MANUAL DO INGRESSANTE UNESP FRANCA 2015 SUMÁRIO 1. Olá! ............................................................... Pág. 3 2. UNESP: universidade pública? ..................... Pág. 4 3. Onde morar? ................................................. Pág. 5 4. Conheça sua universidade ........................... Pág. 8 5. A vida unespiana .......................................... Pág. 19 6. A vivência no campus ................................... Pág. 26 7. Trote NÃO ..................................................... Pág. 30 8. Comidas e telefones úteis .............................Pág. 32 Nota: Ao longo desse manual você vai encontrar alguns substantivos e adjetivos escritos não de maneira tradicional, terminando em “o” e “a”, mas sim em “x”, como em “calourx” e “queridx”. Não se assuste! Isso significa que o autor do texto prefere não atribuir um gênero específico à pessoa que está lendo, já que ela pode ser homem, mulher, ou pode até mesmo não se identificar com nenhum dos dois. É uma medida inclusiva que visa atender aos mais variados tipos de leitores. 2 OLÁ! Sejam muito bem vindos e bem vindas, ingressantes de 2015! Estamos certos de que essa conquista é resultado de muito esforço, escolhas e noites mal dormidas. Mas temos dito: a vivência unespiana vale a pena! Esse Manual é feito por alunos e para alunos, na tentativa de aproximarmos os discentes e de passar a vocês um primeiro contato com o campus – sua organização, estrutura, burocracia e espaços estudantis - baseando-nos nas dúvidas e impasses que também tivemos enquanto ingressantes. A UNESP é uma instituição de ensino superior de grande reconhecimento e prestígio, alicerçada sobre o tripé ensino, extensão e pesquisa. Sendo assim, o campus de Franca não poderia ser diferente, e constitui notável vertente das ciências humanas, contando com os cursos de Direito, História, Relações Internacionais e Serviço Social. A UNESP - Franca possui o caráter dúbio de ser uma faculdade tradicional – historicamente falando – e, ao mesmo tempo, transformadora, enquanto centro de debates e construção conjunta, espaço plural e controverso, fomentados tanto pelo conhecimento crítico que é desenvolvido nos cursos oferecidos, como pela atuação do Movimento Estudantil. Sintam-se motivados nessa jornada universitária que se inicia, extraiam o máximo que o ensino, a extensão e a pesquisa podem oferecer, componham os espaços de discussão estudantil e, sobretudo, deixem-se conquistar pela UNESP que, mesmo com suas imperfeições, é um espaço inteiramente dedicado a nós. Vale a pena lutarmos por ele! Entrem, fiquem à vontade, a casa é de vocês! Ana Luíza de Abreu Paiva (MaOe) – Turma XXXI de Direito, membro do Centro Acadêmico de Direito Prof. André Franco Montoro, gestão “Mandacaru”. 3 UNESP: UNIVERSIDADE PÚBLICA? A UNESP, assim como outras instituições de ensino superior, utiliza o modelo que chamamos de “tripé acadêmico”, ou seja, o ensino, pesquisa e extensão são realizados de forma indissociada. Esta talvez seja, além da qualidade do ensino em si, o grande diferencial das Universidades públicas, em que as aulas são complementadas pela produção científica (pesquisa) e pelo fornecimento de serviços à sociedade (extensão). É importante destacar a necessidade do equilíbrio entre essas 3 bases fundamentais, para que este tripé não fique “manco” e não haja déficit na educação. Entretanto, apesar da excelência do ensino desta casa, a ocorrência de cortes orçamentários vindos do governo estadual está pondo em risco a qualidade do ensino superior público. No ano de 2014, por exemplo, as extensões sofreram um corte de 60% das bolsas, o que prejudicou não somente os alunos engajados nestes projetos, mas também a sociedade (principalmente as classes mais pobres), que usufruía destes serviços de auxílio ao povo. A ideia de uma Universidade pública implica na permissão de acesso por toda a população, mas uma instituição pública DE FATO implica na oportunidade PALPÁVEL de acesso, tanto pelas classes altas como baixas. O processo meritocrático de ingresso à Universidade é um obstáculo a esse ingresso democrático, pois não funciona como uma seleção dxs melhores candidatxs, mas resulta, na grande maioria das vezes, na seleção daquelxs que puderam pagar um ensino fundamental e médio de qualidade; excluindo, mais uma vez, a classe mais pobre. Esta desigualdade torna claro que a educação, há tempos, deixou de ser um direito para se tornar um serviço, ao qual somente a população financeiramente privilegiada possui amplo acesso. Além do que o vestibular, pouco problematizado nas discussões do cenário nacional, não leva em conta a capacidade reflexiva dx candidatx, desvalorizando habilidades fundamentais à vida acadêmica. Seguindo com a problematização de nosso panorama universitário, nossas políticas de permanência estudantil, que auxiliam alunxs mais pobres a se manter na Universidade, estão cada vez mais precarizadas. O Restaurante Universitário, por exemplo, que fornece refeições de preço acessível, não atende à demanda do campus. E a reitoria, frente a um cenário de lutas contra a exclusão social, leva repressão àquelxs que lutam pelo direito de estudar. O Movimento Estudantil da UNESP-Franca repudia todo e qualquer tipo de exclusão e tem se mantido forte na resistência contra o sucateamento da Universidade, visando um ensino e permanência de qualidade, para agora e para gerações posteriores. 4 É preciso lutar contra toda e qualquer política de mercantilização da educação, contra o avanço do projeto neoliberal nas universidades públicas, que cada vez mais limita o acesso da população ao saber e vem na contramão das demandas populares, concentrando ainda mais capital e, consequentemente, poder. A luta pela Universidade pública de fato consiste no avanço em direção à igualdade, na exaltação da democracia, permitindo que o espaço público seja um espaço realmente de TODOS e TODAS, considerando a educação um direito fundamental e imprescindível para todos os cidadãos e cidadãs. Não calemos nossa luta por direitos frente àquelxs que defendem privilégios! Bruno Henrique Marques (Axé Moi) – Turma XXXI de Direito, membro do Centro Acadêmico de Direito Prof. André Franco Montoro, gestão “Mandacaru”. ONDE MORAR? O Adote Bem vindx, ingressante! Chegou agora em Franca e ainda está meio perdidx? É pra isso que serve o sistema de adote. Funciona assim: você fica morando em uma república ou apartamento por mais ou menos um mês, sem precisar pagar aluguel. Durante esse tempo você pode entrar em contato com a vida universitária e conhecer pessoas, com a ajuda de quem já passou por tudo isso. É também nesse período que você vai conhecer a casa e xs moradorxs para decidir se quer morar lá definitivamente ou não. Para ficar adotadx em uma casa, basta procurar por vagas nos grupos de ingressantes do facebook. Laura Muriel Costa (Merthiolate) – Turma LII de História, membro do Centro Acadêmico de História Gabriel Roy, gestão “Arebo”. República ou apartamento? É chegada a hora, caro ingressante: roupas não surgirão misteriosamente limpas no seu armário, sua comida não estará pronta ao chegar em casa depois de um dia de aulas e compromissos na faculdade, suas contas terão que 5 ser administradas por você mesmo (olha que legal!) e acima de tudo é hora de curtir e viver uma liberdade que muitos não estão acostumados. Uma ótima forma de enfrentar esse novo mundo é trocando ideia com a galera que já passou por tudo que você está prestes a experienciar. Mas por que não morar com elas? Com o adote você poderá morar em alguma república ou apartamento com pessoas que estarão dispostas a te mostrar todas as manhas e os espaço que todo graduando da Unesp-Franca deve conhecer. Morar em uma república, em primeiro momento, pode ser um grande desafio. Você entrará em contato com pessoas que pensam e olham o mundo de uma maneira distinta da sua, e é através dessa pluralidade que novos pensamentos e questionamentos surgirão na sua trajetória. Louças, um pouco de bagunça, festas, conversas jogadas fora no sofá serão o inicio para o surgimento de grandes amizades, porém muitas vezes conflitos, questionamentos e atritos te farão se perguntar: O QUE DIABOS EU TÔ FAZENDO AQUI? Relaxa, é nesse momento que você perceberá que morar em Rep vale a pena, pois você terá pessoas que estarão prontas para te dar aquela força assim como aquele seu amigo que agora está distante. Além de ter com quem contar você terá o benefício de pagar um preço acessível no aluguel e nas outras despesas domesticas (água, luz, net, etc...). Se optar por morar em apartamento, você encontrará um ambiente mais tranquilo, com maior privacidade e possivelmente com menos movimentação de pessoas. Construir um ambiente familiar, em um apartamento, pode ser muitas vezes mais difícil do que em uma república, porém com certeza haverá colegas para estar do seu lado e construir um ambiente que te faça sentir-se em casa. Ambas as possibilidades te permitirão vivenciar as experiências que a universidade te espera, pois o que importa mesmo nessa nova jornada é estar disposto a conhecer novas coisas. Lembre-se que é uma nova fase e o importante é estar em um lugar em que você se sinta bem e feliz. Adriano da Silva Avelino (Conga) – Turma LII de História da UNESP, membro do Centro Acadêmico de História Gabriel Roy, gestão “Arebo”; e Fausto Augusto Ferro Gomes (Grego) – Turma XXXI de Direito, membro do Centro Acadêmico de Direito Prof. André Franco Montoro, gestão “Mandacaru”. 