Espaço Público em Florianópolis: Vitalização ou Especulação Urbana? Krisciê Pertile (1) e Marcos Sardá Vieira (2) (1) Doutoranda pelo Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Docente do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal do Rio Grande (FURG); Brasil. E-mail: [email protected] (2) Doutorando pelo Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Docente da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS); Brasil. E-mail: [email protected] Resumo: Este artigo apresenta o contexto atual de revitalização da área central e histórica de Florianópolis como medida de controle social e exploração do potencial turístico e imobiliário. Para compreender este processo de higienização e reforma urbana, são considerados os conceitos de “revitalização” e “humanização” sobre a análise do Projeto “Viva a Cidade”, desenvolvido pela Prefeitura Municipal de Florianópolis em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas. Na discussão desta problemática de reforma urbana, diante do interesse pela revitalização desta área degradada, considera-se que a prerrogativa de fomentar atividades de cultura e lazer como instrumento gradual de apropriação do espaço público surge para atender interesses particulares de especulação, utilizando o conceito de “revitalização” como justificativa para o controle territorial. Por outro lado, a demanda pelo conceito de “humanização”, voltada para os interesses públicos e sociais, seria uma alternativa democrática na reformulação da função dos espaços públicos, tornando possível a apreensão de áreas abertas e de permanência entre os mais variados grupos sociais, sem transformar a área degradada em mero receptáculo da espetacularização e do consumo. Palavras-chave: Projeto “Viva a Cidade”; Florianópolis; Revitalização; Humanização. Abstract: This article presents the current context of revitalizing the historical and central area of Florianópolis as a social control measure and exploitation of tourism and real estate potential. To understand this process of cleaning and urban reform, the concepts of "revitalization" and "humanization" on the analysis of the project "Live City", developed by Florianópolis City Hall in partnership with the Chamber of Shopkeepers are considered. In discussions on this urban reform problematic, given the interest in the revitalization of this run-down area, we believe that the prerogative to foster cultural and leisure activities such as gradual instrument of public space appropriation comes to meet particular interests of speculation, using the concept of "revitalization" as a justification for territorial control. On the other hand, the demand concept of "humanization" facing the public and social interests, it would be a democratic alternative the redesign of public spaces function, making it possible the seizure of open areas and to be held between various social groups, without turning the area degraded into a mere receptacle of spectacle and consumption. Key-words: Project “Lives City”; Florianópolis; Revitalization; Humanization. 1. INTRODUÇÃO A realidade dos interesses especulativos sobre os territórios urbanos, justificado pelo desejo de modernização da cidade, acontece desde o final do século XIX e início do século XX e poderia estar associado, na escala local e no tempo atual, com as intervenções urbanas que procuram transformar áreas previamente degradadas pela ineficácia do planejamento urbano integral. Este tipo de intervenção, também denominada “revitalização” torna-se uma mudança válida sob a justificativa de implantar qualidade de vida para os visitantes e moradores fixos, envolvidos nas relações de interesse do mercado econômico. Como exemplo atual de medidas de requalificação urbana em Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina, surge o Projeto “Viva a Cidade”, desenvolvido em parceria entre a Prefeitura Municipal e a Câmara de Dirigentes Lojistas do município (CDL Florianópolis), com a intenção de revitalizar a mesma 1 | 10 área central da cidade, que foi preterida pelo planejamento urbano desde a década de 2000 para o fomento da área central e a instalação de novos equipamentos urbanos, apesar da boa localização, enquanto parte do Centro Histórico da cidade. Porém, uma vez que, a revitalização do espaço público não contempla obras físicas substanciais para melhorias na infraestrutura urbana, poderíamos dizer que as intenções de revitalização no centro histórico de Florianópolis atendem aos interesses públicos e patrimoniais? Será que as intervenções em áreas públicas promovidas pelo Estado e com apoio da iniciativa