UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO COPPEAD DE ADMINISTRAÇÃO THAÍS DE MORAIS CARNEIRO CHAVES PRESENTES MONETÁRIOS: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO COM FOCO EM CARTÕES-PRESENTES ORIENTADOR: PROF. OTÁVIO HENRIQUE DOS SANTOS FIGUEIREDO, D.SC. RIO DE JANEIRO 2013 2 THAIS DE MORAIS CARNEIRO CHAVES PRESENTES MONETÁRIOS: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO COM FOCO EM CARTÕES-PRESENTES Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós Graduação em Administração, Instituto COPPEAD de Administração, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários ao título de Mestre em Administração. Orientador: Prof. Otávio Henrique dos Santos Figueiredo, D. Sc. RIO DE JANEIRO 2013 3 FICHA CATALOGRÁFRICA Chaves, Thaís de Morais Carneiro. Presentes Monetários: Um Estudo Exploratório com foco em Cartões-Presentes / Thaís de Morais C. Chaves. -- Rio de Janeiro: UFRJ, 2013. 130 p.: il.; 31 cm. Orientador: Otávio Henrique dos Santos Figueiredo. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto COPPEAD de Administração, 2013. 1. Marketing. 2. Cartões-presentes. 3. Comportamento do Consumidor. 4. Administração – Teses. I. Figueiredo, Otávio Henrique dos Santos. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto COPPEAD de Administração. III. Título. 4 THAIS DE MORAIS CARNEIRO CHAVES PRESENTES MONETÁRIOS: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO COM FOCO EM CARTÕES-PRESENTES Dissertação submetida ao corpo docente do Institurto de Pós Gradução e Pesquisa em Administração de Empresas (COPPEAD) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários ao título de Mestre em Administração. Aprovada em: Prof.(a): Otávio Henrique dos Santos Figueiredo, D. Sc. - Orientador (COPPEAD/UFRJ) Prof.(a): Claudia Affonso Silva Araújo, D. Sc. (COPPEAD/UFRJ) Prof.(a): Cecília Lima de Queirós Mattoso, D. Sc. (UNESA) Rio de Janeiro Setembro de 2013 5 Dedico este trabalho aos meus pais, Ana Maria e José Luiz, e ao meu namorado, Bruno Resende, que desde o princípio me incentivaram e me ajudaram neste percurso. 6 AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente, à Deus, por ter me dado luz e sabedoria neste processo de aprendizado, paciência, concentração e realização. Sem a força e saúde que Ele me proporciona, não teria conseguido. Aos meus pais, agradeço pelo apoio, pela compreensão e pela lucidez que me deram em todos os momentos. Desde o primeiro dia que decidi ir para o COPPEAD, pude contar com seu apoio incondicional, sempre acreditando e confiando nas minhas escolhas. Ao meu pai José Luiz, agradeço imensamente pelo apoio incondicional durante o mestrado e principalmente na execução deste estudo. Ele, com sua sabedoria, me conduziu como um mestre em minhas análises, com o intuito de me ajudar a entregar um trabalho de qualidade e à altura da Instituição. À minha mãe, agradeço pelo carinho eterno, pelo amor e atenção nos momentos que tive. Sua dedicação aos seus filhos é uma prova de como o amor pode fortalecer. Agradeço ao meu namorado Bruno Resende, por todo seu carinho, amor e, principalmente pela paciência e tolerância que teve comigo durante todo este tempo. Obrigada por me ajudar a crescer e ser uma pessoa melhor ao seu lado. Agradeço à família Silva Resende pelo carinho de sempre. Muito obrigada às minhas amigas Ana, Carol, Lúcia, Daniela e aos amigos Hugo, Guilherme, Bruno, Joana e João, por terem me ajudado com a coleta de dados para minha pesquisa. Obrigada aos meus amigos e companheiros da SIDUS, que me apoiaram, foram tolerantes e entenderam a importância da minha dedicação a este projeto. Obrigada ao pessoal do COPPEAD, Cida, Leonardo, Mariana e Verinha, que foram tolerantes e amigos deste o primeiro dia em que chegamos na escola. E, por fim, um muito obrigada ao professor, amigo e tricolor Otávio Figueiredo, que com sua calma, experiência e sabedoria, soube me conduzir, me orientar e me passar um pouco de seu conhecimento, contribuindo enormemente para a qualidade deste trabalho, para minha segurança e estima ao longo deste dois anos. Nos momentos de fraqueza, tive sua força e confiança que me fizeram ir em frente. Obrigada por tudo, prof. Otávio. 7 RESUMO CHAVES, Thaís de Morais Carneiro. Presentes Monetários: Um Estudo Exploratório com Foco em Cartões-Presentes. Rio de Janeiro, 2013. Dissertação (Mestrado em Administração de Empresas) – Instituto COPPEAD de Administração, Universidade Federal do Rio Janeiro, Rio de Janeiro, 2013 Em 1993, Joel Waldfogel, autor do livro Scroogenomics (Scroogenomics: Why You Shouldn't Buy Presents For the Holidays, Princeton University, 2009), realizou uma pesquisa sobre compras de presentes de Natal com 144 estudantes da Universidade de Yale, Estados Unidos (EUA). Tal pesquisa, que serviu de base para a posterior publicação do livro supracitado, tinha como objetivo avaliar o comportamento destes estudantes nas compras da temporada de final de ano e resultou em algumas observações importantes sobre o comportamento das pessoas no momento de comprar e receber presentes. Uma destas observações foi a estimativa de que existe, anualmente, uma considerável perda de bem-estar com as compras de presentes de Natal nos Estados Unidos. Esta perda de bemestar está relacionada com o fato de que a maioria das pessoas recebe presentes que não deseja ou não compraria, caso tivesse a oportunidade de escolhê-los pessoalmente. (Waldfogel, 1993) O pesquisador concluiu que os presenteados normalmente avaliam os presentes recebidos em aproximadamente 10% abaixo do preço oficial pego pelo presenteador. Além disso, verificouse que os presenteados se satisfariam com presentes até 33% mais baratos do que os presentes recebidos. Logo, se nos EUA, a cada ano, indivíduos transferem entre 50 e 72 bilhões de dólares em recursos para amigos e parentes em forma de produtos, esta perda de bem-estar pode chegar a aproximadamente 24 bilhões de dólares. (Waldfogel, 1993) Neste contexto, o autor sugere que presentes monetários, tais como o dinheiro e o cartãopresente, poderiam ser uma solução eficaz para minimizar esta perda de bem-estar. Entretanto, em outra pesquisa realizada em 2001, Waldfogel percebeu que existe um estigma 8 relacionado a presentes monetários, ou seja, por mais eficazes que sejam ainda não são muito bem aceitos pela sociedade ocidental. Neste contexto, o presente estudo tentará avaliar atitudes e percepções do consumidor brasileiro quanto ao ato de presentear, principalmente relacionadas aos presentes monetários. O objetivo principal é buscar entender se de fato existe um estigma relacionado a este tipo de presente, ou seja, se as pessoas tendem a discordar que os presentes monetários, entre eles o cartão-presente, sejam bons tipos presentes para presentear as pessoas do seu círculo social, apesar da praticidade e da flexibilidade inerentes a estes presentes, conforme visto por Waldfogel em 2001. Para análise dos dados, utilizou-se uma pesquisa do tipo survey que teve como técnica de amostragem utilizada, a amostragem não-probabilística. A amostra foi composta por profissionais de empresas instaladas em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro e foram obtidos 161 questionários, dos quais 126 foram considerados válidos. A análise dos dados teve como objetivo responder às nove perguntas de pesquisa e para isso foram utilizados três técnicas de testes não-paramétricos de hipótese: teste de Wilcoxon, teste de Friedman e teste binomial. A decisão pela utilização de cada um destes testes foi de acordo com o tipo de amostra analisada. Para amostras pareadas (dependentes) utilizou-se o teste de Wilcoxon, para amostras dependentes com mais de dois grupos, utilizou-se o teste de Friedman e para amostras independentes, utilizou-se o teste binomial. Os resultados do presente estudo suportaram parcialmente as hipóteses elaboradas com o intuito de responder às questões de pesquisa. Este estudo também visa tentar contribuir para a literatura com um tema ainda tão superficialmente explorado. Palavras-chave: Cartão-Presente, Presentes, Dinheiro, Comportamento do Consumidor, Ato de Presentear 9 ABSTRACT In 1993, Joel Waldfogel author of the book Scroogenomics (Scroogenomics: Why You Shouldn't Buy Presents For the Holidays, Princeton University, 2009), carried out a research about Christmas shopping habits among 144 students at Yale University, United States (USA). That research was used as basis for publishing the book above mentioned, and the author analyzed the students’ behavior on Christmas seasons shopping and got to some interesting conclusions about people behavior on buying and receiving gifts. One of these conclusions was that there is, annually, a reasonable loss of well-fare on Christmas shopping in United States. The loss of “well-fare” is related to the fact that most people receive gifts that they didn’t want or wouldn’t buy, if they had the opportunity to choose them personally. (Waldfogel, 1993) Waldfogel (1993) concluded that the gift receivers usually evaluate the received products about 10% less than the real price paid by the givers. The researcher also observed that the receivers would be satisfied with gifts until 33% cheaper than the products received. Therefore, if in USA, every year, people transfer about 50 to 72 billion dollars in resources for friends and relatives through merchandises, the loss of well-fare may reach proximally 24 billion dollars (Waldfogel, 1993) Considering that, the author suggested that monetary gifts, such as money and gift-cards, might be an efficient solution to reduce the loss of well-fare. Otherwise, in another research, made in 2001, Waldfogel realized that there is a prejudice related to monetary gifts, and that, even though they are more efficient, they are not well accepted in some populations. Meanwhile, it’s noticed that there is an increase in the use of gift-cards in the brazilian market. Many foreigner companies are investing on commercialization and distribution of these products among major retailer stores and even in local shops in big cities. Therefore, the goal of this research is to evaluate the behavior and perceptions of Brazilian customers about the act of giving presents, specially related to monetary gifts. The main objective is to try to understand if, in fact there is a prejudice related to monetary gifts. Furthermore, we will try to evaluate if the gift-cards are considered by Brazilian customers the same way as money gift and, at last, to conclude if this product has a growing potential in Brazil. 10 In addition, it’s important to point out that, in this study, we considered gift-cards any kind of shopping coupons available in the market, when the buyer pays in advance to recover the benefits in a future moment. A gift-card may be made of plastic, paper and eve, be virtual, sold on e-commerce and collective shopping websites, specialized shops, among others. This study also aims to be a contribution to the literature of a theme yet so superficially explored. 11 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Papeis Sociais no Ato de Presentear .................................................................................... 42 Tabela 2- Características da Amostra da Pesquisa de Waldfogel (2001) .............................................. 51 Tabela 3 - Rendimento Médio do Presente versus Presentes em Dinheiro ........................................... 53 Tabela 4 - Questões de Pesquisa e Autores ........................................................................................... 68 Tabela 5 - Dados Pessoais da Amostra ................................................................................................. 76 Tabela 6 - Frequência de Contato com Cartão-Presente ....................................................................... 76 Tabela 7 - Hipótese 1 - Resultado do Teste de Wilcoxon ..................................................................... 80 Tabela 8 - Hipótese 2 - Resultado do Teste de Wilcoxon ..................................................................... 82 Tabela 9 - Teste da Hipótese 3 - Resultado do Teste de Friedman (média e p-valor) .......................... 87 Tabela 10 - Hipótese 4 - Resultado do Teste Binomial ......................................................................... 89 Tabela 11- Hipótese 5 - Resultado do Teste Binomial .......................................................................... 91 Tabela 12 - Hipótese 6 - Resultado do Teste Binomial ......................................................................... 92 Tabela 13 - Hipótese 7 - Resultado do Teste Binomial ......................................................................... 93 Tabela 14 - Hipótese 8 - Resultado do Teste Binomial ......................................................................... 94 Tabela 15 - Hipótese 9 - Resultado do Teste de Friedman ................................................................... 96 Tabela 16 - Hipótese 9 - Resultado do Teste Binomial ......................................................................... 97 Tabela 17 - Hipótese 10 - Resultado do Teste Binomial ....................................................................... 99 12 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Movimento do Significado Cultural ..................................................................................... 25 Figura 2 - Modelo Interativo (Banks, 1979)........................................................................................ 433 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Hipótese 2 - Análise do Tipo de Presente Cartão-Presente ................................................ 83 Gráfico 2 - Hipótese 2 – Análise do Tipo de Presente Produto............................................................. 84 Gráfico 3 – Hipótese 2 - Análise do Tipo de Presente Dinheiro ........................................................... 85 13 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 16 1.1. ORIGEM DO ESTUDO.................................................................................................. 16 1.2. OBJETIVO DO ESTUDO .............................................................................................. 18 1.3. RELEVÂNCIA GERENCIAL ........................................................................................ 19 1.4. RELEVÂNCIA ACADÊMICA ...................................................................................... 20 1.5. DELIMITAÇÃO DA PESQUISA .................................................................................. 20 1.5.1. Categoria Investigada ...................................................................................................... 20 1.5.2. Questões antropológicas .................................................................................................. 21 2. REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................................... 22 2.1. A CULTURA DO CONSUMO: UMA BREVE INTRODUÇÃO .................................. 22 2.1.1. O Significado do Consumo ............................................................................................. 23 2.1.2. A Movimentação Cultural do Significado....................................................................... 24 2.2.2.1 Mundo Culturalmente Constituído .................................................................................. 25 2.2.2.2 Bens de Consumo ............................................................................................................ 26 2.2.2.3 Consumidores Individuais ............................................................................................... 27 2.1.3. Ações Simbólicas ou Rituais da Cultura do Consumo .................................................... 28 2.2. O ATO DE PRESENTEAR ............................................................................................ 31 2.2.1. Perfis e Papéis Sociais no Ato de Presentear .................................................................. 33 2.2.2. Modelos de Comportamento no Ato de Presentear ......................................................... 42 2.2.3. Presentear com “Experiências” ....................................................................................... 45 2.3. PRESENTES MONETÁRIOS – O ESTIGMA .............................................................. 46 3. O CARTÃO-PRESENTE ............................................................................................... 55 3.1. O CARTÃO-PRESENTE NO BRASIL.......................................................................... 58 4. METODOLOGIA DE PESQUISA ................................................................................. 65 4.1. O PROBLEMA E AS QUESTÕES DE PESQUISA ...................................................... 65 14 4.2. TIPO DE PESQUISA...................................................................................................... 68 4.3. INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS ................................................................ 68 4.4. POPULAÇÃO E AMOSTRA ......................................................................................... 70 4.5. COLETA DE DADOS .................................................................................................... 71 4.6. ANÁLISE DOS DADOS ................................................................................................ 72 5. RESULTADOS ............................................................................................................... 75 5.1. DADOS PESSOAIS ........................................................................................................ 75 5.2. ANÁLISE DAS QUESTÕES DE PESQUISA ............................................................... 77 5.2.1 Percepção e Preferência das Pessoas ao Presentear e Ser Presenteado ........................... 77 5.2.1.1 Análise da Hipótese 1...................................................................................................... 78 5.2.1.2 Análise da Hipótese 2...................................................................................................... 81 5.2.1.3 Análise da Hipótese 3...................................................................................................... 85 5.2.2 Análise da semelhança entre cartão-presente e dinheiro ................................................. 88 5.2.2.1 Análise da Hipótese 4...................................................................................................... 88 5.2.3 Análise dos atributos relativos a presentes monetários ................................................... 89 5.2.3.1 Análise da Hipótese 5...................................................................................................... 90 5.2.1.1 Análise da Hipótese 6...................................................................................................... 91 5.2.1.2 Análise da Hipótese 7...................................................................................................... 92 5.2.1.3 Análise da Hipótese 8...................................................................................................... 93 5.2.4 Tipos de cartões-presentes versus grupos de relacionamento ......................................... 95 5.2.5 Aceitação do Cartão-Presente no Brasil .......................................................................... 98 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................ 100 6.1. SUMÁRIO DO ESTUDO ............................................................................................. 100 6.2. CONTRIBUIÇÕES DO ESTUDO ............................................................................... 101 6.2.1. Implicações Teóricas ..................................................................................................... 101 6.2.1.1 Primeira Pergunta do Estudo ......................................................................................... 101 6.2.1.2 Segunda Pergunta do Estudo ......................................................................................... 103 6.2.1.3 Terceira Pergunta do Estudo ......................................................................................... 105 15 6.2.1.4 Quarta Pergunta do Estudo ............................................................................................ 105 6.2.1.5 Quinta Pergunta, Sexta Pergunta e Sétima Pergunta do Estudo .................................... 106 6.2.1.6 Oitava Pergunta do Estudo ............................................................................................ 107 6.2.1.7 Nona Pergunta do Estudo .............................................................................................. 108 6.2.2. Implicações Gerenciais ................................................................................................. 108 6.3. RECOMENDAÇÕES PARA PESQUISA FUTURAS ................................................ 111 6.4. LIMITAÇÕES DO ESTUDO ....................................................................................... 111 7. REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 114 ANEXO I – QUESTIONÁRIO DA PESQUISA ...................................................................... 117 ANEXO II – QUESTIONÁRIO TRADUZIDO – ARTIGO “GIVING AND GETTING GIFT CARDS” .................................................................................................................................... 123 16 1. INTRODUÇÃO 1.1. ORIGEM DO ESTUDO Em 1993, Joel Waldfogel, autor do livro Scroogenomics (Scroogenomics: Why You Shouldn't Buy Presents For the Holidays, Princeton University, 2009), realizou uma pesquisa sobre compras de presentes de Natal com 144 estudantes da Universidade de Yale, Estados Unidos (EUA). A pesquisa, apresentada em um artigo intitulado “O Peso Morto do Natal” (Waldfogel, 1993) tinha como objetivo avaliar o comportamento destes estudantes nas compras da temporada de final de ano e resultou em algumas observações importantes sobre o ato de presentear e receber presentes, as quais serão exploradas na revisão de literatura deste trabalho. Uma destas observações seria a estimativa de que existe, anualmente, uma considerável perda de bem-estar com as compras de presentes de Natal nos Estados Unidos. Por perda de bemestar entende-se a frustação dos presenteados em receber presentes não desejados. Ou seja, está relacionada com o fato de que a maioria das pessoas recebem presentes que não desejam ou não comprariam, caso tivessem a oportunidade de escolhê-los pessoalmente. (Waldfogel, 1993) Grande parte das despesas nesta época do ano, principalmente em países ocidentais e capitalistas, é com presentes para amigos, colegas e familiares. Geralmente, dar presentes envolve o pensamento do presenteador sobre algo que o presenteado gostaria de ganhar, ou seja, o doador tenta adivinhar as preferências e utilidades do futuro presenteado para, em seguida, comprar o presente e entregá-lo. No entanto, esta suposição de preferências não é uma tarefa simples e, na verdade, muitas vezes é feita de forma incorreta e despretensiosa. (Waldfogel, 1993) Outro resultado importante da pesquisa mostrou que as pessoas tendem a valorar os presentes que recebem com preços abaixo do que realmente custaram e, caso fossem pessoalmente comprar um presente que realmente desejassem, comprariam um produto de mais baixo custo do que o presente recebido (Waldfogel, 1993). 17 O resultado disso é que todos os anos, roupas permanecem com as etiquetas intactas e muitos livros nunca saíram das prateleiras de casa. E mesmo quando um presente é apreciado, pode não ter sido aquilo que o destinatário teria comprado se tivesse gasto o dinheiro ele mesmo ou se ele recebesse dinheiro para escolher o próprio presente. (Waldfogel, 1993) Ora, se isto acontece de fato, por que continuamos a comprar presentes para as pessoas? Se os presenteados realmente comprassem presentes de menor custo, caso comprassem os próprios presentes, a temporada de final de ano nos EUA não movimentaria tanto dinheiro como movimenta, contudo as pessoas gastariam (o dinheiro) de forma mais eficaz, ou seja, sem desperdícios. Waldfogel (1993) concluiu que os presenteados normalmente avaliam os presentes recebidos em aproximadamente 10% abaixo do preço oficial pego pelo presenteador. O pesquisador verificou também que os presenteados se satisfariam com presentes até 33% mais baratos do que os presentes recebidos. Logo, se nos EUA, a cada ano, indivíduos transferem entre 50 e 72 bilhões de dólares em recursos para amigos e familiares em forma de produtos, esta perda de bem-estar pode chegar a aproximadamente 24 bilhões de dólares. (Waldfogel, 1993) Fundamentando-se nas observações de sua pesquisa, o autor sugere uma solução para o problema da falta de bem-estar com presentes: presentear com presentes monetários. Neste contexto, Waldfogel (1993) questiona se o advento do cartão-presente ou presentes em dinheiro poderia oferecer a esperança de conciliar eficiência, satisfação, valor e simbolismo. O presenteado teria a liberdade de escolher o presente que desejasse ou até mesmo de simplesmente poupar o dinheiro para uma compra futura. Mas e o estigma relacionado aos presentes monetários? Eles normalmente são aceitos por qualquer pessoa? O estigma está relacionado com marca, mácula, sinal, ou seja, atributos sociais que um indivíduo, grupo ou povo carregam e cujo valor pode ser negativo ou pejorativo (Dicionário Aurélio On-line). O estigma no qual este estudo se refere surgiu de uma hipótese lançada pelos resultados da pesquisa de 1993, em que se constatou a baixa tendência das pessoas em 18 presentear com dinheiro: presentes em dinheiro representavam menos de 10% dos presentes para a maioria dos grupos estudados. Em 2001, Waldfogel realizou uma nova pesquisa nos Estados Unidos, apresentada em um artigo intitulado “Presente, Dinheiro e Estigma”, o qual será mais profundamente detalhado na revisão de literatura, em que foi verificado se realmente existe estigma relacionado aos presentes monetários. 1.2. OBJETIVO DO ESTUDO O cartão-presente, segundo Athay (1993), desmistifica uma regra de etiqueta que diz que não se pode revelar o valor do presente. Contudo, para Bourdieu (1996), se quisermos eliminar o aspecto simbólico do presente, bastaria pesquisar e descobrir o que o presenteado deseja, preencher um cheque no mesmo valor e entregá-lo, deixando de lado a magia, a criatividade, o simbolismo e o ritual. De acordo com este ponto de vista, de fato, existiria um estigma relacionado ao cartão-presente e a presentes monetários em geral. Através deste trabalho, tal estigma tentará ser verificado em atitudes e percepções do consumidor brasileiro quanto ao ato de presentear com presentes monetários, principalmente com cartão-presente. Compreende-se como cartão presente qualquer modelo de vale compras disponível no mercado, em que o comprador paga antecipadamente para que ele mesmo ou outra pessoa (o presenteado) possa resgatar os benefícios em um momento futuro. Um cartão-presente pode ser plástico, pode ser de papel e até mesmo virtual, como os vendidos em sites de e-commerce e compras coletivas. Portanto, os principais objetivos do presente estudo são avaliar: (1) se presentes monetários são bem aceitos pelo consumidor brasileiro, com foco principalmente no cartão-presente e (2) se este estigma relacionado a presentes monetários, e principalmente à cartão-presente, também é verdade para presenteadores e presenteados no Brasil. 