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MIRIAM ELIANA GRADE HAISKY
A MULHER E O FEMININO NO MUNDO DO TRABALHO
IJUÍ, DEZEMBRO, 2013
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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO
RIO GRANDE DO SUL – UNIJUÍ
DEPARTAMENTO DE HUMANIDADES E EDUCAÇÃO – DHE
CURSO DE PSICOLOGIA
A MULHER E O FEMININO NO MUNDO DO TRABALHO
MIRIAM ELIANA GRADE HAISKY
ORIENTADORA: PROFª MSC TANIA MARIA DE SOUZA
Trabalho
de
Conclusão
de
Curso
apresentado como requisito parcial para
conclusão do curso de formação de
Psicólogo.
IJUÍ, DEZEMBRO, 2013
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Dedico essa conquista a minha família: Em
especial ao meu esposo Laércio, e ao meu
filho Lucas Gabriel por toda força, incentivo e
por acreditarem em mim.
Muito obrigada...
Amo vocês!
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AGRADECIMENTOS
Primeiramente, agradeço a Deus por ter me dado forças e coragem de seguir
em busca de meu sonho, lutando sempre e por nunca me deixar desistir.
À minha família, especialmente, ao meu esposo e ao meu filho, pelo apoio,
em todas as horas e pelo futuro ou futura herdeira que nesse momento especial
encontra-se em desenvolvimento em meu ventre e que me acompanhou nas noites
a fio para concluir essa missão. Agradeço a vocês, por todo o carinho que recebi
neste percurso e esta vitória eu dedico principalmente a vocês.
Á minha orientadora Profª Tânia Maria de Souza, pela disponibilidade em
acompanhar está escrita, pela compreensão nas horas de dificuldade, pelo incentivo
e pelas considerações relevantes à construção desta pesquisa. Muito obrigada!
Ao professor Nilson Heidemann, pela disponibilidade de aceitar o convite de
ler meu trabalho e fazer parte de minha “banca examinadora”.
Aos demais professores, funcionários, e demais colegas, pelo convívio
harmonioso, ensinamentos compartilhados, trocas de experiências, respeito,
amizade e apoio, fatores essenciais para um aproveitamento satisfatório do curso.
Enfim, a todos aqueles que, seja com idéias e opiniões com poucas palavras
ou tão-somente através da escuta, contribuíram para a elaboração deste trabalho e,
também, àqueles que souberam aguardar e entender minha ausência, durante esse
tempo de estudo e busca de conhecimento.
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DOCE QUIMERA
É ser Mulher
É ser Mãe
É ser humana
É sedução!
Que mudança foi esta?
No fluir dos tempos?
Que mudança foi esta?
Na teoria atual?
Já que na prática
Continua tudo igual.
Com ela...assim
Dia após dia.
Vai para o trabalho
Corre depressa.
Vai para casa
Tratar de tudo
Ouvir os filhos
Tratar da roupa
Fazer de comer
Com vontade pouca.
É muita pressa
Com tudo à espera.
É trabalhão.
É emoção!
Passa a roupa
Lava a louça
Dá banho aos filhos
Sente cadilhos.
Limpa o pó
Arruma tudo
Ninguém reconhece.
Ilusões aos tombos
Sonhos de veludo.
É mais um café
Talvez cigarro.
Entre o sonho
E o fumo...
Mais um empurrão.
É rapidez...
De novo no fogão.
Para o pequeno almoço.
Vestir à pressa
Acelerada
Tomar banho em desalinho.
Ir para o trabalho.
Já perfumada.
Se tiver tempo
Bem penteada.
Não venha o patrão
Em desatino...
Passar a revista
E não ter tino.
É ser MULHER.
É ser MÃE.
É ser tudo
No coração!!!
(Maria Tereza Fernandes)
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A MULHER E O FEMININO NO MUNDO DO TRABALHO
Aluna: MIRIAM ELIANA GRADE HAISKY
ORIENTADORA: Profª MSC TANIA MARIA DE SOUZA
RESUMO
Este trabalho de pesquisa supervisionada tem como ponto inicial um breve
percorrido sobre a história do trabalho da mulher, em que consta que há muitas
referências ao gênero masculino enquanto envolvido com o trabalho e que somente
tardiamente (depois da Revolução Industrial) registra-se a presença do gênero
feminino relacionado a trabalhos ditos “profissionais”. Em decorrência disto, o texto
apresenta a mesma divisão que surge na História. Pelo fato desta monografia se
alicerçar na questão do feminino no universo do trabalho, faz-se necessário apontar
como esse ser é estruturado psiquicamente e percorrer algumas questões que
circundam e atravessam tal estruturação. Baseado na singularidade que o feminino
representa e apresenta, destaco situações em que a relação feminino x trabalho
está contemplada.
Palavras-chave: Mulher. Feminino. Trabalho.
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 7
1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA INSERÇÃO DA MULHER NO MUNDO DO
TRABALHO ................................................................................................................. 9
1.1 O contexto da mulher na sociedade industrial....................................................... 9
1.2 O papel da mulher na sociedade pós-industrial .................................................. 13
2 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O FEMININO.......................................... 19
2.1 Diferenciação anatômica entre o Feminino e o Masculino .................................. 20
2.2 Complexo de Édipo ............................................................................................. 21
2.3 Complexo de Castração ...................................................................................... 25
2.4 Sobre o “falo”....................................................................................................... 26
3 O ENIGMA DO FEMININO NO CAMPO DO TRABALHO...................................... 29
CONCLUSÃO............................................................................................................ 34
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 36
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INTRODUÇÃO
Esta pesquisa bibliográfica desenvolveu-se inicialmente a partir do Estágio em
Psicologia e Processos Organizacionais e do Trabalho, um dos campos de atuação
do profissional de psicologia, pelo qual desenvolvemos grande identificação.
Também pelo fato de estarmos inseridos no mercado de trabalho e observando a
presença da mulher em todos os segmentos da empresa na qual atuamos,
exercendo desde o trabalho intelectual ao mais braçal.
Na presente monografia nos propomos ao estudo e pesquisa de questões
relativas à mulher e o feminino no mundo do trabalho. Isso nos remete de imediato a
alguns questionamentos: O que tem o fazer da mulher que é diferente do fazer do
homem? Como ela se posiciona frente algumas profissões? Por que a presença do
gênero feminino, em sua maioria, traz diferenciais ao ambiente de trabalho? Essas e
muitas outras questões se apresentam, estimulando a pesquisa que resultou neste
trabalho.
Vale destacar que o estágio se constitui como referência para iniciar esta
pesquisa bibliográfica. A partir daí, surgiu o interesse em saber o que a História
conta sobre a mulher e sobre a mulher trabalhadora. Quantos de nós temos
conhecimento das façanhas, contribuições e descobertas desta esquecida, mas não
menos importante personagem no mundo do trabalho? Com certeza sabe-se delas
em discretas notas de poucas linhas dos livros escritos por homens sobre a história
dos homens para os homens lerem (em referência ao fato que até há pouco tempo,
os historiadores eram todos homens). Mas as personagens coadjuvantes, com o
passar do tempo, mostram-se capazes, assumindo posição de sujeitos da História.
Mudanças históricas trazem à cena mulheres que leem e escrevem, que reclamam e
também falam, que se queixam e também choram, além de bordar e cuidar dos
filhos e marido. Elas trabalham, e não somente em casa. Vão para a rua vender, se
vender, comprar, fabricar, dirigir, administrar, lutar, xingar, sofrer (ainda), amar. Elas
estão se não em toda parte, em quase toda e a cada dia que passa conquistam mais
e mais lugares.
Circula no social, ditos de que as mulheres seriam mais gentis e de gênio
mais manso, o que se traduziria em obediência, organização e disciplina no trabalho.
Também seriam consideradas mais delicadas e sensíveis no trato com o público,
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afinal, por ser mulher, perceberia detalhes dificilmente notados por um homem e o
faria de forma sorridente, meiga e com voz suave.
O que, todavia, seriam estas criaturas? Buscamos apresentá-las enquanto
sujeitos da História, discorrendo num primeiro momento sobre a inserção da mulher
no mundo do trabalho. Com o desenvolvimento industrial, fomentado a partir do
século XVIII, a mulher sai da esfera doméstica e vai, juntamente com o homem,
oferecer seu trabalho ao sistema capitalista. Se antes, havia uma cultura que
defendia ser natural a condição inferior da mulher, com a Revolução Industrial seu
trabalho foi considerado um bem de menor valor.
As mulheres sempre trabalharam. Dedicavam-se principalmente ao trabalho
doméstico que, apesar de não remunerado e não valorizado, era imprescindível ao
desenvolvimento das sociedades. Porém, o trabalho passou a ser assalariado,
competindo com o do homem, que sentiu-se ameaçado. Dessa forma, defendia-se a
idéia de que o papel da mulher deveria ser estritamente a maternidade. Assim, ao
invés de melhorar suas condições de trabalho, a mulher operária era hostilizada. A
concorrência da mão de obra feminina preocupava os homens e também surgia a
indagação: Quem cuidará da casa e dos filhos? O tempo respondeu a essa questão:
a própria mulher acumulou os dois papéis.
