Quaresma
Páscoa
Inclui
Celebração
Penitencial
Via Sacra
Não nos ardia
o coração?
ANO A
MISSIONÁRIOS DO VERBO DIVINO
DEPARTAMENTO DE ANIMAÇÃO BÍBLICA DA PASTORAL - BRAGA
Capa
“Ceia de Emaús” - Rembrandt, Musée du Louvre, Paris
QUARESMA | PÁSCOA 2014
Não nos ardia
o coração?
Missionários do Verbo Divino
Departamento de Animação Bíblica da Pastoral
Braga
FICHA TÉCNICA
Texto
P. António Lopes (Verbo Divino) - Celebração Penitencial e Via Sacra
P. Hermenegildo Faria (Diocese de Braga) - Quaresma
Frei Luís Gonçalves (Padres Capuchinhos) - Domingo de Ramos e Tríduo Pascal
P. João Alberto Correia (Diocese de Braga) - Páscoa
Excertos da Liturgia e de outros Autores.
Revisão
P. João Alberto Correia
Composição Gráfica
Lineatura - www.lineatura.pt
Impressão
Tadinense AG - www.tiptadinense.pt
Tiragem
10.000 exemplares
Fevereiro 2014
Não nos ardia o coração?
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INTRODUÇÃO
“Levanta-te e resplandece, Jerusalém, que está a
chegar a tua luz! A glória do Senhor amanhece sobre ti!
Olha: as trevas cobrem a terra e a escuridão, os povos,
mas sobre ti amanhecerá o Senhor. A sua glória vai aparecer sobre ti. As nações caminharão à tua luz e os reis
ao esplendor da tua aurora. Levanta os olhos e vê à tua
volta: todos esses que se reuniram para vir ao teu encontro. Os teus filhos chegam de longe e as tuas filhas
são transportadas nos braços. Quando vires isto, ficarás
radiante de alegria; o teu coração palpitará e se dilatará,
porque a ti afluirão as riquezas do mar e a ti virão os tesouros das nações” (Is 60, 1-5).
A primeira leitura do dia da Epifania do Senhor, quase
a encerrar o tempo de Natal, aponta para tempos novos
que estão a chegar. Sinais disso mesmo são a luz que desponta, a glória que amanhece, a alegria que se vislumbra,
o coração que há-de palpitar e dilatar-se.
Quais são e quando chegam esses tempos novos?
Não será despropositado afirmar que eles coincidem
com a Páscoa e chegam depois de se ter feito o percurso
quaresmal. Se a Quaresma nos faz pensar nas trevas que
cobrem a terra e na escuridão que paira sobre os povos,
a Páscoa apresenta-se como esse tempo novo, em que
sobre nós amanhece o Senhor e aparece a luz da sua
glória. Temos, por isso, motivos para ficar radiantes de
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Quaresma
alegria, para que o nosso coração palpite e se dilate. Não será isso mesmo que
acontece quando, na tarde do dia de Páscoa, Jesus aparece a dois discípulos que
iam a caminho de Emaús, caminha com eles, explica-lhes as Escrituras e lhes faz
arder o coração? (Lc 24, 32).
Eis a nossa proposta para esta Quaresma-Páscoa. Se “há cristãos que parece
terem escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa” (Papa Francisco, A alegria do
Evangelho, n.º 6), aqui propomos um caminho que, iniciado na Quaresma, nos
leva à alegria pascal.
Ao apresentar a Quaresma e a Páscoa numa única proposta, pretendemos,
em primeiro lugar, realçar a íntima unidade destes dois tempos litúrgicos e, em
segundo, contribuir para que a vida dos crentes seja inundada pela alegria do
evangelho, a fim de que se transforme num evangelho da alegria.
Não nos ardia o coração?
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CELEBRAÇÃO PENITENCIAL
VOLTAR À CASA DO PAI
Símbolos que podem ser usados: cordas ou correias com o título «com cordas humanas os atraía, com laços de amor» (Os 11, 4). Sandálias já gastas, como
símbolo de quem caminha. Um quadro do filho pródigo (p. ex., o de Rembrandt).
Cântico de entrada
Caminha, Povo de Deus, caminha, Povo de Deus,
Nova lei, nova aliança, uma nova criação.
Caminha, Povo de Deus, caminha, Povo de Deus.
1. Olha para o Calvário, sobre a pedra está uma cruz: a morte que traz a
vida, novos homens, nova luz. Cristo veio salvar-nos com a morte e ressurreição;
todas as coisas renascem numa nova criação.
2. Cristo toma em seu corpo o pecado, a escravidão; ao destruí-los obtém-nos o direito à salvação. Põe os homens em paz, o Universo em união. Todas as
coisas renascem numa nova criação.
Introdução
“Toda a vida cristã é como uma grande peregrinação para a casa do Pai”.
Oxalá fôssemos sempre direitos a esta meta, a Casa do Pai, que não é uma casa,
é um coração. Oxalá nunca nos desviássemos do Caminho, nunca caminhássemos de costas voltadas para Deus.
A conversão que hoje queremos celebrar é um voltar à casa do Pai. O sacramento da Penitência é o sacramento do reencontro com o Pai. É voltar a cair nos
seus braços, pedindo-lhe que nos até de tal maneira que já não possamos cair
em braços estranhos.
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Quaresma
Oração: Ó Deus, o teu coração de Pai é maior que o nosso pecado. E só o
teu amor nos faz voltar para ti. Apesar das nossas infidelidades, concede-nos a
tua misericórdia e a graça do teu Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo…
Leitura
Os 11,1-11
Cântico
Irmãos, convertei o vosso coração à Boa Nova.
Mudai de vida. Sabei que Deus vos ama.
Evangelho
Lc 15, 11-32
Bartolomé Esteban Murillo, “Return of the Prodigal Son” 1667-1670
Reflexão Meditativa
1. Afastámo-nos de Deus
Todos somos filho pródigo: esquecemos Deus e voltámos as costas ao seu
amor. Todos escapámos da casa paterna, correndo e vagueando por caminhos
tortuosos. Oxalá todos tenhamos sentido o vazio e miséria dessa situação.
Afastamo-nos de Deus pelo esquecimento. Não guardamos a sua palavra.
Não vivemos na sua presença. A nossa oração é breve e rotineira. Não há um
Não nos ardia o coração?
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verdadeiro diálogo com Deus. Não estamos à sua escuta. A nossa relação com
Deus não é permanente nem chega ao coração.
Afastamo-nos de Deus pelos apegos. Estamos mais voltados para as coisas.
Estamos ocupados e preocupados por ter coisas e quantas mais melhor. E assim
como temos o coração cheio de coisas, não há lugar para as pessoas e muito
menos para Deus.
Afastamo-nos de Deus pela dureza do nosso coração. O culto das coisas – o
consumismo – coisifica-nos, endurece-nos. Já não temos um coração sensível
e misericordioso, um coração aberto, apaixonado e disponível que nos abra os
braços para acolher o Outro e os outros.
Afastamo-nos de Deus pela sensaboria. Perdem-se os valores e a consistência. Vale só o que é bonito e divertido. Por isso, ninguém nos fale de compromissos e de luta pela justiça, pela paz, por um mundo novo. Vivemos na chamada
“sociedade líquida”, nada é consistente e muito menos o amor.
Afastamo-nos de Deus por tantas coisas. Podem ser os caminhos do vício,
dos rancores, da comodidade, da injustiça, da irresponsabilidade…
Peçamos ao Senhor que nos faça entrar dentro de nós mesmos, no nosso
núcleo mais íntimo, para sermos capazes de reconhecer as nossas misérias e
“voltar” para o Pai.
2. Voltar para a casa do Pai
Procurámos olhar o nosso pecado. Mas o mais importante e o que pretendemos nesta celebração é olhar para Deus e sentir no mais fundo de cada um de
nós o seu chamamento, para cairmos de novo nos seus braços.
Deus não se cansa de nos chamar de uma ou de outra maneira. Ele pede-nos
que voltemos para Ele. Ah se voltasses: «Alimentar-te-ia com a flor da farinha,
saciar-te-ia com o mel dos rochedos» (Sl 81).
Deus não se cansa de esperar. O Pai sonhava com o regresso do filho, cada
manhã, cada tarde… e ele não aparecia. Mas não deixava de esperar. E sonhava
com o seu regresso, como o receberia, o que lhe diria, como faria para celebrar.