19 1.3. RELEVÂNCIA GERENCIAL O mercado de cartões-presentes nos EUA movimenta mais de 43 bilhões de dólares anuais, provendo ao mercado varejista uma fonte favorável de receita (Mercator Advisor Group, First Data, 2012). Para os varejistas americanos, mais adeptos a este produto, o cartão-presente apresenta uma série de benefícios, sejam estes financeiros ou outros mais estratégicos, relacionados à exposição de marca, controle de estoque, troca de mercadorias, entre outros. (Horne, 2007) Um dos benefícios financeiros ao comércio, por exemplo, é que o valor das compras pode ultrapassar o valor de face do cartão, pois em torno de 2/3 das pessoas que recebem um cartão-presente, ao irem às lojas resgatarem seus benefícios, desembolsam uma quantia adicional de até 60% acima do valor de face do cartão. A média deste gasto adicional, nos EUA, em 2012, foi de $20,79 por usuário. (Horne, 2007) Além deste, existe outro fator financeiro aliado ao conceito do cartão-presente, conhecido no mercado americano como breakage (Horne, 2007). O breakage é o percentual do valor de face do cartão que não é utilizado pelo consumidor e fica retido para o comércio como uma receita financeira. Como a grande maioria dos cartões tem um prazo de validade e nem todas as pessoas esgotam seu saldo, estima-se que o breakage nos EUA seja de aproximadamente 10% do valor de face. Esta quantia, portanto, fica para o varejista, o qual incrementa seu fluxo de caixa. (Horne, 2007) Logo, o cartão-presente pode ser visto como uma importante fonte de receita para o comércio varejista, como ferramenta de marketing e divulgação de marca e como um instrumento de venda operacionalmente simples de implantar. Além disso, uma questão relevante é que presentar em dinheiro está se tornando muito pertinente para analistas de marketing (Santana et al.,2006). Segundo o Discovery Research Group1, da empresa Market Research Company, o presente favorito dos americanos é dinheiro, tanto para os homens quanto para as mulheres, em quase todas as faixas-etárias, 1 Discovery Research Group. Disponível em http://www.discoveryresearchgroup.com/. Acesso em 04/03/2013. 20 níveis de educação e grupos sócio-econômicos, apesar do estigma relacionado a estes presentes. 1.4. RELEVÂNCIA ACADÊMICA Nos Estados Unidos, embora a literatura sobre o ato de presentear seja esparsa, existe pouco material específico sobre cartões-presentes (Valentin & Allred, 2012). A maioria das pesquisas sobre o ato de presentear foi conduzida antes dos modernos cartões-presentes se tornarem suficientemente atrativos no mercado varejista para motivar estudos acadêmicos específicos sobre este tema (Valentin & Allred, 2012). Os cartões-presentes atuais, de acordo com Offenberg (2007), foram introduzidos no mercado em 1995, pela marca Mobil. Além disso, as pesquisas mais recentes sobre este assunto não têm focado diretamente na compreensão do ato de presentear com cartões-presentes, mas sim na comparação entre tais cartões com presentes em dinheiro e em mercadorias (Valentin & Allred, 2012). No Brasil, há pouco material acadêmico sobre o ato de presentear e principalmente sobre cartões-presentes. Este presente estudo visa colaborar com a literatura acadêmica no que se refere ao ato de presentear, presentes monetários e cartões-presentes. 1.5. DELIMITAÇÃO DA PESQUISA 1.5.1. Categoria Investigada O tipo de cartão-presente analisado neste estudo é do tipo “Private Label/Closed Loop”. Os cartões-presentes “closed loop” só podem ser usados em uma determinada rede de lojas, ou seja, não possuem bandeiras nacionais ou internacionais como Visa e Mastercard, que os fazem serem aceitos em qualquer estabelecimento credenciado. Cartões-presentes de sites de compra/e-commerce e clubes de compra também não foram investigados. 21 1.5.2. Questões antropológicas Neste estudo não foi avaliado o ato de presentear com presentes monetários vis a vis os aspectos sócio-culturais, as questões religiosas e a influência das classes econômicas. 22 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1. A CULTURA DO CONSUMO: UMA BREVE INTRODUÇÃO Conforme falamos na introdução deste trabalho, define-se presente como um ou mais produtos ou serviços voluntariamente providos a uma outra pessoa ou a um grupo de pessoas, através de algum tipo de ritual (Belk, 1983). O sociólogo norte-americano Slater (2002) enfatiza que a cultura do consumo é parte da era da modernidade. Para o pesquisador, o termo cultura do consumo é contraditório: originalmente cultura traz o sentido de aglutinadora da sociedade, mas na contemporaneidade, consumo representa o triunfo do valor econômico sobre todos os outros tipos de fontes do valor social. Por cultura entende-se também as ideias e atividades através das quais fabricamos e construímos nosso mundo (McCraken, 1986). Logo, cultura e consumo têm uma relação sem precedentes no mundo moderno (McCraken, 1986) e têm ligações profundas pelo vínculo de compensar as deficiências da modernidade (Slater, 2002). O consumo enquanto fluxo de informação integra as pessoas num mundo social inteligível. Conhecimentos dos códigos de consumo e participação nos rituais são essenciais para o projeto de criar inteligibilidade e conseguir que seja socialmente confirmado: o indivíduo usa o consumo para dizer algo a respeito de si mesmo, de sua família, do lugar onde vive. O consumo classifica e constitui a ordem social muito além do objeto em si. (Slater, 2002) Para Slater (2002) a revolução consumista precedeu a revolução industrial quando, a partir do século XVI, um novo mundo se abriu na Europa: (a) a expansão das mercadorias; (b) a chegada de produtos importados do Oriente e (c) a nova organização comercial que atendia ao processo de importação e distribuição. O acesso a esses produtos passou a ser pelo dinheiro e não por determinações religiosas, como acontecia na era medieval. O modo de vida das pessoas passou então a ser orientado pela riqueza. A burguesia que ascendia através do trabalho, adquiria produtos que simbolizavam essa riqueza. Configurou-se 23 uma flexibilidade no status do individuo perante sua sociedade, que antes só era possível ocupar pelo nascimento em uma família da aristocracia. A competição por status trouxe o processo no qual as camadas que aspiravam ascensão modelavam seu consumo pelo das camadas mais altas. (Barbosa, 2010) O consumo constitui-se como um sistema pelo qual os indivíduos manipulam coletivamente e individualmente sentidos e valores, e mobilizam recursos importantes em termos de tempo, de esforços, de energia psíquica, etc. (Heilbrunn, 2010). Portanto, para entender o que levam indivíduos a consumar desejos e necessidades de possuir algum bem ou serviço, os profissionais de marketing devem considerar os pensamentos, sentimentos e ações que exercem influências sobre tais indivíduos e compreender o que, de fato, os farão tomar uma decisão positiva de compra. (Barbosa, 2010) Por ser um campo de investigação tão complexo e abrangente, são várias as vertentes que abordam o tema “Comportamento do Consumidor”, desde os estudos das sociedades do ponto de vista social, político e econômico, utilizando-se de pesquisas nascentes nas áreas da Antropologia, Sociologia e Economia, até os mais recentes estudos das sociedades modernas ou contemporâneas (Barbosa, 2010). Muitas propostas de abordagens ou métodos na pesquisa em comportamento do consumidor são reflexos de pressupostos e desafios teóricos vivenciados por pesquisadores no seu tempo. Assim, na área de comportamento do consumidor, novos temas e métodos de pesquisa têm sido sugeridos e adotados - não sem polêmicas ou desconfianças - na medida em que se modifica e amplia a própria definição de consumo. (Casotti, 2004) 2.1.1. O Significado do Consumo O consumo passa a oferecer pontos de referência para a identidade pessoal e social. No “aspirar a ser” do mapa social, os objetos tornam-se símbolos de garantia do espaço ocupado pelo indivíduo na sociedade e passam a ser desejados não pelo seu valor de utilidade, mas pelo significado que lhes é acrescentado. 24 Desta forma, uma das premissas fundamentais no campo do comportamento do consumidor é a de que as pessoas muitas vezes compram produtos não pelo que estes fazem, mas sim pelo que significam (Solomon, 2002). O significado do produto exerce grande influência sobre a decisão de compra das pessoas, seja pela marca, pelo valor, pelo estilo ou pela ocasião (Kotler, 2006). Os bens de consumo têm uma significância que vai além de seu caráter utilitário e seu valor comercial. Essa significância reside, em grande parte, na capacidade que têm de carregar e comunicar significado cultural (McCraken 1986 apud Douglas e Isherwood, 1978; Sahlins, 1976). No artigo “Cultura e Consumo: Uma Explicação Teórica da Estrutura e do Movimento do Significado Cultural dos Bens de Consumo”, McCraken (1986) enfatiza que a grande limitação das atuais abordagens ao estudo do significado cultural dos bens de consumo é a não observação do fato de que esse significado está em constante trânsito. Com o objetivo de entender melhor a afirmação de McCraken, no tópico seguinte deste trabalho serão apresentadas suas observações em relação a esta movimentação do significado cultural dos bens de consumo. 2.1.2. A Movimentação Cultural do Significado O significado cultural, conforme McCraken (1986), está localizado em três diferentes âmbitos da sociedade de consumo: (1) no mundo culturalmente constituído, (2) no próprio bem de consumo e (3) no consumidor individual. Conforme apresentado na Figura 2 abaixo, este significado cultural se move entre estes três âmbitos numa trajetória com dois pontos de transição: (1) do mundo culturalmente constituído para os bens de consumo e (2) dos bens de consumo para o indivíduo. 25 Figura 1 - Movimento do Significado Cultural Abaixo segue uma breve explicação sobre cada etapa do modelo apresentado pelo autor. 2.2.2.1 Mundo Culturalmente Constituído A localização original do significado cultural é o “mundo culturalmente constituído”. Trata-se do mundo da experiência rotineira, em que mundo dos fenômenos se apresenta, aos sentidos individuais, plenamente formado e constituído pelas crenças e premissas de sua cultura. A cultura constitui o mundo dos fenômenos de duas maneiras: (1) A cultura é a “lente” pela qual o indivíduo enxerga os fenômenos; assim sendo, determina como os fenômenos serão apreendidos e assimilados; (2) A cultura é a “planta baixa” da atividade humana, determinando as coordenadas de ação social e atividade produtiva, e especificando os comportamentos e objetos que derivam de uma e de outra. 26 Na qualidade de lente, a cultura determina como o mundo é visto. Na de planta baixa, determina como o mundo será moldado pelo esforço humano. Em suma, a cultura constitui o mundo, suprindo-o de significado. 2.2.2.2 Bens de Consumo O significado reside primeiro no mundo culturalmente constituído, conforme visto na seção anterior. Para haver movimento, o significado precisa ser destacado daquele mundo e transferido para os bens de consumo. Para o autor existem duas instituições que são usadas como instrumentos desta transferência de significado: Publicidade É um meio pelo qual o significado se derrama constantemente do mundo culturalmente constituído sobre os bens de consumo. Por meio da publicidade, bens novos e velhos abrem mão de antigos significados e adquirem outros novos, constantemente. Como participante ativo desse processo, o espectador/leitor se mantém informado do estado e do estoque atuais do significado cultural existentes nos bens de consumo. Nesse sentido, a publicidade serve como dicionário de significados culturais correntes. Projeto de Produto Este é o meio que um projetista tem de convencer o consumidor de que um objeto específico possui um determinado significado cultural. O objeto deve sair das mãos do projetista com suas novas propriedades simbólicas claramente visíveis em suas novas propriedades físicas. Com isso, tanto a publicidade quanto o sistema de moda são instrumentos de transferência de significado do mundo culturalmente constituído para os bens de consumo. O fato de os bens possuírem significado cultural às vezes é evidente e às vezes é oculto para os consumidores, que podem perceber e manipular conscientemente os significados culturais, assim como fazem com o status de um item de consumo. 27 Contudo, os consumidores individuais só reconhecem o significado cultural embutido nos bens de consumo quando em circunstâncias excepcionais. Por exemplo, os consumidores que tenham perdido bens por causa de roubo, empobrecimento súbito ou a alienação que decorre do envelhecimento, evidenciam um profundo senso de perda e, mesmo, de luto (Belk,1988). 2.2.2.3 Consumidores Individuais O significado cultural é usado para definir e orientar o indivíduo de uma forma ainda pouco conhecida. Os indivíduos que vivem numa cultura industrial ocidental gozam de uma ampla gama de opções quanto ao significado que podem extrair dos bens. Uma das maneiras pelas quais os indivíduos satisfazem sua liberdade e se auto definem é por meio da apropriação sistemática de bens. Muitos indivíduos procuram nos bens uma espécie de significado que não existe e outros procuram apropriar-se de espécies de significado às quais, por avaliação sociológica objetiva, não fazem jus. Ainda outros procuram constituir sua vida apenas em termos do significado dos bens. Para Belk (1988), as pessoas são as somas de suas posses e tais posses auxiliam os indivíduos a compreender quem eles realmente são. No artigo Possessions and the Extended Self, Belk (1988) diz que as pessoas são uma extensão daquilo que consomem. A expressão “extensão do eu” entende-se a soma de tudo aquilo que o consumidor pode dizer como sendo seu, ou seja, o “eu” representa o consumidor por meio da soma de suas posses pessoais: consumidores usam posses como mecanismo para estender, expandir e fortalecer seu senso de “eu”. Por ser a soma de tudo aquilo que uma pessoa pode chamar de seu, o “eu” não se restringe apenas ao corpo ou aos aspectos psíquicos. Sua extensão pode ocorrer sobre suas roupas, a casa, a família, os amigos, os lugares frequentados, a cidade onde se vive, os presentes que compra e recebe, etc. Tudo o que transmite para o individuo alguma emoção, como alegria, tristeza, euforia, decepção, entre outras, pode ser incorporado ao seu senso de “eu”. (Belk, 1988) Todas essas patologias do consumidor ficam evidentes no comportamento de consumo moderno, e todas ilustram como o processo de transferência de significado pode dar errado 28 em detrimento do indivíduo e da sociedade. Em circunstâncias normais, contudo, o indivíduo usa os bens de maneira livre de problemas para constituir partes cruciais de si mesmo e do mundo. Assim como o processo de transferência do Mundo Culturalmente Constituído para o Bem se dá através da publicidade e do sistema de moda, McCraken (1986) apresentou como se dá o processo de transferência de significado do Bem para o Indivíduo. Conforme visto na Figura 3, esta movimentação acontece baseada em alguns instrumentos que se qualificam como casos especiais de “ação simbólica” ou rituais (Munn, 1973 apud McCraken). 2.1.3. Ações Simbólicas ou Rituais da Cultura do Consumo O ritual é uma espécie de ação social dedicada à manipulação do significado cultural para fins de comunicação e categorização coletiva e individual. (McCraken, 1986) O ritual é uma oportunidade de afirmar, evocar, atribuir ou rever os símbolos e significados convencionais da ordem cultural. Nesse sentido, ele é uma ferramenta poderosa e versátil de manipulação do significado cultural. Na forma de um rito de passagem clássico, o ritual é usado para mover alguém de uma categoria cultural para outra, onde abre mão de um conjunto de propriedades culturais, como as de uma criança, e assume outras, como as de um adulto. (McCraken, 1986) Na América do Norte de hoje, o ritual é usado para transferir significado cultural dos bens para os indivíduos. São usados quatro tipos de ritual para esse fim: troca, posse, cuidados pessoais e alienação. Cada um deles representa um estágio diferente de um processo mais amplo pelo qual o significado se move do bem de consumo para o consumidor individual. (McCraken, 1986) Muitas vezes o ritual pode ser confundido com outra ação simbólica universalmente conhecida: mito. Um mito é uma história contendo elementos simbólicos que expressam emoções e ideais compartilhados em uma cultura. Toda sociedade possui um conjunto de mitos que define aquela cultura. 29 Uma compreensão dos mitos culturais é importante para os profissionais de marketing que, em alguns casos, moldam sua estratégia em uma estrutura mítica. Os arcos dourados do símbolo da rede de lanchonete americana McDonald’s, por exemplo, assumem um caráter mítico, pois representam uma espécie de santuário aos americanos ao redor do mundo: eles sabem o que vão encontrar independente de onde estiverem. (Solomon, 2002). São vários os tipo de rituais apresentados por McCraken (1986): rituais de posse, rituais de troca, rituais de cuidados pessoais ou rituais de desapropriação. Neste estudo será apresentado somente o conceito de ritual de troca, pois este é o que mais se aproxima do conceito e do processo de dar e receber presentes. Nos rituais de troca da América do Norte contemporânea – principalmente os de troca de presentes nas datas especiais, como Natal e aniversário –, uma parte escolhe, compra e oferece bens de consumo à outra (Caplow,1982). Essa movimentação de bens é também potencialmente uma movimentação de propriedades significativas. Muitas vezes quem dá o presente escolhe um item porque possui as propriedades significativas que deseja transferir ao recebedor do presente. Assim, a mulher que recebe um tipo específico de vestido é recebedora, também, de um conceito específico de si mesma como mulher (Schwartz,1967). O vestido contém esse conceito, e quem dá o presente convida a recebedora a se definir nesses termos. Da mesma forma, muitos dos presentes contínuos que fluem entre pais e filhos são motivados exatamente por essa ideia. (McCraken, 1986) Os presentes dados à criança contêm propriedades que o pai desejaria que ela assimilasse. O ritual de troca de presentes estabelece um potente meio de influência interpessoal. A troca de presentes permite que os indivíduos insinuem determinadas propriedades simbólicas na vida do recebedor e iniciem uma possível transferência de significado. Em termos mais genéricos, os consumidores que atuam no papel de quem dá presentes se tornam agentes de transferência de significado na medida em que distribuem seletivamente bens com propriedades específicas a indivíduos que, de outra maneira, poderiam ou não escolhê-los. (McCraken, 1986) 30 O estudo da troca de presentes, bem estabelecido nas ciências sociais, já está em andamento no campo da pesquisa de consumidores (Belk, 1979) e merece maior estudo. É preciso dar atenção ao processo de escolha usado por quem dá um presente para identificar o presente com os significados culturais que deseja passar ao recebedor. (McCraken, 1986) Também é preciso dar atenção à significância do embrulho e da apresentação do presente, além do contexto (momento e local) em que são feitas as apresentações. Esses aspectos do ritual doméstico da troca de presentes são de vital importância para as propriedades significativas dos bens trocados. (McCraken, 1986) A relação entre respeito com o próximo e o ato de presentear também já foi estudada e pode também ser vista como uma representação do presente como símbolo de respeito. O “Potlatch”, por exemplo, uma festa tradicional de tribos indianas no Pacifico Norte, é uma competição por status em generosidade e desperdício. (Mauss, 1983 apud Offer, 1997). Malinowski descreveu as longas viagens marítimas realizadas nas Ilhas do Pacífico para trocar conchas marinhas decorativas no sistema “Kula” de troca de presentes. Respeito é uma atitude de aprovação. Ele precisa ser comunicado. O presente é o que simboliza esta comunicação e transporta este sinal. (Offer, 1997) A troca numa relação de respeito é fundamental: a auto-estima é difícil de sustentar, sem confirmação externa. O presente pode ser caro ou barato, material ou simbólica. Não é gratuita. No mínimo, 'respeito' é a concessão de atenção, e atenção é um recurso escasso hoje em dia. A capacidade para o respeito é limitada pela falta de tempo e energia psíquica. “Sonegar” respeito significa falta indiferença e rejeição. (Offer, 1997) Dar e receber presentes, portanto, é uma prática que varia de acordo com os valores e as tradições de cada cultura, pois esta exerce grande influência no comportamento de consumo, especialmente no que diz respeito à compra de presentes. E, na maioria das vezes, esta compra ocorre devido a ocasiões e datas comemorativas que têm diferentes significados para determinado povo ou cultura (Pépece, 2002). 31 2.2. O ATO DE PRESENTEAR Não há dúvidas de que dar presentes é uma experiência que está inteiramente contida na vida humana, nos relacionamentos sociais e, consequentemente, no comportamento do consumidor. Comparado com as demais compras de rotina, selecionar e comprar um presente é um processo altamente envolvente do ponto de vista das tomadas de decisões do consumidor e provem uma área riquíssima para o desenvolvimento e testes de conceitos de comportamento de consumo. (Belk, 1979) Dar e receber presentes, portanto, é um importante campo de estudo sobre o comportamento do consumidor e são atitudes que estão presentes em todos os membros da sociedade moderna. (Banks, 1979) O ato de presentear é definido por Wolfinbarger (1990) como a avaliação, a seleção e a transferência de objetos tangíveis e intangíveis de uma maneira espontânea ou em cumprimento de uma obrigação. Na literatura internacional, são muitos os estudos relativos ao ato de presentear e muitos divergem nos principais elementos investigados, nos objetivos e nas conclusões. Wolfinbarger (1990) categorizou as motivações implícitas no ato de presentear; Belk (1988) relacionou o ato de presentear com a troca econômica. Em 1993, Belk e Coon contrapuseram o paradigma da troca econômica com a abordagem do ato de presentear como símbolo do amor ágape, em uma pesquisa com estudantes americanos sobre presentes de namoro. Apesar da visão dominante das ciências sociais de que as interações humanas, incluindo o ato de presentear, são baseadas em trocas, a pesquisa de Belk e Coon (1993) revelou que esta teoria foi rejeitada pelos casais de estudantes entrevistados. Eles não concordaram que o presente de namoro seja um processo de troca, especialmente no período inicial do namoro. Belk e Coon (1993) concluíram que o ato de presentear é uma expressão do amor ágape, ou seja, sugere que tal expressividade seja uma necessidade adicional para a troca de instrumentos, para entender o ato de presentear e o comportamento humano em geral. 