MANUAL DO INGRESSANTE
UNESP
FRANCA
2015
SUMÁRIO
1. Olá! ............................................................... Pág. 3
2. UNESP: universidade pública? ..................... Pág. 4
3. Onde morar? ................................................. Pág. 5
4. Conheça sua universidade ........................... Pág. 8
5. A vida unespiana .......................................... Pág. 19
6. A vivência no campus ................................... Pág. 26
7. Trote NÃO ..................................................... Pág. 30
8. Comidas e telefones úteis .............................Pág. 32
Nota: Ao longo desse manual você vai encontrar alguns substantivos e
adjetivos escritos não de maneira tradicional, terminando em “o” e “a”,
mas sim em “x”, como em “calourx” e “queridx”. Não se assuste! Isso
significa que o autor do texto prefere não atribuir um gênero específico à
pessoa que está lendo, já que ela pode ser homem, mulher, ou pode até
mesmo não se identificar com nenhum dos dois. É uma medida inclusiva
que visa atender aos mais variados tipos de leitores.
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OLÁ!
Sejam muito bem vindos e bem vindas, ingressantes de 2015!
Estamos certos de que essa conquista é resultado de muito esforço, escolhas
e noites mal dormidas. Mas temos dito: a vivência unespiana vale a pena!
Esse Manual é feito por alunos e para alunos, na tentativa de aproximarmos os
discentes e de passar a vocês um primeiro contato com o campus – sua
organização, estrutura, burocracia e espaços estudantis - baseando-nos nas
dúvidas e impasses que também tivemos enquanto ingressantes.
A UNESP é uma instituição de ensino superior de grande reconhecimento e
prestígio, alicerçada sobre o tripé ensino, extensão e pesquisa. Sendo assim,
o campus de Franca não poderia ser diferente, e constitui notável vertente das
ciências humanas, contando com os cursos de Direito, História, Relações
Internacionais e Serviço Social.
A UNESP - Franca possui o caráter dúbio de ser uma faculdade tradicional –
historicamente falando – e, ao mesmo tempo, transformadora, enquanto centro
de debates e construção conjunta, espaço plural e controverso, fomentados
tanto pelo conhecimento crítico que é desenvolvido nos cursos oferecidos,
como pela atuação do Movimento Estudantil.
Sintam-se motivados nessa jornada universitária que se inicia, extraiam o
máximo que o ensino, a extensão e a pesquisa podem oferecer, componham
os espaços de discussão estudantil e, sobretudo, deixem-se conquistar pela
UNESP que, mesmo com suas imperfeições, é um espaço inteiramente
dedicado a nós. Vale a pena lutarmos por ele!
Entrem, fiquem à vontade, a casa é de vocês!
Ana Luíza de Abreu Paiva (MaOe) – Turma XXXI de Direito, membro
do Centro Acadêmico de Direito Prof. André Franco Montoro, gestão
“Mandacaru”.
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UNESP: UNIVERSIDADE PÚBLICA?
A UNESP, assim como outras instituições de ensino superior, utiliza o modelo
que chamamos de “tripé acadêmico”, ou seja, o ensino, pesquisa e extensão são
realizados de forma indissociada. Esta talvez seja, além da qualidade do ensino
em si, o grande diferencial das Universidades públicas, em que as aulas são
complementadas pela produção científica (pesquisa) e pelo fornecimento de
serviços à sociedade (extensão). É importante destacar a necessidade do
equilíbrio entre essas 3 bases fundamentais, para que este tripé não fique
“manco” e não haja déficit na educação.
Entretanto, apesar da excelência do ensino desta casa, a ocorrência de cortes
orçamentários vindos do governo estadual está pondo em risco a qualidade do
ensino superior público. No ano de 2014, por exemplo, as extensões sofreram
um corte de 60% das bolsas, o que prejudicou não somente os alunos engajados
nestes projetos, mas também a sociedade (principalmente as classes mais
pobres), que usufruía destes serviços de auxílio ao povo.
A ideia de uma Universidade pública implica na permissão de acesso por toda
a população, mas uma instituição pública DE FATO implica na oportunidade
PALPÁVEL de acesso, tanto pelas classes altas como baixas. O processo
meritocrático de ingresso à Universidade é um obstáculo a esse ingresso
democrático, pois não funciona como uma seleção dxs melhores candidatxs, mas
resulta, na grande maioria das vezes, na seleção daquelxs que puderam pagar
um ensino fundamental e médio de qualidade; excluindo, mais uma vez, a classe
mais pobre. Esta desigualdade torna claro que a educação, há tempos, deixou de
ser um direito para se tornar um serviço, ao qual somente a população
financeiramente privilegiada possui amplo acesso. Além do que o vestibular,
pouco problematizado nas discussões do cenário nacional, não leva em conta a
capacidade reflexiva dx candidatx, desvalorizando habilidades fundamentais à
vida acadêmica.
Seguindo com a problematização de nosso panorama universitário, nossas
políticas de permanência estudantil, que auxiliam alunxs mais pobres a se
manter na Universidade, estão cada vez mais precarizadas. O Restaurante
Universitário, por exemplo, que fornece refeições de preço acessível, não atende
à demanda do campus. E a reitoria, frente a um cenário de lutas contra a
exclusão social, leva repressão àquelxs que lutam pelo direito de estudar. O
Movimento Estudantil da UNESP-Franca repudia todo e qualquer tipo de
exclusão e tem se mantido forte na resistência contra o sucateamento da
Universidade, visando um ensino e permanência de qualidade, para agora e para
gerações posteriores.
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É preciso lutar contra toda e qualquer política de mercantilização da educação,
contra o avanço do projeto neoliberal nas universidades públicas, que cada vez
mais limita o acesso da população ao saber e vem na contramão das demandas
populares, concentrando ainda mais capital e, consequentemente, poder. A luta
pela Universidade pública de fato consiste no avanço em direção à igualdade, na
exaltação da democracia, permitindo que o espaço público seja um espaço
realmente de TODOS e TODAS, considerando a educação um direito fundamental
e imprescindível para todos os cidadãos e cidadãs.
Não calemos nossa luta por direitos frente àquelxs que defendem privilégios!
Bruno Henrique Marques (Axé Moi) – Turma XXXI de Direito, membro do
Centro Acadêmico de Direito Prof. André Franco Montoro, gestão
“Mandacaru”.
ONDE MORAR?
O Adote
Bem vindx, ingressante!
Chegou agora em Franca e ainda está meio perdidx? É pra isso que serve o
sistema de adote.
Funciona assim: você fica morando em uma república ou apartamento por
mais ou menos um mês, sem precisar pagar aluguel. Durante esse tempo
você pode entrar em contato com a vida universitária e conhecer pessoas,
com a ajuda de quem já passou por tudo isso. É também nesse período que
você vai conhecer a casa e xs moradorxs para decidir se quer morar lá
definitivamente ou não.
Para ficar adotadx em uma casa, basta procurar por vagas nos grupos de
ingressantes do facebook.
Laura Muriel Costa (Merthiolate) – Turma LII de História, membro do
Centro Acadêmico de História Gabriel Roy, gestão “Arebo”.
República ou apartamento?
É chegada a hora, caro ingressante: roupas não surgirão misteriosamente
limpas no seu armário, sua comida não estará pronta ao chegar em casa depois
de um dia de aulas e compromissos na faculdade, suas contas terão que
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ser administradas por você mesmo (olha que legal!) e acima de tudo é hora de
curtir e viver uma liberdade que muitos não estão acostumados.
Uma ótima forma de enfrentar esse novo mundo é trocando ideia com a galera
que já passou por tudo que você está prestes a experienciar. Mas por que não
morar com elas? Com o adote você poderá morar em alguma república ou
apartamento com pessoas que estarão dispostas a te mostrar todas as manhas
e os espaço que todo graduando da Unesp-Franca deve conhecer.
Morar em uma república, em primeiro momento, pode ser um grande desafio.
Você entrará em contato com pessoas que pensam e olham o mundo de uma
maneira distinta da sua, e é através dessa pluralidade que novos pensamentos e
questionamentos surgirão na sua trajetória. Louças, um pouco de bagunça,
festas, conversas jogadas fora no sofá serão o inicio para o surgimento de
grandes amizades, porém muitas vezes conflitos, questionamentos e atritos te
farão se perguntar: O QUE DIABOS EU TÔ FAZENDO AQUI? Relaxa, é nesse
momento que você perceberá que morar em Rep vale a pena, pois você terá
pessoas que estarão prontas para te dar aquela força assim como aquele seu
amigo que agora está distante. Além de ter com quem contar você terá o
benefício de pagar um preço acessível no aluguel e nas outras despesas
domesticas (água, luz, net, etc...).
