEdição. São Paulo: Cortez, 2008 VERDERI, Érica. O corpo não tem idade: Educação Física Gerontológica. Jundiaí: Fontoura, 2004 UM BREVE RELATO SOBRE O IDOSO NO TRABALHO INFORMAL EM BREVES – PA16 A BRIEF STORY ON THE AGED IN THE INFORMAL WORK IN BREVES - PARÁ Alane Neves de Souza Maria Monteiro Gonçalves Discentes regularmente matriculadas, 2º ano de Serviço Social, turma 2009 – Faculdade de Serviço Social, aposentado do INSS - Instituto Nacional do Seguro Social - que encontra na informalidade a alternativa de acrescer a renda familiar, resultando-lhe empoderamento na sua relação família-sociedade; em meio ao contexto socioeconômico do município, afetado pela massificação do desemprego que agrava as expressões da questão social. Foram utilizadas pesquisas bibliográficas e entrevistas com dez idosos do Centro de Convivência de Breves, entre 65 e 80 anos de idade, destacando seu entendimento em relação ao trabalho na velhice, e o favorecimento deste no empoderamento pessoal. Palavras-chave: Idoso, Trabalho Informal, Sobrevivência, Empoderamento. Abstract: This study brings a brief account on the elderly in informal work in Brief, focusing the beneficiary or retired INSS- Instituto Nacional do Seguro Social -which finds in informality alternative accruing to family income, resulting him empowerment in their relationship family-company; amid the socioeconomic context of municipality, affected by mass unemployment which exacerbates the expressions of the social question. Bibliographic searches were used and interviews with ten elderly daycare, Centro de Convivência de Breves between 65 and 80 years of age, highlighting their understanding in relation to work in retirement, encouraging personal empowerment. Keywords: Elderly, Informal Work, Survival, empowerment. 16 Artigo trabalhado para 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia. O tema foi orientado pelas Professoras Gicele Brito na Disciplina FHTM II e Ana Smith na Disciplina Pesquisa Social I. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Resumo: Este estudo traz um breve relato sobre o idoso no trabalho informal em Breves, focando o beneficiário ou ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Universidade Federal do Pará, Campus Universitário do Marajó – Breves Pessoa idosa frente às constantes mudanças do mercado O envelhecimento é um tema recorrente em discussões e estudos, diante do aumento da expectativa de vida nos últimos anos e as consequências geradas por este fator. “E o que tornou a velhice17 um problema social foram, sobretudo as consequências econômicas...” (BARROS, 2007). Como por exemplo, “no aspecto econômico, as pessoas idosas passam a ser vistas como improdutivas, sendo decretada assim, sua velhice econômica e social” (AMARILHO, 20005 apud NASCIMENTO, 2006). Preconceito este, agravado pelo sistema vigente; a reestruturação produtiva, que valoriza a quantidade, a velocidade de produção; e a força de trabalho é relacionada aos jovens. Por esta lógica, descartam-se a experiência adquirida pelos mais velhos, principalmente os pobres. As crises financeiras e as mudanças estruturais como a abertura comercial e financeira internacional, a reestruturação produtiva, a privatização, a ampla incorporação da força de trabalho pelo setor de serviços e a queda do emprego industrial, alteram a dinâmica do mercado de trabalho e afetam diretamente a vida do trabalhador. Diante disso a inserção do trabalhador no mercado apresenta-se como uma das principais mudanças ocorridas na economia brasileira nos últimos anos. Como consequência dessas mudanças exige-se novas formas de inserção, caracterizando o mercado em formal e informal. Segundo Correa e Lopes (2009, p. 2) o primeiro, “pode ser definido como aquele que atende as relações contratuais de trabalho, em grande parte, determinadas pelas forças de mercado e regulada por legislação específica”; e o segundo não tem um conceito exato, dada à variedade de definições utilizadas nos trabalhos existentes, porém a autores que o definem conforme citação abaixo: Como sendo aquele onde prevalece o mínimo de intervenção do governo, não cumpre as leis ou regras, especialmente as legislações fiscais e trabalhistas, sem contratos registrados junto à seguridade social, sem tempo de duração e sem que sejam definidos de forma clara itens básicos como função, horas trabalhadas, descanso semanal remunerado, entre outros. (CACCIAMALLI, 2000; CHAHAD, 1988; GREMAUD, VASCONCELLOS, TONETO JR, 2004, apud CORREA E LOPES, 2009). Então, a informalidade, vem com toda a força como consequência da escassez de emprego provocada pela recessão, com início na década de 90, através de políticas antiinflacionárias que sustentaram o encurtamento e lento crescimento da atividade econômica. 17 Ver BARROS (Org.), 2007, Livro “Velhice ou Terceira Idade?” A autora trata de conceitos e noções vinculados ao envelhecimento. Em Breves18, em meio a todos esses fatores, o idoso passa a ter um papel de destaque na família, como provedor do sustento por meio de seu benefício (BPC) ou aposentadoria, que se configura como única fonte de renda fixa, devido a precária situação econômica e a escassez de emprego. Contudo como uma família pode sobreviver com apenas um salário mínimo, considerando o número de pessoas desta? O mercado informal é visto como a solução emergente para resolver a situação de forma imediata, e muitos entram, Na informalidade por uma estratégia de sobrevivência, ou seja, uma alternativa à falta de melhores oportunidades de emprego, nesta última situação os indivíduos recorrem à informalidade como forma de aliviar ou evitar a pobreza, desconsiderando as características não pecuniárias da posição, exercendo muitas vezes trabalhos de baixa produtividade. (HIRATA E MACHADO, 2007, apud CORREA E LOPES, 2009). Esta é a realidade das famílias brevenses, pela falta de um mercado de trabalho que absorva a demanda desempregada, ou alternativas que possam garantir-lhes a sobrevivência, os que conseguem, ingressam na informalidade para unicamente sobreviver e escapar da miséria. E o idoso passa a ser, muitas vezes, o principal provedor do sustento da família, por meio de seu benefício ou aposentadoria (única renda fixa da família), e ainda é obrigado a trabalhar na informalidade, por não poder exercer emprego formal, o que acarretaria na perda do seu benefício. Todavia, possibilita-o a flexibilidade do tempo e da produção, ambos exigidos no setor formal. Com outro olhar e interpretação, e de acordo com os entrevistados, o trabalho além de contribuir para o sustento familiar, possibilita ao idoso, empoderamento19 nas suas relações sociais, atividade física e uma velhice saudável. Idoso e trabalho informal como sobrevivência e qualidade de vida Para realizar este estudo convivemos durante dois meses com os idosos participantes do Centro de Convivência para a Terceira Idade20 de Breves, que atende cerca de 50 pessoas acima de 50 anos de idade. O que nos possibilitou identificar que muitos deles, mesmo aposentados, trabalham na informalidade para garantir o sustento familiar. Utilizamos como instrumentos a entrevista com questionários abertos e a observação participante. Como amostra, entrevistamos dez idosos, com objetivo de conhecer quem são, como vivem, e qual o entendimento deles em relação ao trabalho na velhice e o favorecimento deste no seu empoderamento pessoal. 18 Cidade do Estado do Pará. Localizada na Ilha do Marajó. Área da unidade territorial: 9.550Km². Estimativa da População em 2009: 101.094 habitantes. Fonte: IBGE 19 No sentido de autonomia, e poder de decisão diante das mudanças sociais. 