Quaresma Páscoa Inclui Celebração Penitencial Via Sacra Não nos ardia o coração? ANO A MISSIONÁRIOS DO VERBO DIVINO DEPARTAMENTO DE ANIMAÇÃO BÍBLICA DA PASTORAL - BRAGA Capa “Ceia de Emaús” - Rembrandt, Musée du Louvre, Paris QUARESMA | PÁSCOA 2014 Não nos ardia o coração? Missionários do Verbo Divino Departamento de Animação Bíblica da Pastoral Braga FICHA TÉCNICA Texto P. António Lopes (Verbo Divino) - Celebração Penitencial e Via Sacra P. Hermenegildo Faria (Diocese de Braga) - Quaresma Frei Luís Gonçalves (Padres Capuchinhos) - Domingo de Ramos e Tríduo Pascal P. João Alberto Correia (Diocese de Braga) - Páscoa Excertos da Liturgia e de outros Autores. Revisão P. João Alberto Correia Composição Gráfica Lineatura - www.lineatura.pt Impressão Tadinense AG - www.tiptadinense.pt Tiragem 10.000 exemplares Fevereiro 2014 Não nos ardia o coração? 5 INTRODUÇÃO “Levanta-te e resplandece, Jerusalém, que está a chegar a tua luz! A glória do Senhor amanhece sobre ti! Olha: as trevas cobrem a terra e a escuridão, os povos, mas sobre ti amanhecerá o Senhor. A sua glória vai aparecer sobre ti. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. Levanta os olhos e vê à tua volta: todos esses que se reuniram para vir ao teu encontro. Os teus filhos chegam de longe e as tuas filhas são transportadas nos braços. Quando vires isto, ficarás radiante de alegria; o teu coração palpitará e se dilatará, porque a ti afluirão as riquezas do mar e a ti virão os tesouros das nações” (Is 60, 1-5). A primeira leitura do dia da Epifania do Senhor, quase a encerrar o tempo de Natal, aponta para tempos novos que estão a chegar. Sinais disso mesmo são a luz que desponta, a glória que amanhece, a alegria que se vislumbra, o coração que há-de palpitar e dilatar-se. Quais são e quando chegam esses tempos novos? Não será despropositado afirmar que eles coincidem com a Páscoa e chegam depois de se ter feito o percurso quaresmal. Se a Quaresma nos faz pensar nas trevas que cobrem a terra e na escuridão que paira sobre os povos, a Páscoa apresenta-se como esse tempo novo, em que sobre nós amanhece o Senhor e aparece a luz da sua glória. Temos, por isso, motivos para ficar radiantes de 6 Quaresma alegria, para que o nosso coração palpite e se dilate. Não será isso mesmo que acontece quando, na tarde do dia de Páscoa, Jesus aparece a dois discípulos que iam a caminho de Emaús, caminha com eles, explica-lhes as Escrituras e lhes faz arder o coração? (Lc 24, 32). Eis a nossa proposta para esta Quaresma-Páscoa. Se “há cristãos que parece terem escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa” (Papa Francisco, A alegria do Evangelho, n.º 6), aqui propomos um caminho que, iniciado na Quaresma, nos leva à alegria pascal. Ao apresentar a Quaresma e a Páscoa numa única proposta, pretendemos, em primeiro lugar, realçar a íntima unidade destes dois tempos litúrgicos e, em segundo, contribuir para que a vida dos crentes seja inundada pela alegria do evangelho, a fim de que se transforme num evangelho da alegria. Não nos ardia o coração? 7 CELEBRAÇÃO PENITENCIAL VOLTAR À CASA DO PAI Símbolos que podem ser usados: cordas ou correias com o título «com cordas humanas os atraía, com laços de amor» (Os 11, 4). Sandálias já gastas, como símbolo de quem caminha. Um quadro do filho pródigo (p. ex., o de Rembrandt). Cântico de entrada Caminha, Povo de Deus, caminha, Povo de Deus, Nova lei, nova aliança, uma nova criação. Caminha, Povo de Deus, caminha, Povo de Deus. 1. Olha para o Calvário, sobre a pedra está uma cruz: a morte que traz a vida, novos homens, nova luz. Cristo veio salvar-nos com a morte e ressurreição; todas as coisas renascem numa nova criação. 2. Cristo toma em seu corpo o pecado, a escravidão; ao destruí-los obtém-nos o direito à salvação. Põe os homens em paz, o Universo em união. Todas as coisas renascem numa nova criação. Introdução “Toda a vida cristã é como uma grande peregrinação para a casa do Pai”. Oxalá fôssemos sempre direitos a esta meta, a Casa do Pai, que não é uma casa, é um coração. Oxalá nunca nos desviássemos do Caminho, nunca caminhássemos de costas voltadas para Deus. A conversão que hoje queremos celebrar é um voltar à casa do Pai. O sacramento da Penitência é o sacramento do reencontro com o Pai. É voltar a cair nos seus braços, pedindo-lhe que nos até de tal maneira que já não possamos cair em braços estranhos. 8 Quaresma Oração: Ó Deus, o teu coração de Pai é maior que o nosso pecado. E só o teu amor nos faz voltar para ti. Apesar das nossas infidelidades, concede-nos a tua misericórdia e a graça do teu Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo… Leitura Os 11,1-11 Cântico Irmãos, convertei o vosso coração à Boa Nova. Mudai de vida. Sabei que Deus vos ama. Evangelho Lc 15, 11-32 Bartolomé Esteban Murillo, “Return of the Prodigal Son” 1667-1670 Reflexão Meditativa 1. Afastámo-nos de Deus Todos somos filho pródigo: esquecemos Deus e voltámos as costas ao seu amor. Todos escapámos da casa paterna, correndo e vagueando por caminhos tortuosos. Oxalá todos tenhamos sentido o vazio e miséria dessa situação. Afastamo-nos de Deus pelo esquecimento. Não guardamos a sua palavra. Não vivemos na sua presença. A nossa oração é breve e rotineira. Não há um Não nos ardia o coração? 9 verdadeiro diálogo com Deus. Não estamos à sua escuta. A nossa relação com Deus não é permanente nem chega ao coração. Afastamo-nos de Deus pelos apegos. Estamos mais voltados para as coisas. Estamos ocupados e preocupados por ter coisas e quantas mais melhor. E assim como temos o coração cheio de coisas, não há lugar para as pessoas e muito menos para Deus. Afastamo-nos de Deus pela dureza do nosso coração. O culto das coisas – o consumismo – coisifica-nos, endurece-nos. Já não temos um coração sensível e misericordioso, um coração aberto, apaixonado e disponível que nos abra os braços para acolher o Outro e os outros. Afastamo-nos de Deus pela sensaboria. Perdem-se os valores e a consistência. Vale só o que é bonito e divertido. Por isso, ninguém nos fale de compromissos e de luta pela justiça, pela paz, por um mundo novo. Vivemos na chamada “sociedade líquida”, nada é consistente e muito menos o amor. Afastamo-nos de Deus por tantas coisas. Podem ser os caminhos do vício, dos rancores, da comodidade, da injustiça, da irresponsabilidade… Peçamos ao Senhor que nos faça entrar dentro de nós mesmos, no nosso núcleo mais íntimo, para sermos capazes de reconhecer as nossas misérias e “voltar” para o Pai. 2. Voltar para a casa do Pai Procurámos olhar o nosso pecado. Mas o mais importante e o que pretendemos nesta celebração é olhar para Deus e sentir no mais fundo de cada um de nós o seu chamamento, para cairmos de novo nos seus braços. Deus não se cansa de nos chamar de uma ou de outra maneira. Ele pede-nos que voltemos para Ele. Ah se voltasses: «Alimentar-te-ia com a flor da farinha, saciar-te-ia com o mel dos rochedos» (Sl 81). Deus não se cansa de esperar. O Pai sonhava com o regresso do filho, cada manhã, cada tarde… e ele não aparecia. Mas não deixava de esperar. E sonhava com o seu regresso, como o receberia, o que lhe diria, como faria para celebrar. Voltar para a casa do Pai é a conversão. É o que estamos a celebrar. Queremos deitar-nos nos seus braços. Dizer-lhe que, apesar