6 A Moradia Estudantil Ah, a Moradia querida... Por mais de três anos da minha graduação, residi na Moradia Estudantil da UNESP. Faço aqui no manual meu registro deste tão estimado espaço de amizade, amor, resistência e luta. A Moradia da UNESP localiza-se à Avenida Adhemar Polo Filho, 2050, Jardim Veneza, perto do Centro da Cidade. Há, claro, a dificuldade de ficar longe da Faculdade. Entretanto, há os benefícios de estar perto de uma região da cidade que possui uma gama de variedades quanto a comércio e serviços. A Moradia Estudantil é destinada a estudantes que possuem hipossuficiência socioeconômica. Na querida “Morada”, não precisamos pagar aluguel ou qualquer tipo de conta – seja de luz, água ou sei-lá-o-quê-. Isso ajuda muito na permanência na UNESP e em Franca! Ademais, a Moradia Estudantil da UNESP é um espaço de referência para o Movimento Estudantil. Por ser um local que agrupa um número grande de pessoas que necessitam da permanência estudantil, ela é um local caracterizado por ser de resistência e por ser combativo. Durante os anos que morei lá, tive um crescimento individual, um amadurecimento, inenarrável. Foi, com certeza, uma das experiências mais edificantes que já tive em toda minha vida. Pois, lá, aprendi que o mundo está aí para colocar obstáculos e os mais diversos entraves em nossos sonhos. Porém, com companheiros e companheiras de luta e de vida, as dificuldades são superadas com muito mais facilidade. No quarto 32, onde considero minha eterna casa, e nos espaços coletivos da “Morada”, aprendi grande parte dos ensinamentos mais importantes da minha vida, como me adaptar a ambiente coletivos. Por fim, digo com a maior certeza que possa existir: não titubeie. Vá para a Moradia. João Vítor Dantas Alves (Fita) – Turma XVIII de Direito 7 CONHEÇA SUA UNIVERSIDADE Mapa do campus Órgãos colegiados e instâncias de deliberação Olá ingressante, Algumas pessoas acreditam que o grande desafio já foi cumprido – o de entrar em uma Universidade Pública e que agora as coisas tendem a ficar bem mais sossegadas do que antes. Enganam-se, jovens, pois há muito o que ser feito e enfrentado, e não só no âmbito individual do comprometimento com uma graduação ““exemplar””, mas extrapolando os limites da sala de aula e do próprio umbigo é preciso responsabilidade e envolvimento na construção de uma universidade 8 verdadeiramente democrática, plural e de qualidade. Muitas são as formas de luta para essa construção, uma delas é permear os espaços burocráticos e demarcar as posições dxs alunxs para garantia de nossos direitos, que muitas vezes são negligenciados e tratorados. Nesse sentido, é preciso conhecer os órgãos colegiados da nossa instituição. Adianto-lhes que somos obrigadxs a conviver com um sistema totalmente desigual, que é o sistema 70,15,15 que representa o valor dos votos de cada seguimento universitário: o voto dos professores tem peso de 70% contra 15% dos servidores e 15% dos alunos. Já viram! Isso reflete o tamanho da importância que nos é dado e consequentemente no atendimento das nossas demandas. Por isso, estamos constantemente usando de pressões e mobilizações para fazer nossas vozes serem ouvidas. Nossa Universidade conta com 6 departamentos que atendem as necessidades de nossos 4 cursos (Departamento de Direito Público; Departamento de Direito Privado; Departamento de Educação, Ciências Sociais e Políticas Públicas; Departamento de História; Departamento de Serviço Social e Departamento de Relações Internacionais). São eles responsáveis pela contratação dxs docentes para as matérias às quais os compõem, cabe-lhes a instauração de concursos públicos para tal. E aqui já reside um problema, pois num sistema de apadrinhamento e causas obscuras, nossos concursos geralmente são realizados sem ampla divulgação e consequente pouca concorrência, o que afeta a qualidade de ensino. Cabe axs discentes a fiscalização constante e presença nas bancas. Também constitui função desse órgão a responsabilidade da planilha de presença dxs docentes. Assim, quando umx docente faltar sem justificativa, é ao departamento que xs alunos recorrem. Entre outras funções departamentais, encontram se: • • • • • Promove o desenvolvimento das linhas de pesquisa Propõe a criação, a extinção ou a redistribuição de disciplinas Promove e supervisiona as solicitações de financiamento de pesquisas; Coordena os pedidos de bolsas de estudo Realiza anualmente a avaliação das atividades desenvolvida Em seguida, a UNESP Franca tem 4 Conselhos de Graduação de Curso que defendem os interesses e solucionam problemas dos seus respectivos cursos ( História, Serviço Social, Relações Internacionais e Direito). São responsáveis pela mediação dos conflitos decorrentes da relação docente-discente. Recebem geralmente as demandas e reclamações dxs alunxs. Suas demais atribuições consistem em: • Propõe diretrizes para elaboração e definição do horário das atividades programadas, consultados os professores do curso; 9 • Propõe normas para o processo de matrícula, mostrando as oportunidades existentes (iniciação científica, projetos de extensão, intercâmbio, bolsas e auxílios); • Analisa e aprova os programas da Unesp para alunos participarem de intercâmbio Nacional e Internacional, bem como os programas dos candidatos de outras instituições ao intercâmbio na Unesp; • Coordena e analisa o processo de avaliação de conteúdo ministrado e do desempenho didático dos docentes, informar os resultados aos docentes e departamentos e auxiliar na resolução dos problemas detectados; • Coordena e acompanha o processo de avaliação do aproveitamento dos alunos, encaminhando soluções para eventuais problemas nesse âmbito; • Exerce quaisquer outras atribuições necessárias à coordenação do trabalho pedagógico, visando o bom desenvolvimento das atividades de ensino. Por fim, temos a Congregação –âmbito máximo de deliberação- que discute pautas de todo o Campus. Contém representantes de todos os seguimentos universitários e de todos os cursos. Além de deliberativo, é um órgão normativo em matéria de ensino, pesquisa, extensão universitária e administração. Recebe as reclamações não solucionadas em outras instâncias e indica resolução cabível. Muitas das demandas estudantis referentes à permanência, extensão, abusos de direito são aqui discutidas, por isso, é comumente palco de manifestações e mobilizações dos discentes. Decorrente disso é nesse espaço que vemos expressões mais escancaradas do alheamento para com as pautas do movimento estudantil e atos exacerbados de autoritarismo. Em âmbito mais amplo existe, ainda, o Conselho Universitário(C.O.), que é a máxima instância deliberativa de toda a UNESP e está ligado à figura dx reitorx. Lá são discutidos problemas dos diferentes campi, como o orçamento destinado à eles, por exemplo. Para mais informações sobre o que está ocorrendo com o seu curso e, principalmente, com a nossa Universidade, esteja sempre em contato com o seu Centro Acadêmico e compareça às Assembleias dxs Alunxs. Jéssica Thaís de Lima – Turma XXIX de Direito Representação Discente A universidade pública possuiu autonomia de gestão e é responsável pela sua organização institucional, pedagógica e política. Nesse sentido, ela se estrutura