20 O Centro é vinculado a Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social. Pôde-se constatar, portanto, analisando todos os depoimentos, que o trabalho informal para eles assume várias faces, além de ser um meio de sustento, é visto como uma atividade física importante, convivência ativa e participativa. Características essas que possibilitam identificar que esses idosos assumem empoderamento em suas relações, mesmo que limitado, por suas condições sociais. Ideia explicitada no depoimento dos idosos entrevistados. Como afirma a senhora M.P, 78 anos de idade, aposentada, mora em casa própria com esposo (recebe benefício) e dois filhos, um destes atua na informalidade com vendas. Ela trabalha na lavoura21, atividade que exige força braçal, e ocupa em média quatro dias na semana, intercalados, com 8 horas por dia, diz: “considero uma atividade cansativa, mas é uma forma de movimentar o corpo, se eu parar posso até adoecer”. Pode-se perceber que o trabalho é visto como qualidade de vida para esta senhora, apesar de ser uma atividade que exige força física, e não garantir uma renda correspondente ao trabalho empregado. A senhora D.L.C, 69 anos de idade, recebe benefício do INSS, mora em casa própria com filho, nora e três netos, ratifica a importância do trabalho para sua vida. Há 29 anos dedica-se a uma horta comunitária, com o terreno cedido pela Prefeitura Municipal de Breves, cuja área é dividida com mais quatro pessoas. A plantação e produção é responsabilidade de cada uma. A senhora D.L.C, fala que gosta muito desta atividade, e destina diariamente, em média, seis hora, atualmente sente cansaço devido sua idade, mas é o meio que tem para complementar a renda, e diz: “esse trabalho ajuda muito porque todo dia tenho meu dinheiro, seja muito, seja pouco, o benefício sai por mês, e assim com a horta, todo dia eu tenho meu dinheiro”. O trabalho informal é importante para esta senhora porque garante autonomia e sustento diário de sua família, já que seu beneficio, que é mensal, não é suficiente. Porém, a atividade informal para estes idosos pode apresentar outra face. Devido a necessidade, muitos acabam exercendo trabalhos de baixa produtividade. Pela carência de emprego para a família, sujeitam-se a atividades que exploram sua força de trabalho, não recebendo o suficiente nem para a sua subsistência. É o caso do senhor S.F.C., 75 anos de idade, beneficiário do INSS, mora em casa alugada, com companheira e mais dois filhos. É vendedor de picolé. Trabalha diariamente, sem dia de descanso, em média 12 horas, para receber no final do dia 30% da venda, sem possuir qualquer vínculo empregatício com a soverteria fornecedora. Ele diz que “a venda é como jogar, um dia você ganha, um dia você perde...”. 21 Neste caso, plantação de mandioca. Que envolve queimada para o preparo da terra, plantação da maniva (pedaço do caule), que entre 06 meses a um ano está pronta para a colheita, e fabricação da farinha d’água, tapioca, tucupi etc. Imagine uma pessoa trabalhar 12 horas por dia. Quando a venda é boa, fatura em média R$ 30,00 (trinta reais), e ganha somente 30% deste valor, e a mercê de vários perigos, como assaltos, acidentes, doenças, sem qualquer direito protegido pelas leis trabalhistas. Entretanto para esta família é sinal de comida na mesa, da sobrevivência básica, por isso sujeitam-se a este tipo de trabalho, sem a garantia de seus direitos, por não terem outra opção. O trabalho assalariado, segundo Marx e Engels22, não cria propriedade e sim, cria capital. Quer dizer, apenas alimenta o círculo vicioso da acumulação capitalista. O trabalhador de modo algum é beneficiado por está lógica, apenas explorado. O senhor S.F.C. disse que tem muitos amigos, em sua faixa etária, beneficiários ou aposentados, que precisam trabalhar assim como ele, em venda de picolé, como carreteiros23, com limpeza de quintal e de várzea, enfim aceitam qualquer serviço para garantir o sustento familiar. Declarou que gosta de trabalhar, aceita qualquer serviço, e principalmente, se sujeita a esse tipo de ocupação porque precisa complementar a renda, pois se fosse depender somente do beneficio, certamente passaria fome. Portanto, para o grupo entrevistado, o trabalho é considerado uma atividade importante para a sua qualidade de vida, autoestima, menor frequência de doenças, e menor dificuldade para execução de tarefas diárias, além de contribuir como meio de sobrevivência. Porém é importante atentar para a questão de que muitos acabam sendo vítimas da exploração, por ser considerada mão-de-obra improdutiva, além da escassez de emprego que acaba favorecendo a estes idosos a aceitar qualquer tipo de atividade e remuneração. Segundo Guimarães (2002) citado por Nascimento (2006), o preconceito em relação ao idoso está relacionado à cultura brasileira, ou seja, em países desenvolvidos o idoso é respeitado e possui papéis sociais importantes para manutenção econômica do país. No Brasil, por bases culturais, o idoso ainda é visto como incapaz, improdutivo e dependente. Considerações finais Para os idosos entrevistados, o trabalho tem funções de empoderamento, fonte de renda, meio de interação social e autonomia. Apesar das dificuldades sociais que vivem, anseiam por sonhos: vida melhor, aprender e conhecer coisas novas. Muitos sofrem com as mazelas das desigualdades sociais (preconceito, violência, pobreza, exclusão social), porém esperam viver bem com a família, conviver com os amigos, ter atividades de lazer 22 Manifesto Comunista, Marx e Engels. Trabalho que exige muita força e energia física, seu instrumento é um carro de madeira de duas rodas, geralmente, é usado para transporte de mercadorias, e outros. Puxado por tração humana. 23 e interação social, e jamais se entregar ao cansaço, à inatividade, buscando conviver com os limites, sem deixar de desfrutar a vida. Reclamam a precária política de amparo ao idoso em Breves, realizada no Centro de Convivência para a Terceira Idade, que se resume a aula de alfabetização e dança24, que participam com prazer, contudo gostariam de mais atenção, cuidados, e atividades para desenvolver a criatividade. Recordam que no passado, isso lhes era oferecido, entretanto com as várias mudanças na gestão, foram extintas. Declararam desconhecer o Estatuto do Idoso. Considerando os direitos constituídos no Estatuto do Idoso, Lei nº. 10.741, DE 01/10/2003, que em seus artigos primeiros, dispõem: Art. 2º O idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurandose-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. Art. 3º É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. Conclui-se que toda a lei que visa o bem estar e a garantia de direitos do cidadão têm que deixar de ser apenas teoria e passar a ser práxis na realidade do brevense e de qualquer cidadão brasileiro. O que se vê, porém, é a não-garantia do acesso, quando muitos os desconhecem ou simplesmente são impedidos de acessarem seus direitos, dificultado pela burocracia. Diante desta realidade o que propor para garantir ao idoso todas as oportunidades que a lei prevê e contribuir para uma velhice saudável? Sob uma análise conveniente, poderia se propor de, primeiramente, deixar de ver o idoso como incapaz, improdutivo e dependente. Depois, que as instituições relacionadas a trabalhar a política do idoso (em Breves), possam promover efetivamente o Estatuto do Idoso, garantindo o acesso e levando-o a exigir e fazer valer seus direitos. Isso irá refletir na sua vida familiar e social, favorecendo seu empoderamento sem prejuízo a saúde, contribuindo para uma melhor qualidade de vida, boas relações sociais e uma velhice digna. 24 Constatado durante esta pesquisa, em maio de 2010. Reflexo possivelmente da carência de profissionais para atender toda a demanda municipal, o centro não possuía uma equipe técnica de acompanhamento diário das atividades com o grupo de idosos, como assistente social e pedagogo; o que reflete na qualidade das atividades ofertadas. Referências ANTUNES, M. O Caminho do empoderamento: articulando as noções de desenvolvimento, pobreza e empoderamento. In: ANTUNES M. E ROMANO, J. O. Empoderamento e direitos no combate à pobreza. Rio de Janeiro: ActionAid Brasil, 2002. BARROS, Myriam M. 