Os obstáculos à internacionalização de empresas inovadoras e o papel dos Ambientes de Inovação no Brasil Daniele Prozczinski Alexandre Martins Steinbruch 11 de Agosto de 2014 Resumo: O presente artigo tem por objetivo apresentar os principais obstáculos à internacionalização de empresas inovadoras e como os Ambientes de Inovação têm um papel determinante nesse processo. O artigo baseia-se nos dados coletados por meio de uma pesquisa aplicada entre Outubro-Fevereiro de 2014, em empresas inovadoras, utilizando-se de questionário respondido de forma espontânea por 49 empresas com interesse em internacionalizar-se. Com perguntas fechadas e abertas, permitiu uma tabulação e análise lexical, complementada por pesquisa bibliográfica, adotando um modelo explicativo e compreensivo. Os obstáculos inerentes às empresas inovadoras podem ser divididos em dois níveis: internos e externos. Em termos internos, os mais significativos estão relacionados com a falta de recursos, dificuldades de gestão interna para ações de internacionalização e ausência de conhecimento acerca dos procedimentos necessários para a internacionalização da empresa. No nível externo destacam-se as dificuldades em estabelecer parcerias e encontrar o mercado alvo adequado para o seu produto. Igualmente, existe a falta de uma consciência empreendedora na busca por mercados internacionais. Nesse sentido, os Ambientes de Inovação têm um papel fundamental na orientação das empresas sobre os programas de apoio existentes para a internacionalização, assim como na conscientização da importância de uma cultura empreendedora que vá além fronteiras. A maior parte das empresas instaladas em Ambientes de Inovação são pequenas e médias empresas, tendo, por vezes, pouca capacidade organizacional e um conhecimento reduzido do mercado. Existem, desta forma, ações que podem ser desenvolvidas pelos Ambientes de Inovação, potencializando o processo de internacionalização de empresas brasileiras, que sentem-se hesitantes em buscar mercados desconhecidos. As ações podem envolver divulgações institucionais e de programas de apoio à internacionalização desenvolvidos no âmbito nacional e regional, conferências, reuniões, workshops, serviços gratuitos de mentoria e também um impacto positivo na formação de uma consciência empreendedora mais assessoria, auxiliar na conexão com parceiros chave, entre outros. Estas ações permitiriam diminuir sobremaneira as dificuldades das empresas no processo de internacionalização, tendo voltada para a internacionalização. Palavras-chave: ambientes de inovação, consciência empreendedora, empresas inovadoras, internacionalização de empresas, obstáculos Página 2 de 30 Abstract The purpose of this article is to present the main obstacles to the internationalization of innovative companies and how the Innovation Environments have a decisive role in this process. The article is based on collected data made with innovative companies between October-February 2014, using questionnaires, answered in a spontaneous way by 49 companies that have interest in being international. With opened and closed questions, it was possible to have a tabulation and a lexical analysis, complemented by bibliographical research, adopting an explanatory and comprehensive model. The obstacles associated with innovative companies can be divided in to levels: internal and externals. In internal terms, the most significant are related to the lack of resources, internal management difficulties for internationalization actions and lack of knowledge of the procedures necessaries for the internationalization of companies. At the external level, stand out the difficulties in establishing partnerships and finding the right target market for its product. In addition, there is a lack of entrepreneurial awareness in the search for international markets. Accordingly, Innovation Environments have an important role in the orientation of the companies about support programs to the internationalization, importance of as well as in the awareness of the an entrepreneurial culture that transcends national borders. Most companies located in Innovation Environments are small and medium companies, which sometimes have less organizational capacity and a reduced market knowledge. There are thus actions that can be developed by the Innovation Environments, driving the internationalization of Brazilian companies, who feel hesitant to search for unknown markets. This actions may involve: institutional disclosures and national and regional programs supporting the internationalization, conferences, meetings, workshops, free mentoring and consultancy services, assistance in connecting with key partners, among others. These actions allow reducing greatly the difficulties of companies in the internationalization process, and having a positive impact on the development of a more entrepreneurial awareness focused on internationalization. Keywords: Entrepreneurial Awareness, Innovative Companies, Innovation Environments, Internationalization of Companies, Obstacles. Página 3 de 30 Índice de Gráficos: Gráfico 1 – Faturamento Bruto e Investimento em P&D entre 2011 e 2013.................................................................................................................................13 Gráfico 2 – Mercado empresas..........................................................................14 Gráfico – 3 Tipos de alvo das parcerias no internacionalização das Exterior......................................................................15 Gráfico 4 – Principais dificuldades para a empresas..................16 Gráfico 5 – Necessidades de Apoio para promoção e concretização de Negócios..........................................................................................................................17 Página 4 de 30 Índice de Tabelas Tabela 1 - Potencial de Inovação nos Países Latino-Americanos ...................................23 Página 5 de 30 Sumário: Resumo: .................................................................................................................................................. 