Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 Veículo: AGROSOFT PAC Embrapa conta com R$ 222,9 milhões para investimentos em 2010 O Programa de Fortalecimento e Crescimento da EMBRAPA - PAC EMBRAPA entra em seu terceiro ano com R$ 222,9 milhões disponibilizados para dar sequência aos investimentos nas áreas de pessoal, infraestrutura, gestão institucional, pesquisa e transferência de tecnologias. Para dar continuidade à implantação dos três novos centros de pesquisa foram disponibilizados R$ 15,7 milhões. A revitalização da infraestrutura da EMBRAPA conta com R$ 24,9 milhões e as dezessete Organizações Estaduais de PESQUISA AGROPECUÁRIA (Oepas), reestruturadas com recursos do PAC EMBRAPA, terão mais R$ 72,3 milhões. O custeio das atividades de apoio à pesquisa e transferência de tecnologias, capacitação, gestão estratégica, ação internacional e revitalização das Unidades conta com R$ 77,1 milhões em 2010. Os R$ 32,8 milhões restantes são destinados a investimento em equipamentos para desenvolvimento das atividades de pesquisa. A expectativa é manter a execução orçamentária no mesmo patamar dos dois primeiros anos do Programa. Em 2009, o PAC EMBRAPA executou 97,63% dos recursos disponibilizados. FONTE EMBRAPA Secretaria-Executiva do PAC EMBRAPA Gustavo Porpino - EMBRAPA Telefone: (61) 3448-4335 Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 Veículo: GOIÁS AGORA Estado integra Lavoura, Pecuária e Floresta O Programa Integração Lavoura-Pecuária-Floresta deve ser implantado em primeira mão pelo Estado de Goiás. O projeto, iniciativa de disseminação de tecnologias da Seagro e da EMBRAPA, já existe há 10 anos na Fazenda Santa Brígida, em Ipameri, mas só agora tem possibilidades de ser nacionalmente ampliado, com repasse de recursos e linhas de crédito. Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 Veículo: CORREIO BRAZILIENSE ONLINE Editoria: CIÊNCIA E SAÚDE Confira íntegra de entrevista com pesquisadora da Embrapa Entrevista com Cristina Maria Monteiro Machado, pesquisadora da EMBRAPA Agroenergia, sobre o projeto que avalia matérias-primas para a produção do etanol de segunda geração. Desde 1975 o Brasil detêm a tecnologia de produção de etanol. Por que só agora se iniciou uma pesquisa como essa? O Programa do Alcool Brasileiro (PROALCOOL) foi lançado em 1975. Portanto, foi a partir daí que o Brasil começou a produzir e usar álcool de sacarose (o açucar que vem da cana) como combustível. A questão é que o processo de produção de etanol de celulose é significativamente mais complexo do que a produção de etanol de sacarose. Portanto, embora o Brasil tenha domínio da tecnologia da produção de etanol de cana já há muitos anos, o processo de etanol de celulose a custos viáveis ainda não é realidade no Brasil nem no mundo. Embora haja interesse nesse processo há bastante tempo, só mais recentemente, com a crescente conscientização mundial para a importância dos biocombustíveis, seja por questões ambientais ou econômicas (menos dependência dos países produtores de petróleo), os países começaram a investir fortemente no desenvolvimento desses processos. Quanto tempo vai durar a pesquisa? O desenvolvimento de processo economicamente viável para a produção de etanol de celulose é um projeto de longo prazo não só para a EMBRAPA, como para todos que trabalham no tema. Especificamente, esse projeto que estamos iniciando agora é de quatro anos, ou seja, será concluído no início de 2014. Mas os objetivos do projeto estão mais ligados à construção de uma base sólida para compreensão do processo, que trará impactos no futuro desenvolvimento de rota(s) tecnológica(s) : matérias-primas identificadas, caracterizadas e selecionadas quanto à sua composição e estrutura para o processo de etanol de celulose e um maior entendimento da relação dos insumos e variáveis de processo envolvidas. Há empresas privadas trabalhando na pesquisa de etanol