EFEITO DA VIBRAÇÃO DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO NO TEOR DE CARBONATAÇÃO DE REFRIGERANTES EM GARRAFAS PET 2L. Claire I. G. L. Sarantópoulos1*, Léa M. de Oliveira2, Guilherme de C. Queiroz3 1* Centro de Tecnologia de Embalagem do ITAL – [email protected] - Av.Brasil 2880 – Caixa Postal 139 CEP 13073001 – Campinas – SP –Fax (19) 3241.8445 – Fone 3743-1900; 2Centro de Tecnologia de Embalagem do ITAL – [email protected] - 3Centro de Tecnologia de Embalagem do ITAL – [email protected] Effects of truck transport vibration on the carbonation level of soft drinks in 2L PET bottles. The objective of this work was to evaluate the effect of transport vibration on carbonation level of guarana soft drink packed in 2 liters PET bottle (53g). The transport simulation (vibration test) was carried out on sets composed of 8 multipacks, arranged directly onto a MTS Vibration Table, in multipacks interlocking stacking (4 layers), during 3 hours. Each multipack had 6 bottles. The CO2 level was determined by manometric method, before and after 1, 2 and 3h of vibration simulation, and 48h after the end of vibration. All tests were carried out at 23 ºC. No significant difference was verified on carbonation level and bottle dimensions after 1500 km truck transport simulation. Introdução A perda de qualidade e/ou redução da vida útil dos refrigerantes, devido à perda de gás carbônico pela embalagem, resulta em alterações de sabor, em alterações de cor e em possíveis problemas microbiológicos, devido à perda da ação bacteriostática e fungiostática do gás carbônico. A perda de gases ocorre por permeação através das paredes da embalagem plástica e pelo sistema de fechamento, estando associada ao peso da garrafa, distribuição de material, grau de biorientação das cadeias do polímero e hermeticidade do fechamento. Sabidamente, a perda do gás carbônico ocorre durante a estocagem do produto, ou por permeação pelo polímero. Já o efeito da vibração, durante o transporte rodoviário e distribuição, desde o envase até o ponto de venda, é um tema pouco estudado. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do tempo de vibração no transporte e da posição da embalagem no palete, no teor de gás carbônico de refrigerante acondicionado em garrafa PET 2L. Experimental Material Foi avaliada uma amostra de garrafa PET, parede reta, capacidade de 2 litros, 53g, fechada com tampa plástica convencional, com vedante, contendo refrigerante sabor guaraná. Simulação de transporte A simulação de transporte foi realizada de acordo com a norma ASTM D 4728-95 (1997), utilizando o espectro de potência sugerido para caminhões, com valor médio eficaz de aceleração (rms) de 0,52g's, durante 3 horas, com rápidas interrupções após 1 e 2 horas apenas para amostragem. O ensaio foi realizado em mesa de vibração MTS, modelo 495.10, com 1,5 x 1,5m e 5 toneladas de força dinâmica, dotada de um controlador de vibração randômica - RVC, marca Schlumberger, modelo 1209. Embalagens multipack com 6 garrafas envoltas em filme de polietileno encolhível, foram colocadas na mesa em arranjo cruzado com 8 multipacks de lastro por 4 de altura, sendo considerada como camada 1, a camada apoiada na mesa. As camadas foram separadas por chapas de papelão ondulado e o arranjo envolto por filme esticável, como é usual. A movimentação lateral das multipacks foi restringida por colunas de fixação que, no entanto, não restringiam o movimento vertical. Todas as garrafas submetidas à simulação de transporte foram previamente condicionadas a 23±1ºC por cerca de 48 horas e o ensaio também foi realizado em ambiente a 23±1ºC. Determinação do teor de carbonatação O teor de carbonatação foi determinado em 10 unidades de cada camada do palete imediatamente antes da simulação de transporte e após 1, 2 e 3 horas de simulação. Também foi determinado 48 horas após o término da simulação de transporte, período este em que as garrafas foram mantidas a 23±1ºC. Utilizou-se metodologia baseada no procedimento B da norma ASTM F 1115-95 (1997), utilizando-se o sistema Zahm-Nagel, com manômetro de leitura na faixa de 0 a 100lbf/pol² e resolução de 0,5lbf/pol2. O volume de Anais do 7o Congresso Brasileiro de Polímeros 7 CO2 dissolvido por volume de água foi obtido utilizando-se a tabela de volume de carbonatação apresentada na norma ASTM F 1115-95. Avaliação dimensional A fim de avaliar possíveis alterações dimensionais nas amostras, devido à vibração e