José Paulo Paes - Vamos brincar de poesia? "Como dizia aquele bem-te-vi que ficou míope: "bem te via ... bem te via ..." No Em Revista dessa edição, vida , obra e ensaios do poeta José Paulo Paes. ( Leia completo) Índice : Pág. 01 - Ensaio : Um lugar para José Paulo Paes, por Régis Bonvincino Pág. 02 - 50 poemas de José Paulo Paes Pág. 03 - Ensaio : O jogo verbal em José Paulo Paes, por Maria Teresa Gonçalves Pereira Pág. 04 - Vida e Obra UM LUGAR PARA JOSÉ PAULO PAES José Paulo Paes morreu em 8 de outubro de 1998, um ano e um dia exatamente antes que João Cabral de Melo Neto, morto em 9 de outubro de 1999. A morte dos dois teve repercussões diversas: a de Cabral imensa, com jornais e revistas, especializadas ou não, oferecendo-lhe capas e cadernos inteiros ; a de Paes, discreta, mesmo quando algum veículo chegou-lhe a dar registro mais visível. Paradoxal: quando vivo, Paes estava constantemente na "media" e Cabral não.Há cerca de um ano, lastimei, com amigos, o "desaparecimento" de Paes das menções e citações, por parte de críticos e poetas, sua ausência das listas (mesmo sabendo-as perecibilíssimas) de "melhores" - uma espécie de morte da morte da qual ora ele se resgata por meio do lançamento de "Socráticas" e de "Vejam como eu sei escrever", este infantil, dirigido a crianças e adolescentes."Socráticas" reúne peças que estava escrevendo para o que seria um livro novo de poemas, com esse título e certa organização. É, portanto, inconcluso. Não se pode lê-lo sem pensar que seu autor morreu antes de terminá-lo. Seriam pois as tais um tipo de "memórias póstumas". Seu "tom" não diverge do de "Vejam como eu sei escrever", concluido ainda em 1998, antes de sua morte física. Nos dois volumes, Paes adota uma dicção simples, direta, numa linguagem quase unívoca, como se nos quisesse deixar "membretes", recados. Assim, filiá-los à esta ou àquela tendência literária é pura tolice ou mera capacidade de "incompreensão".A palavra "recado" vem do latim: recapitu, recapitare, receptare, que quer dizer "receber", "acolher" e "recuperar". Fixo-me na acepção de "recuperar". Paes quis, com suas "Socráticas", recuperar, para a poesia também, certos valores éticos. Esta é a inflexão que torna extremamente legíviel o conjunto: a cívica, de protesto contra os (des) valores atuais da sociedade. Leia-se por exemplo "Apocalipse": "o dia em que cada / habitante da China / tiver o seu volksvagen". Ou o verso "Quem já não passou por isso?", de "Fenomenologia da resignação". Nunca é demais, nestes tempos de apagões e corrupções, transcrever um texto como "Do credo neoliberal": "laissez faire / sauve qui peut!". É contra este sentimento de "salve-se quem puder" que se volta o poeta, tanto em "Socráticas", quanto em "Vejam como eu sei escrever", trabalho que civicamente tenta captar a atenção das crianças para o verbo e a palavra, numa perspectiva de "solidariedade".Entre as peças de "Socráticas" destacaria duas. A primeira, "Lição de coisas" : "Uma nêspera branca! / transtornou-se acaso a ordem do universo? / Mordo-lhe a polpa: o mesmo / gosto das nêsperas amarelas. / Tudo é superfície". Aí, a linguagem simples encontra coerência filosófica, materializando-se: a impossibilidade do habitar-se em profundidade tanto a coisa (o mundo) quanto a palavra. O poema registra a fragilidade fraudulenta das mudanças contemporâneas e aponta para a impotência da poesia: nêspera branca, que nada transtorna. A outra peça seria "Momento": "Visto assim do alto / no cair da tarde / o automóvel imóvel / sob os galhos da árvore / parece estar rumo / a algum outro lugar / onde abolida a própria / idéia de viagem / as coisas pudessem / livremente se entregar / ao gosto inato / da dissolução - e é noite". A imobilidade do objeto (automóvel), flagrada, leva o poeta a imaginar para ele um outro tipo de percurso, o de coisa pura, que adquire um ritmo natural e se dissolve, mas, na noite. Aqui reaparece a questão ética: a da mecanicidade do mundo, de sua falta de reflexão.Da interdição da reflexão livre: a imagem da noite, plurívoca, interronpendo o rumo "a algum outro lugar"."Vejam como eu sei escrever" é igualmente, como já se disse, um livro cívico. Diz às crianças que "escrever" não é difícil e procura afastá-las do óbvio mundo das imagens. É feito de estranhamentos: "O elefante não dá muito trabalho ao dentista / do zoológico porque só tem dois