em diversos fóruns e cargos que dizem respeito às instâncias de poder de decisão 10 no interior da Universidade. A diferença da instituição pública de ensino superior é que aqui o aluno também tem direito de opinar nas deliberações. Ao contrário do que todos nós vivenciamos no ensino médio e no cursinho, onde a matéria é apresentada pelos professores num formato pronto e as decisões importantes são tomadas exclusivamente pelos diretores, sem qualquer interferência ou mesmo questionamento dos estudantes, na Universidade nós podemos intervir. Caso discordemos da disposição das matérias do nosso curso, do desempenho dos professores ou da forma como são distribuídas as bolsas de extensão, por exemplo, temos o direito e o dever de manifestar nossa indignação. Isso é feito através da Representação Discente. Eleitos pelos demais alunos através de eleição própria, os Representantes Discentes (RDs) têm a função de informar e deliberar sobre as decisões tomadas nas diversas instâncias da Universidade. Eles têm direito de voz e voto garantido por estatuto em diversos órgãos colegiados, como o Conselho Universitário, a Congregação, o Conselho de Curso e os Departamentos de Curso. Além desses órgãos, existem também as Comissões Permanentes, as quais tratam de assuntos referentes ao tripé universitário (Ensino, Pesquisa e Extensão) e que também possuem Representantes Discentes entre seus membros. São elas: • A Comissão Permanente de Ensino (CPE), a qual trata de avaliações de cursos, desempenho docente, propostas de novas estruturas curriculares, etc. Sua função é identificar problemas relacionados ao ensino no campus e propor soluções à Congregação. • A Comissão Permanente de Pesquisa (CPP), que tem o papel de programar, orientar, coordenar e supervisionar as atividades de pesquisa no campus, além de se manifestar sobre a concessão de bolsas de pesquisa. • A Comissão Permanente de Extensão Universitária (CPEU), a qual coordena e avalia os processos referentes à concessão de bolsas para grupos de extensão e auxílios a estudantes de graduação da unidade, além de se manifestar sobre novos projetos de extensão. Contudo, segundo a estrutura de poder de todos esses espaços, a proporcionalidade de integrantes e votos que representam os estudantes é inversamente proporcional ao nosso número na Universidade. Temos 15% dos votos nesses órgãos, juntamente com 15% dos funcionários, contra 70% de votos dos professores. Logo fica claro como são tomadas as decisões e o quão 11 trabalhoso é sermos atendidos na Universidade. Justamente por isso a participação de todos os alunos no movimento estudantil e nas instâncias de deliberação é essencial para termos nossos interesses contemplados. Temos a obrigação de ocupar todos os espaços de Representação Discente e sermos atuantes e incisivos em todos eles. Protestos, abaixo assinados, reuniões com centros e diretórios acadêmicos são importantíssimos como instrumento de articulação e pressão, mas o único lugar onde obrigatoriamente podemos ser ouvidos são os órgãos colegiados. Nossa voz tem, sim, importância dentro da Universidade, e demandamos que ela seja sempre levada em conta! Laísa Helena Charleaux (Zé) – Turma XXXI de Direito, membro do Centro Acadêmico de Direito Prof. André Franco Montoro, gestão “Mandacaru”. Centro Acadêmico (CA) Um Centro Acadêmico (CA) é a menor instância de organização, representação e atuação estudantil. Um CA é composto por alunos de um mesmo curso que se organizaram e concorreram em uma eleição, para serem os representantes legítimos e eleitos democraticamente dos estudantes de seu curso. Dessa maneira, um CA pode atuar em algumas frentes, sendo uma delas a conhecida como administrativa, em que o Centro Acadêmico atua de maneira a auxiliar os estudantes nas burocracias da Universidade, promover eventos que complementem e enriqueçam a graduação dos demais discentes, avaliar a postura da Direção do Campus e do seu Departamento de Curso, de maneira crítica, sempre mantendo diálogo com esses últimos. Outra frente importante de atuação é o Movimento Estudantil (ME). Um CA é eleito juntamente com sua leitura política de mundo, devendo atuar nesse sentido. Os CAs lutam pela democratização do ensino público, com qualidade, de modo a incluir camadas sociais marginalizadas da sociedade brasileira, como pobres, negros, indígenas, homossexuais, e pessoas trans, por exemplo; tornando a Universidade Pública múltipla e democrática. Faz parte dessa luta o enfrentamento direto com aqueles que atentam contra a Universidade, que colocam em marcha um processo de precarização da educação pública. o Diretório Acadêmico (DA) O Diretório Acadêmico cumpre um papel unificador das entidades existentes 12 no campus (Centros Acadêmicos de cada curso e Comissão de Moradia). Em comparação aos CAs, ao quais são eleitos e representam os estudantes de seu curso, o DA passa por processo eleitoral semelhante, representando toda a comunidade estudantil da unidade. Dessa maneira, deve atuar sobre os temas mais abrangentes e no movimento estudantil. Cabe ao DA convocar a Assembleia Estudantil, centro máximo de deliberação das ações dos estudantes. A assembleia é aberta e democrática, onde cada discente pode (e é recomendado que participe) participar e expor e defender suas ideias. No caso da inexistência de um Diretório Acadêmico a responsabilidade de convocação das assembleias recaí sobre o Conselho de Entidades, organização que reúne os CA’s, a Comissão de Moradia e o DA (caso exista). Diretório Central dos Estudantes (DCE) A Unesp é organizada de maneira multicampi, ou seja, seus campi são espalhados por todo o Estado de São Paulo. A função do Diretório Central dos Estudantes é articular todos os estudantes de todos os campi, de modo a atuar em nível estadual, mantendo o diálogo diretamente com a Reitoria da Universidade. Contudo, atualmente o DCE não existe de fato (é um DCE provisório), conhecido também como Comitê Estadual de Mobilização (CEM) e possuindo caráter de mobilização estadual e não entidade estudantil legalizada. Atualmente, a Diretoria do DCE é composta por delegados de base, eleitos em assembleias nos campi, o que confere dinamicidade ao órgão, não o burocratizando, uma vez que os delegados são revogáveis em cada assembleia. Níkolas Carneiro dos Santos (Raj) - Turma XI de Relações Internacionais, membro do Centro Acadêmico de Relações Internacionais João Cabral de Melo Neto, gestão “Motirõ”. O Movimento Estudantil (ME) O Movimento Estudantil é uma importante organização que visa a auxiliar a expressão da massa estudantil da UNESP. O movimento, como o próprio nome nos diz, é formado por estudantes para atender assuntos que interferem direta ou indiretamente na vida acadêmica dos alunos; portanto, cada aluno que participa do movimento adiciona a esse mais força e notoriedade. Utilizando a crítica e o questionamento, o ME busca confrontar decisões impositivas que ferem a democracia universitária. 13 A participação no Movimento Estudantil garante ao estudante um contato direto com a vida política, propiciando experiências e conhecimento nessa área, garantindo um amadurecimento e desenvolvimento das opiniões e permitindo atuação no campo. Além disso, o movimento permite que o aluno tome maior conhecimento dos problemas que, não só seu campus, mas a universidade como um todo enfrenta. A experiência política é de grande importância independente da carreira que se planeja seguir, ter esse tipo de bagagem permite uma maior preparação para situações que possam surgir na vida fora da universidade. O Movimento Estudantil teve seu auge durante a Ditadura Militar, momento no qual sua expressão ganhou força frente a repressão do governo. Atualmente o movimento procura participar ativamente e se expressar acerca de problemas políticos das mais diversas esferas públicas, desde medidas municipais até questões nacionais. Por isso é comum encontrar posts na internet do ME acerca de questões municipais, como o aumento da tarifa de ônibus e a concessão de passe estudantil em época de greve; ou de questões estaduais como ocupação de reitorias, manifestações e etc. Nós, a classe estudantil, sofremos de uma certa vulnerabilidade no microcosmo da UNESP. Possuímos apenas 15% do total de votos em espaços deliberativos da Universidade (enquanto os docentes possuem 70%, e os funcionários, 15%), o que nos subordina a decisões que muitas vezes não condizem com o que realmente necessitamos e defendemos. Tendo em vista essa realidade, o ME é um corpo vivo que clama por mais vozes que deem a ele um maior poder de atuação. O Movimento Estudantil precisa que você, estudante, não se torne alheio a situações que nos prejudiquem por causa da nossa falta de voz em espaços de decisão e da nossa vulnerabilidade. O ME precisa da sua voz enquanto aluno, enquanto parte viva do espaço acadêmico, porque você é o Movimento. Nada seria da Universidade sem você. O que seria da Universidade sem seus alunos? Não subestime sua voz, a nossa voz, diante dessa falta de paridade. Juntos, e somente juntos, de mãos dadas, conseguiremos lutar por espaço mais democrático para a classe estudantil. Demos as mãos e lutemos juntos por uma Universidade de fato, que ouça nossas reivindicações e as leve em consideração, e que, em momento algum, cale a nossa rouca voz. Lorena Torres Alcântara (Chibata) - Turma XIII de Relações Internacionais; e Yanka Amorim Leal (Raspa) - Turma XXXI de Direito, membro do Centro Acadêmico de Direito Prof. André Franco Montoro, gestão “Mandacaru”. 