de tudo, só Ele pode preencher o vazio do nosso coração. Digamos-lhe que sozinhos não o conseguimos, que necessitamos constantemente da sua graça. E lhe diremos que nos vista com a túnica do seu Filho, que nos encha da força do seu Espírito Santo. E por último, pedimos-lhe que não faça caso se voltarmos a dizer ou a fazer tontarias, mas que nos segure a Ele com laços humanos, com laços de amor. 10 Quaresma Petições de perdão Pelos nossos esquecimentos. Pelas nossas dúvidas. Pelos nossos medos. Pelos nossos apegos. Pelas nossas faltas de solidariedade e compromisso. Pelos nossos individualismos e egoísmos. Confessemos os nossos pecados Confesso a Deus todo poderoso… Possibilidade de confissão individual Invoquemos agora o nosso Pai, para que perdoe os nossos pecados, nos livre de todo o mal e nos torne dignos de nos chamarmos seus filhos: Pai Nosso Gesto da Paz Oração de acção de graças Senhor, Entrego-te a minha vida: fá-la fecunda. Entrego-te a minha vontade, fá-la idêntica à tua. Toma as minhas mãos, fá-las acolhedoras. Toma os meus pés, fá-los incansáveis. Toma os meus olhos, fá-los transparentes. Toma o meu coração, fá-lo ardente. Toma todo o meu corpo, reveste-o de festa. Toma as minhas faltas de amor, as minhas eternas desilusões, as minhas horas amargas… Transforma-me completamente. Faz-me novo na doação, alegre na entrega e solícito no teu serviço e no dos meus irmãos. Amén Bênção final Não nos ardia o coração? 11 Cântico final Uma certeza nos guia Ao longo do caminhar: Por isso vamos a ti alegremente a cantar. Rembrandt, “Return of the Prodigal Son” 1661–1669 Não vou só, tenho um amigo a meu lado. Não vou só, eu sei que Deus está comigo. 12 Quaresma QUARTA-FEIRA DE CINZAS CONVERTEI-VOS AO DEUS DA GRAÇA E DA MISERICÓRDIA > Símbolo: Valorizar a ligação das cinzas usadas na celebração com as palmas do Domingo de Ramos. Isto poderia ser conseguido com um arranjo, não decorativo mas simbólico, que colocasse as cinzas rodeadas de ramos de oliveira e palmeira. 1. Encontrados pela Palavra - Joel 2, 12-18; - Salmo 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17; - 2 Coríntios 5, 20 – 6, 2; - Mateus 6, 1-6.16-18. 2. O eco da Palavra na liturgia Concedei-nos, Senhor, a graça de começar com santo jejum este tempo da Quaresma, para que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com o auxílio da temperança. 3. Vivemos a Palavra As leituras deste primeiro dia da quaresma convidam-nos a fazer da nossa penitência mais do que meras práticas exteriores e visíveis para nos conduzir à purificação do coração. A quaresma não é um concurso de ascese que seria avaliado por um júri de virtuosos da ascese. A prática de obras exteriores de penitência deve conduzir-nos ao encontro com o Deus que vê no segredo, e preparar-nos para o encontro com aqueles com quem nós relacionamos, segundo as directrizes da nossa fé. Não nos ardia o coração? 13 > Para rezar Senhor, eu espero na vossa misericórdia pois, como um bom médico, Vós olhais para curar, como um mestre compreensivo, para corrigir, e, como pai indulgente, para perdoar. Aelred de Rievaulx > Para cantar Olhai, Senhor, a noite que nos cobre, A fúria do pecado sobre a terra; Olhai a injustiça, olhai a guerra, Olhai para o cativo e para o pobre. Rebanho sem pastor nos montes bravos, Que seremos sem Vós neste deserto? Sem Vós, ó Cristo, neste mundo incerto Não somos homens livres, mas escravos. Da morte e do pecado Libertai-nos, Senhor. Contritos, esperamos Vossa Páscoa de amor. Liturgia das Horas 14 Quaresma PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA AVANÇA NO CONHECIMENTO DO MISTÉRIO DE CRISTO PARA O VIVERES EM PLENITUDE > Símbolo: Valorizar a analogia da Palavra como alimento, colocando uma Bíblia rodeada de pão juntamente com elementos da quinta-feira santa para realçar que todos os elementos vividos e valorizados durante a quaresma reaparecem, na sua luz plena, nas celebrações do Tríduo Pascal. 1. Encontrados pela Palavra - Génesis 2, 7-9; 3, 1-7; - Salmo 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17; - Romanos 5, 12-19; - Mateus 4, 1-11. 2. O eco da Palavra na liturgia Concedei-nos, Deus omnipotente, que, pela observância quaresmal, alcancemos maior compreensão do mistério de Cristo e a nossa vida seja um digno testemunho. 3. Vivemos a Palavra As leituras deste primeiro domingo da Quaresma convidam-nos a viver a nossa prática quaresmal como uma imitação de Cristo, de quem poderíamos dizer: “Ele, que não precisava de penitência, fez-se penitência por nós.” A penitência não é uma proeza em si, mas um treino para enfrentar, de coração purificado e fortificado, o combate da tentação. Cristo mostra-nos quais são as armas para sairmos vencedores nesse combate contra o tentador: Um coração ancorado na palavra de Deus. Não nos ardia o coração? 15 > Para rezar Peçamos ao Senhor que nos dê uma inteligência mais clara das profecias: de abrir ainda mais os nossos sentidos à Verdade; que nós possamos considerar no Espírito o que foi escrito pelo Espírito, exprimindo em termos espirituais as realidades espirituais, segundo Deus e o Espírito Santo e de nos fazer compreender o que ele inspirou em Cristo nosso Senhor, a quem pertence a glória e o poder. Ámen. Orígenes > Para cantar Nós que buscamos em Cristo Nossa alegria pascal, Vamos com Ele ao deserto Da conversão quaresmal. Venceremos pela fé As forças do Tentador, Servos fiéis, entraremos Na alegria do Senhor. É lá que o Espírito nos fala A todo o homem cristão Que tiver mortificado A língua e o coração. Glória ao Pai Omnipotente, Glória ao Filho Redentor, Glória ao Espírito Santo, Fonte de graça e de amor. Moretto da Brescia, “Christ in the Wilderness” 1911 Liturgia das Horas 16 Quaresma SEGUNDO DOMINGO DA QUARESMA ESCUTEMOS SEMPRE O FILHO AMADO > Símbolo: Pôr em relação o monte do Tabor com a colina do Calvário: Transfiguração/Desfiguração. Escolher-se-ia uma imagem de um rosto de Jesus resplandecente e outra de um rosto de Jesus desfigurado pelo sofrimento da Paixão. 1. Encontrados pela Palavra - Génesis 12, 1-4a; - Salmo 32 (33), 4-5.18-19.20.22; - 2 Timóteo 1, 8b-10; - Mateus 17, 1-9. 2. O eco da Palavra na liturgia Deus de infinita bondade, que nos mandais ouvir o vosso amado Filho, fortalecei-nos com o alimento interior da vossa palavra, de modo que, purificado o nosso olhar espiritual, possamos alegrar-nos um dia na visão da vossa glória. 3. Vivemos a Palavra Neste segundo domingo da Quaresma, o nosso olhar é dirigido primeiramente para a promessa feita a Abraão de uma numerosa descendência. Todavia, essa descendência não é, como o pensavam os judeus, uma descendência segundo a carne mas sim uma descendência segundo a fé. Porque são filhos de Abraão aqueles que ouvem a palavra de Deus e a guardam, esses são os irmãos de Jesus. Não nos ardia o coração? > Para rezar Senhor Jesus, nós comemos cada dia o teu corpo e bebemos o teu sangue. Concede-nos de não nos habituarmos a este alimento mas a termos sempre fome e sede de Vós. Quando virá o luminoso dia Em que, livres da morte e do pecado, Cantemos a alegria que nos trouxe A força do teu braço levantado? Baudouin de Ford Escuta a nossa voz, Trindade Santa, E faz que a penitência quaresmal Confirme a nossa fé e nos conduza Ao encontro de Cristo glorioso. Liturgia das Horas Fra Angelico, “Transfiguratio Domini” 1437-1446 > Para cantar Crescem nas asperezas do caminho Pequenas flores brancas de esperança; Não podem os espinhos afogá-las, Pois foi o amor quem as chamou à vida. 17 18 Quaresma TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA QUEM ÉS TU, MEU DEUS? DEUS NÃO SE DEFINE, EXPERIMENTA-SE. > Símbolo: Neste domingo colocar-se-ia em destaque a água baptismal e a concha usada no ritual do baptismo e poder-se-ia fazer um arranjo com as caldeiras que depois serão usadas durante o Compasso Pascal. 