2 Abstract .................................................................................................................................................... 3 Índice de Gráficos: ................................................................................................................................... 4 Índice de Tabelas ..................................................................................................................................... 5 Siglas ........................................................................................................................................................ 7 Introdução ................................................................................................................................................ 8 1. Obstáculos à Internacionalização ...................................................................................................10 2. Papel dos AI’s na superação dos obstáculos ......................................................................................20 Considerações Finais..............................................................................................................................25 Anexos: ..................................................................................................................................................27 1. Modelo do questionário aplicado às empresas para aferir o seu potencial de internacionalização. ................................................................................................................... 27 Bibliografia: ...........................................................................................................................................29 Página 6 de 30 Siglas AI – Ambiente de Inovação ANPROTEC - Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores APEX-BRASIL - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos EUA – Estados Unidos da América MPE – Micro e Pequena Empresa PMBOK - Project Management Body of Knowledge P&D – Pesquisa e Desenvolvimento UE – União Europeia Página 7 de 30 Introdução A globalização, com o consequente estreitamento das fronteiras, trouxe inúmeras oportunidades e alguns obstáculos às empresas. Primeiramente, a intensificação do comércio permitiu o desenvolvimento de uma série de mecanismos que permitem a comercialização de produtos numa escala global, abdicando da perspectiva interna, por uma visão comercial à escala mundial. Aliás, em 2005, Thomas L. Friedman lançou o livro “O mundo é Plano”, enfatizando a ideia de que existe um nivelamento competitivo entre os países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Nesta lógica, as empresas têm oportunidades em nível global, não estando restritas ao seu mercado interno, mas, por outro lado, enfrentam competidores na mesma escala. Esta forte competição faz com que as empresas tenham que estar cada vez mais preparadas, aptas de uma consciência empreendedora que permita contornar os obstáculos e aproveitar as oportunidades desta nova realidade. Tendo em vista amenizar a difícil entrada no mercado, os Ambientes de Inovação – AIs - os quais incluímos principalmente os Parques e Incubadoras, desempenham um papel fundamental para diminuir os obstáculos e potencializar os benefícios da globalização. Para além de uma estrutura de suporte, estes têm também um networking privilegiado, e uma ligação às instituições de pesquisa e desenvolvimento especializadas, que beneficia sobremaneira as empresas residentes/incubadas. Igualmente, desenvolvem programas de apoio específicos, visando atender às demandas das empresas. Desta forma, empresas que estão nesses ambientes são beneficiadas e os obstáculos à internacionalização são amenizados. A concepção deste artigo foi baseada numa investigação para aferir o potencial de internacionalização das empresas inovadoras brasileiras. Para tanto, foi realizado um levantamento, com perguntas abertas e fechadas (disponível nos anexos), de onde foram validadas as respostas de 46 empresas, entre Outubro e Fevereiro de 2014, cujos resultados serão apresentados no decorrer do artigo. Assim, o trabalho está organizado da seguinte forma: primeiro, discussão acerca dos obstáculos na internacionalização e os Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. Página 8 de 30 resultados da enquete, em segundo, abordaremos o papel dos AIs para diminuir as dificuldades com a internacionalização e, por fim, apresentaremos as nossas conclusões. Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. Página 9 de 30 1. Obstáculos à Internacionalização Quando uma empresa pensa em internacionalizar-se, a primeira dificuldade com que se defronta são os obstáculos internos. Internacionalizar a atividade de uma empresa é um processo complexo, demorado e que exige uma grande preparação prévia. Começar algo novo, e que esse atinja seus objetivos, deve ser gerido por um empreendedor com perfil desafiador e que tenha em sua bagagem conhecimentos científicos de administração, como, planejar, organizar, dirigir e controlar todas as atividades relacionadas direta ou indiretamente com o negócio1. Existem, do mesmo modo, motivações que fazem com que as empresas procurem uma atividade no exterior, podendo ser classificadas como internas e externas. Em relação as questões internas, as motivações surgem da procura pela expansão dos negócios da empresa e pela busca de novas oportunidades. Externamente, procuram