14 Auxílios socioeconômicos que a UNESP oferece Permanência estudantil Calourada: Primeiramente gostaríamos de parabeniza-los(as) pelo ingresso a universidade e desejar as boas vindas. O vestibular constitui um instrumento de seleção de estudantes de caráter obrigatório, segundo critérios meritorcráticos, desse modo, é necessário compreender que a disposição de vagas encontra-se aquém da demanda, portanto, o vestibular continua ranqueando estudantes e deixando um grande número para o lado de fora dos muros das universidades públicas, ratificando a desigualdade econômica, de acesso à educação pública de qualidade. A permanência estudantil caracteriza-se pelo conjunto de políticas que visam assegurar a permanência dos estudantes que não tem condições econômicas de se manterem durante o período da graduação. É importante salientar que essas políticas são frutos da luta do movimento estudantil, que segue lutando pela ampliação dos direitos dos(as) estudantes. Sendo assim, abaixo estão listados alguns dos auxílios e bolsas que compõem a permanência estudantil (Bolsa de auxílio socioeconômico, Moradia Estudantil, Restaurante universitário) e quais os procedimentos para pleiteá-los. Obs: A maioria das políticas são focalizadas e seletivas, desse modo configuram-se a partir de processos seletivos de caráter sócioeconômico, devido a insuficiências de vagas e recursos. Os processos seletivos acompanham o calendário da unidade local, maiores informações e acesso aos formulários disponíveis no site UNESP Franca, guia extensão – bolsas e auxílios: http://www.unesp.br/proex/programas/paebolsas.php • Bolsa de Apoio Acadêmico e Extensão I (BAAE I): Destina-se aos (as) estudantes que comprovem carência sócioeconômica por meio de um processo seletivo, que envolve o preenchimento de formulários e entrevista com a assistente social. A bolsa tem duração de 12 meses, durante esse período o(a) estudante deverá desenvolver a iniciação científica acompanhado por um professor da unidade. O processo seletivo é realizado anualmente, a partir de todo início do ano letivo, submetendo novamente os(as) estudantes ao mesmo procedimento. 15 Valor da bolsa mensal do ano de 2014: R$ 400,00 • Bolsa de Extensão Universitária II (BAAE II): Destina-se aos(as) estudantes que desenvolvem atividades de extensão que atuam em programas, projetos ou atividades de caráter comunitário. O(a) estudante que candidatar-se à Bolsa de Extensão Universitária deverá realizar sua inscrição diretamente com o coordenador do projeto aprovado pelo Edital PROEX de projetos de extensão universitária. Valor da bolsa mensal do ano de 2014: R$ 400,00 • Moradia Estudantil: A UNESP Franca dispõe de uma moradia estudantil com 86 vagas, sendo 32 divididas em 4 blocos/casas e 54 vagas em um prédio, com isenção de taxa de água, energia e aluguel. Para se candidatar a uma vaga, o(a) estudante deverá fazer a inscrição, submetendo-se ao mesmo processo seletivo referido na bolsa BAAE I. A avaliação socioeconômica tem por base a renda e as despesas da família. A moradia estudantil encontra-se à 7km da faculdade, desse modo, o estudantes conquistaram o passe para o transporte público, mediante luta do Movimento Estudantil. Para maiores informações ente em contato com a página: https://www.facebook.com/moradiaestudantil.unespfranca • Auxílio aluguel: O Auxílio Aluguel é destinado ao(a) estudante que se enquadre em condições de necessidades socioeconômicas e que não estiver ocupando vaga nas moradia estudantil da UNESP. Para se candidatar a uma vaga, o(a) estudante deverá fazer a inscrição, submetendo-se ao mesmo processo seletivo referido na bolsa BAAE I e na moradia. A avaliação socioeconômica tem por base a renda e as despesas da família. Valor da bolsa mensal do ano de 2014: R$ 200,00 o Jennyara Carolina de Campos (Xena) – Turma XXXV de Serviço Social; e Amanda Kelly de Andrade (Preta) – Turma XVII de Serviço Social 16 Auxílios para pesquisa que a UNESP Franca oferece Bolsas de iniciação científica Após passar no vestibular, os estudantes se deparam com um universo inteiro para ser descoberto dentro da Universidade. O olhar do calouro para a complexidade da vida universitária se mostra curioso e disposto a descobrir. A sensação de que nada se sabe pode aparecer logo no primeiro dia e se estender por grande parte da formação acadêmica. Porém, é necessário que os estudantes saibam que essa sensação é extremamente normal e que por nenhum motivo, devem eles deixar de aproveitar as diferentes oportunidades que a Universidade oferece. Assim acontece na pesquisa acadêmica. Muitos devem se perguntar qual a razão de um estudante querer iniciar uma pesquisa se o foco dentro do curso não é o desenvolvimento acadêmico. É nesse momento que o calouro comete o primeiro erro. A experiência de iniciação científica pode abrir inúmeras portas ao pesquisador iniciante e colocá-lo em contato com profissionais muito importantes na respectiva área de pesquisa. Aproveitar o suporte oferecido pela instituição, o apoio de um professor orientador e o conhecimento advindo de uma pesquisa, pode ser o “pulo do gato” para garantir um futuro promissor. Para auxiliar nessa jornada de estudo, existem instituições que auxiliam com bolsas de iniciação científica o estudante que demonstrar competência e vontade. Como essa competência e vontade é demonstrada? Na verdade, não existe alguém de cada instituição que conheça cada estudante e que possa dar um parecer dizendo que este ou aquele está apto a receber uma bolsa. A competência e vontade de desenvolver a pesquisa pode ser demonstrada dentro de um projeto de pesquisa de qualidade. Como fazer um projeto de pesquisa? Para instituições como a FAPESP por exemplo, primeiramente, é aconselhado que o estudante tenha tido aquela disciplina na qual se deseja desenvolver a pesquisa, para que a instituição da bolsa saiba que ele possui o mínimo de conhecimento necessário no assunto. Depois, é necessário que o estudante escolha um professor orientador. Essa etapa é decisiva em relação ao sucesso da pesquisa. É necessário um alinhamento entre pesquisador, orientador e projeto de pesquisa. Procurem conhecer os professores e saber mais sobre suas áreas de pesquisa. Qual instituição de apoio escolher? Em restão de iniciação científica, cada instituição tem uma característica própria. Existem por exemplo: FAPESP, CNPq PIBIC, CAPES… Cada uma com seu modelo de submissão de projetos para a aprovação. A FAPESP por exemplo, “as bolsas devem ser propostas pelo 17 orientador à entidade. Solicitação encaminhada em formulário próprio em qualquer época do ano. O prazo de análise é de aproximadamente 75 dias. http://www.fapesp.br.” “Projetos propostos pelo orientador” não significa que o professor orientador irá desenvolver o projeto para o aluno. O orientador poderá ou não dar instruções na elaboração do projeto que deve ser feito pelo aluno. Depois disso o orientador corrigirá o projeto e assinará os documentos preenchidos pelo aluno para a submissão. A CNPq por exemplo, possui prazo de entrega. As bolsas são destinadas à Universidade, pelo PIBIC, em forma de cotas e, também, ao pesquisador qualificado, por meio de solicitação junto à entidade