Voltar para a casa do Pai é a conversão. É o que estamos a celebrar. Queremos deitar-nos nos seus braços. Dizer-lhe que, apesar de tudo, só Ele pode
preencher o vazio do nosso coração. Digamos-lhe que sozinhos não o conseguimos, que necessitamos constantemente da sua graça. E lhe diremos que nos vista
com a túnica do seu Filho, que nos encha da força do seu Espírito Santo. E por
último, pedimos-lhe que não faça caso se voltarmos a dizer ou a fazer tontarias,
mas que nos segure a Ele com laços humanos, com laços de amor.
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Quaresma
Petições de perdão
Pelos nossos esquecimentos.
Pelas nossas dúvidas.
Pelos nossos medos.
Pelos nossos apegos.
Pelas nossas faltas de solidariedade e compromisso.
Pelos nossos individualismos e egoísmos.
Confessemos os nossos pecados
Confesso a Deus todo poderoso…
Possibilidade de confissão individual
Invoquemos agora o nosso Pai, para que perdoe os nossos pecados, nos livre
de todo o mal e nos torne dignos de nos chamarmos seus filhos:
Pai Nosso
Gesto da Paz
Oração de acção de graças
Senhor,
Entrego-te a minha vida: fá-la fecunda.
Entrego-te a minha vontade, fá-la idêntica à tua.
Toma as minhas mãos, fá-las acolhedoras.
Toma os meus pés, fá-los incansáveis.
Toma os meus olhos, fá-los transparentes.
Toma o meu coração, fá-lo ardente.
Toma todo o meu corpo, reveste-o de festa.
Toma as minhas faltas de amor, as minhas eternas desilusões,
as minhas horas amargas…
Transforma-me completamente.
Faz-me novo na doação, alegre na entrega e solícito no teu serviço e no dos
meus irmãos.
Amén
Bênção final
Não nos ardia o coração?
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Cântico final
Uma certeza nos guia
Ao longo do caminhar:
Por isso vamos a ti alegremente a cantar.
Rembrandt, “Return of the Prodigal Son” 1661–1669
Não vou só, tenho um amigo a meu lado.
Não vou só, eu sei que Deus está comigo.
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Quaresma
QUARTA-FEIRA DE CINZAS
CONVERTEI-VOS AO DEUS DA GRAÇA
E DA MISERICÓRDIA
> Símbolo: Valorizar a ligação das cinzas usadas na
celebração com as palmas do Domingo de Ramos. Isto
poderia ser conseguido com um arranjo, não decorativo mas simbólico, que colocasse as cinzas rodeadas de
ramos de oliveira e palmeira.
1. Encontrados pela Palavra
- Joel 2, 12-18;
- Salmo 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17;
- 2 Coríntios 5, 20 – 6, 2;
- Mateus 6, 1-6.16-18.
2. O eco da Palavra na liturgia
Concedei-nos, Senhor, a graça de começar com
santo jejum este tempo da Quaresma, para que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com
o auxílio da temperança.
3. Vivemos a Palavra
As leituras deste primeiro dia da quaresma convidam-nos a fazer da nossa penitência mais do que meras práticas exteriores e visíveis para nos conduzir à purificação
do coração. A quaresma não é um concurso de ascese
que seria avaliado por um júri de virtuosos da ascese. A
prática de obras exteriores de penitência deve conduzir-nos ao encontro com o Deus que vê no segredo, e preparar-nos para o encontro com aqueles com quem nós
relacionamos, segundo as directrizes da nossa fé.
Não nos ardia o coração?
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> Para rezar
Senhor, eu espero na vossa misericórdia
pois, como um bom médico,
Vós olhais para curar,
como um mestre compreensivo,
para corrigir,
e, como pai indulgente,
para perdoar.
Aelred de Rievaulx
> Para cantar
Olhai, Senhor, a noite que nos cobre,
A fúria do pecado sobre a terra;
Olhai a injustiça, olhai a guerra,
Olhai para o cativo e para o pobre.
Rebanho sem pastor nos montes bravos,
Que seremos sem Vós neste deserto?
Sem Vós, ó Cristo, neste mundo incerto
Não somos homens livres, mas escravos.
Da morte e do pecado
Libertai-nos, Senhor.
Contritos, esperamos
Vossa Páscoa de amor.
Liturgia das Horas
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Quaresma
PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA
AVANÇA NO CONHECIMENTO
DO MISTÉRIO DE CRISTO
PARA O VIVERES EM PLENITUDE
> Símbolo: Valorizar a analogia da Palavra como
alimento, colocando uma Bíblia rodeada de pão juntamente com elementos da quinta-feira santa para realçar
que todos os elementos vividos e valorizados durante a
quaresma reaparecem, na sua luz plena, nas celebrações
do Tríduo Pascal.
1. Encontrados pela Palavra
- Génesis 2, 7-9; 3, 1-7;
- Salmo 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17;
- Romanos 5, 12-19;
- Mateus 4, 1-11.
2. O eco da Palavra na liturgia
Concedei-nos, Deus omnipotente, que, pela observância quaresmal, alcancemos maior compreensão do
mistério de Cristo e a nossa vida seja um digno testemunho.
3. Vivemos a Palavra
As leituras deste primeiro domingo da Quaresma
convidam-nos a viver a nossa prática quaresmal como
uma imitação de Cristo, de quem poderíamos dizer:
“Ele, que não precisava de penitência, fez-se penitência
por nós.” A penitência não é uma proeza em si, mas um
treino para enfrentar, de coração purificado e fortificado,
o combate da tentação. Cristo mostra-nos quais são as
armas para sairmos vencedores nesse combate contra o
tentador: Um coração ancorado na palavra de Deus.
Não nos ardia o coração?
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> Para rezar
Peçamos ao Senhor que nos dê uma inteligência mais clara das profecias: de
abrir ainda mais os nossos sentidos à Verdade; que nós possamos considerar no
Espírito o que foi escrito pelo Espírito, exprimindo em termos espirituais as realidades espirituais, segundo Deus e o Espírito Santo e de nos fazer compreender
o que ele inspirou em Cristo nosso Senhor, a quem pertence a glória e o poder.
Ámen.
Orígenes
> Para cantar
Nós que buscamos em Cristo
Nossa alegria pascal,
Vamos com Ele ao deserto
Da conversão quaresmal.
Venceremos pela fé
As forças do Tentador,
Servos fiéis, entraremos
Na alegria do Senhor.
É lá que o Espírito nos fala
A todo o homem cristão
Que tiver mortificado
A língua e o coração.
Glória ao Pai Omnipotente,
Glória ao Filho Redentor,
Glória ao Espírito Santo,
Fonte de graça e de amor.
Moretto da Brescia, “Christ in the Wilderness” 1911
Liturgia das Horas
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Quaresma
SEGUNDO DOMINGO DA QUARESMA
ESCUTEMOS SEMPRE O FILHO AMADO
> Símbolo: Pôr em relação o monte do Tabor com
a colina do Calvário: Transfiguração/Desfiguração. Escolher-se-ia uma imagem de um rosto de Jesus resplandecente e outra de um rosto de Jesus desfigurado pelo
sofrimento da Paixão.
1. Encontrados pela Palavra
- Génesis 12, 1-4a;
- Salmo 32 (33), 4-5.18-19.20.22;
- 2 Timóteo 1, 8b-10;
- Mateus 17, 1-9.
2. O eco da Palavra na liturgia
Deus de infinita bondade, que nos mandais ouvir o
vosso amado Filho, fortalecei-nos com o alimento interior da vossa palavra, de modo que, purificado o nosso
olhar espiritual, possamos alegrar-nos um dia na visão da
vossa glória.
3. Vivemos a Palavra
Neste segundo domingo da Quaresma, o nosso
olhar é dirigido primeiramente para a promessa feita a
Abraão de uma numerosa descendência. Todavia, essa
descendência não é, como o pensavam os judeus, uma
descendência segundo a carne mas sim uma descendência segundo a fé. Porque são filhos de Abraão aqueles
que ouvem a palavra de Deus e a guardam, esses são os
irmãos de Jesus.
Não nos ardia o coração?
> Para rezar
Senhor Jesus,
nós comemos cada dia o teu corpo e bebemos o teu sangue.
Concede-nos de não nos habituarmos a este alimento
mas a termos sempre fome e sede de Vós.
Quando virá o luminoso dia
Em que, livres da morte e do pecado,
Cantemos a alegria que nos trouxe
A força do teu braço levantado?
