Luz e Força
Quando a iluminação a gás finalmente se estabeleceu no Município da Corte, um
novo tipo de energia começava a se disseminar pelo mundo: a eletricidade.
Antecipando-se
se a uma possível concorrência, a Companhia de Iluminação a Gás
renovou o seu contrato de concessão
concessão em 1855, fazendo nele constar uma
cláusula de exclusividade para a exploração de qualquer nova forma de energia
destinada à iluminação pública.
Até o final da década, a empresa ultrapassaria as metas de expansão do
sistema, instalando mais de 4 mil
mil lampiões a gás e levando 19 mil bicos de gás a
residências e teatros. Em 1861, a iluminação a gás alcançaria um marco
religioso, cultural e arquitetônico da cidade: a Igreja de Nossa Senhora da Glória
do Outeiro.
Dando continuidade a seus investimentos, a Companhia de Iluminação a Gás
inaugurou o terceiro gasômetro, na Fábrica do Aterrado, em 18
1860. Todavia, a
cidade ainda mantinha lampiões a óleo nos subúrbios, onde a expansão do
sistema
não
se
dava
tão
rapidamente, devido ao alto custo
de
extensão
da
rede
de
distribuição subterrânea, mesmo
sendo as tubulações e postes em
ferro fundido produzidos pelo
Barão de Mauá em sua fábrica da
Ponta d’Areia, em Niterói.
Gasômetros da Fábrica do Aterrado, que seria
vendida pelo Barão de Mauá a um grupo empresarial
inglês e, posteriormente, adquirida
quirida por grupo belga.
Fonte: CEG.
Em 1862, a empresa conseguiu
uma revisão contratual que lhe
permitiu
reduzir
a
luz
dos
combustores à metade, no horário
de 2h da manhã até o dia clarear.
A Companhia de Iluminação a Gás
vinha solicitando a medida desde
1859, mas o Conselho Inspetor de
Iluminação manifestara
manifestara-se contrário à economia, preocupado com a
segurança pública.
Sede Monárquica
A iluminação a gás se expande e recebe novos
concessionários
Aproveitando as oportunidades que lhe apareciam e se valendo dos contatos que
mantinha com o sistema bancário fora do Brasil, o Barão de Mauá obteve do
governo imperial, pelo decreto nº 3.456, de 27 de abril de 1865, a permissão
para transferir para um grupo inglês o controle da Companhia de Iluminação a
Gás, que passou a se chamar Rio de Janeiro Gaz Company Limit
Limited. Teve o
cuidado, no entanto, de continuar à frente da empresa, como seu principal
executivo e gestor, posição que manteria pelos anos seguintes.
A Rio de Janeiro Gaz Company Limited passaria por várias atribulações nas duas
décadas em que foi a principal
principal concessionária do serviço de iluminação, entre
elas a explosão de um dos três gasômetros da Fábrica do Aterrado, que seria
substituído por outro em 1870.
Surgiram nessa época os lampiões a querosene, combustível que na década
anterior tinha começado a ser explorado comercialmente nos Estados Unidos e
se tornaria usual, sobretudo nas residências dos subúrbios. O Barão de Mauá,
que em 1863 não se opôs à instalação dos primeiros depósitos para a venda de
lampiões a querosene, veria, em 1874, o privilégio exclusivo
exclusivo de exploração de
um sistema alternativo de iluminação nos subúrbios do Rio ser concedido ao
tenente-coronel
coronel Antônio José da Silva e a seu filho Cláudio José da Silva. O novo
sistema utilizava o gás Globe, obtido a partir do óleo de nafta, mais bar
barato,
concentrado e acondicionado em botijões.
Anúncio do gás Globe, publicado no Almanaque
Laemmert.
O contrato para a iluminação dos
subúrbios com o gás Globe só foi
celebrado no final de 1876, entre o
Ministério da Agricultura, Comércio e
Obras Públicas
as e Cláudio José da Silva,
que se obrigava a instalar 633
lampiões e a atender uma área de
37km2. A iluminação dos subúrbios
cariocas
pelo
novo
sistema
foi
inaugurada no dia 23 de setembro do
ano seguinte, com 633 combustores,
que se elevariam para 1.129 até o final
do ano seguinte.
Em 1874, o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, que assumira a
responsabilidade pela iluminação pública da cidade no lugar do Ministério da
Justiça em 1862, estabeleceu uma comissão para examinar a prestação do
serviço na cidade.
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Em 1875, outras cidades brasileiras já haviam inaugurado os seus sistemas de
iluminação a gás, como Recife (a segunda cidade brasileira a contar com este
tipo de iluminação), São Paulo, Porto Alegre, Belém, São Luís, Fortaleza,
Salvador, Campos, Petrópolis e Santos.
Como estava terminando o prazo de concessão de 25 anos, a comissão propôs
uma nova concorrência, que seria ganha pela Rio de Janeiro Gaz Company
Limited, única empresa a se apresentar. A comissão também deu origem à
Inspetoria Geral do Serviço Público de Iluminação a Gás, que começaria a
funcionar em 1876. Foi o órgão que presidiu a nova concorrência para a
concessão do serviço público de iluminação a gás, em 1885, ao final do contrato
da Rio de Janeiro Gaz Company Limited, que já apresentava sinais de
insolvência.
A nova concorrência foi vencida pelo industrial francês Henri Brianthe, que no
mesmo ano obteve o privilégio de fabricar e comercializar por dez anos um
equipamento à base de nafta e gás carbônico, conhecido como carburador
Brianthe. No ano seguinte, Brianthe assinou com o governo imperial o contrato
de prestação do serviço de iluminação a gás e o transferiu a um grupo
empresarial belga, do qual se tornou o primeiro presidente.
O contrato, apesar de estabelecer ressalvas, previa exclusividade pelo prazo de
29 anos. A Société Anonyme du Gaz (SAG) foi fundada e autorizada a funcionar
no Brasil pelo decreto nº 9.609, de 22 de julho, e, no dia 1º de setembro, os
bens pertencentes à Rio de Janeiro Gaz Company Limited foram incorporados à
SAG.
A SAG assumiu a iluminação a gás nos três distritos em que a cidade se dividia,
inclusive nos subúrbios, onde o serviço era prestado por Cláudio José da Silva.
Este empresário, que tinha renovado seu contrato em 30 de junho de 1882,
manteve-se no negócio até 1888. A empresa substituiu 2.351 combustores de
gás Globe por 2.303 de gás canalizado.
Em 1889, um incêndio destruiu parte do edifício central da Fábrica do Aterrado.
No mesmo ano, foi inaugurado um gasômetro em Vila Isabel e, no ano seguinte,
outro gasômetro seria instalado em Botafogo. Quando a República foi
proclamada, o número de combustores a gás ultrapassava a marca de 10 mil e a
distribuição do combustível atravessava 500km de tubulações.
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A iluminação a gás se expande e recebe novos concess