mercados mais atrativos para o produto da empresa, assim como existem negócios que têm uma vocação internacional a priori. Igualmente, motivações podem ser geradas devido à proximidade geográfica, língua semelhante/comum, cultura, ou mesmo de parcerias firmadas. O mercado externo pode apresentar-se como mais vantajoso para a empresa, mas isso não diminui os obstáculos referentes à internacionalização da sua atividade. Segundo a metodologia PMBOK (Project Management Body of Knowledge), referente à administração, desenvolvimento e avaliação do projeto de internacionalização, antes de uma empresa pensar na internacionalização, uma empresa deve seguir os seguintes pontos: 1) avaliação preliminar; 2) determinação de mercados-alvo; 3) avaliação dos tratados comerciais; 4) definição da estratégia de internacionalização (forma de entrada); 5) avaliação de aspectos legais; 6) registro de marca; 7) normas técnicas internacionais; 8) dimensionamento do mercado versus a capacidade produtiva; 9) estrutura organizacional da empresa;10) desenvolvimento de recursos humanos; 11) nomeação dos intermediários; 12) logística2. Desta forma, pelos pontos apresentados, existem uma série de obstáculos que surgem em cada uma das etapas. A internacionalização, é, assim, um processo complexo, que exige uma grande 1 LUCIANO, Olacir Martins, Competências Empreendedoras: A nova ordem da Globalização, 2011, p. 3. ORSI, Ademir, GOES, Andreia, Internacionalização de Empresas Brasileiras - O Caso Bemfixa Industrial, Administração no Contexto Internacional, v. IX SemeAd, , p. 9. 2 Página 10 de 30 dedicação da empresa. Ora, micro e pequenas empresas (MPE’s) dependem muito dos seus fundadores, que acabam, muitas vezes, por desempenhar todas as funções dentro da empresa numa fase inicial. Assim, primeiramente, existe uma preocupação adicional que é fazer com que a empresa consolide-se no mercado interno. Internacionalizar-se é, antes de mais nada entender outra cultura e verificar se o produto ou solução da empresa atende a uma necessidade/demanda do mercado pretendido melhor que um produto local pré-existente. Para que este trabalho seja realizado identificar e formar parcerias locais é um dos caminhos mais curtos para que o processo de entendimento e introdução do produto/solução neste novo mercado ocorra, e isto é algo que normalmente não é uma prioridade nas fases iniciais do desenvolvimento empresarial. Em termos de fatores determinantes para a internacionalização, podemos dividir em três estágios, que se caracterizam pelo nível de inserção no mercado externo. O primeiro refere-se à entrada inicial no mercado estrangeiro, o segundo à expansão no mercado estrangeiro, e, por fim, a globalização. Manuela Cristina da Costa Ferreira Dias3, adaptando o modelo de Carlos Machado4, classifica-os de acordo com seus fatores determinantes. O primeiro estágio assinala a fase inicial de internacionalização, onde a empresa deve explorar os seus ativos, já explorados no mercado interno e utilizálos no mercado internacional. Há alguns fatores determinantes nesta fase: 1) melhores oportunidades de abastecimento no exterior; 2) incentivos e flutuações cambiais; 3) redução de custo através do progresso no transporte e comunicação; 4) seguir concorrentes para melhor defesa, dentre outros. O segundo estágio consiste na expansão dos negócios da empresa no estrangeiro, havendo um “impulso” na sua internacionalização. Esta fase é caracterizada pelo crescimento e penetração no mercado, pela concorrência, e pelas barreiras naturais do mercado, alavancagem de competências adquiridas localmente – diversificação de produto e linha de negócio. Por fim, a empresa entra na sua terceira fase, denominada “Globalização”. Neste estágio a empresa já encontra-se instalada no mercado internacional e procura a sua 3 DIAS, Manuela C. Ferreira, A internacionalização e os factores de competitividade: o caso Adira, Universidade do Porto, 2007. 4 MACHADO, Carlos. Factores de Internacionalização das Empresas. Textos de Apoio à matéria de Estratégias de Internacionalização de Empresas da EEG da Universidade do Minho, 2004. Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030000, Florianópolis, SC. Página 11 de 30 expansão a nível global. Este estágio distingue-se dos outros pela procura de melhores ligações entre infraestruturas nacionais de marketing, conducentes a uma infraestrutura global, pela ampliação de segmentos de mercado para maximização do lucro global, aumento da concorrência a nível global e pela oportunidade de transferência de produtos, marca, experiência de um mercado para outro5. A gestão estratégica é essencial para o sucesso da inciativa da empresa no exterior. Para além de conciliar ferramentas de gestão eficazes, é preciso que haja um investimento constante em P&D, para que os produtos mantenham-se adequados às tendências de mercado e às exigências dos consumidores. A necessidade de reinvenção dos processos é condição fundamental para a competitividade a nível global6. Tendo em vista a importância do investimento em P&D que caracteriza as empresas inovadoras de base tecnológicas, é que na enquete realizada para aferir o potencial de internacionalização das empresas brasileiras, foi questionado qual era o montante investido em P&D e desta resposta realizou-se a comparação com o faturamento bruto. Assim, a média anual de faturamento, considerando os anos de 2011 a 2013, das empresas que responderam a esta questão, foi de R$ 1.446 mil, já o valor médio investido em P&D corresponde a R$ 245 mil, o que representa o equivalente a 20% do faturamento informado (Gráfico 1). Logo, existe, por um lado, uma consciência da importância em investir em P&D nas empresas, mas, por outro, esse investimento é ainda reduzido. Todavia, de acordo com a pesquisa Global Innovation 1000 da Booz & Company de 2012, No Brasil, o investimento em inovação cresceu de R$ 4 bilhões (US$ 2,4 bilhões), em 2010, para R$ 6,2 bilhões (US$ 3,7 bilhões), em 2011. Além disso, o número de empresas brasileiras no ranking subiu de cinco, em 2010, para sete companhias, em 2011, com a inclusão da Cia Paraense de Energia e Gerdau SA. O investimento total das sete empresas brasileiras que mais investem em inovação no Brasil representa 0,61% do total de gastos com P&D nas 1000 identificadas no ranking7. 