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AÇÃO EDUCATIVA EM UMA CASA DE APOIO EM BELÉM: Implicações as quedas na terceira idade EDUCATIVE ACTION IN ONE HOUSE OF SUPPORT IN BELÉM: Implications of the falls in the third age Marcelo Ricardo dos Santos Silva [email protected] Ítalo Pimentel Marinho [email protected] Jonh Rick Carvalho Ferreira [email protected] Taynah Monick Estevam Ferreira [email protected] Acadêmicos de Enfermagem do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Pará (FEICS/UFPA) Joana Cleia Trindade Fideralino Enfermeira. Especialista em Saúde Coletiva. Professora Substituta da FE-ICS/UFPA. [email protected] William Dias Borges Enfermeiro. Especialista em Saúde Pública. Mestrando em Saúde, Sociedade e Endemias na Amazônia (UFPA/UFAM/FIOCRUZ)(Bolsista do CNPq), Professor Substituto da FE-ICS/UFPA. [email protected] Resumo: Trata-se de uma pesquisa-ação, na qual se objetivou sensibilizar idosos sobre determinantes de risco, consequências e medidas preventivas para se evitar quedas. Inicialmente, realizou-se levantamento com base na Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa. Foram entrevistados 24 idosos na faixa etária de 60 a 84 anos, cinco homens e 19 mulheres. 85% sofreram pelo menos uma queda; 15% sofreram quedas e tiveram que ser internados; 10% nunca sofreram quedas e 5% não lembram. Durante a atividade educativa utilizou-se recursos como álbum seriado e folder. Visou-se potencializar a capacidade do idoso no cuidar de si e do ambiente em que vive. Palavras-chave: idosos, queda, atividade educativa. Summary: This is an action research, in which it aimed to raise awareness among seniors about risk determinants, consequences and preventive measures to avoid falls. Initially, we surveyed based on the Handbook of Health of the Elderly. We interviewed 24 elderly people aged 60 to 84 years, 5 men and 19 women. 85% had at least one fall, 15% suffered falls and had to be hospitalized, 10% had never experienced falls and 5% did not remember. During the educational activity was used as a flip chart and resource folder. Aimed to enhance the ability of the elderly in caring for oneself and the environment in which they live. Key-words: elderly, fall, educational activity. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil [email protected] ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Ana Paula Gonçalves Pinto Introdução Uma em cada 10 quedas resulta em dano sério a saúde do idoso, como fraturas e incapacidades. Entre as causas externas no Brasil é uma das grandes causas de internação e óbito (GAI, 2008). As mulheres tendem a cair mais que os homens até os 75 anos de idade, a partir dessa idade as frequências se igualam. Dos que caem, cerca de 2,5% requerem hospitalização e desses, apenas metade sobreviverá após um ano (BRASIL, 2006). Foto 1: SILVA, 2010. Foto 2: PINTO, 2010. Objetivo Sensibilizar idosos sobre determinantes de risco, consequências e medidas preventivas para se evitar quedas no domicílio e em trechos urbanos. Material e métodos Trata-se de uma pesquisa-ação, caracterizada pelo trabalho extensivo que, segundo Neto (2001), é mostrado como expressão do retorno à sociedade daquilo que esta investe na universidade. Foi realizado no Centro de Convivências da Terceira Idade “Zoé Gueiros” mediante critério avaliativo da Atividade Curricular Processos Educativos em Enfermagem II. Inicialmente realizou-se levantamento com base da caderneta saúde da pessoa idosa Totalizaram 24 idosos entrevistados, na faixa etária entre 60 e 84 anos, 20,8% do sexo masculino e 78,2% do sexo feminino. Durante a atividade educativa foram utilizados recursos como álbum seriado e folders. Resultados Gráfico 1 – Distribuição (%) de idosos sobre ocorrência de quedas Fonte: Pesquisa de campo, 2010. As quedas em si podem se manifestar através desatenção, imprudência aliada à falta de informação e as próprias determinantes de risco (GAI, 2008). Durante a sensibilização educativa os idosos reconheceram a vulnerabilidade existente em seu dia-a-dia. A reflexão esteve presente, e como consequência o empoderamento ou potencialização da capacidade do cuidar de si e do ambiente em que se vive. Os idosos durante a ação relataram algumas experiências com quedas, e admitiu-se que existe um sentimento relativo de onipotência onde a queda é apenas uma preocupação sem relevância em relação a outros agravos mais comuns na vida do idoso como hipertensão e diabetes. Dessa forma, estes revelaram reconhecer a importância de se afastar riscos relacionados a este agravo que podem gerar perda funcional que pode variar em gravidade, prejudicando o seguimento de um independente. envelhecer ativo, autônomo e Considerações finais Inferiu-se que é possível unificar a teoria aprendida em sala de aula com atividades educativas nas comunidades, sem fazer um alto investimento. Isso viabiliza o fortalecimento da função social da universidade através da socialização de experiências e conhecimentos entre o meio acadêmico e a comunidade e neste caso, contribuir com o campo da saúde do idoso. Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Envelhecimento e saúde da Pessoa Idosa. Cadernos de Atenção Básica – n.°19. Brasília, DF. 2006. GAI, Juliana. Instabilidade Postural e Quedas em Pessoas Idosas: Identificando o idoso com risco de quedas na Atenção Básica. DAPEATSI. Brasília, DF. 2008. MELO NETO, J. F. Extensão universitária: uma análise. João Pessoa: UFPB, 2001. VARIÁVEIS SOCIAIS, ECONÔMICAS, CULTURAIS E POLÍTICAS PARA O EMPODERAMENTO DE IDOSOS NO BRASIL: Por uma nova concepção sobre igualdade e universalidade dos direitos SOCIAL, ECONOMIC, CULTURAL AND POLITICS VARIABLES FOR THE EMPOWERMENT OF AGED IN BRAZIL: For a new conception on equality and Especialista em Supervisão Educacional. E-mail: [email protected] Resumo: O envelhecimento da população traz consigo não apenas demandas especiais de serviços públicos e de investimentos. O cenário social e as histórias que aí se desenrolam passam a contar com esses outros atores nos quais as marcas do tempo se aprofundam. O texto traz reflexões sobre dados merecedores de atenção especial, particularmente, sobre as consequências do envelhecimento da população para a economia e sociedade brasileiras. Palavras-chave: Envelhecimento humano. Empoderamento. Educação. Abstract: The aging of the population brings not only obtains demands special of public services and investments. The social scene and histories that are uncurled there start to count on these other actors which the marks of the time if go deep. The text brings reflections on deserving data of special attention, particularly, on the consequences of the aging of the population for the Brazilian economy and society. Keywords: Human aging; Empowerment; Education Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Sandra Maria de Bittencourt Amarante ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia universality of the rights. Introdução O século XXI está sendo considerado pelos estudiosos das questões relativas à velhice e ao envelhecimento humano de o “século dos velhos”. Permeia nessa discussão termos que antes não eram sequer cogitados pelos estudiosos do assunto, são eles: Envelhecimento: ato ou efeito de envelhecer, ato ou efeito de tornar-se velho, mais velho, ou de aparentar velhice ou antiguidade. Longevidade: característica ou qualidade de longevo; duração da vida a mais, duração da vida mais longa que o comum. A associação entre velhice e decadência, segundo PEIXOTO (1998) atinge todos os domínios da sociedade brasileira. É velho aquele que está decrépito, que não presta para nada, como um objeto mesmo: quando nos referimos a um objeto como velho é porque ele está estragado e quase não dá mais para ser usado. Por outro lado, podemos perceber que a utilização de outros conceitos parece ser mais fácil para valorizarmos o velho com um significado belo e essencial do que realmente é ser velho: estar vivendo e já ter passado por uma porção de experiências que nos permitem ver o mundo de uma outra forma, talvez mais humana, amorosa e menos competitiva. Ademais, o próprio objeto velho, em um mundo preocupado com a vida do planeta, não pode ser descartado. Segundo PEIXOTO (1998), o termo velho era usado para a população pobre, já o termo idoso era usado para uma classe social mais abastada, então isto significa que usar o termo idoso hoje, igualmente para todos, pode passar uma noção inverídica de direitos sociais assegurados à categoria de pessoas que estão na velhice, independente de sua classe social. Portanto, mais importante do que a palavra é a consciência que o indivíduo idoso precisa ter de estar vivendo um momento de sua vida, marcada por perdas (morte de cônjuge, aposentadoria, doenças) que exigem uma retaguarda socioeconômica e psicossocial, sociocultural e de saúde pública, que em muitas partes do mundo não é igual para todos. No Brasil, o Estatuto do Idoso define o começo da velhice aos 60 anos. Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) define como sendo 65 anos ou mais idade, para 75 anos, devido o aumento da longevidade e da expectativa de vida. Qualquer que seja a idade de início da categoria idoso, o envelhecimento populacional é um conceito que mede a proporção de pessoas idosas na população. As pesquisas indicam que o envelhecimento populacional é influenciado principalmente pela redução da fecundidade, pois o nascimento de menos crianças faz com que a base da pirâmide etária se estreite, enquanto a alta proporção de crianças que nasceram no passado vão se tornando adultos e, posteriormente, idosos. Estas mudanças são chamadas de transição da estrutura etária. A queda da fecundidade é a variável chave para se entender o envelhecimento populacional. Entre 1960 e 2000 a taxa de fecundidade total (TFT) caiu de 6,2 para 2,4 filhos por mulher. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2005 apontou uma fecundidade de 2 filhos por mulher e a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) de 2006, apontou fecundidade de 1,8 filhos por mulher. Isto significa que a cada ano nascem menos crianças do que no ano anterior, mas o alto número de crianças que nasceram quando a fecundidade era alta vão se tornar idosos nos próximos anos e décadas. Em termos absolutos, a população idosa brasileira vai ter um crescimento expressivo até 2050, pois quem terá 65 anos ou mais (vamos considerar este o início da "terceira idade") no meio do século XXI são aquelas pessoas que nasceram antes de 1985, quando as taxas de fecundidade eram muito altas. Pelas projeções elaboradas pela Divisão de População da ONU, os idosos brasileiros de "65 anos e mais" deverão passar de 10 milhões para 50 milhões entre 2000 e 2050 e os idosos de "80 anos e mais" deverão passar de 1,7 milhão para quase 14 milhões no mesmo período. Desta forma, com a população idosa crescendo em ritmo superior ao dos outros grupos etários, o envelhecimento populacional brasileiro é inevitável. Quanto mais cair a fecundidade, maior será a proporção de idosos no país. Consideremos três cenários projeções de fecundidade em 2050: projeção alta = 2,35 filhos por mulher; projeção média = 1,85 filhos por mulher; e projeção baixa = 1,35 filhos por mulher. Caso prevaleça a projeção alta fecundidade a população idosa será de 16% da população total em 2050; caso prevaleça a projeção média de fecundidade, a população de "65 anos e mais" representará 20% da população total e no caso da projeção baixa de fecundidade a população idosa será de 23% em 2050 (IBGE, 2010). Portanto, se a fecundidade continuar a cair, o Brasil terá 01 idoso para cada 04 brasileiros em meados do atual século. Os estudiosos desse campo de conhecimento consideram esses dados merecedores de uma reflexão especial, particularmente, sobre as suas consequências para a economia e sociedade brasileiras. O pressuposto que justifica a importância dessa análise é que a transição não é autônoma, ou seja, não é uma mera consequência da combinação de variáveis estritamente demográficas. Ela é um processo social imerso nas profundas mudanças sociais e econômicas pelas quais têm passado o Brasil nas últimas décadas e se desvela não só como causa, mas como efeito destas mudanças. Não sendo autônoma, ou neutra, em relação a outras variáveis sociais, econômicas, culturais e políticas, a transição sugere a necessidade de uma abordagem normativa, pois ela pode favorecer caminhos diferenciados para a sociedade brasileira, dependendo das políticas implementadas que poderão levá-la a um destino social ou a outro. Em outras palavras, a transição demográfica, por si só, não é um mal ou um bem para a sociedade brasileira, depende das políticas públicas que devem acompanhá-la. As reflexões que continuadamente nos levam a uma direção sobre qual o maior problema em relação a essas questões: o Brasil poderá envelhecer antes de universalizar direitos sociais? Ou seja, uma transição tão acelerada pode levar o Brasil a ser rapidamente, um país com condições demográficas semelhantes aos países desenvolvidos e com condições sociais e econômicas que não ultrapassam aquelas dos países desenvolvidos. A situação social no Brasil revela a necessidade de discussões mais aprofundadas na construção das políticas destinadas à pessoa idosa, revela a força do movimento social dos idosos, onde alguns se comportam como verdadeiros atores e protagonistas coletivos na luta pelos seus direitos, por conquistas sociais e pela cidadania. Apesar disso, muito ainda precisa ser feito, pois, embora a população idosa tenha formal e legalmente asseguradas a atenção às suas demandas, na prática, as ações institucionais mostram-se tímidas, limitando-se a experiências isoladas. Como salienta NÉRI (2005), “bom seria que chegasse o tempo em que se verificasse a melhoria do nível educacional e do bem-estar da população.” A preservação dos seus direitos adquiridos como cidadãos, as práticas educativas, a democratização das tecnologias de informação, a participação em programas de educação permanente, um ambiente familiar atento às necessidades de cada idoso. Quando a “Força Grisalha” tiver acesso a todos esses meios citados, teremos efetivamente o exercício da cidadania e uma nova concepção sobre igualdade e universalidade dos direitos, uma sociedade justa para todas as idades. Para a conquista dessa cidadania adulta e com um certo grau de excelência é o caminho para obtenção do empoderamento. Possibilidades e limites do empoderamento da pessoa idosa na atualidade O envelhecimento populacional como mencionado anteriormente é um fenômeno mundial que traz várias repercussões no âmbito social e econômico. Este processo é complexo e exige que os próprios idosos assumam o seu papel de agentes de transformação, exercitando, assim, sua cidadania. Qual o significado de Empoderamento “Empowerment” trata-se de um termo da língua inglesa de difícil tradução para o português. Sendo assim, traduzido como fortalecimento. A complexidade dos fatores envolvidos tem evidenciado as necessidades de se investir em promoção de saúde e é, neste contexto que a tradução do termo aborda uma definição mais geral: empoderamento é “Um processo pelo qual indivíduos, comunidades e organizações obtém controle sobre suas vidas” (RAPPAPORT apud MINKLER, 1992, p. 303). VASCONCELOS (2001, p. 5) define empoderamento como: “O aumento do poder pessoal e coletivo de indivíduos e grupos sociais nas relações interpessoais e institucionais principalmente daqueles submetidos a relações interpessoais de opressão e dominação social.” Vários autores que trabalham com o empoderamento se referem ao termo como: habilidades de pessoas, controle sobre ela mesma; desempenho social; entendimento sobre economia e política; ação de modo a melhorar sua vida. Com base nessas definições, torna-se compreensível o entendimento sobre o termo, mas surge uma pergunta que LABONTE (1994) coloca em questão “Se alguém pode dar empoderamento a alguém”? Ou seja, quais as possibilidades e limites que o empoderamento pode fazer pela pessoa idosa. Buscando responder a questão colocada por LABONTE (1994), trago a definição dada pelo Prof. Paulo Freire, sobre o empoderamento que segue uma lógica diferente. Para o educador, a pessoa, grupo ou instituição empoderada é aquela que realiza, por si mesma, as mudanças e ações que levam a evoluir e se fortalecer. Pode-se dizer que foi criado