Pró-Reitoria de Graduação
Curso de Serviço Social
Trabalho de Conclusão de Curso
OS PRINCIPAIS MOTIVOS QUE LEVAM OS IDOSOS A VIVEREM EM
INSTITUIÇOES DE LONGA PERMANÊNCIA
Autora: Jaquelania Maria Pereira da Silva
Orientadora: Vanildes Gonçalves dos Santos
Sumário
Sumário....................................................................................................................................... 1
Brasília - DF
2015
JAQUELANIA MARIA PEREIRA DA SILVA
OS PRINCIPAIS MOTIVOS QUE LEVAM OS IDOSOS A VIVEREM EM
INSTITUIÇOES DE LONGA PERMANÊNCIA
Artigo apresentado ao curso de graduação em
Serviço Social da Universidade Católica de
Brasília – UCB, como requisito parcial para a
obtenção do título de Bacharel em Serviço
Social.
Orientadora: Prof.ªMSc. Vanildes Gonçalves
dos Santos
Brasília
2015
Artigo de autoria de Jaquelania Maria Pereira da Silva, intitulado, “OS PRINCIPAIS
MOTIVOS QUE LEVAM OS IDOSOS A VIVEREM EM INSTITUIÇOES DE LONGA
PERMANÊNCIA”, apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel
em Serviço Social da Universidade Católica de Brasília (UCB), em 10 de junho de 2015, defendido e aprovado pela banca examinadora abaixo assinada:
_____________________________________________________
Prof.ª MSc. Vanildes Gonçalves dos Santos
Orientadora
Curso Serviço Social – UCB
_____________________________________________________
Prof.ª Msc. Maria Valéria Duarte de Souza
Banca Examinadora
Curso Serviço Social – UCB
_____________________________________________________
Prof.ª Dra. Helga Cristina Hedler
Banca Examinadora
Curso Serviço Social
Brasília
2015
AGRADECIMENTO
Primeiramente, à Deus, por ter me dado saúde e força para superar as dificuldades em
cada momento da minha vida, não me desamparando, inclusive, em mais esta etapa.
À minhas mães Cecília e Maria José, em especial, pois com seu amor, carinho, fé e
paciência, que sempre me apoiaram nos momentos difíceis desta jornada, sem sua segurança
não teria sido possível minha inserção e conclusão nesta Universidade. Obrigado por todo
carinho dedicado!
Ao meu pai Francisco, pois sυа presença significou segurança е certeza dе quе não
estou sozinha nessa caminhada.
À minha irmã Jaqueline pela sua amizade e apoio.
Ao meu esposo Eduardo, pela cumplicidade amorosa, carinhosa e engraçada que
desenvolvemos. Te amo.
À minha filha Sophia por existir, por estar ao meu lado, por iluminar todos os meus
dias por mais cinzentos que eles estejam.
Aos meus familiares e amigos os quais compartilho grandes amizades.
À minha orientadora Vanildes, pela paciência e dedicação na construção desta
pesquisa. Obrigada!
Às minhas queridas professoras Helga Cristina e Maria Valéria por suas valiosas
contribuições acadêmicas, como professoras e mestras. Obrigada por aceitarem fazer parte
desta banca examinadora.
Em especial professor Carlos Alberto pelos conhecimentos passados, que contribuíram
para um novo pensar e agir.
A todos os professores e colegas de curso de Serviço Social que, de alguma forma,
contribuíram com meu sucesso e aprendizado.
...”A velhice é apenas uma das etapas da vida e que,
portanto deve, e pode ser vivida e considerada como as
demais; que o homem velho é um velho, mas que
ainda é um homem como tal precisa continuar
vivendo, dando e recebendo, sem, ou apesar de o
estereótipo negativo que a sociedade ainda lhe
impinge”
(Loureiro)
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária
CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social
ILPI - Instituição de Longa Permanência para Idosos
IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
MDS – Ministério Desenvolvimento Social
OMS - Organização Mundial de Saúde
SEDEST - Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do
Distrito Federal
UNAI – Unidade de Acolhimento para Idosos
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OS PRINCIPAIS MOTIVOS QUE LEVAM OS IDOSOS A VIVEREM EM
INSTITUIÇOES DE LONGA PERMANÊNCIA
JAQUELANIA PEREIRA DA SILVA
Resumo:
Com as mudanças demográficas a sociedade vive o fenômeno do envelhecimento populacional, e, como conseqüência, há necessidade de adaptação às profundas mudanças sociais, econômicas e culturais. Tendo em vista que a responsabilidade pelo idoso é atribuída,
fundamentalmente, à família; no entanto, muitas vezes, os familiares que não podem ou não
querem dar atenção e oferecer os cuidados necessários aos seus idosos, optando pela institucionalização dos mesmos. Este artigo tem como proposta discutir os motivos do acolhimento
institucional dos idosos que se encontram acolhidos no Instituto de Integridade Lar dos Velhinhos Maria Madalena no Distrito Federal.
Palavras-chave: Idosos, Instituições de Longa Permanência, Instituto de Integridade Lar dos
Velhinhos Maria Madalena.
