AS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE ALGODÃO NA SEGUNDA METADE DO
SÉCULO XX
Mércia Santos da Cruz
Ivan Targino Moreira
Sinézio Fernandes Maia
RESUMO:
Este trabalho examina os efeitos da renda externa, taxa de câmbio real e do preço de
exportação do algodão sobre as exportações brasileiras de algodão no período de 1950 a 2000.
Utilizam-se dados anuais das economias brasileira e mundial compreendendo o período de
1950 a 2000; utilizando como arcabouço teórico modelo Mundell-Fleming. A análise
realizada para o período de 1950 a 2000 permite concluir que as exportações brasileiras do
algodão: apresentaram fortes oscilações durante todo o período analisado, apresentando uma
importância até o início da década de setenta; a partir de então declinam de forma sistemática,
tornando-se praticamente irrelevantes no contexto da pauta das exportações brasileiras. Essa
dinâmica foi influenciada pôr fatores tais como: aumento da demanda interna com a
consolidação da agroindústria do algodão; crise da produção interna; abertura comercial a
partir do final da década de oitenta; as políticas comerciais adotadas no período de 1950 a
2000contribuiram para desestimular as exportações do algodão, através de um quadro de
controle sistemático do quantum exportado; o impacto desses acontecimentos, foi de tal
magnitude que tornou as exportações do algodão pouco dependentes das variáveis
explicativas elencadas pelo modelo teórico adotado. A taxa de câmbio, a renda externa e o
preço externo não se mostraram significativas. Apenas as variáveis “dummies” relacionadas
aos choques de produção e de controle comercial foram significativas.
Palavras-chave: Exportação, algodão e Brasil.
1. INTRODUÇÃO
A cotonicultura, atividade agrícola que consiste na produção de algodão, é conhecida
desde 8.000 a.C. O algodão era utilizado na produção de tecidos desde o século XV antes de
Cristo, na Índia. Apesar de ainda hoje se apresentar como a matéria-prima têxtil mais
utilizada, o algodão está inserido em um complexo têxtil composto por diversos tipos de
fibras, classificadas como naturais e químicas, onde estas últimas subdividem-se ainda em
artificiais e sintéticas.
O cultivo do algodão no Brasil antecede a época do descobrimento, quando ele já era
utilizado pelos índios. No entanto, só no final do século XVIII e início do século XIX, foi que
o cultivo do algodão ganhou representatividade econômica. Tal crescimento esteve associado,
de um lado, à expansão da indústria têxtil inglesa e, de outro lado, à guerra da Secessão que
tirou temporariamente os Estados Unidos do mercado internacional do algodão.
A revolução industrial propiciou uma grande expansão da cotonicultura em várias
partes do mundo, tendo em vista o fornecimento de matéria prima para a indústria têxtil
inglesa. Na esteira desse processo, o algodão continuou a se expandir no Nordeste brasileiro,
constituindo-se em um dos pilares do espaço agrário regional. Até meados do século XIX, a
produção brasileira atendia basicamente ao mercado externo. É na virada do século XIX e no
início do século XX que a indústria têxtil nacional assume dimensão significativa no contexto
econômico nacional. Desse modo, o mercado interno passa a se constituir em alternativa para
1
a produção nacional de algodão, que até então se encontrava fortemente concentrada no
Nordeste (ALBUQUERQUE, 1983).
Com a expansão da indústria têxtil sulista nos anos 50, verifica-se a expansão da
lavoura algodoeira em São Paulo e, posteriormente, no Paraná, inclusive por razões de ordem
técnica. Deve-se destacar também que o caroço do algodão passou a ser insumo para a
indústria alimentícia (produção de óleo comestível), contribuindo para a expansão da
agroindústria algodoeira. À medida que esse complexo se consolida no Centro-Sul do país, o
Nordeste vai perdendo gradativamente importância enquanto área produtora. O golpe de
misericórdia na cotonicultura regional é dado pela disseminação da praga do bicudo que
praticamente erradicou o cultivo do algodão na região nordestina.
Até o início dos anos 80, a divisão das regiões produtoras se dava entre a Meridional,
incluindo os estados São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro e a Setentrional que
tinha como principais estados produtores os estados de Ceará, Pernambuco, Rio Grande do
Norte, Paraíba e Piauí. Essa última deixou de ser uma importante região produtora devido a
fatores climáticos, econômicos e sobretudo biológicos, em virtude da praga do bicudo.
Atualmente, a cultura algodoeira está concentrada principalmente em duas áreas: a Meridional
que envolve os estados de São Paulo e Paraná e a região de expansão recente do CentroOeste, composta pelos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.
No período de 1950/1990, o valor das exportações de algodão apresentou elevadas
oscilações, tendo a década de 60, registrado as menores variações. Na última década do século
XX o valor dessas exportações assume pequena magnitude no contexto de pauta das
exportações brasileiras.
O presente trabalho tem como objetivo geral analisar o desempenho das exportações
brasileiras de algodão no período de 1950 a 2000, identificando os fatores condicionantes
dessa trajetória. Além desse objetivo geral, o artigo procura também: a) analisar a importância
das exportações do algodão na pauta das exportações brasileiras; b) identificar os principais
instrumentos de políticas econômicas voltadas ao crescimento das exportações do algodão; c)
mensurar os efeitos de curto e longo prazo das variações do nível de renda externa, do preço
de exportação do algodão, da taxa real de câmbio efetiva, bem como os efeitos de variáveis
qualitativas representando choques na produção e comercialização, na evolução do valor das
exportações de algodão de 1961 a 1995. O artigo está dividido em quatro seções. A primeira
apresenta os contornos teórico-metodológicos da pesquisa. A segunda estuda o
comportamento das exportações brasileiras de algodão.. A terceira discute os resultados do
modelo econométrico e, na quarta, expõem-se as principais conclusões.
2. ABORDAGEM TEÓRICO-METODOLÓGICA
A análise quantitativa das exportações brasileiras do algodão tem como suporte a
elaboração de uma série temporal, abarcando o período de 1950 a 2000, relativa as estatísticas
sobre o valor, volume e preço do algodão. Os dados secundários utilizados para tanto, foram
fornecidos pelas seguintes fontes: Anuários Estatísticos da Fundação Instituto Brasileira de
Geografia e Estatística (FIBGE), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o site do
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Utilizando os dados anteriormente mencionados, a análise intertemporal será realizada
através da identificação das diferentes fases da evolução das exportações do algodão,
identificados a partir do ajustamento de uma curva polinomial de 6ª ordem. A análise da
evolução das exportações do algodão será realizada através do comportamento das taxas de
crescimento geométrico.
Com o intuito de ressaltar evolução da importância do algodão brasileiro no mercado
internacional, será realizada uma análise da trajetória das exportações desta fibra em duas
2
diferentes circunstâncias. Primeiramente, na pauta das exportações totais do Brasil, será
comparada a evolução das exportações do algodão em pluma dentro da pauta dos produtos
exportáveis nacionais, de 1950 a 2000. Os dados utilizados foram colhido junto à FIBGE. Por
outro lado, realizar-se-á uma análise comparativa da evolução da participação do algodão nas
exportações mundiais do algodão referente ao algodão do tipo cardado e penteado, abarcando
o período de 1961 a 2000, (não iniciado em 1950 em virtude da insuficiência de dados).Os
mesmos foram obtidos junto à Food and Agriculture Organization of the United Nations
(FAO).