5 DIAS, A internacionalização e os factores de competitividade: o caso Adira. PAROLIN, Sonia Regina (org.); VOLPATO, Marcilia (org.), Faces do Empreendedorismo Inovador, [s.l.: s.n., s.d.], p.13. 7 FERNANDES, Lívia, Investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento no mundo crescem 9,6% e voltam a níveis pré-recessão, revela estudo da Booz & Company, Strategy&, disponível em: <http://jornaldeeconomia.sapo.ao/gestao/internacionalizacao-preocupa-gestores>, acesso em: 6 abr. 2014. Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030000, Florianópolis, SC. 6 Página 12 de 30 R$1.800.000,00 R$1.625.223,49 R$1.600.000,00 R$1.452.699,74 R$1.315.223,76 R$1.400.000,00 R$1.200.000,00 R$1.000.000,00 Faturamento Bruto R$800.000,00 Investimento P&D R$600.000,00 R$400.000,00 R$277.600,00 R$227.986,67 R$232.154,33 R$200.000,00 R$2011 2012 2013 Gráfico 1 – Faturamento Bruto e Investimento em P&D entre 2011 e 2013 Fonte: Elaboração própria, pesquisa Anprotec, realizada entre Outubro e Fevereiro de 2014 Referente ao valor médio exportado, ficou na ordem de R$ 135 mil, mas apenas 4 empresas informaram valores exportados em 2013. Poucas são as empresas que exportam os seus produtos, no contexto das respondentes. Não obstante, das 46 empresas respondentes, 89% informaram conhecer o público alvo que desejam atingir no exterior. Destas, 80% responderam ter uma proposta de valor definida, mas apenas 43% dizem ter um modelo de negócios estruturado para atender o mercado internacional pretendido. Em relação ao destino das exportações, 65% delas afirmaram saber para qual mercado será o foco de sua comercialização. Entre os mercados mais citados, os EUA são o primeiro destino vislumbrado (Gráfico 2), seguindo-se a América Latina e Europa. Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030000, Florianópolis, SC. Página 13 de 30 Gráfico 2 – Mercado alvo das empresas – 2013/2014 Fonte: Elaboração própria, pesquisa Anprotec, realizada entre Outubro e Fevereiro de 2014. Com relação ao atendimento do mercado externo, 17% das respondentes já exportavam ativamente para mais de dois países, conhecendo os passos que devem ser dados para expansão a outros mercados. Os mercados de destino mais citados foram na América do Norte: EUA; na América Latina: Peru, Chile e Argentina; e África. Além disso, 20% das empresas afirmaram ter comercializado a mais de um cliente, onde pelo menos um seja líder ou referência no seu setor de atuação. Ainda, 41% das respondentes afirmam ter parcerias em um outro país. Os tipos de parcerias apontadas (Gráfico 3) são de caráter comercial/distribuição (47%), para Pesquisa e Desenvolvimento (24%), para promoção dos seus produtos (12%) e outras/não informadas (17%). Podemos aferir, portanto, que atividades relacionadas com a internacionalização das empresas são feitas, sobretudo, por empreendimentos de maior porte, já consolidados no mercado brasileiro, sentindo-se mais capazes de acarretar com os riscos de expandir a sua atividade para outros países. Para uma MPE, um programa de internacionalização mal concebido/executado pode significar o fim da atividade comercial da empresa. Igualmente, apesar da emergência de novos mercados mais Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030000, Florianópolis, SC. Página 14 de 30 atraentes aos investimentos externos, persiste ainda uma preferência clara pelos mercados tradicionais. Gráfico 3 – Tipos de parcerias no Exterior – 2013/2014 Fonte: Elaboração própria, pesquisa Anprotec, realizada entre Outubro e Fevereiro de 2014. Referente à necessidade de abrir uma subsidiária/filial no exterior, 40% informaram ser necessário para sua expansão, sendo os EUA o principal mercado, seguindo-se mercados como o Canadá, México, Inglaterra, Alemanha, África e China. O mercado estadunidense, por fatores como a facilidade de abertura de uma empresa, ou em conseguir investimentos, continua a ser o foco principal das empresas brasileiras. No contraponto da preparação para exportação, 85% das empresas afirmaram não conhecer todos os passos para internacionalização, nem ter definidos metas e cronogramas para tal. Além disso praticamente 85% delas também não têm recursos próprios para executar seu plano de internacionalização. Logo, falta de preparação é um grande entrave para as empresas, que, aliada a falta de recursos, acaba por refletir-se no baixo índice de internacionalização das empresas brasileiras. Quando as respondentes foram questionadas sobre sua principal dificuldade para atuar no mercado internacional, a falta de recursos financeiros para o desenvolvimento, manutenção e promoção dos negócios foi a mais citada (16 vezes). Depois a dificuldade Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030000, Florianópolis, SC. Página 15 de 30 de identificar e estabelecer parcerias no exterior e o desconhecimento das leis, procedimentos, barreiras e do próprio comportamento do mercado pretendido, foram as citações mais recorrentes. Gráfico 4 – Principais dificuldades para a internacionalização das empresas – 2013/2014 Fonte: Elaboração própria, pesquisa Anprotec, realizada entre Outubro e Fevereiro de 2014. Ainda como forma de levantar as necessidades de apoio para a promoção comercial e concretização de negócios no exterior (Gráfico 5), identificou-se que as principais citações estão relacionadas a prospecção de parceiros no exterior (9), seja para identificação de representantes técnicos/comerciais, ou para distribuição. A necessidade de promoção dos produtos, também foi uma das questões mais indicadas, juntamente com a necessidade de assessoria jurídica (com 7 citações cada uma) em questões relacionadas a registro de marcas e patentes no exterior, procedimentos de pagamentos e recebimentos, entre outras questões legais. Além disso, foram referenciadas a prospecção de mercado (6) para identificação de clientes alvo e equipe, além das questões relacionadas as necessidades de marketing (orientações e definições de estratégias e políticas) 5 vezes. Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030000, Florianópolis, SC. Página 16 de 30 0 2 4 6 8 10 Prospecção de parceiros Promoção do produto Assessoria Jurídica Prospecção de mercados Marketing Escritório no exterior Pesquisa de mercado Adequação de produto Serviços de tradução Envio de Amostras Gráfico 5 – Necessidades de Apoio para promoção e concretização de Negócios – 2013/2014 Fonte: Elaboração própria, pesquisa Anprotec, realizada entre Outubro e Fevereiro de 2014 Aliado a estes fatores está a falta de uma consciência empreendedora, voltada para ações de internacionalização. Logo, para além das dificuldades referentes à falta de recursos e dificuldade em estabelecer parcerias, está também uma fraca cultura empreendedora que procure sempre inovar, melhorar e apostar na capacitação dos seus membros. Segundo uma reportagem da BBC, a cultura empreendedora brasileira está abaixo da média, quando comparada com a de outros vinte e quatro países8. Num índice que vai de 1 a 4, o Brasil obteve 2,33 – abaixo da média global de 2,49. Os países com maior cultura empreendedora, segundo a pesquisa, são Indonésia (2,81), Estados Unidos (2,80) e Canadá (2,78)9. Existe também uma resistência à inovação. A maior parte das MPEs, por exemplo, não tem recursos para investir em websites interessantes e práticos, onde estejam presente informações sobre os seus produtos ou até a possibilidade de efetuar compras pela internet. Ora, numa era cada vez mais dependente da internet, a não utilização desta ferramenta dificulta o acesso das empresas aos clientes, potenciais parceiros ou mesmo investidores. Da 8 BBC Brasil - Notícias - Cultura empreendedora brasileira está abaixo da média, diz pesquisa da BBC, disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/05/110525_pesquisa_empreendedorismo_bbc_rw.shtml>, acesso em: 10 jun. 2013. 9 Ibid. Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. Página 17 de 30 mesma forma, os sites estão disponibilizados sobretudo em português, o que dificulta o acesso aos stakeholders internacionais. Apesar de o tecido empresarial brasileiro ter progredido nos últimos anos, ainda persiste uma disparidade em termos do avanço tecnológico das empresas nacionais e internacionais. Para além disso, empresas internacionais têm acesso à matérias-primas a preços mais baixos, o que torna o seu produto mais competitivo. Muitas são as empresas que exportam matérias-primas, não só pela produção industrial brasileira ser deficitária, mas também porque, mesmo com os custos elevados das importações, importar tornar-se mais barato do que comprar nacionalmente. Claramente, este tipo de situação reflete-se também na produção industrial brasileira, que tem dificuldades de competir e acaba por ter menos investimentos. Paralelamente a este fator, ainda persiste uma falta de credibilidade dos produtos brasileiros internacionalmente, sendo mais uma barreira que as empresas enfrentam quando pensam em internacionalizar a sua atividade ou exportar o seu produto. Mas isso não é algo que se possa considerar insuperável, haja vista os exemplos de corporações brasileiras como a Weg, fabricante de motores elétricos, presente em mais de 100 países nos cinco continentes10. Por fim, gostaríamos de destacar outro obstáculo à internacionalização: Segundo estudo da UNCTAD (2005) o que restringe a capacidade das empresas de se internacionalizar não é tanto o conjunto de oportunidades disponíveis, mas as políticas herdadas pelos países em desenvolvimento. Existem limites quantitativos e qualitativos e falta de seguro para os investimentos externos, além de controles cambiais11. A burocracia, os procedimentos internos e a carga tributária incidentes, direta ou indiretamente, também tornam-se barreiras por vezes intransponíveis. Desta forma, as políticas públicas têm que acompanhar e incentivar esses tipos de ações, pois caso isto não ocorra, nunca iremos aumentar o número de empresas exportadoras, seja no Brasil, ou em qualquer outro país em desenvolvimento. Em síntese, segundo o estudo publicado pela Apex-Brasil, podemos resumir os entraves à internacionalização em: 10 ORSI, Ademir, Internacionalização de Empresas Brasileiras - O Caso Bemfixa Industrial, p. 3. Internacionalização de empresas Brasileiras, 2009, p. 18. Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. 11 Página 18 de 30 a) b) c) d) e) f) g) h) i) Elevado custo de capital para financiar as operações internacionais; Elevada carga tributária no país de origem; Volatilidade cambial, que não permite planejamento de médio e longo prazo; Inexistência de incentivos e programas de apoio do governo que possam minimizar os custos da operação no exterior, como prospecção de mercado, instalação física, apoio jurídico, marketing, reconhecimento de marca, normas técnicas; Ausência de celebração dos acordos bilaterais de proteção e promoção de investimentos; Questões técnicas que impedem a celebração de acordos para evitar a bitributação entre o Brasil e parceiros de vital importância, como EUA e Reino Unido; Limitado acesso ao financiamento. Tributação sobre ganhos decorrentes de variação cambial do valor dos ativos no exterior; Limitação da compensação do Imposto de Renda pago ou assumido pela controlada do exterior12. 