privada, no caso do Projeto “Viva a Cidade”, serviria como instrumento de longo prazo para a gentrificação e o enobrecimento das áreas urbanas centrais na Ilha da Magia? Refletindo sobre estas questões, o artigo se propõe a analisar a intervenção espacial do Projeto “Viva a Cidade”, implantado no centro histórico de Florianópolis, quanto ao seu discurso e práticas em defesa da revitalização urbana. A metodologia de construção desta pesquisa baseia-se no referencial histórico da conformação urbana de Florianópolis, ao longo de suas principais obras públicas para caracterizar as feições de uma capital moderna; e no referencial teórico para a compreensão dos conceitos de revitalização e humanização em áreas urbanas. Através de fontes secundárias são analisadas informações sobre a implantação do Projeto “Viva a Cidade” no contexto urbano da capital catarinense, além de visitas presenciais durante a promoção dos eventos na área de estudo, fazendo uso do método de observação incorporada e participativa. Na sequência, são apresentadas considerações sobre a sutileza na demarcação e no controle territorial sobre espaços tidos como públicos, destacando o caráter efêmero e sutil dos possíveis estágios para a consolidação de novas territorializações urbanas. 2. CONFORMAÇÃO URBANA EM FLORIANÓPOLIS As grandes intervenções nas cidades brasileiras, promovidas durante a Primeira República [1889-1930], tiveram como referência as grandes reformas urbanas europeias, ocorridas no final do século XIX, como a reforma de Paris e Viena, “que lançaram as bases legais para o mercado imobiliário capitalista, promovendo a valorização imobiliária” e os processos de segregação social (AGOSTINHO, 2008, p. 117). Durante este período de reformas nas principais cidades brasileiras (São Paulo, Belém, Porto Alegre, entre outras) foram executadas obras importantes para estabelecer a infraestrutura urbana de modernização no país, como os sistemas de transporte, o saneamento básico e o embelezamento dos logradouros, através da pavimentação, acréscimo de mobiliário urbano e no plantio de vegetação. Estes melhoramentos para a configuração das cidades brasileiras também estava vinculado à estratégia de controle social, segregando as classes mais pobres na apropriação das áreas mais valorizadas através das reformas e disciplinando e condicionando a vida da população em geral, de maneira a construir um corpo social condizente com as ideias da modernidade e as expectativas de um perfil humano ideal. Entretanto, nesta época, nem todos os municípios brasileiros cresceram no mesmo ritmo (SÊGA, 2000). Durante o século XIX e início do século XX, o litoral catarinense, incluindo a região atual da Grande Florianópolis, pouco se desenvolveu industrialmente. Diferente da Região Norte e do Vale do Itajaí, junto a cidades como Joinville e Blumenau, que obtiveram amplo crescimento industrial neste período. Existia uma grande expectativa para o crescimento de Florianópolis, apesar de permanecer pequena e com pouca expressão nacional ao longo das décadas de 1930 e 1940, devido, principalmente, a sua economia baseada no comércio local, na administração pública e na produção de subsistência. Na avaliação historiográfica da cidade, este período (entre 1930 e 1950) foi considerado de estagnação para o desenvolvimento urbano, devido ao recorrente declínio do transporte marítimo e do comércio por via marítima, desde o final do século XIX. Por isso, no decorrer do século XX, criou-se uma ideia de atraso para o desenvolvimento da capital de Santa Catarina em relação a outras cidades brasileiras mais modernizadas, tendo como principal referência na época o desenvolvimento do Rio de Janeiro (COSTA, 2011; AGOSTINHO, 2008; PIMENTA, 2005). A intenção de manter Florianópolis como capital de Santa Catarina foi um aspecto importante na promoção das reformas urbanas na segunda metade do século XX. Antes disso, surgiram propostas 2 | 10 políticas para mudar a capital para outra área com maior centralidade geopolítica e econômica no estado. Porém, a partir de 1950 surgem discursos políticos e midiáticos com a intenção de projetar Florianópolis para o futuro, tornando a cidade digna de representação como capital do estado. Por isso, a definição de suas feições urbanas para uma verdadeira capital, através de obras públicas de saneamento, construção da Ponte Hercílio Luz e vinculação da região continental junto ao território do município, surgiram com o interesse de reforçar o discurso de desenvolvimento nacional e garantir a influência do poder oligárquico catarinense. Diante das propostas de desenvolvimento da cidade, foram