um significado especial para a palavra empoderamento no contexto da educação, não sendo um movimento que ocorre de fora para dentro, como o “Empowerment”, mas sim internamente, pela conquista. Implica, essencialmente, a obtenção de informações adequadas, um processo de reflexão e tomada de consciência quanto a sua condição atual, uma clara formulação das mudanças desejadas e da condição a ser construída. A estas variáveis, deve somar-se uma mudança de atitude que impulsione a pessoa, grupo ou instituição para a ação prática, metódica e sistemática, no sentido dos objetivos e metas traçadas, abandonando-se a antiga postura meramente reativa ou receptiva. (SCHIAVO; MOREIRA, 2005, p. 78) Portanto, empoderamento pode ser visto como a noção Freiriana da conquista da liberdade pelas pessoas que têm estado subordinadas a uma posição de dependência econômica ou física. Como construir uma nova mentalidade, onde o exercício da cidadania seja para todas as idades? Freire (1992), aponta para uma reflexão: Os oprimidos, tendo internalizado a imagem do opressor e adotado suas linhas de atuação, têm medo da liberdade. A liberdade requereria deles rejeitar essa imagem e preencher o seu lugar com autonomia e responsabilidade. Liberdade se adquire pela conquista, não como presente. Ela deve ser buscada constantemente. Liberdade não é um ideal localizado fora do ser humano; nem é uma ideia que se torna um mito. É sem dúvida, a condição indispensável para a busca da humana complementação. Considerações finais O distanciamento entre a legislação e a realidade dos idosos no Brasil ainda é grande, já que esse segmento não está devidamente instrumentalizado para reivindicar a efetivação dos seus direitos em seus aspectos sócio-político e cultural. A longevidade conquistada no Brasil, para grande maioria da população, foi um contraponto para a degradação da qualidade de vida dos idosos. A nossa sociedade se caracteriza por uma incipiente cultura política, resultado de práticas autoritárias que perduram até os dias de hoje. A história vida das ações desenvolvidas pelos poderes constituídos está representada também na velhice pobre que foi construída ao longo desse processo. Finalmente é interessante observar que não existem limites para acesso à informação e ao conhecimento, é importante buscar o rompimento da desinformação e aí teremos o primeiro passo para o empoderamento. Referências FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. IBGE. Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2010: mulheres mais escolarizadas são mães mais tarde e têm menos filhos. Eco Debate, 21 set. 2010. Disponível em: <http://www.ecodebate.com.br/2010/09/21/ibge-sintese-de-indicadores-sociais -sis-2010-mulheres-maisescolarizadas-sao-maes-mais-tarde-e-tem-menos-filhos/>. Acesso em: 28 set. 2010. LABONTE, R. Health promotion and empowerment: reflections on professional practice. In: Health education quarterly: (Special issue. Community empowerment, participatory education and health – Part I) vol. 21, 2: 253-268, summer, 1994. MINKLER, M. Community Organizing among the elderly poor in the United state: A case Study. In: International Journal of Health Services, Vol. 22, 2: 303-316, Baywood Publishing Co., Inc., 1992. NÉRI, A. L. As políticas de atendimento aos direitos da pessoa idosa expressa no Estatuto do Idoso. In: A Terceira Idade, v.16, n.34, p.7-24, 2005. PEIXOTO, Clarice. Entre o estigma e a compaixão e os termos classificatórios: velho, velhote, idoso, terceira idade… In: BARROS, Miriam (org.) Velhice ou terceira idade? Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1998. VASCONCELOS, E. M. A proposta de empowerment e sua complexidade: uma revisão histórica na perspectiva do serviço social e da saúde mental. In: Revista Serviço Social & Sociedade: seguridade social e cidadania, ano XXII; 65:5-53, 2001. SCHIAVO, Márcio R.; MOREIRA, Eliesio N. Glossário social. Rio de Janeiro: Comunicarte, 2005. PROJETO DE ATUALIZAÇÃO CULTURAL NA TERCEIRA IDADE: Perfil das pessoas idosas da 27ª Turma da Universidade da Terceira Idade – UNITERCI UFPA PROJECT OF THE CULTURAL UPDATE IN THE THIRD AGE: Profile of the aged people of 27ª Group of the Universidade da Terceira Idade – UNITERCI - UFPA Idade.UFPA Maria Leonice da Silva de Alencar Msc. Coordenadora do Programa de Extensão UNITERCI- Universidade da Terceira Idade. UFPA Resumo: A cada nova exposição sobre o perfil dos idosos no Brasil é mostrada que esse segmento da população vem aumentando expressivamente. Nesse panorama, é visível que as pessoas idosas terão cada vez mais importância no desenvolvimento do País, seja na economia, na política e no sustento de suas famílias, por isso, é necessário instituir políticas públicas a curto, médio e longo prazo para que esse segmento tenha uma velhice digna e com qualidade. Neste sentido, este trabalho teve como objetivo conhecer traçar o perfil dos alunos da 27ª turma do projeto Atualização Cultural na Terceira Idade, vinculado ao Programa Universidade da Terceira Idade- UNITERCI. Palavras-chave: Universidade da terceira idade, perfil, empoderamento, cidadania. Abstract: To each new exposition on the profile of the aged ones in Brazil it is shown that this segment of the population comes significantly increasing. In this panorama, it is visible that the aged people will have each time more importance in the development of the Country, either in the economy, the politics and the sustenance of its families, therefore, it is necessary to institute public politics short, medium and long run so that this segment has a worthy oldness and with quality. In this direction, this work had as objective to know to trace the profile of the pupils of 27ª group of the project Atualização Cultural na Terceira Idade, tied with the Program Universidade da Terceira Idade - UNITERCI. Keywords: University of the third age, profile, empowerment, citizenship. Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Acadêmica da Faculdade de Serviço Social e Bolsista do Programa UNITERCI- Universidade da Terceira ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Roberta Franssineth Pimentel de Oliveira Introdução Diversos estudos estão sendo desenvolvidos na perspectiva de uma melhor qualidade de vida para a população que se encontra envelhecendo e também à população idosa. As pessoas idosas por sua vez, apresentam um nível de dependência funcional, que é característico do processo do envelhecimento, o que leva a transformações como a perda ou redução das redes de apoio e relações sociais, da autonomia de pensamento e de vontade, da individualidade, ocasionando problemas sociais e de saúde de forma a intervir no que se denomina empoderamento; que se caracteriza como a habilidade das pessoas conseguirem um entendimento e controle sobre suas forças pessoais, sociais, econômicas e políticas agindo para uma melhoria de sua qualidade de vida. No Brasil a preocupação com as demandas do envelhecimento populacional se destaca como objeto de ação em diversas organizações sociais públicas, privadas e da sociedade civil, a partir da década de 70 e atualmente, registra-se a implementação e consolidação de programas e projetos voltados às pessoas idosas. Neste sentido, a Universidade Federal do Pará desde 1991, implementa o Programa Universidade da Terceira Idade – UNITERCI, vinculado a Faculdade de Serviço Social. Nesse programa está inserido o “Projeto Atualização Cultural na Terceira Idade”, tendo como público alvo, pessoas idosas de ambos os sexos. (ALENCAR apud EVELIN, 2008) O programa/projeto nesse decorrer vem difundindo conceitos e experiências práticas que representam uma nova forma de promover a qualidade de vida das pessoas idosas participantes do Projeto, a partir de uma ação interdisciplinar comprometida com a inserção da pessoa idosa como cidadã ativa na sociedade, objetivando instrumentalizar acadêmicos das diversas áreas do conhecimento para o trato com esse segmento e assim, contribuindo para o empoderamento das pessoas idosas. Empoderamento de pessoas idosas como probabilidade