32 As trocas de presentes, de acordo com o modelo econômico, possuem um valor de mercado determinado por fatores externos às pessoas envolvidas, entre eles: escassez, valor monetário, alternativas de fornecedores, entre outros. Por outro lado, de acordo com o modelo social, o valor é estabelecido somente pela relação entre doador e receptor, excluindo os fatores externos. Por exemplo, se uma mulher recebe um isqueiro de presente no valor de R$25 e um buquê de flores no valor de R$ 5, pelo modelo econômico ela iria valorizar mais o isqueiro. Mas, pelo modelo social, dependendo do nível de interação entre as partes, ela pode preferir o buquê de flores, e devido a valores sentimentais, valorizá-lo mais do que o isqueiro, mesmo o buquê tendo um valor monetário menor. (Belk e Coon, 1993) O ato de presentear tem sido relatado desde os tempos pré-históricos, o que mostra que esta prática é algo enraizado nos costumes de toda a humanidade. Tal prática universal tem sido extensivamente explorada por pesquisadores de diversas disciplinas tais como sociologia, antropologia, psicologia e marketing (Belk, 1979; Belk e Coon, 1993; Sherry, 1983; Wolfinbarger, 1990). A literatura tem apresentado vários padrões de comportamento comumente encontrados nas situações em que há troca de presentes. A natureza das trocas de presentes, por exemplo, pode variar de acordo com (1) o grau de intimidade e a força do relacionamento entre o presenteador e o presenteado (Belk, 1979); (2) conforme as percepções do presenteador em relação à identidade do presenteado (Belk, 1979); (3) à importância percebida (Belk, 1979) e (4) à periodicidade das trocas (Wolfinbarger, 1990). A natureza das trocas de presentes também pode ser influenciada por algumas normas impostas pela sociedade, entre elas: (1) a norma de dar presentes para marcar e desenvolver relações em uma rede social (Caplow, 1982); (2) norma de dar presentes em situações e datas especiais (Schwartz, 1967); (3) a norma da reciprocidade (Belk e Coon, 1993) e; (4) a norma dos presentes aceitáveis pelo senso comum, tais como a inadequação percebida em presentes monetários (Belk e Coon, 1993). Esta inadequação veremos mais adiante com mais detalhes, no capitulo 2.3.Presentes Monetários – O Estigma. A força da norma de dar presentes em situações e datas especiais foi ratificada em um estudo nos Estados Unidos, em que os respondentes foram solicitados a imaginar a possibilidade de não dar presentes no Natal (Lowes et al, 1971 apud Wolfinbarger, 1990). O resultado mostrou 33 que somente 6% dos entrevistados considerariam esta possibilidade e os demais expressaram que seus amigos, parentes e cônjuges se sentiriam esquecidos e frustrados se não recebessem presentes naquela época do ano (Lowes et al, 1971 apud Wolfinbarger, 1990). Este sentimento de culpa dos respondentes, de acordo com Wolfinbarger (1990), é fruto das normas relacionadas ao ato de dar e receber presentes, que em parte surge do papel que nós temos dentro de uma rede social. Além das normas vistas acima, o valor percebido dos presentes, o significado que transmite tal valor e a motivação para presentear também são tópicos de estudo neste campo, assim como as estratégias de seleção de presentes por parte dos diversos tipos de presenteadores (Otnes; Lowrey; Kim, 1993), apresentados adiante neste presente estudo. A motivação no ato de presentear possui diferentes conceituações, tendo sido classificadas por Sherry (1983) em altruísticas e egoísticas. Já Wolfinbarger (1990) identificou três categorias, não excludentes, de motivações para presentear, são elas: (1) auto-interesse ou "engenharia de endividamento", (2) conformidade com as normas sociais e (3) altruísmo ou comportamento "pró-social". Neste caso, o altruísmo surge quando o presenteado aprecia o gesto de receber o presente, mas como é o primeiro contato, não pode devolver o favor no mesmo momento. A gratidão é mais forte quando os presenteados percebem que o presenteador espera pouco ou nada em troca. Muitos dos presentes favoritos custaram ao presenteadores muito sacrifício, seja pelo tempo, esforço e sensibilidade que o presente demandou. (Wolfinbarger, 1990) 2.2.1. Perfis e Papéis Sociais no Ato de Presentear A seleção de presentes está relacionada ao envolvimento e ao esforço do presenteador no ato de presentear. A importância da ocasião e a proximidade do relacionamento, por exemplo, influenciam significativamente no processo de seleção de presentes. Em relacionamentos onde o grau de envolvimento é maior, por exemplo, há mais esforço na busca pelo presente e maior dispêndio de tempo, resultando normalmente na escolha por presentes de melhor qualidade. (Clarke; 2008). As relações impactam no tipo de presente, pois sinalizam o nível de afeto entre as partes. Joias e lingerie, por exemplo, enviam mensagens mais íntimas do que 34 dinheiro e torradeiras, enquanto uma peça de vestuário ousado pode servir para criticar ou influenciar preferências do destinatário. (Belk e Coon, 1993) Os critérios de seleção de presente refletem dois tipos de intenções: (1) as intenções centradas no presenteador - intenções “egocêntricas” - e (2) as intenções centradas no destinatário intenções “altruístas”. Estas últimas mais preocupadas em encantar e satisfazer o destinatário (Belk, 1979; Sherry, 1983; Valentin & Allred, 2012). Quando as intenções são egocêntricas, significa que o presenteador deseja fazer uma boa impressão, mas sem gastar muito dinheiro ou tempo na aquisição de um presente. Para estes casos, presentes monetários são mais convenientes. No entanto, presentear em dinheiro tem sido amplamente estigmatizado, embora não universalmente, como um presente que não demanda planejamento e reflete preguiça e desatenção por parte do presenteador, enquanto presentes em mercadorias são retratados como potencialmente mais pessoais, carinhosos, respeitosos e socialmente aceitáveis (Waldfogel, 2001; Webley et al, 1983, Valentin & Allred, 2012). Intenções egocêntricas também estão relacionadas com cumprir obrigações, respeitar normas, manter relacionamentos, querer se passar por generoso, educado ou sofisticado; exercer influência ou controle social; exigir respeito, carinho, ou receber uma crítica (Sherry, 1983; Valentin & Allred, 2012). Pollak (1988), em sua pesquisa, também classificou os presenteadores em apenas dois diferentes perfis, entretanto com um viés econômico: (1) altruístas e (2) paternalistas. No primeiro perfil, a utilidade do presenteador depende da utilidade do presenteado. Já os paternalistas, ao comprarem um presente, podem não estar cientes da utilidade daquele produto para o seu destinatário, pois considera que a utilidade do presenteado depende da utilidade do presenteador. Já Valentin & Allred (2012) analisaram os fatores que impactam no valor que os presenteadores atribuem aos presentes e como os cartões-presentes se destacam em cada um destes fatores, tais como: Simbolismo e emoção – emoções despertadas por inferências derivadas de um presente anterior (recebido ou entregue). White (2008) constatou que as compras feitas com 35 cartões-presentes tendem a ser mais memoráveis e a ter maior valor simbólico do que aquelas feitas com dinheiro. Experiência – a experiência sempre é vista como um fator positivo e muitas vezes é o benefício mais valorizado em um presente. Por exemplo, dar bilhetes para assistir uma peça de teatro, os quais o destinatário não teria comprado por si só, pode levá-lo inesperadamente para uma experiência agradável e a descoberta de um gênero teatral que se torne favorito. Alívio de culpa – comprar objetos de luxo de uso pessoal, como jóias, por exemplo, com um cartão-presente pode aliviar a culpa pelo consumismo. A culpa geralmente existe por falta de prudência ou indulgência. O cartão-presente ajuda a aliviar a culpa de que foi indulgente ou minimizam o arrependimento por ter sido demasiado imprudente por “aproveitar a vida”. Grau de relação – a relação entre o doador e receptor é o que mais influencia a avaliação do presente. Pode ser próxima ou distante, e pode ou não ser íntima ou romântica. Cartões-presentes estão mais para relacionamentos cujo o grau de intimidade seja maior. Liquidez – entende-se por liquidez a facilidade com que o presente pode ser trocado sem ônus para o presenteado. De todos os presentes possíveis, o dinheiro é mais líquido, pois os presenteados podem gastá-lo como e quando desejarem. O dinheiro é mais líquido que o cartão-presente e pode ser mais facilmente trocado por bens ou até mesmo por outros cartõespresente. Outra perspectiva interessante sobre o processo de seleção dos presentes foi apresentada por Otnes et al (1993), que fizeram uma pesquisa sobre os diferentes papéis sociais adotados pelos presenteadores ao presentear. No ato de presentear, Sherry (1983) salienta a importância do presenteador em expressar um papel social e dos distintos papéis que um indivíduo pode assumir dentro de sua rede social. Otnes et al (1993) avançam nessa perspectiva e definem seis papéis sociais identificáveis nos compradores quando estão presenteando, os quais serão apresentados detalhadamente em 36 seguida: (1) agradável, (2) provedor, (3) compensador, (4) sociável, (5) o escapista e (6) o reconhecedor. No estudo de Otnes et al (1993), as diferentes estratégias para seleção dos presentes são adotadas de acordo com os papéis sociais dos presenteadores, conforme listados acima, e também conforme dois diferentes tipos de receptores: (1) fácil ou (2) difícil de agradar. O receptor fácil de agradar oferece pouca resistência quando o doador tenta expressar algum papel específico. Em contrapartida, o receptor difícil, consciente ou inconscientemente, frustra a tentativa do doador de expressar um papel por meio da troca de presente. A seguir, encontra-se o detalhamento dos papéis sociais adotados pelos compradores no ato de presentear, conforme a pesquisa de Otnes et al (1993): a) O Agradável O desempenho do papel social agradável foi o mais utilizado pelos participantes da pesquisa. Ele é geralmente expresso quando escolhemos presentes para pessoas consideradas muito especiais, como crianças, parentes, cônjuges, namorados e amigos. O objetivo do comprador nesta situação é dar à pessoa especial um presente que ela gostaria de receber, baseado sobre o gosto e os interesses do presenteado. Tal objetivo é motivado pelo fato do presenteador querer expressar, por meio do presente, um desejo de reforçar a ligação social existente entre ele e o presenteado ou pelo menos, manter o status de uma dada relação. As estratégias utilizadas pelo presenteador agradável quando o presenteado é considerado fácil são: comprar o que os presenteados querem, utilizando-se de questionamento direto para saber o que realmente desejam ou comprar o que os presenteados querem, contudo, utilizando-se de uma investigação indireta - estratégia “caça ao tesouro”. No caso do presenteado ser considerado difícil, adota-se as seguintes estratégias: baseia-se na força da ideia inicial do presente – acontece quando o presenteador conseguiu ter uma ideia inicial sobre um presente e então vai a sua busca, não sendo empecilhos os inúmeros 37 problemas que possam vir a aparecer nessa jornada – ou baseia-se na estratégia da semelhança, a qual é uma variação da primeira, diferenciando-se pelo fato de que o presenteador busca seguir uma mesma linha de presente em todas as ocasiões para presentear (não significa que sejam presentes iguais). Outra estratégia é a compra do mesmo presente do ano anterior, que acontece quando os presenteadores somente conhecem um tipo de coisa que agradará ao presenteado. Uma última estratégia seria o presenteador comprar algo que ele gosta, acreditando que o presenteado possa gostar também – tal estratégia foi mais frequentemente citada pelos(as) participantes jovens e solteiros(as) da pesquisa de Otnes et al (1993). b) O Provedor O consumidor provedor é reconhecido pelo fato de dar ao presenteado o que ele necessita, mas não necessariamente o que ele, por ventura, poderia desejar. Para entender o consumidor provedor, propõe-se compreender a diferença entre sanar uma necessidade e satisfazer um desejo. De acordo com Belk, Ger, Askegaard (2003), existe uma expressiva distinção entre desejos e necessidades, considerando a maneira como as pessoas se referem a estes conceitos diariamente. “Nós queimamos e somos queimados pelo desejo; somos penetrados ou despedaçados pelo desejo; ficamos doentes ou sentimos dor com o desejo; somos torturados, atormentados e delatados pelo desejo; somos possuídos, agarrados, raptados, violentados e submetidos ao desejo; ficamos loucos, doidos, insanos, malucos, volúveis, cegos e deliramos de desejo; ficamos extasiados, enfeitiçados, encantados e somos capturados pelo desejo; nosso desejo é feroz, quente, intenso, apaixonado, incandescente e irresistível; nós nos consumimos, padecemos, ficamos arruinados ou murchamos por um desejo não realizado. Tente substituir a necessidade ou vontade em alguma destas metáforas e a distinção torna-se imediatamente aparente. As necessidades são antecipadas, controladas, negadas, postergadas, priorizadas, planejadas, dirigidas, satisfeitas, cumpridas e completadas através de processos instrumentais lógicos. Os desejos, por outro lado 38 são opressores; algo que temos dentro de nós; algo que nos faz perder o controle de nós mesmos e domina totalmente nossos pensamentos, sentimentos e ações. Os desejos despertam, atacam, provocam, excitam e estimulam. Nós lutamos, resistimos, brigamos ou sucumbimos, somos rendidos e cedemos aos nossos desejos. Os consumidores apaixonados são consumidos pelo desejo.” (Belk, Ger, Askegaard, 2003, Journal of Consumer Research, p.326) Esta diferença entre desejo e necessidade apresentada por Belk, Ger e Askegaard (2003) é uma maneira de compreender o presenteador provedor, pois suas intenções estão especialmente centradas nas necessidades do presenteado, o que muitas vezes não é recebido com tanta emoção por parte do presenteado. Na pesquisa sobre desejo e necessidade, Belk, Ger e Askegaard (2003) perguntavam aos participantes quais os significados das palavras desejos e necessidades, utilizando-se de metáforas relacionados ao dia a dia das pessoas. Desejo normalmente estava relacionado com emoções quentes e palavras ligadas à paixão e emoção, diferente do discurso imparcial e frio, empregado para a satisfação de necessidades. Logo, o presenteador provedor compra para o presenteado o que ele está precisando e não necessariamente o que ele gostaria ganhar. Para Wolfinbarger (1990), essa atitude é conduzida pela motivação prática, pois tem o objetivo de prestar assistência ao presenteado oferecendo algo útil. A mensagem transmitida pelo presenteador é “pretendo cuidar de suas necessidades”. Assim, o consumidor provedor não estaria muito preocupado em presentear com atratividade emocional ou passional. Uma de suas estratégias usadas para presentear seria comprar vários presentes ao longo do ano – fazendo um estoque dos presentes certos a serem dados na ocasião em questão, possibilitando assim que os presenteados realmente sintam que estão sendo cuidados (Otnes, Lowrey & Kim, 1993). Para ilustrar o comportamento do consumidor provedor, a agenda no final do ano seria um presente típico deste papel. 39 c) O Compensador O consumidor compensador é tipicamente altruísta. Seu objetivo é se contrapor a um sentimento negativo que o presenteado está sentindo, devido a algum acontecimento infeliz em sua vida. A motivação para agir dessa forma é o sentimento de querer compensar o sofrimento do presenteado com um presente. (Otnes, Lowrey & Kim, 1993) A compensação, neste caso, significa que o presente indica uma consolação e não uma desculpa. As decisões de compra deste consumidor estão voltadas para encontrar presentes que sejam divertidos ou forneçam uma sensação de entretenimento. Outra estratégia é fazer alguma coisa por si só e dá-la como presente ao sofrido receptor, para aliviá-lo de alguma dor e prover uma sensação de alívio. d) O Sociável O consumidor sociável deseja transmitir seus conhecimentos e sua experiência ao presenteado (Otnes, Lowrey & Kim, 1993). Este papel pode ser visto também como o que mais representam o simbolismo do presente: “com este presente eu quero que você aprenda alguma coisa ou saiba o tanto quanto eu”. De acordo com McCracken (1986), a troca de presentes permite que as pessoas sugiram certas propriedades simbólicas para a vida do presenteado e assim transfiram algum significado, o que vai ao encontro do comportamento do consumidor sociável de Otnes, Lowrey & Kim (1993). Para Belk (1993), o presente é uma troca social e os presenteadores escolhem de forma deliberada presentes que servem como agentes socializadores. Este tipo de comportamento está ligado à troca de presentes entre pais e filhos, professores e aluno e, de uma forma geral, presentes de pessoas mais experientes para outras mais jovens. 40 e) O Reconhecedor O consumidor reconhecedor assume este papel quando geralmente se sente na obrigação de dar presentes para pessoas que, ou estão na margem de seus contatos sociais (ex.: parentes resultantes de casamento, professores, chefes, etc) ou são parentes muito próximos, mas a relação é estremecida ou pouco íntima. (Otnes, Lowrey & Kim, 1993). Neste caso, a motivação para se presentear é oferecer algo com o intuito de transmitir uma mensagem de reconhecimento da existência de uma relação entre ambos e o presente é um símbolo desse relacionamento. (Otnes, Lowrey & Kim, 1993) Os pesquisadores observaram que as dificuldades encontradas para se presentear nestes casos decorrem do alto nível de mutabilidade da lista de pessoas que se classificam como conhecidos. Professores, chefes, namoradas ou namorados de amigos, médicos, entre outros, são personagens que podem se alterar ano após ano. Isso implica pouca oportunidade para acúmulo de aprendizagem do processo de troca de presentes com o presenteado, que visa no mínimo, não escolher um presente que pareça ofensivo a quem o está recebendo. (Otnes, Lowrey & Kim, 1993) f) O Escapista O consumidor escapista é aquele que por algum motivo não troca presentes. As mensagens que representam as motivações dos escapistas podem tanto ser suaves quanto cítricas. Quando a mensagem é suave, o objetivo é deixar claro para o potencial recebedor de presente, que o potencial presenteador não quer entrar num círculo de troca de presentes com ele. Como exemplo, pode ser um tio evitando dar presentes para seus sobrinhos, para que eles não se acostumem com a oferenda e sempre peçam para que ela torne a ocorrer nas situações propícias para tal. Já a mensagem cítrica é dada quando aqueles que estão na posição de presentear podem optar por não fazê-lo, pois querem demonstrar ao potencial presenteado que ele não é merecedor de receber um presente dele. Um exemplo poderia ser um irmão, que não presenteia o outro, porque recentemente tiveram uma briga (Otnes, Lowrey & Kim, 1993). 41 Portanto, o papel social pode ser definido como um conjunto de expectativas de comportamento ou de ações padronizadas que se esperam das pessoas ao ocuparem determinadas posições existentes em um sistema ou grupo social (Gouldner, 1957). Segundo Preti (2000), as pessoas podem, concomitantemente, pertencer a vários grupos sociais e ocupar diferentes posições sociais, e expressar assim distintos papéis sociais ou conjuntos de respostas às interações com outros. Na Tabela 1, encontram-se, de forma resumida, os papeis sociais apresentados por Otnes, Lowrey & Kim (1993), bem como exemplos práticos que objetivam ilustrar cada papel social. Consumidor Agradável Características Exemplos Dá presentes que o presenteado Dar um anel de presente ao cônjuge ou gostaria de receber, baseado nas dar um presente que envolva emoção a percepções de quem presenteia, de alguém muito próximo, com quem se acordo com o gosto e interesses do deseja manter uma relação de longo presenteado. prazo. O Provedor faz estoque de presentes Provedor Dá ao presenteado o que ele padrões que podem ser úteis para várias necessita, mas não necessariamente pessoas, tais como: a) Cadernos para o que é desejado. quem está iniciando um curso; b) Agendas; c) Taças de Vinho; Compensador Seu objetivo é se contrapor a um Dar flores è mulher que terminou um sentimento negativo que o relacionamento ou chocolates a alguém presenteado está sentindo. que perdeu algum parente. Deseja transmitir seus Sociável conhecimentos e sua experiência ao presenteado. Comportamento relacionado à troca de presentes entre pais e filhos, professores e aluno etc. Presentes de pessoas mais experientes para outras mais jovens. 42 Consumidor Características Se sente na obrigação de dar Reconhecedor presentes para pessoas que estão na margem de seus contatos sociais Escapista Exemplos Compra presentes para festas de aniversário, casamentos, formaturas, mesmo quando não há muita Não troca presentes. intimidade Prefere não criar o hábito. Tabela 1 - Papeis Sociais no Ato de Presentear 2.2.2. Modelos de Comportamento no Ato de Presentear Muitos autores apresentaram modelos que explicam o processo de tomada de decisão do consumidor no ato de presentear (Clarke, 2008). Banks (1979) propôs um modelo em que o processo de troca de presentes está presente em todos os níveis do comportamento de consumo. De acordo com este modelo, uma aproximação do comportamento de compra e entrega de presentes passa por quatro etapas. São elas: (1) Compra, (2) Interação, (3) Consumo e (4) Comunicação. Veja a representação gráfica do modelo interativo de Banks na Figura 1, abaixo. 43 Figura 2- Modelo Interativo (Banks, 1979) O modelo interativo de Banks (1979) sugere que há duas partes no processo, ao invés de apenas uma parte, como normalmente é visualizado em outros modelos de comportamento do consumidor: o doador e o receptor. De acordo com a autora, a troca de presentes é sempre bilateral: o doador também deve ser um receptor no mesmo intervalo de tempo. Ou, por outro lado, a troca pode ser unilateral e devido à interpretação de um primeiro presente trocado entre as partes, juntamente com a observação de uma necessidade ou ocasião, o processo muitas vezes é replicado. Neste caso, o doador se tornar o receptor em um segundo momento. Segue o detalhamento das quatro etapas do modelo de Banks (1979): (1) Compra: a etapa de compra inclui a observação do doador de uma necessidade ou ocasião, uma pesquisa interna e externa e a compra real, incluindo atividades subsidiárias 44 como escolha da embalagem, por exemplo. Em todos estes pontos, o receptor pode ter ajudado o doador, dando-lhe dicas ou sugestões de presentes, ou simplesmente aguardar a surpresa criando-se uma sensação de expectativa. (2) Interação: durante o estágio de interação, o presente é efetivamente trocado. É nesta fase que o receptor interpreta o presente e o seu significado e o doador interpreta a reação de prazer ou insatisfação do receptor. Ambas as interpretações influenciam fortemente uma ação de retorno no futuro. (3) Consumo: a etapa de consumo pode ser simplesmente vista como o uso ou armazenamento do presente, o que também influencia na percepção do doador sobre a reação do presenteado. (4) Comunicação: finalmente, o estágio de comunicação envolve o ato do receptor de comunicar para os outros e para o doador a sua satisfação ou insatisfação com o presente. O modelo de Banks (1979) é completo e permeia todas as etapas da troca de presentes. Contudo, um dos modelos mais completos e mais utilizados para explicar tal processo de decisão foi o apresentado por Sherry (1983). O modelo de Sherry (1983) oferece uma visão completa sobre a estrutura do processo de troca de presentes e consiste em três etapas: (1) Gestação: corresponde a todo comportamento que antecede à troca do presente, ou seja, envolve tanto a uma busca interna do presenteador para encontrar concepções que relacionem o seu “eu”, o receptor e o presente, quanto uma busca externa, envolvendo a materialização da busca interna. (2) Prestação: envolve a troca real do presente, em que cada parte experimenta uma sensação, que pode variar da satisfação até a decepção ou frustação. (3) Reformulação: é a fase final do processo em que as percepções da troca influenciam o desenvolvimento, a realimentação e reformulação da relação entre as partes. 45 Vale ressaltar que a maioria dos modelos propostos foram testados empiricamente, inclusive o modelo proposto por Sherry (1983). 2.2.3. Presentear com “Experiências” Um presente pode ser dado de diversas maneiras: mercadorias, dinheiro, cartão-presente e até mesmo como “experiências”. Dar uma experiência significa dar um presente que exija a participação do presenteado no momento de desfrutá-lo, como por exemplo, jantar, cinema, teatro, viagem, etc. Presentes no modelo de experiência são menos tradicionais (Clarke, 2008). Por meio de um estudo exploratório realizado com consumidores do Reino Unido, Clarke (2008) foi a primeira pesquisadora a avaliar o processo de dar e receber presentes que envolvem a experiência do presenteado. Sua pesquisa resultou em um modelo que determina como este processo pode ser diferente da generalizada compreensão do ato de presentear. De acordo com a autora, existem várias dimensões no processo de presentear com experiência, ao contrário do modelo bidimensional intrínseco à forma convencional: relação doador versus receptor. Uma destas dimensões é a flexibilidade no processo de aquisição da experiência, que pode ser desde experiências que já são prontas para serem compradas e consumidas, experiências que são modificadas pelo presenteador e outras que podem até mesmo ser criadas pelo presenteador. Outra dimensão é o tempo, pois a experiência não está limitada ao consumo ou uso tradicional, ou seja, o consumo pode ser momentâneo ou postergado para um momento mais oportuno. A conclusão da autora após sua pesquisa é que em uma sociedade cada vez mais multidisciplinar, a valorização da “qualidade do tempo" propicia o desenvolvimento de experiências compartilhadas no ato de presentear, pois estas experiências permitem “melhorar a qualidade do tempo de quem foi presenteado”. Além disso, oferecer uma experiência como presente traz flexibilidade para a imaginação do presenteador, pois podem ser comprados como pacotes prontos por meio de empresas que já oferecem esse tipo de serviço ou podem ser elaboradas pelo próprio presenteador, utilizando 46 um mix de serviços já disponíveis facilmente no comércio (ex: viagens, passeios, cinema, teatro, restaurantes, etc). (Clarke, 2008) Vale ressaltar que neste trabalho não trataremos o assunto “presentear com experiência”, apesar de sua relevância para o tema que abrange cartões-presentes. Será abordado o ato de presentear considerando a escolha de presentes em mercadorias, dinheiro e cartões-presente. Estes últimos, voltados somente para lojas de departamentos, de roupas, supermercados e eletrônicos, não incluindo a categoria de serviços e, consequentemente, descartando o assunto “experiência”. 2.3. PRESENTES MONETÁRIOS – O ESTIGMA Conforme visto na introdução deste trabalho, a cada ano os americanos transferem entre 50 e 72 bilhões de dólares em recursos para amigos e familiares na forma de presentes de Natal (Waldfogel, 1993). Contudo, foi dito também que os presenteados valoram os presentes recebidos em aproximadamente 10% a menos do que o preço efetivamente pago pelos presenteadores, denominados como o “peso morto” do Natal ou “perda de bem estar”. (Waldfogel, 1993) A pesquisa realizada por Waldfogel (1993) despertou o interesse em estudos sobre presentes em dinheiro nos Estados Unidos. O autor lançou a hipótese de que caso a troca bilionária de recursos fosse feita em dinheiro, a incidência de peso morto nas compras de final de ano poderia não ser tão expressiva, visto que o dinheiro permite ao presenteado escolher o que mais deseja ou necessita. Ou seja, presentes monetários aumentariam o bem estar geral. Entretanto, como superar o estigma relacionado a presentes em dinheiro? Webley (1982), previamente à pesquisa de Waldfogel (1993), já procurava entender a dificuldade de aceitação do dinheiro como uma alternativa para presentear. Em sua pesquisa, realizada com estudantes de uma universidade americana, o pesquisador se concentrou na aceitabilidade do dinheiro como um presente de filhos para mães. Os resultados da pesquisa apontaram que realmente existe um estigma relacionado a presentes monetários, pois os participantes do estudo afirmaram que seria menos aceitável dar um 47 cheque ou dinheiro para as mães do que produtos, tais como perfumes joias, chocolates, flores, etc. Além disso, os respondentes disseram que caso tivessem que dar um cheque, gastariam mais do que o dobro do valor de um produto. De acordo com Webley (1982), as razões mais importantes apresentadas para explicar os resultados da pesquisa foram o tempo e o esforço que normalmente deveriam ser dedicados no processo de seleção e compra de um presente e que, quando se presenteia em dinheiro ou cheque, são praticamente nulos. Além disso, os participantes demonstraram a preocupação com a possibilidade de o presenteado utilizar o dinheiro recebido para fazer compras mundanas e rotineiras, não comprando algo realmente significante que pudesse registrar o momento ou a data especial. Vale ressaltar que, na mesma pesquisa, alguns questionamentos foram direcionados às mães dos estudantes. Elas também foram questionadas sobre os tipos de presentes que considerariam aceitáveis e, nas respostas, indicaram que ganhar presentes em dinheiro seria, de fato, menos aceitável do ganhar um produto, o que confirma a primeira hipótese de que presentes em dinheiro são poucos aceitáveis. Contudo, elas alegaram que não havia necessidade de maiores gastos para presentes monetários, pois o valor sentimental seria exatamente o mesmo, contrariando a segunda hipótese. Em conjunto, as observações de Webley (1982) confirmaram impressões casuais de que o dinheiro pode realmente ser inaceitável como um presente em certos contextos, o que implica no fato de que, mesmo nas sociedades modernas, o dinheiro não seja um meio de troca universalmente aceitável. Portanto, as observações da pesquisa de Webley (1982) supõem duas hipóteses importantes que serão analisadas neste trabalho: Dar presentes monetários para pessoas mais próximas não é aceitável pela sociedade; 48 O dinheiro tem menos “valor” que um produto, portanto, ao presentear, é preciso dar mais dinheiro para obter a mesma satisfação por parte do presenteado. O resultado do estudo de Webley (1982) contradiz o raciocínio microeconômico convencional, o qual afirma que presentes em dinheiro com quantias equivalentes a de mercadorias aumentam a utilidade para os presenteados, pois estes poderiam exercer o direito e o benefício da livre escolha, ao invés de serem restringidos pela posse forçada de bens. E, aumentar a utilidade para o presenteado, gera mais valor. (Cameron, 1989) Cameron (1989) sugere que a utilidade de um presente poderia ser definida em termos dos custos totais envolvidos no processo de escolha do presenteador: tempo, esforço, dedicação, dinheiro, etc. Neste