12 Ibid., p. 19. Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. Página 19 de 30 2. Papel dos AI’s na superação dos obstáculos As incubadoras e parques tecnológicos são polos de inovação, desenvolvimento, estruturação e apoio, vinculadas às instituições mantenedoras, como: universidades, comunidades, institutos de pesquisa, empresas, consórcios, organizações governamentais (prefeituras), ou não-governamentais (ONGs)13. O papel dos AIs é fundamental para o desenvolvimento de novos negócios inovadores. Eles cumprem uma função importante na viabilização do crescimento e manutenção do desenvolvimento supervisionado de empresas inovadoras, proporcionando um conjunto de serviços de suporte, experiência em negócios, acessos a recursos e mercado, contribuindo para o fortalecimento das empresas assistidas pelos AIs, até seu amadurecimento. Referente às incubadoras, segundo Conceição Vedovello e Paulo N. Figueiredo: Ao prover as PMEs com instalações físicas adequadas e de qualidade, com serviços de apoio compartilhados e com aconselhamento sobre o funcionamento do mercado, sobre tecnologias e seus aspectos, e sobre viabilidade de apoio financeiro, as incubadoras buscam explorar e potencializar os recursos existentes e fomentar as sinergias entre pares. Elas procuram, ainda, criar um ambiente favorável ao surgimento e fortalecimento de novos empreendimentos, ou seja, objetivam tornar as suas incubadas em empresas graduadas bem sucedidas14. A fragilidade inicial de negócios inovadores e tecnológicos são inerentes as atividades que tem um alto grau de incerteza e a dependência de “janelas de oportunidades” relacionadas a demandas de mercado e o desenvolvimento de soluções que envolvem novas tecnologias. Neste contexto uma empresa precisa do suporte e este os AIs estruturados podem oferecer. Além de um ambiente propício ao empreendimento, com infraestrutura, networking, assessoria e consultoria, benefícios fiscais (em determinados casos), entre outros. Fazer parte deste ambiente faz com que as empresas possam encontrar sinergia e parcerias com outras 13 PAROLIN, Sonia Regina (org.); VOLPATO, Marcília (org.), Faces do Empreendedorismo Inovador, [s.l.: s.n., s.d.], p. 47. 14 VEDOVELLO, Conceição; FIGUEIREDO, Paulo N., Incubadora de Inovação: Que nova espécie é essa? RAE - eletrônica, v. v. 4, n. 1, 2005, p. 6. Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. Página 20 de 30 empresas, realidade que seria muito mais difícil num ambiente comum. Logo, podemos afirmar que: A incubadora atua como grupo suporte na ligação do grupo fonte ao grupo mercado e, para tanto, faz uma seleção dos empreendimentos potenciais, apoia a empresa durante certo período (tempo de residência (tr)) até ela se tornar auto-suficiente. A partir desse ponto, o empreendimento pode se graduar, passando a vivenciar um período de pós-incubação. À relação entre o número de empresas, que entram na incubadora e que permanecem operando por cinco anos após a graduação, chama-se taxa de sobrevivência (ts)15. Atualmente as empresas não necessitam tanto de infraestrutura, ou equipamentos para se desenvolverem, como em décadas passadas. Hoje o importante é ter relacionamentos, network, saber onde encontrar e como trilhar os caminhos, sem precisar investir muito para apreender. Por isso, o processo de apoio e suporte de um AI, que antes era oferecer espaço físico, mobiliário e equipamentos a um custo mais acessível, hoje vai além, e conta com o conhecimento de pessoas capacitadas, como mentores, ações de suporte estratégico, conexões, investidores, entre outros. O valor tangível atualmente passou a ser o intangível. No entanto, para apoiar a internacionalização de negócios inovadores o processo perpassa pela identificação do que é um negócio “internacionalizável”. Desta forma, faz-se importante que os AIs tenham possibilidades de reconhecer uma empresa/produto que tenha capacidade de galgar mercados fora do Brasil. Para isso, é fundamental o entendimento de determinados indicadores, que incluem os níveis de inovação do produto/solução a internacionalizar, se é mundial, regional, ou para outro país apenas. Também deve ser considerada a capacidade interna da empresa para dar continuidade ao processo de internacionalização, seja pelo perfil dos seus representantes, ou pelos recursos humanos disponíveis para atender as demandas dos novos clientes e parceiros. Deve-se considerar, igualmente, o estágio de maturidade que o produto está, entre outros pontos fundamentais, para que a empresa possa alçar voos além das fronteiras nacionais. O uso de boas ferramentas e diagnósticos que identifiquem as empresas com este potencial também é altamente recomendável. 15 Ibid., p. 43 Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. Página 21 de 30 Reconhecido o que é internacionalizável, os AIs podem adotar algumas estratégias: a) Preparar-se, disponibilizando pessoal especializado em consultoria de desenvolvimento de negócios internacionais, internamente, ou terceirizando, para oferecer serviços de apoio a expansão de suas empresas; b) Buscar conhecer quais são os principais projetos de agências financiadoras como APEX-BRASIL, Banco Mundial, BID, entre outros para ajudar a capacitar sua equipe ou viabilizar projetos/atividades que possibilitem a inserção das suas empresas nesse processo. c) Propor projetos do seu ambiente, em conjunto com outros ambientes de inovação para realizar ações que suportem atividades de apoio a internacionalização. d) Buscar junto as associações como a Anprotec, ou suas redes regionais ou interestaduais a viabilização de