ANAIS
PROPOSTA DE UM SISTEMA DE MEDIÇÃO PARA ANÁLISE DA EVOLUÇÃO
DA CAPACITAÇÃO TECNOLÓGICA ADQUIRIDA POR MEIO DE
TRANSFERÊNCIAS DE TECNOLOGIA EM EMPRESAS FARMACÊUTICAS
IRENE MARIA TESTONI ALONSO ( [email protected] , [email protected] )
BIO-MANGUINHOS / FIOCRUZ; ESCOLA DE QUÍMICA / UFRJ (DOUTORANDA)
JOSÉ VITOR BOMTEMPO ( [email protected] )
ESCOLA DE QUÍMICA / UFRJ; INSTITUTO DE ECONOMIA / UFRJ
FLÁVIA CHAVES ALVES ( [email protected] )
ESCOLA DE QUÍMICA / UFRJ
Resumo: Empresas do setor farmacêutico que atuam em economias emergentes se utilizam
da transferência de tecnologia para adquirir capacitação tecnológica. A proposta desta
pesquisa é desenvolver um sistema de medição que permita mensurar o efeito das
transferências de tecnologia na formação e acumulação de capacitação tecnológica em
empresas deste setor. Acredita-se que a utilização de indicadores relacionados com atividades
fundamentais da empresa possibilite a verificação de mudanças ocorridas, à medida que novas
tecnologias forem sendo incorporadas à sua rotina por meio dos acordos de transferência e,
assim, perceber a evolução da capacitação tecnológica em função das transferências de
tecnologia.
Palavras-chave: Inovação, Capacitação Tecnológica, Transferência de Tecnologia, Sistema
de Medição, Empresas Farmacêuticas.
1.
INTRODUÇÃO
A indústria farmacêutica é classificada como baseada em ciência (PAVITT, 1990),
sendo a inovação o ponto central para a sobrevivência nesse setor.
As atividades de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) têm um peso específico na
lucratividade do setor e são os medicamentos inovadores que trazem, de fato, novos mercados
e lucros extraordinários (VIEIRA E OHAYON, 2006).
Ainda segundo os autores, atualmente, as empresas do setor farmacêutico estão entre
as mais lucrativas. Porém, vale salientar que o processo é altamente complexo, além de longo
e caro.
A busca por medicamentos mais eficazes e seguros implica em uma sofisticação
tecnológica crescente e em altos investimentos (PRABHU, 1999). Por haver uma enorme
gama de conhecimentos envolvidos no desenvolvimento de novos produtos, a transferência de
tecnologia tem se tornado uma prática comum na indústria farmacêutica.
Desenvolver e melhorar as capacitações tecnológicas de uma empresa que desenvolve
e produz não somente um produto, mas um bem social é de extrema relevância. Essa
preocupação se faz ainda mais presente do ponto de vista de países em desenvolvimento.
Nesses países, em geral, condições sociais, econômicas e tecnológicas restringem a ocorrência
de inovações radicais, tornando fundamentalmente importante o sucesso de transferências de
tecnologia que possibilitem o aumento da capacitação tecnológica desses países e, desse
modo, reduzir a dependência externa em relação ao melhoramento do processo de
desenvolvimento e produção de novos medicamentos mais eficazes e, consequentemente, a
diminuição dos gastos em saúde (TAKAHASHI, 2005).
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Os países em desenvolvimento são comumente caracterizados como seguidores tecnológicos,
observando-se um hiato tecnológico entre eles e os países desenvolvidos, que estão na fronteira
tecnológica. Tal fato tem importantes implicações sobre a capacidade de crescimento e progresso
tecnológico dos primeiros (NEGRI, 2006).
Desse modo, pressupõe-se que também as empresas dos países em desenvolvimento
não se encontram na fronteira tecnológica (NEGRI, 2006). Portanto, sua capacidade de
progresso técnico está intimamente ligada à capacidade de usufruir dos conhecimentos
tecnológicos produzidos pelas empresas dos países desenvolvidos, ou seja, um mecanismo
efetivo de redução deste hiato tecnológico seria por meio de transferências de tecnologia.
Entretanto, vale ressaltar que o sucesso de uma transferência de tecnologia não deve
ser avaliado somente pela operação de novos processos ou comercialização de novos produtos
de acordo com o especificado, pois nem sempre isso significa um aumento na capacitação
tecnológica. Segundo Barbosa (2009), a capacitação tecnológica engloba conhecimentos mais
profundos, habilidades e experiências que tornam possível a geração de mudanças
incrementais contínuas, que melhorem o desempenho da tecnologia em uso e modifiquem os
processos conforme as exigências do mercado.
Adler (1989) afirma que por ter um caráter intangível não é possível mensurar
diretamente as capacitações. Assim sendo, o presente artigo tem por objetivo desenvolver um
sistema de medição que possibilite mensurar, por meio da utilização de indicadores
relacionados com atividades essenciais da organização, o efeito das transferências de
tecnologia na formação e acumulação de capacitação tecnológica em empresas do setor
farmacêutico.