contexto, presentes em dinheiro teriam até mesmo um menor custo total do que produtos de menor valor, visto que há uma enorme economia de tempo e esforço. Paralelamente, a economia utilitária também afirma que, quando o doador sabe exatamente o presente que o receptor deseja e o escolhe em conformidade, o valor do presente para o destinatário, neste caso, pode ultrapassar o preço de compra. Isto ocorre, pois o presenteado é poupado dos encargos relativos ao processo de compra: ou porque ele não precisa ir comprar mais aquele produto ou porque não vai precisar ir à loja para trocar. (Waldfogel, 1993,2001; Valentin & Allred, 2012) É verdade que dar dinheiro minimiza o risco do doador de fazer uma escolha ruim, requer um mínimo de esforço na escolha e permite que os destinatários tenham máxima liberdade. Contudo, presentear em mercadorias continua popular porque nem presenteadores, nem presenteados costumam avaliar os presentes apenas em razões utilitárias. Emoção e simbolismo fazem parte deste processo. (Valentin & Allred, 2012) Com o intuito de compreender melhor este estigma relacionado à presentes em dinheiro, Waldfogel, autor do artigo “O peso morto do Natal” (1993), já citado anteriormente, apresentou um novo estudo em 2001, intitulado “Presente, Dinheiro e Estigma”. Esta nova pesquisa complementou as observações da primeira, em que o pesquisador observou que os presenteados normalmente avaliam os presentes recebidos em 49 aproximadamente 10% abaixo do preço oficial pego pelo presenteador e que se satisfariam com presentes até 33% mais baratos do que os presentes recebidos. Foram entrevistados 455 estudantes das Universidades de Yale (207 entrevistados), Tuffs (71 entrevistados), Mariland (110 entrevistados) e Indiana (67 entrevistados). Os dados foram coletados em 1994, referentes aos presentes recebidos em 1993. Como arcabouço para definir os parâmetros que deveriam ser analisados, Waldfogel (2001) considerou que a prevalência dos presentes em mercadorias desafia a ideia microeconômica de que os presenteadores sejam estritamente racionais. Para isso, o autor levantou três hipóteses, provenientes de observações da primeira pesquisa, tais quais: A escolha do presenteador entre dar presentes em dinheiro ou em mercadoria não deve se basear somente numa relação entre custos e benefícios; O presenteador não necessariamente está diretamente preocupado com a utilidade do presenteado; O presenteador, mesmo sendo um ser racional, age como se o presenteado fosse valorar o dinheiro menos do que uma mercadoria de valor equivalente. Esta última hipótese, caso confirmada, demonstraria a existência de um estigma associado ao presente em dinheiro ou um “superávit” associado ao presente em produto. Primeiramente, Waldfogel (2001) definiu um parâmetro quantitativo, chamado de rendimento médio do presente, que relaciona o valor do presente caso o vendesse com o preço pago pelo presente (estimado pelo presenteado). O rendimento médio do presente é definido pela razão entre o valor do presente (A) e o preço estimado do produto (B). Abaixo, seguem as perguntas utilizadas no questionário para o processo de definição do rendimento médio do presente: 50 Qual a quantidade de dinheiro que torna indiferente o produto e o dinheiro, sem contar o valor sentimental do presente? (A) Quanto você acha que o presenteador pagou por este produto? (B) Em segundo, o pesquisador observou a tendência em presentear com dinheiro, verificando o % de presentes em dinheiro que as pessoas entrevistadas haviam recebido no Natal. Posteriormente, o autor observa a variação do rendimento médio e da tendência em dar dinheiro vis a vis os diferentes níveis de relacionamento entre presenteados e presenteadores, além de outros fatores que poderiam influenciar as respostas dos participantes, tais como: frequência de contato, religião, preços do presente, etc. Seguem abaixo alguns dados da pesquisa de Waldfogel (2001), importantes para a compreensão do processo de entendimento da conclusão do autor sobre o estigma dos presentes monetários: Características da Amostra da Pesquisa de Waldfogel (2001) Grupo de Relacionamento (%) Tios e Tias 9,8 Irmãos 16,0 Pais 42,1 Avós 9,1 Outros 8,8 Amigos 14,3 Frequência de Contato (%) Diária 41,3 Semanal 20,9 Mensal 21,9 Anual 15,9 Raça (%) Asiático 16,6 Negro 4,3 51 Características da Amostra da Pesquisa de Waldfogel (2001) Branco 68,5 Hispânico 6,3 Religião (%) Católica 33,8 Protestante 47,9 Judaica 18,3 Faixa de Preço do Presente (%) x < $25 41,7 $25 < x < $50 28,3 $50 < x < $100 15,0 $100 < x < $500 12,8 x > $500 2,3 Tipo de Presente (%) Dinheiro/Cartão Presente 13,5 Jóias 6,1 Roupas 36,5 CDs 5,1 Livros 6,0 Produtos Esportivos 2,5 Rendimento Médio do Presente (não monetário) 94,4 % Tabela 2- Características da Amostra da Pesquisa de Waldfogel (2001) Conforme apresentado na Tabela 2, o rendimento médio dos presentes não monetários foi menor que 100%, o que significa, em termos práticos, que o preço pago pelo produto, em geral, foi maior do que o presenteado acredita que o venderia, o que demonstra baixa liquidez do produto e o que confirma o peso morto dos presentes (Waldfogel, 1993). A Tabela 3 apresenta o resultado da pesquisa de Waldfogel para a relação entre o rendimento médio do presente e a tendência das pessoas em dar dinheiro, conforme os fatores de 52 segmentação: (1) Grupos de Relacionamento, (2) Freqûencia de Contato, (3) Raça, (4) Religião, (5) Faixa de Preço do Presente e (6) Tipo de presentes. Rendimento Médio versus Presentes em Dinheiro Todos os Presentes Presentes em Dinheiro (%) N Presentes Não Monetários Rendimento Médio (%) N Grupo de Relacionamento Tios e Tias 35,7 235 80,4 151 Amigos 2,0 342 90,6 335 Avós 59,2 218 74 89 Pais 7,8 1.01 96 932 Irmãos 5,2 384 98 364 Outros 1,9 210 101 206 Diária 5,7 991 97,5 935 Mensal 9,1 526 99,9 478 Semanal 19,0 501 87,5 406 Anual 32,5 382 84,1 258 Asiático 17,5 399 94,5 329 Hispânico 10,0 150 100,4 135 Negro 13,6 103 92,8 89 Branco 12,8 1.74 94 1524 Católica 10,9 811 97,7 723 Protestante 13,7 1.15 95,1 992 Judaica 17,5 439 86 362 x < $25 6,4 1.00 92,5 936 $25 < x < $50 15,9 679 94,8 571 $50 < x < $100 21,1 360 95,6 284 Frequência de Contato Raça Religião Faixa de Preço do Presente 53 Rendimento Médio versus Presentes em Dinheiro Todos os Presentes Presentes em Dinheiro (%) N Presentes Não Monetários Rendimento Médio (%) N $100 < x < $500 21,2 306 95,2 241 x > $500 18,2 55 117 45 Livros - - 95,3 145 Roupas - - 92 876 Jóias - - 109,9 122 CDs - - 92,3 147 Outros - - 94,9 728 Produtos Esportivos - - 95,2 59 Total de Presentes 13,5 2.40 94,4 2.077 Tipo de Presente Tabela 3 - Rendimento Médio do Presente versus Presentes em Dinheiro Nota-se que existe uma relação negativa entre o rendimento médio dos presentes não monetários e a tendência em dar dinheiro (veja as células amarelas). Quanto maior o rendimento médio, menor a tendência em dar dinheiro. Neste caso, presentes em dinheiro estão mais relacionados com presenteadores que tendem a dar presentes por vezes não desejados, ou seja, não sabem fazer a escolha correta de um presente e, portanto, são menos eficientes. O que indica que os presenteadores estão preocupados com a utilidade do presenteado e, por sua vez, que a decisão em dar dinheiro é puramente econômica. O rendimento médio dos presentes são maiores para presentes dados pelos pais dos respondentes, o que demonstra que a informação e o conhecimento sobre o presenteado aumenta o valor do presente. Em relação à frequência de contato, os rendimentos médios são maiores para pessoas com contato diário, o que confirma a hipótese de que o conhecimento do presenteado por parte do presenteador aumenta a utilidade do presente. 54 Embora os presentes em dinheiro estejam relacionados com presenteadores menos eficientes, são, no entanto, surpreendentemente raros quando os presenteadores buscam maximizar a utilidade do destinatário. (Waldfogel, 2001) Portanto, a decisão em dar dinheiro é influenciada pela habilidade do presenteador em escolher presentes desejados. Presenteadores se comportam como se os receptores avaliassem, do ponto de vista econômico, o valor do presente em produto significativamente acima do presente em dinheiro. Por exemplo: um perfume de R$ 150,00 pode valer para o presenteado até R$ 200,00, contudo se ele ganhasse R$ 150,00 em dinheiro, poderia ter a percepção que não conseguiria comprar o respectivo perfume. A ideia central de Waldfogel (2001) tem a ver com o conceito de valor, que é diferente do conceito de preço. O valor de um produto tem algo de subjetivo. Está relacionado à satisfação que ele proporciona. Um gasto é bom para o consumidor final quando a satisfação obtida com o produto excede o preço pago. Na situação inversa, destrói-se valor. Embora às vezes a percepção de nossos próprios interesses possa ser turvada, de maneira geral, sabemos escolher direito. Contudo, quando outras pessoas escolhem por nós, a relação entre valor e preço pode ser negativa. (Waldfogel, 2001) Apesar da aparente ineficiência de presentes não monetários, a pesquisa mostrou que o dinheiro só é dado quando há o desejo de promover a utilidade para o presenteado (Waldfogel, 2001). Para o autor, se não houvesse esse estigma, as pessoas teriam mais disposição para presentear em dinheiro, e os presenteados escolheriam produtos ou serviços que realmente quisessem e desejassem, resultando em uma maior satisfação possível em função das quantias gastas: “Quando outras pessoas fazem compras para nós, sejam roupas, música ou qualquer outra coisa, é muito improvável que escolham tão bem quanto nós escolheríamos. Podemos estar certos de que suas escolhas, por mais bem intencionadas, certamente estarão erradas. Em relação ao grau de satisfação que seus gastos poderiam ter nos proporcionado, suas escolhas acabam por destruir valor”. (Waldfogel, 2001) 55 3. O CARTÃO-PRESENTE Estudos anteriores sobre presentes em dinheiro e presentes em mercadorias são ricas fontes de hipóteses sobre dar e receber cartões-presentes (Valentin & Allred, 2012). A maioria dos artigos sobre cartão-presente faz referência a pesquisas que comparam o cartão-presente com presentes em mercadorias e presentes em dinheiro, principalmente este último. O cartão-presente é um cartão de compras pré-pago em que só é possível utilizá-lo caso haja uma quantia em dinheiro previamente “depositada”, portanto a comparação do cartão-presente com dinheiro em espécie é pertinente e justa, pois pode ser visto como um modelo intermediário entre o presente em mercadoria e o presente monetário (Offenberg, 2007). Cartões-presentes (ou vales-presentes) já são itens de consumo disponíveis no mercado há décadas no formato de certificados de papel, sendo ultimamente substituídos por cartões plásticos ou virtuais, de modo a facilitar a sua utilização tanto por parte do consumidor quanto por parte do lojista. (Offenberg, 2007) Nos modelos mais recentes, o uso do código de barras, tarja magnética ou números codificados nos cartões servem para armazenar os créditos e fazer a dedução automática do valor da compra da quantia representada pelo valor de face do cartão. O cartão-presente é um do modelo de cartão pré-pago, em que o usuário deve depositar uma quantia de dinheiro no cartão ou comprar o cartão já carregado com o respectivo valor em reais. No mercado de cartões pré-pagos existem duas espécies de cartão: cartão pré-pago “aberto” (open loop) e cartão pré-pago fechado (closed loop) (Horne, 2007). O modelo aberto é um cartão atrelado a uma bandeira de cartões de crédito, tais como Visa ou Mastercard. São cartões recarregáveis e podem ser aceitos em qualquer estabelecimento que esteja credenciado à respectiva bandeira. Nos Estados Unidos, estes cartões são vendidos em farmácias, supermercados, lojas de departamento, livrarias, papelarias, entre outras lojas. Normalmente, estes cartões são embalados como presentes e possuem um design atraente, que remete às embalagens de presentes tradicionais. 56 Os cartões abertos geralmente demandam o pagamento de uma taxa de manutenção, semelhante a uma taxa de conta de bancária. Estas taxas geralmente são cobradas enquanto houver saldo e são descontadas diretamente deste saldo. (Horne 2007) Os cartões fechados, também conhecidos como cartões private label são aqueles que só podem ser usados em uma determinada rede de lojas. Geralmente não têm taxa de manutenção e podem recarregáveis ou não. Também são vendidos em embalagens diferenciadas, remetendo à embalagem do presente tradicional (Horne 2007). São estes os cartões-presentes que estão sendo vendidos no Brasil. A oferta de cartões-presentes abertos ainda é muito embrionária. Vale ressaltar que esta pesquisa é referente ao modelo de cartãopresente closed loop. O cartão-presente é uma forma intermediária entre escolher o presente físico e dar dinheiro em espécie (Offenberg, 2007) e, assim como o dinheiro, transfere o poder de decisão de escolha do presente para o receptor, contudo, devido às normas sociais que inibem presentes em dinheiro, o cartão-presente pode ser uma alternativa socialmente mais aceitável. (Athay, 1993; Belk e Coon, 1993) Em 2011, uma pesquisa publicada na Federação Nacional do Varejo dos Estados Unidos (Consumer Intentions & Actions® Survey, NRF, EUA, 2011) constatou que o cartão-presente foi o presente mais popular nos quatro anos antecedentes. Na mesma pesquisa, o cartãopresente figurava entre um dos principais presentes que quatro em cinco pessoas gostariam de dar no final do ano. Tal popularidade, segundo Athay (1993), vem aumentando devido à falta de tempo dos presenteadores e ao aumento do nível de exigência dos presenteados, que por estarem cada vez mais seletivos e atentos às diversas opções do mercado, preferem escolher seu próprio presente a ganhar algum produto não desejado. Sobre as motivações para compra do cartão-presente relacionadas com os conceitos descritos por Wolfinbarger (1990), a praticidade do cartão-presente pode atender às necessidades do presenteador prático, pois além da simplicidade e rapidez no processo de compra, permite ao 57 presenteado ter liberdade de escolher algo que esteja realmente precisando e, portanto, aumenta a utilidade do presente. Neste contexto, a escolha pelo cartão-presente se justifica, sobretudo, quando não há conhecimento sobre as necessidades do presenteado. (Lourenço; Rezende, 2008) Presenteadores motivados por razões relativas às normas ou regras impostas pela sociedade, já vistas neste trabalho, também podem apreciar o cartão-presente, por não estarem dispostos a empregar tempo e esforço no processo de escolha do presente. (Lourenço; Rezende, 2008) Ao contrário, presenteadores com orientação vivencial provavelmente não se sentirão confortáveis em dar o cartão-presente, por considerarem um presente impessoal, possivelmente deselegante e com uma mensagem que expressa falta de criatividade e desinteresse pelo outro. (Lourenço; Rezende, 2008) Nas relações mais próximas entre amigos, namorados e esposos há uma necessidade de demonstrar sentimentos, o que pode ser feito por meio de presentes percebidos pelo receptor como cuidadosamente escolhidos pelo presenteador. (Lourenço; Rezende, 2008) O uso do cartão-presente, segundo Athay (1993), contraria uma regra de etiqueta presente em várias culturas, por revelar o valor monetário do presente. Os tradicionalistas sustentam a posição de que dar dinheiro, não importa qual seja a forma, subtrai o valor simbólico do presente, e representa falta de intimidade e imaginação (Athay, 1993). Além disso, existe a possibilidade do receptor interpretar equivocadamente o cartão-presente, relacionando seu valor monetário com o grau de importância do relacionamento, ou seja, quanto menor o valor inserido no cartão, menos importante seria a relação. (Webley, 1982) Em relação aos valores atribuídos a cartões-presentes por presenteadores e presenteados, o estudo de Tuten e Kiecker (2009) apresentou alguns resultados interessantes. Entre 556 comentários sobre o cartão-presente, 58,8% foram associados com o atributo liberdade de escolha, pois permite ao presenteado escolher o que deseja, 22% com o atributo funcionalidade, pois é prático e atende rapidamente ao objetivo de presentear, 13,1% com o atributo social, pois corresponde às regras de etiqueta da sociedade e 6,1% com o atributo econômico, este último relacionado ao valor do dinheiro propriamente dito. Apesar do cartão- 58 presente representar um produto monetário, ele não foi fortemente associado ao dinheiro. (Tuten e Kiecker, 2009) Outros comentários coletados no estudo indicam que, diferentemente dos presentes em dinheiro, que podem ser guardados para situações de necessidade, os cartões-presentes, por suas características, são usados para atender desejos imediatos. Finalmente, de acordo com Yu (2010), o crescimento das vendas dos cartões-presentes é estimulado, sobretudo, por: (1) permitir aos destinatários escolher os presentes que eles realmente desejam; (2) aliviar a pressão dos presenteadores para escolha do presente apropriado; (3) beneficiar os varejistas, pois trazem aumento das vendas, divulgam as marcas e fidelizam os clientes. 3.1. O CARTÃO-PRESENTE NO BRASIL No Brasil, o mercado de cartões-presentes ainda é muito incipiente, se comparado ao mercado americano. Segundo uma pesquisa realizada em 2009 pela ToolBoxTM, 74% das pessoas entrevistadas no Brasil disseram nunca ter comprado um cartão-presente e 64% afirmaram nunca ter recebido. Resultados similares foram observados por Santana et al. (2006) numa amostra de 95 alunos do curso de Administração da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em que 71,6% dos entrevistados nunca haviam comprado um cartão-presente para presentear alguém ou não conheciam o cartão-presente e, 65,3% nunca haviam recebido esse tipo de presente. Apesar disso, algumas lojas, principalmente as grandes redes de varejo, estão começando a observar o cartão-presente como uma oportunidade de negócio. Entretanto, por acreditarem na hipótese de que o consumidor brasileiro é mais emocional do que o consumidor americano, os profissionais de marketing destas lojas no Brasil tem agregado ao cartão-presente características que os diferenciam de um simples vale-compras, desenvolvendo diferentes embalagens, modelos, aromas, brilhos, etc. 59 O baixo índice de utilização do cartão-presente no Brasil mostra que existe uma grande oportunidade de exploração deste produto no mercado nacional. Cientes do seu potencial, as empresas estão oferecendo cada vez mais o produto em diferentes segmentos de mercado e investindo para deixar o produto mais atraente ao consumidor brasileiro. Desta forma, o produto não perde a característica do fator surpresa do presente e pode ter maior aceitação por parte dos consumidores. As novidades vão desde a diversidade de temas e formatos, como é o caso dos cartões recortados, a recursos como relevo, brilho, textura e até mesmo perfume, como o do cartão-bebê, com cheirinho de talco infantil, e o de brinquedos, com cheiro de tutti-frutti. (Mendes, 2007) As lojas Renner, por exemplo, no Natal de 2007 lançaram um cartão-presente no mercado com “card design” diferenciado, contendo estampas natalinas. O cartão poderia ser carregado com créditos entre R$ 15,00 e R$ 1 mil e foi um sucesso de vendas naquele Natal. A rede C&A também vem apostando em cartões-presentes específicos para as datas comemorativas, com valores a partir de R$ 10,00. Nas duas redes, C&A e Renner, o cartão tem prazo de um ano para ser usado e não é preciso gastar toda a quantia que foi creditada de uma só vez. Além disso, o cartão pode ser recarregável a qualquer momento, sem ônus para o usuário, o que o torna um meio de pagamento semelhante aos cartões pré-pagos. Nas Lojas Americanas, o cartão-presente é oferecido em quatro valores fixos: R$ 15,00, R$ 25,00, R$ 50,00, e R$ 100,00. São diversos os modelos de cartão-presente ofertados no mercado. Em relação ao valor de face, podem ser oferecidos cartões com valores fixos, como no caso das Lojas Americanas, e valores definidos pelo cliente no momento da compra, como no caso das lojas Renner. Em relação ao prazo de validade, existem lojas que fornecem cartões com 1 ano de validade, outras com 3 anos. Vale lembrar que quanto menor o prazo de validade, maiores as chances de o varejista ficar com o dinheiro não utilizado pelo usuário do cartão, pois após o prazo de validade, não é possível recuperar o dinheiro. Ressalta-se, sobre esta questão do prazo, que 60 nos Estados Unidos, estão começando a surgir algumas leis que regulam o mercado e cartões pré-pagos, com intuito de proteger o consumidor. Em 2006 foi lançado pelo órgão competente às regulações das práticas mercadológicas (Horne, 2007) um boletim que oficializou as regras de venda do cartão-presente, tais como comunicação clara sobre as taxas envolvidas na manutenção dos cartões, prazo de validade superior a 12 meses, banco ou empresa emissora, entre outros. (Horne, 2007) Em relação ao modelo de utilização, alguns são recarregáveis, outros não. Cartões recarregáveis são aqueles que permitem ao usuário creditar mais valor ao cartão em qualquer momento. Este processo normalmente é feito nas próprias lojas ou pela internet. Nestes casos, o cartão-presente deve estar vinculado a um CPF e a um número de série, para que seja feito o controle de gastos pelo próprio usuário. A ativação destes cartões-presentes é feita nas lojas ou através de um hotsite próprio. Algumas redes de supermercado multinacionais também trouxeram o produto para o Brasil, já vendido no exterior há mais tempo. O cartão-presente do Carrefour oferece recarga mínima de R$ 10,00. É possível utilizá-lo para pagar qualquer produto das lojas Carrefour, além de poder abastecer o carro e recarregar o celular. Eles aproveitaram também para ofertar alguns serviços financeiros em conjunto com o cartão e disponibilizaram a opção de garantia estendida nas compras produtos eletroeletrônicos e eletrodomésticos. É um cartão Recarregável com prazo de validade de 12 meses, a partir da última utilização. O Extra, do Grupo Pão de Açúcar, realizou um estudo para definir novas estratégias de atuação no Brasil e descobriu que mais da metade dos clientes (56%) considera o cartãopresente uma alternativa que facilita a sua escolha e as compras. Logo, a rede aproveitou a oportunidade e adotou uma nova proposta para o produto, em que oferece 14 cartões personalizados e desenvolvidos para as mais diversas ocasiões. O cartão é disponibilizado para saldos de R$ 10,00 à R$ 500,00. Confeccionado em plástico reciclado, com código de barras e numeração com 16 dígitos, possui a senha/código “raspadinha” com 4 dígitos e não é recarregável. 61 O supermercado carioca Zona Sul também já oferece o produto, tanto nos caixas automáticos quanto no e-commerce da rede. O cartão-presente Zona Sul é ofertado em quatro valores diferentes (R$ 30, R$ 50, R$ 100 e R$ 200) e é válido para ser utilizado somente uma vez. Após o uso, o cartão fica retido na loja. O grupo SBF, que reúne as lojas Centauro, By Tennis e Almax Sports, também investiu em estampas mais atrativas para os cartões-presentes e são oferecidos em cinco diferentes valores: R$ 20, R$ 50, R$ 100, R$ 150 e R$ 200. A maioria destas empresas não se responsabiliza no caso de perda, furto ou roubo do cartão e não aceita a devolução ou troca por dinheiro, pagamento de fatura, compras parceladas ou produtos financeiros. E, conforme já dito anteriormente, após expiração do prazo de validade, o cartão é desativado e o eventual saldo não pode ser devolvido; Conforme Wanderval Alencar, diretor-executivo da CSU2, os cartões-presentes têm crescido cada vez mais no Brasil. Segundo ele, o varejo brasileiro tem bastante interesse neste produto, pois além de ajudarem a incrementar as vendas, sobretudo em datas comemorativas, podem contribuir para aumentar o faturamento das lojas, visto que as pessoas tendem a gastar a mais do que o próprio valor de face do cartão. A CSU atua no mercado de prestação de serviços para as áreas de processamento e administração de meios eletrônicos de pagamento. Atualmente, é a maior companhia deste segmento em toda a América Latina. Para o diretor de Marketing e Serviços da rede de livraria Saraiva, Ricardo Daumas, o modelo de negócios dos cartões-presentes é interessante para suas lojas, pois são uma eficiente maneira de divulgar as marca dos estabelecimentos. Segundo Daumas3, os cartões-presentes movimentam menos de 1% do negócio da empresa, mas despertam muito interesse, pois tiveram um crescimento bem maior do que o das lojas em 2007, apesar da pouca divulgação. 2 Cartões-presentes crescem cada vez mais e devem estourar no Brasil. Disponível em http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/noticia/935930/cart-otilde-presente-crescem-cada-vez-maisdevem-estourar-brasil. Acessado em 16/05/2013. 3 Cartões-presentes crescem cada vez mais e devem estourar no Brasil. Disponível em http://www.infomoney.com.br/minhas-financas/noticia/935930/cart-otilde-presente-crescem-cada-vez-maisdevem-estourar-brasil. Acessado em 16/05/2013. 62 Algumas das principais empresas internacionais que emitem e distribuem cartões-presentes em países da Europa e nos Estados Unidos também estão entrando no mercado brasileiro. São empresas que atuam como prestadoras de serviço para as grandes redes de varejo. Também são essas companhias que projetam os melhores pontos de venda dentro dos varejistas e detêm a tecnologia necessária para validar os cartões no momento do pagamento no caixa. Entre as empresas que já atuam no país, está a americana Blackhawk, que entrou no mercado nacional em 2011. Presente em 18 países, a rede distribui os cartões que administra - entre eles Nike, Sephora e iTunes, da Apple - em mais de 100 mil pontos de venda em todo o mundo. Em 2009, a Givex, empresa canadense de tecnologia e expertise em ativação e recarga de cartões em mais de 50 países ingressou no mercado brasileiro e, em 2012, estabeleceu uma parceria estratégica com as empresas Alelo - gestora dos cartões Visa Vale - e a Cielo – empresa de adquirência pertencente ao Banco do Brasil e Bradesco. Através desta parceria, a Givex objetiva impulsionar as vendas do produto no Brasil, pois acredita que o país é um “gigante” mercado potencial. Na parceria, a Alelo atua como “Program Manager”, pois já é responsável pela emissão e distribuição dos cartões-presentes de diversos varejistas do Brasil. A Givex atua com sua experiência em ativação e recarga dos cartões, provendo aos varejistas um sistema completo de gestão dos cartões e dos usuários, e a Cielo aporta sua expertise e relacionamento com uma vasta rede de estabelecimentos comerciais ativos no Brasil. De acordo com Maria Augusta Costa4, diretora de Desenvolvimento de Negócios da Givex Brasil, a parceria entre as empresas é uma evidência do crescimento deste mercado no país. Para ela, os cartões-presentes podem se tornar, em breve, a principal escolha de presente dos consumidores brasileiros. 4 Distribuidoras de cartões-presentes impulsionam o mercado nacional. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1022777-distribuidoras-de-cartoes-presente-impulsionam-mercadonacional.shtml. Acesso em 16/05/2013 63 Outra empresa que está surgindo no Brasil para emissão e distribuição de cartões-presentes é a Vale Presente. A empresa surgiu em 2012 com investimentos de R$ 30 milhões e tem como objetivo popularizar a compra de cartões-presentes no Brasil. A mecânica da empresa é vender os cartões-presentes através de um portal on-line, reunindo cartões-presentes de diversas marcas e categorias, entre elas Netshoes, Dafiti, Cacau Show, Fast Shop, Puma, Zippo, Nivea, etc. A empresa fechou uma parceria com a bandeira internacional de cartões Mastercard e qualquer um de seus cartões é aceito em qualquer estabelecimento credenciado à rede Mastercard no Brasil5. De acordo com Rafael D’Andrea, diretor de Desenvolvimento da ToolBoxTM6, os cartõespresentes ainda têm pouca expressão no Brasil por vários fatores, como por exemplo a existência de poucos varejistas com expressão nacional para que as pessoas possam dar um cartão-presente para parentes distantes, que seja aceito em qualquer lugar do país. Outro fator importante é que a internet ainda é vista com insegurança para compras pelo brasileiro, e este é um importante canal de vendas deste produto. Além disso, as grandes bandeiras de cartão de crédito ainda estão em fase de lançamento e teste dos cartões-presentes “abertos”, ou seja, aceitos como meios de pagamentos em quaisquer estabelecimentos credenciados. E por último, conforme D’Andrea, no Brasil não há o costume cultural de presentear com dinheiro, o que pode ser uma barreira para o crescimento dos cartões-presentes, que ainda são vistos por muitos como um presente monetário. Contudo, no ponto de vista do executivo, existe uma tendência de mudança deste cenário, pois os varejistas estão identificando oportunidades de negócio com os cartões-presentes, visto que com esta ferramenta, podem receber antecipadamente o valor da venda e ainda obterem receita com a venda de cartões de sua rede em outras lojas, o que aumenta a oferta do produto no mercado. 5 Cartão-presente: Mercado Brasileiro ganha primeira empresa especializada em Gift Cards. Disponível em http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/prnewswire/2012/07/23/cartão-presente-mercado-brasileiro-ganhaprimeira-empresa-especializada-em-gift-cards.jhtm. Acesso em 16/05/201. 6 Mercado de Gift Card no Brasil. Disponível em http://toolboxtm.com.br/2010/03/30/mercado-de-gift-card-nobrasil/. Acesso em 16/05/2013. 64 Em uma pesquisa realizada pela ToolBoxTM sobre os cartões-presentes com 419 pessoas, feita através da internet, as dez lojas mais citadas pelos entrevistados foram Americanas (22%), Submarino (18%), C&A (11%), Extra, Renner e Livraria Saraiva (7% cada), Marisa (5%), Walmart, Sam’s Club e Fnac (3% cada). Um estudo de 2012, encomendado pela empresa de programas de relacionamento com o consumidor First Data7 e realizado pela empresa de pesquisa Millward Brown, examinou as preferências culturais relativas aos comportamentos do ato de presentear no Brasil, Chile, Costa Rica, Guatemala e México. O estudo, que coletou dados qualitativos, mostrou que mesmo cada país tendo suas particularidades, temas comuns surgiram em todas as regiões quando o assunto era presentear: cultura, tradição, emoção, surpresa, preço, entre outros. O que demonstra que estes atributos são importantes para as pessoas ao comprar e receber presentes. Uma previsão recente do grupo de pesquisa TowerGroup8 aponta que o uso de cartões prépagos na América Latina, entre eles cartões-presentes, crescerá de seu nível atual para mais de 110 bilhões de dólares até 2021. Este crescimento será impulsionado por uma variedade de fatores que vão desde maior familiaridade com os cartões pré-pagos até a mudança de percepções ligadas à segurança, flexibilidade, tradição, etc. 7 A First Data White Paper, Gift Card Opportunities in Latin America, 2012, disponível em http://www.firstdata.com/downloads/thought-leadership/Latin_American_GC_WP.pdf. Acesso em 06/03/2013. 8 O poder dos cartões-presentes. Disponível em http://www.prnewswire.com/news-releases/the-power-of-plastic--gift-cards-to-surpass-100-billion-in-2011-sales-135915223.html. Acesso em 06/03/2013. 65 4. METODOLOGIA DE PESQUISA O objetivo deste capítulo é apresentar o método e os procedimentos utilizados na realização deste estudo. Serão apresentadas neste capítulo as seguintes etapas: (1) O Problema e as Questões de Pesquisa, (2) Tipo de Pesquisa, (3) População e Amostra, (4) Coleta de Dados e (5) Análise dos Resultados. 4.1. O PROBLEMA E AS QUESTÕES DE PESQUISA Este estudo se ocupa da análise da percepção do consumidor em relação a um produto ainda pouco introduzido no mercado brasileiro, o cartão-presente. São três os problemas de pesquisa, apresentados a seguir. (1) O principal problema é entender se realmente existe um estigma relacionado a produtos monetários e consequentemente ao cartão-presente. (2) Em segundo, como este é um produto ainda em fase de penetração no Brasil, um outro problema seria a sua aceitação pelos consumidores brasileiros, visto que em outros mercados (americano, europeu, australiano e chinês, por exemplo) o cartão-presente já se encontra em fase de maturação e é bem assimilado pela população. (3) Em terceiro, o presente estudo também objetiva analisar se o cartão-presente teria as mesmas características e geraria os mesmos sentimentos dos presentes em dinheiro, visto que esta semelhança foi bastante explorada em pesquisas anteriores nos EUA. A relação entre o cartão-presente e o dinheiro será importante para antecipar potenciais dificuldades que o mercado poderá se deparar com a venda de cartão-presente, se por ventura o dinheiro não for um presente bem aceito pela população. Certamente, esta relação é uma hipótese da pesquisa, que será apresentada adiante em conjunto com as demais hipóteses estatísticas. Assim, surgem nove perguntas específicas deste estudo, a seguir: 1. As pessoas se comportam da mesma forma ao darem e receberem presentes monetários ou tal cenário influencia o comportamento: “o que eu gostaria de dar é a mesma coisa que eu gostaria de receber”? 66 2. A preferência por presentear e ser presenteado com Produto, Dinheiro e CartãoPresente varia conforme o grau de intimidade entre presenteador e presenteado? 3. Existe relação significativa entre presentear com dinheiro e presentear com cartãopresente? 4. Presentes monetários exigem maior desembolso por parte do presenteador em relação a produtos não monetários? 5. Presentear com dinheiro ou cartão-presente propicia liberdade de escolha? 6. Presentear com dinheiro ou cartão-presente gera algum sentimento de culpa no presenteador? 7. Na percepção dos entrevistados, presentes monetários podem revelar falta de criatividade e deselegância por parte do presenteador? 8. Existe preferência do consumidor quanto ao tipo de loja para escolher um cartãopresente vis a vis o grau de intimidade entre presenteado e presenteador? 9. O consumidor brasileiro aceitará bem o cartão-presente? Todas as perguntas acima buscam compreender se, de fato, existe um estigma associado a produtos monetários, conforme analisado por Waldfogel (2001) no artigo Presentes, Dinheiro e Estigma. As perguntas 1 a 8 foram fundamentadas por estudos anteriores, analisados neste trabalho, conforme apresentado na Tabela 4. A questão de pesquisa 9 tem cunho gerencial e exploratório, não estando fundamentada por nenhum autor especificamente. 67 Questões de Pesquisa 1. As pessoas se comportam da mesma forma ao dar e receber presentes monetários ou tal cenário influencia o comportamento: “o que eu gostaria de dar é a mesma coisa que eu gostaria de receber”? Autores Belk (1979); Waldfogel (1983); Wolfinbarger (1990); Athay (1993); Webley (2001); Waldfogel (2002); Horne (2006); Offenberg (2007); Lourenço e Rezende (2008); Valentin e Allred (2012); 2. A preferência por presentear e ser presenteado Waldfogel (1983); Wolfinbarger (1990); com Produto, Dinheiro e Cartão-Presente varia Waldfogel (2002); Offenberg (2007); conforme o grau de intimidade entre presenteador e Lourenço e Rezende (2008); Valentin e Allred presenteado? (2012); Waldfogel (1983); Wolfinbarger (1990); 3. Existe relação significativa entre presentear com Waldfogel (2002); Offenberg (2007); dinheiro e presentear com cartão-presente? Lourenço e Rezende (2008); Valentin e Allred (2012); 4. Presentes monetários exigem maior desembolso por parte do presenteador em relação a produtos não monetários? Waldfogel (1983); Wolfinbarger (1990); Athay (1993); Webley (2001); Waldfogel (2002); Offenberg (2007); Lourenço e Rezende (2008); Valentin e Allred (2012); Waldfogel (1983); Wolfinbarger (1990); 5. Presentear com dinheiro ou cartão-presente propicia liberdade de escolha? Athay (1993); Webley (2001); Waldfogel (2002); Horne (2006); Offenberg (2007); Lourenço e Rezende (2008); Valentin e Allred (2012); Waldfogel (1983); Wolfinbarger (1990); 6. Presentear com dinheiro ou cartão gera algum sentimento de culpa no presenteador Athay (1993); Webley (2001); Waldfogel (2002); Horne (2006); Offenberg (2007); Lourenço e Rezende (2008); Valentin e Allred (2012); Belk (1979); Waldfogel (1983); Wolfinbarger 7. Na percepção dos entrevistados, presentes (1990); Athay (1993); Webley (2001) monetários podem revelar falta de criatividade e Waldfogel (2002); Offenberg (2007); deselegância por parte do presenteador? Lourenço e Rezende (2008); Valentin e Allred (2012); 68 Questões de Pesquisa Autores 8. Existe diferença de comportamento na decisão do Belk (1979); Waldfogel (1983); Wolfinbarger consumidor quanto ao tipo de loja para escolher um (1990); Waldfogel (2002); Offenberg (2007); cartão-presente vis a vis o grau de intimidade entre Lourenço e Rezende (2008); Valentin e Allred presenteado e presenteador? (2012); Tabela 4 - Questões de Pesquisa e Autores 4.2. TIPO DE PESQUISA O presente estudo deve ser classificado como uma pesquisa de natureza descritiva. O método de coleta de dados utilizado foi o de levantamento (survey), em processo direto, no qual o objetivo do estudo fica evidente vis a vis às perguntas formuladas. Na pesquisa descritiva frequentemente existem hipóteses, mas quase sempre especulativas (Aaker et al, 2001). As hipóteses desta pesquisa serão apresentadas no capítulo Resultados, de acordo com cada pergunta de pesquisa, com o intuito de facilitar o entendimento de cada análise. Para cada questão de pesquisa abordada na seção 4.1, foram formuladas hipóteses de pesquisa avaliadas por testes estatísticos, que objetivassem operacionalizar a análise dos dados e, portanto, auxiliar no processo de resposta às questões de pesquisa e na conclusão do estudo. 4.3. INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS Não há uma maneira correta de criar um questionário de pesquisa, pois segundo Aaker et al (2001), não há regras pré-estabelecidas para sua formulação. O autor sugere, a partir da avaliação criteriosa dos objetivos da pesquisa, verificar se as perguntas do questionário atendem a estes objetivos e checar se não há incongruências nas perguntas ou poucas alternativas. Para atender aos objetivos deste estudo, o questionário foi elaborado com o objetivo de responder às nove perguntas de pesquisa apresentadas. Foi desenvolvido um questionário de autopreenchimento com base em escalas identificadas na literatura: escalas de preferência (3 níveis) e concordância (5 pontos). 69 O questionário de 2 páginas consiste em 4 etapas. A primeira parte com uma breve apresentação da pesquisa e com instruções de preenchimento. A segunda parte contém campos para o preenchimento de dados pessoais do respondente. A terceira contém algumas questões de filtro sobre o conhecimento do respondente em relação ao cartão-presente. A quarta parte, com duas questões, sobre a opinião do respondente em relação à sua preferencia quando deseja presentear e quando é presenteado e a última etapa são 41 afirmações em que o respondente deve marcar qual sua opinião dentro de uma escala de concordância de 5 pontos. Antes da aplicação da pesquisa, o questionário foi submetido a testes, visando o aprimoramento da formulação das questões e apresentação do conteúdo. A coleta de dados deve sempre ocorrer somente após um pré-teste (Malhotra, 2001). O pré-teste foi realizado com 10 pessoas, na empresa onde a autora trabalha. Após o preenchimento do questionário, as pessoas eram convocadas a fornecer críticas quanto ao entendimento das questões e a dificuldades no preenchimento. Após esta etapa de pré-teste, a versão final do questionário foi desta forma constituída para a aplicação da pesquisa. As pesquisas anteriores também foram úteis para auxiliar na formatação das perguntas e respostas, tal como definir qual segmentação utilizar para grupos de relacionamento entre presenteado e presenteador. Baseado na pesquisa de Waldfogel (2001), decidiu-se separar as respostas de algumas questões em diferentes grupos de relacionamento, pois acredita-se que o ato de presentear varia para um mesmo indivíduo, de acordo com a relação presenteador e presenteado. A separação dos grupos de relacionamento foi estipulada em seis grupos distintos, cada um representando um conjunto de pessoas que cercam o cotidiano dos indivíduos em geral, tais como: (1) Namorado(a)/Esposo(a), (2) Pais , (3) Amigos Próximos, (4) Tios/Avós, (5) Filhos e (6) Colegas de Trabalho. Vale ressaltar que quatro pesquisas anteriores foram mais intensamente utilizadas como insumo para elaboração do questionário, contudo só foi possível obter o questionário original da pesquisa realizada por Valentin, Allred (2012), apresentado no Anexo II. São elas: (1) Wolfinbarger, Mary Finley (1990), Motivações e Simbolismo no Comportamento do 70 Consumidor no Ato de Presentear (EUA); (2) Waldfogel, Joel (1993), O peso morto do Natal (EUA); (3) Waldfogel, Joel (2001), Presentes, Dinheiro, e Estigma (EUA); (4) Erhard K. Valentin, Anthony T. Allred, (2012), Dando e Recebendo Cartões-Presentes (EUA); O questionário do presente estudo encontra-se disponível no Anexo I. 4.4. POPULAÇÃO E AMOSTRA Em conformidade com os objetivos e com as questões de pesquisa, a população-alvo foi composta por adultos, assalariados, funcionários de médias e grandes empresas, com curso superior ou em fase de conclusão, que residem em capitais brasileiras, pois são nas capitais que estão a maioria das lojas que já oferecem o cartão-presente. A população de uma pesquisa é definida por Malhotra (2001) como a soma de todos os elementos que compartilham algum conjunto comum de características e que compreende o universo para o problema de pesquisa de marketing. Já a população-alvo é definida pelo autor como a coleção de elementos ou objetos que possuem a informação procurada pelo pesquisador e sobre os quais devem ser feitas inferências. A amostra é definida por Malhotra (2001) como um subgrupo dos elementos da população selecionado para participação do estudo. A definição de amostras envolve a escolha do método de amostragem. A seleção do modelo depende dos objetivos do estudo, dos recursos financeiros disponíveis, das limitações de tempo e da natureza do problema que está sendo investigado. (Aaker et al, 2001) As amostras de pesquisa podem ser classificadas como probabilísticas e não-probabilísticas. A amostra probabilística é um processo de seleção no qual cada unidade amostral na população tem uma probabilidade conhecida e diferente de zero de pertencer à amostra. Neste tipo de amostra, a probabilidade de uma pessoa ser entrevistada é a mesma de outra, em virtude de um sorteio das pessoas que pertencem ao universo da pesquisa. Deste modo, os resultados da pesquisa são representativos da população, pois há a possibilidade de estimar a diferença entre um valor encontrado na amostra e o valor real encontrado no universo, chamado de erro amostral. (Pinheiro, 2006) 71 O segundo tipo de amostra de pesquisa é a amostra não-probabilística. Neste tipo, a probabilidade de cada unidade da população pertencer à amostra é diferente. Alguns têm probabilidade maior de pertencer à amostra que outros. A amostra não-probabilística adota um método de seleção não-aleatório, tomando por base critérios subjetivos de seleção dos elementos da amostra, de forma arbitrária pelo pesquisador. Como não há maneira de determinar a probabilidade de escolha de qualquer elemento em particular para a inclusão na amostra, as estimativas obtidas não são estatisticamente projetáveis sobre a população. (Malhotra, 2001) Na amostragem não-probabilística, os custos e o trabalho envolvidos no desenvolvimento de uma estrutura de amostragem são eliminados, mas também o é a precisão com que a informação resultante pode ser apresentada. Portanto, apesar do potencial de tendenciosidade e da possível não representatividade da amostra com relação a qualquer população devido às limitações de orçamento e de tempo, definiu-se que o tipo de amostragem utilizado neste trabalho seria a amostragem nãoprobabilística, sendo o procedimento utilizado a amostragem por conveniência, em função da conveniência da seleção de unidades amostrais mais disponíveis e dos limites orçamentários. A amostra foi limitada às pessoas entre 20 e 55 anos, residentes nas cidades de Belo Horizonte e Rio de Janeiro, que trabalham em empresas de médio e grande porte nestas cidades. Portanto, a escolha da amostra foi por conveniência, devido à dificuldade de conseguir captar verba para aplicar a pesquisa com uma amostra maior e em diversas localidades do Brasil. Para prospectar os questionários, utilizou-se o networking como principal instrumento: algumas pessoas da rede de contatos da pesquisadora foram utilizadas como distribuidoras e coletoras dos questionários preenchidos. 4.5. COLETA DE DADOS A coleta de dados do presente estudo foi realizada através do método de levantamento com perguntas de alternativa fixa, no qual as respostas são limitadas às alternativas apresentadas. Malhotra (2001) aponta que se trata de um método de simples codificação, análise e interpretação dos dados. 72 O procedimento foi feito entre os dias de 03 e 14 de junho de 2013 através de pesquisa auto administrada com 161 pessoas residentes nas cidades do Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Após a etapa de coleta de dados, teve uma etapa de crítica, em que foi feita uma revisão, objetivando identificar possíveis erros de preenchimento de questões, erros de omissão e respostas que não estejam claramente definidas. Do total de 161 questionários recebidos, foram utilizados 126, devido a erros e inconsistências das respostas obtidas. 4.6. ANÁLISE DOS DADOS Os dados coletados dos questionários foram tabulados e, com o auxílio do software SPSS (versão 17.0), foram realizados alguns testes não paramétricos com o intuito de tentar responder às questões de pesquisa. As questões de pesquisa foram transformadas em hipóteses e avaliadas através de testes estatísticos. Os testes estatísticos são fundamentalmente utilizados em pesquisas que têm como objetivo comparar condições experimentais. Há uma série de testes estatísticos que podem auxiliar as pesquisas. Os testes estatísticos fornecem um respaldo científico às pesquisas para que estas tenham validade e tenham aceitabilidade no meio científico e podem ser divididos em paramétricos e não-paramétricos. Conforme Callegari-Jacques (2003), nos testes paramétricos os valores da variável estudada devem ter distribuição normal ou aproximação normal. Nos testes não-paramétricos, também conhecidos como testes de distribuição livre, não há exigências quanto ao conhecimento da distribuição da variável na população. (Siegel, 2006). Neste estudo, os dados foram coletados em uma escala ordinal e a distribuição da variável de interesse não é conhecida, portanto os testes usados foram não-paramétricos. 73 Além disso, os dados foram submetidos a diversos testes em que comparou-se a opinião do mesmo indivíduo para uma mesma variável em cenários diferentes, configurando-se em uma análise de amostras dependentes ou pareadas. A ocorrência de amostras dependentes é necessária para a realização de testes não-paramétricos. Os testes utilizados neste estudo foram: (1) Teste de Wilcoxon, (2) Teste de Friedman e (3) Teste Binomial ou de Mediana . O teste de Wilcoxon foi utilizado para avaliar duas amostras dependentes ou pareadas (Siegel, 2006). Exemplo: comparação das respostas do mesmo indivíduo para presentear e ser presenteado. O teste de Friedman foi necessário quando havia mais de duas amostras dependentes (Siegel, 2006). Exemplo: comparação das respostas dos indivíduos para três diferentes grupos de relacionamento: pais, amigos e namorado (a); O teste de Wilcoxon é apropriado quando os requisitos seguintes forem atendidos (Siegel, 2006): (1) A variável dependente deve ser mensurada no nível ordinal. (2) A variável independente deve ser composta de dois grupos afins categóricos ou pares combinados, os quais indicam que os mesmos sujeitos estão presentes em ambos os grupos, neste caso os grupos são “Ser Presenteado” e “Deseja Presentear”. O teste de Friedman é uma extensão do teste de Wilcoxon, quando há mais de dois grupos categóricos. O teste binomial aplica-se a amostras que provêm de uma população, onde o numero de casos observados podem ser representados por uma variável aleatória que tem distribuição binomial. As amostras consistem em duas classes ou categorias, como por exemplo, concordam ou não concordam. Neste estudo, considerou-se que nas questões cujas respostas estão em uma escala Likert de 5 pontos, valores abaixo de 3 representam a opinião não concordância com a afirmativa e valores acima de 3 representam a opinião de concordância com a afirmativa. 74 As escalas utilizadas para os construtos foram validadas em estudos anteriores e foram operacionalizadas por ordenamento de preferência e por concordância, esta última com escala Likert de 5 pontos. Nas avaliações dos testes estatísticos utilizou-se nível de significância de 5%, ou seja, rejeitou-se a hipótese nula de igualdade quando o p-valor foi inferior a 0,05. 75 5. RESULTADOS Neste capítulo serão apresentados os resultados da análise dos dados, estando estes divididos entre: (1) Dados Pessoais e (2) Análise das Questões de Pesquisa. Os Dados Pessoais trazem as distribuições de frequência relacionadas aos dados pessoais dos participantes, com o intuito de conhecer melhor a amostra analisada. A Análise das Questões de Pesquisa tentará responder cada pergunta de pesquisa do presente estudo, através da verificação das hipóteses, elaboradas com o intuito de operacionalizar o processo analítico de cada questão. 5.1. DADOS PESSOAIS Os dados pessoais obtidos da coleta de dados estão apresentados na Tabela 5. A leitura dos dados informa que: Dos 161 entrevistados, 61%, trabalhavam e moravam no Rio de Janeiro. Houve um equilíbrio entre homens e mulheres, sendo 50,8% dos entrevistados do sexo masculino. Mais de 50% dos entrevistados tinham entre 25 e 34 anos. 80% dos entrevistados tinham curso superior. 76 Dados Pessoais Cidade (trabalho) Gênero Faixa Etária Formação Escolar Segmentações Frequência % Belo Horizonte/MG 49 39 Rio de Janeiro/RJ 77 61 Masculino 64 51 Feminino 62 49 20 a 24 19 15 25 a 29 40 32 30 a 34 28 22 35 a 39 20 16 40 a 44 4 3 Acima de 45 15 12 Superior Inc. 22 18 Superior Com. 46 37 Pós /Mestrado 55 43 Doutorado 3 2 Tabela 5 - Dados Pessoais da Amostra Verificou-se também que na amostra analisada a maioria das pessoas nunca tinham recebido um cartão-presente como um tipo de presente e também nunca presentearam alguém com cartão-presente. Contudo, aproximadamente 10% da amostra já tinha tido contato com o produto mais de 4 vezes. Frequência de contato com cartão-presente Frequência Foi Presenteado Presenteou Alguém Nunca 72% 69% 1 vez 14% 14% 2 vezes 6% 8% 3 vezes 2% 0% 4 vezes 1% 3% 5 ou mais 6% 6% Tabela 6 - Frequência de Contato com Cartão-Presente 77 5.2. ANÁLISE DAS QUESTÕES DE PESQUISA 5.2.1 Percepção e Preferência das Pessoas ao Presentear e Ser Presenteado O objetivo desta análise é entender se o comportamento das pessoas ao presentear com cartãopresente ou com dinheiro é o mesmo comportamento ao ser presenteado com tais tipos de presentes. Verificou-se através da revisão de literatura que existe uma tendência em preferir receber presentes monetários a dar presentes monetários, devido ao estigma relacionado a estes modelos de presente. (Waldfogel, 2001, Wolfinbarger, 1990, Valentin e Allred, 2012) As questões de pesquisa relacionadas a este tema são: (1) As pessoas se comportam da mesma forma ao darem e receberem presentes monetários ou tal cenário influencia o comportamento: “o que eu gostaria de dar é a mesma coisa que eu gostaria de receber”? e (2) A preferência por presentear e ser presenteado com Produto, Dinheiro e Cartão-Presente varia conforme o grau de intimidade entre presenteador e presenteado? Para analisar as duas questões de pesquisa acima, foram elaboradas as seguintes hipóteses de pesquisa: Hipótese 1: O indivíduo apresenta preferência em receber presente monetário quando comparado com dar presente monetário. Hipótese 2: Existe diferença de preferências em receber presente quando comparado com dar presente de acordo com o tipo de presente e com o grau de intimidade entre presenteador e presenteado. Hipótese 3: Existe ordem na preferência pelo tipo de presente de acordo com o cenário e com o grau de intimidade entre presenteador e presenteado. 78 5.2.1.1 Análise da Hipótese 1 Hipótese 1: O indivíduo apresenta preferência em receber presente monetário quando comparado com dar presente monetário. No questionário havia dois fatores que poderiam influenciar as respostas dos participantes, tais como: (1) Tipos de presentes monetários: cartão-presente e dinheiro; e (2) Relação Afetiva: relações próximas e relações não-próximas. Assim, definiu-se por desdobrar a Hipótese 1 em quatro sub-hipóteses: Hipótese 1a: O indivíduo apresenta preferência em receber dinheiro quando comparado com dar dinheiro quando a relação com o presenteado é próxima. Hipótese 1b: O indivíduo apresenta preferência em receber cartão-presente quando comparado com dar cartão-presente quando a relação com o presenteado é próxima. Hipótese 1c: O indivíduo apresenta preferência em receber dinheiro quando comparado com dar dinheiro quando a relação com o presenteado não é próxima. Hipótese 1d: O indivíduo apresenta preferência em receber cartão-presente quando comparado com dar cartão-presente quando a relação com o presenteado não é próxima. Seguem abaixo as perguntas do questionário utilizadas para a verificação destas hipóteses: Para a hipótese 1a: Quando a relação afetiva com o presenteado é PRÓXIMA, Eu não me importaria em PRESENTEAR com dinheiro. Quando a relação afetiva com o presenteado é PRÓXIMA, Eu não me importaria SER PRESENTEADO com dinheiro. 