implantadas medidas legais de reforma urbana que viabilizaram a privatização dos interesses públicos, em um movimento conservador, lento e tradicional para a modernização da cidade. Esta configuração de modernidade torna-se efetiva a partir da década de 1960, com a construção dos aterros na Baía Sul e da Avenida Beiramar Norte, com a construção da Ponte Colombo Sales, a implantação da Universidade Federal e a consolidação dos principais eixos viários para estabelecer a comunicação formal da capital catarinense com o interior do estado, através da BR-101 e da SC-282 (AGOSTINHO, 2008). Neste panorama, o centro histórico florianopolitano torna-se um espaço fragmentado e de pouco interesse imediato para o mercado imobiliário, que descobria outras áreas de ocupação nos territórios da Ilha e do Continente. O centro da cidade manteve seu caráter de cidade média ao longo do século XX, atendendo a demanda local para as necessidades do comércio e serviços, mantendo preservados o conjunto de casarios antigos e mantendo como principais referências na paisagem urbana a Praça XV de Novembro, o Largo da Alfandega e o Mercado Público, entre os principais marcos do centro histórico, próximos aos eixos comerciais nas ruas Conselheiro Mafra, Felipe Schmidt e Tenente Silveira. De acordo com Nelson Popini Vaz, mais do que caracterizar a área simplesmente como “centro urbano”, onde se dá grande parte das funções relacionadas a uma cidade, cabe ao centro de Florianópolis o conceito de “área central”, sendo este o coração histórico da capital catarinense, “conjunto mais importante da área urbana no período que antecede a modernização1” (1990, p.16). Tal denominação também diz respeito à delimitação das áreas públicas de uso coletivo e aos espaços urbanos de comunicação interpessoal. O conceito de Centro Histórico só é possível, pois, após o processo rápido e transformador da modernização, quando a lenta e orgânica evolução da cidade paroquial que antecede o período de modernização, cede lugar à aceleração do desenvolvimento, baseado na reestruturação física da cidade e sua expansão. A reestruturação obedece a outro modelo funcional, desagregando funções acumuladas no centro para localizá-las em áreas especialmente preparadas para cada uma delas (VAZ, 1990, p.17). Assim, o Centro Histórico de Florianópolis pode ser definido, desde seu início, como um espaço de grande importância para população, onde tal área era compreendida como a própria “cidade”, abrigando funções importantes, sobretudo o comércio. O centro também representa um “espaço vivo” para o convívio da população. E, ao mesmo tempo, significa uma área estratégica para a reserva de mercado que, historicamente, definiu o cenário de disputas territoriais movidas pelos interesses de coalizão política e, mais recentemente, como sede dos empreendimentos voltados para a cidade. 3. PROJETO “VIVA A CIDADE” Em 2011, a CDL Florianópolis, por meio de um dos seus núcleos de trabalho (Núcleo do Centro Histórico) apresentou a diversos órgãos públicos o projeto, inicialmente denominado “Feira da Luz”, que tinha por objetivo a realização da feira comercial, aos sábados, na área central da capital catarinense. Tal iniciativa foi apresentada como uma das ações para revitalizar a porção leste do Centro da cidade, entre a Praça XV de Novembro e a Avenida Hercílio Luz (Figura 1). Em julho de 2014, o projeto sofreu alterações e passou a denominar-se “Viva a Cidade”, fruto de uma parceria entre Prefeitura Municipal2 e 1 Processo acelerado a partir dos anos cinquenta. 2 Outras instituições envolvidas no Projeto: Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Secretaria de Cultura, Instituto de Geração de Oportunidades de Florianópolis (IGEOF), Secretaria Municipal de Turismo (SETUR), Secretaria Municipal da Saúde - Vigilância Sanitária, Guarda Municipal, Polícia Militar e Polícia Civil. 3 | 10 CDL Florianópolis, com patrocínio da Koerich Imóveis. Esta empresa, fundada em 1993 e representante de quatro construtoras, expõe em seu site sua preocupação com o bem estar dos moradores de Florianópolis, discursando sobre “[...] o cuidado de adotar praças, realizar intervenções de recuperação e apoiar projetos que atuam em diversas comunidades [...]” (KOERICH IMÓVEIS, 2015, s/p). O projeto que ocorre aos sábados, nas ruas Saldanha Marinho, Nunes Machado, Travessa Ratcliff, Antônio Luz, João Pinto, Tiradentes e Victor Meirelles, das 9h às 16h, abarca diversas atividades comerciais, entre elas, o artesanato, a venda de antiguidades, brechós e gastronomia. De acordo com a notícia publicada no site da CDL Florianópolis, “o