Num segundo momento, devido à especificidade de nossa formação, cabe
estudar o sujeito psíquico. Situamos o universo feminino procurando trabalhar pelo
viés psicanalítico. Neste enfoque, nos questionamos sobre: como se dá o Complexo
de Édipo? E o complexo de castração? Como a menina passaria por estas “fases”?
Quais os efeitos, e as conseqüências que permaneceriam? Quais as possíveis
soluções? A feminilidade é apenas uma das alternativas possíveis à menina no
momento em que se dá a castração, o que acarretaria uma escolha de objeto
homossexual. Como se dá a posse do falo? Como ele circula? Para desenvolver
estas questões, nos basearemos nas contribuições de Freud, Lacan e seus
seguidores.
Em seguida, nos concentraremos na busca por descrever como a formação
psíquica da mulher interfere na escolha profissional da mesma, frente às
possibilidades que o social oferece para o trabalho do feminino, e de como lidar com
o sucesso e fracasso decorrentes dessas escolhas.
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1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA INSERÇÃO DA MULHER NO MUNDO DO
TRABALHO
1.1 O contexto da mulher na sociedade industrial
A conquista da autonomia da mulher se deu pelo trabalho sendo motivo de
orgulho. Essa conquista ocorreu de forma insistente e gradual ao longo de toda uma
história. Nesse contexto, procuramos destacar a inserção da mulher na sociedade
industrial, a evolução de seu papel na sociedade pós-industrial, culminando com a
função que as mulheres estão assumindo hoje na sociedade atual.
No contexto da mulher na sociedade industrial, Santos (2001) afirma que, no
século XIX, o capitalismo se torna o modo de produção dominante nos países
centrais e que a burguesia emerge como classe hegemônica. Para este autor, o
desenvolvimento se deu em três períodos. O primeiro foi o capitalismo liberal,
abarcando todo o século XIX, embora as três últimas décadas teriam tido um caráter
de transição. A segunda fase seria o final do século XIX e atingiria seu
desenvolvimento máximo no período entre as duas guerras e nas duas primeiras
décadas do pós-guerra, por fim, a terceira fase, que seria o capitalismo
desorganizado, configurado no final dos anos sessenta e seguindo até a atualidade.
A chamada sociedade industrial começa a se consolidar partir do que se
denomina Revolução Industrial. A partir da segunda metade do século XVIII, iniciouse na Inglaterra a mecanização industrial, utilizando-se dos capitais acumulados
pela atividade comercial. Passou-se a direcionar tais riquezas para o setor de
produção. Esse cenário trouxe grandes transformações, tanto de ordem econômica
quanto social, desaparecendo os restos do feudalismo e implantando-se o modo de
produção capitalista. A Inglaterra foi o país que mais acumulou bens na fase do
capitalismo comercial e, por essa razão, foi o país que deu inicio ao processo
industrial. O primeiro setor a industrializar-se foi o setor têxtil, cuja produção tinha
amplos mercados nas colônias inglesas ou não, da América, África e Ásia
(VICENTINO, 1994).
A partir da Idade Média até o auge da Revolução Industrial, os trabalhadoresartesãos independentes foram perdendo sua função até desaparecerem, dando
lugar aos operários da segunda metade do século XVIII. Hubermann (1979)
distingue as várias formas de trabalho, resumindo a transição do sistema de trabalho
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da unidade produtiva familiar até a instalação do sistema fabril. O sistema familiar
dá-se no principio da Idade Média, quando os membros de uma família produzem
artigos para seu consumo, e não para a venda. Já no sistema de corporações, que
figurou durante toda a Idade Média, a produção era realizada por artesões
independentes, com dois ou três empregados para o mercado pequeno e estável.
Do século XVI ao XVIII, destaca-se o sistema doméstico, cuja produção era
realizada em casa pelo mestre artesão e seus ajudantes para um mercado em
crescimento, tal como no sistema de corporações. A diferença é que esses mestres
já não eram independentes, pois, embora tivessem ainda a propriedade dos
instrumentos de trabalho dependiam para a matéria-prima de um empreendedor que
surgira entre eles e o consumidor, seriam apenas tarefeiros assalariados. Já no
sistema fabril, iniciado no século XIX até hoje, a produção é para um mercado cada
vez maior e oscilante, realizado nos edifícios do empregador e sob uma rigorosa
supervisão. Os empregados não possuem nem a matéria-prima, nem os
instrumentos de trabalho, são submetidos a baixas remunerações, condições de
trabalho e de vida desumanas. Por outro lado, estabelece-se a definitiva supremacia
burguesa na ordem econômica, com enriquecimento dos proprietários dos meios de
produção. Os trabalhadores associam-se em organizações trabalhistas e surgem
idéias e teorias preocupadas com o quadro social da nova ordem industrial.
Configura-se claramente a luta de interesses entre a burguesia e o proletariado.
Nas fábricas da Inglaterra, abrigava-se um grande contingente de miseráveis.
Não havia qualquer legislação trabalhista ou inspeção estatal. As jornadas de
trabalho eram muitas vezes superiores há catorze horas, as fábricas eram instaladas
em locais insalubres, e os acidentes de trabalho eram freqüentes. As condições dos
trabalhadores, em geral, eram péssimas, contudo, pior ainda era a situação das
mulheres e crianças. Sua mão-de-obra interessava aos industriais, pois estes
queriam o trabalho mais barato possível, assim crianças trabalhavam como
verdadeiros escravos, em troca de alojamento e comida (VICENTINO, 1994).
Nesse contexto destaco que as barreiras enfrentadas pelas mulheres para
participar do mundo do trabalho foram sempre muito grandes, independente da
classe social a que pertenciam. Da variação salarial à intimidação física, da
desqualificação intelectual ao assédio sexual, elas sempre tiveram que lutar contra
inúmeros obstáculos para ingressar em um campo definido pelos homens como
“naturalmente masculino”. Mas a mulher soube com muita persistência e força de
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vontade trilhar esse caminho de conquistas, sempre procurando almejar as mesmas
condições e direitos iguais perante os homens, principalmente relacionados ao
trabalho.
Contextualizando um pouco esta evolução da mulher na área fabril, pode-se
citar o episódio hoje conhecido como dia internacional da mulher, que relembra a
busca de valorização e igualdade das mulheres nas atividades industriais. Isso
culminou com o extermínio inquisitivo de inúmeras mulheres que já nos idos de
antigamente buscavam, a seu modo e tempo, a mesma coisa que ainda hoje vemos
faltar em muitas empresas: condições e direitos iguais para homens e mulheres no
trabalho.
Cabe dizer que as mulheres sempre trabalharam sempre se dedicaram ao
trabalho doméstico, que apesar de não valorizado e não remunerado, é
imprescindível ao desenvolvimento das sociedades. O que ocorre com a
industrialização é que a mulher começa a ter trabalho assalariado. A sociedade
passa a questionar o fato de a mulher ter uma remuneração individual, deixando a
casa, o lar, que era seu ponto de apoio e sua utilidade. Por muito tempo as mulheres
foram camponesas, ligadas aos trabalhos rurais. A condição de operária, portanto, é
nova e intrigante para a sociedade (PERROT, 2007).
O trabalho na manufatura, na fábrica, significa uma mudança perturbadora,
mais aguda para elas do que para seus companheiros. Inicia-se a difícil missão
feminina de conciliar o trabalho doméstico com as longas jornadas nas fábricas. Por
outro lado, os operários se preocupavam com a concorrência, pois este aumento na
mão-de-obra disponível ocasionaria uma diminuição dos salários.
Nesse contexto era previsível que a vida das mulheres na fábrica fosse
bastante difícil. As jornadas eram muito longas, até catorze horas no começo da
industrialização e dez horas por volta de 1900. Permitiam-se poucas pausas. Na
indústria têxtil, por exemplo, os locais eram desconfortáveis, mal arejados, mal
aquecidos ou superaquecidos, sem espaços livres, não havia refeitórios. A disciplina
era severa, com multas por atraso, ausência ou negligência, reduzindo-se os magros
salários. Era também um trabalho humilhante, onde mestres e contra mestres faziam
o que queriam com as jovens. O assédio sexual era um dos motivos de greve
(PERROT, 2007).
Era um cenário de baixos salários, emprego de crianças, duração da jornada
de trabalho de doze, treze e dezesseis horas por dia, redução de moradia, falta de
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higiene, numerosos acidentes de trabalho, subalimentação, altas taxas de
morbimortalidade pela ausência de políticas de prevenção, doenças adquiridas no
trabalho não eram encaradas como tal. Nesse momento da história do mundo do
trabalho, não se falava em doença. Se o trabalhador manifestasse alguma queixa,
possivelmente teria sua demissão. Doença era um sinal muito negativo, manifestava
fraqueza. A mulher, que encarava a dupla jornada, sentia mais duramente o prejuízo
sobre sua saúde (OLIVEIRA, 1999).