quando são divulgados editais para esse fim. Atenção aos prazos. Para maiores informações, procurem veteranos e professores. Discutam a possibilidade e adequação. Aproveitem esta oportunidade. Guilherme Jorge da Silva Gravatin (Xuxa) – Turma XXIX de Direito Glossário de S.I.G.L.A.S. e lugares da UNESP RU - Restaurante Universitário ME - Movimento Estudantil CV - Centro de Vivência CA - Centro Acadêmico STAEPE - Seção Técnica de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão CADir - Centro Acadêmico de Direito SAEPE - Seção de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão PROEX - Pró-Reitoria de Extensão CAH - Centro Acadêmico de História CARI - Centro Acadêmico de Relações Internacionais NPJ – Núcleo de Prática Jurídica CASS - Centro Acadêmico de Serviço Social JEC – Juizado Especial Cível DA – Diretório Acadêmico CJS – Centro Jurídico Social CCI – Centro de Convivência Infantil Barracão – Barracão das Extensões Polo - Polo Computacional Giga – lanchonete da UNESP UNATI - Universidade Aberta à Terceira Idade RA – Reunião Administrativa CEEUF – Conselho das Entidades Estudantis da UNESP e Fatec CEUF – Congresso dos Estudantes da UNESP e Fatec CEM – Comando Estadual de Mobilização 18 DCE – Diretório Central dos Estudantes BAAE – Bolsa de Apoio Acadêmico e Extensão RD – Representante Discente IC – Iniciação Científica A VIDA UNESPIANA UNESP e diversidade Parabéns, ingressante! Você acaba de se tornar parte de uma das maiores e melhores universidades do país. Um conjunto plural de pesquisadores e militantes estarão ao seu lado durante os próximos anos, desafiando diariamente suas noções de verdade, justiça, igualdade e mérito. Não preciso pedir para que abandone (pré)conceitos trazidos de suas diferentes socializações e vivências. A vida universitária não te deixará escolha. Agradeça! A verdadeira democracia é aquela que nos faz questionar nosso lugar e nossos papéis e problematizar a vida tanto individual quanto coletiva. Mas você já deve saber que nem tudo são flores na universidade púlica. Em muitos aspectos, a experiência universitária vai servir para você enxergar quanta coisa ainda precisa mudar. E eu não escrevo agora para falar sobre a falta de funcionários e professores, a verba escassa e as prioridades no mínimo questionáveis da reitoria. Escrevo para dizer que colegas são estupradas e culpabilizadas pela violência sofrida – todos os anos. Que negros e negras são chamados de macacos e abordados frequentemente pela polícia. Que gays e lésbicas podem se beijar em festas, mas ainda sentem na pele o que significa não ser bem-vindo. Que praticamente não existem travestis e transgêneros. Que as bolsas para permanência de pobres são escandalosamente insuficientes. A universidade, como a sociedade em geral, se desenhou para pessoas específicas. A diversidade existe, mas insistem em nos impôr padrões e “normalidades” que apagam tudo que é diferente. Chamam de doença, amoralidade, falta de esforço, vitimismo, crime. Confundem a reação de quem sofre discriminações todos os dias com a violência que lhes é exercida. E querem nos fazer acreditar que a luta por respeito e dignidade é uma “ditadura da diversidade”. Gayzistas, feminazis, esquerdopatas: nos rotulam com nomes pejorativos e depreciativos porque não querem que o diferente exista. Querem que a regra seja a única existência possível. Mas não é. E enquanto quem for divergente tiver acesso e permanência precários – quando tem – à universidade, nossa luta vai continuar existindo. 19 Você não precisa concordar com as ações políticas dos movimentos sociais. Não precisa ser contrário ao neoliberalismo econômico. Não precisa receber em sua casa todos os moradores de rua. Nem precisa fazer voto de pobreza, juro. Mas você precisa aceitar a realidade. E ela é dura. Dentro e fora dos muros da universidade, a discriminação existe. Olhe ao redor: quantos negros e negras dividem o espaço acadêmico com você? Quantas travestis? Quantas pessoas com deficiência? Quantos gays afeminados e lésbicas masculinizadas? Quantos dos poucos pobres em sua sala conseguirão terminar o curso? Certamente essas pessoas merecem tanto quanto você estar e permanecer aqui dentro. Isso não significa que diminuo seu esforço, caro ingressante. Significa que eu reconheço, e você também deveria, que o mundo (e o vestibular) não é justo com todo mundo. Se você, que provavelmente estudou em colégios particulares, pelo menos em parte da vida, teve apoio da família e não precisou dividir o seu dia entre aulas e trabalho, não achou a prova fácil, imagine quem não teve as mesmas condições. Mas não há tempo para tristeza. Lutar contra estruturas sociais arraigadas é bem difícil. Inclusive reconhecer privilégios e preconceitos. É um exercício diário de humanidade. A diversidade existe, ingressante. Mas ela não está representada na universidade, nem na maior parte das instituições. Então nos resta questionar as relações de poder que permitem tais disparidades, sendo atores diretos de movimentos sociais, grupos de extensão, pesquisadores comprometidos com a realidade social, profissionais do direito preocupados com sua função na reconstrução da justiça. E garantir que o ambiente acadêmico não seja excludente. Deixe a bicha pintosa ser quem é, mona! Respeite o nome social e a identidade de gênero das pessoas trans! Não ouse culpar a mulher pelas violências diárias que sofre! Não seja prepotente a ponto de deslegitimar a presença de cotistas na universidade! Não ache que seu cabelo é “bom” e que você é um cidadão “de bem”, porque beleza e moral são conceitos condicionados ao momento histórico. Diversidade é o que faz de nós humanos. E até que sejamos todos e todas iguais – não só perante a lei – cada piada, olhar e abraço fazem a diferença. E não se engane, ingressante. A universidade pública pulsa política. Machistas, racistas, homolesbotransfóbicos, capicitistas e elitistas NÃO PASSARÃO. Victor Siqueira Serra (Smash) – Turma XXVIII de Direito 20 Pluralidade e desconstrução Sejam bem vindos, ingressantes! Vocês acabam de entrar numa das melhores universidades públicas do país, um ambiente rico em pessoas de diversos lugares, com os mais diversos hábitos, percepções e experiências. Com isso, a nossa Universidade possui enorme pluralidade de opiniões e formas de agir em determinadas situações. Num ambiente de tamanha construção intelectual, a pluralidade é combustível para que haja construção e desconstrução constantes nos espaços. Porém, essa diversidade toda traz também discursos que são problemáticos para algumas pessoas, sendo estes os discursos de caráter opressivo, racista, machista, LGBTfóbico, capacitista, gordofóbico, entre outros. Nesses casos, tais falas devem ser combatidas e desconstruídas, porque reprimem, ofendem e naturalizam preconceitos já muito presentes na nossa sociedade como um todo. Com esse intuito, no nosso microcosmo Unesp Franca, com seus problemas, peculiaridades e práticas específicas, surgiram grupos que lutam pela igualdade, por uma Universidade pública livre de opressão contra qualquer grupo social. Dentre eles, existe o Margarida Alves, grupo de debate e estudo feminista, o Respeita as Mina, também feminista, que realiza debates, oficinas artísticas e intervenções no campus em prol da discussão feminista, e o CIEPeDiG, Centro Interdisciplinar de Estudo Pesquisa e Extensão em Direito e Gênero. Os grupos existem para auxiliar na luta a favor da desconstrução de opiniões e práticas que firam a igualdade, mas não é necessário que se ingresse nos mesmos para que a desconstrução ocorra. A mudança deve ser interna, a fim de que cada indivíduo respeite e promova a igualdade com o próximo, afinal, machistas, racistas, capacitistas, LGBTfóbicos, gordofóbicos e opressores num geral NÃO PASSARÃO! Amanda Segato e Ciscato (Funk) – Turma XXXI de Direito, membro do Centro Acadêmico de Direito Prof. André Franco Montoro, gestão “Mandacaru”. Os grupos de extensão A Extensão Universitária e a Prática da Liberdade A universidade pública brasileira, desde a celebração da Constituição Federal de 1988, constitui-se fundamentalmente pelo tripé composto pelo ensino, pesquisa e 21 extensão. O princípio da indissociabilidade dessas atividades representa o importante reconhecimento de que o saber acadêmico necessita igualmente tanto do árduo trabalho de investigação científica, quanto