UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS (O CORTE DE ROCHAS ORNAMENTAIS) João Miguel Vieira Caeiro Dias Antunes (Licenciado) Dissertação para obtenção do grau de Mestre em Engenharia Electrotécnica e de Computadores Orientador: Doutor Silvestre Dias Antunes Júri: Presidente: Doutor Luís Manuel Guerra da Silva Rosa Vogais: Doutor João Manuel Gouveia de Figueiredo Doutora Helena Maria dos Santos Geirinhas Ramos Novembro de 2003 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Declaração Declaro que esta tese é o resultado da minha investigação pessoal e independente no âmbito do projecto de investigação PRAXIS XXI/2/2.1/TPAR/2026/95 que decorreu no Instituto Superior Técnico durante os anos de 1999 a 2001, o seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão devidamente mencionadas no texto, nas notas e na biografia. Declaro ainda que esta tese não foi aceite em nenhuma outra instituição para qualquer grau nem está a ser apresentada para obtenção de um outro grau para além daquele a que diz respeito. O candidato, Declaro que, tanto quanto me foi possível verificar, esta tese é o resultado da investigação pessoal e independente do candidato. O orientador, JOÃO CAEIRO ANTUNES ii A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Sumário A presente tese trata do estudo, projecto e implementação da análise de assinatura no controlo da qualidade de processos industriais. Desenvolveu-se uma nova metodologia e procedimento de aplicação da análise de assinatura a máquinas ferramentas do tipo engenho: mono ou multi-lâmina utilizados no corte de rochas ornamentais. Apresentam-se resultados conclusivos quanto à aplicação do sistema em ambientes industriais funcionando em tempo real. As vantagens deste sistema são postas em evidência com a apresentação de resultados práticos comparadas com o tradicional manuseamento e processamento das máquinas ferramentas em questão. A eficácia do processo de corte é contabilizada de forma qualitativa e quantitativa tornando-se possível averiguar qual o processo mais rentável do ponto de vista económico de diferentes máquinas, métodos, condições de funcionamento, manutenção e operação dos engenhos. Palavras-chave Análise assinatura, controlo da qualidade de processos industriais, eficácia do processo de corte de rochas ornamentais, engenho mono-lâmina, engenho multi-lâmina, ferramenta diamantada. JOÃO CAEIRO ANTUNES iii A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Abstract This thesis deals with the study, project and implementation of the analysis of signatures in the quality control of industrial processes. A new methodology and implementation techniques were developed to apply signature analysis to stone cutting machines like mono and multi-blade gang saws. Conclusive results are presented for industrial scenarios with real time analysis. The benefits of the system are compared to the traditional techniques of operation of multi blade gang saws. The efficiency of the cutting process is measured quantitative and qualitatively. This way it is possible to characterize the most cost-effective technique to operate, maintain and operate multi blade gang saws. Keywords Signature analysis, quality control of industrial processes, ornamental stones cut efficiency process, mono blade gang-saw, multi blade gang-saw, diamonded tools. JOÃO CAEIRO ANTUNES iv A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Dedicatória Aos meus pais que me apoiaram e proporcionaram as condições necessárias para atingir mais esta meta. JOÃO CAEIRO ANTUNES v A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Agradecimentos Ao meu pai, professor e orientador Silvestre Dias Antunes Aos professores Luís Guerra Rosa Jorge Cruz Fernandes Aos colegas de projecto do IST Carlos Anjinho Daniel Leal Pedro Amaral Ao Cevalor e profissionais que disponibilizaram os meios para que fosse possível desenvolver e ensaiar o equipamento de medida nas ferramentas de corte de rochas ornamentais. JOÃO CAEIRO ANTUNES vi A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Índice Declaração ............................................................................................................... ii Sumário .................................................................................................................. iii Palavras-chave ........................................................................................................ iii Abstract .................................................................................................................. iv Keywords................................................................................................................ iv Dedicatória .............................................................................................................. v Agradecimentos ...................................................................................................... vi Índice..................................................................................................................... vii Índice de figuras.................................................................................................... viii Índice de tabelas....................................................................................................... x Lista de símbolos .................................................................................................... xi 1. Introdução............................................................................................................ 1 1.1. Objectivos .................................................................................................... 1 1.2. Metodologia ................................................................................................. 2 2. Ferramentas de corte mono-lâmina e multi-lâmina ............................................... 4 2.1. Descrição das ferramentas de corte ............................................................... 4 2.2. Métodos de avaliação do processo de corte das ferramentas.......................... 5 2.3. Método da análise de deformações das lâminas............................................. 7 2.4. Método geométrico da linearidade da lâmina e segmentos diamantados ........ 8 3. A deformação das lâminas de corte .................................................................... 11 3.1. Identificação das forças que produzem deformação nas lâminas.................. 11 3.2. Simulação da deformação das lâminas de corte........................................... 13 3.3. Medição da deformação mecânica da lâmina .............................................. 15 4. Projecto dos sensores de deformação.................................................................. 17 5. Extensometria .................................................................................................... 21 5.1. Alongamento .............................................................................................. 21 5.2. Extensómetro.............................................................................................. 22 5.3. Características do extensómetro .................................................................. 22 5.4. Características do sensor de deformação ..................................................... 25 5.5. Medição com extensómetros....................................................................... 28 5.6. Outros tipos de extensómetros .................................................................... 30 6. Instrumentação................................................................................................... 32 6.1. Solução de baixo custo................................................................................ 34 6.2. Solução de alta performance ....................................................................... 36 6.3. Aplicação da instrumentação na análise da deformação das lâminas ........... 40 6.4. Escolha de extensómetros e sua instalação .................................................. 44 6.5. Instalação de extensómetros directamente sobre a lâmina de corte .............. 46 7. Software para instrumentação............................................................................. 48 8. Evolução do processamento dos resultados experimentais .................................. 53 9. Conclusões......................................................................................................... 59 10. Trabalho futuro ................................................................................................ 60 11. Referências ...................................................................................................... 61 12. Anexo A........................................................................................................... 63 13. Anexo B........................................................................................................... 70 JOÃO CAEIRO ANTUNES vii A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Índice de figuras Figura 1 – Medição da linearidade da lâmina com um laser...................................... 8 Figura 2 – Recta de regressão dos pontos obtidos com o laser na lâmina .................. 9 Figura 3 – Recta de regressão dos pontos obtidos para os segmentos...................... 10 Figura 4 – Forças que actuam sobre uma lâmina de corte ....................................... 11 Figura 5 – Simulador do processo de corte ............................................................. 14 Figura 6 – Corte real na mono-lâmina, corte real na multi-lâmina e corte ideal....... 15 Figura 7 – Sensores de deformação aplicados nas lâminas do engenho ................... 16 Figura 8 – Sensor de deformação (uma das versões iniciais)................................... 17 Figura 9 – Impermeabilização e cablagem do extensómetro num dos sensores ....... 18 Figura 10 – Desenho tridimensional em CAD de um grampo ................................. 18 Figura 11 – Desenho CAD dos grampos utilizados nos sensores de deformação..... 19 Figura 12 – Sensor de deformação montado na lâmina ........................................... 19 Figura 13 – Camadas de impermeabilização dos extensómetros. ............................ 20 Figura 14 – Definição de extensão ......................................................................... 21 Figura 15 – Componentes de um extensómetro. ..................................................... 23 Figura 16 – Histerese da deformação dum corpo elástico ....................................... 26 Figura 17 – Deformação do corpo de prova submetido a um escalão de força......... 27 Figura 18 – Deformação da grelha devido a um escalão de força............................ 27 Figura 19 – Sobreposição dos efeitos de fluência no extensómetro. ........................ 28 Figura 20 – Ponte de Wheatstone. .......................................................................... 28 Figura 21 – Montagem do extensómetro em um quarto de ponte. ........................... 29 Figura 22 – Montagem do extensómetro em meia ponte ou “push-pull”. ................ 30 Figura 23 – Montagem do extensómetro em ponte completa. ................................. 30 Figura 24 – Placa PCMCIA de aquisição (solução de baixo custo) ......................... 34 Figura 25 – Módulo de condicionamento de sinal (solução de baixo custo) ............ 35 Figura 26 – Esquema de montagem (solução de baixo custo) ................................. 35 Figura 27 – Placa PCMCIA de aquisição (solução de alta performance)................. 36 Figura 28 – Chassis SCXI (slots de expansão para a solução de alta performance) . 37 Figura 29 – Módulo de condicionamento de sinal (solução de alta performance).... 37 Figura 30 – Módulo de ajuste de sinal (solução de alta performance) ..................... 38 Figura 31 – Arquitectura global (solução de alta performance)............................... 38 Figura 32 – Esquema de montagem (solução de alta performance) ......................... 39 Figura 33 – Sistema de instrumentação em funcionamento..................................... 40 Figura 34 – Ponte de Wheatstone com ajuste do zero ............................................. 41 Figura 35 – Esquema de calibração de ponte extensométrica. ................................. 42 Figura 36 – Montagem em quarto de ponte. ........................................................... 43 Figura 37 – Montagem de extensómetros numa lâmina .......................................... 46 Figura 38 – Software de análise das deformações das lâminas de corte. (“AnDef”) 49 Figura 39 – Sensor de sincronismo......................................................................... 50 Figura 40 – Parâmetros do software AnDef ............................................................ 50 Figura 41 – Software de aquisição e análise de assinaturas de corte (LabView) ...... 51 Figura 42 – Software de aquisição e análise de assinaturas (Labview) .................... 52 Figura 43 – Espectro de frequência da deformação da lâmina................................. 54 JOÃO CAEIRO ANTUNES viii A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figura 44 – Deformações da lâmina do engenho mono-lâmina filtradas ................. 54 Figura 45 – Sincronização do sinal à onda sinusoidal normalizada. ........................ 55 Figura 46 – Representação tridimensional do sinal sincronizado. ........................... 56 Figura 47 – Informação obtida da sincronização do sinal........................................ 57 Figura 48 – Assinatura de um mau corte................................................................. 58 Figura 49 – Assinatura de um bom corte ................................................................ 58 JOÃO CAEIRO ANTUNES ix A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Índice de tabelas Tabela 1 – Comparação entre extensómetros metálicos e piezo-resistivos. ............. 22 Tabela 2 – Especificações dos extensómetros metálicos utilizados. ........................ 44 JOÃO CAEIRO ANTUNES x A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Lista de símbolos D d E F f fmáx GF L l lc R RG Rd Rnull RSCAL RL r t V VEX Vo ∆R ∆L ∆ε0 α ε εmáx εT λ ν θ ρ ρ0 – Altura de um corpo – Massa volúmica – Módulo de Young – Força aplicada num corpo – Frequência – Frequência máxima – Coeficiente do extensómetro (Gauge Factor) – Comprimento de um corpo – Comprimento da grelha do extensómetro – Comprimento de um condutor eléctrico circular – Resistência eléctrica – Resistência eléctrica nominal do extensómetro (sem deformação) – Resistência de precisão – Resistência variável para ajuste do zero – Resistência de curto-circuito (shunt) para calibração – Resistência dos condutores eléctricos – Raio do condutor eléctrico circular – Tempo – Velocidade de propagação do som – Tensão de excitação da ponte de wheatstone – Tensão diferencial de saída da ponte de wheatstone – Variação de resistência eléctrica – Alongamento – Extensão residual – Coeficiente de temperatura – Extensão – Extensão máxima – Extensão transversal – Comprimento de onda – Coeficiente de Poisson – Temperatura em Kelvin – Resistividade eléctrica – Resistividade eléctrica a 0ºC JOÃO CAEIRO ANTUNES xi A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 1. Introdução 1.1. Objectivos Esta tese de mestrado foi desenvolvida no âmbito do projecto de investigação PRAXIS XXI/2/2.1/TPAR/2026/95 que decorreu no Instituto Superior Técnico. Pretende-se com esta tese implementar um sistema de medição que se integre no projecto e permita estudar e desenvolver técnicas de utilização da análise de assinaturas em tempo real aplicadas no controlo do corte de rochas ornamentais com vista à melhoria da qualidade do processo. Simultaneamente são realizados estudos de avaliação do comportamento de ferramentas diamantadas nos processos de corte de rochas ornamentais. As ferramentas diamantadas (engenho mono-lâmina e engenho multi-lâmina) são utilizadas em todo o mundo por indústrias de processamento e corte de rochas ornamentais de forma tradicional e de certa forma pouco elaborada e optimizada. Idealmente este tipo de ferramentas deveria trabalhar com um máximo de eficácia, cortando peças de rocha e garantindo uma planeza máxima. Na realidade tal não acontece. A tarefa da ferramenta será tanto melhor quanto maior for a planeza obtida em ambas as faces da rocha garantindo também o paralelismo das mesmas. As optimizações passam também pela redução máxima do tempo de corte, redução dos custos energéticos dispendidos maximizando o rendimento da ferramenta e a minimização do desgaste da ferramenta maximizando a quantidade de rocha cortada. Por outras palavras, pretende-se reduzir os custos de manutenção da ferramenta e melhorar o seu processo de corte. Para optimizar todos estes parâmetros é necessário estudar os processos de corte e identificar quais os factores responsáveis pela má qualidade do corte. Como não existe qualquer informação sobre os processos de corte destas ferramentas é necessário proceder a um estudo detalhado e investigar quais as causas e possíveis soluções. A abordagem do problema deve ser feita de uma forma objectiva e para isso acontecer desenvolveu-se e aperfeiçoou-se um método de avaliação que é aplicado repetidamente a todos os processos de corte. Daqui resultam um conjunto de informações qualitativas e quantitativas que nos permitem conduzir o processo de corte para soluções mais eficazes e rentáveis senão mesmo óptimas. JOÃO CAEIRO ANTUNES 1 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 1.2. Metodologia O desenvolvimento de sistemas e de técnicas de análise de assinaturas exige um planeamento detalhado pois a quantidade de tarefas a realizar é bastante numerosa e diversificada. A elaboração de um projecto desta dimensão exige um equilíbrio entre a fase de desenvolvimento teórico e a fase de implementação técnica do equipamento assim como o desenrolar de medições ao longo do tempo. Todas as tarefas têm uma certa precedência pois só com resultados práticos se pode encaminhar o desenvolvimento teórico e de software assim como só se pode realizar medições quando já está disponível uma versão de software suficientemente versátil e abrangente para poder medir o “inesperado” ou mesmo possuir as ferramentas de trabalho correctas e suficientemente fiáveis. Assim sendo enumera-se aqui uma sequencia de etapas necessárias ao projecto de investigação. Numa primeira fase foram estudadas as bases para a implementação