Acredita-se que a aplicação prática do sistema de medição permite a verificação das
mudanças ocorridas na empresa, à medida que novas tecnologias forem sendo incorporadas à
sua rotina por meio dos acordos de transferência e, assim, perceber a evolução da capacitação
tecnológica devido a tais transferências de tecnologia.
O sistema de medição foi construído com base na revisão da literatura sobre
transferência de tecnologia, capacitação tecnológica e sistemas de medição. A intenção é
escolher indicadores que contemplem diferentes aspectos relacionados com o tema.
Durante a execução do trabalho foi observado que é essencial para uma empresa
avaliar o desempenho alcançado com a tecnologia transferida, isto é, o grau de sucesso em
diferentes atividades que deveriam ser desenvolvidas dentro da organização após uma
transferência de tecnologia.
Além dessa introdução, o trabalho apresenta mais quatro seções. Na segunda seção
está o referencial teórico que serviu de base para construção do sistema de medição. A
terceira seção aborda a metodologia que orientou a pesquisa. A seguir, na quarta seção são
expostos os resultados do trabalho, com a análise e discussão da proposta. A seção cinco
apresenta as considerações finais.
2.
REVISÃO DA LITERATURA
Alguns conceitos na visão dos principais estudiosos do assunto que serviram de
fundamento para construção do sistema de medição são apresentados a seguir.
2.1
Capacitação Tecnológica e Transferência de Tecnologia
A capacitação tecnológica começou a ser abordada no final da década de 1970, quando
o interesse e a atenção com a natureza da mudança técnica nos países em desenvolvimento
passam a orientar diversos estudos empíricos (GALLINA, 2009).
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Este é um conceito discutido por diversos autores na literatura. Na concepção de Kim
(1993), a capacitação tecnológica é a habilidade de aplicar os conhecimentos tecnológicos em
atividades de produção, investimentos futuros e inovações, de forma a adaptar-se ao contexto
onde se vive. Esta capacitação pode apresentar-se de modo diferenciado, desde a aptidão para
assimilar e utilizar uma tecnologia, passando pela habilidade de adaptar e modificar e até de
gerar novas tecnologias. Neste sentido, a capacitação de modificar a tecnologia, de propor
novos conceitos, de encontrar melhores soluções é fator relevante para a competitividade das
empresas.
Lall (1982, 1987) tem uma visão semelhante, definindo capacitação tecnológica como
um esforço tecnológico interno para dominar novas tecnologias, adaptando-as às condições
locais, aperfeiçoando-as e até mesmo exportando-as.
Portanto, em relação às economias em desenvolvimento pode-se dizer que a
capacitação tecnológica está associada ao esforço interno das empresas em adaptar e melhorar
tecnologias já existentes.
Já na definição de Bell e Pavitt (1993, 1995) a capacitação tecnológica incorpora os
recursos necessários para gerar e gerir mudanças tecnológicas. Tais recursos se acumulam e
se incorporam aos indivíduos (aptidões, conhecimentos e experiência) e aos sistemas
organizacionais. Apresentaram, portanto, uma definição mais ampla do assunto.
A tais conceitos vale acrescentar a abordagem de Cohen e Levinthal (1990), acerca da
capacidade de absorção da empresa receptora. De acordo com os autores, a habilidade de uma
firma reconhecer o valor de um conhecimento externo novo, assimilá-lo e aplicá-lo para fins
comerciais é crítica para sua capacidade inovadora. Para os autores, essa capacidade de
avaliar e utilizar o conhecimento exterior à firma é função do nível de conhecimento prévio da
firma e pode ser desenvolvida como resultado dos investimentos em P&D ou das próprias
operações produtivas das firmas.
Também Lall (1992) mencionou a questão do conhecimento, corroborando com o
pensamento de Cohen e Levinthal (1990). Conforme o autor, o conhecimento tecnológico não
é compartilhado igualmente entre firmas, não é facilmente imitado ou transferido entre as
organizações. Esse processo de transferência requer, necessariamente, aprendizado; porque
tecnologias são tácitas e seus princípios básicos nem sempre são entendidos. Portanto, ganhar
domínio de uma nova tecnologia requer habilidade, esforço e investimento por parte da
empresa receptora. A intensidade de domínio alcançada é incerta e necessariamente varia
conforme essas entradas. Lall (2005) complementa a questão, definindo capacitação
tecnológica como o conjunto de habilidades, experiências e esforços que permitem que as
empresas adquiram, utilizem, adaptem, aperfeiçoem e criem tecnologias com eficiência.
Para Hasenclever e Cassiolato (1998), capacitação tecnológica é o conjunto composto
por tecnologia, habilidades individuais e capacitações organizacionais. A parte do
conhecimento da empresa descrita em normas, procedimentos e manuais é considerada o
conhecimento explícito. A parte do conhecimento da empresa implícita nas rotinas da
empresa e na sua experiência acumulada é considerada o conhecimento tácito, este tipo de
conhecimento torna cada empresa única. Assim sendo, a capacitação tecnológica pode ser
vista como o conjunto de conhecimentos tácitos e explícitos dominados por uma organização
o que corrobora com a teoria de Nonaka e Takeuchi (1995). Segundo os autores, o processo
de criação do conhecimento organizacional se dá na interação entre os conhecimentos tácito e
explícito, que ocorre do nível do indivíduo ao nível organizacional.