O salário feminino, apesar de baixo, era complementar a renda dos familiares.
Contudo, a despeito disso, os homens sentiam-se ameaçados pela mão-de-obra de
baixo custo representada pelas mulheres. Assim, defendendo a idéia de que o papel
principal da mulher era a maternidade, o que não se compatibilizava com a fábrica,
parte da sociedade hostilizava a mulher operária.
Conforme cita Perrot (2007, p. 179) nos discursos da época:
E todos dizem e repetem: eis o lugar da mulher. “Acreditamos que o lugar
atual da mulher não é no ateliê ou na fábrica, mas no lar, no interior da
família, porque a mulher que trabalha no ateliê deve deixar seu lar sem
direção e não pode manter seu interior”, diz o moderado Irénée Dauthier. E
em eco, Bernard, o anarquista de genoble: “Educar seus filhos no amor da
liberdade e do trabalho, executar os trabalhos de costura e outros
necessários ao lar, tal deve ser o papel da mulher”. Se do ponto de vista da
independência e da moral, a moça deve trabalhar e receber um salário para
viver, o mesmo não acontece com a esposa; pois ai a mulher não pertence
mais a si mesma, ela pertence ao marido e a seus filhos, reunidos eles
formam a família.
Numa análise desta citação podemos fazer um comparativo com uma das
questões que norteiam este trabalho, na qual encontramos já antecipado naquele
período a sobrecarga de trabalho a qual a mulher era submetida, bem como, um
processo quase que institucionalizado de descriminação e falta de reconhecimento e
valorização. Na realidade não esta escrito, mas sabemos que a mulher tem mais
dificuldade de conseguir emprego, se não tem filhos, pois poderá vir a tê-los e se
afastar por um longo período, se tiver, corre-se o risco de inúmeras faltas ou
ausências em razão de problemas de saúde, babas, e outros mais. Não é algo
formal, mas é do senso comum, o que não é intenção deste trabalho discutir, mas
sim se utilizar de situações corriqueiras e pertinentes a nossa realidade, para uma
análise de uma situação que engatinha para um novo desfecho, mas por enquanto
13
sonhamos com inventos futurísticos, fadamos a mulher a inúmeros preconceitos do
século passado, que passam a ser quase que rotina no nosso dia a dia.
Observa-se que os discursos conseguem identificar a precária situação do
trabalho feminino no início da era industrial. Contudo, em vez de se pensarem e
efetivarem medidas que pudessem dar dignidade ao trabalho da operária, o que se
defendia é que a mulher deveria estar longe das fábricas. Variados eram os
argumentos, que iam desde - o de que as máquinas exigiam posições deformantes até a idéia de que a máquina de costura, pelo seu movimento contínuo, excitava o
delírio histérico.
Poucos percebiam que a caminhada das mulheres rumo ao mundo do
trabalho externo era inevitável. De fato, seu salário era bem vindo para equilibrar o
orçamento doméstico.
Enfim, pode-se dizer à época que era grande a resistência ao trabalho
feminino nas fábricas. O principal argumento era a desestruturação familiar, o
abandono dos filhos. Mas pode-se dizer que o operário também se preocupava com
a concorrência de uma mão-de-obra que juntamente com a das crianças, era barata
e farta.
Como vemos já aí se percebe o rompimento de uma barreira. Nas últimas
décadas, a mulher rompeu o rígido esquema de divisão de trabalho: para o homem
o trabalho produtivo, para ela a função reprodutiva e os afazeres do lar. Conseguiu
ainda ser admitida no mundo do trabalho, mas a esfera doméstica continuou
(continua) sendo de sua quase exclusiva responsabilidade.
A mulher percorreu um longo caminho em busca da igualdade com o homem.
Precisava desconstruir os mitos que a levaram a uma situação de inferioridade. Os
vários discursos, entre eles, o filosófico, o médico, o religioso, afirmaram a cultura de
que a mulher não poderia desenvolver as mesmas atividades, nem ter o mesmo
tratamento que o homem.
1.2 O papel da mulher na sociedade pós-industrial
No período entre guerras, mesmo no Brasil, as mulheres são chamadas para
o mercado de trabalho a fim de substituir a mão-de-obra masculina. No final da
guerra, são recolocados no lugar de onde a sociedade considera que não deveriam
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ter saído que é o espaço doméstico (OLIVEIRA, 1999). No Brasil, a experiência da
industrialização se deu mais marcadamente no período entre 1950 e 1990,
revelando que as mulheres ocupavam atividades classificadas como desqualificadas
e mal remuneradas na hierarquia fabril.
Em meados do século XX, a presença da mulher no mercado de trabalho é
cada vez maior. Contudo, apesar de qualificada ainda sobrevivem diferenças e
preconceitos em relação ao seu trabalho. Muitos economistas e teóricos a
consideram uma força de trabalho secundária. As principais teorias que buscavam
identificar as razões pelas quais a mulher seria considerada uma força de trabalho
secundária seriam três: teoria neoclássica, teoria da nova economia da família e
teoria dos mercados duais.
Para a teoria neoclássica, a divisão das atividades de mercado e não
mercado não se explicaria como conseqüência do costume, da prática, da divisão
sexual do trabalho etc., mas sim da busca racional da máxima utilidade,
determinando a alocação do tempo dos membros da família. Essa teoria afirma que
as mulheres não estariam tão dispostas a oferecer seu trabalho tendo em vista que
os salários seriam tão baixos a ponto de desestimulá-las a trabalhar. Seria uma
decisão racional em favor do ócio (ABRAMO, 2007).
Dentro dessa matriz neoclássica, a teoria do capital humano procura explicar
certos aspectos das condições de inserção das mulheres no mercado de trabalho.
Esses teóricos afirmam, que devido ao fato de que as expectativas das mulheres em
relação à sua participação na população ativa serem mais reduzidas em relação aos
homens, suas decisões em investir em capital humano também são menores. Ou
seja, as mulheres acumulam menos capital humano porque tem uma baixa
expectativa em relação às suas possibilidades de inserção no mercado de trabalho,
e por isso seus salários são mais baixos. Além disso, o fato de as mulheres se
ausentarem por um tempo maior do mercado de trabalho, principalmente no período
reprodutivo, contribuiria para uma menor acumulação de capital humano. Entendase por capital humano as variadas formas de qualificação do trabalhador (ABRAMO,
2007).
Outra teoria surge nos anos 60, denominada “nova economia da família”.
Visava dar resposta a uma série de problemas que não haviam sido bem resolvidos
pela teoria neoclássica, entre eles os determinantes do comportamento da oferta
laboral feminina. Essa teoria considera o trabalho feminino como uma categoria
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econômica, com o mesmo estatuto conceitual que o trabalho assalariado. O principal
expoente dessa teoria é Gary Becker, que publicou trabalhos entre 1965 e 1981.
Essa teoria considera a família uma pequena empresa, dentro da qual cada membro
vai-se especializar nas tarefas para as quais apresenta vantagens comparativas,
que conduziriam o homem a se especializar no trabalho remunerado para o
mercado, e a mulher no trabalho doméstico. O membro da família com menor salário
potencial disponibilizaria maior tempo ao trabalho doméstico do que partir para o
mercado de trabalho e ganhar um salário inferior. Contudo, simultaneamente,
argumenta-se que os salários mais baixos oferecidos às mulheres são o resultado
de sua opção por permanecer em casa e cuidar dos filhos, o que a impediria de
adquirir maior qualificação, dedicar-se mais ao trabalho etc. É um argumento
circular: as mulheres se especializariam no trabalho doméstico devido aos seus
salários mais baixos e ao mesmo tempo, esses rendimentos são inferiores porque
elas dedicam mais tempo aos filhos e ao lar (ABRAMO, 2007).
Para a teoria dos mercados duais, os postos de trabalho se dividiriam em
postos do chamado setor primário e do setor secundário. Nos postos do setor
primário, os salários seriam mais elevados, haveria melhores condições de trabalho,
possibilidade de avanço na carreira, procedimentos estabelecidos em relação às
normas laborais e acima de tudo estabilidade no emprego. Por outro lado o setor
secundário caracterizar-se-ia por postos de trabalho pior remunerados, com
condições inferiores de trabalho e poucas possibilidades de avanço na carreira. O
emprego é instável, e a rotatividade da população é elevada.
Essa teoria foi desenvolvida por Michael Piore no início dos anos 70. Esse
autor observa que os postos do setor secundário estão concentrados em certos
grupos de trabalhadores e não em outros. Ele identifica as mulheres casadas, os
jovens e os imigrantes como integrantes do setor secundário. Aponta como uma das
características a maior facilidade em suportar a insegurança e incertezas próprias
das atividades econômicas secundárias. Outras características seriam: facilidade de
desligamento do emprego, diferenças sociais identificáveis no grupo, baixo interesse
em capacitar-se e adquirir experiência, baixa expectativa de retribuições monetárias
elevadas, baixo nível de organização e baixa probabilidade de desenvolver relações
de solidariedade (ABRAMO, 2007).