dentes". Os dois livros colocam questão para a poesia: como reunir, num só trabalho, ética e estética, mundo e linguagem ?. A obra de Paes é um das respostas possíveis para esta equação e, certamente, merece permancer. Régis Bonvicino ( Artigo gentilmente cedido pelo autor ao LetraseLivros) Sobre o autor : RÉGIS BONVICINO nasceu na cidade de São Paulo, em 25 de fevereiro de 1955. Formou-se em Direito pela USP, em 1978. Trabalhou como articulista do jornal Folha de S. Paulo e de outros veículos até ingressar na magistratura, em http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 1990. É casado, desde 1992, com a psicanalista Darly Menconi e tem três filhos: João, 27, Marcelo Flores, 20, e Bruna, 14. Seus três primeiros livros, Bicho papel (1975), Régis Hotel (1978) e Sósia da cópia (1983) foram por ele mesmo editados. Hoje, estão reunidos no volume Primeiro tempo (Perspectiva, 1995). Entre suas participações em leituras de poesia destacam-se as atuações em Buenos Aires (1990); Miami (Miami Book Fair, 1992); Copenhague (1993); na III Bienal Internacional de Poetas em Val-de-Marne (1995), fazendo leituras em Paris (Maison de La Amerique Latine) e Marselha (Centro Internacional de Poesia); Berkeley (1996), com Michael Palmer, e na San Francisco State Universty. Em 1998, apresentou-se com Charles Bernstein no Segue Performance Foundation, de Nova York; no ano de 1999 esteve em Santiago de Compostela, na Universidade de Santiago. Fez leituras em Iowa City (2000), com Michael Palmer, e em Chicago; participou do IV Encontro Internacional de Poetas de Coimbra (2001). Destaca-se ainda sua participação na Feira do Livro da Cidade do México (2004). Seu trabalho está traduzido para o inglês, espanhol, francês, chinês, catalão, finlandês e dinamarquês. Entre 1975 e 1983, dirigiu as revistas de poesia Qorpo Estranho – com três números –, Poesia em Greve e Muda. Fundou, em 2001, e co-dirige, ao lado de Charles Bernstein, a revista Sibila (http://www.sibila.com.br), publicada atualmente pela Martins Editora. http://regisbonvicino.com.br 50 Poemas de José Paulo Paes 1) Acima de qualquer suspeita a poesia está morta mas juro que não fui eu eu até que tentei fazer o melhor que podia para salvá-la imitei diligentemente augusto dos anjos paulo torres carlos drummond de andrade manuel bandeira murilo mendes vladmir maiakóvski joão cabral de melo neto paul éluard oswald de andrade guillaume appolinaire sosígenes costa bertolt brecht augusto de campos não adiantou nada em desespero de causa cheguei a imitar um certo (ou incerto) josé paulo paes poeta de ribeirãozinho estrada de ferro araraquarense porém ribeirãozinho mudou de nome a estrada de ferro araraquarense foi extinta e josé paulo paes parece nunca ter existido nem eu 2) Passarinho fofoqueiro Um passarinho me contou que a ostra é muito fechada, que a cobra émuito enrolada, que a arara é uma cabeça oca, e que o leão marinho e a foca.. xô , passarinho! chega de fofoca! 3) Acidente http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 Atirei um pau no gato, mas o gato não morreu, porque o pau pegou no rato que eu tentei salvar do gato e o rato (que chato!) foi quem porreu. 4) Convite Poesia é brincar com palavras como se brinca com bola, papagaio, pião. Só que bola, papagaio,pião de tanto brincar se gastam. As palavras não: quanto mais se brinca com elas mais novas ficam. Como a água do rio que é água sempre nova. Como cada dia que é sempre um novo dia. Vamos brincar de poesia? 5) Raridade A arara é uma ave rara pois o homem não pára de ir ao mato caçá-la para a pôr na sala em cima de um poleiro onde ela fica o dia inteiro fazendo escarcéu porque já não pode voar pelo céu. E se o homem não pára de caçar arara, hoje uma ave rara, ou a arara some ou então muda seu nome para arrara. 