Tacla e Figueiredo (2002) relacionam capacitação tecnológica diretamente com
inovação. Os autores afirmam que é por meio da acumulação de capacitação tecnológica que
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as firmas adquirem competência para desempenhar atividades inovadoras. As empresas
devem elevar suas capacitações tecnológicas para terem melhores condições de competir no
mercado.
Ainda é possível citar autores que categorizaram a capacitação tecnológica. Furtado
(1994) busca categorizar a capacitação tecnológica em determinadas atividades que são
executadas para aprimorar o conhecimento tecnológico da empresa, isto é, procura associar
determinadas funções constituídas por atividades com categorias de capacitação tecnológica.
As formas ou categorias que o autor propõe analisar são as seguintes: capacitação em
produção, capacitação em projeto, capacitação em P&D e capacitação em recursos humanos.
Para o autor a capacitação tecnológica é constituída por um conjunto de habilidades que
sustentam as rotinas de produção e melhorias da instituição. Tais habilidades estão localizadas
nas linhas de produção e demais departamentos especializados.
Viotti (2001), por sua vez, propõe que capacitação tecnológica possui três categorias:
capacitação de produção, capacitação de aprimoramento e capacitação de inovação. Sugere
que nos países em desenvolvimento, a análise deve estar centrada nas atividades, instituições
e ligações relacionadas à aprendizagem.
Colaborando com este ponto de vista, tem-se ainda, o modelo proposto por Kumar, V;
Kumar, U e Persuad (1999), no qual distinguem três categorias de capacitação tecnológica
que devem ser construídas a partir de projetos de transferência:
a)
Capacitação de Investimento – são as habilidades e informações necessárias
para identificar projetos viáveis de investimento, localizar e comprar a tecnologia adequada,
projetar e construir a planta, gerenciar a obra, realizar o comissionamento e dar o impulso
inicial;
b)
Capacitação Operacional – geralmente consiste das habilidades e informações
necessárias para operar, manter, reparar e adaptar a tecnologia por meio do aumento da
produção e eficiência. Pode ser transferido por meio de treinamento, intercâmbio de pessoal,
ou suporte gerencial e técnico por parte dos fornecedores;
c)
Capacitação de Aprendizagem Dinâmica – é responsável por capacitar a
replicação e alterar o sistema técnico, criar novos produtos, novos processos, novos projetos e
mesmo novas tecnologias, isto é, ser inovador. Consiste das habilidades e informações
necessárias para gerar e manter mudanças técnicas e organizacionais dinâmicas.
Como pode ser observado um dos temas recorrentes da literatura é como a capacitação
tecnológica possibilita as empresas não somente incorporar novos processos e produtos, mas
também melhorar e gerar tecnologia. Assim sendo, diferentes tipos de recursos são incluídos
nas rotinas organizacionais e nos indivíduos que por sua vez aumentam a capacitação
tecnológica.
Neste sentido, considerando as diversas abordagens, é possível dizer que a capacitação
tecnológica está associada às diversas atividades existentes dentro da empresa, o que permite
dividi-la em diferentes categorias. Pesquisadores são unânimes em afirmar que as diferentes
categorias de capacitação tecnológica requerem um processo de aprendizagem contínuo.
Por sua vez, transferência de tecnologia pode ser definida como um processo entre
duas entidades sociais, no qual o conhecimento tecnológico é adquirido, desenvolvido,
utilizado e melhorado por meio da transferência de um ou mais componentes de tecnologia,
seja ele, o próprio processo ou parte dele, com o intuito de se implementar um processo, um
elemento de um produto, o próprio produto ou uma metodologia (TAKAHASHI, 2005).
Complementando a definição anterior, conforme Sung (2009), a transferência de
tecnologia pode ser entendida como o movimento por meio de algum canal a partir de um
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indivíduo ou organização a outro. É um tipo particularmente difícil de comunicação, porque
necessita frequentemente de colaboração entre dois ou mais indivíduos ou unidades
funcionais que são separadas por limites estruturais, culturais e organizacionais.
Porém, partindo de uma perspectiva gerencial, é possível dizer que um programa
eficiente de transferência de tecnologia requer um equilíbrio entre orçamento, tempo e
gerenciamento de riscos, pois caso não haja esse equilíbrio, o resultado pode ser o oposto, isto
é, pode originar atraso, aumento de custos e algumas vezes inclusive, interrupção e
necessidade de desenvolver novo processo (AHAMED, TERNBACH e IVES, 2011).
Também foi possível verificar na literatura como um tema bastante recorrente, os
vários modos que o sucesso de uma transferência de tecnologia pode ser mensurado.
Como exemplo, é possível citar o modelo proposto por Kumar, V; Kumar, U e
Persuad (1999) que apresenta o desempenho econômico e produtivo como resultado de um
processo de transferência de tecnologia bem sucedido.