Baudouin de Ford
Escuta a nossa voz, Trindade Santa,
E faz que a penitência quaresmal
Confirme a nossa fé e nos conduza
Ao encontro de Cristo glorioso.
Liturgia das Horas
Fra Angelico, “Transfiguratio Domini” 1437-1446
> Para cantar
Crescem nas asperezas do caminho
Pequenas flores brancas de esperança;
Não podem os espinhos afogá-las,
Pois foi o amor quem as chamou à vida.
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Quaresma
TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA
QUEM ÉS TU, MEU DEUS?
DEUS NÃO SE DEFINE, EXPERIMENTA-SE.
> Símbolo: Neste domingo colocar-se-ia em destaque a água baptismal e a concha usada no ritual do baptismo e poder-se-ia fazer um arranjo com as caldeiras que
depois serão usadas durante o Compasso Pascal.
1. Encontrados pela Palavra
- Êxodo 17, 3-7;
- Salmo 94 (95), 1-2.6-7.8-9;
- Romanos 5, 1-2.5-8;
- João 4, 5-42.
2. O eco da Palavra na liturgia
Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no
amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno
para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela
vossa misericórdia.
3. Vivemos a Palavra
Jesus e a Samaritana começam uma conversa com temas muito variados: água, culto, casamento, fé. Durante
esta ampla discussão, a Samaritana avança na compreensão de Jesus: “Judeu”, “maior do que o nosso pai Jacob”,
“um profeta”, “Cristo”, “verdadeiramente o salvador do
mundo”. Esta viagem de fé começa com um simples pedido de água para beber, mas, conduzida pelo Verbo de
Deus, ela é levada à profissão de fé em Jesus, salvador
do mundo.
Não nos ardia o coração?
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> Para rezar
Senhor Jesus,
quando nós te escutamos, tu nos escutas;
quando nós te obedecemos, tu nos concedes a tua graça.
Fala, Senhor, o teu servo escuta e responde à sua palavra:
pois, navegando um e outro, nem um nem outro cairão na sonolência.
Isaac da Estrela
Liturgia das Horas
Juan de Flandes, “Christ and the Samaritan” 1500
> Para cantar
Pascal Cordeiro,
Que em vosso Sangue resgatais do exílio,
Reconduzindo as almas desgarradas
À Terra Prometida:
Vinde, Jesus,
Pastor das águas vivas!
Cantamos vossa vinda gloriosa.
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Quaresma
QUARTO DOMINGO DA QUARESMA
VOLTAR À CASA DO PAI
> Símbolo: Pôr em evidência o círio pascal rodeado
de velas baptismais, ilustrando assim a carta de São Paulo
aos Efésios: “Outrora vós éreis trevas, mas agora sois luz
no Senhor. Vivei como filhos da luz”.
1. Encontrados pela Palavra
- 1 Samuel 16, 1b.6-7.10-13a;
- Salmo 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6;
- Efésios 5, 8-14;
- João 9, 1-41.
2. O eco da Palavra na liturgia
Senhor nosso Deus, luz de todo o homem que vem a
este mundo, iluminai os nossos corações com o esplendor da vossa graça, para que pensemos sempre no que
Vos é agradável e Vos amemos de todo o coração.
3. Vivemos a Palavra
Como aconteceu com a Samaritana, o cego acede
gradualmente à fé em Jesus Cristo. Ele começa por dizer
somente “o homem chamado Jesus”, depois “o profeta”,
“o homem que vem de Deus”, “o filho do homem” e,
finalmente, o “Senhor” diante do qual se prosterna. Os
dois evangelhos utilizam a simbologia da água: à Samaritana foi prometida a “água viva”, ao Cego foi dito que
se lavasse na piscina de Siloé. Lavar-se nas águas é uma
imagem do baptismo vivido como iluminação. Ppor isso
o cego volta “vendo” que Jesus é o Senhor.
Não nos ardia o coração?
> Para rezar
Senhor Jesus,
faz-nos conhecer a nossa fé,
conduz-nos de iluminação em iluminação
pela acção do Espírito.
Que cada dia possamos penetrar cada vez mais
nos tesouros da luz.
Guerric d’Igny
> Para cantar
Ó Sol nascente,
Que Vos ergueis por sobre nós, mortais,
Iluminando os cegos de nascença
Na luz do vosso rosto:
Vinde, Jesus,
Estrela da manhã!
Cantamos vossa vinda gloriosa.
Liturgia das Horas
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Quaresma
QUINTO DOMINGO DA QUARESMA
DEI-VOS O EXEMPLO PARA QUE ASSIM
COMO EU FIZ, VÓS FAÇAIS TAMBÉM
> Símbolo: Valorizar os símbolos pascais relacionados com os rituais fúnebres: o túmulo vazio, as ligaduras,
os bálsamos e o sudário enrolado.
1. Encontrados pela Palavra
- Ezequiel 37, 12-14;
- Salmo129 (130),1-2.3-4ab.4c-6.7-8;
- Romanos 8, 8-11;
- João 11, 1-45.
2. O eco da Palavra na liturgia
Senhor nosso Deus, que vencestes a morte e o abismo ao ressuscitar o vosso Filho, fazei-nos sair dos túmulos onde nos prendem os nossos pecados, para revelarmos ao mundo que Vós sois o Deus da Vida.
3. Vivemos a Palavra
A afirmação central da narrativa evangélica é: “Eu sou
a ressurreição e a vida”. Este é o climax das numerosas
afirmações que Jesus faz sobre si próprio ao longo de
todo o Evangelho de João: “Eu sou o pão da vida”, “Eu
sou a luz do mundo”, “Eu sou o bom pastor”, “Eu sou o
caminho, a verdade e a vida”, “a vinha”. A afirmação: “Eu
sou a ressurreição e a vida” é especialmente significante
no Evangelho de João. João apenas narra sete milagres a
que chama “sinais” e a ressurreição de Lázaro é o último
desta série de sete, cuidadosamente selecionados pelo
evangelista. Ressuscitando Lázaro, Jesus mostra ser verdadeiramente aquele que tem poder sobre a morte e é
capaz de dar a vida.
Não nos ardia o coração?
Liturgia das Horas
Liturgia das Horas
Albert van Ouwater, “The Raising of Lazarus” 1445
> Para rezar
Se os descrentes me insultarem
e se os ímpios mortalmente me odiarem,
Nada temo porque a Vida está comigo.
> Para cantar
Rochedo novo,
Donde dimana a vida como um rio:
Vós nos viestes saciar a sede,
Abrindo o coração.
Vinde, Jesus,
Divina fonte clara!
Cantamos vossa vinda gloriosa.
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Quaresma
DOMINGO DE RAMOS
VERDADEIRAMENTE, ESTE HOMEM
ERA O FILHO DE DEUS
> Símbolo: Os Ramos e a Cruz. “Com a Cruz, Jesus
une-se ao silêncio das vítimas inocentes…às famílias que
passam dificuldades…e às vítimas da fome” (Papa Francisco).
Procissão
A Semana Santa começa no Domingo de Ramos.
Neste domingo, a Liturgia recorda a entrada de Jesus em
Jerusalém, montado num jumentinho, símbolo da humildade, misturam-se os gritos de hossanas com os clamores da paixão.
O sentido da Procissão de Ramos é mostrar que somos peregrinos neste mundo e que caminhamos para a
Terra prometida, ou seja, para a casa do Pai.
Proclamação da Palavra
- Mateus 21, 1-11;
- Salmo 24 (23)
- Antífona para a procissão: “As crianças de Jerusalém
foram ao encontro do Senhor com ramos de oliveira, clamando com alegria: Hossana nas alturas”.
Meditando a Palavra
- “O Senhor Deus veio em meu auxílio e, por isso,
não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como
a pedra e sei que não ficarei desiludido” (Isaías).
- “Ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na
terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus
Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses).
- “Vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso vindo sobre as nuvens do Céu” (Mateus).
Não nos ardia o coração?
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Compromisso
Com os olhos fixos em Jesus, a exemplo de S. Paulo, prometamos ao Senhor,
nesta Semana Santa, três coisas:
– Suportar com valentia as contrariedades da vida.
– Levar aos que sofrem, a exemplo do papa Francisco, a mensagem da esperança e da alegria.
– Sentir preocupação para que a Boa Nova de Jesus chegue ao coração de
todas as pessoas.
Oração para a Semana Santa
“Ó glorioso Deus altíssimo, ilumina as trevas do meu coração, concede-me
uma fé verdadeira, uma esperança firme e um amor perfeito.