1. Encontrados pela Palavra - Êxodo 17, 3-7; - Salmo 94 (95), 1-2.6-7.8-9; - Romanos 5, 1-2.5-8; - João 4, 5-42. 2. O eco da Palavra na liturgia Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia. 3. Vivemos a Palavra Jesus e a Samaritana começam uma conversa com temas muito variados: água, culto, casamento, fé. Durante esta ampla discussão, a Samaritana avança na compreensão de Jesus: “Judeu”, “maior do que o nosso pai Jacob”, “um profeta”, “Cristo”, “verdadeiramente o salvador do mundo”. Esta viagem de fé começa com um simples pedido de água para beber, mas, conduzida pelo Verbo de Deus, ela é levada à profissão de fé em Jesus, salvador do mundo. Não nos ardia o coração? 19 > Para rezar Senhor Jesus, quando nós te escutamos, tu nos escutas; quando nós te obedecemos, tu nos concedes a tua graça. Fala, Senhor, o teu servo escuta e responde à sua palavra: pois, navegando um e outro, nem um nem outro cairão na sonolência. Isaac da Estrela Liturgia das Horas Juan de Flandes, “Christ and the Samaritan” 1500 > Para cantar Pascal Cordeiro, Que em vosso Sangue resgatais do exílio, Reconduzindo as almas desgarradas À Terra Prometida: Vinde, Jesus, Pastor das águas vivas! Cantamos vossa vinda gloriosa. 20 Quaresma QUARTO DOMINGO DA QUARESMA VOLTAR À CASA DO PAI > Símbolo: Pôr em evidência o círio pascal rodeado de velas baptismais, ilustrando assim a carta de São Paulo aos Efésios: “Outrora vós éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz”. 1. Encontrados pela Palavra - 1 Samuel 16, 1b.6-7.10-13a; - Salmo 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6; - Efésios 5, 8-14; - João 9, 1-41. 2. O eco da Palavra na liturgia Senhor nosso Deus, luz de todo o homem que vem a este mundo, iluminai os nossos corações com o esplendor da vossa graça, para que pensemos sempre no que Vos é agradável e Vos amemos de todo o coração. 3. Vivemos a Palavra Como aconteceu com a Samaritana, o cego acede gradualmente à fé em Jesus Cristo. Ele começa por dizer somente “o homem chamado Jesus”, depois “o profeta”, “o homem que vem de Deus”, “o filho do homem” e, finalmente, o “Senhor” diante do qual se prosterna. Os dois evangelhos utilizam a simbologia da água: à Samaritana foi prometida a “água viva”, ao Cego foi dito que se lavasse na piscina de Siloé. Lavar-se nas águas é uma imagem do baptismo vivido como iluminação. Ppor isso o cego volta “vendo” que Jesus é o Senhor. Não nos ardia o coração? > Para rezar Senhor Jesus, faz-nos conhecer a nossa fé, conduz-nos de iluminação em iluminação pela acção do Espírito. Que cada dia possamos penetrar cada vez mais nos tesouros da luz. Guerric d’Igny > Para cantar Ó Sol nascente, Que Vos ergueis por sobre nós, mortais, Iluminando os cegos de nascença Na luz do vosso rosto: Vinde, Jesus, Estrela da manhã! Cantamos vossa vinda gloriosa. Liturgia das Horas 21 22 Quaresma QUINTO DOMINGO DA QUARESMA DEI-VOS O EXEMPLO PARA QUE ASSIM COMO EU FIZ, VÓS FAÇAIS TAMBÉM > Símbolo: Valorizar os símbolos pascais relacionados com os rituais fúnebres: o túmulo vazio, as ligaduras, os bálsamos e o sudário enrolado. 1. Encontrados pela Palavra - Ezequiel 37, 12-14; - Salmo129 (130),1-2.3-4ab.4c-6.7-8; - Romanos 8, 8-11; - João 11, 1-45. 2. O eco da Palavra na liturgia Senhor nosso Deus, que vencestes a morte e o abismo ao ressuscitar o vosso Filho, fazei-nos sair dos túmulos onde nos prendem os nossos pecados, para revelarmos ao mundo que Vós sois o Deus da Vida. 3. Vivemos a Palavra A afirmação central da narrativa evangélica é: “Eu sou a ressurreição e a vida”. Este é o climax das numerosas afirmações que Jesus faz sobre si próprio ao longo de todo o Evangelho de João: “Eu sou o pão da vida”, “Eu sou a luz do mundo”, “Eu sou o bom pastor”, “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, “a vinha”. A afirmação: “Eu sou a ressurreição e a vida” é especialmente significante no Evangelho de João. João apenas narra sete milagres a que chama “sinais” e a ressurreição de Lázaro é o último desta série de sete, cuidadosamente selecionados pelo evangelista. Ressuscitando Lázaro, Jesus mostra ser verdadeiramente aquele que tem poder sobre a morte e é capaz de dar a vida. Não nos ardia o coração? Liturgia das Horas Liturgia das Horas Albert van Ouwater, “The Raising of Lazarus” 1445 > Para rezar Se os descrentes me insultarem e se os ímpios mortalmente me odiarem, Nada temo porque a Vida está comigo. > Para cantar Rochedo novo, Donde dimana a vida como um rio: Vós nos viestes saciar a sede, Abrindo o coração. Vinde, Jesus, Divina fonte clara! Cantamos vossa vinda gloriosa. 23 24 Quaresma DOMINGO DE RAMOS VERDADEIRAMENTE, ESTE HOMEM ERA O FILHO DE DEUS > Símbolo: Os Ramos e a Cruz. “Com a Cruz, Jesus une-se ao silêncio das vítimas inocentes…às famílias que passam dificuldades…e às vítimas da fome” (Papa Francisco). Procissão A Semana Santa começa no Domingo de Ramos. Neste domingo, a Liturgia recorda a entrada de Jesus em Jerusalém, montado num jumentinho, símbolo da humildade, misturam-se os gritos de hossanas com os clamores da paixão. O sentido da Procissão de Ramos é mostrar que somos peregrinos neste mundo e que caminhamos para a Terra prometida, ou seja, para a casa do Pai. Proclamação da Palavra - Mateus 21, 1-11; - Salmo 24 (23) - Antífona para a procissão: “As crianças de Jerusalém foram ao encontro do Senhor com ramos de oliveira, clamando com alegria: Hossana nas alturas”. Meditando a Palavra - “O Senhor Deus veio em meu auxílio e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como a pedra e sei que não ficarei desiludido” (Isaías). - “Ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses). - “Vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso vindo sobre as nuvens do Céu” (Mateus). Não nos ardia o coração? 25 Compromisso Com os olhos fixos em Jesus, a exemplo de S. Paulo, prometamos ao Senhor, nesta Semana Santa, três coisas: – Suportar com valentia as contrariedades da vida. – Levar aos que sofrem, a exemplo do papa Francisco, a mensagem da esperança e da alegria. – Sentir preocupação para que a Boa Nova de Jesus chegue ao coração de todas as pessoas. Oração para a Semana Santa “Ó glorioso Deus altíssimo, ilumina as trevas do meu coração, concede-me uma fé verdadeira, uma esperança firme e um amor perfeito. Mostra-me, Senhor, o recto sentido e conhecimento para cumprir a tua santa e verdadeira vontade. Amén” (S. Francisco de Assis). 