Porém, para uma transferência tecnológica ser bem sucedida, o resultado que
apresenta o maior consenso entre os diversos autores é o nível de domínio tecnológico
alcançado pela empresa, pois isto envolve a promoção de capacitação tecnológica. O
importante para os receptores é que, a partir destes acordos e do uso, absorção e adaptação das
novas tecnologias, consigam aumentar seu patamar tecnológico, atingindo um estágio tal de
desenvolvimento, que eles próprios sejam capazes de realizar novos incrementos de produtos
e processos. É fundamental que haja entre o desenvolvimento de uma capacitação e outra, um
acúmulo e um processo contínuo de aprendizagem dentro da empresa receptora (LEONARDBARTON, 1995; KUMAR et al, 1999; TAKAHASHI, 2005).
Tais autores, embora utilizando terminologias distintas, concordam que os diferentes
tipos de capacitação tecnológica abordados anteriormente necessitam de um processo
ininterrupto de aprendizagem, para que desse modo, a empresa receptora da tecnologia
externa aumente o seu domínio tecnológico e com ele haja promoção da capacitação
tecnológica, até a empresa ser capaz de gerar sua própria inovação, denominada capacitação
tecnológica autóctone ou nativa.
Neste sentido, Cusumano e Elenkov (1992) sustentam que não se pode ver a
assimilação de uma tecnologia externa e o desenvolvimento de uma capacitação tecnológica
nativa como processos separados. Precisam ter um objetivo em longo prazo, único e
integrado. Caso contrário, as empresas, provavelmente continuarão sendo dependentes de
fontes externas de tecnologia que podem ser limitadas em disponibilidade e sofisticação.
Complementando este conceito, no modelo apresentado por Kumar, U; Kumar, V e
Dutta (2007) para projetos de transferência de tecnologia de grande porte em um contexto de
países em desenvolvimento, um dos principais objetivos é o desenvolvimento de capacitações
tecnológicas nativas nas empresas.
Outros autores como Guimarães et al. (1985) reforçam a ideia de que não é a
importação de tecnologia que caracteriza a dependência tecnológica, uma vez que países
desenvolvidos também importam tecnologia, beneficiando-se de especializações recíprocas. A
questão central é a existência ou não de investimentos locais em P&D.
Analisando os vários estudos encontrados na literatura sobre transferência de
tecnologia, verificou-se que uma transferência de tecnologia bem sucedida é importante tanto
para uma organização aumentar o seu domínio tecnológico, como para o país diminuir sua
dependência externa. Porém, para que isso aconteça, existe a necessidade de um intenso
esforço interno, por parte da empresa receptora, que viabilize a apropriação da nova
tecnologia. Neste ponto vale citar novamente Cohen e Levinthal (1990), quando afirmam que
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a capacidade de absorção ou de aprendizado é um dos quesitos mais importantes para o
desempenho tecnológico das organizações para que elas possam se apropriar das novas
tecnologias presentes no ambiente.
.
2.2
Sistema de Medição
Conforme Sink e Tuttle (1993) enfaticamente preconizam, é difícil, se não impossível,
gerenciar de modo eficaz algo que não é medido corretamente. Não se pode gerenciar aquilo
que não se pode medir.
Um sistema de medição possibilita a tomada de decisões e ações com base em
informações, pois ele quantifica a eficiência e a eficácia de decisões passadas por meio da
aquisição, compilação, arranjo, análise, interpretação e disseminação de dados adequados. É
constituído por uma série de métricas ou indicadores que são utilizados para representar os
resultados ou quantificar a eficiência e eficácia das ações de melhoria nas empresas (NEELY,
1998).
Figueiredo et al (2005) observam um outro aspecto. Segundo os autores, um sistema
de medição deve fornecer informações que possibilitem aos tomadores de decisão perceber
não só se a estratégia está sendo executada de acordo com o planejado, mas, também, se a
estratégia planejada continua sendo viável e bem sucedida. Sustenta ainda, que um sistema de
medição pode ser definido como o conjunto de pessoas, processos, métodos, ferramentas e
indicadores estruturados para coletar, descrever e representar dados, cujo objetivo é gerar
informações acerca de várias perspectivas, possibilitando a avaliação por usuários de
diferentes níveis hierárquicos. Tomando por base as informações geradas, os usuários podem
avaliar o desempenho de equipes, atividades, processos e da própria organização, para tomar
decisões e executar ações de melhoria.
No entanto Kaplan e Norton (1998) ressaltam que um dos principais objetivos do
sistema de medição é fornecer informações que facilitem o processo de aprendizado
organizacional. Com tais informações, os responsáveis pela tomada de decisão podem
questionar pressupostos e avaliar se as teorias com que estão trabalhando continuam coerentes
com as evidências, as observações e as experiências reais.