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Piore (1999, p. 254 apud ABRAMO, 2007, p. 40) afirma:
Os imigrantes (estrangeiros e internos), os trabalhadores rurais e as
mulheres são atraentes precisamente porque pertencem a outra estrutura
socioeconômica e consideram o emprego industrial como aditamento de
seus papéis primários. Estão dispostos a aceitar trabalhos temporários
porque consideram o compromisso com esses trabalhos também algo
temporário e são capazes de suportar as mudanças da economia industrial
porque tem atividades econômicas às quais querem voltar.
Interessante que essa teoria também remete à idéia de que o lugar da mulher
é a casa, e a sua função primordial é a maternidade. Contudo, atualmente o
contexto é muito mais complexo, com uma heterogeneidade de situações que
descaracterizam essa estrutura dual. No entanto, ainda persiste a noção, presente
tanto no imaginário empresarial e social, quanto na teoria econômica e sociológica,
de que a mulher seria uma força de trabalho secundária. Essa idéia contribui para
desvalorizar, hierarquizar, debilitar e de fato, secundarizar a posição das mulheres
no mundo do trabalho e da sociedade (ABRAMO, 2007).
Apesar de dar sua contribuição à família, às empresas, à sociedade, ainda
paira a idéia de que a mulher é uma força de trabalho secundária. Continua sendo
considerada mais cara e menos produtiva. A maternidade é central na produção da
imagem secundarizada da mulher como trabalhadora. A imagem dominante é
sempre a existência de um risco permanente de gravidez entre as mulheres
trabalhadoras. Contudo, é dado objetivo que o número de filhos por mulher na força
de trabalho vem-se reduzindo significativamente nas últimas décadas. Além da
maternidade, existe toda a questão do cuidado, que se associa naturalmente a ela:
com os filhos, com a casa, com os idosos, com o marido. Há sempre uma força
pressionando à mulher à volta para o mundo privado do lar.
Com a globalização, criam-se formas de organização de produção nas
empresas muito diferentes das formas típicas. As formas de emprego são muito
mais diluídas, mais complexas e diversificadas. A expansão do setor de serviços
demanda cada vez mais a força de trabalho feminina. As famílias se transformam,
diminui significativamente a taxa de fecundidade feminina e aumenta a sua taxa de
escolaridade, ao mesmo tempo em que há expansão dos movimentos feministas e
pelos direitos e igualdades das mulheres.
Atualmente, as teorias apresentadas no século XX para tentar entender o fato
de as mulheres serem consideradas uma força de trabalho secundária podem ser
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consideradas um tanto ultrapassadas, pois o mundo apresenta uma grande
complexidade de situações e relações trazidas pela globalização. Conforme Santos
(2008), a globalização é uma grande geradora de perversidades, como o
desemprego, a pobreza, a perda da qualidade de vida, baixos salários, fome,
desabrigo, novas enfermidades, mortalidade infantil, carência de educação etc. Para
a maior parte da humanidade esta evolução do processo de globalização é negativa,
e isso se deve à adesão desenfreada aos comportamentos competitivos que
caracterizam as ações humanas. O contexto atual tem mostrado que o grande
capital parece agir desenfreadamente, sem preocupação com o ser humano em si.
Percebe-se que, atualmente a questão do emprego e dos direitos sociais da
mulher está inserida num complexo quadro. Não se trata apenas de fazer uma
opção de trabalhar ou não, conforme as vantagens, segundo concluíram a teoria
neoclássica e a da nova economia da família. Também não se apresenta uma
situação simples dividida em empregos primários e secundários, como havia
concluído a teoria dos mercados duais.
As mulheres, a partir das últimas décadas, tem-se escolarizado e qualificado.
Optam por ter menos filhos e tê-los mais tarde. A legislação tem procurado se
adequar às situações especificas da mulher sem oferecer proteção exagerada.
Contudo, questões ainda se levantam, pois, na prática persiste no empresariado a
idéia de que o trabalho da mulher é mais oneroso do que o do homem. Além da
questão da maternidade, que afasta a mulher pelo período da licença, pesaria sobre
os ombros dela a responsabilidade principal no cuidado com os filhos e com a casa.
Observa-se que a mulher foi chamada ao mercado de trabalho, no início,
como uma força mais barata e em abundância, razão pela qual foi duramente
explorada. Trilhou um caminho sem volta, apesar de sempre haver vozes
conclamando o retorno da mulher ao retorno doméstico, seja por preconceito, seja
por receio de perda de postos de trabalho para a força feminina. Mesmo havendo
exploração e preconceito, a mulher foi aos poucos conquistando igualdade jurídica
com o homem. Com a globalização, a mulher está imersa num contexto em que a
competitividade no mundo dos negócios parece estar acima de qualquer outro valor.
Não se pode negar que a trabalhadora mulher, tem especificidades próprias. É claro
que a maternidade representa muito para o universo da mulher trabalhadora. Por
exemplo, a licença-maternidade que no Brasil, é de quatro meses, com
possibilidades de prorrogação por mais dois, a critério da empresa, pode significar
18
num contexto de excessiva competividade, muito tempo para se afastar do trabalho.
Por outro lado, quatro ou seis meses, com certeza é um período muito curto para a
mãe dedicar-se exclusivamente ao filho. É um triste paradoxo, pois seria um direito
da criança poder desfrutar dos cuidados maternos por mais tempo a fim de que se
garanta um cidadão sadio física e emocionalmente. Essa responsabilidade deveria
ser de toda a sociedade e do Estado. Com certeza, sem uma discussão mais ampla,
perdem os cidadãos como um todo.
Existem ainda muitos outros exemplos históricos sobre o trabalho da mulher
que, entretanto não serão expostos nestas páginas, pois considero suficientes os já
citados. Porém destaco que num ambiente de trabalho predominantemente feminino
as mulheres reclamam pelo reconhecimento do seu trabalho. Não são as lutas dos
trabalhadores organizados em sindicatos que são pautadas nos comentários do dia
e sim o trabalho rotineiro. O que ocorre a esses sujeitos enquanto trabalham? Do
que o feminino sofre ao trabalhar?
Para tentar esclarecer parte das questões o próximo capitulo irá, introduzir
algumas considerações sobre o feminino baseadas na teoria psicanalítica.
19
2 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O FEMININO
Após desenvolver no primeiro capítulo a história da construção de um lugar
discursivo dado a mulher, pretende-se neste segundo capítulo entender essa
construção que envolve o sujeito, independente de gênero, na determinação
significante do feminino em torno do falo.
Assim, será apresentada a história do pensamento de Freud, Lacan e seus
seguidores, sobre o que é o feminino para a psicanálise, desde sua relação com o
falo. Como se constitui o feminino se não há um significante que o represente? Isso
cria um enigma sobre o feminino que é toda a complexidade que está no entorno da
questão freudiana: “O que quer uma mulher?”. Lacan segue na mesma questão
acrescentando a teoria do significante, para dizer que não há o significante feminino,
mas apenas o masculino enquanto significante da falta – o falo.
A psicanálise sempre emprestou fundamental importância à mulher. O
feminino é referido, se não em toda, na maior parte da obra freudiana. A psicanálise
surgiu nas pesquisas de Freud e Breuer sobre as questões da histeria nas mulheres
ainda no final do século XIX. Freud formulou novos e revolucionários conceitos
sobre as neuroses, sobre as psicopatologias, utilizando-se inicialmente da hipnose
como meio de investigação, depois passando para a associação livre. Baseava-se
em textos, estudos de casos e achados de médicos e leigos que a semelhança dele
percebiam um algo a mais nos sintomas de algumas mulheres com dores, paralisias
ou doenças inexplicáveis.
Na busca pela definição das palavras masculino e feminino num dicionário de
língua portuguesa, algo interessante surge, pois, Masculino define-se como “relativo
ou próprio do macho, ou do homem” (LUFT, 1997, p. 411). Feminino define-se como
“que não é macho, fêmea, relativo ou próprio da fêmea ou da mulher” (LUFT, 1997,
p. 292). O interessante nesse momento foi perceber que é de domínio da língua
portuguesa essa independência fálica do masculino em contrapartida essa
necessária alusão ao masculino para conceituar o feminino. Creio que é nesse
sentido que se dá a tentativa de explicá-lo, pois segundo Freud a psicanálise não
tenta descrever o que é a mulher, mas sim se empenha em indagar como é que a
mulher se forma.
20
É nesse sentido que sigo minha pesquisa na tentativa de descrever e indagar
sobre o feminino, abordando o que Freud considera acerca da constituição do
feminino, desde as primeiras experiências do sujeito feminino com o processo de
transformar o corpo biológico em corpo pulsional ao abordar as diferenciações
anatômicas entre masculino e feminino, o Complexo de Édipo, Complexo de
Castração e falo.
