CONTEÚDO Pág. 3 - Análise da Unidade de conservação ...................................................................... 3.1 3.1- Informações Gerais ............................................................................................... 3.1 3.1.1 - Acessos............................................................................................................3.1 3.1.2 - Origem do Nome e Histórico de Criação...........................................................3.1 3.2 – Caracterização dos Fatores do Meio Físico ....................................................... 3.1 3.2.1 – Metodologia......................................................................................................3.1 3.2.1.1 – Clima......................................................................................................3.1 3.2.1.2 – Hidrografia..............................................................................................3.4 3.2.1.3 - Geologia e Geomorfologia......................................................................3.5 3.2.1.4 – Solos......................................................................................................3.7 3.2.2 – Clima.............................................................................................................3.9 3.2.2.1 – Temperatura...........................................................................................3.9 3.2.2.2 – Precipitação..........................................................................................3.11 3.2.2.3 - Umidade Relativa..................................................................................3.14 3.2.2.4 – Insolação..............................................................................................3.15 3.2.2.5 – Evaporação..........................................................................................3.15 3.2.2.6 – Ventos...................................................................................................3.16 3.2.2.7 - Considerações Gerais...........................................................................3.17 3.2.3 – Hidrografia......................................................................................................3.18 3.2.4 – Diagnóstico de Geologia e Geomorfologia.....................................................3.24 3.2.4.1 – Geomorfologia........................................................................................3.24 3.2.4.2 – Geologia.................................................................................................3.26 3.2.5 – Solos...............................................................................................................3.30 3.2.5.1 – Diagnótico: Descrição das Unidades de Mapeamento do Solo...............3.30 3.3 - Meio Biológico ...................................................................................................... 3.35 3.3.1 – Metodologia....................................................................................................3.35 3.3.1.1 - Metodologia para o Diagnóstico da Vegetação........................................3.35 3.3.1.2 - Metodologia para o Diagnóstico de Fauna...............................................3.37 i 3.3.1.2.1 – Mamíferos......................................................................................3.37 3.3.1.2.2 – Aves..................................................................................................37 3.3.1.2.3 – Répteis...........................................................................................3.38 3.3.1.2.4 – Anfíbios...........................................................................................3.39 3.3.1.2.5 – Peixes.............................................................................................3.39 3.3.2 – Vegetação.......................................................................................................3.39 3.3.2.1 – Caracterização dos Eco........................................................................................3.24 3.3.2.1 – Caracterização dos Ecossistemas Terrestres do Refúgio de Vidaúgio de Vida Silvestre do Pinhão...........................................................................................3.39 3.3.2.1.1 - Floresta Ombrófila Mista Montana (FOMM) ........................................ 3.40 3.3.2.1.2 - Ecótono Floresta Ombrófila Mista e Floresta Estacional Semidecidual ................................................................................................... ..3.40 3.3.2.1.3 - Estágio Intermediário da Sucessão Vegetal (Capoeirinha)............................. 3.43 3.3.2.1.4 - Estágio Inicial da Sucessão Vegetal (Capoeira)............................................. 3.43 3.3.3 – Fauna.............................................................................................................3.43 3.3.3.1 – Mamíferos........................................................................................................ 3.43 3.3.3.2 – Aves................................................................................................................. 3.43 3.3.3.3 – Répteis ............................................................................................................ 3.43 3.3.3.4 – Anfíbios............................................................................................................ 3.45 3.3.3.5 – Peixes.............................................................................................................. 3.46 3.4 - Situação Fundiária do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão ............................ 3.47 3.5 - Fogo e Outras Ocorrências Excepcionais .......................................................... 3.47 3.6 - Atividades Desenvolvidas no Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão ................. 3.47 3.6.1 - Atividades Apropriadas ........................................................................................ 3.53 3.6.1.1 – Fiscalização ......................................................................................................... 3.47 3.6.1.2 – Pesquisa............................................................................................................... 3.48 3.6.1.3 – Conscientização Ambiental.................................................................................. 3.48 3.6.1.4 – Relações Públicas/Divulgação ............................................................................ 3.48 3.6.2 - Atividades Conflitantes......................................................................................... 3.48 3.7 - Aspectos Institucionais da Unidade de Conservação........................................ 3.49 3.7.1 - Pessoal................................................................................................................ 3.49 3.7.2 - Infra-estrutura, Equipamentos e Serviços ............................................................ 3.50 3.7.2.1 – Construções e Estruturas................................................................................. 3.50 3.7.2.2 – Sinalização ...................................................................................................... 3.50 3.7.2.3 – Serviços .......................................................................................................... 3.51 ii 3.7.3- Estrutura Organizacional ...................................................................................... 3.51 3.7.4 - Recursos Financeiros .......................................................................................... 3.51 3.7.5 - Cooperação Institucional..........................................................................................3.52 3.8 - Declaração de Significância................................................................................. 3.52 iii LISTA DE TABELAS Pág. Tabela 3.01 - Dados das Estações Meteorológicas Utilizadas ......................................3.4 Tabela 3.02 - Estações do Ano e Trimestres Correspondentes .....................................3.4 Tabela 3.03 - Temperatura Média Sazonal – Guarapuava e Pinhão..............................3.10 Tabela 3.04 - Precipitação Total Sazonal – Guarapuava e Pinhão ................................3.13 Tabela 3.05 - Umidade Relativa Média Sazonal - Guarapuava .....................................3.14 Tabela 3.06 - Insolação Média Sazonal - Guarapuava ..................................................3.15 Tabela 3.07 - Total da Evaporação Média Sazonal - Guarapuava .................................3.16 Tabela 3.08 - Direção e Velocidade dos Ventos – Guarapuava e Pinhão ......................3.17 Tabela 3.09 - Velocidade Média Sazonal dos Ventos ....................................................3.17 Tabela 3.10 - Resumo dos Parâmetros Meteorológicos para a Região de Inserção do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão...................................3.18 Tabela 3.11 - Legenda das Unidades de Mapeamento do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão ..................................................................................3.30 Tabela 3.12 – Pontos e Coordenadas da Avaliação Ecológica Rápida realizada no Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão....................................................3.36 iv LISTA DE FIGURAS Pág. Figura 3.01 – Mapa de Localização do Município de Pinhão .......................................... 3.2 Figura 3.02 – Mapa de Localização e Acesso do Refúgio............................................... 3.3 Figura 3.03 – Delimitação das Bacias Hidrográficas de Inserção do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão............................................................................. 3.6 Figura 3.04 – Modelo Digital do Terreno da Unidade de Conservação e seu Entorno..... 3.8 Figura 3.05 – Temperatura Média Mensal na Região de Guarapuava............................. 3.9 Figura 3.06 – Temperatura Média Mensal na Região de Pinhão – Anual 04/2000 a 03/2006 ..................................................................................... 3.10 Figura 3.07 – Temperatura Máxima e Mínima Mensal na Região de Guarapuava .......... 3.11 Figura 3.08 – Precipitação Total Média – Guarapuava .................................................... 3.13 Figura 3.09 – Precipitação Total Média Mensal – Pinhão ................................................ 3.13 Figura 3.10 – Umidade Relativa Média Mensal na Região de Guarapuava .................... 3.14 Figura 3.11 – Insolação Média na Região de Guarapuava.............................................. 3.15 Figura 3.12 – Evaporação Total – Média Mensal ............................................................ 3.16 Figura 3.12 – Imagem de Satélite da Estação Ecológica do Rio dos Touros com Sobreposição das Curvas de Nível............................................................ 3.18 Figura 3.13 – Mapa Hidrográfico do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão ...................... 3.19 Figura 3.14 – Mapa da Hipsometria do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão.................. 3.21 Figura 3.15 – Vários “Degraus” conseqüentes da Evolução do Rio Iguaçu..................... 3.25 Figura 3.17 – Condicionamento das Principais Feições do Relevo a Partir da Direção Nordeste dos Lineamentos............................................................ 3.26 Figura 3.16 – Mapa de Declividade do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão .................. 3.27 Figura 3.18 – Mapa de Geologia do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão ...................... 3.31 Figura 3.19 - Mapa de Solos do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão............................. 3.33 Figura 3.20 - Mapa de Vegetação do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão..................... 3.41 Figura 3.21 - Estrutura Organizacional e Gerencial do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão .................................................................................... 3.51 v LISTA DE FOTOS Pág. Foto 3.01 – Nevoeiro na Estrada de Acesso ao Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão ................................................................................. 3.12 Foto 3.02 – Relevo e Umidade na Estrada de Acesso ao Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão ................................................................................. 3.12 Foto 3.03 – Arroio Paiol de Caldas.................................................................................. 