objetivo inicial do projeto [foi] humanizar os espaços públicos, sua arquitetura e todo mobiliário urbano, transformando o local numa grande região de bemestar, valorizando inclusive o comércio estabelecido” (CDL FLORIANÓPOLIS, 2015, s/p). N FIGURA 1 - Localização do Projeto “Viva a Cidade” na área central de Florianópolis (sem escala). Fonte: Site Bicicleta na Rua3, 2015. Na ocasião, o superintendente do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e Secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Dalmo Vieira Filho, dizia compreender a cidade como um organismo vivo, um artefato cultural e, portanto, daí decorre para ele a necessidade de “humanização”, que deve iniciar pelo Centro, por se tratar da “sala de estar” da cidade, local utilizado por moradores e visitantes (FRIGHETTO, 2013). Na reprodução do discurso promovido pela Prefeitura e pelos comerciantes, o verdadeiro conceito de urbanismo passa pela convivência, pela valorização dos espaços comuns e pelas vivências na cidade (CDL FLORIANÓPOLIS, 2013, s/p). Nesse sentido, o Projeto “Viva a Cidade” vem desenvolvendo atividades que estimulam o uso do espaço público e a sociabilidade, dentre elas cita-se as “praças eventuais”, onde ruas são fechadas para o fluxo de veículos em determinado período do dia para que os bares e restaurantes possam instalar mesas e cadeiras na via e nas calçadas, sem causar prejuízos ou dificultar a circulação dos moradores que possuem residência na região. Já a “Feira Artes e Usados”, aumentou o número de lojas especializadas em antiguidades nos arredores, sobretudo, diante da consolidação do projeto para visibilizar o comércio local. Em sua primeira edição, realizada em 27 de julho de 2013, o Projeto “Viva a Cidade” mobilizou mais de cem comerciantes, o que é atípico para esta localidade urbana. Na última década, esta porção do centro 3 Disponível em <https://bicicletanarua.wordpress.com/2013/08/03/projeto-viva-a-cidade-mostra-raridadesciclisticas/> acesso em 25.Set. 2015. 4 | 10 histórico de Florianópolis foi menos favorecida pelos investimentos públicos e pela manutenção das instalações urbanas de superfície, que pudessem agregar valor ao ambiente de domínio público. A degradação desta porção central foi acelerada, principalmente, após a desativação do antigo terminal de transporte público, substituído pelo terminal do Sistema Integrado de Transporte a partir de 2003, com sua nova implantação nas proximidades da Rodoviária Rita Maria. Esta alteração do centro de mobilidade para o transporte coletivo provocou impacto simultâneo no fluxo de pedestres e, por consequência, na valorização do solo urbano desta área central de Florianópolis. Além de desqualificar os serviços de transporte coletivo (quando comparado ao sistema anterior) e aumentar o número de veículos particulares das ruas do município, o Sistema Integrado de Transporte gerou prejuízos sistêmicos à mobilidade urbana da cidade, de acordo com a avaliação de Goldner e Silva (2013). A transformação da área central de Florianópolis está diretamente associada às alterações do sistema de circulação (vias e meios de transporte) do Distrito Sede. Nas justificativas apresentadas para a implantação do Projeto “Viva a Cidade”, com a intenção de revitalizar a área historicamente degradada pelo planejamento urbano anterior, surgem afirmações com interesse de “preservar e revitalizar” o local, gerando renda, trabalho e incentivo na participação dos moradores em atividades vinculadas a sociabilidade, principalmente, nos finais de semana, quando a região tende a ficar mais abandonada pelo movimento de pessoas (CAMARGO, 2014). No que tange a gastronomia, além dos bares e restaurantes participantes, o “Viva a cidade” disponibiliza um sábado por mês para a instalação do food trucks, com diferentes opções gastronômicas, somadas a shows de música ao vivo, entre outras atividades lúdicas e recreativas, que tendem a auxiliar na manutenção e permanência das pessoas no local das atividades (PERTILE, 2014). Vale destacar a existência de uma associação específica dentro da CDL Florianópolis, composta por vinte e seis “truckeiros”. Durante a feira de food trucks4, observou-se a presença de policiamento que, de certa forma, monitora a segurança devido ao maior movimento de pessoas nesta área. Assim como, houve a presença da vigilância sanitária confirmando o alvará aos serviços gastronômicos. O Projeto mantém divulgadas informações sobre a programação e organização das feiras. Porém, não há divulgação, nem mesmo por meio eletrônico5, das informações integrais sobre tal projeto relativas aos objetivos, efeitos iniciais, sobre os empreendimentos que aderiram e as formas de monitoramento dos resultados. 