Mostra-me, Senhor, o recto sentido e conhecimento para cumprir a tua santa
e verdadeira vontade. Amén” (S. Francisco de Assis).
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Tríduo Pascal
TRÍDUO PASCAL
A Igreja celebra o Tríduo Pascal desde os primeiros
tempos da sua existência. Sempre o celebrou em três
dimensões, que se completam umas às outras: Paixão,
Morte e Ressurreição.
O Tríduo Pascal começa com a Missa Vespertina de
Quinta-feira Santa e tem o seu momento mais alto na
Vigília Pascal.
Em Quinta-feira Santa, há que salientar o Lava-Pés
e a Missa da Ceia do Senhor, sem esquecer o dom do
Sacerdócio.
Na tarde de Sexta-feira Santa, celebra-se a Paixão do
Senhor. Nela salientamos três momentos: Liturgia da Palavra, Adoração da Cruz e Comunhão Eucarística.
O Sábado Santo é, por excelência, um dia de silêncio,
de meditação, de profundo recolhimento.
A Liturgia da Palavra sublinha, toda ela, a entrega de
Jesus na Eucaristia e na Cruz, a sua passagem da morte
para a vida!
Em Quinta-feira Santa, usam-se os paramentos brancos, na Sexta-feira Santa, os vermelhos, e na Vigília Pascal, de novo, os brancos.
Nestes três dias, percorramos o itinerário de Jesus,
tornando-nos solidários com Ele na Paixão e na Morte,
para o sermos também na Ressurreição!
Paixão, Morte e Ressurreição
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Tríduo Pascal
DEI-VOS O EXEMPLO PARA QUE,
ASSIM COMO EU FIZ, VÓS FAÇAIS TAMBÉM
> Símbolo: Lava-pés como símbolo do mandamento
novo.
1. Encontrados pela Palavra
- Êxodo 12,1-8.11-14;
- Salmo 116 (115), 12-13.1516b.17-18;
- 1 Coríntios 11,23-26;
- João 13,1-15.
2. O eco da Palavra na liturgia
- “Este dia será para vós uma data memorável, que
haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor”
(primeira leitura).
- “Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto
em memória de Mim” (segunda leitura).
- “Se não te lavar os pés, não terás parte comigo”
(evangelho).
- “Dou-vos um mandamento novo: Amai-vos uns aos
outros como Eu vos amei” (evangelho).
- “Como agradecerei ao Senhor tudo quanto Ele me
deu?” (salmo responsorial).
3. Compromisso
“Depende de nós sermos felizes com o Senhor já
agora. Mas sermos felizes com Ele agora significa amar
como Ele ama, ajudar como Ele ajuda, dar como Ele dá,
servir como Ele serve, salvar como Ele salva, ficar vinte
e quatro horas com Ele, e encontrá-lo nas suas pobres e
humildes aparências” (Madre Teresa de Calcutá).
Master of the Housebook, “Passionsaltar” 1475
QUINTA-FEITA SANTA – CEIA DO SENHOR
Paixão, Morte e Ressurreição
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> Oração para rezar na hora eucarística: “Ó grandeza admirável! Que
o homem todo se espante, que o mundo todo trema, que o céu exulte, quando
sobre o altar, nas mãos do sacerdote, está Cristo, o Filho de Deus vivo!
Ó grandeza admirável, ó condescendência assombrosa, ó humildade sublime, ó sublimidade humilde, que o Senhor de todo o universo, Deus e Filho de
Deus, se humilhe a ponto de se esconder, para nossa salvação, nas aparências de
um bocado de pão!
Vede, irmãos, a humildade de Deus e derramai diante dele os vossos corações; humilhai-vos também vós para que Ele vos exalte.
Nada de vós mesmos retenhais para vós, a fim de que totalmente vos possua
Aquele que totalmente se vos dá” (S. Francisco de Assis).
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Tríduo Pascal
SEXTA-FEIRA SANTA – PAIXÃO DO SENHOR
DESDE A FÉ VEMOS A CRUZ DO AMOR
> Símbolo: A Cruz.
1. Encontrados pela Palavra
- Isaías 52,13 – 53, 12;
- Salmo 30, 12 e 6.12-13.15-17.25;
- Hebreus 4, 14-16 – 5, 7-9;
- João 18, 1 – 19, 42.
2. O eco da Palavra na liturgia
Olhai o meu Servo, está desfigurado, mas é a beleza do mundo. Está humilhado, mas é a glória do céu
(primeira leitura). Cristo é também o sacerdote que leva
a cabo a redenção do mundo. Cristo pode compadecer-se das nossas fraquezas porque possui a experiência de
todas as provações (segunda leitura). Na paixão, S. João
sublinha a glória do crucificado. É uma narração à luz da
Páscoa. No Getsémani, manifesta-se com autoridade e
liberdade: Eu sou. Diante do Sinédrio, responde com inteligência e mansidão. A Pilatos, manifesta-lhe a sua realeza e dignidade. Na cruz, cumprem-se as Escrituras: é o
Messias trespassado e do seu peito brotam as fontes da
graça (evangelho).
3. Vivemos a Palavra
> Frases para reflectir, reter e repetir:
- “O meu Servo subirá, elevar-se-á e será grandemente enaltecido” (primeira leitura);
- “Nós temos um grande sumo-sacerdote, que atravessou os céus, Jesus, Filho de Deus” (segunda leitura);
- “Tudo está consumado” (evangelho).
Paixão, Morte e Ressurreição
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> Atitudes a promover: Rever a fé. Sentir-se amado, perdoado, redimido,
enriquecido e salvo por Jesus.
> Trabalho a desenvolver: Veneração da Cruz. Ao aproximar-te para venerar a Cruz, diz-lhe baixinho: Creio em Deus Pai todo-poderoso de amor. Creio
que toda a força de Deus radica no amor. Este Deus-Amor manifestou-se e entregou-se em Jesus Cristo.
Reze a oração
Senhor, peço-te:
Por todos os doentes, especialmente os mais graves,
Pelos pobres, que estão na miséria e passam fome.
Pelos oprimidos, excluídos, refugiados.
Pelos imigrantes que sofrem todo o tipo de exclusão.
Pelos encarcerados e torturados.
Pelas vítimas das guerras e do terrorismo,
Dos acidentes e desgraças naturais.
Pelas crianças que são vendidas como escravos, prostituídas, militarizadas.
Pelos jovens que estão desempregados e que não encontram trabalho.
Pelas famílias desfeitas e que perderam as suas casas por causa da crise.
Pelas mulheres vítimas de discriminação, abusos e terrorismo.
Pelos velhinhos abandonados e desprezados.
Por toda a humanidade que te procura de coração sincero.
Por todos nós, para que sintamos nas adversidades a ajuda
do teu Espírito Santo.
Amén.
32
Tríduo Pascal
SÁBADO SANTO
No Sábado Santo, a Igreja permanece junto do sepulcro do Senhor, meditando na sua Paixão e Morte. Abstém-se do sacrifício da Missa. É o único dia do Ano Litúrgico em que não se celebra a Eucaristia. A mesa sagrada
continua despida até ao momento da Ressurreição celebrado na Vigília pascal.
“Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um
grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme; a terra estremeceu e ficou
silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e
despertou os que dormiam há séculos. Deus morreu
segundo a carne e acordou a região dos mortos” (Liturgia das Horas).
Propomos como meditação este poema de um
grande poeta e místico português:
Divinas mãos e pés, peito rasgado,
Chagas em brandas carnes imprimidas,
Meu Deus, que por salvar almas perdidas,
Por elas quereis ser crucificado.
Outra fé, outro amor, outro cuidado,
Outras dores às vossas são devidas,
Outros corações limpos, outras vidas,
Outro querer no vosso transformado.
Em vós se encerrou toda a piedade,
Ficou no mundo só toda a crueza;
Por isso cada um deu do que tinha.
Claros sinais de amor, ah saudade!
Minha consolação, minha firmeza,
Chagas do meu Senhor, redenção minha!
Frei Agostinho da Cruz
Paixão, Morte e Ressurreição
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Tríduo Pascal
SÁBADO SANTO
VIGÍLIA PASCAL
A celebração anual da Páscoa de Jesus tem o seu ponto
culminante na Vigília Pascal, coração da liturgia cristã, centro
do Ano Litúrgico e “Mãe de todas a vigílias” (St. Agostinho).