2.1 Diferenciação anatômica entre o Feminino e o Masculino
Segundo Freud (1925), a princípio supõe-se que menino e menina têm
processos de sexuação semelhantes, contudo ressalta que os processos são
diferentes. Enquanto o menino preserva seu objeto amoroso (a mãe), a menina
começa com um (a mãe) e termina com um outro (o pai).
Freud (1905) aponta mais semelhanças do que propriamente diferenças entre
meninos e meninas. Para ele, na infância, ambos estão sexuados de forma
masculina, ou seja, de forma ativa, e somente com a puberdade pode-se fazer uma
diferenciação mais clara a respeito, pois nesse período o menino tem um grande
avanço na libido, ao contrário da menina, que passa por nova onda de recalque,
tendo modificado sua sexualidade do clitóris para a vagina.
O reforço das inibições sexuais criado por esse recalcamento da puberdade
da mulher fornece então um estimulo à libido do homem e obriga a um
aumento de sua atividade; que essa intensificação da libido aumenta
também a supervalorização sexual, que só aparece plenamente diante da
mulher que recusa, que renega sua sexualidade. Quando enfim o ato sexual
é permitido, o próprio clitóris é excitado e compete a ele o papel de
retransmitir essa excitação para as partes femininas vizinhas, assim como
as lascas de lenha resinosa podem ser aproveitadas para atear fogo a um
pedaço de lenha mais dura. (FREUD,1905, p. 209).
Esta modificação de zona erógena que ocorre na mulher, segundo Freud
(1905), proporciona para a mesma uma fase de anestesia onde a vagina, por um
tempo não é fonte de excitação (o clitóris continua sempre sendo fonte de
sensações prazerosas) e isto está subjugado pelo recalcamento; passado este
período de insensibilidade da vagina, ela é efetivada como zona erógena.
Este autor conceitua libido como sendo uma força “[...] quantitativamente
variável, que poderia medir os processos e transformações ocorrentes no âmbito da
21
excitação sexual” (FREUD, 1905, p. 205). Ele a divide em libido objetal, que é
retirado das representações de objeto, e libido egóica ou narcísica que ao retornar
para dentro do ego se transforma de libido dos objetos em libido do ego.
Chemama (1995, p. 126) aponta o sentido da palavra como Freud a utiliza,
proveniente do “termo latino libido, que significa desejo, inveja, aspiração [...]
manifestação dinâmica na vida psíquica, da pulsão sexual, é a energia das pulsões
que tem a ver, contudo, com o que se pode compreender sob o nome do amor”.
No ato sexual, contudo o clitóris é excitado e encarregado de distribuir essa
excitação para os arredores, mas isso só acontece depois de um intervalo de tempo
em que a “moça fica insensível”, renega a sexualidade.
Quando a mulher transfere a excitabilidade erógena do clitóris para a
vagina, ele muda a zona dominante para sua atividade sexual posterior, ao
passo que o homem conserva a dele desde a infância. Nessa mudança da
zona erógena dominante, assim como na onda de recalcamento da
puberdade, que elimina, por assim dizer, a masculinidade infantil, residem
os principais determinantes da propensão das mulheres para a neurose,
especialmente a histeria. Esses determinantes, portanto, estão intimamente
relacionados com a natureza da feminilidade. (FREUD, 1905, p. 209).
Aqui Freud dá sinais de um fator importante, refere-se à mudança de atitude
da menina, que passa da atividade na infância para a passividade da vida adulta.
2.2 Complexo de Édipo
Um dos grandes alicerces no qual se baseia a Psicanálise para descrever a
constituição do sujeito psíquico, considerado de grande importância tanto para o
feminino como para o masculino e que determinará as futuras escolhas objetais
durante a vida do ser humano, é o Complexo de Édipo.
No menino, segundo Lacan (1957), é considerado mais simples, ocorrendo
em torno dos dois ou três anos de idade é caracterizado pelo apaixonamento e
desejo de possuir fisicamente a mãe e ambivalência de sentimentos com o pai; tem
ódio por ser um rival e ao mesmo tempo o admira e tem carinho por ser quem o
protege de seu desejo incestuoso.
Freud explica que na adolescência o Complexo de Édipo é reeditado. Nessa
fase é definido o modelo, já indicado na infância, para a escolha objetal do sujeito
adulto. “Uma das coisas que remanesce nos homens, da influencia do Complexo de
22
Édipo, é um certo desprezo em sua atitude para com as mulheres, a quem encara
como castradas” (FREUD, 1931, p. 237).
Nesta passagem Freud (1931) deixa clara a procedência do desprezo
instituído no social e que muitos homens sentem em relação às mulheres,
consideradas seres inferiores, pouco dotadas de inteligência, “sem competência”,
para exercer certas funções. Afinal elas não têm pênis! O que podem fazer será
sempre inferior aqueles que o têm. “Durante a fase do Complexo de Édipo normal,
encontramos a criança ternamente ligada ao genitor do sexo oposto, ao passo que
seu relacionamento com o do próprio sexo é predominantemente hostil” (FREUD,
1931, p. 233).
Dessa forma Freud (1931) inicia sua explanação sobre o Complexo de Édipo,
para em seguida apontar que na menina é diferente. O primeiro objeto amoroso da
menina é a mãe, pois assim como no menino, é ela quem cuida e alimenta. Mas é
apenas no menino que surge amor por um dos pais (mãe) e simultaneamente ódio
pelo outro (pai rival), não há presença de ódio pré-edipiano. O amor que o menino
tem pela mãe e a rivalidade com o pai caracteriza o Complexo de Édipo masculino.
Na menina esta fase é chamada de pré-edipiana (nesse período a menina alimenta
o ódio pré-edipiano).
O afastamento da menina em relação à mãe, segundo Freud (1931), se dá
por vários motivos. Num primeiro momento ela percebe que o seu pênis não é como
o do menino e culpa a mãe por não ter lhe dado um pênis também. Outro fator é que
a menina suspeita de que a mãe não a amamentou por mais tempo por não gostar
suficiente dela1. Outra suspeita baseia-se no fato de a mãe compartilhar o seu amor
com outros (outras pessoas, como o pai, outros filhos, etc...). Além dessas fantasias
a menina ainda afasta-se de sua mãe por ela ter despertado sua atividade sexual
(com cuidados de higiene e carícias)2 e depois a proibido. O que pesa mais para
esse afastamento, porem, é o fato de a menina ter sua primeira ligação com a mãe e
esta ser tão intensa ao ponto de estar fadada ao fracasso3.
1
“O amor infantil é ilimitado; exige a posse exclusiva, não se contenta com menos do que tudo”
(FREUD,1931, p. 239)
2
“O fato de assim a mãe inevitavelmente iniciar a filha na fase fálica, constitui, penso eu, o motivo
porque, nas fantasias posteriores, o pai tão regularmente aparece como o sedutor sexual. Quando a
filha se afasta da mãe, transmite também ao pai sua introdução na vida sexual” (FREUD, 1931, p.
246).
3
“Nas primeiras fases da vida erótica, ambivalência é evidentemente a regra” (FREUD, 1931, p. 243).
23
Nos meninos este afastamento tem menos efeitos agressivos em relação à
mãe, pois ele pode, em seus sentimentos de ambivalência, destinar ao pai a sua
hostilidade. A menina ao se afastar da mãe diminui sua atividade sexual e torna-se
mais passiva (feminina). Sua atividade masturbatória clitoriana é praticamente
abandonada. “A transição para o objeto paterno é realizada com o auxilio das
tendências passivas, na medida que escapam a catástrofe” (FREUD, 1931, p. 247).
Ao falar da passividade, este autor declara que “[...] para chegar a um fim
passivo, pode ser necessária uma grande quantidade de atividade” (FREUD, 1933,
p. 143). Creio que Freud se refere à mudança de objeto amoroso (primeiro a mãe e
depois o pai) e também ao fato de mudar a zona erógena do clitóris para a vagina,
alterações que ocorrem com a menina, herdeira do estigma da passividade.
No entendimento de Freud, quanto mais se distancia da esfera sexual, mais
se percebe o quanto a mulher é ativa em diversos sentidos, o que faz cair por terra à
relação ativo-masculino, e passivo-feminino. Freud pontua em diversos textos a
desvinculação da anatomia das posições de sexuação. Contudo, para poder
conviver num grupo, em sociedade, é necessário que se desenvolva “uma dose de
adaptabilidade passiva” (FREUD, 1933, p. 143), presentes em ambas as posições
(masculina e feminina), mas que é encontrada em maior quantidade nas pessoas
em posição feminina.
Esta justificativa um tanto ultrapassada faz jus ao dito social segundo o qual
as mulheres são consideradas mais fáceis de serem conduzidas ou mandadas e
mais dóceis no convívio. Entre as diferenças entre homens e mulheres Freud
destaca a “natureza” da mulher, que é menos agressiva, desafiadora e autosuficiente e que ela, aparentemente, necessita de mais carinho e por isso é mais
dependente e dócil que o homem. E por ser assim “doce”, parece ser ensinada com
mais facilidade e com mais rapidez4. As meninas, inclusive, aprendem mais rápido,
são mais inteligentes e espertas que os meninos da mesma idade, portanto não
podem ser consideradas mais atrasadas que os meninos. Então porque são
consideradas submissas? Ou será que, como diz Freud, a passividade é por onde
passa sua atividade? Seria essa submissão o enigma do feminino?