Outros autores concordam que os principais indicadores das empresas não se limitam
apenas aos que partem de dados financeiros. Para Tiepolo e Rebelatto (2004), questões como,
por exemplo: qualidade, satisfação dos clientes, inovação, participação de mercado,
geralmente refletem a situação econômica e as perspectivas de crescimento da empresa
melhor do que o lucro dos relatórios financeiros.
Já a percepção de Costa e Cunha (2001) apresenta outro aspecto, ou seja, a capacitação
tecnológica pode ser medida por meio de indicadores relacionados a questões de
infraestrutura, à capacitação dos recursos humanos envolvidos em P&D, aos processos
produtivos, aos investimentos em P&D, às fontes externas de aquisição de tecnologia e aos
resultados alcançados.
Estas perspectivas, posteriormente, são utilizadas para criar as categorias de medição e
o quadro de métricas, que conforme (BROWN, 1996) são fundamentais para garantir a
integração da medição.
Hudson (2001) também possui a mesma opinião. Para o autor, a estrutura de métricas
associadas com as categorias serve para identificar quais são as mais críticas e quais são as
financeiras, as operacionais e as de resultado, bem como definir aquelas que devem ser
monitoradas e avaliadas para garantir que o planejamento estratégico esteja sendo cumprido.
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Rentes e Van Aken (2000) complementam o pensamento ressaltando que na
construção de um sistema de medição é importante definir as áreas chave de desempenho.
Em Galdámez (2007), foram destacados três modelos de sistema de medição, cujas
abordagens são as seguintes:
•
Método de Definição e Seleção de Indicadores (ALVARO, 2001) – são considerados
para avaliação de desempenho: satisfação dos clientes, controle dos processos, os
subprocessos da qualidade, a estratégia da empresa, e a necessidade de relacionar as
atividades com as métricas de desempenho.
•
Balance Scorecard (KAPLAN & NORTON, 1998) - enfatiza o agrupamento de
indicadores financeiros e não financeiros, segundo as seguintes perspectivas:
financeira, clientes, processos internos e aprendizado e crescimento.
•
Performance Prism (NEELY & ADAMS, 2000) - identifica cinco perspectivas
interligadas: satisfação dos stakeholders, estratégias, processos, capacitações e
contribuição dos stakeholders.
A literatura existente apresenta um consenso de que a utilização de um sistema de
medição é importante, pois permite ainda tornar as informações mais seguras e confiáveis
para o processo de tomada de decisão. Pode agregar valor, à medida que admite a
mensuração, o monitoramento e a avaliação dos resultados.
Em face ao grande número de críticas a medidas puramente financeiras, a criação de
um sistema de medição integrado seria uma forma de mitigar o problema. O objetivo de tal
sistema é identificar medidas críticas, não importando de que tipo seja.
3. METODOLOGIA
A proposta desta pesquisa é desenvolver um sistema de medição que permita
mensurar, por meio da utilização de indicadores, o efeito das transferências de tecnologia na
formação e acumulação de capacitação tecnológica em empresas do setor farmacêutico, isto é,
espera-se que tal sistema de medição possibilite a verificar o impacto direto e indireto que as
transferências de tecnologia exercem em atividades relacionadas à competitividade da
empresa.
Durante a construção do sistema de medição buscou-se incorporar as diferentes
abordagens acadêmicas acerca do tema, as quais fornecem uma visão global do que os
indicadores devem abranger no sistema de medição, isto é, qual a origem de tais indicadores,
como seriam trabalhados e o que deveriam alcançar. Porém, são insuficientes em especificar
exatamente o que medir.
A construção do sistema de medição foi constituída de duas etapas:
1.
2.
Estabelecimento das categorias ou formas de capacitação tecnológica – o objetivo é
identificar com base nos conceitos de Furtado (1994), Kumar et al (1999) e Viotti
(2001), quais são as categorias ou formas de capacitação tecnológica que melhor
revelem o efeito que as transferências de tecnologia exercem direta e / ou
indiretamente neste processo.
Seleção dos indicadores – o objetivo nesta etapa é escolher os indicadores mais
adequados para representar as formas / categorias de capacitação tecnológica
selecionadas, considerando, os pontos mais representativos da literatura.
Os fundamentos extraídos do referencial teórico que serviram de inspiração para a
definição das formas / categorias de capacitação tecnológica e para seleção dos indicadores
estão resumidamente descritos no Quadro 1.
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Quadro1: Fundamentação teórica para construção do sistema de medição.
REFERÊNCIA
Cohen e Levinthal (1990).
Furtado (1994)
Bell e Pavitt (1993, 1995).
Nonaka e Takeuchi (1995).
Hasenclever e Cassiolato (1998).
Kaplan e Norton (1998).
Kumar, V; Kumar, U e Persuad (1999)
Neely e Adams (2000).
Rentes e Van Aken (2000)
Alvaro, 2001
Costa e Cunha (2001).
Hudson (2001).
Viotti (2001)
Tiepolo e Rebelatto (2004).
FOCO DA ABORDAGEM
Conhecimento prévio, investimento em P&D, operações
produtivas.
Categorizar a capacitação tecnológica em atividades.