Nesta Vigília, os cristãos reúnem-se para celebrar, na
Esperança e na Alegria, o grande acontecimento da salvação
oferecida por Jesus Cristo.
Consta de quatro momentos fundamentais: O Lucernário, a Liturgia da Palavra, a Liturgia Baptismal e a Liturgia
Eucarística.
Assim como Cristo passou da morte para a vida, também os seus discípulos são convidados a uma verdadeira conversão, passando do pecado para a Graça, do ódio para o
Amor, da mentira para a Verdade, numa palavra, do mal para
o Bem! Só assim poderemos viver verdadeiramente o sentido
da Vigília Pascal.
Com a Vigília Pascal, começa o chamado Tempo Pascal,
que dura 50 dias e termina no domingo do Pentecostes com
a grande solenidade do Espírito Santo.
A cor dos paramentos é o branco.
> Símbolo: A Cruz florida, símbolo da Alegria e da Vida
Nova.
1. Encontrados pela Palavra
- Primeira leitura: Génesis 1,1-2.2;
- Salmo 104 (103), 1-2 a.5-6.10.12-14.24.35c;
- Segunda Leitura: Génesis 22, 1-18;
- Salmo 16 (15), 5.8-11;
- Terceira leitura: Êxodo 14, 15-15,1;
- Êxodo 15, 1-6.17-18;
- Quarta leitura: Isaías 54,5-14;
- Salmo 30 (29), 2.4-6.11-1a. 13b;
- Quinta leitura: Isaías 55, 1-11;
- Isaías 12, 2-3. 4bcd.5-6;
Paixão, Morte e Ressurreição
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- Sexta leitura: Baruc 3,9-15.32-4,4;
- Salmo 19 (18), 8-11;
- Sétima leitura: Ezequiel 36, 16-17a.18-28;
- Salmo 42 (41), 2-3.5; Salmo 43 (42) 3-4;
- Leitura de S. Paulo: Romanos 6, 3-11;
- Aclamação ao Evangelho: Salmo 118 (117), 1-2.16ab-17.22-23;
- Evangelho: Mateus, 28, 1-10.
2. O eco da Palavra na liturgia
Nas leituras da Vigília Pascal, encontramos o resumo da história da salvação desde
o princípio (criação) até ao seu ponto mais alto: a Ressurreição. Cristo Ressuscitado é o
Homem Novo, o novo Adão, que vem inaugurar uma nova etapa, a etapa definitiva da
história salvífica: “considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo
Jesus” (Rm 6,11).
“Não temais. Ide avisar os meus irmãos que partam para a Galileia. Lá Me verão”
(Mt 28,10).
3. Vivemos a Palavra
Vós, que testemunhastes a alegria
De ver Cristo Jesus ressuscitado,
Anunciai que já nasceu o dia
Em que o homem é salvo do pecado.
Levai a grande festa ao mundo inteiro,
Proclamai às nações a Boa Nova.
Em Cristo, Deus e Homem verdadeiro,
A velha humanidade se renova.
Cristo ressuscitou, venceu a morte,
O seu corpo se envolve em luz divina.
Eis o Sol da esperança, eis o Deus forte
Que nos liberta e que nos ilumina.
A nova criação hoje começa:
Jamais triunfará o vil pecado.
O Senhor nos cumpriu sua Promessa
No sangue do Cordeiro imaculado
Liturgia das Horas
Páscoa
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Páscoa
DOMINGO DE PÁSCOA –
EXULTEMOS E CANTEMOS DE ALEGRIA
Imagem a contemplar
Laurent de la Hyre,
“L’apparition du Christ a la Madeleine”, 1656,
Musee des Beaux Arts, Grenoble, France.
1. Partindo da Palavra
- Actos dos Apóstolos 10, 34a.37-43;
- Salmo 117 (118), 1-2.16ab-17.22-23;
- Colossenses 3, 1-4 (ou 1 Coríntios 5, 6b-8);
- João 20, 1-9 (na missa da tarde, Lucas 24, 13-35).
2. Meditamos a Palavra
A Páscoa é o centro da fé cristã e a razão de ser da
sua alegria. Para descobrir Jesus Ressuscitado, é necessário entender a Escritura e saber ler os sinais que nos
abrem à fé (evangelho). Purificados do velho fermento,
celebremos a festa (segunda leitura alternativa) e, ressuscitados com Cristo, aspiramos às coisas do alto (segunda
leitura). Assim nos tornamos testemunhas destes acontecimentos (primeira leitura). Este é o dia que o Senhor
fez: exultemos e cantemos de alegria (salmo responsorial).
3. Que havemos de fazer?
- Participar na Vigília Pascal e viver com elevação e
alegria o dia de Páscoa.
- Meditar a frase: “Afeiçoai-vos às coisas do alto e não
às da terra” (segunda leitura).
- Contemplar a pintura.
.
Não nos ardia o coração?
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> Para rezar e/ou cantar durante a semana
Nasceu o Sol da Páscoa gloriosa,
Ressoa pelo céu um canto novo,
Exulta de alegria a terra inteira.
Rei imortal, contigo glorifica
Neste dia de glória os que em teu nome
Renasceram das águas do Baptismo.
Dos abismos da morte e da tristeza
Sobe o senhor Jesus à sua glória,
Libertando os antigos Patriarcas.
E desça sobre a Igreja e sobre o mundo,
Como penhor de paz e de esperança,
A luz da tua Páscoa esplendorosa.
Sem saber que o sepulcro está vazio,
A guarda, vigilante, testemunha
O poder do Senhor ressuscitado.
Cantemos a deus Pai e a seu Filho,
Louvemos o Espírito de amor,
Agora e pelos séculos sem fim.
Liturgia das Horas
40
Páscoa
SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA –
FELIZES OS QUE ACREDITAM
SEM TEREM VISTO
Imagem a contemplar
Rembrandt,
“The Incredulity of Saint Thomas”, 1601,
Novo Palácio de Potsdam, Alemanha.
1. Partindo da Palavra
- Actos dos Apóstolos 2, 42-47;
- Salmo 117 (118), 2-4.13-15.22-24;
- 1 Pedro 1, 3-9;
- João 20, 19-31.
2. Meditamos a Palavra
As narrativas das aparições de Jesus Ressuscitado,
que tão bem sublinham os dons da paz e do Espírito, têm
como objectivo despertar e fortalecer a fé daqueles que
acreditam sem terem visto (evangelho). A fé traduz-se
em atitudes concretas (primeira leitura) que lhe conferem credibilidade e são o mais eloquente testemunho
de Jesus Ressuscitado. Ao tornar-se possível a salvação,
gera-se uma alegria inefável e gloriosa (segunda leitura).
3. Que havemos de fazer?
- Procurar dar um bom conselho e consolar alguém
que ande triste.
- Meditar a frase: “Porque me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto” (evangelho).
- Contemplar a pintura.
Não nos ardia o coração?
41
> Para rezar e/ou cantar durante a semana
Aplaudam mares e terra,
Exulte o céu nas alturas;
Cristo ressurge da morte
Dando vida às criaturas.
Crentes na sua palavra,
Já vivemos a esperança
De com Ele ressurgirmos
Para a Bem-aventurança.
Voltam os felizes tempos,
Da salvação nasce o dia;
Com o sangue do Cordeiro
Novo mundo principia.
Aquele que nos alegra,
Renascidos pela graça,
Do seu eterno triunfo
Participantes nos faça.
Redimiu as nossas culpas
Quem sofreu na cruz a morte;
Cantando a morte vitória,
Venceu-a quem é mais forte.
Liturgia das Horas
42
Páscoa
TERCEIRO DOMINGO DA PÁSCOA
NÃO NOS ARDIA O CORAÇÃO?
Imagem a contemplar
Caravaggio,
“Supper at Emmaus’’, 1600-01,
National Gallery, London.
1. Partindo da Palavra
- Actos dos Apóstolos 2, 14.22-33;
- Salmo 15 (16), 1-2a.5.7-8.9-10.11;
- 1 Pedro 1, 17-21;
- Lucas 24, 13-35.
2. Meditamos a Palavra
Ninguém melhor do que o próprio Jesus Ressuscitado poderia desvendar as Escrituras, provocando o ardor
do coração e preparando o reconhecimento pela fracção
do pão. Da nossa parte, são necessários os ouvidos para
escutar, a disponibilidade para acolher e a coragem para
testemunhar (evangelho e primeira leitura). Cristo ressuscitado dos mortos faz-nos arder o coração de alegria
(evangelho) e colocar em Deus a fé e a esperança (segunda leitura).
