Continhos sobre arte
Liliane Prata
O sol azul
(publicado na revista Nova Escola – edição de dez/2008)
A professora pediu para todo mundo fazer um desenho.
Beto abriu seu caderno, cheinho de folhas brancas. Bateu o
olho no giz de cera azul. Pegou e fez um sol. E sol pode ser
azul?
Pode, sim! E sabe do que mais? Também pode ser
verde, rosa, vermelho e até cinza com bolinhas roxas. No céu
de verdade, o sol parece que é amarelo, mas isso é no céu de
verdade! No papel, pode de todo jeito. O que não pode é ter
preguiça de usar a imaginação.
Na imaginação, o sol pode ser diferente. A menina
também. Ela pode ter laço de fita ou chapéu na cabeça. Pode ter
cabelo comprido, curto, solto ou preso – pode até ser careca! O
menino pode ser grande ou pequeno, sério ou risonho, colorido
por dentro ou levar só um contorno de lápis preto. A imaginação não dá muita bola para a realidade, não: ela é mais amiga
da fantasia, da liberdade, da arte e da vontade!
Beto aproveitou o sol azul e fez uma árvore amarela.
Ele achou que ficou bonito. E não é que ficou mesmo? Lembra
até aquele quadro que ele viu na casa da tia dele. Para você que
não viu o quadro, vou contar como é.
Tinha o desenho de uma mulher, mas que mulher
esquisita aquela: além de amarela, ela voava! Mas espere um
pouco: não era uma mulher, mas era um quadro. O quadro que
ficava na casa da tia do Beto, lembra? E quadro é que nem papel que a gente usa para desenhar. Pode ter as coisas do jeitinho
que a gente costuma ver. Mas também pode ter gente amarela e
que voa!
Beto olhou para o papel: ele tinha agora um sol azul,
uma árvore amarela e até uma nuvem em forma de flor. A nuvem parecia voar no caderno, mas ela voava era na cabeça de
Beto, onde cabiam nuvens voando e muito mais.
- Professora, o Beto fez um sol azul! - gritou João, lá do
fundo da sala.
Beto então contou para o João que já tinha visto um
quadro com mulher amarela que voava. Quando a professora
chegou até os dois, João tinha desenhado uma montanha listrada. Aposto que você nunca viu uma montanha listrada. Mas
a cabeça do João já...
O que é uma poesia?
Você sabe o que é uma poesia?
Se não sabe, vou explicar.
É um texto assim bem bonitinho
Que pode ou não combinar.
A gente dá o nome “rima”
À palavra que combina
Casa e asa, uva passa e pirraça,
Ou então João e o Pé de Feijão.
A poesia rimadinha
Fica bem organizadinha
Como um quarto de brincar
Com cada brinquedo no lugar.
Poesia assim, você pode saber:
não gosta de bagunça, não
Gosta de ter a palavra na mão
E fazê-la obedecer.
Mas a poesia pode ser aventureira
Nem sempre ela quer tudo em ordem
Às vezes, ordem demais pode atrapalhar
Sabia?
Pois, se tudo está bem guardado,
Como pode haver liberdade?
Por isso, existe poesia
Que adora uma boa regrinha
Que faz questão de uma linda riminha
Mas também existe poesia
Que gosta de voar, voar, voar...
Voar por palavras e ideias
Usar letras, frases e sonhos
Para nos fazer sonhar
Olhar o mundo e mostrar pra gente
Cheirar as flores e nos perfumar
Trazer chuva e sol lá de fora
E pensamentos novinhos aqui dentro.
Hoje em dia, tem até poesia
Que gosta de se mexer no papel
Ela faz um desenhinho
Por exemplo, imitando um t
r
e n
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
A gente sabe que a poesia está parada
Mas não é que ela parece toda animada?
A poesia é amiga da palavra
E a palavra é amiga de todo mundo
Porque a palavra gosta mesmo é do mundo!
E de tentar mostrar tudo o que tem nele.
Com poesia
Tudo fica mais bonito
Até aquele sentimento esquisito
Ganha nome, forma e sabor
Porque lendo uma coisa diferente
A gente entende o que tá dentro da gente
A gente se emociona e imagina
Imagina mil coisas
Depois de ler a vida em forma de poesia...
z
i
n
h o
Teresa e o giz de cera vermelho
Teresa era pequenininha. Nunca tinha visto um giz de
cera.