de efetivação integral dos seus direitos De acordo com CAVALCANTE PEREIRA (2006, p.16) empoderamento (empowerment) significa, de forma generalizada: “[...] a ação coletiva desenvolvida pelos indivíduos quando participam de espaços privilegiados de decisões, de consciência social dos direitos sociais.” Assim, esta ideia do empoderamento estimula, motiva nos sujeitos a probabilidade de efetivação integral dos seus direitos e representa para a sociedade “[...] espaço institucional de articulação e emergência de novos agentes/atores políticos envolvidos na transformação democrática da relação Estado-sociedade.” (CAVALCANTE PEREIRA, 2006, p.20). Dessa forma, a emancipação propiciada ao cidadão, por esta tomada de parte legítima das discussões públicas e dos processos decisórios, favorece o despontar do empoderamento na coletividade. Esta consciência de “poder” participar efetivamente das ações e condutas públicas é necessária para que a pessoa supere processos de dominação e promova transformações sociais, além do que contribui para o fortalecimento individual e coletivo da cidadania, da dignidade humana, da liberdade e da igualdade. GOHN (2004) destaca que a categoria empoderamento não apresenta um caráter universal, haja vista que tanto poderá referir-se ao processo de mobilizações e práticas destinadas a promover e impulsionar grupos e comunidades - no sentido de seu crescimento, autonomia, melhora gradual e progressiva de suas vidas como poderá referir-se a ações destinadas a promover simplesmente a pura integração dos excluídos, carentes e demandatários de bens elementares à sobrevivência, serviços públicos, atenção pessoal etc., em sistemas precários, que não contribuem para organizá-los – porque os atendem individualmente, numa ciranda interminável de projetos de ações sociais assistenciais. No entanto, CAVALCANTE PEREIRA (2006, p.24) assevera que “O empoderamento devolve poder e dignidade a quem desejar o estatuto de cidadania, e principalmente a liberdade de decidir e controlar seu próprio destino com responsabilidade e respeito ao outro”. Contextualizando o Projeto Atualização Cultural na Terceira Idade O envelhecimento populacional tem dimensões significativas, provocando várias mudanças que já estão sendo sentidas de forma bastante visíveis pela sociedade, mostrando a necessidade de uma revisão sistemática das Políticas Públicas voltadas para este segmento etário não se tratando apenas em garantir uma infraestrutura de saúde, mas de todo um conjunto de medidas que possam garantir à pessoa idosa o empoderamento e um envelhecimento digno e saudável, tendo em vista que essa população vem exigindo dos órgãos competentes, assim como da sociedade, providências relacionadas à implementação e a eficiência de programas, projetos e serviços, a fim de absorver a demanda emergente dessa população. O Programa Universidade da Terceira Idade da UFPA desenvolve vários Projetos voltados à pessoa idosa a fim de permitir aos seus participantes o contato não apenas com o saber, mas também com o ambiente universitário e suas muitas riquezas, além da convivência com pessoas da mesma faixa de idade e entre gerações, desde 1991 promovendo a reintegração do idoso na sociedade oferecendo cursos de atualização cultural a pessoas com mais de 60 anos, permitindo troca de conhecimentos entre gerações e produção de conhecimento científico sobre o envelhecimento humano. Dentre vários projetos desenvolvidos pelo Programa, destacamos o Projeto “Atualização Cultural na Terceira Idade”, visando possibilitar a atualização cultural de homens e mulheres a partir de 55 anos, mas priorizando as pessoas com 60 anos ou mais, nas áreas da Geriatria, Gerontologia, Direitos e Políticas Sociais, legislações específicas, visitas exploratórias, Relações Interpessoais, Questões Sociais Brasileiras, oportunizando aos participantes do projeto o desenvolvimento de suas habilidades, reflexão sobre a velhice e do processo de envelhecimento. O referido projeto objetiva a atualizar conhecimentos de fundamentação teórico-práticas acerca do envelhecimento humano pelos atores sociais envolvidos; (des) construir mitos associados ao envelhecimento humano; contribuir para a troca de experiências intergeracionais oportunizando o aperfeiçoamento e instrumentalização de acadêmicos bolsistas estagiários da Faculdade de Serviço Social e alunos de diversos cursos da UFPA. Na opinião de OLIVEIRA (2002, p. 38) ”precisamos urgentemente compreender que (...) A aproximação da velhice não reduz drasticamente qualquer faculdade do indivíduo a ponto de impedi-lo de continuar ativo e útil ao grupo social a que pertence”. A criação de Projetos o “Atualização Cultural na Terceira Idade”, dentro de uma sociedade que ainda marginaliza pessoas que vão envelhecendo, representa a oportunidade dos idosos de se reencontrarem, de redescobrirem seu potencial e se perceberem como seres ativos e participantes, mostrando assim à sociedade, sua capacidade de lutar pela conquista de seu legítimo espaço social, pois o homem que adquire saber torna-se um grande agente transformador de sua realidade. Além disso, como ressalta LIBERATO (1996, p. 13). “é através da educação que se aumenta as possibilidades individuais e da comunidade de atingir níveis mais amplos de consciência crítica para o exercício da plena cidadania”. A materialização das ações do projeto se realiza por meio de parcerias com profissionais de diversas Instituições públicas e particulares e com distintas Faculdades da UFPA – Universidade Federal do Pará- que disponibilizam profissionais de diversas áreas a fim de ministrar palestras que possibilitem à pessoa idosa a reflexão acerca do envelhecimento e do envelhecer saudável e o fortalecimento de sua autonomia despertando assim, para a importância ao respeito de seus anseios e valores. De acordo com BAQUERO (apud BAQUERO, KEIL, s.d.), o empoderamento é interpretado como: [...] processo e resultado, pode ser concebido como emergindo de um processo de ação social, no qual os indivíduos tomam posse de suas próprias vidas pela interação com outros indivíduos, gerando pensamento crítico em relação à realidade, favorecendo a construção da capacidade pessoal e social e possibilitando a transformação de relações sociais de poder. A implementação do Projeto Atualização Cultural na Terceira Idade como espaço social para o empoderamento das pessoas idosas vem construindo uma nova imagem da velhice. Para uma melhor visualização da atuação desses projetos, foi construído o perfil dos idosos inscritos na 27ª turma do projeto Atualização Cultural na Terceira Idade, que corroboram as estatísticas sobre a pessoa idosa no Brasil. Segundo a PNAD, em 2008 a população idosa no Brasil era de 21 039 (vinte e um milhões e trinta e nove mil) onde 43,8% dessa população eram homens e 56,2% mulheres. A 27ª turma do Atualização Cultural na terceira idade vem afirmar isso. Observe o GRÁFICO nº 1 Constata-se a predominância do sexo feminino, corroborando com o panorama de “feminilização do envelhecimento”. Este fenômeno pode ser explicado pelo fato das mulheres apresentarem condutas menos agressivas, menor exposição aos riscos no trabalho, maior atenção ao aparecimento de problemas de saúde, melhor conhecimento destes e maior utilização dos serviços de saúde (BERQUÓ, 1998). A feminização da velhice também é indicada pelo crescimento relativo da taxa de mulheres idosas que são chefes de família e que fazem parte da população economicamente ativa, o que significa que por outro lado os jovens não estão dando conta de prover suas próprias necessidades. Distribuição dos Alunos por sexo Gráfico 01 Série1; Masculino; 4; 9% Série1; Feminino; 42; 91% Fonte:Oliveira & Alencar, FASS/UNITERCI/SENECTUS/UFPA. Belém,2010. As mulheres idosas são um destaque na sociedade e nos estudos gerontológicos não só porque são mais numerosas, mas também porque têm se envolvido na busca do envelhecimento ativo e saudável, inserindo-se em espaços sociais que permitam o alcance da velhice bem-sucedida. E cada vez mais estão sendo criados