Recursos que se incorporam aos indivíduos (aptidões,
conhecimentos e experiência) e aos sistemas organizacionais.
Interação entre os conhecimentos tácito e explícito.
Conhecimento da empresa descrito em normas, procedimentos e
manuais.
Financeira, clientes, processos internos e aprendizado e
crescimento.
Capacitação em investimento, operacional e aprendizagem
dinâmica. Aumento da produção e eficiência, treinamento,
intercâmbio de pessoal, suporte gerencial e técnico.
Estratégias, processos, capacitações.
Definir os principais pontos de monitoramento.
Satisfação dos clientes, processos, qualidade, estratégia da
empresa. Relacionar atividades com métricas.
Infraestrutura, capacitação dos recursos humanos, processos
produtivos, investimentos em P&D, fontes externas de aquisição
de tecnologia e resultados.
Métricas associadas com as categorias. Medidas financeiras e
operacionais.
Capacitação de produção, aprimoramento e inovação.
Qualidade, inovação, participação de mercado.
A intenção da proposta é tabular as medidas referentes aos indicadores e tratá-las
graficamente, para posteriormente, realizar uma análise comparativa entre a evolução de cada
indicador e o histórico das transferências de tecnologia.
4.
SISTEMA DE MEDIÇÃO PROPOSTO
4.1
Critérios de Construção do Modelo
Na primeira etapa da pesquisa foram estabelecidas as seguintes formas / categorias de
capacitação tecnológica:
•
•
Capacitação em Produção / Operação – Representa o próprio resultado da transferência de
tecnologia e todas as atividades envolvidas na reprodução do produto. Esta capacitação pode
ser adquirida por meio de treinamento ou ainda suporte técnico por parte de
fornecedores.
Capacitação em Recursos Humanos / Aprendizagem – Representa o esforço de
qualificar os colaboradores não só para receber a nova tecnologia, mas também para
promover melhorias conforme a necessidade e caminhar para atividades de inovação.
É o conjunto de habilidades acumuladas pelos colaboradores da empresa. Permite
manter o sistema e gerar mudanças. Está intimamente relacionada com as outras
formas de capacitação.
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•
•
Capacitação em P&D / Inovação - Indica o empenho em direcionar o aprendido com a
nova tecnologia para práticas de inovação. Consiste nas habilidades desenvolvidas
pela empresa visando à produção de novas tecnologias.
Capacitação em Investimento / Projeto – Envolve uma série de habilidades
relacionadas com a identificação de novos projetos, diz respeito à escolha da
tecnologia adequada aos objetivos da empresa.
Conforme abordado na metodologia, a literatura existente não especifica exatamente o
que medir. Portanto, para a execução da segunda etapa da pesquisa, isto é, para construir o
sistema de medição, foram pesquisados indicadores que pudessem conter as expectativas dos
diferentes autores e que concomitantemente atendessem ao que foi definido nas diferentes
formas / categorias de capacitação tecnológica. Assim sendo, supõe-se que a avaliação da
evolução do conjunto dos indicadores para uma dada capacitação, permite mensurá-la.
A seguir são apresentados os indicadores propostos para cada forma de capacitação
tecnológica:
Capacitação em Produção / Operação:
• Investimento em equipamentos de produção (R$/ano)
• Investimento em material de consumo da produção (R$/ano)
• Investimento em Tecnologia da Informação (R$/ano)
• Quantitativo de validações de processos (nº/ ano)
• Quantitativo de metodologias analíticas validadas (nº/ ano)
• Quantitativo de novas metodologias adicionadas às rotinas de Controle de
Qualidade (nº/ ano)
• Quantitativo de unidades produzidas (nº unidades/ ano)
• Quantitativo de equipamentos analíticos (nº/ ano)
• Quantitativo de pessoal na área de Produção (nº/ ano)
• Quantitativo de pessoal nas áreas de Garantia e Controle de Qualidade (nº/ ano)
Capacitação em Recursos Humanos / Aprendizagem:
• Investimento em treinamento e capacitação (R$/ano)
• Índice de desenvolvimento de RH (homem-hora treinado / total de horas
disponíveis).
• Evolução do grau de qualificação do quadro de pessoal (nº/ ano)
• Quantitativo de procedimentos produzidos (nº/ ano)
• Quantitativo de pessoal (nº/ ano)
Capacitação em P&D / Inovação:
• Investimentos em P&D (R$/ano)
• Percentual do faturamento investido em P&D (R$ investido em P&D/ total do
faturamento)
• Quantitativo de pessoal na área de P&D (nº/ ano)
• Quantitativo das parcerias tecnológicas formalizadas (nº/ ano)
• Quantitativo de patentes depositadas e concedidas (nº/ ano)
• Número de projetos de desenvolvimento interno (nº/ ano)
• Quantitativo de novos produtos lançados (nº/ ano)
• Evolução do grau de qualificação de pessoal na área de P&D (nº/ ano)
Capacitação em Investimento / Projeto:
• Faturamento (R$/ano)
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•
•
•
•
•
Percentual de participação no mercado (quantidade fornecida/ quantidade total)
Faturamento líquido por empregado (R$/ empregado)
Volume total de unidades comercializadas (unidades/ ano)
Área construída (m2/ ano)
Investimento em construção, ampliação e modernização da infraestrutura física
(R$/ano)
Tais indicadores não são totalmente independentes, ou seja, oferecem certa
superposição entre as diferentes formas / categorias de capacitação tecnológica. Porém, como
forma de organização do trabalho, cada indicador é apresentado em somente uma forma de
capacitação tecnológica. Não obstante durante a realização da análise, esta superposição deve
ser considerada.