3.23 Foto 3.04 – Atividades de Interferência no Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão ................................................................................ 3.24 Foto 3.05 – Vista do Rio Iguaçu a Partir do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão ........... 3.24 Foto 3.06 – Relevo Planos Descendo em Forma de “Escadas” até o Rio Iguaçu ........... 3.25 Foto 3.07 – Exemplos de Materiais Encontrados no Refúgio .......................................... 3.29 Foto 3.08 – Lajeados e Cachoeiras no Arroio Paiol de Caldas........................................ 3.30 Foto 3.09 – Espécie de Serpentes Endêmicas das Florestas com Araucário .................. 3.44 Foto 3.10 – Jararaca-comum (Bothrops jararaca) com Ocorrência Certa para o Refúgio e Entorno ................................................................................ 3.45 Foto 3.11 – Urutu (Bothrops alternatus) .......................................................................... 3.45 Foto 3.12 – Cágado-pescoço-de-cobra (Hydromedusa tectifera).................................... 3.46 Foto 3.13 – Benfeitorias no Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão.................................... 3.50 vi 3 - ANÁLISE DA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO O Encarte 3 visa diagnosticar o Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão contemplando informações gerais, análise dos fatores físicos e biológicos, bem como fatores relativos a atividade humana existente em seu interior. 3.1 - Informações Gerais 3.1.1 - Acessos A UC se localiza no município de Pinhão, no sul do Estado do Paraná (Figura 3.01), a aproximadamente 95 km de Guarapuava, 45 de Pinhão e 345 km da capital do Estado, Curitiba. Há duas formas de se chegar ao Refúgio (Figura 3.02), uma pelo próprio município de Pinhão saindo da sede municipal e seguindo por estrada de terra e em condições precárias por cerca de uma hora (aproximadamente 45 km), outra vindo de Bituruna e atravessando a balsa do São Pedro. A primeira via é a mais utilizada, tendo a continuação da estrada cortando a Unidade de Conservação e levando até as margens do rio Iguaçu. A segunda via de acesso constitui-se como uma forma alternativa, porém mais longe e demorada. O aeroporto mais próximo localiza-se em Guarapuava (95 km). O município de Pinhão conta com uma pista de pouso de propriedade da COPEL em Foz do Areia a aproximadamente 30 km da Unidade de Conservação. 3.1.2 - Origem do Nome e Histórico de Criação O nome da UC é proveniente do município onde se encontra, Pinhão, que se localiza em região dominada pela floresta com araucárias, cuja semente é o pinhão. A UC foi criada em 18 de janeiro de 1983, pelo Decreto n° 6.023. Inicialmente a UC foi enquadrada como Reserva Florestal, categoria não prevista no Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. A partir de análises dos técnicos do IAP e profissionais contratados, definiu-se que a categoria mais adequada para a UC seria a de Refúgio de Vida Silvestre, onde estaria assegurada a proteção dos recursos naturais, permitindo atividades e educação ambiental e pesquisa. Para que a recategorização seja oficializada, é imprescindível que haja um novo decreto do governo do Estado do Paraná, corrigindo e adequando a situação da UC, que doravante será denominada por Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão. 3.2 - Caracterização dos Fatores do Meio Físico 3.2.1 - Metodologia Nesse item são descritas as diferentes metodologias para a obtenção do diagnóstico do meio físico. 3.2.1.1 - Clima O fator clima é responsável por várias situações, inclusive pela influência ocupação socioeconômica. Atua dinamicamente com vários outros agentes do meio físico e biótico. A primeira etapa do trabalho envolveu estudos bibliográficos e de cartas climatológicas visando uma análise geral da área e dos fatores atuantes sobre a mesma. 3.1 A segunda etapa envolveu os trabalhos de campo e ocorreu entre no mês de fevereiro e março de 2006, com o objetivo de fornecer subsídios e dados junto aos órgãos responsáveis para o diagnóstico da Unidade de Conservação. Figura 3.01 - Mapa de Localização do Município de Pinhão Levantamento de Dados Secundários e Primários Para a caracterização do clima da região onde se insere o Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão foram utilizados dados de duas estações meteorológicas. A primeira, com dados que caracterizam uma média histórica de 29 anos (1976-2005) da região de Guarapuava (responsabilidade do IAPAR). A segunda estação instalada no município de Pinhão, na região de Santa Clara (responsabilidade do SIMEPAR). Para a Unidade de Conservação não há informações específicas e sistemáticas, apenas foram averiguados as situações de vivência e relações da comunidade com o clima e o tempo. Os dados analisados se referem aos parâmetros contemplados na Tabela 3.01. 3.2 Figura 3.02 - Mapa de Localização e Acessos do Refúgio 3.3 Cabe salientar que a utilização de duas estações próximas da Unidade de Conservação oportuniza o trabalho de caracterização climática da região com mais de uma fonte. A base para este estudo pautou-se em várias informações meteorológicas advindas dessas estações, a saber: temperatura, precipitação, umidade relativa, evaporação, insolação, direção e velocidade dos ventos. Tabela 3.01 - Dados das Estações Meteorológicas Utilizadas ESTAÇÃO METEOROLÓGICA DADOS DAS ESTAÇÕES Município Guarapuava Pinhão – região de Santa Clara Código 2551010 2538557 Coordenadas 25º21'S - 51º30'W 25º6494’S - 51º9625’W Altitude 1058 m 910 m Período 1976 - 2005 04/2003 - 03/2006 Parâmetros Temperatura Precipitação Umidade Relativa Insolação Evaporação Ventos - direção e velocidade Temperatura Precipitação Umidade Relativa Ventos - direção e velocidade Órgão Responsável IAPAR SIMEPAR Fonte: Elaboração STCP Para o estudo sazonal dos parâmetros, utilizou-se o cálculo das médias dos totais mensais dos parâmetros correspondentes ao trimestre de cada estação, conforme apresentado na Tabela 3.02. Tabela 3.02 - Estações do Ano e Trimestres Correspondentes ESTAÇÃO TRIMESTRE Verão (HS) / Inverno (HN) DJF (Dezembro, Janeiro e Fevereiro) Outono (HS) / Primavera (HN) MAM (Março, Abril e Maio) Inverno (HS) / Verão (HN) JJA (Junho, Julho e Agosto) Primavera (HS) / Outono (HN) SON (Setembro, Outubro e Novembro) Legenda: HS- Hemisfério Sul; HN - Hemisfério Norte Fonte: Elaboração STPC 3.2.1.2 - Hidrografia Os sistemas hidrográficos são fontes de preocupação em todos os lugares, pois da água dependem todos os seres do planeta. A dinâmica entre os processos envolvendo os recursos hídricos e os demais elementos do meio ambiente, entre os quais os seres humanos, variam muito de lugar para lugar. A primeira etapa do trabalho foi o levantamento sobre as características físicas da área, da literatura existente e da observação de material cartográfico. Buscaram-se fontes que saciassem o escopo do Diagnóstico Hidrográfico do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão. Deve-se ressaltar a diferença entre a denominação dada aos rios por órgãos estaduais. Não há uma padronização entre a base de dados hidrográficos. 3.4 Levantamento de Dados Secundários e Primários Para o presente estudo utilizou-se como base as unidades de planejamento (microbacias) propostas pelo Projeto Paraná Biodiversidade, através de uma parceria entre os órgãos governamentais do Estado. Considerou-se a área de interflúvio entre duas microbacias, onde se insere o Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão, por entender que as atividades desenvolvidas sobre a mesma, afeta as nascentes e o curso dos córregos como um todo. Cunha e Guerra (2002), já afirmavam que as bacias hidrográficas se constituem em um elemento integrador da paisagem, sendo uma unidade na qual circulam diferentes materiais solúveis nos veios hídricos. Os atuais estudos sobre bacias hidrográficas remetem-se a termos como sub-bacia, ou mais comumente, microbacias, de acordo com o grau de hierarquia da bacia e a determinação do pesquisador (Santos, 2001). Fernandes (1997) ao propor um manejo integrado de sub-bacias hidrográficas, conceitua as bacias referindo-as a uma compartimentação geográfica delimitada por divisores de água e drenada por um curso d’água principal e seus afluentes. Coloca que as sub-bacias seriam unidades com ordem hierárquica inferior a da bacia, apresentando assim, uma relatividade quanto ao uso dos termos. Esta subdivisão, potencializaria a localização de problemas difusos relacionados a aspectos físicos ou sociais. O uso e a ocupação das microbacias são condicionados pelas características intrínsecas de cada uma, que determinam as potencialidades e limitações para as diversas modalidades de uso/ocupação e a potencialização de conflitos de interesses. Assim, as características fisiográficas de cada microbacia, em interação com as atividades antrópicas instaladas, resultam em características sociais e físicas próprias. Para o presente estudo foi utilizada a delimitação da bacia (Figura 3.03), como referenciado anteriormente, proposta pelo Projeto Paraná Biodiversidade por considerar o complexo do Iguaçu muito amplo, sendo uma bacia que abrange praticamente todo o sul do estado do Paraná. Não há uma denominação específica que identifique cada uma delas. 3.2.1.3 - Geologia e Geomorfologia Inicialmente foi realizada a análise bibliográfica das feições geológicas potencialmente existentes nas diversas áreas das unidades de conservação. Concomitantemente foram estudadas as feições geomorfológicas presentes através de análises de imagens de satélites. A etapa de campo ocorreu com o objetivo de subsidiar o zoneamento ambiental. Nesse contexto, foi realizado o levantamento, a identificação, a caracterização dos litotipos presentes. Foi realizado também o estudo da geomorfologia em conjunto com os recursos hídricos e potencial turístico, sob o ponto de vista geológico. Após a caracterização da área de trabalho seguiu-se o método usual de estudo de uma área visando o subsídio geológico e geomorfológico de um Plano de Manejo. 3.5 Figura 3.03 - Delimitação das Bacias Hidrográficas de Inserção do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão Fonte: base cartográfica SEMA, organizado por STCP Levantamento de Dados Secundários Para a preparação das informações existentes necessárias foi realizado um levantamento bibliográfico preliminar visando à obtenção de informações geológicas existentes. Na composição dos dados de campo foram utilizados mapas topográficos e imagens de satélites. Levantamento de Dados Primários Todo o processo de levantamento de campo foi realizado através de levantamento “in-situ” com descrição dos tipos litológicos, com a preocupação da caracterização da mineralogia e das características estruturais, além do caráter de ocorrência de bens minerais e potencial turístico. Análises “in-situ” Para a determinação das características litológicas e estruturais, além da mineralogia e da trama mineralógica, visando à coleta amostras de rochas para análises e a amarração com os dados pré-existentes em relatórios e trabalhos científicos, foi realizada a seguinte metodologia: 3.6 Realização de perfis, utilizando automóvel para deslocamento; Realização de perfis a pé, caracterização e amarração, por associação, dos diferentes tipos de rochas existentes; e, Visitação e descrição cerca de vários pontos sobre o terreno que se encontram georreferenciados e tiradas fotografias das características litológicas e geomorfológicas encontradas na região. 3.2.1.4 - Solos Trabalhos de Escritório Correspondeu a primeira fase dos trabalhos, e consistiu inicialmente na identificação e verificação das várias unidades de mapeamento constantes no Levantamento de Reconhecimento de Solos do Estado do Paraná da EMBRAPA (1984), material cartográfico disponível, que identifica todas as unidades taxômicas de solos para o Estado, com a finalidade de estruturar uma legenda preliminar de solos. Esse levantamento forneceu apenas um pré-conhecimento das diversas classes de solos presentes na área de estudo. A legenda preliminar foi corrigida e atualizada durante os trabalhos de campo. Ainda nesta fase foram realizados levantamentos bibliográficos e cartográficos de trabalhos dessa natureza para a região. Essas informações foram fundamentais para as complementações e fechamento da classificação de solos. Trabalhos de Campo O levantamento de campo representou a segunda fase dos trabalhos e foi desenvolvido no período 20 a 27/03/2006 para um reconhecimento da área de Estudo e seu entorno. Para esse levantamento, baseado em informações publicadas e nos fatores de formação do solo, associou-se as condições de relevo+solos+vegetação e aspectos das características climáticas e geológicas. Foram feitas ainda observações com referência à altitude, declividade, erosão e drenagem. Todos os solos identificados nesse estudo seguiram as orientações das características morfológicas constantes no Manual de Classificação de Solos do Brasil (Prado, 1996) e no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA, 1999). Critérios Adotados Para o Estabelecimento das Classes de Solos A classificação usada no Brasil é relacionada com a ocorrência do solo na paisagem, onde cada unidade de solo tem uma correspondência entre seus aspectos físicos e químicos e a paisagem. Para o diagnóstico de áreas destinadas à Unidades de Conservação é importante levantar informações sobre oportunidades e restrições dos ambientes quanto à processos erosivos, capacidade de infiltração e de retenção de água no solo, nutrição (fertilidade) etc. Assim, o diagnóstico subsidia o zoneamento da UC quanto as condições para comportar construções, estrada, trilhas rústicas entre outros. Portanto, o principal critério utilizado para o reconhecimento em campo das unidades de solos foi o reconhecimento da compartimentação do relevo na UC e no Entorno (Figura 3.04). 