O giz de cera conhecia outras crianças, mas nunca tinha
visto Teresa.
Quando Teresa e o giz de cera se encontraram, ele ficou
paradinho. Era o jeitinho dele: vermelho e quieto, faça chuva
ou faça sol. Tereza era colorida e inquieta. Ela tinha olhos
marrons, cabelo cor de mel e boca rosa. E não parava de pular
e correr. Mas, quando viu aquele pedacinho de uma cor só,
paradinho, também parou. Pegou o pedacinho com uma mão.
Ficaram se olhando. E agora?
Alguém deu um papel para Teresa. Ela olhou para o
papel, branquinho. Olhou o pedacinho vermelho. O papel e
o pedacinho vermelho olharam para Teresa, com vontade de
gritar: brinca com a gente! Mas nem o papel nem o giz de cera
sabiam gritar.
Teresa ficou ali, olhando, olhando. Girou o giz para um
lado. Girou para o outro. Era gostoso, o giz achava. Mas o que
ele queria mesmo era brincar com Teresa e com o papel.
Teresa pegou o papel. Era liso, fininho. Teresa amassou
o papel de levinho. Ele não ficou bravo, não: fazia cócegas!
Mas o que ele queria, mesmo, era brincar com Teresa e o giz de
cera.
Alguém pegou a mão de Teresa e colocou em cima do
papel. Ela não entendeu. Era melhor ficar com as mãos soltas,
fazendo o que quiser com o giz e o papel!
Mas, então, ela viu um pontinho vermelho no papel.
Aquele pontinho não estava lá. O papel era todo branquinho. De onde tinha vindo aquele pontinho?
Sozinha, ela mexeu a mãozinha em cima do papel,
levando o giz para lá e para cá. Agora, ele não estava mais quietinho. Estava se mexendo, todo prosa! E, para onde ele ia, um
traço vermelho o seguia. Tereza ficou encantada. Que brincadeira gostosa! Ela desenhava círculos, nuvens e coisas que nem
sabia dizer o que eram. O que ela sabia é que, agora, não queria
mais saber de ficar longe do giz de cera e do papel.
Depois, Teresa conheceu mais coisas!
Conheceu a tinta. Tinha tinta molhada, seca, bem
colorida, brilhante! A tinta era amiga do pincel. Conheceu o
lápis de cor, a canetinha e a purpurina, que sabiam bem quem
era o papel! Teresa descobriu que o papel tinha uma família
bem grande, com parente de todo tipo. Tinha papel laminado,
papel colorido, papel grosso, papel fino, cartolina, tinha até
papelão! Teresa viu as telas brancas, dessas que viram quadros,
conheceu a argila, visitou a massinha, brincou com lã, pedaços
de pano e linha, ficou amiga da tesoura, do algodão e da cola
colorida!
Teresa ganhou vários amigos novos, que adoravam
brincar com ela.
Ela também adorava brincar com eles, e então a diversão era completa.
Quem vê Teresa hoje, mal se lembra daquela menina
pequenininha, que ainda não sabia o que fazer com um pedacinho de giz de cera vermelho na mão.
Teresa, agora, sabe o que fazer com o giz de cera vermelho, o amarelo, o verde... sabe que eles são para brincar e
usar a imaginação.
Céu de biscoito
Tampa de iogurte, pote de margarina, latinha de leite
em pó. Do lado da caixa grandona, tem uma cheia de buracos:
a grande é de sabão, a cheia de buracos é de ovos. Embalagem
da barra de chocolate, pote de sorvete, saco vazio de biscoitos. Hora das caixinhas: a de suco tem até um canudinho, e a
de gelatina está perto da menorzinha de todas – a de fósforos.
Ana pegou tudo isso e colocou dentro do cesto de lixo. “Não!”,
gritou Rodrigo lá da sala, ao escutar aquele barulho de gente
jogando fora coisa boa. “O que foi, menino?”, perguntou Ana.