Como os dados estatísticos relacionados ao valor e ao preço das exportações do
algodão para a estimação do modelo econométrico, são expressos em dólares correntes,
utilizar-se-á para transformar os dados correntes em dados constantes, o IPA (Índice de
Preços no Atacado) dos Estados Unidos tomando o ano de 2000 como ano base.
As séries temporais elaboradas serão utilizadas para a estimação de um modelo
econométrico que estabelece as relações de curto e longo prazo entre as variáveis observadas.
A variável dependente do modelo será o valor das exportações do algodão em pluma (em
milhões de dólares). As variáveis independentes para explicar o comportamento das
exportações do algodão no período de 1961 a 1995 são: a) o nível de renda externa, utilizouse como proxy desta o valor das importações agrícolas mundiais; b) a taxa real de câmbio
efetiva; c) o preço de exportação do algodão; d) três variáveis do tipo dummy, representando o
primeiro choque do petróleo e choques internos de produção, respectivamente.
Além do conteúdo quantitativo, o trabalho comporta uma análise descritiva, fundada
na pesquisa bibliográfica e nos dados estatísticos anteriormente referidos. A mesma permitirá
entender a evolução da produção dessa cultura e a sua contribuição para a formação do espaço
agrário brasileiro, bem como para compreender a inserção do Brasil no mercado internacional
do algodão. Na análise descritiva será dada particular atenção às políticas de comércio
exterior. Procurar-se-á identificar e descrever as principais políticas econômicas direcionadas
ao crescimento e diversificação das exportações nacionais, bem como as políticas
particularmente direcionadas às exportações do algodão, destacando o comportamento da taxa
de câmbio e os mecanismos de cotas e tarifas empregados no período em questão.
Utilizar-se-á como arcabouço teórico no presente trabalho o modelo keynesiano de
determinação da renda em uma economia aberta. Nesse modelo, o volume exportado depende
diretamente do nível de renda mundial e inversamente do nível interno de preços e taxa real
de câmbio; conforme equação abaixo:
X = f(Yt*, Et, Pt)
(1)
Em que: X = Valor real das exportações do algodão no período t; Yt*= Valor real do
nível de renda externa no período t; Et =Valor da taxa de câmbio real efetiva; Pt = Preço real
de exportação do algodão no período t.
A relação funcional existente entre esta variável e suas variáveis explicativas deve ser
a seguinte: a) nível de renda externa e o valor das exportações de um produto qualquer podem
apresentar uma relação funcional direta ou inversa, de acordo com o tipo do produto. Para o
caso de um bem normal, a relação será direta e; para o caso de um bem inferior será
observada uma relação inversa, sendo assim, se o aumento do nível de renda externa
aumentar, coeteris paribus, a demanda pelo algodão, este será um bem normal e, de forma
análoga, se uma elevação do nível de renda externa reduzir a demanda pela fibra em questão,
este será considerado um bem inferior; b) Entre o valor real das exportações do algodão e a
taxa real de câmbio efetiva, a relação deverá ser direta haja vista que, tudo o mais constante,
uma desvalorização cambial aumenta as exportações do produto por torná-lo relativamente
mais barato. Na situação contrária, para a situação de uma valorização cambial, o bem
nacional se torna relativamente mais caro, isto é, uma apreciação (redução) do câmbio reduz
as exportações; c) A relação entre as exportações de um produto e o seu preço também deverá
3
ser direta, visto que, coeteris paribus, um aumento do preço de exportação do produto elevará
a oferta do produto para o mercado externo.
4
2.1 Modelo econométrico
O modelo aqui desenvolvido toma por base a função (1) e se propõe a estimar os
coeficientes de elasticidade das exportações do algodão em relação as variáveis explicativas
mencionadas acima, em relação ao período de 1961 a 1995. Foram incluídos ainda no modelo
três variáveis binárias (dummies).O tratamento dado às variáveis foi o seguinte:
1. Valor das exportações do algodão (X) - Esta variável consiste no valor real das
exportações do algodão em pluma, expressos em dólares constantes de 1995. Para
transformar os valores nominais em valores reais foi utilizado o índice de preço no
atacado nos Estados Unidos IPA-USA, para o deflacionamento utilizando o ano de
1995 como base;
2. Nível de renda externa (Yt*) - como proxy do nível de renda externa utilizou-se o
valor real das importações mundiais agrícolas. Esta série foi deflacionada pelo IPAUSA tomando-se o ano de 1995 como base;
3. Taxa de câmbio real efetiva (Et) - A taxa de câmbio real efetiva utilizada foi
mensurada através da elaboração de uma cesta representativa de moedas
estrangeiras ponderada cada uma pela sua respectiva importância para o Brasil. A
cesta mencionada considera a moeda dos seguintes países: Alemanha, Argentina,
Bélgica, Chile, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Itália, Japão,
México, Noruega, Paraguai e Venezuela. Para o deflacionamento desta variável
utilizou-se o índice de preço no atacado de cada um dos países e do Brasil
tomando-se o ano de 1985 como ano-base;
4. Preço de exportação do algodão (Pt) -o preço de exportação do algodão em pluma
está expresso em US$ milhões de 1995. Para transformar os valores correntes em
valores constantes utilizou-se o IPA-USA tendo o ano de 1995 como base;
5. D1 (dummy 1) - A variável binária D1 assume o valor 1 no ano de 1973, quando as
exportações brasileiras do algodão foram proibidas por decreto, assumindo o valor
0 para os demais anos;
6. D2 (dummy 2) - A variável D2 é igual a 1 no período de 1973 a 1983, quando as
exportações do algodão reduziram-se significativamente devido a cinco anos de
seca no Nordeste, agravada no último ano pela infestação do bicudo na lavoura,
para os demais anos da série a variável assume o valor 0;
7. D3 (dummy 3) - Esta assume o valor 1 nos anos de 1990 e 1991 e zero para os
demais anos do período de análise. A finalidade da inclusão desta variável é
verificar os efeitos da abertura da economia promovida a partir a do Plano Collor,
no desempenho das exportações do algodão.
As relações funcionais entre as exportações do algodão e suas variáveis independentes
serão expressas através de uma equação de longo prazo e uma de curto prazo, sendo esta
última uma equação de correção de erros que demonstrará as relações de curto prazo entre as
variáveis. Como as variáveis utilizadas são séries temporais, para que os resultado obtidos
sejam consistentes, é necessário que as mesmas se submetam aos procedimentos
econométricos apresentados a seguir.