de segunda geração? Sim, tenho conhecimento de empresas nos Estados Unidos, Canadá, Europa e Japão trabalhando na produção de insumos (como enzimas, por exemplo) ou no processo como um todo. Mas é importante dizer que, se não todas, a grande maioria dessas empresas conta com apoio financeiro estatal, uma vez que o desenvolvimento de biocombustíveis de celulose é extremamente caro mas estratégico para todos os países. No Brasil temos algumas empresas trabalhando nesse processo, além da Petrobrás. Quais são as matérias-primas que têm mais potencial para produzir o etanol de segunda geração? Quais as vantagens e desvantagens dessas matérias? Quando se fala de etanol de segunda geração, está se falando de etanol produzido da biomassa lignocelulósica. A biomassa lignocelulósica é derivada principalmente: dos produtos e dos subprodutos da floresta e da indústria da madeira, dos resíduos e co-produtos celulósicos agrícolas e agroindustriais, das culturas celulósicas energéticas. No nosso projeto, estamos estudando quatro grupos de matérias primas: bagaço e ponteira de cana-de-açucar (que é um resíduo Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 agroindustrial), gramíneas forrageiras tropicais (Braquiaria, Panicum e capim elefante) (culturas celulósicas dedicadas), sorgo (cultura celulósica dedicada) e resíduos florestais, cuja escolha foi baseada na sua importância atual ou potencial como fonte de lignocelulose no Brasil. Qualquer uma delas tem suas vantagens e desvantagens, que serão analisadas no projeto. Embora o uso de resíduos e co-produtos pareça ser mais viável no curto prazo, uma vez que não haveria custo de produção de matéria-prima, problemas relacionados à logística, como coleta e transporte deverão ser resolvidos e representam um grande gargalo ao seu uso mais amplo. Já o uso de culturas plantadas exclusivamente para a produção de biocombustíveis (culturas celulósicas dedicadas) tem como desvantagem a necessidade de serem plantados, e portanto, custos de produção agrícola agregados ao processo e como vantagens o fato delas poderem ser melhoradas para maior produtividade e para possuírem características de composição e estrutura desejáveis ao processo, contribuindo, inclusive, para a sua simplificação e diminuição de custo. Além disso, o melhoramento para aumento da tolerância a estresses bióticos (ataque de insetos, por exemplo) e abióticos (falta de água, por exemplo) possibilitaria a produção dessas culturas em áreas marginais normalmente não adequadas na produção de alimentos. Atualmente o bagaço da cana-de-açúcar tem sido a matéria-prima mais utilizada na produção de etanol de segunda geração? Por quê? No Brasil os esforço tem sido focados na produção de etanol de bagaço de cana especialmente por causa da grande disponibilidade desta matéria-prima. O volume desse subproduto representa cerca de um terço da produção de cana-de-açúcar. Atualmente esse material é aproveitado principalmente para gerar energia elétrica, por meio de sua queima nas próprias usinas, mas com o desenvolvimento de etanol de celulose ele poderia ser usado na produção de etanol. Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 Veículo: PORTAL MS Florestas e integração-pecuária são destaques do último dia da Showtec Em todo o País, segundo estimativa divulgada pela EMBRAPA Transferência de Tecnologia, existem 50 milhões de hectares de pastagens em degradação. O governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo (Seprotur), participa nesta quinta-feira (4) da Showtec destacando o setor florestal e os projetos de integração lavoura-pecuária. Os técnicos do Estado estarão à disposição dos visitantes, na sala de reuniões da Fundação MS. Dentre os temas abordados, os técnicos da Seprotur levarão informações a respeito do convênio celebrado com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que prevê a instalação no Estado de 14 unidades