6) HINO AO SONO sem a pequena morte de toda noite http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 como sobreviver à vida de cada dia? 7) AO ESPELHO O que mais me aproveita em nosso tão freqüente comércio é a tua pedagogia de avessos. Fazem-se em nós defeitos as virtudes que ensinas: o brilho de superfície a profundidade mentirosa o existir apenas no reflexo alheio. No entanto, sem ti sequer nos saberíamos o outro de um outro outro por sua vez de algum outro, em infinito corredor de espelhos. Isso até o último vazio de toda imagem espelho de um si mesmo anterior, posterior a tudo, isto é, nada. 8) DÚVIDA Não há nada mais triste do que um cão em guarda ao cadáver de seu dono. Eu não tenho cão. Será que ainda estou vivo? 9) Madrigal Meu amor é simples, Dora, Como a água e o pão. Como o céu refletido Nas pupilas de um cão. DE NOVAS CARTAS CHILENAS (1954) 11) L'Affaire Sardinha O bispo ensinou ao bugre Que pão não é pão, mas Deus Presente na eucaristia. http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 E como um dia faltasse Pão do bugre, ele comeu O bispo, eucaristicamente. DE EPIGRAMAS (1958) 12) Bucólica O camponês sem terra Detêm a charrua E pensa em colheitas Que nunca serão suas. DE RESÍDUO (1980) 13) Epitáfio para Rui ... e tenho dito Bravos! (mas o que foi mesmo que ele disse?) 14) Um Sonho Americano CIA limitada DE CALENDÁRIO PERPLEXO (1983) 15) A Verdadeira Festa (12 de junho - namorados) mas pra que fogueira rojão quentão? basta o fogo nas veias e a escuridão coração. http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 DE A POESIA ESTÁ MORTA MAS JURO QUE NÃO FUI EU (1988) 16) Curitiba O inventor no estado era um pinheiro inabalável inabaláveis pinheiros igualmente o secretário da segurança pública o presidente da academia de letras o dono do jornal o bispo o arcebispo o magnífico reitor ah se naqueles tempos a gente tivesse (armando glauco dalton) um bom machado! 17) Pisa: A torre em vão se inclinas pedagogicamente o mundo jamais compreenderá a abliqüidade dos bêbados ou o mergulho dos suicidas. 18) auto-epitáfio n.2 para quem pediu sempre /tão pouco o nada é positivamente /um exagero. poema publicado na f. de são paulo - 18/10/98 19) DECLARAÇÃO DE BENS meu deus minha pátria minha família minha casa http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 meu clube meu carro minha mulher minha escova de dentes minha vida meu câncer meus vermes 20) CANÇÃO DE EXÍLIO FACILITADA lá ? ah! sabiá... papá... maná... sofá... sinhá... cá ? bah! 21) 1º de janeiro BRINDE ano novo: vida nova dívidas novas dúvidas novas ab ovo outra vez: do revés ou talvez (ou ao tanto faz como fez) hora zero: soma do velho? idade do novo? o nada: um ovo salve(-se) o ano ano novo! 22) O SEGUNDO IMPÉRIO Sejamos filosóficos, frugais, Eruditos, ordeiros, recatados Um casebre, se digno, vale mais Que palácio de alfaias atestado. Sejamos sobretudo liberais E, ao figurino inglês afeiçoados, Tolerantes, medíocres, legais, Por jeito d'alma e por razões de Estado. Sejamos, na cozinha, escravocratas, http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 Mas abolicionistas de salão: A dubiedade é-nos virtude grata. Com ela se garante bom quinhão Dessa imortalidade compulsória Que é justiça de Deus na voz da História. 23) A MARCHA DAS UTOPIAS não era esta a independência que eu sonhava não era esta a república que eu sonhava não era este o socialismo que eu sonhava não era este o apocalipse que eu sonhava 24) ÁLIBI se os poetas não cantassem o que teriam os filósofos a explicar ? 25) O ÚLTIMO HETERÔNIMO o poema é o autor do poeta 26) TROVA DO POETA DE VANGUARDA OU THE MEDIUM IS THE MASSAGE se me decifrarem recifro se me desrecifrarem rerrecifro se me desrrerrecifrarem então meus correrrerrecifradores serão 27) ORAÇÃO DO PUBLICITÁRIO louvado seja o santo anunciante jamais usaremos seu nome em vão 28) DE SENECTUTE já antecipa a língua http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 afeita à alegoria na carne da vida o verme da agonia já tritura o olho no gral da apatia o carvão da noite a brasa do dia já se junta um pé a outro em simetria de viagem além da cronologia já por metafísico o medo anuncia sua máquina de espantos à alma vazia 29) A Casa Vendam logo esta casa, ela está cheia de fantasmas. Na livraria, há um avô que faz cartões de boas-festas com corações de purpurina. Na tipografia, um tio que imprime avisos fúnebres e programas de circo. Na sala de visitas, um pai que lê romances policiais até o fim dos tempos. No quarto, uma mãe que está sempre parindo a última filha. Na sala de jantar, uma tia que lustra cuidadosamente o seu próprio caixão. Na copa, uma prima que passa a ferro todas as mortalhas da família. Na cozinha, uma avó que conta noite e dia histórias do outro mundo. No quintal, um preto velho que morreu na Guerra do Paraguai rachando lenha. http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 E no telhado um menino medroso que espia todos eles; só que está vivo: trouxe-o até ali o pássaro dos sonhos. Deixem o menino dormir, mas vendam a casa, vendam-na depressa. Antes que ele acorde e se descubra também morto. 