3. Que havemos de fazer?
- Escutar atentamente as leituras para descobrir Jesus
Ressuscitado na fracção do pão e viver o acolhimento
aos outros como um dos lugares da presença de Jesus
Ressuscitado.
- Meditar a frase: “Vivei com temor, durante o tempo
de exílio deste mundo” (segunda leitura).
- Contemplar a pintura.
Não nos ardia o coração?
43
> Para rezar e/ou cantar durante a semana
Fica connosco, Senhor,
porque anoitece.
Como Te encontraremos,
Ao declinar do dia,
Se o teu caminho não cruzar
O nosso caminho?
Fica connosco,
Dá-nos a tua luz:
E a alegria vencerá
A escuridão da noite.
Venham às nossas mãos,
Para Ti estendidas,
As chamas acesas do Espírito,
Fonte da Vida;
E purifica no mais fundo
Do coração do homem
A tua imagem
Que a culpa escureceu.
Vimos romper o dia
Sobre o teu belo rosto,
E o sol abrir caminho
Em tua fronte:
Não deixes o vento da noite
Apagar o fogo novo
Que, ao passar, na manhã,
Tu nos deixaste.
Liturgia das Horas
44
Páscoa
QUARTO DOMINGO DA PÁSCOA
EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA
Imagem a contemplar
Autor desconhecido,
Imagem do bom Pastor.
1. Partindo da Palavra
- Actos dos Apóstolos 2, 14a.36-41;
- Salmo 22 (23), 1-3a.3b-4.5;
- 1 Pedro 2, 20b-25;
- João 1, 1-10.
2. Meditamos a Palavra
No Domingo do Bom Pastor, a nossa relação com
Jesus é dita com a linguagem da pastorícia. Se éramos
como ovelhas sem pastor, agora voltamos para o pastor
e guarda das nossas almas (segunda leitura). De facto,
Ele é o nosso pastor que nos faz ter vida em abundância
(evangelho), a ponto de nada nos faltar (salmo responsorial). A pergunta “que havemos de fazer, irmãos?” suscita
a resposta que nos indica o caminho da salvação (primeira leitura).
3. Que havemos de fazer?
- Visitar um doente, ajudando-o a suportar o sofrimento com paciência.
- Meditar a frase: “Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das
vossas almas” (segunda leitura).
- Contemplar a pintura.
Não nos ardia o coração?
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> Para rezar e/ou cantar durante a semana
Cristo, Verbo de Deus Pai,
Rei glorioso dos santos,
Luz e salvação do mundo,
Nós Te louvamos.
Cristo, Cordeiro de Deus,
Caminho, verdade e vida
Do rebanho peregrino,
Nós Te seguimos.
Sacerdote do Altíssimo,
Supremo Pastor da Igreja,
Mediador da humanidade,
Em Ti esperamos.
Com a luz do teu Espírito
Orienta os nossos passos
Às fontes das águas vivas
Na glória eterna.
Liturgia das Horas
46
Páscoa
QUINTO DOMINGO DA PÁSCOA
NÃO SE PERTURBE O VOSSO CORAÇÃO
Imagem a contemplar
Luigi Garzi,
“Stoning of Saint Stephen”, 1600-1700.
1. Partindo da Palavra
- Actos dos Apóstolos 6, 1-7;
- Salmo 32 (33), 1-2.4-5.18-19;
- 1 Pedro 2, 4-9;
- João 14, 1-12.
2. Meditamos a Palavra
É o anúncio da palavra de Deus, a cargo dos Apóstolos, que faz crescer a Igreja, na quantidade e na qualidade (primeira leitura). Mediante a pedra rejeitada que
se tornou pedra angular, tornamo-nos pedras vivas que
entram na construção da Igreja, o templo espiritual que
cada um de nós integra (segunda leitura). Pela comunhão
que mantém com o Pai, Jesus é para nós “o caminho, a
verdade e a vida”. Temos muitas razões para que não se
perturbe o nosso coração (evangelho).
3. Que havemos de fazer?
- Viver em atitude de grande confiança em Jesus Cristo, olhando-o como caminho, verdade e vida.
- Meditar a frase: “em casa de meu Pai há muitas moradas” (evangelho).
- Contemplar a pintura.
Não nos ardia o coração?
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> Para rezar e/ou cantar durante a semana
Ó Senhor Jesus Cristo,
Sois o homem primeiro
Da nova humanidade.
O Senhor Jesus Cristo,
Imagem do Invisível,
Palavra criadora.
Sois luz que não se extingue,
Sol que não tem ocaso,
Fulgor da eternidade.
Sois vencedor da morte,
Sois o Ressuscitado,
Nossa luz redentora.
Sois deus que se fez homem,
Sois fonte de alegria,
Sois nossa liberdade.
Sois a vida sem termo,
O caminho sem erro,
Páscoa libertadora.
Liturgia das Horas
48
Páscoa
SEXTO DOMINGO DA PÁSCOA
HOUVE MUITA ALEGRIA...
A TERRA INTEIRA ACLAME O SENHOR
Imagem a contemplar
Autor desconhecido,
Imagem de alegria Pascal.
1. Partindo da Palavra
- Actos dos Apóstolos 8, 5-8.14-17;
- Salmo 65 (66), 1-3a.4-5.6-7a.16 e 20;
- 1 Pedro 3, 15-18;
- João 14, 15-21.
2. Meditamos a Palavra
“Cristo morreu segundo a carne, mas voltou à vida
pelo Espírito” (segunda leitura). É este o Espírito que
Jesus promete àqueles que, pela observância dos seus
mandamentos, o amam. Ele é definido como Defensor
e Espírito da Verdade (evangelho). Vem para confirmar
na fé aqueles que a ela aderiram mediante a escuta da
palavra de Deus. É Ele quem motiva a incontida alegria
pascal (primeira leitura).
3. Que havemos de fazer?
- Dedicar algum tempo a fazer revisão de vida, à luz
dos mandamentos, para que seja possível conservar uma
boa consciência.
- Meditar a frase: “Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente me ama” (evangelho).
- Contemplar a pintura.
Não nos ardia o coração?
> Para rezar e/ou cantar durante a semana
Na glória do teu rosto contemplamos,
Jesus, Filho Unigénito de Deus,
A Beleza divina que floresce
Nas moradas eternas lá dos Céus.
Se a luz da eterna vida que pregaste
As trevas deste mundo recusaram,
Dá, Deus benigno, a tua plenitude
Àqueles que em Ti creram e Te amaram.
Companheiro do homem peregrino,
Através dos perigos desta vida,
Conduz os nossos passos sempre firmes,
A caminho da Terra Prometida.
Louvor e glória a Ti, ó Pai celeste,
E ao Filho, tua imagem e esplendor,
E ao Espírito de ambos procedente:
Ambos unindo num eterno amor.
Liturgia das Horas
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Páscoa
ASCENÇÃO DO SENHOR
SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS...
EU ESTOU SEMPRE CONVOSCO
Imagem a contemplar
Rembrandt,
“The Ascesion”, 1636,
Munique, Alemanha.
1. Partindo da Palavra
- Actos dos Apóstolos 1, 1-11;
- Salmo 46 (47), 2-3.6-7.8-9;
- Efésios 1, 17-23;
- Mateus 28, 16-20.
2. Meditamos a Palavra
O mandato (“ide e ensinai...”) e a promessa de Jesus
(“eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”)
(evangelho) faz dos Apóstolos seus anunciadores e testemunhas por toda a terra (primeira leitura). Precisam,
contudo, que Deus lhes conceda um espírito de sabedoria e de luz que os ilumine e os faça conhecer a grandeza
e o poder de Deus, manifestados na ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos (segunda leitura).
3. Que havemos de fazer?
- Dedicar algum tempo a anunciar o evangelho na família ou na catequese paroquial.
- Meditar a frase: “recebereis a força do Espírito Santo (...) e sereis minhas testemunhas (...) até aos confins
da terra” (primeira leitura).
- Contemplar a pintura.
Não nos ardia o coração?
> Para rezar e/ou cantar durante a semana
Lá vos tornais, Senhor, onde subistes
Para lá nos subir onde descestes;
Nascestes para nós, por nós morrestes,
Morto por nos dar vida ressurgistes.
A nossa humanidade que vestistes,
Vestida para o Céu levar quisestes;
E tudo quanto nela merecestes
Connosco livremente repartistes.