1 INTRODUÇÃO
A história do movimento pelos direitos dos idosos no Brasil começa pela formulação
de políticas públicas e por uma fundamentação legal, sendo isolados na legislação passada
com a tentativa de garantir certos direitos da pessoa idosa. Essa legislação começa na década
de 70. A lei 8842/94, que dispõe sobre Política Nacional do Idoso, apesar de aprovada, nota-se
que na pratica ainda não conseguiu ser totalmente viabilizada e implementada. O Estatuto do
Idoso é a coroação de esforços do movimento dos idosos, das entidades de defesa dos direitos
dos idosos e constui-se o instrumento jurídico formal mais completo para a cidadania desse
segmento.
O envelhecimento dos seres humanos é entendido como um fenômeno complexo e
vivenciado de maneiras diferentes pelas pessoas, segundo condições intrínsecas, individuais e
do ambiente no qual elas estão inseridas. Desta maneira, o ambiente que cerca ou envolve o
idoso é fator determinante nas condições de saúde e satisfação com a vida; pode representar a
diferença entre a independência e a dependência.
Assim, o ambiente de convivência familiar no qual o idoso tem próximo - de fato - os
membros da sua família estão associados a interações sociais positivas, além de abranger um
conjunto de hábitos e valores, transmitidos de geração em geração, que se refletem no
cotidiano dessas pessoas. No entanto, quando os idosos são encaminhados para viver em
lugares como as instituições de longa permanência, que muitas vezes já estão lotadas, correm
um risco de maior isolamento e insatisfação com a vida. Apesar disso, hoje as Instituições de
Longa Permanência para Idosos (ILPI) são locais para residência coletiva nas quais pessoas
com idade avançada buscam a proteção e o amparo que não encontraram no seu ambiente
familiar e social.
O processo inicial para a elaboração do presente artigo apresentou como tema a ser
pesquisado, os principais motivos que levam os idosos a viverem em instituições de longa
permanência para idosos (ILPI), e tendo como recorte do objeto de estudo analisar os motivos
do acolhimento institucional dos idosos que se encontram no Instituto de Integridade Lar dos
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Velhinhos Maria Madalena do Núcleo Bandeirante do Distrito Federal.
Consideramos que o tema em questão tem enorme importância para a sociedade
brasileira, por se tratar de um assunto que, em geral, envolve bastante o preconceito social e a
violação de direitos contra os idosos. O artigo está estruturado em 7 seções, sendo 6
abrangendo o conteúdo do artigo ( e subseções), 1 de considerações finais e as referências na
seqüência.
1.1 CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS
Na realização desta pesquisa foi adotado o caráter qualitativo, de natureza exploratória,
utilizando-se para obtenção dos dados a técnica de pesquisa bibliográfica e também foram
utilizados como fonte documental os registros feitos no diário de campo e os relatórios do
estágio curricular I e II do curso de Serviço Social realizado de agosto a novembro de 2013.
Entres esses registros destacamos uma entrevista que foi feita com a Assistente Social do Instituto de Integridade Lar dos Velhinhos Maria Madalena do Núcleo Bandeirantes.
Sobre o local que serviu de base para o nosso estudo, o Lar de Idosos Maria Madalena,
fundado em 1980 localizado no Núcleo Bandeirante – Distrito Federal, Brasil. O Lar é uma
instituição regularmente reconhecida como ILPI, de caráter filantrópico, que abriga idosos
abandonados, sem fins lucrativos. Atualmente, residem na instituição 96 idosos, sendo que
tem capacidade para 100 deles, dos 96, 56 são mulheres e 40 são homens com atendimento
integral nas áreas de saúde, higiene, alimentação, medicamentos e habitação. A casa é
separada em três partes aonde se localiza só os homens, outra só as mulheres e a terceira e
onde se localiza aqueles idosos que se encontram em estado que tem mais dificuldades para se
locomover. Os idosos têm aulas de dança, ginástica, e fazem artesanato, pintura, e outras
oficinas. O Lar dos Velhinhos é dividido em grau de tipo de vínculos em cores: Vermelho são
aqueles que não possuem nenhum vinculo como a família. Já o amarelo são aqueles que têm
vinculo, no entanto necessitam que o Assistente Social ou coordenação convoque uma visita a
este idoso, só dessa forma os familiares aparecem. Por fim, o verde que são aqueles que
possuem um acompanhamento ótimo das famílias sem qualquer pressão, ou seja, por vontade
própria.
A instituição conta com o trabalho do assistente social em seu quadro profissional.
2 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DAS
PERMANÊNCIA PARA IDOSOS - ILPIS
INSTITUIÇÕES
DE
LONGA
O surgimento de instituições para idosos não é recente. No entanto, as instituições que
abrigam idosos geralmente são conhecidas como asilos, onde na maioria das vezes está
associada à discriminação, à pobreza, conforme assevera Alcântara (2004). Os asilos
constituem a modalidade mais antiga de atendimento à pessoa idosa fora do seu convívio
familiar. E são vistas de forma negativa, como podemos observar em Mazza e Lefévere:
Portanto, na maior parte as instituições são vistas de forma negativa, onde o ideal
seria que o idoso pudesse conviver com sua família, pois, sem o respaldo familiar,
do sistema formal (representado pelo Estado) e com a falta de engajamento da
sociedade para o idoso, aumenta a possibilidade de sua inserção em uma instituição
asilar (MAZZA & LEFÉVERE, 2004, p.70).