4
Freud aqui se refere ao controle de suas excreções quando crianças.
24
Também no dizer de Freud (1931), o brincar com bonecas é encarado como
sinal de feminilidade, contudo é um lado ativo5 da feminilidade, sinal da ligação
primeira e muito forte que tem com a mãe (não aparece o pai nesta fase). A criança
faz uma representação da sua situação invertendo os papéis: ela sendo a mãe e a
boneca senda ela (a criança). Essa é uma maneira de responder ativamente o que
sofreu passivamente.
A menina sai do Complexo de Castração e entra no Complexo de Édipo como
se fosse um refúgio. Para ela essa passagem é longa e difícil. A mãe assinala o
começo e o final do Complexo de Castração, finalizado este, ela ingressa no Édipo e
tem aí três saídas que decidirão o destino de sua feminilidade. No primeiro tempo
não há presença da inveja do pênis, ela desvia de maneira generalizada toda a sua
sexualidade. No segundo momento ela nega a castração e nutre a esperança de ter
um pênis um dia, “a fantasia de ser homem, apesar de tudo, permanece como o
objetivo de sua vida” (NASIO, 1992, p. 20). No terceiro tempo reconhece
imediatamente a castração e esta é considerada por Freud como “a reação mais
normal” e consiste em três mudanças: mudança do parceiro amado da mãe para o
pai, pois se a mãe sempre foi castrada afasta-se dela com desprezo e se dirige ao
pai com carinho, uma vez que este pode dar o que lhe falta (começa o Complexo de
Édipo feminino); mudança de zona erógena do clitóris para a vagina: “a vagina
ganha então valor como continente do pênis, ela recolhe a herança do corpo
materno” (NASIO, 1992, p. 21); mudança do objeto desejado em que a vontade de
gozar com um pênis no coito metaboliza-se na saída de gerar um filho (ser mãe).
Com o temor da castração o menino sai do Édipo. Já a menina, como não
tem medo da castração nesse momento, demora muito mais para sair do Édipo,
destruindo-o tardiamente e não totalmente.
Tais atribuições dadas a tal instância, somado ao fato de formar-se
tardiamente na mulher, podem justificar a diferença de julgamento moral existente
entre feminino e masculino.
A menina durante o Complexo de Édipo identifica-se com sua mãe tomando-a
como modelo (afinal, é a ela que o pai dirige afeto) e também procura eliminar a mãe
para ficar em seu lugar junto ao pai. A escolha objetal da mulher pode-se basear no
5
De onde então é possível inferir que a maternidade vem sendo construída desde essa passividade.
E quando na adultez a mulher exerce as ditas “profissões femininas”, nas quais cuidar do outro é
sempre ponto central.
25
ideal narcisista do homem que a menina quisera tornar-se, ou permanecendo
vinculada ao pai (ficar no Édipo). Sua escolha é por um tipo semelhante ao pai.
Segundo Freud, essa é uma solução bastante corriqueira, sendo que algumas
mulheres ficam a vida toda sob forte influência edipiana.
2.3 Complexo de Castração
Segundo Nasio (1992, p. 13), a castração é uma “[...] experiência psíquica
completa, inconsciente vivida pela criança por volta dos cinco anos de idade e
decisiva para a assunção de sua futura identidade sexual”.
Este autor ressalta que a criança reconhece com angústia a diferença
anatômica entre os sexos. Até aqui subsiste a onipotência, depois a criança aceita
que existem homens e mulheres e que o corpo tem limitações “[...] aceitar que seu
pênis de menino jamais lhe permitirá concretizar seus intensos desejos sexuais em
relação à mãe” (NASIO, 1992, p. 13).
De acordo com Freud (1905), a ameaça de castração é aparentemente
vivenciada como procedente do pai, contudo geralmente é a mãe ou uma figura
materna que informa a criança deste perigo.
Segundo Nasio (1992), o Complexo de Castração no menino é constituído por
quatro tempos. No primeiro “todos tem um pênis”. No segundo momento “o pênis é
verbalmente ameaçado pelo pai”. No terceiro momento “o menino vê o corpo nu da
mãe e recusa-se a admitir que esta não tem pênis” (“é pequeno, mas vai crescer”).
No quarto tempo o menino constata que a mãe não tem pênis, aí surge a angústia
da perda do seu pênis, mas essa angústia só ocorrerá se ele enxergar ausência de
pênis da mãe e se ouvir as ameaças de castração do pai. Terminado o Complexo de
Castração, encerra-se também o Complexo de Édipo: com a angústia o menino
aceita a lei da proibição e opta por salvar seu pênis, renunciando à mãe e
afirmando-se como homem (está é a resolução “normal” destes complexos no
menino).
Para o mesmo autor, na menina o Complexo de Castração é constituído por
três tempos. No primeiro “todos tem um pênis”, a menina ignora a diferença entre os
sexos e a existência de seu próprio órgão sexual, isto é, a vagina. No segundo
momento ela observa o pênis do irmão ou de um coleguinha, reconhece-o de
26
imediato como a réplica superior de seu pequeno órgão oculto (o clitóris) e a partir
daí, torna-se vitima da “inveja do pênis”. No terceiro tempo a menina percebe que a
mãe também não tem pênis e a despreza, pois além de a mãe não ter podido
transmitir-lhe os atributos fálicos, não soube ensinar-lhe a valorizar seu verdadeiro
corpo de mulher. A descoberta da castração da mãe leva a menina a separar-se
dela e escolher o pai como objeto de amor (NASIO, 1992).
Nasio (1992) aponta que para haver castração é necessário que tanto menina
quanto menino acreditem que todos têm pênis. A mãe é a personagem principal
para ambos e sua separação dela é inevitável e imprescindível. Entre as diferenças
sublinha-se que no menino os dois complexos são simultâneos e há primeiramente
um único objeto de amor, que é a mãe. Terminados os processos resta a ele a
angústia de ser castrado, a dívida com o pai e a conseqüente busca por outro objeto
que não a mãe. Já para a menina o primeiro objeto de amor é a mãe e quando se dá
o complexo de castração ela troca de objeto, sendo o pai então o eleito para seu
amor. Nesta fase se dá o complexo de Édipo na menina que, após se “descobrir”
castrada, tem de herança a inveja do pênis e o complexo de Édipo dos quais restam
resquícios bem mais fortes do que nos meninos.
Dessa forma, podemos dizer que o papel da mãe, ao contrário da opinião
comum, é muito mais importante na vida sexual da menina que o do pai; a mãe está
na origem e no término do complexo de castração feminino.
2.4 Sobre o “falo”
Segundo Nasio (1997), o termo falo pouco utilizado nos escritos freudianos, é
por vezes empregado para qualificar o “estágio fálico”, momento particular do
desenvolvimento da sexualidade infantil durante o qual culmina o complexo de
castração. Já para Lacan torna-se o conceito fundamental da teoria psicanalítica é o
ponto onde se articulam as diferenças na relação com o corpo, com o objeto e com a
linguagem, ele “sistematizaria a dialética da presença e da ausência em torno do
falo através dos conceitos de falta e de significante” (NASIO, 1997, p. 33).
Na doutrina freudiana “[...] o falo não é nem uma fantasia (imaginário), nem
objeto parcial (interno, bom, mau), nem tampouco é o órgão real [...].”
27
Lacan (1999, p. 265) traz a seguinte contribuição:
A distinção e a articulação entre as três dimensões do real, do simbólico e
do imaginário resolvem as contradições dessa noção [...]. O falo é o
significante privilegiado dessa marca, na qual a parte do logos se reúne ao
advento do desejo. Pode-se dizer que esse significante é escolhido como o
mais destacado daquilo que se pode tomar no real de copulação sexual,
como também o mais simbólico no sentido literal (tipográfico) do termo, pois
equivale a cópula (lógica). Também se pode dizer que é, por sua
turgescência, a imagem do fluxo vital, enquanto passa na geração.
Segundo Pommier (1991), o nome patronímico é a metáfora do falo e tanto o
menino quanto a menina o recebem do pai. Contudo o sobrenome para o menino
significa seguir os passos do pai, já para a menina “bancar” isso significa abrir mão
da feminilidade. O menino “sabe” que o que lhe confere um lugar no gozo fálico é o
patronímico, já na menina isto difere, pois ela recebe o nome, mas tem
conhecimento que irá perdê-lo6, talvez até anseie por isso, já que o pai, na histeria,
de qualquer forma é falho, e seu nome nunca será realmente seu, sua perda tornase então a condição de seu gozo.
Esta perda do patronímico que se coloca como condição do gozo feminino faz
alusão á fantasia do assassinato do pai. “A perda do nome garante sua imobilidade 7
e, no espaço em que ele sucumbe, um gozo diferente do gozo do falo que ele
simboliza se faz possível” (POMMIER, 1991, p. 24).