79 Para a hipótese 1b: Quando a relação afetiva com o presenteado é PRÓXIMA, Eu não me importaria em PRESENTEAR com cartão-presente. Quando a relação afetiva com o presenteado é PRÓXIMA, Eu não me importaria SER PRESENTEADO com cartão-presente. Para a hipótese 1c: Quando a relação afetiva com o presenteado NÃO é PRÓXIMA, Eu não me importaria em PRESENTEAR com dinheiro. Quando a relação afetiva com o presenteado NÃO é PRÓXIMA, Eu não me importaria SER PRESENTEADO com dinheiro. Para a hipótese 1d: Quando a relação afetiva com o presenteado NÃO é PRÓXIMA, Eu não me importaria em PRESENTEAR com cartão-presente. Quando a relação afetiva com o presenteado NÃO é PRÓXIMA, Eu não me importaria SER PRESENTEADO com cartão-presente. Para que os participantes respondessem a cada uma destas oito afirmativas, utilizou-se a escala Likert de 5 pontos, em que eles deveriam optar por uma das alternativas entre: Discordo, Discordo Parcialmente, Não Discordo Nem Concordo, Concordo Parcialmente e Concordo. O teste utilizado nesta análise foi o teste de Wilcoxon, cujo resultado é apresentado na Tabela 7. 80 Médias Tipo de Relação Ser Presente Afetiva Presenteado Cartão- Não-Próxima Presente Dinheiro Teste de Wilcoxon Presentear Z p-valor 3,91 3,52 -4,382a 0,000 Próxima 3,87 3,45 -4,465a 0,000 Não-Próxima 3,01 2,18 -4,811a 0,000 2,78 a 0,000 Próxima 3,70 -5,802 Tabela 7 - Hipótese 1 - Resultado do Teste de Wilcoxon Verifica-se que o p-valor é menor que 0,05 para todos os fatores analisados. Portanto, existe diferença significativa entre os cenários presentear e ser presenteado, tanto com cartãopresente e com dinheiro, nos dois tipos de relações afetivas, próximas e não-próximas. Na prática, o resultado indica que existe preferência das pessoas por serem presenteadas com presentes monetários em relação a presentear com presentes monetários. Para “cartão-presente” especificamente, verifica-se que existe uma tendência em concordar que ser presenteado com cartão-presente é menos incômodo do que presentear com este tipo de presente. Este comportamento é pertinente aos dois tipos de relações afetivas, próxima e não-próxima. Para “dinheiro”, o resultado é similar: as pessoas tendem a concordar que não se importam em serem presenteadas com dinheiro e tendem a discordar que não se importariam em presentear com dinheiro, em qualquer tipo de relação afetiva. Este resultado era esperado e confirma o estigma relacionado a presentes monetários, conforme observado por Waldfogel (2001): as pessoas preferem receber um presente monetário ao presentear com presente monetário, pois dar dinheiro, por exemplo, implica em questões relativas à tradição, cultura, símbolo, entre outras que tornam o dinheiro um tipo de presente estigmatizado e pouco usual nas relações de troca. (Waldfogel, 2001; Valentin & Allred, 2012) 81 Sendo assim, verifica-se suporte para hipótese 1 baseado nos resultados dos empíricos da pesquisa. 5.2.1.2 Análise da Hipótese 2 Hipótese 2: Existe diferença de preferências em receber presente quando comparado com dar presente de acordo com o tipo de presente e com o grau de intimidade entre presenteador e presenteado. Para a verificação desta hipótese, foi utilizada a seguinte pergunta do questionário: “Classifique em ordem decrescente, o que você prefere entre produto, dinheiro o cartãopresente quando DESEJA PRESENTEAR pessoas e quando É PRESENTEADO, conforme cada grupo de relacionamento: Pais, Amigos, Colegas, Namorada/Esposa, Tios e Avós e Filhos.” No questionário, para responder a esta questão, foi solicitado que os participantes classificassem sua preferência entre produto, dinheiro ou cartão-presente, quando desejam presentear alguém e quando são presenteados por alguém (a classificação deveria ser de 1 a 3, em que 3 é o mais preferido e 1 o menos preferido). Assim, definiu-se por desdobrar a Hipótese 2 em dezoito sub-hipóteses, considerando a comparação da preferência entre dar e receber os três tipos de presente analisados - dinheiro, cartão-presente e produto - conforme a relação entre presenteador e presenteado - pais, amigos, namorado(a)/esposo(a), tios ou avós e filhos - seguindo o seguinte formato: Hipótese (1 a 18): O indivíduo apresenta diferença de preferência em receber cartãopresente/dinheiro/produto quando comparado com dar cartão-presente/dinheiro/produto para seus pais/ amigos/namorado(a) ou esposo(a)/tios ou avós/filhos O teste utilizado nesta análise foi o teste de Wilcoxon, cujo resultado está apresentado na Tabela 8. 82 Médias Tipo de Grupo de Ser Presente Relacionamento Presenteado Pais Teste de Wilcoxon Presentear Z P-valor 1,46 1,61 -2,874a 0,004 Amigos 1,83 1,8 -,539b 0,590 Cartão- Namorado/Esposo 1,66 1,71 -1,061a 0,289 Presente Colegas 1,99 2,01 -,326a 0,744 Tios e avós 1,71 1,75 -,936a 0,349 Filhos 1,62 1,45 -1,964b 0,050 Pais 2,55 2,87 -4,599a 0,000 Amigos 2,78 2,89 -2,738a 0,006 a 0,130 Produto Dinheiro Namorado/Esposo 2,89 2,94 -1,513 Colegas 2,62 2,71 -2,147a 0,032 Tios e avós 2,49 2,79 -4,100a 0,000 Filhos 2,87 2,77 -1,008b 0,313 Pais 1,99 1,53 -5,250a 0,000 Amigos 1,39 1,31 -1,619a 0,105 Namorado/Esposo 1,45 1,34 -1,940a 0,052 Colegas 1,39 1,28 -2,342a 0,019 Tios e avós 1,81 1,46 -3,775a 0,000 Filhos 1,52 1,77 -2,140b 0,032 Tabela 8 - Hipótese 2 - Resultado do Teste de Wilcoxon A análise do resultado do teste foi feita separadamente por tipo de presente, nos itens que seguem abaixo. 5.2.1.2.1 Análise do Tipo de Presente Cartão-Presente Para cartão-presente, o teste de Wilcoxon apresentou significância menor que 0,05 somente para os grupos de relacionamento pais e filhos. Nestes casos, existe diferença significativa entre presentear e receber o cartão-presente. Isto significa que na opinião dos participantes, presentear os pais com cartão-presente é diferente de receber um cartão-presente deles, por 83 exemplo. Esta diferença será mais profundamente analisada na seção seguinte, em que será avaliada a preferência dos participantes pelos tipos de presente em questão. Contudo, independente da preferência, verifica-se que os comportamentos são diferentes em cada cenário, caso contrário o teste estatístico não apresentaria diferença significativa no resultado. Além disso, verifica-se que existe uma tendência a preferir presentear com cartão-presente a ser presenteado (veja as médias no gráfico 1, em que 1 é menos preferível e 3 mais preferível). Este resultado vai ao encontro do que foi visto na seção 5.2.1, em que receber cartão-presente é mais aceitável do que presentear com cartão-presente, independente do tipo de relação. Para os demais grupos de relacionamento, não existe diferença entre presentear e ser presentado com cartão-presente. Cartão-Presente 1,46 1,61 Pais 1,83 1,8 Amigos 1,66 1,71 1,99 2,01 1,71 1,75 1,62 1,45 Namorado/ Colegas Tios e avós Filhos Ser Presenteado Presentear Gráfico 1 - Hipótese 2 - Análise do Tipo de Presente Cartão-Presente 5.2.1.2.2 Análise do Tipo de Presente Produto O teste de Wilcoxon apresentou significância menor que 0,05 para os grupos de relacionamento pais, amigos, colegas e tios/avós. Isto significa que para estes grupos de relacionamento, existe também diferença entre presentear e ser presenteado com produto, apesar deste tipo de presente ter obtido as maiores médias se comparado com os demais (veja gráfico 2). Na prática, as pessoas tendem a preferir o produto, mas seu comportamento ao escolhê-lo entre os tipos de presente em questão não é o mesmo que ao escolhê-lo para ser presenteado. 84 Este resultado era esperado, uma vez que foi visto na literatura que presentear é uma atitude que envolve fatores como surpresa, símbolo, ritual, entre outros, inerentes a presentes não monetários. Portanto, esperava-se que houvesse uma tendência em preferir presentear com produto a ser presenteado com produto. Para os demais grupos de relacionamento, não existe preferência entre presentear e ser presentado com este tipo de presente. Produto 2,87 2,78 2,89 2,55 Pais Amigos 2,89 2,94 2,62 2,71 2,79 2,87 2,77 2,49 Namorado/ Colegas Tios e avós Ser Presenteado Presentear Filhos Gráfico 2 - Hipótese 2 – Análise do Tipo de Presente Produto 5.2.1.2.3 Análise do Tipo de Presente Dinheiro O teste de Wilcoxon apresentou significância menor que 0,05 para os grupos de relacionamento pais, colegas, tios/avós e filhos. Logo, para estes grupos, quando o tipo de presente for dinheiro, também existe diferença significativa entre presentear e receber. para os grupos pais, colegas e tios/avós, a preferência por ser presenteado em dinheiro é maior do que presentear em dinheiro (veja gráfico 3). Já para o grupo filhos, é preferível presentear a ser presentado com dinheiro. Para os grupos de relacionamento amigos e namorado (a)/esposo (a), não houve diferença significativa nos resultados. 85 Dinheiro 1,99 1,53 1,39 1,31 1,45 1,34 1,39 1,28 1,81 1,46 1,52 1,77 Pais Amigos Namorado/ Colegas Tios e avós Filhos Ser Presenteado Presentear Gráfico 3 – Hipótese 2 - Análise do Tipo de Presente Dinheiro Logo, com base nos itens 5.2.1.2.1, 5.2.1.2.2 e 5.2.1.2.3 verifica-se suporte parcial para hipótese 2 baseado nos resultados dos empíricos da pesquisa. 5.2.1.3 Análise da Hipótese 3 Hipótese 3: Existe ordem na preferência pelo tipo de presente de acordo com o cenário e com o grau de intimidade entre presenteador e presenteado. Nas análises anteriores, verificou-se que existe uma tendência dos participantes em preferirem o tipo de presente Produto ao presentear e ao ser presenteado. E isto ocorreu independente do grupo de relacionamento analisado. Foi visto também que receber presente e dar presente não são a mesma coisa. Logo, é necessário verificar se a diferença é significativa entre os tipos de presente, para cada grupo de relacionamento e para cada cenário. Ou seja, a ordem na preferência pelos tipos de presente é realmente significativa? E a ordem na preferência pelos tipos de presente é a mesma para cada cenário? Para esta análise, a hipótese 3 foi desdobrada em 48 sub-hipóteses, considerando os cenários ser presenteado e presentear e os cinco grupos de relacionamento analisados: pais, amigos, namorado(a)/esposo(a), tios ou avós e filhos. Sendo 12 hipóteses relacionadas à comparação entre produto, dinheiro e cartão-presente, 12 relacionadas à comparação entre produto e dinheiro, 12 relacionadas à comparação entre produto e cartão-presente e 12 relacionadas à 86 comparação entre dinheiro e cartão-presente. Todas as 48 hipóteses seguindo o formato a seguir: Hipótese (1 a 48): Existe ordem na preferência pelo tipo de presente ao ser presenteado/presentear pelos pais/amigos/namorado/tios ou avós/filhos, quando comparado cartão-presente, produto e dinheiro/cartão-presente e dinheiro/cartão-presente e produto/produto e dinheiro. A análise utilizada para fazer esta verificação foi o teste de Friedman e os resultados de pvalor encontram-se na Tabela 9. Primeiramente, verifica-se que produto é o presente preferido em todos os cenários e para todos os grupos de relacionamento. Este resultado ratifica o que vimos na seção 5.2.1.1, onde concluiu-se que os presentes monetários ainda são estigmatizados e portanto, não seriam preferenciais. Além disso, os resultados do teste indicam que existe ordem na preferência pelo tipo de presente em quase todos os casos, ou seja, exceto para: (1) presentear os pais com cartãopresente ou dinheiro; (2) ser presenteado pelos tios/avós com cartão-presente ou dinheiro e (3) presentear e ser presenteado pelos filhos com cartão-presente ou dinheiro. Isto significa que, nestes casos, tanto faz utilizar um presente ou outro, o efeito surtiria o mesmo. Além disso, verifica-se que a ordem da preferência entre os tipos de presente monetários em questão é diferente para entre os cenários presentear e ser presenteado em alguns casos, tais como: (1) para os grupos pais, namorado(a)/esposo(a) e tios/avós, existe uma tendência a preferir ser presenteado com dinheiro a cartão-presente e preferir presentear com cartãopresente, ao invés de usar dinheiro; (2) para o grupo filhos, os participantes preferem usar o dinheiro para presentear, entretanto, ao receber, preferem que os filhos lhe deem um cartãopresente. Sendo assim, verifica-se suporte parcial para hipótese 3 baseado nos resultados empíricos da pesquisa. 87 Tabela 9 - Teste da Hipótese 3 - Resultado do Teste de Friedman (média e p-valor) Namorado (a)/ Esposo (a) Pais Amigos Colegas Tios/Avós Filhos Tipos de Presente (Amostras Dependentes) Dar Receber Dar Receber Dar Receber Dar Receber Dar Receber Dar Receber Produto 2,9 2,9 2,9 2,6 2,9 2,8 2,7 2,6 2,8 2,5 2,8 2,9 1,3 1,7 1,5 2,0 1,3 1,4 1,3 1,4 1,5 1,8 1,8 1,5 1,7 1,4 1,6 1,5 1,8 1,8 2,0 2,0 1,8 1,7 1,5 1,6 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 2,9 2,9 2,9 2,6 2,9 2,8 1,9 1,9 1,9 1,7 1,8 1,9 1,3 1,7 1,5 2,0 1,3 1,4 1,1 1,1 1,1 1,3 1,2 1,1 0,0000 0,0000 0,0000 0,0001 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 2,9 2,9 2,9 2,6 2,9 2,8 1,8 1,7 1,9 1,8 1,9 1,9 1,7 1,4 1,6 1,5 1,8 1,8 1,2 1,3 1,1 1,2 1,1 1,1 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 0,0000 1,7 1,4 1,6 1,5 1,8 1,8 1,8 1,7 1,7 1,5 1,4 1,6 1,3 1,7 1,5 2,0 1,3 1,4 1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,5 0,0000 0,0242 0,2334 0,0001 0,0000 0,0001 0,0000 0,0000 0,0010 0,5211 0,0754 0,4386 Dinheiro Média Cartão p-valor Produto Média Dinheiro p-valor Produto Média Cartão p-valor Cartão Média Dinheiro p-valor 5.2.2 Análise da semelhança entre cartão-presente e dinheiro Verificou-se na revisão de literatura que existe uma aproximação do cartão-presente ao dinheiro. (Lourenço, Rezende, 2008; Santana et al., 2006; Valentin & Allred, 2012). A maioria dos artigos sobre cartão-presente faz uma comparação destes com presentes em dinheiro, visto que o cartão-presente é o dinheiro “plastificado”, com alguns adornos tais como embalagem, marca, prazo de validade, etc. Esta análise é importante para saber se o brasileiro concorda com esta aproximação, visto que o cartão ainda é pouco utilizado pela nossa sociedade. Segue a questão de pesquisa relativa a esta análise: Existe relação significativa entre presentear com dinheiro e presentear com cartão-presente? Esta questão é responsável pela hipótese de pesquisa H4: Hipótese 4: Existe diferença entre presentear com dinheiro e com cartão-presente. 5.2.2.1 Análise da Hipótese 4 Para a verificação desta hipótese foi utilizada a seguinte pergunta do questionário: “eu acredito que presentear com cartão-presente e dinheiro seja a mesma coisa”. Para que os participantes respondessem a esta questão, utilizou-se a escala Likert de 5 pontos em que eles deveriam optar por uma das alternativas entre: Discordo, Discordo Parcialmente, Não Discordo Nem Concordo, Concordo Parcialmente e Concordo. O teste de hipótese utilizado para verificação desta foi o teste não-paramétrico binomial, assumindo-se que 3 é o momento de indiferença e que valores abaixo de 3 representam diferença (discordam da afirmativa proposta). Vale ressaltar que foram retiradas da base de dados todas as respostas cuja opinião do participante fosse equivalente à opção “Não concordo, nem discordo”, pois estas respostas 89 não são desejadas para o teste em questão, em que o objetivo é analisar se as pessoas tendem a concordar ou discordar da afirmativa acima. Segue o resultado do teste, apresentado na Tabela 10. Grupos de Categoria N Discordo <3 87 Concordo >3 30 Amostras Total Teste Prob. P-valor 0,50 0,000 117 Tabela 10 - Hipótese 4 - Resultado do Teste Binomial De acordo com o resultado do teste binomial, verifica-se que existe diferença significativa entre presentear com cartão presente e com dinheiro. Além disso, é possível identificar que a maioria das pessoas tende a discordar da afirmativa em questão. Portanto, presentear com dinheiro e presentear com cartão-presente não são a mesma coisa pelo ponto de vista dos participantes. Sendo assim, verifica-se suporte para hipótese 4 baseado nos resultados empíricos da pesquisa. 5.2.3 Análise dos atributos relativos a presentes monetários Na revisão de literatura foi visto que existem alguns atributos que estão intrinsicamente relacionados a presentes monetários: falta de magia e criatividade, necessidade de gastos adicionais, liberdade de escolha e flexibilidade para o presenteado, sensação de culpa, entre outros. (Lourenço, Rezende, 2008; Waldfogel, 1993; Wolfinbarger, 1990; Bourdieu, 1996). As questões de pesquisa relacionadas a este tema são: (1) Presentes monetários exigem maior desembolso por parte do presenteador em relação a produtos não monetários?; (2) Presentear com dinheiro ou cartão-presente propicia liberdade de escolha?; e (3) Presentear com dinheiro ou cartão gera sentimento de culpa no presenteador? e (4) Presentes monetários podem revelar falta de criatividade e deselegância por parte do presenteador? 90 Estas perguntas são responsáveis pelas hipóteses de pesquisa H5, H6, H7 e H8: Hipótese 5: Presentes monetários exigem maior desembolso quando comparados a produto. Hipótese 6: Presentear com presente monetário propicia liberdade de escolha ao presenteado. Hipótese 7: Presentear com presente monetário gera sentimento de culpa no presenteador. Hipótese 8: Presentes monetários podem revelar falta de criatividade e deselegância por parte do presenteador Para todas as hipóteses de pesquisa citadas acima, o teste de verificação utilizado foi o teste não-paramétrico binomial, assumindo-se que 3 é o momento de indiferença e que valores abaixo de 3 representam diferença. Vale ressaltar que foram retiradas da base de dados todas as respostas cuja opinião do participante fosse equivalente a opção “Não concordo, nem discordo”, pois estas respostas não são desejadas para o teste em questão, em que o objetivo é analisar se as pessoas tendem a concordar ou discordar das afirmativas acima. 5.2.3.1 Análise da Hipótese 5 Hipótese 5: Presentes monetários exigem maior desembolso quando comparados a produto. Para operacionalização desta análise, a hipótese 5 foi desdobrada em 2 sub-hipóteses: Hipótese 5a: Cartão-presente exige maior desembolso quando comparado a produto. Hipótese 5b: Dinheiro exige maior desembolso quando comparado a produto. 91 O resultado do teste binomial para verificação desta hipótese está apresentado na Tabela 11. Tipo de Presente CartãoPresente Grupos Categoria N Discordo <3 39 Concordo >3 55 Total Dinheiro Teste Prob. P-valor .50 0,121 .50 0.000 94 Discordo <3 31 Concordo >3 67 Total 98 Tabela 11- Hipótese 5 - Resultado do Teste Binomial O resultado do teste binomial indica cartões-presentes não demandam gastos superiores a produtos, entretanto presentes em dinheiro demandam gastos superiores. Este resultado confirma o que foi visto na revisão de literatura, pois conforme a pesquisa de Webley (1982), as pessoas tendem a gastar mais do que gastariam com um produto caso fossem presentear com dinheiro ou cheque. Sendo assim, verifica-se suporte para hipótese 5, baseado nos resultados empíricos da pesquisa. 5.2.1.1 Análise da Hipótese 6 Hipótese 6: Presentear com presente monetário propicia liberdade de escolha ao presenteado. Para operacionalização desta análise, a hipótese 6 foi desdobrada em 2 sub-hipóteses: Hipótese 6a: Presentear com cartão-presente propicia liberdade de escolha ao presenteado Hipótese 6b: Presentear com dinheiro propicia liberdade de escolha ao presenteado 92 O resultado do teste binomial para verificação desta hipótese está apresentado na Tabela 12. Tipo de Presente Dinheiro Grupos Categoria N Discordo <3 29 Concordo >3 68 Total Cartão-Presente P-valor .50 0.000 .50 0.000 97 Discordo <3 19 Concordo >3 77 Total Teste Prob. 96 Tabela 12 - Hipótese 6 - Resultado do Teste Binomial Para ambos os tipos de presentes monetários, existe uma tendência das pessoas em concordarem que seus presenteados se sentiriam bem em ter liberdade de escolha para escolherem seu próprio presente. 68% dos participantes concordam que o dinheiro propicia liberdade de escolha e 59% concordam que o cartão-presente propicia liberdade de escolha. Este resultado era esperado, visto que o dinheiro propicia mais liquidez e flexibilidade ao presenteado, pois é aceito em qualquer estabelecimento, ao contrário do cartão-presente. Sendo assim, verifica-se suporte para hipótese 6, baseado nos resultados empíricos da pesquisa. 5.2.1.2 Análise da Hipótese 7 Hipótese 7: Presentear com presente monetário gera sentimento de culpa no presenteador. Para operacionalização desta análise, a hipótese 7 foi desdobrada em 2 sub-hipóteses: Hipótese 7a: Presentear com cartão-presente gera sentimento de culpa no presenteador. 93 Hipótese 7b: Presentear com dinheiro gera sentimento de culpa no presenteador. O resultado do teste binomial para verificação desta hipótese está apresentado na Tabela 13. Tipo de Presente Cartão-Presente Grupos Grupos N Discordo <3 71 Concordo >3 36 Total Dinheiro Teste Prob P-valor .50 .001 .50 1.000 107 Discordo <= 3 61 Concordo >3 60 Total 121 Tabela 13 - Hipótese 7 - Resultado do Teste Binomial De acordo com o resultado do teste, rejeita-se a hipótese de pesquisa, pois as pessoas discordam que presentear com cartão-presente gera sentimento de culpa no presenteador. Este resultado era esperado, visto que o cartão-presente é uma tentativa de aproximar o produto do dinheiro e, como pode é vendido em diversos formatos e embalagens, a sensação de presentear com ele se aproximaria do produto. Em relação à presentear com dinheiro, não houve diferença significativa entre os dois grupos analisados. Sendo assim, verifica-se suporte parcial para hipótese 7, baseado nos resultados empíricos da pesquisa. 5.2.1.3 Análise da Hipótese 8 Hipótese 8: Presentes monetários podem revelar falta de criatividade e deselegância por parte do presenteador Para operacionalização desta análise, a hipótese 8 foi desdobrada em 4 sub-hipóteses: 94 Hipótese 8a: Presentear com dinheiro pode revelar falta de criatividade por parte do presenteador quando a relação entre presenteado e presenteador é próxima. Hipótese 8b: Presentear com dinheiro pode revelar deselegância por parte do presenteador quando a relação entre presenteado e presenteador é próxima. Hipótese 8c: Presentear com dinheiro pode revelar falta de criatividade por parte do presenteador quando a relação entre presenteado e presenteador não é próxima. Hipótese 8d: Presentear com dinheiro pode revelar deselegância por parte do presenteador quando a relação entre presenteado e presenteador não é próxima. O resultado do teste binomial para verificação desta hipótese está apresentado na Tabela 14 Relação Afetiva Atributo Grupos Categoria N Falta de Discordo <3 30 criatividade Concordo >3 76 Discordo <3 32 Concordo >3 69 Falta de Discordo <3 24 criatividade Concordo >3 80 Discordo <3 20 Concordo >3 92 Próxima Deselegância Não Próxima Deselegância Test p-valor Prob. (bi) ,50 0,000 ,50 0,000 ,50 0,000 ,50 0,000 Tabela 14 - Hipótese 8 - Resultado do Teste Binomial Para todos os fatores analisado, o p-valor é menor que 0,05 e, portanto não rejeita-se a hipótese de pesquisa. Com este resultado, é possível identificar que de fato existe um estigma relacionado aos presentes monetários. A percepção de falta de criatividade e deselegância é ainda maior para relações não próximas 95 Sendo assim, verifica-se suporte total para hipótese 8, baseado nos resultados empíricos da pesquisa. 5.2.4 Tipos de cartões-presentes versus grupos de relacionamento Na revisão de literatura, verificou-se que estão sendo introduzidos no Brasil cartões-presentes em diferentes segmentos do varejo. Atualmente é possível encontrar cartões-presentes em lojas de roupas (Aviator, Farm, Vila Romana, C&A, Luigi Bertoli, etc), em livrarias (Saraiva, Fenac, Travessa, etc), em supermercados (Pão de Açucar, Extra, Zona Sul, Walmart, etc), em lojas de eletrônicos (Fenac, Polishop, Ricardo Eletro, Casa & Vídeo, etc), entre outros segmentos. Esta análise específica sobre o tipo de cartão-presente preferido ao dar e ao receber cartões foi feita por Valentin e Allred (2012), porém a pesquisa foi aplicada em um mercado extremamente maduro em que as pessoas têm total conhecimento do produto. Naquela ocasião, os cartões-presentes preferidos foram os de “maior liquidez”, tais como cartões de lojas de departamento e cartões de restaurantes. Isto porque nos Estados Unidos, os cartõespresentes podem ser trocados no “mercado paralelo”, seja por dinheiro ou por outros cartões. Além disso, existem estudos encomendados pelas empresas emissoras de cartão e pelos varejistas. Um dos mais reconhecidos no mercado americanos é o da empresa First Data (Consumer Insights into the U.S. Gift Card Market: 2012) que informa os tipos de cartõespresentes mais vendidos nos Estados Unidos, as preferências entre receptores e compradores, as lojas que mais venderam cartão nos últimos anos, entre outros dados significativos deste mercado. O objetivo é verificar se alguns destes cartões-presentes são aceitos como bons presentes e se esta percepção varia de acordo com a relação entre presenteado e presenteador. A questão de pesquisa relacionada a este tema é: Existe variação de comportamento na decisão do consumidor quanto ao tipo de loja para escolher um cartão-presente vis a vis o grau de intimidade entre presenteado e presenteador? Esta pergunta é responsável pela hipótese de pesquisa H9: 96 Hipótese 9: Existe diferença na percepção decisão de presentear entre presentear com dinheiro e com cartão-presente. Para operacionalização desta análise, a hipótese 9 foi desdobrada em 12 sub-hipóteses, considerando 3 grupos de relacionamento – namorado(a)/esposo(a), pais, amigos - e 4 tipos de lojas – loja de roupas, supermercado, livraria e eletroeletrônicos. Todas as 12 hipótese seguindo o formato: Hipótese 1 a 12: Eu acredito que presentear o(os) namorado(a)/pais/amigos com um cartão-presente de uma loja de roupas/supermercado/livraria/ loja de eletroeletrônicos seja um bom presente. Segue o resultado do teste de Friedman na Tabela 15. Amigos Tipo de Cartão-Presente Rank Loja de Roupas 3,31 Supermercado 1,77 Livraria 3,55 Eletrônicos 3,16 χ2 Namorado(a)/Esposo(a) Pais χ2 χ2 pvalor Rank pvalor Rank 3,25 187,89 0,000 2,05 3,19 pvalor 3,17 129,28 0,000 3,26 1,93 3,29 118,74 0,000 3,47 Tabela 15 - Hipótese 9 - Resultado do Teste de Friedman De acordo com o resultado do teste de Friedman, existe diferença significativa entre os tipos de cartão-presente para cada grupo de relacionamento, o que significa que existem preferências por certos tipos de cartão-presente e estas preferências variam em cada grupo analisado. Na prática, presentear com um cartão-presente de um supermercado ou de uma loja de roupas é significativamente diferente, o que já era esperado. Para presentear os amigos, por exemplo, os cartões-presentes de Livrarias e de Lojas de Roupas são os preferidos. Para presentear o(a) namorado(a), existe uma preferência por cartões-presentes de Lojas de Eletrônicos e Lojas de Roupas. Para presentear os pais, os cartões-presentes de Lojas de Eletrônicos e de Livrarias são os preferidos. 