3.7 Figura 3.04 - Modelo Digital do Terreno da Unidade de Conservação e seu Entorno Legenda: Retângulo vermelho localiza a Unidade de Conservação Fonte: MDT-dados topográficos da-Shuttle Radar Topography Mission da Nasa, organizado por STCP Em conformidade com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA, 1999), buscou-se identificar na área em estudo, em primeiro nível, as classes de solos: Solos com B latossólico; Solos com B textural, não hidromórficos; Solos com B textural, hidromórficos; Solos hidromórficos sem B textural; Cambissolos; Solos Litólicos, Aluviais e Regossolos; Rendizinas e Veretissolos. A análise da vegetação natural fornece dados principalmente relacionados com o maior ou menor grau de umidade de determinada área. Isto porque a vegetação natural reflete as condições climáticas locais, sobretudo no que diz respeito à umidade e ao período seco. As fases de relevo de empregadas neste trabalho são: PLANO - Superfícies quase horizontais com declives de 0 a 3%; SUAVE ONDULADO - Superfícies pouco movimentadas constituídas por um conjunto de elevações baixas e declives suaves de 3 a 8%; ONDULADO - Superfícies movimentadas constituídas por elevações e declives entre 8 a 20%; FORTE ONDULADO - Superfícies movimentadas constituídas por morros e declives de 20 a 45%; Juntamente com o relevo, a presença de pedregosidade e a rochosidade constitui um meio de se precisar a uniformidade da profundidade dos solos e fragilidades do ambiente (quanto ao desencadeamento de processos erosivos, tipo de vegetação de cobertura, infiltração e de retenção de água no solo etc). 3.8 A pedregosidade refere-se à presença de calhaus e matacões (constituídos ou não de concreções) na massa do solo e/ou na superfície do mesmo. 3.2.2 - Clima O fator clima é responsável por várias situações, inclusive pela influência ocupação sócioeconômica. Atua dinamicamente com vários outros agentes do meio físico e biótico. Por não se ter conhecimento sobre estudos a respeito do microclima da Unidade de Conservação utilizou-se informações das estações de Pinhão e Guarapuava. 3.2.2.1 - Temperatura A temperatura corresponde à quantidade de energia absorvida pela atmosfera após a propagação do calor absorvido pelo planeta nas porções sólidas e líquidas. Segundo Ayoade (2002), a temperatura é a condição que determina o fluxo de calor que passa de uma substância a outra, sendo determinada pelo balanço entre a radiação que entra e a que sai e pela sua transformação em calor latente (evapotranspiração) e sensível (aquecimento). A temperatura possui um papel muito importante para o ecossistema, pois o metabolismo dos seres vivos é afetado pelas condições de energia existentes no ambiente. A maior ou menor atividade da fauna também está intimamente relacionada as nuances de temperatura. Com base nos dados da estação meteorológica de Guarapuava tem-se que a temperatura média anual na região é de 17,07 ºC. Observa-se que os valores referentes à temperatura fazem uma linha suave em termos de variação (Figura 3.05), mas a diferença entre o valor mais elevado (20,8 ºC em janeiro) e o menos elevado (12,7 ºC em julho) é de 8,1 ºC. Em relação à estação de Pinhão observa-se o mesmo padrão da média histórica de Guarapuava, com o diferencial de 2 a 4 ºC acima dos índices indicados referentes a temperatura (Figura 3.06). Essa elevação provavelmente deve-se a diferença da quantidade de anos analisados. Ambas as estações e conseqüentes regiões são influenciadas pelos mesmos sistemas atmosféricos que determinam o parâmetro temperatura e os demais parâmetros climáticos e meteorológicos. Figura 3.05 - Temperatura Média Mensal na Região de Guarapuava 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 Jan Fev Mar A br Mai Jun Jul A go Set Out Nov Dez Temp. Média (º C) 20,8 20,6 19,7 17,4 14,2 13,0 12,7 14,3 15,3 17,6 19,0 20,2 Fonte: IAPAR adaptado pela STCP 3.9 Figura 3.06 - Temperatura Média Mensal na Região de Pinhão - Anual 04/2000 a 03/2006 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 JAN FEV MAR 2004 22,2 21,6 20,9 2005 22,5 22,7 21,8 2006 22,7 22,0 21,8 2003 ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ 18,6 14,6 16,4 15,1 12,9 16,9 19,1 20,1 21,5 20,0 13,6 14,3 14,0 15,6 19,8 18,5 19,8 21,5 20,0 17,0 16,6 13,5 17,0 15,1 19,9 21,4 22,2 Fonte: IAPAR adaptado pela STCP É importante salientar que as duas estações possuem altitudes e latitudes muito próximas, relevo muito semelhante, o que as expõe a características climáticas e temporais muito semelhantes. As temperaturas mais elevadas na região da Unidade de Conservação ocorrem nos meses de dezembro a fevereiro, condizentes com o trimestre de verão no hemisfério Sul. Decaem suavemente nos meses de outono até atingir sua menor média no mês de julho – inverno. Na Tabela 3.03 é apresentada a temperatura média sazonal para a região de Guarapuava e de Pinhão. Tabela 3.03 - Temperatura Média Sazonal – Guarapuava e Pinhão TRIMESTRE (iniciando em março) M/A/M J/J/A S/O/N D/J/F Temperatura média (°C) Guarapuava 17,1 13,3 17,3 20,5 Temperatura média (°C) Pinhão 18,7 15,0 18,9 22,1 Fonte: Dados do IAPAR - adaptado por STCP Anualmente, a temperatura média é de 17 ºC em Guarapuava e de 19 ºC em Pinhão. Ao se observar a média mínima absoluta na estação de Guarapuava, tem-se no mês de junho e julho as duas menores médias, respectivamente, -6,8 ºC e -6,0 ºC. Quanto a média máxima tem-se que em janeiro há a maior média registrada, 26,9 ºC. A grande diminuição da temperatura decorre das incursões da massa polar. Através da média máxima e média mínima absoluta das temperaturas na estação de Guarapuava pode-se ter uma noção de como este parâmetro pode variar e atingir temperaturas inferiores a 10 ºC e superiores a 26 ºC (Figura 3.07). Na região do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão, os fatores relevo e umidade são muito importantes para a caracterização do clima, e estão ligadas as condições de temperatura. 3.10 Figura 3.07 - Temperatura Máxima e Mínima Mensal na Região de Guarapuava 30 25 20 15 10 5 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média Máxima 26,9 26,6 26 23,9 20,7 19,6 19,5 21,5 21,9 24 25,5 26,3 Média Mínima 16,6 16,6 15,6 13,4 10 8,8 8,4 9,5 10,8 13,1 14,3 15,7 Fonte: IAPAR adaptado pela STCP As manhãs de inverno são acompanhadas de fortes nevoeiros (Foto 3.01 e 3.02) na região do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão que são dissipados por volta das 12 horas. A ocorrência de nevoeiros é típica das estações de outono e inverno quando a umidade relativa do ar é mais elevada e a temperatura mais baixa. Esse fenômeno ocorre quando a temperatura do ar e o ponto de condensação do ar possuem índices muito próximos ou iguais. Eles podem se formar a partir do contato de nuvens estratus com o solo (br.weather.com/glossary). Segundo Monteiro (1963) esses nevoeiros são fomentados pelo resfriamento noturno, sendo mais freqüentes pela manhã, dissipando-se no período da tarde e demonstrando um céu limpo durante a noite. 3.2.2.2 - Precipitação A precipitação consiste na deposição da forma líquida ou sólida derivada da atmosfera. Na região de inserção do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão, o regime de chuvas sofre influência do sistema de baixa pressão localizado na região do Chaco aliado aos sistemas frontais oriundos do Sul. Durante os meses de junho a agosto ocorrem os menores índices pluviométricos. O mês com menor índice em Guarapuava é agosto com 91,9 mm (Figura 3.08). Em Pinhão o mesmo se verifica, com o diferencial da possibilidade de notar as variações ocorridas de ano a ano, em virtude de fenômenos como, por exemplo, o El Niño e La Niña. Na Figura 3.09, pode-se visualizar essa diferença anual. A partir do mês de setembro as chuvas apresentam aumento na região, tendo no mês de outubro seu pico médio. A precipitação no inverno decorre da passagem de Frentes Frias. Durante esses meses de inverno as noites podem apresentar fortes inversões térmicas que possibilitam o fenômeno das geadas. No período de primavera, Monteiro (1963) relata que a região Sul do País é assolada por chuvas e trovoadas que são reforçadas pelo aparecimento de “calhas induzidas que, da depressão do Chaco, desenvolvem-se de Oeste (W) para Leste (E)”. 3.11 Foto 3.01 - Nevoeiro na Estrada de Acesso ao Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão Fonte: STCP, 2006 Foto 3.02 - Relevo e Umidade na Estrada de Acesso ao Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão Legenda: Relevo montanhoso com formação de nuvens que acarretam umidade e precipitação para a região da UC. Fonte: STCP, 2006 3.12 Figura 3.08 - Precipitação Total Média - Guarapuava 250,0 200,0 150,0 100,0 50,0 0,0 Jan Fev Mar A br Mai Jun Jul A go Set Out Nov Dez Precipitação Total (mm) 198, 165, 146, 149, 173, 140, 129, 91,9 177, 213, 164, 190, Fonte: IAPAR adaptado pela STCP Figura 3.09 - Precipitação Total Média Mensal - Pinhão 400,0 350,0 300,0 250,0 200,0 150,0 100,0 50,0 0,0 JAN FEV MAR ABR 2004 68,4 74,8 176,3 2005 117,4 27,0 57,2 112,8 2006 169,6 64,8 128,1 2003 MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ 78,0 26,7 147,3 113,4 54,7 116,5 175,8 244,1 253,0 113,1 232,6 110,1 173,8 28,7 70,8 332,7 152,3 71,5 201,3 172,1 89,0 131,6 175,6 355,7 63,4 60,0 Fonte: SIMEPAR adaptado pela STCP No verão as chuvas são formadas principalmente pelo calor associado a umidade. Nota-se na estação de Pinhão que nos anos de 2004 e 2005 os índices pluviométricos para o mês foram baixos. Na Tabela 3.04 é apresentada a distribuição total sazonal para as regiões de Guarapuava e Pinhão. Tabela 3.04 - Precipitação Total Sazonal – Guarapuava e Pinhão TRIMESTRE MAM JJA SON DJF Precipitação total (mm) Guarapuava 469,2 361,7 555,5 555,0 Precipitação total (mm) Pinhão 375,4 340,2 562,3 302,2 Fonte: IAPAR adaptado pela STCP 3.13 3.2.2.3 - Umidade Relativa A umidade relativa corresponde à quantidade de vapor de água encontrada na atmosfera em um determinado instante e a respectiva quantidade máxima que o ar poderia conter sob os mesmos valores de temperatura e pressão. A condensação da umidade gera fenômenos como a formação de nuvens, chuvas, etc. A presença do vapor d’água favorece a diminuição da concentração de poluentes no ar, pois pequenas partículas são incorporadas pelas gotículas de água que ajudam na remoção de poluentes. Outra questão que envolve a umidade relativa é que por absorver a radiação solar e terrestre, atua como um regulador térmico que exerce efeito sobre a temperatura e influencia nas taxas de evaporação e evapotranspiração. É, assim, um importante fator que determina a temperatura sentida pela pele humana e, em decorrência, o conforto humano. Observa-se na região uma relação inversa entre umidade relativa e evaporação. Os maiores índices de evaporação estão nos meses de fevereiro, maio e junho, todos com 81% de umidade relativa, 3% a mais que a média mensal anual (77,75%). De agosto a dezembro observa-se que a média da umidade relativa é menor que no decorrer do ano (Figura 3.10). Figura 3.10 - Umidade Relativa Média Mensal na Região de Guarapuava 82 80 78 76 74 72 70 68 66 UR (%) Jan Fev Mar A br Mai Jun Jul A go Set Out Nov Dez 79 81 80 80 81 81 78 72 74 76 74 77 Fonte: IAPAR adaptado pela STCP Na Tabela 3.05 é apresentada a Umidade Relativa para a região de Guarapuava. O período de primavera apresenta os menores índices e o outono os maiores. Tabela 3.05 - Umidade Relativa Média Sazonal - Guarapuava TRIMESTRE Umidade Relativa (%) MAM JJA SON DJF 80 77 74 79 Fonte: IAPAR adaptado pela STCP Em relação à presença do represamento do rio Iguaçu, do braço do Reservatório de Segredo no sopé da vertente onde insere-se a Unidade de Conservação, não há dados disponíveis sobre estudos que demonstrem a influência desse represamento no clima ou tempo local - regional. 