2.1.1 Teste de estacionaridade
O teste de estacionariedade utilizado será o de raiz unitária. Este tem por objetivo
detectar se uma determinada série temporal é estacionária ou uma série temporal de caminho
aleatório. Para verificar se as séries temporais (Xt, Yt*, Et e Pt) são estacionárias, o teste de
raiz unitária utilizado será o Dickey-Fuller Aumentado (ADF). O teste ADF é utilizado em
regressões rodadas nas formas seguintes:
5
∆Yt = γt-1+ ut
(2)
∆Yt=β1+γt-1+ ut
(3)
∆Yt=β1+β2t+γt-1 + ut
(4)
Para cada equação a hipótese nula testada é a que γ = 0, que equivale a dizer que há
uma raiz unitária (a série é não estacionária), a diferença entre a equação (4) e as outras duas
consiste na introdução do intercepto e do termo de tendência. No caso do resíduo ser
autocorrelacionado, a equação (4) se modificará apresentando a forma seguinte:
∆Yt = β1 + β2t + γt-1 +∑∆ t-1+ε t-1
(5)
Sendo assim, as hipóteses nulas e alternativas testadas nas regressões anteriores são:
H0: /γ/ = 0 → a série é não estacionária;
H1: /γ/ ≠ 0→ a série é estacionária
Para o caso das séries temporais não apresentarem uma tendência estacionária, isto é,
caso a hipótese nula não seja rejeitada, faz-se necessário checar se a série temporal
diferenciada é estacionária. Se a série for diferenciada uma vez e esta primeira diferença for
estacionária diz-se que esta série é integrada de ordem 1 (na primeira diferença), para o caso
de se fazer necessário diferenciar a série duas vezes para que se torne estacionária, diz-se que
a série é integrada de ordem 2 e assim sucessivamente. Sendo assim, os testes de
estacionariedade utilizados serão empregados para as variáveis em nível e na primeira
diferença.
2.1.2 Co - integração
Em determinadas situações ao se regredir uma variável de série temporal sobre outra
variável de série temporal é obtido um alto coeficiente de determinação (R2) entre as
variáveis, mesmo quando a relação existente entre elas não é significativa. Isto ocorre porque
se ambas as variáveis não forem estacionárias elas podem apresentar fortes tendências
(ascendentes ou descendentes); desta forma, o alto R2 se dá devido a presença da tendência e
não da relação existente entre as variáveis. Diante desta constatação fica claro que a não
estacionariedade das variáveis pode levar os modelos estimados pelo método dos mínimos
quadrados ao problema referido denominado de regressão espúria.
Uma maneira de se evitar a regressão espúria consiste em verificar se as séries
temporais são co-integradas. Duas ou mais séries são ditas co-integradas se existir uma
combinação linear delas que seja estacionária, mesmo que individualmente as séries sejam
não estacionárias; se as mesmas forem co-integradas existe uma relação de equilíbrio no
longo prazo entre as variáveis.
Sendo o modelo hipotético:
Xt=β1 + β2Pt +ε t
(6)
Cada uma das variáveis (Xt e Pt) sendo integrada de mesma ordem à combinação linear
dessas duas variáveis pode ser estacionária se escreve:
ε t = Xt - β1 - β2Pt
(7)
e constatarmos que ε t é integrada de ordem zero; as variáveis (Xt e Pt) são integradas de ordem
1.
O método para testar a co-integração utilizado no presente estudo é o teste de Engle Granger. O procedimento para este teste consiste em estimar uma regressão de longo prazo
do tipo (6), obter os resíduos e submetê-los ao teste ADF.
Realizados os testes nas variáveis (Xt, Yt*, Et e Pt) e o teste de co-integração dos
resíduos, observando para todas as variáveis a mesma ordem de integração, o próximo passo é
a estimação do modelo de longo prazo. Este modelo será rodado em logaritmo já que o
mesmo fornece diretamente os coeficientes de elasticidades entre a variável dependente (Xt) e
suas respectivas variáveis explicativas:
6
LNXt = β0 + β1LNYt* + β2LNEt + β3LNPt + δD1 + δD2 + δD3 + εt
(8)
2.1.3 Modelo de correção de erros (MCE)
A análise de co-integração anteriormente mencionada mostra que, quando duas ou
mais variáveis são co-integradas existe um equilíbrio de longo prazo entre as variáveis, no
entanto, no curto prazo, pode haver desequilíbrios. Havendo o equilíbrio de longo prazo o
termo de erro (7) pode ser chamado de “erro de equilíbrio” e ser ainda utilizado para
relacionar o comportamento de uma variável no curto prazo, exemplo Pt, a seu valor no longo
prazo. O mecanismo de correção de erros utilizado por Engle - Granger corrige quanto aos
desequilíbrios que ocorrer no curto prazo em direção ao longo prazo.
Como exemplo de MCE pode ser considerado o seguinte modelo:
(9)
∆Xt=α0+α1∆Pt + α2ût-1 + ε t-1
Onde: ∆ indica a variável na sua primeira diferença; ût-1 é o resíduo da regressão
defasado em um período; ε t é o termo de correção de erros.
Além da equação de longo prazo estimar-se-á neste trabalho o seguinte MCE, tendo
em vista reconciliar o comportamento em curto prazo da variável com seu comportamento em
longo prazo:
(LNXt) = φ1∆(LN Yt*) = φ2∆(LN Et) + φ3∆(LN Pt) + φ4∆(LN Xt-1) - λ ε t-1 + ut
(10)
3. AS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE ALGODÃO NA SEGUNDA METADE DO
SÉCULO XX
O algodão constitui a mais importante fibra têxtil, respondendo por cerca de 50% do
consumo mundial de fibras (naturais, artificiais e sintéticas). O Brasil apresenta um histórico
de competitividade da cultura algodoeira, tendo mantido por várias décadas a posição de
grande produtor e exportador do algodão. O setor passou a desenvolver-se com maior
intensidade a partir da década de 1930, quando o Brasil assumiu o papel de importante
exportador da fibra (JAYO & NUNES, 2001).
Pretender-se, no presente capítulo, descrever o comportamento das exportações
brasileiras do algodão na segunda metade do século XX, apresentando sua evolução na pauta
das exportações totais brasileiras (para o produto em pluma1). Para melhor apresentar o
processo evolutivo das exportações do algodão no período mencionado, analisar-se-á o
comportamento dos instrumentos de política econômica que afetaram as exportações do
algodão, bem como os demais fatores de caráter produtivo, biológico e climático, (como por
exemplo as secas nas regiões produtoras e pragas nas lavouras).
Tendo em vista alcançar o objetivo ao qual se propõe o capítulo, a análise das
exportações do algodão será realizada através da identificação de diferentes fases. A
identificação das mesmas foi feita a partir do comportamento do valor das exportações do
algodão e da participação das exportações do algodão nas exportações totais do Brasil.
Ao se observar a evolução das exportações brasileiras do algodão e da sua participação
nas exportações totais, percebe-se que o valor real das exportações de algodão apresentou
uma elevada oscilação durante todo o período em análise, tendo a década de sessenta, do
século XX, registrado as menores variações. Os dados referentes à participação do algodão na
1
No Brasil, eram produzidos dois tipos de algodão: o herbáceo e o arbóreo. O Algodão arbóreo, é uma planta
perene, que já foi cultivado em grande escala no Nordeste, desde o início dos anos 80 está em processo de
extinção, pois é pouco produtiva em virtude da praga do bicudo, e o custo de manutenção da lavoura
inviabiliza sua continuidade. O algodão herbáceo, é cultivado de forma temporária em grandes extensões de
área, o ciclo da planta é de 5 a 6 meses, e após a colheita, a planta é erradicada. Da planta do algodão arbóreo e
herbáceo colhe-se o algodão em caroço que após passar pelo processo de beneficiamento, têm-se a pluma.