97 Entretanto, é importante verificar, além da diferença entre eles, se os participantes tendem a concordar ou discordar que um determinado tipo de cartão seja um bom presente. Por exemplo, os participantes concordam ou discordam que um cartão-presente de uma loja de roupas seja um bom presente para o(a) namorado(a)? Para esta análise, utilizou-se o teste binomial, que foi realizado separadamente por grupo de relacionamento: (1) Amigos, (2) Namorado(a)/Esposo(a) e (3) Pais. O resultado do teste binomial está apresentado na Tabela 16 e as análises para cada grupo encontram-se em seguida. As células destacadas em amarelo indicam a direção das respostas dos participantes. Namorado(a)/ Pais Cartão- Grupos Categoria N Discordo <3 53 Loja de Roupa Concordo >3 56 Presente Total 13 ,848 52 ,000 10 110 118 57 Discordo <3 46 Concordo >3 60 ,206 49 106 106 60 Discordo <3 38 Concordo >3 66 Total 61 N 104 ,008 53 p-valor 26 ,452 80 91 >3 Eletrônicos p-valor 108 Supermercado Concordo Loja de N 106 97 Total valor 113 <3 Livraria p- 109 Discordo Total Amigos Esposo(a) ,000 20 ,000 ,000 111 ,49 20 83 ,000 103 ,57 113 27 73 ,000 100 Tabela 16 - Hipótese 9 - Resultado do Teste Binomial Amigos Para o grupo de relacionamento Amigos, todos os tipos de cartões-presentes apresentaram diferença significativa entre as amostras independentes. Percebe-se que existe uma tendência a concordar que o cartão-presente de uma lojas de roupas, de livrarias ou de lojas de 98 eletrônicos seja um bom presente para os amigos. Por outro lado, a maioria discorda que cartões-presentes de supermercados sejam bons presentes para este grupo de relacionamento. Namorado(a)/Esposo(a) Para o grupo de relacionamento Namorado(a)/Esposo(a), o resultado apresentou diferença significativa somente para cartões de supermercados. Para os demais cartões, não houve conclusão quanto à opinião das pessoas sobre o cartão ser um bom presente ou não. Portanto, as pessoas discordam que o cartão-presente de um supermercado seja um bom presente para o(a) namorado(a)/esposo(a). Pais Para este grupo, cujo nível de intimidade e informalidade é alto, também existe uma tendência a discordar que o cartão-presente de um supermercado seja um bom presente. Além disso, verifica-se diferença significativa para o cartão de uma loja de eletrônicos, e, neste caso, as pessoas concordam que presentear os pais com um cartão-presente de uma loja de eletrônicos seja um bom presente. 5.2.5 Aceitação do Cartão-Presente no Brasil Esta última análise tem como objetivo verificar se a amostra estudada tende a acreditar que o cartão-presente será bem aceito pelo consumidor brasileiro. Segue a questão de pesquisa relacionada com esta análise: O consumidor brasileiro aceitará bem o cartão-presente? Esta pergunta é responsável pela hipótese de pesquisa H10: Hipótese 10: O participante acredita que o cartão-presente será bem aceito pelo consumidor brasileiro. Para fazer esta avaliação, foi solicitado que o respondente opinasse, conforme a escala de concordância de 1 a 5 (1 Discordo e 5 Concordo), sobre a afirmativa: “eu acredito que o cartão-presente será bem aceito pelo consumidor brasileiro.” 99 O teste utilizado para esta análise foi o teste binomial, cujo resultado está apresentado na Tabela 17. Amostras Categoria N Discordo <3 30 Concordo >3 67 Independentes Total Test Prob. p-valor .50 .000 97 Tabela 17 - Hipótese 10 - Resultado do Teste Binomial Conforme o resultado acima verifica-se que os participantes acreditam que o cartão-presente será bem aceito pelo consumidor brasileiro. 100 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo são apresentados o sumário do estudo, as implicações teóricas e gerenciais, bem como recomendações para pesquisa futuras. 6.1. SUMÁRIO DO ESTUDO O presente estudo visou investigar o estigma relacionado a presentes monetários, com foco em cartões-presentes e a percepção do consumidor frente a este produto, cuja oferta no mercado brasileiro ainda é muito incipiente. Na literatura há poucos estudos específicos sobre cartões-presentes. Os artigos que citam este tema são, na sua maioria, americanos, portanto provenientes de um mercado cujo produto é amplamente difundido e utilizado pela população. Conforme números divulgados pela federação americana de varejo (National Retail Federation9) em 2012, o cartão-presente esteva na lista dos presentes mais desejados para a época do Natal durante cinco anos seguidos. Para este estudo, os principais artigos que serviram de base para auxiliar na formatação das hipóteses de pesquisa bem como nas perguntas do questionário foram: (1) O Peso Morto do Natal (Waldfogel, 1993); (2) Presente, Dinheiro e Estigma (Waldfogel, 2001), (3) Dando e Recebendo Presentes (Valentin e Allred, 2012), O Mercado de Cartões-Presentes (Offenberg,2007). No Brasil, o produto ainda encontra-se em fase de penetração e a maioria das pessoas o relaciona com presentes em dinheiro (Santana et al.,2006). Portanto, outro objetivo deste estudo foi avaliar se esta comparação é de fato verdadeira e se ela pode vir a ser considerada como uma barreira para o crescimento do mercado de cartões-presentes no país. Utilizou-se uma pesquisa do tipo survey que teve como técnica de amostragem utilizada, a amostragem não-probabilística. A amostra foi composta por profissionais de empresas 9 National Retail Federation. Gift Cards: The Season’s Hottest Gift. Disponível em http://www.nrf.com/modules.php?name=News&op=viewlive&sp_id=1451. Acesso em 03/03/2013. 101 instaladas em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro e foram obtidos 161 questionários, dos quais 126 foram considerados válidos. A análise dos dados teve como objetivo responder às nove perguntas de pesquisa e para isso foram utilizados três técnicas de testes não-paramétricos de hipótese: teste de Wilcoxon, teste de Friedman e teste binomial. A decisão pela utilização de cada um destes testes foi de acordo com o tipo de amostra analisada. Para amostras pareadas (dependentes) utilizou-se o teste de Wilcoxon, para amostras dependentes com mais de dois grupos, utilizou-se o teste de Friedman e para amostras independentes, utilizou-se o teste binomial. Os resultados do presente estudo suportaram parcialmente as hipóteses elaboradas com o intuito de responder às questões de pesquisa, conforme apresentado na seção 6.2.1 – Implicações Teóricas. 6.2. CONTRIBUIÇÕES DO ESTUDO Nesta seção são apresentadas as implicações teóricas e gerencias do estudo. 6.2.1. Implicações Teóricas Nesta seção são apresentadas as respostas às questões propostas na pesquisa. 6.2.1.1 Primeira Pergunta do Estudo A primeira pergunta do estudo teve como objetivo verificar se existe diferença no comportamento das pessoas ao presentearem e ao serem presenteadas, para identificar a existência do estigma relacionado aos presentes monetários. As pessoas se comportam da mesma forma ao darem e receberem presentes monetários ou tal cenário influencia o comportamento: “o que eu gostaria de dar é a mesma coisa que eu gostaria de receber”? Para avaliar se existe esta diferença no comportamento das pessoas, foram utilizadas duas hipóteses de pesquisa: (1) hipótese relacionada à percepção dos participantes ao darem e 102 receberem cartão-presente e dinheiro, considerando dois diferentes níveis de relacionamento entre presenteado e presenteador; (2) hipótese relacionada ao comportamento dos participantes ao serem presenteados e ao presentearem com cartão-presente, dinheiro e produto. Vale ressaltar que o nível de relação afetiva ou intimidade entre as partes pode influenciar os resultados da pesquisa (Waldfogel, 2001). Portanto foi necessário descriminar os tipos de relações envolvidas em cada cenário. Para a primeira hipótese, houve uma separação entre relações próximas e relações não-próximas. Para a segunda, foi proposto que os participantes avaliassem sua opinião para seis diferentes grupos de relacionamento: (1) pais, (2) namorado(a)/esposo(a), (3) amigos, (4) tios e avós, (5) colegas de trabalho e (6) filhos. O resultado do teste da primeira hipótese indicou que realmente existe diferença significativa entre os cenários presentear e ser presenteado com presentes monetários. Este resultado foi verdadeiro para os dois tipos de relação afetiva entre presenteado e presenteador: relações próximas e não-próximas. Tal diferença se dá principalmente pelo fato de que há uma tendência em preferir receber presentes monetários a presentear com tais tipos de presente. No caso de cartõespresentes, por exemplo, verificou-se que existe uma tendência em concordar que ser presenteado com cartão-presente é menos incômodo do que presentear com cartãopresente, independente do nível de afetividade entre as partes. Este resultado confirma o estigma relacionado aos presentes monetários, conforme foi observado por Waldfogel (2001) em sua pesquisa “Presente, Dinheiro e Estigma”. Ora, tornar transparente o valor financeiro do presente ainda é uma prática que incomoda as pessoas, por isso, é preferível escolher bens ou mercadorias, cujo valor financeiro não é exatamente conhecido e, portanto, o valor simbólico tende a ser mais valorizado. Por outro lado, ter a liberdade de escolher o presente que desejar é um fator positivo, conforme vimos no resultado da hipótese 6, cuja conclusão será apresentada adiante. Vale ressaltar que presentes não desejados são comuns e são responsáveis por mais de 10% do total 103 de presentes trocados nos Estados Unidos na época de final de ano. (Waldfogel, 2001; Valentin & Allred, 2012) Já para a segunda hipótese, em que se avaliou a diferença entre dar e receber por tipo de presente e por grupo de relacionamento, o teste deu suporte parcial baseado nos resultados empíricos da pesquisa, ou seja, os atos de dar e receber presentes não foram diferentes em todos os casos analisados. O teste indicou que dar e receber cartões-presentes não gera a mesma percepção do participante quando se tratam dos pais e dos filhos. Para os pais, existe uma tendência a preferir presentear com cartão-presente a ser presenteado. Para os filhos, é o oposto, a preferência é por ser presenteado com cartão-presente a usar um cartão para dar aos filhos. Quando o tipo de presente analisado foi o produto, houve diferença entre presentear e ser presenteado para os grupos pais, amigos, colegas de trabalho e tios/avós. Ora, em todos estes casos, é preferível presentear com produto a ser presenteado. Isto porque o produto ainda é o tipo de presente preferido em qualquer situação, independente do grupo de relacionamento. Entretanto, como foram colocadas alternativas para os participantes, ficou claro que para ser presenteado, o produto apesar de ser preferido, concorre, em vantagem, com o cartãopresente. Este resultado era esperado, uma vez que foi visto na literatura que presentear é uma atitude que envolve fatores como surpresa, símbolo, ritual, entre outros, inerentes a presentes não monetários. Portanto, esperava-se que houvesse uma tendência em preferir presentear com produto. Portanto, para a segunda hipótese, o teste deu suporte parcial baseado nos resultados empíricos da pesquisa, ou seja, os atos de dar e receber presente não foram diferentes em quase todos os casos analisados. 6.2.1.2 Segunda Pergunta do Estudo A segunda pesquisa do estudo completa a primeira e tem como objetivo verificar a preferência pelo tipo de presente ao presentear e ao ser presenteado e quais são os presentes preferidos em cada situação. 104 A preferência por presentear e ser presenteado com Produto, Dinheiro e CartãoPresente varia conforme o grau de intimidade entre presenteador e presenteado? O teste indicou que realmente existe diferença na preferência pelo tipo de presente ao presentear e ao ser presenteado, o que complementa o resultado visto na seção anterior, que demonstrou diferenças significativas entre cada cenário por tipo de presente. O produto, ao ser comparado com o cartão-presente e com o dinheiro, é majoritariamente preferido, em qualquer um dos cenários, independente, do grupo de relacionamento. Na maioria das comparações entre cartão-presente e dinheiro, é preferível dar o cartãopresente e receber o dinheiro. Isto só não se confirma para o grupo colegas de trabalho, em que é preferível dar e receber cartão-presente. Ou seja, o dinheiro, para este grupo, não seria uma boa alternativa. Isto também era esperado, visto que de todos os grupos analisados, este é o que tem menos grau de intimidade entre as partes e o dinheiro não seria visto como um bom presente para relações pouco íntimas. Outro resultado importante desta análise é em relação aos grupos de relacionamento pais e filhos. Presentear os pais com cartão-presente e com dinheiro é indiferente na escala de preferências, pois ambos surtiriam o mesmo efeito. Contudo, verificou-se que existe uma tendência em preferir ser presenteado com dinheiro pelos pais, mas ao escolher um presente para eles, o cartão-presente viria em segundo lugar, depois do produto e, por último, o dinheiro. Para os filhos, a escolha entre dinheiro e cartão ao presentear também não é diferente. Porém, existe uma tendência em preferir receber cartão-presente dos filhos e presenteá-los com dinheiro. Este resultado também era esperado, uma vez que é natural os pais darem dinheiro aos filhos. Entretanto, como os filhos teoricamente não teriam dinheiro para presentear os pais, a simbologia do presente neste caso é relevante e, portanto, o cartão-presente é, depois do produto, o melhor tipo de presente para ser dado dos filhos para os pais. Logo, mais uma vez, verifica-se que os presentes monetários são estigmatizados, visto que em nenhum momento foram escolhidos como preferenciais. Além disso, foi possível perceber 105 que em relações cujos níveis de intimidade e informalidade são altos, tais como relacionamento com os pais e com os filhos, não faz diferença presentear com dinheiro ou com cartão-presente. 6.2.1.3 Terceira Pergunta do Estudo A terceira pergunta tinha o objetivo de verificar se o cartão-presente é percebido pelos participantes como sendo semelhante ao dinheiro, visto que tal semelhança foi citada na revisão de literatura. (Lourenço, Resende, 2008, Santana et al., 2006; Valentin, Allred, 2012) Existe relação significativa entre presentear com dinheiro e presentear com cartãopresente? O resultado do teste indicou que, na opinião dos participantes, dinheiro e cartão-presente não são a mesma coisa, o que demonstra que as pesquisas sobre o ato de presentear com dinheiro não devem ser generalizadas para cartões-presentes. Entretanto, apesar de a grande maioria dos participantes discordarem que os dois presentes monetários sejam a mesma coisa, verificou-se, na seção acima, que para alguns grupos de relacionamento não existe diferença entre presentear com dinheiro e presentear com cartãopresente. Ora, as pessoas tendem a achar que os dois sejam distintos, mas no momento de elencá-los como possíveis presentes para algumas pessoas de convívio, não houve diferença significativa entre ambos, o que demonstra que existe uma certa falta de conhecimento acerca deste produto e, portanto, muitas vezes, são reconhecidos como sendo a mesma coisa (no ato de presentear). 6.2.1.4 Quarta Pergunta do Estudo A quarta pergunta tem como objetivo verificar o estigma dos presentes monetários através do valor financeiro destes comparados com produtos ou bens. Foi visto na revisão de literatura 106 que presentear com dinheiro, vale presente ou cheque demanda um gasto superior ao que se teria com um determinando produto (Webley, 1982) Presentes monetários exigem maior desembolso por parte do presenteador em relação a produtos não monetários? O teste foi realizado para cartão-presente e para dinheiro. O resultado indicou que os cartõespresentes não demandam gastos superiores a produtos, diferentemente de presentes em dinheiro, os quais demandam gastos superiores. Este resultado confirma o que foi visto na revisão de literatura, pois conforme a pesquisa de Webley (1982), as pessoas tendem a gastar mais do que gastariam com um produto caso fossem presentear com dinheiro ou cheque. Não há na literatura uma pesquisa sobre gastos superiores com cartões-presentes, contudo, como as pessoas avaliaram que dinheiro e cartão-presente são diferentes, o resultado desta questão era esperado. Vale citar mais uma vez que este teste confirma o estigma relacionado ao dinheiro. Entretanto, se as pessoas acreditam que presentear com cartão-presente não demanda gasto adicional, é porque o valor simbólico do cartão-presente pode ser comparado ao valor simbólico de um bem? Ou seja, a decisão financeira não varia entre escolher uma blusa de R$ 50,00 ou um cartão-presente de R$ 50,00. 6.2.1.5 Quinta Pergunta, Sexta Pergunta e Sétima Pergunta do Estudo A quinta, a sexta e a sétima perguntas do estudo tem como objetivo avaliar alguns atributos que foram citados na revisão de literatura como sendo características dos presentes em dinheiro e até mesmo de cartões-presentes: tais como propiciar liberdade de escolha ao presenteado (Waldfogel, 1993), gerar sentimento de culpa no presenteador (Wolfinbarger, 1990; Bourdieu, 1996) e demonstrar falta de criatividade de deselegância do presenteador. 107 Presentear com dinheiro ou cartão-presente propicia liberdade de escolha? Presentear com dinheiro ou cartão-presente gera algum sentimento de culpa no presenteador? Na percepção dos entrevistados, presentes monetários podem revelar falta de criatividade e deselegância por parte do presenteador? Para ambos os tipos de presentes monetários, existe uma tendência das pessoas em concordarem que seus presenteados se sentiriam bem em ter liberdade de escolha para escolherem seu próprio presente. Aproximadamente 2/3 da amostra concordam que a liberdade de escolha é um atributo positivo. 68% dos participantes concordam que o dinheiro propicia liberdade de escolha e 59% concordam que o cartão-presente propicia liberdade de escolha. Este diferença, apesar de baixa, era esperada, visto que o dinheiro propicia mais liquidez e flexibilidade ao presenteado, pois é aceito em qualquer estabelecimento, ao contrário do cartão-presente. Sabe-se que todas as alternativas de presentes, aquela que propicia mais liberdade é o dinheiro. Entretanto, o cartão-presente, mesmo sendo de uma loja ou de uma rede de lojas específica, oferece a opção de ser trocado por dinheiro, o que não é tão comum para mercadorias. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem sites que fazem a intermediação entre compra e venda de cartões-presentes e os cartões-presentes mais vendidos neste “mercado paralelo” são os da Amazon, Apple e Target. 6.2.1.6 Oitava Pergunta do Estudo Esta pergunta tem como objetivo analisar se existe preferência do participante por determinados tipos de cartões-presentes vis a vis o grau de intimidade entre presenteado e presenteador. Existe preferência do consumidor quanto ao tipo de loja para escolher um cartãopresente vis a vis o grau de intimidade entre presenteado e presenteador? 108 O resultado indicou que realmente existe preferência por tipos de cartões-presentes diferentes conforme o grupo de relacionamento. Para presentear os amigos os cartões-presentes de livrarias e de lojas de Roupas são os preferidos. Para presentear o(a) namorado(a), existe uma preferência por cartões-presentes de lojas de eletrônicos e lojas de roupas. Para presentear os pais, os cartões-presentes de lojas de eletrônicos e de livrarias são os preferidos. O cartão-presente de supermercados não foi visto como um bom presente, em todos os grupos de relacionamento. Esperava-se, que para o grupo pais, cujo nível de intimidade é alto, este cartão-presente poderia ser bem aceito como uma alternativa de presente, entretanto o resultado indicou o oposto. 6.2.1.7 Nona Pergunta do Estudo Esta pergunta tem como objetivo avaliar se as pessoas, de um modo geral, acreditam no crescimento do mercado de cartões-presentes no Brasil. O consumidor brasileiro aceitará bem o cartão-presente? O resultado do teste indicou que os participantes acreditam que o cartão-presente será bem aceito pelo consumidor brasileiro. 6.2.2. Implicações Gerenciais Este estudo contribui para tomadas de decisões de marketing no mercado varejista brasileiro, especialmente no que diz respeito à oferta de cartões-presentes em redes de lojas de departamento, franquias de lojas de roupas e acessórios, lojas de eletrônicos, livrarias, sites de e-commerce, entre outros. A primeira observação relevante é a de que poucas pessoas entrevistadas tiveram contato real com o cartão-presente. Aproximadamente 70% nunca tinha recebido um cartãopresente ou nunca havia presenteado alguém com este produto. Este fato indica que o cartão- 109 presente ainda é muito pouco divulgado no Brasil, apesar da oferta crescente no varejo, conforme visto na seção 3.1 - Cartões-Presentes no Brasil. Por outro lado, 70% da amostra acreditam que o cartão-presente será bem aceito pela população brasileira, o que demonstra um cenário positivo para este segmento. Isto significa que há enorme uma oportunidade para as empresas que desejam investir neste mercado. As pessoas acreditam no produto, não se incomodariam em serem presenteadas com cartão-presente, mas não o conhecem muito bem, não sabem onde encontrar e não conhecem as regras que existem por trás dos cartões-presentes. Portanto, há espaço para o produto no mercado brasileiro e o principal investimento deve ser em comunicação e publicidade. A pesquisa confirmou também que realmente existe um estigma relacionado aos presentes monetários e o cartão-presente se inclui neste grupo. Entretanto, de um modo geral, as pessoas não se importariam em ser presenteadas com cartões-presentes e acreditam que a liberdade de escolha para o presenteado seja um fator positivo. Sendo assim, os profissionais de marketing, ao decidirem pelo tipo de comunicação sobre este produto, poderiam enfatizar a questão da liberdade de escolha como sendo algo proporcionado pelo cartão-presente. Verificou-se ainda que as pessoas tendam a achar que os presentes monetários demonstram falta de criatividade e deselegância. Logo, os cartões-presentes devem ser distanciados da percepção de que são semelhantes ao dinheiro, pois apesar de a maioria considerar, no resultado dos testes, que ambos são diferentes, ainda são estigmatizados como presentes monetários, pois declaram o valor financeiro atribuído ao presente. Algumas empresas varejistas vêm investindo em design diferenciado para os cartõespresentes, como o Carrefour e o Pão de Açúcar, por exemplo, visando atrelar certa criatividade e elegância ao produto. Contudo, as empresas que mais investem em diferenciação pertencem ao segmento de supermercados, cujo cartão-presente foi amplamente rejeitado pelos participantes da pesquisa como sendo um bom presente. Para este segmento, sugere-se que a comunicação não esteja atrelada ao ato de presentear especificamente, mas sim ao fato de que o cartão-presente pode ser usado como um benefício para certos grupos de pessoas, tais como empregados domésticos, funcionários de empresas de pequeno e médio porte, premiados, participantes de programas de relacionamento, entre outros. 110 Para o varejo, o cartão-presente é um produto atrativo do ponto de vista financeiro, pois a venda de um cartão se assemelha ao processo de antecipação de caixa, a custos reduzidos, muito valorizado pelos empresários. Além disso, foi visto na literatura que o saldo dos cartões-presentes não utilizado pelos usuários é de propriedade do emissor e, este montante nos Estados Unidos chega a representar 10% do total do valor de face dos cartões. Na prática, uma loja que vendesse 100 cartões-presentes com o valor de face de R$ 100,00, reteria um montante de R$ 1000,00, além da margem operacional já embutida no preço das mercadorias que serão “resgatadas” com os cartões. Outro fator atrativo é que a venda de um cartão-presente geralmente demanda que o usuário retorne à loja, seja o comprador ou o presenteado, o que aumentam as chances de venda de produtos adicionais. Entretanto, no Brasil, existem algumas barreiras operacionais que devem ser consideradas, tais como a onipotência das bandeiras de cartões de crédito que regulam os preços do mercado de adquirência, como as taxas cobradas dos lojistas para o serviço de administração de cartões de crédito e débito. Isto porque os cartões-presentes também demandam processos administrativos e operacionais, tais como segurança da informação, controle e conferência de saldo, câmaras de compensação entre lojistas, etc. Como a mercadoria ou um bem continuam sendo preferenciais no ato de presentear, os cartões-presentes poderiam ser dissociados deste ritual e serem introduzidos no mercado em substituição aos programas de fidelidade existentes, tais como os programas de milhagem de companhias aéreas, por exemplo. Desta forma, os participantes destes programas, ao invés de serem premiados com pontos ou milhas, receberiam dinheiro em um cartão-presente, o qual poderia ser utilizado nas lojas credenciadas ou até mesmo nas lojas de sua preferência. Assim, maximiza-se a utilidade dos programas de fidelidade, enfatizando a liberdade de escolha dos participantes. Afinal, quem não gostaria de colocar as milhas aéreas em um cartãopresente e ir para um shopping gastá-las onde desejar? Este estudo trata-se de um exercício acadêmico, mas que poderá ser utilizado por grandes empresas em pesquisas de mercado, com um universo populacional maior e mais representativo. Ressalta-se que o público-alvo desta pesquisa foi formado por pessoas 111 formadoras de opinião, pertencentes às classes A e B, e, portanto, potenciais consumidores e divulgadores dos cartões-presentes. 6.3. RECOMENDAÇÕES PARA PESQUISA FUTURAS O presente estudo apresenta novas oportunidades de pesquisa. Novos estudos podem explorar melhores formas de comunicação assertiva para vendas de cartões-presente. Além disso, recomenda-se que seja realizada uma pesquisa qualitativa para definição de todos os atributos relacionados especificamente aos cartões-presentes e para buscar compreender quais os melhores modelos de operação que podem ser implantados no Brasil, como por exemplo: prazo de validade, recargas via internet ou nas lojas, seguro por perda ou roubo, aceitação em redes diferentes, entre outros. Outro estudo que poderia ser realizado é se os cartões-presentes poderiam ser explorados pelos programas de fidelidade, ou seja, qual seria a percepção dos participantes destes programas e qual seria a opinião dos empresários sobre a transferência de pontos para cartões-presentes. Avaliar se o mercado de cartões-presentes poderia agradar ao público das classes D e E também poderia ser uma pesquisa interessante. Entretanto não como uma forma de presentear, mas como benefício recebido das empresas em que trabalham. Isto porque muitas destas pessoas não possuem contas bancárias e poderia ser interessante receberem um cartãopresente (recarregável?) para usar em supermercados ou lojas de departamento. Sugere-se, finalmente, a realização de um estudo qualitativo para entender os resultados obtidos nesta pesquisa e construir de uma forma mais detalhada e profunda os atributos relacionados aos cartões-presentes no Brasil. 6.4. LIMITAÇÕES DO ESTUDO As limitações desta pesquisa podem ser caracterizadas como sendo em função: (a) da amostra, (b) da definição dos atributos, (c) do método de aplicação da pesquisa, (d) do conhecimento sobre o produto estudado, (e) dos grupos de relacionamento analisados. 