26 Tríduo Pascal TRÍDUO PASCAL A Igreja celebra o Tríduo Pascal desde os primeiros tempos da sua existência. Sempre o celebrou em três dimensões, que se completam umas às outras: Paixão, Morte e Ressurreição. O Tríduo Pascal começa com a Missa Vespertina de Quinta-feira Santa e tem o seu momento mais alto na Vigília Pascal. Em Quinta-feira Santa, há que salientar o Lava-Pés e a Missa da Ceia do Senhor, sem esquecer o dom do Sacerdócio. Na tarde de Sexta-feira Santa, celebra-se a Paixão do Senhor. Nela salientamos três momentos: Liturgia da Palavra, Adoração da Cruz e Comunhão Eucarística. O Sábado Santo é, por excelência, um dia de silêncio, de meditação, de profundo recolhimento. A Liturgia da Palavra sublinha, toda ela, a entrega de Jesus na Eucaristia e na Cruz, a sua passagem da morte para a vida! Em Quinta-feira Santa, usam-se os paramentos brancos, na Sexta-feira Santa, os vermelhos, e na Vigília Pascal, de novo, os brancos. Nestes três dias, percorramos o itinerário de Jesus, tornando-nos solidários com Ele na Paixão e na Morte, para o sermos também na Ressurreição! Paixão, Morte e Ressurreição 27 28 Tríduo Pascal DEI-VOS O EXEMPLO PARA QUE, ASSIM COMO EU FIZ, VÓS FAÇAIS TAMBÉM > Símbolo: Lava-pés como símbolo do mandamento novo. 1. Encontrados pela Palavra - Êxodo 12,1-8.11-14; - Salmo 116 (115), 12-13.1516b.17-18; - 1 Coríntios 11,23-26; - João 13,1-15. 2. O eco da Palavra na liturgia - “Este dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor” (primeira leitura). - “Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim” (segunda leitura). - “Se não te lavar os pés, não terás parte comigo” (evangelho). - “Dou-vos um mandamento novo: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (evangelho). - “Como agradecerei ao Senhor tudo quanto Ele me deu?” (salmo responsorial). 3. Compromisso “Depende de nós sermos felizes com o Senhor já agora. Mas sermos felizes com Ele agora significa amar como Ele ama, ajudar como Ele ajuda, dar como Ele dá, servir como Ele serve, salvar como Ele salva, ficar vinte e quatro horas com Ele, e encontrá-lo nas suas pobres e humildes aparências” (Madre Teresa de Calcutá). Master of the Housebook, “Passionsaltar” 1475 QUINTA-FEITA SANTA – CEIA DO SENHOR Paixão, Morte e Ressurreição 29 > Oração para rezar na hora eucarística: “Ó grandeza admirável! Que o homem todo se espante, que o mundo todo trema, que o céu exulte, quando sobre o altar, nas mãos do sacerdote, está Cristo, o Filho de Deus vivo! Ó grandeza admirável, ó condescendência assombrosa, ó humildade sublime, ó sublimidade humilde, que o Senhor de todo o universo, Deus e Filho de Deus, se humilhe a ponto de se esconder, para nossa salvação, nas aparências de um bocado de pão! Vede, irmãos, a humildade de Deus e derramai diante dele os vossos corações; humilhai-vos também vós para que Ele vos exalte. Nada de vós mesmos retenhais para vós, a fim de que totalmente vos possua Aquele que totalmente se vos dá” (S. Francisco de Assis). 30 Tríduo Pascal SEXTA-FEIRA SANTA – PAIXÃO DO SENHOR DESDE A FÉ VEMOS A CRUZ DO AMOR > Símbolo: A Cruz. 1. Encontrados pela Palavra - Isaías 52,13 – 53, 12; - Salmo 30, 12 e 6.12-13.15-17.25; - Hebreus 4, 14-16 – 5, 7-9; - João 18, 1 – 19, 42. 2. O eco da Palavra na liturgia Olhai o meu Servo, está desfigurado, mas é a beleza do mundo. Está humilhado, mas é a glória do céu (primeira leitura). Cristo é também o sacerdote que leva a cabo a redenção do mundo. Cristo pode compadecer-se das nossas fraquezas porque possui a experiência de todas as provações (segunda leitura). Na paixão, S. João sublinha a glória do crucificado. É uma narração à luz da Páscoa. No Getsémani, manifesta-se com autoridade e liberdade: Eu sou. Diante do Sinédrio, responde com inteligência e mansidão. A Pilatos, manifesta-lhe a sua realeza e dignidade. Na cruz, cumprem-se as Escrituras: é o Messias trespassado e do seu peito brotam as fontes da graça (evangelho). 3. Vivemos a Palavra > Frases para reflectir, reter e repetir: - “O meu Servo subirá, elevar-se-á e será grandemente enaltecido” (primeira leitura); - “Nós temos um grande sumo-sacerdote, que atravessou os céus, Jesus, Filho de Deus” (segunda leitura); - “Tudo está consumado” (evangelho). Paixão, Morte e Ressurreição 31 > Atitudes a promover: Rever a fé. Sentir-se amado, perdoado, redimido, enriquecido e salvo por Jesus. > Trabalho a desenvolver: Veneração da Cruz. Ao aproximar-te para venerar a Cruz, diz-lhe baixinho: Creio em Deus Pai todo-poderoso de amor. Creio que toda a força de Deus radica no amor. Este Deus-Amor manifestou-se e entregou-se em Jesus Cristo. Reze a oração Senhor, peço-te: Por todos os doentes, especialmente os mais graves, Pelos pobres, que estão na miséria e passam fome. Pelos oprimidos, excluídos, refugiados. Pelos imigrantes que sofrem todo o tipo de exclusão. Pelos encarcerados e torturados. Pelas vítimas das guerras e do terrorismo, Dos acidentes e desgraças naturais. Pelas crianças que são vendidas como escravos, prostituídas, militarizadas. Pelos jovens que estão desempregados e que não encontram trabalho. Pelas famílias desfeitas e que perderam as suas casas por causa da crise. Pelas mulheres vítimas de discriminação, abusos e terrorismo. Pelos velhinhos abandonados e desprezados. Por toda a humanidade que te procura de coração sincero. Por todos nós, para que sintamos nas adversidades a ajuda do teu Espírito Santo. Amén. 32 Tríduo Pascal SÁBADO SANTO No Sábado Santo, a Igreja permanece junto do sepulcro do Senhor, meditando na sua Paixão e Morte. Abstém-se do sacrifício da Missa. É o único dia do Ano Litúrgico em que não se celebra a Eucaristia. A mesa sagrada continua despida até ao momento da Ressurreição celebrado na Vigília pascal. “Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos. Deus morreu segundo a carne e acordou a região dos mortos” (Liturgia das Horas). Propomos como meditação este poema de um grande poeta e místico português: Divinas mãos e pés, peito rasgado, Chagas em brandas carnes imprimidas, Meu Deus, que por salvar almas perdidas, Por elas quereis ser crucificado. Outra fé, outro amor, outro cuidado, Outras dores às vossas são devidas, Outros corações limpos, outras vidas, Outro querer no vosso transformado. Em vós se encerrou toda a piedade, Ficou no mundo só toda a crueza; Por isso cada um deu do que tinha. Claros sinais de amor, ah saudade! Minha consolação, minha firmeza, Chagas do meu Senhor, redenção minha! Frei Agostinho da Cruz Paixão, Morte e Ressurreição 33 34 Tríduo Pascal SÁBADO SANTO VIGÍLIA PASCAL A celebração anual da Páscoa de Jesus tem o seu ponto culminante na Vigília Pascal, coração da liturgia cristã, centro do Ano Litúrgico e “Mãe de todas a vigílias” (St. Agostinho). Nesta Vigília, os cristãos reúnem-se para celebrar, na Esperança e na Alegria, o grande acontecimento da salvação oferecida por Jesus Cristo. Consta de quatro momentos fundamentais: O Lucernário, a Liturgia da Palavra, a Liturgia Baptismal e a Liturgia Eucarística. Assim como Cristo passou da morte para a vida, também os seus discípulos são convidados a uma verdadeira conversão, passando do pecado para a Graça, do ódio para o Amor, da mentira para a Verdade, numa palavra, do mal para o Bem! Só assim poderemos viver verdadeiramente o sentido da Vigília Pascal. Com a Vigília Pascal, começa o chamado Tempo Pascal, que dura 50 dias e termina no domingo do Pentecostes com a grande solenidade do Espírito Santo. A cor dos paramentos é o branco. > Símbolo: A Cruz florida, símbolo da Alegria e da Vida Nova. 1. Encontrados pela Palavra - Primeira leitura: Génesis 1,1-2.2; - Salmo 104 (103), 1-2 a.5-6.10.12-14.24.35c; - Segunda Leitura: Génesis 22, 1-18; - Salmo 16 (15), 5.8-11; - Terceira leitura: Êxodo 14, 15-15,1; - Êxodo 15, 1-6.17-18; - Quarta leitura: Isaías 54,5-14; - Salmo 30 (29), 2.4-6.11-1a. 13b; - Quinta leitura: Isaías 55, 1-11; - Isaías 12, 2-3. 