Essas instituições existem há bastante tempo e tem nas instituições religiosas cristãs
suas percussoras. “O cristianismo foi pioneiro no amparo aos velhos [...] Entretanto, há registro de que o primeiro asilo foi fundado pelo Papa Pelágio II (520-590), que transformou a sua
casa em um hospital para velhos” (DEBERT, 1999, apud ALCÂNTARA, 2004, p.31).
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No Brasil, ao que se sabe é que a primeira instituição asilar foi criada em 1782 no Rio de Janeiro, pela Ordem 3ª da Imaculada Conceição, com capacidade para atender 30 idosos (FILIZZOLA, 1972, apud LIMA, 2011, p.62).
A citação seguir nos permite perceber que os asilos primeiramente eram lugares onde
ficavam os velhos soldados que mereciam uma velhice digna:
Na época do Brasil Colônia, o Conde de Resende defendeu “a idéia de que os
soldados velhos mereciam uma velhice digna e descansada”. Só em 1794, a Casa
dos Inválidos, começou a funcionar no Rio de Janeiro, proporcionando àqueles que
serviram à pátria uma velhice tranqüila como uma forma de reconhecimento e não
como uma ação de caridade. (ALCÂNTARA, 2004, p.33).
Porém, no Brasil, um dos primeiros asilos, voltados exclusivamente para a população
das classes populares, foi criado em 1890, no Rio de Janeiro: a Fundação do Asilo São Luiz
para a Velhice Desamparada, abrigando idosos pobres, sob a ótica filantrópica- assistencialista
(NOVAES, 2003, apud CHRISTOFHE, 2009, p. 32).
Como podemos observar a partir desses dados históricos, os asilos tiveram sua origem
associada à filantropia, assim “a história da institucionalização da velhice começa como uma
prática assistencialista, predominando na sua implantação a caridade cristã” (ALCÂNTARA,
2004, p. 34).
Contudo, é do século XIX com a Santa Casa de Misericórdia em São Paulo, onde se
dava assistência a mendigos, conforme o aumento de internações para idosos passou a ser
uma instituição gerontológica em 1964 (BORN, 2002, apud LIMA, 2011, p.64).
No entanto, é apenas no início do século XX que as instituições tiveram seus espaços
ordenados, de acordo com cada categoria social: “as crianças em orfanatos, os loucos em
hospícios, e os velhos em asilos”. Conforme diz Alcântara a seguir:
Sobretudo, foi na década de 1960, quando se iniciou “a organização da Sociedade
Brasileira de Geriatria, bem como, começam a surgir às primeiras clínicas geriátricas
e casas de repouso não filantrópicas”. Entretanto, é a partir desse momento que a
institucionalização da velhice deixa de ser apenas filantrópica, passando a ser
considerada uma fonte de renda visto que a população idosa tem a necessidade de
cuidados especiais. (BORN, 2000, apud ALCÂNTARA, 2004, p.34).
Para Camarano; Kanso (2010, p. 234), instituição de longa permanência para idosos é,
uma residência coletiva, que atende tanto idosos independentes em situação de
vulnerabilidade de renda e/ou de família quanto aqueles com dificuldades para o desempenho
das atividades diárias, que necessitem de cuidados prolongados.
Contudo, a maioria das instituições existentes no Brasil é de cunho pertencente às
congregações religiosas, representando 65,2% das instituições do país. (CAMARANO;
KANSO, 2010), voltadas para a assistência social quando, na verdade, possuem atribuições
bem mais amplas envolvendo também o cuidado com a saúde, o desenvolvimento de
atividades educativas, culturais, de lazer, etc. Alem disso, foi justamente na tentativa de
expressar, de forma contemporânea, a nova função, híbrida, dessas instituições, que a
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGB), sugeriu a adoção da denominação
Instituição de Longa Permanência para Idosos. Porém, na literatura e na legislação, ainda
encontram-se referências casas de repouso, clínicas geriátricas, abrigos e asilos, devendo-se
observar, ainda, que no cotidiano, essas instituições ainda oferecem resistência para se
autodenominarem por essa nomenclatura (ILPI).
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) define as Instituições
de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) como “instituições governamentais ou não
governamentais, de caráter residencial, destinadas ao domicílio coletivo de pessoas com idade
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igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade,
dignidade e cidadania”. A associação das ILPIs às instituições de saúde é comumente
encontrada em razão dos serviços de saúde serem ofertados de modo prioritário pelas ILPIs
brasileiras. Entretanto, estas instituições não são apenas voltadas ao atendimento clínico e
terapêutico, pois os residentes recebem além da assistência à saúde, moradia, alimentação,
vestuário, entre outros (CAMARANO et al., 2007).
3 OS IDOSOS
A velhice segundo Oliveira (2011), vem aumentando nos últimos anos, e com isso a
população brasileira de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) está
crescendo e os números apontam que entre 1950 e 2025 haverá um crescimento populacional
de 16 vezes contra 5, que tornará o Brasil como o sexto país com mais idosos.