ações podem auxiliar esses tipos de ações. e) Participar de redes internacionais, buscar parcerias com ambientes em países foco de mercado, ou referências mundiais para os produtos das suas empresas também estão entre os caminhos indicados. Existe, também, uma série de programas e iniciativas de diversas entidades nacionais e estrangeiras de projetos que apoiam a internacionalização de empresas inovadoras. Ora, os AIs têm um papel importante na persecução de recursos para as suas empresas, assim como na divulgação dessas iniciativas às empresas residentes/incubadas. Da mesma forma, pela sua proximidade e ligação com parceiros internacionais, fomentar parcerias e intercâmbios empresariais pode ser benéfico para muitas empresas. Ações de matchmaking devem ser privilegiadas, já que as MPEs não têm capacidade para ter iniciativas desse tipo sem o devido suporte de entidades credíveis. Um exemplo recente e que demonstra a importância do papel dos AIs, é o projeto Ryme, desenvolvido através de uma parceria União Europeia e associações estrangeiras, dentre elas a Anprotec. Cinco países foram selecionados para participar: França, Espanha, Portugal, EUA e Brasil. Visando aproximar MPEs brasileiras e europeias, os participantes selecionados colocaram numa plataforma online o seu perfil, onde incluam também as suas demandas e produtos/serviços. Desta forma, as empresas Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. Página 22 de 30 visualizavam os perfis e entravam em contato com as empresas de setores correlacionados e com potencial para formação de parcerias futuras. Para além disso, foram marcadas reuniões multilaterais e bilaterais com as empresas que manifestaram interesse em participar. O encerramento do projeto conta com um evento em Madri, onde serão selecionadas as três empresas brasileiras para participar. Outro fator muito importante é a promoção de ações que incitem a cultura empreendedora dos empresários brasileiros. Ações de formação, palestras, divulgação de casos de sucesso podem aumentar a assimilação dessa cultura que é vital para a manutenção de negócios inovadores. Em parceria com o Sebrae, por exemplo, Parques e Incubadoras têm lançado iniciativas e programas para capacitar os empreendedores, como na elaboração do planejamento estratégico de Marketing, do plano de negócio e gestão empresarial, entre outras atividades. Outra iniciativa relevante é o programa de capacitação da Apex-Brasil para ações de internacionalização, chamado Inter-Com – Programa Internacionalização e Competitividade. A Tabela 1 estabelece uma comparação entre alguns dos países latino-americanos mais relevantes em termos do seu potencial de inovação. O Brasil é o país com pior resultado em termos do potencial máximo, quando comparado com os seus pares. Desta forma, o aumento do protagonismo dos AIs pode aumentar esse potencial e diminuir os obstáculos que essa falta de inovação pode trazer nas ações de internacionalização de uma empresa brasileira. Igualmente, é preciso ter em atenção que os dados apresentados são de 2006, e que, nos últimos anos, o tecido empresarial brasileiro tem evoluído de forma muito positiva, assim como houve um aumento do protagonismo das empresas brasileiras a nível internacional. Paralelamente a isto, vários programas e subsídios do governo têm sido lançados, visando aumentar a competitividade das empresas brasileiras no exterior. Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. Página 23 de 30 Tabela 1 - Potencial de Inovação nos Países Latino-Americanos – 200616 Em síntese, os AIs são peças fundamentais neste processo de internacionalização de negócios inovadores e por isso necessitam adotar estratégias que atendam os anseios e demandas das suas empresas que tenham capacidade de internacionalizar-se. 16 Ibid., p.21 Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. Página 24 de 30 Considerações Finais Os obstáculos à internacionalização de empresas inovadoras são numerosos, mas podem ser atenuados pela ação dos AIs, através de ações de apoio concretas. Tendo em vista que a grande maioria das empresas respondentes indicaram estar numa relação de incubação com os AIs (74%), infere-se que o nível de maturidade para internacionalização não é muito avançado, dado que as empresas que encontram-se neste estágio ainda têm alguns desafios a transpor. Destes citam-se: a geração de receitas próprias, conquista de clientes e mercado interno, implementação de práticas de gestão, captação de recursos, desenvolvimento de portfólio de produtos, novas tecnologias, entre outros aspectos. Isto vem a corroborar com os comentários de necessidades citados, relacionados as atividades de gestão e preparação destas para internacionalização, aliado a uma baixa capacidade de resposta das empresas que tem capacidade para financiar suas ações de internacionalização, representando apenas 15% do universo de todas as empresas respondentes. A pesquisa reforça, igualmente, o entendimento de que as empresas precisam de ações de preparação para iniciarem o seu processo de internacionalização, pois 85% das empresas afirmam não conhecer todos os passos para sua internacionalização. Mesmo as empresas que já estão neste caminho, apresentam dificuldades em termos de estabelecer parcerias e têm dúvidas sobre os procedimentos de exportação. A necessidade de abertura de uma filial no exterior é também importante e pode ser respondida com mecanismos desenvolvidos em conjunto com os AIs, já que 40% das empresas indicaram ter necessidade de abrir uma filial fora do Brasil. Desta forma, as ações que tenham foco na preparação das empresas são fundamentais. No que tangem as dificuldades, há uma forte indicação de falta de conhecimento dos aspectos fundamentais para a internacionalização, como de leis e procedimentos, que