de sensores de deformação, averiguaram-se quais as dificuldades a ultrapassar, quais os métodos a seguir, qual o material disponível no mercado para conceber um tipo de sensores que se adaptasse às necessidades do sistema de medição. Numa segunda fase foi realizado o projecto dos sensores de deformação. O dimensionamento e a escolha do equipamento de medida digital para a aquisição de medições das deformações foram realizados em simultâneo com o projecto dos sensores de forma a encontrar uma correcta adaptação. A terceira fase correspondeu ao desenvolvimento dos sensores de deformação. A quarta fase consistiu em projectar e realizar as interfaces entre os sensores, o equipamento de medida e o computador. Esta fase exigiu cuidado e minúcia devido às condições industriais adversas a que o equipamento de medida pode estar sujeito. Qualquer erro ou falha de implementação pode levar a resultados errados, ruidosos ou simplesmente inexistentes. A quinta fase correspondeu ao desenvolvimento do software de teste e medida das deformações adequado ao equipamento e sensores. Inicialmente implementaram-se as funcionalidades básicas de leitura e aquisição de medidas, só mais tarde, após obter resultados correctos de testes de medida é que se avançou para a implementação do código mais elaborado. A sexta fase foi dedicada à recolha de medições de deformação durante os ensaios de teste e viabilidade do processo, ou seja, foi neste momento que se pôde analisar a possibilidade de atingir as metas definidas à partida com base neste tipo de hardware, software e equipamento de medida. A sétima fase consistiu no desenvolvimento e melhoria iterativa do equipamento de medida. Foi iterativa porque foram realizados ensaios sobre as ferramentas de onde foram extraídas informações que levassem à optimização do software e do equipamento de medida. Surgiram correcções ao nível do projecto e uma série de desenvolvimentos JOÃO CAEIRO ANTUNES 2 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE teóricos para a correcta análise de assinaturas. Foram percorridos diversos caminhos de modo a ultrapassar as dificuldades que surgiram com alguma frequência. Todo este processo foi repetido até serem atingidos os objectivos desejados. As fases intercaladas do estudo teórico das assinaturas tiveram diversas etapas tais como a modelação das assinaturas de corte no simulador, a aquisição e sincronização das deformações medidas, a análise do espectro de frequência de assinaturas, a análise da evolução da média e variância de assinaturas, a representação gráfica de assinaturas, a interpretação gráfica dos resultados de assinaturas, a comparação de assinaturas e os critérios de decisão. O software de aquisição de assinaturas teve variadíssimas versões e diferentes formas de actuação tanto a nível de linguagens de programação como de técnicas de escrita dos algoritmos, sobretudo porque é necessário optimizar e simplificar o processamento para atingir uma resposta em tempo real. Pode-se distinguir o desenvolvimento de bibliotecas para o processamento de assinaturas em C++ [18, 19], Visual Basic [20] e LabView [21], algumas delas simplesmente para teste (como é o caso da escrita de algumas rotinas em Visual Basic e LabView), outras para aplicar directamente no software final. O software de aquisição em tempo real de assinaturas de corte utiliza um conjunto dessas bibliotecas. Surgiram ainda etapas realizadas de forma quase continua tais como a análise das forças de corte de cada máquina ferramenta, a comparação entre as forças medidas e as condições de operação da ferramenta de corte, a gestão da base de dados de assinaturas e a comparação dos resultados em função do tipo de rocha ornamental, a detecção de consequências para os equipamentos e para os produtos do corte, dedução dos parâmetros característicos das assinaturas para a optimização do processo de corte, integração da aquisição, comparação, análise e decisão em tempo real do sistema de assinaturas no controlo do processamento e corte das rochas ornamentais e finalmente, numa fase final, o estudo da melhoria da qualidade do processo e dos produtos de corte. JOÃO CAEIRO ANTUNES 3 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 2. Ferramentas de corte mono-lâmina e multi-lâmina 2.1. Descrição das ferramentas de corte Neste capítulo introduz-se uma breve descrição do tipo de máquinas ferramentas de corte incluídas neste estudo. De forma geral, qualquer tipo de aparelho com um movimento cíclico (sistema alternativo biela-manivela ou outro) é um candidato possível para ser instrumentado e analisado através deste tipo de análise de assinaturas. A classificação e performance destas máquinas puderam ser analisadas pela sua assinatura. A máquina ferramenta de corte: engenho multi-lâmina consiste num conjunto de lâminas dispostas paralelamente que se movem com um sistema alternativo de biela manivela. Por baixo das lâminas e apoiado sobre uma base móvel encontra-se a rocha que é deslocada verticalmente em conjunto com a base. A velocidade de subida da rocha e base pode ser ajustada fixando assim um tempo de corte da rocha. Esta velocidade poderá ser ajustada manualmente durante o corte. O engenho multi-lâmina permite cortar rochas de grandes dimensões em diversas chapas, utilizando para isso as lâminas montadas paralelamente umas às outras. Lâminas essas que podem ou não estar igualmente espaçadas. O engenho mono-lâmina tem uma única lâmina e é utilizado na fase inicial de processamento da rocha para corrigir as suas faces reduzindo a dimensão do bloco. Posteriormente ele será processado no engenho multi-lâmina. A velocidade do movimento biela manivela é fixo, assim sendo o movimento alternativo das lâminas têm um regime estacionário ao longo de todo o corte. O desgaste dos segmentos de corte será dependente sobretudo da velocidade vertical escolhida e também do tipo de pedra. Cada lâmina da ferramenta é composta por uma chapa em aço que tem normalmente uma espessura de 3 mm. Em cada extremidade da chapa são rebitados dois apoios que irão permitir a fixação desta nos esticadores do engenho. Ao longo da chapa estão soldados segmentos diamantados (os elementos do corte) que entrarão em contacto com a pedra para a desgastar progressivamente. Cada lâmina é estirada no seu eixo central de modo a criar uma deflexão, assim quando ela é esticada no engenho as extremidades das lâminas ficarão com tensões superiores às do eixo central. Este processo de fabrico é defendido pelos fabricantes como uma importante técnica para melhorar o processo de corte a qual, segundo eles, afecta de forma significativa o desempenho do corte. JOÃO CAEIRO ANTUNES 4 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 2.2. Métodos de avaliação do processo de corte das ferramentas O método de avaliação do processo de corte tem como objectivo identificar se o processo está a produzir um “bom” corte ou um “mau” corte. É essencial definir como é realizada a avaliação do processo de corte da ferramenta e é fundamental saber escolher um indicador adequado quer do ponto de vista qualitativo quer do ponto de vista quantitativo. Só assim se pode afirmar com toda a certeza se um determinado corte é de melhor ou pior qualidade e quais as consequências que daí advêm para a ferramenta e para as peças cortadas. Os parâmetros a ter em conta são a planeza e o paralelismo das peças cortadas, a velocidade de corte e o rendimento energético no processo de corte e o desgaste da ferramenta de corte. Todos eles devem ser comparados em diversas situações permitindo então escolher qual a solução mais eficaz para corrigir eventuais problemas. Nesta tese não é possível nem existe propósito de efectuar uma análise detalhada de grande parte dos parâmetros operatórios, isto porque seria necessário instrumentar um desmedido número de sistemas, tais como o caudal de água, o consumo energético, identificar e reconhecer o tipo de segmentos diamantados assim como a rocha a ser processada, verificar a planeza dos segmentos das lâminas e a planeza das rochas cortadas. Todos estes parâmetros são passíveis de serem analisados, mas requerem muito maior dedicação da engenharia de materiais. A avaliação do processo de corte através da análise das deformações das lâminas de corte diamantadas é o ponto fulcral que se pretende estudar e aferir da sua eficácia. É sobre este tema que recai toda esta tese de mestrado. Em termos de investigação internacional nos processos de corte de rochas ornamentais, e no que toca à utilização desta metodologia, nada foi encontrado. De facto, é com grande certeza, que este grupo do Instituto Superior Técnico é pioneiro nesta área. A verdade é que a grande maioria dos novos engenhos de corte são construídos com discos diamantados paralelos entre si. Neste caso os problemas são diferentes, mas susceptíveis de serem analisados através de uma semelhante técnica de análise de assinatura angular. A razão do desenvolvimento e investigação neste assunto prende-se com o facto do parque mundial de ferramentas ainda ser constituído por uma grande maioria de engenhos multi-lâmina. As fábricas continuam a construir lâminas para este tipo de máquinas e os transformadores de rochas naturais não podem deixar de rentabilizar as suas ferramentas enquanto o mercado o justificar. Existem ainda algumas técnicas de avaliação do processo de corte bastante rudimentares no mercado. Algumas delas passam pela redução automática da velocidade de subida da rocha quando esta se encontra numa posição superior a um valor predeterminado, ou seja, interessa cortar rapidamente a fase inicial da rocha que é considerada lixo e a partir de determina posição o corte é realizado lentamente para garantir o aproveitamento completo do bloco. Certamente que o rendimento não será o ideal. Outra solução existente no mercado consiste em controlar a subida da rocha com a força electromotriz garantindo que ela não excede um patamar. Quanto maior a força menor terá que ser a velocidade evitando o desgaste precoce da ferramenta. Esta JOÃO CAEIRO ANTUNES 5 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE situação funciona muito bem para a mono-lâmina, o problema ocorre quando existe um conjunto enorme de lâminas (até 60 lâminas) a trabalhar em simultâneo. Lâminas que cortem bem e consomem pouco podem compensar duas ou três que cortam mal e consomem muito mais, mas no global o valor pode não ser suficiente para reduzir a velocidade de subida da pedra. Uma consequência frequente é obter “barrigas” nas duas chapas cortadas pela lâmina com problemas. Além disto este método nunca iria identificar antecipadamente qual a lâmina com problemas para poder tomar acções correctivas. Para além do método da análise de assinaturas também foi importante verificar a geometria da máquina ferramenta, isto é, quantificar o posicionamento e os deslocamentos antes e após o corte de todo o conjunto de lâminas da ferramenta face ao movimento alternativo biela manivela. Este tipo de análise geométrica exige um rigor metodológico de medição e uma quantidade elevada de medidas para que se possa retirar conclusões. De facto esta técnica revelou-se bastante ineficiente devido à dificuldade de realizar medições geométricas na ferramenta e também ao tempo excessivo ocupado com elas, tempo que é retirado à produtividade da máquina pois ela tem obrigatoriamente que estar parada. Temos assim duas vertentes distintas para avaliar as ferramentas de corte: a escolha de um indicador característico do corte e a verificação dos parâmetros geométricos da máquina ferramenta de corte. Este ultimo seria abandonado pelas razões já citadas atrás, de certa forma foi substituído por uma avaliação qualitativa que o próprio operário da máquina realizava com facilidade devido à sua experiência acumulada. Esta informação preciosa permite correlacionar a análise de assinaturas com o estado geométrico das lâminas de corte ou com o produto do corte (qualidade das chapas de rocha cortadas). JOÃO CAEIRO ANTUNES 6 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 2.3. Método da análise de deformações das lâminas O sistema de medida desenvolvido para a análise dos processos de corte apresenta diversas vertentes, tanto a nível teórico como nos aspectos técnicos dos ensaios mecânicos. A teoria envolvida nas medições das deformações das lâminas de corte requer o estudo da extensometria [15] e da análise do comportamento mecânico dos materiais [12]. Em conjunto com a extensometria é necessário aplicar técnicas de instrumentação e medidas que permitem quantificar a deformação mecânica dos materiais [15, pág. 383]. O estudo passa ainda, obrigatoriamente, por desenvolver software dedicado ao sistema de instrumentação que é utilizado. Por outro lado, e num aspecto mais teórico e inovador da questão, é necessário desenvolver técnicas matemáticas capazes de ser implementadas por algoritmos de software em tempo real para proceder à comparação e caracterização das assinaturas do processo de corte. Em simultâneo é necessário construir algoritmos de correlação e análise das bases de dados para permitir traduzir os ensaios efectuados em decisões a tomar sobre o processo de corte. Outra vertente incide sobre os aspectos técnicos dos ensaios mecânicos. Neste caso é necessário desenvolver todo um conjunto de equipamentos capazes de ser instalados em engenhos de corte de uma forma rápida e eficaz. A modularidade do equipamento e a sua capacidade de extensão para um maior número de medidas torna-o mais complexo e difícil de realizar. Esta complexidade tem que ser acompanhada pelo equipamento de medida e também pelo software que é desenvolvido. As soluções obtidas devem ser eficazes e robustas às condições de trabalho a que estão sujeitas. JOÃO CAEIRO ANTUNES 7 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 2.4. Método geométrico segmentos diamantados da linearidade da lâmina e A linearidade da lâmina e dos segmentos é observada com um laser que é fixo a um aparelho de medida (Figura 1). Este aparelho é colocado no engenho de corte sempre no mesmo local. O alvo é um aparelho móvel com um micrómetro, que nos permite medir os desvios relativos a um plano de referência definido pelo laser, na posição onde está colocado. O alvo tem um micrómetro incorporado que permite o ajuste no eixo dos ZZ para efectuar a leitura do valor da coordenada z. A coordenada x é dada pela distância do local onde é colocado o laser até ao alvo. A coordenada y é sempre nula no caso da mono-lâmina. Assim, obtemos vários pontos ao longo da lâmina ou dos segmentos conforme o caso a estudar. Com estes pontos, podemos determinar uma recta de regressão, conseguindo assim analisar a linearidade da lâmina (Figura 2) e dos segmentos (Figura 3) [3]. x XX YY z Laser Alvo Micrómetro Rotação do laser em torno do eixo ZZ ZZ Figura 1 – Medição da linearidade da lâmina com um laser Para testar a planeza das lâminas quando estas estão montadas no engenho multilâmina, coloca-se o laser na primeira ou na última lâmina. O alvo é colocado em várias posições pré estabelecidas (para todas as lâminas). A rotação do laser no eixo dos ZZ permite apontá-lo para o alvo gerando um plano XY de referência. As distâncias do plano aos segmentos ou às lâminas podem ser medidas pela coordenada z. As coordenadas y são conhecidas através do espaçamento entre lâminas. Com o conjunto de coordenadas x, y, z é possível determinar um valor teórico do desvio ao plano de JOÃO CAEIRO ANTUNES 8 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE referência com um determinado erro. Pode-se assim quantificar a planeza das lâminas e dos segmentos. Os resultados do método geométrico da linearidade da lâmina e dos segmentos existem apenas para um dos engenhos [4]. Os dados que estão disponíveis para traçar as curvas de linearidade das lâminas foram obtidas do engenho mono-lâmina porque estas são mais simples de medir e não influenciam significativamente a laboração da fábrica. Os resultados obtidos na verificação da linearidade dos segmentos e da lâmina no engenho mono-lâmina estão esquematizados nas figuras seguintes. Os eixos são representados em milímetros. Recta de regressão para a lâmina 28 26 y = 0,0046x + 12,282 R2 = 0,9952 24 ZZ [mm] 22 20 18 16 14 12 10 0 500 1000 1500 XX [mm] 2000 2500 3000 Figura 2 – Recta de regressão dos pontos obtidos com o laser na lâmina JOÃO CAEIRO ANTUNES 9 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Recta de regressão para os segmentos 18 16 y = 0,0047x + 2,9345 R2 = 0,9939 ZZ [mm] 14 12 10 8 6 4 0 500 1000 1500 XX [mm] 2000 2500 3000 Figura 3 – Recta de regressão dos pontos obtidos para os segmentos Analisando as curvas podemos concluir que a mono-lâmina estava bem alinhada para realizar um corte com qualidade porque não existem grandes desvios à recta de regressão tanto no caso da lâmina como dos segmentos, ou seja, R2 está muito próximo da unidade em ambos os casos. JOÃO CAEIRO ANTUNES 10 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 3. A deformação das lâminas de corte A deformação das lâminas de corte é o parâmetro utilizado para analisar o processo de corte e aquele que se pretende medir com aparelhos de instrumentação. Para conhecer as deformações mecânicas a que a lâmina de corte está sujeita, é necessário estudar o comportamento dinâmico do engenho de corte e identificar as origens de todas as forças aplicadas sobre ela. 3.1. Identificação das forças que produzem deformação nas lâminas A deformação das lâminas é modelada com a aplicação vectorial das forças que actuam sobre ela num plano vertical com a mesma direcção do movimento do corte da lâmina. O modelo é bidimensional porque no eixo transversal as forças são desprezáveis. Quando ocorre um desvio transversal no corte da rocha existem forças transversais que são difíceis de medir mas que apresentam uma componente no plano vertical de maior amplitude e de fácil medição. É pois necessário identificar quais as forças e seus pontos de aplicação na lâmina (Figura 4). Figura 4 – Forças que actuam sobre uma lâmina de corte Convém identificar o que designaremos por assinatura do corte, isto é, a forma como evoluem, durante o processo estacionário de corte, os valores das deformações das lâminas em locais específicos onde são realizadas as medições. Na figura a deformação é indicada pelo quadrado com tensões σx (Figura 4) quando a lamina está sujeita a um conjunto de forças. Com a aplicação dos sensores esta medição é realizada indirectamente pela deformação do corpo de prova. A ligação mecânica