Se optar por morar em apartamento, você encontrará um ambiente mais
tranquilo, com maior privacidade e possivelmente com menos movimentação de
pessoas. Construir um ambiente familiar, em um apartamento, pode ser muitas
vezes mais difícil do que em uma república, porém com certeza haverá colegas
para estar do seu lado e construir um ambiente que te faça sentir-se em casa.
Ambas as possibilidades te permitirão vivenciar as experiências que a
universidade te espera, pois o que importa mesmo nessa nova jornada é estar
disposto a conhecer novas coisas. Lembre-se que é uma nova fase e o
importante é estar em um lugar em que você se sinta bem e feliz.
Adriano da Silva Avelino (Conga) – Turma LII de História da UNESP,
membro do Centro Acadêmico de História Gabriel Roy, gestão “Arebo”; e
Fausto Augusto Ferro Gomes (Grego) – Turma XXXI de Direito, membro
do Centro Acadêmico de Direito Prof. André Franco Montoro, gestão
“Mandacaru”.
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A Moradia Estudantil
Ah, a Moradia querida...
Por mais de três anos da minha graduação, residi na Moradia Estudantil
da UNESP. Faço aqui no manual meu registro deste tão estimado espaço
de amizade, amor, resistência e luta.
A Moradia da UNESP localiza-se à Avenida Adhemar Polo Filho, 2050,
Jardim Veneza, perto do Centro da Cidade. Há, claro, a dificuldade de ficar
longe da Faculdade. Entretanto, há os benefícios de estar perto de uma
região da cidade que possui uma gama de variedades quanto a comércio e
serviços.
A Moradia Estudantil é destinada a estudantes que possuem
hipossuficiência socioeconômica. Na querida “Morada”, não precisamos
pagar aluguel ou qualquer tipo de conta – seja de luz, água ou sei-lá-o-quê-. Isso ajuda muito na permanência na UNESP e em Franca!
Ademais, a Moradia Estudantil da UNESP é um espaço de referência
para o Movimento Estudantil. Por ser um local que agrupa um número
grande de pessoas que necessitam da permanência estudantil, ela é um
local caracterizado por ser de resistência e por ser combativo. Durante os
anos que morei lá, tive um crescimento individual, um amadurecimento,
inenarrável. Foi, com certeza, uma das experiências mais edificantes que já
tive em toda minha vida. Pois, lá, aprendi que o mundo está aí para colocar
obstáculos e os mais diversos entraves em nossos sonhos. Porém, com
companheiros e companheiras de luta e de vida, as dificuldades são
superadas com muito mais facilidade.
No quarto 32, onde considero minha eterna casa, e nos espaços coletivos
da “Morada”, aprendi grande parte dos ensinamentos mais importantes da
minha vida, como me adaptar a ambiente coletivos. Por fim, digo com a
maior certeza que possa existir: não titubeie. Vá para a Moradia.
João Vítor Dantas Alves (Fita) – Turma XVIII de Direito
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CONHEÇA SUA UNIVERSIDADE
Mapa do campus
Órgãos colegiados e instâncias de deliberação
Olá ingressante,
Algumas pessoas acreditam que o grande desafio já foi cumprido – o de entrar
em uma Universidade Pública e que agora as coisas tendem a ficar bem mais
sossegadas do que antes. Enganam-se, jovens, pois há muito o que ser feito e
enfrentado, e não só no âmbito individual do comprometimento com uma graduação
““exemplar””, mas extrapolando os limites da sala de aula e do próprio umbigo é
preciso responsabilidade e envolvimento na construção de uma universidade
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verdadeiramente democrática, plural e de qualidade.
Muitas são as formas de luta para essa construção, uma delas é permear os
espaços burocráticos e demarcar as posições dxs alunxs para garantia de nossos
direitos, que muitas vezes são negligenciados e tratorados. Nesse sentido, é
preciso conhecer os órgãos colegiados da nossa instituição. Adianto-lhes que
somos obrigadxs a conviver com um sistema totalmente desigual, que é o sistema
70,15,15 que representa o valor dos votos de cada seguimento universitário: o voto
dos professores tem peso de 70% contra 15% dos servidores e 15% dos alunos. Já
viram! Isso reflete o tamanho da importância que nos é dado e consequentemente
no atendimento das nossas demandas. Por isso, estamos constantemente usando
de pressões e mobilizações para fazer nossas vozes serem ouvidas.
Nossa Universidade conta com 6 departamentos que atendem as necessidades
de nossos 4 cursos (Departamento de Direito Público; Departamento de Direito
Privado; Departamento de Educação, Ciências Sociais e Políticas Públicas;
Departamento de História; Departamento de Serviço Social e Departamento de
Relações Internacionais). São eles responsáveis pela contratação dxs docentes
para as matérias às quais os compõem, cabe-lhes a instauração de concursos
públicos para tal. E aqui já reside um problema, pois num sistema de
apadrinhamento e causas obscuras, nossos concursos geralmente são realizados
sem ampla divulgação e consequente pouca concorrência, o que afeta a qualidade
de ensino. Cabe axs discentes a fiscalização constante e presença nas bancas.
Também constitui função desse órgão a responsabilidade da planilha de presença
dxs docentes. Assim, quando umx docente faltar sem justificativa, é ao
departamento que xs alunos recorrem. Entre outras funções departamentais,
encontram se:
•
•
•
•
•
Promove o desenvolvimento das linhas de pesquisa
Propõe a criação, a extinção ou a redistribuição de disciplinas
Promove e supervisiona as solicitações de financiamento de pesquisas;
Coordena os pedidos de bolsas de estudo
Realiza anualmente a avaliação das atividades desenvolvida
Em seguida, a UNESP Franca tem 4 Conselhos de Graduação de Curso que
defendem os interesses e solucionam problemas dos seus respectivos cursos (
História, Serviço Social, Relações Internacionais e Direito). São responsáveis pela
mediação dos conflitos decorrentes da relação docente-discente. Recebem
geralmente as demandas e reclamações dxs alunxs. Suas demais atribuições
consistem em:
• Propõe diretrizes para elaboração e definição do horário das atividades
programadas, consultados os professores do curso;
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• Propõe normas para o processo de matrícula, mostrando as oportunidades
existentes (iniciação científica, projetos de extensão, intercâmbio, bolsas e
auxílios);
• Analisa e aprova os programas da Unesp para alunos participarem de
intercâmbio Nacional e Internacional, bem como os programas dos candidatos
de outras instituições ao intercâmbio na Unesp;
• Coordena e analisa o processo de avaliação de conteúdo ministrado e do
desempenho didático dos docentes, informar os resultados aos docentes e
departamentos e auxiliar na resolução dos problemas detectados;
• Coordena e acompanha o processo de avaliação do aproveitamento dos
alunos, encaminhando soluções para eventuais problemas nesse âmbito;
• Exerce quaisquer outras atribuições necessárias à coordenação do trabalho
pedagógico, visando o bom desenvolvimento das atividades de ensino.
Por fim, temos a Congregação –âmbito máximo de deliberação- que discute
pautas de todo o Campus. Contém representantes de todos os seguimentos
universitários e de todos os cursos. Além de deliberativo, é um órgão normativo em
matéria de ensino, pesquisa, extensão universitária e administração.
Recebe as reclamações não solucionadas em outras instâncias e indica
resolução cabível. Muitas das demandas estudantis referentes à permanência,
extensão, abusos de direito são aqui discutidas, por isso, é comumente palco de
manifestações e mobilizações dos discentes. Decorrente disso é nesse espaço que
vemos expressões mais escancaradas do alheamento para com as pautas do
movimento estudantil e atos exacerbados de autoritarismo.
Em âmbito mais amplo existe, ainda, o Conselho Universitário(C.O.), que é a
máxima instância deliberativa de toda a UNESP e está ligado à figura dx reitorx. Lá
são discutidos problemas dos diferentes campi, como o orçamento destinado à
eles, por exemplo.
Para mais informações sobre o que está ocorrendo com o seu curso e,
principalmente, com a nossa Universidade, esteja sempre em contato com o seu
Centro Acadêmico e compareça às Assembleias dxs Alunxs.
Jéssica Thaís de Lima – Turma XXIX de Direito
Representação Discente
A universidade pública possuiu autonomia de gestão e é responsável pela sua
organização institucional, pedagógica e política. Nesse sentido, ela se estrutura em
diversos fóruns e cargos que dizem respeito às instâncias de poder de decisão
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no interior da Universidade. A diferença da instituição pública de ensino superior
é que aqui o aluno também tem direito de opinar nas deliberações.