acabam sendo barreiras a este processo, para além da falta de conhecimento sobre os mercados externos, que acaba sendo uma dificuldade para a empresa. O levantamento realizado, aliado à pesquisa bibliográfica, indica porque as empresas atuam de forma tão tímida na internacionalização, sendo o principal motivo apontado a falta de recursos para este processo. Por outro lado, também é possível compreender os tipos de ações que serão necessárias para minimizar os obstáculos à internacionalização. Por exemplo, Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. Página 25 de 30 uma ação concreta seria a viabilização de mecanismos para a prospecção de parceiros e mercados, de forma a promover os produtos das empresas e assessorá-las em aspectos jurídicos e de marketing. Para auxiliar as empresas do seu ecossistema, os AIs devem adotar uma postura semelhante ao que os tornou tão importantes para o desenvolvimento de novos negócios inovadores, quando eles foram criados no Brasil. Contribuir para internacionalização dos negócios inovadores impacta em um protagonismo e pro-atividade para identificar onde estão as lacunas e o que precisa ser feito. Ao longo deste artigo descreveram-se quais foram os principais obstáculos identificados pelas empresas no processo de internacionalização e que, para transpô-los, as empresas devem contar com AIs mais preparados, com um corpo técnico ou de parceiros, competências que assessorem as empresas na sua trajetória de expansão internacional. Conhecer e estar conectado aos projetos de internacionalização que podem beneficiar as empresas fazem parte do rol de ações que o AI deve realizar periodicamente. Identificar oportunidades ou propor atividades, ou até mesmo desenvolver um projeto nesta direção também são caminhos que contribuem para o sucesso das empresas incubadas/residentes. Neste sentido, a integração com iniciativas das organizações que congregam outros Ambientes na busca de complementariedade e inserção nas redes de cooperação internacionais, são pontos fundamentais para este processo. Concluiu-se, então, que desenvolvendo ações concretas de apoio e suporte a internacionalização, será possível aumentar o número de empresas brasileiras exportadoras ou com filiais no exterior, contribuindo para a agregação de valor, o aumento e a diversificação da pauta de exportações brasileiras. Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. Página 26 de 30 Anexos: 1. Modelo do questionário aplicado às empresas para aferir o seu potencial de internacionalização. 1. IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA: Razão Social: CNPJ: Endereço: Cidade: UF: Telefone: CEP: Website: Data de criação da empresa (dd/mm/aaaa): Nome do dirigente: E-mail: Faturamento bruto 2011: 2012: 2013: Núm. colaboradores 2011: 2012: 2013: Valor Investido em P&D 2011: 2012: 2013: Valor Exportado 2011: 2012: 2013: Descreva os principais produtos e serviços comercializados (breve descritivo): Pra qual setor/tipo de negócio seu produto/serviço está direcionado: Sua empresa possui alguma parceria em outro País? Não Sim. Indique o tipo de parceria (qual a finalidade)? 2. RELAÇÃO DA EMPRESA COM A INCUBADORA OU PARQUE TECNOLÓGICO Incubada / Residente Graduada Associada Nome da Incubadora ou do Parque: Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. Página 27 de 30 3. MERCADO Você conhece o público alvo que deseja atingir no exterior? Sim Não Já tem uma proposta que adicione valor para os clientes alvo de outro país? Sim Já tem um modelo de negócio estruturado para atuar no mercado internacional? Não Sim Não Já sabe para qual mercado no exterior será a comercialização? Não Sim, para qual(is) país(es)? Sua empresa tem o produto para comercialização internacional finalizado? Sim Não Já comercializa seu produto a mais de um cliente no Exterior, onde pelo menos um destes clientes, seja líder ou referência no setor de atuação dele? Não Sim, para qual(is) cliente(s)? Você já conhece todos os passos e procedimentos, têm definidos metas e cronograma de atividades para internacionalização? Sim Não Já exporta ativamente e constantemente, a pelo menos 2 países, conhecendo todos os passos que devem ser dados para expansão internacional a outros países? Não Sim, para qual(is) país(es)? Sua empresa tem a necessidade de abrir subsidiária no exterior? Não Sim, em qual(is) país(es) e com que finalidade(s)? Sua empresa tem recursos para executar seu plano de internacionalização? Sim Não Qual sua principal dificuldade para atuar no mercado internacional? Quais ações sua empresa necessitaria de apoio para promoção comercial e concretização de negócios no exterior? Autores: Daniele Prozczinski, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, [email protected]. Alexandre Martins Steinbruch, Pós Graduado em Comércio Exterior e em Marketing pela Faculdade Dom Cabral e Escola Superior de Propaganda e Marketing, Coordenador GO!, Fundação CERTI, [email protected]. Parque Tecnológico Alfa, CELTA, Sala T17, Rodovia SC 401, km1 – 88030-000, Florianópolis, SC. Página 28 de 30 Bibliografia: CORTEZIA, Sandro; SOUZA, Yeda. Uma análise sobre a internacionalização de pequenas empresas brasileiras da indústria de software. BBR - Brazilian Business Review, v. vol. 8, núm. 4, 2011. Disponível em: <http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=123021596002>. DIAS, Manuela C. Ferreira. A internacionalização e os factores de competitividade: o caso Adira. Universidade do Porto, 2007. Disponível em: <http://www.fep.up.pt/docentes/cbrito/Tese%20Manuela%20Dias.pdf>. FERNANDES, Lívia. Investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento no mundo crescem 9,6% e voltam a níveis pré-recessão, revela estudo da Booz & Company. Strategy&. 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