7
pauta das exportações totais brasileiras mostraram praticamente os mesmos movimentos até o
início da década de 80, a partir de então, pode-se perceber que o algodão deixa de ser um
produto importante no contexto das exportações totais do Brasil. Apesar do comportamento
oscilatório, é possível identificar três fases distintas: a primeira estendeu-se de 1950 a 1960; a
segunda, de 1961 a 1976 e a terceira fase compreende os anos de 1977 a 2000.
3.1. A primeira fase das exportações brasileiras de algodão: 1950/60
No início do século XX, com a consolidação do parque têxtil nacional verifica-se a
expansão da lavoura algodoeira em São Paulo e, posteriormente no Paraná, inclusive por
razões de ordem técnica. À medida que esse complexo se consolidou no Centro-Sul do país, o
Nordeste foi perdendo, gradativamente, importância enquanto área produtora; no entanto,
apesar de perder importância relativa para o Centro-Sul, a produção do algodão no Nordeste
continuava sendo uma das suas principais culturas: (KEHRLE, 2001).
Os dados estatísticos referentes a esta primeira fase das exportações brasileiras do
algodão estão expressos na Tabela 1.
TABELA 1
EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE ALGODÃO: 1950/60
Valor
Quantidade
Ano
(Milhões de US$)
(1000 t)
1950
511,7
128,8
1951
922,1
143,4
1952
154,9
28,1
1953
508,4
139,5
1954
957,0
309,5
1955
595,0
175,8
1956
378,4
143,0
1957
187,7
66,2
1958
103,0
40,2
1953
147,8
77,6
1960
188,2
95,4
Fonte: FIBGE, Anuários estatísticos do Brasil..
As exportações do algodão no ano de 1950 alcançaram um valor real de US$ 511,7
milhões referentes a 128,8 mil toneladas; no ano de 1958, esses valores já haviam se reduzido
para US$ 103,02 milhões correspondestes a 95,4 mil toneladas. A taxa média de crescimento
apresentada entre os dois períodos foi de -14,81% para o valor e de -3,0% para o volume
exportado. Sendo assim, pode-se perceber que o Brasil apesar de apresentar um histórico de
eficiência como produtor e exportador do algodão, aos poucos perdia sua competitividade no
mercado internacional do produto.
Como pode ser observado, as exportações do algodão apresentaram flutuações ao
longo de toda a fase, alcançando as maiores marcas nos anos de 1951 e 1954 com valores de
US$ 922,15 e 957,01 milhões respectivamente; apresentando, em seguida, um movimento de
queda sistemática. Três fatores contribuíram para este desempenho apresentado pelas
exportações do algodão nesta primeira fase.
Primeiramente, o aumento do dinamismo da indústria têxtil nacional em meados dos
anos 1950-1960, contribuiu para que a produção do algodão se voltasse mais para o mercado
interno. A Tabela 2 mostra claramente que apesar das exportações do algodão apresentarem
flutuações sempre com tendências decrescentes, a produção do algodão nos anos 50, assim
8
como a área colhida (medida em hectares) e o rendimento médio (medido em quilos por
hectares), apresentaram variações sem que tenha ocorrido nenhuma oscilação brusca. Pelo
contrário, a área colhida e o volume produzido apresentaram tendências crescentes. A área
colhida passou de 2.689,2 em 1950 para 2.930,4 mil hectares em 1960; nesses mesmos anos a
produção cresceu de 1,17 milhões de toneladas em 1950 para 1,61 milhão de toneladas em
1960.
TABELA 2
PRODUÇÃO, ÁREA COLHIDA E RENDIMENTO MÉDIO DO ALGODÃO: 1950/60
Produção (1000 t)
Rendimento
Área colhida
Ano
médio
(1000 ha)
Arbóreo
Herbáceo
Total
(Kg/ha)
1950
393,0
774,0
1.167,1
2.689,20
434
1951
348,8
619,8
968,6
2.486,70
389
1952
515,4
941,7
1.457,1
3.035,48
480
1953
375,0
695,0
1.070,0
2.587,37
414
1954
395,2
741,7
1.137,9
2.487,27
469
1955
428,5
812,9
1.241,3
2.617,09
490
1956
399,6
761,9
1.161,4
2.613,21
484
1957
382,3
753,0
1.177,4
2.770,65
425
1958
397,1
743,8
1.144,7
2.706,37
423
1559
1.399,5
2.745,59
510
1960
1.609,3
2.930,40
549
Fonte: FIBGE; Anuários Estatísticos do Brasil.
Os dados da Tabela 2 mostram, portanto, um crescimento da produção do algodão
durante o período em estudo. Como no mesmo período as exportações do algodão
apresentaram um decréscimo de aproximadamente 13% ao ano, a diferença no ritmo de
crescimento, indica certamente, a elevação do consumo interno da fibra.
Um segundo fator que influenciou no comportamento das exportações do algodão
nesta primeira fase foi a diminuição do consumo mundial de fibras naturais, apesar do
algodão se manter ainda como a fibra têxtil de maior consumo mundial (chegando a 73% em
1952). O uso de fibras artificiais e sintéticas aumentou bastante desde os anos 50. Em 1960,
as fibras sintéticas já representavam, aproximadamente, ¼ do consumo mundial de fibras2.
As variações do preço de exportação do algodão brasileiro constituem o terceiro fator
explicativo das flutuações apresentadas pelas exportações do produto no período em estudo.
O preço do algodão exportado de US$ 3.971,1/tonelada; em 1950, tendo apresentado um pico
em 1951 de US$ 6.430,05/tonelada, reduziu-se para 1.904,36/tonelada em 1960. O crescente
dinamismo do parque têxtil nacional, associado à visível instabilidade do preço, tornava cada
vez mais atrativa a comercialização da fibra no mercado interno.
Ao se observar a evolução das exportações brasileiras do algodão nesta primeira fase,
pode-se afirmar que os fatores que contribuíram para as flutuações observadas foram: a) a
consolidação do parque têxtil nacional, que aumentou a demanda interna pela fibra; b) a
diminuição do consumo mundial do algodão, dada a expansão das fibras sintéticas e; c) a
deterioração do preço internacional do produto. No período de 1950/60, o valor das
exportações do algodão brasileiro reduziu-se aproximadamente 9,52% ao ano; tendo o volume
exportado apresentado uma redução de aproximadamente 2,36% ao ano.
3
O aumento do uso das fibras artificiais, durante o período (1950-1960) chegou a desbancar a lã como segunda
fibra têxtil mais utilizada. As fibras celulósicas de rayon ocuparam tal posição.
9
As exportações do Brasil tanto no período posterior como no anterior à segunda
grande guerra estavam concentradas em uma pequena quantidade de produtos agrícolas, a
saber: café, cacau, açúcar, algodão e fumo, sendo o café o principal produto exportado pelo
país. Os principais mercados para estes bens eram os Estados Unidos e a Europa Ocidental
(BAER, 1996).