4.2
Análise e Discussão do Sistema de Medição
Durante a escolha das quatro formas / categorias de capacitação tecnológica buscou-se
considerar aspectos internos e externos do negócio. O propósito foi estimular a abordagem
destes aspectos durante a seleção dos indicadores. O resultado de tais indicadores, bem como
a sua quantificação fornece subsídios para demonstrar que medidas operacionais podem ser
conectadas à visão corporativa da empresa, isto é, o sistema de medição suporta a estratégia
da companhia ao fornecer medidas relacionadas com as transferências de tecnologia.
A finalidade deste tipo de avaliação é fornecer suporte ao processo de tomada de
decisão em futuros acordos e também ajudar na orientação estratégica adotada pela empresa,
pois possibilita o acompanhamento da evolução de atividades consideradas críticas e, assim,
indicar onde há necessidade de maior investimento.
Por fazer uma análise comparativa entre a evolução dos indicadores e o histórico das
transferências de tecnologia, permite verificar as implicações que as transferências de
tecnologia têm na capacitação tecnológica da empresa.
Os indicadores devem ser analisados isoladamente e em conjunto de forma a
minimizar a interferência de outros fatores que não a transferência de tecnologia no resultado
da pesquisa.
O objetivo descrito para cada indicador exprime como foram contemplados os vários
pontos abordados em cada forma / categoria de capacitação tecnológica, isto é, mostra a
relação entre o que está sendo medido e o proposto pelo sistema de medição.
Para avaliar a Capacitação em Produção / Operação foram selecionados indicadores
relacionados com a operação e adaptação da planta e que, além disso, compreendessem as
rotinas organizacionais, a atualização dos equipamentos e dos sistemas informatizados.
Abrangem produto e processo. Questões de controle e garantia de qualidade estão associadas
a este tipo de capacitação. Comportam ainda, as exigências regulatórias para indústria
farmacêutica, principalmente as relacionadas com a segurança dos produtos.
O Quadro 2 apresenta os objetivos de cada indicador relacionados com a Capacitação
em Produção / Operação.
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Quadro 2: Indicadores relacionados com a Capacitação em Produção / Operação.
CAPACITAÇÃO EM PRODUÇÃO / OPERAÇÃO
INDICADOR
OBJETIVO
Investimento em equipamentos de produção
(R$/ano).
Investimento em material de consumo da produção
(R$/ano).
Investimento em Tecnologia da Informação (R$/ano).
Adquirir equipamentos necessários para operar a
planta.
Adquirir insumos necessários à produção dos novos
produtos.
Informatizar as rotinas organizacionais.
Atender as questões regulatórias, relacionadas à
Garantia de Qualidade.
Atender as questões regulatórias, relacionadas à
Garantia de Qualidade.
Quantitativo de validações de processos (nº/ ano).
Quantitativo de metodologias analíticas validadas (nº/
ano).
Quantitativo de novas metodologias adicionadas às
rotinas de Controle de Qualidade (nº/ ano).
Quantitativo de unidades produzidas (nº unidades/
ano).
Adquirir novas técnicas de Controle de Qualidade.
Verificar a evolução da capacidade produtiva.
Fornecer infraestrutura analítica para as novas
técnicas.
Avaliar a demanda na área de Produção, através do
seu quadro de pessoal.
Avaliar a demanda na área de Qualidade, através do
seu quadro de pessoal.
Quantitativo de equipamentos analíticos (nº/ ano).
Quantitativo de pessoal na área de Produção (nº/
ano).
Quantitativo de pessoal nas áreas de Garantia e
Controle de Qualidade (nº/ ano).
Para avaliar a Capacitação em Recursos Humanos / Aprendizagem optou-se por
indicadores que representassem o esforço da empresa na qualificação dos seus colaboradores.
Relacionam-se não apenas no crescimento do quadro de pessoal, mas também com a difusão
do conhecimento. Contempla o conhecimento tácito adquirido ao longo do tempo com a
experiência, assim como o conhecimento formal.
O Quadro 3 apresenta os objetivos de cada indicador relacionado com a Capacitação
em Aprendizagem / Recursos Humanos.
Quadro 3: Indicadores relacionados com a Capacitação em Aprendizagem / Recursos Humanos.
CAPACITAÇÃO EM APRENDIZAGEM / RECURSOS HUMANOS
INDICADOR
OBJETIVO
Investimento em treinamento e capacitação (R$/ano).
.
Índice de desenvolvimento de RH (homem-hora
treinado / total de horas disponíveis).