Ao contrário do que todos nós vivenciamos no ensino médio e no cursinho,
onde a matéria é apresentada pelos professores num formato pronto e as
decisões importantes são tomadas exclusivamente pelos diretores, sem qualquer
interferência ou mesmo questionamento dos estudantes, na Universidade nós
podemos intervir. Caso discordemos da disposição das matérias do nosso curso,
do desempenho dos professores ou da forma como são distribuídas as bolsas de
extensão, por exemplo, temos o direito e o dever de manifestar nossa indignação.
Isso é feito através da Representação Discente.
Eleitos pelos demais alunos através de eleição própria, os Representantes
Discentes (RDs) têm a função de informar e deliberar sobre as decisões tomadas
nas diversas instâncias da Universidade. Eles têm direito de voz e voto garantido
por estatuto em diversos órgãos colegiados, como o Conselho Universitário, a
Congregação, o Conselho de Curso e os Departamentos de Curso.
Além desses órgãos, existem também as Comissões Permanentes, as quais
tratam de assuntos referentes ao tripé universitário (Ensino, Pesquisa e
Extensão) e que também possuem Representantes Discentes entre seus
membros. São elas:
• A Comissão Permanente de Ensino (CPE), a qual trata de avaliações de
cursos, desempenho docente, propostas de novas estruturas curriculares, etc.
Sua função é identificar problemas relacionados ao ensino no campus e propor
soluções à Congregação.
• A Comissão Permanente de Pesquisa (CPP), que tem o papel de
programar, orientar, coordenar e supervisionar as atividades de pesquisa no
campus, além de se manifestar sobre a concessão de bolsas de pesquisa.
• A Comissão Permanente de Extensão Universitária (CPEU), a qual
coordena e avalia os processos referentes à concessão de bolsas para grupos
de extensão e auxílios a estudantes de graduação da unidade, além de se
manifestar sobre novos projetos de extensão.
Contudo, segundo a estrutura de poder de todos esses espaços, a
proporcionalidade de integrantes e votos que representam os estudantes é
inversamente proporcional ao nosso número na Universidade. Temos 15% dos
votos nesses órgãos, juntamente com 15% dos funcionários, contra 70% de votos
dos professores. Logo fica claro como são tomadas as decisões e o quão
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trabalhoso é sermos atendidos na Universidade.
Justamente por isso a participação de todos os alunos no movimento estudantil e
nas instâncias de deliberação é essencial para termos nossos interesses
contemplados. Temos a obrigação de ocupar todos os espaços de Representação
Discente e sermos atuantes e incisivos em todos eles. Protestos, abaixo assinados,
reuniões com centros e diretórios acadêmicos são importantíssimos como
instrumento de articulação e pressão, mas o único lugar onde obrigatoriamente
podemos ser ouvidos são os órgãos colegiados. Nossa voz tem, sim, importância
dentro da Universidade, e demandamos que ela seja sempre levada em conta!
Laísa Helena Charleaux (Zé) – Turma XXXI de Direito, membro do Centro
Acadêmico de Direito Prof. André Franco Montoro, gestão “Mandacaru”.
Centro Acadêmico (CA)
Um Centro Acadêmico (CA) é a menor instância de organização, representação
e atuação estudantil. Um CA é composto por alunos de um mesmo curso que se
organizaram e concorreram em uma eleição, para serem os representantes
legítimos e eleitos democraticamente dos estudantes de seu curso. Dessa maneira,
um CA pode atuar em algumas frentes, sendo uma delas a conhecida como
administrativa, em que o Centro Acadêmico atua de maneira a auxiliar os
estudantes nas burocracias da Universidade, promover eventos que
complementem e enriqueçam a graduação dos demais discentes, avaliar a postura
da Direção do Campus e do seu Departamento de Curso, de maneira crítica,
sempre mantendo diálogo com esses últimos.
Outra frente importante de atuação é o Movimento Estudantil (ME). Um CA é
eleito juntamente com sua leitura política de mundo, devendo atuar nesse sentido.
Os CAs lutam pela democratização do ensino público, com qualidade, de modo a
incluir camadas sociais marginalizadas da sociedade brasileira, como pobres,
negros, indígenas, homossexuais, e pessoas trans, por exemplo; tornando a
Universidade Pública múltipla e democrática. Faz parte dessa luta o enfrentamento
direto com aqueles que atentam contra a Universidade, que colocam em marcha
um processo de precarização da educação pública.
o
Diretório Acadêmico (DA)
O Diretório Acadêmico cumpre um papel unificador das entidades existentes
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no campus (Centros Acadêmicos de cada curso e Comissão de Moradia). Em
comparação aos CAs, ao quais são eleitos e representam os estudantes de seu
curso, o DA passa por processo eleitoral semelhante, representando toda a
comunidade estudantil da unidade. Dessa maneira, deve atuar sobre os temas
mais abrangentes e no movimento estudantil. Cabe ao DA convocar a Assembleia
Estudantil, centro máximo de deliberação das ações dos estudantes. A assembleia
é aberta e democrática, onde cada discente pode (e é recomendado que participe)
participar e expor e defender suas ideias. No caso da inexistência de um Diretório
Acadêmico a responsabilidade de convocação das assembleias recaí sobre o
Conselho de Entidades, organização que reúne os CA’s, a Comissão de Moradia e
o DA (caso exista).
Diretório Central dos Estudantes (DCE)
A Unesp é organizada de maneira multicampi, ou seja, seus campi são
espalhados por todo o Estado de São Paulo. A função do Diretório Central dos
Estudantes é articular todos os estudantes de todos os campi, de modo a atuar em
nível estadual, mantendo o diálogo diretamente com a Reitoria da Universidade.
Contudo, atualmente o DCE não existe de fato (é um DCE provisório), conhecido
também como Comitê Estadual de Mobilização (CEM) e possuindo caráter de
mobilização estadual e não entidade estudantil legalizada. Atualmente, a Diretoria
do DCE é composta por delegados de base, eleitos em assembleias nos campi, o
que confere dinamicidade ao órgão, não o burocratizando, uma vez que os
delegados são revogáveis em cada assembleia.
Níkolas Carneiro dos Santos (Raj) - Turma XI de Relações Internacionais,
membro do Centro Acadêmico de Relações Internacionais João Cabral de
Melo Neto, gestão “Motirõ”.
O Movimento Estudantil (ME)
O Movimento Estudantil é uma importante organização que visa a auxiliar a
expressão da massa estudantil da UNESP. O movimento, como o próprio nome
nos diz, é formado por estudantes para atender assuntos que interferem direta ou
indiretamente na vida acadêmica dos alunos; portanto, cada aluno que participa do
movimento adiciona a esse mais força e notoriedade. Utilizando a crítica e o
questionamento, o ME busca confrontar decisões impositivas que ferem a
democracia universitária.
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A participação no Movimento Estudantil garante ao estudante um contato direto
com a vida política, propiciando experiências e conhecimento nessa área,
garantindo um amadurecimento e desenvolvimento das opiniões e permitindo
atuação no campo. Além disso, o movimento permite que o aluno tome maior
conhecimento dos problemas que, não só seu campus, mas a universidade como
um todo enfrenta.
A experiência política é de grande importância independente da carreira que se
planeja seguir, ter esse tipo de bagagem permite uma maior preparação para
situações que possam surgir na vida fora da universidade.
O Movimento Estudantil teve seu auge durante a Ditadura Militar, momento no
qual sua expressão ganhou força frente a repressão do governo. Atualmente o
movimento procura participar ativamente e se expressar acerca de problemas
políticos das mais diversas esferas públicas, desde medidas municipais até
questões nacionais. Por isso é comum encontrar posts na internet do ME acerca
de questões municipais, como o aumento da tarifa de ônibus e a concessão de
passe estudantil em época de greve; ou de questões estaduais como ocupação
de reitorias, manifestações e etc.
Nós, a classe estudantil, sofremos de uma certa vulnerabilidade no microcosmo
da UNESP. Possuímos apenas 15% do total de votos em espaços deliberativos
da Universidade (enquanto os docentes possuem 70%, e os funcionários, 15%), o
que nos subordina a decisões que muitas vezes não condizem com o que
realmente necessitamos e defendemos. Tendo em vista essa realidade, o ME é
um corpo vivo que clama por mais vozes que deem a ele um maior poder de
atuação. O Movimento Estudantil precisa que você, estudante, não se torne
alheio a situações que nos prejudiquem por causa da nossa falta de voz em
espaços de decisão e da nossa vulnerabilidade. O ME precisa da sua voz
enquanto aluno, enquanto parte viva do espaço acadêmico, porque você é o
Movimento. Nada seria da Universidade sem você. O que seria da Universidade
sem seus alunos? Não subestime sua voz, a nossa voz, diante dessa falta de
paridade. Juntos, e somente juntos, de mãos dadas, conseguiremos lutar por
espaço mais democrático para a classe estudantil. Demos as mãos e lutemos
juntos por uma Universidade de fato, que ouça nossas reivindicações e as leve
em consideração, e que, em momento algum, cale a nossa rouca voz.