entre o engenho e a lâmina de corte é constituída por dois esticadores que se encontram aplicados nas suas extremidades (pontos A e B). Os esticadores das lâminas são peças que permitem um grau de liberdade de rotação no eixo transversal da lâmina, isto é um aspecto importante pois eles eliminam os momentos que poderiam estar aplicados nas extremidades da lâmina caso os esticadores fossem peças rígidas. Assim sendo, o momento flector na extremidade das lâminas é sempre nulo, ou seja, só existem forças de reacção (RA e RB) aplicadas nas suas extremidades, em vez de considerarmos as lâminas como vigas encastradas teremos um problema de vigas simplesmente apoiadas. As restantes forças aplicadas em cada lâmina são provocadas pelos segmentos de corte, estas forças são sobretudo verticais mas JOÃO CAEIRO ANTUNES 11 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE também longitudinais devido ao seu atrito sobre a rocha. A modelação do conjunto de todos as forças verticais é dada por uma carga uniformemente distribuída (ω) sobre a lâmina na zona de contacto com a pedra, isto porque os segmentos de corte são numerosos e estão muito próximos uns dos outros. O sentido destas forças é vertical de baixo para cima. Uma única força de atrito (Fatrito) pode representar o conjunto das forças de atrito de todos os segmentos em contacto com a rocha. Nas extremidades temos forças horizontais de tracção (PA e PB) devido aos esticadores e forças verticais de cima para baixo que correspondem a reacção dos esticadores sobre a lâmina contrariando a carga distribuída que a rocha aplica sobre ela. A força de tracção do esticador inclui a componente simétrica da força de atrito que varia dependendo do sentido de corte (Figura 4). Para uma análise mais detalhada do comportamento das deformações da lâmina é necessário realizar cálculos mais complexos utilizando equações de mecânica dos materiais onde é possível determinar todo o perfil de tensões e momentos presentes ao longo do material. Na realidade não é necessário realizar tal tarefa porque não está aqui em causa a resistência dos materiais mas sim a identificação de um local e forma ideal de colocar o sensor de deformação que meça indirectamente as forças a que a lâmina está sujeita. Conhecendo o perfil de deformações em função do tempo da zona onde está colocado o sensor, podemos tirar conclusões importantes da forma como a lâmina se comporta e interage com o resto do engenho e com a rocha durante o processo de corte. À priori identificou-se que a medição longitudinal da extensão da lâmina seria a grandeza mais importante para a caracterização do corte visto que as amplitudes das diversas forças serem mais elevada neste eixo. A confirmação foi efectuada experimentalmente colando extensómetros numa lâmina de teste com capacidade de medição em ambos os eixos (longitudinal e vertical). O local onde foram colocados os sensores não depende da amplitude das tensões presentes ao longo da lâmina mas sim da sua exequibilidade. Na realidade só é possível medir as deformações nas extremidades da lâmina porque toda a zona interior está em contacto com a rocha o que inutilizaria desde logo os sensores. A posição vertical é pouco importante, como se constatou experimentalmente, daí ser encontrada uma solução mais versátil onde é realizada a medição na extremidade superior da lâmina. Para determinar experimentalmente o perfil de deformações ao longo do tempo é necessário realizar medidas suficientemente precisas e rápidas capazes de detectar deformações muito reduzidas. A análise dos perfis de deformações das lâminas ao longo do tempo é muito importante porque vai permitir caracterizar em cada instante o processo de corte. Os perfis obtidos experimentalmente permitem, através de um processamento adequado dos dados, obter a assinatura característica do corte da rocha. A partir do momento em que a assinatura seja conhecida (e pode ser identificada por aprendizagem, durante a fase inicial do corte) podemos dizer se um determinado corte está a ser realizado convenientemente. A alteração da assinatura característica indicará que o processo de corte está a afastar-se do padrão ideal e será necessário ajustar determinados parâmetros de corte para que se regresse aos resultados dentro dos JOÃO CAEIRO ANTUNES 12 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE padrões de qualidade exigidos na assinatura característica, controlando deste modo o processo do corte. A técnica mais corrente para medir experimentalmente deformações consiste na utilização da extensometria em conjunto com a aquisição e o processamento de sinais ajustados ao tipo de medição de deformações que se pretende efectuar. Significa isto que todo o processo de instrumentação é desenvolvido em função destas deformações que se pretendem medir. 3.2. Simulação da deformação das lâminas de corte Numa fase inicial é difícil ter uma ideia concreta do que se iria observar ao medir as deformações das lâminas de corte, foi por essa razão e também para permitir modelar o funcionamento da máquina ferramenta que se realizou o estudo teórico das deformações. Este estudo teórico consistiu em simular a dinâmica do engenho de corte fazendo deslizar a lâmina de corte sobre a rocha em diferentes condições. Para isso foi utilizado o Matlab que possibilita o cálculo das forças e deformações da lâmina em função do tempo, ou ângulo do volante do engenho, visto este movimento ser periódico. Foi construído um modelo genérico e parametrizável do engenho de corte em que se podem ajustar diversos parâmetros para duas lâminas distintas. Os parâmetros a ter em conta são a velocidade de subida da rocha, a velocidade angular do volante que desloca a lâmina de corte e a sua inclinação face ao seu eixo longitudinal de deslocamento. Assim é possível comparar em tempo real as diferentes condições de corte observando a distribuição de forças presentes na lâmina e nos segmentos. Interpretando os resultados da simulação obtêm-se estimativas sobre a eficácia do corte. Com estes dados qualitativos podemos fazer comparações de comportamento da ferramenta real com a teórica analisando os resultados reais dos ensaios. A figura seguinte ilustra o simulador do processo de corte em funcionamento mostrando a lâmina superior com uma ligeira inclinação e a inferior com inclinação nula, ou seja, completamente horizontal (Figura 5). JOÃO CAEIRO ANTUNES 13 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figura 5 – Simulador do processo de corte Podem-se observar os parâmetros que são ajustáveis em tempo real tais como os ângulos das lâminas de corte relativamente ao seu movimento, a velocidade de corte do volante do engenho e a velocidade de subida da rocha. Os dois gráficos mostram o perfil da evolução das forças de tracção (longitudinais) aplicadas nas lâminas ao longo do tempo. O eixo dos y é uma medida adimensional e proporcional à força e à deformação da lâmina. Verifica-se com esta simulação que existe uma alteração substancial das forças longitudinais aplicadas às lâminas quando estas são inclinadas em relação ao movimento de corte. Os gráficos mostram ainda uma recta com ordenadas constantes (y=alarme), considerada como um valor máximo a partir do qual deve existir um alarme indicando excesso de forças de corte (a escala dos gráfico é diferente em cada lâmina). Este patamar nunca deve ser atingido, caso contrário, as condições ou eficácia do processo de corte podem ser comprometidas. A forma de onda periódica representada nesta simulação teórica assemelha-se muito com a observada mais tarde nos ensaios realizados. O corte real da mono-lâmina pode ser comparado com o corte da multi-lâmina e com o considerado ideal (Figura 6). Na mesma figura, da esquerda para a direita podemos observar no primeiro diagrama a lâmina em encarnado inclinada relativamente ao JOÃO CAEIRO ANTUNES 14 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE movimento horizontal de corte (seta horizontal a azul). O desgaste da pedra (a verde) é efectuado de forma descontinua. No segundo diagrama representam-se duas lâminas, cada uma com a sua inclinação, este caso é típico no engenho multi-lâmina onde cada lâmina tem uma inclinação diferente. O último caso retrata o corte ideal em que a lâmina está perfeitamente alinhada com o seu movimento horizontal. A seta vertical azul representa o movimento de descida das lâminas em direcção à rocha. Figura 6 – Corte real na mono-lâmina, corte real na multi-lâmina e corte ideal O ângulo que a lâmina apresenta em relação ao do movimento de corte é extremamente importante na análise do processo de corte. No corte real obtém-se um rendimento reduzido porque o tempo útil do corte é inferior ao do ciclo total da rotação do volante do engenho. No corte ideal o rendimento é máximo e o tempo de corte útil é de 100% do ciclo. O simulador permite observar qualquer das situações anteriores. À curva obtida por simulação chamamos assinatura característica simulada e é obtida por um processo de corte simulado. Não é fácil simular todas as condições que ocorrem na realidade (tais como a dureza irregular da rocha), mas o modelo do processo de corte tem vindo a ser optimizado e evoluído de modo a ser possível tirar mais conclusões sobre os fenómenos que ocorrem nos engenhos. A grande dificuldade prende-se com o facto de ser difícil quantificar estas grandezas e de escolher critérios que indiquem qual o bom ou o mau processo de corte. É por esta razão que é necessário construir uma base de dados exaustiva que englobe boas e más assinaturas de corte reais (obtidas experimentalmente) e que as identifique e caracterize devidamente. 3.3. Medição da deformação mecânica da lâmina A extensometria é uma das técnicas mais evoluídas e eficazes para analisar as deformações microscópicas dos materiais [8, 9]. O alongamento pode ser medido através da utilização de montagens em ponte de Wheatstone e calculando as suas funções de transferência. Para aplicar a extensometria na medição das deformações das lâminas de corte definiram-se diversos parâmetros tais como a sensibilidade necessária, o tempo de amostragem, o número de amostras necessárias e as gamas de medida a analisar. JOÃO CAEIRO ANTUNES 15 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE O actual sistema de medição engloba cinco sensores de deformação, um para cada lâmina. Cada sensor é constituído por dois extensómetros montados longitudinalmente, um de cada lado da lâmina, os quais permitem medir as forças longitudinais e obter por métodos de cálculo numérico as forças transversais provocadas pelo desvio da trajectória da lâmina que originam as conhecidas “barrigas” das chapas. Na figura é possível observar os sensores de deformação aplicados nas lâminas do engenho multilâmina (Figura 7). A utilização de dois extensómetros por sensor é também uma forma de ter redundância nas medidas, para poder conferir os resultados e ainda para continuar as medições no caso de perder o sinal de um deles (por falha do extensómetro ou das cablagens). Figura 7 – Sensores de deformação aplicados nas lâminas do engenho Os sensores de deformação são tratados em detalhe no capítulo seguinte. JOÃO CAEIRO ANTUNES 16 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 4. Projecto dos sensores de deformação O projecto dos sensores de deformação foi elaborado em diversas etapas, cada uma com melhorias práticas a nível da montagem dos grampos nas lâminas mas também em termos de qualidade e sobretudo fiabilidade do seu funcionamento. Cada etapa foi elaborada com ensaios em fábrica para testar as suas funcionalidades. Os sensores de deformação são instrumentos de medida que foram desenvolvidos para medir as deformações que as lâminas de corte sofrem durante o processo de corte ( Figura 8). Figura 8 – Sensor de deformação (uma das versões iniciais) Os sensores de deformação são constituídos por duas partes, a primeira corresponde a um par de grampos que se adaptam à lâmina permitindo a sua fixação rápida e segura. A segunda consiste em duas barras de alumínio de secção rectangular, onde são colados os extensómetros. A deformação sofrida pela lâmina é transmitida aos grampos e por sua vez às barras de alumínio que estão solidárias com este último. Os grampos são realizados em aço inox para garantir resistência à água e solidez às deformações. As barras de alumínio devem trabalhar só no domínio elástico. Como o alumínio possui um baixo módulo de Young, quando comparado com o do aço das lâminas, as barras introduzem uma distorção insignificante na medida da deformação da lâmina. A fixação das barras de alumínio ao grampo deve ser efectuada de forma cuidada e bastante rígida. O alumínio não pode sofrer deformações plásticas, caso contrário introduz-se tensões internas prejudiciais à medição das deformações. JOÃO CAEIRO ANTUNES 17 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Nesta figura observa-se a impermeabilização e cablagem de um dos sensores desenvolvidos (Figura 9). Figura 9 – Impermeabilização e cablagem do extensómetro num dos sensores A última versão dos grampos foi desenvolvida e desenhada em CAD. Estas figuras serviram para o seu fabrico (Figura 10). A montagem do sensor de deformação é realizada com um par de grampos ligados através de duas barras de alumínio de secção rectangular (10x1 mm). O comprimento destas barras de alumínio pode ser variável (entre 50 mm a 100 mm). Deve ser suficientemente grande para dar espaço à colocação dos extensómetros e soldaduras e permitir a montagem e aperto dos parafusos. Não deve ser demasiado grande ao ponto de deixar flectir a barra de alumínio ou provocar o desaproveitamento do corte da lâmina (a utilização dos sensores pode ser impedida quando são cortadas rochas muito compridas, nestes casos o sensor embate na rocha deteriorando-o). Figura 10 – Desenho tridimensional em CAD de um grampo JOÃO CAEIRO ANTUNES 18 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE As especificações do desenho são todas em milímetros, inclusive as roscas que são milimétricas (Figura 11). Figura 11 – Desenho CAD dos grampos utilizados nos sensores de deformação A última versão dos sensores foi desenvolvida com grampos em aço inox e barras de alumínio. A sua fixação na lâmina é realizada com o aperto de dois parafusos seistavados (Figura 12). Todo o conjunto é impermeabilizado com silicone para resistir ao ambiente de trabalho do engenho de corte multi-lâmina. Figura 12 – Sensor de deformação montado na lâmina JOÃO CAEIRO ANTUNES 19 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Os extensómetros são sensores extremamente sensíveis, a experiência tem mostrado que a sua instalação requer cuidados especiais para garantir o bom funcionamento do sensor de deformação. Neste tipo de aplicação exige-se ainda mais atenção pois é necessário proceder à impermeabilização de todos os seus componentes, extensómetros, cablagens e fichas. A montagem dos extensómetros inclui também a sua correcta impermeabilização (Figura 13). Figura 13 – Camadas de impermeabilização dos extensómetros. JOÃO CAEIRO ANTUNES 20 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 5. Extensometria Este capítulo enumera os princípios fundamentais da extensometria e refere quais são as técnicas de instrumentação, actuais, mais utilizadas. A medição de deformações através da extensometria requer diversos cuidados de implementação assim como um bom conhecimento das teorias existentes do comportamento físico da peça [11, 12, 15]. É imprescindível enumerar uma série de definições próprias da linguagem da extensometria. O alongamento é a definição mais importante para efectuar medições em extensometria. 5.1. Alongamento O alongamento é definido com base na deformação de um corpo (Figura 14). O alongamento (∆L) corresponde ao incremento (ou decremento) do comprimento de um corpo (inicialmente com comprimento L) sujeito a uma força (F) que o deforma no domínio elástico. A extensão (ε) é definida pela divisão da variação do alongamento (∆L) com o comprimento (L). Figura 14 – Definição de extensão ε= ∆L L (5.1) O alongamento pode ser positivo ou negativo, dependendo se a peça está sujeita a uma força de tracção ou compressão. O alongamento é adimensional por definição. Na prática a ordem de grandeza do alongamento é da ordem dos 10-6. A força de tracção observada na figura produz não só um alongamento (∆L) mas também um fenómeno conhecido por alongamento de Poisson que ocorre perpendicularmente às forças aplicadas e que leva à contracção da peça nesse eixo. Assim sendo, a altura (D) da peça, diminui o que garante um volume idêntico ao inicial. O coeficiente de Poisson (ν), é adimensional e contabiliza este efeito característico de cada material. No caso do aço ele assume valores entre 0.25 e 0.30. ν= JOÃO CAEIRO ANTUNES − εT ε (5.2) 21 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 5.2. Extensómetro O extensómetro é o nome dado ao dispositivo utilizado para medir a extensão. Existem numerosos dispositivos associados a determinado tipo de equipamento e procedimento de medida aplicáveis à medição da extensão. O dispositivo mais comum é o extensómetro resistivo eléctrico, que permite medir a extensão por variação da sua resistência eléctrica [17]. 