Entre o fim dos anos 40 e início dos anos 60, o único produto agrícola exportado pelo
Brasil que apresentou crescimento nas exportações mundiais foi o açúcar, com taxa de
crescimento de 3,8%; enquanto isso, as exportações de manufaturas cresciam a uma taxa de
6,6% ao ano. Diante deste quadro de redução na participação do Brasil no mercado
internacional, as exportações nacionais eram afetadas ainda por uma tendência mundial de
diminuição de mercado para produtos primários. A participação do algodão na pauta das
exportações totais oscilou durante todo o período, apresentando uma clara tendência de
redução. O algodão apresentou 7,5% do total das exportações em 1950, reduzindo tal taxa
para 3,6% em 1960. As menores participações se deram nos anos de 1952 e 1958, com
valores de 2,07% e 2,0% respectivamente (BAER, 1996).
Conforme mencionado anteriormente, a diminuição da participação dos produtos
agrícolas no total das exportações brasileiras, associado ao aumento da indústria nacional,
levou o país a diversificar suas exportações, reduzindo a participação de tradicionais produtos
primários, como o algodão, nas exportações totais.
A política comercial brasileira, em um grande período do século XX esteve
fundamentada no modelo nacional e desenvolvimentista de substituição de importações. O
referido modelo objetivava promover o crescimento da produção e da industrialização
nacional mediante imposição de barreiras aos produtos estrangeiros, através da elevação de
tarifas alfandegárias.
O Brasil que possuía tradição em exportar basicamente produtos primários, teve entre
os anos de 1935 e 1949 o café e o algodão como os principais produtos exportados. A política
comercial do segundo governo de Getúlio Vargas, no início dos anos 50, manteve a taxa de
câmbio fixa e sobrevalorizado e adotou um regime de concessão de licença. Tinha-se, porém,
uma situação favorável às transações comerciais brasileiras até 1954 em virtude da elevação
do preço de exportação do café iniciada em 1949. No entanto, a contração das exportações do
café, em decorrência de um colapso nos preços deste produto acarretaram uma grave crise
cambial, uma vez que o café correspondia a aproximadamente 60% das exportações
brasileiras no período (ABREU,1989).
A política cambial adotada nos anos 50, objetivava proteger o mercado interno e
promover a industrialização do país. O sistema de controle de câmbio, iniciado em 1946 com
duração até 1953, objetivava sanar as dificuldades do balanço de pagamentos via criação de
um sistema de licenciamento de importações (gêneros de primeira necessidade tinham
prioridade nas importações, enquanto os bens considerados supérfluos passavam para uma
lista de espera). Posteriormente, o estímulo às exportações foi intensificado com a criação do
sistema de câmbio múltiplo, onde existia um câmbio oficial e um de mercado de modo a
beneficiar as exportações nacionais.
Apesar do incentivo cambial, entre os anos 50 e início dos anos 60, a situação do
Brasil no comércio mundial do algodão já refletia a perda do dinamismo do algodão nacional.
Nessa fase, a oferta de algodão para o mercado externo era controlada pelo regime de cotas
estabelecido pela Carteira de Comércio Exterior (CACEX), que permitia a exportação apenas
do que excedesse o consumo interno, tendo em vista impedir que as exportações
comprometessem o atendimento da demanda interna. Vale salientar, que nem sempre a
parcela excedente liberada pelo governo coincidia com a época de maior demanda mundial do
produto, uma vez que o Brasil possuía duas zonas produtoras de modo que a sua produção
estava distribuída em praticamente todos os meses do ano.
10
Apesar da existência de uma política cambial que protegia o mercado interno, as
exportações nacionais (basicamente de monoculturas), não apresentaram melhorias no seu
quadro. Nesta primeira fase, as exportações do algodão não responderam positivamente aos
incentivos concedidos pelas políticas cambiais em virtude do já mencionado regime de cotas
estabelecido pala CACEX, que liberava para exportação o produto de baixa qualidade
prejudicando a imagem do mesmo no mercado externo.
3.2 Segunda fase das exportações brasileiras do algodão: 1961/75
A segunda fase das exportações do algodão pode ser considerada como o período onde
o valor das exportações do algodão apresentou as menores variações, ao longo da série (ver
Tabela 3). No entanto, da mesma maneira que na fase anterior, o valor e o volume exportado
apresentaram constantes oscilações entre 1961 e 1975, apresentando as maiores marcas nos
anos de 1969 e 1973, com valores de US$ 711,78 e US$ 660,55 respectivamente.
A redução apresentada pelas exportações do algodão a partir de 1974 está relacionada
fundamentalmente ao fato de em 1973 as exportações do algodão terem sido sumariamente
proibidas para garantir o suprimento da indústria têxtil nacional, que de outra forma seria
paralisada pela elevação do preço das fibras sintéticas em decorrência do choque do petróleo.
O preço de exportação do algodão brasileiro não se mostrou como um fator de incentivo ao
aumento das exportações, uma vez que o mesmo se apresentou em um patamar inferior aos
preços vigentes na década de 50.
O preço do algodão de 1961 a 1975, (excetuando-se os anos de 1967 e 1968) foi
declinante. Reduziu-se de US$ 2.202,39/tonelada, em 1961, para US$ 1.580,63/tonelada, em
1970, recuperando-se a partir de 1971 quando atingiu a marca de US$ 2.059,55/tonelada. Essa
recuperação foi fortalecida pela crise do petróleo. O volume produzido pelo algodão, assim
como a área colhida e o rendimento médio, estiveram em todos os anos desta fase em níveis
superiores aos da fase anterior, como pode ser observado através da Tabela 4 Com efeito,
entre 1960 e 1972, observa-se uma tendência de elevação da produção total do algodão. Só
nos três anos finais é que há uma redução da mesma.
TABELA 3
EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DO ALGODÃO: 1961/76
Valor
Quantidade
Ano
(Milhões de US$)
(1000 t)
1961
452,9
205,7
1962
461,8
215,9
1963
471,7
221,8
1964
445,2
217,0
1965
386,6
195,7
1966
435,2
235,9
1967
351,7
189,4
1968
492,4
247,6
1969
711,8
439,4
1970
541,9
342,8
1971
467,1
226,8
1972
623,6
284,2
1973
660,5
282,9
1974
238,9
83,2
1975
231,8
107,2
Fonte: FIBGE e Banco Central do Brasil.
11
Provavelmente esta melhoria no processo produtivo da cotonicultura, contribuiu
para que as flutuações apresentadas pelas exportações do algodão se mostrassem com uma
amplitude menor em comparação à fase anterior uma vez que conseguiu suprir a demanda
interna e garantir um excedente exportável.
TABELA 4
PRODUÇÃO, ÁREA COLHIDA E RENDIMENTO MÉDIO DO ALGODÃO: 1961/75
Produção (1000 t)
Área colhida
Rendimento médio
Ano
(1000 ha)
(Kg/ha)
Arbóreo Herbáceo
Total
1961
1.828,5
3.233,78
565
1962
1.902,3
3.451,86
550
1963
1.956,9
3.553,75
551
1964
1.770,0
3.764,60
470
1965
1.986,3
4.004,44
496
1966
1.865,4
3.897,71
479
1967
1.692,1
3.719,81
455
1968
1.999,5
3.902,24
512
1969
2.110,1
4.194,68
503
1570
1.955,0
4.298,58
455
1971
2.270,1
4.374,33
519
1972
2.510,6
4.643,72
541
1973
548,6
1.754,7
2.273,3
4.318,68
526
1974
460,3
1.457,1
1.917,4
3.844,82
499
1975
418,1
1.330,0
1.748,1
3.876,40
541
Fonte: FIBGE, Anuários Estatísticos do Brasil.