demonstrativas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF). Vale lembrar que em dezembro do ano passado, o Senado aprovou um Projeto de Lei que institui a Política Nacional de iLPF, que dará um novo impulso a este instrumento voltado a recuperação das pastagens degradas e diversificação econômica. Em todo o País, segundo estimativa divulgada pela EMBRAPA Transferência de Tecnologia, existem 50 milhões de hectares de pastagens em degradação, destas, cerca de 9 milhões estão degradas ou em processo de degradação em Mato Grosso do Sul. E a cooperação técnica entre a EMBRAPA Floresta e o governo estadual, por meio da Seprotur, busca consolidar o setor florestal na região, dinamizando as estratégias e ações direcionadas às políticas públicas e à pesquisa científica sobre nosso maciço florestal. O superintendente de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Agrário da Seprotur, Jerônimo Chaves, acredita que estas ações comprovam quão grande tem sido os esforços das instituições públicas e privadas no sentido de reverter esta situação. "Ao lado do setor produtivo, temos buscado alternativas para que possamos resgatar a produtividade e ampliar as áreas de produção no Estado", conclui. Além da Seprotur, a Showtec 2010 conta com a participação efetiva da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), que levou para o evento uma mostra da agricultura familiar estadual, além de giros tecnológicos e a comercialização de produtos do setor. A exposição acontece das 8 às 17 horas na Estrada da Usina Velha, Km 2, em Maracaju (MS). Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 Veículo: AGRONOTÍCIAS Área de transgênico no país aumenta Apesar de o Brasil ocupar, hoje, a terceira posição na lista dos países com maiores áreas plantadas de organismos geneticamente modificados (OGM), de acordo com estatística da International Service for the Acquisition of Agri-Biotech Application (Isaaa), Estados Unidos, Japão, Canadá, México, Coréia do Sul, Austrália, Filipinas e Nova Zelândia deixaram os brasileiros para trás no ranking de liberação de produtos transgênicos. Dados da Isaaa apontam, ainda, que nos últimos 12 anos, até 2008, de plantio e consumo dos transgênicos, entidades reguladoras do mundo deram pareceres positivos a 670 pedidos de autorização para cultivo comercial e importação destinada à alimentação humana e animal. O Brasil responde por 22 aprovações comerciais, segundo a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Alda Lerayer, diretora executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), informou que está previsto para início de março a divulgação de novo levantamento da Isaaa, que deve colocar o Brasil no páreo com a Argentina em área de plantio, devido ao milho OGM cultivado, em 23 milhões de hectares, este ano, segundo a Agroconsult, e aumento mundial de aprovações. Em 2010, a Índia começou a plantar berinjela e a oito eventos foram aprovados (quatro milhos, dois liberou a canola modificada e, entre outros países, chegar à CTNBio este ano o feijão transgênico AGROPECUÁRIA (EMBRAPA)", calcula. China aprovou o arroz OGM. No México, mais algodões, uma soja e uma alfafa). A Austrália a Argentina aprovou o milho. "No Brasil, deve da EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA Para Miguel Biegai, analista de algodão e bioenergia, da Safras & Mercado, o não desenvolvimento biotecnológico brasileiro ocorre em função da demora na liberação dos resultados de pesquisas enviadas à CTNBio. "Enquanto uma aprovação aqui demora anos, na Índia, por exemplo, o resultado sai em meses", diz. Segundo o analista, existe uma tendência em longo prazo de o País utilizar a biotecnologia na melhoria da produção agrícola, mas o governo federal deveria investir em técnicos e cientistas. A CTNBio informou que conta com o trabalho de 54 cientistas e oito técnicos. De acordo com o regimento interno, o órgão