4bcd.5-6; Paixão, Morte e Ressurreição 35 - Sexta leitura: Baruc 3,9-15.32-4,4; - Salmo 19 (18), 8-11; - Sétima leitura: Ezequiel 36, 16-17a.18-28; - Salmo 42 (41), 2-3.5; Salmo 43 (42) 3-4; - Leitura de S. Paulo: Romanos 6, 3-11; - Aclamação ao Evangelho: Salmo 118 (117), 1-2.16ab-17.22-23; - Evangelho: Mateus, 28, 1-10. 2. O eco da Palavra na liturgia Nas leituras da Vigília Pascal, encontramos o resumo da história da salvação desde o princípio (criação) até ao seu ponto mais alto: a Ressurreição. Cristo Ressuscitado é o Homem Novo, o novo Adão, que vem inaugurar uma nova etapa, a etapa definitiva da história salvífica: “considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus” (Rm 6,11). “Não temais. Ide avisar os meus irmãos que partam para a Galileia. Lá Me verão” (Mt 28,10). 3. Vivemos a Palavra Vós, que testemunhastes a alegria De ver Cristo Jesus ressuscitado, Anunciai que já nasceu o dia Em que o homem é salvo do pecado. Levai a grande festa ao mundo inteiro, Proclamai às nações a Boa Nova. Em Cristo, Deus e Homem verdadeiro, A velha humanidade se renova. Cristo ressuscitou, venceu a morte, O seu corpo se envolve em luz divina. Eis o Sol da esperança, eis o Deus forte Que nos liberta e que nos ilumina. A nova criação hoje começa: Jamais triunfará o vil pecado. O Senhor nos cumpriu sua Promessa No sangue do Cordeiro imaculado Liturgia das Horas Páscoa 38 Páscoa DOMINGO DE PÁSCOA – EXULTEMOS E CANTEMOS DE ALEGRIA Imagem a contemplar Laurent de la Hyre, “L’apparition du Christ a la Madeleine”, 1656, Musee des Beaux Arts, Grenoble, France. 1. Partindo da Palavra - Actos dos Apóstolos 10, 34a.37-43; - Salmo 117 (118), 1-2.16ab-17.22-23; - Colossenses 3, 1-4 (ou 1 Coríntios 5, 6b-8); - João 20, 1-9 (na missa da tarde, Lucas 24, 13-35). 2. Meditamos a Palavra A Páscoa é o centro da fé cristã e a razão de ser da sua alegria. Para descobrir Jesus Ressuscitado, é necessário entender a Escritura e saber ler os sinais que nos abrem à fé (evangelho). Purificados do velho fermento, celebremos a festa (segunda leitura alternativa) e, ressuscitados com Cristo, aspiramos às coisas do alto (segunda leitura). Assim nos tornamos testemunhas destes acontecimentos (primeira leitura). Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria (salmo responsorial). 3. Que havemos de fazer? - Participar na Vigília Pascal e viver com elevação e alegria o dia de Páscoa. - Meditar a frase: “Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra” (segunda leitura). - Contemplar a pintura. . Não nos ardia o coração? 39 > Para rezar e/ou cantar durante a semana Nasceu o Sol da Páscoa gloriosa, Ressoa pelo céu um canto novo, Exulta de alegria a terra inteira. Rei imortal, contigo glorifica Neste dia de glória os que em teu nome Renasceram das águas do Baptismo. Dos abismos da morte e da tristeza Sobe o senhor Jesus à sua glória, Libertando os antigos Patriarcas. E desça sobre a Igreja e sobre o mundo, Como penhor de paz e de esperança, A luz da tua Páscoa esplendorosa. Sem saber que o sepulcro está vazio, A guarda, vigilante, testemunha O poder do Senhor ressuscitado. Cantemos a deus Pai e a seu Filho, Louvemos o Espírito de amor, Agora e pelos séculos sem fim. Liturgia das Horas 40 Páscoa SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA – FELIZES OS QUE ACREDITAM SEM TEREM VISTO Imagem a contemplar Rembrandt, “The Incredulity of Saint Thomas”, 1601, Novo Palácio de Potsdam, Alemanha. 1. Partindo da Palavra - Actos dos Apóstolos 2, 42-47; - Salmo 117 (118), 2-4.13-15.22-24; - 1 Pedro 1, 3-9; - João 20, 19-31. 2. Meditamos a Palavra As narrativas das aparições de Jesus Ressuscitado, que tão bem sublinham os dons da paz e do Espírito, têm como objectivo despertar e fortalecer a fé daqueles que acreditam sem terem visto (evangelho). A fé traduz-se em atitudes concretas (primeira leitura) que lhe conferem credibilidade e são o mais eloquente testemunho de Jesus Ressuscitado. Ao tornar-se possível a salvação, gera-se uma alegria inefável e gloriosa (segunda leitura). 3. Que havemos de fazer? - Procurar dar um bom conselho e consolar alguém que ande triste. - Meditar a frase: “Porque me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto” (evangelho). - Contemplar a pintura. Não nos ardia o coração? 41 > Para rezar e/ou cantar durante a semana Aplaudam mares e terra, Exulte o céu nas alturas; Cristo ressurge da morte Dando vida às criaturas. Crentes na sua palavra, Já vivemos a esperança De com Ele ressurgirmos Para a Bem-aventurança. Voltam os felizes tempos, Da salvação nasce o dia; Com o sangue do Cordeiro Novo mundo principia. Aquele que nos alegra, Renascidos pela graça, Do seu eterno triunfo Participantes nos faça. Redimiu as nossas culpas Quem sofreu na cruz a morte; Cantando a morte vitória, Venceu-a quem é mais forte. Liturgia das Horas 42 Páscoa TERCEIRO DOMINGO DA PÁSCOA NÃO NOS ARDIA O CORAÇÃO? Imagem a contemplar Caravaggio, “Supper at Emmaus’’, 1600-01, National Gallery, London. 1. Partindo da Palavra - Actos dos Apóstolos 2, 14.22-33; - Salmo 15 (16), 1-2a.5.7-8.9-10.11; - 1 Pedro 1, 17-21; - Lucas 24, 13-35. 2. Meditamos a Palavra Ninguém melhor do que o próprio Jesus Ressuscitado poderia desvendar as Escrituras, provocando o ardor do coração e preparando o reconhecimento pela fracção do pão. Da nossa parte, são necessários os ouvidos para escutar, a disponibilidade para acolher e a coragem para testemunhar (evangelho e primeira leitura). Cristo ressuscitado dos mortos faz-nos arder o coração de alegria (evangelho) e colocar em Deus a fé e a esperança (segunda leitura). 3. Que havemos de fazer? - Escutar atentamente as leituras para descobrir Jesus Ressuscitado na fracção do pão e viver o acolhimento aos outros como um dos lugares da presença de Jesus Ressuscitado. - Meditar a frase: “Vivei com temor, durante o tempo de exílio deste mundo” (segunda leitura). - Contemplar a pintura. Não nos ardia o coração? 43 > Para rezar e/ou cantar durante a semana Fica connosco, Senhor, porque anoitece. Como Te encontraremos, Ao declinar do dia, Se o teu caminho não cruzar O nosso caminho? Fica connosco, Dá-nos a tua luz: E a alegria vencerá A escuridão da noite. Venham às nossas mãos, Para Ti estendidas, As chamas acesas do Espírito, Fonte da Vida; E purifica no mais fundo Do coração do homem A tua imagem Que a culpa escureceu. Vimos romper o dia Sobre o teu belo rosto, E o sol abrir caminho Em tua fronte: Não deixes o vento da noite Apagar o fogo novo Que, ao passar, na manhã, Tu nos deixaste. Liturgia das Horas 44 Páscoa QUARTO DOMINGO DA PÁSCOA EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA Imagem a contemplar Autor desconhecido, Imagem do bom Pastor. 1. Partindo da Palavra - Actos dos Apóstolos 2, 14a.36-41; - Salmo 22 (23), 1-3a.3b-4.5; - 1 Pedro 2, 20b-25; - João 1, 1-10. 