30) O aluno São meus todos os versos já cantados: A flor, a rua, as músicas da infância, O líquido momento e os azulados Horizontes perdidos na distância. Intacto me revejo nos mil lados De um só poema. Nas lâminas da estância Circulam as memórias e a substância De palavras, de gestos isolados. São meus também, os líricos sapatos De Rimbaud, e no fundo dos meus atos Canta a doçura triste de Bandeira. Drummond me empresta sempre o seu bigode, Com Neruda, meu pobre verso explode E as borboletas dançam na algibeira. (in O Aluno, 1947 31) Lápide para um poeta oficial a morte enfim torceu o pescoço à eloqüência (in Meia Palavra, cívicas, eróticas e metafísicas, 1973) 32) Neopaulística pelo mesmo tietê onde outrora viajavam bandeirantes heris só viajam agora os dejetos: bandeira de seus filhos fabris (in Resíduos, 1980) 33) Epitáfio poeta menormenormenormenormenor menormenormenormenormenor enorme (in Calendário Perplexo, 1983) 34) Descartes e o computador Você pensa que pensa ou sou eu quem pensa que você pensa? http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 Você pensa o que eu penso ou eu é que penso o que você pensa? Bem, vamos deixar a questão em suspenso enquanto você pensa e já pensa e eu peno se ainda penso. 35) Momento Visto assim do alto no cair da tarde o automóvel imóvel sob os galhos da árvore parece estar rumo a algum outro lugar onde abolida a própria idéia de viagem as coisas pudessem livremente se entregar ao gosto inato da dissolução - e é noite. 36) A Verdadeira Festa (12 de junho - namorados) mas pra que fogueira rojão quentão? basta o fogo nas veias e a escuridão coração. 37) Curitiba O inventor no estado era um pinheiro inabalável inabaláveis pinheiros igualmente o secretário da segurança pública o presidente da academia de letras o dono do jornal o bispo o arcebispo o magnífico reitor http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 ah se naqueles tempos a gente tivesse (armando glauco dalton) um bom machado! 38) CANÇÃO DO ADOLESCENTE Se mais bem olhardes notareis que as rugas umas são postiças outras literárias. Notareis ainda o que mais escondo: a descontinuidade do meu corpo híbrido. Quando corto a rua para me ocultar as mulheres riem (sempre tão agudas!) do meu corpo. Que força macabra misturou pedaços de criança e homem para me criar? Se quereis salvar-me desta anatomia, batizai-me depressa com as inefáveis as assustadoras águas do mundo. 39) OUTRO RETRATO O laço de fita http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 que prende os cabelos da moça do retrato mais parece uma borboleta. Um ventinho qualquer e sai voando rumo a outra vida além do retrato. Uma vida onde os maridos nunca chegam tarde com um gosto amargo na boca. 40) À TINTA DE ESCREVER Ao teu azul fidalgo mortifica registrar a notícia, escrever o bilhete, assinar a promissória esses filhos do momento. Sonhas mais duradouro o pergaminho onde pudesses, arte longa em vida breve inscrever, vitríolo o epigrama, lágrima a elegia, bronze a epopéia. Mas já que o duradouro de hoje nem espera a tinta do jornal secar, firma, azul, a tua promissória ao minuto e adeus que agora é tudo História. 41) Poética Não sei palavras dúbias. Meu sermão Chama ao lobo verdugo e ao cordeiro irmão. Com duas mãos fraternas, cumplicio A ilha prometida à proa do navio. http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 A posse é-me aventura sem sentido. 56 compreendo o pão se dividido. Não brinco de juiz, não me disfarço em réu. Aceito meu inferno, mas falo do meu céu 42) MUNDO NOVO Como estás vendo, não valeu a pena tanto esforço: a urgência na construção da Arca o rigor na escolha dos sobreviventes a monotonia da vida a bordo desde os primeiros dias a carestia aceita com resmungos nos últimos dias os olhos cansados de buscar um sol continuamente adiado. E no entanto sabias de antemão que seria assim. Sabias que a pomba iria trazer não um ramo de oliva mas de espinheiro. Sabias e não disseste nada a nós, teus tripulantes, que ora vês lavrando com as mesmas enxadas de Caim e Abel a terra mal enxuta do Dilúvio. Aliás, se nos dissesses, nós não te acreditaríamos. 43) A torneira seca (mas pior: a falta de sede) A luz apagada (mas pior: o gosto do escuro) A porta fechada (mas pior: a chave por dentro). O Poeta... 