Nota: Os dados específicos do algodão arbóreo e herbáceo não estão disponíveis para os anos
de 1961 a 1972.
3.3 Terceira fase das exportações brasileiras do algodão: 1976/2000
Nas duas fases anteriormente analisadas, o Brasil ocupava a sexta colocação entre os
países exportadores e participava com porcentagem semelhante no que diz respeito à
produção mundial (ALBUQUERQUE, 1983). No entanto, o papel do Brasil no comércio
mundial do algodão já refletia a perda do dinamismo do produto nacional, uma vez que a
participação do Brasil não alterava a oferta global nem o preço do produto, tendo em vista a
posição hegemônica dos Estados Unidos.
Mesmo com o crescimento verificado no consumo interno e com as políticas
protecionistas do mercado doméstico, o algodão brasileiro até a década de 70, ainda destinava
uma grande parte de sua produção para o mercado externo. As políticas econômicas
continuaram a priorizar a indústria têxtil nacional, a exemplo da mencionada proibição das
exportações em 1973, inclusive da fibra que já estava nos portos aguardando embarque. A
seca que ocorreu no período de 1979 a 1983 e a praga do bicudo3 a partir de 1983
contribuíram para deprimir a produção. O cultivo do algodão arbóreo, produto típico da
região Nordeste, sofreu os maiores danos dessas duas causas, que implicaram praticamente,
na sua erradicação.
Até meados da década de 80, o Brasil detinha uma auto-suficiência na produção do
algodão e apresentava um histórico de importante exportador, comercializando o algodão
seridó, que além de ser um produto de alta qualidade é a única variedade arbórea existente no
mundo (OLIVEIRA, 2002). Apesar da baixa produtividade apresentada pela região Nordeste,
3
O Anthonomus grandis Boheman, popularmente conhecido como Bicudo do Algodoeiro, foi constatado pela
primeira vez no Brasil, em fevereiro de 1983, na região de Santa Bárbara D’Oeste, em São Paulo.
12
este tipo de algodão caracterizava-se pelas fibras longas e pela alta resistência, sendo ainda
bem cotado no mercado internacional.
A partir de meados da década de 80, a cotonicultura brasileira apresentou uma
mudança considerável no seu perfil, passando a produzir quase que exclusivamente o algodão
herbáceo, de fibras mais curtas (produto pouco produzido na região Nordeste). O algodão
seridó foi praticamente extinto como visto acima.
No tocante ao comércio externo do algodão, a terceira fase das exportações desta fibra
é caracterizada pela mudança no perfil da cotonicultura nacional, uma vez que, o algodão
tipicamente exportado pelo Brasil (o algodão seridó) praticamente já não era mais produzido.
Por outro lado, a crise na produção interna provocou uma insuficiência no abastecimento
interno que se mostrava crescente.
A Tabela 5 apresenta a evolução das exportações do algodão em pluma de 1976 a
2000. No final da década de 70, as exportações do algodão iniciaram um período de redução
sistemática que, por fatores separados no tempo, se estenderam por toda a fase. O principal
fator interno que contribuiu para esse decréscimo até meados dos anos 80 foi o já mencionado
desaparecimento do algodão no Nordeste, em decorrência das secas e da infestação do bicudo.
O impacto deste choque produtivo nas exportações é observado através da redução do valor e
do volume exportado do algodão. Em 1976, o valor real das exportações foi de US$ 15,9
milhões, dois anos depois este valor já havia se reduzido para US$ 0,9 milhões, traduzindo os
efeitos da seca.
TABELA 5
EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES E DO PREÇO DO ALGODÃO: 1976/2000
Valor (Milhões de
Quantidade
Preço
Ano
US$ 2000)
(1000 t)
US$/t de 2000
1976
15,9
5,6
2.848,1
1977
87,2
34,7
2.510,3
1978
104,4
44,5
2.345,3
1979
0,9
0,3
2.889,6
1980
17,6
8,7
2.030,8
1981
59,6
30,3
1.968,1
1982
85,3
56,5
1.509,7
1983
256,0
180,2
1.420,6
1984
55,3
32,3
1.714,5
1985
101,3
86,6
1.169,8
1986
22,4
36,4
617,4
1987
209,8
173,9
1.206,1
1988
40,0
35,0
1.142,5
1989
194,7
175,0
1.095,2
1990
148,2
110,0
1.346,9
1991
167,5
124,0
1.350,4
1992
32,5
34,0
955,3
1993
4,2
7,0
600,5
1994
5,0
3,1
1.588,0
1995
98,7
51,2
1.925,7
1996
2,5
1,6
1.624,3
1997
0,4
0,3
1.327,2
1998
4,5
3,1
1.442,9
1999
4,8
3,9
1.236,8
2000
32,0
28,6
1.121,9
Fonte: a partir de dados da FIBGE, Anuários Estatísticos e da CONAB.
13
O preço de exportação do algodão, tal como ocorreu nas duas fases anteriores, não se
constituiu um fator incentivador do comércio externo do algodão brasileiro. Na maior parte
dos anos, preço e quantidade exportada apresentaram uma relação inversa. Apenas para
ilustrar, entre 1977 e 1979, a quantidade exportada diminuiu enquanto que o preço da
tonelada exportada do algodão em pluma se elevou de US$ 2.510,3/tonelada para US$
2.889,6/tonelada, apresentando uma taxa média de crescimento de 4,80% ao ano.
Em virtude de o Brasil possuir duas zonas algodoeiras no país, a crise na produção do
algodão fez-se sentir de forma diferenciada entre essas zonas. A partir de meados dos anos 80,
enquanto a produção nordestina reduzia-se a níveis baixíssimos, a produção do algodão
apresenta uma expansão em suas fronteiras agrícolas, assumindo a cotonicultura nacional uma
nova configuração espacial, concentrando-se particularmente no estado do Mato-Grosso do
Sul. A expansão da lavoura em solos menos ondulados do Centro-Oeste, propícios à
mecanização em todas as etapas aproximou a produtividade do Brasil da de países como
Argentina e Estados Unidos, passando o rendimento médio da produção brasileira de 370
quilos/hectares em 1976 para 1.029 quilos/hectares em 1992 e 2.462 em 2000.
Apesar da elevação da produção no Centro-Oeste, ela não foi capaz de compensar o
mau desempenho do Nordeste, de modo que a produção nacional apresentava-se declinante. O
efeito da retração da produção sobre as exportações foi ampliado pela valorização da taxa
cambial, de modo particular a partir de 1994. A terceira fase das exportações do algodão
caracterizou-se, portanto pela redução espetacular das exportações da fibra. A queda no valor
das exportações (de US$ 148,16 milhões em 1990 para US$ 32,04 milhões em 2000), reflete
o efeito dos fatores acima referenciados.