4. (RE)PENSAR AS CATEGORIAS: REVITALIZAÇÃO E HUMANIZAÇÃO Durante a compilação das informações acerca do “Viva a Cidade”, observou-se que os termos “revitalização” e “humanização” são utilizados com frequência nos discursos da Câmara de Dirigentes Lojistas e da Prefeitura quando se referem ao Projeto de intervenção na área leste do Centro Histórico de Florianópolis. Entretanto, neste discurso de promoção das atividades do “Viva a Cidade”, não deixam claro quais os resultados esperados e nem mesmo se haverão detalhes do investimento previstos para a transformação física do espaço público diante das medidas de “revitalização” da área central, justificando a intervenção urbana e o uso de instrumentos e recursos públicos para promover e assegurar seu funcionamento e atividades comerciais. O uso do termo “revitalizar” diria respeito a uma área sem vitalidade. Entretanto, esta área no Centro de Florianópolis possui atividades comerciais, serviços, residências e circulação de pessoas nas ruas, tornando o uso do conceito “revitalização” equivocado para o tratamento de qualquer intervenção neste espaço público. No artigo apresentado por Rogério Proença Leite, o autor trata do conceito de “revitalização” utilizandose do termo “enobrecimento”. O autor afirma que “o termo tem sido usado para designar diferentes formas de intervenção urbana, variando entre os processos de “regeneração”, “reabilitação”, ou “revitalização” de áreas ou sítios patrimoniais de alto valor histórico” (LEITE, 2010a, p.74). Diante disso, dispositivos são empregados, sobretudo em centros históricos, com o objetivo de transformá-los em 4 A observação ocorreu no dia 27 de junho de 2015. 5 Cabe destacar que foi realizado contato via e-mail com a superintendência da CDL Florianópolis e os dados enviados foram os mesmos disponibilizados em reportagens de jornais locais ou mesmo divulgados em mídias sociais. Dessa forma, não se teve acesso ao projeto formal. 5 | 10 lugares de espetáculo, com forte apelo visual, utilizando-se para tanto da arquitetura e da monumentalidade do patrimônio disponível. Para o autor, essa pretensão de reativar o espaço público resulta na segregação e fragmentação do espaço em diferentes lugares. Leite ressalta que as políticas de enobrecimento (ou revitalização) tentam higienizar os espaços à medida que vendem ao usuário a ideia de segurança por meio da “vida pública de calçadas seguras e vitrines lustrosas, quase numa espécie de nostalgia de uma belle époque perdida” (2010a, p.75). Em outro artigo (LEITE, 2010b) o autor considera a ideia de perturbação dos fluxos regulares impostos pelo cotidiano como algo saudável para manutenção da vida social. A modalidade de enobrecimento predominante no Brasil visa, sobretudo, um apelo turístico em detrimento da recuperação de residências de população de baixa renda que, por ventura, permanecem nestes locais. Assim, da mesma forma que pretendem enobrecer a visitação, também almejam e contribuem para a gentrificação das áreas de centralidade urbana (LEITE, 2010a). Leite ainda dirá que os centros históricos costumam passar por três etapas de “revitalização”, a saber: [...] iniciam com a plena existência do centro como estrutura funcional da vida urbana que agrega as primeiras manifestações de uma cultura urbana. Em um segundo momento, por vários fatores relacionados com a crescente urbanização, eles perdem sua importância socioeconômica, sendo estigmatizados e desvalorizados socialmente. Numa etapa seguinte, reclamam e adquirem identidade patrimonial, reinserindo-se na pauta das políticas urbanas (2010a, p.76). É dessa forma que as políticas de enobrecimento se dão por meio da instalação de serviços, antes inexistentes no local, e pela “promoção de uma oferta extensiva de cultura, lazer e entretenimento para as classes médias e altas” (LEITE, 2010a, p.76). Tais políticas decorrem pela depreciação dos aspectos simbólicos e degradação anterior da estrutura física local, ainda que historicamente mantenham elementos de representação material importantes para a cidade. Para Paola Jacques a revitalização nada mais é do que uma estratégia de marketing urbano, que busca construir uma marca na cidade, tendo em vista que é cada vez mais forte garantir, através desta marca, a inserção da cidade nas redes internacionais visando à demanda turística. Assim, há uma dualidade entre as ações voltadas para o espetáculo e aquelas que atendem a demanda de participação popular. Desse processo resultariam duas possibilidades: “[...] quanto mais