da presença ativa dxs estudantes e professorxs na realidade social e material em que estão inseridxs e do qual são sujeitos. Ocorre que, sobretudo a partir da década de 90, a universidade vem cada vez mais se tornando alvo das duras investidas do modelo neoliberal de desenvolvimento, que impõe seus ditames privatizantes e mercadológicos em total descumprimento à função social que deveria nortear a universidade pública. A extensão universitária se materializa nos espaços acadêmicos de diversas maneiras e pode lidar com distintas temáticas, sujeitos e demandas sociais, mas na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da UNESP, em especial, a extensão universitária se concretiza principalmente por meio dos grupos de extensão. É importante salientar que o campus de Franca está entre os que mais possuem projetos de extensão – contando, atualmente, com mais de 40 projetos - o que possibilita ao discente, por meio da análise crítica das experiências e dasformulações teóricas, maior diversidade e compreensão sobre suas atuações na sociedade, enriquecimento de sua formação acadêmica por meio da interdisciplinaridade presente entre xs participantes dos grupos e, também, conhecimento e vivência de múltiplas e distintas realidades sociais. Nesse sentido, a prática extensionista, quando pensada dentro de uma perspectiva crítica e emancipatória, é de extrema importância não apenas para a (trans)formação individual dxs estudantes e, em especial, dxs ingressantes, que a partir da extensão experimentam vivências e compartilham experiências junto aos mais diversos setores da sociedade, mas, sobretudo, pela extensão representar intenso processo educativo, cultural e político que viabiliza a comunicação constante, horizontal e dialética entre o conhecimento acadêmico-científico produzido na universidade e os saberes populares presentes fora dos muros da instituição. No ano de 2013, diante das crescentes violações de direitos praticadas pela reitoria da UNESP contra toda a comunidade acadêmica, o movimento estudantil reiniciou a mobilização grevista e, apesar da forte repressão aplicada pela administração da instituição contra xs estudantes e trabalhadorxs, saímos da greve com importantes conquistas como, por exemplo, a tão necessária implementação das cotas. Em contrapartida, logo no início do ano de 2014 a reitoria anunciou aquele que seria o principal ataque à luta pela democratização e popularização da universidade pública: um corte de 60% no orçamento destinado às verbas para execução dos projetos de extensão universitária e às bolsas para xs estudantes 22 poderem dedicar-se integralmente à atividade extensionista. Se não fosse o bastante, em seguida a pró-reitoria de extensão modificou drasticamente os requisitos para aprovação dos projetos, implementando critérios notadamente meritocráticos, produtivistas e que ensejam um caráter empreendedor e prestador de serviços, em sentido contrário à dimensão popular e ao compromisso histórico que a extensão universitária sempre assumiu com a luta da classe trabalhadora. Fica evidente, portanto, que pensar e atuar na extensão popular requer, necessariamente, repensar o próprio modelo de universidade pública que está colocado atualmente. Participar da extensão universitária exige debruçar-se sobre os complexos e contraditórios processos de enfrentamento de classes e posicionarse ao lado daquelxs sujeitos historicamente alijadxs de condições objetivas e materiais para ocuparem o latifúndio do conhecimento que constitui a universidade pública. Defender a extensão é ocupar os espaços públicos e defender um projeto político alternativo que torne a universidade efetivamente pública, gratuita, laica, popular e livre das opressivas estruturas de dominação. Acreditar na extensão é lutar ombro a ombro com os movimentos sociais, cooperativas, centros comunitários, defensorias públicas, escolas estaduais e todos os demais sujeitos coletivos comprometidos com a emancipação humana e com a transformação social. O verdadeiro conhecimento exige uma presença curiosa do sujeito em face do mundo e requer sua ação transformadora sobre a realidade. Demanda uma busca constante e implica invenção e reinvenção. O conhecimento que perturba reclama a reflexão crítica de cada um sobre o ato de conhecer pelo qual se reconhece conhecendo e, ao reconhecer-se assim, percebe o seu conhecer e os condicionamentos a que está submetido seu ato. Acreditar e defender a extensão universitária é, sem dúvidas, vivenciar situações de intenso despertar de consciência e ter o espírito eternamente tocado pela indignação e inconformidade. Bem vindxs a luta do povo, calourxs! “Aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindose, com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam.” (Paulo Freire - A pedagogia do Oprimido) Amanda Dias Verrone (Luf) – Turma XXX de Direito 23 As Festas Parabéns, galera que acabou de entrar na UNESP. Agora que já passou a época tensa do Vestibular deve tá sobrando ansiedade para começa a faculdade. Claro que vocês já devem estar imaginando como serão as aulas, o corpo docente e que matérias terão. Todavia, já devo avisar que a faculdade não se resume a uma sala de aula. Além dos muitos grupos de extensão dos quais vocês com certeza se interessarão, das oportunidades de pesquisa e do movimento estudantil, outra parte importante desses anos que vocês passarão aqui na UNESP são as festas. Sim, as festas. Aqui na UNESP Franca temos uma linda rotina de festas todas as Quintas e todos os Sábados, além de claro, outros rolês que podem acontecer durante a semana. Daí você se pergunta, por que um manual que deveria me orientar sobre o começo da minha vida acadêmica está falando sobre festas?! Por mais bobo que pareça, as festas aqui compõem um espaço muito importante da sua vida Unespiana. Nelas você acaba conhecendo uma boa parte do círculo de amigos que você levará para toda sua graduação. São muitas festas ao longo do ano e muitas delas possuem temas e tem variados tipos de som. Rola sertanejo, pagode, samba, samba rock, rock, funk, hip hop, eletrônico, entre outros estilos. Ou seja, impossível não encontrar pelo menos uma que te agrade. Só para ressaltar, ninguém está pedindo que você deixe os estudos de lado, mas apenas que também dê uma chance à vida festiva da UNESP. Faculdade é um momento de se curtir intensamente, aproveitando tudo o que ela oferece. Muitas das histórias que vocês levarão desses anos acontecerão nesses espaços, então, aproveitem muito!! Parabéns novamente por terem entrado na UNESP e espero que esses anos sejam tão especiais para vocês assim como foram para mim. Nos vemos nos rolês da vida. Ana Carolina Rodrigues Parreira (Pata) – Turma XXVIII de Direito 24 A Bateria Nós da Sapateria, bateria universitária da UNESP Franca, convidamos a todos para compartilhar conosco uma das melhores experiências vivenciadas no campus: fazer parte de um grupo plural, onde o que nos rege é a amizade e o amor pela música. Com mais de dez anos de história, buscamos ensinar com maestria a reprodução e criação do samba. Tricampeões do “Desafio de Baterias” do Inter, somos a bateria com maior número de títulos; também tocamos em jogos, formaturas e outros eventos dentro e fora do universo unespiano, buscando sempre integração e alegria ao desenvolver nossas atividades. Venha fazer parte de nossa família! Não é necessário noções musicais, samba no pé ou sequer bater palmas, estaremos aqui de braços abertos para ensinar-lhes nossa cadência. A Atlética Associação Atlética Acadêmica “VI de Junho”, é a entidade responsável pela representação desportiva dos discente de todo o campus da Unesp Franca. Fundada em 1989, a Atlética, tem como objetivo a difusão da prática esportiva, organizando treinos em diversas modalidades e representando a UNESP em competições na cidade de Franca, Ribeirão Preto e em todo o estado de São Paulo, dentra elas a Copa Unesp; os Jogos Universitários de Franca(JUFRA) e “O Inter” palco dos maiores jogos universitários da América Latina. Além disso, a A.A.A. realiza campeonatos internos como a LUFFU e o InterReps, tradições anuais do esporte inserido no âmbito universitário. Nós também trabalhamos sob a ciência da responsabilidade social que cabe a Instituição, utilizando dos nossos eventos como ferramenta para buscar o contato e transmitir o nosso apoio junto as entidades carentes da cidade de Franca. Dicas e macetes da UNESP Franca • A maioria dos banheiros da UNESP não têm papel higiênico ao lado da privada. Isso mesmo, caro ingressante: você tem que pegar o papel ao lado da pia antes de entrar no box. Faça um favor a si mesmo e nunca se esqueça de fazer isso. • Mas, se a natureza chamar com muito entusiasmo, use o banheiro da Graduação. Lá nunca tem fila E tem papel ao lado da privada!!! • Uma segunda opção, caso você não queira comer no Giga, é o Rainha. A coxinha de lá é idolatrada por todos os unespianos onívoros. 