Segundo Massola (2008) a definição de qualidade de vida pela OMS é "a percepção do
indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele
vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações". Entretanto, a
qualidade de vida pode variar de acordo com a cultura da pessoa, e que irá variar para cada
um, dependendo de seus objetivos e suas expectativas.
A condição de vida do idoso apresenta um quadro físico e biológico vulnerável a
doenças crônicas. Causando neles incapacidade de realizar atividades que antes era possível.
Para amenizar essa incapacidade o autor Oliveira (2011), defende que a auto-estima
colabora para um estilo de vida, que proporciona o bem estar socioeconômico, emocional,
cultural e religioso do idoso. Outro beneficio, que deve ser investido para melhorar a
qualidade de vida do idoso é garantir que participem de atividades como: dança, teatro e
música.
Para autor o Paes (2007), a velhice é um estado, que não afeta apenas o individuo, mas
a família, comunidade e o Estado no sentido de assegurar seus direitos na promoção de sua
inserção na sociedade com autonomia, integração e com uma efetiva participação. Sinaliza
ainda, que deve haver uma reflexão pertinente e uma atenção especial na reorganização desse
segmento populacional.
Há décadas atrás havia poucos idosos na sociedade e os que tinham era
responsabilidade da família, sendo que esta responsabilidade era atribuída às mulheres por ser
consideradas mais sensíveis, delicadas, entre outras características. Com o passar dos anos as
mulheres deixam de ser dona do lar para entrar no mercado de trabalho se adequando as
mudanças, e assim ocasionando umas preocupações do poder publico, dos profissionais de
saúde, e da assistência social que tinham como foco lidar com os idosos fragilizados.
Temos um contexto social onde os idosos são tratados como desnecessários sem
serventia principalmente para os familiares que não estão mais presente no cotidiano deste
idoso, devido à tumultuada jornada de trabalho. Nota-se que ao chegar á velhice a tendência
ao aumento de limitações e incapacidades, faz com que os filhos sejam levados a dispor maior
atenção e cuidados a seus pais, invertendo-se os papeis anteriores a relação de autoridades
(ANNUNZIATOS, 2007).
Geralmente o destino destes idosos é a ILPI, pois nestas instituições é possível que
estes idosos tenham a atenção e cuidado necessário que a família por diversos fatores não
pode ou não quer atribuir essa função de cuidar dos idosos seja eles financeiro ou não, e com
isso, para os idosos essas instituições são consideradas como sua segunda família, que é um
local onde se pode resgatar respeito, segurança, amizades, e o mais importante a assistência ás
suas necessidades.
As ILPIS são mais conhecidas como asilos, do grego asylon, que tem como
significado de local onde as pessoas sentem-se abrigadas e protegidas contra diversos danos
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de qualquer natureza. Sendo que ILPI surge historicamente como caridade e atendimento
básico as necessidades de vida. Essas necessidades estão relacionadas á alimentação, ao
banho, dormir, entre outros, que estão destinados aos “sem família, pobres e mentalmente
enfermes. (Creutzberg; Gonçalves; Sobbotka, 2004).
Segundo a legislação brasileira, é dever da família, da comunidade, do estado o
cuidado com as pessoas idosas. Idosos sem rede familiar de apoio e em situação de
vulnerabilidade podem ser atendidos em instituições do tipo asilar, como o Ministério do
Desenvolvimento Social, preconiza, oferecendo-lhes serviços nas áreas social psicológica,
medica, de fisioterapia, de terapia ocupacional e outras atividades especificas para este
segmento social. (MDS- Programa de atenção á pessoa idosa 2007).
Atualmente, se desconhece a quantidade de instituições existentes no país, nem o
número de idoso nelas residentes. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) está
realizando um censo nacional das ILPIs que até o momento foi concluído nas regiões Norte,
Centro-Oeste e Sul do país (CAMARANO, 2007, 2008a, 2008b). Nestas três regiões foram
localizadas 991 ILPI, as taxas de institucionalização de idosos encontradas foram de
respectivamente: 0,1%, 0,6% e 0,6%. No Estado de São Paulo o censo encontra-se em
andamento. Foram cadastradas 1421 ILPI, das quais não se conseguiu localizar mais de 300
devido à falta de registro desses serviços nos órgão competentes e à mudança de endereço e
telefone dos mesmos.
A partir da pesquisa feita pelo Ipea entre 2007 e 2009 mostra que as instituições
brasileiras estão concentradas na região Sudeste, aproximadamente dois terços delas, e nas
cidades maiores. Apenas o Estado de São Paulo concentra 34,3% do total de instituições. Este
é um resultado esperado dado que a maior proporção da população idosa aí se localiza,
conforme mostrado na pesquisa. No entanto, observa-se uma super-representação das regiões
Sudeste, Sul e Centro-Oeste no tocante às ILPIs e uma sub-representação das demais. A
região Nordeste concentra 24,7% da população idosa brasileira e 8,5% das instituições. Já na
região Sudeste encontra-se 51,7% da população e 63,6% das instituições brasileiras. Chega-se
à mesma conclusão quando se compara a distribuição dos residentes nas instituições pelas
regiões brasileiras. Contudo existem diversos fatores que levam os idosos a irem para essas
instituições de acolhimento, sendo eles os mais relevantes: a condição financeira, a
vulnerabilidade social e perda de vínculo familiar, independente da classe social, econômica,
cultural ou religiosa, etc.