2. Meditamos a Palavra No Domingo do Bom Pastor, a nossa relação com Jesus é dita com a linguagem da pastorícia. Se éramos como ovelhas sem pastor, agora voltamos para o pastor e guarda das nossas almas (segunda leitura). De facto, Ele é o nosso pastor que nos faz ter vida em abundância (evangelho), a ponto de nada nos faltar (salmo responsorial). A pergunta “que havemos de fazer, irmãos?” suscita a resposta que nos indica o caminho da salvação (primeira leitura). 3. Que havemos de fazer? - Visitar um doente, ajudando-o a suportar o sofrimento com paciência. - Meditar a frase: “Vós éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas” (segunda leitura). - Contemplar a pintura. Não nos ardia o coração? 45 > Para rezar e/ou cantar durante a semana Cristo, Verbo de Deus Pai, Rei glorioso dos santos, Luz e salvação do mundo, Nós Te louvamos. Cristo, Cordeiro de Deus, Caminho, verdade e vida Do rebanho peregrino, Nós Te seguimos. Sacerdote do Altíssimo, Supremo Pastor da Igreja, Mediador da humanidade, Em Ti esperamos. Com a luz do teu Espírito Orienta os nossos passos Às fontes das águas vivas Na glória eterna. Liturgia das Horas 46 Páscoa QUINTO DOMINGO DA PÁSCOA NÃO SE PERTURBE O VOSSO CORAÇÃO Imagem a contemplar Luigi Garzi, “Stoning of Saint Stephen”, 1600-1700. 1. Partindo da Palavra - Actos dos Apóstolos 6, 1-7; - Salmo 32 (33), 1-2.4-5.18-19; - 1 Pedro 2, 4-9; - João 14, 1-12. 2. Meditamos a Palavra É o anúncio da palavra de Deus, a cargo dos Apóstolos, que faz crescer a Igreja, na quantidade e na qualidade (primeira leitura). Mediante a pedra rejeitada que se tornou pedra angular, tornamo-nos pedras vivas que entram na construção da Igreja, o templo espiritual que cada um de nós integra (segunda leitura). Pela comunhão que mantém com o Pai, Jesus é para nós “o caminho, a verdade e a vida”. Temos muitas razões para que não se perturbe o nosso coração (evangelho). 3. Que havemos de fazer? - Viver em atitude de grande confiança em Jesus Cristo, olhando-o como caminho, verdade e vida. - Meditar a frase: “em casa de meu Pai há muitas moradas” (evangelho). - Contemplar a pintura. Não nos ardia o coração? 47 > Para rezar e/ou cantar durante a semana Ó Senhor Jesus Cristo, Sois o homem primeiro Da nova humanidade. O Senhor Jesus Cristo, Imagem do Invisível, Palavra criadora. Sois luz que não se extingue, Sol que não tem ocaso, Fulgor da eternidade. Sois vencedor da morte, Sois o Ressuscitado, Nossa luz redentora. Sois deus que se fez homem, Sois fonte de alegria, Sois nossa liberdade. Sois a vida sem termo, O caminho sem erro, Páscoa libertadora. Liturgia das Horas 48 Páscoa SEXTO DOMINGO DA PÁSCOA HOUVE MUITA ALEGRIA... A TERRA INTEIRA ACLAME O SENHOR Imagem a contemplar Autor desconhecido, Imagem de alegria Pascal. 1. Partindo da Palavra - Actos dos Apóstolos 8, 5-8.14-17; - Salmo 65 (66), 1-3a.4-5.6-7a.16 e 20; - 1 Pedro 3, 15-18; - João 14, 15-21. 2. Meditamos a Palavra “Cristo morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito” (segunda leitura). É este o Espírito que Jesus promete àqueles que, pela observância dos seus mandamentos, o amam. Ele é definido como Defensor e Espírito da Verdade (evangelho). Vem para confirmar na fé aqueles que a ela aderiram mediante a escuta da palavra de Deus. É Ele quem motiva a incontida alegria pascal (primeira leitura). 3. Que havemos de fazer? - Dedicar algum tempo a fazer revisão de vida, à luz dos mandamentos, para que seja possível conservar uma boa consciência. - Meditar a frase: “Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente me ama” (evangelho). - Contemplar a pintura. Não nos ardia o coração? > Para rezar e/ou cantar durante a semana Na glória do teu rosto contemplamos, Jesus, Filho Unigénito de Deus, A Beleza divina que floresce Nas moradas eternas lá dos Céus. Se a luz da eterna vida que pregaste As trevas deste mundo recusaram, Dá, Deus benigno, a tua plenitude Àqueles que em Ti creram e Te amaram. Companheiro do homem peregrino, Através dos perigos desta vida, Conduz os nossos passos sempre firmes, A caminho da Terra Prometida. Louvor e glória a Ti, ó Pai celeste, E ao Filho, tua imagem e esplendor, E ao Espírito de ambos procedente: Ambos unindo num eterno amor. Liturgia das Horas 49 50 Páscoa ASCENÇÃO DO SENHOR SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS... EU ESTOU SEMPRE CONVOSCO Imagem a contemplar Rembrandt, “The Ascesion”, 1636, Munique, Alemanha. 1. Partindo da Palavra - Actos dos Apóstolos 1, 1-11; - Salmo 46 (47), 2-3.6-7.8-9; - Efésios 1, 17-23; - Mateus 28, 16-20. 2. Meditamos a Palavra O mandato (“ide e ensinai...”) e a promessa de Jesus (“eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”) (evangelho) faz dos Apóstolos seus anunciadores e testemunhas por toda a terra (primeira leitura). Precisam, contudo, que Deus lhes conceda um espírito de sabedoria e de luz que os ilumine e os faça conhecer a grandeza e o poder de Deus, manifestados na ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos (segunda leitura). 3. Que havemos de fazer? - Dedicar algum tempo a anunciar o evangelho na família ou na catequese paroquial. - Meditar a frase: “recebereis a força do Espírito Santo (...) e sereis minhas testemunhas (...) até aos confins da terra” (primeira leitura). - Contemplar a pintura. Não nos ardia o coração? > Para rezar e/ou cantar durante a semana Lá vos tornais, Senhor, onde subistes Para lá nos subir onde descestes; Nascestes para nós, por nós morrestes, Morto por nos dar vida ressurgistes. A nossa humanidade que vestistes, Vestida para o Céu levar quisestes; E tudo quanto nela merecestes Connosco livremente repartistes. O nascer, o morrer, o ressurgir, O subirdes ao Céu por nos mostrar O caminho por onde havemos de ir, Tudo tem muito em si que contemplar; Mais, muito mais em mim ver-Vos partir, Sem Vos poder, meu Deus, acompanhar. Liturgia das Horas 51 52 Páscoa DOMINGO DE PENTECOSTES FICARAM CHEIOS DE ALEGRIA... Imagem a contemplar El Greco, “Pentecostes”, 1600, Museo del Prado, Madrid, Espanha. 1. Partindo da Palavra - Actos dos Apóstolos 2, 1-11; - Salmo 103 (104), 1 abc.24ac.29bc-30.31.34; - 1 Coríntios 12, 3b-7.12-13; - João 20, 19-23. 2. Meditamos a Palavra Ao verem o ressuscitado, os discípulos ficaram cheios de alegria. O Espírito Santo, que é fonte do perdão dos pecados (evangelho) e se manifesta com muitos sinais, torna possível a compreensão da mensagem cristã (primeira leitura) e garante a comunhão eclesial, na confissão de uma só fé e na articulação dos diversos dons e serviços (segunda leitura) com que se tece a vida das comunidades crentes. 3. Que havemos de fazer? - Promover atitudes de paz, perdoando alguma ofensa que tenham cometido contra nós. - Meditar a frase: “Ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’ a não ser pela acção do Espírito Santo”. - Contemplar a pintura. Não nos ardia o coração? 