25 • O ônibus que vai da UNESP pro centro é o Circular 1 (C1 para os íntimos), que passa no ponto coberto na frente da faculdade, ou o Samel Park, que passa na Av. Costa Sobrinho. • Existem boatos de que teremos um novo bloco de salas, o Bloco 4. Você, que entra na UNESP esse ano, muito provavelmente também vai sair sem ver essa coisa pronta. • Também existem boatos de que teremos um ginásio poliesportivo. Por enquanto são só boatos mesmo. • No RU, o bife ao molho madeira, o bife à italiana e até o bife com ervilhas são a mesma coisa. • Falando em RU, não tente identificar o sabor do suco. Você não vai conseguir. • As festas na UNESP são sempre de quinta e de sábado. Sexta vai deixar de ser o dia de sair com xs amigxs pra virar um breve intervalo entre a última festa e a próxima. • Você vai se apaixonar pelos milhões de cães de rua que habitam o nosso campus, entram no RU e, às vezes, até assistem aula com você. A vivência no campus Além da sala de aula Quando cheguei em Franca e fiquei adotado (e onde acabei morando), foi um momento de muita experiência e aprendizado. Esse mês serviu para ver como seria minha vida dali pra frente. Dentro da universidade, faço parte do Núcleo Agrário Terra e Raiz, que me proporciona até hoje um crescimento em relação a humildade, a respeitar mais o próximo e, claro, uma politização que também estou alcançando graças ao Movimento Estudantil. Faço parte do Centro Acadêmico de História e a cada dia lutamos para os avanços na democratização da Universidade. Não deixando de lado, temos também a graduação, com matérias quebradoras de paradigmas e abridoras de horizontes. A cada dia que passa, que participo de cada espaço que a universidade e os próprios colegas proporcionam, cada roda de debate, cada conversa, cada abraço, faz a vida univesitária ser marcada. E óbvio, o convívio social fora do espaço físico da Unesp. Desde um domingo a tarde vendo filmes com o pessoal de casa, 26 ou aquela festa que vai render tantas histórias durante uma semana. Agora vou parar de contar pra não perder a graça quando chegarem, tem coisas que só vendo pra acreditar! Parabéns a todas e todos por terem passado por esse funil chamada vestibular e boa sorte nesses anos que vão ficar na terra dos sapatos (e dos rodízios). Um forte abraço. Felipe Borges Souza (Jacaré) – Turma LII de História, membro do Centro Acadêmico de História Gabriel Roy, gestão “Arebo”. Movimento e Desconstrução “Mais importante do que interpretar o Mundo, é contribuir para transformá-lo”. (Karl Marx) Cursar Serviço social é saber que há uma chama de esperança diante de um mundo que não tem jeito, é saber que suas insatisfações e 'rebeldia' não são somente suas, que existe um grupo de pessoas que pensam como você e que também se indignam a cada direito negado e negligenciado. Trilhar o caminho em direção da profissão de assistente social é refletir sobre duas palavras: Movimento e Desconstrução. Movimento porque não é uma zona de conforto, não é um curso que permite se autoconsiderar acima do tempo e do espaço. Movimento porque não permite que sejamos os mesmos diante do mundo e de todas as suas complexas relações. E é o movimento que fez a humanidade descobrir o novo, definir novos valores e explorar tudo que o mundo poderia oferecer. Desconstrução, pois chegamos ao curso com valores, ideias, posturas e posicionamentos que nos são transmitidos cotidianamente pelo meio em que vivemos. Ao se entregar nas voltas reflexivas que o curso nos permite, desconstruímos dialeticamente cada estrutura que era sólida. Desconstruímos, com toda a complexidade, um ser que passa a se vestir de novas cores e novos ideais. E tal desconstrução não tem data limite pra acabar. É impossível fazer Serviço Social e sair o mesmo. O tempo não permite que fiquemos petrificados nos velhos ideais. Por isso, que se pode dizer que cursar Serviço Social não forma apenas profissionais engajados na busca pela garantia de direitos. Transforma o humano que somos. Cheliman Alves Rodrigues (Tapauer) – Turma XXXVIII de Serviço Social, membro do Centro Acadêmico de Serviço Social Rosa Luxemburgo, gestão “Dandara dos Palmares”. 27 A Universidade e os seus novos viajantes u Jovens passageiros, sejam bem vindos,a essa nova viagem que acaba de começar. Na longínqua e Improvável Franca do Imperador. Cheguem, meus caros, com essa esperança nos olhos e com alívio de terem sobrevivido a uma das maiores insanidades dos tempos modernos denominado Vestibular. Cheguem, mas não se acomodem, não se conformem, não sosseguem. Eu que já piso os meus pés no quarto ano de Direito, posso lhes falar, o quão rápido esses caminhos são de trilhar. Rápido, porém muito intenso, engrandecedor e surpreendente caso você saiba aproveitar. Caros viajantes, não há um guia para vocês desbravarem a estrada do Ensino Superior e fazê-la relevante. Mas posso lhes dizer que é preciso abrirmos as nossas mentes e corações. É preciso estarmos dispostos a ouvirmos e participarmos de uma outra realidade, diferente de tudo que já fomos capazes de viver. É preciso sairmos à margem da mediocridade e dos nossos rodamoinhos individuais. É preciso adentramos nos espaços coletivos, desfazendo-nos dos preconceitos e do senso comum que nos foram implantados. Por isso, meus caros caminhantes, participem e ajudem a construir críticas a uma sociedade positivista, instrumentalista, mercadológica e individualista. Conheçam o máximo possível de grupos de extensão, apaixona-se por algum deles e se entregue de mente e alma. Conheça o Movimento Estudantil e os espaços coletivos da Faculdade como a várzea e o centro de vivência. Desenvolva uma pesquisa contra hegemônica. Construa Coletivos Políticos. Engaja-se nos centros acadêmicos e nos departamentos da Faculdade. Vá as Assembleias. Entenda porque as UNESPs tiveram duas greves seguidas e porque você teve que começar o ano letivo apenas em abril. Entenda, mas não se contente com essa Universidade manca de igualdade e sedenta de problematização de questões sociais. Ousem ouvir, ousem falar, ousem fazer. Emancipem-se e lembrem-se que a gente aprende e faz muito mais fora dos muros da sala de aula. Não posso deixar de dizer também o quão importante é a presença de outros passageiros nessa viagem. Crie laços com seus amigos de turma. Aproxime-se dos veteranos e das pessoas de outros cursos. Experimente momentos com todos esses passageiros. Relacionem-se nas festas, nas repúblicas, nos bares depois da aula, no RU, nos espaços coletivos da faculdade. Vasculhem também os lugares culturais e artísticos de Franca e conheçam essa gente que tanto nos tem a acrescentar. Caro ingressante, não seja apenas um mero passante. Deixe a 28 Universidade, as situações e as pessoas construírem você em um processo dialógico, de que construindo os outros e os locais, vamos nos “construando”. Eu que já vivi mais da metade da viagem e que já senti saudades de muitos viajantes que jáforam para outros sonhos, posso lhes dizer que a efemeridade é o sinônimo dessa fase, e por isso que a nós cabe a ação para fazer valer cada situação. Fernanda Cristina Barros Marcondes (Embratel) – Turma XXIX de Direito Viver na UNESP Você estudou muito para chegar aqui, noites em claro, aulas intermináveis de Termofísica, Botânica e História Antiga para arrebentar no vestibular e “conquistar o sonho de estudar em uma Universidade Pública”, estou certo? E agora, finalmente, seus planos são estudar ainda mais, aplicar-se àquilo que você realmente gosta, ler todos os textos e toda a bagagem que “estar na faculdade” significa? Desculpa, caro amigo... mas a verdade não é esta. Bem vindo aos anos mais fantásticos da sua vida. À um período único e sem volta de desconstrução, bagunça e loucura. Bem-vindo à UNESP Franca!! Eu, assim como você, também esperava um