5.3. Características do extensómetro Existem dois tipos de extensómetros que são vulgarmente utilizados: os metálicos e os piezo-resistivos [6]. As diferenças essenciais que os distinguem são a linearidade e a sensibilidade (Tabela 1). Os metálicos são pouco sensíveis mas permitem realizar medições onde a linearidade é um factor importante a ter em conta. Os piezo-resistivos possuem maior sensibilidade, sendo esta a melhor opção para medir alongamentos muito pequenos. O seu inconveniente é o facto de terem uma resposta não linear com a deformação, a qual, com o auxílio de processamento digital de sinal é fácil de corrigir. Também possuem uma sensibilidade térmica superior o que implica tomar atenção à sua montagem de modo a efectuar a compensação térmica. Parâmetros Campo de Medida Gauge factor GF Resistência Tolerância da resistência Extensómetros Metálicos 0.1 a 40000.0 µε 1.80 a 2.35 120 Ω, 350 Ω 0.1% a 0.2% Extensómetros Piezo-resistivos 0.001 a 3000.000 µε 50 a 200 1000 Ω a 5000 Ω 1% a 2% Tabela 1 – Comparação entre extensómetros metálicos e piezo-resistivos. Os extensómetros metálicos são os mais utilizados porque o seu custo é reduzido, são fáceis de instalar e o seu condicionamento de sinal é simples de implementar (devido à sua linearidade). O campo de medida destes extensómetros é muito abrangente porque existe uma grande variedade de componentes fabricados para todo o tipo de aplicações. São componentes de fácil dimensionamento e fabrico. O extensómetro metálico consiste numa grelha fina que maximiza a sensibilidade à deformação no eixo longitudinal (Figura 15). Na direcção transversal minimiza-se a área da secção de modo a reduzir o efeito de Poisson descrito anteriormente. JOÃO CAEIRO ANTUNES 22 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figura 15 – Componentes de um extensómetro. O extensómetro pode ser aplicado directamente na peça a medir através de uma colagem cuidada utilizando resinas apropriadas. Convém seguir todas as indicações dos fabricantes de modo a garantir a máxima transferência das deformações da peça à grelha do extensómetro. A escolha da dimensão do extensómetro é indicada pelo fabricante de acordo com o tipo de corpo de prova escolhido e com a amplitude das deformações. Para deformações elevadas devem ser utilizados extensómetros mais pequenos e para pequenas deformações é mais conveniente utilizar extensómetros maiores de modo a melhorar a sensibilidade. Um parâmetro fundamental do extensómetro é a sua sensibilidade ao alongamento que é expresso pelo factor GF (“gauge factor”) fornecido pelos fabricantes. GF é definido como a razão entre a variação da resistência eléctrica (∆R) por unidade de resistência (R) do extensómetro e a extensão (ε). GF = ∆R / R ∆R / R = ∆L / L ε (5.3) Idealmente um extensómetro só seria sensível a alterações de alongamento, mas na prática verifica-se que a resistência eléctrica sofre alterações significativas com a variação da temperatura. Minimiza-se este efeito escolhendo o material do extensómetro de acordo com o material da peça a medir de modo a que o efeito da temperatura seja compensado pela variação da deformação térmica dos materiais. Os fabricantes aconselham a utilização de diferentes extensómetros compensados em função do material da peça onde vão ser aplicados. O efeito que a temperatura tem sobre as medições pode ser observado nos gráficos tensão aparente em função da temperatura e GF como função da temperatura (ambos dados pelo fabricante). A gama de temperaturas e a sensibilidade térmica também são dados existentes nos catálogos. A compensação térmica pode ser compensada com o tipo de montagem utilizado no condicionamento de sinal, facto que é referido mais tarde neste capítulo. O princípio de funcionamento destes extensómetros metálicos baseia-se na variação do comprimento e da secção da grelha activa. Quando o extensómetro se encontra à tracção a secção dos filamentos da grelha diminui e o comprimento total do condutor aumenta reduzindo assim a resistência. Em compressão obtém-se o inverso. JOÃO CAEIRO ANTUNES 23 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE O efeito piezo-resistivo dos metais ocorre em simultâneo com a alteração geométrica da grelha, mas tem muito menor influencia sobre a variação da resistência. A resistividade da maior parte dos metais decresce com o aumento da pressão. Este aumento de pressão leva à diminuição do volume e das distâncias inter-atómicas que provoca então a diminuição da resistividade. A resistividade do metal é devida à difusão de electrões livres nos átomos da rede. A probabilidade de difusão é tanto maior quanto maior for a amplitude de oscilação dos átomos. Uma redução na malha da rede cristalina, aproximando os átomos, leva a um aumento das forças de ligação entre eles e consequentemente à diminuição da amplitude das suas oscilações. A probabilidade de difusão dos electrões livres diminui assim como a resistividade. Os extensómetros piezo-resistivos funcionam com base neste comportamento, mas para alem da difusão de electrões também existe difusão de buracos (ou lacunas) porque são utilizados materiais semicondutores e deste modo conseguem-se sensibilidades muito superiores. O comportamento dinâmico dos extensómetros pode ser limitativo na medição de extensões que oscilem a frequências elevadas. A frequência máxima de utilização do extensómetro é um parâmetro condicionador dessas medições. A resposta em frequência não é determinada pelo tipo de material do extensómetro mas sim pela forma como é fixo e pelas suas dimensões. É necessário que o comprimento (l) da grelha activa seja muito inferior ao comprimento de onda (λ) das vibrações mecânicas de forma a que as deformações medidas sejam quase uniformes ao longo do extensómetro. Adopta-se como regra l 0.1λ, a medição é possível até l = 0.2λ mas já com algumas perturbações. O comprimento de onda das vibrações longitudinais é dado pela expressão: λ= V f (5.4) Onde f é a frequência e V a velocidade de propagação do som no material da estrutura: V = E 1 −ν ⋅ d (1 + ν )(1 − 2ν ) (5.5) Onde E é o modulo de Young, d a massa volúmica do material e ν o coeficiente de Poisson. Assim a frequência máxima de utilização de um extensómetro em que a grelha tem um comprimento l é dada por: f max = JOÃO CAEIRO ANTUNES V 10l (5.6) 24 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Para o caso do aço obtém-se V = 5810 m/s e fmax 60 KHz com l = 1 cm. O limite de fadiga é outro factor característico dos extensómetros (que é dado pelo fabricante). A repetição alternada de deformações acaba por provocar um crescimento lento mas progressivo da resistência do extensómetro, resultando numa deriva progressiva do ponto zero da calibração inicial. Este efeito é tanto maior quanto maiores forem as amplitudes das deformações provocando distorções e o aparecimento de micro fissuras da rede cristalina. O tipo de material também tem influência na amplitude da deriva do zero. Define-se o limite de fadiga como o número de ciclos de deformações com determinada amplitude necessárias para provocar uma variação de resistência correspondente à deformação fictícia de 10-4. Existe uma grande diversidade de formas ou padrões do extensómetro, a sua escolha depende da aplicação e da grandeza física que se pretende medir. Para deformações lineares à tracção ou compressão utiliza-se o extensómetro linear, para medir a direcção das forças num plano utilizam-se rosetas com dois ou três extensómetros, a torção dos veios pode ser obtida com extensómetros em espiral e existem outros que cada fabricante desenvolve para aplicações mais específicas. As colas a utilizar devem ser escolhidas de acordo com o que o fabricante refere nos catálogos, normalmente são utilizadas resinas ou cyanocrilatos. Depende sobretudo do material de base do extensómetro e da superfície onde é aplicado. O tempo de secagem pode variar de uma hora a um dia. 5.4. Características do sensor de deformação O sensor de deformação é composto por um corpo de prova e por um extensómetro devidamente colado ao corpo [8-10]. O mesurando primário é a força que actua sobre o corpo de prova. O corpo pode estar submetido à tracção, compressão, ou flexão. A deformação resultante que corresponde ao mensurando secundário é traduzida electricamente através do extensómetro que está montado numa ponte de Wheatstone. As qualidades metrológicas deste sensor dependem do conjunto dos três elementos, extensómetro, corpo de prova e cola. O que as limita são a histerese e a fluência de cada elemento. A histerese ocorre, por definição, quando não existe retorno ao zero. A histerese da deformação num corpo elástico submetido a uma força F pode ser observado na figura seguinte (Figura 16). Quando é aplicada uma força F a um corpo elástico ele sofre uma deformação ou extensão ( ), retirando essa força (F) a deformação não volta a zero mas sim a uma deformação residual ou extensão residual ( 0). JOÃO CAEIRO ANTUNES 25 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figura 16 – Histerese da deformação dum corpo elástico Este tipo de erro aparece mesmo que a força aplicada seja muito fraca. No conjunto extensómetro, corpo de prova e cola temos que sobrepor os efeitos de histerese em cada caso. Verifica-se que a histerese da resistência do extensómetro é de sinal contrário a da deformação do corpo o que tende a compensá-la. Para cada tipo de material temos diferentes curvas de histerese que têm que ser analisadas caso a caso. A fluência é um fenómeno que ocorre devido à viscosidade dos materiais. Quando um corpo é submetido a uma força constante a deformação aumenta com o passar do tempo. Os erros devidos à fluência são imprevisíveis. Qualquer medição da deformação está por si só sujeita à sobreposição de dois efeitos contrários de fluência. O comportamento visco-elástico do metal da grelha resulta sempre num aumento da deformação do metal enquanto que o suporte da grelha do extensómetro e a cola estão sujeitos a uma relaxação que se traduz pela diminuição da deformação. A soma destes dois efeitos pode ser positiva nula ou negativa devido às suas amplitudes e às breves oscilações que podem ou não ter constantes de tempo idênticas. Por fim a temperatura também afecta o comportamento da fluência. O efeito da fluência pode ser observado num sensor de força constituído por um corpo de prova e por um extensómetro colado (Figura 17). Os gráficos mostram a evolução da extensão (ε) ao longo do tempo (t). JOÃO CAEIRO ANTUNES 26 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figura 17 – Deformação do corpo de prova submetido a um escalão de força. A grelha do extensómetro pode sofre deformações devido à relaxação da cola e do seu suporte assim que o corpo de prova é submetido a forças. Nesta figura observa-se a resposta da deformação da grelha do extensómetro quando submetida a um escalão de força (Figura 18) Figura 18 – Deformação da grelha devido a um escalão de força. A sobreposição dos efeitos de fluência pode ser observados pela variação relativa da resistência do extensómetro em função do tempo (Figura 19). As curvas interrompidas limitam o intervalo de soluções possíveis da variação da resistência provocada pelos efeitos da fluência. JOÃO CAEIRO ANTUNES 27 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figura 19 – Sobreposição dos efeitos de fluência no extensómetro. Torna-se muito difícil quantificar estes fenómenos de histerese e fluência, por isso, convenciona-se que o corpo de prova não deve ultrapassar uma deformação de 0.2% que corresponde aproximadamente a um quarto da sua elasticidade, o preço a pagar é a diminuição do campo de medida. 5.5. Medição com extensómetros A variação de resistência dos extensómetros é muito pequena, da ordem das décimas de ohm, por essa razão convém utilizar montagens em ponte de Wheatstone que permitem converter pequenas variações da resistência em variações de tensão diferencial, e permitem ainda compensar a sensibilidade térmica dos extensómetros. [7] A ponte de Wheatstone [13, pág. 184] é realizada por uma montagem com quatro braços resistivos que são alimentados por uma fonte de tensão (Figura 20). Figura 20 – Ponte de Wheatstone. VEX é a tensão de excitação da ponte, V0 a tensão diferencial de saída, dada por: V0 = JOÃO CAEIRO ANTUNES R3 R2 − VEX R3 + R4 R1 + R2 (5.7) 28 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE A ponte está em equilíbrio quando R1/R2 = R4/R3 resultando numa tensão de saída com Vo = 0V. Substituindo R4 por um extensómetro e igualando a resistência R3 ao valor nominal da resistência do extensómetro obtemos a seguinte montagem (Figura 21), dita em quarto de ponte: Figura 21 – Montagem do extensómetro em um quarto de ponte. ∆R exprime a variação da resistência devida ao alongamento do extensómetro e é dada por: ∆R = RG ⋅ GF ⋅ ε (5.8) A função de transferência para este condicionamento de sinal em que se assume R1=R2 e RG=R3 é dada por: Vo GF ⋅ ε 1 =− ε VEX 4 1 + GF ⋅ 2 (5.9) Repare-se no termo de não linearidade da tensão de saída em função do alongamento que está entre parêntesis. É possível minimizar a influência da temperatura nas medições desta montagem colocando um extensómetro idêntico a RG no lugar da resistência R3 e montando-o na mesma peça a medir mas numa situação em que o alongamento é nulo. Deste modo a temperatura afecta ambas as resistências dos braços direitos da ponte fixando a tensão de saída no mesmo valor. Para duplicar a sensibilidade da ponte utiliza-se o método “push-pull” onde ambos os extensómetros são utilizados, quando um está à tracção o outro está à compressão. A montagem diz-se realizada em meia ponte (Figura 22). JOÃO CAEIRO ANTUNES 29 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figura 22 – Montagem do extensómetro em meia ponte ou “push-pull”. A função de transferência neste caso tem a vantagem de ser linear e é dada por: Vo GF ⋅ ε =− 2 VEX (5.10) Pode ainda aumentar-se a sensibilidade para o dobro realizando a montagem dita em ponte completa (Figura 23), com quatro extensómetros da forma que se segue: Figura 23 – Montagem do extensómetro em ponte completa. A sua função de transferência também é linear, e é dada por: Vo = −GF ⋅ ε VEX (5.11) 5.6. Outros tipos de extensómetros Existem outros tipos de extensómetros com princípios de funcionamento diferentes dependendo da aplicação a que se destinam [5-10]. O extensómetro com corda vibrante é utilizado em engenharia civil, consiste num corpo fechado com uma corda de aço esticada no interior. Ao aplicar uma força exterior o corpo deforma-se alterando a tensão mecânica da corda e por sua vez a sua frequência de ressonância. As vantagens deste sistema são a robustez que garante um longo período de vida, a fiabilidade ao ambiente hostil (humidade e radiação), a imunidade aos ruídos parasitas e a resistência à perda do sinal (devido ao facto da informação da deformação estar contida na frequência do sinal) e a facilidade de digitalização do sinal. JOÃO CAEIRO ANTUNES 30 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE O extensómetro capacitivo é utilizado em ambientes onde as temperaturas ultrapassam os 300 ºC onde os extensómetros metálicos não podem ser usados. Estes extensómetros são bastante estáveis com a temperatura e podem trabalhar até os 815 ºC. Eles são constituídos por um condensador diferencial cilíndrico com as duas armaduras fixas em pontos distintos da estrutura. A medição é feita através de uma ponte de Sauty e de uma desmodulação síncrona para conhecer o sinal do deslocamento. Os deslocamentos devidos à dilatação térmica podem ser compensados utilizando o mesmo material da estrutura para o suporte das armaduras. O campo de medida situa-se na ordem dos 20 000 e a sensibilidade na ordem dos 0.018 pF / 1000 . JOÃO CAEIRO ANTUNES 31 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 6. Instrumentação A instrumentação de um sistema envolve a interacção de um conjunto de aparelhos que devem funcionar coerentemente uns com os outros e realizem uma determinada tarefa para a qual foram desenhados e preparados. O caso em estudo envolve a instrumentação de lâminas de corte utilizando a extensometria a qual requer equipamento electrónico adequado, extremamente sensível e um condicionamento de sinal desenhado por medida. Cada caso de instrumentação utilizando a extensometria deve ser analisado em função da quantidade e qualidade das extensões a medir [15]. Para aplicar a extensometria na medição das deformações das lâminas de corte é necessário definir diversos parâmetros que vão condicionar a escolha do equipamento a ser utilizado. Os principais factores a ter em consideração são a quantidade de medições que se pretendem realizar, a velocidade a que é feita a amostragem das medições, a sensibilidade que o condicionamento de sinal tem que ter para poderem ser observadas as deformações desejadas, qual a gama de medidas que se esperam obter e de que forma se pretende adquirir e processar todos estes dados. A quantidade de lâminas de corte que se pretendem analisar é variável dependendo da situação de corte em que o engenho multi-lâmina é montado. Para espessuras de peças maiores temos menor número de lâminas e vice-versa. O valor ronda as quatro dezenas de lâminas na pior das hipóteses. Numa fase inicial é importante instrumentar uma só lâmina de corte para retirar o máximo de informação possível do seu comportamento dinâmico. O objectivo é chegar a conclusões sobre a causa efeito entre a geometria da máquina e a evolução das deformações da lâmina. Após identificar quais as deformações mais representativas do processo de corte podem-se eliminar os extensómetros dispensáveis à obtenção das assinaturas características reduzindo o número de medições necessárias ao conjunto das 40 lâminas de corte. Numa primeira estimativa supõe-se serem necessárias fazer pelo menos duas medições por lâmina o que totaliza 80 medições simultâneas. Na fase inicial estima-se que seja necessário instrumentar uma só lâmina com 12 medições simultâneas. Quatro medições longitudinais em cada vértice para ambas as faces, que totaliza 8 medições mais 4 medições transversais em ambas as extremidades e faces. A velocidade a que são realizadas as medições tem que ser alta de modo a obter curvas bem definidas das deformações. A frequência de funcionamento da bielamanivela é uma boa referência para calcular a frequência de amostragem necessária. No caso do engenho mono-lâmina obteve-se uma medição auxiliar da frequência de trabalho da lâmina de corte sendo de 2.88Hz. Como o engenho multi-lâmina trabalha a frequências inferiores podemos estimar valores de amostragem a partir deste valor. Pode-se fixar uma estimativa mínima para a frequência de amostragem de 10 vezes superior à frequência da lâmina de corte, ou seja, cerca de 30Hz. Deste modo temos uma curva sinusoidal bem definida. JOÃO CAEIRO ANTUNES 32 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE A sensibilidade necessária às medições é muito difícil de estimar, porque não existem dados nenhuns sobre o comportamento das deformações da lâmina. Podemos no entanto deduzir que terá que ser muito alta pois apesar de as forças serem elevadas a lâmina tem dimensões bastante grandes que resulta em deformações muito pequenas. A escolha do tipo de extensómetro (metálico ou piezoresistivo) também tem influência pois já vimos atrás que a solução escolhida dos extensómetros metálicos têm uma sensibilidade 100 vezes inferior aos piezoresistivos. Conclui-se que o instrumento de medida escolhido deverá ter a sensibilidade máxima possível. A gama das medições também é difícil de estimar pela mesma razão anterior, por isso convém escolher um equipamento que seja capaz de seleccionar o ganho e variar a gama de leituras. A forma de adquirir e processar os dados deve ser digital, tem todo o tipo de vantagens, permite