O nascer, o morrer, o ressurgir,
O subirdes ao Céu por nos mostrar
O caminho por onde havemos de ir,
Tudo tem muito em si que contemplar;
Mais, muito mais em mim ver-Vos partir,
Sem Vos poder, meu Deus, acompanhar.
Liturgia das Horas
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Páscoa
DOMINGO DE PENTECOSTES
FICARAM CHEIOS DE ALEGRIA...
Imagem a contemplar
El Greco,
“Pentecostes”, 1600,
Museo del Prado, Madrid, Espanha.
1. Partindo da Palavra
- Actos dos Apóstolos 2, 1-11;
- Salmo 103 (104), 1 abc.24ac.29bc-30.31.34;
- 1 Coríntios 12, 3b-7.12-13;
- João 20, 19-23.
2. Meditamos a Palavra
Ao verem o ressuscitado, os discípulos ficaram cheios
de alegria. O Espírito Santo, que é fonte do perdão dos
pecados (evangelho) e se manifesta com muitos sinais,
torna possível a compreensão da mensagem cristã (primeira leitura) e garante a comunhão eclesial, na confissão
de uma só fé e na articulação dos diversos dons e serviços (segunda leitura) com que se tece a vida das comunidades crentes.
3. Que havemos de fazer?
- Promover atitudes de paz, perdoando alguma ofensa que tenham cometido contra nós.
- Meditar a frase: “Ninguém pode dizer ‘Jesus é o
Senhor’ a não ser pela acção do Espírito Santo”.
- Contemplar a pintura.
Não nos ardia o coração?
53
> Para rezar e/ou cantar durante a semana
Vem, ó Espírito Santo,
E da tua luz celeste,
Soltando raios piedosos,
Nossos ânimos reveste.
És no trabalho descanso,
Refresco na calma ardente;
És no pranto doce alívio
De um ânimo penitente.
Pai carinhoso dos pobres,
Distribuidor da riqueza,
Vem, ó luz dos corações,
Amparar a natureza.
Suave origem do bem,
Ó fonte de luz divina,
Enche nossos corações,
Nossas almas ilumina.
...
Os sete dons com que alentas
Os que humildes te confessam,
Aos teus devotos concede
Sempre fiéis to mereçam.
Vem, Consolador supremo,
Das almas hóspede amável,
Suavíssimo refrigério
Do mortal insaciável.
Liturgia das Horas
VIA SACRA
56
Páscoa
PRIMEIRA ESTAÇÃO
JESUS NO JARDIM DE GETSÉMANI
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Fez-se noite em Jerusalém e fez-se noite na alma de Jesus. Entra em agonia.
Os príncipes da noite fazem-no tremer. Jesus grita ao Pai, chora, sua sangue.
Toda a tristeza do mundo dentro dele. E Jesus está só. Aí estão três discípulos
bem próximo, mas estão muito longe, dormem, não compreendem nada.
O que susteve Jesus foi a vontade do Pai: Não o que eu quero mas o que Tu
queres. Essa opção salvou o mundo.
Salva-me, Senhor, também a mim. Salva-me da minha debilidade e da minha
autossuficiência. Salva, Senhor, todos os que estão sofrendo a sua triste hora e
passando pela sua noite escura. Assim como Jesus, sejamos fiéis ao Pai.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
Não nos ardia o coração?
57
SEGUNDA ESTAÇÃO
JESUS, ATRAIÇOADO POR JUDAS, É PRESO
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Muito doeu a Jesus a traição do seu discípulo. O beijo de Judas foi como uma
lança no seu coração. Se me tivesse ultrajado um inimigo, eu poderia suportá-lo;
se contra mim se levantasse quem me odeia, desse, eu poderia esconder-me.
Mas tu, um homem como eu, meu amigo e confidente, com quem eu partilhava
conselhos agradáveis, com quem ia feliz para a casa de Deus! (Sl 50, 13-15).
Depois veio o aprisionamento, as espadas, as cordas. Jesus, o homem livre,
deixa-se manietar para romper todas as cordas que nos atam. Senhor Jesus, ajuda a libertar-nos e a sermos libertadores.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
58
Páscoa
TERCEIRA ESTAÇÃO
JESUS É CONDENADO PELO SINÉDRIO
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Jesus é julgado por um tribunal religioso e político, o Sinédrio. Em nome de
Deus condenam como blasfemo o próprio Filho de Deus. Condenam-no porque
não encaixa nos seus esquemas religiosos.
Condenam Jesus porque fala em destruir o Templo e porque o frequenta
pouco, porque não cumpre a Lei nem guarda o sábado, porque come e bebe
com os pecadores, porque não odeia os romanos, porque proclama o perdão
aos inimigos, porque é pobre e anda rodeado de gente pobre e marginalizada,
porque critica as autoridades, porque é um perigo para o povo.
E Jesus cala. Os seus amigos também. Ninguém o defende. Apenas confia no
Pai. Confia e espera.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
Não nos ardia o coração?
59
QUARTA ESTAÇÃO
JESUS É NEGADO POR PEDRO
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Pedro - quem melhor conhecia Jesus? Pedro, o mais amigo de Jesus, agora fala desse homem. Pedro, o mais próximo de Jesus, agora queria estar o mais longe possível. Três vezes não. Não, não,
não, que palavra feia, sobretudo na boca do amigo e do discípulo.
Foi por imprudência, por autossuficiência, por cobardia. Depois vêm as lágrimas. E sobretudo o olhar de Jesus, profundo, amigo, misericordioso. Um olhar
que o julga e que o salva. Olha-me, Senhor, também a mim. Eu tenho muito que
chorar.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
60
Páscoa
QUINTA ESTAÇÃO
JESUS É JULGADO POR PILATOS
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Pilatos, sentado no tribunal, voltou a condenar Jesus, porque se fazia rei, porque alvoroçava o povo, porque punha em perigo o seu posto. A causa era o
menos. Havia interesses ocultos. São tantos os injustamente condenados, inumeráveis filhos de Deus, povos inteiros. Em todos eles, Jesus recebe uma condenação injusta.
Na realidade, Pilatos condena sem condenar, porque sabia que era inocente, sabia que o entregavam por inveja, não queria matá-lo. Pilatos condena por
omissão, por não o ter defendido como devia, por lavar-se as mãos.
Quantas vezes imitamos Pilatos lavando-nos as mãos e não defendendo os
inocentes.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
Não nos ardia o coração?
61
SEXTA ESTAÇÃO
JESUS É FLAGELADO E COROADO DE ESPINHOS
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Jesus é o Servo de Deus: Aos que me batiam apresentei as espáduas…, não
desviei o meu rosto dos que me ultrajavam e cuspiam… Desfigurado… abandonado pelos homens, como alguém cheio de dores, habituado ao sofrimento.
Temos um rei de dor e de sangue. Assim foi apresentado ao povo: “Eis o
homem”. É o Filho do Homem, mas não parecia homem. No seu rosto resplandecia a Glória do Pai, mas parecia sem especto atraente.
Mas foi ele quem nos redimiu. Na verdade, ele tomou sobre si as nossas
doenças, carregou as nossas dores... e pelas suas chagas fomos curados.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
62
Páscoa
SÉTIMA ESTAÇÃO
JESUS CARREGA COM A CRUZ
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Terá forças para levá-la? Era a cruz de todos os homens. Jesus tinha dito:
“Vinde a mim vós que andais carregados…” Era a carga de todos os homens e o
pecado de toda a humanidade.
Agora que Jesus carregou com a cruz humana, todas as cargas são mais suaves
e mais fáceis de levar. Agora todo o peso está redimido e nos une mais a Cristo e
nos santifica. Põe todas as tuas cargas sobre Jesus ou deixa que ele te acompanhe
e verás como o teu peso se converte em graça. E tu assim aliviado, corre a aliviar
os outros.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
Não nos ardia o coração?
63
OITAVA ESTAÇÃO
JESUS É AJUDADO PELO CIRENEU A LEVAR A CRUZ
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Jesus veio para nos ajudar, é o nosso Salvador. Mas é também o Deus que se
deixa ajudar. E não é por uma questão de dar exemplo. É porque na realidade
precisa da nossa ajuda. O que é mais admirável: um Deus que carrega com as
nossas cruzes ou um Deus que pede a nossa colaboração?