regulador tem de 90 a 120 dias para liberar o resultado de um processo. Mas o último registro da CTNBio mostra que o tempo de decisão de, por exemplo, seis produtos do algodão variou de 11 meses a quatro anos. Já o resultado de 11 produtos do milho levou de sete meses a nove anos para sair. Biegai explicou que os países à frente do Brasil em aprovação obtêm por consequência, além de maior produtividade, cultivos a custos baixos. Segundo o analista, enquanto os americanos realizam quatro aplicações de defensivos em uma safra de algodão, o produtor brasileiro faz, em média, 15. "Isso afeta a competitividade. O transgênico é área-chave, estratégica para a agricultura." Além da necessidade de aumento no quadro de profissionais em biotecnologia, o analista considera pouco os recursos oferecidos aos órgãos de pesquisa. "Se a EMBRAPA recebesse 20% ou 30% do aporte destinado a estudos em outros países, seríamos invencíveis em commodities." Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 Todo o processo de pesquisa, até a regulamentação da soja, de acordo com Giovanni Rodrigues Vianna, pesquisador da EMBRAPA Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), tem custo mínimo em torno de R$ 10 milhões. Números do Ministério do Desenvolvimento (Mdic) mostram que, de 2008 até hoje, o governo em parceria com a iniciativa privada vão investir cerca de R$ 700 milhões em biotecnologia. "Com o retorno do texto de biossegurança de 2005, os processos devem acelerar", diz Lerayer. Empresas A Monsanto investiu, em 2009, R$ 8,5 milhões em pesquisas no Brasil e promete lançamentos para a próxima safra. Para o híbrido de milho, serão dois lançamentos: um para o controle de pragas e outro resistente a insetos e pragas. Já a soja Ômega-3 está na última fase, antes da autorização comercial. Em 2009, a Monsanto faturou mais de R$ 3,2 bilhões no Brasil. O estudo da soja resistente a herbicida, da Basf, feito pela EMBRAPA foi aprovado e deve chegar ao mercado entre 2011, 2012, segundo Vianna. Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 Veículo: FOLHA DE S. PAULO - SP Editoria: DINHEIRO Liquidez maior (Vaivém das commodities) Mauro Zafalon Apesar do cenário pouco favorável para os preços dos grãos em 2009/10, o valor da terra segue melhorando no Brasil. Em novembro e dezembro, o preço médio nacional do hectare subiu para R$ 4.593, com alta de 5% em relação a igual período de 2008. Destaque no Sul Jacqueline Bierhals, analista da AgraFNP, empresa que acompanha o valor da terra no país, diz que o destaque ficou para a região Sul, onde a alta acumulada em 2009 foi de 8,8% e a dos últimos 36 meses somou 57%. "A procura por imóveis no Sul está aquecida, mas a oferta é limitada", diz ela. Os preços A pesquisa da AgraFNP apurou que o hectare de terra foi negociado no Sul a R$ 9.493, em média, em novembro e dezembro. No Centro-Oeste, onde o interesse pela terra passa também pelos estrangeiros, o hectare subiu para R$ 3.446, em média. Noz pecã A Emater/RS e o Banco do Brasil darão suporte e auxílio técnico para elevar a produção de noz pecã entre pequenos produtores gaúchos. Faz parte do projeto também a Pecanita, uma das principais empresas do setor e que planeja vender 30 mil mudas neste ano. Espera O custo para a implantação é de R$ 6.500 por hectare (200 nogueiras) e a árvore começa a produzir em escala comercial a partir do 6º ano. Os pequenos produtores terão uma linha especial de crédito do Banco do Brasil, de R$ 2.500 a R$ 36 mil, com juros de 2% a 5% ao ano e carência de oito anos. Para baixo O açúcar, que chegou perto dos 30 centavos de dólar por libra-peso no final de janeiro, recuou para 27,64 centavos ontem na Bolsa de commodities de Nova York. A queda acumulada é de 7,6% no mês. Efeito dólar Os problemas financeiros da Grécia e a alta do dólar respingaram sobre as commodities agrícolas ontem. Houve uma queda de apetite dos investidores no setor, fazendo com que os preços das chamadas commodities "soft" (açúcar, café, suco etc.) recuassem. No lucro Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 A Bunge anunciou ontem nos Estados Unidos que obteve lucro líquido de US$ 361 milhões no ano passado. Esse valor, no entanto, registrou queda de 66% em relação ao US$ 1,01 bilhão de 2008. Poderia ser melhor Uma das causas do lucro menor da empresa foram perdas com fertilizantes, cujo prejuízo somou US$ 616 milhões em 2009. O Brasil, onde a empresa vendeu a produção de fertilizantes, ajudou na queda. Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 Veículo: BRASIL ECONÔMICO Editoria: OPINIÃO Agricultura e indústria (Artigo) Alguns economistas que têm contribuições importantes para o entendimento da economia brasileira consideram que o grande crescimento das exportações de produtos básicos é causa de uma desindustrialização em curso no país. Não acho que essa seja a causa dos retrocessos que vêm sendo constatados no processo de industrialização do Brasil. Em primeiro lugar, cabe precisar que a desindustrialização nas últimas duas décadas e meia é relativa e não absoluta, significando isso, que a indústria pode ter perdido densidade ao longo desse processo, perdeu participação na economia nacional e sua expressão no contexto mundial também ficou menor, mas manteve se como um setor diversificado, expressivo e com encadeamentos sofisticados. O setor primário brasileiro seria causa desses problemas industriais se devido a uma espetacular exportação gerasse um tão volumoso superávit de divisas que valorizasse extraordinariamente a moeda nacional, levando a um desestimulo extremo à atividade industrial.Essa é a clássica "doença holandesa" que pode vir a acometer a economia brasileira a partir da gigantesca descoberta do pré-sal, mas que por enquanto não afeta gravemente a saúde de nossa indústria e de nossa economia. A agropecuária e a mineração do país alcançaram níveis muito elevados de competitividade e, dado o contexto internacional e o boom da economia chinesa, multiplicaram suas exportações e passaram a gerar saldos muito elevados, porém não em magnitude capaz de levar por si só à valorização do real que tanto vem prejudicando, juntamente com outros fatores de competitividade, a dinâmica industrial do país. Prefiro interpretar a desindustrialização relativa do Brasil como decorrência não das exportações de commodities, mas, sim, de fatores extra-comércio exterior. Em outras palavras, não é o saldo comercial do agronegócio e da mineração que vem determinando a valorização da moeda. Não é de hoje que as variações nos dois sentidos do valor da moeda nacional se dão por fatores financeiros e não fatores "reais" da economia. Tais variações são motivadas por um diferencial de juros interno e externo que há muito tempo é excessivamente elevado e que por isso potencializa as ondas de movimentos de capitais que só agora o governo resolveu mansamente controlar. Analistas querem fazer crer que os problemas da indústria decorrem do sucesso do setor primário. É como se houvesse um antagonismo entre a especialização na indústria e a especialização na atividade primária. Grande engano, não há oposição entre agricultura e indústria e nem a necessidade do país optar por uma especialização pendente para um ou para o outro lado. O êxito simultâneo dos dois setores é perfeitamente possível. Basta que sejam aplicadas políticas corretas que incluem, mas não se esgotam no câmbio. Tributos pagos indevidamente pelo exportador, ônus excessivo sobre a folha de salários, custo do crédito elevadíssimo fora do sistema BNDES e infraestrutura ruim são exemplos do que precisa ser mudado. Júlio Gomes de Almeida :Professor de economia da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 Veículo: VALOR ECONÔMICO -SP Editoria: AGRONEGÓCIOS Vendas de máquinas agrícolas perdem fôlego O ritmo das vendas de máquinas