sua influência nas alterações de pressão interna na garrafa e conseqüente teor de carbonatação, foram determinadas a altura total da embalagem e o diâmetro da garrafa antes da simulação de transporte, após 1, 2 e 3 horas de simulação e 48 horas após o término da simulação. Seis unidades de cada amostra foram avaliadas em cada período. Todos os resultados foram avaliados estatisticamente por meio do teste de Tukey ao nível de erro de 5% de probabilidade. Resultados e Discussão A posição da garrafa no palete (camada ou altura do empilhamento) e o tempo de simulação de transporte e estocagem após a simulação, não implicaram em perdas significativas no teor de carbonatação da bebida. Desta forma, considerando o transporte de um centro de distribuição até um raio de cerca de 1500 km (3 horas de simulação), independente da carga sobre a garrafa (posição no empilhamento), considerando o empilhamento padrão (4 camadas), o teor de carbonatação do refrigerante sabor guaraná não foi reduzido de forma significativa. A camada em que a garrafa encontrava-se no palete não teve influência significativa na sua altura total, em qualquer dos tempos de ensaio. Com relação ao tempo de simulação, verificou-se uma redução na altura total da garrafa significativa apenas na camada 4 (topo), com 1 e 2 horas de simulação e 48 horas após seu término, em relação à garrafa não simulada. Esta redução foi da ordem de 0,5mm (0,1%) o que, na prática, pode ser desprezível, já que encontra-se dentro da tolerância admitida para a própria altura total da garrafa a qual é, em geral, superior a um 1,0mm. Quanto ao diâmetro da garrafa (Tabela 1), com relação à altura da garrafa na pilha, apenas com 3 horas de simulação foi verificada diferença significativa no diâmetro entre as garrafas das camadas 2 e 4. As maiores diferenças médias foram da ordem de 1mm, o que, na prática, é desprezível. O tempo de simulação das garrafas resultou em diferença significativa nas camadas 2 e 3. Na camada 3 foi registrado um aumento no diâmetro após 1 hora de simulação e depois um retorno às condições iniciais. Já na camada 2 houve um aumento no diâmetro após 1 hora de simulação, e mais ainda após 2 horas de simulação e, depois um retorno às condições iniciais. 8 Tabela 1 – Diâmetro das amostras Teste M e DP *Diâmetro (mm) Camada Cama-da 2 Camada Camada dms 1 3 4 inferior superior Sem M 100,5a 100,5abc 100,5b 100,5a 0,00 sim. A A A A DP 0,42 0,42 0,42 0,42 1h M 100,8a 101,0ab 101,4a 101,0a 0,62 A A A A DP 0,35 0,31 0,39 0,46 2h M 100,7a 101,2a 100,6b 101,5a 0,94 A A A A DP 0,57 0,65 0,31 0,71 3h M 100,5a 100,4bc 100,6b 101,0a 0,64 AB B AB A DP 0,18 0,31 0,53 0,48 48h M 100,3a 100,2c 100,9ab 100,5a 0,96 após A A A A DP 0,73 0,47 0,47 0,65 dms 0,82 0,76 0,73 0,94 a, b, c : médias em uma mesma coluna, acompanhadas pela mesma letra minúscula, não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de erro, em relação ao tempo de simulação. A, B: médias em uma mesma linha, acompanhadas pela mesma letra maiúscula, não diferem entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de erro, em relação às camadas *: valores referentes a 6 determinações dms: diferença mínima significativa, sim. = simulação de transporte. Estatística: M = média, DP = desvio padrão. Conclusões Frente aos resultados obtidos, concluiu-se que o transporte rodoviário até um raio de cerca de 1500 km, não causa alterações dimensionais na garrafa e no teor de gás carbônico dissolvido no refrigerante sabor guaraná, com um teor de gás inicial de 3,2 volumes de gás carbônico, acondicionado em garrafa PET com 53g, capacidade de 2 litros, fechada com tampa convencional, com vedante. Como o produto avaliado foi adquirido no mercado com cerca de 2 meses de envase, recomenda-se que o efeito do transporte no teor de gás carbônico seja também avaliado com um produto recém envasado, que apresenta teores de carbonatação da ordem de 3,7 a 4,1 volumes de CO2. Agradecimentos À FAPESP. Referências Bibliográficas 1. 2. 3. ASTM. Standard test method for determining the carbon dioxide loss of beverage container. Philadelphia: ASTM F 1115-95, 1997. v.15.09. ASTM. Standard test method for random vibration testing of shipping container. Philadelphia: ASTM D 4728 - 95, 1997. v.15.09, p.636 – 642. Oliveira, L. M. Carbonatação e acompanhamento da perda de gás carbônico em garrafas PET para refrigerantes – P005/01. Campinas: CETEA/ITAL, 2001. 14p. Anais do 7o Congresso Brasileiro de Polímeros