passivo (menos participativo) for o espetáculo, mais a cidade se torna um cenário, e o cidadão um mero figurante; e no sentido inverso, quanto mais ativo for o espetáculo [...], mais a cidade se torna um palco e o cidadão, um ator protagonista ao invés de mero espectador” (JACQUES, 2005, p.19). Portanto, a cidade torna-se um simples cenário onde a população em geral tem cada vez menos influência na definição dos valores materiais e simbólicos, que define seu caráter de apropriação urbana e convivência social. Esta ideia de “revitalizar”, como meio de manter o controle do espaço público diante das dinâmicas da paisagem urbana, não é algo recente. Promover melhorias urbanas para garantir segurança e controle da sociedade e afastar a população mais pobre das áreas centrais, é uma realidade atuante desde as reformas urbanas na Europa, como foi o caso das intervenções em Paris, entre 1852 e 1870. A substituição da paisagem antiga pela promessa inovadora da modernidade definiu o modelo implantado pelo Barão Georges-Eugène Haussman [1809-1891] e serviu como referência para outras metrópoles ocidentais, na Europa e nas Américas, ao longo do século XX. Mesmo hoje, no início do século XXI, este modelo de intervenção urbana, com a proposta de tornar a cidade mais funcional para o capital e menos propícia para as manifestações sociais, apresenta seu interesse de reformar a paisagem, abrindo espaço para novos empreendimentos e expulsando contingentes populacionais com menor influência política e economica sobre as decisões administrativas do município (HARVEY, 2015). Este processo de gentrificação, que afasta a permanência de classes sociais mais pobres para abrir espaço de ocupação das classes mais ricas, junto com o enobrecimento e estratégias de marketing urbano, representa à tendência geral da política pública de invisibilizar as camadas sociais mais pobres, através de retóricas que prometem um paraíso social de diversidade, energia e oportunidades de desenvolvimento comunitário (WACQUANT, 2010). Contudo, este movimento reflete intenções de especulação 6 | 10 imobiliária e exploração do turismo pela insustentabilidade social e cultural, quando não compatibilizam “a participação de todos os atores que atuam em determinado espaço e sem a análise criteriosa da capacidade de suporte que o meio físico dispõe para receber um contigente humano” (SCHUSSEL, 2012, p. 105). No caso de Florianópolis, se houvesse real interesse de humanizar as intervenções na esfera pública, o ideal almejado deveria abarcar o conceito de “vitalização” urbana, que estaria vinculada a utilização destes espaços pelos moradores locais através de atividades diversificadas e não restritas aos interesses de especulação entre empresários e governantes. A prioridade deveria ser a apropriação pública desses espaços, com o incentivo de sua adequação funcional e material. De acordo com Paola Jacques (2005, p. 19), esta apropriação seria possível por meio de três aspectos: “a participação, a experiência afetiva e a vivência dos espaços urbanos”. A autora acredita que a cidade deve tornar-se um corpo, e será dessa relação entre o “corpo cidadão” e o “corpo urbano” que surgirão outras formas de apreensão da cidade. Consideramos esse viés de “vitalização”, sugerido por Jacques (2005), vinculado ao conceito de “humanização”, apresentado por Mara Santos Rodrigues (2013, p. 2), quando esta aborda: Vitalizando o espaço público com o intuito de uma (re)valorização do mesmo, este assume um papel fulcral no desenvolvimento da qualidade do espaço privado adjacente. Procura-se estabelecer uma forte relação entre forma, função e contexto urbano, reforçando o lazer, a oportunidade de ver, ouvir e sentir o espaço, por via da humanização da arquitetura. Percebe-se, portanto, que no caso da humanização da esfera pública, apresentado por Rodrigues (2013), o conceito também vincula os aspectos arquitetônicos e o âmbito dos interesses privados nos espaços adjacentes, compreendidos no contexto da vida cotidiana e, assim, relacionando grande parte da sociabilidade e fortalecendo as relações sociais. Sobre isso, Ana Margarida Soutinho (2012, p.13) busca compreender estes espaços na atualidade, tendo em vista que grande parte da população passa mais tempo no ambiente de trabalho, fazendo-se necessário promover modificações e adaptações a fim de tornar os ambientes versáteis, “oferecendo-lhes uma nova vida ao invés de se tornarem vazios urbanos”. Cabe ressaltar que, essa ideia de “dar vida” interage e complementa-se com o conceito debatido anteriormente de “vitalização”, a partir do qual tais ambientes adquirem