3.14 3.2.2.4 - Insolação A insolação corresponde ao recebimento de energia solar por uma superfície, ou seja, a quantidade de energia térmica proveniente dos raios solares recebidos por uma determina superfície. Varia de acordo com o lugar, com a hora do dia e com a época do ano. A distribuição da insolação é muito semelhante durante o ano todo. Mesmo analisando os índices sazonalmente observa-se essa semelhança nos valores (Tabela 3.06). Com destaque para o mês de agosto que apresenta a maior média mensal com 213,8 horas e para o mês de junho com 173,2 horas (Figura 3.11). Anualmente, a região recebe cerca de 2.326 horas de insolação média por ano. Tabela 3.06 - Insolação Média Sazonal - Guarapuava TRIMESTRE Insolação (horas) MAM JJA SON DJF 583,0 586,5 573,0 584,1 Fonte: Dados do IAPAR - adaptado por STCP Figura 3.11 - Insolação Média na Região de Guarapuava 250,0 200,0 150,0 100,0 50,0 0,0 Jan Insolação (horas) Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 200, 177, 204, 191, 187, 173, 199, 213, 177, 193, 202, 206, Fonte: IAPAR adaptado por STCP 3.2.2.5 - Evaporação A evaporação é o processo pelo qual a umidade se transforma passando para estado gasoso, indicando uma perda de água da superfície para a atmosfera. A evaporação está diretamente relacionada à energia proveniente da radiação solar. Outros fatores como a intensidade do vento, a temperatura e a umidade do ar influem na evaporação. O ar atua como uma cobertura que se opõe à evaporação. A rapidez de evaporação diminui a medida em que a pressão atmosférica aumenta. Da mesma forma, a umidade influencia na velocidade da evaporação, quanto maior for à umidade, menor será o ritmo de evaporação. A temperatura é outro fator correlacionado a evaporação uma vez que, a evaporação é maior nos períodos onde a temperatura assume maiores valores. Isto ocorre, pois as moléculas se movem mais depressa à medida que a temperatura aumenta tendo maior energia cinética e podendo ultrapassar as camadas superficiais. A Figura 3.12 mostra a média mensal da evaporação entre os anos de 1976 a 2005. 3.15 O total anual de evaporação é de 853 mm, tendo um maior índice no mês de agosto (85,5 mm) e o menor no mês de junho (52,3 mm). Sazonalmente, nos meses de primavera e verão (6 meses), época de maiores temperaturas e precipitação pluvial, o processo evaporativo está com maior intensidade, detendo 54,28 % da evaporação média anual (Tabela 3.07). Figura 3.12 - Evaporação Total – Média Mensal 100,0 80,0 60,0 40,0 20,0 0,0 Jan Evaporação (total-mm) Fev Mar A br Mai Jun Jul A go Set Out Nov Dez 73,3 61,5 70,5 61,2 55,5 52,3 65,9 85,5 80,4 80,4 84,1 82,4 Fonte: IAPAR adaptado por STCP Tabela 3.07 - Total da Evaporação Média Sazonal - Guarapuava TRIMESTRE MAM JJA SON DJF Evaporação total - mm 187,2 203,7 244,9 217,2 Fonte: Dados do IAPAR - adaptado por STCP 3.2.2.6 - Ventos O vento é o parâmetro meteorológico mais importante no que tange a dispersão de poluentes atmosféricos. Isto porque transporta as propriedades do ar da Fonte emissora para as outras regiões dependendo da direção em que sopra. Este transporte pode ser horizontal (conhecido como advecção) ou vertical (convecção). Os movimentos turbulentos que geram o transporte vertical propiciam uma mistura na qual as propriedades do ar da camada próximo ao solo misturam-se com as das camadas de ar superior. Através desse movimento, a concentração de poluentes liberados na baixa atmosfera diminui, melhorando a qualidade do ar. Atua também como um facilitador da evaporação, pois transporta para longe ou mantém próximo o vapor eliminado pelos corpos. Vários são os fatores que contribuem para o comportamento do vento de uma região. As condições dinâmicas da atmosfera, a interação entre as escala sinótica (movimentos de ar resultantes da circulação geral da atmosfera com variação de extensão horizontal e a microescala (efeitos aerodinâmicos das construções humanas, da rugosidade das superfícies e da cobertura vegetal que influenciam na movimentação, no transporte e na difusão dos poluentes, as características da rugosidade e relevo local, a localização geográfica e a rotação da Terra são exemplos desses fatores). Na região de Guarapuava e Pinhão, utilizadas para caracterizar a região de inserção do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão, os ventos possuem uma velocidade média anual de 2,9 m/s e 2,6 m/s (Tabela 3.08). As direções predominantes são NE (nordeste) e E (leste). 3.16 No trimestre referente a primavera para Guarapuava, a velocidade apresenta seus maiores índices tendo uma média de 3,2 m/s (Tabela 3.09). A direção de origem dos ventos nessa época é de Leste. Nos demais trimestres as velocidades médias se mantêm com pouca variabilidade tendo a média variando apenas na direção dos ventos. O mesmo comportamento é observado na estação do Pinhão. Tabela 3.08 - Direção e Velocidade dos Ventos - Guarapuava e Pinhão MÊS VENTO* DIREÇÃO VELOCIDADE (M/S) Guarapuava Pinhão Guarapuava Pinhão Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média Anual E NE E NE NE NE NE NE E E E E NE - E E E E E E E E E E E E E E 2,9 2,6 2,8 2,8 2,5 2,6 3,0 3,0 3,4 3,2 3,1 2,9 2,9 2,3 2,2 2,2 2,3 2,3 2,4 2,9 2,5 2,9 2,7 2,8 2,9 2,6 * Os dados na integra da estação Pinhão constam em anexo 1 e 2 Fonte: IAPAR e SIMEPAR Tabela 3.09 - Velocidade Média Sazonal dos Ventos TRIMESTRE MAM JJA SON DJF Velocidade (m/s) - Guarapuava 2,7 2,9 3,2 2,8 Direção Predominante - Guarapuava NE NE E E Velocidade (m/s) - Pinhão 2,3 2,6 2,8 2,5 E E E E Direção Predominante - Pinhão Fonte: Dados do IAPAR - adaptado por STCP 3.2.2.7 - Considerações Gerais Na região da Unidade de Conservação, o clima é classificado, segundo Köeppen, como sendo do tipo Cfb, mesotérmico, com média do mês mais quente superior a 22 ºC e do mês mais frio inferior a 18 ºC, sem estação seca, com verão brando e geadas freqüentes. A precipitação é uniforme ao longo do ano. As estações meteorológicas trabalhadas condizem com a realidade do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão. Localizado no Planalto de Guarapuava, com altitudes muito próximas e sendo afetadas pelos mesmos fenômenos atmosféricos. Guarapuava, por exemplo, está a 1058m de altitude e a Unidade de Conservação a cerca de 1020 m. O relevo acidentado e acima dos 1.000 m s.n.m. constitui-se num fator de relevante importância para o clima da região e conseqüentemente para o Refúgio em questão. 3.17 A posição latitudinal (25º) e a dinâmica dos sistemas atmosféricos caracterizam o clima da região da Unidade de Conservação como ameno na maior parte do ano. Contudo, nos meses de inverno, há a possibilidade eminente da ocorrência de geadas. Em junho de 1978, por exemplo, registrou-se a mínima absoluta da região com - 6,8 ºC (Guarapuava - IAPAR). No período representado pelo verão, as temperaturas médias são brandas, podendo ocorrer picos não identificados na série histórica trabalhada nem nas médias mensais anuais. Um exemplo dessa situação é a temperatura máxima absoluta registrada pela estação de Guarapuava no mês de fevereiro de 1984, com 33,6 ºC. Essa oscilação entre os - 6,8 ºC (no inverno) e 33,6 ºC (no verão), reflete a possibilidade de variação rítmica inerente aos sistemas atmosféricos. A Tabela 3.10 apresenta o resumo dos parâmetros levantados (valores médios anuais). Tabela 3.10 - Resumo dos Parâmetros Meteorológicos para a Região de Inserção do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão PARÂMETROS VALORES MÉDIOS ANUAIS Guarapuava Pinhão Temperatura 17,07 ºC 18,7 Precipitação 1.941,4 mm 1.580,1 mm 77,75 % 78,86 % 2.326,6 horas por ano - 853mm - 2,9 m/s - 2,6m/s Umidade Relativa Insolação Evaporação Ventos Fonte: Dados do IAPAR e SIMEPAR adaptados pela STCP 3.2.3 - Hidrografia O Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão insere-se dentro de um contexto de topografia acidentada e muitos fragmentos florestais intercalados, principalmente, com áreas de plantio. Situa-se no topo de morro com cota entre 1.140 e 1.120 metros. Trata-se de um importante remanescente do ponto de vista florestal pela coleta de sementes de espécies como a erva-mate, e de proteção de nascentes. Isto porque, é possível observar através do mapa hidrográfico (Figura 3.13), que o topo de morro e encostas em que a Unidade se insere possuem muitas nascentes de córregos, mesmo que as mesmas não se localizem na área do Refúgio. Em trabalhos de campo, foram observados pontos de banhado na área da Unidade. Um deles é a nascente do Arroio do Paiol do Caldas. Este veio hídrico é o de maior relevância para o Refúgio de Vida Silvestre (Foto 3.03). Além de possuir sua nascente no interior da Unidade, foi utilizado como divisa no decreto de criação, tanto que um marco de delimitação foi inserido na área. Constitui-se num afluente de primeira ordem que deságua diretamente no rio Iguaçu. É um rio que corre sobre um leito rochoso, que no seu curso de aproximadamente 2 quilômetros, possui uma diferença altimétrica de cerca de 600 metros da nascente à foz (Figura 3.14). Essa diferença altimétrica associada ao substrato rochoso lhe confere velocidade de escoamento. O mesmo padrão observa-se para os córregos de primeira ou segunda ordem na região de entorno. 3.18 Figura 3.13 - Mapa Hidrográfico do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão (A3) 3.19 (verso do mapa) 3.20 Figura 3.14 - Mapa de Hipsometria do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão 3.21 (verso do mapa) 3.22 Nota-se que a área de nascente está sendo impactada pelo pisoteamento de gado como registro na Foto 3.04. A presença de porcos domésticos que são criados soltos e acabam interferindo na dinâmica da Unidade, inclusive nas áreas onde os recursos hídricos afloram. Fato interessante é notar a grande presença de xaxim em toda a área dando indícios das características da umidade da floresta do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão, uma vez que tal planta se desenvolve, preferencialmente em áreas de florestas úmidas. Foto 3.03 - Arroio Paiol do Caldas B A C Legenda: (A) Cachoeira formada na divisa da Unidade de Conservação com aproximadamente 10 metros, (B) Marco e nascente do Arroio e (C) Vista lateral da vertente oposta ao do vale do Arroio. Fonte: STCP, 2006 O Arroio Paiol do Caldas corre no sentido Nordeste-Sudeste por um vale em “V”, delineado por condicionantes estruturais do substrato, indicando grande declividade e a tendência para solos muito rasos, sustentados por uma vegetação ciliar no perímetro da UC. Esses vales em “V” são comuns no entorno, muito influenciados pelo relevo e geomorfologia regional. No mapa de declividade percebe-se a relação entre a rede hidrográfica e as vertentes. O Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão está aproximadamente a dois quilômetros ao Norte da margem direita do rio Iguaçu. A partir da Unidade de Conservação avista-se uma bela paisagem dos vales entalhados sobre um relevo com grande desnível altimétrico. Na Foto 3.05 se distinguem dois olhares diferentes sobre o curso de água em questão. 3.23 Foto 3.04 - Atividades de Interferência no Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão A B Legenda: (A) Local da nascente do Arroio, presença de xaxim e (B) Pegadas de grande porte sobre solo Fonte: STCP, 2006 Foto 3.05 - Vista do Rio Iguaçu a Partir do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão A B Legenda: (A) Vista a partir do sul da Unidade - sentido balsa de São Pedro e (B) Vista a partir da porção nordeste do Refúgio Pode-se observar a escassa mata ciliar no rio Iguaçu Fonte: STCP, 2006 3.2.4 - Geomorfologia e Geologia 3.2.4.1 - Diagnóstico de Geomorfologia A área está localizada geomorfologicamente em uma meia encosta, com um de seus vértices (norte) na parte mais alta da superfície de aplainamento. Por se encontrar em uma encosta faz com que a área apresente uma declividade acentuada em alguma de suas partes. Várias drenagens utilizam a área da reserva como nascente. A densa vegetação presente na área é conseqüência da presença de solos, provenientes do desenvolvimento de colúvio. Esse solo encontra-se cobrindo o substrato rochoso de quase a totalidade da área, com exceção no leito do arroio Paiol do Caldas, quando esse se apresenta encachoeirado. O relevo do entorno da Área do Pinhão mostra quebras de relevo de diferentes altitudes, ocasionando encostas caracterizadas por partes planas (terraços), intercaladas a partes com declividades acentuadas. 