Rodrigo tirou as coisas do lixo, lavou os potes e conferiu se não
tinha resto de comida nas caixas. Então, Ana percebeu. Aquele
lixo tinha um nome engraçado: sucata.
Você sabe o que é sucata?
É o velho que vira novo.
É o inútil que fica útil.
É o que não tinha importância nenhuma, até ganhar um
olhar diferente.
Sucata vira brincadeira, beleza, criatividade. Sucata vira
arte. Quer ver?
O pote de margarina ganha quatro tampinhas e se
transforma num carro. O iogurte pode ter braços e pernas de
palito de fósforo. E não era a mamãe que queria um novo vaso
para as flores? Depois de encontrar o papel colorido, a tesoura
e a cola, a caixa de suco quer mais é receber uma linda rosa.
A garrafa de refrigerante, cortada ao meio, parece um potinho.
Enfeitada, é um bonito porta-treco!
Rodrigo pegou uma folha de papel e desenhou uma
casa, um céu e uma montanha. O céu ficou tão grande que
cabia alguma coisa a mais. Então Rodrigo pegou o saquinho
vazio de biscoito e recortou todinho. Com a cola, pregou os
pedacinhos no céu. Que céu diferente, esse do Rodrigo! Dá
para olhar, dá para passar a mão, dá para pensar: que delícia
seria um céu feito de biscoito...
Quando chegou em casa, Rodrigo mostrou sua colagem
para Ana, que ficou encantada. “O que é isso no céu?”, perguntou ela. “É saco de biscoito”, respondeu Rodrigo. Saco de
biscoito?
Imagine a cara da Ana ao ver que a caixa de ovos,
agora, era um robô escondido na mochila do Rodrigo...
O piano da tia Lalá
A mãe de Bianca avisou: era hora de visitar a tia Lalá.
Bianca ficou toda contente. Na casa da tia Lalá, havia
um pedaço de madeira bem grande. Quando abriam a tampa
dele, aparecia um monte de pedacinhos brancos e pretos. Tia
Lalá tinha explicado: os pedacinhos eram as teclas, aquele era
um piano. Não era mesa nem porta, mas era feito de madeira.
Não era bicho, mas tinha uma longa cauda. Não era bebê, mas
fazia um barulho quando encostavam nele... Bianca queria
muito brincar de piano de novo!
Quando chegaram à casa da tia Lalá, quem atendeu
a porta foi o primo João. João era desses primos bem mais
velhos, não dava para brincar. “Cadê a tia Lalá e o piano?”,
perguntou Bianca. João respondeu que tia Lalá estava tocando.
Melhor esperar. Bianca disse: “Tocando no piano? Ora, é isso
mesmo que eu vim fazer aqui!”.
João riu, pegou a mão de Bianca e andou com ela até
a sala do piano. Antes de entrar, ele parou, encostou o dedo
indicador na boca e fez “Sshhh”. Bianca também encostou o
dedo indicador na boca e respondeu: “Ssshhh!” O primo, então,
abriu a porta devagarzinho. Bianca ficou encostada, sem entrar.
Mas o som do piano, esse sim, entrou correndo nos ouvidos
dela.
Como era bonita aquela música! Tinha hora que o som
andava muito rápido, tinha hora que passava devagarzinho.
Às vezes, ia e vinha bem alto e, às vezes, bem baixinho. Num
momento, era um som fininho, quase como uma linha de costura. Mas, logo em seguida, era a vez de um som grosso como
a pisada de um elefante! Os sons grossos e finos parece que se
entendiam muito bem. Porque uma hora vinha um, outra hora
vinha outro e, no fim, o que ficava era uma canção gostosa de
ouvir.
A música era invisível, mas era linda. Não era criança,
mas era muito alegre! Passava uma felicidade de quem anda
correndo por uma praça, apressado para contar uma notícia
boa. Tinha uma parte triste, aquela canção. Será que a pessoa
não tinha encontrado ninguém para dar a notícia boa? Espere:
acho que encontrou, sim. Pois, depois dessa parte triste, a
música voltava a ficar alegre, cada vez mais alegre. Mesmo que a música não tenha nenhuma palavra, o
som passa emoção. Mesmo que a canção não conte nenhuma
história, podemos imaginar várias histórias com uma canção!