espaços para atender a esta demanda, como por exemplo, centros de convivência, programas de extensão em organizações privadas, clubes da terceira idade e Universidades Abertas à Terceira Idade. A existência dessas oportunidades contribui para aumentar a autonomia das idosas que utilizam esses espaços como símbolo da liberdade. A libertação de certos controles sociais relativos à reprodução e cuidado com a vida familiar têm motivado mulheres idosas de todas classes sociais, num contexto de liberalização dos estereótipos e preconceitos sociais ainda vigentes em relação aos idosos de modo geral. Para muitas mulheres, o ingresso nos programas de terceira idade é um marco em suas vidas que hoje substituem o período de solidão, de abandonos devido à viuvez. É interessante perceber como as instituições e programas possibilitam empoderamneto na vida dos idosos. E um novo poder feminino relativo ao processo de envelhecimento surge para estreitar as diferenças de gênero na busca pela melhor qualidade de vida na velhice. Ainda, segundo a PNAD 2008, Os idosos brasileiros ainda mantinham altas taxas de analfabetismo, 32,2% não sabiam ler e escrever. Também apresentavam uma alta taxa de analfabetismo funcional (menos de 4 anos de estudo), 51,7%. Série1; Ensino Distribuição dos Alunos Por Escolaridade Superior Completo; 1; 2% Série1; Alfabetizado; 2; Série1; Ensino 4% Superior Incompleto; 1; 2% Série1; Ensino Médio Completo; 24; 52% Fonte: Oliveira & Alencar,FASS UNITERCI SENECTUS/UFPA ,Belém2010. Série1; Ensino Fundamental incompleto; 4; 9% Série1; Ensino Fundamental Completo; 3; 7% Série1; Ensino Médio Incompleto; 11; 24% Gráfico 02 O GRÁFICO 2 não legitima a pesquisa da PNAD, pois a 27ª turma apresenta um elevado índice de escolaridade. Quando se lida com estatísticas voltadas a situação educacional de populações idosas consegue-se obter um reflexo das políticas educacionais das primeiras décadas do século passado. A situação educacional dos idosos, muito mais que para os não idosos, representa uma condição de vida melhor para si e seus familiares. Muito mais que em décadas passadas, os desafios atuais de nosso dia-a-dia exigem um maior grau de instrução para possibilitar uma melhor compreensão e solução das dinâmicas sociais atuais. Os dados relativos à escolaridade no grupo investigado, não corresponde às taxas elevadas de analfabetismo entre os idosos, embora decrescentes nas pesquisas mais recentes. Ter moradia própria constitui um dos aspectos centrais da condição de vida e bem-estar dos idosos. No grupo pesquisado, 85% dos idosos referiram ter moradia própria, enquanto 6% residem em imóveis alugados e 9% em casas cedidas geralmente por parentes. Segundo a PNAD 2008 dos 21 039 de idosos nos Brasil 87,6% deles moram em residência própria, o perfil da turma legitima essa pesquisa. Observe o GRÁFICO 3. Distribuição dos Alunos de Acordo com a Situação Previdenciária Não Previdenciário 24% BPC 4% Aposentado e Pensionista 4% Série1; Aposentado ; 29; 63% Pensionista 5% Fonte: Oliveira & Alencar,FASS UNITERCI SENECTUS/UFPA ,Belém2010. Gráfico 04 A PNAD 2008 diz que dos 21.039 de idosos no Brasil 58,3% são aposentados, 7,7% pensionistas e aposentados, 11,27% pensionistas e 22,8 outros. Distribuição dos alunos por tipo de residência Série1; Alugada; 4; 9% Série1; Cedida; 3; 6% Gráfico 03 Série1; Própria; 39; 85% Fonte: Oliveira & Alencar,FASS UNITERCI SENECTUS/UFPA ,Belém2010. No GRÁFICO 4 a distribuição previdenciária da 27ª turma onde se constata que um contingente significativo tem acesso à política previdenciária, como também o acesso ao BPC, direito garantido na Política. Em relação a faixa etária segundo a PNAD 2008 o crescimento relativo da população idosa por grupos de idade foi muito expressivo no período de 1998 a 2008. No grupo etário de 80 anos ou mais, o crescimento superou os demais, chegando a quase 70,0%. Em números absolutos, estima-se que este segmento, em 2008, alcançava cerca três milhões de pessoas. Estes dados mostram como o processo da longevidade está presente na sociedade brasileira e já indicam a necessidade de providências urgentes para garantir uma infraestrutura de atendimento para esses idosos. Distribuição dos Alunos Por Faixa etária Série1; 50 a 55; 3; 7% Série1; 76 a 71 a 75 4% 80; 4; 9% Série1; 66 a 70; 8; 17% Gráfico: 05 Série1; 56 a 60; 15; 33% Série1; 61 a 65; 14; 30% Fonte: Oliveira & Alencar FASS UNITERCI SENECTUS/UFPA,Belém 2010. Em relação a faixa etária dos alunos(as) idosos(as) foi representada a partir de cinqüenta até oitenta e dois anos de idade. Observe o GRÁFICO 5, podendo-se constatar a prevalência das faixas etária de 56 a 60 anos com 33%; 61 à 65 anos com 30%. No GRÁFICO 6 observe a distribuição dos alunos por bairro, de abrangência na região metropolitana de Belém. Distribuição dos Alunos por Bairro Série1; Benevides; 1; 2% Série1; Tapanã; 1; 2% Série1; Condor; 2; 4% Mangueirão 2% Série1; Umarizal; 2; 4% Telágrafo 7% Série1; Montese; 2; 4% Nova Marambaia 2% Série1; Marco; 2; 4% Série1; Ananideua; 11; 24% Série1; Marambaia; 3; 7% Série1; Icoaraci; 2; 4% Jurunas 4% Série1; Canudos; 1; 2% Série1; Sacramenta; 3; 7% Série1; Maracangalha; 1; 2% Pedreira 7% Série1; Batista Campos; 1; 2% Série1; Guamá; 4; 9% Gráfico: 06 Fonte: Oliveira & Alencar FASS UNITERCI SENECTUS/UFPA,Belém 2010. O gráfico apresenta a distribuição dos idosos por bairros e alguns municípios da região metropolitana de Belém. Dos alunos idosos participantes da 27ª, verificou-se que 24% desses, residem no município de Ananindeua, que apresenta indicadores de alto índice de migrantes intermunicipais em direção cotidiana à Belém não somente para fins de estudo, como de saúde, trabalho e lazer. Conclusão A inserção no programa UNITERCI a partir do projeto Atualização Cultural da Terceira Idade permite a construção de uma visão ampliada da pessoa idosa, cujo envelhecimento é formado por uma ação que abrange não apenas alterações biológicas, mas também um método complexo de ajustamentos e de desenvolvimento. Assim, parece-nos essencial que sejam desenvolvidos programas educacionais com o desígnio de instituir espaços de sociabilidade adequadas para o desenvolvimento da autonomia diante das questões relacionadas ao envelhecer, por meio do empoderamento. A prática social junto a grupo de idosos (as), propicia ao idoso a oportunidade de desenvolver suas relações intra e interpessoais com vistas à apropriação de atitudes e comportamentos integrativos facilitadores do processo de inclusão social (empoderamento), mas ainda são necessárias muitas reflexões para a reformulação da maneira de encarar o processo de envelhecimento na sociedade. Esses projetos favorecem essas reflexões, representando a conquista de um importante espaço da participação social, que possibilita aos idosos, melhorarem a autoimagem, resgatarem a autoestima e obterem um relacionamento intra e interfamiliar mais elevado. O aumento significativo da população de idosos vem sendo motivo de grande preocupação pelas implicações que podem trazer no atendimento às necessidades básicas deste segmento etário. A politização dos idosos, especialmente dos mais escolarizados, associado aos ideais dos tempos pós-industriais, trouxe à pauta algumas questões culturais que favorecem um novo modo de pensar e agir no âmbito do envelhecimento que, de algum modo, tem influenciado as políticas públicas e os direitos dos idosos. O Projeto “ATUALIZAÇÃO CULTURAL NA TERCEIRA IDADE”, atendeu em 2010, 46 pessoas na faixa etária de 51 a 82 anos de idade. Representando a oportunidade dos idosos se perceberem como seres ativos e participantes, mostrando assim à sociedade, sua capacidade de lutar pela conquista de seu legítimo espaço social. Referências ALENCAR, Maria Leonice da Silva de. UNITERCI: um espaço para construção da cidadania. In. EVELIN, Heliana Baía (org.). Velhice Cidadã: um processo em construção. Belém: EDUFPA, 2008. BAQUERO, Marcelo; BAQUERO, Rute; KEIL, Ivete. Para além de Capital Social – juventude, empoderamento e cidadania. Capital social sul. s.d. Disponível em: http://www.capitalsocialsul.com.br/capitalsocialsul/desenvolvimentoregional. Acesso em: 10 de outubro. 