3.24 Essa forma de encosta é conseqüente da evolução da paisagem a partir de um substrato rochoso composto essencialmente por inúmeros derrames de rochas basálticas. As escadas colocam em evidencia os diferentes níveis sub-horizontais, ou como preferem alguns autores, “trapes”. Os degraus descritos na cachoeira do arroio Paiol do Caldas é uma representação menor dos terraços presentes na geomorfologia. Os vários “degraus geomorfológicos” presentes nas encostas da bacia do rio Iguaçu, conseqüente do seu processo erosivo, pode ser visualizado através da simples observação da paisagem (Foto 3.06). A observação detalhada da existência dos “degraus” pode ser feita com imagens de satélite (Figura 3.15). Esses degraus são conseqüentes do processo de evolução e formação do rio Iguaçu. Foto 3.06 - Relevos Planos Descendo em Forma de “Escadas” até o Rio Iguaçu Fonte: STCP,2006 Figura 3.15 - Vários “Degraus” Conseqüentes da Evolução do Rio Iguaçu 3.25 A declividade presente na unidade de conservação e no seu entorno pode ser compreendida através do mapa de declividade (Figura 3.16). Essa grande variação de declividade está associada à evolução do rio Iguaçu, a partir de uma superfície de aplainamento com cerca de 1100 m de altitude. Sob o ponto de vista geomorfológico, em uma escala regional, a localidade do parque está na encosta de um vale, do rio Iguaçu, que começa a uma altitude de 1.100 m e chega a 600m no leito do rio. O desnível presente pode ser observado através da relação altimétrica do parque com o seu entorno. 3.2.4.2 - Diagnóstico de Geologia Ao longo da estrada do acesso a área de Pinhão é possível observar a presença da formação de carapaça ferruginosa proveniente do processo de formação de uma superfície de aplainamento. Na do Refúgio Silvestre do Pinhão não é comum a carapaça ferruginosa. Os afloramentos de rocha ocorrem das seguintes formas: No leito da estrada do interior da área: nas partes aonde ocorrem mudanças de mais acentuada de declividade. Nesses casos por ser um solo raso, a construção da estrada retirou o fino solo existente; Nos barrancos da estrada: nesses casos pode-se observar, ou melhor, ter uma idéia da litologia através dos blocos que se encontram nos colúvios; No interior do Arroio Paiol do Caldo e de outras drenagens: observa-se a presença de lajedos de rochas basálticas. A região é constituída essencialmente por rochas da Formação Serra Geral que se encontram cortadas por uma série de lineamentos que em muitos casos condicionam a direção das drenagens (Figura 3.17). Figura 3.17 - Condicionamento das Principais Feições do Relevo a Partir da Direção Nordeste dos Lineamentos Fonte: Imagem cedida pelo IAP, organizado por Reis Neto 3.26 Figura 3.16 - Mapa de Declividade (A3) 3.27 (verso do mapa) 3.28 Considerando os tipos de afloramentos presentes e descritos, as seguintes litologias foram observadas. No corte de estrada e no interior da área verifica-se a presença de colúvio com solo vermelho argiloso com seixos em esfoliação esferoidal, a rocha é um basalto afanítico, sendo as vezes fenerítico fino (Foto 3.07). Ao longo de estradas do interior da unidade de conservação, nas partes em que foi necessária a retirada de maior volume de solo, é possível observar rochas basálticas aflorantes. Nesse caso trata-se de basalto afanítico muito fraturado (Foto 3.07). Ao longo do Arroio Paiol do Caldo observa-se a montante, próximo a divisa da área, grandes lajedos de rochas aonde ocorre a presença de um fenobasalto vesicular com estrutura de fluxo. Essa estrutura (foliação) apresenta uma leve inclinação (Foto 3.08). Foto 3.07 - Exemplos de Materiais Encontrados no Refúgio B A Legenda: (A) barranco de estrada mostrando material coluvionar e solo de rochas basáltica com blocos de basaltos; (B) basalto afanítico fraturado. a evolução desse processo gera os clastos que ficam residentes nos solos. Fonte: STCP, 2006 O caminhamento realizado ao longo do arroio mostrou que as rochas aflorantes são em sua totalidade de composição basáltica. Apesar de haver pequena variação da granulometria e da textura; de afanítica a fanerítica fina, na grande maioria das rochas observadas havia a presença de estruturas de fluxo. No arroio encontra-se uma cachoeira de cerca de 20 metros de altura, divididos em dois níveis, com cerca de 10 metros cada um. Na encosta dessa cachoeira é observável uma serie de degraus de rocha, em média com 10 cm de altura (Foto 3.08). A rocha responsável pela formação da cachoeira é o basalto, sendo que os diferentes degraus e mesmo os níveis são feições antigas de corrida de lava. 3.29 Foto 3.08 - Lajedos e Cachoeira no Arroio Paiol do Caldas A B Legenda: (A) lajedo de basalto. Observar a homogeneidade da cor da rocha; (B) Vista da cachoeira. Observar os degraus sub-horizontais, representam feições vulcânicas com diferentes graus de alteração. Fonte: Reis Neto, 2006 Ao longo de diversas observações realizadas no interior e no entorno leste e sul da área do Pinhão, a totalidade da composição das rochas observadas foram de material básico. Essas observações associadas as descrições bibliográficas para a região permitem interpretar que a região dessa área é constituída essencialmente por basaltos. A Formação Serra Geral é a unidade litológica presente na região no âmbito da unidade de conservação, conforme mapa de geologia (Figura 3.18). 3.2.5 - Solos 3.2.5.1 - Diagnóstico: Descrição das Unidades de Mapeamento do Solo A associação de solos são agrupamentos de unidades definidas taxonomicamente, em associação geográfica regular, definindo uma unidade de mapeamento. Assim, os solos são classificados com base nas suas características morfológicas e analíticas (químicas, granulométricas e mineralógicas). Essas características, na paisagem, muitas vezes apresentam similaridades. As unidades de mapeamento identificadas no Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão, a partir do levantamento de campo e correlacionadas com a revisão bibliográfica sobre a região são observadas na Tabela 3.11 e no mapa de solos (Figura 3.19). Tabela 3.11 - Legenda das Unidades de Mapeamento do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão CLASSE DE SOLO UNIDADE DE MAPEAMENTO Associação NEOSSOLO LITÓLICO distrófico típico + CAMBISSOLO HÁPLICO b distrófico típico RLd 3.30 Figura 3.18 - Mapa de Geologia do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão (A3) 3.31 (verso do mapa) 3.32 Figura 3.19 - Mapa de Solos do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão (A3) 3.33 (verso do mapa) 3.34 Associação NEOSSOLO LITÓLICO distrófico típico + CAMBISSOLO HÁPLICO distrófico típico (Rld) • A associação Neossolo Litólico e o Cambissolo ocorre em áreas onde os processos de intemperismo agiram de forma branda, não proporcionando a mineralização da rocha mãe e a pedogênese de uma forma uniforme. A principal característica que difere essas duas classes de solo é que o Neossolo Litólico apresenta reduzida espessura do horizonte B incipiente ou horizonte A com espessura inferior a 100 cm, se a seqüência de horizontes for A-R (Prado, 1996). O Neossolo Litólico é considerado um solo raso sobre a Rocha. Ocorre, geralmente, em condições de topografia acidentada, onde há muito afloramento de rochas, com profundidade em torno de 50 cm, perfil tipo A-R (horizonte A sobre a rocha), ou tipo A-C-R (sendo o horizonte C pouco espesso). Ocupam áreas de intenso rejuvenescimento (remoção de material). O Cambissolo é caracterizado pelo horizonte B incipiente - Bi (horizonte mineral), ocupando geralmente as partes menos intemperizadas da paisagem e em termos de ambiente, quando desenvolvidos de gnaisse, encontram-se geralmente sob floresta. Possui baixa fertilidade natural. Na questão de fertilidade e aptidão agrícola dessa unidade de mapeamento, conclui-se que esses solos apresentam baixa atividade de troca catiônica e baixa concentração de nutrientes prontamente disponíveis para absorção das plantas na solução do solo. 3.3 - Caracterização do Meio Biológico 3.3.1 - Metodologia Nesse item são descritas as diferentes metodologias para a elaboração do diagnóstico do meio biótico. 3.3.1.1 - Metodologia para o Diagnóstico da Vegetação • Métodos de Trabalho O presente estudo foi desenvolvido através da conjugação de diversos métodos, quais sejam: a descrição das condições pretéritas e atuais da paisagem na área da Reserva de Vida Selvagem do Pinhão e entorno, a caracterização biogeográfica da região de inserção da unidade, o inventário da diversidade biológica de organismos superiores presente na mesma e a proposição de medidas especiais para o estabelecimento de mecanismos de proteção e/ou recuperação dessa diversidade. Para tanto, foram consultadas as diversas referências existentes sobre a região, bem como efetuadas avaliações de campo em conjunto pelas diversas especialidades, de forma a se obter uma visão conjunta e integrada local. Esta avaliação, em especial, foi efetuada através do método de Avaliação Ecológica Rápida (AER), descrito a seguir. • Método Geral da Avaliação Ecológica Rápida A Avaliação Ecológica Rápida foi desenvolvida através de uma análise multi e interdisciplinar entre diversas áreas temáticas que pudessem oferecer subsídios para a avaliação das condições ecológicas, tanto dos ecossistemas terrestres quanto dos aquáticos presentes na área de estudo. Desta maneira, participaram deste estudo pesquisadores 3.35 relativos às seguintes áreas de conhecimento: vegetação, mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes. Os trabalhos de campo foram desenvolvidos segundo o método da Avaliação Ecológica Rápida, propostos por Sobrevilla & Bath (1992) e revisados por Sayre et al. (2002) para a The Nature Conservancy (TNC). Os trabalhos foram desenvolvidos mediante a pesquisa de dados secundários (i.e., pesquisa bibliográfica e museológica) e mediante a avaliação das condições gerais da paisagem da unidade através da avaliação de pontos específicos de amostragem e interpretação de imagem geradas por satélite SPOT. Os trabalhos de campo na RVSP foram desenvolvidos nos dias 05 e 06 de março de 2006. Uma vez em campo, foram efetuadas análises das condições da paisagem, flora e fauna em três (3) pontos amostrais da unidade (Tabela 3.12). Os pontos assinalados foram também utilizados para a Avaliação Ecológica Rápida do Corredor de Biodiversidade Araucária. Cada ponto selecionado foi inicialmente avaliado pelos membros da equipe quanto a seu estado geral de conservação, tipologia (s) vegetacional (ais) dominante (s) e variações em seu entorno. Uma vez efetuada a avaliação geral, realizada mediante o uso de fichas padronizadas, cada disciplina envolvida utilizou métodos próprios de observação, através dos quais efetuou diagnóstico específico de suas respectivas áreas de conhecimento. Esses métodos encontram-se detalhados abaixo. Tabela 3.12 - Pontos e Coordenadas da Avaliação Ecológica Rápida realizada no Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão PONTOS LOCALIZAÇÃO FUSO ALTITUDE(M) LATITUDE LONGITUDE 04 Entorno da RVSP 22J 1160 423703 7128415 05 Centro da RVSP 22J 1014 424271 7125193 06 Entorno da RVSP 22J 979 424247 7125495 Obs.: Os pontos foram tomados conjuntamente à Avaliação Ecológica Rápida realizada para o Corredor de Biodiversidade Araucária Além das avaliações realizadas nos pontos de amostragem selecionados, informações foram obtidas também em outros locais de maneira individual por cada disciplina envolvida. Essas informações foram incorporadas nas avaliações gerais da unidade nos relatórios específicos. • Métodos Específicos de Observação e Tratamento dos Dados Além dos métodos realizados em conjunto e daqueles pertencentes à análise intertemática, cada tema desenvolveu seus respectivos esforços conforme métodos específicos, em especial no que se refere às atividades de campo. Os registros de espécies da unidade contabilizaram ocorrências levantadas em campo durante a Avaliação Ecológica Rápida, registros bibliográficos, museológicos e inéditos dos autores. Pela própria característica do método, não houve tempo hábil, nem equipamento disponível (e.g., armadilhas e redes) que permitisse abranger todas as ordens de determinados grupos vegetais e/ou animais. Grupos como as ordens Didelphimorphia (marsupiais), Chiroptera (morcegos), espécies de pequeno porte da ordem Rodentia (ratos), peixes e anfíbios anuais e/ou com períodos reprodutivos curtos, répteis em geral e plantas epífitas estão pouco representados nesse diagnóstico, contando apenas com as escassas informações de museu e alguns registros ocasionais. É importante frisar que, com o método de AER, há uma tendência muito grande em avaliar a presença de uma pequena parte dos organismos, em geral aqueles de médio e grande porte e espécies conspícuas como aves. Considerando 3.36 que parte das espécies da região ficaram fora da avaliação, quaisquer informações sobre diversidade e similaridade são consideradas inviáveis. Tais lacunas devem ser preenchidas com a execução de programas prioritários para o inventário desses grupos, sendo indicadores de diversidade, endemismo e riqueza. Grupos de pequenos organismos também compreendem aqueles onde residem as maiores possibilidades de novas descobertas. Portanto, as investigações nesta unidade de conservação limitaram-se à anotação do padrão de uso do solo local, do entorno da UC e dos corpos d'água e das características fisiográficas da área e de qualidade da água, tais como o estado de desenvolvimento da vegetação e a turbidez e sólidos em suspensão dos corpos d'água inseridos na unidade de conservação, capazes de influenciar a composição da biota e de fundamentar as discussões sobre a sua conservação. 