No Brasil a população idosa, considerada pela Lei nº 8.842/94 (Política Nacional do
Idoso) como aqueles indivíduos com 60 anos e mais, compõe hoje o segmento populacional
que mais cresce em termos proporcionais. De acordo com as projeções estatísticas, até o ano
de 2025, seremos a sexta maior população idosa do mundo em números absolutos, com mais
de 32 milhões de idosos, os quais corresponderão a 15% da população.
Em conseqüência desse envelhecimento populacional, o idoso tornar-se alvo da
violência. A agressão a população acima de 60 anos se dá de diversas formas, a falta de
carinho, atenção, pressão psicológica, descaso e a agressão física propriamente dita. O
número de idosos que sofrem algum tipo abuso é tão grande que esse caso já se tornou um
problema de saúde pública. Vale ressaltar que muitas vezes as agressões podem resultar em
morte.
A questão da negligência contra os idosos não é um fenômeno novo. No entanto,
apenas nas últimas duas décadas é que essa questão começou a despertar o interesse da
comunidade científica (FREITAS et al, 2006).
4 VIOLÊNCIA CONTRA PESSOAS IDOSAS
As violências contra pessoas mais velhas precisam ser vistas sob, pelo menos, três
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parâmetros: demográficos, sócio-antropológicos e epidemiológicos. No primeiro caso, devese situar o recente interesse sobre o tema, vinculado ao acelerado crescimento nas proporções
de idosos em quase todos os países do mundo. Esse fenômeno quantitativo repercute nas
formas de visibilidade social desse grupo etário e na expressão de suas necessidades. No
Brasil, por exemplo, dobrou-se o nível de expectativa de vida ao nascer em relativamente
poucas décadas, em uma velocidade muito maior que os países europeus que levaram cerca de
140 anos para envelhecer (MINAYO, 2003).
O Brasil apresenta hoje um acelerado crescimento no número de idosos, um processo
de inversão na sua pirâmide populacional, porque houve um decréscimo nas taxas de
natalidade e mortalidade, ocasionando um aumento da população na faixa de sessenta anos ou
mais.
A esperança de vida ao nascer, no Brasil, dobrou no início do século XX, passando de
33 para 70 anos de idade. A violência tem sido, entre outros, um dos problemas mais
desafiadores para a sociedade desde os tempos remotos e, no que se refere ao idoso, pode-se
situá-la nos aspectos socioculturais implicados nos conflitos interpessoais e intergeracionais.
A violência é um dos eternos problemas da teoria social e da prática política relacional
da humanidade tanto no Brasil como no mundo a violência contra os mais velhos se expressa
como nas formas que se organizam entre ricos e os pobres, entre os gêneros, as raças/etnias,
grupos geracionais, nas esferas do poder político, institucional e familiar.
E como assevera Minayo, essas relações precisar ser compreendidas:
[...] É preciso compreender as relações entre as várias etapas do ciclo de vida e o
papel do Estado na organização desses ciclos para que possam ocorrer mudanças
positivas na sociedade. Devemos considerar o aspecto histórico que envolve o idoso
onde a família tem caráter de instituição bastante sólida. (MINAYO, 2004, p.6)
Entretanto, quando se verifica o problema social da violência contra os idosos,
observa-se uma dimensão muito forte que convive com o imaginário popular, construída por
uma visão negativa da velhice e do envelhecimento. Todavia a sociedade mantém e reproduz
a idéia de que a pessoa vale o quanto produz e o quanto ganha.
Portanto, o cultivo ao novo, ao belo, que envolve a contemporaneidade é também um
fator que caminha na contramão da valorização do idoso. Há uma demasiada relevância à
força e agilidade dos jovens, desprestigiando, desconsiderando e desvalorizando aqueles que
acumularam experiência e podem ser uma fonte viva de sabedoria.
O comportamento negativo face a velhice não é fenômeno que ocorre só no Brasil, faz
parte da violência social em geral e é universal. No entanto, em muitas sociedades, ocorrem
diversas expressões dessa violência, muitas delas naturalizadas pelo uso de costumes, valores
construídos socialmente e sustentados pelos dogmas que são transmitidos de geração em
geração.
A violência é o tipo de crime considerado mais trágico praticado contra o idoso, pelo
fato de quem o comete ser, quase sempre, alguém que tem uma relação muito próxima com a
vítima.
Vale ressaltar que com relação aos idosos, diversas também são as formas de
violências a que estão submetidos, física, psicológica, sexual, negligência, abuso financeiro,
entre outras. E o que segue sendo preocupante é que essas violências não são denunciadas na
sua maioria, talvez pelo medo de serem abandonados pelos seus familiares.