44) "Poesia é brincar com as palavras como se brinca com bola, papagaio, pião. Só que http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 bola, papagaio, pião de tanto brincar se gastam." 45) CANÇÃO DO EXÍLIO Um dia segui viagem sem olhar sobre o meu ombro. Não vi terras de passagem Não vi glórias nem escombros. Guardei no fundo da mala um raminho de alecrim. Apaguei a luz da sala que ainda brilhava por mim. Fechei a porta da rua a chave joguei ao mar. Andei tanto nesta rua que já não sei mais voltar. ( "Prosas seguidas de Odes Mínimas" (Companhia das Letras, 1992) 46) Pernas para que vos quero? Se já não tenho por que dançar Se já não pretendo ir a parte alguma. Pernas? Basta uma. 47) Chegou a hora de nos despedirmos um do outro, minha cara data vermibus perna esquerda. 48) Longe do corpo terás doravante de caminhar sozinha até o dia do Juízo não há pressa nem o que temer: haveremos de oportunamente te alcançar. http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 49) DRUMMONDIANA Quando as amantes e o amigo Te transformarem num trapo Faça um poema, Faça um poema, Joaquim! 50) CANÇÃO SENSATA Dora, que importa O juiz que escreve Exemplos na areia, Se livres seguimos O rastro dos faunos, A voz das sereias? Dora, que importa a herança do avô Sobre a pedra, nua, Se do ar colhemos Moedas de sol, Guirlandas de lua? De maior beleza É, pois, nada prever E à fina incerteza De amor ou viagem Abrir nossa porta. Dora, isso importa. 51) DÚVIDA REVOLUCIONÁRIA ontem foi hoje? ou hoje é que é ontem? 52) AOS ÓCULOS só fingem que põem o mundo ao alcance dos meus olhos míopes. já não vejo as coisas como são: vejo-as como querem que eu as veja. logo, são eles que vêem, não eu que, cônscio do logro, lhes sou grato por anteciparem em mim o édipo curioso de suas próprias trevas. 53) À BENGALA contigo me faço pastor do rebanho de meus próprios passos. 54) FOLHA CORRIDA http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 Vão-se as amadas despetaladas no turbilhão e o ex-adolescente conta ao espelho as primeiras rugas. 55) MOMENTO Visto assim do alto no cair da tarde o automóvel imóvel sob os galhos da árvore parece estar rumo a algum outro lugar onde abolida a própria idéia de viagem as coisas pudessem livremente se entregar ao gosto inato da dissolução ? e é noite. 56) OS FILHOS DE NIETZSCHE - Deus está morto, tudo é permitido! - Mas que chatice! O JOGO VERBAL EM JOSÉ PAULO PAES MARCA DE UM ESTILO PECULIARMaria Teresa Gonçalves Pereira (UERJ) Para seduzir o leitor e envolvê-lo, um texto deve apresentar características que tornarão a leitura puro deleite. No que tange a José Paulo Paes, dentre outras marcas, o ludismo verbal responde pelo prazer maior do ato de ler. O seu fazer literário manifesta-se na articulação criativa dos planos fonológico, morfológico, sintático e semântico. A palavra é manipulada com mestria, assumindo a forma pretendida pelo talento do autor, submetendo-se docilmente, gerando as variações infinitas do jogo verbal que encanta e seduz. Usa-se a linguagem coloquial concomitantemente à culta, uma não ofuscando a outra, ambas servindo de suporte ao poético. A gíria renova-se tanto quanto os clichês, revitalizados em construções e textos inovadores, destacando-se as parlendas, textos oriundos da cultura popular, sem preocupação com formalismos e regras. Dialogam entre si, numa polifonia de épocas e lugares revisitados pelo poeta. Na tessitura do texto, as palavras prestam-se a comparações, a decodificações, a repetições, a inversões baseadas e sustentadas por evocações latentes ou contextuais nas quais estão presentes, no mesmo ambiente, até palavras relacionais, como as preposições, assumindo papel fundamental para a dinâmica do texto. O ludismo verbal multiplica-se em evidências. As palavras são, a um só tempo, instrumentos para o jogo e companhias no ato de jogar. Transformam-se em peças que possibilitam essa ludicidade, conduzindo leitores de qualquer idade à participação na brincadeira. Assim, no texto, há solicitação à presença e à cumplicidade do leitor, um convite à obra, simples na transmissão de mensagens e complexa em consubstanciar-se na variedade dos fatores inerentes ao circuito comunicativo. José Paulo Paes é um artífice que instrumentaliza a poesia em perfeita inter-relação de modalidades lingüísticas