Bianca fechou os olhos.
Mesmo quando não enxergamos, a música pode ser
vista. Não com os olhos, mas com o nosso coração.
A canção acabou e só aí tia Lalá percebeu que tinha
platéia. “Minha sobrinha querida!”, disse ela para Bianca. A
menina abriu os olhos, assustada. O primo João nem estava
mais lá, e ela nem tinha percebido! A música saiu de repente do
dentro dela e de dentro do piano. Agora, ele tinha voltado a ser
aquele pedaço de madeira. “Que carinha é essa?”, perguntou
tia Lalá. E Bianca apenas fechou os olhos e respondeu: “Queria
ver a música mais um pouquinho...”
Os passeios da beleza
Luana estava brincando no jardim. Que jardim bonito,
aquele! Tinha flores vermelhas, flores brancas, flores de todas
as cores. Luana foi brincar perto das flores amarelas. Eram todas iguaizinhas. Lindas! Mas, então, Luana reparou uma coisa.
Não eram todas iguaizinhas, não! Todas tinham cinco pétalas.
Mas uma tinha só três. E ainda tinha um amassadinho! Luana
chegou bem pertinho dessa flor. E quer saber? Ela achou a flor
bonita, mesmo assim.
A beleza é assim. Ela existe onde a gente menos imagina. Existe numa flor que tem tudo no lugar. E existe numa flor
que é bela do jeito dela.
A beleza gosta de se exibir por aí, mas também adora
se esconder um pouquinho. Tem hora que ela quer mesmo é
chamar a atenção. Mas, às vezes, ela só quer o olhar especial de
quem chegar pertinho.
Sabe do que a beleza gosta mesmo? O que a beleza
gosta é de passear!
A beleza costuma visitar muitos lugares. Em alguns
lugares, você pode pegar: uma flor, um embrulho de presente,
uma fantasia de carnaval. Outros, você só pode ouvir: a beleza
adora pegar carona nos sons. Um som bonito pode tocar no
rádio e também na natureza. A chuva caindo, o vento passando,
as ondas do mar indo e voltando. Alguns lugares que a beleza
visita, você vê: o céu, uma montanha. Outros, você sente: a
beleza gosta de visitar a emoção da gente.
A beleza gosta de figuras. Figuras de todo tipo: aquele
quadro da casa da sua avó. O álbum de fotografia de uma
viagem. O desenho que você fez para a escola. A beleza gosta
de brincar entre formas e cores, passear pela criatividade das
pessoas e agradar quem olha para ela.
A beleza gosta de traços bem-feitos e tons escolhidos
com carinho. Mas a beleza também adora se surpreender com
formas novas e diferentes! O torto pode ser belo como o reto. O
desbotado pode ser tão gostoso de ver quanto uma cor viva.
A beleza gosta de passear pelos vários cantinhos da
vida, deixando seu rastro por lá.
A beleza deixa seu rastro naquele boneco colorido,
feito de pano e linha. No olhar da menina montando um castelo
de cartas. Na mamãe fazendo um bolo. Num sorriso daqueles
bem cheio de dentes. No movimento da bailarina que dança
para lá e para cá. Na luz fraquinha do sol se pondo. Na estrela
brilhante no céu. Naqueles sentimentos bons que a gente sente.
No abraço que damos em uma pessoa querida. No cãozinho se
ajeitando para dormir. No casal de mãos dadas. No carinho da
voz. No filho ganhando um beijo do pai. Naquele filme no cinema. Numa historinha bem contada. No desenho que enfeita a
página de papel, na alegria dentro da gente, no arco-íris aparecendo no céu e nas folhas secas na grama de um jardim...
A beleza está nesses lugares e em muitos outros. É só
procurar. E procurar pra quê?
Para sentir essa coisa gostosa que a gente sente quando
encontra a beleza.
É como encontrar alguma pessoa querida. Ah, que gostoso que é! Que bonito.
A beleza do mundo faz um bem danado pra gente e é
por isso que vale a pena procurá-la.
A dança das meninas
Bia ligou o aparelho de som. Saiu de lá uma música
agitada. A menina começou a dançar. Dois pra lá, dois pra cá.
Um giro rápido para um lado, um giro rápido para o outro lado.