53 > Para rezar e/ou cantar durante a semana Vem, ó Espírito Santo, E da tua luz celeste, Soltando raios piedosos, Nossos ânimos reveste. És no trabalho descanso, Refresco na calma ardente; És no pranto doce alívio De um ânimo penitente. Pai carinhoso dos pobres, Distribuidor da riqueza, Vem, ó luz dos corações, Amparar a natureza. Suave origem do bem, Ó fonte de luz divina, Enche nossos corações, Nossas almas ilumina. ... Os sete dons com que alentas Os que humildes te confessam, Aos teus devotos concede Sempre fiéis to mereçam. Vem, Consolador supremo, Das almas hóspede amável, Suavíssimo refrigério Do mortal insaciável. Liturgia das Horas VIA SACRA 56 Páscoa PRIMEIRA ESTAÇÃO JESUS NO JARDIM DE GETSÉMANI P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Fez-se noite em Jerusalém e fez-se noite na alma de Jesus. Entra em agonia. Os príncipes da noite fazem-no tremer. Jesus grita ao Pai, chora, sua sangue. Toda a tristeza do mundo dentro dele. E Jesus está só. Aí estão três discípulos bem próximo, mas estão muito longe, dormem, não compreendem nada. O que susteve Jesus foi a vontade do Pai: Não o que eu quero mas o que Tu queres. Essa opção salvou o mundo. Salva-me, Senhor, também a mim. Salva-me da minha debilidade e da minha autossuficiência. Salva, Senhor, todos os que estão sofrendo a sua triste hora e passando pela sua noite escura. Assim como Jesus, sejamos fiéis ao Pai. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia Não nos ardia o coração? 57 SEGUNDA ESTAÇÃO JESUS, ATRAIÇOADO POR JUDAS, É PRESO P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Muito doeu a Jesus a traição do seu discípulo. O beijo de Judas foi como uma lança no seu coração. Se me tivesse ultrajado um inimigo, eu poderia suportá-lo; se contra mim se levantasse quem me odeia, desse, eu poderia esconder-me. Mas tu, um homem como eu, meu amigo e confidente, com quem eu partilhava conselhos agradáveis, com quem ia feliz para a casa de Deus! (Sl 50, 13-15). Depois veio o aprisionamento, as espadas, as cordas. Jesus, o homem livre, deixa-se manietar para romper todas as cordas que nos atam. Senhor Jesus, ajuda a libertar-nos e a sermos libertadores. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia 58 Páscoa TERCEIRA ESTAÇÃO JESUS É CONDENADO PELO SINÉDRIO P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Jesus é julgado por um tribunal religioso e político, o Sinédrio. Em nome de Deus condenam como blasfemo o próprio Filho de Deus. Condenam-no porque não encaixa nos seus esquemas religiosos. Condenam Jesus porque fala em destruir o Templo e porque o frequenta pouco, porque não cumpre a Lei nem guarda o sábado, porque come e bebe com os pecadores, porque não odeia os romanos, porque proclama o perdão aos inimigos, porque é pobre e anda rodeado de gente pobre e marginalizada, porque critica as autoridades, porque é um perigo para o povo. E Jesus cala. Os seus amigos também. Ninguém o defende. Apenas confia no Pai. Confia e espera. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia Não nos ardia o coração? 59 QUARTA ESTAÇÃO JESUS É NEGADO POR PEDRO P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Pedro - quem melhor conhecia Jesus? Pedro, o mais amigo de Jesus, agora fala desse homem. Pedro, o mais próximo de Jesus, agora queria estar o mais longe possível. Três vezes não. Não, não, não, que palavra feia, sobretudo na boca do amigo e do discípulo. Foi por imprudência, por autossuficiência, por cobardia. Depois vêm as lágrimas. E sobretudo o olhar de Jesus, profundo, amigo, misericordioso. Um olhar que o julga e que o salva. Olha-me, Senhor, também a mim. Eu tenho muito que chorar. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia 60 Páscoa QUINTA ESTAÇÃO JESUS É JULGADO POR PILATOS P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Pilatos, sentado no tribunal, voltou a condenar Jesus, porque se fazia rei, porque alvoroçava o povo, porque punha em perigo o seu posto. A causa era o menos. Havia interesses ocultos. São tantos os injustamente condenados, inumeráveis filhos de Deus, povos inteiros. Em todos eles, Jesus recebe uma condenação injusta. Na realidade, Pilatos condena sem condenar, porque sabia que era inocente, sabia que o entregavam por inveja, não queria matá-lo. Pilatos condena por omissão, por não o ter defendido como devia, por lavar-se as mãos. Quantas vezes imitamos Pilatos lavando-nos as mãos e não defendendo os inocentes. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia Não nos ardia o coração? 61 SEXTA ESTAÇÃO JESUS É FLAGELADO E COROADO DE ESPINHOS P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Jesus é o Servo de Deus: Aos que me batiam apresentei as espáduas…, não desviei o meu rosto dos que me ultrajavam e cuspiam… Desfigurado… abandonado pelos homens, como alguém cheio de dores, habituado ao sofrimento. Temos um rei de dor e de sangue. Assim foi apresentado ao povo: “Eis o homem”. É o Filho do Homem, mas não parecia homem. No seu rosto resplandecia a Glória do Pai, mas parecia sem especto atraente. Mas foi ele quem nos redimiu. Na verdade, ele tomou sobre si as nossas doenças, carregou as nossas dores... e pelas suas chagas fomos curados. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia 62 Páscoa SÉTIMA ESTAÇÃO JESUS CARREGA COM A CRUZ P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Terá forças para levá-la? Era a cruz de todos os homens. Jesus tinha dito: “Vinde a mim vós que andais carregados…” Era a carga de todos os homens e o pecado de toda a humanidade. Agora que Jesus carregou com a cruz humana, todas as cargas são mais suaves e mais fáceis de levar. Agora todo o peso está redimido e nos une mais a Cristo e nos santifica. Põe todas as tuas cargas sobre Jesus ou deixa que ele te acompanhe e verás como o teu peso se converte em graça. E tu assim aliviado, corre a aliviar os outros. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia Não nos ardia o coração? 63 OITAVA ESTAÇÃO JESUS É AJUDADO PELO CIRENEU A LEVAR A CRUZ P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Jesus veio para nos ajudar, é o nosso Salvador. Mas é também o Deus que se deixa ajudar. E não é por uma questão de dar exemplo. É porque na realidade precisa da nossa ajuda. O que é mais admirável: um Deus que carrega com as nossas cruzes ou um Deus que pede a nossa colaboração? O Cireneu, sem saber, ajudou o Redentor. Tu também podes continuar a ajudá-lo: cada vez que ajudas alguém a ultrapassar um obstáculo; quando dás valor ao seu trabalho; quando fazes companhia a alguém para que ele não se sinta só; quando alegras com a tua presença os dias sombrios de alguém… estás ajudando o Senhor. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia 64 Páscoa NONA ESTAÇÃO JESUS ENCONTRA AS MULHERES DE JERUSALÉM P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Às vezes, menosprezamos as lágrimas como sinal de debilidade e de ineficácia. Mas, benditas estas mulheres que choravam e se lamentavam por Jesus. Elas não podiam fazer outra coisa, mas pelo seu choro transmitem proximidade e compaixão. Não têm sequer forças para levar a cruz, mas oferecem as suas lágrimas. Choram com Jesus. São muitas as vezes que não se pode fazer outra coisa. Não há resposta libertadora, não valem as palavras, só o silêncio, a proximidade, a oração e a compaixão, quer dizer, as lágrimas. Oxalá tivessem chorado todos. Talvez as coisas tivessem mudado radicalmente. Oxalá, hoje mesmo, em vez de tantas palavras e programas, tivéssemos mais lágrimas. Oxalá chorassem os políticos e os mercados financeiros, os terroristas e os belicosos… Se todos chorássemos, o nosso mundo teria mais paz e seria mais fraterno. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia Não nos ardia o coração? 