Lorena Torres Alcântara (Chibata) - Turma XIII de Relações
Internacionais; e Yanka Amorim Leal (Raspa) - Turma XXXI de Direito,
membro do Centro Acadêmico de Direito Prof. André Franco Montoro,
gestão “Mandacaru”.
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Auxílios socioeconômicos que a UNESP oferece
Permanência estudantil
Calourada:
Primeiramente gostaríamos de parabeniza-los(as) pelo
ingresso a
universidade e desejar as boas vindas. O vestibular constitui um instrumento de
seleção de estudantes de caráter obrigatório, segundo critérios meritorcráticos,
desse modo, é necessário compreender que a disposição de vagas encontra-se
aquém da demanda, portanto, o vestibular continua ranqueando estudantes e
deixando um grande número para o lado de fora dos muros das universidades
públicas, ratificando a desigualdade econômica, de acesso à educação pública de
qualidade. A permanência estudantil caracteriza-se pelo conjunto de políticas
que visam assegurar a permanência dos estudantes que não tem condições
econômicas de se manterem durante o período da graduação. É importante
salientar que essas políticas são frutos da luta do movimento estudantil, que
segue lutando pela ampliação dos direitos dos(as) estudantes. Sendo assim,
abaixo estão listados alguns dos auxílios e bolsas que compõem a permanência
estudantil (Bolsa de auxílio socioeconômico, Moradia Estudantil, Restaurante
universitário) e quais os procedimentos para pleiteá-los.
Obs: A maioria das políticas são focalizadas e seletivas, desse modo
configuram-se a partir de processos seletivos de caráter sócioeconômico, devido
a insuficiências de vagas e recursos.
Os processos seletivos acompanham o calendário da unidade local, maiores
informações e acesso aos formulários disponíveis no site UNESP Franca, guia
extensão – bolsas e auxílios:
http://www.unesp.br/proex/programas/paebolsas.php
• Bolsa de Apoio Acadêmico e Extensão I (BAAE I):
Destina-se aos (as) estudantes que comprovem carência sócioeconômica por
meio de um processo seletivo, que envolve o preenchimento de formulários e
entrevista com a assistente social. A bolsa tem duração de 12 meses, durante
esse período o(a) estudante deverá desenvolver a iniciação científica
acompanhado por um professor da unidade. O processo seletivo é realizado
anualmente, a partir de todo início do ano letivo, submetendo novamente os(as)
estudantes ao mesmo procedimento.
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Valor da bolsa mensal do ano de 2014: R$ 400,00
• Bolsa de Extensão Universitária II (BAAE II):
Destina-se aos(as) estudantes que desenvolvem atividades de extensão que
atuam em programas, projetos ou atividades de caráter comunitário. O(a)
estudante que candidatar-se à Bolsa de Extensão Universitária deverá realizar
sua inscrição diretamente com o coordenador do projeto aprovado pelo Edital
PROEX de projetos de extensão universitária.
Valor da bolsa mensal do ano de 2014: R$ 400,00
• Moradia Estudantil:
A UNESP Franca dispõe de uma moradia estudantil com 86 vagas, sendo 32
divididas em 4 blocos/casas e 54 vagas em um prédio, com isenção de taxa de
água, energia e aluguel.
Para se candidatar a uma vaga, o(a) estudante deverá fazer a inscrição,
submetendo-se ao mesmo processo seletivo referido na bolsa BAAE I. A
avaliação socioeconômica tem por base a renda e as despesas da família.
A moradia estudantil encontra-se à 7km da faculdade, desse modo, o estudantes
conquistaram o passe para o transporte público, mediante luta do Movimento
Estudantil.
Para maiores informações ente em contato com a página:
https://www.facebook.com/moradiaestudantil.unespfranca
• Auxílio aluguel:
O Auxílio Aluguel é destinado ao(a) estudante que se enquadre em condições de
necessidades socioeconômicas e que não estiver ocupando vaga nas moradia
estudantil da UNESP.
Para se candidatar a uma vaga, o(a) estudante deverá fazer a inscrição,
submetendo-se ao mesmo processo seletivo referido na bolsa BAAE I e na
moradia. A avaliação socioeconômica tem por base a renda e as despesas da
família.
Valor da bolsa mensal do ano de 2014: R$ 200,00
o
Jennyara Carolina de Campos (Xena) – Turma XXXV de Serviço Social; e
Amanda Kelly de Andrade (Preta) – Turma XVII de Serviço Social
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Auxílios para pesquisa que a UNESP Franca oferece
Bolsas de iniciação científica
Após passar no vestibular, os estudantes se deparam com um universo inteiro
para ser descoberto dentro da Universidade. O olhar do calouro para a
complexidade da vida universitária se mostra curioso e disposto a descobrir. A
sensação de que nada se sabe pode aparecer logo no primeiro dia e se estender
por grande parte da formação acadêmica. Porém, é necessário que os estudantes
saibam que essa sensação é extremamente normal e que por nenhum motivo,
devem eles deixar de aproveitar as diferentes oportunidades que a Universidade
oferece.
Assim acontece na pesquisa acadêmica. Muitos devem se perguntar qual a
razão de um estudante querer iniciar uma pesquisa se o foco dentro do curso não
é o desenvolvimento acadêmico. É nesse momento que o calouro comete o
primeiro erro. A experiência de iniciação científica pode abrir inúmeras portas ao
pesquisador iniciante e colocá-lo em contato com profissionais muito importantes
na respectiva área de pesquisa. Aproveitar o suporte oferecido pela instituição, o
apoio de um professor orientador e o conhecimento advindo de uma pesquisa,
pode ser o “pulo do gato” para garantir um futuro promissor.
Para auxiliar nessa jornada de estudo, existem instituições que auxiliam com
bolsas de iniciação científica o estudante que demonstrar competência e vontade.
Como essa competência e vontade é demonstrada? Na verdade, não existe
alguém de cada instituição que conheça cada estudante e que possa dar um
parecer dizendo que este ou aquele está apto a receber uma bolsa. A
competência e vontade de desenvolver a pesquisa pode ser demonstrada dentro
de um projeto de pesquisa de qualidade.
Como fazer um projeto de pesquisa? Para instituições como a FAPESP por
exemplo, primeiramente, é aconselhado que o estudante tenha tido aquela
disciplina na qual se deseja desenvolver a pesquisa, para que a instituição da
bolsa saiba que ele possui o mínimo de conhecimento necessário no assunto.
Depois, é necessário que o estudante escolha um professor orientador. Essa
etapa é decisiva em relação ao sucesso da pesquisa. É necessário um
alinhamento entre pesquisador, orientador e projeto de pesquisa. Procurem
conhecer os professores e saber mais sobre suas áreas de pesquisa.
Qual instituição de apoio escolher? Em restão de iniciação científica, cada
instituição tem uma característica própria. Existem por exemplo: FAPESP, CNPq
PIBIC, CAPES… Cada uma com seu modelo de submissão de projetos para a
aprovação. A FAPESP por exemplo, “as bolsas devem ser propostas pelo
17
orientador à entidade. Solicitação encaminhada em formulário próprio em qualquer
época do ano. O prazo de análise é de aproximadamente 75 dias.
http://www.fapesp.br.”
“Projetos propostos pelo orientador” não significa que o professor orientador irá
desenvolver o projeto para o aluno. O orientador poderá ou não dar instruções na
elaboração do projeto que deve ser feito pelo aluno. Depois disso o orientador
corrigirá o projeto e assinará os documentos preenchidos pelo aluno para a
submissão. A CNPq por exemplo, possui prazo de entrega. As bolsas são
destinadas à Universidade, pelo PIBIC, em forma de cotas e, também, ao
pesquisador qualificado, por meio de solicitação junto à entidade quando são
divulgados editais para esse fim. Atenção aos prazos. Para maiores informações,
procurem veteranos e professores. Discutam a possibilidade e adequação.
Aproveitem esta oportunidade.