a linearização dos dados, fazer processamento em tempo real e registar grandes quantidades de informação em simultâneo para processar mais tarde. Outros factores a ter em atenção é que o sistema tenha a capacidade de poder seleccionar automaticamente a origem do sinal medido e também garantir a versatilidade de poder trocar facilmente os pontos de medida ou expandir o número de medições. A escolha do equipamento teve em conta os parâmetros dos extensómetros escolhidos em função da situação em análise, a qualidade pretendida nas medições, o tipo de arquitectura do sistema, o condicionamento de sinal e a capacidade de desenvolvimento de software apropriado. A modularidade também é extremamente importante para poder dar continuidade à evolução do sistema de medida em desenvolvimentos posteriores. Interessa medir as forças estáticas e dinâmicas a que o engenho está sujeito, o número de medições é bastante elevado, da ordem dos 80, a amostragem de pelo menos 30 Hz. Isto significa que para um sistema multiplexado (que em termos de custos é muito inferior a um sistema paralelo) temos frequências de comutação e de leitura de no mínimo 2.4 KHz. É necessário ter em conta que os pontos de leitura das deformações estão dispersos no engenho e há que medir as forças longitudinais e transversais nas extremidades das lâminas que estão em movimento. Atendendo a todos estes constrangimentos optou-se pela arquitectura da National Instruments que é uma empresa com larga experiência e historial no domínio da instrumentação. A razão desta opção também tem a ver com a larga especialização dos seus equipamentos, desenhados para poderem ser adaptados a cada situação. De seguida descrevem-se sucintamente as características dos módulos adquiridos enquadrados em dois tipos de soluções, as de baixo custo e as de alta performance. JOÃO CAEIRO ANTUNES 33 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 6.1. Solução de baixo custo A solução de baixo custo pretende servir de ferramenta de testes e ensaios para um número reduzido de medições extensiométricas. Desta forma foi desenvolvido grande parte do software e sensores. Foram analisadas diversas soluções, algumas de custo extremamente baixo, mas com grandes inconvenientes, como é o caso de um ganho reduzido e níveis de ruído demasiado elevados. A solução de baixo custo que foi encontrada não é das mais económicas visto ser importante garantir ganhos e níveis de ruído aceitáveis (Figura 24 e Figura 25). Os elementos seguintes adquiridos à empresa National Instruments [7] satisfazem os requisitos. DaqCard –AI–16E-4 família 6041E Módulo: Descrição: Placa de aquisição de sinal, interface PCMCIA, capaz de ser ligado a qualquer computador portátil com PCMCIA-I. Tem uma resolução de 12 bit. Permite 16 canais em modo SE ou 8 em modo diferencial. Frequência de amostragem até 250KS/s em modo multicanal. Tensão de entrada entre 0-10V em modo SE ou +/-10V em modo diferencial. Tem 8 DIO (entradas/saídas digitais). Figura 24 – Placa PCMCIA de aquisição (solução de baixo custo) JOÃO CAEIRO ANTUNES 34 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE SC-2043-SG Módulo: Descrição: Placa de condicionamento de sinal, com 8 canais de leitura ao qual se podem ligar extensómetros. Os tipos de ligações possíveis são as pontes de Wheatstone em que a montagem está completada internamente em ponte completa, meia ponte ou um quarto de ponte. Permite ainda ajustar as tensões de offset. Sendo possível adquirir resistências de precisão e montálas na placa de modo a obter montagens em um quarto de ponte calibradas, obtendo-se assim resultados fiáveis. Figura 25 – Módulo de condicionamento de sinal (solução de baixo custo) A montagem da solução de baixo custo é modular permitindo a adição de vários conjuntos de oito canais (SC-2043SG) ligados ao modulo AMUX-64T (Figura 26). Para optimizar esta montagem pode ser adicionada uma fonte de alimentação externa mais estável (como é o caso das baterias de corrente continua) garantindo menor ruído nas medições. Figura 26 – Esquema de montagem (solução de baixo custo) JOÃO CAEIRO ANTUNES 35 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 6.2. Solução de alta performance A solução de alta performance permite melhores resultados que a solução de baixo custo, de uma forma mais modular e com capacidades acrescidas na quantidade e velocidade de aquisição de medições. A solução de alta performance integra diversos elementos adquiridos à National Instruments, a placa de aquisição de sinal (Figura 27), o módulo de alimentação e chassi (Figura 28), o condicionamento de sinal (Figura 29) e um módulo de ajuste e entrada de sinal (Figura 30). DaqCard –AI–16E-4 família 6041E Módulo: Descrição: Placa de aquisição de sinal com interface PCMCIA capaz de ser ligado a qualquer computador portátil com PCMCIA-I. Tem uma resolução de 12 bit. Permite 16 canais em modo SE ou 8 em modo diferencial. Frequência de amostragem até 250KS/s em modo multicanal. Tensão de entrada entre 0-10V em modo SE ou +/-10V em modo diferencial. Possui 8 DIO (entradas/saídas digitais). Figura 27 – Placa PCMCIA de aquisição (solução de alta performance) SCXI-1001 Módulo: Descrição: Chassis SCXI com 12 slots de expansão (permitindo instalar uma gama relativamente grande de placas de condicionamento de sinal, consoante a aplicação pretendida, e portanto uma versatilidade relativamente importante para futuras aplicações). Possui uma fonte de alimentação AC para 220V. Permitindo uma evolução posterior multi-chassis (por selecção do endereço do chassis). Foram ainda adquiridos diversos acessórios tais como painéis frontais e painéis traseiros, SCXI-1360 e SCXI-1361 respectivamente. JOÃO CAEIRO ANTUNES 36 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figura 28 – Chassis SCXI (slots de expansão para a solução de alta performance) SCXI-1121 Módulo: Descrição: É um módulo SCXI de condicionamento de sinal para extensometria RTD's ou Termistores, a utilizar com o chassis SCXI-1001. Possui 4 canais de entrada isolados com excitação de corrente ou tensão. Permite a selecção do ganho de 1 a 2000 através de “jumpers”. Tem um filtro passa baixo interno seleccionável (4Hz ou 10KHz). Pode ir até frequências de amostragem de 333Kamostras/s. Inclui ainda a capacidade de escolher e completar as pontes de Wheatstone, ou seja, é possível fazer uma montagem em ponte completa, em meia ponte ou em quarto de ponte através de “jumpers”. Em conjunto com o chassis SCXI-1001 é possível obter 48 canais de leitura em simultâneo. Figura 29 – Módulo de condicionamento de sinal (solução de alta performance) SCXI-1321 Módulo: Descrição: É um bloco terminal SCXI para ligar ao módulo SCXI-1121. Possui 4 canais de entrada e é dedicado especialmente a extensómetros. Permite o ajuste do offset em todos os canais através de potenciómetros. Inclui ainda um shunt de calibração automático com controlo por software. JOÃO CAEIRO ANTUNES 37 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figura 30 – Módulo de ajuste de sinal (solução de alta performance) O esquema seguinte mostra a arquitectura de alta performance que foi desenvolvida e implementada na instrumentação dos engenhos mono e multi-lâmina (Figura 31). Figura 31 – Arquitectura global (solução de alta performance) Para que este equipamento funcione foi necessário reunir um conjunto de acessórios indispensáveis tais como: Um PC portátil com interface PCMCIA é a forma mais simples e eficaz para instalar e adquirir dados no terreno. Mais tarde as medições podem ser analisadas e processadas permitindo fazer os necessários ajustes e correcções ao software e hardware [14]. Conjunto de cabos de ligação entre módulos, tais como, PSHR68-68 mais adaptador, SCXI-1349, PSHR68-50 entre outros. Conjuntos de kits de resistências de precisão de 350 ohm e 120 ohm para completar as pontes de Wheatstone (SCXI-R). É a única forma de garantir leituras JOÃO CAEIRO ANTUNES 38 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE suficientemente precisas, pois qualquer oscilação no valor nominal destas resistências iria distorcer os resultados reais das deformações, estão em jogo leituras precisas onde são utilizados ganhos elevados. Fios condutores em cobre protegidos do campo eléctrico com cerca de dez metros e fichas para fazer as ligações dos extensómetros ao equipamento de medida. “Flat cable” para realizar as ligações entre o corpo fixo do engenho e as lâminas móveis e fichas adaptadas a cada situação. A montagem do equipamento de alta performance é realizada introduzindo no bastidor módulos de quatro canais com terminais de entrada (Figura 32). O bastidor é então ligado à placa PCMCIA através de um cabo apropriado. Figura 32 – Esquema de montagem (solução de alta performance) JOÃO CAEIRO ANTUNES 39 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 6.3. Aplicação da instrumentação na análise da deformação das lâminas Para obter a análise de assinaturas é necessário aplicar e adaptar o sistema de instrumentação à medição das deformações das lâminas de corte. O equipamento utilizado exige cuidados especiais para que funcione correctamente, isto é, existem uma série de regras que devem ser seguidas para que as medições sejam fiáveis. A correcta calibração é uma das regras essenciais. O tipo de montagem utilizada é outra regra que condiciona as medições obtidas. A montagem em quarto de ponte tem a vantagem de permitir poupar extensómetros mas em contrapartida tem o inconveniente de medir resultados pouco lineares e que estão sujeitos a variações devido à temperatura ambiente. Os ensaios realizados duram habitualmente uma hora de aquisição contínua, após isso o sistema é verificado e ajustado caso seja necessário para poder fazer novas aquisições de dados. Desta forma evitam-se os problemas com a oscilação da temperatura ao longo do dia, o que poderia produzir resultados errados. Para que o sistema funciona autonomamente durante o dia inteiro é importante controlar o equilíbrio das pontes de Wheatstone com a variação da temperatura. Caso elas não estejam em equilíbrio produzem-se resultados irreais de onde não se podem tirar conclusões. A variação da temperatura afecta bastante o equilíbrio da montagem em um quarto de ponte, portanto, durante uma hora de ensaio pouca ou nenhuma variação de temperatura se regista, daí validarem-se as medições, a partir do momento em que o sistema trabalhe o dia inteiro obteremos valores errados. A solução a aplicar será a de implementar uma montagem em meia ponte com três fios para cada extensómetro resolvendo assim o problema da flutuação da temperatura ao longo do dia na cablagem. A utilização de mais um extensómetro colado a uma chapa sem deformação permite compensar a variação de temperatura nos extensómetros equilibrando a ponte extensiométrica. A figura seguinte mostra o sistema a medir deformações das lâminas do engenho de corte. Figura 33 – Sistema de instrumentação em funcionamento. JOÃO CAEIRO ANTUNES 40 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Existiram numerosas condicionantes na escolha do equipamento de extensometria, há que considerar a quantidade de medições a realizar, a velocidade de amostragem dessas medições, a sensibilidade e gama de medidas, o modo como vai ser adquirida e processada a informação e a versatilidade e modularidade do sistema de medida de modo a poder expandir as medições. O sistema escolhido permite medir e digitalizar sinais analógicos com uma resolução de 12bits, com montagens multiplexadas e em modo diferencial. Atinge frequências de amostragem de 250KHz. São utilizadas pontes de Wheatstone que são completadas internamente em quarto, meia ou ponte completa e é possível introduzir um filtro interno de 4Hz ou 10KHz. A aplicação do sistema de medição à extensometria requer a existência de um ajuste do zero para anular o desequilíbrio inicial da ponte de Wheatstone (Figura 34). Figura 34 – Ponte de Wheatstone com ajuste do zero A resistência Rnull permite escolher a gama de ajuste de offset. Também é possível compensá-lo com auxílio de software, utilizando um valor da tensão determinado inicialmente nas equações da ponte que compensa a diferença real. O problema desencadeado por esta correcção é o de limitar a gama dinâmica do sistema de medida. O facto do desequilíbrio real da ponte não ser eliminado provoca ainda o aquecimento dos extensómetros devido à passagem de uma corrente constante num dos braços da ponte. A grande vantagem surge quando se efectuam calibrações automáticas do zero para muitos canais em simultâneo. Outra solução possível que o equipamento permite, é a de utilizar o 'Buffer Offset Nulling' que consiste em ajustar um potenciómetro que adiciona ou subtrai 50mV à tensão de saída do amplificador operacional [14]. Só depois é que será feita a digitalização do sinal. Esta técnica não é prática pois implica ajustes no equipamento de medida que inviabilizam a sua calibração e utilização noutras aplicações. JOÃO CAEIRO ANTUNES 41 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE A calibração de desvios do ganho pode ser realizada com auxílio de um circuito de calibração interno que é ligado em paralelo com o extensómetro (Figura 35). Figura 35 – Esquema de calibração de ponte extensométrica. Esta montagem serve para verificar a medição do extensómetro relativo a uma predeterminada deformação mecânica, ou seja, simula-se uma deformação que é conhecida através da resistência RSCAL acrescentada a um braço da ponte. RSCAL (301K ± tolerância 1%) é uma resistência colocada em paralelo com o extensómetro (ou resistência de “shunt”) através do interruptor SCAL para calibrar as medições. SCAL é activado por intermédio do software. Assumindo que não existe tensão estática (ou seja, que a ponte está em equilíbrio), determina-se o alongamento que deveria ocorrer na peça para dar o mesmo desequilíbrio da ponte que a provocada pela resistência RSCAL. Com auxilio da função de transferência de quarto de ponte (5.9) e utilizando Valterada em lugar da tensão Vo, obtémse nestas circunstâncias a expressão: Valterada = VEX R( RSCAL + RG ) V − EX RSCAL + R( RSCAL + RG ) 2 (6.1) O valor da tensão de saída da ponte pode então ser medida e comparada ao valor de tensão esperada. Os resultados podem ser usados para corrigir erros de escala em toda a gama de medições ou podem simplesmente servir para conferir os ganhos dos vários andares de amplificação aumentando assim a confiança das medições. Quando o equipamento se encontra afastado dos locais de medição, é necessário utilizar fios condutores em cobre muito longos, o que significa que não se pode desprezar o efeito da sua resistência. JOÃO CAEIRO ANTUNES 42 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Para o caso da montagem em quarto de ponte a compensação da resistência dos condutores é feita da seguinte forma (Figura 36): Figura 36 – Montagem em quarto de ponte. A extensão é calculada através da função de transferência (6.2) em que RL é a resistência dos condutores que ligam o equipamento ao corpo de prova, neste caso aos sensores de deformação colocados nas lâminas de corte. Vo VEX ε= V GF 1 + 2 o VEX −4 1+ RL RG (6.2) A resistência (RL) de um condutor cilíndrico de comprimento lc, raio r e resistividade ρ é obtida pela equação (6.3) considerando uma temperatura (6.4) standard de 25ºC. lc πr 2 ρ = ρ 0 (1 + αθ ) RL = ρ (6.3) (6.4) ρ0 = Resistividade a 0ºC α = Coeficiente de temperatura θ = Temperatura em Kelvin Finalmente todo o processamento de sinal é realizado através de um programa de software adequado ao equipamento de condicionamento de sinal utilizando a extensão obtida através da expressão (6.2). JOÃO CAEIRO ANTUNES 43 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 6.4. Escolha de extensómetros e sua instalação A escolha dos extensómetros é realizada tendo em atenção todo um conjunto de parâmetros. Foi necessário definir quais os pontos de leitura e quais as direcções das forças que se pretenderam medir. O material onde são colados os extensómetros tem que ser conhecido tais como as suas propriedades mecânicas. Fez-se ainda uma estimativa do módulo das forças máximas e dos alongamentos que vão afectar as lâminas. A deformação máxima do extensómetro nunca poderá ser ultrapassada, correndo este o risco de ser destruído e começar a fornecer resultados errados. Os fabricantes têm uma gama alargada de extensómetros adequados a cada situação [16]. Para o caso das lâminas de corte foram escolhidos extensómetros próprios para aço que têm uma compensação térmica adequada ao factor de expansão térmica do material em teste, esta compensação é conseguida à custa da composição do material condutor do extensómetro. Existem padrões (associações de conjuntos de extensómetros) e dimensões variadas de extensómetros: neste caso interessam-nos extensómetros pequenos para fazer leituras localizadas e capazes de detectar ambas as componentes horizontais e verticais do alongamento. As especificações dos extensómetros utilizados são quase todas idênticas, o que difere é o padrão ou a sua dimensão, por essa razão existem quatro referências diferentes (Tabela 2). Referências dos Extensómetros Comprimento Gama de leitura do alongamento Material de base Material condutor extensível Gama de temperatura Sensibilidade térmica Gauge Factor e tolerância Variação Gauge Factor com a temperatura Resistência Nominal e tolerância Tempo de vida devido à fadiga SHOWA N22-FA-5-120-11 SHOWA N22-FA-5-350-11 SHOWA T24-FA-5-120-11 SHOWA T24-FA-5-350-11 2.0 - 5.0 mm 4% Polyester Liga de Cu-Ni -30ºC a +180ºC ±2µε/ºC Temp. ambiente até 80ºC GF=2.13±1% e GF=2.15±1% GF±0.015%/ºC 120.0±0.3% e 350.0±0.3% Mais de 105 oscilações a 1000µε Tabela 2 – Especificações dos extensómetros metálicos utilizados. JOÃO CAEIRO ANTUNES 44 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Com vista a obter os melhores resultados possíveis de um extensómetro instalado, foi importante tomar atenção à preparação dele e da superfície e da técnica de colagem [7, 8]. Primeiro passo. A preparação da superfície deve ser feita de modo a retirar toda a ferrugem e sujidade e deve ser alisada com uma lixa fina para criar alguma rugosidade na zona de aderência da cola. Segundo passo. A área tratada tem que ser suficientemente larga para abranger toda a cola que vai ser usada. Após o uso da lixa deve-se desengordurar a superfície com tricloroetileno e finalmente neutralizá-lo com um detergente suave. A superfície é limpa com um tecido até eliminar toda a sujidade e deve ser colado o extensómetro imediatamente