Evolução do grau de qualificação do quadro de
pessoal (nº/ ano).
Qualificar a força de trabalho.
Qualificar a força de trabalho.
Desenvolver competências estratégicas.
Quantitativo de procedimentos produzidos (nº/ ano).
Compartilhar o conhecimento oriundo da TT.
Quantitativo de pessoal (nº/ ano).
Avaliar o crescimento da empresa através do número
de funcionários
Para avaliar a Capacitação em P&D / Inovação foram selecionados indicadores que
representassem o chamado esforço tecnológico (MATESCO e HASENCLEVER, 1998).
Devem demonstrar que a realização de inovação tecnológica depende de um conjunto de
fatores internos e externos às empresas. Permite a empresa desenvolver elementos que lhe
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permitam intensificar a acumulação de capacitação tecnológica por meio de uma transferência
de tecnologia. A transferência de tecnologia deve servir para alavancar a inovação tecnológica
autóctone, e não substituí-la.
O Quadro 4 apresenta os objetivos de cada indicador relacionado com a Capacitação
em P&D / Inovação.
Quadro 4: Indicadores relacionados com a Capacitação em P&D / Inovação.
CAPACITAÇÃO EM P&D / INOVAÇÃO
INDICADOR
OBJETIVO
Investimentos em P&D (R$/ano).
Fomentar o lançamento contínuo de novos produtos e
aperfeiçoar os existentes.
Percentual do faturamento investido em P&D (R$
investido em P&D/ total do faturamento).
Fomentar a inovação.
Quantitativo de pessoal na área de P&D (nº/ ano).
Promover o fortalecimento na área de P&D.
Quantitativo das parcerias tecnológicas formalizadas
(nº/ ano).
Quantitativo de patentes depositadas e concedidas (nº/
ano).
Número de projetos de desenvolvimento interno (nº/
ano).
Fomentar e fortalecer alianças tecnológicas.
Mensurar atividades de inovação.
Mensurar o desenvolvimento de base tecnológica
nativa.
Lançar continuamente novos produtos e aperfeiçoar
os existentes em atendimento à demanda.
Quantitativo de novos produtos lançados (nº/ ano).
Evolução do grau de qualificação de pessoal na área de
P&D (nº/ ano).
Fortalecer as atividades de P&D.
Para avaliar a Capacitação em Investimento / Projeto foram escolhidos indicadores
que envolvessem a implantação do projeto. Implicam questões de infraestrutura. Devem se
refletir nos resultados financeiros, na participação e no atendimento às demandas do mercado.
O Quadro 5 apresenta os objetivos de cada indicador relacionado com a Capacitação
em Investimento / Projeto.
Quadro 5: Indicadores relacionados com a Capacitação em Investimento / Projeto.
CAPACITAÇÃO EM INVESTIMENTO / PROJETO
INDICADOR
OBJETIVO
Faturamento (R$/ano).
Aumentar geração de receita / sustentabilidade.
Percentual de participação no mercado (quantidade
fornecida/ quantidade total).
Faturamento líquido por empregado (R$/
empregado).
Volume total de unidades comercializadas (unidades/
ano)
Manter ou aumentar a participação da empresa no
mercado.
Agregar valor com as novas TT.
Verificar a influência das TT no quantitativo
comercializado.
Fornecer infraestrutura necessária ao atendimento às
novas demandas.
Área construída (m2/ ano).
Investimento em construção, ampliação e
modernização da infraestrutura física (R$/ano).
Fornecer infraestrutura necessária às novas demandas.
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ANAIS
5.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No contexto de adquirir e acumular capacitação tecnológica por meio de transferência
de tecnologia, o objetivo deste artigo foi propor um sistema de medição, cujos indicadores
sejam capazes de mensurar o impacto direto ou indireto de transferências tecnologia na
capacitação tecnológica de uma organização, ou seja, como a capacitação adquirida se refletiu
em atividades essenciais para a competitividade da empresa. Para tanto, foram concebidas
quatro formas / categorias de capacitação tecnológica que abrangessem os diferentes
conceitos abordados na literatura.
Presume-se que a utilização do conjunto de indicadores permite mensurar a
capacitação das quatro formas / categorias de capacitação tecnológica, uma vez que os
quesitos considerados fundamentais para cada uma foram contemplados.
A finalidade de utilizar tal sistema de medição é monitoramento por parte da
organização da relação entre o esforço despendido e os resultados alcançados em uma
transferência de tecnologia em termos incremento de capacitação tecnológica.
A consequência esperada deste monitoramento é a confirmação das transferências de
tecnologia como fonte de capacitação tecnológica. No caso de não haver tal confirmação, o
estudo forneceria subsídios para futuras tomadas de decisão, tais como: outras formas de
treinamentos, redefinição de prioridades, revisão dos modelos de contrato, realocação de
recursos, entre outros.
Porém, como não foi objeto deste estudo testar o sistema proposto, vale ressaltar, a
importância de realizar em futuros trabalhos a validação do sistema de medição, por meio de
sua aplicação prática.
6.
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