Guilherme Jorge da Silva Gravatin (Xuxa) – Turma XXIX de Direito
Glossário de S.I.G.L.A.S. e lugares da UNESP
RU - Restaurante Universitário
ME - Movimento Estudantil
CV - Centro de Vivência
CA - Centro Acadêmico
STAEPE - Seção Técnica de Apoio
ao Ensino, Pesquisa e Extensão
CADir - Centro Acadêmico de Direito
SAEPE - Seção de Apoio ao Ensino,
Pesquisa e Extensão
PROEX - Pró-Reitoria de Extensão
CAH - Centro Acadêmico de História
CARI - Centro Acadêmico de Relações
Internacionais
NPJ – Núcleo de Prática Jurídica
CASS - Centro Acadêmico de Serviço
Social
JEC – Juizado Especial Cível
DA – Diretório Acadêmico
CJS – Centro Jurídico Social
CCI – Centro de Convivência Infantil
Barracão – Barracão das Extensões
Polo - Polo Computacional
Giga – lanchonete da UNESP
UNATI - Universidade Aberta à
Terceira Idade
RA – Reunião Administrativa
CEEUF – Conselho das Entidades
Estudantis da UNESP e Fatec
CEUF – Congresso dos Estudantes da
UNESP e Fatec
CEM – Comando Estadual de
Mobilização
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DCE – Diretório Central dos
Estudantes
BAAE – Bolsa de Apoio Acadêmico e
Extensão
RD – Representante Discente
IC – Iniciação Científica
A VIDA UNESPIANA
UNESP e diversidade
Parabéns, ingressante! Você acaba de se tornar parte de uma das maiores e
melhores universidades do país. Um conjunto plural de pesquisadores e militantes
estarão ao seu lado durante os próximos anos, desafiando diariamente suas noções
de verdade, justiça, igualdade e mérito. Não preciso pedir para que abandone
(pré)conceitos trazidos de suas diferentes socializações e vivências. A vida
universitária não te deixará escolha. Agradeça! A verdadeira democracia é aquela
que nos faz questionar nosso lugar e nossos papéis e problematizar a vida tanto
individual quanto coletiva.
Mas você já deve saber que nem tudo são flores na universidade púlica. Em
muitos aspectos, a experiência universitária vai servir para você enxergar quanta
coisa ainda precisa mudar. E eu não escrevo agora para falar sobre a falta de
funcionários e professores, a verba escassa e as prioridades no mínimo
questionáveis da reitoria. Escrevo para dizer que colegas são estupradas e
culpabilizadas pela violência sofrida – todos os anos. Que negros e negras são
chamados de macacos e abordados frequentemente pela polícia. Que gays e
lésbicas podem se beijar em festas, mas ainda sentem na pele o que significa não
ser bem-vindo. Que praticamente não existem travestis e transgêneros. Que as
bolsas para permanência de pobres são escandalosamente insuficientes. A
universidade, como a sociedade em geral, se desenhou para pessoas específicas.
A diversidade existe, mas insistem em nos impôr padrões e “normalidades” que
apagam tudo que é diferente. Chamam de doença, amoralidade, falta de esforço,
vitimismo, crime. Confundem a reação de quem sofre discriminações todos os dias
com a violência que lhes é exercida. E querem nos fazer acreditar que a luta por
respeito e dignidade é uma “ditadura da diversidade”. Gayzistas, feminazis,
esquerdopatas: nos rotulam com nomes pejorativos e depreciativos porque não
querem que o diferente exista. Querem que a regra seja a única existência possível.
Mas não é. E enquanto quem for divergente tiver acesso e permanência precários –
quando tem – à universidade, nossa luta vai continuar existindo.
19
Você não precisa concordar com as ações políticas dos movimentos sociais.
Não precisa ser contrário ao neoliberalismo econômico. Não precisa receber em
sua casa todos os moradores de rua. Nem precisa fazer voto de pobreza, juro.
Mas você precisa aceitar a realidade. E ela é dura. Dentro e fora dos muros da
universidade, a discriminação existe. Olhe ao redor: quantos negros e negras
dividem o espaço acadêmico com você? Quantas travestis? Quantas pessoas
com deficiência? Quantos gays afeminados e lésbicas masculinizadas? Quantos
dos poucos pobres em sua sala conseguirão terminar o curso? Certamente essas
pessoas merecem tanto quanto você estar e permanecer aqui dentro. Isso não
significa que diminuo seu esforço, caro ingressante. Significa que eu reconheço, e
você também deveria, que o mundo (e o vestibular) não é justo com todo mundo.
Se você, que provavelmente estudou em colégios particulares, pelo menos em
parte da vida, teve apoio da família e não precisou dividir o seu dia entre aulas e
trabalho, não achou a prova fácil, imagine quem não teve as mesmas condições.
Mas não há tempo para tristeza. Lutar contra estruturas sociais arraigadas é
bem difícil. Inclusive reconhecer privilégios e preconceitos. É um exercício diário
de humanidade. A diversidade existe, ingressante. Mas ela não está representada
na universidade, nem na maior parte das instituições. Então nos resta questionar
as relações de poder que permitem tais disparidades, sendo atores diretos de
movimentos sociais, grupos de extensão, pesquisadores comprometidos com a
realidade social, profissionais do direito preocupados com sua função na
reconstrução da justiça. E garantir que o ambiente acadêmico não seja
excludente. Deixe a bicha pintosa ser quem é, mona! Respeite o nome social e a
identidade de gênero das pessoas trans! Não ouse culpar a mulher pelas
violências diárias que sofre! Não seja prepotente a ponto de deslegitimar a
presença de cotistas na universidade! Não ache que seu cabelo é “bom” e que
você é um cidadão “de bem”, porque beleza e moral são conceitos condicionados
ao momento histórico. Diversidade é o que faz de nós humanos. E até que
sejamos todos e todas iguais – não só perante a lei – cada piada, olhar e abraço
fazem a diferença. E não se engane, ingressante. A universidade pública pulsa
política. Machistas, racistas, homolesbotransfóbicos, capicitistas e elitistas NÃO
PASSARÃO.
Victor Siqueira Serra (Smash) – Turma XXVIII de Direito
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Pluralidade e desconstrução
Sejam bem vindos, ingressantes! Vocês acabam de entrar numa das melhores
universidades públicas do país, um ambiente rico em pessoas de diversos lugares,
com os mais diversos hábitos, percepções e experiências. Com isso, a nossa
Universidade possui enorme pluralidade de opiniões e formas de agir em
determinadas situações. Num ambiente de tamanha construção intelectual, a
pluralidade é combustível para que haja construção e desconstrução constantes
nos espaços. Porém, essa diversidade toda traz também discursos que são
problemáticos para algumas pessoas, sendo estes os discursos de caráter
opressivo, racista, machista, LGBTfóbico, capacitista, gordofóbico, entre outros.
Nesses casos, tais falas devem ser combatidas e desconstruídas, porque reprimem,
ofendem e naturalizam preconceitos já muito presentes na nossa sociedade como
um todo.
Com esse intuito, no nosso microcosmo Unesp Franca, com seus problemas,
peculiaridades e práticas específicas, surgiram grupos que lutam pela igualdade,
por uma Universidade pública livre de opressão contra qualquer grupo social.
Dentre eles, existe o Margarida Alves, grupo de debate e estudo feminista, o
Respeita as Mina, também feminista, que realiza debates, oficinas artísticas e
intervenções no campus em prol da discussão feminista, e o CIEPeDiG, Centro
Interdisciplinar de Estudo Pesquisa e Extensão em Direito e Gênero.
Os grupos existem para auxiliar na luta a favor da desconstrução de opiniões e
práticas que firam a igualdade, mas não é necessário que se ingresse nos mesmos
para que a desconstrução ocorra. A mudança deve ser interna, a fim de que cada
indivíduo respeite e promova a igualdade com o próximo, afinal, machistas, racistas,
capacitistas, LGBTfóbicos, gordofóbicos e opressores num geral NÃO PASSARÃO!
Amanda Segato e Ciscato (Funk) – Turma XXXI de Direito, membro do Centro
Acadêmico de Direito Prof. André Franco Montoro, gestão “Mandacaru”.
Os grupos de extensão
A Extensão Universitária e a Prática da Liberdade
A universidade pública brasileira, desde a celebração da Constituição Federal de
1988, constitui-se fundamentalmente pelo tripé composto pelo ensino, pesquisa e
21
extensão. O princípio da indissociabilidade dessas atividades representa o
importante reconhecimento de que o saber acadêmico necessita igualmente tanto
do árduo trabalho de investigação científica, quanto da presença ativa dxs
estudantes e professorxs na realidade social e material em que estão inseridxs e do
qual são sujeitos. Ocorre que, sobretudo a partir da década de 90, a universidade
vem cada vez mais se tornando alvo das duras investidas do modelo neoliberal de
desenvolvimento, que impõe seus ditames privatizantes e mercadológicos em total
descumprimento à função social que deveria nortear a universidade pública.