a seguir. Terceiro passo. A superfície inferior do extensómetro pode ser lixada com um abrasivo em pó fino de modo a ter maior rugosidade e aderir melhor à superfície. Quarto passo. A cola utilizada é normalmente a resina ou o cyanocrilato. O fabricante aconselha a utilização de resinas apropriadas de acordo com a temperatura de trabalho a que ele vai ser sujeito e também dependendo do material do extensómetro. No nosso caso foi utilizada resina epóxica tipo F3. Quinto passo. A colagem pode ser feita com o auxílio de fita adesiva agarrada ao extensómetro que é retirada lentamente depois de espalhar a cola. Sexto passo. As soldaduras dos condutores são efectuadas ao lado do extensómetro a terminais colados à peça de modo a não perturbá-lo. Finalmente, o sétimo passo, e dependendo das condições em que a peça vai trabalhar, é aplicada uma ou mais camadas de protecção da colagem, do extensómetro e das soldaduras. Neste caso foi utilizado silicone para impermeabilizar os sensores contra infiltrações de água. JOÃO CAEIRO ANTUNES 45 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 6.5. Instalação de extensómetros directamente sobre a lâmina de corte Na figura exemplifica-se a montagem de quatro extensómetros de modo a adquirir o máximo de informação sobre a deformação da lâmina. Os extensómetros são colados na extremidade da lâmina com as respectivas cablagens soldadas (Figura 37). Sensor de deformação do eixo longitudinal Sensor de deformação do eixo vertical Figura 37 – Montagem de extensómetros numa lâmina JOÃO CAEIRO ANTUNES 46 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Esta informação foi recolhida numa fase inicial do projecto em que era necessário identificar qual o melhor local e forma de aquisição das deformações que caracterizassem bem o processo de corte. Esta montagem é repetida na extremidade e face oposta da lâmina. As linhas e setas a branco representam os eixos e direcções em que são realizadas as medições dos alongamentos. JOÃO CAEIRO ANTUNES 47 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 7. Software para instrumentação Existem bastantes produtos de software comerciais já desenvolvidos com capacidade de serem adaptados à arquitectura de instrumentação escolhida. A desvantagem deste tipo de software é englobar num só pacote todas as soluções para todas as arquitecturas possíveis. Além deste software ser extremamente caro é também bastante complexo e difícil de utilizar por quem não disponha de conhecimentos para isso. Este tipo de softwares são destinados a utilizadores que necessitam de uma grande versatilidade na montagem de arquitecturas e diversidade de aplicações, como é o caso do seu uso em laboratórios de engenharia. O que se pretende neste projecto é obter uma solução simples e eficaz onde os resultados sejam rápidos e fáceis de ler, deste modo o operador do engenho adquire a capacidade de agir sobre a ferramenta optimizando o processo de corte de acordo com as indicações do software. Tal objectivo só é conseguido através do desenvolvimento de um software específico. Este software terá que realizar vários milhares de leituras por segundo em tempo real usando a arquitectura que foi escolhida. Depois armazena e processa toda ou parte da informação recolhida em tempo real. Da enorme quantidade de informação disponível serão então produzidos resultados aptos a serem compreendidos pelo utilizador que vai actuar no engenho. O equipamento da National Instruments, que foi adquirido já disponibiliza um conjunto de pacotes (“drivers”) para fazer o desenvolvimento de aplicações em diversas linguagens de programação. Deste modo, e sem custos adicionais, é possível desenvolver e investigar o melhor método para optimizar os processos de corte de rochas ornamentais, ou seja, escrevendo um software capaz de cumprir com os requisitos enumerados anteriormente. O desenho do software atinge duas vertentes, por um lado coligir e tratar uma enorme quantidade de informação, onde será necessário compreender todo o seu significado, por outro simplificar toda essa informação até obter decisões que vão ser entregues ao utilizador do engenho dizendo o que ele deve fazer para melhorar o processo de corte. A utilização directa dos pacotes (“drivers”) e o facto do software ser desenhado especialmente para uma só arquitectura permite obter uma performance muito superior à que seria conseguida de outra forma. A simplicidade de utilização só depende da forma como é escrito o software. A solução encontrada passa pela utilização do Visual Basic 5.0 como linguagem de programação do software, os pacotes (“drivers”) já estão preparados para serem utilizados tanto para funções de alto nível como para funções de baixo nível. Normalmente são utilizadas as funções de alto nível, quando é necessário efectuar tarefas especificas ou quando é necessário optimizar o desempenho utilizam-se as funções de baixo nível. As mesmas funções podem ser compiladas em Visual C, para construir funções mais exigentes em processamento e depois de serem compiladas e ligadas (“linkadas”) podem ser chamadas através do Visual Basic. O programa desenvolvido em Visual Basic chama-se "AnDef" (Análise de Deformações) e executa a aquisição das medições das tensões nas lâminas de corte, JOÃO CAEIRO ANTUNES 48 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE tanto para a arquitectura de baixo custo como para a arquitectura de alta performance. Este software dedicado sofreu profundas alterações com o decorrer do projecto. Os melhoramentos realizados cobrem muitas das funcionalidades do programa, a nível de rapidez, número de canais, processamento de sinal, exportação de dados para Matlab, grafismo, entre outros. Um dos saltos qualitativos deveu-se à introdução de um sinal de sincronismo exterior que permitiu sincronizar a aquisição do sinal através de hardware (Figura 38). Antes disto todos os sinais eram sincronizados através de software. Figura 38 – Software de análise das deformações das lâminas de corte. (“AnDef”) Na figura é possível observar os diversos canais com dados adquiridos para posterior processamento. A curva encarnada mostra que existe uma alteração significativa no decorrer do corte da rocha, este desvio é detectado e identificado na assinatura característica do corte. O canal ‘0’, em particular, representado por rectas verticais, corresponde ao sinal de sincronismo da aquisição de dados. É ele que permite sincronizar e sobrepor as deformações medidas nos outros canais num gráfico de assinaturas. Este sinal é obtido utilizando um sensor encostado ao quadro móvel do engenho mono-lâmina ou multilâmina (Figura 39). O disparo da aquisição do sinal é efectuado pela placa PCMCIA utilizando hardware de controlo. O disparo é programado através de software indicando qual o nível de sinal a detectar e qual o sentido do disparo (positivo ou negativo). JOÃO CAEIRO ANTUNES 49 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figura 39 – Sensor de sincronismo Assim é possível conhecer a frequência dos ciclos de corte da máquina bem como o seu início e fim. As curvas representadas medem as tensões a que as lâminas estão sujeitas para cada um dos canais. Cada par de canais corresponde a uma lâmina, isto porque cada sensor possui dois extensómetros (um deles redundante). Cada canal diz respeito a uma ponte de Wheatstone. É possível observar os perfis de tensões em função do tempo em cada ponto de medição. Os perfis podem ser guardados em disco e serem chamados mais tarde para serem comparados com outros. As frequências de amostragem e tempos de leitura são ajustáveis e os dados podem ser medidos sequencialmente ou em paralelo. Podemos ainda visualizar em tempo real a evolução dos perfis de tensões. É possível ajustar parâmetros de visualização tais como o número de perfis em simultâneo, as suas cores, a escala de tempo e a escala de tensões.O programa possui diversos parâmetros de funcionamento (Figura 40). Figura 40 – Parâmetros do software AnDef JOÃO CAEIRO ANTUNES 50 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Os parâmetros são o módulo de Young do aço, a tensão de excitação dos extensómetros, o gauge factor, a resistência dos extensómetros, o tipo de montagem que está a ser utilizada na aquisição dos sinais e o sistema de aquisição utilizado (de alta performance ou o de baixo custo). Todos eles podem ser alterados em qualquer instante. No que diz respeito ao processamento das deformações foi necessário desenvolver código em LabView, na realidade é sempre possível desenvolver uma aplicação em Visual Basic com o mesmo efeito, mas para desenvolver o estudo da assinatura característica, as capacidades de processamento paralelo e simplicidade do código conduziram ao desenvolvimento de uma biblioteca e uma aplicação em LabView. De facto obtiveram-se grandes melhorias em termos de rapidez de processamento e de capacidade de leitura e caracterização simultânea das assinaturas quando se passou a utilizar o LabView como ferramenta de desenvolvimento. As potencialidades do LabView permitem integrar em software múltiplas tarefas a correrem em paralelo. Figura 41 – Software de aquisição e análise de assinaturas de corte (LabView) De seguida observamos o ambiente de trabalho da aplicação mais recente desenvolvida em LabView (Figura 42). As funcionalidades que existiam no “AnDef” continuam a existir só que de forma mais optimizada. A compatibilidade foi levada em consideração tornando-se possível importar ficheiros gerados pelo “AnDef”. A visualização das assinaturas foi melhorada de acordo com o estudo teórico realizado. A representação das assinaturas é gerada em coordenadas polares o que facilita a sua compreensão. A filtragem do sinal foi melhorada utilizando um filtro passa baixo de Butterworth corrigido por um filtro de fase nula para que não existam erros de atraso de JOÃO CAEIRO ANTUNES 51 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE fase. O registo de assinaturas tornou-se mais versátil permitindo incluir informação adicional sobre as condições em que decorrem os ensaios. É ainda possível comparar com facilidade assinaturas da base de dados com as geradas no momento do ensaio e daí retirar conclusões (Figura 42). Figura 42 – Software de aquisição e análise de assinaturas (Labview) No anexo B apresenta-se uma publicação na revista ROC Máquina espanhola que exemplifica um caso típico de análise e detecção de erros de corte do engenho multilâmina [Anexo B, pág. 73, 74]. Esta análise é feita em software desenvolvido no LabView, neste caso a representação das assinaturas ainda não tinha sido transformada em coordenadas polares como mostra a figura anterior. JOÃO CAEIRO ANTUNES 52 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 8. Evolução do processamento dos resultados experimentais Os resultados experimentais começaram a ser processados a partir do momento em que estavam disponíveis, ou seja, na sexta fase já citada (Metodologia - Capítulo 1.2). Eles tornaram-se necessários para identificar o melhor local de medição das deformações das lâminas de corte. Para facilitar a tarefa, todo o equipamento foi montado no engenho mono-lâmina. Este engenho tem um acesso físico fácil que simplifica a instalação dos extensómetros directamente na lâmina (Figura 37) permitindo também a passagem directa dos cabos para o equipamento de medida. É importante poder montar e desmontar a lâmina rapidamente e quantas vezes forem necessárias para realizar testes de medição em diferentes situações e pontos da lâmina. O ângulo de montagem da lâmina também é relevante pois a sua inclinação em relação ao eixo de corte afecta as medições. Os cortes foram realizados em diferentes tipos de pedra para comparar os resultados. Este trabalho pôde ser realizado porque o engenho monolâmina funciona intermitentemente não causando atrasos nas tarefas da fábrica. No engenho multi-lâmina é muito complicada e demorada a montagem e desmontagem das lâminas impossibilitando a colocação directa de extensómetros nas lâminas. Assim sendo, a medição de deformações só teve inicio quando os sensores estiveram disponíveis. A ligação da cablagem teve que ser devidamente estudada para não ser destruída durante o funcionamento do engenho multi-lâmina [15, pág. 313]. Os resultados obtidos para esta sexta fase são sobretudo medições de deformação numa única lâmina de corte da mono-lâmina. O processamento destes dados foi complicado porque o sensor de sincronismo ainda não estava operacional. Assim a única forma de interpretar os dados consistiu em sincronizar os sinais através de software. A ferramenta utilizada foi o Matlab, bastante potente em termos de cálculo mas algo lento para um processamento em tempo real. A intenção foi detectar uma característica relevante do processo de corte que indicasse a qualidade e eficiência deste. São realizadas medições simultâneas das deformações em diferentes locais da lâmina do engenho mono-lâmina. O tempo de aquisição foi de 2 segundos com amostragem de 10KHz. Os dados são normalizados em amplitude e de seguida são calculados os espectros de frequência através da transformada de Fourier (Figura 43). JOÃO CAEIRO ANTUNES 53 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figura 43 – Espectro de frequência da deformação da lâmina. As componentes acima dos 200 Hz são desprezáveis para a análise da assinatura. Uma das componentes que mais interfere nas medições é o ruído dos 50Hz da rede eléctrica. Todas as suas harmónicas estão presentes no espectro do sinal como é possível constatar pela observação do gráfico do espectro de sinal. Para reduzir este problema é necessário utilizar blindagem adequada em todos os cabos que ligam o sistema de aquisição de dados aos extensómetros caso contrário continuará a existir este ruído bastante elevado quando comparado com o nível de sinal da deformação da lâmina. A parte mais importante do espectro situa-se entre os 0Hz e os 30Hz, a partir daí existe muito ruído, por essa razão filtra-se o sinal com um passa baixo com frequência de corte a 30Hz. Assim é possível obter através da transformada inversa de Fourier um conjunto de dados filtrados onde se eliminaram as componentes de ruído que não interessam para caracterizar a assinatura. Obtém-se assim uma representação limpa do sinal em função do tempo (Figura 44). Figura 44 – Deformações da lâmina do engenho mono-lâmina filtradas Nesta figura, cada cor corresponde à leitura de um extensómetro, todos eles medem a deformação longitudinal da lâmina mas em vértices e faces diferentes dela. Neste tipo de análise não é importante conhecer o valor absoluto das deformações, mas apenas o seu comportamento ao longo do tempo. A componente continua também foi eliminada do sinal para facilitar a determinação de alguns parâmetros da assinatura característica do corte. Para encontrar a assinatura de corte são sobrepostas consecutiva e sincronamente a forma de todas as ondas. Estas definem um intervalo de variação característico da situação de corte. A média e variância da sobreposição das curvas ao longo de um ciclo JOÃO CAEIRO ANTUNES 54 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE definem os parâmetros das assinaturas características de corte. Uma análise de padrões das curvas pode determinar imediatamente se o corte está ou não a ser bem realizado e se é ou não aconselhável alterar um dos parâmetros operatórios (como é o caso da velocidade de subida da rocha). A figura seguinte exemplifica a sincronização do sinal com um método iterativo que o aproxima a uma onda sinusoidal normalizada (Figura 45). Desta forma é possível determinar a média e variância do sinal. Figura 45 – Sincronização do sinal à onda sinusoidal normalizada. JOÃO CAEIRO ANTUNES 55 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Após a sincronização também é possível fazer uma representação tridimensional o que revela a evolução temporal das deformações na lâmina (Figura 46). Amplitude (adimensional, normalizada com uma sinusóide de amplitude 1) Nº Ciclo Fase do ciclo (adimensional, no intervalo [0,1]) Figura 46 – Representação tridimensional do sinal sincronizado. JOÃO CAEIRO ANTUNES 56 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE A técnica de sincronização através da onda sinusoidal permite ainda retirar informação sobre a variação da amplitude, da frequência do atraso e do desvio (ou “offset”) do sinal como se pode observar pelo seguinte conjunto de figuras (Figura 47). Amplitude 2.05 Factor de escala entre o valor medido e a sinusóide unitária 2 2.915 1.95 2.91 1.9 2.905 1.85 2.9 1.8 30 40 50 60 70 Frequencia 2.92 80 90 100 2.895 30 Factor de escala entre a frequência medida e a sinusóide de ciclo unitário 40 50 Atraso 1 Factor de atraso entre o ciclo medido e a sinusóide com ciclo unitário 5.8 0.8 5.6 0.7 5.4 0.6 5.2 40 50 60 70 Nº Ciclo 70 80 90 100 Offset 6 0.9 0.5 30 60 Nº Ciclo Nº Ciclo 80 90 100 5 30 Desvio da onda medida em relação ao zero da sinusóide unitária (componente continua) 40 50 60 70 80 90 100 Nº Ciclo Figura 47 – Informação obtida da sincronização do sinal. Esta informação é irrelevante na determinação da assinatura característica e conclui-se que não possui dados que indiquem o mau funcionamento da ferramenta, contudo a sua análise revelou que a alteração do desvio para o caso da mono-lâmina (como se observa no gráfico) é devida à variação de pressão hidráulica no tensionamento da lâmina. De facto a bomba de pressão para o tensionamento da lâmina funciona ciclicamente com períodos bastante largos de modo a recuperar a tensão perdida enquanto ela está desligada. Este facto aumentou a dificuldade para realizar o processamento de sincronização através do software. No caso da multi-lâmina o desvio é praticamente constante porque as lâminas são pré-tensionadas. Com o sistema de sincronização por hardware o processamento da assinatura foi bastante mais facilitado. No Anexo A encontra-se a primeira publicação apresentada na conferência de Vila Viçosa sobre rochas ornamentais [Anexo A], contém uma breve descrição sobre os problemas iniciais de sincronização e sobre as dificuldades que tiveram que ser ultrapassadas para conseguir instrumentar os engenhos mono-lâmina e multi-lâmina. JOÃO CAEIRO ANTUNES 57 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Numa última análise realiza-se a comparação entre duas assinaturas de corte da mesma lâmina, a primeira (Figura 48) corresponde a um corte ineficaz, em que o operador da ferramenta detectou por experiência própria (“de ouvido”) uma anomalia. A forma da assinatura é assimétrica