3.3.1.2 - Metodologia para o Diagnóstico da Fauna 3.3.1.2.1 - Mamíferos O método utilizado para a constatação da mastofauna seguiu o protocolo padrão de inventários de mamíferos de médio e grande porte, buscando evidências diretas, como observações visuais ou auditivas e evidências indiretas como rastros, pêlos, carcaças, restos alimentares e fezes encontrados em trilhas, estradas marginais e cursos de rios. Foram amplamente utilizados também os registros de mamíferos decorrentes da Operação de Resgate de Fauna realizada durante a formação do reservatório da Usina Hidrelétrica de Segredo. Para a padronização do ordenamento taxonômico optou-se pela proposta de Wilson & Reeder (2005). 3.3.1.2.2 - Aves • Trabalhos de Campo Os trabalhos de campo foram desenvolvidos em de fevereiro de 2006. Efetuou-se observação e identificação de espécies mediante o reconhecimento de suas vocalizações e uso de playback. A observação, auxiliada pelo uso de binóculo, consistiu na detecção visual de indivíduos. Essa atividade e a de reconhecimento auditivo das espécies foram conduzidas desde o amanhecer até logo após o anoitecer, o que facilitou a obtenção de registros de aves crepusculares e noturnas. O playback foi utilizado na reprodução de gravações de vocalizações de aves não identificadas em campo com intuito de atraí-las para perto do observador, facilitando a identificação mediante contato visual. Para o registro de vocalizações, utilizou-se de gravador Sony (TCM-5000) e microfone direcional Sennheiser (ME-66). Também foi utilizado ao se reproduzir o canto de aves raras e de difícil detecção que se esperava registrar na região. Para tal, fez-se uso de cantos de aves publicados em CDs e do arquivo sonoro particular dos pesquisadores. Por fim, incorporou-se algumas informações sobre aves obtidas mediante entrevista, que reverteram no acréscimo de algumas espécies, localidades e ambientes de ocorrência. • Trabalhos de Laboratório Na listagem das espécies, adotou-se a nomenclatura científica, popular e ordem taxonômica apresentada em Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (2005). Relacionou-se o hábito “preferencial” de cada espécie, da seguinte forma: florestal, semi-florestal, campestre, palustre, aquático, aéreo e urbano. Esta é uma categorização provisória, tanto na 3.37 terminologia quanto na distinção de categorias, pois há espécies que não se pode enquadrar bem à elas. Para esta atividade, valeu-se de informações inéditas dos autores e de informações sobre ambientes de ocorrência disponíveis na literatura consultada. As categorias foram definidas pelos seguintes critérios. − Florestal: referiu-se à espécie que reproduz ou supostamente reproduz em formações arbóreas e que delas obtém todo ou grande parte do seu alimento, tanto na vegetação quanto no solo. − Semi-florestal: referiu-se à espécie que freqüentemente é registrada em capoeiras ralas, componente arbóreo de cerrado e outras formações não propriamente florestais nem campestres, embora também possa ser registrada tanto em florestas quanto campos. − Campestre: referiu-se à espécie que reproduz ou supostamente reproduz em formações abertas tal qual campos, incluindo os úmidos, e que obtém todo ou grande parte do seu alimento na vegetação herbácea ou no subsolo das áreas com essa vegetação. − Palustre: referiu-se à espécie que reproduz ou supostamente reproduz em brejos, tanto na região de estudo quanto em alguma outra, e que obtém todo ou grande parte do seu alimento na vegetação herbácea ou rente sobre ela. − Aquático: referiu-se à espécie que obtém todo ou grande parte do seu alimento na coluna d’água, lâmina d’água, bancos de lodo e/ou no espaço aéreo logo acima da lâmina d’água, independente de onde reproduza. − Aéreo: referiu-se à espécie que é registrada quase que exclusivamente sobrevoando, independente sobre qual ambiente. − Urbano: referiu-se à espécie cujo ciclo de vida depende do ambiente urbano. 3.3.1.2.3 - Répteis Além de verificação da literatura herpetológica, que procura detectar registros para a área de estudo ou dados que permitam a inferência da ocorrência de espécies, foram analisados os acervos de todas as coleções científicas nacionais que possuem relevante material herpetológico da região, a saber: Museu de História Natural Capão da Imbuia (MHNCI, Curitiba), Instituto Butantan (IBSP, São Paulo), Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP) e Museu Nacional - Universidade Federal do Rio de Janeiro (MNRJ). Para efeito de análise da fauna regional de répteis e levantamento das espécies, junto a coleções científicas e literatura, considerou-se todos os municípios inseridos na macroregião da Usina Hidrelétrica de Segredo. Uma vez que a constatação de répteis, em campo, é de difícil obtenção, informações de áreas vizinhas à estudada podem permitir importantes inferências de distribuição. Seguindo-se às atividades normalmente estabelecidas para estudos herpetofaunísticos (Franco & Salomão, 2000), em campo foram realizadas atividades de procura intensiva (= busca intencional) de répteis nos mais diversos esconderijos (serapilheira, troncos caídos, rochas, cascas de árvores, moitas, lajes de pedra etc.) de todos os ambientes visitados, incluindo várzeas, banhados, brejos, reflorestamentos, pastagens, fragmentos florestais, ribeirões e assim por diante. Outro recurso utilizado foi entrevistar moradores locais, fazendo com que estes se manifestassem livremente sobre os répteis que costumam ver e suas características diagnósticas, tais como coloração, porte, comportamento, horário de 3.38 atividade, ambiente preferencial, vocalização e outras formas de reconhecimento popular das espécies. 3.3.1.2.4 - Anfíbios A metodologia empregada para o registro de anfíbios consistiu principalmente em busca noturna e diurna. A busca consistiu na inspeção de serapilheira, troncos podres, rochas e vegetação arbustiva, além de brejos e margem de rios, ou seja, procura em todos os microhabitats acessíveis. Para a localização de algumas espécies, a escuta e gravação das vocalizações dos machos foi empregada. Essas vocalizações permitiram inclusive o reconhecimento específico à distância. Foram fotografados os principais ambientes. Por se tratar de um estudo de curto prazo, os resultados obtidos foram de tipo qualitativo, representando apenas parte das espécies que vivem nestes ambientes (estudos em longo prazo levariam a um incremento muito significativo do conhecimento da composição e estrutura da fauna de anfíbios local). Para obtenção da listagem sistemática e informações de distribuição e hábitat, foi consultada a coleção de anfíbios do Museu de História Natural Capão da Imbuia da Prefeitura Municipal de Curitiba, além da revisão bibliográfica. 3.3.1.2.5 - Peixes As considerações ora apresentadas sobre a composição da fauna de peixes no Refúgio têm como base a literatura científica disponível sobre a fauna ictíica das coleções d’água situadas no trecho médio do rio Iguaçu na região hoje sob influência do reservatório da UH Segredo. Os métodos de estudos em campo consideraram as limitações impostas pela Avaliação Ecológica Rápida, na qual se prevê a realização de diagnósticos expeditos, planejados a partir da definição de pontos amostrais ao longo de sítios delimitados previamente sobre uma base cartográfica ou imagem de satélite. Uma vez que a definição dos pontos se fundamenta basicamente nos padrões de vegetação, as amostragens ictiológicas ficaram condicionadas à existência ou não de coleções d’água no entorno imediato de cada um desses pontos. Além dos condicionantes do método da AER relacionados ao espaço geográfico em estudo, há também as limitações de tempo empregado na investigação de cada ponto. Estas limitações metodológicas, via de regra, impossibilitam a utilização de armadilhas de pesca cujo uso sistemático permitiria obter dados mais aprofundados sobre a composição da fauna de peixes ou mesmo a dinâmica das populações de tais espécies. No caso específico da avaliação ecológica rápida realizada no Refúgio, ficou determinada a não realização de coletas de fauna, restringindo as possibilidades de obtenção de dados primários sobre a ictiofauna dos ambientes estudados durante os trabalhos de campo. Portanto, as investigações nesta unidade de conservação limitaram-se à anotação do padrão de uso do solo do entorno dos corpos d’água e das características fisiográficas e de qualidade da água, tais como turbidez e sólidos em suspensão dos corpos d’água inseridos na unidade de conservação, capazes de influenciar a composição da biota aquática e de fundamentar as discussões sobre a sua conservação. 3.39 3.3.2 - Vegetação 3.3.2.1 - Caracterização dos Ecossistemas Terrestres do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão Segundo Milano, Roderjan e Mendonça (1982) em sua parte mais alta, acima de 900 m s.n.m., a Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão é ocupada por um remanescente de Floresta Ombrófila Mista Montana (floresta com araucária), profundamente alterada pela exploração das melhores madeiras, ocorrida há cerca de 35 anos atrás (Figura 3.20 e Tabela 3.13). Em direção ao vale do rio Iguaçu, em média abaixo de 900 m s.n.m., ocorre o contato com a Floresta Estacional Semidecidual Montana, configurando uma zona ecotonal ou de transição entre as duas unidades fitogeográficas. Tabela 3.13 - Área das Tipologias Vegetais Encontradas no Refúgio FORMAÇÕES ÁREA (ha) ÁREA (%) Floresta Ombrófila Mista Montana 174,6 85,65 Ecótono Floresta Ombrófila Mista e Floresta Estacional Semidecidual 13,75 6,75 Estágio Inicial de Sucessão Vegetal 4,99 2,45 Estágio Intermediário de Sucessão Vegetal 10,39 5,10 Instalações 0,11 0,05 3.3.2.1.1 - Floresta Ombrófila Mista Montana Constitui a formação vegetal predominante na área do Refúgio, ocupando cerca de 85,65 % de sua superfície. Na análise da imagem SPOT do ano de 2005, observa-se uma textura extremamente irregular, ponteada por inúmeras clareiras, denotando que a floresta original foi intensamente explorada no passado, com vistas principalmente às então abundantes populações de pinheiro-do-paraná Araucaria angustifolia e de imbuia Ocotea porosa, madeiras de alto valor comercial. Por conta da exploração madeireira, que suprimiu a maioria das grandes árvores do dossel original, atualmente o primeiro estrato é formado por espécies que pertenciam ao estrato dominado, entre as quais podem ser citadas (Anexo 3.01) o guaperê Lamanonia speciosa, leiteiro Sapium glandulatum, erva-mate Ilex paraguariensis, carne-de-vaca Clethra scabra, guabiroba Campomanesia xanthocarpa, tarumã Vitex megapotamica, cedro Cedrela fissilis, imbuia Ocotea porosa e sapopema Sloanea lasiocoma, entre outras. As poucas árvores emergentes são representadas por jerivá Syagrus romanzoffiana, sapopema Sloanea lasiocoma, raros exemplares de araucária Araucaria angustifolia e de imbuia Ocotea porosa. Ainda como marcas da exploração seletiva, a floresta é pontilhada por vassourão-branco Piptocarpha angustifolia e fumo-bravo Solanum sp., espécies tipicamente heliófilas e pioneiras, sobre um sub-bosque generalizadamente ocupado por densos taquarais. 3.3.2.1.2 - Ecótono Floresta Ombrófila Mista e Floresta Estacional Semidecidual Pelo critério altitudinal adotado, corresponde a cerca de 6,75 % da superfície da Reserva Biológica, constituindo uma zona ecotonal ou de transição muito característica entre as unidades fitogeográficas predominantes, muito pouco ou quase nada conhecida pela ciência (não se tem notícia de trabalhos de levantamento dessas situações). 3.40 São, desta forma, constituídas por espécies de ambas as tipologias, alternando-se progressivamente na medida em que se aproximam de um ou de outro extremo altitudinal (700-900 m s.n.m.). 