4. DETERMINANTES
ECONOMÉTRICO
DAS EXPORTAÇÕES: RESULTADOS DO MODELO
Os resultados empíricos dos testes de raiz unitária nas variáveis valor real das
exportações do algodão (Xt), renda externa (Yt*), taxa de câmbio real efetiva (Et) e preço de
exportação do algodão (Pt) estão expressos na Tabela 6. Pode ser observado que, em nível,
todas as séries temporais testadas (LNXt, LNYt*, LNEt e LNPt) são não-estacionárias. No
entanto, a hipótese nula de que as séries são não estacionárias na primeira diferença pode ser
rejeitada (∆LNXt, ∆LNYt*,∆LNEt e ∆LNPt), a 1% de significância, sendo assim, de acordo
com o que propõe a metodologia do modelo, as variáveis LNXt, LNYt*, LNEt e LNPt são
todas integradas de ordem 1.
TABELA 6
RESULTADOS DOS TESTES DE RAIZ UNITÁRIA
ADF
VAR
k
k
k I (d)
τ
τc
τct
n.s
n.s
n.s
LNXt
-1,568
0 -1,865
0 -2,798
0 I (1)
n.s
n.s
n.s
LNYt*
-0,891
1 -1,184
1 -2,949
2 I (1)
LNEt
-0,915 n.s
3 -0,089 n.s 3 -1,552 n.s 0 I (1)
LNPt
-0,706 n.s
1 -1,644 n.s 1 -2,837 n.s 0 I (1)
-7,570 *
0 -7,532 * 0 -7,408* 0 I (0)
∆LNXt
*
-7,041
1 -6,941 * 1 -10,112* 0 I (0)
∆LNYt*
-3,442*
2 -3,858 * 2 -4,417* 2 I (0)
∆LNEt
*-2,798
-8,538
1 -8,410 * 0 -8,321* 0 I (0)
∆LNPt
Fonte: Dados da pesquisa
Notas: *Significante a 1%. **Significante a 5%. n.s Não Significativo
14
Os resultados da relação de equilíbrio de longo prazo entre o valor das exportações do
algodão com suas variáveis explicativas são apresentados na Tabela 7, que traz, ainda, o valor
da estatística ADF para o teste de estacionariedade dos resíduos.
Conforme a Tabela 6, as variáveis utilizadas na estimação do modelo de longo prazo
são todas integradas de ordem 1. Todavia, de acordo com a metodologia proposta por EngerGranger, além das séries utilizadas serem integradas na mesma ordem, para que uma
regressão estimada seja uma equação de longo prazo se faz necessário que os resíduos
estimados desta equação sejam estacionários. O valor da estatística ADF apresentado pelo
teste de estacionariedade da equação (9) mostrou-se significante ao nível de 10%, o que
comprova que os dados mostrados na Tabela 7 são os resultados da regressão de cointegração estimada para o valor das exportações do algodão.
TABELA 7
REGRESSÃO ESTÁTICA PARA AS EXPORTAÇÕES DE ALGODÃO: 1961/95
Variável
DesvioCoeficientes
t
Prob
dependente: LNXt
padrão
Constante
1,93**
8,40
2,30
0,0293
n.s
LNYt*
-0,19
0,16
-1,15
0,2587
LNEt
-2,86**
1,23
-2,34
0,0278
n.s
LNPt
0,40
0,50
0,79
0,4341
D1
-1,97*
0,68
-2,87
0,0079
D2
-3,19*
0,65
-4,90
0,0000
D3
-4,78*
1,00
-4,80
0,0001
2
R = 0,7445
F-statistic = 13,11
ADF = -4,75
Fonte: Dados da pesquisa
Notas: *Significante a 1%. **Significante a 5%. ***Significante a 10%. n.s Não
Significativo.
O teste F-Statistic verifica se as variáveis em conjunto explicam o modelo. Pelo valor
do F-Statistic da regressão de longo prazo estimado (13,11) pode ser rejeitada a hipótese nula
de que as variáveis, renda externa (Yt*), taxa de câmbio real efetiva (Et) preço de exportação
do algodão (Pt) e as variáveis binárias (B1, B2, B3) apresentam efeitos nulos no longo prazo. O
valor do R2 mostra que aproximadamente 74,55% das variações nas exportações do algodão
podem ser explicadas por variações na renda externa (Yt*), na taxa de câmbio real efetiva (Et)
no preço de exportação do algodão (Pt) e nas variáveis dummies utilizadas (B1, B2, B3).
De acordo com os dados da tabela anterior, pode ser observado que as variáveis LNEt,
D1, D2 e D3 mostraram-se estatisticamente significativas. As variáveis LNYt* e LNPt
apresentaram efeitos não significativos no desempenho das exportações do algodão no longo
prazo, entretanto, essas variáveis serão mantidas no modelo já que serão utilizadas na
estimação do modelo de correção de erros.
O coeficiente de elasticidade do valor das exportações do algodão em relação à renda
externa mostrou-se negativo e estatisticamente insignificante. O sinal negativo indica que o
algodão brasileiro se mostrou como um bem inferior no mercado externo, o é que corroborado
pelo fato do governo liberar para exportação apenas o produto de baixa qualidade. As
constantes proibições e as crises de caráter produtivo, às quais a cotonicultura nacional passou
ao longo do período em questão, fizeram com que o nível de renda externa não apresentasse
influência no desempenho do valor das exportações do algodão.
A Tabela 7 mostra, também, que o coeficiente de elasticidade do valor das exportações
do algodão em relação ao preço de exportação desta fibra se apresentou estatisticamente
insignificante (0,40). Como justificativa para esta constatação tem-se o fato da produção ter se
15
mostrado inconstante ao longo de todo o período em estudo e as já mencionadas políticas de
proteção de consumo do algodão interno. A combinação desses dois fatores, possivelmente,
inibiu o impacto do preço exportação do algodão sobre a evolução do valor das exportações
do algodão.
Considerando, agora, as variáveis significativas ao modelo temos que os coeficientes
estimados indicam que um aumento de 10% na taxa de câmbio real efetiva, acarretou um
decréscimo no valor das exportações do algodão em 28,62%, o que contraria a teoria
econômica. A explicação para este fenômeno, possivelmente, reside no comportamento
inconstante das exportações do algodão ao longo de toda a série e nos diversos choques (tanto
de caráter produtivo quanto provocado por políticas econômicas), de modo que este produto
passou a não responder da maneira que propõe a teoria econômica (já que as exportações do
algodão respondiam negativamente a desvalorizações cambiais). A Tabela 7 traz, ainda, os
coeficientes estimados das variáveis binárias D1, D2 e D3, os quais se mostraram negativos e
estatisticamente significativos, apresentando os respectivos coeficientes -1,97, -3,19, -4,78.
Considerando o que já foi apresentado, pode-se concluir que as exportações do algodão não
respondiam às macro-variáveis que deveriam intervir em seu comportamento (a Tabela 7
mostra que o algodão brasileiro não apresentou correlação nem com o preço de exportação da
fibra nem com a renda externa).
O sinal do coeficiente estimado da variável binária (D1) comprova o fato de que a
partir da proibição de 1973, as exportações do algodão apresentaram um processo de
significativa redução. Esta restrição foi requerida pela indústria têxtil nacional alegando haver
escassez do produto no mercado interno, já que o primeiro choque do petróleo reduziu a
demanda por fibras sintéticas. A variável D2 também apresentou sinal negativo (como já havia
sido dito), significando que a seca de 1979/1983 e a proliferação do bicudo na lavoura em
1983 provocaram um efeito contracionista nas exportações do algodão. O sinal negativo da
variável D3 corrobora o fato de que a abertura da economia em 1990 desempenhou um
impacto negativo no valor das exportações do algodão, neste período as importações do
algodão tornaram-se isentas de tarifas, fato que contribuiu para a redução das exportações.