não se encontrando alinhada no disco. A espessura da curva torna-se irregular com variações bastante grandes se o corte é de pior qualidade. Figura 48 – Assinatura de um mau corte Após a paragem do engenho multi-lâmina o operador da ferramenta confirmou um desvio lateral da lâmina e colocou um calço para efectuar a sua compensação. A pouco e pouco analisou-se uma evolução da assinatura retomando uma maior simetria e estabilizando numa curva mais cheia de espessura regular (Figura 49). De facto o corte melhorou significativamente. Figura 49 – Assinatura de um bom corte Para realizar uma análise quantitativa foram calculadas as percentagens das áreas de cada assinatura em função da área do disco em que se inscrevem. Estes resultados produzem grandezas escalares que podem ser comparadas directamente umas com as outras, ou gerando alarmes quando ultrapassam os limites pré-estabelecidos. JOÃO CAEIRO ANTUNES 58 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 9. Conclusões O desenvolvimento deste projecto revelou grandes avanços a nível tecnológico, começando inclusive a suscitar interesse por parte de terceiros que estão directa ou indirectamente envolvidos nele, como é o caso do CEVALOR a quem se agradece a colaboração. A indústria de corte e acabamento de rochas ornamentais tem muito a ganhar com este tipo de sistemas automatizados e inteligentes, capazes de responder aos utilizadores de forma eficaz e rentável. Verificou-se que é possível identificar problemas de corte utilizando a análise de assinaturas e que o equipamento e o software desenvolvido funcionam de forma correcta e eficiente. Este sistema pode ainda ser aplicado a outras ferramentas que apresentem um comportamento semelhante aos engenhos de corte de rochas, podendo virem a beneficiar deste tipo de análise de assinaturas. O equipamento escolhido, os métodos de instrumentação da ferramenta e o software que foram desenvolvidos revelaram ser capazes de produzir medições muito rigorosas e detalhadas. Actualmente é possível registar e catalogar numerosos ensaios disponibilizando toda a informação necessária à classificação dos processos de corte. A informação pode ser reunida numa base de dados que aumenta à medida que mais ensaios e testes de engenhos forem decorrendo. É necessário conjugar diferentes situações de corte, tais como, escolher rochas com propriedades diferentes, alterar a geometria das lâminas de corte, modificar as velocidades de trabalho do engenho para poder relacionar e completar todo o domínio de factores que alteram a assinatura característica dos processos de corte. Com o decorrer de futuros projectos nesta área poderá tornar-se disponível uma base de dados que permita completar o software de interface com o utilizador da ferramenta, dando-lhe instruções sobre como deve proceder para optimizar o processo de corte. Alguns dos problemas nas técnicas de medição como é o caso do ruído e efeitos da temperatura podem ser resolvidas rapidamente utilizando as técnicas citadas anteriormente. Constatou-se que os enormes motores eléctricos que equipam os engenhos produzem campos eléctricos muito fortes, estes induzem ruído nos cabos que transportam o sinal das deformações da lâmina para o equipamento de medição. A solução passa pela protecção do equipamento e dos condutores contra esse campo eléctrico. Outra dificuldade consiste em garantir a fiabilidade da instalação eléctrica dos sensores, isto deve-se sobretudo ao tipo de movimento mecânico das máquinas e também às condições ambientais a que estão sujeitos os sensores e cabos. Importa ainda estudar formas de proteger a instalação contra a lama e a água utilizada no corte das rochas e também formas de evitar que pedaços de rocha projectados pelo corte destruam os sensores. JOÃO CAEIRO ANTUNES 59 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 10. Trabalho futuro O trabalho futuro do sistema de medição de deformações das lâminas de corte passará essencialmente pela optimização e melhoria da quantidade e qualidade dos sinais adquiridos. A nível qualitativo impõe-se a resolução do problema da variação de temperatura ao longo do dia sobre os extensómetros e sobre a cablagem assim como a protecção electrostática dos mesmos [15, pág. 313-320]. A nível quantitativo pretendese aumentar o número de sensores de deformação. Poderá ir até 16 sensores com 2 extensómetros cada ou então 32 sensores cada um com um extensómetro que proporcionará uma análise muito mais detalhada do engenho multi-lâmina. Esta nova configuração do sistema, atingirá assim a capacidade máxima para a qual o projecto foi inicialmente desenhado. Além do já citado atrás, um projecto novo permitirá desenvolver o software final para interagir com o utilizador dos engenhos a partir de uma interface “amigável”. Ele correlacionara as bases de dados e as assinaturas de corte com algoritmos de processamento em tempo real que respondem ao utilizador e o aconselham a actuar de determinada maneira. Optimizar o processo de corte de um parque de máquinas ferramenta será a partir desse momento fácil, intuitivo e talvez automatizável. A evolução das redes informáticas actuais permite ainda desenvolver a aplicação de forma a avisar um gestor remoto do estado do parque de máquinas ferramentas, este aviso poderá ser realizado através do computador ou de uma rede celular de telemóveis conduzindo a uma gestão eficiente e lucrativa. JOÃO CAEIRO ANTUNES 60 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 11. Referências [1] S.D. Antunes, J. Antunes, L. Guerra Rosa, C.A. Anjinho, P.M. Amaral and J. Cruz Fernandes, A Monitoring System to Study and Optimise Machinery used for the Ornamental Stone Processing, apresentado no II congresso internacional da pedra natural em Vila Viçosa, Outubro 2000. [2] S.D. Antunes, J. Antunes, L. Guerra Rosa, C.A. Anjinho, Ornamental Stone Cutting Optimisation Through “Signature Analysis”, paper a publicar na revista ROC Maquina, Setembro 2001. [3] Relatório de actividades do Eng. João Antunes referentes ao Projecto PRAXIS /2/2.1/TPAR/2026/95 – Avaliação do comportamento de ferramentas diamantadas nos processos de corte e acabamento de rochas ornamentais, de Dezembro 1999 a Novembro 2000. [4] Relatório de actividades do Eng. Carlos Anjinho referentes ao Projecto PRAXIS /2/2.1/TPAR/2026/95 – Avaliação do comportamento de ferramentas diamantadas nos processos de corte e acabamento de rochas ornamentais, de Dezembro 1999 a Novembro 2000. [5] L. Guerra Rosa, P.M. Amaral, C.A. Anjinho, J. Cruz Fernandes, J. Antunes and S.D. Antunes Ornamental Stone Processing - New Methodologies for the Characterisation of Petreous Materials and Diamond Tool Behaviour, apresentado no II congresso internacional da pedra natural em Vila Viçosa, Outubro 2000. [6] Sensors and Signal Conditioning Ramón Pallás-Areny, John G.Webster John Willey & Sons, INC [7] Measurement and Automation Catalogue National Instruments 1999 [8] Guide to Strain Gauges Philips N. Labordus Ing., Ir. T. Potma [9] Application of B & K Equipment to Strain Measurements Brüel & Kjær John Vaughan [10] Strain Gauges Merrow E. J. Hearn JOÃO CAEIRO ANTUNES 61 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE [11] Branco, C.M., – Mecânica dos Materiais, 3ª Edição da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1985 [12] Beer, F.P. e E.R. Johston, Jr. – Resistência dos Materiais, Ed. McGraw-Hill, São Paulo, 1989 2ª Ed. [13] Richard C. Dorf – Introduction to Electric Circuits, Ed. John Wiley & Sons, Inc, 1993 2ª Ed. [14] António Pertence Júnior, Amplificadores Operacionais e Filtros Ativos, Teoria, Projectos, Aplicações, Laboratório Ed. McGraw-Hill, 1988 [15] Jean Avril, Encyclopedie D’Analyse dês Contraintes, Micromesures [16] Grupo de Medidas Ibérica, s.l., Curso Prático de Instrumentación, Vishay, Measurments Group [17] Ministério das obras públicas, Curso de extensometria, Laboratório de Engenharia Civil, Volume I, Lisboa 1964 [18] Les Hancock, Morris Krieger, The C Primer McGraw-Hill, 2º Ed. [19] Brian W. Kernighan, Dennis M. Ritchie, C A Linguagem de Programação, Edisa, Editora Campus, 1986 [20] Internet, http://msdn.microsoft.com/vbasic Visual Studio Visual Basic [21] Internet, http://www.ni.com Technical Documents LabView Resources JOÃO CAEIRO ANTUNES 62 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE 12. Anexo A Este anexo contém a primeira publicação do projecto AVRochas apresentada na conferência de Vila Viçosa que foi realizada para dar a conhecer aos industriais a possibilidade de aplicar estas metodologias inovadoras na indústria de processamento de rochas ornamentais. A publicação foi apresentada na conferência anual sobre rochas ornamentais. JOÃO CAEIRO ANTUNES 63 A Monitoring System to Study and Optimise Machinery used for the Ornamental Stone Processing S.D. Antunes(*), J. Antunes(*), L. Guerra Rosa(**), C.A. Anjinho (**), P.M. Amaral(**) and J. Cruz Fernandes(**) (*) Departamento de Engenharia Mecânica - Instituto Superior Técnico Av. Rovisco Pais – 1049-001 Lisboa Mail: [email protected] (**) Departamento de Engenharia de Materiais - Instituto Superior Técnico Av. Rovisco Pais – 1049-001 Lisboa Mail: [email protected] Abstract Following the objectives established in a portuguese funded research project (running in the period 1999-2001) under PRAXIS XXI programme, an innovative investigation was carried out, aiming the study of machine-tools for ornamental stone processing. The main goal is to optimize the machinery working parameters by measuring the tools deformation under a significant variety of working conditions. The output signal can be transformed into a so-called “machine signature”, whose particular shape is assessed for each type of equipment. The herein described work comprises preliminary studies of on-line stress measurements in both mono and multi-gangsaw machines for producing marble slabs, using modern analysis of strain gauge data. 1. Introduction 1.1. Machinery for the ornamental stone industry The machinery used in ornamental stone industry can be divided in two distinct parts: Machinery used for quarrying ornamental stone and machinery for processing and elaborating ornamental stone (cutting, grinding and polishing). Normally the equipments used in certain quarries depend mainly on the type of stone to be extracted and its abrasive properties. Usually two or more combined types of quarrying techniques are used in the same quarry instead of only one technique. For instance, in quarries where diamond wire is used for quarrying, drills are later used to separate the block from the face of the quarry. Within these techniques are, the flame jet, the diamond wire machinery, the diamond belt sawing machines and the water jet cutting equipment. Processing and elaborating ornamental stone covers from the moment the block reaches the workshop until it is processed into a certain product. The first phase of this process is transforming a stone block into slabs, which may have different thickness (normally from 2 or 3 cm), later used to make different sized pieces. One of the foremost applied cutting technology is the multiple blade gangsaw. In gangsaws (mainly used on marble), the block is sawed through friction of the blade itself against the stone. The blade used for this process has a set of diamond segments encrusted in the steel structure. In what concerns our work this type of equipment is very important, due to its enormous importance in the actual Portuguese industry. Thus, all our experimental work was made essentially in this type of equipment, trying to provide useful indication for the optimisation of its parameters. 1.2. Machinery Problems – case study of the multiple blade gangsaw Industrial machines are normally submitted to very severe environments. It is not easy to introduce any sort of optimisations into the machine parameters during normal operational procedures. Problems are handled and, if possible, solved as they appear, without any regular intervention from the operational staff. Using the multi-blade gangsaw case study to exemplify, it is possible to identify the usual origins of these problems, either originated by A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE the working parameters of the machine or diamond tools used for each kind of stone to be processed. 1.2.1. Cutting velocity The cutting velocity depends mainly on the stone to cut. If the stone is very hard, the cutting velocity is normally slower, and higher if the stone is softer. 1.2.2. Water flow rate The water flow rate is another factor, which must be taken into account. The water is used to lower the temperature (especially on the diamond interface), lubricate (reduction the friction between the diamond and the stones surface), wash (removing splinters and sludge produced as the stone is cut) and ease precipitation of this sludge. The water effectiveness depends on the segment composition, on the concentration of the diamond and on the main features of the stone to be processed. In this sense, optimising the water flow rate can lengthen gangsaw life. 1.2.3. Diamond tools In this particular case we must define the best gangsaw. In terms of the nucleus (equivalent to the disk rim) it is normally made of stainless steel, being the most important feature the interaction between the matrix and the diamond for the application in use. 1.2.4. Stone Material As we know ornamental stones are natural materials, so its microstructure (mineralogical composition, phase content and distribution) has a significant variation, even within the same block of stone. Sometimes it is also very irregular in terms of internal defects (internal cracks, large inclusions). This will bring many difficulties in terms of the cutting operation. Parameters such as stone mechanical properties and wear resistance are fundamental to understand the processing behaviour. Usually the cut process of rocks is performed by operators with several years of experience in machinery work in mono and multi-blade gangsaw. The actions taken along the process by the operators, such as, adjustments of cutting velocity, the replacement of blades or parts of machinery, the calibration of sag (bending displacement) were optimised by an attempt and error approach which lead to a learned knowledge, the so called 'know how'. New operators can learn with their colleagues to maximize their work ability. The objectif behind our work is to get and store this knowledge simultaneously with quantitative and qualitative measurements of cutting process (blade deformation, type of rocks, cut velocity): using signature analysis (cutting signature) and qualitative information about cutting process we can establish a database for the machine tool. The database will be used by specific software capable of processing information and answer in real time to a non-expert person about the efficiency of current cutting process. Our goal is to maximize the efficiency of the cutting process maximizing flatness on both surfaces, speed of cut, minimize wear of machinery and blades and simultaneously the cost of the process, optimise and enable the work of experts or non experts operators. 1.4. Solutions through gauging systems One possible way (probably the most successful for many applications) to interpret and solve these particular problems originated by the machine-tools equipment for cutting stone slabs can be done by analysing the forces occurred during the cutting process. Through gauging systems we can characterise parametrically the shape of one wave and compare it with an optimised cutting procedure, identifying the type and dimension of the stone, blade (composition of the matrix and the diamond) and the ordinary work parameters. All these parameters can define one possible cutting signature. The definition of cutting signature can be given by “the way as the value and the shape progresses, during the stationary cut process”. 1.3. Operator versus case study 2. Experimental Work JOÃO CAEIRO ANTUNES 65 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE As it was previously mentioned the main objective of this work was perform several measuring tests in order to assess the cut signature of a multi-blade gangsaw. These tests were made in the Cevalor – Borba, using both mono (preliminary stages) and multiblade gang-saw machine tools. The first step of our work to assess the necessary stress parameters was determine the best form to measure the strains by using the traditional a strain gauging system. Because it is very difficult to apply strain gauging directly in the blade, an alternative system was developed, ensuring accuracy and easy to apply. Therefore was developed a sensor based on strain gauges applied in an aluminium thin plate, which was then strengthen in two forceps of stainless steel fixed in the blade (see Fig. 1). This system has suffered many changes since its first version. Several problems had to be solved, mainly due to its design, in order to be applied in almost any condition. Figure 2 – Experimental set-up diagram. Figure 3 – Experimental set-up. Laptop computer and acquisition system. Figure 1 –The system used to determine the efficiency of multi blade gangsaw in action. (measurement of stress behaviour of blades). The next stage is to connect the strain gauge to a laptop PC using a PCMCIA for data acquisition. This is the simplest way to install and acquire experimental data in the field, which is later analysed (see Fig. 2 and 3). Later a dedicated system will be developed for each machine tool. The installation speed, versatility and upgradability of more channels were studied in order to minimize the set-up time reducing overheads in the future. JOÃO CAEIRO ANTUNES The results are then processed by conventional computer software. From this analysis it is possible to obtain curves of normalised tension (YY) in order to time (XX). Using filtering techniques (based on Fourier transform) we can eliminate noise due to the mains interference. After this procedure we can store the signal with the remaining information concerning the cutting process. 2.1. Experimental Problems 2.1.1. Major problems One of the difficulties was to find solutions to protect the strain gauge, wires and welding, from the water. The solution was embedding the system cables and connectors on silicone and epoxy resin. This method allows waterproof strain gauges, cables and connectors (see Fig. 4). 