3.41 Figura 3.20 - Mapa de Vegetação do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão A3 3.42 verso 3.43 Embora o estado de conservação deste segmento do Refúgio seja semelhante ao das outras formações florestais, reveste-se ainda de grande importância para o conhecimento desses ambientes transicionais. 3.3.2.1.3 - Estágio Inicial da Sucessão Vegetal (Capoeirinha) Este estágio sucessional da vegetação secundária está representado em áreas de pequena expressão, ocupando apenas 2,45% da superfície do Refúgio. Compreende as superfícies mais recentemente antropizadas, constituídas por espécies pioneiras heliófilas de rápido crescimento, com baixa diversidade florística e elevada densidade de indivíduos. 3.3.2.1.4 - Estágio Intermediário da Sucessão Vegetal (Capoeira) O Estágio Intermediário da Sucessão Vegetal ocupa 5,1% da superfície do Refúgio, representado por pequenas três áreas disjuntas, uma área na porção Nordeste e outras duas áreas ao Sul da Unidade de Conservação. 3.3.3 - Fauna 3.3.3.1 - Mamíferos Os resultados obtidos durante a AER comprovam a tendência em registrar apenas algumas espécies de mamíferos de médio e grande porte, o que pode ser interpretado como artefato do método. Para o Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão e entorno foram registradas nove espécies de mamíferos, através de evidências e entrevistas, com destaque para o puma Puma concolor, a jaguatirica Leopardus pardalis e o bugio Alouatta guariba (Anexo 3.02). Tanto o puma quanto a jaguatirica são espécies que ocupam o topo das teias alimentares e requerem níveis tróficos inferiores bem estruturados para sobreviverem. Além disso, ocupam áreas de vida grandes e provavelmente utilizam o Refúgio como step stone e os corredores naturais para se deslocar entre fragmentos. Já os bugios são primatas, ou seja, essencialmente arborícolas e folívoros, indicadores da boa qualidade ambiental. As três espécies acima, em conjunto com um gato do mato pequeno não identificado, compreendem formas ameaçadas de extinção (Mikich & Bérnils, 2004), o que por si só demonstra que a área do Refúgio apresenta importância do ponto de vista da biologia da conservação. Acrescente-se a isso ainda o fato de que, em relação ao diagnóstico da mastofauna feito para o Corredor Araucária, mais de um terço (35%) das espécies registradas em campo para todo o corredor foram detectadas nos pontos do Refúgio e seu entorno, o que demonstra a sua representatividade e importância no bioma. 3.3.3.2 - Aves Registrou-se oito espécies de aves, que se incluem em sete famílias (Anexo 3.03). O baixo número de espécies deve-se, em parte, ao reduzido tempo de amostragem em campo. Sete espécies são de hábito florestal e uma é de hábito semi-florestal. Nenhuma espécie registrada é considerada ameaçada de extinção. 3.3.3.3 - Répteis No total, três lagartos, um anfisbenídeo, 23 serpentes e um quelônio contam com registros para a área do Refúgio e seu entorno imediato (Anexo 3.04). O número de espécies obtido corresponde a cerca de 22% do total registrado para o grupo no Estado do Paraná (seg. dados do Museu de História Natural Capão da Imbuia e do Instituto Butantan de São Paulo, além de informações da literatura). Este total contempla principalmente espécies florestais 3.44 associadas à Floresta Ombrófila Mista e apenas parte das espécies tipicamente campestres que habitam as áreas planas e elevadas do Planalto de Guarapuava, as quais são presentes na área de entorno imediato da UC em função das condições de alteração da paisagem e substituição dos sistemas florestais por sistemas abertos constituidos por pastagens e agricultura. Tais espécies costumam ser invasoras desses agroecossistemas. Por outro lado, o valor de espécies ora obtido não contempla as espécies habitantes do vale do rio Iguaçu propriamente dito, onde predomina a Floresta Estacional Semidecidual e os ecossistemas aquáticos atualmente compreendidos pelo reservatório da UH Segredo. Espécies como o cágado do Iguaçu (Phrynops williamsi) e a serpente caninana (Spilotes pullatus), por exemplo, não são registradas para a área da UC, muito embora ocorram em áreas próximas mais baixas. No geral, é possível considerar que o ambiente florestal local constitui um sistema de grande importância para a manutenção das espécies de répteis locais. Além do próprio Refúgio, há no entorno da unidade diversos remanescentes florestais presentes na forma de mosaicos. Espécies de serpentes consideradas como raras e/ou com dados deficientes de conhecimento são registradas para a região (e.g., Xenodon guentheri e Bothrops cotiara ver Morato et al., 1995; Bérnils et al., 2004). Estas espécies, aliadas a outras como Pseudoboa haasi (muçurana - Foto 3.09) e Echinanthera cyanopleura (sem nome popular conhecido - Foto 3.09), constituem-se em formas endêmicas das Florestas com Araucária do Sul do Brasil (Morato, 1995), podendo algumas inclusive estarem ameaçadas de extinção. A área do Refúgio abriga ainda diversas outras espécies florestais, com destaque para as peçonhentas Bothrops jararaca (jararaca-comum - Foto 3.10) e Micrurus altirostris (coralverdadeira). Nas áreas alteradas do entorno, podem ser eventualmente encontradas a urutu (Bothrops alternatus - Foto 3.11) e a cascavel (Crotalus durissus). Foto 3.09 - Espécies de Serpentes Endêmicas das Florestas com Araucária (A) A Pseudoboa haasi é uma espécie de muçurana endêmica da Floresta com Araucária, sua ocorrência na RVSP é certa; (B) A serpente Echinanthera cyanopleura, sem nome popular conhecido, é uma espécie associada principalmente à Floresta com Araucária. Trata-se de uma espécie pouco conhecida quanto à sua biologia. Fonte: Sérgio A. A. Morato Além das espécies de répteis terrestres, em geral melhor conhecidas quanto à sua biologia e status, merece destaque a espécie de quelônio aquático Hydromedusa tectifera (cágadopescoço de-cobra - Foto 3.12), habitante dos pequenos riachos presentes na área. Apesar de comum em grande parte do Estado do Paraná, esta espécie pode contar com populações pequenas em diversas áreas. Ressalta-se que quelônios de uma maneira geral constituem em objetos de extrema preocupação quanto à sua preservação (Rocha-e-Silva, 1988). 3.45 Foto 3.10 - Jararaca-comum (Bothrops jararaca) com Ocorrência Certa para o Refúgio e Entorno Legenda: Espécie Amplamente Disseminada pela Região Centro-Sul do Estado do Paraná. Fonte: Sérgio A. A. Morato Foto 3.11 - Urutu (Bothrops alternatus) Legenda: Espécie Peçonhenta Associada a Formações Campestres, sendo Presente no Vale do Rio Iguaçu em Função da Presença Local de Sistemas Agropastoris Fonte: Magno V. Segalla 3.3.2.4 - Anfíbios Os resultados obtidos foram baseados em bibliografia e no conhecimento da distribuição de espécies para a região, tendo sido consideradas 15 espécies como de provável ocorrência para a UC e entorno. As espécies pertencem a seis famílias (Bufonidae, Hylidae, Leptodactylidae, Centrolenidae, Brachycephalidae e Microhylidae), conforme apresentado no Anexo 3.05. Foram identificados alguns ambientes aquáticos de interesse para a anurofauna, destes destacam-se os ambientes palustres que propiciam a ocorrência de espécies que utilizam ambientes lênticos para reprodução, os quais são ocupados por espécies de anfíbios durante período de maior atividade (chuvas na primavera e verão). Não foram observados 3.46 ambientes caracterizados por corpos d’água lóticos, embora devam ocorrer nascentes em função do tipo de relevo. Foto 3.12 - Cágado-pescoço-de-cobra (Hydromedusa tectifera) Legenda: Espécie habitante dos pequenos cursos d'água da região, sendo presente na UC e seu entorno Foto: Sérgio A.A. Morato No Refúgio predominam as formações florestais, onde em sua maior extensão apresentarse como uma floresta ainda estruturada com um sub-bosque relativamente sombreado e com folhiço abundante. Estas áreas, apesar do histórico de exploração e alteração, podem apresentar uma riqueza de espécies de anfíbios de hábito predominantemente florestal. Dentre as espécies listadas como de ocorrência provável, destacam-se as espécies que habitam áreas de floresta como: Eleutherodactylus binotatus e Proceratophrys avelinoi. A área que compreende a UC provém suporte para sobrevivência de um número significativo de espécies, tanto de caráter generalista, em sua maioria, quanto de espécies predominantemente florestais e estenóicas. Segundo Hanken (1999), os anfíbios apresentam uma das maiores taxas de descrição de novas espécies, é provável que algumas espécies já tenham sido extintas ou estejam se extinguindo antes mesmo de sua descrição formal (Haddad, 1998). O declínio de populações e talvez até mesmo a extinção de alguma espécie no Brasil tem sido observado (e.g. Haddad, 1998; Heyer et all, 1988; Weygoldt, 1989; Eterovick et al., 2005), isto em função da floresta atlântica concentrar um grande número de espécies de hábitos especializados e, portanto sensíveis as alterações ambientais (Haddad, 1998) A carência de unidades de conservação no oeste do estado do Paraná, aliada a alta relevância da região para este grupo de vertebrados, ressalta a necessidade de constituição de novas unidades de conservação. 3.3.2.5- Peixes A partir da análise dos dados disponíveis e dos estudos de campo realizados, pode-se indicar a existência de pelo menos 68 espécies nominais para a área da unidade de conservação e entorno. Este número é relativamente alto, porém, deve ser tomado com as devidas reservas, considerando que os rios existentes no Refúgio são de pequeno porte e, provavelmente, não sustentam populações da maioria das espécies listadas, as quais encontram-se aqui incluídas dadas as limitações metodológicas descritas. 3.47 Quanto aos aspectos conservacionistas, a ictiofauna do rio Iguaçu é caracterizada pela ausência de grandes peixes migradores, várias espécies endêmicas e pela presença de várias espécies exóticas. Apesar da escassez de informações detalhadas sobre sistemática e distribuição dos peixes dos pequenos cursos d’água da bacia do rio Iguaçu, acredita-se que, devido aos impactos antropogênicos, principalmente desmatamento e construção de empreendimentos hidroelétricos, várias espécies estão ameaçadas, correndo sérios riscos de extinção, e que algumas já estejam extintas. Entretanto o Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná (Abilhôa & Duboc, 2004) relaciona poucas espécies como ameaçadas (e.g. Astyanax gymnogenys, Glandulocauda melanopleura, Rhamdiopsis moreirai, Austrolebias carvalhoi, Cnesterodon omorgmatos e Cnesterodon carnegiei) (Ver tabela em anexo). Nenhuma destas espécies conta com registros confirmados para a área da UC, podendo contudo virem a ser registradas oportunamente nos maiores tributários da UH Segredo. 3.4 - Situação Fundiária do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão A área oficial da UC, segundo o Decreto de Criação nº 6.023 de 18 de janeiro de 1983 é de 196,81 hectares. A área foi entregue ao Estado como pagamento de uma dívida, sendo então decretada como Reserva Florestal. A Unidade não possui pendências fundiárias, estando toda a situação regularizada. Para o presente Plano de Manejo, adotou-se a área correspondente ao mapeamento, ou seja, 203,83 ha. 3.5 - Fogo e Outras Ocorrências Excepcionais De acordo com o guarda-parque, que reside na UC, o fogo não é a principal ameaça para a UC, pois as ocorrências no entorno são raras. De qualquer forma, o IAP dispõe de material de combate incêndio (kit de incêndio) e pessoal treinado, porém na UC ações específicas de prevenção, como aceiros, não são mantidos da forma correta, em função do número inadequado de funcionários. Para o Refúgio, o principal problema é a presença de animais exóticos do entorno e conseqüentemente na UC. Além do pisoteio, os animas destroem a vegetação ao redor dos corpos d'água e nascentes, e dispersam espécies de vegetação exótica. A presença de estrada municipal na UC, bem como o uso de estradas internas da UC para o trânsito de moradores da região, são questões que não colaboram com os objetivos de manejo do Refúgio. 3.6 - Atividades Desenvolvidas no Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão Para a descrição das atividades desenvolvidas na Unidade de Conservação, optou-se por separá-las em dois grupos: atividades condizentes com os objetivos do plano de manejo (Atividades Apropriadas) e atividades conflitantes que acabam interferindo na integridade dos recursos disponíveis pela Unidade (Atividades Conflitantes). 