A extensão universitária se materializa nos espaços acadêmicos de diversas
maneiras e pode lidar com distintas temáticas, sujeitos e demandas sociais, mas na
Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da UNESP, em especial, a extensão
universitária se concretiza principalmente por meio dos grupos de extensão. É
importante salientar que o campus de Franca está entre os que mais possuem
projetos de extensão – contando, atualmente, com mais de 40 projetos - o que
possibilita ao discente, por meio da análise crítica das experiências e
dasformulações teóricas, maior diversidade e compreensão sobre suas atuações na
sociedade, enriquecimento de sua formação acadêmica por meio da
interdisciplinaridade presente entre xs participantes dos grupos e, também,
conhecimento e vivência de múltiplas e distintas realidades sociais.
Nesse sentido, a prática extensionista, quando pensada dentro de uma
perspectiva crítica e emancipatória, é de extrema importância não apenas para a
(trans)formação individual dxs estudantes e, em especial, dxs ingressantes, que a
partir da extensão experimentam vivências e compartilham experiências junto aos
mais diversos setores da sociedade, mas, sobretudo, pela extensão representar
intenso processo educativo, cultural e político que viabiliza a comunicação
constante, horizontal e dialética entre o conhecimento acadêmico-científico
produzido na universidade e os saberes populares presentes fora dos muros da
instituição.
No ano de 2013, diante das crescentes violações de direitos praticadas pela
reitoria da UNESP contra toda a comunidade acadêmica, o movimento estudantil
reiniciou a mobilização grevista e, apesar da forte repressão aplicada pela
administração da instituição contra xs estudantes e trabalhadorxs, saímos da greve
com importantes conquistas como, por exemplo, a tão necessária implementação
das cotas. Em contrapartida, logo no início do ano de 2014 a reitoria anunciou
aquele que seria o principal ataque à luta pela democratização e popularização da
universidade pública: um corte de 60% no orçamento destinado às verbas para
execução dos projetos de extensão universitária e às bolsas para xs estudantes
22
poderem dedicar-se integralmente à atividade extensionista. Se não fosse o
bastante, em seguida a pró-reitoria de extensão modificou drasticamente os
requisitos para aprovação dos projetos, implementando critérios notadamente
meritocráticos, produtivistas e que ensejam um caráter empreendedor e prestador
de serviços, em sentido contrário à dimensão popular e ao compromisso histórico
que a extensão universitária sempre assumiu com a luta da classe trabalhadora.
Fica evidente, portanto, que pensar e atuar na extensão popular requer,
necessariamente, repensar o próprio modelo de universidade pública que está
colocado atualmente. Participar da extensão universitária exige debruçar-se sobre
os complexos e contraditórios processos de enfrentamento de classes e posicionarse ao lado daquelxs sujeitos historicamente alijadxs de condições objetivas e
materiais para ocuparem o latifúndio do conhecimento que constitui a universidade
pública. Defender a extensão é ocupar os espaços públicos e defender um projeto
político alternativo que torne a universidade efetivamente pública, gratuita, laica,
popular e livre das opressivas estruturas de dominação. Acreditar na extensão é
lutar ombro a ombro com os movimentos sociais, cooperativas, centros
comunitários, defensorias públicas, escolas estaduais e todos os demais sujeitos
coletivos comprometidos com a emancipação humana e com a transformação
social.
O verdadeiro conhecimento exige uma presença curiosa do sujeito em face do
mundo e requer sua ação transformadora sobre a realidade. Demanda uma busca
constante e implica invenção e reinvenção. O conhecimento que perturba reclama a
reflexão crítica de cada um sobre o ato de conhecer pelo qual se reconhece
conhecendo e, ao reconhecer-se assim, percebe o seu conhecer e os
condicionamentos a que está submetido seu ato. Acreditar e defender a extensão
universitária é, sem dúvidas, vivenciar situações de intenso despertar de
consciência e ter o espírito eternamente tocado pela indignação e inconformidade.
Bem vindxs a luta do povo, calourxs!
“Aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindose, com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam.” (Paulo Freire - A pedagogia
do Oprimido)
Amanda Dias Verrone (Luf) – Turma XXX de Direito
23
As Festas
Parabéns, galera que acabou de entrar na UNESP. Agora que já passou a
época tensa do Vestibular deve tá sobrando ansiedade para começa a
faculdade. Claro que vocês já devem estar imaginando como serão as aulas, o
corpo docente e que matérias terão. Todavia, já devo avisar que a faculdade
não se resume a uma sala de aula.
Além dos muitos grupos de extensão dos quais vocês com certeza se
interessarão, das oportunidades de pesquisa e do movimento estudantil, outra
parte importante desses anos que vocês passarão aqui na UNESP são as
festas. Sim, as festas.
Aqui na UNESP Franca temos uma linda rotina de festas todas as Quintas e
todos os Sábados, além de claro, outros rolês que podem acontecer durante a
semana. Daí você se pergunta, por que um manual que deveria me
orientar sobre o começo da minha vida acadêmica está falando sobre festas?!
Por mais bobo que pareça, as festas aqui compõem um espaço muito
importante da sua vida Unespiana. Nelas você acaba conhecendo uma boa
parte do círculo de amigos que você levará para toda sua graduação.
São muitas festas ao longo do ano e muitas delas possuem temas e tem
variados tipos de som. Rola sertanejo, pagode, samba, samba rock, rock, funk,
hip hop, eletrônico, entre outros estilos. Ou seja, impossível não encontrar pelo
menos uma que te agrade.
Só para ressaltar, ninguém está pedindo que você deixe os estudos de lado,
mas apenas que também dê uma chance à vida festiva da UNESP. Faculdade é
um momento de se curtir intensamente, aproveitando tudo o que ela oferece.
Muitas das histórias que vocês levarão desses anos acontecerão nesses
espaços, então, aproveitem muito!!
Parabéns novamente por terem entrado na UNESP e espero que esses anos
sejam tão especiais para vocês assim como foram para mim. Nos vemos nos
rolês da vida.
Ana Carolina Rodrigues Parreira (Pata) – Turma XXVIII de Direito
24
A Bateria
Nós da Sapateria, bateria universitária da UNESP Franca, convidamos a todos
para compartilhar conosco uma das melhores experiências vivenciadas no campus:
fazer parte de um grupo plural, onde o que nos rege é a amizade e o amor pela
música. Com mais de dez anos de história, buscamos ensinar com maestria a
reprodução e criação do samba. Tricampeões do “Desafio de Baterias” do Inter,
somos a bateria com maior número de títulos; também tocamos em jogos,
formaturas e outros eventos dentro e fora do universo unespiano, buscando sempre
integração e alegria ao desenvolver nossas atividades.
Venha fazer parte de nossa família! Não é necessário noções musicais, samba no
pé ou sequer bater palmas, estaremos aqui de braços abertos para ensinar-lhes
nossa cadência.
A Atlética
Associação Atlética Acadêmica “VI de Junho”, é a entidade responsável pela
representação desportiva dos discente de todo o campus da Unesp Franca.
Fundada em 1989, a Atlética, tem como objetivo a difusão da prática esportiva,
organizando treinos em diversas modalidades e representando a UNESP em
competições na cidade de Franca, Ribeirão Preto e em todo o estado de São Paulo,
dentra elas a Copa Unesp; os Jogos Universitários de Franca(JUFRA) e “O Inter” palco dos maiores jogos universitários da América Latina.
Além disso, a A.A.A. realiza campeonatos internos como a LUFFU e o InterReps,
tradições anuais do esporte inserido no âmbito universitário. Nós também
trabalhamos sob a ciência da responsabilidade social que cabe a Instituição,
utilizando dos nossos eventos como ferramenta para buscar o contato e transmitir o
nosso apoio junto as entidades carentes da cidade de Franca.
Dicas e macetes da UNESP Franca
• A maioria dos banheiros da UNESP não têm papel higiênico ao lado da privada.
Isso mesmo, caro ingressante: você tem que pegar o papel ao lado da pia antes de
entrar no box. Faça um favor a si mesmo e nunca se esqueça de fazer isso.
• Mas, se a natureza chamar com muito entusiasmo, use o banheiro da
Graduação. Lá nunca tem fila E tem papel ao lado da privada!!!
• Uma segunda opção, caso você não queira comer no Giga, é o Rainha. A
coxinha de lá é idolatrada por todos os unespianos onívoros.
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• O ônibus que vai da UNESP pro centro é o Circular 1 (C1 para os íntimos), que
passa no ponto coberto na frente da faculdade, ou o Samel Park, que passa na Av.
Costa Sobrinho.
• Existem boatos de que teremos um novo bloco de salas, o Bloco 4. Você, que
entra na UNESP esse ano, muito provavelmente também vai sair sem ver essa
coisa pronta.