66 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figure 5 - The blade. Figure 6 - Forces in the blade. Figure 4 – Strain gauge protected from water and immobilizing system ready to be used. 3. Results 2.1.2. Robustness of sensors Another important difficulty was to transport the wires avoiding them to be broken during the work procedure. The wires must be flexible enough and protected with rubber all around of it, to hold the dynamic movements of blades. The flat cable is the best solution found. As it was previously mentioned, we have to take into account the electric mains interference (50 Hz). The signal must be filtered in two different ways, one of them consists in enabling an hardware filter inside the data acquisition system. The other way is to filter the signal with software. With them both we can eliminate all the noise and obtain the fundamental components of blade deformations. The cable connectors must be also water resistant. Detailed analysis of deformation forces must be taken into account, in order to establish signature analysis. Longitudinal and transversal components of the forces on the blade are treated by the following method: the stone reaction forces are distributed all over the blade; the tension forces applied to the blade by the stretchers are simulated with two pointed forces just as the reaction of the blade support in the vertical axis (Fig. 5 and 6). Using this group of forces we can estimate the theoretical profile along the blade and the shape evolution with a simulated dynamic. After this, we compare theoretical results with the measured ones. The data acquisition system and software are prepared to acquire 32 channels simultaneously at sampling frequencies up to 10KHz but frequencies of 100 Hz or 200 Hz are enough. The time interval of acquisition was normally of 1 minute to reduce the data storage space. The application 'AnDef' - Deformation Analysis (fig. 7), was developed in Visual Basic language to acquire data with National Instruments equipment. This program is interactive and show acquisition results in real time, the data of interest can be selected and saved in a file with extension '.log'. Matlab or any other program can read this file. Figure 7 - AnDef application for real time data acquisition and analysis. This wave is the typical result obtained from one acquisition channel witch was mounted in the longitudinal axis of the blade utilizing the 'AnDef' software. Then raw data is filtered and processed with a Matlab program witch can be seen in figures 7, 8, 9 and 10. JOÃO CAEIRO ANTUNES 67 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figure 7 - Evolution of longitudinal stresses in the beginning of the cutting process. Amplitude versus time. The continuous curve is obtained from the dashed one by filtering techniques. 4. Conclusions and future work 1.5 1 0.5 0 -0.5 -1 -1.5 Figure 10 - Calculated results of amplitude, frequency, phase and offset shift respectively, obtained from the normalization. 0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1 Figure 8 - Normalized profile showing the shape evolution in time. The evolution of the work shows important variation results of the calculated parameters: amplitude, frequency phase and offset shift. Those parameters simultaneously with the normalized shape can be treated as the signature of the cutting process in one blade. This information and the rock and blade characteristics are stored for the maximum number of blades in the case of the multi gangsaw machine. The quality and efficiency of the cut is also measured qualitatively with the help of the operators 'know how'. This way we can correlate all the data and distinguish the machine signature for a specified work condition. We are now combining and changing the work conditions to generate several signatures and store them in a database. The software application being developed will support a real time comparison and analysis of the actual measured machine signature with the ones stored in the database. This way we will be capable to identify and decide when the cutting process is out of the correct working conditions and tell the operator throw a user-friendly application what he must change or carry out to avoid such problems. Figure 9 - Normalized profile in 3D showing the shape evolution versus time. JOÃO CAEIRO ANTUNES Methods for measuring, data acquisition and data processing, based on signature analysis, have been tested in order to establish a knowledge database for each machine tool. Currently we intend to apply this method to a 68 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE bigger number of processes in order to verify the validity of the process. 5. Acknowledgement We gratefully acknowledge the support from all the CEVALOR staff. This research was financed through Portuguese Project PRAXIS XXI contract no. 2/2.1/TPAR/2026/95 'Avaliação do comportamento de ferramentas diamantadas nos processos de corte e acabamento de rochas ornamentais'. One of the authors (PM Amaral) acknowledges his current FCT (Portuguese Foundation for Science and Technology) Ph.D. grant. 6. References - Ramón Pallás-Areny, John G.Webster, Sensors and Signal Conditioning, ed. John Willey & Sons, INC - Measurement and Automation Catalogue, ed. National Instruments 1999 - N. Labordus, T. Potma, Guide to Strain Gauges, ed. Philips - John Vaughan, Application of B & K Equipment to Strain Measurements, ed. Brüel & Kjær - E. J. Hearn, Strain Gauges, ed. Merrow JOÃO CAEIRO ANTUNES 69 13. Anexo B Este anexo reproduz a publicação do artigo sobre o projecto AVRochas na revista ROC Máquina (espanhola). Esta revista é uma referência de consulta no mercado internacional e permite divulgar esta metodologia inovadora além fronteiras [2]. A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Ornamental Stone Cutting Optimisation Through “Signature Analysis” S.D. Antunes(*), J. Antunes(*), L. Guerra Rosa(**) and C.A. Anjinho (**) (*) Departamento de Engenharia Mecânica - Instituto Superior Técnico Av. Rovisco Pais – 1049-001 Lisboa Mail: [email protected] (**) Departamento de Engenharia de Materiais - Instituto Superior Técnico Av. Rovisco Pais – 1049-001 Lisboa Mail: [email protected] Abstract On a research project under PRAXIS XXI programme, an innovative investigation was carried out, based in the signature cutting analysis to optimise quality and efficiency. The measurement method consists in analysing cutting forces on mono and multi-gangsaw machine blades. The methodology based on machine working parameters and in real time “cutting signature” enables automatic cutting process supervision and control. 1. Introduction Segmented diamond tools were introduced to the processing of natural stone such as marble and granite about 25 years ago. Since then they have without doubt revolutionised the entire stone processing sector by enabling dramatically increased material removal rates to be achieved compared with conventional gang sawing techniques. This is especially true in the processing of marble, where the production of modular elements for the construction industry has been facilitated by the machine and tool developments that have taken place in recent years [1]. We are interested in studying mono and multi-gangsaw machines, as JOÃO CAEIRO ANTUNES they are typical applications segmented diamond tools. of The blade is an important part of the sawing system, it is made of a sheet of carbon steel. In the case of gangsaws for use with marble, the blade itself saws the block with diamond segments encrusted in its surface. The parameters to be taken into account when choosing one blade or another are as follow: - Blade thickness; - Blade width; - Blade resistance and duration [2]. The main goal of this study is to optimise the cut process, adjusting the 71 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE machinery working parameters and the materials involved in the process [3]. This is done, by measuring the tools deformation under a variety of working conditions: different kinds of materials for cutting and different cut velocities (advance and penetration velocity in the material). The deformation is the measured output signal and can be transformed into a so called “machine signature”. Its shape is particular to the each equipment and working conditions. The project PRAXIS XXI 2/2.1/ Avaliação do TPAR/2026/95: comportamento de ferramentas diamantadas nos processos de corte e acabamento de rochas ornamentais, develops and tests the analysis system based in “cutting signatures”. Presently we are making systematic industrial experiments using the data acquisition systems and the software developed on machinery, working in the Portuguese industry. 2. Experimental Work As it was previously mentioned the main objective of this work was perform several measuring tests in order to assess the cutting signature of a multi-blade gangsaw. These tests were made in the Cevalor – Borba, using both mono (preliminary stages) and multi-blade gangsaw machine tools. The first step of our work is to find out the best form to measure the strains and the stress parameters using traditional strain gauges. Because it is very difficult to apply strain gauges directly in the blade, an alternative system was developed, ensuring accuracy, flexibility and easy installation. Therefore, a deformation sensor was developed with a strain gauge applied to a thin aluminium plate, which was then strengthen in two forceps of stainless steel fixed in the blade (see Fig. 1). This industrial experiments will be used, to obtain a database corresponding to the “cutting signature” in different conditions. The goals of this database are: 1. Give the operator the choice of the best working parameters to be used in the processing of one specific ornamental stone (mainly marble). 2. Supervision of the cutting process in real time enables changes of the cutting parameters and can avoid problems when something goes wrong. JOÃO CAEIRO ANTUNES Figure 1 – Sensor used for measuring signature analysis (stress behaviour of blades). After the installation of the necessary strain gauges we need to acquire deformation data. The simplest way to install and acquire experimental data in the field is to use a laptop PC with a PCMCIA card (see Fig. 2). 72 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE The raw database is processed through software developed in Matlab and LabView, resulting in signature database characteristics of the cutting process. Cutting signatures are images of mean and variance of blade extensions through several machinery cycles, and it is Figure 2 – Experimental set-up. Laptop computer and data acquisition system. Normally the number of strain gauges is equal to the number of analysed blades, but for higher accuracy we used two gauges for each blade mounted in half bridge (witch doubles the gain and compensate the influence of temperature). As the number of analysed blades can change (up to 60 blades for a multi-gang saw machine) we needed to develop a robustness and efficient system. The installation speed, versatility and upgradability of more channels were studied in order to minimise the set-up time, reducing overheads in the future. It is important to refer that the setting time of this portable system it is very short (less than 15 minutes). Quick diagnostics of machines (multiple blade gangsaw) can be performed to check out the problems and report real time solutions to improve cutting process. Measurements are stored and constitute a raw database, for a later processing. This database has information about all operating parameters, such as: measured deformations of the blades over time, type of stone, time of the cutting process, blade type and information about problems witch occurs during the process. This database is called, raw database. JOÃO CAEIRO ANTUNES possible to compare every cycle signature with mean and variance signatures. The database of signatures is created throw signatures collected for different cutting scenarios such as different mono and multiblade gangsaws and different kinds of stones (marble and granite) and blades and variations of cutting parameters (such as the cutting velocity and the blade advance). It is important to make a detailed analysis of the relation between blade deformations and longitudinal and transversal components of the applied forces and the signatures. The analysis was performed throw a simplified simulation model. The reaction forces of the stone are distributed all over the blade and the reaction of the stretch tensors are simulated with 4 forces applied in corners of the blade (fig. 3 e 4). With this group of forces we can draw the theoretic profile all over the blade and the dynamic evolution of the profile in time (fig. 5). This simulation was developed in Matlab and allows us to compare theoretical and experimental results [3]. Figure 3 – The blade. 73 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE Figure 4 – Forces applied to the blade. Figure 6 – ‘AnDef’ software – real time data acquisition and analysis. Figure 5 – Dynamic simulation of the signature profile over time. 3. Results The data acquisition system used can handle 32 channels simultaneously, with sampling frequencies of 10000 samples/s. The sampling period can be configured to acquire n minutes of data, this time (n) is set according to the signature quality and precision desired, and to avoid the excess of data stored in the computer. For a more detailed analysis we can acquire up to one hour of continuous data. The developed software: ‘AnDef’ – Análise de deformações (fig. 6), developed in Visual Basic, it is an interactive human-machine interface witch gives the operator a real time surveillance system of the cutting process. The more important results can be selected and stored in a file with ‘. log’ extension. Matlab or any other program can be used to read this file and process the results in a more detailed analysis. JOÃO CAEIRO ANTUNES Figure 6, shows the typical waveform acquired from several channels corresponding to the longitudinal axis of the cutting blades using ‘AnDef’ [3]. The resulting sampling data is filtered and processed with a program written in Matlab where several parameters can be adjusted to obtain the signature of the cutting process. Figure 7, shows the obtained results. Figure 7 – Evolution of the longitudinal deformations in the beginning of the cutting process: amplitude versus time. The smoothest curve is obtained with digital filtering techniques. 4. Analysis and Discussion of Results As an example we can analyse a situation occurred in 23 March 2001. All the data are stored with information of the time and the 74 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE conditions of the acquisition, so that we can compare old and new signatures. One of the systematic experiments shows the evolution of the cutting blade number 16 of the multiblade machinery in Cevalor. The cutting rock at that time was ‘Creme Pardais’ and the diamond blade was already wear so this blade was expected to drift from the normal trajectory. With the acquired data and after some processing tasks it is possible to watch by means of the mean and variance graphs that the blade is not cutting well (fig. 8), because there is a big amplitude and variance of the obtained signature when compared with the reference signature (fig. 9), this one obtained with a good quality cut. Figure 8 – Mean and variance graph, when there are anomalies of the cutting process. reference, when the cutting process is considered good. To verify that the blade was not cutting correctly the multiblade machine was stopped and the blade 16 presented some drift to the left, slightly touching the stone block. To solve this problem some wedges were placed between blades (witch is the normal proceedings of the machine operator) and the cut was restarted. The data acquisition and surveillance shows that after 10 minutes the cut signature was progressively better (fig. 10). This is observed with the evolution of the signature to the reference signature characteristic; the amplitude and variance tend to be smaller. Figure 10 – Mean and variance graph, after 10 minutes of the correction (use of wedges). More data was analysed 30 minutes later and the signatures showed that the cut was back to the optimal state. Figure 9 – Mean and variance graph of JOÃO CAEIRO ANTUNES This type of analyses can be performed in real time for all the blades of the multiblade machine. This means that it is possible to know witch blades do not have a good performance without the need to stop the machine. It is possible to quantify witch blade is the best and witch one is the worst. 75 A ANÁLISE DE ASSINATURA NO CONTROLO DA QUALIDADE DE PROCESSOS DISSERTAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE The measurement system can then generate an alarm when one of the blades is outside the cutting admissible performance and quality. The operator is then informed to stop the machine and introduce the necessary corrections to the system. 5. Conclusions Real time analysis of the “cutting signature” enable us to control and optimise the cutting conditions to obtain a better and faster cut with better geometrical qualities. [4] Ramón Pallás-Areny, John G.Webster, Sensors and Signal Conditioning, ed. John Willey & Sons, INC. [5] Measurement and Automation Catalogue, ed. National Instruments 1999. [6] N. Labordus, T. Potma, Guide to Strain Gauges, ed. Philips. [7] John Vaughan, Application of B & K Equipment to Strain Measurements, ed. Brüel & Kjær. [8] E. J. Hearn, Strain Gauges, ed. Merrow. Presently the developed software ‘AnDef’ was transformed into one virtual instrument so that it can be connected to any kind of acquisition hardware with increased versatility. This study has been carried out with the PRAXIS XXI 2/2.1/TPAR/ 2026/95 project: ‘Avaliação do comportamento de ferramentas diamantadas nos processos de corte e acabamento de rochas ornamentais’. 6. References [1] J. Asche, Deep grinding – a new dimension in cutting granite, Industrial Diamond review 2 / 1999; [2] Anon, Machinery for the natural stone sector, Roc Maquina 1996 (22) pp 131-149 (Sep); [3] Antunes, S.D., Antunes, J., Guerra Rosa, L., Anjinho, C.A., Amaral P.M. and Cruz Fernandes, J., A Monitoring System to Study and Optimise Machinery used for the Ornamental Stone Processing, apresentado no II Congresso Internacional da Pedra Natural em Vila Viçosa, 5-7 de Outubro 2000. JOÃO CAEIRO ANTUNES 76