4.1 O ABANDONO
Segundo (Seribeli; Aguiar, 2011) O abandono é uma das condições de vulnerabilidade
social vivenciada pelo idoso e ocorre não só pela ausência ou rompimento dos vínculos
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familiares, mas por todo tipo de desproteção ou negligencia por parte da família, da
comunidade e do Estado.
Portanto, analisar a demanda de idoso em situação de abandono requer olhar as
particularidades vivenciadas na relação sujeito/idoso/família, que acabam vivenciando outras
situações anteriores ao abandono dos vínculos familiares e institucional, quando, por exemplo:
 A família deixa de ampará-los com as devidas necessidades (banho, comida,
remédio no horário, levar ao médico, roupa, etc.);
 Deixa de dar assistência em todas e quaisquer dificuldades; Abandona no hospital, na rua, em casa;
 Nega o acesso a saúde, tais como fornecimento de medicamentos, atendimento
domiciliar em saúde;
 Viola o direito de acesso ao transporte gratuito;
 Não respeitada sua condição peculiar e suas limitações;
Essas são algumas situações que aparentemente podem parecer não ser tão graves,
porém podem expressar uma outra forma, um outro tipo de abandono, ainda mais cruel, pois
por não serem aparentes, são mais difíceis de serem identificados, e por vezes acabam sendo
toleradas.
A situação de abandono não consiste apenas em não ter uma família, ou ser
abandonado por esta, mas sim, de um modo geral estar desamparado, vivenciando situação de
vulnerabilidade e risco social, ao estar inserido em um contexto de desproteção de seus
direitos fundamentais.
Pode-se considerar que todas essas condições de abandono e refletindo sob uma ótica
critica, é sabido que esse contexto fundamenta as causas que levam as famílias a abandonar os
idosos, deixando esses aos cuidados e responsabilidade do acolhimento institucional, pois ao
negligenciar os cuidados básicos, principalmente na convivência familiar, tendem a abandonálos ou mesmo desampará-los, não oferecendo condições de cuidados, seja por questões
econômicas, como também, por questões relacionais. (SERIBELI; AGUIAR, 2011).
No entanto, para entendermos melhor o conceito e a concepção de “abandono” de
idosos, se faz necessário entender em primeiro lugar o contexto no qual surge o ‘abandono’.
Com a chegada da industrialização no Brasil e conseqüentemente como as ampliações dela
decorrentes, tanto no campo social, como econômico, observou-se, que a família patriarcal
começou desaparecer. As mulheres e crianças passam a trabalhar, essas eram os alvos de
exploração, pois recebiam menos. Isso de fato contribuiu para que a família patriarcal
mudasse. Com isso, as mulheres passaram a trabalhar fora do lar e não tinham mais tanto
tempo para cuidar da casa, das crianças e muito menos de um idoso.
Foi, a partir dos séculos XIX e XX, que os idosos passaram a ser encaminhados para
entidades, tais como: hospitais, igrejas e mais tarde para instituições asilares. Destaca-se aqui
as poucas instituições existentes que estavam à cargo da Igreja Católica, em especial para a
Sociedade São Vicente de Paulo. Vale ressaltar, que dependendo da época em questão, as
famílias que tinham condições economicamente melhores, tinham condições de melhor tratar
o idoso; os outros que não dispunham de melhores condições, os quais representavam a
maioria, não raras vezes submetiam os idosos de sua família a tratamentos desumanos.
(SERIBELI; AGUIAR, 2011).
Todavia, envelhecer em um país em desenvolvimento é tarefa árdua, a má notícia é
que, os idosos hoje, estão mais sujeitos a uma situação de isolamento e maior grau de
dependência e incapacidade, isto porque estão sujeitos a uma pior qualidade de vida.
Entretanto, as situações econômicas, contudo não são as únicas causas de abandono,
ou seja, as próprias condições de fragilidade do idoso e a dependência de outras pessoas, em
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função da perda da autonomia e da independência fazem com que o idoso seja abandonado e
sinta “na pele” o que esta palavra na realidade representa na prática.
5 RESULTADOS, DISCUSSÕES E ANÁLISE DA PESQUISA
A entrevista foi realizada no Instituto de Integridade Lar Maria Madalena do Núcleo
Bandeirante-DF, com a Assistente Social. Com o objetivo de compreender e identificar os
motivos que levam os idosos a estarem nesse local – ILP, bem como, nos objetivos
específicos identificar o perfil dos idosos que se encontram acolhidos no instituto, identificar
as principais violências e também levantar os autores da violência sofrida pelos idosos que
vivem atualmente no Instituto de Integridade Lar dos Velhinhos Maria Madalena do Núcleo
Bandeirante. Infere-se que são idosos independentes que tem como motivo de acolhimento
vulnerabilidade social ou econômica, com índice de violência muito raro na instituição.
A vulnerabilidade é entendida como:
[...] precariedade do trabalho, analfabetismo digital, incapacidade mental, habitação
precária, desestruturação familiar, proteção social insuficiente ou antecedentes
criminais. Essas fontes incidirão com mais força nos grupos de alta vulnerabilidade
estrutural: mulheres, jovens, idosos, imigrantes ou classes de baixa renda
(circunstâncias intensificadoras). (SUBIRATS, 2010, p. 103).