ao lado de eficiente quebra de barreiras formais. Dirige-se ao público infanto-juvenil, conjugando autor-leitor, na certeza de que a expressividade e a plenitude da língua não se escondem em construções elaboradas e herméticas, realizando-se por todos e para todos, além do que se associam escolhas primorosas fornecidas pelo sistema lingüístico à eficácia no ato comunicativo. Convite http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 Poesia é brincar com palavras como se brinca com bola, papagaio, pião. Só que bola, papagaio, pião de tanto brincar se gastam. As palavras não: quanto mais se brinca com elas mais novas ficam. Como água do rio que é água sempre nova. Como cada dia que é sempre um novo dia. Vamos brincar de poesia ?PPB O autor resgata a sensibilidade lingüística oriunda da escolha vocabular, do material gramatical disponível, da ordem das palavras nas frases e da sua musicalidade, consolidando o valor plural dos textos na percepção de mundo e na sua tradução através da Língua Portuguesa. As manipulações lingüísticas ocorrem segundo a elaboração da mensagem, dos conteúdos afetivos na construção dos poemas em que a poesia potencializa-se no manejo da língua, resultado de fatos complexos e variáveis, porém acessíveis, para quem se dispõe a trabalhá-los e desvendá-los, apostando sempre na literariedade do texto. Dedicada pretensamente ao público infanto-juvenil, a obra é um acervo literário comparável a qualquer produção dedicada ao adulto. O cotidiano lingüístico caminha junto aos recursos elaborados, o coloquial ao padrão culto, monitorados constantemente pelo autor. São rompidos limites impostos pelo tradicional e pelo erudito, em princípios norteados por valores artísticos rígidos e anacrônicos, superados por um trabalho eficiente, centrado na função poética, como o de José Paulo Paes. No fragmento seguinte, encontra-se em sintonia perfeita o modelo formal, na regência do verbo pisar; a metáfora, na caracterização da história - descalça; a mistura de imagens e sensações, em cabelos despenteados pelo vento; e o diálogo aberto com os leitores estabelecidos pelo pronome lhes e pela forma verbal esperem, integrando os vários planos do sistema lingüístico. Vou lhes contar uma história meio sem pé nem cabeça e que por isso não usa nem sapato nem chapéu. É uma história descalça que gosta de pisar grama e de sentir os cabelos http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 despenteados pelo vento. Vou lhes contar uma história, esperem só um momentoOMOD Trata-se de um poeta que conhece o leitor, considerando-o, respeitando-o e apostando na sua inteligência. Trabalhando a Língua Portuguesa, não desvaloriza ou hierarquiza qualquer aspecto lingüístico, usando todo o potencial expressivo das variedades dialetais, regionais e culturais, José Paulo Paes mostra que a qualidade não se prende a uma só vertente literária ou a uma modalidade de língua. Para os estudiosos da linguagem, o reconhecimento de trabalho tão especial na abordagem da Língua Portuguesa traz satisfação, principalmente em se tratando de literatura dedicada ao público infanto-juvenil. Há extremo cuidado com as palavras, o que nem sempre se observa em obras "literárias" para leitores dessa faixa etária, considerados pouco exigentes e incapazes de perceber certos refinamentos. Respeita-se a língua, principal símbolo da cultura, não como objetivo em si mesma, mas como passaporte para interferir em todos os aspectos da vida do homem. (...) o poeta tem de descobrir o tom certo para interessar seus pequenos leitores. Um tom que seja ligeiro sem ser vulgar ou adocicado, que seja aliciante sem ser sentimental ou moralizador. (QEUPQ) Em nenhum momento o escritor é leviano em suas intervenções, mesmo em se tratando da linguagem coloquial que, na obra, adquire nova expressão. A mestria do autor no trabalho com as palavras revela sensibilidade e intuição apuradas no aproveitamento de recursos que o sistema lingüístico oferece. As construções são primorosas, assim como o restabelecimento de sentidos perdidos, como a expressão cabeça cheia de minhocas, que se atualiza, ressignificando-se. Pescaria Um homem que se preocupava demais com coisas sem importância acabou ficando com a cabeça cheia de minhocas. Um amigo lhe deu então a idéia de usar as minhocas numa pescaria para se distrair das preocupações. O homem se distraiu