• Também existem boatos de que teremos um ginásio poliesportivo. Por enquanto
são só boatos mesmo.
• No RU, o bife ao molho madeira, o bife à italiana e até o bife com ervilhas são a
mesma coisa.
• Falando em RU, não tente identificar o sabor do suco. Você não vai conseguir.
• As festas na UNESP são sempre de quinta e de sábado. Sexta vai deixar de ser
o dia de sair com xs amigxs pra virar um breve intervalo entre a última festa e a
próxima.
• Você vai se apaixonar pelos milhões de cães de rua que habitam o nosso
campus, entram no RU e, às vezes, até assistem aula com você.
A vivência no campus
Além da sala de aula
Quando cheguei em Franca e fiquei adotado (e onde acabei morando), foi um
momento de muita experiência e aprendizado. Esse mês serviu para ver como seria
minha vida dali pra frente. Dentro da universidade, faço parte do Núcleo Agrário
Terra e Raiz, que me proporciona até hoje um crescimento em relação a humildade,
a respeitar mais o próximo e, claro, uma politização que também estou alcançando
graças ao Movimento Estudantil. Faço parte do Centro Acadêmico de História e a
cada dia lutamos para os avanços na democratização da Universidade. Não
deixando de lado, temos também a graduação, com matérias quebradoras de
paradigmas e abridoras de horizontes.
A cada dia que passa, que participo de cada espaço que a universidade e os
próprios colegas proporcionam, cada roda de debate, cada conversa, cada abraço,
faz a vida univesitária ser marcada. E óbvio, o convívio social fora do espaço físico
da Unesp. Desde um domingo a tarde vendo filmes com o pessoal de casa,
26
ou aquela festa que vai render tantas histórias durante uma semana. Agora vou
parar de contar pra não perder a graça quando chegarem, tem coisas que só vendo
pra acreditar! Parabéns a todas e todos por terem passado por esse funil chamada
vestibular e boa sorte nesses anos que vão ficar na terra dos sapatos (e dos
rodízios). Um forte abraço.
Felipe Borges Souza (Jacaré) – Turma LII de História, membro do Centro
Acadêmico de História Gabriel Roy, gestão “Arebo”.
Movimento e Desconstrução
“Mais importante do que interpretar o Mundo, é contribuir para transformá-lo”.
(Karl Marx)
Cursar Serviço social é saber que há uma chama de esperança diante de um
mundo que não tem jeito, é saber que suas insatisfações e 'rebeldia' não são
somente suas, que existe um grupo de pessoas que pensam como você e que
também se indignam a cada direito negado e negligenciado.
Trilhar o caminho em direção da profissão de assistente social é refletir sobre
duas palavras: Movimento e Desconstrução.
Movimento porque não é uma zona de conforto, não é um curso que permite se
autoconsiderar acima do tempo e do espaço. Movimento porque não permite que
sejamos os mesmos diante do mundo e de todas as suas complexas relações. E é
o movimento que fez a humanidade descobrir o novo, definir novos valores e
explorar tudo que o mundo poderia oferecer.
Desconstrução, pois chegamos ao curso com valores, ideias, posturas e
posicionamentos que nos são transmitidos cotidianamente pelo meio em que
vivemos. Ao se entregar nas voltas reflexivas que o curso nos permite,
desconstruímos dialeticamente cada estrutura que era sólida. Desconstruímos, com
toda a complexidade, um ser que passa a se vestir de novas cores e novos ideais.
E tal desconstrução não tem data limite pra acabar.
É impossível fazer Serviço Social e sair o mesmo. O tempo não permite que
fiquemos petrificados nos velhos ideais. Por isso, que se pode dizer que cursar
Serviço Social não forma apenas profissionais engajados na busca pela garantia de
direitos. Transforma o humano que somos.
Cheliman Alves Rodrigues (Tapauer) – Turma XXXVIII de Serviço Social,
membro do Centro Acadêmico de Serviço Social Rosa Luxemburgo,
gestão “Dandara dos Palmares”.
27
A Universidade e os seus novos viajantes
u
Jovens passageiros, sejam bem vindos,a essa nova viagem que acaba de
começar. Na longínqua e Improvável Franca do Imperador. Cheguem, meus caros,
com essa esperança nos olhos e com alívio de terem sobrevivido a uma das
maiores insanidades dos tempos modernos denominado Vestibular. Cheguem, mas
não se acomodem, não se conformem, não sosseguem. Eu que já piso os meus
pés no quarto ano de Direito, posso lhes falar, o quão rápido esses caminhos são
de trilhar. Rápido, porém muito intenso, engrandecedor e surpreendente caso você
saiba aproveitar.
Caros viajantes, não há um guia para vocês desbravarem a estrada do Ensino
Superior e fazê-la relevante. Mas posso lhes dizer que é preciso abrirmos as
nossas mentes e corações. É preciso estarmos dispostos a ouvirmos e
participarmos de uma outra realidade, diferente de tudo que já fomos capazes de
viver. É preciso sairmos à margem da mediocridade e dos nossos rodamoinhos
individuais. É preciso adentramos nos espaços coletivos, desfazendo-nos dos
preconceitos e do senso comum que nos foram implantados.
Por isso, meus caros caminhantes, participem e ajudem a construir críticas a
uma sociedade positivista, instrumentalista, mercadológica e individualista.
Conheçam o máximo possível de grupos de extensão, apaixona-se por algum deles
e se entregue de mente e alma. Conheça o Movimento Estudantil e os espaços
coletivos da Faculdade como a várzea e o centro de vivência. Desenvolva uma
pesquisa contra hegemônica. Construa Coletivos Políticos. Engaja-se nos centros
acadêmicos e nos departamentos da Faculdade. Vá as Assembleias. Entenda
porque as UNESPs tiveram duas greves seguidas e porque você teve que começar
o ano letivo apenas em abril. Entenda, mas não se contente com essa
Universidade manca de igualdade e sedenta de problematização de questões
sociais. Ousem ouvir, ousem falar, ousem fazer. Emancipem-se e lembrem-se que
a gente aprende e faz muito mais fora dos muros da sala de aula.
Não posso deixar de dizer também o quão importante é a presença de outros
passageiros nessa viagem. Crie laços com seus amigos de turma. Aproxime-se dos
veteranos e das pessoas de outros cursos. Experimente momentos com todos
esses passageiros. Relacionem-se nas festas, nas repúblicas, nos bares depois da
aula, no RU, nos espaços coletivos da faculdade. Vasculhem também os lugares
culturais e artísticos de Franca e conheçam essa gente que tanto nos tem a
acrescentar.
Caro ingressante, não seja apenas um mero passante. Deixe a
28
Universidade, as situações e as pessoas construírem você em um processo
dialógico, de que construindo os outros e os locais, vamos nos “construando”. Eu
que já vivi mais da metade da viagem e que já senti saudades de muitos viajantes
que jáforam para outros sonhos, posso lhes dizer que a efemeridade é o sinônimo
dessa fase, e por isso que a nós cabe a ação para fazer valer cada situação.
Fernanda Cristina Barros Marcondes (Embratel) – Turma XXIX de Direito
Viver na UNESP
Você estudou muito para chegar aqui, noites em claro, aulas intermináveis de
Termofísica, Botânica e História Antiga para arrebentar no vestibular e “conquistar o
sonho de estudar em uma Universidade Pública”, estou certo? E agora, finalmente,
seus planos são estudar ainda mais, aplicar-se àquilo que você realmente gosta, ler
todos os textos e toda a bagagem que “estar na faculdade” significa? Desculpa,
caro amigo... mas a verdade não é esta. Bem vindo aos anos mais fantásticos da
sua vida. À um período único e sem volta de desconstrução, bagunça e loucura.
Bem-vindo à UNESP Franca!!
Eu, assim como você, também esperava um ambiente de estudos, sério e
disciplinado. E não é que isso não acontece. Na verdade, você vai estudar muito.
Mas também vai curtir experiências que jamais imaginou passar pela sua cabeça.
Porque ingressar e estudar em uma Universidade Pública traz consigo uma
variedade inimaginável de vivências que só aqui são possíveis. Em especial este
lindo e bem estruturado campus, mas que tem um universo de experiências para
serem exploradas.
Quando ingressei pensava que teríamos um polo esportivo super estruturado e
moderno, mas até hoje estou esperando encontrá-lo. Nosso campus tem um
grande destaque pela variedade de atividades existentes fora da sala de aula. Pois
acredite, a vida universitária não ocorre dentro de uma sala. Não falo apenas de
festas e comemorações, mas aqui na UNESP participamos de muitos grupos de
extensão que buscam levar o conhecimento da sala de aula, teórico, para a
comunidade, para fora dos muros da faculdade.