65 DÉCIMA ESTAÇÃO JESUS É CRUCIFICADO P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Jesus não protesta nem maldiz. É como cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador. Mas agora sim, escutam-se umas palavras. São de oração e de perdão: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” Estas são palavras novas que se ouvem pela primeira vez na terra. Realmente este homem é verdadeiramente o Filho de Deus. Jesus crucificado, tu assumes toda a dor do mundo e todas as cruzes humanas. Ensina-nos a rezar e a perdoar sobretudo nas cruzes do dia-a-dia. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia 66 Páscoa DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO JESUS PROMETE O SEU REINO AO BOM LADRÃO P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Este ladrão é um homem aberto à graça. Sabe ler os sinais. Dá-se conta que Jesus nada fez de mal, que não merece castigo. Ao ver como sofre, como reage, como perdoa, capta algo do mistério. Essa mansidão, essa liberdade, essa generosidade são próprias de um rei. Este homem vem de Deus. E começa a crer em Jesus. Apesar das aparências, apesar da derrota e da humilhação, pede a Jesus uma lembrança no seu Reino. Um grande exemplo de fé. É o primeiro fruto da Redenção. Jesus promete-lhe algo mais do que uma lembrança. Promete-lhe proximidade e presença. Hoje estarás comigo no Paraíso. Vivias no inferno da violência e do ódio, mas já estás comigo. Já começas a viver na humildade e no amor. Já começas a estar no Paraíso. Viveremos sempre juntos no reino do Pai. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia Não nos ardia o coração? 67 DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO JESUS NA CRUZ, SUA MÃE E O DISCÍPULO P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Maria estava ali aos pés de Jesus. Ela não estava a olhar, estava a contemplar, comungando, assumindo toda a paixão do filho. Só se está verdadeiramente quando se ama. João também estava, porque amava e porque era o discípulo amado. Jesus olha enternecido para os dois e preocupa-se por eles. Antes de morrer, como em testamento, faz-lhes uma mútua entrega: que a mãe não fique sem filho e que o filho não fique sem mãe. A humanidade já não está órfã. Maria é a mulher que colabora na luta contra o mal e dá à luz uma nova raça, vitoriosa. E João é o discípulo que crê. É todo aquele que crê que uma nova vida é possível com Jesus. Maria, ao receber João como filho, torna-se a mãe de todos os crentes, a mãe da Igreja, a casa de João, casa de todos os discípulos. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia 68 Páscoa DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO JESUS MORRE NA CRUZ P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Jesus morreu entre dois gritos, o grito desgarrado do abandono e o grito confiante da entrega. Ambos os gritos são oração rezada com os Salmos. Jesus cravado na Cruz oferece-se ao Pai como oferenda de suave odor. Sente toda a espécie de tormentos, inclusive a sede. Mas o tormento mais angustiante é o abandono do Pai, a sua verdadeira noite escura, a falta de sentido. Por isso grita com voz forte: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste? (Sl 22). Mas no final sente que a sua missão de obediência filial ao Pai está realizada, por isso grita com confiança: Nas tuas mãos, SENHOR, entrego o meu espírito (Sl 31). E foi a paz, foi a confiança, foi a salvação, foi o triunfo da cruz. Tudo está consumado, Triunfou a graça, triunfou o amor. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia Não nos ardia o coração? 69 DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO JESUS É COLOCADO NO SEPULCRO P/ Nós te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Jesus foi enterrado num jardim onde se cultiva a vida. Mais do que um enterro foi uma sementeira. Fica um vazio grande. Mas também há paz e serenidade. Começa o tempo do silêncio porque o Verbo, a Palavra está enterrada. Começa o tempo da espera, que é próprio da sementeira. Uma espera certa, curta, intensa. Porque ao terceiro dia a vida voltará a florescer e toda a morte será vencida. É o tempo de preparar os aromas e de acender as lâmpadas porque o Amado chega, a Vida sempre está ressuscitando. É a grande notícia para todos os que morreram ou estão crucificados. Cristo morre connosco para ressuscitar também connosco. Seguimos esperando. Tudo está tocado de ressurreição. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia 70 Não nos ardia o coração? DÉCIMA QUINTA ESTAÇÃO JESUS RESSUSCITOU P/ Nós Te adoramos e bendizemos, ó Jesus. T/ Que remiste o mundo pela Tua santa Cruz. Todas as Páscoas culminam e se plenificam na de Jesus Cristo. A sua passagem da morte à vida, vivificado pelo Espírito de Deus é uma nova criação, uma plena libertação, uma efusão de santidade. Nova criação, com Cristo a vida começa de novo. Ele é o novo Adão, o modelo do homem novo. Plena libertação, ele é a verdade que nos liberta, é quem nos desata de todas as ligaduras, quem rompe as nossas cadeias, quem nos levanta e nos manda caminhar: Vai a tua fé te salvou. Efusão de santidade, porque o pecado já ficou cravado na cruz e enterrado no sepulcro. Agora impõe-se o perdão, a justiça, o amor, o pedido do Pai: sede santos porque Eu sou santo! Tudo está envolto em eternidade. Já não se morre, porque Cristo derrotou a morte. Já nunca se morre. Vive-se para sempre. Pai Nosso Meu Jesus, Misericórdia Evangelho da alegria MISSIONÁRIOS DO VERBO DIVINO www.verbodivino.pt Apartado 2 2496-908 FÁTIMA Tel. 249 532 163 Rua de S. Torcato, 1721 4800-024 GUIMARÃES Tel. 253 516 486 Apartado 22 6201-908 TORTOSENDO Tel. 275 951 135 Rua S. Tomás de Aquino, 15 1600-203 LISBOA Tel. 217 220 200 O Evangelho, onde resplandece gloriosa a Cruz de Cristo, convida insistentemente à alegria. Apenas alguns exemplos: «Alegra-te» é a saudação do anjo a Maria (Lc 1, 28). A visita de Maria a Isabel faz com que João salte de alegria no ventre de sua mãe (cf. Lc 1, 41). No seu cântico, Maria proclama: «O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador» (Lc 1, 47). E, quando Jesus começa o seu ministério, João exclama: «Esta é a minha alegria! E tornou-se completa!» (Jo 3, 29). O próprio Jesus «estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo» (Lc 10, 21). A sua mensagem é fonte de alegria: «Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa» (Jo 15, 11). A nossa alegria cristã brota da fonte do seu coração transbordante. Ele promete aos seus discípulos: «Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria» (Jo 16, 20). E insiste: «Eu hei-de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há-de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria» (Jo 16, 22). Depois, ao verem-No ressuscitado, «encheram-se de alegria» (Jo 20, 20). O livro dos Actos dos Apóstolos conta que, na primitiva comunidade, «tomavam o alimento com alegria» (2, 46). Por onde passaram os discípulos, «houve grande alegria» (8, 8); e eles, no meio da perseguição, «estavam cheios de alegria» (13, 52). Um eunuco, recém-baptizado, «seguiu o seu caminho cheio de alegria» (8, 39); e o carcereiro «entregou-se, com a família, à alegria de ter acreditado em Deus» (16, 34). Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria? (Papa Francisco, O Evangelho da alegria, 5) Rua da Constituição, 1 Apartado 4 7700-999 ALMODÔVAR Tel. 286 662 283 Praça da República, 98 D 6050-350 NISA Tel. 245 123 338 DEPARTAMENTO DE ANIMAÇÃO BÍBLICA DA PASTORAL - BRAGA