tanto pescando que sua cabeça ficou leve como um balão e foi subindo pelo ar até sumir nas nuvens. Onde será que foi parar? Não sei nem quero me preocupar com isso. Vou mais é pescar.PPB Paes mostra-se capaz de unir o denotativo ao conotativo, distanciando-se do rebuscado e hermético, respeitando a emoção do leitor, nunca se esquecendo do objetivo maior da língua - a comunicação - chegando a efeitos surpreendentes na utilização de fatos corriqueiros. As barreiras da especificidade e adequação da obra para determinado público são http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 desfeitas, independentemente de idade ou nível cultural, possibilitando identificação imediata com o texto. José Paulo Paes faz parte da galeria de autores que são "verdadeiros artífices da palavra, trabalhando-a artesanalmente, garimpando, na infinita gama de possibilidades lingüísticas, aquelas que vão instaurar o toque mágico que abrirá corações e mentes". (PEREIRA; 1999:143). Para efeitos de exemplificação do ludismo verbal, selecionamos algumas poesias cujas ocorrências comentaremos. A visualização do fenômeno torna-se mais eficiente do que qualquer teoria: O L é uma letra louca. Transforma a nota mi em 1000 e faz a uva andar de luva, cabra descobrir o Brasil.ULPO Trabalha com as potencialidades das palavras, quase sempre misturando os recursos quanto a significantes, sons e constituintes formais, e significados, a forma das palavras construída graficamente pelas letras. A ambigüidade também ajuda a produção, criando ambiente favorável para que se processe no leitor as impressões sugeridas pelo texto. Então, mi pode ser a nota musical ou o papel que representa dinheiro. A transformação de um significado em outro é possível através da letra L: mi ® 1000. Há mudanças inesperadas como uva estar usando luva e cabra descobrir o Brasil, proporcionadas pela loucura da letra L; o autor passa do nonsense para a realidade pela sugestão do fato histórico, mesclando elementos do fantástico, da realidade e de humor. As mudanças são relevantes, principalmente em cabra descobrir o Brasil. A distância entre o animal cabra e o nome do descobridor do Brasil Cabral é imensa, só transpondo-se pelo jogo mágico com as letras, no caso específico, o L. Aparentemente um recurso simples, provoca possibilidades infinitas, mas que prendem a atenção do leitor, aguçando sua percepção. Em Raridade, observamos a elaboração da forma criada pelo autor com a finalidade de nomear o animal em extinção arara, originando um neologismo, acentuado pela fragmentação da palavra em seus constituintes fônicos. A palavra onomatopaica lembra a voz do animal. A sonoridade traduz o som e representa semanticamente a mensagem do poema, remetendo ao título Raridade, que lembra o futuro desaparecimento da "arara", adequadamente chamada de arrara. Raridade A arara é uma ave rara pois o homem não para de ir ao mato caçá-la para a pôr na sala em cima de um poleiro onde ela fica o dia inteiro fazendo escarcéu porque já não pode voar pelo céu. E se o homem não pára de caçar arara hoje uma ave rara, ou a arara some http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 ou então muda seu nome para arrara.OOB Além do recurso neológico, salientamos também as possibilidades sonoras que as rimas caçá-la/na sala sugerem, assim como céu estar contido na palavra escarcéu. No poema seguinte, verificamos a novidade na forma bem te via, aproveitando-se o sistema flexional dos verbos para a elaboração de novo vocábulo. Correção Como dizia Aquele bem-te-vi que ficou míope: "bem te via ... bem te via ..."EIA O processo de flexão submete o vocábulo à flexão inusitada em se tratando de sua classe: verbo. Morfemas flexionais normalmente não são elementos usados para a criação de vocábulos como os derivacionais e lexicais. Especificamente no poema, a forma verbal via aparece em oposição a vi. Fundem-se os recursos semânticos e morfológicos. O elemento vi do substantivo bem-te-vi transforma-se em verbo via na nova criação bem te via, opondo também tempo passado concluso (pretérito perfeito) a inconcluso (pretérito imperfeito). Vejamos agora um fragmento do poema Gato da China. (...) que quando espirrava só fazia "chin!" (...) e quando tinha fome miava "ming-au!" (...)PPB O traço inovador está presente na elaboração das formas chin e ming-au, ambas destacadas no corpo do texto por