O autor destaca a importância da morte do pai para o feminino por ser
representante de um limite, uma proibição. Se o sujeito está atrás do gozo,
certamente irá “dar de cara” com o falo, o representante desse limite que é dado ao
erotismo de todos aqueles que estão incluídos no social.
Esse gozo “mais além” é próprio do feminino e apesar de sedutor aos
homens, é um gozo que só é possível sem o falo paterno, sendo que este (falo) é o
que protege da feminilização. O gozo masculino “[...] cessa bruscamente no ponto
em que começa a especificidade do gozo feminino” (POMMIER, 1991, p. 25). A
6
A mulher perde o nome patronímico quando se casa, no sentido de atributo fálico que o nome
patronímico representa. A Lei nº 10. 406-10/01/2002 do Novo Código Civil artigo 1565 diz o seguinte:
Art. 1565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes,
companheiros e responsáveis pelos encargos da família.
s 1º Qualquer dos nubentes, querendo, poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro.
A palavra “querendo” deixa margem para interpretação do tipo: O homem pode adotar o sobrenome
da mulher, ou o mais usual, a mulher acresce o sobrenome do homem ao seu, ou ainda, a mulher
não é obrigada a adotar o sobrenome do marido.
7
A imobilidade do pai morto, que ele não retorne.
28
mulher percebe a possibilidade deste gozo outro, “[...] muito mais interessante do
que a liberdade aparentemente concedida pelo nome próprio” (POMMIER, 1991, p.
25).
Há três possibilidades, na opinião de Pommier (1991, p. 55), de a mulher se
relacionar com o falo: que ela encarne aquilo que falta ao homem (ser o falo), aí ela
nada tem a fazer com o pênis; ou se acreditar possuir o falo, nada irá querer saber
sobre ele e considerará o homem como um “rival desleal e insolente”; e por último,
não o tendo, deseja tê-lo, o que pressupõe a “inveja do pênis”. A mulher fica no jogo
entre o nome e o falo. E para mediar esse jogo entra o amor, que tenta reduzir a
distância entre falo e nome, contudo acaba por formalizar a incompatibilidade entre
ambos. O amor pode ser tanto em relação ao que o nome representa ou mais
comumente amor pelo sexo masculino, no sentido de amor pelo pênis do homem.
Pommier (1991) menciona que quando o homem vai em busca da mulher e
esta lhe retorna atenção manifestando seu desejo, ele se depara com a dimensão
castradora que a condição feminina impõe. Dessa forma ela faz a função de “nome
do pai”, graças ao seu amor incondicional a este pai. O patronímico do lado da
mulher regula o desejo e do lado do homem assegura a existência. Contudo “[...] a
mulher só é ‘nome do pai’ na medida em que o homem a deseje [...]” (POMMIER,
1991, p. 58). Um precisa do outro para existir, coexistindo ao redor do falo, que é o
organizador das posições discursivas que conhecemos como masculino e feminino.
Neste sentido o feminino ameaça a “organização” anunciando que essa
organização não é a única possibilidade de gozo, pois há um outro gozo que só
existe pela perda do falo, coisa que o masculino não quer saber. O que tem
conseqüência no mundo do trabalho restringindo o espaço de circulação do
feminino.
De acordo com o que diz Pommier (1991) neste texto, a partir de Lacan e
Freud, é que o feminino constrange por dizer que há um gozo outro sem o falo, mas
também é necessário (o feminino) por sua função de nome-do-pai.
29
3 O ENIGMA DO FEMININO NO CAMPO DO TRABALHO
Após ter trabalhado no primeiro capítulo, toda uma evolução histórica das
principais conquistas da mulher no campo do trabalho, no segundo capítulo busquei
descrever que a conquista da mulher se deu pelas várias posições discursivas no
social – entre homens e mulheres, ou seja, todos os sujeitos envolvidos. Pretendese neste terceiro capítulo pensar questões (históricas e evolutivas) sobre o enigma
do feminino no campo do trabalho abordadas pela via da psicanálise, e como a
mulher ainda hoje sofre descriminação no campo do trabalho.
A reestruturação do trabalho8 trouxe novas possibilidades de acolher o
feminino. A substituição da força muscular pela capacidade intelectual não é a única
alteração no universo do trabalho nas organizações. O homem-macaco de Taylor,
segundo ressalta Dejours (1992, p. 42), surge após a tentativa de abolir a
possibilidade de haver criatividade por parte do trabalhador em seu trabalho: “[...]
esta idéia é diretamente contrária à velha idéia segundo a qual cada operário é a
pessoa mais qualificada para determinar seu modo pessoal de execução do
trabalho”.
Segundo Betts (2000), o modelo taylorista, baseado no uso do método
racionalista para a solução dos problemas industriais, o qual tem por princípio
separar os encarregados dos serviços por especialização (fabricação, inspeção,
manutenção...), de forma que os funcionários possam responder a três ou quatro
chefes, parece estar com os dias contados. Em seu lugar surge a liderança feminina,
enraizada nos tradicionais papéis das mulheres:
[...] onde a capacidade para tolerar a ambigüidade e fazer muitas coisas ao
mesmo tempo é a ordem do dia, e é uma habilidade vital para o
gerenciamento atual. O valor feminino de cuidar dos outros, promovendo
sua capacidade continuada, equilibrando com suficiente objetividade, é a
base da habilidade de gerenciamento, de apoiar e estimular as pessoas e
conseguir delas o máximo. [...] as habilidades domésticas e maternas
8
Reestruturação do trabalho é baseado em desenvolvimento: desenvolvimento de novas tecnologias
(microeletrônica, robótica, informática, telecomunicações, biotecnologia, novas formas de
energia,etc...). As máquinas têm uso flexível; economia de tempo e gestão de estoques baseados no
“just-in-time” ou “momento certo”, em que se produz a quantidade necessária no momento necessário
(depende de um bom sistema de informação e controle na produção; os funcionários fiscalizam uns
aos outros; programas de Qualidade Total (produzir com máxima qualidade e sem propagação de
defeitos); trabalhador polivalente e multiespecializado; subcontratação de produtos e serviços. Todo
esse processo diminui custos, pois é possível operar com pouco estoque, reduz o espaço físico para
produzir, limita as perdas na produção, aumenta a utilização de equipamentos, o rendimento do
trabalho e o controle da produção pela empresa (BUSNELLO, 2000).
30
transpõe os muros da vida privada e conquistam o mercado, revolucionando
os modelos de gestão, ganhando valor e reconhecimento, pois agregam
mais valor ao que produzem e dão bem mais lugar à produção da
subjetividade que ao modelo patriarcal de liderança e gerenciamento.
(BETTS, 2000, p. 103).
Este autor destaca que na época da sociedade industrial havia a separação
entre trabalho e casa, homem e mulher, e valorizava-se a força masculina. Na nossa
sociedade contemporânea (atual), a sociedade de informação, o cérebro conta mais
que os músculos e o trabalho pode ser realizado em qualquer lugar. Isso modifica e
muito a situação para as mulheres, pois podem trabalhar em casa, em horários
alternativos, conciliando, na maioria das vezes, o cuidado com a casa, filhos e
marido (quando tem), com a vida profissional ou simplesmente concorrendo de igual
para igual com os homens em muitas profissões, como nas áreas da justiça,
medicina, na política, administração de empresas, construção civil, segurança
pública, entre outras. Enfim elas estão por toda parte.
Os “trejeitos” específicos do feminino, segundo Mees (2000), acrescentando
seu trabalho na indústria têxtil do século XIX (as “profissões da agulha”) e também
das profissões “femininas” de enfermeira, nutricionista, psicóloga, pedagoga,
doméstica, pediatra e professora, guardam em si as funções maternas de cuidar,
nutrir, aconselhar, educar. É um deslizamento que faz a mulher do lugar de mãe
(opção quase que única para a mulher) para outro lugar. Estas são algumas das
profissões,que a remuneração ainda é inferior, porém mesmo assim é um lugar onde
as mulheres podem procurar saber sobre o “ser mulher”.
Mees (2000) sublinha o raciocínio de Freud. Segundo ele, a mulher jamais se
livra da “busca pelo falo”9 e essa busca transporta-se para o mundo do trabalho,
movida pela inveja do pênis, que viria a ser um complemento ou substituto implicado
na maternidade (falo-filho). A feminilidade, contudo, pressupõe uma divisão que se
por um lado a leva ao falo, por outro a afasta dele, conforme destacado no capitulo
anterior.
Callegari (2000) comenta que Freud reserva um lugar especial para a “inveja
do pênis”10 equiparando o funcionamento intelectual à posse do mesmo. Atrela o
9
Ver capítulo anterior.