Participei de diferentes grupos ao longo da minha graduação e um conselho que
deixo é, se possível, façam o mesmo. Participem de todos os espaços possíveis!
Eu, por exemplo, entrei bem no início na AIESEC. Então, aprendi a me disciplinar
meu tempo, a relacionar com pessoas bem diferentes de mim, a saber ouvir, a
questionar. Mas não apenas lá como também na Orbe – Empresa Júnior de RI e no
grupo de estudos e pesquisa em Cenários Prospectivos onde também
29
amadureci bastante.
Mas uma coisa que eu te aviso, caro amigo, é que estudar na UNESP significa
muito mais do que simplesmente fazer faculdade. Fazer UNESP é diferente de
tudo e de todos. E digo isso porque aqui realmente vivemos a universidade. A
grande maioria se muda do conforto de suas cidades e vem morar na
temperamental eaconchegante Franca do Imperador. O valor que isso tem para a
sua vida é impagável. O amadurecimento que todos passam por aqui é algo único
que só um unespiano é capaz de entender. Aqui você fará parte de uma nova
família, entrará em contato com essa nova cultura e se acostumará com esse novo
ritmo de vida.
Por isso, aproveite os anos mais rápidos e intensos da sua vida!! Bem-vindo a
UNESP!!
Bruno César Silva (Salgueiro) – Turma X de Relações Internacionais
TROTE
NÃO
O trote é treta
Vocês vão tomar trote. Essa é quase uma certeza intransponível. O poder de uma
“tradição” é fazer com que todos passem por ela e nela sejam marcados. Uns mais,
outros menos. Vocês podem não gostar, como eu não gostei. Neste caso te dirão
que é algo que passa logo e que no ano seguinte serão vocês do outro lado. Isto
pode não consolá-los, como não me consolou. Mas, este consolo é o suspiro de
muitos. E aí está o mecanismo chave-fechadura da perpetuação do trote: a
hierarquia.
A regra é simples: os mais velhos dão trote nos mais novos. Os argumentos são
diversos: brincadeira, diversão, forma de educar à vida coletiva, tirar o espírito
colegial da alma dos bixos, processo seletivo para a República, enfim, cada um fala
o que quer para esconder o que todos querem: a insegurança dos veteranos.
O trote tem um fenômeno psicológico parecido com o preconceito. Ele não existe
para os bixos, ele só está projetado nos bixos. Na verdade ele existe para os
veteranos. Gostem nós veteranos ou não. E existe para nos consolar, para sedar
nossas inseguranças. Porque a verdade dói. A verdade é que temos pouco para
“ensinar” para os bixos ou para qualquer um; nestes anos que estamos aqui
cultivamos tradições e hábitos inférteis; não debatemos; não crescemos
intelectualmente, coletivamente ou individualmente; saímos da Faculdade sem
saber pregar um prego na areia, nem em nossos cursos, nem em nossas vidas.
Talvez até pioremos, fiquemos mais bitolados, menos observadores. Mas temos
que ser bons em alguma coisa, afinal estamos quase nos formando, e com
30
isso nos distinguir dos que entram todo ano. Temos, na verdade, uma profunda
crise existencial incubada em cada veterano “opressor”. Então somos bons
“veteranos” e nossa prática é dar trotes. Essa é nossa vida, esse é nosso estilo.
O preconceito é assim também: não gostamos de viados, putas e pretos porque
no fundo sabemos que somos iguais. Sabemos que eles talvez sejam até melhores;
mais humanos do que nós; e isso é intolerável. É uma sensação de frustração
coletiva que se projeta no outro, por qualquer motivo, para encontrar algo que nos
faça ser o que não somos: diferentes. O mecanismo é quase um reflexo
condicionado: faça você a experiência! Basta dar este texto para algum veterano
pró-trote e pedir para ele dizer algo até o parágrafo anterior, ele vai dizer: “texto de
viado”. É genial o poder da auto-sabotagem.
O trote é uma patologia dos frustrados. Dos que não querem assumir que as
pessoas não se distinguem pelo ano que entraram na Faculdade, mas sim pelo
modo com o qual elas lidaram com suas experiências. A hierarquia é o mecanismo
do trote. O critério dela é o mais pueril possível: o tempo. Assim misturam-se
trogloditas e bailarinas em um grande suco homogêneo de tradições infantis.
O único jeito de lidar com isso é enfrentar. Em todos os sentidos. Não fuja para a
vida privada, a vida de apartamento. Esse é o fim! Uma patologia coletiva não se
resolve com antidepressivos individuais! É possível questionar, de forma inteligente,
a lógica da hierarquia e descobrir que no fundo somos todos inseguros mas que
podemos conviver muito bem sem o trote! É possível um bom acolhimento e eles
existem em TODAS as Repúblicas, sem exceção, mas para isso tem que haver
espaços coletivos, de convivência e tolerância. E claro, na presença de trote
violento, uma postura firme e intransigente é o único gesto nobre e respeitável.
Denunciar é o mínimo nesses casos, mas esperamos que não seja necessário.
Afinal, o extraordinário é o que é demais!
Vitor Quarenta (Krust) – Turma XXIX de Direito.
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COMIDAS
Carx ingressante, creio que você deve ter opiniões adversas sobre a nossa
querida Franca do Imperador. Com certeza acha que ela fica no fim do mundo,
longe de tudo e de todos, que seus habitantes dirigem mal pra caramba e que a
falta de coisas pra fazer aqui vai te matar de tédio. Contudo, é aí que você se
engana, amigx (pelo menos em relação à última parte)! Além das atividades
universitárias e do convívio com os demais estudantes, Franca possui um
excelentíssimo rol de lanchonetes, restaurantes e rodízios pra você encher a pança.
Eis, aqui, os melhores e mais amados recintos gastronômicos segundo os
unespianos:
Rodízios
Rodízio de crepe
Almada creperia (também entregam!)
Rua Maria Martins Araújo, 286, Jardim
Lima
(16) 3724-4029 / (16) 8152-6730
Rodízio de fondue (de maio a
agosto) e rodízio de waffle
Olinto Café
Rua Monsenhor Rosa, 1396, Centro
(16) 3701-6001
Rodízio de batata
Bangalô batataria (também entregam!)
Rua Simão Caleiro, 1580, Centro
(16) 3722-3816
Rodízio de comida mexicana
Guadalupe Mexican Bar
Av. Paulo VI, 1250, Parque Progresso
(16) 3409-9262
Rodízio de hambúrguer e churros
Hamburgueria Duzé (também
entregam!)
Avenida Paulo VI, 1250, Jardim
Alvorada
(16) 3702-9922
Rodízio de carne
Churrascaria Zebu
Av. Dr Hélio Palermo, 3525, Jardim
Paulista
(16) 3722-4044
Rodízio de comida japonesa
Feng Sushi
Rua Dr. Marrey Junior, 2381, Centro
(16) 3403-2413
Outros
Rodízio de pizza (pré-assada)
Finotti Pizzaria
Av. Champagnat, 2269, Centro
(16) 3720-0793
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Padaria Estrela
Avenida Major Nicácio, 1555, Centro
(16) 3712-0900
Shanghai Comida Chinesa
(16) 3406-4980
Bunitus Dog
(16) 3432-2276
Pizzaria do Gaúcho
(16) 3406-4077
City Posto Padaria e Conveniência
(24 horas)
Av. Dr. Hélio Palermo, 2888, Jardim
Samelo
(16) 3724-1500
X-Basquete Lanches
(16) 3722-8823
Bahmassas Marmitex
(16) 3017-7177
TELEFONES ÚTEIS
SAMU : 192
Gás: (16) 3722-4530
Bombeiros : 193
Tio Mauro Táxi : (16) 99265-9291
Polícia Militar : 190
Menezes : (16) 99255-7637
Hospital São Joaquim (Unimed) :
(16) 3711-7777
Coopertaxi : (16) 0800-341-191
Unidade Móvel de Saúde : 0800183-565
Santa Casa : (16) 3711-4000
Pronto-Socorro Dr. "Janjão" : (16)
3703-1440
Droga Bela (24h, também entrega) :
(16) 3722-1616
Mototaxi D. Pedro : (16) 3702-4481
Centro Linguístico - Aliança Francesa
: (16) 3432-7007
Livraria jurídica : (16) 3722-6855
UNESP : (16) 3706-8701
Graduação : (16) 3706-8829
Procon : 151
Mecânica Dermínio: (16) 3722-2590
Rodoviária : (16) 3723-9300
Chaveiro : (16) 3727-1519
Cometa : (16) 3724-3055
Água : (16) 3725-1116
Empresa São José : (16) 3703-6061
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MANUAL DO INGRESSANTE 2015