agrícolas perdeu o fôlego neste começo de ano. A manutenção do programa Mais Alimentos e a prorrogação do Programa de Sustentação dos Investimentos (PSI) não impediram que os negócios com tratores e colheitadeiras recuassem 16% em janeiro sobre as vendas fechadas em dezembro. Dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que foram negociadas em janeiro 4,6 mil unidades, ante as 5,5 mil de dezembro. O resultado é o pior desde julho do ano passado. Em comparação a janeiro de 2009, no entanto, quando o setor ainda vivia sob a sombra dos efeitos da crise financeira mundial, o desempenho foi 48,9% melhor. Também houve uma freada nas exportações. Foram embarcadas no mês passado 974 unidades, queda de 43,3% em comparação a dezembro, porém, um avanço de 6,2% sobre as exportações do mesmo período do ano passado. O resultado financeiro das vendas externas também foi influenciado e somou em janeiro US$ 1 milhão, queda de 41,2% ante dezembro. Em comparação ao mesmo período de 2009, as exportações do mês passado renderam 11% a mais. Apesar de a recuperação nas vendas ter reduzido seu ritmo de crescimento, a expectativa para 2010 é de avanço sobre 2009, mesmo que ainda de forma tímida. A Anfavea trabalha com uma projeção de incremento de apenas 1% sobre o resultado obtido no ano passado. Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 Veículo: G1 Editoria: CIÊNCIA & SAÚDE Produção de etanol de cana-de-açúcar pode afetar ecossistemas regionais Emissão de poluentes à base de nitrogênio causa 'chuva seca'. G1 publica com exclusividade reportagem de revista "Unesp Ciência". Igor Zolnerkevic O G1 publica abaixo, com exclusividade, reportagem da 5ª edição da revista "Unesp Ciência", lançada nesta sexta-feira (5). Nela, você verá que o potencial do etanol de cana-de-açúcar de combater o aquecimento global ofusca um lado maléfico de sua produção: a emissão de poluentes à base de nitrogênio que causam uma "chuva seca" de fertilizantes e podem prejudicar ecossistemas regionais. Clique aqui para ter acesso ao conteúdo completo da edição. Todo produto "sustentável" que se preze tem estampada na embalagem sua "pegada de carbono" uma medida dos gases de efeito estufa emitidos durante sua produção. Quanto menor a pegada, menos o produto contribui para aumentar o aquecimento global e suas consequentes mudanças climáticas. O etanol vem sendo visto com bons olhos justamente porque, ao contrário do petróleo, cuja queima lança no ar carbono que estava "fora de circulação" há centenas de milhões de anos, suas emissões são compensadas durante o crescimento das plantações de cana-de-açúcar, que absorvem CO2 no processo de fotossíntese. Isso praticamente zera o balanço de carbono. Pegaria muito mal, porém, se fosse estampada na embalagem do etanol sua "pegada de nitrogênio". Como quase todo tipo de agricultura intensiva, a cultura da cana-de-açúcar exige a aplicação de fertilizantes à base de compostos com nitrogênio, como o nitrato de amônio. Acontece que essa aplicação é extremamente ineficiente. Apenas 30% do nitrogênio dele é absorvido pela cana. O restante acaba se perdendo no solo, na água e no ar. Chuva de fertilizante sobre rios, campos e florestas distantes até mais de 300 quilômetros dos canaviais é 12 vezes mais intensa do que a natural O nitrogênio é essencial à vida, faz parte do DNA, RNA e das proteínas; daí ser um dos ingredientes essenciais dos fertilizantes. Mas quando ele fica à disposição em excesso, espécies de plantas e micro-organismos que o absorvem mais rápido podem se proliferar e tomar o lugar das outras, destruindo o equilíbrio do ecossistema e sua biodiversidade. Nos ambientes aquáticos, o efeito é imediato: uma explosão de crescimento de algas libera toxinas e consome quase todo o oxigênio na água. Vários estudos feitos no Estado de São Paulo - local da maior produção de cana-de-açúcar do mundo - já observaram como as águas arrastam nitrogênio fertilizante dos canaviais até córregos, rios e represas, onde ele degrada o ambiente aquático e as matas ciliares. Mas ao avaliar a concentração nas represas, os cientistas perceberam que somente o transporte pela água não explica toda a quantidade de nitrogênio encontrada. Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 O químico ambiental Arnaldo Cardoso, do Instituto de Química da Unesp, câmpus de Araraquara, suspeita que esse nitrogênio em excesso venha da atmosfera, na forma de uma poeira microscópica de nitrato de amônio. É como se fosse uma "chuva seca" de fertilizantes que se forma no ar a partir de gases emitidos pela queima da folhagem da cana feita antes da colheita. "Mas esse é um conceito que ainda não cristalizou na cabeça dos biólogos", afirma Cardoso. Em uma série de projetos com apoio da Fapesp e do CNPq, Cardoso, Cristine Dias e Andrew Allen, todos do IQ, monitoram desde 2003 as substâncias químicas no ar dos arredores de Araraquara, que fica no centro da maior região produtora de cana de São Paulo. Uma das análises da equipe, publicada em janeiro no "Journal of the Brazilian Chemical Society", concluiu que essa chuva de fertilizante sobre rios, campos e florestas distantes até mais de 300 quilômetros dos canaviais é 12 vezes mais intensa do que a que aconteceria naturalmente. É como se alguém salpicasse fertilizante pela região. Queima de palha da cana de todo o Estado de SP emite na atmosfera por ano o equivalente a 2,5 vezes as emissões de nitrogênio da Grande Campinas ou 50% daquelas da Grande São Paulo Os dados levantados pelos químicos da Unesp mostram que as concentrações da maioria das substâncias, principalmente aquelas com nitrogênio, fósforo e potássio, aumenta durante a queima da palha da cana, entre maio e novembro. As concentrações dos óxidos de nitrogênio, por exemplo, dobram no período, e os picos nas suas concentrações coincidem com a frequência das queimadas. Em estudo publicado em 2008 na revista "Environmental Science & Technology", a equipe calculou que a queima de palha da cana de todo o Estado de São Paulo emite na atmosfera 57 mil toneladas de nitrogênio por ano. Isso equivale às emissões de nitrogênio de uma metrópole - cerca de duas vezes e meia as emissões anuais da Grande Campinas ou metade daquelas da Grande São Paulo. Nas cidades, a principal fonte de nitrogênio no ar é a queima de combustíveis. Os óxidos de nitrogênio gerados participam de reações químicas na atmosfera produzindo nitrato de amônio, ácido nítrico - que contribui com a chuva ácida -, e ozônio, que na baixa atmosfera faz mal à saúde animal e vegetal. A imensa maioria do nitrogênio no ar (99%) está na forma do inofensivo gás nitrogênio. Bactérias que vivem no solo e na água transformam naturalmente esse gás em óxidos de nitrogênio, amônia e amônio, todos compostos que reagem com seres vivos, também conhecidos como nitrogênio ativo. Ao mesmo tempo, outro tipo de bactéria, também no solo e na água, vive de fazer a transformação oposta, devolvendo gás nitrogênio para a atmosfera. Os dois comportamentos fechavam um ciclo que permaneceu em equilíbrio até o começo do século 20. Desde então os fertilizantes e os motores a combustão mais que dobraram a produção global anual de nitrogênio ativo. É um dos três problemas ambientais mais graves do mundo, junto com a acelerada perda da biodiversidade e a alta concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Para chamar atenção do público, o químico ambiental James Galloway, da Universidade de Virgínia, EUA, coordenou a criação de uma calculadora de "pegada de nitrogênio", nos moldes da pegada de carbono ( clique aqui para acessar a calculadora), por enquanto apenas para os EUA e a Holanda. "Planejamos adicionar outros países em 2010", diz Galloway. Transferência de Tecnologia CLIPPING ELETRÔNICO – 05 de fevereiro de 2010 – Edição 234 Copyright: Unesp Ciência