“É difícil duvidar da importância da inveja do pênis. Os senhores podem imaginar como sendo um
exemplo de injustiça masculina eu afirmar que a inveja e o ciúme desempenham mesmo um papel de
relevância maior na vida mental das mulheres do que na dos homens. Não é que eu pense estarem
essas características ausentes nos homens, ou julgue que elas não tenham nas mulheres outras
10
31
exercício intelectual da mulher ao fato da mesma estar fazendo um percurso de
análise pessoal. Essa disposição, porém, segundo ele, também advém da “inveja do
pênis”. Se o funcionamento intelectual da mulher, contudo, é correlativo à posse do
pênis, significa que ela retém o pênis do pai, do qual a mãe foi despojada. Mas aí ela
castrou o pai! O que denota o sentimento de culpa refletido no mal-estar, na
insatisfação. “No caso da mulher, acarreta inibições que acabam por determinar seu
lugar na cultura e na sociedade” (CALLEGARI, 2000, p. 118).
Quanto à “inveja do pênis” Freud (1989, p. 154) nos traz a seguinte
contribuição:
É difícil duvidar da importância da inveja do pênis. Os senhores podem
imaginar como sendo um exemplo de injustiça masculina eu afirmar que a
inveja e o ciúme desempenham mesmo um papel de relevância maior na
vida mental das mulheres do que na dos homens. Não é que eu pense
estarem essas características ausentes nos homens, ou julgue que elas não
tenham nas mulheres outras raízes além da inveja do pênis; estou inclinado,
no entanto, a atribuir sua quantidade maior nas mulheres a essa influência.
No entendimento de Betts (2000), “Desejar um desejo insatisfeito”, “não
querer saber”, são características da neurose histérica e parte da “opção” feita pelas
mulheres durante vários séculos e ainda pode ser uma saída para a sexuação
feminina e também para a forma de conduzir sua vida em relação ao trabalho.
Entretanto o autor introduz a idéia de que atualmente muitas mulheres tomaram
como opção “desejar um desejo impossível”, indo atrás do “domínio total sobre tudo
ou determinada área do saber”, características da neurose obsessiva. Percebem-se
aí mudanças na forma de desejar e de agir de muitas mulheres na sociedade atual.
O mesmo autor ressalta o seguinte sobre esse posicionamento da mulher que
trabalha também fora de casa:
Freqüentemente além de sobrecarregada, ela se vê tomada numa certa
crise de identidade. É comum observar uma mudança na neurose
preferencial da mulher, que passa da histeria para a neurose obsessiva,
sobretudo em níveis hierárquicos mais altos, nos quais também é
relativamente freqüente a observação de que a mulher, quando profissional
bem-sucedida, termina se masculinizando (BETTS, 2000, p. 99).
raízes além da inveja do pênis; estou inclinado, no entanto, a atribuir sua quantidade maior nas
mulheres a essa influência” (FREUD, 1989, p. 154).
32
Jerusalinsky (1999) descreve o quão complicado é para uma mulher
permanecer nessa posição considerada masculina que é a neurose obsessiva. Sua
questão fica presa ao “reconhecimento” e qualquer oferta que não o tenha como
central é rejeitada.
A neurose obsessiva não consiste na ausência ou carência do
reconhecimento. Na neurose obsessiva o sujeito tem um reconhecimento,
mas para sustentá-la, ele tem que pagar um preço extraordinariamente alto
nunca estará seguro de poder sustentar esse reconhecimento, passo a
passo na sua vida. O drama do sujeito consiste precisamente em que ele
tem o reconhecimento, mas se encontra em risco permanente de perdê-lo.
Esse reconhecimento foi dado antecipadamente, como uma espécie de
adiantamento em dinheiro [...] por conta de futuro rendimento.
(JERUSALINSKY, 1999, p. 30).
Ambos, homens e mulheres, procuram o êxito. Para Betts (2000), os
primeiros consideram êxito ser bem-sucedidos profissionalmente, reconhecimento
social de seu trabalho e retorno financeiro que possibilite aquisição de certos bens
de consumo. Para as mulheres é isso tudo “mais” o equilíbrio entre a profissão,
filhos, marido e lazer e ainda a questão da independência financeira.
Independência econômica e dependência emocional com submissão ao
marido é uma situação relativamente comum entre as mulheres bemsucedidas profissionalmente. Podemos constatar, neste sentido, que o
fantasma da prostituição está presente de forma encoberta na vergonha e
na culpa que muitas mulheres sentem ao lidar com o dinheiro. A vivência da
culpa é associada ao fato de trabalhar fora do lar, utilizando as energias na
esfera pública em prejuízo das atividades domésticas e cuidado com os
filhos. (CORIÁ, 1996, p. 37 apud BETTS, 2000, p. 105).
Talvez, isso esteja a mostra no campo do trabalho e os homens ou se
escondem ou partem para profissões mais técnicas, nas quais o fator humano não
esteja envolvido. Já as mulheres crescem nas áreas humanas, de uma forma
ameaçadora (semelhança com o grande Outro), mas algumas param num ponto
onde assumir um cargo mais alto poderia significar uma potencia fálica talvez ainda
não assimilada.
Cardaci (2000) ressalta exemplos de sua clinica, onde mulheres jovens se
angustiam frente ao fato de assumirem um cargo mais importante ou publicar um
livro, enfim, ao chegarem próximas a ter um maior reconhecimento social e acabam
por desistir ou caindo em depressão.
33
Não se trata de mulheres que se sintam incapazes, pode-se dizer o
contrário, é o trabalho que nunca estaria a altura delas: nenhum trabalho
seria digno de celebrar o pai bem-sucedido. Não é admissível para elas
manchar com qualquer sucesso pessoal a potência absoluta de um pai que
é preciso sustentar como incastrado (CARDACI, 2000, p. 113).
Segundo a mesma autora, o fracasso acaba por ser quase uma constante na
vida profissional de muitas mulheres, pois é uma forma de “oferenda ao pai ou
defesa da feminilidade – como se no fracasso estivesse à castração” (CARDACI,
2000, p. 115).
Isso nos ajuda a entender o que é próprio do feminino. Não é que a mulher
não tem lugar, reconhecimento, mas é uma questão própria de cada mulher frente a
sua questão feminina.
Retomando Calligaris (1993), lidar com o falo é questão para cada mulher.
34
CONCLUSÃO
O intuito deste trabalho não se deteve em apenas buscar respostas, mas,
sobretudo apontar algumas questões que nos conduzam a refletir sobre o tema da
mulher no mundo do trabalho.
Pode-se perceber com mais clareza, que as questões do trabalho da mulher
estão relacionadas com os entraves da resolução do Édipo feminino, sendo bem
mais demorado que o masculino, e recorrente em toda sua existência. Não que se
constitua novidade, pois estamos sempre às voltas com o Édipo, a castração e as
fantasias decorrentes dos mesmos. Buscou-se enfatizar, contudo, que não só nas
relações amorosas, mas também na forma como cada um rege suas próprias
relações de trabalho, que aparecem os resquícios desses complexos e seus
agregados.
A respeito da mudança discursiva tipicamente feminina (próprio da neurose
histérica) para uma posição discursiva caracteristicamente masculina (a neurose
obsessiva) da mulher que trabalha fora de casa em postos mais elevados, o texto
nos permite concluir que a dimensão de sujeito em “passividade ativa” parece estar
em transformação. As mulheres que hoje se encontram no universo do trabalho
demonstram toda a sua atividade (via celular, agenda lotada, etc...) e escondem a
dimensão do desejo – passividade.
Eis, contudo, que a castração nos mostra que somos sujeitos em falta e que
só podemos sobreviver porque existe essa falta, essa imperfeição tão perfeita que
de uma forma ou outra, histérica ou obsessiva, nos imprime essa marca. A forma
como cada um vai lidar com isso tem a ver com questões subjetivas e relativas a
cada um.
Sempre haverá, contudo, um pai ou uma mãe enquanto função e se um
homem e uma mulher encarnam essas funções e decidem criar um filho, vai haver
consequentemente: Édipo, Castração, falo e formações do inconsciente. E dessa
forma, a psicanálise, seguindo em direção contrária às previsões, vai continuar
fazendo sujeitos pensarem, como de fato nos conduziu no decorrer desse trabalho.
Sendo que, a partir desta leitura, será possível avaliar, que sempre que existirem
perguntas e faltas, haverá a possibilidade de continuidade.
35
Em suma, sempre haverão questionamentos e outros mais surgirão: Que
conquista é essa que a mulher fez? Como a mulher dará continuidade para essa
evolução? Como será no futuro? E sobre estes, apenas saberemos em um momento
a posteriori.
Desde já, nos permitimos destacar que entre as mulheres não existe
acomodação, estando sempre em busca do novo. A classe feminina continua
desfazendo paradigmas de toda uma época histórica, e agora precisa valorizar essa
conquista e comemorar.
Enfim, pode-se dizer que as mulheres já realizaram diversas conquistas,
quando nos referimos à igualdade formal em relação aos homens. Estas vitórias
estão relacionadas, principalmente, a graduação e/ou o ingresso no mercado de
trabalho. Porém, ainda persiste o dilema que as conduz a optar entre o seu trabalho,
sua carreira e sua família.
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