3.6.1 - Atividades Apropriadas 3.6.1.1 - Fiscalização Realizada rotineiramente por funcionários do escritório regional do IAP em Guarapuava, além do guarda-parque lotado e residente no local. Não existem meios específicos para a fiscalização, além do automóvel (pertencente ao guarda-parque) e da residência do guarda3.48 parque, faltando por exemplo rádio-cumunicação A fiscalização é diária, percorrendo estradas internas, limites e controlando o acesso de pessoas à UC. 3.6.1.2 - Pesquisa Não foram realizadas pesquisas na UC, conforme informações do IAP. Contudo, faz-se um trabalho na UC de coleta de sementes, para viveiro próprio do IAP. Essa atividade, antes de ser prosseguida, deve ser precedida de pesquisa, que indique as formas e meios de se realizar a coleta, visando à proteção do meio ambiente e manutenção da biodiversidade e equilíbrio ecológico. Para a realização de pesquisas, os projetos devem ser submetidos ao IAP, que autoriza ou não a pesquisa na UC, bem como ao IBAMA, que regulariza e fiscaliza coletas de fauna e flora. Instituições com potencial de realização de pesquisas na UC são a Universidade Federal do Paraná (UFPR), e as Universidades Estaduais e Privadas da região, bem como ONGs. 3.6.1.3 - Conscientização Ambiental É um dos objetivos da UC, sendo uma área com fauna e flora rica, contendo diversas espécies ameaçadas de extinção (imbuia, xaxim, araucárias). Porém atualmente não são realizadas tais atividades, excepcionalmente a UC recebe algum grupo de visitantes. Considerando-se a categoria da UC, existem certas restrições às atividades que podem ser realizadas, sendo que qualquer visitação com, fins educativos e de conscientização, deve ser controlada e monitorada, atendendo a objetivos específicos. Para esse trabalho é necessário a construção de local apropriado para as atividades, como por exemplo um Centro de Vivência, o aumento do quadro de funcionários ou a utilização de voluntários para atuarem como monitores ou educadores. Os mesmos devem passar por treinamento a fim de adquirir conhecimento suficiente do meio físico e biológico do Refúgio e Entorno. Com uma quantidade maior de colaboradores e treinamento adequado, evita-se a utilização da UC para fins que não sejam aqueles determinados pelo SNUC. 3.6.1.4 - Relações Públicas / Divulgação Praticamente não existem tais atividades. A UC é desconhecida por grande parte da população, ou apenas conhecida como a “reserva” ou “floresta” do Estado. Principalmente o entorno imediato carece de uma divulgação maior dos objetivos da UC, bem como uma interação maior com a população. 3.6.2 - Atividades Conflitantes Existem algumas atividades conflitantes levantadas no Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão, porém a maioria ocorre no entorno da UC. A mais evidente é a entrada de animais na UC, pois as cercas existentes não estão com a manutenção em dia e em alguns locais elas não existem. A estrada que atravessa a UC e a via de acesso, que ligam algumas propriedades rurais do entorno, também propiciam a movimentação e entrada de animais. Além de causarem danos à vegetação, através do pisoteio, danificam margens de corpos d'água e nascentes, colocando em risco a qualidade da água. Disseminam ainda sementes de espécies vegetais exóticas, que podem se tornar invasoras e acumulam muito lixo. A própria estrada que atravessa a UC é considerada conflitante com os objetivos da mesma, pois propicia a ocorrência de erosão, atropelamento de fauna e danos à vegetação. 3.49 A caça de animais que ocorre no interior e nas imediações do Refúgio, também impacta a fauna da UC. Espécies como paca, tatu, cutia e aves são, segundo relatos do guardaparque, as que mais sofrem pressão dos caçadores. Além da caça, ocorre ainda a retirada de produtos florestais, principalmente no entorno, mas também ocasionalmente dentro da UC. Foram observados moradores da região com feixes de lenha, algumas com evidências de corte recente. A presença de espécies exóticas no interior da UC também é conflitante com seus objetivos, e seria necessário um plano de ação que prevenisse a entrada de espécies exóticas, bem como o controle e a eliminação daquelas existentes. 3.7 - Aspectos Institucionais da Unidade de Conservação 3.7.1 - Pessoal Fazem parte do quadro de funcionários da Unidade duas pessoas, o guarda-parque e o gerente da Unidade. O senhor João dos Matos, 62 anos de idade, reside no local, e desempenha a 20 anos a função de guarda-parque, acumulando várias atribuições para o cumprimento dos objetivos da UC, dentre as quais a de fiscalização, manutenção e limpeza do local. As atribuições do guarda-parque incluem: − Zelar pela integridade física da UC inspecionando todo o entorno da área, coibindo a entrada de pessoas estranhas que, eventualmente, possam desenvolver ações de depredação como extração de essências vegetais, madeira, coleta de animais, sem a devida autorização; − Desenvolver ações de recepção e acompanhamento de pesquisadores e grupos de visita, bem como, a manutenção e limpeza de espaços de uso intensivo. O gerente da Unidade, Otávio Manfio, 51 anos, técnico agrícola e geógrafo, funcionário público de carreira do IAP há 22 anos e gerente da Unidade a 12, lotado no escritório regional de Guarapuava, acumula uma gama de funções e desenvolve as atividades elencadas a seguir: − Administrar a Unidade de Conservação; − Fomentar, acompanhar e fiscalizar ações que contribuam para o crescimento e fortalecimento da Unidade; − Acompanhar projetos de pesquisa desenvolvidos na Unidade; − Levantar situações de risco para a Unidade e tomar as devidas providências para que as mesmas não venham a contribuir de forma negativa como: risco de incêndio, presença de caçadores; − Viabilizar projetos de melhoria da estrutura física visando o estabelecimento de condições mínimas de uso para o desenvolvimento de ações de educação ambiental e pesquisa. Além dos funcionários próprios, a UC conta com o apoio de toda a estrutura administrativa e técnica de órgãos ambientais estaduais (IAP e SEMA) para o desenvolvimento de ações na UC e para o seu benefício, e de órgãos federais (IBAMA) para ações de fiscalização e controle. 3.50 3.7.2 - Infra-estrutura, Equipamentos e Serviços O Refúgio apresenta algumas estruturas essenciais para seu funcionamento (Tabela 3.14), porém carece de elementos cuja implantação seria necessária e que estão descritos no Encarte 4. 3.7.2.1 - Construções e Estruturas O Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão tem apenas uma residência em alvenaria, que atende ao guarda-parque e sua esposa, e ao lado uma garagem com depósito para materiais diversos (Foto 3.13). A estrada interna está em condições precárias, bem como as estradas que dão acesso à UC. 3.7.2.2 - Sinalização A unidade possui apenas uma placa que indica sua existência, porém bastante antiga, desatualizada e danificada. Falta também sinalização nas estradas de acesso ao Refúgio, com informações de direção e placas que atentem para a presença de fauna, evitando atropelamentos. Foto 3.13 - Benfeitorias no Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão B A Legenda: (A) residência do guarda-parque; (B) garagem e depósito. Fonte: STCP, 2006 Tabela 3.14 - Infra-estrutura, Benfeitorias e Equipamentos no Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão BENFEITORIAS/EQUIPAMENTOS Residência guarda-parque Garagem / depósito Sinalização Estradas internas Estradas de acesso ao Refúgio Abastecimento de água ESTADO DE CONSERVAÇÃO bom bom ruim regular regular / ruim regular 3.51 3.7.2.3 - Serviços Não tem saneamento básico, rede de energia elétrica e meio de comunicação para a UC. A UC não possui veículo de serviço para uso do guarda-parque, apenas um veículo próprio. O abastecimento de água da residência é feito através de uma nascente, por gravidade até o poço. Com um motor a gasolina, a água é bombeada para a caixa d'água da casa. O esgoto é direcionado para a fossa séptica, próximo da casa do guarda-parque. 3.7.3 - Estrutura Organizacional A Unidade em si conta apenas com dois funcionários, o gerente e o guarda-parque. Porém dentro do IAP existe toda uma estrutura organizacional (Figura 3.20), que gerencia e administra a UC. O gerente está diretamente ligado à regional de Guarapuava (ERGUA). Dentro da hierarquia do órgão, o chefe da regional responde diretamente ao diretorpresidente do IAP. Já a gestão de Unidades de Conservação é coordenada pelo Departamento de Unidades de Conservação (DUC), vinculado diretamente à Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas. Conseqüentemente, o gerente da UC, está diretamente relacionado com o DUC, que dá as diretrizes e subsidia o trabalho de gestão da Unidade. Figura 3.20 - Estrutura Organizacional de Gestão do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão IAP Diretor-Presidente DIBAP Diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas ERGUA Chefe do Escritório Regional de Guarapuava DUC Chefe do Departamento de Unidades de Conservação Gerente do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão Guarda-parque responsável pela UC 3.7.4 - Recursos Financeiros Os recursos para a manutenção, administração e atividades do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão são provenientes exclusivamente dos recursos da administração do Estado. O município de Pinhão recebe em torno de R$ 1.000,00 (hum mil reais) mensais de ICMS Ecológico, valor que pode ser triplicado após a elaboração e implementação do Plano de Manejo. Atualmente nenhum recurso advindo dessa arrecadação é repassado para a Unidade. 3.52 Não foi apresentado o recurso orçamentário de 2006 e não há definição para o ano de 2007. Em 2006 o único investimento na UC, foi de R$ 12.000,00 para a reforma da residência do guarda-parque e construção de uma garagem e depósito. Os outros gastos fixos com funcionário e insumos, são locados no escritório regional do IAP em Guarapuava. Os custos do presente plano de manejo foram assumidos pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) através do Projeto Paraná Biodiversidade, financiado pelo Banco Mundial. 3.7.5 - Cooperação Institucional A única forma de cooperação que existe é eventualmente com as Prefeituras Municipais da região, que quando solicitado, dão apoio para manutenção das estradas. Porém a cooperação não é constante, sendo necessário que se faça gestão junto às prefeituras, buscando um apoio mais sólido para os objetivos da UC. 3.8 - Declaração de Significância A presente declaração de significância do Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão levou em consideração os seguintes aspectos para sua elaboração: a categoria de manejo da unidade, sua situação geográfica, sua flora e fauna e a condição das comunidades humanas habitantes de sua região de entorno. O Refúgio contempla um remanescente de Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária) da região do médio vale do rio Iguaçu, em uma paisagem bastante alterada pela ocupação histórica desordenada, porém onde ainda se vislumbram vários fragmentos presentes em um sistema de mosaico entre estes e áreas ocupadas por atividades agrosilvopastoris. Existem nascentes e rios que drenam para fora da Unidade, demonstrando sua importância inclusive para a proteção de cursos d'água da bacia do médio Iguaçu. Observa-se haver ainda na área uma diversidade florística elevada, com espécies de grande interesse conservacionista como xaxins e diversas lauráceas e pinheiros em regeneração, muito embora tenha-se evidenciado forte exploração no local (principalmente de grandes lauráceas e araucárias). Diagnosticou-se também a ocorrência de espécies da fauna de interesse em conservação, com especial referência a mamíferos de médio porte em geral, inclusive felinos. Somente estas condições já denotam ao Refúgio sua importância para a conservação e pesquisa, bem como base para o desenvolvimento das ações para estabelecimento do Corredor de Biodiversidade Araucária. No que diz respeito à sua categoria de manejo, o Refúgio apresenta condições ideais para o desenvolvimento de ações de educação ambiental voltada aos alunos, professores e comunidade em geral de sua região de inserção. Embora esteja distante da sede municipal, a UC poderá servir de atrativo para visitas agendadas, visto que há escolas, associações e demais entidades organizadas locais com interesse em desenvolver iniciativas voltadas à preservação ambiental, mas que não dispõem de áreas para tal finalidade. O próprio Município de Guarapuava carece de tais áreas, podendo vir a utilizar a Unidade para o desenvolvimento de atividades similares. Por fim, o Refúgio de Vida Silvestre do Pinhão mostra-se como área relevante também para o desenvolvimento de atividades turísticas. Há potencial para tal uso, considerando a riqueza da fauna e flora local, bem como pontos de observação e visualização da região do vale do Iguaçu. 3.53