A Tabela 8 mostra a estimação da equação de correção de erros para as exportações do
algodão, tendo como objetivo apresentar os principais fatores que influenciaram a dinâmica
de curto prazo do valor das exportações do algodão. As variáveis incluídas no modelo são as
seguintes:
9 ∆(LNYt*) - a diferença da renda externa;
9 ∆(LNEt) - a diferença da taxa de câmbio real efetiva;
9 ∆(LNPt) - a diferença do preço de exportação do algodão;
9 ∆(LNXt-1) - a diferença do valor das exportações do algodão defasado de um
período;
9 ε t-1 - os resíduos da equação de co-integração defasados de um período.
O valor do F-Statistic da equação de correção de erros rejeita a hipótese nula de que os
efeitos da renda externa, da taxa real de câmbio efetiva do preço de exportação do algodão e
das variáveis dummies, sobre o valor real das exportações do algodão sejam nulos no curto
prazo. Pelo valor de R2 pode ser visto que 62,71% das variações nas exportações do algodão
decorrem de variações nas variáveis independentes do modelo. O valor do Durbin-Watson
(DW = 1,63) sugere que o modelo não apresenta problema de autocorrelação de resíduos.
Conforme apresenta a Tabela 8, ao nível de 1% de significância, apenas a variável
binária D3 mostrou-se estatisticamente significativa. Ao nível de 5% de significância as
variáveis D1 e D2 mostraram-se estatisticamente significantes, enquanto a diferença corrente
do valor das exportações defasada em um período foi estatisticamente significativa a 10% de
significância. As defasagens correntes do nível de renda externa, da taxa de câmbio real
efetiva e do valor do preço de exportação do algodão mostraram-se não significativas.
16
TABELA 8
EQUAÇÃO DE CORREÇÃO DE ERROS PARA AS EXPORTAÇÕES DO ALGODÃO:
1961/95
Variável
DesvioCoeficientes
T
Prob
dependente: ∆LNYt
padrão
∆(LNY*
-0,03
0,132
-0,291
0,7741
t)
∆(LNEt)
0,98
2,221
0,443
0,6627
∆LNPt)
0,35
0,849
-0,422
0,6776
D3
-4,52
1,028
-4,399
0,0003
D2
3,01
1,084
2,779
0,0119
D1
-2,15
0,727
-2,955
0,0081
ε t-1
-0.003
0,001
-1,903
0,0723
R2 = 0,6989
F-statistic = 7,35
DW = 1,63
Fonte: Dados da pesquisa
Notas: *Significante a 1%. **Significante a 5%. ***Significante a 10%. n.s Não
Significativo.
Os coeficientes relacionados às defasagens correntes do nível de renda externa e do
preço de exportação do algodão permaneceram com os mesmos sinais, negativo e positivo
respectivamente. No entanto, elas permaneceram estatisticamente insignificantes o que mostra
que independente do tempo que se considere o efeito destas variáveis nas exportações do
algodão é sempre não significativo. O coeficiente estimado para a diferença corrente da taxa
de câmbio real efetiva se mostrou positivo e estatisticamente insignificante (Ver Tabela 8).
De conformidade com a equação de longo prazo (Ver Tabela 7), o coeficiente
estimado de D3 permaneceu negativo e estatisticamente significativo a 1%, sugerindo que a
abertura da economia realizada no governo Collor exerceu efeitos contracionista no valor das
exportações do algodão tanto no curto quanto no longo prazo. A variável D2, no entanto,
contrapondo-se ao observado na equação de longo prazo apresentou sinal positivo indicando
que os efeitos recessivos da seca de 1979 a 1983 e a infestação do bicudo só vieram a causar
efeitos negativos no valor das exportações do algodão no longo prazo. O coeficiente da
variável binária D1 (-2,15) permaneceu negativo e estatisticamente significativo apoiando o
fato de que a proibição das exportações do algodão em 1973 acarretou efeitos contracionistas
tanto no longo quanto no curto prazo.
Por fim, analisou-se o termo de correção de erros4 (εt-1) o qual se mostrou
estatisticamente significante a 10%, apresentando um valor de -0,003 para o coeficiente do
termo de correção de erros. Este resultado mostra que se o valor das exportações do algodão
ultrapassar seu nível de equilíbrio de longo prazo no período anterior, 0,3% da discordância
entre o valor efetivo e o valor de longo prazo será corrigido ou eliminado a cada ano.
5. CONCLUSÃO
A análise das exportações brasileiras do algodão no período de 1950 a 2000 permitiu
dividir a sua trajetória em três fases. As duas primeiras fases, referentes ao período de 1950 a
1976, marcam o período em que o algodão ainda era um produto importante na pauta das
exportações totais brasileiras. A partir de então (durante a terceira fase) as exportações do
algodão declinam de forma sistemática, tornando-se praticamente irrelevantes no contexto da
pauta das exportações totais. Dentre os fatores que proporcionaram a redução das exportações
do algodão no período já mencionado destacam-se a diminuição do consumo mundial da fibra
4
O termo de correção de erros tem a finalidade de capturar o ajustamento para o equilíbrio de longo prazo,
mostrando qual a proporção de desequilíbrio em um período, corrigido no período seguinte.
17
em virtude da concorrência das fibras artificiais, o aumento da demanda interna com a
consolidação da agroindústria do algodão, a crise da produção nordestina e abertura comercial
a partir do final da década de oitenta.
Separando os fatores internos dos externos pode ser observado que os principais
fatores internos que influenciaram na redução das exportações do algodão foram as crises
produtivas no Nordeste, tradicionalmente um importante produtor e exportador do algodão, as
políticas de proteção ao consumo interno e as medidas de diversificação das exportações
nacionais, reduzindo as exportações de produtos primários e aumentando e aumentando as
exportações de manufaturados. Os fatores externos que influenciaram no desempenho das
exportações do algodão foram o aumento no número de países produtores, a elevação na
produtividade destes, elevação esses não acompanhada pelo Brasil, e, por fim, a expansão do
consumo mundial das fibras químicas.
As políticas comerciais adotadas no período de 1950 a 2000 privilegiaram as
exportações de manufaturados em detrimento aos produtos agrícolas. No caso do algodão, as
políticas econômicas destinadas a esta cultura contribuíram para a redução das exportações.
Tem-se portanto, que a comercialização externa do algodão, no período em estudo, dáse em um quadro de controle sistemático do quantum exportado, objetivando o abastecimento
da indústria têxtil nacional. Além disso, as inovações tecnológicas provocaram uma redução
na sua demanda internacional Estas duas ordens de constrangimento foram de tal magnitude
que tornaram as exportações do algodão pouco dependentes das variáveis explicativas
elencadas pelo modelo teórico adotado. A desvinculação das exportações em relação a essas
variáveis é demonstrada pelos resultados obtidos pelo modelo econométrico. A taxa de
câmbio, a renda externa e o preço externo não se mostraram significativos. Apenas as
variáveis dummies relacionadas aos choques de produção e de controle comercial foram
significativas.
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as exportações brasileiras de algodão na segunda