Para compreender como funciona uma ILPI, a Assistente Social explicou com ênfase
a história, de como tudo começou, “sendo uma Instituição Filantrópica e têm 32 anos de
funcionamento, no decorrer do tempo a instituição mudou muito seu funcionamento, e seu
acolhimento aos idosos, sendo que o perfil do idoso então não é o mesmo do idoso que entra
hoje na instituição, no entanto existem idosos na instituição a mais de 30 anos”.
Sobre a questão em relação ao perfil dos idosos que são acolhidos pela instituição, a
entrevista nos contou que ocorreram grandes mudanças. Antigamente o acolhimento ocorria
da seguinte forma, a polícia encontrava um idoso em situação de vulnerabilidade como, por
exemplo, acidentes, e encaminhava-o para a instituição, chegando até 150 idosos
institucionalizados, no entanto depois os profissionais e responsáveis pela instituição tiveram
que cuidar destes idosos fragilizados por longo tempo.
Conforme a entrevistada com o decorrer do tempo foram sendo estabelecidas normas e
regras para regulamentar a instituição, essas deveriam ser obedecidas pelos idosos. Desse
modo, hoje os idosos que são institucionalizados são aqueles que procuram a instituição por
vontade própria, que buscam um espaço com pessoas para cuidar deles”.
Ainda segundo contou-nos a entrevistada, antes a demanda da instituição era muito
espontânea, atualmente a instituição tem convenio com a SEDEST (Secretaria de
Desenvolvimento Social e Transferência), para fazer esse acolhimento a esses idosos, assim,
deve-se fazer contato com o CREAS (Centro Referencia Especializada de Assistência Social),
da SEDEST, que atende sua cidade, para que os técnicos façam o estudo do caso e
posteriormente o encaminhamento a um dos abrigos conveniados com o GDF (Governo do
Distrito Federal), que é somente para idosos com 60 anos de idade ou mais, conforme os
termos do convênio.
A Assistente Social contou também que é o CREAS é que faz um acompanhamento
familiar contando com organizações que possibilitam isso, como organização, com redes
familiares e comunitárias, que existem na mesma situação de serviço para que o idoso não
venha sem vontade própria. O lar dos velhinhos acolhe idosos independentes, pois segundo a
Assistente Social só é aceito se for por vontade própria do idoso.
“Porém, segundo a entrevistada a UNAI que faz a seleção dessas vagas, onde são
15
oferecidas de acordo com a necessidade do idoso, ou seja, quando este idoso está em situação
critica de vulnerabilidade ou não sendo independente, pois é necessário que este seja
dependente para assim ser encaminhado para a UNAI”.
“O Lar diante da ausência e indolência do familiar junto ao idoso na instituição, não
fica omisso. Procura restabelecer contatos, entendendo que eles são fundamentais para o bemestar do idoso: Algumas famílias precisam ser convocadas para visitas, pois o afastamento
prolongado ocasiona depressão, angústia e solidão no idoso, que se sente abandonado”. Sobre
a relação da família na socialização dos idosos, Faleiros diz:
Assim, compreende-se que a participação da família é muito importante
para a socialização do idoso, pois em grande parte o motivo para tal acolhimento são
condições financeiras, abandono ou por falta de tempo para cuidar desse idoso,
segundo Faleiros “o abandono implica descuido, desamparo, de responsabilidade e
de compromisso do cuidado e afeto” (FALEIROS, 2007 p.46).
“A instituição trabalha para manter esse laço com a família para que o idoso dessa
forma não perca seu vinculo familiar. Quando o idoso é interditado a instituição tomam a
responsabilidade, caso este idoso seja dependente e não tem ninguém para responder por suas
ações ou necessidades, por exemplo, nos casos relacionados à saúde. No entanto a instituição
no momento só tem idosos independentes”.
“Em relação à saúde, na instituição só tem um idoso que possui plano de saúde, os
demais recebem atendimento pelo SUS. A Assistente Social e a instituição fazem questão de
deixar bem claro que não se trata de um hospital e sim de um lar residência, pois aqueles
idosos que matem vínculo familiar cabem aos familiares levá-los para consultar, caso não
tenha a instituição que se responsabiliza”.
“Os idosos que estão acolhidos na instituição participam de atividade de fisioterapia,
ioga, oficina de artesanato, biblioteca, sala de leitura e atividades externas como teatro, bazar,
saúde, clube, etc. Sendo que essas atividades são realizadas com a presença de familiares e da
comunidade”.
Segundo relatou a Assistente Social o Lar Maria Madalena diante desse fato deveria
aproveitar mais essas as atividades desenvolvidas na instituição, que envolve tanto os idosos
quanto os familiares para fortalecimento desses vínculos e para prevenir outras situações que
acarretem riscos e vulnerabilidades sociais.
Pois o Lar através das suas atividades pautaria na criação de situações desafiadoras,
estimulando e orientando idoso e familiar na construção e reconstrução de suas próprias
histórias e vivências individuais e coletivas na família e porque não na instituição.
Na entrevista com a Assistente Social ficou clara a questão de violência contra os
idosos na instituição, pois antes no Lar eram feitas muitas reportagens para saber se tinha
idoso que sofreu algum tipo de agressão, só que as famílias sempre negam, por isso, a
dificuldade em saber, pois a maioria ocorre no ambiente familiar, dentro de casa.