aspas. Animal chinês, o personagem não espirrava ou pedia alimento como os gatos comuns. Desconsiderando a personificação, é diferente porque o som produzido por seus espirros é chin e não a onomatopéia tradicional para representá-lo, atchin. O pedido por comida, o mingau, se transforma pelo desmembramento em partes: ming-au. A especialidade da criação reside na nacionalidade chinesa do personagem propiciando ao autor referências às dinastias antigas ming e ching. Além do jogo verbal, produzido pelos sons e pelas formas, há manifestação de intertextualidade. O jogo de palavras instiga a inteligência, mostrando as infinitas possibilidades do vir-a-ser lingüístico. Ao interagir com o leitor, oferece-lhe um texto de excelência, levando-o à construção de diferentes sentidos, mais plenos do que aqueles proporcionados por uma linguagem correta, mas convencional. Lendo-se e deliciando-se com sua produção poética, constatamos que suas preocupações eram completamente infundadas: "Os livros são escritos para ser lidos; quando não o são, frustram-se em sua finalidade precípua". Para sempre vivo em suas obras, Paes revela sabedoria ao afirmar no encarte do seu último livro Vejam como eu sei escrever : "É pelo trampolim do riso, não pela lição de moral, que se chega ao coração das crianças. Até lá procuraria eu chegar com as brincadeiras de palavras de meus poemas infantis".BIBLIOGRAFIA ALVIM, Laila Maria Handam. Manifestações do ludismo verbal em José Paulo Paes. Dissertação de Mestrado em Língua Portuguesa (Orientação: Maria Teresa Gonçalves Pereira). UERJ, 2000 PAES, José Paulo. É isso ali. 10ª ed. Rio de Janeiro. Salamandra. 1993. http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23 ------. Olha o bicho. 9ª ed. São Paulo. Ática, 1997 ------. O menino de Olho-d’Água. São Paulo: Ática, 1991 ------. Poemas para brincar. 12ª ed. São Paulo: Ática, 1997 ------. Uma letra puxa outra. São Paulo: Cia. das Letras, 1998 ------. Quem, eu ? Um poeta como outro qualquer. São Paulo: Atual, 1996 ------. Vejam como eu sei escrever. São Paulo: Ática, 2001 PEREIRA, Maria Teresa Gonçalves. Língua portuguesa e sedução: do binômio possível nos textos de literatura infantojuvenil; in Perspectiva, ano 17, nº 31. Florianópolis: UFSC, 1999. ( Artigo de autoria de Maria Teresa Gonçalves Pereira. Publicado em http://www.filologia.org.br/viicnlf/anais/caderno1012.html) Biografia e obras Intelectual brasileiro nascido em Taquaritinga, SP, um dos mais refinados intelectuais do País, tradutor respeitado de Seféris e autor de quase 30 livros de poesia. Estudou química industrial em Curitiba e ligou-se à Geração de 1945 e escreveu na revista Joaquim, editada no Paraná. Aproximou-se também da Poesia Concreta em sua fase inicial e publicou seu primeiro livro, O Aluno (1947). Esse livro de estréia foi profundamente marcado pela influência da sintaxe drummondiana. Numa carta enviada ao colega, Drummond o aconselhou a ler poetas de outras línguas para se livrar da dicção poética de seus próximos, conselho que ele aceitou, tornando-se o grande divulgador da obra de poetas como Ungaretti. A partir daí começou a escrever com regularidade para diversos jornais e periódicos (1948). Autodidata, aprendeu grego moderno por intermédio de um curso de Linguaphone para produzir uma antologia de poesia grega, que lhe custou três anos de trabalho, e lançar uma versão definitiva dos poemas de Kaváfis. Casado com a professora de dança Dora, a quem dedicou poemas em seu segundo livro, Cúmplices (1951), morou em Santo Amaro, numa casa freqüentada pelos maiores intelectuais de São Paulo. Toda sua obra poética foi reunida sob o título Um por todos (1986). Dirigiu uma oficina de tradução de poesia na UNICAMP (1987) e foi indicado para o Prêmio Multicultural Estadão (1998). Comemorou seus 50 anos de atividade poética lançando o livro Os Perigos da Poesia e Outros Ensaios, Editora Topbooks (1997). Morreu aos 72 anos, a 9 de outubro, vítima de edema pulmonar agudo, no Hospital Beneficência Portuguesa, e seu corpo foi levado para o Crematório da Vila Alpina. Colaborador habitual do jornal Estado de São Paulo, jamais deu sinais de desânimo, mesmo quando teve sua perna esquerda amputada (1985). O drama foi tratado sem tristeza no poema Ode à Minha Perna Esquerda. http://www.letraselivros.com.br - Letras e Livros Powered by Mambo Generated: 9 November, 2010, 17:23