certa corporificação, tornando-se um “organismo vivo”. No que diz respeito à humanização, talvez seja possível inferir que a palavra-chave para defini-la é “acessibilidade” (social e física), uma vez que, no âmbito do espaço público espera-se a livre circulação e interação entre os cidadãos. Diante disso, Soutinho (2012) propõem o design inclusivo para garantir tal acessibilidade. “Os projetos de espaços públicos, devem ter o objetivo de alcançar o maior número de pessoas, tendo como finalidade a coesão social. Nesta linha de pensamento, deve-se evitar a projeção de espaços que, de alguma forma, contribuam para a exclusão de grupos sociais”, inclusive, entre aqueles que possuem algum tipo de limitação física, sensorial ou cognitiva (SOUTINHO, 2012, p.19). A associação internacional de projetos para espaços públicos (Project for Public Space - PPS) apresenta uma relação gradual para compreender as características necessárias para compor os espaços humanizados. Observando a Figura 2, no centro do gráfico está à ideia de “lugar” e, a partir dele, as características básicas se ramificam na ordem concêntrica: 1) sociabilidade, 2) usos e atividades, 3) acessos e ligações, 4) conforto e segurança. A partir de cada uma destas características básicas surgem seus elementos motivadores, articulando a complexidade de prerrogativas e associando sensações desejáveis com as necessidades humanas. Aprofundando-se nestas características de humanização: a sociabilidade [1] seria intrínseca aos espaços públicos, haja vista que, transforma-se em palco para diversas atividades ou mero local de passagem, mas que ainda assim reúne nele todos os tipos sociais de uma mesma cidade, ainda que não haja contato direto, cada um apropriando-se da forma que melhor lhe convém. O espaço torna-se mais diversificado e enriquecido à medida que este se torna multifuncional a partir dos usos e atividades ali desenvolvidas [2], “desta forma consegue adaptar-se e atrair diferentes grupos sociais, com faixas etárias e interesses distintos” (SOUTINHO, 2012, p.23). Tais atividades devem ser pensadas de acordo com o lugar. “Deve-se proceder a uma análise dos usos existentes na zona e perceber quais as funções que o local precisaria (e ainda possui), de modo que haja uma 7 | 10 compatibilização de usos” (SOUTINHO, 2012, p.23). Os acessos [3] seriam aqueles que proporcionam ao cidadão a liberdade de ir e vir, independente das limitações físicas, incluindo adequações nas vias para todos os meios de locomoção (pedestre, automóvel, bicicleta e transporte coletivo). As características de conforto e segurança [4] estariam inteiramente relacionadas, pois será mais fácil o cidadão sentir-se confortável em locais seguros. “Um espaço, no qual nos sintamos seguros, convida a sua usabilidade porque nos proporciona a sensação de bem-estar e vice-versa. Enquanto, um espaço que não represente conforto vai afastar os seus utilizadores por transportar consigo a noção de insegurança” (SOUTINHO, 2012, p.35). FIGURA 2 - “O que faz um ótimo lugar?”. Características do espaço humanizado. Fonte: Project for Public Spaces (2015). Disponível em <http://www.pps.org/reference/grplacefeat/> acesso em 25.Set. 2015. Diante do que foi apresentado até aqui, parece claro que, a revitalização ou o enobrecimento espacial está vinculado a espetacularização de locais históricos e de referência urbana, voltadas para os interesses de exploração comercial e turística. Nesse caso, a proposta de revitalização pode estar desvinculada, diretamente, do interesse da população que faz uso permanente do local, resultando em processos graduais de gentrificação. Em contra partida, a “humanização” (ou a “vitalização”) possibilita transformar o espaço urbano e público em local propício à sociabilidade e a experiência direta do corpo social com o ambiente público, bem como no desenvolvimento de atividades sociais e econômicas, em certa medida, necessárias para a manutenção dos estabelecimentos comerciais. Mas é importante ressaltar, que o foco da humanização é a qualidade a ser proporcionada para as pessoas, indiscriminadamente. Situação bem diferente da proposta de “revitalização”, voltadas para atender aos interesses de oligarquias e refletindo uma concepção de vida baseada na exclusão e no contraste social. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Resgatando a história da configuração urbana em Florianópolis, observa-se que a acumulação de problemas urbanos reflete-se pela falta de propósito para os interesses coletivos e pela não transparência no planejamento da cidade. As decisões que são tomadas para tornar a cidade mais funcional, mais atraente para o turismo e mais lucrativa para os especuladores, misturam-se entre decisões fragmentadas e intervenções superficiais, que não alcançam as verdadeiras demandas para a implementação de recursos materiais e espaciais voltados para a experiência do cotidiano. A insegurança, o desconforto e a acessibilidade incipiente, presentes na realidade urbana brasileira, representam outras estâncias de conflitos sociais, tampouco, resolvidos pela administração pública e 8 | 10 relegado pelos interesses do capital econômico, que apenas lucra com a instabilidade dos conflitos espaciais e mantém sua influência sobre as expectativas da população, manipulando a promessa dos desejos não atendidos. Através deste artigo procurou-se apresentar a proposta de “revitalização” da área central de Florianópolis como mecanismo não permanente de consolidação de uma nova territorialidade urbana. Este processo, não se limita apenas na implantação do Projeto “Viva a Cidade”. Ele acontece desde a retirada do terminal de transporte coletivo e de outros equipamentos referenciais, passando pela retórica de avaliação conveniente sobre a área de interesse e expondo a degradação do Centro Histórico como condição espontânea do acaso. Com isso, justifica-se a necessidade de intervenção para melhorar a qualidade de uso desta área, sem garantir a oferta de investimento material para promover melhorias de urbanidade e agregar valor ao contexto de domínio público. Ou seja, a intervenção utiliza instrumentos efêmeros e sutis para o processo de transformação urbana na área central de Florianópolis, alterando o ritmo das atividades locais, estimulando a circulação de um novo contingente populacional e associando a melhoria na qualidade de vida da cidade pela transformação (em diferentes prazos) daquilo que é de domínio público para o domínio de incorporações privadas e coalizações do mercado imobiliário. Neste contexto de análise, o Projeto “Viva a Cidade” representa uma especificidade do processo de reforma urbana, nesta área central com grande potencial de investimentos. A etapa subsequente seria a implantação do “Centro Sapiens”, desenvolvido pela Prefeitura Municipal, dando continuidade as intenções de “revitalizar” a mesma área destinada ao Projeto “Viva a Cidade”. O projeto “Centro Sapiens” foi lançado no dia 14 de setembro de 2015, e pretende integrar os serviços de empresas privadas do ramo de tecnologia de informação, além de associar os meios de transporte, o comércio local, o turismo e a gastronomia. De acordo com o site da Prefeitura de Florianópolis (2015), “o projeto [do Centro Sapiens] prevê modificações na área, como o cabeamento elétrico, que passará a ser subterrâneo, e melhorias previstas nos calçamentos, além do planejamento urbanístico como um todo. Esta situação é equivalente ao projeto de “revitalização” urbana da Rua Vidal Ramos, de 2012, onde a promoção de instalações urbanas (pavimentação, mobiliário, acessibilidade) tornou-se concreta na reconfiguração do espaço público para atender aos interesses do comércio local e seu público alvo. E ainda, na reforma arquitetônica do Mercado Público Municipal, reinaugurado em agosto de 2015, que antes apresentava o contexto do comércio popular e da identidade local - agora representa a busca por outra categoria comercial, mais vinculada ao “espaço gourmet” no melhor estilo shopping center, formando uma categoria de serviços e produtos padronizados. Todas estas medidas de intervenção urbana representam uma gama de decisões políticas que definem a regra da heteronomia do planejamento urbano. Mesmo para uma área central, abandonada pelos investimentos públicos, existe um potencial a ser explorado pela informalidade urbana e como ponto de encontro de grupos e interesses diversos, que não costumam adequar-se ao modelo padrão (de valores materiais e simbólicos) requerido pelo “espaço gourmet”. Neste caso, o conceito de humanização, apresentado neste artigo, diz respeito a possibilidades de (re)apropriação do espaço público sem estipular regulamentações para viver a cidade, considerando a inclusão de atividades culturais e de lazer e não excluindo as relações comerciais, de maneira a tornar possível a experiência urbana com autonomia, entre diferentes ritmos e categorias de apropriação espacial. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGOSTINHO, Maria da Graça. O Espaço Público Urbano e a Cidadania nas Cidades Contemporâneas: o caso do Parque da Luz em Florianópolis/SC. Tese. Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina. 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