“A instituição ao longo de sua existência tem conhecimento de três idosos que
sofreram agressão do próprio familiar ou da pessoa responsável de cuidar do idoso. Hoje na
instituição não existe idosos que vem com problema de agressão, pelo menos que se perceba”.
Segundo Casara (2004) muitos idosos são institucionalizados e mantidos contra a sua
vontade longe do convívio familiar. E esses afastamentos na maioria das vezes acontecem em
decorrência de vários fatores, como: a dependência do álcool, agressões física e mental,
abandono do lar, perda de bens financeiros e outro os fatores.
“Segundo a Assistente Social onde realizamos a pesquisa, o motivo para acolhimento,
principalmente masculino é o alcoolismo. Por esse motivo os filhos que por muita vezes
sofreram algum tipo de violência ou ausência de carinho por parente que hoje se encontra
idoso, não possui uma relação afetiva e muitas vezes nem recursos financeiros para cuidar
16
desse idoso”. Esse elemento na nossa análise também permite compreender o que pode ser
uma das causas que configura o quadro de abandono que afeta boa parte desse segmento.
Um dos elementos que mais chama a atenção na realidade dos idosos também no Lar
Maria Madalena, é que as agressões mais sofridas pelos idosos não é física, mas sim psicológicas causadas pelo abandono e a falta de recursos financeiros para se cuidar desses idosos. É
necessário mudar atitudes, práticas e políticas, para concretizar as potencialidades do envelhecimento, favorecendo-o como digno e seguro e criando oportunidades de desenvolvimento e
social.
É fundamental garantir a participação dos idosos na vida econômica, política e social,
participação como cidadãos em plenos direitos e desenvolver plenamente seu potencial,
mediante acesso a recursos culturais, espirituais, educativos e recreativos. Para eliminar a
violência e a discriminação, é preciso valorizar a família, garantir a igualdade entre gêneros e
criar mecanismos de proteção social.
Com isso compreende-se que mesmo na instituição não tendo muitos casos de
violência, infelizmente essa é uma realidade cada vez mais constante na sociedade, pois
vemos a todos instantes diferentes gêneros de violência sendo praticada.
Segundo Faleiros (2007) os agressores dos idosos são na maioria os próprios filhos,
configurando dessa forma a violência intrafamiliar que é praticado por familiares e parentes
dos idosos.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho de conclusão de curso possibilitou fazer uma maior aproximação do tema e compreensão da realidade do idoso institucionalizado. No entanto, estar institucionalizado é uma questão de extenso debate, por um lado a instituição com as funções de proteger e
cuidar, por outro, o idoso frente às novas adaptações, ambos perpassam momentos de transição, que também requisitam o reconhecimento de suas demandas e necessidades.
No decorrer da pesquisa o problema levantado foi o motivo pelo qual o idoso é
institucionalizado, e a hipótese foi que o motivo esta relacionado à negligência ou
vulnerabilidade familiar, violência, e também o despreparo da sociedade, no entanto no Lar
Maria de Madalena, até o momento esses motivos são algo raro, entre os motivos mais
presentes é o abandono, quando os filhos ou cuidadores não tem condições de cuidar deste
idoso, sendo que motivo principal para esse abandono é causado pelo alcoolismo que até
então não fazia parte da hipótese levantada, mas que foi muito interessante essa descoberta e
constatação.
Através da entrevista com a Assistente Social ficou evidenciada uma certa proteção
por parte da profissional em relação à instituição, uma vez que diz que a maioria dos idosos
que se encontram institucionados não são vítimas de nenhuma forma de violência.
Por fim, sabemos que o envelhecimento é implacável, podendo ser contido apenas
com o fim da vida. Todavia por ser inevitável e ao mesmo tempo inaceitável para a sociedade
atual ele é fonte de muita aflição. Porém, o silêncio acerca do tema está ligado ao desconforto
causado com a projeção que fazemos em nós mesmos. Portanto, não podemos nos furtar ao
debate destas questões. Por isso, precisamos estar sempre atentos às formas sutis de
naturalização das práticas segregadoras e causadoras de abandono ao sujeito. A denúncia e a
busca pela mudança devem estar presentes no nosso fazer cotidiano.
THE MAIN REASONS THAT LEAD THE ELDERLY THE LEAD IN LONG STAY
INSTITUTIONS
Abstract:
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The article aims to analyze the reality of the elderly living in long-stay institutions. Thus with
the demographic changes society lives the phenomenon of population aging, and as a consequence, there is need to adapt to profound social, economic and cultural changes. Considering
that responsibility for the elderly is attributed mainly to the family; however, often the family
find themselves unable to pay attention and provide the necessary care for their elderly, opting
for institutionalization of the same. This article aims to discuss the reasons for the residential
care of the elderly who are welcomed to the Integrity Institute of Home Velhinhos Mary
Magdalene Casco.
Keywords: Elderly, long-stay institutions, Integrity Institute Velhinhos Home of Mary Magdalene
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Jaquelania Maria Pereira da Silva