Um pulinho e Bia quase foi parar no sofá! Juliana, que estava
sentadinha na poltrona, quis também. Foi para o meio da sala e
começou: um pra cá, dois pra lá...
– Tudo errado! – disse Bia. – Não é assim que se dança essa
música.
Juliana não entendeu. Ela achou que dançar fosse só
se balançar, ué. Do jeito que ela quiser. Ouvindo a música e
mexendo o corpo. Não era isso? Mas Bia olhou séria para ela e
falou:
– Vou te ensinar.
Juliana ficou paradinha. Bia aumentou o volume da
música e começou: dois para lá, dois para cá. A música ficou
mais devagar. Então Bia se mexeu mais devagar. Espera, a
música agora ficou rápida. Então, lá foi Bia, se mexer bem
rápido!
Juliana achou tudo muito bonito, mas continuava querendo se mexer do jeito dela.
– Vou te ensinar do meu jeito – disse Juliana.
Foi a vez de Bia ficar paradinha. E Juliana fez tudo o
que ela queria: olhou para cima, rodou a cabeça de um lado,
rodou a cabeça de outro e até rolou no chão. Eram tantos movimentos que Bia mal conseguia acompanhar!
Quando a música chegou ao fim, Bia balançou a cabeça
e disse:
– Você dançou tudo errado!
E, então, Bia foi até o aparelho de som e colocou a
música no começo. Mas, quando ela fez isso, ninguém ficou
paradinha. As duas foram para o meio da sala e cada uma
dançou do jeito que quis. Quando Bia estava girando, Juliana
estava pulando. Quando Bia ia para um lado, ali ia Juliana, para
o outro... Na parte rápida da canção, então, a sala caiu de pernas para o ar! Se alguém chegasse ali, ia ver: uma das meninas
encostando as mãos no chão, e a outra pulando tão alto que
quase encostava no teto.
No fim, as duas se sentaram no sofá bem cansadas e felizes. Elas não chegaram a um acordo sobre o jeito certo de dançar, mas, no fim das contas, tinham feito um belo espetáculo.
Esta é a arte!
Onde está a arte?
Está naquele quadro da sala. No desenho que você fez
na aula. Na música que ouviu de manhã. Na dança que dançou à tarde. Está no boneco de sucata, no homem em forma de
pedra, no enfeite feito de lata. Está escondida dentro do giz de
cera, da latinha de tinta, da nota musical, das palavras escritas,
na beleza do mundo. Está nas coisas bonitas de se ver, de se
fazer, de ouvir e de ler. Está na emoção e na imaginação...
Para que arte?
Para nos sentirmos bem olhando, fazendo, ouvindo
e lendo coisas bonitas. Para aprender, também: a gente não
aprende só o que está escrito no quadro da sala de aula, não.
A gente aprende também quando vê as coisas com o coração.
Aprende a ver o mundo maior do que ele já é. Aprende que
pode voar sem sair do lugar! Mas e se a gente achar que não
aprendeu nada? Tudo bem. A arte pode ser isso também: pode
ser a coisa bonita que só quer ser bonita e embelezar a nossa
alma, e mais nada...
O que é arte?
É o que transporta você a outro mundo. Como um carro
mágico que leva você para conhecer cores, formas, sons e sensações deliciosas.
Não é só o transporte, não: é também esse outro mundo,
que se abre e invade você toda vez que você vê ou faz um desenho bonito, uma história, uma música, uma dança...
É aquela coisa que é muito mais do que qualquer coisa!
Por trás dela, ela traz uma sensação boa, uma admiração, um
suspiro e até mesmo uma diversão. Por que não?
É o que enche o peito de emoções e os olhos de beleza.
É o que dá o que admirar, mesmo que você não saiba
por que admira tanto...
É um susto, uma beleza e um convite.
Um susto bom como uma surpresa boa. Uma beleza
gostosa de ver.
Um convite para esquecer um pouco que o chão é duro,
que somos de carne e osso e que o céu é azul. Um convite para
enxergarmos tudo de um jeito diferente, cheio de fantasia. Um
convite para conhecermos outro lugar, que pode nos fazer rir,
chorar, imaginar, viajar e sonhar...
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