ambiente de estudos, sério e disciplinado. E não é que isso não acontece. Na verdade, você vai estudar muito. Mas também vai curtir experiências que jamais imaginou passar pela sua cabeça. Porque ingressar e estudar em uma Universidade Pública traz consigo uma variedade inimaginável de vivências que só aqui são possíveis. Em especial este lindo e bem estruturado campus, mas que tem um universo de experiências para serem exploradas. Quando ingressei pensava que teríamos um polo esportivo super estruturado e moderno, mas até hoje estou esperando encontrá-lo. Nosso campus tem um grande destaque pela variedade de atividades existentes fora da sala de aula. Pois acredite, a vida universitária não ocorre dentro de uma sala. Não falo apenas de festas e comemorações, mas aqui na UNESP participamos de muitos grupos de extensão que buscam levar o conhecimento da sala de aula, teórico, para a comunidade, para fora dos muros da faculdade. Participei de diferentes grupos ao longo da minha graduação e um conselho que deixo é, se possível, façam o mesmo. Participem de todos os espaços possíveis! Eu, por exemplo, entrei bem no início na AIESEC. Então, aprendi a me disciplinar meu tempo, a relacionar com pessoas bem diferentes de mim, a saber ouvir, a questionar. Mas não apenas lá como também na Orbe – Empresa Júnior de RI e no grupo de estudos e pesquisa em Cenários Prospectivos onde também 29 amadureci bastante. Mas uma coisa que eu te aviso, caro amigo, é que estudar na UNESP significa muito mais do que simplesmente fazer faculdade. Fazer UNESP é diferente de tudo e de todos. E digo isso porque aqui realmente vivemos a universidade. A grande maioria se muda do conforto de suas cidades e vem morar na temperamental eaconchegante Franca do Imperador. O valor que isso tem para a sua vida é impagável. O amadurecimento que todos passam por aqui é algo único que só um unespiano é capaz de entender. Aqui você fará parte de uma nova família, entrará em contato com essa nova cultura e se acostumará com esse novo ritmo de vida. Por isso, aproveite os anos mais rápidos e intensos da sua vida!! Bem-vindo a UNESP!! Bruno César Silva (Salgueiro) – Turma X de Relações Internacionais TROTE NÃO O trote é treta Vocês vão tomar trote. Essa é quase uma certeza intransponível. O poder de uma “tradição” é fazer com que todos passem por ela e nela sejam marcados. Uns mais, outros menos. Vocês podem não gostar, como eu não gostei. Neste caso te dirão que é algo que passa logo e que no ano seguinte serão vocês do outro lado. Isto pode não consolá-los, como não me consolou. Mas, este consolo é o suspiro de muitos. E aí está o mecanismo chave-fechadura da perpetuação do trote: a hierarquia. A regra é simples: os mais velhos dão trote nos mais novos. Os argumentos são diversos: brincadeira, diversão, forma de educar à vida coletiva, tirar o espírito colegial da alma dos bixos, processo seletivo para a República, enfim, cada um fala o que quer para esconder o que todos querem: a insegurança dos veteranos. O trote tem um fenômeno psicológico parecido com o preconceito. Ele não existe para os bixos, ele só está projetado nos bixos. Na verdade ele existe para os veteranos. Gostem nós veteranos ou não. E existe para nos consolar, para sedar nossas inseguranças. Porque a verdade dói. A verdade é que temos pouco para “ensinar” para os bixos ou para qualquer um; nestes anos que estamos aqui cultivamos tradições e hábitos inférteis; não debatemos; não crescemos intelectualmente, coletivamente ou individualmente; saímos da Faculdade sem saber pregar um prego na areia, nem em nossos cursos, nem em nossas vidas. Talvez até pioremos, fiquemos mais bitolados, menos observadores. Mas temos que ser bons em alguma coisa, afinal estamos quase nos formando, e com 30 isso nos distinguir dos que entram todo ano. Temos, na verdade, uma profunda crise existencial incubada em cada veterano “opressor”. Então somos bons “veteranos” e nossa prática é dar trotes. Essa é nossa vida, esse é nosso estilo. O preconceito é assim também: não gostamos de viados, putas e pretos porque no fundo sabemos que somos iguais. Sabemos que eles talvez sejam até melhores; mais humanos do que nós; e isso é intolerável. É uma sensação de frustração coletiva que se projeta no outro, por qualquer motivo, para encontrar algo que nos faça ser o que não somos: diferentes. O mecanismo é quase um reflexo condicionado: faça você a experiência! Basta dar este texto para algum veterano pró-trote e pedir para ele dizer algo até o parágrafo anterior, ele vai dizer: “texto de viado”. É genial o poder da auto-sabotagem. O trote é uma patologia dos frustrados. Dos que não querem assumir que as pessoas não se distinguem pelo ano que entraram na Faculdade, mas sim pelo modo com o qual elas lidaram com suas experiências. A hierarquia é o mecanismo do trote. O critério dela é o mais pueril possível: o tempo. Assim misturam-se trogloditas e bailarinas em um grande suco homogêneo de tradições infantis. O único jeito de lidar com isso é enfrentar. Em todos os sentidos. Não fuja para a vida privada, a vida de apartamento. Esse é o fim! Uma patologia coletiva não se resolve com antidepressivos individuais! É possível questionar, de forma inteligente, a lógica da hierarquia e descobrir que no fundo somos todos inseguros mas que podemos conviver muito bem sem o trote! É possível um bom acolhimento e eles existem em TODAS as Repúblicas, sem exceção, mas para isso tem que haver espaços coletivos, de convivência e tolerância. E claro, na presença de trote violento, uma postura firme e intransigente é o único gesto nobre e respeitável. Denunciar é o mínimo nesses casos, mas esperamos que não seja necessário. Afinal, o extraordinário é o que é demais! Vitor Quarenta (Krust) – Turma XXIX de Direito. 31 COMIDAS Carx ingressante, creio que você deve ter opiniões adversas sobre a nossa querida Franca do Imperador. Com certeza acha que ela fica no fim do mundo, longe de tudo e de todos, que seus habitantes dirigem mal pra caramba e que a falta de coisas pra fazer aqui vai te matar de tédio. Contudo, é aí que você se engana, amigx (pelo menos em relação à última parte)! Além das atividades universitárias e do convívio com os demais estudantes, Franca possui um excelentíssimo rol de lanchonetes, restaurantes e rodízios pra você encher a pança. Eis, aqui, os melhores e mais amados recintos gastronômicos segundo os unespianos: Rodízios Rodízio de crepe Almada creperia (também entregam!) Rua Maria Martins Araújo, 286, Jardim Lima (16) 3724-4029 / (16) 8152-6730 Rodízio de fondue (de maio a agosto) e rodízio de waffle Olinto Café Rua Monsenhor Rosa, 1396, Centro (16) 3701-6001 Rodízio de batata Bangalô batataria (também entregam!) Rua Simão Caleiro, 1580, Centro (16) 3722-3816 Rodízio de comida mexicana Guadalupe Mexican Bar Av. Paulo VI, 1250, Parque Progresso (16) 3409-9262 Rodízio de hambúrguer e churros Hamburgueria Duzé (também entregam!) Avenida Paulo VI, 1250, Jardim Alvorada (16) 3702-9922 Rodízio de carne Churrascaria Zebu Av. Dr Hélio Palermo, 3525, Jardim Paulista (16) 3722-4044 Rodízio de comida japonesa Feng Sushi Rua Dr. Marrey Junior, 2381, Centro (16) 3403-2413 Outros Rodízio de pizza (pré-assada) Finotti Pizzaria Av. Champagnat, 2269, Centro (16) 3720-0793 32 Padaria Estrela Avenida Major Nicácio, 1555, Centro (16) 3712-0900 Shanghai Comida Chinesa (16) 3406-4980 Bunitus Dog (16) 3432-2276 Pizzaria do Gaúcho (16) 3406-4077 City Posto Padaria e Conveniência (24 horas) Av. Dr. Hélio Palermo, 2888, Jardim Samelo (16) 3724-1500 X-Basquete Lanches (16) 3722-8823 Bahmassas Marmitex (16) 3017-7177 TELEFONES ÚTEIS SAMU : 192 Gás: (16) 3722-4530 Bombeiros : 193 Tio Mauro Táxi : (16) 99265-9291 Polícia Militar : 190 Menezes : (16) 99255-7637 Hospital São Joaquim (Unimed) : (16) 3711-7777 Coopertaxi : (16) 0800-341-191 Unidade Móvel de Saúde : 0800183-565 Santa Casa : (16) 3711-4000 Pronto-Socorro Dr. "Janjão" : (16) 3703-1440 Droga Bela (24h, também entrega) : (16) 3722-1616 Mototaxi D. Pedro : (16) 3702-4481 Centro Linguístico - Aliança Francesa : (16) 3432-7007 Livraria jurídica : (16) 3722-6855 UNESP : (16) 3706-8701 Graduação : (16) 3706-8829 Procon : 151 Mecânica Dermínio: (16) 3722-2590 Rodoviária : (16) 3723-9300 Chaveiro : (16) 3727-1519 Cometa : (16) 3724-3055 Água : (16) 3725-1116 Empresa São José : (16) 3703-6061 33