2010. BERQUÓ. E. Pirâmide da solidão. In: Anais do quinto encontro nacional de estudos populacionais . Águas de São Pedro: ABEP, 1998. CAVALCANTE PEREIRA, Ferdinand. O que é empoderamento (Empowerment). SaPIênci: Informativo científico da FAPEPI. Junho de 2006 – Nº 8, Ano III – pp.16, 20 e 24Artigos. Teresina – Piauí, 24 de abril de 2006. Disponível em: http://www.fapepi.pi.gov.br/novafapepi/sapiencia8/artigos1.php Acesso em: 10 de outubro. 2010. GOHN, Maria da Glória. Empoderamento e participação da comunidade em políticas sociais. Scielo. Saude soc. São Paulo, v. 13, n. 2, 2004. Scielo. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php. Acesso em: 10 de outubro. 2010. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Síntese de Indicadores Sociais: Uma análise das condições de vida da população brasileira 2009 LIBERATO, E. M. Educação Continuada e Faculdade da Terceira Idade. Revista A Terceira IdadeSão Paulo: SESC, n. 13, 1998. OLIVEIRA, R.C.S. e MIRANDA, J.L.M. Empowerment e Idosos: Uma Reflexão Sobre Programas de Educação Física. Revista A Terceira Idade- São Paulo: SESC, n. 48, 2010. PROJETO “ATUALIZAÇÃO CULTURAL NA TERCEIRA IDADE”. 27ª Turma, 2010, Belém. Arquivos do Programa UNITERCI/UFPA, 2010. Artigo de Opinião 9ª JEPEHA CONSOLIDA PROCESSOS DE ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE O ENVELHECER NA AMAZÔNIA Heliana Baía Evelin [email protected] Assistente social, Drª em Serviço Social, professora associada nos cursos de graduação e mestrado em alcançou em 2010 a soma de 190.755.799 pessoas, dentre as quais 28.866.818 com 55 anos ou mais, correspondendo a 15,13% da população (IBGE, Censo 2010). O fenômeno do envelhecimento humano ocorre em todo o mundo e, em atenção às previsões indicadas pelos mais conceituados institutos de pesquisa, alguns países anteciparam o processo de planejamento das políticas sociais para atender as necessidades dos velhos cidadãos de hoje e do futuro. Em nosso país, pessoas de todas as classes sociais estão envelhecendo porém, os direitos e garantias não são universalizados. A qualidade dos serviços de saúde, transporte, habitação, educação, cultura, lazer e segurança destinados aos mais pobres é um fator tensional para pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social, que participam cotidianamente da experiência própria e de seus descendentes na luta pela sobrevivência. A meta de ampliar parcerias com todas as Universidades da Amazônia é fundamental para que o SENECTUS – Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia continue ampliando os seus principais objetivos: possibilitar/fomentar estudos e pesquisas, discussões e reflexões acerca da velhice e do processo de envelhecimento humano, com foco na população amazônica; reunir construtores de conhecimentos científicos e saberes sobre envelhecimento humano na Amazônia, envolvendo todas as áreas do conhecimento; prestar assessoria às instituições governamentais e não governamentais, no planejamento, execução e monitoramento de programas/projetos na área de proteção à pessoa idosa; levantar Universidade Federal do Pará - UFPA Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia – SENECTUS Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Universidade da Terceira Idade – UNITERCI De 17 a 19 de novembro de 2010 Belém – Pará - Brasil Assumindo a 5ª posição entre os países mais populosos do mundo, o Brasil ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia Serviço Social da UFPA. Líder dos Grupos de Estudos e Pesquisas Senectus e Resilio. dados de todas as instituições que prestam atendimento à pessoas idosas na Amazônia; criar e manter atualizado um banco de dados sobre o envelhecimento humano na Amazônia. O trabalho de produção e socialização de conhecimento necessita de condições, infra estruturais que favoreçam o desenvolvimento das ações de ensino, extensão e pesquisa de estudantes, técnicos e professores nas universidades. Outrossim, nas várias instituições de atenção à pessoa idosa faz-se necessária a construção de espaços de estudos e pesquisas que qualifiquem o fazer profissional. Quando em 2002, juntamente com outros profissionais e estudantes fundamos o Senectus e, paralelamente, a 1ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia tínhamos consciência da dimensão da ousadia, ante a enormidade territorial da nossa região. Porém, tínhamos igual consciência de que os meios de comunicação disponíveis na atualidade fazem com que as distâncias não sejam um obstáculo intransponível. Profissionais do Amazonas, abraçados com a causa do envelhecimento e que realizam trabalho extraordinário na SEAS – Secretaria de Assistência Social do Amazonas ficaram sabendo das reuniões mensais do Senectus e deslocaram-se para a UFPA para participarem de uma tarde de estudos em 2009. Desde então, se fazem presentes nas JEPEHAs, trazendo suas experiências e pesquisas para socialização nas jornadas. Deste modo, o conjunto UNITERCI/SENECTUS/JEPEHAs constituem-se espaços de prestação de serviços à medida que é aberto à comunidade acadêmica não somente da UFPA, mas de outras IES e instituições de Políticas Sociais, contribuindo para a formação de currículo dos autores dos artigos assim como dos pareceristas, palestrantes, organizadores e participantes das jornadas, assim como a disponibilização de seu acervo para estudantes e profissionais. A credibilidade do conjunto justifica o envio de artigos por estudantes, professores e técnicos, dentre os quais os 25 trabalhos aprovados pelos pesquisadores Cláudio Joaquim Borba (PA), Gicele Brito (PA), Hilma Khoury (PA), Ioshiko Sassaki (AM), Mirleide Bahia (PA), Odaisa Espinheiro (PA), Sérgio Antonio Carlos (RS) e por mim, para apresentação na 9ª JEPEHA. Dentre os conferencistas, a vice-presidente da SBGG Nezilour Lobato, uma presença do Norte na SBGG – Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a mais importante instituição de congregação de profissionais de Geriatria e Gerontologia no país; Neila Osório, uma feliz descoberta no site do CNPq, que veio trazendo, com o seu filho Luís Neto, não somente os conhecimentos consolidados na UMA - Universidade da Maturidade, mas a posição afirmativa, com apoio do reitor da UFT – Universidade Federal do Tocantins, de que a 10ª JEPEHA já tem o seu lugar para florescer; Lucinaldo Blandtt o jovem pesquisador do tema da resiliência; Neila Reis com as suas pesquisas sobre o envelhecimento no campo; Hilma Khoury na área da Psicologia do Envelhecimento. Na 9ª JEPEHA os trabalhos aprovados decorreram de profissionais e estudantes de Administração, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Medicina, Pedagogia, Psicologia, Serviço Social e Sociologia, vinculados a várias instituições, dentre as quais: UFPA, UEPA, UFAM, UFSC, FIOCRUZ, FAAM, SESPA, SEAS/AM. As distâncias geográficas na Região são minimizadas pelas atuais tecnologias comunicacionais e pela consciência cada vez mais presente de que urge conhecermos e construirmos conhecimentos que respondam à realidade e diversidade sócio-política, econômica e cultural da Amazônia. As JEPEHAs confirmam, a cada ano, a sua importância como espaço de reflexão e decisão. A depender de Izan Yver Carvalho, graduando de Serviço Social da UFPA, o futuro está garantido, pois conseguiu comprometer, durante a jornada, um grupo de jovens acadêmicos de áreas diversas para a formação da 1ª LGGPA - Liga de Geriatria e Gerontologia do Pará. As informações que me chegam de Palmas indicam que a 10ª JEPEHA já é um projeto em ação na UFT- Universidade Federal de Tocantins. Anotações _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ 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_______________________________________________________________________________ ANAIS da 9ª JEPEHA – Jornada de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento Humano na Amazônia _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ 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