O Cireneu, sem saber, ajudou o Redentor. Tu também podes continuar a
ajudá-lo: cada vez que ajudas alguém a ultrapassar um obstáculo; quando dás
valor ao seu trabalho; quando fazes companhia a alguém para que ele não se
sinta só; quando alegras com a tua presença os dias sombrios de alguém… estás
ajudando o Senhor.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
64
Páscoa
NONA ESTAÇÃO
JESUS ENCONTRA AS MULHERES DE JERUSALÉM
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Às vezes, menosprezamos as lágrimas como sinal de debilidade e de ineficácia. Mas, benditas estas mulheres que choravam e se lamentavam por Jesus.
Elas não podiam fazer outra coisa, mas pelo seu choro transmitem proximidade
e compaixão. Não têm sequer forças para levar a cruz, mas oferecem as suas
lágrimas. Choram com Jesus.
São muitas as vezes que não se pode fazer outra coisa. Não há resposta libertadora, não valem as palavras, só o silêncio, a proximidade, a oração e a compaixão, quer dizer, as lágrimas.
Oxalá tivessem chorado todos. Talvez as coisas tivessem mudado radicalmente.
Oxalá, hoje mesmo, em vez de tantas palavras e programas, tivéssemos mais
lágrimas. Oxalá chorassem os políticos e os mercados financeiros, os terroristas
e os belicosos… Se todos chorássemos, o nosso mundo teria mais paz e seria
mais fraterno.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
Não nos ardia o coração?
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DÉCIMA ESTAÇÃO
JESUS É CRUCIFICADO
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Jesus não protesta nem maldiz. É como cordeiro que é levado ao matadouro,
ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador. Mas agora sim, escutam-se umas palavras. São de oração e de perdão: “Pai, perdoa-lhes, porque não
sabem o que fazem.” Estas são palavras novas que se ouvem pela primeira vez na
terra. Realmente este homem é verdadeiramente o Filho de Deus.
Jesus crucificado, tu assumes toda a dor do mundo e todas as cruzes humanas. Ensina-nos a rezar e a perdoar sobretudo nas cruzes do dia-a-dia.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
66
Páscoa
DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO
JESUS PROMETE O SEU REINO AO BOM LADRÃO
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Este ladrão é um homem aberto à graça. Sabe ler os sinais. Dá-se conta que
Jesus nada fez de mal, que não merece castigo. Ao ver como sofre, como reage,
como perdoa, capta algo do mistério. Essa mansidão, essa liberdade, essa generosidade são próprias de um rei. Este homem vem de Deus. E começa a crer em
Jesus. Apesar das aparências, apesar da derrota e da humilhação, pede a Jesus
uma lembrança no seu Reino. Um grande exemplo de fé. É o primeiro fruto da
Redenção.
Jesus promete-lhe algo mais do que uma lembrança. Promete-lhe proximidade e presença. Hoje estarás comigo no Paraíso. Vivias no inferno da violência
e do ódio, mas já estás comigo. Já começas a viver na humildade e no amor. Já
começas a estar no Paraíso. Viveremos sempre juntos no reino do Pai.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
Não nos ardia o coração?
67
DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO
JESUS NA CRUZ, SUA MÃE E O DISCÍPULO
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Maria estava ali aos pés de Jesus. Ela não estava a olhar, estava a contemplar, comungando, assumindo toda a paixão do filho. Só se está verdadeiramente
quando se ama. João também estava, porque amava e porque era o discípulo
amado.
Jesus olha enternecido para os dois e preocupa-se por eles. Antes de morrer,
como em testamento, faz-lhes uma mútua entrega: que a mãe não fique sem
filho e que o filho não fique sem mãe.
A humanidade já não está órfã. Maria é a mulher que colabora na luta contra
o mal e dá à luz uma nova raça, vitoriosa. E João é o discípulo que crê. É todo
aquele que crê que uma nova vida é possível com Jesus.
Maria, ao receber João como filho, torna-se a mãe de todos os crentes, a mãe
da Igreja, a casa de João, casa de todos os discípulos.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
68
Páscoa
DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO
JESUS MORRE NA CRUZ
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Jesus morreu entre dois gritos, o grito desgarrado do abandono e o grito
confiante da entrega. Ambos os gritos são oração rezada com os Salmos.
Jesus cravado na Cruz oferece-se ao Pai como oferenda de suave odor. Sente
toda a espécie de tormentos, inclusive a sede. Mas o tormento mais angustiante
é o abandono do Pai, a sua verdadeira noite escura, a falta de sentido. Por isso
grita com voz forte: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste? (Sl 22).
Mas no final sente que a sua missão de obediência filial ao Pai está realizada,
por isso grita com confiança: Nas tuas mãos, SENHOR, entrego o meu espírito
(Sl 31). E foi a paz, foi a confiança, foi a salvação, foi o triunfo da cruz. Tudo está
consumado, Triunfou a graça, triunfou o amor.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
Não nos ardia o coração?
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DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO
JESUS É COLOCADO NO SEPULCRO
P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Jesus foi enterrado num jardim onde se cultiva a vida. Mais do que um enterro
foi uma sementeira. Fica um vazio grande. Mas também há paz e serenidade.
Começa o tempo do silêncio porque o Verbo, a Palavra está enterrada. Começa o tempo da espera, que é próprio da sementeira. Uma espera certa, curta,
intensa. Porque ao terceiro dia a vida voltará a florescer e toda a morte será
vencida.
É o tempo de preparar os aromas e de acender as lâmpadas porque o Amado
chega, a Vida sempre está ressuscitando. É a grande notícia para todos os que
morreram ou estão crucificados. Cristo morre connosco para ressuscitar também connosco. Seguimos esperando. Tudo está tocado de ressurreição.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
70
Não nos ardia o coração?
DÉCIMA QUINTA ESTAÇÃO
JESUS RESSUSCITOU
P/ Nós Te adoramos e bendizemos, ó Jesus.
T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz.
Todas as Páscoas culminam e se plenificam na de Jesus Cristo. A sua passagem
da morte à vida, vivificado pelo Espírito de Deus é uma nova criação, uma plena
libertação, uma efusão de santidade.
Nova criação, com Cristo a vida começa de novo. Ele é o novo Adão, o modelo do homem novo.
Plena libertação, ele é a verdade que nos liberta, é quem nos desata de todas
as ligaduras, quem rompe as nossas cadeias, quem nos levanta e nos manda caminhar: Vai a tua fé te salvou.
Efusão de santidade, porque o pecado já ficou cravado na cruz e enterrado
no sepulcro. Agora impõe-se o perdão, a justiça, o amor, o pedido do Pai: sede
santos porque Eu sou santo!
Tudo está envolto em eternidade. Já não se morre, porque Cristo derrotou a
morte. Já nunca se morre. Vive-se para sempre.
Pai Nosso
Meu Jesus, Misericórdia
Evangelho da alegria
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O Evangelho, onde resplandece gloriosa a Cruz de
Cristo, convida insistentemente à alegria. Apenas alguns
exemplos: «Alegra-te» é a saudação do anjo a Maria (Lc
1, 28). A visita de Maria a Isabel faz com que João salte
de alegria no ventre de sua mãe (cf. Lc 1, 41). No seu
cântico, Maria proclama: «O meu espírito se alegra em
Deus, meu Salvador» (Lc 1, 47). E, quando Jesus começa
o seu ministério, João exclama: «Esta é a minha alegria! E
tornou-se completa!» (Jo 3, 29). O próprio Jesus «estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo» (Lc 10,
21). A sua mensagem é fonte de alegria: «Manifestei-vos
estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a
vossa alegria seja completa» (Jo 15, 11). A nossa alegria
cristã brota da fonte do seu coração transbordante. Ele
promete aos seus discípulos: «Vós haveis de estar tristes,
mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria» (Jo
16, 20). E insiste: «Eu hei-de ver-vos de novo! Então, o
vosso coração há-de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria» (Jo 16, 22). Depois, ao verem-No ressuscitado, «encheram-se de alegria» (Jo 20, 20). O livro
dos Actos dos Apóstolos conta que, na primitiva comunidade, «tomavam o alimento com alegria» (2, 46). Por
onde passaram os discípulos, «houve grande alegria» (8,
8); e eles, no meio da perseguição, «estavam cheios de
alegria» (13, 52). Um eunuco, recém-baptizado, «seguiu
o seu caminho cheio de alegria» (8, 39); e o carcereiro
«entregou-se, com a família, à alegria de ter acreditado
em Deus» (16, 34). Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria?
(Papa Francisco, O Evangelho da alegria, 5)
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