112 a) A generalização dos resultados do estudo não pode ser realizada, uma vez que foi utilizada uma amostra pequena e não probabilística, que, portanto apresenta uma tendenciosidade e impossibilita a afirmação de que a mesma é representativa da população pesquisada. (Malhotra, 2001) b) Para a realização da pesquisa quantitativa não foi realizada uma fase preliminar qualitativa que auxiliasse na definição dos atributos a serem pesquisados, principalmente devido à restrição orçamentária para realização do presente estudo. c) Como este é um estudo novo no Brasil, as escalas utilizadas ainda não haviam sido testadas para o consumidor brasileiro. Além disso, após a realização da pesquisa verificou-se dois pontos importantes que podem ser revisados em pesquisa futuras: a escala de concordância utilizada poderia ter sido a escala Likert de 5 pontos, retirando a possibilidade de indiferença às afirmativas propostas. d) O cartão-presente ainda é pouco difundido no Brasil e a falta de conhecimento ou contato com o produto pode ter enviesado algumas respostas. e) A utilização dos grupos de relacionamento filhos e tios/avós poderia ter sido evitada, visto que muitos respondentes não tem filhos e avós e no questionário não houve filtro para estas questões. Além disso, como a amostra foi composta majoritariamente de pessoas jovens, os filhos são, em sua maioria, crianças ou pré-adolescentes e o ato de presentear para este público não foi considerado neste estudo. 113 114 7. REFERÊNCIAS AAKER, D. et al. Pesquisa de marketing. São Paulo: Atlas, 2001. ATHAY, S. Giving and getting. American demographics. Nova Iorque: v. 15, n. 12, p. 46-54, 1993. BANDEIRA, M. Método de Pesquisa Quantitativa, Contexto Teórico e Empírico, UFSJ, 2000. BANKS, S.K. Gift-giving: a review and interactive paradigma. Advances in Consumer Research, Vol. 6, 1979. BARBOSA, L. Sociedade de consumo. Rio de Janeiro: Zahar, 2010. BELK, R. Gift-giving Behavior. Research in Marketing, Vol. 2, ed. Jagdish N. Sheth, Greenwich, 1979. BELK, R. Possessions And The Extended Self, Journal Of Consumer Research, 1988 BELK, R.; COON, G. Gift-giving as agapic love: an alternative to the exchange paradigm based on dating experiences. Journal of Consumer Research, 1993. BELK, R.; GER, G.; ASKEGAARD, S. The fire of desire: A multisited inquiry into consumer passion. Journal of Consumer Research, v. 30, p. 326-351, 2003. BOURDIEU, P. Razões práticas: sobre a teoria da ação. Campinas, SP: Papirus, 1996. CALLEGARI-JACQUES, M. Bioestatística: Princípios e Aplicações. Porto Alegre: Artmed, 2003. CAMERON, S. The unacceptability of money as a gift and its status as a medium of exchange, Journal of Economic Psychology, Volume 10, Issue 2, p. 253–255, 1989. CAPLOW, T. Christmas gifts and kin networks. American Sociological Review, v. 47, n. 3, p. 383-392, 1982. CASOTTI, L. Como enxergar diferenças no comportamento do consumidor? Algumas reflexões sobre os caminhos do marketing, COPPEAD, Rio de Janeiro, 2002. CLARKE, J. Experiences as gifts: from process to model, European Journal of Marketing, p. 365 – 389, 2008. HEILBRUNN, B. La consommation et ses sociologies. Paris: Armand Colin, 2010. HORNE, D. Unredeemed gift cards and the problem of not providing customers with value, Journal of Consumer Marketing, Vol. 24, p. 192 – 193, 2007. KOTLER, P. Princípios de Marketing, ed. 9. Rio de Janeiro: LTC, 1999. 115 KOTLER, P. Administração de Marketing, ed 12, 2006. LIPOVETSKY, G. A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo, Cia das Letras, 2007. LOURENÇO, C; REZENDE, D. Vale-presente: Como Fica a Dimensão Simbólica do Ato de Presentear? Universidade Federal de Lavras, 2008. MALHOTRA, N. Pesquisa de Marketing: uma orientação aplicada. Ed 3. Porto Alegre: Bookman, 2001. MATTAR, F. Pesquisa de Marketing volume 1: metodologia e planejamento. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. MCCRACKEN, G. Cultura e Consumo: Uma explicação teórica da estrutura e do movimento do significado cultural dos bens de consumo, Journal of Consumer Research, 1986. MCCRACKEN, G. Cultura e consumo: novas abordagens ao caráter simbólico dos bens e das atividades de consumo. Rio de Janeiro: Mauad, 1988. MCDANIEL, C.; GATES, R. Pesquisa de Marketing. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003. MENDES, K. Grandes redes reinventam os vales-compra: cartões que podem ser trocados por presentes ganham novo visual para atrair consumidores. Disponível em: http://flavioals.wordpress.com/2007/12/15/cartão-presente/. 2007. OFFENBERG, J. Markets Gift Cards, Journal of Economics Perpectives, 2007. OFFER, A. Between the gift and the market: the economy of regard, Economic History Review, p. 450-476, 1997. OTNES, C., LOWERY, T.M. AND YOUNG, C.K. Gift selection for easy and difficult recipients: a social roles interpretation, Journal of Consumer Research, 1993. PÉPECE, O. Comportamento de compra de presentes: mais um simples ato de consumo ou uma forma de expressão de significados?, 2002. PINHEIRO, R. Comportamento do consumidor e pesquisa de mercado. Rio de Janeiro: FGV, 2006. POLLAK, R. Tied transfers and paternalistic preferences. The American Economic Review, Vol. 78, 1988. SANTANA, E. ; CARVALHO, D. ; FAGUNDES, A. (2006), Para Quem é o Presente? A Influência dos Papéis Sociais na Propensão de se dar cartões-presentes. Rio de Janeiro: II EMA, 2002. 116 SCHWARTZ, B. The social psychology of the gift. American Journal of Sociology, v. 73, p. 1-11 1967 SHERRY, J. Gift Giving in Anthropological Perspective. Journal of Consumer Research. p. 157-168, 1983 SIEGEL, S. Estatística Não-Paramétrica para Ciências do Comportamento. Artmed, 2006. SOLOMON, MICHEL R. Consumer behavior-buying, having & being. Bookman, 2002. SLATER, D. Cultura do Consumo e Modernidade. São Paulo: Editora Nobel, 2002. TUTEN, L.; KIECKER, P. The perfect gift card: an exploration of teenagers' gift card associations. Psychology & Marketing, New York, 2009. VALENTIN, E., ALLRED, A. Giving and getting gift cards. Journal of Consumer Marketing. p. 271 – 279, 2012. WALDFOGEL, J. The deadweight loss of Christmas. The American Economic Review, 1993. WALDFOGEL, J. Gifts, cash, and stigma. Economic Inquiry, 2001. WEBLEY, P.; LEA, S.; PORTALSKA, R. The unacceptability of money as a gift. Journal of Economic Psychology, 1982. WHITE, R. The mental accounting of gift card versus cash gift funds. Advances in Consumer Research, Vol. 35, p. 722, 2008. WOLFINBARGER, M. Motivations and symbolism in Gift-Giving behavior. Advances in Consumer Research, 1990. 117 ANEXO I – QUESTIONÁRIO DA PESQUISA Olá, esta pesquisa tem como objetivo entender a opinião do consumidor sobre CartõesPresentes e do seu comportamento ao escolher e receber um presente! Os cartões-presentes são vendidos no mundo todo e principalmente nos EUA, cujo mercado supera $90 bilhões anualmente. São encontrados em lojas de roupas, supermercados, lojas de departamentos, etc. O cartão-presente funciona como um cartão de débito pré-pago: carrega-se um determinado valor em reais e depois você, ou o seu presenteado, pode ir à loja utilizá-lo como um meio de pagamento comum. Neste questionários não existem respostas certas ou erradas. As informações disponibilizadas são confidenciais. PRIMEIRAMENTE, INFORME, POR FAVOR, OS DADOS PESSOAIS: Empresa em que trabalha:________________________________ Cidade/Estado em que trabalha:___________________________ Gênero: [ ] Feminino [ Faixa Etária (anos): [ ] Masculino ] 20 a 24 [ ] 25 a 29 [ ] 30 a 34 [ ] 35 a 39 [ ] 40 a 44 [ ] Acima de 45 Formação Escolar: [ ] Sup. Incompleto/Cursando [ ] Sup. Completo [ ] Pós/Mestrado [ ] Doutorado AGORA, POR FAVOR, RESPONDA ÀS PERGUNTAS ESPECÍFICAS SOBRE PRESENTEAR E RECEBER PRESENTES! ATENÇÃO PARA AS INSTRUÇÕES DE CADA QUESTÃO. 1. Quando vou comprar presentes para alguém, faço a compra: (Marque 2 para a opção que você utiliza com mais frequência, 1 com menos frequência e 0 se você não utiliza) [ ] Em lojas físicas (seja em lojas de ruas ou em shopping centers) [ ] Em lojas virtuais (lojas de e-commerce) 2.Quais os TIPOS DE LOJA (independente se for física ou virtual) você compra presentes com mais frequência: (Classifique em ORDEM DECRESCENTE, em que 4 é a opção que você utiliza com mais frequência e 1 com menos frequência) [ ] Lojas de Departamento (Lojas Americanas, C&A, Renner, etc) [ ] Lojas de Roupa e Acessórios (Aviator, Farm, Mr. Cat, etc) 118 [ ] Lojas de Produtos Cosméticos (O Boticário, Natura, Avon, etc) [ ] Livrarias (Saraiva, Travessa, etc) 3.Quantas vezes você já comprou um cartão-presente para PRESENTEAR alguém? [ ] Nunca [ ] 1 vez [ ] 2 vezes [ ] 3 vezes [ ] 4 vezes [ ] 5 vezes ou mais 4.Quantas vezes você já foi PRESENTEADO com cartão-presente? [ ] Nunca [ ] 1 vez [ ] 2 vezes [ ] 3 vezes [ ] 4 vezes [ ] 5 vezes ou mais 5.No quadro abaixo, classifique na COLUNA “Frequência” os grupos de relacionamento que você compra presentes com mais frequência e na COLUNA “Importância” os grupos de relacionamento que você considera mais importante presentear: (Classifique em ORDEM DECRESCENTE, em que 6 é o mais frequente/importante e 1 o menos frequente/importante. Caso algum grupo seja Não Aplicável, marque NA e refaça sua classificação. Exemplo: Filhos não se aplica. Marque NA para Filhos e classifique os demais de 1 a 5). Grupo de Relaciona mento Pais Amigos Próximos Namorado (a)/ Esposo(a) Colegas de Trabalho Tios/Avós Filhos Frequên cia Grupo de Relaciona mento Pais Amigos Próximos Namorado (a)/ Esposo(a) Colegas de Trabalho Tios/Avós Filhos Importâ ncia 6.Nas próximas duas perguntas, classifique em ORDEM DECRESCENTE, em cada LINHA, o que você prefere entre Produto, Dinheiro ou Cartão-Presente quando: 6.1. DESEJA PRESENTEAR pessoas pertencentes a cada Grupo de Relacionamento abaixo. (Classifique de 1 a 3, de acordo com a sua preferencia, em que 3 é o mais preferido e 1 o menos preferido) 119 Grupo de Relaciona mento Pais Amigos Próximos Namorado (a)/ Esposo(a) Colegas de Trabalho Tios/Avós Filhos Produto Dinheiro CartãoPresente 6.2. É PRESENTEADO por pessoas pertencentes a cada Grupo de Relacionamento abaixo. (Classifique de 1 a 3, de acordo com a sua preferencia, em que 3 é o mais preferido e 1 o menos preferido) Grupo de Relaciona mento Pais Amigos Próximos Namorado (a)/ Esposo(a) Colegas de Trabalho Tios/Avós Filhos Produto Dinheiro CartãoPresente ...eu não me importaria em presentear com dinheiro. ...eu não me importaria em presentear com cartãopresente. ...eu não me importaria ser presenteado com dinheiro. ...eu não me importaria em ser presenteado com cartãopresente. Quando a RELAÇÃO AFETIVA com o presenteado NÃO é próxima... ...normalmente eu sei o que o presenteado gosta de ganhar. ...geralmente eu escolho o presente que eu gostaria de ganhar para dar ao presenteado. ...normalmente eu tenho disposição para escolher um presente. ...eu acredito que presentear com dinheiro é falta de criatividade. ...eu acredito que presentear com dinheiro é deselegante. ...eu não me importaria em presentear com dinheiro. ...eu não me importaria em presentear com cartãopresente. ...eu não me importaria ser presenteado com dinheiro. ...eu não me importaria em ser presenteado com cartãopresente. Quando eu presenteio alguém com DINHEIRO... ...eu normalmente presenteio com um valor superior ao que eu gastaria com algum produto. ...eu normalmente me sinto culpada(o) por não ter comprado um produto. Concordo Concordo Parcialmente Discordo Parcialmente Discordo ...normalmente eu sei o que o presenteado gosta de ganhar. ...geralmente eu escolho o presente que eu gostaria de ganhar para dar ao presenteado. ...normalmente eu tenho disposição para escolher um presente. ...eu acredito que presentear com dinheiro é falta de criatividade. ...eu acredito que presentear com dinheiro é deselegante. Não Discordo, Nem Concordo 120 7.Os itens abaixo irão contribuir para entender um pouco mais sobre hábitos no ato de presentear e ser presenteado. Assinale com “X”, em cada item, a opção mais adequada em relação a sua concordância com cada uma das afirmativas. Por favor, não deixe nenhum dos itens sem resposta. Quando a RELAÇÃO AFETIVA com o presenteado é PRÓXIMA... 121 ...eu acredito que meu presenteado se sentiria bem em ter liberdade de escolher seu presente. Quando eu presenteio alguém com CARTÃO-PRESENTE... ...eu normalmente presenteio com um valor superior ao que eu gastaria com algum produto. ...eu normalmente me sinto culpada(o) por não ter comprado um produto. ...eu acredito que meu presenteado se sentiria bem em ter liberdade de escolher seu presente. Eu acredito que presentear meus pais... ...com um cartão-presente de uma loja de roupas seja um bom presente. ...com um cartão-presente de um supermercado seja um bom presente. ...com um cartão-presente de uma livraria seja um bom presente. ...com um cartão-presente de uma loja física de eletro/eletrônicos seja um bom presente. ...com um cartão-presente de um e-commerce de eletro/eletrônicos seja um bom presente. Eu acredito que presentear meu(minha) namorado(a)... ...com um cartão-presente de uma loja de roupas seja um bom presente. ...com um cartão-presente de um supermercado seja um bom presente. ...com um cartão-presente de uma livraria seja um bom presente. ...com um cartão-presente de uma loja física de eletro/eletrônicos seja um bom presente. ...com um cartão-presente de um e-commerce de eletro/eletrônicos seja um bom presente. Eu acredito que presentear meus(minhas) amigos(as)... ...com um cartão-presente de uma loja de roupas seja um bom presente. ...com um cartão-presente de um supermercado seja um bom presente. ...com um cartão-presente de uma livraria seja um bom presente. ...com um cartão-presente de uma loja física de eletro/eletrônicos seja um bom presente. ...com um cartão-presente de um e-commerce de eletro/eletrônicos seja um bom presente. 122 Para encerrar... ...eu acredito que presentear com cartão-presente e dinheiro seja a mesma coisa. ...eu acredito que o cartão-presente será bem aceito pelo consumidor brasileiro. Muito obrigada pela sua valiosa contribuição. Informe se tem interesse em receber os resultados desta pesquisa: [ ] Tenho interesse. (Indique seu para que possamos enviar o resultado. E-mail: __________________________________________________________) [ ] Não tenho interesse. 123 ANEXO II – QUESTIONÁRIO TRADUZIDO – ARTIGO “GIVING AND GETTING GIFT CARDS” ARTIGO: Dando e recebendo cartões-presentes AUTORES: Erhard K. Valentin, Anthony T. Allred (2012) PESQUISA SOBRE CARTÕES-PRESENTES - WEBER STATE UNIVERSITY Obrigada por participar deste importante projeto educacional. Serão necessários poucos minutos para responder as perguntas. Eu, SEU NOME, mais uma vez, lhe agradeço pela ajuda! 1. Cerca de quantos cartões-presentes você recebeu nos últimos 12 meses? ________ 2. Por favor, imagine que os dois cartões-presentes descritos abaixo existam: O Cartão X é um cartão-presente que você pode usar para comprar produtos comuns do cotidiano, como combustível e mantimentos, em qualquer loja que ofereça esses produtos. Mas o Cartão X não pode ser usado para comprar algo realmente especial. Por "realmente especial", queremos dizer qualquer coisa de que você gostaria, mas que raramente ou nunca compraria sem um cartão-presente. O Cartão Z é um cartão-presente que você pode usar para comprar algo especial. Mas você não pode usá-lo para comprar coisas cotidianas. As perguntas a seguir são semelhantes, mas não idênticas. É muito importante que você leia atentamente cada questão e, depois, responda marcando a opção mais adequada. Por favor, marque apenas uma opção por questão. a. Se você ganhasse um cartão de $50 dólares de uma pessoa que você não conhece muito bem, qual destes você preferiria ganhar e com que intensidade? Por favor, marque a melhor opção. 1. Eu realmente preferiria ganhar o Cartão X (para produtos cotidianos) 2. Eu ligeiramente preferiria ganhar o Cartão X (para produtos cotidianos) 3. Eu não teria nenhuma preferência, de forma alguma 4. Eu ligeiramente preferiria o Cartão Z (para algo especial) 5. Eu realmente preferiria o Cartão Z (para algo especial) b. Se, em vez de um cartão de $50 dólares, você ganhasse um de $100 dólares de uma pessoa que você não conhece muito bem, qual destes você preferiria ganhar e com que intensidade? Por favor, marque a melhor opção. 1. Eu realmente preferiria ganhar o Cartão X (para produtos cotidianos) 2. Eu ligeiramente preferiria ganhar o Cartão X (para produtos cotidianos) 124 3. Eu não teria nenhuma preferência, de forma alguma 4. Eu ligeiramente preferiria p Cartão Z (para algo especial) 5. Eu realmente preferiria o Cartão Z (para algo especial) c. Se você ganhasse um cartão de $50 dólares de um amigo querido, qual destes você preferiria ganhar e com que intensidade? 1. Eu realmente preferiria ganhar o Cartão X (para produtos cotidianos) 2. Eu ligeiramente preferiria ganhar o Cartão X (para produtos cotidianos) 3. Eu não teria nenhuma preferência, de forma alguma 4. Eu ligeiramente preferiria p Cartão Z (para algo especial) 5. Eu realmente preferiria o Cartão Z (para algo especial) d. Se você ganhasse um cartão-presente de $50 dólares e tivesse que optar entre o Cartão X ou o Cartão Z, qual destes você escolheria? 1. Cartão X (para produtos cotidianos) ou 2. Cartão Z (para algo especial) e. Se você ganhasse um cartão-presente de $100 dólares e tivesse que optar entre o Cartão X ou o Cartão Z, qual destes você escolheria? 1. Cartão X (para produtos cotidianos) ou 2. Cartão Z (para algo especial) f. Por favor, pense em um (a) amigo (a) que não seja seu parente e com quem você não esteja envolvido amorosamente. Se você fosse dar a este (a) amigo (a) um cartão-presente, você daria o Cartão X ou o Cartão Z? 1. Provavelmente o Cartão X, o qual poderia ser usado na compra de produtos cotidianos 2. Provavelmente o Cartão Z, o qual poderia ser usado na compra de algo especial g. Como você avaliaria a situação financeira desse (a) amigo (a)? (Sua melhor avaliação) 1. Meu amigo está em péssimas condições financeiras 2. Meu amigo está conseguindo sobreviver, mas por pouco 3. A situação financeira de meu amigo está OK 4. Meu amigo está bem financeiramente h. Qual dos seguintes cartões-presente você preferiria ganhar? 1. um cartão-presente de $95 dólares para produtos do cotidiano (Cartão X) ou 2. um cartão-presente de $100 para algo especial (Cartão Z) i. Qual dos seguintes cartões-presente você preferiria ganhar? 125 1. um cartão-presente de $100 dólares para produtos do cotidiano (Cartão X) ou 2. um cartão-presente de $95 para algo especial (Cartão Z) 3. Quando você responder as seguintes perguntas sobre cartões-presente de $100 dólares, por favor, lembre-se de que um cartão de $100 dólares pode pagar por vários itens de baixo custo, mas não pagar integralmente por um item com preço acima de $100 dólares. a. Qual cartão-presente de $100 dólares ganhado de um (a) amigo (a) íntimo (a) lhe deixaria mais feliz? Por favor, escolha ou o Cartão A ou o Cartão B. 1. Cartão A: válido para $100 dólares em compras de mantimentos ou combustível no seu mercado ou posto de gasolina favorito 2. Cartão B: válido para $100 em compras nas lojas Dillard's, Macy's, Nordstrom's ou em qualquer joalheria b. Qual cartão-presente de $100 dólares ganhado de um (a) amigo (a) íntimo (a) lhe deixaria mais feliz? Por favor, escolha ou o Cartão A ou o Cartão C. 1. Cartão A: válido para $100 dólares em compras de mantimentos ou combustível no seu mercado ou posto de gasolina favorito 3. Cartão C: válido para $100 dólares em compras de câmeras ou equipamentos de áudio ou vídeo em qualquer loja de eletrônicos c. Qual cartão-presente de $100 dólares ganhado de um (a) amigo (a) íntimo (a) lhe deixaria mais feliz? Por favor, escolha ou o Cartão A ou o Cartão D. 1. Cartão A: válido para $100 dólares em compras de mantimentos ou combustível no seu mercado ou posto de gasolina favorito 4. Cartão D: válido para $100 dólares em compras em um bom restaurante onde o jantar custe pelo menos $15 dólares por adulto d. Qual cartão-presente de $100 dólares ganhado de um (a) amigo (a) íntimo (a) lhe deixaria mais feliz? Por favor, escolha ou o Cartão B ou Cartão C. 2. Cartão B: válido para $100 em compras nas lojas Dillard's, Macy's, Nordstrom's ou em qualquer joalheria 3. Cartão C: válido para $100 dólares em compras de câmeras ou equipamentos de áudio ou vídeo em qualquer loja de eletrônicos e. Qual cartão-presente de $100 dólares ganhado de um (a) amigo (a) íntimo (a)lhe deixaria mais feliz? Por favor, escolha ou o Cartão B ou Cartão D. 126 2. Cartão B: válido para $100 em compras nas lojas Dillard's, Macy's, Nordstrom's ou em qualquer joalheria 4. Cartão D: válido para $100 dólares em compras em um bom restaurante onde o jantar custe pelo menos $15 dólares por adulto f. Qual cartão-presente de $100 dólares ganhado de um (a) amigo (a) íntimo (a) lhe deixaria mais feliz? Por favor, escolha ou o Cartão C ou Cartão D. 3. Cartão C: válido para $100 dólares em compras de câmeras ou equipamentos de áudio ou vídeo em qualquer loja de eletrônicos 4. Cartão D: válido para $100 dólares em compras em um bom restaurante onde o jantar custe pelo menos $15 dólares por adulto g. Qual cartão-presente você estaria mais propenso a dar a um (a) amigo (a) íntimo (a) que não seja seu parente e com quem você não esteja envolvido amorosamente? (Marque apenas uma opção) 1. Cartão A: válido para compras de mantimentos ou combustível no mercado ou posto de gasolina favorito de seu amigo 2. Cartão B: válido para compras nas lojas Dillard's, Macy's, Nordstrom's ou em qualquer joalheria 3. Cartão C: válido para compras de câmeras ou equipamentos de áudio ou vídeo em qualquer loja de eletrônicos 4. Cartão D: válido para compras em um bom restaurante onde o jantar custe pelo menos $15 dólares por adulto h. Qual cartão-presente você estaria menos propenso a dar a um (a) amigo (a) que não seja seu parente e com quem você não esteja envolvido amorosamente? (Marque apenas uma opção) 1. Cartão A: válido para compras de mantimentos ou combustível no mercado ou posto de gasolina favorito de seu amigo 2. Cartão B: válido para compras nas lojas Dillard's, Macy's, Nordstrom's ou em qualquer joalheria 3. Cartão C: válido para compras de câmeras ou equipamentos de áudio ou vídeo em qualquer loja de eletrônicos 4. Cartão D: válido para compras em um bom restaurante onde o jantar custe pelo menos $15 dólares por adulto i. Qual cartão-presente ganhado de um (a) amigo (a) íntimo (a) lhe deixaria mais feliz? (Marque apenas uma opção) 1. Cartão A: válido para compras de mantimentos ou combustível no mercado ou posto de gasolina favorito de seu amigo 127 2. Cartão B: válido para compras nas lojas Dillard's, Macy's, Nordstrom's ou em qualquer joalheria 3. Cartão C: válido para compras de câmeras ou equipamentos de áudio ou vídeo em qualquer loja de eletrônicos 4. Cartão D: válido para compras em um bom restaurante onde o jantar custe pelo menos $15 dólares por adulto j. Qual cartão-presente ganhado de um (a) amigo (a) íntimo (a) lhe deixaria menos feliz? (Marque apenas uma opção) 1. Cartão A: válido para compras de mantimentos ou combustível no mercado ou posto de gasolina favorito de seu amigo 2. Cartão B: válido para compras nas lojas Dillard's, Macy's, Nordstrom's ou em qualquer joalheria 3. Cartão C: válido para compras de câmeras ou equipamentos de áudio ou vídeo em qualquer loja de eletrônicos 4. Cartão D: válido para compras em um bom restaurante onde o jantar custe pelo menos $15 dólares 4. Se você ganhasse um cartão-presente no valor de $50 dólares que pudesse ser usado em qualquer lugar, como você o gastaria? (Marque apenas uma opção) 1. Eu provavelmente compraria produtos cotidianos 2. Eu provavelmente o usaria para comprar algo especial 5. Quanto você concorda ou discorda de cada uma das seguintes afirmações? Por favor, verifique a resposta que mais se aproxima com o que você sente. (Marque apenas uma das respostas por questão) a. Quando eu ganho um cartão-presente, sinto-me livre para usá-lo da maneira que eu achar melhor. 1. Concordo plenamente 2. Concordo 3. Discordo 4. Discordo plenamente b. Se eu comprasse algo de que eu realmente não precisasse, eu me sentiria culpado (a) ao pagar com dinheiro ou cartão de crédito. 1. Concordo plenamente 2. Concordo 3. Discordo 128 4. Discordo plenamente c. Se eu comprasse algo de que eu realmente não precisasse, eu me sentiria culpado (a) ao pagar com um cartão-presente que eu pudesse ter usado para comprar mantimentos ou combustível. 1. Concordo plenamente 2. Concordo 3. Discordo 4. Discordo plenamente d. Quando eu ganho um cartão-presente, penso que a pessoa que me deu gostaria que eu o gastasse com algo especial para mim. 1. Concordo plenamente 2. Concordo 3. Discordo 4. Discordo plenamente e. Se eu comprasse mantimentos ou combustível com um cartão-presente que me tivesse sido dado por um amigo íntimo, eu me sentiria como se não o tivesse usado da maneira como meu amigo pretendia que eu o usasse. 1. Concordo plenamente 2. Concordo 3. Discordo 4. Discordo plenamente f. Cerca de quantos cartões-presente você deu nos últimos 12 meses? ____________ g. Eu geralmente dou cartões- presente aos amigos como uma forma de contar-lhes sobre algo agradável que eu descobri e quero compartilhar com eles, como um restaurante especial, uma loja incomum ou uma experiência musical. 0. Não posso responder essa questão porque não dou cartões-presentes 1. Concordo plenamente 2. Concordo 3. Discordo 4. Discordo plenamente h. Quando eu compro cartões-presente para dar aos amigos, eu tento encontrar cartõespresente que reflitam minha consideração, bom gosto, sofisticação ou senso de humor. 129 0. Não posso responder essa questão porque não dou cartões-presentes 1. Concordo plenamente 2. Concordo 3. Discordo 4. Discordo plenamente i. Geralmente, um cartão-presente da loja Target é um presente apropriado. 1. Concordo plenamente 2. Concordo 3. Discordo 4. Discordo plenamente j. Geralmente, um cartão presente do Wal-Mart é um presente apropriado. 1. Concordo plenamente 2. Concordo 3. Discordo 4. Discordo plenamente k. Como presente, dinheiro é sempre tão apropriado quanto um cartão-presente. 1. Concordo plenamente 2. Concordo 3. Discordo 4. Discordo plenamente 6. Por favor, responda apenas mais algumas perguntas sobre você. a. Incluindo você mesmo (a) , quantas pessoas moram em sua casa? _____________ b. Quantas crianças com menos de 20 anos moram com você? ___________ c. Qual seu sexo? 1. Masculino 2. Feminino d. Você possui diploma universitário? 1. Não 2. Sim 130 e. Você possui título de pós-graduação? 1. Não 2. Sim f. Você está, atualmente, matriculado (a) em algum curso universitário? 1. Não 2. Sim g. Qual dessas categorias melhor descreve seu estado civil? 1. Atualmente estou casado ou em uma relação estável semelhante ao casamento 2. Atualmente não estou casado nem em uma relação estável semelhante ao casamento, mas já estive 3. Nunca fui casado nem estive em uma relação estável semelhante ao casamento h. Qual a sua idade? 1. menos de 17 2. 17-20 3. 21-25 4. 26-30 5. 31-40 6. 41-50 7. 51-60 8. mais de 60 i. Esta é a última pergunta, mas é muito importante. Para muitos de nós e muitas famílias, atualmente, tem sido difícil fazer frente às despesas do dia-a-dia. De forma confidencial, como você descreveria a sua situação financeira atual? 1. Assim como muitos, estou atravessando um período difícil financeiramente 2. Estou conseguindo sobreviver, mas no limite 3. Minha situação financeira está OK neste momento 4. Estou bem financeiramente neste momento 5. Estou muito bem financeiramente neste momento Muito obrigada por sua ajuda!!!